ELABORAÇÃO DE SHAMPOO 01. Todos os campos do Formulário Padrão
deverão ser devidamente preenchidos. 02. Esta é uma atividade individual.
Caso seja identificado plágio, inclusive de colegas, a atividade será zerada.
03. Cópias de terceiros como livros e internet, sem citar a fonte,
caracterizam como plágio, sendo o trabalho zerado. 04. Ao utilizar autores
para fundamentar seu Projeto Integrador, os mesmos devem ser
referenciados conforme as normas da ABNT. 05. Ao realizar sua atividade,
renomeie o arquivo, salve em seu computador, anexe no campo indicado,
clique em responder e finalize a atividade. 06. Procure argumentar de forma
clara e objetiva, de acordo com o conteúdo da disciplina. Formatação
exigida: documento Word, Fonte Arial ou Times New Roman tamanho 12.
ORIENTAÇÕES GERAIS POR QUE PRECISO APRENDER ISSO ? 3 Os
shampoos e condicionadores são dois produtos cosméticos empregados
na higiene e cuidados com os cabelos, frequentemente usados em
conjunto para obter melhores resultados. O shampoo é formulado para
limpar o cabelo e o couro cabeludo, removendo sujeira, oleosidade e
outros resíduos, enquanto que o condicionador é desenvolvido para
suavizar, desembaraçar e hidratar os fios, deixando-os mais maleáveis e
brilhantes. Os shampoos contêm principalmente tensoativos, que são os
agentes de limpeza responsáveis por remover a sujeira e oleosidade em
excesso, no entanto, também pode conter princípios ativos utilizados para
o tratamento de doenças. Por outro lado, os condicionadores são ricos em
agentes hidratantes, como óleos vegetais, proteínas e agentes emolientes,
que funcionam selando a cutícula do cabelo, ajudando a manter a umidade
e suavidade, além de reduzir o frizz. Os shampoos e condicionadores são
formulados para atender aos diferentes tipos de cabelos e as necessidades
dos consumidores. O uso regular de shampoo e condicionador é
fundamental para manter os cabelos limpos, saudáveis e com boa
aparência. Estes produtos cosméticos fazem parte da prática profissional
do farmacêutico, em farmácias de manipulação, e em indústrias cosmética
e farmacêutica, envolvendo o desenvolvimento e produção de shampoos,
e também na área da dispensação, pois temos shampoos de tratamento à
base de fármacos, que necessitam da orientação do profissional nos
estabelecimentos de saúde. Portanto, o conhecimento teórico-prático
sobre as formulações cosméticas de shampoos é de suma importância
para a atuação do farmacêutico nos ambientes profissionais. Objetivos de
aprendizagem: 01. Conhecer e correlacionar a prática à teoria aprendida
sobre shampoos. 02. Conhecer e compreender os princípios químicos e
físicos, e as matérias-primas relacionadas a formulação de shampoos. 03.
Capacitar e desenvolver habilidades práticas na formulação e produção de
shampoos. AMBIENTE NA PRÁTICA Caro (a) aluno (a), Você irá executar a
aula prática proposta em um laboratório devidamente equipado presente
na sua unidade MegaPolo, deve ser verificado o calendário destas
atividades com o seu polo de apoio presencial UniFatecie. Caso haja
dúvidas, ou não possuir polo, entre em contato com seu tutor.
EMBASAMENTO TEÓRICO 4 01. Bioquímica e Fisiologia dos Cabelos Os
primeiros pelos são produzidos ainda na fase embrionária, no segundo
trimestre da gravidez, por volta da 20ª semana. O pelo é uma estrutura
queratinizada encontrada em praticamente toda a superfície do corpo
humano, com a principal função de manter e regular a temperatura corporal
devido ao isolamento térmico fornecido pelo ar presente entre os fios, além
de possuir uma função protetora contra os raios solares, e contra
partículas estranhas nos olhos, narinas e condutos auditivos, e também
desempenha um papel sensorial, transmitindo informações sobre o
ambiente (Abraham et al., 2009; Pinheiro et al., 2013; Gomes e Damazio,
2017). Existem vários tipos de pelo, o pelo terminal, que são pelos longos
e grossos em abundância, encontrados no cabelo, barba, púbis e axila, o
pelo velus, que são pelos pouco desenvolvidos que revestem a maior parte
do corpo, e o lanugo, pelos pequenos e delicados que formam a lanugem
no feto e neonato e são idênticos aos velus (Santos, 2014; Gomes e
Damazio, 2017). O pelo ou haste capilar é um filamento flexível rico em
proteínas (65-95%) que se desenvolve em invaginações que se projetam da
derme para a epiderme, denominado folículo piloso (Santos, 2014; Gomes
e Damazio, 2017). O folículo piloso (Figura 1) ou unidade folicular é um
canal, ou ducto onde produz e faz crescer o pelo. No corpo humano existem
cerca de 5 milhões de folículos, sendo cerca de 120.000 deles no couro
cabeludo, com exceção nas palmas das mãos, plantas dos pés, face lateral
dos dedos, lábios e mucosa genital (Abraham et al., 2009; Gomes e
Damazio, 2017). O folículo piloso é composto por duas partes, uma
superficial e outra profunda, também pode ser dividido em infundíbulo,
istmo e bulbo capilar. A porção superficial do folículo piloso é formada pelo
óstio (orifício externo) e o infundíbulo (parte superior interna). Enquanto
que a parte profunda é composta pela bainha conjuntiva, bainha epitelial
dupla, bulbo piloso, músculo eretor do pelo, vasos sanguíneos e
terminações nervosas. A região responsável pela origem e crescimento do
pelo é o bulbo capilar, que possui o formato de uma bolsa, nele contém a
papila dérmica e a matriz capilar, responsáveis pela produção e
manutenção do fio (Gomes e Damazio, 2017). Vídeo do embasamento
teórico prática 5 FIGURA 1 – ANATOMIA DO FOLÍCULO PILOSO Fonte:
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Hair_follicle-en.svg Na matriz
capilar encontra-se um conjunto de células que darão origem ao fio, onde
os queratinócitos produzem os filamentos de queratina para compor a fibra
capilar. Estas células se proliferam e gradualmente vão queratinizando e
perdem seus núcleos, migrando para cima e produzindo o fio de cabelo.
Outra célula presente na matriz capilar são os melanócitos, responsáveis
por produzir a melanina que proporciona coloração aos fios de cabelos. Os
pigmentos produzidos pelos melanócitos são controlados geneticamente,
podendo ser a feomelanina que origina a coloração vermelha a amarela, e
a eumelanina que origina coloração de preto a marrom (Gomes e Damazio,
2017). A papila dérmica é formada por tecido conjuntivo, responsável pela
multiplicação e diferenciação das células presentes na matriz capilar, deste
modo, regula o crescimento do pelo, além de induzir a regeneração do
folículo piloso na fase anágena, é altamente vascularizada, assim
transporta oxigênio e nutrientes para a raiz do fio (Gomes e Damazio, 2017).
O fio de cabelo apresenta um padrão cíclico de crescimento, repouso e
queda, conhecido como ciclo de crescimento capilar (Figura 2). Neste ciclo
acontecem três fases, sendo elas, a fase de crescimento, a fase anágena,
que dura de dois a sete anos, crescendo de um a dois centímetros por mês,
90% dos fios de cabelo encontram-se nesta fase. Após este período, o fio
de cabelo entra na fase de repouso, denominada fase catágena, que pode
durar até três semanas, neste momento os fios param de crescer, e cerca
de 1% dos fios de cabelo encontram-se nesta fase. E por fim, a fase de
queda, a fase telógena, essa é a fase em que os fios caem do folículo, vale
ressaltar que é normal a queda de 50 a 100 fios por dia e cerca de 10% dos
fios estão nesta fase. Após, a raiz descansa durante dois a quatro meses
até que um novo fio comece a fase de crescimento, a fase anágena (Figura
2). Estima-se que este ciclo ocorra entre 20 a 25 vezes em cada folículo
piloso ao longo da vida (Pozebon et al., 1999). 6 FIGURA 2 – FASES DO
CICLO DE CRESCIMENTO CAPILAR Fonte:
https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/hair-growth-cycle-skin-
isolated-on-1816948253 Na alopecia, ocorre uma mudança nessa
proporção de fases, a qual se tem uma redução da fase anágena,
combinada com um aumento da fase de queda (telógena). Alguns fatores
contribuem para a queda anormal dos fios de cabelo como distúrbios
hormonais, alteração na circulação sanguínea, produção excessiva de
oleosidade, pós-parto, pós-cirurgias, carências nutricionais, metais
pesados, doenças, produtos químicos e medicamentos, fatores
emocionais ou psíquicos (Gomes e Damazio, 2017). Uma estrutura
importante associada ao folículo piloso são as glândulas sebáceas, as
quais produzem e secretam o sebo, material lipídico, no ducto do folículo
piloso, lubrificando a fibra capilar, protegendo contra a perda de água e
proporcionando brilho e flexibilidade aos fios, no entanto, variações
hormonais podem alterar a produção de sebo pela glândula influenciando
na aparência e rotina de higiene dos fios (Santos, 2014; Gomes e Damazio,
2017). O fio de cabelo é formado por duas partes, sendo elas a raiz e a
haste. A raiz é a parte inferior onde ocorre a formação da fibra capilar
formada por células vivas, o bulbo capilar, já a haste é formada por células
cilíndricas mortas de queratina organizadas e estruturadas, dispostas em
três camadas: cutícula, córtex e medula (Abraham et al., 2009; Gomes e
Damazio, 2017). A medula é a camada mais interna do fio, núcleo central do
cabelo. O córtex é uma camada sólida e resistente de células
queratinizadas que compõem cerca de 75% a 90% da massa da fibra capilar,
responsável pela forma, a cor, a resistência, a elasticidade e a quantidade
de umidade natural da fibra capilar. E a cutícula é a camada externa,
responsável pelo brilho e a textura, formada por 6 a 8 camadas de células
que se sobrepõem na forma de escamas coberta por uma camada invisível
de lipídios resistentes à água (Figura 3) (Pozebon et al., 1999; Amiralian e
Fernandes, 2018a). FIGURA 3 – ESTRUTURA DO FIO DE CABELO Fonte:
https://pt.dreamstime.com/imagem-de-stock-estrutura-do-cabelo-
image37956941 7 O fio de cabelo é um filamento proteico formado por
queratina (65-95%), água, lipídeos e minerais. A queratina (α-queratina) é
uma proteína aniônica, composta por 18 aminoácidos e caracterizada pelo
alto conteúdo de enxofre derivado da cistina, formando uma rede de
ligações cruzadas através de ligações dissulfídicas, conferindo ao cabelo
resistência química e mecânica, e podendo absorver água até 30% do seu
peso. As ligações entre os aminoácidos que constituem a fibra capilar são
responsáveis pela estabilidade estrutural, pela forma do cabelo e pela
resistência mecânica dos fios (Pozebon et al., 1999; Pinheiro et al., 2013;
Amiralian e Fernandes, 2018). O cabelo é um tipo de pelo terminal
queratinizado encontrado no couro cabeludo, diferindo dos demais quanto
ao comprimento e concentração, possuindo várias funções como proteção
térmica e mecânica, sensibilidade, está envolvido nas questões de estética
e psicológica, além da inserção social e identidade do indivíduo (Pinheiro
et al., 2013; Amiralian e Fernandes, 2018). O cabelo pode ser classificado
de acordo com tipos étnicos, porosidade, resistência, densidade, teor
hídrico e teor lipídico. Quanto à porosidade, está relacionada a estrutura
interna da haste, sendo um cabelo poroso ou sensível quando as escamas
das cutículas são abertas, permeável, absorve umidade e substâncias
químicas com maior rapidez, um cabelo normal quando as escamas das
cutículas semiabertas, absorção normal, e um cabelo impermeável quando
as escamas das cutículas fechadas, dificultando penetração (Abraham et
al., 2009; Gomes e Damazio, 2017). Quanto à resistência capilar relacionada
a força aplicada para romper um fio de cabelo, sendo um cabelo forte
quando possui uma excelente resistência à tensão, um cabelo normal com
boa resistência à tensão e um cabelo fraco com baixa resistência à tensão.
Quanto à densidade capilar relacionados aos números de fios por cm2 , é
um considerado uma densidade alta quando os cabelos são volumosos,
densidade normal quando apresentam volume normal e densidade baixa
quando os cabelos são ralos (Gomes e Damazio, 2017). Quanto ao teor
hídrico relacionado a hidratação, cabelo normal com alto teor hídrico e
cabelo seco com baixo teor hídrico. E quanto ao teor lipídico relacionado a
quantidade de sebo, sendo um cabelo normal com normal de sebo, um
cabelo oleoso com alta taxa de sebo, pela hiperfunção das glândulas
sebáceas, um cabelo seco pela baixa taxa de sebo, pela hipofunção das
glândulas sebáceas e um cabelo misto quando oleoso na raiz e seco na
haste, geralmente causado por agressões por produtos químicos (Gomes
e Damazio, 2017). Portanto, uma pessoa possui de 100.000 a 150.000 fios
de cabelo, com diâmetro de 50 a 100 µm, com crescimento de 0,3 a 0,5
mm/dia, com uma resistência à tração de 12 toneladas. O fio de cabelo tem
uma duração de vida de 2 a 7 anos, dependendo do indivíduo, a perda
fisiológica normal é de 50 a 100 fios de cabelo por dia e o cabelo é alterado
de acordo com as tendências da moda, cultura e valores da sociedade
(Abraham et al., 2009; Gomes e Damazio, 2017). 02. Formulações
Cosméticas A cosmetologia é uma ciência que estuda os cosméticos
abrangendo desde o desenvolvimento até a aplicação da formulação,
incluindo a pesquisa de matérias-primas, desenvolvimento de 8
formulações, tecnologias para a produção, controle de qualidade,
comercialização, legislação, entre outros aspectos relacionados aos
cosméticos (Allemand e Deuschle, 2019). As formulações cosméticas são
compostas por matérias-primas naturais de origem vegetal, animal ou
mineral, ou sintéticas denominadas excipiente e princípio ativo. Algumas
formulações podem apresentar apenas excipiente, como uma base
cosmética (Allemand e Deuschle, 2019). Os cosméticos estão classificados
junto aos produtos de higiene pessoal e perfumes. Segundo a Resolução –
RDC Nº 752, de 19 de setembro de 2022, produtos de higiene pessoal,
cosméticos e perfumes são definidos como “preparações constituídas por
substâncias naturais ou sintéticas, de uso externo nas diversas partes do
corpo humano, pele, sistema capilar, unhas, lábios, órgãos genitais
externos, dentes e membranas mucosas da cavidade oral, com o objetivo
exclusivo ou principal de limpá-los, perfumá-los, alterar sua aparência e ou
corrigir odores corporais e ou protegêlos ou mantê-los em bom estado.” E
ainda os classifica como produtos Grau 1 que compreende os “produtos
de higiene pessoal, cosméticos e perfumes que se caracterizam por
possuírem propriedades básicas ou elementares, cuja comprovação não
seja inicialmente necessária e não requeiram informações detalhadas
quanto ao seu modo de usar e suas restrições de uso, devido às
características intrínsecas do produto, e produtos Grau 2 como os
“produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes que possuem
indicações específicas, cujas características exigem comprovação de
segurança e/ou eficácia, bem como informações e cuidados, modo e
restrições de uso.” Os critérios para esta classificação foram definidos em
função da probabilidade de ocorrência de efeitos não desejados devido ao
uso inadequado do produto, sua formulação, finalidade de uso, áreas do
corpo a que se destinam e cuidados a serem observados quando de sua
utilização (Brasil, 2022). A Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(ANVISA) possui uma Biblioteca de Cosméticos atualizada, a qual reúne
todas as normas vigentes para os produtos de higiene pessoal, cosméticos
e perfumes, a fim de facilitar o acesso e compreensão ao público,
disponível no seguinte endereço: https://www.gov.br/anvisa/pt-
br/assuntos/cosmeticos. 03. Cálculos básicos aplicáveis a cosmetologia
As unidades de medida mais utilizadas tanto para cosmetologia quanto
para farmacotécnica são: Para sólidos: • kg = quilograma • g = grama • mg
= miligrama • μg (mcg) = micrograma E para líquidos: • L = litro • mL =
mililitro • μL = microlitro 9 3.1 Conversão de unidades Para calcular a
quantidade correta de matérias-primas, dependendo da formulação, será
necessário realizar a conversão de unidades. Em relação ao sistema
métrico de pesos, tendo como base a unidade fundamental grama para a
conversão de unidades, realizamos os seguintes cálculos: para
transformar gramas em miligramas, deve-se multiplicar por 1000 e para
transformar miligramas em microgramas, deve-se multiplicar por 1000; e
para transformar microgramas em miligramas, deve-se dividir por 1000, e
para transformar miligramas em gramas, deve-se dividir por 1000,
conforme ilustrado na Figura 4. FIGURA 4 - CÁLCULO PARA CONVERSÃO
DA UNIDADE DE MASSA Fonte: A autora (2024). Em relação ao sistema
métrico de volume, tendo como base a unidade fundamental litro para a
conversão de unidades, realizamos os seguintes cálculos: para
transformar litro em mililitro, deve-se multiplicar por 1000 e para
transformar mililitro em microlitro, deve-se multiplicar por 1000; e para
transformar microlitro em mililitro, deve-se dividir por 1000, e para
transformar mililitro em microlitro, deve-se dividir por 1000, conforme
ilustrado na Figura 5. FIGURA 5 - CÁLCULO PARA CONVERSÃO DA
UNIDADE DE VOLUME Fonte: A autora (2024). 3.2 Densidade A densidade
é uma propriedade física que relaciona a massa de uma substância ao
volume, portanto, calculada dividindo a massa de uma substância por seu
volume, em kg/L ou g/mL: 10 d=m/v 3.3 Concentração percentual A
concentração em porcentagem é utilizada para expressar a concentração
de insumos em cosméticos. A concentração percentual indica quantas
partes em massa ou volume de uma substância estão incluídas em 100
partes da preparação total (ex. formulação), representada em porcentagem
(%), e pode ser expressa em peso/volume (p/v), volume/volume (v/v) ou
peso/peso (p/p): • Porcentagem (p/v) — expressa o número de gramas em
100 mL de solução. • Porcentagem (v/v) — expressa o número de mL de um
constituinte em 100 mL de solução. • Porcentagem (p/p) — expressa o
número de gramas de um constituinte em 100 g de preparação. Desta
modo, por cento significa partes por 100, por exemplo, 5% seria 5 partes
da substância em 100 partes da preparação total. Na porcentagem, estão
envolvidos dois valores e as unidades padrão são gramas (substâncias
sólidas) e mililitros (substâncias líquidas). Portanto, 5% significa 5 g ou 5
mL em 100 g, ou 100 mL do produto total (Allemand e Deuschle, 2019). 3.4
Quantidade suficiente para (q.s.p.) Na química, q.s.p. é a abreviação de
“Quantidade Suficiente Para”. Em latim, Quantum Satis Para. Este termo é
comumente escrito nas prescrições de formulações, e utilizado quando
não tem-se uma quantidade exata de um veículo líquido ou sólido para
completar um determinado volume ou massa de formulação. Exemplo:
Formulação de soro fisiológico 0,9%. Cloreto de
Sódio...........................................................0,9% Água
Destilada........................q.s.p............................100mL Então, para o preparo
de 100mL do soro fisiológico, teremos 0,9 g de cloreto de sódio, desta
maneira, como a água destilada (veículo) está para q.s.p. para 100 mL,
assim, temos que diminuir o valor de 0,9 g (quantidade de cloreto de sódio)
do valor total da formulação (100mL), à vista disso, a quantidade de água
destilada na formulação será de 99,1mL. 3.5 Regra de três A regra de três é
uma técnica usada para encontrar valores desconhecidos quando
conhecemos outros três, desde que esses quatro valores formem uma
proporção, cujos valores têm mesma grandeza e unidade. Esse método de
resolução tem bastante aplicação em situações constantes do dia a dia,
inclusive na cosmetologia. Para realizar os cálculos é necessário verificar
a relação entre os pares de grandezas, se são diretamente ou inversamente
proporcionais. Quando grandezas são diretamente proporcionais, deve-se
usar o seguinte modelo de cálculo: 11 Exemplo: Em 100mL de um shampoo
tem-se 2 mL de extrato glicólico de jaborandi. Quantos mL do extrato há
em 200 mL de uma formulação do shampoo com a mesma concentração
do extrato glicólico de jaborandi? 2 mL ——100 mL x ——200 mL x = 2 *
200/100 x = 4 mL Portanto, em 200 mL de uma formulação de shampoo com
a mesma concentração haverá 4 mL do extrato glicólico de jaborandi. 04.
Shampoo O shampoo é uma formulação cosmética classificada como
produto de Grau 1, porém quando são shampoos infantis e com ação
antiqueda, anticaspa e/ou outros benefícios específicos que justifiquem a
comprovação prévia, são classificados como produto Grau 2, conforme
RDC 752/2022 (Brasil, 2022). A principal finalidade do shampoo é limpar o
couro cabeludo e os cabelos, removendo células mortas, componentes do
suor, excesso de sebo, resíduos de cosméticos e sujidades do meio
ambiente, que se acumulam deixando os cabelos com aspecto sujo, oleoso
e com odor desagradável. A ação primária é a limpeza, porém em
determinados casos, pode ser acompanhada de uma ação farmacológica,
estimulante ou normalizadora das funções fisiológicas do bulbo capilar e
das glândulas sebáceas, especialmente nos shampoos para tratamento
(Draelos, 1999; Corrêa, 2012). Há registros de aproximadamente 5 mil anos
atrás da utilização de sabões para a higienização dos fios de cabelo pelos
antigos babilônios. A partir da década de 1930 começou a ser formulado
shampoos com surfactantes, então, até este momento da história eram
utilizados sabões, de natureza alcalina, para lavar os cabelos, os quais
deixavam os cabelos ásperos, ressecados, opacos, sem brilho e duros
(Draelos, 1999; Corrêa, 2012). Atualmente, os consumidores não desejam
somente que o shampoo limpe o cabelo, mas também traga benefícios,
como brilho, maleabilidade, hidratação, e que sejam específicos para cada
tipo de cabelo. As formulações de shampoo têm que possuir uma
detergência adequada capaz de eliminar as sujidades, mas preservar o
conteúdo graxo que promove elasticidade e lubrificação para a pele e os
fios de cabelo, mantendo a normalidade morfológica e fisiológica do couro
cabeludo e do cabelo (Draelos, 1999; Corrêa, 2012; Matiello et al., 2019). As
formulações de shampoo podem ser líquidas, semissólidas e sólidas,
assim como transparente ou opaco (peroladas), dependendo dos
constituintes presentes na fórmula e finalidade de uso (Draelos, 1999;
Corrêa, 2012). O shampoo deve apresentar algumas características gerais
como detergência equilibrada, capacidade de formar espuma, apesar da
espuma não estar relacionada com a ação detergente, porém é melhor
aceitável um shampoo com espuma densa e abundante pelos
consumidores, 12 também viscosidade adequada para facilitar a aplicação,
estabilidade em pH ácido, solubilidade em água, não agredir os cabelos e
não irritante aos olhos, além de fácil enxágue, proporcionar a
penteabilidade, deixar os cabelos maleáveis e com brilho, e apresentar cor
e odor atraentes (Draelos, 1999; Corrêa, 2012). A composição de um
shampoo é formada basicamente por: • Água; • Tensoativos; •
Estabilizadores de espuma; • Sobreengordurantes; • Agentes com
propriedades específicas: espessantes, redutores de irritação, agentes de
condicionamento e de penteabilidade e aditivos diversos; • Estabilizantes
da formulação: conservantes, sequestrantes, antioxidantes; •
Modificadores dos caracteres organolépticos e atributos de marketing:
corante, perolizante, opacificante, fragrância. O principal componente de
uma formulação de shampoo é o tensoativo. Os tensoativos são moléculas
anfifílicas, as quais apresentam uma parte lipofílica (apolar) e uma parte
hidrofílica (polar) (Figura 6), por este motivo possuem ação detergente e
emulsificante, pela redução da tensão superficial ou interfacial de um
sistema (Allemand e Deuschle, 2019). FIGURA 6 - REPRESENTAÇÃO
ESQUEMÁTICA DE UMA MOLÉCULA DE TENSOATIVO COM SUAS PARTES
APOLAR E POLAR Fonte: Allemand e Deuschle, 2019, adaptada de Daltin,
2011. A porção hidrofílica da molécula do tensoativo liga-se a água e ajuda
molhar o cabelo e promove a flutuação de pequenas partículas
(umedecidas) que removem o sebo (suspensas na espuma) durante a
lavagem, e a porção lipofílica liga-se ao sebo, emulsificando (solubilizando
e dispersando a gordura), formando pequenas gotículas, chamadas de
micelas, que sofrem repulsão devido à carga aniônica do tensoativo.
Assim, a sujeira é suspensa e removida pela água (Madureira et al., 2014;
Matiello et al., 2019). 13 Durante a lavagem, a deposição de agentes
aniônicos levanta as escamas (cutícula) do cabelo e este absorve água até
30% do seu peso. A repulsão de cargas aniônicas embaraça os fios de
cabelo. Agentes com carga catiônica e proteínas adsorvem sobre os sítios
aniônicos do cabelo, neutralizam cargas e alinham as escamas conferindo
condicionamento e brilho (Madureira et al., 2014). Os tensoativos são
classificados de acordo com a carga elétrica de sua molécula e podem ser
aniônicos, catiônicos, anfotéricos e não iônicos. Cada classe de
tensoativos apresenta diferentes características de limpeza e
condicionamento, portanto, a compreensão destas informações é
essencial para o desenvolvimento das formulações para atender a
necessidade do consumidor (Matiello et al., 2019). Em formulações de
shampoos são mais utilizados tensoativos aniônicos, anfotéricos e não
iônicos (Allemand e Deuschle, 2019; Matiello et al., 2019). De modo geral,
nas fórmulas de shampoos utiliza-se um tensoativo primário (aniônico),
que possua alta capacidade de remover a sujidade, em associação com um
tensoativo secundário, para melhorar as propriedades como estabilizar a
espuma, viscosidade, e minimizar desvantagens que o tensoativo primário
possa apresentar, como diminuir a irritação a pele e aos olhos (Matiello et
al., 2019). Os tensoativos aniônicos possuem um grupo polar com carga
negativa em solução aquosa (Figura 7), desta forma, apresentam maior
poder de detergência, formação de espuma e umectância. Os mais comuns
e utilizados são os alquil sulfatos como o lauril sulfato de sódio, os alquil
éter sulfatos como o lauril éter sulfato de sódio e os alquil sulfossuccinatos
como o lauril éter sulfossuccinato de sódio. Para um equilíbrio na
formulação são utilizados em associação com tensoativos anfóteros e não
iônicos (Amiralian e Fernandes, 2018). FIGURA 7 – REPRESENTAÇÃO
ESQUEMÁTICA DOS TENSOATIVOS ANIÔNICOS, CATIÔNICOS,
ANFOTÉRICOS E NÃO IÔNICOS Fonte: MAROLDI, W. V. Otimização e
avaliação multivariada na obtenção, purificação e caracterização de
biossurfactante obtido por bioreação do Bacilus subtilis ATCC 9372
utilizando melaço de cana-de-açúcar / Wédisley Volpato Maroldi – 2018.
Disponível em: https://
repositorio.utfpr.edu.br/jspui/bitstream/1/3241/2/biossurfactantebiorea%C
3%A7%C3%A3obacillussubtilis.pdf Acesso em: 28 abr. 2024. 14 Os
tensoativos anfóteros contém na mesma molécula grupos catiônicos e
grupos aniônicos, dependendo do pH (Figura 7), assim, proporcionam
maior suavidade, condicionamento e diminuem o poder irritante dos
aniônicos, os mais utilizados são as betaínas, podem ser encontrados em
shampoos infantis, pois não são irritantes aos olhos (Amiralian e
Fernandes, 2018). Os tensoativos não iônicos não possuem carga nos
grupamentos hidrofílicos (Figura 7) e possuem propriedades de modificar
o agente de limpeza principal, doar viscosidade, além de solubilizantes
auxiliares, emulsionantes, sobreengordurantes, estabilizadores de espuma
(rica, densa, pequeno tamanho e abundante), e amenizar ardor e irritação
dos olhos. Os tensoativos mais utilizados são as alcanolamidas de ácidos
graxos devido ao seu baixo custo e por apresentar alto poder espessante,
auxiliando no aumento de viscosidade e os alquilpoliglicosídeos, que são
derivados de milho e possuem boa solubilidade em água, além de
apresentar bom poder detergente e ter grau elevado de biodegradabilidade
(Amiralian e Fernandes, 2018). Os sobreengordurantes são substâncias
que fornecem condicionamento, substantividade, brilho e maciez ao
cabelo. Os tensoativos aniônicos apresentam alto poder detergente, assim,
os sobreengordurantes evitam ou diminuem esses efeitos negativos,
repondo a oleosidade natural do cabelo retirada na lavagem. Os
representantes desta classe são os tensoativos de amidas, anfóteros,
quaternários, poliquatérnios, os óleos, gorduras e ceras, ésteres de ácidos
graxos e polióis, álcoois graxos e derivados, proteínas hidrolisadas e
derivados quaternizados, goma guar quaternizada, silicones e vitaminas
(Draelos, 1999; Corrêa, 2012). Os agentes quelantes ou sequestrantes são
utilizados para evitar problemas relacionados à estabilidade envolvendo
cor, odor e aparência, além de potencializar o efeito dos conservantes e
antioxidantes. Estas matérias-primas agem complexando e inativando íons
metálicos como cálcio, ferro, cobre e magnésio provenientes da água ou
matérias-primas. Os principais agentes quelantes empregados são EDTA
dissódico, EDTA tetrassódico e os derivados de citrato e gluconato
(Amiralian e Fernandes, 2018). Os agentes espessantes ou de consistência
são matérias-primas empregadas para aumentar a viscosidade do produto
impactando a estabilidade, o sensorial e aparência, facilitando a aplicação
do produto. Estes são classificados como orgânicos como hidratos de
carbono e os éteres poliglicólicos de ácidos graxos e inorgânicos como o
cloreto de sódio, cloreto de magnésio e fosfato de sódio ou de amônio
(Amiralian e Fernandes, 2018a; Matiello et al., 2019). Os reguladores de pH
são substâncias empregadas para ajustar o grau de acidez ou alcalinidade
do produto, e classificados como neutralizantes, alcalinizantes,
acidulantes e tampões. Os reguladores de pH mais utilizados são o ácido
cítrico, hidróxido de sódio e trietanolamina (Amiralian e Fernandes, 2018a).
Outra classe de constituintes em shampoo são os umectantes, são
substâncias higroscópicas que possuem a propriedade de reter água na
pele, cabelo e nos produtos cosméticos. Os principais representantes
desta classe são a glicerina, os poliglicóis, os sacarídeos, polissacarídeos
e os extratos vegetais (Amiralian e Fernandes, 2018a). Os agentes
antioxidantes como tocoferol, o BHT e o BHA são usados para prevenir a
oxidação e o rancificação de componentes, tais como óleos vegetais,
derivados dos ácidos linoleico e oleico (Draelos, 1999; Corrêa, 2012). 15 Os
conservantes são substâncias utilizadas para aumentar a vida útil do
produto, evitando a contaminação microbiológica por fungos e bactérias,
garantindo a segurança do produto (Matiello et al., 2019). Os mais utilizados
são os parabenos e imidazolidinil ureia. Os conservantes são
regulamentados pela RDC Nº 528 de 4 de agosto de 2021 (ANVISA), que
dispõe sobre a lista de substâncias de ação conservante permitidas,
concentração máxima autorizada e limitações de uso para produtos de
higiene pessoal, cosméticos e perfumes (Amiralian e Fernandes, 2018a).
Os modificadores das características organolépticas são os opacificantes,
que proporcionam fundo opaco aos produtos, os perolizantes, que
conferem brilho pérola aos produtos, as fragrâncias, que perfumam e
garante um cheiro agradável ao produto, cobrindo o odor dos
componentes da formulação, e os corantes, que proporcionam cor,
tornando o produto mais atraente (Amiralian e Fernandes, 2018a; Matiello
et al., 2019). Em shampoos podem ser utilizados ativos com propriedades
terapêuticas como nos shampoos anticaspa e antiqueda. O shampoo
anticaspa é destinado ao tratamento da caspa, assim, contém em sua
fórmula ativos com ação antifúngica como o cetoconazol, piritionato de
zinco, piroctona olamina ou octopirox e sulfureto de selênio (Matiello et al.,
2019). Já os shampoos antiqueda possuem ativos para estimular o
crescimento e reduzir a queda dos fios de cabelo, como tintura de jaborandi
(vasodilatador), tintura de Capsicum sp (tônico estimulante e anti-
inflamatório), tintura de cantárida (vasodilatador), nicotinamida
(vasodilatador), entre outros. O processo tradicional de fabricação do
shampoo é simples, misturando os componentes respeitando a polaridade
e a solubilidade de cada um deles, separando-os em fases. Ao utilizar
algum componente que necessite de aquecimento, este deve ser aquecido
separadamente e adicionado ao processo. A faixa de pH de shampoos é de
5,5 a 6,8 e para pH de shampoos infantis 7,5 a 8,5 (Amiralian e Fernandes,
2018a). De modo geral, a formulação cosmética a ser desenvolvida deve
seguir as legislações pertinentes e respeitar as indicações de uso das
matérias-primas fornecidas pelo fabricante (Amiralian e Fernandes, 2018a).
05. Condicionador O condicionador é um produto cosmético utilizado após
o uso do shampoo. Durante o processo de limpeza dos fios de cabelo, o
shampoo não remove somente a sujeira do cabelo, mas também a
hidratação natural dos fios produzida pelas glândulas sebáceas, causando
ressecamento. Outro fato é que as cargas negativas dos tensoativos
aniônicos, presentes no shampoo, acabam aderindo aos fios e causando
repulsão eletrostática entre eles, causando embaraço, deixando o cabelo
com aspecto arrepiado e áspero (Madureira et al., 2014; Matiello et al.,
2019). Portanto, foi desenvolvido uma formulação cosmética, o
condicionador, para devolver a hidratação necessária aos fios de cabelo,
revestindo a haste capilar, e para neutralizar as cargas negativas dos fios
através do fechamento das cutículas capilares, conferindo ao cabelo
maciez, restauração, brilho, hidratação, diminuição do frizz, definição de
cachos, entre outros (Amiralian e Fernandes, 2018b; Matiello et al., 2019).
16 Um condicionador é uma emulsão catiônica formada com maiores
concentrações de agentes condicionantes, normalmente mais de um tipo,
e baixa concentração de tensoativos, além de agentes umectantes,
emolientes, espessantes, fragrâncias, conservantes, dentre outros
(Matiello et al., 2019). De modo geral os condicionadores são constituídos
por tensoativos catiônicos, agentes condicionantes (óleos vegetais,
álcoois graxos, ácidos graxos, lanolina, silicones), compostos
quaternizados (proteínas), aditivos (vitaminas), fragrâncias, estabilizantes
(agentes sequestrantes, espessantes e conservantes) e água (Matiello et
al., 2019). Os tensoativos catiônicos são os principais constituintes do
condicionador, sendo eles os quaternários de amônio e éster quat. Essas
substâncias apresentam um grupo polar (hidrofílico, com pelo menos um
átomo de nitrogênio) com cargas positivas e um grupo apolar (lipofílico)
(Figura 7), assim, as cargas positivas do tensoativo interagem com as
cargas negativas do fio de cabelo (queratina), neutralizandoas, diminuindo
a eletricidade estática (Madureira et al., 2014; Matiello et al., 2019). A porção
lipofílica (materiais graxos) da molécula do tensoativo catiônico, se adere
à haste capilar, modificando as propriedades superficiais do cabelo,
conferindo elasticidade, suavidade, maciez e penteabilidade,
permanecendo nos fios mesmo após o enxágue (Madureira et al., 2014;
Matiello et al., 2019). Vale ressaltar, que os tensoativos catiônicos atuam
como bactericidas e auxiliam na estabilidade da emulsão devido à
propriedade emulsionante (Amiralian e Fernandes, 2018b). Para
complementar a ação dos tensoativos catiônicos são adicionados as
formulações agentes de consistência para melhorar a estabilidade e
viscosidade. São eles os álcoois graxos como o álcool cetílico,
cetoestearílico, estearílico e berrênico, ésteres graxos e ceras naturais ou
sintéticas (Amiralian e Fernandes, 2018b; Matiello et al., 2019). Também
fazem parte da formulação os emulsionantes não iônicos como os ésteres
de glicol e glicerol, ésteres de sorbitan, polissorbatos e álcoois graxos
etoxilados (Amiralian e Fernandes, 2018b). Para proporcionar
condicionamento ao cabelo, são utilizados nas formulações os polímeros
naturais catiônicos, que absorvem na fibra capilar, melhorando a
porosidade ou formando um filme de proteção e impermeabilização,
aumentando a elasticidade e resistência dos fios (Amiralian e Fernandes,
2018b). Nestas formulações também são utilizados proteínas e derivados
de proteínas do colágeno, leite, vegetais, seda ou plumagem de aves, que
age selando as pontas dos fios, e quando em moléculas menores
conseguem penetrar na fibra capilar, melhorando a textura, porosidade e
aumentando a elasticidade (Matiello et al., 2019). Os silicones, também são
utilizados em condicionadores, pois formam um filme sobre o fio de cabelo,
impedindo a perda de água e os protegendo, promovendo brilho e
maleabilidade, também são adicionados em shampoos para melhorar a
penteabilidade a seco e úmido (Matiello et al., 2019). Os agentes
umectantes, como a glicerina, atraem e retém água mantendo a umidade
dos fios, e os agentes hidratantes, também revestem o fio e evitam a perda
de água (ex. lanolina e óleo mineral) (Matiello et al., 2019). Os
condicionadores estão disponíveis em três tipos básicos: condicionador
com enxágue, condicionador de tratamento ou reparação e condicionador
sem enxágue (Matiello et al., 2019). 17 RECURSOS UTILIZADOS Materiais
de consumo: Descrição Observação Luvas de procedimento Touca
Máscara Jaleco de manga comprida Material a ser fornecido pelo aluno.
Lauril éter sulfato de sódio Lauril éter sulfosuccionato de sódio
Cocoamidopropilbetaína Lauril poliglicosídeo Dietanolamina do ácido
graxo de côco Metilparabeno Cloreto de sódio EDTA dissódico
Cetoconazol Solução de ácido cítrico a 10% Água deionizada Solução de
hidróxido de sódio 1M Material a ser fornecido pela UniFatecie. Balança
analítica Material a ser fornecido pela UniFatecie. Béquer Material a ser
fornecido pela UniFatecie. Cálice Material a ser fornecido pela UniFatecie.
Espátula Material a ser fornecido pela UniFatecie. Bastão de vidro Material
a ser fornecido pela UniFatecie. pHmetro Material a ser fornecido pela
UniFatecie. O processo de fabricação de condicionadores é relativamente
simples, consistindo na mistura de uma fase aquosa e de uma fase oleosa
que são aquecidas a temperatura de aproximadamente 80 ºC por
determinado período de tempo, formando a emulsão (condicionador) sob
agitação. Na temperatura de 45ºC são adicionados os constituintes
sensíveis a altas temperaturas e finalizado o processo da emulsão
ajustando o pH na faixa de 3,8 a 4,5, próximos ao ponto isoelétrico da
queratina (pH 3,7) (Amiralian e Fernandes, 2018b). Portanto, um bom
condicionador deve manter a aparência dos cabelos atraente e saudável,
melhorar a penteabilidade, diminuir a carga estática, também restaurar a
película lipídica protetora, proporcionar brilho, volume, substantividade e
condicionamento aos fios de cabelo. 18 ATENÇÃO: SAÚDE E SEGURANÇA
Caros (as) alunos (as), Este projeto integrador visa lhes proporcionar a
experiência prática de técnicas para formulação de shampoos. Todavia,
para que sua segurança e integridade física seja mantida é indispensável a
utilização de equipamentos de proteção individual (EPI’s): a) Uso
obrigatório de jaleco: longo, branco, de tecido; b) Uso obrigatório de luvas,
tocas e máscaras; c) Vestuário adequado e obrigatório: uso de calça
comprida e sapatos fechados, além de cabelos presos. d) As mãos devem
ser lavadas com sabão ao entrar no laboratório e após a retirada das luvas.
O QUE PRECISO FAZER NESSA ATIVIDADE PRÁTICA Caros (as) alunos
(as), Neste projeto integrador vocês irão desenvolver duas formulações de
shampoo, uma fórmula de SHAMPOO SUAVE PARA USO DIÁRIO e uma
fórmula de SHAMPOO COM CETOCONAZOL A 2%. Por gentileza, siga as
instruções abaixo para o desenvolvimento das técnicas. Boa prática!
Formulação 1 a ser desenvolvida: SHAMPOO SUAVE PARA USO DIÁRIO
LAURIL ÉTER SULFATO DE SÓDIO.......................................... 20,0% LAURIL
ÉTER SULFOSUCCIONATO DE SÓDIO...................... 10,0%
COCOAMIDOPROPILBETAÍNA.................................................. 10,0% ÁGUA
DEIONIZADA.................................................................... 20,0% LAURIL
POLIGLICOSÍDEO (PLANTAREN)................................ 1,0%
DIETANOLAMINA DO ÁCIDO GRAXO DE CÔCO..................... 4,5%
METILPARABENO............................................................................. 0,2%
CLORETO DE SÓDIO................................................................... 1,0% Link de
acesso ao vídeo da prática 19 EDTA
dissódico.............................................................................. 0,1% ÁGUA
DEIONIZADA...................q.s.p........................................... 100,0%
Procedimento: • Para preparar 100 mL da formulação de shampoo: Passo
1: Calcular a quantidade de água da Fase C. Primeiro, somar todos os
componentes da formulação (66,8 mL) e diminuir do valor de 100. A
quantidade de água é de 33,2 mL. Passo 2: Calcular as quantidades
corretas de cada matéria-prima da formulação. Passo 3: Pesar ou medir a
quantidade correta das matérias-primas. Passo 4: Desenvolver a técnica:
TÉCNICA: • Fase B (FB) – Num béquer, solubilizar o metilparabeno e o lauril
poliglicosídeo na dietanolamina do ácido graxo de côco. Aquecer se
necessário, com auxílio do bico de Bunsen utilizando suporte ou outro
recurso. • Fase A (FA) - Acrescentar os componentes desta fase no cálice e
adicionar a água. Após, adicionar os componentes da FB solubilizados
neste cálice. • Fase C (FC) - Num béquer, solubilizar o EDTA na água, e
posteriormente solubilizar o cloreto de sódio na solução. Após,
acrescentar a FC solubilizada no cálice acima junto com FA e FB. • Ajustar
para pH=6,0 com solução de ácido cítrico a 10%. Formulação 2 a ser
desenvolvida: SHAMPOO COM CETOCONAZOL A 2%
CETOCONAZOL......................................................................2,0% SOLUÇÃO
DE ÁCIDO CÍTRICO A 10%..................................3,0ML DIETANOLAMINA DO
ÁCIDO GRAXO DE CÔCO................. 3,0%
METILPARABENO...................................................................0,2%
COCOAMIDOPROPILBETAÍNA..............................................5,0% LAURIL
ÉTER SULFATO DE SÓDIO.................................... 25,0% Link de acesso ao
vídeo da prática 20 ÁGUA
DEIONIZADA.....................................q.s.p.................. 100,0% SOLUÇÃO DE
HIDRÓXIDO DE SÓDIO 1 M (para ajustar o pH) Procedimento: • Para
preparar 100 mL da formulação de shampoo: Passo 1: Calcular a
quantidade de água da Fase C. Primeiro, somar todos os componentes da
formulação (38,2) e diminuir do valor de 100. A quantidade de água é de
61,8 mL. Passo 2: Calcular as quantidades corretas de cada matéria-prima
da formulação. Passo 3: Pesar ou medir a quantidade correta das matérias-
primas. Passo 4: Desenvolver a técnica: TÉCNICA: • Fase A (FA) Num
Cálice, solubilizar o cetoconazol em 3mL de solução de ácido cítrico a 10%
e reservar. • Fase B (FB) Em outro cálice, solubilizar o metilparabeno na
dietanolamina do ácido graxo de côco. • Fase C (FC) Num béquer,
solubilizar os componentes na água, e adicionar no cálice com a FB. •
Adicionar FA no cálice. • Ajustar para pH=5,5 com solução de hidróxido de
sódio 1M. • Utilizar embalagem opaca. RELATÓRIO Caro(a) aluno(a), Você
deverá entregar o Relatório tipo Apresentação Simples. Neste caso,
estruture seu documento conforme o modelo apresentado a você. Para
isso, faça o download do template, disponibilizado junto a este roteiro e
siga as instruções dadas. MATERIAIS COMPLEMENTARES Artigo: Análise
microbiológica de shampoos e cremes condicionadores para uso infantil.
Autores: Aline Marques Rosa, Marilene Rodrigues Chang, Fernanda Luiza
Espinosa Spositto, Camila Gonzalez da Silva, Luciane Miyagusku, Rubia
Adriele Sversut, Marcos Serrou do Amaral, Nájla Mohamad Kassab
Disponível em: http://200.145.71.41/index.php/ojs/article/view/66/64 21
REFERÊNCIAS ABRAHAM, Leonardo, S., MOREIRA, Andreia, M., MOURA,
Larissa, H., REIS, Maria, F., DIAS, Gavazzoni. Tratamentos estéticos e
cuidados dos cabelos: uma visão médica (parte 1). Surgical & Cosmetic
Dermatology. vol. 1(3), p. 130-136, 2009. Disponível em:
https://docs.bvsalud.org/ biblioref/2018/05/884411/2009_130.pdf. Acesso
em: 22 abr. 2024. ALLEMAND, Alexandra G S.; DEUSCHLE, Viviane C. K N.
Formulações em cosmetologia. Grupo A, 2019. E-book. ISBN
9788595028159. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.
com.br/#/books/9788595028159/. Acesso em: 24 abr. 2024. AMIRALIAN,
Luciana; FERNANDES, Claudia, R. Shampoos. Cosmetics & Toiletries. vol.
39, p.30-33, 2018a. Disponível em:
https://www.cosmeticsonline.com.br/ct/painel/class/artigos/ uploads/c2ff1-
CT301_Integra.pdf. Acesso em: 24 abr. 2024. AMIRALIAN, Luciana;
FERNANDES, Claudia, R. Condicionadores. Cosmetics & Toiletries. vol. 30,
p.28-30, 2018b. Disponível em:
https://www.cosmeticsonline.com.br/ct/painel/class/artigos/
uploads/53bed-CT302_28-30.pdf. Acesso em: 24 abr. 2024. BRASIL.
Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução
da Diretoria Colegiada - RDC Nº 528 de 4 de agosto de 2021, que dispõe
sobre a lista de substâncias de ação conservante permitidas para produtos
de higiene pessoal, cosméticos e perfumes. Disponível em:
https://antigo.anvisa.gov.br/documents/10181/5284308/RDC_528_2021_.pd
f/ b5f44e81-46ca-4eb5-a5f9-8e84ed067400. Acesso em: 23 abr. 2024.
BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
Resolução da Diretoria Colegiada - RDC nº 752 de 19/09/2022. Dispõe sobre
a definição, a classificação, os requisitos técnicos para rotulagem e
embalagem, os parâmetros para controle microbiológico, bem como os
requisitos técnicos e procedimentos para a regularização de produtos de
higiene pessoal, cosméticos e perfumes. Disponível em:
https://antigo.anvisa.gov.br/legislacao#/visualizar/493729. Acesso em: 23
abr. 2024. CORRÊA, Marcos, A. Cosmetologia – Ciência e Técnica. 1ª
edição, Medfarma, 492 p. 2012. DRAELOS, Zoe, D. Cosméticos em
Dermatologia. 2ª edição, Revinter, 330 p. 1999. 22 GOMES, Rosaline, K.,
DAMAZIO, Marlene, G. Cosmetologia descomplicando os princípios ativos.
5ª edição, LMP, 528 p. 2017. MADUREIRA, Bruna, C. NETO, Carlos, A. R. P.
MACHADO, Ana, C. H. R. LEITE e SILVA, Vânia, R. Shampoos &
Condicionadores. Cosmetics & Toiletries, vol. 26, p. 38-43, 2014. Disponível
em:
https://www.cosmeticsonline.com.br/ct/painel/class/artigos/uploads/5f176-
Shampoos-eCondicionantes-Ed_mai_jun_2014.pdf. Acesso em: 25 abr.
2024. MATIELLO, Aline A.; SIMÃO, Daniele; SAHD, Claudia S.; et al.
Cosmetologia aplicada II. Grupo A, 2019. E-book. ISBN 9788595029965.
Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.
br/#/books/9788595029965/ . Acesso em: 26 abr. 2024. PINHEIRO, Adriano,
S., TERCI, Diogo, PICON, F., ALBARICI, V., LONGO, V. Fisiologia dos
cabelos. Cosmetics & Toiletries, vol. 25, p. 34-45, 2013. Disponível em:
https://www.cosmeticsonline.com.
br/ct/painel/class/artigos/uploads/9aebd-Fisiologia-dos-
Cabelos_Ed_mai_jun-2013.pdf. Acesso em: 25 abr. 2024. POZEBON, D.;
DRESSLER, V. L.; CURTIUS, A. J. Análise de cabelo: uma revisão dos
procedimentos para a determinação de elementos, traço e aplicações.
Química Nova, v. 22, n. 6, p. 838–846, nov. 1999. Disponível em:
https://www.scielo.br/j/qn/a/PYNT9rQhqmy9XYC6QZpkwfD/#. Acesso em:
22 abr. 2024. SANTOS, Nívea Cristina M. Anatomia e Fisiologia Humana.
Editora Saraiva, 2014. E-book. ISBN 9788536510958. Disponível em:
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/ books/9788536510958/. Acesso
em: 22 abr. 2024.
PROJETO INTEGRADOR CRIAÇÃO DE SHAMPOO.pdf
PROJETO INTEGRADOR CRIAÇÃO DE SHAMPOO.pdf

PROJETO INTEGRADOR CRIAÇÃO DE SHAMPOO.pdf

  • 1.
    ELABORAÇÃO DE SHAMPOO01. Todos os campos do Formulário Padrão deverão ser devidamente preenchidos. 02. Esta é uma atividade individual. Caso seja identificado plágio, inclusive de colegas, a atividade será zerada. 03. Cópias de terceiros como livros e internet, sem citar a fonte, caracterizam como plágio, sendo o trabalho zerado. 04. Ao utilizar autores para fundamentar seu Projeto Integrador, os mesmos devem ser referenciados conforme as normas da ABNT. 05. Ao realizar sua atividade, renomeie o arquivo, salve em seu computador, anexe no campo indicado, clique em responder e finalize a atividade. 06. Procure argumentar de forma clara e objetiva, de acordo com o conteúdo da disciplina. Formatação exigida: documento Word, Fonte Arial ou Times New Roman tamanho 12. ORIENTAÇÕES GERAIS POR QUE PRECISO APRENDER ISSO ? 3 Os shampoos e condicionadores são dois produtos cosméticos empregados na higiene e cuidados com os cabelos, frequentemente usados em conjunto para obter melhores resultados. O shampoo é formulado para limpar o cabelo e o couro cabeludo, removendo sujeira, oleosidade e outros resíduos, enquanto que o condicionador é desenvolvido para
  • 2.
    suavizar, desembaraçar ehidratar os fios, deixando-os mais maleáveis e brilhantes. Os shampoos contêm principalmente tensoativos, que são os agentes de limpeza responsáveis por remover a sujeira e oleosidade em excesso, no entanto, também pode conter princípios ativos utilizados para o tratamento de doenças. Por outro lado, os condicionadores são ricos em agentes hidratantes, como óleos vegetais, proteínas e agentes emolientes, que funcionam selando a cutícula do cabelo, ajudando a manter a umidade e suavidade, além de reduzir o frizz. Os shampoos e condicionadores são formulados para atender aos diferentes tipos de cabelos e as necessidades dos consumidores. O uso regular de shampoo e condicionador é fundamental para manter os cabelos limpos, saudáveis e com boa aparência. Estes produtos cosméticos fazem parte da prática profissional do farmacêutico, em farmácias de manipulação, e em indústrias cosmética e farmacêutica, envolvendo o desenvolvimento e produção de shampoos, e também na área da dispensação, pois temos shampoos de tratamento à base de fármacos, que necessitam da orientação do profissional nos estabelecimentos de saúde. Portanto, o conhecimento teórico-prático sobre as formulações cosméticas de shampoos é de suma importância para a atuação do farmacêutico nos ambientes profissionais. Objetivos de aprendizagem: 01. Conhecer e correlacionar a prática à teoria aprendida sobre shampoos. 02. Conhecer e compreender os princípios químicos e físicos, e as matérias-primas relacionadas a formulação de shampoos. 03. Capacitar e desenvolver habilidades práticas na formulação e produção de shampoos. AMBIENTE NA PRÁTICA Caro (a) aluno (a), Você irá executar a aula prática proposta em um laboratório devidamente equipado presente na sua unidade MegaPolo, deve ser verificado o calendário destas atividades com o seu polo de apoio presencial UniFatecie. Caso haja dúvidas, ou não possuir polo, entre em contato com seu tutor. EMBASAMENTO TEÓRICO 4 01. Bioquímica e Fisiologia dos Cabelos Os primeiros pelos são produzidos ainda na fase embrionária, no segundo trimestre da gravidez, por volta da 20ª semana. O pelo é uma estrutura queratinizada encontrada em praticamente toda a superfície do corpo humano, com a principal função de manter e regular a temperatura corporal devido ao isolamento térmico fornecido pelo ar presente entre os fios, além de possuir uma função protetora contra os raios solares, e contra partículas estranhas nos olhos, narinas e condutos auditivos, e também desempenha um papel sensorial, transmitindo informações sobre o ambiente (Abraham et al., 2009; Pinheiro et al., 2013; Gomes e Damazio, 2017). Existem vários tipos de pelo, o pelo terminal, que são pelos longos e grossos em abundância, encontrados no cabelo, barba, púbis e axila, o pelo velus, que são pelos pouco desenvolvidos que revestem a maior parte do corpo, e o lanugo, pelos pequenos e delicados que formam a lanugem no feto e neonato e são idênticos aos velus (Santos, 2014; Gomes e Damazio, 2017). O pelo ou haste capilar é um filamento flexível rico em
  • 3.
    proteínas (65-95%) quese desenvolve em invaginações que se projetam da derme para a epiderme, denominado folículo piloso (Santos, 2014; Gomes e Damazio, 2017). O folículo piloso (Figura 1) ou unidade folicular é um canal, ou ducto onde produz e faz crescer o pelo. No corpo humano existem cerca de 5 milhões de folículos, sendo cerca de 120.000 deles no couro cabeludo, com exceção nas palmas das mãos, plantas dos pés, face lateral dos dedos, lábios e mucosa genital (Abraham et al., 2009; Gomes e Damazio, 2017). O folículo piloso é composto por duas partes, uma superficial e outra profunda, também pode ser dividido em infundíbulo, istmo e bulbo capilar. A porção superficial do folículo piloso é formada pelo óstio (orifício externo) e o infundíbulo (parte superior interna). Enquanto que a parte profunda é composta pela bainha conjuntiva, bainha epitelial dupla, bulbo piloso, músculo eretor do pelo, vasos sanguíneos e terminações nervosas. A região responsável pela origem e crescimento do pelo é o bulbo capilar, que possui o formato de uma bolsa, nele contém a papila dérmica e a matriz capilar, responsáveis pela produção e manutenção do fio (Gomes e Damazio, 2017). Vídeo do embasamento teórico prática 5 FIGURA 1 – ANATOMIA DO FOLÍCULO PILOSO Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Hair_follicle-en.svg Na matriz capilar encontra-se um conjunto de células que darão origem ao fio, onde os queratinócitos produzem os filamentos de queratina para compor a fibra capilar. Estas células se proliferam e gradualmente vão queratinizando e perdem seus núcleos, migrando para cima e produzindo o fio de cabelo. Outra célula presente na matriz capilar são os melanócitos, responsáveis por produzir a melanina que proporciona coloração aos fios de cabelos. Os pigmentos produzidos pelos melanócitos são controlados geneticamente, podendo ser a feomelanina que origina a coloração vermelha a amarela, e a eumelanina que origina coloração de preto a marrom (Gomes e Damazio, 2017). A papila dérmica é formada por tecido conjuntivo, responsável pela multiplicação e diferenciação das células presentes na matriz capilar, deste modo, regula o crescimento do pelo, além de induzir a regeneração do folículo piloso na fase anágena, é altamente vascularizada, assim transporta oxigênio e nutrientes para a raiz do fio (Gomes e Damazio, 2017). O fio de cabelo apresenta um padrão cíclico de crescimento, repouso e queda, conhecido como ciclo de crescimento capilar (Figura 2). Neste ciclo acontecem três fases, sendo elas, a fase de crescimento, a fase anágena, que dura de dois a sete anos, crescendo de um a dois centímetros por mês, 90% dos fios de cabelo encontram-se nesta fase. Após este período, o fio de cabelo entra na fase de repouso, denominada fase catágena, que pode durar até três semanas, neste momento os fios param de crescer, e cerca de 1% dos fios de cabelo encontram-se nesta fase. E por fim, a fase de queda, a fase telógena, essa é a fase em que os fios caem do folículo, vale ressaltar que é normal a queda de 50 a 100 fios por dia e cerca de 10% dos fios estão nesta fase. Após, a raiz descansa durante dois a quatro meses
  • 4.
    até que umnovo fio comece a fase de crescimento, a fase anágena (Figura 2). Estima-se que este ciclo ocorra entre 20 a 25 vezes em cada folículo piloso ao longo da vida (Pozebon et al., 1999). 6 FIGURA 2 – FASES DO CICLO DE CRESCIMENTO CAPILAR Fonte: https://www.shutterstock.com/pt/image-vector/hair-growth-cycle-skin- isolated-on-1816948253 Na alopecia, ocorre uma mudança nessa proporção de fases, a qual se tem uma redução da fase anágena, combinada com um aumento da fase de queda (telógena). Alguns fatores contribuem para a queda anormal dos fios de cabelo como distúrbios hormonais, alteração na circulação sanguínea, produção excessiva de oleosidade, pós-parto, pós-cirurgias, carências nutricionais, metais pesados, doenças, produtos químicos e medicamentos, fatores emocionais ou psíquicos (Gomes e Damazio, 2017). Uma estrutura importante associada ao folículo piloso são as glândulas sebáceas, as quais produzem e secretam o sebo, material lipídico, no ducto do folículo piloso, lubrificando a fibra capilar, protegendo contra a perda de água e proporcionando brilho e flexibilidade aos fios, no entanto, variações hormonais podem alterar a produção de sebo pela glândula influenciando na aparência e rotina de higiene dos fios (Santos, 2014; Gomes e Damazio, 2017). O fio de cabelo é formado por duas partes, sendo elas a raiz e a haste. A raiz é a parte inferior onde ocorre a formação da fibra capilar formada por células vivas, o bulbo capilar, já a haste é formada por células cilíndricas mortas de queratina organizadas e estruturadas, dispostas em três camadas: cutícula, córtex e medula (Abraham et al., 2009; Gomes e Damazio, 2017). A medula é a camada mais interna do fio, núcleo central do cabelo. O córtex é uma camada sólida e resistente de células queratinizadas que compõem cerca de 75% a 90% da massa da fibra capilar, responsável pela forma, a cor, a resistência, a elasticidade e a quantidade de umidade natural da fibra capilar. E a cutícula é a camada externa, responsável pelo brilho e a textura, formada por 6 a 8 camadas de células que se sobrepõem na forma de escamas coberta por uma camada invisível de lipídios resistentes à água (Figura 3) (Pozebon et al., 1999; Amiralian e Fernandes, 2018a). FIGURA 3 – ESTRUTURA DO FIO DE CABELO Fonte: https://pt.dreamstime.com/imagem-de-stock-estrutura-do-cabelo- image37956941 7 O fio de cabelo é um filamento proteico formado por queratina (65-95%), água, lipídeos e minerais. A queratina (α-queratina) é uma proteína aniônica, composta por 18 aminoácidos e caracterizada pelo alto conteúdo de enxofre derivado da cistina, formando uma rede de ligações cruzadas através de ligações dissulfídicas, conferindo ao cabelo resistência química e mecânica, e podendo absorver água até 30% do seu peso. As ligações entre os aminoácidos que constituem a fibra capilar são responsáveis pela estabilidade estrutural, pela forma do cabelo e pela resistência mecânica dos fios (Pozebon et al., 1999; Pinheiro et al., 2013; Amiralian e Fernandes, 2018). O cabelo é um tipo de pelo terminal
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    queratinizado encontrado nocouro cabeludo, diferindo dos demais quanto ao comprimento e concentração, possuindo várias funções como proteção térmica e mecânica, sensibilidade, está envolvido nas questões de estética e psicológica, além da inserção social e identidade do indivíduo (Pinheiro et al., 2013; Amiralian e Fernandes, 2018). O cabelo pode ser classificado de acordo com tipos étnicos, porosidade, resistência, densidade, teor hídrico e teor lipídico. Quanto à porosidade, está relacionada a estrutura interna da haste, sendo um cabelo poroso ou sensível quando as escamas das cutículas são abertas, permeável, absorve umidade e substâncias químicas com maior rapidez, um cabelo normal quando as escamas das cutículas semiabertas, absorção normal, e um cabelo impermeável quando as escamas das cutículas fechadas, dificultando penetração (Abraham et al., 2009; Gomes e Damazio, 2017). Quanto à resistência capilar relacionada a força aplicada para romper um fio de cabelo, sendo um cabelo forte quando possui uma excelente resistência à tensão, um cabelo normal com boa resistência à tensão e um cabelo fraco com baixa resistência à tensão. Quanto à densidade capilar relacionados aos números de fios por cm2 , é um considerado uma densidade alta quando os cabelos são volumosos, densidade normal quando apresentam volume normal e densidade baixa quando os cabelos são ralos (Gomes e Damazio, 2017). Quanto ao teor hídrico relacionado a hidratação, cabelo normal com alto teor hídrico e cabelo seco com baixo teor hídrico. E quanto ao teor lipídico relacionado a quantidade de sebo, sendo um cabelo normal com normal de sebo, um cabelo oleoso com alta taxa de sebo, pela hiperfunção das glândulas sebáceas, um cabelo seco pela baixa taxa de sebo, pela hipofunção das glândulas sebáceas e um cabelo misto quando oleoso na raiz e seco na haste, geralmente causado por agressões por produtos químicos (Gomes e Damazio, 2017). Portanto, uma pessoa possui de 100.000 a 150.000 fios de cabelo, com diâmetro de 50 a 100 µm, com crescimento de 0,3 a 0,5 mm/dia, com uma resistência à tração de 12 toneladas. O fio de cabelo tem uma duração de vida de 2 a 7 anos, dependendo do indivíduo, a perda fisiológica normal é de 50 a 100 fios de cabelo por dia e o cabelo é alterado de acordo com as tendências da moda, cultura e valores da sociedade (Abraham et al., 2009; Gomes e Damazio, 2017). 02. Formulações Cosméticas A cosmetologia é uma ciência que estuda os cosméticos abrangendo desde o desenvolvimento até a aplicação da formulação, incluindo a pesquisa de matérias-primas, desenvolvimento de 8 formulações, tecnologias para a produção, controle de qualidade, comercialização, legislação, entre outros aspectos relacionados aos cosméticos (Allemand e Deuschle, 2019). As formulações cosméticas são compostas por matérias-primas naturais de origem vegetal, animal ou mineral, ou sintéticas denominadas excipiente e princípio ativo. Algumas formulações podem apresentar apenas excipiente, como uma base cosmética (Allemand e Deuschle, 2019). Os cosméticos estão classificados
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    junto aos produtosde higiene pessoal e perfumes. Segundo a Resolução – RDC Nº 752, de 19 de setembro de 2022, produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes são definidos como “preparações constituídas por substâncias naturais ou sintéticas, de uso externo nas diversas partes do corpo humano, pele, sistema capilar, unhas, lábios, órgãos genitais externos, dentes e membranas mucosas da cavidade oral, com o objetivo exclusivo ou principal de limpá-los, perfumá-los, alterar sua aparência e ou corrigir odores corporais e ou protegêlos ou mantê-los em bom estado.” E ainda os classifica como produtos Grau 1 que compreende os “produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes que se caracterizam por possuírem propriedades básicas ou elementares, cuja comprovação não seja inicialmente necessária e não requeiram informações detalhadas quanto ao seu modo de usar e suas restrições de uso, devido às características intrínsecas do produto, e produtos Grau 2 como os “produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes que possuem indicações específicas, cujas características exigem comprovação de segurança e/ou eficácia, bem como informações e cuidados, modo e restrições de uso.” Os critérios para esta classificação foram definidos em função da probabilidade de ocorrência de efeitos não desejados devido ao uso inadequado do produto, sua formulação, finalidade de uso, áreas do corpo a que se destinam e cuidados a serem observados quando de sua utilização (Brasil, 2022). A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) possui uma Biblioteca de Cosméticos atualizada, a qual reúne todas as normas vigentes para os produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes, a fim de facilitar o acesso e compreensão ao público, disponível no seguinte endereço: https://www.gov.br/anvisa/pt- br/assuntos/cosmeticos. 03. Cálculos básicos aplicáveis a cosmetologia As unidades de medida mais utilizadas tanto para cosmetologia quanto para farmacotécnica são: Para sólidos: • kg = quilograma • g = grama • mg = miligrama • μg (mcg) = micrograma E para líquidos: • L = litro • mL = mililitro • μL = microlitro 9 3.1 Conversão de unidades Para calcular a quantidade correta de matérias-primas, dependendo da formulação, será necessário realizar a conversão de unidades. Em relação ao sistema métrico de pesos, tendo como base a unidade fundamental grama para a conversão de unidades, realizamos os seguintes cálculos: para transformar gramas em miligramas, deve-se multiplicar por 1000 e para transformar miligramas em microgramas, deve-se multiplicar por 1000; e para transformar microgramas em miligramas, deve-se dividir por 1000, e para transformar miligramas em gramas, deve-se dividir por 1000, conforme ilustrado na Figura 4. FIGURA 4 - CÁLCULO PARA CONVERSÃO DA UNIDADE DE MASSA Fonte: A autora (2024). Em relação ao sistema métrico de volume, tendo como base a unidade fundamental litro para a conversão de unidades, realizamos os seguintes cálculos: para transformar litro em mililitro, deve-se multiplicar por 1000 e para
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    transformar mililitro emmicrolitro, deve-se multiplicar por 1000; e para transformar microlitro em mililitro, deve-se dividir por 1000, e para transformar mililitro em microlitro, deve-se dividir por 1000, conforme ilustrado na Figura 5. FIGURA 5 - CÁLCULO PARA CONVERSÃO DA UNIDADE DE VOLUME Fonte: A autora (2024). 3.2 Densidade A densidade é uma propriedade física que relaciona a massa de uma substância ao volume, portanto, calculada dividindo a massa de uma substância por seu volume, em kg/L ou g/mL: 10 d=m/v 3.3 Concentração percentual A concentração em porcentagem é utilizada para expressar a concentração de insumos em cosméticos. A concentração percentual indica quantas partes em massa ou volume de uma substância estão incluídas em 100 partes da preparação total (ex. formulação), representada em porcentagem (%), e pode ser expressa em peso/volume (p/v), volume/volume (v/v) ou peso/peso (p/p): • Porcentagem (p/v) — expressa o número de gramas em 100 mL de solução. • Porcentagem (v/v) — expressa o número de mL de um constituinte em 100 mL de solução. • Porcentagem (p/p) — expressa o número de gramas de um constituinte em 100 g de preparação. Desta modo, por cento significa partes por 100, por exemplo, 5% seria 5 partes da substância em 100 partes da preparação total. Na porcentagem, estão envolvidos dois valores e as unidades padrão são gramas (substâncias sólidas) e mililitros (substâncias líquidas). Portanto, 5% significa 5 g ou 5 mL em 100 g, ou 100 mL do produto total (Allemand e Deuschle, 2019). 3.4 Quantidade suficiente para (q.s.p.) Na química, q.s.p. é a abreviação de “Quantidade Suficiente Para”. Em latim, Quantum Satis Para. Este termo é comumente escrito nas prescrições de formulações, e utilizado quando não tem-se uma quantidade exata de um veículo líquido ou sólido para completar um determinado volume ou massa de formulação. Exemplo: Formulação de soro fisiológico 0,9%. Cloreto de Sódio...........................................................0,9% Água Destilada........................q.s.p............................100mL Então, para o preparo de 100mL do soro fisiológico, teremos 0,9 g de cloreto de sódio, desta maneira, como a água destilada (veículo) está para q.s.p. para 100 mL, assim, temos que diminuir o valor de 0,9 g (quantidade de cloreto de sódio) do valor total da formulação (100mL), à vista disso, a quantidade de água destilada na formulação será de 99,1mL. 3.5 Regra de três A regra de três é uma técnica usada para encontrar valores desconhecidos quando conhecemos outros três, desde que esses quatro valores formem uma proporção, cujos valores têm mesma grandeza e unidade. Esse método de resolução tem bastante aplicação em situações constantes do dia a dia, inclusive na cosmetologia. Para realizar os cálculos é necessário verificar a relação entre os pares de grandezas, se são diretamente ou inversamente proporcionais. Quando grandezas são diretamente proporcionais, deve-se usar o seguinte modelo de cálculo: 11 Exemplo: Em 100mL de um shampoo tem-se 2 mL de extrato glicólico de jaborandi. Quantos mL do extrato há
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    em 200 mLde uma formulação do shampoo com a mesma concentração do extrato glicólico de jaborandi? 2 mL ——100 mL x ——200 mL x = 2 * 200/100 x = 4 mL Portanto, em 200 mL de uma formulação de shampoo com a mesma concentração haverá 4 mL do extrato glicólico de jaborandi. 04. Shampoo O shampoo é uma formulação cosmética classificada como produto de Grau 1, porém quando são shampoos infantis e com ação antiqueda, anticaspa e/ou outros benefícios específicos que justifiquem a comprovação prévia, são classificados como produto Grau 2, conforme RDC 752/2022 (Brasil, 2022). A principal finalidade do shampoo é limpar o couro cabeludo e os cabelos, removendo células mortas, componentes do suor, excesso de sebo, resíduos de cosméticos e sujidades do meio ambiente, que se acumulam deixando os cabelos com aspecto sujo, oleoso e com odor desagradável. A ação primária é a limpeza, porém em determinados casos, pode ser acompanhada de uma ação farmacológica, estimulante ou normalizadora das funções fisiológicas do bulbo capilar e das glândulas sebáceas, especialmente nos shampoos para tratamento (Draelos, 1999; Corrêa, 2012). Há registros de aproximadamente 5 mil anos atrás da utilização de sabões para a higienização dos fios de cabelo pelos antigos babilônios. A partir da década de 1930 começou a ser formulado shampoos com surfactantes, então, até este momento da história eram utilizados sabões, de natureza alcalina, para lavar os cabelos, os quais deixavam os cabelos ásperos, ressecados, opacos, sem brilho e duros (Draelos, 1999; Corrêa, 2012). Atualmente, os consumidores não desejam somente que o shampoo limpe o cabelo, mas também traga benefícios, como brilho, maleabilidade, hidratação, e que sejam específicos para cada tipo de cabelo. As formulações de shampoo têm que possuir uma detergência adequada capaz de eliminar as sujidades, mas preservar o conteúdo graxo que promove elasticidade e lubrificação para a pele e os fios de cabelo, mantendo a normalidade morfológica e fisiológica do couro cabeludo e do cabelo (Draelos, 1999; Corrêa, 2012; Matiello et al., 2019). As formulações de shampoo podem ser líquidas, semissólidas e sólidas, assim como transparente ou opaco (peroladas), dependendo dos constituintes presentes na fórmula e finalidade de uso (Draelos, 1999; Corrêa, 2012). O shampoo deve apresentar algumas características gerais como detergência equilibrada, capacidade de formar espuma, apesar da espuma não estar relacionada com a ação detergente, porém é melhor aceitável um shampoo com espuma densa e abundante pelos consumidores, 12 também viscosidade adequada para facilitar a aplicação, estabilidade em pH ácido, solubilidade em água, não agredir os cabelos e não irritante aos olhos, além de fácil enxágue, proporcionar a penteabilidade, deixar os cabelos maleáveis e com brilho, e apresentar cor e odor atraentes (Draelos, 1999; Corrêa, 2012). A composição de um shampoo é formada basicamente por: • Água; • Tensoativos; • Estabilizadores de espuma; • Sobreengordurantes; • Agentes com
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    propriedades específicas: espessantes,redutores de irritação, agentes de condicionamento e de penteabilidade e aditivos diversos; • Estabilizantes da formulação: conservantes, sequestrantes, antioxidantes; • Modificadores dos caracteres organolépticos e atributos de marketing: corante, perolizante, opacificante, fragrância. O principal componente de uma formulação de shampoo é o tensoativo. Os tensoativos são moléculas anfifílicas, as quais apresentam uma parte lipofílica (apolar) e uma parte hidrofílica (polar) (Figura 6), por este motivo possuem ação detergente e emulsificante, pela redução da tensão superficial ou interfacial de um sistema (Allemand e Deuschle, 2019). FIGURA 6 - REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DE UMA MOLÉCULA DE TENSOATIVO COM SUAS PARTES APOLAR E POLAR Fonte: Allemand e Deuschle, 2019, adaptada de Daltin, 2011. A porção hidrofílica da molécula do tensoativo liga-se a água e ajuda molhar o cabelo e promove a flutuação de pequenas partículas (umedecidas) que removem o sebo (suspensas na espuma) durante a lavagem, e a porção lipofílica liga-se ao sebo, emulsificando (solubilizando e dispersando a gordura), formando pequenas gotículas, chamadas de micelas, que sofrem repulsão devido à carga aniônica do tensoativo. Assim, a sujeira é suspensa e removida pela água (Madureira et al., 2014; Matiello et al., 2019). 13 Durante a lavagem, a deposição de agentes aniônicos levanta as escamas (cutícula) do cabelo e este absorve água até 30% do seu peso. A repulsão de cargas aniônicas embaraça os fios de cabelo. Agentes com carga catiônica e proteínas adsorvem sobre os sítios aniônicos do cabelo, neutralizam cargas e alinham as escamas conferindo condicionamento e brilho (Madureira et al., 2014). Os tensoativos são classificados de acordo com a carga elétrica de sua molécula e podem ser aniônicos, catiônicos, anfotéricos e não iônicos. Cada classe de tensoativos apresenta diferentes características de limpeza e condicionamento, portanto, a compreensão destas informações é essencial para o desenvolvimento das formulações para atender a necessidade do consumidor (Matiello et al., 2019). Em formulações de shampoos são mais utilizados tensoativos aniônicos, anfotéricos e não iônicos (Allemand e Deuschle, 2019; Matiello et al., 2019). De modo geral, nas fórmulas de shampoos utiliza-se um tensoativo primário (aniônico), que possua alta capacidade de remover a sujidade, em associação com um tensoativo secundário, para melhorar as propriedades como estabilizar a espuma, viscosidade, e minimizar desvantagens que o tensoativo primário possa apresentar, como diminuir a irritação a pele e aos olhos (Matiello et al., 2019). Os tensoativos aniônicos possuem um grupo polar com carga negativa em solução aquosa (Figura 7), desta forma, apresentam maior poder de detergência, formação de espuma e umectância. Os mais comuns e utilizados são os alquil sulfatos como o lauril sulfato de sódio, os alquil éter sulfatos como o lauril éter sulfato de sódio e os alquil sulfossuccinatos como o lauril éter sulfossuccinato de sódio. Para um equilíbrio na
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    formulação são utilizadosem associação com tensoativos anfóteros e não iônicos (Amiralian e Fernandes, 2018). FIGURA 7 – REPRESENTAÇÃO ESQUEMÁTICA DOS TENSOATIVOS ANIÔNICOS, CATIÔNICOS, ANFOTÉRICOS E NÃO IÔNICOS Fonte: MAROLDI, W. V. Otimização e avaliação multivariada na obtenção, purificação e caracterização de biossurfactante obtido por bioreação do Bacilus subtilis ATCC 9372 utilizando melaço de cana-de-açúcar / Wédisley Volpato Maroldi – 2018. Disponível em: https:// repositorio.utfpr.edu.br/jspui/bitstream/1/3241/2/biossurfactantebiorea%C 3%A7%C3%A3obacillussubtilis.pdf Acesso em: 28 abr. 2024. 14 Os tensoativos anfóteros contém na mesma molécula grupos catiônicos e grupos aniônicos, dependendo do pH (Figura 7), assim, proporcionam maior suavidade, condicionamento e diminuem o poder irritante dos aniônicos, os mais utilizados são as betaínas, podem ser encontrados em shampoos infantis, pois não são irritantes aos olhos (Amiralian e Fernandes, 2018). Os tensoativos não iônicos não possuem carga nos grupamentos hidrofílicos (Figura 7) e possuem propriedades de modificar o agente de limpeza principal, doar viscosidade, além de solubilizantes auxiliares, emulsionantes, sobreengordurantes, estabilizadores de espuma (rica, densa, pequeno tamanho e abundante), e amenizar ardor e irritação dos olhos. Os tensoativos mais utilizados são as alcanolamidas de ácidos graxos devido ao seu baixo custo e por apresentar alto poder espessante, auxiliando no aumento de viscosidade e os alquilpoliglicosídeos, que são derivados de milho e possuem boa solubilidade em água, além de apresentar bom poder detergente e ter grau elevado de biodegradabilidade (Amiralian e Fernandes, 2018). Os sobreengordurantes são substâncias que fornecem condicionamento, substantividade, brilho e maciez ao cabelo. Os tensoativos aniônicos apresentam alto poder detergente, assim, os sobreengordurantes evitam ou diminuem esses efeitos negativos, repondo a oleosidade natural do cabelo retirada na lavagem. Os representantes desta classe são os tensoativos de amidas, anfóteros, quaternários, poliquatérnios, os óleos, gorduras e ceras, ésteres de ácidos graxos e polióis, álcoois graxos e derivados, proteínas hidrolisadas e derivados quaternizados, goma guar quaternizada, silicones e vitaminas (Draelos, 1999; Corrêa, 2012). Os agentes quelantes ou sequestrantes são utilizados para evitar problemas relacionados à estabilidade envolvendo cor, odor e aparência, além de potencializar o efeito dos conservantes e antioxidantes. Estas matérias-primas agem complexando e inativando íons metálicos como cálcio, ferro, cobre e magnésio provenientes da água ou matérias-primas. Os principais agentes quelantes empregados são EDTA dissódico, EDTA tetrassódico e os derivados de citrato e gluconato (Amiralian e Fernandes, 2018). Os agentes espessantes ou de consistência são matérias-primas empregadas para aumentar a viscosidade do produto impactando a estabilidade, o sensorial e aparência, facilitando a aplicação
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    do produto. Estessão classificados como orgânicos como hidratos de carbono e os éteres poliglicólicos de ácidos graxos e inorgânicos como o cloreto de sódio, cloreto de magnésio e fosfato de sódio ou de amônio (Amiralian e Fernandes, 2018a; Matiello et al., 2019). Os reguladores de pH são substâncias empregadas para ajustar o grau de acidez ou alcalinidade do produto, e classificados como neutralizantes, alcalinizantes, acidulantes e tampões. Os reguladores de pH mais utilizados são o ácido cítrico, hidróxido de sódio e trietanolamina (Amiralian e Fernandes, 2018a). Outra classe de constituintes em shampoo são os umectantes, são substâncias higroscópicas que possuem a propriedade de reter água na pele, cabelo e nos produtos cosméticos. Os principais representantes desta classe são a glicerina, os poliglicóis, os sacarídeos, polissacarídeos e os extratos vegetais (Amiralian e Fernandes, 2018a). Os agentes antioxidantes como tocoferol, o BHT e o BHA são usados para prevenir a oxidação e o rancificação de componentes, tais como óleos vegetais, derivados dos ácidos linoleico e oleico (Draelos, 1999; Corrêa, 2012). 15 Os conservantes são substâncias utilizadas para aumentar a vida útil do produto, evitando a contaminação microbiológica por fungos e bactérias, garantindo a segurança do produto (Matiello et al., 2019). Os mais utilizados são os parabenos e imidazolidinil ureia. Os conservantes são regulamentados pela RDC Nº 528 de 4 de agosto de 2021 (ANVISA), que dispõe sobre a lista de substâncias de ação conservante permitidas, concentração máxima autorizada e limitações de uso para produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes (Amiralian e Fernandes, 2018a). Os modificadores das características organolépticas são os opacificantes, que proporcionam fundo opaco aos produtos, os perolizantes, que conferem brilho pérola aos produtos, as fragrâncias, que perfumam e garante um cheiro agradável ao produto, cobrindo o odor dos componentes da formulação, e os corantes, que proporcionam cor, tornando o produto mais atraente (Amiralian e Fernandes, 2018a; Matiello et al., 2019). Em shampoos podem ser utilizados ativos com propriedades terapêuticas como nos shampoos anticaspa e antiqueda. O shampoo anticaspa é destinado ao tratamento da caspa, assim, contém em sua fórmula ativos com ação antifúngica como o cetoconazol, piritionato de zinco, piroctona olamina ou octopirox e sulfureto de selênio (Matiello et al., 2019). Já os shampoos antiqueda possuem ativos para estimular o crescimento e reduzir a queda dos fios de cabelo, como tintura de jaborandi (vasodilatador), tintura de Capsicum sp (tônico estimulante e anti- inflamatório), tintura de cantárida (vasodilatador), nicotinamida (vasodilatador), entre outros. O processo tradicional de fabricação do shampoo é simples, misturando os componentes respeitando a polaridade e a solubilidade de cada um deles, separando-os em fases. Ao utilizar algum componente que necessite de aquecimento, este deve ser aquecido separadamente e adicionado ao processo. A faixa de pH de shampoos é de
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    5,5 a 6,8e para pH de shampoos infantis 7,5 a 8,5 (Amiralian e Fernandes, 2018a). De modo geral, a formulação cosmética a ser desenvolvida deve seguir as legislações pertinentes e respeitar as indicações de uso das matérias-primas fornecidas pelo fabricante (Amiralian e Fernandes, 2018a). 05. Condicionador O condicionador é um produto cosmético utilizado após o uso do shampoo. Durante o processo de limpeza dos fios de cabelo, o shampoo não remove somente a sujeira do cabelo, mas também a hidratação natural dos fios produzida pelas glândulas sebáceas, causando ressecamento. Outro fato é que as cargas negativas dos tensoativos aniônicos, presentes no shampoo, acabam aderindo aos fios e causando repulsão eletrostática entre eles, causando embaraço, deixando o cabelo com aspecto arrepiado e áspero (Madureira et al., 2014; Matiello et al., 2019). Portanto, foi desenvolvido uma formulação cosmética, o condicionador, para devolver a hidratação necessária aos fios de cabelo, revestindo a haste capilar, e para neutralizar as cargas negativas dos fios através do fechamento das cutículas capilares, conferindo ao cabelo maciez, restauração, brilho, hidratação, diminuição do frizz, definição de cachos, entre outros (Amiralian e Fernandes, 2018b; Matiello et al., 2019). 16 Um condicionador é uma emulsão catiônica formada com maiores concentrações de agentes condicionantes, normalmente mais de um tipo, e baixa concentração de tensoativos, além de agentes umectantes, emolientes, espessantes, fragrâncias, conservantes, dentre outros (Matiello et al., 2019). De modo geral os condicionadores são constituídos por tensoativos catiônicos, agentes condicionantes (óleos vegetais, álcoois graxos, ácidos graxos, lanolina, silicones), compostos quaternizados (proteínas), aditivos (vitaminas), fragrâncias, estabilizantes (agentes sequestrantes, espessantes e conservantes) e água (Matiello et al., 2019). Os tensoativos catiônicos são os principais constituintes do condicionador, sendo eles os quaternários de amônio e éster quat. Essas substâncias apresentam um grupo polar (hidrofílico, com pelo menos um átomo de nitrogênio) com cargas positivas e um grupo apolar (lipofílico) (Figura 7), assim, as cargas positivas do tensoativo interagem com as cargas negativas do fio de cabelo (queratina), neutralizandoas, diminuindo a eletricidade estática (Madureira et al., 2014; Matiello et al., 2019). A porção lipofílica (materiais graxos) da molécula do tensoativo catiônico, se adere à haste capilar, modificando as propriedades superficiais do cabelo, conferindo elasticidade, suavidade, maciez e penteabilidade, permanecendo nos fios mesmo após o enxágue (Madureira et al., 2014; Matiello et al., 2019). Vale ressaltar, que os tensoativos catiônicos atuam como bactericidas e auxiliam na estabilidade da emulsão devido à propriedade emulsionante (Amiralian e Fernandes, 2018b). Para complementar a ação dos tensoativos catiônicos são adicionados as formulações agentes de consistência para melhorar a estabilidade e viscosidade. São eles os álcoois graxos como o álcool cetílico,
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    cetoestearílico, estearílico eberrênico, ésteres graxos e ceras naturais ou sintéticas (Amiralian e Fernandes, 2018b; Matiello et al., 2019). Também fazem parte da formulação os emulsionantes não iônicos como os ésteres de glicol e glicerol, ésteres de sorbitan, polissorbatos e álcoois graxos etoxilados (Amiralian e Fernandes, 2018b). Para proporcionar condicionamento ao cabelo, são utilizados nas formulações os polímeros naturais catiônicos, que absorvem na fibra capilar, melhorando a porosidade ou formando um filme de proteção e impermeabilização, aumentando a elasticidade e resistência dos fios (Amiralian e Fernandes, 2018b). Nestas formulações também são utilizados proteínas e derivados de proteínas do colágeno, leite, vegetais, seda ou plumagem de aves, que age selando as pontas dos fios, e quando em moléculas menores conseguem penetrar na fibra capilar, melhorando a textura, porosidade e aumentando a elasticidade (Matiello et al., 2019). Os silicones, também são utilizados em condicionadores, pois formam um filme sobre o fio de cabelo, impedindo a perda de água e os protegendo, promovendo brilho e maleabilidade, também são adicionados em shampoos para melhorar a penteabilidade a seco e úmido (Matiello et al., 2019). Os agentes umectantes, como a glicerina, atraem e retém água mantendo a umidade dos fios, e os agentes hidratantes, também revestem o fio e evitam a perda de água (ex. lanolina e óleo mineral) (Matiello et al., 2019). Os condicionadores estão disponíveis em três tipos básicos: condicionador com enxágue, condicionador de tratamento ou reparação e condicionador sem enxágue (Matiello et al., 2019). 17 RECURSOS UTILIZADOS Materiais de consumo: Descrição Observação Luvas de procedimento Touca Máscara Jaleco de manga comprida Material a ser fornecido pelo aluno. Lauril éter sulfato de sódio Lauril éter sulfosuccionato de sódio Cocoamidopropilbetaína Lauril poliglicosídeo Dietanolamina do ácido graxo de côco Metilparabeno Cloreto de sódio EDTA dissódico Cetoconazol Solução de ácido cítrico a 10% Água deionizada Solução de hidróxido de sódio 1M Material a ser fornecido pela UniFatecie. Balança analítica Material a ser fornecido pela UniFatecie. Béquer Material a ser fornecido pela UniFatecie. Cálice Material a ser fornecido pela UniFatecie. Espátula Material a ser fornecido pela UniFatecie. Bastão de vidro Material a ser fornecido pela UniFatecie. pHmetro Material a ser fornecido pela UniFatecie. O processo de fabricação de condicionadores é relativamente simples, consistindo na mistura de uma fase aquosa e de uma fase oleosa que são aquecidas a temperatura de aproximadamente 80 ºC por determinado período de tempo, formando a emulsão (condicionador) sob agitação. Na temperatura de 45ºC são adicionados os constituintes sensíveis a altas temperaturas e finalizado o processo da emulsão ajustando o pH na faixa de 3,8 a 4,5, próximos ao ponto isoelétrico da queratina (pH 3,7) (Amiralian e Fernandes, 2018b). Portanto, um bom condicionador deve manter a aparência dos cabelos atraente e saudável,
  • 14.
    melhorar a penteabilidade,diminuir a carga estática, também restaurar a película lipídica protetora, proporcionar brilho, volume, substantividade e condicionamento aos fios de cabelo. 18 ATENÇÃO: SAÚDE E SEGURANÇA Caros (as) alunos (as), Este projeto integrador visa lhes proporcionar a experiência prática de técnicas para formulação de shampoos. Todavia, para que sua segurança e integridade física seja mantida é indispensável a utilização de equipamentos de proteção individual (EPI’s): a) Uso obrigatório de jaleco: longo, branco, de tecido; b) Uso obrigatório de luvas, tocas e máscaras; c) Vestuário adequado e obrigatório: uso de calça comprida e sapatos fechados, além de cabelos presos. d) As mãos devem ser lavadas com sabão ao entrar no laboratório e após a retirada das luvas. O QUE PRECISO FAZER NESSA ATIVIDADE PRÁTICA Caros (as) alunos (as), Neste projeto integrador vocês irão desenvolver duas formulações de shampoo, uma fórmula de SHAMPOO SUAVE PARA USO DIÁRIO e uma fórmula de SHAMPOO COM CETOCONAZOL A 2%. Por gentileza, siga as instruções abaixo para o desenvolvimento das técnicas. Boa prática! Formulação 1 a ser desenvolvida: SHAMPOO SUAVE PARA USO DIÁRIO LAURIL ÉTER SULFATO DE SÓDIO.......................................... 20,0% LAURIL ÉTER SULFOSUCCIONATO DE SÓDIO...................... 10,0% COCOAMIDOPROPILBETAÍNA.................................................. 10,0% ÁGUA DEIONIZADA.................................................................... 20,0% LAURIL POLIGLICOSÍDEO (PLANTAREN)................................ 1,0% DIETANOLAMINA DO ÁCIDO GRAXO DE CÔCO..................... 4,5% METILPARABENO............................................................................. 0,2% CLORETO DE SÓDIO................................................................... 1,0% Link de acesso ao vídeo da prática 19 EDTA dissódico.............................................................................. 0,1% ÁGUA DEIONIZADA...................q.s.p........................................... 100,0% Procedimento: • Para preparar 100 mL da formulação de shampoo: Passo 1: Calcular a quantidade de água da Fase C. Primeiro, somar todos os componentes da formulação (66,8 mL) e diminuir do valor de 100. A quantidade de água é de 33,2 mL. Passo 2: Calcular as quantidades corretas de cada matéria-prima da formulação. Passo 3: Pesar ou medir a quantidade correta das matérias-primas. Passo 4: Desenvolver a técnica: TÉCNICA: • Fase B (FB) – Num béquer, solubilizar o metilparabeno e o lauril poliglicosídeo na dietanolamina do ácido graxo de côco. Aquecer se necessário, com auxílio do bico de Bunsen utilizando suporte ou outro recurso. • Fase A (FA) - Acrescentar os componentes desta fase no cálice e adicionar a água. Após, adicionar os componentes da FB solubilizados neste cálice. • Fase C (FC) - Num béquer, solubilizar o EDTA na água, e posteriormente solubilizar o cloreto de sódio na solução. Após, acrescentar a FC solubilizada no cálice acima junto com FA e FB. • Ajustar para pH=6,0 com solução de ácido cítrico a 10%. Formulação 2 a ser desenvolvida: SHAMPOO COM CETOCONAZOL A 2%
  • 15.
    CETOCONAZOL......................................................................2,0% SOLUÇÃO DE ÁCIDOCÍTRICO A 10%..................................3,0ML DIETANOLAMINA DO ÁCIDO GRAXO DE CÔCO................. 3,0% METILPARABENO...................................................................0,2% COCOAMIDOPROPILBETAÍNA..............................................5,0% LAURIL ÉTER SULFATO DE SÓDIO.................................... 25,0% Link de acesso ao vídeo da prática 20 ÁGUA DEIONIZADA.....................................q.s.p.................. 100,0% SOLUÇÃO DE HIDRÓXIDO DE SÓDIO 1 M (para ajustar o pH) Procedimento: • Para preparar 100 mL da formulação de shampoo: Passo 1: Calcular a quantidade de água da Fase C. Primeiro, somar todos os componentes da formulação (38,2) e diminuir do valor de 100. A quantidade de água é de 61,8 mL. Passo 2: Calcular as quantidades corretas de cada matéria-prima da formulação. Passo 3: Pesar ou medir a quantidade correta das matérias- primas. Passo 4: Desenvolver a técnica: TÉCNICA: • Fase A (FA) Num Cálice, solubilizar o cetoconazol em 3mL de solução de ácido cítrico a 10% e reservar. • Fase B (FB) Em outro cálice, solubilizar o metilparabeno na dietanolamina do ácido graxo de côco. • Fase C (FC) Num béquer, solubilizar os componentes na água, e adicionar no cálice com a FB. • Adicionar FA no cálice. • Ajustar para pH=5,5 com solução de hidróxido de sódio 1M. • Utilizar embalagem opaca. RELATÓRIO Caro(a) aluno(a), Você deverá entregar o Relatório tipo Apresentação Simples. Neste caso, estruture seu documento conforme o modelo apresentado a você. Para isso, faça o download do template, disponibilizado junto a este roteiro e siga as instruções dadas. MATERIAIS COMPLEMENTARES Artigo: Análise microbiológica de shampoos e cremes condicionadores para uso infantil. Autores: Aline Marques Rosa, Marilene Rodrigues Chang, Fernanda Luiza Espinosa Spositto, Camila Gonzalez da Silva, Luciane Miyagusku, Rubia Adriele Sversut, Marcos Serrou do Amaral, Nájla Mohamad Kassab Disponível em: http://200.145.71.41/index.php/ojs/article/view/66/64 21 REFERÊNCIAS ABRAHAM, Leonardo, S., MOREIRA, Andreia, M., MOURA, Larissa, H., REIS, Maria, F., DIAS, Gavazzoni. Tratamentos estéticos e cuidados dos cabelos: uma visão médica (parte 1). Surgical & Cosmetic Dermatology. vol. 1(3), p. 130-136, 2009. Disponível em: https://docs.bvsalud.org/ biblioref/2018/05/884411/2009_130.pdf. Acesso em: 22 abr. 2024. ALLEMAND, Alexandra G S.; DEUSCHLE, Viviane C. K N. Formulações em cosmetologia. Grupo A, 2019. E-book. ISBN 9788595028159. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca. com.br/#/books/9788595028159/. Acesso em: 24 abr. 2024. AMIRALIAN, Luciana; FERNANDES, Claudia, R. Shampoos. Cosmetics & Toiletries. vol. 39, p.30-33, 2018a. Disponível em: https://www.cosmeticsonline.com.br/ct/painel/class/artigos/ uploads/c2ff1- CT301_Integra.pdf. Acesso em: 24 abr. 2024. AMIRALIAN, Luciana; FERNANDES, Claudia, R. Condicionadores. Cosmetics & Toiletries. vol. 30,
  • 16.
    p.28-30, 2018b. Disponívelem: https://www.cosmeticsonline.com.br/ct/painel/class/artigos/ uploads/53bed-CT302_28-30.pdf. Acesso em: 24 abr. 2024. BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução da Diretoria Colegiada - RDC Nº 528 de 4 de agosto de 2021, que dispõe sobre a lista de substâncias de ação conservante permitidas para produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes. Disponível em: https://antigo.anvisa.gov.br/documents/10181/5284308/RDC_528_2021_.pd f/ b5f44e81-46ca-4eb5-a5f9-8e84ed067400. Acesso em: 23 abr. 2024. BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução da Diretoria Colegiada - RDC nº 752 de 19/09/2022. Dispõe sobre a definição, a classificação, os requisitos técnicos para rotulagem e embalagem, os parâmetros para controle microbiológico, bem como os requisitos técnicos e procedimentos para a regularização de produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes. Disponível em: https://antigo.anvisa.gov.br/legislacao#/visualizar/493729. Acesso em: 23 abr. 2024. CORRÊA, Marcos, A. Cosmetologia – Ciência e Técnica. 1ª edição, Medfarma, 492 p. 2012. DRAELOS, Zoe, D. Cosméticos em Dermatologia. 2ª edição, Revinter, 330 p. 1999. 22 GOMES, Rosaline, K., DAMAZIO, Marlene, G. Cosmetologia descomplicando os princípios ativos. 5ª edição, LMP, 528 p. 2017. MADUREIRA, Bruna, C. NETO, Carlos, A. R. P. MACHADO, Ana, C. H. R. LEITE e SILVA, Vânia, R. Shampoos & Condicionadores. Cosmetics & Toiletries, vol. 26, p. 38-43, 2014. Disponível em: https://www.cosmeticsonline.com.br/ct/painel/class/artigos/uploads/5f176- Shampoos-eCondicionantes-Ed_mai_jun_2014.pdf. Acesso em: 25 abr. 2024. MATIELLO, Aline A.; SIMÃO, Daniele; SAHD, Claudia S.; et al. Cosmetologia aplicada II. Grupo A, 2019. E-book. ISBN 9788595029965. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com. br/#/books/9788595029965/ . Acesso em: 26 abr. 2024. PINHEIRO, Adriano, S., TERCI, Diogo, PICON, F., ALBARICI, V., LONGO, V. Fisiologia dos cabelos. Cosmetics & Toiletries, vol. 25, p. 34-45, 2013. Disponível em: https://www.cosmeticsonline.com. br/ct/painel/class/artigos/uploads/9aebd-Fisiologia-dos- Cabelos_Ed_mai_jun-2013.pdf. Acesso em: 25 abr. 2024. POZEBON, D.; DRESSLER, V. L.; CURTIUS, A. J. Análise de cabelo: uma revisão dos procedimentos para a determinação de elementos, traço e aplicações. Química Nova, v. 22, n. 6, p. 838–846, nov. 1999. Disponível em: https://www.scielo.br/j/qn/a/PYNT9rQhqmy9XYC6QZpkwfD/#. Acesso em: 22 abr. 2024. SANTOS, Nívea Cristina M. Anatomia e Fisiologia Humana. Editora Saraiva, 2014. E-book. ISBN 9788536510958. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/ books/9788536510958/. Acesso em: 22 abr. 2024.