SlideShare uma empresa Scribd logo
“MENSAGEM”
“PRECE”
Senhor, a noite veio e a alma é vil.
Tanta foi a tormenta e a vontade!
Restam-nos hoje, no silêncio hostil,
O mar universal e a saudade.
Mas a chama, que a vida em nós criou,
Se ainda há vida ainda não é finda.
O frio morto em cinzas a ocultou:
A mão do vento pode erguê-la ainda.
Dá o sopro, a aragem — ou desgraça ou ânsia —,
Com que a chama do esforço se remoça,
E outra vez conquistemos a Distância —
Do mar ou outra, mas que seja nossa!
Se/nhor/, a/ noi/te/ vei/o/ e a al/ma é/ vil. 10 sílabas
Tan/ta/ foi/ a/ tor/men/ta e a /von/ta/de! 9 sílabas
Res/tam/-nos/ ho/je/, no/ si/lên/ci/o/ hos/til, 11 sílabas
O/ mar/ u/ni/ver/sal/ e a/ sau/da/de. 9 sílabas
Mas a chama, que a vida em nós criou,
Se ainda há vida ainda não é finda.
O frio morto em cinzas a ocultou:
A mão do vento pode erguê-la ainda.
Dá o sopro, a aragem — ou desgraça ou ânsia —,
Com que a chama do esforço se remoça,
E outra vez conquistemos a Distância —
Do mar ou outra, mas que seja nossa!
Rima cruzada
Realização (2º parte)
Regularidade estrófica (3 quadras)
Regularidade rimática
Irregularidade métrica
ESTRUTURA EXTERNA
ESTRUTURA INTERNA
Senhor, a noite veio e a alma é vil.
Tanta foi a tormenta e a vontade!
Restam-nos hoje, no silêncio hostil,
O mar universal e a saudade.
Apóstrofe “A vida é desprezável”
Dificuldades que
ultrapassaram
Sonho
Desânimo após
a conquista
Tristeza
Mas a chama, que a vida em nós criou,
Se ainda há vida ainda não é finda.
O frio morto em cinzas a ocultou:
A mão do vento pode erguê-la ainda.
ESTRUTURA INTERNA
Depois da morte
esta a esperança
Morte
•Metáfora e Personificação:
Deus e Esperança
Dá o sopro, a aragem — ou desgraça ou ânsia —,
Com que a chama do esforço se remoça,
E outra vez conquistemos a Distância —
Do mar ou outra, mas que seja nossa!
ESTRUTURA INTERNA
“O pedido”
Indefinida e
misteriosa
Apego às
coisas materiais
“PRECE”
• A prece é um ato religioso pelo qual nos dirigimos a Deus para suplicar algum benefício. Neste poema,
Deus é invocado para reacender a alma de Portugal (“O Infante”- “Falta cumprir-se Portugal!”), para que
pudessem conquistar de novo.
• Primeira estrofe
Nesta estrofe a expressão “a noite veio” representa tempo de tristeza e abatimento, visto que o
“dia” representou grandeza. Nada do Império material sobreviveu.
No segundo verso “a tormenta” simboliza as dificuldades que os portugueses tiveram que
ultrapassar e “a vontade” que tinham para o fazer, aliás, esta exclamação mostra a grande emotividade
presente no discurso. Após isto, o desânimo é o sentimento que o sujeito poético assume. Apenas resta o
“silêncio hostil” e a “saudade”.
Aqui está visível um país marcado pelo apego às coisas materiais, onde a “alma é vil” e não há
capacidade de sonhar, ao contrário de um passado de “vontade”.
“PRECE”
• Segunda estrofe
A segunda estrofe retrata a esperança na morte. A metáfora e personificação “A mão do vento”,
representa Deus e a esperança num país que se pode reerguer. A esperança é o resultado da aceitação
da morte e esta é essencial para a ressurreição.
O que se perdeu na morte foi a “chama” (ocultada pela morte- “O frio morto em cinzas a ocultou”) ,
mas o fundamental não se perdeu (“Se ainda há vida ainda não é finda), ou seja o sonho pode ganhar
força tal como o fogo pode ser reavivado com um sopro.
A repetição da palavra “ainda” reforça também a ideia de que tudo se pode alterar assim como as
“cinzas” podem simbolizar o mistério e o renascer.
“PRECE”
• Terceira estrofe
Nesta estrofe é onde aparece o pedido/súplica ou como indica o título, a prece. O sujeito poético
pede ajuda divina, um “sopro” que ateie “a chama do esforço”, mesmo que para isso tenham que pagar
com a “desgraça” ou com a “ânsia”. Esse sopro serviria para levantar as cinzas e desvendar o mistério,
para que a chama reacendesse e a vontade de descobrir regressasse, ou seja, serviria para o recomeço.
A “Distância” é o caminho para o descobrimento, não o do mar, uma vez que império material já
tinha sido descoberto, mas sim o caminho para uma nova viagem (indefinida), a espiritual (império
imaterial- Espiritual).
O último verso, a exclamação, reforça a determinação e a necessidade de procurar a identidade
nacional perdida, mas também a ambição dos portugueses.

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

O desejado
O desejadoO desejado
O desejado
DianaAzevedo12
 
O sebastianismo e o mito do quinto império
O sebastianismo e o mito do quinto impérioO sebastianismo e o mito do quinto império
O sebastianismo e o mito do quinto império
Andreia Pimenta
 
"Mar Português" e " Ascensão de Vasco da Gama" por Filipe Reis
"Mar Português" e " Ascensão de Vasco da Gama" por Filipe Reis"Mar Português" e " Ascensão de Vasco da Gama" por Filipe Reis
"Mar Português" e " Ascensão de Vasco da Gama" por Filipe Reis
FilipeReis48
 
Nevoeiro
Nevoeiro   Nevoeiro
Nevoeiro
aramalho340
 
Mensagem: Análise "Escrevo meu livro à beira-mágoa"
Mensagem: Análise "Escrevo meu livro à beira-mágoa"Mensagem: Análise "Escrevo meu livro à beira-mágoa"
Mensagem: Análise "Escrevo meu livro à beira-mágoa"
InsdeCastro7
 
Mensagem - Fernando Pessoa
Mensagem - Fernando Pessoa Mensagem - Fernando Pessoa
Mensagem - Fernando Pessoa
JulianaCarvalho265
 
características temáticas de Fernando Pessoa - ortónimo
características temáticas de Fernando Pessoa - ortónimocaracterísticas temáticas de Fernando Pessoa - ortónimo
características temáticas de Fernando Pessoa - ortónimo
Dina Baptista
 
Características poéticas de Ricardo Reis
Características poéticas de Ricardo ReisCaracterísticas poéticas de Ricardo Reis
Características poéticas de Ricardo Reis
Dina Baptista
 
Ricardo Reis - Análise do poema "Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio"...
Ricardo Reis - Análise do poema "Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio"...Ricardo Reis - Análise do poema "Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio"...
Ricardo Reis - Análise do poema "Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio"...
FilipaFonseca
 
Miguel Torga - Poemas
Miguel Torga - PoemasMiguel Torga - Poemas
Miguel Torga - Poemas
Ana Tapadas
 
A mensagem de fernando pessoa
A mensagem de fernando pessoa A mensagem de fernando pessoa
A mensagem de fernando pessoa
balolas
 
Ode Triunfal de Álvaro de Campos
Ode Triunfal de Álvaro de CamposOde Triunfal de Álvaro de Campos
Ode Triunfal de Álvaro de Campos
guest3fc89a1
 
poema bucólica
poema bucólicapoema bucólica
poema bucólica
Daniela Filipa Sousa
 
"As Ilhas Afortunadas" - análise
"As Ilhas Afortunadas" - análise"As Ilhas Afortunadas" - análise
"As Ilhas Afortunadas" - análise
Maria João Oliveira
 
Mensagem: Análise "O Bandarra"
Mensagem: Análise "O Bandarra"Mensagem: Análise "O Bandarra"
Mensagem: Análise "O Bandarra"
InsdeCastro7
 
Poemas de eugénio de andrade
Poemas de eugénio de andradePoemas de eugénio de andrade
Poemas de eugénio de andrade
AnaGomes40
 
Autopsicografia e Isto
Autopsicografia e IstoAutopsicografia e Isto
Autopsicografia e Isto
Paula Oliveira Cruz
 
"Mensagem" de Fernando Pessoa: "O das Quinas"
"Mensagem" de Fernando Pessoa: "O das Quinas""Mensagem" de Fernando Pessoa: "O das Quinas"
"Mensagem" de Fernando Pessoa: "O das Quinas"
CatarinaSilva1000
 
Areal ficha de_avaliação_1_pessoa_ortónimo_e_correcção
Areal ficha de_avaliação_1_pessoa_ortónimo_e_correcçãoAreal ficha de_avaliação_1_pessoa_ortónimo_e_correcção
Areal ficha de_avaliação_1_pessoa_ortónimo_e_correcção
Carla Ribeiro
 
Estrutura mensagem
Estrutura mensagemEstrutura mensagem
Estrutura mensagem
ameliapadrao
 

Mais procurados (20)

O desejado
O desejadoO desejado
O desejado
 
O sebastianismo e o mito do quinto império
O sebastianismo e o mito do quinto impérioO sebastianismo e o mito do quinto império
O sebastianismo e o mito do quinto império
 
"Mar Português" e " Ascensão de Vasco da Gama" por Filipe Reis
"Mar Português" e " Ascensão de Vasco da Gama" por Filipe Reis"Mar Português" e " Ascensão de Vasco da Gama" por Filipe Reis
"Mar Português" e " Ascensão de Vasco da Gama" por Filipe Reis
 
Nevoeiro
Nevoeiro   Nevoeiro
Nevoeiro
 
Mensagem: Análise "Escrevo meu livro à beira-mágoa"
Mensagem: Análise "Escrevo meu livro à beira-mágoa"Mensagem: Análise "Escrevo meu livro à beira-mágoa"
Mensagem: Análise "Escrevo meu livro à beira-mágoa"
 
Mensagem - Fernando Pessoa
Mensagem - Fernando Pessoa Mensagem - Fernando Pessoa
Mensagem - Fernando Pessoa
 
características temáticas de Fernando Pessoa - ortónimo
características temáticas de Fernando Pessoa - ortónimocaracterísticas temáticas de Fernando Pessoa - ortónimo
características temáticas de Fernando Pessoa - ortónimo
 
Características poéticas de Ricardo Reis
Características poéticas de Ricardo ReisCaracterísticas poéticas de Ricardo Reis
Características poéticas de Ricardo Reis
 
Ricardo Reis - Análise do poema "Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio"...
Ricardo Reis - Análise do poema "Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio"...Ricardo Reis - Análise do poema "Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio"...
Ricardo Reis - Análise do poema "Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio"...
 
Miguel Torga - Poemas
Miguel Torga - PoemasMiguel Torga - Poemas
Miguel Torga - Poemas
 
A mensagem de fernando pessoa
A mensagem de fernando pessoa A mensagem de fernando pessoa
A mensagem de fernando pessoa
 
Ode Triunfal de Álvaro de Campos
Ode Triunfal de Álvaro de CamposOde Triunfal de Álvaro de Campos
Ode Triunfal de Álvaro de Campos
 
poema bucólica
poema bucólicapoema bucólica
poema bucólica
 
"As Ilhas Afortunadas" - análise
"As Ilhas Afortunadas" - análise"As Ilhas Afortunadas" - análise
"As Ilhas Afortunadas" - análise
 
Mensagem: Análise "O Bandarra"
Mensagem: Análise "O Bandarra"Mensagem: Análise "O Bandarra"
Mensagem: Análise "O Bandarra"
 
Poemas de eugénio de andrade
Poemas de eugénio de andradePoemas de eugénio de andrade
Poemas de eugénio de andrade
 
Autopsicografia e Isto
Autopsicografia e IstoAutopsicografia e Isto
Autopsicografia e Isto
 
"Mensagem" de Fernando Pessoa: "O das Quinas"
"Mensagem" de Fernando Pessoa: "O das Quinas""Mensagem" de Fernando Pessoa: "O das Quinas"
"Mensagem" de Fernando Pessoa: "O das Quinas"
 
Areal ficha de_avaliação_1_pessoa_ortónimo_e_correcção
Areal ficha de_avaliação_1_pessoa_ortónimo_e_correcçãoAreal ficha de_avaliação_1_pessoa_ortónimo_e_correcção
Areal ficha de_avaliação_1_pessoa_ortónimo_e_correcção
 
Estrutura mensagem
Estrutura mensagemEstrutura mensagem
Estrutura mensagem
 

Semelhante a "Prece"- "Mensagem" de Fernando Pessoa

Poemas de Mensagem ( O infante) ( Prece)
Poemas de Mensagem ( O infante) ( Prece)Poemas de Mensagem ( O infante) ( Prece)
Poemas de Mensagem ( O infante) ( Prece)
AndreiaFilipa63
 
Mensagem de Fernando Pessoa
Mensagem de Fernando Pessoa Mensagem de Fernando Pessoa
Mensagem de fernando pessoa
Mensagem de fernando pessoaMensagem de fernando pessoa
Mensagem fernando pessoa
Mensagem   fernando pessoaMensagem   fernando pessoa
Mensagem fernando pessoa
Leandro Doras
 
Mensagem fernando pessoa
Mensagem fernando pessoaMensagem fernando pessoa
Mensagem fernando pessoa
prof_daniela
 
Fernando Pessoa- Mensagens.pdf
Fernando Pessoa- Mensagens.pdfFernando Pessoa- Mensagens.pdf
Fernando Pessoa- Mensagens.pdf
JeanLima84
 
Levanta te e anda - talitha cumi
Levanta te e anda - talitha cumiLevanta te e anda - talitha cumi
Levanta te e anda - talitha cumi
ADALBERTO COELHO DA SILVA JR
 
Festa iii unidade
Festa   iii unidadeFesta   iii unidade
Festa iii unidade
Alberto Hans Hans
 
Equinócio da Primavera
Equinócio da PrimaveraEquinócio da Primavera
Equinócio da Primavera
BibliotecAtiva
 
Chama do Carmo_226
Chama do Carmo_226Chama do Carmo_226
Chama do Carmo_226
Frei João
 
Fernando pessoa mensagem
Fernando pessoa   mensagemFernando pessoa   mensagem
Fernando pessoa mensagem
Casimiro Nogueira Neto
 
As estacoes da vida
As estacoes da vidaAs estacoes da vida
As estacoes da vida
Mensagens Virtuais
 
Renúncia
RenúnciaRenúncia
Renúncia
celulaespirita
 

Semelhante a "Prece"- "Mensagem" de Fernando Pessoa (13)

Poemas de Mensagem ( O infante) ( Prece)
Poemas de Mensagem ( O infante) ( Prece)Poemas de Mensagem ( O infante) ( Prece)
Poemas de Mensagem ( O infante) ( Prece)
 
Mensagem de Fernando Pessoa
Mensagem de Fernando Pessoa Mensagem de Fernando Pessoa
Mensagem de Fernando Pessoa
 
Mensagem de fernando pessoa
Mensagem de fernando pessoaMensagem de fernando pessoa
Mensagem de fernando pessoa
 
Mensagem fernando pessoa
Mensagem   fernando pessoaMensagem   fernando pessoa
Mensagem fernando pessoa
 
Mensagem fernando pessoa
Mensagem fernando pessoaMensagem fernando pessoa
Mensagem fernando pessoa
 
Fernando Pessoa- Mensagens.pdf
Fernando Pessoa- Mensagens.pdfFernando Pessoa- Mensagens.pdf
Fernando Pessoa- Mensagens.pdf
 
Levanta te e anda - talitha cumi
Levanta te e anda - talitha cumiLevanta te e anda - talitha cumi
Levanta te e anda - talitha cumi
 
Festa iii unidade
Festa   iii unidadeFesta   iii unidade
Festa iii unidade
 
Equinócio da Primavera
Equinócio da PrimaveraEquinócio da Primavera
Equinócio da Primavera
 
Chama do Carmo_226
Chama do Carmo_226Chama do Carmo_226
Chama do Carmo_226
 
Fernando pessoa mensagem
Fernando pessoa   mensagemFernando pessoa   mensagem
Fernando pessoa mensagem
 
As estacoes da vida
As estacoes da vidaAs estacoes da vida
As estacoes da vida
 
Renúncia
RenúnciaRenúncia
Renúncia
 

Último

05-os-pre-socraticos sociologia-28-slides.pptx
05-os-pre-socraticos sociologia-28-slides.pptx05-os-pre-socraticos sociologia-28-slides.pptx
05-os-pre-socraticos sociologia-28-slides.pptx
ValdineyRodriguesBez1
 
Rimas, Luís Vaz de Camões. pptx
Rimas, Luís Vaz de Camões.          pptxRimas, Luís Vaz de Camões.          pptx
Rimas, Luís Vaz de Camões. pptx
TomasSousa7
 
Slides Lição 11, CPAD, A Realidade Bíblica do Inferno, 2Tr24.pptx
Slides Lição 11, CPAD, A Realidade Bíblica do Inferno, 2Tr24.pptxSlides Lição 11, CPAD, A Realidade Bíblica do Inferno, 2Tr24.pptx
Slides Lição 11, CPAD, A Realidade Bíblica do Inferno, 2Tr24.pptx
LuizHenriquedeAlmeid6
 
1_10_06_2024_Criança e Cultura Escrita, Ana Maria de Oliveira Galvão.pdf
1_10_06_2024_Criança e Cultura Escrita, Ana Maria de Oliveira Galvão.pdf1_10_06_2024_Criança e Cultura Escrita, Ana Maria de Oliveira Galvão.pdf
1_10_06_2024_Criança e Cultura Escrita, Ana Maria de Oliveira Galvão.pdf
SILVIAREGINANAZARECA
 
Aula 1 do livro de Ciências do aluno - sons
Aula 1 do livro de Ciências do aluno - sonsAula 1 do livro de Ciências do aluno - sons
Aula 1 do livro de Ciências do aluno - sons
Érika Rufo
 
Folheto | Centro de Informação Europeia Jacques Delors (junho/2024)
Folheto | Centro de Informação Europeia Jacques Delors (junho/2024)Folheto | Centro de Informação Europeia Jacques Delors (junho/2024)
Folheto | Centro de Informação Europeia Jacques Delors (junho/2024)
Centro Jacques Delors
 
livro ciclo da agua educação infantil.pdf
livro ciclo da agua educação infantil.pdflivro ciclo da agua educação infantil.pdf
livro ciclo da agua educação infantil.pdf
cmeioctaciliabetesch
 
educação inclusiva na atualidade como ela se estabelece atualmente
educação inclusiva na atualidade como ela se estabelece atualmenteeducação inclusiva na atualidade como ela se estabelece atualmente
educação inclusiva na atualidade como ela se estabelece atualmente
DeuzinhaAzevedo
 
OS elementos de uma boa Redação para o ENEM.pdf
OS elementos de uma boa Redação para o ENEM.pdfOS elementos de uma boa Redação para o ENEM.pdf
OS elementos de uma boa Redação para o ENEM.pdf
AmiltonAparecido1
 
A QUESTÃO ANTROPOLÓGICA: O QUE SOMOS OU QUEM SOMOS.pdf
A QUESTÃO ANTROPOLÓGICA: O QUE SOMOS OU QUEM SOMOS.pdfA QUESTÃO ANTROPOLÓGICA: O QUE SOMOS OU QUEM SOMOS.pdf
A QUESTÃO ANTROPOLÓGICA: O QUE SOMOS OU QUEM SOMOS.pdf
AurelianoFerreirades2
 
Introdução à Sociologia: caça-palavras na escola
Introdução à Sociologia: caça-palavras na escolaIntrodução à Sociologia: caça-palavras na escola
Introdução à Sociologia: caça-palavras na escola
Professor Belinaso
 
Slides Lição 9, Betel, Ordenança para uma vida de santificação, 2Tr24.pptx
Slides Lição 9, Betel, Ordenança para uma vida de santificação, 2Tr24.pptxSlides Lição 9, Betel, Ordenança para uma vida de santificação, 2Tr24.pptx
Slides Lição 9, Betel, Ordenança para uma vida de santificação, 2Tr24.pptx
LuizHenriquedeAlmeid6
 
Atividade letra da música - Espalhe Amor, Anavitória.
Atividade letra da música - Espalhe  Amor, Anavitória.Atividade letra da música - Espalhe  Amor, Anavitória.
Atividade letra da música - Espalhe Amor, Anavitória.
Mary Alvarenga
 
Egito antigo resumo - aula de história.pdf
Egito antigo resumo - aula de história.pdfEgito antigo resumo - aula de história.pdf
Egito antigo resumo - aula de história.pdf
sthefanydesr
 
UFCD_10949_Lojas e-commerce no-code_índice.pdf
UFCD_10949_Lojas e-commerce no-code_índice.pdfUFCD_10949_Lojas e-commerce no-code_índice.pdf
UFCD_10949_Lojas e-commerce no-code_índice.pdf
Manuais Formação
 
O que é um Ménage a Trois Contemporâneo .pdf
O que é um Ménage a Trois Contemporâneo .pdfO que é um Ménage a Trois Contemporâneo .pdf
O que é um Ménage a Trois Contemporâneo .pdf
Pastor Robson Colaço
 
Potenciação e Radiciação de Números Racionais
Potenciação e Radiciação de Números RacionaisPotenciação e Radiciação de Números Racionais
Potenciação e Radiciação de Números Racionais
wagnermorais28
 
apresentação sobre Clarice Lispector .pptx
apresentação sobre Clarice Lispector .pptxapresentação sobre Clarice Lispector .pptx
apresentação sobre Clarice Lispector .pptx
JuliaMachado73
 
Sinais de pontuação
Sinais de pontuaçãoSinais de pontuação
Sinais de pontuação
Mary Alvarenga
 
Estrutura Pedagógica - Laboratório de Educação a Distância.ppt
Estrutura Pedagógica - Laboratório de Educação a Distância.pptEstrutura Pedagógica - Laboratório de Educação a Distância.ppt
Estrutura Pedagógica - Laboratório de Educação a Distância.ppt
livrosjovert
 

Último (20)

05-os-pre-socraticos sociologia-28-slides.pptx
05-os-pre-socraticos sociologia-28-slides.pptx05-os-pre-socraticos sociologia-28-slides.pptx
05-os-pre-socraticos sociologia-28-slides.pptx
 
Rimas, Luís Vaz de Camões. pptx
Rimas, Luís Vaz de Camões.          pptxRimas, Luís Vaz de Camões.          pptx
Rimas, Luís Vaz de Camões. pptx
 
Slides Lição 11, CPAD, A Realidade Bíblica do Inferno, 2Tr24.pptx
Slides Lição 11, CPAD, A Realidade Bíblica do Inferno, 2Tr24.pptxSlides Lição 11, CPAD, A Realidade Bíblica do Inferno, 2Tr24.pptx
Slides Lição 11, CPAD, A Realidade Bíblica do Inferno, 2Tr24.pptx
 
1_10_06_2024_Criança e Cultura Escrita, Ana Maria de Oliveira Galvão.pdf
1_10_06_2024_Criança e Cultura Escrita, Ana Maria de Oliveira Galvão.pdf1_10_06_2024_Criança e Cultura Escrita, Ana Maria de Oliveira Galvão.pdf
1_10_06_2024_Criança e Cultura Escrita, Ana Maria de Oliveira Galvão.pdf
 
Aula 1 do livro de Ciências do aluno - sons
Aula 1 do livro de Ciências do aluno - sonsAula 1 do livro de Ciências do aluno - sons
Aula 1 do livro de Ciências do aluno - sons
 
Folheto | Centro de Informação Europeia Jacques Delors (junho/2024)
Folheto | Centro de Informação Europeia Jacques Delors (junho/2024)Folheto | Centro de Informação Europeia Jacques Delors (junho/2024)
Folheto | Centro de Informação Europeia Jacques Delors (junho/2024)
 
livro ciclo da agua educação infantil.pdf
livro ciclo da agua educação infantil.pdflivro ciclo da agua educação infantil.pdf
livro ciclo da agua educação infantil.pdf
 
educação inclusiva na atualidade como ela se estabelece atualmente
educação inclusiva na atualidade como ela se estabelece atualmenteeducação inclusiva na atualidade como ela se estabelece atualmente
educação inclusiva na atualidade como ela se estabelece atualmente
 
OS elementos de uma boa Redação para o ENEM.pdf
OS elementos de uma boa Redação para o ENEM.pdfOS elementos de uma boa Redação para o ENEM.pdf
OS elementos de uma boa Redação para o ENEM.pdf
 
A QUESTÃO ANTROPOLÓGICA: O QUE SOMOS OU QUEM SOMOS.pdf
A QUESTÃO ANTROPOLÓGICA: O QUE SOMOS OU QUEM SOMOS.pdfA QUESTÃO ANTROPOLÓGICA: O QUE SOMOS OU QUEM SOMOS.pdf
A QUESTÃO ANTROPOLÓGICA: O QUE SOMOS OU QUEM SOMOS.pdf
 
Introdução à Sociologia: caça-palavras na escola
Introdução à Sociologia: caça-palavras na escolaIntrodução à Sociologia: caça-palavras na escola
Introdução à Sociologia: caça-palavras na escola
 
Slides Lição 9, Betel, Ordenança para uma vida de santificação, 2Tr24.pptx
Slides Lição 9, Betel, Ordenança para uma vida de santificação, 2Tr24.pptxSlides Lição 9, Betel, Ordenança para uma vida de santificação, 2Tr24.pptx
Slides Lição 9, Betel, Ordenança para uma vida de santificação, 2Tr24.pptx
 
Atividade letra da música - Espalhe Amor, Anavitória.
Atividade letra da música - Espalhe  Amor, Anavitória.Atividade letra da música - Espalhe  Amor, Anavitória.
Atividade letra da música - Espalhe Amor, Anavitória.
 
Egito antigo resumo - aula de história.pdf
Egito antigo resumo - aula de história.pdfEgito antigo resumo - aula de história.pdf
Egito antigo resumo - aula de história.pdf
 
UFCD_10949_Lojas e-commerce no-code_índice.pdf
UFCD_10949_Lojas e-commerce no-code_índice.pdfUFCD_10949_Lojas e-commerce no-code_índice.pdf
UFCD_10949_Lojas e-commerce no-code_índice.pdf
 
O que é um Ménage a Trois Contemporâneo .pdf
O que é um Ménage a Trois Contemporâneo .pdfO que é um Ménage a Trois Contemporâneo .pdf
O que é um Ménage a Trois Contemporâneo .pdf
 
Potenciação e Radiciação de Números Racionais
Potenciação e Radiciação de Números RacionaisPotenciação e Radiciação de Números Racionais
Potenciação e Radiciação de Números Racionais
 
apresentação sobre Clarice Lispector .pptx
apresentação sobre Clarice Lispector .pptxapresentação sobre Clarice Lispector .pptx
apresentação sobre Clarice Lispector .pptx
 
Sinais de pontuação
Sinais de pontuaçãoSinais de pontuação
Sinais de pontuação
 
Estrutura Pedagógica - Laboratório de Educação a Distância.ppt
Estrutura Pedagógica - Laboratório de Educação a Distância.pptEstrutura Pedagógica - Laboratório de Educação a Distância.ppt
Estrutura Pedagógica - Laboratório de Educação a Distância.ppt
 

"Prece"- "Mensagem" de Fernando Pessoa

  • 2. “PRECE” Senhor, a noite veio e a alma é vil. Tanta foi a tormenta e a vontade! Restam-nos hoje, no silêncio hostil, O mar universal e a saudade. Mas a chama, que a vida em nós criou, Se ainda há vida ainda não é finda. O frio morto em cinzas a ocultou: A mão do vento pode erguê-la ainda. Dá o sopro, a aragem — ou desgraça ou ânsia —, Com que a chama do esforço se remoça, E outra vez conquistemos a Distância — Do mar ou outra, mas que seja nossa!
  • 3. Se/nhor/, a/ noi/te/ vei/o/ e a al/ma é/ vil. 10 sílabas Tan/ta/ foi/ a/ tor/men/ta e a /von/ta/de! 9 sílabas Res/tam/-nos/ ho/je/, no/ si/lên/ci/o/ hos/til, 11 sílabas O/ mar/ u/ni/ver/sal/ e a/ sau/da/de. 9 sílabas Mas a chama, que a vida em nós criou, Se ainda há vida ainda não é finda. O frio morto em cinzas a ocultou: A mão do vento pode erguê-la ainda. Dá o sopro, a aragem — ou desgraça ou ânsia —, Com que a chama do esforço se remoça, E outra vez conquistemos a Distância — Do mar ou outra, mas que seja nossa! Rima cruzada Realização (2º parte) Regularidade estrófica (3 quadras) Regularidade rimática Irregularidade métrica ESTRUTURA EXTERNA
  • 4. ESTRUTURA INTERNA Senhor, a noite veio e a alma é vil. Tanta foi a tormenta e a vontade! Restam-nos hoje, no silêncio hostil, O mar universal e a saudade. Apóstrofe “A vida é desprezável” Dificuldades que ultrapassaram Sonho Desânimo após a conquista Tristeza
  • 5. Mas a chama, que a vida em nós criou, Se ainda há vida ainda não é finda. O frio morto em cinzas a ocultou: A mão do vento pode erguê-la ainda. ESTRUTURA INTERNA Depois da morte esta a esperança Morte •Metáfora e Personificação: Deus e Esperança
  • 6. Dá o sopro, a aragem — ou desgraça ou ânsia —, Com que a chama do esforço se remoça, E outra vez conquistemos a Distância — Do mar ou outra, mas que seja nossa! ESTRUTURA INTERNA “O pedido” Indefinida e misteriosa Apego às coisas materiais
  • 7. “PRECE” • A prece é um ato religioso pelo qual nos dirigimos a Deus para suplicar algum benefício. Neste poema, Deus é invocado para reacender a alma de Portugal (“O Infante”- “Falta cumprir-se Portugal!”), para que pudessem conquistar de novo. • Primeira estrofe Nesta estrofe a expressão “a noite veio” representa tempo de tristeza e abatimento, visto que o “dia” representou grandeza. Nada do Império material sobreviveu. No segundo verso “a tormenta” simboliza as dificuldades que os portugueses tiveram que ultrapassar e “a vontade” que tinham para o fazer, aliás, esta exclamação mostra a grande emotividade presente no discurso. Após isto, o desânimo é o sentimento que o sujeito poético assume. Apenas resta o “silêncio hostil” e a “saudade”. Aqui está visível um país marcado pelo apego às coisas materiais, onde a “alma é vil” e não há capacidade de sonhar, ao contrário de um passado de “vontade”.
  • 8. “PRECE” • Segunda estrofe A segunda estrofe retrata a esperança na morte. A metáfora e personificação “A mão do vento”, representa Deus e a esperança num país que se pode reerguer. A esperança é o resultado da aceitação da morte e esta é essencial para a ressurreição. O que se perdeu na morte foi a “chama” (ocultada pela morte- “O frio morto em cinzas a ocultou”) , mas o fundamental não se perdeu (“Se ainda há vida ainda não é finda), ou seja o sonho pode ganhar força tal como o fogo pode ser reavivado com um sopro. A repetição da palavra “ainda” reforça também a ideia de que tudo se pode alterar assim como as “cinzas” podem simbolizar o mistério e o renascer.
  • 9. “PRECE” • Terceira estrofe Nesta estrofe é onde aparece o pedido/súplica ou como indica o título, a prece. O sujeito poético pede ajuda divina, um “sopro” que ateie “a chama do esforço”, mesmo que para isso tenham que pagar com a “desgraça” ou com a “ânsia”. Esse sopro serviria para levantar as cinzas e desvendar o mistério, para que a chama reacendesse e a vontade de descobrir regressasse, ou seja, serviria para o recomeço. A “Distância” é o caminho para o descobrimento, não o do mar, uma vez que império material já tinha sido descoberto, mas sim o caminho para uma nova viagem (indefinida), a espiritual (império imaterial- Espiritual). O último verso, a exclamação, reforça a determinação e a necessidade de procurar a identidade nacional perdida, mas também a ambição dos portugueses.