Sul do Pará - anos 80
By: Adilson Motta, 2013
O processo de desenvolvimento e ocupação da região sul do Estado do Pará teve início na
década de 60, quando o Governo Federal implantou a rodovia Belém-Brasília. No entanto, o ponto
mais culminante desta ocupação e migração se deu nos anos 80, com as descobertas de garimpos
na região. Dentro deste contexto, Serra Pelada influenciou mudanças e transformações na região
significativamente. No início dos anos 80 começou a exploração da mina de Serra Pelada pelos
garimpeiros que faziam escavação manual; os mesmos carregavam o minério nas costas dentro de
saco. A febre do ouro arrastou mais de 100 mil garimpeiros que ali trabalhavam na retirada de
minério. Era um verdadeiro “formigueiro” humano.
Em 1980, o Governo Federal João Figueiredo preocupado com as tensões sociais na região
que hoje chamamos de Projeto Ferro Carajás, resolveu criar o Grupo Executivo das Terras do
Araguaia-Tocantins (GETAT), subordinado ao Conselho de Segurança Nacional.
Ao GETAT foram dadas as mesmas atribuições do INCRA, restringindo-se, porém à sua área
específica, a qual abrangia cerca de 450.000 km², sendo 60% no Pará, compreendendo os
municípios de: Baião, Bagre, Conceição do Araguaia, Itupiranga, Jacundá, Marabá, Moju,
Paragominas, Portel, Redenção, Rio Maria, Rondon do Pará, Santana do Araguaia, São Domingos
do Capim, São Felix do Xingu, São João do Araguaia, Tucuruí e Xinguara. O Estado de Goiás, 22%;
e o Maranhão com 18%.
Em 06 de maio de 1984, ainda povoado de Marabá, Parauapebas foi invadido por dois mil
garimpeiros. Todas as ruas, desde as correntes da Portaria da Vale até a saída do povoado ficaram
cheias de garimpeiros. Revoltados e enfurecidos queriam a todo custo invadir a Serra dos Carajás.
E do lado de dentro das correntes estava à polícia, e chegavam aviões cheios de homens do exército.
No auge...Serra Pelada atualmente(por Adilson Motta)
Em 1985 a CVRD faz a primeira mina na região de Carajás na área conhecida como Corte Sete.
A linha de ferro foi inaugurada em 1985, onde esteve presente o Presidente João Figueiredo e o Governador
do Estado do Pará, Jader Barbalho. Visando promover o desenvolvimento, o governo pretendia construir uma
corredeira de fábricas ao longo da rodovia. Otimista com o Projeto Ferro Carajás, o presidente João
Figueiredo esclareceu que o PFC:
 Enriquecerá o país;
 Aumentará divisas;
 E alimentará a indústria para o crescimento econômico nacional.
Toda essa euforia e expectativa frustrou (socialmente), quando em maio de 1997, o então presidente
Fernando Henrique Cardoso privatizou a CVRD (que era detentora de um complexo industrial com 54
empresas), maior produtora de ferro do mundo, com concessão de duas das maiores rodovias do planeta no
valor de R$ 3,3 bilhões. Seu atual lucro (anual) em 2009 esteve em torno de R$ 21,279 bilhões. No momento
da privatização, 70% da opinião pública era contra (o que alguns chamam de “expropriação ou privataria”).

Sul do Pará - Anos 80

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    Sul do Pará- anos 80 By: Adilson Motta, 2013 O processo de desenvolvimento e ocupação da região sul do Estado do Pará teve início na década de 60, quando o Governo Federal implantou a rodovia Belém-Brasília. No entanto, o ponto mais culminante desta ocupação e migração se deu nos anos 80, com as descobertas de garimpos na região. Dentro deste contexto, Serra Pelada influenciou mudanças e transformações na região significativamente. No início dos anos 80 começou a exploração da mina de Serra Pelada pelos garimpeiros que faziam escavação manual; os mesmos carregavam o minério nas costas dentro de saco. A febre do ouro arrastou mais de 100 mil garimpeiros que ali trabalhavam na retirada de minério. Era um verdadeiro “formigueiro” humano. Em 1980, o Governo Federal João Figueiredo preocupado com as tensões sociais na região que hoje chamamos de Projeto Ferro Carajás, resolveu criar o Grupo Executivo das Terras do Araguaia-Tocantins (GETAT), subordinado ao Conselho de Segurança Nacional. Ao GETAT foram dadas as mesmas atribuições do INCRA, restringindo-se, porém à sua área específica, a qual abrangia cerca de 450.000 km², sendo 60% no Pará, compreendendo os municípios de: Baião, Bagre, Conceição do Araguaia, Itupiranga, Jacundá, Marabá, Moju, Paragominas, Portel, Redenção, Rio Maria, Rondon do Pará, Santana do Araguaia, São Domingos do Capim, São Felix do Xingu, São João do Araguaia, Tucuruí e Xinguara. O Estado de Goiás, 22%; e o Maranhão com 18%. Em 06 de maio de 1984, ainda povoado de Marabá, Parauapebas foi invadido por dois mil garimpeiros. Todas as ruas, desde as correntes da Portaria da Vale até a saída do povoado ficaram cheias de garimpeiros. Revoltados e enfurecidos queriam a todo custo invadir a Serra dos Carajás. E do lado de dentro das correntes estava à polícia, e chegavam aviões cheios de homens do exército. No auge...Serra Pelada atualmente(por Adilson Motta) Em 1985 a CVRD faz a primeira mina na região de Carajás na área conhecida como Corte Sete. A linha de ferro foi inaugurada em 1985, onde esteve presente o Presidente João Figueiredo e o Governador do Estado do Pará, Jader Barbalho. Visando promover o desenvolvimento, o governo pretendia construir uma corredeira de fábricas ao longo da rodovia. Otimista com o Projeto Ferro Carajás, o presidente João Figueiredo esclareceu que o PFC:  Enriquecerá o país;  Aumentará divisas;  E alimentará a indústria para o crescimento econômico nacional. Toda essa euforia e expectativa frustrou (socialmente), quando em maio de 1997, o então presidente Fernando Henrique Cardoso privatizou a CVRD (que era detentora de um complexo industrial com 54 empresas), maior produtora de ferro do mundo, com concessão de duas das maiores rodovias do planeta no valor de R$ 3,3 bilhões. Seu atual lucro (anual) em 2009 esteve em torno de R$ 21,279 bilhões. No momento da privatização, 70% da opinião pública era contra (o que alguns chamam de “expropriação ou privataria”).