Seção 2: Toxicologia
clínica: princípios gerais
Prof. Matheus Rebouças Alchaar
CURSO TÉCNICO EM VETERINÁRIA
DISCIPLINA: TOXICOLOGIA
PRINCIPAIS CAPÍTULOS DA
APRESENTAÇÃO
1. Diagnóstico das intoxicações
2. Conduta de urgência nas intoxicações
3. Toxicologia dos medicamentos
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DIAGNÓSTICO DAS INTOXICAÇÕES
• Fundamental para o êxito no tratamento agente toxico;
• Evitando disseminação;
• Não é feito intervenção limitada;
• Conduta visa processo de eliminação.
• Certeza (geralmente difícil), a suspeita e desconhecimento.
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Meios empregados para
fazer o diagnóstico
1. Anamnese (histórico clínico)
2. Avaliação clínica (exame físico e exames complementares)
3. Achados post mortem (alterações anatomopatológicas)
4. Exame toxicológico (analise química)
! Cuidado com critérios únicos !
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Meios empregados para
fazer o diagnóstico
• Curiosidade:
Medicina veterinária forense
Intoxicação criminosa
Exame toxicológico (análise química)
Laudo
Policia civil
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Anamnese (historia clínica)
• É a base do diagnóstico
• Sucesso ou não na identificação do agente
• Tutor pode trazer informações suficientes
• Recorrer a indícios ou outros membros da família
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Anamnese (historia clínica)
• Histórico de saúde (antecedentes, vacinação, medicação...)
• Dados ambientais – domiciliado
• Animais de grande porte
• Tipo de alimentação
• Acesso a locais com risco de intoxicação
• Relação temporal entre sintomas e exposição
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Anamnese (historia clínica)
Os odores exalados também podem evidenciar com qual tipo
de agente o animal entrou em contato:
• Odores aliáceos: têm sido descritos nos casos de
intoxicação por arsênio, organofosforados, tálio, fósforo e
fosfato de zinco;
• Odores cetônicos: ocorrem nas toxicoses por salicilatos,
acetona, benzeno, tolueno, fenóis, xileno, cresol e
isopropanol;
• Odor formólico: nas intoxicações por metaldeído e odor de
amêndoas amargas (acre) na intoxicação por cianeto.
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Avaliação clínica (exame físico e
exames complementares)
• Maioria das vezes ou casos graves tratamento empírico
• Exame físico não é suficiente para conclusão diagnóstica
(≠ indivíduos)
• Auxilio por exames complementares (laboratório e de imagem)
• Medidas de tto adicionais
• Exclusão de outras enfermidades semelhantes
• Determinação do prognóstico
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Avaliação clínica (exame físico)
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Avaliação clínica (exame físico e
exames complementares)
• Muitas vezes não é possível fazer exames complementares
• Medidas terapêuticas emergenciais (anamnese e exame físico)
• Alguns desses exames são:
• Hemograma,
• glicemia,
• ureia,
• creatinina,
• enzimas hepáticas,
• eletrocardiograma,
• radiografias,
• testes de coagulação,
• urinálise,
• gasometria,
• determinação dos eletrólitos
séricos (cálcio, potássio,
magnésio e sódio).
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Achados post mortem
• Casos de intoxicação fatal
• Necropsia detalhada (conclusão do diagnóstico)
• Descrição detalhada das lesões macroscópicas
• Possibilidade coleta (exame histopatológico)
• Indispensável em suspeitas:
• Maus tratos
• Negligência
• Intoxicação exógenas
• Erros médicos.
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Achados post mortem
Maria mole
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Achados post mortem
Exemplo:
Algumas vezes as evidências circunstanciais apontam para a
possibilidade de uma intoxicação criminosa, como, por exemplo,
no caso de um cão de guarda sadio, ativo, alimentando-se
normalmente, que é encontrado morto no dia seguinte, sem
qualquer tipo de sintoma prévio. A primeira suspeita do
proprietário recai sobre a possibilidade de intoxicação por
“aquele vizinho de má índole”, que já havia ameaçado seu
animal de estimação, mas a necropsia revela que o animal veio
a óbito em consequência de uma torção gástrica, excluindo de
maneira definitiva qualquer tipo de toxicose.
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Achados post mortem
É importante também analisar os conteúdos estomacal e
intestinal:
• observando a coloração
• presença de plantas,
• corpos estranhos,
• de comprimidos,
• presença do agente tóxico.
• Qual a importância da necropsia?
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CASO CLÍNICO
Bovino, a propriedade se localizava próximo a uma fábrica de
molas, perto da BR, animal apresentava-se com os membros
anteriores elevados sobre o cocho, frequência cardíaca
aumentada, timpanismo recorrente, som de macicez relativa a
percussão do coração, sem se alimentar, apático, ao receber um
golpe forte sobre o 6° a 8° EIC esquerdo reagia a dor.
Qual o diagóstico e prognóstico?
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CASO CLÍNICO INTOXICAÇÃO
Uma vaca da raça Holandesa, pelagem preta e branca, com
aproximadamente 4 anos de idade, foi adquirida de um leilão em
Minas Gerais e foi recentemente introduzida em uma nova
propriedade rural em Garanhuns-PE, há cerca de três dias. O
sistema de manejo adotado é extensivo, com pastagem de
“braquiária”.
O animal passou a apresentar sinais clínicos como: vermelhidão
cutânea, principalmente em áreas despigmentadas ou
hipopigmentadas da pele (orelhas, faces laterais do úbere e
tetos); corrimento ocular seroso; perda de peso progressiva; dor à
palpação na região torácica direita, entre o 11º e 12º espaço
intercostal; icterícia generalizada nas mucosas; dermatite severa;
fraqueza e depressão.
Qual o diagóstico e prognóstico?
Exame toxicológico (análise química)
Não deve ser considerado indispensável (limitações)
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COLETA E CONSERVAÇÃO DAS AMOSTRAS PARA O ENVIO
AO LABORATORIO DE ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
• Material em contato com amostras devem
ser limpos (esterilizado) tanto para animal
vivo ou morto.
• Seringas
• Agulhas
• Recipientes
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COLETA E CONSERVAÇÃO DAS AMOSTRAS PARA O ENVIO
AO LABORATORIO DE ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
• Amostras acompanhadas de ficha de
descrição do caso, inclusive a suspeita
• Conservação é exclusivamente pelo frio.
Resfriadas, se forem rapidamente enviadas ao
laboratório, ou congeladas, caso devam percorrer
distâncias maiores.
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COLETA E CONSERVAÇÃO DAS AMOSTRAS PARA O ENVIO
AO LABORATORIO DE ANÁLISES TOXICOLÓGICAS
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Amostras
• Ante mortem:
• Sangue (10 mL)
• Urina (50 mL)
• Fezes (250 g)
• Vômito (250 g)
• Pelos (5-10 g)
• Post mortem:
• Fígado (10 mL)
• Rins (50-100 mL)
• Conteúdo estomacal (150-500 g)
• Conteúdo rumminal (150-500 g)
• Tecido adiposo (5-10 g)
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Amostras
• Amostras ambientais:
• Alimentos (200-500 g)
• Forragens (200-500 g)
• Iscas
• Plantas tóxicas (excicata)
• Água (0,5-1 L)
• Solo (1 kg)
• Agente tóxico
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CONDUTA DE URGÊNCIA NAS
INTOXICAÇÕES
Na conduta de urgência propõem-se os seguintes passos:
• Instituição de uma terapia de emergência para a manutenção da vida.
• Estabelecimento do diagnóstico clínico para que se possa realizar
uma terapia racional.
• Emprego de medicamentos (antídotos se houver) e recursos
adequados.
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CONDUTA DE URGÊNCIA NAS
INTOXICAÇÕES
• Determinação da fonte de exposição ao agente tóxico para o
estabelecimento de medidas de prevenção, instruindo o proprietário
sobre os riscos da exposição ao agente tóxico e formas de evitar
exposições futuras.
• As manifestações clínicas na anamnese podem ser inconclusivas
• Intoxicações de drogas ilícitas, como a maconha
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Instruções preliminares ao proprietário
• Em grandes cidades contato por telefone em casos de intoxicação.
• Instruções devem ser claras e tranquilas
• Sucesso e eficácia da medidas terapêuticas subsequentes
• O proprietário deve proteger o animal e pessoas em contato
• Aquecimento
• Lugar tranquilo
• Evitar estresse
• Focinheira
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Instruções preliminares ao proprietário
Perguntas ao proprietário em primeiro contato:
• Presenciou o animal tendo acesso ou o contato com o agente tóxico?
• Qual o produto? (Se for possível, solicitar a leitura dos constituintes da
fórmula presentes no rótulo).
• Qual a via de exposição? (Oral, dérmica ou inala tória).
• Qual a quantidade aproximada do agente tóxico?
• Qual a manifestação clínica que o animal apresenta?
• Há quanto tempo ele a apresenta?
• Há outros animais apresentando o mesmo quadro?
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Instruções preliminares ao proprietário
Instruções passadas
• Exposição agente tóxico foi tópico :
• Lavar a pele do animal com água corrente
• Fria ou norma para evitar vasodilatação
• Favorecendo ainda mais a absorção dérmica
• Se agente for lipossolúvel:
• Lavar com sabões neutros (glicerina, detergente, xampu)
• Cuidado para não esfregar ou massagear
• Risco de circulação sanguínea no local e absorção
• Ao proprietário :
• Vestimenta adequada
• Luvas, avental, bota, máscara...
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Instruções preliminares ao proprietário
• Tutores podem insistir em adm. medicamento por via oral
• O veterinário deve alertar quanto a riscos
• Se animal estiver deprimido
• Ou inconsciente
• Risco de aspiração
• Acesso a agua à vontade
• Favorece a diluição do agente tóxico
• Administrar leite ou clara de ovo
• Efeito demulcente/protetor de mucosa.
Casos graves (convulsão) é apropriado que o veterinário vá ao local. Pq?
Medidas preliminares de urgência
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• Sondas gástricas de vários tamanhos.
• Sondas endotraqueais de vários tamanhos.
• Peras de borracha ou seringas grandes (em substituição à
bomba de sucção).
• Instrumental cirúrgico para dissecção de veias (para facilitar
o acesso venoso).
• Cateteres intravenosos.
• Sondas uretrais.
• Seringas de vários tamanhos e agulhas hipodérmicas.
• Oxigênio a 100%.
• Termômetro.
• Estetoscópio.
Para o bom atendimento das emergências de um quadro de
intoxicação, recomenda-se que o médico veterinário tenha, no
mínimo:
Medidas preliminares de urgência
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No exame físico, deve-se sempre atentar para:
• odores e hálitos,
• presença de úlceras na cavidade oral,
• algum material fixado ao pelame,
• mensuração do débito urinário,
• observação da cor e aspecto das fezes,
• além dos parâmetros vitais.
Medidas preliminares de urgência
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Medidas para dificultar a absorção do
agente tóxico
Exposição cutânea
• O banho é a melhor forma de retirar ou diminuir a
concentração do agente tóxico na pele.
• Contudo, deve-se ressaltar que o banho só é
recomendado quando o quadro clínico do paciente estiver
estabilizado,
• um a vez que tal procedimento pode exacerbar colapsos
cardiovasculares e convulsões.
Além da proteção de quem for dar o banho, deve-se proteger o focinho,
olhos e boca do paciente para evitar inalação ou ingestão de toxicante
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Medidas para dificultar a absorção do
agente tóxico
Exposição cutânea
• Banho com água morna por pelo menos 15 min com
produtos neutros;
• Deve ser muito bem enxaguado e seco, evitando secadores com
temperatura alta.
• Vasodilatação favorece absorção.
• Não é recomendada a tentativa de neutralizar substâncias
ácidas ou alcalinas
• risco de aumentar a gravidade da lesão
• (reações de neutralização podem produzir calor suficiente para
danificar o tecido subjacente)
• Material colante no pelame do animal (tricotomia).
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Medidas para dificultar a absorção do
agente tóxico
Exposição ocular
• Solventes como álcoois, detergentes e hidrocarbonetos
• Causam lesões superficiais nos olhos
• Substâancias corrosivas (danos maiores).
• Cegueira
• Logo após a confirmação, deve-se lavar o olho acometido
de 20-30 minutos
• Sentido médio lateral
• Com a cabeça lateralizada
• Evitar comprometer o outro olho
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Medidas para dificultar a absorção do
agente tóxico
Exposição ocular
• Esse procedimento pode ser feito em casa pelo tutor
• Água limpa
• Soro fisiológico
• A avaliação oftalmológica posterior é sempre necessária e deve
ser feita o mais rápido possível, mas não antes da lavagem
exaustiva dos olhos.
• A indicação de colírios anestésicos pode trazer maior conforto ao
paciente.
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Medidas para dificultar a absorção do
agente tóxico
Exposição inalatória
• O animal deve ser mantido longe da fonte que levou à
intoxicação,
• removendo-o para um ambiente arejado e com
temperatura agradável.
• Deve-se oferecer oxigênio e suporte ventilatório
adequado, além de tratar o broncoespasmo e o edema
pulmonar, se necessário.
Medidas para dificultar a absorção do
agente tóxico
Exposição gastrointestinal
• A ingestão acidental ou proposital de agentes tóxicos
(intoxicação grave)
• Para reduzir ou impedir a absorção (velocidade de
esvaziamento gástrico)
• Se a ingestão for recente estômago
• Cão e gato em 1 hora intestino
O vômito pode não apresentar uma opção de esvaziamento
• Equinos e bovinos
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Medidas para dificultar a absorção do
agente tóxico
Exposição gastrointestinal
• Os métodos usualmente utilizados para impedir a absorção do
agente tóxico presente no trato digestório são:
• indução da êmese,
• lavagem gástrica,
• transformação do agente tóxico em uma forma não absorvível,
• uso de catárticos (acelera defecação),
• eliminação direta do agente tóxico.
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Medidas para dificultar a absorção do
agente tóxico
Exposição gastrointestinal
Indução da êmese
• Deve ser feita no máximo de 1 hora após ingestão
• Cada vez menos indicada (tempo)
• Mais eficiente quando a cavidade gástrica está repleta ou
parcialmente repleta de sólidos e/ou líquidos
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Medidas para dificultar a absorção do
agente tóxico
Exposição gastrointestinal
Indução da êmese
É contraindicada nas seguintes condições:
• Ingestão do agente tóxico há mais de 60 minutos.
• Ingestão de substâncias cáusticas ( expõe novamente a mucosa do trato
digestório superior ao agente tóxico corrosivo).
• Ingestão de destilados de petróleo, substâncias voláteis, depressores do
sistema nervoso central (SNC) e agentes convulsivantes (risco de levar a
aspiração do conteúdo gástrico).
• Animal inconsciente ou intensamente deprimido (o emético será pouco efetivo,
acrescido do fato de o animal não apresentar o reflexo protetor da tosse).
• Agente tóxico de origem desconhecida.
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Medidas para dificultar a absorção do
agente tóxico
AGENTES QUE PROVOCAM O VÔMITO
APOMORFINA:
• Opióide sintético indicado para vômitos em cães
• Não é recomendada para gatos
• Pode ser administrada por:
• via subcutânea (0,08 mg/kg)
• intramuscular (0,04 a 0,08 mg/kg)
• intravenosa (0,03 a 0,04 mg/kg)
• Conjuntiva
A êmese ocorre imediatamente após administração intravenosa, (1-2 minutos);
Por via intramuscular, os vômitos iniciam-se após 5 minutos. 45
Difícil aquisição
Uso veterinário
Medidas para dificultar a absorção do
agente tóxico
AGENTES QUE PROVOCAM O VÔMITO
AGONISTAS ALFA-2-ADRENÉRGICOS:
• Xilazina (produtos de uso veterinário: Rompun®, Kensol®, Virbaxyl®)
• Dexmedetomidina (produto de uso veterinário, Dexdomitor®)
• são geral mente empregados em medicina veterinária como agente
tranquilizante, analgésico e relaxante muscular de ação central.
• A xilazina induz êmese em gatos:
• dose de 0,44 mg/kg,
• por via IM (0,04 a 0,08 mg/kg)
• A dexmedetomidina induz êmese em gatos:
• dose de 7 µg/kg, IM
Ambos tem efeito colateral de sedação 46
Medidas para dificultar a absorção do
agente tóxico
AGENTES QUE PROVOCAM O VÔMITO
PERÓXIDO DE HIDROGÊNIO A 3% (ÁGUA OXIGENADA 10 VOLUMES):
• Administração oral nessa concentração causa o vômito reflexo, por
distensão estomacal;
• Concentrações maiores podem induzir quadros eméticos graves.
• Deve ser administrada na dose de 1 a 2 mL/kg
• O vômito ocorre após 10 minutos.
• A dose deve ser repetida caso não ocorra o vômito no período de 20
minutos após a primeira administração.
• O ato de caminhar (movimento) do animal após adm auxilia no vômito
• Produto de fácil acesso (cuidado com gatos!) 47
Medidas para dificultar a absorção do
agente tóxico
Exposição gastrointestinal
LAVAGEM GÁSTRICA
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Da mesma forma que ocorre com a indução do vômito, há
também controvérsia sobre a eficácia da lavagem gástrica. Há
estudos que mostraram que a indução da êmese pode remover
40 a 60% do agente tóxico ingerido, sendo muito mais efetiva
quando comparada à lavagem gástrica.
Medidas para dificultar a absorção do
agente tóxico
Exposição gastrointestinal
LAVAGEM GÁSTRICA
49
• Pode ser feita se a indução ao vomito não deu certo;
• Deve ser feita em até, no máximo, 1 h após a ingestão do tóxico para evitar
que atinja o intestino;
• A realização da lavagem gástrica é essencial se o toxicante não tem a
capacidade de se ligar ao carvão ativado.
Medidas para dificultar a absorção do
agente tóxico
Exposição gastrointestinal
LAVAGEM GÁSTRICA
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Principais vantagens:
• remoção rápida do conteúdo gástrico,
• a diluição das substâncias cáusticas ingeridas e sua
remoção por um tubo esofágico,
• não expondo novamente as mucosas gástrica e
esofágica às substâncias cáusticas,
• além de permitir a administração de carvão ativado
Medidas para dificultar a absorção do
agente tóxico
Exposição gastrointestinal
LAVAGEM GÁSTRICA
51
Principais desvantagens:
• necessidade de anestesia geral para a realização desse
procedimento;
• emprego da intubação orotraqueal para evitar aspiração do
conteúdo gástrico;
• risco de ocorrêneia de traumatismos no esôfago e estômago
(perfuração), quando da ingestão de substâncias cáusticas;
• ineficácia do procedimento para a remoção de grandes volumes,
principalmente de partículas sólidas;
Medidas para dificultar a
absorção do agente tóxico
Exposição gastrointestinal
LAVAGEM GÁSTRICA
52
• A lavagem do estômago pode ser realizada com água ou solução salina
(NaCl 0,9%) morna, no volume de 5 a 10 mL/kg, sendo o líquido
introduzido com discreta pressão (com o auxílio de uma bomba ou pera
de borracha) e, a seguir, retirado (utilizando a força da gravidade).
• Vários desses ciclos devem ser repetidos (15 a 40) até recuperar o
líquido com o mesmo aspecto daquele que foi introduzido no estômago.
A extremidade externa da sonda deve ser ocluída antes de remoção
para evitar a aspiração.
• O carvão ativado pode ser utilizado antes e após a lavagem
gástrica, bem como junto ao líquido a ser utilizado para esse
procedimento.
Medidas para dificultar a absorção do
agente tóxico
TRANSFORMAÇÃO DO AGENTE TÓXICO EM UMA FORMA
NÃO ABSORVÍVEL
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Formação de um precipitado ou complexo insolúvel:
Pode-se administrar por via oral:
• penicilamina ( Cuprimine®)
• ácido dimercaptosuccínico (DMSA) nas intoxicações agudas
causadas por chumbo, zinco, cádmio e mercúrio inorgânico.
• Íons cálcio (presentes, por exemplo, no leite) podem impedir a
absorção do ácido oxálico presente no trato digestório, formando
oxalato de cálcio que é insolúvel.
Medidas para dificultar a absorção do
agente tóxico
TRANSFORMAÇÃO DO AGENTE TÓXICO EM UMA FORMA
NÃO ABSORVÍVEL
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Formação de um precipitado ou complexo insolúvel:
Pode-se administrar por via oral:
O mesmo ocorre com o sulfato de magnésio ou de sódio administrado
quando da exposição ao chumbo ou sais solúveis de bário, os quais
formam sais insolúveis de sulfato de chumbo e de sulfato de bário,
impedindo, assim, a absorção.
Medidas para dificultar a absorção do
agente tóxico
TRANSFORMAÇÃO DO AGENTE TÓXICO EM UMA FORMA
NÃO ABSORVÍVEL
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Ionização:
• Consiste na manipulação do pH do trato digestório para evitar a
absorção do agente tóxico.
• Sabe-se que as substâncias químicas na sua forma ionizada têm
maior dificuldade de atravessar as barreiras celulares.
• Assim, conhecendo-se as características químicas do agente tóxico,
pode-se modificar o pH do trato digestório de tal forma que este
permita que o agente tóxico permaneça na sua forma iônica,
dificultando, assim, sua absorção pela mucosa gástrica ou intestinal.
Medidas para dificultar a absorção do
agente tóxico
TRANSFORMAÇÃO DO AGENTE TÓXICO EM UMA FORMA
NÃO ABSORVÍVEL
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Adsorção:
É uma substância usada para impedir a absorção de toxinas no trato
gastrointestinal, por meio do processo de adsorção, ou seja, a fixação do tóxico
na superfície do adsorvente, evitando que ele seja absorvido pelo organismo.
Carvão ativado é o adsorvente mais usado em casos de intoxicação aguda.
💡 Como funciona:
• Possui superfície porosa com grande área de contato.
• Liga-se fisicamente a diversos tipos de substâncias tóxicas, principalmente
substâncias orgânicas, alcaloides, pesticidas, medicamentos, etc.
• Impede a passagem do tóxico para a corrente sanguínea.
• É mais eficaz quando administrado até 1 hora após a ingestão do tóxico.
Medidas para dificultar a absorção do
agente tóxico
TRANSFORMAÇÃO DO AGENTE TÓXICO EM UMA FORMA
NÃO ABSORVÍVEL
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Carvão ativado é o adsorvente de eleição quando se suspeita de
uma intoxicação sem que seja conhecido o agente tóxico específico.
• A administração do carvão ativado é realizada por via oral ou via sonda orogástrica,
dissolvendo-o em água (1 g em 3-5 mL de água), sendo indicado para pequenos
animais 5 a 50 g e para grandes animais 250-500 g.
• Também pode ser usado nas técnicas para lavagem gástrica ou de indução do
vômito. Em algumas situações pode ser preconizada a administração do carvão ativa
do em doses múltiplas (2 a 6 doses) a cada 6 a 8 horas, com atenção quanto à
possibilidade de desenvolvimento de hipernatremia, em particular, em cães.
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Medidas para dificultar a absorção do
agente tóxico
USO DE CATÁRTICOS (acelera a defecação)
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Os medicamentos mais utilizados para favorecer a eliminação das fezes nos
quadros de intoxicação são:
• Sorbitol,
• Manitol,
• Sulfato de magnésio
• Sulfato de sódio.
Todos fazem parte do grupo dos catárticos osmóticos.
Retenção de líquido intestinal > do vol. intraluminal > a motilidade
Medidas para dificultar a absorção do
agente tóxico
ELIMINAÇÃO DIRETA
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• Consiste em fazer uso da gastrotomia ou enterotomia para eliminação do
agente tóxico não absorvido.
• São raras as situações em que é necessária a indicação de cirurgias para a
retirada de agentes tóxicos do trato gastrintestinal, como, por exemplo, quando
da ingestão de metais (moedas, porcas de parafusos etc.)
• Ou de grande quantidade de substâncias que formam uma massa coalescente
(por exemplo, tabletes).
• Embora esse procedimento seja efetivo, deve ser reservado quando ocorrerem
falhas em outros meios ou procedim entos. A endoscopia gástrica pode ser uma
alternativa mais segura para a gastrotomia em algumas situações.
ELIMINAÇÃO DIRETA
Gastrotomia
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Medidas para inativar o agente tóxico
absorvido ou seus efeitos
ANTÍDOTOS
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• O procedimento ideal para inativar o agente tóxico absorvido seria a
utilização de antídotos,
• São substâncias químicas que são capazes de se ligar ao agente
tóxico que se encontra dentro do organismo do animal,
• Infelizmente o número de antídotos é muito pequeno perante a
grande quantidade de substâncias passíveis de causar efeitos
nocivos no organismo animal.
Medidas para inativar o agente tóxico
absorvido ou seus efeitos
ANTÍDOTOS
63
• Um exemplo característico de antídoto usado em quadros de
intoxicação são os quelantes de metais.
• Contudo, deve-se ter precaução, pois alguns antídotos mais
específicos por si só causam toxicidade.
• Por exemplo, em algumas intoxicações crônicas por chumbo, o uso
de quelantes pode precipitar o quadro de intoxicação aguda
decorrente da mobilização rápida do metal de seus depósitos no
organismo para a circulação sanguínea.
Medidas para inativar o agente tóxico
absorvido ou seus efeitos
ANTÍDOTOS
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Na grande maioria das vezes, quando o agente tóxico foi absorvido e
não há a disponibilidade do uso de antídotos, procura-se utilizar meios
para controlar os efeitos nocivos causados pelo agente tóxico no
organismo.
Por exemplo, na intoxicação por praguicidas anticolinesterásicos
(organofosforados e carbamatos), uma das medidas é o uso da
atropina, um bloqueador ( antagonista) de receptores colinérgicos
muscarínicos, impedindo, que o excesso de acetilcolina estimule o
receptor muscarínico.
Medidas para eliminar o agente
tóxico absorvido
65
Os agentes tóxicos são geralmente eliminados pela via renal, uma vez
que o rim é a principal via de eliminação, mas também podem ser
excretados pela via biliar (sendo eliminados pelas fezes) e pela via
pulmonar.
A seguir, são apresentados procedimentos para favorecer a eliminação
do agente tóxico absorvido.
Medidas para eliminar o agente
tóxico absorvido
66
• A eliminação urinária do agente tóxico pode ser aumentada pelo uso de
diuréticos ou pela alteração do pH da urina.
• Para a indicação desses procedimentos é necessário que a função renal esteja
normal e que o animal esteja hidratado.
Os diuréticos de escolha são o manitol e a furosemida, pois ambos possuem
potente ação diurética.
• O manitol é um diurético osmótico que em pequenos animais pode ser
administrado na dose de 0,25 a 0,5 mg/kg, por via IV, durante 30 minutos.
• A furosemida é um potente diurético de alça que pode ser administrado como
bolus IV lenta (0,5-4,0 mg/kg) ou por infusão contínua (0,1 mg/kg/hora).
Eliminação renal
Medidas para eliminar o agente
tóxico absorvido
67
• Indica-se também a dopamina (para pequenos animais, na dose de
1 a 3 µg/kg/min) para atuar na hemodinâmica renal, aumentando o
fluxo plasmático renal.
• O uso da dopamina é controverso, pois em animais com disfunção
renal esse efeito vasodilatador não é efetivo e suscita-se dúvidas
mesmo em condições de função renal adequada.
• Em caso de dúvida? Evite
Eliminação renal
Medidas de suporte
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As medidas de suporte são necessárias para dar continuidade à
conduta de urgência nas intoxicações. Em cães e gatos, são:
Hipertermia
• Tratamento imediato é indicado quando a temperatura corporal
atingir valores superiores a 41 °C.
• administração de oxigênio,
• soluções cristaloides (solução de Ringer ou NaCl 0,9%), por via IV,
• controle das convulsões,
• banhos com água morna ou corrente
• uso de álcool isopropílico embebido em algodão colocado nos
coxins e abdômen.
Medidas de suporte
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Hipertermia
• É contraindicada a realização de imersão ou
banho em água fria ou gelada, pois pode
causar vasoconstrição periférica
• diminui a habilidade do organismo em
dissipar o calor.
• Todos os procedimentos devem ser
suspensos quando a temperatura corpórea
atingir valores de 37,5 ºC, evitando-se assim
a hipotermia.
Medidas de suporte
70
Hipotermia
• Os agentes tóxicos podem interferir no mecanismo de produção de calor
do organismo, causando vasodilatação e hipotensão, diminuindo assim a
atividade metabólica e induzindo ao estado de coma.
• Temperaturas abaixo de 36,5ºC podem ser observadas em pacientes
intoxicados e geralmente são acompanhadas de baixo nível de
consciência.
• Recomenda-se a administração de oxigênio e de soluções cristaloides
(solução de Ringer ou NaCl 0,9%) para controle da pressão sanguínea,
que só apresenta resposta adequada caso a temperatura corpórea
também estiver controlada.
Medidas de suporte
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Convulsões
As convulsões frequentes podem ocasionar:
• apneia,
• hipoventilação,
• hipóxia,
• acidose metabólica,
• aspiração pulmonar.
O tratamento de primeira escolha são os benzodiazepínicos (diazepam),
na dose de 0,5 a 1,0 mg/ kg, por via IV, ou de 1 a 4 mg/kg, por via retal.
Sugere-se avaliar também as concentrações séricas de glicose, cálcio total
e cálcio iônico para verificar a existência de alterações importantes
relacionadas com as convulsões.
Medidas de suporte
72
Insuficiência respiratória: hipóxia
• A insuficiência respiratória pode ocorrer em decorrência da depressão
direta do centro respiratório ou da disfunção dos músculos respiratórios,
ocasionando a hipóxia.
• Esta pode resultar em danos cerebrais, arritmias e parada cardíaca, além
do desenvolvimento de acidose decorrente da presença de alta pressão
sanguínea de C02.
• Nas situações de intensa hipóxia podem ocorrer danos cerebrais,
arritmias cardíacas, lesões em túbulos renais proximais e necrose
da mucosa intestinal.
Medidas de suporte
73
Insuficiência respiratória: hipóxia
O comprometimento na disponibilidade de oxigênio no organismo pode
ocorrer:
• Pela quantidade insuficiente de oxigênio no ambiente, por casos de
intoxicação por gases inertes, que diminuem a concentração de oxigênio.
• Pelo comprometimento da absorção de oxigênio pelos pulmões
decorrentes de pneumonia em decorrência da aspiração de conteúdo
gástrico durante o vômito.
• Pela inalação de monóxido de carbono (meta-hemoglobinemia).
• Pela intoxicação por cianeto ou sulfito de hidrogênio ou pelo
broncoespasmo por lesão de brônquios, efeitos farmacológicos estes
causados por agentes tóxicos ou reações alérgicas.
Medidas de suporte
74
Insuficiência respiratória: hipóxia
A seguir estão algumas sugestões de terapias:
• Na pnemonia por aspiração do conteúdo gástrico: recomenda-se o uso de
antimicrobiano somente quando há evidência de infecção bacteriana;
também são recomendados os broncodilatadores e nebulização com
acetilcisteína.
• No broncoespasmo: indica-se oxigenioterapia e uso de broncodilatadores
(beta-2-agonista como a terbutalina, sob a forma de aerossol ou por via
subcutânea, para cães e gatos, na dose 0,01 mg/kg, por via subcutânea, a
cada 4 horas).
• Tratamento padrão: fornecimento de oxigênio e ventilação assistida.
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76
77
78
TOXICOLOGIA DOS MEDICAMENTOS
• Estuda as substâncias químicas usadas em terapêutica
(medicamentos, produtos de uso veterinário);
• Avalia: risco x benefício;
• Monitorização terapêutica e a análise preventiva em caso de
exposição prolongada;
• Impedir o aparecimento de efeitos adversos provenientes do uso
do medicamento.
79
Administração de um medicamento
a um animal
1.Efeitos terapêuticos
Não deletérios (efeitos colaterais)
2. Efeitos indesejáveis
Deletérios (RAM)*
3. Efeito colateral: efeito não intencional, em doses normalmente
utilizadas, relacionado com suas propriedades farmacológicas.
4. RAM : resposta prejudicial ou indesejável, não intencional.
ATENÇÃO: observar a existência de uma relação causal entre o uso do medicamento e a ocorrência
do problema.
*Reação adversa ao medicamento
80
Intoxicação
81
Intoxicação
• As espécies animais comumente afetadas pela intoxicação
medicamentosa são os cães, os gatos e outros animais de
companhia e, em menor frequência, os animais de produção;
• No caso de cães e gatos, isso ocorre principalmente, à facilidade
de aquisição, isto é, a maioria é de venda livre;
• Os gatos, em particular, em virtude de suas peculiaridades
fisiológicas relacionadas à biotransformação de substâncias
químicas, são mais vulneráveis que outras espécies animais, em
especial quanto ao uso de alguns medicamentos.
82
83
Triagem inicial
• Obtenção da embalagem da medicação;
• Identificar o princípio ativo;
• Averiguar se o medicamento é de curta ou de longa duração;
• Verificar se o tutor induziu a êmese e, em caso afirmativo, qual
agente emético foi utilizado;
• Estabilizar do paciente baseado nos sinais observados durante o
exame físico (temperatura corpórea, padrão do pulso e frequências
cardíaca e respiratória).
OBS: Principais grupos farmacológicos responsáveis por intoxicação em
animais se encontram os analgésicos e os anti-inflamatórios.
84
ANALGÉSICO (PARACETAMOL)
Apresenta propriedades analgésica e antipirética
Tylenol®, em apresentação de comprimidos com 500 ou 750 mg, de gotas (solução
oral de 200 mg/mL) e de suspensão oral (32 mg/mL e 100 mg/mL).
● Toxicidade: Alta em gatos (50–100 mg/kg já é tóxica); cães toleram doses
maiores, mas doses acima de 460 mg/kg causam meta-hemoglobinemia e
hepatotoxicidade ou morte.
● Toxicocinética: Rápida absorção gastrointestinal; pico plasmático em 4h.
Metabolismo hepático via conjugação e oxidação pelo citocromo P450.
● Mecanismo de ação: Inibe a síntese de prostaglandinas no SNC, sem
ação anti-inflamatória periférica. O fígado é principal órgão-alvo e pode
levar a morte celular por necrose e apoptose. 85
● Sinais clínicos: Cianose, taquipneia, edema facial, icterícia, vômitos,
prostração.
● Exames laboratoriais: Aumento de meta-hemoglobinemia, bilirrubina,
TGO/TGP; urina escura.
● Diagnóstico: História de exposição + sinais clínicos + alterações
laboratoriais.
● Tratamento: N-acetilcisteína, fluidoterapia, carvão ativado, oxigenioterapia​.
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ANALGÉSICO (PARACETAMOL)
87
ANTI-INFLAMATÓRIOS NÃO
ESTEROIDAIS (AINEs)
Usados no manejo da inflamação e consequentemente da dor. A toxicose por Aines
pode ser causada por uma dose simples ou pequenas doses múltiplas desses
medicamentos.
• Toxicidade: Frequente em gatos e cães. Salicilatos, ibuprofeno,
naproxeno, são + comuns;
• Toxicocinética: absorção oral; biotransformação hepática.
• Mecanismo de ação: Inibição de enzimas ciclo-oxigenages COX-1
e COX-2 → menor produção de prostaglandinas;
• Sinais clínicos: Vômitos, diarreia, úlcera gástrica, nefrotoxicidade,
convulsões (altas doses);
88
• Exames laboratoriais: Aumento de ureia e creatinina, alterações
eletrolíticas;
• Diagnóstico: Baseado em anamnese e sinais gastrointestinais e
renais;
• Tratamento: Lavagem gástrica, carvão ativado, inibidores de
bomba de prótons, sucralfato (protetor de mucosa), fluidoterapia.
O uso de misoprostol em cadelas gestantes é contraindicado, por ser
abortivo.
A taxa de recuperação de cães intoxicados com Aines depende da cronicidade,
dose e sinais clínicos. Levando de 2 a 9 dias e deve ser mantido hospitalizado. 89
ANTI-INFLAMATÓRIOS NÃO
ESTEROIDAIS (AINEs)
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ANTI-INFLAMATÓRIOS NÃO
ESTEROIDAIS (AINEs)
ANTINEOPLÁSICOS
A quimioterapia é uma modalidade terapêutica muito utilizada na área de oncologia
veterinária. Considerando que os medicamentos utilizados apresentam baixo índice
terapêutico, é frequente o aparecimento de reação adversa ao medicamento (RAM).
• Toxicidade: Alta. Podem causar mielossupressão,
hepatotoxicidade, pancreatite.
• Toxicocinética: Variável conforme o fármaco; metabolismo
hepático predominante.
• Mecanismo de ação: Inibem a divisão celular → ação sobre
células neoplásicas e normais de alta renovação.
• Sinais clínicos: Imunossupressão, anemia, vômitos, alopecia,
letargia.
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● Exames laboratoriais: Pancitopenia, aumento de enzimas
hepáticas, hiperglicemia;
● Diagnóstico: História de uso + sinais + exames
laboratoriais;
● Tratamento: Suporte clínico, suspensão do fármaco,
transfusões se necessário.
ANTINEOPLÁSICOS
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slide 2 toxocologia (toxicodimanica e toxicocinética).pdf

  • 1.
    Seção 2: Toxicologia clínica:princípios gerais Prof. Matheus Rebouças Alchaar CURSO TÉCNICO EM VETERINÁRIA DISCIPLINA: TOXICOLOGIA
  • 2.
    PRINCIPAIS CAPÍTULOS DA APRESENTAÇÃO 1.Diagnóstico das intoxicações 2. Conduta de urgência nas intoxicações 3. Toxicologia dos medicamentos 2
  • 3.
    DIAGNÓSTICO DAS INTOXICAÇÕES •Fundamental para o êxito no tratamento agente toxico; • Evitando disseminação; • Não é feito intervenção limitada; • Conduta visa processo de eliminação. • Certeza (geralmente difícil), a suspeita e desconhecimento. 3
  • 4.
    Meios empregados para fazero diagnóstico 1. Anamnese (histórico clínico) 2. Avaliação clínica (exame físico e exames complementares) 3. Achados post mortem (alterações anatomopatológicas) 4. Exame toxicológico (analise química) ! Cuidado com critérios únicos ! 4
  • 5.
    Meios empregados para fazero diagnóstico • Curiosidade: Medicina veterinária forense Intoxicação criminosa Exame toxicológico (análise química) Laudo Policia civil 5
  • 6.
    Anamnese (historia clínica) •É a base do diagnóstico • Sucesso ou não na identificação do agente • Tutor pode trazer informações suficientes • Recorrer a indícios ou outros membros da família 6
  • 7.
    Anamnese (historia clínica) •Histórico de saúde (antecedentes, vacinação, medicação...) • Dados ambientais – domiciliado • Animais de grande porte • Tipo de alimentação • Acesso a locais com risco de intoxicação • Relação temporal entre sintomas e exposição 7
  • 8.
    Anamnese (historia clínica) Osodores exalados também podem evidenciar com qual tipo de agente o animal entrou em contato: • Odores aliáceos: têm sido descritos nos casos de intoxicação por arsênio, organofosforados, tálio, fósforo e fosfato de zinco; • Odores cetônicos: ocorrem nas toxicoses por salicilatos, acetona, benzeno, tolueno, fenóis, xileno, cresol e isopropanol; • Odor formólico: nas intoxicações por metaldeído e odor de amêndoas amargas (acre) na intoxicação por cianeto. 8
  • 9.
    Avaliação clínica (examefísico e exames complementares) • Maioria das vezes ou casos graves tratamento empírico • Exame físico não é suficiente para conclusão diagnóstica (≠ indivíduos) • Auxilio por exames complementares (laboratório e de imagem) • Medidas de tto adicionais • Exclusão de outras enfermidades semelhantes • Determinação do prognóstico 9
  • 10.
  • 11.
    Avaliação clínica (examefísico e exames complementares) • Muitas vezes não é possível fazer exames complementares • Medidas terapêuticas emergenciais (anamnese e exame físico) • Alguns desses exames são: • Hemograma, • glicemia, • ureia, • creatinina, • enzimas hepáticas, • eletrocardiograma, • radiografias, • testes de coagulação, • urinálise, • gasometria, • determinação dos eletrólitos séricos (cálcio, potássio, magnésio e sódio). 11
  • 12.
    Achados post mortem •Casos de intoxicação fatal • Necropsia detalhada (conclusão do diagnóstico) • Descrição detalhada das lesões macroscópicas • Possibilidade coleta (exame histopatológico) • Indispensável em suspeitas: • Maus tratos • Negligência • Intoxicação exógenas • Erros médicos. 12
  • 13.
  • 14.
  • 15.
  • 16.
    Achados post mortem Exemplo: Algumasvezes as evidências circunstanciais apontam para a possibilidade de uma intoxicação criminosa, como, por exemplo, no caso de um cão de guarda sadio, ativo, alimentando-se normalmente, que é encontrado morto no dia seguinte, sem qualquer tipo de sintoma prévio. A primeira suspeita do proprietário recai sobre a possibilidade de intoxicação por “aquele vizinho de má índole”, que já havia ameaçado seu animal de estimação, mas a necropsia revela que o animal veio a óbito em consequência de uma torção gástrica, excluindo de maneira definitiva qualquer tipo de toxicose. 16
  • 17.
    Achados post mortem Éimportante também analisar os conteúdos estomacal e intestinal: • observando a coloração • presença de plantas, • corpos estranhos, • de comprimidos, • presença do agente tóxico. • Qual a importância da necropsia? 17
  • 18.
  • 19.
    19 CASO CLÍNICO Bovino, apropriedade se localizava próximo a uma fábrica de molas, perto da BR, animal apresentava-se com os membros anteriores elevados sobre o cocho, frequência cardíaca aumentada, timpanismo recorrente, som de macicez relativa a percussão do coração, sem se alimentar, apático, ao receber um golpe forte sobre o 6° a 8° EIC esquerdo reagia a dor. Qual o diagóstico e prognóstico?
  • 20.
    20 CASO CLÍNICO INTOXICAÇÃO Umavaca da raça Holandesa, pelagem preta e branca, com aproximadamente 4 anos de idade, foi adquirida de um leilão em Minas Gerais e foi recentemente introduzida em uma nova propriedade rural em Garanhuns-PE, há cerca de três dias. O sistema de manejo adotado é extensivo, com pastagem de “braquiária”. O animal passou a apresentar sinais clínicos como: vermelhidão cutânea, principalmente em áreas despigmentadas ou hipopigmentadas da pele (orelhas, faces laterais do úbere e tetos); corrimento ocular seroso; perda de peso progressiva; dor à palpação na região torácica direita, entre o 11º e 12º espaço intercostal; icterícia generalizada nas mucosas; dermatite severa; fraqueza e depressão. Qual o diagóstico e prognóstico?
  • 21.
    Exame toxicológico (análisequímica) Não deve ser considerado indispensável (limitações) 21
  • 22.
    COLETA E CONSERVAÇÃODAS AMOSTRAS PARA O ENVIO AO LABORATORIO DE ANÁLISES TOXICOLÓGICAS • Material em contato com amostras devem ser limpos (esterilizado) tanto para animal vivo ou morto. • Seringas • Agulhas • Recipientes 22
  • 23.
    COLETA E CONSERVAÇÃODAS AMOSTRAS PARA O ENVIO AO LABORATORIO DE ANÁLISES TOXICOLÓGICAS • Amostras acompanhadas de ficha de descrição do caso, inclusive a suspeita • Conservação é exclusivamente pelo frio. Resfriadas, se forem rapidamente enviadas ao laboratório, ou congeladas, caso devam percorrer distâncias maiores. 23
  • 24.
    COLETA E CONSERVAÇÃODAS AMOSTRAS PARA O ENVIO AO LABORATORIO DE ANÁLISES TOXICOLÓGICAS 24
  • 25.
    Amostras • Ante mortem: •Sangue (10 mL) • Urina (50 mL) • Fezes (250 g) • Vômito (250 g) • Pelos (5-10 g) • Post mortem: • Fígado (10 mL) • Rins (50-100 mL) • Conteúdo estomacal (150-500 g) • Conteúdo rumminal (150-500 g) • Tecido adiposo (5-10 g) 25
  • 26.
    Amostras • Amostras ambientais: •Alimentos (200-500 g) • Forragens (200-500 g) • Iscas • Plantas tóxicas (excicata) • Água (0,5-1 L) • Solo (1 kg) • Agente tóxico 26
  • 27.
    CONDUTA DE URGÊNCIANAS INTOXICAÇÕES Na conduta de urgência propõem-se os seguintes passos: • Instituição de uma terapia de emergência para a manutenção da vida. • Estabelecimento do diagnóstico clínico para que se possa realizar uma terapia racional. • Emprego de medicamentos (antídotos se houver) e recursos adequados. 25
  • 28.
    CONDUTA DE URGÊNCIANAS INTOXICAÇÕES • Determinação da fonte de exposição ao agente tóxico para o estabelecimento de medidas de prevenção, instruindo o proprietário sobre os riscos da exposição ao agente tóxico e formas de evitar exposições futuras. • As manifestações clínicas na anamnese podem ser inconclusivas • Intoxicações de drogas ilícitas, como a maconha 26
  • 29.
    29 Instruções preliminares aoproprietário • Em grandes cidades contato por telefone em casos de intoxicação. • Instruções devem ser claras e tranquilas • Sucesso e eficácia da medidas terapêuticas subsequentes • O proprietário deve proteger o animal e pessoas em contato • Aquecimento • Lugar tranquilo • Evitar estresse • Focinheira
  • 30.
    30 Instruções preliminares aoproprietário Perguntas ao proprietário em primeiro contato: • Presenciou o animal tendo acesso ou o contato com o agente tóxico? • Qual o produto? (Se for possível, solicitar a leitura dos constituintes da fórmula presentes no rótulo). • Qual a via de exposição? (Oral, dérmica ou inala tória). • Qual a quantidade aproximada do agente tóxico? • Qual a manifestação clínica que o animal apresenta? • Há quanto tempo ele a apresenta? • Há outros animais apresentando o mesmo quadro?
  • 31.
    31 Instruções preliminares aoproprietário Instruções passadas • Exposição agente tóxico foi tópico : • Lavar a pele do animal com água corrente • Fria ou norma para evitar vasodilatação • Favorecendo ainda mais a absorção dérmica • Se agente for lipossolúvel: • Lavar com sabões neutros (glicerina, detergente, xampu) • Cuidado para não esfregar ou massagear • Risco de circulação sanguínea no local e absorção • Ao proprietário : • Vestimenta adequada • Luvas, avental, bota, máscara...
  • 32.
    32 Instruções preliminares aoproprietário • Tutores podem insistir em adm. medicamento por via oral • O veterinário deve alertar quanto a riscos • Se animal estiver deprimido • Ou inconsciente • Risco de aspiração • Acesso a agua à vontade • Favorece a diluição do agente tóxico • Administrar leite ou clara de ovo • Efeito demulcente/protetor de mucosa. Casos graves (convulsão) é apropriado que o veterinário vá ao local. Pq?
  • 33.
    Medidas preliminares deurgência 33 • Sondas gástricas de vários tamanhos. • Sondas endotraqueais de vários tamanhos. • Peras de borracha ou seringas grandes (em substituição à bomba de sucção). • Instrumental cirúrgico para dissecção de veias (para facilitar o acesso venoso). • Cateteres intravenosos. • Sondas uretrais. • Seringas de vários tamanhos e agulhas hipodérmicas. • Oxigênio a 100%. • Termômetro. • Estetoscópio. Para o bom atendimento das emergências de um quadro de intoxicação, recomenda-se que o médico veterinário tenha, no mínimo:
  • 34.
    Medidas preliminares deurgência 34 No exame físico, deve-se sempre atentar para: • odores e hálitos, • presença de úlceras na cavidade oral, • algum material fixado ao pelame, • mensuração do débito urinário, • observação da cor e aspecto das fezes, • além dos parâmetros vitais.
  • 35.
  • 36.
    36 Medidas para dificultara absorção do agente tóxico Exposição cutânea • O banho é a melhor forma de retirar ou diminuir a concentração do agente tóxico na pele. • Contudo, deve-se ressaltar que o banho só é recomendado quando o quadro clínico do paciente estiver estabilizado, • um a vez que tal procedimento pode exacerbar colapsos cardiovasculares e convulsões. Além da proteção de quem for dar o banho, deve-se proteger o focinho, olhos e boca do paciente para evitar inalação ou ingestão de toxicante
  • 37.
    37 Medidas para dificultara absorção do agente tóxico Exposição cutânea • Banho com água morna por pelo menos 15 min com produtos neutros; • Deve ser muito bem enxaguado e seco, evitando secadores com temperatura alta. • Vasodilatação favorece absorção. • Não é recomendada a tentativa de neutralizar substâncias ácidas ou alcalinas • risco de aumentar a gravidade da lesão • (reações de neutralização podem produzir calor suficiente para danificar o tecido subjacente) • Material colante no pelame do animal (tricotomia).
  • 38.
    38 Medidas para dificultara absorção do agente tóxico Exposição ocular • Solventes como álcoois, detergentes e hidrocarbonetos • Causam lesões superficiais nos olhos • Substâancias corrosivas (danos maiores). • Cegueira • Logo após a confirmação, deve-se lavar o olho acometido de 20-30 minutos • Sentido médio lateral • Com a cabeça lateralizada • Evitar comprometer o outro olho
  • 39.
    39 Medidas para dificultara absorção do agente tóxico Exposição ocular • Esse procedimento pode ser feito em casa pelo tutor • Água limpa • Soro fisiológico • A avaliação oftalmológica posterior é sempre necessária e deve ser feita o mais rápido possível, mas não antes da lavagem exaustiva dos olhos. • A indicação de colírios anestésicos pode trazer maior conforto ao paciente.
  • 40.
    40 Medidas para dificultara absorção do agente tóxico Exposição inalatória • O animal deve ser mantido longe da fonte que levou à intoxicação, • removendo-o para um ambiente arejado e com temperatura agradável. • Deve-se oferecer oxigênio e suporte ventilatório adequado, além de tratar o broncoespasmo e o edema pulmonar, se necessário.
  • 41.
    Medidas para dificultara absorção do agente tóxico Exposição gastrointestinal • A ingestão acidental ou proposital de agentes tóxicos (intoxicação grave) • Para reduzir ou impedir a absorção (velocidade de esvaziamento gástrico) • Se a ingestão for recente estômago • Cão e gato em 1 hora intestino O vômito pode não apresentar uma opção de esvaziamento • Equinos e bovinos 41
  • 42.
    Medidas para dificultara absorção do agente tóxico Exposição gastrointestinal • Os métodos usualmente utilizados para impedir a absorção do agente tóxico presente no trato digestório são: • indução da êmese, • lavagem gástrica, • transformação do agente tóxico em uma forma não absorvível, • uso de catárticos (acelera defecação), • eliminação direta do agente tóxico. 42
  • 43.
    Medidas para dificultara absorção do agente tóxico Exposição gastrointestinal Indução da êmese • Deve ser feita no máximo de 1 hora após ingestão • Cada vez menos indicada (tempo) • Mais eficiente quando a cavidade gástrica está repleta ou parcialmente repleta de sólidos e/ou líquidos 43
  • 44.
    Medidas para dificultara absorção do agente tóxico Exposição gastrointestinal Indução da êmese É contraindicada nas seguintes condições: • Ingestão do agente tóxico há mais de 60 minutos. • Ingestão de substâncias cáusticas ( expõe novamente a mucosa do trato digestório superior ao agente tóxico corrosivo). • Ingestão de destilados de petróleo, substâncias voláteis, depressores do sistema nervoso central (SNC) e agentes convulsivantes (risco de levar a aspiração do conteúdo gástrico). • Animal inconsciente ou intensamente deprimido (o emético será pouco efetivo, acrescido do fato de o animal não apresentar o reflexo protetor da tosse). • Agente tóxico de origem desconhecida. 44
  • 45.
    Medidas para dificultara absorção do agente tóxico AGENTES QUE PROVOCAM O VÔMITO APOMORFINA: • Opióide sintético indicado para vômitos em cães • Não é recomendada para gatos • Pode ser administrada por: • via subcutânea (0,08 mg/kg) • intramuscular (0,04 a 0,08 mg/kg) • intravenosa (0,03 a 0,04 mg/kg) • Conjuntiva A êmese ocorre imediatamente após administração intravenosa, (1-2 minutos); Por via intramuscular, os vômitos iniciam-se após 5 minutos. 45 Difícil aquisição Uso veterinário
  • 46.
    Medidas para dificultara absorção do agente tóxico AGENTES QUE PROVOCAM O VÔMITO AGONISTAS ALFA-2-ADRENÉRGICOS: • Xilazina (produtos de uso veterinário: Rompun®, Kensol®, Virbaxyl®) • Dexmedetomidina (produto de uso veterinário, Dexdomitor®) • são geral mente empregados em medicina veterinária como agente tranquilizante, analgésico e relaxante muscular de ação central. • A xilazina induz êmese em gatos: • dose de 0,44 mg/kg, • por via IM (0,04 a 0,08 mg/kg) • A dexmedetomidina induz êmese em gatos: • dose de 7 µg/kg, IM Ambos tem efeito colateral de sedação 46
  • 47.
    Medidas para dificultara absorção do agente tóxico AGENTES QUE PROVOCAM O VÔMITO PERÓXIDO DE HIDROGÊNIO A 3% (ÁGUA OXIGENADA 10 VOLUMES): • Administração oral nessa concentração causa o vômito reflexo, por distensão estomacal; • Concentrações maiores podem induzir quadros eméticos graves. • Deve ser administrada na dose de 1 a 2 mL/kg • O vômito ocorre após 10 minutos. • A dose deve ser repetida caso não ocorra o vômito no período de 20 minutos após a primeira administração. • O ato de caminhar (movimento) do animal após adm auxilia no vômito • Produto de fácil acesso (cuidado com gatos!) 47
  • 48.
    Medidas para dificultara absorção do agente tóxico Exposição gastrointestinal LAVAGEM GÁSTRICA 48 Da mesma forma que ocorre com a indução do vômito, há também controvérsia sobre a eficácia da lavagem gástrica. Há estudos que mostraram que a indução da êmese pode remover 40 a 60% do agente tóxico ingerido, sendo muito mais efetiva quando comparada à lavagem gástrica.
  • 49.
    Medidas para dificultara absorção do agente tóxico Exposição gastrointestinal LAVAGEM GÁSTRICA 49 • Pode ser feita se a indução ao vomito não deu certo; • Deve ser feita em até, no máximo, 1 h após a ingestão do tóxico para evitar que atinja o intestino; • A realização da lavagem gástrica é essencial se o toxicante não tem a capacidade de se ligar ao carvão ativado.
  • 50.
    Medidas para dificultara absorção do agente tóxico Exposição gastrointestinal LAVAGEM GÁSTRICA 50 Principais vantagens: • remoção rápida do conteúdo gástrico, • a diluição das substâncias cáusticas ingeridas e sua remoção por um tubo esofágico, • não expondo novamente as mucosas gástrica e esofágica às substâncias cáusticas, • além de permitir a administração de carvão ativado
  • 51.
    Medidas para dificultara absorção do agente tóxico Exposição gastrointestinal LAVAGEM GÁSTRICA 51 Principais desvantagens: • necessidade de anestesia geral para a realização desse procedimento; • emprego da intubação orotraqueal para evitar aspiração do conteúdo gástrico; • risco de ocorrêneia de traumatismos no esôfago e estômago (perfuração), quando da ingestão de substâncias cáusticas; • ineficácia do procedimento para a remoção de grandes volumes, principalmente de partículas sólidas;
  • 52.
    Medidas para dificultara absorção do agente tóxico Exposição gastrointestinal LAVAGEM GÁSTRICA 52 • A lavagem do estômago pode ser realizada com água ou solução salina (NaCl 0,9%) morna, no volume de 5 a 10 mL/kg, sendo o líquido introduzido com discreta pressão (com o auxílio de uma bomba ou pera de borracha) e, a seguir, retirado (utilizando a força da gravidade). • Vários desses ciclos devem ser repetidos (15 a 40) até recuperar o líquido com o mesmo aspecto daquele que foi introduzido no estômago. A extremidade externa da sonda deve ser ocluída antes de remoção para evitar a aspiração. • O carvão ativado pode ser utilizado antes e após a lavagem gástrica, bem como junto ao líquido a ser utilizado para esse procedimento.
  • 53.
    Medidas para dificultara absorção do agente tóxico TRANSFORMAÇÃO DO AGENTE TÓXICO EM UMA FORMA NÃO ABSORVÍVEL 53 Formação de um precipitado ou complexo insolúvel: Pode-se administrar por via oral: • penicilamina ( Cuprimine®) • ácido dimercaptosuccínico (DMSA) nas intoxicações agudas causadas por chumbo, zinco, cádmio e mercúrio inorgânico. • Íons cálcio (presentes, por exemplo, no leite) podem impedir a absorção do ácido oxálico presente no trato digestório, formando oxalato de cálcio que é insolúvel.
  • 54.
    Medidas para dificultara absorção do agente tóxico TRANSFORMAÇÃO DO AGENTE TÓXICO EM UMA FORMA NÃO ABSORVÍVEL 54 Formação de um precipitado ou complexo insolúvel: Pode-se administrar por via oral: O mesmo ocorre com o sulfato de magnésio ou de sódio administrado quando da exposição ao chumbo ou sais solúveis de bário, os quais formam sais insolúveis de sulfato de chumbo e de sulfato de bário, impedindo, assim, a absorção.
  • 55.
    Medidas para dificultara absorção do agente tóxico TRANSFORMAÇÃO DO AGENTE TÓXICO EM UMA FORMA NÃO ABSORVÍVEL 55 Ionização: • Consiste na manipulação do pH do trato digestório para evitar a absorção do agente tóxico. • Sabe-se que as substâncias químicas na sua forma ionizada têm maior dificuldade de atravessar as barreiras celulares. • Assim, conhecendo-se as características químicas do agente tóxico, pode-se modificar o pH do trato digestório de tal forma que este permita que o agente tóxico permaneça na sua forma iônica, dificultando, assim, sua absorção pela mucosa gástrica ou intestinal.
  • 56.
    Medidas para dificultara absorção do agente tóxico TRANSFORMAÇÃO DO AGENTE TÓXICO EM UMA FORMA NÃO ABSORVÍVEL 56 Adsorção: É uma substância usada para impedir a absorção de toxinas no trato gastrointestinal, por meio do processo de adsorção, ou seja, a fixação do tóxico na superfície do adsorvente, evitando que ele seja absorvido pelo organismo. Carvão ativado é o adsorvente mais usado em casos de intoxicação aguda. 💡 Como funciona: • Possui superfície porosa com grande área de contato. • Liga-se fisicamente a diversos tipos de substâncias tóxicas, principalmente substâncias orgânicas, alcaloides, pesticidas, medicamentos, etc. • Impede a passagem do tóxico para a corrente sanguínea. • É mais eficaz quando administrado até 1 hora após a ingestão do tóxico.
  • 57.
    Medidas para dificultara absorção do agente tóxico TRANSFORMAÇÃO DO AGENTE TÓXICO EM UMA FORMA NÃO ABSORVÍVEL 57 Carvão ativado é o adsorvente de eleição quando se suspeita de uma intoxicação sem que seja conhecido o agente tóxico específico. • A administração do carvão ativado é realizada por via oral ou via sonda orogástrica, dissolvendo-o em água (1 g em 3-5 mL de água), sendo indicado para pequenos animais 5 a 50 g e para grandes animais 250-500 g. • Também pode ser usado nas técnicas para lavagem gástrica ou de indução do vômito. Em algumas situações pode ser preconizada a administração do carvão ativa do em doses múltiplas (2 a 6 doses) a cada 6 a 8 horas, com atenção quanto à possibilidade de desenvolvimento de hipernatremia, em particular, em cães.
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    Medidas para dificultara absorção do agente tóxico USO DE CATÁRTICOS (acelera a defecação) 59 Os medicamentos mais utilizados para favorecer a eliminação das fezes nos quadros de intoxicação são: • Sorbitol, • Manitol, • Sulfato de magnésio • Sulfato de sódio. Todos fazem parte do grupo dos catárticos osmóticos. Retenção de líquido intestinal > do vol. intraluminal > a motilidade
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    Medidas para dificultara absorção do agente tóxico ELIMINAÇÃO DIRETA 60 • Consiste em fazer uso da gastrotomia ou enterotomia para eliminação do agente tóxico não absorvido. • São raras as situações em que é necessária a indicação de cirurgias para a retirada de agentes tóxicos do trato gastrintestinal, como, por exemplo, quando da ingestão de metais (moedas, porcas de parafusos etc.) • Ou de grande quantidade de substâncias que formam uma massa coalescente (por exemplo, tabletes). • Embora esse procedimento seja efetivo, deve ser reservado quando ocorrerem falhas em outros meios ou procedim entos. A endoscopia gástrica pode ser uma alternativa mais segura para a gastrotomia em algumas situações.
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    Medidas para inativaro agente tóxico absorvido ou seus efeitos ANTÍDOTOS 62 • O procedimento ideal para inativar o agente tóxico absorvido seria a utilização de antídotos, • São substâncias químicas que são capazes de se ligar ao agente tóxico que se encontra dentro do organismo do animal, • Infelizmente o número de antídotos é muito pequeno perante a grande quantidade de substâncias passíveis de causar efeitos nocivos no organismo animal.
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    Medidas para inativaro agente tóxico absorvido ou seus efeitos ANTÍDOTOS 63 • Um exemplo característico de antídoto usado em quadros de intoxicação são os quelantes de metais. • Contudo, deve-se ter precaução, pois alguns antídotos mais específicos por si só causam toxicidade. • Por exemplo, em algumas intoxicações crônicas por chumbo, o uso de quelantes pode precipitar o quadro de intoxicação aguda decorrente da mobilização rápida do metal de seus depósitos no organismo para a circulação sanguínea.
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    Medidas para inativaro agente tóxico absorvido ou seus efeitos ANTÍDOTOS 64 Na grande maioria das vezes, quando o agente tóxico foi absorvido e não há a disponibilidade do uso de antídotos, procura-se utilizar meios para controlar os efeitos nocivos causados pelo agente tóxico no organismo. Por exemplo, na intoxicação por praguicidas anticolinesterásicos (organofosforados e carbamatos), uma das medidas é o uso da atropina, um bloqueador ( antagonista) de receptores colinérgicos muscarínicos, impedindo, que o excesso de acetilcolina estimule o receptor muscarínico.
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    Medidas para eliminaro agente tóxico absorvido 65 Os agentes tóxicos são geralmente eliminados pela via renal, uma vez que o rim é a principal via de eliminação, mas também podem ser excretados pela via biliar (sendo eliminados pelas fezes) e pela via pulmonar. A seguir, são apresentados procedimentos para favorecer a eliminação do agente tóxico absorvido.
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    Medidas para eliminaro agente tóxico absorvido 66 • A eliminação urinária do agente tóxico pode ser aumentada pelo uso de diuréticos ou pela alteração do pH da urina. • Para a indicação desses procedimentos é necessário que a função renal esteja normal e que o animal esteja hidratado. Os diuréticos de escolha são o manitol e a furosemida, pois ambos possuem potente ação diurética. • O manitol é um diurético osmótico que em pequenos animais pode ser administrado na dose de 0,25 a 0,5 mg/kg, por via IV, durante 30 minutos. • A furosemida é um potente diurético de alça que pode ser administrado como bolus IV lenta (0,5-4,0 mg/kg) ou por infusão contínua (0,1 mg/kg/hora). Eliminação renal
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    Medidas para eliminaro agente tóxico absorvido 67 • Indica-se também a dopamina (para pequenos animais, na dose de 1 a 3 µg/kg/min) para atuar na hemodinâmica renal, aumentando o fluxo plasmático renal. • O uso da dopamina é controverso, pois em animais com disfunção renal esse efeito vasodilatador não é efetivo e suscita-se dúvidas mesmo em condições de função renal adequada. • Em caso de dúvida? Evite Eliminação renal
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    Medidas de suporte 68 Asmedidas de suporte são necessárias para dar continuidade à conduta de urgência nas intoxicações. Em cães e gatos, são: Hipertermia • Tratamento imediato é indicado quando a temperatura corporal atingir valores superiores a 41 °C. • administração de oxigênio, • soluções cristaloides (solução de Ringer ou NaCl 0,9%), por via IV, • controle das convulsões, • banhos com água morna ou corrente • uso de álcool isopropílico embebido em algodão colocado nos coxins e abdômen.
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    Medidas de suporte 69 Hipertermia •É contraindicada a realização de imersão ou banho em água fria ou gelada, pois pode causar vasoconstrição periférica • diminui a habilidade do organismo em dissipar o calor. • Todos os procedimentos devem ser suspensos quando a temperatura corpórea atingir valores de 37,5 ºC, evitando-se assim a hipotermia.
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    Medidas de suporte 70 Hipotermia •Os agentes tóxicos podem interferir no mecanismo de produção de calor do organismo, causando vasodilatação e hipotensão, diminuindo assim a atividade metabólica e induzindo ao estado de coma. • Temperaturas abaixo de 36,5ºC podem ser observadas em pacientes intoxicados e geralmente são acompanhadas de baixo nível de consciência. • Recomenda-se a administração de oxigênio e de soluções cristaloides (solução de Ringer ou NaCl 0,9%) para controle da pressão sanguínea, que só apresenta resposta adequada caso a temperatura corpórea também estiver controlada.
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    Medidas de suporte 71 Convulsões Asconvulsões frequentes podem ocasionar: • apneia, • hipoventilação, • hipóxia, • acidose metabólica, • aspiração pulmonar. O tratamento de primeira escolha são os benzodiazepínicos (diazepam), na dose de 0,5 a 1,0 mg/ kg, por via IV, ou de 1 a 4 mg/kg, por via retal. Sugere-se avaliar também as concentrações séricas de glicose, cálcio total e cálcio iônico para verificar a existência de alterações importantes relacionadas com as convulsões.
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    Medidas de suporte 72 Insuficiênciarespiratória: hipóxia • A insuficiência respiratória pode ocorrer em decorrência da depressão direta do centro respiratório ou da disfunção dos músculos respiratórios, ocasionando a hipóxia. • Esta pode resultar em danos cerebrais, arritmias e parada cardíaca, além do desenvolvimento de acidose decorrente da presença de alta pressão sanguínea de C02. • Nas situações de intensa hipóxia podem ocorrer danos cerebrais, arritmias cardíacas, lesões em túbulos renais proximais e necrose da mucosa intestinal.
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    Medidas de suporte 73 Insuficiênciarespiratória: hipóxia O comprometimento na disponibilidade de oxigênio no organismo pode ocorrer: • Pela quantidade insuficiente de oxigênio no ambiente, por casos de intoxicação por gases inertes, que diminuem a concentração de oxigênio. • Pelo comprometimento da absorção de oxigênio pelos pulmões decorrentes de pneumonia em decorrência da aspiração de conteúdo gástrico durante o vômito. • Pela inalação de monóxido de carbono (meta-hemoglobinemia). • Pela intoxicação por cianeto ou sulfito de hidrogênio ou pelo broncoespasmo por lesão de brônquios, efeitos farmacológicos estes causados por agentes tóxicos ou reações alérgicas.
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    Medidas de suporte 74 Insuficiênciarespiratória: hipóxia A seguir estão algumas sugestões de terapias: • Na pnemonia por aspiração do conteúdo gástrico: recomenda-se o uso de antimicrobiano somente quando há evidência de infecção bacteriana; também são recomendados os broncodilatadores e nebulização com acetilcisteína. • No broncoespasmo: indica-se oxigenioterapia e uso de broncodilatadores (beta-2-agonista como a terbutalina, sob a forma de aerossol ou por via subcutânea, para cães e gatos, na dose 0,01 mg/kg, por via subcutânea, a cada 4 horas). • Tratamento padrão: fornecimento de oxigênio e ventilação assistida.
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    TOXICOLOGIA DOS MEDICAMENTOS •Estuda as substâncias químicas usadas em terapêutica (medicamentos, produtos de uso veterinário); • Avalia: risco x benefício; • Monitorização terapêutica e a análise preventiva em caso de exposição prolongada; • Impedir o aparecimento de efeitos adversos provenientes do uso do medicamento. 79
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    Administração de ummedicamento a um animal 1.Efeitos terapêuticos Não deletérios (efeitos colaterais) 2. Efeitos indesejáveis Deletérios (RAM)* 3. Efeito colateral: efeito não intencional, em doses normalmente utilizadas, relacionado com suas propriedades farmacológicas. 4. RAM : resposta prejudicial ou indesejável, não intencional. ATENÇÃO: observar a existência de uma relação causal entre o uso do medicamento e a ocorrência do problema. *Reação adversa ao medicamento 80
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    Intoxicação • As espéciesanimais comumente afetadas pela intoxicação medicamentosa são os cães, os gatos e outros animais de companhia e, em menor frequência, os animais de produção; • No caso de cães e gatos, isso ocorre principalmente, à facilidade de aquisição, isto é, a maioria é de venda livre; • Os gatos, em particular, em virtude de suas peculiaridades fisiológicas relacionadas à biotransformação de substâncias químicas, são mais vulneráveis que outras espécies animais, em especial quanto ao uso de alguns medicamentos. 82
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    Triagem inicial • Obtençãoda embalagem da medicação; • Identificar o princípio ativo; • Averiguar se o medicamento é de curta ou de longa duração; • Verificar se o tutor induziu a êmese e, em caso afirmativo, qual agente emético foi utilizado; • Estabilizar do paciente baseado nos sinais observados durante o exame físico (temperatura corpórea, padrão do pulso e frequências cardíaca e respiratória). OBS: Principais grupos farmacológicos responsáveis por intoxicação em animais se encontram os analgésicos e os anti-inflamatórios. 84
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    ANALGÉSICO (PARACETAMOL) Apresenta propriedadesanalgésica e antipirética Tylenol®, em apresentação de comprimidos com 500 ou 750 mg, de gotas (solução oral de 200 mg/mL) e de suspensão oral (32 mg/mL e 100 mg/mL). ● Toxicidade: Alta em gatos (50–100 mg/kg já é tóxica); cães toleram doses maiores, mas doses acima de 460 mg/kg causam meta-hemoglobinemia e hepatotoxicidade ou morte. ● Toxicocinética: Rápida absorção gastrointestinal; pico plasmático em 4h. Metabolismo hepático via conjugação e oxidação pelo citocromo P450. ● Mecanismo de ação: Inibe a síntese de prostaglandinas no SNC, sem ação anti-inflamatória periférica. O fígado é principal órgão-alvo e pode levar a morte celular por necrose e apoptose. 85
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    ● Sinais clínicos:Cianose, taquipneia, edema facial, icterícia, vômitos, prostração. ● Exames laboratoriais: Aumento de meta-hemoglobinemia, bilirrubina, TGO/TGP; urina escura. ● Diagnóstico: História de exposição + sinais clínicos + alterações laboratoriais. ● Tratamento: N-acetilcisteína, fluidoterapia, carvão ativado, oxigenioterapia​. 86 ANALGÉSICO (PARACETAMOL)
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    ANTI-INFLAMATÓRIOS NÃO ESTEROIDAIS (AINEs) Usadosno manejo da inflamação e consequentemente da dor. A toxicose por Aines pode ser causada por uma dose simples ou pequenas doses múltiplas desses medicamentos. • Toxicidade: Frequente em gatos e cães. Salicilatos, ibuprofeno, naproxeno, são + comuns; • Toxicocinética: absorção oral; biotransformação hepática. • Mecanismo de ação: Inibição de enzimas ciclo-oxigenages COX-1 e COX-2 → menor produção de prostaglandinas; • Sinais clínicos: Vômitos, diarreia, úlcera gástrica, nefrotoxicidade, convulsões (altas doses); 88
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    • Exames laboratoriais:Aumento de ureia e creatinina, alterações eletrolíticas; • Diagnóstico: Baseado em anamnese e sinais gastrointestinais e renais; • Tratamento: Lavagem gástrica, carvão ativado, inibidores de bomba de prótons, sucralfato (protetor de mucosa), fluidoterapia. O uso de misoprostol em cadelas gestantes é contraindicado, por ser abortivo. A taxa de recuperação de cães intoxicados com Aines depende da cronicidade, dose e sinais clínicos. Levando de 2 a 9 dias e deve ser mantido hospitalizado. 89 ANTI-INFLAMATÓRIOS NÃO ESTEROIDAIS (AINEs)
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    ANTINEOPLÁSICOS A quimioterapia éuma modalidade terapêutica muito utilizada na área de oncologia veterinária. Considerando que os medicamentos utilizados apresentam baixo índice terapêutico, é frequente o aparecimento de reação adversa ao medicamento (RAM). • Toxicidade: Alta. Podem causar mielossupressão, hepatotoxicidade, pancreatite. • Toxicocinética: Variável conforme o fármaco; metabolismo hepático predominante. • Mecanismo de ação: Inibem a divisão celular → ação sobre células neoplásicas e normais de alta renovação. • Sinais clínicos: Imunossupressão, anemia, vômitos, alopecia, letargia. 91
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    92 ● Exames laboratoriais:Pancitopenia, aumento de enzimas hepáticas, hiperglicemia; ● Diagnóstico: História de uso + sinais + exames laboratoriais; ● Tratamento: Suporte clínico, suspensão do fármaco, transfusões se necessário. ANTINEOPLÁSICOS
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