O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
FINALIDADE DESTA OBRA
Os materiais literários do autor não têm fins
lucrativos, nem lhe gera quaisquer tipo de receita. Os
custos do livro são unicamente para cobrir despesas com
produção, transporte, impostos e revendedores. Sua
satisfação consiste em contribuir para o bem da
educação, uma melhor qualidade de vida para todos os
homens e seres vivos, e para glorificar o único Deus
Todo-Poderoso. Espero que este livro leve as pessoas a
pensarem que ao abrirem a sua residência para hospedar
um animal, eles podem estar hospedando um anjo que irá
lhe proporcionar as mais agradáveis experiências da vida.
CONTATOS:
http://doutoraeteocron.blogspot.com.br/
AUTORIZAÇÃO
O livro pode ser reproduzido e distribuído por
quaisquer meios, usado por qualquer entidade religiosa,
educacional ou cultural sem prévia autorização do autor.
[ 2 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Anjo Teocron / cadela Doutora
AUTOR: Um animal, um homem e um anjo se
uniram para escrever uma história fantástica. Três seres
de classes diferentes contam uma história simples em que
o cão vira-lata ensina ao homem as virtudes espirituais, e
um anjo se revela na figura de um cachorro, ajudando o
homem nos momentos de perigo. O homem está no meio
entre estes dois seres, sendo influenciado durante sua
vida.
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Dados Internacionais da Catalogação na Publicação (CIP)
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M543 Menezes, Valdemir, 1969, Doutora e Teocron
O Anjo de quatro patas / Valdemir Mota de
Menezes, Doutora e Teocron. Cubatão/SP,
Amazon.com Clubedesautores.com.br, 2015
224 p. ; 21 cm
ISBN-13: 978-1518677663
ISBN-10: 1518677665
1. Cinologia 2. Biografia 3. Angelologia I - Titulo
CDD B869.8
CDU 929(100)
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
SUMÁRIO
Introdução
I – CADELA “DOUTORA”
1 – Hospedando o anjo
2 – As lembranças de Regiane
3 – Carinho na barriga
4 – Matando codornas mordendo chinelos
5 – Envenenada
6 – As galinhas do Galera
7 – Leisa, a Galega
8 – Latidos à noite
9 – Gravidez psicológica
10 - Correndo pelas ruas de Santos
11 - Esperando a beira do caminho
12 - Sol e chuva ao lado do dono
13 – Não mexa comigo
14 – A gata Pamella
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
15 – Soleira da casa
16 - Toby
17 – Caçada ao lagarto
18 – Minha educação
19 – Edson, morador de rua
20 - Perdida no mato, na estrada de Itariri
21 – Os patos
22 – Zenilda
23 – Ellen
24 – Esther
25 – Dona Lourdes
26 - Presa na carceragem da delegacia.
27 – Detectando cobras no mato
28 – Brincando de pega-pega
29 – Desmaio
30 - Atacada pela Pitbull Dara
31 - A profecia de Paulo
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
32 - A doença
33 - A cirurgia
34 - Restabelecida a saúde
35 - O retorno do câncer
36 - Meu último dia
37 - A morte
38 - Sepultamento
39 - Nastácia
II – TEOCRON
Apresentação
1 - O grande encontro
2 - Olhos que te olham
3 - Arte de camuflagem
4 - Não percebem os anjos
5 - Anjos familiares
6 – Felicidade inexplicável
7 - Animais condutores da presença de Deus
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
8 - Tomei um raio
9 - O endemoninhado
10 - 700 anjos
11 - O anjo irá adiante de vós
III – TEOLOGIA SOBRE OS ANIMAIS
1 - Preservando as espécies
2 - Fim do homem como o dos animais
3 - Os animais falam com Deus
4 - Os justos tratam seus animais
5 - Vida humana é semelhante a animal
6 - O improvável destino dos animais
7 - Animais adoram a Deus
8 - Os animais confiam em Deus
9 - Animais, um dos orgulhos de Deus
10 - As criaturas da terra tem inteligência
11 – Os quatro animais do céu
12 - Salvação dos animais
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
13 - Os animais no novo mundo
14 - O céu é um curral
15 - Jesus e seu animal
16 – A graça alcança homens e animais
17 – A lei de Deus protege os animais
18 - Deus evita a destruição dos animais
19 - Deus não esquece os animais
20 - Deus ama todos os bichos
21 – A vingança divina pelos animais
22 - Os cães comem no banquete do Senhor
IV – OS CÃES DE LÁZARO
Conclusão
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
INTRODUÇÃO
Esta é a fantástica história de um anjo de quatro
patas. Continuamente estamos sofrendo na Terra
intervenção de criaturas espirituais, sejam benignas ou
malignas. A Bíblia nos fala que devemos abrir a porta da
nossa casa para recebermos os outros, pois fazendo
assim, eventualmente Deus nos enviará anjos. "Não vos
esqueçais da hospitalidade, porque por ela alguns, não o
sabendo, hospedaram anjos." (Hebreus 13:2). Eu já tive
muitos animais domésticos que ganhei ou adotei,
hospedando-o em casa, assim como milhões de pessoas
o fazem em volta do mundo. Até que percebi que um
destes animais era extraordinariamente especial. A cadela
chamada Doutora. Tive muitos gatos, a qual sempre dava
nomes espalhafatosos como: Josivaldo I e Josivaldo II,
uma forma debochada de tratar as realezas da Terra e
satirizar suas dinastias. Cada morte de um animal deste
causava dor e tristeza, como qualquer pessoa que tem
sentimento sofre ao perder o seu animal de estimação.
Também tive outros três gatos especiais: Getúlio Vargas,
Juscelino Kubischek e Pamella Anderson. Como se vê
estes nomes são de personagens famosos: Dois
presidentes do Brasil e uma atriz norte-americana. Minha
primeira experiência com cães foi em 2005, quando eu já
tinha 36 anos. Imaginem que passei a infância e
adolescência sem a alegria de ter um cãozinho! Mas
quando esta cadela entrou em minha vida eu tive as mais
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
gratas experiências terrestres e descobri a fundo o
sentido de muitas palavras como: Amor, gratidão,
fidelidade, amizade e companheirismo. Este livro é um
tributo a Deus por ter me dado na vida bichos, animais de
estimação, e agora UM ANJO DE QUATRO PATAS.
Esta é a história de um cão, um homem e um
anjo. Talvez para você será apenas uma história
fantasiosa sobre um animal de estimação, mas para mim,
foi muito mais do que isto. Enquanto estou escrevendo
estas palavras, o corpo sem vida do meu anjo está no
carro, esperando para o sepultamento digno que farei
amanhã a cem quilômetros daqui. Estou mergulhado em
sentimentos como: agradecimento, gratidão, doces
lembranças e nostalgia. Este livro pode ser classificado
como realismo fantástico, porque parte do livro é
expressão dos meus sentimentos e lembranças e parte do
livro é sensorial, ao longo dos anos eu e a cadela
conversávamos através do pensamento, por telepatia. As
pessoas são livres para acreditarem ou não no que
quiser, inclusive na história que eu vivi com a Doutora.
1 - HOSPEDANDO O ANJO
As coisas maravilhosas da vida geralmente não
tem valor econômico e não lhe custou um real. Ter uma
mãe, uma família, poder respirar, beber um gole de água
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
quando está com sede, caminhar pela rua. Estas coisas
são muito importantes, mas infelizmente só damos valor
as coisas que realmente importa quando percebemos que
estamos perdendo-as, ou quando elas não existem mais.
Na vida é preciso ficar atento para não perdermos o
bonde da felicidade, a felicidade vem de diversas formas
e muitas vezes na forma de um animal de quatro patas.
Em 2005 eu morava na Rua Maria Graziela, no bairro do
Casqueiro em Cubatão/SP/Brasil, em minha casa vivia eu,
minha esposa Zenilda, minha enteada Lívia e uma
sobrinha chamada Jessica. Um dia Jessica apareceu
com um cachorrinho de cor parda, uma bolinha de fofa,
era de raça indefinida, que costumamos chamar de vira-
lata. Ela devia ter uns dois meses de vida. Sinceramente
eu não dei muita atenção. Naqueles dias eu estava
vivendo uma turbulência profissional muito grande, um
grande rolo estava passando por cima da minha vida. Eu
era escrivão de polícia civil e uma grande confusão e
briga estava havendo na Delegacia que eu trabalhava,
esta confusão acabou criando atritos com a Delegada de
Polícia de outra Delegacia próxima a minha unidade.
Minha cabeça estava a mil, eu estava no centro de uma
contenda e dois delegados de polícia estavam acusando-
me de falsificar documentos. Eu estava inteiramente
inocente e não tinha feito nada de ilegal, nem criminoso,
nem de má fé, por isso mesmo eu estava transtornado,
furioso e a beira de fazer uma loucura. Não tinha cabeça
para dar atenção a um reles animal, um filhote de vira-
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
lata. Investigações, procedimentos administrativos e
processos criminais estavam sendo instaurados e o meu
nome estava no centro destas polêmicas.
Um cachorrinho correndo pra lá e pra cá no
quintal da casa não me atraia em nada. Eu acordava e
dormia só pensando como as coisas se enrolaram de tal
forma que eu fui parar no meio de uma suspeita da qual
eu sabia que não tinha nenhum envolvimento. Este foi um
momento muito turbulento da minha vida, e não posso
falar tudo o que eu sei sobre o que ocorreu naqueles dias,
vários policiais se tornaram inimigos uns dos outros, uns
acusavam os outros de várias falcatruas, suspeitas de
corrupção, trafico de drogas, forjando provas, acusações
anônimas e declaradas, causaram escândalos de tal
forma que a imprensa local da época, como jornais, rádios
e TVs divulgavam que aquela unidade policial estava
sendo alvo de diversas investigações da Corregedoria e
da Delegacia Seccional de Santos. A situação chegou a
tal ponto que os superiores determinaram o afastamento
de todos os policiais daquela unidade devendo todos
serem transferidos para outras cidades, a Delegacia
deveria trocar suas fechaduras para que nenhum
daqueles policiais pudessem entrar na calada da noite e
cometerem sabotagens, ou plantar provas uns contra os
outros. Minha vida estava de cabeça para baixo no meio
daquele tumulto, coisas muito graves mesmo, coisas que
não posso falar por muitas razões, entre elas para não
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
ressuscitar antigas rixas já apaziguadas depois de uma
década, ainda que muita coisas ficaram sem respostas
dos diversos crimes que ocorreram envolvendo vários
policiais civis. Estavam envolvidos na confusão delegados
de polícia, investigadores, agentes policiais, escrivães de
polícia, “gansos”, falsas testemunhas civis, comerciantes
inescrupulosos, assassinos, e até vítima de homicídio.
Para que vocês possam ter uma ideia, foram abertos
cerca de dez procedimentos investigatórios na 6ª
Corregedoria Auxiliar de Polícia de Santos. Eu fui ouvido
como testemunha em alguns destes procedimentos, mas
fui indiciado em dois processos criminais, um por
Falsificação de Documento Público e outro por Falsidade
Ideológica, além dos respectivos processos
administrativos que poderiam culminar com a minha
expulsão da policia a bem do serviço público. Neste clima
de incertezas, ódios e inimizades entre policiais eu jamais
teria cabeça para olhar para um cachorro vira-lata.
A sobrinha Jessica que havia ganho aquela
cadelinha perguntou para mim que nome eu sugeria para
dar àquela cachorrinha. Cheio de raiva e expelindo ódio
pelos poros com uma certa Delegada de Polícia que havia
registrado uma ocorrência policial contra mim, lavrando
um BO e encaminhando a Corregedoria, eu falei para
Jessica chame-a de Doutora ....... Jessica sem maldade
no coração, uma adolescente de 15 anos, disse que
gostou da sugestão e deu o nome da cadela justamente o
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
nome da tal Delegada de Polícia. Eu estava cheio de ódio,
por mim queria fazer um grande mal aquela Chefe de
Polícia, mas contentava-me em ouvir a Jessica chamando
a cadela pelo nome de uma pessoa que eu tinha como
inimiga.
A pequena cadela que agora respondia pelo
nome de Doutora...... materializava meu ódio. Mas em
alguns anos eu logo descobriria que ela veio para minha
casa com uma missão especial e o ódio materializado iria
se transformar em amor. A Doutora era ora um cão
comum, ora um anjo incomum.
Pessoas insensíveis que nunca tiveram um
relacionamento de comunhão íntima com um animal terá
grande dificuldade para entender a minha história com a
Doutora, pois tem coisas que se conhece e se entende
pelo coração e não pela mente racional.
2 – AS LEMBRANÇAS DE REGIANE
Somente após a morte da Doutora é que eu fui
atrás da origem da Doutora. Minha esposa tinha
conhecimento onde poderia encontrar a pessoa que nos
doou a cadela, e ela passou a intermediar entre eu e
Regiane. Fiquei muito feliz ao saber que a Regiane e seu
esposo Júnior também tiveram uma experiência
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
transcendental com a mãe da Doutora, a Chiquita. Há
algumas semelhanças na relação do Junior com a
Chiquita e comigo e a Doutora. Fiquei deveras contente
que a Regiane tinha fotos da infância da Doutora e que
enviou-me para fazer parte do acervo deste livro. Regiane
gravou alguns áudios respondendo minhas indagações
sobre a origem da Doutora e seu passado. A seguir
transcrevo estes áudios, com as palavras literais da
Regiane:
Chiquita (áudio 6 e 7, 9).
Eu não sei dizer ao certo de onde veio a Chiquita,
mãe da Doutora. Não sei se ela foi abandonada, ou se
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
simplesmente ela se perdeu. Existem muitos cachorros
que fogem de suas casas, porque se assustam, muitas
vezes pelo barulho de fogos de artifícios e depois não
conseguem voltar para os seus lares; assim, muitos cães
acabam ficando perdidos na rua; não posso dizer que
este foi o caso da Chiquita. Ela apareceu no Pamus lá da
Vila São José, em abril de 2005, ela estava muito
assustada porque tinha uns meninos batendo nela, minha
mãe interviu e passou a dar comida para Chiquita.
Vitor, amigo da infância da Doutora
Um dia, eu e o Júnior fomos lá na casa de minha
mãe, e ela estava colocando comida para Chiquita, nós
brincamos com Chiquita, Junior passou a mão na cabeça
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
dela, e depois disso, sempre que Chiquita via a gente, ela
vinha na direção do Júnior, e ela passou a seguir a
camioneta que o Júnior usava para trabalhar na época,
então, toda as vezes que ele passava na Avenida 9 de
Abril, em frente a casa de minha mãe, a Chiquita o via do
Pamus e sai correndo desesperada, atravessava a pista e
saia correndo atrás da camioneta, corria, corria até que
cansava. Um dia Júnior chegou muito chateado e
preocupado, dizendo que qualquer dia ela iria ser
atropelada, porque ela saia correndo na pista, sem noção,
atrás do carro. Como nós já morávamos no Parque São
Luiz, em uma casa com quintal, eu falei para o Júnior
traze-la para casa, pois ela te escolheu e te ama e não
pode ver você passar que corre atrás, trás ela para casa.
No dia seguinte ele foi até a pista e simplesmente
abriu a porta da camioneta e ela entrou. Ela sentou no
banco veio para casa. Quando eu cheguei do trabalho, ela
estava aqui já interagindo com os outros dois cães. O Titi
e o Vitor, Chiquita já estava super adaptada. Uma
cachorra super tranquila, parece que nasceu aqui no
quintal, uma coisa tocante, emocionante O AMOR QUE
ELA TINHA PELO MEU MARIDO. Um dia ela estava na
sala e nós estávamos passando a mão nela e ai eu vi a
barriga dela se mexer. Então eu disse para o Júnior:
“Você viu isso?” e ele respondeu que sim. Ficamos
mexendo na barriga dela e mexeu de novo, então eu
disse: “Meu Deus esta cachorra está grávida!” Continuei
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
mexendo na barriga dela e comecei a sentir os filhotes.
Então decidimos esperar o final da gestação e quando foi
no dia 21 de maio de 2005, ela deu a luz a oito filhotinhos.
O pai da Doutora (áudio 8).
O pai destes filhotes eu realmente não sei quem
foi, porque ela já apareceu lá no Pamus da Vila São José,
somente depois que adotamos é que percebemos que ela
estava grávida. Não sei dizer onde ela engravidou,
provavelmente foi na rua, não sei dizer quanto tempo ela
ficou na rua. Provavelmente ela não tinha muito tempo
que estava na rua, porque ela não estava debilitada, pois
quando o cão fica muito tempo na rua ele fica magro, ele
fica com o pelo feio, com sarna, ela ainda estava
gordinha. Assim, não dá para saber quem foi o pai da
ninhada, o importante é que veio oito filhotinhos, um
diferente do outro, eram três meninas: A Doutora, a Mille
e outra que infelizmente eu não lembro mais o nome, e
mais cinco irmãozinhos sapecas.
A Doutora e seus irmãos (áudio 1).
O que eu lembro da Doutora filhote, cara, foi a
melhor época da minha vida. Eu via oito filhotes correndo
no meu quintal. Nunca mais vou esquecer-me disso. A
Doutora era muito briguenta, e era brava (risos). Ela não
gostava muito que os irmãozinhos ficassem pulando nela,
mas os outros gostavam de pular uns nos outros, mas a
Doutora era meio estressada e era brava com eles. Ela foi
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
uma das primeiras que eu vi latir (imitando o som de
cãozinho), isso foi muito engraçado. A carinha dela... ATÉ
HOJE QUANDO EU FECHO OS OLHOS, EU VEJO A
CARINHA DELA. Filhotinha serelepe.
Doações dos irmãos (áudio 2).
Em um sábado nós fomos a Praça Princesa
Isabel, eu havia feito um cartaz de cartolina onde eu
coloquei a inscrição: “Doação de filhotes.” Ficamos lá
sentados, com a gaiolinha, ficamos lá na parte da tarde e
conseguimos doar dois filhotes e mais dois gatinhos.
Quando a Chiquita teve os filhotinhos, na mesma época
eu achei dois gatinhos na rua, dois gatinhos pretos, e eu
acabei acolhendo, e neste dia eu consegui um lar para
estes dois gatinhos. Neste dia eu doei ao total três
cãezinhos macho, e em casa ficou a Doutora, a Mille e
mais outro machinho.
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Chiquita, mãe da Doutora era apegada
ao Júnior, da mesma forma a Doutora se
apegou a Valdemir. Os cães parecem que
escolhem pessoas para criar uma ligação
espiritual.
Regiane com Chiquita. Não importa a
raça, os cães tem a capacidade de amar sem
restrições, sem objeções, sem ressalvas.
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Adoção dos irmãos (áudio 4).
O processo de adoção da Doutora foi uma
aventura, porque em 2005 não havia ongs protetora de
animais aqui em Cubatão e nem conhecíamos pessoas
que trabalhassem com a causa animal. Não havia
ninguém que nos orientasse de forma dinâmica para tratar
de marketing de adoção, então tivemos a ideia de criar
um cartaz com fotos, e estes cartazes nós saímos
distribuindo; coloquei em lojinhas próximo a casa de
minha mãe na Vila São José, pedi para colocar no Pamus
(posto médico de bairro), e sai pedindo nos pet shops
para colar cartazes, bem como em ponto de ônibus. A
internet ainda era algo raro, não havia, facebook, coloquei
anúncio pago no jornal Primeira Mão. Quando eu fui à
Avenida 9 de Abril, no pet shop Mundo Animal, eles nos
cederam uma gaiola grande, bem como o responsável da
loja nos deu a ideia de fazer uma feira de doação dos
filhotinhos.
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Doações (áudio 5, 12).
Nós esperamos eles completarem três meses,
esperamos eles largarem o leite, e começarem a comer
ração, foi ai que começamos a tirar as fotos e fazer os
cartazes e distribuir, e aqui no bairro do casqueiro, no pet
shop Pixoxó, na avenida Brasil, o dono nos cedeu
gentilmente a frente da loja e nós levamos alguns filhotes,
ficamos no período da tarde de um sábado, e ali foi doado
uma irmãzinha da Doutora, que foi para a Vila dos
Pescadores, e mais outro irmãozinho dela, foi um dia
muito difícil da minha vida, eu chorei muito, eu entreguei
os cachorrinhos aos prantos. Foi muito difícil mesmo,
foram três meses cuidando, nós dávamos mamadeira,
porque eram muitos filhotes e a Chiquita não dava conta
de amamentar a todos. Meu marido Junior ia ajudando-
me a fazer a fila, separando os que já haviam mamado,
mesmo assim, alguns entravam na fila de novo e
mamavam duas vezes, porque eles eram muito parecidos.
Dos últimos três que ficaram aqui em casa, um
dos filhotes foi doado para uma pessoa de Praia Grande,
ele viu um dos cartazes em um ônibus, pois meu pai era
motorista da Viação e eu havia pedido para ele colocar
um cartaz no coletivo. Este rapaz levou um macho e ficou
somente a Doutora e a Mille.
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Quanta glória dentro de uma caixa!!!!!
Única gestação da Chiquita (áudio 3).
Este foi o único parto da Chiquita, nós esperamos
ela ter os filhotes e depois que ela os amamentou, nós
permitimos que ela amamentasse, e eles mamaram nela
o quanto quis, e somente depois de três meses, eles já
estavam todos gordinhos e já ia começar o processo de
adoção, nós começamos a inserir a ração úmida na dieta
dos filhotes. Assim nós achamos melhor castrar a
Chiquita, pois nós tínhamos mais dois cães machos no
quintal e não queríamos correr o risco dela ficar prenha de
novo. Esta foi à única gestação da mãe da Doutora.
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
A Jéssica viu o cartaz na Ciça, porque na época
eu colei um cartaz lá com as fotos dos filhotes. Eu lembro-
me da Jéssica me ligar e nós marcamos um encontro, ela
veio aqui em casa e conheceu e se apaixonou pela
Doutora e disse que queria a Doutora. A Jéssica pediu
para eu não doar a Doutora que ela iria dar um jeito para
adotá-la. Demorou um pouco para ela voltar, cerca de um
mês, mas deu tudo certo, e acabamos levando a Doutora
até a casa do Valdemir e Zenilda com quem, na época a
Jéssica morava.
Mille (áudio 11).
A última foi a Mille, ela passou por duas tentativas
de adoção, mas retornou porque não se adaptou com os
seus novos donos. A Mille está viva até hoje, esta uma
senhorinha. Agora no dia 22 de fevereiro de 2015 morreu
a Chiquita, mãe da ninhada, devido a complicações nos
rins. Na mesma época a Mille quase morreu, achei que
iriamos perde-la, mas ela deu uma reviravolta e conseguiu
se recuperar e está aqui conosco. Os outros irmãos da
Doutora, eu perdi o contato, infelizmente não sei o que
aconteceu com eles. Acredito que todos eles tiveram boas
vidas, porque todas as pessoas que cruzaram o nosso
caminho eram pessoas de bem, até que provem o
contrário, eram pessoas muito boas. A Doutora e suas
duas irmãzinhas foram castradas. A Doutora foi castrada
com cinco ou seis meses, nós a levamos para castra-la, e
também as duas irmãs dela foram castradas. Os irmãos
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
dela não foram castrados, naquela época também era
caro. Achamos mais importante castrar as fêmeas.
Doação da Doutora (áudio 10).
Pequeno Príncipe (áudio 14).
O único que recebeu nome e foi doado foi o
Pequeno Príncipe, porque na época, a minha sobrinha
que hoje está com 18 anos, era uma criança, e esta
sobrinha costumava vir em minha casa todos os
domingos, ela acordava cedo e vinha cuidar dos filhotes,
esse era o passeio dela de domingo, ela esperava a
semana inteira para vir aqui, essa era a diversão da
minha sobrinha, e este cãozinho pequeno era o xodó
dela, ela costumava andar para cima e para baixo com ele
no colo. Eu achei melhor não dar nome para nenhum
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
deles, porque quando damos nome, acabamos se
apegando. Querendo ou não, foi muito difícil doa-los, e
seria muito mais doloroso se eu tivesse dado nome.
Quando você dá nome, meio que faz parte da família, e
assim acabam entrando na família. Procurava chamar
estes cãezinhos de fofinhos, bolinhas, mas nome, nome,
não. Eu deixei para que cada dono escolhesse o nome
que deveriam dar aos seus cãezinhos. Mesmo assim, foi
difícil doa-los, eu chorei muito. Eu acabei ficando muito
agradecida a Deus e ao universo, agradeço porque as
sete pessoas que apareceram no meu caminho foram
pessoas do bem. Eu tenho certeza que assim como a
Mille, e a Doutora, os demais também tiveram bons lares.
A infância da Doutora (áudio 12).
A Doutora e a Mille eram espertas e gostavam de
furar a fila para tomar a mamadeira de leite, muitas vezes
elas tomavam duas rodadas de leite, eram as mais
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
gulosas. Todos os oito filhotes eram muitos saudáveis.
Eles corriam muito no quintal, e aprendiam as coisas com
os outros dois cães adultos que viviam no quintal. Era
muito engraçado eles latindo e correndo. Certo dia eu e o
Júnior saímos para passear e a nossa vizinha nos ligou
desesperada dizendo que a Doutora e outros irmãozinhos
estavam batendo em um mais fraquinho. Este era
chamado de Pequeno Príncipe, acho que foi o último a
nascer. Ele era o menorzinho. Os outros batiam nele,
faziam dele saco de pancada. O filho da vizinha colocou
uma escada no muro, pulou para o meu quintal e jogou
água neles para apartar a briga. Foi uma correria na
vizinhança. Depois nós rimos muito, porque eles não
tinham nem idade para isso. Eles não tinham nem dois
meses, foi uma cena muito engraçada, uma pessoa
apartando briga de filhotes.
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
ONG (áudio 13).
O melhor da experiência com Chiquita e seus
filhotes é que isso impulsionou-me a abrir uma ONG para
cuidar das tantas “chiquitas” que existem pelas ruas. Essa
aventura levou-me a amizades maravilhosas. Com outras
pessoas reabrimos uma ONG e organizamos feiras para
adoção de animais. Depois acabei afastando-me da ONG
por divergências administrativas, mas nunca mais parei
de lutar pela causa dos animais, Tenho uma página no
facebook e um blog para promover adoção de cães, pago
anúncios para patrocinar adoções, e tenho conseguido
muitos lares para vários bichos. Luto para que histórias
como a da Chiquita tenham um final feliz.
3 - CARINHO NA BARRIGA
Boa parte do livro são memórias da cadela
Doutora, agora a palavra é dela:
Doutora: Como eu, todos os cães e todas as
criaturas de Deus gostam de carinho. Eu amava quando o
meu dono passava a mão em minha testa, ou na minha
pelagem, mas o lugar que mais gosto de sentir sua mão
passar era na barriga. Eu sempre ficava esperando o
melhor momento para se aproximar e chamar sua
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
atenção, quando eu via que conseguia fisgá-lo eu me
virava com a barriga para cima e abria os membros
traseiros sugerindo-o que passasse a mão em minha
barriga. Muitas vezes eu acho que ele tinha preguiça de
se abaixar e por isso passava os pés em minha barriga.
Na verdade não importava se ele passava a mão ou o pé,
se calçava chinelo, tênis, ou bota. Tudo que eu queria era
sentir o contato do meu dono, e se não fosse dele, o
carinho humano sempre ia bem.
No mundo há muitas pessoas que são tão
orgulhosas, que se acham tão superiores que nem olham
para nós, ou quando olham nos veem com desprezo.
Estas pessoas não valem a pena nós nos aproximarmos,
elas reagem com nojo e raiva. Mas mesmo assim, nós
[ 30 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
cães, somos pacientes e temos capacidade de analisar os
humanos que com persistência podem ser conquistados.
Com o meu dono foi assim, durante muito tempo ele não
ligava para mim, mas eu vim ao mundo para conquista-lo,
e isso demandaria tempo. Quando finalmente o
conquistei, ele raramente passava por mim sem fazer um
carinho na cabeça ou na barriga. Além dele, eu conquistei
muitas outras pessoas, pessoas que me amaram de
verdade como dona Lourdes, Zenilda, Edson, que morava
comigo e com a Leisa debaixo da marquise da Rua
Rangel Pestana e Seu Zé, vigia da Solimene,. Não
poderia deixar de citar Esther, Ellen, Lívia e Jessica, não
tive tanto contato com elas, mas quando tinha, era com
amor. Eu percebia pelo jeito delas falarem, pela
expressão do rosto. Eu nunca consegui entender todas as
palavras que os humanos falavam, mas algumas eu
entendia, e sempre procurava associar as palavras aos
gestos para não incorrer em erro e fazer algo que os
contrariava. A minha amiga Leisa não entendia tão bem
como eu, mas eu dizia para ela, faça o que eu faço e você
vai se dá bem, de vez em quando ela era teimosa e
levava a pior. Com o passar do tempo a Leisa foi
aprendendo a conviver com os humanos, sabendo
escolher em quem podia se aproximar e quem devia se
afastar. A nossa sobrevivência no mundo depende do
nosso relacionamento com os humanos, porque desde
que a humanidade foi expulsa do paraíso, nossos
ancestrais escolheram se arriscar e viver mais próximo
[ 31 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
dos humanos, prestando pequenos serviços para os
mesmos em troca de abrigo e alimento. Muitos da nossa
espécie sofreram muito e tiveram até morte violenta pelas
mãos maldosas dos humanos, mas assim mesmo esta
escolha valeu a pena, porque a maioria dos humanos nos
acolheu. Nós, os cães, e os gatos, fizemos a opção em
viver com os humanos, dando-lhe carinho e amor, por
isso fomos excluídos da cadeia alimentar dos humanos.
Estas coisas eu sei não porque eu li em algum livro, não,
nós os cães não sabemos ler ou escrever, mas Deus
escreveu em nosso DNA, e o nosso instinto nos diz o que
temos que fazer, geração após geração. Acho que deve
ser interessante o que o meu dono esta escrevendo, eu
confio nele, com certeza ele deve está expressando da
melhor forma possível as coisas que nós conversávamos.
No universo há uma linguagem universal, quem fica
sintonizado na mesma frequência consegue falar com
todo o universo, até com aquelas criaturas que não estão
compreendidas como seres vivos pela Biologia tradicional.
Isso mesmo, quando estamos em sintonia com Deus e a
sua criação, conseguimos falar uns com os outros,
homens, animais, plantas, rios, florestas, ventos, os astros
do cosmo etc.
4 - MATANDO CODORNAS E MORDENDO CHINELOS
[ 32 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Doutora: Eu era ainda uma cachorrinha, e como
todos os bebês e crianças de qualquer espécie, temos
uma necessidade de brincar e se divertir, ao mesmo
tempo em que vamos desenvolvendo os instintos naturais
de nossa espécie, que inclui o desejo de caçar para
sobreviver. Lá em casa, na Rua Maria Graziela, havia um
viveiro com codornas, pequenas aves que costumavam
por ovos quase todos os dias. Quando via aquelas aves,
eu ficava louca de vontade de captura-las, e como
algumas codornas conseguiam sair do viveiro ficando pelo
quintal da casa, esta era a minha oportunidade de
desenvolver meus dons e habilidades caninas de
predadora e caçadora que havia no meu DNA. Quem
criava as codornas era o Valdemir, ele é que sempre tinha
mania de fazendeiro e queria fazer da casa um sítio. Eu
cheguei a casa através da Jessica e da Zenilda, então
tinha mais afinidade com elas naqueles dias. Enquanto
Valdemir saia para trabalhar, eu resolvia correr atrás das
codornas e quando abocanhava uma, as matava. Zenilda
quando via aquilo desesperava-se, porque pensava que o
Valdemir iria ficar muito irritado e iria querer se livrar de
mim. Eu não entendia bem as coisas, afinal era uma
criança, e a Zenilda ajudava a esconder as minhas
peraltices, se livrando das codornas mortas. Valdemir
desconfiava que o número de codornas diminuía, mas
Zenilda os convencia que elas fugiam, até que Valdemir
flagrou-me com uma codorna na boca, brincando e
correndo pelo quintal, eu até corri até ele para mostrar
[ 33 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
como eu estava me saindo bem como caçadora, mas ele
ficou furioso comigo... Em resumo da história das
codornas é que, pouco a pouco as codornas foram
“fugindo” e aquele viveiro de codornas acabou se
tornando minha casinha de cachorro.
Doutora: Minha vida seguia maravilhosamente,
carinho na cabeça e ração na tigela era tudo de bom.
Quando Valdemir chegava do trabalho, a frente de casa
era muito ampla e do portão até o interior da casa, era
uns quinze metros, dava tempo de sobra para eu morder
a bainha da sua calça, pular nas suas pernas, muitas
vezes fazendo tropeça-lo. Mas ele sempre estava com
uma expressão de preocupação e não dava atenção para
mim, e quando dava era tentando deixar-me quieta. Mas
eu não ficava muito tempo parada, reconheço que tinha
[ 34 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
muita energia, corria pra lá e pra cá sem parar. Como as
pessoas entravam no interior da casa descalças, elas
colocavam os chinelos, sandálias e sapatos do lado de
fora, próximo a porta. Ao ver aquilo, eu deliciava-me
mastigando todos os calçados que eu via pela frente,
aquilo era uma delicia para as minhas gengivas, pois os
dentes estavam naquela fase da dentição, além do que,
criança que é criança gosta de por tudo o que vê na boca.
O que eu não contava é que o Valdemir não ficava nem
um pouco feliz quando eu quebrava as tiras dos seus
chinelos. Vez ou outra ele me dava um belo chute e
rosnava com raiva para mim. Eu que não era besta nem
nada, abaixava as orelhas e saia de perto com o rabo
entre as pernas, eu sabia que ele não estava gostando de
mim...
5 – ENVENENADA
Quando Valdemir ia para a área externa da casa,
eu fazia a maior festa, saia correndo disparadamente pela
área da casa com muita alegria, dando volta no Valdemir,
latindo, e fazendo de tudo para chamar sua atenção. Vez
ou outra eu sentia que ele ficava balançado. Eu era o
calor do sol que derretia o gelo do seu coração, mas havia
dias que ele não estava bem e já mostrava uma
expressão que não queria que eu me aproximasse, no
começo eu tinha dificuldade para entender isso, mas com
o passar do tempo fui aprendendo a respeitar seus
[ 35 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
momentos de irritabilidade. Durante os dez anos que
convivemos, Valdemir tinha os momentos que não queria
que eu me aproximasse e com o tempo aprendi a
perceber isso com as mais leves variações do seu tom de
voz, ou dos seus gestos com as mãos, ora chamando-me,
ora repelindo-me. Mas nunca, nunca fiquei magoada com
ele, pois eu vim a este mundo para ajuda-lo e não seriam
seus eventuais ataques de mau-humor que iria me deter.
Contudo, teve uma vez que eu quase tive que abortar
minha missão de amá-lo, não porque eu fiquei desgostosa
com ele, não, não foi isso, é que ele me envenenou...
Valdemir aprendeu comigo que o amor vence o
ódio, e o jogo começou a virar em nossa relação e em sua
vida, quando ele espalhou veneno de rato pela casa, em
cima do telhado, no porão da casa e facilitou que eu
tivesse acesso ao terrível veneno chamado “chumbinho”.
Valdemir colocou alimento como isca para os ratos e em
meio ao alimento havia “chumbinho”, eu desconhecia
completamente o veneno, que não exalou nenhum odor
que pudesse me dar repulsa ao alimento, então comi a
isca. Não demorou muito, eu estava me contorcendo no
chão de dor, e espumava pela boca. Zenilda veio
correndo e ficou gritando desesperada sem saber o que
fazer, Valdemir também apareceu na hora e viu-me
contorcendo de dor, Zenilda já o culpava por ter colocado
o veneno propositalmente em lugares que eu teria
acesso. Valdemir queria se livrar de mim porque não
[ 36 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
gostava de muitas coisas em mim como: matar as
codornas, morder e destruir os chinelos, latir tanto
enquanto ele queria se concentrar e ficar reflexivo em
seus pensamentos e por fim, o meu nome era o nome de
alguém que ele odiava. Matar-me era de certa forma se
vingar do mal que esta pessoa lhe havia feito.
Mas nosso Deus não deixou-me morrer, porque
ainda iriamos viver a mais bela história de amor e
companheirismo de nossas vidas. O anjo Teocron
apareceu para mim e passou sua mão em minha barriga e
eu fiquei curada, sem nenhuma sequela. Nos dez anos
que se seguiriam, nós três iriamos nos encontrar diversas
vezes. Inumeráveis vezes Valdemir se enchia de temor e
reverência quando fixava os seus olhos nos meus e via o
anjo Teocron. O veneno matou muitas ratazanas no
porão, e até muitos pombos e pássaros que comeram o
veneno em cima do telhado. Mas eu fui tocada pelo anjo
Teocron e nenhum mal sofri. Valdemir passou a entender
que eu não era um bicho qualquer, um animalzinho de
estimação. Eu era um anjo, UM ANJO DE QUATRO
PATAS, um “enviado” de Deus. Como eu, ao longo da
história, o nosso Criador enviou milhões de anjos que em
conjunto com cães, gatos, ovelhas, bois, cavalos,
periquitos, papagaios e animais de inúmeras espécies se
aliaram não somente para observar os humanos, mas
para ajuda-los. As Pessoas procuram sinais de
alienígenas e poderes paranormais observando o espaço
[ 37 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
sideral e praticando rituais estranhos, e a maioria não
percebe que anjos celestiais estão bem perto delas,
livrando-as de males, protegendo-as, e confortando-as. O
poder e a força de Deus estão muitas vezes perto de você
na forma tão singela que as pessoas custam acreditar.
Quis Deus que os cães, pela sua natureza
imunda, seus hábitos desprezíveis, fossem designados
pelo Criador para se aproximar dos humanos e dar-lhes
as mais pujantes lições de amor. Meu nome é Doutora,
sim, Doutora na arte de amar...
6 – AS GALINHAS DO GALERA
[ 38 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Doutora: Cheguei a casa do Valdemir em julho
de 2005, bem no meio da confusão que o afastou da
Delegacia de Policia que trabalhava, sendo o mesmo
transferido para Santos, daí que alguns anos depois o
meu dono começou a celebrar meu aniversário no dia 15
de julho como uma data simbólica, já que ninguém sabia
quando eu realmente nasci. Em fevereiro de 2006 meu
dono comprou um pequeno pedaço de terra em Itariri para
cuidar de horta, e plantar árvores frutíferas, procurando
paz para sua alma conturbada. Nas primeiras vezes ele
não me levou, mas não demorou mais do que um mês e
ele passou a levar-me no carro. Valdemir ia ao sítio a
cada quinze dias onde passava o final de semana. Ia no
sábado de manhã e voltava no domingo à noite. O
problema é que eu já havia crescido um pouco mais e
ainda não tinha apreendido a controlar meus instintos de
caça e quando íamos para o terreno do meu dono, ainda
não havia uma casa, então o senhor chamado Galera
emprestava uma casa para o meu dono, acontece que,
quando eu via as galinhas corria atrás delas tentando
pega-las, e o meu dono saia correndo atrás de mim para
impedir que eu desse o prejuízo de matar as galinhas do
Galera, por sorte, aquelas galinhas corriam bastante e
saltavam com voos que as livrava das minhas garras, e
era o tempo suficiente do meu dono dar-me uma bronca e
prender-me na casa, depois íamos de carro até seu
terreno que não era longe do sítio do Galera e ai eu ficava
a vontade, correndo só atrás dos passarinhos. Não raro
[ 39 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
eu pegava alguns. Mas ai meu dono não achava ruim.
Com o tempo aprendi que não devia pegar as galinhas do
Galera. Assim fomos aprendendo a conviver um com o
outro. Eu fui aprendendo a respeitar os limites que ele
impunha para mim, e eu ganhando sua confiança mais e
mais.
7 – LEISA, A GALEGA
Em 2006 a Jéssica que havia me introduzido na
casa do Valdemir, agora tinha encontrado na Praça da
Independência, ali mesmo no bairro, uma cadelinha com
poucos dias de vida, ela estava dentro de uma caixa, e a
[ 40 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Jéssica ficou encantada com aquela cachorrinha de
pelagem branca e parda, e com os olhos claros. Jéssica
chegou em casa dizendo - olha tia Zenilda que
cachorrinha linda, encontrei ali na praça, não é uma fofa?
A princípio Zenilda achou que não dava para ficar com
mais um cão, pois já havia em casa dois. Eu e o Toby. O
Toby é um poodle que não sai de casa, ele até que tem
vontade de sair, mas é muito frágil e por isso, vive dentro
de casa. Meu dono sempre brincava com o Toby
chamando-o de cão de mobília, porque muitas vezes a
Zenilda o colocava em cima de uma estante e ele
permanecia ali por horas, dormindo, pois essa era a sua
especialidade. Leisa foi levado por Jéssica e Zenilda até a
casa da Cacilda, ela era irmã da Zenilda, e foi ela quem
deu o nome da Leisa. Quando Jéssica chegou a casa da
sua tia Caçilda com Leisa nas mãos, Caçilda percebeu
que sua sobrinha estava feliz com aquele cãozinho e por
isso chamou Jéssica e Zenilda para irem até um Petshop
onde Caçilda comprou diversos apetrechos e objetos para
Leisa, como: cama, perfume, shampoo, ração, etc. Leisa
se tornaria minha inseparável amiga.
Vivemos boa parte de nossas vidas, uma perto
da outra, distantes por dois ou três metros. Amei demais a
Leisa, mas sempre foi ciumenta ao extremo. No começo
até eu me aborrecia com a Leisa, só queria ficar
lambendo todo mundo, principalmente a mim. Era uma
[ 41 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
criatura muito carente, queria que déssemos atenção a
ela de qualquer maneira. Fazia uma cara de coitada que
dava pena. Mas era sua arma de atrair a atenção dos
outros. Leisa foi crescendo e aprendendo comigo, aquilo
que podia e não podia fazer. Chinelos não, entrar em
casa não. Avisar quando chegar gente em casa sim, pular
nas pernas do Valdemir e Zenilda não, não, não não...
Não adiantou muito, Leisa sempre afoita e querendo
chamar a atenção, se não fosse logo repreendida, de
imediato pulava nas pernas dos donos e sujava a roupa
com as marcas das suas patas. Quantas vezes Leisa foi
chamada de imbecil e burra... não foi por falta de aviso...
Posso dizer que criei Leisa como uma filha, apesar da
pouca diferença de idade entre nós. Eu logo fui castrada
quando alcancei a idade de seis meses de vida, e na
sequencia Leisa também foi castrada. Nunca tivemos
filhos. Isso não foi problema para Leisa, ela nunca teve
mesmo um instinto materno. Quanto a mim, eu sentia um
desejo de ter filhotes, mais eu conto isto em outro
capítulo. A propósito, o nome Leisa foi dado por Caçilda,
mas não vou contar o porquê deste nome. Quando
Jéssica contou sobre o nome da nova cachorrinha,
Valdemir disse, pois bem a dupla agora está formada, se
uma é a Doutora, a outra é uma escrivã. Frequentemente
Valdemir brincava dizendo: “Olha ai minha Delegacia, se
a Doutora é uma Delegada, a Leisa é uma escrivã, kkkkk.”
Quando fomos morar na casa da dona Lourdes, a mãe do
Valdemir, ela se confundia com os nomes e resolveu nos
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
chamar por apelidos. Eu era a “Baixinha” e a Leisa era
“Galega”. Galego quer dizer “loiro”, gente do reino da
Galícia. Os nordestinos dos sertões costumam chamar
assim os loiros. Como a família do Valdemir é do agreste
nordestino, ele e sua mãe tinham linguagens peculiares
daquela região.
Minha vida sempre foi muito simples, afinal eu sou
uma cadela vira-lata, durmo em qualquer lugar, como em
qualquer lugar. Sou dotada de resistência acima da média
das outras raças de cães. Leuzinha também é uma vira-
lata, mas o porte dela é diferente do meu. Eu sou baixinha
e de pelagem parda, com as pernas curtas e o corpo
roliço. Leisa tem pernas longas, focinho cumprido,
pelagem de duas cores, olhos claros e esbelta.
[ 43 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
8 – LATIDOS À NOITE
Os seres humanos são os mais inteligentes e
mais poderosos seres que Deus colocou na Terra, mas
devem se lembrar de que o Criador os colocou para reinar
sobre nós e não para tiranizar as demais criaturas da
Terra. Assim é que, os homens naturalmente conversam
em suas linguagens uns com os outros, como são mais
sofisticados, falam muitas palavras e muitas línguas e
linguagens. Nós, criaturas inferiores, admiramos muito os
humanos, todos os seres da Terra reconhecem sua
soberania, ainda que no caos do mundo, haja conflito
entre os humanos e os demais animais. Acontece que
mesmo com capacidade mais limitada, nós, os cães,
conversamos entre nós, e durante a noite, com os níveis
de ruído baixo, podemos conversar com os demais cães
que estão mais distantes, muitas vezes a muitos
quilômetros de distância.
[ 44 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Ao longo da vida, muitos vizinhos do meu dono
resmungavam se sentindo incomodado comigo e com a
Leisa porque latíamos à noite, nem todas as noites a
comunicação era frequente, mais tinha noite que nos
divertíamos uns cães com os outros, também discutíamos
uns com os outros, a distância podíamos dizer uns
desaforos para os valentões, kkkkk. Eu não posso negar
que muitas vezes eu dizia: “mordam seus próprios rabos”,
kkkkk. Nós, os cães, temos mais senso de humor do que
vocês possam imaginar.
Quando meu dono mudou para a Avenida das
Américas, eu e a Leisa ficamos próximas de outros cães
que não ouvíamos no antigo endereço, assim, logo que
mudamos começamos a dialogar bastante a noite, porque
de dia, o barulho da cidade e dos carros, diminui a
distancia de captarmos pela audição os demais cães. Isso
gerou mais problemas para nossa convivência. Além do
que, no antigo endereço tínhamos um imenso quintal para
corrermos, e agora, só tínhamos uma área de serviço
apertada, que nem mesmo pegava luz solar. Por causa
da falta de espaço e dos latidos noturnos bem na janela
do vizinho, nosso dono e a Zenilda achou por bem nos
transferir para a casa da sua mãe, na Rua Rangel
Pestana, em Santos. A rua era muito movimentada, Deus
me livre, quanto barulho... A vantagem é que tinha mais
espaço para vivermos, e todo dia dona Lourdes abria o
[ 45 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
portão para corrermos. Eu e a Leisa disparávamos pela
calçada. Cansamos de ver pedestres desavisados que
não moravam na vizinhança e que não nos conhecia
tomarem o maior susto ao ver nós duas correndo em alta
velocidade. Mas nós nunca atravessávamos a rua, porque
o risco de atropelamento era muito grande.
Nesta casa da Rua Rangel Pestana havia um
vizinho médico, que era aquele cara “conhecedor dos
seus direitos”, era muito educado, mas dizia tudo o que
pensava, e não tinha receio de se tornar desagradável.
Ele algumas vezes veio reclamar de nós para dona
Lourdes e para Valdemir, dizendo que nós éramos cães
adultos e que dificilmente iriamos nos acostumar com o
novo endereço, e que iriamos latir sempre durante a noite.
Bem, ele errou, nós diminuímos os latidos à noite, e
depois que ele mudou-se, nunca mais tivemos problemas
por causa dos nossos latidos noturnos.
9 – GRAVIDEZ PSICOLÓGICA
Eu sempre tive problemas psicológicos com
gravidez imaginária. Interessante que a Leisa também era
castrada, mas nunca teve gravidez psicológica. De tempo
em tempo eu me sentia estranha e certos objetos eram
para mim, meus filhotes. Era uma coisa muito louca, pois
eu nunca cruzei com outro cão, porque fui castrada muito
cedo, mesmo assim durante minha vida, várias vezes eu
ficava fixada por alguns objetos e passava a considera-lo
[ 46 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
meu filhote. Isso causava-me sofrimento, porque muitas
vezes eu pegava uma sandália, ou outros objetos que
eram utilizados pelas pessoas e elas acabavam tomando-
as de mim. Meu dono Valdemir cansou de pegar seus
chinelos de mim a qual eu abraçava e dormia com eles
debaixo do meu corpo, quando ele tentava pegar eu
rosnava pedindo que se afastasse, eu nunca tive coragem
de agredi-lo, apenas rosnava. Como ele confiava em mim,
não temia em tomar seus chinelos de volta. Eu ficava
frustrada com estes incidentes, mas Valdemir achava
graça e outras vezes dava-me carinho tentando
compensar o fato dele ter que pegar de volta seus
chinelos, tênis, botas. Muitas vezes eu ganhava bichos de
pelúcia e outros brinquedos para substituir os calçados
alheios.
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
10 – CORRENDO PELAS RUAS DE SANTOS
Quando meu dono me levou para morar em
Santos, na casa da dona Lourdes, eu e Leisa pensamos
que ele havia nos levado ali para fazer uma visita, mas na
verdade, nosso destino estava tomando um novo rumo,
após nos entregar a sua mãe, Valdemir nos apresentou a
nova residência, mas nós não entendemos o que ele
dizia, por isso quando Valdemir entrou no carro, um
Kadett, e nós ficamos do lado de fora da casa com dona
Lourdes o observando, achávamos que era uma
brincadeira, e quando o trânsito da rua diminuiu, eu saí
correndo com a Leisa a toda velocidade, quando
Valdemir olhou pelo retrovisor para trás, nos viu
acompanhando o carro, e o pior, já havia dezenas de
carros vindo atrás de nós, o fluxo de veículo e falta de
acostamento, fez com que Valdemir decidisse aumentar a
velocidade, fazendo com que desistíssemos de segui-lo.
Como o Kadett se perdia no horizonte, e Valdemir seguiu
a toda velocidade em direção ao túnel do centro da
cidade, eu e a Leisa desistimos de correr atrás do carro,
enquanto ainda podíamos retornar à casa de dona
Lourdes. A sorte é que estamos ainda perto da casa,
tínhamos virado a esquina da Avenida Valdemar Leão,
mas vimos dona Lourdes no portão, perdida sem saber o
que fazer. Tivemos que atravessar com cuidado para o
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
outro lado da rua e tivemos que contar com a colaboração
de alguns motoristas que entenderam que estávamos
perdidas querendo atravessar o outro lado da rua. Dona
Lourdes nos chamou e entramos na nossa nova casa, e
Lourdes fechou o portão. Dona Lourdes sempre falava
com a gente como se estivesse falando com pessoas
humanas, e ela disse: “Vocês estão loucas correndo por
ai, seu pai já foi!” Não demorou muito tempo, Valdemir
retornou de carro para saber se eu e a Leisa tínhamos
conseguido voltar para casa, pois devido o fluxo de
veículos ele não teve como parar o carro, por isso seguiu
a avenida e retornou para ver o que tinha acontecido.
Quando o vimos ficamos contentes, mas já sabíamos que
agora iriamos morar com dona Lourdes, e desta vez eles
tomaram a precaução de fechar o portão antes do
Valdemir sair com o carro da frente da casa. Com o
tempo, nós nos acostumamos em morar ali, e quando
Valdemir ia nos visitar, ele se despedia de nós ali mesmo
da calçada, com eu e a Leisa soltas, pois, já tínhamos
consciência que não devíamos segui-lo. Eu ficava muito
contente em vê-lo. Quando escutava o barulho do Kadett,
da camioneta ou da moto dele, eu já corria ao portão e
latia com todas as forças e com toda a alegria do mundo,
era tão emocionante. Todos os que viam minhas
declarações de amor por ele ficavam impressionados,
porque não importava quantas vezes ele aparecia,
mesmo que passasse por lá duas ou três vezes no
mesmo dia, a festa e euforia que eu fazia era de
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
estremecer a vizinhança. Esta é uma das maiores
lembranças que levamos desta vida. Valdemir me dizia
centenas de vezes com o seu olhar que aquilo era a maior
manifestação de amor que alguém podia demonstra por
ele. A alegria de rever um amigo, a maneira como se
demonstra alegria em rever a pessoa, este é um dos
maiores atributos dos cães, e quem sabe uma das coisas
mais bela deste mundo. Eu agradeço a Deus por ter sido
criada para amar, amei muitas pessoas, da família do
Valdemir, aos transeuntes de bom coração que passavam
e faziam um carinho na minha cabeça, isso aconteceu
muito na Rua Rangel Pestana. Mas eu amei demais o
morador de rua, Edson, e o meu dono Valdemir. A história
do Édson eu conto em outro capítulo.
11 – ESPERANDO A BEIRA DO CAMINHO
Não sei bem em que ano foi, se foi em 2007 ou
2008, mas os fatos ocorreram assim: A cada 15 dias meu
dono ia de Cubatão para o sítio em Itariri passar o final de
semana, tinha vezes que ia na sexta a noite e tinha vezes
que ia no sábado de manhã cedo, mas sempre
voltávamos aos domingo a noite. As viagens ao sítio
contavam sempre com o meu dono Valdemir e comigo,
eventualmente a Zenilda ia, outras vezes dona Lourdes
também ia. Mas Esther e Ellen, filhas de Valdemir, eram
figuras constantes nestas viagens ao sítio. Entre 2005 a
[ 50 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
2008 o sítio não tinha energia elétrica, e as noites eram
iluminadas com velas, candeeiros ou lampião de gás,
dentro de casa, porque do lado de fora, somente a lua e
as estrelas clareavam o céu. Meu dono gostava do clima
e das condições rústicas, aquilo fazia lembrar a sua
infância na fazenda do seu avô José Tavares da Mota.
Durante os primeiro anos de viagem ao sítio nós íamos no
GM/Kadett. Em uma destas viagens o carro deu uma
pane elétrica e não funcionou, era domingo a tarde,
faltando duas horas para escurecer.
Naquele fim de semana só havia ido ao sítio eu,
Valdemir e a Esther, não sei porque a Ellen não foi, pois
as duas meninas quase sempre estavam juntas. Meu
dono ao ver que o carro não funcionava procurou ajuda
com outros sitiantes da redondeza, tendo falado com
Zelão e Zelão indicou o Aloisio que morava em Praia
Grande e que naquele instante estaria indo embora do
sítio. Aloísio foi até o Kadett e viu que o mesmo estava
com um problema que só um eletricista de autos poderia
consertar e ofereceu ao meu dono uma carona até a
cidade de Itariri onde o mesmo poderia pegar um ônibus
para voltar a Santos. Meu dono tinha que trabalhar no dia
seguinte e não tinha muito tempo para pensar, então ele
fechou a porta da casinha do sítio e como eu não podia
viajar no ônibus intermunicipal de Itariri até Santos, ele
pegou no meu focinho com as duas mãos, se abaixou, e
disse-me para não sair de perto da casa e do carro e que
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
não tentasse segui-lo, que eu o esperasse que em dois
dias ele voltaria para me pegar. Mas quando ele entrou no
carro, eu ainda tentei segui-lo, mas logo desisti, e voltei
até a casa, fiquei esperando a noite toda na área da casa,
de manhã fui até o carro e fiquei um tempo por lá, depois
voltei para a casa, e assim fiquei indo e voltando o tempo
todo na segunda-feira, e nada do meu dono aparecer, em
algumas folhas de bananeira caída eu encontrava água
para beber, e para comer eu lambia uma substancia
viscosa que havia nas bananeiras mortas no solo do sítio.
Nós, os cães, não temos compromissos e nem
relógios como os humanos, então, somos mais pacientes
quando as condições exigem que apenas fiquemos
aguardando. Passou-se a noite da segunda-feira e
chegou a luz do dia na terça-feira. Na tarde da terça-feira
resolvi deitar-me na estrada, entre a casa e o carro, um
distava do outro cerca de cento e cinquenta metros.
Quando o sol estava perto de se pôr, escutei um barulho
de carro, e fiquei apreensiva esperando ver quem viria. Eu
não reconheci o barulho daquele carro, por isso fiquei
deitada na beira do caminho. De repente veio o meu dono
e a Zenilda gritando meu nome: Doutora, Doutora,
Doutora. Valdemir dizia: “O resgate do soldado Ryan” e
me abraçava. Valdemir veio ao sítio com um eletricista de
autos que em meia hora resolveu o problema do carro.
Em seguida voltei no Kadett com o meu dono e a Zenilda,
e o eletricista voltou no carro dele.
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Eu fiquei tão contente de vê-los, e vi que eles
ficaram muito feliz em me ver, estavam mais preocupados
comigo do que com o carro. Isso deixou-me muito feliz,
porque percebi que para Valdemir eu já tinha mais valor
do que bens materiais. Mais tarde Valdemir contou para
mim que no domingo que ele foi embora, quando ele
chegou na rodoviária em Santos e a Zenilda foi pega-lo,
eles até brigaram, porque a Zenilda o repreendeu por
Valdemir ter me abandonado no sítio, e ele retrucou
dizendo que não havia o que fazer, porque precisava
voltar para trabalhar no dia seguinte, e não poderia me
levar dentro do ônibus, porque é proibido transportar
animais. Aquele nosso encontro na beira do caminho foi
muito emocionante, porque ele viu que eu esperava por
ele ansiosa e eu também percebi que a alegria dele não
era em ver o carro, mas se encontrar comigo.
[ 53 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Incontáveis vezes viajei para Itariri no Kadett.
Quantas vezes eu ia no porta-mala do carro!
Se a nossa história virasse um filme, a trilha
sonora deste trecho seria de Roberto Carlos, SENTADO
À BEIRA DO CAMINHO:
Eu não posso mais ficar aqui a esperar
Que um dia de repente você volte para mim
Vejo caminhões e carros apressados a passar por mim
Estou sentado à beira de um caminho que não tem mais fim.
Preciso acabar logo com isso
Preciso lembrar que eu existo
Que eu existo, que eu existo
Meu olhar se perde na poeira desta estrada triste
Onde a tristeza e a saudade de você ainda existe
E esse sol que queima no meu rosto um resto de esperança
De ao menos ver de perto seu olhar que eu guardo na lembrança
Preciso acabar logo com isso
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Preciso lembrar que eu existo
Que eu existo, que eu existo
Vem a chuva molha o meu rosto e então eu choro tanto
Minhas lágrimas e os pingos dessa chuva se confundem com meu
pranto
Olho pra mim mesmo, me procuro e não encontro nada
Sou um pobre resto de esperança à beira de uma estrada
Carros, caminhões, poeira, estrada, tudo, tudo se confunde em minha
mente
Minha sombra me acompanha e vê que eu estou morrendo
lentamente
Só você não vê que eu não posso mais ficar aqui sozinho
Esperando a vida inteira por você sentado à beira do caminho
12 - SOL E CHUVA AO LADO DO DONO
Durante a minha vida vivi em quatro cidades,
Cubatão, Santos, Praia Grande e por fim em Itariri. Sem
dúvida era de Itariri que eu mais gostava, primeiro porque
lá eu ficava mais tempo com o meu dono, tinha vezes que
passávamos a semana inteira sozinhos, quando ele ficava
[ 55 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
de férias do seu trabalho, ele ia direto para o sítio, e a
primeira pessoa que estava disposta para ficar com ele
era eu. Outras pessoas também iam regularmente para o
sítio como a Esther e a Ellen, dona Lourdes, Zenilda e o
Valmiral, sem conta com a Leisa, é claro. Mas eu era sua
principal companhia ao longo de uma década, por isso ele
disse-me que faria um livro para registrar nossas
memórias. Eu sei com certeza o quanto ele gostava de
mim, como se eu fosse um membro da família dele. Eu
sentia que eu não era somente um bicho que havia na
casa, como foi no começo, posteriormente eu me tornei
seu animal de estimação. Mas agora, eu era o SEU
ANJO.
Fui sua companheira no sítio por nove anos. Ia a sua frente
para protegê-lo de todo perigo. Se houvesse uma armadilha ou uma
cobra, eu morreria por você amigo!
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Quando Valdemir ia para o sítio, ele nunca ficou
um dia sequer deitado, ou descansando na casa, ele era
viciado pela terra, ele tinha que estar trabalhando com a
enxada, com o facão, com a cavadeira, ou com qualquer
outra ferramenta, plantando, limpando o mato, colhendo,
construindo ou consertando e eu invariavelmente estava
sempre próxima dele. Quando ele entrava na mata ou
trabalhava em alguma parte do sítio, eu escolhia um
ponto em que pudesse ficar observando-o, geralmente a
uns 10 a 20 metros de distância dele e ali ficava deitada,
se estava quente eu ficava com a língua de fora, mas
sempre procurava ficar debaixo de um pé de bananeira no
ponto em que fazia sombra.
Pomba Burquesa.
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Até cobra Valdemir criou.
Coelho do sítio.
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Donald e Margarida.
Porquinho da Índia nascido naquele dia.
Quando meu dono parava um pouco para
descansar, eu me levantava e se aproximava dele, e
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
então ele bebia água em uma garrafa pet e se sentava,
era nesta hora que eu me aproximava e começa a se
roçar nele, e era batata, ele passava a mão nos meus
pelos, fazia carinho na minha barriga e muitas e muitas
vezes me colocava no seu colo e ficava falando palavras
carinhosas para mim. Lógico que estando a Leisa junto,
ela morria de ciúmes e inconvenientemente metia as
patas em nós e exigia ser acariciada. Valdemir logo tinha
que desocupar uma das mãos para acariciar a Leisa, caso
contrário ela não nos deixava em paz. Leisa era tão
ciumenta que ficava com raiva de mim se ela percebesse
que eu estava recebendo mais carinho do que ela, então
Valdemir também colocava Leisa no colo para ela não se
sentir desprezada. A amplitude térmica no sítio variava de
8 no inverno rigoroso a 40 graus no ápice do verão, mas
eu nunca deixei meu dono andar pelas montanhas
sozinho, com exceção quando as meninas, Zenilda ou
dona Lourdes estivessem em casa, nestas condições eu e
a Leisa alternávamos em ora esta com Valdemir, ora com
as visitas que estavam na casa. Estar no sítio para
Valdemir, não era ficar na pequena piscina de cimento, ou
descansando na rede ou sofá, sitio para ele era cuidar da
terra e dos outros animais do sítio.
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
O sítio sempre tinha outros animais de criação
como galinhas, patos, coelhos, porquinhos da Índia,
jabutis, peixes, pássaros e meu dono ia em cada cercado
levar comida para estes animais, e eu sempre estava
perto dele. Muitas vezes chovia muito e meu dono não
voltava para casa, continuava trabalhando, e eu ficava
encharcada de tanta água, mas não arredava o pé de
perto dele. Fazia poça d´água em volta de mim, mas eu
não ia embora, mas confesso que era bem
desconfortável. Eu só não aguentava quando caia raio.
Deus me livre! mas o estrondo dos trovões é
extremamente perturbador para nossa espécie, e aí, eu
se mandava correndo para casa, ou corria para perto do
Valdemir, querendo dizer, agora chega! vamos embora!
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
porque qualquer hora um raio deste vai cair em você, e
Valdemir, muito teimoso, muitas vezes ficava trabalhando
no mato em meio a chuvas e raios, mesmo dona Lourdes
e Zenilda reclamando, ele não dava atenção, até que um
raio o atingiu, mas esta história eu conto em outro
capítulo.
13 – NÃO MEXA COMIGO
A força mais poderosa do mundo é o amor, é inútil
tentar impedir de uma mãe defender seu filho, se ela vê-lo
em perigo. Quando uma pessoa ama, ela não ataca a
pessoa amada, mas ela está disposta a morrer pela
pessoa amada. Não mexa nos pintinhos com a mãe por
perto. Eu mesmo já fui atacada por galinhas só porque fui
cheirar seus pintinhos. Eu juro que não tinha outra
intenção.... Mas o meu dono também gostava de mim
como uma galinha cuida dos seus pintinhos. Uma vez, eu
ainda morava na Av. das Américas, quando uns meninos
quando iam para a escola e me via no portão começavam
a latir para me irritar e ficavam mexendo e balançando o
portão, eu revidava com latidos mostrando que não tinha
medo dele. Mas um dia um destes moleques se deu mal,
meu dono estava lavando o carro do lado de fora e estava
abaixado limpando o carro, quando o irritante menino
passou e ficou latindo e balançando o portão para me
irritar, meu dono quando viu aquilo, perdeu a cabeça, e
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
destemperado como sempre veio correndo
sorrateiramente como um felino e quando chegou perto
deu um tapão violento nas costas do menino, que eu
pensei que os pulmões do coitado haviam estourados. O
pivete saiu agachado sem respirar direito, e com as mãos
nas costas, virou para trás com os olhos esbugalhados,
não sei se de medo ou da força do coice que meu dono
deu nas suas costas. Valdemir ainda vociferou coisas
horríveis. Só sei que o menino nunca mais passou por
aquela rua, não sei se abandonou a escola, ou se mudou
seu percurso para ir a escola.
14 – A GATA PAMELA
Pense em uma gata chata, metida, mal encarada,
mal humorada, exibida e outras coisas mais. Meu dono
que me desculpe, porque Valdemir também gostava
demais da Pamela, mas eu não gostava dela e pronto!
Não é que eu tinha ciúmes, mas ela se achava a dona do
pedaço só porque ficava dentro de casa e dormia na
cama com Valdemir. Mas Pamela se lascava quando a
Zenilda ia para o sítio, porque Zenilda que era minha
amigona não tolerava a Pamela, problemas de natureza
do tipo: cachorros não gostam de gatos, gatos não
gostam de ratos, Zenilda não gosta de gatos. Cachorros
e Zenilda se pudéssemos colocávamos os gatos para
correr até chegarem ao polo norte....
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Pamella dormindo na cama.
Por causa desta descarada muitas vezes tomei
bronca do Valdemir, era comum Valdemir sentar no sofá
do lado de fora da casa, e a bandida da Pamela se deitar
no encosto do sofá perto da cabeça do meu amor e a mim
só restava ficar deitada nos pés dele. Quando Valdemir
estava perto a bicha ficava toda confiante, andava pelo
chão, passava perto de mim e da Leisa e ainda empinava
o rabo e o passava no nosso nariz. Em volta da área da
casa eu e a Leisa não atacava a Pamela, mas se ela
fosse pra o mato e o Valdemir não estivesse perto... Nós
disparávamos a toda velocidade contra a Pamela, e
rosnávamos com toda agressividade, a bruxa ficava
apavorada e corria como um raio até a árvore mais
próxima. Depois eu e a Leisa ficávamos nos deliciando
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
embaixo, falando para Pamela descer, e a bicha nojenta
ficava em pé no cacho de banana. Kkkkkk. Tinha vezes
que eu e a Leisa até nos deitávamos debaixo da
bananeira só para dar uma canseira na Pamela. É lógico
que estas malvadezas que eu e a Leisa cometíamos era
vez ou outra flagrada pelo Querido que ficava furioso
conosco. Imaginem a cena, a gata correndo naquele sitio
maravilho e nós duas correndo como torpedos,
levantando poeira, fala sério, eu e Leisa nos sentíamos
leoas caçando filhote de veado nas savanas africanas.
Mas a Pamela era folgava quando Valdemir estava perto,
tinha vezes que nosso dono ia trabalhar perto da casa e a
bicha ia conosco acompanhando Valdemir. Lógico que ela
não se deitava conosco, ficava uns 10 metros de distancia
de nós, também vendo Valdemir trabalhar. Ele fazia um
carinho em nós e depois ia até a Fulana e fazia carinho
nela. Lógico que a “Grã-fina” não acompanhava Valdemir
nos dias que chovia pelo sítio, imagina se ela poderia
desfilar com o penteado desmanchado pela chuva... Não
tenho nada contra quem gosta de gatos, mas vou falar
uma verdade, se nós os vira-latas não tivemos um cheiro
forte e fossemos menores, os gatos seriam extintos...
Porque as pessoas prefeririam ter somente cães, em vez
de gatos! Pelo amor de Deus, não estou aqui para falar
de nenhuma espécie criada por Deus, mas os cães são
as criaturas mais fiéis que há neste planeta, quem quer
ser animal de estimação de bêbados, mendigos e
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
bandidos? – Nós, os cães. Os gatos são preguiçosos, só
saem da cama quando estão com fome!
Durante um tempo, havia no sítio dois gatos: o
Getúlio e o Juscelino, eles eram mais legais, nós nunca
os colocamos para correr, isso é uma prova que não
somos tão inimigos dos gatos. Os dois chegavam mesmo
a nos beijar cheirando nossos focinhos. Eles eram tão
tranquilos que não tinham medo de disputar, comigo e
com a Leisa, pedaços de carne arremessado pelo
Valdemir. Os dois gatos não eram castrados e de tempo
em tempo eles sumiam e só apareciam depois de
semanas. Primeiro sumiu o Juscelino que era todo
branco, e um ano depois sumiu o Getúlio que era de cor
cinza. Acredito que eles tenham morrido por serem
atacados por cobras. O sítio fica na cordilheira da Serra
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
do Mar a 382 metros de altitude, em área de floresta
repleta de cobras. Eu e a Leisa sempre tivemos cuidado
com elas, evitando se arriscar e se aproximar demais das
cobras. Mas o Getúlio e o Juscelino eram corajosos
demais, várias vezes vimos os dois brincando com as
cobras, irritando-as e quando elas davam o bote, eles
pulavam de lado, para trás, fazendo acrobacias. Na mata
era difícil outra espécie fazer frente aos gatos.
15 – SOLEIRA DA CASA
Eu amo ficar na soleira da casa. Uma das minhas
funções é ser guarda da família e por isso está na minha
natureza ficar em um ponto estratégico da casa. Quase
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
todos os meus parentes caninos agem assim. Porque
Deus escreveu no nosso DNA estas informações. Eu
cumpro com muito gosto minha missão.
16 - TOBY
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Este é o Toby, ou como meu dono costuma
chamar: “Antônio Tobias”. Toby é um poodle com mais de
uma década de vida. Infelizmente ele é um cão criado
dentro de casa, frágil, não pode correr no mato, subindo e
descendo as montanhas como eu e Leisa fazemos. Toby
não anda na terra, não come a mesma ração que eu e a
Leisa. Ele sempre toma banho em petshop. Eu nunca
tomei banho em petshop. Meu dono Valdemir e dona
Lourdes me davam banho de balde com água fria. Nunca
tive inveja da vida do Toby, cada um deve viver de acordo
com sua natureza e não querendo ter a vida do outro.
17 – CAÇADA AO LAGARTO
Meu querido pai, lembra desta foto sua com o
lagarto? Não é um jacaré, é um lagarto mesmo! Eu e a
Leisa estávamos na área da casa do sítio, enquanto você,
Dona Lourdes e as meninas Esther e Ellen estavam se
preparando para almoçar. Era um dia lindo, céu azul.
Quando repentinamente Leisa com o seu focinho
comprido e de faro aguçado detectou odores de lagarto
no galinheiro. Ela desceu caminhando paralelamente a
cerca do galinheiro até que o cheiro foi ficando mais forte
e então ela visualizou o lagarto se preparando para comer
mais alguns ovos do galinheiro. Leisa deu o alarme
latindo alto e cercando o lagarto, não o deixando fugir. Eu
estava na área da casa e também lati te chamando para
ver o que Leisa tinha encontrado. O latido da Leisa era
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
muito intenso, confesso que fiquei com medo e esperei
você descer. Você já desceu em direção a Leisa com uma
arma de fogo na mão e eu desci atrás, foi quando
tomamos o maior susto com aquele lagarto enorme.
Você disparou contra o ladrão de ovos. Aí quem
correu fui eu e a Leisa, porque nós não suportamos
barulhos de arma de fogo ou fogos de artifícios. Você
chegou à porta da casa com o lagarto na mão, e as
meninas fotografaram o lagarto. O Arnou tratou do lagarto
e dona Lourdes cozinhou o bicho. Até eu comi lagarto e
roí os ossos. Mas não critiquem o meu pai, amigos
ecologistas, ele nunca caçou animais silvestres, não
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
permite e nem gosta quem mata animais selvagens.
Nestes dez anos só matou este lagarto. E posso dizer
com certeza que estes lagartos não estão nem um pouco
em risco de extinção. Nos meses quentes quase todo dia
vemos um passando de lá para cá. Aliás, lá no sítio tem
de tudo. Cobras, muitas cobras, de todo tipo e tamanho,
cervos, cotias, esquilos, raposas, cachorros do mato,
raposas, tatus, aves multicoloridas. Obrigado Deus por
meus olhos contemplarem tanta glória!
18 – MINHA EDUCAÇÃO
Quando deixei de ser menina e me tornei uma
cadela adulta, já havia modelado toda minha conduta, nos
melhores padrões que os humanos esperam de um cão.
Não precisei de adestrador, nem meu dono teve grande
esforço para me fazer compreender as regras de
convivência em uma família de humanos. Cães, gatos e
qualquer outro animal de estimação que não se esforça
para aprender as regras de uma casa, corre o risco de ser
abandonado. Este é um perigo que deve ser considerado
por todos os animais que querem viver no meio dos
humanos.
Lugar de fazer suas necessidades fisiológicas é o
primeiro problema que precisa ser solucionado. Nenhum
humano gosta de caminhar pela casa e de repente sentir
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
os seus pés molhados por xixi, ou pior, pisando no cocô.
Então, se tiver uma caixa de areia, ótimo este é o lugar,
se não tiver, procure um canto longe da casa, se tiver
uma área de terra bem, caso contrário, faça as
necessidades o mais distante da casa.
Outra coisa que os humanos odeiam, são os
animais inoportunos que ao verem o dono comendo
latem, pulam nas pernas das pessoas, fazem um drama,
que deixam as pessoas irritadas, não as deixando comer
sossegadas. Tem cães que precisam ser presos em
cômodos para pararem de incomodar os donos quando
comem. Sem querer falar mal dos gatos... tem um monte
assim... Eu e a Leisa jamais latimos na hora do almoço.
Mas o Toby... é de dar vergonha... Zenilda não deu
educação para aquele poodle, mas já não tem mais jeito,
está muito velho, como diz meu dono: Toby é o Ramsés II
de tão velho...
Outra coisa que se eu pudesse dava aula de
etiqueta para os cães: Pelo amor de Deus vira-latas, se
enxerguem, não fiquem entrando e saindo da casa,
somente entre se forem convidados. Animais ladrões, isso
é o cúmulo! Não podem ver uma carne na mesa ou na pia
da cozinha que pulam, agarram a carne e saem correndo
para comer, achando que as pessoas não desconfiarão
de você. Gato ladrão abre panela de pressão e mixa
cadeado. Cães ladrões abrem geladeira que não deixam
nem as digitais. Misericórdia!!!
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Lamber as pessoas - é verdade que lamber é uma
das maiores expressões de carinho que um cão e um
gato podem dar. Mas façam isso com seus filhotes, ou
uns com os outros. A maioria dos humanos sente
repugnância com esta demonstração de afetividade. Eu
mesmo quando queria que alguém me fizesse carinho,
apenas empurrava sua mão com o focinho. Cansei de ver
a Leisa tomar tapa na cabeça do meu dono Valdemir
porque ele não gosta de lambida. Esta “loira” da Leisa vai
morrer e não vai aprender... Por isso que ela tem a fama
de chata e ainda acha que os outros é que implicam com
ela.
Veja nesta minha foto abaixo. Cães se deitam no
chão e não na cama ou no sofá... Gatos são diferentes,
também alguns cães são criados dentro de casa com
tratamento vip, mas são cães de pequeno porte ou que
não tem contato com a terra, cães urbanos. Nós, cães
mais rústicos e criados em sítios não podemos subir nas
camas e sofás, sujando os móveis e assentos. Mas eu
também tenho meus vícios, aliás, eu e Leisa. No sítio têm
alguns sofás que ficam na área de fora da casa, mas
Valdemir não queria que nós dormíssemos nos sofás.
Então tínhamos um truque: Durante o dia e até certa hora
da noite, nós dormimos em cobertas no chão da área, até
que percebemos que não tem mais barulho na casa e ai,
nós buscávamos dormir mais confortavelmente e cada
uma ia para um sofá deitar. Só que já fomos flagradas
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
dezenas de vezes, porque Valdemir acorda de
madrugada para ir ao banheiro e aproveita para sair e
contemplar o céu e quando percebemos, ele já está em
cima de nós dando uma bronca. Confesso que este é um
vício nosso. Para nos corrigir, o Pai coloca cadeiras
deitadas em cima dos sofás...
19 – EDSON, MORADOR DE RUA
Meu querido dono Valdemir, sou grata a Deus
pelas missões que realizei neste mundo. Tive você como
a pessoa mais importante deste mundo, somente abaixo
de Deus. Não importava-me seus defeitos, seu aspecto
físico, a marca do seu carro, o seu cheiro de suor, suas
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
roupas baratas, e quanto você tinha de dinheiro no bolso.
Para que serve dinheiro mesmo? Mas além de você eu
tinha a missão divina de amar todos os seres humanos
que cruzassem o meu caminho. Um deles foi o Edson,
pena que nem foto dele, você tem... Edson era um
morador de rua, sabe lá Deus o que o levou a cair na
vida, tinha família na grande São Paulo, sua filhas
queriam que ele voltasse para casa, mas ele preferia
morar na rua, alias, depois que conheceu você ele nunca
mais morou na rua, porque você deu abrigo para ele por
mais de dez anos. Edson morava na área da casa da rua
Rangel Pestana. Sua mãe morava no interior da casa, e o
Edson debaixo de uma marquise no interior do imóvel, é
lógico que ele era útil, por ser uma pessoa que de certa
forma guardava a casa, mesmo assim, você mostrou
confiança em Deus e deu um voto de confiança
permitindo que ele morasse ali sem saber o passado
daquele homem. Você e dona Lourdes deu abrigo a um
ser humano, e isso será levado em conta. Quando fui
morar na Rua Rangel Pestana, Edson já morava na área
da frente, mas até minha chegada, duas vezes a casa foi
roubada, e os bandidos puseram em perigo a vida do
Edson que foi rendido. Em um destes roubos a polícia
agiu e o ladrão foi preso. Mas com a minha chegada os
ladrões e viciados nunca mais colocaram os pés dentro
do imóvel, porque eu e Leisa estávamos ali para proteger
Lourdes e Edson. Sei que muita gente fez piada com o
Edson, dizendo que eu era esposa dele, porque Edson
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
dormia com os cães... é assim que muitas pessoas tratam
o sofrimento alheio, com desdém. Coisas de humanos...
Edson era uma pessoa que gostava muito de lê,
todas as manhãs ele comprava um Jornal chamado
“Expresso Popular”, aqui de Santos, e não deixava de
preencher as palavras cruzadas. Apesar da sua condição
social, ele era culto e sempre tinha conversas
interessantes com Valdemir, contudo Edson era uma
pessoa muito doente, tinha bronquite crônica, e muitas
pessoas se perguntavam como alguém que dormia
debaixo de uma marquise, sujeito ao frio da madrugada e
ainda vivia? Ele tinha mais de 50 anos quando eu o
conheci. Edson conseguia algum dinheiro vendendo
picolés com o carrinho da sorveteria do Valdemir, foi
assim que os dois se conheceram no ano 2000. Eu entrei
na história em 2005, e só conheci o Edson mais tarde. O
Edson ainda fazia bico em um bar nas redondezas,
durante a noite, fazendo um trabalho de vigia, enquanto o
bar estava aberto e ajudava o dono do bar em guardas as
mesas e arrumar as coisas e em troca ganhava alguns
trocados e refeições que sobrava, faziam uma marmita
para o Edson. Aliás, para o Edson, para mim e para Leisa,
porque quando sobrava comida no bar, o Edson trazia
para nós duas. Aquele nosso amigo nunca se esquecia de
nós, comíamos do bom e do melhor com ele. Em troca
nós dávamos ao Edson carinho que nenhum ser humano
podia lhe dar. Infelizmente em 2013 ele teve um ataque
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
de bronquite forte e ficou internado na Santa Casa por
algum tempo, onde veio a falecer e nunca mais vimos o
nosso “Lázaro”. Nós, os cães, amamos crianças,
doentes, velhos, desamparados, mendigos. Amamos
qualquer um que tenha tempo para se relacionar conosco
etc. Quando você não tiver mais nenhum amigo, você
enxergará que há uma espécie de milhões de exemplares
te esperando com um sorriso para te abraçar. Eu te amei
muito Edson, nunca te esquecerei...
20 - PERDIDA NO MATO, NA ESTRADA DE ITARIRI
O nosso dono tentou nos colocar para morar no
sítio quando ele se mudou para a casa da Avenida das
Américas e por fim, eu e a Leisa fomos morar na casa de
dona Lourdes. Mas vou contar para vocês porque
fracassou nossa primeira empreitada em morar no sítio.
Valdemir passou a ir todos os finais de semana para o
sítio em Itariri e achou que eu e a Leisa poderíamos morar
lá. Sua intenção era transformar um galinheiro, em nossa
casa, um canil. Acontece que o galinheiro era feito de tela
de nylon ou plástico, um material pouco resistente para
cães. No domingo que ele resolveu nos deixar no sítio,
nos trancou naquele canil improvisado e foi embora.
Assim que Valdemir ligou o carro e partiu, eu e a Leisa
nos desesperamos para ir com nosso dono, e começamos
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
a forçar a tela que facilmente foi rasgada com os nossos
dentes e saímos correndo atrás do carro. Nosso dono não
percebeu, mas eu e a Leisa o seguimos por dois
quilômetros, seguindo o barulho do motor do carro em
meio a floresta onde ficava o refúgio do sítio. Contudo,
após corrermos bastante, comecei a sentir falta de fôlego,
porque eu era pesada e tinha as pernas curtas. Quando
desistimos de correr, nos encontrávamos perdida na
estrada e não sabíamos mais como voltar para a casa do
sítio, já estava escurecendo e resolvemos passar a noite
ali mesmo na estrada. Durante a noite vimos vários sapos
e caracóis, pois sem dúvida estes são os animais de
hábitos noturnos que mais se aproximam de nós, sem
demonstrar medo algum. O dia amanheceu e eu e a Leisa
resolvemos ficar por ali mesmo, quando vinha um carro,
nós entravamos na mata lateral a estrada para não
sermos atropelada, porque a estrada era muito estreita.
Como os dias foram passando, logo nossos instintos
foram despertando para sobreviver; do ponto que
estávamos dava para escutar o barulho do rio e ali
descíamos para beber água. Na natureza encontrávamos
vegetação e fruta que dava para comer, como Itariri é
uma região de plantação de bananas, por todo lado tinha
bananeiras, e sempre alguns cachos amadureciam no
meio do mato e as bananas caiam e eu e a Leisa
comíamos. Dias e noites foram se passando, mas nós
nunca ficávamos distante da estrada, sempre em uma
distância que os nossos ouvidos pudessem detectar o
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
barulho do Kadett, porque nossa audição consegue
detectar exatamente o barulho do motor do carro do
nosso dono. Nosso dono foi embora no domingo à noite e
só voltaria no sábado, mas como não sabemos contar os
dias, o mais confiável era ficar ali todos os dias atentas.
Finalmente o sábado chegou e logo de manhã ouvimos o
barulho do Kadett. Meu Deus, Valdemir está voltando
para nos salvar!!! Corremos a toda velocidade em direção
à estrada, porque estávamos no riacho que passava
abaixo da estrada, e quando alcançamos a estrada, o
carro do Valdemir estava exatamente a poucos metros,
vindo em nossa direção. Latimos eufóricas e Valdemir
freou o carro surpreso por nós estarmos ali, tão distante
da casa. Nós estávamos tão alegres em vê-lo e não
queríamos correr o risco de perdê-lo de novo, então eu
saltei pela janela no colo do Valdemir, e a Leisa saltou
pela janela do lado do passageiro. Ficamos todos
festejando o encontro ali na estrada, era uma gritaria só,
dentro do carro parado na estrada. Depois do comovente
encontro, fomos ao sitio. Quando lá chegamos, Valdemir
percebeu porque estávamos ali, ele viu que a tela do canil
improvisado estava rasgada por nossos dentes e que a
ração estava inteira ali, já embolorada. Então Valdemir
percebeu que havíamos escapado no mesmo dia do canil
e que fomos parar ali naquele ponto da estrada porque foi
até onde conseguimos segui-lo.
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
21 – OS PATOS
O sítio já teve muitos patos, mas esta pata da foto
era um super-mãe, eu gostava de vê-la passeando nos
tanques com os seus filhotes. Deus já fez cada criatura
com seus instintos programados para fazerem o que Deus
determinou no seu DNA. Mas esta pata era muito brava,
ela já me colocou para correr várias vezes, a gente nem
podia ficar olhando para os patinhos dela que ela já vinha
tirar satisfação. Tinha que olhar de longe. Valdemir
chegava a ameaçar pegar um patinho só para vê-la
irritada e avançava na mão dele, beliscava com o bico
que chegava a cortar a pele, mas Valdemir se divertia.
Fico pensando como Deus é maravilhoso, colocando um
instinto materno tão forte nas mães que elas muitas vezes
não tinham medo nem mesmo de criaturas bem maiores
do que elas.
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
22 – ZENILDA
Agradeço a Zenilda por ter permitido-me entrar
em sua vida. Não posso esquecer o seu cuidado por mim,
sempre preocupada se eu já havia comido, se havia água
fresca para mim e se eu estava bem abrigado contra o frio
ou contra o calor. Sempre se dirigia a mim com carinho e
ternura, nunca tratou-me como um cachorro qualquer.
Zenilda faz parte de um seleto grupo de pessoas que
tratam os cães com dignidade, que Deus saiba lhe
recompensar. Desde a minha infância até os meus
últimos dias ela deu-me dignidade. Quando eu já não me
alimentava e esperava a morte, fiquei alguns dias aos
seus cuidados. Mas eu sei que Zenilda não gosta de se
lembrar dos meus últimos dias já fraca, ela gosta de
lembrar dos meus dias de pleno vigor, quando eu corria
como uma atleta, mesmo tendo perninhas curtas e um
corpo roliço e pesado. Certa vez Valdemir e Zenilda
estavam fazendo exercício físico, e frequentemente
corriam do bairro do Casqueiro a Ilha Caraguatá, e em um
destes dias, eu corri com eles. Como foi bom! Valdemir
corria mais a frente e uns cinquenta metros atrás vinha
Zenilda, eu estava tão empolgada e feliz que eu corria até
acompanhar Valdemir, depois, olhava para trás e via
Zenilda, então eu voltava para acompanhar Zenilda, então
eu já queria correr ao lado de Valdemir, e eu acelerava
para acompanha-lo. Foi um fim de tarde maravilhoso. São
aquelas coisas gratuitas, de felicidade pura e simples, que
[ 81 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
não se compra com dinheiro ou no cartão de crédito.
Felicidade que não tem valor econômico. Quando a
Zenilda ia para o rancho do sitio, ela gostava de ficar a
beira da piscina deitada, e eu ficava fazendo-lhe
companhia. Procurava uma sombra e ficava vigiando-a,
guardando-a, esperando o momento de dar e receber
carinho. Meu dono sempre foi mais relaxado, mas a
Zenilda não, logo que chegávamos ao sítio, a primeira
coisa que ela providenciava, era água fresca para mim
que sempre vinha ao sítio, ou no porta-mala do Kadett, ou
na carroceria da camioneta.
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Foto de 2008, eu sempre estou por perto das
pessoas que amo. Amor é sentir prazer em estar ao lado
de quem ama, mesmo que não tenha nada para fazer.
23 – ELLEN
Dias maravilhosos eu vivi ao lado da Ellen
Valkyria, filha de Valdemir. Elas eram meninas, Esther
tinha seis anos e Ellen tinha cinco anos. Valdemir sempre
brincava chamando eu e Leisa de irmãs de Esther e Ellen,
muitas vezes ele dizia: Doutora, vá chamar suas irmãs!
Ellen fazia aquela cara como dizendo: “Eu não sou
cachorro não!” Mas nós os cães não ficamos magoados
com facilidade. Tudo levamos como brincadeira e farra.
Quando a Ellen e Esther iam para o sítio, elas
costumavam ficar na casa, limpando-a, fazendo a comida,
lendo no quarto, ou brincando na piscina. Era comum, as
meninas sentirem vontade de ver o pai e a Ellen se dirigia
[ 83 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
para mim dizendo: “Doutora, me leva até onde está o
papai?” Parece incrível, mas eu entendia o que ela queria,
ela ameaçava pegar um caminho no sítio, e eu logo
sacava o que ela e Esther queriam, e eu com meu faro
aguçado, sentia as moléculas de cheiro do meu dono e
fazia o trajeto que ele percorreu somente sendo guiada
pelo odor. Muitas vezes Valdemir percebiam que eu e as
meninas estávamos indo atrás dele, então, ele se
escondia para testar se meu olfato era capaz de localiza-
lo; e eu nunca ficava desorientada, sempre levava as
meninas até Valdemir. Tudo era uma brincadeira, uma
felicidade. Mesmo Ellen que não tem afeto com cães,
gostava de mim, porque eu sempre parecia estar sorrindo
e alegre e com a língua de fora. Esta foi a minha marca
no mundo. Obrigada Deus, obrigada pelos dias felizes ao
lado de Ellen. Quantas vezes nós voltámos juntas na
camioneta, pois a camioneta era de cabine simples, e
Valdemir colocava um banco na parte traseira da
carroceria, aonde Ellen, e Esther iam sentadas, e eu e a
Leisa íamos em meios as caixas de frutas, produtos da
horta e raízes que Valdemir transportava para dar para
amigos e parentes.
[ 84 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
“Éramos quatro irmãs.”
Um dia houve um acidente no sítio que me deixou
preocupada. Valdemir estava de férias, e quando isso
acontecia, nossa estadia no sítio chegava a durar uma
semana. Naquela estadia estavam no sítio, Valdemir, as
duas meninas e a dona Lourdes. Além de mim e da Leisa.
Em um final de tarde, a Ellen corria quando distraiu-se e
correu em direção ao arame farpado, sofrendo um grande
corte no pescoço e no queixo. Ela chorava e colocava
sangue para fora. Valdemir ficou muito nervoso, porque já
havia advertido que elas não deviam correr no sítio
porque havia risco de se machucarem. Dona Lourdes
falou que não dava para ficar tratando aquilo em casa, e
Valdemir pegou a camioneta e fomos todos para a cidade
de Itariri, onde Ellen teve que levar pontos no queixo e no
[ 85 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
pescoço. Se o corte fosse no lado oposto do pescoço, o
acidente poderia ser fatal. Mas o anjo de Deus sempre
esteve conosco, e nos momentos decisivos alterava os
fatos. Fazendo uma nova história, não permitindo coisas
piores. Ellen só não gostava quando a Leisa pulava com
as patas dianteiras se apoiando nela. Aliás, ninguém
gostava disso, só a Leisa que nunca aprendeu...
24 – ESTHER
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Como Deus foi bondoso comigo, permitindo-me
viver nesta família! Esther sempre foi mais voltada aos
animais. Valdemir sempre pedia para as meninas, quando
iam ao sítio, trocar a água dos animais. No sítio havia um
cercado de jabutis e outro com porquinhos da Índia. Eu
muitas vezes colocava minhas patas dianteiras na mureta
do cercado e ficava olhando através da tela, aquela
manada de porquinhos multicoloridos. Eu os achava
bonitos, e sabia que não podia caça-los. Eu sempre fui
inteligente o suficiente para compreender que não deveria
atacar os animais que Valdemir criava. Mas que gostava
de dar uns sustos na Pamela, isso eu gostava! Esther
nos amava, e muitas vezes brincava conosco. As poucas
vezes que o sobrinho do Valdemir, o Rodrigo, foi ao sítio,
todos nós brincávamos de esconde-esconde, mas eu e a
Leisa não entendíamos a regra da brincadeira e por isso
acabávamos algumas vezes denunciando onde estava as
crianças escondidas. Quando corríamos juntos, vez ou
outra, cruzávamos a frente de um deles e provocávamos
seu tropeço e queda, era tudo muito engraçado, e
ninguém se machucava.
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
25 – DONA LOURDES
Vivi alguns anos na casa de Dona Lourdes, mãe
do Valdemir. Ela era uma senhora maravilhosa. No
começo ela não queria ficar conosco, porque ela nunca
criou cães, e achava que teria muitas dificuldades em
criar eu e a Leisa. Mas quando ela passou a conviver
conosco e ver os nossos serviços de proteção e guarda,
ela já não queria que eu e Leisa saíssemos nem aos fins
de semana para ir ao sítio. Obrigado por tudo “mainha”.
[ 89 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Dona Lourdes procurava nos dá comida como
arroz com carne, ou arroz com frango. Eu e a Leisa
gostávamos muito das comidas que os humanos comiam,
e dona Lourdes não somente percebeu isso, como
passou a cozinhar para nós. Que senhora linda! Valdemir
ensinou-lhe a nos dá banho. No começo dona Lourdes
disse que não conseguiria sozinha, dar banho em cães,
porque não teria força para segura-los. Mas logo ela viu
que eu e a Leisa éramos disciplinadas e quando ela nos
chamava para perto da torneira com balde ou mangueira,
nós se aproximávamos e ficávamos quietas, esperando o
banho de água, e sermos ensaboadas. Depois do banho,
dona Lourdes permitia-nos sair pelo portão e dar uma
corrida pela quadra.
[ 90 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Como um anjo, eu muitas vezes aparecia
espontaneamente no momento que as pessoas tiravam
fotos. Nestas duas fotos com Dona Lourdes, vejam que
nem havia intenção de fotografar-me. Os anjos são assim,
eles estão pertos e vocês nem percebem!!!
Dona Lourdes nunca esqueceu o dia que eu
salvei sua vida. Eu e Teocron. Vários dias por semana a
dona Lourdes vai ao culto adorar a Deus na Assembleia
de Deus do bairro do Jabaquara em Santos. Ela vai as
19hs e volta por volta das 21:30hs ou 22hs. Em uma
destas noites, um viciado em drogas, morador de rua,
ficou na espreita da Dona Lourdes do outro lado da rua,
onde fica a Arena Santos. De dia o lugar é muito
movimentado, sendo quase todo, uma área comercial,
mas a noite, não se vê movimento de pessoas
caminhando pelo local, somente carros. O astuto marginal
ficou na espreita debaixo da marquise do prédio da Arena
Santos, e Dona Lourdes achando que não havia perigo,
falou para sua amiga Selidia, que sempre vinha do culto
junto com ela dizendo que esta não precisava
acompanha-la até a porta. Quando Dona Lourdes chegou
no portão da sua casa, eu vi o marginal atravessando a
rua rapidamente, vindo por trás de um carro que estava
estacionado em frente a casa e quando Dona Lourdes
encostou no portão para abrir o cadeado, eu lati
ferozmente contra o bandido, e Leisa engrossou o rugido
ferroz, batendo com as patas no portão. Como o bandido
[ 91 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
pensou que Dona Lourdes já havia aberto o cadeado ele
recusou e saiu andando apressadamente. Dona Lourdes
quando olho para trás tomou o maior susto, porque o
bandido ficou a poucos centímetros de dominá-la. Fiz a
minha parte e do lado de fora, o anjo Teocron encheu o
coração do bandido de pavor e ele sumiu dali.
O mundo está correndo serio risco com a
disseminação das drogas, as pessoas estão
enlouquecendo e ficando com as mentes escravos do
Diabo. Os tratamentos químicos e terapêuticos não estão
sendo capazes de libertar os homens das drogas. O
usuário de drogas perde o limite e a sanidade mental, e
faz coisas absurdas e não raras, criminosas. A minha
chegada na Vila Matias em Santos, na casa de Dona
Lourdes foi um plano de Deus para protege-la.
Eventualmente drogados pulavam a mureta da casa e
defecavam na área externa da casa, até usavam drogas.
Com a minha chegada na casa, os viciados foram
expulsos dali. Eu e a Leisa fazíamos os maiores
escândalos quando víamos um usuário de drogas. Dona
Lourdes ficava até espantada achando que nós duas
tínhamos preconceito contra mendigos, mas não era
contra os pobres que nós mostrávamos valentia, mas
contra as pessoas possuídas por espíritos imundos.
Muitas vezes nós víamos estas pessoas passarem com
criaturas horripilantes penduradas em seus pescoços, e
estes espíritos imundos passavam provocando-nos, por
[ 92 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
isso eu e a Leisa latíamos ferozmente contra os viciados,
sujos e drogados que passavam pela rua.
O portão da casa da Rua Rangel Pestana tinha
muita história maravilhosa, muitas pessoas boas
passavam por ali e viravam nossos amigos. Havia um
pedreiro que passava de bicicletas quase todos os dias, e
sempre que passava por ali fazia um carinho em mim e na
Leisa. Eu sabia que ele era gente de bem e por isso
fizemos amizade com ele. Assim foi com tantas outras
pessoas. Seu Zé da Solimene, como poderia esquecer
este bom homem. Finais de semana que Dona Lourdes
ira para Praia Grande e nós duas não íamos para o sítio,
era o Seu Zé que cuidava de nós. Ele era vigia da oficina
Solimene e este bom homem se ofereceu para cuidar de
nós, ele nos dava comida, água fresca, e ainda recolhia
nossos excrementos. Ele não cobrava nada por isso.
Dona Lourdes como boa mãe, dava-lhe agrados, como
fazia eventualmente um almoço, ou dos produtos do sítio
que Valdemir trazia, ela dava-lhe parte das bananas,
mandiocas etc. Tinha vezes que Dona Lourdes viajava e
se ausentava por semanas, e o seu Zé cuidava de nós
como um santo homem. A vida é cheia de provações
porque não dá para as pessoas enganar os outros o
tempo todo, elas acabam mostrando o que tem no
coração, os bons na dificuldade dividirão o seu pão, os
maus vão tomar o pão dos outros. Quem é da luz, na
escuridão brilha, quem é das trevas, da luz se refugia.
[ 93 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Seu Zé seja bendito por tudo o que nos fez. Quem dá um
pote de água fresca para um cão, que cuida das criaturas
mais fracas e inferiores serão tratados com misericórdia
por Aquele que tudo vê.
Quando Dona Lourdes estava morando em Praia
Grande, agora no ano de 2015, um dia o Daniel esteve
por lá e conversava com Dona Lourdes na porta da casa,
e na hora do Daniel ir embora, ele abriu a porta do seu
carro. Quando eu vi a porta aberta, eu e a Leisa entramos
no carro. Dona Lourdes e o Daniel tiveram trabalho de
tirar-nos do carro, deitamos nos tapetes, como sempre
fazíamos nos carros do Valdemir. Centenas de vezes
Valdemir viajava conosco e quando estava sozinho no
carro, ele nos deixava ir no tapete do carro, ao seu lado.
Naquele dia, entendemos que Daniel abriu a porta para
nós entrarmos como Valdemir fazia. Tiveram que tirar a
gente a força do carro do Daniel. Depois fiquei sabendo
que Daniel é extremamente zeloso com seu carro,
mantendo-o extremamente limpo e conservado, e que ele
não deve ter gostado nem um pouco de termos espalhado
pelos em seu veiculo.
26 - PRESA NA CARCERAGEM DA DELEGACIA
Teve uma vez que a camioneta quebrou o cambio
e Valdemir veio arrastando o carro de Itariri até Itanhaém,
sendo necessário um guincho levar o veiculo até São
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Vicente, na porta da Delegacia, dali o Marcos veio com
seu carro e levou Esther, Ellen e um amigo do Valdemir
chamado Jorge para a casa delas, Valdemir, pegou sua
moto que estava na Delegacia e foi para casa, e eu e a
Leisa ficamos na carroceria da camioneta que tinha
capota, ficando as janelas abertas para podermos respirar
bem. Isso já era de madrugada. Valdemir só veio nos
pegar meio dia do dia seguinte. Acontece que os
funcionários da Delegacia que trabalhavam de manhã ao
nos vê dentro da carroceria, sem água e sem comida,
eles nos tiraram dali e nos levou para a carceragem, pois
não havia nenhum detido ali, e eles gentilmente nos
forneceram água e comida. Quando Valdemir chegou a
Delegacia ficou surpreso e agradeceu as pessoas que
tiveram a atitude de cuidar de nós. O mundo ainda não
acabou porque ainda existe amor e bondade entre os
homens. Judeus e romanos não podiam compreender
como Deus poderia caminhar entre os homens na forma
de um homenzinho baixo, magrelo, feio, narigudo, barba
malfeita, vestindo roupas desgastadas, malcheiroso, com
voz estridente. Depois os artistas fizeram uma
representação de um Jesus bonito de visual mais
agradável. Quem não conheceu o homem Jesus, vai se
surpreender quando vê o corpo frágil, débil e desajeitado
que O Filho de Deus usou para se mascarar e andar entre
os homens. Em todo o mundo milhões de anjos passaram
pelas pessoas em forma de vira-latas, e como os judeus e
romanos, vocês os maltratam... Chegará o dia que todos
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
sentiram vergonha de si mesmo, correram tanto atrás do
ouro, e muitas vezes rejeitaram criaturas mais preciosas
que o ouro e a prata.
27 – DETECTANDO COBRAS NO MATO
Bom amigo, nossa amizade é fundamentada no
amor, e não naquilo em que um pode ser útil ao outro.
Mas as amizades de verdade, elas fazem bem e não mal.
Ter você como amigo me trazia segurança, moradia e
alimento, carinho e atenção. Eu lhe dei tudo o que podia,
como respeito, veneração, amor, fidelidade,
companheirismo e relativa proteção. Os cães além do
afeto que dão aos seus donos, eles podem dar segurança
[ 96 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
contra criminosos para quem vive na área urbana, mas,
para as pessoas que vivem na área rural, nós chegamos
a ser essenciais.
Desde 2006 a 2015, período em vivemos nossa
história de amor, eu sei que fui muito importante para sua
proteção no sítio. Inúmeras vezes mantivemos cobras
longe de você, mas não foi só você que eu protegi, era
difícil um dia que eu e a Leisa não tinha que fazer os
lagartos se esconderem nas tocas, mantendo-os distantes
do galinheiro. Com nossa presença próxima aos
pintinhos, os gaviões receavam em atacar nas imediações
da casa. Durante a noite você nem imagina quantos
animais apareciam em volta da casa do sítio. Eram
gambas, cachorros do mato, cobras, raposas, pequenos
[ 97 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
felinos, veados, aves noturnas. Lá no sítio os latidos a
noite, nem sempre eram conversas com outros cães,
eram latidos de advertências, afastando animais
selvagens.
Quando você pegava certas ferramentas, eu já
sabia que você iria para o campo ou para a mata, e eu
pulada e corria de alegria, porque eu gostava de explorar
a mata. Você se lembra quantas vezes nós descíamos ao
riacho, e eu fazia questão de entrar no riacho? No riacho
havia muito acúmulo de sedimentos de folhas em
decomposição e se formava uma lama preta, e aí, eu
voltava para casa com a metade do corpo preto.
Quando você tomava uma direção, eu logo me
adiantava a você e fazia questão de ir a sua frente para
protege-lo, para que você não pisasse em algum cobra
acidentalmente. Lembra uma vez que eu e a Leisa íamos
[ 98 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
a sua frente e então com nosso olfato detectamos uma
cobra em um galho e cercamos a árvore e latimos, e você
já veio imaginando o que era, e de fato era uma cobra.
Você não matou a cobra, e foi trabalhar em uma área
mais distante. Mas nós cumprimos nossa missão de
alertá-lo do perigo. Outro dia você de longe viu uma cobra
d´água saindo do mato e entrando em um poço perto da
jabuticabeira mais antiga do sítio, você nos testou
passando por ali, e como eu e a Leisa estávamos a sua
frente, você ficou observando para vê se eu e a Leisa
iriamos detectar a cobra que já havia submergido. Não
deu outra, quando passamos pelo local, detectamos o
odor da cobra e com o nosso olfato refizemos o trajeto da
cobra do mato ao poço. Você ficou maravilhado conosco.
Você sempre dizia para eu tomar cuidado com cobras e
nunca se aproximar além do limite de segurança, e eu
sempre ouvi suas orientações. Afinal, muitos cães perdem
a vida naquelas bandas por acreditarem que são mais
espertos que as cobras. Ainda bem que cobra não tem
pernas, nem asas, porque elas com o corpo que tem já
são muito ágeis e rápidas.
[ 99 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Eu estava no dia em que você matou esta cobra
Jararaca, uma serpente muito venenosa. É uma criatura que
estão por todos os lugares da mata atlântica. A maioria das
vezes você deixa estas cobras vivas, respeitando o princípio
que toda criatura merece viver.
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
28 – BRINCANDO DE PEGA-PEGA
Eu gostava de passear pelo sítio, explorando a
natureza, observando os outros animais, sentindo os
muitos odores da mata, cheiro de animais, cheiro de
flores, cheiro de frutas. Como é bom correr na terra, sem
queimar as patas no asfalto e no concreto quente das
calçadas das cidades!
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Cachorro do vizinho Arnou, chamado “Vencí”. Vez ou outra
aparecia por lá, nos primeiros anos do sítio, e brincava comigo e com
a Leísa.
Eu e a Leisa gostávamos de brincar de correr,
principalmente nos dias ensolarados. Muito quente ou
chovendo era desagradável brincar. Nós corríamos e
rolavamos pelo chão, muitas vezes simulando uma luta,
corríamos até cansar.
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Apesar de ser baixinha e roliça, eu era muito ágil,
vejam nas fotos que eu apareço borrada, por causa da
velocidade dos meus movimentos. Tinha vezes que
Valdemir fica com inveja de nós e também parava de
fazer seus afazeres e por alguns instantes corria atrás de
nós, e depois nós simulávamos que iria atava-lo, e
quando chegava bem perto dele, nos desviávamos para a
esquerda ou para a direita. Estas brincadeiras eram uma
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
delícia, isso é a felicidade das criaturas que Deus gosta
de vê. Por causa do poder, do dinheiro e do exibicionismo
as pessoas humanas perderam parte da capacidade de
serem felizes com o gratuito.
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
29 – DESMAIO
Lembro-me que quando ainda era nova, certo dia
senti-me tonta e desmaiei. Fiquei estatelada no chão,
ainda morava na Rua Maria Graziela, no Casqueiro.
Zenilda cuidou de mim, socorrendo-me na hora, deitando-
me confortavelmente. Deu-me água e ela suspeitou que
eu estava com anemia, e por isso ela passou a alimentar-
me com uma dieta de fígado. Do mesmo jeito que ela
fazia com a sua filha Lívia quando resultados de exame
apontavam anemia. Zenilda suspeitou que este mal
ocorreu-me por causa de carrapatos. Como as pulgas e
carrapatos atormentam a vida dos cães que vivem nos
quintais, sítios ou nas ruas. A vida toda eu tive que tomar
remédio, usar shampoos anti-pulgas e anti-carrapatos.
30 - ATACADA PELA PITBULL DÁRA
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Os pitbulls são raças de cães construídas através
de manipulação humana, visando constituir uma raça de
cães de briga e luta, para participar de rinhas e para caçar
ursos. Acontece que esta raça se popularizou entre
pessoas comuns, sendo introduzidos na sociedade e
vivendo com pessoas sem o menor preparo para cria-los.
Resultado: Os pitbulls estão sempre envolvidos em
ataques a pessoas e outros cães. Humanos e animais são
frequentes vítimas destes problemas de violência. Desde
2014, no sítio do vizinho Arnou, passou a viver a cadela
Dára, uma mestiça de pitbull e vira-lata, mas que ainda
apresenta constituição física avantajada, típica dos
pitbulls. Dára já havia me visto várias vezes, ela corria em
minha direção, e eu sempre corria dela, evitando qualquer
atitude que expressasse desafio. A pitbull Dára algumas
vezes vinha cheia de pose na minha direção, e eu para
evitar confronto colocava o rabo entre as pernas e se
abaixava, como sinal de submissão. Como o sítio do meu
dono faz divisa com o sítio do Arnou, vez ou outra nós
passávamos em frente a casa do Arnou, e teve um dia
que a Dára se achou ofendida e em um ataque rápido
mordeu o meu pescoço, segurando-o com força e
chacoalhando-o. Eu gritava de dor e implorando que ela
me soltasse. Valdemir estava perto e deu-lhe alguns
chutes, que não resolveu nada. Arnou também deu-lhes
uns socos e chutes que também não foi capaz de faze-la
desisti da agressão. Logo veio a esposa do Arnou, a
Rose, e o Allan. Valdemir se afastou um pouco e passou
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
a orar a Deus, pedindo que o anjo do Senhor fizesse a
Dára cessar a agressão. Allan segurou a Dára pela
coleira, impedindo-a de jogar a cabeça de um lado para o
outro, golpe típico dos pitbulls para quebrar o pescoço das
suas vitimas. Dára não havia conseguido abocanhar meu
pescoço, talvez porque minha pele era grossa, e ela só
prendeu a pele e a gordura subcutânea. Subitamente o
anjo tocou a pitbull e ela largou-me. Só fiquei com um
pequeno furo no couro. Sai caminhando toda assustada, e
Valdemir veio examinar-me, e depois saímos dali.
Daquele dia em diante meu dono evitava que eu e a Leisa
o acompanhasse quando ele ia trabalhar próximo a casa
do Arnou para evitar o ataque da pitbull, porque esta raça
é intolerante com outras raças.
31 - A PROFECIA DE PAULO
Em 2015, Marcio adquiriu um pedaço de terra
para construir uma chácara ao lado do sítio do Valdemir e
por isso passou a frequentar o sítio com regularidade.
Marcio costumava ir ao sítio à noite com Paulo Magno,
eles passavam a noite conversando e orando. Dormiam
no sítio e iam embora no dia seguinte, geralmente após o
almoço. Em uma destas noites, era provavelmente o mês
de maio, após orarem e se reunirem na sala, Paulo
Magno levantou-se da oração com o rosto pesaroso e
disse para Valdemir que tinha um recado de Deus para
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
ele, mas que era um recado duro e difícil de passar, mas
como era de Deus, ele disse que falaria. Paulo então
disse: “Valdemir, se prepare, Deus está dizendo-me que
você vai passar por um momento difícil, você vai sofrer
uma perda muito grande. Prepare seu coração. Lamento
muito, mais é isso que Deus está dizendo.”
Nos dias que se seguiram eu via você, meu
amigo, reflexivo e chegando mesmo a orar, falando com
Deus sobre a profecia, dizendo que lhe desse força para
passar pela provação já predita por Paulo Magno. Em sua
mente passou muitas coisas, entre ela a morte de
parentes próximos e até da minha morte. Ainda que eu
estava bem de saúde, mas já com 10 anos de vida.
32 - A DOENÇA
Os dias foram se passando, e eu estava com um
inchaço em uma das tetas, que depois abriu uma ferida.
Valdemir achou que era uma simples ferida e colocou um
remédio para não infeccionar e não pousar moscas,
esperando que a ferida fechasse. De fato fechou, mas
passou a crescer um caroço, e já incomodava-me
bastante, eu sempre ficava lambendo, e como sentia
aquela região quente, procurava deitar no piso frio. Meu
dono acompanhava o desenvolvimento daquele caroço
com certa preocupação e esperava que ele diminuísse de
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
tamanho. Mas a cada semana ele crescia mais. Eu
percebi que aquilo era uma doença grave, mas ainda
assim, corria e brincava como uma cadela nova, nunca
deixe de acompanhar meu dono por onde quer que ele
andasse no sítio. Mas teve uma semana que ele levou-
me do sítio para sua casa, agora já morando na Rua
México. O meu dono e Zenilda levou-me ao veterinário
para examinar o carroço, que a esta altura já estava do
tamanho de uma laranja.
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
O doutor Renato, que tem uma clínica na Avenida
Brasil, no Casqueiro, examinou-me com todo carinho e
atenção, se espantou com o tamanho do abscesso, e
esperava que não fosse maligno, o doutor Ricardo
comentou com Valdemir, que muitas vezes os pequenos
abscessos são mais maléficos do que os “melões”. Foi
marcada a cirurgia para o final de julho de 2015. Alguns
dias depois da consulta.
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
33 - A CIRURGIA
Após ser examinada, o Doutor Renato disse que
eu teria que passar por cirurgia, e que havia a
possibilidade de ser um tumor maligno, mas deu uma
esperança para nós ao dizer que os pequenos caroços
costumam ser mais fatais que os grandes. Marcada a
cirurgia no dia 27 de julho de 2015, as 11:00 horas, fui a
mesa de cirurgia, tendo que passar por anestesia geral.
Meu dono gastou oitocentos reais na cirurgia, mais
duzentos com roupas cirúrgicas, e remédios pós-
operatórios.
[ 112 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
A cirurgia foi um sucesso, o Doutor Renato extraiu
o tumor, fazendo uma grande incisão, retirando o máximo
de tecido que pudesse porventura estar contaminado com
células cancerígenas.
[ 113 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Durante o processo de recuperação, eu tive que
ficar com um aparato em volta do pescoço para não
morder, ou lamber o local da cirurgia, e também tinha que
usar uma roupa cirúrgica para manter os tecidos
fechados, não rompendo os pontos.
[ 114 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Na tarde daquele dia, eu acordei da operação, e
fui andando até o carro, estava um pouco fraca e tonta
por causa da anestesia. Mas a Zenilda cuidou bem de
mim, todo dia ela dava-me os remédios receitados pelo
meu veterinário. Quando Valdemir chegava em casa, eu
pulava, latia, agitava-me toda, ele repreendia-me para eu
parar de me agitar, mas não adiantava nada, eu só
parava depois que ele fizesse um carinho. Por duas
vezes, meu dono foi ao sítio sem levar-me e a Zenilda
cuidava de mim. Um dia, quando meu dono voltou, eu já
estava com a cicatriz fechada e a Lívia levou-me ao
petshop para tomar um banho, passaram perfume em
mim e colocaram um bonito colar no meu pescoço.
Durante o período de restabelecimento, Valdemir levava-
me para passear na Avenida Beira-Mar no Casqueiro. Eu
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
gostava de passear com meu querido dono. Durante este
tempo, eu continuei com o mesmo corpo robusto, não
emagreci, e por isso acreditávamos na recuperação
plena.
34 - RESTABELECIDA A SAÚDE
Passado cerca de 15 dias após a cirurgia, eu já
estava livre dos pontos e daquele abajur na cabeça.
Agora eu retornaria ao sítio, onde a Leisa ficou por quase
três semanas só. A Leisa nunca ficou tanto tempo longe
de mim, pois éramos amigas inseparáveis. Quando voltei
de camioneta e chegamos ao sítio, eu fui na cabine com o
meu amigo. Era comum, quando viajávamos sós, eu
costumava ir na cabine da camioneta. Meu dono dirigia o
carro, e eu ficava dormindo, ou olhando pela janela, como
faz a maioria dos cães, ou o melhor, ficava olhando para o
meu dono, e quando ele olhava para o lado e via-me
olhando-o, ele passava a mão na minha cabeça, fazendo
um carinho.
Cheguei ao sítio e sai correndo com a Leisa,
sentia-me bem, após a operação. Meu dono ia plantar
palmito com mudas e ferramentas e nós duas fazíamos a
maior festa, alegres, porque iriamos passear na mata.
Nós cães nos alegramos com pequenas coisas. Somos
felizes porque não precisamos de joias, viagem ao
exterior, roupas caras, aparelhos eletrônicos sofisticados
e outras vaidades humanas. No sítio voltei a rotina de
[ 116 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
sempre, dormia na área externa da casa, latia a noite,
conversando com outros cães. De dia brincava de correr
com a Leisa, e ficávamos perseguindo animais silvestres
como lagartos, tatus, gambás, nunca matamos nenhum
animal destes, apenas nos divertíamos perseguindo até
eles se esconderem em uma toca. Outro animal que
gostávamos de colocar para voar eram os urubus. O sítio
tem muitas árvores chamadas embaúbas. Esta árvore
chega a ter vinte metros de altura, e possuem poucos
galhos na parte mais alta, galhos retilíneos, favorecendo
as grandes aves a pousarem como urubus, tucanos,
gaviões e corujas. Mas, somente os urubus gostavam de
descer em volta da casa para beber água em poços com
peixes da espécie tilápia. Então, eu e Leisa ficávamos na
espreita e quando um urubu descia, nós corríamos só
para vê-lo voar. Quase todo dia os urubus descansavam
em cima das embaúbas, observando o movimento
embaixo.
O mês de agosto foi tranquilo, eu sentia-me bem
após a cirurgia. Com a nossa presença, Valdemir nunca
se sentia só. No sítio existem dezenas de montículos de
terra, cercada em círculos por azulejos com inscrições
com temas de orações. A medida que Valdemir vai
caminhando pelo sítio, ele vai parando nestes montículos,
que ele chama de altares e se ajoelha para falar com
nosso Deus. Quando ele se ajoelha, suas mãos ficam
mais baixas, e eu e a Leisa aproveitamos para encostar
[ 117 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
nossos focinhos, e muitas vezes enquanto ora, nosso
dono fica com as mãos sobre as nossas cabeças.
35 - O RETORNO DO CÂNCER
Na segunda semana de setembro, aconteceu algo
horrível, eu percebi que se formavam dois enormes
abcessos debaixo dos meus membros dianteiros, e vários
outros caroços pequenos pela barriga. Eu senti que agora
não havia mais jeito. Eu teria que despedir-me deste
mundo, e deixar para trás o meu grande amor. Senti que
agora já não havia mais esperança. Minha missão de
amá-lo sobre todas as coisas deste mundo estava se
encerrando. Valdemir estava em Cubatão quando os
tumores começaram a crescer assustadoramente.
Quando meu dono retornou ao sítio, e viu-me deformada,
seus olhos se arregalaram, não acreditando no que
estava acontecendo. Quando ele pegou-me no colo e
passou a mão pelo meu corpo ficou em choque. Seus
olhos se encheram de lágrimas, lágrimas que ele
derramaria todos os dias até o dia da minha morte...
[ 118 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Meu corpo deformado pelos tumores. Eu fui
parando de comer e somente bebia água a todo instante.
Não havia mais esperança, agora eu teria que ser
corajosa e enfrentar a morte com firmeza.
[ 119 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
[ 120 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Sozinha, a beira da piscina, eu fiquei uma tarde
recordando-me dos dias felizes em que eu brincava,
passeava. Lembrei-me das casas onde morei, das
pessoas que amei.
Estava distraída em meus pensamentos,
agradecendo a Deus por tudo que Ele deu-me nesta vida.
Vim ao mundo para vencer e venci, transformei o ódio em
amor. Transformei aquele que não gostava de mim, nem
dos cachorros, em uma pessoa completamente
apaixonada. Afastei bandidos como um cão de guarda,
amparei os esquecidos como o Edson. Completei minha
missão, deixando a lição que: melhor do que vencer
inimigos, é conquista-los, transformando-os em amigos.
Deixei a lição; se os humanos são capazes de aprender
[ 121 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
com os cães, eu não sei, talvez aprendam sim, alguma
coisa, e por isso só, já terá valido a pena a minha
existência.
- Olá, amigo, meu eterno amigo, lá vem você com
este celular, está tirando fotos de mim para sua
recordação? Já estou morrendo de saudades de você. A
dor da doença é nada, perto da dor da saudade. Estou
triste por ter que encerrar nossa convivência.
[ 122 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Vamos fazer uma self meu querido amigo. Eu fui
o seu anjo, e você foi um anjo para mim. Agora só resta-
nos entregarmos nosso destino nas mãos de Deus. Se
Ele quiser nós poderemos nos encontrar novamente.
Lembre-se que tudo passa, os dons passarão, mas o
amor permanecerá para sempre. Se você realmente me
amar, Deus vai nos surpreender. Não há promessas de
Deus para os animais, mas há promessas para os
humanos, e todos aqueles que serviram a Deus, na
ressurreição, poderão receber prêmios incríveis, inclusive,
quem sabe, seus animais de estimação de volta. Eu estou
indo, mas o anjo que você vê pelo reflexo dos meus olhos
vai continuar contigo. Se Deus permitisse eu ficaria do
seu lado por toda vida, por toda a eternidade...
[ 123 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Vamos ficar aqui deitado no chão, como os cães,
nosso último entardecer juntos, vamos ficar deitado até a
noite chegar...
[ 124 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Logo a noite vai chegar, e a escuridão vai apagar
este céu azul tão lindo. Amigo, nunca se esqueça de mim.
Todas as vezes que você vê o céu assim azul, você se
lembre de mim, e faça uma oração agradecendo a Deus
pela nossa amizade. Amém?
Seja como os cães que sempre tem tempo para
as pessoas que amam. O único compromisso que temos
nesta vida é em amar. Amar é isso que vivemos, este
sentimento puro que houve entre nós.
Em uma das últimas noites no sítio, antes de ir
para a cidade onde seria sacrificada, eu senti uma paz
divina, por concluir minha missão na terra, e Deus me
[ 125 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
mostrou onde o meu corpo repousaria, mesmo debilitada
eu sai da casa do sítio e fui vê onde seria minha nova
morada, era noite, e fui andando com dificuldades até
onde Deus me apontaria o lugar do descanso. Valdemir
estranhou a cena, porque desde que o tumor voltou, eu
não estava mais saindo de casa, e por isso Valdemir
pegou o celular e foi atrás de mim. Quando ele viu-me
sorridente ao lado da sepultura, ele chorou. Então eu o
consolei: “Não fique triste, eu sei que vou morrer, e estou
contente por você não jogar meu cadáver no lixo séptico
como sugeriu o veterinário. Você fez para mim uma
sepultura, uma forma respeitosa das pessoas
depositarem o cadáver dos seus entes queridos.”
[ 126 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
36 - MEU ÚLTIMO DIA
Os últimos dez dias foram terríveis, dores, fastio,
falta de apetite, enfraquecida, sem forças para andar,
secreções saindo dos meus olhos, dificuldade para
respirar. Meu dono orava e jejuava por mim, com
esperança que eu milagrosamente fosse curada. O
Doutor Renato ficou sabendo do meu quadro e
recomendou o sacrifício e a eutanásia. Eu estava
preparada para tudo, já sabia do meu fim. Meu dono
resistiu ao conselho do Veterinário, agradeceu o conselho
dele que era baseado na razão, mas meu dono disse que
iria seguir suas emoções. Dia 27 de julho de 2015, eu
estava na casa da dona Lourdes, enquanto ela estava
viajando em Sergipe, Valdemária, irmã de Valdemir, e
Edson, seu cunhado, cuidavam de mim, e Valdemir foi até
[ 127 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
a casa da dona Lourdes com Zenilda e o Daniel. Este
Daniel é casado com a prima do Valdemir, a Sandra, e
são amigos há 24 anos, ele já tinha dado a entender a
meu dono que a eutanásia iria encurtar o meu sofrimento,
mas Valdemir, dias antes, havia se recusado a pensar
nesta possibilidade. Valdemir dizia: “Condenado a morte
estamos todos os vivos, o doente conta com a esperança
para continuar vivendo.” Mas hoje, quando ele chegou a
casa de dona Lourdes e me viu no chão muito abatida,
com os olhos embaçados de tanta secreção, e já
exalando mau cheiro devido o câncer aberto. Ele viu que
o melhor para mim é cessar o sofrimento, sofrimento meu
e dele, porque ele chorava todos os dias, várias vezes ao
dia, com saudades de nosso companheirismo e amizade.
Meu dono saiu dali e foi acompanhado do Daniel procurar
uma clínica para a eutanásia. Daniel era policial militar em
Praia Grande e iria procurar entre os conhecidos uma
clínica dali. Daniel se dispôs a emprestar o dinheiro para a
eutanásia, caso meu dono estivesse sem dinheiro, já que
era final de mês, e poderia ser que ele não tivesse
dinheiro para dispor para aquela despesa.
[ 128 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
[ 129 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Dia 28 de setembro de 2015, de manhã meu dono
pegou-me e colocou na carroceria da camioneta,
juntamente com Leisa, pois desgraça pouco é bobagem,
na última vez que meu dono foi ao sítio, encontrou a Leisa
com um grande corte na face, provocada provavelmente
por um pitbull do vizinho, ou outro animal selvagem. Nós
fomos juntas na camioneta olhando uma para outra, e nós
sabíamos que eu não iria retornar viva. Enquanto eu
estava na carroceria com a Leisa, Teocron sentou-se ao
lado do meu dono e do Daniel na cabine. Eu e Leisa
relembramos de todas as nossas brincadeiras e aventuras
que compartilhamos nesta vida, choramos, discretamente
choramos...
[ 130 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Antes de pegar-me, Valdemir passou de carro na
casa do Daniel, que mora em Praia Grande, foi neste
momento, quando passava em frente ao shopping da
entrada de Praia Grande, chegando a casa de Daniel que
o anjo sentou ao lado do Valdemir e falou dizendo: “Eu
sou Teocron, o anjo que estava sempre perto da Doutora,
[ 131 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
e que inúmeras vezes você sentia a minha presença
quando fixava seus olhos nos olhos da Doutora.” A
viagem seguiu em silêncio, Valdemir pegou Daniel e
depois pegaram-me juntamente com a Leisa e fomos
todos a uma clínica no Jardim Esmeralda, lá mesmo, na
cidade. Chegamos umas 11 horas e só entrei na clínica
para morrer, quando era mais de 14hs. Havia muitos cães
e gatos para serem atendidos naquele dia. Eu permaneci
dentro da camioneta; Valdemir e Daniel entravam na
clínica e saiam. Valdemir vinha até mim, conversávamos
um pouco, ele se emocionava, sabendo que nossa
convivência estava chegando ao fim, fazia-me um carinho
e ficávamos ali, parados esperando a morte...
[ 132 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Leisa também iria se consultar para saber se
haveria como fazer uma cirurgia na face, pois já havia
alguns dias que ela estava com o corte aberto.
Finalmente a hora final. Meu dono leva-me nos
seus braços e Leisa entrou comigo para ambas serem
consultadas juntas. Dois veterinários daquela clínica
primeiro tinham que examinar-me para certificarem-se
que o meu caso era mesmo de eutanásia. Deitei-me na
mesa para que eles pudessem examinar os tumores.
[ 133 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Ao observar atentamente, ambos não tiveram
dúvidas que eu deveria ser sacrificada, porque já não
havia esperança, e o sofrimento era desnecessário. Nos
últimos 15 dias, nem animo para tomar dipirona eu tinha.
Era o fim.
[ 134 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Enquanto os veterinários preparavam a anestesia
e a droga que iria parar o meu coração. Meu dono fazia
os últimos carinhos em mim. Só Deus sabe a dor de
saudades que sentíamos naqueles instantes. O câncer
era nada, a dor da separação, era muito grande. Mas eu
estava conformada com o meu destino.
[ 135 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Doutora: Obrigado Deus, por ter me dado este
maluco como amigo. Obrigado Deus porque eu pude
conversar com um humano de igual para igual. Só o
Senhor sabe quantas vezes eu e Valdemir nos sentados
no chão e conversamos na linguagem do amor, o idioma
de todas as criaturas de Deus.
Valdemir: Muito obrigado querida, desculpe por
não ter te tratado melhor, por não ter comprado as
melhores rações, por não te dar mais conforto, desculpe
por muitas vezes gritar com você, entenda que na nossa
relação, você foi a minha dona, e eu fui o animal da
história. Se a ressurreição dos mortos fosse por méritos, o
céu estaria repleto de bichos e quase nenhum humano.
[ 136 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
- Pegue nas minhas patas e prometa-me que vai
ser um bom menino!
Valdemir: A Bíblia fala de querubins e serafins
com seis asas, mas alguns anjos estão entre nós com
[ 137 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
quatro patas e duas orelhas. Você nunca me enganou
Doutora, você não era só um animal de estimação. Você
foi uma das pessoas mais fascinantes e encantadoras
que eu conheci neste mundo. Eu tenho vergonha da
humanidade, toda a nossa história, nossas invenções,
nossas tecnologias é merda, é bosta, não serve para
nada. Jamais vi entre os humanos, o que vi em você. Eu e
minha espécie somos ordinários. Nos orgulhamos de ter
sido criados como imagens de Deus, mas a pessoa que
eu vi Deus do começo ao fim da sua vida foi você,
Douuutoooouraaaa!!!
Valdemir: Obrigado Doutora, você me ensinou
mais do Evangelho de Jesus Cristo, do que todos os
pregadores. Você não foi hipócrita como nós, os homens.
Você ensinou-me tantas coisas com seus exemplos e
nunca falou uma palavra no meu idioma. Ao longo destes
[ 138 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
anos, Doutora, você deixou-me com uma dúvida; Eu não
sei se você era possuída por um anjo, ou se você era um
anjo encarnado. Eu sei que Deus habitou entre os
homens na forma de um servo. Mas, estaria Deus
mandando anjos para encarnar em forma de anjos? Eu
sei que tem coisas que a teologia não vai poder explicar-
me, e nem tudo está escrito na Bíblia. Eu vou ter que
esperar para receber respostas de Deus....
Valdemir: Neste último instante Doutora, eu peço
que você me abençoe com o seu focinho. Como a Mula
salvou a vida de Balaão, que sua vida continue sendo
uma benção na minha vida até o fim por meio das
lembranças e ensinamentos que voê me deu.
[ 139 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Doutora: Com o focinho beijei o meu amado dono,
despedindo-me dele nesta existência, eu sabia que era o
fim de minha vida. Quem sabe na restauração de todas as
coisas, haja uma esperança de nos reencontrarmos?
[ 140 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Doutora: Uma troca de olhar, e em uma fração de
segundos, falamos tudo um para o outro. Adeus amigo,
fomos uma benção, um na vida do outro.
Valdemir: Adeus amiga, você estará no meu
coração para sempre. Sua amizade foi até agora uma das
maiores conquistas que eu tive neste mundo. Desde que
conheci você profundamente, eu tenho orado a Deus
dizendo que não sou digno de morar nas mansões
celestiais, se Deus providenciar nos fundos das mansões
celestiais uma casinha de cachorro, eu já estarei
contente. Descobri que a felicidade não está em mansões
de ouro e cristal e pedras preciosas, mas em convivência
perfeita com Deus e o universo.
[ 141 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Além de Valdemir, estas foram as últimas
pessoas que eu vi na minha vida, Daniel e os dois
veterinários. Já tomei anestesia na veia, estou dormindo...
37 – MORTE
A Doutora já está morta, até o momento da
anestesia eu e Daniel estivemos presente, mas na hora
dos veterinários injetarem a droga que iria parar o coração
da Doutora, tivemos que sair da sala. Não demorou cinco
minutos e eles entregaram-me um saco plástico com o
corpo da Doutora. Nem parece verdade, mas ela está
morta, nunca mais carinho na cabeça ou na barriga, nada
de conversas carinhosas, nada de correr, latir e pular em
demonstração de alegria quando me via. A alegria que
você fazia ao me ver era constrangedor, pois eu nunca
tratei ninguém assim, e nunca fui tratado por um ser
humano como você tratava-me.
[ 142 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
[ 143 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
No dia seguinte, levei o cadáver da Doutora ao
sítio, lacrada em vários sacos plásticos. Ela foi na garupa
da moto. Uma viagem triste, repleta de lembranças,
recordações e memórias... Parei um pouco em Itanhaém
para tomar um café, olhos inchados de saudades.
38 - SEPULTAMENTO
No paraíso, eu andei muito por entre as árvores,
subindo e descendo estas montanhas com a Doutora a
minha frente. Os primeiros dias e semanas sem a
Doutora, foi triste.
[ 144 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
A terra que a minha amiga tanto gostava, acabou
recebendo-a em sua entranha.
[ 145 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Amizade perfeita. Impossível ser replicada entre
humanos.
A enxada ferindo a terra, forçando-a a engolir
minha amiga.
[ 146 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Morre a Doutora, Nasce a Nastácia.
Os cães sentem nossas dores. Nastácia adotada
uma hora antes do sepultamento da Doutora consola-me.
[ 147 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Inscrição na tumba da Doutora, pintada no
mármore, Foi um amor angelical na minha vida. Quando
escrevi na tumba da Doutora, eu ainda não sabia que ela
havia nascido no dia 21/05/2005. Mas o dia 15 de julho
era uma data fictícia em que alguns anos eu comemorava
o aniversário da Doutora. Fazíamos um bolo, assávamos
linguiças, abríamos refrigerantes e comemorava cantando
“Parabéns para você.”
39 – NASTÁCIA
Quando cheguei em Itariri passei na loja de
agropecuária do Júnior para fazer uma recarga do meu
celular pré-pago, quando estacionei a moto, e desci, vi um
latido atrás de mim, era uma cadelinha de cor preta,
latindo e esticando a pata para mim. Na hora senti a
presença de Deus, e senti um grande conforto no
coração. A cadelinha ficava com a patinha estendida para
mim como dizendo: “Leva-me.” Entrei na loja, perguntei
quanto custava a cachorrinha, e a vendedora disse que
não estava a venda, estava para ser doada. Pedi para
ficar um instante com a cadela, a coloquei no colo, fiquei
orando e olhando para a cadelinha e senti claramente
Deus dizendo: “Vai ficar olhando para trás? A vida muda
de forma, os anjos não param de trabalhar, quando morre
uma pessoa boa, eu faço surgir outras.”
[ 148 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Olha a cara pedindo: “Leve-me, prometo te amar!”
[ 149 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Parei a moto na estrada de terra que leva da
cidade de Itariri ao sítio. Do corpo morto da Doutora,
nascia uma nova história. NANA! (Nastácia)
Essa vai morrer sem aprender a fazer uma letra,
mas com uma lambida conquista qualquer coração
humano.
[ 150 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Milhões de pessoas no mundo são sustentadas
afetivamente por animais que dão segurança, amor,
carinho e amizade. Muitos suicídios no mundo não
ocorrem porque as pessoas são apegadas a animaizinhos
que tornam suas vidas suportáveis. É simbólica esta
viagem, uma cadela morta e outra viva em cima do
cadáver. A vida renasce da morte.
Naná estava muito inquieta na garupa da moto, e
estava perigoso ela cair, então achei um lugar mais
confortável para continuarmos mais 10 km de estrada de
terra até o santuário do sítio.
[ 151 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Ainda não tinha fechado a sepultura da Doutora e
Naná não queria sair de cima da cova.
II – TEOCRON
APRESENTAÇÃO
Acreditar é uma questão espiritual, duvidar é uma
questão humana, negar o desconhecido é ignorância.
Meu nome é Teocron, sou um dos incontáveis anjos de
Deus. Tenho acompanhado a vida de muita gente da
Terra nos últimos milênios, e nestas últimas décadas
estou cuidando de algumas pessoas, entre elas Valdemir.
[ 152 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Em novembro de 1985 eu estava presente no momento
mais fantástico da vida do Valdemir, mas centenas de
vezes tive que intervir em sua vida. O Eterno Deus
permitiu que eu pudesse contar algumas coisas,
especialmente sobre os últimos 10 anos e como Valdemir
via o meu reflexo, não por um espelho, mas através da
cadela chamada Doutora. Vocês não tem noção como os
anjos atuam neste mundo, mas contarei algumas coisas
para que vocês entendam como agimos.
Eu sou Teocron.
[ 153 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
1 - O GRANDE ENCONTRO
Em novembro de 1985, Valdemir e mais outros
servos de Deus foram orar no monte do Japuí, onde havia
um curtume em tempos antigos. Era uma noite quente,
infestada de mosquitos, vocês quase desistiram de orar
devido a importunação dos insetos. Mas persistiram, e
quis a graça divina que Valdemir fosse chamado para a
presença de Deus, realmente fato que não tem sido muito
comum por culpa do mal e do pecado que tem afastado
os homens de Deus. Bem, Valdemir não era o mais santo
entre eles, mas a graça de Deus não é por merecimento.
Eu, Teocron, e outro anjo, que não interessa ser
nominado agora, por enquanto, levamos o espírito de
Valdemir até o céu. Ele tinha 16 anos de idade, e mesmo
que tivesse 100 anos o impacto seria o mesmo. Valdemir
ficou atordoado e desorientado, apenas espantado com
as dimensões enormes da sala do trono. Propositalmente
o colocamos de costas para o trono, e após algum tempo
Valdemir virou-se na direção do trono da glória de Deus e
ao ver o Pai de todos os espíritos sentado majestoso em
seu trono, sentiu-se literalmente do tamanho de uma
barata, colocou as mãos sobre a cabeça e gritava sem
voz: “Não é possível, eu estou vendo Deus! eu estou
vendo Deus! eu estou vendo Deus!” Depois daquele
contato único que ele teve em sua vida até os dias de
hoje, eu apareci na forma física de um homem
semelhante aos demais homens e junto com o outro anjo
[ 154 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
falamos por telepatia com Valdemir dizendo que era hora
de retornar a Terra. O mesmo prontamente também
respondeu por telepatia dizendo: “Tudo bem, vamos.”
Quando chegamos ao monte do Japuí, lhe foi permitido
perceber o mundo físico, e Valdemir ficou encantado
tendo a sensação de transpor as árvores, galhos e folhas,
passando a compreender a realidade diferente que estava
sendo submetido e que nunca antes havia experimentado.
Valdemir ficou chocado por ver e ouvir do lado do mundo
espiritual o que acontecia no mundo físico no mesmo
hiperespaço. Valdemir escutava os seus irmãos orando,
inclusive escutava seu corpo e sua alma cheio do Espirito
Santo e falando em línguas. Quando o seu espírito foi
sugado pelo corpo, Valdemir estava anestesiado pelo
poder de Deus, ficando quase uma hora para voltar a ter
controle total sobre o seu corpo que trepidava como uma
britadeira. Esta experiência foi tão chocante que durante
sua vida inteira não contou para muitas pessoas esta
experiência, porque sabia que é inútil fazer com que
outros sintam experiências espirituais somente pelo ouvir
dizer. Desde aquele dia você percebia que eu estava
sempre ao seu lado, e muitas vezes você pôs a prova a
minha presença real, e eu nunca falhei quando realmente
era preciso. Nem tudo podemos expor ao público, criaria
constrangimentos e provocaria mais polêmica do que este
diálogo supostamente absurdo entre um cachorro, um
homem e um anjo. Eu sou Teocron, durante 30 anos
estive com você. Este ano você orou pedindo para Deus
[ 155 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
lembrar daquele encontro de 1985 com alguma
manifestação especial. Pois bem, No dia que a Doutora
iria ser sacrificada, eu sentei ao seu lado na camioneta, e
quando passávamos bem em frente ao shopping de Praia
Grande, eu falei com você. Você mesmo dirigindo viu eu
me sentando ao seu lado e eu disse para você: “Eu sou
Teocron, eu sou um dos anjos que te levou ao céu em
1985. Todo este tempo estive com você, e não é novidade
para você que a cadela Doutora era uma intermediária,
uma agente pela qual eu me manifestava. Faz anos que
você a chamava de anjo de quatro patas, porque você,
vez ou outra, sentia minha presença por meio dela, Muitas
vezes você ficou aterrorizado pela glória da minha
presença. Cada ser humano tem lugares na Terra que
são seus pontos de contato com Deus, pena que muitos
não descobriram quais são estes lugares. Algumas
apenas gostam demais de certos ambientes, paisagens,
cômodos, e não percebem que ali, é o seu Lugar
Santíssimo para ter intimidade com Deus. Você sabe que
há um lugar no sítio que lhe causa terror, não porque é
mal assombrado, mas porque ali eu e muitos outros anjos
nos reunimos. Você nem consegue fechar os olhos
direito, porque você quase nos vê fisicamente. Lá no
montículo de pedras a beira do córrego d’água. Ali você
nem precisa orar, você sente que encostado a cada
árvore daquela há anjos. Aquele é o seu lugar de
comunhão, quem for ali não verá nada, cada pessoa deve
buscar o seu lugar de comunhão. Abraão no monte Moriá,
[ 156 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Moisés no monte Sinai, Elias no monte Carmelo, Jesus no
monte das Oliveiras, João na Ilha de Patmos. Cada
pessoa tem que ter o seu quarto fechado, entende????
2 - OLHOS QUE TE OLHAM
Deus Todo-Poderoso e os seus anjos se
manifestam o tempo todo, e todo o tempo está mais perto
dos homens do que eles imaginam. Todos os dias vocês
ficam cara a cara com Deus, mas não percebem. Deus e
os seus anjos podem estar bem atrás de você te
observando através de outros olhos. Deus se manifesta o
tempo todo por meio da criação. As pessoas que prestam
[ 157 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
atenção podem sentir a presença angelical quando elas
estão admirando uma flor, ou quando estão se
relacionando com seu animal de estimação. Preste
atenção em um vento repentino, em um pássaro que fica
te olhando de cima de um galho, de uma borboleta ou
beija-flor que quase te atropela em seu voo.
Especialmente observe como tem cães que te olham de
uma forma estranha.
3 - ARTE DE CAMUFLAGEM
Deus está emitindo sinais o tempo todo para
você, os anjos ficam constantemente ao seu lado. Creia e
sinta como os anjos estão te guardando do mal. Nós, os
anjos, somos muitos discretos e nos camuflamos em
forma de elementos da natureza como uma nuvem, um
vento, um pássaro, uma flor, uma árvore, um beija-flor, e
com mais frequência na forma de animal de estimação.
[ 158 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Quando morrer seu animal de estimação, conecte-se com
outro, mantenha comunhão com Deus e seus anjos por
meio de um cão, por exemplo...
4 - NÃO PERCEBEM OS ANJOS
É quase certo que no momento que os anjos
estão perto de você, seus olhos não estão percebendo,
ele caminha lentamente ao seu lado. Você pode está
lendo, meditando na Bíblia, em casa, na igreja, no
trabalho, ou no meio do mato. Preste atenção você está
sendo guardado. Deus se preocupa com cada um dos
seres humanos, e os anjos ficam o tempo todo tentado
induzi-lo ao bem e afastá-lo do mal.
[ 159 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Tente se lembrar um dia que você passava
pela rua caminhando, ou dentro de um ônibus, ou em um
carro e repentinamente seus olhos perceberam uma
pessoa te olhando fixamente, você ficou com aquela
imagem na cabeça. Este é um exemplo de frequentes
contatos com seres espirituais. A maioria das
intervenções dos anjos não é percebida, porque nós
impedimos do mal se concretizar e de se realizar. Prevejo
um acidente e evito-o, sem que a pessoa percebesse o
perigo pela qual passou.
Valdemir, você se lembra do dia em que você e
um investigador de polícia fizeram uma perseguição
policial com a viatura durante uma noite em São Vicente a
dois indivíduos suspeitos em uma moto pelas ruas da Vila
Margarida? Lembra as manobras perigosas realizadas
naquela noite? No dia seguinte quando outra equipe foi
sair com aquela viatura, havia uma fratura em uma peça
tão séria que ao engatar a primeira marcha, a roda
dianteira caiu... Era para aquela roda cair em uma curva
em velocidade na noite anterior...
5 - ANJOS FALIMIARES
[ 160 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
29/04/2013 – Os anjos não somente guardam
você como guarda sua família e os seus entes queridos.
Temos que trabalhar discretamente para que as pessoas
não caiam na cilada de adorarem os anjos, ou se
apegarem as pedras, ervas e animais como amuletos e
acabem pecando. Não é para adorar aos elementos da
natureza, nem aos anjos. Adora a Deus que envia o anjo
para cuida dos seus filhos...
Muitas pessoas tem um habito comum, pedir
para Deus guardar seus familiares. Quem faz isso faz
bem. As orações movem a mão de Deus e as orações
deslocam legiões de anjos para esta ou aquela direção.
Nosso Deus é como um juiz, ele sabe de tudo, mas
espera que as pessoas clamem para ele intervir, essa é a
regra do livre arbítrio. Um juiz pode saber pelo noticiário,
ou em conversa do dia a dia, sobre muitas coisas erradas,
[ 161 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
mas ele só pode intervir em um processo que tramita na
sua vara. Você entende???? Nós, os anjos, acampamos
em volta de quem busca. Fizemos e continuaremos
fazendo vigilância sobre sua família como você tem
pedido a Deus. Você corretamente tem pedido a Deus
que envie anjos com certas missões, em certos familiares
seus. Você sabe do que estou falando. Não tenho feito
minha parte? Não fazemos mais porque a vontade de
Deus deve prevalecer quando há conflito de interesses.
Você pedia certas coisas para Deus nos mandar fazer
que não tinha como fazermos, porque Deus não queria
aquilo. Depois de anos insistindo com certos pedidos,
Deus falou contigo porque nós não podíamos fazer o que
você queria. Ainda bem que você entendeu a
inconveniência de certos pedidos. Lembre-se: “Pede e
não recebe, porque pede errado.”
Todo pai de família deve orar como um
patriarca, porque nós, os anjos, temos várias estruturas
organizacionais semelhantes às humanas. Defendemos
nações e vigiamos sobre famílias. Povo que não luta pela
sua nação, e pai que não luta por sua família que fim
terá??? As pessoas não lutam em oração pedindo a
vigilância dos anjos, depois quando ocorrem as tragédias,
acusam Deus. Quem não toma providência para guardar
seus bens, será saqueado, essa é a lei universal que rege
a luta do Bem contra o Mal.
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
6 - FELICIDADE INEXPLICÁVEL
09/08/2013 – Neste dia você estava beijando um
passarinho que estava na sua mão, e eu passava perto
de você... Quem fica muito tempo na frente de um display
de computador, celular e TV, ou admirando tecnologia
artificial, perde o contato com as coisas criadas por Deus
na natureza. Depois dizem que Deus não existe... ou que
Deus não olha por eles... Se você fica se relacionando
com a natureza, conversando com um pássaro,
repentinamente a presença do anjo de Deus enche você
de graça e felicidade inexplicável...
Com a presença dos anjos de Deus em sua volta,
até a morte é agradável como ocorreu com Sadraque e
seus amigos, como ocorreu com os mártires nas grandes
perseguições. Todavia, sem a comunhão com Deus, o
[ 163 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
mundo é sombrio, a pessoa pode estar cercada por uma
multidão e ainda assim se sentirá solitário. Cultivar
momentos de isolamento para se relacionar com Deus e
suas criaturas causa felicidade inexplicável. Os “loucos”
que costumam conversar com animais, plantas, astros do
firmamento, elementos da natureza, costumam sentir esta
felicidade inexplicável, porque nós, os anjos, estamos
conectados com as virtudes do universo. Alguns anjos
estão conectados com o sol, outros com a lua, outros com
os mares, outros com as montanhas. Outros com as aves,
outros com os cães... Quem não ama a natureza criada
por Deus está sujeito a infelicidades inexplicáveis...
7 - ANIMAIS CONDUTORES DA PRESENÇA DE DEUS
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Os anjos são entidades inteligentes enviadas a
Terra para auxiliar os homens a se chegarem ao Deus
Todo-Poderoso, razão e causa de tudo o que existe. Os
animais são agentes vetores do bem ou do mal. Animais
que atacam os homens causando-lhe doenças e pragas
na agricultura e pecuária são agentes malignos. Quando o
mosquito transmite um vírus maligno ao homem, vemos
as forças malignas materializando prejuízo e dor. Mas os
animais também são condutores da presença de Deus.
Quando Jesus entrou em Jerusalém como rei, ele fez
questão de entrar na cidade conduzido por um jumento. O
jumento não era de Jesus, alguém emprestou seu animal
para transportar Jesus. Experimente consagrar um ser
vivo para Jesus, e vez ou outra você verá nos olhos do
seu animal um brilho diferente, uma presença angelical
aparecerá diante dos seus olhos. É uma luz especial, se
você estiver em comunhão com Deus e em plena
harmonia com esta criatura você notará algo especial, de
vez em quando. Inúmeras vezes Valdemir via-me através
dos olhos da cadela chamada Doutora. Não adianta fazer
isso por curiosidade, brincadeira, ou com intuito científico.
Coisas espirituais se sentem intuitivamente e foge dos
padrões de medição científica. Você não vai chegar a
Deus por uma calculadora, ou por um microscópio. Estes
instrumentos podem revelar muitos segredos das leis da
mecânica do universo criado por Deus, mas Deus mesmo
se revela de forma mais sutil.
[ 165 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
8 - TOMEI UM RAIO
A crença universal em espíritos protetores se
baseia no conhecimento empírico que os homens têm de
si mesmo, do universo e de Deus. Nós, os anjos, somos
espíritos protetores que procuramos evitar as mazelas da
humanidade, mas nem tudo podemos impedir por vários
motivos que não cabe enumerá-los agora.
Vou contar pra você um caso óbvio da
intervenção de Deus, desde o dia 07 de janeiro de 2011,
você sabia que sua vida teria cessado na terra, se Deus
não colocasse as mãos. O vídeo publicado no endereço
abaixo registrou o exato momento daquilo que seria sua
morte Valdemir, mas eu também estava ali, como Zenilda,
Esther e Ellen.
https://www.youtube.com/watch?v=aNBvUyFpMco
[ 166 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Vou relembrá-lo como foi aquele dia: Você estava
trabalhando no sitio, no riacho, onde você pretendia fazer
um poço para peixes, era um sábado à tarde, de repente
o céu fechou, nuvens escuras rapidamente cobriram o
céu, como frequentemente acontece naquela região.
Como todo homem do campo sabe, não se fica no campo
aberto em uma tempestade com raios, e pelo som dos
trovões você sabia que aquele fim de dia ia ser de chuvas
acompanhada com raios, por isso retornou para casa,
ainda que o sol iria se pôr somente as 20:00 horas, devido
o horário de verão. Você entrou em casa, tomou banho e
colocou o seu celular para captar as imagens do
notebook, ao mesmo tempo que, captava o som do
aparelho de toca fita, porque você estava pondo no
youtube os programas de rádios que você fazia em 1994,
1995.
Quando havia passado dois minutos e trinta e seis
segundos da gravação, um raio caiu no transformador de
energia a cento e cinquenta metros da casa do sítio. A
[ 167 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
descarga percorreu o fio, e naquele exato momento você
estava descalço com a mão segurando a porta da
geladeira e com a outra segurava um frasco de vinagre. A
descarga passou por você, causando um imenso clarão
na cozinha. Zenilda, Esther e Ellen gritaram assustadas.
Você viu um imenso clarão em volta dos seus pés, perdeu
os sentidos por milésimos de segundos, o frasco de
vinagre caiu da sua mão, você cambaleou, mas não caiu.
Em seguida saiu correndo em direção à sala, atordoado
gritava: “Tomei um raio”. Os seus pés esquentaram e
formigavam, você pensou que seus pés haviam
derretidos, e sentou-se no chão, abriu a porta da sala,
porque já estava escuro e nem acreditou que seus pés
estavam intactos. Nas duas horas seguintes, você ficou
orando agradecendo a Deus e pedindo que o Senhor
completasse o livramento, você teve medo que na
sequencia pudesse morrer de parada cardíaca. Um
milhão de volts, 30 mil ampères não foi o suficiente para
te matar. Eu estava ali. Não esqueçamos da Doutora, ao
menor sinal de trovões, ela se escondia em qualquer
lugar, a Ellen depois deste evento ficou um tempo
traumatizada, bastava ouvir o barulho dos trovões para
chorar desesperadamente. Amigo, você está naquele
seleto grupo de pessoas que foram atingidos por raio, e
em outro grupo que sobreviveram ao raio.
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
19 - O ENDEMONINHADO
Em 1987, já faz muitos anos, eu fiz uma
intervenção que você nunca esqueceu, porque você
poderia ter morrido se eu não estivesse naquele
momento. A vida é assim, tudo está bem, e no segundo
seguinte, tudo perde o sentido, e os sonhos se acabam.
Dentro do que é permitido pelo bondoso Pai, nós, os
anjos, impedimos o mal e a desgraça. Naquele dia você
passava pela rua em que morava, na rua Santa Luzia, no
morro São Bento, em Santos, quando alguém te chamou
desesperadamente, dizendo que na rua ao lado havia um
homem quebrando tudo dentro de casa, e que ele devia
está endemoninhado. A mulher que te chamou já o
conhecia de vista, por sempre vê-lo indo ao culto com a
Bíblia na mão. Você estava acompanhado de outros
[ 169 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
cristãos e foram rapidamente a casa indicada na Rua São
Marcos. Quando você entrou, o dono da casa estava
possuído por demônios, e os espíritos imundos já havia
visto você se dirigindo a residência, por isso quando você
entrou na casa, ele já estava com um quadro de madeira
maciça impulsionando para trás para arremessar em sua
cabeça, você não teria tempo de fugir. Mas sabiamente
você sentindo minha presença no local, falou em voz alta:
“Anjo do Senhor, derrube-o!!” Na hora eu paralisei aquele
homem, e expulsei os espíritos, o homem caiu no mesmo
instante no chão, duro como uma pedra. Minutos depois
ele acordou do transe. Aquela minha ação marcou muito
sua vida, e você sabia que sempre havia anjo do seu
lado. Não somente você, mas uma infinidade de pessoas
é protegida por anjos em momentos de perigo.
10 - 700 ANJOS
Você teve uma carreira cristã dedicada nos dez
primeiros anos após a sua conversão, por isso em 1993,
você orava ao nosso Deus e ele te deu uma benção
maravilhosa, Deus te revelou que durante a sua vida, ele
colocaria 700 anjos ao seu dispor para eles trabalharem
nos objetivos que você colocasse diante de Deus. É uma
pena que nem sempre você fez uso desta benção e desta
promessa. Você teve uma década praticamente perdida,
por ter se afastado de Deus, mas Deus nunca se afastou
de você, há coisas que não podemos contar aqui, mas
[ 170 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Deus esteve com você nos piores momentos. Os seus
pedidos de oração estão continuamente diante de Deus,
trabalhe em oração, porque as orações movem a mão de
Deus, e põe todo o exército do céu em atividade. Em seu
computador e no sítio você tem plaquetas com nomes de
pessoas, problemas, pecados, virtudes, e o nome das
nações. Está é sua principal missão no mundo,
INTERCESSÃO. O resto, deixa por nossa conta, eu e os
demais anjos aguardamos suas orações a Deus, e o Pai
nos dará o sinal e a permissão para agir.
11 - O ANJO IRÁ ADIANTE DE VÓS
Seria necessário milhares de páginas para contar
todas as histórias que você viveu e que você não sabe.
São livramentos de morte incontáveis; Morte por doença,
por assassinato, por acidente. Ataques do mundo
microscópico e do mundo espiritual. Você chegou aos
seus 46 anos porque “um anjo foi adiante de vós.” Os
mistérios da vida somente serão revelados após a morte.
[ 171 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
III – TEOLOGIA SOBRE OS ANIMAIS
“Quero ser um pessoa tão boa quanto meu
cachorro pensa que sou”
“Quando todos virarem as costas para você,
sempre haverá um cão disposto a abraça-lo.”
“Muitos anjos não estão nos céus, mas na
Terra, na forma de cães.”
“Algumas lições profundas de caráter não dá
para aprender com os homens, mas somente com os
animais de estimação.”
“Deus escolheu as coisas vis (cães), para
confundir as que se consideram importantes
(homens).”
“Tolo é o homem que pensa ser melhor do que
um cão.”
“Falo para Deus que quero ser fiel a Ele, como
a Doutora era fiel a mim.”
Esta terceira parte do livro é uma meditação que
eu, Valdemir, faço com respeito a teologia sobre os
[ 172 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
animais. Comentarei algumas passagens bíblicas que
mostram a relação dos animais com Deus, com os anjos e
com os homens.
1 - PRESERVANDO AS ESPÉCIES
"A tua justiça é como as grandes
montanhas; os teus juízos são um grande
abismo. Javé, tu conservas os homens e os
animais." (Salmos 36 : 6)
Os juízos de Deus são um grande abismo, porque
a inteligência humana não é capaz de entender os
mistérios de Deus, o abismo é intransponível. Mas neste
planeta, Deus tem especialmente conservado os homens
e os animais, a despeito que muitas espécies foram
extintas, por razões que desconhecemos, apenas
elaboramos teorias.
Os animais, englobando várias espécies de médio
e grande porte, estão no planeta Terra, muito próximos
aos humanos em estágio e escala de vida. O universo é
composto de várias formas e tipos de vida, muitas vidas
que sequer podem ser classificadas na ciência tradicional.
Uma célula é um ser vivo, mas dependente de um
organismo na qual está ajustado. A teoria Gaia defende a
possibilidade que o planeta Terra é um ser vivo, e neste
campo de possibilidades, outros astros também são seres
vivos, inclusive as estrelas e as galáxias. O que não
podemos provar, ou negar, apenas podemos conjecturar.
[ 173 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Mas percebemos que os animais estão em um nível
elevado na escala de vida do planeta. Eles foram às
últimas criaturas de Deus, antes do ápice da criação, o
homem: “25 E fez Deus as feras da terra conforme a sua
espécie, e o gado conforme a sua espécie, e todo o réptil
da terra conforme a sua espécie; e viu Deus que era bom.
26 E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem,
conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes
do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e
sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move
sobre a terra.” (Gênesis 1.25-26)
Todo ser humano que tem Deus em sua vida,
sente uma necessidade de impedir a extinção dos
animais. Portanto, toda associação e entidade que luta
pela preservação da vida selvagem, ou que combate os
maus tratos de animais, são inspirados pela força divina.
[ 174 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
2 - FIM DO HOMEM COMO O DOS ANIMAIS
"Todavia o homem que está em honra não
permanece; antes é como os animais, que
perecem." (Salmos 49: 12)
Por mais que o homem adquira honra e glória
nesta vida, seu fim é igual ao fim dos animais. Morrem.
Podendo sendo ser constatado pela parada respiratória e
cardíaca. Acredito na teologia tradicional cristã que os
homens têm o fôlego divino que é o espírito, e sobrevivem
após a morte. Os animais não têm este grau de
existência. Alguns grupos cristãos como as Testemunhas
de Jeová e Adventistas acreditam que tanto animais como
homens ao morrerem deixam de existir, mas que os
homens ressuscitarão, e os animais não. Os hindus
acreditam que tanto os homens como os animais têm
espíritos e que ambos sobrevivem após a morte. E mais
ainda, os hindus acreditam que alguns animais são
deuses, exacerbando no politeísmo.
3 - OS ANIMAIS FALAM COM DEUS
"O que dá aos animais o seu sustento, e aos filhos dos
corvos, quando clamam." (Salmos 147 : 9)
Deus tem apreço e cuidado para com os animais.
O texto bíblico acima fala que os filhos dos corvos
clamam a Deus, e que o Senhor responde suas petições.
Ora, se o corvo é mal visto, como animal agorento, e
símbolo de espírito imundo, e mesmo assim eles clama a
[ 175 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Deus e Deus os sustentam, o que dizer dos gatos,
ovelhas, cavalos, bois e cães?
4 - OS JUSTOS TRATAM SEUS ANIMAIS
"O justo tem consideração pela vida dos
seus animais, mas as afeições dos ímpios
são cruéis." (Provérbios 12: 10)
Quem é justo cuida dos seus animais, dando
vacina, alimentação na hora certa, abrigo contra a chuva
e frio. Quem considera a vida dos seus animais, considera
o próprio Deus. Pessoas que caçam por esporte, ou
maltratam seus animais de estimação são ímpios cruéis.
Se a Bíblia faz contínua associação de espiritualidade e
virtude com o zelo pelos animais, é porque os animais são
especiais para Deus. Até o mais insignificante dos insetos
tem um propósito na criação.
5 - VIDA HUMANA É SEMELHANTE A ANIMAL
"Disse eu no meu coração, quanto a
condição dos filhos dos homens, que Deus
os provaria, para que assim pudessem ver
que são em si mesmos como os animais."
(Eclesiastes 3 : 18)
Os animais nascem, crescem, procuram
satisfazer suas necessidades básicas como
acasalamento, alimentação, descanso e até brincam e se
divertem.
[ 176 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
"Porque o que sucede aos filhos dos
homens, isso mesmo também sucede aos
animais, e lhes sucede a mesma coisa;
como morre um, assim morre o outro; e
todos têm o mesmo fôlego, e a vantagem
dos homens sobre os animais não é
nenhuma, porque todos são vaidade."
(Eclesiastes 3: 19)
O livro de Eclesiastes fala do plano material. O
sábio mostra que aquelas pessoas que pensam que a
vida não tem um propósito após a morte vivem como os
animais. O autor bíblico diz que os homens e os animais
têm a mesma alma ou fôlego. A vida do homem e do
animal é semelhante na mesma vaidade, isto é, nascem,
crescem, se reproduzem, envelhecem e depois, ambos
morrem. É irreversível este destino de ambos. Do ponto
de vista científico, animais e homens são entes vivas com
ciclo de vida idêntico.
6 - O IMPROVÁVEL DESTINO DOS ANIMAIS
"Quem sabe que o fôlego do homem vai
para cima, e que o fôlego dos animais vai
para baixo da terra?" (Eclesiastes 3: 21)
Supõe-se que o autor esteja fazendo uma ironia,
ou mesmo criando uma dúvida. Será mesmo que o
destino eterno do homem é melhor do que o destino
eterno dos animais? Será que alguns homens
simplesmente deixarão de existir? Será que alguns
[ 177 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
animais “vão para cima”? O que significa “Vai para cima”
e “vai para baixo da terra”? Ir par cima, quase todos os
intérpretes entendem que significa ir para o céu, ir para
Deus. Enquanto ir para baixo da terra pode significar
deixar de existir, ou ir para o inferno. Animal ir para o
inferno não se cogita em nenhum seguimento de
interpretação teológica. Não acho que haja nas Escrituras
base para falar que os animais tenham um espírito que
ressuscitarão. Mas admito a hipótese que alguns animais
que foram especiais para algumas pessoas possam voltar
a vida para viverem ao lado das pessoas que tiveram
afinidade, voltar a vida não é ressurreição eterna, porque
ressurreição é a volta do espírito ao mesmo corpo. Se os
animais não têm espírito, não há o que se falar sobre
ressurreição, mas em reconstrução do corpo e da anima
ou vida. Isso é só uma teoria, não precisam chamar o
Santo Ofício da Inquisição para convencer-me do
contrário e nem precisam queimar-me na fogueira como
herege. Não há o que se falar sobre a glória da criação na
Terra ser outra senão o homem. Mas isso não exclui que
Deus agracie alguns animais trazendo-os a vida na glória
eterna. Não damos valor aos animais por nos achar a
única estrela do planeta. Mas Deus tem planos com os
animais. Lembremos da jumenta que carregou Jesus na
entrada triunfal de Jerusalém, e os animais que Noé
salvou no dilúvio. A ciência que estuda as células-troncos
revela que se Deus armazenou uma célula-tronco de
certos animais, ele pode trazer a vida aquele animal. A
[ 178 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
clonagem produzida em laboratórios é um exemplo que
Deus pode trazer a vida animais especiais, pois se o
homem com seus limites têm inventado coisas
consideradas impossíveis e improváveis, por que limitar
Deus? Teólogo interpreta a vontade divina, mas não pode
limitar seu poder e dizer o que Deus pode e não pode
fazer.
7 - ANIMAIS ADORAM A DEUS
"Os animais do campo me honrarão, os
chacais, e os avestruzes; porque porei
águas no deserto, e rios no ermo, para dar
de beber ao meu povo, ao meu eleito."
(Isaías 43: 20)
Deus fala que os animais tem a capacidade de
agradecer a Deus, quando o Senhor prepara provisões
para eles e para o povo de Israel. Os animais conseguem
de alguma forma contato com Deus, exercendo algumas
expressões que são traduzidas como honra a Deus. No
enganamos quando achamos que os animais não
expressam adoração a Deus. O fato deles não irem a um
culto religioso não quer dizer que não adorem a Deus. Os
animais adoram a Deus individualmente e até em grupo,
muitas vezes em atividades corriqueiras da sua espécie.
Como os pássaros que cantam alegremente logo cedo de
manhã. Os sons das baleias nos mares, o mugido do
gado, o cacarejar das galinhas, o baile dos cardumes de
peixes, a coreografia das aves voando no céu. Será que
[ 179 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
somos capazes de entender os mistérios da vida
plenamente?
8 - OS ANIMAIS CONFIAM EM DEUS
"Vós, todos os animais do campo, todos os
animais dos bosques, vinde comer." (Isaías
56: 9)
O profeta Isaias falando dos castigos que a nação
de Israel enfrentará em sua história, fala de forma
figurada que as nações da terra são como animais que
irão comer a nação de Israel. Mas deixando o sentido
profético do texto, analisemos o sentido literal. Deus
realmente cuida dos animais como cuida dos homens. Os
humanos parecem que têm ciúmes do amor de Deus para
com as demais criaturas da Terra. Mas assim como as
pessoas desesperadas oram pedindo socorro, e Deus
[ 180 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
vem com a providência, da mesma forma os animais
esperam na providência divina, e digo mais, os animais
não insurgem contra Deus, não demonstram rebelião e
nem blasfemam de Deus quando estão em aflições. Jesus
mesmo recomendou os homens a imitarem a
“espiritualidade” dos animais e confiarem na providência
divina como as aves confiam: "Olhai para as aves do céu,
que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em
celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes
vós muito mais valor do que elas?" (Mateus 6: 26)
9 - ANIMAIS, UM DOS ORGULHOS DE DEUS
"Eu fiz a terra, o homem, e os animais que
estão sobre a face da terra, com o meu
grande poder, e com o meu braço
estendido, e a dou a quem é reto aos meus
olhos." (Jeremias 27: 5)
Deus sente orgulho em três coisas: O planeta
terra, o ser humano e os animais. Não é o foco deste livro
falar da grandiosidade do planeta Terra, seus climas, sua
posição no sistema solar, a composição da sua
atmosfera, a sua temperatura, os seus oceanos, sua
gravidade, seus continentes, seus ciclos de chuvas e de
transformação dos gases, seus minerais, realmente o
planeta Terra é algo fantástico. Em seguida temos o ser
humano, criatura capaz de modificar a terra,
transformando-a e se adaptando para viver em toda a sua
crosta. O homem navega nos mares, voa na sua
[ 181 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
atmosfera, habita nas áreas mais geladas, até os desertos
escaldantes. O homem é o transformador, manipulando
as substancias do planeta para propiciar conforto para si.
Os animais orgulham a Deus, porque eles obedecem ao
esquema traçado por Deus. Os animais cumprem
resignados suas missões, geração após geração. Cada
ave, segundo sua espécie constrói seus ninhos conforme
o projeto pré-estabelecido por Deus e incutido no DNA
dos animais. Todos os animais seguem o projeto de
Deus, contentes com suas designações. A minhoca faz a
areação da terra, em seu minúsculo e importante trabalho
e cada espécie cumpre o papel dado por Deus.
10 - AS CRIATURAS DA TERRA TEM INTELIGÊNCIA
13 E ouvi toda a criatura que está no céu, e
na terra, e debaixo da terra, e que está no
[ 182 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
mar, e a todas as coisas que neles há, dizer:
Ao que está assentado sobre o trono, e ao
Cordeiro, sejam dadas ações de graças, e
honra, e glória, e poder para todo o sempre.
(Apocalipse 5.13)
Enquanto a civilização humana entra em colapso
moral no final dos tempos, João viu algo extraordinário,
durante seu estado de êxtase espiritual. João viu de
alguma forma, todas as criaturas do planeta glorificando a
Deus e ao Cordeiro. Alguma forma de entendimento os
animais e as plantas possuem que as capacitam em
glorificar a Deus. O texto do Apocalipse não fala somente
dos animais, mas de toda criatura. Não se refere às
pessoas humanas, mas de criaturas que vivem nos
diversos habitats que não comportam os homens, como
as criaturas que vivem “debaixo da terra” (vermes e
minhocas), os que vivem no céu (uma referência as aves),
os que vivem no mar (os seres aquáticos e peixes).
11 – OS QUATRO ANIMAIS DO CÉU
E os quatro animais diziam: Amém. E os
vinte e quatro anciãos prostraram-se, e
adoraram ao que vive para todo o sempre.
(Apocalipse 5.14)
Estes quatro animais são uma incógnita no céu.
Eles se assemelham aos serafins de Isaias capítulo seis,
e aos querubins de Ezequiel capítulo um e dez. As
descrições do Apocalipse não coadunam com as de
[ 183 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Isaias e Ezequiel, não ficando claro se estes seres são
querubins, ou serafins, ou as três descrições se referem
aos mesmos seres. O interessante é que eles são
chamados de ANIMAIS ou como está no grego: ZOOS.
Só ressalto que estes seres têm aparência de homem,
boi, águia e leão. Não quero dizer que estes animais do
Apocalipse sejam animais da nossa fauna terrestre e que
conseguiram evoluir e se tornarem seres angelicais. Mas
também não podemos dizer com certeza quem são e o
que são estes seres estranhos com seis asas e com olhos
por todo lado.
12 - SALVAÇÃO DOS ANIMAIS
No livro de Gênesis capítulo seis a oito vemos a
descrição do dilúvio bíblico, na qual Noé durante dezenas
de anos ficou construindo uma embarcação gigante que
flutuasse e salvasse as espécies de animais da terra,
durante o cataclismo global que ocorreria nos seus dias.
Vemos a preocupação de Deus em salvar a vida dos
animais. Por que a arca não foi construída para salvar o
máximo de humanos, mas, os animais, conforme Gênesis
6.19: “E de tudo o que vive, de toda a carne, dois de cada
espécie, farás entrar na arca, para os conservar vivos
contigo; macho e fêmea serão.” Aliás, o planeta sofreu um
cataclismo global por causa da corrupção e violência
humana. Deus ama os animais, e Ele parece querer
conservar os animais, perpetuando-os na eternidade.
Com o fim do mundo antediluviano, Deus conservou os
[ 184 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
animais na arca, transferindo-os para o novo mundo, pós-
dilúvio. Quando a nossa civilização for destruída no final
do milênio, quando a Terra será desmanchada em fogo,
conforme II Pedro 3.6-7: “Pelas quais coisas pereceu o
mundo de então, coberto com as águas do dilúvio, 7 Mas
os céus e a terra que agora existem pela mesma palavra
se reservam como tesouro, e se guardam para o fogo, até
o dia do juízo, e da perdição dos homens ímpios.” Os
animais serão conservados e viverão no novo mundo. Os
animais existirão para sempre, mesmo aqueles que
consideramos repugnantes. Na eternidade as lesmas não
mudaram seus aspectos, o que vai mudar é a cabeça dos
salvos que sentirão prazer em brincar com lesmas,
cobras, sapos e etc.
13 - OS ANIMAIS NO NOVO MUNDO
6 E morará o lobo com o cordeiro, e o leopardo com o
cabrito se deitará, e o bezerro, e o filho de leão e o animal cevado
andarão juntos, e um menino pequeno os guiará. 7 A vaca e a ursa
pastarão juntas, seus filhos se deitarão juntos, e o leão comerá palha
como o boi. 8 E brincará a criança de peito sobre a toca da áspide, e
a desmamada colocará a sua mão na cova do basilisco. 9 Não se
fará mal nem dano algum em todo o meu santo monte, porque a terra
se encherá do conhecimento do SENHOR, como as águas cobrem o
mar. (Isaías 11.6-8)
Após o Juízo Final, haverá a restauração de todas
as coisas: "O qual convém que o céu contenha até aos
tempos da restauração de tudo, dos quais Deus falou
pela boca de todos os seus santos profetas, desde o
[ 185 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
princípio." (Atos 3: 21). Neste novo mundo haverá
humanos no estado de perfeição que viverão para
sempre, e junto com os humanos, haverá um ecossistema
harmonioso em que homens e animais viverão em paz.
Assim, há uma certa promessa dos animais participarem
da restauração de tudo. Não vejo problema teológico na
possibilidade de animais que muito fizeram de bem para
os homens, sejam RESTAURADOS A VIDA (não
ressuscitados, que é o retorno do espírito ao corpo).
Quantos cavalos e jumentos trabalharam para os homens
carregando suas mercadorias durante toda sua vida.
Quantos cães e gatos viveram fazendo companhia para
os humanos, dando ternura e carinho aos humanos. O
que pode impedir Deus de trazer estes animais a serem
restaurados e viverem no paraíso? Não estou afirmando
nada, estou supondo que é uma possibilidade que não
ofende os princípios divinos. Não acho que todos os
animais retornarão a vida, mas, aqueles que foram
especiais e trouxeram alegria, apoio, conforto aos homens
poderão ser restaurados e muitos deles possam voltar a
conviver com os seus amigos humanos.
Mais do que nunca vivemos em um tempo na qual
as pessoas encontram mais amizade e carinho com os
seus amigos bichos do que com os seus pares da mesma
espécie. No íntimo, muitas pessoas que tiveram uma
relação de amor e comunhão com algum animal,
desejariam ardentemente que este seu amigo animal
[ 186 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
pudesse desfrutar da glória do mundo vindouro. Todos os
humanos desejam continuar sua relação de amizade com
seus animais para todo sempre. Se Deus quer a felicidade
eterna dos seus servos, custaria para Deus dar-lhe como
presente seus animais de estimação? Restaurar a vida
destes animais é demasiado difícil para Deus? Qual lei
universal Deus estaria violando?
14 - O CÉU É UM CURRAL
E deu à luz a seu filho primogênito, e
envolveu-o em panos, e deitou-o numa
manjedoura, porque não havia lugar para
eles na estalagem. (Lucas 2.7)
A prepotência humana, as suas vaidades, e suas
fanfarronices, fazem os teólogos pensarem que o céu é
um lugar muito limpo, higiênico e que os animais não
estão no nível civilizatório para viver ao lado de Deus.
Muitos pensam: “Os animais não têm educação, fedem,
se deitam no chão, sem nenhuma noção de higiene,
fazem suas necessidades fisiológicas em qualquer lugar,
como podem estas criaturas inferiores estarem diante de
Deus? Eles fazem suas necessidades fisiológicas em
qualquer lugar??? Deus não pensa como os homens;
repito: “Deus não pensa como os homens...”
Deus não tem problema algum em conviver com
os animais que soltam pelos, que defecam em qualquer
lugar, Deus tem problemas de conviver com quem peca e
[ 187 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
faz o mal. Quando o Filho de Deus veio ao mundo, Ele
poderia nascer na maternidade mais sofisticada do
mundo, recebido por obstetras, enfermeiras e tendo todo
o aparato tecnológico do mundo moderno para recebe-lo
com honras de realeza, poderia nascer no lugar mais
limpo do mundo. Mas Deus é irônico, debochado com as
vaidades e etiquetas sociais, e para mostrar que ele está
mais próximo dos animais do que dos homens e suas
“normas de etiquetas”, Jesus nasceu em um curral.
Propositalmente Deus manipulou os eventos para que o
Filho de Deus nascesse em um ambiente puro,
obviamente que não era em meio aos homens, mas, dos
bichos. A tradição católica de presépios mostra Jesus
sendo reverenciado por animais por ocasião do seu
nascimento e não por nobres e autoridades civis da nossa
civilização. Nos eventos marcantes da vida de Jesus
havia bichos. No nascimento na manjedoura, no batismo
quando o Espírito Santo desceu na forma de uma pomba,
na entrada triunfal montado no jumentinho, e após a
ressurreição comendo um peixe.
15 - JESUS E SEU ANIMAL
“Dizendo: Ide à aldeia que está defronte, e
aí, ao entrar, achareis preso um jumentinho
em que nenhum homem ainda montou;
soltai-o e trazei-o.” (Lucas 19.30)
A entrada triunfal de Jesus em Jerusalém foi
registrada por todos os quatro biógrafos da vida de Jesus:
[ 188 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Mateus, Marcos, Lucas e João. O evento foi de real
importância que todos os quatro biógrafos descreveram a
entrada em Jerusalém. Jesus meticulosamente preparou
sua entrada triunfal, e Ele não entrou nos braços do povo,
mas no lombo de um jumento. Jesus ainda queria um
jumento especial, um que ainda não teria sido montado
por ninguém. Era um animal para cumprir uma missão
especial. Um animal sem a mácula de ter sido montado
por outra pessoa. Deus é irônico, Ele não é exibido, e por
isso escolheu um jumento. Poderia ter escolhido um
grande cavalo branco, mas mostrou seu caráter humilde
ao marcar a história montado em um animal tão humilde.
Rudyard Kipling escreveu um poema no qual afirma que
se pudesse dar a Jesus um único presente, dar-lhe-ia um
cão.
16 – A GRAÇA ALCANÇA HOMENS E ANIMAIS
“Lembrou-se Deus (aqui o termo indica o
interesse de Deus e Sua graça em favor de alguém) de
Noé e de todos os animais selváticos e de todos os
animais domésticos que com ele estavam na arca…”
Gênesis 8:1. Ao orientar Noé a sair da arca, além de
abençoar a raça humana o Senhor abençoou também os
animais (Gênesis 8:15-17).
17 – A LEI DE DEUS PROTEGE OS ANIMAIS
No Antigo Testamento, na Aliança Mosaica, Deus
decretou vários artigos da Lei visando salvaguardar os
[ 189 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
direitos dos animais. Até a guarda de um dia santo, tinha
entre os motivos divinos, o repouso dos animais de carga.
Na Lei de Moisés, Deus até tolerava que o homem fosse
inimigo de outro, mas esta inimizade não poderia ser
estendida para desejar o mal dos animais do seu inimigo:
“Se encontrares desgarrado o boi
do teu inimigo ou o seu jumento, lho
conduzirás. Se vires prostrado debaixo da
sua cerca o jumento daquele que te
aborrece, não o abandonarás, mas ajudá-lo-
ás a erguê-lo” Êxodo 23:4 e 5.
“Seis anos semearás a tua terra e
recolherás os seus frutos; porém, no sétimo
ano, a deixarás descansar e não a
cultivarás, para que os pobres do teu povo
achem o que comer, e do sobejo comam os
animais do campo…” Êxodo 23:11.
“Seis dias farás a tua obra, mas,
ao sétimo dia, descansarás; para que
descanse o teu boi e o teu jumento…”
Êxodo 23:12. Mesmo os animais devem ter
o direito ao repouso sabático! (Conferir
Êxodo 20:8-11).
“Quando nascer o boi, ou cordeiro,
ou cabra, sete dias estará com a mãe; do
oitavo dia em diante, será aceito por
oferta…” Levítico 22:27.
[ 190 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Aqui vemos que um animal
recém nascido não era aceito como
oferta. Deus queria que ele ficasse
com a mãe. Ver também Êxodo
22:30.
“Se de caminho encontrares algum
ninho de ave, nalguma árvore ou no chão,
com passarinhos, ou ovos, e a mãe sobre
os passarinhos ou sobre os ovos, não
tomarás a mãe com os filhotes…”
Deuteronômio 22:6
Conferir também o verso 7, que mostra a
preocupação de Deus com a preservação das espécies.
O texto acima fala do defeso, período de procriação dos
animais é sagrado, eles não poderiam ser incomodados
pela presença humana, nem capturados. Muitas leis
ambientais são inspiradas por Deus que zela pelas
demais espécies do planeta.
“Não atarás a boca ao boi quando debulha”
Deuteronômio 25:4.
Deus não queria que o boi fosse maltratado. Ao
debulhar espigas na frente dele, com certeza iria salivar
de tanta vontade de comer.
“Os leõezinhos rugem pela presa e buscam
de Deus o sustento” Salmo 104:21.
[ 191 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
O instinto carnívoro é cruel, fruto da desordem
cósmica após o pecado. Mas Deus também ama os
carnívoros, e enquanto este estado de coisas
permanecer, Deus providencia comida para os mesmos.
18 - DEUS EVITA A DESTRUIÇÃO DOS ANIMAIS
“Tornou o Senhor: tens compaixão da planta
que te não custou trabalho, a qual não
fizeste crescer, que numa noite nasceu e
numa noite pereceu; e não hei de eu ter
compaixão da grande cidade de Nínive, em
que há mais de cento e vinte mil pessoas,
que não sabem discernir entre a mão direita
e a mão esquerda, e também muitos
animais?” Jonas 4:10 e 11.
No texto acima Deus argumenta com Jonas as
razões porque ele investiu na chamada do povo de Nínive
ao arrependimento. Segundo o próprio Deus, ele teve
compaixão das pessoas e dos animais. “Uma vez alguém
indagou a Elizabeth Marshall Thomas se haveria cães no
céu. Ela respondeu afirmando que obviamente o céu teria
cachorros, de outra forma não seria céu (DONIGER,
2007). Da mesma forma, o veterinário americano Robert
T. Sharp escreveu, em 2005, um livro fazendo justamente
essa pergunta: haverá cães no céu? Na universidade
americana Seattle Pacific University, Kathleen Braden,
uma professora de geografia, ensinou um curso
denominado “Haverá cães no céu?”, no qual ela explora
as relações entre o homem e os animais, incluindo o
[ 192 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
estudo de tratados teológicos sobre a natureza dos
animais, o relacionamento dos seres humanos com o
sofrimento animal e os aspectos psicológicos de nosso
relacionamento com nossos animais de estimação. Se
isso lhe soa estranho, talvez seja nossa sisudez que nos
impeça de apreciar a possibilidade de seres humanos e
animais conviverem pacificamente em um ambiente
celestial. De acordo com Bill Hall (1990), as pessoas
raciocinam que, se houver cães no céu, também haverá
ali gatos, camundongos e outros animais de estimação
que poderão ser inconvenientes à fruição de gozo eterno.
Talvez imaginem que será uma tentação dietética
contemplar uma ave ou peixe, no céu, sem poder apreciá-
los de uma forma mais epicurista do que o ambiente
celestial permitirá.
Não me sinto embaraçado ao me referir ao
cachorro da família de forma afetuosa. Bainton (1957)
comenta que Lutero, em várias passagens de sua obra
Conversa à mesa (ou Colloquia mensalia, em latim),
menciona seu cachorro Toelpel, ao qual ele parece ter
estimado muito. Percebe-se pela fala de Lutero que ele
esperava que os cães fossem para o céu. Ele chega
mesmo a dizer que, no céu, os cães teriam pele de ouro e
pêlo de prata. Além disso, ele os apresenta como
modelos para a fidelidade e concentração cristãs: “Ah, se
eu pudesse orar com a devoção com a qual meu cachorro
observa um pedaço de carne” (Conversa à mesa, n. 274).
[ 193 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Além disso, a ressurreição dos animais é uma doutrina
solidamente estabelecida entre os mórmons. Segundo o
autor mórmon Bruce R. McConkie (1962, p. 573-578),
“nada é mais absolutamente universal do que a
ressurreição; todo ser vivo há de participar dela: ‘como
todos morreram em Adão, assim em Cristo todos serão
vivificados’ (1 Co 15:22.)””. (2)
19 - DEUS NÃO ESQUECE OS ANIMAIS
“Não se vendem cinco pardais por dois
asses? Entretanto, nenhum deles está em
esquecimento diante de Deus” Lucas 12:6.
Leandro Quadros diz o seguinte sobre a
POSSIBILIDADE dos animais domésticos serem
presenteado por Deus aos seus donos na restauração:
“No mundo restaurado teremos muitas surpresas; por que
nos admirarmos de que o Senhor possa querer alegrar
Seus filhos com os animais domésticos que tanto lhes
fizeram bem? Gosto muito de ver a Deus como um pai
que se alegra em dar ao seu filho um presente que ele
menos espera. Confie no amor de Deus e descanse em
Suas promessas. O que Ele fez na cruz do calvário (João
3:16; Romanos 5:6-8) é suficiente para nos provar que o
Seu amor por todas as Suas criaturas é infinito.”(1)
20 - DEUS AMA TODOS OS BICHOS
[ 194 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
“Observai os corvos, os quais não
semeiam, nem ceifam, não têm
despensa nem celeiros; todavia,
Deus os sustenta…” Lucas 12:24.
Quando você tem repugnância por algum animal,
isso é resultado da decadência da sua natureza, você
caiu do estado da perfeição. Quando você sente repulsa
por barata, rato, lagartixa, sapo e outros, na verdade é
uma distorção da sua visão e da sua natureza. A
repugnância esta na sua janela, e não no animal. Todo
animal é criado por Deus, e mesmo quando ele parece
repulsivo, na verdade é sua natureza que é repulsiva.
Eventualmente eu pego em sapos e procuro quebrar a
inimizade da minha natureza doentia em rejeição a
criação. Procuro sentir a temperatura gelada da pele do
sapo, a maciez do seu corpo, como obra divina. Procuro
enxergar a beleza do sapo, que o pecado da minha
natureza insiste em dizer que é repugnante. O texto acima
mostra Deus amando e cuidando dos corvos, animais
satanizados na mitologia por serem símbolos de mau
agouro, além dos seus hábitos necrófagos. Estes dias
glorifiquei a Deus ao assistir um espetáculo lindo,
centenas de urubu pousando em um grupo de imensas
árvores no anoitecer, era o dormitório de um bando de
urubu. A velocidade com que chegavam no “aeroporto” e
como pousavam graciosamente, me levaram ao êxtase. O
animal nojento esta na sua natureza. O urubu é lindo...
[ 195 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
21 – A VINGANÇA DIVINA PELOS ANIMAIS
“na verdade, as nações se enfureceram;
chegou, porém, a tua ira, e o tempo
determinado para serem julgados os mortos,
para se dar o galardão aos teus servos, os
profetas, aos santos e aos que temem o teu
nome, assim aos pequenos como aos
grandes, e para destruíres os que destroem
a terra” Apocalipse 11:18.
Tem horas que fico desesperado e aflito vendo
tantas injustiças no mundo, mas consolo-me ao saber que
a paciência de Deus tem um propósito. A vida é um teste
que ninguém poderá fraudar. Os que amam a natureza
serão recompensados, os que contribuem para destruir a
Terra, com sua fauna e flora serão julgados por Deus. A
justiça que não for consumada nesta vida, será executada
depois da morte. Se não houver julgamento dos mortos,
não precisamos ter ética, nem moral, não havendo vida
após a morte, podemos destruir tudo e a todos
procurando somente o nosso prazer, sem dó e piedade
nem dos homens e nem do planeta Terra. Mas se a Bíblia
estiver certa, os inescrupulosos vão se dar mal, muito
mal. O Apocalipse fala do tempo de destruir os que
contribuíram para destruir a Terra.
22 - OS CÃES COMEM NO BANQUETE DO SENHOR
27 E ela disse: Sim, SENHOR, mas
também os cachorrinhos comem das
[ 196 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
migalhas que caem da mesa dos seus
senhores. 28 Então respondeu Jesus, e
disse-lhe: Ó mulher, grande é a tua fé! Seja
isso feito para contigo como tu desejas. E
desde aquela hora a sua filha ficou sã.
(Mateus 15.27-28)
É possível perceber inúmeras ocasiões em que
Mateus apresenta os gentios com um olhar favorável: 8:5-
13; 21:17-24; 27:54; etc. Para Smillie (2002, p. 74-96),
Jesus aceita e adapta os estereótipos judaicos
convencionais em relação aos pagãos como a
quintessência da injustiça discursiva, procurando
generalizar a fim de criar um contraste em relação ao qual
Ele possa criar um novo comportamento ou atitude. Por
essa razão, não me parece coerente supor que a
referência de Jesus aos cães, na perícope da mulher
cananéia (Mt 15:22-28), tenha como intenção outra coisa
que não generalizar para contrastar e levar a uma
mudança de atitude. Os leitores de Mateus, observando o
relato através da máscara exclusivista do Judaísmo,
devem perceber pela resposta da mulher e pela
concessão de Jesus a sua súplica que necessitam adotar
uma nova atitude em relação aos samaritanos e aos
gentios em geral: uma atitude de tolerância. A mulher
toma, sem pudores, o termo deliberadamente pejorativo
de Jesus e o aplica a si mesma, ao dizer: “mas mesmo os
cães”. Isso lhe ganha a bênção e, mais do que isso, um
[ 197 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
dos mais comoventes elogios feitos por Jesus nos
evangelhos.
Fica claro, portanto, que, apesar de pejorativo, o
uso do termo “cães” por Jesus em Mateus tem como
objetivo provocar uma mudança de atitude em relação a
uma classe discriminada. A situação criada por Jesus é o
equivalente prático de sua declaração “ouviste o que foi
dito… eu, porém vos digo”, usada por Ele com a mesma
finalidade de transformar a compreensão de seus
ouvintes em relação a conceitos que deveriam ser
suplantados pelo amor cristão. Entretanto, o interesse
principal deste texto não é estabelecer todo o contexto em
que a palavra “cães” se emprega em Mateus, mas
simplesmente assinalar que os escritores
neotestamentários estavam familiarizados com seu uso
metafórico. Ou seja, em Mateus a palavra “cães” não se
refere ao animal, mas aos gentios. Por outro lado, não
podemos dizer que a ocorrência da palavra em
Apocalipse tenha o mesmo referencial uma vez que
percebemos que, em Mateus, a palavra foi enobrecida por
Jesus. Depois do encontro da mulher cananéia com
Jesus, os “cães” (= gentios) não são mais excluídos do
banquete, mas passam a ter direito às migalhas. (3)
IV – OS CÃES DE LÁZARO
19 Ora, havia um homem rico, e vestia-se
de púrpura e de linho finíssimo, e vivia todos
os dias regalada e esplendidamente.20
[ 198 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Havia também um certo mendigo, chamado
Lázaro, que jazia cheio de chagas à porta
daquele; 21 E desejava alimentar-se com
as migalhas que caíam da mesa do rico; e
os próprios cães vinham lamber-lhe as
chagas. 22 E aconteceu que o mendigo
morreu, e foi levado pelos anjos para o seio
de Abraão; e morreu também o rico, e foi
sepultado. (Lucas 16.19-22)
Este capítulo eu dedico a todos os cães que em
todos os tempos e em todos os lugares do mundo, estão
trabalhando ao lado dos humanos, foram centenas de
milhões de cães que foram agentes divinos, anjos que
confortam, consolam, protegem e dão carinho e amor aos
humanos. Muitos cães são acompanhados por anjos, que
por sua vez acompanham humanos por certo tempo.
Crianças, velhos, doentes e mendigos desamparados são
[ 199 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
pessoas sensíveis e debilitadas, e muitos cães se
aproximam destas pessoas para ajuda-las. Por designo
divino os cães entram na história de pessoas em todo o
mundo. Você já teve o seu anjo-canino?
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
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O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Cão acompanhou seu dono, morador de rua, até dentro do hospital.
[ 202 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Dono de cão é abordado pela Polícia junto com outros
homens, os policiais mandaram eles se deitarem no chão para serem
revistados, o cão fiel, também obedeceu a ordem.
[ 203 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Os cães tem poder de alegrar os homens mais necessitados da terra.
Um cuidando do outro.
[ 204 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Sinta o amor que o cachorro recebe em retribuição pelo
amor incondicional que dá ao seu dono. Os cães são amados, porque
são os primeiros a amarem.
Uma família de humanos sem cachorro, não é completa.
[ 205 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Geralmente os relacionamentos mais perfeitos que o
homem tem são com Deus e com seus animais. Se os homens são
os reis do planeta Terra, os seus súditos mais fieis são os cães.
[ 206 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Um menino de Tennessee Oriental (EUA) com uma doença
rara e seu cão de um antigo abrigo possuem uma relação única. A
capacidade de Lucas Hembree, 4 anos, para viver a vida ao máximo
está lentamente desaparecendo. Ele sofre de síndrome de Sanfilippo,
uma doença rara que afeta seu corpo inteiro. Não há tratamento nem
cura para a doença. Os médicos acreditam que Lucas possa estar em
um estado vegetativo em cinco anos. Sua mãe Jennifer disse, “Todo
dia é um desafio diferente, todo dia é uma viagem diferente”. Os pais
de Lucas acharam que um cão de serviço seria bom para ajudar com
os desafios diários. Mas a um custo de 14.000 dólares, a idéia não só
parecia inacessível, mas também um tiro no escuro na melhor das
hipóteses, disse seu pai Chester. “Na época, os manipuladores do
cão de serviço, não acharam uma boa idéia. Ela nunca vai dar certo”,
disse ele. Eles não conheciam Juno. Ela é uma Malanois belga
resgatada de um abrigo de animais em Tennessee apenas alguns
dias antes de serem sacrificados. Os Hembrees pagaram cerca de
cem dólares para ter Juno em casa. Malanois são conhecidos por sua
capacidade de aprender os comandos rapidamente. No entanto, a
partir do momento que Juno conheceu Lucas, Chester disse que
havia algo instintivo sobre seu relacionamento. “Percebemos um dia
que Juno estava girando em círculos em torno dele e lamentando-se,
colocava o nariz em cima dele. Checamos seus níveis de oxigênio e
eles eram baixos”, disse ele. Juno é literalmente um ombro para
Lucas se apoiar, e muito mais, diz o pai. “Ela lhe deu bastante
confiança. Agora, se ele fica nervoso, ele a puxa para perto dele. Ela
fez uma diferença drástica”, disse Chester. Os Hembrees muitas
vezes usam a cor roxa como um símbolo de sua luta contra a
síndrome de Sanfilippo. Jennifer disse que é a mesma cor da coleira
que Juno estava usando na primeira vez que se encontraram. Um
menino e um cachorro juntos, ajudando um ao outro de formas que só
eles compreendem inteiramente. (4)
[ 207 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
EPÍLOGO
Eu termino este livro agradecendo a Deus pela
“Doutora”, o ser mais fantástico que conheci neste
planeta. Termino recitando o refrão da música “O
Progresso”: EU QUERIA SER CIVILIZADO COMO OS
ANIMAIS. Somente convivendo por longos anos com um
animal, ficando muito tempo sozinho com ele é que
podemos compreender o grau de civilidade. Este ser vivo
que conviveu comigo demonstrou um sentimento de amor
e amizade por mim que me fez sentir inferior e humilhado,
como indivíduo e como espécie humana. Como alguém
pode amar-me como a Doutora me amou? Como eu
poderei amar as pessoas como a “Doutora” amou-me? O
modelo de amor que a “Doutora” mostrou-me é muito
difícil de imitar. Deus tenha pena de nós, reles humanos...
A musica AZUL DA COR DO MAR, de Tim Maia,
faz-me lembrar da Doutora, gostaria para o mundo inteiro
que aprendi tanto com ela!
Ah! Se o mundo inteiro me pudesse ouvir
Tenho muito pra contar, dizer que aprendi
E na vida a gente tem que entender
Que um nasce pra sofrer enquanto o outro ri
[ 208 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Mas quem sofre sempre tem que procurar
Pelo menos vir achar razão para viver
Ver na vida algum motivo pra sonhar
Ter um sonho todo azul
Azul da cor do mar
Este livro demorei exatamente três meses para
escrevê-lo, de 22/09/2015 a 22/12/2015, poderia ter
escrito em uma semana, se não fosse a carga emocional
extremamente forte que estas fotos e lembranças
despejaram no meu coração. Tinha dias que eu
interrompia por cinco vezes em escrever o livro, porque
chorava tão intensamente que demorava horas para
desinchar os olhos. Teve vezes que passei algumas
semanas sem abrir se quer o arquivo do livro para poder
me recuperar emocionalmente. Quase todo o livro escrevi
no sítio, quando estava sozinho, porque não gosto que
me vejam chorando. Um dia muito emocionante foi
quando não aguentando mais escrever, por causa da
pressão emocional, fechei o arquivo e fui orar na sala.
Enquanto ficava orando ajoelhado, eu via o anjo Teocron
sentado atrás de mim. Ele apareceu na forma da Doutora,
mas sentava como gente e tinha uns três metros de
altura. Era exatamente a forma da Doutora, como se
colocasse ela sentado, só que em proporções gigantes.
Com já tive tantas visões na vida, já não fico espantado.
[ 209 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Mas os desgastes físico e mental que estas
manifestações espirituais provocam causam cansaço.
DESPEDIDA: Nunca esquecerei a festa e a
alegria com que você, Doutora, fazia quando nos
encontrávamos. Nunca esquecerei os dias chuvosos em
que eu trabalhava na lavoura e você, irredutível, ficava ao
meu lado. Nunca esquecerei seu olhar fixo para mim.
Nunca esquecerei seu amor por mim, tinha dias que nem
eu mesmo gostava de mim, mas você gostou de mim,
mais do eu mesmo. Criaturas como você devem ser ou ter
parte com os anjos. Eu senti mais a presença de Deus do
seu lado do perto do mais santo dos homens. A
recompensa que te darei é que te amarei eternamente, e
tentarei seduzir Deus para que te traga a vida na
eternidade, criatura tão sublime como você não deve
simplesmente virar pó e existir somente na lembrança.
Minha esperança em reencontrá-la está no arcabouço das
infinitas promessas celestiais de I Coríntios 2.9: "Mas,
como está escrito: As coisas que o olho não viu, e o
ouvido não ouviu, E não subiram ao coração do
homem, São as que Deus preparou para os que o
amam."
UMA NOVA HISTÓRIA
Dia 19 de dezembro, há três dias, antes de
escrever esta ultima página, tive outra experiência
fantástica. Eu estava levando a Leisa e a Nastacia para
[ 210 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
tomarem vacina, coloquei as duas cadelas na carroceria
da camioneta, que têm capota, mas deixei as janelas
laterais abertas para entrar ar, Leisa já viajou assim mais
de cem vezes, mas descuidei-me da “Nana” que não
sendo acostumada poderia se apoiar na janela e no
balançar da camioneta na estrada de terra, poderia cair
da carroceria. Não deu outra. Sai do sítio e segui a viajem
por 13 quilómetros até o centro de Itariri, ao chegar a
Casa de Agropecuária do Junior para vacinar as cadelas,
cadê a “Naná”? Pensei comigo: “Meu Deus, que vacilo eu
dei, agora não sei onde encontrar a Naná, ela pode ter
pulado da janela em qualquer lugar. Na cidade, ou na
longa estrada, com tantas casas a beira do caminho, ela
pode ter entrado em alguma e já era, perdi aquela que me
consolou da morte da Doutora.”
Após vacinar a Leisa, voltei lentamente pela
estrada na esperança que a Naná, ao ouvir o barulho do
motor da camioneta reconhecesse e viesse a beira da
estrada, dirigia devagar e olhava pelo retrovisor. Mas
cheguei no sítio e nada da Naná. Orei aquela noite toda e
eu pedia a Deus que colocasse um anjo para trazer Naná
de volta para mim, afinal, eu não estava pedindo ouro
nem prata, nada de luxo. Naná, não tinha se quer valor
econômico, vira-latas são doados. Mas ela já estava
comigo desde a morte da Doutora e já tem aprendido
tantas coisas, educar um cão, dá trabalho como educar
uma criança, ensinando a não deitar no sofá, a não entrar
[ 211 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
em casa, a não atacar as galinhas. Além do que, animais
são como gente, quando novinhos, são crianças,
brincalhões, divertidos, alegres... estava triste, mas senti
uma fé que iria encontra-la. No dia seguinte nada da
Naná... A primeira hora do dia, sai pelo sítio orando e
passeando entre as árvores como faço rotineiramente. Fui
trabalhar reformando as estradas internas do sítio,
calçando-as com pedras britadas. Ao meio dia retornei a
casa para almoçar e quando estava para colocar o prato,
a voz de Deus disse-me: “Vai agora até o sítio do
Simplício, a cachorrinha está dentro da casa.”
Rapidamente peguei a camioneta e segui a estrada, era
cerca de quatro quilómetros dali. Ao ver a casa, vi na
beira de um riacho cerca de 6 crianças, parei o veículo e
perguntei: “Vocês viram uma cachorrinha preta, eu a perdi
ontem, ela caiu da camioneta.” Os meninos pulando
apontaram para a casa que foi do Simplício e disseram:
“Ela esta dentro daquela casa.” Encostei o carro, e sai
para conversar, ali havia varias pessoas de uma família
de Peruíbe que estavam passando o final de semana
naquele sítio e iriam embora naquela tarde,
provavelmente alguma daquelas crianças poderia levar a
Naná e iria ser difícil encontra-la. Conversei com o
Paulino dono do sítio falando da situação, quando a
danada da Nastácia saiu da casa abanando o rabo e
pulando na minha perna...
[ 212 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
Ao contar a história para minha mãe por telefone,
ela disse: “Mas esta cachorrinha mal chegou e já esta
começando outra história...
Nem todos os anjos sabem voar... Doutora forever.
[ 213 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
REFERÊNCIAS
(1) – Disponível em:
http://novotempo.com/namiradaverdade/os-animais-irao-
para-o-ceu/ publicado em :15/07/2009, acesso em
out/2015.
(2) https://setimodia.wordpress.com/2012/02/2
0/os-caes-vao-para-o-ceu-uma-reflexao-sobre-apocalipse-
2214-15/, acesso em out/2015.
(3) https://setimodia.wordpress.com/2012/02/2
0/os-caes-vao-para-o-ceu-uma-reflexao-sobre-apocalipse-
2214-15/, acesso em out/2015.
(4) https://turismoadaptado.wordpress.com/201
2/11/01/cao-resgatado-de-abrigo-devolve-a-alegria-de-
viver-e-passear-a-crianca-com-doenca-rara/
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[ 214 ]
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http://ebooksplace.pt/ / http://busca.saraiva.com.br/
https://agbook.com.br/book/ /
http://bookmooch.com/m/
http://www.ebay.com/itm/ http:/ /
/www.adlibris.com/fi/
http://ukbooks.lt/lt/ / http://pt.slideshare.net/
https://books.google.com.br/ / https://pt.scribd.com/
http://www.abebooks.com/ www.lulu.com
http://buscapdf.com.br/ http://documents.tips/
http://www.zoom.com.br/
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[ 223 ]
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LIVRO EM FRANCÊS
LIBRO IN ITALIANO
[ 224 ]
O anjo de quatro patas, por: Escriba Valdemir
[ 225 ]

O ANJO DE QUATRO PATAS

  • 2.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir FINALIDADE DESTA OBRA Os materiais literários do autor não têm fins lucrativos, nem lhe gera quaisquer tipo de receita. Os custos do livro são unicamente para cobrir despesas com produção, transporte, impostos e revendedores. Sua satisfação consiste em contribuir para o bem da educação, uma melhor qualidade de vida para todos os homens e seres vivos, e para glorificar o único Deus Todo-Poderoso. Espero que este livro leve as pessoas a pensarem que ao abrirem a sua residência para hospedar um animal, eles podem estar hospedando um anjo que irá lhe proporcionar as mais agradáveis experiências da vida. CONTATOS: http://doutoraeteocron.blogspot.com.br/ AUTORIZAÇÃO O livro pode ser reproduzido e distribuído por quaisquer meios, usado por qualquer entidade religiosa, educacional ou cultural sem prévia autorização do autor. [ 2 ]
  • 3.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Anjo Teocron / cadela Doutora AUTOR: Um animal, um homem e um anjo se uniram para escrever uma história fantástica. Três seres de classes diferentes contam uma história simples em que o cão vira-lata ensina ao homem as virtudes espirituais, e um anjo se revela na figura de um cachorro, ajudando o homem nos momentos de perigo. O homem está no meio entre estes dois seres, sendo influenciado durante sua vida. [ 3 ]
  • 4.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Dados Internacionais da Catalogação na Publicação (CIP) [ 4 ] M543 Menezes, Valdemir, 1969, Doutora e Teocron O Anjo de quatro patas / Valdemir Mota de Menezes, Doutora e Teocron. Cubatão/SP, Amazon.com Clubedesautores.com.br, 2015 224 p. ; 21 cm ISBN-13: 978-1518677663 ISBN-10: 1518677665 1. Cinologia 2. Biografia 3. Angelologia I - Titulo CDD B869.8 CDU 929(100)
  • 5.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir SUMÁRIO Introdução I – CADELA “DOUTORA” 1 – Hospedando o anjo 2 – As lembranças de Regiane 3 – Carinho na barriga 4 – Matando codornas mordendo chinelos 5 – Envenenada 6 – As galinhas do Galera 7 – Leisa, a Galega 8 – Latidos à noite 9 – Gravidez psicológica 10 - Correndo pelas ruas de Santos 11 - Esperando a beira do caminho 12 - Sol e chuva ao lado do dono 13 – Não mexa comigo 14 – A gata Pamella [ 5 ]
  • 6.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir 15 – Soleira da casa 16 - Toby 17 – Caçada ao lagarto 18 – Minha educação 19 – Edson, morador de rua 20 - Perdida no mato, na estrada de Itariri 21 – Os patos 22 – Zenilda 23 – Ellen 24 – Esther 25 – Dona Lourdes 26 - Presa na carceragem da delegacia. 27 – Detectando cobras no mato 28 – Brincando de pega-pega 29 – Desmaio 30 - Atacada pela Pitbull Dara 31 - A profecia de Paulo [ 6 ]
  • 7.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir 32 - A doença 33 - A cirurgia 34 - Restabelecida a saúde 35 - O retorno do câncer 36 - Meu último dia 37 - A morte 38 - Sepultamento 39 - Nastácia II – TEOCRON Apresentação 1 - O grande encontro 2 - Olhos que te olham 3 - Arte de camuflagem 4 - Não percebem os anjos 5 - Anjos familiares 6 – Felicidade inexplicável 7 - Animais condutores da presença de Deus [ 7 ]
  • 8.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir 8 - Tomei um raio 9 - O endemoninhado 10 - 700 anjos 11 - O anjo irá adiante de vós III – TEOLOGIA SOBRE OS ANIMAIS 1 - Preservando as espécies 2 - Fim do homem como o dos animais 3 - Os animais falam com Deus 4 - Os justos tratam seus animais 5 - Vida humana é semelhante a animal 6 - O improvável destino dos animais 7 - Animais adoram a Deus 8 - Os animais confiam em Deus 9 - Animais, um dos orgulhos de Deus 10 - As criaturas da terra tem inteligência 11 – Os quatro animais do céu 12 - Salvação dos animais [ 8 ]
  • 9.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir 13 - Os animais no novo mundo 14 - O céu é um curral 15 - Jesus e seu animal 16 – A graça alcança homens e animais 17 – A lei de Deus protege os animais 18 - Deus evita a destruição dos animais 19 - Deus não esquece os animais 20 - Deus ama todos os bichos 21 – A vingança divina pelos animais 22 - Os cães comem no banquete do Senhor IV – OS CÃES DE LÁZARO Conclusão [ 9 ]
  • 10.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir INTRODUÇÃO Esta é a fantástica história de um anjo de quatro patas. Continuamente estamos sofrendo na Terra intervenção de criaturas espirituais, sejam benignas ou malignas. A Bíblia nos fala que devemos abrir a porta da nossa casa para recebermos os outros, pois fazendo assim, eventualmente Deus nos enviará anjos. "Não vos esqueçais da hospitalidade, porque por ela alguns, não o sabendo, hospedaram anjos." (Hebreus 13:2). Eu já tive muitos animais domésticos que ganhei ou adotei, hospedando-o em casa, assim como milhões de pessoas o fazem em volta do mundo. Até que percebi que um destes animais era extraordinariamente especial. A cadela chamada Doutora. Tive muitos gatos, a qual sempre dava nomes espalhafatosos como: Josivaldo I e Josivaldo II, uma forma debochada de tratar as realezas da Terra e satirizar suas dinastias. Cada morte de um animal deste causava dor e tristeza, como qualquer pessoa que tem sentimento sofre ao perder o seu animal de estimação. Também tive outros três gatos especiais: Getúlio Vargas, Juscelino Kubischek e Pamella Anderson. Como se vê estes nomes são de personagens famosos: Dois presidentes do Brasil e uma atriz norte-americana. Minha primeira experiência com cães foi em 2005, quando eu já tinha 36 anos. Imaginem que passei a infância e adolescência sem a alegria de ter um cãozinho! Mas quando esta cadela entrou em minha vida eu tive as mais [ 10 ]
  • 11.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir gratas experiências terrestres e descobri a fundo o sentido de muitas palavras como: Amor, gratidão, fidelidade, amizade e companheirismo. Este livro é um tributo a Deus por ter me dado na vida bichos, animais de estimação, e agora UM ANJO DE QUATRO PATAS. Esta é a história de um cão, um homem e um anjo. Talvez para você será apenas uma história fantasiosa sobre um animal de estimação, mas para mim, foi muito mais do que isto. Enquanto estou escrevendo estas palavras, o corpo sem vida do meu anjo está no carro, esperando para o sepultamento digno que farei amanhã a cem quilômetros daqui. Estou mergulhado em sentimentos como: agradecimento, gratidão, doces lembranças e nostalgia. Este livro pode ser classificado como realismo fantástico, porque parte do livro é expressão dos meus sentimentos e lembranças e parte do livro é sensorial, ao longo dos anos eu e a cadela conversávamos através do pensamento, por telepatia. As pessoas são livres para acreditarem ou não no que quiser, inclusive na história que eu vivi com a Doutora. 1 - HOSPEDANDO O ANJO As coisas maravilhosas da vida geralmente não tem valor econômico e não lhe custou um real. Ter uma mãe, uma família, poder respirar, beber um gole de água [ 11 ]
  • 12.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir quando está com sede, caminhar pela rua. Estas coisas são muito importantes, mas infelizmente só damos valor as coisas que realmente importa quando percebemos que estamos perdendo-as, ou quando elas não existem mais. Na vida é preciso ficar atento para não perdermos o bonde da felicidade, a felicidade vem de diversas formas e muitas vezes na forma de um animal de quatro patas. Em 2005 eu morava na Rua Maria Graziela, no bairro do Casqueiro em Cubatão/SP/Brasil, em minha casa vivia eu, minha esposa Zenilda, minha enteada Lívia e uma sobrinha chamada Jessica. Um dia Jessica apareceu com um cachorrinho de cor parda, uma bolinha de fofa, era de raça indefinida, que costumamos chamar de vira- lata. Ela devia ter uns dois meses de vida. Sinceramente eu não dei muita atenção. Naqueles dias eu estava vivendo uma turbulência profissional muito grande, um grande rolo estava passando por cima da minha vida. Eu era escrivão de polícia civil e uma grande confusão e briga estava havendo na Delegacia que eu trabalhava, esta confusão acabou criando atritos com a Delegada de Polícia de outra Delegacia próxima a minha unidade. Minha cabeça estava a mil, eu estava no centro de uma contenda e dois delegados de polícia estavam acusando- me de falsificar documentos. Eu estava inteiramente inocente e não tinha feito nada de ilegal, nem criminoso, nem de má fé, por isso mesmo eu estava transtornado, furioso e a beira de fazer uma loucura. Não tinha cabeça para dar atenção a um reles animal, um filhote de vira- [ 12 ]
  • 13.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir lata. Investigações, procedimentos administrativos e processos criminais estavam sendo instaurados e o meu nome estava no centro destas polêmicas. Um cachorrinho correndo pra lá e pra cá no quintal da casa não me atraia em nada. Eu acordava e dormia só pensando como as coisas se enrolaram de tal forma que eu fui parar no meio de uma suspeita da qual eu sabia que não tinha nenhum envolvimento. Este foi um momento muito turbulento da minha vida, e não posso falar tudo o que eu sei sobre o que ocorreu naqueles dias, vários policiais se tornaram inimigos uns dos outros, uns acusavam os outros de várias falcatruas, suspeitas de corrupção, trafico de drogas, forjando provas, acusações anônimas e declaradas, causaram escândalos de tal forma que a imprensa local da época, como jornais, rádios e TVs divulgavam que aquela unidade policial estava sendo alvo de diversas investigações da Corregedoria e da Delegacia Seccional de Santos. A situação chegou a tal ponto que os superiores determinaram o afastamento de todos os policiais daquela unidade devendo todos serem transferidos para outras cidades, a Delegacia deveria trocar suas fechaduras para que nenhum daqueles policiais pudessem entrar na calada da noite e cometerem sabotagens, ou plantar provas uns contra os outros. Minha vida estava de cabeça para baixo no meio daquele tumulto, coisas muito graves mesmo, coisas que não posso falar por muitas razões, entre elas para não [ 13 ]
  • 14.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir ressuscitar antigas rixas já apaziguadas depois de uma década, ainda que muita coisas ficaram sem respostas dos diversos crimes que ocorreram envolvendo vários policiais civis. Estavam envolvidos na confusão delegados de polícia, investigadores, agentes policiais, escrivães de polícia, “gansos”, falsas testemunhas civis, comerciantes inescrupulosos, assassinos, e até vítima de homicídio. Para que vocês possam ter uma ideia, foram abertos cerca de dez procedimentos investigatórios na 6ª Corregedoria Auxiliar de Polícia de Santos. Eu fui ouvido como testemunha em alguns destes procedimentos, mas fui indiciado em dois processos criminais, um por Falsificação de Documento Público e outro por Falsidade Ideológica, além dos respectivos processos administrativos que poderiam culminar com a minha expulsão da policia a bem do serviço público. Neste clima de incertezas, ódios e inimizades entre policiais eu jamais teria cabeça para olhar para um cachorro vira-lata. A sobrinha Jessica que havia ganho aquela cadelinha perguntou para mim que nome eu sugeria para dar àquela cachorrinha. Cheio de raiva e expelindo ódio pelos poros com uma certa Delegada de Polícia que havia registrado uma ocorrência policial contra mim, lavrando um BO e encaminhando a Corregedoria, eu falei para Jessica chame-a de Doutora ....... Jessica sem maldade no coração, uma adolescente de 15 anos, disse que gostou da sugestão e deu o nome da cadela justamente o [ 14 ]
  • 15.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir nome da tal Delegada de Polícia. Eu estava cheio de ódio, por mim queria fazer um grande mal aquela Chefe de Polícia, mas contentava-me em ouvir a Jessica chamando a cadela pelo nome de uma pessoa que eu tinha como inimiga. A pequena cadela que agora respondia pelo nome de Doutora...... materializava meu ódio. Mas em alguns anos eu logo descobriria que ela veio para minha casa com uma missão especial e o ódio materializado iria se transformar em amor. A Doutora era ora um cão comum, ora um anjo incomum. Pessoas insensíveis que nunca tiveram um relacionamento de comunhão íntima com um animal terá grande dificuldade para entender a minha história com a Doutora, pois tem coisas que se conhece e se entende pelo coração e não pela mente racional. 2 – AS LEMBRANÇAS DE REGIANE Somente após a morte da Doutora é que eu fui atrás da origem da Doutora. Minha esposa tinha conhecimento onde poderia encontrar a pessoa que nos doou a cadela, e ela passou a intermediar entre eu e Regiane. Fiquei muito feliz ao saber que a Regiane e seu esposo Júnior também tiveram uma experiência [ 15 ]
  • 16.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir transcendental com a mãe da Doutora, a Chiquita. Há algumas semelhanças na relação do Junior com a Chiquita e comigo e a Doutora. Fiquei deveras contente que a Regiane tinha fotos da infância da Doutora e que enviou-me para fazer parte do acervo deste livro. Regiane gravou alguns áudios respondendo minhas indagações sobre a origem da Doutora e seu passado. A seguir transcrevo estes áudios, com as palavras literais da Regiane: Chiquita (áudio 6 e 7, 9). Eu não sei dizer ao certo de onde veio a Chiquita, mãe da Doutora. Não sei se ela foi abandonada, ou se [ 16 ]
  • 17.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir simplesmente ela se perdeu. Existem muitos cachorros que fogem de suas casas, porque se assustam, muitas vezes pelo barulho de fogos de artifícios e depois não conseguem voltar para os seus lares; assim, muitos cães acabam ficando perdidos na rua; não posso dizer que este foi o caso da Chiquita. Ela apareceu no Pamus lá da Vila São José, em abril de 2005, ela estava muito assustada porque tinha uns meninos batendo nela, minha mãe interviu e passou a dar comida para Chiquita. Vitor, amigo da infância da Doutora Um dia, eu e o Júnior fomos lá na casa de minha mãe, e ela estava colocando comida para Chiquita, nós brincamos com Chiquita, Junior passou a mão na cabeça [ 17 ]
  • 18.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir dela, e depois disso, sempre que Chiquita via a gente, ela vinha na direção do Júnior, e ela passou a seguir a camioneta que o Júnior usava para trabalhar na época, então, toda as vezes que ele passava na Avenida 9 de Abril, em frente a casa de minha mãe, a Chiquita o via do Pamus e sai correndo desesperada, atravessava a pista e saia correndo atrás da camioneta, corria, corria até que cansava. Um dia Júnior chegou muito chateado e preocupado, dizendo que qualquer dia ela iria ser atropelada, porque ela saia correndo na pista, sem noção, atrás do carro. Como nós já morávamos no Parque São Luiz, em uma casa com quintal, eu falei para o Júnior traze-la para casa, pois ela te escolheu e te ama e não pode ver você passar que corre atrás, trás ela para casa. No dia seguinte ele foi até a pista e simplesmente abriu a porta da camioneta e ela entrou. Ela sentou no banco veio para casa. Quando eu cheguei do trabalho, ela estava aqui já interagindo com os outros dois cães. O Titi e o Vitor, Chiquita já estava super adaptada. Uma cachorra super tranquila, parece que nasceu aqui no quintal, uma coisa tocante, emocionante O AMOR QUE ELA TINHA PELO MEU MARIDO. Um dia ela estava na sala e nós estávamos passando a mão nela e ai eu vi a barriga dela se mexer. Então eu disse para o Júnior: “Você viu isso?” e ele respondeu que sim. Ficamos mexendo na barriga dela e mexeu de novo, então eu disse: “Meu Deus esta cachorra está grávida!” Continuei [ 18 ]
  • 19.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir mexendo na barriga dela e comecei a sentir os filhotes. Então decidimos esperar o final da gestação e quando foi no dia 21 de maio de 2005, ela deu a luz a oito filhotinhos. O pai da Doutora (áudio 8). O pai destes filhotes eu realmente não sei quem foi, porque ela já apareceu lá no Pamus da Vila São José, somente depois que adotamos é que percebemos que ela estava grávida. Não sei dizer onde ela engravidou, provavelmente foi na rua, não sei dizer quanto tempo ela ficou na rua. Provavelmente ela não tinha muito tempo que estava na rua, porque ela não estava debilitada, pois quando o cão fica muito tempo na rua ele fica magro, ele fica com o pelo feio, com sarna, ela ainda estava gordinha. Assim, não dá para saber quem foi o pai da ninhada, o importante é que veio oito filhotinhos, um diferente do outro, eram três meninas: A Doutora, a Mille e outra que infelizmente eu não lembro mais o nome, e mais cinco irmãozinhos sapecas. A Doutora e seus irmãos (áudio 1). O que eu lembro da Doutora filhote, cara, foi a melhor época da minha vida. Eu via oito filhotes correndo no meu quintal. Nunca mais vou esquecer-me disso. A Doutora era muito briguenta, e era brava (risos). Ela não gostava muito que os irmãozinhos ficassem pulando nela, mas os outros gostavam de pular uns nos outros, mas a Doutora era meio estressada e era brava com eles. Ela foi [ 19 ]
  • 20.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir uma das primeiras que eu vi latir (imitando o som de cãozinho), isso foi muito engraçado. A carinha dela... ATÉ HOJE QUANDO EU FECHO OS OLHOS, EU VEJO A CARINHA DELA. Filhotinha serelepe. Doações dos irmãos (áudio 2). Em um sábado nós fomos a Praça Princesa Isabel, eu havia feito um cartaz de cartolina onde eu coloquei a inscrição: “Doação de filhotes.” Ficamos lá sentados, com a gaiolinha, ficamos lá na parte da tarde e conseguimos doar dois filhotes e mais dois gatinhos. Quando a Chiquita teve os filhotinhos, na mesma época eu achei dois gatinhos na rua, dois gatinhos pretos, e eu acabei acolhendo, e neste dia eu consegui um lar para estes dois gatinhos. Neste dia eu doei ao total três cãezinhos macho, e em casa ficou a Doutora, a Mille e mais outro machinho. [ 20 ]
  • 21.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Chiquita, mãe da Doutora era apegada ao Júnior, da mesma forma a Doutora se apegou a Valdemir. Os cães parecem que escolhem pessoas para criar uma ligação espiritual. Regiane com Chiquita. Não importa a raça, os cães tem a capacidade de amar sem restrições, sem objeções, sem ressalvas. [ 21 ]
  • 22.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Adoção dos irmãos (áudio 4). O processo de adoção da Doutora foi uma aventura, porque em 2005 não havia ongs protetora de animais aqui em Cubatão e nem conhecíamos pessoas que trabalhassem com a causa animal. Não havia ninguém que nos orientasse de forma dinâmica para tratar de marketing de adoção, então tivemos a ideia de criar um cartaz com fotos, e estes cartazes nós saímos distribuindo; coloquei em lojinhas próximo a casa de minha mãe na Vila São José, pedi para colocar no Pamus (posto médico de bairro), e sai pedindo nos pet shops para colar cartazes, bem como em ponto de ônibus. A internet ainda era algo raro, não havia, facebook, coloquei anúncio pago no jornal Primeira Mão. Quando eu fui à Avenida 9 de Abril, no pet shop Mundo Animal, eles nos cederam uma gaiola grande, bem como o responsável da loja nos deu a ideia de fazer uma feira de doação dos filhotinhos. [ 22 ]
  • 23.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Doações (áudio 5, 12). Nós esperamos eles completarem três meses, esperamos eles largarem o leite, e começarem a comer ração, foi ai que começamos a tirar as fotos e fazer os cartazes e distribuir, e aqui no bairro do casqueiro, no pet shop Pixoxó, na avenida Brasil, o dono nos cedeu gentilmente a frente da loja e nós levamos alguns filhotes, ficamos no período da tarde de um sábado, e ali foi doado uma irmãzinha da Doutora, que foi para a Vila dos Pescadores, e mais outro irmãozinho dela, foi um dia muito difícil da minha vida, eu chorei muito, eu entreguei os cachorrinhos aos prantos. Foi muito difícil mesmo, foram três meses cuidando, nós dávamos mamadeira, porque eram muitos filhotes e a Chiquita não dava conta de amamentar a todos. Meu marido Junior ia ajudando- me a fazer a fila, separando os que já haviam mamado, mesmo assim, alguns entravam na fila de novo e mamavam duas vezes, porque eles eram muito parecidos. Dos últimos três que ficaram aqui em casa, um dos filhotes foi doado para uma pessoa de Praia Grande, ele viu um dos cartazes em um ônibus, pois meu pai era motorista da Viação e eu havia pedido para ele colocar um cartaz no coletivo. Este rapaz levou um macho e ficou somente a Doutora e a Mille. [ 23 ]
  • 24.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Quanta glória dentro de uma caixa!!!!! Única gestação da Chiquita (áudio 3). Este foi o único parto da Chiquita, nós esperamos ela ter os filhotes e depois que ela os amamentou, nós permitimos que ela amamentasse, e eles mamaram nela o quanto quis, e somente depois de três meses, eles já estavam todos gordinhos e já ia começar o processo de adoção, nós começamos a inserir a ração úmida na dieta dos filhotes. Assim nós achamos melhor castrar a Chiquita, pois nós tínhamos mais dois cães machos no quintal e não queríamos correr o risco dela ficar prenha de novo. Esta foi à única gestação da mãe da Doutora. [ 24 ]
  • 25.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir A Jéssica viu o cartaz na Ciça, porque na época eu colei um cartaz lá com as fotos dos filhotes. Eu lembro- me da Jéssica me ligar e nós marcamos um encontro, ela veio aqui em casa e conheceu e se apaixonou pela Doutora e disse que queria a Doutora. A Jéssica pediu para eu não doar a Doutora que ela iria dar um jeito para adotá-la. Demorou um pouco para ela voltar, cerca de um mês, mas deu tudo certo, e acabamos levando a Doutora até a casa do Valdemir e Zenilda com quem, na época a Jéssica morava. Mille (áudio 11). A última foi a Mille, ela passou por duas tentativas de adoção, mas retornou porque não se adaptou com os seus novos donos. A Mille está viva até hoje, esta uma senhorinha. Agora no dia 22 de fevereiro de 2015 morreu a Chiquita, mãe da ninhada, devido a complicações nos rins. Na mesma época a Mille quase morreu, achei que iriamos perde-la, mas ela deu uma reviravolta e conseguiu se recuperar e está aqui conosco. Os outros irmãos da Doutora, eu perdi o contato, infelizmente não sei o que aconteceu com eles. Acredito que todos eles tiveram boas vidas, porque todas as pessoas que cruzaram o nosso caminho eram pessoas de bem, até que provem o contrário, eram pessoas muito boas. A Doutora e suas duas irmãzinhas foram castradas. A Doutora foi castrada com cinco ou seis meses, nós a levamos para castra-la, e também as duas irmãs dela foram castradas. Os irmãos [ 25 ]
  • 26.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir dela não foram castrados, naquela época também era caro. Achamos mais importante castrar as fêmeas. Doação da Doutora (áudio 10). Pequeno Príncipe (áudio 14). O único que recebeu nome e foi doado foi o Pequeno Príncipe, porque na época, a minha sobrinha que hoje está com 18 anos, era uma criança, e esta sobrinha costumava vir em minha casa todos os domingos, ela acordava cedo e vinha cuidar dos filhotes, esse era o passeio dela de domingo, ela esperava a semana inteira para vir aqui, essa era a diversão da minha sobrinha, e este cãozinho pequeno era o xodó dela, ela costumava andar para cima e para baixo com ele no colo. Eu achei melhor não dar nome para nenhum [ 26 ]
  • 27.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir deles, porque quando damos nome, acabamos se apegando. Querendo ou não, foi muito difícil doa-los, e seria muito mais doloroso se eu tivesse dado nome. Quando você dá nome, meio que faz parte da família, e assim acabam entrando na família. Procurava chamar estes cãezinhos de fofinhos, bolinhas, mas nome, nome, não. Eu deixei para que cada dono escolhesse o nome que deveriam dar aos seus cãezinhos. Mesmo assim, foi difícil doa-los, eu chorei muito. Eu acabei ficando muito agradecida a Deus e ao universo, agradeço porque as sete pessoas que apareceram no meu caminho foram pessoas do bem. Eu tenho certeza que assim como a Mille, e a Doutora, os demais também tiveram bons lares. A infância da Doutora (áudio 12). A Doutora e a Mille eram espertas e gostavam de furar a fila para tomar a mamadeira de leite, muitas vezes elas tomavam duas rodadas de leite, eram as mais [ 27 ]
  • 28.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir gulosas. Todos os oito filhotes eram muitos saudáveis. Eles corriam muito no quintal, e aprendiam as coisas com os outros dois cães adultos que viviam no quintal. Era muito engraçado eles latindo e correndo. Certo dia eu e o Júnior saímos para passear e a nossa vizinha nos ligou desesperada dizendo que a Doutora e outros irmãozinhos estavam batendo em um mais fraquinho. Este era chamado de Pequeno Príncipe, acho que foi o último a nascer. Ele era o menorzinho. Os outros batiam nele, faziam dele saco de pancada. O filho da vizinha colocou uma escada no muro, pulou para o meu quintal e jogou água neles para apartar a briga. Foi uma correria na vizinhança. Depois nós rimos muito, porque eles não tinham nem idade para isso. Eles não tinham nem dois meses, foi uma cena muito engraçada, uma pessoa apartando briga de filhotes. [ 28 ]
  • 29.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir ONG (áudio 13). O melhor da experiência com Chiquita e seus filhotes é que isso impulsionou-me a abrir uma ONG para cuidar das tantas “chiquitas” que existem pelas ruas. Essa aventura levou-me a amizades maravilhosas. Com outras pessoas reabrimos uma ONG e organizamos feiras para adoção de animais. Depois acabei afastando-me da ONG por divergências administrativas, mas nunca mais parei de lutar pela causa dos animais, Tenho uma página no facebook e um blog para promover adoção de cães, pago anúncios para patrocinar adoções, e tenho conseguido muitos lares para vários bichos. Luto para que histórias como a da Chiquita tenham um final feliz. 3 - CARINHO NA BARRIGA Boa parte do livro são memórias da cadela Doutora, agora a palavra é dela: Doutora: Como eu, todos os cães e todas as criaturas de Deus gostam de carinho. Eu amava quando o meu dono passava a mão em minha testa, ou na minha pelagem, mas o lugar que mais gosto de sentir sua mão passar era na barriga. Eu sempre ficava esperando o melhor momento para se aproximar e chamar sua [ 29 ]
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    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir atenção, quando eu via que conseguia fisgá-lo eu me virava com a barriga para cima e abria os membros traseiros sugerindo-o que passasse a mão em minha barriga. Muitas vezes eu acho que ele tinha preguiça de se abaixar e por isso passava os pés em minha barriga. Na verdade não importava se ele passava a mão ou o pé, se calçava chinelo, tênis, ou bota. Tudo que eu queria era sentir o contato do meu dono, e se não fosse dele, o carinho humano sempre ia bem. No mundo há muitas pessoas que são tão orgulhosas, que se acham tão superiores que nem olham para nós, ou quando olham nos veem com desprezo. Estas pessoas não valem a pena nós nos aproximarmos, elas reagem com nojo e raiva. Mas mesmo assim, nós [ 30 ]
  • 31.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir cães, somos pacientes e temos capacidade de analisar os humanos que com persistência podem ser conquistados. Com o meu dono foi assim, durante muito tempo ele não ligava para mim, mas eu vim ao mundo para conquista-lo, e isso demandaria tempo. Quando finalmente o conquistei, ele raramente passava por mim sem fazer um carinho na cabeça ou na barriga. Além dele, eu conquistei muitas outras pessoas, pessoas que me amaram de verdade como dona Lourdes, Zenilda, Edson, que morava comigo e com a Leisa debaixo da marquise da Rua Rangel Pestana e Seu Zé, vigia da Solimene,. Não poderia deixar de citar Esther, Ellen, Lívia e Jessica, não tive tanto contato com elas, mas quando tinha, era com amor. Eu percebia pelo jeito delas falarem, pela expressão do rosto. Eu nunca consegui entender todas as palavras que os humanos falavam, mas algumas eu entendia, e sempre procurava associar as palavras aos gestos para não incorrer em erro e fazer algo que os contrariava. A minha amiga Leisa não entendia tão bem como eu, mas eu dizia para ela, faça o que eu faço e você vai se dá bem, de vez em quando ela era teimosa e levava a pior. Com o passar do tempo a Leisa foi aprendendo a conviver com os humanos, sabendo escolher em quem podia se aproximar e quem devia se afastar. A nossa sobrevivência no mundo depende do nosso relacionamento com os humanos, porque desde que a humanidade foi expulsa do paraíso, nossos ancestrais escolheram se arriscar e viver mais próximo [ 31 ]
  • 32.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir dos humanos, prestando pequenos serviços para os mesmos em troca de abrigo e alimento. Muitos da nossa espécie sofreram muito e tiveram até morte violenta pelas mãos maldosas dos humanos, mas assim mesmo esta escolha valeu a pena, porque a maioria dos humanos nos acolheu. Nós, os cães, e os gatos, fizemos a opção em viver com os humanos, dando-lhe carinho e amor, por isso fomos excluídos da cadeia alimentar dos humanos. Estas coisas eu sei não porque eu li em algum livro, não, nós os cães não sabemos ler ou escrever, mas Deus escreveu em nosso DNA, e o nosso instinto nos diz o que temos que fazer, geração após geração. Acho que deve ser interessante o que o meu dono esta escrevendo, eu confio nele, com certeza ele deve está expressando da melhor forma possível as coisas que nós conversávamos. No universo há uma linguagem universal, quem fica sintonizado na mesma frequência consegue falar com todo o universo, até com aquelas criaturas que não estão compreendidas como seres vivos pela Biologia tradicional. Isso mesmo, quando estamos em sintonia com Deus e a sua criação, conseguimos falar uns com os outros, homens, animais, plantas, rios, florestas, ventos, os astros do cosmo etc. 4 - MATANDO CODORNAS E MORDENDO CHINELOS [ 32 ]
  • 33.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Doutora: Eu era ainda uma cachorrinha, e como todos os bebês e crianças de qualquer espécie, temos uma necessidade de brincar e se divertir, ao mesmo tempo em que vamos desenvolvendo os instintos naturais de nossa espécie, que inclui o desejo de caçar para sobreviver. Lá em casa, na Rua Maria Graziela, havia um viveiro com codornas, pequenas aves que costumavam por ovos quase todos os dias. Quando via aquelas aves, eu ficava louca de vontade de captura-las, e como algumas codornas conseguiam sair do viveiro ficando pelo quintal da casa, esta era a minha oportunidade de desenvolver meus dons e habilidades caninas de predadora e caçadora que havia no meu DNA. Quem criava as codornas era o Valdemir, ele é que sempre tinha mania de fazendeiro e queria fazer da casa um sítio. Eu cheguei a casa através da Jessica e da Zenilda, então tinha mais afinidade com elas naqueles dias. Enquanto Valdemir saia para trabalhar, eu resolvia correr atrás das codornas e quando abocanhava uma, as matava. Zenilda quando via aquilo desesperava-se, porque pensava que o Valdemir iria ficar muito irritado e iria querer se livrar de mim. Eu não entendia bem as coisas, afinal era uma criança, e a Zenilda ajudava a esconder as minhas peraltices, se livrando das codornas mortas. Valdemir desconfiava que o número de codornas diminuía, mas Zenilda os convencia que elas fugiam, até que Valdemir flagrou-me com uma codorna na boca, brincando e correndo pelo quintal, eu até corri até ele para mostrar [ 33 ]
  • 34.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir como eu estava me saindo bem como caçadora, mas ele ficou furioso comigo... Em resumo da história das codornas é que, pouco a pouco as codornas foram “fugindo” e aquele viveiro de codornas acabou se tornando minha casinha de cachorro. Doutora: Minha vida seguia maravilhosamente, carinho na cabeça e ração na tigela era tudo de bom. Quando Valdemir chegava do trabalho, a frente de casa era muito ampla e do portão até o interior da casa, era uns quinze metros, dava tempo de sobra para eu morder a bainha da sua calça, pular nas suas pernas, muitas vezes fazendo tropeça-lo. Mas ele sempre estava com uma expressão de preocupação e não dava atenção para mim, e quando dava era tentando deixar-me quieta. Mas eu não ficava muito tempo parada, reconheço que tinha [ 34 ]
  • 35.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir muita energia, corria pra lá e pra cá sem parar. Como as pessoas entravam no interior da casa descalças, elas colocavam os chinelos, sandálias e sapatos do lado de fora, próximo a porta. Ao ver aquilo, eu deliciava-me mastigando todos os calçados que eu via pela frente, aquilo era uma delicia para as minhas gengivas, pois os dentes estavam naquela fase da dentição, além do que, criança que é criança gosta de por tudo o que vê na boca. O que eu não contava é que o Valdemir não ficava nem um pouco feliz quando eu quebrava as tiras dos seus chinelos. Vez ou outra ele me dava um belo chute e rosnava com raiva para mim. Eu que não era besta nem nada, abaixava as orelhas e saia de perto com o rabo entre as pernas, eu sabia que ele não estava gostando de mim... 5 – ENVENENADA Quando Valdemir ia para a área externa da casa, eu fazia a maior festa, saia correndo disparadamente pela área da casa com muita alegria, dando volta no Valdemir, latindo, e fazendo de tudo para chamar sua atenção. Vez ou outra eu sentia que ele ficava balançado. Eu era o calor do sol que derretia o gelo do seu coração, mas havia dias que ele não estava bem e já mostrava uma expressão que não queria que eu me aproximasse, no começo eu tinha dificuldade para entender isso, mas com o passar do tempo fui aprendendo a respeitar seus [ 35 ]
  • 36.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir momentos de irritabilidade. Durante os dez anos que convivemos, Valdemir tinha os momentos que não queria que eu me aproximasse e com o tempo aprendi a perceber isso com as mais leves variações do seu tom de voz, ou dos seus gestos com as mãos, ora chamando-me, ora repelindo-me. Mas nunca, nunca fiquei magoada com ele, pois eu vim a este mundo para ajuda-lo e não seriam seus eventuais ataques de mau-humor que iria me deter. Contudo, teve uma vez que eu quase tive que abortar minha missão de amá-lo, não porque eu fiquei desgostosa com ele, não, não foi isso, é que ele me envenenou... Valdemir aprendeu comigo que o amor vence o ódio, e o jogo começou a virar em nossa relação e em sua vida, quando ele espalhou veneno de rato pela casa, em cima do telhado, no porão da casa e facilitou que eu tivesse acesso ao terrível veneno chamado “chumbinho”. Valdemir colocou alimento como isca para os ratos e em meio ao alimento havia “chumbinho”, eu desconhecia completamente o veneno, que não exalou nenhum odor que pudesse me dar repulsa ao alimento, então comi a isca. Não demorou muito, eu estava me contorcendo no chão de dor, e espumava pela boca. Zenilda veio correndo e ficou gritando desesperada sem saber o que fazer, Valdemir também apareceu na hora e viu-me contorcendo de dor, Zenilda já o culpava por ter colocado o veneno propositalmente em lugares que eu teria acesso. Valdemir queria se livrar de mim porque não [ 36 ]
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    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir gostava de muitas coisas em mim como: matar as codornas, morder e destruir os chinelos, latir tanto enquanto ele queria se concentrar e ficar reflexivo em seus pensamentos e por fim, o meu nome era o nome de alguém que ele odiava. Matar-me era de certa forma se vingar do mal que esta pessoa lhe havia feito. Mas nosso Deus não deixou-me morrer, porque ainda iriamos viver a mais bela história de amor e companheirismo de nossas vidas. O anjo Teocron apareceu para mim e passou sua mão em minha barriga e eu fiquei curada, sem nenhuma sequela. Nos dez anos que se seguiriam, nós três iriamos nos encontrar diversas vezes. Inumeráveis vezes Valdemir se enchia de temor e reverência quando fixava os seus olhos nos meus e via o anjo Teocron. O veneno matou muitas ratazanas no porão, e até muitos pombos e pássaros que comeram o veneno em cima do telhado. Mas eu fui tocada pelo anjo Teocron e nenhum mal sofri. Valdemir passou a entender que eu não era um bicho qualquer, um animalzinho de estimação. Eu era um anjo, UM ANJO DE QUATRO PATAS, um “enviado” de Deus. Como eu, ao longo da história, o nosso Criador enviou milhões de anjos que em conjunto com cães, gatos, ovelhas, bois, cavalos, periquitos, papagaios e animais de inúmeras espécies se aliaram não somente para observar os humanos, mas para ajuda-los. As Pessoas procuram sinais de alienígenas e poderes paranormais observando o espaço [ 37 ]
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    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir sideral e praticando rituais estranhos, e a maioria não percebe que anjos celestiais estão bem perto delas, livrando-as de males, protegendo-as, e confortando-as. O poder e a força de Deus estão muitas vezes perto de você na forma tão singela que as pessoas custam acreditar. Quis Deus que os cães, pela sua natureza imunda, seus hábitos desprezíveis, fossem designados pelo Criador para se aproximar dos humanos e dar-lhes as mais pujantes lições de amor. Meu nome é Doutora, sim, Doutora na arte de amar... 6 – AS GALINHAS DO GALERA [ 38 ]
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    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Doutora: Cheguei a casa do Valdemir em julho de 2005, bem no meio da confusão que o afastou da Delegacia de Policia que trabalhava, sendo o mesmo transferido para Santos, daí que alguns anos depois o meu dono começou a celebrar meu aniversário no dia 15 de julho como uma data simbólica, já que ninguém sabia quando eu realmente nasci. Em fevereiro de 2006 meu dono comprou um pequeno pedaço de terra em Itariri para cuidar de horta, e plantar árvores frutíferas, procurando paz para sua alma conturbada. Nas primeiras vezes ele não me levou, mas não demorou mais do que um mês e ele passou a levar-me no carro. Valdemir ia ao sítio a cada quinze dias onde passava o final de semana. Ia no sábado de manhã e voltava no domingo à noite. O problema é que eu já havia crescido um pouco mais e ainda não tinha apreendido a controlar meus instintos de caça e quando íamos para o terreno do meu dono, ainda não havia uma casa, então o senhor chamado Galera emprestava uma casa para o meu dono, acontece que, quando eu via as galinhas corria atrás delas tentando pega-las, e o meu dono saia correndo atrás de mim para impedir que eu desse o prejuízo de matar as galinhas do Galera, por sorte, aquelas galinhas corriam bastante e saltavam com voos que as livrava das minhas garras, e era o tempo suficiente do meu dono dar-me uma bronca e prender-me na casa, depois íamos de carro até seu terreno que não era longe do sítio do Galera e ai eu ficava a vontade, correndo só atrás dos passarinhos. Não raro [ 39 ]
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    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir eu pegava alguns. Mas ai meu dono não achava ruim. Com o tempo aprendi que não devia pegar as galinhas do Galera. Assim fomos aprendendo a conviver um com o outro. Eu fui aprendendo a respeitar os limites que ele impunha para mim, e eu ganhando sua confiança mais e mais. 7 – LEISA, A GALEGA Em 2006 a Jéssica que havia me introduzido na casa do Valdemir, agora tinha encontrado na Praça da Independência, ali mesmo no bairro, uma cadelinha com poucos dias de vida, ela estava dentro de uma caixa, e a [ 40 ]
  • 41.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Jéssica ficou encantada com aquela cachorrinha de pelagem branca e parda, e com os olhos claros. Jéssica chegou em casa dizendo - olha tia Zenilda que cachorrinha linda, encontrei ali na praça, não é uma fofa? A princípio Zenilda achou que não dava para ficar com mais um cão, pois já havia em casa dois. Eu e o Toby. O Toby é um poodle que não sai de casa, ele até que tem vontade de sair, mas é muito frágil e por isso, vive dentro de casa. Meu dono sempre brincava com o Toby chamando-o de cão de mobília, porque muitas vezes a Zenilda o colocava em cima de uma estante e ele permanecia ali por horas, dormindo, pois essa era a sua especialidade. Leisa foi levado por Jéssica e Zenilda até a casa da Cacilda, ela era irmã da Zenilda, e foi ela quem deu o nome da Leisa. Quando Jéssica chegou a casa da sua tia Caçilda com Leisa nas mãos, Caçilda percebeu que sua sobrinha estava feliz com aquele cãozinho e por isso chamou Jéssica e Zenilda para irem até um Petshop onde Caçilda comprou diversos apetrechos e objetos para Leisa, como: cama, perfume, shampoo, ração, etc. Leisa se tornaria minha inseparável amiga. Vivemos boa parte de nossas vidas, uma perto da outra, distantes por dois ou três metros. Amei demais a Leisa, mas sempre foi ciumenta ao extremo. No começo até eu me aborrecia com a Leisa, só queria ficar lambendo todo mundo, principalmente a mim. Era uma [ 41 ]
  • 42.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir criatura muito carente, queria que déssemos atenção a ela de qualquer maneira. Fazia uma cara de coitada que dava pena. Mas era sua arma de atrair a atenção dos outros. Leisa foi crescendo e aprendendo comigo, aquilo que podia e não podia fazer. Chinelos não, entrar em casa não. Avisar quando chegar gente em casa sim, pular nas pernas do Valdemir e Zenilda não, não, não não... Não adiantou muito, Leisa sempre afoita e querendo chamar a atenção, se não fosse logo repreendida, de imediato pulava nas pernas dos donos e sujava a roupa com as marcas das suas patas. Quantas vezes Leisa foi chamada de imbecil e burra... não foi por falta de aviso... Posso dizer que criei Leisa como uma filha, apesar da pouca diferença de idade entre nós. Eu logo fui castrada quando alcancei a idade de seis meses de vida, e na sequencia Leisa também foi castrada. Nunca tivemos filhos. Isso não foi problema para Leisa, ela nunca teve mesmo um instinto materno. Quanto a mim, eu sentia um desejo de ter filhotes, mais eu conto isto em outro capítulo. A propósito, o nome Leisa foi dado por Caçilda, mas não vou contar o porquê deste nome. Quando Jéssica contou sobre o nome da nova cachorrinha, Valdemir disse, pois bem a dupla agora está formada, se uma é a Doutora, a outra é uma escrivã. Frequentemente Valdemir brincava dizendo: “Olha ai minha Delegacia, se a Doutora é uma Delegada, a Leisa é uma escrivã, kkkkk.” Quando fomos morar na casa da dona Lourdes, a mãe do Valdemir, ela se confundia com os nomes e resolveu nos [ 42 ]
  • 43.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir chamar por apelidos. Eu era a “Baixinha” e a Leisa era “Galega”. Galego quer dizer “loiro”, gente do reino da Galícia. Os nordestinos dos sertões costumam chamar assim os loiros. Como a família do Valdemir é do agreste nordestino, ele e sua mãe tinham linguagens peculiares daquela região. Minha vida sempre foi muito simples, afinal eu sou uma cadela vira-lata, durmo em qualquer lugar, como em qualquer lugar. Sou dotada de resistência acima da média das outras raças de cães. Leuzinha também é uma vira- lata, mas o porte dela é diferente do meu. Eu sou baixinha e de pelagem parda, com as pernas curtas e o corpo roliço. Leisa tem pernas longas, focinho cumprido, pelagem de duas cores, olhos claros e esbelta. [ 43 ]
  • 44.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir 8 – LATIDOS À NOITE Os seres humanos são os mais inteligentes e mais poderosos seres que Deus colocou na Terra, mas devem se lembrar de que o Criador os colocou para reinar sobre nós e não para tiranizar as demais criaturas da Terra. Assim é que, os homens naturalmente conversam em suas linguagens uns com os outros, como são mais sofisticados, falam muitas palavras e muitas línguas e linguagens. Nós, criaturas inferiores, admiramos muito os humanos, todos os seres da Terra reconhecem sua soberania, ainda que no caos do mundo, haja conflito entre os humanos e os demais animais. Acontece que mesmo com capacidade mais limitada, nós, os cães, conversamos entre nós, e durante a noite, com os níveis de ruído baixo, podemos conversar com os demais cães que estão mais distantes, muitas vezes a muitos quilômetros de distância. [ 44 ]
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    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Ao longo da vida, muitos vizinhos do meu dono resmungavam se sentindo incomodado comigo e com a Leisa porque latíamos à noite, nem todas as noites a comunicação era frequente, mais tinha noite que nos divertíamos uns cães com os outros, também discutíamos uns com os outros, a distância podíamos dizer uns desaforos para os valentões, kkkkk. Eu não posso negar que muitas vezes eu dizia: “mordam seus próprios rabos”, kkkkk. Nós, os cães, temos mais senso de humor do que vocês possam imaginar. Quando meu dono mudou para a Avenida das Américas, eu e a Leisa ficamos próximas de outros cães que não ouvíamos no antigo endereço, assim, logo que mudamos começamos a dialogar bastante a noite, porque de dia, o barulho da cidade e dos carros, diminui a distancia de captarmos pela audição os demais cães. Isso gerou mais problemas para nossa convivência. Além do que, no antigo endereço tínhamos um imenso quintal para corrermos, e agora, só tínhamos uma área de serviço apertada, que nem mesmo pegava luz solar. Por causa da falta de espaço e dos latidos noturnos bem na janela do vizinho, nosso dono e a Zenilda achou por bem nos transferir para a casa da sua mãe, na Rua Rangel Pestana, em Santos. A rua era muito movimentada, Deus me livre, quanto barulho... A vantagem é que tinha mais espaço para vivermos, e todo dia dona Lourdes abria o [ 45 ]
  • 46.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir portão para corrermos. Eu e a Leisa disparávamos pela calçada. Cansamos de ver pedestres desavisados que não moravam na vizinhança e que não nos conhecia tomarem o maior susto ao ver nós duas correndo em alta velocidade. Mas nós nunca atravessávamos a rua, porque o risco de atropelamento era muito grande. Nesta casa da Rua Rangel Pestana havia um vizinho médico, que era aquele cara “conhecedor dos seus direitos”, era muito educado, mas dizia tudo o que pensava, e não tinha receio de se tornar desagradável. Ele algumas vezes veio reclamar de nós para dona Lourdes e para Valdemir, dizendo que nós éramos cães adultos e que dificilmente iriamos nos acostumar com o novo endereço, e que iriamos latir sempre durante a noite. Bem, ele errou, nós diminuímos os latidos à noite, e depois que ele mudou-se, nunca mais tivemos problemas por causa dos nossos latidos noturnos. 9 – GRAVIDEZ PSICOLÓGICA Eu sempre tive problemas psicológicos com gravidez imaginária. Interessante que a Leisa também era castrada, mas nunca teve gravidez psicológica. De tempo em tempo eu me sentia estranha e certos objetos eram para mim, meus filhotes. Era uma coisa muito louca, pois eu nunca cruzei com outro cão, porque fui castrada muito cedo, mesmo assim durante minha vida, várias vezes eu ficava fixada por alguns objetos e passava a considera-lo [ 46 ]
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    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir meu filhote. Isso causava-me sofrimento, porque muitas vezes eu pegava uma sandália, ou outros objetos que eram utilizados pelas pessoas e elas acabavam tomando- as de mim. Meu dono Valdemir cansou de pegar seus chinelos de mim a qual eu abraçava e dormia com eles debaixo do meu corpo, quando ele tentava pegar eu rosnava pedindo que se afastasse, eu nunca tive coragem de agredi-lo, apenas rosnava. Como ele confiava em mim, não temia em tomar seus chinelos de volta. Eu ficava frustrada com estes incidentes, mas Valdemir achava graça e outras vezes dava-me carinho tentando compensar o fato dele ter que pegar de volta seus chinelos, tênis, botas. Muitas vezes eu ganhava bichos de pelúcia e outros brinquedos para substituir os calçados alheios. [ 47 ]
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    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir 10 – CORRENDO PELAS RUAS DE SANTOS Quando meu dono me levou para morar em Santos, na casa da dona Lourdes, eu e Leisa pensamos que ele havia nos levado ali para fazer uma visita, mas na verdade, nosso destino estava tomando um novo rumo, após nos entregar a sua mãe, Valdemir nos apresentou a nova residência, mas nós não entendemos o que ele dizia, por isso quando Valdemir entrou no carro, um Kadett, e nós ficamos do lado de fora da casa com dona Lourdes o observando, achávamos que era uma brincadeira, e quando o trânsito da rua diminuiu, eu saí correndo com a Leisa a toda velocidade, quando Valdemir olhou pelo retrovisor para trás, nos viu acompanhando o carro, e o pior, já havia dezenas de carros vindo atrás de nós, o fluxo de veículo e falta de acostamento, fez com que Valdemir decidisse aumentar a velocidade, fazendo com que desistíssemos de segui-lo. Como o Kadett se perdia no horizonte, e Valdemir seguiu a toda velocidade em direção ao túnel do centro da cidade, eu e a Leisa desistimos de correr atrás do carro, enquanto ainda podíamos retornar à casa de dona Lourdes. A sorte é que estamos ainda perto da casa, tínhamos virado a esquina da Avenida Valdemar Leão, mas vimos dona Lourdes no portão, perdida sem saber o que fazer. Tivemos que atravessar com cuidado para o [ 48 ]
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    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir outro lado da rua e tivemos que contar com a colaboração de alguns motoristas que entenderam que estávamos perdidas querendo atravessar o outro lado da rua. Dona Lourdes nos chamou e entramos na nossa nova casa, e Lourdes fechou o portão. Dona Lourdes sempre falava com a gente como se estivesse falando com pessoas humanas, e ela disse: “Vocês estão loucas correndo por ai, seu pai já foi!” Não demorou muito tempo, Valdemir retornou de carro para saber se eu e a Leisa tínhamos conseguido voltar para casa, pois devido o fluxo de veículos ele não teve como parar o carro, por isso seguiu a avenida e retornou para ver o que tinha acontecido. Quando o vimos ficamos contentes, mas já sabíamos que agora iriamos morar com dona Lourdes, e desta vez eles tomaram a precaução de fechar o portão antes do Valdemir sair com o carro da frente da casa. Com o tempo, nós nos acostumamos em morar ali, e quando Valdemir ia nos visitar, ele se despedia de nós ali mesmo da calçada, com eu e a Leisa soltas, pois, já tínhamos consciência que não devíamos segui-lo. Eu ficava muito contente em vê-lo. Quando escutava o barulho do Kadett, da camioneta ou da moto dele, eu já corria ao portão e latia com todas as forças e com toda a alegria do mundo, era tão emocionante. Todos os que viam minhas declarações de amor por ele ficavam impressionados, porque não importava quantas vezes ele aparecia, mesmo que passasse por lá duas ou três vezes no mesmo dia, a festa e euforia que eu fazia era de [ 49 ]
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    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir estremecer a vizinhança. Esta é uma das maiores lembranças que levamos desta vida. Valdemir me dizia centenas de vezes com o seu olhar que aquilo era a maior manifestação de amor que alguém podia demonstra por ele. A alegria de rever um amigo, a maneira como se demonstra alegria em rever a pessoa, este é um dos maiores atributos dos cães, e quem sabe uma das coisas mais bela deste mundo. Eu agradeço a Deus por ter sido criada para amar, amei muitas pessoas, da família do Valdemir, aos transeuntes de bom coração que passavam e faziam um carinho na minha cabeça, isso aconteceu muito na Rua Rangel Pestana. Mas eu amei demais o morador de rua, Edson, e o meu dono Valdemir. A história do Édson eu conto em outro capítulo. 11 – ESPERANDO A BEIRA DO CAMINHO Não sei bem em que ano foi, se foi em 2007 ou 2008, mas os fatos ocorreram assim: A cada 15 dias meu dono ia de Cubatão para o sítio em Itariri passar o final de semana, tinha vezes que ia na sexta a noite e tinha vezes que ia no sábado de manhã cedo, mas sempre voltávamos aos domingo a noite. As viagens ao sítio contavam sempre com o meu dono Valdemir e comigo, eventualmente a Zenilda ia, outras vezes dona Lourdes também ia. Mas Esther e Ellen, filhas de Valdemir, eram figuras constantes nestas viagens ao sítio. Entre 2005 a [ 50 ]
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    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir 2008 o sítio não tinha energia elétrica, e as noites eram iluminadas com velas, candeeiros ou lampião de gás, dentro de casa, porque do lado de fora, somente a lua e as estrelas clareavam o céu. Meu dono gostava do clima e das condições rústicas, aquilo fazia lembrar a sua infância na fazenda do seu avô José Tavares da Mota. Durante os primeiro anos de viagem ao sítio nós íamos no GM/Kadett. Em uma destas viagens o carro deu uma pane elétrica e não funcionou, era domingo a tarde, faltando duas horas para escurecer. Naquele fim de semana só havia ido ao sítio eu, Valdemir e a Esther, não sei porque a Ellen não foi, pois as duas meninas quase sempre estavam juntas. Meu dono ao ver que o carro não funcionava procurou ajuda com outros sitiantes da redondeza, tendo falado com Zelão e Zelão indicou o Aloisio que morava em Praia Grande e que naquele instante estaria indo embora do sítio. Aloísio foi até o Kadett e viu que o mesmo estava com um problema que só um eletricista de autos poderia consertar e ofereceu ao meu dono uma carona até a cidade de Itariri onde o mesmo poderia pegar um ônibus para voltar a Santos. Meu dono tinha que trabalhar no dia seguinte e não tinha muito tempo para pensar, então ele fechou a porta da casinha do sítio e como eu não podia viajar no ônibus intermunicipal de Itariri até Santos, ele pegou no meu focinho com as duas mãos, se abaixou, e disse-me para não sair de perto da casa e do carro e que [ 51 ]
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    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir não tentasse segui-lo, que eu o esperasse que em dois dias ele voltaria para me pegar. Mas quando ele entrou no carro, eu ainda tentei segui-lo, mas logo desisti, e voltei até a casa, fiquei esperando a noite toda na área da casa, de manhã fui até o carro e fiquei um tempo por lá, depois voltei para a casa, e assim fiquei indo e voltando o tempo todo na segunda-feira, e nada do meu dono aparecer, em algumas folhas de bananeira caída eu encontrava água para beber, e para comer eu lambia uma substancia viscosa que havia nas bananeiras mortas no solo do sítio. Nós, os cães, não temos compromissos e nem relógios como os humanos, então, somos mais pacientes quando as condições exigem que apenas fiquemos aguardando. Passou-se a noite da segunda-feira e chegou a luz do dia na terça-feira. Na tarde da terça-feira resolvi deitar-me na estrada, entre a casa e o carro, um distava do outro cerca de cento e cinquenta metros. Quando o sol estava perto de se pôr, escutei um barulho de carro, e fiquei apreensiva esperando ver quem viria. Eu não reconheci o barulho daquele carro, por isso fiquei deitada na beira do caminho. De repente veio o meu dono e a Zenilda gritando meu nome: Doutora, Doutora, Doutora. Valdemir dizia: “O resgate do soldado Ryan” e me abraçava. Valdemir veio ao sítio com um eletricista de autos que em meia hora resolveu o problema do carro. Em seguida voltei no Kadett com o meu dono e a Zenilda, e o eletricista voltou no carro dele. [ 52 ]
  • 53.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Eu fiquei tão contente de vê-los, e vi que eles ficaram muito feliz em me ver, estavam mais preocupados comigo do que com o carro. Isso deixou-me muito feliz, porque percebi que para Valdemir eu já tinha mais valor do que bens materiais. Mais tarde Valdemir contou para mim que no domingo que ele foi embora, quando ele chegou na rodoviária em Santos e a Zenilda foi pega-lo, eles até brigaram, porque a Zenilda o repreendeu por Valdemir ter me abandonado no sítio, e ele retrucou dizendo que não havia o que fazer, porque precisava voltar para trabalhar no dia seguinte, e não poderia me levar dentro do ônibus, porque é proibido transportar animais. Aquele nosso encontro na beira do caminho foi muito emocionante, porque ele viu que eu esperava por ele ansiosa e eu também percebi que a alegria dele não era em ver o carro, mas se encontrar comigo. [ 53 ]
  • 54.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Incontáveis vezes viajei para Itariri no Kadett. Quantas vezes eu ia no porta-mala do carro! Se a nossa história virasse um filme, a trilha sonora deste trecho seria de Roberto Carlos, SENTADO À BEIRA DO CAMINHO: Eu não posso mais ficar aqui a esperar Que um dia de repente você volte para mim Vejo caminhões e carros apressados a passar por mim Estou sentado à beira de um caminho que não tem mais fim. Preciso acabar logo com isso Preciso lembrar que eu existo Que eu existo, que eu existo Meu olhar se perde na poeira desta estrada triste Onde a tristeza e a saudade de você ainda existe E esse sol que queima no meu rosto um resto de esperança De ao menos ver de perto seu olhar que eu guardo na lembrança Preciso acabar logo com isso [ 54 ]
  • 55.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Preciso lembrar que eu existo Que eu existo, que eu existo Vem a chuva molha o meu rosto e então eu choro tanto Minhas lágrimas e os pingos dessa chuva se confundem com meu pranto Olho pra mim mesmo, me procuro e não encontro nada Sou um pobre resto de esperança à beira de uma estrada Carros, caminhões, poeira, estrada, tudo, tudo se confunde em minha mente Minha sombra me acompanha e vê que eu estou morrendo lentamente Só você não vê que eu não posso mais ficar aqui sozinho Esperando a vida inteira por você sentado à beira do caminho 12 - SOL E CHUVA AO LADO DO DONO Durante a minha vida vivi em quatro cidades, Cubatão, Santos, Praia Grande e por fim em Itariri. Sem dúvida era de Itariri que eu mais gostava, primeiro porque lá eu ficava mais tempo com o meu dono, tinha vezes que passávamos a semana inteira sozinhos, quando ele ficava [ 55 ]
  • 56.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir de férias do seu trabalho, ele ia direto para o sítio, e a primeira pessoa que estava disposta para ficar com ele era eu. Outras pessoas também iam regularmente para o sítio como a Esther e a Ellen, dona Lourdes, Zenilda e o Valmiral, sem conta com a Leisa, é claro. Mas eu era sua principal companhia ao longo de uma década, por isso ele disse-me que faria um livro para registrar nossas memórias. Eu sei com certeza o quanto ele gostava de mim, como se eu fosse um membro da família dele. Eu sentia que eu não era somente um bicho que havia na casa, como foi no começo, posteriormente eu me tornei seu animal de estimação. Mas agora, eu era o SEU ANJO. Fui sua companheira no sítio por nove anos. Ia a sua frente para protegê-lo de todo perigo. Se houvesse uma armadilha ou uma cobra, eu morreria por você amigo! [ 56 ]
  • 57.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Quando Valdemir ia para o sítio, ele nunca ficou um dia sequer deitado, ou descansando na casa, ele era viciado pela terra, ele tinha que estar trabalhando com a enxada, com o facão, com a cavadeira, ou com qualquer outra ferramenta, plantando, limpando o mato, colhendo, construindo ou consertando e eu invariavelmente estava sempre próxima dele. Quando ele entrava na mata ou trabalhava em alguma parte do sítio, eu escolhia um ponto em que pudesse ficar observando-o, geralmente a uns 10 a 20 metros de distância dele e ali ficava deitada, se estava quente eu ficava com a língua de fora, mas sempre procurava ficar debaixo de um pé de bananeira no ponto em que fazia sombra. Pomba Burquesa. [ 57 ]
  • 58.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Até cobra Valdemir criou. Coelho do sítio. [ 58 ]
  • 59.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Donald e Margarida. Porquinho da Índia nascido naquele dia. Quando meu dono parava um pouco para descansar, eu me levantava e se aproximava dele, e [ 59 ]
  • 60.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir então ele bebia água em uma garrafa pet e se sentava, era nesta hora que eu me aproximava e começa a se roçar nele, e era batata, ele passava a mão nos meus pelos, fazia carinho na minha barriga e muitas e muitas vezes me colocava no seu colo e ficava falando palavras carinhosas para mim. Lógico que estando a Leisa junto, ela morria de ciúmes e inconvenientemente metia as patas em nós e exigia ser acariciada. Valdemir logo tinha que desocupar uma das mãos para acariciar a Leisa, caso contrário ela não nos deixava em paz. Leisa era tão ciumenta que ficava com raiva de mim se ela percebesse que eu estava recebendo mais carinho do que ela, então Valdemir também colocava Leisa no colo para ela não se sentir desprezada. A amplitude térmica no sítio variava de 8 no inverno rigoroso a 40 graus no ápice do verão, mas eu nunca deixei meu dono andar pelas montanhas sozinho, com exceção quando as meninas, Zenilda ou dona Lourdes estivessem em casa, nestas condições eu e a Leisa alternávamos em ora esta com Valdemir, ora com as visitas que estavam na casa. Estar no sítio para Valdemir, não era ficar na pequena piscina de cimento, ou descansando na rede ou sofá, sitio para ele era cuidar da terra e dos outros animais do sítio. [ 60 ]
  • 61.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir O sítio sempre tinha outros animais de criação como galinhas, patos, coelhos, porquinhos da Índia, jabutis, peixes, pássaros e meu dono ia em cada cercado levar comida para estes animais, e eu sempre estava perto dele. Muitas vezes chovia muito e meu dono não voltava para casa, continuava trabalhando, e eu ficava encharcada de tanta água, mas não arredava o pé de perto dele. Fazia poça d´água em volta de mim, mas eu não ia embora, mas confesso que era bem desconfortável. Eu só não aguentava quando caia raio. Deus me livre! mas o estrondo dos trovões é extremamente perturbador para nossa espécie, e aí, eu se mandava correndo para casa, ou corria para perto do Valdemir, querendo dizer, agora chega! vamos embora! [ 61 ]
  • 62.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir porque qualquer hora um raio deste vai cair em você, e Valdemir, muito teimoso, muitas vezes ficava trabalhando no mato em meio a chuvas e raios, mesmo dona Lourdes e Zenilda reclamando, ele não dava atenção, até que um raio o atingiu, mas esta história eu conto em outro capítulo. 13 – NÃO MEXA COMIGO A força mais poderosa do mundo é o amor, é inútil tentar impedir de uma mãe defender seu filho, se ela vê-lo em perigo. Quando uma pessoa ama, ela não ataca a pessoa amada, mas ela está disposta a morrer pela pessoa amada. Não mexa nos pintinhos com a mãe por perto. Eu mesmo já fui atacada por galinhas só porque fui cheirar seus pintinhos. Eu juro que não tinha outra intenção.... Mas o meu dono também gostava de mim como uma galinha cuida dos seus pintinhos. Uma vez, eu ainda morava na Av. das Américas, quando uns meninos quando iam para a escola e me via no portão começavam a latir para me irritar e ficavam mexendo e balançando o portão, eu revidava com latidos mostrando que não tinha medo dele. Mas um dia um destes moleques se deu mal, meu dono estava lavando o carro do lado de fora e estava abaixado limpando o carro, quando o irritante menino passou e ficou latindo e balançando o portão para me irritar, meu dono quando viu aquilo, perdeu a cabeça, e [ 62 ]
  • 63.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir destemperado como sempre veio correndo sorrateiramente como um felino e quando chegou perto deu um tapão violento nas costas do menino, que eu pensei que os pulmões do coitado haviam estourados. O pivete saiu agachado sem respirar direito, e com as mãos nas costas, virou para trás com os olhos esbugalhados, não sei se de medo ou da força do coice que meu dono deu nas suas costas. Valdemir ainda vociferou coisas horríveis. Só sei que o menino nunca mais passou por aquela rua, não sei se abandonou a escola, ou se mudou seu percurso para ir a escola. 14 – A GATA PAMELA Pense em uma gata chata, metida, mal encarada, mal humorada, exibida e outras coisas mais. Meu dono que me desculpe, porque Valdemir também gostava demais da Pamela, mas eu não gostava dela e pronto! Não é que eu tinha ciúmes, mas ela se achava a dona do pedaço só porque ficava dentro de casa e dormia na cama com Valdemir. Mas Pamela se lascava quando a Zenilda ia para o sítio, porque Zenilda que era minha amigona não tolerava a Pamela, problemas de natureza do tipo: cachorros não gostam de gatos, gatos não gostam de ratos, Zenilda não gosta de gatos. Cachorros e Zenilda se pudéssemos colocávamos os gatos para correr até chegarem ao polo norte.... [ 63 ]
  • 64.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Pamella dormindo na cama. Por causa desta descarada muitas vezes tomei bronca do Valdemir, era comum Valdemir sentar no sofá do lado de fora da casa, e a bandida da Pamela se deitar no encosto do sofá perto da cabeça do meu amor e a mim só restava ficar deitada nos pés dele. Quando Valdemir estava perto a bicha ficava toda confiante, andava pelo chão, passava perto de mim e da Leisa e ainda empinava o rabo e o passava no nosso nariz. Em volta da área da casa eu e a Leisa não atacava a Pamela, mas se ela fosse pra o mato e o Valdemir não estivesse perto... Nós disparávamos a toda velocidade contra a Pamela, e rosnávamos com toda agressividade, a bruxa ficava apavorada e corria como um raio até a árvore mais próxima. Depois eu e a Leisa ficávamos nos deliciando [ 64 ]
  • 65.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir embaixo, falando para Pamela descer, e a bicha nojenta ficava em pé no cacho de banana. Kkkkkk. Tinha vezes que eu e a Leisa até nos deitávamos debaixo da bananeira só para dar uma canseira na Pamela. É lógico que estas malvadezas que eu e a Leisa cometíamos era vez ou outra flagrada pelo Querido que ficava furioso conosco. Imaginem a cena, a gata correndo naquele sitio maravilho e nós duas correndo como torpedos, levantando poeira, fala sério, eu e Leisa nos sentíamos leoas caçando filhote de veado nas savanas africanas. Mas a Pamela era folgava quando Valdemir estava perto, tinha vezes que nosso dono ia trabalhar perto da casa e a bicha ia conosco acompanhando Valdemir. Lógico que ela não se deitava conosco, ficava uns 10 metros de distancia de nós, também vendo Valdemir trabalhar. Ele fazia um carinho em nós e depois ia até a Fulana e fazia carinho nela. Lógico que a “Grã-fina” não acompanhava Valdemir nos dias que chovia pelo sítio, imagina se ela poderia desfilar com o penteado desmanchado pela chuva... Não tenho nada contra quem gosta de gatos, mas vou falar uma verdade, se nós os vira-latas não tivemos um cheiro forte e fossemos menores, os gatos seriam extintos... Porque as pessoas prefeririam ter somente cães, em vez de gatos! Pelo amor de Deus, não estou aqui para falar de nenhuma espécie criada por Deus, mas os cães são as criaturas mais fiéis que há neste planeta, quem quer ser animal de estimação de bêbados, mendigos e [ 65 ]
  • 66.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir bandidos? – Nós, os cães. Os gatos são preguiçosos, só saem da cama quando estão com fome! Durante um tempo, havia no sítio dois gatos: o Getúlio e o Juscelino, eles eram mais legais, nós nunca os colocamos para correr, isso é uma prova que não somos tão inimigos dos gatos. Os dois chegavam mesmo a nos beijar cheirando nossos focinhos. Eles eram tão tranquilos que não tinham medo de disputar, comigo e com a Leisa, pedaços de carne arremessado pelo Valdemir. Os dois gatos não eram castrados e de tempo em tempo eles sumiam e só apareciam depois de semanas. Primeiro sumiu o Juscelino que era todo branco, e um ano depois sumiu o Getúlio que era de cor cinza. Acredito que eles tenham morrido por serem atacados por cobras. O sítio fica na cordilheira da Serra [ 66 ]
  • 67.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir do Mar a 382 metros de altitude, em área de floresta repleta de cobras. Eu e a Leisa sempre tivemos cuidado com elas, evitando se arriscar e se aproximar demais das cobras. Mas o Getúlio e o Juscelino eram corajosos demais, várias vezes vimos os dois brincando com as cobras, irritando-as e quando elas davam o bote, eles pulavam de lado, para trás, fazendo acrobacias. Na mata era difícil outra espécie fazer frente aos gatos. 15 – SOLEIRA DA CASA Eu amo ficar na soleira da casa. Uma das minhas funções é ser guarda da família e por isso está na minha natureza ficar em um ponto estratégico da casa. Quase [ 67 ]
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    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir todos os meus parentes caninos agem assim. Porque Deus escreveu no nosso DNA estas informações. Eu cumpro com muito gosto minha missão. 16 - TOBY [ 68 ]
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    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Este é o Toby, ou como meu dono costuma chamar: “Antônio Tobias”. Toby é um poodle com mais de uma década de vida. Infelizmente ele é um cão criado dentro de casa, frágil, não pode correr no mato, subindo e descendo as montanhas como eu e Leisa fazemos. Toby não anda na terra, não come a mesma ração que eu e a Leisa. Ele sempre toma banho em petshop. Eu nunca tomei banho em petshop. Meu dono Valdemir e dona Lourdes me davam banho de balde com água fria. Nunca tive inveja da vida do Toby, cada um deve viver de acordo com sua natureza e não querendo ter a vida do outro. 17 – CAÇADA AO LAGARTO Meu querido pai, lembra desta foto sua com o lagarto? Não é um jacaré, é um lagarto mesmo! Eu e a Leisa estávamos na área da casa do sítio, enquanto você, Dona Lourdes e as meninas Esther e Ellen estavam se preparando para almoçar. Era um dia lindo, céu azul. Quando repentinamente Leisa com o seu focinho comprido e de faro aguçado detectou odores de lagarto no galinheiro. Ela desceu caminhando paralelamente a cerca do galinheiro até que o cheiro foi ficando mais forte e então ela visualizou o lagarto se preparando para comer mais alguns ovos do galinheiro. Leisa deu o alarme latindo alto e cercando o lagarto, não o deixando fugir. Eu estava na área da casa e também lati te chamando para ver o que Leisa tinha encontrado. O latido da Leisa era [ 69 ]
  • 70.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir muito intenso, confesso que fiquei com medo e esperei você descer. Você já desceu em direção a Leisa com uma arma de fogo na mão e eu desci atrás, foi quando tomamos o maior susto com aquele lagarto enorme. Você disparou contra o ladrão de ovos. Aí quem correu fui eu e a Leisa, porque nós não suportamos barulhos de arma de fogo ou fogos de artifícios. Você chegou à porta da casa com o lagarto na mão, e as meninas fotografaram o lagarto. O Arnou tratou do lagarto e dona Lourdes cozinhou o bicho. Até eu comi lagarto e roí os ossos. Mas não critiquem o meu pai, amigos ecologistas, ele nunca caçou animais silvestres, não [ 70 ]
  • 71.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir permite e nem gosta quem mata animais selvagens. Nestes dez anos só matou este lagarto. E posso dizer com certeza que estes lagartos não estão nem um pouco em risco de extinção. Nos meses quentes quase todo dia vemos um passando de lá para cá. Aliás, lá no sítio tem de tudo. Cobras, muitas cobras, de todo tipo e tamanho, cervos, cotias, esquilos, raposas, cachorros do mato, raposas, tatus, aves multicoloridas. Obrigado Deus por meus olhos contemplarem tanta glória! 18 – MINHA EDUCAÇÃO Quando deixei de ser menina e me tornei uma cadela adulta, já havia modelado toda minha conduta, nos melhores padrões que os humanos esperam de um cão. Não precisei de adestrador, nem meu dono teve grande esforço para me fazer compreender as regras de convivência em uma família de humanos. Cães, gatos e qualquer outro animal de estimação que não se esforça para aprender as regras de uma casa, corre o risco de ser abandonado. Este é um perigo que deve ser considerado por todos os animais que querem viver no meio dos humanos. Lugar de fazer suas necessidades fisiológicas é o primeiro problema que precisa ser solucionado. Nenhum humano gosta de caminhar pela casa e de repente sentir [ 71 ]
  • 72.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir os seus pés molhados por xixi, ou pior, pisando no cocô. Então, se tiver uma caixa de areia, ótimo este é o lugar, se não tiver, procure um canto longe da casa, se tiver uma área de terra bem, caso contrário, faça as necessidades o mais distante da casa. Outra coisa que os humanos odeiam, são os animais inoportunos que ao verem o dono comendo latem, pulam nas pernas das pessoas, fazem um drama, que deixam as pessoas irritadas, não as deixando comer sossegadas. Tem cães que precisam ser presos em cômodos para pararem de incomodar os donos quando comem. Sem querer falar mal dos gatos... tem um monte assim... Eu e a Leisa jamais latimos na hora do almoço. Mas o Toby... é de dar vergonha... Zenilda não deu educação para aquele poodle, mas já não tem mais jeito, está muito velho, como diz meu dono: Toby é o Ramsés II de tão velho... Outra coisa que se eu pudesse dava aula de etiqueta para os cães: Pelo amor de Deus vira-latas, se enxerguem, não fiquem entrando e saindo da casa, somente entre se forem convidados. Animais ladrões, isso é o cúmulo! Não podem ver uma carne na mesa ou na pia da cozinha que pulam, agarram a carne e saem correndo para comer, achando que as pessoas não desconfiarão de você. Gato ladrão abre panela de pressão e mixa cadeado. Cães ladrões abrem geladeira que não deixam nem as digitais. Misericórdia!!! [ 72 ]
  • 73.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Lamber as pessoas - é verdade que lamber é uma das maiores expressões de carinho que um cão e um gato podem dar. Mas façam isso com seus filhotes, ou uns com os outros. A maioria dos humanos sente repugnância com esta demonstração de afetividade. Eu mesmo quando queria que alguém me fizesse carinho, apenas empurrava sua mão com o focinho. Cansei de ver a Leisa tomar tapa na cabeça do meu dono Valdemir porque ele não gosta de lambida. Esta “loira” da Leisa vai morrer e não vai aprender... Por isso que ela tem a fama de chata e ainda acha que os outros é que implicam com ela. Veja nesta minha foto abaixo. Cães se deitam no chão e não na cama ou no sofá... Gatos são diferentes, também alguns cães são criados dentro de casa com tratamento vip, mas são cães de pequeno porte ou que não tem contato com a terra, cães urbanos. Nós, cães mais rústicos e criados em sítios não podemos subir nas camas e sofás, sujando os móveis e assentos. Mas eu também tenho meus vícios, aliás, eu e Leisa. No sítio têm alguns sofás que ficam na área de fora da casa, mas Valdemir não queria que nós dormíssemos nos sofás. Então tínhamos um truque: Durante o dia e até certa hora da noite, nós dormimos em cobertas no chão da área, até que percebemos que não tem mais barulho na casa e ai, nós buscávamos dormir mais confortavelmente e cada uma ia para um sofá deitar. Só que já fomos flagradas [ 73 ]
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    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir dezenas de vezes, porque Valdemir acorda de madrugada para ir ao banheiro e aproveita para sair e contemplar o céu e quando percebemos, ele já está em cima de nós dando uma bronca. Confesso que este é um vício nosso. Para nos corrigir, o Pai coloca cadeiras deitadas em cima dos sofás... 19 – EDSON, MORADOR DE RUA Meu querido dono Valdemir, sou grata a Deus pelas missões que realizei neste mundo. Tive você como a pessoa mais importante deste mundo, somente abaixo de Deus. Não importava-me seus defeitos, seu aspecto físico, a marca do seu carro, o seu cheiro de suor, suas [ 74 ]
  • 75.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir roupas baratas, e quanto você tinha de dinheiro no bolso. Para que serve dinheiro mesmo? Mas além de você eu tinha a missão divina de amar todos os seres humanos que cruzassem o meu caminho. Um deles foi o Edson, pena que nem foto dele, você tem... Edson era um morador de rua, sabe lá Deus o que o levou a cair na vida, tinha família na grande São Paulo, sua filhas queriam que ele voltasse para casa, mas ele preferia morar na rua, alias, depois que conheceu você ele nunca mais morou na rua, porque você deu abrigo para ele por mais de dez anos. Edson morava na área da casa da rua Rangel Pestana. Sua mãe morava no interior da casa, e o Edson debaixo de uma marquise no interior do imóvel, é lógico que ele era útil, por ser uma pessoa que de certa forma guardava a casa, mesmo assim, você mostrou confiança em Deus e deu um voto de confiança permitindo que ele morasse ali sem saber o passado daquele homem. Você e dona Lourdes deu abrigo a um ser humano, e isso será levado em conta. Quando fui morar na Rua Rangel Pestana, Edson já morava na área da frente, mas até minha chegada, duas vezes a casa foi roubada, e os bandidos puseram em perigo a vida do Edson que foi rendido. Em um destes roubos a polícia agiu e o ladrão foi preso. Mas com a minha chegada os ladrões e viciados nunca mais colocaram os pés dentro do imóvel, porque eu e Leisa estávamos ali para proteger Lourdes e Edson. Sei que muita gente fez piada com o Edson, dizendo que eu era esposa dele, porque Edson [ 75 ]
  • 76.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir dormia com os cães... é assim que muitas pessoas tratam o sofrimento alheio, com desdém. Coisas de humanos... Edson era uma pessoa que gostava muito de lê, todas as manhãs ele comprava um Jornal chamado “Expresso Popular”, aqui de Santos, e não deixava de preencher as palavras cruzadas. Apesar da sua condição social, ele era culto e sempre tinha conversas interessantes com Valdemir, contudo Edson era uma pessoa muito doente, tinha bronquite crônica, e muitas pessoas se perguntavam como alguém que dormia debaixo de uma marquise, sujeito ao frio da madrugada e ainda vivia? Ele tinha mais de 50 anos quando eu o conheci. Edson conseguia algum dinheiro vendendo picolés com o carrinho da sorveteria do Valdemir, foi assim que os dois se conheceram no ano 2000. Eu entrei na história em 2005, e só conheci o Edson mais tarde. O Edson ainda fazia bico em um bar nas redondezas, durante a noite, fazendo um trabalho de vigia, enquanto o bar estava aberto e ajudava o dono do bar em guardas as mesas e arrumar as coisas e em troca ganhava alguns trocados e refeições que sobrava, faziam uma marmita para o Edson. Aliás, para o Edson, para mim e para Leisa, porque quando sobrava comida no bar, o Edson trazia para nós duas. Aquele nosso amigo nunca se esquecia de nós, comíamos do bom e do melhor com ele. Em troca nós dávamos ao Edson carinho que nenhum ser humano podia lhe dar. Infelizmente em 2013 ele teve um ataque [ 76 ]
  • 77.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir de bronquite forte e ficou internado na Santa Casa por algum tempo, onde veio a falecer e nunca mais vimos o nosso “Lázaro”. Nós, os cães, amamos crianças, doentes, velhos, desamparados, mendigos. Amamos qualquer um que tenha tempo para se relacionar conosco etc. Quando você não tiver mais nenhum amigo, você enxergará que há uma espécie de milhões de exemplares te esperando com um sorriso para te abraçar. Eu te amei muito Edson, nunca te esquecerei... 20 - PERDIDA NO MATO, NA ESTRADA DE ITARIRI O nosso dono tentou nos colocar para morar no sítio quando ele se mudou para a casa da Avenida das Américas e por fim, eu e a Leisa fomos morar na casa de dona Lourdes. Mas vou contar para vocês porque fracassou nossa primeira empreitada em morar no sítio. Valdemir passou a ir todos os finais de semana para o sítio em Itariri e achou que eu e a Leisa poderíamos morar lá. Sua intenção era transformar um galinheiro, em nossa casa, um canil. Acontece que o galinheiro era feito de tela de nylon ou plástico, um material pouco resistente para cães. No domingo que ele resolveu nos deixar no sítio, nos trancou naquele canil improvisado e foi embora. Assim que Valdemir ligou o carro e partiu, eu e a Leisa nos desesperamos para ir com nosso dono, e começamos [ 77 ]
  • 78.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir a forçar a tela que facilmente foi rasgada com os nossos dentes e saímos correndo atrás do carro. Nosso dono não percebeu, mas eu e a Leisa o seguimos por dois quilômetros, seguindo o barulho do motor do carro em meio a floresta onde ficava o refúgio do sítio. Contudo, após corrermos bastante, comecei a sentir falta de fôlego, porque eu era pesada e tinha as pernas curtas. Quando desistimos de correr, nos encontrávamos perdida na estrada e não sabíamos mais como voltar para a casa do sítio, já estava escurecendo e resolvemos passar a noite ali mesmo na estrada. Durante a noite vimos vários sapos e caracóis, pois sem dúvida estes são os animais de hábitos noturnos que mais se aproximam de nós, sem demonstrar medo algum. O dia amanheceu e eu e a Leisa resolvemos ficar por ali mesmo, quando vinha um carro, nós entravamos na mata lateral a estrada para não sermos atropelada, porque a estrada era muito estreita. Como os dias foram passando, logo nossos instintos foram despertando para sobreviver; do ponto que estávamos dava para escutar o barulho do rio e ali descíamos para beber água. Na natureza encontrávamos vegetação e fruta que dava para comer, como Itariri é uma região de plantação de bananas, por todo lado tinha bananeiras, e sempre alguns cachos amadureciam no meio do mato e as bananas caiam e eu e a Leisa comíamos. Dias e noites foram se passando, mas nós nunca ficávamos distante da estrada, sempre em uma distância que os nossos ouvidos pudessem detectar o [ 78 ]
  • 79.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir barulho do Kadett, porque nossa audição consegue detectar exatamente o barulho do motor do carro do nosso dono. Nosso dono foi embora no domingo à noite e só voltaria no sábado, mas como não sabemos contar os dias, o mais confiável era ficar ali todos os dias atentas. Finalmente o sábado chegou e logo de manhã ouvimos o barulho do Kadett. Meu Deus, Valdemir está voltando para nos salvar!!! Corremos a toda velocidade em direção à estrada, porque estávamos no riacho que passava abaixo da estrada, e quando alcançamos a estrada, o carro do Valdemir estava exatamente a poucos metros, vindo em nossa direção. Latimos eufóricas e Valdemir freou o carro surpreso por nós estarmos ali, tão distante da casa. Nós estávamos tão alegres em vê-lo e não queríamos correr o risco de perdê-lo de novo, então eu saltei pela janela no colo do Valdemir, e a Leisa saltou pela janela do lado do passageiro. Ficamos todos festejando o encontro ali na estrada, era uma gritaria só, dentro do carro parado na estrada. Depois do comovente encontro, fomos ao sitio. Quando lá chegamos, Valdemir percebeu porque estávamos ali, ele viu que a tela do canil improvisado estava rasgada por nossos dentes e que a ração estava inteira ali, já embolorada. Então Valdemir percebeu que havíamos escapado no mesmo dia do canil e que fomos parar ali naquele ponto da estrada porque foi até onde conseguimos segui-lo. [ 79 ]
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    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir 21 – OS PATOS O sítio já teve muitos patos, mas esta pata da foto era um super-mãe, eu gostava de vê-la passeando nos tanques com os seus filhotes. Deus já fez cada criatura com seus instintos programados para fazerem o que Deus determinou no seu DNA. Mas esta pata era muito brava, ela já me colocou para correr várias vezes, a gente nem podia ficar olhando para os patinhos dela que ela já vinha tirar satisfação. Tinha que olhar de longe. Valdemir chegava a ameaçar pegar um patinho só para vê-la irritada e avançava na mão dele, beliscava com o bico que chegava a cortar a pele, mas Valdemir se divertia. Fico pensando como Deus é maravilhoso, colocando um instinto materno tão forte nas mães que elas muitas vezes não tinham medo nem mesmo de criaturas bem maiores do que elas. [ 80 ]
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    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir 22 – ZENILDA Agradeço a Zenilda por ter permitido-me entrar em sua vida. Não posso esquecer o seu cuidado por mim, sempre preocupada se eu já havia comido, se havia água fresca para mim e se eu estava bem abrigado contra o frio ou contra o calor. Sempre se dirigia a mim com carinho e ternura, nunca tratou-me como um cachorro qualquer. Zenilda faz parte de um seleto grupo de pessoas que tratam os cães com dignidade, que Deus saiba lhe recompensar. Desde a minha infância até os meus últimos dias ela deu-me dignidade. Quando eu já não me alimentava e esperava a morte, fiquei alguns dias aos seus cuidados. Mas eu sei que Zenilda não gosta de se lembrar dos meus últimos dias já fraca, ela gosta de lembrar dos meus dias de pleno vigor, quando eu corria como uma atleta, mesmo tendo perninhas curtas e um corpo roliço e pesado. Certa vez Valdemir e Zenilda estavam fazendo exercício físico, e frequentemente corriam do bairro do Casqueiro a Ilha Caraguatá, e em um destes dias, eu corri com eles. Como foi bom! Valdemir corria mais a frente e uns cinquenta metros atrás vinha Zenilda, eu estava tão empolgada e feliz que eu corria até acompanhar Valdemir, depois, olhava para trás e via Zenilda, então eu voltava para acompanhar Zenilda, então eu já queria correr ao lado de Valdemir, e eu acelerava para acompanha-lo. Foi um fim de tarde maravilhoso. São aquelas coisas gratuitas, de felicidade pura e simples, que [ 81 ]
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    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir não se compra com dinheiro ou no cartão de crédito. Felicidade que não tem valor econômico. Quando a Zenilda ia para o rancho do sitio, ela gostava de ficar a beira da piscina deitada, e eu ficava fazendo-lhe companhia. Procurava uma sombra e ficava vigiando-a, guardando-a, esperando o momento de dar e receber carinho. Meu dono sempre foi mais relaxado, mas a Zenilda não, logo que chegávamos ao sítio, a primeira coisa que ela providenciava, era água fresca para mim que sempre vinha ao sítio, ou no porta-mala do Kadett, ou na carroceria da camioneta. [ 82 ]
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    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Foto de 2008, eu sempre estou por perto das pessoas que amo. Amor é sentir prazer em estar ao lado de quem ama, mesmo que não tenha nada para fazer. 23 – ELLEN Dias maravilhosos eu vivi ao lado da Ellen Valkyria, filha de Valdemir. Elas eram meninas, Esther tinha seis anos e Ellen tinha cinco anos. Valdemir sempre brincava chamando eu e Leisa de irmãs de Esther e Ellen, muitas vezes ele dizia: Doutora, vá chamar suas irmãs! Ellen fazia aquela cara como dizendo: “Eu não sou cachorro não!” Mas nós os cães não ficamos magoados com facilidade. Tudo levamos como brincadeira e farra. Quando a Ellen e Esther iam para o sítio, elas costumavam ficar na casa, limpando-a, fazendo a comida, lendo no quarto, ou brincando na piscina. Era comum, as meninas sentirem vontade de ver o pai e a Ellen se dirigia [ 83 ]
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    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir para mim dizendo: “Doutora, me leva até onde está o papai?” Parece incrível, mas eu entendia o que ela queria, ela ameaçava pegar um caminho no sítio, e eu logo sacava o que ela e Esther queriam, e eu com meu faro aguçado, sentia as moléculas de cheiro do meu dono e fazia o trajeto que ele percorreu somente sendo guiada pelo odor. Muitas vezes Valdemir percebiam que eu e as meninas estávamos indo atrás dele, então, ele se escondia para testar se meu olfato era capaz de localiza- lo; e eu nunca ficava desorientada, sempre levava as meninas até Valdemir. Tudo era uma brincadeira, uma felicidade. Mesmo Ellen que não tem afeto com cães, gostava de mim, porque eu sempre parecia estar sorrindo e alegre e com a língua de fora. Esta foi a minha marca no mundo. Obrigada Deus, obrigada pelos dias felizes ao lado de Ellen. Quantas vezes nós voltámos juntas na camioneta, pois a camioneta era de cabine simples, e Valdemir colocava um banco na parte traseira da carroceria, aonde Ellen, e Esther iam sentadas, e eu e a Leisa íamos em meios as caixas de frutas, produtos da horta e raízes que Valdemir transportava para dar para amigos e parentes. [ 84 ]
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    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir “Éramos quatro irmãs.” Um dia houve um acidente no sítio que me deixou preocupada. Valdemir estava de férias, e quando isso acontecia, nossa estadia no sítio chegava a durar uma semana. Naquela estadia estavam no sítio, Valdemir, as duas meninas e a dona Lourdes. Além de mim e da Leisa. Em um final de tarde, a Ellen corria quando distraiu-se e correu em direção ao arame farpado, sofrendo um grande corte no pescoço e no queixo. Ela chorava e colocava sangue para fora. Valdemir ficou muito nervoso, porque já havia advertido que elas não deviam correr no sítio porque havia risco de se machucarem. Dona Lourdes falou que não dava para ficar tratando aquilo em casa, e Valdemir pegou a camioneta e fomos todos para a cidade de Itariri, onde Ellen teve que levar pontos no queixo e no [ 85 ]
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    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir pescoço. Se o corte fosse no lado oposto do pescoço, o acidente poderia ser fatal. Mas o anjo de Deus sempre esteve conosco, e nos momentos decisivos alterava os fatos. Fazendo uma nova história, não permitindo coisas piores. Ellen só não gostava quando a Leisa pulava com as patas dianteiras se apoiando nela. Aliás, ninguém gostava disso, só a Leisa que nunca aprendeu... 24 – ESTHER [ 86 ]
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    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Como Deus foi bondoso comigo, permitindo-me viver nesta família! Esther sempre foi mais voltada aos animais. Valdemir sempre pedia para as meninas, quando iam ao sítio, trocar a água dos animais. No sítio havia um cercado de jabutis e outro com porquinhos da Índia. Eu muitas vezes colocava minhas patas dianteiras na mureta do cercado e ficava olhando através da tela, aquela manada de porquinhos multicoloridos. Eu os achava bonitos, e sabia que não podia caça-los. Eu sempre fui inteligente o suficiente para compreender que não deveria atacar os animais que Valdemir criava. Mas que gostava de dar uns sustos na Pamela, isso eu gostava! Esther nos amava, e muitas vezes brincava conosco. As poucas vezes que o sobrinho do Valdemir, o Rodrigo, foi ao sítio, todos nós brincávamos de esconde-esconde, mas eu e a Leisa não entendíamos a regra da brincadeira e por isso acabávamos algumas vezes denunciando onde estava as crianças escondidas. Quando corríamos juntos, vez ou outra, cruzávamos a frente de um deles e provocávamos seu tropeço e queda, era tudo muito engraçado, e ninguém se machucava. [ 87 ]
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    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir [ 88 ]
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    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir 25 – DONA LOURDES Vivi alguns anos na casa de Dona Lourdes, mãe do Valdemir. Ela era uma senhora maravilhosa. No começo ela não queria ficar conosco, porque ela nunca criou cães, e achava que teria muitas dificuldades em criar eu e a Leisa. Mas quando ela passou a conviver conosco e ver os nossos serviços de proteção e guarda, ela já não queria que eu e Leisa saíssemos nem aos fins de semana para ir ao sítio. Obrigado por tudo “mainha”. [ 89 ]
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    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Dona Lourdes procurava nos dá comida como arroz com carne, ou arroz com frango. Eu e a Leisa gostávamos muito das comidas que os humanos comiam, e dona Lourdes não somente percebeu isso, como passou a cozinhar para nós. Que senhora linda! Valdemir ensinou-lhe a nos dá banho. No começo dona Lourdes disse que não conseguiria sozinha, dar banho em cães, porque não teria força para segura-los. Mas logo ela viu que eu e a Leisa éramos disciplinadas e quando ela nos chamava para perto da torneira com balde ou mangueira, nós se aproximávamos e ficávamos quietas, esperando o banho de água, e sermos ensaboadas. Depois do banho, dona Lourdes permitia-nos sair pelo portão e dar uma corrida pela quadra. [ 90 ]
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    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Como um anjo, eu muitas vezes aparecia espontaneamente no momento que as pessoas tiravam fotos. Nestas duas fotos com Dona Lourdes, vejam que nem havia intenção de fotografar-me. Os anjos são assim, eles estão pertos e vocês nem percebem!!! Dona Lourdes nunca esqueceu o dia que eu salvei sua vida. Eu e Teocron. Vários dias por semana a dona Lourdes vai ao culto adorar a Deus na Assembleia de Deus do bairro do Jabaquara em Santos. Ela vai as 19hs e volta por volta das 21:30hs ou 22hs. Em uma destas noites, um viciado em drogas, morador de rua, ficou na espreita da Dona Lourdes do outro lado da rua, onde fica a Arena Santos. De dia o lugar é muito movimentado, sendo quase todo, uma área comercial, mas a noite, não se vê movimento de pessoas caminhando pelo local, somente carros. O astuto marginal ficou na espreita debaixo da marquise do prédio da Arena Santos, e Dona Lourdes achando que não havia perigo, falou para sua amiga Selidia, que sempre vinha do culto junto com ela dizendo que esta não precisava acompanha-la até a porta. Quando Dona Lourdes chegou no portão da sua casa, eu vi o marginal atravessando a rua rapidamente, vindo por trás de um carro que estava estacionado em frente a casa e quando Dona Lourdes encostou no portão para abrir o cadeado, eu lati ferozmente contra o bandido, e Leisa engrossou o rugido ferroz, batendo com as patas no portão. Como o bandido [ 91 ]
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    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir pensou que Dona Lourdes já havia aberto o cadeado ele recusou e saiu andando apressadamente. Dona Lourdes quando olho para trás tomou o maior susto, porque o bandido ficou a poucos centímetros de dominá-la. Fiz a minha parte e do lado de fora, o anjo Teocron encheu o coração do bandido de pavor e ele sumiu dali. O mundo está correndo serio risco com a disseminação das drogas, as pessoas estão enlouquecendo e ficando com as mentes escravos do Diabo. Os tratamentos químicos e terapêuticos não estão sendo capazes de libertar os homens das drogas. O usuário de drogas perde o limite e a sanidade mental, e faz coisas absurdas e não raras, criminosas. A minha chegada na Vila Matias em Santos, na casa de Dona Lourdes foi um plano de Deus para protege-la. Eventualmente drogados pulavam a mureta da casa e defecavam na área externa da casa, até usavam drogas. Com a minha chegada na casa, os viciados foram expulsos dali. Eu e a Leisa fazíamos os maiores escândalos quando víamos um usuário de drogas. Dona Lourdes ficava até espantada achando que nós duas tínhamos preconceito contra mendigos, mas não era contra os pobres que nós mostrávamos valentia, mas contra as pessoas possuídas por espíritos imundos. Muitas vezes nós víamos estas pessoas passarem com criaturas horripilantes penduradas em seus pescoços, e estes espíritos imundos passavam provocando-nos, por [ 92 ]
  • 93.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir isso eu e a Leisa latíamos ferozmente contra os viciados, sujos e drogados que passavam pela rua. O portão da casa da Rua Rangel Pestana tinha muita história maravilhosa, muitas pessoas boas passavam por ali e viravam nossos amigos. Havia um pedreiro que passava de bicicletas quase todos os dias, e sempre que passava por ali fazia um carinho em mim e na Leisa. Eu sabia que ele era gente de bem e por isso fizemos amizade com ele. Assim foi com tantas outras pessoas. Seu Zé da Solimene, como poderia esquecer este bom homem. Finais de semana que Dona Lourdes ira para Praia Grande e nós duas não íamos para o sítio, era o Seu Zé que cuidava de nós. Ele era vigia da oficina Solimene e este bom homem se ofereceu para cuidar de nós, ele nos dava comida, água fresca, e ainda recolhia nossos excrementos. Ele não cobrava nada por isso. Dona Lourdes como boa mãe, dava-lhe agrados, como fazia eventualmente um almoço, ou dos produtos do sítio que Valdemir trazia, ela dava-lhe parte das bananas, mandiocas etc. Tinha vezes que Dona Lourdes viajava e se ausentava por semanas, e o seu Zé cuidava de nós como um santo homem. A vida é cheia de provações porque não dá para as pessoas enganar os outros o tempo todo, elas acabam mostrando o que tem no coração, os bons na dificuldade dividirão o seu pão, os maus vão tomar o pão dos outros. Quem é da luz, na escuridão brilha, quem é das trevas, da luz se refugia. [ 93 ]
  • 94.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Seu Zé seja bendito por tudo o que nos fez. Quem dá um pote de água fresca para um cão, que cuida das criaturas mais fracas e inferiores serão tratados com misericórdia por Aquele que tudo vê. Quando Dona Lourdes estava morando em Praia Grande, agora no ano de 2015, um dia o Daniel esteve por lá e conversava com Dona Lourdes na porta da casa, e na hora do Daniel ir embora, ele abriu a porta do seu carro. Quando eu vi a porta aberta, eu e a Leisa entramos no carro. Dona Lourdes e o Daniel tiveram trabalho de tirar-nos do carro, deitamos nos tapetes, como sempre fazíamos nos carros do Valdemir. Centenas de vezes Valdemir viajava conosco e quando estava sozinho no carro, ele nos deixava ir no tapete do carro, ao seu lado. Naquele dia, entendemos que Daniel abriu a porta para nós entrarmos como Valdemir fazia. Tiveram que tirar a gente a força do carro do Daniel. Depois fiquei sabendo que Daniel é extremamente zeloso com seu carro, mantendo-o extremamente limpo e conservado, e que ele não deve ter gostado nem um pouco de termos espalhado pelos em seu veiculo. 26 - PRESA NA CARCERAGEM DA DELEGACIA Teve uma vez que a camioneta quebrou o cambio e Valdemir veio arrastando o carro de Itariri até Itanhaém, sendo necessário um guincho levar o veiculo até São [ 94 ]
  • 95.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Vicente, na porta da Delegacia, dali o Marcos veio com seu carro e levou Esther, Ellen e um amigo do Valdemir chamado Jorge para a casa delas, Valdemir, pegou sua moto que estava na Delegacia e foi para casa, e eu e a Leisa ficamos na carroceria da camioneta que tinha capota, ficando as janelas abertas para podermos respirar bem. Isso já era de madrugada. Valdemir só veio nos pegar meio dia do dia seguinte. Acontece que os funcionários da Delegacia que trabalhavam de manhã ao nos vê dentro da carroceria, sem água e sem comida, eles nos tiraram dali e nos levou para a carceragem, pois não havia nenhum detido ali, e eles gentilmente nos forneceram água e comida. Quando Valdemir chegou a Delegacia ficou surpreso e agradeceu as pessoas que tiveram a atitude de cuidar de nós. O mundo ainda não acabou porque ainda existe amor e bondade entre os homens. Judeus e romanos não podiam compreender como Deus poderia caminhar entre os homens na forma de um homenzinho baixo, magrelo, feio, narigudo, barba malfeita, vestindo roupas desgastadas, malcheiroso, com voz estridente. Depois os artistas fizeram uma representação de um Jesus bonito de visual mais agradável. Quem não conheceu o homem Jesus, vai se surpreender quando vê o corpo frágil, débil e desajeitado que O Filho de Deus usou para se mascarar e andar entre os homens. Em todo o mundo milhões de anjos passaram pelas pessoas em forma de vira-latas, e como os judeus e romanos, vocês os maltratam... Chegará o dia que todos [ 95 ]
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    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir sentiram vergonha de si mesmo, correram tanto atrás do ouro, e muitas vezes rejeitaram criaturas mais preciosas que o ouro e a prata. 27 – DETECTANDO COBRAS NO MATO Bom amigo, nossa amizade é fundamentada no amor, e não naquilo em que um pode ser útil ao outro. Mas as amizades de verdade, elas fazem bem e não mal. Ter você como amigo me trazia segurança, moradia e alimento, carinho e atenção. Eu lhe dei tudo o que podia, como respeito, veneração, amor, fidelidade, companheirismo e relativa proteção. Os cães além do afeto que dão aos seus donos, eles podem dar segurança [ 96 ]
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    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir contra criminosos para quem vive na área urbana, mas, para as pessoas que vivem na área rural, nós chegamos a ser essenciais. Desde 2006 a 2015, período em vivemos nossa história de amor, eu sei que fui muito importante para sua proteção no sítio. Inúmeras vezes mantivemos cobras longe de você, mas não foi só você que eu protegi, era difícil um dia que eu e a Leisa não tinha que fazer os lagartos se esconderem nas tocas, mantendo-os distantes do galinheiro. Com nossa presença próxima aos pintinhos, os gaviões receavam em atacar nas imediações da casa. Durante a noite você nem imagina quantos animais apareciam em volta da casa do sítio. Eram gambas, cachorros do mato, cobras, raposas, pequenos [ 97 ]
  • 98.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir felinos, veados, aves noturnas. Lá no sítio os latidos a noite, nem sempre eram conversas com outros cães, eram latidos de advertências, afastando animais selvagens. Quando você pegava certas ferramentas, eu já sabia que você iria para o campo ou para a mata, e eu pulada e corria de alegria, porque eu gostava de explorar a mata. Você se lembra quantas vezes nós descíamos ao riacho, e eu fazia questão de entrar no riacho? No riacho havia muito acúmulo de sedimentos de folhas em decomposição e se formava uma lama preta, e aí, eu voltava para casa com a metade do corpo preto. Quando você tomava uma direção, eu logo me adiantava a você e fazia questão de ir a sua frente para protege-lo, para que você não pisasse em algum cobra acidentalmente. Lembra uma vez que eu e a Leisa íamos [ 98 ]
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    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir a sua frente e então com nosso olfato detectamos uma cobra em um galho e cercamos a árvore e latimos, e você já veio imaginando o que era, e de fato era uma cobra. Você não matou a cobra, e foi trabalhar em uma área mais distante. Mas nós cumprimos nossa missão de alertá-lo do perigo. Outro dia você de longe viu uma cobra d´água saindo do mato e entrando em um poço perto da jabuticabeira mais antiga do sítio, você nos testou passando por ali, e como eu e a Leisa estávamos a sua frente, você ficou observando para vê se eu e a Leisa iriamos detectar a cobra que já havia submergido. Não deu outra, quando passamos pelo local, detectamos o odor da cobra e com o nosso olfato refizemos o trajeto da cobra do mato ao poço. Você ficou maravilhado conosco. Você sempre dizia para eu tomar cuidado com cobras e nunca se aproximar além do limite de segurança, e eu sempre ouvi suas orientações. Afinal, muitos cães perdem a vida naquelas bandas por acreditarem que são mais espertos que as cobras. Ainda bem que cobra não tem pernas, nem asas, porque elas com o corpo que tem já são muito ágeis e rápidas. [ 99 ]
  • 100.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Eu estava no dia em que você matou esta cobra Jararaca, uma serpente muito venenosa. É uma criatura que estão por todos os lugares da mata atlântica. A maioria das vezes você deixa estas cobras vivas, respeitando o princípio que toda criatura merece viver. [ 100 ]
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    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir 28 – BRINCANDO DE PEGA-PEGA Eu gostava de passear pelo sítio, explorando a natureza, observando os outros animais, sentindo os muitos odores da mata, cheiro de animais, cheiro de flores, cheiro de frutas. Como é bom correr na terra, sem queimar as patas no asfalto e no concreto quente das calçadas das cidades! [ 101 ]
  • 102.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Cachorro do vizinho Arnou, chamado “Vencí”. Vez ou outra aparecia por lá, nos primeiros anos do sítio, e brincava comigo e com a Leísa. Eu e a Leisa gostávamos de brincar de correr, principalmente nos dias ensolarados. Muito quente ou chovendo era desagradável brincar. Nós corríamos e rolavamos pelo chão, muitas vezes simulando uma luta, corríamos até cansar. [ 102 ]
  • 103.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Apesar de ser baixinha e roliça, eu era muito ágil, vejam nas fotos que eu apareço borrada, por causa da velocidade dos meus movimentos. Tinha vezes que Valdemir fica com inveja de nós e também parava de fazer seus afazeres e por alguns instantes corria atrás de nós, e depois nós simulávamos que iria atava-lo, e quando chegava bem perto dele, nos desviávamos para a esquerda ou para a direita. Estas brincadeiras eram uma [ 103 ]
  • 104.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir delícia, isso é a felicidade das criaturas que Deus gosta de vê. Por causa do poder, do dinheiro e do exibicionismo as pessoas humanas perderam parte da capacidade de serem felizes com o gratuito. [ 104 ]
  • 105.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir 29 – DESMAIO Lembro-me que quando ainda era nova, certo dia senti-me tonta e desmaiei. Fiquei estatelada no chão, ainda morava na Rua Maria Graziela, no Casqueiro. Zenilda cuidou de mim, socorrendo-me na hora, deitando- me confortavelmente. Deu-me água e ela suspeitou que eu estava com anemia, e por isso ela passou a alimentar- me com uma dieta de fígado. Do mesmo jeito que ela fazia com a sua filha Lívia quando resultados de exame apontavam anemia. Zenilda suspeitou que este mal ocorreu-me por causa de carrapatos. Como as pulgas e carrapatos atormentam a vida dos cães que vivem nos quintais, sítios ou nas ruas. A vida toda eu tive que tomar remédio, usar shampoos anti-pulgas e anti-carrapatos. 30 - ATACADA PELA PITBULL DÁRA [ 105 ]
  • 106.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Os pitbulls são raças de cães construídas através de manipulação humana, visando constituir uma raça de cães de briga e luta, para participar de rinhas e para caçar ursos. Acontece que esta raça se popularizou entre pessoas comuns, sendo introduzidos na sociedade e vivendo com pessoas sem o menor preparo para cria-los. Resultado: Os pitbulls estão sempre envolvidos em ataques a pessoas e outros cães. Humanos e animais são frequentes vítimas destes problemas de violência. Desde 2014, no sítio do vizinho Arnou, passou a viver a cadela Dára, uma mestiça de pitbull e vira-lata, mas que ainda apresenta constituição física avantajada, típica dos pitbulls. Dára já havia me visto várias vezes, ela corria em minha direção, e eu sempre corria dela, evitando qualquer atitude que expressasse desafio. A pitbull Dára algumas vezes vinha cheia de pose na minha direção, e eu para evitar confronto colocava o rabo entre as pernas e se abaixava, como sinal de submissão. Como o sítio do meu dono faz divisa com o sítio do Arnou, vez ou outra nós passávamos em frente a casa do Arnou, e teve um dia que a Dára se achou ofendida e em um ataque rápido mordeu o meu pescoço, segurando-o com força e chacoalhando-o. Eu gritava de dor e implorando que ela me soltasse. Valdemir estava perto e deu-lhe alguns chutes, que não resolveu nada. Arnou também deu-lhes uns socos e chutes que também não foi capaz de faze-la desisti da agressão. Logo veio a esposa do Arnou, a Rose, e o Allan. Valdemir se afastou um pouco e passou [ 106 ]
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    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir a orar a Deus, pedindo que o anjo do Senhor fizesse a Dára cessar a agressão. Allan segurou a Dára pela coleira, impedindo-a de jogar a cabeça de um lado para o outro, golpe típico dos pitbulls para quebrar o pescoço das suas vitimas. Dára não havia conseguido abocanhar meu pescoço, talvez porque minha pele era grossa, e ela só prendeu a pele e a gordura subcutânea. Subitamente o anjo tocou a pitbull e ela largou-me. Só fiquei com um pequeno furo no couro. Sai caminhando toda assustada, e Valdemir veio examinar-me, e depois saímos dali. Daquele dia em diante meu dono evitava que eu e a Leisa o acompanhasse quando ele ia trabalhar próximo a casa do Arnou para evitar o ataque da pitbull, porque esta raça é intolerante com outras raças. 31 - A PROFECIA DE PAULO Em 2015, Marcio adquiriu um pedaço de terra para construir uma chácara ao lado do sítio do Valdemir e por isso passou a frequentar o sítio com regularidade. Marcio costumava ir ao sítio à noite com Paulo Magno, eles passavam a noite conversando e orando. Dormiam no sítio e iam embora no dia seguinte, geralmente após o almoço. Em uma destas noites, era provavelmente o mês de maio, após orarem e se reunirem na sala, Paulo Magno levantou-se da oração com o rosto pesaroso e disse para Valdemir que tinha um recado de Deus para [ 107 ]
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    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir ele, mas que era um recado duro e difícil de passar, mas como era de Deus, ele disse que falaria. Paulo então disse: “Valdemir, se prepare, Deus está dizendo-me que você vai passar por um momento difícil, você vai sofrer uma perda muito grande. Prepare seu coração. Lamento muito, mais é isso que Deus está dizendo.” Nos dias que se seguiram eu via você, meu amigo, reflexivo e chegando mesmo a orar, falando com Deus sobre a profecia, dizendo que lhe desse força para passar pela provação já predita por Paulo Magno. Em sua mente passou muitas coisas, entre ela a morte de parentes próximos e até da minha morte. Ainda que eu estava bem de saúde, mas já com 10 anos de vida. 32 - A DOENÇA Os dias foram se passando, e eu estava com um inchaço em uma das tetas, que depois abriu uma ferida. Valdemir achou que era uma simples ferida e colocou um remédio para não infeccionar e não pousar moscas, esperando que a ferida fechasse. De fato fechou, mas passou a crescer um caroço, e já incomodava-me bastante, eu sempre ficava lambendo, e como sentia aquela região quente, procurava deitar no piso frio. Meu dono acompanhava o desenvolvimento daquele caroço com certa preocupação e esperava que ele diminuísse de [ 108 ]
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    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir tamanho. Mas a cada semana ele crescia mais. Eu percebi que aquilo era uma doença grave, mas ainda assim, corria e brincava como uma cadela nova, nunca deixe de acompanhar meu dono por onde quer que ele andasse no sítio. Mas teve uma semana que ele levou- me do sítio para sua casa, agora já morando na Rua México. O meu dono e Zenilda levou-me ao veterinário para examinar o carroço, que a esta altura já estava do tamanho de uma laranja. [ 109 ]
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    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir O doutor Renato, que tem uma clínica na Avenida Brasil, no Casqueiro, examinou-me com todo carinho e atenção, se espantou com o tamanho do abscesso, e esperava que não fosse maligno, o doutor Ricardo comentou com Valdemir, que muitas vezes os pequenos abscessos são mais maléficos do que os “melões”. Foi marcada a cirurgia para o final de julho de 2015. Alguns dias depois da consulta. [ 110 ]
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    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir [ 111 ]
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    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir 33 - A CIRURGIA Após ser examinada, o Doutor Renato disse que eu teria que passar por cirurgia, e que havia a possibilidade de ser um tumor maligno, mas deu uma esperança para nós ao dizer que os pequenos caroços costumam ser mais fatais que os grandes. Marcada a cirurgia no dia 27 de julho de 2015, as 11:00 horas, fui a mesa de cirurgia, tendo que passar por anestesia geral. Meu dono gastou oitocentos reais na cirurgia, mais duzentos com roupas cirúrgicas, e remédios pós- operatórios. [ 112 ]
  • 113.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir A cirurgia foi um sucesso, o Doutor Renato extraiu o tumor, fazendo uma grande incisão, retirando o máximo de tecido que pudesse porventura estar contaminado com células cancerígenas. [ 113 ]
  • 114.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Durante o processo de recuperação, eu tive que ficar com um aparato em volta do pescoço para não morder, ou lamber o local da cirurgia, e também tinha que usar uma roupa cirúrgica para manter os tecidos fechados, não rompendo os pontos. [ 114 ]
  • 115.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Na tarde daquele dia, eu acordei da operação, e fui andando até o carro, estava um pouco fraca e tonta por causa da anestesia. Mas a Zenilda cuidou bem de mim, todo dia ela dava-me os remédios receitados pelo meu veterinário. Quando Valdemir chegava em casa, eu pulava, latia, agitava-me toda, ele repreendia-me para eu parar de me agitar, mas não adiantava nada, eu só parava depois que ele fizesse um carinho. Por duas vezes, meu dono foi ao sítio sem levar-me e a Zenilda cuidava de mim. Um dia, quando meu dono voltou, eu já estava com a cicatriz fechada e a Lívia levou-me ao petshop para tomar um banho, passaram perfume em mim e colocaram um bonito colar no meu pescoço. Durante o período de restabelecimento, Valdemir levava- me para passear na Avenida Beira-Mar no Casqueiro. Eu [ 115 ]
  • 116.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir gostava de passear com meu querido dono. Durante este tempo, eu continuei com o mesmo corpo robusto, não emagreci, e por isso acreditávamos na recuperação plena. 34 - RESTABELECIDA A SAÚDE Passado cerca de 15 dias após a cirurgia, eu já estava livre dos pontos e daquele abajur na cabeça. Agora eu retornaria ao sítio, onde a Leisa ficou por quase três semanas só. A Leisa nunca ficou tanto tempo longe de mim, pois éramos amigas inseparáveis. Quando voltei de camioneta e chegamos ao sítio, eu fui na cabine com o meu amigo. Era comum, quando viajávamos sós, eu costumava ir na cabine da camioneta. Meu dono dirigia o carro, e eu ficava dormindo, ou olhando pela janela, como faz a maioria dos cães, ou o melhor, ficava olhando para o meu dono, e quando ele olhava para o lado e via-me olhando-o, ele passava a mão na minha cabeça, fazendo um carinho. Cheguei ao sítio e sai correndo com a Leisa, sentia-me bem, após a operação. Meu dono ia plantar palmito com mudas e ferramentas e nós duas fazíamos a maior festa, alegres, porque iriamos passear na mata. Nós cães nos alegramos com pequenas coisas. Somos felizes porque não precisamos de joias, viagem ao exterior, roupas caras, aparelhos eletrônicos sofisticados e outras vaidades humanas. No sítio voltei a rotina de [ 116 ]
  • 117.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir sempre, dormia na área externa da casa, latia a noite, conversando com outros cães. De dia brincava de correr com a Leisa, e ficávamos perseguindo animais silvestres como lagartos, tatus, gambás, nunca matamos nenhum animal destes, apenas nos divertíamos perseguindo até eles se esconderem em uma toca. Outro animal que gostávamos de colocar para voar eram os urubus. O sítio tem muitas árvores chamadas embaúbas. Esta árvore chega a ter vinte metros de altura, e possuem poucos galhos na parte mais alta, galhos retilíneos, favorecendo as grandes aves a pousarem como urubus, tucanos, gaviões e corujas. Mas, somente os urubus gostavam de descer em volta da casa para beber água em poços com peixes da espécie tilápia. Então, eu e Leisa ficávamos na espreita e quando um urubu descia, nós corríamos só para vê-lo voar. Quase todo dia os urubus descansavam em cima das embaúbas, observando o movimento embaixo. O mês de agosto foi tranquilo, eu sentia-me bem após a cirurgia. Com a nossa presença, Valdemir nunca se sentia só. No sítio existem dezenas de montículos de terra, cercada em círculos por azulejos com inscrições com temas de orações. A medida que Valdemir vai caminhando pelo sítio, ele vai parando nestes montículos, que ele chama de altares e se ajoelha para falar com nosso Deus. Quando ele se ajoelha, suas mãos ficam mais baixas, e eu e a Leisa aproveitamos para encostar [ 117 ]
  • 118.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir nossos focinhos, e muitas vezes enquanto ora, nosso dono fica com as mãos sobre as nossas cabeças. 35 - O RETORNO DO CÂNCER Na segunda semana de setembro, aconteceu algo horrível, eu percebi que se formavam dois enormes abcessos debaixo dos meus membros dianteiros, e vários outros caroços pequenos pela barriga. Eu senti que agora não havia mais jeito. Eu teria que despedir-me deste mundo, e deixar para trás o meu grande amor. Senti que agora já não havia mais esperança. Minha missão de amá-lo sobre todas as coisas deste mundo estava se encerrando. Valdemir estava em Cubatão quando os tumores começaram a crescer assustadoramente. Quando meu dono retornou ao sítio, e viu-me deformada, seus olhos se arregalaram, não acreditando no que estava acontecendo. Quando ele pegou-me no colo e passou a mão pelo meu corpo ficou em choque. Seus olhos se encheram de lágrimas, lágrimas que ele derramaria todos os dias até o dia da minha morte... [ 118 ]
  • 119.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Meu corpo deformado pelos tumores. Eu fui parando de comer e somente bebia água a todo instante. Não havia mais esperança, agora eu teria que ser corajosa e enfrentar a morte com firmeza. [ 119 ]
  • 120.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir [ 120 ]
  • 121.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Sozinha, a beira da piscina, eu fiquei uma tarde recordando-me dos dias felizes em que eu brincava, passeava. Lembrei-me das casas onde morei, das pessoas que amei. Estava distraída em meus pensamentos, agradecendo a Deus por tudo que Ele deu-me nesta vida. Vim ao mundo para vencer e venci, transformei o ódio em amor. Transformei aquele que não gostava de mim, nem dos cachorros, em uma pessoa completamente apaixonada. Afastei bandidos como um cão de guarda, amparei os esquecidos como o Edson. Completei minha missão, deixando a lição que: melhor do que vencer inimigos, é conquista-los, transformando-os em amigos. Deixei a lição; se os humanos são capazes de aprender [ 121 ]
  • 122.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir com os cães, eu não sei, talvez aprendam sim, alguma coisa, e por isso só, já terá valido a pena a minha existência. - Olá, amigo, meu eterno amigo, lá vem você com este celular, está tirando fotos de mim para sua recordação? Já estou morrendo de saudades de você. A dor da doença é nada, perto da dor da saudade. Estou triste por ter que encerrar nossa convivência. [ 122 ]
  • 123.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Vamos fazer uma self meu querido amigo. Eu fui o seu anjo, e você foi um anjo para mim. Agora só resta- nos entregarmos nosso destino nas mãos de Deus. Se Ele quiser nós poderemos nos encontrar novamente. Lembre-se que tudo passa, os dons passarão, mas o amor permanecerá para sempre. Se você realmente me amar, Deus vai nos surpreender. Não há promessas de Deus para os animais, mas há promessas para os humanos, e todos aqueles que serviram a Deus, na ressurreição, poderão receber prêmios incríveis, inclusive, quem sabe, seus animais de estimação de volta. Eu estou indo, mas o anjo que você vê pelo reflexo dos meus olhos vai continuar contigo. Se Deus permitisse eu ficaria do seu lado por toda vida, por toda a eternidade... [ 123 ]
  • 124.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Vamos ficar aqui deitado no chão, como os cães, nosso último entardecer juntos, vamos ficar deitado até a noite chegar... [ 124 ]
  • 125.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Logo a noite vai chegar, e a escuridão vai apagar este céu azul tão lindo. Amigo, nunca se esqueça de mim. Todas as vezes que você vê o céu assim azul, você se lembre de mim, e faça uma oração agradecendo a Deus pela nossa amizade. Amém? Seja como os cães que sempre tem tempo para as pessoas que amam. O único compromisso que temos nesta vida é em amar. Amar é isso que vivemos, este sentimento puro que houve entre nós. Em uma das últimas noites no sítio, antes de ir para a cidade onde seria sacrificada, eu senti uma paz divina, por concluir minha missão na terra, e Deus me [ 125 ]
  • 126.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir mostrou onde o meu corpo repousaria, mesmo debilitada eu sai da casa do sítio e fui vê onde seria minha nova morada, era noite, e fui andando com dificuldades até onde Deus me apontaria o lugar do descanso. Valdemir estranhou a cena, porque desde que o tumor voltou, eu não estava mais saindo de casa, e por isso Valdemir pegou o celular e foi atrás de mim. Quando ele viu-me sorridente ao lado da sepultura, ele chorou. Então eu o consolei: “Não fique triste, eu sei que vou morrer, e estou contente por você não jogar meu cadáver no lixo séptico como sugeriu o veterinário. Você fez para mim uma sepultura, uma forma respeitosa das pessoas depositarem o cadáver dos seus entes queridos.” [ 126 ]
  • 127.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir 36 - MEU ÚLTIMO DIA Os últimos dez dias foram terríveis, dores, fastio, falta de apetite, enfraquecida, sem forças para andar, secreções saindo dos meus olhos, dificuldade para respirar. Meu dono orava e jejuava por mim, com esperança que eu milagrosamente fosse curada. O Doutor Renato ficou sabendo do meu quadro e recomendou o sacrifício e a eutanásia. Eu estava preparada para tudo, já sabia do meu fim. Meu dono resistiu ao conselho do Veterinário, agradeceu o conselho dele que era baseado na razão, mas meu dono disse que iria seguir suas emoções. Dia 27 de julho de 2015, eu estava na casa da dona Lourdes, enquanto ela estava viajando em Sergipe, Valdemária, irmã de Valdemir, e Edson, seu cunhado, cuidavam de mim, e Valdemir foi até [ 127 ]
  • 128.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir a casa da dona Lourdes com Zenilda e o Daniel. Este Daniel é casado com a prima do Valdemir, a Sandra, e são amigos há 24 anos, ele já tinha dado a entender a meu dono que a eutanásia iria encurtar o meu sofrimento, mas Valdemir, dias antes, havia se recusado a pensar nesta possibilidade. Valdemir dizia: “Condenado a morte estamos todos os vivos, o doente conta com a esperança para continuar vivendo.” Mas hoje, quando ele chegou a casa de dona Lourdes e me viu no chão muito abatida, com os olhos embaçados de tanta secreção, e já exalando mau cheiro devido o câncer aberto. Ele viu que o melhor para mim é cessar o sofrimento, sofrimento meu e dele, porque ele chorava todos os dias, várias vezes ao dia, com saudades de nosso companheirismo e amizade. Meu dono saiu dali e foi acompanhado do Daniel procurar uma clínica para a eutanásia. Daniel era policial militar em Praia Grande e iria procurar entre os conhecidos uma clínica dali. Daniel se dispôs a emprestar o dinheiro para a eutanásia, caso meu dono estivesse sem dinheiro, já que era final de mês, e poderia ser que ele não tivesse dinheiro para dispor para aquela despesa. [ 128 ]
  • 129.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir [ 129 ]
  • 130.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Dia 28 de setembro de 2015, de manhã meu dono pegou-me e colocou na carroceria da camioneta, juntamente com Leisa, pois desgraça pouco é bobagem, na última vez que meu dono foi ao sítio, encontrou a Leisa com um grande corte na face, provocada provavelmente por um pitbull do vizinho, ou outro animal selvagem. Nós fomos juntas na camioneta olhando uma para outra, e nós sabíamos que eu não iria retornar viva. Enquanto eu estava na carroceria com a Leisa, Teocron sentou-se ao lado do meu dono e do Daniel na cabine. Eu e Leisa relembramos de todas as nossas brincadeiras e aventuras que compartilhamos nesta vida, choramos, discretamente choramos... [ 130 ]
  • 131.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Antes de pegar-me, Valdemir passou de carro na casa do Daniel, que mora em Praia Grande, foi neste momento, quando passava em frente ao shopping da entrada de Praia Grande, chegando a casa de Daniel que o anjo sentou ao lado do Valdemir e falou dizendo: “Eu sou Teocron, o anjo que estava sempre perto da Doutora, [ 131 ]
  • 132.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir e que inúmeras vezes você sentia a minha presença quando fixava seus olhos nos olhos da Doutora.” A viagem seguiu em silêncio, Valdemir pegou Daniel e depois pegaram-me juntamente com a Leisa e fomos todos a uma clínica no Jardim Esmeralda, lá mesmo, na cidade. Chegamos umas 11 horas e só entrei na clínica para morrer, quando era mais de 14hs. Havia muitos cães e gatos para serem atendidos naquele dia. Eu permaneci dentro da camioneta; Valdemir e Daniel entravam na clínica e saiam. Valdemir vinha até mim, conversávamos um pouco, ele se emocionava, sabendo que nossa convivência estava chegando ao fim, fazia-me um carinho e ficávamos ali, parados esperando a morte... [ 132 ]
  • 133.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Leisa também iria se consultar para saber se haveria como fazer uma cirurgia na face, pois já havia alguns dias que ela estava com o corte aberto. Finalmente a hora final. Meu dono leva-me nos seus braços e Leisa entrou comigo para ambas serem consultadas juntas. Dois veterinários daquela clínica primeiro tinham que examinar-me para certificarem-se que o meu caso era mesmo de eutanásia. Deitei-me na mesa para que eles pudessem examinar os tumores. [ 133 ]
  • 134.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Ao observar atentamente, ambos não tiveram dúvidas que eu deveria ser sacrificada, porque já não havia esperança, e o sofrimento era desnecessário. Nos últimos 15 dias, nem animo para tomar dipirona eu tinha. Era o fim. [ 134 ]
  • 135.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Enquanto os veterinários preparavam a anestesia e a droga que iria parar o meu coração. Meu dono fazia os últimos carinhos em mim. Só Deus sabe a dor de saudades que sentíamos naqueles instantes. O câncer era nada, a dor da separação, era muito grande. Mas eu estava conformada com o meu destino. [ 135 ]
  • 136.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Doutora: Obrigado Deus, por ter me dado este maluco como amigo. Obrigado Deus porque eu pude conversar com um humano de igual para igual. Só o Senhor sabe quantas vezes eu e Valdemir nos sentados no chão e conversamos na linguagem do amor, o idioma de todas as criaturas de Deus. Valdemir: Muito obrigado querida, desculpe por não ter te tratado melhor, por não ter comprado as melhores rações, por não te dar mais conforto, desculpe por muitas vezes gritar com você, entenda que na nossa relação, você foi a minha dona, e eu fui o animal da história. Se a ressurreição dos mortos fosse por méritos, o céu estaria repleto de bichos e quase nenhum humano. [ 136 ]
  • 137.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir - Pegue nas minhas patas e prometa-me que vai ser um bom menino! Valdemir: A Bíblia fala de querubins e serafins com seis asas, mas alguns anjos estão entre nós com [ 137 ]
  • 138.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir quatro patas e duas orelhas. Você nunca me enganou Doutora, você não era só um animal de estimação. Você foi uma das pessoas mais fascinantes e encantadoras que eu conheci neste mundo. Eu tenho vergonha da humanidade, toda a nossa história, nossas invenções, nossas tecnologias é merda, é bosta, não serve para nada. Jamais vi entre os humanos, o que vi em você. Eu e minha espécie somos ordinários. Nos orgulhamos de ter sido criados como imagens de Deus, mas a pessoa que eu vi Deus do começo ao fim da sua vida foi você, Douuutoooouraaaa!!! Valdemir: Obrigado Doutora, você me ensinou mais do Evangelho de Jesus Cristo, do que todos os pregadores. Você não foi hipócrita como nós, os homens. Você ensinou-me tantas coisas com seus exemplos e nunca falou uma palavra no meu idioma. Ao longo destes [ 138 ]
  • 139.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir anos, Doutora, você deixou-me com uma dúvida; Eu não sei se você era possuída por um anjo, ou se você era um anjo encarnado. Eu sei que Deus habitou entre os homens na forma de um servo. Mas, estaria Deus mandando anjos para encarnar em forma de anjos? Eu sei que tem coisas que a teologia não vai poder explicar- me, e nem tudo está escrito na Bíblia. Eu vou ter que esperar para receber respostas de Deus.... Valdemir: Neste último instante Doutora, eu peço que você me abençoe com o seu focinho. Como a Mula salvou a vida de Balaão, que sua vida continue sendo uma benção na minha vida até o fim por meio das lembranças e ensinamentos que voê me deu. [ 139 ]
  • 140.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Doutora: Com o focinho beijei o meu amado dono, despedindo-me dele nesta existência, eu sabia que era o fim de minha vida. Quem sabe na restauração de todas as coisas, haja uma esperança de nos reencontrarmos? [ 140 ]
  • 141.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Doutora: Uma troca de olhar, e em uma fração de segundos, falamos tudo um para o outro. Adeus amigo, fomos uma benção, um na vida do outro. Valdemir: Adeus amiga, você estará no meu coração para sempre. Sua amizade foi até agora uma das maiores conquistas que eu tive neste mundo. Desde que conheci você profundamente, eu tenho orado a Deus dizendo que não sou digno de morar nas mansões celestiais, se Deus providenciar nos fundos das mansões celestiais uma casinha de cachorro, eu já estarei contente. Descobri que a felicidade não está em mansões de ouro e cristal e pedras preciosas, mas em convivência perfeita com Deus e o universo. [ 141 ]
  • 142.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Além de Valdemir, estas foram as últimas pessoas que eu vi na minha vida, Daniel e os dois veterinários. Já tomei anestesia na veia, estou dormindo... 37 – MORTE A Doutora já está morta, até o momento da anestesia eu e Daniel estivemos presente, mas na hora dos veterinários injetarem a droga que iria parar o coração da Doutora, tivemos que sair da sala. Não demorou cinco minutos e eles entregaram-me um saco plástico com o corpo da Doutora. Nem parece verdade, mas ela está morta, nunca mais carinho na cabeça ou na barriga, nada de conversas carinhosas, nada de correr, latir e pular em demonstração de alegria quando me via. A alegria que você fazia ao me ver era constrangedor, pois eu nunca tratei ninguém assim, e nunca fui tratado por um ser humano como você tratava-me. [ 142 ]
  • 143.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir [ 143 ]
  • 144.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir No dia seguinte, levei o cadáver da Doutora ao sítio, lacrada em vários sacos plásticos. Ela foi na garupa da moto. Uma viagem triste, repleta de lembranças, recordações e memórias... Parei um pouco em Itanhaém para tomar um café, olhos inchados de saudades. 38 - SEPULTAMENTO No paraíso, eu andei muito por entre as árvores, subindo e descendo estas montanhas com a Doutora a minha frente. Os primeiros dias e semanas sem a Doutora, foi triste. [ 144 ]
  • 145.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir A terra que a minha amiga tanto gostava, acabou recebendo-a em sua entranha. [ 145 ]
  • 146.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Amizade perfeita. Impossível ser replicada entre humanos. A enxada ferindo a terra, forçando-a a engolir minha amiga. [ 146 ]
  • 147.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Morre a Doutora, Nasce a Nastácia. Os cães sentem nossas dores. Nastácia adotada uma hora antes do sepultamento da Doutora consola-me. [ 147 ]
  • 148.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Inscrição na tumba da Doutora, pintada no mármore, Foi um amor angelical na minha vida. Quando escrevi na tumba da Doutora, eu ainda não sabia que ela havia nascido no dia 21/05/2005. Mas o dia 15 de julho era uma data fictícia em que alguns anos eu comemorava o aniversário da Doutora. Fazíamos um bolo, assávamos linguiças, abríamos refrigerantes e comemorava cantando “Parabéns para você.” 39 – NASTÁCIA Quando cheguei em Itariri passei na loja de agropecuária do Júnior para fazer uma recarga do meu celular pré-pago, quando estacionei a moto, e desci, vi um latido atrás de mim, era uma cadelinha de cor preta, latindo e esticando a pata para mim. Na hora senti a presença de Deus, e senti um grande conforto no coração. A cadelinha ficava com a patinha estendida para mim como dizendo: “Leva-me.” Entrei na loja, perguntei quanto custava a cachorrinha, e a vendedora disse que não estava a venda, estava para ser doada. Pedi para ficar um instante com a cadela, a coloquei no colo, fiquei orando e olhando para a cadelinha e senti claramente Deus dizendo: “Vai ficar olhando para trás? A vida muda de forma, os anjos não param de trabalhar, quando morre uma pessoa boa, eu faço surgir outras.” [ 148 ]
  • 149.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Olha a cara pedindo: “Leve-me, prometo te amar!” [ 149 ]
  • 150.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Parei a moto na estrada de terra que leva da cidade de Itariri ao sítio. Do corpo morto da Doutora, nascia uma nova história. NANA! (Nastácia) Essa vai morrer sem aprender a fazer uma letra, mas com uma lambida conquista qualquer coração humano. [ 150 ]
  • 151.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Milhões de pessoas no mundo são sustentadas afetivamente por animais que dão segurança, amor, carinho e amizade. Muitos suicídios no mundo não ocorrem porque as pessoas são apegadas a animaizinhos que tornam suas vidas suportáveis. É simbólica esta viagem, uma cadela morta e outra viva em cima do cadáver. A vida renasce da morte. Naná estava muito inquieta na garupa da moto, e estava perigoso ela cair, então achei um lugar mais confortável para continuarmos mais 10 km de estrada de terra até o santuário do sítio. [ 151 ]
  • 152.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Ainda não tinha fechado a sepultura da Doutora e Naná não queria sair de cima da cova. II – TEOCRON APRESENTAÇÃO Acreditar é uma questão espiritual, duvidar é uma questão humana, negar o desconhecido é ignorância. Meu nome é Teocron, sou um dos incontáveis anjos de Deus. Tenho acompanhado a vida de muita gente da Terra nos últimos milênios, e nestas últimas décadas estou cuidando de algumas pessoas, entre elas Valdemir. [ 152 ]
  • 153.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Em novembro de 1985 eu estava presente no momento mais fantástico da vida do Valdemir, mas centenas de vezes tive que intervir em sua vida. O Eterno Deus permitiu que eu pudesse contar algumas coisas, especialmente sobre os últimos 10 anos e como Valdemir via o meu reflexo, não por um espelho, mas através da cadela chamada Doutora. Vocês não tem noção como os anjos atuam neste mundo, mas contarei algumas coisas para que vocês entendam como agimos. Eu sou Teocron. [ 153 ]
  • 154.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir 1 - O GRANDE ENCONTRO Em novembro de 1985, Valdemir e mais outros servos de Deus foram orar no monte do Japuí, onde havia um curtume em tempos antigos. Era uma noite quente, infestada de mosquitos, vocês quase desistiram de orar devido a importunação dos insetos. Mas persistiram, e quis a graça divina que Valdemir fosse chamado para a presença de Deus, realmente fato que não tem sido muito comum por culpa do mal e do pecado que tem afastado os homens de Deus. Bem, Valdemir não era o mais santo entre eles, mas a graça de Deus não é por merecimento. Eu, Teocron, e outro anjo, que não interessa ser nominado agora, por enquanto, levamos o espírito de Valdemir até o céu. Ele tinha 16 anos de idade, e mesmo que tivesse 100 anos o impacto seria o mesmo. Valdemir ficou atordoado e desorientado, apenas espantado com as dimensões enormes da sala do trono. Propositalmente o colocamos de costas para o trono, e após algum tempo Valdemir virou-se na direção do trono da glória de Deus e ao ver o Pai de todos os espíritos sentado majestoso em seu trono, sentiu-se literalmente do tamanho de uma barata, colocou as mãos sobre a cabeça e gritava sem voz: “Não é possível, eu estou vendo Deus! eu estou vendo Deus! eu estou vendo Deus!” Depois daquele contato único que ele teve em sua vida até os dias de hoje, eu apareci na forma física de um homem semelhante aos demais homens e junto com o outro anjo [ 154 ]
  • 155.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir falamos por telepatia com Valdemir dizendo que era hora de retornar a Terra. O mesmo prontamente também respondeu por telepatia dizendo: “Tudo bem, vamos.” Quando chegamos ao monte do Japuí, lhe foi permitido perceber o mundo físico, e Valdemir ficou encantado tendo a sensação de transpor as árvores, galhos e folhas, passando a compreender a realidade diferente que estava sendo submetido e que nunca antes havia experimentado. Valdemir ficou chocado por ver e ouvir do lado do mundo espiritual o que acontecia no mundo físico no mesmo hiperespaço. Valdemir escutava os seus irmãos orando, inclusive escutava seu corpo e sua alma cheio do Espirito Santo e falando em línguas. Quando o seu espírito foi sugado pelo corpo, Valdemir estava anestesiado pelo poder de Deus, ficando quase uma hora para voltar a ter controle total sobre o seu corpo que trepidava como uma britadeira. Esta experiência foi tão chocante que durante sua vida inteira não contou para muitas pessoas esta experiência, porque sabia que é inútil fazer com que outros sintam experiências espirituais somente pelo ouvir dizer. Desde aquele dia você percebia que eu estava sempre ao seu lado, e muitas vezes você pôs a prova a minha presença real, e eu nunca falhei quando realmente era preciso. Nem tudo podemos expor ao público, criaria constrangimentos e provocaria mais polêmica do que este diálogo supostamente absurdo entre um cachorro, um homem e um anjo. Eu sou Teocron, durante 30 anos estive com você. Este ano você orou pedindo para Deus [ 155 ]
  • 156.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir lembrar daquele encontro de 1985 com alguma manifestação especial. Pois bem, No dia que a Doutora iria ser sacrificada, eu sentei ao seu lado na camioneta, e quando passávamos bem em frente ao shopping de Praia Grande, eu falei com você. Você mesmo dirigindo viu eu me sentando ao seu lado e eu disse para você: “Eu sou Teocron, eu sou um dos anjos que te levou ao céu em 1985. Todo este tempo estive com você, e não é novidade para você que a cadela Doutora era uma intermediária, uma agente pela qual eu me manifestava. Faz anos que você a chamava de anjo de quatro patas, porque você, vez ou outra, sentia minha presença por meio dela, Muitas vezes você ficou aterrorizado pela glória da minha presença. Cada ser humano tem lugares na Terra que são seus pontos de contato com Deus, pena que muitos não descobriram quais são estes lugares. Algumas apenas gostam demais de certos ambientes, paisagens, cômodos, e não percebem que ali, é o seu Lugar Santíssimo para ter intimidade com Deus. Você sabe que há um lugar no sítio que lhe causa terror, não porque é mal assombrado, mas porque ali eu e muitos outros anjos nos reunimos. Você nem consegue fechar os olhos direito, porque você quase nos vê fisicamente. Lá no montículo de pedras a beira do córrego d’água. Ali você nem precisa orar, você sente que encostado a cada árvore daquela há anjos. Aquele é o seu lugar de comunhão, quem for ali não verá nada, cada pessoa deve buscar o seu lugar de comunhão. Abraão no monte Moriá, [ 156 ]
  • 157.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Moisés no monte Sinai, Elias no monte Carmelo, Jesus no monte das Oliveiras, João na Ilha de Patmos. Cada pessoa tem que ter o seu quarto fechado, entende???? 2 - OLHOS QUE TE OLHAM Deus Todo-Poderoso e os seus anjos se manifestam o tempo todo, e todo o tempo está mais perto dos homens do que eles imaginam. Todos os dias vocês ficam cara a cara com Deus, mas não percebem. Deus e os seus anjos podem estar bem atrás de você te observando através de outros olhos. Deus se manifesta o tempo todo por meio da criação. As pessoas que prestam [ 157 ]
  • 158.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir atenção podem sentir a presença angelical quando elas estão admirando uma flor, ou quando estão se relacionando com seu animal de estimação. Preste atenção em um vento repentino, em um pássaro que fica te olhando de cima de um galho, de uma borboleta ou beija-flor que quase te atropela em seu voo. Especialmente observe como tem cães que te olham de uma forma estranha. 3 - ARTE DE CAMUFLAGEM Deus está emitindo sinais o tempo todo para você, os anjos ficam constantemente ao seu lado. Creia e sinta como os anjos estão te guardando do mal. Nós, os anjos, somos muitos discretos e nos camuflamos em forma de elementos da natureza como uma nuvem, um vento, um pássaro, uma flor, uma árvore, um beija-flor, e com mais frequência na forma de animal de estimação. [ 158 ]
  • 159.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Quando morrer seu animal de estimação, conecte-se com outro, mantenha comunhão com Deus e seus anjos por meio de um cão, por exemplo... 4 - NÃO PERCEBEM OS ANJOS É quase certo que no momento que os anjos estão perto de você, seus olhos não estão percebendo, ele caminha lentamente ao seu lado. Você pode está lendo, meditando na Bíblia, em casa, na igreja, no trabalho, ou no meio do mato. Preste atenção você está sendo guardado. Deus se preocupa com cada um dos seres humanos, e os anjos ficam o tempo todo tentado induzi-lo ao bem e afastá-lo do mal. [ 159 ]
  • 160.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Tente se lembrar um dia que você passava pela rua caminhando, ou dentro de um ônibus, ou em um carro e repentinamente seus olhos perceberam uma pessoa te olhando fixamente, você ficou com aquela imagem na cabeça. Este é um exemplo de frequentes contatos com seres espirituais. A maioria das intervenções dos anjos não é percebida, porque nós impedimos do mal se concretizar e de se realizar. Prevejo um acidente e evito-o, sem que a pessoa percebesse o perigo pela qual passou. Valdemir, você se lembra do dia em que você e um investigador de polícia fizeram uma perseguição policial com a viatura durante uma noite em São Vicente a dois indivíduos suspeitos em uma moto pelas ruas da Vila Margarida? Lembra as manobras perigosas realizadas naquela noite? No dia seguinte quando outra equipe foi sair com aquela viatura, havia uma fratura em uma peça tão séria que ao engatar a primeira marcha, a roda dianteira caiu... Era para aquela roda cair em uma curva em velocidade na noite anterior... 5 - ANJOS FALIMIARES [ 160 ]
  • 161.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir 29/04/2013 – Os anjos não somente guardam você como guarda sua família e os seus entes queridos. Temos que trabalhar discretamente para que as pessoas não caiam na cilada de adorarem os anjos, ou se apegarem as pedras, ervas e animais como amuletos e acabem pecando. Não é para adorar aos elementos da natureza, nem aos anjos. Adora a Deus que envia o anjo para cuida dos seus filhos... Muitas pessoas tem um habito comum, pedir para Deus guardar seus familiares. Quem faz isso faz bem. As orações movem a mão de Deus e as orações deslocam legiões de anjos para esta ou aquela direção. Nosso Deus é como um juiz, ele sabe de tudo, mas espera que as pessoas clamem para ele intervir, essa é a regra do livre arbítrio. Um juiz pode saber pelo noticiário, ou em conversa do dia a dia, sobre muitas coisas erradas, [ 161 ]
  • 162.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir mas ele só pode intervir em um processo que tramita na sua vara. Você entende???? Nós, os anjos, acampamos em volta de quem busca. Fizemos e continuaremos fazendo vigilância sobre sua família como você tem pedido a Deus. Você corretamente tem pedido a Deus que envie anjos com certas missões, em certos familiares seus. Você sabe do que estou falando. Não tenho feito minha parte? Não fazemos mais porque a vontade de Deus deve prevalecer quando há conflito de interesses. Você pedia certas coisas para Deus nos mandar fazer que não tinha como fazermos, porque Deus não queria aquilo. Depois de anos insistindo com certos pedidos, Deus falou contigo porque nós não podíamos fazer o que você queria. Ainda bem que você entendeu a inconveniência de certos pedidos. Lembre-se: “Pede e não recebe, porque pede errado.” Todo pai de família deve orar como um patriarca, porque nós, os anjos, temos várias estruturas organizacionais semelhantes às humanas. Defendemos nações e vigiamos sobre famílias. Povo que não luta pela sua nação, e pai que não luta por sua família que fim terá??? As pessoas não lutam em oração pedindo a vigilância dos anjos, depois quando ocorrem as tragédias, acusam Deus. Quem não toma providência para guardar seus bens, será saqueado, essa é a lei universal que rege a luta do Bem contra o Mal. [ 162 ]
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    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir 6 - FELICIDADE INEXPLICÁVEL 09/08/2013 – Neste dia você estava beijando um passarinho que estava na sua mão, e eu passava perto de você... Quem fica muito tempo na frente de um display de computador, celular e TV, ou admirando tecnologia artificial, perde o contato com as coisas criadas por Deus na natureza. Depois dizem que Deus não existe... ou que Deus não olha por eles... Se você fica se relacionando com a natureza, conversando com um pássaro, repentinamente a presença do anjo de Deus enche você de graça e felicidade inexplicável... Com a presença dos anjos de Deus em sua volta, até a morte é agradável como ocorreu com Sadraque e seus amigos, como ocorreu com os mártires nas grandes perseguições. Todavia, sem a comunhão com Deus, o [ 163 ]
  • 164.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir mundo é sombrio, a pessoa pode estar cercada por uma multidão e ainda assim se sentirá solitário. Cultivar momentos de isolamento para se relacionar com Deus e suas criaturas causa felicidade inexplicável. Os “loucos” que costumam conversar com animais, plantas, astros do firmamento, elementos da natureza, costumam sentir esta felicidade inexplicável, porque nós, os anjos, estamos conectados com as virtudes do universo. Alguns anjos estão conectados com o sol, outros com a lua, outros com os mares, outros com as montanhas. Outros com as aves, outros com os cães... Quem não ama a natureza criada por Deus está sujeito a infelicidades inexplicáveis... 7 - ANIMAIS CONDUTORES DA PRESENÇA DE DEUS [ 164 ]
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    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Os anjos são entidades inteligentes enviadas a Terra para auxiliar os homens a se chegarem ao Deus Todo-Poderoso, razão e causa de tudo o que existe. Os animais são agentes vetores do bem ou do mal. Animais que atacam os homens causando-lhe doenças e pragas na agricultura e pecuária são agentes malignos. Quando o mosquito transmite um vírus maligno ao homem, vemos as forças malignas materializando prejuízo e dor. Mas os animais também são condutores da presença de Deus. Quando Jesus entrou em Jerusalém como rei, ele fez questão de entrar na cidade conduzido por um jumento. O jumento não era de Jesus, alguém emprestou seu animal para transportar Jesus. Experimente consagrar um ser vivo para Jesus, e vez ou outra você verá nos olhos do seu animal um brilho diferente, uma presença angelical aparecerá diante dos seus olhos. É uma luz especial, se você estiver em comunhão com Deus e em plena harmonia com esta criatura você notará algo especial, de vez em quando. Inúmeras vezes Valdemir via-me através dos olhos da cadela chamada Doutora. Não adianta fazer isso por curiosidade, brincadeira, ou com intuito científico. Coisas espirituais se sentem intuitivamente e foge dos padrões de medição científica. Você não vai chegar a Deus por uma calculadora, ou por um microscópio. Estes instrumentos podem revelar muitos segredos das leis da mecânica do universo criado por Deus, mas Deus mesmo se revela de forma mais sutil. [ 165 ]
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    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir 8 - TOMEI UM RAIO A crença universal em espíritos protetores se baseia no conhecimento empírico que os homens têm de si mesmo, do universo e de Deus. Nós, os anjos, somos espíritos protetores que procuramos evitar as mazelas da humanidade, mas nem tudo podemos impedir por vários motivos que não cabe enumerá-los agora. Vou contar pra você um caso óbvio da intervenção de Deus, desde o dia 07 de janeiro de 2011, você sabia que sua vida teria cessado na terra, se Deus não colocasse as mãos. O vídeo publicado no endereço abaixo registrou o exato momento daquilo que seria sua morte Valdemir, mas eu também estava ali, como Zenilda, Esther e Ellen. https://www.youtube.com/watch?v=aNBvUyFpMco [ 166 ]
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    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Vou relembrá-lo como foi aquele dia: Você estava trabalhando no sitio, no riacho, onde você pretendia fazer um poço para peixes, era um sábado à tarde, de repente o céu fechou, nuvens escuras rapidamente cobriram o céu, como frequentemente acontece naquela região. Como todo homem do campo sabe, não se fica no campo aberto em uma tempestade com raios, e pelo som dos trovões você sabia que aquele fim de dia ia ser de chuvas acompanhada com raios, por isso retornou para casa, ainda que o sol iria se pôr somente as 20:00 horas, devido o horário de verão. Você entrou em casa, tomou banho e colocou o seu celular para captar as imagens do notebook, ao mesmo tempo que, captava o som do aparelho de toca fita, porque você estava pondo no youtube os programas de rádios que você fazia em 1994, 1995. Quando havia passado dois minutos e trinta e seis segundos da gravação, um raio caiu no transformador de energia a cento e cinquenta metros da casa do sítio. A [ 167 ]
  • 168.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir descarga percorreu o fio, e naquele exato momento você estava descalço com a mão segurando a porta da geladeira e com a outra segurava um frasco de vinagre. A descarga passou por você, causando um imenso clarão na cozinha. Zenilda, Esther e Ellen gritaram assustadas. Você viu um imenso clarão em volta dos seus pés, perdeu os sentidos por milésimos de segundos, o frasco de vinagre caiu da sua mão, você cambaleou, mas não caiu. Em seguida saiu correndo em direção à sala, atordoado gritava: “Tomei um raio”. Os seus pés esquentaram e formigavam, você pensou que seus pés haviam derretidos, e sentou-se no chão, abriu a porta da sala, porque já estava escuro e nem acreditou que seus pés estavam intactos. Nas duas horas seguintes, você ficou orando agradecendo a Deus e pedindo que o Senhor completasse o livramento, você teve medo que na sequencia pudesse morrer de parada cardíaca. Um milhão de volts, 30 mil ampères não foi o suficiente para te matar. Eu estava ali. Não esqueçamos da Doutora, ao menor sinal de trovões, ela se escondia em qualquer lugar, a Ellen depois deste evento ficou um tempo traumatizada, bastava ouvir o barulho dos trovões para chorar desesperadamente. Amigo, você está naquele seleto grupo de pessoas que foram atingidos por raio, e em outro grupo que sobreviveram ao raio. [ 168 ]
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    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir 19 - O ENDEMONINHADO Em 1987, já faz muitos anos, eu fiz uma intervenção que você nunca esqueceu, porque você poderia ter morrido se eu não estivesse naquele momento. A vida é assim, tudo está bem, e no segundo seguinte, tudo perde o sentido, e os sonhos se acabam. Dentro do que é permitido pelo bondoso Pai, nós, os anjos, impedimos o mal e a desgraça. Naquele dia você passava pela rua em que morava, na rua Santa Luzia, no morro São Bento, em Santos, quando alguém te chamou desesperadamente, dizendo que na rua ao lado havia um homem quebrando tudo dentro de casa, e que ele devia está endemoninhado. A mulher que te chamou já o conhecia de vista, por sempre vê-lo indo ao culto com a Bíblia na mão. Você estava acompanhado de outros [ 169 ]
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    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir cristãos e foram rapidamente a casa indicada na Rua São Marcos. Quando você entrou, o dono da casa estava possuído por demônios, e os espíritos imundos já havia visto você se dirigindo a residência, por isso quando você entrou na casa, ele já estava com um quadro de madeira maciça impulsionando para trás para arremessar em sua cabeça, você não teria tempo de fugir. Mas sabiamente você sentindo minha presença no local, falou em voz alta: “Anjo do Senhor, derrube-o!!” Na hora eu paralisei aquele homem, e expulsei os espíritos, o homem caiu no mesmo instante no chão, duro como uma pedra. Minutos depois ele acordou do transe. Aquela minha ação marcou muito sua vida, e você sabia que sempre havia anjo do seu lado. Não somente você, mas uma infinidade de pessoas é protegida por anjos em momentos de perigo. 10 - 700 ANJOS Você teve uma carreira cristã dedicada nos dez primeiros anos após a sua conversão, por isso em 1993, você orava ao nosso Deus e ele te deu uma benção maravilhosa, Deus te revelou que durante a sua vida, ele colocaria 700 anjos ao seu dispor para eles trabalharem nos objetivos que você colocasse diante de Deus. É uma pena que nem sempre você fez uso desta benção e desta promessa. Você teve uma década praticamente perdida, por ter se afastado de Deus, mas Deus nunca se afastou de você, há coisas que não podemos contar aqui, mas [ 170 ]
  • 171.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Deus esteve com você nos piores momentos. Os seus pedidos de oração estão continuamente diante de Deus, trabalhe em oração, porque as orações movem a mão de Deus, e põe todo o exército do céu em atividade. Em seu computador e no sítio você tem plaquetas com nomes de pessoas, problemas, pecados, virtudes, e o nome das nações. Está é sua principal missão no mundo, INTERCESSÃO. O resto, deixa por nossa conta, eu e os demais anjos aguardamos suas orações a Deus, e o Pai nos dará o sinal e a permissão para agir. 11 - O ANJO IRÁ ADIANTE DE VÓS Seria necessário milhares de páginas para contar todas as histórias que você viveu e que você não sabe. São livramentos de morte incontáveis; Morte por doença, por assassinato, por acidente. Ataques do mundo microscópico e do mundo espiritual. Você chegou aos seus 46 anos porque “um anjo foi adiante de vós.” Os mistérios da vida somente serão revelados após a morte. [ 171 ]
  • 172.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir III – TEOLOGIA SOBRE OS ANIMAIS “Quero ser um pessoa tão boa quanto meu cachorro pensa que sou” “Quando todos virarem as costas para você, sempre haverá um cão disposto a abraça-lo.” “Muitos anjos não estão nos céus, mas na Terra, na forma de cães.” “Algumas lições profundas de caráter não dá para aprender com os homens, mas somente com os animais de estimação.” “Deus escolheu as coisas vis (cães), para confundir as que se consideram importantes (homens).” “Tolo é o homem que pensa ser melhor do que um cão.” “Falo para Deus que quero ser fiel a Ele, como a Doutora era fiel a mim.” Esta terceira parte do livro é uma meditação que eu, Valdemir, faço com respeito a teologia sobre os [ 172 ]
  • 173.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir animais. Comentarei algumas passagens bíblicas que mostram a relação dos animais com Deus, com os anjos e com os homens. 1 - PRESERVANDO AS ESPÉCIES "A tua justiça é como as grandes montanhas; os teus juízos são um grande abismo. Javé, tu conservas os homens e os animais." (Salmos 36 : 6) Os juízos de Deus são um grande abismo, porque a inteligência humana não é capaz de entender os mistérios de Deus, o abismo é intransponível. Mas neste planeta, Deus tem especialmente conservado os homens e os animais, a despeito que muitas espécies foram extintas, por razões que desconhecemos, apenas elaboramos teorias. Os animais, englobando várias espécies de médio e grande porte, estão no planeta Terra, muito próximos aos humanos em estágio e escala de vida. O universo é composto de várias formas e tipos de vida, muitas vidas que sequer podem ser classificadas na ciência tradicional. Uma célula é um ser vivo, mas dependente de um organismo na qual está ajustado. A teoria Gaia defende a possibilidade que o planeta Terra é um ser vivo, e neste campo de possibilidades, outros astros também são seres vivos, inclusive as estrelas e as galáxias. O que não podemos provar, ou negar, apenas podemos conjecturar. [ 173 ]
  • 174.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Mas percebemos que os animais estão em um nível elevado na escala de vida do planeta. Eles foram às últimas criaturas de Deus, antes do ápice da criação, o homem: “25 E fez Deus as feras da terra conforme a sua espécie, e o gado conforme a sua espécie, e todo o réptil da terra conforme a sua espécie; e viu Deus que era bom. 26 E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra.” (Gênesis 1.25-26) Todo ser humano que tem Deus em sua vida, sente uma necessidade de impedir a extinção dos animais. Portanto, toda associação e entidade que luta pela preservação da vida selvagem, ou que combate os maus tratos de animais, são inspirados pela força divina. [ 174 ]
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    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir 2 - FIM DO HOMEM COMO O DOS ANIMAIS "Todavia o homem que está em honra não permanece; antes é como os animais, que perecem." (Salmos 49: 12) Por mais que o homem adquira honra e glória nesta vida, seu fim é igual ao fim dos animais. Morrem. Podendo sendo ser constatado pela parada respiratória e cardíaca. Acredito na teologia tradicional cristã que os homens têm o fôlego divino que é o espírito, e sobrevivem após a morte. Os animais não têm este grau de existência. Alguns grupos cristãos como as Testemunhas de Jeová e Adventistas acreditam que tanto animais como homens ao morrerem deixam de existir, mas que os homens ressuscitarão, e os animais não. Os hindus acreditam que tanto os homens como os animais têm espíritos e que ambos sobrevivem após a morte. E mais ainda, os hindus acreditam que alguns animais são deuses, exacerbando no politeísmo. 3 - OS ANIMAIS FALAM COM DEUS "O que dá aos animais o seu sustento, e aos filhos dos corvos, quando clamam." (Salmos 147 : 9) Deus tem apreço e cuidado para com os animais. O texto bíblico acima fala que os filhos dos corvos clamam a Deus, e que o Senhor responde suas petições. Ora, se o corvo é mal visto, como animal agorento, e símbolo de espírito imundo, e mesmo assim eles clama a [ 175 ]
  • 176.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Deus e Deus os sustentam, o que dizer dos gatos, ovelhas, cavalos, bois e cães? 4 - OS JUSTOS TRATAM SEUS ANIMAIS "O justo tem consideração pela vida dos seus animais, mas as afeições dos ímpios são cruéis." (Provérbios 12: 10) Quem é justo cuida dos seus animais, dando vacina, alimentação na hora certa, abrigo contra a chuva e frio. Quem considera a vida dos seus animais, considera o próprio Deus. Pessoas que caçam por esporte, ou maltratam seus animais de estimação são ímpios cruéis. Se a Bíblia faz contínua associação de espiritualidade e virtude com o zelo pelos animais, é porque os animais são especiais para Deus. Até o mais insignificante dos insetos tem um propósito na criação. 5 - VIDA HUMANA É SEMELHANTE A ANIMAL "Disse eu no meu coração, quanto a condição dos filhos dos homens, que Deus os provaria, para que assim pudessem ver que são em si mesmos como os animais." (Eclesiastes 3 : 18) Os animais nascem, crescem, procuram satisfazer suas necessidades básicas como acasalamento, alimentação, descanso e até brincam e se divertem. [ 176 ]
  • 177.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir "Porque o que sucede aos filhos dos homens, isso mesmo também sucede aos animais, e lhes sucede a mesma coisa; como morre um, assim morre o outro; e todos têm o mesmo fôlego, e a vantagem dos homens sobre os animais não é nenhuma, porque todos são vaidade." (Eclesiastes 3: 19) O livro de Eclesiastes fala do plano material. O sábio mostra que aquelas pessoas que pensam que a vida não tem um propósito após a morte vivem como os animais. O autor bíblico diz que os homens e os animais têm a mesma alma ou fôlego. A vida do homem e do animal é semelhante na mesma vaidade, isto é, nascem, crescem, se reproduzem, envelhecem e depois, ambos morrem. É irreversível este destino de ambos. Do ponto de vista científico, animais e homens são entes vivas com ciclo de vida idêntico. 6 - O IMPROVÁVEL DESTINO DOS ANIMAIS "Quem sabe que o fôlego do homem vai para cima, e que o fôlego dos animais vai para baixo da terra?" (Eclesiastes 3: 21) Supõe-se que o autor esteja fazendo uma ironia, ou mesmo criando uma dúvida. Será mesmo que o destino eterno do homem é melhor do que o destino eterno dos animais? Será que alguns homens simplesmente deixarão de existir? Será que alguns [ 177 ]
  • 178.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir animais “vão para cima”? O que significa “Vai para cima” e “vai para baixo da terra”? Ir par cima, quase todos os intérpretes entendem que significa ir para o céu, ir para Deus. Enquanto ir para baixo da terra pode significar deixar de existir, ou ir para o inferno. Animal ir para o inferno não se cogita em nenhum seguimento de interpretação teológica. Não acho que haja nas Escrituras base para falar que os animais tenham um espírito que ressuscitarão. Mas admito a hipótese que alguns animais que foram especiais para algumas pessoas possam voltar a vida para viverem ao lado das pessoas que tiveram afinidade, voltar a vida não é ressurreição eterna, porque ressurreição é a volta do espírito ao mesmo corpo. Se os animais não têm espírito, não há o que se falar sobre ressurreição, mas em reconstrução do corpo e da anima ou vida. Isso é só uma teoria, não precisam chamar o Santo Ofício da Inquisição para convencer-me do contrário e nem precisam queimar-me na fogueira como herege. Não há o que se falar sobre a glória da criação na Terra ser outra senão o homem. Mas isso não exclui que Deus agracie alguns animais trazendo-os a vida na glória eterna. Não damos valor aos animais por nos achar a única estrela do planeta. Mas Deus tem planos com os animais. Lembremos da jumenta que carregou Jesus na entrada triunfal de Jerusalém, e os animais que Noé salvou no dilúvio. A ciência que estuda as células-troncos revela que se Deus armazenou uma célula-tronco de certos animais, ele pode trazer a vida aquele animal. A [ 178 ]
  • 179.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir clonagem produzida em laboratórios é um exemplo que Deus pode trazer a vida animais especiais, pois se o homem com seus limites têm inventado coisas consideradas impossíveis e improváveis, por que limitar Deus? Teólogo interpreta a vontade divina, mas não pode limitar seu poder e dizer o que Deus pode e não pode fazer. 7 - ANIMAIS ADORAM A DEUS "Os animais do campo me honrarão, os chacais, e os avestruzes; porque porei águas no deserto, e rios no ermo, para dar de beber ao meu povo, ao meu eleito." (Isaías 43: 20) Deus fala que os animais tem a capacidade de agradecer a Deus, quando o Senhor prepara provisões para eles e para o povo de Israel. Os animais conseguem de alguma forma contato com Deus, exercendo algumas expressões que são traduzidas como honra a Deus. No enganamos quando achamos que os animais não expressam adoração a Deus. O fato deles não irem a um culto religioso não quer dizer que não adorem a Deus. Os animais adoram a Deus individualmente e até em grupo, muitas vezes em atividades corriqueiras da sua espécie. Como os pássaros que cantam alegremente logo cedo de manhã. Os sons das baleias nos mares, o mugido do gado, o cacarejar das galinhas, o baile dos cardumes de peixes, a coreografia das aves voando no céu. Será que [ 179 ]
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    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir somos capazes de entender os mistérios da vida plenamente? 8 - OS ANIMAIS CONFIAM EM DEUS "Vós, todos os animais do campo, todos os animais dos bosques, vinde comer." (Isaías 56: 9) O profeta Isaias falando dos castigos que a nação de Israel enfrentará em sua história, fala de forma figurada que as nações da terra são como animais que irão comer a nação de Israel. Mas deixando o sentido profético do texto, analisemos o sentido literal. Deus realmente cuida dos animais como cuida dos homens. Os humanos parecem que têm ciúmes do amor de Deus para com as demais criaturas da Terra. Mas assim como as pessoas desesperadas oram pedindo socorro, e Deus [ 180 ]
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    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir vem com a providência, da mesma forma os animais esperam na providência divina, e digo mais, os animais não insurgem contra Deus, não demonstram rebelião e nem blasfemam de Deus quando estão em aflições. Jesus mesmo recomendou os homens a imitarem a “espiritualidade” dos animais e confiarem na providência divina como as aves confiam: "Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas?" (Mateus 6: 26) 9 - ANIMAIS, UM DOS ORGULHOS DE DEUS "Eu fiz a terra, o homem, e os animais que estão sobre a face da terra, com o meu grande poder, e com o meu braço estendido, e a dou a quem é reto aos meus olhos." (Jeremias 27: 5) Deus sente orgulho em três coisas: O planeta terra, o ser humano e os animais. Não é o foco deste livro falar da grandiosidade do planeta Terra, seus climas, sua posição no sistema solar, a composição da sua atmosfera, a sua temperatura, os seus oceanos, sua gravidade, seus continentes, seus ciclos de chuvas e de transformação dos gases, seus minerais, realmente o planeta Terra é algo fantástico. Em seguida temos o ser humano, criatura capaz de modificar a terra, transformando-a e se adaptando para viver em toda a sua crosta. O homem navega nos mares, voa na sua [ 181 ]
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    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir atmosfera, habita nas áreas mais geladas, até os desertos escaldantes. O homem é o transformador, manipulando as substancias do planeta para propiciar conforto para si. Os animais orgulham a Deus, porque eles obedecem ao esquema traçado por Deus. Os animais cumprem resignados suas missões, geração após geração. Cada ave, segundo sua espécie constrói seus ninhos conforme o projeto pré-estabelecido por Deus e incutido no DNA dos animais. Todos os animais seguem o projeto de Deus, contentes com suas designações. A minhoca faz a areação da terra, em seu minúsculo e importante trabalho e cada espécie cumpre o papel dado por Deus. 10 - AS CRIATURAS DA TERRA TEM INTELIGÊNCIA 13 E ouvi toda a criatura que está no céu, e na terra, e debaixo da terra, e que está no [ 182 ]
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    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir mar, e a todas as coisas que neles há, dizer: Ao que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro, sejam dadas ações de graças, e honra, e glória, e poder para todo o sempre. (Apocalipse 5.13) Enquanto a civilização humana entra em colapso moral no final dos tempos, João viu algo extraordinário, durante seu estado de êxtase espiritual. João viu de alguma forma, todas as criaturas do planeta glorificando a Deus e ao Cordeiro. Alguma forma de entendimento os animais e as plantas possuem que as capacitam em glorificar a Deus. O texto do Apocalipse não fala somente dos animais, mas de toda criatura. Não se refere às pessoas humanas, mas de criaturas que vivem nos diversos habitats que não comportam os homens, como as criaturas que vivem “debaixo da terra” (vermes e minhocas), os que vivem no céu (uma referência as aves), os que vivem no mar (os seres aquáticos e peixes). 11 – OS QUATRO ANIMAIS DO CÉU E os quatro animais diziam: Amém. E os vinte e quatro anciãos prostraram-se, e adoraram ao que vive para todo o sempre. (Apocalipse 5.14) Estes quatro animais são uma incógnita no céu. Eles se assemelham aos serafins de Isaias capítulo seis, e aos querubins de Ezequiel capítulo um e dez. As descrições do Apocalipse não coadunam com as de [ 183 ]
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    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Isaias e Ezequiel, não ficando claro se estes seres são querubins, ou serafins, ou as três descrições se referem aos mesmos seres. O interessante é que eles são chamados de ANIMAIS ou como está no grego: ZOOS. Só ressalto que estes seres têm aparência de homem, boi, águia e leão. Não quero dizer que estes animais do Apocalipse sejam animais da nossa fauna terrestre e que conseguiram evoluir e se tornarem seres angelicais. Mas também não podemos dizer com certeza quem são e o que são estes seres estranhos com seis asas e com olhos por todo lado. 12 - SALVAÇÃO DOS ANIMAIS No livro de Gênesis capítulo seis a oito vemos a descrição do dilúvio bíblico, na qual Noé durante dezenas de anos ficou construindo uma embarcação gigante que flutuasse e salvasse as espécies de animais da terra, durante o cataclismo global que ocorreria nos seus dias. Vemos a preocupação de Deus em salvar a vida dos animais. Por que a arca não foi construída para salvar o máximo de humanos, mas, os animais, conforme Gênesis 6.19: “E de tudo o que vive, de toda a carne, dois de cada espécie, farás entrar na arca, para os conservar vivos contigo; macho e fêmea serão.” Aliás, o planeta sofreu um cataclismo global por causa da corrupção e violência humana. Deus ama os animais, e Ele parece querer conservar os animais, perpetuando-os na eternidade. Com o fim do mundo antediluviano, Deus conservou os [ 184 ]
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    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir animais na arca, transferindo-os para o novo mundo, pós- dilúvio. Quando a nossa civilização for destruída no final do milênio, quando a Terra será desmanchada em fogo, conforme II Pedro 3.6-7: “Pelas quais coisas pereceu o mundo de então, coberto com as águas do dilúvio, 7 Mas os céus e a terra que agora existem pela mesma palavra se reservam como tesouro, e se guardam para o fogo, até o dia do juízo, e da perdição dos homens ímpios.” Os animais serão conservados e viverão no novo mundo. Os animais existirão para sempre, mesmo aqueles que consideramos repugnantes. Na eternidade as lesmas não mudaram seus aspectos, o que vai mudar é a cabeça dos salvos que sentirão prazer em brincar com lesmas, cobras, sapos e etc. 13 - OS ANIMAIS NO NOVO MUNDO 6 E morará o lobo com o cordeiro, e o leopardo com o cabrito se deitará, e o bezerro, e o filho de leão e o animal cevado andarão juntos, e um menino pequeno os guiará. 7 A vaca e a ursa pastarão juntas, seus filhos se deitarão juntos, e o leão comerá palha como o boi. 8 E brincará a criança de peito sobre a toca da áspide, e a desmamada colocará a sua mão na cova do basilisco. 9 Não se fará mal nem dano algum em todo o meu santo monte, porque a terra se encherá do conhecimento do SENHOR, como as águas cobrem o mar. (Isaías 11.6-8) Após o Juízo Final, haverá a restauração de todas as coisas: "O qual convém que o céu contenha até aos tempos da restauração de tudo, dos quais Deus falou pela boca de todos os seus santos profetas, desde o [ 185 ]
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    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir princípio." (Atos 3: 21). Neste novo mundo haverá humanos no estado de perfeição que viverão para sempre, e junto com os humanos, haverá um ecossistema harmonioso em que homens e animais viverão em paz. Assim, há uma certa promessa dos animais participarem da restauração de tudo. Não vejo problema teológico na possibilidade de animais que muito fizeram de bem para os homens, sejam RESTAURADOS A VIDA (não ressuscitados, que é o retorno do espírito ao corpo). Quantos cavalos e jumentos trabalharam para os homens carregando suas mercadorias durante toda sua vida. Quantos cães e gatos viveram fazendo companhia para os humanos, dando ternura e carinho aos humanos. O que pode impedir Deus de trazer estes animais a serem restaurados e viverem no paraíso? Não estou afirmando nada, estou supondo que é uma possibilidade que não ofende os princípios divinos. Não acho que todos os animais retornarão a vida, mas, aqueles que foram especiais e trouxeram alegria, apoio, conforto aos homens poderão ser restaurados e muitos deles possam voltar a conviver com os seus amigos humanos. Mais do que nunca vivemos em um tempo na qual as pessoas encontram mais amizade e carinho com os seus amigos bichos do que com os seus pares da mesma espécie. No íntimo, muitas pessoas que tiveram uma relação de amor e comunhão com algum animal, desejariam ardentemente que este seu amigo animal [ 186 ]
  • 187.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir pudesse desfrutar da glória do mundo vindouro. Todos os humanos desejam continuar sua relação de amizade com seus animais para todo sempre. Se Deus quer a felicidade eterna dos seus servos, custaria para Deus dar-lhe como presente seus animais de estimação? Restaurar a vida destes animais é demasiado difícil para Deus? Qual lei universal Deus estaria violando? 14 - O CÉU É UM CURRAL E deu à luz a seu filho primogênito, e envolveu-o em panos, e deitou-o numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem. (Lucas 2.7) A prepotência humana, as suas vaidades, e suas fanfarronices, fazem os teólogos pensarem que o céu é um lugar muito limpo, higiênico e que os animais não estão no nível civilizatório para viver ao lado de Deus. Muitos pensam: “Os animais não têm educação, fedem, se deitam no chão, sem nenhuma noção de higiene, fazem suas necessidades fisiológicas em qualquer lugar, como podem estas criaturas inferiores estarem diante de Deus? Eles fazem suas necessidades fisiológicas em qualquer lugar??? Deus não pensa como os homens; repito: “Deus não pensa como os homens...” Deus não tem problema algum em conviver com os animais que soltam pelos, que defecam em qualquer lugar, Deus tem problemas de conviver com quem peca e [ 187 ]
  • 188.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir faz o mal. Quando o Filho de Deus veio ao mundo, Ele poderia nascer na maternidade mais sofisticada do mundo, recebido por obstetras, enfermeiras e tendo todo o aparato tecnológico do mundo moderno para recebe-lo com honras de realeza, poderia nascer no lugar mais limpo do mundo. Mas Deus é irônico, debochado com as vaidades e etiquetas sociais, e para mostrar que ele está mais próximo dos animais do que dos homens e suas “normas de etiquetas”, Jesus nasceu em um curral. Propositalmente Deus manipulou os eventos para que o Filho de Deus nascesse em um ambiente puro, obviamente que não era em meio aos homens, mas, dos bichos. A tradição católica de presépios mostra Jesus sendo reverenciado por animais por ocasião do seu nascimento e não por nobres e autoridades civis da nossa civilização. Nos eventos marcantes da vida de Jesus havia bichos. No nascimento na manjedoura, no batismo quando o Espírito Santo desceu na forma de uma pomba, na entrada triunfal montado no jumentinho, e após a ressurreição comendo um peixe. 15 - JESUS E SEU ANIMAL “Dizendo: Ide à aldeia que está defronte, e aí, ao entrar, achareis preso um jumentinho em que nenhum homem ainda montou; soltai-o e trazei-o.” (Lucas 19.30) A entrada triunfal de Jesus em Jerusalém foi registrada por todos os quatro biógrafos da vida de Jesus: [ 188 ]
  • 189.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Mateus, Marcos, Lucas e João. O evento foi de real importância que todos os quatro biógrafos descreveram a entrada em Jerusalém. Jesus meticulosamente preparou sua entrada triunfal, e Ele não entrou nos braços do povo, mas no lombo de um jumento. Jesus ainda queria um jumento especial, um que ainda não teria sido montado por ninguém. Era um animal para cumprir uma missão especial. Um animal sem a mácula de ter sido montado por outra pessoa. Deus é irônico, Ele não é exibido, e por isso escolheu um jumento. Poderia ter escolhido um grande cavalo branco, mas mostrou seu caráter humilde ao marcar a história montado em um animal tão humilde. Rudyard Kipling escreveu um poema no qual afirma que se pudesse dar a Jesus um único presente, dar-lhe-ia um cão. 16 – A GRAÇA ALCANÇA HOMENS E ANIMAIS “Lembrou-se Deus (aqui o termo indica o interesse de Deus e Sua graça em favor de alguém) de Noé e de todos os animais selváticos e de todos os animais domésticos que com ele estavam na arca…” Gênesis 8:1. Ao orientar Noé a sair da arca, além de abençoar a raça humana o Senhor abençoou também os animais (Gênesis 8:15-17). 17 – A LEI DE DEUS PROTEGE OS ANIMAIS No Antigo Testamento, na Aliança Mosaica, Deus decretou vários artigos da Lei visando salvaguardar os [ 189 ]
  • 190.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir direitos dos animais. Até a guarda de um dia santo, tinha entre os motivos divinos, o repouso dos animais de carga. Na Lei de Moisés, Deus até tolerava que o homem fosse inimigo de outro, mas esta inimizade não poderia ser estendida para desejar o mal dos animais do seu inimigo: “Se encontrares desgarrado o boi do teu inimigo ou o seu jumento, lho conduzirás. Se vires prostrado debaixo da sua cerca o jumento daquele que te aborrece, não o abandonarás, mas ajudá-lo- ás a erguê-lo” Êxodo 23:4 e 5. “Seis anos semearás a tua terra e recolherás os seus frutos; porém, no sétimo ano, a deixarás descansar e não a cultivarás, para que os pobres do teu povo achem o que comer, e do sobejo comam os animais do campo…” Êxodo 23:11. “Seis dias farás a tua obra, mas, ao sétimo dia, descansarás; para que descanse o teu boi e o teu jumento…” Êxodo 23:12. Mesmo os animais devem ter o direito ao repouso sabático! (Conferir Êxodo 20:8-11). “Quando nascer o boi, ou cordeiro, ou cabra, sete dias estará com a mãe; do oitavo dia em diante, será aceito por oferta…” Levítico 22:27. [ 190 ]
  • 191.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Aqui vemos que um animal recém nascido não era aceito como oferta. Deus queria que ele ficasse com a mãe. Ver também Êxodo 22:30. “Se de caminho encontrares algum ninho de ave, nalguma árvore ou no chão, com passarinhos, ou ovos, e a mãe sobre os passarinhos ou sobre os ovos, não tomarás a mãe com os filhotes…” Deuteronômio 22:6 Conferir também o verso 7, que mostra a preocupação de Deus com a preservação das espécies. O texto acima fala do defeso, período de procriação dos animais é sagrado, eles não poderiam ser incomodados pela presença humana, nem capturados. Muitas leis ambientais são inspiradas por Deus que zela pelas demais espécies do planeta. “Não atarás a boca ao boi quando debulha” Deuteronômio 25:4. Deus não queria que o boi fosse maltratado. Ao debulhar espigas na frente dele, com certeza iria salivar de tanta vontade de comer. “Os leõezinhos rugem pela presa e buscam de Deus o sustento” Salmo 104:21. [ 191 ]
  • 192.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir O instinto carnívoro é cruel, fruto da desordem cósmica após o pecado. Mas Deus também ama os carnívoros, e enquanto este estado de coisas permanecer, Deus providencia comida para os mesmos. 18 - DEUS EVITA A DESTRUIÇÃO DOS ANIMAIS “Tornou o Senhor: tens compaixão da planta que te não custou trabalho, a qual não fizeste crescer, que numa noite nasceu e numa noite pereceu; e não hei de eu ter compaixão da grande cidade de Nínive, em que há mais de cento e vinte mil pessoas, que não sabem discernir entre a mão direita e a mão esquerda, e também muitos animais?” Jonas 4:10 e 11. No texto acima Deus argumenta com Jonas as razões porque ele investiu na chamada do povo de Nínive ao arrependimento. Segundo o próprio Deus, ele teve compaixão das pessoas e dos animais. “Uma vez alguém indagou a Elizabeth Marshall Thomas se haveria cães no céu. Ela respondeu afirmando que obviamente o céu teria cachorros, de outra forma não seria céu (DONIGER, 2007). Da mesma forma, o veterinário americano Robert T. Sharp escreveu, em 2005, um livro fazendo justamente essa pergunta: haverá cães no céu? Na universidade americana Seattle Pacific University, Kathleen Braden, uma professora de geografia, ensinou um curso denominado “Haverá cães no céu?”, no qual ela explora as relações entre o homem e os animais, incluindo o [ 192 ]
  • 193.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir estudo de tratados teológicos sobre a natureza dos animais, o relacionamento dos seres humanos com o sofrimento animal e os aspectos psicológicos de nosso relacionamento com nossos animais de estimação. Se isso lhe soa estranho, talvez seja nossa sisudez que nos impeça de apreciar a possibilidade de seres humanos e animais conviverem pacificamente em um ambiente celestial. De acordo com Bill Hall (1990), as pessoas raciocinam que, se houver cães no céu, também haverá ali gatos, camundongos e outros animais de estimação que poderão ser inconvenientes à fruição de gozo eterno. Talvez imaginem que será uma tentação dietética contemplar uma ave ou peixe, no céu, sem poder apreciá- los de uma forma mais epicurista do que o ambiente celestial permitirá. Não me sinto embaraçado ao me referir ao cachorro da família de forma afetuosa. Bainton (1957) comenta que Lutero, em várias passagens de sua obra Conversa à mesa (ou Colloquia mensalia, em latim), menciona seu cachorro Toelpel, ao qual ele parece ter estimado muito. Percebe-se pela fala de Lutero que ele esperava que os cães fossem para o céu. Ele chega mesmo a dizer que, no céu, os cães teriam pele de ouro e pêlo de prata. Além disso, ele os apresenta como modelos para a fidelidade e concentração cristãs: “Ah, se eu pudesse orar com a devoção com a qual meu cachorro observa um pedaço de carne” (Conversa à mesa, n. 274). [ 193 ]
  • 194.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Além disso, a ressurreição dos animais é uma doutrina solidamente estabelecida entre os mórmons. Segundo o autor mórmon Bruce R. McConkie (1962, p. 573-578), “nada é mais absolutamente universal do que a ressurreição; todo ser vivo há de participar dela: ‘como todos morreram em Adão, assim em Cristo todos serão vivificados’ (1 Co 15:22.)””. (2) 19 - DEUS NÃO ESQUECE OS ANIMAIS “Não se vendem cinco pardais por dois asses? Entretanto, nenhum deles está em esquecimento diante de Deus” Lucas 12:6. Leandro Quadros diz o seguinte sobre a POSSIBILIDADE dos animais domésticos serem presenteado por Deus aos seus donos na restauração: “No mundo restaurado teremos muitas surpresas; por que nos admirarmos de que o Senhor possa querer alegrar Seus filhos com os animais domésticos que tanto lhes fizeram bem? Gosto muito de ver a Deus como um pai que se alegra em dar ao seu filho um presente que ele menos espera. Confie no amor de Deus e descanse em Suas promessas. O que Ele fez na cruz do calvário (João 3:16; Romanos 5:6-8) é suficiente para nos provar que o Seu amor por todas as Suas criaturas é infinito.”(1) 20 - DEUS AMA TODOS OS BICHOS [ 194 ]
  • 195.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir “Observai os corvos, os quais não semeiam, nem ceifam, não têm despensa nem celeiros; todavia, Deus os sustenta…” Lucas 12:24. Quando você tem repugnância por algum animal, isso é resultado da decadência da sua natureza, você caiu do estado da perfeição. Quando você sente repulsa por barata, rato, lagartixa, sapo e outros, na verdade é uma distorção da sua visão e da sua natureza. A repugnância esta na sua janela, e não no animal. Todo animal é criado por Deus, e mesmo quando ele parece repulsivo, na verdade é sua natureza que é repulsiva. Eventualmente eu pego em sapos e procuro quebrar a inimizade da minha natureza doentia em rejeição a criação. Procuro sentir a temperatura gelada da pele do sapo, a maciez do seu corpo, como obra divina. Procuro enxergar a beleza do sapo, que o pecado da minha natureza insiste em dizer que é repugnante. O texto acima mostra Deus amando e cuidando dos corvos, animais satanizados na mitologia por serem símbolos de mau agouro, além dos seus hábitos necrófagos. Estes dias glorifiquei a Deus ao assistir um espetáculo lindo, centenas de urubu pousando em um grupo de imensas árvores no anoitecer, era o dormitório de um bando de urubu. A velocidade com que chegavam no “aeroporto” e como pousavam graciosamente, me levaram ao êxtase. O animal nojento esta na sua natureza. O urubu é lindo... [ 195 ]
  • 196.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir 21 – A VINGANÇA DIVINA PELOS ANIMAIS “na verdade, as nações se enfureceram; chegou, porém, a tua ira, e o tempo determinado para serem julgados os mortos, para se dar o galardão aos teus servos, os profetas, aos santos e aos que temem o teu nome, assim aos pequenos como aos grandes, e para destruíres os que destroem a terra” Apocalipse 11:18. Tem horas que fico desesperado e aflito vendo tantas injustiças no mundo, mas consolo-me ao saber que a paciência de Deus tem um propósito. A vida é um teste que ninguém poderá fraudar. Os que amam a natureza serão recompensados, os que contribuem para destruir a Terra, com sua fauna e flora serão julgados por Deus. A justiça que não for consumada nesta vida, será executada depois da morte. Se não houver julgamento dos mortos, não precisamos ter ética, nem moral, não havendo vida após a morte, podemos destruir tudo e a todos procurando somente o nosso prazer, sem dó e piedade nem dos homens e nem do planeta Terra. Mas se a Bíblia estiver certa, os inescrupulosos vão se dar mal, muito mal. O Apocalipse fala do tempo de destruir os que contribuíram para destruir a Terra. 22 - OS CÃES COMEM NO BANQUETE DO SENHOR 27 E ela disse: Sim, SENHOR, mas também os cachorrinhos comem das [ 196 ]
  • 197.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir migalhas que caem da mesa dos seus senhores. 28 Então respondeu Jesus, e disse-lhe: Ó mulher, grande é a tua fé! Seja isso feito para contigo como tu desejas. E desde aquela hora a sua filha ficou sã. (Mateus 15.27-28) É possível perceber inúmeras ocasiões em que Mateus apresenta os gentios com um olhar favorável: 8:5- 13; 21:17-24; 27:54; etc. Para Smillie (2002, p. 74-96), Jesus aceita e adapta os estereótipos judaicos convencionais em relação aos pagãos como a quintessência da injustiça discursiva, procurando generalizar a fim de criar um contraste em relação ao qual Ele possa criar um novo comportamento ou atitude. Por essa razão, não me parece coerente supor que a referência de Jesus aos cães, na perícope da mulher cananéia (Mt 15:22-28), tenha como intenção outra coisa que não generalizar para contrastar e levar a uma mudança de atitude. Os leitores de Mateus, observando o relato através da máscara exclusivista do Judaísmo, devem perceber pela resposta da mulher e pela concessão de Jesus a sua súplica que necessitam adotar uma nova atitude em relação aos samaritanos e aos gentios em geral: uma atitude de tolerância. A mulher toma, sem pudores, o termo deliberadamente pejorativo de Jesus e o aplica a si mesma, ao dizer: “mas mesmo os cães”. Isso lhe ganha a bênção e, mais do que isso, um [ 197 ]
  • 198.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir dos mais comoventes elogios feitos por Jesus nos evangelhos. Fica claro, portanto, que, apesar de pejorativo, o uso do termo “cães” por Jesus em Mateus tem como objetivo provocar uma mudança de atitude em relação a uma classe discriminada. A situação criada por Jesus é o equivalente prático de sua declaração “ouviste o que foi dito… eu, porém vos digo”, usada por Ele com a mesma finalidade de transformar a compreensão de seus ouvintes em relação a conceitos que deveriam ser suplantados pelo amor cristão. Entretanto, o interesse principal deste texto não é estabelecer todo o contexto em que a palavra “cães” se emprega em Mateus, mas simplesmente assinalar que os escritores neotestamentários estavam familiarizados com seu uso metafórico. Ou seja, em Mateus a palavra “cães” não se refere ao animal, mas aos gentios. Por outro lado, não podemos dizer que a ocorrência da palavra em Apocalipse tenha o mesmo referencial uma vez que percebemos que, em Mateus, a palavra foi enobrecida por Jesus. Depois do encontro da mulher cananéia com Jesus, os “cães” (= gentios) não são mais excluídos do banquete, mas passam a ter direito às migalhas. (3) IV – OS CÃES DE LÁZARO 19 Ora, havia um homem rico, e vestia-se de púrpura e de linho finíssimo, e vivia todos os dias regalada e esplendidamente.20 [ 198 ]
  • 199.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Havia também um certo mendigo, chamado Lázaro, que jazia cheio de chagas à porta daquele; 21 E desejava alimentar-se com as migalhas que caíam da mesa do rico; e os próprios cães vinham lamber-lhe as chagas. 22 E aconteceu que o mendigo morreu, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; e morreu também o rico, e foi sepultado. (Lucas 16.19-22) Este capítulo eu dedico a todos os cães que em todos os tempos e em todos os lugares do mundo, estão trabalhando ao lado dos humanos, foram centenas de milhões de cães que foram agentes divinos, anjos que confortam, consolam, protegem e dão carinho e amor aos humanos. Muitos cães são acompanhados por anjos, que por sua vez acompanham humanos por certo tempo. Crianças, velhos, doentes e mendigos desamparados são [ 199 ]
  • 200.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir pessoas sensíveis e debilitadas, e muitos cães se aproximam destas pessoas para ajuda-las. Por designo divino os cães entram na história de pessoas em todo o mundo. Você já teve o seu anjo-canino? [ 200 ]
  • 201.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir [ 201 ]
  • 202.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Cão acompanhou seu dono, morador de rua, até dentro do hospital. [ 202 ]
  • 203.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Dono de cão é abordado pela Polícia junto com outros homens, os policiais mandaram eles se deitarem no chão para serem revistados, o cão fiel, também obedeceu a ordem. [ 203 ]
  • 204.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Os cães tem poder de alegrar os homens mais necessitados da terra. Um cuidando do outro. [ 204 ]
  • 205.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Sinta o amor que o cachorro recebe em retribuição pelo amor incondicional que dá ao seu dono. Os cães são amados, porque são os primeiros a amarem. Uma família de humanos sem cachorro, não é completa. [ 205 ]
  • 206.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Geralmente os relacionamentos mais perfeitos que o homem tem são com Deus e com seus animais. Se os homens são os reis do planeta Terra, os seus súditos mais fieis são os cães. [ 206 ]
  • 207.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Um menino de Tennessee Oriental (EUA) com uma doença rara e seu cão de um antigo abrigo possuem uma relação única. A capacidade de Lucas Hembree, 4 anos, para viver a vida ao máximo está lentamente desaparecendo. Ele sofre de síndrome de Sanfilippo, uma doença rara que afeta seu corpo inteiro. Não há tratamento nem cura para a doença. Os médicos acreditam que Lucas possa estar em um estado vegetativo em cinco anos. Sua mãe Jennifer disse, “Todo dia é um desafio diferente, todo dia é uma viagem diferente”. Os pais de Lucas acharam que um cão de serviço seria bom para ajudar com os desafios diários. Mas a um custo de 14.000 dólares, a idéia não só parecia inacessível, mas também um tiro no escuro na melhor das hipóteses, disse seu pai Chester. “Na época, os manipuladores do cão de serviço, não acharam uma boa idéia. Ela nunca vai dar certo”, disse ele. Eles não conheciam Juno. Ela é uma Malanois belga resgatada de um abrigo de animais em Tennessee apenas alguns dias antes de serem sacrificados. Os Hembrees pagaram cerca de cem dólares para ter Juno em casa. Malanois são conhecidos por sua capacidade de aprender os comandos rapidamente. No entanto, a partir do momento que Juno conheceu Lucas, Chester disse que havia algo instintivo sobre seu relacionamento. “Percebemos um dia que Juno estava girando em círculos em torno dele e lamentando-se, colocava o nariz em cima dele. Checamos seus níveis de oxigênio e eles eram baixos”, disse ele. Juno é literalmente um ombro para Lucas se apoiar, e muito mais, diz o pai. “Ela lhe deu bastante confiança. Agora, se ele fica nervoso, ele a puxa para perto dele. Ela fez uma diferença drástica”, disse Chester. Os Hembrees muitas vezes usam a cor roxa como um símbolo de sua luta contra a síndrome de Sanfilippo. Jennifer disse que é a mesma cor da coleira que Juno estava usando na primeira vez que se encontraram. Um menino e um cachorro juntos, ajudando um ao outro de formas que só eles compreendem inteiramente. (4) [ 207 ]
  • 208.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir EPÍLOGO Eu termino este livro agradecendo a Deus pela “Doutora”, o ser mais fantástico que conheci neste planeta. Termino recitando o refrão da música “O Progresso”: EU QUERIA SER CIVILIZADO COMO OS ANIMAIS. Somente convivendo por longos anos com um animal, ficando muito tempo sozinho com ele é que podemos compreender o grau de civilidade. Este ser vivo que conviveu comigo demonstrou um sentimento de amor e amizade por mim que me fez sentir inferior e humilhado, como indivíduo e como espécie humana. Como alguém pode amar-me como a Doutora me amou? Como eu poderei amar as pessoas como a “Doutora” amou-me? O modelo de amor que a “Doutora” mostrou-me é muito difícil de imitar. Deus tenha pena de nós, reles humanos... A musica AZUL DA COR DO MAR, de Tim Maia, faz-me lembrar da Doutora, gostaria para o mundo inteiro que aprendi tanto com ela! Ah! Se o mundo inteiro me pudesse ouvir Tenho muito pra contar, dizer que aprendi E na vida a gente tem que entender Que um nasce pra sofrer enquanto o outro ri [ 208 ]
  • 209.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Mas quem sofre sempre tem que procurar Pelo menos vir achar razão para viver Ver na vida algum motivo pra sonhar Ter um sonho todo azul Azul da cor do mar Este livro demorei exatamente três meses para escrevê-lo, de 22/09/2015 a 22/12/2015, poderia ter escrito em uma semana, se não fosse a carga emocional extremamente forte que estas fotos e lembranças despejaram no meu coração. Tinha dias que eu interrompia por cinco vezes em escrever o livro, porque chorava tão intensamente que demorava horas para desinchar os olhos. Teve vezes que passei algumas semanas sem abrir se quer o arquivo do livro para poder me recuperar emocionalmente. Quase todo o livro escrevi no sítio, quando estava sozinho, porque não gosto que me vejam chorando. Um dia muito emocionante foi quando não aguentando mais escrever, por causa da pressão emocional, fechei o arquivo e fui orar na sala. Enquanto ficava orando ajoelhado, eu via o anjo Teocron sentado atrás de mim. Ele apareceu na forma da Doutora, mas sentava como gente e tinha uns três metros de altura. Era exatamente a forma da Doutora, como se colocasse ela sentado, só que em proporções gigantes. Com já tive tantas visões na vida, já não fico espantado. [ 209 ]
  • 210.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Mas os desgastes físico e mental que estas manifestações espirituais provocam causam cansaço. DESPEDIDA: Nunca esquecerei a festa e a alegria com que você, Doutora, fazia quando nos encontrávamos. Nunca esquecerei os dias chuvosos em que eu trabalhava na lavoura e você, irredutível, ficava ao meu lado. Nunca esquecerei seu olhar fixo para mim. Nunca esquecerei seu amor por mim, tinha dias que nem eu mesmo gostava de mim, mas você gostou de mim, mais do eu mesmo. Criaturas como você devem ser ou ter parte com os anjos. Eu senti mais a presença de Deus do seu lado do perto do mais santo dos homens. A recompensa que te darei é que te amarei eternamente, e tentarei seduzir Deus para que te traga a vida na eternidade, criatura tão sublime como você não deve simplesmente virar pó e existir somente na lembrança. Minha esperança em reencontrá-la está no arcabouço das infinitas promessas celestiais de I Coríntios 2.9: "Mas, como está escrito: As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, E não subiram ao coração do homem, São as que Deus preparou para os que o amam." UMA NOVA HISTÓRIA Dia 19 de dezembro, há três dias, antes de escrever esta ultima página, tive outra experiência fantástica. Eu estava levando a Leisa e a Nastacia para [ 210 ]
  • 211.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir tomarem vacina, coloquei as duas cadelas na carroceria da camioneta, que têm capota, mas deixei as janelas laterais abertas para entrar ar, Leisa já viajou assim mais de cem vezes, mas descuidei-me da “Nana” que não sendo acostumada poderia se apoiar na janela e no balançar da camioneta na estrada de terra, poderia cair da carroceria. Não deu outra. Sai do sítio e segui a viajem por 13 quilómetros até o centro de Itariri, ao chegar a Casa de Agropecuária do Junior para vacinar as cadelas, cadê a “Naná”? Pensei comigo: “Meu Deus, que vacilo eu dei, agora não sei onde encontrar a Naná, ela pode ter pulado da janela em qualquer lugar. Na cidade, ou na longa estrada, com tantas casas a beira do caminho, ela pode ter entrado em alguma e já era, perdi aquela que me consolou da morte da Doutora.” Após vacinar a Leisa, voltei lentamente pela estrada na esperança que a Naná, ao ouvir o barulho do motor da camioneta reconhecesse e viesse a beira da estrada, dirigia devagar e olhava pelo retrovisor. Mas cheguei no sítio e nada da Naná. Orei aquela noite toda e eu pedia a Deus que colocasse um anjo para trazer Naná de volta para mim, afinal, eu não estava pedindo ouro nem prata, nada de luxo. Naná, não tinha se quer valor econômico, vira-latas são doados. Mas ela já estava comigo desde a morte da Doutora e já tem aprendido tantas coisas, educar um cão, dá trabalho como educar uma criança, ensinando a não deitar no sofá, a não entrar [ 211 ]
  • 212.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir em casa, a não atacar as galinhas. Além do que, animais são como gente, quando novinhos, são crianças, brincalhões, divertidos, alegres... estava triste, mas senti uma fé que iria encontra-la. No dia seguinte nada da Naná... A primeira hora do dia, sai pelo sítio orando e passeando entre as árvores como faço rotineiramente. Fui trabalhar reformando as estradas internas do sítio, calçando-as com pedras britadas. Ao meio dia retornei a casa para almoçar e quando estava para colocar o prato, a voz de Deus disse-me: “Vai agora até o sítio do Simplício, a cachorrinha está dentro da casa.” Rapidamente peguei a camioneta e segui a estrada, era cerca de quatro quilómetros dali. Ao ver a casa, vi na beira de um riacho cerca de 6 crianças, parei o veículo e perguntei: “Vocês viram uma cachorrinha preta, eu a perdi ontem, ela caiu da camioneta.” Os meninos pulando apontaram para a casa que foi do Simplício e disseram: “Ela esta dentro daquela casa.” Encostei o carro, e sai para conversar, ali havia varias pessoas de uma família de Peruíbe que estavam passando o final de semana naquele sítio e iriam embora naquela tarde, provavelmente alguma daquelas crianças poderia levar a Naná e iria ser difícil encontra-la. Conversei com o Paulino dono do sítio falando da situação, quando a danada da Nastácia saiu da casa abanando o rabo e pulando na minha perna... [ 212 ]
  • 213.
    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir Ao contar a história para minha mãe por telefone, ela disse: “Mas esta cachorrinha mal chegou e já esta começando outra história... Nem todos os anjos sabem voar... Doutora forever. [ 213 ]
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    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir REFERÊNCIAS (1) – Disponível em: http://novotempo.com/namiradaverdade/os-animais-irao- para-o-ceu/ publicado em :15/07/2009, acesso em out/2015. (2) https://setimodia.wordpress.com/2012/02/2 0/os-caes-vao-para-o-ceu-uma-reflexao-sobre-apocalipse- 2214-15/, acesso em out/2015. (3) https://setimodia.wordpress.com/2012/02/2 0/os-caes-vao-para-o-ceu-uma-reflexao-sobre-apocalipse- 2214-15/, acesso em out/2015. (4) https://turismoadaptado.wordpress.com/201 2/11/01/cao-resgatado-de-abrigo-devolve-a-alegria-de- viver-e-passear-a-crianca-com-doenca-rara/ SE VOCÊ GOSTOU DESTE LIVRO DOE UM A SEU AMIGO. OUTRAS OBRAS DO AUTOR NAS LIVRARIAS VIRTUAIS www.amazon.com / www.clubedeautores.com.br https://loja.palavraacesa.net/books / https://play.google.com [ 214 ]
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    O anjo dequatro patas, por: Escriba Valdemir http://ebooksplace.pt/ / http://busca.saraiva.com.br/ https://agbook.com.br/book/ / http://bookmooch.com/m/ http://www.ebay.com/itm/ http:/ / /www.adlibris.com/fi/ http://ukbooks.lt/lt/ / http://pt.slideshare.net/ https://books.google.com.br/ / https://pt.scribd.com/ http://www.abebooks.com/ www.lulu.com http://buscapdf.com.br/ http://documents.tips/ http://www.zoom.com.br/ [ 215 ]
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