Rafeiro do Alentejo
Formanda: Vera Lúcia Gil Inácio
Formadora: Cláudia S. Cardoso
Faro, 2016
Curso de Auxiliar de Veterinária
Advanced Training International
Empower Up
RAFEIRO DO ALENTEJO
VERA LÚCIA GIL INÁCIO
Curso Auxiliar Veterinária • O Cão – Origem e classificação biológica 2
Agradecimentos
Obrigada à ACRA - Associação de Criadores do Rafeiro do Alentejo, em particular ao
Engenheiro Cutileiro, que me permitiu chegar às pessoas certas para poder realizar um
trabalho com a qualidade e o respeito que a raça merece.
Agradeço a Élio Machuqueiro, criador, atualmente (2016) presidente da ACRA e à
senhora sua esposa, Luísa Machuqueiro, que gentilmente abriram as portas da sua
propriedade para que nos fosse possível conhecer melhor e conviver com estes cães
maravilhosos.
As condições, a paixão, o cuidado, a educação e amizade entre estes criadores e
matilha são algo que deveria ser exemplo nacional. Existe uma enorme relação de
respeito pela raça e pelas necessidades dos animais. Um modelo brilhante para quem
pondere ou trabalhe na área da criação e
representação de uma raça.
Pelo seu espírito nobre, ao Rafeiro do
Alentejo, que muito pode ensinar ao ser
humano sobre nobreza e valores essenciais.
Vera Lúcia Gil Inácio
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VERA LÚCIA GIL INÁCIO
Curso Auxiliar Veterinária • O Cão – Origem e classificação biológica 3
Índice
Agradecimentos............................................................................................................................2
Introdução ao trabalho ................................................................................................................4
Rafeiro do Alentejo, o encantador de rebanhos e de famílias..............................................4
Introdução à Raça........................................................................................................................5
História......................................................................................................................................5
Características Morfológicas .......................................................................................................7
Comportamento .......................................................................................................................8
Cuidados essenciais e patologias da raça .................................................................................9
Patologias .................................................................................................................................9
Obesidade.................................................................................................................................9
Pêlo .........................................................................................................................................10
Otite.........................................................................................................................................10
Displasia da anca...................................................................................................................10
Glossário.....................................................................................................................................11
Fontes e Referências .................................................................................................................12
Bibliografia..............................................................................................................................12
Sitografia.................................................................................................................................12
Fotografia................................................................................................................................12
Anexo 1 – População Registada no CPC – Clube Português Canicultura ..............................13
Homenagem ao Rafeiro do Alentejo
Reguengos de Monsaraz, 16 de Agosto de 2015
Imagem Rafeirodoalentejo.com.pt
RAFEIRO DO ALENTEJO
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Curso Auxiliar Veterinária • O Cão – Origem e classificação biológica 4
Introdução ao trabalho
Rafeiro do Alentejo, o encantador de rebanhos e de famílias.
O presente trabalho está contextualizado como parte da avaliação do Curso de Auxiliar de
Veterinária, ministrado pela Veterinária Doutora Cláudia Cardoso, da responsabilidade da
empresa Empower Up Lda.
A escolha da raça para este breve trabalho assentou inicialmente no conjunto de
características técnicas e na proximidade geográfica do animal. Tenho uma relação
emocional com o Alentejo, assim decidi escolher um animal de trabalho oriundo dessa
região.
É um cão nacional com características que o tornam inconfundível. Dócil, confiável,
trabalhador, protetor da família e do gado, com uma estética agradável, robusto e um
comportamento exemplar. É um cão de caracter nobre com tendência para defender o que
para ele seja mais fraco ou indefeso de tudo o que possa representar uma ameaça. Neste
sentido é também profundamente
territorial, exercendo uma acção vigilante
sobre o espaço que identifica como o seu
território. Num ambiente familiar bem
integrado é um animal ternurento, em
particular com crianças. Fora dos seus
domínios é um cão que mantém uma
atitude humilde e cordial, com uma
postura digna que o permite ser passeado
e mostrado à comunidade nos mais
variados eventos. É tendencialmente um cão de expressão tranquila e confiante, e o
conjunto de qualidades supra referidas fazem deste um grande companheiro e amigo.
Não é no entanto o cão indicado para alguém inexperiente ou com dificuldade na gestão
da dicotomia entre afeto e educação. Apesar de ser um cão extremamente carinhoso e leal
para com o dono, continua a ser um molosso consciente da sua força, encorpado com
podendo pesar os maiores até setenta quilogramas de peso compacto. A autoridade na
matilha deverá pertencer sempre ao proprietário. Assim sendo a harmonia reina com a
perfeita noção de que o Alfa é o dono (regra aplicada a qualquer cão, visto que desde os
seus ancestrais esta é uma espécie que vive em convívio social, em matilha, e designa
entre si uma hierarquia que após a sua delimitação deve ser respeitada por todos os
elementos).
1 - Alteza – Matilha de Élio Machuqueiro
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Introdução à Raça
Rafeiro do Alentejo
Classificação Grupo II: Cães de guarda, defesa e utilidade
Origem Portugal, Alentejo
Antecessores Molossos provenientes da Ásia
Tipo Mastim
Atitude
Calmo, territorial, protetor, vigilante,
autoconfiante, dócil quando familiarizado.
Características
Pêlo curto a médio, espesso e liso.
Cor variável: Tigrado, malhado, castanho, cinza,
branco ou beje.
Muito Útil
Também conhecido por Mastim do Alentejo ou
Mastim Português, é também um parente
afastado do Mastim Espanhol.
Espectativa de
vida
12 a 14 anos
Ninhadas 4-6 crias
Primeiro registo
de LOP1
Bravo
Novembro de 1934
História
“O Rafeiro do Alentejo, tendo origem no mundo rural essencialmente ligado à pastorícia,
constituiu desde sempre o mais leal e generoso companheiro do pastor, do maioral, do
guarda do monte, do homem da terra a quem obedece com inteligência e coragem.”
José Abreu Alpoim2
A documentação histórica sobre o Rafeiro do Alentejo não abunda, no entanto consta que
o rei D. Carlos possuía inúmeros animais da raça, que utilizava em montarias ao javali e
outras espécies de caça grossa. Nesse tempo era um cão abundante no seu solar, o
Alentejo, apesar de tudo, não era grandemente conhecido a nível nacional ou até
internacional. O panorama mudou em meados dos anos 70 do século passado. Conta-se
que as alterações sociais e políticas em Portugal levaram à sua quase extinção, tendo
resistido apenas alguns exemplares escondidos em sítios ermos.
Rui Caldas de Vasconcelos, conta que lhe foram narrados episódios inacreditáveis.
1 Livro de Origens Português
2 In o Rafeiro do Alentejo – Uma velha paixão (2012)
2 – Matilha de Élio Machuqueiro
RAFEIRO DO ALENTEJO
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Curso Auxiliar Veterinária • O Cão – Origem e classificação biológica 6
Por exemplo o de um pastor que quando interrogado sobre a existência de cães na zona,
respondeu quase em lágrimas: ”Tenho uma, a minha companheira, está escondida se não
eles3 matam-na.”4 Esta cadela foi um dos animais utilizados pelos canicultores alentejanos
para a formação do núcleo actual e recuperação da raça5.
Nos anos 80 surge uma nova lufada de ar fresco para este cão. Dá-se aparecimento de um
grupo de defensores e criadores, que com o intuito de recuperar a raça quase extinta, uniu
esforços com a Universidade de Évora. Determinados em recuperar a presença do Rafeiro
do Alentejo na região transtagana, foi iniciado o trabalho de procurar animais para
cruzamento e desenvolver uma criações de qualidade. Foi uma fase confusa, de
amadurecimento, em que alguns optaram por cruzar o Rafeiro do Alentejo com o seu
parente espanhol, resultando no surgimento de algumas assimetrias entre os animais.
Com o objectivo de definir as características do Rafeiro do Alentejo, protegendo a herança
biológica da raça, foram constituídas as primeiras associações de criadores6.
Com o passar os anos o Rafeiro foi devolvido às planícies alentejanas, à companhia do
gado e não só, tornando-se em muitos casos um sucesso como cão de companhia e
guarda em ambiente doméstico ou profissional.
3 Dirigentes da Unidade Colectiva de Produção
4 in Raças de Cães Portugueses (1993)
5 Ver quadro no anexo 1. Informação sobre a evolução dos registos oficiais de animais da raça.
6 Aconselho vivamente a leitura do livro “O Rafeiro do Alentejo – uma velha paixão”, no sentido de aprofundar a
história e origens, sendo profundamente injusto reduzir a recuperação da raça numa folha, como a limitação do
trabalho implica.
3 – Em primeiro plano encontra-se uma femea na idade adulta, enquanto no plano de
fundo se encontra uma femea sénior.
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Características Morfológicas
O Rafeiro do Alentejo, também conhecido por Mastim do Alentejo, é um cão de origem
Molósside e forma hipermétrica. Tem um perfil convexilíneo (pouco acentuado) e um
andamento forte do tipo mastim. É um animal corpulento, forte, um tanto compacto e de
altura pouco inferior ao comprimento
(relação 0.89). O peito do Rafeiro do
Alentejo é largo, abaixo do codilho,
vazio sub – esternal ligeiramente
inferior à altura do peito.
A pelagem deste cão é como iremos
ver a frente de curta a meio
comprida, branca ou malhada de
branco, raramente uniforme.
Algumas características são mais
óbvias que outras. Por exemplo as
orelhas do Rafeiro do Alentejo são pequenas e pouco carnudas com inserção média.
Os olhos são pequenos, elípticos e horizontais (cor acastanhada a âmbar).
A sua cabeça é volumosa, maciça, abaulada com as arcadas supra ciliares não salientes.
As faces laterais são musculadas de masséteres marcados e o chanfro do animal é curto e
grosso.
Medidas7 Machos Fêmeas
Comprimento total da cabeça 28-30 27-28
Comprimento do crânio 17-18 16-17
Comprimento do chanfro 11-12 10-11
Largura do crânio 15-16 13-14
Largura do chanfro 7,5-8 6,5-7
Índice cefálico total 49-52 48-51
Relação comprimento do chanfro/
comprimento do crânio
Aprox. 2/3
Relação comprimento total da cabeça/
largura do crânio
Aprox. 2/1
O genótipo criado para a caracterização do Rafeiro do Alentejo, serve para referenciação
da raça, assim como para tentativa de manter a coerência nas características dos animais.
7 Estalão nº 96 da F.C.I. - A F.C.I. - Federação Cinológica Internacional, a entidade que coordena a
canicultura a nível internacional e centraliza os estalões das raças elaborados a nível nacional
pelas Sociedades Caninas centrais de cada país.
Machos Fêmeas
Altura 66 – 74 cm 64 – 70 cm
Peso 40 – 50 kg 35 – 50 kg
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Um animal com cruzamentos de consanguinidade ou cruzado com outra espécie não
poderá ser considerado um Rafeiro do Alentejo.
Comportamento
Como já foi referido anteriormente, é um cão
ideal para manter em ambiente de trabalho
como cão de guarda ou em ambiente doméstico
como cão familiar. É um cão inteligente cujo
adestramento geralmente é feito quando
colocado com outros cães.
É um animal tranquilo, zeloso, autoconfiante,
que aceitou a sua posição como animal doméstico e quando bem tratado exterioriza um
forte entusiasmo na aproximação do dono e família. Vive feliz em ambiente social com
cães ou com outros animais (por exemplo gado).
Existe alguma preocupação por parte dos criadores em manter o cuidado na criação dos
animais dentro da raça. O que
motiva esta escolha deve-se
ao risco de realizar
cruzamentos com cães de
temperamentos diferentes ou
instáveis. É uma preocupação
e um perigo real, visto que o
Rafeiro do Alentejo trata-se de
um cão dócil, comportamento
que não poderá ser garantido
no cruzamento com cães de
diferente personalidade.
O mesmo problema aplica-se a doenças e alterações na morfologia do cão, podendo este
perder as características que fazem dele o que é, deteriorando assim a qualidade da
criação e a qualidade de vida dos animais.
Passa por conservar um legado nacional, uma raça de grande qualidade, de confiança,
com uma personalidade notável de uma profunda lealdade e capacidade de trabalho, que
por estas e muitas outras razões merece ser protegida.
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Cuidados essenciais e patologias da raça
O Rafeiro do Alentejo é um cão robusto e resistente, concebido para viver no exterior,
resistir a grandes diferenças de temperatura, assim como a condições ambientais
adversas. Apesar de gostar de estar no exterior e de muitas vezes preferir pernoitar na rua,
é recomendado que tenha um espaço que possa constituir abrigo, mesmo que seja de
parca utilização.
No que respeita a alimentação, deverá ser alimentado com ração indicada para cães de
grande porte, adaptada ao período da vida do cão e ao seu dispêndio de energia (júnior,
adulto ativo, adulto sedentário e sénior). Deve ter sempre à sua disposição uma fonte de
água potável.
Patologias
Obesidade
Este é um animal de trabalho que consome mais alimento durante o primeiro ano de vida,
quando se encontra em crescimento. Na idade adulta a sua alimentação deve ser
controlada e limitada consoante o seu gasto calórico e atividade física, sob pena de sofrer
de obesidade (assim como outras doenças associadas a esta). Devemos recordar que o
Rafeiro do Alentejo é um cão de trabalho no campo e que na sua idade adulta, no seu
ambiente natural o animal desenvolveu-se para subsistir com pouco dispêndio de energia.
Nos dias que correm muitos destes animais vivem em ambiente doméstico, com alimento
à disposição e pouca oportunidade de gastar energias como fariam a correr pelas
herdades e montes
alentejanos a guardar o
gado e as propriedades.
O controlo da
alimentação é muitas
vezes complicado visto
que para os cães comer
é um ato social, são
alimentados em
conjunto e como acontece
com os humanos, o apetite
diverge de individuo para individuo. Assim a alimentação ideal será composta entre uma e
três refeições diárias. Quando se verifica o aumento de peso de alguns indivíduos da
mesma matilha, o ideal será criar as condições necessárias para controlar a quantidade de
4 – Rafeiro do Alentejo com excesso de peso.
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alimento que estes ingerem e adaptar individualmente a refeição para uma ração de baixo
valor calórico. A solução poderá passar por isolar o cão obeso no canil durante a refeição
ou por um período de tempo em que possa ser feito o controlo da sua alimentação e peso.
Pêlo
Apesar de ser um animal de pelagem curta a média e de não exigir especial atenção, como
acontece em outras raças, deverá ser escovado na mudança de estação para alívio do
desconforto causado pela muda de pelagem. Salienta-se também o necessário controlo
básico de parasitas, visto que é fácil que estes se escondam na pelagem compacta do
Rafeiro.
Otite
Existem relatos de que esta raça sofra por vezes de otites com uma frequência superior à
esperada. É uma doença facilmente detectavel, visto que o animal começa a demonstrar
algum desconforto coçando as orelhas e sacudindo a cabeça. A otite é uma inflamação no
canal auditivo que pode ser extremamente desconfortável. Uma higiene cuidada da
pelagem e do pavilhão auricular no sentido de detectar obstruções, excesso de produção
de cera ou a presença de agentes externos, irá reduzir o risco de recorrência da patologia.
Displasia da anca
É uma doença que afeta a articulação coxo-femoral do animal. O cão nasce normal, ou seja
de boa saúde, mas durante os seus primeiros meses de vida esta articulação sofre uma
alteração na sua forma que leva à deformação da cabeça do fémur. É uma situação
problemática porque a falta de congruência articular origina artroses que
consequentemente irão originar dor. Este processo deriva de uma maturação mais rápida
do esqueleto dos animais, relativamente aos tecidos moles que protegem e compõem a
articulação.
A displasia da anca é uma doença que pode afetar qualquer cão, no entanto grande porte
do Rafeiro do Alentejo e o crescimento rápido são condicionantes para o risco de
desenvolver displasia da anca. É uma patologia bastante comum em cães de raças
grandes como por exemplo: São Bernardo, Bulldog, Terra Nova, Retriever do Labrador,
Golden Retriever, Mastins, Pastor Alemão, Serra da Estrela, Shar-Pei, Akita, Setters, Cão de
gado Suiço, Rottweiller, Dobermann, entre outros de dimensões similares.
É uma doença hereditária, que pode ser facilitada por fatores ambientais e genéticos como
excesso de peso, ração hipercalórica, histórico de progenitores e antecedentes com a
doença.
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Glossário
ACRA – Associação de criadores do Rafeiro do Alentejo. Entidade que organiza os criadores
de Rafeiros do Alentejo com o objetivo comum de divulgar a raça deste cão.
CPC – Clube Português de Canicultura. Entidade que regula padrões e atividades entre
outros assuntos relacionados com a canicultura em Portugal.
LOP – Livro de Origens Português. Documento oficial que atesta que o animal pertence a
uma raça reconhecida pelo CPC.
Molossoide – Palavra para descrever os cães do tipo molosso, como os Dogues, Mastiff,
Mastins e cães de físico forte. Especula-se que a palavra derive de Molóssia, um antigo
país localizado onde se encontra a Grécia Ocidental.
RI – Registo Inicial. Documento atribuído a cães que após um julgamento por um
especialista são reconhecidos e aprovados como pertencentes a uma determinada raça.
Descendentes de cães com RI só podem ter LOP depois de 3 gerações.
Transtagano – Território que fica para além do rio Tejo – Alentejo.
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Fontes e Referências
Bibliografia
• ALPOIM, José A.- “O Rafeiro do Alentejo – Monografia da Raça”, 1999
o Disponível em e-book http://www.bdalentejo.net/BDAObra/BDADigital/Obra.aspx?id=87#
• ALPOIM, José A.- “O Rafeiro do Alentejo – Uma velha paixão”, 2012
• APIFARMA: “Simposium Veterinário”, 2004/2005
• Registos de LOP do Clube Português de Canicultura dos anos de 2010, 2011, 2012,
2013 e 2014.
• VASCONCELOS, Rui C.- “Raças de cães portugueses”, 1993
Sitografia
• ACRA – Associação Criadores Rafeiro do Alentejo: www.facebook.com/ACRA-
Associa%C3%A7%C3%A3o-de-Criadores-do-Rafeiro-do-Alentejo-251987498193530/
• Canil de Alpedriche: www.rafeirodoalentejo.com.pt/
• Clube Cão e Gato – Rafeiro do Alentejo: www.clubecaoegato.com/raca-rafeiro-do-
alentejo/
• Doglink: www.doglink.pt/racas/rafeiro-do-alentejo/clube
• Federação Cinológica Internacional: www.fci.be/
• Grupo Lobo: http://lobo.fc.ul.pt/caodegado/racas.html#Rafeiro%20do%20Alentejo
• Reg. do Livro de Origens Português: www.cpc.pt/cpc/regulamentos/lop_ri.pdf
• Wipetts – Pedigree: http://whippet.no.sapo.pt/artigos.htm
• Wikipedia: https://pt.wikipedia.org/wiki/Rafeiro_do_Alentejo
Fotografia
Autores: Vera Lúcia Gil Inácio e Ricardo Nuno Carvalho
Modelos: Cães da matilha do criador Élio Machuqueiro (Abril 2016).
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Anexo 1 – População Registada no CPC – Clube Português Canicultura
LOP M – Registo no livro das origens de indivíduos do sexo masculino.
LOP F - Registo no livro das origens de indivíduos do sexo feminino.
RI M – Registo inicial de indivíduos do sexo masculino
RI F – Registo inicial de indivíduos do sexo feminino.
Deve ser considerado perante esta análise que muitos indivíduos não chegam a ser
registados, por opção do criador ou por outros critérios externos ao CPC.
0
20
40
60
80
100
120
2010 2011 2012 2013 2014
RI M
RI F
LOP M
LOP F
RI/LOP M
RI/LOP F
TOTAL
0
50
100
150
200
250
2010
2011
2012
2013
2014
RI/LOP M
RI/LOP F
TOTAL

Rafeiro do Alentejo

  • 1.
    Rafeiro do Alentejo Formanda:Vera Lúcia Gil Inácio Formadora: Cláudia S. Cardoso Faro, 2016 Curso de Auxiliar de Veterinária Advanced Training International Empower Up
  • 2.
    RAFEIRO DO ALENTEJO VERALÚCIA GIL INÁCIO Curso Auxiliar Veterinária • O Cão – Origem e classificação biológica 2 Agradecimentos Obrigada à ACRA - Associação de Criadores do Rafeiro do Alentejo, em particular ao Engenheiro Cutileiro, que me permitiu chegar às pessoas certas para poder realizar um trabalho com a qualidade e o respeito que a raça merece. Agradeço a Élio Machuqueiro, criador, atualmente (2016) presidente da ACRA e à senhora sua esposa, Luísa Machuqueiro, que gentilmente abriram as portas da sua propriedade para que nos fosse possível conhecer melhor e conviver com estes cães maravilhosos. As condições, a paixão, o cuidado, a educação e amizade entre estes criadores e matilha são algo que deveria ser exemplo nacional. Existe uma enorme relação de respeito pela raça e pelas necessidades dos animais. Um modelo brilhante para quem pondere ou trabalhe na área da criação e representação de uma raça. Pelo seu espírito nobre, ao Rafeiro do Alentejo, que muito pode ensinar ao ser humano sobre nobreza e valores essenciais. Vera Lúcia Gil Inácio
  • 3.
    RAFEIRO DO ALENTEJO VERALÚCIA GIL INÁCIO Curso Auxiliar Veterinária • O Cão – Origem e classificação biológica 3 Índice Agradecimentos............................................................................................................................2 Introdução ao trabalho ................................................................................................................4 Rafeiro do Alentejo, o encantador de rebanhos e de famílias..............................................4 Introdução à Raça........................................................................................................................5 História......................................................................................................................................5 Características Morfológicas .......................................................................................................7 Comportamento .......................................................................................................................8 Cuidados essenciais e patologias da raça .................................................................................9 Patologias .................................................................................................................................9 Obesidade.................................................................................................................................9 Pêlo .........................................................................................................................................10 Otite.........................................................................................................................................10 Displasia da anca...................................................................................................................10 Glossário.....................................................................................................................................11 Fontes e Referências .................................................................................................................12 Bibliografia..............................................................................................................................12 Sitografia.................................................................................................................................12 Fotografia................................................................................................................................12 Anexo 1 – População Registada no CPC – Clube Português Canicultura ..............................13 Homenagem ao Rafeiro do Alentejo Reguengos de Monsaraz, 16 de Agosto de 2015 Imagem Rafeirodoalentejo.com.pt
  • 4.
    RAFEIRO DO ALENTEJO VERALÚCIA GIL INÁCIO Curso Auxiliar Veterinária • O Cão – Origem e classificação biológica 4 Introdução ao trabalho Rafeiro do Alentejo, o encantador de rebanhos e de famílias. O presente trabalho está contextualizado como parte da avaliação do Curso de Auxiliar de Veterinária, ministrado pela Veterinária Doutora Cláudia Cardoso, da responsabilidade da empresa Empower Up Lda. A escolha da raça para este breve trabalho assentou inicialmente no conjunto de características técnicas e na proximidade geográfica do animal. Tenho uma relação emocional com o Alentejo, assim decidi escolher um animal de trabalho oriundo dessa região. É um cão nacional com características que o tornam inconfundível. Dócil, confiável, trabalhador, protetor da família e do gado, com uma estética agradável, robusto e um comportamento exemplar. É um cão de caracter nobre com tendência para defender o que para ele seja mais fraco ou indefeso de tudo o que possa representar uma ameaça. Neste sentido é também profundamente territorial, exercendo uma acção vigilante sobre o espaço que identifica como o seu território. Num ambiente familiar bem integrado é um animal ternurento, em particular com crianças. Fora dos seus domínios é um cão que mantém uma atitude humilde e cordial, com uma postura digna que o permite ser passeado e mostrado à comunidade nos mais variados eventos. É tendencialmente um cão de expressão tranquila e confiante, e o conjunto de qualidades supra referidas fazem deste um grande companheiro e amigo. Não é no entanto o cão indicado para alguém inexperiente ou com dificuldade na gestão da dicotomia entre afeto e educação. Apesar de ser um cão extremamente carinhoso e leal para com o dono, continua a ser um molosso consciente da sua força, encorpado com podendo pesar os maiores até setenta quilogramas de peso compacto. A autoridade na matilha deverá pertencer sempre ao proprietário. Assim sendo a harmonia reina com a perfeita noção de que o Alfa é o dono (regra aplicada a qualquer cão, visto que desde os seus ancestrais esta é uma espécie que vive em convívio social, em matilha, e designa entre si uma hierarquia que após a sua delimitação deve ser respeitada por todos os elementos). 1 - Alteza – Matilha de Élio Machuqueiro
  • 5.
    RAFEIRO DO ALENTEJO VERALÚCIA GIL INÁCIO Curso Auxiliar Veterinária • O Cão – Origem e classificação biológica 5 Introdução à Raça Rafeiro do Alentejo Classificação Grupo II: Cães de guarda, defesa e utilidade Origem Portugal, Alentejo Antecessores Molossos provenientes da Ásia Tipo Mastim Atitude Calmo, territorial, protetor, vigilante, autoconfiante, dócil quando familiarizado. Características Pêlo curto a médio, espesso e liso. Cor variável: Tigrado, malhado, castanho, cinza, branco ou beje. Muito Útil Também conhecido por Mastim do Alentejo ou Mastim Português, é também um parente afastado do Mastim Espanhol. Espectativa de vida 12 a 14 anos Ninhadas 4-6 crias Primeiro registo de LOP1 Bravo Novembro de 1934 História “O Rafeiro do Alentejo, tendo origem no mundo rural essencialmente ligado à pastorícia, constituiu desde sempre o mais leal e generoso companheiro do pastor, do maioral, do guarda do monte, do homem da terra a quem obedece com inteligência e coragem.” José Abreu Alpoim2 A documentação histórica sobre o Rafeiro do Alentejo não abunda, no entanto consta que o rei D. Carlos possuía inúmeros animais da raça, que utilizava em montarias ao javali e outras espécies de caça grossa. Nesse tempo era um cão abundante no seu solar, o Alentejo, apesar de tudo, não era grandemente conhecido a nível nacional ou até internacional. O panorama mudou em meados dos anos 70 do século passado. Conta-se que as alterações sociais e políticas em Portugal levaram à sua quase extinção, tendo resistido apenas alguns exemplares escondidos em sítios ermos. Rui Caldas de Vasconcelos, conta que lhe foram narrados episódios inacreditáveis. 1 Livro de Origens Português 2 In o Rafeiro do Alentejo – Uma velha paixão (2012) 2 – Matilha de Élio Machuqueiro
  • 6.
    RAFEIRO DO ALENTEJO VERALÚCIA GIL INÁCIO Curso Auxiliar Veterinária • O Cão – Origem e classificação biológica 6 Por exemplo o de um pastor que quando interrogado sobre a existência de cães na zona, respondeu quase em lágrimas: ”Tenho uma, a minha companheira, está escondida se não eles3 matam-na.”4 Esta cadela foi um dos animais utilizados pelos canicultores alentejanos para a formação do núcleo actual e recuperação da raça5. Nos anos 80 surge uma nova lufada de ar fresco para este cão. Dá-se aparecimento de um grupo de defensores e criadores, que com o intuito de recuperar a raça quase extinta, uniu esforços com a Universidade de Évora. Determinados em recuperar a presença do Rafeiro do Alentejo na região transtagana, foi iniciado o trabalho de procurar animais para cruzamento e desenvolver uma criações de qualidade. Foi uma fase confusa, de amadurecimento, em que alguns optaram por cruzar o Rafeiro do Alentejo com o seu parente espanhol, resultando no surgimento de algumas assimetrias entre os animais. Com o objectivo de definir as características do Rafeiro do Alentejo, protegendo a herança biológica da raça, foram constituídas as primeiras associações de criadores6. Com o passar os anos o Rafeiro foi devolvido às planícies alentejanas, à companhia do gado e não só, tornando-se em muitos casos um sucesso como cão de companhia e guarda em ambiente doméstico ou profissional. 3 Dirigentes da Unidade Colectiva de Produção 4 in Raças de Cães Portugueses (1993) 5 Ver quadro no anexo 1. Informação sobre a evolução dos registos oficiais de animais da raça. 6 Aconselho vivamente a leitura do livro “O Rafeiro do Alentejo – uma velha paixão”, no sentido de aprofundar a história e origens, sendo profundamente injusto reduzir a recuperação da raça numa folha, como a limitação do trabalho implica. 3 – Em primeiro plano encontra-se uma femea na idade adulta, enquanto no plano de fundo se encontra uma femea sénior.
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    RAFEIRO DO ALENTEJO VERALÚCIA GIL INÁCIO Curso Auxiliar Veterinária • O Cão – Origem e classificação biológica 7 Características Morfológicas O Rafeiro do Alentejo, também conhecido por Mastim do Alentejo, é um cão de origem Molósside e forma hipermétrica. Tem um perfil convexilíneo (pouco acentuado) e um andamento forte do tipo mastim. É um animal corpulento, forte, um tanto compacto e de altura pouco inferior ao comprimento (relação 0.89). O peito do Rafeiro do Alentejo é largo, abaixo do codilho, vazio sub – esternal ligeiramente inferior à altura do peito. A pelagem deste cão é como iremos ver a frente de curta a meio comprida, branca ou malhada de branco, raramente uniforme. Algumas características são mais óbvias que outras. Por exemplo as orelhas do Rafeiro do Alentejo são pequenas e pouco carnudas com inserção média. Os olhos são pequenos, elípticos e horizontais (cor acastanhada a âmbar). A sua cabeça é volumosa, maciça, abaulada com as arcadas supra ciliares não salientes. As faces laterais são musculadas de masséteres marcados e o chanfro do animal é curto e grosso. Medidas7 Machos Fêmeas Comprimento total da cabeça 28-30 27-28 Comprimento do crânio 17-18 16-17 Comprimento do chanfro 11-12 10-11 Largura do crânio 15-16 13-14 Largura do chanfro 7,5-8 6,5-7 Índice cefálico total 49-52 48-51 Relação comprimento do chanfro/ comprimento do crânio Aprox. 2/3 Relação comprimento total da cabeça/ largura do crânio Aprox. 2/1 O genótipo criado para a caracterização do Rafeiro do Alentejo, serve para referenciação da raça, assim como para tentativa de manter a coerência nas características dos animais. 7 Estalão nº 96 da F.C.I. - A F.C.I. - Federação Cinológica Internacional, a entidade que coordena a canicultura a nível internacional e centraliza os estalões das raças elaborados a nível nacional pelas Sociedades Caninas centrais de cada país. Machos Fêmeas Altura 66 – 74 cm 64 – 70 cm Peso 40 – 50 kg 35 – 50 kg
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    RAFEIRO DO ALENTEJO VERALÚCIA GIL INÁCIO Curso Auxiliar Veterinária • O Cão – Origem e classificação biológica 8 Um animal com cruzamentos de consanguinidade ou cruzado com outra espécie não poderá ser considerado um Rafeiro do Alentejo. Comportamento Como já foi referido anteriormente, é um cão ideal para manter em ambiente de trabalho como cão de guarda ou em ambiente doméstico como cão familiar. É um cão inteligente cujo adestramento geralmente é feito quando colocado com outros cães. É um animal tranquilo, zeloso, autoconfiante, que aceitou a sua posição como animal doméstico e quando bem tratado exterioriza um forte entusiasmo na aproximação do dono e família. Vive feliz em ambiente social com cães ou com outros animais (por exemplo gado). Existe alguma preocupação por parte dos criadores em manter o cuidado na criação dos animais dentro da raça. O que motiva esta escolha deve-se ao risco de realizar cruzamentos com cães de temperamentos diferentes ou instáveis. É uma preocupação e um perigo real, visto que o Rafeiro do Alentejo trata-se de um cão dócil, comportamento que não poderá ser garantido no cruzamento com cães de diferente personalidade. O mesmo problema aplica-se a doenças e alterações na morfologia do cão, podendo este perder as características que fazem dele o que é, deteriorando assim a qualidade da criação e a qualidade de vida dos animais. Passa por conservar um legado nacional, uma raça de grande qualidade, de confiança, com uma personalidade notável de uma profunda lealdade e capacidade de trabalho, que por estas e muitas outras razões merece ser protegida.
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    RAFEIRO DO ALENTEJO VERALÚCIA GIL INÁCIO Curso Auxiliar Veterinária • O Cão – Origem e classificação biológica 9 Cuidados essenciais e patologias da raça O Rafeiro do Alentejo é um cão robusto e resistente, concebido para viver no exterior, resistir a grandes diferenças de temperatura, assim como a condições ambientais adversas. Apesar de gostar de estar no exterior e de muitas vezes preferir pernoitar na rua, é recomendado que tenha um espaço que possa constituir abrigo, mesmo que seja de parca utilização. No que respeita a alimentação, deverá ser alimentado com ração indicada para cães de grande porte, adaptada ao período da vida do cão e ao seu dispêndio de energia (júnior, adulto ativo, adulto sedentário e sénior). Deve ter sempre à sua disposição uma fonte de água potável. Patologias Obesidade Este é um animal de trabalho que consome mais alimento durante o primeiro ano de vida, quando se encontra em crescimento. Na idade adulta a sua alimentação deve ser controlada e limitada consoante o seu gasto calórico e atividade física, sob pena de sofrer de obesidade (assim como outras doenças associadas a esta). Devemos recordar que o Rafeiro do Alentejo é um cão de trabalho no campo e que na sua idade adulta, no seu ambiente natural o animal desenvolveu-se para subsistir com pouco dispêndio de energia. Nos dias que correm muitos destes animais vivem em ambiente doméstico, com alimento à disposição e pouca oportunidade de gastar energias como fariam a correr pelas herdades e montes alentejanos a guardar o gado e as propriedades. O controlo da alimentação é muitas vezes complicado visto que para os cães comer é um ato social, são alimentados em conjunto e como acontece com os humanos, o apetite diverge de individuo para individuo. Assim a alimentação ideal será composta entre uma e três refeições diárias. Quando se verifica o aumento de peso de alguns indivíduos da mesma matilha, o ideal será criar as condições necessárias para controlar a quantidade de 4 – Rafeiro do Alentejo com excesso de peso.
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    RAFEIRO DO ALENTEJO VERALÚCIA GIL INÁCIO Curso Auxiliar Veterinária • O Cão – Origem e classificação biológica 10 alimento que estes ingerem e adaptar individualmente a refeição para uma ração de baixo valor calórico. A solução poderá passar por isolar o cão obeso no canil durante a refeição ou por um período de tempo em que possa ser feito o controlo da sua alimentação e peso. Pêlo Apesar de ser um animal de pelagem curta a média e de não exigir especial atenção, como acontece em outras raças, deverá ser escovado na mudança de estação para alívio do desconforto causado pela muda de pelagem. Salienta-se também o necessário controlo básico de parasitas, visto que é fácil que estes se escondam na pelagem compacta do Rafeiro. Otite Existem relatos de que esta raça sofra por vezes de otites com uma frequência superior à esperada. É uma doença facilmente detectavel, visto que o animal começa a demonstrar algum desconforto coçando as orelhas e sacudindo a cabeça. A otite é uma inflamação no canal auditivo que pode ser extremamente desconfortável. Uma higiene cuidada da pelagem e do pavilhão auricular no sentido de detectar obstruções, excesso de produção de cera ou a presença de agentes externos, irá reduzir o risco de recorrência da patologia. Displasia da anca É uma doença que afeta a articulação coxo-femoral do animal. O cão nasce normal, ou seja de boa saúde, mas durante os seus primeiros meses de vida esta articulação sofre uma alteração na sua forma que leva à deformação da cabeça do fémur. É uma situação problemática porque a falta de congruência articular origina artroses que consequentemente irão originar dor. Este processo deriva de uma maturação mais rápida do esqueleto dos animais, relativamente aos tecidos moles que protegem e compõem a articulação. A displasia da anca é uma doença que pode afetar qualquer cão, no entanto grande porte do Rafeiro do Alentejo e o crescimento rápido são condicionantes para o risco de desenvolver displasia da anca. É uma patologia bastante comum em cães de raças grandes como por exemplo: São Bernardo, Bulldog, Terra Nova, Retriever do Labrador, Golden Retriever, Mastins, Pastor Alemão, Serra da Estrela, Shar-Pei, Akita, Setters, Cão de gado Suiço, Rottweiller, Dobermann, entre outros de dimensões similares. É uma doença hereditária, que pode ser facilitada por fatores ambientais e genéticos como excesso de peso, ração hipercalórica, histórico de progenitores e antecedentes com a doença.
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    RAFEIRO DO ALENTEJO VERALÚCIA GIL INÁCIO Curso Auxiliar Veterinária • O Cão – Origem e classificação biológica 11 Glossário ACRA – Associação de criadores do Rafeiro do Alentejo. Entidade que organiza os criadores de Rafeiros do Alentejo com o objetivo comum de divulgar a raça deste cão. CPC – Clube Português de Canicultura. Entidade que regula padrões e atividades entre outros assuntos relacionados com a canicultura em Portugal. LOP – Livro de Origens Português. Documento oficial que atesta que o animal pertence a uma raça reconhecida pelo CPC. Molossoide – Palavra para descrever os cães do tipo molosso, como os Dogues, Mastiff, Mastins e cães de físico forte. Especula-se que a palavra derive de Molóssia, um antigo país localizado onde se encontra a Grécia Ocidental. RI – Registo Inicial. Documento atribuído a cães que após um julgamento por um especialista são reconhecidos e aprovados como pertencentes a uma determinada raça. Descendentes de cães com RI só podem ter LOP depois de 3 gerações. Transtagano – Território que fica para além do rio Tejo – Alentejo.
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    RAFEIRO DO ALENTEJO VERALÚCIA GIL INÁCIO Curso Auxiliar Veterinária • O Cão – Origem e classificação biológica 12 Fontes e Referências Bibliografia • ALPOIM, José A.- “O Rafeiro do Alentejo – Monografia da Raça”, 1999 o Disponível em e-book http://www.bdalentejo.net/BDAObra/BDADigital/Obra.aspx?id=87# • ALPOIM, José A.- “O Rafeiro do Alentejo – Uma velha paixão”, 2012 • APIFARMA: “Simposium Veterinário”, 2004/2005 • Registos de LOP do Clube Português de Canicultura dos anos de 2010, 2011, 2012, 2013 e 2014. • VASCONCELOS, Rui C.- “Raças de cães portugueses”, 1993 Sitografia • ACRA – Associação Criadores Rafeiro do Alentejo: www.facebook.com/ACRA- Associa%C3%A7%C3%A3o-de-Criadores-do-Rafeiro-do-Alentejo-251987498193530/ • Canil de Alpedriche: www.rafeirodoalentejo.com.pt/ • Clube Cão e Gato – Rafeiro do Alentejo: www.clubecaoegato.com/raca-rafeiro-do- alentejo/ • Doglink: www.doglink.pt/racas/rafeiro-do-alentejo/clube • Federação Cinológica Internacional: www.fci.be/ • Grupo Lobo: http://lobo.fc.ul.pt/caodegado/racas.html#Rafeiro%20do%20Alentejo • Reg. do Livro de Origens Português: www.cpc.pt/cpc/regulamentos/lop_ri.pdf • Wipetts – Pedigree: http://whippet.no.sapo.pt/artigos.htm • Wikipedia: https://pt.wikipedia.org/wiki/Rafeiro_do_Alentejo Fotografia Autores: Vera Lúcia Gil Inácio e Ricardo Nuno Carvalho Modelos: Cães da matilha do criador Élio Machuqueiro (Abril 2016).
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    RAFEIRO DO ALENTEJO VERALÚCIA GIL INÁCIO Curso Auxiliar Veterinária • O Cão – Origem e classificação biológica 13 Anexo 1 – População Registada no CPC – Clube Português Canicultura LOP M – Registo no livro das origens de indivíduos do sexo masculino. LOP F - Registo no livro das origens de indivíduos do sexo feminino. RI M – Registo inicial de indivíduos do sexo masculino RI F – Registo inicial de indivíduos do sexo feminino. Deve ser considerado perante esta análise que muitos indivíduos não chegam a ser registados, por opção do criador ou por outros critérios externos ao CPC. 0 20 40 60 80 100 120 2010 2011 2012 2013 2014 RI M RI F LOP M LOP F RI/LOP M RI/LOP F TOTAL 0 50 100 150 200 250 2010 2011 2012 2013 2014 RI/LOP M RI/LOP F TOTAL