Universidade de Lisboa
Instituto de Geografia e Ordenamento do Território
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo
de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
Aquiles Fernando Dias Marreiros
Mestrado em Gestão do Território e Urbanismo
Lisboa
2010
Universidade de Lisboa
Instituto de Geografia e Ordenamento do Território
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo
de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
Aquiles Fernando Dias Marreiros
Relatório de Estágio Orientado pelo Professor Doutor Pedro George – FA-UTL
e Co-orientado pelo Professor Doutor José Manuel Simões – IGOT -UL
Mestrado em Gestão do Território e Urbanismo
Lisboa
2010
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
I
À avó Joaquina,
Incutiu-me o gosto da terra, apurando-me os sentidos ao jeito de quem teve de aprender a usá-los
para conseguir ver além do que os olhos vêem. São os seus “olhos”, seja em que sentido for, que
trago comigo.
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
II
Agradecimentos
Este trabalho resultou da conjugação de várias motivações, não só pessoais, como de
âmbito académico, profissional e familiar.
Ao Professor Doutor Pedro George (FA-UTL), impulsionador desta minha incursão
académica, agradeço a provocação à inércia, sempre mais confortável do que a acção.
Porém, a primeira não tem o mesmo sabor e sentimento de superação. Agradeço as
conversas, não só as destes dois últimos anos, mas as mantidas desde 2004, ano em
que os nossos percursos profissionais se cruzaram no Município de Albufeira. Muitas
delas, mesmo que informais, ajudaram-me a encontrar uma temática, a estruturar e dar
corpo a este trabalho, a procurar os caminhos que do ponto de vista científico,
cessassem as ideias preconcebidas e os chavões discursivos que tinha, que mais
pareciam políticos. Nessas conversas retive, aprendi e procurei melhorar, não só
enquanto profissional, mas também do ponto de vista pessoal. O seu espírito aberto,
atitude positiva e generosidade constituirão sempre um referencial para mim. Há
ensinamentos que carregamos para a vida.
Ao Professor Doutor José Manuel Simões (IGOT-UL) e à Professora Doutora Eduarda
Marques da Costa (IGOT-UL), coordenadores do Mestrado em Gestão do Território e
Urbanismo e responsáveis pelo seminário de acompanhamento de teses e relatórios de
estágio, agradeço os conselhos e comentários tecidos às apresentações preliminares, a
indicação de bibliografia fulcral para a consolidação deste trabalho e, sobretudo, a leitura
e apreciação crítica do mesmo, efectuada contra relógio, na recta final deste processo.
Ao Professor Doutor Nuno Marques da Costa (IGOT-UL) agradeço a disponibilização de
parte dos elementos estatísticos que permitiram enriquecer a componente analítica deste
trabalho.
Ao Município de Albufeira agradeço o facto de me ter proporcionado a realização do
estágio integrante do Mestrado. O mesmo facilitou-me a frequência dos seminários em
Lisboa, que compatibilizei com a actividade e funções já desempenhadas na Divisão de
Planeamento. Agradeço particularmente ao Presidente da Câmara Municipal de
Albufeira, Desidério Jorge da Silva, o qual encorajou este meu percurso, participando,
activa e pessoalmente, nos trabalhos desenvolvidos, promovendo-os, ao indicar-me
para, em representação do Município, participar em inúmeros eventos de carácter
técnico e científico, ora como assistente, ora como comunicante. Nestes, Albufeira
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
III
marcou presença e evidenciou o trabalho desenvolvido, promovendo a cultura científica
e de investigação, que foge às suas mais directas competências.
Agradeço à Arquitecta Ana Almeida, ao Arquitecto Paisagista Eduardo Viegas, à
Arquitecta Isabel Valverde, à Urbanista Sandra Esteves e à assistente técnica Manuela
Santos, colegas (e amigos) da Divisão de Planeamento, o envolvimento e colaboração
pontual que prestaram em tarefas inerentes a este documento. Agradeço particularmente
aos dois primeiros a ajuda prestada na elaboração dos elementos gráficos que o
integram, bem como a sua montagem e apresentação final.
Agradeço a todos os profissionais das bibliotecas que frequentei para consulta da
bibliografia utilizada - Centro de Estudos Geográficos, Instituto de Ciências Sociais,
Universidade do Algarve, Bibliotecas Municipais de Albufeira e Faro, Centro de
Documentação e Informação da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional
do Algarve - em particular à Cristina Viegas da UALG e à Regina Silva da CCDR
Algarve, que muito facilitaram os procedimentos de consulta, requisição e empréstimo.
Ao meu amigo Rui Pirote agradeço as boleias destes dois últimos anos, assim como as
conversas que “encurtaram” a distância entre Faro e Lisboa.
Por último, mas não menos importante, agradeço a força e entusiasmo dedicada pelos
meus familiares. À minha mãe, Maria dos Anjos, devo a perseverança, a integridade e a
plena consciência de que, independentemente de tudo, há um caminho certo e um
errado. Ao meu irmão Ulisses agradeço as referências pessoais e profissionais e, o
optimismo. Ao meu avô Fernando agradeço as lições de vida. À Marlene agradeço a
serenidade que em casa me permitiu levar este trabalho a bom porto, substituindo-me
nas funções paternas junto das nossas filhas Matilde e Mafalda, as duas principais
lesadas neste processo, quer pelas ausências prolongadas quer pelas atenções
divididas entre brincadeiras e livros, entre fraldas e o computador, entre a “Vila Moleza” e
a cidade turística, Albufeira.
- Oh pai… o que estás fazer? – Interpela-me a Matilde, com 4 anos.
- É um trabalho para a escola do pai, filha…
- Um trabalho para quê?
- Um trabalho para o pai ser mestre…
- Mestre? Como o anão da Branca de Neve? – Com um sorriso de orelha a orelha - Ah! Então é
por isso que já tens óculos!
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
IV
Resumo
O policentrismo entrou definitivamente no vocabulário e panorama político da União
Europeia com o EDEC. Este documento estabeleceu o quadro orientador, em termos de
ordenamento do território, para os seus estados membros. Embora com outras
designações, as premissas que sustentavam esse conceito haviam já sido aprofundadas
no meio académico. Desde 2002 que este constitui um dos projectos temáticos de
investigação do ESPON, tendo originado inúmeros relatórios e documentos técnicos.
O presente estudo pretende sistematizar o conceito de policentrismo, identificando as
suas componentes analíticas e propositivas. Dada a natureza multiescalar do conceito
efectuou-se uma análise das políticas e instrumentos que fomentaram o policentrismo
nas diversas escalas em que estes intervieram, desde a União Europeia até Albufeira.
Intenta-se responder a uma questão transversal, inerente à proposição de modelos
territoriais que promovem organizações desta natureza: “enquanto nó de uma rede
complementar, que tenho eu de distinto susceptível de vir a ser potenciado?”
Em consonância com os instrumentos de ordem superior, o processo de revisão do
PROT Algarve assumiu também este conceito. O potencial policêntrico da região foi
identificado. No entanto elaborou-se um Plano cujas acções em nada consolidam uma
abordagem policêntrica. O documento é, até, contraditório nas opções que toma.
Negligencia o papel de Albufeira na região, negando-lhe o dinamismo recente em termos
económicos, demográficos, turísticos, de polarização de emprego e a imutável
centralidade geográfica. Face ao exposto construiu-se um “índice sintético de potencial
policêntrico”, com o qual se pretende evidenciar a latente constituição duma região
urbana policêntrica, identificando os nós e respectivos contributos distintos de cada um
deles para o desenvolvimento e competitividade territoriais. Destaca-se o papel
determinante e estruturador de Albufeira para melhor cumprir os desígnios propostos no
Plano. Tecem-se recomendações para que o Município, no âmbito da definição duma
estratégia local de desenvolvimento e na revisão do seu Plano Director Municipal, eleve
os seus créditos e aspirações. Almeja-se que, no futuro processo de revisão do PROT
seja reconhecido para Albufeira um posicionamento que efective e desenvolva a
participação activa na construção de um sistema urbano algarvio - linear, complementar,
competitivo e funcionalmente integrado, ou seja realmente policêntrico!
PALAVRAS-CHAVE: Policentrismo, modelos territoriais, PROT Algarve, Albufeira.
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
V
Abstract
Polycentrism penetrated definitively the political panorama and the vocabularies of the
European Union with the ESDP. This document established the framework, in terms of
land use planning, for the member states. Albeit with other designations, the premises
which subtended this concept had already been developed in the academic environment.
Since 2002, it is the object of thematic research projects, having originated numerous
reports and technical documents.
The present study aims at systematizing the concept of polycentrism while identifying its
analytical and propositive components. Given the multiscalar nature of the concept we
analyzed the policies and instruments which attempted to implement polycentrism at the
different scales at which they intervened, from the European Union itself to the
municipality of Albufeira (Algarve). The intention is to answer a transversal question,
inherent in the proposition of territorial models which promote spatial organization of this
nature: “As a knot in a complementary network, what distinctive features do I carry,
susceptible of potentiation?”
In consonance with planning instruments of higher order, the revision of the PROT
Algarve also adopted this concept. The polycentric potential of this region was identified.
Nonetheless, a plan was drafted leading to actions which do not consolidate a polycentric
approach. The document is even contradictory in the options it takes. It diminishes the
role allocated to Albufeira in the region, denying its recent dynamism in economic,
demographic, tourist and job creation terms, as well as its immutable geographical
centrality. We constructed a “polycentric potential synthetic index”, through which we
intend to highlight the latent constitution of a polycentric urban region, identifying its knots
and the distinct contribution of each one of them towards territorial development and
competitiveness. The distinctive and structuring role of Albufeira in helping achieve the
purpose and aims of the Plan is highlighted. Recommendations are drawn so that the
municipality, in the process of defining a local development strategy and in the revision of
its own land use plan, may elevate its credits and aspirations. Expectations are that, in a
future process of revision of PROTAL, Albufeira be granted a position which will enhance
and develop an active participation in the construction of the Algarve’s urban system -
linear, complementary, competitive and functionally integrated, that is, really polycentric.
KEY WORDS: Polycentrism, territorial models, PROT Algarve, Albufeira.
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
VI
Índice
Agradecimentos ............................................................................................................................ II
Resumo......................................................................................................................................... IV
Abstract......................................................................................................................................... V
Índice............................................................................................................................................ VI
Índice de Ilustrações................................................................................................................... VIII
Índice de Tabelas.......................................................................................................................... IX
Siglas e Acrónimos......................................................................................................................... X
Um estágio em Albufeira............................................................................................................. XII
Introdução......................................................................................................................................... 1
Parte I - Policentrismo e Competitividade Territorial ....................................................................... 4
Nota introdutória ...................................................................................................................... 4
1 Policentrismo: sistematização de um conceito.......................................................................... 5
1.1 Policentrismo, pressupostos, noção e parâmetros............................................................. 5
1.2 Limitações.......................................................................................................................... 11
1.3 Medir o policentrismo: alguns exemplos.......................................................................... 12
1.4 Desafios............................................................................................................................. 15
2 Policentrismo e o desígnio da competitividade....................................................................... 16
Parte II - Da Europa a Albufeira: O Policentrismo nas Visões e nos Modelos Territoriais.............. 19
Nota Introdutória .................................................................................................................... 19
3. Ordenar o Espaço Europeu ..................................................................................................... 20
3.1 Instrumentos e Modelos Territoriais – da Academia às Políticas..................................... 20
3.2 E Portugal no quadro europeu?........................................................................................ 26
4 Portugal e as experiências policêntricas .................................................................................. 30
4.1 Sistema Urbano Nacional: Linhas gerais ........................................................................... 30
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
VII
4.2 Politicas e instrumentos.................................................................................................... 31
4.3 O PNPOT e a promoção de um modelo territorial policêntrico........................................ 34
4.4 E o Algarve no PNPOT?...................................................................................................... 37
5 Tendências de Organização Espacial do Algarve...................................................................... 39
5.1 Individualidade e Diversidade dos ‘Algarves’.................................................................... 40
5.2 Sistema urbano Algarvio: da região polinucleada à região policêntrica........................... 43
5.3 Revisão do PROT Algarve – “Restringir para qualificar”.................................................... 56
5.4 E Albufeira no PROT Algarve? ........................................................................................... 64
Parte III - A Região Urbana Policêntrica do Algarve: Que papel para Albufeira?............................ 72
Nota introdutória .................................................................................................................... 72
6 Um novo Modelo Regional – O contributo de Albufeira ......................................................... 73
6.1 Traços histórico-geográficos de um lugar singular........................................................... 74
6.2 Índice Sintético de Potencial Policêntrico......................................................................... 83
6.2.1 Localização ................................................................................................................. 86
6.2.2 Dimensão.................................................................................................................... 88
6.2.3 Conectividade............................................................................................................. 91
6.2.4 Em prol de uma Região Urbana Policêntrica algarvia................................................ 93
6.3 Albufeira – “Que tenho eu de distinto?”........................................................................... 96
7. Orientações e recomendações para o Município ................................................................. 103
Reflexões Finais............................................................................................................................. 109
Bibliografia ................................................................................................................................ 115
Fontes Estatísticas..................................................................................................................... 124
Fontes Digitais........................................................................................................................... 124
ANEXOS ..................................................................................................................................... 125
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
VIII
Índice de Ilustrações
Ilustração 1 - Processo institucional e estrutural (Fonte: CNRS, 2004)............................................. 6
Ilustração 2 - Pressupostos do policentrismo (elaboração própria com base em Meijers; Romein,
2003; CNRS, 2004)............................................................................................................................. 7
Ilustração 3 - Morfologia e conectividade (Fonte: CNRS, 2004) ....................................................... 8
Ilustração 4 - Pilares do Policentrismo (elaboração própria) ……………………………………………………… 9
Ilustração 5 - Escala: conectividade e proximidade (Fonte: CNRS, 2004)....................................... 10
Ilustração 6 - Escalas do policentrismo (Fonte: Carriere, 2004a).................................................... 10
Ilustração 7 - Fluxos de estudantes ERASMUS (Fonte CNRS, 2000)................................................ 13
Ilustração 8 - Tráfego aéreo (Fonte: CNRS, 2000)........................................................................... 13
Ilustração 9 - Marcos cronológicos do policentrismo (elaboração própria)................................... 21
Ilustração 10 - Banana Azul (Brunet, 1989 in Faludi; Waterhout, 2002) ........................................ 22
Ilustração 11 - Cacho de uvas (Kunzmann; Wegener, 1991 in Faludi; Waterhout, 2002).............. 22
Ilustração 12 - Potencial estratégico urbano na UE (ESPON, 2004)................................................ 27
Ilustração 13 - Centro e periferia (Fonte: ESPON, 2006)................................................................. 28
Ilustração 14 - Acessibilidade e performance económica (ESPON, 2006) ...................................... 28
Ilustração 15 - Intensidade de cooperação (Fonte: ESPON, 2006) ................................................. 29
Ilustração 16 - Macro geografias do país (Fonte: Ferrão, 2002b)................................................... 31
Ilustração 17 - Instrumentos nacionais com visão policêntrica (elaboração própria).................... 32
Ilustração 18 - Objectivos estratégicos do PNPOT (Lei n.º 58/2007, de 4 de Setembro)............... 34
Ilustração 19 - Modelo territorial do PNPOT (Fonte: MAOTDR, 2002b)......................................... 35
Ilustração 20 – Evolução da visão do sistema urbano algarvio no PNPOT (elaboração Própria) 357
Ilustração 21 - Carta geral do Algarve (Fonte: Capinetti, 1762 in CNG; CEG; IGEOE, 1998) ........... 39
Ilustração 22 - Diagramas síntese das principais representações espaciais do Algarve (elaboração
própria)............................................................................................................................................ 42
Ilustração 23 - Cluster turismo/lazer (Fonte: UALG, 2007)............................................................. 46
Ilustração 24 - Sistemas urbanos/modelos bipolares..................................................................... 50
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
IX
Ilustração 25 - Sistemas urbanos/modelos lineares ....................................................................... 52
Ilustração 26 - Sistemas urbanos/modelos polinucleados.............................................................. 53
Ilustração 27 - Sistemas urbanos/modelos policêntricos ............................................................... 54
Ilustração 28 - Tendência de estruturação urbana regional (elaboração própria)......................... 55
Ilustração 29 - Marcos do PROTAL, 1991 (elaboração própria com base em Guerreiro, 2002; CCRA,
2000d) ............................................................................................................................................. 58
Ilustração 30 - Sistema urbano (PROTAL, 2007) ............................................................................. 60
Ilustração 31 - Transportes e acessibilidades (PROTAL, 2007) ....................................................... 61
Ilustração 32 - Sistema de turismo (PROTAL, 2007)........................................................................ 62
Ilustração 33 - Albufeira/Guia nas várias visões do PROTAL, 2007 (elaboração própria) …………… 66
Ilustração 34 - Praia dos Pescadores Anos 40, 50, 70, 2009 (Fonte: Amado; Nobre, 1997, CMA) 79
Ilustração 35 - Albufeira: centralidade e acessibilidades................................................................ 81
Ilustração 36 - Mapa do potencial do pilar localização (elaboração própria)................................. 87
Ilustração 37 - Mapa do potencial do pilar dimensão (elaboração própria) .................................. 89
Ilustração 38- Mapa do potencial do pilar conectividade (elaboração própria)............................. 92
Ilustração 39 - Aplicação esquemática do PROTAL 2007: bipolar (modelo) e policêntrica (retórica)
(elaboração própria) ....................................................................................................................... 95
Ilustração 40 - Diagnóstico prospectivo da base produtiva de Albufeira (elaboração própria)…….98
Ilustração 41 - Principais desígnios para o Município de Albufeira (elaboração própria) ............ 107
Índice de Tabelas
Tabela 1 - Retrato estatístico de Albufeira no contexto regional (Fonte: INE)............................... 82
Tabela 2 - Potenciais e indicadores do ISPP.................................................................................... 84
Tabela 3- Potencias do pilar localização.......................................................................................... 88
Tabela 4 - Potenciais do pilar dimensão ......................................................................................... 90
Tabela 5 – Potenciais do pilar conectividade.................................................................................. 93
Tabela 6 - Indice sintético de potencial policêntrico ...................................................................... 94
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
X
Siglas e Acrónimos
AMAL – Área Metropolitana do Algarve
APAL – Agência de Promoção de Albufeira
CCDRA – Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve
CCRA – Comissão de Coordenação Regional do Algarve
CCE – Comunidade Económica Europeia
CE – Comunidade Europeia/Conselho da Europa
CEG – Centro de Estudos Geográficos
CEMAT – Council of Europe Conference of Ministers Responsible for Spatial/Regional Planning
CM – Conselho de Ministros
CMA – Câmara Municipal de Albufeira
DPP – Departamento de Prospectiva e Planeamento
DGOTDU – Direcção Geral de Ordenamento do Território e Desenvolvimento Urbano
DL – Decreto-lei
DR – Diário da República
EC – European Communities
EDEC – Esquema de Desenvolvimento do Espaço comunitário
ENDS – Estratégia Nacional de Desenvolvimento Sustentável
ERTA – Entidade Regional de Turismo de Albufeira
ESDP – European Spatial Development Perspective
ESPON – European Observation Network for Territorial Development and Cohesion
FNAT – Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho
GPNPOT – Gabinete do Programa Nacional da Política de Ordenamento do Território
ICS – Instituto de Ciências Sociais
IDT- Instrumento de Desenvolvimento Territorial
IGM – Instituto Geológico e Mineiro
IGT – Instrumento de Gestão Territorial
INATEL – Instituto Nacional para o Aproveitamento dos Tempos Livres dos Trabalhadores
INE – Instituto Nacional de Estatística
ISDR – Índice Sintético de Desenvolvimento Regional
ISPP – Índice Sintético de Potencial Policêntrico
MAI – Ministério da Administração Interna
MAOT – Ministério do Ambiente e Ordenamento do Território
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
XI
MAOTDR – Ministério do Ambiente, Ordenamento do Território e Desenvolvimento Regional
MCOTA – Ministério das Cidades, Ordenamento do Território e Ambiente
MOP – Ministério das Obras Públicas
MP – Ministério do Planeamento
NDE – Núcleo de Desenvolvimento Económico
NDT – Núcleo de Desenvolvimento Turístico
NUT – Nomenclatura de Unidade Territorial
PCM – Presidência do Conselho de Ministros
PDM – Plano Director Municipal
PDR – Plano de Desenvolvimento Regional
PEDRA – Plano Estratégico de Desenvolvimento da Região do Algarve
PIB – Produto Interno Bruto
PIENDS – Plano de Implementação da Estratégia Nacional de Desenvolvimento Sustentável
PNACE – Programa Nacional de Acção para o Crescimento e o Emprego
PNDES – Plano Nacional de Desenvolvimento Económico e Social
PNPOT – Programa Nacional da Política de Ordenamento do Território
PRIA – Plano Regional de Inovação do Algarve
PROSIURB – Programa de Consolidação do Sistema Urbano Nacional e de Apoio à Execução dos Planos Directores
Municipais.
PROT – Plano Regional de Ordenamento do Território
PROTAL - Plano Regional de Ordenamento do Território do Algarve
PUR – Polycentric Urban Region
PVTA – Plano de Valorização Turística de Albufeira
QCA – Quadro Comunitário de Apoio
QREN – Quadro de Referência Estratégico Nacional
RCM – Resolução do Conselho de Ministros
RJIGT – Regime Jurídico dos Instrumentos de Gestão Territorial
RUCI – Redes Urbanas para a Competitividade e Inovação
RUP – Região Urbana Policêntrica
SEOTC – Secretaria de Estado do Ordenamento do Território e Cidades
SNU – Sistema Urbano Nacional
UALG – Universidade do Algarve
UE – União Europeia
UL – Universidade de Lisboa
VAB – Valor Acrescentado Bruto
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
XII
Um estágio em Albufeira
Desde 2003 exerço a minha actividade profissional como técnico superior de geografia
na Divisão de Planeamento do Departamento de Planeamento e Projectos do Município
de Albufeira. O plano de estudos do Mestrado em Gestão do Território e Urbanismo do
IGOT (edição 2008/2009), na sua via profissionalizante previa a realização de um estágio
profissional. Perante esta evidência a hipótese deste Município se constituir como
entidade acolhedora surgiu naturalmente. Porém, logo à partida, colocou-se-me uma
dúvida: que resultados poderiam advir, para mim e para o Município de Albufeira, da
realização de um estágio efectuado num serviço que já conhecia, onde já existia uma
relação contratual e um histórico de trabalho associado? O desafio centrou-se
precisamente aí, mostrar que, no âmbito da minha actividade profissional e no contexto
de um percurso académico, era possível colocar ao serviço da autarquia trabalho útil e
pertinente no quadro do processo de revisão do Plano Director Municipal em curso na
Divisão supra mencionada.
Assim, além das tarefas que naturalmente desenvolveria no meu dia-a-dia profissional,
durante um estágio com a duração de 280 horas, propunha-me “pensar” Albufeira no
contexto de uma região urbana policêntrica, tarefa/objectivo deste trabalho. Com o
desenrolar do mesmo, entre os meses de Abril e Julho de 2009, apercebi-me que essa
duração foi claramente insuficiente, tendo sido desenvolvido no ano subsequente em
horário pós laboral. Para tal contribuíram igualmente as diferenças significativas entre os
tempos processuais no seio da administração, em particular nas autarquias, face aos
limites temporais impostos pelo próprio funcionamento do mestrado. Mas também o
contágio e necessidade de resposta atempada a outras tarefas e atribuições, que
inevitavelmente não poderia deixar de acompanhar, dada a natureza singular desta
colaboração.
A concretização de um trabalho deste âmbito reúne uma série de especificidades e
obedece a um conjunto de normas metodológicas e analíticas, comuns no meio
académico, mas pouco correntes na administração pública e muito menos na
administração local, que nem por tradição nem por competência, se assume como
promotora de investigação, mas sim como utilizadora dos resultados produzidos por
outros. Raramente se evidenciam ou questionam conceitos, pressupostos e opções. Foi
neste quadro que se procurou firmar uma posição sustentada do ponto de vista científico,
capaz de aproximar os resultados obtidos a uma realidade que se coaduna com práticas
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
XIII
e tomadas de decisão, por vezes, pouco fundamentadas. Com os resultados deste
trabalho esperava-se desenvolver um quadro orientador que sustentasse as opções a
tomar em sede de revisão do Plano Director Municipal de Albufeira, com vista à melhor
concretização dos objectivos emanados dos instrumentos de gestão territorial de ordem
superior, nacionais e regionais, em particular do PROT Algarve, instrumento, na prática,
limitador do potencial encerrado no concelho e que urgia contrariar.
Neste contexto, os resultados e conclusões obtidos neste trabalho visam integrar o
relatório de caracterização e diagnóstico da revisão do PDM de Albufeira, em elaboração
nos serviços mencionados. Foi este o desafio lançado ao Município, que o aceitou,
fomentando assim o estabelecimento de pontes entre si e a Universidade. Existe um
hiato enorme entre os dois meios, sendo crucial aproximá-los numa lógica de geração de
sinergias que alavanquem oportunidades e ganhos práticos para ambos. Estes poderão
situar-se por exemplo na minimização de esforços, de recursos técnicos, temporais e
monetários na prossecução de dadas tarefas com a consequente optimização e
agilização de procedimentos e práticas, neste caso, ao nível do ordenamento,
planeamento e gestão territorial.
Do ponto de vista profissional, esta experiência revelou-se deveras gratificante. Permitiu-
me experimentar, apurar e desenvolver competências em termos metodológicos e
analíticos, com a finalidade de concretizar uma fundamentação técnica/estratégica do
desejável posicionamento do concelho em termos regionais, objectivo que presidiu a
este trabalho.
O estágio potenciou o trabalho em equipa, promovendo em mim e nos restantes
elementos da Divisão de Planeamento (arquitecta, arquitecto paisagista e urbanista) uma
aprendizagem mútua das competências técnicas específicas das áreas de formação
presentes nesses serviços, factor facilitado pelas relações profissionais já anteriormente
detidas. Acrescem ainda as facilidades e boas condições proporcionadas pela entidade
acolhedora em termos logísticos, de hardware e software. Pudessem todos os
estagiários deste país usufruir de condições idênticas às proporcionadas por Albufeira.
Em suma, considero de máxima importância o estímulo induzido por este tipo de acções
complementares, que aproximam a Academia e os futuros profissionais da realidade, da
prática e dos mercados de trabalho, bem como colocam ao serviço da autarquia as
ferramentas, instrumentos e metodologias específicas, susceptíveis de contribuir para
uma governança mais cuidada, mais eficiente e responsável e, acima de tudo, para a
tomada de decisões justificadas do ponto de vista conceptual.
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
1
Introdução
“Albufeira projectou-se no país e no mundo, mas não na região. Não será altura de tentar
harmonizar as suas funções internacionais e regionais, formar a juventude, equilibrar os
equipamentos comerciais e de serviços, em especial os de saúde e assegurar um papel de centro
funcional entre as duas principais cidades algarvias, Faro e Portimão?”
Carminda Cavaco, 1969
Este excerto do artigo de Cavaco (1969) dá o mote ao presente trabalho. A pertinência
das questões levantadas no final do artigo sobre os aspectos, então contemporâneos, do
turismo algarvio demonstra já o potencial urbano, demográfico e económico detido por
Albufeira no quadro regional e o seu evidente subaproveitamento. Passados mais de 40
anos, estas questões permanecem actuais e em parte sem resposta, já que a revisão do
PROT Algarve concluída em 2007 veio, uma vez mais, propor um modelo regional que
se absteve de considerar as reais dinâmicas instaladas, negando os pólos que se
desenvolveram em torno da actividade turística, motor assumido da base produtiva
regional, de que Albufeira é expoente máximo.
Na senda das orientações emanadas das políticas e dos documentos de nível superior,
nacionais e europeus, este processo de revisão reconheceu o potencial policêntrico do
sistema urbano algarvio. O plano assume-se como o ponto de viragem em relação à
visão bipolar, tendente a polinucleada, que caracterizava a região algarvia. Apesar da
promulgação do conceito de policentrismo, as medidas, propostas e decisões tomadas
para a implementação deste plano acabaram por contradizer os pressupostos,
parâmetros e pilares que sustentariam um sistema urbano assente nesse conceito. Tal
facto dificulta o alcance dos objectivos consagrados no plano, nomeadamente no
contributo que poderiam deter na mobilização de ganhos de competitividade e
desenvolvimento regional conjunto e em rede.
Ao longo das últimas décadas Albufeira cimentou o seu lugar enquanto destino turístico
com elevado reconhecimento ao nível nacional e internacional, ganhou dimensão
significativa no quadro do sistema urbano regional, não só pela sua centralidade
geográfica, como pelas acessibilidades e vantagens/dinamismo económico, ambiente
inovador, favorável e catalisador de investimentos. Neste sentido e face ao
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
2
subaproveitamento de tais características por parte do PROT, o presente exercício
pretende dar visibilidade à importância do Concelho de Albufeira nesse sistema e
identificar as funções, especializações e contributo estratégico que poderá deter numa
proclamada região urbana policêntrica do Algarve, que se quer coesa, articulada,
sustentável e competitiva, num quadro de forte concorrência a nível nacional e
transnacional. Sumariamente pretende-se evidenciar aquilo que distingue Albufeira, que
poderá ser valorizado e usado para fortalecer a região algarvia no seu todo, tornando-a
mais competitiva.
Neste quadro, Albufeira, expressão máxima de um pólo que cresceu e desenvolveu-se,
económica, urbana e demograficamente, numa base turística, acabou por sair
prejudicada na maioria das suas potencialidades, na visão preconizada pelo PROT
Algarve. Esta situação sinalizou-se, de forma coincidente, no local onde exerço a minha
actividade profissional, culminando este trabalho um processo iniciado em Fevereiro de
2003, aquando da minha entrada para a Divisão de Planeamento no Município de
Albufeira. Dentre as primeiras tarefas que me foram atribuídas incluiu-se a elaboração de
parecer técnico ao relatório preliminar de diagnóstico e caracterização da revisão do
PROT Algarve (versão Dezembro de 2002). Desde então e até 2007, sozinho ou em co-
autoria, participei na elaboração de mais de uma dezena de pareceres técnicos sobre
cada uma das versões/fases submetidas à apreciação dos Municípios. O envolvimento
profissional com este processo de revisão completou-se ainda com a participação em
diversas reuniões e sessões de trabalho com a equipa responsável pela sua elaboração.
O trabalho que agora se apresenta sistematiza o longo processo de discussão, por vezes
inglório, na procura de respostas às infundadas propostas efectivadas pela entidade
promotora e equipas responsáveis pela revisão do PROT Algarve, sobretudo, face aos
diagnósticos e caracterizações, também por elas desenvolvidos, em tudo contraditórios à
opções que acabaram por ser tomadas e prevaleceram na versão final do Plano. É certo
que a selectividade constitui um dos desígnios do planeamento territorial, contudo,
também esta poderá ser questionada. Foi a falta de diálogo, de uma cultura de
planeamento mais aberta e participada que minou este processo, gerou um certo
descontentamento e um vazio infundado, oposto aos objectivos introduzidos no
documento e que supostamente se pretendia fomentar. Na verdade alargaram-se as
plataformas de comunicação e de participação pública, mas quase sempre resultaram
em “conversas” unidireccionais.
O trabalho encontra-se estruturado em três partes. Na primeira procurou-se sistematizar
o conceito de policentrismo, cuja interpretação se tem revelado confusa e ambígua,
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
3
quando usada nos diferentes instrumentos, políticas e modelos territoriais, desde a
escala transnacional à local. Pretendeu-se clarificar este conceito informando os seus
pressupostos, parâmetros e limitações, assim como os desafios que lhe são colocados,
no decorrer da sua aplicação. Por último estabeleceu-se a relação devida entre o
policentrismo, a competitividade e o desenvolvimento regional, enquanto fins deste
processo.
Na segunda parte procurou-se encontrar indícios de abordagens policêntricas
multiescalares, desde a Europa até ao caso estudo, Albufeira, incidindo nos principais
instrumentos que alimentam e suportam a visão que se detêm de cada um dos territórios
em causa. Apresentaram-se as premissas da construção europeia baseada em modelos
de inspiração policêntrica, desde os trabalhos desenvolvidos no meio académico, até à
sua adopção ou adaptação, nas orientações e políticas de cariz oficial e institucional,
nomeadamente as emanadas da União Europeia. Estes documentos contagiaram
obviamente as políticas nacionais dos estados membros, as quais serão analisadas ao
nível dos instrumentos desenvolvidos, quer os de cariz estratégico que ostentam o
policentrismo, quer os de desenvolvimento territorial que dizem promulgá-lo. Para a
região algarvia, procuraram-se os factores explicativos da sua individualidade, e os
marcos da diversidade nela contida, que obviamente influenciaram o sistema urbano e
as relações nele estabelecidas. Em suma, procuraram-se as matrizes de modelação
policêntrica em instrumentos como o EDEC, o PNPOT ou o PROT Algarve, desde a
escala europeia à regional, culminando na local, com o estudo do papel e contributo de
Albufeira para o modelo regional proposto.
É a procura e fundamentação desse posicionamento que configura a terceira parte deste
trabalho. Esta baseou-se em fontes documentais, em factos históricos e geográficos e na
construção de um índice sintético de potencial policêntrico que nos permitisse ponderar
um novo posicionamento funcional para Albufeira no quadro de uma região urbana
policêntrica algarvia, a desenvolver. Nesta, o concelho detém uma posição destacada,
informada precisamente pelas conclusões obtidas e pelas vantagens comparativas,
competitivas e locativas que a afirmam como um pólo urbano a levar em conta, para a
potenciação de uma região mais participada, equilibrada e desenvolvida. Com vista a
esses fins, termina-se esta parte com um conjunto de orientações e recomendações para
o Município de Albufeira, que preconize a materialização do seu posicionamento,
funções e contributo, em instâncias como a revisão do PDM ou a definição de uma
estratégia de desenvolvimento local, que informe, por exemplo, uma Agenda 21 Local,
mas também para a revisão futura do PROT Algarve.
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
4
Parte I - Policentrismo e Competitividade Territorial
Nota introdutória
O território, base de fenómenos de urbanização, de actividades económicas e de
relações entre pessoas, sempre suscitou o interesse de diferentes áreas científicas, que
no âmbito da sua especialidade procuraram modelar representações que simplificassem
o seu estudo, investigação e conhecimento. Segundo Reif (1978: 107) os modelos, e em
particular os de representação espacial, são abstracções que incorporam menos
complexidade do que a existente na realidade e constituem uma representação do nosso
nível de conhecimento sobre um dado território. O mesmo autor (1978: 121) defende que
estes levam a cabo três funções básicas: projecção, localização e consequência. Como
tal, devem contemplar as principais características dos territórios ou sistemas urbanos,
assim como os respectivos subsistemas que integram e se relacionam entre si: social,
demográfico, económico, político, administrativo e outros. Obviamente que consoante os
desígnios a que se destinam e a força ou consequências politico estratégicas que
advenham desses modelos, será mais ou menos pronunciado o rol de influências de
variadas naturezas, nomeadamente políticas, científicas, académicas ou cívicas.
Nos últimos 10 anos, tanto ao nível das representações espaciais dos territórios, como
na inscrição de orientações e objectivos estratégicos em documentos oficiais, ganhou
relevância o conceito de policentrismo, o qual se procurará sistematizar nesta primeira
parte. A facilidade que aparentemente caracteriza este tipo de leitura territorial motivou a
sua proliferação discursiva, quer em termos políticos quer técnicos, sendo porém
necessário repensar a construção de modelos desta natureza, que consoante a escala
para a qual forem pensados, deverão considerar e validar as respectivas especificidades
e diversidades locais, com vista à maximização dos efeitos a gerar pelas eventuais
abordagens policêntricas.
Neste contexto procurar-se-á evidenciar a importância das cidades e dos sistemas
urbanos na construção de redes urbanas coesas e cooperantes, que promovam a
competitividade e o desenvolvimento regional.
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
5
1 Policentrismo: sistematização de um conceito
“A interacção é a razão de ser das cidades”
Paul Claval, 1981
1.1 Policentrismo, pressupostos, noção e parâmetros
É aceite e consensual que foi com o EDEC (1999) que se inscreveu o conceito
específico de policentrismo em documentos políticos e estratégicos de cariz oficial e
institucional, pese embora a sua referência nos princípios de Leipzig, cinco anos antes.
Contudo, vários autores haviam já estudado este mesmo fenómeno, a que se
convencionou chamar policentrismo, atribuindo-lhe porém, diferentes designações:
Meijers & Romein (2003: 174) mencionam os exemplos das ‘redes de cidades’ (Batten,
1995), das ‘cidades em rede’ (Camagni, 1993), das ‘regiões metropolitanas
polinucleadas’ (Dieleman; Faludi, 1998) ou dos ‘clusters de cidades’ (CEC, 1999). Não
sendo um conceito novo, o policentrismo nunca havia sido aprofundado devidamente,
nem mesmo no EDEC que lhe deu um impulso acrescido e projectou-o para o centro da
discussão técnico-política em torno das questões territoriais e da organização dos
sistemas urbanos. Este conceito permaneceu confuso e ambíguo, nos parâmetros, nos
desígnios, nas políticas e sobretudo nas potencialidades que abraçava. Para clarificar
este conceito, desenvolveu-se no âmbito do Projecto 1.1.1. Potentials for polycentric
development in Europe do ESPON - European Observation Network for Territorial
Development and Cohesion, o Critical Dictionnary of Policentricity (CNRS, 2004), que
descreveu e ilustrou o policentrismo e tudo aquilo que promulgou em termos territoriais.
Genericamente, o policentrismo pressupõe a existência de uma rede urbana que
disponha de peso demográfico e potencial económico suficiente para interagir, desde as
aglomerações urbanas de cada escala, até ao mais alto nível com as grandes
metrópoles mundiais. As políticas de desenvolvimento policêntricas espelhadas por
exemplo no EDEC, não constituem um fim em si mesmo, mas sim um meio para
alcançar os desígnios de política traçados pela U.E, com vista à valorização dos
territórios num quadro de definição e integração reticular.
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
6
IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 1111 ---- Processo institucional e estrutural (Fonte:Processo institucional e estrutural (Fonte:Processo institucional e estrutural (Fonte:Processo institucional e estrutural (Fonte: CNRS, 2004)CNRS, 2004)CNRS, 2004)CNRS, 2004)
Enquanto instrumento de organização territorial, o policentrismo não possui apenas uma
única forma de ser concretizado, nem tão pouco um único modelo de construção (CNRS,
2004: 6). Resulta de dois processos principais: ora institucional, baseado na cooperação
voluntária (Dematteis, 1997: 84) ora estrutural, fruto de um desenvolvimento espacial
espontâneo, (CNRS, 2004: 5). Em qualquer dos casos importa salvaguardar as
dimensões espacio-funcionais, político-institucional e cultural que caracterizam os
territórios onde potencialmente será empregue.
A figura seguinte ilustra os pressupostos que concorrem para a promoção e sucesso das
abordagens policêntricas. Todos visam a equidade e coesão territoriais, conceitos
intimamente associado ao policentrismo, potenciadores de factores de aglomeração de
recursos com vista à partilha de infra-estruturas e serviços que possibilitem adquirir e
produzir massa crítica; desenvolvimento e exploração de complementaridades
contrabalançadas e optimização das diversidades territoriais de modo a promover a
qualidade em espaços concorrenciais (Meijers; Romein, 2003: 184). Destes realçam-se a
necessidade do estabelecimento de parcerias de várias naturezas e o envolvimento
relacional entre decisores e a população em geral, principal beneficiária das acções
resultantes de um quadro organizativo policêntrico.
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
7
IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 2222 ---- Pressupostos doPressupostos doPressupostos doPressupostos do policentrismo (elaboração própria com base em Meijers; Romein, 2003; CNRS, 2004)policentrismo (elaboração própria com base em Meijers; Romein, 2003; CNRS, 2004)policentrismo (elaboração própria com base em Meijers; Romein, 2003; CNRS, 2004)policentrismo (elaboração própria com base em Meijers; Romein, 2003; CNRS, 2004)
O policentrismo pode ser entendido sob duas perspectivas distintas: uma relacionada
com a morfologia e distribuição das áreas urbanas no território, outra, com a
conectividade, por via das relações estabelecidas entre estas (CNRS, 2004: 4; IERU,
2007: 22), conforme ilustra a imagem seguinte. Dentro de cada uma destas perspectivas,
importa observar o estabelecimento ou não de processos hierárquicos, manifestados de
forma mononuclear, com um nó dominante ou polinuclear com nós de dimensão idêntica.
Já no âmbito das relações estabelecidas e/ou a estabelecer, deve-se observar o sentido
unilateral ou bilateral resultante desta perspectiva.
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
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IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 3333 ---- Morfologia e conectividade (Fonte: CNRS, 2004)Morfologia e conectividade (Fonte: CNRS, 2004)Morfologia e conectividade (Fonte: CNRS, 2004)Morfologia e conectividade (Fonte: CNRS, 2004)
Destas duas perspectivas resultam os três pilares essenciais para a constituição de um
sistema urbano policêntrico: a dimensão, a localização e a conectividade. Na dimensão
pressupõe-se que nenhuma cidade deva dominar, para que não existam disparidades
entre essa e as restantes que o compõem. Há neste pilar uma noção de equilíbrio,
podendo este referir-se a múltiplas vertentes: demográfica, económica, de emprego,
urbanística ou outras que o relevem. É a evolução e comportamento dos indicadores que
as informam que condicionam o potencial de afirmação de um dado pólo, seja em que
escala e rede se insira. Na localização, os pólos devem distribuir-se uniformemente pelo
território, idealmente de forma equidistante, propiciadores e potenciadores de sinergias
advindas de factores de escala e proximidade, evocando-se aqui os conceitos de
economia de escala e de aglomeração, também eles ilustrativos deste pilar. A
conectividade traduz-se, por exemplo, nas boas acessibilidades entre os pólos mas
também destes com o exterior, bem como no estabelecimento de fluxos de bens,
serviços, pessoas, informações e ainda, em relações institucionais. Relacionada com os
dois últimos pilares, a proximidade em consonância com a centralidade, lança as bases
para o estabelecimento e identificação de formas de relacionamento entre as áreas
urbanas e de cooperação ao nível da partilha de experiências, metodologias,
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
9
informações e boas práticas. São estes fluxos e trocas que suportam efectivamente o
policentrismo.
Contudo, convém esclarecer que a proximidade, só por si, não é uma condição para o
policentrismo, sobretudo num quadro de acentuada informatização e de
desterritorialização da economia (Castells, 1989 in Benko, 1999: 131) que releva cada
vez mais a conectividade e os espaços de fluxos como garante da promoção de
organizações espaciais de natureza policêntrica (CNRS, 2004: 6). Nesta óptica e
consoante a escala de análise, é a distância, mais do que a proximidade, que urge
compreender e superar, em prol do estabelecimento das almejadas complementaridades
que possam vir a valorizar os territórios e potenciar a diversidade neles contida.
IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 4444 ---- Pilares do PoliPilares do PoliPilares do PoliPilares do Policentrismo (elaboração própria)centrismo (elaboração própria)centrismo (elaboração própria)centrismo (elaboração própria)
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
10
IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 5555 ---- Escala: conectividEscala: conectividEscala: conectividEscala: conectividade e proximidade (Fonte: CNRS, 2004)ade e proximidade (Fonte: CNRS, 2004)ade e proximidade (Fonte: CNRS, 2004)ade e proximidade (Fonte: CNRS, 2004)
Dada a natureza transversal dos modelos policêntricos de organização territorial, é
passível que sejam desenvolvidos de forma multiescalar, colocando-se tanto em escalas
macro como micro, desde a europeia, à nacional, à regional ou à local, e nos respectivos
níveis de decisão (Baudelle, 2002: 175; Azevedo, 2002: 66). A imagem seguinte ilustra
precisamente a replicação territorial, escalonada e reticular do policentrismo, neste caso
no espaço atlântico europeu.
IlustIlustIlustIlustraçãoraçãoraçãoração 6666 ---- Escalas do policentrismo (Fonte: Carriere, 2004a)Escalas do policentrismo (Fonte: Carriere, 2004a)Escalas do policentrismo (Fonte: Carriere, 2004a)Escalas do policentrismo (Fonte: Carriere, 2004a)
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
11
O policentrismo é assim um conceito ideal que, de forma progressiva, tem vindo a
ganhar relevância no quadro propositivo, institucional, estratégico e político, sem
conseguir porém alcançar resultados tão evidentes e precisos que possam afirmá-lo
liminarmente como um modelo que se operacionalize com facilidade. Há que procurar
formas de pôr em evidência as potencialidades por ele promovidas e torná-lo visível num
quadro de coesão e equilíbrio territorial efectivo, indo além das intenções discursivas e
conceptuais.
A crescente divulgação de modelos territoriais desta natureza deriva, como vimos, da
simplicidade dos pilares que os sustentam, nomeadamente no estabelecimento, entre os
pólos mais dinâmicos de um dado âmbito territorial, de um conjunto de redes, conexões
e fluxos capazes de incitar formas sustentáveis de complementaridade funcional com
vista ao equilíbrio das oportunidades de desenvolvimento conjunto.
1.2 Limitações
A abordagem territorial e o desígnio de organizar os sistemas urbanos de forma
policêntrica, nas suas diferentes escalas apresentam limitações de várias ordens. Logo à
partida, a aparente facilidade discursiva, incitadora da aplicação do conceito, resulta
quase sempre em dificuldades na sua utilização na realidade, adversa aos pressupostos
policêntricos, dificilmente replicáveis nos contextos territoriais, sejam eles continentais,
nacionais, regionais ou locais. Regista-se a pouca tradição da cooperação regional e a
fraca coerência institucional, com perdas significativas para os territórios e para as
populações, sendo premente enveredar por “novas plataformas de relacionamento
territorial” (Meijers; Romein, 2003). Há que dar um salto qualitativo, da concorrência para
a cooperação (Carmo, 2008: 790), por exemplo ao nível das políticas sectoriais, quer
tenham ou não implícita uma dimensão territorial (Baudelle, 2002: 208).
A abstracção e desenraizamento dos contextos do policentrismo, tem contribuído para
que este conceito se torne gradualmente, mais numa perspectiva normativa do que
operativa. Marca os objectivos das políticas de ordenamento, mas corre o risco de perder
algumas das suas valências analíticas mais pertinentes, quer do ponto de vista
estratégico quer funcional (Baudelle, 2002: 254; Davoudi, 2003 in Carmo, 2008: 783).
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
12
Neste âmbito, as politicas que advogam o conceito de policentrismo tem-se esquecido de
construir uma capacidade organizativa regional, conduzindo a problemas que vão desde
a fragmentação institucional, à prevalência de orientações internas de “key persons” –
políticos, estrategas e opinion makers, ou à falta de identidade com a região ou outra
qualquer escala em que se aplique (Meijers; Romein, 2003: 184). Promover o
desenvolvimento dos territórios e em particular o policentrismo implica acentuar mais o
funcionamento que o investimento (Coll; Peyrony; Chichowlaz, 2002: 235), mais a gestão
rigorosa dos planos do que os próprios planos (Vale, 2007: 11).
Nota ainda para a maior dificuldade no alcance de compromissos baseados em
conceitos cartográficos do que nos discursivos (Faludi; Waterhout, 2002: 154), podendo
apontar-se o exemplo do ‘Arco Atlântico’ que foi alvo de inúmeras referências e
representações, mas sem nunca ter assentado em qualquer vontade política expressa,
de desenvolvimento policêntrico (Allain, 2002: 191). Apesar de tudo, as representações
cartográficas tem o poder de influenciar e transformar a nossa percepção, quer na
transposição duma dada realidade quer numa eventual proposta de cenários, adequados
a vontades múltiplas, e só por isso, viciados ou tendenciosos, informando leituras
direccionadas para um determinado fim, objectivo ou público.
É ao nível da percepção e na forma como essa influi na leitura de um dado mapa ou
fenómeno nele representado que, nas diferentes escalas, se deverá trabalhar com a
população em geral, tornando-a mais informada e consciente da realidade do local,
região ou país em que habita. Uma região que no seu contexto nacional pode apresentar
níveis de desenvolvimento superiores à média, pode, num contexto europeu, não deter a
expressividade e importância que aparentemente teria, segundo a percepção dos seus
cidadãos. Há portanto um trabalho a efectuar ao nível da percepção e contexto dos
fenómenos em discussão e das suas representações cartográficas.
1.3 Medir o policentrismo: alguns exemplos
A aferição e medição do sucesso de um modelo com as premissas do policentrismo
reveste-se da maior dificuldade, pois seja qual for a escala em que se aplique, este
assenta em bases essencialmente analíticas e descritivas, mas imateriais e inatas aos
próprios territórios. Contudo é comummente aceite que a forma mais eficaz de medir o
policentrismo de uma dada cidade, nó do sistema urbano, região ou país, será pelo uso
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
13
de indicadores que possam traduzir um dos seus principais pilares, a conectividade,
nomeadamente com os movimentos pendulares casa-trabalho e casa-escola. Contudo a
escala de análise pode baralhar esta opção e dificultar a tarefa de medição. Vejamos
alguns exemplos de aferição deste conceito, desde a escala europeia à escala local.
Ao nível europeu no quadro do ESPON (CNRS, 2004) mediu-se este fenómeno, por
exemplo, com base na atractividade urbana gerada pelos fluxos de estudantes
abrangidos pelo Programa Erasmus (calculando o rácio entre a emissão e recepção de
estudantes numa dada cidade/universidade e a totalidade desses estudantes) ou com
base no tráfego aéreo de passageiros na Europa, originando fluxos que concluíam sobre
o estabelecimento de relações de domínio e dependência ao nível das regiões
europeias. Ambos os casos encontram-se ilustrados nos mapas seguintes.
IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 7777 ---- Fluxos de estudantes ERASMUS (Fonte CNRS,Fluxos de estudantes ERASMUS (Fonte CNRS,Fluxos de estudantes ERASMUS (Fonte CNRS,Fluxos de estudantes ERASMUS (Fonte CNRS,
2000)2000)2000)2000)
IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 8888 ---- Tráfego aéreo (Fonte: CNRS, 2000)Tráfego aéreo (Fonte: CNRS, 2000)Tráfego aéreo (Fonte: CNRS, 2000)Tráfego aéreo (Fonte: CNRS, 2000)
A nível nacional observemos o exemplo dado por Medeiros (2005) que, para medir a
coesão territorial das regiões NUT III de fronteira, definiu 5 índices: socioeconómico, de
cooperação, do ambiente, da coesão territorial e do policentrismo, este último construído
com cinco indicadores – ranking das cidades, número de funções especializadas,
densidade populacional, quilómetros de estradas e alojamentos com serviço de cabo.
Outro exemplo incidente na região Centro mediu o policentrismo dos principais pólos
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
14
urbanos, recorrendo à construção de um indicador de competitividade que reflectia as
dinâmicas demográficas, do emprego, da qualificação dos recursos humanos, das
exportações e das empresas (IERU, 2007).
Em qualquer dos casos mencionados, a conectividade presidiu à escolha e definição dos
indicadores que pretendiam medir o policentrismo, contudo, além deste pilar, existem
outros cujos indicadores poderão informar este conceito. Por exemplo, no estudo
realizado por Marques da Costa (2000) para a Beira Interior, a autora propôs-se
classificar as aglomerações urbanas, baseando-se em cinco dimensões: dinamismo
demográfico, centralidade, competitividade económica, coesão social e existência de
ambiente urbano sustentável; cada uma delas agregando um conjunto de indicadores,
que espelham o potencial policêntrico das aglomerações, enquanto nós de uma dada
organização territorial reticular. É certo que não existe uma relação directa da dimensão
das aglomerações urbanas, do ponto de vista demográfico e económico, com as funções
nelas presentes, contudo, considera-se que na estruturação de uma organização
reticular, os indicadores que os sustentam não deverão ser negligenciados, baseando,
por exemplo o pilar da dimensão.
Atento à importância das questões territoriais, desde 2007, o INE juntamente com o
DPP, desenvolveu o ISDR - índice sintético de desenvolvimento regional, que com
carácter bienal pretende acompanhar as assimetrias regionais, expressas para as NUT
III e estimada para as NUT II. Este índice contempla três dimensões: coesão,
competitividade e qualidade ambiental, que conjugadamente informam o conceito de
desenvolvimento regional. Podemos de forma relacional encontrar aqui também, um
contexto favorável à aferição de alguns dos pressupostos e pilares do policentrismo,
considerando os fins que este promove e aquilo que o índice tencionou expressar.
Dos exemplos apresentados e da literatura consultada constatamos que nem todos os
pilares são de fácil medição. A dimensão e a localização não levantam grande celeuma,
pois foram amplamente aferidas noutras abordagens e conceitos; porém, a
conectividade, factor diferenciador do conceito policêntrico face ao polinucleado, não é
de fácil medição. Embora as deslocações casa-trabalho pareçam resolver o problema,
este indicador é incipiente em escalas superiores. O factor escala é determinante na
definição do potencial policêntrico de um dado nó, que depende do nível e estratificação
escalar que contextualiza esse nó. Há que desenvolver formas de medição mais
conducentes à prática efectiva do policentrismo, elevando cada vez mais, a aferição de
resultados que delas advenham e possam ser facilmente registadas e monitorizadas.
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
15
1.4 Desafios
Dada a natureza e amplitude dos pressupostos, parâmetros e limitações descritas,
impõem-se, naturalmente, desafios que dificultam a passagem das visões policêntricas
dos territórios, digamos políticas, para a sua materialização em termos práticos. Entre os
desafios destacam-se a integração espacial (CNRS, 2004: 17), o reforço das identidades
regionais e a promoção da diversidade territorial (DGOTDU, 2008a: 3). Neste quadro, o
papel de cada nó no sistema urbano policêntrico, seja ele em que escala for, será
contribuir para consolidar o seu policentrismo e valorizar os pontos de articulação do
conjunto do sistema.
Para cada território o desafio está em procurar um posicionamento económico
competitivo que responda às expectativas de desenvolvimento da sociedade que o
habita sem constranger, nesse processo, a sua estabilidade espacial, social e ambiental
(Mourato; Pires, 2007: 34). A complementaridade gerada retirará benefícios da
concorrência estabelecida entre os nós, superando cada uma das partes as suas
desvantagens (Vaz, 2004: 37).
Outro desafio a superar pelos modelos policêntricos prende-se com os processos de
distribuição quer dos recursos tangíveis, quer dos intangíveis. Há uma forte tendência
para ambos se concentrarem nas regiões já de si mais desenvolvidas, gerando
processos cumulativos e de auto reforço desses memos recursos, de riqueza e de
poderes (Allain, 2002: 183; Pires, 2007: 443). Neste contexto, a proclamada defesa do
‘Pentágono’ (Londres, Paris, Milão, Munique e Hamburgo) e sua crescente afirmação na
Europa foi criticada por Cravinho (2002: 29), pois ao ser promovida, apenas motivaria um
processo de desenvolvimento e integração europeus diferenciados, matizados por uma
Europa, não a duas, mas a várias velocidades, usando a expressão recorrentemente
usada nos meandros políticos da U.E. Um eventual reforço contínuo do centro
constituiria uma ameaça ao equilíbrio, à coesão e à harmonia territorial, centrando-se o
desafio na superação deste hiato, não pela generalização de políticas comuns, mas no
uso de políticas adequadas aos territórios e públicos específicos.
Como vimos, o policentrismo sugere, mais do que equilíbrio espacial, a partilha de
poderes de decisão, harmonia territorial, concorrência de ideias, competição e
cooperação, mas raramente surge associado à eficiência (Allain, 2002: 187), devendo
esta ser uma das dimensões a acrescentar no encalço do tal salto qualitativo, com vista
à cooperação. Por outro lado, e enquanto modelo de equilíbrio, pressupõe também a
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
16
estabilidade relacional entre as partes, resultando de um compromisso empenhado e
consistente entre ambas.
Conclui-se assim que face aos desafios impostos, há uma atitude proactiva que deve
partir de dentro para fora. Nenhuma imposição teórica e discursiva imperará em escalas
inferiores se não for promovida uma cultura de prática do conceito. O estímulo das
relações complementares e da conectividade deve ser assimilada e encarada de forma
natural por todos os intervenientes. Há que quebrar barreiras institucionais que retiram
potencial, dinamismo e mais-valias aos espaços fechados e não comunicantes.
2 Policentrismo e o desígnio da competitividade
“O território é a arena do desenvolvimento económico”
Edward J. Malecki, 1991
No quadro das políticas de coesão e de desenvolvimento policêntrico a UE acentuou o
papel das cidades médias como imperativo para o aumento da competitividade e o
aprofundamento da integração das respectivas regiões em que se inserem na economia
global (IERU, 2007: 21). Prevalece assim uma perspectiva regional e local, capaz de
maximizar o impacte e o valor acrescentado das intervenções a empreender (Simões
Lopes, 2005). Ao nível nacional, o ordenamento do território e a qualificação dos
sistemas urbanos haviam sido identificados como fundamentais na estruturação do
território e na articulação funcional do país, detendo os espaços urbanos a polarização
das funções de produção, consumo, inovação social e eficácia económica (MCOTA,
2002: 34).
São os sistemas urbanos e particularmente as cidades que determinam as suas regiões
(Vaz, 2004: 37), tornando-se de dia para dia cruciais na organização económica, social,
política e cultural do espaço nacional e regional (Benko, 1999: 48). Neste contexto será
impensável promover uma política de desenvolvimento regional que não contemple os
sistemas urbanos como seus elementos estruturantes (Ferrão, 1998: 14).
O território é, assim, cada vez mais sujeito activo do processo de desenvolvimento. Está
no centro das estratégias que visam reforçar a competitividade e atractividade
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
17
económica das regiões, usando os seus recursos, a sua história, as suas comunidades
humanas, a sua carga simbólica, as suas capacidades e competências (Guerreiro, 2002:
82). É essencial apostar na valorização dos recursos endógenos, na mobilização dos
actores locais e no incentivo à cooperação entre territórios, condições hoje
indispensáveis para o progresso económico e social (Pereira, 2009: 86). É neste
contexto que a competitividade ganha solidez, relevo e coerência (Guerreiro, 2002: 82),
sobretudo se aliada a capacidades de concepção, de organização, de relação, de
realização e de inovação nas comunidades territoriais, uma vez que cada vez mais esta
se alastra à noção de bem-estar das populações.
Em termos territoriais, Lopes (2001: 155) defende que a competitividade significa tomar
parte activa no “jogo” da competição global, procurando não sair dele na condição de
derrotado. Assegurar essa competitividade pressupõe equacionar a forma de melhor
valorizar as oportunidades que se lhe depararem, sejam estas oportunidades
decorrentes de atributos endógenos, sejam decorrentes do enquadramento exógeno ou
ainda da interacção entre ambas. Para o mesmo autor (2001: 157) a capacidade
competitiva de uma região determina-se então, pela acção conjugada de três dimensões:
o padrão local de vantagens comparativas; a dinâmica do tecido produtivo local e as
condições de inserção territorial da economia local.
As tradicionais visões hierárquicas dos territórios estão ultrapassadas e ver-se-ão cada
vez mais substituídas por redes policêntricas, estruturadas e baseadas na diversidade e
na complementaridade das respectivas especificidades, nas solidariedades regionais,
desprovidas de hierarquias arborescentes (Veltz, 1994: 201; Pereira, 2009: 86). Uma
organização urbana policêntrica deverá respeitar os princípios de complementaridade
funcional e propagar uma cobertura mais satisfatória que homogénea. Tal passa pela
promoção de um ordenamento sob o princípio da proximidade e na definição de uma
rede urbana que seja suporte do sistema de regiões, cuja rede de centros urbanos possa
equilibrar-se num quadro de funcionalidade interna e na organização intra-urbana,
humana, económica e social (Simões Lopes, 2002).
No planeamento regional dever-se-á descobrir e tirar partido das complementaridades
dos recursos, das vocações, das potencialidades de desenvolvimento conjunto (Costa
Lobo, 2007: 462) e das diversidades regionais devendo estas ser exploradas de forma
criativa, como oportunidades que incentivem a capacidade de inovação e a
competitividade (Bohme; Di Biaggio, 2007: 32).
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
18
Dever-se-á trabalhar para tornar os centros urbanos mais solidários entre si e com o
resto da região, procurando esbater rivalidades espaciais e mobilizar a população e os
agentes em torno de um “projecto regional”. Há vantagem em aproveitar as
potencialidades reais e latentes de cada um deles, de forma a organizar territorialmente
uma estrutura policêntrica baseada na complementaridade e nas especializações,
maximizando-as conjuntamente (Vaz, 2004: 37).
Nas várias escalas em que for promovida, a coordenação de um sistema policêntrico
motivará sinergias e potenciará a acumulação e partilha de recursos. Desta forma
alcançar-se-á uma maior massa crítica demográfica e territorial e a correspondente
dimensão política e socioeconómica, com vista ao estímulo de especializações
funcionais e complementares, da competitividade, da sustentabilidade, da concorrência e
consequentemente do desenvolvimento regional. Esta visão questiona a natureza das
próprias regiões: a homogeneidade e a integração funcional, incentivando porém, o
sentimento de solidariedade e as relações de interdependência com os restantes
conjuntos regionais e com o espaço nacional e europeu (Lajugie, 1979 in Benko, 1999:
18).
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
19
Parte II - Da Europa a Albufeira: O Policentrismo nas Visões
e nos Modelos Territoriais
Nota Introdutória
Para perceber a forma como as questões territoriais passaram a figurar nos documentos
políticos e estratégicos ao nível europeu, até há poucos anos centrados quase
exclusivamente nos desígnios do equilíbrio e da coesão social e económica, procurou-se
identificar os marcos mais importantes do processo de construção duma cultura de
planeamento e ordenamento territorial comunitária, revisitando também as premissas de
trabalhos clássicos desenvolvidos no seio da geografia económica, que directa ou
indirectamente, informam e sustentam a abordagem policêntrica.
Procurou-se sistematizar a forma como as recentes abordagens policêntricas foram
transpostas, quer para os instrumentos de planeamento, de gestão ou políticos, quer
para os modelos territoriais e respectivas áreas sobre os quais incidem. Observaram-se
não só os instrumentos que, de forma declarada, materializaram o policentrismo, desde a
escala transnacional à escala local (ou seja, desde a Europa comunitária até Albufeira,
caso de estudo deste trabalho), mas também aqueles que subrepticiamente anteviram os
seus pressupostos. Em ambos os casos, os mesmos seguiam uma linha de pensamento
adequada às conjunturas sociais, económicas e políticas em que foram propostos,
desenvolvidos e, alguns, implementados. Procurou-se observar igualmente, o
posicionamento proposto para os níveis escalares subsequentes, por exemplo, Portugal
no quadro dos instrumentos europeus, o Algarve nos nacionais e Albufeira nos regionais.
Segundo Ferrão (2002a: 33) a aplicação em cascata do princípio do policentrismo
pressupõe a replicação do mesmo tipo de organização, a escalas sucessivamente mais
finas, devendo desencadear efeitos de capilaridade em todas elas. São esses efeitos
que se pretendeu identificar e sistematizar. Tal forma de aplicação pressupõe também a
escolha de um nível adequado de resposta face às matérias, às problemáticas e aos
âmbitos territoriais considerados (Allain, 2002: 187). Face ao exposto, o princípio da
subsidiariedade constitui um excelente referencial para a aplicação multiescalar do
conceito de policentrismo. É neste quadro que, na proposição, construção e modelação
territorial policêntrica (seja em que escala de análise for) cada nó (cidade, região ou
país), deverá questionar-se: “que tenho eu de distinto susceptível de ser valorizado?”
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
20
(Dematteis, 1997: 81; Ferrão, 2002a: 34). É este o verdadeiro espírito do policentrismo,
na senda de um caminho comum em que cada nó deverá reunir as condições
necessárias à sua afirmação, com o intuito de maximizar o seu contributo, em matérias
que domina ou está vocacionado, com vista a, com isso, consolidar uma componente
regional vencedora.
Reunirá o sistema urbano algarvio as características suficientes para constituir uma
“região urbana policêntrica”, na acepção da expressão usada por Meijers e Romein
(2003) no estudo do Radstand? Apesar das diferenças que separam a região holandesa
do Algarve, parece-nos estarem reunidos os pressupostos que permitirão esse tipo de
abordagem ao território algarvio.
3. Ordenar o Espaço Europeu
“A Europa está encravada entre o potencial policêntrico que lhe é próprio e as forças da
mundialização que a ameaçam”
G. Baudelle; B. Castagnède, 2002
3.1 Instrumentos e Modelos Territoriais – da Academia às Políticas
A União Europeia compreende hoje uma área superior a 4.422 mil Km2
e uma população
de quase 495 milhões de habitantes. Este vasto território integra 27 estados membros,
estendendo-se desde o oceano Atlântico até ao Leste Europeu, onde faz fronteira com a
Rússia, Ucrânia, Moldávia, regiões do Cáucaso e dos Balcãs e, a Sul, com os países da
bacia oriental do Mediterrâneo e do Norte de África, apresentando paisagens, culturas e
níveis de desenvolvimento distintos. Em termos urbanos caracteriza-se por um sistema
de cidades relativamente abrangente e equilibrado, por densidades populacionais
elevadas distribuídas uniformemente, por uma longa e progressiva herança e história
urbano-política e por uma acentuada fragmentação territorial. Modelar um território com
estas características conduz certamente à definição de modelos de organização espacial
matizados pela diversidade, pela regularidade, pela hierarquização do espaço urbano e,
mais recentemente, segundo Baudelle e Castagnède (2002: 157) por um aparente
policentrismo.
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
21
Na Europa, esta noção foi introduzida em 1994 na reunião informal dos ministros do
ordenamento do território, realizada em Leipzig, com vista à definição dos princípios para
o desenvolvimento de uma política espacial europeia comum. Atente-se à cronologia
seguinte, onde se procurou sintetizar os principais marcos do processo de formação de
uma consciencialização político territorial europeia e modelização policêntrica dos
territórios e dos seus sistemas urbanos, matéria que mereceu a atenção de vários
autores (Dematteis, 1997; Faludi; Waterhout, 2002; Ferrão, 2004; Bohme, 2007).
Da Academia…Da Academia…Da Academia…Da Academia… ...à Política...à Política...à Política...à Política
Modelo de Von Thunen 1826182618261826
Modelo de Webber 1909190919091909
Modelo de Christaller 1933193319331933
Losch desenvolve Modelo de Christaller 1954195419541954
Teoria dos polos de crescimento, Perroux 1955195519551955
Boudeville desenvolve teoria dos polos de crescimento 1968196819681968
1970197019701970 Criado o CEMAT, Conselho da Europa
Megalópole Europeia, J. Gottmann 1976197619761976
1983198319831983 Carta de Torremolinos
Triângulo de Ouro, Chéshire et al 1989198919891989
Dorsal Europeia/Banana Azul, Brunet
Casa dos sete quartos, Lutzky 1990199019901990
European bunch ofgrapes, Kunzmann e Wegener
Estrela azul, IAURIF 1991199119911991
Tratado de Maastricht
Europa 2000
1992199219921992 Presidência Portuguesa da EU (dimensão territorial)
1994199419941994
The Leipzig Principles, reunião informal dos ministros
do ordenamento do território
Europa 2000+
1996199619961996 INTERREG II C
1997199719971997
The EU compendium ofspatial system and policies, CE
Study Programme on European Spatial Planning
1999199919991999 Esquema de Desenvolvimento do Espaço Comunitário, CE
2000200020002000
Estratégia de Lisboa
Guiding principles for sustainable spatial
development ofthe European continent, CEMAT
INTERREG III B
2001200120012001
Estratégia de Gotemburgo
2.º Relatório da Coesão Económica e Social
2002200220022002 ESPON
2004200420042004 3.º Relatório da Coesão Económica e Social
2007200720072007
4.º Relatório da Coesão Económica e Social
Objectivo 3 -Cooperação Territorial
Tratado de Lisboa
Agenda Territorial da EU
Livro Verde da Coesão Territorial
IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 9999 ---- Marcos cronológicos do policentrismo (elaboração própria)Marcos cronológicos do policentrismo (elaboração própria)Marcos cronológicos do policentrismo (elaboração própria)Marcos cronológicos do policentrismo (elaboração própria)
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
22
Foi em 1999 com o EDEC que o policentrismo ganhou notoriedade, constituindo este, o
factor chave para afirmar uma visão estratégica de ordenamento supra nacional do
território comunitário. Até então, os seus antecedentes tinham sido, de certa forma, uma
série de metáforas nascidas no meio académico que sustentavam possíveis futuros para
a Europa, descritos como irreversíveis e sumariados em expressões apelativas e de fácil
memorização (Ferrão, 2004: 44; Mourato; Pires, 2007: 36).
Estas metáforas expressas em modelos, visões ou configurações territoriais encontram-
se na base duma abordagem policêntrica, tendo algumas delas sido amplamente
difundidas, ao ponto de serem reconhecidas e identificadas, não só por especialistas e
estudiosos, mas também pelo cidadão comum. Da Academia saíram várias propostas.
Entre elas evidenciam-se: ‘megalópole europeia’, ‘triângulo de ouro’, ‘dorsal europeia’
(que ganhou notoriedade como ‘banana azul’, designação atribuída ao Ministro francês
do Planeamento, Jacques Chéréque) (A. Faludi; B. Waterhout, 2002: 10), ‘casa dos sete
quartos’, ‘estrela azul’, ‘European bunch of grapes’, ‘hexágono’ (zona de integração
económica global) que posteriormente evoluiu para ‘pentágono’, com o título original de
‘stadtefunfeck’ ou ainda ‘core of Europe’, promulgadas pelos autores mencionados na
cronologia. Além destas designações, também ‘hot banana’, ‘European core region’,
‘Rhine axis’, ‘red octopus’, ‘blue orchid’, ‘Europe of the capital cities’ foram elencadas no
já mencionado dicionário sistematizado pelo ESPON (CNRS, 2004: 23).
IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 10101010 ---- Banana Azul (Brunet, 1989 in Faludi; Waterhout,Banana Azul (Brunet, 1989 in Faludi; Waterhout,Banana Azul (Brunet, 1989 in Faludi; Waterhout,Banana Azul (Brunet, 1989 in Faludi; Waterhout,
2002)2002)2002)2002)
IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 11111111 ---- Cacho de uvas (Kunzmann; Wegener, 1991Cacho de uvas (Kunzmann; Wegener, 1991Cacho de uvas (Kunzmann; Wegener, 1991Cacho de uvas (Kunzmann; Wegener, 1991
in Faludi; Waterhout, 2002)in Faludi; Waterhout, 2002)in Faludi; Waterhout, 2002)in Faludi; Waterhout, 2002)
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
23
Em todas estas propostas, mas também nas mais remotas teorias e modelos clássicos
de localização e organização espacial e funcional, idealizados por Von Thunen (1826),
Webber (1909), Christaller (1933, desenvolvido por Losch, 1954), Perroux (1955,
desenvolvido por Boudeville, 1968) encontramos alguns dos pressupostos que
identificam e caracterizam os modelos urbanos policêntricos, nomeadamente nos que se
relacionam com a localização, a proximidade, a conectividade, a concorrência e a
complementaridade, relevando igualmente os desígnios de reequilíbrio e coesão
territorial, expressos por exemplo nos conceitos de renda locativa, limiares e princípios
de mercado ou custos de produção. Todos precederam, influenciaram e ajudaram a
concretizar a interpretação de modelos policêntricos. Contudo, face à actualidade, as
teorias e modelos mencionados careceram duma dimensão, que à data não reunia
sequer contexto previsional, mas hoje, importa sobremaneira na conectividade,
aproximação de territórios e pessoas e na geração de fluxos, a sociedade da informação.
Num contexto global pautado por essas premissas, o Mundo efectivamente “encolheu”.
Foi no virar do século com o EDEC que este tipo de abordagem policêntrica ganhou
relevância e passou a centralizar as discussões do foro territorial em termos europeus.
Objectivamente este documento traduziu-se num referencial estratégico para o
desenvolvimento do espaço europeu, para a elaboração de políticas comunitárias, para a
distribuição e aplicação dos fundos estruturais ao nível da U.E. e para garantir uma maior
coerência e complementaridade entre políticas nacionais e regionais através da sua
integração espacial (Ferrão, 2004: 52). Ao nível da sua natureza, o EDEC representou
uma visão partilhada do espaço da U.E., sendo uma perspectiva integrada e uma
estratégia comum indicativas, e não obrigatórias, do desenvolvimento espacial, e não do
planeamento espacial, da Europa, tratando-se na essência de um documento de carácter
informal (Ferrão, 2004: 50).
Este instrumento apoiou-se em três princípios chave: coesão económica e social,
desenvolvimento sustentável e competitividade territorial equilibrada (EC, 1999), e
baseou-se em três princípios directores: desenvolvimento espacial policêntrico e nova
relação cidade-campo; equidade de acesso às infra-estruturas e ao conhecimento; e
gestão prudente do património natural e cultural (Ferrão, 2004: 50).
O policentrismo afirmou-se como modelo e orientação estratégica capaz de assegurar
condições de desenvolvimento mais equilibradas do território europeu, através do reforço
dos seus espaços periféricos, tornando-os mais prósperos e competitivos, capazes de
interagir e participar activamente na economia mundial, mas também no reforço e
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
24
valorização de redes de sistemas territoriais e urbanos portadores de massas críticas,
económicas e demográficas, que permitissem alicerçar e sustentar os processos de
desenvolvimento, difundindo os respectivos efeitos sobre os territórios envolventes
(Azevedo, 2002: 67; Carriére, 2004a).
No EDEC, o conceito de policentrismo foi aplicado em três escalas distintas: continental
– evitando o reforço de uma concentração excessiva do poder económico e da
população no centro da EU, procurando, consequentemente, desenvolver várias áreas
de integração na economia mundial fora da denominada ‘banana azul’ e das cidades
mundiais de Londres e Paris; nacional e regional – na consolidação de redes de cidades
e na delimitação dos espaços mais dinâmicos, assim como das zonas transfronteiriças,
que funcionassem como interfaces entre sistemas regionais, assegurando a promoção
de modos de transporte e de comunicação integrados; local - na estruturação de
relações funcionais entre cidades e áreas rurais.
Contudo, o EDEC motivou múltiplas críticas, que Ferrão (2004: 55) sintetizou em três
frentes: idealismo (ao procurar compatibilizar conceitos opostos: estimular
competitividade/ crescimento económico vs promover equidade/coesão económica,
social e territorial; combater disparidades económicas vs valorizar as diferenciações
culturais existentes; apoiar a capacidade competitiva das cidades e regiões vs evitar o
agravamento da polarização económica, social e espacial); ambiguidade (quando se
aplicam conceitos como desenvolvimento policêntrico ou crescimento equilibrado, ambos
com significados distintos nos diferentes estados-membros) e centralidade excessiva nas
questões urbanas em detrimento das áreas rurais.
No entanto o mesmo autor (2002a: 32) não tinha dúvidas quanto ao carácter incitador
que o EDEC deteve na promoção do debate junto dos estados membros em torno do
desenvolvimento policêntrico, encorajando-os na adopção de estratégias e medidas de
natureza policêntrica nas respectivas políticas nacionais de planeamento. O debate foi
insistentemente reiterado noutros documentos oficiais sobre a Europa: Guiding principles
for Sustainable Spatial Development of the European Continent, 2000; no segundo
relatório da Comissão Europeia sobre a coesão económica e social - Unidade da Europa,
Solidariedade dos Povos, Diversidade dos Territórios, 2001; no ESPON – European
Spatial Planning Observation Network, 2002, que representa o prolongamento mais
directo das orientações contidas no EDEC (Ferrão, 2004: 56); no terceiro relatório – Uma
Nova Parceria para a Coesão, Convergência, Competitividade, Cooperação, 2004; no
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
25
quarto relatório – Growing Regions, growing Europe; na Agenda Territorial da U.E. e no
Livro Verde da Coesão Territorial, os três últimos de 2007.
A título indicativo, a Agenda Territorial corroborou os três objectivos principais do EDEC
(DGOTDU, 2008a: 5) e incluiu entre as suas seis prioridades territoriais, o
desenvolvimento policêntrico com vista a uma melhor utilização dos recursos disponíveis
nas regiões europeias, assegurando as melhores condições de vida e qualidade de vida
com oportunidades iguais, orientadas para as potencialidades regionais e locais,
independentemente do local onde as pessoas vivessem, no centro ou na periferia da
Europa (DGOTDU, 2008a: 1). Com esta Agenda pretendeu-se dar um passo em frente
no sentido de uma Europa mais competitiva e sustentável, com regiões diversificadas e
cidadãos activos (DGOTDU, 2008a: 12) procurando um desejável quadro de coesão
entre as áreas deprimidas e as áreas dinâmicas (Coll; Peyrony; Chichowlaz, 2002: 219).
Também, o Tratado de Lisboa, de 2007 reconheceu a coesão territorial como a terceira
dimensão da política de coesão, juntando-se à coesão económica e social. A integração
desta dimensão efectivou um desígnio que vinha já desde a presidência portuguesa da
U.E. em 1992, que tinha como objectivo introduzi-la em diferentes políticas comunitárias
e estabelecer um referencial permanente nas intervenções e acções europeias,
nacionais e regionais (Faludi; Waterhout, 2002: 60; Mourato; Pires, 2007: 39). Entre os
vários motivos que levaram ao adiamento de tal introdução está o facto da comissão
europeia não possuir competências formais em matéria de ordenamento do território
(Ferrão, 2004: 44) e dos tratados europeus não definirem competências mas objectivos
(Waterhout; Faludi, 2007: 13) sendo mais difícil vinculá-los, simultaneamente, aos
diferentes estados membros, soberanos nessa matéria. Contudo, como vimos, a CE
estimulou desde os anos 80, múltiplas iniciativas que visavam o desenvolvimento de
estratégias de ordenamento transnacional.
Passados mais de 10 anos, muitas das premissas do EDEC mantém-se válidas. Veja-se
por exemplo os princípios orientadores do primeiro programa de acção para
implementação da Agenda que seguiram as suas linhas gerais: i) solidariedade entre
regiões e territórios, ii) governança multi-níveis, iii) integração de políticas, iv) cooperação
sobre questões territoriais e v) subsidiariedade (DGOTDU, 2008b). Contudo o contexto
mudou, graças, por exemplo, aos desígnios da Estratégia de Lisboa (2000) em torno dos
sistemas de inovação, da protecção social, da melhoria do ambiente empresarial, da
qualificação e reforço da sociedade da informação com maior e melhor uso das novas
tecnologias; da Estratégia de Gotemburgo (2001) que lhe introduziu uma componente
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
26
ambiental com vista ao desenvolvimento sustentável; ao maior alargamento registado na
história comunitária em 2004, de 15 para 25 estados membros, juntando-se mais dois
em 2007; à especulação no preço dos combustíveis e nos processos energéticos e às
dinâmicas demográficas recentes, com um progressivo envelhecimento populacional e
com uma forte atracção exercida junto da população dos países limítrofes (Waterhout;
Faludi, 2007: 16).
Enquanto meta da coesão da U.E. o policentrismo é condição sine qua non para que os
benefícios das Estratégias mencionadas não se confinem ao ‘Pentágono’, devendo ser a
expressão viva da coesão económica, social e cada vez mais, territorial (Cravinho, 2002:
29; Waterhout; Faludi, 2007: 16) num processo contínuo de cooperação e envolvimento
dos vários stakeholders, assim se reduza a ambiguidade da visão política inscrita, por
exemplo, no EDEC e os compromissos nela promulgados. Mesmo que as metrópoles de
dimensão mundial como Londres e Paris e as regiões metropolitanas como o Rhur ou o
Randstad conservem a sua posição de primeiro plano, novas funções e novas redes
podem emergir e produzir efeitos significativos na evolução de algumas cidades, regiões
e dos sistemas urbanos que integram, nomeadamente na atracção e fixação de
população, na geração de emprego e na animação dos tecidos produtivos locais.
3.2 E Portugal no quadro europeu?
Nas representações territoriais e modelos acima mencionados, observam-se diferenças,
que consoante as dimensões em análise, balizam o centro e a periferia da Europa.
Portugal é claramente um país periférico, sofrendo um processo cumulativo de,
chamemos-lhe, oportunidades perdidas, que tem vindo a acentuar esse posicionamento.
Em termos urbanos, a Europa caracteriza-se por uma rede urbana densa, com um
sistema de cidades muito bem repartido, consequência de densidades muito elevadas e
frequentemente uniformes. Segundo a CE em 1999 cerca de 60 % da população
europeia vivia em cidades com uma dimensão demográfica compreendida entre 10 mil e
250 mil habitantes, enquanto apenas 20 % vivia em grandes cidades.
Observando o potencial urbano estratégico evidenciado na figura seguinte, verificamos
que em Portugal, esse concentra-se na faixa litoral Norte-Centro, no Algarve, e nalguns
corredores nas Beiras e Alentejo, estes últimos agarrados a cidades médias, no contexto
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
27
nacional e não no europeu, logo Viseu e Évora, com cerca de 90 e 60 mil habitantes,
respectivamente.
IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 12121212 ---- Potencial estratégico urbano na UE (ESPON, 2004)Potencial estratégico urbano na UE (ESPON, 2004)Potencial estratégico urbano na UE (ESPON, 2004)Potencial estratégico urbano na UE (ESPON, 2004)
As visões supranacionais em termos de política de ordenamento espacial tinham por
objectivo influenciar as políticas nacionais de ordenamento do território dos diferentes
estados membros. Na maioria dos países do ESPON, entre os quais Portugal, o conceito
de policentrismo apenas entrou nas políticas nacionais em meados da década de 90,
considerando-o a União Europeia como um factor chave para o desenvolvimento
equilibrado, para o aumento da competitividade europeia e para o aprofundamento da
integração das suas regiões na economia global (IERU, 2007: 10).
Segundo a OCDE (2001 in NORDREGIO, 2003b: 153) Portugal tinha iniciado
recentemente, um segundo nível de desenvolvimento socioeconómico, dedicando-se às
áreas deprimidas, até então preteridas por uma acção muito concentrada no litoral e
especificamente nas principais aglomerações urbanas, Lisboa e Porto. Contudo, se a
nível nacional estas últimas possuíam a massa crítica, demográfica e económica
suficiente para se afirmar, no panorama europeu e internacional ocupavam lugares
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
28
modestos. Conforme sinalizaram Bohme e Schon (2007) há que apreender os contextos
e saber exercer comparações credíveis. É uma realidade que a Europa auspicia
desígnios e politicas comuns, mas possui variados níveis de desenvolvimento. Os mapas
seguintes evidenciam a posição periférica do nosso país e a forte dependência gerada
pela correlação entre a performance económica e as acessibilidades, claramente
deficitárias, que comprometem o potencial urbano estratégico, acima ilustrado. Este
apenas se efectiva se houver um esforço colectivo que abrace a competitividade e o
projecto europeu em termos territoriais, através de uma acção concertada e integradora,
que, por exemplo, foi promulgada pelas redes transeuropeias sem ter surtido os efeitos
esperados, pelo menos ao nível nacional.
IlustraIlustraIlustraIlustraçãoçãoçãoção 13131313 ---- Centro e periferia (Fonte: ESPON, 2006)Centro e periferia (Fonte: ESPON, 2006)Centro e periferia (Fonte: ESPON, 2006)Centro e periferia (Fonte: ESPON, 2006)
IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 14141414 ---- Acessibilidade e performanceAcessibilidade e performanceAcessibilidade e performanceAcessibilidade e performance
económica (ESPON, 2006)económica (ESPON, 2006)económica (ESPON, 2006)económica (ESPON, 2006)
Neste quadro transitório, com a crescente afirmação da importância das cidades médias
a nível europeu, mas com o país a apresentar uma fraca integração territorial e um baixo
índice de policentrismo, alguns autores (Bohme; Di Biaggio, 2007: 24; Figueiredo, 2007:
47) identificaram, além das grandes Lisboa e Porto, as regiões, cidades ou conjuntos de
cidades, que no contexto nacional poderiam ajudá-lo a cimentar o seu posicionamento
na Europa e afirmar Portugal como um país mais estruturado, mais equilibrado e mais
competitivo. Entre elas constavam a região Centro, o denominado sistema urbano
turístico do Algarve ou as cidades âncoras sedeadas, por exemplo, em Viseu ou Évora.
Embora em épocas e contextos distintos, o potencial policêntrico e agregador dessas
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
29
aglomerações foi estudado, por exemplo nos trabalhos de Gaspar (1972) sobre a área
de influência de Évora, de Cavaco (1976) sobre o Algarve Oriental e do IERU (2007)
sobre a região Centro.
Genericamente a abordagem policêntrica do país visava solucionar problemas
estruturais do sistema urbano nacional, nomeadamente a crescente bipolarização; a
dificuldade em encontrar diferentes formas de concertação entre os stakeolders; a falta
de coordenação entre as políticas públicas e a limitação dos modelos institucionais e
administrativos ao nível da gestão metropolitana. Pretendia-se assim reforçar o papel
das cidades médias como elementos estruturantes do sistema urbano nacional, mas
também fortalecer as relações entre os sistemas urbanos transfronteiriços (Porto/Galiza
e Algarve/Guadalquivir) e desenvolver as principais infra-estruturas (ferroviárias,
rodoviárias, portuárias e aeroportuárias) como factor de inclusão do país no espaço
ibérico e europeu (NORDREGIO, 2003b: 154).
IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 15151515 ---- Intensidade de cooperação (Fonte: ESPON, 2006)Intensidade de cooperação (Fonte: ESPON, 2006)Intensidade de cooperação (Fonte: ESPON, 2006)Intensidade de cooperação (Fonte: ESPON, 2006)
Em suma, Portugal vive um posicionamento periférico e assim viverá enquanto não
souber usar e fazer valer, as vantagens comparativas que lhe advêm da atlanticidade e
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
30
das oportunidades balizadas por esse posicionamento. Essas cifram-se em termos
logísticos, de transportes, turísticos e na promoção de uma porta da Europa, que assente
na potenciação de uma plataforma de comunicação estratégica com as regiões que
naturalmente lhe são “próximas”, África e América do Sul. Num quadro policêntrico
europeu, deverá ser esse o papel do nó português.
4 Portugal e as experiências policêntricas
“Eis aqui, quase cume da cabeça,
De Europa toda, o Reino Lusitano,
Onde a terra se acaba e o mar começa (…)”
Luís Vaz de Camões, 1572
4.1 Sistema Urbano Nacional: Linhas gerais
Marques da Costa (2007) coligiu as representações propostas por Gaspar para o
território nacional. Essas representações corroboram, de certa forma, os contextos,
quadros e orientações políticas específicas que, inequivocamente, traduzem os dois
fenómenos que caracterizam o sistema urbano português: a litoralização e a
bipolarização. A litoralização expressa-se na costa ocidental, correndo de Norte a Sul até
à região de Lisboa e na costa meridional algarvia. A bipolarização desenvolve-se em
torno das duas principais aglomerações nacionais, Lisboa e Porto, que conjuntamente,
estima-se, acolham 35 % da população total do país. Referindo-se a um fenómeno de
“dispersão concentrada”, Soares (2002) menciona o litoral algarvio como o terceiro pólo
do sistema urbano nacional, o qual se junta aos pólos comandados pelas cidades
mencionadas. Por exemplo a proposta de sistema urbano nacional (DGOTDU, 1997a)
espelha estes fenómenos e coloca em evidência o crescente papel das cidades
enquanto focos de desenvolvimento e de aproximação funcional, complementar e em
rede. Com o PNPOT (2007) integra-se uma visão policêntrica. Estas representações
serão, neste trabalho, posteriormente observadas numa análise circunscrita à região
algarvia.
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
31
Numa proposta de síntese das representações territoriais nacionais Ferrão (2002b)
identificou três espacialidades macro regionais que, genericamente, marcam o país: a
oposição Norte/Sul, característica do Portugal tradicional, presente nos trabalhos de
Orlando Ribeiro e Amorim Girão; a oposição litoral/interior, característica do Portugal
moderno; e um território arquipélago, organizado em rede, característico do Portugal
pós-moderno. Segundo o mesmo autor, o último mapa resultou das novas mobilidades e
da sociedade de informação, da terciarização da economia, do reforço do papel das
cidades como focos de emprego e das alterações profundas registadas em termos infra-
estruturais, produto da adesão de Portugal à Comunidade Europeia, em 1986. Estas
características permitem-nos aferir alguns dos pressupostos que acabaram por traduzir
visões mais complexas, do tipo arquipélago, consequentemente mais policêntricas.
IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 16161616 ---- Macro geografias do país (Fonte: Ferrão, 2002b)Macro geografias do país (Fonte: Ferrão, 2002b)Macro geografias do país (Fonte: Ferrão, 2002b)Macro geografias do país (Fonte: Ferrão, 2002b)
4.2 Politicas e instrumentos
Dentre as experiências policêntricas desenvolvidas no seio dos estados membros, o
relatório desenvolvido no âmbito do Projecto 1.1.1. do ESPON
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
32
(ONDERZOEKSINSTITUUT OTB, 2004, p. 155) sinalizou para Portugal dois exemplos
de instrumentos que pretendiam fomentar o policentrismo: o PROSIURB – Programa de
Consolidação do Sistema Urbano Nacional e de Apoio à Execução dos Planos Directores
Municipais (Despacho do MPAT n.º 6/94 de 26 de Janeiro) e a medida das AIBT – Áreas
de Intervenção de Base Territorial integradas no QCA III, 2000-2006. No primeiro
programa, o policentrismo surgia como consequência da acção estruturada prevista,
enquanto no segundo, derivava da promoção de práticas de cooperação inter-municipal
e inter institucional. Neste relatório concluiu-se igualmente sobre a crescente
disseminação, em Portugal, dos pressupostos do policentrismo e recomendou-se o
alastramento do debate em torno do papel e atribuições das regiões no contexto nacional
e europeu.
Além dos exemplos apontados foram posteriormente delineadas políticas e estratégias,
traduzidas ou não, em representações espaciais do país, onde se expressaram
experiências e objectivos que conduziam a modelos de organização espacial de
natureza policêntrica.
Promovido no ano 2000 pelo Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território
(MAOT), o Programa Polis tinha por objectivo geral melhorar a qualidade de vida nas
cidades, através de intervenções de carácter urbanístico e ambiental, aumentando a sua
atractividade e competitividade no Sistema Urbano Nacional (RCM n.º 26/2000, de 15 de
Maio). Este Programa contemplou inicialmente 28 cidades, alargando-se mais tarde a um
total de 40.
IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 17171717 ---- Instrumentos nacionais com visão policêntricaInstrumentos nacionais com visão policêntricaInstrumentos nacionais com visão policêntricaInstrumentos nacionais com visão policêntrica (elaboração própria)(elaboração própria)(elaboração própria)(elaboração própria)
Contudo, a inscrição formal do conceito de policentrismo em documentos oficiais
nacionais, em consonância com as orientações europeias, sobretudo as emanadas pelo
EDEC, deu-se apenas com a ENDS - Estratégia Nacional de Desenvolvimento
Sustentável (MCOTA, 2002: 6) que nos seus quatro domínios estratégicos procurava
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
33
garantir o desenvolvimento integrado do território; melhorar a qualidade do ambiente;
promover a produção e consumo sustentáveis e caminhar em direcção a uma sociedade
solidária e do conhecimento. Entre as suas doze linhas de orientação, a segunda visava
“promover uma política de ordenamento do território sustentável”, conseguida com a
assunção do território como duplamente integrador: em termos verticais, dos diversos
níveis de planeamento, reforçando a articulação e a integração dos níveis nacional,
regional e local; em termos horizontais como espaço de integração sectorial, mas
também na promoção de ordenamento territorial equilibrado baseado em critérios de
eficiência e eficácia da gestão; promoção de ordenamento e qualificação dos sistemas
urbanos; contenção da expansão urbana e correcção dos desequilíbrios territoriais de
desenvolvimento.
Estes domínios e linhas de orientação foram posteriormente materializados nos vectores
estratégicos do Programa de Intervenção da ENDS (PCM, 2007: 52) que elevavam a
promoção do policentrismo urbano e a coesão territorial. O reforço do policentrismo foi
defendido como factor ordenador da complementaridade de funções urbanas ou na
cooperação e organização entre cidades, para em conjunto, actuarem como uma
“cidade” de maior dimensão, estimulando a divisão do trabalho e as parcerias.
Esse espírito informou também a Política de Cidades Polis XXI, sustentada em quatro
grandes vectores: Parcerias para a Regeneração Urbana; Redes Urbanas para a
Competitividade e Inovação; Acções Inovadoras para Desenvolvimento Urbano e
Equipamentos Estruturantes do Sistema Urbano Nacional. Estes promoviam e
integravam os objectivos da Estratégia de Lisboa (PNACE) e da ENDS, concorrendo
para o seu cumprimento.
Com a entrada em vigor do PNPOT- Programa Nacional da Política de Ordenamento do
Território (Lei 58/2007, de 4 de Setembro), o país passou a dispor de um sistema de
planeamento territorial completo, fechando um ciclo iniciado com a Lei de Bases do
Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Urbano (Lei 48/98, de 11 de Agosto),
que o previu. O PNPOT consagrou a nível nacional o conceito de policentrismo nos
instrumentos de desenvolvimento territorial, motivo pelo qual merecerá uma análise mais
aprofundada.
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
34
4.3 O PNPOT e a promoção de um modelo territorial policêntrico
O PNPOT constitui o instrumento de desenvolvimento territorial, de natureza estratégica
que estabelece as directrizes para os instrumentos de planeamento territorial. Este
programa, consagrado na legislação portuguesa desde a LBOTDU, especificamente na
alínea a) do número 1 do artigo 9.º, consubstanciou a tradução para a política nacional
de ordenamento do território, das linhas orientadoras do EDEC, na construção e
proposta de uma visão territorial policêntrica. Aliás, na RCM n.º 76/2002, de 11 de Abril,
que determinou a elaboração do PNPOT, foram bastante claras as referências à
obtenção desse objectivo. Veja-se por exemplo a alínea b) do artigo 10.º que alude à
adopção de “um modelo de crescimento policêntrico baseado numa estreita articulação
entre sistema urbano, redes estruturantes de transportes, acessibilidades, energia,
informação, comunicação e conhecimento, estrutura do povoamento, rede fundamental
da conservação da natureza, em especial de áreas protegidas ou classificadas,
mobilidade e fluxos de interdependência e de solidariedade inter-regional”, ou a
orientação preceituada na alínea a) do artigo 13.º que incita a “adopção de um modelo
de ocupação territorial orientado para a coesão social e territorial, estruturado em torno
de um sistema urbano policêntrico, que contrarie as tendências para a urbanização
contínua ao longo da faixa litoral, a concentração demográfica nas áreas metropolitanas
e a desertificação do interior e do mundo rural”. Com efeito, os objectivos estratégicos
propostos no PNPOT (Lei n.º 58/2007, de 4 de Setembro com posteriores rectificações)
consubstanciaram essa visão policêntrica.
IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 18181818 ---- Objectivos estratégicos do PNPOT (Lei n.ºObjectivos estratégicos do PNPOT (Lei n.ºObjectivos estratégicos do PNPOT (Lei n.ºObjectivos estratégicos do PNPOT (Lei n.º 58/2007, de 4 de Setembro)58/2007, de 4 de Setembro)58/2007, de 4 de Setembro)58/2007, de 4 de Setembro)
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
35
A sua concretização, assim como a prossecução dos 42 objectivos operativos e das 255
medidas que os suportavam, careciam da resolução dos 24 problemas que o PNPOT
elegeu como principais ameaças à obtenção do “país que se quer” e a superação dos
desafios identificados por Gaspar (2007): demográfico; mudança do modelo económico;
urbanização; responsabilização; ambiental; coesão social e cultura e valorização dos
recursos humanos, para os quais o autor estabeleceu um horizonte de 20 anos para que
fossem vencidos, de forma a poderem ser avaliados consistentemente, os efeitos da
implementação deste instrumento e do eventual sucesso do modelo espelhado no novo
mapa de Portugal proposto.
IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 19191919 ---- MoMoMoModelo territorial do PNPOT (Fonte: MAOTDR, 2002b)delo territorial do PNPOT (Fonte: MAOTDR, 2002b)delo territorial do PNPOT (Fonte: MAOTDR, 2002b)delo territorial do PNPOT (Fonte: MAOTDR, 2002b)
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
36
Neste há uma grande opção marítima (Gaspar, 2007: 83) reafirmando-se a importância
do litoral, mas atenuando-se a bipolarização com a junção do Algarve e do Centro litoral,
perfazendo um modelo territorial estruturado em quatro organizações metropolitanas. O
arco metropolitano do Algarve, surge a par com a região metropolitana de Lisboa, com o
conjunto urbano-metropolitano do Norte Litoral e com o Litoral Centro, identificados como
os espaços fortemente internacionalizados e que a médio prazo poderão ditar e
determinar o processo e o ritmo de desenvolvimento nacional, assim como comandar a
organização territorial através das interacções e conectividades que forem estabelecidas
com as restantes regiões.
A inclusão do Algarve neste leque de regiões deveu-se sobretudo ao seu crescimento
demográfico e desempenho económico nas últimas décadas com particular incidência
nos sectores turístico e da construção civil. Para esta região foi apontada uma via de
desenvolvimento assente numa economia residencial, com vista ao aproveitamento das
condições existentes e à sustentabilidade do parque imobiliário regional. Num contexto
policêntrico, dentre as áreas urbanas funcionais, destaca-se o “grande Faro” que
beneficiou da abertura das fronteiras para desenvolvimento das principais cidades da
região algarvia, no incremento das trocas comerciais, expansão do turismo, cooperação
técnica, científica e cultural com as regiões de Huelva e Sevilha em Espanha.
Depreende-se igualmente da leitura do modelo, uma clara e definitiva aposta no
potencial competitivo das cidades, valorizando-se o policentrismo nas suas várias
escalas, da nacional à local (Gaspar, 2007: 83). Confirmando esta aposta, Portas (2007:
90) constatou que, mais do que inventar novas centralidades, deu-se prioridade neste
instrumento, à organização das já existentes em redes baseadas na complementaridade
das diferenças.
Dentre as opções estratégicas a considerar na organização do território procurou-se
reforçar e preservar os factores que suportavam a imagem das regiões que já haviam
assumido visibilidade internacional, em particular as regiões turísticas; e reforçar a
dimensão urbana e as relações de proximidade e complementaridade, ou seja, o
policentrismo, como suporte à qualificação do terciário e ao desenvolvimento de serviços
avançados para o mercado nacional e internacional. Estas e outras opções procuraram
atingir o desígnio preconizado na ENDS (2004) de “fazer de Portugal, no horizonte de
2015, um dos países mais competitivos da União Europeia, num quadro de qualidade
ambiental e de coesão e responsabilidade social”, cujas metas porém, não foram
devidamente determinadas.
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
37
Para Cordovil (2007: 104) o PNOT assumiu uma ambição de grande amplitude nas suas
finalidades e domínios de intervenção, abraçando as várias vertentes do
desenvolvimento do país, nomeadamente a sustentabilidade ambiental, a
competitividade, a coesão e a participação.
4.4 E o Algarve no PNPOT?
Como vimos na visão preconizada pelo novo mapa de Portugal, o Algarve, e mais
precisamente o arco metropolitano proposto merece uma posição destacada na
prossecução de um país mais equilibrado, sustentável e policêntrico. Este arco surge
como uma das aglomerações que visam atenuar a bipolarização do sistema urbano
nacional, já mencionado. Se atentarmos à organização particular do sistema urbano
regional do Algarve, e apesar da escala detida, assistiu-se à definição de um arco com
diferentes pólos, assente numa proposta linear compreendida entre Lagos e Vila Real de
Santo António, cuja consolidação foi defendida como fundamental para o bom
ordenamento e qualificação do turismo na região.
IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 20202020 ---- Evolução da visão do sistema urbano algarvio no PNPOTEvolução da visão do sistema urbano algarvio no PNPOTEvolução da visão do sistema urbano algarvio no PNPOTEvolução da visão do sistema urbano algarvio no PNPOT (elaboração própria)(elaboração própria)(elaboração própria)(elaboração própria)
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
38
Contudo, do ponto de vista discursivo, nem sempre foi essa a leitura tecida a merecer
acolhimento nas diferentes versões dos Relatórios produzidos pelo GPNPOT e pela
Secretaria de Estado do Ordenamento do Território. Neste estudo, optou-se por analisar
as propostas de organização do sistema urbano presentes nos relatórios que
consubstanciavam a primeira versão da equipa do PNPOT (Novembro, 2004), aquela
que foi submetida a discussão pública (Fevereiro, 2006) e a versão final publicada em
Diário da República (Lei n.º 58/2007, de 4 de Setembro).
Entre as diferentes versões registaram-se avanços e retrocessos, quer com a inclusão,
quer com a exclusão declarada e intencional de aglomerações urbanas, cujo potencial
estratégico, a ser usado, poderia favorecer a proposta constante no modelo territorial.
Evoluí-se de duas aglomerações urbanas principais para três, juntando-se aos pólos
liderados por Faro e Portimão, o de Castro Marim - Vila Real de Santo António. A
manifestação expressa de reforçar Albufeira, enquanto pólo urbano central que em 2004
informava com rigor os resultados do diagnóstico efectuado, o qual espelhava o
dinamismo local desse pólo, acabou por desaparecer na versão submetida a discussão
pública. Albufeira reentrou porém na versão final do PNPOT, que vagamente a
identificava como zona charneira, mas sem lhe atribuir qualquer sentido de reforço ou
desenvolvimento. Genericamente, dizia-se querer incentivar dinamismos de várias
ordens e consolidar o espaço metropolitano e contagiando modelos de desenvolvimento
alternativos direccionados para os novos Algarves: interior, costa Vicentina e rio
Guadiana.
Neste âmbito, considerando um ligeiro reforço do peso do Algarve na economia nacional
e um quadro de forte dependência da sua base económica referente à procura turística,
o PNPOT delineou as opções estratégicas a seguir e considerar, integradas numa
estratégia de desenvolvimento e ordenamento territorial da região assente nos seguintes
aspectos:
• Expansão, qualificação e diversificação das actividades turísticas;
• Criação de condições para uma maior internalização dos efeitos da procura
turística na economia regional, valorizando, por exemplo, os produtos da
agricultura, da pecuária e da pesca;
• Lançamento de embriões de diversificação da economia regional face ao
previsível esgotamento da capacidade dinamizadora do turismo a longo prazo;
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
39
• Gestão dos ritmos de construção, de forma a assegurar a sustentabilidade do
sector, precavendo riscos de crise económica na região;
• Incentivo à estruturação urbana da região, essencial à qualificação da oferta de
serviços e à implantação de actividades inovadoras que reforcem a
competitividade internacional da economia do Algarve;
• Inserção competitiva da região no contexto das regiões europeias, e sua
afirmação como localização competitiva de funções terciárias de âmbito europeu;
• Desenvolvimento da região enquanto um importante pólo de serviços avançados,
explorando plenamente as oportunidades da sociedade do conhecimento.
Nos problemas identificados para o Algarve evidenciou-se a recuperação, manutenção e
valorização de valores paisagísticos, sendo imperativa uma actuação que promova a
sobrevivência da economia turística, centrada num dos factores que mais contribuíram
para o seu sucesso e progresso económico e social. Deste modo, torna-se obrigatória a
recuperação das paisagens mediterrâneas tradicionais, dos pomares e hortas, dos
campos e espaços silvopastoris, sem os quais essas não se identificam.
5 Tendências de Organização Espacial do Algarve
IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 21212121 ---- Carta geral do Algarve (Fonte: Capinetti, 1762Carta geral do Algarve (Fonte: Capinetti, 1762Carta geral do Algarve (Fonte: Capinetti, 1762Carta geral do Algarve (Fonte: Capinetti, 1762 inininin CNG; CEG; IGEOE, 1998)CNG; CEG; IGEOE, 1998)CNG; CEG; IGEOE, 1998)CNG; CEG; IGEOE, 1998)
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
40
Se por um lado a delimitação regional do Algarve desde há muito permanece estável,
atravessando séculos numa unidade e individualidade impar no país, é certo que ao nível
organizacional, da cooperação e do estabelecimento de redes duradouras e proveitosas,
não existe grande tradição nem exemplos dignos de registo. Os fenómenos recentes que
marcaram uma viragem radical na estrutura produtiva regional, com a preponderância da
actividade turística, embora comum e transversal a toda a região, agudizou as relações e
não conseguiu motivar e empenhar os pólos urbanos, cidades, vilas, aldeias e lugares
para o estabelecimento de sinergias e complementaridades, de onde, eventualmente
poderiam resultar vantagens competitivas advindas de factores de aglomeração e
escala, quer para a região, quer para cada um desses pólos. É nesta perspectiva e com
base nos documentos que reflectem a forma como o Algarve foi visto, pensado, proposto
e planeado em termos organizacionais e territoriais, assim como na estruturação do seu
sistema urbano, que se pretende aprofundar neste ponto.
5.1 Individualidade e Diversidade dos ‘Algarves’
“As desavenças e individualidade na região está bem sinalizada em vários períodos históricos…
Já no século XII, em plena presença árabe, segundo período Taifa, as revoltas eram constantes
entre as principais comunidades locais, entre elas Silves, Faro e destas com Mértola e Beja. A
unidade do Al-garb ocidental não lhe vem das forças de solidariedade regional, mas da
administração superior, com base em Córdova e Sevilha. As tentativas de independência revelam
bem a imaturidade dos laços que podiam eventualmente uni-lo e a possibilidade de várias
alternativas de associação”
José Mattoso, 1985
Diversos autores no seio da Geografia detiveram-se na individualização e caracterização
do Algarve, não só do ponto de vista físico-territorial, como económico, funcional e
identitário. Gaspar (1993: 175) considerou que dentre as regiões portuguesas, esta
detém a melhor definição do contorno territorial, tanto no plano das análises técnico-
científicas, como na percepção das populações.
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
41
Com aproximadamente 5000 km2
, a região algarvia beneficia de uma localização
privilegiada que em termos climáticos lhe atribui uma originalidade que resulta da
interacção estabelecida entre o Atlântico e Mediterrâneo, traduzida numa amenidade
que, aliada à beleza natural, lhe atribuiu uma elevada apetência turística.
A base geográfica da organização política deste “Reino” distanciou-se da do país: quase
todo o território nacional corre de Norte a Sul e volta-se para Oeste, enquanto o Algarve
corre de Este para Oeste e inclina-se para Sul (Girão, 1960: 417). Noutro tipo de
abordagem, Matoso (1997a: 58) realçou que “o que separa o Algarve do resto do país
não são as serras ermas, mas a variedade de recursos da sua estreita faixa litoral, com
uma intensa ligação com a pesca e o mar, tradicionalmente administrada por poderes
locais e com pouca comunicação com o governo central”. Apesar das clivagens físicas e
político-administrativas evidenciadas, reconhece-se uma certa afinidade entre o país e
este “Portugal em miniatura”, sobretudo na distinção entre as unidades geológicas mais
marcantes – orla sedimentar e maciço antigo; na oposição litoral-interior em termos de
desenvolvimento económico e de densidade demográfica e na bipolarização do sistema
urbano, com Porto – Lisboa versus Portimão – Faro (Girão, 1933 in Gaspar, 1993: 178).
O rectângulo algarvio (Girão, 1960: 418) compreende assim diversas geografias. Na
imagem seguinte procurou-se sintetizar as grandes linhas e tendências da organização
geográfico-espacial regional. Logo à partida é-nos possível efectuar duas leituras
distintas, uma transversal e outra longitudinal. A primeira assenta essencialmente nos
três Algarves geográficos – Serra, Barrocal e Litoral, mencionados por inúmeros autores
(Cavaco, 1976: 15; Girão, 1960: 417; CCR Algarve, 1999). Além das diferenças
morfológicas e climáticas, as três zonas caracterizam-se por níveis de desenvolvimento
socioeconómico assimétrico, que se deterioram do litoral para o interior. O Litoral,
estreito e alongado sobre a costa, agrega os principais centros urbanos e o grosso da
população e das actividades económicas a nível regional. É também nesta zona que se
concentra a maior pressão imobiliária gerada pela actividade turística, que determinou o
actual estado do ordenamento territorial do Algarve. O Barrocal corresponde a uma faixa
intermédia caracterizada por solos argilosos irrigados, dominados por actividades
agrícolas de cultura intensiva, hoje em claro declínio. Por último a Serra, que ocupa
cerca de metade da região, caracterizando-se pelos solos de fraca utilidade agrícola, e
pelos progressivos processos de desertificação e despovoamento.
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
42
IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 22222222 ---- DiagrDiagrDiagrDiagramasamasamasamas síntesesíntesesíntesesíntese das principais representações espaciais do Algarve (elaboração pródas principais representações espaciais do Algarve (elaboração pródas principais representações espaciais do Algarve (elaboração pródas principais representações espaciais do Algarve (elaboração própria)pria)pria)pria)
Existe porém uma leitura alternativa com apenas dois Algarves, onde se regista a junção
das duas últimas sub regiões numa única, prevalecendo a denominação de Serra,
podendo o litoral Algarvio designar-se, também, por Baixo Algarve (Ribeiro, 1945). Este
último corresponde ao Algarve propriamente dito, pois “a Serra e Algarve são, para os
naturais, regiões diferentes, que uma à outra se exclui” (Girão, 1960: 419).
Na leitura longitudinal encontramos também duas correntes, cujas tendências recortam a
região em dois ou três blocos. Em dois, o Sotavento e o Barlavento algarvios, cuja
delimitação territorial, não é clara nem consensual: Quarteira (Ferro, 1956 in Cavaco,
1976: 16); Faro ou Albufeira (Vasconcellos, 1941 in Cavaco, 1976: 16) foram apontados
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
43
como eventuais pontos divisórios das sub-regiões. Face a esta “indecisão”, a integração
de Albufeira numa ou noutra parte, foi sempre questionada, pendendo ora para um lado,
ora para outro, quer por iniciativa “própria”, quer por resolução superior ou partilhada em
quadros de gestão regional e de articulação concelhia.
Para outros autores, entre o Sotavento e o Barlavento, emergiria um terceiro bloco, o
Algarve Central. Neste quadro o Sotavento situava-se entre Vila Real de Santo António e
Tavira, o Algarve Central, entre esta última e Albufeira e o Barlavento, para Este desta
Vila. O Algarve Central compreendia assim, os concelhos de Albufeira, Loulé, Faro, São
Brás de Alportel e Olhão, repartindo-se entre o Barlavento e o Sotavento (Proença, 1927
in Cavaco, 1976: 16). Esta segmentação corresponde essencialmente à mesma que
divide o Algarve em três blocos, no sentido nascente - poente, propostos sob a
designação de Algarve Oriental, Algarve Central e Algarve Ocidental (Cavaco, 1976;
Gaspar, 1993: 181).
Face ao exposto, dentro duma aparente unidade, existe uma diversidade sentida pelas
populações (Cavaco, 1976: 15) que marcou e continua a marcar os valores identitários, o
sentimento de pertença e as próprias relações sócio económicas estabelecidas na
região, entre os 16 concelhos, as 84 freguesias, mas também do Algarve com o exterior.
Tal resulta duma estruturação urbana antiga, bastante enraizada, marcada por
individualismos e pela pouca tradição cooperativa.
5.2 Sistema urbano Algarvio: da região polinucleada à região policêntrica
“O Algarve está dividido, talvez para sempre, entre as suas duas faces, a da prostituição de uma
natureza esplêndida e a sua preservada autenticidade; elas são ainda mais irredutíveis do que as
diferenças que outrora opunham o litoral e a serra: uma agressiva e escancarada e outra bem
escondida”
José Mattoso et al, 1997b
A génese, organização e ocupação urbana e humana do Algarve foi amplamente
influenciada pelas características morfológicas e climáticas da região. O Algarve detém
profundos hábitos urbanos (Guerreiro, 2003: 8) não possuindo outra região ao nível
nacional, uma rede urbana tão antiga, tão densa e tão importante. À imagem do país, a
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
44
litoralização impôs-se na região, sendo nesta ainda mais notória, devido à sua longa
exposição temporal às colonizações marítimas da Antiguidade, cujas influências a
afirmaram como a última Riviera mediterrânea (Ribeiro, 1992: 202; Salgueiro, 1992: 56;
Gaspar, 1993: 177). Daí resultou a concentração dos principais nós do sistema urbano
regional, maioritariamente na faixa litoral, e a evidência de um território fraccionado, com
acções de cooperação e complementaridade muito pontuais.
O sistema urbano altamente influenciado pela tipologia de actividades económicas
presentes, nomeadamente “pelas forças desenfreadas da exploração turística” (Mattoso
et al, 1997a: 58) despoletou, sobretudo desde a década de 50, a procura massiva da
região e o uso desregrado do território. Como consequência, a urbanização estendeu-se
para lá dos lugares e penetrou no território intersticial ou periférico das aglomerações de
forma descontínua (Salgueiro, 1992: 40). A actividade turística passou, na realidade, a
comandar a economia regional, até então marcada pelas actividades agrícolas, pela
pesca, por algumas fileiras industriais e pelas actividades comerciais que animavam as
relações do Litoral com o Barrocal e a Serra, e com outras regiões do país. A crescente
terciarização da economia algarvia, pode registar-se, por exemplo na evolução sectorial
do VAB, na qual se constata o acentuado declínio dos sectores primário e secundário, de
1953 para 2003, passando, respectivamente, de 47,3 % e 15,2 % para 8,3 % e 13,5 %.
Pelo contrário assistiu-se ao reforço do VAB no sector terciário, passando nos mesmos
anos, de 37,5 % para 78,2 % (CCR Algarve, 2000c).
Em 50 anos, o Algarve foi talvez a região portuguesa que sofreu as maiores alterações
na sua estrutura económica, social, territorial e paisagística (Medeiros, 1987; Ribeiro,
1992: 202; Guerreiro, 2003: 4). Contudo, não se pode deixar de reconhecer que o
turismo, mesmo destruidor e desenfreado, tenha trazido o bem-estar e a prosperidade de
muita gente (Mattoso et al, 1997b). Para Gaspar (1993: 180) “mudou-se a face do
Algarve, para o melhor e para o pior: o melhor na criação de emprego, no crescimento
demográfico, na construção de infra-estruturas e de equipamentos, que aproximaram a
região do nível de desenvolvimento do país. O pior na excessiva dependência do turismo
de sol e praia e, associado, na promoção e construção imobiliária; a destruição de uma
parte significativa dos valores paisagísticos, naturais e culturais, tendo como resultado,
na maioria dos casos, a edificação de complexos urbano-turísticos de má qualidade, que
desqualificaram a própria imagem da região. Como corolário deste processo, uma
especulação fundiária e imobiliária desenfreada, originando grandes tensões sobre os
usos do solo, prejudicando a própria base agrícola e silvícola”.
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
45
O mesmo autor (1993: 175) referia ainda que com a explosão da actividade turística, o
Algarve tinha registado uma evolução sui generis, cujos resultados, numa avaliação
global, não deixavam de trazer algumas surpresas: “se, de um lado temos uma base
económica desequilibrada e um território sujeito a graves atentados ecológicos, por outro
lado, temos – com reduzidos investimentos públicos – um excelente desempenho
económico e um progresso social indiscutível”.
Nos anos 80, era por exemplo a rede infra-estrutural do Algarve que levantava fortes
condicionantes ao desenvolvimento da actividade turística, as quais foram resolvidas por
parte dos Municípios, em resposta aos primeiros sinais de ruptura (Assoreira, 1985: 10).
Hoje as principais preocupações prendem-se com os desígnios da qualificação e
competitividade da região/ destino em torno das actividades clusterizadas no binómio
turismo/lazer.
Os níveis de competitividade económica do Algarve estão associados ao perfil de sobre-
especialização em actividades de comércio e serviços relacionadas com a fileira turística,
só por si pouco expressiva no conjunto de indicadores que potenciem por exemplo, a
internacionalização da economia, o investimento em I&D e tecnologias e a qualidade do
capital humano. O Algarve tem uma especialização produtiva centrada em actividades
pouco exigentes em mão-de-obra qualificada (alojamento, restauração e construção civil)
que explica também a forte atracção de mão-de-obra estrangeira (UALG, 2007: 20).
Face ao exposto, não é de estranhar que no contexto nacional o Algarve represente a
região com maior expressão produtiva em turismo, com taxas de crescimento que,
embora abaixo da média nacional, não são de todo negligenciáveis para um destino
consolidado (Silva et al, 2003: 101). O Algarve criou e desenvolveu um conjunto
heterogéneo e em grande escala de actividades turísticas, mas ainda aquém das reais
necessidades de uma região turística desenvolvida, conforme advogam Silva e Noronha
Vaz (1998: 187). Os mesmos autores ressalvam ainda que o incremento excessivo da
oferta das actividades turística no Algarve tem questionado a sua própria capacidade
atractiva, levantando sérios problemas derivados da dependência regional da economia
turística.
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
46
IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 23232323 ---- Cluster turismo/lazer (Fonte: UALG, 2007)Cluster turismo/lazer (Fonte: UALG, 2007)Cluster turismo/lazer (Fonte: UALG, 2007)Cluster turismo/lazer (Fonte: UALG, 2007)
Há portanto que incentivar, mesmo que dentro do binómio turismo/lazer, o
desenvolvimento e a capacidade competitiva do complexo de actividades nele
“clusterizadas” e que se assumem de intensa relevância estratégica, conforme assinalou
o Plano Regional de Inovação do Algarve (UALG, 2007: 37). Considerando a totalidade
das actividades induzidas, estima-se que este cluster sectorial represente 66 % do PIB
regional e 60 % do emprego (WTTC, 2003 in UALG, 2007: 38).
Nos dois últimos decénios a competitividade dos produtos e serviços turísticos, aliados à
“atracção natural” da região, tem vindo a fortalecer-se com a diversificação dos produtos
turísticos oferecidos. A oferta é hoje bastante alargada, contemplando por exemplo, o
património histórico e cultural, o golfe desportivo, os estágios desportivos de alta
competição, a oferta de congressos e incentivos, os produtos natureza, as experiências
gastronómicas, entre outros, os quais detêm um importante papel na qualificação do
mercado. Apostou-se claramente na competitividade dos serviços turísticos, na formação
de recursos humanos especializados, que permitam prestá-los de forma mais
qualificada, rigorosa e distinta, com a celebração de protocolos com as mais
Aa
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
47
conceituadas escolas de hotelaria europeias e americanas. Num mundo de ofertas
globais (e de concorrência atroz e directa com os países europeus e africanos da bacia
do Mediterrâneo, com o Brasil ou com as Caraíbas) será a excelência dos serviços que
diferenciará os destinos.
Sendo este um desafio regional, promulgado igualmente nos mais importantes
instrumentos nacionais, tem havido um esforço generalizado na catalisação de
investimentos qualificantes para a região, ao nível da oferta de empreendimentos
hoteleiros de classificação superior, patenteados por exemplo nos “Projectos de
Potencial Interesse Nacional” (PIN).
Todos estes esforços tendem a mitigar os efeitos da sazonalidade que constitui um dos
maiores problemas levantados pelo padrão de ocupação e especialização económica
observada. Nalguns concelhos do Algarve, nomeadamente em Albufeira, a população
flutuante chega a aumentar seis vezes nos meses do Verão (MCOTA; 2002: 27), o que
levanta sérios problemas na gestão dos recursos naturais e humanos, assim como na
prestação eficiente de serviços básicos, como o abastecimento e tratamento de águas, a
recolha e tratamento de resíduos sólidos urbanos ou a limpeza urbana. O aumento
exponencial da população durante a denominada época alta pressiona grandemente o
sistema ambiental, suporte da actividade turística dominante que, no quadro de um
destino turístico consolidado, não pode, de todo, ser descurado.
Porém há sinais de que os esforços evidenciados apresentam ainda pouca solidez.
Tome-se por exemplo Albufeira. Apesar de não ter registado um decréscimo no número
de turistas, regista o seu “empobrecimento”, conforme se comprova ao nível das receitas
geradas no sector. Este fenómeno é crescente, vulgarizou o destino, que compete agora
num core que não seria o desejável, contrário ao esforço regional de qualificação.
Recentrando a análise na territorialização da actividade turística, importa requalificar e
valorizar o sistema urbano algarvio como factor de competitividade das actividades que
integram o seu “cluster” e promover a diversificação e uso de serviços de acolhimento
para actividades mais intensivas em conhecimento (PCM, 2007: 52).
Em relação às actividades tradicionais, dominantes na região até meados dos anos 50, o
desenvolvimento turístico não soube catalisar as eventuais sinergias que poderiam advir
do entrosamento de ambos, problema já sinalizado por Cavaco (1969: 216) ao referir-se
à justaposição do turismo com a agricultura de sequeiro, com a pesca e com a indústria
de conservas, ao invés da procura de mecanismos de complementaridade. Apesar dos
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
48
esforços e intenções manifestadas em diferentes documentos estratégicos e sectoriais
que alimentaram esta ideia de cruzamento das actividades económicas, tal não sucedeu
com a força desejada. Por exemplo o PRIA (2007) sugere a incorporação de processos
de inovação nas actividades tradicionais, com vista à sua potenciação num quadro
produtivo especializado como o do Algarve, nomeadamente em áreas agro-alimentares,
da pesca e aquacultura, conforme havia já sido sugerido na Estratégia de
Desenvolvimento do Algarve 2007-2013 (CCDR Algarve, 2006).
O território algarvio moldou a actividade turística, e simultaneamente esta moldou o
Algarve e o seu sistema urbano, graças às elevadas pressões imobiliárias registadas.
Embora a região pareça ter crescido “sem plano”, a verdade é que a singularidade do
Algarve e do seu rápido processo de crescimento turístico a colocaram, a par da região
de Lisboa, entre as regiões mais estudadas e sobre a qual incidiu um maior número de
instrumentos de cariz estratégico, académico, de planeamento, sectoriais, de
caracterização ou prospectivos, nacionais ou regionais, cujo histórico foi registado por
autores como Silva (1998) ou Brito (2009). Na maior parte das vezes, esses instrumentos
foram negligenciados, contrariados, esquecidos ou simplesmente vencidos pela
realidade, mais célere do que os longos processos burocráticos que os sustentaram,
tornando inevitáveis os atentados que puseram em causa a bondade neles exarada.
Nesses instrumentos apresentaram-se várias visões e representações do país ou da
região, que procurámos evidencia à luz dos pressupostos do policentrismo. Como é
óbvio, a maioria dessas representações foi influenciada pelas características físicas da
região, mas também por orientações políticas que derivavam de várias conjunturas
políticas, económicas e sociais que acabaram por informar as linhas de actuação e a
acção de planeamento regional. Ora, a acção concertada dessas influências apontou
para caminhos distintos de organização do sistema urbano regional. Dentre os
documentos produzidos seleccionaram-se alguns que ilustrassem abordagens
diferenciadas a esse sistema, que espelhassem com clareza a facilidade com que do
ponto de vista discursivo, e sobre um mesmo território, se promovem modelos
organizacionais de múltiplas naturezas, desde a bipolar até à policêntrica. Ao mesmo
tempo, evidenciar a fragilidade dos discursos e opções tomadas por na maior parte das
vezes, para não dizer em todas, as propostas assentarem em vazios institucionais e
financeiros que dificultam a sua consecução.
Antes de mais uma nota ao facto da maior parte das vezes, em documentos nacionais, o
Algarve merecer particular destaque, sendo reconhecida a sua dinâmica e seu papel no
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
49
desequilíbrio e atenuação do fenómeno de bipolarização que caracteriza o sistema
urbano português.
Vejamos então alguns exemplos sistematizados das grandes tendências da organização
espacial regional e da configuração do seu sistema urbano. As principais diferenças
evidenciadas pelos modelos escolhidos consubstanciam, à partida duas leituras distintas
na evolução do sistema urbano regional: i) passagem de uma visão bipolar para uma
visão linear e ii) crescente preocupação, embora possa ser apenas discursiva, com a
passagem de modelos territoriais polinucleados para policêntricos. Nesta última, a
divergência face à anterior reside na conectividade e complementaridade territorial, que
centralizam os pressupostos das visões policêntricas em detrimento das polinucleadas.
A visão do Algarve bipolar reúne seguramente o maior número de representações e
referências bibliográficas. No entanto, está longe de reunir consensos. Basicamente
pressupõe a organização do sistema urbano regional assente em dois pólos: Faro e
Portimão. Nesta visão foram muitas as referências às aglomerações (Baptista, 1996) ou
aos sistemas (AMAL, 1999) liderados por essas cidades. Também aqui há várias
hipóteses de configuração. Normalmente a Portimão aliam-se Lagos, Lagoa e Silves,
existindo porém propostas que contemplam isoladamente as relações preferenciais com
Lagos (DGDR, 1993; Quaternaire, 1996 in DGOTDU, 1999) ou com Lagoa (DGOTDU,
2002); ao passo que a Faro é comum associarem-se Loulé e Olhão, e nalgumas
configurações, também Quarteira, Almancil (DGDR, 2003) e São Brás de Alportel
(DGOTDU, 2002).
Em termos operacionais também o PROT Algarve (CCR Algarve, 1991) havia defendido
esta visão bipolar, promovida pelo conjunto de propostas e investimentos direccionados
para as duas aglomerações principais. Sobre o pólo de Faro, Gaspar (1993) referia o
reforço da capitalidade em termos administrativos e das relações complementares
estabelecidas com os núcleos urbanos limítrofes, no contexto de uma área urbana que
tendia a prolongar-se em contínuo até Albufeira.
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
50
PROTAL, CCR Algarve, 1991 Grandes Tendências de Organização do
Território (excerto), Jorge Gaspar, 1992
Rede Urbana Prospectiva (excerto), DGDR,
1993
Concentrações Urbanas (excerto), Mendes
Baptista, 1996
PEDRA, AMAL, 1999
Sistema Urbano Nacional – Síntese
(excerto), DGOTDU, 2002
Dinâmicas Urbanas e Territoriais (excerto),
Quaternaire, 1996
IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 24242424 ---- Sistemas urbanos/modelos bipolaresSistemas urbanos/modelos bipolaresSistemas urbanos/modelos bipolaresSistemas urbanos/modelos bipolares
Existe porém nesta visão, uma nuance ao equilíbrio regional que foi mencionada por
exemplo nos trabalhos de Baptista (1996) e AMAL (1999) com a intrusão de Albufeira, ou
de um sistema por ela liderado, onde as duas principais aglomerações se encontravam,
funcionando Albufeira como ponto de intersecção, estruturação e articulação territorial,
tendendo assim para uma leitura polinucleada. Esta função havia já sido referida nos
anos 50 por Ferro (1956 in Cavaco, 1976) devido à intensidade de tráfego nas estradas e
à frequência das carreiras de camionetas que sugeriam a divisão funcional do Algarve
em duas sub-regiões, organizadas respectivamente por Portimão e Faro e contactando
nos concelhos de Albufeira e Silves - Loulé, a Norte.
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
51
Na configuração do sistema urbano nacional foi apontada como aposta prioritária para
Albufeira a valorização da qualidade urbana com vista ao reforço do papel estruturador
que detinha junto dos territórios de proximidade, afirmando-se com um ponto de
equilíbrio de todo o eixo urbano litoral (DGOTDU, 1997a: 438).
Este pólo charneira foi também identificado na construção do edifício principal da rede
urbana regional em torno de dois sub-sistemas polarizados em Faro e Portimão. Entre os
quais “emergia um elemento de articulação física, de movimentos económicos e de
pessoas, estimulados pela condição de território de chegada do exterior, com expressão
demográfica e económica associada à imobiliária turística e no qual se deveriam
desenrolar actuações na perspectiva da qualificação dos segmentos predominantes da
oferta turística, que se consubstanciava em Albufeira” (CCR Algarve, 2000a: 62).
O reforço de um pólo central nas visões da organização urbana da região encaminha-
nos para uma leitura territorial tendencialmente linear, presente em inúmeros
documentos, alguns deles contemporâneos às visões bipolares já referidas. Esta
estruturação linear urbana mereceu várias referências e designações nomeadamente a
“linearidade urbana” (Marques, 1999: 42); “contínuo urbano” (DGOTDU, 1999); “eixo
urbano polarizador” (AMAL, 1999: 107) ou “corda algarvia” (MCOTA, DGOTDU, 2002).
Da mesma forma, nos modelos lineares registaram-se várias configurações urbanas,
compreendendo-se, no mínimo entre Lagos e Olhão (AMAL, 1999: 107) e no máximo
entre Lagos e Vila Real de Santo António (PNPOT, 2007), abarcando assim toda a frente
urbana litoral da região.
A consolidação de uma estrutura linear urbana na região algarvia deriva essencialmente
do crescimento e reforço dos núcleos urbanos ao longo do litoral assente em áreas
urbanas e urbano-turísticas, traduzindo uma forte pressão humana. Neste contínuo
urbano, emergiram novos núcleos que podem a prazo, rivalizar com núcleos urbanos
tradicionais, em dimensão e em termos demográficos, por exemplo o núcleo da Oura-
Montechoro-Olhos-de-Água face à cidade de Albufeira (DGOTDU, 1999), o que apenas
viria a reforçar o posicionamento regional concelhio e individualização de um sistema
central.
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
52
Novo Mapa de Portugal (excerto),
Jorge Gaspar, 1990
Sistema Urbano Continental, Grupo
de Trabalho EDEC (excerto), CEDRU, 1996
Subsistemas Territoriais do Algarve, CCR Algarve, 2000a
Modelo Territorial PNPOT (excerto),
MAOTDR, 2006a
Sistema Urbano Nacional (excerto),
IGEOE, 2004
IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 25252525 ---- Sistemas urbanos/modelos linearesSistemas urbanos/modelos linearesSistemas urbanos/modelos linearesSistemas urbanos/modelos lineares
Embora o PNPOT promulgue os desígnios policêntricos para o território nacional, se nos
focalizarmos na região algarvia, a expressão modelar do sistema urbano assenta numa
visão linear, que tenderá a policêntrica caso se obtenham os ganhos da
complementaridade e da cooperação intra-regional difundidos. Mas, como veremos,
estes não foram potenciados pelos instrumentos hierarquicamente inferiores,
nomeadamente pelo PROT Algarve.
Ao nível das visões polinucleadas, obviamente litorais, é incontornável a referência ao
anteplano elaborado por Luigi Dodi para a região do Algarve (DGSU; MOP, 1966). Neste,
para afirmar-se o território regional no panorama turístico internacional, propunha um
modelo assente nas cidades e nos destinos turísticos que pretendia potenciar e
desenvolver, sempre com elevadas considerações ambientalistas e de preservação da
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
53
paisagem. Em parte, foi o desprezo pelas recomendações tecidas neste instrumento que
minaram o desenvolvimento massificado e crescentemente desqualificado do turismo
algarvio. A aceitação e implementação das orientações deste plano teria conduzido
certamente a um destino diferente para este “destino”.
Anteplano do Algarve, DGSU/MOP (Luigi Dodi), 1966
Estrutura Urbana em 1991,
CCR Algarve, 2000
Espaços de Concertação Potencial
(excerto), Quaternaire, 1996
Sistema Urbano - Internacionalização
(excerto), DGOTDU, 1997a
Perspectiva da Hierarquia da Rede
Urbana (excerto), SIGPNPOT, 2004
IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 26262626 ---- Sistemas urbanos/modelos polinucleadosSistemas urbanos/modelos polinucleadosSistemas urbanos/modelos polinucleadosSistemas urbanos/modelos polinucleados
As visões polinucleadas interligam-se assim com os processos de urbanização, ligando-
se estes com a dinâmica do sector turístico, difundindo uma malha litoral, onde
emergiram centros urbanos da rede complementar: Lagos, Silves, Albufeira, Loulé, entre
outros, além das cidades médias - Portimão e Faro (MCOTA, DGOTDU, 2002). Esta
mancha urbana composta por múltiplos núcleos urbanos de crescimento desigual, de
articulação espontânea, de geração diferenciada e com vocações muitas vezes
sobrepostas (DGOTDU, 1999) espelha um eixo urbano litoral estruturante, estando
contudo por firmar as potencialidades duma estrutura urbana polinucleada e reticular
(CCR Algarve, 2000c: 41).
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
54
Essas potencialidades firmar-se-iam mais rapidamente e com maior eficácia, assim se
abraçasse um caminho policêntrico, que discursivamente mereceu a maior atenção por
parte dos responsáveis pela revisão do PROT Algarve. Este aspecto merecerá
posteriormente um maior desenvolvimento. No entanto sinaliza-se já a proposta
veiculada por esse instrumento que assentava na proposição de três aglomerações
principais lideradas por Faro, Portimão e Vila Real de Santo António e por eixos de
articulação, entre os quais Albufeira/Guia, que compunham uma estruturação urbana que
se queria coesa, policêntrica e complementar.
Estruturação do Sistema Urbano
em 1996, CCR Algarve, 2000d
Sistema Urbano nacional – Especialização
de Serviços, DGOTDU, 1997a
Modelo Territorial - PROTAL, CCDR Algarve, 2007
IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 27272727 ---- Sistemas urbanos/modelos policêntricosSistemas urbanos/modelos policêntricosSistemas urbanos/modelos policêntricosSistemas urbanos/modelos policêntricos
Já anteriormente nas conclusões do estudo de avaliação do PROTAL de 1991 (CCR
Algarve, 2000d) se afirmava que o potencial do sistema urbano algarvio estava no
corredor de grande interacção urbana estendido de Lagos a Vila Real de Santo António,
constituído por um rosário de centros urbanos litorais. É precisamente nessa interacção
urbana que reside o upgrade das visões polinucleadas para as policêntricas que se
espelham nas imagens acima, quer do ponto de vista territorial, quer do ponto de vista
funcional (DGOTDU, 1997a) estruturando perfis de complementaridade, trabalho
conjunto e por conseguinte uma maior integração regional nos contextos e escalas
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
55
superiores, mas também com vista a uma maior competitividade e ao desenvolvimento
regional.
A realidade tem sido madrasta para os instrumentos de planeamento e desenvolvimento
territorial no Algarve, muito graças à falta de coerência destes com as dinâmicas
registadas na região. Do conjunto de visões resulta uma tendência evolutiva progressiva
da estruturação urbana regional, que sintetizamos em três fases, de difícil
enquadramento temporal, já que maioritariamente se sobrepõem.
IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 28282828 ---- Tendência de estruturação urbana regional (elaboração própria)Tendência de estruturação urbana regional (elaboração própria)Tendência de estruturação urbana regional (elaboração própria)Tendência de estruturação urbana regional (elaboração própria)
Genericamente evoluiu-se de uma visão bipolar dominada por Faro e Portimão para uma
visão linear policêntrica constituída por uma aglomeração urbana contínua desde Lagos
até Vila Real de Santo António, passando antes por uma fase intermédia que pôs em
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
56
evidência um pólo central em Albufeira, estruturador da região e de intersecção entre os
dois pólos principais. Urge dinamizar e promover um funcionamento mais sistémico da
região no seu todo, sendo para tal necessário combater as debilidades da estruturação
interna que derivam, segundo a AMAL (1999: 123) de múltiplos factores, entre os quais o
desajustamento da rede ferroviária, a rede rodoviária incompleta, a ausência de soluções
multimodais, a deficiente articulação entre redes de transportes, rede urbana e
centralidades estruturantes de nível regional e sub regional, a ausência de estratégias
activas de complementaridade funcional entre os centros urbanos e sobretudo a falta de
cooperação institucional e a mentalidade fratricida das suas elites e key persons. Além
destes pontos evidencia-se a ausência de um centro urbano regional de dimensão crítica
suficiente para sozinho enveredar por uma missão agregadora e de articulação do
sistema urbano regional (MP, 1999, cap. I-131; CCR Algarve, 2000c: 37). Esta ausência
torna imperativa a assunção do modelo linear policêntrico, promovendo uma região
urbana policêntrica, na acepção do termo usado por Meijers e Romein (2003).
5.3 Revisão do PROT Algarve – “Restringir para qualificar”
“No Algarve o essencial da relação entre território e turismo não é quantitativo. A superfície da
região é de 5000 km
2
, e o solo urbano mais o turístico ocupa 193 km
2
, menos de 4 %”.
Sérgio Palma Brito, 2009
A Revisão do PROT Algarve aprovado em 1991 foi determinada pela RCM n.º 126/2001,
de 14 de Agosto. Nesta estabeleceram-se 12 objectivos estratégicos que visavam a
formulação de uma visão de futuro para a Região do Algarve, do suporte jurídico das
opções estratégicas de base territorial a tomar e das normas orientadoras a desenvolver
na Proposta de Plano e respectivo Modelo Territorial. Destes objectivos realçavam-se as
preocupações com a qualificação territorial e com o desenvolvimento sustentável; com a
atenuação das assimetrias de desenvolvimento intra-regionais, em particular nas redes
de acessibilidades e transportes; com a promoção da diversidade territorial; com a
articulação das diferentes políticas de desenvolvimento sectorial com incidência espacial;
com o correcto enquadramento da actividade turística enquanto factor catalisador do
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
57
desenvolvimento regional, associado à revitalização de outros sectores e consequente
diversificação da base económica regional.
Os objectivos mencionados pretendiam contrariar a forte pressão urbanística motivada
pela massificação da actividade turística, que havia já imposto a necessidade do
PROTAL no final da década de 80. No entanto este Plano acabou por não surtir os
efeitos desejados, “mantendo-se a pressão, intensificando-se e alastrando-se para o
interior, Barrocal e encostas da Serra” (Simões, 2003: 80). Neste quadro, o desafio da
revisão mostrava-se ambicioso e premente, sobretudo quando o estudo de avaliação do
PROT de 1991 (CCR Algarve, 2000d: 9) havia sinalizado como factor perturbador a
existência de extensas zonas de povoamento desordenado em áreas agrícolas e de
protecção de aquíferos.
Quanto ao sistema urbano regional, e num confronto entre o modelo proposto e a
situação registada nessa data, o estudo teceu quatro conclusões: a ineficácia do modelo
que não contou com os centros turísticos, com mais de 1000 habitantes, que
necessariamente se afirmariam e reforçariam funcionalmente, sendo irreversível a sua
integração na dinâmica do sistema urbano regional; o desfasamento das dinâmicas
demográficas entre as projecções do PROTAL e a realidade observada, que
subvalorizou por exemplo, Albufeira, Almancil e Monchique e sobrevalorizou Vila Real de
Santo António; as lacunas no apetrechamento e qualificação dos centros urbanos,
nomeadamente na dotação de equipamentos e sua prioridade face aos desígnios do
Plano e, por último, a própria hierarquização do sistema urbano onde foram tomadas
opções, aparentemente contrárias ao que a realidade demonstrou, por exemplo no
favorecimento de Loulé e na minimização de Silves, enquanto pólo de articulação entre o
litoral e interior.
Na mesma linha de raciocínio, Guerreiro (2002) referenciou as principais tendências do
PROTAL dos anos 90, ilustradas na figura seguinte. Todas motivaram a perpetuação de
erros graves, que este plano não conseguiu corrigir ou apaziguar. Pelo contrário, motivou
uma infinidade de situações de conflito de opinião e interesses: nacional/local,
regional/local e, mesmo, local/local (Simões, 2003: 82).
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
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IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 29292929 ---- Marcos do PROTAL, 1991 (elaboração própria com base em Guerreiro, 2002; CCRA, 2000d)Marcos do PROTAL, 1991 (elaboração própria com base em Guerreiro, 2002; CCRA, 2000d)Marcos do PROTAL, 1991 (elaboração própria com base em Guerreiro, 2002; CCRA, 2000d)Marcos do PROTAL, 1991 (elaboração própria com base em Guerreiro, 2002; CCRA, 2000d)
O modelo urbano definido, rigidamente hierarquizado, revelou-se inadequado face às
características e dinâmicas dos centros urbanos algarvios, os quais, por génese, são
próximos e, por tradição e desenvolvimento revelam grande interacção, cooperação e
complementaridade, factos que tem alicerçado um sistema polinucleado e solidário
(Simões, 2003: 85). Se se concorda que o sistema urbano algarvio tem grande
interacção e complementaridade funcional, o mesmo não e poderá dizer do seu espírito
solidário e cooperativo, cujas manifestações, na realidade, não ocorrem com frequência.
A proximidade dos centros urbanos, a concentração demográfica, o aumento da fluidez
que o modo rodoviário actualmente proporciona, a expectativa que se aguarda do papel
que o modo ferroviário poderá desempenhar dentro de poucos anos, a oferta qualificada
e diversificada de serviços, apontam para que o litoral esteja próximo do quadro de uma
grande área urbana, associando neste caso, pelo menos os seus nove concelhos
(Lagos, Portimão, Lagoa, Albufeira, Loulé, Faro, Olhão, Tavira e Vila Real de Santo
António) e acolhendo um limiar de população que se aproxima das cidades médias
europeias – o que obrigaria a encontrar uma articulação de funções supra-municipais
adequada a um quadro policêntrico coerente, tendo sido esta a matriz sugerida por
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
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Guerreiro (2002) para a delineação de uma estratégia e de um modelo territorial para o
processo de Revisão do PROT Algarve. O autor destacava a proposição de um modelo
urbano policêntrico, qualificando a mancha urbana do litoral e dinamizando os pequenos
centros do interior que organizam as áreas de baixa densidade. Simultaneamente
levantava a necessidade de encontrar soluções que adequassem a dimensão do espaço
urbano às necessidades colectivas e à capacidade de gestão, evitando o aparecimento
de núcleos urbanos fantasmas, sem equipamentos e com poucas infra-estruturas,
responsáveis por muitas das disfunções territoriais presentes no Algarve.
Face aos desafios impostos, a visão da região estabelecida na Revisão abraçava um
novo paradigma: ultrapassar a organização territorial vigente na região há muito, bipolar,
centrada em Faro e Portimão, propondo um novo desígnio policêntrico com a
estruturação territorial apoiada em vários centros urbanos, dando-lhes condições de
crescimento e afirmação no contexto regional. Contudo, a bondade dos objectivos
estratégicos acima expostos acabou por não vingar na proposta final do PROTAL, hoje
plenamente em vigor, e em muitas situações, contradizendo aquilo que supostamente a
diferenciaria do plano de 1991, agora revisto.
Com base em quatro das cartas constantes na proposta de plano, apresentam-se as
principais linhas da revisão do PROT Algarve, nomeadamente aquelas que preconizam o
modelo territorial, o sistema urbano, o sistema de turismo e a rede de transportes e
acessibilidades, factores que genericamente informam os pressupostos de uma análise e
avaliação do potencial policêntrico regional, amplamente difundida, mas pouca praticada.
Genericamente e conforme referido anteriormente, o modelo territorial proposto pela
revisão do PROTAL traduziu-se num sistema urbano assente em duas aglomerações
principais, centradas em Faro e Portimão, à qual se juntava um terceira aglomeração
liderada por Vila Real de Santo António com vista à potenciação de plataformas de
cooperação transfronteiriça, completando-se o sistema por eixos de articulação urbana,
entre os quais o protagonizado por Albufeira, claramente redutor do potencial do
concelho e contraditório às conclusões que o estudo de avaliação do PROTAL (CCR
Algarve, 2000d) havia chegado. Pelos vistos, e apesar dos esforços canalizados para o
menosprezo de alguns centros urbanos, como por exemplo Albufeira, mais de 15 anos
de vigência do PROTAL não chegaram para contrariar as dinâmicas presentes no
território algarvio.
As conclusões resultantes da avaliação mencionada pouco reverteram para o processo
de revisão, o qual, à partida, merece inúmeras críticas, mas pior, incidentes sobre os
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mesmos erros sinalizados, perpetuando uma abordagem, cuja prática e a realidade
mostraram ser adversa ao desenvolvimento da região e à organização e dinâmica do seu
sistema urbano, entendida como tendencialmente policêntrica, tal como anunciado nos
objectivos da própria revisão do Plano.
IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 30303030 ---- Sistema urbano (PROTAL, 2007)Sistema urbano (PROTAL, 2007)Sistema urbano (PROTAL, 2007)Sistema urbano (PROTAL, 2007)
Este sistema evidencia a forte concentração de infra-estruturas de acessibilidade no
corredor litoral, assim como realça outros três corredores de integração e articulação
nacional. Os dois corredores marginais, responsáveis pelas ligações de âmbito local e
regional e o corredor central, manifestamente mais importante e estruturante na
articulação da região algarvia com o resto do país, nomeadamente com a capital, Lisboa.
Há neste último corredor a coincidência das principais vias que servem a região, quer em
termos ferroviários, quer rodoviários, constituindo Albufeira, de forma inequívoca, a rótula
distribuidora do tráfego regional.
Ao nível das infra-estruturas ferroviárias não foi encontrada uma solução para a exclusão
e isolamento descabidos a que Albufeira foi relegada no contexto das propostas de
melhoramento das ligações interurbanas e ferroviárias ligeiras. Na acta de concertação
definiu-se que “Albufeira deveria ficar inserida na rede ferroviária regional com ligações
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fáceis às restantes áreas da região”, no entanto não foram apontadas soluções que
promovessem essas ligações. Esta questão acentua-se quando se afirma que “ o metro
ligeiro assume um carácter relevante e estratégico para o sucesso do modelo territorial”
e uma vez mais, Albufeira encontra-se excluída.
IlustraçãIlustraçãIlustraçãIlustraçãoooo 31313131 ---- Transportes e acessibilidades (PROTAL, 2007)Transportes e acessibilidades (PROTAL, 2007)Transportes e acessibilidades (PROTAL, 2007)Transportes e acessibilidades (PROTAL, 2007)
O modelo territorial de desenvolvimento turístico, motor assumido da economia algarvia,
estrategicamente pouco explicito (veja-se o vazio incompreensível a que é remetida a
Planta do sistema de turismo) deriva desses pressupostos e assenta na restrição, e se
possível, contracção, da oferta de espaços turísticos, exigindo apenas a sua
requalificação e adensamento nos perímetros urbanos, ou seja para o mercado dirigido
ao turismo de massas ou de baixo/médio nível, já abundante. Fora dos perímetros
urbanos aceitam-se sugestões para a criação de NDT, em locais específicos mas à
partida indeterminados, regulamentando-os de tal forma que serão acessíveis apenas a
investimentos para o turismo de alto nível. Pensa-se ser este o meio de fazer valer os
cada vez mais escassos lugares de alto potencial ainda sobreviventes no Algarve.
Nesta visão, alguns municípios, mas sobretudo Albufeira, são altamente sacrificados,
tanto no modelo turístico, agora a implementar, como em relação ao próprio modelo
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territorial. Não são compatíveis as posições de, por um lado, impedir o seu crescimento
nos mercados que lhe são tradicionais, por outro, dar-lhe força para se desenvolver, sem
uma adequada repartição de equipamentos regionais, infra-estruturas e outros
investimentos. Esta situação nunca foi afirmada mas percorre sub-repticiamente todo o
texto, aplicando-se a Albufeira e aos restantes municípios que partilharam durante as
últimas décadas o modelo de desenvolvimento então vigente, apadrinhado pelas
entidades competentes a nível regional, mas agora posto em causa.
IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 32323232 ---- Sistema de turismoSistema de turismoSistema de turismoSistema de turismo (PROTAL, 2007)(PROTAL, 2007)(PROTAL, 2007)(PROTAL, 2007)
Ao nível do programa de execução e financiamento constata-se uma desarticulação
significativa com o modelo territorial já que o leque de investimentos e acções propostas
não o consubstanciam nem o implementam.
Num documento de natureza estratégica a nível regional, critica-se a excessiva
orientação prepositiva e incidência em torno das duas principais aglomerações Faro e
Portimão, abordagem pouco conducente à pretendida coesão territorial e à prática da
visão policêntrica.
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A actividade turística, diz-se, constituir o motor da economia regional, mas não mereceu
tratamento adequado no PROTAL, nem em termos sectoriais nem em termos territoriais,
denunciando uma fraca capacidade de formulação estratégica.
Não são apontadas políticas de transportes públicos nem soluções para deslocações
intra urbanas e regionais, vitais para estruturar uma região policêntrica, funcional e
complementar.
Estruturar um território com as características demonstradas pressupõe um
conhecimento profundo da realidade regional e a tomada de decisões informadas,
consistentes e acima de tudo frutuosas para o Algarve, sua população e actividades
económicas presentes. Parece insensato e fútil pensar a região sem contar com a sua
principal actividade económica, o turismo, responsável pelas principais dinâmicas
registadas nas últimas décadas.
Para Brito (2009: 198) a revisão do PROTAL enferma de quatro fraquezas estruturais: i)
a instabilidade governativa e na administração que durante cinco anos conduziu a uma
deriva tecnocrática; ii) o vazio de intervenção política ao nível do governo, que a
administração e a equipa técnica ocuparam; iii) a “miopia de marketing”, ao ser recusada
a colaboração científica na realização de avaliações, independentes, do PROT de 1991 e
acções de benchmarking com áreas turísticas concorrentes e aspiracionais e iv) os dois
anos de governo de maioria absoluta que não alteraram o quadro anterior, com todos os
seus vícios e modus faciendi.
Se no PROTAL (1991) o lema era conservar e desenvolver, na revisão (2007) o lema
passou a ser restringir para qualificar, dada a proliferação de normas e condições que
inibem o desenvolvimento regional e que duvidamos o venham a qualificar. Se a estes
factos aliarmos a ausência de uma análise séria e ponderada de aferição das
consequências que a aplicação deste plano poderá ter na região, estão reunidas as
condições para o fracasso e perpetuação, mais uma vez, dos desequilíbrios territoriais,
que tenderão a agravar-se e a gerar conflitos intra-regionais evidentes.
A instabilidade governativa que Gaspar (2007) havia reconhecido como um dos entraves
ao processo de elaboração do PNPOT (com o progressivo enfraquecimento do ministério
que o tutelou) dada a proximidade temporal de elaboração também fez com que o
processo de revisão do PROTAL acabasse por sofrer do mesmo mal.
Os princípios de organização em rede são essenciais na definição de critérios de
implantação de infra-estruturas, equipamentos e serviços de apoio às actividades
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
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económicas, numa óptica de qualificação e valorização de especializações preexistentes.
É assim preocupante a forma como o PROTAL optou por não atender aos reais
dinamismos regionais, por não estruturar as medidas pró-activas capazes de regular e
ordenar propositiva e positivamente o conjunto do território regional.
Confrontando os objectivos estratégicos do PROTAL, materializados num conjunto de
propostas pouco conducente a um modelo de organização territorial policêntrica, conclui-
se que este, da forma como foi delineado, não serve a região, pois quebra mais elos do
que estabelece, promove desigualdades mais do que franqueia oportunidades,
desintegra territórios mais do que facilita o seu diálogo, complica e inibe mais do que
entusiasma para uma construção colectiva do futuro.
Enquanto documento estratégico o PROTAL constrói, no seu seio, uma contradição
insanável: propõe-se ser o agente da passagem da polinucleação ao policentrismo mas,
na prática, e pelas propostas e investimento, diminui o papel de Albufeira. Como tal
destrói o equilíbrio dimensional, as distâncias locativas, e sobretudo a conectividade
potencial que deveria ser promovida para alcançar o desiderato inicial. Não se pode
deixar de pensar que tamanho desacerto de propósitos se tenha constituído por
influências estranhas à análise e síntese técnicas.
5.4 E Albufeira no PROT Algarve?
“Porque a mudança é exponencial - pequenas diferenças de ontem podem ter, subitamente,
consequências de peso, amanhã.”
Nicholas Negroponte, 1996
Como vimos, no modelo territorial proposto na revisão do PROTAL, Albufeira possui um
lugar discreto, inoperante e irrelevante, em tudo contraditório com aquilo que os
relatórios de caracterização e diagnóstico demonstraram e com aquilo que efectivamente
representa desde há anos no Algarve e particularmente na sua estrutura económico-
produtiva. Numa leitura atenta de todas as peças que compõem o processo de revisão,
nomeadamente os relatórios de caracterização e diagnóstico, facilmente se reconhece
Albufeira, que surge destacada em diversos indicadores demográficos e económicos e,
sectorialmente, ao nível da actividade turística, que lidera. Na proposta final de plano, o
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concelho de Albufeira foi subestimado em todas as suas potencialidades, até naquelas
em que é, indiscutivelmente, o seu principal representante, fazendo-se tábua rasa do
território regional.
Ignorou-se o estudo de avaliação do PROTAL e as suas conclusões, nomeadamente o
reconhecimento de que, já em 1991 se havia subestimado este concelho que, apesar de
todos os constrangimentos e opções tomadas pelo Plano, se afirmou, ocupando um
lugar destacado na hierarquia de lugares em função da população residente, onde
cimentou a quinta posição, claramente acima do nono lugar previsto. Obviamente tal
ocorrência fez-se acompanhar dum vazio propositivo adequado à posição preconizada
pelo plano de 1991 para Albufeira, fragilizando o seu perfil funcional na região e inibindo
até, a sua inegável centralidade locativa e importância económica e estratégica enquanto
pólo de atracção turística.
Voltando à revisão do PROTAL, nem sempre, durante este processo, compreendido
entre 2001 (RCM n.º 126/2001, de 14 de Agosto) e 2007 (RCM n.º 102/2007, de 3 de
Agosto), esse posicionamento foi reiterado. Aliás, em fases anteriores, fruto de uma
avaliação, quanto a nós, mais correcta, que alimentava o espírito, os objectivos e a
“verdade” do plano, Albufeira assumia o protagonismo regional devido, conducente com
a posição que inquestionavelmente detém hoje em dia, amplamente justificado pelas
várias versões dos relatórios de caracterização desenvolvidas pela equipa do PROTAL,
mas cujas conclusões foram simplesmente negligenciadas ou tendencialmente
interpretadas ao sabor de algo que, seguramente e como se espera comprovar, é
inverso aos desígnios do policentrismo, da competitividade, do desenvolvimento regional
e, estranhamente, da própria realidade. Constata-se claramente que o papel e
importância regional de Albufeira diminuíram à medida que se propagandeava a
consolidação de um modelo policêntrico.
Vejamos, em 2005 (Março) defendia-se que de “um modelo territorial polarizado
caminhava-se progressivamente para um modelo polinucleado e policêntrico, importando
apostar numa rede em que as especializações funcionais de cada centro se traduzissem
em complementaridades na rede urbana regional, por sua vez integrada nas redes
nacional, ibérica e europeia. Defendia-se também que o conjunto da “constelação” se
comportasse com harmonia e coerência e que, de futuro, o desafio central estaria na
transformação de uma rede urbana fragmentada e formada por justaposição de
aglomerados urbanos “incompletos”, numa rede urbana coerente e competitiva, capaz de
dinamizar o robustecimento da economia e o reforço da projecção internacional do
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
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Algarve. Neste sentido propôs-se a estruturação da rede urbana num sistema que se
pretendia policêntrico, assegurando um elevado nível de competitividade, fortes relações
de complementaridade e uma boa inserção nas redes urbanas nacional e europeia. A
diferença entre uma e outra forma de estruturação residia precisamente na ideia da
complementaridade e interacção entre áreas urbanas distintas, de modo a que se
gerassem sinergias qualificantes e de reforço da competitividade do conjunto,
abordagem que genericamente nos parecia correcta e durante algum tempo, embora no
campo das cenarizações, prosperou.
Na visão esboçada para o ano 2030, a tradução prática do policentrismo concretizava-se
com três grandes aglomerações: Faro com Loulé, Olhão, Almancil, Quarteira e São Brás
de Alportel; Portimão com Lagos, Lagoa e Silves e Albufeira com a Guia. Num raio de 20
km as três aglomerações atingiriam, respectivamente, 200 mil, 130 mil e 70 mil
residentes. Segundo a mesma visão, Albufeira/Guia constituiria um pólo charneira entre
as duas outras aglomerações, mostrando-se as três, no conjunto, estratégicas para a
consolidação de um sistema urbano coerente e competitivo. Nesta visão, a estruturação
urbana do Algarve completava-se com Tavira e Vila Real de Santo António/Castro
Marim, com vista à promoção de iniciativas de cooperação transfronteiriça.
Defendia-se que se deveria concentrar nas três aglomerações referidas os esforços das
políticas territoriais, nomeadamente na criação de um quadro supra
municipal/intermunicipal de planeamento estratégico dos espaços conjuntos da
aglomeração; no reforço da cooperação intermunicipal para o desenvolvimento, num
quadro de especialização e complementaridade territorial, de grandes equipamentos
urbanos e de projectos estruturantes de qualificação e dando prioridade à estruturação
das condições de mobilidade e acessibilidade urbana.
Alguns meses mais tarde (Dezembro) iniciou-se o processo de retracção e saneamento
de Albufeira no quadro territorial regional. Nesta data, mantendo as premissas anteriores,
IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 33333333 ---- Albufeira/Guia naAlbufeira/Guia naAlbufeira/Guia naAlbufeira/Guia nas várias versõess várias versõess várias versõess várias versões do PROTAL, 2007do PROTAL, 2007do PROTAL, 2007do PROTAL, 2007 (elaboração própria)(elaboração própria)(elaboração própria)(elaboração própria)
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o modelo policêntrico passava a consolidar-se com duas grandes aglomerações,
centradas em Faro e Portimão e as suas áreas conexas. No entanto afirmava-se ainda
que na parte central da região, em articulação com essas aglomerações emergiria um
espaço urbano (eixo Albufeira/Guia) que poderia atingir os 70 mil residentes,
completando-se o sistema urbano com o pólo transfronteiriço sedeado em Vila Real de
Santo António. Na verdade esta perda de posicionamento incompatibilizava-se agora
com as áreas de actuação prioritária que Albufeira integrava na anterior versão.
Finalmente, a partir de 2006 (Julho) e até à conclusão dos trabalhos, imperou uma nova
abordagem na estruturação do sistema urbano algarvio, consubstanciada em
aglomerações urbanas e eixos de articulação urbana. Nas primeiras, mantiveram-se as
aglomerações centradas em Faro (Loulé, Olhão, São Brás de Alportel) e Portimão
(Lagos, Lagoa e Silves) emergindo uma terceira aglomeração, anteriormente secundária,
liderada por Vila Real de Santo António/Castro Marim, com eventuais ligações a Tavira.
Entre os eixos de articulação, encontravam-se então o eixo Albufeira/Guia que
estabelecia a articulação entre as aglomerações de Faro e do Barlavento, e da região
com o resto do país, assim como outros eixos com acção e efeitos mais localizados -
Silves/Loulé/São Brás de Alportel; Aljezur/Vila do Bispo/Lagos e o eixo transversal
serrano, compreendido entre Alcoutim e Aljezur.
Em pouco mais de um ano, a proposta de plano gorou toda e qualquer expectativa
fundada para o território de Albufeira, pelo seu crescente desprezo e abandono ao nível
estratégico e funcional. Caminhou-se de uma grande aglomeração para um espaço/eixo
urbano e posteriormente para um eixo de articulação, sem que em qualquer das
situações se registasse o devido esforço de concretização de políticas, medidas e/ou
investimentos, que pudessem relevar o posicionamento para que Albufeira havia sido
relegada.
Enquanto pólo charneira de articulação entre os dois locais onde foi concentrada a
maioria dos investimentos previstos, Albufeira reclama, enquanto centro sub-regional
com importante conectividade entre Faro e Portimão, e da região com o resto do país, o
papel que permita a consecução duma rede urbana competitiva e mais equilibrada, em
que seja evidenciada a sua função distribuidora dos fluxos quer dos movimentos
pendulares casa trabalho/escola, quer dos visitantes/turistas, de bens, de serviços e
duma logística avançada, eficiente, eficaz e racional. No entanto, foi reduzida a um “eixo”
urbano, sem mesmo daí se tirarem as devidas consequências em termos do
apetrechamento do mesmo, com vista aos fins especificados.
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
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Lembra-se que já no desenvolvimento do PNPOT se tinham observado avanços e
recuos quanto ao posicionamento de Albufeira no modelo proposto para a região. No
entanto, se na versão final do PNPOT foi reconhecido o papel que o concelho em estudo
detinha, na revisão do PROT Algarve, a tendência de enfraquecimento funcional e
estratégico manteve-se inalterada, contrariando assim as orientações emanadas pelo
instrumento de natureza superior.
O PROT Algarve defende o robustecimento predominante de dois pólos urbanos, Faro e
Portimão; enquanto o PNPOT sugere a reafirmação por inteiro do arco metropolitano, em
sequência territorial contínua entre Lagos e Vila Real de Santo António, num sistema
territorial urbano de constelação de diversos pólos, com funções complementares entre
si, informando verdadeiramente um modelo policêntrico. Esta proposta assemelha-se ao
exemplo policêntrico linear mencionado por Gravier (1971) ao referir-se a zona marginal
ao Lago Léman na Suíça, compreendida entre Genève e Montreux.
A recusa da afirmação do arco metropolitano menospreza importantes potencialidades
de desenvolvimento para a região que, a não serem estrategicamente enquadradas e
apoiadas, vão originar perdas de competitividade e de desenvolvimento, com
consequências nefastas a todos os níveis, desde os ambientais aos sociais, pondo em
causa a sustentabilidade do sistema global de desenvolvimento regional.
A proximidade temporal entre a aprovação do PNPOT e a revisão dos PROT, que seria
uma excelente oportunidade para se garantir a sua mútua coerência (Cordovil, 2007:
106) acabou por não se concretizar, dadas as diferenças propositivas registadas entre os
dois documentos.
Merece também o nosso reparo, o facto do modelo territorial proposto desprezar
liminarmente o modelo turístico regional, que nas últimas décadas, gostando-se ou não,
fez prosperar a região, gerando emprego e riqueza. Esta posição motivou a
subalternização de todos os locais que, como Albufeira, vingaram em torno das
actividades, funções e serviços turísticos. Embora Albufeira reúna valores destacados,
quase sempre na ordem de um terço dos principais indicadores turísticos, surge
identificada numa posição secundária, a par de Lagoa, Silves ou Tavira, e mais grave
ainda, secundando centros como Loulé e Olhão, que pouco ou nada contribuem para a
imagem turística regional, e não possuem sequer capacidade de alojamento
reconhecível. Concorda-se com Brito (2009: 201) ao afirmar que este PROT “é mais
redutor da competitividade do turismo e do território que instrumento para a fomentar”.
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
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Sendo certo que a actividade turística constitui o motor do desenvolvimento económico
regional, Albufeira é, inegavelmente, o principal pólo turístico do Algarve e a expressão
máxima da sua divulgação e promoção no país e estrangeiro. O papel primordial de
Albufeira expressa-se, por exemplo, nos indicadores do INE referentes ao ano 2007: 78
% de população empregada no sector terciário, 34 % da oferta dos estabelecimentos
hoteleiros, 41 % da capacidade de alojamento, 44 % das dormidas e 39 % dos hóspedes
em estabelecimentos hoteleiros. Estes ganham relevância, mais que não seja por este
concelho representar apenas 2,8 % do território regional, factos que foram
completamente negligenciados na construção do modelo turístico regional, o qual surge,
inexplicavelmente, dissociado do modelo territorial. Numa região predominantemente
turística, como pode alhear-se tal modelo territorial da sua principal actividade e do seu
principal destino? Esta questão ficou sem resposta!
A minimização da componente “serviços turísticos” no modelo territorial negligencia o
núcleo urbano de Albufeira e o seu hinterland – Guia, Ferreiras e Olhos de Água. Esta
problemática mina o documento, sustenta a subalternização de Albufeira no modelo
territorial, nas funções preconizadas bem como na distribuição das infra-estruturas e
equipamentos.
No que respeita à hierarquização dos centros/pólos urbanos foram atribuídas a Albufeira
as seguintes funções: AD – Administrativas; T – Turísticas; CS – Comércio e Serviços; S-
Saúde, LT – Logística e Transportes; P – Pescas e Aquacultura; HA – Habitação e CL –
Cultura e Património. Ao nível concelhio se juntarmos as funções atribuídas aos
restantes centros urbanos considerados (Ferreiras, Guia, Olhos de Água, Oura e
Paderne) acrescem as funções ID – Investigação e Desenvolvimento na Guia
(associadas ao Zoomarine) e AF – Agricultura, Pecuária e Florestas em Paderne.
Suscita-nos estranheza o facto de para a sede de concelho não existir qualquer função a
desenvolver e dentre todas as funções especificadas apenas a função CL – Cultura e
Património merecer essa classificação, mas para o centro da Guia. Globalmente
excluíram-se para o concelho as funções associadas ao E – Ensino e à IN – Indústria.
Pareceu-nos particularmente estranha, a pouca ênfase dada à função LT no
desenvolvimento dos trabalhos, pois é exactamente neste concelho que confluem não só
a centralidade geográfica como os principais nós das redes de transportes rodo e
ferroviárias, conjugação que só por si demonstra o potencial deste território nesta
matéria. Mas não só, Albufeira acolhe já hoje, três zonas de Comércio, Indústria e
Serviços delimitadas no seu Plano Director Municipal, que segundo estudos
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
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desenvolvidos pela CCDR, no âmbito da plataforma “Algarve Acolhe”, as classificam
como sendo fortemente especializadas nas actividades comerciais, especificamente no
comércio a retalho, enquanto o indicador composto de acessibilidade, promovido pela
mesma instituição, as coloca acima da média regional, beneficiando assim de um bom
quadro de acessibilidades. Esta situação pode ainda ser comprovada pelo estudo da
área de influência do centro comercial localizado na Guia, que em 30 minutos cobre dois
terços da região e parte do Baixo Alentejo. Mesmo assim, tais evidências parecem não
ter sido suficientes até à discussão pública do Plano, para justificar a atribuição desta
função a Albufeira.
Também a indústria extractiva assume máxima importância para o desenvolvimento e
diversificação da base económica concelhia, podendo o núcleo de pedreiras do
Escarpão afirmar-se como pólo dinamizador e de excelência, com elevado potencial na
produtividade, rendibilidade e empregabilidade do sector em Albufeira. A importância
regional deste núcleo foi atestada num estudo do IGM (2000) que destacava o facto de
apenas duas das pedreiras em laboração, produzirem mais de 20 % da produção total de
granulados para a construção e obras públicas no Algarve.
Actualmente pretende-se dinamizar este núcleo, não só com actividades industriais e
empresarias na fileira da pedra, mas também com as energias alternativas e actividades
lúdico-desportivas e ambientais/educacionais, preceituadas num plano de pormenor, em
elaboração para esta área. Com vista à diversificação da base económica concelhia,
associada à LT e tendo por base a relevância económica do núcleo de industria
extractiva localizado no concelho, considera-se que não deveria ter sido descurada a
atribuição da função IN -Indústria.
Num concelho com uma tão significativa percentagem de actividades ao nível do sector
terciário, considera-se que as questões do Ensino e Investigação e desenvolvimento –
valência incluída no programa de execução ao nível da investigação marinha ligada
apenas ao Zoomarine, seriam igualmente de potenciar, no sentido de qualificar essas
actividades e abrir o caminho para novos projectos.
Ao propor-se um modelo policêntrico com aglomerações amadurecidas e funcionalmente
interligadas, com fortes relações de complementaridade, gerando sinergias qualificantes
e competitividade externa, esperar-se-ia que o PROTAL contemplasse Albufeira, como
um dos principais e mais importantes pólos da região, o que não veio a observar-se.
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
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A rede de equipamentos colectivos de âmbito regional apenas contempla para o
concelho, o Parque do Território/Museu do Turismo, equipamento claramente insuficiente
para cobrir as necessidades emergentes face às estimativas de crescimento e
desenvolvimento preconizadas quer pela projecção constante no anexo 2 do Volume III
do PROTAL para 2011, em que Albufeira seria o concelho do Algarve que registaria o
aumento relativo e absoluto mais elevados, respectivamente 26,5 % e 8.358 indivíduos;
quer na cenarização para 2030, onde se destaca uma previsão de 70.000 que se
traduziriam em 15 % da população regional. No entanto, estes valores parecem não ser
um requisito suficientemente forte para reposicionar Albufeira no modelo territorial. Aliás,
os requisitos e critérios que conduziram à hierarquia e definição das funções urbanas,
nunca foram explicitados, embora insistentemente questionados à CCDR pelos Serviços
do Município de Albufeira.
A exclusão de Albufeira na proposta de investimentos públicos na região, contraria a
própria visão policêntrica do território algarvio, prevendo-se apenas um investimento
irrisório para este concelho. Tal facto, diminui-o ao ponto de o tornar incapaz de assumir
as funções que, naturalmente se infeririam do seu posicionamento funcional e geográfico
no dito modelo, considerando-se mesmo que existe um subaproveitamento da mais-valia
e contributo que Albufeira poderia assumir na concretização do mesmo e na
prossecução dos objectivos delineados.
Falta ao plano racionalidade, flexibilidade e visão estratégica para resolver os novos
problemas que a evolução das comunidades coloca, sem perverter o conteúdo
prospectivo e sustentado do planeamento, com vista à sua correcta implementação.
Na revisão do PROT Algarve, foram escassas as representações e desenhos tornados
públicos, pois a existirem evidenciariam o posicionamento de Albufeira e os pés de barro
do modelo proposto, com a exacerbada sobrevalorização dos principais pólos.
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Parte III - A Região Urbana Policêntrica do Algarve: Que
papel para Albufeira?
Nota introdutória
Face ao posicionamento evidenciado e proposto para Albufeira na Revisão do PROT
Algarve levantaram-se um conjunto de críticas que se traduzem nos seguintes aspectos:
• Pressupostos e objectivos policêntricos aparentemente favoráveis ao
desenvolvimento da região, mas com instrumentos, modelos, acções e
programação que não os promovem e até os contrariam, resultando claramente
num modelo errático, contraditório e num documento a roçar o esquizofrénico;
• Irracionalidade ao subtrair a dinâmica da actividade turística do sistema territorial
regional;
• Ausência de visão estratégica adequada à potenciação da dinâmica pré-
existente;
• Subaproveitamento das funções e dinâmicas presentes e já instaladas;
• Negligência dos pólos de crescimento turístico, dos quais Albufeira é
representante e expoente máximo;
• Irrelevância do papel atribuído a Albufeira no contexto regional;
• Subestimação do papel polarizador de Albufeira e sua bacia de emprego.
Partindo destes pressupostos e dos objectivos estratégicos e orientadores do processo
de Revisão do PROT, atrás mencionados, procurar-se-á nesta terceira parte, com base
em elementos históricos, documentais, estatísticos e geográficos, fundamentar um
posicionamento para Albufeira distinto daquele preconizado nesse processo. Para tal
construiu-se um “índice sintético de potencial policêntrico” que pretende medir de forma
sustentada os três pilares que caracterizam o conceito de policentrismo - localização,
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
73
dimensão e conectividade. Este índice integra nove potenciais que conjuntamente
agregam 39 indicadores, que revelam dinâmicas e desempenhos locais em frentes
distintas. Com os resultados deste índice espera-se evidenciar que a integração
participada e activa de Albufeira numa dinâmica regional policêntrica (que natural e
funcionalmente integra mas que foi totalmente desprezada na proposta de revisão)
facilitará a obtenção dos objectivos que o PROT se propunha atingir, nomeadamente no
reforço do policentrismo e da competitividade regional com vista à participação activa
nos contextos de concorrência e inserção territorial nas escalas nacional e transnacional,
que a região integra.
6 Um novo Modelo Regional – O contributo de Albufeira
“Intervir no sistema urbano implica: realismo, visão estratégica e selectividade”
João Ferrão, 1998
A intervenção proposta pelo PROT Algarve para o sistema urbano regional carece de
realismo e de visão estratégica. Apenas a selectividade prevaleceu na construção do
modelo constante no plano, sendo evidente a influência dos key persons regionais, a que
aludem Meijers e Romein (2003). A falta de argumentos técnicos foi substituída por
desígnios institucionais e políticos, que contornaram as orientações e avaliações tecidas,
por exemplo sobre o PROT Algarve de 1991, bem como os relatórios de caracterização e
diagnóstico da revisão. Estes melhor informariam a tomada de decisões sustentadas,
mas avessas às vontades e opções que acabaram por imperar. Repetem-se erros do
passado recente, contrariam-se dinâmicas e tendências registadas nas últimas décadas,
chegando a negar-se a própria realidade. Assistiu-se neste processo à tomada de
decisões, altamente selectivas e tendenciosas, baseada, sabe-se lá em que critérios, em
detrimento até do próprio interesse regional.
O método “caleidoscópico” advogado por Costa Lobo (2007: 464) que se explica pela
produção sistemática de elementos analíticos como suporte à decisão, poria a nu os pés
de barro de muitas das opções de planeamento tomadas e evidenciaria a posição
destacada de Albufeira em muitos dos quadros analíticos e prospectivos. O planeamento
territorial prospectivo não pode fazer tábua rasa de pré-existências, sejam elas de que
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
74
natureza for, devendo usá-las da melhor forma possível com vista à concretização das
metas que pretende atingir. Ora as metas que caracterizam o desenvolvimento
policêntrico foram descuradas e pouco praticadas na revisão do PROT Algarve. Não será
de estranhar que num futuro processo de avaliação deste instrumento se identifiquem as
mesmas problemáticas que, no final da década de 80, evidenciaram a necessidade de
intervir no território regional. A fraca intencionalidade e motivação para concretizar a
almejada região policêntrica expressa-se sub-repticiamente no tipo de indicadores
escolhidos para integrar o primeiro relatório anual de monitorização do PROT Algarve
(CIEO, 2010) que ficam aquém do desejável e são pouco conducentes à sua medição.
Vejamos então os elementos históricos e estatísticos que procuram justificar a
importância de Albufeira no quadro regional e afirmá-la como peça importante no jogo da
competitividade territorial e na implementação do policentrismo.
6.1 Traços histórico-geográficos de um lugar singular
“Uma turbulência extrema domina de Julho a Setembro, Albufeira regurgita de gente. A vila
impõe-se como um dos principais pólos turísticos do Algarve e atrai, sob o aspecto comercial e de
distracção toda a clientela das aldeias de férias, das residências secundárias dispersa, e mesmo
a que utiliza as casas de familiares camponeses, numa área que vai de Quarteira a Armação de
Pêra. Convergem a Albufeira todos os níveis do turismo moderno, desde a clientela aristocrata até
ao turista popular da FNAT. Verificava-se nesta altura, harmonia e equilíbrio entre a dimensão da
vila e a capacidade dos hotéis e estalagens”.
Carminda Cavaco, 1969
Sensivelmente a meio da costa litoral algarvia, localizada numa rocha escarpada junto à
foz de uma ribeira, encontramos Albufeira. Vestígios arqueológicos indicam que na sua
génese esteve um núcleo piscatório, cuja origem não é de fácil determinação. Contudo,
ao longo dos tempos, aproveitou a evidente relação com o mar, estabeleceu ligações
com outros portos importantes do litoral algarvio, e firmou-se enquanto pólo organizador
do espaço rural envolvente. Foi talvez esta localização e envolvência que cativou a
presença e passagem de fenícios, gregos, romanos e árabes, cujos testemunhos ainda
se encontram em Albufeira.
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
75
Na época romana Albufeira teve a designação de Baltum, tendo a sua ocupação
representado uma mais-valia na organização do espaço, nos fluxos de ligação entre as
povoações, na conexão das actividades económicas do litoral e do interior e na sua
organização administrativa (Adão et al, 2005: 15).
A presença árabe, cujo início data de 716, atribuiu-lhe o nome de Al-Buera, que
significava castelo do mar. Foi conquistada pelos cristãos no ano de 1189, recuperada
pelos árabes no ano seguinte, tendo conquista definitiva apenas no ano de 1249, após a
tomada de Faro por D. Afonso III, que a doou à Ordem Militar de Aviz, sendo então
mestre, Martim Fernandes (Pinho Leal, 1873: 52). Tais factos relevam a importância de
Albufeira enquanto praça de armas e a eficácia da sua estrutura defensiva (Adão et al,
2005: 17). Após a conquista, a sua importância regional e nomeadamente a do seu porto
comercial decaiu bastante pois acabou-se-lhe a prosperidade que derivava das trocas
realizadas com o Norte de África (Barbosa, 1860: 5; Nobre, 1989: 24).
Na idade média, a agricultura e a criação de gado tornaram-se a actividade
predominante, ao lado da pesca. Os principais produtos cultivados eram: cereais, a
amendoeira, a figueira, a alfarrobeira e a vinha. Algumas destas produções eram
transportadas por via terrestre para outros pontos do Algarve e para Castela (Nobre,
1989: 26).
No Algarve sabe-se que os grandes centros polarizadores do espaço sempre foram as
povoações do litoral. Desde o século XVII, Albufeira escoava a maior parte da sua
produção agrícola através do porto de Faro, criando-se uma “relação íntima” entre as
duas localidades. O comércio local e de exportação das produções agrícolas e da pesca
foram, durante séculos, o sustento da sua base económica local (Adão et al, 2005: 17).
Albufeira sofreu bastante com o terramoto de 1755. Este derrubou todas as casas da
povoação, à excepção de 27, mesmo assim muito arruinadas (Pinho Leal, 1873: 52). Foi
recuperada e logrou firmar-se, do ponto de vista económico, novamente, num dos
entrepostos comerciais mais dinâmicos da região.
No Século XIX Albufeira parece ter encontrado a sua função de distribuição regional,
com mercado aos domingos e segundas-feiras. Simultaneamente assiste-se ao
desenvolvimento da actividade piscatória, que conheceu nesse século franca expansão
em todo o Algarve.
Embora as actividades primárias, na terra e no mar, dominassem a economia local, no
final do século XIX há referências “ao fabrico de muito bom tijolo e telha, que exporta”
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
76
(Pinho Leal, 1873: 55). Pereira de Sousa (1919: 17) referia-se à existência de “magnífica
pedra de cantaria, extraída de várias pedreiras, sendo as mais notáveis as da Malhada
Velha, Ferreiras, próximo da linha férrea, que tem fornecido cantaria para Albufeira, Faro,
Lagos, Portimão e até para o Alentejo, mas também barro compacto nos arredores de
Albufeira e magnifica cal no sítio do Escarpão”. A indústria extractiva despoletava
localmente e firmava uma importante actividade económica, cuja produção, como vimos,
era comercializada na região e fora dela.
Em 1909, Albufeira movimentava quase toda a sua produção económica pelo mar. A
exportação de frutos secos e peixe cresceu, nas primeiras décadas do século XX, tendo
atingido o seu período áureo entre 1922 e 1924. O pescado alcançou preços elevados e
a indústria conserveira entrou numa fase de prosperidade, contando a vila com cinco
fábricas que empregavam 700 a 800 residentes, principalmente mulheres de
pescadores.
Mas o início do século XX fez despontar também o turismo em Albufeira, procurada já no
dealbar de 1900 pela rainha D. Amélia e pelo príncipe D. Carlos. Os turistas eram
conhecidos por banhistas e chegavam de Lisboa em barcos a vapor e de comboio,
desde a chegada da linha do caminho-de-ferro a Ferreiras (Adão et al, 2005: 18). O
comboio desviou, a favor das principais praias do Algarve (Rocha, Albufeira e Monte
Gordo) uma parte da clientela alentejana que anteriormente frequentava a costa do Sol,
Setúbal e Sines (Cavaco, 1970: 270). O turismo começava a afirmar-se na vila, impondo-
se o slogan, “Vila Branca em Mar Azul”. Em 1918 existiam já dois hotéis para
veraneantes. A época balnear iniciava-se a 15 de Agosto e prolongava-se até Outubro.
Em meados do século XX passou a iniciar-se em Julho, atraindo banhistas oriundos de
outras cidades do Algarve, Alentejo e Lisboa (Nobre, 1989). Nesse mesmo ano foram
criadas as Terras de Turismo (DL n.º 4819 de 19 de Setembro) inicialmente para a Praia
da Rocha e Monchique, alargando-se em 1923 a Albufeira, Armação de Pêra, Cacela,
Lagos e Montegordo. Segundo Flores (1999: 604) criaram-se praias por decreto.
De 1930 a 1960 a abundância dá lugar à penúria. O declínio generalizado da indústria
conserveira devido à forte concorrência externa e ao desaparecimento das condições
privilegiadas de que beneficiava no período da Segunda Grande Guerra, leva ao
encerramento e à ruína das armações e encerramento das fábricas. Por consequência, a
vila perde um dos seus factores de emprego e diminui para metade a população (Nobre,
1989: 52). Durante séculos de existência, Albufeira viveu do mar e para o mar. Até 1960
todos os surtos de expansão e progresso foram determinados pela fortuna da pesca, da
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
77
indústria de conservas e do movimento do porto que caracterizava e individualizava esta
povoação no contexto regional.
A partir dos anos 60 foi decididamente firmada a nova vocação regional de que Albufeira
constitui o expoente máximo. “Quem chegava a Albufeira, ficava encantado com o
silêncio, o ar puro, o sol quente, as praias, as tradições da população local e a boa
comida” (Adão et al, 2005: 19). Com a abertura do aeroporto de Faro em 1962 a clientela
internacional não deixou de progredir. Albufeira tornou-se numa das mais cosmopolitas
aglomerações do Algarve. A juventude elegeu-a. Os turistas nacionais, atraídos pelo
cosmopolitismo, elegeram-na também conforme descreveu Cavaco nas obras incidentes
sobre Albufeira, arroladas na bibliografia. Estas características valiam o reconhecimento
de Dodi que identificou Albufeira como “a mais pitoresca e característica vila de toda a
costa, gozando uma reputação merecida, que não desilude os que a procuram para as
suas férias” (DGSU; MOP, 1996: 187).
Nos anos 70 Albufeira conhece um grande desenvolvimento económico e demográfico
passando de uma pacata vila piscatória ao mais importante destino turístico do país,
posição mantida até aos dias de hoje.
Embora em declínio, algumas produções agrícolas subsistem na estrutura económica
regional. Hortaliças e frutas provenientes da várzea da ribeira do Algibre a montante de
Paderne, participavam nos fluxos abastecedores dos mercados urbanos da província e
da região de Lisboa.
Vieira (1960: 141) menciona as “culturas mimosas” nomeadamente tomate, uva de mesa
e laranja, provenientes de Albufeira, que facilmente se encontravam nos mercados
alfacinhas. Mas também “as favas e ervilhas verdes eram valorizadas nos mercados
urbanos distantes, pela acentuada precocidade da oferta, em especial da oriunda da
região de Albufeira” (Cavaco, 1976: 19).
Segundo a autora a distribuição espacial das residências dos comerciantes armazenistas
de frutos secos, inscritos em 1971 na Delegação da Junta Nacional das Frutas de Faro,
sublinhava as grandes regiões produtoras: Loulé 77; Silves 27; Faro 24, Albufeira 23;
Olhão 20, Tavira 18; Alportel 15. Os comerciantes de figos eram importantes, sobretudo
em Albufeira. Esta assumia uma vez mais o seu papel de centro e de bolsa de comércio
e exportação de figos, o qual já vinha dos princípios do século, e a que a Segunda
Grande Guerra havia dado, como a todas as indústrias alimentares, considerável
impulso. As compras de figo abrangiam todo o Algarve e “as exportações faziam-se para
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
78
os Estados Unidos (em pasta), Canadá (pasta e figos inteiros), Inglaterra, Bélgica,
Holanda, Alemanha, Brasil, em seiras e mais modernamente em caixas de madeira,
importadas de Espinho, ou de cartão de Cacia, e ainda em pacotes de celofane”
(Cavaco, 1969: 253).
A mesma autora (1969: 254) menciona também a situação marginal de Albufeira face
aos grandes eixos de circulação que servem o Algarve e o integram no país,
nomeadamente à actual EN2, que desembocava em Faro e constituía sua principal via
rodoviária de acesso a Lisboa. Neste contexto afirma que Albufeira se fechava sobre si
mesma, afastando-se dos centros dinâmicos e arrastando-se para uma decadência
progressivamente dramática. Contudo, o turismo moderno veio constituir uma alavanca
poderosa para o despertar económico da aglomeração (Cavaco, 1969: 258), a que as
instâncias de decisão superiores não responderam de forma eficaz, atempada e
coerente face às dinâmicas geradas.
No geral as iniciativas comerciais na vila não partiam de gente da região, deixando o
destino de Albufeira nas mãos de estranhos que vinham em busca de lucros e que
partiriam tão logo eles faltassem.
Cavaco (1969: 264) refere o aumento do custo de vida comparando o custo de alguns
serviços em Lisboa e Albufeira, sendo mais acessíveis na primeira!
Houve desde sempre uma lógica errada na produção e consumo local. Enquanto o
Algarve exportava os seus primores, sobretudo para Lisboa e Porto, os restaurantes e
hotéis consumiam produtos conservados em lata ou congelados, quando não
organizavam a compra dos mesmos no mercado abastecedor de… Lisboa! (Cavaco,
1969: 265).
Em 1969 (266) Cavaco referia a dificuldade de reconhecer em Albufeira a individualidade
de povoação marítima. Albufeira vivia do turismo e para o turismo. “A sua personalidade
não se encontra mais na praia dos pescadores, mas na praia dos banhos, no passeio
marginal e no centro cosmopolita mundano, cheio de vida e de movimento”, refere.
Atente-se, nas imagens seguintes, à substituição progressiva no areal das embarcações
de pesca pelos banhistas entre os anos 40 do século passado e a actualidade.
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
79
A estrutura urbana de Albufeira foi-se formando por saltos, ao longo de toda a frente
litoral do concelho, de forma desestruturada. Primeiro, em torno do núcleo urbano da
vila; depois para nascente, em zonas de mata, onde se implantaram diversos hotéis e
aldeamentos turísticos; mais recentemente, para poente, com o predomínio de
ocupações residenciais extensivas (Soares, 2003: 16).
Albufeira é, na rede urbana regional e nacional, uma “cidade turística”, pelo papel
predominante que desempenha como centro de prestação de serviços turísticos e como
centro organizador de um território turístico específico que com ela se identifica (Soares,
2003: 17).
Albufeira não tem perdido capacidade de atracção, traduzida em número de turistas, tem
contudo perdido os turistas de maior poder de compra. A desqualificação do espaço
urbano e do alojamento turístico tem-se traduzido em turismo menos rico (Soares, 2003:
17). Neste quadro o Programa Polis que tinha o objectivo central de reforçar e valorizar
IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 34343434 ---- Praia dos Pescadores APraia dos Pescadores APraia dos Pescadores APraia dos Pescadores Anos 40, 50, 70, 2009nos 40, 50, 70, 2009nos 40, 50, 70, 2009nos 40, 50, 70, 2009 (Fonte: Amado; Nobre, 1997; CMA(Fonte: Amado; Nobre, 1997; CMA(Fonte: Amado; Nobre, 1997; CMA(Fonte: Amado; Nobre, 1997; CMA))))
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
80
Albufeira como principal centro de animação urbano-turística do Algarve (MAOT; CMA,
2000), impulsionou de forma decisiva a imagem da cidade e por conseguinte do destino
turístico. A renovação da imagem urbana associada aos bons desempenhos na limpeza,
a conquista de espaços para fruição colectiva, o acréscimo de áreas pedonais, de áreas
de circulação automóvel condicionada, a mobilidade facilitada pelos meios mecânicos e
a oferta de múltiplos eventos de natureza cultural e desportiva, materializaram essa
renovação. Ficaram por potenciar oportunidades do foro ambiental e da economia local,
presa a padrões de oferta desajustados das novas realidades e procuras (Marreiros,
2010). No entanto, as dinâmicas turísticas e o elevado reconhecimento em termos
nacionais e internacionais (que em muitos mercados supera a marca Algarve) vale-lhe o
título de capital nacional do turismo.
A reter deste breve histórico fica o carácter comercial e distributivo que sempre marcou o
posicionamento regional de Albufeira. Apesar da eventual excentricidade face ao
principal pólo da região, Faro, às principais vias de comunicação até 1973 (ano de
conclusão da Nacional que viria a ser o actual IC1), Albufeira sempre estabeleceu com a
capital regional ligações de grande proximidade, de natureza económica e estratégica.
Destaca-se a sua importante função enquanto entreposto comercial de frutos secos, em
particular de figo, mas também a sua vertente exportadora, que desde o período árabe
levou os seus recursos, agrícolas e piscícolas ao Norte de África, mais tarde a toda a
região, ao Alentejo, a Lisboa e a Castela. Juntam-se a estes recursos também os
extractivos. A actividade turística apenas veio reforçar este papel empreendedor e de
abertura para com outras regiões e povos, traduzindo-se na internacionalização da sua
imagem, na potenciação da atracção de inúmeros turistas e visitantes, que maximiza a
sua integração na Europa.
A conectividade em Albufeira é uma constante histórica, que advém da sua centralidade,
factor imutável e irreprimível para quem pensa, planeia e decide sobre o território. Tal
facto realça uma clara tensão regional que pode traduzir-se na oposição capitalidade vs
centralidade, que a partir de 1973, ano em que se completou o actual IC1, transformou a,
até então, excêntrica Albufeira no pólo mais central e acessível da região, em detrimento
de Faro.
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
81
IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 35353535 ---- Albufeira: centralidade e acessibilidadesAlbufeira: centralidade e acessibilidadesAlbufeira: centralidade e acessibilidadesAlbufeira: centralidade e acessibilidades
Ora a constatação desta divergência carece de uma certa sensibilidade nas opções que
sobre os espaços urbanos são tomadas. A imutabilidade do factor centralidade, aliado às
condições naturais propiciadoras e reforçadoras da mesma, apenas podem ser
contrariadas pelos esforços de abafamento regional e de majoração de acções políticas
e financiamentos direccionados para outros locais. Apesar disso, mesmo sem um quadro
de planeamento facilitador, Albufeira empreendeu uma caminhada vencedora no
contexto regional, verificada ao longo dos anos, numa escalada bem sucedida ao nível
do desenvolvimento local, crescentemente sustentado e em crescente afirmação
regional, pautado por dinamismos assinaláveis em termos demográficos, económicos e
na geração de emprego.
A tabela seguinte traça um retrato estatístico do concelho, onde são destacados
precisamente os factores da dinâmica local e o seu peso no contexto regional.
Constatamos que em muitos dos indicadores apresentados, Albufeira detém uma
importância relativa bastante significativa. É possível observar igualmente a posição
ocupada por este concelho na hierarquização dos valores afectos à totalidade dos
concelhos. Realça-se nesta análise o domínio inequívoco nos indicadores turísticos e o
bom desempenho nos demográficos, económicos e empresariais. Apesar de tudo
destaque para a baixa proporção do território regional, cifrando-se esse valor abaixo dos
3 %.
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
82
Em altura de crise, como na actual, desperdiçar os potenciais instalados é comprometer
o quadro de competitividade regional que se pretende alcançar. Aliás, a crise poderá
constituir um bom motivo para repensar o modelo regional de desenvolvimento, ao nível
da organização do sistema urbano, mas também do sistema produtivo. O modelo e visão
exarada no PROT Algarve emanam de um cenário pré crise, sendo actualmente
totalmente descabidos e despropositados. Há que poupar e reorientar investimentos nas
escolhas certas, mais vantajosas para a região em termos policêntricos.
Indicador (unidade) Ano Algarve Albufeira % Ranking
Área (Km2) 2010 4996 140,6 2,8 13
População Residente (N.º) 2008 430084 38966 9,1 5
Densidade Populacional (Hab/Km2) 2008 86,1 277,2 NA 5
Variação da População 2001-2008 (%) 2008 8,8 23,5 NA 2
Taxa de Crescimento Efectivo (%) 2009 0,91 2,14 NA 2
Taxa de Crescimento Migratório (N.º) 2009 0,89 1,58 NA 3
Taxa de Crescimento Natural (N.º) 2009 0,02 0,56 NA 1
Taxa de Natalidade (%o) 2009 11,1 13,4 NA 1
Taxa de Mortalidade (%o) 2009 10,8 7,8 NA 1
Índice de Envelhecimento (N.º) 2008 123,5 80,4 NA 16
Índice de Dependência Total (N.º) 2008 52,4 47,5 NA 16
População Empregada no Sector I (N.º) 2008 2365 106 4,4 8
População Empregada no Sector II (N.º) 2008 23874 2021 8,4 4
População Empregada no Sector III (N.º) 2008 83489 13436 16 3
Empresas (N.º) 2007 58251 5930 10,2 4
Densidade Empresarial (N.º/km2) 2007 11,7 42,2 NA 2
Volume de Negócios nas Empresas (M €) 2007 9405524 1059739 11,3 4
Pessoal ao Serviço nas Empresas (N.º) 2007 156803 19128 12,2 4
Estabelecimentos Hoteleiros (N.º) 2008 417 137 32,8 1
Capacidade de Alojamento (N.º) 2008 98724 40575 41,1 1
Dormidas (N.º) 2008 14265164 6274393 43,9 1
Hóspedes (N.º) 2008 2927819 1148360 39,2 1
TabelaTabelaTabelaTabela 1111 ---- Retrato estatístico de AlbufeirRetrato estatístico de AlbufeirRetrato estatístico de AlbufeirRetrato estatístico de Albufeira no contexto regional (Fonte: INE)a no contexto regional (Fonte: INE)a no contexto regional (Fonte: INE)a no contexto regional (Fonte: INE)
Face ao exposto e com base nos pressupostos do policentrismo procurar-se-á
fundamentar as funções já detidas e aquelas a potenciar para colocar os nós mais
dinâmicos da região algarvia, entre os quais Albufeira, ao serviço da competitividade e
consequente afirmação no contexto nacional e europeu.
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
83
6.2 Índice Sintético de Potencial Policêntrico
“Albufeira é dos centros urbanos mais mono especializados no turismo e, por isso, importa por um
lado valorizar e qualificar a sua atractividade turística, por outro lado procurar outras formas
complementares de ancorar o desenvolvimento local”
CCR Algarve, 2000d
Para medir o potencial policêntrico dos pólos urbanos que compõem a região algarvia,
entendidos como nós de uma rede, propõe-se a construção do que aqui se denominou
“índice sintético de potencial policêntrico”, adiante ISPP. Para tal recorreu-se aos três
pilares essenciais do conceito policêntrico: localização, dimensão e conectividade,
procurando informar-se cada um deles com indicadores que pudessem expressar um
potencial específico no contexto regional e evidenciar as dinâmicas conducentes à
constituição de uma região urbana policêntrica. Com esta pretende-se promover a
competitividade e o desenvolvimento regional e assim efectivar o modelo territorial
policêntrico preconizado no PROT Algarve, mas não implementado.
Cumpre informar que para além da totalidade dos 16 concelhos algarvios, calcularam-se
os mesmos indicadores para as três aglomerações, aqui designadas por pólos,
propostas no plano, centrados em Faro (com Loulé e Olhão), Portimão (com Lagoa e
Lagos) e Vila Real de Santo António (com Castro Marim). Pretende-se com esta opção,
diferenciar o comportamento e dinâmica que estes deteriam isoladamente ou no contexto
das aglomerações que lideram, comparativamente com os restantes concelhos da
região.
Mais do que efectuar diagnósticos e retratos, pretendeu-se evidenciar com os 39
indicadores escolhidos, sempre que possível, as dinâmicas e sinergias registadas.
Contudo, pela indisponibilidade de dados, para alguns deles tal não foi possível,
considerando-se que nos casos em que foram utilizados indicadores respeitantes a um
dado ano, expressos por proporções ou pesos relativos, estes reflectem tendências e
verdadeiramente informam o espírito do índice e do estudo, constituindo uma base que
não deve ser desprezada na prospecção de uma região urbana policêntrica. Nota ainda
para esclarecer o facto de existirem indicadores que não devem ser olhados
isoladamente, sendo óbvios os pontos de contacto entre eles, para a própria
fundamentação dos respectivos potenciais que integram. Por exemplo a centralidade, as
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
84
empresas e o emprego estão intimamente ligadas, mas neste estudo ilustram potenciais
distintos. Apresentam-se de seguida, para cada um dos pilares mencionados, os
potenciais que compõe este ISPP, bem como os indicadores que os suportam:
Pilar Potencial Indicador Ano Unidade
Acessibilidade
Índice composto de acessibilidade (distância/tempo das sedes
de concelho ao aeroporto internacional de Faro, a Lisboa, à
estação ferroviária de Tunes e a Espanha)
2010 minutos
Centralidade
Proporção de movimentos pendulares com destino a outros
concelhos
2001 %
População residente 2008 N.º
Densidade populacional 2008 hab/km2
Variação da população residente 1950-2008 %
Variação da densidade populacional 1950-2008 %
Taxa de crescimento efectivo 2008 %
Índice de envelhecimento 2008 N.º
Densidade empresarial 2007 Emp/Km2
Proporção de empresas por município da sede 2007 %
Proporção de pessoal ao serviço por município da sede 2007 %
Proporção do volume de negócios por município da sede 2007 %
Quocientes de localização dos três sectores com maior
representatividade regional G, K, F
2007 N.º
Quocientes de emprego dos três sectores com maior
representatividade regional G, H, F
2007 N.º
Quocientes de negócio dos três sectores com maior
representatividade regional G, F, K
2007 N.º
Levantamentos nacionais nas caixas multibanco 2008 €
Variação da população activa 1991-2001 %
Proporção de empregados no sector III 2008 %
Índice de dependência total 2008 N.º
Proporção de população com ensino superior 2001 %
Taxa de crescimento de edifícios 1991-2001 %
Índice de envelhecimento de edifícios 2001 N.º
Valor médio das transacções imobiliárias 2009 €
Fogos construídos 2009 N.º
Edifícios construídos 2009 N.º
Índice de atracção (deslocações de outros
concelhos/deslocações para outros concelhos, ou seja, total
de entradas/total de saídas)
2001 N.º
Proporção de movimentos pendulares com origem noutros
concelhos
2001 %
Estabelecimentos hoteleiros 2008 N.º
Capacidade de alojamento em estabelecimentos hoteleiros 2008 N.º
Dormidas em estabelecimentos hoteleiros 2008 N.º
hóspedes em estabelecimentos hoteleiros 2008 N.º
Proporção de hóspedes estrangeiros 2008 %
Comunicação Postos telefónicos por Município 2008 N.º
Localização
Dimensão
Conectividade
Turístico
Atracção
Demográfico
Económico/Empresarial
Emprego
Urbanístico
TabelaTabelaTabelaTabela 2222 ---- Potenciais e indicadores do ISPPPotenciais e indicadores do ISPPPotenciais e indicadores do ISPPPotenciais e indicadores do ISPP
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
85
A metodologia empregue na construção do ISPP expressa-se primeiro pela classificação
e hierarquização dos resultados obtidos em cada um dos indicadores (ver anexo).
Posteriormente foram agregados nos potenciais em análise, de forma a espelhar as
vantagens comparativas dos nós nesses potenciais. De seguida sistematizaram-se as
hierarquias preliminares dos potenciais em consonância com os três pilares do
policentrismo, pondo em evidência os nós que potencialmente reunissem melhores
condições de configurar uma região urbana policêntrica, sustentada, por fim, no ISPP.
Este índice é traduzido em valores absolutos, sendo tanto maior quanto mais baixo for o
valor global obtido. Neste exercício, empiricamente, o índice poderia variar entre 39 e
741. Com os resultados finais constatamos que foram Albufeira e Alcoutim,
respectivamente com 135 e 704, os concelhos que obtiveram o maior e o menor
potencial de integrar com sucesso a região urbana policêntrica proposta.
Neste exercício analítico, que se procurou explicativo de uma tomada de decisão
carregada de preconceitos perante Albufeira na revisão do PROTAL, reconhecem-se um
conjunto de limitações a seguir especificadas: embora na acepção do conceito
policêntrico a literatura ponha em evidência o papel determinante da conectividade,
neste índice, esse pilar não possui uma ponderação diferenciada dos restantes que o
retratam. Não querendo empolar os resultados parciais dos potenciais, foi-lhes atribuída
a mesma ponderação. Por exemplo, no pilar conectividade, terão os potencias de
atracção, turístico e comunicação os mesmos pesos na sua explicação? Talvez não, mas
proceder à selecção de um ou outro poderia subverter e condicionar, à partida, os
resultados. Imaginemos, nesta análise, caso se optasse pela ponderação de cada um
dos potenciais, naturalmente deveria ser majorado o potencial turístico, porventura em
patamares tão significativos como aqueles que, na realidade, possui na economia
regional. Logo, reunindo Albufeira os valores mais significativos deste sector, esta sairia,
à partida, beneficiada. O mesmo raciocínio pode fazer-se para a ponderação dos
indicadores incluídos em cada um dos potenciais. Por exemplo, no potencial
acessibilidade será mais importante relevar a distância/tempo a Lisboa ou a Espanha?
Por meio rodoviário ou ferroviário? Obviamente que depende. Por essa razão, para não
melindrar o posicionamento e as centralidades intrínsecas por eles detidas, atribui-se-
lhes uma ponderação idêntica, tomando-se esta opção, também, nos restantes
indicadores.
Outra das limitações prende-se com a dificuldade em medir a dimensão institucional da
conectividade. Poder-se-ia tentar ensaiar um exercício de recolha exaustiva de acordos,
protocolos, candidaturas, planos intermunicipais, reuniões de trabalho ou outros
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
86
processos que pudessem evidenciar o estabelecimento de conexões institucionais entre
os municípios da região. Contudo, este teria alguma utilidade? Talvez se concluísse
sobre a maior facilidade e empenho no estabelecimento de geminações com municípios
estrangeiros do que com os vizinhos do lado. Isoladamente, esta informação, de forma
seca, apenas traduziria intenções e compromissos, quando o que se pretende efectivar
são os resultados obtidos e a frequência, eficácia e qualidade das conexões
estabelecidas. No entanto reconhece-se a necessidade de, neste exercício, espelhar
esta característica distintiva do conceito policêntrico.
Por fim convém sinalizar que este exercício insere-se num quadro académico, sofrendo
determinadas limitações. Não é um estudo sobre indicadores. Até porque não se
pretende fazer a sua apologia, nem da sua sustentação científica, para ganhar a batalha
do policentrismo – ganhar ou perder não está em causa! Pretende-se, sim, expor neste
exercício, um erro cometido com o posicionamento de Albufeira no âmbito da revisão do
PROTAL. Este IGT mobiliza um quadro conceptual teórico, que insistentemente tenta
passar de forma discursiva mas que na realidade não pratica. É esta divergência que se
pretende evidenciar.
6.2.1 Localização
O pilar localização expressou-se através dos potenciais de acessibilidade e
centralidade. O primeiro baseou-se nas distâncias/tempo estabelecidas pelos vários
meios de transporte entre as sedes de concelho e um conjunto de pontos focais de
articulação territorial regional, nacional e internacional. A distância/tempo a Lisboa (e não
ao nó da A2, pois esta não constitui para todos os concelhos, no inicio do percurso, a
principal via deste modo de acesso à capital do país); à estação ferroviária de Tunes (a
partir da qual a distância/tempo por meio ferroviário passa a ser igual para todos; nos
concelhos com mais do que uma estação, optou-se por aquela que fica mais próxima da
sede; nos concelhos sem estação ferroviária adicionou-se o tempo percorrido por via
rodoviária até à estação mais próxima), ao aeroporto internacional de Faro e a Espanha
(fronteira internacional da ponte do Guadiana).
O potencial centralidade evidenciou a capacidade de retenção de população activa
residente, através da proporção de movimentos pendulares com destino a outros
concelhos: quanto mais baixa fosse maior será esse potencial.
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
87
Desta análise resulta a figura seguinte, que evidencia o potencial de acessibilidade de
Loulé e o de centralidade de Albufeira. Conjugadamente é Albufeira que lidera o ranking
do pilar localização sendo seguido por Loulé e Faro. Esta posição espelha a localização
do primeiro concelho, factor imutável que lhe dá vantagens competitivas enormes, na
estruturação do território regional e simultaneamente de articulação com o resto do país.
Este papel havia já sido referido por Gaspar (1993: 185) ao relevar a forte acessibilidade
rodoviária e ferroviária do Algarve Central, e especificamente dos concelhos
mencionados, conferindo-lhe grandes vantagens para se desenvolver como pólo
dinamizador da região.
IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 36363636 ---- Mapa do potencial do pilar localizaçãoMapa do potencial do pilar localizaçãoMapa do potencial do pilar localizaçãoMapa do potencial do pilar localização (elaboração própria)(elaboração própria)(elaboração própria)(elaboração própria)
O facto de centralizar uma oferta bastante significativa de actividades terciárias e,
sobretudo, turísticas motiva igualmente a baixa proporção de movimentos pendulares
aqui espelhados, indicador que Albufeira lidera juntamente com Alcoutim e Lagos,
respectivamente com 9,7 %, 10,6 % e 10,8 %. Alcoutim surge neste posicionamento por
razões distintas dos demais concelhos, possuindo uma baixa população residente em
idade activa que cobre grandemente a oferta de emprego local e, o facto de deter uma
percentagem insignificativa de população que o elege como local de
residência/dormitório, que motivaria valores de outra grandeza. Obviamente neste
indicador, em termos absolutos, o significado de Alcoutim dissipa-se.
Ao nível dos pólos previstos no PROT Algarve, emerge Faro na terceira posição do
ranking geral do pilar, Portimão encontra-se sensivelmente no meio da tabela e o pólo de
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
88
Vila Real de Santo António apenas à frente de São Brás de Alportel, Vila do Bispo e
Monchique. Nem mesmo a inclusão de Espanha no índice composto de acessibilidade
garantiu melhor posicionamento no potencial por parte da cidade pombalina.
Loulé Albufeira Albufeira
Albufeira Alcoutim Loulé
Polo Faro Lagos Faro
Faro Portimão Polo Faro
Olhão Faro Portimão
Silves Aljezur Lagos
Castro Marim Loulé Silves
Lagoa Vila Real de Santo António Alcoutim
São Brás de Alportel Polo Portimão Polo Portimão
Portimão Polo Faro Olhão
Tavira Tavira Vila Real de Santo António
Polo Portimão Vila do Bispo Tavira
Polo Vila Real de Santo António Polo Vila Real de Santo António Aljezur
Vila Real de Santo António Monchique Lagoa
Lagos Silves Castro Marim
Monchique Lagoa Polo Vila Real de Santo António
Aljezur Olhão São Brás de Alportel
Vila do Bispo São Brás de Alportel Vila do Bispo
Alcoutim Castro Marim Monchique
RANKING
LOCALIZAÇÃOPotencial CentralidadePotencial Acessibilidade
TabelaTabelaTabelaTabela 3333---- Potencias do pilar localizaçãoPotencias do pilar localizaçãoPotencias do pilar localizaçãoPotencias do pilar localização
6.2.2 Dimensão
O pilar dimensão revelou-se de medição mais fácil, dado os exemplos e recorrentes
exercícios que reflectem sobre os sistemas urbanos, hierarquias, áreas de influência ou
outros. Neste consideraram-se quatro potenciais: demográfico, económico/empresarial;
de emprego e urbanístico. Em todos procuraram-se evoluções, variações e proporções
ao nível regional que evidenciassem dinamismos locais, funções catalisadoras e
oportunidades de afirmação e desenvolvimento, por exemplo na base produtiva, na
distribuição da população empregada por sector de actividade ou na idade e formação
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
89
superior da população residente, com consequências óbvias nos potenciais em análise e
cimentação do pilar dimensão.
Dentre os indicadores seleccionados para ilustrar o potencial demográfico afirma-se a
primazia dos pólos de Faro e Portimão na população residente, contudo naqueles que
revelam dinâmicas, nomeadamente na variação da população residente desde 1950
para 2008 ou na variação da densidade populacional, o pólo de Faro cai para meio da
tabela, mantendo-se o de Portimão nos quatro primeiros postos. Nesses indicadores
Albufeira lidera, confirmando o crescimento demográfico continuado desde o boom
turístico regional, que galvaniza até aos dias de hoje. Veja-se por exemplo a taxa de
crescimento efectivo do ano 2009 que segue de perto o primeiro posicionado, São Brás
de Alportel, respectivamente com 2,61 % e 2,14 % face a um valor regional de apenas
0,91 %. Na construção do ranking geral do potencial demográfico, Albufeira assume a
primeira posição seguindo-lhe o concelho de Portimão, o pólo por este liderado, Lagoa e
Olhão.
IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 37373737 ---- Mapa do potencial do pilar dimensãoMapa do potencial do pilar dimensãoMapa do potencial do pilar dimensãoMapa do potencial do pilar dimensão (elaboração própria)(elaboração própria)(elaboração própria)(elaboração própria)
O ranking do potencial económico/empresarial segue genericamente os resultados
obtidos na maioria dos 14 indicadores analisados, o qual traduz a liderança dos pólos de
Faro e Portimão, sendo estes seguidos pelos concelhos de Loulé, Faro, Portimão e
Albufeira. Nota, mais uma vez, para o lugar modesto do pólo de Vila Real de Santo
António, ultrapassado pela generalidade dos concelhos do litoral e quase sempre por
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
90
Silves. Evidenciaram-se neste potencial as três secções da CAE (Revisão 2.1) mais
representativas na região no ano 2007, para os quais se calcularam quocientes de
localização, emprego e de volume de negócios (respectivamente baseados no número
de empresas, no pessoal ao serviço e no volume de negócios gerado nos concelhos e
região). Nos quocientes, os valores mais expressivos incidiram em três das quatro
secções especificadas: F – construção, G – comércio por grosso e a retalho, H –
alojamento e restauração e K – actividades imobiliárias, alugueres e serviços prestados
às empresas.
Nos quatro indicadores escolhidos para ilustrar o potencial de emprego apenas a
proporção de população residente com ensino superior é liderado por Faro. Este valor
prende-se seguramente com a presença da Universidade do Algarve e sobretudo com a
concentração de serviços e empresas carentes de massa crítica especializada e
habilitada. Os restantes indicadores são comandados por Albufeira que reúne a maior
proporção de população empregada no sector III, a maior variação da população activa
entre 1991 e 2001 e o mais baixo índice de dependência total.
Albufeira Polo Faro Albufeira Albufeira Albufeira
Portimão Polo Portimão Faro Loulé Polo Portimão
Polo Portimão Loulé Polo Faro Polo Portimão Polo Faro
Lagoa Faro Lagoa Portimão Portimão
Olhão Portimão Polo Portimão Polo Faro Loulé
Faro Albufeira Portimão Lagos Lagoa
Polo Faro Lagos Loulé Polo Vila Real de Santo António Faro
Lagos Olhão Vila Real de Santo António Lagoa Lagos
Loulé Lagoa Lagos Vila do Bispo Polo Vila Real de Santo António
Vila Real de Santo António Silves São Brás de Alportel Aljezur Olhão
São Brás de Alportel Polo Vila Real de Santo António Polo Vila Real de Santo António Tavira Vila Real de Santo António
Silves Tavira Vila do Bispo Silves Silves
Polo Vila Real de Santo António Vila Real de Santo António Tavira Castro Marim Tavira
Tavira São Brás de Alportel Silves Vila Real de Santo António Vila do Bispo
Vila do Bispo Vila do Bispo Olhão Olhão São Brás de Alportel
Castro Marim Castro Marim Castro Marim Faro Castro Marim
Aljezur Aljezur Aljezur São Brás de Alportel Aljezur
Monchique Monchique Monchique Monchique Monchique
Alcoutim Alcoutim Alcoutim Alcoutim Alcoutim
RANKING
DIMENSÃOPotencial UrbanísticoPotencial Demográfico Potencial Económico/Empresarial Potencial de Emprego
TabelaTabelaTabelaTabela 4444 ---- PPPPotenciais do pilar dimensãootenciais do pilar dimensãootenciais do pilar dimensãootenciais do pilar dimensão
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
91
Ao nível do potencial urbanístico há uma clara tendência de reforço do pólo de Portimão,
muito graças ao contributo de Lagoa e Lagos. Ora este potencial não pode de forma
alguma ser olhado sem as características turística da região. Aliás, é na faixa litoral
central que se continuam a revelar os maiores potenciais informados neste ponto,
cabendo a liderança a Albufeira e Loulé, esta última a comandar o valor médio das
transacções imobiliárias regionais com um valor médio de 274.215 € e a segunda a
apresentar o parque edificado mais jovem do Algarve, expresso pelo valor de 42,6 no
índice de envelhecimento de edifícios, calculado com base nos edifícios construídos até
1945 e os construídos após 1991.
Conjuntamente os quatro potenciais do pilar dimensão conduzem-nos à potenciação de
Albufeira entre os pólos de Portimão e Faro que lhe seguem. Portimão, Loulé, Lagoa,
Faro, Lagos e Olhão são os concelhos que se seguem, curiosamente todos eles
integram os referidos pólos. Só após os concelhos evidenciados surge o pólo de Vila
Real de Santo António, que precede os restantes concelhos algarvios.
6.2.3 Conectividade
O pilar conectividade revestiu-se da maior dificuldade, quer pela escassez de dados
disponíveis quer pela dificuldade em expressar regional e localmente, algo que se
reveste de carácter global. A bibliografia consultada tende a restringir esta análise aos
indicadores dos movimentos pendulares, contudo, considera-se que é no estreitar das
formas de relacionamento local/global que este assenta. Procurou-se então atribuir a
este pilar um entendimento de conectividade mais lato, juntando-lhe o potencial turístico,
susceptível de afirmar o nó, em contextos supra regionais. Este juntou-se aos potenciais
de atracção e comunicação, o primeiro assente na capacidade, ou não, de centralizar e
constituir uma bacia de emprego, expressa pela proporção de movimentos pendulares
com origem noutros concelhos e o segundo na faculdade de serem estabelecidos
contactos, graças à presença de postos telefónicos. Este último indicador parece-nos
francamente insuficiente para medir um potencial de comunicação, faltando-lhe por
exemplo a quantidade e frequência dos contactos efectivamente estabelecidos. Contudo
a indisponibilidades desses dados inviabilizou essa análise. Reconhece-se igualmente a
carência neste estudo de um potencial de transporte, assente na oferta e procura de
transportes públicos através das redes existentes e das deslocações efectuadas,
contudo o acesso a estes dados revelou-se impossível no âmbito deste trabalho.
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
92
Na região, os movimentos pendulares são polarizados por Albufeira, Faro, Portimão, Vila
Real de Santo António e Loulé. Em 2001, Albufeira e Faro são os concelhos nos quais o
índice de atracção se destaca, chegando a valores próximos das três unidades (fluxos de
entrada três vezes superiores aos fluxos de saída). Se em 1991 os principais
movimentos pendulares isolavam Albufeira e o seu relacionamento preferencial
estabelecia-se com Silves, em 2001, Albufeira reforçou o seu grau de integração
regional, polarizando juntamente com Faro e Loulé, movimentos pendulares entre si e
com Olhão, Tavira, São Brás de Alportel e Silves, todos, à data, com mais de 350
deslocações diárias (Guerreiro et al, 2003).
IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 38383838---- Mapa do potencial do pilar conectividadeMapa do potencial do pilar conectividadeMapa do potencial do pilar conectividadeMapa do potencial do pilar conectividade (elaboração própria)(elaboração própria)(elaboração própria)(elaboração própria)
No potencial turístico a grande tendência cifra-se numa hierarquia composta por
Albufeira, Loulé e Portimão. Graças a estes dois últimos concelhos, os pólos que
integram ocupam a segunda e terceira posição geral do ranking. Contudo, Faro
apresenta valores modestos que o relegam para a metade inferior da tabela. Albufeira é
visivelmente o chefe de fila da região turística ao deter nos principais indicadores
(estabelecimentos hoteleiros, capacidade de alojamento, dormidas e hóspedes) valores
na ordem de um terço da totalidade.
Apesar da ressalva efectuada anteriormente considerou-se o potencial de comunicação,
o qual consolida a posição central administrativa dos pólos de Faro e Portimão, os
respectivos concelhos líderes e Loulé, Albufeira e Silves.
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
93
Globalmente o pilar da conectividade é liderado pelo pólo de Faro, por Albufeira e pelo
Pólo de Portimão. Isoladamente, a seguir a Albufeira surgem Portimão, Loulé e Faro.
Faro Albufeira Polo Faro Polo Faro
Albufeira Polo Portimão Polo Portimão Albufeira
Portimão Polo Faro Loulé Polo Portimão
Polo Faro Loulé Faro Portimão
Vila Real de Santo António Portimão Portimão Loulé
Polo Portimão Lagoa Albufeira Faro
Lagoa Lagos Silves Lagoa
Polo Vila Real de Santo António Polo Vila Real de Santo António Lagos Polo Vila Real de Santo António
Loulé Vila Real de Santo António Olhão Vila Real de Santo António
Castro Marim Tavira Polo Vila Real de Santo António Lagos
Vila do Bispo Silves Tavira Silves
Lagos Faro Lagoa Tavira
Silves Vila do Bispo Vila Real de Santo António Olhão
Alcoutim Monchique São Brás de Alportel Vila do Bispo
Tavira Aljezur Castro Marim Castro Marim
São Brás de Alportel Olhão Monchique São Brás de Alportel
Olhão Castro Marim Aljezur Monchique
Aljezur São Brás de Alportel Vila do Bispo Aljezur
Monchique Alcoutim Alcoutim Alcoutim
Potencial Turístico CONECTIVIDADE
RANKING
Potencial ComunicaçãoPotencial Atracção
TabelaTabelaTabelaTabela 5555 –––– Potenciais do pilar conectividadePotenciais do pilar conectividadePotenciais do pilar conectividadePotenciais do pilar conectividade
6.2.4 Em prol de uma Região Urbana Policêntrica algarvia
Chegamos assim ao resultado objectivo do nosso exercício. Albufeira lidera o ISPP,
seguido por Loulé e Portimão. Esta posição vai de encontro à constatação já evidenciada
em cada um dos potenciais e à necessidade e utilidade de contar com Albufeira na
construção de uma região urbana policêntrica no Algarve. Considera-se que esta região
será mais competitiva, funcional e estruturada, quanto mais envolver Albufeira e as suas
vantagens locativas, endógenas e comparativas.
No que respeita à análise paralela das aglomerações previstas no PROT Algarve,
evidencia-se a importância estratégica que Loulé detém no pólo de Faro e o reforço
crescente de Lagoa no de Portimão. O posicionamento modesto do pólo de Vila Real de
Santo António no ranking do ISPP revela o sobreposicionamento inscrito no PROT, que
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
94
dificilmente será reforçado face ao afastamento real e estratégico a Faro e ao centro
nevrálgico do core económico regional, a faixa compreendida ente Lagos e a capital
algarvia. As ligações e tentativas de cooperação com Espanha parecem não chegar para
afirmar o potencial deste pólo no contexto regional, que o PROT detectou mas, pelos
vistos empolou.
Albufeira Albufeira Polo Faro
Loulé Polo Portimão Albufeira
Faro Polo Faro Polo Portimão
Polo Faro Portimão Portimão
Portimão Loulé Loulé
Lagos Lagoa Faro
Silv es Faro Lagoa
Alcoutim Lagos Polo Vila Real de Santo António
Polo Portimão Polo Vila Real de Santo António Vila Real de Santo António
Olhão Olhão Lagos
Vila Real de Santo António Vila Real de Santo António Silves
Tav ira Silv es Tavira
Aljezur Tavira Olhão
Lagoa Vila do Bispo Vila do Bispo
Castro Marim São Brás de Alportel Castro Marim
Polo Vila Real de Santo António Castro Marim São Brás de Alportel
São Brás de Alportel Aljezur Monchique
Vila do Bispo Monchique Aljezur
Monchique Alcoutim Alcoutim
RANKING
LOCALIZAÇÃO DIMENSÃO CONECTIVIDADE
Albufeira 135
Polo Portimão 156
Polo Faro 157
Portimão 206
Loulé 214
Faro 247
Lagos 306
Lagoa 317
Polo Vila Real de Santo António 395
Vila Real de Santo António 400
Olhão 424
Silves 424
Tavira 455
São Brás de Alportel 525
Vila do Bispo 526
Castro Marim 571
Aljezur 591
Monchique 657
Alcoutim 704
RANKING
INDICE SINTÉTICO DE
POTENCIAL POLICÊNTRICO
TabelaTabelaTabelaTabela 6666 ---- Indice sintético de potencial policêntricoIndice sintético de potencial policêntricoIndice sintético de potencial policêntricoIndice sintético de potencial policêntrico
A primeira imagem ilustra a visão que pensamos ser consequente da aplicação do PROT
Algarve, tal qual se encontra matizado no modelo territorial proposto. Desta forma,
prevalece na região uma abordagem essencialmente polinucleada, com grande
expressão bipolar em torno de Faro e Portimão, centralizadores de influências,
sugadores de investimentos e equipamentos e com fraca capacidade de promover
complementaridades entre si, quanto mais com os restantes concelhos do Algarve. Veja-
se que esta ligação preferencial, não se concretiza sem inevitavelmente atravessar
Albufeira. Contudo, nesta visão, Albufeira surge diminuída em todas as valências em que
poderia participar em prol da organização regional, apesar de estar perfeitamente
equidistante entre os dois principais pólos, podendo estabelecer a ponte entre ambos.
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
95
Este posicionamento enfraquecido, provocativamente decadente, arrolado para Albufeira
revelar-se-á igualmente, ou pior, nos outros centros algarvios. Com esta visão
centralizadora, embora em dois pólos, acentuar-se-ão as assimetrias intra regionais e o
afastamento progressivo aos centros de decisão.
IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 39393939 ---- Aplicação esquemática do PROTAL 2007: bipolar (modelo) e policêntrica (retórica)Aplicação esquemática do PROTAL 2007: bipolar (modelo) e policêntrica (retórica)Aplicação esquemática do PROTAL 2007: bipolar (modelo) e policêntrica (retórica)Aplicação esquemática do PROTAL 2007: bipolar (modelo) e policêntrica (retórica) (elaboração própria)(elaboração própria)(elaboração própria)(elaboração própria)
Por oposição, configura-se uma visão policêntrica, à luz dos pressupostos e pilares
essenciais de que se reveste, sintetizando igualmente o potencial calculado pelo ISPP.
Nesta ilustra-se morfológica e funcionalmente os pilares do policentrismo, com uma
distribuição equilibrada (quase equidistante) dos nós, com dimensões semelhantes (se
considerarmos a conjugação de várias dimensões, e não só a demográfica) entre as
quais se estabelecem fluxos relacionais e complementares, mais ou menos intensos,
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
96
sobretudo numa sub-região compreendida em toda a frente Litoral, principalmente entre
Portimão e Faro. Há que estimular sinergias e reforçar as relações institucionais, que as
estruturais potenciam. Há claramente uma mais-valia na estruturação linear do sistema
urbano regional, se pensado em conjunto e de forma complementar.
Considera-se também, que por inerência, os restantes nós regionais, mesmo que com
baixo potencial policêntrico poderão beneficiar da forma exemplar que um processo de
cooperação competitiva se estabeleça. Uma região equilibrada e funcionalmente
articulada crescerá sustentadamente e estará melhor preparada para competir, quer no
quadro nacional, quer transnacional, sobretudo no europeu e mais especificamente com
a região espanhola limítrofe, com padrão funcional mais diversificado que o Algarve (e
cujas boas práticas e/ou erros urge acompanhar para, consoante o caso, seguir ou
evitar).
A opção é clara: uma região desestruturada, fortemente hierarquizada com dois pólos
dominantes, dos quais não resultam benefícios de maior na promoção conjunta da região
em âmbitos escalares superiores, ou uma região coesa, complementar, próxima, bem
organizada e policêntrica capaz de cumprir o papel de integração do Algarve nos
contextos referidos.
6.3 Albufeira – “Que tenho eu de distinto?”
“(…) A competitividade de um território é equacionar a forma de melhor valorizar as oportunidades
que se lhe deparam, sejam estas decorrentes dos atributos endógenos, sejam decorrentes do
enquadramento exógeno, ou ainda da interacção entre as duas”.
Raul Lopes, 2001
Partindo do pressuposto que a visão policêntrica serve o Algarve e cumpre os seus
desígnios de competitividade e desenvolvimento, desperdiçar as potencialidades
evidenciadas por Albufeira será um erro que certamente toda a região pagará. Os
últimos anos têm sido marcados pela perda sucessiva de oportunidades. Ao não terem
sido aproveitadas ou as fortalecem, (evidenciando a sua premente sub utilização) ou as
relegam definitivamente para o lote das oportunidades perdidas.
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
97
As potencialidades que o exercício anterior sistematizou para Albufeira traduzem-se
genericamente em quatro frentes que se cruzam e interagem entre elas. A primeira
abarca conjuntamente os potenciais da centralidade e acessibilidade, a segunda os
potencias económico/empresarial e de emprego, a terceira o potencial turístico e por fim
o potencial demográfico.
Para cada uma delas há um conjunto de medidas e projectos que ajudarão a concretizá-
las e firmá-las no contexto regional em prol da concretização dos objectivos
preconizados pelo PROT Algarve, nomeadamente a constituição duma região urbana
policêntrica que, como vimos, lhe será vantajosa do ponto de vista organizacional,
competitivo e funcional.
No contexto regional a centralidade de Albufeira é inequívoca, não só pela localização
privilegiada que actualmente detém, como pelas boas acessibilidades a qualquer um dos
sub-sistemas urbanos de Faro e de Portimão. As funções de articulação entre estes e de
ligação a Lisboa tornam-na estruturante ao nível da região e posicionam-na enquanto
rótula estratégica de distribuição do tráfego regional.
Deste modo considera-se fundamental reforçar o papel de Albufeira enquanto centro
chave essencial no traçado do modelo urbano regional, caracterizado por uma
especialização territorial assente no turismo, mas também com potencialidades
derivadas da sua localização, passíveis de constituir uma plataforma estratégica de
articulação da e na região, pela capacidade de afirmação que possui, com uma base
económica sólida e com um dinamismo endógeno que é susceptível de gerar
externalidades positivas para os centros urbanos envolventes, inclusive Faro e Portimão.
As complementaridades horizontais são cada vez mais uma via de consolidação do
desenvolvimento regional, devendo Albufeira assumir o seu papel com determinação e
empenho.
Neste contexto Albufeira pretende assumir-se cada vez mais como centro de
mobilidades e de acessibilidades, tornando-se fundamental re-centrar o transporte
ferroviário na sua estratégia de desenvolvimento e de sustentabilidade. Conseguir
mobilizar esforços no sentido de concretizar nas Ferreiras um interface rodo-ferroviário
de dimensão regional, responsável pelo escoamento e distribuição de passageiros da e
na região, é um objectivo estratégico que se traduz na proposição do Intermodal regional
das Ferreiras. Este, vocacionado para o tráfego de passageiros, mas também de
mercadorias, consolidaria a importância do modo ferroviário para o ordenamento do
território regional, cujo abandono, desde logo no anteplano de Dodi em 1966, foi um erro
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
98
crasso que comprometeu o desenvolvimento e a conectividade intra-regional, conforme
sinalizou Gaspar num encontro realizado em Faro sobre ordenamento do território (13 de
Julho, 2010).
Em termos económicos pretende-se enquadrar, no território, o conjunto das actividades
consideradas mais aptas e estratégicas e desincentivar as menos interessantes num
quadro de desenvolvimento local sustentado. Na figura seguinte esquematiza-se os
sectores que naturalmente devem configurar a estrutura económica concelhia. É
inevitável, e seria absurdo, não contar com as actividades turísticas que a devem basear.
Contudo é possível enveredar por uma escalada de qualificação das unidades, dos
produtos, dos serviços e cumulativamente do destino, que possa contribuir para mudar a
sua imagem massificada, eventualmente desgastada junto de alguns mercados.
Associado a estas actividades, alia-se um quadro de serviços de retaguarda, que
Albufeira deverá estruturar de forma equilibrada, sendo essencial prever o respectivo
alcance territorial, sobretudo da faixa compreendida entre a Guia e Ferreiras, que
actualmente o sustenta.
Esta área que o actual PDM já classifica, ou como zona de comércio, indústria e serviços
ou de expansão para esse fim, deverá ser preparada para cumprir eficazmente funções
de armazenagem e distribuição, de inúmeros bens e recursos, nomeadamente os
alimentares, de desgaste ou energéticos. Deve igualmente posicionar-se para acolher
novas formas de procura e unidades que usem maiores factores de inovação. A
IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 40404040 ---- Diagrama prospectivo da base produtiva de Albufeira (Diagrama prospectivo da base produtiva de Albufeira (Diagrama prospectivo da base produtiva de Albufeira (Diagrama prospectivo da base produtiva de Albufeira (elaboração própria)elaboração própria)elaboração própria)elaboração própria)
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consolidação desta plataforma logística revela-se vital na prestação de serviços a toda a
região, dada a localização já evidenciada, mas sobretudo por estar junto da faixa turística
litoral.
Com a implementação do Plano de Pormenor do Escarpão que compreende o mais
importante núcleo de pedreiras de calcário da região, ora em elaboração, acredita-se que
existem excelentes condições para o desenvolvimento das actividades extractivas, seja
no cimentar de uma posição destacada que possui já nesta matéria em termos regionais,
seja no desenvolvimento de um conjunto de actividades industriais baseada na fileira da
pedra. Entre estas, mostra-se de primordial importância a centralização, neste núcleo, de
centrais de reciclagem de resíduos de construção e demolição, que se pretende
galvanizar, maximizando economicamente um caminho de reabilitação urbana que
tenderá a ser seguido na região (dada a idade do edificado e o crescente desajuste
estético e funcional deste) devido aos actuais padrões de procura turística. Este factor
associado à centralidade regional e à oportunidade prospectiva de estabelecer-se uma
ligação ferroviária deste núcleo com a linha do Sul, elevará o potencial económico destas
actividades, cobrindo rápida e eficazmente toda a região algarvia, assim como boa parte
do Baixo Alentejo. Em consonância com as actividades mencionadas, poderá ganhar
expressão a produção energética, previsivelmente no âmbito da energia solar e, noutras
localizações, da energia eólica.
As actividades primárias, num regresso às origens, deverão constituir-se como a cabeça
do corpo produtivo local. Destas relevam-se a hortifruticultura e a pesca, ambas com
elevados potenciais de afirmação e crescimento regional. Dever-se-ão estreitar os laços
que as unem com as actividades turísticas, devendo direccionar-se a produção, numa
primeira instância, especificamente para esse mercado e para os seus principais
consumidores, unidades hoteleiras e restauração. Talvez as favas e ervilhas, que outrora
deliciavam lisboetas, possam hoje alimentar todo um mercado turístico que desagua em
Albufeira. Para aproximar estes sectores, aparentemente tão próximos (os turistas tem
de comer!), mas na realidade tão distantes, há que enveredar por caminhos de sedução
que abracem processos de certificação de produtos, trabalho cooperativo, agilização dos
processos de comercialização e distribuição dos mesmos. Na verdade, Albufeira poderia
voltar a dar cartas neste sector, onde durante séculos usou as suas vantagens locativas.
O obstáculo situa-se uma vez mais na palavra-chave, cooperação, que o quadro cultural
regional não consegue promover e, até, parece desincentivar. Ainda nas actividades
primárias, há que criar condições para o desenvolvimento do subsector da floricultura, já
amplamente presente na economia local, nomeadamente na freguesia rural de Paderne
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
100
em pleno Barrocal algarvio, cuja produção é maioritariamente exportada para os países
do centro e Norte da Europa.
De igual forma e com vista a cimentar o posicionamento dianteiro deste concelho, devem
ser estimuladas com algum empenho, actividades relacionadas com as indústrias
criativas e artísticas, procurando agilizar as dinâmicas do associativismo local que se
expressa em Albufeira com significativa relevância.
Crê-se que em todos os sectores mencionados existem condições para reforçar Albufeira
como centro polarizador de emprego, contribuindo igualmente para a diversificação da
base produtiva local, para a diminuição da dependência das actividades turísticas, que
continuarão a dominar, e para estímulo de potencialidades adormecidas em termos
económicos (cujos filões estão lá mas não devidamente explorados).
Na frente turística o potencial é por demais conhecido. A beleza natural cativou desde
sempre os turistas. Nas praias de Albufeira estes encontravam simbioses de formas
(praias alongadas com areal a perder de vista, como na Falésia, Rocha Baixinha e
Salgados ou praias encaixadas nas falésias como São Rafael, Coelha ou Castelo) e uma
paleta de cores, forte, mas harmoniosa (azul do mar, dourado do areal, brique das
falésias e o verde da vegetação envolvente) que deliciavam e continuam a deliciar quem
as visita. Este é indubitavelmente um elemento distinto deste concelho que, urge cuidar e
enaltecer.
Há que inovar nos produtos e nos serviços. Ter mais, só, não chega, há que ter
diferente. É na procura da diversificação e complementaridade dos produtos turísticos
locais e regionais que deverá assentar a distinção de Albufeira. Contudo, no quadro
regional, o facto de possuir a maior capacidade hoteleira não pode de todo ser
desprezada, constituindo uma vantagem comparativa enorme no âmbito de uma região,
quase, mono especializada no sector turístico. Dever-se-á imprimir uma dimensão
cultural, em sentido lato, cujos equipamentos agora propostos virão consolidar de forma
evidente, nomeadamente o Museu do Barrocal em Paderne, o Museu do Turismo e o
Auditório Algarve em Albufeira. Todos eles deterão escala e impacte regional, podendo
agregar factores de inovação importantes na solidificação do destino e na vivência da
população residente. Outra frente que se encontra em desenvolvimento perfila-se no
centro de estágios de alta competição associado à pista das Açoteias, cujo projecto
valorizará sobremaneira a região neste tipo de produtos. Para breve perspectiva-se a
existência de um parque de feiras e exposições que, a par de iniciativas privadas como a
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
101
conclusão do centro de congressos nos Salgados e a anunciada remodelação da praça
de touros de Albufeira, possam colocar ao serviço da região um conjunto de
equipamentos que permita acolher eventos de largo espectro, até hoje inviáveis neste
concelho. Estas duas últimas referências visam promover a procura de Albufeira fora da
época alta, combatendo-se assim a sazonalidade que caracteriza os destinos turísticos
assentes no produto sol e praia.
Por último, em termos demográficos o potencial instalado deverá servir para reclamar a
resolução de um dos principais problemas que mina a gestão urbana do concelho de
Albufeira, encabeçado por uma política regional desatenta, para não dizer cega, face às
reais dinâmicas evidenciadas. Este problema prende-se com a necessidade de serem
desenvolvidos equipamentos e infra-estruturas com capacidade para servir uma
população abstracta, anónima mas continuada e presente durante a denominada época
alta (quase metade do ano) que chega a atingir variações na ordem dos 800 % a 1000 %
conforme sinalizou o estudo de avaliação do PROT Algarve (2000d). Por tal motivo há
que pensar Albufeira como uma cidade de maior dimensão, cujas infra-estruturas
deverão ser projectadas não só em função da população residente, mas também em
função da necessária capacidade de resposta ao turismo que gera. Com esta visão
contraria-se frontalmente a postura da administração que tem defendido a tese do
sobredimensionamento dos equipamentos existentes para um período de época baixa,
quando o que deverá presidir a esta questão é precisamente o inverso, o
subdimensionamento dos mesmos em época alta. A visão redutora incompatibiliza-se
claramente com os desígnios de um destino turístico consolidado e com a projecção que
Albufeira detém no panorama regional. Esta questão é premente, sobretudo ao nível dos
equipamentos de saúde, área em que as suas vantagens locativas poderiam ser
utilizadas. Porém a cultura institucional da região aliada a uma administração movida por
desígnios políticos, tradicionalmente pouco clarividentes, tem desprezado esta
característica impar, que lhe seria altamente benéfica.
Os fluxos catalisados por Albufeira não são apenas turísticos. Os movimentos
pendulares acima mencionados traduzem igualmente sobrecarga de serviços e
equipamentos, nomeadamente os escolares. Consciente desta realidade o concelho
previu na sua Carta Educativa a resposta a uma procura efectiva de 110 % para os
níveis de ensino pré-escolar e básico do 1.º ciclo. Dará assim cobertura aos
descendentes dos indivíduos provenientes dos concelhos limítrofes, que diariamente se
deslocam para Albufeira por motivos profissionais.
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
102
A conjugação de todas as medidas e projectos referidos dará escala em potência, à
posição estratégica de Albufeira e no seu contributo para a constituição da região urbana
policêntrica algarvia.
Reitera-se que apesar do esforço de retraimento a que Albufeira foi submetida nos
instrumentos de gestão do território regional, esta tem prosperado e conseguido firmar-
se na região, graças ao conjunto de vantagens comparativas acima expressas e que a
potenciam como um dos seus nós mais dinâmicos. No entanto um ataque tão declarado,
aparentemente intencional e continuado por parte da administração, tenderá a traduzir-
se em desinvestimento e esvaziamento gradual do natural e inequívoco potencial deste
concelho. O que move tal afronta parece prender-se com o facto de Albufeira querer, e
conseguir apesar de tudo, firmar-se em sectores que não apenas o turismo, podendo daí
cimentar um posicionamento regional incomodativo, talvez, para os nós que já detêm ou
querem promover essas funções. Mesmo não sendo eficazes na geração de efeitos
multiplicadores para a região, são, no entanto, apadrinhados pela administração.
Não devemos esquecer, porém, que toda e qualquer proposta formulada para Albufeira
passará, inevitavelmente, pela apreciação e crivo daqueles que institucional e
politicamente a remeteram para uma posição subalternizada na região algarvia. No
âmbito do processo de revisão do PDM de Albufeira adivinham-se negociações
conturbadas, pautadas por uma atitude tecnocrática da parte duma entidade, institucional
ou pessoal, que agiu até hoje com viseiras e com lupa invertida em relação a este
Município. Albufeira deverá provar com dinamismo, pró-actividade e racionalidade, a
proposição de um plano que consagre a sua importância regional e as suas vantagens
comparativas, afirmando-as no quadro duma região urbana policêntrica em que deve, e
quer, participar de forma activa, cooperante e dinâmica.
Marcar uma posição regional pressupõe definir o quadro estratégico e orientador que,
localmente, ponha ao serviço do território concelhio as dinâmicas e oportunidades por
ele geradas. Só uma base sólida e um pleno comando da acção concertada dessas
oportunidades poderá elevar o papel determinante de Albufeira e o seu acolhimento
efectivo no quadro territorial mais vasto, o regional.
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
103
7. Orientações e recomendações para o Município
“O planeamento do desenvolvimento regional deverá produzir território”.
António Covas, 1997
Segundo Pòlese (1998: 217) o desenvolvimento local, mais do que um conceito, constitui
um ideal. É ao nível local que os factores de desenvolvimento e competitividade tendem
a manifestar-se de forma mais evidente e com maior eficácia, centrando-se nos
territórios a escalas cada vez mais reduzidas. As autarquias locais deverão constituir-se,
naturalmente, como as principais impulsionadoras desses processos. É para o Município
de Albufeira, actor privilegiado na consecução e promoção do quadro político e
instrumental que conduza à afirmação do concelho no contexto regional, que se
direcciona o seguinte conjunto de orientações e recomendações.
As autarquias têm responsabilidades ao nível da elaboração, alteração, revisão e gestão
dos instrumentos que classificam e qualificam os solos municipais. Nestes documentos,
identificam-se os territórios que, de acordo com um programa estratégico, configuram o
modelo de desenvolvimento que se procurará implementar. A forma clara como esse
modelo se processe, será certamente um meio facilitador do seu sucesso,
operacionalidade e afirmação regional. Contudo, esta gestão territorial não pode ser vista
fora do vasto campo de actuação das autarquias, cruzando-se com questões de
financiamento, de prioridade, de atendimento/cobertura e com as atribuições e
competências, com incidência territorial ou não, de índole material ou imaterial.
No relatório final do estudo da UALG (1997c) que aferia a articulação dos instrumentos
de gestão territorial e sectorial, nomeadamente os PDM, o PROTAL (de 1991) e Plano
Regional do Turismo, com as respostas dadas por estes no contexto de uma região com
as características do Algarve, Albufeira ocupou um lugar modesto. Ora este foi
completamente contrário ao sentido das conclusões obtidas nos relatórios de
caracterização e diagnóstico que o precederam (UALG, 1997a; 1997b), onde Albufeira
revelava, nos indicadores analisados (demográficos, económicos e urbanísticos),
dinâmicas bastante favoráveis e destacadas no quadro regional. No mesmo estudo, com
base na interpretação desses indicadores e das propostas de PDM, sintetizou-se um
modelo de organização espacial do Algarve, onde concelhos como Lagos, Silves e
Olhão, acabaram por merecer um posicionamento sobrevalorizado, que não se
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
104
compadecia com a realidade e não se veio a verificar. Esta situação conduz-nos a que
em 1995 o PDM de Albufeira não tenha conseguido, num contexto comparativo com os
restantes PDM dos concelhos algarvios, expressar a força e dinâmica local necessárias
à afirmação do seu potencial, traduzido numa posição mais destacada e próxima da
realidade. Faltou-lhe ambição e visão estratégica prospectiva, que colmatou com as
próprias leis do mercado, de oferta e procura, que o quadro locativo, económico e
demográfico, aparentemente vantajoso, se encarregou de promover.
É na correcta e informada gestão da influência que o Município detém ao nível do
ordenamento do território que se deverá nortear agora, a sua actuação, combatendo o
subposicionamento a que foi submetido do quadro apreciativo da UALG, e reiterado na
revisão do PROT Algarve, com vista à utilização e majoração das suas vantagens e
especificidades.
Dever-se-á seguir o lema “ordenar acolhendo”. Tal implica imprimir nos instrumentos que
gere, a necessária permeabilidade, dinamismo e flexibilidade, que possa garantir a
fixação de investimentos verdadeiramente estruturantes para o desenvolvimento local
e/ou regional. Esses instrumentos devem dar bom encaminhamento aos projectos cuja
valência, pertinência e necessidade sejam reconhecidas e não servir para os barrar, sem
descurar o respeito e promoção dos valores em presença e a própria sustentabilidade
territorial. O território é um bem escasso.
Conforme defendido por Veltz (1995 in Lopes, 2001: 239) há que considerar o
ordenamento do território, não como um processo de redistribuição, mas como um
conjunto de políticas que favoreçam a criação de recursos e de riquezas novos. Esta
abordagem centraliza o desenvolvimento económico dos territórios na densidade e
qualidade das ligações estabelecidas entre os actores, na pertinência dos quadros
colectivos de acção, no rigor dos projectos e nas antecipações do futuro, em detrimento
das infra-estruturas ou dos equipamentos, importantes, mas não primordiais.
Face às potencialidades evidenciadas por este concelho, importa, através dos
instrumentos de planeamento adequados e que de si dependem, estabelecer os
quadros, primeiro estratégicos, depois normativos que consigam transpor para o
território, a visão e objectivos propostos. Dentre os instrumentos disponíveis, é
claramente o Plano Director Municipal, que deve concentrar e espelhar as linhas de
actuação conducentes à prossecução de uma dada estratégia.
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
105
O novo PDM deverá assumir-se liminarmente como uma vantagem competitiva nas suas
diferentes dimensões e âmbitos de acção. Os instrumentos de planeamento municipal
continuam a dispor de forma demasiado rígida sobre a ocupação dos solos, pelo que um
plano que estabeleça simplesmente um quadro normativo, indicador de restrições e
regulador das actividades económicas que dependam directa ou indirectamente do seu
uso não servirá certamente os propósitos vinculados a esse território. Há que dar um
salto qualitativo, agregar-lhe uma função estratégica, aguerrida e competitiva, mas
simultaneamente coerente, sustentável e racional, conforme preceituado e desejado para
os PMOT de segunda geração. De acordo com Pereira (2009: 97) a valorização da
gestão do plano deverá impor-se à sobrevalorização do plano.
Ora, por deliberação camarária de 23 de Abril de 2003 deu-se início formal ao processo
de revisão do PDM de Albufeira (ratificado pela RCM n.º 43/95, de 4 de Maio), sede em
que a posição subalternizada aferida na revisão do PROT Algarve poderá ser combatida.
Com base nas premissas mencionadas no ponto anterior, há que definir o rumo da
revisão, o qual deverá ser precedido ou acompanhado de uma estratégia de
desenvolvimento local, que potencie práticas continuadas de promoção da participação e
da cidadania. Estes processos deverão contar com uma forte componente
comunicacional assente nas novas tecnologias e no e-planning mas também em
iniciativas integradas nas denominadas democracias deliberativas, por exemplo no
quadro duma Agenda 21 Local ou no desenvolvimento de orçamentos participativos.
Estas práticas revelam-se eficazes numa governança facilitada e comprometida com os
reais interesses colectivos, no quadro de uma gestão partilhada, co-responsável e
cúmplice, que estreita fronteiras e descomplexa as relações entre quem decide e quem é
alvo das decisões. Este quadro implicará uma gestão redobradamente cuidada em que
todas as decisões deverão ser tomadas na máxima consciência da sua utilidade e
pertinência, evitando o desperdício e promovendo o sentido de oportunidade. Para a
governança local as palavras de ordem deverão rondar os conceitos da transparência,
da responsabilidade, da eficácia, da coerência e, como vimos, da participação.
O Município deve assumir-se no seu PDM, como actor dinâmico e empreendedor,
trabalhando em prol da geração de novas oportunidades para a comunidade, empresas
e território, com vista ao desenvolvimento sustentado e à tomada de decisões próximas
da população. O Município deve constituir-se como promotor do crescimento económico
e do emprego e não um obstáculo a esses fins. Por um lado, não poderá descurar a sua
função estratégica, estabilizadora e próxima, uma vez que é um alvo fácil de cobrança
imediata e resolutiva por parte dos munícipes e empresários; por outro, terá de aprender
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
106
a lidar com dificuldades orçamentais graves, derivadas por exemplo, da previsível
diminuição de receitas próprias, nomeadamente na arrecadação de impostos directos e
indirectos ou da prestação de serviços correntes. Existe uma certa síndrome de
dependência face ao papel da administração, que deverá ser contrariado em prol do
policentrismo e da potenciação de cidadãos menos reivindicativos e mais
empreendedores (Pòlese, 1998: 214).
Há que promover complementaridades e parcerias; em Portugal estas têm pouca
tradição nas relações entre os diferentes níveis da administração e destes com os
actores privados. Timidamente surgem exemplos de cooperação e contratualização entre
Municípios, entre estes e privados e/ou outros organismos públicos. Estas formas de
actuação conjunta podem ganhar vários contornos e dimensões temporais e territoriais,
temáticas e sectoriais. Há que seguir os exemplos desenvolvidos, por exemplo, no
quadro das Redes Urbanas para a Competitividade e Inovação, integrando Albufeira uma
rede territorial e outra temática, que procuram contribuir para estreitar relações e
promover práticas de colaboração efectiva. Os resultados de ambos são ainda pouco
visíveis, esperando-se porém que, após desenvolvimento, cultivem no mínimo um
espírito mais empreendedor e de cooperação competitiva.
Ao nível do ordenamento do território, por exemplo, a potenciação de parcerias público –
privadas pode qualificar e optimizar recursos, reduzir despesas, agilizar procedimentos e
aumentar os níveis de confiança entre ambos. Tal situação deverá sustentar-se no
desenvolvimento de instrumentos mais pró-activos que integrem uma visão prospectiva
para os IGT’s, articulando objectivos, estratégias e projectos, que promovam a
convergência dos interesses públicos e privados e formas de participação construtiva da
cidadania nos processos de decisão local, mediados, em última instância pelos eleitos
locais (Portas et al, 2003). Em Albufeira há exemplos recentes de contratualização para
o desenvolvimento de IGT, nomeadamente PP e ou PAT incidentes em zonas de
comércio, indústria e serviços previstas no actual PDM. Há porventura que replicar esta
prática para outros territórios, localizações e fins no quadro concelhio.
O benchmarking enquanto instrumento comparativo, de suporte e apoio à decisão
deverá constituir-se como um método de trabalho, sendo um meio e não um fim de
processo. Neste, a solução passa, não pela imitação de casos de sucesso de outras
regiões, mas por uma prévia avaliação crítica da sua adequação às realidades locais. No
Algarve as práticas traduzem-se na imitação predadora, aniquiladora e pouco elucidada.
A forma como acontece não demonstra, quase nunca, a mínima vontade de promover
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
107
conjuntamente ideias, projectos e equipamentos reconhecidos como válidos e úteis para
o desenvolvimento integrado, sustentável e racional de toda a região. Prevalecem os
movimentos individualistas, nimby, completamente enraizados na cultura local e regional,
com consequências adversas ao nível político institucional.
IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 41414141 ---- Principais desígnioPrincipais desígnioPrincipais desígnioPrincipais desígnios para o Município de Albufeiras para o Município de Albufeiras para o Município de Albufeiras para o Município de Albufeira (elaboração própria)(elaboração própria)(elaboração própria)(elaboração própria)
Em prol da coesão territorial e social há que promulgar a complementaridade das
políticas face à dispersão das tutelas e dos investimentos da administração sobre
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
108
territórios desiguais. Torna-se necessária uma intervenção pró-activa, inovadora e
participada no processo de desenvolvimento local o que representa um desafio à
imaginação e à capacidade de intervenção do Município, na forma de adequar o estilo de
planeamento e intervenção à especificidade sócio territorial do desenvolvimento que
promove. Os conceitos de sustentabilidade territorial e ambiental devem aliar-se na
prossecução efectiva desse desenvolvimento, sendo necessário “praticar a
sustentabilidade” em todas as tomadas de decisão.
Dever-se-á promover, no Município, uma consciência de entrepreneurship local, que
constitua a chave das estratégias do seu desenvolvimento (Pòlese, 1998: 220) e
consequentemente da competitividade num âmbito territorial superior, nomeadamente o
regional. É neste sentido que a inscrição dos potenciais e dinâmicas locais de Albufeira
no quadro dos instrumentos de gestão e desenvolvimento territorial regional, acredita-se,
permitirão tornar o Algarve mais competitivo e eficaz nos contextos de concorrência em
que opera, nacional ou internacionalmente. Na ilustração anterior resume-se o quadro
orientador com os desígnios que o Município de Albufeira deverá abraçar para se
estabelecer, cada vez mais, como peça fundamental do seu desenvolvimento local e
contribuinte para um desenvolvimento regional integrado.
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
109
Reflexões Finais
No planeamento territorial o policentrismo trata da análise das aglomerações urbanas,
dos sistemas urbanos, das redes que integram e das relações que estabelecem. Os três
pilares que sustentam este conceito – a localização, a dimensão e a conectividade,
revelam-se de extrema importância na construção de visões, políticas e modelos que o
espelhem, ora do ponto de vista estrutural ora institucional.
Ainda que o conceito suscite simpatia teórica pelo exalar de bom senso e simplicidade, a
sua aplicação prática enfrenta inúmeras dificuldades – é de difícil medição e provoca
oposições dos valores e poderes instalados, requer difíceis reorientações de
investimento público e uma mudança de atitude mental e cultural difícil de apreender por
parte dos decisores e da população, sobretudo nas regiões portuguesas e em particular
no Algarve, historicamente viciado no individualismo, na desconfiança e no combate intra
regional (entre si e com os poderes centrais) mais do que na competição cooperante.
A reter deste conceito como meta duma política transversal de ordenamento territorial,
está a passagem da competição à complementaridade, sendo necessário dar um salto
qualitativo, difícil para territórios que sempre competiram entre si. Para tal há que romper
com os horizontes estritamente locais e fechados e focar-se em lutas mais gerais pela
equidade e democracia. São necessárias Administrações, seja em que escala for (dada
a multiescalaridade do conceito), que reúnam, por um lado, a vontade de articular o
território de um modo mais sustentável, mais eficiente e mais equitativo e, por outro, a
capacidade de desenhar e fazer prevalecer as políticas através da abertura e diálogo
entre administrações locais, com a iniciativa privada e com os cidadãos (Nel-lo, 2007:
36).
Em suma, o policentrismo é um conceito analítico, normativo e propositivo que permite:
• Analisar uma rede urbana e caracterizá-la face a um conjunto de parâmetros que
indiciam a sua existência imaterial em maior ou menor grau;
• Propor um conjunto de medidas operacionais tendentes a fazer evoluir essa rede
ou sistema urbano, de um estado individualista, autónomo, pouco integrado e
ensimesmado para um estado mais coeso, eficaz, competitivo, cooperante e
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
110
complementar, logo com maior policentricidade, capaz de se afirmar em
contextos escalares de ordem superior, com ganhos e vantagens para todos os
seus intervenientes.
Como demonstram os documentos que servem de enquadramento às políticas actuais e
futuras, os planos nacionais, regionais e os vários instrumentos de âmbito local, manter-
se-á a importância das cidades como elementos estruturantes do território nacional e
neste âmbito, as políticas nacionais, regionais e locais deverão conseguir responder a
esta tendência (Marques da Costa, 1999: 136). No Algarve deverá ser nas cidades,
enquanto nós privilegiados de uma rede em potência, que se deve ancorar e criar os
mecanismos de solidariedade e reforço da competitividade (MCOTA, DGOTDU, 2002).
Porém, a falta de escala e de diversidade funcional na região aconselham à cooperação
entre elas procurando-se os benefícios das economias de escala, da
complementaridade, solidariedade regional e dos desígnios policêntricos. Uma
organização estruturada, funcional e activa do sistema urbano facilitará e ajudará a
vencer os desafios da qualificação e da competitividade que o Algarve enfrenta.
Em consonância com os documentos de planeamento territorial de ordem superior,
também no processo de revisão do PROT Algarve se inscreveu o conceito de
policentrismo. Tal inscrição traduziu o reconhecimento do potencial que o sistema urbano
algarvio detinha para configurar, segundo os seus promotores, uma região urbana
policêntrica. Neste quadro propagandeou-se amplamente uma visão policêntrica para o
Algarve, assim como os objectivos por ela promulgados, nomeadamente na geração de
sinergias, ganhos de competitividade e coesão territorial fruto de uma cooperação em
rede, complementar e dinâmica.
Concluí-se sobre a existência, no Algarve, de um potencial policêntrico ao longo de toda
a faixa meridional, de Lagos a Vila Real de Santo António, mas sobretudo entre a
primeira e Olhão. A assunção da importância estratégica de promover uma região
urbana policêntrica é inevitável para evidenciar e fazer participar o Algarve em escalas
mais amplas, de forma concorrencial ou complementar, em todas as suas valências e
aptidões, não só turísticas (já amplamente difundidas, mas a carecer de qualificação e
introdução de factores de inovação), como empresariais, tecnológicas, comerciais,
agrícolas e associadas ao mar.
Contudo, embora o PROT Algarve se reclame, retoricamente, como promotor de um
modelo policêntrico, na verdade afirmou-se em acções que lhe são contraditórias,
tornando-o em mais um documento inconsequente para a competitividade e
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
111
desenvolvimento regional, juntando-se a tantos outros que fazem o Algarve parecer ter
crescido sem plano, alvo de clientelismos e servido por um planeamento à la carte, cujas
marcas e evidências são ainda hoje comprometedoras ao nível paisagístico e outros.
Com a revisão do PROT Algarve pretendia-se dar início a um novo ciclo de planeamento
regional que se desejava mais eficaz, mais amplo, mais integrado e mais participado
(Catita, 2007). Em todas estas frentes, quanto a nós, este processo falhou. Modelizou-se
a partir de uma base errada, fazendo-se tábua rasa do diagnóstico regional,
menosprezando assim a própria realidade. Denota-se nesta opção uma elevada carga
de intencionalidade e outra de manipulação e orientação política que acabaram por ser
fortemente penalizadoras, em termos prospectivos, para o território algarvio e em
particular para Albufeira. Negligenciar os diagnósticos, estudos e avaliações conduz a
que desta forma os objectivos e cenários preconizados nos planos dificilmente obtenham
os resultados desejados.
A regulação e apoio da dinâmica gerada em torno das actividades turísticas a que aludia
Guerreiro (2002: 83), como orientação para o processo de revisão do PROT Algarve, não
foram, estranhamente, consideradas. A superficialidade com que o turismo foi tratado no
modelo regional, denuncia a pouca intencionalidade da sua requalificação. Lembramos
que esta actividade foi responsável pela mutação do Algarve e representou a passagem
de um estado de miséria que a colocava entre as regiões mais pobres da Europa à
situação de phasing out em que se encontra hoje no quadro da sua política regional e de
coesão. Não esqueçamos, o Algarve é uma região turística e é nesse âmbito que deverá
ser intervencionada.
Neste processo prevaleceu uma acção institucional circunscrita, limitada, desfavorável
ao desenvolvimento da própria região, mas suficientemente influente para fazer pautar
as opções políticas das key persons regionais nos desígnios, politicas, instrumentos,
investimentos e acções, totalmente arraigadas nos padrões culturais da região, e, só por
si, limitativos de um quadro de desenvolvimento comum, conjunto e complementar. Aliás,
é esta cultura que coloca em evidência a ausência de uma visão estratégica claramente
pensada para o desenvolvimento territorial, elevando um quadro administrativo ao
estatuto de decisor máximo, papel poucas vezes questionado e quase nunca
contrariado, mesmo quando são gritantes as incongruências por ele promovidas. O papel
atribuído a Albufeira no quadro deste processo de revisão do PROT Algarve, é bem
exemplo disso. Há que esbater preconceitos, vícios e manobras de bastidores de forma
a entender o território e os nós que o compõem como relevantes e potenciadores de um
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
112
desenvolvimento integrado e duma competitividade conjunta. Há que investir na
capacidade organizativa/institucional procurando, primeiro com objectivos mais
pequenos, de curto prazo e rápida concretização – estimular a confiança mútua, o
entendimento e trabalho relacional e, posteriormente, a adopção de políticas cada vez
mais complexas e projectos com maior envergadura e projecção.
A acção centralizadora direccionada para Faro e Portimão, no PROT Algarve, contraria
sobremaneira o conceito e os pressupostos do policentrismo. O potencial de Albufeira foi
liminarmente desperdiçado, sobretudo em termos turísticos, económicos/empresariais,
demográficos e locativos. Inexplicavelmente desprezou-se um dos mais dinâmicos
centros urbanos da região que, apesar das contrariedades e subposicionamento a que
tem sido votado em inúmeros instrumentos de planeamento regional, prosperou e
consolidou um vasto conjunto de vantagens comparativas em relação aos restantes
concelhos da região. Ao negar-se Albufeira no modelo regional (por exemplo na
diminuição da acessibilidade, ao não ser aceite o intermodal das Ferreiras e uma
estação de TGV; na irracionalidade de não integrá-la no âmbito das redes de transporte
públicas ferroviárias; ao desprezar a equidistância enquanto factor de competitividade,
desperdiçando uma especificidade irreprimível; na ausência propositiva de investimentos
ao nível do ensino; na incompreensível falta de visão estratégica para empreender um
esforço colectivo de requalificação do turismo) contribui-se para coarctar o seu
desenvolvimento e negar, igualmente, o modelo policêntrico preconizado no PROT.
Albufeira cresceu primeiro em sectores onde todos na região quiseram e querem
crescer. Daí resultou um certo mau estar que emana ora dos concelhos congéneres, ora
das entidades da administração central, nomeadamente da CCDR Algarve. Este traduz-
se de forma mais que evidente na revisão do PROT Algarve ao penalizar em propostas,
investimentos e posicionamento estratégico, o concelho de Albufeira, num quadro
regional que, reiteramos, se afirmava policêntrico.
Nos resultados do ISPP desenvolvido, o contributo do pólo central liderado por Albufeira,
manifesta-se importante na maioria dos potenciais estudados e para a concretização dos
principais objectivos estratégicos territoriais. Este mostra-se, nalguns casos, mais
significativo que a aglomeração liderada por Portimão. É na aproximação e articulação
funcional desta com a aglomeração de Faro que Albufeira deverá ser valorizada no
modelo regional, confirmando-se e fortalecendo-se nos sectores e actividades em que, já
hoje, desempenha eficazmente e de forma destacada, funções relevantes em termos
regionais. Neste índice, que lidera, Albufeira confirma o seu elevado potencial de
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
113
integração e participação activa numa faixa compreendida entre Lagos e Olhão para a
constituição de uma região urbana policêntrica.
Albufeira deve evidenciar-se, ao nível do turismo, na assunção de medidas com vista à
sua melhoria e qualificação; ao nível logístico e de distribuição aproveitando as
vantagens locativas e acessibilidades que a colocam no epicentro da região; no
desenvolvimento das actividades extractivas e subsectores a elas associados, já com
créditos firmados. Mas também deve regressar às origens, potenciando o
desenvolvimento de actividades primárias, com excelentes condições de vingarem em
articulação com o mercado turístico regional.
Reclamar um posicionamento para Albufeira pressupõe que esta conheça o rumo que
quer seguir. Deverá desenvolver criteriosamente uma estratégia de desenvolvimento
local que informe sustentadamente a revisão do PDM. Esta deverá procurar, apesar das
limitações e bloqueios, encontrar o posicionamento na região, nomeadamente na
promoção de uma estratégia e um modelo territorial coerente, funcional e eficaz,
identificando grandes projectos e investimentos que a elevem no quadro regional. Este
instrumento deverá dar expressão territorial aos potenciais de afirmação de Albufeira
enquanto importante pólo económico, turístico/lazer e de emprego, contrariando assim
as derrotas pesadas que tem sofrido na “secretaria”, em detrimento do bom desempenho
que regista na realidade.
Da leitura deste trabalho poder-se-ia pensar que apenas se pretende elevar o
posicionamento de Albufeira na região. Tal não corresponde à verdade! O que se
argumenta, no essencial, é que as potencialidades de Albufeira colocadas ao serviço da
região e a constituição de um verdadeiro policentrismo serão favoráveis para os pólos de
Faro e Portimão, que beneficiarão do dinamismo e conectividade susceptíveis de
alavancar efeitos multiplicadores, para todos, de forma recíproca. O desenvolvimento
integrado de Albufeira realiza-se, portanto, não em detrimento desses pólos mas sim de
forma contribuinte para os seus respectivos desenvolvimentos e para a projecção do
Algarve, como região urbana policêntrica, no quadro competitivo das regiões europeias.
Resumidamente, em termos territoriais, há que optar entre uma região coesa,
complementar, próxima, bem organizada e policêntrica com ganhos competitivos ou por
uma região desestruturada, fortemente hierarquizada com dois pólos dominantes, dos
quais não se prevêem benefícios de maior na promoção conjunta da região em âmbitos
escalares superiores.
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
114
Não nos parece descabido concluir este trabalho retomando a citação que o iniciou.
Ficam no ar, uma vez mais e passados 40 anos, as questões (lamentavelmente actuais)
levantadas por Cavaco (1969):
“Albufeira projectou-se no país e no mundo, mas não na região. Não será altura de tentar
harmonizar as suas funções internacionais e regionais, formar a juventude, equilibrar os
equipamentos comerciais e de serviços, em especial os de saúde e assegurar um papel
de centro funcional entre as duas principais cidades algarvias, Faro e Portimão?”
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
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Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
125
ANEXOS
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
126
Indicador
Indicecomposto
Acessibilidade
Movimentos
Pendularescom
destinoaoutros
concelhos
População
Residente
Densidade
Populacional
Variaçãoda
População
Residente
Variaçãoda
Densidade
Populacional
Taxade
Crescimento
Efectivo
Indicede
Envelhecimento
Ano20102001200820081950-20081950-200820092008
UnidadeGeográfica/UnidadeMedidaMinutos%N.ºHab/km2%%%N.º
AlgarveNANA43008486,13131,00,91123,5
Albufeira2649,738966277,2146,1146,12,1480,4
Alcoutim47210,631045,4-71,2-71,3-2,31532,8
Aljezur44012,8532316,5-34,1-34,20,19273,4
CastroMarim30041,2647221,5-34-34,00,17224,8
Faro27012,358698291,273,973,90,04103,9
Lagoa30130,424875281,981,881,82,02110,5
Lagos38710,828890135,775,275,31,4116,8
Loulé24313,56544485,628,428,40,97121,5
Monchique41825,7602415,2-58,9-58,9-1,81327,3
Olhão2893244319338,638,938,91,07108,3
Portimão32811,349881273,9106,6110,51,14101,1
SãoBrásdeAlportel305351256982,030,931,02,61161,3
Silves29129,13616553,28,3-4,10,77170,4
Tavira330202539441,8-17-17,10,07182,7
ViladoBispo45320,7542130,3-11,8-11,80,29220,2
VilaRealdeSantoAntónio3801418539302,728,828,90,26113,7
PoloFaro26717,4168461153,644,444,50,66111,9
PoloPortimão33815,5103646214,592,492,41,51107,5
PoloVilaRealdeSantoAntónio34024,92483168,62,62,70,04137,1
TabelaTabelaTabelaTabela 7777 ---- Indicadores ISPP 1 (Fonte: INE; Viamichelin)Indicadores ISPP 1 (Fonte: INE; Viamichelin)Indicadores ISPP 1 (Fonte: INE; Viamichelin)Indicadores ISPP 1 (Fonte: INE; Viamichelin)AnexoAnexoAnexoAnexo 1111 ---- Indicadores ISPP 1 (Fonte: INE; Viamichelin)Indicadores ISPP 1 (Fonte: INE; Viamichelin)Indicadores ISPP 1 (Fonte: INE; Viamichelin)Indicadores ISPP 1 (Fonte: INE; Viamichelin)
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
127
Indicador
Densidade
Empresarial
Empresaspor
Municípioda
Sede
PessoalaoServiçonas
EmpresasporMunicípio
daSede
Volumede
Negóciospor
MunicípiodaSede
QLEmpresasda
SecçãoG
QLEmpresasda
SecçãoK
QLEmpresasda
SecçãoF
QEPessoalao
Serviçona
SecçãoG
Ano20072007200720072007200720072007
UnidadeGeográfica/UnidadeMedidaEmp/km2%%%N.ºN.ºN.ºN.º
Algarve11,7100100,0100,0NANANANA
Albufeira42,210,212,211,30,390,530,680,43
Alcoutim0,40,40,30,10,020,020,030,01
Aljezur2,11,20,80,60,040,040,100,04
CastroMarim2,11,11,00,90,050,040,100,04
Faro44,115,314,517,20,570,940,870,77
Lagoa35,65,45,95,10,210,270,420,23
Lagos20,17,37,17,00,260,440,490,26
Loulé13,517,719,923,40,720,961,460,82
Monchique1,51,00,80,50,060,030,050,04
Olhão38,58,66,95,60,360,320,610,33
Portimão39,912,513,512,60,500,620,790,53
SãoBrásdeAlportel8,22,11,81,70,110,080,170,10
Silves5,66,55,86,00,300,260,520,37
Tavira5,05,24,53,90,200,260,440,17
ViladoBispo4,11,31,31,10,040,050,070,04
VilaRealdeSantoAntónio38,64,13,73,10,170,150,340,16
PoloFaro22,141,741,346,21,642,212,941,92
PoloPortimão30,425,232,524,70,971,331,701,02
PoloVilaRealdeSantoAntónio8,35,24,64,00,220,190,440,20
AnexoAnexoAnexoAnexo 2222 ---- Indicadores ISPPIndicadores ISPPIndicadores ISPPIndicadores ISPP 2222 (Fonte: INE)(Fonte: INE)(Fonte: INE)(Fonte: INE)
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
128
Indicador
QEPessoalao
Serviçona
SecçãoH
QEpessoalao
Serviçona
SecçãoF
QVolumede
Negóciosna
SecçãoG
QVolumede
Negóciosna
SecçãoF
QVolumede
Negóciosna
SecçãoK
Levantamentos
NacionaisnasCaixas
deMultibanco
Variaçãoda
PopulaçãoActiva
Empregadosno
SectorIII
Ano2007200720072007200720081991-20012008
UnidadeGeográfica/UnidadeMedidaN.ºN.ºN.ºN.ºN.º€%%
AlgarveNANANANANA322830,16NA
Albufeira1,200,490,440,240,78459471,1286,3
Alcoutim0,010,000,010,000,001087-4,3463,0
Aljezur0,000,060,030,020,02321113,4260,8
CastroMarim0,040,060,040,030,0727810,6572,1
Faro0,420,641,180,270,73384127,3281,4
Lagoa0,360,350,220,170,35255137,9276,7
Lagos0,360,440,280,260,76315925,6974,2
Loulé0,941,081,060,622,87357152,4974,8
Monchique0,040,000,030,000,0210360,6066,7
Olhão0,150,380,340,150,142313-25,1656,6
Portimão0,700,690,700,260,70365326,0880,1
SãoBrásdeAlportel0,000,100,110,040,06205159,2064,6
Silves0,220,340,480,150,18234512,1465,7
Tavira0,200,320,150,200,2226559,6066,3
ViladoBispo0,090,040,040,030,1024100,6683,4
VilaRealdeSantoAntónio0,190,220,150,120,15406840,5073,2
PoloFaro1,512,102,581,033,73972534,6874,8
PoloPortimão1,421,481,200,681,81936328,5377,8
PoloVilaRealdeSantoAntónio0,240,290,190,150,22684928,4073,0
AnexoAnexoAnexoAnexo 3333 ---- Indicadores ISPP 3 (Fonte: INE)Indicadores ISPP 3 (Fonte: INE)Indicadores ISPP 3 (Fonte: INE)Indicadores ISPP 3 (Fonte: INE)
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
129
AnexoAnexoAnexoAnexo 4444 ---- Indicadores ISPP 4 (Fonte: INE)Indicadores ISPP 4 (Fonte: INE)Indicadores ISPP 4 (Fonte: INE)Indicadores ISPP 4 (Fonte: INE)
Indicador
Indicede
DependênciaTotal
População
Residentecom
EnsinoSuperior
Taxade
Crescimentode
Edifícios
Índicede
Envelhecimentode
Edifícios
ValorMédiodas
Transacções
Imobiliárias
Fogos
Construídos
Edifícios
Construídos
Índicede
Atracção
Ano200820011991-200120012009200920092001
UnidadeGeográfica/UnidadeMedidaN.º%%N.º€N.ºN.ºN.º
Algarve52,4114,9292,0012219572712569NA
Albufeira47,58,18144,1142,571656109143011,18
Alcoutim87,64,40103,50139,942222010130,93
Aljezur725,18112,7464,751157531621640,91
CastroMarim61,95,25131,0792,55102283941050,78
Faro47,616,74106,27110,331061063781641,22
Lagoa48,97,56109,8061,421603082781400,91
Lagos54,99,17109,5250,901537028942230,99
Loulé54,88,23113,6878,182742158162991,01
Monchique64,74,36105,86207,644427314310,79
Olhão49,17,54113,05177,181002323951640,76
Portimão52,610,31114,1082,3714810810872231,08
SãoBrásdeAlportel56,89,30131,46137,3194909131780,74
Silves55,16,30112,01105,38936005471950,79
Tavira56,68,34111,33156,631429166611980,88
ViladoBispo55,55,12112,2744,69129689197820,93
VilaRealdeSantoAntónio496,91102,3169,571012036931891,02
PoloFaro50,7011,18111,43105,9016018415896271,03
PoloPortimão52,329,36111,2464,3715403922595861,02
PoloVilaRealdeSantoAntónio52,176,46114,5981,711017437872940,96
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
130
AnexoAnexoAnexoAnexo 5555 ---- Indicadores ISPP 5 (Fonte: INE)Indicadores ISPP 5 (Fonte: INE)Indicadores ISPP 5 (Fonte: INE)Indicadores ISPP 5 (Fonte: INE)
Indicador
Movimentos
Pendularescom
Origemnoutros
Concelhos
Estabelecimentos
Hoteleiros
Capacidadede
Alojamentoem
Estabelecimentos
Hoteleiros
Dormidasem
Estabelecimentos
Hoteleiros
Hóspedesem
Estabelecimentos
Hoteleiros
Hóspedes
Estrangeiros
Postos
Telefónicospor
Município
Ano2001200820082008200820082008
UnidadeGeográfica/UnidadeMedida%N.ºN.ºN.ºN.º%N.º
AlgarveNA4179872414265164292781965,7128035
Albufeira23,7137405756274393114836073,913602
Alcoutim4,400000966
Aljezur4,442006088333122,21934
CastroMarim253629………2099
Faro28,620164222230813971950,917652
Lagoa24,2348138105580719848567,55794
Lagos10,238580368253614315177,49029
Loulé14,66514570200768345358659,623980
Monchique6,8827917984795136,32036
Olhão10,931655715334131,28831
Portimão18,54813537184755537130663,413728
SãoBrásdeAlportel12,7166………2846
Silves10,8917352440766221566,710862
Tavira9,9185135679571159607557308
ViladoBispo15118991211744223553,41813
VilaRealdeSantoAntónio15,7185351100006517237849,55555
PoloFaro20,38816377223570659664657,450463
PoloPortimão17,412027478358589871294267,328551
PoloVilaRealdeSantoAntónio17,5215980100006517237849,57654
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
131
AnexoAnexoAnexoAnexo 6666 ---- Ranking indicadores ISPP 1Ranking indicadores ISPP 1Ranking indicadores ISPP 1Ranking indicadores ISPP 1
IndicecompostoAcessibilidade
MovimentosPendularescomdestino
aoutrosconcelhos
PopulaçãoResidenteDensidadePopulacionalVariaçãodaPopulaçãoResidenteVariaçãodaDensidadePopulacionalTaxadeCrescimentoEfectivoIndicedeEnvelhecimento
20102001200820081950-20081950-200820092008
LouléAlbufeiraPoloFaroOlhãoAlbufeiraAlbufeiraSãoBrásdeAlportelAlbufeira
AlbufeiraAlcoutimPoloPortimãoVilaRealdeSantoAntónioPortimãoPortimãoAlbufeiraPortimão
PoloFaroLagosLouléFaroPoloPortimãoPoloPortimãoLagoaFaro
FaroPortimãoFaroLagoaLagoaLagoaPoloPortimãoPoloPortimão
OlhãoFaroPortimãoAlbufeiraLagosLagosLagosOlhão
SilvesAljezurOlhãoPortimãoFaroFaroPortimãoLagoa
CastroMarimLouléAlbufeiraPoloPortimãoPoloFaroPoloFaroOlhãoPoloFaro
LagoaVilaRealdeSantoAntónioSilvesPoloFaroOlhãoOlhãoLouléVilaRealdeSantoAntónio
SãoBrásdeAlportelPoloPortimãoLagosLagosSãoBrásdeAlportelSãoBrásdeAlportelSilvesLagos
PortimãoPoloFaroTaviraLouléVilaRealdeSantoAntónioVilaRealdeSantoAntónioPoloFaroLoulé
TaviraTaviraLagoaSãoBrásdeAlportelLouléLouléViladoBispoPoloVilaRealdeSantoAntónio
PoloPortimãoViladoBispoPoloVilaRealdeSantoAntónioPoloVilaRealdeSantoAntónioSilvesPoloVilaRealdeSantoAntónioVilaRealdeSantoAntónioSãoBrásdeAlportel
PoloVilaRealdeSantoAntónioPoloVilaRealdeSantoAntónioVilaRealdeSantoAntónioSilvesPoloVilaRealdeSantoAntónioSilvesAljezurSilves
VilaRealdeSantoAntónioMonchiqueSãoBrásdeAlportelTaviraViladoBispoViladoBispoCastroMarimTavira
LagosSilvesCastroMarimViladoBispoTaviraTaviraTaviraViladoBispo
MonchiqueLagoaMonchiqueCastroMarimCastroMarimCastroMarimFaroCastroMarim
AljezurOlhãoViladoBispoAljezurAljezurAljezurPoloVilaRealdeSantoAntónioAljezur
ViladoBispoSãoBrásdeAlportelAljezurMonchiqueMonchiqueMonchiqueMonchiqueMonchique
AlcoutimCastroMarimAlcoutimAlcoutimAlcoutimAlcoutimAlcoutimAlcoutim
RANKING
Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica
132
AnexoAnexoAnexoAnexo 7777 ---- Ranking indicadores ISPP 2Ranking indicadores ISPP 2Ranking indicadores ISPP 2Ranking indicadores ISPP 2
DensidadeEmpresarialEmpresasporMunicípiodaSede
PessoalaoServiçonasEmpresaspor
MunicípiodaSede
VolumedeNegóciosporMunicípioda
Sede
QLEmpresasdaSecçãoGQLEmpresasdaSecçãoKQLEmpresasdaSecçãoFQEPessoalaoServiçonaSecçãoG
20072007200720072007200720072007
FaroPoloFaroPoloFaroPoloFaroPoloFaroPoloFaroPoloFaroPoloFaro
AlbufeiraPoloPortimãoPoloPortimãoPoloPortimãoPoloPortimãoPoloPortimãoPoloPortimãoPoloPortimão
PortimãoLouléLouléLouléLouléLouléLouléLoulé
VilaRealdeSantoAntónioFaroFaroFaroFaroFaroFaroFaro
OlhãoPortimãoPortimãoPortimãoPortimãoPortimãoPortimãoPortimão
LagoaAlbufeiraAlbufeiraAlbufeiraAlbufeiraAlbufeiraAlbufeiraAlbufeira
PoloPortimãoOlhãoLagosLagosOlhãoLagosOlhãoSilves
PoloFaroLagosOlhãoSilvesSilvesOlhãoSilvesOlhão
LagosSilvesLagoaOlhãoLagosLagoaLagosLagos
LouléLagoaSilvesLagoaPoloVilaRealdeSantoAntónioSilvesTaviraLagoa
PoloVilaRealdeSantoAntónioTaviraPoloVilaRealdeSantoAntónioPoloVilaRealdeSantoAntónioLagoaTaviraPoloVilaRealdeSantoAntónioPoloVilaRealdeSantoAntónio
SãoBrásdeAlportelPoloVilaRealdeSantoAntónioTaviraTaviraTaviraPoloVilaRealdeSantoAntónioLagoaTavira
SilvesVilaRealdeSantoAntónioVilaRealdeSantoAntónioVilaRealdeSantoAntónioVilaRealdeSantoAntónioVilaRealdeSantoAntónioVilaRealdeSantoAntónioVilaRealdeSantoAntónio
TaviraSãoBrásdeAlportelSãoBrásdeAlportelSãoBrásdeAlportelSãoBrásdeAlportelSãoBrásdeAlportelSãoBrásdeAlportelSãoBrásdeAlportel
ViladoBispoViladoBispoViladoBispoViladoBispoMonchiqueViladoBispoCastroMarimAljezur
AljezurAljezurCastroMarimCastroMarimCastroMarimCastroMarimAljezurCastroMarim
CastroMarimCastroMarimAljezurAljezurAljezurAljezurViladoBispoMonchique
MonchiqueMonchiqueMonchiqueMonchiqueViladoBispoMonchiqueMonchiqueViladoBispo
AlcoutimAlcoutimAlcoutimAlcoutimAlcoutimAlcoutimAlcoutimAlcoutim
RANKING
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133
AnexoAnexoAnexoAnexo 8888 ---- Rankung indicadores ISPRankung indicadores ISPRankung indicadores ISPRankung indicadores ISPP 3P 3P 3P 3
QEPessoalaoServiçonaSecçãoHQEpessoalaoServiçonaSecçãoFQVolumedeNegóciosnaSecçãoGQVolumedeNegóciosnaSecçãoFQVolumedeNegóciosnaSecçãoK
LevantamentosNacionaisnasCaixas
deMultibanco
VariaçãodaPopulaçãoActivaEmpregadosnoSectorIII
2007200720072007200720081991-20012008
PoloFaroLouléPoloFaroPoloFaroPoloFaroPoloFaroAlbufeiraAlbufeira
PoloPortimãoPoloFaroPoloPortimãoPoloPortimãoLouléPoloPortimãoSãoBrásdeAlportelViladoBispo
AlbufeiraPoloPortimãoFaroLouléPoloPortimãoPoloVilaRealdeSantoAntónioLouléFaro
LouléPortimãoLouléFaroAlbufeiraAlbufeiraVilaRealdeSantoAntónioPortimão
PortimãoFaroPortimãoLagosLagosVilaRealdeSantoAntónioLagoaPoloPortimão
FaroAlbufeiraSilvesPortimãoFaroFaroPoloFaroLagoa
LagoaLagosAlbufeiraAlbufeiraPortimãoPortimãoPoloPortimãoLoulé
LagosOlhãoOlhãoTaviraLagoaLouléPoloVilaRealdeSantoAntónioPoloFaro
PoloVilaRealdeSantoAntónioLagoaLagosLagoaTaviraAljezurFaroLagos
SilvesSilvesLagoaSilvesPoloVilaRealdeSantoAntónioLagosPortimãoVilaRealdeSantoAntónio
TaviraTaviraPoloVilaRealdeSantoAntónioPoloVilaRealdeSantoAntónioSilvesCastroMarimLagosPoloVilaRealdeSantoAntónio
VilaRealdeSantoAntónioPoloVilaRealdeSantoAntónioVilaRealdeSantoAntónioOlhãoVilaRealdeSantoAntónioTaviraAljezurCastroMarim
OlhãoVilaRealdeSantoAntónioTaviraVilaRealdeSantoAntónioOlhãoLagoaSilvesMonchique
ViladoBispoSãoBrásdeAlportelSãoBrásdeAlportelSãoBrásdeAlportelViladoBispoViladoBispoTaviraTavira
MonchiqueCastroMarimCastroMarimViladoBispoCastroMarimSilvesViladoBispoSilves
CastroMarimAljezurViladoBispoCastroMarimSãoBrásdeAlportelOlhãoMonchiqueSãoBrásdeAlportel
AlcoutimViladoBispoAljezurAljezurMonchiqueSãoBrásdeAlportelCastroMarimAlcoutim
AljezurMonchiqueMonchiqueMonchiqueAljezurAlcoutimAlcoutimAljezur
SãoBrásdeAlportelAlcoutimAlcoutimAlcoutimAlcoutimMonchiqueOlhãoOlhão
RANKING
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134
AnexoAnexoAnexoAnexo 9999 ---- RankingRankingRankingRanking indicadores ISPP 4indicadores ISPP 4indicadores ISPP 4indicadores ISPP 4
IndicedeDependênciaTotal
PopulaçãoResidentecomEnsino
Superior
TaxadeCrescimentodeEdifíciosÍndicedeEnvelhecimentodeEdifícios
ValorMédiodasTransacções
Imobiliárias
FogosConstruídosEdifíciosConstruídosÍndicedeAtracção
200820011991-200120012009200920092001
AlbufeiraFaroAlbufeiraAlbufeiraLouléPoloPortimãoPoloFaroFaro
FaroPoloFaroSãoBrásdeAlportelViladoBispoAlbufeiraPoloFaroPoloPortimãoAlbufeira
LagoaPortimãoCastroMarimLagosLagoaPortimãoAlbufeiraPortimão
VilaRealdeSantoAntónioPoloPortimãoPoloVilaRealdeSantoAntónioLagoaPoloFaroAlbufeiraLouléPoloFaro
OlhãoSãoBrásdeAlportelPortimãoPoloPortimãoPoloPortimãoLagosPoloVilaRealdeSantoAntónioVilaRealdeSantoAntónio
PoloFaroLagosLouléAljezurLagosLouléPortimãoPoloPortimão
PoloVilaRealdeSantoAntónioTaviraOlhãoVilaRealdeSantoAntónioPortimãoPoloVilaRealdeSantoAntónioLagosLoulé
PoloPortimãoAlbufeiraAljezurLouléTaviraVilaRealdeSantoAntónioTaviraLagos
PortimãoLouléViladoBispoPoloVilaRealdeSantoAntónioViladoBispoTaviraSilvesPoloVilaRealdeSantoAntónio
LouléLagoaSilvesPortimãoAljezurSilvesVilaRealdeSantoAntónioViladoBispo
LagosOlhãoPoloFaroCastroMarimFaroOlhãoAljezurAlcoutim
SilvesVilaRealdeSantoAntónioTaviraSilvesCastroMarimFaroFaroLagoa
ViladoBispoPoloVilaRealdeSantoAntónioPoloPortimãoPoloFaroPoloVilaRealdeSantoAntónioLagoaOlhãoAljezur
TaviraSilvesLagoaFaroVilaRealdeSantoAntónioViladoBispoLagoaTavira
SãoBrásdeAlportelAljezurLagosSãoBrásdeAlportelOlhãoAljezurCastroMarimSilves
CastroMarimCastroMarimFaroAlcoutimSãoBrásdeAlportelSãoBrásdeAlportelViladoBispoMonchique
MonchiqueViladoBispoMonchiqueTaviraSilvesCastroMarimSãoBrásdeAlportelCastroMarim
AljezurAlcoutimAlcoutimOlhãoMonchiqueMonchiqueMonchiqueOlhão
AlcoutimMonchiqueVilaRealdeSantoAntónioMonchiqueAlcoutimAlcoutimAlcoutimSãoBrásdeAlportel
RANKING
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135
AnexoAnexoAnexoAnexo 10101010 ---- Ranking indicadores ISPP 5Ranking indicadores ISPP 5Ranking indicadores ISPP 5Ranking indicadores ISPP 5
MovimentosPendularescomOrigem
noutrosConcelhos
EstabelecimentosHoteleiros
CapacidadedeAlojamentoem
EstabelecimentosHoteleiros
DormidasemEstabelecimentos
Hoteleiros
HóspedesemEstabelecimentos
Hoteleiros
HóspedesEstrangeirosPostosTelefónicosporMunicípio
2001200820082008200820082008
FaroAlbufeiraAlbufeiraAlbufeiraAlbufeiraLagosPoloFaro
CastroMarimPoloPortimãoPoloPortimãoPoloPortimãoPoloPortimãoAlbufeiraPoloPortimão
LagoaPoloFaroPoloFaroPoloFaroPoloFaroLagoaLoulé
AlbufeiraLouléLouléLouléLouléPoloPortimãoFaro
PoloFaroPortimãoPortimãoPortimãoPortimãoSilvesPortimão
PortimãoLagosLagoaLagoaLagoaPortimãoAlbufeira
PoloVilaRealdeSantoAntónioLagoaPoloVilaRealdeSantoAntónioVilaRealdeSantoAntónioVilaRealdeSantoAntónioLouléSilves
PoloPortimãoPoloVilaRealdeSantoAntónioLagosPoloVilaRealdeSantoAntónioPoloVilaRealdeSantoAntónioPoloFaroLagos
VilaRealdeSantoAntónioFaroVilaRealdeSantoAntónioLagosTaviraTaviraOlhão
ViladoBispoTaviraTaviraTaviraLagosViladoBispoPoloVilaRealdeSantoAntónio
LouléVilaRealdeSantoAntónioSilvesSilvesFaroFaroTavira
SãoBrásdeAlportelViladoBispoFaroFaroSilvesVilaRealdeSantoAntónioLagoa
OlhãoSilvesViladoBispoViladoBispoViladoBispoPoloVilaRealdeSantoAntónioVilaRealdeSantoAntónio
SilvesMonchiqueCastroMarimMonchiqueMonchiqueMonchiqueSãoBrásdeAlportel
LagosAljezurMonchiqueAljezurOlhãoOlhãoCastroMarim
TaviraCastroMarimAljezurOlhãoAljezurAljezurMonchique
MonchiqueOlhãoOlhãoCastroMarimCastroMarimCastroMarimAljezur
AlcoutimSãoBrásdeAlportelSãoBrásdeAlportelSãoBrásdeAlportelSãoBrásdeAlportelSãoBrásdeAlportelViladoBispo
AljezurAlcoutimAlcoutimAlcoutimAlcoutimAlcoutimAlcoutim
RANKING
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136
AnexoAnexoAnexoAnexo 11111111 ---- ValorValorValorValores finais por potenciais, pilares e ISPPes finais por potenciais, pilares e ISPPes finais por potenciais, pilares e ISPPes finais por potenciais, pilares e ISPP
PilaresISPPISPPISPPISPP
Potenciais
UnidadeGeográfica
AcessibilidadeCentralidadeSub-totalDemográfico
Económico/
Empresarial
EmpregoUrbanísticoSub-totalAtracçãoTurísticoComunicaçãoSub-totalTotal
Albufeira2131775111111466618135135135135
Alcoutim192211142637291540299519143704704704704
Aljezur17623992296350441327817127591591591591
CastroMarim71926932186158430198115115571571571571
Faro45938591565177255461247247247247
Lagoa8162432134244823815281255317317317317
Lagos153184210837362232334865306306306306
Loulé178535529251621823344214214214214
Monchique1614301062466590507337116120657657657657
Olhão5172235129546428231809120424424424424
Portimão1041423722631152926540206206206206
SãoBrásdeAlportel91827562033866363319014135525525525525
Silves615216813554583152952788424424424424
Tavira11112283158495434430481189455455455455
ViladoBispo18123086214475039720611899526526526526
VilaRealdeSantoAntónio1482255162305830514461373400400400400
PoloFaro3101340212231114920130157157157157
PoloPortimão12921233424261071412228156156156156
PoloVilaRealdeSantoAntónio13132677145393829916441070395395395395
ConectividadeConectividadeConectividadeConectividadeDimensãoDimensãoDimensãoDimensãoLocalizaçãoLocalizaçãoLocalizaçãoLocalização

Policentrismo albufeira

  • 1.
    Universidade de Lisboa Institutode Geografia e Ordenamento do Território Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica Aquiles Fernando Dias Marreiros Mestrado em Gestão do Território e Urbanismo Lisboa 2010
  • 3.
    Universidade de Lisboa Institutode Geografia e Ordenamento do Território Policentrismo, o PROT Algarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica Aquiles Fernando Dias Marreiros Relatório de Estágio Orientado pelo Professor Doutor Pedro George – FA-UTL e Co-orientado pelo Professor Doutor José Manuel Simões – IGOT -UL Mestrado em Gestão do Território e Urbanismo Lisboa 2010
  • 4.
    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica I À avó Joaquina, Incutiu-me o gosto da terra, apurando-me os sentidos ao jeito de quem teve de aprender a usá-los para conseguir ver além do que os olhos vêem. São os seus “olhos”, seja em que sentido for, que trago comigo.
  • 5.
    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica II Agradecimentos Este trabalho resultou da conjugação de várias motivações, não só pessoais, como de âmbito académico, profissional e familiar. Ao Professor Doutor Pedro George (FA-UTL), impulsionador desta minha incursão académica, agradeço a provocação à inércia, sempre mais confortável do que a acção. Porém, a primeira não tem o mesmo sabor e sentimento de superação. Agradeço as conversas, não só as destes dois últimos anos, mas as mantidas desde 2004, ano em que os nossos percursos profissionais se cruzaram no Município de Albufeira. Muitas delas, mesmo que informais, ajudaram-me a encontrar uma temática, a estruturar e dar corpo a este trabalho, a procurar os caminhos que do ponto de vista científico, cessassem as ideias preconcebidas e os chavões discursivos que tinha, que mais pareciam políticos. Nessas conversas retive, aprendi e procurei melhorar, não só enquanto profissional, mas também do ponto de vista pessoal. O seu espírito aberto, atitude positiva e generosidade constituirão sempre um referencial para mim. Há ensinamentos que carregamos para a vida. Ao Professor Doutor José Manuel Simões (IGOT-UL) e à Professora Doutora Eduarda Marques da Costa (IGOT-UL), coordenadores do Mestrado em Gestão do Território e Urbanismo e responsáveis pelo seminário de acompanhamento de teses e relatórios de estágio, agradeço os conselhos e comentários tecidos às apresentações preliminares, a indicação de bibliografia fulcral para a consolidação deste trabalho e, sobretudo, a leitura e apreciação crítica do mesmo, efectuada contra relógio, na recta final deste processo. Ao Professor Doutor Nuno Marques da Costa (IGOT-UL) agradeço a disponibilização de parte dos elementos estatísticos que permitiram enriquecer a componente analítica deste trabalho. Ao Município de Albufeira agradeço o facto de me ter proporcionado a realização do estágio integrante do Mestrado. O mesmo facilitou-me a frequência dos seminários em Lisboa, que compatibilizei com a actividade e funções já desempenhadas na Divisão de Planeamento. Agradeço particularmente ao Presidente da Câmara Municipal de Albufeira, Desidério Jorge da Silva, o qual encorajou este meu percurso, participando, activa e pessoalmente, nos trabalhos desenvolvidos, promovendo-os, ao indicar-me para, em representação do Município, participar em inúmeros eventos de carácter técnico e científico, ora como assistente, ora como comunicante. Nestes, Albufeira
  • 6.
    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica III marcou presença e evidenciou o trabalho desenvolvido, promovendo a cultura científica e de investigação, que foge às suas mais directas competências. Agradeço à Arquitecta Ana Almeida, ao Arquitecto Paisagista Eduardo Viegas, à Arquitecta Isabel Valverde, à Urbanista Sandra Esteves e à assistente técnica Manuela Santos, colegas (e amigos) da Divisão de Planeamento, o envolvimento e colaboração pontual que prestaram em tarefas inerentes a este documento. Agradeço particularmente aos dois primeiros a ajuda prestada na elaboração dos elementos gráficos que o integram, bem como a sua montagem e apresentação final. Agradeço a todos os profissionais das bibliotecas que frequentei para consulta da bibliografia utilizada - Centro de Estudos Geográficos, Instituto de Ciências Sociais, Universidade do Algarve, Bibliotecas Municipais de Albufeira e Faro, Centro de Documentação e Informação da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve - em particular à Cristina Viegas da UALG e à Regina Silva da CCDR Algarve, que muito facilitaram os procedimentos de consulta, requisição e empréstimo. Ao meu amigo Rui Pirote agradeço as boleias destes dois últimos anos, assim como as conversas que “encurtaram” a distância entre Faro e Lisboa. Por último, mas não menos importante, agradeço a força e entusiasmo dedicada pelos meus familiares. À minha mãe, Maria dos Anjos, devo a perseverança, a integridade e a plena consciência de que, independentemente de tudo, há um caminho certo e um errado. Ao meu irmão Ulisses agradeço as referências pessoais e profissionais e, o optimismo. Ao meu avô Fernando agradeço as lições de vida. À Marlene agradeço a serenidade que em casa me permitiu levar este trabalho a bom porto, substituindo-me nas funções paternas junto das nossas filhas Matilde e Mafalda, as duas principais lesadas neste processo, quer pelas ausências prolongadas quer pelas atenções divididas entre brincadeiras e livros, entre fraldas e o computador, entre a “Vila Moleza” e a cidade turística, Albufeira. - Oh pai… o que estás fazer? – Interpela-me a Matilde, com 4 anos. - É um trabalho para a escola do pai, filha… - Um trabalho para quê? - Um trabalho para o pai ser mestre… - Mestre? Como o anão da Branca de Neve? – Com um sorriso de orelha a orelha - Ah! Então é por isso que já tens óculos!
  • 7.
    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica IV Resumo O policentrismo entrou definitivamente no vocabulário e panorama político da União Europeia com o EDEC. Este documento estabeleceu o quadro orientador, em termos de ordenamento do território, para os seus estados membros. Embora com outras designações, as premissas que sustentavam esse conceito haviam já sido aprofundadas no meio académico. Desde 2002 que este constitui um dos projectos temáticos de investigação do ESPON, tendo originado inúmeros relatórios e documentos técnicos. O presente estudo pretende sistematizar o conceito de policentrismo, identificando as suas componentes analíticas e propositivas. Dada a natureza multiescalar do conceito efectuou-se uma análise das políticas e instrumentos que fomentaram o policentrismo nas diversas escalas em que estes intervieram, desde a União Europeia até Albufeira. Intenta-se responder a uma questão transversal, inerente à proposição de modelos territoriais que promovem organizações desta natureza: “enquanto nó de uma rede complementar, que tenho eu de distinto susceptível de vir a ser potenciado?” Em consonância com os instrumentos de ordem superior, o processo de revisão do PROT Algarve assumiu também este conceito. O potencial policêntrico da região foi identificado. No entanto elaborou-se um Plano cujas acções em nada consolidam uma abordagem policêntrica. O documento é, até, contraditório nas opções que toma. Negligencia o papel de Albufeira na região, negando-lhe o dinamismo recente em termos económicos, demográficos, turísticos, de polarização de emprego e a imutável centralidade geográfica. Face ao exposto construiu-se um “índice sintético de potencial policêntrico”, com o qual se pretende evidenciar a latente constituição duma região urbana policêntrica, identificando os nós e respectivos contributos distintos de cada um deles para o desenvolvimento e competitividade territoriais. Destaca-se o papel determinante e estruturador de Albufeira para melhor cumprir os desígnios propostos no Plano. Tecem-se recomendações para que o Município, no âmbito da definição duma estratégia local de desenvolvimento e na revisão do seu Plano Director Municipal, eleve os seus créditos e aspirações. Almeja-se que, no futuro processo de revisão do PROT seja reconhecido para Albufeira um posicionamento que efective e desenvolva a participação activa na construção de um sistema urbano algarvio - linear, complementar, competitivo e funcionalmente integrado, ou seja realmente policêntrico! PALAVRAS-CHAVE: Policentrismo, modelos territoriais, PROT Algarve, Albufeira.
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica V Abstract Polycentrism penetrated definitively the political panorama and the vocabularies of the European Union with the ESDP. This document established the framework, in terms of land use planning, for the member states. Albeit with other designations, the premises which subtended this concept had already been developed in the academic environment. Since 2002, it is the object of thematic research projects, having originated numerous reports and technical documents. The present study aims at systematizing the concept of polycentrism while identifying its analytical and propositive components. Given the multiscalar nature of the concept we analyzed the policies and instruments which attempted to implement polycentrism at the different scales at which they intervened, from the European Union itself to the municipality of Albufeira (Algarve). The intention is to answer a transversal question, inherent in the proposition of territorial models which promote spatial organization of this nature: “As a knot in a complementary network, what distinctive features do I carry, susceptible of potentiation?” In consonance with planning instruments of higher order, the revision of the PROT Algarve also adopted this concept. The polycentric potential of this region was identified. Nonetheless, a plan was drafted leading to actions which do not consolidate a polycentric approach. The document is even contradictory in the options it takes. It diminishes the role allocated to Albufeira in the region, denying its recent dynamism in economic, demographic, tourist and job creation terms, as well as its immutable geographical centrality. We constructed a “polycentric potential synthetic index”, through which we intend to highlight the latent constitution of a polycentric urban region, identifying its knots and the distinct contribution of each one of them towards territorial development and competitiveness. The distinctive and structuring role of Albufeira in helping achieve the purpose and aims of the Plan is highlighted. Recommendations are drawn so that the municipality, in the process of defining a local development strategy and in the revision of its own land use plan, may elevate its credits and aspirations. Expectations are that, in a future process of revision of PROTAL, Albufeira be granted a position which will enhance and develop an active participation in the construction of the Algarve’s urban system - linear, complementary, competitive and functionally integrated, that is, really polycentric. KEY WORDS: Polycentrism, territorial models, PROT Algarve, Albufeira.
  • 9.
    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica VI Índice Agradecimentos ............................................................................................................................ II Resumo......................................................................................................................................... IV Abstract......................................................................................................................................... V Índice............................................................................................................................................ VI Índice de Ilustrações................................................................................................................... VIII Índice de Tabelas.......................................................................................................................... IX Siglas e Acrónimos......................................................................................................................... X Um estágio em Albufeira............................................................................................................. XII Introdução......................................................................................................................................... 1 Parte I - Policentrismo e Competitividade Territorial ....................................................................... 4 Nota introdutória ...................................................................................................................... 4 1 Policentrismo: sistematização de um conceito.......................................................................... 5 1.1 Policentrismo, pressupostos, noção e parâmetros............................................................. 5 1.2 Limitações.......................................................................................................................... 11 1.3 Medir o policentrismo: alguns exemplos.......................................................................... 12 1.4 Desafios............................................................................................................................. 15 2 Policentrismo e o desígnio da competitividade....................................................................... 16 Parte II - Da Europa a Albufeira: O Policentrismo nas Visões e nos Modelos Territoriais.............. 19 Nota Introdutória .................................................................................................................... 19 3. Ordenar o Espaço Europeu ..................................................................................................... 20 3.1 Instrumentos e Modelos Territoriais – da Academia às Políticas..................................... 20 3.2 E Portugal no quadro europeu?........................................................................................ 26 4 Portugal e as experiências policêntricas .................................................................................. 30 4.1 Sistema Urbano Nacional: Linhas gerais ........................................................................... 30
  • 10.
    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica VII 4.2 Politicas e instrumentos.................................................................................................... 31 4.3 O PNPOT e a promoção de um modelo territorial policêntrico........................................ 34 4.4 E o Algarve no PNPOT?...................................................................................................... 37 5 Tendências de Organização Espacial do Algarve...................................................................... 39 5.1 Individualidade e Diversidade dos ‘Algarves’.................................................................... 40 5.2 Sistema urbano Algarvio: da região polinucleada à região policêntrica........................... 43 5.3 Revisão do PROT Algarve – “Restringir para qualificar”.................................................... 56 5.4 E Albufeira no PROT Algarve? ........................................................................................... 64 Parte III - A Região Urbana Policêntrica do Algarve: Que papel para Albufeira?............................ 72 Nota introdutória .................................................................................................................... 72 6 Um novo Modelo Regional – O contributo de Albufeira ......................................................... 73 6.1 Traços histórico-geográficos de um lugar singular........................................................... 74 6.2 Índice Sintético de Potencial Policêntrico......................................................................... 83 6.2.1 Localização ................................................................................................................. 86 6.2.2 Dimensão.................................................................................................................... 88 6.2.3 Conectividade............................................................................................................. 91 6.2.4 Em prol de uma Região Urbana Policêntrica algarvia................................................ 93 6.3 Albufeira – “Que tenho eu de distinto?”........................................................................... 96 7. Orientações e recomendações para o Município ................................................................. 103 Reflexões Finais............................................................................................................................. 109 Bibliografia ................................................................................................................................ 115 Fontes Estatísticas..................................................................................................................... 124 Fontes Digitais........................................................................................................................... 124 ANEXOS ..................................................................................................................................... 125
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica VIII Índice de Ilustrações Ilustração 1 - Processo institucional e estrutural (Fonte: CNRS, 2004)............................................. 6 Ilustração 2 - Pressupostos do policentrismo (elaboração própria com base em Meijers; Romein, 2003; CNRS, 2004)............................................................................................................................. 7 Ilustração 3 - Morfologia e conectividade (Fonte: CNRS, 2004) ....................................................... 8 Ilustração 4 - Pilares do Policentrismo (elaboração própria) ……………………………………………………… 9 Ilustração 5 - Escala: conectividade e proximidade (Fonte: CNRS, 2004)....................................... 10 Ilustração 6 - Escalas do policentrismo (Fonte: Carriere, 2004a).................................................... 10 Ilustração 7 - Fluxos de estudantes ERASMUS (Fonte CNRS, 2000)................................................ 13 Ilustração 8 - Tráfego aéreo (Fonte: CNRS, 2000)........................................................................... 13 Ilustração 9 - Marcos cronológicos do policentrismo (elaboração própria)................................... 21 Ilustração 10 - Banana Azul (Brunet, 1989 in Faludi; Waterhout, 2002) ........................................ 22 Ilustração 11 - Cacho de uvas (Kunzmann; Wegener, 1991 in Faludi; Waterhout, 2002).............. 22 Ilustração 12 - Potencial estratégico urbano na UE (ESPON, 2004)................................................ 27 Ilustração 13 - Centro e periferia (Fonte: ESPON, 2006)................................................................. 28 Ilustração 14 - Acessibilidade e performance económica (ESPON, 2006) ...................................... 28 Ilustração 15 - Intensidade de cooperação (Fonte: ESPON, 2006) ................................................. 29 Ilustração 16 - Macro geografias do país (Fonte: Ferrão, 2002b)................................................... 31 Ilustração 17 - Instrumentos nacionais com visão policêntrica (elaboração própria).................... 32 Ilustração 18 - Objectivos estratégicos do PNPOT (Lei n.º 58/2007, de 4 de Setembro)............... 34 Ilustração 19 - Modelo territorial do PNPOT (Fonte: MAOTDR, 2002b)......................................... 35 Ilustração 20 – Evolução da visão do sistema urbano algarvio no PNPOT (elaboração Própria) 357 Ilustração 21 - Carta geral do Algarve (Fonte: Capinetti, 1762 in CNG; CEG; IGEOE, 1998) ........... 39 Ilustração 22 - Diagramas síntese das principais representações espaciais do Algarve (elaboração própria)............................................................................................................................................ 42 Ilustração 23 - Cluster turismo/lazer (Fonte: UALG, 2007)............................................................. 46 Ilustração 24 - Sistemas urbanos/modelos bipolares..................................................................... 50
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica IX Ilustração 25 - Sistemas urbanos/modelos lineares ....................................................................... 52 Ilustração 26 - Sistemas urbanos/modelos polinucleados.............................................................. 53 Ilustração 27 - Sistemas urbanos/modelos policêntricos ............................................................... 54 Ilustração 28 - Tendência de estruturação urbana regional (elaboração própria)......................... 55 Ilustração 29 - Marcos do PROTAL, 1991 (elaboração própria com base em Guerreiro, 2002; CCRA, 2000d) ............................................................................................................................................. 58 Ilustração 30 - Sistema urbano (PROTAL, 2007) ............................................................................. 60 Ilustração 31 - Transportes e acessibilidades (PROTAL, 2007) ....................................................... 61 Ilustração 32 - Sistema de turismo (PROTAL, 2007)........................................................................ 62 Ilustração 33 - Albufeira/Guia nas várias visões do PROTAL, 2007 (elaboração própria) …………… 66 Ilustração 34 - Praia dos Pescadores Anos 40, 50, 70, 2009 (Fonte: Amado; Nobre, 1997, CMA) 79 Ilustração 35 - Albufeira: centralidade e acessibilidades................................................................ 81 Ilustração 36 - Mapa do potencial do pilar localização (elaboração própria)................................. 87 Ilustração 37 - Mapa do potencial do pilar dimensão (elaboração própria) .................................. 89 Ilustração 38- Mapa do potencial do pilar conectividade (elaboração própria)............................. 92 Ilustração 39 - Aplicação esquemática do PROTAL 2007: bipolar (modelo) e policêntrica (retórica) (elaboração própria) ....................................................................................................................... 95 Ilustração 40 - Diagnóstico prospectivo da base produtiva de Albufeira (elaboração própria)…….98 Ilustração 41 - Principais desígnios para o Município de Albufeira (elaboração própria) ............ 107 Índice de Tabelas Tabela 1 - Retrato estatístico de Albufeira no contexto regional (Fonte: INE)............................... 82 Tabela 2 - Potenciais e indicadores do ISPP.................................................................................... 84 Tabela 3- Potencias do pilar localização.......................................................................................... 88 Tabela 4 - Potenciais do pilar dimensão ......................................................................................... 90 Tabela 5 – Potenciais do pilar conectividade.................................................................................. 93 Tabela 6 - Indice sintético de potencial policêntrico ...................................................................... 94
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica X Siglas e Acrónimos AMAL – Área Metropolitana do Algarve APAL – Agência de Promoção de Albufeira CCDRA – Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve CCRA – Comissão de Coordenação Regional do Algarve CCE – Comunidade Económica Europeia CE – Comunidade Europeia/Conselho da Europa CEG – Centro de Estudos Geográficos CEMAT – Council of Europe Conference of Ministers Responsible for Spatial/Regional Planning CM – Conselho de Ministros CMA – Câmara Municipal de Albufeira DPP – Departamento de Prospectiva e Planeamento DGOTDU – Direcção Geral de Ordenamento do Território e Desenvolvimento Urbano DL – Decreto-lei DR – Diário da República EC – European Communities EDEC – Esquema de Desenvolvimento do Espaço comunitário ENDS – Estratégia Nacional de Desenvolvimento Sustentável ERTA – Entidade Regional de Turismo de Albufeira ESDP – European Spatial Development Perspective ESPON – European Observation Network for Territorial Development and Cohesion FNAT – Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho GPNPOT – Gabinete do Programa Nacional da Política de Ordenamento do Território ICS – Instituto de Ciências Sociais IDT- Instrumento de Desenvolvimento Territorial IGM – Instituto Geológico e Mineiro IGT – Instrumento de Gestão Territorial INATEL – Instituto Nacional para o Aproveitamento dos Tempos Livres dos Trabalhadores INE – Instituto Nacional de Estatística ISDR – Índice Sintético de Desenvolvimento Regional ISPP – Índice Sintético de Potencial Policêntrico MAI – Ministério da Administração Interna MAOT – Ministério do Ambiente e Ordenamento do Território
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica XI MAOTDR – Ministério do Ambiente, Ordenamento do Território e Desenvolvimento Regional MCOTA – Ministério das Cidades, Ordenamento do Território e Ambiente MOP – Ministério das Obras Públicas MP – Ministério do Planeamento NDE – Núcleo de Desenvolvimento Económico NDT – Núcleo de Desenvolvimento Turístico NUT – Nomenclatura de Unidade Territorial PCM – Presidência do Conselho de Ministros PDM – Plano Director Municipal PDR – Plano de Desenvolvimento Regional PEDRA – Plano Estratégico de Desenvolvimento da Região do Algarve PIB – Produto Interno Bruto PIENDS – Plano de Implementação da Estratégia Nacional de Desenvolvimento Sustentável PNACE – Programa Nacional de Acção para o Crescimento e o Emprego PNDES – Plano Nacional de Desenvolvimento Económico e Social PNPOT – Programa Nacional da Política de Ordenamento do Território PRIA – Plano Regional de Inovação do Algarve PROSIURB – Programa de Consolidação do Sistema Urbano Nacional e de Apoio à Execução dos Planos Directores Municipais. PROT – Plano Regional de Ordenamento do Território PROTAL - Plano Regional de Ordenamento do Território do Algarve PUR – Polycentric Urban Region PVTA – Plano de Valorização Turística de Albufeira QCA – Quadro Comunitário de Apoio QREN – Quadro de Referência Estratégico Nacional RCM – Resolução do Conselho de Ministros RJIGT – Regime Jurídico dos Instrumentos de Gestão Territorial RUCI – Redes Urbanas para a Competitividade e Inovação RUP – Região Urbana Policêntrica SEOTC – Secretaria de Estado do Ordenamento do Território e Cidades SNU – Sistema Urbano Nacional UALG – Universidade do Algarve UE – União Europeia UL – Universidade de Lisboa VAB – Valor Acrescentado Bruto
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica XII Um estágio em Albufeira Desde 2003 exerço a minha actividade profissional como técnico superior de geografia na Divisão de Planeamento do Departamento de Planeamento e Projectos do Município de Albufeira. O plano de estudos do Mestrado em Gestão do Território e Urbanismo do IGOT (edição 2008/2009), na sua via profissionalizante previa a realização de um estágio profissional. Perante esta evidência a hipótese deste Município se constituir como entidade acolhedora surgiu naturalmente. Porém, logo à partida, colocou-se-me uma dúvida: que resultados poderiam advir, para mim e para o Município de Albufeira, da realização de um estágio efectuado num serviço que já conhecia, onde já existia uma relação contratual e um histórico de trabalho associado? O desafio centrou-se precisamente aí, mostrar que, no âmbito da minha actividade profissional e no contexto de um percurso académico, era possível colocar ao serviço da autarquia trabalho útil e pertinente no quadro do processo de revisão do Plano Director Municipal em curso na Divisão supra mencionada. Assim, além das tarefas que naturalmente desenvolveria no meu dia-a-dia profissional, durante um estágio com a duração de 280 horas, propunha-me “pensar” Albufeira no contexto de uma região urbana policêntrica, tarefa/objectivo deste trabalho. Com o desenrolar do mesmo, entre os meses de Abril e Julho de 2009, apercebi-me que essa duração foi claramente insuficiente, tendo sido desenvolvido no ano subsequente em horário pós laboral. Para tal contribuíram igualmente as diferenças significativas entre os tempos processuais no seio da administração, em particular nas autarquias, face aos limites temporais impostos pelo próprio funcionamento do mestrado. Mas também o contágio e necessidade de resposta atempada a outras tarefas e atribuições, que inevitavelmente não poderia deixar de acompanhar, dada a natureza singular desta colaboração. A concretização de um trabalho deste âmbito reúne uma série de especificidades e obedece a um conjunto de normas metodológicas e analíticas, comuns no meio académico, mas pouco correntes na administração pública e muito menos na administração local, que nem por tradição nem por competência, se assume como promotora de investigação, mas sim como utilizadora dos resultados produzidos por outros. Raramente se evidenciam ou questionam conceitos, pressupostos e opções. Foi neste quadro que se procurou firmar uma posição sustentada do ponto de vista científico, capaz de aproximar os resultados obtidos a uma realidade que se coaduna com práticas
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica XIII e tomadas de decisão, por vezes, pouco fundamentadas. Com os resultados deste trabalho esperava-se desenvolver um quadro orientador que sustentasse as opções a tomar em sede de revisão do Plano Director Municipal de Albufeira, com vista à melhor concretização dos objectivos emanados dos instrumentos de gestão territorial de ordem superior, nacionais e regionais, em particular do PROT Algarve, instrumento, na prática, limitador do potencial encerrado no concelho e que urgia contrariar. Neste contexto, os resultados e conclusões obtidos neste trabalho visam integrar o relatório de caracterização e diagnóstico da revisão do PDM de Albufeira, em elaboração nos serviços mencionados. Foi este o desafio lançado ao Município, que o aceitou, fomentando assim o estabelecimento de pontes entre si e a Universidade. Existe um hiato enorme entre os dois meios, sendo crucial aproximá-los numa lógica de geração de sinergias que alavanquem oportunidades e ganhos práticos para ambos. Estes poderão situar-se por exemplo na minimização de esforços, de recursos técnicos, temporais e monetários na prossecução de dadas tarefas com a consequente optimização e agilização de procedimentos e práticas, neste caso, ao nível do ordenamento, planeamento e gestão territorial. Do ponto de vista profissional, esta experiência revelou-se deveras gratificante. Permitiu- me experimentar, apurar e desenvolver competências em termos metodológicos e analíticos, com a finalidade de concretizar uma fundamentação técnica/estratégica do desejável posicionamento do concelho em termos regionais, objectivo que presidiu a este trabalho. O estágio potenciou o trabalho em equipa, promovendo em mim e nos restantes elementos da Divisão de Planeamento (arquitecta, arquitecto paisagista e urbanista) uma aprendizagem mútua das competências técnicas específicas das áreas de formação presentes nesses serviços, factor facilitado pelas relações profissionais já anteriormente detidas. Acrescem ainda as facilidades e boas condições proporcionadas pela entidade acolhedora em termos logísticos, de hardware e software. Pudessem todos os estagiários deste país usufruir de condições idênticas às proporcionadas por Albufeira. Em suma, considero de máxima importância o estímulo induzido por este tipo de acções complementares, que aproximam a Academia e os futuros profissionais da realidade, da prática e dos mercados de trabalho, bem como colocam ao serviço da autarquia as ferramentas, instrumentos e metodologias específicas, susceptíveis de contribuir para uma governança mais cuidada, mais eficiente e responsável e, acima de tudo, para a tomada de decisões justificadas do ponto de vista conceptual.
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 1 Introdução “Albufeira projectou-se no país e no mundo, mas não na região. Não será altura de tentar harmonizar as suas funções internacionais e regionais, formar a juventude, equilibrar os equipamentos comerciais e de serviços, em especial os de saúde e assegurar um papel de centro funcional entre as duas principais cidades algarvias, Faro e Portimão?” Carminda Cavaco, 1969 Este excerto do artigo de Cavaco (1969) dá o mote ao presente trabalho. A pertinência das questões levantadas no final do artigo sobre os aspectos, então contemporâneos, do turismo algarvio demonstra já o potencial urbano, demográfico e económico detido por Albufeira no quadro regional e o seu evidente subaproveitamento. Passados mais de 40 anos, estas questões permanecem actuais e em parte sem resposta, já que a revisão do PROT Algarve concluída em 2007 veio, uma vez mais, propor um modelo regional que se absteve de considerar as reais dinâmicas instaladas, negando os pólos que se desenvolveram em torno da actividade turística, motor assumido da base produtiva regional, de que Albufeira é expoente máximo. Na senda das orientações emanadas das políticas e dos documentos de nível superior, nacionais e europeus, este processo de revisão reconheceu o potencial policêntrico do sistema urbano algarvio. O plano assume-se como o ponto de viragem em relação à visão bipolar, tendente a polinucleada, que caracterizava a região algarvia. Apesar da promulgação do conceito de policentrismo, as medidas, propostas e decisões tomadas para a implementação deste plano acabaram por contradizer os pressupostos, parâmetros e pilares que sustentariam um sistema urbano assente nesse conceito. Tal facto dificulta o alcance dos objectivos consagrados no plano, nomeadamente no contributo que poderiam deter na mobilização de ganhos de competitividade e desenvolvimento regional conjunto e em rede. Ao longo das últimas décadas Albufeira cimentou o seu lugar enquanto destino turístico com elevado reconhecimento ao nível nacional e internacional, ganhou dimensão significativa no quadro do sistema urbano regional, não só pela sua centralidade geográfica, como pelas acessibilidades e vantagens/dinamismo económico, ambiente inovador, favorável e catalisador de investimentos. Neste sentido e face ao
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 2 subaproveitamento de tais características por parte do PROT, o presente exercício pretende dar visibilidade à importância do Concelho de Albufeira nesse sistema e identificar as funções, especializações e contributo estratégico que poderá deter numa proclamada região urbana policêntrica do Algarve, que se quer coesa, articulada, sustentável e competitiva, num quadro de forte concorrência a nível nacional e transnacional. Sumariamente pretende-se evidenciar aquilo que distingue Albufeira, que poderá ser valorizado e usado para fortalecer a região algarvia no seu todo, tornando-a mais competitiva. Neste quadro, Albufeira, expressão máxima de um pólo que cresceu e desenvolveu-se, económica, urbana e demograficamente, numa base turística, acabou por sair prejudicada na maioria das suas potencialidades, na visão preconizada pelo PROT Algarve. Esta situação sinalizou-se, de forma coincidente, no local onde exerço a minha actividade profissional, culminando este trabalho um processo iniciado em Fevereiro de 2003, aquando da minha entrada para a Divisão de Planeamento no Município de Albufeira. Dentre as primeiras tarefas que me foram atribuídas incluiu-se a elaboração de parecer técnico ao relatório preliminar de diagnóstico e caracterização da revisão do PROT Algarve (versão Dezembro de 2002). Desde então e até 2007, sozinho ou em co- autoria, participei na elaboração de mais de uma dezena de pareceres técnicos sobre cada uma das versões/fases submetidas à apreciação dos Municípios. O envolvimento profissional com este processo de revisão completou-se ainda com a participação em diversas reuniões e sessões de trabalho com a equipa responsável pela sua elaboração. O trabalho que agora se apresenta sistematiza o longo processo de discussão, por vezes inglório, na procura de respostas às infundadas propostas efectivadas pela entidade promotora e equipas responsáveis pela revisão do PROT Algarve, sobretudo, face aos diagnósticos e caracterizações, também por elas desenvolvidos, em tudo contraditórios à opções que acabaram por ser tomadas e prevaleceram na versão final do Plano. É certo que a selectividade constitui um dos desígnios do planeamento territorial, contudo, também esta poderá ser questionada. Foi a falta de diálogo, de uma cultura de planeamento mais aberta e participada que minou este processo, gerou um certo descontentamento e um vazio infundado, oposto aos objectivos introduzidos no documento e que supostamente se pretendia fomentar. Na verdade alargaram-se as plataformas de comunicação e de participação pública, mas quase sempre resultaram em “conversas” unidireccionais. O trabalho encontra-se estruturado em três partes. Na primeira procurou-se sistematizar o conceito de policentrismo, cuja interpretação se tem revelado confusa e ambígua,
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 3 quando usada nos diferentes instrumentos, políticas e modelos territoriais, desde a escala transnacional à local. Pretendeu-se clarificar este conceito informando os seus pressupostos, parâmetros e limitações, assim como os desafios que lhe são colocados, no decorrer da sua aplicação. Por último estabeleceu-se a relação devida entre o policentrismo, a competitividade e o desenvolvimento regional, enquanto fins deste processo. Na segunda parte procurou-se encontrar indícios de abordagens policêntricas multiescalares, desde a Europa até ao caso estudo, Albufeira, incidindo nos principais instrumentos que alimentam e suportam a visão que se detêm de cada um dos territórios em causa. Apresentaram-se as premissas da construção europeia baseada em modelos de inspiração policêntrica, desde os trabalhos desenvolvidos no meio académico, até à sua adopção ou adaptação, nas orientações e políticas de cariz oficial e institucional, nomeadamente as emanadas da União Europeia. Estes documentos contagiaram obviamente as políticas nacionais dos estados membros, as quais serão analisadas ao nível dos instrumentos desenvolvidos, quer os de cariz estratégico que ostentam o policentrismo, quer os de desenvolvimento territorial que dizem promulgá-lo. Para a região algarvia, procuraram-se os factores explicativos da sua individualidade, e os marcos da diversidade nela contida, que obviamente influenciaram o sistema urbano e as relações nele estabelecidas. Em suma, procuraram-se as matrizes de modelação policêntrica em instrumentos como o EDEC, o PNPOT ou o PROT Algarve, desde a escala europeia à regional, culminando na local, com o estudo do papel e contributo de Albufeira para o modelo regional proposto. É a procura e fundamentação desse posicionamento que configura a terceira parte deste trabalho. Esta baseou-se em fontes documentais, em factos históricos e geográficos e na construção de um índice sintético de potencial policêntrico que nos permitisse ponderar um novo posicionamento funcional para Albufeira no quadro de uma região urbana policêntrica algarvia, a desenvolver. Nesta, o concelho detém uma posição destacada, informada precisamente pelas conclusões obtidas e pelas vantagens comparativas, competitivas e locativas que a afirmam como um pólo urbano a levar em conta, para a potenciação de uma região mais participada, equilibrada e desenvolvida. Com vista a esses fins, termina-se esta parte com um conjunto de orientações e recomendações para o Município de Albufeira, que preconize a materialização do seu posicionamento, funções e contributo, em instâncias como a revisão do PDM ou a definição de uma estratégia de desenvolvimento local, que informe, por exemplo, uma Agenda 21 Local, mas também para a revisão futura do PROT Algarve.
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 4 Parte I - Policentrismo e Competitividade Territorial Nota introdutória O território, base de fenómenos de urbanização, de actividades económicas e de relações entre pessoas, sempre suscitou o interesse de diferentes áreas científicas, que no âmbito da sua especialidade procuraram modelar representações que simplificassem o seu estudo, investigação e conhecimento. Segundo Reif (1978: 107) os modelos, e em particular os de representação espacial, são abstracções que incorporam menos complexidade do que a existente na realidade e constituem uma representação do nosso nível de conhecimento sobre um dado território. O mesmo autor (1978: 121) defende que estes levam a cabo três funções básicas: projecção, localização e consequência. Como tal, devem contemplar as principais características dos territórios ou sistemas urbanos, assim como os respectivos subsistemas que integram e se relacionam entre si: social, demográfico, económico, político, administrativo e outros. Obviamente que consoante os desígnios a que se destinam e a força ou consequências politico estratégicas que advenham desses modelos, será mais ou menos pronunciado o rol de influências de variadas naturezas, nomeadamente políticas, científicas, académicas ou cívicas. Nos últimos 10 anos, tanto ao nível das representações espaciais dos territórios, como na inscrição de orientações e objectivos estratégicos em documentos oficiais, ganhou relevância o conceito de policentrismo, o qual se procurará sistematizar nesta primeira parte. A facilidade que aparentemente caracteriza este tipo de leitura territorial motivou a sua proliferação discursiva, quer em termos políticos quer técnicos, sendo porém necessário repensar a construção de modelos desta natureza, que consoante a escala para a qual forem pensados, deverão considerar e validar as respectivas especificidades e diversidades locais, com vista à maximização dos efeitos a gerar pelas eventuais abordagens policêntricas. Neste contexto procurar-se-á evidenciar a importância das cidades e dos sistemas urbanos na construção de redes urbanas coesas e cooperantes, que promovam a competitividade e o desenvolvimento regional.
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 5 1 Policentrismo: sistematização de um conceito “A interacção é a razão de ser das cidades” Paul Claval, 1981 1.1 Policentrismo, pressupostos, noção e parâmetros É aceite e consensual que foi com o EDEC (1999) que se inscreveu o conceito específico de policentrismo em documentos políticos e estratégicos de cariz oficial e institucional, pese embora a sua referência nos princípios de Leipzig, cinco anos antes. Contudo, vários autores haviam já estudado este mesmo fenómeno, a que se convencionou chamar policentrismo, atribuindo-lhe porém, diferentes designações: Meijers & Romein (2003: 174) mencionam os exemplos das ‘redes de cidades’ (Batten, 1995), das ‘cidades em rede’ (Camagni, 1993), das ‘regiões metropolitanas polinucleadas’ (Dieleman; Faludi, 1998) ou dos ‘clusters de cidades’ (CEC, 1999). Não sendo um conceito novo, o policentrismo nunca havia sido aprofundado devidamente, nem mesmo no EDEC que lhe deu um impulso acrescido e projectou-o para o centro da discussão técnico-política em torno das questões territoriais e da organização dos sistemas urbanos. Este conceito permaneceu confuso e ambíguo, nos parâmetros, nos desígnios, nas políticas e sobretudo nas potencialidades que abraçava. Para clarificar este conceito, desenvolveu-se no âmbito do Projecto 1.1.1. Potentials for polycentric development in Europe do ESPON - European Observation Network for Territorial Development and Cohesion, o Critical Dictionnary of Policentricity (CNRS, 2004), que descreveu e ilustrou o policentrismo e tudo aquilo que promulgou em termos territoriais. Genericamente, o policentrismo pressupõe a existência de uma rede urbana que disponha de peso demográfico e potencial económico suficiente para interagir, desde as aglomerações urbanas de cada escala, até ao mais alto nível com as grandes metrópoles mundiais. As políticas de desenvolvimento policêntricas espelhadas por exemplo no EDEC, não constituem um fim em si mesmo, mas sim um meio para alcançar os desígnios de política traçados pela U.E, com vista à valorização dos territórios num quadro de definição e integração reticular.
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 6 IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 1111 ---- Processo institucional e estrutural (Fonte:Processo institucional e estrutural (Fonte:Processo institucional e estrutural (Fonte:Processo institucional e estrutural (Fonte: CNRS, 2004)CNRS, 2004)CNRS, 2004)CNRS, 2004) Enquanto instrumento de organização territorial, o policentrismo não possui apenas uma única forma de ser concretizado, nem tão pouco um único modelo de construção (CNRS, 2004: 6). Resulta de dois processos principais: ora institucional, baseado na cooperação voluntária (Dematteis, 1997: 84) ora estrutural, fruto de um desenvolvimento espacial espontâneo, (CNRS, 2004: 5). Em qualquer dos casos importa salvaguardar as dimensões espacio-funcionais, político-institucional e cultural que caracterizam os territórios onde potencialmente será empregue. A figura seguinte ilustra os pressupostos que concorrem para a promoção e sucesso das abordagens policêntricas. Todos visam a equidade e coesão territoriais, conceitos intimamente associado ao policentrismo, potenciadores de factores de aglomeração de recursos com vista à partilha de infra-estruturas e serviços que possibilitem adquirir e produzir massa crítica; desenvolvimento e exploração de complementaridades contrabalançadas e optimização das diversidades territoriais de modo a promover a qualidade em espaços concorrenciais (Meijers; Romein, 2003: 184). Destes realçam-se a necessidade do estabelecimento de parcerias de várias naturezas e o envolvimento relacional entre decisores e a população em geral, principal beneficiária das acções resultantes de um quadro organizativo policêntrico.
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 7 IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 2222 ---- Pressupostos doPressupostos doPressupostos doPressupostos do policentrismo (elaboração própria com base em Meijers; Romein, 2003; CNRS, 2004)policentrismo (elaboração própria com base em Meijers; Romein, 2003; CNRS, 2004)policentrismo (elaboração própria com base em Meijers; Romein, 2003; CNRS, 2004)policentrismo (elaboração própria com base em Meijers; Romein, 2003; CNRS, 2004) O policentrismo pode ser entendido sob duas perspectivas distintas: uma relacionada com a morfologia e distribuição das áreas urbanas no território, outra, com a conectividade, por via das relações estabelecidas entre estas (CNRS, 2004: 4; IERU, 2007: 22), conforme ilustra a imagem seguinte. Dentro de cada uma destas perspectivas, importa observar o estabelecimento ou não de processos hierárquicos, manifestados de forma mononuclear, com um nó dominante ou polinuclear com nós de dimensão idêntica. Já no âmbito das relações estabelecidas e/ou a estabelecer, deve-se observar o sentido unilateral ou bilateral resultante desta perspectiva.
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 8 IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 3333 ---- Morfologia e conectividade (Fonte: CNRS, 2004)Morfologia e conectividade (Fonte: CNRS, 2004)Morfologia e conectividade (Fonte: CNRS, 2004)Morfologia e conectividade (Fonte: CNRS, 2004) Destas duas perspectivas resultam os três pilares essenciais para a constituição de um sistema urbano policêntrico: a dimensão, a localização e a conectividade. Na dimensão pressupõe-se que nenhuma cidade deva dominar, para que não existam disparidades entre essa e as restantes que o compõem. Há neste pilar uma noção de equilíbrio, podendo este referir-se a múltiplas vertentes: demográfica, económica, de emprego, urbanística ou outras que o relevem. É a evolução e comportamento dos indicadores que as informam que condicionam o potencial de afirmação de um dado pólo, seja em que escala e rede se insira. Na localização, os pólos devem distribuir-se uniformemente pelo território, idealmente de forma equidistante, propiciadores e potenciadores de sinergias advindas de factores de escala e proximidade, evocando-se aqui os conceitos de economia de escala e de aglomeração, também eles ilustrativos deste pilar. A conectividade traduz-se, por exemplo, nas boas acessibilidades entre os pólos mas também destes com o exterior, bem como no estabelecimento de fluxos de bens, serviços, pessoas, informações e ainda, em relações institucionais. Relacionada com os dois últimos pilares, a proximidade em consonância com a centralidade, lança as bases para o estabelecimento e identificação de formas de relacionamento entre as áreas urbanas e de cooperação ao nível da partilha de experiências, metodologias,
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 9 informações e boas práticas. São estes fluxos e trocas que suportam efectivamente o policentrismo. Contudo, convém esclarecer que a proximidade, só por si, não é uma condição para o policentrismo, sobretudo num quadro de acentuada informatização e de desterritorialização da economia (Castells, 1989 in Benko, 1999: 131) que releva cada vez mais a conectividade e os espaços de fluxos como garante da promoção de organizações espaciais de natureza policêntrica (CNRS, 2004: 6). Nesta óptica e consoante a escala de análise, é a distância, mais do que a proximidade, que urge compreender e superar, em prol do estabelecimento das almejadas complementaridades que possam vir a valorizar os territórios e potenciar a diversidade neles contida. IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 4444 ---- Pilares do PoliPilares do PoliPilares do PoliPilares do Policentrismo (elaboração própria)centrismo (elaboração própria)centrismo (elaboração própria)centrismo (elaboração própria)
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 10 IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 5555 ---- Escala: conectividEscala: conectividEscala: conectividEscala: conectividade e proximidade (Fonte: CNRS, 2004)ade e proximidade (Fonte: CNRS, 2004)ade e proximidade (Fonte: CNRS, 2004)ade e proximidade (Fonte: CNRS, 2004) Dada a natureza transversal dos modelos policêntricos de organização territorial, é passível que sejam desenvolvidos de forma multiescalar, colocando-se tanto em escalas macro como micro, desde a europeia, à nacional, à regional ou à local, e nos respectivos níveis de decisão (Baudelle, 2002: 175; Azevedo, 2002: 66). A imagem seguinte ilustra precisamente a replicação territorial, escalonada e reticular do policentrismo, neste caso no espaço atlântico europeu. IlustIlustIlustIlustraçãoraçãoraçãoração 6666 ---- Escalas do policentrismo (Fonte: Carriere, 2004a)Escalas do policentrismo (Fonte: Carriere, 2004a)Escalas do policentrismo (Fonte: Carriere, 2004a)Escalas do policentrismo (Fonte: Carriere, 2004a)
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 11 O policentrismo é assim um conceito ideal que, de forma progressiva, tem vindo a ganhar relevância no quadro propositivo, institucional, estratégico e político, sem conseguir porém alcançar resultados tão evidentes e precisos que possam afirmá-lo liminarmente como um modelo que se operacionalize com facilidade. Há que procurar formas de pôr em evidência as potencialidades por ele promovidas e torná-lo visível num quadro de coesão e equilíbrio territorial efectivo, indo além das intenções discursivas e conceptuais. A crescente divulgação de modelos territoriais desta natureza deriva, como vimos, da simplicidade dos pilares que os sustentam, nomeadamente no estabelecimento, entre os pólos mais dinâmicos de um dado âmbito territorial, de um conjunto de redes, conexões e fluxos capazes de incitar formas sustentáveis de complementaridade funcional com vista ao equilíbrio das oportunidades de desenvolvimento conjunto. 1.2 Limitações A abordagem territorial e o desígnio de organizar os sistemas urbanos de forma policêntrica, nas suas diferentes escalas apresentam limitações de várias ordens. Logo à partida, a aparente facilidade discursiva, incitadora da aplicação do conceito, resulta quase sempre em dificuldades na sua utilização na realidade, adversa aos pressupostos policêntricos, dificilmente replicáveis nos contextos territoriais, sejam eles continentais, nacionais, regionais ou locais. Regista-se a pouca tradição da cooperação regional e a fraca coerência institucional, com perdas significativas para os territórios e para as populações, sendo premente enveredar por “novas plataformas de relacionamento territorial” (Meijers; Romein, 2003). Há que dar um salto qualitativo, da concorrência para a cooperação (Carmo, 2008: 790), por exemplo ao nível das políticas sectoriais, quer tenham ou não implícita uma dimensão territorial (Baudelle, 2002: 208). A abstracção e desenraizamento dos contextos do policentrismo, tem contribuído para que este conceito se torne gradualmente, mais numa perspectiva normativa do que operativa. Marca os objectivos das políticas de ordenamento, mas corre o risco de perder algumas das suas valências analíticas mais pertinentes, quer do ponto de vista estratégico quer funcional (Baudelle, 2002: 254; Davoudi, 2003 in Carmo, 2008: 783).
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 12 Neste âmbito, as politicas que advogam o conceito de policentrismo tem-se esquecido de construir uma capacidade organizativa regional, conduzindo a problemas que vão desde a fragmentação institucional, à prevalência de orientações internas de “key persons” – políticos, estrategas e opinion makers, ou à falta de identidade com a região ou outra qualquer escala em que se aplique (Meijers; Romein, 2003: 184). Promover o desenvolvimento dos territórios e em particular o policentrismo implica acentuar mais o funcionamento que o investimento (Coll; Peyrony; Chichowlaz, 2002: 235), mais a gestão rigorosa dos planos do que os próprios planos (Vale, 2007: 11). Nota ainda para a maior dificuldade no alcance de compromissos baseados em conceitos cartográficos do que nos discursivos (Faludi; Waterhout, 2002: 154), podendo apontar-se o exemplo do ‘Arco Atlântico’ que foi alvo de inúmeras referências e representações, mas sem nunca ter assentado em qualquer vontade política expressa, de desenvolvimento policêntrico (Allain, 2002: 191). Apesar de tudo, as representações cartográficas tem o poder de influenciar e transformar a nossa percepção, quer na transposição duma dada realidade quer numa eventual proposta de cenários, adequados a vontades múltiplas, e só por isso, viciados ou tendenciosos, informando leituras direccionadas para um determinado fim, objectivo ou público. É ao nível da percepção e na forma como essa influi na leitura de um dado mapa ou fenómeno nele representado que, nas diferentes escalas, se deverá trabalhar com a população em geral, tornando-a mais informada e consciente da realidade do local, região ou país em que habita. Uma região que no seu contexto nacional pode apresentar níveis de desenvolvimento superiores à média, pode, num contexto europeu, não deter a expressividade e importância que aparentemente teria, segundo a percepção dos seus cidadãos. Há portanto um trabalho a efectuar ao nível da percepção e contexto dos fenómenos em discussão e das suas representações cartográficas. 1.3 Medir o policentrismo: alguns exemplos A aferição e medição do sucesso de um modelo com as premissas do policentrismo reveste-se da maior dificuldade, pois seja qual for a escala em que se aplique, este assenta em bases essencialmente analíticas e descritivas, mas imateriais e inatas aos próprios territórios. Contudo é comummente aceite que a forma mais eficaz de medir o policentrismo de uma dada cidade, nó do sistema urbano, região ou país, será pelo uso
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 13 de indicadores que possam traduzir um dos seus principais pilares, a conectividade, nomeadamente com os movimentos pendulares casa-trabalho e casa-escola. Contudo a escala de análise pode baralhar esta opção e dificultar a tarefa de medição. Vejamos alguns exemplos de aferição deste conceito, desde a escala europeia à escala local. Ao nível europeu no quadro do ESPON (CNRS, 2004) mediu-se este fenómeno, por exemplo, com base na atractividade urbana gerada pelos fluxos de estudantes abrangidos pelo Programa Erasmus (calculando o rácio entre a emissão e recepção de estudantes numa dada cidade/universidade e a totalidade desses estudantes) ou com base no tráfego aéreo de passageiros na Europa, originando fluxos que concluíam sobre o estabelecimento de relações de domínio e dependência ao nível das regiões europeias. Ambos os casos encontram-se ilustrados nos mapas seguintes. IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 7777 ---- Fluxos de estudantes ERASMUS (Fonte CNRS,Fluxos de estudantes ERASMUS (Fonte CNRS,Fluxos de estudantes ERASMUS (Fonte CNRS,Fluxos de estudantes ERASMUS (Fonte CNRS, 2000)2000)2000)2000) IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 8888 ---- Tráfego aéreo (Fonte: CNRS, 2000)Tráfego aéreo (Fonte: CNRS, 2000)Tráfego aéreo (Fonte: CNRS, 2000)Tráfego aéreo (Fonte: CNRS, 2000) A nível nacional observemos o exemplo dado por Medeiros (2005) que, para medir a coesão territorial das regiões NUT III de fronteira, definiu 5 índices: socioeconómico, de cooperação, do ambiente, da coesão territorial e do policentrismo, este último construído com cinco indicadores – ranking das cidades, número de funções especializadas, densidade populacional, quilómetros de estradas e alojamentos com serviço de cabo. Outro exemplo incidente na região Centro mediu o policentrismo dos principais pólos
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 14 urbanos, recorrendo à construção de um indicador de competitividade que reflectia as dinâmicas demográficas, do emprego, da qualificação dos recursos humanos, das exportações e das empresas (IERU, 2007). Em qualquer dos casos mencionados, a conectividade presidiu à escolha e definição dos indicadores que pretendiam medir o policentrismo, contudo, além deste pilar, existem outros cujos indicadores poderão informar este conceito. Por exemplo, no estudo realizado por Marques da Costa (2000) para a Beira Interior, a autora propôs-se classificar as aglomerações urbanas, baseando-se em cinco dimensões: dinamismo demográfico, centralidade, competitividade económica, coesão social e existência de ambiente urbano sustentável; cada uma delas agregando um conjunto de indicadores, que espelham o potencial policêntrico das aglomerações, enquanto nós de uma dada organização territorial reticular. É certo que não existe uma relação directa da dimensão das aglomerações urbanas, do ponto de vista demográfico e económico, com as funções nelas presentes, contudo, considera-se que na estruturação de uma organização reticular, os indicadores que os sustentam não deverão ser negligenciados, baseando, por exemplo o pilar da dimensão. Atento à importância das questões territoriais, desde 2007, o INE juntamente com o DPP, desenvolveu o ISDR - índice sintético de desenvolvimento regional, que com carácter bienal pretende acompanhar as assimetrias regionais, expressas para as NUT III e estimada para as NUT II. Este índice contempla três dimensões: coesão, competitividade e qualidade ambiental, que conjugadamente informam o conceito de desenvolvimento regional. Podemos de forma relacional encontrar aqui também, um contexto favorável à aferição de alguns dos pressupostos e pilares do policentrismo, considerando os fins que este promove e aquilo que o índice tencionou expressar. Dos exemplos apresentados e da literatura consultada constatamos que nem todos os pilares são de fácil medição. A dimensão e a localização não levantam grande celeuma, pois foram amplamente aferidas noutras abordagens e conceitos; porém, a conectividade, factor diferenciador do conceito policêntrico face ao polinucleado, não é de fácil medição. Embora as deslocações casa-trabalho pareçam resolver o problema, este indicador é incipiente em escalas superiores. O factor escala é determinante na definição do potencial policêntrico de um dado nó, que depende do nível e estratificação escalar que contextualiza esse nó. Há que desenvolver formas de medição mais conducentes à prática efectiva do policentrismo, elevando cada vez mais, a aferição de resultados que delas advenham e possam ser facilmente registadas e monitorizadas.
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 15 1.4 Desafios Dada a natureza e amplitude dos pressupostos, parâmetros e limitações descritas, impõem-se, naturalmente, desafios que dificultam a passagem das visões policêntricas dos territórios, digamos políticas, para a sua materialização em termos práticos. Entre os desafios destacam-se a integração espacial (CNRS, 2004: 17), o reforço das identidades regionais e a promoção da diversidade territorial (DGOTDU, 2008a: 3). Neste quadro, o papel de cada nó no sistema urbano policêntrico, seja ele em que escala for, será contribuir para consolidar o seu policentrismo e valorizar os pontos de articulação do conjunto do sistema. Para cada território o desafio está em procurar um posicionamento económico competitivo que responda às expectativas de desenvolvimento da sociedade que o habita sem constranger, nesse processo, a sua estabilidade espacial, social e ambiental (Mourato; Pires, 2007: 34). A complementaridade gerada retirará benefícios da concorrência estabelecida entre os nós, superando cada uma das partes as suas desvantagens (Vaz, 2004: 37). Outro desafio a superar pelos modelos policêntricos prende-se com os processos de distribuição quer dos recursos tangíveis, quer dos intangíveis. Há uma forte tendência para ambos se concentrarem nas regiões já de si mais desenvolvidas, gerando processos cumulativos e de auto reforço desses memos recursos, de riqueza e de poderes (Allain, 2002: 183; Pires, 2007: 443). Neste contexto, a proclamada defesa do ‘Pentágono’ (Londres, Paris, Milão, Munique e Hamburgo) e sua crescente afirmação na Europa foi criticada por Cravinho (2002: 29), pois ao ser promovida, apenas motivaria um processo de desenvolvimento e integração europeus diferenciados, matizados por uma Europa, não a duas, mas a várias velocidades, usando a expressão recorrentemente usada nos meandros políticos da U.E. Um eventual reforço contínuo do centro constituiria uma ameaça ao equilíbrio, à coesão e à harmonia territorial, centrando-se o desafio na superação deste hiato, não pela generalização de políticas comuns, mas no uso de políticas adequadas aos territórios e públicos específicos. Como vimos, o policentrismo sugere, mais do que equilíbrio espacial, a partilha de poderes de decisão, harmonia territorial, concorrência de ideias, competição e cooperação, mas raramente surge associado à eficiência (Allain, 2002: 187), devendo esta ser uma das dimensões a acrescentar no encalço do tal salto qualitativo, com vista à cooperação. Por outro lado, e enquanto modelo de equilíbrio, pressupõe também a
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 16 estabilidade relacional entre as partes, resultando de um compromisso empenhado e consistente entre ambas. Conclui-se assim que face aos desafios impostos, há uma atitude proactiva que deve partir de dentro para fora. Nenhuma imposição teórica e discursiva imperará em escalas inferiores se não for promovida uma cultura de prática do conceito. O estímulo das relações complementares e da conectividade deve ser assimilada e encarada de forma natural por todos os intervenientes. Há que quebrar barreiras institucionais que retiram potencial, dinamismo e mais-valias aos espaços fechados e não comunicantes. 2 Policentrismo e o desígnio da competitividade “O território é a arena do desenvolvimento económico” Edward J. Malecki, 1991 No quadro das políticas de coesão e de desenvolvimento policêntrico a UE acentuou o papel das cidades médias como imperativo para o aumento da competitividade e o aprofundamento da integração das respectivas regiões em que se inserem na economia global (IERU, 2007: 21). Prevalece assim uma perspectiva regional e local, capaz de maximizar o impacte e o valor acrescentado das intervenções a empreender (Simões Lopes, 2005). Ao nível nacional, o ordenamento do território e a qualificação dos sistemas urbanos haviam sido identificados como fundamentais na estruturação do território e na articulação funcional do país, detendo os espaços urbanos a polarização das funções de produção, consumo, inovação social e eficácia económica (MCOTA, 2002: 34). São os sistemas urbanos e particularmente as cidades que determinam as suas regiões (Vaz, 2004: 37), tornando-se de dia para dia cruciais na organização económica, social, política e cultural do espaço nacional e regional (Benko, 1999: 48). Neste contexto será impensável promover uma política de desenvolvimento regional que não contemple os sistemas urbanos como seus elementos estruturantes (Ferrão, 1998: 14). O território é, assim, cada vez mais sujeito activo do processo de desenvolvimento. Está no centro das estratégias que visam reforçar a competitividade e atractividade
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 17 económica das regiões, usando os seus recursos, a sua história, as suas comunidades humanas, a sua carga simbólica, as suas capacidades e competências (Guerreiro, 2002: 82). É essencial apostar na valorização dos recursos endógenos, na mobilização dos actores locais e no incentivo à cooperação entre territórios, condições hoje indispensáveis para o progresso económico e social (Pereira, 2009: 86). É neste contexto que a competitividade ganha solidez, relevo e coerência (Guerreiro, 2002: 82), sobretudo se aliada a capacidades de concepção, de organização, de relação, de realização e de inovação nas comunidades territoriais, uma vez que cada vez mais esta se alastra à noção de bem-estar das populações. Em termos territoriais, Lopes (2001: 155) defende que a competitividade significa tomar parte activa no “jogo” da competição global, procurando não sair dele na condição de derrotado. Assegurar essa competitividade pressupõe equacionar a forma de melhor valorizar as oportunidades que se lhe depararem, sejam estas oportunidades decorrentes de atributos endógenos, sejam decorrentes do enquadramento exógeno ou ainda da interacção entre ambas. Para o mesmo autor (2001: 157) a capacidade competitiva de uma região determina-se então, pela acção conjugada de três dimensões: o padrão local de vantagens comparativas; a dinâmica do tecido produtivo local e as condições de inserção territorial da economia local. As tradicionais visões hierárquicas dos territórios estão ultrapassadas e ver-se-ão cada vez mais substituídas por redes policêntricas, estruturadas e baseadas na diversidade e na complementaridade das respectivas especificidades, nas solidariedades regionais, desprovidas de hierarquias arborescentes (Veltz, 1994: 201; Pereira, 2009: 86). Uma organização urbana policêntrica deverá respeitar os princípios de complementaridade funcional e propagar uma cobertura mais satisfatória que homogénea. Tal passa pela promoção de um ordenamento sob o princípio da proximidade e na definição de uma rede urbana que seja suporte do sistema de regiões, cuja rede de centros urbanos possa equilibrar-se num quadro de funcionalidade interna e na organização intra-urbana, humana, económica e social (Simões Lopes, 2002). No planeamento regional dever-se-á descobrir e tirar partido das complementaridades dos recursos, das vocações, das potencialidades de desenvolvimento conjunto (Costa Lobo, 2007: 462) e das diversidades regionais devendo estas ser exploradas de forma criativa, como oportunidades que incentivem a capacidade de inovação e a competitividade (Bohme; Di Biaggio, 2007: 32).
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 18 Dever-se-á trabalhar para tornar os centros urbanos mais solidários entre si e com o resto da região, procurando esbater rivalidades espaciais e mobilizar a população e os agentes em torno de um “projecto regional”. Há vantagem em aproveitar as potencialidades reais e latentes de cada um deles, de forma a organizar territorialmente uma estrutura policêntrica baseada na complementaridade e nas especializações, maximizando-as conjuntamente (Vaz, 2004: 37). Nas várias escalas em que for promovida, a coordenação de um sistema policêntrico motivará sinergias e potenciará a acumulação e partilha de recursos. Desta forma alcançar-se-á uma maior massa crítica demográfica e territorial e a correspondente dimensão política e socioeconómica, com vista ao estímulo de especializações funcionais e complementares, da competitividade, da sustentabilidade, da concorrência e consequentemente do desenvolvimento regional. Esta visão questiona a natureza das próprias regiões: a homogeneidade e a integração funcional, incentivando porém, o sentimento de solidariedade e as relações de interdependência com os restantes conjuntos regionais e com o espaço nacional e europeu (Lajugie, 1979 in Benko, 1999: 18).
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 19 Parte II - Da Europa a Albufeira: O Policentrismo nas Visões e nos Modelos Territoriais Nota Introdutória Para perceber a forma como as questões territoriais passaram a figurar nos documentos políticos e estratégicos ao nível europeu, até há poucos anos centrados quase exclusivamente nos desígnios do equilíbrio e da coesão social e económica, procurou-se identificar os marcos mais importantes do processo de construção duma cultura de planeamento e ordenamento territorial comunitária, revisitando também as premissas de trabalhos clássicos desenvolvidos no seio da geografia económica, que directa ou indirectamente, informam e sustentam a abordagem policêntrica. Procurou-se sistematizar a forma como as recentes abordagens policêntricas foram transpostas, quer para os instrumentos de planeamento, de gestão ou políticos, quer para os modelos territoriais e respectivas áreas sobre os quais incidem. Observaram-se não só os instrumentos que, de forma declarada, materializaram o policentrismo, desde a escala transnacional à escala local (ou seja, desde a Europa comunitária até Albufeira, caso de estudo deste trabalho), mas também aqueles que subrepticiamente anteviram os seus pressupostos. Em ambos os casos, os mesmos seguiam uma linha de pensamento adequada às conjunturas sociais, económicas e políticas em que foram propostos, desenvolvidos e, alguns, implementados. Procurou-se observar igualmente, o posicionamento proposto para os níveis escalares subsequentes, por exemplo, Portugal no quadro dos instrumentos europeus, o Algarve nos nacionais e Albufeira nos regionais. Segundo Ferrão (2002a: 33) a aplicação em cascata do princípio do policentrismo pressupõe a replicação do mesmo tipo de organização, a escalas sucessivamente mais finas, devendo desencadear efeitos de capilaridade em todas elas. São esses efeitos que se pretendeu identificar e sistematizar. Tal forma de aplicação pressupõe também a escolha de um nível adequado de resposta face às matérias, às problemáticas e aos âmbitos territoriais considerados (Allain, 2002: 187). Face ao exposto, o princípio da subsidiariedade constitui um excelente referencial para a aplicação multiescalar do conceito de policentrismo. É neste quadro que, na proposição, construção e modelação territorial policêntrica (seja em que escala de análise for) cada nó (cidade, região ou país), deverá questionar-se: “que tenho eu de distinto susceptível de ser valorizado?”
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 20 (Dematteis, 1997: 81; Ferrão, 2002a: 34). É este o verdadeiro espírito do policentrismo, na senda de um caminho comum em que cada nó deverá reunir as condições necessárias à sua afirmação, com o intuito de maximizar o seu contributo, em matérias que domina ou está vocacionado, com vista a, com isso, consolidar uma componente regional vencedora. Reunirá o sistema urbano algarvio as características suficientes para constituir uma “região urbana policêntrica”, na acepção da expressão usada por Meijers e Romein (2003) no estudo do Radstand? Apesar das diferenças que separam a região holandesa do Algarve, parece-nos estarem reunidos os pressupostos que permitirão esse tipo de abordagem ao território algarvio. 3. Ordenar o Espaço Europeu “A Europa está encravada entre o potencial policêntrico que lhe é próprio e as forças da mundialização que a ameaçam” G. Baudelle; B. Castagnède, 2002 3.1 Instrumentos e Modelos Territoriais – da Academia às Políticas A União Europeia compreende hoje uma área superior a 4.422 mil Km2 e uma população de quase 495 milhões de habitantes. Este vasto território integra 27 estados membros, estendendo-se desde o oceano Atlântico até ao Leste Europeu, onde faz fronteira com a Rússia, Ucrânia, Moldávia, regiões do Cáucaso e dos Balcãs e, a Sul, com os países da bacia oriental do Mediterrâneo e do Norte de África, apresentando paisagens, culturas e níveis de desenvolvimento distintos. Em termos urbanos caracteriza-se por um sistema de cidades relativamente abrangente e equilibrado, por densidades populacionais elevadas distribuídas uniformemente, por uma longa e progressiva herança e história urbano-política e por uma acentuada fragmentação territorial. Modelar um território com estas características conduz certamente à definição de modelos de organização espacial matizados pela diversidade, pela regularidade, pela hierarquização do espaço urbano e, mais recentemente, segundo Baudelle e Castagnède (2002: 157) por um aparente policentrismo.
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 21 Na Europa, esta noção foi introduzida em 1994 na reunião informal dos ministros do ordenamento do território, realizada em Leipzig, com vista à definição dos princípios para o desenvolvimento de uma política espacial europeia comum. Atente-se à cronologia seguinte, onde se procurou sintetizar os principais marcos do processo de formação de uma consciencialização político territorial europeia e modelização policêntrica dos territórios e dos seus sistemas urbanos, matéria que mereceu a atenção de vários autores (Dematteis, 1997; Faludi; Waterhout, 2002; Ferrão, 2004; Bohme, 2007). Da Academia…Da Academia…Da Academia…Da Academia… ...à Política...à Política...à Política...à Política Modelo de Von Thunen 1826182618261826 Modelo de Webber 1909190919091909 Modelo de Christaller 1933193319331933 Losch desenvolve Modelo de Christaller 1954195419541954 Teoria dos polos de crescimento, Perroux 1955195519551955 Boudeville desenvolve teoria dos polos de crescimento 1968196819681968 1970197019701970 Criado o CEMAT, Conselho da Europa Megalópole Europeia, J. Gottmann 1976197619761976 1983198319831983 Carta de Torremolinos Triângulo de Ouro, Chéshire et al 1989198919891989 Dorsal Europeia/Banana Azul, Brunet Casa dos sete quartos, Lutzky 1990199019901990 European bunch ofgrapes, Kunzmann e Wegener Estrela azul, IAURIF 1991199119911991 Tratado de Maastricht Europa 2000 1992199219921992 Presidência Portuguesa da EU (dimensão territorial) 1994199419941994 The Leipzig Principles, reunião informal dos ministros do ordenamento do território Europa 2000+ 1996199619961996 INTERREG II C 1997199719971997 The EU compendium ofspatial system and policies, CE Study Programme on European Spatial Planning 1999199919991999 Esquema de Desenvolvimento do Espaço Comunitário, CE 2000200020002000 Estratégia de Lisboa Guiding principles for sustainable spatial development ofthe European continent, CEMAT INTERREG III B 2001200120012001 Estratégia de Gotemburgo 2.º Relatório da Coesão Económica e Social 2002200220022002 ESPON 2004200420042004 3.º Relatório da Coesão Económica e Social 2007200720072007 4.º Relatório da Coesão Económica e Social Objectivo 3 -Cooperação Territorial Tratado de Lisboa Agenda Territorial da EU Livro Verde da Coesão Territorial IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 9999 ---- Marcos cronológicos do policentrismo (elaboração própria)Marcos cronológicos do policentrismo (elaboração própria)Marcos cronológicos do policentrismo (elaboração própria)Marcos cronológicos do policentrismo (elaboração própria)
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 22 Foi em 1999 com o EDEC que o policentrismo ganhou notoriedade, constituindo este, o factor chave para afirmar uma visão estratégica de ordenamento supra nacional do território comunitário. Até então, os seus antecedentes tinham sido, de certa forma, uma série de metáforas nascidas no meio académico que sustentavam possíveis futuros para a Europa, descritos como irreversíveis e sumariados em expressões apelativas e de fácil memorização (Ferrão, 2004: 44; Mourato; Pires, 2007: 36). Estas metáforas expressas em modelos, visões ou configurações territoriais encontram- se na base duma abordagem policêntrica, tendo algumas delas sido amplamente difundidas, ao ponto de serem reconhecidas e identificadas, não só por especialistas e estudiosos, mas também pelo cidadão comum. Da Academia saíram várias propostas. Entre elas evidenciam-se: ‘megalópole europeia’, ‘triângulo de ouro’, ‘dorsal europeia’ (que ganhou notoriedade como ‘banana azul’, designação atribuída ao Ministro francês do Planeamento, Jacques Chéréque) (A. Faludi; B. Waterhout, 2002: 10), ‘casa dos sete quartos’, ‘estrela azul’, ‘European bunch of grapes’, ‘hexágono’ (zona de integração económica global) que posteriormente evoluiu para ‘pentágono’, com o título original de ‘stadtefunfeck’ ou ainda ‘core of Europe’, promulgadas pelos autores mencionados na cronologia. Além destas designações, também ‘hot banana’, ‘European core region’, ‘Rhine axis’, ‘red octopus’, ‘blue orchid’, ‘Europe of the capital cities’ foram elencadas no já mencionado dicionário sistematizado pelo ESPON (CNRS, 2004: 23). IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 10101010 ---- Banana Azul (Brunet, 1989 in Faludi; Waterhout,Banana Azul (Brunet, 1989 in Faludi; Waterhout,Banana Azul (Brunet, 1989 in Faludi; Waterhout,Banana Azul (Brunet, 1989 in Faludi; Waterhout, 2002)2002)2002)2002) IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 11111111 ---- Cacho de uvas (Kunzmann; Wegener, 1991Cacho de uvas (Kunzmann; Wegener, 1991Cacho de uvas (Kunzmann; Wegener, 1991Cacho de uvas (Kunzmann; Wegener, 1991 in Faludi; Waterhout, 2002)in Faludi; Waterhout, 2002)in Faludi; Waterhout, 2002)in Faludi; Waterhout, 2002)
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 23 Em todas estas propostas, mas também nas mais remotas teorias e modelos clássicos de localização e organização espacial e funcional, idealizados por Von Thunen (1826), Webber (1909), Christaller (1933, desenvolvido por Losch, 1954), Perroux (1955, desenvolvido por Boudeville, 1968) encontramos alguns dos pressupostos que identificam e caracterizam os modelos urbanos policêntricos, nomeadamente nos que se relacionam com a localização, a proximidade, a conectividade, a concorrência e a complementaridade, relevando igualmente os desígnios de reequilíbrio e coesão territorial, expressos por exemplo nos conceitos de renda locativa, limiares e princípios de mercado ou custos de produção. Todos precederam, influenciaram e ajudaram a concretizar a interpretação de modelos policêntricos. Contudo, face à actualidade, as teorias e modelos mencionados careceram duma dimensão, que à data não reunia sequer contexto previsional, mas hoje, importa sobremaneira na conectividade, aproximação de territórios e pessoas e na geração de fluxos, a sociedade da informação. Num contexto global pautado por essas premissas, o Mundo efectivamente “encolheu”. Foi no virar do século com o EDEC que este tipo de abordagem policêntrica ganhou relevância e passou a centralizar as discussões do foro territorial em termos europeus. Objectivamente este documento traduziu-se num referencial estratégico para o desenvolvimento do espaço europeu, para a elaboração de políticas comunitárias, para a distribuição e aplicação dos fundos estruturais ao nível da U.E. e para garantir uma maior coerência e complementaridade entre políticas nacionais e regionais através da sua integração espacial (Ferrão, 2004: 52). Ao nível da sua natureza, o EDEC representou uma visão partilhada do espaço da U.E., sendo uma perspectiva integrada e uma estratégia comum indicativas, e não obrigatórias, do desenvolvimento espacial, e não do planeamento espacial, da Europa, tratando-se na essência de um documento de carácter informal (Ferrão, 2004: 50). Este instrumento apoiou-se em três princípios chave: coesão económica e social, desenvolvimento sustentável e competitividade territorial equilibrada (EC, 1999), e baseou-se em três princípios directores: desenvolvimento espacial policêntrico e nova relação cidade-campo; equidade de acesso às infra-estruturas e ao conhecimento; e gestão prudente do património natural e cultural (Ferrão, 2004: 50). O policentrismo afirmou-se como modelo e orientação estratégica capaz de assegurar condições de desenvolvimento mais equilibradas do território europeu, através do reforço dos seus espaços periféricos, tornando-os mais prósperos e competitivos, capazes de interagir e participar activamente na economia mundial, mas também no reforço e
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 24 valorização de redes de sistemas territoriais e urbanos portadores de massas críticas, económicas e demográficas, que permitissem alicerçar e sustentar os processos de desenvolvimento, difundindo os respectivos efeitos sobre os territórios envolventes (Azevedo, 2002: 67; Carriére, 2004a). No EDEC, o conceito de policentrismo foi aplicado em três escalas distintas: continental – evitando o reforço de uma concentração excessiva do poder económico e da população no centro da EU, procurando, consequentemente, desenvolver várias áreas de integração na economia mundial fora da denominada ‘banana azul’ e das cidades mundiais de Londres e Paris; nacional e regional – na consolidação de redes de cidades e na delimitação dos espaços mais dinâmicos, assim como das zonas transfronteiriças, que funcionassem como interfaces entre sistemas regionais, assegurando a promoção de modos de transporte e de comunicação integrados; local - na estruturação de relações funcionais entre cidades e áreas rurais. Contudo, o EDEC motivou múltiplas críticas, que Ferrão (2004: 55) sintetizou em três frentes: idealismo (ao procurar compatibilizar conceitos opostos: estimular competitividade/ crescimento económico vs promover equidade/coesão económica, social e territorial; combater disparidades económicas vs valorizar as diferenciações culturais existentes; apoiar a capacidade competitiva das cidades e regiões vs evitar o agravamento da polarização económica, social e espacial); ambiguidade (quando se aplicam conceitos como desenvolvimento policêntrico ou crescimento equilibrado, ambos com significados distintos nos diferentes estados-membros) e centralidade excessiva nas questões urbanas em detrimento das áreas rurais. No entanto o mesmo autor (2002a: 32) não tinha dúvidas quanto ao carácter incitador que o EDEC deteve na promoção do debate junto dos estados membros em torno do desenvolvimento policêntrico, encorajando-os na adopção de estratégias e medidas de natureza policêntrica nas respectivas políticas nacionais de planeamento. O debate foi insistentemente reiterado noutros documentos oficiais sobre a Europa: Guiding principles for Sustainable Spatial Development of the European Continent, 2000; no segundo relatório da Comissão Europeia sobre a coesão económica e social - Unidade da Europa, Solidariedade dos Povos, Diversidade dos Territórios, 2001; no ESPON – European Spatial Planning Observation Network, 2002, que representa o prolongamento mais directo das orientações contidas no EDEC (Ferrão, 2004: 56); no terceiro relatório – Uma Nova Parceria para a Coesão, Convergência, Competitividade, Cooperação, 2004; no
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 25 quarto relatório – Growing Regions, growing Europe; na Agenda Territorial da U.E. e no Livro Verde da Coesão Territorial, os três últimos de 2007. A título indicativo, a Agenda Territorial corroborou os três objectivos principais do EDEC (DGOTDU, 2008a: 5) e incluiu entre as suas seis prioridades territoriais, o desenvolvimento policêntrico com vista a uma melhor utilização dos recursos disponíveis nas regiões europeias, assegurando as melhores condições de vida e qualidade de vida com oportunidades iguais, orientadas para as potencialidades regionais e locais, independentemente do local onde as pessoas vivessem, no centro ou na periferia da Europa (DGOTDU, 2008a: 1). Com esta Agenda pretendeu-se dar um passo em frente no sentido de uma Europa mais competitiva e sustentável, com regiões diversificadas e cidadãos activos (DGOTDU, 2008a: 12) procurando um desejável quadro de coesão entre as áreas deprimidas e as áreas dinâmicas (Coll; Peyrony; Chichowlaz, 2002: 219). Também, o Tratado de Lisboa, de 2007 reconheceu a coesão territorial como a terceira dimensão da política de coesão, juntando-se à coesão económica e social. A integração desta dimensão efectivou um desígnio que vinha já desde a presidência portuguesa da U.E. em 1992, que tinha como objectivo introduzi-la em diferentes políticas comunitárias e estabelecer um referencial permanente nas intervenções e acções europeias, nacionais e regionais (Faludi; Waterhout, 2002: 60; Mourato; Pires, 2007: 39). Entre os vários motivos que levaram ao adiamento de tal introdução está o facto da comissão europeia não possuir competências formais em matéria de ordenamento do território (Ferrão, 2004: 44) e dos tratados europeus não definirem competências mas objectivos (Waterhout; Faludi, 2007: 13) sendo mais difícil vinculá-los, simultaneamente, aos diferentes estados membros, soberanos nessa matéria. Contudo, como vimos, a CE estimulou desde os anos 80, múltiplas iniciativas que visavam o desenvolvimento de estratégias de ordenamento transnacional. Passados mais de 10 anos, muitas das premissas do EDEC mantém-se válidas. Veja-se por exemplo os princípios orientadores do primeiro programa de acção para implementação da Agenda que seguiram as suas linhas gerais: i) solidariedade entre regiões e territórios, ii) governança multi-níveis, iii) integração de políticas, iv) cooperação sobre questões territoriais e v) subsidiariedade (DGOTDU, 2008b). Contudo o contexto mudou, graças, por exemplo, aos desígnios da Estratégia de Lisboa (2000) em torno dos sistemas de inovação, da protecção social, da melhoria do ambiente empresarial, da qualificação e reforço da sociedade da informação com maior e melhor uso das novas tecnologias; da Estratégia de Gotemburgo (2001) que lhe introduziu uma componente
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 26 ambiental com vista ao desenvolvimento sustentável; ao maior alargamento registado na história comunitária em 2004, de 15 para 25 estados membros, juntando-se mais dois em 2007; à especulação no preço dos combustíveis e nos processos energéticos e às dinâmicas demográficas recentes, com um progressivo envelhecimento populacional e com uma forte atracção exercida junto da população dos países limítrofes (Waterhout; Faludi, 2007: 16). Enquanto meta da coesão da U.E. o policentrismo é condição sine qua non para que os benefícios das Estratégias mencionadas não se confinem ao ‘Pentágono’, devendo ser a expressão viva da coesão económica, social e cada vez mais, territorial (Cravinho, 2002: 29; Waterhout; Faludi, 2007: 16) num processo contínuo de cooperação e envolvimento dos vários stakeholders, assim se reduza a ambiguidade da visão política inscrita, por exemplo, no EDEC e os compromissos nela promulgados. Mesmo que as metrópoles de dimensão mundial como Londres e Paris e as regiões metropolitanas como o Rhur ou o Randstad conservem a sua posição de primeiro plano, novas funções e novas redes podem emergir e produzir efeitos significativos na evolução de algumas cidades, regiões e dos sistemas urbanos que integram, nomeadamente na atracção e fixação de população, na geração de emprego e na animação dos tecidos produtivos locais. 3.2 E Portugal no quadro europeu? Nas representações territoriais e modelos acima mencionados, observam-se diferenças, que consoante as dimensões em análise, balizam o centro e a periferia da Europa. Portugal é claramente um país periférico, sofrendo um processo cumulativo de, chamemos-lhe, oportunidades perdidas, que tem vindo a acentuar esse posicionamento. Em termos urbanos, a Europa caracteriza-se por uma rede urbana densa, com um sistema de cidades muito bem repartido, consequência de densidades muito elevadas e frequentemente uniformes. Segundo a CE em 1999 cerca de 60 % da população europeia vivia em cidades com uma dimensão demográfica compreendida entre 10 mil e 250 mil habitantes, enquanto apenas 20 % vivia em grandes cidades. Observando o potencial urbano estratégico evidenciado na figura seguinte, verificamos que em Portugal, esse concentra-se na faixa litoral Norte-Centro, no Algarve, e nalguns corredores nas Beiras e Alentejo, estes últimos agarrados a cidades médias, no contexto
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 27 nacional e não no europeu, logo Viseu e Évora, com cerca de 90 e 60 mil habitantes, respectivamente. IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 12121212 ---- Potencial estratégico urbano na UE (ESPON, 2004)Potencial estratégico urbano na UE (ESPON, 2004)Potencial estratégico urbano na UE (ESPON, 2004)Potencial estratégico urbano na UE (ESPON, 2004) As visões supranacionais em termos de política de ordenamento espacial tinham por objectivo influenciar as políticas nacionais de ordenamento do território dos diferentes estados membros. Na maioria dos países do ESPON, entre os quais Portugal, o conceito de policentrismo apenas entrou nas políticas nacionais em meados da década de 90, considerando-o a União Europeia como um factor chave para o desenvolvimento equilibrado, para o aumento da competitividade europeia e para o aprofundamento da integração das suas regiões na economia global (IERU, 2007: 10). Segundo a OCDE (2001 in NORDREGIO, 2003b: 153) Portugal tinha iniciado recentemente, um segundo nível de desenvolvimento socioeconómico, dedicando-se às áreas deprimidas, até então preteridas por uma acção muito concentrada no litoral e especificamente nas principais aglomerações urbanas, Lisboa e Porto. Contudo, se a nível nacional estas últimas possuíam a massa crítica, demográfica e económica suficiente para se afirmar, no panorama europeu e internacional ocupavam lugares
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 28 modestos. Conforme sinalizaram Bohme e Schon (2007) há que apreender os contextos e saber exercer comparações credíveis. É uma realidade que a Europa auspicia desígnios e politicas comuns, mas possui variados níveis de desenvolvimento. Os mapas seguintes evidenciam a posição periférica do nosso país e a forte dependência gerada pela correlação entre a performance económica e as acessibilidades, claramente deficitárias, que comprometem o potencial urbano estratégico, acima ilustrado. Este apenas se efectiva se houver um esforço colectivo que abrace a competitividade e o projecto europeu em termos territoriais, através de uma acção concertada e integradora, que, por exemplo, foi promulgada pelas redes transeuropeias sem ter surtido os efeitos esperados, pelo menos ao nível nacional. IlustraIlustraIlustraIlustraçãoçãoçãoção 13131313 ---- Centro e periferia (Fonte: ESPON, 2006)Centro e periferia (Fonte: ESPON, 2006)Centro e periferia (Fonte: ESPON, 2006)Centro e periferia (Fonte: ESPON, 2006) IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 14141414 ---- Acessibilidade e performanceAcessibilidade e performanceAcessibilidade e performanceAcessibilidade e performance económica (ESPON, 2006)económica (ESPON, 2006)económica (ESPON, 2006)económica (ESPON, 2006) Neste quadro transitório, com a crescente afirmação da importância das cidades médias a nível europeu, mas com o país a apresentar uma fraca integração territorial e um baixo índice de policentrismo, alguns autores (Bohme; Di Biaggio, 2007: 24; Figueiredo, 2007: 47) identificaram, além das grandes Lisboa e Porto, as regiões, cidades ou conjuntos de cidades, que no contexto nacional poderiam ajudá-lo a cimentar o seu posicionamento na Europa e afirmar Portugal como um país mais estruturado, mais equilibrado e mais competitivo. Entre elas constavam a região Centro, o denominado sistema urbano turístico do Algarve ou as cidades âncoras sedeadas, por exemplo, em Viseu ou Évora. Embora em épocas e contextos distintos, o potencial policêntrico e agregador dessas
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 29 aglomerações foi estudado, por exemplo nos trabalhos de Gaspar (1972) sobre a área de influência de Évora, de Cavaco (1976) sobre o Algarve Oriental e do IERU (2007) sobre a região Centro. Genericamente a abordagem policêntrica do país visava solucionar problemas estruturais do sistema urbano nacional, nomeadamente a crescente bipolarização; a dificuldade em encontrar diferentes formas de concertação entre os stakeolders; a falta de coordenação entre as políticas públicas e a limitação dos modelos institucionais e administrativos ao nível da gestão metropolitana. Pretendia-se assim reforçar o papel das cidades médias como elementos estruturantes do sistema urbano nacional, mas também fortalecer as relações entre os sistemas urbanos transfronteiriços (Porto/Galiza e Algarve/Guadalquivir) e desenvolver as principais infra-estruturas (ferroviárias, rodoviárias, portuárias e aeroportuárias) como factor de inclusão do país no espaço ibérico e europeu (NORDREGIO, 2003b: 154). IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 15151515 ---- Intensidade de cooperação (Fonte: ESPON, 2006)Intensidade de cooperação (Fonte: ESPON, 2006)Intensidade de cooperação (Fonte: ESPON, 2006)Intensidade de cooperação (Fonte: ESPON, 2006) Em suma, Portugal vive um posicionamento periférico e assim viverá enquanto não souber usar e fazer valer, as vantagens comparativas que lhe advêm da atlanticidade e
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 30 das oportunidades balizadas por esse posicionamento. Essas cifram-se em termos logísticos, de transportes, turísticos e na promoção de uma porta da Europa, que assente na potenciação de uma plataforma de comunicação estratégica com as regiões que naturalmente lhe são “próximas”, África e América do Sul. Num quadro policêntrico europeu, deverá ser esse o papel do nó português. 4 Portugal e as experiências policêntricas “Eis aqui, quase cume da cabeça, De Europa toda, o Reino Lusitano, Onde a terra se acaba e o mar começa (…)” Luís Vaz de Camões, 1572 4.1 Sistema Urbano Nacional: Linhas gerais Marques da Costa (2007) coligiu as representações propostas por Gaspar para o território nacional. Essas representações corroboram, de certa forma, os contextos, quadros e orientações políticas específicas que, inequivocamente, traduzem os dois fenómenos que caracterizam o sistema urbano português: a litoralização e a bipolarização. A litoralização expressa-se na costa ocidental, correndo de Norte a Sul até à região de Lisboa e na costa meridional algarvia. A bipolarização desenvolve-se em torno das duas principais aglomerações nacionais, Lisboa e Porto, que conjuntamente, estima-se, acolham 35 % da população total do país. Referindo-se a um fenómeno de “dispersão concentrada”, Soares (2002) menciona o litoral algarvio como o terceiro pólo do sistema urbano nacional, o qual se junta aos pólos comandados pelas cidades mencionadas. Por exemplo a proposta de sistema urbano nacional (DGOTDU, 1997a) espelha estes fenómenos e coloca em evidência o crescente papel das cidades enquanto focos de desenvolvimento e de aproximação funcional, complementar e em rede. Com o PNPOT (2007) integra-se uma visão policêntrica. Estas representações serão, neste trabalho, posteriormente observadas numa análise circunscrita à região algarvia.
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 31 Numa proposta de síntese das representações territoriais nacionais Ferrão (2002b) identificou três espacialidades macro regionais que, genericamente, marcam o país: a oposição Norte/Sul, característica do Portugal tradicional, presente nos trabalhos de Orlando Ribeiro e Amorim Girão; a oposição litoral/interior, característica do Portugal moderno; e um território arquipélago, organizado em rede, característico do Portugal pós-moderno. Segundo o mesmo autor, o último mapa resultou das novas mobilidades e da sociedade de informação, da terciarização da economia, do reforço do papel das cidades como focos de emprego e das alterações profundas registadas em termos infra- estruturais, produto da adesão de Portugal à Comunidade Europeia, em 1986. Estas características permitem-nos aferir alguns dos pressupostos que acabaram por traduzir visões mais complexas, do tipo arquipélago, consequentemente mais policêntricas. IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 16161616 ---- Macro geografias do país (Fonte: Ferrão, 2002b)Macro geografias do país (Fonte: Ferrão, 2002b)Macro geografias do país (Fonte: Ferrão, 2002b)Macro geografias do país (Fonte: Ferrão, 2002b) 4.2 Politicas e instrumentos Dentre as experiências policêntricas desenvolvidas no seio dos estados membros, o relatório desenvolvido no âmbito do Projecto 1.1.1. do ESPON
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 32 (ONDERZOEKSINSTITUUT OTB, 2004, p. 155) sinalizou para Portugal dois exemplos de instrumentos que pretendiam fomentar o policentrismo: o PROSIURB – Programa de Consolidação do Sistema Urbano Nacional e de Apoio à Execução dos Planos Directores Municipais (Despacho do MPAT n.º 6/94 de 26 de Janeiro) e a medida das AIBT – Áreas de Intervenção de Base Territorial integradas no QCA III, 2000-2006. No primeiro programa, o policentrismo surgia como consequência da acção estruturada prevista, enquanto no segundo, derivava da promoção de práticas de cooperação inter-municipal e inter institucional. Neste relatório concluiu-se igualmente sobre a crescente disseminação, em Portugal, dos pressupostos do policentrismo e recomendou-se o alastramento do debate em torno do papel e atribuições das regiões no contexto nacional e europeu. Além dos exemplos apontados foram posteriormente delineadas políticas e estratégias, traduzidas ou não, em representações espaciais do país, onde se expressaram experiências e objectivos que conduziam a modelos de organização espacial de natureza policêntrica. Promovido no ano 2000 pelo Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território (MAOT), o Programa Polis tinha por objectivo geral melhorar a qualidade de vida nas cidades, através de intervenções de carácter urbanístico e ambiental, aumentando a sua atractividade e competitividade no Sistema Urbano Nacional (RCM n.º 26/2000, de 15 de Maio). Este Programa contemplou inicialmente 28 cidades, alargando-se mais tarde a um total de 40. IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 17171717 ---- Instrumentos nacionais com visão policêntricaInstrumentos nacionais com visão policêntricaInstrumentos nacionais com visão policêntricaInstrumentos nacionais com visão policêntrica (elaboração própria)(elaboração própria)(elaboração própria)(elaboração própria) Contudo, a inscrição formal do conceito de policentrismo em documentos oficiais nacionais, em consonância com as orientações europeias, sobretudo as emanadas pelo EDEC, deu-se apenas com a ENDS - Estratégia Nacional de Desenvolvimento Sustentável (MCOTA, 2002: 6) que nos seus quatro domínios estratégicos procurava
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 33 garantir o desenvolvimento integrado do território; melhorar a qualidade do ambiente; promover a produção e consumo sustentáveis e caminhar em direcção a uma sociedade solidária e do conhecimento. Entre as suas doze linhas de orientação, a segunda visava “promover uma política de ordenamento do território sustentável”, conseguida com a assunção do território como duplamente integrador: em termos verticais, dos diversos níveis de planeamento, reforçando a articulação e a integração dos níveis nacional, regional e local; em termos horizontais como espaço de integração sectorial, mas também na promoção de ordenamento territorial equilibrado baseado em critérios de eficiência e eficácia da gestão; promoção de ordenamento e qualificação dos sistemas urbanos; contenção da expansão urbana e correcção dos desequilíbrios territoriais de desenvolvimento. Estes domínios e linhas de orientação foram posteriormente materializados nos vectores estratégicos do Programa de Intervenção da ENDS (PCM, 2007: 52) que elevavam a promoção do policentrismo urbano e a coesão territorial. O reforço do policentrismo foi defendido como factor ordenador da complementaridade de funções urbanas ou na cooperação e organização entre cidades, para em conjunto, actuarem como uma “cidade” de maior dimensão, estimulando a divisão do trabalho e as parcerias. Esse espírito informou também a Política de Cidades Polis XXI, sustentada em quatro grandes vectores: Parcerias para a Regeneração Urbana; Redes Urbanas para a Competitividade e Inovação; Acções Inovadoras para Desenvolvimento Urbano e Equipamentos Estruturantes do Sistema Urbano Nacional. Estes promoviam e integravam os objectivos da Estratégia de Lisboa (PNACE) e da ENDS, concorrendo para o seu cumprimento. Com a entrada em vigor do PNPOT- Programa Nacional da Política de Ordenamento do Território (Lei 58/2007, de 4 de Setembro), o país passou a dispor de um sistema de planeamento territorial completo, fechando um ciclo iniciado com a Lei de Bases do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Urbano (Lei 48/98, de 11 de Agosto), que o previu. O PNPOT consagrou a nível nacional o conceito de policentrismo nos instrumentos de desenvolvimento territorial, motivo pelo qual merecerá uma análise mais aprofundada.
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 34 4.3 O PNPOT e a promoção de um modelo territorial policêntrico O PNPOT constitui o instrumento de desenvolvimento territorial, de natureza estratégica que estabelece as directrizes para os instrumentos de planeamento territorial. Este programa, consagrado na legislação portuguesa desde a LBOTDU, especificamente na alínea a) do número 1 do artigo 9.º, consubstanciou a tradução para a política nacional de ordenamento do território, das linhas orientadoras do EDEC, na construção e proposta de uma visão territorial policêntrica. Aliás, na RCM n.º 76/2002, de 11 de Abril, que determinou a elaboração do PNPOT, foram bastante claras as referências à obtenção desse objectivo. Veja-se por exemplo a alínea b) do artigo 10.º que alude à adopção de “um modelo de crescimento policêntrico baseado numa estreita articulação entre sistema urbano, redes estruturantes de transportes, acessibilidades, energia, informação, comunicação e conhecimento, estrutura do povoamento, rede fundamental da conservação da natureza, em especial de áreas protegidas ou classificadas, mobilidade e fluxos de interdependência e de solidariedade inter-regional”, ou a orientação preceituada na alínea a) do artigo 13.º que incita a “adopção de um modelo de ocupação territorial orientado para a coesão social e territorial, estruturado em torno de um sistema urbano policêntrico, que contrarie as tendências para a urbanização contínua ao longo da faixa litoral, a concentração demográfica nas áreas metropolitanas e a desertificação do interior e do mundo rural”. Com efeito, os objectivos estratégicos propostos no PNPOT (Lei n.º 58/2007, de 4 de Setembro com posteriores rectificações) consubstanciaram essa visão policêntrica. IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 18181818 ---- Objectivos estratégicos do PNPOT (Lei n.ºObjectivos estratégicos do PNPOT (Lei n.ºObjectivos estratégicos do PNPOT (Lei n.ºObjectivos estratégicos do PNPOT (Lei n.º 58/2007, de 4 de Setembro)58/2007, de 4 de Setembro)58/2007, de 4 de Setembro)58/2007, de 4 de Setembro)
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 35 A sua concretização, assim como a prossecução dos 42 objectivos operativos e das 255 medidas que os suportavam, careciam da resolução dos 24 problemas que o PNPOT elegeu como principais ameaças à obtenção do “país que se quer” e a superação dos desafios identificados por Gaspar (2007): demográfico; mudança do modelo económico; urbanização; responsabilização; ambiental; coesão social e cultura e valorização dos recursos humanos, para os quais o autor estabeleceu um horizonte de 20 anos para que fossem vencidos, de forma a poderem ser avaliados consistentemente, os efeitos da implementação deste instrumento e do eventual sucesso do modelo espelhado no novo mapa de Portugal proposto. IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 19191919 ---- MoMoMoModelo territorial do PNPOT (Fonte: MAOTDR, 2002b)delo territorial do PNPOT (Fonte: MAOTDR, 2002b)delo territorial do PNPOT (Fonte: MAOTDR, 2002b)delo territorial do PNPOT (Fonte: MAOTDR, 2002b)
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 36 Neste há uma grande opção marítima (Gaspar, 2007: 83) reafirmando-se a importância do litoral, mas atenuando-se a bipolarização com a junção do Algarve e do Centro litoral, perfazendo um modelo territorial estruturado em quatro organizações metropolitanas. O arco metropolitano do Algarve, surge a par com a região metropolitana de Lisboa, com o conjunto urbano-metropolitano do Norte Litoral e com o Litoral Centro, identificados como os espaços fortemente internacionalizados e que a médio prazo poderão ditar e determinar o processo e o ritmo de desenvolvimento nacional, assim como comandar a organização territorial através das interacções e conectividades que forem estabelecidas com as restantes regiões. A inclusão do Algarve neste leque de regiões deveu-se sobretudo ao seu crescimento demográfico e desempenho económico nas últimas décadas com particular incidência nos sectores turístico e da construção civil. Para esta região foi apontada uma via de desenvolvimento assente numa economia residencial, com vista ao aproveitamento das condições existentes e à sustentabilidade do parque imobiliário regional. Num contexto policêntrico, dentre as áreas urbanas funcionais, destaca-se o “grande Faro” que beneficiou da abertura das fronteiras para desenvolvimento das principais cidades da região algarvia, no incremento das trocas comerciais, expansão do turismo, cooperação técnica, científica e cultural com as regiões de Huelva e Sevilha em Espanha. Depreende-se igualmente da leitura do modelo, uma clara e definitiva aposta no potencial competitivo das cidades, valorizando-se o policentrismo nas suas várias escalas, da nacional à local (Gaspar, 2007: 83). Confirmando esta aposta, Portas (2007: 90) constatou que, mais do que inventar novas centralidades, deu-se prioridade neste instrumento, à organização das já existentes em redes baseadas na complementaridade das diferenças. Dentre as opções estratégicas a considerar na organização do território procurou-se reforçar e preservar os factores que suportavam a imagem das regiões que já haviam assumido visibilidade internacional, em particular as regiões turísticas; e reforçar a dimensão urbana e as relações de proximidade e complementaridade, ou seja, o policentrismo, como suporte à qualificação do terciário e ao desenvolvimento de serviços avançados para o mercado nacional e internacional. Estas e outras opções procuraram atingir o desígnio preconizado na ENDS (2004) de “fazer de Portugal, no horizonte de 2015, um dos países mais competitivos da União Europeia, num quadro de qualidade ambiental e de coesão e responsabilidade social”, cujas metas porém, não foram devidamente determinadas.
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 37 Para Cordovil (2007: 104) o PNOT assumiu uma ambição de grande amplitude nas suas finalidades e domínios de intervenção, abraçando as várias vertentes do desenvolvimento do país, nomeadamente a sustentabilidade ambiental, a competitividade, a coesão e a participação. 4.4 E o Algarve no PNPOT? Como vimos na visão preconizada pelo novo mapa de Portugal, o Algarve, e mais precisamente o arco metropolitano proposto merece uma posição destacada na prossecução de um país mais equilibrado, sustentável e policêntrico. Este arco surge como uma das aglomerações que visam atenuar a bipolarização do sistema urbano nacional, já mencionado. Se atentarmos à organização particular do sistema urbano regional do Algarve, e apesar da escala detida, assistiu-se à definição de um arco com diferentes pólos, assente numa proposta linear compreendida entre Lagos e Vila Real de Santo António, cuja consolidação foi defendida como fundamental para o bom ordenamento e qualificação do turismo na região. IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 20202020 ---- Evolução da visão do sistema urbano algarvio no PNPOTEvolução da visão do sistema urbano algarvio no PNPOTEvolução da visão do sistema urbano algarvio no PNPOTEvolução da visão do sistema urbano algarvio no PNPOT (elaboração própria)(elaboração própria)(elaboração própria)(elaboração própria)
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 38 Contudo, do ponto de vista discursivo, nem sempre foi essa a leitura tecida a merecer acolhimento nas diferentes versões dos Relatórios produzidos pelo GPNPOT e pela Secretaria de Estado do Ordenamento do Território. Neste estudo, optou-se por analisar as propostas de organização do sistema urbano presentes nos relatórios que consubstanciavam a primeira versão da equipa do PNPOT (Novembro, 2004), aquela que foi submetida a discussão pública (Fevereiro, 2006) e a versão final publicada em Diário da República (Lei n.º 58/2007, de 4 de Setembro). Entre as diferentes versões registaram-se avanços e retrocessos, quer com a inclusão, quer com a exclusão declarada e intencional de aglomerações urbanas, cujo potencial estratégico, a ser usado, poderia favorecer a proposta constante no modelo territorial. Evoluí-se de duas aglomerações urbanas principais para três, juntando-se aos pólos liderados por Faro e Portimão, o de Castro Marim - Vila Real de Santo António. A manifestação expressa de reforçar Albufeira, enquanto pólo urbano central que em 2004 informava com rigor os resultados do diagnóstico efectuado, o qual espelhava o dinamismo local desse pólo, acabou por desaparecer na versão submetida a discussão pública. Albufeira reentrou porém na versão final do PNPOT, que vagamente a identificava como zona charneira, mas sem lhe atribuir qualquer sentido de reforço ou desenvolvimento. Genericamente, dizia-se querer incentivar dinamismos de várias ordens e consolidar o espaço metropolitano e contagiando modelos de desenvolvimento alternativos direccionados para os novos Algarves: interior, costa Vicentina e rio Guadiana. Neste âmbito, considerando um ligeiro reforço do peso do Algarve na economia nacional e um quadro de forte dependência da sua base económica referente à procura turística, o PNPOT delineou as opções estratégicas a seguir e considerar, integradas numa estratégia de desenvolvimento e ordenamento territorial da região assente nos seguintes aspectos: • Expansão, qualificação e diversificação das actividades turísticas; • Criação de condições para uma maior internalização dos efeitos da procura turística na economia regional, valorizando, por exemplo, os produtos da agricultura, da pecuária e da pesca; • Lançamento de embriões de diversificação da economia regional face ao previsível esgotamento da capacidade dinamizadora do turismo a longo prazo;
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 39 • Gestão dos ritmos de construção, de forma a assegurar a sustentabilidade do sector, precavendo riscos de crise económica na região; • Incentivo à estruturação urbana da região, essencial à qualificação da oferta de serviços e à implantação de actividades inovadoras que reforcem a competitividade internacional da economia do Algarve; • Inserção competitiva da região no contexto das regiões europeias, e sua afirmação como localização competitiva de funções terciárias de âmbito europeu; • Desenvolvimento da região enquanto um importante pólo de serviços avançados, explorando plenamente as oportunidades da sociedade do conhecimento. Nos problemas identificados para o Algarve evidenciou-se a recuperação, manutenção e valorização de valores paisagísticos, sendo imperativa uma actuação que promova a sobrevivência da economia turística, centrada num dos factores que mais contribuíram para o seu sucesso e progresso económico e social. Deste modo, torna-se obrigatória a recuperação das paisagens mediterrâneas tradicionais, dos pomares e hortas, dos campos e espaços silvopastoris, sem os quais essas não se identificam. 5 Tendências de Organização Espacial do Algarve IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 21212121 ---- Carta geral do Algarve (Fonte: Capinetti, 1762Carta geral do Algarve (Fonte: Capinetti, 1762Carta geral do Algarve (Fonte: Capinetti, 1762Carta geral do Algarve (Fonte: Capinetti, 1762 inininin CNG; CEG; IGEOE, 1998)CNG; CEG; IGEOE, 1998)CNG; CEG; IGEOE, 1998)CNG; CEG; IGEOE, 1998)
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 40 Se por um lado a delimitação regional do Algarve desde há muito permanece estável, atravessando séculos numa unidade e individualidade impar no país, é certo que ao nível organizacional, da cooperação e do estabelecimento de redes duradouras e proveitosas, não existe grande tradição nem exemplos dignos de registo. Os fenómenos recentes que marcaram uma viragem radical na estrutura produtiva regional, com a preponderância da actividade turística, embora comum e transversal a toda a região, agudizou as relações e não conseguiu motivar e empenhar os pólos urbanos, cidades, vilas, aldeias e lugares para o estabelecimento de sinergias e complementaridades, de onde, eventualmente poderiam resultar vantagens competitivas advindas de factores de aglomeração e escala, quer para a região, quer para cada um desses pólos. É nesta perspectiva e com base nos documentos que reflectem a forma como o Algarve foi visto, pensado, proposto e planeado em termos organizacionais e territoriais, assim como na estruturação do seu sistema urbano, que se pretende aprofundar neste ponto. 5.1 Individualidade e Diversidade dos ‘Algarves’ “As desavenças e individualidade na região está bem sinalizada em vários períodos históricos… Já no século XII, em plena presença árabe, segundo período Taifa, as revoltas eram constantes entre as principais comunidades locais, entre elas Silves, Faro e destas com Mértola e Beja. A unidade do Al-garb ocidental não lhe vem das forças de solidariedade regional, mas da administração superior, com base em Córdova e Sevilha. As tentativas de independência revelam bem a imaturidade dos laços que podiam eventualmente uni-lo e a possibilidade de várias alternativas de associação” José Mattoso, 1985 Diversos autores no seio da Geografia detiveram-se na individualização e caracterização do Algarve, não só do ponto de vista físico-territorial, como económico, funcional e identitário. Gaspar (1993: 175) considerou que dentre as regiões portuguesas, esta detém a melhor definição do contorno territorial, tanto no plano das análises técnico- científicas, como na percepção das populações.
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 41 Com aproximadamente 5000 km2 , a região algarvia beneficia de uma localização privilegiada que em termos climáticos lhe atribui uma originalidade que resulta da interacção estabelecida entre o Atlântico e Mediterrâneo, traduzida numa amenidade que, aliada à beleza natural, lhe atribuiu uma elevada apetência turística. A base geográfica da organização política deste “Reino” distanciou-se da do país: quase todo o território nacional corre de Norte a Sul e volta-se para Oeste, enquanto o Algarve corre de Este para Oeste e inclina-se para Sul (Girão, 1960: 417). Noutro tipo de abordagem, Matoso (1997a: 58) realçou que “o que separa o Algarve do resto do país não são as serras ermas, mas a variedade de recursos da sua estreita faixa litoral, com uma intensa ligação com a pesca e o mar, tradicionalmente administrada por poderes locais e com pouca comunicação com o governo central”. Apesar das clivagens físicas e político-administrativas evidenciadas, reconhece-se uma certa afinidade entre o país e este “Portugal em miniatura”, sobretudo na distinção entre as unidades geológicas mais marcantes – orla sedimentar e maciço antigo; na oposição litoral-interior em termos de desenvolvimento económico e de densidade demográfica e na bipolarização do sistema urbano, com Porto – Lisboa versus Portimão – Faro (Girão, 1933 in Gaspar, 1993: 178). O rectângulo algarvio (Girão, 1960: 418) compreende assim diversas geografias. Na imagem seguinte procurou-se sintetizar as grandes linhas e tendências da organização geográfico-espacial regional. Logo à partida é-nos possível efectuar duas leituras distintas, uma transversal e outra longitudinal. A primeira assenta essencialmente nos três Algarves geográficos – Serra, Barrocal e Litoral, mencionados por inúmeros autores (Cavaco, 1976: 15; Girão, 1960: 417; CCR Algarve, 1999). Além das diferenças morfológicas e climáticas, as três zonas caracterizam-se por níveis de desenvolvimento socioeconómico assimétrico, que se deterioram do litoral para o interior. O Litoral, estreito e alongado sobre a costa, agrega os principais centros urbanos e o grosso da população e das actividades económicas a nível regional. É também nesta zona que se concentra a maior pressão imobiliária gerada pela actividade turística, que determinou o actual estado do ordenamento territorial do Algarve. O Barrocal corresponde a uma faixa intermédia caracterizada por solos argilosos irrigados, dominados por actividades agrícolas de cultura intensiva, hoje em claro declínio. Por último a Serra, que ocupa cerca de metade da região, caracterizando-se pelos solos de fraca utilidade agrícola, e pelos progressivos processos de desertificação e despovoamento.
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 42 IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 22222222 ---- DiagrDiagrDiagrDiagramasamasamasamas síntesesíntesesíntesesíntese das principais representações espaciais do Algarve (elaboração pródas principais representações espaciais do Algarve (elaboração pródas principais representações espaciais do Algarve (elaboração pródas principais representações espaciais do Algarve (elaboração própria)pria)pria)pria) Existe porém uma leitura alternativa com apenas dois Algarves, onde se regista a junção das duas últimas sub regiões numa única, prevalecendo a denominação de Serra, podendo o litoral Algarvio designar-se, também, por Baixo Algarve (Ribeiro, 1945). Este último corresponde ao Algarve propriamente dito, pois “a Serra e Algarve são, para os naturais, regiões diferentes, que uma à outra se exclui” (Girão, 1960: 419). Na leitura longitudinal encontramos também duas correntes, cujas tendências recortam a região em dois ou três blocos. Em dois, o Sotavento e o Barlavento algarvios, cuja delimitação territorial, não é clara nem consensual: Quarteira (Ferro, 1956 in Cavaco, 1976: 16); Faro ou Albufeira (Vasconcellos, 1941 in Cavaco, 1976: 16) foram apontados
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 43 como eventuais pontos divisórios das sub-regiões. Face a esta “indecisão”, a integração de Albufeira numa ou noutra parte, foi sempre questionada, pendendo ora para um lado, ora para outro, quer por iniciativa “própria”, quer por resolução superior ou partilhada em quadros de gestão regional e de articulação concelhia. Para outros autores, entre o Sotavento e o Barlavento, emergiria um terceiro bloco, o Algarve Central. Neste quadro o Sotavento situava-se entre Vila Real de Santo António e Tavira, o Algarve Central, entre esta última e Albufeira e o Barlavento, para Este desta Vila. O Algarve Central compreendia assim, os concelhos de Albufeira, Loulé, Faro, São Brás de Alportel e Olhão, repartindo-se entre o Barlavento e o Sotavento (Proença, 1927 in Cavaco, 1976: 16). Esta segmentação corresponde essencialmente à mesma que divide o Algarve em três blocos, no sentido nascente - poente, propostos sob a designação de Algarve Oriental, Algarve Central e Algarve Ocidental (Cavaco, 1976; Gaspar, 1993: 181). Face ao exposto, dentro duma aparente unidade, existe uma diversidade sentida pelas populações (Cavaco, 1976: 15) que marcou e continua a marcar os valores identitários, o sentimento de pertença e as próprias relações sócio económicas estabelecidas na região, entre os 16 concelhos, as 84 freguesias, mas também do Algarve com o exterior. Tal resulta duma estruturação urbana antiga, bastante enraizada, marcada por individualismos e pela pouca tradição cooperativa. 5.2 Sistema urbano Algarvio: da região polinucleada à região policêntrica “O Algarve está dividido, talvez para sempre, entre as suas duas faces, a da prostituição de uma natureza esplêndida e a sua preservada autenticidade; elas são ainda mais irredutíveis do que as diferenças que outrora opunham o litoral e a serra: uma agressiva e escancarada e outra bem escondida” José Mattoso et al, 1997b A génese, organização e ocupação urbana e humana do Algarve foi amplamente influenciada pelas características morfológicas e climáticas da região. O Algarve detém profundos hábitos urbanos (Guerreiro, 2003: 8) não possuindo outra região ao nível nacional, uma rede urbana tão antiga, tão densa e tão importante. À imagem do país, a
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 44 litoralização impôs-se na região, sendo nesta ainda mais notória, devido à sua longa exposição temporal às colonizações marítimas da Antiguidade, cujas influências a afirmaram como a última Riviera mediterrânea (Ribeiro, 1992: 202; Salgueiro, 1992: 56; Gaspar, 1993: 177). Daí resultou a concentração dos principais nós do sistema urbano regional, maioritariamente na faixa litoral, e a evidência de um território fraccionado, com acções de cooperação e complementaridade muito pontuais. O sistema urbano altamente influenciado pela tipologia de actividades económicas presentes, nomeadamente “pelas forças desenfreadas da exploração turística” (Mattoso et al, 1997a: 58) despoletou, sobretudo desde a década de 50, a procura massiva da região e o uso desregrado do território. Como consequência, a urbanização estendeu-se para lá dos lugares e penetrou no território intersticial ou periférico das aglomerações de forma descontínua (Salgueiro, 1992: 40). A actividade turística passou, na realidade, a comandar a economia regional, até então marcada pelas actividades agrícolas, pela pesca, por algumas fileiras industriais e pelas actividades comerciais que animavam as relações do Litoral com o Barrocal e a Serra, e com outras regiões do país. A crescente terciarização da economia algarvia, pode registar-se, por exemplo na evolução sectorial do VAB, na qual se constata o acentuado declínio dos sectores primário e secundário, de 1953 para 2003, passando, respectivamente, de 47,3 % e 15,2 % para 8,3 % e 13,5 %. Pelo contrário assistiu-se ao reforço do VAB no sector terciário, passando nos mesmos anos, de 37,5 % para 78,2 % (CCR Algarve, 2000c). Em 50 anos, o Algarve foi talvez a região portuguesa que sofreu as maiores alterações na sua estrutura económica, social, territorial e paisagística (Medeiros, 1987; Ribeiro, 1992: 202; Guerreiro, 2003: 4). Contudo, não se pode deixar de reconhecer que o turismo, mesmo destruidor e desenfreado, tenha trazido o bem-estar e a prosperidade de muita gente (Mattoso et al, 1997b). Para Gaspar (1993: 180) “mudou-se a face do Algarve, para o melhor e para o pior: o melhor na criação de emprego, no crescimento demográfico, na construção de infra-estruturas e de equipamentos, que aproximaram a região do nível de desenvolvimento do país. O pior na excessiva dependência do turismo de sol e praia e, associado, na promoção e construção imobiliária; a destruição de uma parte significativa dos valores paisagísticos, naturais e culturais, tendo como resultado, na maioria dos casos, a edificação de complexos urbano-turísticos de má qualidade, que desqualificaram a própria imagem da região. Como corolário deste processo, uma especulação fundiária e imobiliária desenfreada, originando grandes tensões sobre os usos do solo, prejudicando a própria base agrícola e silvícola”.
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 45 O mesmo autor (1993: 175) referia ainda que com a explosão da actividade turística, o Algarve tinha registado uma evolução sui generis, cujos resultados, numa avaliação global, não deixavam de trazer algumas surpresas: “se, de um lado temos uma base económica desequilibrada e um território sujeito a graves atentados ecológicos, por outro lado, temos – com reduzidos investimentos públicos – um excelente desempenho económico e um progresso social indiscutível”. Nos anos 80, era por exemplo a rede infra-estrutural do Algarve que levantava fortes condicionantes ao desenvolvimento da actividade turística, as quais foram resolvidas por parte dos Municípios, em resposta aos primeiros sinais de ruptura (Assoreira, 1985: 10). Hoje as principais preocupações prendem-se com os desígnios da qualificação e competitividade da região/ destino em torno das actividades clusterizadas no binómio turismo/lazer. Os níveis de competitividade económica do Algarve estão associados ao perfil de sobre- especialização em actividades de comércio e serviços relacionadas com a fileira turística, só por si pouco expressiva no conjunto de indicadores que potenciem por exemplo, a internacionalização da economia, o investimento em I&D e tecnologias e a qualidade do capital humano. O Algarve tem uma especialização produtiva centrada em actividades pouco exigentes em mão-de-obra qualificada (alojamento, restauração e construção civil) que explica também a forte atracção de mão-de-obra estrangeira (UALG, 2007: 20). Face ao exposto, não é de estranhar que no contexto nacional o Algarve represente a região com maior expressão produtiva em turismo, com taxas de crescimento que, embora abaixo da média nacional, não são de todo negligenciáveis para um destino consolidado (Silva et al, 2003: 101). O Algarve criou e desenvolveu um conjunto heterogéneo e em grande escala de actividades turísticas, mas ainda aquém das reais necessidades de uma região turística desenvolvida, conforme advogam Silva e Noronha Vaz (1998: 187). Os mesmos autores ressalvam ainda que o incremento excessivo da oferta das actividades turística no Algarve tem questionado a sua própria capacidade atractiva, levantando sérios problemas derivados da dependência regional da economia turística.
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 46 IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 23232323 ---- Cluster turismo/lazer (Fonte: UALG, 2007)Cluster turismo/lazer (Fonte: UALG, 2007)Cluster turismo/lazer (Fonte: UALG, 2007)Cluster turismo/lazer (Fonte: UALG, 2007) Há portanto que incentivar, mesmo que dentro do binómio turismo/lazer, o desenvolvimento e a capacidade competitiva do complexo de actividades nele “clusterizadas” e que se assumem de intensa relevância estratégica, conforme assinalou o Plano Regional de Inovação do Algarve (UALG, 2007: 37). Considerando a totalidade das actividades induzidas, estima-se que este cluster sectorial represente 66 % do PIB regional e 60 % do emprego (WTTC, 2003 in UALG, 2007: 38). Nos dois últimos decénios a competitividade dos produtos e serviços turísticos, aliados à “atracção natural” da região, tem vindo a fortalecer-se com a diversificação dos produtos turísticos oferecidos. A oferta é hoje bastante alargada, contemplando por exemplo, o património histórico e cultural, o golfe desportivo, os estágios desportivos de alta competição, a oferta de congressos e incentivos, os produtos natureza, as experiências gastronómicas, entre outros, os quais detêm um importante papel na qualificação do mercado. Apostou-se claramente na competitividade dos serviços turísticos, na formação de recursos humanos especializados, que permitam prestá-los de forma mais qualificada, rigorosa e distinta, com a celebração de protocolos com as mais Aa
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 47 conceituadas escolas de hotelaria europeias e americanas. Num mundo de ofertas globais (e de concorrência atroz e directa com os países europeus e africanos da bacia do Mediterrâneo, com o Brasil ou com as Caraíbas) será a excelência dos serviços que diferenciará os destinos. Sendo este um desafio regional, promulgado igualmente nos mais importantes instrumentos nacionais, tem havido um esforço generalizado na catalisação de investimentos qualificantes para a região, ao nível da oferta de empreendimentos hoteleiros de classificação superior, patenteados por exemplo nos “Projectos de Potencial Interesse Nacional” (PIN). Todos estes esforços tendem a mitigar os efeitos da sazonalidade que constitui um dos maiores problemas levantados pelo padrão de ocupação e especialização económica observada. Nalguns concelhos do Algarve, nomeadamente em Albufeira, a população flutuante chega a aumentar seis vezes nos meses do Verão (MCOTA; 2002: 27), o que levanta sérios problemas na gestão dos recursos naturais e humanos, assim como na prestação eficiente de serviços básicos, como o abastecimento e tratamento de águas, a recolha e tratamento de resíduos sólidos urbanos ou a limpeza urbana. O aumento exponencial da população durante a denominada época alta pressiona grandemente o sistema ambiental, suporte da actividade turística dominante que, no quadro de um destino turístico consolidado, não pode, de todo, ser descurado. Porém há sinais de que os esforços evidenciados apresentam ainda pouca solidez. Tome-se por exemplo Albufeira. Apesar de não ter registado um decréscimo no número de turistas, regista o seu “empobrecimento”, conforme se comprova ao nível das receitas geradas no sector. Este fenómeno é crescente, vulgarizou o destino, que compete agora num core que não seria o desejável, contrário ao esforço regional de qualificação. Recentrando a análise na territorialização da actividade turística, importa requalificar e valorizar o sistema urbano algarvio como factor de competitividade das actividades que integram o seu “cluster” e promover a diversificação e uso de serviços de acolhimento para actividades mais intensivas em conhecimento (PCM, 2007: 52). Em relação às actividades tradicionais, dominantes na região até meados dos anos 50, o desenvolvimento turístico não soube catalisar as eventuais sinergias que poderiam advir do entrosamento de ambos, problema já sinalizado por Cavaco (1969: 216) ao referir-se à justaposição do turismo com a agricultura de sequeiro, com a pesca e com a indústria de conservas, ao invés da procura de mecanismos de complementaridade. Apesar dos
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 48 esforços e intenções manifestadas em diferentes documentos estratégicos e sectoriais que alimentaram esta ideia de cruzamento das actividades económicas, tal não sucedeu com a força desejada. Por exemplo o PRIA (2007) sugere a incorporação de processos de inovação nas actividades tradicionais, com vista à sua potenciação num quadro produtivo especializado como o do Algarve, nomeadamente em áreas agro-alimentares, da pesca e aquacultura, conforme havia já sido sugerido na Estratégia de Desenvolvimento do Algarve 2007-2013 (CCDR Algarve, 2006). O território algarvio moldou a actividade turística, e simultaneamente esta moldou o Algarve e o seu sistema urbano, graças às elevadas pressões imobiliárias registadas. Embora a região pareça ter crescido “sem plano”, a verdade é que a singularidade do Algarve e do seu rápido processo de crescimento turístico a colocaram, a par da região de Lisboa, entre as regiões mais estudadas e sobre a qual incidiu um maior número de instrumentos de cariz estratégico, académico, de planeamento, sectoriais, de caracterização ou prospectivos, nacionais ou regionais, cujo histórico foi registado por autores como Silva (1998) ou Brito (2009). Na maior parte das vezes, esses instrumentos foram negligenciados, contrariados, esquecidos ou simplesmente vencidos pela realidade, mais célere do que os longos processos burocráticos que os sustentaram, tornando inevitáveis os atentados que puseram em causa a bondade neles exarada. Nesses instrumentos apresentaram-se várias visões e representações do país ou da região, que procurámos evidencia à luz dos pressupostos do policentrismo. Como é óbvio, a maioria dessas representações foi influenciada pelas características físicas da região, mas também por orientações políticas que derivavam de várias conjunturas políticas, económicas e sociais que acabaram por informar as linhas de actuação e a acção de planeamento regional. Ora, a acção concertada dessas influências apontou para caminhos distintos de organização do sistema urbano regional. Dentre os documentos produzidos seleccionaram-se alguns que ilustrassem abordagens diferenciadas a esse sistema, que espelhassem com clareza a facilidade com que do ponto de vista discursivo, e sobre um mesmo território, se promovem modelos organizacionais de múltiplas naturezas, desde a bipolar até à policêntrica. Ao mesmo tempo, evidenciar a fragilidade dos discursos e opções tomadas por na maior parte das vezes, para não dizer em todas, as propostas assentarem em vazios institucionais e financeiros que dificultam a sua consecução. Antes de mais uma nota ao facto da maior parte das vezes, em documentos nacionais, o Algarve merecer particular destaque, sendo reconhecida a sua dinâmica e seu papel no
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 49 desequilíbrio e atenuação do fenómeno de bipolarização que caracteriza o sistema urbano português. Vejamos então alguns exemplos sistematizados das grandes tendências da organização espacial regional e da configuração do seu sistema urbano. As principais diferenças evidenciadas pelos modelos escolhidos consubstanciam, à partida duas leituras distintas na evolução do sistema urbano regional: i) passagem de uma visão bipolar para uma visão linear e ii) crescente preocupação, embora possa ser apenas discursiva, com a passagem de modelos territoriais polinucleados para policêntricos. Nesta última, a divergência face à anterior reside na conectividade e complementaridade territorial, que centralizam os pressupostos das visões policêntricas em detrimento das polinucleadas. A visão do Algarve bipolar reúne seguramente o maior número de representações e referências bibliográficas. No entanto, está longe de reunir consensos. Basicamente pressupõe a organização do sistema urbano regional assente em dois pólos: Faro e Portimão. Nesta visão foram muitas as referências às aglomerações (Baptista, 1996) ou aos sistemas (AMAL, 1999) liderados por essas cidades. Também aqui há várias hipóteses de configuração. Normalmente a Portimão aliam-se Lagos, Lagoa e Silves, existindo porém propostas que contemplam isoladamente as relações preferenciais com Lagos (DGDR, 1993; Quaternaire, 1996 in DGOTDU, 1999) ou com Lagoa (DGOTDU, 2002); ao passo que a Faro é comum associarem-se Loulé e Olhão, e nalgumas configurações, também Quarteira, Almancil (DGDR, 2003) e São Brás de Alportel (DGOTDU, 2002). Em termos operacionais também o PROT Algarve (CCR Algarve, 1991) havia defendido esta visão bipolar, promovida pelo conjunto de propostas e investimentos direccionados para as duas aglomerações principais. Sobre o pólo de Faro, Gaspar (1993) referia o reforço da capitalidade em termos administrativos e das relações complementares estabelecidas com os núcleos urbanos limítrofes, no contexto de uma área urbana que tendia a prolongar-se em contínuo até Albufeira.
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 50 PROTAL, CCR Algarve, 1991 Grandes Tendências de Organização do Território (excerto), Jorge Gaspar, 1992 Rede Urbana Prospectiva (excerto), DGDR, 1993 Concentrações Urbanas (excerto), Mendes Baptista, 1996 PEDRA, AMAL, 1999 Sistema Urbano Nacional – Síntese (excerto), DGOTDU, 2002 Dinâmicas Urbanas e Territoriais (excerto), Quaternaire, 1996 IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 24242424 ---- Sistemas urbanos/modelos bipolaresSistemas urbanos/modelos bipolaresSistemas urbanos/modelos bipolaresSistemas urbanos/modelos bipolares Existe porém nesta visão, uma nuance ao equilíbrio regional que foi mencionada por exemplo nos trabalhos de Baptista (1996) e AMAL (1999) com a intrusão de Albufeira, ou de um sistema por ela liderado, onde as duas principais aglomerações se encontravam, funcionando Albufeira como ponto de intersecção, estruturação e articulação territorial, tendendo assim para uma leitura polinucleada. Esta função havia já sido referida nos anos 50 por Ferro (1956 in Cavaco, 1976) devido à intensidade de tráfego nas estradas e à frequência das carreiras de camionetas que sugeriam a divisão funcional do Algarve em duas sub-regiões, organizadas respectivamente por Portimão e Faro e contactando nos concelhos de Albufeira e Silves - Loulé, a Norte.
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 51 Na configuração do sistema urbano nacional foi apontada como aposta prioritária para Albufeira a valorização da qualidade urbana com vista ao reforço do papel estruturador que detinha junto dos territórios de proximidade, afirmando-se com um ponto de equilíbrio de todo o eixo urbano litoral (DGOTDU, 1997a: 438). Este pólo charneira foi também identificado na construção do edifício principal da rede urbana regional em torno de dois sub-sistemas polarizados em Faro e Portimão. Entre os quais “emergia um elemento de articulação física, de movimentos económicos e de pessoas, estimulados pela condição de território de chegada do exterior, com expressão demográfica e económica associada à imobiliária turística e no qual se deveriam desenrolar actuações na perspectiva da qualificação dos segmentos predominantes da oferta turística, que se consubstanciava em Albufeira” (CCR Algarve, 2000a: 62). O reforço de um pólo central nas visões da organização urbana da região encaminha- nos para uma leitura territorial tendencialmente linear, presente em inúmeros documentos, alguns deles contemporâneos às visões bipolares já referidas. Esta estruturação linear urbana mereceu várias referências e designações nomeadamente a “linearidade urbana” (Marques, 1999: 42); “contínuo urbano” (DGOTDU, 1999); “eixo urbano polarizador” (AMAL, 1999: 107) ou “corda algarvia” (MCOTA, DGOTDU, 2002). Da mesma forma, nos modelos lineares registaram-se várias configurações urbanas, compreendendo-se, no mínimo entre Lagos e Olhão (AMAL, 1999: 107) e no máximo entre Lagos e Vila Real de Santo António (PNPOT, 2007), abarcando assim toda a frente urbana litoral da região. A consolidação de uma estrutura linear urbana na região algarvia deriva essencialmente do crescimento e reforço dos núcleos urbanos ao longo do litoral assente em áreas urbanas e urbano-turísticas, traduzindo uma forte pressão humana. Neste contínuo urbano, emergiram novos núcleos que podem a prazo, rivalizar com núcleos urbanos tradicionais, em dimensão e em termos demográficos, por exemplo o núcleo da Oura- Montechoro-Olhos-de-Água face à cidade de Albufeira (DGOTDU, 1999), o que apenas viria a reforçar o posicionamento regional concelhio e individualização de um sistema central.
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 52 Novo Mapa de Portugal (excerto), Jorge Gaspar, 1990 Sistema Urbano Continental, Grupo de Trabalho EDEC (excerto), CEDRU, 1996 Subsistemas Territoriais do Algarve, CCR Algarve, 2000a Modelo Territorial PNPOT (excerto), MAOTDR, 2006a Sistema Urbano Nacional (excerto), IGEOE, 2004 IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 25252525 ---- Sistemas urbanos/modelos linearesSistemas urbanos/modelos linearesSistemas urbanos/modelos linearesSistemas urbanos/modelos lineares Embora o PNPOT promulgue os desígnios policêntricos para o território nacional, se nos focalizarmos na região algarvia, a expressão modelar do sistema urbano assenta numa visão linear, que tenderá a policêntrica caso se obtenham os ganhos da complementaridade e da cooperação intra-regional difundidos. Mas, como veremos, estes não foram potenciados pelos instrumentos hierarquicamente inferiores, nomeadamente pelo PROT Algarve. Ao nível das visões polinucleadas, obviamente litorais, é incontornável a referência ao anteplano elaborado por Luigi Dodi para a região do Algarve (DGSU; MOP, 1966). Neste, para afirmar-se o território regional no panorama turístico internacional, propunha um modelo assente nas cidades e nos destinos turísticos que pretendia potenciar e desenvolver, sempre com elevadas considerações ambientalistas e de preservação da
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 53 paisagem. Em parte, foi o desprezo pelas recomendações tecidas neste instrumento que minaram o desenvolvimento massificado e crescentemente desqualificado do turismo algarvio. A aceitação e implementação das orientações deste plano teria conduzido certamente a um destino diferente para este “destino”. Anteplano do Algarve, DGSU/MOP (Luigi Dodi), 1966 Estrutura Urbana em 1991, CCR Algarve, 2000 Espaços de Concertação Potencial (excerto), Quaternaire, 1996 Sistema Urbano - Internacionalização (excerto), DGOTDU, 1997a Perspectiva da Hierarquia da Rede Urbana (excerto), SIGPNPOT, 2004 IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 26262626 ---- Sistemas urbanos/modelos polinucleadosSistemas urbanos/modelos polinucleadosSistemas urbanos/modelos polinucleadosSistemas urbanos/modelos polinucleados As visões polinucleadas interligam-se assim com os processos de urbanização, ligando- se estes com a dinâmica do sector turístico, difundindo uma malha litoral, onde emergiram centros urbanos da rede complementar: Lagos, Silves, Albufeira, Loulé, entre outros, além das cidades médias - Portimão e Faro (MCOTA, DGOTDU, 2002). Esta mancha urbana composta por múltiplos núcleos urbanos de crescimento desigual, de articulação espontânea, de geração diferenciada e com vocações muitas vezes sobrepostas (DGOTDU, 1999) espelha um eixo urbano litoral estruturante, estando contudo por firmar as potencialidades duma estrutura urbana polinucleada e reticular (CCR Algarve, 2000c: 41).
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 54 Essas potencialidades firmar-se-iam mais rapidamente e com maior eficácia, assim se abraçasse um caminho policêntrico, que discursivamente mereceu a maior atenção por parte dos responsáveis pela revisão do PROT Algarve. Este aspecto merecerá posteriormente um maior desenvolvimento. No entanto sinaliza-se já a proposta veiculada por esse instrumento que assentava na proposição de três aglomerações principais lideradas por Faro, Portimão e Vila Real de Santo António e por eixos de articulação, entre os quais Albufeira/Guia, que compunham uma estruturação urbana que se queria coesa, policêntrica e complementar. Estruturação do Sistema Urbano em 1996, CCR Algarve, 2000d Sistema Urbano nacional – Especialização de Serviços, DGOTDU, 1997a Modelo Territorial - PROTAL, CCDR Algarve, 2007 IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 27272727 ---- Sistemas urbanos/modelos policêntricosSistemas urbanos/modelos policêntricosSistemas urbanos/modelos policêntricosSistemas urbanos/modelos policêntricos Já anteriormente nas conclusões do estudo de avaliação do PROTAL de 1991 (CCR Algarve, 2000d) se afirmava que o potencial do sistema urbano algarvio estava no corredor de grande interacção urbana estendido de Lagos a Vila Real de Santo António, constituído por um rosário de centros urbanos litorais. É precisamente nessa interacção urbana que reside o upgrade das visões polinucleadas para as policêntricas que se espelham nas imagens acima, quer do ponto de vista territorial, quer do ponto de vista funcional (DGOTDU, 1997a) estruturando perfis de complementaridade, trabalho conjunto e por conseguinte uma maior integração regional nos contextos e escalas
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 55 superiores, mas também com vista a uma maior competitividade e ao desenvolvimento regional. A realidade tem sido madrasta para os instrumentos de planeamento e desenvolvimento territorial no Algarve, muito graças à falta de coerência destes com as dinâmicas registadas na região. Do conjunto de visões resulta uma tendência evolutiva progressiva da estruturação urbana regional, que sintetizamos em três fases, de difícil enquadramento temporal, já que maioritariamente se sobrepõem. IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 28282828 ---- Tendência de estruturação urbana regional (elaboração própria)Tendência de estruturação urbana regional (elaboração própria)Tendência de estruturação urbana regional (elaboração própria)Tendência de estruturação urbana regional (elaboração própria) Genericamente evoluiu-se de uma visão bipolar dominada por Faro e Portimão para uma visão linear policêntrica constituída por uma aglomeração urbana contínua desde Lagos até Vila Real de Santo António, passando antes por uma fase intermédia que pôs em
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 56 evidência um pólo central em Albufeira, estruturador da região e de intersecção entre os dois pólos principais. Urge dinamizar e promover um funcionamento mais sistémico da região no seu todo, sendo para tal necessário combater as debilidades da estruturação interna que derivam, segundo a AMAL (1999: 123) de múltiplos factores, entre os quais o desajustamento da rede ferroviária, a rede rodoviária incompleta, a ausência de soluções multimodais, a deficiente articulação entre redes de transportes, rede urbana e centralidades estruturantes de nível regional e sub regional, a ausência de estratégias activas de complementaridade funcional entre os centros urbanos e sobretudo a falta de cooperação institucional e a mentalidade fratricida das suas elites e key persons. Além destes pontos evidencia-se a ausência de um centro urbano regional de dimensão crítica suficiente para sozinho enveredar por uma missão agregadora e de articulação do sistema urbano regional (MP, 1999, cap. I-131; CCR Algarve, 2000c: 37). Esta ausência torna imperativa a assunção do modelo linear policêntrico, promovendo uma região urbana policêntrica, na acepção do termo usado por Meijers e Romein (2003). 5.3 Revisão do PROT Algarve – “Restringir para qualificar” “No Algarve o essencial da relação entre território e turismo não é quantitativo. A superfície da região é de 5000 km 2 , e o solo urbano mais o turístico ocupa 193 km 2 , menos de 4 %”. Sérgio Palma Brito, 2009 A Revisão do PROT Algarve aprovado em 1991 foi determinada pela RCM n.º 126/2001, de 14 de Agosto. Nesta estabeleceram-se 12 objectivos estratégicos que visavam a formulação de uma visão de futuro para a Região do Algarve, do suporte jurídico das opções estratégicas de base territorial a tomar e das normas orientadoras a desenvolver na Proposta de Plano e respectivo Modelo Territorial. Destes objectivos realçavam-se as preocupações com a qualificação territorial e com o desenvolvimento sustentável; com a atenuação das assimetrias de desenvolvimento intra-regionais, em particular nas redes de acessibilidades e transportes; com a promoção da diversidade territorial; com a articulação das diferentes políticas de desenvolvimento sectorial com incidência espacial; com o correcto enquadramento da actividade turística enquanto factor catalisador do
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 57 desenvolvimento regional, associado à revitalização de outros sectores e consequente diversificação da base económica regional. Os objectivos mencionados pretendiam contrariar a forte pressão urbanística motivada pela massificação da actividade turística, que havia já imposto a necessidade do PROTAL no final da década de 80. No entanto este Plano acabou por não surtir os efeitos desejados, “mantendo-se a pressão, intensificando-se e alastrando-se para o interior, Barrocal e encostas da Serra” (Simões, 2003: 80). Neste quadro, o desafio da revisão mostrava-se ambicioso e premente, sobretudo quando o estudo de avaliação do PROT de 1991 (CCR Algarve, 2000d: 9) havia sinalizado como factor perturbador a existência de extensas zonas de povoamento desordenado em áreas agrícolas e de protecção de aquíferos. Quanto ao sistema urbano regional, e num confronto entre o modelo proposto e a situação registada nessa data, o estudo teceu quatro conclusões: a ineficácia do modelo que não contou com os centros turísticos, com mais de 1000 habitantes, que necessariamente se afirmariam e reforçariam funcionalmente, sendo irreversível a sua integração na dinâmica do sistema urbano regional; o desfasamento das dinâmicas demográficas entre as projecções do PROTAL e a realidade observada, que subvalorizou por exemplo, Albufeira, Almancil e Monchique e sobrevalorizou Vila Real de Santo António; as lacunas no apetrechamento e qualificação dos centros urbanos, nomeadamente na dotação de equipamentos e sua prioridade face aos desígnios do Plano e, por último, a própria hierarquização do sistema urbano onde foram tomadas opções, aparentemente contrárias ao que a realidade demonstrou, por exemplo no favorecimento de Loulé e na minimização de Silves, enquanto pólo de articulação entre o litoral e interior. Na mesma linha de raciocínio, Guerreiro (2002) referenciou as principais tendências do PROTAL dos anos 90, ilustradas na figura seguinte. Todas motivaram a perpetuação de erros graves, que este plano não conseguiu corrigir ou apaziguar. Pelo contrário, motivou uma infinidade de situações de conflito de opinião e interesses: nacional/local, regional/local e, mesmo, local/local (Simões, 2003: 82).
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 58 IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 29292929 ---- Marcos do PROTAL, 1991 (elaboração própria com base em Guerreiro, 2002; CCRA, 2000d)Marcos do PROTAL, 1991 (elaboração própria com base em Guerreiro, 2002; CCRA, 2000d)Marcos do PROTAL, 1991 (elaboração própria com base em Guerreiro, 2002; CCRA, 2000d)Marcos do PROTAL, 1991 (elaboração própria com base em Guerreiro, 2002; CCRA, 2000d) O modelo urbano definido, rigidamente hierarquizado, revelou-se inadequado face às características e dinâmicas dos centros urbanos algarvios, os quais, por génese, são próximos e, por tradição e desenvolvimento revelam grande interacção, cooperação e complementaridade, factos que tem alicerçado um sistema polinucleado e solidário (Simões, 2003: 85). Se se concorda que o sistema urbano algarvio tem grande interacção e complementaridade funcional, o mesmo não e poderá dizer do seu espírito solidário e cooperativo, cujas manifestações, na realidade, não ocorrem com frequência. A proximidade dos centros urbanos, a concentração demográfica, o aumento da fluidez que o modo rodoviário actualmente proporciona, a expectativa que se aguarda do papel que o modo ferroviário poderá desempenhar dentro de poucos anos, a oferta qualificada e diversificada de serviços, apontam para que o litoral esteja próximo do quadro de uma grande área urbana, associando neste caso, pelo menos os seus nove concelhos (Lagos, Portimão, Lagoa, Albufeira, Loulé, Faro, Olhão, Tavira e Vila Real de Santo António) e acolhendo um limiar de população que se aproxima das cidades médias europeias – o que obrigaria a encontrar uma articulação de funções supra-municipais adequada a um quadro policêntrico coerente, tendo sido esta a matriz sugerida por
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 59 Guerreiro (2002) para a delineação de uma estratégia e de um modelo territorial para o processo de Revisão do PROT Algarve. O autor destacava a proposição de um modelo urbano policêntrico, qualificando a mancha urbana do litoral e dinamizando os pequenos centros do interior que organizam as áreas de baixa densidade. Simultaneamente levantava a necessidade de encontrar soluções que adequassem a dimensão do espaço urbano às necessidades colectivas e à capacidade de gestão, evitando o aparecimento de núcleos urbanos fantasmas, sem equipamentos e com poucas infra-estruturas, responsáveis por muitas das disfunções territoriais presentes no Algarve. Face aos desafios impostos, a visão da região estabelecida na Revisão abraçava um novo paradigma: ultrapassar a organização territorial vigente na região há muito, bipolar, centrada em Faro e Portimão, propondo um novo desígnio policêntrico com a estruturação territorial apoiada em vários centros urbanos, dando-lhes condições de crescimento e afirmação no contexto regional. Contudo, a bondade dos objectivos estratégicos acima expostos acabou por não vingar na proposta final do PROTAL, hoje plenamente em vigor, e em muitas situações, contradizendo aquilo que supostamente a diferenciaria do plano de 1991, agora revisto. Com base em quatro das cartas constantes na proposta de plano, apresentam-se as principais linhas da revisão do PROT Algarve, nomeadamente aquelas que preconizam o modelo territorial, o sistema urbano, o sistema de turismo e a rede de transportes e acessibilidades, factores que genericamente informam os pressupostos de uma análise e avaliação do potencial policêntrico regional, amplamente difundida, mas pouca praticada. Genericamente e conforme referido anteriormente, o modelo territorial proposto pela revisão do PROTAL traduziu-se num sistema urbano assente em duas aglomerações principais, centradas em Faro e Portimão, à qual se juntava um terceira aglomeração liderada por Vila Real de Santo António com vista à potenciação de plataformas de cooperação transfronteiriça, completando-se o sistema por eixos de articulação urbana, entre os quais o protagonizado por Albufeira, claramente redutor do potencial do concelho e contraditório às conclusões que o estudo de avaliação do PROTAL (CCR Algarve, 2000d) havia chegado. Pelos vistos, e apesar dos esforços canalizados para o menosprezo de alguns centros urbanos, como por exemplo Albufeira, mais de 15 anos de vigência do PROTAL não chegaram para contrariar as dinâmicas presentes no território algarvio. As conclusões resultantes da avaliação mencionada pouco reverteram para o processo de revisão, o qual, à partida, merece inúmeras críticas, mas pior, incidentes sobre os
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 60 mesmos erros sinalizados, perpetuando uma abordagem, cuja prática e a realidade mostraram ser adversa ao desenvolvimento da região e à organização e dinâmica do seu sistema urbano, entendida como tendencialmente policêntrica, tal como anunciado nos objectivos da própria revisão do Plano. IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 30303030 ---- Sistema urbano (PROTAL, 2007)Sistema urbano (PROTAL, 2007)Sistema urbano (PROTAL, 2007)Sistema urbano (PROTAL, 2007) Este sistema evidencia a forte concentração de infra-estruturas de acessibilidade no corredor litoral, assim como realça outros três corredores de integração e articulação nacional. Os dois corredores marginais, responsáveis pelas ligações de âmbito local e regional e o corredor central, manifestamente mais importante e estruturante na articulação da região algarvia com o resto do país, nomeadamente com a capital, Lisboa. Há neste último corredor a coincidência das principais vias que servem a região, quer em termos ferroviários, quer rodoviários, constituindo Albufeira, de forma inequívoca, a rótula distribuidora do tráfego regional. Ao nível das infra-estruturas ferroviárias não foi encontrada uma solução para a exclusão e isolamento descabidos a que Albufeira foi relegada no contexto das propostas de melhoramento das ligações interurbanas e ferroviárias ligeiras. Na acta de concertação definiu-se que “Albufeira deveria ficar inserida na rede ferroviária regional com ligações
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 61 fáceis às restantes áreas da região”, no entanto não foram apontadas soluções que promovessem essas ligações. Esta questão acentua-se quando se afirma que “ o metro ligeiro assume um carácter relevante e estratégico para o sucesso do modelo territorial” e uma vez mais, Albufeira encontra-se excluída. IlustraçãIlustraçãIlustraçãIlustraçãoooo 31313131 ---- Transportes e acessibilidades (PROTAL, 2007)Transportes e acessibilidades (PROTAL, 2007)Transportes e acessibilidades (PROTAL, 2007)Transportes e acessibilidades (PROTAL, 2007) O modelo territorial de desenvolvimento turístico, motor assumido da economia algarvia, estrategicamente pouco explicito (veja-se o vazio incompreensível a que é remetida a Planta do sistema de turismo) deriva desses pressupostos e assenta na restrição, e se possível, contracção, da oferta de espaços turísticos, exigindo apenas a sua requalificação e adensamento nos perímetros urbanos, ou seja para o mercado dirigido ao turismo de massas ou de baixo/médio nível, já abundante. Fora dos perímetros urbanos aceitam-se sugestões para a criação de NDT, em locais específicos mas à partida indeterminados, regulamentando-os de tal forma que serão acessíveis apenas a investimentos para o turismo de alto nível. Pensa-se ser este o meio de fazer valer os cada vez mais escassos lugares de alto potencial ainda sobreviventes no Algarve. Nesta visão, alguns municípios, mas sobretudo Albufeira, são altamente sacrificados, tanto no modelo turístico, agora a implementar, como em relação ao próprio modelo
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 62 territorial. Não são compatíveis as posições de, por um lado, impedir o seu crescimento nos mercados que lhe são tradicionais, por outro, dar-lhe força para se desenvolver, sem uma adequada repartição de equipamentos regionais, infra-estruturas e outros investimentos. Esta situação nunca foi afirmada mas percorre sub-repticiamente todo o texto, aplicando-se a Albufeira e aos restantes municípios que partilharam durante as últimas décadas o modelo de desenvolvimento então vigente, apadrinhado pelas entidades competentes a nível regional, mas agora posto em causa. IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 32323232 ---- Sistema de turismoSistema de turismoSistema de turismoSistema de turismo (PROTAL, 2007)(PROTAL, 2007)(PROTAL, 2007)(PROTAL, 2007) Ao nível do programa de execução e financiamento constata-se uma desarticulação significativa com o modelo territorial já que o leque de investimentos e acções propostas não o consubstanciam nem o implementam. Num documento de natureza estratégica a nível regional, critica-se a excessiva orientação prepositiva e incidência em torno das duas principais aglomerações Faro e Portimão, abordagem pouco conducente à pretendida coesão territorial e à prática da visão policêntrica.
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 63 A actividade turística, diz-se, constituir o motor da economia regional, mas não mereceu tratamento adequado no PROTAL, nem em termos sectoriais nem em termos territoriais, denunciando uma fraca capacidade de formulação estratégica. Não são apontadas políticas de transportes públicos nem soluções para deslocações intra urbanas e regionais, vitais para estruturar uma região policêntrica, funcional e complementar. Estruturar um território com as características demonstradas pressupõe um conhecimento profundo da realidade regional e a tomada de decisões informadas, consistentes e acima de tudo frutuosas para o Algarve, sua população e actividades económicas presentes. Parece insensato e fútil pensar a região sem contar com a sua principal actividade económica, o turismo, responsável pelas principais dinâmicas registadas nas últimas décadas. Para Brito (2009: 198) a revisão do PROTAL enferma de quatro fraquezas estruturais: i) a instabilidade governativa e na administração que durante cinco anos conduziu a uma deriva tecnocrática; ii) o vazio de intervenção política ao nível do governo, que a administração e a equipa técnica ocuparam; iii) a “miopia de marketing”, ao ser recusada a colaboração científica na realização de avaliações, independentes, do PROT de 1991 e acções de benchmarking com áreas turísticas concorrentes e aspiracionais e iv) os dois anos de governo de maioria absoluta que não alteraram o quadro anterior, com todos os seus vícios e modus faciendi. Se no PROTAL (1991) o lema era conservar e desenvolver, na revisão (2007) o lema passou a ser restringir para qualificar, dada a proliferação de normas e condições que inibem o desenvolvimento regional e que duvidamos o venham a qualificar. Se a estes factos aliarmos a ausência de uma análise séria e ponderada de aferição das consequências que a aplicação deste plano poderá ter na região, estão reunidas as condições para o fracasso e perpetuação, mais uma vez, dos desequilíbrios territoriais, que tenderão a agravar-se e a gerar conflitos intra-regionais evidentes. A instabilidade governativa que Gaspar (2007) havia reconhecido como um dos entraves ao processo de elaboração do PNPOT (com o progressivo enfraquecimento do ministério que o tutelou) dada a proximidade temporal de elaboração também fez com que o processo de revisão do PROTAL acabasse por sofrer do mesmo mal. Os princípios de organização em rede são essenciais na definição de critérios de implantação de infra-estruturas, equipamentos e serviços de apoio às actividades
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 64 económicas, numa óptica de qualificação e valorização de especializações preexistentes. É assim preocupante a forma como o PROTAL optou por não atender aos reais dinamismos regionais, por não estruturar as medidas pró-activas capazes de regular e ordenar propositiva e positivamente o conjunto do território regional. Confrontando os objectivos estratégicos do PROTAL, materializados num conjunto de propostas pouco conducente a um modelo de organização territorial policêntrica, conclui- se que este, da forma como foi delineado, não serve a região, pois quebra mais elos do que estabelece, promove desigualdades mais do que franqueia oportunidades, desintegra territórios mais do que facilita o seu diálogo, complica e inibe mais do que entusiasma para uma construção colectiva do futuro. Enquanto documento estratégico o PROTAL constrói, no seu seio, uma contradição insanável: propõe-se ser o agente da passagem da polinucleação ao policentrismo mas, na prática, e pelas propostas e investimento, diminui o papel de Albufeira. Como tal destrói o equilíbrio dimensional, as distâncias locativas, e sobretudo a conectividade potencial que deveria ser promovida para alcançar o desiderato inicial. Não se pode deixar de pensar que tamanho desacerto de propósitos se tenha constituído por influências estranhas à análise e síntese técnicas. 5.4 E Albufeira no PROT Algarve? “Porque a mudança é exponencial - pequenas diferenças de ontem podem ter, subitamente, consequências de peso, amanhã.” Nicholas Negroponte, 1996 Como vimos, no modelo territorial proposto na revisão do PROTAL, Albufeira possui um lugar discreto, inoperante e irrelevante, em tudo contraditório com aquilo que os relatórios de caracterização e diagnóstico demonstraram e com aquilo que efectivamente representa desde há anos no Algarve e particularmente na sua estrutura económico- produtiva. Numa leitura atenta de todas as peças que compõem o processo de revisão, nomeadamente os relatórios de caracterização e diagnóstico, facilmente se reconhece Albufeira, que surge destacada em diversos indicadores demográficos e económicos e, sectorialmente, ao nível da actividade turística, que lidera. Na proposta final de plano, o
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 65 concelho de Albufeira foi subestimado em todas as suas potencialidades, até naquelas em que é, indiscutivelmente, o seu principal representante, fazendo-se tábua rasa do território regional. Ignorou-se o estudo de avaliação do PROTAL e as suas conclusões, nomeadamente o reconhecimento de que, já em 1991 se havia subestimado este concelho que, apesar de todos os constrangimentos e opções tomadas pelo Plano, se afirmou, ocupando um lugar destacado na hierarquia de lugares em função da população residente, onde cimentou a quinta posição, claramente acima do nono lugar previsto. Obviamente tal ocorrência fez-se acompanhar dum vazio propositivo adequado à posição preconizada pelo plano de 1991 para Albufeira, fragilizando o seu perfil funcional na região e inibindo até, a sua inegável centralidade locativa e importância económica e estratégica enquanto pólo de atracção turística. Voltando à revisão do PROTAL, nem sempre, durante este processo, compreendido entre 2001 (RCM n.º 126/2001, de 14 de Agosto) e 2007 (RCM n.º 102/2007, de 3 de Agosto), esse posicionamento foi reiterado. Aliás, em fases anteriores, fruto de uma avaliação, quanto a nós, mais correcta, que alimentava o espírito, os objectivos e a “verdade” do plano, Albufeira assumia o protagonismo regional devido, conducente com a posição que inquestionavelmente detém hoje em dia, amplamente justificado pelas várias versões dos relatórios de caracterização desenvolvidas pela equipa do PROTAL, mas cujas conclusões foram simplesmente negligenciadas ou tendencialmente interpretadas ao sabor de algo que, seguramente e como se espera comprovar, é inverso aos desígnios do policentrismo, da competitividade, do desenvolvimento regional e, estranhamente, da própria realidade. Constata-se claramente que o papel e importância regional de Albufeira diminuíram à medida que se propagandeava a consolidação de um modelo policêntrico. Vejamos, em 2005 (Março) defendia-se que de “um modelo territorial polarizado caminhava-se progressivamente para um modelo polinucleado e policêntrico, importando apostar numa rede em que as especializações funcionais de cada centro se traduzissem em complementaridades na rede urbana regional, por sua vez integrada nas redes nacional, ibérica e europeia. Defendia-se também que o conjunto da “constelação” se comportasse com harmonia e coerência e que, de futuro, o desafio central estaria na transformação de uma rede urbana fragmentada e formada por justaposição de aglomerados urbanos “incompletos”, numa rede urbana coerente e competitiva, capaz de dinamizar o robustecimento da economia e o reforço da projecção internacional do
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 66 Algarve. Neste sentido propôs-se a estruturação da rede urbana num sistema que se pretendia policêntrico, assegurando um elevado nível de competitividade, fortes relações de complementaridade e uma boa inserção nas redes urbanas nacional e europeia. A diferença entre uma e outra forma de estruturação residia precisamente na ideia da complementaridade e interacção entre áreas urbanas distintas, de modo a que se gerassem sinergias qualificantes e de reforço da competitividade do conjunto, abordagem que genericamente nos parecia correcta e durante algum tempo, embora no campo das cenarizações, prosperou. Na visão esboçada para o ano 2030, a tradução prática do policentrismo concretizava-se com três grandes aglomerações: Faro com Loulé, Olhão, Almancil, Quarteira e São Brás de Alportel; Portimão com Lagos, Lagoa e Silves e Albufeira com a Guia. Num raio de 20 km as três aglomerações atingiriam, respectivamente, 200 mil, 130 mil e 70 mil residentes. Segundo a mesma visão, Albufeira/Guia constituiria um pólo charneira entre as duas outras aglomerações, mostrando-se as três, no conjunto, estratégicas para a consolidação de um sistema urbano coerente e competitivo. Nesta visão, a estruturação urbana do Algarve completava-se com Tavira e Vila Real de Santo António/Castro Marim, com vista à promoção de iniciativas de cooperação transfronteiriça. Defendia-se que se deveria concentrar nas três aglomerações referidas os esforços das políticas territoriais, nomeadamente na criação de um quadro supra municipal/intermunicipal de planeamento estratégico dos espaços conjuntos da aglomeração; no reforço da cooperação intermunicipal para o desenvolvimento, num quadro de especialização e complementaridade territorial, de grandes equipamentos urbanos e de projectos estruturantes de qualificação e dando prioridade à estruturação das condições de mobilidade e acessibilidade urbana. Alguns meses mais tarde (Dezembro) iniciou-se o processo de retracção e saneamento de Albufeira no quadro territorial regional. Nesta data, mantendo as premissas anteriores, IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 33333333 ---- Albufeira/Guia naAlbufeira/Guia naAlbufeira/Guia naAlbufeira/Guia nas várias versõess várias versõess várias versõess várias versões do PROTAL, 2007do PROTAL, 2007do PROTAL, 2007do PROTAL, 2007 (elaboração própria)(elaboração própria)(elaboração própria)(elaboração própria)
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 67 o modelo policêntrico passava a consolidar-se com duas grandes aglomerações, centradas em Faro e Portimão e as suas áreas conexas. No entanto afirmava-se ainda que na parte central da região, em articulação com essas aglomerações emergiria um espaço urbano (eixo Albufeira/Guia) que poderia atingir os 70 mil residentes, completando-se o sistema urbano com o pólo transfronteiriço sedeado em Vila Real de Santo António. Na verdade esta perda de posicionamento incompatibilizava-se agora com as áreas de actuação prioritária que Albufeira integrava na anterior versão. Finalmente, a partir de 2006 (Julho) e até à conclusão dos trabalhos, imperou uma nova abordagem na estruturação do sistema urbano algarvio, consubstanciada em aglomerações urbanas e eixos de articulação urbana. Nas primeiras, mantiveram-se as aglomerações centradas em Faro (Loulé, Olhão, São Brás de Alportel) e Portimão (Lagos, Lagoa e Silves) emergindo uma terceira aglomeração, anteriormente secundária, liderada por Vila Real de Santo António/Castro Marim, com eventuais ligações a Tavira. Entre os eixos de articulação, encontravam-se então o eixo Albufeira/Guia que estabelecia a articulação entre as aglomerações de Faro e do Barlavento, e da região com o resto do país, assim como outros eixos com acção e efeitos mais localizados - Silves/Loulé/São Brás de Alportel; Aljezur/Vila do Bispo/Lagos e o eixo transversal serrano, compreendido entre Alcoutim e Aljezur. Em pouco mais de um ano, a proposta de plano gorou toda e qualquer expectativa fundada para o território de Albufeira, pelo seu crescente desprezo e abandono ao nível estratégico e funcional. Caminhou-se de uma grande aglomeração para um espaço/eixo urbano e posteriormente para um eixo de articulação, sem que em qualquer das situações se registasse o devido esforço de concretização de políticas, medidas e/ou investimentos, que pudessem relevar o posicionamento para que Albufeira havia sido relegada. Enquanto pólo charneira de articulação entre os dois locais onde foi concentrada a maioria dos investimentos previstos, Albufeira reclama, enquanto centro sub-regional com importante conectividade entre Faro e Portimão, e da região com o resto do país, o papel que permita a consecução duma rede urbana competitiva e mais equilibrada, em que seja evidenciada a sua função distribuidora dos fluxos quer dos movimentos pendulares casa trabalho/escola, quer dos visitantes/turistas, de bens, de serviços e duma logística avançada, eficiente, eficaz e racional. No entanto, foi reduzida a um “eixo” urbano, sem mesmo daí se tirarem as devidas consequências em termos do apetrechamento do mesmo, com vista aos fins especificados.
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 68 Lembra-se que já no desenvolvimento do PNPOT se tinham observado avanços e recuos quanto ao posicionamento de Albufeira no modelo proposto para a região. No entanto, se na versão final do PNPOT foi reconhecido o papel que o concelho em estudo detinha, na revisão do PROT Algarve, a tendência de enfraquecimento funcional e estratégico manteve-se inalterada, contrariando assim as orientações emanadas pelo instrumento de natureza superior. O PROT Algarve defende o robustecimento predominante de dois pólos urbanos, Faro e Portimão; enquanto o PNPOT sugere a reafirmação por inteiro do arco metropolitano, em sequência territorial contínua entre Lagos e Vila Real de Santo António, num sistema territorial urbano de constelação de diversos pólos, com funções complementares entre si, informando verdadeiramente um modelo policêntrico. Esta proposta assemelha-se ao exemplo policêntrico linear mencionado por Gravier (1971) ao referir-se a zona marginal ao Lago Léman na Suíça, compreendida entre Genève e Montreux. A recusa da afirmação do arco metropolitano menospreza importantes potencialidades de desenvolvimento para a região que, a não serem estrategicamente enquadradas e apoiadas, vão originar perdas de competitividade e de desenvolvimento, com consequências nefastas a todos os níveis, desde os ambientais aos sociais, pondo em causa a sustentabilidade do sistema global de desenvolvimento regional. A proximidade temporal entre a aprovação do PNPOT e a revisão dos PROT, que seria uma excelente oportunidade para se garantir a sua mútua coerência (Cordovil, 2007: 106) acabou por não se concretizar, dadas as diferenças propositivas registadas entre os dois documentos. Merece também o nosso reparo, o facto do modelo territorial proposto desprezar liminarmente o modelo turístico regional, que nas últimas décadas, gostando-se ou não, fez prosperar a região, gerando emprego e riqueza. Esta posição motivou a subalternização de todos os locais que, como Albufeira, vingaram em torno das actividades, funções e serviços turísticos. Embora Albufeira reúna valores destacados, quase sempre na ordem de um terço dos principais indicadores turísticos, surge identificada numa posição secundária, a par de Lagoa, Silves ou Tavira, e mais grave ainda, secundando centros como Loulé e Olhão, que pouco ou nada contribuem para a imagem turística regional, e não possuem sequer capacidade de alojamento reconhecível. Concorda-se com Brito (2009: 201) ao afirmar que este PROT “é mais redutor da competitividade do turismo e do território que instrumento para a fomentar”.
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 69 Sendo certo que a actividade turística constitui o motor do desenvolvimento económico regional, Albufeira é, inegavelmente, o principal pólo turístico do Algarve e a expressão máxima da sua divulgação e promoção no país e estrangeiro. O papel primordial de Albufeira expressa-se, por exemplo, nos indicadores do INE referentes ao ano 2007: 78 % de população empregada no sector terciário, 34 % da oferta dos estabelecimentos hoteleiros, 41 % da capacidade de alojamento, 44 % das dormidas e 39 % dos hóspedes em estabelecimentos hoteleiros. Estes ganham relevância, mais que não seja por este concelho representar apenas 2,8 % do território regional, factos que foram completamente negligenciados na construção do modelo turístico regional, o qual surge, inexplicavelmente, dissociado do modelo territorial. Numa região predominantemente turística, como pode alhear-se tal modelo territorial da sua principal actividade e do seu principal destino? Esta questão ficou sem resposta! A minimização da componente “serviços turísticos” no modelo territorial negligencia o núcleo urbano de Albufeira e o seu hinterland – Guia, Ferreiras e Olhos de Água. Esta problemática mina o documento, sustenta a subalternização de Albufeira no modelo territorial, nas funções preconizadas bem como na distribuição das infra-estruturas e equipamentos. No que respeita à hierarquização dos centros/pólos urbanos foram atribuídas a Albufeira as seguintes funções: AD – Administrativas; T – Turísticas; CS – Comércio e Serviços; S- Saúde, LT – Logística e Transportes; P – Pescas e Aquacultura; HA – Habitação e CL – Cultura e Património. Ao nível concelhio se juntarmos as funções atribuídas aos restantes centros urbanos considerados (Ferreiras, Guia, Olhos de Água, Oura e Paderne) acrescem as funções ID – Investigação e Desenvolvimento na Guia (associadas ao Zoomarine) e AF – Agricultura, Pecuária e Florestas em Paderne. Suscita-nos estranheza o facto de para a sede de concelho não existir qualquer função a desenvolver e dentre todas as funções especificadas apenas a função CL – Cultura e Património merecer essa classificação, mas para o centro da Guia. Globalmente excluíram-se para o concelho as funções associadas ao E – Ensino e à IN – Indústria. Pareceu-nos particularmente estranha, a pouca ênfase dada à função LT no desenvolvimento dos trabalhos, pois é exactamente neste concelho que confluem não só a centralidade geográfica como os principais nós das redes de transportes rodo e ferroviárias, conjugação que só por si demonstra o potencial deste território nesta matéria. Mas não só, Albufeira acolhe já hoje, três zonas de Comércio, Indústria e Serviços delimitadas no seu Plano Director Municipal, que segundo estudos
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 70 desenvolvidos pela CCDR, no âmbito da plataforma “Algarve Acolhe”, as classificam como sendo fortemente especializadas nas actividades comerciais, especificamente no comércio a retalho, enquanto o indicador composto de acessibilidade, promovido pela mesma instituição, as coloca acima da média regional, beneficiando assim de um bom quadro de acessibilidades. Esta situação pode ainda ser comprovada pelo estudo da área de influência do centro comercial localizado na Guia, que em 30 minutos cobre dois terços da região e parte do Baixo Alentejo. Mesmo assim, tais evidências parecem não ter sido suficientes até à discussão pública do Plano, para justificar a atribuição desta função a Albufeira. Também a indústria extractiva assume máxima importância para o desenvolvimento e diversificação da base económica concelhia, podendo o núcleo de pedreiras do Escarpão afirmar-se como pólo dinamizador e de excelência, com elevado potencial na produtividade, rendibilidade e empregabilidade do sector em Albufeira. A importância regional deste núcleo foi atestada num estudo do IGM (2000) que destacava o facto de apenas duas das pedreiras em laboração, produzirem mais de 20 % da produção total de granulados para a construção e obras públicas no Algarve. Actualmente pretende-se dinamizar este núcleo, não só com actividades industriais e empresarias na fileira da pedra, mas também com as energias alternativas e actividades lúdico-desportivas e ambientais/educacionais, preceituadas num plano de pormenor, em elaboração para esta área. Com vista à diversificação da base económica concelhia, associada à LT e tendo por base a relevância económica do núcleo de industria extractiva localizado no concelho, considera-se que não deveria ter sido descurada a atribuição da função IN -Indústria. Num concelho com uma tão significativa percentagem de actividades ao nível do sector terciário, considera-se que as questões do Ensino e Investigação e desenvolvimento – valência incluída no programa de execução ao nível da investigação marinha ligada apenas ao Zoomarine, seriam igualmente de potenciar, no sentido de qualificar essas actividades e abrir o caminho para novos projectos. Ao propor-se um modelo policêntrico com aglomerações amadurecidas e funcionalmente interligadas, com fortes relações de complementaridade, gerando sinergias qualificantes e competitividade externa, esperar-se-ia que o PROTAL contemplasse Albufeira, como um dos principais e mais importantes pólos da região, o que não veio a observar-se.
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 71 A rede de equipamentos colectivos de âmbito regional apenas contempla para o concelho, o Parque do Território/Museu do Turismo, equipamento claramente insuficiente para cobrir as necessidades emergentes face às estimativas de crescimento e desenvolvimento preconizadas quer pela projecção constante no anexo 2 do Volume III do PROTAL para 2011, em que Albufeira seria o concelho do Algarve que registaria o aumento relativo e absoluto mais elevados, respectivamente 26,5 % e 8.358 indivíduos; quer na cenarização para 2030, onde se destaca uma previsão de 70.000 que se traduziriam em 15 % da população regional. No entanto, estes valores parecem não ser um requisito suficientemente forte para reposicionar Albufeira no modelo territorial. Aliás, os requisitos e critérios que conduziram à hierarquia e definição das funções urbanas, nunca foram explicitados, embora insistentemente questionados à CCDR pelos Serviços do Município de Albufeira. A exclusão de Albufeira na proposta de investimentos públicos na região, contraria a própria visão policêntrica do território algarvio, prevendo-se apenas um investimento irrisório para este concelho. Tal facto, diminui-o ao ponto de o tornar incapaz de assumir as funções que, naturalmente se infeririam do seu posicionamento funcional e geográfico no dito modelo, considerando-se mesmo que existe um subaproveitamento da mais-valia e contributo que Albufeira poderia assumir na concretização do mesmo e na prossecução dos objectivos delineados. Falta ao plano racionalidade, flexibilidade e visão estratégica para resolver os novos problemas que a evolução das comunidades coloca, sem perverter o conteúdo prospectivo e sustentado do planeamento, com vista à sua correcta implementação. Na revisão do PROT Algarve, foram escassas as representações e desenhos tornados públicos, pois a existirem evidenciariam o posicionamento de Albufeira e os pés de barro do modelo proposto, com a exacerbada sobrevalorização dos principais pólos.
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 72 Parte III - A Região Urbana Policêntrica do Algarve: Que papel para Albufeira? Nota introdutória Face ao posicionamento evidenciado e proposto para Albufeira na Revisão do PROT Algarve levantaram-se um conjunto de críticas que se traduzem nos seguintes aspectos: • Pressupostos e objectivos policêntricos aparentemente favoráveis ao desenvolvimento da região, mas com instrumentos, modelos, acções e programação que não os promovem e até os contrariam, resultando claramente num modelo errático, contraditório e num documento a roçar o esquizofrénico; • Irracionalidade ao subtrair a dinâmica da actividade turística do sistema territorial regional; • Ausência de visão estratégica adequada à potenciação da dinâmica pré- existente; • Subaproveitamento das funções e dinâmicas presentes e já instaladas; • Negligência dos pólos de crescimento turístico, dos quais Albufeira é representante e expoente máximo; • Irrelevância do papel atribuído a Albufeira no contexto regional; • Subestimação do papel polarizador de Albufeira e sua bacia de emprego. Partindo destes pressupostos e dos objectivos estratégicos e orientadores do processo de Revisão do PROT, atrás mencionados, procurar-se-á nesta terceira parte, com base em elementos históricos, documentais, estatísticos e geográficos, fundamentar um posicionamento para Albufeira distinto daquele preconizado nesse processo. Para tal construiu-se um “índice sintético de potencial policêntrico” que pretende medir de forma sustentada os três pilares que caracterizam o conceito de policentrismo - localização,
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 73 dimensão e conectividade. Este índice integra nove potenciais que conjuntamente agregam 39 indicadores, que revelam dinâmicas e desempenhos locais em frentes distintas. Com os resultados deste índice espera-se evidenciar que a integração participada e activa de Albufeira numa dinâmica regional policêntrica (que natural e funcionalmente integra mas que foi totalmente desprezada na proposta de revisão) facilitará a obtenção dos objectivos que o PROT se propunha atingir, nomeadamente no reforço do policentrismo e da competitividade regional com vista à participação activa nos contextos de concorrência e inserção territorial nas escalas nacional e transnacional, que a região integra. 6 Um novo Modelo Regional – O contributo de Albufeira “Intervir no sistema urbano implica: realismo, visão estratégica e selectividade” João Ferrão, 1998 A intervenção proposta pelo PROT Algarve para o sistema urbano regional carece de realismo e de visão estratégica. Apenas a selectividade prevaleceu na construção do modelo constante no plano, sendo evidente a influência dos key persons regionais, a que aludem Meijers e Romein (2003). A falta de argumentos técnicos foi substituída por desígnios institucionais e políticos, que contornaram as orientações e avaliações tecidas, por exemplo sobre o PROT Algarve de 1991, bem como os relatórios de caracterização e diagnóstico da revisão. Estes melhor informariam a tomada de decisões sustentadas, mas avessas às vontades e opções que acabaram por imperar. Repetem-se erros do passado recente, contrariam-se dinâmicas e tendências registadas nas últimas décadas, chegando a negar-se a própria realidade. Assistiu-se neste processo à tomada de decisões, altamente selectivas e tendenciosas, baseada, sabe-se lá em que critérios, em detrimento até do próprio interesse regional. O método “caleidoscópico” advogado por Costa Lobo (2007: 464) que se explica pela produção sistemática de elementos analíticos como suporte à decisão, poria a nu os pés de barro de muitas das opções de planeamento tomadas e evidenciaria a posição destacada de Albufeira em muitos dos quadros analíticos e prospectivos. O planeamento territorial prospectivo não pode fazer tábua rasa de pré-existências, sejam elas de que
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 74 natureza for, devendo usá-las da melhor forma possível com vista à concretização das metas que pretende atingir. Ora as metas que caracterizam o desenvolvimento policêntrico foram descuradas e pouco praticadas na revisão do PROT Algarve. Não será de estranhar que num futuro processo de avaliação deste instrumento se identifiquem as mesmas problemáticas que, no final da década de 80, evidenciaram a necessidade de intervir no território regional. A fraca intencionalidade e motivação para concretizar a almejada região policêntrica expressa-se sub-repticiamente no tipo de indicadores escolhidos para integrar o primeiro relatório anual de monitorização do PROT Algarve (CIEO, 2010) que ficam aquém do desejável e são pouco conducentes à sua medição. Vejamos então os elementos históricos e estatísticos que procuram justificar a importância de Albufeira no quadro regional e afirmá-la como peça importante no jogo da competitividade territorial e na implementação do policentrismo. 6.1 Traços histórico-geográficos de um lugar singular “Uma turbulência extrema domina de Julho a Setembro, Albufeira regurgita de gente. A vila impõe-se como um dos principais pólos turísticos do Algarve e atrai, sob o aspecto comercial e de distracção toda a clientela das aldeias de férias, das residências secundárias dispersa, e mesmo a que utiliza as casas de familiares camponeses, numa área que vai de Quarteira a Armação de Pêra. Convergem a Albufeira todos os níveis do turismo moderno, desde a clientela aristocrata até ao turista popular da FNAT. Verificava-se nesta altura, harmonia e equilíbrio entre a dimensão da vila e a capacidade dos hotéis e estalagens”. Carminda Cavaco, 1969 Sensivelmente a meio da costa litoral algarvia, localizada numa rocha escarpada junto à foz de uma ribeira, encontramos Albufeira. Vestígios arqueológicos indicam que na sua génese esteve um núcleo piscatório, cuja origem não é de fácil determinação. Contudo, ao longo dos tempos, aproveitou a evidente relação com o mar, estabeleceu ligações com outros portos importantes do litoral algarvio, e firmou-se enquanto pólo organizador do espaço rural envolvente. Foi talvez esta localização e envolvência que cativou a presença e passagem de fenícios, gregos, romanos e árabes, cujos testemunhos ainda se encontram em Albufeira.
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 75 Na época romana Albufeira teve a designação de Baltum, tendo a sua ocupação representado uma mais-valia na organização do espaço, nos fluxos de ligação entre as povoações, na conexão das actividades económicas do litoral e do interior e na sua organização administrativa (Adão et al, 2005: 15). A presença árabe, cujo início data de 716, atribuiu-lhe o nome de Al-Buera, que significava castelo do mar. Foi conquistada pelos cristãos no ano de 1189, recuperada pelos árabes no ano seguinte, tendo conquista definitiva apenas no ano de 1249, após a tomada de Faro por D. Afonso III, que a doou à Ordem Militar de Aviz, sendo então mestre, Martim Fernandes (Pinho Leal, 1873: 52). Tais factos relevam a importância de Albufeira enquanto praça de armas e a eficácia da sua estrutura defensiva (Adão et al, 2005: 17). Após a conquista, a sua importância regional e nomeadamente a do seu porto comercial decaiu bastante pois acabou-se-lhe a prosperidade que derivava das trocas realizadas com o Norte de África (Barbosa, 1860: 5; Nobre, 1989: 24). Na idade média, a agricultura e a criação de gado tornaram-se a actividade predominante, ao lado da pesca. Os principais produtos cultivados eram: cereais, a amendoeira, a figueira, a alfarrobeira e a vinha. Algumas destas produções eram transportadas por via terrestre para outros pontos do Algarve e para Castela (Nobre, 1989: 26). No Algarve sabe-se que os grandes centros polarizadores do espaço sempre foram as povoações do litoral. Desde o século XVII, Albufeira escoava a maior parte da sua produção agrícola através do porto de Faro, criando-se uma “relação íntima” entre as duas localidades. O comércio local e de exportação das produções agrícolas e da pesca foram, durante séculos, o sustento da sua base económica local (Adão et al, 2005: 17). Albufeira sofreu bastante com o terramoto de 1755. Este derrubou todas as casas da povoação, à excepção de 27, mesmo assim muito arruinadas (Pinho Leal, 1873: 52). Foi recuperada e logrou firmar-se, do ponto de vista económico, novamente, num dos entrepostos comerciais mais dinâmicos da região. No Século XIX Albufeira parece ter encontrado a sua função de distribuição regional, com mercado aos domingos e segundas-feiras. Simultaneamente assiste-se ao desenvolvimento da actividade piscatória, que conheceu nesse século franca expansão em todo o Algarve. Embora as actividades primárias, na terra e no mar, dominassem a economia local, no final do século XIX há referências “ao fabrico de muito bom tijolo e telha, que exporta”
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 76 (Pinho Leal, 1873: 55). Pereira de Sousa (1919: 17) referia-se à existência de “magnífica pedra de cantaria, extraída de várias pedreiras, sendo as mais notáveis as da Malhada Velha, Ferreiras, próximo da linha férrea, que tem fornecido cantaria para Albufeira, Faro, Lagos, Portimão e até para o Alentejo, mas também barro compacto nos arredores de Albufeira e magnifica cal no sítio do Escarpão”. A indústria extractiva despoletava localmente e firmava uma importante actividade económica, cuja produção, como vimos, era comercializada na região e fora dela. Em 1909, Albufeira movimentava quase toda a sua produção económica pelo mar. A exportação de frutos secos e peixe cresceu, nas primeiras décadas do século XX, tendo atingido o seu período áureo entre 1922 e 1924. O pescado alcançou preços elevados e a indústria conserveira entrou numa fase de prosperidade, contando a vila com cinco fábricas que empregavam 700 a 800 residentes, principalmente mulheres de pescadores. Mas o início do século XX fez despontar também o turismo em Albufeira, procurada já no dealbar de 1900 pela rainha D. Amélia e pelo príncipe D. Carlos. Os turistas eram conhecidos por banhistas e chegavam de Lisboa em barcos a vapor e de comboio, desde a chegada da linha do caminho-de-ferro a Ferreiras (Adão et al, 2005: 18). O comboio desviou, a favor das principais praias do Algarve (Rocha, Albufeira e Monte Gordo) uma parte da clientela alentejana que anteriormente frequentava a costa do Sol, Setúbal e Sines (Cavaco, 1970: 270). O turismo começava a afirmar-se na vila, impondo- se o slogan, “Vila Branca em Mar Azul”. Em 1918 existiam já dois hotéis para veraneantes. A época balnear iniciava-se a 15 de Agosto e prolongava-se até Outubro. Em meados do século XX passou a iniciar-se em Julho, atraindo banhistas oriundos de outras cidades do Algarve, Alentejo e Lisboa (Nobre, 1989). Nesse mesmo ano foram criadas as Terras de Turismo (DL n.º 4819 de 19 de Setembro) inicialmente para a Praia da Rocha e Monchique, alargando-se em 1923 a Albufeira, Armação de Pêra, Cacela, Lagos e Montegordo. Segundo Flores (1999: 604) criaram-se praias por decreto. De 1930 a 1960 a abundância dá lugar à penúria. O declínio generalizado da indústria conserveira devido à forte concorrência externa e ao desaparecimento das condições privilegiadas de que beneficiava no período da Segunda Grande Guerra, leva ao encerramento e à ruína das armações e encerramento das fábricas. Por consequência, a vila perde um dos seus factores de emprego e diminui para metade a população (Nobre, 1989: 52). Durante séculos de existência, Albufeira viveu do mar e para o mar. Até 1960 todos os surtos de expansão e progresso foram determinados pela fortuna da pesca, da
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 77 indústria de conservas e do movimento do porto que caracterizava e individualizava esta povoação no contexto regional. A partir dos anos 60 foi decididamente firmada a nova vocação regional de que Albufeira constitui o expoente máximo. “Quem chegava a Albufeira, ficava encantado com o silêncio, o ar puro, o sol quente, as praias, as tradições da população local e a boa comida” (Adão et al, 2005: 19). Com a abertura do aeroporto de Faro em 1962 a clientela internacional não deixou de progredir. Albufeira tornou-se numa das mais cosmopolitas aglomerações do Algarve. A juventude elegeu-a. Os turistas nacionais, atraídos pelo cosmopolitismo, elegeram-na também conforme descreveu Cavaco nas obras incidentes sobre Albufeira, arroladas na bibliografia. Estas características valiam o reconhecimento de Dodi que identificou Albufeira como “a mais pitoresca e característica vila de toda a costa, gozando uma reputação merecida, que não desilude os que a procuram para as suas férias” (DGSU; MOP, 1996: 187). Nos anos 70 Albufeira conhece um grande desenvolvimento económico e demográfico passando de uma pacata vila piscatória ao mais importante destino turístico do país, posição mantida até aos dias de hoje. Embora em declínio, algumas produções agrícolas subsistem na estrutura económica regional. Hortaliças e frutas provenientes da várzea da ribeira do Algibre a montante de Paderne, participavam nos fluxos abastecedores dos mercados urbanos da província e da região de Lisboa. Vieira (1960: 141) menciona as “culturas mimosas” nomeadamente tomate, uva de mesa e laranja, provenientes de Albufeira, que facilmente se encontravam nos mercados alfacinhas. Mas também “as favas e ervilhas verdes eram valorizadas nos mercados urbanos distantes, pela acentuada precocidade da oferta, em especial da oriunda da região de Albufeira” (Cavaco, 1976: 19). Segundo a autora a distribuição espacial das residências dos comerciantes armazenistas de frutos secos, inscritos em 1971 na Delegação da Junta Nacional das Frutas de Faro, sublinhava as grandes regiões produtoras: Loulé 77; Silves 27; Faro 24, Albufeira 23; Olhão 20, Tavira 18; Alportel 15. Os comerciantes de figos eram importantes, sobretudo em Albufeira. Esta assumia uma vez mais o seu papel de centro e de bolsa de comércio e exportação de figos, o qual já vinha dos princípios do século, e a que a Segunda Grande Guerra havia dado, como a todas as indústrias alimentares, considerável impulso. As compras de figo abrangiam todo o Algarve e “as exportações faziam-se para
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 78 os Estados Unidos (em pasta), Canadá (pasta e figos inteiros), Inglaterra, Bélgica, Holanda, Alemanha, Brasil, em seiras e mais modernamente em caixas de madeira, importadas de Espinho, ou de cartão de Cacia, e ainda em pacotes de celofane” (Cavaco, 1969: 253). A mesma autora (1969: 254) menciona também a situação marginal de Albufeira face aos grandes eixos de circulação que servem o Algarve e o integram no país, nomeadamente à actual EN2, que desembocava em Faro e constituía sua principal via rodoviária de acesso a Lisboa. Neste contexto afirma que Albufeira se fechava sobre si mesma, afastando-se dos centros dinâmicos e arrastando-se para uma decadência progressivamente dramática. Contudo, o turismo moderno veio constituir uma alavanca poderosa para o despertar económico da aglomeração (Cavaco, 1969: 258), a que as instâncias de decisão superiores não responderam de forma eficaz, atempada e coerente face às dinâmicas geradas. No geral as iniciativas comerciais na vila não partiam de gente da região, deixando o destino de Albufeira nas mãos de estranhos que vinham em busca de lucros e que partiriam tão logo eles faltassem. Cavaco (1969: 264) refere o aumento do custo de vida comparando o custo de alguns serviços em Lisboa e Albufeira, sendo mais acessíveis na primeira! Houve desde sempre uma lógica errada na produção e consumo local. Enquanto o Algarve exportava os seus primores, sobretudo para Lisboa e Porto, os restaurantes e hotéis consumiam produtos conservados em lata ou congelados, quando não organizavam a compra dos mesmos no mercado abastecedor de… Lisboa! (Cavaco, 1969: 265). Em 1969 (266) Cavaco referia a dificuldade de reconhecer em Albufeira a individualidade de povoação marítima. Albufeira vivia do turismo e para o turismo. “A sua personalidade não se encontra mais na praia dos pescadores, mas na praia dos banhos, no passeio marginal e no centro cosmopolita mundano, cheio de vida e de movimento”, refere. Atente-se, nas imagens seguintes, à substituição progressiva no areal das embarcações de pesca pelos banhistas entre os anos 40 do século passado e a actualidade.
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 79 A estrutura urbana de Albufeira foi-se formando por saltos, ao longo de toda a frente litoral do concelho, de forma desestruturada. Primeiro, em torno do núcleo urbano da vila; depois para nascente, em zonas de mata, onde se implantaram diversos hotéis e aldeamentos turísticos; mais recentemente, para poente, com o predomínio de ocupações residenciais extensivas (Soares, 2003: 16). Albufeira é, na rede urbana regional e nacional, uma “cidade turística”, pelo papel predominante que desempenha como centro de prestação de serviços turísticos e como centro organizador de um território turístico específico que com ela se identifica (Soares, 2003: 17). Albufeira não tem perdido capacidade de atracção, traduzida em número de turistas, tem contudo perdido os turistas de maior poder de compra. A desqualificação do espaço urbano e do alojamento turístico tem-se traduzido em turismo menos rico (Soares, 2003: 17). Neste quadro o Programa Polis que tinha o objectivo central de reforçar e valorizar IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 34343434 ---- Praia dos Pescadores APraia dos Pescadores APraia dos Pescadores APraia dos Pescadores Anos 40, 50, 70, 2009nos 40, 50, 70, 2009nos 40, 50, 70, 2009nos 40, 50, 70, 2009 (Fonte: Amado; Nobre, 1997; CMA(Fonte: Amado; Nobre, 1997; CMA(Fonte: Amado; Nobre, 1997; CMA(Fonte: Amado; Nobre, 1997; CMA))))
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 80 Albufeira como principal centro de animação urbano-turística do Algarve (MAOT; CMA, 2000), impulsionou de forma decisiva a imagem da cidade e por conseguinte do destino turístico. A renovação da imagem urbana associada aos bons desempenhos na limpeza, a conquista de espaços para fruição colectiva, o acréscimo de áreas pedonais, de áreas de circulação automóvel condicionada, a mobilidade facilitada pelos meios mecânicos e a oferta de múltiplos eventos de natureza cultural e desportiva, materializaram essa renovação. Ficaram por potenciar oportunidades do foro ambiental e da economia local, presa a padrões de oferta desajustados das novas realidades e procuras (Marreiros, 2010). No entanto, as dinâmicas turísticas e o elevado reconhecimento em termos nacionais e internacionais (que em muitos mercados supera a marca Algarve) vale-lhe o título de capital nacional do turismo. A reter deste breve histórico fica o carácter comercial e distributivo que sempre marcou o posicionamento regional de Albufeira. Apesar da eventual excentricidade face ao principal pólo da região, Faro, às principais vias de comunicação até 1973 (ano de conclusão da Nacional que viria a ser o actual IC1), Albufeira sempre estabeleceu com a capital regional ligações de grande proximidade, de natureza económica e estratégica. Destaca-se a sua importante função enquanto entreposto comercial de frutos secos, em particular de figo, mas também a sua vertente exportadora, que desde o período árabe levou os seus recursos, agrícolas e piscícolas ao Norte de África, mais tarde a toda a região, ao Alentejo, a Lisboa e a Castela. Juntam-se a estes recursos também os extractivos. A actividade turística apenas veio reforçar este papel empreendedor e de abertura para com outras regiões e povos, traduzindo-se na internacionalização da sua imagem, na potenciação da atracção de inúmeros turistas e visitantes, que maximiza a sua integração na Europa. A conectividade em Albufeira é uma constante histórica, que advém da sua centralidade, factor imutável e irreprimível para quem pensa, planeia e decide sobre o território. Tal facto realça uma clara tensão regional que pode traduzir-se na oposição capitalidade vs centralidade, que a partir de 1973, ano em que se completou o actual IC1, transformou a, até então, excêntrica Albufeira no pólo mais central e acessível da região, em detrimento de Faro.
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 81 IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 35353535 ---- Albufeira: centralidade e acessibilidadesAlbufeira: centralidade e acessibilidadesAlbufeira: centralidade e acessibilidadesAlbufeira: centralidade e acessibilidades Ora a constatação desta divergência carece de uma certa sensibilidade nas opções que sobre os espaços urbanos são tomadas. A imutabilidade do factor centralidade, aliado às condições naturais propiciadoras e reforçadoras da mesma, apenas podem ser contrariadas pelos esforços de abafamento regional e de majoração de acções políticas e financiamentos direccionados para outros locais. Apesar disso, mesmo sem um quadro de planeamento facilitador, Albufeira empreendeu uma caminhada vencedora no contexto regional, verificada ao longo dos anos, numa escalada bem sucedida ao nível do desenvolvimento local, crescentemente sustentado e em crescente afirmação regional, pautado por dinamismos assinaláveis em termos demográficos, económicos e na geração de emprego. A tabela seguinte traça um retrato estatístico do concelho, onde são destacados precisamente os factores da dinâmica local e o seu peso no contexto regional. Constatamos que em muitos dos indicadores apresentados, Albufeira detém uma importância relativa bastante significativa. É possível observar igualmente a posição ocupada por este concelho na hierarquização dos valores afectos à totalidade dos concelhos. Realça-se nesta análise o domínio inequívoco nos indicadores turísticos e o bom desempenho nos demográficos, económicos e empresariais. Apesar de tudo destaque para a baixa proporção do território regional, cifrando-se esse valor abaixo dos 3 %.
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 82 Em altura de crise, como na actual, desperdiçar os potenciais instalados é comprometer o quadro de competitividade regional que se pretende alcançar. Aliás, a crise poderá constituir um bom motivo para repensar o modelo regional de desenvolvimento, ao nível da organização do sistema urbano, mas também do sistema produtivo. O modelo e visão exarada no PROT Algarve emanam de um cenário pré crise, sendo actualmente totalmente descabidos e despropositados. Há que poupar e reorientar investimentos nas escolhas certas, mais vantajosas para a região em termos policêntricos. Indicador (unidade) Ano Algarve Albufeira % Ranking Área (Km2) 2010 4996 140,6 2,8 13 População Residente (N.º) 2008 430084 38966 9,1 5 Densidade Populacional (Hab/Km2) 2008 86,1 277,2 NA 5 Variação da População 2001-2008 (%) 2008 8,8 23,5 NA 2 Taxa de Crescimento Efectivo (%) 2009 0,91 2,14 NA 2 Taxa de Crescimento Migratório (N.º) 2009 0,89 1,58 NA 3 Taxa de Crescimento Natural (N.º) 2009 0,02 0,56 NA 1 Taxa de Natalidade (%o) 2009 11,1 13,4 NA 1 Taxa de Mortalidade (%o) 2009 10,8 7,8 NA 1 Índice de Envelhecimento (N.º) 2008 123,5 80,4 NA 16 Índice de Dependência Total (N.º) 2008 52,4 47,5 NA 16 População Empregada no Sector I (N.º) 2008 2365 106 4,4 8 População Empregada no Sector II (N.º) 2008 23874 2021 8,4 4 População Empregada no Sector III (N.º) 2008 83489 13436 16 3 Empresas (N.º) 2007 58251 5930 10,2 4 Densidade Empresarial (N.º/km2) 2007 11,7 42,2 NA 2 Volume de Negócios nas Empresas (M €) 2007 9405524 1059739 11,3 4 Pessoal ao Serviço nas Empresas (N.º) 2007 156803 19128 12,2 4 Estabelecimentos Hoteleiros (N.º) 2008 417 137 32,8 1 Capacidade de Alojamento (N.º) 2008 98724 40575 41,1 1 Dormidas (N.º) 2008 14265164 6274393 43,9 1 Hóspedes (N.º) 2008 2927819 1148360 39,2 1 TabelaTabelaTabelaTabela 1111 ---- Retrato estatístico de AlbufeirRetrato estatístico de AlbufeirRetrato estatístico de AlbufeirRetrato estatístico de Albufeira no contexto regional (Fonte: INE)a no contexto regional (Fonte: INE)a no contexto regional (Fonte: INE)a no contexto regional (Fonte: INE) Face ao exposto e com base nos pressupostos do policentrismo procurar-se-á fundamentar as funções já detidas e aquelas a potenciar para colocar os nós mais dinâmicos da região algarvia, entre os quais Albufeira, ao serviço da competitividade e consequente afirmação no contexto nacional e europeu.
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 83 6.2 Índice Sintético de Potencial Policêntrico “Albufeira é dos centros urbanos mais mono especializados no turismo e, por isso, importa por um lado valorizar e qualificar a sua atractividade turística, por outro lado procurar outras formas complementares de ancorar o desenvolvimento local” CCR Algarve, 2000d Para medir o potencial policêntrico dos pólos urbanos que compõem a região algarvia, entendidos como nós de uma rede, propõe-se a construção do que aqui se denominou “índice sintético de potencial policêntrico”, adiante ISPP. Para tal recorreu-se aos três pilares essenciais do conceito policêntrico: localização, dimensão e conectividade, procurando informar-se cada um deles com indicadores que pudessem expressar um potencial específico no contexto regional e evidenciar as dinâmicas conducentes à constituição de uma região urbana policêntrica. Com esta pretende-se promover a competitividade e o desenvolvimento regional e assim efectivar o modelo territorial policêntrico preconizado no PROT Algarve, mas não implementado. Cumpre informar que para além da totalidade dos 16 concelhos algarvios, calcularam-se os mesmos indicadores para as três aglomerações, aqui designadas por pólos, propostas no plano, centrados em Faro (com Loulé e Olhão), Portimão (com Lagoa e Lagos) e Vila Real de Santo António (com Castro Marim). Pretende-se com esta opção, diferenciar o comportamento e dinâmica que estes deteriam isoladamente ou no contexto das aglomerações que lideram, comparativamente com os restantes concelhos da região. Mais do que efectuar diagnósticos e retratos, pretendeu-se evidenciar com os 39 indicadores escolhidos, sempre que possível, as dinâmicas e sinergias registadas. Contudo, pela indisponibilidade de dados, para alguns deles tal não foi possível, considerando-se que nos casos em que foram utilizados indicadores respeitantes a um dado ano, expressos por proporções ou pesos relativos, estes reflectem tendências e verdadeiramente informam o espírito do índice e do estudo, constituindo uma base que não deve ser desprezada na prospecção de uma região urbana policêntrica. Nota ainda para esclarecer o facto de existirem indicadores que não devem ser olhados isoladamente, sendo óbvios os pontos de contacto entre eles, para a própria fundamentação dos respectivos potenciais que integram. Por exemplo a centralidade, as
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 84 empresas e o emprego estão intimamente ligadas, mas neste estudo ilustram potenciais distintos. Apresentam-se de seguida, para cada um dos pilares mencionados, os potenciais que compõe este ISPP, bem como os indicadores que os suportam: Pilar Potencial Indicador Ano Unidade Acessibilidade Índice composto de acessibilidade (distância/tempo das sedes de concelho ao aeroporto internacional de Faro, a Lisboa, à estação ferroviária de Tunes e a Espanha) 2010 minutos Centralidade Proporção de movimentos pendulares com destino a outros concelhos 2001 % População residente 2008 N.º Densidade populacional 2008 hab/km2 Variação da população residente 1950-2008 % Variação da densidade populacional 1950-2008 % Taxa de crescimento efectivo 2008 % Índice de envelhecimento 2008 N.º Densidade empresarial 2007 Emp/Km2 Proporção de empresas por município da sede 2007 % Proporção de pessoal ao serviço por município da sede 2007 % Proporção do volume de negócios por município da sede 2007 % Quocientes de localização dos três sectores com maior representatividade regional G, K, F 2007 N.º Quocientes de emprego dos três sectores com maior representatividade regional G, H, F 2007 N.º Quocientes de negócio dos três sectores com maior representatividade regional G, F, K 2007 N.º Levantamentos nacionais nas caixas multibanco 2008 € Variação da população activa 1991-2001 % Proporção de empregados no sector III 2008 % Índice de dependência total 2008 N.º Proporção de população com ensino superior 2001 % Taxa de crescimento de edifícios 1991-2001 % Índice de envelhecimento de edifícios 2001 N.º Valor médio das transacções imobiliárias 2009 € Fogos construídos 2009 N.º Edifícios construídos 2009 N.º Índice de atracção (deslocações de outros concelhos/deslocações para outros concelhos, ou seja, total de entradas/total de saídas) 2001 N.º Proporção de movimentos pendulares com origem noutros concelhos 2001 % Estabelecimentos hoteleiros 2008 N.º Capacidade de alojamento em estabelecimentos hoteleiros 2008 N.º Dormidas em estabelecimentos hoteleiros 2008 N.º hóspedes em estabelecimentos hoteleiros 2008 N.º Proporção de hóspedes estrangeiros 2008 % Comunicação Postos telefónicos por Município 2008 N.º Localização Dimensão Conectividade Turístico Atracção Demográfico Económico/Empresarial Emprego Urbanístico TabelaTabelaTabelaTabela 2222 ---- Potenciais e indicadores do ISPPPotenciais e indicadores do ISPPPotenciais e indicadores do ISPPPotenciais e indicadores do ISPP
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 85 A metodologia empregue na construção do ISPP expressa-se primeiro pela classificação e hierarquização dos resultados obtidos em cada um dos indicadores (ver anexo). Posteriormente foram agregados nos potenciais em análise, de forma a espelhar as vantagens comparativas dos nós nesses potenciais. De seguida sistematizaram-se as hierarquias preliminares dos potenciais em consonância com os três pilares do policentrismo, pondo em evidência os nós que potencialmente reunissem melhores condições de configurar uma região urbana policêntrica, sustentada, por fim, no ISPP. Este índice é traduzido em valores absolutos, sendo tanto maior quanto mais baixo for o valor global obtido. Neste exercício, empiricamente, o índice poderia variar entre 39 e 741. Com os resultados finais constatamos que foram Albufeira e Alcoutim, respectivamente com 135 e 704, os concelhos que obtiveram o maior e o menor potencial de integrar com sucesso a região urbana policêntrica proposta. Neste exercício analítico, que se procurou explicativo de uma tomada de decisão carregada de preconceitos perante Albufeira na revisão do PROTAL, reconhecem-se um conjunto de limitações a seguir especificadas: embora na acepção do conceito policêntrico a literatura ponha em evidência o papel determinante da conectividade, neste índice, esse pilar não possui uma ponderação diferenciada dos restantes que o retratam. Não querendo empolar os resultados parciais dos potenciais, foi-lhes atribuída a mesma ponderação. Por exemplo, no pilar conectividade, terão os potencias de atracção, turístico e comunicação os mesmos pesos na sua explicação? Talvez não, mas proceder à selecção de um ou outro poderia subverter e condicionar, à partida, os resultados. Imaginemos, nesta análise, caso se optasse pela ponderação de cada um dos potenciais, naturalmente deveria ser majorado o potencial turístico, porventura em patamares tão significativos como aqueles que, na realidade, possui na economia regional. Logo, reunindo Albufeira os valores mais significativos deste sector, esta sairia, à partida, beneficiada. O mesmo raciocínio pode fazer-se para a ponderação dos indicadores incluídos em cada um dos potenciais. Por exemplo, no potencial acessibilidade será mais importante relevar a distância/tempo a Lisboa ou a Espanha? Por meio rodoviário ou ferroviário? Obviamente que depende. Por essa razão, para não melindrar o posicionamento e as centralidades intrínsecas por eles detidas, atribui-se- lhes uma ponderação idêntica, tomando-se esta opção, também, nos restantes indicadores. Outra das limitações prende-se com a dificuldade em medir a dimensão institucional da conectividade. Poder-se-ia tentar ensaiar um exercício de recolha exaustiva de acordos, protocolos, candidaturas, planos intermunicipais, reuniões de trabalho ou outros
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 86 processos que pudessem evidenciar o estabelecimento de conexões institucionais entre os municípios da região. Contudo, este teria alguma utilidade? Talvez se concluísse sobre a maior facilidade e empenho no estabelecimento de geminações com municípios estrangeiros do que com os vizinhos do lado. Isoladamente, esta informação, de forma seca, apenas traduziria intenções e compromissos, quando o que se pretende efectivar são os resultados obtidos e a frequência, eficácia e qualidade das conexões estabelecidas. No entanto reconhece-se a necessidade de, neste exercício, espelhar esta característica distintiva do conceito policêntrico. Por fim convém sinalizar que este exercício insere-se num quadro académico, sofrendo determinadas limitações. Não é um estudo sobre indicadores. Até porque não se pretende fazer a sua apologia, nem da sua sustentação científica, para ganhar a batalha do policentrismo – ganhar ou perder não está em causa! Pretende-se, sim, expor neste exercício, um erro cometido com o posicionamento de Albufeira no âmbito da revisão do PROTAL. Este IGT mobiliza um quadro conceptual teórico, que insistentemente tenta passar de forma discursiva mas que na realidade não pratica. É esta divergência que se pretende evidenciar. 6.2.1 Localização O pilar localização expressou-se através dos potenciais de acessibilidade e centralidade. O primeiro baseou-se nas distâncias/tempo estabelecidas pelos vários meios de transporte entre as sedes de concelho e um conjunto de pontos focais de articulação territorial regional, nacional e internacional. A distância/tempo a Lisboa (e não ao nó da A2, pois esta não constitui para todos os concelhos, no inicio do percurso, a principal via deste modo de acesso à capital do país); à estação ferroviária de Tunes (a partir da qual a distância/tempo por meio ferroviário passa a ser igual para todos; nos concelhos com mais do que uma estação, optou-se por aquela que fica mais próxima da sede; nos concelhos sem estação ferroviária adicionou-se o tempo percorrido por via rodoviária até à estação mais próxima), ao aeroporto internacional de Faro e a Espanha (fronteira internacional da ponte do Guadiana). O potencial centralidade evidenciou a capacidade de retenção de população activa residente, através da proporção de movimentos pendulares com destino a outros concelhos: quanto mais baixa fosse maior será esse potencial.
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 87 Desta análise resulta a figura seguinte, que evidencia o potencial de acessibilidade de Loulé e o de centralidade de Albufeira. Conjugadamente é Albufeira que lidera o ranking do pilar localização sendo seguido por Loulé e Faro. Esta posição espelha a localização do primeiro concelho, factor imutável que lhe dá vantagens competitivas enormes, na estruturação do território regional e simultaneamente de articulação com o resto do país. Este papel havia já sido referido por Gaspar (1993: 185) ao relevar a forte acessibilidade rodoviária e ferroviária do Algarve Central, e especificamente dos concelhos mencionados, conferindo-lhe grandes vantagens para se desenvolver como pólo dinamizador da região. IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 36363636 ---- Mapa do potencial do pilar localizaçãoMapa do potencial do pilar localizaçãoMapa do potencial do pilar localizaçãoMapa do potencial do pilar localização (elaboração própria)(elaboração própria)(elaboração própria)(elaboração própria) O facto de centralizar uma oferta bastante significativa de actividades terciárias e, sobretudo, turísticas motiva igualmente a baixa proporção de movimentos pendulares aqui espelhados, indicador que Albufeira lidera juntamente com Alcoutim e Lagos, respectivamente com 9,7 %, 10,6 % e 10,8 %. Alcoutim surge neste posicionamento por razões distintas dos demais concelhos, possuindo uma baixa população residente em idade activa que cobre grandemente a oferta de emprego local e, o facto de deter uma percentagem insignificativa de população que o elege como local de residência/dormitório, que motivaria valores de outra grandeza. Obviamente neste indicador, em termos absolutos, o significado de Alcoutim dissipa-se. Ao nível dos pólos previstos no PROT Algarve, emerge Faro na terceira posição do ranking geral do pilar, Portimão encontra-se sensivelmente no meio da tabela e o pólo de
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 88 Vila Real de Santo António apenas à frente de São Brás de Alportel, Vila do Bispo e Monchique. Nem mesmo a inclusão de Espanha no índice composto de acessibilidade garantiu melhor posicionamento no potencial por parte da cidade pombalina. Loulé Albufeira Albufeira Albufeira Alcoutim Loulé Polo Faro Lagos Faro Faro Portimão Polo Faro Olhão Faro Portimão Silves Aljezur Lagos Castro Marim Loulé Silves Lagoa Vila Real de Santo António Alcoutim São Brás de Alportel Polo Portimão Polo Portimão Portimão Polo Faro Olhão Tavira Tavira Vila Real de Santo António Polo Portimão Vila do Bispo Tavira Polo Vila Real de Santo António Polo Vila Real de Santo António Aljezur Vila Real de Santo António Monchique Lagoa Lagos Silves Castro Marim Monchique Lagoa Polo Vila Real de Santo António Aljezur Olhão São Brás de Alportel Vila do Bispo São Brás de Alportel Vila do Bispo Alcoutim Castro Marim Monchique RANKING LOCALIZAÇÃOPotencial CentralidadePotencial Acessibilidade TabelaTabelaTabelaTabela 3333---- Potencias do pilar localizaçãoPotencias do pilar localizaçãoPotencias do pilar localizaçãoPotencias do pilar localização 6.2.2 Dimensão O pilar dimensão revelou-se de medição mais fácil, dado os exemplos e recorrentes exercícios que reflectem sobre os sistemas urbanos, hierarquias, áreas de influência ou outros. Neste consideraram-se quatro potenciais: demográfico, económico/empresarial; de emprego e urbanístico. Em todos procuraram-se evoluções, variações e proporções ao nível regional que evidenciassem dinamismos locais, funções catalisadoras e oportunidades de afirmação e desenvolvimento, por exemplo na base produtiva, na distribuição da população empregada por sector de actividade ou na idade e formação
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 89 superior da população residente, com consequências óbvias nos potenciais em análise e cimentação do pilar dimensão. Dentre os indicadores seleccionados para ilustrar o potencial demográfico afirma-se a primazia dos pólos de Faro e Portimão na população residente, contudo naqueles que revelam dinâmicas, nomeadamente na variação da população residente desde 1950 para 2008 ou na variação da densidade populacional, o pólo de Faro cai para meio da tabela, mantendo-se o de Portimão nos quatro primeiros postos. Nesses indicadores Albufeira lidera, confirmando o crescimento demográfico continuado desde o boom turístico regional, que galvaniza até aos dias de hoje. Veja-se por exemplo a taxa de crescimento efectivo do ano 2009 que segue de perto o primeiro posicionado, São Brás de Alportel, respectivamente com 2,61 % e 2,14 % face a um valor regional de apenas 0,91 %. Na construção do ranking geral do potencial demográfico, Albufeira assume a primeira posição seguindo-lhe o concelho de Portimão, o pólo por este liderado, Lagoa e Olhão. IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 37373737 ---- Mapa do potencial do pilar dimensãoMapa do potencial do pilar dimensãoMapa do potencial do pilar dimensãoMapa do potencial do pilar dimensão (elaboração própria)(elaboração própria)(elaboração própria)(elaboração própria) O ranking do potencial económico/empresarial segue genericamente os resultados obtidos na maioria dos 14 indicadores analisados, o qual traduz a liderança dos pólos de Faro e Portimão, sendo estes seguidos pelos concelhos de Loulé, Faro, Portimão e Albufeira. Nota, mais uma vez, para o lugar modesto do pólo de Vila Real de Santo António, ultrapassado pela generalidade dos concelhos do litoral e quase sempre por
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 90 Silves. Evidenciaram-se neste potencial as três secções da CAE (Revisão 2.1) mais representativas na região no ano 2007, para os quais se calcularam quocientes de localização, emprego e de volume de negócios (respectivamente baseados no número de empresas, no pessoal ao serviço e no volume de negócios gerado nos concelhos e região). Nos quocientes, os valores mais expressivos incidiram em três das quatro secções especificadas: F – construção, G – comércio por grosso e a retalho, H – alojamento e restauração e K – actividades imobiliárias, alugueres e serviços prestados às empresas. Nos quatro indicadores escolhidos para ilustrar o potencial de emprego apenas a proporção de população residente com ensino superior é liderado por Faro. Este valor prende-se seguramente com a presença da Universidade do Algarve e sobretudo com a concentração de serviços e empresas carentes de massa crítica especializada e habilitada. Os restantes indicadores são comandados por Albufeira que reúne a maior proporção de população empregada no sector III, a maior variação da população activa entre 1991 e 2001 e o mais baixo índice de dependência total. Albufeira Polo Faro Albufeira Albufeira Albufeira Portimão Polo Portimão Faro Loulé Polo Portimão Polo Portimão Loulé Polo Faro Polo Portimão Polo Faro Lagoa Faro Lagoa Portimão Portimão Olhão Portimão Polo Portimão Polo Faro Loulé Faro Albufeira Portimão Lagos Lagoa Polo Faro Lagos Loulé Polo Vila Real de Santo António Faro Lagos Olhão Vila Real de Santo António Lagoa Lagos Loulé Lagoa Lagos Vila do Bispo Polo Vila Real de Santo António Vila Real de Santo António Silves São Brás de Alportel Aljezur Olhão São Brás de Alportel Polo Vila Real de Santo António Polo Vila Real de Santo António Tavira Vila Real de Santo António Silves Tavira Vila do Bispo Silves Silves Polo Vila Real de Santo António Vila Real de Santo António Tavira Castro Marim Tavira Tavira São Brás de Alportel Silves Vila Real de Santo António Vila do Bispo Vila do Bispo Vila do Bispo Olhão Olhão São Brás de Alportel Castro Marim Castro Marim Castro Marim Faro Castro Marim Aljezur Aljezur Aljezur São Brás de Alportel Aljezur Monchique Monchique Monchique Monchique Monchique Alcoutim Alcoutim Alcoutim Alcoutim Alcoutim RANKING DIMENSÃOPotencial UrbanísticoPotencial Demográfico Potencial Económico/Empresarial Potencial de Emprego TabelaTabelaTabelaTabela 4444 ---- PPPPotenciais do pilar dimensãootenciais do pilar dimensãootenciais do pilar dimensãootenciais do pilar dimensão
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 91 Ao nível do potencial urbanístico há uma clara tendência de reforço do pólo de Portimão, muito graças ao contributo de Lagoa e Lagos. Ora este potencial não pode de forma alguma ser olhado sem as características turística da região. Aliás, é na faixa litoral central que se continuam a revelar os maiores potenciais informados neste ponto, cabendo a liderança a Albufeira e Loulé, esta última a comandar o valor médio das transacções imobiliárias regionais com um valor médio de 274.215 € e a segunda a apresentar o parque edificado mais jovem do Algarve, expresso pelo valor de 42,6 no índice de envelhecimento de edifícios, calculado com base nos edifícios construídos até 1945 e os construídos após 1991. Conjuntamente os quatro potenciais do pilar dimensão conduzem-nos à potenciação de Albufeira entre os pólos de Portimão e Faro que lhe seguem. Portimão, Loulé, Lagoa, Faro, Lagos e Olhão são os concelhos que se seguem, curiosamente todos eles integram os referidos pólos. Só após os concelhos evidenciados surge o pólo de Vila Real de Santo António, que precede os restantes concelhos algarvios. 6.2.3 Conectividade O pilar conectividade revestiu-se da maior dificuldade, quer pela escassez de dados disponíveis quer pela dificuldade em expressar regional e localmente, algo que se reveste de carácter global. A bibliografia consultada tende a restringir esta análise aos indicadores dos movimentos pendulares, contudo, considera-se que é no estreitar das formas de relacionamento local/global que este assenta. Procurou-se então atribuir a este pilar um entendimento de conectividade mais lato, juntando-lhe o potencial turístico, susceptível de afirmar o nó, em contextos supra regionais. Este juntou-se aos potenciais de atracção e comunicação, o primeiro assente na capacidade, ou não, de centralizar e constituir uma bacia de emprego, expressa pela proporção de movimentos pendulares com origem noutros concelhos e o segundo na faculdade de serem estabelecidos contactos, graças à presença de postos telefónicos. Este último indicador parece-nos francamente insuficiente para medir um potencial de comunicação, faltando-lhe por exemplo a quantidade e frequência dos contactos efectivamente estabelecidos. Contudo a indisponibilidades desses dados inviabilizou essa análise. Reconhece-se igualmente a carência neste estudo de um potencial de transporte, assente na oferta e procura de transportes públicos através das redes existentes e das deslocações efectuadas, contudo o acesso a estes dados revelou-se impossível no âmbito deste trabalho.
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 92 Na região, os movimentos pendulares são polarizados por Albufeira, Faro, Portimão, Vila Real de Santo António e Loulé. Em 2001, Albufeira e Faro são os concelhos nos quais o índice de atracção se destaca, chegando a valores próximos das três unidades (fluxos de entrada três vezes superiores aos fluxos de saída). Se em 1991 os principais movimentos pendulares isolavam Albufeira e o seu relacionamento preferencial estabelecia-se com Silves, em 2001, Albufeira reforçou o seu grau de integração regional, polarizando juntamente com Faro e Loulé, movimentos pendulares entre si e com Olhão, Tavira, São Brás de Alportel e Silves, todos, à data, com mais de 350 deslocações diárias (Guerreiro et al, 2003). IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 38383838---- Mapa do potencial do pilar conectividadeMapa do potencial do pilar conectividadeMapa do potencial do pilar conectividadeMapa do potencial do pilar conectividade (elaboração própria)(elaboração própria)(elaboração própria)(elaboração própria) No potencial turístico a grande tendência cifra-se numa hierarquia composta por Albufeira, Loulé e Portimão. Graças a estes dois últimos concelhos, os pólos que integram ocupam a segunda e terceira posição geral do ranking. Contudo, Faro apresenta valores modestos que o relegam para a metade inferior da tabela. Albufeira é visivelmente o chefe de fila da região turística ao deter nos principais indicadores (estabelecimentos hoteleiros, capacidade de alojamento, dormidas e hóspedes) valores na ordem de um terço da totalidade. Apesar da ressalva efectuada anteriormente considerou-se o potencial de comunicação, o qual consolida a posição central administrativa dos pólos de Faro e Portimão, os respectivos concelhos líderes e Loulé, Albufeira e Silves.
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 93 Globalmente o pilar da conectividade é liderado pelo pólo de Faro, por Albufeira e pelo Pólo de Portimão. Isoladamente, a seguir a Albufeira surgem Portimão, Loulé e Faro. Faro Albufeira Polo Faro Polo Faro Albufeira Polo Portimão Polo Portimão Albufeira Portimão Polo Faro Loulé Polo Portimão Polo Faro Loulé Faro Portimão Vila Real de Santo António Portimão Portimão Loulé Polo Portimão Lagoa Albufeira Faro Lagoa Lagos Silves Lagoa Polo Vila Real de Santo António Polo Vila Real de Santo António Lagos Polo Vila Real de Santo António Loulé Vila Real de Santo António Olhão Vila Real de Santo António Castro Marim Tavira Polo Vila Real de Santo António Lagos Vila do Bispo Silves Tavira Silves Lagos Faro Lagoa Tavira Silves Vila do Bispo Vila Real de Santo António Olhão Alcoutim Monchique São Brás de Alportel Vila do Bispo Tavira Aljezur Castro Marim Castro Marim São Brás de Alportel Olhão Monchique São Brás de Alportel Olhão Castro Marim Aljezur Monchique Aljezur São Brás de Alportel Vila do Bispo Aljezur Monchique Alcoutim Alcoutim Alcoutim Potencial Turístico CONECTIVIDADE RANKING Potencial ComunicaçãoPotencial Atracção TabelaTabelaTabelaTabela 5555 –––– Potenciais do pilar conectividadePotenciais do pilar conectividadePotenciais do pilar conectividadePotenciais do pilar conectividade 6.2.4 Em prol de uma Região Urbana Policêntrica algarvia Chegamos assim ao resultado objectivo do nosso exercício. Albufeira lidera o ISPP, seguido por Loulé e Portimão. Esta posição vai de encontro à constatação já evidenciada em cada um dos potenciais e à necessidade e utilidade de contar com Albufeira na construção de uma região urbana policêntrica no Algarve. Considera-se que esta região será mais competitiva, funcional e estruturada, quanto mais envolver Albufeira e as suas vantagens locativas, endógenas e comparativas. No que respeita à análise paralela das aglomerações previstas no PROT Algarve, evidencia-se a importância estratégica que Loulé detém no pólo de Faro e o reforço crescente de Lagoa no de Portimão. O posicionamento modesto do pólo de Vila Real de Santo António no ranking do ISPP revela o sobreposicionamento inscrito no PROT, que
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 94 dificilmente será reforçado face ao afastamento real e estratégico a Faro e ao centro nevrálgico do core económico regional, a faixa compreendida ente Lagos e a capital algarvia. As ligações e tentativas de cooperação com Espanha parecem não chegar para afirmar o potencial deste pólo no contexto regional, que o PROT detectou mas, pelos vistos empolou. Albufeira Albufeira Polo Faro Loulé Polo Portimão Albufeira Faro Polo Faro Polo Portimão Polo Faro Portimão Portimão Portimão Loulé Loulé Lagos Lagoa Faro Silv es Faro Lagoa Alcoutim Lagos Polo Vila Real de Santo António Polo Portimão Polo Vila Real de Santo António Vila Real de Santo António Olhão Olhão Lagos Vila Real de Santo António Vila Real de Santo António Silves Tav ira Silv es Tavira Aljezur Tavira Olhão Lagoa Vila do Bispo Vila do Bispo Castro Marim São Brás de Alportel Castro Marim Polo Vila Real de Santo António Castro Marim São Brás de Alportel São Brás de Alportel Aljezur Monchique Vila do Bispo Monchique Aljezur Monchique Alcoutim Alcoutim RANKING LOCALIZAÇÃO DIMENSÃO CONECTIVIDADE Albufeira 135 Polo Portimão 156 Polo Faro 157 Portimão 206 Loulé 214 Faro 247 Lagos 306 Lagoa 317 Polo Vila Real de Santo António 395 Vila Real de Santo António 400 Olhão 424 Silves 424 Tavira 455 São Brás de Alportel 525 Vila do Bispo 526 Castro Marim 571 Aljezur 591 Monchique 657 Alcoutim 704 RANKING INDICE SINTÉTICO DE POTENCIAL POLICÊNTRICO TabelaTabelaTabelaTabela 6666 ---- Indice sintético de potencial policêntricoIndice sintético de potencial policêntricoIndice sintético de potencial policêntricoIndice sintético de potencial policêntrico A primeira imagem ilustra a visão que pensamos ser consequente da aplicação do PROT Algarve, tal qual se encontra matizado no modelo territorial proposto. Desta forma, prevalece na região uma abordagem essencialmente polinucleada, com grande expressão bipolar em torno de Faro e Portimão, centralizadores de influências, sugadores de investimentos e equipamentos e com fraca capacidade de promover complementaridades entre si, quanto mais com os restantes concelhos do Algarve. Veja- se que esta ligação preferencial, não se concretiza sem inevitavelmente atravessar Albufeira. Contudo, nesta visão, Albufeira surge diminuída em todas as valências em que poderia participar em prol da organização regional, apesar de estar perfeitamente equidistante entre os dois principais pólos, podendo estabelecer a ponte entre ambos.
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 95 Este posicionamento enfraquecido, provocativamente decadente, arrolado para Albufeira revelar-se-á igualmente, ou pior, nos outros centros algarvios. Com esta visão centralizadora, embora em dois pólos, acentuar-se-ão as assimetrias intra regionais e o afastamento progressivo aos centros de decisão. IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 39393939 ---- Aplicação esquemática do PROTAL 2007: bipolar (modelo) e policêntrica (retórica)Aplicação esquemática do PROTAL 2007: bipolar (modelo) e policêntrica (retórica)Aplicação esquemática do PROTAL 2007: bipolar (modelo) e policêntrica (retórica)Aplicação esquemática do PROTAL 2007: bipolar (modelo) e policêntrica (retórica) (elaboração própria)(elaboração própria)(elaboração própria)(elaboração própria) Por oposição, configura-se uma visão policêntrica, à luz dos pressupostos e pilares essenciais de que se reveste, sintetizando igualmente o potencial calculado pelo ISPP. Nesta ilustra-se morfológica e funcionalmente os pilares do policentrismo, com uma distribuição equilibrada (quase equidistante) dos nós, com dimensões semelhantes (se considerarmos a conjugação de várias dimensões, e não só a demográfica) entre as quais se estabelecem fluxos relacionais e complementares, mais ou menos intensos,
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 96 sobretudo numa sub-região compreendida em toda a frente Litoral, principalmente entre Portimão e Faro. Há que estimular sinergias e reforçar as relações institucionais, que as estruturais potenciam. Há claramente uma mais-valia na estruturação linear do sistema urbano regional, se pensado em conjunto e de forma complementar. Considera-se também, que por inerência, os restantes nós regionais, mesmo que com baixo potencial policêntrico poderão beneficiar da forma exemplar que um processo de cooperação competitiva se estabeleça. Uma região equilibrada e funcionalmente articulada crescerá sustentadamente e estará melhor preparada para competir, quer no quadro nacional, quer transnacional, sobretudo no europeu e mais especificamente com a região espanhola limítrofe, com padrão funcional mais diversificado que o Algarve (e cujas boas práticas e/ou erros urge acompanhar para, consoante o caso, seguir ou evitar). A opção é clara: uma região desestruturada, fortemente hierarquizada com dois pólos dominantes, dos quais não resultam benefícios de maior na promoção conjunta da região em âmbitos escalares superiores, ou uma região coesa, complementar, próxima, bem organizada e policêntrica capaz de cumprir o papel de integração do Algarve nos contextos referidos. 6.3 Albufeira – “Que tenho eu de distinto?” “(…) A competitividade de um território é equacionar a forma de melhor valorizar as oportunidades que se lhe deparam, sejam estas decorrentes dos atributos endógenos, sejam decorrentes do enquadramento exógeno, ou ainda da interacção entre as duas”. Raul Lopes, 2001 Partindo do pressuposto que a visão policêntrica serve o Algarve e cumpre os seus desígnios de competitividade e desenvolvimento, desperdiçar as potencialidades evidenciadas por Albufeira será um erro que certamente toda a região pagará. Os últimos anos têm sido marcados pela perda sucessiva de oportunidades. Ao não terem sido aproveitadas ou as fortalecem, (evidenciando a sua premente sub utilização) ou as relegam definitivamente para o lote das oportunidades perdidas.
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 97 As potencialidades que o exercício anterior sistematizou para Albufeira traduzem-se genericamente em quatro frentes que se cruzam e interagem entre elas. A primeira abarca conjuntamente os potenciais da centralidade e acessibilidade, a segunda os potencias económico/empresarial e de emprego, a terceira o potencial turístico e por fim o potencial demográfico. Para cada uma delas há um conjunto de medidas e projectos que ajudarão a concretizá- las e firmá-las no contexto regional em prol da concretização dos objectivos preconizados pelo PROT Algarve, nomeadamente a constituição duma região urbana policêntrica que, como vimos, lhe será vantajosa do ponto de vista organizacional, competitivo e funcional. No contexto regional a centralidade de Albufeira é inequívoca, não só pela localização privilegiada que actualmente detém, como pelas boas acessibilidades a qualquer um dos sub-sistemas urbanos de Faro e de Portimão. As funções de articulação entre estes e de ligação a Lisboa tornam-na estruturante ao nível da região e posicionam-na enquanto rótula estratégica de distribuição do tráfego regional. Deste modo considera-se fundamental reforçar o papel de Albufeira enquanto centro chave essencial no traçado do modelo urbano regional, caracterizado por uma especialização territorial assente no turismo, mas também com potencialidades derivadas da sua localização, passíveis de constituir uma plataforma estratégica de articulação da e na região, pela capacidade de afirmação que possui, com uma base económica sólida e com um dinamismo endógeno que é susceptível de gerar externalidades positivas para os centros urbanos envolventes, inclusive Faro e Portimão. As complementaridades horizontais são cada vez mais uma via de consolidação do desenvolvimento regional, devendo Albufeira assumir o seu papel com determinação e empenho. Neste contexto Albufeira pretende assumir-se cada vez mais como centro de mobilidades e de acessibilidades, tornando-se fundamental re-centrar o transporte ferroviário na sua estratégia de desenvolvimento e de sustentabilidade. Conseguir mobilizar esforços no sentido de concretizar nas Ferreiras um interface rodo-ferroviário de dimensão regional, responsável pelo escoamento e distribuição de passageiros da e na região, é um objectivo estratégico que se traduz na proposição do Intermodal regional das Ferreiras. Este, vocacionado para o tráfego de passageiros, mas também de mercadorias, consolidaria a importância do modo ferroviário para o ordenamento do território regional, cujo abandono, desde logo no anteplano de Dodi em 1966, foi um erro
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 98 crasso que comprometeu o desenvolvimento e a conectividade intra-regional, conforme sinalizou Gaspar num encontro realizado em Faro sobre ordenamento do território (13 de Julho, 2010). Em termos económicos pretende-se enquadrar, no território, o conjunto das actividades consideradas mais aptas e estratégicas e desincentivar as menos interessantes num quadro de desenvolvimento local sustentado. Na figura seguinte esquematiza-se os sectores que naturalmente devem configurar a estrutura económica concelhia. É inevitável, e seria absurdo, não contar com as actividades turísticas que a devem basear. Contudo é possível enveredar por uma escalada de qualificação das unidades, dos produtos, dos serviços e cumulativamente do destino, que possa contribuir para mudar a sua imagem massificada, eventualmente desgastada junto de alguns mercados. Associado a estas actividades, alia-se um quadro de serviços de retaguarda, que Albufeira deverá estruturar de forma equilibrada, sendo essencial prever o respectivo alcance territorial, sobretudo da faixa compreendida entre a Guia e Ferreiras, que actualmente o sustenta. Esta área que o actual PDM já classifica, ou como zona de comércio, indústria e serviços ou de expansão para esse fim, deverá ser preparada para cumprir eficazmente funções de armazenagem e distribuição, de inúmeros bens e recursos, nomeadamente os alimentares, de desgaste ou energéticos. Deve igualmente posicionar-se para acolher novas formas de procura e unidades que usem maiores factores de inovação. A IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 40404040 ---- Diagrama prospectivo da base produtiva de Albufeira (Diagrama prospectivo da base produtiva de Albufeira (Diagrama prospectivo da base produtiva de Albufeira (Diagrama prospectivo da base produtiva de Albufeira (elaboração própria)elaboração própria)elaboração própria)elaboração própria)
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 99 consolidação desta plataforma logística revela-se vital na prestação de serviços a toda a região, dada a localização já evidenciada, mas sobretudo por estar junto da faixa turística litoral. Com a implementação do Plano de Pormenor do Escarpão que compreende o mais importante núcleo de pedreiras de calcário da região, ora em elaboração, acredita-se que existem excelentes condições para o desenvolvimento das actividades extractivas, seja no cimentar de uma posição destacada que possui já nesta matéria em termos regionais, seja no desenvolvimento de um conjunto de actividades industriais baseada na fileira da pedra. Entre estas, mostra-se de primordial importância a centralização, neste núcleo, de centrais de reciclagem de resíduos de construção e demolição, que se pretende galvanizar, maximizando economicamente um caminho de reabilitação urbana que tenderá a ser seguido na região (dada a idade do edificado e o crescente desajuste estético e funcional deste) devido aos actuais padrões de procura turística. Este factor associado à centralidade regional e à oportunidade prospectiva de estabelecer-se uma ligação ferroviária deste núcleo com a linha do Sul, elevará o potencial económico destas actividades, cobrindo rápida e eficazmente toda a região algarvia, assim como boa parte do Baixo Alentejo. Em consonância com as actividades mencionadas, poderá ganhar expressão a produção energética, previsivelmente no âmbito da energia solar e, noutras localizações, da energia eólica. As actividades primárias, num regresso às origens, deverão constituir-se como a cabeça do corpo produtivo local. Destas relevam-se a hortifruticultura e a pesca, ambas com elevados potenciais de afirmação e crescimento regional. Dever-se-ão estreitar os laços que as unem com as actividades turísticas, devendo direccionar-se a produção, numa primeira instância, especificamente para esse mercado e para os seus principais consumidores, unidades hoteleiras e restauração. Talvez as favas e ervilhas, que outrora deliciavam lisboetas, possam hoje alimentar todo um mercado turístico que desagua em Albufeira. Para aproximar estes sectores, aparentemente tão próximos (os turistas tem de comer!), mas na realidade tão distantes, há que enveredar por caminhos de sedução que abracem processos de certificação de produtos, trabalho cooperativo, agilização dos processos de comercialização e distribuição dos mesmos. Na verdade, Albufeira poderia voltar a dar cartas neste sector, onde durante séculos usou as suas vantagens locativas. O obstáculo situa-se uma vez mais na palavra-chave, cooperação, que o quadro cultural regional não consegue promover e, até, parece desincentivar. Ainda nas actividades primárias, há que criar condições para o desenvolvimento do subsector da floricultura, já amplamente presente na economia local, nomeadamente na freguesia rural de Paderne
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 100 em pleno Barrocal algarvio, cuja produção é maioritariamente exportada para os países do centro e Norte da Europa. De igual forma e com vista a cimentar o posicionamento dianteiro deste concelho, devem ser estimuladas com algum empenho, actividades relacionadas com as indústrias criativas e artísticas, procurando agilizar as dinâmicas do associativismo local que se expressa em Albufeira com significativa relevância. Crê-se que em todos os sectores mencionados existem condições para reforçar Albufeira como centro polarizador de emprego, contribuindo igualmente para a diversificação da base produtiva local, para a diminuição da dependência das actividades turísticas, que continuarão a dominar, e para estímulo de potencialidades adormecidas em termos económicos (cujos filões estão lá mas não devidamente explorados). Na frente turística o potencial é por demais conhecido. A beleza natural cativou desde sempre os turistas. Nas praias de Albufeira estes encontravam simbioses de formas (praias alongadas com areal a perder de vista, como na Falésia, Rocha Baixinha e Salgados ou praias encaixadas nas falésias como São Rafael, Coelha ou Castelo) e uma paleta de cores, forte, mas harmoniosa (azul do mar, dourado do areal, brique das falésias e o verde da vegetação envolvente) que deliciavam e continuam a deliciar quem as visita. Este é indubitavelmente um elemento distinto deste concelho que, urge cuidar e enaltecer. Há que inovar nos produtos e nos serviços. Ter mais, só, não chega, há que ter diferente. É na procura da diversificação e complementaridade dos produtos turísticos locais e regionais que deverá assentar a distinção de Albufeira. Contudo, no quadro regional, o facto de possuir a maior capacidade hoteleira não pode de todo ser desprezada, constituindo uma vantagem comparativa enorme no âmbito de uma região, quase, mono especializada no sector turístico. Dever-se-á imprimir uma dimensão cultural, em sentido lato, cujos equipamentos agora propostos virão consolidar de forma evidente, nomeadamente o Museu do Barrocal em Paderne, o Museu do Turismo e o Auditório Algarve em Albufeira. Todos eles deterão escala e impacte regional, podendo agregar factores de inovação importantes na solidificação do destino e na vivência da população residente. Outra frente que se encontra em desenvolvimento perfila-se no centro de estágios de alta competição associado à pista das Açoteias, cujo projecto valorizará sobremaneira a região neste tipo de produtos. Para breve perspectiva-se a existência de um parque de feiras e exposições que, a par de iniciativas privadas como a
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 101 conclusão do centro de congressos nos Salgados e a anunciada remodelação da praça de touros de Albufeira, possam colocar ao serviço da região um conjunto de equipamentos que permita acolher eventos de largo espectro, até hoje inviáveis neste concelho. Estas duas últimas referências visam promover a procura de Albufeira fora da época alta, combatendo-se assim a sazonalidade que caracteriza os destinos turísticos assentes no produto sol e praia. Por último, em termos demográficos o potencial instalado deverá servir para reclamar a resolução de um dos principais problemas que mina a gestão urbana do concelho de Albufeira, encabeçado por uma política regional desatenta, para não dizer cega, face às reais dinâmicas evidenciadas. Este problema prende-se com a necessidade de serem desenvolvidos equipamentos e infra-estruturas com capacidade para servir uma população abstracta, anónima mas continuada e presente durante a denominada época alta (quase metade do ano) que chega a atingir variações na ordem dos 800 % a 1000 % conforme sinalizou o estudo de avaliação do PROT Algarve (2000d). Por tal motivo há que pensar Albufeira como uma cidade de maior dimensão, cujas infra-estruturas deverão ser projectadas não só em função da população residente, mas também em função da necessária capacidade de resposta ao turismo que gera. Com esta visão contraria-se frontalmente a postura da administração que tem defendido a tese do sobredimensionamento dos equipamentos existentes para um período de época baixa, quando o que deverá presidir a esta questão é precisamente o inverso, o subdimensionamento dos mesmos em época alta. A visão redutora incompatibiliza-se claramente com os desígnios de um destino turístico consolidado e com a projecção que Albufeira detém no panorama regional. Esta questão é premente, sobretudo ao nível dos equipamentos de saúde, área em que as suas vantagens locativas poderiam ser utilizadas. Porém a cultura institucional da região aliada a uma administração movida por desígnios políticos, tradicionalmente pouco clarividentes, tem desprezado esta característica impar, que lhe seria altamente benéfica. Os fluxos catalisados por Albufeira não são apenas turísticos. Os movimentos pendulares acima mencionados traduzem igualmente sobrecarga de serviços e equipamentos, nomeadamente os escolares. Consciente desta realidade o concelho previu na sua Carta Educativa a resposta a uma procura efectiva de 110 % para os níveis de ensino pré-escolar e básico do 1.º ciclo. Dará assim cobertura aos descendentes dos indivíduos provenientes dos concelhos limítrofes, que diariamente se deslocam para Albufeira por motivos profissionais.
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 102 A conjugação de todas as medidas e projectos referidos dará escala em potência, à posição estratégica de Albufeira e no seu contributo para a constituição da região urbana policêntrica algarvia. Reitera-se que apesar do esforço de retraimento a que Albufeira foi submetida nos instrumentos de gestão do território regional, esta tem prosperado e conseguido firmar- se na região, graças ao conjunto de vantagens comparativas acima expressas e que a potenciam como um dos seus nós mais dinâmicos. No entanto um ataque tão declarado, aparentemente intencional e continuado por parte da administração, tenderá a traduzir- se em desinvestimento e esvaziamento gradual do natural e inequívoco potencial deste concelho. O que move tal afronta parece prender-se com o facto de Albufeira querer, e conseguir apesar de tudo, firmar-se em sectores que não apenas o turismo, podendo daí cimentar um posicionamento regional incomodativo, talvez, para os nós que já detêm ou querem promover essas funções. Mesmo não sendo eficazes na geração de efeitos multiplicadores para a região, são, no entanto, apadrinhados pela administração. Não devemos esquecer, porém, que toda e qualquer proposta formulada para Albufeira passará, inevitavelmente, pela apreciação e crivo daqueles que institucional e politicamente a remeteram para uma posição subalternizada na região algarvia. No âmbito do processo de revisão do PDM de Albufeira adivinham-se negociações conturbadas, pautadas por uma atitude tecnocrática da parte duma entidade, institucional ou pessoal, que agiu até hoje com viseiras e com lupa invertida em relação a este Município. Albufeira deverá provar com dinamismo, pró-actividade e racionalidade, a proposição de um plano que consagre a sua importância regional e as suas vantagens comparativas, afirmando-as no quadro duma região urbana policêntrica em que deve, e quer, participar de forma activa, cooperante e dinâmica. Marcar uma posição regional pressupõe definir o quadro estratégico e orientador que, localmente, ponha ao serviço do território concelhio as dinâmicas e oportunidades por ele geradas. Só uma base sólida e um pleno comando da acção concertada dessas oportunidades poderá elevar o papel determinante de Albufeira e o seu acolhimento efectivo no quadro territorial mais vasto, o regional.
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 103 7. Orientações e recomendações para o Município “O planeamento do desenvolvimento regional deverá produzir território”. António Covas, 1997 Segundo Pòlese (1998: 217) o desenvolvimento local, mais do que um conceito, constitui um ideal. É ao nível local que os factores de desenvolvimento e competitividade tendem a manifestar-se de forma mais evidente e com maior eficácia, centrando-se nos territórios a escalas cada vez mais reduzidas. As autarquias locais deverão constituir-se, naturalmente, como as principais impulsionadoras desses processos. É para o Município de Albufeira, actor privilegiado na consecução e promoção do quadro político e instrumental que conduza à afirmação do concelho no contexto regional, que se direcciona o seguinte conjunto de orientações e recomendações. As autarquias têm responsabilidades ao nível da elaboração, alteração, revisão e gestão dos instrumentos que classificam e qualificam os solos municipais. Nestes documentos, identificam-se os territórios que, de acordo com um programa estratégico, configuram o modelo de desenvolvimento que se procurará implementar. A forma clara como esse modelo se processe, será certamente um meio facilitador do seu sucesso, operacionalidade e afirmação regional. Contudo, esta gestão territorial não pode ser vista fora do vasto campo de actuação das autarquias, cruzando-se com questões de financiamento, de prioridade, de atendimento/cobertura e com as atribuições e competências, com incidência territorial ou não, de índole material ou imaterial. No relatório final do estudo da UALG (1997c) que aferia a articulação dos instrumentos de gestão territorial e sectorial, nomeadamente os PDM, o PROTAL (de 1991) e Plano Regional do Turismo, com as respostas dadas por estes no contexto de uma região com as características do Algarve, Albufeira ocupou um lugar modesto. Ora este foi completamente contrário ao sentido das conclusões obtidas nos relatórios de caracterização e diagnóstico que o precederam (UALG, 1997a; 1997b), onde Albufeira revelava, nos indicadores analisados (demográficos, económicos e urbanísticos), dinâmicas bastante favoráveis e destacadas no quadro regional. No mesmo estudo, com base na interpretação desses indicadores e das propostas de PDM, sintetizou-se um modelo de organização espacial do Algarve, onde concelhos como Lagos, Silves e Olhão, acabaram por merecer um posicionamento sobrevalorizado, que não se
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 104 compadecia com a realidade e não se veio a verificar. Esta situação conduz-nos a que em 1995 o PDM de Albufeira não tenha conseguido, num contexto comparativo com os restantes PDM dos concelhos algarvios, expressar a força e dinâmica local necessárias à afirmação do seu potencial, traduzido numa posição mais destacada e próxima da realidade. Faltou-lhe ambição e visão estratégica prospectiva, que colmatou com as próprias leis do mercado, de oferta e procura, que o quadro locativo, económico e demográfico, aparentemente vantajoso, se encarregou de promover. É na correcta e informada gestão da influência que o Município detém ao nível do ordenamento do território que se deverá nortear agora, a sua actuação, combatendo o subposicionamento a que foi submetido do quadro apreciativo da UALG, e reiterado na revisão do PROT Algarve, com vista à utilização e majoração das suas vantagens e especificidades. Dever-se-á seguir o lema “ordenar acolhendo”. Tal implica imprimir nos instrumentos que gere, a necessária permeabilidade, dinamismo e flexibilidade, que possa garantir a fixação de investimentos verdadeiramente estruturantes para o desenvolvimento local e/ou regional. Esses instrumentos devem dar bom encaminhamento aos projectos cuja valência, pertinência e necessidade sejam reconhecidas e não servir para os barrar, sem descurar o respeito e promoção dos valores em presença e a própria sustentabilidade territorial. O território é um bem escasso. Conforme defendido por Veltz (1995 in Lopes, 2001: 239) há que considerar o ordenamento do território, não como um processo de redistribuição, mas como um conjunto de políticas que favoreçam a criação de recursos e de riquezas novos. Esta abordagem centraliza o desenvolvimento económico dos territórios na densidade e qualidade das ligações estabelecidas entre os actores, na pertinência dos quadros colectivos de acção, no rigor dos projectos e nas antecipações do futuro, em detrimento das infra-estruturas ou dos equipamentos, importantes, mas não primordiais. Face às potencialidades evidenciadas por este concelho, importa, através dos instrumentos de planeamento adequados e que de si dependem, estabelecer os quadros, primeiro estratégicos, depois normativos que consigam transpor para o território, a visão e objectivos propostos. Dentre os instrumentos disponíveis, é claramente o Plano Director Municipal, que deve concentrar e espelhar as linhas de actuação conducentes à prossecução de uma dada estratégia.
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 105 O novo PDM deverá assumir-se liminarmente como uma vantagem competitiva nas suas diferentes dimensões e âmbitos de acção. Os instrumentos de planeamento municipal continuam a dispor de forma demasiado rígida sobre a ocupação dos solos, pelo que um plano que estabeleça simplesmente um quadro normativo, indicador de restrições e regulador das actividades económicas que dependam directa ou indirectamente do seu uso não servirá certamente os propósitos vinculados a esse território. Há que dar um salto qualitativo, agregar-lhe uma função estratégica, aguerrida e competitiva, mas simultaneamente coerente, sustentável e racional, conforme preceituado e desejado para os PMOT de segunda geração. De acordo com Pereira (2009: 97) a valorização da gestão do plano deverá impor-se à sobrevalorização do plano. Ora, por deliberação camarária de 23 de Abril de 2003 deu-se início formal ao processo de revisão do PDM de Albufeira (ratificado pela RCM n.º 43/95, de 4 de Maio), sede em que a posição subalternizada aferida na revisão do PROT Algarve poderá ser combatida. Com base nas premissas mencionadas no ponto anterior, há que definir o rumo da revisão, o qual deverá ser precedido ou acompanhado de uma estratégia de desenvolvimento local, que potencie práticas continuadas de promoção da participação e da cidadania. Estes processos deverão contar com uma forte componente comunicacional assente nas novas tecnologias e no e-planning mas também em iniciativas integradas nas denominadas democracias deliberativas, por exemplo no quadro duma Agenda 21 Local ou no desenvolvimento de orçamentos participativos. Estas práticas revelam-se eficazes numa governança facilitada e comprometida com os reais interesses colectivos, no quadro de uma gestão partilhada, co-responsável e cúmplice, que estreita fronteiras e descomplexa as relações entre quem decide e quem é alvo das decisões. Este quadro implicará uma gestão redobradamente cuidada em que todas as decisões deverão ser tomadas na máxima consciência da sua utilidade e pertinência, evitando o desperdício e promovendo o sentido de oportunidade. Para a governança local as palavras de ordem deverão rondar os conceitos da transparência, da responsabilidade, da eficácia, da coerência e, como vimos, da participação. O Município deve assumir-se no seu PDM, como actor dinâmico e empreendedor, trabalhando em prol da geração de novas oportunidades para a comunidade, empresas e território, com vista ao desenvolvimento sustentado e à tomada de decisões próximas da população. O Município deve constituir-se como promotor do crescimento económico e do emprego e não um obstáculo a esses fins. Por um lado, não poderá descurar a sua função estratégica, estabilizadora e próxima, uma vez que é um alvo fácil de cobrança imediata e resolutiva por parte dos munícipes e empresários; por outro, terá de aprender
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 106 a lidar com dificuldades orçamentais graves, derivadas por exemplo, da previsível diminuição de receitas próprias, nomeadamente na arrecadação de impostos directos e indirectos ou da prestação de serviços correntes. Existe uma certa síndrome de dependência face ao papel da administração, que deverá ser contrariado em prol do policentrismo e da potenciação de cidadãos menos reivindicativos e mais empreendedores (Pòlese, 1998: 214). Há que promover complementaridades e parcerias; em Portugal estas têm pouca tradição nas relações entre os diferentes níveis da administração e destes com os actores privados. Timidamente surgem exemplos de cooperação e contratualização entre Municípios, entre estes e privados e/ou outros organismos públicos. Estas formas de actuação conjunta podem ganhar vários contornos e dimensões temporais e territoriais, temáticas e sectoriais. Há que seguir os exemplos desenvolvidos, por exemplo, no quadro das Redes Urbanas para a Competitividade e Inovação, integrando Albufeira uma rede territorial e outra temática, que procuram contribuir para estreitar relações e promover práticas de colaboração efectiva. Os resultados de ambos são ainda pouco visíveis, esperando-se porém que, após desenvolvimento, cultivem no mínimo um espírito mais empreendedor e de cooperação competitiva. Ao nível do ordenamento do território, por exemplo, a potenciação de parcerias público – privadas pode qualificar e optimizar recursos, reduzir despesas, agilizar procedimentos e aumentar os níveis de confiança entre ambos. Tal situação deverá sustentar-se no desenvolvimento de instrumentos mais pró-activos que integrem uma visão prospectiva para os IGT’s, articulando objectivos, estratégias e projectos, que promovam a convergência dos interesses públicos e privados e formas de participação construtiva da cidadania nos processos de decisão local, mediados, em última instância pelos eleitos locais (Portas et al, 2003). Em Albufeira há exemplos recentes de contratualização para o desenvolvimento de IGT, nomeadamente PP e ou PAT incidentes em zonas de comércio, indústria e serviços previstas no actual PDM. Há porventura que replicar esta prática para outros territórios, localizações e fins no quadro concelhio. O benchmarking enquanto instrumento comparativo, de suporte e apoio à decisão deverá constituir-se como um método de trabalho, sendo um meio e não um fim de processo. Neste, a solução passa, não pela imitação de casos de sucesso de outras regiões, mas por uma prévia avaliação crítica da sua adequação às realidades locais. No Algarve as práticas traduzem-se na imitação predadora, aniquiladora e pouco elucidada. A forma como acontece não demonstra, quase nunca, a mínima vontade de promover
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 107 conjuntamente ideias, projectos e equipamentos reconhecidos como válidos e úteis para o desenvolvimento integrado, sustentável e racional de toda a região. Prevalecem os movimentos individualistas, nimby, completamente enraizados na cultura local e regional, com consequências adversas ao nível político institucional. IlustraçãoIlustraçãoIlustraçãoIlustração 41414141 ---- Principais desígnioPrincipais desígnioPrincipais desígnioPrincipais desígnios para o Município de Albufeiras para o Município de Albufeiras para o Município de Albufeiras para o Município de Albufeira (elaboração própria)(elaboração própria)(elaboração própria)(elaboração própria) Em prol da coesão territorial e social há que promulgar a complementaridade das políticas face à dispersão das tutelas e dos investimentos da administração sobre
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 108 territórios desiguais. Torna-se necessária uma intervenção pró-activa, inovadora e participada no processo de desenvolvimento local o que representa um desafio à imaginação e à capacidade de intervenção do Município, na forma de adequar o estilo de planeamento e intervenção à especificidade sócio territorial do desenvolvimento que promove. Os conceitos de sustentabilidade territorial e ambiental devem aliar-se na prossecução efectiva desse desenvolvimento, sendo necessário “praticar a sustentabilidade” em todas as tomadas de decisão. Dever-se-á promover, no Município, uma consciência de entrepreneurship local, que constitua a chave das estratégias do seu desenvolvimento (Pòlese, 1998: 220) e consequentemente da competitividade num âmbito territorial superior, nomeadamente o regional. É neste sentido que a inscrição dos potenciais e dinâmicas locais de Albufeira no quadro dos instrumentos de gestão e desenvolvimento territorial regional, acredita-se, permitirão tornar o Algarve mais competitivo e eficaz nos contextos de concorrência em que opera, nacional ou internacionalmente. Na ilustração anterior resume-se o quadro orientador com os desígnios que o Município de Albufeira deverá abraçar para se estabelecer, cada vez mais, como peça fundamental do seu desenvolvimento local e contribuinte para um desenvolvimento regional integrado.
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 109 Reflexões Finais No planeamento territorial o policentrismo trata da análise das aglomerações urbanas, dos sistemas urbanos, das redes que integram e das relações que estabelecem. Os três pilares que sustentam este conceito – a localização, a dimensão e a conectividade, revelam-se de extrema importância na construção de visões, políticas e modelos que o espelhem, ora do ponto de vista estrutural ora institucional. Ainda que o conceito suscite simpatia teórica pelo exalar de bom senso e simplicidade, a sua aplicação prática enfrenta inúmeras dificuldades – é de difícil medição e provoca oposições dos valores e poderes instalados, requer difíceis reorientações de investimento público e uma mudança de atitude mental e cultural difícil de apreender por parte dos decisores e da população, sobretudo nas regiões portuguesas e em particular no Algarve, historicamente viciado no individualismo, na desconfiança e no combate intra regional (entre si e com os poderes centrais) mais do que na competição cooperante. A reter deste conceito como meta duma política transversal de ordenamento territorial, está a passagem da competição à complementaridade, sendo necessário dar um salto qualitativo, difícil para territórios que sempre competiram entre si. Para tal há que romper com os horizontes estritamente locais e fechados e focar-se em lutas mais gerais pela equidade e democracia. São necessárias Administrações, seja em que escala for (dada a multiescalaridade do conceito), que reúnam, por um lado, a vontade de articular o território de um modo mais sustentável, mais eficiente e mais equitativo e, por outro, a capacidade de desenhar e fazer prevalecer as políticas através da abertura e diálogo entre administrações locais, com a iniciativa privada e com os cidadãos (Nel-lo, 2007: 36). Em suma, o policentrismo é um conceito analítico, normativo e propositivo que permite: • Analisar uma rede urbana e caracterizá-la face a um conjunto de parâmetros que indiciam a sua existência imaterial em maior ou menor grau; • Propor um conjunto de medidas operacionais tendentes a fazer evoluir essa rede ou sistema urbano, de um estado individualista, autónomo, pouco integrado e ensimesmado para um estado mais coeso, eficaz, competitivo, cooperante e
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 110 complementar, logo com maior policentricidade, capaz de se afirmar em contextos escalares de ordem superior, com ganhos e vantagens para todos os seus intervenientes. Como demonstram os documentos que servem de enquadramento às políticas actuais e futuras, os planos nacionais, regionais e os vários instrumentos de âmbito local, manter- se-á a importância das cidades como elementos estruturantes do território nacional e neste âmbito, as políticas nacionais, regionais e locais deverão conseguir responder a esta tendência (Marques da Costa, 1999: 136). No Algarve deverá ser nas cidades, enquanto nós privilegiados de uma rede em potência, que se deve ancorar e criar os mecanismos de solidariedade e reforço da competitividade (MCOTA, DGOTDU, 2002). Porém, a falta de escala e de diversidade funcional na região aconselham à cooperação entre elas procurando-se os benefícios das economias de escala, da complementaridade, solidariedade regional e dos desígnios policêntricos. Uma organização estruturada, funcional e activa do sistema urbano facilitará e ajudará a vencer os desafios da qualificação e da competitividade que o Algarve enfrenta. Em consonância com os documentos de planeamento territorial de ordem superior, também no processo de revisão do PROT Algarve se inscreveu o conceito de policentrismo. Tal inscrição traduziu o reconhecimento do potencial que o sistema urbano algarvio detinha para configurar, segundo os seus promotores, uma região urbana policêntrica. Neste quadro propagandeou-se amplamente uma visão policêntrica para o Algarve, assim como os objectivos por ela promulgados, nomeadamente na geração de sinergias, ganhos de competitividade e coesão territorial fruto de uma cooperação em rede, complementar e dinâmica. Concluí-se sobre a existência, no Algarve, de um potencial policêntrico ao longo de toda a faixa meridional, de Lagos a Vila Real de Santo António, mas sobretudo entre a primeira e Olhão. A assunção da importância estratégica de promover uma região urbana policêntrica é inevitável para evidenciar e fazer participar o Algarve em escalas mais amplas, de forma concorrencial ou complementar, em todas as suas valências e aptidões, não só turísticas (já amplamente difundidas, mas a carecer de qualificação e introdução de factores de inovação), como empresariais, tecnológicas, comerciais, agrícolas e associadas ao mar. Contudo, embora o PROT Algarve se reclame, retoricamente, como promotor de um modelo policêntrico, na verdade afirmou-se em acções que lhe são contraditórias, tornando-o em mais um documento inconsequente para a competitividade e
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 111 desenvolvimento regional, juntando-se a tantos outros que fazem o Algarve parecer ter crescido sem plano, alvo de clientelismos e servido por um planeamento à la carte, cujas marcas e evidências são ainda hoje comprometedoras ao nível paisagístico e outros. Com a revisão do PROT Algarve pretendia-se dar início a um novo ciclo de planeamento regional que se desejava mais eficaz, mais amplo, mais integrado e mais participado (Catita, 2007). Em todas estas frentes, quanto a nós, este processo falhou. Modelizou-se a partir de uma base errada, fazendo-se tábua rasa do diagnóstico regional, menosprezando assim a própria realidade. Denota-se nesta opção uma elevada carga de intencionalidade e outra de manipulação e orientação política que acabaram por ser fortemente penalizadoras, em termos prospectivos, para o território algarvio e em particular para Albufeira. Negligenciar os diagnósticos, estudos e avaliações conduz a que desta forma os objectivos e cenários preconizados nos planos dificilmente obtenham os resultados desejados. A regulação e apoio da dinâmica gerada em torno das actividades turísticas a que aludia Guerreiro (2002: 83), como orientação para o processo de revisão do PROT Algarve, não foram, estranhamente, consideradas. A superficialidade com que o turismo foi tratado no modelo regional, denuncia a pouca intencionalidade da sua requalificação. Lembramos que esta actividade foi responsável pela mutação do Algarve e representou a passagem de um estado de miséria que a colocava entre as regiões mais pobres da Europa à situação de phasing out em que se encontra hoje no quadro da sua política regional e de coesão. Não esqueçamos, o Algarve é uma região turística e é nesse âmbito que deverá ser intervencionada. Neste processo prevaleceu uma acção institucional circunscrita, limitada, desfavorável ao desenvolvimento da própria região, mas suficientemente influente para fazer pautar as opções políticas das key persons regionais nos desígnios, politicas, instrumentos, investimentos e acções, totalmente arraigadas nos padrões culturais da região, e, só por si, limitativos de um quadro de desenvolvimento comum, conjunto e complementar. Aliás, é esta cultura que coloca em evidência a ausência de uma visão estratégica claramente pensada para o desenvolvimento territorial, elevando um quadro administrativo ao estatuto de decisor máximo, papel poucas vezes questionado e quase nunca contrariado, mesmo quando são gritantes as incongruências por ele promovidas. O papel atribuído a Albufeira no quadro deste processo de revisão do PROT Algarve, é bem exemplo disso. Há que esbater preconceitos, vícios e manobras de bastidores de forma a entender o território e os nós que o compõem como relevantes e potenciadores de um
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 112 desenvolvimento integrado e duma competitividade conjunta. Há que investir na capacidade organizativa/institucional procurando, primeiro com objectivos mais pequenos, de curto prazo e rápida concretização – estimular a confiança mútua, o entendimento e trabalho relacional e, posteriormente, a adopção de políticas cada vez mais complexas e projectos com maior envergadura e projecção. A acção centralizadora direccionada para Faro e Portimão, no PROT Algarve, contraria sobremaneira o conceito e os pressupostos do policentrismo. O potencial de Albufeira foi liminarmente desperdiçado, sobretudo em termos turísticos, económicos/empresariais, demográficos e locativos. Inexplicavelmente desprezou-se um dos mais dinâmicos centros urbanos da região que, apesar das contrariedades e subposicionamento a que tem sido votado em inúmeros instrumentos de planeamento regional, prosperou e consolidou um vasto conjunto de vantagens comparativas em relação aos restantes concelhos da região. Ao negar-se Albufeira no modelo regional (por exemplo na diminuição da acessibilidade, ao não ser aceite o intermodal das Ferreiras e uma estação de TGV; na irracionalidade de não integrá-la no âmbito das redes de transporte públicas ferroviárias; ao desprezar a equidistância enquanto factor de competitividade, desperdiçando uma especificidade irreprimível; na ausência propositiva de investimentos ao nível do ensino; na incompreensível falta de visão estratégica para empreender um esforço colectivo de requalificação do turismo) contribui-se para coarctar o seu desenvolvimento e negar, igualmente, o modelo policêntrico preconizado no PROT. Albufeira cresceu primeiro em sectores onde todos na região quiseram e querem crescer. Daí resultou um certo mau estar que emana ora dos concelhos congéneres, ora das entidades da administração central, nomeadamente da CCDR Algarve. Este traduz- se de forma mais que evidente na revisão do PROT Algarve ao penalizar em propostas, investimentos e posicionamento estratégico, o concelho de Albufeira, num quadro regional que, reiteramos, se afirmava policêntrico. Nos resultados do ISPP desenvolvido, o contributo do pólo central liderado por Albufeira, manifesta-se importante na maioria dos potenciais estudados e para a concretização dos principais objectivos estratégicos territoriais. Este mostra-se, nalguns casos, mais significativo que a aglomeração liderada por Portimão. É na aproximação e articulação funcional desta com a aglomeração de Faro que Albufeira deverá ser valorizada no modelo regional, confirmando-se e fortalecendo-se nos sectores e actividades em que, já hoje, desempenha eficazmente e de forma destacada, funções relevantes em termos regionais. Neste índice, que lidera, Albufeira confirma o seu elevado potencial de
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 113 integração e participação activa numa faixa compreendida entre Lagos e Olhão para a constituição de uma região urbana policêntrica. Albufeira deve evidenciar-se, ao nível do turismo, na assunção de medidas com vista à sua melhoria e qualificação; ao nível logístico e de distribuição aproveitando as vantagens locativas e acessibilidades que a colocam no epicentro da região; no desenvolvimento das actividades extractivas e subsectores a elas associados, já com créditos firmados. Mas também deve regressar às origens, potenciando o desenvolvimento de actividades primárias, com excelentes condições de vingarem em articulação com o mercado turístico regional. Reclamar um posicionamento para Albufeira pressupõe que esta conheça o rumo que quer seguir. Deverá desenvolver criteriosamente uma estratégia de desenvolvimento local que informe sustentadamente a revisão do PDM. Esta deverá procurar, apesar das limitações e bloqueios, encontrar o posicionamento na região, nomeadamente na promoção de uma estratégia e um modelo territorial coerente, funcional e eficaz, identificando grandes projectos e investimentos que a elevem no quadro regional. Este instrumento deverá dar expressão territorial aos potenciais de afirmação de Albufeira enquanto importante pólo económico, turístico/lazer e de emprego, contrariando assim as derrotas pesadas que tem sofrido na “secretaria”, em detrimento do bom desempenho que regista na realidade. Da leitura deste trabalho poder-se-ia pensar que apenas se pretende elevar o posicionamento de Albufeira na região. Tal não corresponde à verdade! O que se argumenta, no essencial, é que as potencialidades de Albufeira colocadas ao serviço da região e a constituição de um verdadeiro policentrismo serão favoráveis para os pólos de Faro e Portimão, que beneficiarão do dinamismo e conectividade susceptíveis de alavancar efeitos multiplicadores, para todos, de forma recíproca. O desenvolvimento integrado de Albufeira realiza-se, portanto, não em detrimento desses pólos mas sim de forma contribuinte para os seus respectivos desenvolvimentos e para a projecção do Algarve, como região urbana policêntrica, no quadro competitivo das regiões europeias. Resumidamente, em termos territoriais, há que optar entre uma região coesa, complementar, próxima, bem organizada e policêntrica com ganhos competitivos ou por uma região desestruturada, fortemente hierarquizada com dois pólos dominantes, dos quais não se prevêem benefícios de maior na promoção conjunta da região em âmbitos escalares superiores.
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 114 Não nos parece descabido concluir este trabalho retomando a citação que o iniciou. Ficam no ar, uma vez mais e passados 40 anos, as questões (lamentavelmente actuais) levantadas por Cavaco (1969): “Albufeira projectou-se no país e no mundo, mas não na região. Não será altura de tentar harmonizar as suas funções internacionais e regionais, formar a juventude, equilibrar os equipamentos comerciais e de serviços, em especial os de saúde e assegurar um papel de centro funcional entre as duas principais cidades algarvias, Faro e Portimão?”
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 125 ANEXOS
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 126 Indicador Indicecomposto Acessibilidade Movimentos Pendularescom destinoaoutros concelhos População Residente Densidade Populacional Variaçãoda População Residente Variaçãoda Densidade Populacional Taxade Crescimento Efectivo Indicede Envelhecimento Ano20102001200820081950-20081950-200820092008 UnidadeGeográfica/UnidadeMedidaMinutos%N.ºHab/km2%%%N.º AlgarveNANA43008486,13131,00,91123,5 Albufeira2649,738966277,2146,1146,12,1480,4 Alcoutim47210,631045,4-71,2-71,3-2,31532,8 Aljezur44012,8532316,5-34,1-34,20,19273,4 CastroMarim30041,2647221,5-34-34,00,17224,8 Faro27012,358698291,273,973,90,04103,9 Lagoa30130,424875281,981,881,82,02110,5 Lagos38710,828890135,775,275,31,4116,8 Loulé24313,56544485,628,428,40,97121,5 Monchique41825,7602415,2-58,9-58,9-1,81327,3 Olhão2893244319338,638,938,91,07108,3 Portimão32811,349881273,9106,6110,51,14101,1 SãoBrásdeAlportel305351256982,030,931,02,61161,3 Silves29129,13616553,28,3-4,10,77170,4 Tavira330202539441,8-17-17,10,07182,7 ViladoBispo45320,7542130,3-11,8-11,80,29220,2 VilaRealdeSantoAntónio3801418539302,728,828,90,26113,7 PoloFaro26717,4168461153,644,444,50,66111,9 PoloPortimão33815,5103646214,592,492,41,51107,5 PoloVilaRealdeSantoAntónio34024,92483168,62,62,70,04137,1 TabelaTabelaTabelaTabela 7777 ---- Indicadores ISPP 1 (Fonte: INE; Viamichelin)Indicadores ISPP 1 (Fonte: INE; Viamichelin)Indicadores ISPP 1 (Fonte: INE; Viamichelin)Indicadores ISPP 1 (Fonte: INE; Viamichelin)AnexoAnexoAnexoAnexo 1111 ---- Indicadores ISPP 1 (Fonte: INE; Viamichelin)Indicadores ISPP 1 (Fonte: INE; Viamichelin)Indicadores ISPP 1 (Fonte: INE; Viamichelin)Indicadores ISPP 1 (Fonte: INE; Viamichelin)
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 127 Indicador Densidade Empresarial Empresaspor Municípioda Sede PessoalaoServiçonas EmpresasporMunicípio daSede Volumede Negóciospor MunicípiodaSede QLEmpresasda SecçãoG QLEmpresasda SecçãoK QLEmpresasda SecçãoF QEPessoalao Serviçona SecçãoG Ano20072007200720072007200720072007 UnidadeGeográfica/UnidadeMedidaEmp/km2%%%N.ºN.ºN.ºN.º Algarve11,7100100,0100,0NANANANA Albufeira42,210,212,211,30,390,530,680,43 Alcoutim0,40,40,30,10,020,020,030,01 Aljezur2,11,20,80,60,040,040,100,04 CastroMarim2,11,11,00,90,050,040,100,04 Faro44,115,314,517,20,570,940,870,77 Lagoa35,65,45,95,10,210,270,420,23 Lagos20,17,37,17,00,260,440,490,26 Loulé13,517,719,923,40,720,961,460,82 Monchique1,51,00,80,50,060,030,050,04 Olhão38,58,66,95,60,360,320,610,33 Portimão39,912,513,512,60,500,620,790,53 SãoBrásdeAlportel8,22,11,81,70,110,080,170,10 Silves5,66,55,86,00,300,260,520,37 Tavira5,05,24,53,90,200,260,440,17 ViladoBispo4,11,31,31,10,040,050,070,04 VilaRealdeSantoAntónio38,64,13,73,10,170,150,340,16 PoloFaro22,141,741,346,21,642,212,941,92 PoloPortimão30,425,232,524,70,971,331,701,02 PoloVilaRealdeSantoAntónio8,35,24,64,00,220,190,440,20 AnexoAnexoAnexoAnexo 2222 ---- Indicadores ISPPIndicadores ISPPIndicadores ISPPIndicadores ISPP 2222 (Fonte: INE)(Fonte: INE)(Fonte: INE)(Fonte: INE)
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 128 Indicador QEPessoalao Serviçona SecçãoH QEpessoalao Serviçona SecçãoF QVolumede Negóciosna SecçãoG QVolumede Negóciosna SecçãoF QVolumede Negóciosna SecçãoK Levantamentos NacionaisnasCaixas deMultibanco Variaçãoda PopulaçãoActiva Empregadosno SectorIII Ano2007200720072007200720081991-20012008 UnidadeGeográfica/UnidadeMedidaN.ºN.ºN.ºN.ºN.º€%% AlgarveNANANANANA322830,16NA Albufeira1,200,490,440,240,78459471,1286,3 Alcoutim0,010,000,010,000,001087-4,3463,0 Aljezur0,000,060,030,020,02321113,4260,8 CastroMarim0,040,060,040,030,0727810,6572,1 Faro0,420,641,180,270,73384127,3281,4 Lagoa0,360,350,220,170,35255137,9276,7 Lagos0,360,440,280,260,76315925,6974,2 Loulé0,941,081,060,622,87357152,4974,8 Monchique0,040,000,030,000,0210360,6066,7 Olhão0,150,380,340,150,142313-25,1656,6 Portimão0,700,690,700,260,70365326,0880,1 SãoBrásdeAlportel0,000,100,110,040,06205159,2064,6 Silves0,220,340,480,150,18234512,1465,7 Tavira0,200,320,150,200,2226559,6066,3 ViladoBispo0,090,040,040,030,1024100,6683,4 VilaRealdeSantoAntónio0,190,220,150,120,15406840,5073,2 PoloFaro1,512,102,581,033,73972534,6874,8 PoloPortimão1,421,481,200,681,81936328,5377,8 PoloVilaRealdeSantoAntónio0,240,290,190,150,22684928,4073,0 AnexoAnexoAnexoAnexo 3333 ---- Indicadores ISPP 3 (Fonte: INE)Indicadores ISPP 3 (Fonte: INE)Indicadores ISPP 3 (Fonte: INE)Indicadores ISPP 3 (Fonte: INE)
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 129 AnexoAnexoAnexoAnexo 4444 ---- Indicadores ISPP 4 (Fonte: INE)Indicadores ISPP 4 (Fonte: INE)Indicadores ISPP 4 (Fonte: INE)Indicadores ISPP 4 (Fonte: INE) Indicador Indicede DependênciaTotal População Residentecom EnsinoSuperior Taxade Crescimentode Edifícios Índicede Envelhecimentode Edifícios ValorMédiodas Transacções Imobiliárias Fogos Construídos Edifícios Construídos Índicede Atracção Ano200820011991-200120012009200920092001 UnidadeGeográfica/UnidadeMedidaN.º%%N.º€N.ºN.ºN.º Algarve52,4114,9292,0012219572712569NA Albufeira47,58,18144,1142,571656109143011,18 Alcoutim87,64,40103,50139,942222010130,93 Aljezur725,18112,7464,751157531621640,91 CastroMarim61,95,25131,0792,55102283941050,78 Faro47,616,74106,27110,331061063781641,22 Lagoa48,97,56109,8061,421603082781400,91 Lagos54,99,17109,5250,901537028942230,99 Loulé54,88,23113,6878,182742158162991,01 Monchique64,74,36105,86207,644427314310,79 Olhão49,17,54113,05177,181002323951640,76 Portimão52,610,31114,1082,3714810810872231,08 SãoBrásdeAlportel56,89,30131,46137,3194909131780,74 Silves55,16,30112,01105,38936005471950,79 Tavira56,68,34111,33156,631429166611980,88 ViladoBispo55,55,12112,2744,69129689197820,93 VilaRealdeSantoAntónio496,91102,3169,571012036931891,02 PoloFaro50,7011,18111,43105,9016018415896271,03 PoloPortimão52,329,36111,2464,3715403922595861,02 PoloVilaRealdeSantoAntónio52,176,46114,5981,711017437872940,96
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 130 AnexoAnexoAnexoAnexo 5555 ---- Indicadores ISPP 5 (Fonte: INE)Indicadores ISPP 5 (Fonte: INE)Indicadores ISPP 5 (Fonte: INE)Indicadores ISPP 5 (Fonte: INE) Indicador Movimentos Pendularescom Origemnoutros Concelhos Estabelecimentos Hoteleiros Capacidadede Alojamentoem Estabelecimentos Hoteleiros Dormidasem Estabelecimentos Hoteleiros Hóspedesem Estabelecimentos Hoteleiros Hóspedes Estrangeiros Postos Telefónicospor Município Ano2001200820082008200820082008 UnidadeGeográfica/UnidadeMedida%N.ºN.ºN.ºN.º%N.º AlgarveNA4179872414265164292781965,7128035 Albufeira23,7137405756274393114836073,913602 Alcoutim4,400000966 Aljezur4,442006088333122,21934 CastroMarim253629………2099 Faro28,620164222230813971950,917652 Lagoa24,2348138105580719848567,55794 Lagos10,238580368253614315177,49029 Loulé14,66514570200768345358659,623980 Monchique6,8827917984795136,32036 Olhão10,931655715334131,28831 Portimão18,54813537184755537130663,413728 SãoBrásdeAlportel12,7166………2846 Silves10,8917352440766221566,710862 Tavira9,9185135679571159607557308 ViladoBispo15118991211744223553,41813 VilaRealdeSantoAntónio15,7185351100006517237849,55555 PoloFaro20,38816377223570659664657,450463 PoloPortimão17,412027478358589871294267,328551 PoloVilaRealdeSantoAntónio17,5215980100006517237849,57654
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 131 AnexoAnexoAnexoAnexo 6666 ---- Ranking indicadores ISPP 1Ranking indicadores ISPP 1Ranking indicadores ISPP 1Ranking indicadores ISPP 1 IndicecompostoAcessibilidade MovimentosPendularescomdestino aoutrosconcelhos PopulaçãoResidenteDensidadePopulacionalVariaçãodaPopulaçãoResidenteVariaçãodaDensidadePopulacionalTaxadeCrescimentoEfectivoIndicedeEnvelhecimento 20102001200820081950-20081950-200820092008 LouléAlbufeiraPoloFaroOlhãoAlbufeiraAlbufeiraSãoBrásdeAlportelAlbufeira AlbufeiraAlcoutimPoloPortimãoVilaRealdeSantoAntónioPortimãoPortimãoAlbufeiraPortimão PoloFaroLagosLouléFaroPoloPortimãoPoloPortimãoLagoaFaro FaroPortimãoFaroLagoaLagoaLagoaPoloPortimãoPoloPortimão OlhãoFaroPortimãoAlbufeiraLagosLagosLagosOlhão SilvesAljezurOlhãoPortimãoFaroFaroPortimãoLagoa CastroMarimLouléAlbufeiraPoloPortimãoPoloFaroPoloFaroOlhãoPoloFaro LagoaVilaRealdeSantoAntónioSilvesPoloFaroOlhãoOlhãoLouléVilaRealdeSantoAntónio SãoBrásdeAlportelPoloPortimãoLagosLagosSãoBrásdeAlportelSãoBrásdeAlportelSilvesLagos PortimãoPoloFaroTaviraLouléVilaRealdeSantoAntónioVilaRealdeSantoAntónioPoloFaroLoulé TaviraTaviraLagoaSãoBrásdeAlportelLouléLouléViladoBispoPoloVilaRealdeSantoAntónio PoloPortimãoViladoBispoPoloVilaRealdeSantoAntónioPoloVilaRealdeSantoAntónioSilvesPoloVilaRealdeSantoAntónioVilaRealdeSantoAntónioSãoBrásdeAlportel PoloVilaRealdeSantoAntónioPoloVilaRealdeSantoAntónioVilaRealdeSantoAntónioSilvesPoloVilaRealdeSantoAntónioSilvesAljezurSilves VilaRealdeSantoAntónioMonchiqueSãoBrásdeAlportelTaviraViladoBispoViladoBispoCastroMarimTavira LagosSilvesCastroMarimViladoBispoTaviraTaviraTaviraViladoBispo MonchiqueLagoaMonchiqueCastroMarimCastroMarimCastroMarimFaroCastroMarim AljezurOlhãoViladoBispoAljezurAljezurAljezurPoloVilaRealdeSantoAntónioAljezur ViladoBispoSãoBrásdeAlportelAljezurMonchiqueMonchiqueMonchiqueMonchiqueMonchique AlcoutimCastroMarimAlcoutimAlcoutimAlcoutimAlcoutimAlcoutimAlcoutim RANKING
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    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 132 AnexoAnexoAnexoAnexo 7777 ---- Ranking indicadores ISPP 2Ranking indicadores ISPP 2Ranking indicadores ISPP 2Ranking indicadores ISPP 2 DensidadeEmpresarialEmpresasporMunicípiodaSede PessoalaoServiçonasEmpresaspor MunicípiodaSede VolumedeNegóciosporMunicípioda Sede QLEmpresasdaSecçãoGQLEmpresasdaSecçãoKQLEmpresasdaSecçãoFQEPessoalaoServiçonaSecçãoG 20072007200720072007200720072007 FaroPoloFaroPoloFaroPoloFaroPoloFaroPoloFaroPoloFaroPoloFaro AlbufeiraPoloPortimãoPoloPortimãoPoloPortimãoPoloPortimãoPoloPortimãoPoloPortimãoPoloPortimão PortimãoLouléLouléLouléLouléLouléLouléLoulé VilaRealdeSantoAntónioFaroFaroFaroFaroFaroFaroFaro OlhãoPortimãoPortimãoPortimãoPortimãoPortimãoPortimãoPortimão LagoaAlbufeiraAlbufeiraAlbufeiraAlbufeiraAlbufeiraAlbufeiraAlbufeira PoloPortimãoOlhãoLagosLagosOlhãoLagosOlhãoSilves PoloFaroLagosOlhãoSilvesSilvesOlhãoSilvesOlhão LagosSilvesLagoaOlhãoLagosLagoaLagosLagos LouléLagoaSilvesLagoaPoloVilaRealdeSantoAntónioSilvesTaviraLagoa PoloVilaRealdeSantoAntónioTaviraPoloVilaRealdeSantoAntónioPoloVilaRealdeSantoAntónioLagoaTaviraPoloVilaRealdeSantoAntónioPoloVilaRealdeSantoAntónio SãoBrásdeAlportelPoloVilaRealdeSantoAntónioTaviraTaviraTaviraPoloVilaRealdeSantoAntónioLagoaTavira SilvesVilaRealdeSantoAntónioVilaRealdeSantoAntónioVilaRealdeSantoAntónioVilaRealdeSantoAntónioVilaRealdeSantoAntónioVilaRealdeSantoAntónioVilaRealdeSantoAntónio TaviraSãoBrásdeAlportelSãoBrásdeAlportelSãoBrásdeAlportelSãoBrásdeAlportelSãoBrásdeAlportelSãoBrásdeAlportelSãoBrásdeAlportel ViladoBispoViladoBispoViladoBispoViladoBispoMonchiqueViladoBispoCastroMarimAljezur AljezurAljezurCastroMarimCastroMarimCastroMarimCastroMarimAljezurCastroMarim CastroMarimCastroMarimAljezurAljezurAljezurAljezurViladoBispoMonchique MonchiqueMonchiqueMonchiqueMonchiqueViladoBispoMonchiqueMonchiqueViladoBispo AlcoutimAlcoutimAlcoutimAlcoutimAlcoutimAlcoutimAlcoutimAlcoutim RANKING
  • 149.
    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 133 AnexoAnexoAnexoAnexo 8888 ---- Rankung indicadores ISPRankung indicadores ISPRankung indicadores ISPRankung indicadores ISPP 3P 3P 3P 3 QEPessoalaoServiçonaSecçãoHQEpessoalaoServiçonaSecçãoFQVolumedeNegóciosnaSecçãoGQVolumedeNegóciosnaSecçãoFQVolumedeNegóciosnaSecçãoK LevantamentosNacionaisnasCaixas deMultibanco VariaçãodaPopulaçãoActivaEmpregadosnoSectorIII 2007200720072007200720081991-20012008 PoloFaroLouléPoloFaroPoloFaroPoloFaroPoloFaroAlbufeiraAlbufeira PoloPortimãoPoloFaroPoloPortimãoPoloPortimãoLouléPoloPortimãoSãoBrásdeAlportelViladoBispo AlbufeiraPoloPortimãoFaroLouléPoloPortimãoPoloVilaRealdeSantoAntónioLouléFaro LouléPortimãoLouléFaroAlbufeiraAlbufeiraVilaRealdeSantoAntónioPortimão PortimãoFaroPortimãoLagosLagosVilaRealdeSantoAntónioLagoaPoloPortimão FaroAlbufeiraSilvesPortimãoFaroFaroPoloFaroLagoa LagoaLagosAlbufeiraAlbufeiraPortimãoPortimãoPoloPortimãoLoulé LagosOlhãoOlhãoTaviraLagoaLouléPoloVilaRealdeSantoAntónioPoloFaro PoloVilaRealdeSantoAntónioLagoaLagosLagoaTaviraAljezurFaroLagos SilvesSilvesLagoaSilvesPoloVilaRealdeSantoAntónioLagosPortimãoVilaRealdeSantoAntónio TaviraTaviraPoloVilaRealdeSantoAntónioPoloVilaRealdeSantoAntónioSilvesCastroMarimLagosPoloVilaRealdeSantoAntónio VilaRealdeSantoAntónioPoloVilaRealdeSantoAntónioVilaRealdeSantoAntónioOlhãoVilaRealdeSantoAntónioTaviraAljezurCastroMarim OlhãoVilaRealdeSantoAntónioTaviraVilaRealdeSantoAntónioOlhãoLagoaSilvesMonchique ViladoBispoSãoBrásdeAlportelSãoBrásdeAlportelSãoBrásdeAlportelViladoBispoViladoBispoTaviraTavira MonchiqueCastroMarimCastroMarimViladoBispoCastroMarimSilvesViladoBispoSilves CastroMarimAljezurViladoBispoCastroMarimSãoBrásdeAlportelOlhãoMonchiqueSãoBrásdeAlportel AlcoutimViladoBispoAljezurAljezurMonchiqueSãoBrásdeAlportelCastroMarimAlcoutim AljezurMonchiqueMonchiqueMonchiqueAljezurAlcoutimAlcoutimAljezur SãoBrásdeAlportelAlcoutimAlcoutimAlcoutimAlcoutimMonchiqueOlhãoOlhão RANKING
  • 150.
    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 134 AnexoAnexoAnexoAnexo 9999 ---- RankingRankingRankingRanking indicadores ISPP 4indicadores ISPP 4indicadores ISPP 4indicadores ISPP 4 IndicedeDependênciaTotal PopulaçãoResidentecomEnsino Superior TaxadeCrescimentodeEdifíciosÍndicedeEnvelhecimentodeEdifícios ValorMédiodasTransacções Imobiliárias FogosConstruídosEdifíciosConstruídosÍndicedeAtracção 200820011991-200120012009200920092001 AlbufeiraFaroAlbufeiraAlbufeiraLouléPoloPortimãoPoloFaroFaro FaroPoloFaroSãoBrásdeAlportelViladoBispoAlbufeiraPoloFaroPoloPortimãoAlbufeira LagoaPortimãoCastroMarimLagosLagoaPortimãoAlbufeiraPortimão VilaRealdeSantoAntónioPoloPortimãoPoloVilaRealdeSantoAntónioLagoaPoloFaroAlbufeiraLouléPoloFaro OlhãoSãoBrásdeAlportelPortimãoPoloPortimãoPoloPortimãoLagosPoloVilaRealdeSantoAntónioVilaRealdeSantoAntónio PoloFaroLagosLouléAljezurLagosLouléPortimãoPoloPortimão PoloVilaRealdeSantoAntónioTaviraOlhãoVilaRealdeSantoAntónioPortimãoPoloVilaRealdeSantoAntónioLagosLoulé PoloPortimãoAlbufeiraAljezurLouléTaviraVilaRealdeSantoAntónioTaviraLagos PortimãoLouléViladoBispoPoloVilaRealdeSantoAntónioViladoBispoTaviraSilvesPoloVilaRealdeSantoAntónio LouléLagoaSilvesPortimãoAljezurSilvesVilaRealdeSantoAntónioViladoBispo LagosOlhãoPoloFaroCastroMarimFaroOlhãoAljezurAlcoutim SilvesVilaRealdeSantoAntónioTaviraSilvesCastroMarimFaroFaroLagoa ViladoBispoPoloVilaRealdeSantoAntónioPoloPortimãoPoloFaroPoloVilaRealdeSantoAntónioLagoaOlhãoAljezur TaviraSilvesLagoaFaroVilaRealdeSantoAntónioViladoBispoLagoaTavira SãoBrásdeAlportelAljezurLagosSãoBrásdeAlportelOlhãoAljezurCastroMarimSilves CastroMarimCastroMarimFaroAlcoutimSãoBrásdeAlportelSãoBrásdeAlportelViladoBispoMonchique MonchiqueViladoBispoMonchiqueTaviraSilvesCastroMarimSãoBrásdeAlportelCastroMarim AljezurAlcoutimAlcoutimOlhãoMonchiqueMonchiqueMonchiqueOlhão AlcoutimMonchiqueVilaRealdeSantoAntónioMonchiqueAlcoutimAlcoutimAlcoutimSãoBrásdeAlportel RANKING
  • 151.
    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 135 AnexoAnexoAnexoAnexo 10101010 ---- Ranking indicadores ISPP 5Ranking indicadores ISPP 5Ranking indicadores ISPP 5Ranking indicadores ISPP 5 MovimentosPendularescomOrigem noutrosConcelhos EstabelecimentosHoteleiros CapacidadedeAlojamentoem EstabelecimentosHoteleiros DormidasemEstabelecimentos Hoteleiros HóspedesemEstabelecimentos Hoteleiros HóspedesEstrangeirosPostosTelefónicosporMunicípio 2001200820082008200820082008 FaroAlbufeiraAlbufeiraAlbufeiraAlbufeiraLagosPoloFaro CastroMarimPoloPortimãoPoloPortimãoPoloPortimãoPoloPortimãoAlbufeiraPoloPortimão LagoaPoloFaroPoloFaroPoloFaroPoloFaroLagoaLoulé AlbufeiraLouléLouléLouléLouléPoloPortimãoFaro PoloFaroPortimãoPortimãoPortimãoPortimãoSilvesPortimão PortimãoLagosLagoaLagoaLagoaPortimãoAlbufeira PoloVilaRealdeSantoAntónioLagoaPoloVilaRealdeSantoAntónioVilaRealdeSantoAntónioVilaRealdeSantoAntónioLouléSilves PoloPortimãoPoloVilaRealdeSantoAntónioLagosPoloVilaRealdeSantoAntónioPoloVilaRealdeSantoAntónioPoloFaroLagos VilaRealdeSantoAntónioFaroVilaRealdeSantoAntónioLagosTaviraTaviraOlhão ViladoBispoTaviraTaviraTaviraLagosViladoBispoPoloVilaRealdeSantoAntónio LouléVilaRealdeSantoAntónioSilvesSilvesFaroFaroTavira SãoBrásdeAlportelViladoBispoFaroFaroSilvesVilaRealdeSantoAntónioLagoa OlhãoSilvesViladoBispoViladoBispoViladoBispoPoloVilaRealdeSantoAntónioVilaRealdeSantoAntónio SilvesMonchiqueCastroMarimMonchiqueMonchiqueMonchiqueSãoBrásdeAlportel LagosAljezurMonchiqueAljezurOlhãoOlhãoCastroMarim TaviraCastroMarimAljezurOlhãoAljezurAljezurMonchique MonchiqueOlhãoOlhãoCastroMarimCastroMarimCastroMarimAljezur AlcoutimSãoBrásdeAlportelSãoBrásdeAlportelSãoBrásdeAlportelSãoBrásdeAlportelSãoBrásdeAlportelViladoBispo AljezurAlcoutimAlcoutimAlcoutimAlcoutimAlcoutimAlcoutim RANKING
  • 152.
    Policentrismo, o PROTAlgarve e o contributo de Albufeira para uma Região Urbana Policêntrica 136 AnexoAnexoAnexoAnexo 11111111 ---- ValorValorValorValores finais por potenciais, pilares e ISPPes finais por potenciais, pilares e ISPPes finais por potenciais, pilares e ISPPes finais por potenciais, pilares e ISPP PilaresISPPISPPISPPISPP Potenciais UnidadeGeográfica AcessibilidadeCentralidadeSub-totalDemográfico Económico/ Empresarial EmpregoUrbanísticoSub-totalAtracçãoTurísticoComunicaçãoSub-totalTotal Albufeira2131775111111466618135135135135 Alcoutim192211142637291540299519143704704704704 Aljezur17623992296350441327817127591591591591 CastroMarim71926932186158430198115115571571571571 Faro45938591565177255461247247247247 Lagoa8162432134244823815281255317317317317 Lagos153184210837362232334865306306306306 Loulé178535529251621823344214214214214 Monchique1614301062466590507337116120657657657657 Olhão5172235129546428231809120424424424424 Portimão1041423722631152926540206206206206 SãoBrásdeAlportel91827562033866363319014135525525525525 Silves615216813554583152952788424424424424 Tavira11112283158495434430481189455455455455 ViladoBispo18123086214475039720611899526526526526 VilaRealdeSantoAntónio1482255162305830514461373400400400400 PoloFaro3101340212231114920130157157157157 PoloPortimão12921233424261071412228156156156156 PoloVilaRealdeSantoAntónio13132677145393829916441070395395395395 ConectividadeConectividadeConectividadeConectividadeDimensãoDimensãoDimensãoDimensãoLocalizaçãoLocalizaçãoLocalizaçãoLocalização