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2 | m e u c e r e b r o . c o m
O CÉREBRO
“O Lobo Frontal”, p. 04
psicologia cognitiva
“O Surgimento da Neuroeducação”, p. 06
EVOLUÇÃO
“A área 10”, p. 16
espiritualidade e religião
“Conexão entre corpo e espírito”, p. 22
pessoas
“O que é limitação para você?”, p. 30
notícias do mês, p. 34
neurohistória
“A história de Phineas Gage”, p. 36
A Revista meucerebro é uma publicação mensal do grupo meucerebro.
com e de distribuição on-line para assinantes. Editores-chefe: Leonardo
Faria e Ramon Andrade. Redação: Daniela Ávila Malagoli e Leonardo
Faria. Diagramação: Carlos Gabriel Ferreira. Colaboradores: Ana Lúcia
Hennemann, Flávio Maneira, Matheus Guisoni Pereira e Pricilla Faria.
EXPEDIENTE
programa de desenvolvimento meucerebro
“Turbine o seu Cérebro”, p. 08
MÚSICA
“Qual é o som de uma cor?”, p. 18
neurociência do sucesso
“4 pilares: você no controle da sua vida”, p. 26
especial
“Inteligência emocional: por que ela é importante?”, p. 10
3
Começarei agradecendo a minha equipe. Pessoas formidáveis, sem as quais um
sonho antigo não se realizaria. Ramon, meu sócio, cuja confiança sem precedentes
me fez enxergar possibilidades. Carlos, cujo profissionalismo e talento em perceber
ideiasetransformá-lasemarteproporcionouumgrandesaltoaogrupo.Daniela,minha
companheira, dedicada, paciente, e extremamente competente em seus propósitos.
Sem vocês nada d­isso seria possível. Os sonhos são assim mesmo. Demoram às vezes
uma vida. Mas são eles que a validam.
Tudo começou há aproximadamente 2 anos, quando tive um insight. Para dizer a
verdade, pouco acreditava em intuição ou percepção extrassensorial. Mas de alguma
forma fui sugestionado a ver que os caminhos que por algum motivo me levaram
até ali não mais o fariam. Inserido no meio de uma extenuante residência médica
em neurocirurgia, percebi que faltava algo essencial. Algo mais primordial que uma
suposta inteligência.
Avida faz a gente acreditarque a inteligência pode serobjetivamente mensurada
por meio de testes, provas, vestibulares e notas. Que o sucesso é o ponto final de uma
vida galgada nesses termos. Mas não. É estranho dizer que o oposto de determinada
coisa é justamente o holofote que mais a ilumina. Foi de certa forma a razão que me
fez enxergar a emoção. Hoje compreendo que aquela não é uma força. Esta sim.
Enquanto a razão direciona, a emoção impulsiona.
Porum momento, deixei a razão de lado e passei avalorizaras emoções, o prazer,
o bem-estar, a dor, a contemplação, o relaxamento, o motivo. Passei a enxergar as
pessoas e a diferenciá-las pelo engajamento emocional com que viviam dia após
dia. Enquanto algumas pessoas se perdiam em comportamentos repetitivos para os
quais suas razões construíam as mais extravagantes explicações, outras percebiam-
se com um simples olhar.
Muito me surpreendia como a maioria atribuía a importância do cérebro à sua
capacidade de desenvolver a inteligência. Mas a emoção era o combustível. Não
era prudente mais deixá-la de fora. Hoje percebo que o cérebro é tudo isso. O seu
equilíbrio sempre esteve na relação de reciprocidade construída entre razão e
emoção. A nossa vida se determina assim.
É nesse contexto que qualquer explicação racional sobre o por que de estarmos
aqui, termos nos dedicado à constituição do grupo meucerebro, dessa primeira
edição, a edição de lançamento da revista digital meucerebro, torna-se insignificante.
O que vier a ser explicado não conseguirá alcançar a força que nos impulsionou.
Hoje somos um grupo que alia neurociências e comunicação, que busca disseminar
ideias e aprender. Ser objeto, mas principalmente sujeito desse novo momento que
o homem atravessa: o da verdadeira autopercepção.
Você agora faz parte do meucerebro.
Seja muito bem-vindo!
editorial
Leonardo Faria,
Editor-chefe da revista meucerebro
4 | m e u c e r e b r o . c o m
A
matéria desta edição fará referência à
anatomia de superfície de um lobo cerebral.
O conhecimento dela é especialmente
importante para neurologistas, neurocirurgiões,
neuroradiologistas e qualquer outra pessoa que
lide com a anatomia cerebral, como é o caso dos
estudantes de medicina, psicologia e neurobiologia
comparativa. O lobo frontal é peculiar ao homem pelo
tamanho e pelas funções. Aqui nos caberá um relato
específico da anatomia dos seus sulcos e giros.
Na face superior mais lateral do lobo frontal de
cada hemisfério identificam-se três sulcos principais:
o sulco pré-central (mais ou menos paralelo ao sulco
central, muitas vezes dividido em dois segmentos),
o sulco frontal superior (inicia-se geralmente na
porção superior do sulco pré-central e tem direção
aproximadamente perpendicular a ele, para o pólo
frontal) e o sulco frontal inferior (partindo da porção
inferior do sulco pré-central, dirige-se para frente e
para baixo).
Entre o sulco central e o sulco pré-central está
o giro pré-central. Acima do sulco frontal superior,
continuando na face medial do cérebro, localiza-se o
giro frontal superior. Entre os sulcos frontal superior
e frontal inferior está o giro frontal médio, e abaixo do
sulco frontal inferior, o giro frontal inferior. Este último
é subdividido pelos ramos anterior e ascendente
do sulco lateral em três partes: orbital, triangular e
opercular. A primeira situa-se abaixo do ramo anterior,
a segunda entre este ramo e o ramo ascendente, e a
última entre o ramo ascendente e o sulco pré-central.
O giro frontal inferior do hemisfério cerebral esquerdo
é denominado giro de Broca.
O Lobo FrontalA anatomia dos sulcos e giros
Leonardo Faria
Sulco d
Su
Su
Su
Giro do Cíngulo
Lóbulo Paracentral
Pré-cúneos
Giro Frontal Superior
5
Na face medial do cérebro, existem dois sulcos
que passam do lobo frontal para o lobo parietal: o
sulco do corpo caloso (começa abaixo do rostro do
corpo caloso, contorna o tronco e o esplênio do corpo
caloso, onde se continua já no lobo temporal, com o
sulco do hipocampo) e o sulco do cíngulo (tem seu
curso paralelo ao sulco do corpo caloso, do qual é
separadopelogirodocíngulo.Terminaposteriormente,
dividindo-se em dois ramos: o ramo marginal, que se
curva em direção à margem superior do hemisfério,
e o sulco subparietal, que continua posteriormente
a direção do sulco do cíngulo). Nesta face também
está presente o sulco paracentral, que se destaca do
sulco do cíngulo em direção à margem superior do
hemisfério; delimita, com o sulco do cíngulo e seu ramo
marginal, o lóbulo paracentral, assim denominado
em razão de suas relações com o sulco central, cuja
extremidade superior termina aproximadamente no
seu meio.
Resumidamente,emrelaçãoaosgirosdelimitados
por estes sulcos, acima do corpo caloso temos o giro
do cíngulo; mais acima temos, de trás para diante, o
pré-cúneus, o lóbulo paracentral e a face medial do
giro frontal superior.
A face inferior do lobo frontal apresenta um
único sulco importante, o sulco olfatório, profundo e
de direção ântero-posterior. Medialmente ao sulco
olfatório, continuando dorsalmente como giro frontal
superior, situa-se o giro reto. O restante da face inferior
do lobo frontal é ocupada por sulcos e giros muito
irregulares, os sulcos e giros pré-orbitários.
Giro Pré-Central
Giro Frontal Superior
Giro Frontal Médio
Giro Frontal Inferior
Sulco Frontal Superior
Sulco Frontal Inferior
Sulco Pré-Central
//////////// o c é r e b r o
do Corpo Caloso
ulco do Cíngulo
Ramo Marginal
ulco Subparietal
ulco Paracentral
Giro Reto
Giros Orbitários
Sulco Olfatório
Sulcos Orbitários FONTES:
1. NETTER, Frank H. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000.
2. SOBOTTA, Johannes. Atlas de Anatomia Humana. 21ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000.
3. MACHADO, Angelo B.M.. Neuroanatomia Funcional. 2ed. São Paulo: Atheneu, 2002.
Ilustrações: Netter.
6 | m e u c e r e b r o . c o m
O Surgimento da
NeuroeducaçãoAprender é modificar comportamentos
Ana Lúcia Hennemann,
U
m dos primeiros relatos que temos sobre a
educação com um olhar mais global se dá
através das Paideias, na Grécia. As mesmas
eram constituídas a partir da concepção de que a
comunidade e o indivíduo são responsáveis uns
pelos outros e, dessa forma, vão se transformando,
integrando-se e evoluindo. O indivíduo era percebido
sobre seus diversos aspectos e fazia parte de uma
cadeia social. Cada um era importante. Cada um tinha
contribuições para a evolução daquele contexto social.
Entretanto, as concepções mudaram e a
educação “abandonou” a percepção individual
e integral do sujeito para outro aspecto muito
diferenciado: o indivíduo valia o quanto ele produzia;
em outras palavras, o melhor aluno era aquele que
conseguia acumular mais conhecimento. Mas até
aqui a escola ainda não era para todos. Apenas alguns
privilegiados estudavam.
Conforme Tracey Espinosa, mesmo tendo os
direitos assegurados pela Declaração Universal dos
Direitos Humanos, é somente na década de 1980 que
aeducaçãoemmassacomeçaafazerpartedocenário
educacional e através dessa maior diversidade que
se percebe que o sistema educacional necessitava
de muitas melhorias.
Todo o conhecimento que se tinha em educação,
aprendizagem e comportamento humano ainda
era fruto de pesquisas anteriores ao escaneamento
cerebral, e as grandes mudanças começam a ocorrer
com o surgimento da neurociência, r
estudo metódico do sistema nervoso
A psicologia, uma das área
auxiliou a educação, ao agregar os
da neurociência, começou a traz
diferenciadas para o contexto
dessa forma, a pedagogia pautada
aprendizagem percebeu que se fazi
novo olhar educacional, voltar às or
e perceber o ser humano como
Todas as áreas que até então eram
em” modificam-se e começam a
interdisciplinar agregando a no
neuroeducação.
A neuroeducação não é uma
conhecimento.Elatratadajunçãodos
da psicologia, educação e neurociên
A neuroeducação nos traz u
diferenciada do que é aprendizagem
em uma visão mais direta poderi
“aprender é adquirir novos conhecim
neuroeducação nos mostra agora q
modificar comportamentos”.
Quando pensamos uma educa
significado de aprender dentro des
tem outro valor. Porque se o suj
avaliado pelo viés do conhecim
dentro do contexto escolar, certame
não estará sendo inclusiva; mas, s
perceber o educando como alguém
seu comportamento inicial, seja e
cognitivo ou emocional, desse mod
diante de uma educação inclusiva,
direitos humanos.
Percebemos indivíduos Down
sociedade como repórteres, cineas
e outras tantas profissões e temos
Especialista em Alfabetização,
Educação Inclusiva,
Neuropsicopedagogia
e Pós-graduanda em
Neuroaprendizagem. Email:
ana_hennemann@hotmail.com.
7
responsável pelo
o.
as que sempre
s conhecimentos
zer abordagens
educacional e,
a na educação e
ia necessário um
rigens da Paideia
um ser global.
m “especializadas
atuar de modo
omenclatura de
a nova área do
sconhecimentos
ncia (Figura 1).
uma abordagem
m. Anteriormente,
ia se dizer que
mentos”. A mesma
que “aprender é
ação inclusiva o
stas concepções
jeito é somente
mento adquirido
ente a educação
se ela consegue
m que modificou
ele, psicomotor,
do sim, estamos
que prima pelos
ns atuando na
stas, professores,
o entendimento
do quão é importante a interação com o meio. Mais ainda,
do quão é importante o trabalho de um profissional que tem
o entendimento do funcionamento do sistema nervoso.
O neuroeducador, profissional da neuroeducação,
resgata a práxis das Paideias. Ele observa o indivíduo em
seus aspectos que precisam ser melhorados e em suas
potencialidades e, através disso, constrói um planejamento
individualizado para cada educando. Porém, em última
instância, todos aprendem, pois há modificação de
comportamento tanto para o neuroeducador quanto para
os educandos. Ambos necessitam sair de suas zonas de
conforto e, dessa forma, alcançar patamares mais elevados.
Através disso, resgata-se um valor primordial que os gregos
já conheciam: a cooperação. A sociedade se constitui pelo
entendimento da responsabilidade que temos uns com os outros
e só podemos mudá-la se mudarmos nossos comportamentos.
FONTES:
1. TOKUHAMA – ESPINOSA, Tracey. Why Mind,
Brain, and Education Scienceis the “New” Brain-
-Based Education. Disponível online em
http://migre.me/lXgK3
/psicologia cognitiva
FIGURA 1:
Adaptado a partir de Tracey Tokuhama-Espinosa
8 | m e u c e r e b r o . c o m
Há uma regra oculta nestas equações. Encontre o valor de B e
mostre que matemática não é problema para você.
Áreas cerebrais envolvidas neste teste:
Inicialmente, os córtices visuais primário e secundário serão ativados.
A cognição aplicada à resolução de problemas e a utilização da memória
de trabalho são atribuídas ao córtex pré-frontal. Além disso, áreas parieto-
temporais e parieto-occipitais, mais precisamente a área de Wernicke,
que pode ou não incluir o giro angular esquerdo, serão acionadas no
reconhecimento dos algarismos e letras, e também durante os cálculos.
Córtex Pré-Frontal
Área
9
Córtex Visual
Giro Angular
a de Wernicke
Resposta:
A resolução deste exercício depende de uma boa análise
das equações anteriores.
A resposta é: A = 2+6-7
B = 276 + A
Logo, A = 1 e B = 277.
Comentários:
Um teste que trabalha a flexibilidade cognitiva na
resolução de problemas. Aparentemente, parece um simples
exercício de adição; entretanto, a variável A requer um pouco
mais de raciocínio para ser decifrada. Isso nos remete às
primeiras adições do exercício.
A variável B é facilmente explicável, uma vez que
tenhamos definida a variável A. B é sempre a soma de A com
o número inicial. Mas e A?
A é representado pela soma do primeiro e terceiro
algarismos do número inicial, subtraído do algarismo do meio.
Logo, 537 (5+7-3=9), 106 (1+6-0=7), 989 (9+9-8=10) e assim por
diante. A=1 (6+2-7=1) e B=277.
//turbine seu cérebro
10 | m e u c e r e b r o . c o m
Aprender a ser emocionalmente inteligente é possível
Daniela Ávila Malagoli
O conceito de inteligência emocional (IE) tem sido bastante discutido na
atualidade. No entanto, já vem sendo estudado desde o ano de 1990, quando
foi formalmente introduzido na Psicologia por meio dos pesquisadores Peter
Salovey, da Universidade de Yale, e John D. Mayer, da Universidade de New
Hampshire, os quais apresentaram a definição de inteligência emocional
como sendo a capacidade de processar as informações emocionais e usá-
las favoravelmente no processo adaptativo. Contudo, o conceito se tornou
popular cinco anos depois, por meio do livro “Inteligência Emocional: A teoria
revolucionáriaqueredefineoqueéserinteligente”,do psicólogodaUniversidade
de Havard Daniel Goleman.
11
12 | m e u c e r e b r o . c o m
G
oleman disse ao Huffington Post “A vida
corre muito mais suavemente se você tiver
boa inteligência emocional”. O psicólogo traz
uma nova discussão por meio de seu livro, no qual
atribui parte do sucesso pessoal e profissional a esse
tipo de inteligência; isto é, ela é tão importante quanto
outras habilidades cognitivas - ou até mais -. Assim,
quais as habilidades podem ser encontradas dentro
da inteligência emocional? Diversas, como a de
superar as frustrações, motivar a si mesmo, controlar
impulsos, canalizar emoções, dentre outras. Goleman
também mapeia a inteligência emocional em
cinco habilidades importantes de serem realçadas:
autoconhecimento emocional; controle emocional,
automotivação, reconhecimento das emoções em
outras pessoas e habilidades em relacionamentos
interpessoais. Assim, a inteligência emocional é
dividida em intra e interpessoal.
As emoções fazem parte da evolução do indivíduo;
são inatas a ele e constituem uma importante
forma de comunicação. Predominam em diversos
momentos da nossa vida e, se gerenciadas com
cuidado e inteligência, auxiliam de forma significativa
nas decisões, na imposição de limites, enfim, no
relacionamento com o outro e consigo mesmo. De
acordo com o psicólogo e professor de Sociologia
Leonardo Abrahão, observa-se, hoje em dia, um mau
gerenciamento das emoções: “raivas e explosões de
ódio no trânsito e nas organizações; comportamentos
obsessivos em meio a casais, surgidos a partir da
inobservância de sentimentos como ciúmes doentio
e/ou carência não cuidada; violências múltiplas a
partir da dificuldade em se lidar com os sentimentos
alheios, como discriminação e bullying entre jovens
ou adultos nas escolas ou nas empresas”, explica,
são alguns exemplos dessa problemática social.
Nesse contexto, os cinco componentes da IE,
definidos por Goleman - autoconsciência, autorregulação,
motivação, habilidades sociais e empatia – são
fundamentais também no âmbito profissional.
Para ele, “quem tem inteligência
emocional geralmente é
confiante, sabe trabalhar
na direção de suas
metas, é adaptável
e flexível. Você
se recupera
rapidamente
do estresse e
é resistente”,
disse ao
Huffington
Post. E como
saber se sou
emocionalmente
inteligente,
e/ou se devo
progredir nesse
sentido? Reportagem
recente publicada pela
revista Exame mostrou 14
sinais que demonstram um alto
grau de inteligência emocional, como:
“você é um bom líder”, “reconhece suas forças e
suas fraquezas”, “confia no seu instinto”, “quando
está chateado, sabe exatamente o por quê”, dentre
outros.
A boa notícia é que, caso você não tenha
13
/////////////////especial
desenvolvido essas habilidades ou mesmo
não priorize elas em sua vida pessoal e
profissional, pode adquirir e aprimorar a
inteligência emocional por meio da prática.
De acordo com o site da empresa provedora
mundial de inteligência emocional TalentSmart,
“embora algumas pessoas
sejam naturalmente mais
emocionalmente
inteligentes do que
outras, você pode
desenvolver
grande
capacidade
mesmo não
tendo nascido
com ela”. A
inteligência
emocional,
segundo
Abrahão,
pressupõe
autoconhecimento,
que pode ser
“racional” ou
“intuitivo” (treinado/
pesquisado ou natural/
espontâneo). Para o psicólogo,
“entender a origem dos nossos
sentimentos, suas características, suas
fragilidades e seus potenciais favorece o nosso
caminhar em meio às pessoas, circunstâncias e
possibilidades que nos rodeiam”.
Essa possibilidade se deve à “plasticidade”
do cérebro, isto é, ele é hábil de mudanças. O
cérebro desenvolve novas conexões, à medida
em que é estimulado; assim, ao aprender novas
habilidades de utilizar as emoções a seu favor,
você está produzindo uma mudança, que é
gradual, de acordo com TalentSmart. A utilização
de estratégias para desenvolver a inteligência
emocional permite que os bilhões de neurônios
presentes no cérebro criem novas conexões
entre os centros neurais relacionados à razão e
à emoção. Cada neurônio, através de sua árvore
dendrítica, é capaz de formar aproximadamente
15.000 conexões com outros neurônios vizinhos.
Tal conectividade habilita o indivíduo a gerenciar
melhor suas emoções futuras, a compreendê-las
e, até mesmo, expressá-las racionalmente. Em
outras palavras, a inteligência emocional pode
ser fruto de uma aprendizagem sistematizada.
Ela pode se tornar um hábito na vida de quem
vier a desenvolvê-la.
A empresa também fez testes de inteligência
emocional ao lado de outras habilidades importantes
no âmbito profissional. A conclusão é de que
esse tipo de inteligência é o maior prognóstico de
desempenho, representando 58% do sucesso em
todos os tipos de trabalho. Portanto, a inteligência
emocional é importante para o aprimoramento
pessoal e profissional e merece dedicação. Segundo
estudo feito por Travis Bradberry e Jean Greaves,
autores do livro “Emotional Intelligence 2.0”
(Inteligência emocional 2.0), da TalentSmart, apenas
36% das pessoas conseguem identificar suas próprias
emoções. Essa pesquisa, feita com mais de 500 mil
pessoas ao longo de uma década, demonstra que
14 | m e u c e r e b r o . c o m
essa competência é rara e valiosa.
Portanto, gerenciar as emoções seria dar um
pouco de razão a elas? E se optarmos por agir e reagir
conforme alertam nossas emoções, sem controlar
os impulsos, enfim, extravasar (alguns dizem que é
uma boa opção em certos momentos da vida), como
seriam as nossas relações? Ficariam comprometidas?
Ou seriam mais espontâneas? Abrahão explica: “a
espontaneidade dos sentimentos e das emoções não
significa, necessariamente, uma inteligência emocional.
Por exemplo, uma explosão de ciúmes pode ser a mais
espontânea e sincera possível, mas nada inteligente no
contexto de uma relação interpessoal.Assim como uma
explosão de raiva ou de solidariedade. A inteligência
está em processar, racional ou intuitivamente”.
A inteligência emocional, segundo o professor,
pode ser infinita, “assim como as demais formas de
inteligência, bastando, para tanto, que a pessoa a treine
e/ou a amadureça por meio do autoconhecimento, da
autotransformação e da autorrealização existencial”.
Reflexões à parte, o importante é que a razão dá
direção e ordem à emoção; as duas caminham juntas
- pelo menos, devem -. Conhecer, entender e, por
consequência, utilizar as emoções a seu favor, é um
dos caminhos de crescimento do indivíduo para com
ele mesmo, para com os outros e para com o mundo
em que está imbuído. Para Abrahão, “não há sucesso
na vida sem sucesso nos relacionamentos – e não
há relacionamentos de sucesso sem habilidades
emocionais e sentimentais”.
FONTES:
1. http://goo.gl/WfaH8C
2. http://goo.gl/WD0reG
3. http://goo.gl/wYdv9M
4. http://goo.gl/Gu8ug8
5. http://goo.gl/kjOCX3
6. http://goo.gl/LvN2At
7. http://goo.gl/LE0ToC
8. http://goo.gl/CD2VCI
9. http://goo.gl/WDt6wn
Fotografia: Flickr Commons
O cérebro desenvolve
novas conexões, à
medida em que é
estimulado; assim,
ao aprender novas
habilidades de utilizar
as emoções a seu favor,
você está produzindo
uma mudança, que
é gradual, de acordo
com TalentSmart o
importante é que a
razão dá direção e
ordem à emoção; os dois
caminham juntos -
pelo menos, devem.
15
16 | m e u c e r e b r o . c o m
A Área 10Ela nos torna mais humanos
Leonardo Faria
O
que nos difere de todas as outras espécies
em termos evolutivos? O que o cérebro
humano esconde, se é que realmente tem
algo de especial? O senso comum é que estudar
o cérebro humano contemplaria a chave para tais
questionamentos, as respostas para desvendar
o curioso processo da inteligência. De fato, a sua
organização interna, maior e mais complexa em
comparação aos de outros mamíferos e primatas,
parece ter sido, para alguns autores, o aspecto
evolutivo fundamental para o desenvolvimento da
cultura, incluindo a linguagem, a simbolização e a
cogniçãoelaborada,fatoresedimensõesquediferem
o Homo sapiens de todas as outras espécies.
Entretanto, se pudermos apontar um dado
qualitativo do estudo evolutivo neurobiológico, a
conclusão é de que os pólos frontais e temporais
dos cérebros dos hominídeos se expandiram
precocemente na evolução, seguidos da expansão
das áreas posteriores do cérebro em uma fase
posterior. OtrabalhodeFalkecolaboradoresatestaque
a grande expansão do cérebro humano não se iniciou
com o gênero Homo, como se pensava anteriormente,
mas há pelo menos 2 a 3 milhões de anos, com os
membros do gênero Australopithecus. O cérebro se
expandiu muito durante a fase evolutiva do gênero
Homo, mas tal expansão já havia começado bem antes.
O grupo de Falk concluiu ainda que as áreas
dos lobos frontais que mais se desenvolveram foram
aquelas relacionadas às regiões correspondentes
à área 10 de Brodmann. Semendeferi e
colaboradores indicaram que a área 10 é 6 a 7
vezes maior em humanos quando co
grandes símios africanos. A neuropsico
vez, tem mostrado que tal área está
pensamento abstrato, à organização e ao
de ações futuras, à iniciativa e à tomad
assim como ao controle e ao proce
emoções e ao julgamento. Da integrida
dependem, particularmente, funções c
de trabalho, memória espacial, memór
processamento sintático e compreensão
geração de verbos, cálculo numérico e at
(fundamentalparahabilidadessociais).As
da área 10 no Homo sapiens parece ser
que se postula ser a “humanidade” dos h
Neuroanatomia comparativa contemporân
Recentemente, pesquisadores fo
compararam imagens de ressonância mag
ventrolateral frontal – um dos component
de 25 voluntários adultos com imagens equ
macacos. A partir desses dados, os pesqu
capazes de dividir o córtex ventrolateral
áreas que foram consistentes entre todo
Após a comparação dos grupos eles de
uma pequena região, ainda mais espec
área 10 de Brodmann, não possuía eq
macacos – o chamado córtex do pólo pré
Fica a reflexão: caso não perceba
por parte das pessoas, planejament
dos fatos associado a um bom control
principalmente, criatividade, de que form
considerá-las evolutivamente diferente
animaispelomenosnoqueserefereaoco
17
omparadas aos
ologia, por sua
á associada ao
o planejamento
da de decisões,
essamento das
ade da área 10
como memória
ria prospectiva,
o de metáforas,
tenção conjunta
ssim,aevolução
central naquilo
homens.
nea
oram além e
gnética do córtex
tes da área 10 –
uivalentes de 25
uisadores foram
humano em 12
s os indivíduos.
escobriram que
cífica dentro da
quivalente nos
é-frontal lateral.
amos iniciativa
to, julgamento
e emocional e,
ma poderíamos
es dos outros
omportamento?
FONTES:
1. http://goo.gl/rdWGlL
2. http://goo.gl/0C85FH
3. Livro Evolução do cérebro, por Paulo Dalgalarrondo.
////////////////evolução
18 | m e u c e r e b r o . c o m
19
Música, cores e emoção
/////////////// m ú s i c a
/////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////
Leonardo Faria
V
ocê estava saboreando algo e lhe veio
algum som bem peculiar aos ouvidos?
Algum lugar que você visitou logo lhe
trouxe um sabor à boca. Determinado
cheirolhefazverimagenscomosefossemreais
naquele momento? Alguma vez você escutou
umamúsicaelogoveioapercepçãodeumacor
em especial? Não, não é loucura. A sinestesia é
um fenômeno neurológico caracterizado pela
produção de duas sensações paralelas, de
natureza distinta, por um único estímulo.
20 | m e u c e r e b r o . c o m
Não há o que temer. A sinestesia não é uma
doença. Na verdade, ela ilustra como o cérebro
é um órgão complexo e repleto de fortes
interconexões. A experiência sensorial de certas
pessoas na qual sensações correspondentes a
umcertosentidosãoassociadasaoutrosentidoé,
na verdade, o cimento da memória. Quanto mais
relações as sensações puderem estabelecer
entre si, mais facilmente são reestabelecidas as
suas memórias correspondentes.
Portanto, por conta da sinestesia,
eventualmente ocorre essa espécie de
cruzamento de sensações em um só estímulo.
Assim, uma cor pode ter um sabor ou um som
pode ter uma forma. Essa forma diferente de
processar as informações obtidas através dos
sentidos pode ter uma base hereditária.
O que dizem os estudos
Diversos estudos têm investigado possíveis
relações sensoriais desse tipo, especialmente
entre sons e cores. Uma pesquisa realizada
pela Universidade da Califórnia, em Berkeley,
e publicada recentemente no periódico PNAS
mostrou que o cérebro humano é capaz de
ir mais além. Segundo o estudo, através das
sensações que uma melodia provoca, o cérebro
foi capaz de fazer relações entre cor e música
a ponto de superar barreiras culturais, como se
todas as pessoas apresentassem uma estrutura
neural senso-perceptiva comum.
Ainda sobre o estudo, cujo título original
é Music–color associations are mediated by
emotion,identificou-sequemúsicasmaisrápidas
se relacionavam a cores claras e vívidas, como
o amarelo; e melodias mais lentas, a tons mais
escuros, acinzentados ou azulados. Todas essas
informações poderiam, segundo a pesquisa,
auxiliar o desenvolvimento de estratégias
para afiar a criatividade e a percepção, novos
métodos de reabilitação emocional que se
utilizemdeterapiascognitivas,alémdeembasar
novas ações tomadas pelos profissionais do
neuromarketing e publicidade. Os programas
tocadores de música, por exemplo, podem se
utilizar das informações de um equalizador
para produzir padrões de cores em suas telas,
procurando seguir as características – o “tom
emocional” – de cada música.
Muitas figuras conhecidas já se lançaram
no estudo das cores, como Aristóteles, Newton
e Goethe. Em contrapartida, Goethe foi um dos
únicos a se opor de certa forma à ideia intuitiva
de que existe uma relação física direta entre
sons e cores. Em uma de suas obras, A Teoria
das Cores (Zur Farbenlehre), originalmente
publicada em 1810, ele disse:
21
Sempre se percebeu que existe
certa relação entre cor e som,
como demonstram as frequentes
comparações, por vezes passageiras,
por vezes suficientemente
pormenorizadas. O erro nelas
cometido se deve ao seguinte:
Cor e som de maneira alguma
podem ser comparados, embora
ambos remetam a uma fórmula
superior, a partir da qual é possível
deduzir cada um deles. Ambos
são como dois rios que nascem na
mesma montanha, mas devido a
circunstâncias diversas correm
sobre regiões opostas, de modo
que em todo o percurso não há
nenhum ponto em que possam ser
comparados. Ambos são efeitos
gerais e elementares segundo a
lei universal que tende a separar
e unir, oscilar, pesando ora de um
lado, ora de outro lado da balança,
mas conforme aspectos, maneiras,
elementos intermediários e sentidos
completamente distintos.
Mas, apesar do alerta de Goethe, os
neurocientistas insistem na correlação neural
entre sons e cores. Seguindo vias neurais
próprias e paralelas ou que, secundariamente,
se cruzem em algum ponto do caminho
perceptivo cerebral, o fato é que parece
prevalecer um denominador comum entre
as sensações, particularmente entre aquelas
veiculadas pelos olhos e ouvidos. Assim como
outro estudo de 2007 – The Color of Music:
Correspondence Through Emotion – também
concluiu, a música parece compartilhar com o
som um substrato neural comum: o emocional.
Seria essa a origem da sinestesia.
FONTES:
1. http://goo.gl/D3SXpC
2. http://goo.gl/r74uRh
3. http://goo.gl/WesMx9
4. http://goo.gl/T7kvZi
5. http://goo.gl/kNvklS
6. http://goo.gl/L6m8OI
Fotografia: Flickr Commons
/a música e o cérebro
22 | m e u c e r e b r o . c o m
23
A conexão entre
corpo e espírito
A glândula pineal e sua relação com a espiritualidade
Matheus Guisoni Pereira
A
pinha, um dos símbolos mais presentes nas sociedades do passado,
ocidentais e orientais, reserva-se cheia de mistérios e lendas. Mas uma
coisaéconstante:arelaçãocomaexpansãodaconsciência,daelevação
e da iluminação do ser. No Egito a pinha se mostra na ponta do cajado de Osíris,
o Deus da vida após a morte, essa que era o passaporte para o convívio com
os deuses. Na Grécia antiga ela aparece na extremidade superior do Tirso, o
cajado usado por Dionísio. E não é arbitrário o fato de ser Dionísio o símbolo da
plenitude de consciência e unificação com o todo. Pinha em grego traduz-se
por Pineu, um dos nomes utilizados para batizar nossa glândula pineal.
/espiritualidadeereligião
24 | m e u c e r e b r o . c o m
O terceiro olho, referido como olho de Hórus
ou olho de Rá, é uma referência explícita também a
essaglândula,chamadatambémporoutrasculturas
como o olho da razão, da alma ou da mente. O olho
dentrodapirâmide,umaadaptaçãodessesimbolismo,
ficou amplamente conhecido no mundo após ser
empregado como um dos símbolos da maçonaria
e ser incorporado tardiamente no dólar americano.
Mas, afinal de contas, o que essa glândula
faz de tão especial para a maioria de nós que
não estamos ainda no caminho da meditação em
busca do nirvana? Bem, esse olho vestigial guarda
semelhanças em sua embriologia com os olhos,
emergedodiencéfaloficandoentreosdoiscolículos
superioressobreomesencéfaloefuncionacomoum
temporizador, um marcapasso circadiano e sazonal.
Sobre influência simpática, a qual é predominante
durante a noite, ela secreta em maiores quantidades
um hormônio, a melatonina. Sabe-se que maiores
concentrações desse hormônio reduzem a função
das glândulas e que este é importante para o
amadurecimento dessas. A melatonina também
pode realocar o dispêndio energético de acordo
com os ciclos sono-vigília, resultado obtido do
trabalho da Drª. Fernanda Gaspar do Amaral.
Recentemente, notou-se em estudo do Dr.
Jimo Borjigin na Universidade de Michigan e na
Universidade Estadual de Louisiana pelo Dr. Steven
Barker, analisando glândulas de ratos, a presença
de N,N-Dimethyltryptamine (DMT). Não se sabe
ao certo qual a função desse composto nos
organismos, contudo, o uso dessa substância já é
apreciado por pessoas que buscam experiências
de psicodelismo. Essa substância também é
encontrada no chá Ayahuasca, o santo daime.
Mais excitante, no entanto, está o trabalho do
médico Dr. Sergio Felipe de Oliveira. Durante uma
microscopia de varredura em glândulas dissecadas,
ele notou a presença de cristais de apatita. Esses
cristais funcionam como uma caixa de ressonância
que capta campos magnéticos, sequestrando-os.
Essa pode ser a chave para se desvendar como
pessoas que possuem domínio de sua mediunidade
mantêm um transe ou uma comunicação com
entidades extrafísicas inteligentes. Pelo trabalho
do Dr. Sergio Felipe, também ficou verificado a
relação inversamente proporcional entre esses
cristais e surtos de ansiedade e depressão do
sistema nervoso central. O indivíduo, recebendo
muitas informações sensoriais por campos
O cérebro, como símbolo de
nossa inteligência, daquilo que
nos torna humanos, recebe
agora, mais do que nunca,
contribuições sólidas da
ciência de que ele pode conter
também a ponte daquilo que
nos torna nós mesmos, da
nossa consciência: o espírito.
25
magnéticos, gastaria uma quantidade grande de
neurotransmissores para decodificá-las e, em um
segundo momento, ocorreria uma queda abrupta
emsuaconcentração,levandoàsinaisdedepressão.
A glândula também está relacionada com a
liberação de energia na forma de ectoplasma, este
evidenciado por Charles Richet, Nobel de medicina
e fisiologia em 1913, e pelo Dr. Albert Von Schrenck-
Notzing. Se esta energia é demasiadamente
liberada (como ocorre com alguns médiuns),
o organismo tende a responder distribuindo-a
para sítios orgânicos, podendo originar estruturas
ectópicas como osteofitoses, cistos ou mesmo
causar um aumento de peso e sangramento. No
entanto, isso não se faz uma consequência imediata
e fatal, sempre restando ao médium o dever de
controlar essa capacidade da maneira a melhor
atender-lhe a saúde. O estudo se faz inevitável.
Muito ainda resta para ser desvendado
nesse campo, que se caracteriza como uma
área promissora e excitante de pesquisas. O
conhecimento milenar de culturas do passado se
mostra mais uma vez atual à sua maneira, e cabe
à ciência mostrar-se humilde às possibilidades já
abertas por nossos ancestrais. O cérebro, como
símbolo de nossa inteligência, daquilo que nos
torna humanos, recebe agora, mais do que nunca,
contribuições sólidas da ciência de que ele pode
conter também a ponte daquilo que nos torna
nós mesmos, da nossa consciência: o espírito.
FONTES:
1. VILLELA, DARINE; ATHERINO,VICTORIA FAIRBANKS; LIMA, LARISSA DE SÁ ; MOUTINHO,
ANDERSON AUGUSTO; AMARAL, FERNANDA GASPAR DO ; PERES, RAFAEL ; MARTINS DE LIMA,
THAIS ; TORRÃO, ANDRÉA DA SILVA ; Cipolla-Neto, José ; SCAVONE, CRISTÓFORO ; Afeche,
Solange Castro . Modulation of Pineal Melatonin Synthesis by Glutamate Involves Paracrine
Interactions between Pinealocytes and Astrocytes through NF-B Activation. BioMed Research
International, v. 2013, p. 1-14, 2013.
2. Barker, S.A.; Borjigin, J.; Lomnicka, L.; Strassman, R. LC/MS/MS analysis of the endogenous
Dimethyltryptamine hallucinogens, their precursors, and major metabolites in rat pineal gland
microdialysate.. Biomed Chromatogr, v. 2013, p. 1690-700, 2013.
3. OLIVEIRA, S. F. . Glandula Pineal - Avanços nas Pesquisas. 2007. (Apresentação de Trabalho/
Conferência ou palestra).
4. Biomed Chromatogr. 2013 Dec;27(12):1690-700. doi: 10.1002/bmc.2981. Epub 2013 Jul 23.
5. LC/MS/MS analysis of the endogenous dimethyltryptamine hallucinogens, their precur-
sors, and major metabolites in rat pineal gland microdialysate. Barker SABorjigin JLomnicka
IStrassman R.
Imagens: http://goo.gl/kGCnT1 e http://goo.gl/2TVl0f
26 | m e u c e r e b r o . c o m
É
possível termos o controle da nossa vida ou somos
frutos do acaso? O que determina o sucesso? Aliás,
o que é sucesso, para você? Será que existe um
caminho para revolucionar a própria vida, até coisas
mais práticas como começar (ou terminar) algo que não
está do jeito que você gostaria? Você está feliz na sua vida
pessoal? e profissional? Como andam suas atividades de
lazer? E sua espiritualidade?
Em anos de trabalho com foco no desenvolvimento de
pessoas, percebo que ter clareza psíquica, emocional ou,
como gosto de dizer, “ampliar a consciência” é o primeiro
passo de um processo profundo de mudança, cujo intuito é
sermais feliz nos principais pilares que sustentam e torneiam
sua vida.
Quais são esses pilares?
Flávio Maneira,
AutoreCoordenadordométodoecur
de carreira e devida. Executivo da indú
há 16 anos, atuou na área de ve
treinamentoedesenvolvimento,passa
como Novartis, Schering-Plough, M
está na Biolab Sanus Farmacêutica
capacitação estratégica da unidad
Professor de MBA em disciplinas liga
“Negócios” e colunista do portalZenec
4pilarVocê no controle da
Crie um mapa estratégico
/aneurociênciadosucesso
27
E
ntendemos como pilar “pessoal” o que se refere a
“tudo e a “todos” que giram em torno de você: sua
família, amigos, filhos, cônjuge. Como anda sua relação
com seus familiares e amigos? Está saudável? Outro
ponto importante do pilar pessoal tem a ver com “propósito” e
“valores”, talvez o mais importante. Você sabe claramente qual
é o seu propósito de vida? E quanto aos seus valores? Segundo
John Maxwell: “não dá para ter um sistema de valores para uso
no mundo dos negócios e outro para a vida pessoal. O caráter
de uma pessoa rege toda a sua vida”. Interessante, não? Em
minha trajetória de vida, nas empresas nas quais trabalhei e onde
trabalho, nas palestras e aulas que ministro, percebo que a maioria
das pessoas não tem claro isso, simplesmente vão vivendo e não
param para refletir a respeito. Além das questões de valores,
nesse pilar deve-se considerar questões como saúde, nutrição,
emoções, ou seja, o alimento do corpo e da mente. Dizem que
“somos o que comemos”. Vou além, somos o que “pensamos”,
somos o que “sabemos”. Nossa formação como pessoa é
dada parte pela genética (DNA) e pelo “meio” desde o nosso
nascimento “macro” (país, região, cidade, bairro, cultura, família,
amigos, escola, faculdade, trabalho) para o “micro” (indivíduo,
personalidade, áreas de inteligência).
rso4pilares,gestão
ústria farmacêutica
endas, liderança e
andoporempresas
MSD e atualmente
responsável pela
de cardiovascular.
adas a “Pessoas” e
conomics.
res:a sua vida
para ela
pessoal
28 | m e u c e r e b r o . c o m
E
sse pilar é um dos grandes responsáveis por questões
quevãomuitoalémdodinheiro,porexemplo:felicidade.
Você faz o que realmente ama? Você aprendeu a amar
o que faz? Você se encontrou profissionalmente? Se
não, por que não arriscar em recomeçar? Você está satisfeito
com seu superior? Como você considera o clima (ambiente)
do seu trabalho? E com seus pares? Se você é um gestor ou
empreendedor e tem uma equipe, como considera sua gestão?
Existem inúmeras pesquisas bem fundamentadas sobre
aspectos profissionais envolvendo liderança, colaboradores,
clientes, empreendedores e em todas vemos alguns aspectos
em comum: são mais “pontos de melhorias do que os que dão
certo”. Vou dar um exemplo: Se perguntarmos para 100 pessoas
sobre seus “chefes” (ou líderes), 80 estão insatisfeitas, porém,
dessas 80 insatisfeitas, quantas fazem algo para mudarisso? Não
chega a 10%, acredite! No caso dos empreendedores, grande
parte das empresas fecham antes de completarem três anos
de vida e, quando é feita uma análise sobre o principal motivo,
adivinhe? Falta de conhecimento. As pessoas simplesmente
abrem um negócio sem ao menos saberem o que é um “plano
de negócios”. Quando o assunto é “carreira”, os resultados são
ainda piores: a maioria das pessoas não sabe gerir um plano de
carreira alinhado com suas fortalezas (seus talentos dominantes,
seus pontos fortes). Vivemos uma escassez de líderes e bons
gestores de pessoas e, com isso, vem a falta de orientação e
desenvolvimento adequado, estratégico e assertivo, de acordo
com cada indivíduo. As pessoas estão, literalmente, perdidas
profissionalmente. O que é preciso? Parar, estruturar um plano,
procurar ajuda, ler, estudar e principalmente saber que vai exigir
muita disciplina, mudança de hábitos. É um percentual muito
pequeno da população que está disposto a isso. Tony Robbins
(autor e palestrante especialista em reprogramação mental) diz:
“por isso os pobres estão cada vez mais pobres e os ricos cada
vez mais ricos”.
O
que você faz que é
lhe traz uma sensa
só consegue isso no
quando sai de férias
que lhe dão prazer diariamente
em que vamos adquirindo cert
pilares anteriores (pessoal e pro
que gostávamos de fazer? Vem
o crescimento profissional e por
se tornar melhor tanto na sua vi
necessário alimentar suas emoç
é necessário “rir” com quem ou
Tem gente que encontra no e
forma de grande lazer (prazer).
mais e mais a cada dia mexe de f
alimentando sua “estima”, fazen
Outros encontram na música, n
no encontro com os amigos,
Amigos fazem bem para sua saú
também. Qual lazer você foi deix
para retomar? Possivelmente i
administração de sua agenda e
seus familiares. Dedicamos mui
do que pensam sobre a gente e e
mesmos.Acredite:elesvãoentend
pessoa melhor, sua “energia” vai m
desfrutarde pequenas doses de la
melhora perceptívelem sua “energ
profissional laz
Concluo
tempo para
Lazer e Espi
potencializaç
amor. Eu sou
“temos duas
olhar intelige{
29
extremamente prazeroso? Que
ação quase indescritível? Você
os finais de semana, feriados ou
s? Ou você tem pílulas de lazer
e? E semanalmente? Na medida
tas responsabilidades nos dois
ofissional), fica mais difícil fazer o
o casamento, vêm os filhos, vem
r ai vai. Acontece que, para você
ida pessoal como profissional, é
ções, seus “sentimentos”, ou seja,
u com o que lhe estimula a isso.
esporte (atividades físicas) uma
Sim, porque “suar” e performar
forma única com a neuroquímica,
ndo com que você se sinta bem.
na meditação, na leitura, na arte,
semanalmente, mensalmente.
úde, isso é comprovado. Animais
xando para trás? O que é preciso
isso está ligado a uma melhor
e de alguns alinhamentos com
ito tempo aos outros com medo
esquecemo-nos de pensar em nós
der.Vocêserápercebidocomouma
mudar. As pessoas que conseguem
azertodos os dias apresentam uma
gia”, ficam mais positivas.
L
ongededogmasreligiosos,qualéoseuentendimentopor
“espiritualidade”? Se você pensou em algo como ajudar o
próximo,emgenerosidade,vocêestánocaminho.Sevocê
já faz algo nesse sentido, já é uma pessoa espiritualizada.
Mais que dinheiro, se você dedica parte do seu tempo para ajudar
(seja compartilhando conhecimento, dando amor, ouvindo alguém)
o outro, livre de pré-conceitos, discriminações, crenças, você está
um degrau acima. As pessoas que menos “têm” são as que mais
compartilham, seja comida, dinheiro, casa, ou um lugar para dormir.
Pareporalgunsminutosepenseemalguémporquemvocêémuito
grato, por te ajudar em algum momento difícil da sua vida. Pensou?
Pronto, agora pegue uma folha em branco e um lápis ou caneta
e escreva-lhe uma carta dizendo o por que de você ser tão grato
a ela. Por fim, faça uma ligação (ou encontre essa pessoa) e leia
a carta para ela. É provado que isso aumenta significativamente o
seu estado de felicidade. Ou seja, a “gratidão” explicitada a alguém
vai lhe tornar uma pessoa mais feliz, uma pessoa melhor. Atuo
junto à classe médica há alguns anos e conheci médicos com uma
espiritualidade incrível. Mas, o que eles têm em comum? Tratam
as pessoas como pessoas, são generosos e pacientes com seus
pacientes. Percebo que a humanidade não caminha para problemas
de doenças físicas, mas sim para doenças de fundo emocional.
Vivemos um “caos” emocional.Aárea que mais cresce não está ligada
a problemas cardiovasculares, mas a problemas psíquicos. Livros de
“autoajuda” nunca venderam tanto. Medicamentos desenvolvidos
para os transtornos psíquicos, especialmente os ansiolíticos, nunca
venderam tanto. Sempre digo: temos que tratar a “causa” e não o
“sintoma”. Por isso, agir com mais espiritualidade é uma boa maneira
de amenizar essas questões psicológicas que afligem a humanidade.
zer Espiritualidade
o sugerindo que não perca, mas ganhe tempo investindo em seu maior bem: você. Dedique
criar um “mapa estratégico da sua vida” envolvendo os 4 pilares: Pessoal, Profissional,
iritual. Considere o curto, médio e longo prazo, tendo como premissa o conhecimento e a
ção das suas “competências naturais”. Dizem que aprendemos mais pela dor do que pelo
u a prova disso e quero compartilhar isso com você. Um grande amigo disse certa vez:
s datas de nascimento: uma biológica, quando nascemos e outra quando lançamos um
ente e genuíno sobre nós mesmos”. Esse é o verdadeiro nascimento. Pense nisso.
PARA MAIS INFORMAÇÕES:
http://flaviomaneira.com.br
30 | m e u c e r e b r o . c o m
31
O que é
para você?
limitação
Esther Varoto, 28 anos, graduada em música. Esclerose
Múltipla. Doença inflamatória crônica degenerativa. Elas se
conheceram em novembro de 2008
Daniela Ávila Malagoli
C
om dois anos, começou a cantar. Aos três,
compôs a primeira música. Como não
sabia escrever, pediu à mãe que anotasse.
Com cinco anos, já lia partitura ao tocar
flauta doce. Gravou o primeiro CD nessa
idade. Com 15, virou professora. Cursou oito anos de
violão, contrabaixo e guitarra no Conservatório Estadual
Cora Pavan Capparelli, mas estudou sozinha para a
prova de habilidade específica do curso de Música
(licenciatura em violão erudito), ingressando no curso,
na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), em 7º
lugar, aos 19 anos.
32 | m e u c e r e b r o . c o m
Esther sentiu uma sensação estranha nos braços. No outro dia, acordou com metade do corpo dormente.
Não conseguia piscar o olho direito e sentia tonturas e náuseas. Passou mal dia após dia, por três meses,
quando já estava casada. Os médicos, inicialmente, desacreditavam no diagnóstico de Esclerose Múltipla.
Mas ela desconfiava. E se preparou.
Esther, que chora e em menos de 10 segundos enxuga as lágrimas, não cancelou um dia de aula para
seus alunos. Quando os movimentos da mão esquerda, precisos para sua profissão, ficaram travados por
dois meses, um dos alunos a consolou: enquanto você estiver falando, está bom, eu já aprendo. Antes de
a Esclerose Múltipla manifestar-se, Esther pensava: “eu sou jovem, aguenta corpo!” Sete meses depois
dos primeiros sintomas, e após passar por oito médicos, o diagnóstico foi confirmado.
Uma das primeiras coisas que fez, em seguida, foi compor uma música em homenagem aos
portadores da doença. “O que eu fiz os três primeiros anos depois que eu descobri a doença é o que eu
teria feito na minha vida toda se eu não a tivesse descoberto”. Ela preparou a qualidade do seu futuro,
mas viveu, e vive intensamente o presente. “Andei muito de patins. Se eu fosse pra cadeira de rodas
amanhã, pelo menos iria lembrar a sensação. Nadar, sentir seu corpo na água, como é importante! As
pessoas deviam pensar nisso”. Ela define a doença: “Esclerose Múltipla não é sinônimo de loucura. É uma
doença rara e diferente que as pessoas deveriam conhecer mais”.
Esther nunca perdeu o “bom humor e a vontade de viver”. Nos inúmeros exames de ressonância
magnética que fez, brincava com os sons do aparelho como se fossem notas musicais. Esther, que parece
umapessoasemodiagnósticodeumadoençadegenerativacomoaEscleroseMúltiplaSurtoRemissão(ver
infográfico), reconhece: “É uma doença que pode expor o portador a muitas a muitas deficiências físicas, e
muitas delas felizmente podem serrevertidas com o uso de anti-inflamatórios potentes (corticosteróides)”.
Um dia, após
uma aula de
canto
na Ufu,
na semana
do próprio
casamento,
33
////////////////pessoas
Esther adora passear no shopping, fazer compras. Sempre acompanhada do seu grande amor, do
seu apoio, Elker Tonini. Ele é o seu porto seguro. E se o assunto é ela, ele não hesita. “Ninguém derruba
a Esther, é guerreira.” Ele pretende curtir todos os momentos da vida junto dela. A musicista fundou
a Academia de Música Varotonini, na qual Elker também é professor, em 2011, no mesmo ano de sua
formatura: “é fruto de tudo que eu faço em minha vida, o que me move, me dá prazer, a música”. Para o
professor do curso de Música da UFU André Campos, Esther é empreendedora e batalhadora.
Esther é professora de canto, violão popular e erudito, guitarra base e solo, contrabaixo, viola caipira,
bateria e percussão, musicalização infantil, composição, teoria e percepção musical, edição de partituras
e preparação para habilidade específica em Violão Erudito. Tem contrato como compositora com a
Editora Clube da Música, que é parceira da Sony Music. Compôs, interpretou e produziu a trilha sonora
da Novela Portal do Cerrado. Hoje está cursando Direito. Objetivos futuros: maior dedicação à carreira
solo. Expansão da Academia de Música Varotonini. “Esther pensa na frente”, afirma a professora do curso
de Música da UFU Sandra Alfonso.
Uma mulher bem sucedida? “Intimidade com Deus, prazer em viver e acreditar em mim” foi o que fez
Esther uma empresária de sucesso. O que a Esclerose Múltipla te ensinou, Esther? “Maturidade e paixão
pela vida”. Qual a primeira coisa que gostaria que alguém soubesse sobre você? “Que eu curto a vida”.
Esther, o que é limitação para você? “Limitação é algo que a gente coloca na própria cabeça”.
INFORMAÇÕES SOBRE ESTHER: http://goo.gl/5OI3sq
INFOGRÁFICO: Leonardo Faria
34 | m e u c e r e b r o . c o m
O cerebelo é a parte do cérebro respon-
sável por movimentos motores finos, incluindo
a postura, o equilíbrio, a aprendizagem motora
e a fala. Localizado na base do crânio, contém
cerca de metade dos neurônios do cérebro,
embora represente apenas 10% do seu volu-
me. A sua disfunção parcial devido a uma lesão
ou doença não é incomum, contudo a ausência
do cerebelo já ao nascimento é extremamente
rara. Médicos na China descobriram uma mu-
lher de 24 anos, apenas o nono caso conhecido
de uma pessoa viva com agenesia cerebelar.
Sua condição foi descrita na revista Brain.
O caso veio à tona depois que a mulher
procurou atendimento médico devido a náu-
seas e vertigens. Uma tomografia computa-
dorizada e imagens de ressonância magnética
revelaram a ausência do cerebelo, que pronta-
mente explica os sintomas encontrados. Além
disso, sua condição explica também por que
ela não foi capaz de falar até completar seis
anos de idade e de andar até os sete. Devido
à ausência desta importante parte do sistema
nervoso, também não foi capaz de brincar e
saltar como as outras crianças. Sem nenhuma
surpresa, a mulher tinha sido incapaz de andar
sem constante apoio ao longo de sua vida.
Embora os testes revelassem que ela
não apresentava dificuldades para entender
o vocabulário, havia prejuízos relacionados à
pronúncia, a voz era trêmula e as palavras, “ar-
rastadas”. Apesar disso, os médicos considera-
ram os sintomas relativamente leves. Eles es-
peravam por um comprometimento maior.
O espaço onde o cerebelo deveria existir
foi preenchido pelo líquido cefalorraquidiano. A
química do fluido parecia normal, mas a pres-
são estava um pouco elevada (210 mmH2O, ao
invés de 70-180 mmH20). Ela foi adequada-
mente tratada com medidas pouco invasivas
e, quatro anos depois, ela ainda estava muito
bem.
Casou-se e teve uma filha neurologica-
mente normal. As estruturas e os tecidos ao
redor de onde estaria o cerebelo aparentavam
boa estrutura, sem danos significativos. A ponte
parecia pouco desenvolvida mas, consideran-
do que parte de seu trabalho é transmitir men-
sagens a partir do córtex frontal ao cerebelo,
isso não é totalmente surpreendente.
Como a doença é rara, não é muito bem
compreendida. Embora existam cerca de 30
mutações associadas com alterações cerebe-
lares, a ausência completa da estrutura é um
pouco mais difícil de descobrir. Essa mulher re-
presenta uma oportunidade única para estudar
os efeitos da doença em um adulto vivo. Não
se sabe como a sua condição irá mudar à me-
dida em que envelhecer, mas todas as coisas
que ela foi capaz de fazer até aqui represen-
tam mais uma vez uma boa prova da plastici-
dade cerebral.
Mulher de 24 anos vive sem o cerebelo
A re
controve
colocara
esportes
traumatis
que se p
of Psych
pancada
mentais,
A p
Universid
médicos
por ferim
cognitivo
esses pa
desenvo
e 59% pa
o trauma
seguinte
Aind
desenvo
foi sofrer
de idade
alterando
a entrada
da corren
Enqu
melhor é
traumátic
e mental
sintomas
Panca
FONTE: http://goo.gl/QhrvC0
FONTE: http://
35
Estudo feito por pesquisadores
da Universidade Rush, de Chicago,
com 294 idosos, confirma a ideia de
que ler e escrever regularmente pode
contribuir para preservar a memória por
mais tempo, reduzindo a velocidade do
processo de deterioração mental.
Essas práticas saudáveis podem
diminuir até 15% o ritmo de progressão
da perda da memória.O declínio cerebral
entre os idosos que liam ou escreviam
com frequência ainda na velhice ocorreu
em um ritmo 32% mais lento do que
entre os que faziam isso com uma
constância menor. Os idosos que quase
nunca se dedicavam a essas atividades
apresentaram uma velocidade de
deterioração mental 48% maior do que os
que liam e escreviam esporadicamente.
Os pesquisadores acompanharam
os participantes do estudo durante
cerca de seis anos, até o momento
de sua morte, em média aos 89 anos.
Anualmente, submeteram os idosos
a testes de memória e cognição e os
entrevistaram sobre seus hábitos de leitura
ao longo da vida.
Memória é preservada
com leituras esporádicas
elação entre saúde mental e lesões na cabeça é um tema
erso. Pesquisas anteriores produziram resultados ambíguos que
am em dúvida a associação entre ambas. Muito frequentes em
s de contato como artes marciais e futebol americano, pequenos
smos podem culminar em problemas de saúde mais sérios do
pensa à primeira vista. Um estudo publicado no American Journal
hiatry, o maior da área, revela que mesmo uma única dessas
as na cabeça pode, até mesmo, aumentar o risco de doenças
em especial se a pancada ocorrer durante a adolescência.
pesquisa realizada por Sonja Orlovska e sua equipe, da
dade de Copenhague, durou 23 anos e analisou 113.906 registros
s dinamarqueses de pessoas que haviam sido hospitalizadas
mentos na cabeça. Eles descobriram que, além dos problemas
os causados pelos danos estruturais no cérebro (como delírio),
acientes demonstraram, posteriormente, maior probabilidade de
olver transtornos psiquiátricos: risco de 65% para esquizofrenia
ara depressão. O perigo era maior nos primeiros 12 meses após
a, mas permaneceu significativamente elevado pelos 15 anos
es.
da segundo o estudo, o fator preditivo mais forte associado ao
olvimento futuro de esquizofrenia, depressão e transtorno bipolar
r traumatismo craniano no início da adolescência (11 aos 15 anos
e). Lesões na cabeça poderiam provocar inflamação cerebral,
o a permeabilidade da barreira hematoencefálica e favorecendo
a de conteúdos potencialmente prejudiciais ao cérebro a partir
nte sanguínea.
uanto o mecanismo ainda não for totalmente esclarecido, o
é seguir as orientações já estabelecidas depois de sofrer lesões
cas. Descansar e evitar atividades que demandem esforço físico
l, além de obviamente consultar um médico tão logo apareçam
s. Tudo isso é fundamental.
///////////////notícias
adas na cabeça podem causar doença mental
/goo.gl/QXEdcY
FONTE: http://bit.ly/1pSKChX
36 | m e u c e r e b r o . c o m
E
m 13 de setembr
uma teoria: a de q
biológico. Phinea
companhia ferroviária de
grave acidente quando e
estrada de ferro. Ao tenta
no local, um atrito entre a
a barra de ferro provocou
direção ao trabalhador,
o olho, atravessou a par
crânio, do outro lado.
O interessante é
perfurada e sem um d
consideráveis em suas f
a consciência, foi levado
Contudo, quanto ao seu
Gage passou de educa
perigoso e socialmente ir
“Gage já não era mais Gag
A históO homem “desinibido”
Daniela Ávila Malagoli
37
ro de 1848 um acidente terrível fez surgir
que o nosso sentido moraltem fundamento
as Gage, renomado trabalhador de uma
e Vermont, nos Estados Unidos, sofreu um
estava trabalhando na construção de uma
ar explodir para longe rochas que estavam
a pólvora e o buraco no qual Gage colocava
u uma explosão.Abarra foi arremessada em
entrou pela bochecha esquerda, destruiu
rte frontal do cérebro e saiu pelo topo do
que, mesmo com metade da cabeça
dos olhos, Gage sobreviveu sem danos
faculdades (na época, quando recuperou
o para o hospital caminhando e falando).
u comportamento, a mudança foi drástica:
ado a extremamente rude, desrespeitoso,
rresponsável. Os comentários eram de que
ge”. Hoje, o nome dado ao comportamento
do operário é “desinibido”; uma referência ao modo de se portar
de pessoas que tiveram lesões nos lobos frontais.
O crânio, a máscara mortuária e a barra de ferro estão em
exibição no Museu da Faculdade de Medicina da Universidade
de Havard. O acidente de Gage constituiu “o início histórico
dos estudos das bases biológicas do comportamento”, como
explica o neurologista António Damásio. A modificação bruta
de comportamento resultante do acidente instigou os médicos
a estudarem os possíveis danos cerebrais, tendo em mente a
possível relação entre a personalidade e o cérebro.
A conclusão: as áreas afetadas, que causaram prejuízos
consideráveis de ordem moral, são as centrais para este tipo de
“humanidade”,maisespecificamente,oslobosfrontais.Gagesofreu
poucos efeitos físicos (embora tenha perdido um dos olhos). O que
mudou foi o comportamento. O operário viveu por mais de 12 anos,
agindodeformaextravaganteeanti-social,contandomuitasmentiras,
enfim, sendo uma “companhia difícil”, segundo neurologistas.
FONTE:
1. “O livro do cérebro – um guia ilustrado de sua
estrutura, funcionamento e transtornos”,
Rita Carter
2. http://goo.gl/8jBBts
3. http://goo.gl/LZS2RF
4. http://goo.gl/3BJ2o1
Fotografia: Flickr Commons
///////neurohistória
ória de Phineas Gage
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  • 1.
  • 2. 2 | m e u c e r e b r o . c o m O CÉREBRO “O Lobo Frontal”, p. 04 psicologia cognitiva “O Surgimento da Neuroeducação”, p. 06 EVOLUÇÃO “A área 10”, p. 16 espiritualidade e religião “Conexão entre corpo e espírito”, p. 22 pessoas “O que é limitação para você?”, p. 30 notícias do mês, p. 34 neurohistória “A história de Phineas Gage”, p. 36 A Revista meucerebro é uma publicação mensal do grupo meucerebro. com e de distribuição on-line para assinantes. Editores-chefe: Leonardo Faria e Ramon Andrade. Redação: Daniela Ávila Malagoli e Leonardo Faria. Diagramação: Carlos Gabriel Ferreira. Colaboradores: Ana Lúcia Hennemann, Flávio Maneira, Matheus Guisoni Pereira e Pricilla Faria. EXPEDIENTE programa de desenvolvimento meucerebro “Turbine o seu Cérebro”, p. 08 MÚSICA “Qual é o som de uma cor?”, p. 18 neurociência do sucesso “4 pilares: você no controle da sua vida”, p. 26 especial “Inteligência emocional: por que ela é importante?”, p. 10
  • 3. 3 Começarei agradecendo a minha equipe. Pessoas formidáveis, sem as quais um sonho antigo não se realizaria. Ramon, meu sócio, cuja confiança sem precedentes me fez enxergar possibilidades. Carlos, cujo profissionalismo e talento em perceber ideiasetransformá-lasemarteproporcionouumgrandesaltoaogrupo.Daniela,minha companheira, dedicada, paciente, e extremamente competente em seus propósitos. Sem vocês nada d­isso seria possível. Os sonhos são assim mesmo. Demoram às vezes uma vida. Mas são eles que a validam. Tudo começou há aproximadamente 2 anos, quando tive um insight. Para dizer a verdade, pouco acreditava em intuição ou percepção extrassensorial. Mas de alguma forma fui sugestionado a ver que os caminhos que por algum motivo me levaram até ali não mais o fariam. Inserido no meio de uma extenuante residência médica em neurocirurgia, percebi que faltava algo essencial. Algo mais primordial que uma suposta inteligência. Avida faz a gente acreditarque a inteligência pode serobjetivamente mensurada por meio de testes, provas, vestibulares e notas. Que o sucesso é o ponto final de uma vida galgada nesses termos. Mas não. É estranho dizer que o oposto de determinada coisa é justamente o holofote que mais a ilumina. Foi de certa forma a razão que me fez enxergar a emoção. Hoje compreendo que aquela não é uma força. Esta sim. Enquanto a razão direciona, a emoção impulsiona. Porum momento, deixei a razão de lado e passei avalorizaras emoções, o prazer, o bem-estar, a dor, a contemplação, o relaxamento, o motivo. Passei a enxergar as pessoas e a diferenciá-las pelo engajamento emocional com que viviam dia após dia. Enquanto algumas pessoas se perdiam em comportamentos repetitivos para os quais suas razões construíam as mais extravagantes explicações, outras percebiam- se com um simples olhar. Muito me surpreendia como a maioria atribuía a importância do cérebro à sua capacidade de desenvolver a inteligência. Mas a emoção era o combustível. Não era prudente mais deixá-la de fora. Hoje percebo que o cérebro é tudo isso. O seu equilíbrio sempre esteve na relação de reciprocidade construída entre razão e emoção. A nossa vida se determina assim. É nesse contexto que qualquer explicação racional sobre o por que de estarmos aqui, termos nos dedicado à constituição do grupo meucerebro, dessa primeira edição, a edição de lançamento da revista digital meucerebro, torna-se insignificante. O que vier a ser explicado não conseguirá alcançar a força que nos impulsionou. Hoje somos um grupo que alia neurociências e comunicação, que busca disseminar ideias e aprender. Ser objeto, mas principalmente sujeito desse novo momento que o homem atravessa: o da verdadeira autopercepção. Você agora faz parte do meucerebro. Seja muito bem-vindo! editorial Leonardo Faria, Editor-chefe da revista meucerebro
  • 4. 4 | m e u c e r e b r o . c o m A matéria desta edição fará referência à anatomia de superfície de um lobo cerebral. O conhecimento dela é especialmente importante para neurologistas, neurocirurgiões, neuroradiologistas e qualquer outra pessoa que lide com a anatomia cerebral, como é o caso dos estudantes de medicina, psicologia e neurobiologia comparativa. O lobo frontal é peculiar ao homem pelo tamanho e pelas funções. Aqui nos caberá um relato específico da anatomia dos seus sulcos e giros. Na face superior mais lateral do lobo frontal de cada hemisfério identificam-se três sulcos principais: o sulco pré-central (mais ou menos paralelo ao sulco central, muitas vezes dividido em dois segmentos), o sulco frontal superior (inicia-se geralmente na porção superior do sulco pré-central e tem direção aproximadamente perpendicular a ele, para o pólo frontal) e o sulco frontal inferior (partindo da porção inferior do sulco pré-central, dirige-se para frente e para baixo). Entre o sulco central e o sulco pré-central está o giro pré-central. Acima do sulco frontal superior, continuando na face medial do cérebro, localiza-se o giro frontal superior. Entre os sulcos frontal superior e frontal inferior está o giro frontal médio, e abaixo do sulco frontal inferior, o giro frontal inferior. Este último é subdividido pelos ramos anterior e ascendente do sulco lateral em três partes: orbital, triangular e opercular. A primeira situa-se abaixo do ramo anterior, a segunda entre este ramo e o ramo ascendente, e a última entre o ramo ascendente e o sulco pré-central. O giro frontal inferior do hemisfério cerebral esquerdo é denominado giro de Broca. O Lobo FrontalA anatomia dos sulcos e giros Leonardo Faria Sulco d Su Su Su Giro do Cíngulo Lóbulo Paracentral Pré-cúneos Giro Frontal Superior
  • 5. 5 Na face medial do cérebro, existem dois sulcos que passam do lobo frontal para o lobo parietal: o sulco do corpo caloso (começa abaixo do rostro do corpo caloso, contorna o tronco e o esplênio do corpo caloso, onde se continua já no lobo temporal, com o sulco do hipocampo) e o sulco do cíngulo (tem seu curso paralelo ao sulco do corpo caloso, do qual é separadopelogirodocíngulo.Terminaposteriormente, dividindo-se em dois ramos: o ramo marginal, que se curva em direção à margem superior do hemisfério, e o sulco subparietal, que continua posteriormente a direção do sulco do cíngulo). Nesta face também está presente o sulco paracentral, que se destaca do sulco do cíngulo em direção à margem superior do hemisfério; delimita, com o sulco do cíngulo e seu ramo marginal, o lóbulo paracentral, assim denominado em razão de suas relações com o sulco central, cuja extremidade superior termina aproximadamente no seu meio. Resumidamente,emrelaçãoaosgirosdelimitados por estes sulcos, acima do corpo caloso temos o giro do cíngulo; mais acima temos, de trás para diante, o pré-cúneus, o lóbulo paracentral e a face medial do giro frontal superior. A face inferior do lobo frontal apresenta um único sulco importante, o sulco olfatório, profundo e de direção ântero-posterior. Medialmente ao sulco olfatório, continuando dorsalmente como giro frontal superior, situa-se o giro reto. O restante da face inferior do lobo frontal é ocupada por sulcos e giros muito irregulares, os sulcos e giros pré-orbitários. Giro Pré-Central Giro Frontal Superior Giro Frontal Médio Giro Frontal Inferior Sulco Frontal Superior Sulco Frontal Inferior Sulco Pré-Central //////////// o c é r e b r o do Corpo Caloso ulco do Cíngulo Ramo Marginal ulco Subparietal ulco Paracentral Giro Reto Giros Orbitários Sulco Olfatório Sulcos Orbitários FONTES: 1. NETTER, Frank H. Atlas de Anatomia Humana. 2ed. Porto Alegre: Artmed, 2000. 2. SOBOTTA, Johannes. Atlas de Anatomia Humana. 21ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000. 3. MACHADO, Angelo B.M.. Neuroanatomia Funcional. 2ed. São Paulo: Atheneu, 2002. Ilustrações: Netter.
  • 6. 6 | m e u c e r e b r o . c o m O Surgimento da NeuroeducaçãoAprender é modificar comportamentos Ana Lúcia Hennemann, U m dos primeiros relatos que temos sobre a educação com um olhar mais global se dá através das Paideias, na Grécia. As mesmas eram constituídas a partir da concepção de que a comunidade e o indivíduo são responsáveis uns pelos outros e, dessa forma, vão se transformando, integrando-se e evoluindo. O indivíduo era percebido sobre seus diversos aspectos e fazia parte de uma cadeia social. Cada um era importante. Cada um tinha contribuições para a evolução daquele contexto social. Entretanto, as concepções mudaram e a educação “abandonou” a percepção individual e integral do sujeito para outro aspecto muito diferenciado: o indivíduo valia o quanto ele produzia; em outras palavras, o melhor aluno era aquele que conseguia acumular mais conhecimento. Mas até aqui a escola ainda não era para todos. Apenas alguns privilegiados estudavam. Conforme Tracey Espinosa, mesmo tendo os direitos assegurados pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, é somente na década de 1980 que aeducaçãoemmassacomeçaafazerpartedocenário educacional e através dessa maior diversidade que se percebe que o sistema educacional necessitava de muitas melhorias. Todo o conhecimento que se tinha em educação, aprendizagem e comportamento humano ainda era fruto de pesquisas anteriores ao escaneamento cerebral, e as grandes mudanças começam a ocorrer com o surgimento da neurociência, r estudo metódico do sistema nervoso A psicologia, uma das área auxiliou a educação, ao agregar os da neurociência, começou a traz diferenciadas para o contexto dessa forma, a pedagogia pautada aprendizagem percebeu que se fazi novo olhar educacional, voltar às or e perceber o ser humano como Todas as áreas que até então eram em” modificam-se e começam a interdisciplinar agregando a no neuroeducação. A neuroeducação não é uma conhecimento.Elatratadajunçãodos da psicologia, educação e neurociên A neuroeducação nos traz u diferenciada do que é aprendizagem em uma visão mais direta poderi “aprender é adquirir novos conhecim neuroeducação nos mostra agora q modificar comportamentos”. Quando pensamos uma educa significado de aprender dentro des tem outro valor. Porque se o suj avaliado pelo viés do conhecim dentro do contexto escolar, certame não estará sendo inclusiva; mas, s perceber o educando como alguém seu comportamento inicial, seja e cognitivo ou emocional, desse mod diante de uma educação inclusiva, direitos humanos. Percebemos indivíduos Down sociedade como repórteres, cineas e outras tantas profissões e temos Especialista em Alfabetização, Educação Inclusiva, Neuropsicopedagogia e Pós-graduanda em Neuroaprendizagem. Email: ana_hennemann@hotmail.com.
  • 7. 7 responsável pelo o. as que sempre s conhecimentos zer abordagens educacional e, a na educação e ia necessário um rigens da Paideia um ser global. m “especializadas atuar de modo omenclatura de a nova área do sconhecimentos ncia (Figura 1). uma abordagem m. Anteriormente, ia se dizer que mentos”. A mesma que “aprender é ação inclusiva o stas concepções jeito é somente mento adquirido ente a educação se ela consegue m que modificou ele, psicomotor, do sim, estamos que prima pelos ns atuando na stas, professores, o entendimento do quão é importante a interação com o meio. Mais ainda, do quão é importante o trabalho de um profissional que tem o entendimento do funcionamento do sistema nervoso. O neuroeducador, profissional da neuroeducação, resgata a práxis das Paideias. Ele observa o indivíduo em seus aspectos que precisam ser melhorados e em suas potencialidades e, através disso, constrói um planejamento individualizado para cada educando. Porém, em última instância, todos aprendem, pois há modificação de comportamento tanto para o neuroeducador quanto para os educandos. Ambos necessitam sair de suas zonas de conforto e, dessa forma, alcançar patamares mais elevados. Através disso, resgata-se um valor primordial que os gregos já conheciam: a cooperação. A sociedade se constitui pelo entendimento da responsabilidade que temos uns com os outros e só podemos mudá-la se mudarmos nossos comportamentos. FONTES: 1. TOKUHAMA – ESPINOSA, Tracey. Why Mind, Brain, and Education Scienceis the “New” Brain- -Based Education. Disponível online em http://migre.me/lXgK3 /psicologia cognitiva FIGURA 1: Adaptado a partir de Tracey Tokuhama-Espinosa
  • 8. 8 | m e u c e r e b r o . c o m Há uma regra oculta nestas equações. Encontre o valor de B e mostre que matemática não é problema para você. Áreas cerebrais envolvidas neste teste: Inicialmente, os córtices visuais primário e secundário serão ativados. A cognição aplicada à resolução de problemas e a utilização da memória de trabalho são atribuídas ao córtex pré-frontal. Além disso, áreas parieto- temporais e parieto-occipitais, mais precisamente a área de Wernicke, que pode ou não incluir o giro angular esquerdo, serão acionadas no reconhecimento dos algarismos e letras, e também durante os cálculos. Córtex Pré-Frontal Área
  • 9. 9 Córtex Visual Giro Angular a de Wernicke Resposta: A resolução deste exercício depende de uma boa análise das equações anteriores. A resposta é: A = 2+6-7 B = 276 + A Logo, A = 1 e B = 277. Comentários: Um teste que trabalha a flexibilidade cognitiva na resolução de problemas. Aparentemente, parece um simples exercício de adição; entretanto, a variável A requer um pouco mais de raciocínio para ser decifrada. Isso nos remete às primeiras adições do exercício. A variável B é facilmente explicável, uma vez que tenhamos definida a variável A. B é sempre a soma de A com o número inicial. Mas e A? A é representado pela soma do primeiro e terceiro algarismos do número inicial, subtraído do algarismo do meio. Logo, 537 (5+7-3=9), 106 (1+6-0=7), 989 (9+9-8=10) e assim por diante. A=1 (6+2-7=1) e B=277. //turbine seu cérebro
  • 10. 10 | m e u c e r e b r o . c o m Aprender a ser emocionalmente inteligente é possível Daniela Ávila Malagoli O conceito de inteligência emocional (IE) tem sido bastante discutido na atualidade. No entanto, já vem sendo estudado desde o ano de 1990, quando foi formalmente introduzido na Psicologia por meio dos pesquisadores Peter Salovey, da Universidade de Yale, e John D. Mayer, da Universidade de New Hampshire, os quais apresentaram a definição de inteligência emocional como sendo a capacidade de processar as informações emocionais e usá- las favoravelmente no processo adaptativo. Contudo, o conceito se tornou popular cinco anos depois, por meio do livro “Inteligência Emocional: A teoria revolucionáriaqueredefineoqueéserinteligente”,do psicólogodaUniversidade de Havard Daniel Goleman.
  • 11. 11
  • 12. 12 | m e u c e r e b r o . c o m G oleman disse ao Huffington Post “A vida corre muito mais suavemente se você tiver boa inteligência emocional”. O psicólogo traz uma nova discussão por meio de seu livro, no qual atribui parte do sucesso pessoal e profissional a esse tipo de inteligência; isto é, ela é tão importante quanto outras habilidades cognitivas - ou até mais -. Assim, quais as habilidades podem ser encontradas dentro da inteligência emocional? Diversas, como a de superar as frustrações, motivar a si mesmo, controlar impulsos, canalizar emoções, dentre outras. Goleman também mapeia a inteligência emocional em cinco habilidades importantes de serem realçadas: autoconhecimento emocional; controle emocional, automotivação, reconhecimento das emoções em outras pessoas e habilidades em relacionamentos interpessoais. Assim, a inteligência emocional é dividida em intra e interpessoal. As emoções fazem parte da evolução do indivíduo; são inatas a ele e constituem uma importante forma de comunicação. Predominam em diversos momentos da nossa vida e, se gerenciadas com cuidado e inteligência, auxiliam de forma significativa nas decisões, na imposição de limites, enfim, no relacionamento com o outro e consigo mesmo. De acordo com o psicólogo e professor de Sociologia Leonardo Abrahão, observa-se, hoje em dia, um mau gerenciamento das emoções: “raivas e explosões de ódio no trânsito e nas organizações; comportamentos obsessivos em meio a casais, surgidos a partir da inobservância de sentimentos como ciúmes doentio e/ou carência não cuidada; violências múltiplas a partir da dificuldade em se lidar com os sentimentos alheios, como discriminação e bullying entre jovens ou adultos nas escolas ou nas empresas”, explica, são alguns exemplos dessa problemática social. Nesse contexto, os cinco componentes da IE, definidos por Goleman - autoconsciência, autorregulação, motivação, habilidades sociais e empatia – são fundamentais também no âmbito profissional. Para ele, “quem tem inteligência emocional geralmente é confiante, sabe trabalhar na direção de suas metas, é adaptável e flexível. Você se recupera rapidamente do estresse e é resistente”, disse ao Huffington Post. E como saber se sou emocionalmente inteligente, e/ou se devo progredir nesse sentido? Reportagem recente publicada pela revista Exame mostrou 14 sinais que demonstram um alto grau de inteligência emocional, como: “você é um bom líder”, “reconhece suas forças e suas fraquezas”, “confia no seu instinto”, “quando está chateado, sabe exatamente o por quê”, dentre outros. A boa notícia é que, caso você não tenha
  • 13. 13 /////////////////especial desenvolvido essas habilidades ou mesmo não priorize elas em sua vida pessoal e profissional, pode adquirir e aprimorar a inteligência emocional por meio da prática. De acordo com o site da empresa provedora mundial de inteligência emocional TalentSmart, “embora algumas pessoas sejam naturalmente mais emocionalmente inteligentes do que outras, você pode desenvolver grande capacidade mesmo não tendo nascido com ela”. A inteligência emocional, segundo Abrahão, pressupõe autoconhecimento, que pode ser “racional” ou “intuitivo” (treinado/ pesquisado ou natural/ espontâneo). Para o psicólogo, “entender a origem dos nossos sentimentos, suas características, suas fragilidades e seus potenciais favorece o nosso caminhar em meio às pessoas, circunstâncias e possibilidades que nos rodeiam”. Essa possibilidade se deve à “plasticidade” do cérebro, isto é, ele é hábil de mudanças. O cérebro desenvolve novas conexões, à medida em que é estimulado; assim, ao aprender novas habilidades de utilizar as emoções a seu favor, você está produzindo uma mudança, que é gradual, de acordo com TalentSmart. A utilização de estratégias para desenvolver a inteligência emocional permite que os bilhões de neurônios presentes no cérebro criem novas conexões entre os centros neurais relacionados à razão e à emoção. Cada neurônio, através de sua árvore dendrítica, é capaz de formar aproximadamente 15.000 conexões com outros neurônios vizinhos. Tal conectividade habilita o indivíduo a gerenciar melhor suas emoções futuras, a compreendê-las e, até mesmo, expressá-las racionalmente. Em outras palavras, a inteligência emocional pode ser fruto de uma aprendizagem sistematizada. Ela pode se tornar um hábito na vida de quem vier a desenvolvê-la. A empresa também fez testes de inteligência emocional ao lado de outras habilidades importantes no âmbito profissional. A conclusão é de que esse tipo de inteligência é o maior prognóstico de desempenho, representando 58% do sucesso em todos os tipos de trabalho. Portanto, a inteligência emocional é importante para o aprimoramento pessoal e profissional e merece dedicação. Segundo estudo feito por Travis Bradberry e Jean Greaves, autores do livro “Emotional Intelligence 2.0” (Inteligência emocional 2.0), da TalentSmart, apenas 36% das pessoas conseguem identificar suas próprias emoções. Essa pesquisa, feita com mais de 500 mil pessoas ao longo de uma década, demonstra que
  • 14. 14 | m e u c e r e b r o . c o m essa competência é rara e valiosa. Portanto, gerenciar as emoções seria dar um pouco de razão a elas? E se optarmos por agir e reagir conforme alertam nossas emoções, sem controlar os impulsos, enfim, extravasar (alguns dizem que é uma boa opção em certos momentos da vida), como seriam as nossas relações? Ficariam comprometidas? Ou seriam mais espontâneas? Abrahão explica: “a espontaneidade dos sentimentos e das emoções não significa, necessariamente, uma inteligência emocional. Por exemplo, uma explosão de ciúmes pode ser a mais espontânea e sincera possível, mas nada inteligente no contexto de uma relação interpessoal.Assim como uma explosão de raiva ou de solidariedade. A inteligência está em processar, racional ou intuitivamente”. A inteligência emocional, segundo o professor, pode ser infinita, “assim como as demais formas de inteligência, bastando, para tanto, que a pessoa a treine e/ou a amadureça por meio do autoconhecimento, da autotransformação e da autorrealização existencial”. Reflexões à parte, o importante é que a razão dá direção e ordem à emoção; as duas caminham juntas - pelo menos, devem -. Conhecer, entender e, por consequência, utilizar as emoções a seu favor, é um dos caminhos de crescimento do indivíduo para com ele mesmo, para com os outros e para com o mundo em que está imbuído. Para Abrahão, “não há sucesso na vida sem sucesso nos relacionamentos – e não há relacionamentos de sucesso sem habilidades emocionais e sentimentais”. FONTES: 1. http://goo.gl/WfaH8C 2. http://goo.gl/WD0reG 3. http://goo.gl/wYdv9M 4. http://goo.gl/Gu8ug8 5. http://goo.gl/kjOCX3 6. http://goo.gl/LvN2At 7. http://goo.gl/LE0ToC 8. http://goo.gl/CD2VCI 9. http://goo.gl/WDt6wn Fotografia: Flickr Commons O cérebro desenvolve novas conexões, à medida em que é estimulado; assim, ao aprender novas habilidades de utilizar as emoções a seu favor, você está produzindo uma mudança, que é gradual, de acordo com TalentSmart o importante é que a razão dá direção e ordem à emoção; os dois caminham juntos - pelo menos, devem.
  • 15. 15
  • 16. 16 | m e u c e r e b r o . c o m A Área 10Ela nos torna mais humanos Leonardo Faria O que nos difere de todas as outras espécies em termos evolutivos? O que o cérebro humano esconde, se é que realmente tem algo de especial? O senso comum é que estudar o cérebro humano contemplaria a chave para tais questionamentos, as respostas para desvendar o curioso processo da inteligência. De fato, a sua organização interna, maior e mais complexa em comparação aos de outros mamíferos e primatas, parece ter sido, para alguns autores, o aspecto evolutivo fundamental para o desenvolvimento da cultura, incluindo a linguagem, a simbolização e a cogniçãoelaborada,fatoresedimensõesquediferem o Homo sapiens de todas as outras espécies. Entretanto, se pudermos apontar um dado qualitativo do estudo evolutivo neurobiológico, a conclusão é de que os pólos frontais e temporais dos cérebros dos hominídeos se expandiram precocemente na evolução, seguidos da expansão das áreas posteriores do cérebro em uma fase posterior. OtrabalhodeFalkecolaboradoresatestaque a grande expansão do cérebro humano não se iniciou com o gênero Homo, como se pensava anteriormente, mas há pelo menos 2 a 3 milhões de anos, com os membros do gênero Australopithecus. O cérebro se expandiu muito durante a fase evolutiva do gênero Homo, mas tal expansão já havia começado bem antes. O grupo de Falk concluiu ainda que as áreas dos lobos frontais que mais se desenvolveram foram aquelas relacionadas às regiões correspondentes à área 10 de Brodmann. Semendeferi e colaboradores indicaram que a área 10 é 6 a 7 vezes maior em humanos quando co grandes símios africanos. A neuropsico vez, tem mostrado que tal área está pensamento abstrato, à organização e ao de ações futuras, à iniciativa e à tomad assim como ao controle e ao proce emoções e ao julgamento. Da integrida dependem, particularmente, funções c de trabalho, memória espacial, memór processamento sintático e compreensão geração de verbos, cálculo numérico e at (fundamentalparahabilidadessociais).As da área 10 no Homo sapiens parece ser que se postula ser a “humanidade” dos h Neuroanatomia comparativa contemporân Recentemente, pesquisadores fo compararam imagens de ressonância mag ventrolateral frontal – um dos component de 25 voluntários adultos com imagens equ macacos. A partir desses dados, os pesqu capazes de dividir o córtex ventrolateral áreas que foram consistentes entre todo Após a comparação dos grupos eles de uma pequena região, ainda mais espec área 10 de Brodmann, não possuía eq macacos – o chamado córtex do pólo pré Fica a reflexão: caso não perceba por parte das pessoas, planejament dos fatos associado a um bom control principalmente, criatividade, de que form considerá-las evolutivamente diferente animaispelomenosnoqueserefereaoco
  • 17. 17 omparadas aos ologia, por sua á associada ao o planejamento da de decisões, essamento das ade da área 10 como memória ria prospectiva, o de metáforas, tenção conjunta ssim,aevolução central naquilo homens. nea oram além e gnética do córtex tes da área 10 – uivalentes de 25 uisadores foram humano em 12 s os indivíduos. escobriram que cífica dentro da quivalente nos é-frontal lateral. amos iniciativa to, julgamento e emocional e, ma poderíamos es dos outros omportamento? FONTES: 1. http://goo.gl/rdWGlL 2. http://goo.gl/0C85FH 3. Livro Evolução do cérebro, por Paulo Dalgalarrondo. ////////////////evolução
  • 18. 18 | m e u c e r e b r o . c o m
  • 19. 19 Música, cores e emoção /////////////// m ú s i c a ///////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////// Leonardo Faria V ocê estava saboreando algo e lhe veio algum som bem peculiar aos ouvidos? Algum lugar que você visitou logo lhe trouxe um sabor à boca. Determinado cheirolhefazverimagenscomosefossemreais naquele momento? Alguma vez você escutou umamúsicaelogoveioapercepçãodeumacor em especial? Não, não é loucura. A sinestesia é um fenômeno neurológico caracterizado pela produção de duas sensações paralelas, de natureza distinta, por um único estímulo.
  • 20. 20 | m e u c e r e b r o . c o m Não há o que temer. A sinestesia não é uma doença. Na verdade, ela ilustra como o cérebro é um órgão complexo e repleto de fortes interconexões. A experiência sensorial de certas pessoas na qual sensações correspondentes a umcertosentidosãoassociadasaoutrosentidoé, na verdade, o cimento da memória. Quanto mais relações as sensações puderem estabelecer entre si, mais facilmente são reestabelecidas as suas memórias correspondentes. Portanto, por conta da sinestesia, eventualmente ocorre essa espécie de cruzamento de sensações em um só estímulo. Assim, uma cor pode ter um sabor ou um som pode ter uma forma. Essa forma diferente de processar as informações obtidas através dos sentidos pode ter uma base hereditária. O que dizem os estudos Diversos estudos têm investigado possíveis relações sensoriais desse tipo, especialmente entre sons e cores. Uma pesquisa realizada pela Universidade da Califórnia, em Berkeley, e publicada recentemente no periódico PNAS mostrou que o cérebro humano é capaz de ir mais além. Segundo o estudo, através das sensações que uma melodia provoca, o cérebro foi capaz de fazer relações entre cor e música a ponto de superar barreiras culturais, como se todas as pessoas apresentassem uma estrutura neural senso-perceptiva comum. Ainda sobre o estudo, cujo título original é Music–color associations are mediated by emotion,identificou-sequemúsicasmaisrápidas se relacionavam a cores claras e vívidas, como o amarelo; e melodias mais lentas, a tons mais escuros, acinzentados ou azulados. Todas essas informações poderiam, segundo a pesquisa, auxiliar o desenvolvimento de estratégias para afiar a criatividade e a percepção, novos métodos de reabilitação emocional que se utilizemdeterapiascognitivas,alémdeembasar novas ações tomadas pelos profissionais do neuromarketing e publicidade. Os programas tocadores de música, por exemplo, podem se utilizar das informações de um equalizador para produzir padrões de cores em suas telas, procurando seguir as características – o “tom emocional” – de cada música. Muitas figuras conhecidas já se lançaram no estudo das cores, como Aristóteles, Newton e Goethe. Em contrapartida, Goethe foi um dos únicos a se opor de certa forma à ideia intuitiva de que existe uma relação física direta entre sons e cores. Em uma de suas obras, A Teoria das Cores (Zur Farbenlehre), originalmente publicada em 1810, ele disse:
  • 21. 21 Sempre se percebeu que existe certa relação entre cor e som, como demonstram as frequentes comparações, por vezes passageiras, por vezes suficientemente pormenorizadas. O erro nelas cometido se deve ao seguinte: Cor e som de maneira alguma podem ser comparados, embora ambos remetam a uma fórmula superior, a partir da qual é possível deduzir cada um deles. Ambos são como dois rios que nascem na mesma montanha, mas devido a circunstâncias diversas correm sobre regiões opostas, de modo que em todo o percurso não há nenhum ponto em que possam ser comparados. Ambos são efeitos gerais e elementares segundo a lei universal que tende a separar e unir, oscilar, pesando ora de um lado, ora de outro lado da balança, mas conforme aspectos, maneiras, elementos intermediários e sentidos completamente distintos. Mas, apesar do alerta de Goethe, os neurocientistas insistem na correlação neural entre sons e cores. Seguindo vias neurais próprias e paralelas ou que, secundariamente, se cruzem em algum ponto do caminho perceptivo cerebral, o fato é que parece prevalecer um denominador comum entre as sensações, particularmente entre aquelas veiculadas pelos olhos e ouvidos. Assim como outro estudo de 2007 – The Color of Music: Correspondence Through Emotion – também concluiu, a música parece compartilhar com o som um substrato neural comum: o emocional. Seria essa a origem da sinestesia. FONTES: 1. http://goo.gl/D3SXpC 2. http://goo.gl/r74uRh 3. http://goo.gl/WesMx9 4. http://goo.gl/T7kvZi 5. http://goo.gl/kNvklS 6. http://goo.gl/L6m8OI Fotografia: Flickr Commons /a música e o cérebro
  • 22. 22 | m e u c e r e b r o . c o m
  • 23. 23 A conexão entre corpo e espírito A glândula pineal e sua relação com a espiritualidade Matheus Guisoni Pereira A pinha, um dos símbolos mais presentes nas sociedades do passado, ocidentais e orientais, reserva-se cheia de mistérios e lendas. Mas uma coisaéconstante:arelaçãocomaexpansãodaconsciência,daelevação e da iluminação do ser. No Egito a pinha se mostra na ponta do cajado de Osíris, o Deus da vida após a morte, essa que era o passaporte para o convívio com os deuses. Na Grécia antiga ela aparece na extremidade superior do Tirso, o cajado usado por Dionísio. E não é arbitrário o fato de ser Dionísio o símbolo da plenitude de consciência e unificação com o todo. Pinha em grego traduz-se por Pineu, um dos nomes utilizados para batizar nossa glândula pineal. /espiritualidadeereligião
  • 24. 24 | m e u c e r e b r o . c o m O terceiro olho, referido como olho de Hórus ou olho de Rá, é uma referência explícita também a essaglândula,chamadatambémporoutrasculturas como o olho da razão, da alma ou da mente. O olho dentrodapirâmide,umaadaptaçãodessesimbolismo, ficou amplamente conhecido no mundo após ser empregado como um dos símbolos da maçonaria e ser incorporado tardiamente no dólar americano. Mas, afinal de contas, o que essa glândula faz de tão especial para a maioria de nós que não estamos ainda no caminho da meditação em busca do nirvana? Bem, esse olho vestigial guarda semelhanças em sua embriologia com os olhos, emergedodiencéfaloficandoentreosdoiscolículos superioressobreomesencéfaloefuncionacomoum temporizador, um marcapasso circadiano e sazonal. Sobre influência simpática, a qual é predominante durante a noite, ela secreta em maiores quantidades um hormônio, a melatonina. Sabe-se que maiores concentrações desse hormônio reduzem a função das glândulas e que este é importante para o amadurecimento dessas. A melatonina também pode realocar o dispêndio energético de acordo com os ciclos sono-vigília, resultado obtido do trabalho da Drª. Fernanda Gaspar do Amaral. Recentemente, notou-se em estudo do Dr. Jimo Borjigin na Universidade de Michigan e na Universidade Estadual de Louisiana pelo Dr. Steven Barker, analisando glândulas de ratos, a presença de N,N-Dimethyltryptamine (DMT). Não se sabe ao certo qual a função desse composto nos organismos, contudo, o uso dessa substância já é apreciado por pessoas que buscam experiências de psicodelismo. Essa substância também é encontrada no chá Ayahuasca, o santo daime. Mais excitante, no entanto, está o trabalho do médico Dr. Sergio Felipe de Oliveira. Durante uma microscopia de varredura em glândulas dissecadas, ele notou a presença de cristais de apatita. Esses cristais funcionam como uma caixa de ressonância que capta campos magnéticos, sequestrando-os. Essa pode ser a chave para se desvendar como pessoas que possuem domínio de sua mediunidade mantêm um transe ou uma comunicação com entidades extrafísicas inteligentes. Pelo trabalho do Dr. Sergio Felipe, também ficou verificado a relação inversamente proporcional entre esses cristais e surtos de ansiedade e depressão do sistema nervoso central. O indivíduo, recebendo muitas informações sensoriais por campos O cérebro, como símbolo de nossa inteligência, daquilo que nos torna humanos, recebe agora, mais do que nunca, contribuições sólidas da ciência de que ele pode conter também a ponte daquilo que nos torna nós mesmos, da nossa consciência: o espírito.
  • 25. 25 magnéticos, gastaria uma quantidade grande de neurotransmissores para decodificá-las e, em um segundo momento, ocorreria uma queda abrupta emsuaconcentração,levandoàsinaisdedepressão. A glândula também está relacionada com a liberação de energia na forma de ectoplasma, este evidenciado por Charles Richet, Nobel de medicina e fisiologia em 1913, e pelo Dr. Albert Von Schrenck- Notzing. Se esta energia é demasiadamente liberada (como ocorre com alguns médiuns), o organismo tende a responder distribuindo-a para sítios orgânicos, podendo originar estruturas ectópicas como osteofitoses, cistos ou mesmo causar um aumento de peso e sangramento. No entanto, isso não se faz uma consequência imediata e fatal, sempre restando ao médium o dever de controlar essa capacidade da maneira a melhor atender-lhe a saúde. O estudo se faz inevitável. Muito ainda resta para ser desvendado nesse campo, que se caracteriza como uma área promissora e excitante de pesquisas. O conhecimento milenar de culturas do passado se mostra mais uma vez atual à sua maneira, e cabe à ciência mostrar-se humilde às possibilidades já abertas por nossos ancestrais. O cérebro, como símbolo de nossa inteligência, daquilo que nos torna humanos, recebe agora, mais do que nunca, contribuições sólidas da ciência de que ele pode conter também a ponte daquilo que nos torna nós mesmos, da nossa consciência: o espírito. FONTES: 1. VILLELA, DARINE; ATHERINO,VICTORIA FAIRBANKS; LIMA, LARISSA DE SÁ ; MOUTINHO, ANDERSON AUGUSTO; AMARAL, FERNANDA GASPAR DO ; PERES, RAFAEL ; MARTINS DE LIMA, THAIS ; TORRÃO, ANDRÉA DA SILVA ; Cipolla-Neto, José ; SCAVONE, CRISTÓFORO ; Afeche, Solange Castro . Modulation of Pineal Melatonin Synthesis by Glutamate Involves Paracrine Interactions between Pinealocytes and Astrocytes through NF-B Activation. BioMed Research International, v. 2013, p. 1-14, 2013. 2. Barker, S.A.; Borjigin, J.; Lomnicka, L.; Strassman, R. LC/MS/MS analysis of the endogenous Dimethyltryptamine hallucinogens, their precursors, and major metabolites in rat pineal gland microdialysate.. Biomed Chromatogr, v. 2013, p. 1690-700, 2013. 3. OLIVEIRA, S. F. . Glandula Pineal - Avanços nas Pesquisas. 2007. (Apresentação de Trabalho/ Conferência ou palestra). 4. Biomed Chromatogr. 2013 Dec;27(12):1690-700. doi: 10.1002/bmc.2981. Epub 2013 Jul 23. 5. LC/MS/MS analysis of the endogenous dimethyltryptamine hallucinogens, their precur- sors, and major metabolites in rat pineal gland microdialysate. Barker SABorjigin JLomnicka IStrassman R. Imagens: http://goo.gl/kGCnT1 e http://goo.gl/2TVl0f
  • 26. 26 | m e u c e r e b r o . c o m É possível termos o controle da nossa vida ou somos frutos do acaso? O que determina o sucesso? Aliás, o que é sucesso, para você? Será que existe um caminho para revolucionar a própria vida, até coisas mais práticas como começar (ou terminar) algo que não está do jeito que você gostaria? Você está feliz na sua vida pessoal? e profissional? Como andam suas atividades de lazer? E sua espiritualidade? Em anos de trabalho com foco no desenvolvimento de pessoas, percebo que ter clareza psíquica, emocional ou, como gosto de dizer, “ampliar a consciência” é o primeiro passo de um processo profundo de mudança, cujo intuito é sermais feliz nos principais pilares que sustentam e torneiam sua vida. Quais são esses pilares? Flávio Maneira, AutoreCoordenadordométodoecur de carreira e devida. Executivo da indú há 16 anos, atuou na área de ve treinamentoedesenvolvimento,passa como Novartis, Schering-Plough, M está na Biolab Sanus Farmacêutica capacitação estratégica da unidad Professor de MBA em disciplinas liga “Negócios” e colunista do portalZenec 4pilarVocê no controle da Crie um mapa estratégico /aneurociênciadosucesso
  • 27. 27 E ntendemos como pilar “pessoal” o que se refere a “tudo e a “todos” que giram em torno de você: sua família, amigos, filhos, cônjuge. Como anda sua relação com seus familiares e amigos? Está saudável? Outro ponto importante do pilar pessoal tem a ver com “propósito” e “valores”, talvez o mais importante. Você sabe claramente qual é o seu propósito de vida? E quanto aos seus valores? Segundo John Maxwell: “não dá para ter um sistema de valores para uso no mundo dos negócios e outro para a vida pessoal. O caráter de uma pessoa rege toda a sua vida”. Interessante, não? Em minha trajetória de vida, nas empresas nas quais trabalhei e onde trabalho, nas palestras e aulas que ministro, percebo que a maioria das pessoas não tem claro isso, simplesmente vão vivendo e não param para refletir a respeito. Além das questões de valores, nesse pilar deve-se considerar questões como saúde, nutrição, emoções, ou seja, o alimento do corpo e da mente. Dizem que “somos o que comemos”. Vou além, somos o que “pensamos”, somos o que “sabemos”. Nossa formação como pessoa é dada parte pela genética (DNA) e pelo “meio” desde o nosso nascimento “macro” (país, região, cidade, bairro, cultura, família, amigos, escola, faculdade, trabalho) para o “micro” (indivíduo, personalidade, áreas de inteligência). rso4pilares,gestão ústria farmacêutica endas, liderança e andoporempresas MSD e atualmente responsável pela de cardiovascular. adas a “Pessoas” e conomics. res:a sua vida para ela pessoal
  • 28. 28 | m e u c e r e b r o . c o m E sse pilar é um dos grandes responsáveis por questões quevãomuitoalémdodinheiro,porexemplo:felicidade. Você faz o que realmente ama? Você aprendeu a amar o que faz? Você se encontrou profissionalmente? Se não, por que não arriscar em recomeçar? Você está satisfeito com seu superior? Como você considera o clima (ambiente) do seu trabalho? E com seus pares? Se você é um gestor ou empreendedor e tem uma equipe, como considera sua gestão? Existem inúmeras pesquisas bem fundamentadas sobre aspectos profissionais envolvendo liderança, colaboradores, clientes, empreendedores e em todas vemos alguns aspectos em comum: são mais “pontos de melhorias do que os que dão certo”. Vou dar um exemplo: Se perguntarmos para 100 pessoas sobre seus “chefes” (ou líderes), 80 estão insatisfeitas, porém, dessas 80 insatisfeitas, quantas fazem algo para mudarisso? Não chega a 10%, acredite! No caso dos empreendedores, grande parte das empresas fecham antes de completarem três anos de vida e, quando é feita uma análise sobre o principal motivo, adivinhe? Falta de conhecimento. As pessoas simplesmente abrem um negócio sem ao menos saberem o que é um “plano de negócios”. Quando o assunto é “carreira”, os resultados são ainda piores: a maioria das pessoas não sabe gerir um plano de carreira alinhado com suas fortalezas (seus talentos dominantes, seus pontos fortes). Vivemos uma escassez de líderes e bons gestores de pessoas e, com isso, vem a falta de orientação e desenvolvimento adequado, estratégico e assertivo, de acordo com cada indivíduo. As pessoas estão, literalmente, perdidas profissionalmente. O que é preciso? Parar, estruturar um plano, procurar ajuda, ler, estudar e principalmente saber que vai exigir muita disciplina, mudança de hábitos. É um percentual muito pequeno da população que está disposto a isso. Tony Robbins (autor e palestrante especialista em reprogramação mental) diz: “por isso os pobres estão cada vez mais pobres e os ricos cada vez mais ricos”. O que você faz que é lhe traz uma sensa só consegue isso no quando sai de férias que lhe dão prazer diariamente em que vamos adquirindo cert pilares anteriores (pessoal e pro que gostávamos de fazer? Vem o crescimento profissional e por se tornar melhor tanto na sua vi necessário alimentar suas emoç é necessário “rir” com quem ou Tem gente que encontra no e forma de grande lazer (prazer). mais e mais a cada dia mexe de f alimentando sua “estima”, fazen Outros encontram na música, n no encontro com os amigos, Amigos fazem bem para sua saú também. Qual lazer você foi deix para retomar? Possivelmente i administração de sua agenda e seus familiares. Dedicamos mui do que pensam sobre a gente e e mesmos.Acredite:elesvãoentend pessoa melhor, sua “energia” vai m desfrutarde pequenas doses de la melhora perceptívelem sua “energ profissional laz Concluo tempo para Lazer e Espi potencializaç amor. Eu sou “temos duas olhar intelige{
  • 29. 29 extremamente prazeroso? Que ação quase indescritível? Você os finais de semana, feriados ou s? Ou você tem pílulas de lazer e? E semanalmente? Na medida tas responsabilidades nos dois ofissional), fica mais difícil fazer o o casamento, vêm os filhos, vem r ai vai. Acontece que, para você ida pessoal como profissional, é ções, seus “sentimentos”, ou seja, u com o que lhe estimula a isso. esporte (atividades físicas) uma Sim, porque “suar” e performar forma única com a neuroquímica, ndo com que você se sinta bem. na meditação, na leitura, na arte, semanalmente, mensalmente. úde, isso é comprovado. Animais xando para trás? O que é preciso isso está ligado a uma melhor e de alguns alinhamentos com ito tempo aos outros com medo esquecemo-nos de pensar em nós der.Vocêserápercebidocomouma mudar. As pessoas que conseguem azertodos os dias apresentam uma gia”, ficam mais positivas. L ongededogmasreligiosos,qualéoseuentendimentopor “espiritualidade”? Se você pensou em algo como ajudar o próximo,emgenerosidade,vocêestánocaminho.Sevocê já faz algo nesse sentido, já é uma pessoa espiritualizada. Mais que dinheiro, se você dedica parte do seu tempo para ajudar (seja compartilhando conhecimento, dando amor, ouvindo alguém) o outro, livre de pré-conceitos, discriminações, crenças, você está um degrau acima. As pessoas que menos “têm” são as que mais compartilham, seja comida, dinheiro, casa, ou um lugar para dormir. Pareporalgunsminutosepenseemalguémporquemvocêémuito grato, por te ajudar em algum momento difícil da sua vida. Pensou? Pronto, agora pegue uma folha em branco e um lápis ou caneta e escreva-lhe uma carta dizendo o por que de você ser tão grato a ela. Por fim, faça uma ligação (ou encontre essa pessoa) e leia a carta para ela. É provado que isso aumenta significativamente o seu estado de felicidade. Ou seja, a “gratidão” explicitada a alguém vai lhe tornar uma pessoa mais feliz, uma pessoa melhor. Atuo junto à classe médica há alguns anos e conheci médicos com uma espiritualidade incrível. Mas, o que eles têm em comum? Tratam as pessoas como pessoas, são generosos e pacientes com seus pacientes. Percebo que a humanidade não caminha para problemas de doenças físicas, mas sim para doenças de fundo emocional. Vivemos um “caos” emocional.Aárea que mais cresce não está ligada a problemas cardiovasculares, mas a problemas psíquicos. Livros de “autoajuda” nunca venderam tanto. Medicamentos desenvolvidos para os transtornos psíquicos, especialmente os ansiolíticos, nunca venderam tanto. Sempre digo: temos que tratar a “causa” e não o “sintoma”. Por isso, agir com mais espiritualidade é uma boa maneira de amenizar essas questões psicológicas que afligem a humanidade. zer Espiritualidade o sugerindo que não perca, mas ganhe tempo investindo em seu maior bem: você. Dedique criar um “mapa estratégico da sua vida” envolvendo os 4 pilares: Pessoal, Profissional, iritual. Considere o curto, médio e longo prazo, tendo como premissa o conhecimento e a ção das suas “competências naturais”. Dizem que aprendemos mais pela dor do que pelo u a prova disso e quero compartilhar isso com você. Um grande amigo disse certa vez: s datas de nascimento: uma biológica, quando nascemos e outra quando lançamos um ente e genuíno sobre nós mesmos”. Esse é o verdadeiro nascimento. Pense nisso. PARA MAIS INFORMAÇÕES: http://flaviomaneira.com.br
  • 30. 30 | m e u c e r e b r o . c o m
  • 31. 31 O que é para você? limitação Esther Varoto, 28 anos, graduada em música. Esclerose Múltipla. Doença inflamatória crônica degenerativa. Elas se conheceram em novembro de 2008 Daniela Ávila Malagoli C om dois anos, começou a cantar. Aos três, compôs a primeira música. Como não sabia escrever, pediu à mãe que anotasse. Com cinco anos, já lia partitura ao tocar flauta doce. Gravou o primeiro CD nessa idade. Com 15, virou professora. Cursou oito anos de violão, contrabaixo e guitarra no Conservatório Estadual Cora Pavan Capparelli, mas estudou sozinha para a prova de habilidade específica do curso de Música (licenciatura em violão erudito), ingressando no curso, na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), em 7º lugar, aos 19 anos.
  • 32. 32 | m e u c e r e b r o . c o m Esther sentiu uma sensação estranha nos braços. No outro dia, acordou com metade do corpo dormente. Não conseguia piscar o olho direito e sentia tonturas e náuseas. Passou mal dia após dia, por três meses, quando já estava casada. Os médicos, inicialmente, desacreditavam no diagnóstico de Esclerose Múltipla. Mas ela desconfiava. E se preparou. Esther, que chora e em menos de 10 segundos enxuga as lágrimas, não cancelou um dia de aula para seus alunos. Quando os movimentos da mão esquerda, precisos para sua profissão, ficaram travados por dois meses, um dos alunos a consolou: enquanto você estiver falando, está bom, eu já aprendo. Antes de a Esclerose Múltipla manifestar-se, Esther pensava: “eu sou jovem, aguenta corpo!” Sete meses depois dos primeiros sintomas, e após passar por oito médicos, o diagnóstico foi confirmado. Uma das primeiras coisas que fez, em seguida, foi compor uma música em homenagem aos portadores da doença. “O que eu fiz os três primeiros anos depois que eu descobri a doença é o que eu teria feito na minha vida toda se eu não a tivesse descoberto”. Ela preparou a qualidade do seu futuro, mas viveu, e vive intensamente o presente. “Andei muito de patins. Se eu fosse pra cadeira de rodas amanhã, pelo menos iria lembrar a sensação. Nadar, sentir seu corpo na água, como é importante! As pessoas deviam pensar nisso”. Ela define a doença: “Esclerose Múltipla não é sinônimo de loucura. É uma doença rara e diferente que as pessoas deveriam conhecer mais”. Esther nunca perdeu o “bom humor e a vontade de viver”. Nos inúmeros exames de ressonância magnética que fez, brincava com os sons do aparelho como se fossem notas musicais. Esther, que parece umapessoasemodiagnósticodeumadoençadegenerativacomoaEscleroseMúltiplaSurtoRemissão(ver infográfico), reconhece: “É uma doença que pode expor o portador a muitas a muitas deficiências físicas, e muitas delas felizmente podem serrevertidas com o uso de anti-inflamatórios potentes (corticosteróides)”. Um dia, após uma aula de canto na Ufu, na semana do próprio casamento,
  • 33. 33 ////////////////pessoas Esther adora passear no shopping, fazer compras. Sempre acompanhada do seu grande amor, do seu apoio, Elker Tonini. Ele é o seu porto seguro. E se o assunto é ela, ele não hesita. “Ninguém derruba a Esther, é guerreira.” Ele pretende curtir todos os momentos da vida junto dela. A musicista fundou a Academia de Música Varotonini, na qual Elker também é professor, em 2011, no mesmo ano de sua formatura: “é fruto de tudo que eu faço em minha vida, o que me move, me dá prazer, a música”. Para o professor do curso de Música da UFU André Campos, Esther é empreendedora e batalhadora. Esther é professora de canto, violão popular e erudito, guitarra base e solo, contrabaixo, viola caipira, bateria e percussão, musicalização infantil, composição, teoria e percepção musical, edição de partituras e preparação para habilidade específica em Violão Erudito. Tem contrato como compositora com a Editora Clube da Música, que é parceira da Sony Music. Compôs, interpretou e produziu a trilha sonora da Novela Portal do Cerrado. Hoje está cursando Direito. Objetivos futuros: maior dedicação à carreira solo. Expansão da Academia de Música Varotonini. “Esther pensa na frente”, afirma a professora do curso de Música da UFU Sandra Alfonso. Uma mulher bem sucedida? “Intimidade com Deus, prazer em viver e acreditar em mim” foi o que fez Esther uma empresária de sucesso. O que a Esclerose Múltipla te ensinou, Esther? “Maturidade e paixão pela vida”. Qual a primeira coisa que gostaria que alguém soubesse sobre você? “Que eu curto a vida”. Esther, o que é limitação para você? “Limitação é algo que a gente coloca na própria cabeça”. INFORMAÇÕES SOBRE ESTHER: http://goo.gl/5OI3sq INFOGRÁFICO: Leonardo Faria
  • 34. 34 | m e u c e r e b r o . c o m O cerebelo é a parte do cérebro respon- sável por movimentos motores finos, incluindo a postura, o equilíbrio, a aprendizagem motora e a fala. Localizado na base do crânio, contém cerca de metade dos neurônios do cérebro, embora represente apenas 10% do seu volu- me. A sua disfunção parcial devido a uma lesão ou doença não é incomum, contudo a ausência do cerebelo já ao nascimento é extremamente rara. Médicos na China descobriram uma mu- lher de 24 anos, apenas o nono caso conhecido de uma pessoa viva com agenesia cerebelar. Sua condição foi descrita na revista Brain. O caso veio à tona depois que a mulher procurou atendimento médico devido a náu- seas e vertigens. Uma tomografia computa- dorizada e imagens de ressonância magnética revelaram a ausência do cerebelo, que pronta- mente explica os sintomas encontrados. Além disso, sua condição explica também por que ela não foi capaz de falar até completar seis anos de idade e de andar até os sete. Devido à ausência desta importante parte do sistema nervoso, também não foi capaz de brincar e saltar como as outras crianças. Sem nenhuma surpresa, a mulher tinha sido incapaz de andar sem constante apoio ao longo de sua vida. Embora os testes revelassem que ela não apresentava dificuldades para entender o vocabulário, havia prejuízos relacionados à pronúncia, a voz era trêmula e as palavras, “ar- rastadas”. Apesar disso, os médicos considera- ram os sintomas relativamente leves. Eles es- peravam por um comprometimento maior. O espaço onde o cerebelo deveria existir foi preenchido pelo líquido cefalorraquidiano. A química do fluido parecia normal, mas a pres- são estava um pouco elevada (210 mmH2O, ao invés de 70-180 mmH20). Ela foi adequada- mente tratada com medidas pouco invasivas e, quatro anos depois, ela ainda estava muito bem. Casou-se e teve uma filha neurologica- mente normal. As estruturas e os tecidos ao redor de onde estaria o cerebelo aparentavam boa estrutura, sem danos significativos. A ponte parecia pouco desenvolvida mas, consideran- do que parte de seu trabalho é transmitir men- sagens a partir do córtex frontal ao cerebelo, isso não é totalmente surpreendente. Como a doença é rara, não é muito bem compreendida. Embora existam cerca de 30 mutações associadas com alterações cerebe- lares, a ausência completa da estrutura é um pouco mais difícil de descobrir. Essa mulher re- presenta uma oportunidade única para estudar os efeitos da doença em um adulto vivo. Não se sabe como a sua condição irá mudar à me- dida em que envelhecer, mas todas as coisas que ela foi capaz de fazer até aqui represen- tam mais uma vez uma boa prova da plastici- dade cerebral. Mulher de 24 anos vive sem o cerebelo A re controve colocara esportes traumatis que se p of Psych pancada mentais, A p Universid médicos por ferim cognitivo esses pa desenvo e 59% pa o trauma seguinte Aind desenvo foi sofrer de idade alterando a entrada da corren Enqu melhor é traumátic e mental sintomas Panca FONTE: http://goo.gl/QhrvC0 FONTE: http://
  • 35. 35 Estudo feito por pesquisadores da Universidade Rush, de Chicago, com 294 idosos, confirma a ideia de que ler e escrever regularmente pode contribuir para preservar a memória por mais tempo, reduzindo a velocidade do processo de deterioração mental. Essas práticas saudáveis podem diminuir até 15% o ritmo de progressão da perda da memória.O declínio cerebral entre os idosos que liam ou escreviam com frequência ainda na velhice ocorreu em um ritmo 32% mais lento do que entre os que faziam isso com uma constância menor. Os idosos que quase nunca se dedicavam a essas atividades apresentaram uma velocidade de deterioração mental 48% maior do que os que liam e escreviam esporadicamente. Os pesquisadores acompanharam os participantes do estudo durante cerca de seis anos, até o momento de sua morte, em média aos 89 anos. Anualmente, submeteram os idosos a testes de memória e cognição e os entrevistaram sobre seus hábitos de leitura ao longo da vida. Memória é preservada com leituras esporádicas elação entre saúde mental e lesões na cabeça é um tema erso. Pesquisas anteriores produziram resultados ambíguos que am em dúvida a associação entre ambas. Muito frequentes em s de contato como artes marciais e futebol americano, pequenos smos podem culminar em problemas de saúde mais sérios do pensa à primeira vista. Um estudo publicado no American Journal hiatry, o maior da área, revela que mesmo uma única dessas as na cabeça pode, até mesmo, aumentar o risco de doenças em especial se a pancada ocorrer durante a adolescência. pesquisa realizada por Sonja Orlovska e sua equipe, da dade de Copenhague, durou 23 anos e analisou 113.906 registros s dinamarqueses de pessoas que haviam sido hospitalizadas mentos na cabeça. Eles descobriram que, além dos problemas os causados pelos danos estruturais no cérebro (como delírio), acientes demonstraram, posteriormente, maior probabilidade de olver transtornos psiquiátricos: risco de 65% para esquizofrenia ara depressão. O perigo era maior nos primeiros 12 meses após a, mas permaneceu significativamente elevado pelos 15 anos es. da segundo o estudo, o fator preditivo mais forte associado ao olvimento futuro de esquizofrenia, depressão e transtorno bipolar r traumatismo craniano no início da adolescência (11 aos 15 anos e). Lesões na cabeça poderiam provocar inflamação cerebral, o a permeabilidade da barreira hematoencefálica e favorecendo a de conteúdos potencialmente prejudiciais ao cérebro a partir nte sanguínea. uanto o mecanismo ainda não for totalmente esclarecido, o é seguir as orientações já estabelecidas depois de sofrer lesões cas. Descansar e evitar atividades que demandem esforço físico l, além de obviamente consultar um médico tão logo apareçam s. Tudo isso é fundamental. ///////////////notícias adas na cabeça podem causar doença mental /goo.gl/QXEdcY FONTE: http://bit.ly/1pSKChX
  • 36. 36 | m e u c e r e b r o . c o m E m 13 de setembr uma teoria: a de q biológico. Phinea companhia ferroviária de grave acidente quando e estrada de ferro. Ao tenta no local, um atrito entre a a barra de ferro provocou direção ao trabalhador, o olho, atravessou a par crânio, do outro lado. O interessante é perfurada e sem um d consideráveis em suas f a consciência, foi levado Contudo, quanto ao seu Gage passou de educa perigoso e socialmente ir “Gage já não era mais Gag A históO homem “desinibido” Daniela Ávila Malagoli
  • 37. 37 ro de 1848 um acidente terrível fez surgir que o nosso sentido moraltem fundamento as Gage, renomado trabalhador de uma e Vermont, nos Estados Unidos, sofreu um estava trabalhando na construção de uma ar explodir para longe rochas que estavam a pólvora e o buraco no qual Gage colocava u uma explosão.Abarra foi arremessada em entrou pela bochecha esquerda, destruiu rte frontal do cérebro e saiu pelo topo do que, mesmo com metade da cabeça dos olhos, Gage sobreviveu sem danos faculdades (na época, quando recuperou o para o hospital caminhando e falando). u comportamento, a mudança foi drástica: ado a extremamente rude, desrespeitoso, rresponsável. Os comentários eram de que ge”. Hoje, o nome dado ao comportamento do operário é “desinibido”; uma referência ao modo de se portar de pessoas que tiveram lesões nos lobos frontais. O crânio, a máscara mortuária e a barra de ferro estão em exibição no Museu da Faculdade de Medicina da Universidade de Havard. O acidente de Gage constituiu “o início histórico dos estudos das bases biológicas do comportamento”, como explica o neurologista António Damásio. A modificação bruta de comportamento resultante do acidente instigou os médicos a estudarem os possíveis danos cerebrais, tendo em mente a possível relação entre a personalidade e o cérebro. A conclusão: as áreas afetadas, que causaram prejuízos consideráveis de ordem moral, são as centrais para este tipo de “humanidade”,maisespecificamente,oslobosfrontais.Gagesofreu poucos efeitos físicos (embora tenha perdido um dos olhos). O que mudou foi o comportamento. O operário viveu por mais de 12 anos, agindodeformaextravaganteeanti-social,contandomuitasmentiras, enfim, sendo uma “companhia difícil”, segundo neurologistas. FONTE: 1. “O livro do cérebro – um guia ilustrado de sua estrutura, funcionamento e transtornos”, Rita Carter 2. http://goo.gl/8jBBts 3. http://goo.gl/LZS2RF 4. http://goo.gl/3BJ2o1 Fotografia: Flickr Commons ///////neurohistória ória de Phineas Gage