Princípios de toxicologia
Prof. Matheus Rebouças Alchaar
CURSO TÉCNICO EM VETERINÁRIA
DISCIPLINA: TOXICOLOGIA
PRINCIPAIS CAPÍTULOS
DA APRESENTAÇÃO
1. Introdução à Toxicologia
2. Toxicocinética
3. Toxicodinâmica
INTRODUÇÃO À TOXICOLOGIA
VETERINÁRIA
• Intervenção do medico veterinário;
• Preservação da saúde humana;
• Estuda os efeitos das substâncias
químicas nos organismos vivos;
• Ela é essencial para entender como as
toxinas afetam a saúde animal.
Fonte: teachy.com
Histórico da toxicologia
• Origem nos primórdios da
humanidade;
• Papiro de Ébers (1550 a.C.)
utilização de várias substâncias
químicas do acônito, ópio, metais
(chumbo, cobre e antimônio)
• Os egípcios antigos sentenciavam
à morte (eutanásia legal) com
sementes de amêndoas amargas.
Fonte: museudouniversodafarmacia.com.br
Histórico da toxicologia
• A história da toxicologia remonta à antiguidade, com registros
de envenenamentos e o uso de substâncias tóxicas por
diversas civilizações. Ex: papapula = ópio.
Histórico da toxicologia
• A história da toxicologia remonta à antiguidade, com registros
de envenenamentos e o uso de substâncias tóxicas por
diversas civilizações. Ex: papapula = ópio.
• Ao longo dos séculos, o estudo das toxinas evoluiu,
incorporando conhecimentos de química, biologia e medicina.
• Hoje, a toxicologia é uma ciência consolidada, essencial para
a saúde pública e a segurança ambiental.
Áreas da toxicologia
Conceitos
1. A toxicologia é o estudo dos efeitos adversos
de substâncias químicas e agentes físicos nos
organismos vivos.
2. O estudo qualitativo e quantitativo dos efeitos
nocivos dessas substâncias, incluindo
alterações estruturais lesões anatômicas e
histológicas) e de resposta (lesões bioquímicas,
fisiopatológicas e psíquicas)
3. A ciência que define os limites de segurança
dos agentes químicos e físicos
4. A ciência que se ocupa dos agentes tóxicos.
Finalidade: prevenir, diagnosticar e tratar
a intoxicação
• Avaliar as lesões causadas e investigar os mecanismos
envolvidos;
• Identificar e quantificar substâncias tóxicas em fluídos
biológicos e no ambiente;
• Avaliação de risco;
• Determinar níveis toleráveis;
• Estabelecer condições seguras para uso de substâncias.
Áreas da toxicologia
• Toxicologia ambiental: estuda os efeitos nocivos no organismo decorrentes de
exposição a agentes tóxicos presentes na água, no solo e no ar.
• Toxicologia ocupacional: estuda os efeitos nocivos decorrentes da exposição a
substâncias químicas provenientes do ambiente de trabalho. Os padrões de
segurança são objeto de lei e chamados de limite de tolerância (LT).
• Toxicologia social: estuda as substâncias químicas que levam à alteração do
humor, do comportamento, que provocam disfunções do sistema nervoso central.
Nela são estudadas drogas lícitas e ilícitas.
• Toxicologia de alimentos: área de aplicação da toxicologia que estabelece as
condições em que os ali mentos podem ser ingeridos sem causar danos à saúde.
• Toxicologia medicamentosa: estuda as substâncias químicas usadas em
terapêutica; avaliando-se o risco x benefício.
Fasesda Intoxicação
Fase de Exposição
Fase
Toxicocinética
Fase
Toxicodinâmica
Fase
Clínica
Vias de introdução
Dose/Concentração
Tempo/Frequência
Propriedades físico-
químicas
Suscetibilidade
individual
Absorção
Distribuição
Biotransformação
Excreção
Interação com o
sítio de ação
Sinais e
sintomas
TOXICANTE TOXICIDADE INTOXICAÇÃO
Disponibilidade
química Biodisponibilidade
Exposição
▶ Vias de introdução
▶ DL50
DDT
pele 2500 mg/kg
oral 118 mg/kg
Rapidez de absorção: via respiratória
> via oral
▶ Dose / concentração
▶Fenobarbital: 100 mg: sonolência
500 mg: sono profundo
▶ Tempo / frequência
▶Aguda: dose única ou no prazo de 24 hs
▶Sub-aguda: 24 hs - uma semana
▶Crônica: mais de uma semana
Intravenosa
Respiratória
Intraperitonial
Sub-cutânea
Intramuscular
Intradérmica
Oral
Dérmica
RISCO
Exposição
▶ Propriedades físico-químicas: interferem na
toxicocinética
Solubilidade:
chumbo tetraetila: pele – alta absorção
acetato de chumbo: pele – baixa absorção
Hidrossolúvel
Lipossolúvel
Tamanho das partículas
Pressão de vapor (volatilidade)
▶ Suscetibilidade individual: idade, sexo, raça,
estado nutricional, estado de hidratação, fatores
genéticos...
Fase clínica
▶ Efeito tóxico: alteração biológica nociva.
▶ Efeito tóxico local: é o que ocorre no sítio do primeiro
contato entre o organismo e o agente químico.
▶ Efeito tóxico sistêmico: é o que requer absorção e
distribuição do agente químico para um sítio distante da
sua via de penetração, onde produzirá o efeito nocivo.
▶ Efeito tóxico reversível e irreversível: além da dose,
tempo e frequência da exposição, é dependente da
capacidade de regeneração do tecido do órgão ou
sistema afetado.
Conceitos
Xenobiótico (ksénos = estranho; bio = vida) é empregado para indicar
qualquer substância estranha ao organismo, qualitativa ou
quantitativamente, não indicando necessariamente que provoca efeito
nocivo. Quando o xenobiótico, por alguma razão (por exemplo,
concentração excessiva ou ausência completa) provoca algum efeito
nocivo, ele é considerado também um toxicante ou agente tóxico.
Portanto, nem todo xenobiótico é um toxicante.
Agente tóxico ou toxicante é qualquer substância química ou agente
físico (radiações X, gama, ultravioleta etc.) que ao interagir com o
organismo vivo provoca algum efeito nocivo. Evita-se usar o termo
tóxico como sinônimo de toxicante, pelo fato de o leigo associá-lo com
drogas de abuso.
• Toxicidade: Capacidade inerente de a substância
química produzir efeito nocivo após interação com
organismo.
• Intoxicação: Conjunto de sinais e sintomas que
evidenciam o efeito nocivo produzido.
• Remédio (latim) remedium (re =
inteiramente/mederi = curar). Tudo aquilo que cura,
alivia ou evita enfermidade. Abrange não somente
os agentes químicos (medicamentos) como agentes
físicos (duchas, massagens).
“Todas as substâncias
são venenos; não existe
nada que não seja veneno.
Somente a dose correta
diferencia o veneno do
remédio.”
Conceitos
Paracelso (1493-1541)
Toxinas são substâncias tóxicas produzidas por seres vivos e, em geral, não são
bem definidas. A toxinologia é a área da toxicologia que estuda as toxinas. As
toxinas de maior importância em toxicologia podem ser classificadas em:
• Toxinas bacterianas
Conceitos
Fonte:
arquivobioqui.blogspot.com
Toxinas são substâncias tóxicas produzidas por seres vivos e, em geral, não são
bem definidas. A toxinologia é a área da toxicologia que estuda as toxinas. As
toxinas de maior importância em toxicologia podem ser classificadas em:
• Micotoxinas
Conceitos
Fonte: myfarm.com.br
Toxinas são substâncias tóxicas produzidas por seres vivos e, em geral, não são
bem definidas. As toxinas de maior importância em toxicologia podem ser
classificadas em:
• Fitotoxinas
Conceitos
Toxinas são substâncias tóxicas produzidas por seres vivos e, em geral, não são
bem definidas. As toxinas de maior importância em toxicologia podem ser
classificadas em:
• Fitotoxinas
Conceitos
Toxinas são substâncias tóxicas produzidas por seres vivos e, em geral, não são
bem definidas. As toxinas de maior importância em toxicologia podem ser
classificadas em:
• Fitotoxinas
Conceitos
• Zootoxinas
• veneno
Conceitos
Conceitos
Praguicidas: substâncias químicas usadas
para combater pragas, como insetos, roedores,
fungos e ervas daninhas. Também são
conhecidos como agrotóxicos, pesticidas,
defensivos agrícolas, agroquímicos ou
biocidas.
Conceitos
• Perigo (harzad): é a capacidade de um agente ( químico,
biológico, físico) causar um efeito nocivo.
• Risco (risk): é a probabilidade da ocorrência de efeito
nocivo pelo uso, exposição ou manipulação de um agente
tóxico sob condições específicas ( condições de exposição).
Fonte:institutosc.com.br
Conceitos
A toxicidade é a capacidade inerente que a substância
química possui de provocar um efeito nocivo. Depende das
condições de exposição.
Principais viasde exposição
▶ Respiratória (mais importante): gases, vapores,
partículas.
▶ Cutânea: líquidos (solventes).
▶ Digestiva: partículas (deglutidas com muco).
Toxicocinética
• Estuda a relação entre a quantidade de um agente tóxico que entra
em contato com um organismo e sua concentração plasmática/tecidual.
• Diretamente relacionada aos processos: absorção, distribuição,
biotransformação e excreção em função do tempo.
Toxicocinética
Mecanismos de Permeabilidade de Toxicantes em
Membranas Biológicas:
 qual será utilizado? depende das propriedades físico-químicas
1 – Transporte Passivo:
 sem consumo de energia
 a favor do gradiente de concentração
 processos: difusão lipídica, filtração e difusão facilitada
 Difusão Lipídica:
fatores: tamanho molecular e solubilidade
eletrólitos fracos: forma ionizada fracamente lipossolúvel
permeabilidade depende do pKa e pH do meio
Toxicocinética
Mecanismos de Permeabilidade de Toxicantes em
Membranas Biológicas:
1 – Transporte Passivo:
Para íons e moléculas polares :
 Filtração (poros de membrana): mediado
por proteínas de canal
 Difusão Facilitada: mediado por
proteínas transportadoras (permeases)
é seletivo e pode ser saturado
Toxicocinética
Mecanismos de Permeabilidade de Toxicantes em
Membranas Biológicas:
1 – Transporte Ativo:
ocorre contra gradiente de concentração (“bombas” ou
co-transporte)
consumo de energia
mediado por proteínas transportadoras de membrana
(alta seletividade)
ex.: MDR (= glicoproteína P → resistência a quimioterápicos
→ transporte para fora da célula)
 pode reduzir a toxicidade; depende de expressão gênica:
varia entre tipos celulares, espécies e entre indivíduos
Passagem de substâncias do local de contato para a circulação sanguínea.
- Principais vias: dérmica, respiratória e oral.
1. Absorção Dérmica:
Pele: múltimas camadas (epiderme e derme)
pele fina e grossa
Barreiras limitantes da absorção:
•queratinização da camada córnea
•impermeabilização lipídica (camada granulosa)
Derme: tec. conjuntivo,
↑irrigação sanguínea,
glândulas
fatores associados à substância: lipossolubilidade,
pKa, pH, volatilidade e viscosidade.
Absorção
Artigo: Fotossensibilização primária em bovinos leiteiros causada
por Froelichia humboldtiana
Froelichia humboldtiana (Amaranthaceae) é uma planta amplamente
distribuída na região Nordeste brasileira e também encontrada em
algumas áreas do Centro-Oeste do Brasil. A fotossensibilização
ocasionada por F. humboldtiana é bem conhecida na região
semiárida do Nordeste do Brasil, afetando principalmente equídeos.
Porém os criadores alegam que a doença ocasionada pela planta,
popularmente conhecida como ervanço, também afeta ovelhas e
bovinos, além de caprinos.
Via de exposição dérmica:
Via de exposição
dérmica:
Via de exposição
dérmica:
(A) Fotodermatite causada
por ingestão de Froelichia
humboldtiana e bovinos.
Extensas áreas ulceradas na
pele não pigmentada de um
bovino Holandês. (B) Novilha
mestiça apresentando
lambedura na região
escapulo-umeral, devido ao
intenso prurido causado pela
fotossensibilização primária.
(C) Extensa ferida cutânea
resultante da automutilação.
(D) Área alopécica e ulcerada
no tórax lateral causada por
lambedura em uma novilha
mestiça acometida por
fotossensibilização primária
(A-D) Fotodermatite
causada por ingestão
de Froelichia
humboldtiana em
bovinos. Vacas com pele
do úbere
marcadamente
hiperêmica. Nota-se
que as úlceras
desenvolveram-se
basicamente nas áreas
não pigmentadas.
Via de exposição
dérmica:
2. Absorção pela via respiratória:
Partículas sólidas suspensas:
efeito tóxico mais comum = inflamação e irritação das vias respiratórias
absorção relacionada com o tamanho e densidade.
Absorção
2. Absorção pela via respiratória:
Gases e substâncias voláteis:
•absorção depende da solubilidade no sangue (local predominante:
alvéolos)
•difusão para o sangue → distribuição sistêmica
Absorção
2. Absorção pela via respiratória:
Gases e substâncias voláteis:
•equilíbrio dinâmico entre as concentrações do toxicante no ar inspirado e
sangue (função da solubilidade) → coeficiente de partição sangue/ar
•alto coef. de partição: absorção aumenta com a frequência respiratória
•baixo coef. de partição: absorção aumenta com estímulo da circulação
Absorção
Antracose pulmonar (partículas de carvão, poeira, partículas de madeira)
Via de exposição respiratória:
2. Absorção pela via respiratória:
Partículas sólidas suspensas:
efeito tóxico mais comum = inflamação e irritação das vias respiratórias
absorção relacionada com o tamanho e densidade.
Absorção
3. Absorção oral:
•presença de microvilosidades e alta vascularização favorecem a absorção
•local: estômago, intestino, sublingual (oral), retal, etc.
•fatores: pH, alimentos (esvaziamento gástrico e lipídios), lipossolubilidade, pKa,
ionização (ex.: curare).
•ciclo entero-hepático (reabsorção de toxicantes já excretados pela bile)
•absorção de metais (ex.: Ferro, Cálcio) → transporte especializado (proteínas
de membrana), mecanismos de competição (ex.: Cádmio, Zinco e Cobre)
Absorção
Via de exposição oral:
Cestrum axillare
Distribuição
A distribuição é um processo de transferência reversível
do agente tóxico da circulação geral para os diferentes
tecidos que constituem o organismo.
tecidos muito vascularizados → rápido equilíbrio
com a concentração sanguínea ex.: coração, rins,
baço, fígado
para alcançar o sítio de ação: toxicante na forma
livre e mais lipossolúvel
Distribuição
A extensão da distribuição de um agente tóxico do sangue para os tecidos depende
das seguintes variáveis:
• Hidrossolubilidade: compostos hidrossolúveis, como, por exemplo, o etanol,
mostram pouca disposição no tecido adiposo ou no sistema nervoso central e são
distribuídos por toda a água corpórea.
• Ligação às proteínas plasmáticas: os toxicantes que se ligam às proteínas
plasmáticas mostram redução na distribuição nos tecidos e são retidos na circulação.
• Ligação às proteínas teciduais: os toxicantes com alta afinidade por proteínas
teciduais mostram uma distribuição mais extensa.
• Lipossolubilidade: os toxicantes lipossolúveis estão concentrados nos tecidos
adiposo e do sistema nervoso central, sendo neste último por causa do alto conteúdo
de lipídios, membranas citoplasmáticas e retículo endoplasmático das células.
Distribuição
Barreiras
hematoencefálica e
placentária
Biotransformação
• A biotransformação consiste na transformação química de
substâncias, sejam elas medicamentos ou agentes tóxicos,
dentro do organismo vivo, visando favorecer sua eliminação.
• Tornarsubstânciamaishidrossolúvel.Produtosde
biotransformação podem ser ativose/ou inativos..
Após absorção os xenobióticos tendem a ser excretados:
•diretamente (inalterado)
•após modificações químicas
meios de excreção: urina, fezes, ar expirado, leite, saliva, suor, lágrima
comportamento cinético depende de propriedades do xenobiótico:
•substâncias lipofílicas: facilmente absorvidas e dificilmente excretadas
•substâncias hidrofílicas: excreção favorecida (principalmente renal)
Biotransformação
subst. lipofílicas → biotransformação → maior polaridade/hidrofilia → excreção
reações catalisadas por enzimas inespecíficas do metabolismo endógeno
órgãos: fígado, rins, adrenais, pele, mucosa do TGI
absorção por via oral → fígado → efeito de primeira passagem
Biotransformação
REAÇÕES DE FASE 1:
•oxidações, reduções e hidrólises;
•aumentam a polaridade/reatividade de xenobióticos;
•podem levar a produtos mais tóxicos que o composto original
→ bioativação*
REAÇÕES DE FASE 2:
•incorporação de co-fatores endógenos aos produtos das reações de
fase 1;
•Ex.: glicuronidação, sulfatação, acetilação, metilação, conjugação
com glutationa;
•envolve enzimas sintetases e/ou transferases.
Biotransformação
Exemplo de bioativação (Reações de Fase 1):
•Essa é uma bioativação, pois transforma uma substância
relativamente inócua (metanol) em um metabólito mais tóxico.
•organismo tenta metabolizar uma substância, mas acaba
gerando compostos mais reativos e tóxicos.
Biotransformação
Exemplo de Glicuranidação (Reações de Fase 2):
•a mais comum em mamíferos
• classe de enzima: glicuroniltransferases
doador de glicuronila: glicuronil-UDP
•substratos comuns: álcoois, ác. carboxílicos, aminas e sulfidrilas
•glicuronatos são polares e facilmente excretados (rins e fígado)
• Descrição da reação no próximo slide
Biotransformação
Exemplo de Glicuranidação (Reações de Fase 2):
Componente Papel
UDPGA (ácido uridina difosfoglicurônico) Cofator doador de ácido glicurônico
Fenol
Substância (agente tóxico) com grupo
hidroxila (-OH)
Enzima: UDP-glucuroniltransferase (na
imagem, chamada UDP trans-glicuronilase)
Catalisa a reação de conjugação
Produto: Glicuroconjugado
Molécula do fenol ligada ao ácido
glicurônico, mais polar e excretável
UDP Subproduto da reação (uridina difosfato)
Tornou-se a substâncias tóxicas mais solúveis em água para
facilitar a excreção, principalmente pela urina ou bile.
Fatores que interferem na biotransformação:
I. Internos: associados ao organismo
Espécie e Raça; Genética; Gênero; Idade; Estado Nutricional
e Patológico
associados à capacidade de metabolização (quali e
quantitativamente)
determinam a sensibilidade do organismo
fatores dietéticos → desnutrição: redução de proteínas,
vitaminas, GSH
influência variável na toxicidade: substâncias ativas ou
bioativadas
Biotransformação
Excreção
• Substâncias químicas produzidas pelo metabolismo de um
organismo. Eles desempenham funções biológicas importantes,
como o crescimento celular, a produção de energia e a eliminação
de resíduos.
• Biotransformação ( metabólito)
• Excreção: líquidos corpóreos (bile, leite, suor) ou excretas
como fezes e urina e até ar expirado.
Excreção
1. Excreção renal
•substâncias polares/hidrossolúveis;
•mecanismos: filtração glomerular, reabsorção tubular e secreção tubular
(transporte ativo)
•toxicantes ligados à proteínas plasmáticas não são excretados
•alterações do pH urinário interferem na eliminação de eletrólitos fracos
•fatores que interferem: idade, insuficiência renal/cardiovascular,
interações entre toxicantes (competição por transporte ativo), ligação a
proteínas.
Excreção
2. Excreção pelo trato digestivo
• fezes: toxicantes não absorvidos por V.O. + biotransformados
via biliar: conjugados de P.M. > 325
 ciclo entero-hepático (reabsorção): aumento da meia-vida biológica de alguns
xenobióticos (glicuronatos).
•Classificação quanto à relação das concentrações bile/plasma:
•Tipo A: (~ 1) (ex.: sódio, potássio, glicose, mercúrio, tálio, césio, cobalto)
•Tipo B: (> 1) (ex.: ácidos biliares, bilirrubina, chumbo, arsênio, manganês)
•Tipo C: (< 1) (ex.: albumina, zinco, ferro, cromo)
mecanismo de excreção biliar de metais: transporte ativo
Excreção
3. Excreção pelos pulmões
• principal forma de excreção de substâncias gasosas/voláteis
• a passagem do agente toxico dos alvéolos para o ar
E as outras vias???
• Leite: etanol, diazepam, tetraciclina, estrogênio,dicumarol, teofilina,
progesterona,cloranfenicol,fenitoína, morfina, clorpromazina,
fenobarbital, etc...
• Saliva,lágrima,suor
. Período de carência
Toxicodinâmica
É o estudo da natureza da ação tóxica exercida por substâncias
químicas sobre o sistema biológico, sob o ponto de vista bioquímico
e molecular. Assim como na farmacologia, os mecanismos de ação
tóxica podem ser classificados em específicos e inespecíficos.
Mecanismos Específicos
São aqueles cuja ação decorre de sua estrutura química. Há ligação
do agente tóxico com um receptor, formando um complexo que
acarreta alteração da função celular, atuando de forma seletiva em
uma estrutura orgânica.
Toxicodinâmica
Mecanismos Inespecíficos
São aqueles que não atuam em um determinado receptor, mas
provocam alterações nas propriedades físico-químicas, mudando
mecanismos importantes da função celular, promovendo
desorganização de vários processos metabólicos. As lesões
geralmente surgem de forma rápida e sem período de latência. O
alvo para a ação dos agentes tóxicos no organismo animal são
moléculas proteicas com função de enzima, moléculas
transportadoras, canais iônicos, receptores de neurotransmissores e
ácidos nucleicos.
Necrose
Quando procurar ajuda veterinária?
É fundamental saber quando levar o animal ao veterinário após
uma possível intoxicação. Se o animal apresenta sintomas
severos ou não melhora em 24 horas, deve-se buscar ajuda
imediatamente. O veterinário pode fornecer tratamento
adequado para minimizar danos.
Avaliação de toxicidade
▶ Conhecer as condições de uso seguro de substâncias químicas
para a saúde humana e ambiental.
▶ Manter as condições de exposição abaixo dos níveis
considerados perigosos.
Limite de tolerância
▶ Nível de exposição tolerável, que não causa efeitos nocivos ao
indivíduo.
▶ Dificuldade: Estabelecer o que deve ser considerado efeito nocivo.
▶ Para substâncias altamente tóxicas a exposição tolerável
deve serpróximade zero.

slide 1 Introdução e conceitos de toxicologia.pdf

  • 1.
    Princípios de toxicologia Prof.Matheus Rebouças Alchaar CURSO TÉCNICO EM VETERINÁRIA DISCIPLINA: TOXICOLOGIA
  • 2.
    PRINCIPAIS CAPÍTULOS DA APRESENTAÇÃO 1.Introdução à Toxicologia 2. Toxicocinética 3. Toxicodinâmica
  • 3.
    INTRODUÇÃO À TOXICOLOGIA VETERINÁRIA •Intervenção do medico veterinário; • Preservação da saúde humana; • Estuda os efeitos das substâncias químicas nos organismos vivos; • Ela é essencial para entender como as toxinas afetam a saúde animal. Fonte: teachy.com
  • 4.
    Histórico da toxicologia •Origem nos primórdios da humanidade; • Papiro de Ébers (1550 a.C.) utilização de várias substâncias químicas do acônito, ópio, metais (chumbo, cobre e antimônio) • Os egípcios antigos sentenciavam à morte (eutanásia legal) com sementes de amêndoas amargas. Fonte: museudouniversodafarmacia.com.br
  • 5.
    Histórico da toxicologia •A história da toxicologia remonta à antiguidade, com registros de envenenamentos e o uso de substâncias tóxicas por diversas civilizações. Ex: papapula = ópio.
  • 6.
    Histórico da toxicologia •A história da toxicologia remonta à antiguidade, com registros de envenenamentos e o uso de substâncias tóxicas por diversas civilizações. Ex: papapula = ópio. • Ao longo dos séculos, o estudo das toxinas evoluiu, incorporando conhecimentos de química, biologia e medicina. • Hoje, a toxicologia é uma ciência consolidada, essencial para a saúde pública e a segurança ambiental.
  • 7.
  • 8.
    Conceitos 1. A toxicologiaé o estudo dos efeitos adversos de substâncias químicas e agentes físicos nos organismos vivos. 2. O estudo qualitativo e quantitativo dos efeitos nocivos dessas substâncias, incluindo alterações estruturais lesões anatômicas e histológicas) e de resposta (lesões bioquímicas, fisiopatológicas e psíquicas) 3. A ciência que define os limites de segurança dos agentes químicos e físicos 4. A ciência que se ocupa dos agentes tóxicos.
  • 9.
    Finalidade: prevenir, diagnosticare tratar a intoxicação • Avaliar as lesões causadas e investigar os mecanismos envolvidos; • Identificar e quantificar substâncias tóxicas em fluídos biológicos e no ambiente; • Avaliação de risco; • Determinar níveis toleráveis; • Estabelecer condições seguras para uso de substâncias.
  • 10.
    Áreas da toxicologia •Toxicologia ambiental: estuda os efeitos nocivos no organismo decorrentes de exposição a agentes tóxicos presentes na água, no solo e no ar. • Toxicologia ocupacional: estuda os efeitos nocivos decorrentes da exposição a substâncias químicas provenientes do ambiente de trabalho. Os padrões de segurança são objeto de lei e chamados de limite de tolerância (LT). • Toxicologia social: estuda as substâncias químicas que levam à alteração do humor, do comportamento, que provocam disfunções do sistema nervoso central. Nela são estudadas drogas lícitas e ilícitas. • Toxicologia de alimentos: área de aplicação da toxicologia que estabelece as condições em que os ali mentos podem ser ingeridos sem causar danos à saúde. • Toxicologia medicamentosa: estuda as substâncias químicas usadas em terapêutica; avaliando-se o risco x benefício.
  • 12.
    Fasesda Intoxicação Fase deExposição Fase Toxicocinética Fase Toxicodinâmica Fase Clínica Vias de introdução Dose/Concentração Tempo/Frequência Propriedades físico- químicas Suscetibilidade individual Absorção Distribuição Biotransformação Excreção Interação com o sítio de ação Sinais e sintomas TOXICANTE TOXICIDADE INTOXICAÇÃO Disponibilidade química Biodisponibilidade
  • 13.
    Exposição ▶ Vias deintrodução ▶ DL50 DDT pele 2500 mg/kg oral 118 mg/kg Rapidez de absorção: via respiratória > via oral ▶ Dose / concentração ▶Fenobarbital: 100 mg: sonolência 500 mg: sono profundo ▶ Tempo / frequência ▶Aguda: dose única ou no prazo de 24 hs ▶Sub-aguda: 24 hs - uma semana ▶Crônica: mais de uma semana Intravenosa Respiratória Intraperitonial Sub-cutânea Intramuscular Intradérmica Oral Dérmica RISCO
  • 14.
    Exposição ▶ Propriedades físico-químicas:interferem na toxicocinética Solubilidade: chumbo tetraetila: pele – alta absorção acetato de chumbo: pele – baixa absorção Hidrossolúvel Lipossolúvel Tamanho das partículas Pressão de vapor (volatilidade) ▶ Suscetibilidade individual: idade, sexo, raça, estado nutricional, estado de hidratação, fatores genéticos...
  • 15.
    Fase clínica ▶ Efeitotóxico: alteração biológica nociva. ▶ Efeito tóxico local: é o que ocorre no sítio do primeiro contato entre o organismo e o agente químico. ▶ Efeito tóxico sistêmico: é o que requer absorção e distribuição do agente químico para um sítio distante da sua via de penetração, onde produzirá o efeito nocivo. ▶ Efeito tóxico reversível e irreversível: além da dose, tempo e frequência da exposição, é dependente da capacidade de regeneração do tecido do órgão ou sistema afetado.
  • 16.
    Conceitos Xenobiótico (ksénos =estranho; bio = vida) é empregado para indicar qualquer substância estranha ao organismo, qualitativa ou quantitativamente, não indicando necessariamente que provoca efeito nocivo. Quando o xenobiótico, por alguma razão (por exemplo, concentração excessiva ou ausência completa) provoca algum efeito nocivo, ele é considerado também um toxicante ou agente tóxico. Portanto, nem todo xenobiótico é um toxicante. Agente tóxico ou toxicante é qualquer substância química ou agente físico (radiações X, gama, ultravioleta etc.) que ao interagir com o organismo vivo provoca algum efeito nocivo. Evita-se usar o termo tóxico como sinônimo de toxicante, pelo fato de o leigo associá-lo com drogas de abuso.
  • 17.
    • Toxicidade: Capacidadeinerente de a substância química produzir efeito nocivo após interação com organismo. • Intoxicação: Conjunto de sinais e sintomas que evidenciam o efeito nocivo produzido. • Remédio (latim) remedium (re = inteiramente/mederi = curar). Tudo aquilo que cura, alivia ou evita enfermidade. Abrange não somente os agentes químicos (medicamentos) como agentes físicos (duchas, massagens). “Todas as substâncias são venenos; não existe nada que não seja veneno. Somente a dose correta diferencia o veneno do remédio.” Conceitos Paracelso (1493-1541)
  • 18.
    Toxinas são substânciastóxicas produzidas por seres vivos e, em geral, não são bem definidas. A toxinologia é a área da toxicologia que estuda as toxinas. As toxinas de maior importância em toxicologia podem ser classificadas em: • Toxinas bacterianas Conceitos Fonte: arquivobioqui.blogspot.com
  • 19.
    Toxinas são substânciastóxicas produzidas por seres vivos e, em geral, não são bem definidas. A toxinologia é a área da toxicologia que estuda as toxinas. As toxinas de maior importância em toxicologia podem ser classificadas em: • Micotoxinas Conceitos Fonte: myfarm.com.br
  • 20.
    Toxinas são substânciastóxicas produzidas por seres vivos e, em geral, não são bem definidas. As toxinas de maior importância em toxicologia podem ser classificadas em: • Fitotoxinas Conceitos
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    Toxinas são substânciastóxicas produzidas por seres vivos e, em geral, não são bem definidas. As toxinas de maior importância em toxicologia podem ser classificadas em: • Fitotoxinas Conceitos
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    Toxinas são substânciastóxicas produzidas por seres vivos e, em geral, não são bem definidas. As toxinas de maior importância em toxicologia podem ser classificadas em: • Fitotoxinas Conceitos
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    Conceitos Praguicidas: substâncias químicasusadas para combater pragas, como insetos, roedores, fungos e ervas daninhas. Também são conhecidos como agrotóxicos, pesticidas, defensivos agrícolas, agroquímicos ou biocidas.
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    Conceitos • Perigo (harzad):é a capacidade de um agente ( químico, biológico, físico) causar um efeito nocivo. • Risco (risk): é a probabilidade da ocorrência de efeito nocivo pelo uso, exposição ou manipulação de um agente tóxico sob condições específicas ( condições de exposição). Fonte:institutosc.com.br
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    Conceitos A toxicidade éa capacidade inerente que a substância química possui de provocar um efeito nocivo. Depende das condições de exposição.
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    Principais viasde exposição ▶Respiratória (mais importante): gases, vapores, partículas. ▶ Cutânea: líquidos (solventes). ▶ Digestiva: partículas (deglutidas com muco).
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    Toxicocinética • Estuda arelação entre a quantidade de um agente tóxico que entra em contato com um organismo e sua concentração plasmática/tecidual. • Diretamente relacionada aos processos: absorção, distribuição, biotransformação e excreção em função do tempo.
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    Toxicocinética Mecanismos de Permeabilidadede Toxicantes em Membranas Biológicas:  qual será utilizado? depende das propriedades físico-químicas 1 – Transporte Passivo:  sem consumo de energia  a favor do gradiente de concentração  processos: difusão lipídica, filtração e difusão facilitada  Difusão Lipídica: fatores: tamanho molecular e solubilidade eletrólitos fracos: forma ionizada fracamente lipossolúvel permeabilidade depende do pKa e pH do meio
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    Toxicocinética Mecanismos de Permeabilidadede Toxicantes em Membranas Biológicas: 1 – Transporte Passivo: Para íons e moléculas polares :  Filtração (poros de membrana): mediado por proteínas de canal  Difusão Facilitada: mediado por proteínas transportadoras (permeases) é seletivo e pode ser saturado
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    Toxicocinética Mecanismos de Permeabilidadede Toxicantes em Membranas Biológicas: 1 – Transporte Ativo: ocorre contra gradiente de concentração (“bombas” ou co-transporte) consumo de energia mediado por proteínas transportadoras de membrana (alta seletividade) ex.: MDR (= glicoproteína P → resistência a quimioterápicos → transporte para fora da célula)  pode reduzir a toxicidade; depende de expressão gênica: varia entre tipos celulares, espécies e entre indivíduos
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    Passagem de substânciasdo local de contato para a circulação sanguínea. - Principais vias: dérmica, respiratória e oral. 1. Absorção Dérmica: Pele: múltimas camadas (epiderme e derme) pele fina e grossa Barreiras limitantes da absorção: •queratinização da camada córnea •impermeabilização lipídica (camada granulosa) Derme: tec. conjuntivo, ↑irrigação sanguínea, glândulas fatores associados à substância: lipossolubilidade, pKa, pH, volatilidade e viscosidade. Absorção
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    Artigo: Fotossensibilização primáriaem bovinos leiteiros causada por Froelichia humboldtiana Froelichia humboldtiana (Amaranthaceae) é uma planta amplamente distribuída na região Nordeste brasileira e também encontrada em algumas áreas do Centro-Oeste do Brasil. A fotossensibilização ocasionada por F. humboldtiana é bem conhecida na região semiárida do Nordeste do Brasil, afetando principalmente equídeos. Porém os criadores alegam que a doença ocasionada pela planta, popularmente conhecida como ervanço, também afeta ovelhas e bovinos, além de caprinos. Via de exposição dérmica:
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    Via de exposição dérmica: (A)Fotodermatite causada por ingestão de Froelichia humboldtiana e bovinos. Extensas áreas ulceradas na pele não pigmentada de um bovino Holandês. (B) Novilha mestiça apresentando lambedura na região escapulo-umeral, devido ao intenso prurido causado pela fotossensibilização primária. (C) Extensa ferida cutânea resultante da automutilação. (D) Área alopécica e ulcerada no tórax lateral causada por lambedura em uma novilha mestiça acometida por fotossensibilização primária
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    (A-D) Fotodermatite causada poringestão de Froelichia humboldtiana em bovinos. Vacas com pele do úbere marcadamente hiperêmica. Nota-se que as úlceras desenvolveram-se basicamente nas áreas não pigmentadas. Via de exposição dérmica:
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    2. Absorção pelavia respiratória: Partículas sólidas suspensas: efeito tóxico mais comum = inflamação e irritação das vias respiratórias absorção relacionada com o tamanho e densidade. Absorção
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    2. Absorção pelavia respiratória: Gases e substâncias voláteis: •absorção depende da solubilidade no sangue (local predominante: alvéolos) •difusão para o sangue → distribuição sistêmica Absorção
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    2. Absorção pelavia respiratória: Gases e substâncias voláteis: •equilíbrio dinâmico entre as concentrações do toxicante no ar inspirado e sangue (função da solubilidade) → coeficiente de partição sangue/ar •alto coef. de partição: absorção aumenta com a frequência respiratória •baixo coef. de partição: absorção aumenta com estímulo da circulação Absorção
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    Antracose pulmonar (partículasde carvão, poeira, partículas de madeira) Via de exposição respiratória:
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    2. Absorção pelavia respiratória: Partículas sólidas suspensas: efeito tóxico mais comum = inflamação e irritação das vias respiratórias absorção relacionada com o tamanho e densidade. Absorção
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    3. Absorção oral: •presençade microvilosidades e alta vascularização favorecem a absorção •local: estômago, intestino, sublingual (oral), retal, etc. •fatores: pH, alimentos (esvaziamento gástrico e lipídios), lipossolubilidade, pKa, ionização (ex.: curare). •ciclo entero-hepático (reabsorção de toxicantes já excretados pela bile) •absorção de metais (ex.: Ferro, Cálcio) → transporte especializado (proteínas de membrana), mecanismos de competição (ex.: Cádmio, Zinco e Cobre) Absorção
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    Via de exposiçãooral: Cestrum axillare
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    Distribuição A distribuição éum processo de transferência reversível do agente tóxico da circulação geral para os diferentes tecidos que constituem o organismo. tecidos muito vascularizados → rápido equilíbrio com a concentração sanguínea ex.: coração, rins, baço, fígado para alcançar o sítio de ação: toxicante na forma livre e mais lipossolúvel
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    Distribuição A extensão dadistribuição de um agente tóxico do sangue para os tecidos depende das seguintes variáveis: • Hidrossolubilidade: compostos hidrossolúveis, como, por exemplo, o etanol, mostram pouca disposição no tecido adiposo ou no sistema nervoso central e são distribuídos por toda a água corpórea. • Ligação às proteínas plasmáticas: os toxicantes que se ligam às proteínas plasmáticas mostram redução na distribuição nos tecidos e são retidos na circulação. • Ligação às proteínas teciduais: os toxicantes com alta afinidade por proteínas teciduais mostram uma distribuição mais extensa. • Lipossolubilidade: os toxicantes lipossolúveis estão concentrados nos tecidos adiposo e do sistema nervoso central, sendo neste último por causa do alto conteúdo de lipídios, membranas citoplasmáticas e retículo endoplasmático das células.
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    Biotransformação • A biotransformaçãoconsiste na transformação química de substâncias, sejam elas medicamentos ou agentes tóxicos, dentro do organismo vivo, visando favorecer sua eliminação. • Tornarsubstânciamaishidrossolúvel.Produtosde biotransformação podem ser ativose/ou inativos..
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    Após absorção osxenobióticos tendem a ser excretados: •diretamente (inalterado) •após modificações químicas meios de excreção: urina, fezes, ar expirado, leite, saliva, suor, lágrima comportamento cinético depende de propriedades do xenobiótico: •substâncias lipofílicas: facilmente absorvidas e dificilmente excretadas •substâncias hidrofílicas: excreção favorecida (principalmente renal) Biotransformação subst. lipofílicas → biotransformação → maior polaridade/hidrofilia → excreção reações catalisadas por enzimas inespecíficas do metabolismo endógeno órgãos: fígado, rins, adrenais, pele, mucosa do TGI absorção por via oral → fígado → efeito de primeira passagem
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    Biotransformação REAÇÕES DE FASE1: •oxidações, reduções e hidrólises; •aumentam a polaridade/reatividade de xenobióticos; •podem levar a produtos mais tóxicos que o composto original → bioativação* REAÇÕES DE FASE 2: •incorporação de co-fatores endógenos aos produtos das reações de fase 1; •Ex.: glicuronidação, sulfatação, acetilação, metilação, conjugação com glutationa; •envolve enzimas sintetases e/ou transferases.
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    Biotransformação Exemplo de bioativação(Reações de Fase 1): •Essa é uma bioativação, pois transforma uma substância relativamente inócua (metanol) em um metabólito mais tóxico. •organismo tenta metabolizar uma substância, mas acaba gerando compostos mais reativos e tóxicos.
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    Biotransformação Exemplo de Glicuranidação(Reações de Fase 2): •a mais comum em mamíferos • classe de enzima: glicuroniltransferases doador de glicuronila: glicuronil-UDP •substratos comuns: álcoois, ác. carboxílicos, aminas e sulfidrilas •glicuronatos são polares e facilmente excretados (rins e fígado) • Descrição da reação no próximo slide
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    Biotransformação Exemplo de Glicuranidação(Reações de Fase 2): Componente Papel UDPGA (ácido uridina difosfoglicurônico) Cofator doador de ácido glicurônico Fenol Substância (agente tóxico) com grupo hidroxila (-OH) Enzima: UDP-glucuroniltransferase (na imagem, chamada UDP trans-glicuronilase) Catalisa a reação de conjugação Produto: Glicuroconjugado Molécula do fenol ligada ao ácido glicurônico, mais polar e excretável UDP Subproduto da reação (uridina difosfato) Tornou-se a substâncias tóxicas mais solúveis em água para facilitar a excreção, principalmente pela urina ou bile.
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    Fatores que interferemna biotransformação: I. Internos: associados ao organismo Espécie e Raça; Genética; Gênero; Idade; Estado Nutricional e Patológico associados à capacidade de metabolização (quali e quantitativamente) determinam a sensibilidade do organismo fatores dietéticos → desnutrição: redução de proteínas, vitaminas, GSH influência variável na toxicidade: substâncias ativas ou bioativadas Biotransformação
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    Excreção • Substâncias químicasproduzidas pelo metabolismo de um organismo. Eles desempenham funções biológicas importantes, como o crescimento celular, a produção de energia e a eliminação de resíduos. • Biotransformação ( metabólito) • Excreção: líquidos corpóreos (bile, leite, suor) ou excretas como fezes e urina e até ar expirado.
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    Excreção 1. Excreção renal •substânciaspolares/hidrossolúveis; •mecanismos: filtração glomerular, reabsorção tubular e secreção tubular (transporte ativo) •toxicantes ligados à proteínas plasmáticas não são excretados •alterações do pH urinário interferem na eliminação de eletrólitos fracos •fatores que interferem: idade, insuficiência renal/cardiovascular, interações entre toxicantes (competição por transporte ativo), ligação a proteínas.
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    Excreção 2. Excreção pelotrato digestivo • fezes: toxicantes não absorvidos por V.O. + biotransformados via biliar: conjugados de P.M. > 325  ciclo entero-hepático (reabsorção): aumento da meia-vida biológica de alguns xenobióticos (glicuronatos). •Classificação quanto à relação das concentrações bile/plasma: •Tipo A: (~ 1) (ex.: sódio, potássio, glicose, mercúrio, tálio, césio, cobalto) •Tipo B: (> 1) (ex.: ácidos biliares, bilirrubina, chumbo, arsênio, manganês) •Tipo C: (< 1) (ex.: albumina, zinco, ferro, cromo) mecanismo de excreção biliar de metais: transporte ativo
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    Excreção 3. Excreção pelospulmões • principal forma de excreção de substâncias gasosas/voláteis • a passagem do agente toxico dos alvéolos para o ar E as outras vias??? • Leite: etanol, diazepam, tetraciclina, estrogênio,dicumarol, teofilina, progesterona,cloranfenicol,fenitoína, morfina, clorpromazina, fenobarbital, etc... • Saliva,lágrima,suor . Período de carência
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    Toxicodinâmica É o estudoda natureza da ação tóxica exercida por substâncias químicas sobre o sistema biológico, sob o ponto de vista bioquímico e molecular. Assim como na farmacologia, os mecanismos de ação tóxica podem ser classificados em específicos e inespecíficos. Mecanismos Específicos São aqueles cuja ação decorre de sua estrutura química. Há ligação do agente tóxico com um receptor, formando um complexo que acarreta alteração da função celular, atuando de forma seletiva em uma estrutura orgânica.
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    Toxicodinâmica Mecanismos Inespecíficos São aquelesque não atuam em um determinado receptor, mas provocam alterações nas propriedades físico-químicas, mudando mecanismos importantes da função celular, promovendo desorganização de vários processos metabólicos. As lesões geralmente surgem de forma rápida e sem período de latência. O alvo para a ação dos agentes tóxicos no organismo animal são moléculas proteicas com função de enzima, moléculas transportadoras, canais iônicos, receptores de neurotransmissores e ácidos nucleicos. Necrose
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    Quando procurar ajudaveterinária? É fundamental saber quando levar o animal ao veterinário após uma possível intoxicação. Se o animal apresenta sintomas severos ou não melhora em 24 horas, deve-se buscar ajuda imediatamente. O veterinário pode fornecer tratamento adequado para minimizar danos.
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    Avaliação de toxicidade ▶Conhecer as condições de uso seguro de substâncias químicas para a saúde humana e ambiental. ▶ Manter as condições de exposição abaixo dos níveis considerados perigosos.
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    Limite de tolerância ▶Nível de exposição tolerável, que não causa efeitos nocivos ao indivíduo. ▶ Dificuldade: Estabelecer o que deve ser considerado efeito nocivo. ▶ Para substâncias altamente tóxicas a exposição tolerável deve serpróximade zero.