PELOS BIGODÕESPonto de encontro de olhares e ouvires, ideias e angústias.
Pro-vocações de toda ordem, ainda que caóticas. A princípio, de Resende e Itatiaia.
Mas as coisas nunca se cabem no que as principiam. Limites não são bons definidores do que se faz humano.
É que os limites também têm limites.
Número 01 – janeiro/2015 by Sebo Gregos e Troianos – casa de leituras e Sala @escrevendo
11. ALIVIA O ESTRESSE E SERVE COMO ANTIDEPRESSIVO
2. FORTALECE A MUSCULATURA E AFASTA AS INFECÇÕES
3. FAZ BEM PARA O CORAÇÃO E MELHORA O SEXO
4. TIRA VOCÊ DO TRÂNSITO E POUPA O TEMPO
5. É UM VEÍCULO MAIS BARATO
6. É O MEIO DE TRANSPORTE MAIS ECONÔMICO
7. REDUZ OS CUSTOS COM ESTACIONAMENTO
8. CICLISTA É MAIS COOL
9. SEU PLANETA AGRADECE
10. É ÓTIMO PARA PAQUERAS
11. É EXERCÍCIO TAMBÉM DE CIDADANIA
12. É EXEMPLO DE SIMPLICIDADE INTELIGENTE
13. CICLISTA É JOVEM, NÃO IMPORTA QUE IDADE TENHA
13 motivos para andar de bicicleta
Que porra é essa de
“PELOS BIGODÕES”?
A artesã
MARIA ELISA
– p. 2
GREGOS E TROIANOS
O que é e como funciona
um sebo?
– p. 4
Papo com
– p. 5
Sala @escrevendo
Redação e Filosofia
– p. 6
WASHINGTON LEMOS
e a gravidade
– p. 7
KAIRÓS
um convite
– p. 7
O Conselho Federal
de Medicina e os
– p. 8
Projetos para 2015
MÉDICOS CUBANOS
– p. 8
TON KNEIP
Vamos ajudar a
CÃODOMÍNIO a nos
ajudar?– p. 3
– p. 2
Editorial
NasceoPELOSBIGODÕES.Depoisdeumagestaçãodeunsdoisanos.
É um ensaio, uma tentativa de ser várias coisas. Um espaço para divulgação do que se faz de cultura na nossa região. De quem faz e merece aplauso.
EspaçoparadivulgarmosasatividadesdaGREGOSETROIANOSedaSala@escrevendo.
Neste primeiro número o espaço foi aberto a quem nos é mais próximo. É que nascer não é assim tão fácil. Mas a partir de agora estão todos convidados.
Quadrinhos, fotografia, literatura, cinema, circo, poesia, grafite, música... Que entrem em contato os interessados. O espaço é mais do que livre: quer se fazer
acolhedor.
A cidadania também terá aqui seu espaço. Pretendemos apresentar e apoiar o trabalho de ONGs e
voluntários.Umououtroartigo,comooquetratadosmédicoscubanos,nestenúmero.
A cada edição, nos comprometemos a falar das verbas envolvidas, num compromisso transparente de
que o que se busca nestas páginas é, muito antes, agradecer à cidade a acolhida. Este primeiro número, por
exemplo, teve todo o seu custo bancado pelas duas instituições que lhe dão suporte, citadas no segundo
parágrafo. Nenhuma outra verba.Ninguémrecebeupara escrever, ninguém pagou para ser citado ou anunciado.
ConfiramnoExpediente,abaixo.
Por último: o nome é uma humorada referência a Paulo Leminski, autor de, entre tantas coisas, um livro
comomaravilhosotítulodeDistraídosVenceremos.
Emfevereiro,esperamosfazermaisemelhor.
Expediente
PELOS BIGODÕES – órgão (não muito grande) de divulgação cultural da região de Resende e Itatiaia
Número 01 – janeiro/2015 - contato: professorluciano88@gmail.com
Pro-vocações: Sebo Gregos e Troianos – casa de leituras e Sala @escrevendo
Tiragem: 2.000 exemplares
Custo desta edição: Gráfica: R$ 510
Diagramação amadora: voluntário João Pedro Gonçalves da Silva, ao qual agradecemos
Como Frida Khalo foi parar em Penedo
A vida, não é que seja engraçada, mas tem suas graças. João Guimarães Rosa já tinha
escritoquesapopulanãoporboniteza,masporprecisão.
Pois a artesã Maria Elisa Elisei tem sim aprendido a pular por precisão, mas de uma
precisãocomcadavezmaisboniteza.
Para sustentar a si, aos quatro filhos, e à sua vontade de criar arte, tem desenvolvido nos
últimos meses uma técnica muito própria na feitura de bonecas e outros artefatos de,
basicamente, costura. Antes, exercitou-se pelo biscuit, de modo a convencer a todos de que era
questãodetempoparaquesuavocaçãofosseganhandoespaçoereconhecimento.
Vários personagens e figuras ganham forma, num processo artesão que vai, por óbvio
paulatinamente, ganhando estilo e consistência. Hoje, um bom exemplo (mas só um exemplo) da
suacriação,éasériedebonecasquerepresentamaFridaKhalo.
Com um apelo um pouco mais comercial a artesã tem começado a produzir cobertores
commangas.
Artesanato Frida Kahlo (1907-1954)
Com seis anos, Frida contraiu poliomielite,
que deixou uma lesão no seu pé direito,
pelo que ganhou o apelido de Frida pata de
palo (ou seja, Frida perna de pau). Aos
dezoito, aprende a técnica da gravura. Então
sofreu um grave acidente. Um bonde
chocou-se com um trem. Um pára-choque
perfurou-lhe as costas, atravessou sua
pélvis e saiu pela vagina. Ficou muitos
meses entre a vida e a morte no hospital,
teve que operar diversas partes e
reconstruir por inteiro seu corpo, todo
perfurado. As seqüelas levaram todas as
várias gravidezes a abortos. Usou coletes
ortopédicos de diversos materiais, e chegou
a pintar alguns deles — como na tela
intitulada A Coluna Partida. Durante a sua
longa convalescença, começou a pintar,
usando a caixa de tintas de seu pai e um
cavalete adaptado à cama.
Casa-se aos vinte e dois com o mais
celebrado pintor mexicano, Diego
Rivera. Um casamento tumultuado, visto
que ambos tinham temperamentos fortes e
casos extraconjugais. Kahlo, que era
bissexual, teve um caso com Leon Trotski
depois de separar-se de Diego. Rivera
aceitava abertamente os relacionamentos
de Kahlo com mulheres, mesmo elas sendo
casadas, mas não aceitava os casos da
esposa com homens. Frida descobre que
Rivera mantinha um relacionamento com
sua irmã mais nova, Cristina.
Após essa outra tragédia de sua vida,
separa-se dele e vive novos amores com
homens e mulheres. Em 1940 une-se
novamente a Diego. Novas tempestades
com brigas violentas. Ao voltar para o
marido, Frida construiu uma casa igual à
dele, ao lado da casa em que eles tinham
vivido. Essa casa era ligada à outra por uma
ponte, e eles viviam como marido e mulher,
mas sem morar juntos. Encontravam-se na
casa dela ou na dele, nas madrugadas.
Contato:celular(24)99927.0857/facebook.com/mariaelisaelisei
AlgumasbonecaspodemsercompradasnaGregoseTroianos,com100%dosvaloresentreguesàartesã.
Maria Elisa Elisei
Número 01 – janeiro/2015 Página 2
Aproveite o clima de “fazer agora o que não dá para fazer durante o ano” para conhecer o trabalho de algumas instituições que merecem todo o nosso apoio.
Seriamuitolegalseaumentasseaparticipaçãodacomunidadeaessasobras.
Doe sangue. Diga que doou. Manifestações como essa “contaminam” e provocam outros doadores. Entre em contato com o Hemonúcleo de Resende
pelotelefone3381-4834.
Cadastre-secomodoadordeórgãos,cóneas,medula...Einformesuafamília.
Você conhece as ONGs em nossa cidade que procuram nos humanizar através do modo como lidamos com os cães e gatos que chamamos de nossos
melhoresamigos...apesardenãoostratarcomotais?Informe-sesobreSOS4PATASeleiaaquinestenúmeroumpoucomaissobreaCÃODOMÍNIO.
Visite o Asilo Nicolino Gulhot. Converse com seus administradores. É bem possível que um apoio bastante disponível de sua parte possa fazer uma
grandediferença,terumgrandesignificado.
ConheçaotrabalhodaCORRENTEDOBEMSULFLUMINENSE.Informe-sepeloFacebookepeloTwitter.
Ongs e afins
Adoção
Quer um companheiro ou uma companheira? Por que não adotar? É
claro que se seu interesse passa por uma grife, um pedigree, uma etiqueta, um
produto,nãoéomelhorcaminho.Masseoquevocêprocuraécarinho,atenção
e diversão, em vias recíprocas, a CÃODOMÍNIO está lá, esperando para atender
aosseusdesejos.
São analisadas as condições em que o animal será mantido e só depois
de aprovadas a adoção é autorizada. O adotante se compromete através de um
Termo de Responsabilidade que prevê, inclusive, acompanhamento futuro por
parte da Cãodomínio, que faz questão de garantir o respeito a condições dignas
detratamento.
Oscustos
A CÃODOMÍNIO gasta, por mês, 120 sacos (15 kg cada) de ração. Há
muita despesa com material de limpeza, medicação... cada castração custa, em
média, R$ 100,00. Com freqüência os cães têm de ser transportados para
atendimentomédico.Hátambémasdespesasadministrativas.
Comoajudar?
Doando para a entidade. Você pode se comprometer com uma
pequenaquantiamensaloumesmocomdoaçõesesporádicas.
Doandoraçãooumaterialdelimpeza.
Participando de bazares que frequentemente buscam arrecadar
fundos.
Você pode vender livros para a GREGOSE TROIANOS e solicitar que os
valores obtidos sejam destinados à Cãodomínio. Aliás, você mesmo pode, na
hora,fazerodepósitonocofrinhoqueaentidademantémnosebo.
Se você tem um empresa, pode anunciar aqui no PELOS BIGODÕES e
encaminhar88%dovalordoanúncioparaaCÃODOMÍNIO.
Pode divulgar o trabalho da ONG pelas redes sociais. Afinal, quantos
maisconheceremdepertoestetrabalho,maisapoiossurgirão.
Pode entrar em contato pelo telefone 3359.0145 e perguntar sobre
comoserútil.
Há quem pense que ela precisa de ajuda. Mas é um pouco diferente:
naverdadenóséqueprecisamosqueelasejaajudada.
A ação do Poder Público em relação aos cães e gatos abandonados,
criados na rua ou mesmo vítimas de maus-tratos é praticamente nula, na
nossa cidade de Resende. Apesar de ser obrigação do município, diante desta
lacuna, foi criada em 2001 a CÃODOMÍNIO, ONG que há doze anos tem sua
sede provisória em uma residência no bairro Elite. Cuida, hoje, de
aproximadamente 150 cães. As condições estão longe de serem as melhores,
embora sejam bastante dignas, principalmente se levarmos em conta a
abnegaçãodosvoluntários.
Estes cães, tratados, bem cuidados e, principalmente, esterilizados,
deixamdeestarnasruas,gerandováriosproblemasligadosahigieneesaúde.
As nossas ruas e calçadas ficam mais limpas e seguras. E nós, assim, vamos
aprendendoasermosmaisresponsáveis,maiscivilizados,mais...cidadãos.
Amédioelongoprazoosplanospassampelorecebimentodedoação
de um terreno para que então seja feita uma campanha para a construção da
sededefinitiva.
Ação
Os cães são recolhidos, passam por tratamento adequado
(higienização, medicação, vacinação , esterilização, banho, tosa) e só depois
são colocados para adoção. É comum que os cães, não raro com filhotes,
sejam encaminhados para a entidade, ou simplesmente abandonados em
frenteaoseuportão.
Clínicas e
Médicos
Veterinários de
nossa região: não
poderiam
colaborar de um
modo mais
consistente?
Poder Executivo?
Poder Legislativo?
Cadê vocês?
CONHEÇA A CÃODOMÍNIO
Número 01 – janeiro/2015 Página 3
Oqueéumsebo?
Basicamente, uma livraria que compra, troca e vende livros
usados. E também, frequentemente, como é o nosso caso, revistas,
gibis, LPs, CDs e DVDs. Alguns, como o nosso, também vendem livros
novos, principalmente quando adquiridos em promoções, saldões e
liquidações.
Qualaorigemdaexpressão“sebo”?
Qualquer googlada aponta várias hipóteses. Mas como somos
simpáticos à “Navalha de Ockham” (que simplificadamente diz que,
diante de várias possibilidades, a resposta correta tende a ser a mais
simples) cremos que a acepção de sebo (do latim sebum, “gordura”)
tenha surgido como metonímia brincalhona a partir da ideia irrefutável
de que livros muito manuseados ficam ensebados, sujos,
engordurados.
Oslivrossãosemprebaratos?
Quasesempre,masnemsempre.
Nas livrarias tradicionais os preços são muito próximos, porque
os livros são novos e saíram há pouco tempo das editoras. Como os
sebostrabalhamcomlivrosusados,ospreçossãomaisbaixos.
Mas os sebos também cumprem outra função: a de serem
oportunidade para que se encontrem livros que já saíram de catálogo.
Livros esgotados, antigos e, em alguns casos, até mesmo raros. Nestes
casos, os preços atendem à lógica da oferta e da procura. De qualquer
forma, não se costuma encontrar em outros lugares os mesmos livros
por preços menores. Ou seja, nos sebos se encontram os melhores
preços,mesmoquandosãoaltos.
Porqueoslivrosnãocostumamsercatalogados?
Porque isso demandaria estrutura (espaço, organização e
pessoal) que elevaria de tal forma os custos que o sebo perderia sua
principalfunção:oferecerleituradequalidadeapreçosbaixos.
O que fazemos é classificar os livros por seções, e então
convidamososfrequentadoresapercorrê-las.
Numa livraria tradicional é muito comum que o cliente vá em
buscadeumlivroespecífico,eentãoéfundamentalquealojasaibaseo
tem e onde ele está. E com rapidez. Já o freqüentador de sebos tem
outro costume: o de percorrer, com gosto, as prateleiras em busca de
algoquelhechameaatenção.Seboégarimpo.
O que é e como funciona um sebo?
Comooslivrossãoadquiridos?
Os usados, quase sempre, trazidos pela comunidade. Pelos
mais variados motivos, como mudança, otimização de espaço. Com
muita freqüência, movidos pela filosofia de que uma vez lidos, os livros
devem encontrar outros leitores. Também são trazidos para serem
trocadosporoutrostítulos.
Os livros novos são garimpados, atualmente via Internet, em
saldõesepromoções.
Como é calculado o preço pelo qual adquirem os livros que
sãolevadosaosebo?
Basicamente pelo valor de mercado, considerando duas
variáveis:a)éumtítuloprocurado?;b)qualoestadodeconservaçãodo
livro?
Às vezes o estudante paga R$ 40, R$ 50 por um livro pedido pela
escola. É o valor normal do livro. Só que ele só é comprado porque a
escola solicitou. No sebo não podemos pagar muito por ele porque a
chance de aparecer algum comprador é muito pequena. Érico
Verissimo é um dos nossos maiores clássicos, com muitas e muitas
edições de suas obras. Mas é muito pouco procurado nos sebos.
Aproximadamente 90% da procura por Jorge Amado é pelo título
“Capitães da areia”, em que pese a qualidade de sua obra. Cada volume
da saga Crepúsculo (Stephenie Meyer) está em catálogo por
aproximadamente R$ 40, mas eles simplesmente não vendem mais. Há
atéumaoverdosedelesnossebos.
JZ CONSULTORIA
CRECI /RJ:46807
Antes de comprar ou alugar um imóvel,
consulte-nos
Cel.: 24 99831-4775
jorgezaccurcorretor@hotmail.com
Quadrinhos
gibis, mangás, literatura
em quadrinhos, técnica
de desenho. Venha
conhecer nosso acervo.
LPs > Rock, clássicos, trilhas sonoras,
MPB. Aqui você encontra os famosos
BOLACHÕES para seus ouvidos matarem
a saudade ou mesmo para seu fetiche visual.
Gregos e Troianos
casa de leituras
Número 01 – janeiro/2015 Página 4
Comofuncionamastrocas?
As trocas costumam ser um negócio mais interessante. Os
critérios de avaliação são os mesmos para compra, mas como os
preços dos livros que temos embutem uma margem de lucro, temos
maior flexibilidade nessa negociação. Como compramos alguns livros
em promoções muito vantajosas, podemos proceder a trocas mais
convenientes. Mas ela se inicia a partir da lógica 2 por 1. O cliente
deixa dois livros para levar um. A loja ganha na diferença financeira, e
o leitor ganha ao se desfazer do que já não lhe é interessante para
adquiriralgoquequeiranomomento.
Bottons
Além dos mais variados
tipos de gravuras, para
decorar sua roupa ou
mochila, também aceitamos
encomendas, em qualquer
quantidade.
Vocêsaceitamdoações?
A Gregos e Troianos não só as aceita como, sempre que tem a
oportunidade, aproveita para agradecê-las. Parte do acervo vai para as
prateleiras para venda. Parte é doada na frente da loja, a interessados em
pesquisasouleituras.
Num cálculo muito, mas muito modesto, estimamos já termos
distribuído pela cidade, das mais diversas formas, mais de 40.000 livros.
Apoiando projetos como o #LivroLivre, montando pequenas bibliotecas em
instituições que pedem nossa colaboração, atendendo a pedidos de
creches e ONGs, “esquecendo-os” em praças e pontos de ônibus. Aliás, se
você quiser montar uma banca de #LivroLivre no seu ponto comercial ou
outroespaçoadequado,ésónosprocurar.
Na porta da nossa loja, todos os dias, de um lado há a pilha de livros
explicitamente gratuitos. É só passar e pegar. E de outro lado, prateleiras de
livros de literatura, em bom estado, para troca ou venda a R$ 1, R$ 2 ou R$ 3
reais... mas que também podem ser levados gratuitamente. Só não são
explicitamente gratuitos para evitar que sejam levados apenas por essa
facilidade, sem que haja um real interesse em leitura. Vale ressaltar que
nessas prateleiras com muita freqüência se encontram títulos que, dentro
daloja,sãovendidosporR$15,R$25,oumais.
Caríssimo Ton Kneip, para começar, você poderia
sintetizar o como pensaa questão
das ciclovias emResende,jáque é seu idealizador?
Uma diretriz do nosso olhar é pensar a
ciclovia como alternativaefetiva, viável como
transporte. Para algo muito mais presente navida do
cidadão do que o lazer. A tendênciaé de
que os carros, cada vez em maior quantidade,
venhamdeixando de ser atrativos. Otransporte
público por várias questões tem estado sempre
próximo do limite, comconforto mínimo — se
é que essa expressão faz sentido. Então pensamos
emuma malha de ciclovias que interligue
do acesso a Penedo às indústrias já nos arredores de
Porto Real, commaior vascularização
entrea Cidade da Alegria eCampos Elíseos.
Quaisosobstáculosnesseprocesso?
A questão é bastante complexa. Há
obstáculos físicos. Umbomexemplo disso vem
da formação da cidade, a partir de desdobramentos
das fazendas, semquehouvesse um
planejamento que pensasse décadas para o futuro.
Como resultado temos quarteirões
enormes e o fenômeno dos condomínios que tornam
os trajetos muito, muito mais longos. O
próprio rio Paraíba acaba sendo um obstáculo, assim
como para os carros também,já que as
pontes, contraditoriamente, permitem as passagens
mas também as estrangulam.
Se você falou em obstáculos físicos é porque deve
haver também os não-físicos.
Há todo um lance cultural. Qualquer status
quo tende aresistir às novidades.
Crescemos com as ruas para os carros, e as calçadas
paraos pedestres. Não hácomo abrir
espaço para as bicicletas sem que exista resistência
de quem se sintamexido.
Você está se referindo principalmente ao
estacionamento dos carros?
Sim! Crescemos achando normal que os
carros tenhamtantos espaços para estacionar.
Mas essa lógica é insustentável. No comércio, por
exemplo, os que chegampara trabalhar,
justamente por serem os primeiros (vão abrir as
lojas),estacionam seus carros quetendem
a ocupar a vaga até o final do dia. É preciso tornar
esse espaço mais republicano. Ninguém
gosta de pagar para estacionar, mas é um modo de
democratização das vagas. Quem vai ficar
estacionado o dia inteiro tende a procurar as ruas
próximas,gratuitas. E as vagas na frente
das lojas são ocupadas em rodízio. A ocupação dos
espaços públicos não éumproblemaa ser
resolvido, mas a ser administrado. De modo
republicano.
Qual é hoje o grande desafio para a malha de
ciclovias?
Objetivamente falando, incluirmos a avenida
Coronel Mendes nessa malha. Não
somos ingênuos nemautoritários. Temos consciência
deque isso envolve muita negociação. O
positivo é que durante a negociação se dá o
esclarecimento. Ninguém é obrigado aentender
a priori o quanto a bicicleta é saúde, cidadania,
respeito ao ambiente. Eque no conjunto todos
nós só temos a ganhar quanto mais a bicicleta for
alternativa efetiva. Inclusiveo comércio.
Vamos explicar, dialogar,explicar, dialogar...
O que já pode ser apontado de satisfação nessa
empreitada?
É perceptível o quanto aumentou a presença
deciclistas. Qualquer umao olhar hoje as
ruas e compará-las com a memória de cinco anos
atrás perceberámuito mais bicicletas.E não
falo só de quantidade. Os ciclistas estão com
bicicletas cada vez mais seguras, comtodaum
aparato de visibilidade e segurança, como capacetes.
É umaculturaque setransforma. Todos
citam a Holanda, mas poucos sabem que o processo
lá foi crítico, envolvendo, inclusive, muitas
mortes. Aqui, é como tentarmos fazer umarevolução
semquebrar os ovos.
Papo
com
Ton
Kneip
Número 01 – janeiro/2015 Página 5
Ton Kneip é Secretário
de Urbanismo e Arquitetura
Sala @escrevendo
- contato > 2109.0246
Espaço de encontros para aulas de Filosofia e Redação, na sala 817 (8º andar do Bloco B) do Resende Shopping
Aulas de REDAÇÃO
- particulares ou em grupo, preparatório para Enem e concursos.
Os encontros focam em três tópicos: gramática, técnica dissertativa e abordagem do conteúdo
A cada encontro são passados propostas de textos para serem entregues durante a semana.
A devolutiva é feita no encontro seguinte, com análises e, se for o caso, indicações para que seja
reelaborada. Cada texto é lido junto com o aluno, para apontamento das virtudes, dos progressos, e de
como o texto poderia ter sido melhor desenvolvido.
Variada indicação de fontes para, ao longo do ano, melhorar o entendimento dos assuntos mais
“cotados”.
A cada encontro corresponde farto material de apoio.
Em paralelo à leitura de O MUNDO DE SOFIA, de Jostein Gaarder.
Cada um dos mais importantes filósofos da história apresentados didaticamente.
- anfitrião: Luciano Gonçalves
CURSO DE HISTÓRIA DA FILOSOFIA
15 encontros
Em casa, os participantes vão
lendo os capítulos.
Nos nossos encontros os
filósofos e suas idéias vão
sendo melhor conhecidos.
Material didático
desenvolvido especialmente
para este curso.
Bom acervo de livros, revistas
e filmes colocados à
disposição dos estudos.
Público-alvo
curiosos e interessados em
cultura geral, em história,
estudantes do Ensino Médio,
pré-vestibulandos e
universitários.
Investimento total, com
apostila e material
complementar incluso: R$ 280
(parcelamos em 3 vezes)
Turma de Quarta > 19h30 às 21h30
Fev – 25
Mar – 4 / 11 / 18 / 25
Abr – 8 / 15 / 22 / 29
Mai – 6 / 13 / 20 / 27
Jun – 10 / 17
Turma de sábado manhã > 9 às 11h
Turma de sábado tarde > 16 às 18h
Fev – 28
Mar – 7 / 14 / 21 / 28
Abr – 11 / 25
Mai – 9 / 16 / 23 / 30
Jun – 13 / 20 / 27 Jul – 4
Inscrições na GREGOS E TROIANOS - casa de leituras / tel. 2109.0246
Número 01 – janeiro/2015 Página 6
KAIRÓS - CENTRO DE ESTUDOS DA CONSCIÊNCIA
A palavra grega “Kairós” significa tempo mítico, o tempo interno de cada um de nós. A qualidade do tempo, complementar
ao tempo “Cronos”, o tempo medido, das horas e dos dias.
O Kairós – Centro de Estudos da Consciência nasceu de forma despretensiosa, a partir do encontro de pessoas que tinham
uma busca comum – autoconhecimento.
No Kairós, partilhamos a idéia de que quanto melhor me entendo, mais chances tenho de compreender e aceitar o próximo,
mais conscientes tendem a ser as minhas escolhas pessoais e de melhores recursos disponho para ter uma vida mais plena. Nas
palavras de Leminski: "Isso de querer/ ser exatamente aquilo/ que a gente é/ainda vai/ nos levar além."
Com essa proposta, o Kairós utiliza de algumas linguagens simbólicas, como
a astrologia, o tarot, a mitologia grega, entre outras, através de cursos, oficinas,
consultas e palestras.
Todas as últimas segundas-feiras de cada mês (19h) realizamos palestras
abertas sobre temas relacionados a autoconhecimento, expansão da consciência
e crescimento interior.
Mais informações: Tel: (24) 99957-5020 ou email: heldercamara71@hotmail.com
Você é sempre bem vind@!
Hélder Câmara
Sou astrólogo,
taroterapeuta e fissurado
em mitologia grega
desde menino. Mas, sem
falsa modéstia, a função
que cumpro melhor é a
de porteiro do Kairós,
aquele que abre a porta
e convida o outro a
entrar e ser quem é.
Washington Lemos
@wmlemos
facebook.com/w.m.lemos
No início não havia nada, nem luz,
nem escuridão, nem mesmo início. Em
um instante, a primeira coisa que se fez
foi o tempo... um átimo de uma fração
infinitesimal do tempo. E neste momento,
algo existiu e o nada desapareceu. Foi o
começo do fim.
Diversidades e singularidades se fizeram.
Tudo ainda era efêmero, o universo
experimentava todas as possibilidades,
testava as diferentes formas de moldar
energia: em ondas, calor e finalmente
partículas. De alguma maneira parte da
energia ganhou uma aparência até então
inexistente: ela se “condensava” em
massa. Foi aí, a partir deste momento,
que realmente tudo começou a acontecer:
átomos, poeira, galáxias, estrelas,
planetas, eu e você.
O universo tinha tudo para se
tornar uma imensa poeira de partículas e
energia, se expandindo de modo amorfo e
indefinido. Porém algo extraordinário
aconteceu, a matéria recém criada na
forma de massa possuía uma propriedade
extravagante: gravidade! Toda e qualquer
massa do universo se atraía.
A gravidade aparece e muda
completamente a dinâmica até então
vigente no jovem universo.
Com ela, e somente agora, poeiras
de partículas distantes (mas muito
distantes mesmo) uma das outras, podem
interagir, se influenciarem e trocarem
informações. A gravidade, a mais fraca
das quatro forças fundamentais da
natureza (as outras três são força
eletrodinâmica, força forte e força fraca)
desempenha o fantástico papel de
“moldador do universo”.
Poeiras de partículas começaram
não só a se atraírem mutuamente, mas
também a
sucumbirem devido a sua própria
gravidade, gases dos recém criados
átomos de hidrogênio, hélio e lítio (dê
uma olhada no início da tabela periódica!)
colapsaram sob ação de sua gravidade
maior no centro (mais denso) sobre as
bordas mais dispersas e menos densas.
Surgiam assim as primeiras
estrelas, muito maiores e luminosas do
que as que vemos hoje.
A gravidade não para de trabalhar.
Ela estava lá para manter a estrela
estável mesmo quando a estrela começou
a cuspir no mundo energia na forma de
luz e radiação, que tendiam a varrer para
o espaço a matéria que a constituía. A
gravidade deu conta do recado por uns 3
milhões de anos, mas a energia emitida
pela estrela era muito grande e em uma
taxa cada vez maior.
Ao emitir energia a estrela perdia
massa, e com menos massa a gravidade
era cada vez menor.
Então aconteceu o inevitável:
explosão (chamamos de “supernova”).
Este era o fim desta primeira geração de
estrelas, que deixou como herança ao
jovem universo novos tipos de átomos
como oxigênio, carbono e ferro.
A gravidade não para de trabalhar (parte
II). O universo começa a ver uma
sucessão de
explosões de estrelas de primeira
geração, como um imenso festival de
fogos de artifício em escala colossal de
tempo e espaço. Todas estas explosões
formaram novas nuvens de poeira não só
hidrogênio, hélio e lítio mas também com
as heranças de oxigênio, carbono e ferro
(entre outros). E a gravidade mais uma
vez recomeça seu artesanato. Aglutina
nuvens de poeira em estrelas e com as
sobras (pela primeira vez) surgem
estruturas que por serem muito pequenas
para se candidatarem a estrelas, ficam
girando em torno da estrela mais próxima.
São os planetas, asteroides, luas e
tudo o mais que existe. Uma dessas
estrelas possivelmente era o nosso Sol
(ou quem sabe de uma geração seguinte)
e um destes planetas poderia ser a Terra.
E o resto da história você possivelmente
já conhece.
Então, sempre que for se pesar ou
algo cair da sua mão e você pensar em
amaldiçoar a gravidade lembre-se: foi ela
quem permitiu que você existisse. Ela é a
criadora e a devoradora
de mundos. Amém.
Gravidade: criadora
e devoradora de mundos
Número 01 – janeiro/2015 Página 7
Projetos para 2015
Então... nós também estamos nesse clima de planos e projetos. Aqui estão indicados alguns, que se saírem
do mundo das ideias o farão graças, em grande parte, ao carinho com que nosso trabalho vem sendo acolhido e
apoiado pela comunidade de Resende e Itatiaia.
Distribuição de um mínimo de 8.888 livros
I Desafio Gregos eTroianos de ortografia, com premiação
Concurso de Redação, com premiação
Curso gratuito de Redação para o ENEM destinado a dezenas de estudantes da escola pública.
I Desafio Gregos eTroianos deAviãozinho de Papel, com premiação
Reativação do CINECLUBE706
Formação de uma turma para estudos de LATIM
Grupo para leitura de ULYSSES, de JAMES JOYCE
O título já explicita a tese. Gosto dos simbólicos, que se revelam ao
longo da leitura. Todavia, gosto também da clareza dos diretos. Entre as funções
do CFM, a de regulamentar a atividade médica e defender o exercício da
Medicina, atuando em prol da saúde da população e dos interesses da classe
médica. Infelizmente, em relação ao Mais Médicos, sua atuação se equivale a de
umsindicatozinhodos maismequetrefes.
Antes de mais nada, há sim falta de recursos, corrupção, má formação
acadêmica e incompetência administrativa. Falta muita coisa. E são muitos os
médicos que dão motivo de orgulho à sociedade. Orgulho para além da sua
competência, por não colocarem interesses particulares ou de classe acima dos
dacidadania.Estes,os bons, devemsesentirenvergonhados peloCFM.
CFM que lutou contra o Mais Médicos, com todos os recursos
permitidos pelo mais deslavado cinismo corporativista. Há alguns anos me vi
apavorado com um tumor na virilha. Como “tumor” pode ser do que há de pior,
fui ao hospital, com os olhos apavorados pelo diagnóstico esperado. O médico
riu do que não passava de um pelo encravado infeccionado. Esse exemplo mostra
o quão vazia era a crítica de que esses médicos não teriam equipamentos. Muito,
mas muito pode ser feito sem esses equipamentos, principalmente se o médico
tem respeito pelo paciente. E se sabe diagnosticar o que não depende de exames
de laboratório e/ou tecnologia avançada. E para quando a tecnologia é
necessária, nada melhor do que um encaminhamento mais objetivo. Quer
números? No Espírito Santo houve uma queda de mais de 36% nos
encaminhamentosparainternação.
Falaram da barreira da língua, e se “esqueceram” de que os cubanos
trabalharam com povos de língua inglesa, francesa, com dialetos africanos... e
isso nuncafoientrave.
O CRM falou em trabalho escravo, num completo desrespeito à razão,
pois para tanto desconsideraram que os cubanos vinham como funcionários
públicos, num regime amparado pela Opas (Organização Panamericana de
Saúde), a mais antiga organização internacional de saúde do mundo, criada em
1902. Integrada às Nações Unidas por assumir a função de Escritório Regional
para asAméricas da Organização Mundial da Saúde.AOPAS/OMS também faz
parte dos sistemas da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da
Organização das Nações Unidas (ONU). Legitimidade a toda prova, que por isso
resistiuatodasascovardesiniciativasjuntoaoPoderJudiciário.
Ao contrário dos médicos de Portugal, Espanha, Uruguai, Argentina e
de vários outros países, inclusive os poucos do Brasil, os de Cuba não vieram
por estarem desempregados ou em busca de salários melhores. Eles estavam,
estão e estarão empregados ao fim deste convênio com o Brasil. Quando o
médico cubano Nélson Rodríguez, ao chegar, foi questionado sobre se não
ganharia pouco, sua resposta deve ter sido uma chicotada no caráter de tantos
médicos que só o são porque no Brasil ser médico é quase sinônimo de status e
condição social superior. Suas palavras: “Nós somos médicos por vocação e não
por dinheiro. Trabalhamos porque nossa ajuda foi solicitada, e não por salário,
nemno Brasilnememnenhum lugar domundo.”
Para quem acha que faz sentido o argumento de que médicos brasileiros
recusavam a contratação para não se distanciarem “dos centros”, duas
curiosidades: dos mais de 14.000 médicos, o estado que mais os solicitou foi
São Paulo, com quase 2.200; e o Rio Grande do Sul, tão orgulhoso de ser tão
diferentedo Nordeste,maisde1.000.
A verdade é uma só: salários de R$ 10.000 mais ajuda de custo e
moradiasão consideradosummauinvestimentopelaclassequecostumaocupar
as vagas nas nossas universidades. Hoje os médicos cubanos estão em 69 países.
69. Após o terremoto que arrasou o Haiti, já então o país mais pobre das
Américas, os EUA enviaram 16.000 soldados. Cuba enviou 1.200... médicos.
Semelhante acontece agora com a epidemia de Ebola na África. Obama e ONU
reconhecem,maso nosso protetorCFM não.
Daí a reação do órgão, que motivou ações vergonhosas como médicos
se recusando a atender quem passasse antes pelos cubanos; Conselhos
Regionais boicotando o registro; a criação de redes sociais que pretendiam
exporasfalhasdos malpreparadosmédicos.
Arealidade se impôs: o Mais Médicos atendeu a 100% da demanda, em
quase 4.000 municípios. A população só não se sentiu mais acolhida do que os
próprios médicos, como qualquer googlada pode demonstrar, nas dezenas de
históriasdecomoventesensibilidade.
Os latidos do CFM, dos Caiados e dos Bolsonaros mostram que,
emboranãopareça,os cãeslatemmaispor medodoquepor coragem.
Se o CFM quiser proteger a saúde da população, que combata a Máfia
das Próteses, os médicos que batem cartão de ponto nas repartições e vão para
seus consultórios particulares, o conluio entre médicos e laboratórios que
envergonharia qualquer prostíbulo. E tantas outras vergonhas que permeiam o
noticiário.
Por que no Brasil os médicos estrangeiros não passam de 1,7%, bem
diferente do que ocorre na Inglaterra (37%) e EUA (25%)? Porque aqui o
Revalida, exame exigido a quem se forma fora, é usado como barreira à
concorrência.
Por óbvio o debate é muito longo, mas fico por aqui afirmando, que se o
CFM quer mesmo proteger a população dos “Maus Médicos”, não deve
combater o Mais Médicos, mas sim exigir o Revalida também para quem se
forma aqui. A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) chega a reprovar 90%
dos bacharéisemDireitoaindana1ªfasedoseu Exame.
Mas cadêcoragemàclassemédica?
Conselho Federal de Medicina,
não se acovarde:
exija o Revalida para todos
Por Luciano Gonçalves
@escrevendo
Número 01 – janeiro/2015 Página 8

Pêlos Bigodões

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    PELOS BIGODÕESPonto deencontro de olhares e ouvires, ideias e angústias. Pro-vocações de toda ordem, ainda que caóticas. A princípio, de Resende e Itatiaia. Mas as coisas nunca se cabem no que as principiam. Limites não são bons definidores do que se faz humano. É que os limites também têm limites. Número 01 – janeiro/2015 by Sebo Gregos e Troianos – casa de leituras e Sala @escrevendo 11. ALIVIA O ESTRESSE E SERVE COMO ANTIDEPRESSIVO 2. FORTALECE A MUSCULATURA E AFASTA AS INFECÇÕES 3. FAZ BEM PARA O CORAÇÃO E MELHORA O SEXO 4. TIRA VOCÊ DO TRÂNSITO E POUPA O TEMPO 5. É UM VEÍCULO MAIS BARATO 6. É O MEIO DE TRANSPORTE MAIS ECONÔMICO 7. REDUZ OS CUSTOS COM ESTACIONAMENTO 8. CICLISTA É MAIS COOL 9. SEU PLANETA AGRADECE 10. É ÓTIMO PARA PAQUERAS 11. É EXERCÍCIO TAMBÉM DE CIDADANIA 12. É EXEMPLO DE SIMPLICIDADE INTELIGENTE 13. CICLISTA É JOVEM, NÃO IMPORTA QUE IDADE TENHA 13 motivos para andar de bicicleta Que porra é essa de “PELOS BIGODÕES”? A artesã MARIA ELISA – p. 2 GREGOS E TROIANOS O que é e como funciona um sebo? – p. 4 Papo com – p. 5 Sala @escrevendo Redação e Filosofia – p. 6 WASHINGTON LEMOS e a gravidade – p. 7 KAIRÓS um convite – p. 7 O Conselho Federal de Medicina e os – p. 8 Projetos para 2015 MÉDICOS CUBANOS – p. 8 TON KNEIP Vamos ajudar a CÃODOMÍNIO a nos ajudar?– p. 3 – p. 2
  • 2.
    Editorial NasceoPELOSBIGODÕES.Depoisdeumagestaçãodeunsdoisanos. É um ensaio,uma tentativa de ser várias coisas. Um espaço para divulgação do que se faz de cultura na nossa região. De quem faz e merece aplauso. EspaçoparadivulgarmosasatividadesdaGREGOSETROIANOSedaSala@escrevendo. Neste primeiro número o espaço foi aberto a quem nos é mais próximo. É que nascer não é assim tão fácil. Mas a partir de agora estão todos convidados. Quadrinhos, fotografia, literatura, cinema, circo, poesia, grafite, música... Que entrem em contato os interessados. O espaço é mais do que livre: quer se fazer acolhedor. A cidadania também terá aqui seu espaço. Pretendemos apresentar e apoiar o trabalho de ONGs e voluntários.Umououtroartigo,comooquetratadosmédicoscubanos,nestenúmero. A cada edição, nos comprometemos a falar das verbas envolvidas, num compromisso transparente de que o que se busca nestas páginas é, muito antes, agradecer à cidade a acolhida. Este primeiro número, por exemplo, teve todo o seu custo bancado pelas duas instituições que lhe dão suporte, citadas no segundo parágrafo. Nenhuma outra verba.Ninguémrecebeupara escrever, ninguém pagou para ser citado ou anunciado. ConfiramnoExpediente,abaixo. Por último: o nome é uma humorada referência a Paulo Leminski, autor de, entre tantas coisas, um livro comomaravilhosotítulodeDistraídosVenceremos. Emfevereiro,esperamosfazermaisemelhor. Expediente PELOS BIGODÕES – órgão (não muito grande) de divulgação cultural da região de Resende e Itatiaia Número 01 – janeiro/2015 - contato: professorluciano88@gmail.com Pro-vocações: Sebo Gregos e Troianos – casa de leituras e Sala @escrevendo Tiragem: 2.000 exemplares Custo desta edição: Gráfica: R$ 510 Diagramação amadora: voluntário João Pedro Gonçalves da Silva, ao qual agradecemos Como Frida Khalo foi parar em Penedo A vida, não é que seja engraçada, mas tem suas graças. João Guimarães Rosa já tinha escritoquesapopulanãoporboniteza,masporprecisão. Pois a artesã Maria Elisa Elisei tem sim aprendido a pular por precisão, mas de uma precisãocomcadavezmaisboniteza. Para sustentar a si, aos quatro filhos, e à sua vontade de criar arte, tem desenvolvido nos últimos meses uma técnica muito própria na feitura de bonecas e outros artefatos de, basicamente, costura. Antes, exercitou-se pelo biscuit, de modo a convencer a todos de que era questãodetempoparaquesuavocaçãofosseganhandoespaçoereconhecimento. Vários personagens e figuras ganham forma, num processo artesão que vai, por óbvio paulatinamente, ganhando estilo e consistência. Hoje, um bom exemplo (mas só um exemplo) da suacriação,éasériedebonecasquerepresentamaFridaKhalo. Com um apelo um pouco mais comercial a artesã tem começado a produzir cobertores commangas. Artesanato Frida Kahlo (1907-1954) Com seis anos, Frida contraiu poliomielite, que deixou uma lesão no seu pé direito, pelo que ganhou o apelido de Frida pata de palo (ou seja, Frida perna de pau). Aos dezoito, aprende a técnica da gravura. Então sofreu um grave acidente. Um bonde chocou-se com um trem. Um pára-choque perfurou-lhe as costas, atravessou sua pélvis e saiu pela vagina. Ficou muitos meses entre a vida e a morte no hospital, teve que operar diversas partes e reconstruir por inteiro seu corpo, todo perfurado. As seqüelas levaram todas as várias gravidezes a abortos. Usou coletes ortopédicos de diversos materiais, e chegou a pintar alguns deles — como na tela intitulada A Coluna Partida. Durante a sua longa convalescença, começou a pintar, usando a caixa de tintas de seu pai e um cavalete adaptado à cama. Casa-se aos vinte e dois com o mais celebrado pintor mexicano, Diego Rivera. Um casamento tumultuado, visto que ambos tinham temperamentos fortes e casos extraconjugais. Kahlo, que era bissexual, teve um caso com Leon Trotski depois de separar-se de Diego. Rivera aceitava abertamente os relacionamentos de Kahlo com mulheres, mesmo elas sendo casadas, mas não aceitava os casos da esposa com homens. Frida descobre que Rivera mantinha um relacionamento com sua irmã mais nova, Cristina. Após essa outra tragédia de sua vida, separa-se dele e vive novos amores com homens e mulheres. Em 1940 une-se novamente a Diego. Novas tempestades com brigas violentas. Ao voltar para o marido, Frida construiu uma casa igual à dele, ao lado da casa em que eles tinham vivido. Essa casa era ligada à outra por uma ponte, e eles viviam como marido e mulher, mas sem morar juntos. Encontravam-se na casa dela ou na dele, nas madrugadas. Contato:celular(24)99927.0857/facebook.com/mariaelisaelisei AlgumasbonecaspodemsercompradasnaGregoseTroianos,com100%dosvaloresentreguesàartesã. Maria Elisa Elisei Número 01 – janeiro/2015 Página 2
  • 3.
    Aproveite o climade “fazer agora o que não dá para fazer durante o ano” para conhecer o trabalho de algumas instituições que merecem todo o nosso apoio. Seriamuitolegalseaumentasseaparticipaçãodacomunidadeaessasobras. Doe sangue. Diga que doou. Manifestações como essa “contaminam” e provocam outros doadores. Entre em contato com o Hemonúcleo de Resende pelotelefone3381-4834. Cadastre-secomodoadordeórgãos,cóneas,medula...Einformesuafamília. Você conhece as ONGs em nossa cidade que procuram nos humanizar através do modo como lidamos com os cães e gatos que chamamos de nossos melhoresamigos...apesardenãoostratarcomotais?Informe-sesobreSOS4PATASeleiaaquinestenúmeroumpoucomaissobreaCÃODOMÍNIO. Visite o Asilo Nicolino Gulhot. Converse com seus administradores. É bem possível que um apoio bastante disponível de sua parte possa fazer uma grandediferença,terumgrandesignificado. ConheçaotrabalhodaCORRENTEDOBEMSULFLUMINENSE.Informe-sepeloFacebookepeloTwitter. Ongs e afins Adoção Quer um companheiro ou uma companheira? Por que não adotar? É claro que se seu interesse passa por uma grife, um pedigree, uma etiqueta, um produto,nãoéomelhorcaminho.Masseoquevocêprocuraécarinho,atenção e diversão, em vias recíprocas, a CÃODOMÍNIO está lá, esperando para atender aosseusdesejos. São analisadas as condições em que o animal será mantido e só depois de aprovadas a adoção é autorizada. O adotante se compromete através de um Termo de Responsabilidade que prevê, inclusive, acompanhamento futuro por parte da Cãodomínio, que faz questão de garantir o respeito a condições dignas detratamento. Oscustos A CÃODOMÍNIO gasta, por mês, 120 sacos (15 kg cada) de ração. Há muita despesa com material de limpeza, medicação... cada castração custa, em média, R$ 100,00. Com freqüência os cães têm de ser transportados para atendimentomédico.Hátambémasdespesasadministrativas. Comoajudar? Doando para a entidade. Você pode se comprometer com uma pequenaquantiamensaloumesmocomdoaçõesesporádicas. Doandoraçãooumaterialdelimpeza. Participando de bazares que frequentemente buscam arrecadar fundos. Você pode vender livros para a GREGOSE TROIANOS e solicitar que os valores obtidos sejam destinados à Cãodomínio. Aliás, você mesmo pode, na hora,fazerodepósitonocofrinhoqueaentidademantémnosebo. Se você tem um empresa, pode anunciar aqui no PELOS BIGODÕES e encaminhar88%dovalordoanúncioparaaCÃODOMÍNIO. Pode divulgar o trabalho da ONG pelas redes sociais. Afinal, quantos maisconheceremdepertoestetrabalho,maisapoiossurgirão. Pode entrar em contato pelo telefone 3359.0145 e perguntar sobre comoserútil. Há quem pense que ela precisa de ajuda. Mas é um pouco diferente: naverdadenóséqueprecisamosqueelasejaajudada. A ação do Poder Público em relação aos cães e gatos abandonados, criados na rua ou mesmo vítimas de maus-tratos é praticamente nula, na nossa cidade de Resende. Apesar de ser obrigação do município, diante desta lacuna, foi criada em 2001 a CÃODOMÍNIO, ONG que há doze anos tem sua sede provisória em uma residência no bairro Elite. Cuida, hoje, de aproximadamente 150 cães. As condições estão longe de serem as melhores, embora sejam bastante dignas, principalmente se levarmos em conta a abnegaçãodosvoluntários. Estes cães, tratados, bem cuidados e, principalmente, esterilizados, deixamdeestarnasruas,gerandováriosproblemasligadosahigieneesaúde. As nossas ruas e calçadas ficam mais limpas e seguras. E nós, assim, vamos aprendendoasermosmaisresponsáveis,maiscivilizados,mais...cidadãos. Amédioelongoprazoosplanospassampelorecebimentodedoação de um terreno para que então seja feita uma campanha para a construção da sededefinitiva. Ação Os cães são recolhidos, passam por tratamento adequado (higienização, medicação, vacinação , esterilização, banho, tosa) e só depois são colocados para adoção. É comum que os cães, não raro com filhotes, sejam encaminhados para a entidade, ou simplesmente abandonados em frenteaoseuportão. Clínicas e Médicos Veterinários de nossa região: não poderiam colaborar de um modo mais consistente? Poder Executivo? Poder Legislativo? Cadê vocês? CONHEÇA A CÃODOMÍNIO Número 01 – janeiro/2015 Página 3
  • 4.
    Oqueéumsebo? Basicamente, uma livrariaque compra, troca e vende livros usados. E também, frequentemente, como é o nosso caso, revistas, gibis, LPs, CDs e DVDs. Alguns, como o nosso, também vendem livros novos, principalmente quando adquiridos em promoções, saldões e liquidações. Qualaorigemdaexpressão“sebo”? Qualquer googlada aponta várias hipóteses. Mas como somos simpáticos à “Navalha de Ockham” (que simplificadamente diz que, diante de várias possibilidades, a resposta correta tende a ser a mais simples) cremos que a acepção de sebo (do latim sebum, “gordura”) tenha surgido como metonímia brincalhona a partir da ideia irrefutável de que livros muito manuseados ficam ensebados, sujos, engordurados. Oslivrossãosemprebaratos? Quasesempre,masnemsempre. Nas livrarias tradicionais os preços são muito próximos, porque os livros são novos e saíram há pouco tempo das editoras. Como os sebostrabalhamcomlivrosusados,ospreçossãomaisbaixos. Mas os sebos também cumprem outra função: a de serem oportunidade para que se encontrem livros que já saíram de catálogo. Livros esgotados, antigos e, em alguns casos, até mesmo raros. Nestes casos, os preços atendem à lógica da oferta e da procura. De qualquer forma, não se costuma encontrar em outros lugares os mesmos livros por preços menores. Ou seja, nos sebos se encontram os melhores preços,mesmoquandosãoaltos. Porqueoslivrosnãocostumamsercatalogados? Porque isso demandaria estrutura (espaço, organização e pessoal) que elevaria de tal forma os custos que o sebo perderia sua principalfunção:oferecerleituradequalidadeapreçosbaixos. O que fazemos é classificar os livros por seções, e então convidamososfrequentadoresapercorrê-las. Numa livraria tradicional é muito comum que o cliente vá em buscadeumlivroespecífico,eentãoéfundamentalquealojasaibaseo tem e onde ele está. E com rapidez. Já o freqüentador de sebos tem outro costume: o de percorrer, com gosto, as prateleiras em busca de algoquelhechameaatenção.Seboégarimpo. O que é e como funciona um sebo? Comooslivrossãoadquiridos? Os usados, quase sempre, trazidos pela comunidade. Pelos mais variados motivos, como mudança, otimização de espaço. Com muita freqüência, movidos pela filosofia de que uma vez lidos, os livros devem encontrar outros leitores. Também são trazidos para serem trocadosporoutrostítulos. Os livros novos são garimpados, atualmente via Internet, em saldõesepromoções. Como é calculado o preço pelo qual adquirem os livros que sãolevadosaosebo? Basicamente pelo valor de mercado, considerando duas variáveis:a)éumtítuloprocurado?;b)qualoestadodeconservaçãodo livro? Às vezes o estudante paga R$ 40, R$ 50 por um livro pedido pela escola. É o valor normal do livro. Só que ele só é comprado porque a escola solicitou. No sebo não podemos pagar muito por ele porque a chance de aparecer algum comprador é muito pequena. Érico Verissimo é um dos nossos maiores clássicos, com muitas e muitas edições de suas obras. Mas é muito pouco procurado nos sebos. Aproximadamente 90% da procura por Jorge Amado é pelo título “Capitães da areia”, em que pese a qualidade de sua obra. Cada volume da saga Crepúsculo (Stephenie Meyer) está em catálogo por aproximadamente R$ 40, mas eles simplesmente não vendem mais. Há atéumaoverdosedelesnossebos. JZ CONSULTORIA CRECI /RJ:46807 Antes de comprar ou alugar um imóvel, consulte-nos Cel.: 24 99831-4775 jorgezaccurcorretor@hotmail.com Quadrinhos gibis, mangás, literatura em quadrinhos, técnica de desenho. Venha conhecer nosso acervo. LPs > Rock, clássicos, trilhas sonoras, MPB. Aqui você encontra os famosos BOLACHÕES para seus ouvidos matarem a saudade ou mesmo para seu fetiche visual. Gregos e Troianos casa de leituras Número 01 – janeiro/2015 Página 4
  • 5.
    Comofuncionamastrocas? As trocas costumamser um negócio mais interessante. Os critérios de avaliação são os mesmos para compra, mas como os preços dos livros que temos embutem uma margem de lucro, temos maior flexibilidade nessa negociação. Como compramos alguns livros em promoções muito vantajosas, podemos proceder a trocas mais convenientes. Mas ela se inicia a partir da lógica 2 por 1. O cliente deixa dois livros para levar um. A loja ganha na diferença financeira, e o leitor ganha ao se desfazer do que já não lhe é interessante para adquiriralgoquequeiranomomento. Bottons Além dos mais variados tipos de gravuras, para decorar sua roupa ou mochila, também aceitamos encomendas, em qualquer quantidade. Vocêsaceitamdoações? A Gregos e Troianos não só as aceita como, sempre que tem a oportunidade, aproveita para agradecê-las. Parte do acervo vai para as prateleiras para venda. Parte é doada na frente da loja, a interessados em pesquisasouleituras. Num cálculo muito, mas muito modesto, estimamos já termos distribuído pela cidade, das mais diversas formas, mais de 40.000 livros. Apoiando projetos como o #LivroLivre, montando pequenas bibliotecas em instituições que pedem nossa colaboração, atendendo a pedidos de creches e ONGs, “esquecendo-os” em praças e pontos de ônibus. Aliás, se você quiser montar uma banca de #LivroLivre no seu ponto comercial ou outroespaçoadequado,ésónosprocurar. Na porta da nossa loja, todos os dias, de um lado há a pilha de livros explicitamente gratuitos. É só passar e pegar. E de outro lado, prateleiras de livros de literatura, em bom estado, para troca ou venda a R$ 1, R$ 2 ou R$ 3 reais... mas que também podem ser levados gratuitamente. Só não são explicitamente gratuitos para evitar que sejam levados apenas por essa facilidade, sem que haja um real interesse em leitura. Vale ressaltar que nessas prateleiras com muita freqüência se encontram títulos que, dentro daloja,sãovendidosporR$15,R$25,oumais. Caríssimo Ton Kneip, para começar, você poderia sintetizar o como pensaa questão das ciclovias emResende,jáque é seu idealizador? Uma diretriz do nosso olhar é pensar a ciclovia como alternativaefetiva, viável como transporte. Para algo muito mais presente navida do cidadão do que o lazer. A tendênciaé de que os carros, cada vez em maior quantidade, venhamdeixando de ser atrativos. Otransporte público por várias questões tem estado sempre próximo do limite, comconforto mínimo — se é que essa expressão faz sentido. Então pensamos emuma malha de ciclovias que interligue do acesso a Penedo às indústrias já nos arredores de Porto Real, commaior vascularização entrea Cidade da Alegria eCampos Elíseos. Quaisosobstáculosnesseprocesso? A questão é bastante complexa. Há obstáculos físicos. Umbomexemplo disso vem da formação da cidade, a partir de desdobramentos das fazendas, semquehouvesse um planejamento que pensasse décadas para o futuro. Como resultado temos quarteirões enormes e o fenômeno dos condomínios que tornam os trajetos muito, muito mais longos. O próprio rio Paraíba acaba sendo um obstáculo, assim como para os carros também,já que as pontes, contraditoriamente, permitem as passagens mas também as estrangulam. Se você falou em obstáculos físicos é porque deve haver também os não-físicos. Há todo um lance cultural. Qualquer status quo tende aresistir às novidades. Crescemos com as ruas para os carros, e as calçadas paraos pedestres. Não hácomo abrir espaço para as bicicletas sem que exista resistência de quem se sintamexido. Você está se referindo principalmente ao estacionamento dos carros? Sim! Crescemos achando normal que os carros tenhamtantos espaços para estacionar. Mas essa lógica é insustentável. No comércio, por exemplo, os que chegampara trabalhar, justamente por serem os primeiros (vão abrir as lojas),estacionam seus carros quetendem a ocupar a vaga até o final do dia. É preciso tornar esse espaço mais republicano. Ninguém gosta de pagar para estacionar, mas é um modo de democratização das vagas. Quem vai ficar estacionado o dia inteiro tende a procurar as ruas próximas,gratuitas. E as vagas na frente das lojas são ocupadas em rodízio. A ocupação dos espaços públicos não éumproblemaa ser resolvido, mas a ser administrado. De modo republicano. Qual é hoje o grande desafio para a malha de ciclovias? Objetivamente falando, incluirmos a avenida Coronel Mendes nessa malha. Não somos ingênuos nemautoritários. Temos consciência deque isso envolve muita negociação. O positivo é que durante a negociação se dá o esclarecimento. Ninguém é obrigado aentender a priori o quanto a bicicleta é saúde, cidadania, respeito ao ambiente. Eque no conjunto todos nós só temos a ganhar quanto mais a bicicleta for alternativa efetiva. Inclusiveo comércio. Vamos explicar, dialogar,explicar, dialogar... O que já pode ser apontado de satisfação nessa empreitada? É perceptível o quanto aumentou a presença deciclistas. Qualquer umao olhar hoje as ruas e compará-las com a memória de cinco anos atrás perceberámuito mais bicicletas.E não falo só de quantidade. Os ciclistas estão com bicicletas cada vez mais seguras, comtodaum aparato de visibilidade e segurança, como capacetes. É umaculturaque setransforma. Todos citam a Holanda, mas poucos sabem que o processo lá foi crítico, envolvendo, inclusive, muitas mortes. Aqui, é como tentarmos fazer umarevolução semquebrar os ovos. Papo com Ton Kneip Número 01 – janeiro/2015 Página 5 Ton Kneip é Secretário de Urbanismo e Arquitetura
  • 6.
    Sala @escrevendo - contato> 2109.0246 Espaço de encontros para aulas de Filosofia e Redação, na sala 817 (8º andar do Bloco B) do Resende Shopping Aulas de REDAÇÃO - particulares ou em grupo, preparatório para Enem e concursos. Os encontros focam em três tópicos: gramática, técnica dissertativa e abordagem do conteúdo A cada encontro são passados propostas de textos para serem entregues durante a semana. A devolutiva é feita no encontro seguinte, com análises e, se for o caso, indicações para que seja reelaborada. Cada texto é lido junto com o aluno, para apontamento das virtudes, dos progressos, e de como o texto poderia ter sido melhor desenvolvido. Variada indicação de fontes para, ao longo do ano, melhorar o entendimento dos assuntos mais “cotados”. A cada encontro corresponde farto material de apoio. Em paralelo à leitura de O MUNDO DE SOFIA, de Jostein Gaarder. Cada um dos mais importantes filósofos da história apresentados didaticamente. - anfitrião: Luciano Gonçalves CURSO DE HISTÓRIA DA FILOSOFIA 15 encontros Em casa, os participantes vão lendo os capítulos. Nos nossos encontros os filósofos e suas idéias vão sendo melhor conhecidos. Material didático desenvolvido especialmente para este curso. Bom acervo de livros, revistas e filmes colocados à disposição dos estudos. Público-alvo curiosos e interessados em cultura geral, em história, estudantes do Ensino Médio, pré-vestibulandos e universitários. Investimento total, com apostila e material complementar incluso: R$ 280 (parcelamos em 3 vezes) Turma de Quarta > 19h30 às 21h30 Fev – 25 Mar – 4 / 11 / 18 / 25 Abr – 8 / 15 / 22 / 29 Mai – 6 / 13 / 20 / 27 Jun – 10 / 17 Turma de sábado manhã > 9 às 11h Turma de sábado tarde > 16 às 18h Fev – 28 Mar – 7 / 14 / 21 / 28 Abr – 11 / 25 Mai – 9 / 16 / 23 / 30 Jun – 13 / 20 / 27 Jul – 4 Inscrições na GREGOS E TROIANOS - casa de leituras / tel. 2109.0246 Número 01 – janeiro/2015 Página 6
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    KAIRÓS - CENTRODE ESTUDOS DA CONSCIÊNCIA A palavra grega “Kairós” significa tempo mítico, o tempo interno de cada um de nós. A qualidade do tempo, complementar ao tempo “Cronos”, o tempo medido, das horas e dos dias. O Kairós – Centro de Estudos da Consciência nasceu de forma despretensiosa, a partir do encontro de pessoas que tinham uma busca comum – autoconhecimento. No Kairós, partilhamos a idéia de que quanto melhor me entendo, mais chances tenho de compreender e aceitar o próximo, mais conscientes tendem a ser as minhas escolhas pessoais e de melhores recursos disponho para ter uma vida mais plena. Nas palavras de Leminski: "Isso de querer/ ser exatamente aquilo/ que a gente é/ainda vai/ nos levar além." Com essa proposta, o Kairós utiliza de algumas linguagens simbólicas, como a astrologia, o tarot, a mitologia grega, entre outras, através de cursos, oficinas, consultas e palestras. Todas as últimas segundas-feiras de cada mês (19h) realizamos palestras abertas sobre temas relacionados a autoconhecimento, expansão da consciência e crescimento interior. Mais informações: Tel: (24) 99957-5020 ou email: heldercamara71@hotmail.com Você é sempre bem vind@! Hélder Câmara Sou astrólogo, taroterapeuta e fissurado em mitologia grega desde menino. Mas, sem falsa modéstia, a função que cumpro melhor é a de porteiro do Kairós, aquele que abre a porta e convida o outro a entrar e ser quem é. Washington Lemos @wmlemos facebook.com/w.m.lemos No início não havia nada, nem luz, nem escuridão, nem mesmo início. Em um instante, a primeira coisa que se fez foi o tempo... um átimo de uma fração infinitesimal do tempo. E neste momento, algo existiu e o nada desapareceu. Foi o começo do fim. Diversidades e singularidades se fizeram. Tudo ainda era efêmero, o universo experimentava todas as possibilidades, testava as diferentes formas de moldar energia: em ondas, calor e finalmente partículas. De alguma maneira parte da energia ganhou uma aparência até então inexistente: ela se “condensava” em massa. Foi aí, a partir deste momento, que realmente tudo começou a acontecer: átomos, poeira, galáxias, estrelas, planetas, eu e você. O universo tinha tudo para se tornar uma imensa poeira de partículas e energia, se expandindo de modo amorfo e indefinido. Porém algo extraordinário aconteceu, a matéria recém criada na forma de massa possuía uma propriedade extravagante: gravidade! Toda e qualquer massa do universo se atraía. A gravidade aparece e muda completamente a dinâmica até então vigente no jovem universo. Com ela, e somente agora, poeiras de partículas distantes (mas muito distantes mesmo) uma das outras, podem interagir, se influenciarem e trocarem informações. A gravidade, a mais fraca das quatro forças fundamentais da natureza (as outras três são força eletrodinâmica, força forte e força fraca) desempenha o fantástico papel de “moldador do universo”. Poeiras de partículas começaram não só a se atraírem mutuamente, mas também a sucumbirem devido a sua própria gravidade, gases dos recém criados átomos de hidrogênio, hélio e lítio (dê uma olhada no início da tabela periódica!) colapsaram sob ação de sua gravidade maior no centro (mais denso) sobre as bordas mais dispersas e menos densas. Surgiam assim as primeiras estrelas, muito maiores e luminosas do que as que vemos hoje. A gravidade não para de trabalhar. Ela estava lá para manter a estrela estável mesmo quando a estrela começou a cuspir no mundo energia na forma de luz e radiação, que tendiam a varrer para o espaço a matéria que a constituía. A gravidade deu conta do recado por uns 3 milhões de anos, mas a energia emitida pela estrela era muito grande e em uma taxa cada vez maior. Ao emitir energia a estrela perdia massa, e com menos massa a gravidade era cada vez menor. Então aconteceu o inevitável: explosão (chamamos de “supernova”). Este era o fim desta primeira geração de estrelas, que deixou como herança ao jovem universo novos tipos de átomos como oxigênio, carbono e ferro. A gravidade não para de trabalhar (parte II). O universo começa a ver uma sucessão de explosões de estrelas de primeira geração, como um imenso festival de fogos de artifício em escala colossal de tempo e espaço. Todas estas explosões formaram novas nuvens de poeira não só hidrogênio, hélio e lítio mas também com as heranças de oxigênio, carbono e ferro (entre outros). E a gravidade mais uma vez recomeça seu artesanato. Aglutina nuvens de poeira em estrelas e com as sobras (pela primeira vez) surgem estruturas que por serem muito pequenas para se candidatarem a estrelas, ficam girando em torno da estrela mais próxima. São os planetas, asteroides, luas e tudo o mais que existe. Uma dessas estrelas possivelmente era o nosso Sol (ou quem sabe de uma geração seguinte) e um destes planetas poderia ser a Terra. E o resto da história você possivelmente já conhece. Então, sempre que for se pesar ou algo cair da sua mão e você pensar em amaldiçoar a gravidade lembre-se: foi ela quem permitiu que você existisse. Ela é a criadora e a devoradora de mundos. Amém. Gravidade: criadora e devoradora de mundos Número 01 – janeiro/2015 Página 7
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    Projetos para 2015 Então...nós também estamos nesse clima de planos e projetos. Aqui estão indicados alguns, que se saírem do mundo das ideias o farão graças, em grande parte, ao carinho com que nosso trabalho vem sendo acolhido e apoiado pela comunidade de Resende e Itatiaia. Distribuição de um mínimo de 8.888 livros I Desafio Gregos eTroianos de ortografia, com premiação Concurso de Redação, com premiação Curso gratuito de Redação para o ENEM destinado a dezenas de estudantes da escola pública. I Desafio Gregos eTroianos deAviãozinho de Papel, com premiação Reativação do CINECLUBE706 Formação de uma turma para estudos de LATIM Grupo para leitura de ULYSSES, de JAMES JOYCE O título já explicita a tese. Gosto dos simbólicos, que se revelam ao longo da leitura. Todavia, gosto também da clareza dos diretos. Entre as funções do CFM, a de regulamentar a atividade médica e defender o exercício da Medicina, atuando em prol da saúde da população e dos interesses da classe médica. Infelizmente, em relação ao Mais Médicos, sua atuação se equivale a de umsindicatozinhodos maismequetrefes. Antes de mais nada, há sim falta de recursos, corrupção, má formação acadêmica e incompetência administrativa. Falta muita coisa. E são muitos os médicos que dão motivo de orgulho à sociedade. Orgulho para além da sua competência, por não colocarem interesses particulares ou de classe acima dos dacidadania.Estes,os bons, devemsesentirenvergonhados peloCFM. CFM que lutou contra o Mais Médicos, com todos os recursos permitidos pelo mais deslavado cinismo corporativista. Há alguns anos me vi apavorado com um tumor na virilha. Como “tumor” pode ser do que há de pior, fui ao hospital, com os olhos apavorados pelo diagnóstico esperado. O médico riu do que não passava de um pelo encravado infeccionado. Esse exemplo mostra o quão vazia era a crítica de que esses médicos não teriam equipamentos. Muito, mas muito pode ser feito sem esses equipamentos, principalmente se o médico tem respeito pelo paciente. E se sabe diagnosticar o que não depende de exames de laboratório e/ou tecnologia avançada. E para quando a tecnologia é necessária, nada melhor do que um encaminhamento mais objetivo. Quer números? No Espírito Santo houve uma queda de mais de 36% nos encaminhamentosparainternação. Falaram da barreira da língua, e se “esqueceram” de que os cubanos trabalharam com povos de língua inglesa, francesa, com dialetos africanos... e isso nuncafoientrave. O CRM falou em trabalho escravo, num completo desrespeito à razão, pois para tanto desconsideraram que os cubanos vinham como funcionários públicos, num regime amparado pela Opas (Organização Panamericana de Saúde), a mais antiga organização internacional de saúde do mundo, criada em 1902. Integrada às Nações Unidas por assumir a função de Escritório Regional para asAméricas da Organização Mundial da Saúde.AOPAS/OMS também faz parte dos sistemas da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da Organização das Nações Unidas (ONU). Legitimidade a toda prova, que por isso resistiuatodasascovardesiniciativasjuntoaoPoderJudiciário. Ao contrário dos médicos de Portugal, Espanha, Uruguai, Argentina e de vários outros países, inclusive os poucos do Brasil, os de Cuba não vieram por estarem desempregados ou em busca de salários melhores. Eles estavam, estão e estarão empregados ao fim deste convênio com o Brasil. Quando o médico cubano Nélson Rodríguez, ao chegar, foi questionado sobre se não ganharia pouco, sua resposta deve ter sido uma chicotada no caráter de tantos médicos que só o são porque no Brasil ser médico é quase sinônimo de status e condição social superior. Suas palavras: “Nós somos médicos por vocação e não por dinheiro. Trabalhamos porque nossa ajuda foi solicitada, e não por salário, nemno Brasilnememnenhum lugar domundo.” Para quem acha que faz sentido o argumento de que médicos brasileiros recusavam a contratação para não se distanciarem “dos centros”, duas curiosidades: dos mais de 14.000 médicos, o estado que mais os solicitou foi São Paulo, com quase 2.200; e o Rio Grande do Sul, tão orgulhoso de ser tão diferentedo Nordeste,maisde1.000. A verdade é uma só: salários de R$ 10.000 mais ajuda de custo e moradiasão consideradosummauinvestimentopelaclassequecostumaocupar as vagas nas nossas universidades. Hoje os médicos cubanos estão em 69 países. 69. Após o terremoto que arrasou o Haiti, já então o país mais pobre das Américas, os EUA enviaram 16.000 soldados. Cuba enviou 1.200... médicos. Semelhante acontece agora com a epidemia de Ebola na África. Obama e ONU reconhecem,maso nosso protetorCFM não. Daí a reação do órgão, que motivou ações vergonhosas como médicos se recusando a atender quem passasse antes pelos cubanos; Conselhos Regionais boicotando o registro; a criação de redes sociais que pretendiam exporasfalhasdos malpreparadosmédicos. Arealidade se impôs: o Mais Médicos atendeu a 100% da demanda, em quase 4.000 municípios. A população só não se sentiu mais acolhida do que os próprios médicos, como qualquer googlada pode demonstrar, nas dezenas de históriasdecomoventesensibilidade. Os latidos do CFM, dos Caiados e dos Bolsonaros mostram que, emboranãopareça,os cãeslatemmaispor medodoquepor coragem. Se o CFM quiser proteger a saúde da população, que combata a Máfia das Próteses, os médicos que batem cartão de ponto nas repartições e vão para seus consultórios particulares, o conluio entre médicos e laboratórios que envergonharia qualquer prostíbulo. E tantas outras vergonhas que permeiam o noticiário. Por que no Brasil os médicos estrangeiros não passam de 1,7%, bem diferente do que ocorre na Inglaterra (37%) e EUA (25%)? Porque aqui o Revalida, exame exigido a quem se forma fora, é usado como barreira à concorrência. Por óbvio o debate é muito longo, mas fico por aqui afirmando, que se o CFM quer mesmo proteger a população dos “Maus Médicos”, não deve combater o Mais Médicos, mas sim exigir o Revalida também para quem se forma aqui. A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) chega a reprovar 90% dos bacharéisemDireitoaindana1ªfasedoseu Exame. Mas cadêcoragemàclassemédica? Conselho Federal de Medicina, não se acovarde: exija o Revalida para todos Por Luciano Gonçalves @escrevendo Número 01 – janeiro/2015 Página 8