Algarve, destino turístico privilegiado… até para os
dinossáurios! Tomás Alvim; Manuel Cabrita; Sofia Cruz
Agrupamento de Escolas de Paço de Arcos – Grupo de Paleontologia (GP)
6ºA, 12ºA, 12ºC
ALGARVE, DESTINO TURÍSTICO PRIVILEGIADO… ATÉ PARA OS DINOSSÁURIOS!ALGARVE, DESTINO TURÍSTICO PRIVILEGIADO… ATÉ PARA OS DINOSSÁURIOS!ALGARVE, DESTINO TURÍSTICO PRIVILEGIADO… ATÉ PARA OS DINOSSÁURIOS!Classes de dimensões das pegadas (comprimento em cm)Classes de dimensões das pegadas (comprimento em cm)Classes de dimensões das pegadas (comprimento em cm)
Fig 13. - Censo do número de diferentes tipos de pistas / pegadas para 9 níveis
das jazidas da Salema e da Santa (A). Assumindo que os teropódes e o
crocodiliano eram predadores, a relação herbívoros / carnívoros é de cerca de
75% para 25%. Em termos de biomassa, a disparidade real seria ainda superior
(B) (censos atualizados em 2017).
Os dinossáurios exercem grande fascínio na população em geral e nos jovens, em particular. Exposições e museus
começam a ser suplantados pelas visitas a icnojazidas, mais atraentes, porque permitem um contato direto com os
animais do passado. E se juntarmos no mesmo local as pegadas com praia, sol, clima fantástico, paisagens
deslumbrantes, água do mar excelente, o geoturismo fica muito favorecido.
É o que acontece com as jazidas de pegadas de vertebrados do Cretácico inferior (Barremiano) localizadas nas praias
da Salema e Santa, a ocidente de Lagos (freguesia de Budens) (Fig.1).
Três anos depois de serem encontrados os primeiros ossos de dinossáurios no Algarve, foram
descobertas em 1995 pegadas, também de terópodes de pequenas dimensões (Fig.2), na praia da
Salema. As dúvidas tinham desaparecido – os dinossáurios também visitavam estas paragens.
Em 1996, colegas do GP descobriram num nível distinto
desta praia pegadas de crocodilianos (Fig. 3). Mas
faltavam as evidências dos herbívoros. A resposta surgiu
nesse ano quando alunos do GP descobriram a primeira
pista de iguanodontiano (Fig. 4) identificada em Portugal.
Em 2002, colocaram à vista novas pegadas nos mesmos 2 níveis (Fig. 9 e 14), mas no lado ocidental da
praia Santa, onde surgem pegadas de terópodes, ornitópodes iguanodontianos menos derivados (Fig.10)
e as primeiras pegadas de saurópodes Cretácicos do Algarve (Fig. 11).
Ainda em 1996, uma nova jazida na região oriental da praia Santa
(contígua à praia da Salema – Fig. 5), onde, em 2 outros níveis,
encontraram várias pistas de iguanodontídeos, integrando pegadas com
excecional preservação (Fig. 6), e enormes pegadas que podem ter
origem hadrossaurídea (Fig. 7) e teropodiana (Fig. 8).
Referências
Santos, V.F., Dantas, P., Moratalla, J.J., Terrinha, P., Coke, C., Agostinho, M., Galopim de Carvalho, A.M., 2000. Primeiros vestígios de dinossáurios na Orla Mesozóica Algarvia.
In Diez, J.B., Balbino, A.C. (Eds), Libro de Resúmenes del I Congreso Ibérico de Paleontologia / XVI Jornadas de la Sociedad Espanola de Paleontologia, Évora, Portugal, 12-14
de Outubro de 2000, 22-23.
Santos, V.F., Callapez, M.P., Rodrigues, N.P.C., 2013. Dinosaur footprints from the Lower Cretaceous of the Algarve Basin (Portugal): New data on the ornithopod palaecology and
paleobiogeography of the Iberian Peninsula. Cretaceous Research 40, 158–169.
Estes ambientes sedimentares confinados – lagunares ou na vizinhança da
zona intertidal - eram frequentados por faunas muito diversificadas de
vertebrados. Como todos estes níveis terão sido depositados num curto
intervalo de tempo, revelam faunas quase sincrónicas, permitindo obter
censos de predadores / presas (Fig.13 A).
Sugerimos que estão
reunidas as condições (Fig.
14) para que o geoturismo
nestas praias seja
incrementado, o que foi
comprovado em vários anos
de atividades desenvolvidas
no âmbito do Geologia no
Verão e dinamizadas pelos
colegas do GP (Fig. 1).
Fig 1 - Pista de
iguanodontiano
na praia da
Salema –
o público é
atraído para
visitas guiadas a
esta icnojazida.
Fig .3 – As primeiras
pegadas de crocodilianos
encontradas em Portugal.
Fig. 2 – Esquema e fotografia das
pegadas de terópodes com cerca
de 1 m de altura de anca, tal como
surgiam em 1996.
Fig. 4 – Fotografia (atual) e esquema da pista
de iguanodontiano (tal como surgia em 1996).
Fig. 6 - Pegada de
iguanodontiano.
Fig. 7 - Pegada de origem ornitópode –
várias caraterísticas, incluindo a
dimensão (80 cm de comprimento)
sugerem um autor hadrossaurídeo.
Fig. 8 – pegada de pé esquerdo de terópode
representada apenas pelas impressões dos dígitos.
Fig. 9 - Fotografia e coluna coluna litoestratigráfica da
região ocidental da praia Santa. Estão assinalados os
dois níveis com pegadas.
Fig. 14 - As setas a vermelho indicam a
localização das pegadas encontradas nos
dois níveis a ocidente da praia Santa. A seta
a negro aponta a jazida da praia da Fóia do
Carro (pistas de saurópodes do Jurássico
superior). O acesso a estas jazidas é
relativamente fácil, podendo ser realizado
pela praia em maré baixa; em alternativa,
pode-se optar por seguir os trilhos já abertos
pelo topo das arribas, que permitem um
contato direto com a flora selvagem e vistas
deslumbrantes.
Fig .11- Esquema das duas impressões de
pés de saurópode. A seta indica o sentido de
progressão do animal.
Fig .10 - Pegada de ornitópode.
Fig. 12 - Par mão – pé de saurópode (esquerda) e
pegada tridáctila de origem ornitopode (direita),
descobertas em Janeiro de 2017.
Vamos atualizando estes censos com base nas mais
recentes descobertas (Fig. 12) e construímos censos de
biomassa (Fig.13 B), que podem dar informações úteis sobre
os estilos de vida desses vertebrados Cretácicos.
E tudo isto sem um único osso!
Fig. 5 - Mapa geral das pegadas e pistas
encontradas no nível "principal" (inferior)
da zona a oriente da praia Santa.
A B

Algarve priviledged tourist destination... even for dinosaurs!

  • 1.
    Algarve, destino turísticoprivilegiado… até para os dinossáurios! Tomás Alvim; Manuel Cabrita; Sofia Cruz Agrupamento de Escolas de Paço de Arcos – Grupo de Paleontologia (GP) 6ºA, 12ºA, 12ºC ALGARVE, DESTINO TURÍSTICO PRIVILEGIADO… ATÉ PARA OS DINOSSÁURIOS!ALGARVE, DESTINO TURÍSTICO PRIVILEGIADO… ATÉ PARA OS DINOSSÁURIOS!ALGARVE, DESTINO TURÍSTICO PRIVILEGIADO… ATÉ PARA OS DINOSSÁURIOS!Classes de dimensões das pegadas (comprimento em cm)Classes de dimensões das pegadas (comprimento em cm)Classes de dimensões das pegadas (comprimento em cm) Fig 13. - Censo do número de diferentes tipos de pistas / pegadas para 9 níveis das jazidas da Salema e da Santa (A). Assumindo que os teropódes e o crocodiliano eram predadores, a relação herbívoros / carnívoros é de cerca de 75% para 25%. Em termos de biomassa, a disparidade real seria ainda superior (B) (censos atualizados em 2017). Os dinossáurios exercem grande fascínio na população em geral e nos jovens, em particular. Exposições e museus começam a ser suplantados pelas visitas a icnojazidas, mais atraentes, porque permitem um contato direto com os animais do passado. E se juntarmos no mesmo local as pegadas com praia, sol, clima fantástico, paisagens deslumbrantes, água do mar excelente, o geoturismo fica muito favorecido. É o que acontece com as jazidas de pegadas de vertebrados do Cretácico inferior (Barremiano) localizadas nas praias da Salema e Santa, a ocidente de Lagos (freguesia de Budens) (Fig.1). Três anos depois de serem encontrados os primeiros ossos de dinossáurios no Algarve, foram descobertas em 1995 pegadas, também de terópodes de pequenas dimensões (Fig.2), na praia da Salema. As dúvidas tinham desaparecido – os dinossáurios também visitavam estas paragens. Em 1996, colegas do GP descobriram num nível distinto desta praia pegadas de crocodilianos (Fig. 3). Mas faltavam as evidências dos herbívoros. A resposta surgiu nesse ano quando alunos do GP descobriram a primeira pista de iguanodontiano (Fig. 4) identificada em Portugal. Em 2002, colocaram à vista novas pegadas nos mesmos 2 níveis (Fig. 9 e 14), mas no lado ocidental da praia Santa, onde surgem pegadas de terópodes, ornitópodes iguanodontianos menos derivados (Fig.10) e as primeiras pegadas de saurópodes Cretácicos do Algarve (Fig. 11). Ainda em 1996, uma nova jazida na região oriental da praia Santa (contígua à praia da Salema – Fig. 5), onde, em 2 outros níveis, encontraram várias pistas de iguanodontídeos, integrando pegadas com excecional preservação (Fig. 6), e enormes pegadas que podem ter origem hadrossaurídea (Fig. 7) e teropodiana (Fig. 8). Referências Santos, V.F., Dantas, P., Moratalla, J.J., Terrinha, P., Coke, C., Agostinho, M., Galopim de Carvalho, A.M., 2000. Primeiros vestígios de dinossáurios na Orla Mesozóica Algarvia. In Diez, J.B., Balbino, A.C. (Eds), Libro de Resúmenes del I Congreso Ibérico de Paleontologia / XVI Jornadas de la Sociedad Espanola de Paleontologia, Évora, Portugal, 12-14 de Outubro de 2000, 22-23. Santos, V.F., Callapez, M.P., Rodrigues, N.P.C., 2013. Dinosaur footprints from the Lower Cretaceous of the Algarve Basin (Portugal): New data on the ornithopod palaecology and paleobiogeography of the Iberian Peninsula. Cretaceous Research 40, 158–169. Estes ambientes sedimentares confinados – lagunares ou na vizinhança da zona intertidal - eram frequentados por faunas muito diversificadas de vertebrados. Como todos estes níveis terão sido depositados num curto intervalo de tempo, revelam faunas quase sincrónicas, permitindo obter censos de predadores / presas (Fig.13 A). Sugerimos que estão reunidas as condições (Fig. 14) para que o geoturismo nestas praias seja incrementado, o que foi comprovado em vários anos de atividades desenvolvidas no âmbito do Geologia no Verão e dinamizadas pelos colegas do GP (Fig. 1). Fig 1 - Pista de iguanodontiano na praia da Salema – o público é atraído para visitas guiadas a esta icnojazida. Fig .3 – As primeiras pegadas de crocodilianos encontradas em Portugal. Fig. 2 – Esquema e fotografia das pegadas de terópodes com cerca de 1 m de altura de anca, tal como surgiam em 1996. Fig. 4 – Fotografia (atual) e esquema da pista de iguanodontiano (tal como surgia em 1996). Fig. 6 - Pegada de iguanodontiano. Fig. 7 - Pegada de origem ornitópode – várias caraterísticas, incluindo a dimensão (80 cm de comprimento) sugerem um autor hadrossaurídeo. Fig. 8 – pegada de pé esquerdo de terópode representada apenas pelas impressões dos dígitos. Fig. 9 - Fotografia e coluna coluna litoestratigráfica da região ocidental da praia Santa. Estão assinalados os dois níveis com pegadas. Fig. 14 - As setas a vermelho indicam a localização das pegadas encontradas nos dois níveis a ocidente da praia Santa. A seta a negro aponta a jazida da praia da Fóia do Carro (pistas de saurópodes do Jurássico superior). O acesso a estas jazidas é relativamente fácil, podendo ser realizado pela praia em maré baixa; em alternativa, pode-se optar por seguir os trilhos já abertos pelo topo das arribas, que permitem um contato direto com a flora selvagem e vistas deslumbrantes. Fig .11- Esquema das duas impressões de pés de saurópode. A seta indica o sentido de progressão do animal. Fig .10 - Pegada de ornitópode. Fig. 12 - Par mão – pé de saurópode (esquerda) e pegada tridáctila de origem ornitopode (direita), descobertas em Janeiro de 2017. Vamos atualizando estes censos com base nas mais recentes descobertas (Fig. 12) e construímos censos de biomassa (Fig.13 B), que podem dar informações úteis sobre os estilos de vida desses vertebrados Cretácicos. E tudo isto sem um único osso! Fig. 5 - Mapa geral das pegadas e pistas encontradas no nível "principal" (inferior) da zona a oriente da praia Santa. A B