Aspectos Gerais da
Malária no Brasil
Uma endemia de elevada importância
epidemiológica na Região Amazônica
Henrique da Silva Cruz
João Paulo Manfré dos Santos
Faculdade Unopar Anhanguera
Etiologia e Agentes Causadores
A malária é causada por protozoários do gênero Plasmodium,
transmitidos ao ser humano pela picada da fêmea infectada do mosquito
Anopheles.
Espécies causadoras de malária em humanos:
Plasmodium vivax - Predominante no Brasil (85% dos casos)
Plasmodium falciparum - Mais grave e com maior letalidade
Plasmodium malariae - Menos frequente
Plasmodium ovale - Raro em humanos
Plasmodium knowlesi - Predominante em regiões da Ásia
Distribuição no Brasil:
P. vivax: 85% dos casos | P. falciparum: Associado a quadros graves
Ciclo Biológico do Plasmodium
O ciclo biológico é complexo e exige dois hospedeiros: o mosquito
Anopheles e o ser humano.
Fase 1: Inoculação - Esporozoítos injetados na corrente sanguínea
Fase Hepática - Parasita invade hepatócitos e se multiplica
Fase Sanguínea - Merozoítos infectam eritrócitos
Sintomas Clínicos: Febre intermitente, calafrios, sudorese intensa
Gametócitos são ingeridos por novo mosquito, completando o ciclo
através da reprodução sexuada no intestino do inseto.
Hipnozoítos e Persistência do P.
vivax
Hipnozoítos: Formas dormentes do parasita que permanecem nos
hepatócitos por semanas ou meses
O Plasmodium vivax possui uma característica biológica única: a
capacidade de formar hipnozoítos, permitindo que o parasita evite o
sistema imunológico e ressurja de forma intermitente.
Consequência: Recaídas frequentes da doença mesmo após tratamento
clínico aparentemente eficaz.
Desafio Terapêutico: A primaquina é o único fármaco capaz de eliminar
hipnozoítos, mas seu uso requer testagem prévia para deficiência de G6PD
(glicose-6-fosfato desidrogenase)
A ausência de G6PD pode provocar efeitos colaterais graves,
complicando a adesão ao protocolo em áreas remotas com acesso
limitado a exames laboratoriais.
O controle efetivo do P. vivax exige estratégias integradas envolvendo
testagem genética, fortalecimento da atenção primária e vigilância
epidemiológica ativa.
Distribuição Epidemiológica no
Brasil
A malária apresenta distribuição espacial marcadamente heterogênea,
concentrando-se quase exclusivamente na Região Amazônica Legal.
99% dos casos autóctones ocorrem na Região Amazônica Legal que
abrange 9 estados
Estados mais afetados:
• Amazonas
• Pará
• Acre
Municípios com maior incidência: Manaus (AM), Porto Velho (RO),
Cruzeiro do Sul (AC)
Nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul, os casos são quase
exclusivamente importados, demonstrando a eficácia das estratégias de
controle fora da Amazônia.
Determinantes Sociais e
Ambientais
A persistência da malária não pode ser compreendida apenas sob o ponto
de vista biológico. Fatores sociais e ambientais têm papel central na
manutenção da endemicidade.
Principais fatores perpetuadores:
Desmatamento para abertura de assentamentos e atividades
agropecuárias
Garimpo ilegal e atividades extrativistas desordenadas
Migrações intensas de trabalhadores temporários para áreas endêmicas
Precariedade das condições de vida e saneamento básico inadequado
Acesso limitado a diagnóstico precoce e tratamento adequado
Populações Vulneráveis: Comunidades ribeirinhas, indígenas, extrativistas
e garimpeiras enfrentam dificuldades logísticas e isolamento geográfico.
Métodos de Diagnóstico
O diagnóstico precoce e preciso é essencial para a interrupção da cadeia
de transmissão, redução da morbimortalidade e prevenção de
complicações graves.
Gota Espessa (Método de Referência)
Mais sensível, permite identificação de espécies, quantificação de
parasitemia e baixo custo
Testes Rápidos de Diagnóstico (TRDs)
Detectam antígenos específicos do Plasmodium, resultados em poucos
minutos
Vantagens dos TRDs: Acesso em áreas remotas, rapidez, facilidade de uso
Limitações dos TRDs: Sensibilidade reduzida em baixa parasitemia,
especialmente em P. vivax
Recomendação: Sempre confirmar TRD positivo com exame microscópico
quando possível.
Tratamento da Malária
O tratamento segue protocolos estabelecidos pelo Ministério da Saúde e
varia conforme a espécie do parasita, gravidade clínica, idade do paciente
e histórico de infecções.
Plasmodium vivax:
Cloroquina + Primaquina
Primaquina: Fundamental para erradicação dos hipnozoítos hepáticos e
prevenção de recaídas
Plasmodium falciparum:
Artemeter-Lumefantrina ou Artesunato IV (casos complicados)
Características: P. falciparum é potencialmente mais grave e exige
esquemas terapêuticos mais agressivos.
O sucesso do tratamento depende da adesão do paciente ao protocolo
completo, especialmente na administração de primaquina para P. vivax,
que é essencial para evitar recaídas futuras.
Estratégias de Prevenção e
Controle
O controle efetivo da malária exige uma abordagem integrada e
coordenada entre múltiplos setores da saúde pública.
Controle Vetorial:
Pulverização de inseticidas, modificação de habitats, redução de
criadouros
Proteção Individual:
Mosquiteiros impregnados de inseticida, repelentes, roupas adequadas
Vigilância Epidemiológica Ativa:
Monitoramento contínuo de casos, rastreamento de contatos
Fortalecimento da Atenção Primária:
Capacitação de profissionais, acesso a diagnóstico e tratamento
Políticas Públicas Integradas: Articulação entre saúde, meio ambiente e
desenvolvimento social para interrupção sustentável da transmissão
A vigilância integrada e as intervenções sustentáveis são fundamentais para
o sucesso a longo prazo.
Desafios e Perspectivas Futuras
Persistência do P. vivax
Capacidade de formar hipnozoítos e gerar recaídas frequentes
Desigualdades Sociais
Vulnerabilidade estrutural de populações amazônicas
Limitações Estruturais
Acesso restrito a diagnóstico e tratamento em áreas remotas
Desmatamento e Degradação
Criação de ambientes favoráveis à proliferação do vetor
Perspectiva Essencial:
O combate eficaz à malária no Brasil exige a continuidade de políticas públicas integradas, o fortalecimento da atenção básica à saúde e o
enfrentamento das desigualdades sociais que perpetuam a vulnerabilidade das populações expostas à doença.
A eliminação da malária passa necessariamente pela redução das desigualdades regionais e pela promoção do desenvolvimento sustentável nos
territórios mais afetados.
Introdução
A malária é uma doença infecciosa febril aguda causada por protozoários do gênero Plasmodium, transmitidos ao ser humano por meio da picada
da fêmea infectada do mosquito Anopheles. Trata-se de uma das mais antigas e persistentes endemias que acometem populações humanas, com
registros históricos que remontam a milhares de anos.
Contexto Epidemiológico: No Brasil, apesar de avanços significativos nas políticas de controle e vigilância epidemiológica, a malária ainda representa
um desafio importante para a saúde pública, especialmente na Região Amazônica, onde se concentra mais de 99% dos casos autóctones do país.
Os aspectos epidemiológicos, clínicos e ambientais relacionados à malária no Brasil são complexos e exigem uma compreensão ampla que
considere a interação entre fatores socioeconômicos, condições ambientais favoráveis à proliferação do vetor e acesso desigual aos serviços de
saúde.
Além disso, o país apresenta uma diversidade de contextos regionais que influenciam diretamente a distribuição da doença, exigindo estratégias
diferenciadas de prevenção e controle.
Objetivo Geral: Analisar, por meio de uma revisão narrativa da literatura, os principais aspectos relacionados à malária no território
brasileiro, incluindo sua etiologia, transmissão, manifestações clínicas, distribuição epidemiológica, estratégias de controle e desafios
enfrentados pelas políticas públicas de saúde.
Desenvolvimento
O desenvolvimento deste estudo aborda de forma integrada e abrangente os principais aspectos relacionados à malária no Brasil, considerando
dimensões biológicas, epidemiológicas, clínicas, ambientais e sociais.
Etiologia e Ciclo Biológico
Protozoários do gênero Plasmodium e mecanismos de transmissão
Distribuição Epidemiológica
Concentração na Região Amazônica Legal e heterogeneidade espacial
Manifestações Clínicas
Sintomas, formas graves e complicações da doença
Estratégias de Diagnóstico
Métodos laboratoriais e testes rápidos de diagnóstico
Tratamento
Protocolos específicos conforme espécie do parasita
Prevenção e Controle
Controle vetorial, proteção individual e vigilância epidemiológica
Determinantes Sociais
Fatores que perpetuam a endemicidade da doença
Políticas Públicas
Desafios e perspectivas para eliminação da doença
Síntese: A compreensão integrada destes aspectos é fundamental para orientar intervenções regionalizadas, sustentáveis e baseadas em evidências
científicas.
Metodologia
Tipo de Estudo:
Revisão narrativa da literatura, que permite uma análise abrangente e reflexiva dos principais aspectos relacionados à malária no Brasil.
Período de Análise:
Artigos científicos, documentos técnicos e relatórios institucionais publicados entre 2014 e 2024.
Bases de Dados Consultadas:
• PubMed
• SciELO (Scientific Electronic Library Online)
• LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde)
• Google Scholar
Critérios de Inclusão:
Artigos em português, inglês ou espanhol; estudos com foco em epidemiologia, diagnóstico, tratamento, prevenção e controle da malária no Brasil;
documentos técnicos do Ministério da Saúde.
Descritores Utilizados:
Epidemiologia, Vetores, Saúde Pública, Diagnóstico Laboratorial, Controle de Endemias, Plasmodium vivax, Plasmodium falciparum, Região Amazônica.
Resultados
Os resultados da revisão narrativa revelaram aspectos significativos sobre o panorama epidemiológico da malária no Brasil:
Controle de P. falciparum:
O país obteve avanços expressivos no enfrentamento da malária por P. falciparum, com redução significativa das formas graves e da mortalidade nos
últimos anos, especialmente a partir da implementação do Plano de Eliminação iniciado em 2010.
Desafios com P. vivax:
Ainda enfrenta dificuldades significativas no controle do P. vivax, cujas características biológicas (capacidade de formar hipnozoítos) dificultam a
interrupção da transmissão e causam recaídas frequentes.
Distribuição Geográfica:
A malária concentra-se quase exclusivamente na Região Amazônica Legal, representando mais de 99% dos casos autóctones, com heterogeneidade
espacial marcante entre regiões.
Achado Principal: Os determinantes sociais e ambientais (desmatamento, garimpo ilegal, migrações, precariedade de vida, acesso limitado a saúde)
são fundamentais na perpetuação da endemicidade da doença.
Estes resultados demonstram que o controle da malária no Brasil exige abordagem integrada que considere fatores biológicos, sociais,
ambientais e institucionais.
Discussão
A análise crítica dos resultados revela a complexidade das interações entre fatores biológicos, sociais, ambientais e institucionais na manutenção da malária
como endemia no Brasil.
Eficácia de Políticas Públicas:
Os avanços no controle de P. falciparum demonstram que políticas públicas bem estruturadas são eficazes, porém o P. vivax permanece como desafio persistente
devido às suas características biológicas únicas.
Determinantes Estruturais:
A concentração de casos na Amazônia não é meramente acidental, mas resultado de processos socioeconômicos históricos que criaram vulnerabilidade estrutural em
populações específicas.
Desafios Logísticos: Acesso limitado a diagnóstico precoce, tratamento adequado e testagem para G6PD em áreas remotas perpetuam ciclos de
transmissão.
Necessidade de Integração:
O combate eficaz exige articulação entre saúde, meio ambiente, desenvolvimento social e políticas de redução de desigualdades, transcendendo a esfera biomédica
tradicional.
Conclusão
Conclusão Principal: O combate eficaz à malária no Brasil exige a continuidade de políticas públicas integradas, o fortalecimento da atenção básica
à saúde e o enfrentamento das desigualdades sociais que perpetuam a vulnerabilidade das populações expostas à doença.
Avanços Alcançados:
O país demonstrou capacidade de controlar P. falciparum através de políticas estruturadas, porém ainda enfrenta desafios significativos com P. vivax.
Desafios Persistentes:
A persistência da malária está intrinsecamente ligada a determinantes sociais, ambientais e institucionais que demandam abordagens multissetoriais.
Perspectiva Futura:
A eliminação da malária passa necessariamente pela redução das desigualdades regionais e pela promoção do desenvolvimento sustentável nos territórios mais
afetados.
Recomenda-se a continuidade de investimentos em vigilância epidemiológica, fortalecimento da rede laboratorial, capacitação de profissionais e políticas de
proteção ambiental e social.
Referências Bibliográficas
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Malária: situação epidemiológica e perspectivas. Brasília: MS, 2023.
BRASIL. Ministério da Saúde. Guia de Tratamento da Malária no Brasil. Brasília: MS, 2024.
FERREIRA, M. U.;CASTRO, M. C. Challenges for malaria elimination in Brazil. Malaria Journal, v. 20, n. 1, p. 196, 2021.
GOMES, L. F.;SILVA, J. P. Plasmodium vivax: biologia, epidemiologia e desafios para o controle. Revista Brasileira de Epidemiologia, v. 24, e210015, 2021.
LOPES, S. C.;RIBEIRO, M. A. Diagnóstico laboratorial da malária: métodos e perspectivas. Jornal Brasileiro de Patologia e Medicina Laboratorial, v. 56, e3820, 2020.
OLIVEIRA, R. S.;MELO, G. C. Determinantes sociais da malária na Amazônia brasileira. Cadernos de Saúde Pública, v. 37, n. 1, e00207920, 2021.
OPAS. Organização Pan-Americana da Saúde. Situação da Malária nas Américas. Washington: OPAS, 2023.
SANTOS, J. B.;ALBUQUERQUE, B. C. Vigilância epidemiológica da malária no Brasil: avanços e desafios. Epidemiologia e Serviços de Saúde, v. 30, n. 2, e2020123, 2021.
WHO. World Health Organization. World Malaria Report 2023. Geneva: WHO, 2023.

slide Aspectos_Gerais_da_Malária_no_Brasil (1).pdf

  • 1.
    Aspectos Gerais da Maláriano Brasil Uma endemia de elevada importância epidemiológica na Região Amazônica Henrique da Silva Cruz João Paulo Manfré dos Santos Faculdade Unopar Anhanguera
  • 2.
    Etiologia e AgentesCausadores A malária é causada por protozoários do gênero Plasmodium, transmitidos ao ser humano pela picada da fêmea infectada do mosquito Anopheles. Espécies causadoras de malária em humanos: Plasmodium vivax - Predominante no Brasil (85% dos casos) Plasmodium falciparum - Mais grave e com maior letalidade Plasmodium malariae - Menos frequente Plasmodium ovale - Raro em humanos Plasmodium knowlesi - Predominante em regiões da Ásia Distribuição no Brasil: P. vivax: 85% dos casos | P. falciparum: Associado a quadros graves
  • 3.
    Ciclo Biológico doPlasmodium O ciclo biológico é complexo e exige dois hospedeiros: o mosquito Anopheles e o ser humano. Fase 1: Inoculação - Esporozoítos injetados na corrente sanguínea Fase Hepática - Parasita invade hepatócitos e se multiplica Fase Sanguínea - Merozoítos infectam eritrócitos Sintomas Clínicos: Febre intermitente, calafrios, sudorese intensa Gametócitos são ingeridos por novo mosquito, completando o ciclo através da reprodução sexuada no intestino do inseto.
  • 4.
    Hipnozoítos e Persistênciado P. vivax Hipnozoítos: Formas dormentes do parasita que permanecem nos hepatócitos por semanas ou meses O Plasmodium vivax possui uma característica biológica única: a capacidade de formar hipnozoítos, permitindo que o parasita evite o sistema imunológico e ressurja de forma intermitente. Consequência: Recaídas frequentes da doença mesmo após tratamento clínico aparentemente eficaz. Desafio Terapêutico: A primaquina é o único fármaco capaz de eliminar hipnozoítos, mas seu uso requer testagem prévia para deficiência de G6PD (glicose-6-fosfato desidrogenase) A ausência de G6PD pode provocar efeitos colaterais graves, complicando a adesão ao protocolo em áreas remotas com acesso limitado a exames laboratoriais. O controle efetivo do P. vivax exige estratégias integradas envolvendo testagem genética, fortalecimento da atenção primária e vigilância epidemiológica ativa.
  • 5.
    Distribuição Epidemiológica no Brasil Amalária apresenta distribuição espacial marcadamente heterogênea, concentrando-se quase exclusivamente na Região Amazônica Legal. 99% dos casos autóctones ocorrem na Região Amazônica Legal que abrange 9 estados Estados mais afetados: • Amazonas • Pará • Acre Municípios com maior incidência: Manaus (AM), Porto Velho (RO), Cruzeiro do Sul (AC) Nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul, os casos são quase exclusivamente importados, demonstrando a eficácia das estratégias de controle fora da Amazônia.
  • 6.
    Determinantes Sociais e Ambientais Apersistência da malária não pode ser compreendida apenas sob o ponto de vista biológico. Fatores sociais e ambientais têm papel central na manutenção da endemicidade. Principais fatores perpetuadores: Desmatamento para abertura de assentamentos e atividades agropecuárias Garimpo ilegal e atividades extrativistas desordenadas Migrações intensas de trabalhadores temporários para áreas endêmicas Precariedade das condições de vida e saneamento básico inadequado Acesso limitado a diagnóstico precoce e tratamento adequado Populações Vulneráveis: Comunidades ribeirinhas, indígenas, extrativistas e garimpeiras enfrentam dificuldades logísticas e isolamento geográfico.
  • 7.
    Métodos de Diagnóstico Odiagnóstico precoce e preciso é essencial para a interrupção da cadeia de transmissão, redução da morbimortalidade e prevenção de complicações graves. Gota Espessa (Método de Referência) Mais sensível, permite identificação de espécies, quantificação de parasitemia e baixo custo Testes Rápidos de Diagnóstico (TRDs) Detectam antígenos específicos do Plasmodium, resultados em poucos minutos Vantagens dos TRDs: Acesso em áreas remotas, rapidez, facilidade de uso Limitações dos TRDs: Sensibilidade reduzida em baixa parasitemia, especialmente em P. vivax Recomendação: Sempre confirmar TRD positivo com exame microscópico quando possível.
  • 8.
    Tratamento da Malária Otratamento segue protocolos estabelecidos pelo Ministério da Saúde e varia conforme a espécie do parasita, gravidade clínica, idade do paciente e histórico de infecções. Plasmodium vivax: Cloroquina + Primaquina Primaquina: Fundamental para erradicação dos hipnozoítos hepáticos e prevenção de recaídas Plasmodium falciparum: Artemeter-Lumefantrina ou Artesunato IV (casos complicados) Características: P. falciparum é potencialmente mais grave e exige esquemas terapêuticos mais agressivos. O sucesso do tratamento depende da adesão do paciente ao protocolo completo, especialmente na administração de primaquina para P. vivax, que é essencial para evitar recaídas futuras.
  • 9.
    Estratégias de Prevençãoe Controle O controle efetivo da malária exige uma abordagem integrada e coordenada entre múltiplos setores da saúde pública. Controle Vetorial: Pulverização de inseticidas, modificação de habitats, redução de criadouros Proteção Individual: Mosquiteiros impregnados de inseticida, repelentes, roupas adequadas Vigilância Epidemiológica Ativa: Monitoramento contínuo de casos, rastreamento de contatos Fortalecimento da Atenção Primária: Capacitação de profissionais, acesso a diagnóstico e tratamento Políticas Públicas Integradas: Articulação entre saúde, meio ambiente e desenvolvimento social para interrupção sustentável da transmissão A vigilância integrada e as intervenções sustentáveis são fundamentais para o sucesso a longo prazo.
  • 10.
    Desafios e PerspectivasFuturas Persistência do P. vivax Capacidade de formar hipnozoítos e gerar recaídas frequentes Desigualdades Sociais Vulnerabilidade estrutural de populações amazônicas Limitações Estruturais Acesso restrito a diagnóstico e tratamento em áreas remotas Desmatamento e Degradação Criação de ambientes favoráveis à proliferação do vetor Perspectiva Essencial: O combate eficaz à malária no Brasil exige a continuidade de políticas públicas integradas, o fortalecimento da atenção básica à saúde e o enfrentamento das desigualdades sociais que perpetuam a vulnerabilidade das populações expostas à doença. A eliminação da malária passa necessariamente pela redução das desigualdades regionais e pela promoção do desenvolvimento sustentável nos territórios mais afetados.
  • 11.
    Introdução A malária éuma doença infecciosa febril aguda causada por protozoários do gênero Plasmodium, transmitidos ao ser humano por meio da picada da fêmea infectada do mosquito Anopheles. Trata-se de uma das mais antigas e persistentes endemias que acometem populações humanas, com registros históricos que remontam a milhares de anos. Contexto Epidemiológico: No Brasil, apesar de avanços significativos nas políticas de controle e vigilância epidemiológica, a malária ainda representa um desafio importante para a saúde pública, especialmente na Região Amazônica, onde se concentra mais de 99% dos casos autóctones do país. Os aspectos epidemiológicos, clínicos e ambientais relacionados à malária no Brasil são complexos e exigem uma compreensão ampla que considere a interação entre fatores socioeconômicos, condições ambientais favoráveis à proliferação do vetor e acesso desigual aos serviços de saúde. Além disso, o país apresenta uma diversidade de contextos regionais que influenciam diretamente a distribuição da doença, exigindo estratégias diferenciadas de prevenção e controle. Objetivo Geral: Analisar, por meio de uma revisão narrativa da literatura, os principais aspectos relacionados à malária no território brasileiro, incluindo sua etiologia, transmissão, manifestações clínicas, distribuição epidemiológica, estratégias de controle e desafios enfrentados pelas políticas públicas de saúde.
  • 12.
    Desenvolvimento O desenvolvimento desteestudo aborda de forma integrada e abrangente os principais aspectos relacionados à malária no Brasil, considerando dimensões biológicas, epidemiológicas, clínicas, ambientais e sociais. Etiologia e Ciclo Biológico Protozoários do gênero Plasmodium e mecanismos de transmissão Distribuição Epidemiológica Concentração na Região Amazônica Legal e heterogeneidade espacial Manifestações Clínicas Sintomas, formas graves e complicações da doença Estratégias de Diagnóstico Métodos laboratoriais e testes rápidos de diagnóstico Tratamento Protocolos específicos conforme espécie do parasita Prevenção e Controle Controle vetorial, proteção individual e vigilância epidemiológica Determinantes Sociais Fatores que perpetuam a endemicidade da doença Políticas Públicas Desafios e perspectivas para eliminação da doença Síntese: A compreensão integrada destes aspectos é fundamental para orientar intervenções regionalizadas, sustentáveis e baseadas em evidências científicas.
  • 13.
    Metodologia Tipo de Estudo: Revisãonarrativa da literatura, que permite uma análise abrangente e reflexiva dos principais aspectos relacionados à malária no Brasil. Período de Análise: Artigos científicos, documentos técnicos e relatórios institucionais publicados entre 2014 e 2024. Bases de Dados Consultadas: • PubMed • SciELO (Scientific Electronic Library Online) • LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde) • Google Scholar Critérios de Inclusão: Artigos em português, inglês ou espanhol; estudos com foco em epidemiologia, diagnóstico, tratamento, prevenção e controle da malária no Brasil; documentos técnicos do Ministério da Saúde. Descritores Utilizados: Epidemiologia, Vetores, Saúde Pública, Diagnóstico Laboratorial, Controle de Endemias, Plasmodium vivax, Plasmodium falciparum, Região Amazônica.
  • 14.
    Resultados Os resultados darevisão narrativa revelaram aspectos significativos sobre o panorama epidemiológico da malária no Brasil: Controle de P. falciparum: O país obteve avanços expressivos no enfrentamento da malária por P. falciparum, com redução significativa das formas graves e da mortalidade nos últimos anos, especialmente a partir da implementação do Plano de Eliminação iniciado em 2010. Desafios com P. vivax: Ainda enfrenta dificuldades significativas no controle do P. vivax, cujas características biológicas (capacidade de formar hipnozoítos) dificultam a interrupção da transmissão e causam recaídas frequentes. Distribuição Geográfica: A malária concentra-se quase exclusivamente na Região Amazônica Legal, representando mais de 99% dos casos autóctones, com heterogeneidade espacial marcante entre regiões. Achado Principal: Os determinantes sociais e ambientais (desmatamento, garimpo ilegal, migrações, precariedade de vida, acesso limitado a saúde) são fundamentais na perpetuação da endemicidade da doença. Estes resultados demonstram que o controle da malária no Brasil exige abordagem integrada que considere fatores biológicos, sociais, ambientais e institucionais.
  • 15.
    Discussão A análise críticados resultados revela a complexidade das interações entre fatores biológicos, sociais, ambientais e institucionais na manutenção da malária como endemia no Brasil. Eficácia de Políticas Públicas: Os avanços no controle de P. falciparum demonstram que políticas públicas bem estruturadas são eficazes, porém o P. vivax permanece como desafio persistente devido às suas características biológicas únicas. Determinantes Estruturais: A concentração de casos na Amazônia não é meramente acidental, mas resultado de processos socioeconômicos históricos que criaram vulnerabilidade estrutural em populações específicas. Desafios Logísticos: Acesso limitado a diagnóstico precoce, tratamento adequado e testagem para G6PD em áreas remotas perpetuam ciclos de transmissão. Necessidade de Integração: O combate eficaz exige articulação entre saúde, meio ambiente, desenvolvimento social e políticas de redução de desigualdades, transcendendo a esfera biomédica tradicional.
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    Conclusão Conclusão Principal: Ocombate eficaz à malária no Brasil exige a continuidade de políticas públicas integradas, o fortalecimento da atenção básica à saúde e o enfrentamento das desigualdades sociais que perpetuam a vulnerabilidade das populações expostas à doença. Avanços Alcançados: O país demonstrou capacidade de controlar P. falciparum através de políticas estruturadas, porém ainda enfrenta desafios significativos com P. vivax. Desafios Persistentes: A persistência da malária está intrinsecamente ligada a determinantes sociais, ambientais e institucionais que demandam abordagens multissetoriais. Perspectiva Futura: A eliminação da malária passa necessariamente pela redução das desigualdades regionais e pela promoção do desenvolvimento sustentável nos territórios mais afetados. Recomenda-se a continuidade de investimentos em vigilância epidemiológica, fortalecimento da rede laboratorial, capacitação de profissionais e políticas de proteção ambiental e social.
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    Referências Bibliográficas BRASIL. Ministérioda Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Malária: situação epidemiológica e perspectivas. Brasília: MS, 2023. BRASIL. Ministério da Saúde. Guia de Tratamento da Malária no Brasil. Brasília: MS, 2024. FERREIRA, M. U.;CASTRO, M. C. Challenges for malaria elimination in Brazil. Malaria Journal, v. 20, n. 1, p. 196, 2021. GOMES, L. F.;SILVA, J. P. Plasmodium vivax: biologia, epidemiologia e desafios para o controle. Revista Brasileira de Epidemiologia, v. 24, e210015, 2021. LOPES, S. C.;RIBEIRO, M. A. Diagnóstico laboratorial da malária: métodos e perspectivas. Jornal Brasileiro de Patologia e Medicina Laboratorial, v. 56, e3820, 2020. OLIVEIRA, R. S.;MELO, G. C. Determinantes sociais da malária na Amazônia brasileira. Cadernos de Saúde Pública, v. 37, n. 1, e00207920, 2021. OPAS. Organização Pan-Americana da Saúde. Situação da Malária nas Américas. Washington: OPAS, 2023. SANTOS, J. B.;ALBUQUERQUE, B. C. Vigilância epidemiológica da malária no Brasil: avanços e desafios. Epidemiologia e Serviços de Saúde, v. 30, n. 2, e2020123, 2021. WHO. World Health Organization. World Malaria Report 2023. Geneva: WHO, 2023.