MOD.129.04
FICHA DE AVALIAÇÃO
FICHA DE AVALIAÇÃO
Nome:_____________________________ Nº:______
Curso: ______________________________________
Classificação:_______,______ valores
O/A Aluno/a: _________________________
Elemento de avaliação:
Disciplina:
Módulo / UFCD:
Nº:
Data de avaliação:
O/A professor/a /, O/A Formador/a,
____________________________________
_
Grupo I
Parte A
Lê o texto. Consulta as notas em caso de necessidade.
Antes, porém, que vos vades, assim como ouvistes os vossos louvores, ouvi também agora as vossas
repreensões. Servir-vos-ão de confusão, já que não seja de emenda. A primeira coisa que me
desedifica1
, peixes, de vós, é que vos comeis uns aos outros. Grande escândalo é este, mas a
circunstância o faz ainda maior. Não só vos comeis uns aos outros, senão que os grandes comem os
pequenos. Se fora pelo contrário, era menos mal. Se os pequenos comeram os grandes, bastara um
grande para muitos pequenos; mas como os grandes comem os pequenos, não bastam cem pequenos,
nem mil, para um só grande. Olhai como estranha isto Santo Agostinho: Homines pravis, praeversisque
cupiditatibus facti sunt, veluti piscis invicem se devorantes: “Os homens com suas más e perversas
cobiças, vêm a ser como os peixes que se comem uns aos outros”. Tão alheia coisa é, não só da razão,
mas da mesma natureza, que, sendo todos criados no mesmo elemento, todos cidadãos da mesma
pátria, e todos finalmente irmãos, vivais de vos comer! Santo Agostinho, que pregava aos homens, para
encarecer a fealdade deste escândalo, mostrou-lho nos peixes; e eu, que prego aos peixes, para que
vejais quão feio e abominável é, quero que o vejais nos homens. Olhai, peixes, lá do mar para a terra.
Não, não; não é isso o que vos digo. Vós virais os olhos para os matos e para o sertão? Para cá, para cá;
para a cidade é que haveis de olhar. Cuidais que só os Tapuias2
se comem uns aos outros? Muito maior
açougue é o de cá, muito mais se comem os brancos. […] Pois tudo aquilo é andarem buscando os
homens como hão de comer, e como se hão de comer.
Morreu algum deles, vereis logo tantos sobre o miserável a despedaçá-lo e comê-lo. Comem-no os
herdeiros, comem-no os testamenteiros, comem-no os legatários, comem-no os acredores; comem-no os
oficiais dos órfãos e os dos defuntos e ausentes; come-o o médico, que o curou ou ajudou a morrer;
come-o o sangrador que lhe tirou o sangue; come-o a mesma mulher, que de má vontade lhe dá para
mortalha3
o lençol mais velho da casa; come-o o que lhe abre a cova, o que lhe tange os sinos, e os que,
cantando, o levam a enterrar; enfim, ainda o pobre defunto o não comeu a terra, e já o tem comido toda a
terra.
Já se os homens se comeram somente depois de mortos, parece que era menos horror e menos
matéria de sentimento.
Padre António Vieira, Sermão de Santo António, Porto, Porto Editora, 2020, pp. 31-33 (texto com supressões)
NOTAS: 1. escandaliza; 2. indígenas; 3, pano que envolve um cadáver.
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1. Relê a frase: “A primeira coisa que me desedifica, peixes, de vós, é que vos comeis uns aos outros.”
(linhas 2 e 3).
1.1. Indica o que critica Vieira no excerto acima transcrito.
2. Completa as afirmações seguintes, selecionando a opção adequada a cada espaço.
Na folha de respostas, regista apenas as letras – a), b), c) - e, para cada uma delas, a palavra selecionada em cada
um dos casos.
O orador alerta os peixes para que olhem para a) , para os colonos, e não para onde vivem
os Tapuias. Deste modo, o pregador realça a crítica aos colonos que b) , por meio de
práticas
de c) , para aumentar a sua riqueza e poder.
a) b) c)
1. a cidade
2. o sertão
3. os matos e o sertão
1. se alimentam de outros homens
2. "se comem" metaforicamente uns
aos outros
3. comem apenas peixe
1. opressão e de exploração
2. perseguição e de humilhação
3. canibalismo
3. Comenta a expressividade da metáfora em “Comem-no os herdeiros, comem-no os testamenteiros […]”
(linhas 17 e 18).
Parte B
Lê o texto.
Cena VIII
Manuel de Sousa, Madalena
Manuel (passeia agitado de um lado para outro da cena, com as mãos cruzadas detrás das costas: e
parando de repente) – Há de saber-se no mundo que ainda há um português em Portugal.
Madalena – Que tens tu, dize, que tens tu?
Manuel – Tenho que não hei de sofrer esta afronta… e que é preciso sair desta casa, senhora.
Madalena – Pois sairemos, sim; eu nunca me opus ao teu querer, nunca soube que coisa era ter outra
vontade diferente da tua; estou pronta a obedecer-te sempre, cegamente, em tudo. Mas oh! esposo da
minha alma… para aquela casa não, não me leves para aquela casa! (Deitando-lhe os braços ao
pescoço).
Manuel – Ora tu não eras costumada a ter caprichos! Não temos outra para onde ir; e a estas horas,
neste aperto… Mudaremos depois, se quiseres… mas não lhe vejo remédio agora. E a casa que tem?
Porque foi de teu primeiro marido? É por mim que tens essa repugnância? Eu estimei e respeitei sempre
a D. João de Portugal; honro a sua memória, por ti, por ele e por mim; e não tenho na consciência por
que receie abrigar-me debaixo dos mesmos tetos que o cobriram. Viveste ali com ele? Eu não tenho
ciúmes de um passado que me não pertencia. E o presente, esse é meu, meu só, todo meu, querida
Madalena… Não falemos mais nisso: é preciso partir, e já.
Madalena – Mas é que tu não sabes… Eu não sou melindrosa nem de invenções; em tudo o mais sou
mulher, e muito mulher, querido; nisso não… Mas tu não sabes a violência, o constrangimento de alma, o
terror com que eu penso em ter de entrar naquela casa. Parece-me que é voltar ao poder dele, que é
tirar-me dos teus braços, que o vou encontrar ali…. Oh, perdoa, perdoa-me, não me sai esta ideia da
cabeça… que vou achar ali a sombra despeitosa de D. João, que me está ameaçando com uma espada
de dois gumes… que a atravessa no meio de nós, entre mim e ti e a nossa filha, que nos vai separar para
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sempre… Que queres? Bem sei que é loucura; mas a ideia de tornar a morar ali, de viver ali contigo e
com Maria, não posso com ela. Sei decerto que vou ser infeliz, que vou morrer naquela casa funesta, que
não estou ali três dias, três horas, sem que todas as calamidades do mundo venham sobre nós. Meu
esposo, Manuel, marido da minha alma, pelo nosso amor to peço, pela nossa filha… vamos seja para
onde for, para a cabana de algum pobre pescador desses contornos, mas para ali não, oh, não!…
Manuel – Em verdade nunca te vi assim; nunca pensei que tivesses a fraqueza de acreditar em
agouros. […] Vamos, D. Madalena de Vilhena, lembrai-vos de quem sois e de quem vindes, senhora… e
não me tires, querida mulher, com vãs quimeras de crianças, a tranquilidade do espírito e a força do
coração, que as preciso inteiras nesta hora.
Madalena – Pois que vais tu fazer?
Manuel – Vou, já te disse, vou dar uma lição aos nossos tiranos que lhes há de lembrar, vou dar um
exemplo a este povo que os há de alumiar…
Almeida Garrett, Frei Luís de Sousa, Porto, Porto Editora, 2015, pp. 42-44 (texto com supressões)
4. Relê a seguinte passagem: “Tenho que não hei de sofrer esta afronta… e que é preciso sair desta casa,
senhora.” (linha 4).
4.1. Explica o que decidiu fazer Manuel de Sousa Coutinho.
5. Seleciona a opção de resposta adequada para completar a afirmação abaixo apresentada.
As características da linguagem usada por Madalena, nesta cena, realçam a sua
como se comprova através das .
(A) assertividade … repetições e exclamações.
(B) vulnerabilidade … repetições e exclamações.
(C) assertividade … interjeições e reticências.
(D) vulnerabilidade … interjeições e reticências.
Grupo II
Lê o texto e a nota.
Minhas senhoras e meus senhores,
Quando se cumprem 57 anos sobre a Declaração Universal dos Direitos do Homem, num tempo em
que eles continuam a ser tão gravemente violados, vale a pena lembrar que não se trata de um projeto de
agora, nascido das luzes dos tempos novos, mas de uma aspiração milenar da humanidade, expressa na
magnífica proclamação de Hamurabi, 1700 anos antes de Cristo: “[…] fazer brilhar a justiça para impedir
o poderoso de fazer mal ao fraco”.
Foram, todavia, precisos séculos de arbitrariedades e de horrores, de que a II Grande Guerra de 39-45
representou a fronteira do intolerável, para que fosse possível, sob a égide1
das Nações Unidas, colocar
os Direitos do Homem sob a proteção de toda a humanidade, representada na mais universal das suas
instituições.
No então recém-inaugurado Palácio de Chaillot, proclamou-se à cidade e ao mundo que “todos os
homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos”, e que todos “são dotados de razão e de
consciência e devem agir uns para com os outros com um espírito de fraternidade”.
É com este programa que se inicia a moderna luta pelos Direitos do Homem, à luz de uma Declaração
Universal que a Senhora Roosevelt, cuja clarividência e militância nunca é demais encarecer, justamente
qualificou de Magna Carta de todos os homens.
É, também, este programa que hoje nos congrega, com a exaustiva consciência de que mal
começamos o combate que nos é proposto.
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Combate que não se esgota nos acontecimentos que, pela sua espetacularidade, suscitam a atenção e
a indignação de todos – o Kosovo, o Afeganistão, a Palestina, o 11 de setembro, o Iraque, Guantanamo,
o 11 de março, para falar apenas de alguns dos mais recentes, mas que ganha particular relevância aí
onde a humilhação e o sofrimento vivem em silêncio à espera de reparação.
Jorge Sampaio, in http://jorgesaampaio.arquivo.presidencia.pt (texto com supressões, consultado a 13/11/2023)
NOTA
1 égide – apoio, proteção (escudo de Atena).
1. Seleciona a opção que completa corretamente cada afirmação.
1.1. O orador, ao longo do seu discurso, não utiliza o argumento sobre
(A) o papel da Nações Unidas na defesa dos direitos humanos.
(B) a modernização da luta pelos direitos humanos com base na Declaração Universal.
(C) o respeito pelos direitos humanos ser um desejo que data da proclamação de Hamurabi.
(D) a relevância da proclamação de Hamurabi na história dos direitos humanos.
1.2. No último parágrafo, o orador refere-se a acontecimentos recentes como
(A) exemplos de glória da humanidade.
(B) argumentos para demonstrar a glória da humanidade.
(C) exemplos que envergonham a humanidade.
(D) argumentos que demonstram a humilhação da humanidade.
1.3. Este texto é
(A) um artigo de opinião, em que o locutor realça não só o valor universal e intemporal da situação
denunciada, mas também a sua importância.
(B) um artigo de opinião, em que o locutor realça não só o valor individual e passado da situação
denunciada, mas também a sua importância.
(C) um discurso político, em que o locutor tem como principal função persuadir o seu destinatário,
realçando não só o valor individual e passado da situação denunciada, mas também a sua
importância.
(D) um discurso político, em que o locutor tem como principal função persuadir o seu destinatário,
realçando não só o valor universal e intemporal da situação denunciada, mas também a sua
importância.
1.4. As funções sintáticas dos constituintes destacados nas frases “Minhas senhoras e meus senhores,”
(linha 1), “Vale a pena lembrar que não se trata de um projeto de agora.” (linhas 3-4) e “com um
espírito de fraternidade” (linha 12), são, respetivamente,
(A) vocativo, complemento do nome e complemento direto.
(B) vocativo, complemento direto e complemento do nome.
(C) sujeito, complemento direto e vocativo.
(D) complemento direto, complemento do nome e vocativo.
1.5. No segmento “É, também, este programa que hoje nos congrega” (linha 16) as palavras sublinhadas
concretizam, respetivamente, uma referência deítica
(A) temporal e pessoal.
(B) espacial e pessoal.
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(C) espacial e temporal.
(D) pessoal e temporal.
1.6. As palavras sublinhadas em “Quando se cumprem 57 anos sobre a Declaração Universal dos
Direitos do Homem, num tempo em que eles continuam a ser tão gravemente violados, […]” (linhas
2-3) contribuem para a coesão
(A) frásica
(B) interfrásica.
(C) referencial.
(D) lexical.
1.7. Na passagem para o discurso indireto, a frase “É com este programa que se inicia a moderna luta
pelos Direitos do Homem […]” (linha 13) a frase correta é:
(A) Jorge Sampaio referiu que é com este programa que se inicia a moderna luta pelos Direitos do
Homem.
(B) Jorge Sampaio referiu que era com aquele programa que se iniciava a moderna luta pelos
Direitos do Homem.
(C) Jorge Sampaio referiu que com aquele programa que se inicia a moderna luta pelos Direitos do
Homem.
(D) Jorge Sampaio referiu que com este programa inicia-se a moderna luta pelos Direitos do Homem.
1.8. A palavra atual que surgiu a partir do étimo PARABOLA – é
(A) paródia.
(B) parabéns.
(C) palavra.
(D) parabeno.
GRUPO III
Faz a síntese do texto.
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PROPOSTA DE CORREÇÃO
Grupo I
PARTE A
1. .............................................................30 pontos
Exemplo de resposta: A primeira repreensão que o orador faz aos peixes prende-se com o facto de
estes se comerem uns aos outros, com a agravante de os grandes comerem os mais pequenos.
2. .............................................................15 pontos
a) 1;
b) 2;
c) 1.
3. .............................................................30 pontos
Exemplo de resposta: O orador faz uso deste recurso expressivo para atrair a atenção dos homens,
dos seus ouvintes, comprovando o aproveitamento constante que existe na sociedade, até mesmo no
momento da morte.
PARTE B
4. .. ...................................................... 20 pontos
Exemplo de resposta: Manuel de Sousa Coutinho, orientado por valores patrióticos e leais, toma uma atitude:
incendiar o seu palácio para que os governadores de Castela não se pudessem aí instalar. Este as-peto é reforçado
pela passagem “ […] vou dar um exemplo a este povo que os há de alumiar…” (ll. 31-32).
5. (D) ..................................................... 20 pontos
Grupo II
1.1...................................................(B) 5 pontos
1.2...................................................(C) 5 pontos
1.3...................................................(D) 5 pontos
1.4...................................................(B) 5 pontos
1.5...................................................(A) 5 pontos
1.6...................................................(C) 5 pontos
1.7...................................................(B) 5 pontos
1.8.----------------------------------------- (C) 5 pontos
Grupo III
Sugestão de textualização:
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MOD.129.04_modelo FICHA DE AVALIAÇÃO_2A.docx

  • 1.
    MOD.129.04 FICHA DE AVALIAÇÃO FICHADE AVALIAÇÃO Nome:_____________________________ Nº:______ Curso: ______________________________________ Classificação:_______,______ valores O/A Aluno/a: _________________________ Elemento de avaliação: Disciplina: Módulo / UFCD: Nº: Data de avaliação: O/A professor/a /, O/A Formador/a, ____________________________________ _ Grupo I Parte A Lê o texto. Consulta as notas em caso de necessidade. Antes, porém, que vos vades, assim como ouvistes os vossos louvores, ouvi também agora as vossas repreensões. Servir-vos-ão de confusão, já que não seja de emenda. A primeira coisa que me desedifica1 , peixes, de vós, é que vos comeis uns aos outros. Grande escândalo é este, mas a circunstância o faz ainda maior. Não só vos comeis uns aos outros, senão que os grandes comem os pequenos. Se fora pelo contrário, era menos mal. Se os pequenos comeram os grandes, bastara um grande para muitos pequenos; mas como os grandes comem os pequenos, não bastam cem pequenos, nem mil, para um só grande. Olhai como estranha isto Santo Agostinho: Homines pravis, praeversisque cupiditatibus facti sunt, veluti piscis invicem se devorantes: “Os homens com suas más e perversas cobiças, vêm a ser como os peixes que se comem uns aos outros”. Tão alheia coisa é, não só da razão, mas da mesma natureza, que, sendo todos criados no mesmo elemento, todos cidadãos da mesma pátria, e todos finalmente irmãos, vivais de vos comer! Santo Agostinho, que pregava aos homens, para encarecer a fealdade deste escândalo, mostrou-lho nos peixes; e eu, que prego aos peixes, para que vejais quão feio e abominável é, quero que o vejais nos homens. Olhai, peixes, lá do mar para a terra. Não, não; não é isso o que vos digo. Vós virais os olhos para os matos e para o sertão? Para cá, para cá; para a cidade é que haveis de olhar. Cuidais que só os Tapuias2 se comem uns aos outros? Muito maior açougue é o de cá, muito mais se comem os brancos. […] Pois tudo aquilo é andarem buscando os homens como hão de comer, e como se hão de comer. Morreu algum deles, vereis logo tantos sobre o miserável a despedaçá-lo e comê-lo. Comem-no os herdeiros, comem-no os testamenteiros, comem-no os legatários, comem-no os acredores; comem-no os oficiais dos órfãos e os dos defuntos e ausentes; come-o o médico, que o curou ou ajudou a morrer; come-o o sangrador que lhe tirou o sangue; come-o a mesma mulher, que de má vontade lhe dá para mortalha3 o lençol mais velho da casa; come-o o que lhe abre a cova, o que lhe tange os sinos, e os que, cantando, o levam a enterrar; enfim, ainda o pobre defunto o não comeu a terra, e já o tem comido toda a terra. Já se os homens se comeram somente depois de mortos, parece que era menos horror e menos matéria de sentimento. Padre António Vieira, Sermão de Santo António, Porto, Porto Editora, 2020, pp. 31-33 (texto com supressões) NOTAS: 1. escandaliza; 2. indígenas; 3, pano que envolve um cadáver. Página 1 de 6 5 10 15 20
  • 2.
    MOD.129.04 FICHA DE AVALIAÇÃO 1.Relê a frase: “A primeira coisa que me desedifica, peixes, de vós, é que vos comeis uns aos outros.” (linhas 2 e 3). 1.1. Indica o que critica Vieira no excerto acima transcrito. 2. Completa as afirmações seguintes, selecionando a opção adequada a cada espaço. Na folha de respostas, regista apenas as letras – a), b), c) - e, para cada uma delas, a palavra selecionada em cada um dos casos. O orador alerta os peixes para que olhem para a) , para os colonos, e não para onde vivem os Tapuias. Deste modo, o pregador realça a crítica aos colonos que b) , por meio de práticas de c) , para aumentar a sua riqueza e poder. a) b) c) 1. a cidade 2. o sertão 3. os matos e o sertão 1. se alimentam de outros homens 2. "se comem" metaforicamente uns aos outros 3. comem apenas peixe 1. opressão e de exploração 2. perseguição e de humilhação 3. canibalismo 3. Comenta a expressividade da metáfora em “Comem-no os herdeiros, comem-no os testamenteiros […]” (linhas 17 e 18). Parte B Lê o texto. Cena VIII Manuel de Sousa, Madalena Manuel (passeia agitado de um lado para outro da cena, com as mãos cruzadas detrás das costas: e parando de repente) – Há de saber-se no mundo que ainda há um português em Portugal. Madalena – Que tens tu, dize, que tens tu? Manuel – Tenho que não hei de sofrer esta afronta… e que é preciso sair desta casa, senhora. Madalena – Pois sairemos, sim; eu nunca me opus ao teu querer, nunca soube que coisa era ter outra vontade diferente da tua; estou pronta a obedecer-te sempre, cegamente, em tudo. Mas oh! esposo da minha alma… para aquela casa não, não me leves para aquela casa! (Deitando-lhe os braços ao pescoço). Manuel – Ora tu não eras costumada a ter caprichos! Não temos outra para onde ir; e a estas horas, neste aperto… Mudaremos depois, se quiseres… mas não lhe vejo remédio agora. E a casa que tem? Porque foi de teu primeiro marido? É por mim que tens essa repugnância? Eu estimei e respeitei sempre a D. João de Portugal; honro a sua memória, por ti, por ele e por mim; e não tenho na consciência por que receie abrigar-me debaixo dos mesmos tetos que o cobriram. Viveste ali com ele? Eu não tenho ciúmes de um passado que me não pertencia. E o presente, esse é meu, meu só, todo meu, querida Madalena… Não falemos mais nisso: é preciso partir, e já. Madalena – Mas é que tu não sabes… Eu não sou melindrosa nem de invenções; em tudo o mais sou mulher, e muito mulher, querido; nisso não… Mas tu não sabes a violência, o constrangimento de alma, o terror com que eu penso em ter de entrar naquela casa. Parece-me que é voltar ao poder dele, que é tirar-me dos teus braços, que o vou encontrar ali…. Oh, perdoa, perdoa-me, não me sai esta ideia da cabeça… que vou achar ali a sombra despeitosa de D. João, que me está ameaçando com uma espada de dois gumes… que a atravessa no meio de nós, entre mim e ti e a nossa filha, que nos vai separar para Página 2 de 6
  • 3.
    MOD.129.04 FICHA DE AVALIAÇÃO sempre…Que queres? Bem sei que é loucura; mas a ideia de tornar a morar ali, de viver ali contigo e com Maria, não posso com ela. Sei decerto que vou ser infeliz, que vou morrer naquela casa funesta, que não estou ali três dias, três horas, sem que todas as calamidades do mundo venham sobre nós. Meu esposo, Manuel, marido da minha alma, pelo nosso amor to peço, pela nossa filha… vamos seja para onde for, para a cabana de algum pobre pescador desses contornos, mas para ali não, oh, não!… Manuel – Em verdade nunca te vi assim; nunca pensei que tivesses a fraqueza de acreditar em agouros. […] Vamos, D. Madalena de Vilhena, lembrai-vos de quem sois e de quem vindes, senhora… e não me tires, querida mulher, com vãs quimeras de crianças, a tranquilidade do espírito e a força do coração, que as preciso inteiras nesta hora. Madalena – Pois que vais tu fazer? Manuel – Vou, já te disse, vou dar uma lição aos nossos tiranos que lhes há de lembrar, vou dar um exemplo a este povo que os há de alumiar… Almeida Garrett, Frei Luís de Sousa, Porto, Porto Editora, 2015, pp. 42-44 (texto com supressões) 4. Relê a seguinte passagem: “Tenho que não hei de sofrer esta afronta… e que é preciso sair desta casa, senhora.” (linha 4). 4.1. Explica o que decidiu fazer Manuel de Sousa Coutinho. 5. Seleciona a opção de resposta adequada para completar a afirmação abaixo apresentada. As características da linguagem usada por Madalena, nesta cena, realçam a sua como se comprova através das . (A) assertividade … repetições e exclamações. (B) vulnerabilidade … repetições e exclamações. (C) assertividade … interjeições e reticências. (D) vulnerabilidade … interjeições e reticências. Grupo II Lê o texto e a nota. Minhas senhoras e meus senhores, Quando se cumprem 57 anos sobre a Declaração Universal dos Direitos do Homem, num tempo em que eles continuam a ser tão gravemente violados, vale a pena lembrar que não se trata de um projeto de agora, nascido das luzes dos tempos novos, mas de uma aspiração milenar da humanidade, expressa na magnífica proclamação de Hamurabi, 1700 anos antes de Cristo: “[…] fazer brilhar a justiça para impedir o poderoso de fazer mal ao fraco”. Foram, todavia, precisos séculos de arbitrariedades e de horrores, de que a II Grande Guerra de 39-45 representou a fronteira do intolerável, para que fosse possível, sob a égide1 das Nações Unidas, colocar os Direitos do Homem sob a proteção de toda a humanidade, representada na mais universal das suas instituições. No então recém-inaugurado Palácio de Chaillot, proclamou-se à cidade e ao mundo que “todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos”, e que todos “são dotados de razão e de consciência e devem agir uns para com os outros com um espírito de fraternidade”. É com este programa que se inicia a moderna luta pelos Direitos do Homem, à luz de uma Declaração Universal que a Senhora Roosevelt, cuja clarividência e militância nunca é demais encarecer, justamente qualificou de Magna Carta de todos os homens. É, também, este programa que hoje nos congrega, com a exaustiva consciência de que mal começamos o combate que nos é proposto. Página 3 de 6 5 10 15 20
  • 4.
    MOD.129.04 FICHA DE AVALIAÇÃO Combateque não se esgota nos acontecimentos que, pela sua espetacularidade, suscitam a atenção e a indignação de todos – o Kosovo, o Afeganistão, a Palestina, o 11 de setembro, o Iraque, Guantanamo, o 11 de março, para falar apenas de alguns dos mais recentes, mas que ganha particular relevância aí onde a humilhação e o sofrimento vivem em silêncio à espera de reparação. Jorge Sampaio, in http://jorgesaampaio.arquivo.presidencia.pt (texto com supressões, consultado a 13/11/2023) NOTA 1 égide – apoio, proteção (escudo de Atena). 1. Seleciona a opção que completa corretamente cada afirmação. 1.1. O orador, ao longo do seu discurso, não utiliza o argumento sobre (A) o papel da Nações Unidas na defesa dos direitos humanos. (B) a modernização da luta pelos direitos humanos com base na Declaração Universal. (C) o respeito pelos direitos humanos ser um desejo que data da proclamação de Hamurabi. (D) a relevância da proclamação de Hamurabi na história dos direitos humanos. 1.2. No último parágrafo, o orador refere-se a acontecimentos recentes como (A) exemplos de glória da humanidade. (B) argumentos para demonstrar a glória da humanidade. (C) exemplos que envergonham a humanidade. (D) argumentos que demonstram a humilhação da humanidade. 1.3. Este texto é (A) um artigo de opinião, em que o locutor realça não só o valor universal e intemporal da situação denunciada, mas também a sua importância. (B) um artigo de opinião, em que o locutor realça não só o valor individual e passado da situação denunciada, mas também a sua importância. (C) um discurso político, em que o locutor tem como principal função persuadir o seu destinatário, realçando não só o valor individual e passado da situação denunciada, mas também a sua importância. (D) um discurso político, em que o locutor tem como principal função persuadir o seu destinatário, realçando não só o valor universal e intemporal da situação denunciada, mas também a sua importância. 1.4. As funções sintáticas dos constituintes destacados nas frases “Minhas senhoras e meus senhores,” (linha 1), “Vale a pena lembrar que não se trata de um projeto de agora.” (linhas 3-4) e “com um espírito de fraternidade” (linha 12), são, respetivamente, (A) vocativo, complemento do nome e complemento direto. (B) vocativo, complemento direto e complemento do nome. (C) sujeito, complemento direto e vocativo. (D) complemento direto, complemento do nome e vocativo. 1.5. No segmento “É, também, este programa que hoje nos congrega” (linha 16) as palavras sublinhadas concretizam, respetivamente, uma referência deítica (A) temporal e pessoal. (B) espacial e pessoal. Página 4 de 6
  • 5.
    MOD.129.04 FICHA DE AVALIAÇÃO (C)espacial e temporal. (D) pessoal e temporal. 1.6. As palavras sublinhadas em “Quando se cumprem 57 anos sobre a Declaração Universal dos Direitos do Homem, num tempo em que eles continuam a ser tão gravemente violados, […]” (linhas 2-3) contribuem para a coesão (A) frásica (B) interfrásica. (C) referencial. (D) lexical. 1.7. Na passagem para o discurso indireto, a frase “É com este programa que se inicia a moderna luta pelos Direitos do Homem […]” (linha 13) a frase correta é: (A) Jorge Sampaio referiu que é com este programa que se inicia a moderna luta pelos Direitos do Homem. (B) Jorge Sampaio referiu que era com aquele programa que se iniciava a moderna luta pelos Direitos do Homem. (C) Jorge Sampaio referiu que com aquele programa que se inicia a moderna luta pelos Direitos do Homem. (D) Jorge Sampaio referiu que com este programa inicia-se a moderna luta pelos Direitos do Homem. 1.8. A palavra atual que surgiu a partir do étimo PARABOLA – é (A) paródia. (B) parabéns. (C) palavra. (D) parabeno. GRUPO III Faz a síntese do texto. Página 5 de 6
  • 6.
    MOD.129.04 FICHA DE AVALIAÇÃO PROPOSTADE CORREÇÃO Grupo I PARTE A 1. .............................................................30 pontos Exemplo de resposta: A primeira repreensão que o orador faz aos peixes prende-se com o facto de estes se comerem uns aos outros, com a agravante de os grandes comerem os mais pequenos. 2. .............................................................15 pontos a) 1; b) 2; c) 1. 3. .............................................................30 pontos Exemplo de resposta: O orador faz uso deste recurso expressivo para atrair a atenção dos homens, dos seus ouvintes, comprovando o aproveitamento constante que existe na sociedade, até mesmo no momento da morte. PARTE B 4. .. ...................................................... 20 pontos Exemplo de resposta: Manuel de Sousa Coutinho, orientado por valores patrióticos e leais, toma uma atitude: incendiar o seu palácio para que os governadores de Castela não se pudessem aí instalar. Este as-peto é reforçado pela passagem “ […] vou dar um exemplo a este povo que os há de alumiar…” (ll. 31-32). 5. (D) ..................................................... 20 pontos Grupo II 1.1...................................................(B) 5 pontos 1.2...................................................(C) 5 pontos 1.3...................................................(D) 5 pontos 1.4...................................................(B) 5 pontos 1.5...................................................(A) 5 pontos 1.6...................................................(C) 5 pontos 1.7...................................................(B) 5 pontos 1.8.----------------------------------------- (C) 5 pontos Grupo III Sugestão de textualização: Página 6 de 6