SEXUALIDADE NO IDOSO -
CONSIDERAÇÕES AO PROFISSIONAL DE SAÚDE
Joana Filipa Macedo Liz Pimenta
Dissertação de Mestrado Integrado em Medicina
Ano 2013 / 2014
Joana Filipa Macedo Liz Pimenta
SEXUALIDADE NO IDOSO –
CONSIDERAÇÕES AO PROFISSIONAL DE SAÚDE
Dissertação – Artigo tipo Revisão
Bibliográfica, de Candidatura ao grau
de Mestre em Medicina submetida ao
Instituto de Ciências Biomédicas de
Abel Salazar da Universidade do
Porto.
Orientador – Dr. Nuno Rossano
Monteiro Louro
Categoria – Especialista em Urologia
Afiliação – Instituto de Ciências
Biomédicas Abel Salazar da
Universidade do Porto  Centro
Hospitalar do Porto
Porto, Junho de 2014
SEXUALIDADE NO IDOSO – Considerações ao Profissional de Saúde
I
Resumo
Introdução: Segundo a Organização Mundial de Saúde entre 2000 e 2050 a proporção de
pessoas com mais de 60 anos no Mundo irá duplicar. Sendo assim todos os aspetos do
idoso devem ser tomados em atenção e a sexualidade não deve ser exceção.
Objetivo: Aumentar a informação sobre a sexualidade no idoso de forma a revelar a sua
real importância, principalmente nos cuidados de saúde.
Metodologia: Pesquisa bibliográfica e revisão da literatura científica.
Resultados: A prática sexual diminui com a idade, mas a sexualidade continua a ser um
aspeto importante. Muitos fatores, desde saúde a sociais contribuem para a diminuição
da prática sexual. Muitos idosos têm disfunção sexual mas não abordam o assunto com o
seu médico, nem o profissional de saúde o questiona, por falta de formação nesta área.
Uma vida sexual ativa traz benefícios. Por fim, mais investigação é necessária.
Conclusão: A Sexualidade é um tema importante para o idoso. É necessário aumentar a
informação e formação para proporcionar melhores cuidados de saúde.
Palavras-chave: Sexualidade; população idosa; profissional de saúde.
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Abstract
Background: According to the World Health Organization between 2000 and 2050 the
proportion of people over 60 years will double in the World. Thus, all aspects of the elderly
should be taken into account with sexuality being no exception.
Aim: Increase information about sexuality in the elderly for revealing its real importance,
mainly in the health care.
Method: Literature search and review.
Results: The sexual activity decreases with age, but for approximately half of the
individuals in this group, sexuality remains an important aspect. An active sex life is
benefic. Many seniors have sexual dysfunction but do not address the issue with their
doctors, nor healthcare professionals question patients about this aspect. Many factors
contribute to the decrease of sexual activity, from health to social reasons. Health
professionals should know how to manage issues related to sexuality affecting their
elderly patients. More research is needed for a better understanding of sexuality in the 3rd
age.
Conclusion: Sexuality is an impotant issue for the elderly. It’s necessary to increase
training and information in this area to provide better health care for this population group.
Keywords: Sexuality; elderly population; healthcare professionals.
SEXUALIDADE NO IDOSO – Considerações ao Profissional de Saúde
1
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Sumário
Introdução ............................................................................................................................ 2
Objetivo e Metodologia ………………………..……………………………..…………. 3
Sexualidade no Idoso – Prevalência ................................................................................... 4
Impacto da Sexualidade no Idoso ...................................................................................... 7
Vergonha do Idoso pela sua Sexualidade ………………..…………………………………... 9
“Assexualidade” do Profissional de Saúde ………………………………………………….. 10
Limitações à Sexualidade no Idoso ……………………………..…………………………… 11
Sexualidade no Idoso Doente ………...………………………………………………………. 13
Fármacos …………………………………….….……………………………………... 16
Hipogonadismo de Início Tardio ……………………………………….………….……….…. 18
Abordagem à Sexualidade no Idoso ……………………………………………………… 19
Propostas para o Futuro ………………………………………..…………………………….. 21
Conclusão …………………………………...………………………………………………….. 22
Referências Bibliográficas ………………………………………….…………………………. 23
Anexo ………………………………….………………………………………………………… 28
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SEXUALIDADE NO IDOSO – Considerações ao Profissional de Saúde
2
Introdução
Segundo a Organização Mundial
de Saúde a maioria dos países
desenvolvidos considera idoso aquele
com mais de 65 anos e, segundo dados
da mesma fonte, entre 2000 e 2050 a
proporção de pessoas com mais de 60
anos no Mundo irá duplicar. Estes dados
demonstram a importância que este
grupo etário deve ter nos Cuidados de
Saúde.
A sexualidade é um aspeto
central na vida do ser humano, sendo
um parâmetro da qualidade de vida.1
A
Medicina Sexual não deve ser ignorada
independentemente do doente e do
profissional de saúde (PS). As relações
sexuais são desejadas, inclusivamente
na 3ª idade, principalmente quando em
condições de saúde e de um parceiro
que as permitam.2, 3 , 4
A passagem para a 3ª idade
acarreta alterações no ciclo sexual.5
Com
o avançar da idade a probabilidade de
disfunção sexual num dos elementos do
casal aumenta, mas isto não significa
que a sexualidade perde importância
para a manutenção de uma boa
relação.5
Uma vida sexual satisfatória
poderá ter também benefícios sobre a
saúde, possivelmente atuando como
cardioprotetor, na prevenção de doença
oncológica e com efeitos positivos sobre
o sistema imunitário e
musculoesquelético (ver Anexo I).6
Todavia, apesar da importância
da sexualidade, este não é um tópico
frequentemente abordado pelos
profissionais de saúde.7
Neste sentido é
importante obter mais informação sobre
a prática sexual do idoso saudável. Para
poder prestar uma boa assistência, os
cuidadores precisam de ser informados
sobre as estatísticas relativas à vida
sexual dos idosos, precisam de entender
as alterações biológicas e psicológicas e
os fatores sociais que determinam a
saúde sexual da população sénior, tendo
em conta as características específicas
do envelhecimento individual e do casal.8
Para poder identificar corretamente as
situações anormais é necessário um
conhecimento da norma.
Por último, a boa pratica médica
deve encarar o doente numa perspetiva
holística. Todos os componentes da
saúde são importantes, assim como a
sociedade onde se insere. Atualmente,
observa-se uma mudança de
mentalidades, onde a sexualidade é
reconhecida. Também na terapêutica se
observa um aumento do número de
opções.7
O médico deve preocupar-se
com a sexualidade dos seus pacientes
SEXUALIDADE NO IDOSO – Considerações ao Profissional de Saúde
3
para realmente promover a saúde e
responder às necessidades dos
mesmos. Em suma, a sexualidade no
idoso é um assunto relevante que
merece uma sistematização.
Objetivo e Metodologia
No idoso é inquestionável a
importância de manter a qualidade de
vida e já não é novidade o conceito de
“dar vida aos anos”. Deste modo a
sexualidade não deve ser esquecida na
3ª idade. Todavia, ainda há um tabu à
volta deste tema e perceção que o idoso
não tem uma vida sexual ativa, que com
esta tese se ambiciona alterar.
Pretende-se desmistificar o
celibato na 3ª idade e alertar para os
benefícios que podem advir da inclusão
deste tema durante as consultas. É
também importante uma
contextualização epidemiológica dos
hábitos da população numa área onde a
investigação se prende mais com a
doença do que com o estudo na
população saudável.
A dissertação em questão
propõe-se a realizar uma revisão
sistemática da literatura científica sobre
a sexualidade no idoso, com maior
destaque para o sexo masculino. Os
principais artigos e textos consultados
resultaram, maioritariamente, de uma
pesquisa bibliográfica com base no
PubMed. A pesquisa foi feita a partir das
palavras e expressões do campo lexical
de sexualidade no idoso, e decorreu
entre Setembro de 2013 e Maio de 2014.
As páginas oficiais da Internet da
European Association of Urology9
, World
Association For Sexual Health10
, World
Health Organization11
, Centers for
Disease Control and Prevention12
,
Association of Reproductive Health
Professionals13
, Mayo Foundation for
Medical Education and Research14
e
Plano Nacional de Saúde15
também
foram fonte de bibliografia revista.
Como ressalva, importa
considerar que a investigação sobre uma
área tão profundamente pessoal é
repleta de dificuldades, incluindo viés de
auto-relatos, baixas taxas de resposta e
falta de estudos mais duradouros. Como
tal, a investigação de boa qualidade
nesta área é limitada. Estudos maiores,
como o de Nicolosi et al. de 29 países16
,
têm taxas de resposta baixas (19%)16
e
estudos menores podem não ser
generalizáveis.17
Atendendo a que a população
idosa tem cada vez mais peso nos
cuidados de saúde e que a própria
sociedade está a quebrar alguns
SEXUALIDADE NO IDOSO – Considerações ao Profissional de Saúde
4
preconceitos, o PS deve estar
sensibilizado para o tema em questão
para poder orientar melhor os seus
doentes. Com a presente tese não se
pretende uma dissertação sobre as
disfunções sexuais do homem idoso,
mas sim descrever algumas
características da sexualidade deste
grupo etário e alertar para a necessidade
de aumentar a informação do prestador
de cuidados de saúde.
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Sexualidade no Idoso -
Prevalência
Um estudo nos Estados Unidos
da América por Lindau et al. (2007)7
com
uma amostra de 3.005 adultos (taxa de
resposta de 75%)7
mostrou que o
interesse e a prática sexual são menores
nos grupos etários mais velhos18
.
Mulligan e Moss (1991)19
determinaram
que a frequência média de relações
sexuais passa de semanal até aos 50
anos para mensal dos 50 aos 70 anos e
determinaram também que o pico de
declínio no interesse sexual se
compreende entre os 40 e 70 anos19
.
Pfeiffer (1972)20
e Panser et al. (1995)21
também encontraram nos seus estudos
um declínio significativo na atividade e
interesse sexual com o aumento da
idade. Segundo DeRogatis et al. (2008)67
a disfunção sexual é altamente
prevalente na sociedade em todo o
mundo e a sua ocorrência aumenta
diretamente com a idade.67
McCarthy e
Thestrup (2009) 22
apontam o término da
vida sexualmente ativa do casal, como
sendo maioritariamente um resultado da
decisão do homem, como consequência
da sua perda de confiança na
capacidade de ter uma relação sexual
completa e satisfatória.22
No entanto,
embora a frequência de disfunção sexual
aumente com a idade, a aflição pessoal
sobre esses sintomas parece diminuir na
3ª idade.67
A prevalência de atividade sexual
diminui com a idade23
, mas um número
considerável de idosos envolve-se em
relações sexuais (sexo vaginal, oral e
masturbação) inclusivamente nas oitava
e nona décadas da vida.7
SEXUALIDADE NO IDOSO – Considerações ao Profissional de Saúde
5
Segundo um estudo americano já
mencionado de Lindau et al (2007)7
entre
os indivíduos com idades compreendidas
entre os 75 e 85 anos, 59% atribuiu
alguma importância à prática de
atividades sexuais, sendo que 31%
praticavam sexo oral.7
Segundo o
European Male Ageing Study, publicado
em 201018
, 75% ter pensado em sexo
nas 4 semanas anteriores ao estudo pelo
menos uma relação sexual, No estudo
de Nicolosi et al. (2004)16
já
anteriormente referido, concluiu-se que
53% dos homens entre os 70 a 80 anos
tiveram relações sexuais nos 12 meses
prévios à entrevista. Na pesquisa de Gott
(2001)24
81,5% dos idosos estiveram
envolvidos em uma ou mais relações
sexuais e num estudo de Helgason et al
(1996)25
46% dos homens com idades
entre 70 e 80 anos, relataram orgasmo
pelo menos uma vez por mês.25
Estudos
sobre a prevalência de atividade sexual
entre homens idosos encontram-se
resumidos na Tabela I.
Pesquisas como a de Lindau e
Gavrilova (2010)26
demonstraram que o
interesse sexual entre homens mais
velhos está a aumentar, possivelmente
devido aos novos fármacos muito
divulgados para a disfunção erétil (DE),
com início com o Viagra®
em 1998.26
Sobre a medicação para melhorar a
atividade sexual, aproximadamente 65%
da população idosa é a favor do seu uso
e quase um em cada sete homens
relataram tomar medicação para
melhorar a função sexual.7, 16
Outras estatísticas importantes,
alertaram para que a maioria dos norte-
americanos mais velhos não praticava
sexo seguro, mesmo quando tinham
múltiplos parceiros.10
Apenas 1 em cada
5 idosos solteiros sexualmente ativos
usavam preservativo regularmente. Fica
demonstrada a importância de controlar
as doenças sexualmente transmissíveis
dentro desta população. Todavia, alguns
médicos reconhecem não discutir com
os adultos mais velhos os riscos de sexo
desprotegido, racionalizando as suas
respostas pelas baixas taxas (embora
não negligenciáveis) de infeções
sexualmente transmissíveis entre este
grupo etário.28
Outro fator a considerar é a
orientação sexual. Em 2000, um relatório
da National Gay and Lesbian Task Force
estimou o número de Homossexuais,
Bissexuais e Transexuais seniores nos
Estados Unidos em cerca de 3 milhões,
podendo chegar a 4 milhões até 2030.29
Os idosos em questão enfrentam muitas
barreiras para um bom envelhecimento.
SEXUALIDADE NO IDOSO – Considerações ao Profissional de Saúde
6
Tabela I: Compilação de dados relativos a vários estudos sobre a prevalência da
actividade sexual no idoso.33
Autor
(referência)
Ano País
Nº total de
Homens
Idade
Sexualmente
Ativos
Frequência
Choi et al.
(39)
2011 Corea 116
Mais de
65 anos
77,06% No último ano
Corona et al.
(18)
2010
8 Países
europeus
3369
Mais de
70 anos
35,00% <Semanalmente
Laumann et
al. (41)
2009 EUA 742
40 - 80
Anos
79,04% No último ano
Chew et al.
(81)
2009 Austrália 804
65 - 79
Anos
32,40%
Smith et al.
(42)
2007 EUA 22
81 +/- 6
Anos
41,00%
Lindau et al.
(7)
2007 EUA 1455
65 - 74
Anos
67,00% No último ano
Beutel et al.
(87)
2007 Alemanha 508
Mais de
70 anos
54% (numa
relação)
Holden et al.
(72)
2005 Austrália 5990
Mais de
70 anos
37,00%
Nicolosi et al
(16)
2004 29 Países 13618
40 - 80
Anos
80% No último ano
Rosen et al.
(71)
2003 7 Países 12815
50 - 80
Anos
71,00%
Média 5,9
vezes/mês
Gott et al.
(24)
2001
Reino
Unido
161
50 - 90
Anos
81,50%
Braun et al.
(70)
2000 Alemanha 4489
70 - 80
Anos
71,30% <Semanalmente
Matthias et
al. (51)
1997 EUA 497
70 - 94
Anos
31,30% No último mês
Helgason et
al. (25)
1996 Suécia 319
70 - 80
Anos
44,90% <3 vezes/mês
Média
(referente à
tabela)
1996
-
2011
Mais de
40 anos
57,58%
SEXUALIDADE NO IDOSO – Considerações ao Profissional de Saúde
7
Citando um artigo de Hughes et al.
(2011)30
“ao contrário dos
heterossexuais, este grupo de idosos
conta com menos apoios legais e
familiares. O que representa um enorme
desafio na gestão das necessidades
básicas à medida que envelhecem. Além
disso, e por causa do preconceito, o
tendem a ser mais modestos e a ter
piores cuidados de saúde.” Atualmente,
ainda existem poucos serviços que
tomem em consideração as
necessidades dos idosos com
orientações sexuais minoritárias.29, 30 e 31
Conclui-se, recorrendo a um
estudo pelo Instituto Nacional de
Endocrinologia Cubano,32
que ocorrem
mudanças no comportamento sexual
com o envelhecimento, sendo as
alterações predominantemente
negativas. No entanto, uma alta
proporção de idosos tem relações
sexuais, um alto nível de desejo sexual e
um nível moderado de excitação, com os
quais estão satisfeitos. Por fim, a
frequência de prática de atividades
sexuais é determinado não só pela idade
do sujeito, mas também por outros
fatores, como a presença de parceiros
sexuais, relacionamento social e
profissional, educação sexual, uso de
drogas, estado psicológico, disposição
positiva em relação à sexualidade e
privacidade.32
Os casais mais velhos são
encarados como menos interessados na
sua sexualidade e intimidade, o que não
se verifica uma vez que essas questões
foram uniformemente consideradas
importantes entre pacientes e cônjuges
de todas as idades.33, 34
Em suma, o ser
humano não deixa de ser um ser sexual
à medida que vai envelhecendo, nem
deve haver nenhum preconceito sobre a
forma como vive a sua sexualidade.
Impacto da Sexualidade no
Idoso
O aumento da longevidade da
população, a reconceptualização da
saúde sexual como parte da saúde geral
e o desenvolvimento de drogas que
visam a melhoria da função sexual têm
contribuído para uma mudança na
atitude dos idosos e da comunidade
médica, aumentando assim a demanda
por ajuda.35
Segundo o Center for
Disease Control and Prevention12
“uma
boa Saúde Sexual é um estado
relacionado com a sexualidade e bem-
estar físico, psíquico, emocional e social
e não meramente a ausência de doença
ou disfunção”, que não tem a sua
importância confinada apenas aos anos
reprodutivos. Na Saúde Sexual inclui-se
também a capacidade de compreender e
SEXUALIDADE NO IDOSO – Considerações ao Profissional de Saúde
8
pesar os riscos, responsabilidades,
resultados e impacto das ações sexuais
e da abstinência.12
É importante a
libertação do abuso sexual, da
discriminação e da capacidade de
integrar plenamente a sexualidade ao
longo da vida.12
No seguimento da definição de
Saúde Sexual, a Medicina Sexual não
deve ser entendida como exclusiva das
especialidades mais intimamente
ligadas. Pois, se por um lado a disfunção
sexual pode requerer uma abordagem
multidisciplinar, que combine o
conhecimento e as habilidades de
urologistas, ginecologistas, internistas e
profissionais de saúde mental para
prestar assistência individualizada
relacionada com a idade,35
por outro
lado, de maneira mais direta ou não,
todos os prestadores de cuidados de
Saúde podem contribuir para a melhoria
da Saúde Sexual, desde que a
reconheçam como importante. Com uma
melhoria da Saúde Sexual o paradigma
pode alterar-se da doença para uma
atitude mais positiva, aumentando a
prevenção e usufruindo da sexualidade
para a saúde em geral, nomeadamente
uma boa saúde física e mental, um
parceiro estável e um padrão regular de
atividade sexual mais cedo na vida são
fatores protetores para a manutenção da
atividade sexual na 3ª idade.37
Os Cuidados Primários e a Saúde
Pública têm um papel determinante pela
abrangência da população e pelo seu
papel preventivo. Num estudo realizado
em 2011 na Indonésia,38
com o objetivo
de compreender a disfunção sexual
entre os idosos e seu impacto na
qualidade de vida para a conceção de
programas de promoção de saúde
apropriados, conclui-se que a disfunção
sexual é associada a má qualidade de
vida entre os idosos. A falta de atividade
sexual, a insatisfação na vida sexual e a
presença de problemas sexuais foram
associados a má qualidade de vida em
homens idosos após ajuste para idade,
estado civil, escolaridade e história de
doenças crónicas.
Choi et al. (2011)39
afirmaram que
os idosos casados que se sentiam muito
satisfeitos com a sua vida sexual tinham
uma autoestima significativamente maior
do que os insatisfeitos. A prática sexual
no idoso é benéfica inclusivamente para
a manutenção das capacidades
intelectuais, uma vez que há uma
associação entre pontuações mais altas
na Functional Status Questionnaire e no
Mental Health Inventory (MHI-5) com
níveis mais altos de satisfação sexual.40
Do ponto de vista da promoção
da saúde sexual, o prazer não é frívolo
nem destrutivo, pois sabe-se que o
prazer sexual contribui para o bem-estar,
SEXUALIDADE NO IDOSO – Considerações ao Profissional de Saúde
9
para uma vida saudável e produtiva e é
uma parte normal do desenvolvimento
humano e da afirmação de uma
identidade positiva, para além de ser um
poderoso fator para a manutenção dos
casais. Esta realidade deve refletir-se
nas políticas de promoção da saúde
sexual e em programas destinados a
contribuir para o desenvolvimento de
uma comunidade saudável.12, 36
Vergonha do Idoso pela sua
Sexualidade
Laumann et al. (2009)41
relataram
que menos de 25% dos indivíduos com
problemas do foro sexual procurou ajuda
junto de um PS. Isto é consistente com
os achados de estudos semelhantes.42
A
procura de tratamento para a disfunção
sexual é comumente inibida por
vergonha42
e receio de preconceito, por
ainda ter uma vida sexual ativa,43
o que
leva a que muitos idosos sejam
relutantes em procurar ajuda para os
seus problemas sexuais, mesmo que
tenham um grave efeito sobre a sua
qualidade de vida.37
Num estudo sobre pacientes com
DE, 78% dos participantes não tinha
apresentado as suas queixas nos
cuidados de saúde primários e 82% teria
gostado que o médico tivesse iniciado a
conversa sobre o assunto.43
No estudo
de Boer et al. (2005) na Holanda44
85,3%
dos homens com disfunção erétil queria
ajuda, mas apenas 10,4% dos homens
receberam cuidados médicos. Num
estudo retrospetivo de Smith e
colaboradores (2007)42
no ano anterior
ao questionário 32% dos homens viram
a função sexual abordada pelo médico,
em comparação com outros 36% que
relataram terem sido os próprios a iniciar
uma discussão sobre a função sexual
com o seu médico, mas a grande maioria
de 86% é da opinião que os médicos
devem iniciar discussões sobre a função
sexual. Neste estudo de adultos seniores
uma minoria relatou uma vida sexual
ativa mas o desejo para a atividade
sexual era elevada, apesar de sérios
problemas com disfunção erétil, logo
tratava-se de um grupo que poderia
beneficiar de tratamento e ajuda médica.
De acordo com Lindau et al.
(2007)7
cerca de um quarto dos adultos
mais velhos sexualmente ativos com um
problema sexual vê a frequência das
suas relações diminuída ou anulada por
causa da disfunção, logo seriam um
grupo suscetível de beneficiar de
intervenção terapêutica e que merece o
investimento do PS.
SEXUALIDADE NO IDOSO – Considerações ao Profissional de Saúde
10
“Assexualidade” do
Profissional de Saúde
Se o PS não aceita que o idoso
pode disfrutar da sua sexualidade então
é improvável que alguns problemas
sejam efetivamente explorados,
diagnosticados e tratados.17
Numa
pesquisa realizada pela American
Association of Retired Persons (em
1998) 1500 participantes com mais de 50
anos manifestaram a necessidade dos
PS criarem um ambiente receptivo que
promova o diálogo aberto, reconhecendo
que as questões sexuais devem ser
abordadas.33, 45
Bouman e Arcelus (2001)46
concluíram que os psiquiatras são
menos propensos a colher a história
sexual de idosos. Os doentes idosos
são também menos referenciados a
serviços apropriados caso a disfunção
seja identificada.46
Bedell et al. (2002)47
constataram que os cardiologistas
muitas vezes não discutem a função
sexual com os seus pacientes ou não o
fazem de forma adequada, apesar do
sabido impacto de certas doenças
cardiovasculares sob a função sexual.
No estudo de Lindau et al. (2011) sobre
doentes com neoplasia do pulmão,34
a
maioria dos médicos envolvidos
acreditava que os problemas de
intimidade e sexualidade eram
relevantes, mas poucos os discutiam.34
Gott et al. (2004)28
realizaram um
estudo sobre as atitudes dos clínicos
gerais e revelaram que estes se guiam
mais pelos estereótipos de
assexualidade, em vez de atribuir a
importância merecida à sexualidade na
3ª idade. Por outro lado, segundo o
mesmo estudo as pessoas mais velhas
contam com o médico geral e de família
como a principal fonte de ajuda
profissional em relação a dificuldades
sexuais. Ainda noutro estudo do mesmo
autor 48
os médicos, mas não os
enfermeiros, estavam preocupados com
a possibilidade da relação profissional
ser prejudicada por discussões sobre
questões sexuais. As principais barreiras
identificadas foram a falta de tempo
durante as consultas, falta de
experiência ou treino em como discutir
questões sexuais e o receio em poder
abrir uma “caixa de Pandora” sem tempo
para a explorar.
A promoção de uma boa saúde
sexual continua a ser difícil para muitos
médicos.37
O médico de família
reconhece que é o principal ponto de
contato em relação à saúde sexual, mas
que se sente despreparado nesta área.28
As principais razões pelas quais
raramente se inicia uma conversa sobre
sexualidade incluem a priorização de
outros interesses concorrentes, limitação
de tempo, a sexualidade não ser
percebida como uma preocupação do
SEXUALIDADE NO IDOSO – Considerações ao Profissional de Saúde
11
paciente e falta de experiência em
discutir algumas questões.17, 33
Outro
motivo importante para não abordar o
assunto é o estereótipo e preconceito
(incluindo a assexualidade, a
monogamia e a heterossexualidade em
idades mais avançada) mais do que a
experiência profissional.33
De acordo com os artigos
revistos, é seguro afirmar que o PS
encontra no sexo um assunto difícil, e
que essa abordagem é agravada quando
se discute o sexo com uma pessoa mais
velha. Nas suas últimas consequências a
situação anteriormente exposta leva a
que estas questões não sejam
adequadamente tratadas resultando em
depressão, isolamento social e atraso no
diagnóstico de condições médicas
subjacentes, entre muitas outras
consequências nefastas na vida da
população.17
Um maior conhecimento da
sexualidade em idades mais avançadas
pelos profissionais de saúde melhora a
educação sexual do paciente, aumenta o
aconselhamento, bem como promove a
identificação clínica de um espectro
altamente prevalente de problemas
sexuais relacionados com a saúde geral
e potencialmente tratáveis.33
Uma maior
informação pode contribuir também para
a manutenção de relações sexuais
significativas na 3ª idade e diminuir a
transmissão de doenças sexualmente
transmissíveis.49
Em suma a
comunicação médico-doente sobre a
sexualidade pode desempenhar um
papel fundamental na melhoria da
qualidade de vida do grupo etário em
questão.37
Limitações à Sexualidade no
Idoso
Num estudo comparativo de 106
culturas em relação à sexualidade da
população senior conclui-se que a
manutenção de uma vida sexualmente
ativa em muitas sociedades e a limitação
em outras, sugere que fatores biológicos
bem como culturais podem ser os
principais determinantes no
comportamento sexual na 3ª idade.50
Assim, para uma melhor análise da
sexualidade importa ter em conta o
contexto socio-económico. Matthias et al.
(1997)51
relataram que os idosos com
redes sociais mais pobres (com base no
Lubben Social Network Scale) eram mais
propensos a serem sexualmente inativos
e insatisfeitos. Trudel e Piche (2000)52
elencaram determinantes sociais que
influenciam a atividade sexual,
nomeadamente estado civil, tabus
sociais, educação sexual, autoestima e
atitudes em relação à sexualidade.
SEXUALIDADE NO IDOSO – Considerações ao Profissional de Saúde
12
Numa pesquisa de Palacios-Ceña
et al. (2012)23
um pior estado de saúde
(comorbilidades e medicação) foi
associado a maior probabilidade de
ausência de atividade sexual, mas as
razões mais comuns para a inatividade
foram: viuvez (23%), doença do parceiro
(23%) e falta de interesse (21%).23
Realça-se a disponibilidade de parceiro
como um fator muito importante.23
Num
estudo de Smith et al. (2007)42
38% dos
homens sexualmente inativos referiram
"nenhum parceiro" como o principal
motivo. O que contrasta com um estudo
de Newman e Nichols (1960)53
em que
54% dos casais seniores eram ainda
sexualmente ativos.53
Outro fator
importante é a necessidades de
cuidados por parentes ou dependentes.17
A doença pode afastar o casal (por
redirecionar as atenções e por substituir
a relação de casal por uma relação de
cuidador-dependente) e ter um impacto
negativo na atividade sexual.54
Uma vida
profissional ativa e a satisfação com a
relação interferem também na função
sexual.18
Segundo um estudo sobre os
residentes num lar de 3ª idade, o bem-
estar mental e as boas condições de
saúde física têm associações positivas e
semelhantes sobre a atividade sexual. 55
Relações positivas, com significado
estatístico, observaram-se entre a
atividade sexual e a prática de atividades
físicas e sociais, com a abstenção
tabágica e com a toma de menos
medicação, que correspondem a uma
boa qualidade de vida, a um bem-estar
psicológico e a um maior apoio social.
Em contrapartida, a inatividade sexual foi
significativamente relacionada a
problemas de saúde desde doença
oncológica, mental ou cardiovascular
com seus fatores de risco (incluindo
diabetes, hipertensão e dislipidemia), a
problemas vesicais, cirurgias de grande
porte e até a visão deficiente.
Associações adicionais com a
inatividade sexual incluíam perda
auditiva e demência para os homens.55
Bacon et al. (2003)56
descreveram que
comportamentos de saúde modificáveis
como tabagismo, consumo de álcool,
falta de atividade física e tempo de
visualização de televisão foram
associados a disfunção sexual.
No caso de se tratar de uma
disfunção sexual no idoso deve
investigar-se a causa, que pode ser
devida a patologia primária do aparelho
sexual, causada por outra doença ou
secundária à medicação.57
Por outro
lado, a disfunção sexual pode revelar
outras patologias, tais como depressão,
doença cardiovascular e seus fatores de
risco (nomeadamente hipertensão,
diabetes ou dislipidemia) e denunciar
baixos níveis de testosterona. Assim,
aquando do diagnóstico de disfunção
SEXUALIDADE NO IDOSO – Considerações ao Profissional de Saúde
13
sexual é importante investigar a
existência de outras doenças,
nomeadamente através de exames de
rastreio. A doença é mais fortemente
associada com muitos problemas
sexuais do que é a idade por si só, o que
sugere que os adultos mais velhos que
têm problemas médicos ou que estão
considerando tratamentos que possam
afetar o funcionamento sexual devem ser
aconselhadas em função do seu estado
de saúde, em vez da sua idade.7, 53
Problemas pragmáticos, de falta
de parceiro (idosos solteiros, divorciados
ou viúvos) ou de problemas de saúde,
causam diminuição da atividade sexual e
do interesse com o aumento da idade.57
Outro problema surge para o idoso
aquando da sua institucionalização, que
veem dessa forma a sua privacidade
limitada.58
A disfunção sexual pode causar
problemas de saúde pública, ao afetar o
bem-estar geral da população.53
Por
outro lado, pode ser encarado como uma
oportunidade de rastreio, de diagnóstico
precoce e pode servir como motivação
para a alteração de estilos de vida e
adesão à terapêutica.
Em suma, uma vida sexual
satisfatória está relacionada com a
existência de um parceiro, pela
frequência de relações, pela saúde geral
individual e do parceiro, e por um baixo
nível de ansiedade.10
Sendo que a
promoção da saúde sexual deve ser uma
preocupação transversal na Medicina e
aos vários grupos etários.
Sexualidade no Idoso Doente
Segundo o Plano Nacional de
Saúde Português15
as Doenças Crónicas
incapacitantes abrangem hoje cerca de
40 a 45% do total das doenças
sinalizadas em Portugal e a tendência é
para que este número continue a crescer
exponencialmente. A Organização
Mundial de Saúde11
subscreve a
seguinte definição para doença crónica:
“doenças que têm uma ou mais das
seguintes características: são
permanentes, produzem incapacidade/
deficiências residuais, são causadas por
alterações patológicas irreversíveis,
exigem uma formação especial do
doente para a reabilitação, ou podem
exigir longos períodos de supervisão,
observação ou cuidados”.
A doença pode afetar a função
sexual diretamente ao interferir nos
processos endócrinos, neurais e
vasculares que medeiam a resposta
sexual, ou indiretamente pela dor e
astenia, ou ainda psicologicamente ao
SEXUALIDADE NO IDOSO – Considerações ao Profissional de Saúde
14
provocar mudanças na imagem corporal
e autoestima.70
Algumas patologias
comumente implicadas com a disfunção
sexual incluem sintomas do trato urinário
inferior,43, 71, 72 e 73
neoplasia prostática e
tratamento (incluindo cirurgia pélvica),25,
51 e 74
doenças renais e diálise,25,76
hipertensão arterial,18, 25, 71, 76, 79, 80 e 92
patologia cardíaca (incluindo enfarte
agudo do miocárdio),18, 25, 47, 76, 79, 82, 83 e 84
doença pulmonar e doença vascular
periférica,25, 34 78, 83
Diabetes Mellitus,
obesidade e hipertireoidismo entre
outros distúrbios endócrinos,7, 18, 25, 71, 76,
78, 79, 82 e 85
doença de Parkinson,
epilepsia, acidente vascular cerebral,
esclerose múltipla e discopatia lombar,25,
76, 78
distúrbios psiquiátricos (incluindo
depressão, ansiedade e transtorno
obsessivo-compulsivo), insónia e trauma
psicológico por história de abusos
sexuais.76, 80, 86, 87, 88 e 89
A doença cardiovascular pode estar
na origem de DE, nomeadamente a
hipertensão arterial pela disfunção
endotelial.90, 91, 92
Por outro lado a DE
pode predizer uma doença vascular
ainda não diagnosticada.83, 93, 94
Para
Porto (1998)95
a maioria dos portadores
de cardiopatia apresentam um declínio
da atividade sexual após o diagnóstico.
Segundo o autor, este facto é
consequência da patologia, do
tratamento da doença (medicamentoso
ou cirúrgico) e é consequência da falta
de informação que leva a insegurança no
doente o que influencia a sua
sexualidade. Maria e Modena (1984)96
apontam que o esclarecimento relativo à
atividade sexual deve ter início precoce,
uma vez que muitos pacientes não
retomam a atividade sexual por falta de
esclarecimento e por receio de dor
durante o ato sexual. O idoso deve ser
esclarecido de que a prática de atividade
sexual não é habitualmente considerada
como de risco. O esforço físico no
momento do acto sexual pode ser
equivalente a outras atividades comuns,
tais como andar 200 a 300 metros ou
subir 2 lances de escadas.96
Sintomas do Trato Urinário
Inferior no Homem (LUTS) são comuns
com o avançar da idade e estão
frequentemente associados a algum tipo
de disfunção sexual, uma vez que
podem partilhar alguns mecanismos
fisiopatológicos. No homem idoso a
causa mais comum de LUTS é a
Hipertrofia Benigna da Próstata. Assim, é
importante avaliar a função sexual nos
idosos que apresentem LUTS.97, 98
Os
LUTS podem representar uma patologia
primária do idoso ou ser uma
manifestação de uma doença sistémica
ou ainda ser o efeito secundário de
medicação para outras comorbilidades.97
Os sintomas, se não tratados, têm
tendência para agravar com a idade.
Sendo que o tratamento de sintomas
SEXUALIDADE NO IDOSO – Considerações ao Profissional de Saúde
15
como urgência, poliaquiúria, entre
outros, reduz a ansiedade, fadiga e
melhora a qualidade do sono e a prática
sexual.97
A incontinência urinária é
estimada em 11 a 14% dos homens.99
Embora relativamente comum, pode ser
uma condição reversível. Todavia, tem
um grande impacto social e
consequências emocionais. Uma vez
que poucos pacientes referem este
problema ou procuram tratamento, o
médico deve colher uma história
completa no idoso onde esclarece se
está presente ou não incontinência. A
avaliação deve incluir a função cognitiva,
ingestão de líquidos, mobilidade, efeitos
colaterais de medicamentos e cirurgias
urológicas prévias.99
O cancro da próstata é também
responsável por disfunção sexual e a
sua incidência aumenta com a idade.
Quer a doença diretamente quer as
terapias (cirúrgica ou farmacológica)
levam ao aparecimento de disfunção
sexual, nomeadamente a disfunção erétil
e ejaculatória e a redução da líbido e
também a infertilidade. De referir que a
qualidade de vida destes doentes é
significativamente afetada principalmente
naqueles que apresentam desejo mas
disfunção eréctil.51, 74
Por isso, é
necessário esclarecer o doente, e o
casal, para a doença e efeitos
secundários do tratamento, criando
expectativas reais. Dessa forma
minimizando os efeitos negativos sob a
vida do idoso.100
A disfunção sexual é comum
entre idosos diabéticos, sendo que a
disfunção erétil está presente em 75%
desta população.101
O índice de massa
corporal e o perfil lipídico anormais
medidos em homens de meia-idade
foram preditores de disfunção sexual 25
anos depois, num estudo de 2004.103
Atualmente, sabe-se que a
obesidade está associada com uma
elevação das citoquinas pro-
inflamatórias e proteína C reativa que
podem levar a uma disfunção
endotelial102
e hipogonadismo.104
Depois
dos 40 anos, o colesterol total e a
lipoproteína de baixa densidade (LDL)
elevados estão associados a disfunção
erétil ao contrário do que se verifica
numa população mais nova, o que leva à
teoria de que possivelmente a
dislipidemia participará no processo de
disfunção sexual com a idade.105
A artrite é comummente
associada ao sexo feminino e de facto é
a principal causa de incapacidade na
mulher idosa, mas também o homem
sofre de dor e rigidez, que interfere na
sexualidade do casal.106
Segundo o
estudo "Sexualidade, depressão e
ansiedade em doentes
reumatológicos"107
realizado em Portugal
SEXUALIDADE NO IDOSO – Considerações ao Profissional de Saúde
16
pelo Instituto Português de Reumatologia
30,4% dos inquiridos refere a
sexualidade como “muito importante” em
contraste com a outra maioria de 30,4%
refere a sexualidade como “pouco
importante”. De acordo com
Luís Cunha Miranda (2008),107
autor do
estudo em questão "a sexualidade não é
valorizada em termos práticos e muito
menos na doença reumática. Por outro
lado, a dor e a incapacidade inviabilizam
muito os afetos e a disponibilidade que
existe para uma relação mais global e
completa num relacionamento que inclua
uma sexualidade ativa".
Quanto a distúrbios psíquicos no idoso
com associação a disfunção sexual os
mais frequentes são depressão87
e
alcoolismo.108
No entanto, a disfunção
sexual em doentes idosos com
depressão é menos reconhecida e
adequadamente tratada do que em
pacientes mais jovens.46.
As morbilidades mais
frequentemente associadas com
disfunção sexual são Doença
Cardiovascular, Diabetes, Sintomas do
Trato Urinário Inferior96
e Depressão.108
A
prevenção e o controlo precoce destas
patologias podem evitar o aparecimento
de disfunção sexual numa idade
avançada. A consciência por parte dos
doentes do impacto de algumas doenças
sobre a sexualidade pode contribuir para
uma melhor adesão à terapêutica e para
alterar estilos de vida.5
Para Maldonado (1994)109
e
Smeltzer e Bare (1994)110
a sexualidade
envolve muitos componentes e é difícil
que uma única doença os elimine a
todos. Logo, a doença crónica não deve
ser considerada como um fator
impeditivo do prazer no relacionamento
sexual. O prazer é gerado, inventado,
descoberto em cada gesto, em cada
processo humano, que emerge do
impulso natural de cada indivíduo, do
imaginário de cada um.111
Fármacos
A doença pode mediar o declínio
da função sexual não apenas pelos seus
efeitos diretos, mas também pelos
efeitos secundários da medicação
prescrita. É importante excluir a
medicação como etiologia da disfunção
sexual, uma vez que a terapêutica pode
ter duplo papel na disfunção, atuando
como cura ou como causa.5
Uma prevalência superior de
disfunção sexual no idoso tem sido
associada ao uso de vasodilatadores,
agentes anti-hipertensivos e outros
medicamentos para o sistema
SEXUALIDADE NO IDOSO – Considerações ao Profissional de Saúde
17
cardiovascular, anti-hiperglicemiantes e
antidepressivos.83, 92, 112 e 113
Os anti-hipertensivos podem
levar a disfunção sexual pela própria
redução da pressão arterial em si.114
A
metildopa, como outros simpaticolíticos,
também podem causar disfunção sexual
assim como os β-bloqueadores.115
Os
inibidores da enzima conversora da
angiotensina e os bloqueadores dos
canais de cálcio têm um perfil mais
seguro e podem ser uma boa alternativa
para doentes com disfunção sexual
secundária a outros hipertensivos.
Os fármacos para diminuir o perfil
lipídico estão associados a disfunção
erétil mas o mecanismo ainda não foi
totalmente esclarecido, devendo estar
implicado na diminuição de produção
das hormonas sexuais.116
A medicação com efeito sobre o
sistema nervoso terá algum efeito sobre
a função sexual. Os inibidores seletivos
da recaptação de serotonina são
frequentemente associados a disfunção
sexual. Os neurolépticos por serem
antagonistas da dopamina aumentam a
prolactina resultando em diminuição da
testosterona e diminuição da libido.113, 117
Os antidepressivos tricíclicos
têm menos efeitos sobre a libido mas por
outro lado apresentam efeitos
colinérgicos que podem levar a LUTS e
terminar novamente em disfunção
sexual. Atualmente, estão a realizar-se
mais pesquisas, sendo que alguns
estudos parecem apontar para que a
medicação dopaminérgica, usada para
doentes com doença de Parkinson,
aumentem a libido em doentes com
disfunção secundária à toma de IRSS.118
Inibidores da fosfodiesterase 5 já foram
usados com sucesso na disfunção
causada por antidepressivos.119
O idoso está mais suscetível a
efeitos indesejados da medicação pelas
comorbilidades de base, porque com o
avançar da idade a capacidade de
filtração e eliminação pode diminuir e
também pela poli-farmácia muito
prevalente neste grupo etário.
Consequentemente, aumentam as
toxicidades dos fármacos, os efeitos
secundários e colaterais de algumas
drogas, bem como as interações
farmacológicas, mais frequentes no
idoso do que em indivíduos de grupos
etários mais novos. Sempre que possível
a medicação deve ser substituída por
outra com menos efeitos sob a
sexualidade. Quando a medicação não
deve ser suspensa nem modificada
deve-se iniciar o tratamento diretamente
para diminuir os efeitos indesejados,
sendo a diminuição da libido e a
disfunção erétil os mais comuns. O
paciente idoso pode não reportar alguns
SEXUALIDADE NO IDOSO – Considerações ao Profissional de Saúde
18
efeitos indesejados da medicação, o que
torna particularmente importante a
investigação dos mesmos por parte do
médico, nomeadamente na área da
saúde sexual.5
Hipogonadismo de Início
Tardio
A testosterona tem um papel
crítico na experiência sexual do homem.
Os níveis de testosterona atingem o seu
pico no final da adolescência e, em
seguida, diminuem gradualmente ao
longo da vida. Dentro das causas de
disfunção sexual no homem idoso o
hipogonadismo e a disfunção erétil são
as mais prevalentes.97
A maioria dos homens sente uma
diferença na sua resposta sexual depois
dos 65 anos. A excitação plena, a
ejaculação, o orgasmo e a ereção
peniano podem levar mais tempo para
atingir.14
Mudanças significativas na
sensibilidade e estrutura penianas
ocorrem com o envelhecimento. A
concentração de fibras elásticas e de
colágeno diminuem com a idade33
e
estima-se que há um decréscimo de até
35% da musculatura lisa do pénis em
homens com mais de 60 anos.85
Mulligan
et al130
que consideram que a idade
isoladamente é um fator de risco
significativo. No entanto, segundo um
estudo de Perelman et al. (2005),
75
mais de
40% dos homens idosos inquiridos,
relataram que há outras maneiras de
obter gratificação sexual que não passa
obrigatoriamente por uma ereção
satisfatória, o que corrobora a teoria de
que disfunção erétil isoladamente não é
sinónimo de final de atividade sexual.18,75
O declínio progressivo do nível de
testosterona com a idade já é conhecido,
sendo que 25% dos homens com mais
de 70 anos apresenta critérios
laboratoriais de hipogonadismo.120
Não
só a idade, mas também algumas
patologias podem diminuir o nível de
testosterona, como por exemplo doença
pulmonar, renal ou hepática graves.5
O
declínio de testosterona pode ser então
dividido em fisiológico ou patológico.121
O Hipogonadismo de Início
Tardio ou “Andropausa” poderá ser
responsável por muitos dos sinais de
envelhecimento no homem,
nomeadamente disfunção erétil e
diminuição da libido. 122
Níveis mais
baixos de testosterona foram associados
a menos fantasias sexuais, menor
desejo de atividade sexual e
subsequente diminuição da frequência
de contacto sexual.14, 123, 124
A função
sexual melhora com a suplementação de
testosterona em homens com graus
severos de hipogonadismo. No entanto,
a terapia de reposição isolada não
SEXUALIDADE NO IDOSO – Considerações ao Profissional de Saúde
19
resulta em melhoria em homens idosos
com concentrações limítrofes de
testosterona, o que não suportará a
teoria de que a testosterona tenha uma
correlação linear direta com a função
sexual.14, 123, 125
Morales, Heaton e Carson122
também associaram o hipogonadismo a
problemas do foro psíquico como
depressão, irritabilidade, insónia e
redução da capacidade de memória.122
Importa referir que se observa, na
castração cirúrgica, uma associação
entre a diminuição de testosterona e
astenia, depressão e perda de
autoestima.128
Verifica-se também um
aumento da taxa de suicídio nos homens
idosos, que triplica entre os 60 e os 90
anos.129
Todavia, é difícil estabelecer
uma correlação linear entre o nível sérico
de testosterona e depressão, uma vez
que a toma de androgénios exógenos
não mostrou diminuição dos sintomas
depressivos.121
Por último o hipogonadismo pode
causar alterações cutâneas,
osteoporose, diminuição da massa
muscular e aumento da gordura
visceral.122
Há alguma evidência de que
a reposição leva a um aumento da força
muscular e densidade óssea.121
Concluindo, a diminuição
hormonal isoladamente não explica na
totalidade o declínio da sexualidade no
idoso.126,127
Permanece alguma
discussão sobre se a diminuição da
testosterona com a idade, mostrada em
numerosos estudos, é uma alteração
fisiológica normal, de esperar com o
envelhecimento, ou não. Será o
hipogonadismo a principal causa de
muitas das alterações observadas no
envelhecimento? Em suma, é necessária
mais investigação sobre o
hipogonadismo “normativo”, com uma
melhor descrição fisiopatológica e um
esclarecimento consensual sobre a
teoria da “Andropausa”.
Abordagem à Sexualidade no
Idoso
Taylor e Gosney (2011)17
apontam como recomendações ao
profissional de saúde a investigação de
queixas sexuais num espaço e tempo
adequados, a consideração pelas
preferências dos pacientes e a educação
dos pacientes sobre estilos de vida.
Alertam também para a consciência dos
preconceitos e sentimentos individuais a
fim de evitar julgamentos.17
Por outro
lado, antes de dar início a alguma
terapêutica por disfunção sexual, importa
confirmar se a diminuição da atividade
sexual é de facto um problema para o
SEXUALIDADE NO IDOSO – Considerações ao Profissional de Saúde
20
idoso, pois só nesse caso se trata de
uma disfunção. 59
Uma proposta para investigar a
existência de sinais ou sintomas é
questionando o paciente se atualmente
está envolvido em algum relacionamento
sexual, se está satisfeito com as suas
relações sexuais atuais, ou se tem algum
problema íntimo que gostaria de discutir.
Se as respostas do paciente sugerem
que quer explorar melhor este tópico
colher a história sexual pode ser
produtivo, inquirindo sobre dificuldades
com desejo, excitação ou orgasmo, entre
muitas outras questões. Apesar de falar
sobre sexo poder ser difícil para os
pacientes e médicos, praticar e usar
ferramentas que promovam uma
comunicação sincera vão ajudar a
garantir uma melhor prestação de
cuidados de saúde. 60, 61, 62, 63
A abordagem diagnóstica e
terapêutica tem de integrar: as
comorbilidades, as terapêuticas, as
disfunções sexuais e o perfil
biopsicossocial de ambos os elementos
do casal. A história do casal com o seu
padrão internacional deve ser estudado
à procura de dessintonia no
desenvolvimento pessoal e sexual ou de
um padrão de longa data com "papéis
sexuais rígidos". Com base na estrutura
anterior deve-se desenhar estratégias
específicas e terapêuticas
multidisciplinares para o casal de idosos,
incluindo as necessidades individuais e
intervenções em várias combinações.65
A terapêutica pode ser
farmacológica ou não farmacológica. A
terapêutica não farmacológica inclui
informar e educar sobre a anatomia,
função sexual e alterações normais do
envelhecimento, alterar estilos de vida,
nomeadamente dieta, hábitos tabágicos,
atividade física e exercícios para
fortalecer o pavimento pélvico, favorecer
a estimulação táctil e eliminar rotinas.59
Deve-se incentivar a que o homem e a
parceira se valorizarem como parceiros
íntimos, eróticos e adotem um modelo de
sexo suficientemente bom, em oposição
ao modelo de comparação do
desempenho em relações passadas
perfeitas. Homens e casais que adotam
uma perspetiva de sexo suficientemente
bom estarão melhor posicionados para
garantir uma sexualidade prazerosa e
satisfatória até ao final das suas vidas.22
Concluindo, o apelo para uma
maior consciência da sexualidade na 3ª
idade é necessário.17, 33
Os problemas
sexuais em pessoas mais velhas devem
ser geridos de forma sensível e
pragmaticamente por profissionais de
saúde, atendendo às diferenças
individuais no interesse sexual e na
atividade. Todavia, deve ter-se cuidado
para evitar uma hiper-sexualização do
SEXUALIDADE NO IDOSO – Considerações ao Profissional de Saúde
21
envelhecimento, com um excesso de
medicalização no declínio da função
sexual e do interesse.17
Propostas para o Futuro
Kaas (1981) 66
criou o termo Geriatric
Sexuality Breakdown Syndrome para
descrever as etapas da internalização
dos conceitos da sexualidade na velhice
pela sociedade. Como o estereótipo de
uma velhice assexuada parece bastante
difundido e enraizado na sociedade
poderia ser benéfico incluir informações
sobre a sexualidade em idosos na
educação sexual dos jovens67
, o que
podia permitir uma maior aceitação no
Futuro. Uma maior formação e educação
poderiam ser benéficas.
Citando DeRogatis et al. (2008)68
“registaram-se progressos sobre o
número e a qualidade dos estudos de
prevalência epidemiológica em medicina
sexual. No entanto, há ainda uma
escassez de estudos sobre a incidência
dessas condições. Dados de confiança
sobre a incidência são fundamentais e
esses ensaios devem tornar-se uma alta
prioridade”. Os resultados indicam como
pessoas de uma determinada idade são
em comparação com pessoas de idades
diferentes, o que implica que não seja
possível tirar conclusões sobre como o
indivíduo se altera no tempo.69
Para além
do viés de resposta, uma vez que as
pessoas que participam destes estudos
podem ter menos inibições na sua
sexualidade do que aqueles que se
recusaram a participar.69
Também
segundo os autores já mencionados,
DeRogatis et al (2008)68
, urge o
desenvolvimento de um novo sistema de
diagnóstico sistemático e integrado em
medicina sexual, devido à perceção do
sistema de diagnóstico atual como
impreciso.68
O Centers for Disease Control and
Prevention12
refere alguns pontos como
prioritários para a promoção da Saúde
Sexual nos Estados Unidos, que se
aplicam também à população idosa
mundial nomeadamente: o aumento de
comportamentos e atitudes sexuais
saudáveis, responsáveis e respeitosas; o
aumento da consciência e a capacidade
de fazer escolhas saudáveis e
responsáveis, livres de coerção; a
promoção do funcionamento sexual e
relacionamentos saudáveis, incluindo a
garantia de que as pessoas controlam e
decidem livremente sobre assuntos
relacionados com as suas próprias
relações sexuais e saúde; o aumento ao
acesso a prevenção, triagem, tratamento
e serviços de apoio eficazes que
promovam a saúde sexual, e por fim, a
diminuição dos resultados adversos na
SEXUALIDADE NO IDOSO – Considerações ao Profissional de Saúde
22
saúde pública, incluindo doenças
sexualmente transmissíveis e violência
sexual.
Como principais propostas para o
Futuro aponta-se: a realização de
melhores estudos sobre os hábitos
sexuais na 3ª idade (com base
populacional e de longa duração,
acompanhando as transformações do
envelhecer); melhorar a formação dos
profissionais de saúde que contactam
com pessoas idosas, promovendo o
conhecimento sobre sexualidade na 3ª
idade e a aquisição de competências
necessárias para discutir o assunto; criar
condições nas instituições de apoio ao
idoso onde este possa manter a sua
individualidade e sexualidade,17
e
promoção de programas de educação
sexual e de sensibilização para as
necessidades na 3ª idade, englobando
os processos normais do
envelhecimento e os próprios idosos
nessas campanhas. s.
-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Conclusão
Há um declínio da prática sexual
com o avançar da idade, mas muitos
idosos continuam a desfrutar de uma
vida sexual ativa.
A doença mais do que a idade
está associada a disfunção sexual. A
disfunção sexual pode ser o primeiro
sintoma de outra patologia como doença
coronária, LUTS, entre outras e como tal
deve ser investigada e o doente
orientado para rastreios. O
conhecimento por parte do doente da
repercussão dos estilos de vida sobre a
sua sexualidade pode levar a alterações
por opções mais saudáveis e a uma
maior adesão à terapêutica. Muitos
fatores interferem na sexualidade e por
sua vez a sexualidade tem impacto em
várias áreas da vida do idoso.
Alguns pacientes idosos
enfrentam problemas mas encontram
dificuldade em discuti-los com os
profissionais de saúde. Também os
profissionais de saúde manifestam
algum constrangimento e não investigam
suficientemente a saúde sexual neste
grupo etário. A pouca comunicação
médico-doente tem um impacto negativo
sobre o paciente e vai contra as
necessidades deste grupo etário. As
questões relativas à atividade sexual
devem fazer parte da anamnese, de uma
forma natural e apropriada a cada
doente.
SEXUALIDADE NO IDOSO – Considerações ao Profissional de Saúde
23
Uma boa saúde sexual nos
idosos é importante para toda a
sociedade. Atualmente ainda é
necessária mais investigação nesta área.
Por fim, é necessário melhorar a
educação para a sexualidade, que deve
começar na escola, e melhorar a
formação na faculdade de cursos de
saúde para uma maior sensibilização
dos profissionais de Saúde.
A saúde sexual não deve ser
negligenciada em nenhum grupo etário.
Todo o profissional de saúde que lida
com pacientes idosos deve estar
informado sobre este tema. A
sexualidade é importante para o idoso e
este deve estar bem informado para que
possa usufruir plenamente dos seus
benefícios.
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SEXUALIDADE NO IDOSO – Considerações ao Profissional de Saúde
28
Anexos
ANEXO I – Quadro 1: Benefícios da prática sexual sobre a saúde e bem-estar:
Adaptação de: “La Sexualidad supone disfrutar comunicarse, sentirse mejor y
estar más sano” de José Luis Arrondo6
Saúde Física:
Previne a doença coronária
Previna alguns casos de doença oncológica
Melhora o sistema imunitário
Tonifica o sistema musculoesquelético
Atua como sonífero
Tem propriedades relaxantes e analgésicas
Saúde Mental:
Melhora os casos de ansiedade e diminui a violência
Ajuda na recuperação de depressão e diminui a ideação suicida
Aumenta a capacidade cognitiva
Saúde Social:
Melhora a autoestima e imagem corporal
Aumenta a estabilidade do casal
Fomenta a comunicação
Promove o contato e o afeto
Outros:
Fator prognóstico de qualidade de vida
Bom indicador do estado geral de saúde
Aumenta a esperança média de vida
Contribui para um envelhecimento ativo
SEXUALIDADE NO IDOSO – Considerações ao Profissional de Saúde
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Agradecimento:
Ao Dr. Nuno Louro, pela orientação e pelas incansáveis correções, ao
longo de todo o processo.
Muito obrigada pelas suas aulas de Urologia que contribuíram para a
escolha deste tema.

sexualidade no idoso.pdf

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    SEXUALIDADE NO IDOSO- CONSIDERAÇÕES AO PROFISSIONAL DE SAÚDE Joana Filipa Macedo Liz Pimenta Dissertação de Mestrado Integrado em Medicina Ano 2013 / 2014
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    Joana Filipa MacedoLiz Pimenta SEXUALIDADE NO IDOSO – CONSIDERAÇÕES AO PROFISSIONAL DE SAÚDE Dissertação – Artigo tipo Revisão Bibliográfica, de Candidatura ao grau de Mestre em Medicina submetida ao Instituto de Ciências Biomédicas de Abel Salazar da Universidade do Porto. Orientador – Dr. Nuno Rossano Monteiro Louro Categoria – Especialista em Urologia Afiliação – Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto Centro Hospitalar do Porto Porto, Junho de 2014
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    SEXUALIDADE NO IDOSO– Considerações ao Profissional de Saúde I Resumo Introdução: Segundo a Organização Mundial de Saúde entre 2000 e 2050 a proporção de pessoas com mais de 60 anos no Mundo irá duplicar. Sendo assim todos os aspetos do idoso devem ser tomados em atenção e a sexualidade não deve ser exceção. Objetivo: Aumentar a informação sobre a sexualidade no idoso de forma a revelar a sua real importância, principalmente nos cuidados de saúde. Metodologia: Pesquisa bibliográfica e revisão da literatura científica. Resultados: A prática sexual diminui com a idade, mas a sexualidade continua a ser um aspeto importante. Muitos fatores, desde saúde a sociais contribuem para a diminuição da prática sexual. Muitos idosos têm disfunção sexual mas não abordam o assunto com o seu médico, nem o profissional de saúde o questiona, por falta de formação nesta área. Uma vida sexual ativa traz benefícios. Por fim, mais investigação é necessária. Conclusão: A Sexualidade é um tema importante para o idoso. É necessário aumentar a informação e formação para proporcionar melhores cuidados de saúde. Palavras-chave: Sexualidade; população idosa; profissional de saúde. ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Abstract Background: According to the World Health Organization between 2000 and 2050 the proportion of people over 60 years will double in the World. Thus, all aspects of the elderly should be taken into account with sexuality being no exception. Aim: Increase information about sexuality in the elderly for revealing its real importance, mainly in the health care. Method: Literature search and review. Results: The sexual activity decreases with age, but for approximately half of the individuals in this group, sexuality remains an important aspect. An active sex life is benefic. Many seniors have sexual dysfunction but do not address the issue with their doctors, nor healthcare professionals question patients about this aspect. Many factors contribute to the decrease of sexual activity, from health to social reasons. Health professionals should know how to manage issues related to sexuality affecting their elderly patients. More research is needed for a better understanding of sexuality in the 3rd age. Conclusion: Sexuality is an impotant issue for the elderly. It’s necessary to increase training and information in this area to provide better health care for this population group. Keywords: Sexuality; elderly population; healthcare professionals.
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    SEXUALIDADE NO IDOSO– Considerações ao Profissional de Saúde 1 ---------------------------------------------------------------------------------------------- Sumário Introdução ............................................................................................................................ 2 Objetivo e Metodologia ………………………..……………………………..…………. 3 Sexualidade no Idoso – Prevalência ................................................................................... 4 Impacto da Sexualidade no Idoso ...................................................................................... 7 Vergonha do Idoso pela sua Sexualidade ………………..…………………………………... 9 “Assexualidade” do Profissional de Saúde ………………………………………………….. 10 Limitações à Sexualidade no Idoso ……………………………..…………………………… 11 Sexualidade no Idoso Doente ………...………………………………………………………. 13 Fármacos …………………………………….….……………………………………... 16 Hipogonadismo de Início Tardio ……………………………………….………….……….…. 18 Abordagem à Sexualidade no Idoso ……………………………………………………… 19 Propostas para o Futuro ………………………………………..…………………………….. 21 Conclusão …………………………………...………………………………………………….. 22 Referências Bibliográficas ………………………………………….…………………………. 23 Anexo ………………………………….………………………………………………………… 28 ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
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    SEXUALIDADE NO IDOSO– Considerações ao Profissional de Saúde 2 Introdução Segundo a Organização Mundial de Saúde a maioria dos países desenvolvidos considera idoso aquele com mais de 65 anos e, segundo dados da mesma fonte, entre 2000 e 2050 a proporção de pessoas com mais de 60 anos no Mundo irá duplicar. Estes dados demonstram a importância que este grupo etário deve ter nos Cuidados de Saúde. A sexualidade é um aspeto central na vida do ser humano, sendo um parâmetro da qualidade de vida.1 A Medicina Sexual não deve ser ignorada independentemente do doente e do profissional de saúde (PS). As relações sexuais são desejadas, inclusivamente na 3ª idade, principalmente quando em condições de saúde e de um parceiro que as permitam.2, 3 , 4 A passagem para a 3ª idade acarreta alterações no ciclo sexual.5 Com o avançar da idade a probabilidade de disfunção sexual num dos elementos do casal aumenta, mas isto não significa que a sexualidade perde importância para a manutenção de uma boa relação.5 Uma vida sexual satisfatória poderá ter também benefícios sobre a saúde, possivelmente atuando como cardioprotetor, na prevenção de doença oncológica e com efeitos positivos sobre o sistema imunitário e musculoesquelético (ver Anexo I).6 Todavia, apesar da importância da sexualidade, este não é um tópico frequentemente abordado pelos profissionais de saúde.7 Neste sentido é importante obter mais informação sobre a prática sexual do idoso saudável. Para poder prestar uma boa assistência, os cuidadores precisam de ser informados sobre as estatísticas relativas à vida sexual dos idosos, precisam de entender as alterações biológicas e psicológicas e os fatores sociais que determinam a saúde sexual da população sénior, tendo em conta as características específicas do envelhecimento individual e do casal.8 Para poder identificar corretamente as situações anormais é necessário um conhecimento da norma. Por último, a boa pratica médica deve encarar o doente numa perspetiva holística. Todos os componentes da saúde são importantes, assim como a sociedade onde se insere. Atualmente, observa-se uma mudança de mentalidades, onde a sexualidade é reconhecida. Também na terapêutica se observa um aumento do número de opções.7 O médico deve preocupar-se com a sexualidade dos seus pacientes
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    SEXUALIDADE NO IDOSO– Considerações ao Profissional de Saúde 3 para realmente promover a saúde e responder às necessidades dos mesmos. Em suma, a sexualidade no idoso é um assunto relevante que merece uma sistematização. Objetivo e Metodologia No idoso é inquestionável a importância de manter a qualidade de vida e já não é novidade o conceito de “dar vida aos anos”. Deste modo a sexualidade não deve ser esquecida na 3ª idade. Todavia, ainda há um tabu à volta deste tema e perceção que o idoso não tem uma vida sexual ativa, que com esta tese se ambiciona alterar. Pretende-se desmistificar o celibato na 3ª idade e alertar para os benefícios que podem advir da inclusão deste tema durante as consultas. É também importante uma contextualização epidemiológica dos hábitos da população numa área onde a investigação se prende mais com a doença do que com o estudo na população saudável. A dissertação em questão propõe-se a realizar uma revisão sistemática da literatura científica sobre a sexualidade no idoso, com maior destaque para o sexo masculino. Os principais artigos e textos consultados resultaram, maioritariamente, de uma pesquisa bibliográfica com base no PubMed. A pesquisa foi feita a partir das palavras e expressões do campo lexical de sexualidade no idoso, e decorreu entre Setembro de 2013 e Maio de 2014. As páginas oficiais da Internet da European Association of Urology9 , World Association For Sexual Health10 , World Health Organization11 , Centers for Disease Control and Prevention12 , Association of Reproductive Health Professionals13 , Mayo Foundation for Medical Education and Research14 e Plano Nacional de Saúde15 também foram fonte de bibliografia revista. Como ressalva, importa considerar que a investigação sobre uma área tão profundamente pessoal é repleta de dificuldades, incluindo viés de auto-relatos, baixas taxas de resposta e falta de estudos mais duradouros. Como tal, a investigação de boa qualidade nesta área é limitada. Estudos maiores, como o de Nicolosi et al. de 29 países16 , têm taxas de resposta baixas (19%)16 e estudos menores podem não ser generalizáveis.17 Atendendo a que a população idosa tem cada vez mais peso nos cuidados de saúde e que a própria sociedade está a quebrar alguns
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    SEXUALIDADE NO IDOSO– Considerações ao Profissional de Saúde 4 preconceitos, o PS deve estar sensibilizado para o tema em questão para poder orientar melhor os seus doentes. Com a presente tese não se pretende uma dissertação sobre as disfunções sexuais do homem idoso, mas sim descrever algumas características da sexualidade deste grupo etário e alertar para a necessidade de aumentar a informação do prestador de cuidados de saúde. ---------------------------------------------------------------------------------------------- Sexualidade no Idoso - Prevalência Um estudo nos Estados Unidos da América por Lindau et al. (2007)7 com uma amostra de 3.005 adultos (taxa de resposta de 75%)7 mostrou que o interesse e a prática sexual são menores nos grupos etários mais velhos18 . Mulligan e Moss (1991)19 determinaram que a frequência média de relações sexuais passa de semanal até aos 50 anos para mensal dos 50 aos 70 anos e determinaram também que o pico de declínio no interesse sexual se compreende entre os 40 e 70 anos19 . Pfeiffer (1972)20 e Panser et al. (1995)21 também encontraram nos seus estudos um declínio significativo na atividade e interesse sexual com o aumento da idade. Segundo DeRogatis et al. (2008)67 a disfunção sexual é altamente prevalente na sociedade em todo o mundo e a sua ocorrência aumenta diretamente com a idade.67 McCarthy e Thestrup (2009) 22 apontam o término da vida sexualmente ativa do casal, como sendo maioritariamente um resultado da decisão do homem, como consequência da sua perda de confiança na capacidade de ter uma relação sexual completa e satisfatória.22 No entanto, embora a frequência de disfunção sexual aumente com a idade, a aflição pessoal sobre esses sintomas parece diminuir na 3ª idade.67 A prevalência de atividade sexual diminui com a idade23 , mas um número considerável de idosos envolve-se em relações sexuais (sexo vaginal, oral e masturbação) inclusivamente nas oitava e nona décadas da vida.7
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    SEXUALIDADE NO IDOSO– Considerações ao Profissional de Saúde 5 Segundo um estudo americano já mencionado de Lindau et al (2007)7 entre os indivíduos com idades compreendidas entre os 75 e 85 anos, 59% atribuiu alguma importância à prática de atividades sexuais, sendo que 31% praticavam sexo oral.7 Segundo o European Male Ageing Study, publicado em 201018 , 75% ter pensado em sexo nas 4 semanas anteriores ao estudo pelo menos uma relação sexual, No estudo de Nicolosi et al. (2004)16 já anteriormente referido, concluiu-se que 53% dos homens entre os 70 a 80 anos tiveram relações sexuais nos 12 meses prévios à entrevista. Na pesquisa de Gott (2001)24 81,5% dos idosos estiveram envolvidos em uma ou mais relações sexuais e num estudo de Helgason et al (1996)25 46% dos homens com idades entre 70 e 80 anos, relataram orgasmo pelo menos uma vez por mês.25 Estudos sobre a prevalência de atividade sexual entre homens idosos encontram-se resumidos na Tabela I. Pesquisas como a de Lindau e Gavrilova (2010)26 demonstraram que o interesse sexual entre homens mais velhos está a aumentar, possivelmente devido aos novos fármacos muito divulgados para a disfunção erétil (DE), com início com o Viagra® em 1998.26 Sobre a medicação para melhorar a atividade sexual, aproximadamente 65% da população idosa é a favor do seu uso e quase um em cada sete homens relataram tomar medicação para melhorar a função sexual.7, 16 Outras estatísticas importantes, alertaram para que a maioria dos norte- americanos mais velhos não praticava sexo seguro, mesmo quando tinham múltiplos parceiros.10 Apenas 1 em cada 5 idosos solteiros sexualmente ativos usavam preservativo regularmente. Fica demonstrada a importância de controlar as doenças sexualmente transmissíveis dentro desta população. Todavia, alguns médicos reconhecem não discutir com os adultos mais velhos os riscos de sexo desprotegido, racionalizando as suas respostas pelas baixas taxas (embora não negligenciáveis) de infeções sexualmente transmissíveis entre este grupo etário.28 Outro fator a considerar é a orientação sexual. Em 2000, um relatório da National Gay and Lesbian Task Force estimou o número de Homossexuais, Bissexuais e Transexuais seniores nos Estados Unidos em cerca de 3 milhões, podendo chegar a 4 milhões até 2030.29 Os idosos em questão enfrentam muitas barreiras para um bom envelhecimento.
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    SEXUALIDADE NO IDOSO– Considerações ao Profissional de Saúde 6 Tabela I: Compilação de dados relativos a vários estudos sobre a prevalência da actividade sexual no idoso.33 Autor (referência) Ano País Nº total de Homens Idade Sexualmente Ativos Frequência Choi et al. (39) 2011 Corea 116 Mais de 65 anos 77,06% No último ano Corona et al. (18) 2010 8 Países europeus 3369 Mais de 70 anos 35,00% <Semanalmente Laumann et al. (41) 2009 EUA 742 40 - 80 Anos 79,04% No último ano Chew et al. (81) 2009 Austrália 804 65 - 79 Anos 32,40% Smith et al. (42) 2007 EUA 22 81 +/- 6 Anos 41,00% Lindau et al. (7) 2007 EUA 1455 65 - 74 Anos 67,00% No último ano Beutel et al. (87) 2007 Alemanha 508 Mais de 70 anos 54% (numa relação) Holden et al. (72) 2005 Austrália 5990 Mais de 70 anos 37,00% Nicolosi et al (16) 2004 29 Países 13618 40 - 80 Anos 80% No último ano Rosen et al. (71) 2003 7 Países 12815 50 - 80 Anos 71,00% Média 5,9 vezes/mês Gott et al. (24) 2001 Reino Unido 161 50 - 90 Anos 81,50% Braun et al. (70) 2000 Alemanha 4489 70 - 80 Anos 71,30% <Semanalmente Matthias et al. (51) 1997 EUA 497 70 - 94 Anos 31,30% No último mês Helgason et al. (25) 1996 Suécia 319 70 - 80 Anos 44,90% <3 vezes/mês Média (referente à tabela) 1996 - 2011 Mais de 40 anos 57,58%
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    SEXUALIDADE NO IDOSO– Considerações ao Profissional de Saúde 7 Citando um artigo de Hughes et al. (2011)30 “ao contrário dos heterossexuais, este grupo de idosos conta com menos apoios legais e familiares. O que representa um enorme desafio na gestão das necessidades básicas à medida que envelhecem. Além disso, e por causa do preconceito, o tendem a ser mais modestos e a ter piores cuidados de saúde.” Atualmente, ainda existem poucos serviços que tomem em consideração as necessidades dos idosos com orientações sexuais minoritárias.29, 30 e 31 Conclui-se, recorrendo a um estudo pelo Instituto Nacional de Endocrinologia Cubano,32 que ocorrem mudanças no comportamento sexual com o envelhecimento, sendo as alterações predominantemente negativas. No entanto, uma alta proporção de idosos tem relações sexuais, um alto nível de desejo sexual e um nível moderado de excitação, com os quais estão satisfeitos. Por fim, a frequência de prática de atividades sexuais é determinado não só pela idade do sujeito, mas também por outros fatores, como a presença de parceiros sexuais, relacionamento social e profissional, educação sexual, uso de drogas, estado psicológico, disposição positiva em relação à sexualidade e privacidade.32 Os casais mais velhos são encarados como menos interessados na sua sexualidade e intimidade, o que não se verifica uma vez que essas questões foram uniformemente consideradas importantes entre pacientes e cônjuges de todas as idades.33, 34 Em suma, o ser humano não deixa de ser um ser sexual à medida que vai envelhecendo, nem deve haver nenhum preconceito sobre a forma como vive a sua sexualidade. Impacto da Sexualidade no Idoso O aumento da longevidade da população, a reconceptualização da saúde sexual como parte da saúde geral e o desenvolvimento de drogas que visam a melhoria da função sexual têm contribuído para uma mudança na atitude dos idosos e da comunidade médica, aumentando assim a demanda por ajuda.35 Segundo o Center for Disease Control and Prevention12 “uma boa Saúde Sexual é um estado relacionado com a sexualidade e bem- estar físico, psíquico, emocional e social e não meramente a ausência de doença ou disfunção”, que não tem a sua importância confinada apenas aos anos reprodutivos. Na Saúde Sexual inclui-se também a capacidade de compreender e
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    SEXUALIDADE NO IDOSO– Considerações ao Profissional de Saúde 8 pesar os riscos, responsabilidades, resultados e impacto das ações sexuais e da abstinência.12 É importante a libertação do abuso sexual, da discriminação e da capacidade de integrar plenamente a sexualidade ao longo da vida.12 No seguimento da definição de Saúde Sexual, a Medicina Sexual não deve ser entendida como exclusiva das especialidades mais intimamente ligadas. Pois, se por um lado a disfunção sexual pode requerer uma abordagem multidisciplinar, que combine o conhecimento e as habilidades de urologistas, ginecologistas, internistas e profissionais de saúde mental para prestar assistência individualizada relacionada com a idade,35 por outro lado, de maneira mais direta ou não, todos os prestadores de cuidados de Saúde podem contribuir para a melhoria da Saúde Sexual, desde que a reconheçam como importante. Com uma melhoria da Saúde Sexual o paradigma pode alterar-se da doença para uma atitude mais positiva, aumentando a prevenção e usufruindo da sexualidade para a saúde em geral, nomeadamente uma boa saúde física e mental, um parceiro estável e um padrão regular de atividade sexual mais cedo na vida são fatores protetores para a manutenção da atividade sexual na 3ª idade.37 Os Cuidados Primários e a Saúde Pública têm um papel determinante pela abrangência da população e pelo seu papel preventivo. Num estudo realizado em 2011 na Indonésia,38 com o objetivo de compreender a disfunção sexual entre os idosos e seu impacto na qualidade de vida para a conceção de programas de promoção de saúde apropriados, conclui-se que a disfunção sexual é associada a má qualidade de vida entre os idosos. A falta de atividade sexual, a insatisfação na vida sexual e a presença de problemas sexuais foram associados a má qualidade de vida em homens idosos após ajuste para idade, estado civil, escolaridade e história de doenças crónicas. Choi et al. (2011)39 afirmaram que os idosos casados que se sentiam muito satisfeitos com a sua vida sexual tinham uma autoestima significativamente maior do que os insatisfeitos. A prática sexual no idoso é benéfica inclusivamente para a manutenção das capacidades intelectuais, uma vez que há uma associação entre pontuações mais altas na Functional Status Questionnaire e no Mental Health Inventory (MHI-5) com níveis mais altos de satisfação sexual.40 Do ponto de vista da promoção da saúde sexual, o prazer não é frívolo nem destrutivo, pois sabe-se que o prazer sexual contribui para o bem-estar,
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    SEXUALIDADE NO IDOSO– Considerações ao Profissional de Saúde 9 para uma vida saudável e produtiva e é uma parte normal do desenvolvimento humano e da afirmação de uma identidade positiva, para além de ser um poderoso fator para a manutenção dos casais. Esta realidade deve refletir-se nas políticas de promoção da saúde sexual e em programas destinados a contribuir para o desenvolvimento de uma comunidade saudável.12, 36 Vergonha do Idoso pela sua Sexualidade Laumann et al. (2009)41 relataram que menos de 25% dos indivíduos com problemas do foro sexual procurou ajuda junto de um PS. Isto é consistente com os achados de estudos semelhantes.42 A procura de tratamento para a disfunção sexual é comumente inibida por vergonha42 e receio de preconceito, por ainda ter uma vida sexual ativa,43 o que leva a que muitos idosos sejam relutantes em procurar ajuda para os seus problemas sexuais, mesmo que tenham um grave efeito sobre a sua qualidade de vida.37 Num estudo sobre pacientes com DE, 78% dos participantes não tinha apresentado as suas queixas nos cuidados de saúde primários e 82% teria gostado que o médico tivesse iniciado a conversa sobre o assunto.43 No estudo de Boer et al. (2005) na Holanda44 85,3% dos homens com disfunção erétil queria ajuda, mas apenas 10,4% dos homens receberam cuidados médicos. Num estudo retrospetivo de Smith e colaboradores (2007)42 no ano anterior ao questionário 32% dos homens viram a função sexual abordada pelo médico, em comparação com outros 36% que relataram terem sido os próprios a iniciar uma discussão sobre a função sexual com o seu médico, mas a grande maioria de 86% é da opinião que os médicos devem iniciar discussões sobre a função sexual. Neste estudo de adultos seniores uma minoria relatou uma vida sexual ativa mas o desejo para a atividade sexual era elevada, apesar de sérios problemas com disfunção erétil, logo tratava-se de um grupo que poderia beneficiar de tratamento e ajuda médica. De acordo com Lindau et al. (2007)7 cerca de um quarto dos adultos mais velhos sexualmente ativos com um problema sexual vê a frequência das suas relações diminuída ou anulada por causa da disfunção, logo seriam um grupo suscetível de beneficiar de intervenção terapêutica e que merece o investimento do PS.
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    SEXUALIDADE NO IDOSO– Considerações ao Profissional de Saúde 10 “Assexualidade” do Profissional de Saúde Se o PS não aceita que o idoso pode disfrutar da sua sexualidade então é improvável que alguns problemas sejam efetivamente explorados, diagnosticados e tratados.17 Numa pesquisa realizada pela American Association of Retired Persons (em 1998) 1500 participantes com mais de 50 anos manifestaram a necessidade dos PS criarem um ambiente receptivo que promova o diálogo aberto, reconhecendo que as questões sexuais devem ser abordadas.33, 45 Bouman e Arcelus (2001)46 concluíram que os psiquiatras são menos propensos a colher a história sexual de idosos. Os doentes idosos são também menos referenciados a serviços apropriados caso a disfunção seja identificada.46 Bedell et al. (2002)47 constataram que os cardiologistas muitas vezes não discutem a função sexual com os seus pacientes ou não o fazem de forma adequada, apesar do sabido impacto de certas doenças cardiovasculares sob a função sexual. No estudo de Lindau et al. (2011) sobre doentes com neoplasia do pulmão,34 a maioria dos médicos envolvidos acreditava que os problemas de intimidade e sexualidade eram relevantes, mas poucos os discutiam.34 Gott et al. (2004)28 realizaram um estudo sobre as atitudes dos clínicos gerais e revelaram que estes se guiam mais pelos estereótipos de assexualidade, em vez de atribuir a importância merecida à sexualidade na 3ª idade. Por outro lado, segundo o mesmo estudo as pessoas mais velhas contam com o médico geral e de família como a principal fonte de ajuda profissional em relação a dificuldades sexuais. Ainda noutro estudo do mesmo autor 48 os médicos, mas não os enfermeiros, estavam preocupados com a possibilidade da relação profissional ser prejudicada por discussões sobre questões sexuais. As principais barreiras identificadas foram a falta de tempo durante as consultas, falta de experiência ou treino em como discutir questões sexuais e o receio em poder abrir uma “caixa de Pandora” sem tempo para a explorar. A promoção de uma boa saúde sexual continua a ser difícil para muitos médicos.37 O médico de família reconhece que é o principal ponto de contato em relação à saúde sexual, mas que se sente despreparado nesta área.28 As principais razões pelas quais raramente se inicia uma conversa sobre sexualidade incluem a priorização de outros interesses concorrentes, limitação de tempo, a sexualidade não ser percebida como uma preocupação do
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    SEXUALIDADE NO IDOSO– Considerações ao Profissional de Saúde 11 paciente e falta de experiência em discutir algumas questões.17, 33 Outro motivo importante para não abordar o assunto é o estereótipo e preconceito (incluindo a assexualidade, a monogamia e a heterossexualidade em idades mais avançada) mais do que a experiência profissional.33 De acordo com os artigos revistos, é seguro afirmar que o PS encontra no sexo um assunto difícil, e que essa abordagem é agravada quando se discute o sexo com uma pessoa mais velha. Nas suas últimas consequências a situação anteriormente exposta leva a que estas questões não sejam adequadamente tratadas resultando em depressão, isolamento social e atraso no diagnóstico de condições médicas subjacentes, entre muitas outras consequências nefastas na vida da população.17 Um maior conhecimento da sexualidade em idades mais avançadas pelos profissionais de saúde melhora a educação sexual do paciente, aumenta o aconselhamento, bem como promove a identificação clínica de um espectro altamente prevalente de problemas sexuais relacionados com a saúde geral e potencialmente tratáveis.33 Uma maior informação pode contribuir também para a manutenção de relações sexuais significativas na 3ª idade e diminuir a transmissão de doenças sexualmente transmissíveis.49 Em suma a comunicação médico-doente sobre a sexualidade pode desempenhar um papel fundamental na melhoria da qualidade de vida do grupo etário em questão.37 Limitações à Sexualidade no Idoso Num estudo comparativo de 106 culturas em relação à sexualidade da população senior conclui-se que a manutenção de uma vida sexualmente ativa em muitas sociedades e a limitação em outras, sugere que fatores biológicos bem como culturais podem ser os principais determinantes no comportamento sexual na 3ª idade.50 Assim, para uma melhor análise da sexualidade importa ter em conta o contexto socio-económico. Matthias et al. (1997)51 relataram que os idosos com redes sociais mais pobres (com base no Lubben Social Network Scale) eram mais propensos a serem sexualmente inativos e insatisfeitos. Trudel e Piche (2000)52 elencaram determinantes sociais que influenciam a atividade sexual, nomeadamente estado civil, tabus sociais, educação sexual, autoestima e atitudes em relação à sexualidade.
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    SEXUALIDADE NO IDOSO– Considerações ao Profissional de Saúde 12 Numa pesquisa de Palacios-Ceña et al. (2012)23 um pior estado de saúde (comorbilidades e medicação) foi associado a maior probabilidade de ausência de atividade sexual, mas as razões mais comuns para a inatividade foram: viuvez (23%), doença do parceiro (23%) e falta de interesse (21%).23 Realça-se a disponibilidade de parceiro como um fator muito importante.23 Num estudo de Smith et al. (2007)42 38% dos homens sexualmente inativos referiram "nenhum parceiro" como o principal motivo. O que contrasta com um estudo de Newman e Nichols (1960)53 em que 54% dos casais seniores eram ainda sexualmente ativos.53 Outro fator importante é a necessidades de cuidados por parentes ou dependentes.17 A doença pode afastar o casal (por redirecionar as atenções e por substituir a relação de casal por uma relação de cuidador-dependente) e ter um impacto negativo na atividade sexual.54 Uma vida profissional ativa e a satisfação com a relação interferem também na função sexual.18 Segundo um estudo sobre os residentes num lar de 3ª idade, o bem- estar mental e as boas condições de saúde física têm associações positivas e semelhantes sobre a atividade sexual. 55 Relações positivas, com significado estatístico, observaram-se entre a atividade sexual e a prática de atividades físicas e sociais, com a abstenção tabágica e com a toma de menos medicação, que correspondem a uma boa qualidade de vida, a um bem-estar psicológico e a um maior apoio social. Em contrapartida, a inatividade sexual foi significativamente relacionada a problemas de saúde desde doença oncológica, mental ou cardiovascular com seus fatores de risco (incluindo diabetes, hipertensão e dislipidemia), a problemas vesicais, cirurgias de grande porte e até a visão deficiente. Associações adicionais com a inatividade sexual incluíam perda auditiva e demência para os homens.55 Bacon et al. (2003)56 descreveram que comportamentos de saúde modificáveis como tabagismo, consumo de álcool, falta de atividade física e tempo de visualização de televisão foram associados a disfunção sexual. No caso de se tratar de uma disfunção sexual no idoso deve investigar-se a causa, que pode ser devida a patologia primária do aparelho sexual, causada por outra doença ou secundária à medicação.57 Por outro lado, a disfunção sexual pode revelar outras patologias, tais como depressão, doença cardiovascular e seus fatores de risco (nomeadamente hipertensão, diabetes ou dislipidemia) e denunciar baixos níveis de testosterona. Assim, aquando do diagnóstico de disfunção
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    SEXUALIDADE NO IDOSO– Considerações ao Profissional de Saúde 13 sexual é importante investigar a existência de outras doenças, nomeadamente através de exames de rastreio. A doença é mais fortemente associada com muitos problemas sexuais do que é a idade por si só, o que sugere que os adultos mais velhos que têm problemas médicos ou que estão considerando tratamentos que possam afetar o funcionamento sexual devem ser aconselhadas em função do seu estado de saúde, em vez da sua idade.7, 53 Problemas pragmáticos, de falta de parceiro (idosos solteiros, divorciados ou viúvos) ou de problemas de saúde, causam diminuição da atividade sexual e do interesse com o aumento da idade.57 Outro problema surge para o idoso aquando da sua institucionalização, que veem dessa forma a sua privacidade limitada.58 A disfunção sexual pode causar problemas de saúde pública, ao afetar o bem-estar geral da população.53 Por outro lado, pode ser encarado como uma oportunidade de rastreio, de diagnóstico precoce e pode servir como motivação para a alteração de estilos de vida e adesão à terapêutica. Em suma, uma vida sexual satisfatória está relacionada com a existência de um parceiro, pela frequência de relações, pela saúde geral individual e do parceiro, e por um baixo nível de ansiedade.10 Sendo que a promoção da saúde sexual deve ser uma preocupação transversal na Medicina e aos vários grupos etários. Sexualidade no Idoso Doente Segundo o Plano Nacional de Saúde Português15 as Doenças Crónicas incapacitantes abrangem hoje cerca de 40 a 45% do total das doenças sinalizadas em Portugal e a tendência é para que este número continue a crescer exponencialmente. A Organização Mundial de Saúde11 subscreve a seguinte definição para doença crónica: “doenças que têm uma ou mais das seguintes características: são permanentes, produzem incapacidade/ deficiências residuais, são causadas por alterações patológicas irreversíveis, exigem uma formação especial do doente para a reabilitação, ou podem exigir longos períodos de supervisão, observação ou cuidados”. A doença pode afetar a função sexual diretamente ao interferir nos processos endócrinos, neurais e vasculares que medeiam a resposta sexual, ou indiretamente pela dor e astenia, ou ainda psicologicamente ao
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    SEXUALIDADE NO IDOSO– Considerações ao Profissional de Saúde 14 provocar mudanças na imagem corporal e autoestima.70 Algumas patologias comumente implicadas com a disfunção sexual incluem sintomas do trato urinário inferior,43, 71, 72 e 73 neoplasia prostática e tratamento (incluindo cirurgia pélvica),25, 51 e 74 doenças renais e diálise,25,76 hipertensão arterial,18, 25, 71, 76, 79, 80 e 92 patologia cardíaca (incluindo enfarte agudo do miocárdio),18, 25, 47, 76, 79, 82, 83 e 84 doença pulmonar e doença vascular periférica,25, 34 78, 83 Diabetes Mellitus, obesidade e hipertireoidismo entre outros distúrbios endócrinos,7, 18, 25, 71, 76, 78, 79, 82 e 85 doença de Parkinson, epilepsia, acidente vascular cerebral, esclerose múltipla e discopatia lombar,25, 76, 78 distúrbios psiquiátricos (incluindo depressão, ansiedade e transtorno obsessivo-compulsivo), insónia e trauma psicológico por história de abusos sexuais.76, 80, 86, 87, 88 e 89 A doença cardiovascular pode estar na origem de DE, nomeadamente a hipertensão arterial pela disfunção endotelial.90, 91, 92 Por outro lado a DE pode predizer uma doença vascular ainda não diagnosticada.83, 93, 94 Para Porto (1998)95 a maioria dos portadores de cardiopatia apresentam um declínio da atividade sexual após o diagnóstico. Segundo o autor, este facto é consequência da patologia, do tratamento da doença (medicamentoso ou cirúrgico) e é consequência da falta de informação que leva a insegurança no doente o que influencia a sua sexualidade. Maria e Modena (1984)96 apontam que o esclarecimento relativo à atividade sexual deve ter início precoce, uma vez que muitos pacientes não retomam a atividade sexual por falta de esclarecimento e por receio de dor durante o ato sexual. O idoso deve ser esclarecido de que a prática de atividade sexual não é habitualmente considerada como de risco. O esforço físico no momento do acto sexual pode ser equivalente a outras atividades comuns, tais como andar 200 a 300 metros ou subir 2 lances de escadas.96 Sintomas do Trato Urinário Inferior no Homem (LUTS) são comuns com o avançar da idade e estão frequentemente associados a algum tipo de disfunção sexual, uma vez que podem partilhar alguns mecanismos fisiopatológicos. No homem idoso a causa mais comum de LUTS é a Hipertrofia Benigna da Próstata. Assim, é importante avaliar a função sexual nos idosos que apresentem LUTS.97, 98 Os LUTS podem representar uma patologia primária do idoso ou ser uma manifestação de uma doença sistémica ou ainda ser o efeito secundário de medicação para outras comorbilidades.97 Os sintomas, se não tratados, têm tendência para agravar com a idade. Sendo que o tratamento de sintomas
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    SEXUALIDADE NO IDOSO– Considerações ao Profissional de Saúde 15 como urgência, poliaquiúria, entre outros, reduz a ansiedade, fadiga e melhora a qualidade do sono e a prática sexual.97 A incontinência urinária é estimada em 11 a 14% dos homens.99 Embora relativamente comum, pode ser uma condição reversível. Todavia, tem um grande impacto social e consequências emocionais. Uma vez que poucos pacientes referem este problema ou procuram tratamento, o médico deve colher uma história completa no idoso onde esclarece se está presente ou não incontinência. A avaliação deve incluir a função cognitiva, ingestão de líquidos, mobilidade, efeitos colaterais de medicamentos e cirurgias urológicas prévias.99 O cancro da próstata é também responsável por disfunção sexual e a sua incidência aumenta com a idade. Quer a doença diretamente quer as terapias (cirúrgica ou farmacológica) levam ao aparecimento de disfunção sexual, nomeadamente a disfunção erétil e ejaculatória e a redução da líbido e também a infertilidade. De referir que a qualidade de vida destes doentes é significativamente afetada principalmente naqueles que apresentam desejo mas disfunção eréctil.51, 74 Por isso, é necessário esclarecer o doente, e o casal, para a doença e efeitos secundários do tratamento, criando expectativas reais. Dessa forma minimizando os efeitos negativos sob a vida do idoso.100 A disfunção sexual é comum entre idosos diabéticos, sendo que a disfunção erétil está presente em 75% desta população.101 O índice de massa corporal e o perfil lipídico anormais medidos em homens de meia-idade foram preditores de disfunção sexual 25 anos depois, num estudo de 2004.103 Atualmente, sabe-se que a obesidade está associada com uma elevação das citoquinas pro- inflamatórias e proteína C reativa que podem levar a uma disfunção endotelial102 e hipogonadismo.104 Depois dos 40 anos, o colesterol total e a lipoproteína de baixa densidade (LDL) elevados estão associados a disfunção erétil ao contrário do que se verifica numa população mais nova, o que leva à teoria de que possivelmente a dislipidemia participará no processo de disfunção sexual com a idade.105 A artrite é comummente associada ao sexo feminino e de facto é a principal causa de incapacidade na mulher idosa, mas também o homem sofre de dor e rigidez, que interfere na sexualidade do casal.106 Segundo o estudo "Sexualidade, depressão e ansiedade em doentes reumatológicos"107 realizado em Portugal
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    SEXUALIDADE NO IDOSO– Considerações ao Profissional de Saúde 16 pelo Instituto Português de Reumatologia 30,4% dos inquiridos refere a sexualidade como “muito importante” em contraste com a outra maioria de 30,4% refere a sexualidade como “pouco importante”. De acordo com Luís Cunha Miranda (2008),107 autor do estudo em questão "a sexualidade não é valorizada em termos práticos e muito menos na doença reumática. Por outro lado, a dor e a incapacidade inviabilizam muito os afetos e a disponibilidade que existe para uma relação mais global e completa num relacionamento que inclua uma sexualidade ativa". Quanto a distúrbios psíquicos no idoso com associação a disfunção sexual os mais frequentes são depressão87 e alcoolismo.108 No entanto, a disfunção sexual em doentes idosos com depressão é menos reconhecida e adequadamente tratada do que em pacientes mais jovens.46. As morbilidades mais frequentemente associadas com disfunção sexual são Doença Cardiovascular, Diabetes, Sintomas do Trato Urinário Inferior96 e Depressão.108 A prevenção e o controlo precoce destas patologias podem evitar o aparecimento de disfunção sexual numa idade avançada. A consciência por parte dos doentes do impacto de algumas doenças sobre a sexualidade pode contribuir para uma melhor adesão à terapêutica e para alterar estilos de vida.5 Para Maldonado (1994)109 e Smeltzer e Bare (1994)110 a sexualidade envolve muitos componentes e é difícil que uma única doença os elimine a todos. Logo, a doença crónica não deve ser considerada como um fator impeditivo do prazer no relacionamento sexual. O prazer é gerado, inventado, descoberto em cada gesto, em cada processo humano, que emerge do impulso natural de cada indivíduo, do imaginário de cada um.111 Fármacos A doença pode mediar o declínio da função sexual não apenas pelos seus efeitos diretos, mas também pelos efeitos secundários da medicação prescrita. É importante excluir a medicação como etiologia da disfunção sexual, uma vez que a terapêutica pode ter duplo papel na disfunção, atuando como cura ou como causa.5 Uma prevalência superior de disfunção sexual no idoso tem sido associada ao uso de vasodilatadores, agentes anti-hipertensivos e outros medicamentos para o sistema
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    SEXUALIDADE NO IDOSO– Considerações ao Profissional de Saúde 17 cardiovascular, anti-hiperglicemiantes e antidepressivos.83, 92, 112 e 113 Os anti-hipertensivos podem levar a disfunção sexual pela própria redução da pressão arterial em si.114 A metildopa, como outros simpaticolíticos, também podem causar disfunção sexual assim como os β-bloqueadores.115 Os inibidores da enzima conversora da angiotensina e os bloqueadores dos canais de cálcio têm um perfil mais seguro e podem ser uma boa alternativa para doentes com disfunção sexual secundária a outros hipertensivos. Os fármacos para diminuir o perfil lipídico estão associados a disfunção erétil mas o mecanismo ainda não foi totalmente esclarecido, devendo estar implicado na diminuição de produção das hormonas sexuais.116 A medicação com efeito sobre o sistema nervoso terá algum efeito sobre a função sexual. Os inibidores seletivos da recaptação de serotonina são frequentemente associados a disfunção sexual. Os neurolépticos por serem antagonistas da dopamina aumentam a prolactina resultando em diminuição da testosterona e diminuição da libido.113, 117 Os antidepressivos tricíclicos têm menos efeitos sobre a libido mas por outro lado apresentam efeitos colinérgicos que podem levar a LUTS e terminar novamente em disfunção sexual. Atualmente, estão a realizar-se mais pesquisas, sendo que alguns estudos parecem apontar para que a medicação dopaminérgica, usada para doentes com doença de Parkinson, aumentem a libido em doentes com disfunção secundária à toma de IRSS.118 Inibidores da fosfodiesterase 5 já foram usados com sucesso na disfunção causada por antidepressivos.119 O idoso está mais suscetível a efeitos indesejados da medicação pelas comorbilidades de base, porque com o avançar da idade a capacidade de filtração e eliminação pode diminuir e também pela poli-farmácia muito prevalente neste grupo etário. Consequentemente, aumentam as toxicidades dos fármacos, os efeitos secundários e colaterais de algumas drogas, bem como as interações farmacológicas, mais frequentes no idoso do que em indivíduos de grupos etários mais novos. Sempre que possível a medicação deve ser substituída por outra com menos efeitos sob a sexualidade. Quando a medicação não deve ser suspensa nem modificada deve-se iniciar o tratamento diretamente para diminuir os efeitos indesejados, sendo a diminuição da libido e a disfunção erétil os mais comuns. O paciente idoso pode não reportar alguns
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    SEXUALIDADE NO IDOSO– Considerações ao Profissional de Saúde 18 efeitos indesejados da medicação, o que torna particularmente importante a investigação dos mesmos por parte do médico, nomeadamente na área da saúde sexual.5 Hipogonadismo de Início Tardio A testosterona tem um papel crítico na experiência sexual do homem. Os níveis de testosterona atingem o seu pico no final da adolescência e, em seguida, diminuem gradualmente ao longo da vida. Dentro das causas de disfunção sexual no homem idoso o hipogonadismo e a disfunção erétil são as mais prevalentes.97 A maioria dos homens sente uma diferença na sua resposta sexual depois dos 65 anos. A excitação plena, a ejaculação, o orgasmo e a ereção peniano podem levar mais tempo para atingir.14 Mudanças significativas na sensibilidade e estrutura penianas ocorrem com o envelhecimento. A concentração de fibras elásticas e de colágeno diminuem com a idade33 e estima-se que há um decréscimo de até 35% da musculatura lisa do pénis em homens com mais de 60 anos.85 Mulligan et al130 que consideram que a idade isoladamente é um fator de risco significativo. No entanto, segundo um estudo de Perelman et al. (2005), 75 mais de 40% dos homens idosos inquiridos, relataram que há outras maneiras de obter gratificação sexual que não passa obrigatoriamente por uma ereção satisfatória, o que corrobora a teoria de que disfunção erétil isoladamente não é sinónimo de final de atividade sexual.18,75 O declínio progressivo do nível de testosterona com a idade já é conhecido, sendo que 25% dos homens com mais de 70 anos apresenta critérios laboratoriais de hipogonadismo.120 Não só a idade, mas também algumas patologias podem diminuir o nível de testosterona, como por exemplo doença pulmonar, renal ou hepática graves.5 O declínio de testosterona pode ser então dividido em fisiológico ou patológico.121 O Hipogonadismo de Início Tardio ou “Andropausa” poderá ser responsável por muitos dos sinais de envelhecimento no homem, nomeadamente disfunção erétil e diminuição da libido. 122 Níveis mais baixos de testosterona foram associados a menos fantasias sexuais, menor desejo de atividade sexual e subsequente diminuição da frequência de contacto sexual.14, 123, 124 A função sexual melhora com a suplementação de testosterona em homens com graus severos de hipogonadismo. No entanto, a terapia de reposição isolada não
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    SEXUALIDADE NO IDOSO– Considerações ao Profissional de Saúde 19 resulta em melhoria em homens idosos com concentrações limítrofes de testosterona, o que não suportará a teoria de que a testosterona tenha uma correlação linear direta com a função sexual.14, 123, 125 Morales, Heaton e Carson122 também associaram o hipogonadismo a problemas do foro psíquico como depressão, irritabilidade, insónia e redução da capacidade de memória.122 Importa referir que se observa, na castração cirúrgica, uma associação entre a diminuição de testosterona e astenia, depressão e perda de autoestima.128 Verifica-se também um aumento da taxa de suicídio nos homens idosos, que triplica entre os 60 e os 90 anos.129 Todavia, é difícil estabelecer uma correlação linear entre o nível sérico de testosterona e depressão, uma vez que a toma de androgénios exógenos não mostrou diminuição dos sintomas depressivos.121 Por último o hipogonadismo pode causar alterações cutâneas, osteoporose, diminuição da massa muscular e aumento da gordura visceral.122 Há alguma evidência de que a reposição leva a um aumento da força muscular e densidade óssea.121 Concluindo, a diminuição hormonal isoladamente não explica na totalidade o declínio da sexualidade no idoso.126,127 Permanece alguma discussão sobre se a diminuição da testosterona com a idade, mostrada em numerosos estudos, é uma alteração fisiológica normal, de esperar com o envelhecimento, ou não. Será o hipogonadismo a principal causa de muitas das alterações observadas no envelhecimento? Em suma, é necessária mais investigação sobre o hipogonadismo “normativo”, com uma melhor descrição fisiopatológica e um esclarecimento consensual sobre a teoria da “Andropausa”. Abordagem à Sexualidade no Idoso Taylor e Gosney (2011)17 apontam como recomendações ao profissional de saúde a investigação de queixas sexuais num espaço e tempo adequados, a consideração pelas preferências dos pacientes e a educação dos pacientes sobre estilos de vida. Alertam também para a consciência dos preconceitos e sentimentos individuais a fim de evitar julgamentos.17 Por outro lado, antes de dar início a alguma terapêutica por disfunção sexual, importa confirmar se a diminuição da atividade sexual é de facto um problema para o
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    SEXUALIDADE NO IDOSO– Considerações ao Profissional de Saúde 20 idoso, pois só nesse caso se trata de uma disfunção. 59 Uma proposta para investigar a existência de sinais ou sintomas é questionando o paciente se atualmente está envolvido em algum relacionamento sexual, se está satisfeito com as suas relações sexuais atuais, ou se tem algum problema íntimo que gostaria de discutir. Se as respostas do paciente sugerem que quer explorar melhor este tópico colher a história sexual pode ser produtivo, inquirindo sobre dificuldades com desejo, excitação ou orgasmo, entre muitas outras questões. Apesar de falar sobre sexo poder ser difícil para os pacientes e médicos, praticar e usar ferramentas que promovam uma comunicação sincera vão ajudar a garantir uma melhor prestação de cuidados de saúde. 60, 61, 62, 63 A abordagem diagnóstica e terapêutica tem de integrar: as comorbilidades, as terapêuticas, as disfunções sexuais e o perfil biopsicossocial de ambos os elementos do casal. A história do casal com o seu padrão internacional deve ser estudado à procura de dessintonia no desenvolvimento pessoal e sexual ou de um padrão de longa data com "papéis sexuais rígidos". Com base na estrutura anterior deve-se desenhar estratégias específicas e terapêuticas multidisciplinares para o casal de idosos, incluindo as necessidades individuais e intervenções em várias combinações.65 A terapêutica pode ser farmacológica ou não farmacológica. A terapêutica não farmacológica inclui informar e educar sobre a anatomia, função sexual e alterações normais do envelhecimento, alterar estilos de vida, nomeadamente dieta, hábitos tabágicos, atividade física e exercícios para fortalecer o pavimento pélvico, favorecer a estimulação táctil e eliminar rotinas.59 Deve-se incentivar a que o homem e a parceira se valorizarem como parceiros íntimos, eróticos e adotem um modelo de sexo suficientemente bom, em oposição ao modelo de comparação do desempenho em relações passadas perfeitas. Homens e casais que adotam uma perspetiva de sexo suficientemente bom estarão melhor posicionados para garantir uma sexualidade prazerosa e satisfatória até ao final das suas vidas.22 Concluindo, o apelo para uma maior consciência da sexualidade na 3ª idade é necessário.17, 33 Os problemas sexuais em pessoas mais velhas devem ser geridos de forma sensível e pragmaticamente por profissionais de saúde, atendendo às diferenças individuais no interesse sexual e na atividade. Todavia, deve ter-se cuidado para evitar uma hiper-sexualização do
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    SEXUALIDADE NO IDOSO– Considerações ao Profissional de Saúde 21 envelhecimento, com um excesso de medicalização no declínio da função sexual e do interesse.17 Propostas para o Futuro Kaas (1981) 66 criou o termo Geriatric Sexuality Breakdown Syndrome para descrever as etapas da internalização dos conceitos da sexualidade na velhice pela sociedade. Como o estereótipo de uma velhice assexuada parece bastante difundido e enraizado na sociedade poderia ser benéfico incluir informações sobre a sexualidade em idosos na educação sexual dos jovens67 , o que podia permitir uma maior aceitação no Futuro. Uma maior formação e educação poderiam ser benéficas. Citando DeRogatis et al. (2008)68 “registaram-se progressos sobre o número e a qualidade dos estudos de prevalência epidemiológica em medicina sexual. No entanto, há ainda uma escassez de estudos sobre a incidência dessas condições. Dados de confiança sobre a incidência são fundamentais e esses ensaios devem tornar-se uma alta prioridade”. Os resultados indicam como pessoas de uma determinada idade são em comparação com pessoas de idades diferentes, o que implica que não seja possível tirar conclusões sobre como o indivíduo se altera no tempo.69 Para além do viés de resposta, uma vez que as pessoas que participam destes estudos podem ter menos inibições na sua sexualidade do que aqueles que se recusaram a participar.69 Também segundo os autores já mencionados, DeRogatis et al (2008)68 , urge o desenvolvimento de um novo sistema de diagnóstico sistemático e integrado em medicina sexual, devido à perceção do sistema de diagnóstico atual como impreciso.68 O Centers for Disease Control and Prevention12 refere alguns pontos como prioritários para a promoção da Saúde Sexual nos Estados Unidos, que se aplicam também à população idosa mundial nomeadamente: o aumento de comportamentos e atitudes sexuais saudáveis, responsáveis e respeitosas; o aumento da consciência e a capacidade de fazer escolhas saudáveis e responsáveis, livres de coerção; a promoção do funcionamento sexual e relacionamentos saudáveis, incluindo a garantia de que as pessoas controlam e decidem livremente sobre assuntos relacionados com as suas próprias relações sexuais e saúde; o aumento ao acesso a prevenção, triagem, tratamento e serviços de apoio eficazes que promovam a saúde sexual, e por fim, a diminuição dos resultados adversos na
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    SEXUALIDADE NO IDOSO– Considerações ao Profissional de Saúde 22 saúde pública, incluindo doenças sexualmente transmissíveis e violência sexual. Como principais propostas para o Futuro aponta-se: a realização de melhores estudos sobre os hábitos sexuais na 3ª idade (com base populacional e de longa duração, acompanhando as transformações do envelhecer); melhorar a formação dos profissionais de saúde que contactam com pessoas idosas, promovendo o conhecimento sobre sexualidade na 3ª idade e a aquisição de competências necessárias para discutir o assunto; criar condições nas instituições de apoio ao idoso onde este possa manter a sua individualidade e sexualidade,17 e promoção de programas de educação sexual e de sensibilização para as necessidades na 3ª idade, englobando os processos normais do envelhecimento e os próprios idosos nessas campanhas. s. ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Conclusão Há um declínio da prática sexual com o avançar da idade, mas muitos idosos continuam a desfrutar de uma vida sexual ativa. A doença mais do que a idade está associada a disfunção sexual. A disfunção sexual pode ser o primeiro sintoma de outra patologia como doença coronária, LUTS, entre outras e como tal deve ser investigada e o doente orientado para rastreios. O conhecimento por parte do doente da repercussão dos estilos de vida sobre a sua sexualidade pode levar a alterações por opções mais saudáveis e a uma maior adesão à terapêutica. Muitos fatores interferem na sexualidade e por sua vez a sexualidade tem impacto em várias áreas da vida do idoso. Alguns pacientes idosos enfrentam problemas mas encontram dificuldade em discuti-los com os profissionais de saúde. Também os profissionais de saúde manifestam algum constrangimento e não investigam suficientemente a saúde sexual neste grupo etário. A pouca comunicação médico-doente tem um impacto negativo sobre o paciente e vai contra as necessidades deste grupo etário. As questões relativas à atividade sexual devem fazer parte da anamnese, de uma forma natural e apropriada a cada doente.
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    SEXUALIDADE NO IDOSO– Considerações ao Profissional de Saúde 23 Uma boa saúde sexual nos idosos é importante para toda a sociedade. Atualmente ainda é necessária mais investigação nesta área. Por fim, é necessário melhorar a educação para a sexualidade, que deve começar na escola, e melhorar a formação na faculdade de cursos de saúde para uma maior sensibilização dos profissionais de Saúde. A saúde sexual não deve ser negligenciada em nenhum grupo etário. Todo o profissional de saúde que lida com pacientes idosos deve estar informado sobre este tema. A sexualidade é importante para o idoso e este deve estar bem informado para que possa usufruir plenamente dos seus benefícios. ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Referências Bibliográficas: 1- Kermode, S., MacLean, D., A study of the relationship between quality of life, health and self-esteem., Aust J Adv Nurs 2001; 19: 33-40 2- Mulligan, T., Reddy, S., Gulur, P.V., Godschalk M. Disorders of male sexual function.Clin Geriatr Med 2003; 19: 473-481 3- Marandola, P., et al., Love and sexuality in aging. Aging Male 2002; 5: 103-113 4- Ginsberg, T.B., Pomerantz, S.C., Kramer- Feeley, V., Sexuality in older adults: Behaviours and preferences.Age ageing 2005; 34: 475-480 5- Camacho, M.E., Reyes-Ortiz, C.A., Sexual dysfunction in the elderly: age or disease? Int J Impotence Research 2005; 17: S52-S56 6- Arrondo, José Luis. La Sexualidad supone disfrutar, comunicarse, sentirse mejor y estar más sano. Rev. Int. Androl. 2008; 6 (4): 260-4 7- Lindau, S.T., Schumm, L.P., Laumann, E.O., et al., A study of sexuality and health among older adults in the United States., N Engl J Med 2007;357:762 - 774 8- Pearlman, C., Frequency of intercourse in males at different ages., Med Aspects Hum sexuality 1972; November: 92–113. 9- European Association of Urology, disponível em: http://www.uroweb.org/ 10- WORLD ASSOCIATION FOR SEXUAL HEALTH, disponível em: http://www.worldsexology.org/ 11- World Health Organization, disponível em: http://www.who.int/en/ 12- Centers for Disease Control and Prevention, disponível em: http://www.cdc.gov/ 13- Association of Reproductive Health Professionals, disponível em: http://www.arhp.org/ 14- Mayo Foundation for Medical Education and Research, disponível em: http://www.mayoclinic.org/ (principalmente o artigo: Bolona, E.R., Uraga, M.V., Haddad, R.M., Tracz, M.J., Sideras, K., Kennedy, C.C. et al., Testosterone use in men with sexual dysfunction: a systematic review and meta- analysis of randomized placebo-controlled trials. Mayo Clin Proc 2007; 82: 20–28.) 15- Plano Nacional de Saúde Português, disponível, pela Direção Geral de Saúde, em: http://pns.dgs.pt/ 16- Nicolosi, A., Laumann, E.O., Glasser, D.B., Moreira, E.D., Paik, A., Gingell, C., Sexual behavior and sexual dysfunctions after age 40: the global study of sexual attitudes and behaviors., Urology 2004; 64: 991–7 17- Taylor, Abi; Gosney, Margot A., Sexuality in older age: essential considerations for healthcare professionals; Age and Ageing 2011; 40: 538–543. 18- Corona G, Lee DM, Forti G, O'Connor DB, Maggi M, O'Neill TW, Pendleton N, Bartfai G, Boonen S, Casanueva FF, Finn JD, Giwercman A, Han TS, Huhtaniemi IT, Kula K, Lean MEJ, Punab M, Silman AJ, Vanderschueren D, Wu FCW, and EMAS Study Group. Age-related changes in general and sexual health in middle-aged and older men: Results from the European Male Ageing Study (EMAS). J Sex Med 2010;7:1362–1380. 19- Mulligan, T., Moss, R., Sexuality and aging in male veterans: a cross-sectional study of interest, ability and activity. Arch Sex Behav 1991; 20: 17–25 20- Pfeiffer E, Verwoerdt A, Davis G. Sexual behavior in middle life. Am J Psychiatry 1972; 128: 1262–1267 21- Panser, L.A. et al. Sexual function of men ages 40–79 years: the Olmsted County study of urinary symptoms and health status among young men. J Am Geriat Soc 1995; 43: 1107– 1111 22- McCarthy, B., Thestrup, M.A., Men, intimacy, and eroticism. J Sex Med 2009;6:588–594
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    SEXUALIDADE NO IDOSO– Considerações ao Profissional de Saúde 28 Anexos ANEXO I – Quadro 1: Benefícios da prática sexual sobre a saúde e bem-estar: Adaptação de: “La Sexualidad supone disfrutar comunicarse, sentirse mejor y estar más sano” de José Luis Arrondo6 Saúde Física: Previne a doença coronária Previna alguns casos de doença oncológica Melhora o sistema imunitário Tonifica o sistema musculoesquelético Atua como sonífero Tem propriedades relaxantes e analgésicas Saúde Mental: Melhora os casos de ansiedade e diminui a violência Ajuda na recuperação de depressão e diminui a ideação suicida Aumenta a capacidade cognitiva Saúde Social: Melhora a autoestima e imagem corporal Aumenta a estabilidade do casal Fomenta a comunicação Promove o contato e o afeto Outros: Fator prognóstico de qualidade de vida Bom indicador do estado geral de saúde Aumenta a esperança média de vida Contribui para um envelhecimento ativo
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    SEXUALIDADE NO IDOSO– Considerações ao Profissional de Saúde 29 Agradecimento: Ao Dr. Nuno Louro, pela orientação e pelas incansáveis correções, ao longo de todo o processo. Muito obrigada pelas suas aulas de Urologia que contribuíram para a escolha deste tema.