refrigeração
 na indústria de alimentos
 Gilberto Arejano Corrêa




                             Teoria , cálculo e aplicações
                             práticas a todos profissionais
                             engenheiros e técnicos de
                             refrigeração.
À minha família
SUMÁRIO


Prefácio ....................................................................................................................................................    IV

01. PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS...................................................................................................                                  1-01

     1.1 INTRODUÇÃO .............................................................................................................................               1-01
     1.2 PROPRIEDADES TERMODIÂMICAS ......................................................................................                                      1-01
     1.3 SISTEMAS DE UNIDADES ......................................................................................................                            1-01
     1.4 VOLUME ESPECÍFICO, MASSA ESPECÍFICA E PESO ESPECÍFICO.................................                                                                 1-01
     1.5 PRESSÃO.....................................................................................................................................           1-01
     1.6 TEMPERATURA ........................................................................................................................                   1-02
     1.7 CALOR E POTÊNCIA ...............................................................................................................                       1-02
     1.8 PRIMEIRA E SEGUNDA LEI DA TERMODINÂMICA .........................................................                                                      1-03
     1.9 ENERGIA, ENTALPIA E ENTROPIA ......................................................................................                                    1-03
     1.10 GÁS PERFEITO .......................................................................................................................                  1-04
     1.11 MISTURAS DE GASES PERFEITOS ......................................... ............................................                                    1-04
     1.12 PROPRIEDADES DA ÁGUA E DO VAPOR ............................. ............................................                                            1-04
     1.13 EQUAÇÃO DA ENERGIA EM FLUXO ESTACIONÁRIO ......... ........................................                                                           1-04
     1.14 FATOR DE COMPRESSIBILIDADE DOS GASES REAIS ............... ..................................                                                         1-05
     1.15 ESTADO DE UMA SUBSTÂNCIA PURA ..................................... .......................................                                           1-05
     1.16 TRANSFERÊNCIA DE CALOR .................................................... ......................................                                    1-06
     1.17 CONDUÇÃO ................................................................................. ..... ................................                     1-06
     1.18 RADIAÇÃO........................................................................................ ..... ...........................                    1-06
     1.19 CONVECÇÃO ...................................................................................... ..... .......................                        1-07
     1.20 CONSERVAÇÃO DA ENERGIA .................................................... ... ..... .......................                                         1-07
     1.21 EQUAÇÃO DA DIFUSÃO DE CALOR .................................. ... ..... ...............................                                              1-08
     REFERÊNCIAS ..................................................................................... ... ..... ..........................                     1-09
02. REFRIGERANTE .....................................................................................................................                          2-01

     2.1 INTRODUÇÃO ............................................................................ ... ..... ..............................                       2-01
     2.2 EFEITOS DA TEMPERATURA E PRESSÃO ............... ... ..... ..........................................                                                  2-01
     2.3 CALOR LATENTE ........................................................................................ ... ..... ............                          2-01
     2.4 FATORES A CONSIDERAR NA ESCOLHA DE UM REFRIGERANTE ........................                                                                            2-01
     2.5 CLASSIFICAÇÃO ............................................................... ... ..... .......................................                        2-01
     2.6 COMPATIBILIDADE DOS REFRIGERANTES .................... ... ..... ..................................                                                    2-07
     2.7 SEGURANÇA ....................................................................... ... ... ..... ..................................                     2-07
     2.8 AMÔNIA (NH3) - R717 ................................................................. .... ..................................                          2-07
     2.9 RESISTÊNCIA A CORROSÃO ....................................................... .... ..................................                                 2-08
     2.10 CARGA DO REFRIGERANTE ................................................. .... ..................................                                       2-08
REFERÊNCIAS ............................................................................. ..... .... ..................................     2-08
03. CICLO DE REFRIGERAÇÃO POR COMPRESSÃO ........................................................                                               3-01
    3.1 CICLO DE REFRIGERAÇÃO MAIS IMPORTANTE ................ ..... .... ...........................                                           3-01
    3.2 CICLOS REAIS E CICLO DE CARNOT ................................................ ...........................                             3-01
    3.3 MODIFICAÇÕES DO CICLO DE CARNOT PARA O CICLO REAL ..... ........................                                                        3-01
    3.4 ESQUEMA SIMPLES DE UMA INSTALAÇÃO FRIGORÍFICA ............ ........................                                                     3-01
    3.5 REPRESENTAÇÃO GRÁFICA ................................................................. .........................                       3-01
    3.6 CICLO PADRÃO DE COMPRESSÃO DE VAPOR NO ESQUEMA SIMPLES.................                                                                 3-02
    3.7 POTÊNCIA DO CICLO ............................................................... ........................ ................             3-02
    3.8 COEFICIENTE OPERACIONAL FRIGORÍFICO ......................... ...................... ................                                   3-02
    3.9 EFEITO DA TEMPERATURA DE ADMISSÃO SOBRE A EFICIÊNCIA DO CICLO ...                                                                       3-03
    3.10 EFEITO DA TEMPERATURA DE CONDENSAÇÃO SOBRE A EFICIÊNCIA DO CICLO                                                                       3-03
    3.11 CICLO REAL DE COMPRESSÃO DE VAPOR E OS DESVIOS DO CICLO SATURADO
                                                                                                                                                3-04
    SIMPLES..................................................................................................................................
    3.12 EFEITO DO SUPERAQUECIMENTO DO VAPOR DE ADMISSÃO..........................                                                              3-04
    3.13 EFEITOS DO SUBRESFRIAMENTO DO LÍQUIDO ....................................................                                             3-05
    3.14 EFEITOS DAS PERDAS DE PRESSÃO RESULTANTES DO ATRITO .....................                                                              3-05
    3.15 REGIMES DE TRABALHO ............................................................................................                       3-06
    REFERÊNCIAS .......................................................................................................................         3-09
04. SISTEMAS MULTIPRESSÃO ............................................................................................                          4-01
    4.1 REFRIGERAÇÃO POR COMPRESSÃO DE VAPOR .....................................................                                              4-01
           4.1.1 DOIS COMPRESSÔRES EM PARALELO ............................................................                                     4-01
           4.1.2 COMPRESSOR E VÁLVULA REDUTORA DE PRESSÃO.................................                                                      4-02
    4.2 CICLOS DE COMPRESSÃO POR ESTÁGIO...................................................................                                     4-03
           4.2.1 SUBRESFRIAMENTO POR SUPERFÍCIE ............................................................                                    4-03
           4.2.2 SUBRESFRIAMENTO POR MISTURA ................................................................                                   4-04
    REFERÊNCIAS.........................................................................................................................        4-05
05. ABSORÇÃO ...........................................................................................................................        5-01
    5.1 INTRODUÇÃO ....................... ...................... ................ ...................... ................ ...........          5-01
    5.2 TIPOS DE APARELHOS ...................................................................................................                  5-02
    5.3 PROPRIEDADES ELEMENTARES DAS MISTURAS BINÁRIAS....... ...................... ..                                                         5-02
    5.4 FLUXO ESTACIONÁRIO COM MISTURAS BINÁRIAS ......... ...................... .............                                                 5-02
           5.4.1 MISTURA ADIABÁTICA DE DUAS CORRENTES ......... ...................... ...........                                              5-04
           5.4.2 MISTURA DE CORRENTES COM TROCA DE CALOR...................... ..............                                                   5-05
           5.4.3 PROCESSOS SIMPLES DE AQUECIMENTO E RESFRIAMENTO... ...............                                                             5-05
           5.4.4 ESTRANGULAMENTO .................. ...................... ................ ...................... .......                      5-06
           5.4.5 RETIFICAÇÃO DE UMA MISTURA BINÁRIA ............... ...................... ..........                                           5-06
    REFERÊNCIAS ...................................................................... ...................... ........................          5-08
ANEXO - DIAGRAMA AMÔNIA-ÁGUA................................. ...................... ...................                               5-09
06. PSICROMETRIA ................................................................................................................          6-01
    6.1 DEFINIÇÃO .............................. ...................... ................ ...................... .......................    6-01
    6.2 REGIÕES TERMODINÂMICAS DO AR SECO E DO VAPOR D’ÁGUA .................                                                              6-01
    6.3 AR ATMOSFÉRICA ....................... ...................... ................ ...................... ...............              6-01
    6.4 AR SECO ............................. ...................... ................ ...................... ...........................   6-01
    6.5 VAPOR D’ÁGUA ................................................................... ............ .........................            6-02
    6.6 AR ÚMIDO .................................................... ............ ................................. ............ ...      6-03
    6.7 CARTA PSICROMÉTRICA ................................................ ............ ...........................                      6-06
    6.8 PROCESSOS DE ACONDICIONAMENTO DO AR .. ............ ...... ............................                                            6-06
           6.8.1 CONDIÇÃO DE SIMPLES AQUECIMENTO DO AR .....................................                                               6-06
           6.8.2 CONDIÇÃO DE SIMPLES RESFRIAMENTO DO AR ....................................                                               6-07
           6.8.3 PROCESSO DE UMIDIFICAÇÃO DO AR .....................................................                                      6-07
           6.8.4 CONDIÇÃO DE AQUECIMENTO E UMIDIFICAÇÃO DO AR ....................                                                         6-08
           6.8.5 CONDIÇÃO DE SIMPLES DESUMIDIFICAÇÃO DO AR.............................                                                    6-09
           6.8.6 CONDIÇÃO DE RESFRIAMENTO E DESUMIDIFICAÇÃO DO AR...........                                                               6-09
           6.8.7 MISTURAS ADIABÁTICAS DE DUAS CORRENTES DE AR ÚMIDO.......                                                                 6-10
    6.9 SERPENTINAS DE RESFRIAMENTO E DESUMIDIFICAÇÃO.............................                                                         6-10
    6.10 SERPENTINAS DE SUPERFÍCIE EXTENDIDAS..................................................                                            6-11
    REFERÊNCIAS ...............................................................................................................            6-11
07. CARGAS TÉRMICAS .................................................................................................                      7-01
    7.1 GENERALIDADES ...................................................................................................                  7-01
    7.2 CARGA TÉRMICA ATRAVÉS DAS PAREDES.....................................................                                             7-01
    7.3 CARGA TÉRMICA DEVIDO AO AR............ ................................. ............ .........                                    7-02
    7.4 CARGA TÉRMICA DO PRODUTO (ALIMENTO)................................................                                                7-04
    7.5 CARGA TÉRMICA DE PESSOAS EM UMA CÂMARA FRIGORÍFICA.............                                                                    7-04
    7.6 CARGA TÉRMICA DE MOTORES ELÉTRICOS EM CÂMARA FRIGORÍFIC.                                                                           7-05
    7.7 CARGA TÉRMICA DE ILUMINAÇÃO EM CÂMARA FRIGORÍFICA...............                                                                   7-05
    7.8 CARGA TÉRMICA TOTAL EM CÂMARA FRIGORÍFICA.................................                                                         7-05
    CONCLUSÃO.................................................................................................................             7-06
    REFERÊNCIAS...............................................................................................................             7-06
08. PESCADO ....................................................................................................................           8-01
    8-1 INTRODUÇÃO........................................................................................................                 8-01
    8-2 PESCADO RESFRIADO.........................................................................................                         8-01
    8-3 PESCADO CONGELADO......................................................................................                            8-01
    8-4 PROPRIEDADES TÉRMICAS DO PESCADO.....................................................                                              8-01
    8-5 PERFIL DE TEMPERATURA................................................................................                              8-03
    8-6 PROGRAMA COMPUTACIONAL........................................................................                                     8-03
REFERÊNCIAS..............................................................................................................        8-04
09.FRUTAS ........................................................................................................................   9-01
    9.1 INTRODUÇÃO........................................................................................................           9-01
    9.2 VEGETAIS RESFRIADAS......................................................................................                    9-01
    9.3 FRUTAS E HORTALIÇAS......................................................................................                    9-01
    9.4 ARMAZENAGEM DE VEGETAIS.........................................................................                             9-02
    REFERÊNCIAS...............................................................................................................       9-02
PREFÁCIO



     Esta publicação destina-se auxiliar estudantes e profisionais, a relacionar o estudo teórico
da refrigeração, com a aplicação prática na indústria.
     O Capítulo 1 envolve conhecimentos prévios fundamentais para o estudo da refrigeração,
facilitando um melhor entendimento. Os demais capítulos relacionam-se entre sí,
apresentando problemas práticos resolvidos e propostos do ramo da refrigeração.
     O Capítulo 2 descreve aspectos termodinâmicos, químicos e físicos importantes dos
refrigerantes. Os refrigerantes são utilizados como agente na remoção de calor nos sistemas
de refrigeração: na conservação e processamento de alimentos; na climatização de ambientes;
na dissipação de calor de equipamentos e entre outras inúmeras aplicações.A amônia devido a
suas características têm se imposto, como preferido, na seleção dos fluidos refrigerantes
utilizados nas instalações industriais.
     Os ciclos de refrigeração por compressão mecânica de vapor são os mais usados na
prática, e são apresentados nos Capítulos 3 e 4. Nestes são estudados os efeitos das
temperaturas, na eficiência dos sistemas através dos balanços térmicos.
        No Capítulo 5 são estudados os sistemas de refrigeração por absorção. Estes se
caracterizam pelo uso maior da energia térmica em substituição à elétrica e, pela simplicidade
por não possuir partes móveis. Atualmente estes sistemas estão cada vez mais difundidos,
sendo construídas desde pequenas unidades empregadas em refrigeradores domésticos e ar
condicionado, até grandes unidades indústrias.
        No Capítulo 6 se estuda as propriedades do ar úmido e os processos de
acondicionamento do ar. Para a solução dos exercícios são utilizados os métodos analíticos
e/ou gráficos.
        Os Capítulos 7, 8, 9 e 10 tratam do estudo da carga térmica dos alimentos na
refrigeração, congelamento e armazenagem.
        A maioria dos conteúdos abordados neste livro, procedem de vários autores citados no
final de cada capítulo, porém diferenciam-se pela forma simples e objetiva aplicada.



                                                                             Gilberto A. Corrêa
PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DE
TERMODINÂMICA E DE TRANSMISSÃO DE                                                             1
CALOR
1.1 INTRODUÇÃO                                            especializadas que ainda predominam estas
                                                          unidades, ainda são bastante utilizadas.
   É de vital importância para o profissional que trata       Sem dúvida, se apresenta uma grande confusão
de problemas térmicos, a compreensão dos princípios       quando se trabalha com distintos sistemas de
básicos de termodinâmica e da transmissão de calor. O     unidades, a tendência é a utilização de um sistema
propósito deste capítulo é revisar alguns aspectos        único que é o Sistema Internacional (SI).
fundamentais.                                                 Neste último a unidade de massa é o
                                                          quilograma (kg), que está referenciado a uma
1.2 PROPRIEDADES TERMODIÂMICAS                            quantidade padrão de material. A unidade de força
                                                          é o Newton (N), que é a intensidade de uma força
   Uma propriedade termodinâmica é qualquer               necessária para acelerar em 1 m/s² uma massa de
característica medível, observável ou calculada de uma    um quilograma. A massa (m), força (F) e
substância, que depende somente do estado da mesma        aceleração (a) estão relacionadas pela segunda lei
substância.                                               do movimento de Newton:

1.3 SISTEMA DE UNIDADES                                                F  m.a                      (1.1)

    Os sistemas de unidades de uso corrente em                 O sistema padrão de unidades é o sistema
refrigeração no Brasil é o sistema métrico, no            Internacional (SI). Os outros sistemas de unidades
entanto a preponderância da tecnologia norte-             como o sistema inglês, relacionam-se ao SI
americana que coexiste entre nós, ou a européia           mediante fatores de conversão simples (Tabela
que utiliza igualmente as unidades inglesas,              1.1).
principalmente    as    publicações     técnicas

Tabela 1.1 - Fatores de conversão de unidades
   Grandezas/Dimensão                 Sistema Inglês          Sistema métrico               Sistema
                                                                                         Internacional
Massa    M                             1lb=0,454 kg                   kg                       kg
Comprimento       L                    1ft=0,3048m                    m                        m
Tempo   T                                     s                        s                        s
                                     1lbf=32,2 lb.ft/s²       1kgf=9,81 kgm/s²           1 N= 1kg.m/s²
Força     MLT-2
                                      1lbf=0,454 kgf             1kgf=9,81N
                                     1psi=14,7lbf/in²       1kgf/cm²=98,1kN/m²            1Pa=1,0N/m²
Pressão    ML-1T-2
                                  1psi=0,07031kgf/cm²      1 kgf/cm²=735,56 mmHg      1atm=1,01325x105Pa
Volume específico M-1L3                    ft³/lb           1m³/kg=6,24E-2 ft³/lb             m³/kg
Temperatura relativa                 °F=9/5(°C) +32             °C=5/9(°F-32)                   °C
Temperatura absoluta                     R=°F+460                 K=°C+273                 K=°C+273
Trabalho ML²T-2                    1lbf.ft=0,1383kgf.m          1kgf.m=9,81J             1J=1Nm=1W.s
Calor ML²T-2                         1Btu=0,252kcal            1kcal=4,1855kJ                   kJ
Equivalência Calor-Trabalho          1 Btu =778 lbf.ft         1 kcal=427 kg.m            1 kcal=4187J
Constante universal dos gases     R=1545 lbf.ft/lbmol.R     R=848 kgf.m/kmol.K         R=8,314kj/kmol.K
Calor específico                 1Btu/lb°F=4,186kJ/kg.K     1kcal/kgK=1Btu/lb°F              kJ/kg.K
Potência                                1HP=746W                1HP=1,014CV                    kW

1.4 VOLUME ESPECÍFICO, MASSA                              e sua unidade no SI é o m³/ kg. A massa específica
ESPECÍFICA E PESO ESPECÍFICO.                             ou densidade, ρ, é o inverso do volume específico.
                                                              O peso específico, γ, de uma substância é o seu
   O volume específico, v, de uma substância é o          peso (G) por unidade de volume, e sua unidade no
quociente entre o seu volume (V) e sua massa (m),         SI é o N/m³. γ = G/V = m.g/V        (g = 9,81 m.s-2)
E 1.1 Qual é a massa de ar contida em um recinto
de dimensões 4x6x3 m, se o volume específico do
ar é de 0,83 m³/kg?
Solução
O volume do recinto é de 72 m³, de modo que a
massa de ar contida deve ser
               V      72m 3
           m                  86,7kg
                v 0,83m 3 / kg

Densidade relativa (dr) é o quociente da densidade        Figura 1.1 Diagrama comparativo das pressões
de uma substância, em relação a densidade de um        1.6 TEMPERATURA
material de referência. A gravidade específica
geralmente significa densidade relativa em relação         A temperatura é uma grandeza física que mede
à água (destilada a 4ºC) com ρ = 1kg/m³. O termo       o estado de agitação das partículas de um corpo ou
"densidade relativa" é muitas vezes preferido no       substância, caracterizando o seu estado térmico. A
uso científico moderno.                                temperatura de uma substância pode ser expressa
                                                       em unidades relativas ou absolutas. A temperatura
1.5 PRESSÃO                                            absoluta é uma propriedade termodinâmica A
                                                       temperatura de fusão do gelo se dá em um valor
    Pressão é a força que exerce por unidade de área   arbitrário de 0 grau Celsius (°C) e, 100 °C para a
no contorno de uma substância. A unidade de            água em ebulição, a 1 atm de pressão.
pressão é o N/m², denominado pascal (Pa). Em               Por meio da segunda lei da termodinâmica,
engenharia, as pressões são conhecidas como            podemos provar que existe uma “temperatura
pressões absoluta, relativa ou a vácuo. A pressão      mínima concebível”. Esta temperatura é o zero
absoluta é uma propriedade termodinâmica. A            absoluto, e qualquer temperatura medida a partir
pressão relativa é obtida através da leitura de um     dela é uma temperatura absoluta. A escala Celsius
instrumento (manômetro, manovacuômetro ou              absoluta (chamada Kelvin, K) se utiliza para
vacuômetro). A Figura 1.1 mostra esquematizado         expressar temperaturas absolutas no Sistema
um diagrama comparativo.                               Internacional. A temperatura absoluta é calculada
     Se a pressão relativa (ou manométrica) é maior    mediante:
que a pressão atmosférica (ou barométrica), a
pressão absoluta é a soma das pressões relativa e                     K  C  273,16              (1.2)
atmosférica.                                           E 1.4 O ponto de ebulição da água em condições de
p_manométrica < p_absoluta                             pressão atmosférica padrão (1 bar) é 100 ºC.
p_absoluta = p_manométrica + p_atmosférica             Exprimir esta temperatura em Kelvin (K):
E 1.2                                                             T = 100 + 273,16 =373,16 K
Pressão relativa (ou manométrica) = 2 bar
Pressão atmosférica (ao nível do mar) = 1 bar          O ponto de ebulição ou temperatura de ebulição
Pressão absoluta = 2 + 1 = 3 bar                       é a temperatura em que uma substância passa
                                                       do estado líquido ao estado gasoso.
     Quando a pressão relativa (de vácuo) é menor
que a atmosférica, a pressão de vácuo é a diferença
                                                       1.7 UNIDADES DE CALOR E POTÊNCIA
entre a pressão atmosférica e a pressão absoluta,
esta é comumente expressa em mmH2O. A pressão              Calor (Q) é uma quantidade de energia térmica
atmosférica (1 atm padrão) vale 1,01x10 5 N/m².        transferida. Quando o calor entra em uma
              pvácuo < patmosférica                    substância, ele aquece, e quando sai da substância,
         pvácuo = patmosférica - pabsoluta             ele esfria. Para determinar a quantidade de calor
E 1.3                                                  relacionamos a massa dessa substância, a existência
Pressão atmosférica (ao nível do mar) = 1 bar          a uma diferença de temperatura.
Pressão absoluta = 3 bar
Pressão de vácuo = 1 - 3 = -2 bar                                          Q α m Δt

                                                           A unidade utilizada no SI do calor é o
                                                       quilojaule, kJ, definida como a quantidade de calor
necessária para elevar em 1°C a temperatura de 1
                                                                                      5  0º C  969,2kJ
                                                                               kJ
kg da substância.                                      Qs  100kg  1,9384
                                                         c                   kg º C
    Esta proporcionalidade podemos transformar
                                                                                    x0  2º C  837,36kJ
                                                                               kJ
em uma igualdade utilizando um coeficiente             Q s  100kg  4,1868
conhecido por calor específico, c.                         r                 kg º C
                                                       Latente:
             Q  m.ct 2  t 1                (1.3)                      kJ
                                                       Q l  100kg  335      33500 kJ
    O calor específico (cp à pressão constante ou cv                      kg
à volume constante) na maioria das substâncias         O calor retirado das verduras é a soma das três
varia com a temperatura, porém se podem utilizar       parcelas -35306,56 kJ
valores médios, c, em intervalos limitados de          A taxa de transferência de calor proporcionado
temperatura.                                           pelo gelo,
E 1.5 Qual é a taxa de transferência de calor em um
resfriador de água se 0,4 kg/s de água entram a          35306,56kJ  0,408641 kW  408,641 W
                                                        Q
                                                                       s
20°C e deixam a 9°C?                                        24h  3600
 Solução                                                               h
Como a pressão da água permanece essencialmente            A taxa de calor fornecida pelas verduras é
constante, o cp pode ser utilizado. A quantidade de    conhecida por Carga Térmica do Produto(Qp), e a
energia retirada por quilograma de água é obtida       capacidade do gelo de retirar este calor é chamada
pela Eq. (1.3) onde o cp vale 4,19 kJ/kg.K no caso     de Potência Frigorífica (Pf).
da água e m  0,4 kg / s .
           
                                                            Trabalho é a energia transferida entre um
  0,4 kg/s x 4,19 kJ/kg.K x (20-9)°C = 18,44 kJ/s      sistema e um meio ambiente quando algum deles
                                                      exerce uma força sobre o outro ao longo de certa
                   Q  18,44 kW                        distância. A unidade de trabalho no Sistema
                                                       Internacional é o Nm, chamado joule (J). A
     Em cálculos de refrigeração se considera com      Potência se define como a velocidade a qual se
freqüência dois tipos de calor:                        executa este trabalho. A unidade básica é o J/s,
Calor sensível, que é o calor trocado pela             chamado watt (W). A unidade corrente que
substância envolvendo variação na sua temperatura;     expressa a capacidade nos sistemas de refrigeração
Calor latente, que é o calor trocado que envolve       é a tonelada de refrigeração (TR), onde 1 TR vale
variação de fase da substância.                        3,51 kW.

E 1.6 Em uma câmara frigorífica foram colocados        1.8 PRIMEIRA E SEGUNDA LEI
100 kg de gelo a -5°C para esfriar alguns vegetais.        DA TERMODINÂMICA
Vinte e quatro horas mais tarde, o gelo se fundiu
ficando a água a 2°C. Se o calor específico do gelo         A termodinâmica se baseia em dois princípios
é 1,9384 kJ/kg°C, o calor de fusão é 335 kJ/kg, e o    empíricos chamados a primeira e a segunda lei da
calor específico da água é 4,1868 kJ/kg°C, qual é a    termodinâmica.
taxa de transferência de calor proporcionado pelo           A primeira lei da termodinâmica estabelece
gelo?                                                  uma equivalência entre o trabalho e o calor trocado
Nota: a câmara frigorífica referida é um depósito de   entre um sistema e o seu meio exterior, cujo
alimentos refrigerados somente com gelo.               enunciado pode ser em um sistema fechado: A
                                                       variação da energia interna de um sistema é igual à
 Solução                                               diferença entre o calor e o trabalho trocado.
     O calor retirado das verduras, proporcionado
pelo gelo envolve duas parcelas de calor sensível,                      Q  W  U                     (1.4)
uma antes e outra depois da fusão do gelo, e uma de
calor latente durante a fusão do gelo. Admitindo a     Q recebido +       W recebido –
temperatura de fusão do gelo 0°C,                      Q fornecido -      W efetuado +
Sensíveis antes e depois da fusão:                     Por unidade de massa:

                                                                       q  w  u 2  u1                (1.5)
Para um sistema em movimento (aberto), onde       pv – energia potencial de fluxo associado ao campo
fica implícita a conservação da energia contida em     de forças do escoamento.
um volume de controle, supondo fluxo estacionário.     c²/2 – energia cinética.
É calculada mediante:                                  gz – energia potencial gravitacional.

              Q  W  me1  e 2   0
                                            (1.6)        Na análise de alguns processos específicos, as
                                                       duas últimas parcelas costumam ser negligenciada
     A segunda lei da termodinâmica estabelece         em presença das demais, de modo que a equação
as condições em que é possível a transformação de      (1.6) pode ser rescrita na forma:
calor em trabalho. A conversão de calor em energia
mecânica é conseguida por meio de uma máquina               Q  W  m[u 2  u1   p1v1  p 2 v 2 ]
                                                                                                       (1.9)
térmica, cujo enunciado (Kelvin e Planck) pode ser:
É impossível construir uma máquina térmica que,            Uma      combinação      de    propriedades
operando em ciclo, transforme em trabalho todo o       termodinâmicas ocorre quando temos um processo
calor recebido de uma fonte.                           à pressão constante que denominamos de entalpia
     Como conseqüência da segunda lei da               (h) e que é a soma (u+pv), e se dividirmos pela
termodinâmica estabelece o conceito de entropia. A     vazão mássica teremos:
entropia se define mediante a seguinte equação:
                                                                       q  w  h 2  h1                  (1.10)
             dQ                                (1.7)
       dS        (processo reversível)                     Onde h = entalpia, em kj / kg; u = energia
               T
     A entropia procura mensurar a parcela de          interna, em kJ / kg; p = pressão, em N/m²; v =
energia que não pode mais ser transformada em          volume específico, em m³/ kg. A importância da
trabalho, em transformações termodinâmicas. O          entalpia se deve a sua presença em todos os
calor é a forma mais evidente de se fazer a entropia   problemas em fluxo estacionário.
do sistema variar (aumentar o micro estado                  A entropia, como a entalpia, é uma
significa desperdiçar energia que poderia ser          propriedade matemática que não é evidente por
aproveitada como trabalho), ao passo que a troca de    medições diretas. Em engenharia, a entropia é útil
energia mediante trabalho por si só não implica        na solução de problemas que incluem processos
variação da entropia.                                  isotérmicos ou adiabáticos reversíveis. Em
     Em sistemas mais complexos, o que inclui as       termodinâmica mais avançada, se usa entropia
transformações irreversíveis é quase sempre            como um critério de equilíbrio, através de análises
produzida dentro do próprio sistema, e a variação      exergéticas.
total na entropia destes sistemas é igual à soma de
dois termos: a entropia produzida e a entropia         1.10 O GAS PERFEITO
trocada com a vizinhança.
     A entropia trocada equivale, conforme descrito,        Uma equação de estado expressa a relação
à integral de dQ/T, sendo sempre nula quando a         entre a pressão, o volume específico e a
transformação é adiabática. Já a entropia produzida    temperatura de uma substância. No caso de um gás
vale zero apenas quando o processo é reversível,       perfeito:
sendo sempre positiva em transformações
irreversíveis.                                                             pv  RT                       (1.11)

1.9 ENERGIA ESPECÍFICA, ENTALPIA E                          A constante do gás, R, varia para os diferentes
ENTROPIA.                                              gases. A equação (1.11) é satisfatória para gases
                                                       reais a relativamente altas temperaturas e baixas
     Como resultado da primeira lei da                 pressões; em cálculos do ar úmido este se comporta
termodinâmica, obtivemos o conceito da                 como um gás perfeito.
propriedade de energia interna. A energia                   Para os gases perfeitos podemos deduzir
específica do escoamento (Eq. 1.8) inclui todos os     muitas relações que incluem calores específicos.
tipos de energia armazenadas em suas moléculas         Para qualquer processo, podemos provar que a
                                                       energia interna é função só da temperatura e é
                                                       expressa por:
                             c2
              e  u  pv        gz           (1.8)
                              2                                   u 2  u1  cv t 2  t1               (1.12)
Onde temos:
u – energia interna (devido ao movimento e/ou
forças intermoleculares).
O mesmo, a variação de entalpia é para                                 m x cp x  m y cp y 
qualquer processo:                                                  cp                                       (1.20)
                                                                                    m
           h 2  h1  cpt 2  t1            (1.13)
                                                        1.12 PROPRIEDADES DA ÁGUA E DO
                                                        VAPOR
    Uma relação útil entre cp e cv para um gás
perfeito é:                                                  É essencial para o engenheiro, uma
              cp  cv  R                (1.14)         compreensão das propriedades da água. O vapor de
                                                        água é uma constituinte da atmosfera, importante
1.11 MISTURAS DE GASES PERFEITOS                        no cálculo da climatização de ambientes. As
                                                        propriedades termodinâmicas da água, no estado de
    O     engenheiro      de   refrigeração     trata   vapor e de líquido, podem ser encontradas em
continuamente com misturas gasosas. Nesta seção,        tabelas e gráficos em literatura especializada, como
recordemos alguns conceitos básicos sobre a             os fornecidos pela ASHRAE Handbook of
mistura de gases perfeitos.                             Fundamentals.
    Consideremos primeiro um volume dado de                  Podemos calcular o volume específico, entalpia
uma mistura de dois gases perfeitos x e y, onde         e entropia de uma mistura se conhecer o título x, ou
cada gás ocupa o volume total V, e cada gás está à      seja, kg de vapor saturado por kg de mistura. As
mesma temperatura T. Posto que estejam tratando         equações seguintes são evidentes:
de gases perfeitos, não há interação entre eles e
cada um cumpre separadamente com a equação                                   v  1  x v l  xv v
(1.11). Podem-se aplicar as seguintes relações:                              h  1  x h l  xh v
                   m  mx  my
                                                                            s  1  x s l  xs v
                    V  Vx  Vy
                    T  Tx  Ty                         1.13 A EQUAÇÃO DA                           ENERGIA    EM
                                                        FLUXO ESTACIONÁRIO
                    p  px  py
    Posto que se suponha que cada gás se comporta            A maioria dos processos termodinâmicos são
como se o outro não estivesse presente, temos de        processos de fluxo estacionário com respeito ao
acordo com a equação (1.11):                            tempo. A equação da energia em fluxo
                                                        estacionário, pela primeira lei da termodinâmica, a
              px V  mx R x T                           soma de todas as energias que entram em um
                                              (1.15)    sistema deve ser igual à soma de todas as energias
              pyV  myR yT                    (1.16)    que saem do sistema. Ou seja:

e para a mistura de todos os gases,                               V12                   V2           
                                                        m(h 1 
                                                                      z1 )  Q  m(h 2  2  z 2 )  W      (1.21)
                                                                  2g                      2g
               pV  mRT                       (1.17)    Onde a entalpia é
das equações (1.15) - (1.17), temos:                                    h  u  pv                 (1.22)
                                                        Na maioria dos problemas de engenharia, muito dos
          R
                m x R x  m y R y           (1.18)
                                                        termos são desprezíveis ou não existem.
                        m
                                                        E 1.17 Determine a potência necessária, para
    A constante da mistura de gases perfeitos é a       comprimir em processo isentrópico (adiabático e
média ponderada das constantes dos componentes.         sem atrito) 0,204 kg/s de vapor de amônia saturada,
    Quando os gases se misturam adiabaticamente,        desde 1,44 bar até 4 bar (pressões absolutas), em
sem haver nenhum trabalho, a primeira lei da            um processo de fluxo estacionário.
termodinâmica requer que a entalpia do sistema           Solução
permaneça constante. Ou seja, podemos escrever,              A equação (1.21) para fluxo estacionário,
                                                        desprezando a energia cinética e potencial de
                m x h x  m y h y                     posição (pequenas). A potencia do compressor
           h                                 (1.19)                     W  m h 2  h1
                                                                                                      (a)
                       m
                                                              Com a pressão p1= 1,44 bar pode ser
E para o calor específico cp:
                                                        determinada na Tabela 2.1 da amônia saturada a
                                                        entalpia h1= 1409,51 kJ/kg e a entropia do vapor S1
                                                        = 5,71 kJ/kg.K
Como o processo é isentrópico S1=S2                     conforme Fig. 1.2, retrata a terminologia que define
Com a p2= 4 bar e S2= 5,71 kJ/kg.K determinamos         os estados de uma substância pura, onde o título x
na Tabela 2.2 da amônia de vapor superaquecido a        representa a relação entre a massa de vapor e a
entalpia h2= 1543,38 kJ/kg                              massa total.
As entalpias h1 e h2 podem também serem
determinadas em diagramas:

         Temperatura e Entropia (T x S)
           Pressão e Entalpia (p x h)

Substituindo em (a), determinamos a potência do
compressor
 (0,204 kg/s) (1543,38-1409,51kJ/kg) = 27,31 kW
                   
Nota: A potência ( W ) nos sistemas de refrigeração
é chamada de potência mecânica (Pm)

1.14 FATOR DE COMPRESSIBILIDADE
     DOS GASES REAIS

   Quando a equação de estado dos gases perfeitos
não oferece precisão satisfatória, é necessário o
desenvolvimento de uma equação de estado
específica da substância, ou o emprego de uma
genérica, como a do uso do fator de
compressibilidade (Z), definido como a razão entre
o volume ocupado por um gás, e o volume ocupado
por um gás perfeito de mesma natureza molecular,
nas mesmas condições de pressão e temperatura.

                         v
                 Z                           (1.23)
                      v ideal

      Assim utilizando diagramas generalizados
determinamos o fator de compressibilidade como
função de suas propriedades reduzidas (pressão e
temperatura), sendo que:
                  p            T                          Figura 1.2 – Método de obtenção dos diferentes
            pr      e Tr                     (1.24)             estados de uma substância pura
                 pc           Tc
Onde a pressão reduzida é função da pressão de
                                                        Repetindo-se a experiência para diferentes pressões
operação e da pressão crítica e a temperatura
                                                        e com a equação de estado, seus resultados
reduzida função da temperatura de operação e da
                                                        permitirão obter tabelas (propriedades do fluido
temperatura crítica conforme equação (1.24).
                                                        saturado e superaquecido) ou diagramas (Fig. 1.3)
Portanto a Eq. (1.11) fica assim corrigida para o gás
                                                        que apresentam a relação entre as propriedades
real:
                                                        termodinâmicas, bem como permite visualizar os
                 pv  ZRT                      (1.25)
                                                        processos que ocorrem com as substâncias. As
    Muitas outras equações de estado foram              tabelas dos principais fluidos utilizados em
desenvolvidas para relacionar as propriedades           refrigeração encontram-se em anexo, assim como
termodinâmicas. Para simplificar a obtenção destas      exemplos de sua utilização.
correlações foram construídas tabelas de
propriedades termodinâmicas para as substâncias
utilizadas.

1.15 ESTADOS DE UMA SUBSTÂNCIA PURA

   Uma substância pura aquecida à pressão
constante em um cilindro provido de um pistão
propriedades);       temperaturas       operacionais
                                                          satisfatórias (levando em conta os custos)

                                                          3 Climatização Ambiental

                                                                Ocorrem em projetos térmicos que necessitam
                                                          manter o controle de temperatura, umidade, pureza
                                                          e movimentação do ar, em conjunto ou
                                                          separadamente, numa faixa muito restrita de
Figura 1.3 – diagramas esquematizados pxh e Tx S          variação de valores, sem comprometer a sua
                                                          aplicação. Inúmeras são as aplicações que exigem
EXERCÍCIO PROPOSTO                                        este controle. Como exemplo: processamento de
                                                          produtos e conservação, na medicina, no
1. Determinar as propriedades termodinâmicas (p,          resfriamento de reatores e mesmo em naves
v, h, S) para a água e a amônia para o estado líquido     espaciais, entre muitos.
saturado e vapor saturado à temperatura de 35°C.
Use as tabelas e os diagramas.                            1.17 CONDUÇÃO

1.16 TRANSFERÊNCIA DE CALOR                                    A condução térmica se define mediante a
                                                          relação de Fourier, para um problema
    A transferência de calor pode ser definida como       unidimensional na direção x.
a transferência de energia de uma região para outro
como resultado de uma diferença de temperatura                            
                                                                          Q dQ x      dT
                                                                   qx           k                   (1.26)
entre elas. A análise de transferência de calor é feita                   A Ad       dx
a partir das equações de conservação de massa e
energia, da segunda lei da termodinâmica e de três        Isto é, o fluxo de calor qx (W/m²) por unidade de
leis fenomenológicas que descrevem as taxas de            área é proporcional ao gradiente de temperatura
transferência de energia em condução, convecção e         dT/dx (K/m). A constante de proporcionalidade k
radiação. Quando em um sistema com transferência          (W/mK) se denomina condutividade térmica do
de calor não há variação de temperatura com o             material e dQx/dθ (W) a taxa de transferência de
tempo o regime é considerado permanente, no caso          calor na direção x normal a área A (m²).
de variação de temperatura o regime é não                      A quantidade de energia transportada é
permanente ou variável.                                   molecular. A energia se transporta de uma região de
                                                          alta temperatura a uma de baixa temperatura devido
Porque é importante o conhecimento                  da    ao movimento molecular.
transferência de calor na Refrigeração?                        A condutividade térmica k é uma propriedade
                                                          do material e indica a quantidade de calor que fluirá
Nós podemos analisar três classes de problemas            através de uma área unitária se o gradiente de
encontrados na engenharia da refrigeração.                temperatura for unitário. A condutividade térmica
                                                          varia com a temperatura, com o material e com o
1 Isolamentos Térmicos -                                  estado de agregação do mesmo. As ordens de
                                                          grandeza da condutividade térmica de varias classes
     O objetivo deste tipo de projeto térmico é           de materiais estão mostrados na Tabela 1.2.
minimizar a taxa de transferência de calor,               Tabela 1.2. Ordem de grandeza da condutividade
considerado como uma carga térmica, com um                térmica
custo a ser reposta por um sistema de refrigeração.             Material           W/m K        Kcal/h.m.°C
O projeto depende do meio e restrições geométricas          Gases à pressão
de transferência de calor, e de fatores econômicos                              0,0069-0,17      0,006-0,15
                                                              atmosférica
de investimento e retorno, na aplicação do                     Materiais
isolamento térmico.                                                              0,034-0,21       0,03-0,18
                                                          isolantes térmicos
                                                             Líquidos não-
2 Aumento da Taxa de Transferência de Calor                                      0,086-0,69       0,07-0,60
                                                               metálicos
                                                             Sólidos não-
    No projeto de equipamentos de troca térmica o                                 0,034-2,6       0,03-2,20
                                                               metálicos
objetivo é aumentar a taxa de transferência de calor,
                                                            Metais líquidos       8,60-76,0        7,5-65,0
para isto deve ser levado em conta: os fluidos
                                                                 Ligas           14,0-120,0      12,0-103,0
envolvidos     (escoamento,       propriedades     e
                                                             Metais puros        52,0-410,0      45,0-360,0
temperaturas);     materiais       (geometria      e
1.18 RADIAÇÃO                                                1.19 CONVECÇÃO

     A radiação térmica é a energia emitida pela                 A transferência de calor pela convecção
matéria (sólida, líquida ou gasosa) que estiver numa         compreende      dois     mecanismos.    Além da
temperatura finita. Independente do estado da                transferência de energia provocada pelo movimento
matéria, a emissão pode ser atribuída as                     molecular aleatório (difusão), a energia se
modificações eletrônicas dos átomos ou das                   transfere pelo movimento de massa do fluido.
moléculas que a constituem, onde a energia do                    Os problemas práticos de convecção tratam da
campo de radiação é transportada por ondas                   transferência de calor entre o fluido e uma
eletromagnéticas independente de qualquer meio               superfície sólida. Os processos reais de
material, ocorrendo com maior eficiência no vácuo.           transferência de calor incluem condução tanto como
     O fluxo máximo (W/m²) que pode ser emitido              convecção. A Fig. 1.4, apresenta o escoamento de
por uma superfície é dado pela lei de Stefan-                um fluido sobre uma superfície aquecida.
Boltzmann.

                  
                  Q rmáx                            (1.27)
                          .TS4
                    A

Onde “σ” é a constante de Sefan-Boltzmann e vale                Figura 1.4 – Desenvolvimento da camada limite
5,6697E-8 W/(m²K4). Esta superfície é denominada                      na transferência convectiva de calor
um radiador ideal ou um corpo negro. O fluxo de
calor emitido por uma superfície real é menor que o              Independente da natureza particular do processo
emitido por um radiador ideal e dado por                     de transferência de calor convecção, a equação é:

                   
                   Qr                               (1.28)                    
                                                                              Qc
                       ..TS4                                        qc        h c Ts  Tf            (1.33)
                   A                                                          A

onde “  “ a emissividade é uma propriedade                     Esta expressão é conhecida como lei de Newton
radioativa da superfície, indicando a eficiência da          do resfriamento e a constante de proporcionalidade
emissão da superfície em comparação com o maior              hc (W/m².K) é conhecida como coeficiente de
radiador ideal. Inversamente, se houver incidência           transferência convectivo de calor, ou condutância
de radiação sobre uma superfície, uma parcela será           da película, ou coeficiente de película. Em
absorvida e a taxa na qual a energia é absorvida             particular este coeficiente depende das condições na
pela unidade de área superficial pode ser calculada          camada limite, ou são influenciados pela geometria
mediante o conhecimento de uma propriedade                   da superfície, pela natureza do movimento do fluido
radiativa    da     superfície   denominada      de          e por um conjunto de propriedades termodinâmicas
absortividade “  “.                                         e de transporte do fluido. Isto é, o fluxo de calor qc
                                                             (W/m²) por unidade de área é proporcional ao
                             
                Q r (abs)   Q r (inc)             (1.29)   coeficiente de transferência de calor (W/m².K) e a
                                                             diferença entre a temperatura da superfície ts e a
                                                             temperatura do fluido tf. A análise da transferência
     A determinação da taxa líquida na qual a                de calor por convecção baseia-se na determinação
radiação é trocada entre superfícies, admitindo              de hc. Na determinação deste coeficiente, alem das
    (superfície cinzenta) é:
                                           
                                                             temperaturas envolvidas na transferência de calor,
           
           Q   A T 4  T 4            (1.30)              depende também para sua operação, do transporte
            r                 S       VIZ
                                                             mecânico de massa.
Em muitas aplicações é conveniente exprimir a                     A superfície na vizinhança pode também
troca líquida de radiação térmica na forma:                  transferir calor, simultaneamente por convecção e
                                                             radiação. A taxa de calor é então a soma das taxas
           Q r  h r ATs  Tviz 
                                                   (1.31)   térmicas dos dois modos:

onde o coeficiente de transferência radiativa de                              q  q c q r                  (1.34)
calor é:

                                  
      h r  .TS  TVIZ  TS2  TVIZ
                                   2
                                                   (1.32)
Observa-se que a taxa de transferência de calor é             A variação da energia acumulada se deve a
igual o produto do fluxo de calor pela área              variação da temperatura.
superficial.
A Tabela 1.3 mostra valores médios de transmissão                        dE acumulada d
de calor por convecção encontrados na prática.
                                                           
                                                           E acumulada               mcT             (1.36)
                                                                              dt      dt
Tabela 1.3 Valôres médios de hc (W/m².K)
                                                         1.21 A EQUAÇÃO DA DIFUSÃO DE CALOR
  Ar , em convecção natural            6 - 30
Vapor ou ar, superaquecido, em
                                     30 - 300
      convecção forçada                                      Ao definirmos um volume de controle
 Óleo, em convecção forçada          60 - 1800           infinitesimal (Fig. 1.6) e identificamos o processo
 Água, em convecção forçada         300 - 6000           de transferência de energia relevante, introduzimos
      Água, em ebulição            3000 - 60000          as equações de taxa de transferência apropriadas, na
   Vapor, em condensação          6000 - 120000          existência de um gradiente de temperaturas. O
                                                         resultado é uma equação diferencial cuja solução
                                                         com condições de contorno dadas, dá a distribuição
1.20 CONSERVAÇÃO DA ENERGIA                              de temperaturas no meio. As taxas de condução de
                                                         calor perpendicular, a cada uma das superfícies de
    A diferença da taxa de energia térmica e             controle nos pontos de coordenadas cartesianas, são
energia     mecânica     que    entram e       saem      simbolizadas pelos termos qx, qy e qz.
respectivamente num volume de controle, mais a
taxa de energia térmica gerada no interior do
volume de controle, é igual à taxa de variação de
energia armazenada no interior do volume de
controle. A Fig. 1.5 mostra um volume de controle
e analisa a aplicação da conservação de energia.




Figura 1.5 – Conservação da energia num volume
de controle.                                              Figura 1.6 – Volume de controle unidimensional

                                                         Aplicando as equações 1.35 e 1.36, onde a energia
                               
  E entrada  E gerada E saída  E acumulada            de entrada e de saída representa a taxa de
                                                         transferência de calor para cada componente x, y e
                                                (1.35)   z, obtêm-se:

     As taxas de energia de entrada e saída são                                                          (1.37)
fenômenos de superfície. A situação mais comum
envolve entrada e saída são de energia em virtude        Substituindo as taxas de condução de calor pela
da transferência de calor pelos modos condutivo,         aplicação da lei de Fourier e simplificando (sem
convectivo ou radioativo. Em situações que               geração de energia interna) obtemos a equação da
envolvam escoamento de fluidos para dentro e/ou          difusão de calor:
para fora do volume de controle incluem também
energia transportada (potencial, cinética ou
                                                                              
térmica), podendo também envolver interações do          .Cp.        kx    ky    kz 
tipo trabalho.                                                   t x  x  y y  z  z 
                                                                                                       (1.38)
     A taxa de energia térmica gerada está associada
a conversão da forma de energia (química, elétrica,      Onde:
eletromagnética ou nuclear) dentro do volume,                     x, y, z, t   Tx, y, z, t   T
portanto é um fenômeno volumétrico.                      T = Temperatura média do sólido
Com este balanço (1.38) não tem solução
analítica exata, duas ações gerais foram
desenvolvidas para resolvê-lo: os Métodos
Numéricos e os Métodos Simplificados.
1)Métodos Numéricos: Uso de dados experimentais
ou equações teóricas para predição de propriedades
térmicas. O balanço (1.38) é resolvido por métodos
numéricos de diferenças finitas, elementos finitos
ou colocação ortogonal.
2)Métodos Simplificados: Uma            série de
simplificações é feita para a equação (1.38) de
modo que o resultado é obtido por um método
(analítico ou gráfico), aproximado.

     Os métodos analíticos e gráficos utilizados
para determinar a história da distribuição de
temperaturas em processo que ocorrem em corpos
com configuração unidirecional e a transferência de
calor total associada a estes processos, permitem
que suas soluções possam ser combinadas de modo
a produzir a solução dos problemas de condução
transitória em corpos com geometria como a de um
paralelepípedo (Bejan,2004)
    As taxas de condução de calor, em cada uma
das superfícies opostas, podem ser expressas numa
expansão em série de Taylor, desprezando-se os
termos de ordem superior à primeira.
    Este paralelepípedo pode ser tratado como a
interseção     de    três   planos     mutuamente
perpendiculares. Assim:

 x, y, z, t    x, t    y, t    z, t  
                          .          .             (1.39)
     i            xi    yi    zi 
                                          

      A solução do problema   x, y, z, t  é igual ao
produto            das           soluções unidimensionais:
  x, t .  y, t .  z, t 

REFERÊNCIAS:
BEJAN, A., 2004, Convection heat transfer.
Willey, 694 p.
HOLMAN, J.P. Termodinâmica, McGraw-Hill,
México, 1975.
 INCROPERA,         F.P.,   DEWITT,        D.P.,
2002..Fundamentos de Transferência de Calor e de
Massa. 5ª ed.., LTC- Livros Técnicos e
Científicos,p 698p.
MORAN, M. J., SHAPIRO, H. N., 2002, Princípios
de Termodinâmica para Engenharia. Ed. LTC 4ª
edição. 681p.
REFRIGERANTES                                                                                                2
2.1 INTRODUÇÃO                                         R11          Tricloromonofluormetano          CCl3F
                                                       (compressores centrífugos – vazões grandes).
     Em qualquer processo de refrigeração, a           R12 Diclorodifluormetano CCl2F2 (compressores
substância empregada como absorvente de calor ou       alternativos – pressões cômodas).
agente de esfriamento é chamado de refrigerante.       2- compostos inorgânicos –refrigerantes naturais.
Em geral esta substância é empregada como um           Exemplo: R717 Amônia; R718 Água; R729 Ar;
fluido de trabalho para a transferência de calor num   R744 Dióxido de carbono CO2; R764 Anidrido
sistema de refrigeração.                               sulfuroso SO2.
                                                       3- hidrocarbonetos - Operam em indústria de
2.2 EFEITO DA TEMPERATURA E PRESSÃO                    petróleo     e    petroquímica.    Exemplo:    R50
                                                       corresponde ao Metano CH4; R170 ao Etano CH3-
    Todos os fluidos são afetados simultaneamente      CH3; R290 ao Propano CH3-CH2-CH3.
pelas temperaturas e pressões. Para ilustrar estes     4- misturas azeotrópicas – São substâncias não
efeitos utilizaremos a água que foi o primeiro         separáveis por destilação, se evapora e se condensa
refrigerante utilizando máquinas que baixavam a        como substância simples com propriedades
pressão do vapor d’água e apressavam sua               diferentes dos seus constituintes. Como exemplo o
evaporação.                                            R502 utilizado em ar condicionado de veículos
    A água é líquida na pressão atmosférica normal     corresponde a 48,8% de R22 e 51,2% R115.
(1bar) para todas as temperaturas entre 0 ºC e 100
ºC. Para valores inferiores a 0 ºC a água congela           A Figura 2.1 mostra um ciclo de refrigeração,
mudando do estado líquido para sólido, e acima de      onde o fluido primário remove a carga térmica
100 ºC vaporiza.                                       diretamente.
    A medida que diminuímos a pressão da água
reduzimos a sua temperatura de vaporização e vice-
versa. A mesma tendência ocorrem com todos os
fluidos, diferenciando-se um dos outros, os valores
simultâneos de pressão e temperatura.

2.3 CALOR LATENTE

    Uma outra característica importante é que
durante as mudanças de estado dos fluidos puros, a               Figura 2.1 Refrigeração direta
temperatura e a pressão permanecem constantes.
Tanto a vaporização ou a condensação dependem          2.6 FATORES   A   CONSIDERAR                   NA
respectivamente do calor fornecido ou removido         ESCOLHA DE UM REFRIGERANTE
conhecido como calor latente.
                                                       Termodinâmicos: (1) Pressões do evaporador e do
2.4 CLASSIFICAÇÃO                                      condensador deve ser pequeno a fim de reduzir o
                                                       trabalho de compressão, e de preferência superior a
     Segundo a norma 34 - 1992 da American             pressão atmosférica. (2) Ponto de congelamento.
Society of Refrigeration Engineers (ASRAE), o          Não deve congelar-se às temperaturas mais baixas
fluido refrigerante é designado pela letra R seguida   do processo. (3) Pequena vazão em volume de
por um número que os identifica, classificando-os      vapor refrigerante que o compressor deverá
em Primários e Secundários.                            comprimir por TR. (4) O coeficiente de
                                                       funcionamento deve-se comparar com o valor
2.5 REFRIGERANTES PRIMÁRIOS                            máximo possível correspondente ao ciclo de
                                                       Carnot.
   São os que apresentam mudanças de fase na troca     Químicos: (1) Inflamabilidade; (2) Toxidade; (3)
térmica. Estes refrigerantes são divididos em          Reação com os materiais de construção; (4) Danos
grupos:                                                aos produtos refrigerados.
1 – compostos halocarbônicos – São refrigerantes       Físicos: (1) Tendências as fugas (fácilmente
que contém um ou mais dos seguintes halogênios:        dectados); (2) Viscosidade e condutividade térmica
cloro, flúor e bromo. Exemplo:
2-2


devem ser altas; (3) Ação sobre o óleo                               inflamável sob certas condições. Compostos de HC
(missibilidade); (4) Custo e a Preferência pessoal.                  são altamente inflamáveis
    Todos os refrigerantes em uso têm uma ou mais                      Na analise de sitemas de refrigeração usamos as
características indesejáveis e, dependendo das                       propriedades dos fluidos refrigerantes A tabela 2.1
condições de uso este se aproxima do ideal.                          mostra as propriedades termodinâmicas da amônia
     O Brasil signatário do protocolo de Montreal                    na condição saturada (líquida e vapor). Ela não
(1986) , cumpre um cronograma de eliminação dos                      pode ser aplicada quando o vapor está
refrigerantes HCFCs (hidroclorofluorcarbono) e                       superaquecido, isto é, aquecida depois de
CFCs (clorofluorcarbono) responsáveis parciais                       evaporação a uma temperatura mais alto que o
pelo aquecimento global devido a destruição da                       ponto de ebulição correspondente a sua pressão. A
camada       de    ozônio     (ODP).     Alternativas                tabela 2.2 mostra as propriedades termodinâmicas
ecologicamente limpas são a amônia e compostos                       da amônia na condição de vapor superaquecido
de hidrogênio e carbono (HC). A amônia é tóxica e

2.7 TABELA DAS PROPRIEDADES DA AMÔNIA

   Tabela 2.1 Propriedades da Amônia Saturada (R 717)
                         Vol. esp.        Energ. int.                            Entalpia                  Entropia
   Temp. Press             m³/kg            kJ/kg                                 kJ/kg                     kJ/kg.K
     ºC       bar     Líq.      Vap.   Líq.      Vapor                Líq.                   Vap.        Líq.     Vap.
                                                                                 Evap.
                       sat       sat    sat        sat                 sat                    sat        sat.      sat.
    -50     0,4086 1,4245 2,6265 -43,94 1264,99                      -43,88     1416,20     1372,32    -0,1922 6,1543
    -45     0,5453 1,4367 2,0060 -22,03 1271,19                      -21,95     1402,52     1380,57    -0,0951 6,0523
    -40     0,7174 1,4493 1,5524 -0,10         1277,20               0,00       1388,56     1388,56    0,0000 6,9557
    -36     0,8850 1,4597 1,2757 17,47         1281,87               17,60      1377,17     1394,77    0,0747 5,8819
    -32     1,0832 1,4703 1,0561 35,09         1286,41               35,25      1365,55     1400,81    0,1484 5,8111
    -30     1,1950 1,4757 0,9634 43,93         1288,63               44,10      1359,65     1403,75    0,1849 5,7767
    -28     1,3159 1,4812 0,8803 52,78         1290,82               52,97      1353,68     1406,66    0,2212 5,7430
    -26     1,4465 1,4867 0,8056 61,65         1292,97               61,86      1347,65     1409,51    0,2572 5,7100
    -22     1,7390 1,4980 0,6780 79,46         1297,18               79,72      1335,36     1415,08    0,3287 5,6457
    -20     1,9019 1,5038 0,6233 88,40         1299,23               88,68      1329,10     1417,79    0,3642 5,6144
    -18     2,0769 1,5096 0,5739 97,36         1301,25               97,68      1322,77     1420,45    0,3994 5,5837
    -16     2,2644 1,5155 0,5291 106,36 1303,23                      106,70     1316,35     1423,05    0,4346 5,5536
    -14     2,4652 1,5215 0,4885 115,37 1305,17                      115,75     1309,86     1425,61    0,4695 5,5239
    -12     2,6798 1,5276 0,4516 124,42 1307,08                      124,83     1303,28     1428,11    0,5043 5,4948
    -10     2,9089 1,5338 0,4180 133,50 1308,95                      133,94     1296,61     1430,55    0,5389 5,4662
      -8    3,1532 1,5400 0,3874 142,60 1310,78                      143,09     1289,86     1432,95    0,5734 5,4380
      -6    3,4134 1,5464 0,3595 151,74 1312,57                      152,26     1283,02     1435,28    0,6077 5,4103
      -4    3,6901 1,5528 0,3340 160,88 1314,32                      161,46     1276,10     1437,56    0,6418 5,3831
     -2     3,9842 1,5594 0,3106 170,07 1316,04                      170,69     1269,08     1439,78    0,6759 5,3562
       0    4,2962 1,5660 0,2892 179,29 1317,71                      179,96     1261,97     1441,94    0,7097 5,3298
       2    4,6270 1,5727 0,2695 188,53 1319,34                      189,26     1254,77     1444,03    0,7435 5,3038
       4    4,9773 1,5796 0,2514 197,80 1320,92                      198,59     1247,48     1446,07    0,7770 5,2781
       6    5,3479 1,5866 0,2348 207,10 1322,47                      207,95     1240,09     1448,04    0,8105 5,2529
       8    5,7395 1,5936 0,2195 216,42 1323,96                      217,34     1232,61     1449,94    0,8438 5,2279
     10     6,1529 1,6008 0,2054 225,77 1325,42                      226,75     1225,03     1451,78    0,8769 5,2033
     12     6,5890 1,6081 0,1923 235,14 1326,82                      236,20     1217,35     1453,55    0,9099 5,1791
     16     7,5324 1,6231 0,1691 253,95 1329,48                      255,18     1201,70     1456,87    0,9755 5,1314
     20     8,5762 1,6386 0,1492 272,86 1331,94                      274,26     1185,64     1459,90    1,0404 5,0849
     24     9,7274 1,6547 0,1320 291,84 1334,19                      293,45     1169,16     1462,61    1,1048 5,0394
     28     10,993 1,6714 0,1172 310,92 1336,20                      312,75     1152,24     1465,00    1,1686 5,9948
     32     12,380 1,6887 0,1043 330,07 1337,97                      332,17     1134,87     1467,03    1,2319 4,9509
     36     13,896 1,7068 0,0930 349,32 1339,47                      351,69     1117,00     1468,70    1,2946 4,9078
     40     15,549 1,7256 0,0831 368,67 1340,70                      371,35     1098,62     1469,97    1,3569 4,8652
     45     17,819 1,7503 0,0725 393,01 1341,81                      396,13     1074,84     1470,96    1,4341 4,8125
     50     20,331 1,7765 0,0634 417,56 1342,42                      421,17     1050,09     1471,26    1,5109 4,7604
   Fonte: As Tabelas 2.1 e 2.2 são calculadas baseadas nas equações de L. Haar e J.S. Gallagher,
   “Thermodynamic Properties of Ammonia”, J. Phys. Chem. Reference Data, Vol. 7, 1978, pp.635 - 792.




                                         Refrigeração-na indústria de alimentos
                                                Gilberto Arejano Corrêa
2-3



Tabela 2.2 - Propriedades do Vapor de Amônia Superaquecido (R717)
  T         v            u            h         s              v                u              h         s
 ºC      m³/kg        kJ/kg         kJ/kg    kJ/kg.K         m³/kg            kJ/kg         kJ/kg     kJ/kg.K
                 p = 0,4 bar =0,04 MPa                                       p = 0,6 bar =0,06 MPa
                    (Tsat =-50,36 ºC)                                           (Tsat =-43,28 ºC)
 Sat    2,6795       1264,54       1371,72   6,1618         1,8345           1273,27       1383,34    6,0186
-50     2,6841       1265,11       1372,48   6,1652            -                -              -         -
-45     2,7481       1273,05       1382,98   6,2118            -                -              -         -
-40     2,8118       1281,01       1393,48   6,2573         1,8630           1278,62       1390,40    6,0490
-35     2,8753       1288,96       1403,98   6,3018         1,9061           1286,75       1401,12    6,0946
-30     2,9385       1296,93       1414,47   6,3455         1,9491           1294,88       1411,83    6,1390
-25     3,0015       1304,90       1424,96   6,3882         1,9918           1301,01       1422,52    6,1826
-20     3,0644       1312,88       1435,46   6,4300         2,0343           1311,13       1433,19    6,2251
-15     3,1271       1320,87       1445,95   6,4711         2,0766           1319,25       1443,85    6,2668
-10     3,1896       1328,87       1456,45   6,5114         2,1188           1327,37       1454,50    6,3077
 -5     3,2520       1336,88       1466,95   6,5509         2,1609           1335,49       1465,14    6,3478
  0     3,3142       1344,90       1477,47   6,5898         2,2028           1343,61       1475,78    6,3871
  5     3,3764       1352,95       1488,00   6,6280         2,2446           1351,75       1486,43    6,4257



                 p = 0,8 bar =0,08 MPa                                       p = 1,0 bar =0,10 MPa
                    (Tsat =-37,94 ºC)                                           (Tsat =-33,60 ºC)
Sat     1,4021      1279,61       1391,78      5,9174          1,1381        1284,61       1398,41    5,8391
-35     1,4215      1254,51       1398,23      5,9446
-30     1,4543      1292,81       1409,15      5,9900          1,1573        1290,71     1406,44      5,8723
-25     1,4868      1301,09       1420,04      6,0343          1,1838        1299,15     1417,53      5,9175
-20     1,5192      1309,36       1430,90      6,0777          1,2101        1307,57     1428,58      5,9616
-15     1,5514      1317,61       1441,72      6,1200          1,2362        1315,96     1439,58      6,0046
-10     1,5834      1325,85       1452,53      6,1615          1,2621        1324,33     1450,54      6,0467
 -5     1,6153      1334,09       1463,31      6,2021          1,2880        1332,67     1461,47      6,0878
  0     1,6471      1342,31       1474,08      6,2419          1,3136        1341,00     1472,37      6,1281
  5     1,6788      1350,54       1484,84      6,2809          1,3392        1349,33     1483,25      6,1676
 10     1,7103      1358,77       1495,60      6,3192          1,3647        1357,64     1494,11      6,2063
 15     1,7418      1367,01       1506,35      6,3568          1,3900        1365,95     1504,96      6,2442
 20     1,7732      1375,25       1517,10      6,3939          1,4153        1374,27     1515,80      6,2816



                p =1,5 bar =0,15 MPa                                          p = 2,0 bar =0,20 MPa
                   (Tsat =-25,22 ºC)                                             (Tsat =-18,86 ºC)
  Sat       0,7787      1293,80     1410,61     5,6973           0,59460       1300,39      1419,31   5,5969
  -25       0,7795      1294,20     1411,13     5,6994
  -20       0,7978      1303,00     1422,67     5,7454
  -15       0,8158      1311,75     1434,12     5,7902           0,60542       1307,43     1428,51    5,6328
  -10       0,8336      1320,44     1445,49     5,8338           0,61926       1316,46     1440,31    5,6781
   -5       0,8514      1329,08     1456,79     5,8764           0,63294       1325,41     1452,00    5,7221
   0        0,8689      1337,68     1468,02     5,9179           0,64648       1334,29     1463,59    5,7649
   5        0,8864      1346,25     1479,20     5,9585           0,65989       1343,11     1475,09    5,8066
   10       0,9037      1354,78     1490,34     5,9981           0,67320       1351,87     1486,51    5,8473
   15       0,9210      1363,29     1501,44     6,0370           0,68640       1360,59     1497,87    5,8871
   20       0,9382      1371,79     1512,51     6,0751           0,69952       1369,28     1509,18    5,9260
   25       0,9553      1380,28     1523,56     6,1125           0,71256       1377,93     1520,44    5,9641
   30       0,9723      1388,76     1534,60     6,1492           0,72553       1386,56     1531,67    6,0014




                                    Refrigeração-na indústria de alimentos
                                           Gilberto Arejano Corrêa
2-4



Tabela 2.2 - Propriedades do Vapor de Amônia Superaquecido (R717)
    T          v            u          h       s               v          u            h         s
   ºC        m³/kg        kJ/kg      kJ/kg  kJ/kg.K          m³/kg      kJ/kg        kJ/kg    kJ/kg.K
                p = 2,5 bar =0,25 MPa                                   p = 3,0 bar =0,30 MPa
                   (Tsat =-13,67 ºC)                                        (Tsat =-9,24 ºC)
  Sat       0,48213 1305,49 1426,03         5,5190          0,40607    1309,65 1431,47        5,4554
  -10       0,49051 1312,37 1435,00         5,5534
   -5       0,50180 1321,65 1447,10         5,5989          0,41428    1317,80    1442,08          5,4953
    0       0,51293 1330,83 1459,06         5,6431          0,42382    1327,28    1454,43          5,5409
    5       0,52393 1339,91 1470,89         5,6860          0,43323    1336,64    1466,61          5,5851
   10       0,53482 1348,91 1482,61         5,7278          0,44251    1345,89    1478,65          5,6280
   15       0,54560 1357,84 1494,25         5,7685          0,45169    1355,05    1490,56          5,6697
   20       0,55630 1366,72 1505,80         5,8083          0,46078    1364,13    1502,36          5,7103
   25       0,56691 1375,55 1517,28         5,8471          0,46978    1373,14    1514,07          5,7499
   30       0,57745 1384,34 1528,70         5,8851          0,47870    1382,09    1525,70          5,7886
   35       0,58793 1393,10 1540,08         5,9223          0,48756    1391,00    1537,26          5,8264
   40       0,59835 1401,84 1551,42         5,9589          0,49637    1399,86    1548,77          5,8635
   45       0,60872 1410,56 1562,74         5,9947          0,50512    1408,70    1560,24          5,8998



                p =3,5 bar =0,35 MPa                                       p =4,0 bar =0,40 MPa
                   (Tsat =-5,36 ºC)                                           (Tsat =-1,90 ºC)
  Sat      0,35108     1313,14      1436,01   5,4016           0,30942      1316,12      1439,89     5,3548
   0       0,36011     1323,66      1449,70   5,4522           0,31227      1319,95      1444,86     5,3731
  10       0,37654     1342,82      1474,61   5,5417           0,32701      1339,68      1470,49     5,4652
  20       0,39251     1361,49      1498,87   5,6259           0,34129      1358,81      1495,33     5,5515
  30       0,40814     1379,81      1522,66   5,7057           0,35520      1377,49      1519,57     5,6328
  40       0,42350     1397,87      1546,09   5,7818           0,36884      1395,85      1543,38     5,7101
  60       0,45363     1433,55      1592,32   5,9249           0,39550      1431,97      1590,17     5,8549
  80       0,48320     1469,06      1638,18   6,0586           0,42160      1467,77      1636,41     5,9897
  100      0,51240     1504,73      1684,07   6,1850           0,44733      1503,64      1682,58     6,1169
  120      0,54136     1540,79      1730,26   6,3056           0,47280      1539,85      1728,97     6,2380
  140      0,57013     1577,38      1776,92   6,4213           0,49808      1576,55      1775,79     6,3541
  160      0,59876     1614,60      1824,16   6,5330           0,52323      1613,86      1823,16     6,4661
  180      0,62728     1652,51      1872,06   6,6411           0,54827      1651,85      1871,16     6,5744
  200      0,65572     1691,15      1920,65   6,7460           0,57322      1690,56      1919,85     6,6796



                p =4,5 bar =0,45 MPa                                       p =5,0 bar =0,50 MPa
                   (Tsat = 1,25 ºC)                                           (Tsat = 4,13 ºC)
  Sat      0,27671     1318,73      1443,25   5,3135           0,25034      1321,02      1446,19     5,2765
  10       0,28846     1336,48      1466,29   5,3962           0,25757      1333,22      1462,00     5,3330
  20       0,30142     1356,09      1491,72   5,4845           0,26949      1353,32      1488,06     5,4234
  30       0,31401     1375,15      1516,45   5,5674           0,28103      1372,76      1513,28     5,5080
  40       0,32631     1393,80      1540,64   5,6460           0,29227      1391,74      1537,87     5,5878
  60       0,35029     1430,37      1588,00   5,7926           0,31410      1428,76      1585,81     5,7362
  80       0,37369     1466,47      1634,63   5,9285           0,33535      1465,16      1632,84     5,8733
  100      0,39671     1502,55      1681,07   6,0564           0,35621      1501,46      1679,56     6,0020
  120      0,41947     1538,91      1727,67   6,1781           0,37681      1537,97      1726,37     6,1242
  140      0,44205     1575,73      1774,65   6,2946           0,39722      1574,90      1773,51     6,2412
  160      0,46448     1613,13      1822,15   6,4069           0,41749      1612,40      1821,14     6,3537
  180      0,48681     1651,20      1870,26   6,5155           0,43765      1650,54      1869,36     6,4626
  200      0,50905     1689,97      1919,04   6,6208           0,45771      1689,38      1918,24     6,5681




                                  Refrigeração-na indústria de alimentos
                                         Gilberto Arejano Corrêa
2-5



Tabela 2.2 - Propriedades do Vapor de Amônia Superaquecido (R717)
    T          v            u          h       s               v           u            h              s
   ºC        m³/kg        kJ/kg      kJ/kg  kJ/kg.K          m³/kg       kJ/kg        kJ/kg         kJ/kg.K
                 p =5,5 bar =0,55 MPa                                    p =6,0 bar =0,60 MPa
                    (Tsat = 6,79 ºC)                                         (Tsat = 9,27 ºC)
  Sat       0,22861 1323,06 1448,80         5,2430          0,21038     1324,89 1451,12              5,2122
  10        0,23227 1329,88 1457,63         5,2743          0,21115     1326,47 1453,16              5,2195
  20        0,24335 1350,50 1484,34         5,3671          0,22155     1347,62 1480,55              5,3145
  30        0,25403 1370,35 1510,07         5,4534          0,23152     1367,90 1506,81              5,4026
  40        0,26441 1389,64 1535,07         5,5345          0,24118     1387,52 1532,23              5,4851
  50        0,27454 1408,53 1559,53         5,6114          0,25059     1406,67 1557,03              5,5631
  60        0,28449 1427,13 1583,60         5,6848          0,25981     1425,49 1581,38              5,6373
  80        0,30398 1463,85 1631,04         5,8230          0,27783     1462,52 1629,22              5,7768
  100       0,32307 1500,36 1678,05         5,9525          0,29546     1499,25 1676,52              5,9071
  120       0,34190 1537,02 1725,07         6,0753          0,31281     1536,07 1723,76              6,0304
  140       0,36054 1574,07 1772,37         6,1926          0,32997     1573,24 1771,22              6,1481
  160       0,37903 1611,66 1820,13         6,3055          0,34699     1610,92 1819,12              6,2613
  180       0,39742 1649,88 1868,46         6,4146          0,36390     1649,22 1867,56              6,3707
  200       0,41571 1688,79 1917,43         6,5203          0,38071     1688,20 1916,63              6,4766




                p =7,0 bar =0,70 MPa                                        p =8,0 bar =0,80 MPa
                   (Tsat = 13,79 ºC)                                           (Tsat = 17,84 ºC)
  Sat      0,18148      1328,04      1455,07   5,1576           0,15958      1330,64      1458,30      5,1099
  20       0,18721      1341,72      1472,77   5,2186           0,16138      1335,59      1464,70      5,1318
  30       0,19610      1362,88      1500,15   5,3104           0,16948      1357,71      1493,29      5,2277
  40       0,20464      1383,20      1526,45   5,3958           0,17720      1378,77      1520,53      5,3161
  50       0,21293      1402,90      1551,95   5,4760           0,18465      1399,05      1546,77      5,3986
  60       0,22101      1422,16      1576,87   5,5519           0,19189      1418,77      1572,28      5,4763
  80       0,23674      1459,85      1625,56   5,6939           0,20590      1457,14      1621,86      5,6209
  100      0,25205      1497,02      1673,46   5,8258           0,21949      1494,77      1670,37      5,7545
  120      0,26709      1534,16      1721,12   5,9502           0,23280      1532,24      1718,48      5,8801
  140      0,28193      1571,57      1768,92   6,0688           0,24590      1569,89      1766,61      5,9995
  160      0,29663      1609,44      1817,08   6,1826           0,25886      1607,96      1815,04      6,1140
  180      0,31121      1647,90      1865,75   6,2925           0,27170      1646,57      1863,94      6,2243
  200      0,32571      1687,02      1915,01   6,3988           0,28445      1685,83      1913,39      6,3311




               p = 9,0 bar =0,90 MPa                                        p = 10,0 bar =1,00 MPa
                  (Tsat = 21,52 ºC)                                            (Tsat = 24,89 ºC)
  Sat      0,14239     1332,82      1460,97    5,0675           0,12852       1334,66     1463,18      5,0294
  30       0,14872     1352,36      1486,20    5,1520           0,13206       1346,82     1478,88      5,0816
  40       0,15582     1374,21      1514,45    5,2436           0,13868       1369,52     1508,20      5,1768
  50       0,16263     1395,11      1541,47    5,3286           0,14499       1391,07     1536,06      5,2644
  60       0,16922     1415,32      1567,61    5,4083           0,15106       1411,79     1562,86      5,3460
  80       0,18191     1454,39      1618,11    5,5555           0,16270       1451,60     1614,31      5,4960
  100      0,19416     1492,50      1667,24    5,6908           0,17389       1490,20     1664,10      5,6332
  120      0,20612     1530,30      1715,81    5,8176           0,18478       1528,35     1713,13      5,7612
  140      0,21788     1568,20      1764,29    5,9379           0,19545       1566,51     1761,96      5,8823
  160      0,22948     1606,46      1813,00    6,0530           0,20598       1604,97     1810,94      5,9981
  180      0,24097     1645,24      1862,12    6,1639           0,21638       1643,91     1860,29      6,1095
  200      0,25237     1684,64      1911,77    6,2711           0,22670       1683,44     1910,14      6,2171




                                   Refrigeração-na indústria de alimentos
                                          Gilberto Arejano Corrêa
2-6



Tabela 2.2 - Propriedades do Vapor de Amônia Superaquecido (R717)
    T          v             u          h      s               v            u           h              s
   ºC        m³/kg        kJ/kg       kJ/kg kJ/kg.K          m³/kg        kJ/kg       kJ/kg         kJ/kg.K
               p = 12,0 bar = 1,20 MPa                                   p = 14,0 bar = 1,40 MPa
                    (Tsat = 30,94 ºC)                                        (Tsat = 36,26 ºC)
  Sat       0,10751 1337,52 1466,53         4,9625          0,09231      1339,56 1468,79                4,9050
  40        0,11287 1359,73 1495,18         5,0553          0,09432      1349,29 1481,33                4,9453
  60        0,12378 1404,54 1553,07         5,2347          0,10423      1396,97 1542,89                5,1360
  80        0,13387 1445,91 1606,56         5,3906          0,11324      1440,06 1598,59                5,2984
  100       0,14347 1485,55 1657,71         5,5315          0,12172      1480,79 1651,20                5,4433
  120       0,15275 1524,41 1707,71         5,6620          0,12986      1520,41 1702,21                5,5765
  140       0,16181 1563,09 1757,26         5,7850          0,13777      1559,63 1752,52                5,7013
  160       0,17072 1601,95 1806,81         5,9021          0,14552      1598,92 1802,65                5,8198
  180       0,17950 1641,23 1856,63         6,0145          0,15315      1638,53 1852,94                5,9133
  200       0,18819 1681,05 1906,87         6,1230          0,16068      1678,64 1903,59                6,0427
  220       0,19680 1721,50 1957,66         6,2282          0,16813      1719,35 1954,73                6,1485
  240       0,20534 1762,63 2009,04         6,3303          0,17551      1760,72 2006,43                6,2513
  260       0,21382 1804,48 2061,06         6,4297          0,18283      1802,78 2058,75                6,3513
  280       0,22225 1847,04 2113,74         6,5267          0,19010      1845,55 2111,69                6,4488



               p = 16,0 bar =1,60 MPa                                         p = 18,0 bar = 1,80 MPa
                   (Tsat = 41,03 ºC)                                              (Tsat = 45,38 ºC)
  Sat      0,08079      1340,97      1470,23    4,8542           0,07174        1341,88      1471,01      4,8086
  60       0,08951      1389,06      1532,28    5,0461           0,07801        1380,77      1521,19      4,9627
  80       0,09774      1434,02      1590,40    5,2156           0,08565        1427,79      1581,97      5,1399
  100      0,10539      1475,93      1644,56    5,3648           0,09267        1470,97      1637,78      5,2937
  120      0,11268      1516,34      1696,64    5,5008           0,09931        1512,22      1690,98      5,4326
  140      0,11974      1556,14      1747,72    5,6276           0,10570        1552,61      1742,88      5,5614
  160      0,12663      1595,85      1798,45    5,7475           0,11192        1592,76      1794,23      5,6828
  180      0,13339      1635,81      1849,23    5,8621           0,11801        1633,08      1845,50      5,7985
  200      0,14005      1676,21      1900,29    5,9723           0,12400        1673,78      1896,98      5,9096
  220      0,14663      1717,18      1951,79    6,0789           0,12991        1715,00      1948,83      6,0170
  240      0,15314      1758,79      2003,81    6,1823           0,13574        1756,85      2001,18      6,1210
  260      0,15959      1801,07      2056,42    6,2829           0,14152        1799,35      2054,08      6,2222
  280      0,16599      1844,05      2109,64    6,3809           0,14724        1842,55      2107,58      6,3207



                                          p = 20,0 bar = 2,00 MPa
                                              (Tsat = 49,37 ºC)
                              Sat      0,06445 1342,37 1471,26               4,7670
                               60      0,06875 1372,05 1509,54               4,8838
                               80      0,07596 1421,36 1573,27               5,0696
                              100      0,08248 1465,89 1630,86               5,2283
                              120      0,08861 1508,03 1685,24               5,3703
                              140      0,09447 1549,03 1737,98               5,5012
                              160      0,10016 1589,65 1789,97               5,6241
                              180      0,10571 1630,32 1841,74               5,7409
                              200      0,11116 1671,33 1893,64               5,8530
                              220      0,11652 1712,82 1945,87               5,9611
                              240      0,12182 1754,90 1998,54               6,0658
                              260      0,12706 1797,63 2051,74               6,1675
                              280      0,13224 1841,03 2105,50               6,2665



                                    Refrigeração-na indústria de alimentos
                                           Gilberto Arejano Corrêa
2-7


                                                          cristalização (gelo) das salmouras ou dos
2.8 REFRIGERANTES SECUNDÁRIOS                             anticongelantes.
                                                                A Figura 2.3, 2.4 e 2.6, mostra o diagrama de
  São os que não apresentam mudança de fase               fase da solução salina, da variação da densidade
durante a troca térmica. Transferem energia da            relativa e da variação do calor específico,
substância que está sendo resfriada para o separador      respectivamente.
de um sistema de refrigeração.
  A Figura 2.2 mostra um ciclo de refrigeração, onde                                                                                   Salmoura
a a carga térmica é removida indiretamente.                                                                                % em massa de cloreto de Cálcio em água
                                                                                                                 0




                                                            Ponto de Solidificação [ºC]
                                                                                                                      0             10              20          30                40
                                                                                                               -10

                                                                                                               -20                                        líquido
                                                                                                                           líquido e gelo
                                                                                                               -30
                                                                                                                                                                      líquido e
                                                                                                               -40                                                    sal
                                                                                                                                           Sólido               E
                                                                                                               -50




                                                                                                                            Figura 2.3 Diagrama de fase

                                                               No diagrama de fase mostra as curvas formadas
                                                          pelos pontos de congelamento na medida em que
          Figura 2.2 Refrigeração indireta
                                                          varia a concentração. O ponto E da curva se chama
                                                          Ponto Eutético, e representa a concentração a qual
  Os principais refrigerantes secundários : Água ;
                                                          pode-se alcançar a mais baixa temperatura, sem a
Salmouras (Cloreto de cálcio e de sódio) e os
                                                          solidificação total da salmoura.
Anticongelantes (Água+ etileno glicol, ou cloreto de
cálcio, ou alcool, ou glicerina). Seus pontos de
solidificação variam com sua concentração                                                                                                     Salmoura
percentual em massa.                                                                                            1,4
                                                                                  Densidade relativa 15/15ºC




                                                                                                               1,35
                                                                                                                1,3
2.9  FATORES            A CONSIDERAR NA                                                                        1,25
ESCOLHA    DE           UM  REFRIGERANTE                                                                        1,2
                                                                                                               1,15
SECUNDÁRIO
                                                                                                                1,1
                                                                                                               1,05
- Baixa viscosidade                                                                                              1
- Calor específico e condutividade térmica alta;                                                                      0      5        10       15    20    25        30     35         40

- Não deve congelar-se às temperaturas mais baixas                                                                               % em massa de cloreto de Cálcio em água

   do processo.
                                                                                                                          Figura 2.4 Variação da densidade
- Segurança operacional.
- Custo e a Preferência pessoal.
                                                              A Figura 2.4 mostra para a variação da solução,
                                                          valores maiores de densidade relativa do que para a
      A água líquida é usada como refrigerante
                                                          água pura na mesma temperatura (15ºC).
secundário em instalações de ar condicionado e de
refrigeração em processos industriais, onde as
condições de temperatura estejam acima do seu ponto                                                                                           Salmoura
de congelamento. Devido a sua fluidez, alto calor
                                                                                                               4,5
                                                                                  Calor específico kJ/kg.K




específico e coeficiente de troca térmica                                                                       4
(condutividade e convecção) é excelente podendo ser                                                            3,5
utizada em resfriadores do tipo Chillers, ou de forma                                                           3
                                                                                                               2,5
pulverizada.
                                                                                                                2
      A água líquida na temperatura do seu ponto de                                                            1,5
congelamento ocorre a sua cristalização (gelo). A                                                               1
adição de sais e glicóis dissolvidos a água forma as                                                                 0      5        10       15     20   25         30     35         40

salmouras e os anticongelantes respectivamente. Em                                                                               % em massa de Cloreto de Cálcio em água

princípio quanto mais alta for a concentração (de sais
                                                                                                                     Figura 2.5 Variação do Calor específico
ou glicóis), mais baixa é a temperatura da




                                     Refrigeração-na indústria de alimentos
                                            Gilberto Arejano Corrêa
2-8


     A Figura 2.5, mostra para a solução valores         b) Se a salmoura se esfria a -40ºC, qual é o
menores do calor específico, quando comparados           percentual em peso da solução, se transformará em
com a água pura.                                         gelo e em líquido?
     O principal objetivo das salmouras e dos            Solução:
anticongelantes é permitir que as soluções tenham a      Com o auxílio do diagrama de fase (Fig. 2.3) e com
temperatura do ponto de congelamento menor que o         25% em peso de cloreto de cálcio, traço uma linha
da água pura.                                            auxiliar até a temperatura de -40ºC. Obtenho duas
     A Figura 2.7, mostra o diagrama do ponto de         áreas, onde x1 é a parcela líquida e x2 é a parcela de
congelamento versus percentual de concentração em        gelo.
massa, de algumas soluções salinas e glicóis.                                                                       Salmoura
                                                                                                   % em massa de cloreto de Cálcio em água
                                                                                          0




                                                           Ponto de Solidificação [ºC]
                                                                                               0           10            20              30               40
                                                                                         -10

                                                                                         -20                                       líquido
                                                                                                   líquido e gelo
                                                                                         -30                                   l
                                                                                                             x1                l x2           líquido e
                                                                                         -40                                                  sal
                                                                                                                               l        E
                                                                                                                Sólido
                                                                                         -50




                                                         Assim conforme diagrama de fase : x1 = 25 e x2 =
                                                         2,5
                                                                       x2
                                                         % de gelo            100
                                                                     x1  x 2
                                                                       2,5
                                                         % de gelo            100 = 9,09
                                                                     25  2,5
                                                         Resposta % de gelo = 9,09

                                                         % de líquido = 100 - 9,09 = 90,91
                                                         Resposta % de líquido = 9,09

                                                         E.2.4 Repita o E 2.3 para outras soluções aquosas da
                                                         Fig. 2.7.
 Figura 2.7 Diagrama do Ponto de congelamento de
                 soluções aquosas                        2.10 AMÔNIA (NH3) – R717

EXERCÍCIOS                                                    Devido a sua grande disponibilidade e menor
                                                         custo, a amônia tem se imposto como preferido, na
E 2.1 Se a amônia a 100 kPa tem uma temperatura          seleção dos fluidos refrigerantes utilizados nas
real de -30 ºC, o seu estado pode ser descrito como:     instalações frigoríficas industriais a mais de 120
a) Superaquecida; b) Subresfriada e c) Saturada.         anos.
Solução                                                   Propriedades da amônia
Conforme Tabela 2.2 para a pressão de 100 kPa (ou 1      A Tabela 2.3 mostra algumas propriedades da
bar) a temperatura de saturação é Tsat =-33,60 ºC        amônia
Como - 30 ºC > Tsat (Figura 1.0) o estado é              Tabela 2.3 Propriedades da amônia
superaquecido. Resposta a)                               Cor                                            Incolor
                                                         Odor                                   Forte, irritante
E 2.2 Determinar a entalpia (h) da amônia do E 2.1.      Peso molecular                                   17,03
Solução.                                                 Ponto de ebulição a 1bar                    -33,35 ºC
Conforme Tabela 2.2 Resposta h = 1406,44 kJ/kg           Ponto de congelamento a 1 bar                -77,7 ºC
                                                         Calor de fusão                           452,8 kJ/kg
E 2.3 Uma solução de 25% em peso de cloreto de           Calor de vaporização a 1 bar           1370,33 kJ/kg
cálcio (CaCl2) em água se esfria gradualmente.           Temperatura crítica                          132,4 ºC
a) A que temperatura começa a cristalização?             Pressão crítica (absoluta)                  111,5 bar
Solução: Com o 25% no diagrama de fase, o ponto de       Densidade crítica                          0,235 kg/l
congelamento é -30ºC Resposta T= -30 ºC                  Fonte: FCI Chemical Engineers, 1989.



                                    Refrigeração-na indústria de alimentos
                                           Gilberto Arejano Corrêa
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                                                         composição correta de fluido refrigerante, é
Segurança: A amônia torna-se explosiva em                necessário que a maior parte do fluido seja carregada
concentrações aproximadas de 16 a 25% com o ar.          na fase líquida. Tal carregamento deve ser feito na
                                                         parte de alta do sistema, por exemplo, para evitar
2.11 RESISTÊNCIA A CORROSÃO                              "golpe de líquido" no compressor.
                                                              A verificação da carga deverá ser feita através da
     A Tabela 2.4 recomenda o uso de certos              análise dos seguintes parâmetros: pressão de sucção e
materiais em contato com líquidos e gases                de descarga, superaquecimento e sub-resfriamento,
refrigerantes (amônia). Para uma análise mais            corrente elétrica do(s) compressor(es), nível de
apurada é necessário considerar as condições             líquido do tanque, visor de líquido, etc.
operacionais.
     Os índices alfabéticos fornecem a recomendação
de uso: A (excelente); B (bom); C (médio); D (não
recomendável).

Tabela 2.4 Resistência a corrosão dos materiais
Agente
corrosivo
Amônia,     Ferro e Aço Fundido                   A
                                                                      Figura 2.4 Carga do refrigerante
anidro      Ferro ductil                          C
                                                              Onde:
            Liga 20                               A
                                                                1     cilindro de carga (amônia)
            Níquel                                C
                                                                2     balança
            Bronze, Cobre                         D             3     pescador
            Alumínio                              B             4     válvula do cilindro
            Borracha Natural                      D             5     balde com água
            Polietileno,Polipropileno,Nylon,      A             6     válvula de purga (dreno)
            Teflon, Neoprene.                                   7     válvula de carga
                                                                8     válvula de expansão
2.12 CARGA DO REFRIGERANTE                                      9     válvula mestra
                                                                10    reservatório de amônia do sistema
     A amônia é armazenada em cilindros de aço                  11    visor de líquido.
(Fig. 2.3) tamanho padrão do mercado, o seu
enchimento é feito a 10°C, de modo que a NH3                  Levantar o fundo do cilindro, inclinando 2 cm
líquida ocupe 88% do volume.                             acima do topo, certificar-se que o tubo pescador está
     Pesar o(s) cilindro(s) de refrigerante antes da     voltado para baixo.
carga para manter um controle exato da quantidade             Apertar bem as conexões, fechar a válvula
de gás que entrará no sistema.                           mestre, assim a pressão de linha de acoplamento
                                                         cairá a pressão de sucção.
                                                              Quanto à quantidade de amônia que o sistema
                                                         deve conter, a informação do fabricante deve ser
                                                         seguida, se não deve ser calculada. Em uma
                                                         instalação em pleno funcionamento, o visor de
                                                         líquido dá a indicação, deve ficar pela metade.
                                                              Pequenos estalidos na válvula de expansão
                                                         indicam falta de NH3, ou se não na operação a parte
                                                         inferior da serpentina apresenta congelamento
                                                         (“frost”).
                                                              No caso de precisar retirar a amônia do sistema,
                                                         coloque o cilindro numa balança e ligue-o ao sistema
                                                         a instrução anterior, com exceção que o tubo
                                                         pescador deverá ser voltado para cima, fechar a
                                                         válvula de expansão e ligar o compressor
            Figura 2.3 Cilindro de carga                 vagarosamente com o condensador a plena
                                                         alimentação de água.
    A carga de amônia no sistema é realizada entre a          O visor de líquido (peça de vidro) no recipiente
válvula mestre e a válvula de expansão (Figura 2.4).     deve ser observado para evitar o transbordamento.
Para se certificar de estar carregando uma               Assim que o líquido ficar aparente no visor, abrir a



                                    Refrigeração-na indústria de alimentos
                                           Gilberto Arejano Corrêa
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válvula do cilindro e a válvula do receptor. Depois de    adversos. Para a maioria dos produtos químicos
algum tempo, a vazão diminuiu devido o aumento de         examinados, os limites são concentrações médias
pressão no cilindro, então fecha a válvula do receptor    pesadas por tempo e alguma exposição acima do
e abra a de purga para eliminar a presença dos não        limite seria permitida se fosse compensada com uma
condensáveis e recomeçar a operação. Quando a             exposição equivalente abaixo do limite durante o dia.
balança indicar a quantidade de amônia desejada,          O valor máximo fixado para qualquer produto
fechar a válvula do receptor e do cilindro, e             químico (exceto dióxido de carbono) é 1000 partes
desconectar o cilindro.                                   por milhão, por volume.
    Na carga e descarga certificar-se se a sala está
bem ventilada e faça a carga com todo cuidado.            A Tabela 2.5 mostra uma classificação comparativa
                                                          dos perigos de vida devido a gases
Como se pode manter a carga equilibrada em
instalações de refrigeração de grande porte?                     Tabela 2.5 Ìndice de segurança para
Depende das operações manuais de partidas e                      concentração de gases.
paradas, deve-se fazer funcionar e parar o número                Índice Concentração Tempo de
correto de compressores para manter a temperatura                         % em volume exposição
correta nas câmaras.                                                      de ar
                                                                    1     0,5 a 1          5 minutos
2.13 GESTÃO SEGURA DAS INSTALAÇÕES                                  2     0,5 a            30 minutos
DE AMÔNIA                                                           3     2 a 2,5          1 hora
                                                                    4     2 a 2,5          2 horas
Deve ter:                                                          5a     Menos nocivo
- Um projeto orientado por normas.                                        que o grupo 4
- Manutenção eficaz                                                5b     Entre        os
- Operação adequada.                                                      grupos 5ª e 6
                                                                    6     Algum efeito     2 a 20 horas
2.14 COMPATIBILIDADE
                                                               Os principais riscos encontrados em refrigeração
     Deverá ser sempre usado o gás para o qual o          são: (1) explosões; (2) incêndio (3) efeitos tóxicos
equipamento foi projetado e construído, a menos que       dos gases usados. O risco de explosão tende a
o fabricante concorde no contrário.                       aumentar na medida em que aumenta a quantidade de
     Muitas perguntas precisam ser respondidas            refrigerante. Se houver escapamento de gases, podem
antes de ser introduzido no sistema, um gás diferente:    ser danificadas as mercadorias armazenadas nas
1. O novo gás é compatível com todos os metais,           câmaras frigoríficas. Se o gás é tóxico, pode causar
elastômeros (dilatação dos materiais e a difusão do       danos pessoais sérios. Se for inflamável, pode se
gás através do elastômero), plásticos, enrolamentos       acumular em concentrações explosivas.
dos motores e isolação do sistema?                             Quais são as causas de explosão no cárter de um
a) Nunca use cloreto de metila com alumínio;              compressor de refrigeração? Existem duas causas
b) Não use amoníaco com cobre;                            principais: a entrada de impurezas líquidas no gás e o
 c) Não use os gases FREON® com alumínio mais de          vazamento através dos anéis de pistão e do
cerca de 2% de magnésio, zinco ou qualquer outro          engaxetamento. O vazamento permite a mistura de
metal reativo.                                            vapores de óleo com o gás no interior do cárter, a
2. Com o novo gás, a capacidade aumentará a ponto         altas temperaturas, gerando uma mistura inflamável.
de causar sobrecarga no motor?                                 Os vapores refrigerantes são várias vezes mais
3. A válvula de expansão ou a tubulação capilar serão     pesados que o ar e, sob condições estáticas
de tamanhos adequados para o novo gás?                    (ambientes mal ventilados), aumentam sua
4 É apropriado o sistema de controle?                     concentração excluindo o oxigênio, causando
5. O evaporador e as serpentinas de condensação           possibilidade de dano ou morte.
terão dimensões apropriadas?

2.15 SEGURANÇA                                            REFERÊNCIAS
                                                          1. ASHRAE. HVAC Systems and Equipment.
     A Conferência Americana de Higienistas               Atlanta, United States: American Society of
Industriais do Governo dos EUA estabeleceu valores        Heating, Refrigeration and Air Conditioning, 2008.
limites adotados para muitos produtos químicos            2. BARBOSA, L. C. de A. Introdução à Química
industriais. Esses valores são as concentrações no ar     Orgânica. São Paulo, Brasil: Prentice Hall, 2004.
que se acredita representarem limites seguros para        3.CENGEL,       Y.     A.,    BOLES,        M.    A.
exposições repetidas diariamente sem efeitos              Thermodynamics: An Engineering Approach. 6th



                                     Refrigeração-na indústria de alimentos
                                            Gilberto Arejano Corrêa
2-11


edition. New York, United States: McGraw-Hill,          Engineering and Management – Royal Institute of
2006.                                                   Technology, 2007.
4. CENGEL, Y. A. Heat and Mass Transfer: A              12. PRUZAESKY, F. C., et al. Pasta de gelo e
Practical Approach. 3rd edition. New York, United       nanofluidos em sistemas de refrigeração.
States: McGraw-Hill, 2007.                              Climatização e Refrigeração, edição n° 96, p. 47-
5. CARRIER AIR CONDITIONING CO. Handbook                60, 2008.
of Air Conditioning System Design. New York,            13. ROTH, K., ZOGG, R., BRODRICK, J. Cool
United States: McGraw-Hill, 2003.                       Thermal Energy Storage. ASHRAE Journal, vol.
6. CHUMIOQUE, J. J. R. Simulação de um Sistema          48, p. 94-96, 2006.
de Refrigeração com Termoacumulação operando            14. SKOVRUP, M. J. SecCool Properties: users
em Regime Transiente. Rio de Janeiro, Brasil, 2004.     manual. Lyngby, Denmark: IPU & Department of
Dissertação de Mestrado – Departamento de               Mechanical Engineering Technical – University of
Engenharia Mecânica – Pontifícia Universidade           Denmark, 2005.
Católica, 2004.                                         15. SOLOMONS, T. W. G., FRYHLE, C. Organic
7. DOSSAT, R. J., HORAN, T. J. Principles of            Chemistry. 9th edition. Hoboken, United States:
Refrigeration. 5th edition. New Jersey, United          John Wiley & Sons, 2007.
States: Prentice Hall, 2001.                            16. TICONA, E. M. Determinação Experimental
8. FINK, J. K. Oil Field Chemical. Burlington,          das Características de Transferência de Calor de
United States: Gulf Professional Publishing, 2003.      um Gerador de Pasta de Gelo. Rio de Janeiro,
9. INCROPERA, F. P., DEWITT, D. P.                      Brasil, 2007. Tese de Doutorado – Departamento de
Fundamentos de Transferência de Calor e de              Engenharia Mecânica – Pontifícia Universidade
Massa. 4ª edição. São Paulo, Brasil: LTC, 2002.         Católica, 2007.
10. JAKOBSEN, A., et al. CoolPack: a collection of      17. WYLEN, G., SONNTAG, R., BORGNAKKE, C.
simulation tools for refrigeration. Lyngby,             Fundamentos da Termodinâmica. 6ª edição. São
Denmark: IPU & Department of Mechanical                 Paulo, Brasil: Edgard Blücher, 2003.
Engineering Technical – University of Denmark,
2001.
11. MELINDER, A. Thermophysical Properties of
Aqueous Solution Used as Secondary Working
Fluids. Stockholm, Sweeden, 2007. Doctoral Thesis
– Dept. of Energy Technology, School of Industrial




                                   Refrigeração-na indústria de alimentos
                                          Gilberto Arejano Corrêa
3-1

CICLO DE REFRIGERAÇÃO POR                                                                                         3
COMPRESSÃO MECÂNICA DE VAPOR

                                                           de maior porte utiliza-se um reservatório de líquido
3.1 CICLO DE           REFRIGERAÇÃO            MAIS        na saída do condensador.
UTILIZADO.                                                      O compressor tem a finalidade de bombear o
                                                           fluido refrigerante através do circuito frigorífico,
     O ciclo de compressão de vapor é o mais usado         além de aumentar a pressão e temperatura do
na prática, e consiste na produção contínua de             refrigerante para facilitar sua condensação por meio
líquidos refrigerantes, o qual por vaporização nos         de uma fonte disponível na natureza.
fornece a desejada retirada de calor do meio a
refrigerar.                                                    O condensador tem a finalidade de liquefazer o
                                                           vapor superaquecido proveniente do compressor,
3.2 CICLOS REAIS E CICLO DE CARNOT                         cedendo calor ao ambiente. Esta energia é composta
                                                           pelo calor absorvido pelo evaporador (carga térmica)
     Os ciclos reais devem ser considerados de tal         e o calor produzido pela compressão dos gases no
modo que se aproximem o máximo possível do ciclo           compressor.
de Carnot que é o mais eficiente, como a
aplicabilidade de qualquer ciclo se relaciona com os            O reservatório de líquido tem duas finalidades:
custos e eficiência, justifica-se assim como base esta     armazenar o líquido refrigerante do sistema quando
aproximação.                                               se faz alguma manutenção e absorver parte do
                                                           líquido quando o sistema sofre pequenas variações de
3.3 MODIFICAÇÕES DO CICLO DE CARNOT                        carga, evitando-se alterações de funcionamento.
PARA O CICLO REAL
                                                                O dispositivo de expansão tem a função de
     Embora o ciclo de Carnot apresente alta               dosar a injeção de líquido dentro do evaporador e
eficiência, considerações de ordem prática exigem          garantir um mínimo de superaquecimento
certas modificações:                                       (incremento de temperatura do evaporador até o
1°- O processo de compressão ocorre com o vapor            compressor).
seco e não úmido, evitando-se danos ao compressor.
2° - O processo de expansão é isentalpico e não                O evaporador tem a finalidade de absorver o
isentrópico ocorrendo por estrangulamento da               calor do meio a ser resfriado através da evaporação
passagem do líquido refrigerante ao evaporador, a          do refrigerante.
utilização de uma turbina não se justifica sob o ponto
de vista econômico.                                        3.5 PARA QUE SERVE A REPRESENTAÇÃO
                                                           GRÁFICA DO CICLO DE REFRIGERAÇÃO
3.4  ESQUEMA    SIMPLES                 DE     UMA
INSTALAÇÃO FRIGORÍFICA                                          A representação gráfica descreve o ciclo,
                                                           representando as transformações dos fluidos
                                                           refrigerantes em evolução. Permite discutir e
                                                           identificar valores (propriedades) na execução de
                                                           uma análise.
                                                                Os mais utilizados são os diagramas de pressão
                                                           versus entalpia e, temperatura versus entropia.

                                                           3.6 CICLO PADRÃO DE COMPRESSÃO DE
                                                           VAPOR BASEADO NO ESQUEMA SIMPLES
1 – Compressor 2 –Condensador 3 – válvula de               DE UMA INSTALAÇÃO FRIGORÍFICA.
expansão 4 – evaporador
                                                               As figuras 3.2 e 3.3 representam o ciclo padrão
Figura 3.1 Esquema simples de uma instalação               de compressão de vapor nos diagramas: temperatura
frigorífica                                                versus entropia e, pressão versus entalpia.

    Os sistemas de refrigeração mecânica por
compressão de vapor mais simples se compõem de 4
elementos fundamentais: compressor, condensador,
dispositivo de expansão e evaporador. Em sistemas

                                          Refrigeração-na indústria de alimentos
                                              Gilberto Arejano Corrêa
3-2


                                                                              qc  hD  hA                 (3.4)
                                                               Se o refrigerante deve considerar o ponto A no
                                                          fim do ciclo, nas mesmas condições iniciais, o calor
                                                          rejeitado pelo refrigerante no condensador, deve ser
                                                          igual ao calor absorvido pelo refrigerante em todas as
                                                          outras partes do ciclo, onde temos aumentado sua
                                                          energia. Portanto:
                                                                            qc  q e  q w                 (3.5)

                                                          3.7 POTÊNCIA DO CICLO

                                                                       
                                                               Seja m a vazão mássica do refrigerante
                                                          circulante, à quantidade de calor absorvido ou
Figura 3.2 Ciclo padrão de compressão de vapor no         rejeitado no ciclo será:
diagrama temperatura versus entropia.                     Calor absorvido ou potência frigorífica:
                                                                              
                                                                             QE  m .qe
                                                                                                    (3.6)
                                                          Calor rejeitado ou potência calorífica
                                                                              
                                                                              QC  m .qc
                                                                                                          (3.7)
                                                          Potência mecânica teórica
                                                                               
                                                                              W  m .qW
                                                                                                          (3.8)

                                                              A potência referida é a quantidade de energia por
                                                                                                    
                                                          unidade de tempo. Quanto maior for m , maiores
                                                          serão estas quantidades e vice-versa, determinando
                                                          assim o tamanho da instalação frigorífica, utilizando
                                                          assim estes valores no seu dimensionamento.

Figura 3.3 Ciclo padrão de compressão de vapor no         3.8   COEFICIENTE                  OPERACIONAL
diagrama pressão versus entalpia.                         FRIGORÍFICO

     A condição do refrigerante em qualquer                   É a expressão da eficiência do ciclo e, é
condição termodinâmica pode ser representada como         enunciada como a relação entre o calor absorvido no
um ponto nos gráficos acima (ABCD).                       evaporador e a energia térmica equivalente a energia
     Cada componente (Fig. 3.1) é tratado como um         suprida ao compressor.
volume de controle com entrada e saída de fluxos, e                                qe                    (3.9)
                                                                              COP 
com as interações de transferência de calor e                                         qw
trabalho. A aplicação da equação (1.21) em base                Varia entre 1 e ∞ e este valor diminui com os
mássica para fluxo estacionário, desprezando a            afastamentos das temperaturas de ebulição e
energia cinética e potencial de posição (pequenas)        condensação.
correspondente a cada trecho:                                  Concluímos que o trabalho consumido cresce
                                                          rapidamente com a redução da temperatura desejada .
A - B Expansão irreversível à entalpia constante.         O valor econômico da frigoria (equivalente a caloria)
                   hA  hB  0                   (3.1)    depende essencialmente da temperatura que a mesma
B - C Ganho de calor à pressão constante extraído         é retirada.
do meio a refrigerar, produzindo a evaporação do
fluido refrigerante. O processo é reversível e produz     EXERCÍCIOS
um efeito frigorífico.
                  qe  hB  hC                   (3.2)    E 3.1 Determine o efeito frigorífico ( qe ) de um
C - D         Compressão isoentrópica (adiabática         sistema de refrigeração empregando R717 (amônia)
reversível). O trabalho de compressão do refrigerante     baseado na Fig. 3 com uma temperatura de
é igual à variação da entalpia no processo,               evaporação de -10 ºC e uma temperatura de
produzindo um efeito mecânico.                            condensação de 32 ºC.
                  qw  hC  hD                   (3.3)    Solução: trecho B -C onde hA  hB  0 (isentálpico)
D - A O processo reversível onde o fluido                 Conforme Tabela 2.1:
refrigerante à pressão constante, cede calor ao meio
externo produzindo um efeito calorífico.


                                     Refrigeração-na indústria de alimentos
                                          Gilberto Arejano Corrêa
3-3



Com T = 32 ºC (liquido saturado) leio hA = 332,17
kJ/kg
Com T = -10 ºC (vapor saturado) leio hC = 1430,55
kJ/kg. Com a equação (3.2):
q e = 1430,55 - 332,17
                       Resposta qe = 1098,32 kJ/kg

E 3.2 Determine o efeito mecânico do sistema do
exercício E 3.1.
Solução: trecho C -D
Compressão isentrópica SC  S D
Conforme Tabela 2.1:                                    Figura 3.4 Representação do ciclo padrão de
                                                        compressão de vapor a temperaturas de admissão
Com T = -10 ºC leio SC  4,9509 kJ/kg.K
                                                        diferentes.
Com T = 32 ºC leio PD = 12,380 bar
Conforme Tabela 2.2:                                        Uma comparação visual na Figura 3.4 permite
Com PD e SC determino hD =1466,92 kJ/kg por             observar:
interpolação linear. Com a equação (3.3):
 qW =1466,92 - 1430,55          qW = 36,37 kJ/kg
                                                            Ciclo                 Ciclo
                                                           ABCDEA            AB’C’D’EA             Efeitos
                                                           qe  hB  hC     < q'e  hB'  hC'    frigorífico
E 3.3 Determine o efeito calorífico do sistema do
exercício E 3.1.                                           qw  hC  hD     > q' w  hC'  hD'   mecânico
Solução: trecho D - A, e com a equação (3.4):              qc  hD  hA     > q' c  hD'  hA    calorífico
qC =1466,92 - 332,17
                        Resposta qC =1134,75 kJ/kg          O calor de compressão por unidade de massa é
                                                        menor para o ciclo (AB’C’D’) que tem a temperatura
                                                        de vaporização mais elevada e, portanto o trabalho de
E 3.4 Determinem as potências do ciclo do sistema
                                                        compressão (efeito mecânico) requerido é menor.
do exercício E 3.1.
Admitindo conhecida uma das potências do ciclo
                                                                            COP < COP'
determino a vazão mássica e as demais potências.
 
QE = 50 TR (1 TR = 3,51 kJ/s)
                                                             O ciclo (AB’C’D’) que tem a temperatura de
Com as equações (3.6) a (3.8):                          admissão mais elevada, uma fração menor do
   50  3,51                                            refrigerante vaporiza (F’B’) no controle (válvula de

m=           =0,1598 kg/s
    1098,32                                             expansão) e uma porção maior vaporiza no
   
   QC  0 ,15981134,75            
                          Resposta QC =181,33 kJ/s      evaporador e produz resfriamento proveitoso.
                                                           Para uma condição de mesma potência
   W  0 ,1598 36,37     Resposta W = 5,812 kJ/s       frigorífica para ambos os ciclos apresentados, a taxa
                                                        de fluxo de massa é menor para a que tem a
E 3.5 Determine o COP do sistema do E 3.1.              temperatura de admissão mais elevada.
                    1098,32
            COP               Resposta COP= 30,2
                     36,37                                                       
                                                                             m > m'
                                                            Quanto maior a quantidade de calor a ser
3.9 EFEITO DA TEMPERATURA                       DE      removida no evaporador, maior deve ser a vazão
ADMISSÃO SOBRE A EFICIÊNCIA                     DO      mássica e por conseqüência maior deve ser a
CICLO.                                                  capacidade do compressor.

     A figura 3.4 permite comparar o ciclo padrão de               m.v > '  m'.v' onde
                                                                                               v  v'
compressão de vapor, no diagrama pressão versus
entalpia, operando em dois regimes diferentes de            A vazão em volume, aspirada de vapor pelo
temperatura de admissão.                                compressor varia muito com as temperaturas de
                                                        admissão, e é este um dos fatores mais importantes
                                                        que influencia a capacidade física dos compressores.

                                                        EXERCÍCIO PROPOSTO




                                   Refrigeração-na indústria de alimentos
                                        Gilberto Arejano Corrêa
3-4


E 3.6 Comparem (%) os efeitos frigorífico, calorífico             O calor de compressão por unidade de massa
e mecânico, assim como o COP dos dois sistemas de            (efeito mecânico) é maior para o que tem a
refrigeração empregando R717 (amônia) baseado na             temperatura de condensação mais elevada e, portanto
Fig. E 3.1.                                                  o trabalho de compressão requerido é maior.
Apresenta os ciclos saturados simples A’B’C’D’ com                Comparando os dois ciclos nota-se que o efeito
a temperatura de ebulição de -10 ºC e ABCD com a             frigorífico é maior para o que tem a temperatura de
temperatura de ebulição de -20 ºC.                           condensação mais baixa, conseqüência da diferença
                                                             de temperatura na válvula de controle.
                                                                  O calor de compressão por unidade de massa
                                                             (efeito mecânico) é menor para o que tem a
                                                             temperatura de condensação mais baixa.

                                                                                 COP > COP'
                                                                                      
                                                                                   m < m'

                                                                 Para uma mesma potência frigorífica, a taxa de
                                                             fluxo de massa é menor para a que tem a temperatura
                     Fig. E 3.1                              de condensação mais baixa.

3.10 O EFEITO DA TEMPERATURA DE                                           m.v < '  m'.v'
                                                                                                v  v'
CONDENSAÇÃO SOBRE A EFICIÊNCIA DO
CICLO.                                                            O volume de vapor a ser deslocado pelo pistão é
                                                             diretamente proporcional à taxa de fluxo de massa
     A figura 3.5 permite comparar o ciclo padrão de           
                                                             ( m ) visto que o volume específico é o mesmo.
compressão de vapor, no diagrama pressão versus
entalpia, operando em dois regimes diferentes de             NOTA: Observou-se nos itens 3.9 e 3.10 que com o
temperatura de condensação.                                  aumento da relação de compressão, aumenta o
                                                             trabalho de compressão enquanto diminui o efeito
                                                             frigorífico. Portanto diminui o COP.

                                                             EXERCÍCIO PROPOSTO

                                                             E 3.7 Comparem (%) os efeitos frigorífico, calorífico
                                                             e mecânico, assim como o COP dos dois sistemas de
                                                             refrigeração empregando R717 (amônia) baseado na
                                                             Fig. E 3.2. Apresenta os ciclos saturados simples
                                                             A’B’C’D’ com a temperatura de condensação de 32
                                                             ºC e ABCD com a temperatura de condensação de
                                                             28 ºC.
Figura 3.5 Representação do ciclo padrão de
compressão de vapor no diagrama p - h, operando a
temperaturas de condensação diferentes.
    Uma comparação visual na Figura 3.5 permite
observar:
     Ciclo               Ciclo
   ABCDEA          AB’C’D’E’A’            Efeitos
  qe  hB  hC     < q' e  hB'  hC    frigorífico
  qw  hC  hD     < q'w  hC  hD '    mecânico
  qc  hD  hA     < q'c  hD'  hA '      calorífico                              Fig. E 3.2

                                                             3.11 O CICLO REAL DE COMPRESSÃO DE
     O ciclo que tem a temperatura de condensação            VAPOR E OS DESVIOS DO CICLO
mais elevada, uma fração maior do refrigerante               SATURADO SIMPLES.
vaporiza no controle (válvula de expansão) e uma
porção menor vaporiza no evaporador e produz                     Os ciclos reais de refrigeração desviam-se um
resfriamento proveitoso.                                     pouco do ciclo saturado simples. A razão disto é que
                                                             são supostas certas hipóteses para o ciclo saturado


                                        Refrigeração-na indústria de alimentos
                                            Gilberto Arejano Corrêa
3-5


simples que não são verdadeiramente válidas para o
ciclo real.                                                    Comparando os dois ciclos frigoríficos referente
     Na comparação entre o ciclo saturado simples e        ao superaquecimento podemos fazer as seguintes
o ciclo real, destacamos as principais diferenças:         observações:
a) O ciclo padrão admite que não haja perda de                  Ciclo             Ciclo
     carga resultante do fluxo de massa através dos          ABCDEA         A’B’CD’E’A’             Efeitos
     elementos do sistema.                                   qe  hB  hC   < q'e  hB'  hC'     frigorífico
b) Os efeitos do subresfriamento do líquido e                qw  hC  hD   < q' w  hC'  hD'    mecânico
     superaquecimento do vapor de admissão não são
                                                             qc  hD  hA   < q'c  hD'  hA '    calorífico
     considerados no ciclo padrão.
c) O fato da compressão no ciclo real não ser
     isentrópico, ocorre ineficiência devido ao atrito e   1.   O calor de compressão do ciclo superaquecido é
     outras perdas.                                             ligeiramente maior.
                                                           2.   A temperatura do fluido há descarga do
3.12 O EFEITO DO SUPERAQUECIMENTO                               compressor é mais elevada no ciclo
DO VAPOR DE ADMISSÃO                                            superaquecido.
                                                           3.        Uma quantidade de calor muito maior deve
    No ciclo saturado simples, considera-se que o               ser rejeitada no condensador, para o ciclo
vapor de admissão alcança a entrada do compressor               superaquecido. Isto acontece por causa do calor
como um vapor saturado à pressão e temperatura de               adicional absorvido pelo vapor que os torna
vaporização. Na prática isto raramente é verdadeiro.            superaquecido e por causa do pequeno aumento
Depois que o líquido refrigerante tiver vaporizado              do calor de compressão.
completamente no evaporador, o vapor saturado frio,        4.   O volume específico do vapor superaquecido
continuará geralmente a absorver calor e, deste                 será sempre maior, significando um volume
modo, tornar-se-á superaquecido antes de alcançar o             maior de vapor a ser comprimido.
compressor.
    O superaquecimento do vapor de admissão pode           3.13 OS EFEITOS DO SUB-RESFRIAMENTO
ocorrer em qualquer uma ou nas combinações dos             DO LÍQUIDO.
seguintes lugares:
1. No final do evaporador;                                      O sub-resfriamento ocorre quando o líquido
2. Na tubulação de admissão instalada no interior do       entra no dispositivo de expansão com uma
espaço refrigerado;                                        temperatura inferior à temperatura de condensação.
3. Na tubulação de admissão localizada fora do                  Quando o líquido é subresfriado antes de atingir
espaço refrigerado;                                        o dispositivo de controle (dispositivo de expansão) o
4. Em um trocador de calor.                                efeito de refrigeração por unidade de massa é
    Nos casos 1 e 2 produzem um resfriamento útil.         aumentado.
                                                                 O aumento no efeito de refrigeração resultante
    Se a ligeira queda de pressão que resulta do           do subresfriamento, é a diferença entre hB e hB’, e é
fluxo do vapor na tubulação de admissão for                exatamente igual a diferença entre hA e hA' , a qual
negligenciada, deve-se considerar que a pressão do         representa o calor eliminado do líquido durante o
vapor de admissão permanece constante durante o            sub-resfriamento.
superaquecimento.




                                                           Figura 3.7 Representação dos desvios do ciclo
Figura 3.6 Representação dos desvios do ciclo              saturado operando com subresfriamento após a
saturado operando com vapor superaquecido na               condensação e perdas de carga.
admissão do compressor e perdas de carga.



                                      Refrigeração-na indústria de alimentos
                                           Gilberto Arejano Corrêa
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    Comparando os dois ciclos frigoríficos referente          Está relacionado ao processo de compressão, isto
ao subresfriamento podemos fazer as seguintes            é, dita condição de entrada e saída do fluido
observações:                                             refrigerante no compressor.
     Ciclo               Ciclo                                Dizemos que a compressão é úmida quando o
  ABCDEA         A’B’CD’E’A’             Efeitos         processo se dá na região bifásica, com gotículas de
  qe  hB  hC    < q' e  hB'  hC    frigorífico       líquido misturadas ao vapor.
  qw  hC  hD   < q' w  hC'  hD'    mecânico
  qc  hD  hA    < q' c  hD'  hA'   calorífico

1. O efeito frigorífico é aumentado
2. Uma quantidade de calor maior deve ser rejeitado.
3. O subresfriamento do líquido pode ocorrer em uma
ou na combinação dos seguintes lugares:
4. No tanque coletor de líquido ou nas linhas de
líquido cedendo calor ao meio ambiente;
5. No condensador;
6. Em um trocador de calor (intercambiador).

3.14 OS EFEITOS DAS PERDAS DE PRESSÃO
RESULTANTES DO ATRITO.                                   Figura 3.9 Representação dos regimes de trabalho
                                                         seco e úmido.
         Vencendo o atrito, o refrigerante sofre uma
queda de pressão através da tubulação, evaporador,           Embora aparentemente apresente um coeficiente
condensador, válvulas e passagens do compressor.         de efeito frigorífico elevado em relação a outros, por
No diagrama da Fig. 3.8 mostra o comportamento do        não possuir uma área adicional criada devido ao
ciclo padrão e do ciclo em que ocorre a perda de         superaquecimento, esse proceder, no entanto é pouco
pressão.                                                 recomendado em compressores alternativos, pelas
                                                         razões:
                                                         1. Retenção de líquido no cabeçote do compressor
                                                             causando danificação de válvulas e cabeçote.
                                                         2. A presença de líquido possibilita eliminar o óleo
                                                             lubrificante no cilindro, acelerando o desgaste.

                                                         EXERCÍCIOS.

                                                         E 3.8 Determinar o efeito refrigerante, se a
                                                         temperatura do líquido R717 que chega ao controle
                                                         do refrigerante é de 32ºC e a temperatura do vapor
                                                         saturado que abandona o evaporador é de -2ºC.
Figura 3.8 Representação dos desvios do ciclo            SOLUÇÃO.
saturado    operando      com       subresfriamento,     Na tabela do R717 saturado (capítulo 2) determino as
superaquecimento e perdas de carga.                      entalpias:
                                                         Vapor saturado, a -2ºC = 1439,72 kJ/kg.
B’- C’ Representa o processo de vaporização no           Líquido saturado a 32ºC = 332,17 kJ/kg
evaporador durante o qual o refrigerante apresenta       O efeito refrigerante = 1107,55 kJ/kg.
uma queda de pressão ΔPs ao fluir devido ao atrito.
D’-A’ Representa o processo de condensação no            E 3.9 No exemplo E 3.8, a temperatura do líquido
condensador durante o qual o refrigerante apresenta      que entra no controle do refrigerante é de 16ºC em
uma queda de pressão ΔPd ao fluir devido ao atrito.      lugar de 32ºC. Determinar o efeito refrigerante.
Comparando os dois ciclos referentes à perda de          SOLUÇÃO.
carga (pressão) concluímos:                              Na tabela do R717 saturado determino a entalpia:
1° - Perda de eficiência                                 Líquido saturado a 16ºC = 255,18 kJ/kg.
2° - Maior custo operacional.                            O efeito refrigerante = 1158,54 kJ/kg.

3.15 REGIMES DE TRABALHO.                                E 3.10 Se no E 3.8, a pressão no evaporador é de
                                                         3,4134 bar e o líquido que chega ao controle do
                                                         refrigerante é de 32ºC. Qual é o efeito refrigerante?



                                    Refrigeração-na indústria de alimentos
                                        Gilberto Arejano Corrêa
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SOLUÇÃO.                                                   (d) O volume de vapor comprimido por minuto por
Na tabela do R717 saturado determino a temperatura         TR.
e entalpias:                                               (e) O efeito mecânico e o calorífico (admitir
A temperatura de saturação do R717 na pressão              compressão isentrópica).
3,4134 bar é de - 6,0 ºC e a entalpia do vapor             (f) O coeficiente operacional (COP)
saturado a essa temperatura = 1435,28 kJ/kg.
O efeito refrigerante = 1103,11 kJ/kg.
                                                           E 3.14 Se o líquido que chega ao controle de
     Comparando os exemplos E 3.8 e E 3.9, se              refrigerante no E 3.13 se subresfria a 21 ºC,
encontra que o efeito refrigerante aumenta ao reduzir      determinar:
a temperatura do líquido que chega ao controle do          (a) O efeito refrigerante que circula.
refrigerante, porem na comparação do exemplo E 3.8         (b) A perda de efeito refrigerante.
e E 3.10, mostra que o efeito refrigerante diminui ao      (c) O peso refrigerante, que circula por minuto por
diminuir a temperatura de vaporização. Portanto, é         TR.
evidente que o efeito refrigerante depende de dois         (d) O volume de vapor comprimido por minuto por
fatores: (1) da temperatura de ebulição e (2) da           TR.
temperatura a qual chega o líquido refrigerante ao         (e) O efeito mecânico e o calorífico (admitir
controle. Quanto mais elevada é a temperatura de           compressão isentrópica).
ebulição e menor a temperatura do líquido que chega        (f) O coeficiente operacional (COP)
à válvula de controle do fluido refrigerante, maior
será o efeito refrigerante.
                                                           E 3.15 Compare os resultados percentualmente do
E 3.11 No exercício E 3.8, determine: (a) a                problema E 3.9 e E 3.10 e faça uma conclusão por
capacidade de refrigeração do sistema em kW e (b)          resultado.
em toneladas de refrigeração (1 TR = 3,51kW), se
circula 5 kg/s de R717 no sistema.                         E 3.16 Esquematizem o ciclo frigorífico abaixo nos
 SOLUÇÃO.                                                  diagramas T x s e P x h e determine a potência
a - do exercício E 3.8, o efeito refrigerante = 1107,55    mecânica em kW/TR. Dados: Fluido NH3;
kJ/kg..                                                    p1=291,57kPa; p2 = 1352,2 kPa; p5’=500 kPa; t3=
A capacidade de refrigeração = 5*1107,55 = 5537,75         33ºC; Pf= 2Pf’; Pf’= 1TR. As pressões acima são
kW.                                                        absolutas.
b - A capacidade de refrigeração = 5537,75 / 3,51 =        vrp = válvula redutora de pressão.
1557,70 TR.

EXERCÍCIOS PROPOSTOS

E 3.12 A temperatura do R717 líquido que entra na
válvula de controle de refrigerante é de 30ºC e a
temperatura de vaporização é de -1,11ºC.
Determinar:
(a) O efeito refrigerante que circula.
(b) A perda de efeito refrigerante.
(c) O peso refrigerante, que circula por minuto por
TR
(d) O volume de vapor comprimido por minuto por
TR.
(e) O efeito mecânico e o calorífico (admitir
compressão isentrópica).

E 3.13 Se chega líquido R717 saturado ao controle
do refrigerante a uma pressão de 9,5 bar e a pressão       3.16 FUNCIONAMENTO
de vaporização no evaporador é de 2,0 bar,
determinar:                                                     A análise termodinâmica do ciclo padrão de
(a) O efeito refrigerante que circula.                     refrigeração como foi mostrado, proporcionou
(b) A perda de efeito refrigerante.                        identificar tendências, que seguem válidas para ciclos
(c) O peso refrigerante, que circula por minuto por        reais, ainda que se devam ajustar os valores através
TR.                                                        de rendimentos.



                                      Refrigeração-na indústria de alimentos
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Rendimentos                                                                                                            Resposta a) V = 0,9284
    A vazão de fluido refrigerante aspirado pelo
compressor comparado com a sua capacidade                                   0,92  1,5
volumétrica teórica de deslocamento deste fluido                      m
                                                                                       0,055 kg/s
                                                                           0,4180 60
determina   o     rendimento   volumétrico    de
                                                                                                                              
                                                                                                                  Resposta b) m = 0,055 kg/s
compressão,
                                 mvC
                          V                                         pC vC  pDvD (compressão politrópica) ou
                                                                          n      n
                                 D
                                                                                     n 1              n 1
       
onde m e vC é respectivamente a vazão mássica e o                     TD  p D        n       V    
                                                                                            C
                                                                                               V
                                                                                                     
                                                                                                     
volume específico na entrada do compressor e,  D , a                 TC  pC
                                                                         
                                                                                 
                                                                                               D   
vazão em volume devido ao movimento do pistão do                                                              1,251
                                                                                          12,68 
                                                                      T D  10  273 
                                                                                                               1,25
compressor. Quando  D do compressor é conhecido                                                                      = 356,77 K = 83,77 ºC
                                                                                          2,76 
o V denomina-se como rendimento volumétrico
                                                                     Conforme Tabela 2.1
real, caso contrário, o V é obtido por aproximação
                                                                     Com TC = -10 ºC determino hC =1430,55 kJ/kg
considerando a expansão do gás, retido no extremo
                                                                     Conforme Tabela 2.2
do curso do pistão (espaço morto).
                                                                     Com PD =12,68 kPa e TD = 83,77 ºC determino
                                                1                    hD =1614 kJ/kg por interpolação.
                                p             n
                 V  1      desc arg a                        A potência de frenagem:
                                 Psucção      
                                              
onde  (2% a 5%) é o coeficiente do espaço nocivo                            m  ( hD  hC ) 0,055 ( 1614 1430,55 )
                                                                              
                                                                      Weixo                                          = 18 HP
(relação entre o volume do espaço morto e o volume                                  m              0,8  0,746
do cilindro percorrido pelo pistão do compressor) e n                                                              
                                                                                                   Resposta c) Weixo = 18 HP
o coeficiente politrópico. No caso de compressores                   trecho B -C onde hA  hB  0 (isentálpico)
resfriados com água utilizando a amônia como fluido
refrigerante, o valor de n é estimado na faixa de 1,25               Conforme Tabela 2.1
a 1,3.                                                               Com T = 32 ºC (liquido saturado) leio hA = 332,17
                                                                     kJ/kg
EXERCÍCIOS.                                                          Com T = -10 ºC (vapor saturado) leio hC = 1430,55
                                                                     kJ/kg
E 3.17 Amônia saturada no estado de vapor (Fig. 3.3)                  q e = 1430,55 - 332,17 = 1098,32 kJ/kg
                                                                           m hC  hB  0,0551098,32
entra no compressor a - 10 ºC.A pressão de descarga                        
é de 12,38 bar (abs); a queda de pressão nas válvulas                 
                                                                      QE                            = 17,21 TR
                                                                              3,51           3,51
de sucção e de descarga são de 0,15 kPa e 0,30 kPa,
respectivamente. O coeficiente de espaço morto do                                                           
                                                                                               Resposta d) Q  17,21 TR          E

compressor (  ) é de 3 % e o coeficiente politrópico                 HP   18                                                        HP
                                                                               1,046                                 Resposta e)       1,046
n = 1,25. a) Determine o rendimento volumétrico e                     TR 17,21                                                       TR
                                      
b) a capacidade do compressor ( m ) em kg/s, se a
vazão em volume (  D ) devido ao movimento do                               A tabela 3.1 foi preparada para mostrar o
pistão do compressor é de 1,5 m³/min . c) a potência                 rendimento volumétrico, ηv, e o fator de performance
                             
mecânica efetiva (no eixo), Weixo , em HP supondo um                 de compressores alternativos
rendimento mecânico,  m , de 80%. d) A taxa de
                                                                         Tabela    3.1    Rendimento                            volumétrico
calor removida no evaporador em TR (3,51 kW)                             aproximado para compressores
 e) determine a relação HP/TR (fator de performance)                     Relação de Rendimento                                 Performance
                                                                         compressão volumétrico %                              HP/TR
SOLUÇÃO:
                                                                             2,0           97,78                                  0,4063
 = 0,03; n  1,25 ; Pdesc  12,38  0,30  12,68 kPa
                                                                             2,2           97,36                                  0,4666
Psucç  2,91 0,15  2,76 kPa; vC = 0,4180 m³/kg (Tab.                       2,4           96,96                                  0,5225
2.1)                                                                         2,6           96,56                                  0,5747
       12,68                                                                 2,8           96,16                                  0,6236
rC           4,596
        2,76                                                                 3,0           95,78                                  0,6697
                                                1                            3,2           95,39                                  0,7133
                        12,68  1,2 5                                       3,4           95,01                                  0,7546
V  1  0,03  0,03          = 0,9284
                        2,76                                               3,6           94,64                                  0,7940



                                                Refrigeração-na indústria de alimentos
                                                    Gilberto Arejano Corrêa
3-9



       3,8               94,27                  0,8316                  Um fator de serviço de 1,15 na determinação
       4,0               93,91                  0,8675          de um motor elétrico para o acionamento do
       4,2               93,54                  0,9020          compressor é recomendado devido a perdas de
       4,4               93,19                  0,9351          rendimento (transmissão)
       4,6               92,83                  0,9670
       4,8               92,48                  0,9977                          
                                                                               Wmotor  1,15 18  20,7 HP
       5,0               92,13                  1,0270
       5,2               91,78                  1,0560          EXERCÍCIOS PROPOSTOS
       5,4               91,44                  1,0840
       5,6               91,10                  1,1110          1). Entra amônia em um trocador de calor a 80 kPa e
       5,8               90,76                  1,1370          0,23 de título. A amônia flui pelo trocador
       6,0               90,42                  1,1620          absorvendo calor e sai como vapor a 249 K. A
       6,2               90,09                  1,1870          capacidade de absorver calor é de 100 000 kcal/h.
       6,4               89,75                  1,2110          Qual é a vazão de amônia que deve ser fornecido ao
       6,6               89,42                  1,2350          trocador em kg/h e em m³/min.?
       6,8               89,10                  1,2570          2).A vazão em volume por TR de um compressor se
                                                                comporta de que maneira com o aumento da pressão
E 3.18 Compare os resultados do E 3.17 com os                   de admissão? Comprove exemplificando.
resultados utilizando a Tabela 3.1. Determine o                 3) Assume-se uma perda desprezível na linha de
número de cilindros necessário para compressor                  sucção com um compressor utilizando-se refrigerante
modelo MADEF e a Potência do motor elétrico de                  saturado de um evaporador à 0ºC e descarregado em
acionamento.                                                    um condensador o qual produz líquido saturado a
Solução:                                                        35ºC. Se a eficiência volumétrica fosse 80%, calcule
      No exercício E 3.17 a relação de compressão,              a potência frigorífica em Kilowatts e o “COP” se o
 rC , corresponde a 4,596. Interpolando na Tabela 3.1           compressor tem um deslocamento de 40 litros por
                                                                segundo quando o sistema está carregado com R717.
determino o rendimento volumétrico, V = 0,9283 e o             4) Qual a importância da utilização de um
                         HP                                     termômetro e um manômetro na linha de sucção e na
fator de performance,        0,9670.
                         TR                                     linha de descarga do compressor?
     Comparando com os resultados em E 3.17                     5) Explique termodinâmicamente um sitema de
encontramos o mesmo resultado para o rendimento                 refrigeração de compressão a dois estágios e
volumétrico e para o fator de performance uma                   esquematize suas transformações no diagrama Txs.
diferença de 7,6% menor que o calculado.                        5) Um subresfriador de líquido como mostrado na
           
     Para Weixo  18 HP , segundo a Tabela 5.1 , o              figura recebe líquido a 30ºC e subresfria 0,6 kg/s a
sistema de refrigeração (Fig.3.3) proporciona uma               5ºC. Vapor saturado deixa o subresfriador para o
capacidade frigorífica de                                       compressor do estágio de alta a -1ºC. Calcule a vazão
                  18
                                                                de NH3 que evapora para resfriar o líquido.
         
         QE            18,61 TR > 17,21 TR
                0,9670

A vazão mássica obtida:
               18,61 3,51
             m
                           0,059 kg/s
                1098,32
A vazão em volume (  D )
         mvC 0,059 0,4180 60
         
    D                          1,594 m³/min
         v         0,9283
Onde para um modelo de compressor MADEF:
D = 0,16 (diâmetro do cilindro)                                 REFERÊNCIAS
L = 0,11 (curso do pistão)
N = número de cilindros                                         1- COSTA, Ennio Cruz da. – Física Industrial –
Rpm = 750 (rotação por minuto)                                  Refrigeração. Ed. PUC – Porto alegre, 1976.
                        D 2 L N rpm                            2- DOSSAT, R.J. - Manual de Refrigeração - Ed.
                  D 
                               4                                Hemus - São Paulo, 1980.
                                                                3-HOLMAN, J.P. Termodinâmica, McGraw-Hill,
                         4  1,594                              México, 1975.
             N                            1
                     0,162  0,11 750




                                           Refrigeração-na indústria de alimentos
                                                 Gilberto Arejano Corrêa
3-10


4-MORAN, M. J., SHAPIRO, H. N., 2002,
Princípios de Termodinâmica para Engenharia. Ed.
LTC 4ª edição. 681p.
5- PHOLMANN, W. - Manual de Técnica Frigorífica
- Ediciones Ômega, S.A. - Barcelona, 1964.
6-STOECKER, W.F., JONES, J.W., Refrigeração e
Ar Condicionado, McGraw-Hill, São Paulo, 1985.




                                 Refrigeração-na indústria de alimentos
                                     Gilberto Arejano Corrêa
4-1



SISTEMAS MULTIPRESSÃO EM REFRIGERAÇÃO
POR COMPRESSÃO DE VAPOR                                                                                   4
 O QUE SÃO SISTEMAS MULTIPRESSÃO EM                       representação operacional desejada do fluido
 REFRIGERAÇÃO POR COMPRESSÃO DE                           refrigerante, permitem uma orientação de cálculo.
 VAPOR?

 São sistemas de refrigeração que tem dois ou mais
 níveis de baixa pressão, portanto permite operar com
 duas ou mais temperaturas de evaporação. Os níveis
 de baixa pressão compreendem desde a saída da
 válvula de expansão até a entrada de sucção do
 compressor.

 4.1 CICLO DE REFRIGERAÇÃO A DUAS
 TEMPERATURAS DE VAPORIZAÇÃO.

 4.1.1 DOIS           COMPRESSÔRES               EM       Figura 2 - Representação do Ciclo a duas
 PARALELO                                                 temperaturas de evaporação com dois compressores
                                                          no diagrama p-h
 As aplicações destes sistemas são inúmeras, tanto em
 processos, como em armazenagens de produtos em           Orientação de cálculo.
 refrigeração (resfriados e congelados), atendendo
 diferentes condições operacionais no lado de baixa       Balanço de massa.
 pressão, servidos por uma única condição                                       mTOTAL  mA  mB
                                                                                            
 operacional no lado de alta pressão.
 Os compressores A e B da Fig.1 aspiram vapor             Balanço de energia em torno do evaporador A
 saturado, impondo as condições de pressão de                       
                                                          determina m A :
 ebulição, de acordo com as cargas térmicas,                                             
                                                                                        QEA
 propiciadas por seus respectivos evaporadores.                                 mA 
                                                                                
                                                                                       h1  h4

                                                          Balanço de energia em torno do evaporador B
                                                                    
                                                          determina m B :
                                                                                           
                                                                                         QEB
                                                                                mB 
                                                                                
                                                                                       h1'  h4'

                                                                                                   
                                                          Para fluir as vazões mássicas m A e m B nos
                                                          evaporadores nas condições de pressões desejadas
                                                          devemos determinar a capacidade dos compressores.

                                                          Balanço de energia em torno do compressor A, na
                                                                                             
                                                          determinação da Potencia Mecânica WA em processo
                                                          teórico (isentrópico):
 Figura 1 – Ciclo de Refrigeração a duas temperaturas
                                                                              WA  mA h2  h1 
                                                                                  
        de evaporação com dois compressores
                                                         Balanço de energia em torno do compressor B, na
 A taxa de calor removida pelos evaporadores ( QEA e
                                                                                             
                                                          determinação da Potencia Mecânica WB em processo
 
 QE B ), juntamente com as temperaturas são em geral
                                                          teórico (isentrópico):
 condições desejadas. Na prática da refrigeração, a
 entalpia é uma das propriedades mais importantes, e
                                                                              WB  mB h2'  h1' 
                                                                                  
 a pressão pode-se determinar muito facilmente. Um
 esboço do diagrama pressão e entalpia Fig. 2 com a



                                     Refrigeração-na indústria de alimentos
                                         Gilberto Arejano Corrêa
4-2


O funcionamento de um compressor real – a
tendência que seguem as curvas de comportamento                 O coeficiente operacional ( COP ) varia de 1 a ∞ e
de um compressor ideal (isentrópico) se mantém para             relaciona:
um compressor real, se bem que os valores                                                    
                                                                                              QE
numéricos são ligeiramente diferentes. O rendimento                                  COP 
                                                                                             W
volumétrico real e o trabalho de compressão real
diferem do compressor ideal, no entanto é possível
                                                                4.1.2 COMPRESSOR     E                   VÁLVULA
relacionar o trabalho realizado no compressor de um
                                                                REDUTORA DE PRESSÃO.
compressor real com o realizado em um compressor
ideal mediante o rendimento adiabático  a , onde:              O compressor mostrado na Fig. 3 aspira vapor
                       W                                       superaquecido, impondo as condições de pressão de
                   a  IDEAL * 100
                       W    REAL
                                                                ebulição, de acordo com as cargas térmicas,
Os fabricantes possuem os gráficos de rendimento da             propiciadas por seus respectivos evaporadores. O
compressão adiabática, relacionado as condições                 evaporador de maior temperatura Te’ que opera com
operacionais, podem assim indicar o compressor da               uma pressão pe’> pe, utiliza uma válvula reguladora
sua construção.                                                 de pressão na saída, para reduzir a pressão pe’ para
                                                                pe, condição de sucção do compressor.
A vazão volumétrica, na entrada do compressor é
outro fator de igual importância a ser observado na
indicação do compressor pelo fabricante, a suprir a
necessidade do cliente. O rendimento volumétrico
(  V ) relaciona:

                   a vazãoaspirada
            V                    * 100
                     d cilindrada
Onde a cilindrada é capacidade física de
deslocamento da unidade compressora. Os
fabricantes possuem os gráficos de rendimento
volumétrico real.

A vazão volumétrica na entrada dos compressores
(m³/s):                                                          Figura 3 – Ciclo de Refrigeração a duas temperaturas
                                                                          de evaporação com um compressor
           aA  mAv1
                            e     a B  mB v1'
                                          
                                                                O compressor deverá ter capacidade para remover o
                                                                fluído dos dois evaporadores e ainda vencer a perda
Os condensadores recebem o vapor superaquecido
                                                                de carga da válvula redutora de pressão. A expansão
procedente do compressor e proporciona sua
                                                                numa válvula redutora de pressão é isentálpica,
contínua liquefação, eliminando o calor do sistema
                                                                segmento 1’ – 1’’ esboçado na Fig. 4 do diagrama p-
de refrigeração. Existem diferentes tipos de
                                                                h. O ponto 3 e 3’ são coincidentes, onde a
condensadores, os mais utilizados nos frigoríficos
                                                                propriedade do fluido é a mesma.
são: os multitubulares casco-tubo, usando a água
como meio de remoção de calor por troca térmica por
superfície; os resfriados a ar são trocadores que
apresentam menores coeficientes de troca térmica,
exigindo uma área de troca maior; e os
condensadores evaporativos, que combina as
vantagens dos dois anteriores.
Para determinar a área de troca térmica é necessário
conhecer o calor rejeitado e as condições
operacionais. Para determinar o calor rejeitado no
lado de alta pressão no sistema de refrigeração:

Balanço de energia na condensação, na determinação              Figura 4 – Representação do Ciclo a duas
da taxa de calor removida em kW:                                temperaturas de evaporação com um compressor no
                                                                diagrama p-h
            QC  mA h2  h3   mB h2'  h3' 
                               



                                           Refrigeração-na indústria de alimentos
                                                   Gilberto Arejano Corrêa
4-3



Orientação de cálculo.                                           atinge valores tais, que torna aconselhável o uso da
                                                                 compressão por estágios.
Balanço de massa.                                                                                 pd
                                                                 Relação de compressão:      r
                                                                                                  ps
                     mTOTAL  mA  mB
                                 
                                                                           O aumento da relação de compressão não só
Balanço de energia em torno do evaporador A e B                  reduz o rendimento volumétrico do compressor:
               
determina m A e m B :                                            V  1     ( r )1 n , como acarreta a elevação da
                                
                               QEA                               temperatura de descarga do mesmo, elevação esta
                       mA 
                       
                              h1  h4                            responsável pela carbonização do óleo e corrosão das
                                                                válvulas.
                               Q
                      mB 
                                 EB

                              h1'  h4'                                    Dependendo do fluido frigorígeno onde a
                                                                 temperatura de evaporação é muito baixa (-30°C) e
                                        
Para fluir as vazões mássicas m A e m B nos                      temperatura de condensação muito elevada (acima de
evaporadores nas condições de pressões desejadas                 + 30°C), se divide a compressão em duas etapas, a
devemos determinar a capacidade dos compressores.                Fig.5 mostra o resfriamento do vapor superaquecido
O balanço de energia em torno do compressor, na                  entre os estágios, portanto reduz o trabalho de
                                       
determinação da Potencia Mecânica WTOTAL em                      compressão e aumenta o COP. Qualquer decisão de
                                                                 se usar sistemas de compressão por estágios, deve ser
processo teórico (isentrópico):
                                                                 baseada em uma análise econômica.
                WTOTAL  mTOTAL h2  h1''' 
                        
                                                                 A Fig. 6 mostra no diagrama p-h o resfriamento
                                                                 intermediário (2 – 4). Este pode ocorrer através de
A vazão volumétrica na entrada dos compressores                  um trocador de calor resfriado a água, ar ou ainda por
(m³/s):                                                          um refrigerante líquido do condensador. Sistemas a
                     a  mTOTALv1'''
                                                                compressão por estágios, com resfriamento
                                                                 intermediário requerem menos potência, do que de
Balanço de energia na condensação, na determinação               um único estágio, entretanto deve-se sempre
da taxa de calor removida em kW:                                 verificar, se a economia de potência justifica os
                                                                 custos adicionais dos equipamentos.
                  QC  mTOTAL h2  h3 
                      

O coeficiente operacional ( COP ) varia de 1 a ∞ e
relaciona:
                                  
                                  QE
                      COP 
                                  W

PROBLEMA PROPOSTO.
Compare percentualmente os dois sistemas de
obtenção a duas temperaturas de evaporação,
utilizando R717, para as temperaturas de ebulição
nos evaporadores (A e B) de 5°C e -15°C,
                                                                           Figura 5 – Compressão por estágio
respectivamente para as taxas de calor removidas de
2 TR e 1TR. A temperatura de condensação é de
30°C. Discuta os resultados e conclua.
*Sugestão: Resolva o problema: (1) - utilizando os
gráficos p-h e T-s e (2) - utilizando as tabelas de
vapor saturado e superaquecidos.


4.2 CICLOS POR COMPRESSÃO DE VAPOR
POR ESTÁGIOS.

        Quando a diferença entre as temperaturas da
fonte quente e da fonte fria do ciclo de refrigeração é
muito elevada a relação de compressão a ser vencida



                                            Refrigeração-na indústria de alimentos
                                                Gilberto Arejano Corrêa
4-4



                                                          Resolvendo literalmente o esquema apresentado na
                                                          figura 7, e fazendo: (1) a pressão intermediária é
                                                          igual à média geométrica entre as pressões de alta e
                                                          baixa (supondo estas conhecidas) quando se deseja
                                                          uma relação de compressão igual para os dois
                                                                                                 
                                                          estágios, (2) a potência frigorífica QEA conhecida
                                                          (geralmente fornecida), (3) conhecida as condições
                                                          de estado, pressões e temperaturas em cada ponto, (4)
                                                          funcionando em regime permanente e (5)
   Figura 6 – resfriamento no diagrama p-v e p-h          considerando a energia cinética e potencial nula.

4.2.1 SUBRESFRIAMENTO POR SUPERFÍCIE                      Orientação de cálculo.
A figura 7 mostra um ciclo de compressão de dois
estágios, utilizado em sistemas industriais, com o uso    Conhecida a pressão de condensação e a pressão do
da amônia como fluido refrigerante. Observa-se:           evaporador da baixa pressão determino a pressão
1. O aproveitamento do frio é feito a temperatura         intermediária
mais baixas do processo (Te).                                                   pi  ( pc  pe )0,5
2. O sub-resfriamento do líquido é de superfície no
interior do resfriador intermediário (9 -11)
3. A válvula de expansão principal (evaporador) se
reduz a uma única (11 -12).                               Balanços de massa:
4. O evaporador é do tipo inundado por um vazo                       mB  m1  m2  m3  m9  m11  m12
                                                                                              
separador de baixa pressão, que fornece líquido                           mA  m4  m5  m6  m7
                                                                                           
saturado para a serpentina e vapor saturado para o                               mA  m8  mB
                                                                                         
compressor B (12 -1).
5. Na saída dos compressores o vapor é
                                                          Balanço de energia em torno do evaporador B
superaquecido. O resfriamento do vapor em 2
                                                                    
                                                          determina m B :
primeiramente utiliza o meio ambiente (água ou ar), e
em seguida por mistura com o líquido a uma
temperatura de saturação correspondente a uma                                              
                                                                                          QEB
                                                                                 mB 
                                                                                 
pressão intermediária entre as pressões de alta e                                       h1  h12
baixa.
                                                          Balanço de energia em torno                 do   resfriador
                                                                                  
                                                          intermediário determina m A :
                                                                                          h h 
                                                                              m A  mB   11 3 
                                                                                   
                                                                                          h h 
                                                                                          7   4 



                                                          O balanço de energia em torno dos compressores, na
                                                                                                     
                                                          determinação das Potencias Mecânicas WB e W A em
                                                          processo teórico (isentrópico):

                                                                               WB  mB h2  h1 
                                                                                   


                                                                               WA  mA h5  h4 
                                                                                   
                                                          A vazão volumétrica na entrada dos compressores
                                                          (m³/s):

                                                                                   B  mB v1
                                                                                        
                                                                                    A  m A v4
                                                                                         
                                                          Balanço de energia na condensação, na determinação
                                                          da taxa de calor removida em kW:
  Figura 7 - Esquema e diagrama p- h em expansão
                       única                                                   QC  mA h5  h7 
                                                                                   




                                     Refrigeração-na indústria de alimentos
                                          Gilberto Arejano Corrêa
4-5



O coeficiente operacional ( COP ) varia de 1 a ∞ e        Balanço de energia em torno                       do   resfriador
relaciona:                                                                        
                                                          intermediário determina m A :
                                                                                       mB h3  h9   QA
                             
                            QEA                                                                       
                  COP                                                         mA 
                                                                               
                          WA  B
                            W                                                            h4  h7 
4.2.2 SUBRESFRIAMENTO POR MISTURA                         O balanço de energia em torno dos compressores, na
                                                                                                     
                                                          determinação das Potencias Mecânicas WB e W A em
A Figura 8 mostra um ciclo de compressão de dois
estágios, igualmente utilizado em sistemas                processo teórico (isentrópico):
industriais, com amônia. Observam-se algumas
modificações em relação ao da Figura 7:                                             WB  mB h2  h1 
                                                                                        
1. O aproveitamento do líquido é feito não só a
temperatura mais baixa como a intermediária do                                      WA  mA h5  h4 
                                                                                        
processo.
2. O sub-resfriamento é de mistura no interior do         A vazão volumétrica na entrada dos compressores
resfriador intermediário (8 - 9).                         (m³/s):
3. O número de válvulas de expansão do tipo
principal é igual ao número de estágios.                                               B  mB v1
                                                                                             
                                                                                        A  m A v4
                                                                                             

                                                          Balanço de energia na condensação, na determinação
                                                          da taxa de calor removida em kW:

                                                                                    QC  mA h5  h7 
                                                                                        
                                                          O coeficiente operacional ( COP ) varia de 1 a ∞ e
                                                          relaciona:
                                                                                                 
                                                                                            QEA  QEB
                                                                                    COP 
                                                                                            WA  B
                                                                                               W


                                                          EXERCÍCIOS
                                                          1)Resolva literalmente os esquemas apresentados nas
                                                          figuras 7 e 8, fazendo: (1) a pressão intermediária
                                                          igual à média geométrica entre as pressões de alta e
                                                          baixa (supondo estas conhecidas) e (2) As potências
                                                          frigoríficas igual a 1 TR.
                                                          SOLUÇÃO
                                                          Conhecida a pressão de condensação e a pressão do
                                                          evaporador da baixa pressão determino a pressão
                                                          intermediária
  Figura 8 - Esquema e diagrama p- h em expansão           pi  ( pc  pe )0,5 (Fig.7 e 8)
                    fracionada                             
                                                           QE  m1  ( h1  h12 )
                                                                

Orientação de cálculo.
Balanços de massa:                                        2)Um sistema conforme Fig. 7, porém sem resfriador
            mB  m1  m2  m3  m9  m10
                                                    a água. A temperatura de condensação é 32 ºC, a
                                                          temperatura intermediária de saturação é -11 ºC e a
            mA  m4  m5  m6  m7  m8
                                
                                                          temperatura de evaporação é - 40 ºC. O líquido sai do
                                                          subresfriamento a -4 ºC. O vapor que sai do
                                                          resfriador intermediário está saturado, o mesmo que
Balanço de energia em torno do evaporador B               sai do evaporador. Calcule a potencia mecânica dos
          
determina m B :                                           compressores de alta e baixa pressão.

                             
                            QEB
                   mB 
                   
                                                                REFERÊNCIAS
                          h1  h10




                                     Refrigeração-na indústria de alimentos
                                           Gilberto Arejano Corrêa
4-6


1- COSTA, Ennio Cruz da. – Física Industrial –
Refrigeração. Ed. PUC – Porto alegre, 1976.
2- DOSSAT, R.J. - Manual de Refrigeração - Ed.
Hemus - São Paulo, 1980.
3-HOLMAN, J.P. Termodinâmica, McGraw-Hill,
México, 1975.
4-MORAN, M. J., SHAPIRO, H. N., 2002,
Princípios de Termodinâmica para Engenharia. Ed.
LTC 4ª edição. 681p.
5- PHOLMANN, W. - Manual de Técnica Frigorífica
- Ediciones Ômega, S.A. - Barcelona, 1964.
6-STOECKER, W.F., JONES, J.W., Refrigeração e
Ar Condicionado, McGraw-Hill, São Paulo, 1985.




                                 Refrigeração-na indústria de alimentos
                                     Gilberto Arejano Corrêa
5-1


REFRIGERAÇÃO
POR ABSORÇÃO                                                                                                     5
5.1 INTRODUÇÃO                                                 SOLUÇÃO
                                                                                     W  h2  h1
    A refrigeração por absorção foi descoberta por             Observação: no ponto 1 o vapor é saturado na
NAIRN em 1777, embora o primeiro refrigerador                  entrada do compressor e no ponto 2 o vapor é
comercial deste tipo, só tenha sido construído em 1823         superaquecido na saída do compressor.
por Ferdinand Carre.                                           Considere a compressão isentrópica do ponto 1
    O funcionamento da refrigeração por absorção, se           ao ponto 2.
baseia no fato de que os vapores de alguns dos fluídos         Conforme Tabela 2.1 (NH3 saturada) - Para a
frigorígenos conhecidos são absorvidos a frio, em              temperatura de saturação de 35ºC leio a pressão
grandes quantidades, por certos líquidos ou soluções           p2 = 13,8 bar ou 1398285 N/m².
salinas.                                                       Para a temperatura de saturação de - 15ºC leio a
    Se esta solução binária assim concentrada é                pressão p1 = 2,5 bar ou 253312,50 N/m²; h1=
aquecida, verifica-se uma destilação fracionada na qual        1424,33 kJ/kg e s1=5,53 kJ/kg.K
o vapor formado será rico no fluído mais volátil (fluído       Conforme Tabela 2.2 (NH3 superaquecida) -
frigorígenos), podendo ser separado, retificado,               Com a pressão p2= 13,8 bar e s2=s1=5,53
condensado e aproveitado para a produção do frio,              kJ/kg.K leio h2=1755 kJ/kg.
como nas máquinas de compressão.
    O sistema de refrigeração por absorção mais                 W  ( h2  h1 )  ( 1755 1424,33 )  330,67 kJ/kg
comum é aquele que usa amônia (NH3) como fluido
                                                               NH3
refrigerante e a água como absorvente.
                                                               O trabalho da compressão mecânica é
    Nas instalações de ar condicionado é adotada
                                                                              Resposta W = 330,67 kJ/kg NH3
preferencialmente a solução binária constituída de
água (fluido frigorígenos) e brometo de lítio
                                                               E 5.2 Agora o vapor de amoníaco que sai do
(absorvente) a qual é menos perigosa que a anterior.
                                                               evaporador do ciclo de compressão mecânica do
    Como vantagem em relação aos sistemas de
                                                               E 5.1 é absorvido por água, produzindo uma
compressão mecânica que se utiliza da energia elétrica
                                                               concentração líquida x = 0,4 kg de NH3/ kg de
que é cara e muitas vezes não disponível, já os sistemas
                                                               solução, supondo que o volume específico da
de absorção se utiliza de energia térmica.
                                                               solução é 0,00118 m3/kg. Determine o trabalho
    Além desta vantagem, as instalações de absorção se
                                                               requerido pela bomba para elevar a pressão da
caracterizam pela sua simplicidade por não
                                                               solução líquida de 2,5 à 13,8 bar.
apresentarem partes internas móveis (as bombas são
colocadas à parte) o que lhes permite um
                                                               SOLUÇÃO
funcionamento mais silencioso e sem vibração.
                                                                                          v
    Os sistemas de refrigeração mecânica por                                         W   dp
                                                                                           x
compressão de vapor, requerem uma quantidade
                                                                                          v
relativamente grande de trabalho, devido a grande                                    W  p
variação do seu volume específico ocorrido na sua                                         x
compressão. A refrigeração por compressão de vapor
                                                                                      1398285 253312
                                                                                                      
por absorção ao contrário da mecânica, permite elevar                         0,00118
                                                                        W
a pressão do refrigerante com reduzido trabalho                                  0,4
requerido, no entanto requer uma grande quantidade de              W=3377,67 Nm/kgNH3= 3,38 kJ/kg NH3
calor. O custo desta energia térmica poderá ser o fator        O trabalho da bomba é
decisivo na escolha entre estes dois sistemas de                                Resposta W = 3,38 kJ/kg NH3
refrigeração. Esta vantagem pode ser observada                     Ou seja, o trabalho requerido pela solução
comparando os resultados do trabalho dos exercícios E          líquida é aproximadamente 1% do requerido
5.1 e E 5.2 realizado pelos dois sistemas.                     pelo compressor.

EXERCÍCIOS                                                        Para melhor compreendermos os ciclos de
E 5.1 - Uma planta de refrigeração de NH3, opera               refrigeração por absorção, estudaremos
segundo o ciclo teórico de um só estágio com                   algumas características fundamentais das
evaporação e condensação -15C e 35C,                         misturas binárias.
respectivamente. Determine o trabalho requerido pelo
compressor.                                                    5.2 TIPOS DE APARELHOS
                                     Refrigeração-na indústria de alimentos
                                          Gilberto Arejano Corrêa
5-2

A - Aparelhos de funcionamento descontínuo

    Conhecido como bola de gelo, é constituído de dois
recipientes de aço unidos por um conduto inclinado
como pode ser visto na Figura 5.1, seu funcionamento
é intermitente.




                                                              Figura 5.2 Aparelho de funcionamento contínuo

Figura 5.1 Aparelho de funcionamento descontínuo              5.3 PROPRIEDADES ELEMENTARES
    Introduz-se no conjunto uma solução concentrada           DAS MISTURAS BINÁRIAS
de NH3 e água (30 a 35%) tendo-se cuidado de eliminar
o ar do seu interior.                                             As misturas se formam mediante duas ou
    A solução ocupa inicialmente o recipiente “A” onde        mais substâncias puras, e estas misturas
é aquecida à de 180C (12,38 bar) desprendendo-se a           podemos classificá-las em homogêneas e
amônia que se condensa (32C) no recipiente “B” que é         heterogêneas. Uma mistura homogênea tem
esfriado por meio de água corrente.                           como característica uma composição uniforme
    Quando a maior parte da amônia tenha passada ao           (densidade, pressão e temperatura) e não podem
recipiente “B” o que se traduz por uma maior elevação         ser separadas mecanicamente (decantação ou
da temperatura em “A”, está concluído a primeira fase         centrifugação). Praticamente todas as misturas
de funcionamento do aparelho, a qual toma o nome de           gasosas são misturas homogêneas, devido a
preparatória.                                                 facilidade de se difundir um no outro. Como
    Deixando-se se aquecer o recipiente “A”, a solução        exemplo tem o ar úmido.
contida nele, pobre em amônia, se esfria até a                    Uma mistura heterogênea não possui
temperatura ambiente (40 a 45C) absorvendo a                 composição uniforme, podendo ser separada por
amônia que se vaporiza em “B”a pressão constante              meios mecânicos. Em geral podemos misturar
(2,0769 bar) produzindo o abaixamento de temperatura          substâncias para formar misturas homogêneas e
até o valor correspondente à pressão de vaporização (-        heterogêneas em fases sólidas, líquidas ou de
18C).                                                        vapores. Neste capítulo trataremos só de
                                                              misturas binárias homogêneas de vapores e
B - Aparelhos de funcionamento contínuo                       líquidos.
                                                                  O estado termodinâmico de uma mistura não
    Para tornar contínuo o funcionamento de uma               pode ser determinado somente pela pressão e
instalação de refrigeração por absorção é necessário          temperatura, como nas substâncias puras, pois
encontrar um meio de vencer a diferença de pressão            devemos considerar a composição quantitativa,
entre as duas fases de funcionamento do aparelho              em função da concentração x de uma massa
citado. A Figura 5.2 ilustra o procedimento de forma          constituinte da massa da mistura. Portanto p, t e
esquematizada. O gerador e o condensador operam a             x estabelecem o estado termodinâmico da
uma pressão de alta enquanto o absorvedor e o                 mistura.
evaporador a baixa pressão.                                       Uma característica importante de uma
                                                              mistura é sua miscibilidade. Uma mistura é
                                                              miscível em todo o intervalo arbitrário de
                                                              valores de concentração em que se forma uma
                                                              mistura homogênea. Uma mistura não miscível
                                                              é uma mistura heterogênea. Algumas misturas
                                                              são miscíveis em certas condições, porem em
                                                              outras são imiscíveis.
                                                                  As misturas binárias convenientes para os
                                                              sistemas de absorção devem ser completamente
                                                              miscíveis na fase líquida e na fase de vapor.


                                    Refrigeração-na indústria de alimentos
                                        Gilberto Arejano Corrêa
5-3

   Dois fenômenos importantes que ocorrem ao
misturar líquidos são: a variação de volume e da
temperatura.




                                          Fi
gura 5.3 - Esquema das variações de volume e
temperatura na mistura de líquidos.                               Figura 5.4 Características de evaporação e
                                                               condensação de uma mistura binária homogênea
    A Figura 5.3 mostra esquematicamente um
recipiente dividido que contém x kg de líquido A e (1 -            Começamos com uma solução líquida
x) kg de líquido B. Cada líquido está à mesma                  (estado 1) e lentamente vamos adicionando
temperatura t1. O volume do constituinte é:                    calor, conservando a pressão constante. Até que
                                                               se alcança a t2, observamos que a solução
                v1 = xvA + ( 1 - x ) vB                        permanece      completamente       líquida.   Se
                                                               adicionarmos mais calor, o pistão se eleva em
    Suponhamos que a parede divisória se retira e que          relação ao nível de líquido, indicando que há
os dois líquidos se misturam completamente.                    vaporização,     apresentando      concentrações
Observamos geralmente que v2  v1 e t2  t1, em                diferentes para o líquido x3 e para o vapor x4.
alguns casos haverá contração do volume ou expansão            Se continuarmos adicionando calor, notamos
assim como em alguns casos haverá aumento de                   que o líquido vai gradualmente desaparecendo,
temperatura ou diminuição, não havendo uma regra               quando alcançamos o ponto 5, teremos só o
definitiva    e   os     resultados    são     obtidos         vapor onde x5 é igual a x1.
experimentalmente. Este efeito térmico é atribuído ao              Se continuarmos aquecendo a concentração
calor de solução Hx. Se a mistura se efetua a pressão         continua constante conforme pode ser
constante:                                                     observado, x1 = x5, na Figura 5.4.
                                                                   Se repetirmos o experimento com diferentes
               h1 = x hA + ( 1 - x ) hB                        valores de concentração, porém com a mesma
                                                               pressão, obteremos as linhas de equilíbrio da
E depois da mistura:                                           evaporação e da condensação mostrada na
                                                               Figura 5.4(b). A Figura 5.4(c) mostra o
h2 = h1 + Hx = x hA + ( 1 - x ) hB + Hx (4.1)                resultado do experimento para diferentes
                                                               pressões.
     A Figura 5.4 mostra esquematicamente o                        O diagrama entalpia-concentração (h-x) é o
experimento e os resultados obtidos em um diagrama t            diagrama mais útil em uma mistura binária. A
- x.                                                            Figura 5.5 mostra um diagrama esquematizado
                                                                h-x com a região líquida e vapor.




                                     Refrigeração-na indústria de alimentos
                                          Gilberto Arejano Corrêa
5-4

Figura 5.5 Diagrama h -x esquematizado de uma
mistura binária homogênea                                         Os sistemas industriais envolvem muitos
                                                               tipos de processos simultaneamente. O estudo
    Pode-se localizar o estado de uma solução líquida          separado destes processos permite uma melhor
saturada, na intersecção das linhas de pressão,                compreensão do funcionamento dos sistemas
temperatura e concentração. Se a solução líquida está          de refrigeração por absorção.
subresfriada pode-se localizar aproximadamente o seu
estado conhecendo-se a sua temperatura e sua                   5.4.1 Mistura adiabática de duas correntes.
concentração.                                                  A Figura 5.7 mostra esquematicamente uma
    Para localizar-se o estado de vapor saturado em            câmara onde se mistura duas correntes
 equilíbrio com o líquido saturado de estado conhecido,        adiabaticamente.
 mediante o auxílio das linhas de equilíbrio e um
 esquadro, conforme pode ser observado na Figura 5.6.




Figura 5.6 - Diagrama h -x esquematizado para uma              Figura5.7 Mistura adiabática de duas correntes
condição de equilíbrio líquido e vapor.                        em fluxo estacionário.

EXERCÍCIOS                                                        Podemos      escrever     três    equações
                                                               fundamentais para o sistema da Figura 5.7
E 5.3 - Se sabe que uma mistura líquida de amônia-
água saturada a t=40C e p= 2 bar. Determine: a)                             m1h1 + m2h2 = m3h3
entalpia e b) a concentração mistura
SOLUÇÃO                                                                          m1 + m2 = m3
 Utilizando o diagrama h-x da mistura amônia-água,
na intersecção da isotérmica t= 40 C e a isobárica de                       m1x1 + m2x2 = m3x3
2 bar.
 Resposta a) h = - 34 kJ/kg de mistura; b) x = 0,34            E 5.3 - Uma corrente líquida amônia-água (m=
kg NH3/kg de mistura.                                          10 kg/min., x = 0,7 kg de NH3/kg de mistura,
                                                               t=-10ºC, p = 2 bar) se mistura adiabaticamente
E 5.2 - Uma mistura líquida de amônia-água se                  com uma corrente líquida amônia-água
encontra (p= 8 bar; x = 0,27 kg NH3/kg de mistura; t =         saturada (m = 5 kg/min., t = 40 ºC, p = 2 bar).
40C) Determine a entalpia.                                    Supondo condições de fluxo estacionário,
Solução - A mistura não se encontra saturada, pois p,t         determine (a) a concentração da mistura, (b) a
e x não coincide no diagrama. A mistura líquida                entalpia da mistura. (c) a temperatura de
encontra-se subresfriada, e pode-se localizar                  equilíbrio da mistura e (d) a composição da
aproximadamente sua entalpia no diagrama h-x, pela             mistura em percentagem de líquido e de vapor
intersecção no caso da isotérmica (t = 40C) com a             depois que se alcança o equilíbrio.
linha de concentração constante (x = 0,27 kg NH3/kg
de mistura), pois a entalpia do líquido pouco varia            Solução - No diagrama h-x da mistura amônia-
com a pressão.                                                 água conforme Figura 5.7 conectamos os
Resposta: h =- 3,5 kJ/kg de mistura.                           estados 1 e 2 e fazemos as leituras
                                                                h1  242,3 kJ / kg de solução
                                                                                             3

5.4 PROCESSOS ELEMENTARES DE FLUXO                              h2  34,2 kJ / kg de solução
ESTACIONÁRIO COM MISTURAS BINÁRIAS
                                    Refrigeração-na indústria de alimentos
                                         Gilberto Arejano Corrêa
5-5

x2  0,34 kgNH3 / kg de solução
Os itens (a) e (b) são determinados utilizando as três
equações fundamentais para mistura adiabática de
duas correntes.
m3  10  5  15 kg de mistura/ min.
     10  ( 242,3 )  5  ( 34,2 )
h3                                  =
                  15
h3  172,9 kJ / kg de solução
     10  0,7  5  0,34
x3                      =
             15
x3  0,58 kgNH3 / kg de solução
        Resposta (a) x3  0,58 kgNH3 / kg de solução (b)             Figura 5.8 Mistura de duas correntes binárias
                                                                     em fluxo estacionário com troca de calor
                                 h3  172,9 kJ / kg de solução
   O item (c ) Observamos que o ponto 3 está por                        As equações fundamentais da mistura são:
cima da linha de líquido em equilíbrio a 2 bar, ou seja                       m1h1 + m2h2 = m3h3 + q
o estado do ponto 3 é uma mistura mecânica de
líquido e vapor, com o auxílio de um esquadro                                          m1 + m2 = m3
encontramos a linha f3g conforme Figura 5.7, esta
linha é a isotérmica da região líquido-vapor que                                   m1x1 + m2x2 = m3x3
conecta os estados f e g. Em f temos a temperatura da
mistura tf = tg = t3 =-13ºC. Onde xv = 0,99 e xl=0,56                Exemplo 5.4 - 0,5 kg por min de vapor de
                              Resposta (c) t 3  13º C              amônia saturado (x = 1,0, p =2 bar) se mistura
   O item (d) posto que o item (3) e uma mistura de                  com 5 kg por min. de líquido amônia- água
líquido e vapor aplicam a equação de misturas, ou                    saturado (t =40ºC, p=2 bar). O estado final da
seja:                                                                mistura é líquido saturado a 2 bar. Determine
               mv  ml  15                                          (a) a concentração, temperatura e entalpia do
             mv  0,99  ml  0,56  15  0,58                       estado da mistura e (b) a eliminação do calor
       mv  0,7 kg de soluçãono estado de vapor                      em kJ/min.
       ml  14,3 kg de soluçãono estado de líquido
                                                                     Solução - No diagrama h-x da mistura amônia-
                              destas
                                                                     água conforme Figura 5.8 conectamos os
                  mv 0,7
                          100  4,7%                               estados 1 e 2.
                  m3 15
                                                                     Item (a) é determinado utilizando as três
                  ml 14,3
                           100  95,3%                             equações fundamentais para mistura de duas
                  m3   15                                            correntes. E pelo diagrama, o ponto 3 é dado
                                                                     pela projeção de 3’ sobre a linha de pressão de
  Resposta (d) Portanto a mistura contém 95,3 %                      2 bar. Leio a temperatura: t3'  25ºC
de líquido e 4,7 % de vapor.                                          m3  m1  m2  0,5  5  5,5 kg / min
                                                                            m1x1  m2 x 2 0,5  1  5  0,35
5.4.2 Mistura de correntes com troca de calor. -                      x3'                                   0,41
Processo que ocorre em um absorvedor, conforme                                  m3                5,5
pode ser observado na Figura 5.8.                                     x3  x3'
                                                                            m1h1  m2h2 0,5  1270 5  ( 25 )
                                                                      h3'                                      92,73
                                                                                m3               5,5


                                                                        Resposta (a) x3  0,41 kgNH3 / kg de solução,
                                                                               t3'  25ºC, h3  92,73 kJ / kg de solução.
                                                                     O item (b) é determinado pela figura 5.8 onde:
                                                                      q / m3  h3'  h3  92,73  ( 25 )  117,73 kJ / kg de solução
                                                                                    Resposta (b): q = 647,515 kJ/min

                                                                     5.4.3 Processos simples de aquecimento e
                                                                     resfriamento - A Figura 5.9 apresenta


                                          Refrigeração-na indústria de alimentos
                                               Gilberto Arejano Corrêa
5-6

trocadores de calor em série com separadores de                 5.4.4 Estrangulamento - A figura 5.10 mostra
líquido e vapor.                                                esquematicamente       uma      válvula     de
                                                                estrangulamento e o comportamento no gráfico:
                                                                x1=x2 e h1=h2, os pontos 1 e 2 são idênticos.
                                                                Sabemos que em processo de estrangulamento
                                                                pode haver vaporização e supomos que líquido e
                                                                vapor estão em equilíbrio. Com um esquadro,
                                                                obtemos por ensaio a isotérmica 12 .




                                                                Figura 5.10 - Estrangulamento de uma mistura
                                                                binária
Figura 5.9 Processos de aquecimento e resfriamento
em fluxo estacionário                                           5.4.5 RETIFICAÇÃO DE UMA MISTURA
                                                                BINÁRIA
Em condições de fluxo estacionário:
                                                                    Nas seções anteriores estudamos os
Para o trocador de calor e separador A e B:                      processos      simples     estacionários      de
                                                                 aquecimento e resfriamento. Na Figura 5.9 o
                  1q2 = m1 (h2 - h1)                             trocador A efetua a função do gerador e o
                                                                 separador B efetua a função de analisador na
                       m1 = m2                                   obtenção de vapor, num sistema de refrigeração
                                                                 por absorção. Para produzir vapor de alta
                        x1 = x2                                  qualidade necessário ao sistema, devemos
                                                                 introduzir uma coluna de retificação entre o
                m2h2 = m3h3 + m4h4                               gerador e o analisador. A Figura 5.11 mostra
                                                                 esquematicamente uma coluna de retificação
                    m2 = m3 + m4                                 entre o gerador e o analisador. A coluna de
                                                                 retificação contém várias placas intercaladas ou
                m2x2 = m3x3 + m4x4                               perfuradas. Uma solução de vapor sobe através
                                                                 da coluna enquanto a solução líquida desce. O
                  4q5 = m4 (h5 - h4)                             propósito das placas é levar a solução líquida e
                                                                 o vapor a um contato íntimo direto. O vapor
                       m4 = m5                                   que sobe condensa em parte e o líquido que
                                                                 desce se evapora outra parte. Com respeito à
                        x4 = x5                                  posição, o vapor ascendente adquire
                                                                 progressivamente uma maior concentração, e
                m5h5 = m6h6 + m7h7                               ao mesmo tempo a solução líquida descendente
                                                                 adquire progressivamente menor concentração.
                    m5 = m6 + m7

                m5x5 = m6x6 + m7x7


                                      Refrigeração-na indústria de alimentos
                                          Gilberto Arejano Corrêa
5-7




            Figura 5.11 Coluna de destilação
                                                                  Figura 5.12 Representação esquemática da
Entre os cortes transversais “a” e “b” temos:                     equação 5.2, polo de retificação (P1) e linha de
                                                                  operação.
               mv,a + ml,b = mv,b + ml,a
                                                                     Como se mostra na Figura 5.12 (a), a
ou seja para qualquer parte transversal:                          equação 5.2 define uma linha reta sobre o
                                                                  diagrama h-x em condição de fluxo
               mv - ml = constante = m3                           estacionário. A equação deve ser satisfeita pela
                                                                  combinação do analisador e qualquer porção
de maneira similar podemos mostrar:                               conectada da coluna. Este requisito conduz a
                                                                  solução gráfica mostrada na Figura 5.12 (b). Se
                   mvxv - mlxl = m3x3                             conectarmos com linhas retas, os pontos de
                                                                  estado de vapor e líquido da mesma secção
             mvhv - mlhl = m3h3 + qanaliz.                        transversal, todas as linhas das diferentes
                                                                  secções devem intersectar-se num ponto
   Destas equações, se entende que os subíndices v e l            comum. Estas linhas retas se denominam
se referem sempre à mesma secção transversal, ainda               linhas de operação. Seu ponto de intersecção
que a localização desta seja arbitrária, assim teremos:           P1 se denomina um polo.
                                                                     A Figura 5.13(a) mostra esquematicamente
               mv/m3 = (x3 - xl )/ (xv - xl)                      uma coluna de descarga. Seguindo um
Como:                                                             procedimento idêntico ao usado pela coluna de
        mv/m3 ( hv - hl) = (h3 - hl) + qanaliz./m3                retificação, podemos demonstrar que para
                                                                  qualquer secção transversal da coluna.
(x3 - xl )/ (xv - xl) ( hv - hl) = (h3 - hl) + qanaliz./m3
(4.2)




                                       Refrigeração-na indústria de alimentos
                                               Gilberto Arejano Corrêa
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                                                                 Figura 5.14 - A coluna dupla de retificação

                                                                     Podemos escrever as seguintes equações
                                                                  fundamentais:

                                                                                   m1 = m2 + m3

                                                                                m1x1 = m2x2 + m3x3
            Figura 5.13 Coluna de descarga
                                                                      m1h1 + qg = m2h2 + m3h3 + qanaliz.
   Para qualquer secção transversal da coluna:
                                                                 Destas podemos demonstrar:
               ml - mv = constante = m2
                                                                              qanaliz .                  qg 
de maneira similar podemos mostrar:                                      h3             h1 h1   h2      
                                                                                 
                                                                                 m3                       
                                                                                                            m2 
                   mlxl - mvxv = m2x2                                          x3  x1              x1  x 2

            mlhl - mvhv = m2h2 + qgerador                         REFERÊNCIA.

destas, obtemos:                                                 PHOLMANN, W. - Taschenbuc Für
                                                                    Kältetechniker - Verlag C.F. Müller -
(xv - x2 )/ (xv - xl) ( hv - hl) = (hv - h2) + qgerador/m2          Karlsruhe, 1964.
                                                                 COSTA, E.C. - Física Industrial - Refrigeração -
   A Figura 5.14 mostra esquematicamente uma                        Vol. II - Ed. Meridional EMMA - Porto
coluna dupla de retificação. A coluna dupla de                      Alegre, 1975.
retificação se forma acoplando a coluna de descarga e
a coluna simples de retificação estudada previamente.




                                       Refrigeração-na indústria de alimentos
                                            Gilberto Arejano Corrêa
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Refrigeração-na indústria de alimentos
    Gilberto Arejano Corrêa
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PSICROMETRIA                                                                                                        6
                                                            separadamente o mesmo volume, em uma mesma
PROPRIEDADES TERMODINÂMICAS DO                              temperatura.
AR-VAPOR D’ÁGUA (AR ÚMIDO)

6.1 Definição
     A psicrometria estuda as propriedades do ar
afetado pela conteúdo de umidade. O conceito de ar
seco é muito útil e simplifica os cálculos
psicrométricos, ainda que realmente não exista o ar
                                                            Figura 6.3 Ar úmido, ar seco e o vapor d’água
seco. Este termo indica ar sem vapor d’água.. Se
                                                            ocupando separadamente o mesmo volume.
entende por ar úmido a mistura binária natural
do ar seco e vapor d’água.
                                                                O ar atmosférico se comporta como um gás
                                                            perfeito onde a relação pv T para cada um dos
  m (ar úmido) = ma (ar seco) +mv(vapor d’água)
                        ou                                  componentes permanece constante ( R ). A constante
                     m  ma  mv
                                                         universal dos gases , R , vale 8,314 kJ/kmol.K
    O ar obedece a Lei de Dalton (das pressões
parciais). Por tanto, a pressão barométrica total será a    6.3 Ar Atmosférico:
soma das pressões parciais exercidas pelos gases            Atmosfera terrestre = N2 + O2 + A + CO2 + H2O +
secos e pelo vapor d’água.                                  outros
                      p  pa  pv                           Obs.: Acima de 6000 m a atmosfera é essencialmente
                                                            ar seco.
6.2 Regiões termodinâmicas do ar seco e do vapor            A pressão barométrica é a força por unidade de área
d’água (Figs. 6.1 e 6.2):                                   devido ao peso da atmosfera.
                                                            Ao nível do mar: p atmosfera = 1013,20 mbar
                                                            À medida que se penetra na atmosfera, pressão e
                                                            temperatura diminui. A Tabela 6.1 mostra esta
                                                            variação da pressão e da temperatura com a altitude

                                                            Definição da “ASHRAE” de atmosfera standard:
                                                            1. A atmosfera se comporta como gás perfeito.
                                                            2. A gravidade é constante. g = 9,81 m/s²
                                                            3. Ao nível do mar a pressão é 29,921 pol Hg =
                                                            14,696 psia = 1013,20 mbar e a temperatura 15ºC.
                                                            4. A temperatura “T” diminui linearmente com a
                                                            altitude “H”, até o limite inferior da atmosférica
                                                            isotérmica de acordo com:

Figura 6.1 Região termodinâmica do ar seco                  T  T0  0,006667H          T ,T0 º C ; H  m
esquematizada no diagrama T x s                                                        0 ,1409
                                                                      0,006667H   
                                                             p  p 0 1 
                                                                     
                                                                                   
                                                                                                p = mbar
                                                                          T0      
                                                            Tabela 6.1 Variação da pressão e temperatura com a
                                                            altura
                                                                H (m)            p (mbar)            T (ºC)
                                                                 -300            1031,23             17,0
                                                                   0             1013,20             15,0
                                                                  100            1006,74             14,3
                                                                  500             977,95             11,6
                                                                 1000             932,67              8,3
                                                                 1500             867,89              4,5
                                                                 2000             743,40              1,6
Figura 6.2 Região termodinâmica do vapor d’água
                                                            6.4 AR SECO
esquematizada no diagrama T x s
                                                                A tabela 6.2 mostra os principais componentes
                                                            do ar seco e o peso molecular.
    A Figura 6.3 mostra as condições para o ar
úmido, ar seco e do vapor d’água como se ocupassem
                                                            Tabela 6.2 Composição do ar seco
                                                            Substância      Peso          Fração             Peso
                                         Refrigeração-na indústria de alimentos
                                                  Gilberto Arejano Corrêa
6-2



                molecular       molar   molecular         E 6.1 Determinem a entalpia do ar seco à
              (Ma) kg/kmol              do ar seco        temperatura de 25 ºC (290 K) para um Cpa ≈1,0
    N2           28,016          0,7809   21,878          kJ/kga.K
    O2             32            0,2095    6,704          Solução:
    A            39,944          0,0093    0,371          ha = Cpa (T)= 1,0  25  25 kJ/kga
   CO2            44,01          0,0003    0,013
                                 1,0000   28,966          6.5 VAPOR D’ÁGUA
Obs.1: Esta composição é bastante uniforme sobre a            . A constante particular do vapor d’água
superfície da terra a até 100 milhas.                              R   8 ,314
                                                           Rv               = 0,461 kJ/kgv.K
Obs.2: O ar seco tem comportamento de gás perfeito.                Mv 18,016
                                                          O peso molecular do vapor d’água é 18,016 kg/kmol
    A constante particular do ar seco
       R   8 ,314                                         Entalpia do vapor d’água (hv)
Ra              = 0,287 kJ/kga.K
       Ma 28,966                                               A Figura 6.4 mostra a região da variação da
                                                          entalpia do vapor d’água esquematizada no diagrama
Calor específico a pressão constante do ar seco a         T x s. Nesta região o vapor comporta-se como gás
baixa pressão ( Cpa ) - A tabela 6.3 mostra a faixa de    perfeito onde a entalpia só varia com a temperatura.
variação do Cpa com a temperatura.

Tabela 6.3 Calor específico ( Cpa ) do ar seco
Na faixa de: -100ºF (-73,33 ºC) a 250ºF (121,11 ºC)
    Btu/lb°F            kcal/kgK            Kj/kg.K
0,2400 -0,2420       0,2400 -0,2420      1,000 -1,007
         Relacionando o calor específico com a
variação de entalpia
                          h dh
                   Cpa       
                          T dT

Entalpia do ar seco (ha)
     A Figura 6.3 mostra a região da variação da
                                                          A Figura 6.4 Região da variação da entalpia do vapor
entalpia do ar seco (há) esquematizada no diagrama
                                                          d’água na mistura ar úmido no diagrama T x s
T x s. Nesta região o ar seco comporta-se como gás
perfeito onde a entalpia só varia com a temperatura.
                                                           para baixas pressões:
ha = u + p v = f (T) + R T
                                                           hv  hg  hg 0º C  CpvT
R = constante
ha = f” (T)                                               Onde:
                                                           hg  0ºC = 2497,85 kJ/kgv ( h calor latente de
                                                          vaporização)1
                                                           Cpv = 1,84 kJ/kgv.ºC            (calor específico médio do
                                                          vapor d’água)

                                                          EXERCÍCIO
                                                          E 6.2 Qual a entalpia do vapor d”água a 25ºC ?
                                                          Solução:
                                                          a) pela equação:
                                                               hv = 2497,85 + 1,84*25 =2543,85 kJ/kgv
A Figura 6.3 Região da variação da entalpia do ar
seco esquematizada no diagrama T x s                      b) Tabela 6.4 (vapor da água saturada):
                                                                         hv = 2536,15 kJ/kgv
    A entalpia (há) é medida em unidade de energia
calorífica por unidade de massa de ar seco em kJ/kga
e obtidas por tabela 6.6.

EXERCÍCIO                                                 1
                                                              hreferência= hl 0º C =0 kJ/kg



                                   Refrigeração-na indústria de alimentos
                                            Gilberto Arejano Corrêa
6-3


A tabela 6.4 mostra a relação da temperatura com as           nv  mv Mv número de moles do vapor d’água
pressões e entalpias da água                                  na  ma Ma número de moles do ar seco

       Tabela 6.4 Propriedades da Água
                                                             Umidade Relativa (  )
        T         p        Entalpia kJ kg
                                                                 É definida como a razão entre a massa de vapor
                            Sólido        vapor              d’água e a massa de vapor saturado deste ar a
       ºC        bar           hS           hv               temperatura e a pressão constante.
       -45    0,000038     -420,31      2414,86
       -40    0,000128     -411,35      2424,1                      mv    pvV / nvR T  pv 
                                                                                   
       -35    0,000224     -402,19      2433,34                     ms T  psV / nvR T  ps T
                                                                                         
       -30    0,000380     -392,90      2442,57
       -25    0,000632     -383,40      2451,82
                                                                  O ar está saturado na condição de máxima
       -20    0,001032     -373,71      2461,04
                                                             quantidade de vapor d’água para um volume de ar
       -15    0,001652     -363,84      2470,27
       -10    0,002598     -353,81      2479,49              sem que ocorra condensação. Quando  =1 ou 100%
        -5    0,004015     -343,56      2488,69              o ar está saturado. Condição em que mv  ms .

        T          p         Entalpia kJ kg                  EXERCÍCIO
                                                             E 6.2 Calcule a umidade (w) do ar úmido de uma sala
                            Líquido      Vapor
        ºC        bar                                        de 300 m³ a 20ºC,  = 80% à pressão atmosférica de:
                               hl           hv
                                                             a)1013,5 mbar e
        0     0,006108        0         2497,85              b) 900 mbar
        5     0,008720      20,98       2510,6               Solução
       10     0,012280      42,01       2519,8               Pela Tabela 6.4 da água saturada, com T=20 ºC leio
       15     0,017050      62,99       2528,9                ps = 23,37 mbar.
       20     0,023390      83,96       2538,1
                                                              pv  0,8  23,37  18,696 bar
       25     0,031690      104,89      2547,2
       30     0,042460      125,79      2556,3                               18,696       
                                                              w  0,622                   = 0,0117
       35     0,056280      146,68      2565,3                            1013,5  18,696 
       40     0,073840      167,57      2574,3
       45     0,095930      188,45      2583,2                                      Resposta a) w = 0,0117 kgv/kga
       50     0,123500      209,33      2592,1
       55      0,1576       230,23      2600,9                             18,696 
       60      0,1994       251,13      2609,6                w  0 ,622 
                                                                           900  18,696  = 0,0132
                                                                                         
                                                                                        
       65      0,2503       272,06      2618,3
       70      0,3119       292,98      2626,8
       75      0,3858       313,93      2653,3                                     Resposta b) w = 0,0132 kgv/kga
       80      0,4739       334,91      2643,7
       85      0,5783       355,90      2651,9
       90      0,7014       376,92      2660,1               Entalpia do ar úmido (entalpia da mistura)
       95      0,8455       397,96      2668,1
       100      1,014       419,04      2676,1               H = Entalpia
                                                                  H
       110      1,433       461,30      2691,5                h       Entalpia específica
       120      1,985       503,71      2706,3                    m
       130      2,701       546,31      2720,5                H  Ha  Hv
       140      2,613       589,13      2733,9                 mah  maha mvhv
                                                                       mv
                                                              h  ha     hv  ha  W hv
                                                                       ma
6.6 AR ÚMIDO
                                                                  Utiliza-se esta definição, porque é mais
Umidade Absoluta ou Umidade(w)                               conveniente definir a entalpia em relação à massa de
    É definida como a razão entre a massa de vapor           ar seco que não varia, pois a umidade (vapor) é que
d’água e a massa de ar seco                                  vai variar.

     mv   pvV / nvR T          pv            pv              EXERCÍCIO
w                    0 ,622     0 ,622
     ma   paV / naR T          pa          p  pv
                                                             E 6.3 Calcule a entalpia do ar úmido, h , do exercício
                                                             E 6.2.


                                      Refrigeração-na indústria de alimentos
                                               Gilberto Arejano Corrêa
6-4


Solução:                                                                      h1  h2  ( w2  w1 )hl
Pela Tabela 6.4 da água saturada com T=20 ºC leio
hg  hv = 2538,1 kJ/kg                                       pv  p  pa ( pressão total permanece constante)

h  1 20  0,0117 2538,1 = 49,69

                        Resposta a) h = 49,69 kJ/kga

h  20  0,0132 2538,1 = 53,249

                      Resposta b) h = 53,249 kJ/kga

Temperatura de Orvalho
    É a temperatura do ar saturado, que tem a mesma
pressão de vapor que o ar úmido em questão. A
Fig.6.4 exemplifica a temperatura de orvalho (ponto
de orvalho).                                                Temperatura de bulbo úmido

                                                                 Em substituição ao saturador adiabático é
                                                            utilizado um termômetro de bulbo úmido (TBU)
                                                            conforme Figura 6.7




    Figura 6.4 Ponto de orvalho.

Temperatura de saturação adiabática

          A Figura 6.5 mostra o ar atmosférico, com         Figura 6.7 Conjunto de termômetros TBS e TBU
uma umidade relativa < 1, entrando (ponto 1) em um
saturador adiabático, o que significa que este ar tem
capacidade de absorver água até atingir a sua                    A temperatura de bulbo seco (TBS) do ar é a
saturação. O ar provoca a evaporação da água                temperatura medida por termômetro ordinário de
fornecendo o calor necessário. Dessa maneira a sua          bulbo seco. A temperatura de bulbo úmido do ar é a
temperatura diminui e a umidade aumenta porque o            temperatura medida em um termômetro de bulbo
vapor de água acompanha a massa de ar. Se a                 úmido, que é um termômetro ordinário cujo bulbo
trajetória do ar for suficientemente longa o ar na          está envolto com uma espécie de pano umedecido
saída (ponto 2) do saturador adiabático sairá               (saturado com água limpa quase a temperatura do
saturado. Quando T2 for igual a temperatura T’da            bulbo seco do ar, e o termômetro tem de sofrer uma
água do reservatório, a       temperatura do ar é           velocidade do ar entre 5 a 10 m/s). Nas condições de
denominada de saturação adiabática ou de bulbo              saturado a 100%, a temperatura do bulbo seco, bulbo
úmido termodinâmico.                                        úmido e ponto de orvalho coincidem. O conjunto de
                                                            termômetros de bulbo seco e bulbo úmido formam
                                                            um equipamento denominado psicrômetro.
                                                                 O uso do psicrômetro é importante na
                                                            determinação da umidade relativa do ar.
                                                                 O processo de saturação do ar, neste caso, é
                                                            semelhante ao de saturação adiabática, o que nos
                                                            permite chegar a seguinte conclusão:
                                                            A ENTALPIA DO AR É A MESMA, ANTES E
          Figura 6.5 Saturador adiabático                   DEPOIS DO TERMÔMETRO DE BULBO
O balanço térmico no saturador proporciona                  ÚMIDO.




                                     Refrigeração-na indústria de alimentos
                                              Gilberto Arejano Corrêa
6-5


    Os termômetros usados nos psicrômetros são de
vidro podendo ainda ser de resistência, termopares e                     psV   0,04246 500
                                                               mvsat                          =0,152 kgv
elementos bimetálicos.                                                   RvT 0,461 ( 30  273)
    Os psicrômetros sem ventilação não são
confiáveis.
                                                                    mv    0,12
                                                                            = 0,79 ou 79%
Equação experimental para determinar a pressão                      ms T 0,152
de vapor (pv)                                                                              Resposta  = 0,79 ou 79%

    O uso da equação experimental determina a                 E 6.6 Calcule a umidade relativa do ar úmido a 20ºC
pressão de vapor do ar                                        de bulbo seco (BS) e 15ºC de bulbo úmido (BU) e
               pv  psBU  pat A TBS  TBU                  pressão barométrica:
onde “A” (Tab 6.5) corresponde é a constante                      a) 950 mbar
função do modelo do psicrômetro e da faixa da TBU                 b) 1013,25 mbar

Tabela 6.5                                                    SOLUÇÃO:
Constante                               A                     Pela Tabela 6.4 da água saturada com T = 20 ºC leio
Psicrômetro            TBU < 0 ºC           TBU > 0 ºC         ps = 0,02339 bar
Estacionário           7,99*10-4 C-1        7,20*10-4 C-1
Giratório              6,66*10-4 C-1        5,94*10-4 C-1     a)Para a pressão barométrica de 950 mbar ,exercício
                                                              E 6.4, pv = 13,877 mbar .
EXERCÍCIO                                                          pv    13,877
                                                                
                                                                       
                                                                                 = 0,5933 ou 59,33%
                                                                   ps T 23,39
E 6.4 Calcule a pressão de vapor do ar úmido no
                                                                                   Resposta a)  = 0,5933 ou 59,33%
estado 20ºC bulbo seco e 15ºC bulbo úmido
(psicrômetro giratório) para as pressões barométricas:
                                                              b) Para a pressão barométrica de 1013,25 mbar,
     a) 950 mbar                                              exercício E 6.4, pv = 13,666 mbar
     b) 1013,25 mbar
 SOLUÇÃO                                                            pv    13,666
                                                                
                                                                        
                                                                                  = 0,5843 ou 58,43%
Pela Tabela 6.5 com TBU = 15 ºC → A =5,94*10-4                      ps T   23,39
C-1
                                                                                   Resposta b)  = 0,5843 ou 58,43%
Pela Tabela 6.4 da água saturada com TBU = 15 ºC
leio psBU  0,01705 bar
                                                              E 6.7 Calculem o conteúdo de umidade do exercício
                                                              E 6.6.
a) pa t = 950 mbar
                                                              SOLUÇÃO:
pv  17,05  950 5,94 104  20  15 = 13,877 mbar        a) para 950 mbar
                                                                               13,877
                                                                w  0,622                =0,0092 kgv/kga
                         Resposta a) pv = 13,877 mbar                        950  13,877
                                                                                       Resposta a) w = 0,0092 kgv/kga
b) pat = 1013,25 mbar
                                                              b) para 1013,25 mbar
pv  17,05  1013,25 5,94 10  20  15 =
                                4
                                                   13,666      w  0,622
                                                                                13,666
                                                                                             =0,0085 kgv/kga
mbar                                                                        1013,25  13,666
                                                                                      Resposta b) w = 0,0085 kgv/kga
                         Resposta b) pv = 13,666 mbar
                                                              E 6.8 Calcule o conteúdo de umidade do ar saturado
E 6.5 Calcular a umidade relativa do ar de uma sala           a 20ºC
de 500 m³ que contém 0,12 kg de vapor à                           a) 950 mbar
temperatura de 30ºC.                                              b) 1013,25 mbar
                                                              SOLUÇÃO:
SOLUÇÃO:                                                                         23,39
                                                              a) W s  0,622               = 0,0157 kgv/kga
Pela Tabela 6.4 da água saturada com T = 30 ºC leio                            950  23,39
 ps  0,04246 bar                                                                     Resposta a) ws = 0,0157 kgv/kga
Utilizando a equação de gás perfeito:



                                       Refrigeração-na indústria de alimentos
                                                Gilberto Arejano Corrêa
6-6



                                                                        m  ma  mv  ma (1  W )
                   23,39
b) W s  0,622                = 0,0149 kgv/kga                          va 
                                                                              V
              1013,25  23,39
                                                                             ma
                     Resposta a) ws = 0,0149 kgv/kga
                                                                            V     ma .va       va
                                                                        v                
                                                                            m ma (1  W ) (1  W )
ponto de orvalho – Temperatura do ponto de                      EXERCÍCIO
orvalho (To)
    É a temperatura do ar saturado, que tem a mesma             E 6.11 Calcule o volume específico do exercício E
pressão de vapor que o ar úmido em questão.                     6.9 do ar úmido.
                                                                SOLUÇÃO
                                    pv
                     W  0,622                                          va       0,841
                                 pt  pv                         v                       0,834 m3 / kgu
                                                                      1  W ( 1  0,0085)
                      W s( pt,To )  W                                                       Resposta v = 0,834 m³/kga

                                                                6.7 CARTA PSICROMÉTRICA
     É a menor temperatura até que se pode resfriar o
ar mantendo a pressão parcial de vapor pv constante;
                                                                     São gráficos (Fig. 6.8) que representam as
sem que haja a condensação, ou seja, diminua o
                                                                propriedades psicrométricas do ar. O uso de tais
conteúdo de umidade.
                                                                gráficos permite a análise dos processos
                                                                psicrométricos facilitando a solução de muitos
EXERCÍCIO
                                                                problemas práticos relacionados com o ar, que de
E 6.9 Calcule a temperatura do ponto de orvalho do
                                                                outra forma requererem de soluções matemáticas
ar úmido à 20ºC de bulbo seco e 15ºC de bulbo
                                                                complicadas. Os valores apresentados na carta são
úmido e 1013,23 mbar.
                                                                para o ar na pressão de 1 atm . Para outras pressões
                                                                devem se fazer correções.
SOLUÇÃO:
Com o exercício E 6.4 item b) pv=13,67 mbar e com
a tabela 6.4 da água saturada leio a temperatura do
ponto de orvalho To= 11,5ºC
                              Resposta To = 11,5 ºC

Volume específico do ar seco em função da massa
de ar seco (m³/kga)
Utilizando a equação de gás perfeito:
        RaT
va         ainda
         pa

 EXERCÍCIO
E 6.10 Calcule o volume específico do exercício E
6.9 do ar seco.
SOLUÇÃO
 pa  p  pv  101323 13,67  999,56
                   ,                  mbar=99956
N/m²                                                            Figura 6.8 Carta psicrométrica esquematizada

        287,08( Nm / kga.K )  ( 273 20 )K                     Observações sobre a carta
 va                                         0,841 m3 / kga    1. As linhas de conteúdo de umidade são horizontais
                 99956 N / m2 )
                       (
                                                                2. As linhas de entalpia são retas perfeitamente
                             Resposta va = 0,841 m³/kga         paralelas.
                                                                3.As linhas de bulbo seco são retas ligeiramente
                                                                inclinadas com respeito a vertical, e não são
Volume específico do ar úmido em função da massa                perfeitamente paralelas.
de ar seco (m³/kga)                                             4. As linhas de BU tem direção que difere
                                                                ligeiramente das linhas de entalpia. São retas porém,
Com                                                             não perfeitamente paralelas.
                                                                5. As linhas de volume específico não são
                                                                perfeitamente paralelas.



                                         Refrigeração-na indústria de alimentos
                                                  Gilberto Arejano Corrêa
6-7


6 Podemos observar que na maioria dos processos do        uma redução da umidade relativa. Todo calor trocado
ar úmido ma é uma quantidade invariável e assim,          é sensível.
va é de grande utilidade na solução de problemas.
Por isto não é surpreendente que seja a quantidade
volumétrica utilizada na carta psicrométrica.

    É importante ter em conta que em uma
determinada carta psicrométrica só é de utilidade
para as condições de pressão total indicadas por esta.
É empregada a carta em cálculos rápidos, que não
necessitam de grande precisão.

Névoa = Ar úmido sat. + gotículas pulverizados de
H2O.
Cerração = Ar úmido + gotículas.
Chuva = Ar úmido + gotícula.
                                                          Figura 6.10 Processo de aquecimento simples
6.8 PROCESSOS DE ACONDICIONAMENTO
DO AR                                                     Determinação da Taxa de calor fornecida ao ar em
    As cartas psicrométricas (Fig.6.9) além de            uma serpentina de aquecimento. Conhecida a vazão
cálculos rápidos permitem ter uma boa visão dos           V:
processos. Podemos esquematizar os processos                               V
levando em conta as condições iniciais (1) e finais                ma1 
                                                                                 onde ma1  ma2
                                                                                            
                                                                          va1
desejadas (2).




                                                                                       
                                                                              ma1h1  Q  ma2h2
                                                                              

                                                          EXERCÍCIO

                                                          E 12 Ar úmido entra em uma serpentina aquecida por
                                                          vapor a uma temperatura de bulbo seco e bulbo
                                                          úmido, respectivamente 20° e 18°C, em uma vazão
                                                          de 5 m³/min. A pressão barométrica é de 101,3 kPa.
                                                          O ar deixa a serpentina na temperatura de bulbo seco
                                                          de 50 °C. Determine a vazão mássica em kg/h de
Figura 6.9 Processos na carta psicrométrica
                                                          vapor saturado a 140°C, que se requer se o
                                                          condensado deixa a serpentina a 90°C.
Em geral:
     A condição inicial 1 e final 2 de um processo,
                                                          SOLUÇÃO
pode ser posicionadas na carta psicrométrica, desde
                                                          Com a carta psicrométrica (Fig. 6.18) localizo
que conhecidas duas propriedades quaisquer
                                                          TBS1=20ºC e TBU1= 18ºC e TBS2=60ºC de acordo
indicadas para os respectivos pontos, ou ainda:
                                                          com a Fig. 6.10 (Processo de aquecimento simples) e
                                                          leio h1=50 kJ/kg; va1 = 0,93 m³/kg e h2=85 kJ/kg.
6.8.1      CONDIÇÃO              DE       SIMPLES
AQUECIMENTO DO AR (Fig, 6.10), sem                        Quantidade de calor absorvido pelo ar.
                                                               
ocorrência de variação de umidade (W = cte), o              
                                                           Q  ( h1  h2 ) 
                                                                                5
                                                                                       ( 50  85 ) = -3,14 kJ/s
ponto 2 estará situado à direita do ponto 1. Basta se         va             60 0,93
conhecer uma propriedade final do ar (que não seja        Tabela 6.4 para vapor saturado da água na entrada da
W) que intercepte a linha azul na direção 1a, para        serpentina de aquecimento Te = 140 ºC leio
posicionar o ponto 2. No caso de simples                  he=2733,9 kJ/kg, e na saída o condensado Ts = 90 ºC
aquecimento pode-se observar para o ar um aumento         leio hs  376,92kJ / kg .
da temperatura, da entalpia, do volume específico e       A vazão mássica de vapor para o aquecimento
                                                          fornecido para a serpentina.



                                   Refrigeração-na indústria de alimentos
                                            Gilberto Arejano Corrêa
6-8



         3,14  3600                                        que se continuarmos a reduzir a temperatura o ar vai
m
                        =4,8 kg/h
     ( 2733,9  376,92 )                                    se orvalhar (ponto de orvalho ou temperatura de
                                                            orvalho).
     Uma aplicação simples é na calefação em dias
frios. Observa-se que alguns ocupantes se sentem            Algumas aplicações do resfriamento do ar sem que
incomodados devido a redução da umidade (relativa).         ocorra a variação de umidade específica pode ser
Isto se deve porque a medida que aquecemos o ar,            dada para: o conforto térmico; em produtos que não
mais afastamos este ar da curva de saturação.               podem perder umidade; em instrumentação, na
         Em processos industriais de secagem de             determinação da temperatura de orvalho do ar e da
produtos, o ar aquecido é conveniente pois aumenta a        umidade relativa.
capacidade de absorver a umidade ao entrar em
contatos com estes produtos.                                6.8.3 PROCESSO DE UMIDIFICAÇÃO DO AR
                                                            (Fig. 6.12), fornecimento de umidade ao ar sem
                                                            adicionar outro tipo de energia, a umidade pode estar
6.8.2       CONDIÇÃO           DE        SIMPLES            em forma de vapor ou de líquido. Vamos supor que
RESFRIAMENTO DO AR (Fig. 6.11), sem                         toda a umidade fornecida em uma câmera seja
ocorrência de variação de umidade (W = cte), o              absorvida pelo ar.
ponto 2 estará situado à esquerda do ponto 1. Basta         A direção da linha de processo, que liga (1) a (2)
se conhecer uma propriedade final do ar (que não            depende da entalpia da umidade agregada.
seja W) que intercepte a linha azul na direção 1b,
para posicionar o ponto 2. No caso de simples               Quando se quer umidificar o ar a temperatura
resfriamento pode-se observar para o ar uma redução         constante de bulbo seco do ar. A entalpia específica
da temperatura, da entalpia, do volume específico e         do vapor agregado deve ser igual a do vapor saturado
um aumento da umidade relativa. Todo calor trocado          ( hg na tabela da água saturada) a temperatura de
é sensível.                                                 bulbo seco do ar, assim hw  hg . O ponto 2 estará
                                                            situado acima do ponto 1. Basta se conhecer uma
                                                            propriedade final do ar (que não seja t) que intercepte
                                                            a linha vermelha na direção 1c, para posicionar o
                                                            ponto 2. No caso de simples umidificação pode-se
                                                            observar para o ar um aumento da umidade absoluta,
                                                            da umidade relativa, da entalpia e do volume
                                                            específico. Todo calor trocado é latente.

                                                                 Quando se quer agregar água na temperatura
                                                            termodinâmica de bulbo úmido, as temperaturas de
                                                            bulbo úmido do ar na entrada e na saída serão
                                                            idênticas. E se agregar água na temperatura menor
                                                            que a temperatura de bulbo seco do ar na entrada, a
                                                            inclinação da linha de processo estará à esquerda
                                                            (quadrante IV). Assim se hw  hg o ar pode ser
Figura 6.11 Processo de resfriamento simples
                                                            resfriado. Toda troca térmica será latente e sensível.
Determinação da Taxa de calor retirada do ar em uma
serpentina de resfriamento. Conhecida a vazão V:                 Quando se quer agregar água na temperatura
                   V                                        maior que a temperatura de bulbo seco do ar da
          ma1 
                           onde ma1  ma2
                                                          entrada, a linha de processo estará à direita
                  va1                                       (quadrante I). Assim se hw  hg o ar pode ser
                                                            aquecido. Toda troca térmica será latente e sensível.




                           
                  ma1h1  Q  ma2h2
                  

À medida que resfriamos o ar, a umidade relativa
aumenta, pois o ponto 2 aproxima-se da curva de
saturação até atingir a saturação, condição limite em



                                     Refrigeração-na indústria de alimentos
                                              Gilberto Arejano Corrêa
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Figura 6.12 Processo de umidificação                     Figura 6.13 Processo de umidificação simples

                                                         Determinação da Taxa de calor e a água absorvida
Determinação da Taxa de calor e a água absorvida         pelo ar. Conhecida a vazão V:
pelo ar. Conhecida a vazão V:                                              V
                  V                                                 ma1 
                                                                                 onde ma1  ma2
                                                                                            
           ma1 
                        onde ma1  ma2
                                                                        va1
                 va1




                                                                             
                                                                      ma1h1  Q  mw .hw  ma2h2
                                                                                           
              ma1h1  ml.hw  ma2h2
                                                                       a1.W1  ml  ma2.W 2
                                                                        m              
              ma1.W1  ml  ma2.W 2
                           

Uma aplicação prática é na correção da umidade           EXERCÍCIO PROPOSTO
absoluta e relativa em ambientes que não se deseje
alterações na temperatura.                               E 13 Ar úmido entra em uma câmara com uma
                                                         temperatura de bulbo seco e bulbo úmido,
6.8.4 CONDIÇÃO DE AQUECIMENTO E                          respectivamente 20° e 18°C, em uma vazão de 5
UMIDIFICAÇÃO DO AR (Fig. 6.13) (em duas                  m³/min. A pressão barométrica é de 101,3 kPa. O ar
operações ),o ar é aquecido e umidificado em um só       úmido ao passar pela câmara absorve 0,5 kw de calor
equipamento. É necessário conhecer duas                  sensível e 6 kg/h de vapor saturado a 110°C.
propriedades finais do ar para posicionar o ponto 2.     Determine a temperatura de bulbo seco e bulbo
No caso de aquecimento e umidificação em conjunto        úmido do ar processado.
pode-se observar para o ar um aumento da                 SOLUÇÃO
temperatura, da entalpia, do volume específico e da      Com a carta psicrométrica (Fig. 6.18) localizo
umidade específica. O aumento ou redução da              TBS1=20ºC e TBU1= 18ºC, conforme a Fig.6.13
umidade relativa vai depender da inclinação da linha     (Processo de aquecimento e umidificação) e leio
de processo. Todo calor trocado é sensível e latente.    h1=53 kJ/kg; va1 = 0,84 m³/kg.
                                                         A vazão mássica
                                                                
                                                                         5
                                                          ma 
                                                                            =0,001653 kg/s
                                                               va1 60  0,84
                                                                  6
                                                          mw         = 0,001667kgv/s
                                                               3600
                                                         Com a Tabela 6.4 e T= 110ºC leio 2691,5 kJ/kgv




                                  Refrigeração-na indústria de alimentos
                                           Gilberto Arejano Corrêa
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       ( ma1h1  Q  mw .hw ) 0,001653 50  0,5  0,001667 26915
                                                              ,
h2                                                           6.8.6  CONDIÇÃO DE RESFRIAMENTO E
               ma2                          0,001653
                                                              DESUMIDIFICAÇÃO DO AR (Fig. 6.15), Se o ar
                                                              úmido é resfriado por debaixo da temperatura do
h 2 = 56,31 kJ/kg
                                                              ponto de orvalho, haverá condensação da umidade na
                                                              serpentina. É necessário conhecer duas propriedades
       ma1.w1  ml 0,001653 0,0125 0,001667
               
w2                                          =1,02           finais do ar para posicionar o ponto 2. No caso de
           
          ma 2              0,001653                          resfriamento e desumidificação em conjunto pode-se
05                                                            observar para o ar um aumento da umidade relativa e
                                                              redução na temperatura, da entalpia, do volume
6.8.5       CONDIÇÃO            DE        SIMPLES             específico e da umidade específica. O aumento da
DESUMIDIFICAÇÃO DO AR (Fig. 6.14), sem                        umidade relativa vai depender da inclinação da linha
ocorrência de variação de temperatura(t= cte), o              de processo.
ponto 2 estará situado abaixo do ponto 1. Basta se
conhecer uma propriedade final do ar (que não seja t)
que intercepte a linha vermelha na direção 1d, para
posicionar o ponto 2. No caso de simples
desumidificação pode-se observar para o ar uma
redução da umidade absoluta, da umidade relativa, da
entalpia e do volume específico. Todo calor é latente.




                                                              Figura 6.15 Processo          de   resfriamento    e
                                                              desumidificação

                                                              Determinação da Taxa de calor retirada do ar em uma
                                                              serpentina de resfriamento. Conhecida a vazão V:
                                                                                 V
                                                                        ma1 
                                                                                       onde ma1  ma2
                                                                                                   
                                                                                va1
Figura 6.14 Processo de desumidificação simples
                                                              Todo    calor    trocado      no    resfriamento   e
                                                              desumidificação é sensível e latente.
                                                                                          
                                                                                   Q  QS  QL
Determinação da Taxa de calor e a água absorvida
pelo filtro. Conhecida a vazão V:
                   V
            ma1 
                          onde ma1  ma2
                                     
                  va1


                                                                                         
                                                                                ma1h1  Q  ma2h2
                                                                                
                                                                              ma1.W1  ml  ma2.W 2
                                                                                           

                          
                  ma1h1  Q  ma2h2                           6.8.7 MISTURAS ADIABÁTICAS DE DUAS
                                                              CORRENTES DE AR ÚMIDO (Fig. 6.16). Em
                ma1.W1  ml  ma2.W 2
                             
                                                              todos os processos de mistura ocorrem em condições
                                                              adiabáticas.    Ocorre       em     situações   de
                                                              reaproveitamento do ar já processado.
Aplicações no controle de umidade através de uma
operação de filtragem e assim mantendo a
temperatura constante.




                                     Refrigeração-na indústria de alimentos
                                              Gilberto Arejano Corrêa
6-11


                                                                Uma vez começado a condensação, todo o
                                                           processo de transmissão de calor é sensível e latente,
                                                           onde a diferença de entalpia é o potencial de
                                                           transmissão de energia.
                                                                       Qs  ma.cpt1  t 2  mah0  h2
                                                                                            
                                                                    Ql  ma.W1 W 2hlv = ma.h1  h0
                                                                                            
                                                                  t  Qs  Ql  ma.hs  hl
                                                           Onde: Q             
                                                                A curva de estado é uma linha reta que une o
                                                           estado na entrada, ponto 1, com o ponto 2 saída do
                                                           ar, na direção da temperatura do ar saturado Tp na
                                                           superfície da serpentina. Esta linha é conhecida como
                                                           linha operacional e indica as proporções relativas dos
                                                           calores sensível e latente. Uma declividade
                                                           pronunciada indica uma forte retirada de taxa de
                                                           umidade.
Figura 6.16        Processo    de     resfriamento   e
desumidificação

Determinação das condições do ar úmido em 3
conhecido as condições 1 e 2:
                    V1            V2
              ma1 
                          ma 2 
                            
                    va1           va 2




              ma1h1  ma2h2  ma3h3
                     
            ma1.W1  ma2.W 2  ma3W 3
                     
                 ma1  ma2  ma3
                       
                                                                O termo que indica a relação entre as taxas de
EXERCÍCIO PROPOSTO                                         calor sensível e total é conhecido por fator de calor
                                                           sensível (FCS), e a relação entre as taxas de calor
E 14 Dados 2 m³/s de ar à temperatura de bulbo seco        latente e total é conhecida por fator de calor latente
e bulbo úmido, respectivamente 15º e12°C, se               (FCL.
mistura com uma corrente de ar de 3 m³ com                                        Q           Q
                                                                             FCS  S     FCL  L
temperatura de bulbo seco de 30°C e umidade                                        Q            Q
relativa de 50%. Determine as propriedades da                                   FCS + FCL = 1
mistura.
                                                               A temperatura do ar úmido na saída da
                                                           serpentina, ponto2, só sairá saturado na temperatura
6.9 SERPENTINAS DE RESFRIAMENTO E                          da serpentina, se a eficiência deste trocador de calor
DESUMIDIFICAÇÃO                                            for de 100% ou igual a 1,ou seja a máxima troca
                                                           térmica, logo a eficiência   é dada por:
     Se a superfície da serpentina está a uma
                                                                                    T1  T 2
temperatura uniforme menor que a temperatura do                                             FC
ponto de orvalho do ar na entrada, o ar que circula ao                              T1  Tp
longo da superfície fria se condensa, formando uma              Esta eficiência está baseada no conceito de que o
película úmida.                                            ar que passa através da serpentina, uma parte se
     O processo de condensação consiste em uma             esfria na temperatura da superfície e o restante passa
transferência de massa devida a diferença de pressão       sem sofrer alteração. Na continuação as duas
de vapor do ar úmido que circula com a da                  proporções do ar se misturam. Esta eficiência é
serpentina.                                                conhecida por fator de contato (FC), e seu




                                    Refrigeração-na indústria de alimentos
                                             Gilberto Arejano Corrêa
6-12


complemento é conhecido como fator de desvio
(FD).
                                     T 2  Tp
                     FD  1  FC 
                                     T1  Tp
Assim:
                    T 2  T1FD  Tp1  FD
                    w2  w1FD  ws1  FD
    Utilizando o coeficiente de desvio, se admite
uma linha reta como curva de estado da serpentina.
Se FD1 corresponde o fator de desvio para uma fila
de tubos da serpentina, para duas filas de tubos
teremos uma temperatura t3 na saída do ar.
                   T 3  T 2FD1  Tp1  FD1
Substituindo t2 teremos:
     T 3  T1FD1  Tp1  FD1FD1  Tp1  FD1
                                                    
                                                                    Figura 6.17 Serpentinas de superfícies extendidas
                  T 3  T1FD1  Tp 1  FD1
                               2                 2
                                                                             O meio de aquecimento ou esfriamento
É dizer, que o FD para duas filas vale:                             circula pelo interior dos tubos, enquanto o ar úmido
                         FD2  FD1
                                         2
                                                                    flui por entre os tubos. As serpentinas aletadas são
Para n filas de tubos                                               mais compactas, tem menor peso que as de tubo liso
                          FDn  FD1                               de mesma capacidade e usualmente são de menor
                                         n

                                                                    custo.
EXERCÍCIO
                                                                             Na análise de serpentinas de esfriamento é
Se o fator de derivação (FD) para uma fila de tubos é
                                                                    bem mais complicada do que as de serpentina de
0,67. Qual é o fator de derivação da serpentina de
                                                                    aquecimento        por     haver     simultaneamente
resfriamento para: a) para duas fileiras de tubos; b)
                                                                    transferência de calor e massa (desumidificação).
para quatro fileiras e c) para seis fileiras de tubos.
                                                                    Analisaremos serpentinas úmidas de ocorrência em
SOLUÇÃO
                                                                    sistemas de refrigeração do ar úmido.
FD1  0,67
                                                                             A Figura 6.18 mostra de forma
FDn  FD1
              n
                                                                    esquematizada uma superfície fria em contato com
FD para duas filas = 0,67² = 0,45                                   uma corrente de ar úmido
FD para quatro filas = 0,674 = 0,2                                                            nde
FD para seis filas = 0,676 = 0,04

Observação: Quanto menor for o fator de derivação
maior é a eficiência da troca térmica

6.10 SERPENTINAS                     DE         SUPERFÍCIE
EXTENDIDAS

     Podemos aquecer ou esfriar o ar fazendo-o
passar por condutores que contém serpentinas, que
constam de tubos lisos ou aletados (Figura 6.17).
     Os trocadores aletados, são bastante utilizados
em sistemas de refrigeração, onde as trocas térmicas
ocorrem por convecção em condensadores,
evaporadores, resfriadores e desumidificadores.
     O aletamento dos tubos (acréscimo de área
externa) é utilizado para compensar a diferença do
valor menor, do coeficiente de película do ar, em
relação ao do fluido refrigerante no interior dos
tubos.




                                                                    Figura 6.18 Superfície fria em contato com uma
                                                                    corrente de ar úmido



                                             Refrigeração-na indústria de alimentos
                                                      Gilberto Arejano Corrêa
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                                                                                                               hc
                                                                                                       hD 
                                                                                                              cp u
Pela equação da convecção, o calor sensível                             Onde: Cpu  cpa  W a.cp s
adicionado ao ar pela água é dado pela equação.
Tomando como convenção ti> ta
                   dqs  hc.dA( ti  ta )
                                                                        Substituindo:
Onde hc se define como um coeficiente de                                dq 
                                                                               hc.dA
                                                                                     cp.ti  W ihlv  cp.ta  W a.cp s ta  W a.cp s .ti  W a.hlv
                                                                                                    
transferência de calor e os índices “i” e “a”                                   cp u
representam respectivamente as condições do ar
saturado e do ar superaquecido.                                         A expressão ( W ihl W ahl) é muito pequena em face
                                                                        aos outros termos, sua adição a equação não altera
A taxa de transferência de massa de água é                              significativamente o resultado, assim:
proporcional a diferença de umidade absoluta,

                ma.dW  hD dA( W i W a)
                
                                                                        dq 
                                                                               hc.dA
                                                                                     cp.ti  W i( hi  hlv )  cp.ta  W a.( hl  .cp s ta  cp s .ti  .hlv
                                                                                cpu

e a transferência de calor devido à condensação                         A expressão no interior do primeiro colchete é a
tomando como convenção Wi> Wa                                           entalpia do ar saturado na temperatura da superfície
                                                                        molhada (hi), enquanto o segundo colchete contém a
                 dql  hD dA( W i  W a).hlv                            expressão da entalpia do ar na corrente livre(ha).
                                                                        Assim:
onde hD se define como um coeficiente de                                                        dq 
                                                                                                       hc.dA
                                                                                                             hi  ha
transferência de massa e hlv o calor latente de                                                         cp u
vaporização da água.                                                    Propicia a determinação das transferências de calor e
                                                                        massa em serpentinas de resfriamento e
A transferência de calor é um processo combinado de                     desumidificação, condensadores evaporativos e torres
convecção e condução assim a taxa de calor total é                      de resfriamento.
dada pela soma das taxas de calor sensível e do calor
latente.                                                                Podemos analisar 3 casos:

                     dq  dqs  dql                                     Caso 1:
         dq  hc.dA( t  ta )  hD dA( W i W a).hlv                          dqs                                            ta>ti
Lews (pesquisador) fez uma anologia relacionando os                           dql       Se dão do ar para a água             Wa>Wi
mecanismos de transferência de calor e massa,                                 dq                                             ha>hi
devido à semelhança das equações obtidas por Eckert
(pesquisador)
                                                b
                                 .V .L    .Cp 
                                                                c
                       hc.L
      (Nusselt) Nu            
                             a         
                                          .      
                        k          k 
                                                    b               c
                          hD .L      .V .L              
     (Sherwod) Sch              a
                                                    .
                                                           .D 
                                                                
                           .D                               
Dividindo Nu Sch obtemos a relação
                                      c
                      hc   k D
                             
                      hD D   
Onde   k  Cp é a difusividade térmica em m²/s.
Dividindo ambos os lados por Cp

                                          1c
                     hc       
                   Le     
                    hD cp  D 
                                                                        Caso 2:
O termo adimensional hc / hD cp se denomina número
                                                                              dqs        Se dá do ar para a água             ta>ti
de Lews. No caso particular do ar úmido, o número                             dql        Se dá da água para o ar             Wi>Wa
de Le  1 . A relação pode ser escrita como:                                  dq         Se dá do ar para a água             ha>hi




                                           Refrigeração-na indústria de alimentos
                                                    Gilberto Arejano Corrêa
6-14



                                                             Cpu  1,01kJ / kg Calor específico do ar úmido

                                                            CASO 1
                                                            Tabela 6.4 para Ti = 10 ºC leio ps = 0,012280 bar;
                                                            hl  42,01kJ / kg ; hv  2519,8kJ / kg .
                                                                             ps                 0,012280
                                                             wi  0,622            0,622                    0,0076
                                                                          pt  ps          1,01325 0,012280
                                                            30 kgv/kga

                                                             QS  18 0,2  35  10 = 90 kW (calor sensível)
                                                             
                                                             ha  CpTa  wa hva  1 35  0,021443 2565,3 =
                                                                                                                  90
                                                            kJ/kga
                                                             hi  CpTi  wi hvi  110  0,007630 2519,8 =      29,22
                                                            kJ/kga
                                                                  18 0,2
                                                                           90  29,22 = 214,51 kW (calor total)
Caso 3:                                                      
                                                             QT 
      dqs      Se dá do ar para a água   ta>ti                     1,02
      dql      Se dá da água para o ar   Wi>Wa                    18 0,2
      dq       Se dá da água para o ar   hi>ha
                                                             
                                                             QL           0,021443 0,007630  2565,3  42,01 =
                                                                                                
                                                                   1,02
                                                            124,221 kW (calor latente)
                                                            Verificando:
                                                                    
                                                            QL  QT  QS  214,51 90 =124,51 kW (calor latente)

                                                            CASO 2 e 3 são propostos

                                                            EXERCÍCIOS PROPOSTOS
                                                            E.15 Ar úmido apresenta em uma câmara frigorífica
                                                            para frutas, uma temperatura de 10C e uma umidade
                                                            absoluta de 0,015. Para a pressão barométrica de 101
                                                            kpa, determine: a) entalpia em kj/kg b) a TPO
                                                            (temperatura do ponto de orvalho) em C c) volume
                                                            específico em m³/kg de ar seco. R= 287 J/kgK.

                                                            E.16 Ar úmido apresenta em uma câmara frigorífica
                                                            para frutas, uma temperatura de 10C e uma umidade
EXERCÍCIO                                                   absoluta de 0,015. Para a pressão barométrica de 90
Para os 3 casos determine o calor sensível, o latente e     kpa, determine: a) entalpia em kj/kg b) a TPO
o total para uma área de troca de 0,2 m² e um               (temperatura do ponto de orvalho) em C c) volume
coeficiente de convecção de 18 W/m², para o ar na
                                                            específico em m³/kg de ar seco. R= 287 J/kgK.
temperatura de 35°C e 60% de umidade relativa que
entra em contato com a água na temperatura a) 10°C,
                                                            E.17 Calcular a entalpia específica do ar saturado
b) 20°C e c) 27°C
                                                            sujeito a pressão de 1 atm e temperatura de 30°C.
                                                            Calcular pelo processo analítico.
SOLUÇÃO a)
QS  hC ATa  Ti  Calor sensível

                                                            E.18 Calcular o ponto de orvalho do ar atmosférico
QL  C wa  wi hLv Calor latente
   h A                                                     da cidade de São Paulo (pressão barométrica é 695,1
    Cpu                                                     mmHg), na temperatura de bulbo seco de 35ºC e
                                                            Umidade relativa de 50%.
QT  C ha  hi Calor total
   h A
    Cpu
                                                            E.19 Em uma noite de inverno, em um ambiente de
Tabela 6.4 para Ta = 35 ºC leio ps = 0,056280 bar;          75 m³ encontra-se a temperatura de 10°C e umidade
hl  146,68kJ / kg ; hv  2565,3 kJ / kg .                  relativa de 70%. Para tornar o ambiente mais
pva   psa  0,6  0,056280 0,033768 bar                  agradável instalou-se um aquecedor elétrico que
                pv                 0,033768                 elevou a temperatura para 25ºC. Nessas condições,
wa  0,622            0,622                    0,0214    calcular a umidade relativa do ar. Calcular pelo
             pt  pv          1,01325 0,033768
43 kgv/kga                                                  processo analítico.



                                     Refrigeração-na indústria de alimentos
                                              Gilberto Arejano Corrêa
6-15



E 20 Um psicrômetro rotativo indica uma Tbs=35ºC      REFERÊNCIAS
e uma Tbu=20ºC. A pressão barométrica é de 90
Kpa. Qual é a umidade relativa da corrente de ar?




                               Refrigeração-na indústria de alimentos
                                        Gilberto Arejano Corrêa
7-1

CARGAS TÉRMICAS DE CÂMARAS                                                                             7
FRIGORÍFICAS
                                                         7.2. CARGA        TÉRMICA        ATRAVÉS        DAS
7.1. GENERALIDADES                                       PAREDES

    A determinação da carga térmica de câmaras               A carga térmica cedida pelas paredes é a medida
frigoríficas não é uma tarefa fácil, visto que para      da taxa de fluxo de calor por condução através das
diferentes produtos exigem diferentes temperaturas,      paredes do espaço refrigerado do exterior para o
um tempo determinado para sua refrigeração ou            interior. Como não há isolamento perfeito, há sempre
congelamento, assim como uma determinada                 uma quantidade de calor passando do exterior para o
renovação de ar e de conteúdo de umidade. Além do        interior. A carga cedida pelas paredes é comum para
mais, a carga térmica depende do calor específico e      todas as aplicações de refrigeração e é geralmente
da movimentação dos gêneros, do clima, do lay-out e      uma parte considerável da carga térmica total. A Fig.
das características construtivas da câmara. Para um      7.1 mostra uma câmara pré-moldada utilizando
projeto de qualidade é indispensável experiência e       painéis isolantes térmicos modulares.
conhecimento de todos os fatores de influência.
    Depois de calculada a carga térmica necessárias,
haverá de se projetar a instalação frigorífica, da
maneira mais econômica e eficiente, levando em
conta o tempo diário de serviço. Para um curto tempo
de funcionamento, se exige uma grande instalação
frigorífica, bom isolamento e elevada remoção de
calor nas câmaras. Para serviços mais prolongados
poderá se especificar uma instalação de menor
capacidade de produção.
                                
    A carga térmica total, QT , de uma câmara
frigorífica é a soma do calor que usualmente se
desprende de várias fontes diferentes. Algumas
fontes mais comuns que abastecem a carga térmica
são:
    a) O calor que entra do exterior na câmara, por
condução, através das paredes isoladas;
    b) O calor que entra na câmara através do ar            Figura 7.1 Câmara frigorífica pré-moldada
quente exterior que entra através de portas abertas ou      A quantidade de calor transmitido através das
através de fendas em torno de janelas ou portas.         paredes da câmara é expressa pela seguinte equação:
    c) O calor cedido pelo produto quando sua                                 
                                                                              Q  AUT
temperatura é reduzida ao nível desejado.                                                 
                                                            O valor fluxo de calor Q / A           depende da
    d) O calor cedido por pessoas que ocupam o
espaço refrigerado.                                      espessura da parede, dos materiais usados na sua
    e) O calor cedido por qualquer equipamento           construção e das condições do ar externo e interno.
gerador de calor, localizado no interior da câmara,      Estes valores podem ser encontrados na tabela 7.1,
tais como motores elétricos e iluminação. Embora as      em função do tipo construtivo da câmara.
                                                                                 
                                                          Tabela 7.1 Valor do Q / A em kJ/m² por 24h
capacidades do equipamento de refrigeração sejam
normalmente dadas em kW, nas aplicações de                 T           Espessura do poliestireno em mm
                                     
refrigeração a carga térmica total QT é geralmente         ºC       50        75      100       150      200
calculada para um período de 24h. Portanto, a carga         1      58,6      39,8     30,1      20,1     15,1
                                                          10     598,5     397,6    301,4     200,9    150,7
térmica requerida pelo equipamento, QE , pode ser
                                                           15     891,5     596,4    452,0     301,4    226,0
dada por :                 
                       QE  QT                             20    1197,1 795,2        602,7     401,8    301,4
   A utilização de uma instalação frigorífica com          25    1490,0 994,1        753,4     502,3    376,7
                             
capacidade remoção de calor QE maior que a carga           30    1783,0 1192,9 904,1           602,7    452,0
                                                           35    2088,6 1391,7 1054,7 703,2             527,4
                         
térmica de projeto QT , nas mesmas condições               40    2394,1 1590,5 1205,4 803,6             602,7
avaliadas de projeto, indicará um menor tempo              45    2687,1 1789,3 1356,1 904,1             678,1
operacional. O vice-verso é verdadeiro. Portanto, é        50    2980,1 1988,1 1506,8 1004,5 753,4
importante ter os cuidados necessários para avaliar as     55    3273,1 2186,9 1657,5 1105,0 828,7
verdadeiras condições requeridas que variam de             60    3566,0 2385,7 1808,1 1205,4 904,1
instalação para instalação.                                65    3871,6 2584,5 1958,8 1305,9 979,4
                                                           70    4177,1 2783,4 2109,5 1406,3 1054,7
                                      Refrigeração-na indústria de alimentos
                                             Gilberto Arejano Corrêa
7-2


Para isolamento térmico de poliuretano multiplicar os     Tabela 7.2 Fatores de correção p/             paredes
             
valores do Q / A da tabela 7.1 por 0,68. Para painéis     ensolaradas
modular de poliuretano da Fig. 7.1, multiplicar os        Superfície parede  parede  parede              teto
                                                                      leste   sul    oeste
valores do Q / A da tabela 7.1 por 0,60.
                                                          cor escura  4,5ºC   3 ºC   4,5 ºC              11 ºC
    Quando um frigorífico está localizado no interior
                                                          cor média   3,5 ºC  2 ºC   3,5 ºC               8 ºC
de um edifício e existe distância adequada entre o
                                                          cor clara    2 ºC   1 ºC    2 ºC                5 ºC
topo do frigorífico e o teto do edifício, para permitir
livre circulação de ar ao redor do topo do frigorífico,
                                                          EXERCÍCIO
o teto deste é tratado da mesma maneira que uma
                                                          E 7.2 Determine a carga térmica de uma parede leste
parede interna.
                                                          6x4 m com um diferencial de temperatura de 50ºC. A
                                                          cor da parede é branca e o isolamento é de painéis
EXERCÍCIO
                                                          modular de poliuretano de 100mm .
                                                          SOLUÇÃO
E 7.1 Determine a carga térmica cedida pelas paredes
                                                          Conforme Tab. 7.2
de uma câmara frigorífica pré-moldada com as
                                                          T = 50 + 2 = 52 interpolando, o valor do fluxo de
dimensões 6x5x4 m. O isolamento térmico é de
                                                          calor é 1567,08 kJ/m² por 24h.
painéis modular conforme Fig. 1. A espessura do
isolamento escolhida é de 100mm e a diferença de
                                                          A carga térmica cedida pela parede leste ensolarada:
temperaturas é de 50ºC entre o meio externo e o
                                                          Parede: 6 x 4 x 1567,08 x 0,6 = 22565,95 kJ/dia
interno.                                                                               
                                                                            Resposta QParedes = 22565,95 kJ/dia
SOLUÇÃO
Conforme a Tab. 7.1 para o poliestireno o valor do        7.3 CARGA DEVIDO AS TROCAS DE AR
fluxo de calor é 1506,8 kJ/m² por 24h.
O fator de correção da Tab. 7.1 é 0,6 para painéis            Quando a porta de um espaço refrigerado é
modular de poliuretano.                                   aberta, o ar quente exterior entra no espaço para
                                                          substituir o ar frio mais denso que é perdido do
A carga térmica cedida pelas paredes:                     espaço refrigerado através da porta aberta. O calor
Teto:       6 x 5 x1506,8 x 0,6 = 27122,40 kJ/dia         que deve ser removido deste ar exterior quente para
Piso:       6 x 5 x1506,8 x 0,6 = 27122,40 kJ/dia         reduzir sua temperatura e teor de umidade para as
Parede: 6 x 4 x1506,8 x 0,6 x 2 = 43395,84 kJ/dia         condições designadas do espaço torna-se uma parte
Parede: 5 x 4 x1506,8 x 0,6 x 2 = 36163,20 kJ/dia         da carga térmica total do equipamento.
                                 133803,84 kJ/dia             A relação entre a carga de troca de ar e a carga
                                                          térmica total varia com a aplicação. Enquanto que em
                          
                 Resposta QParedes = 133803,84 kJ/dia     algumas aplicações a carga de troca de ar é
                                                          desprezível, em outras ela representa uma porção
                                                          considerável da carga total.
   Todas as vezes que as paredes de um refrigerador
                                                              Dado que as portas dos refrigeradores comerciais
são situadas de tal modo que recebem uma
                                                          são equipadas com juntas bem montadas, as fendas
quantidade excessiva de calor de radiação, ou do sol,
                                                          ao redor das portas são firmemente vedadas. Por isso,
ou de algum outro corpo quente, a temperatura da
                                                          na refrigeração comercial, as trocas de ar são
superfície exterior da parede em geral, situa-se
                                                          geralmente limitadas àquelas que são executadas por
consideravelmente acima da temperatura do ar
                                                          abertura ou fechamento efetivo de porta ou portas.
ambiente. A quantidade a qual a temperatura da
                                                              O ganho de calor do espaço resultante de trocas
superfície ultrapassa a temperatura do ar ambiente
                                                          de ar no espaço refrigerado é difícil de ser
depende da quantidade de energia radiante que se
                                                          determinado com exatidão, exceto quando o ar é
choca com a superfície e com a reflexibilidade da
                                                          captado deliberadamente para fins de ventilação.
superfície.
                                                          Quando a massa de ar externo que entra num espaço
    Uma vez que qualquer aumento na temperatura
                                                          refrigerado num período de 24 h é conhecida, o
da superfície externa poderá aumentar o diferencial
                                                          ganho de calor do espaço resultante de trocas de ar,
de temperatura através da parede. O diferencial de
                                                          depende da diferença de entalpias do ar em condições
temperatura através das paredes ensolaradas deve ser
                                                          internas e externas, e pode ser calculado pela
corrigido para compensar o efeito do sol.
                                                          seguinte equação :
    Os fatores de correção para as paredes                                 
ensolaradas são dados na tabela 7.2. Estes valores                         QAR  mext ( hext  hint )
                                                                                 
devem ser adicionados ao diferencial de temperatura              
                                                          onde mext é a vazão mássica de ar exterior que entra
normal.                                                   em 24 h na câmara; hext e hin t é respectivamente a
                                                          entalpia do ar exterior e interior da câmara.


                                  Refrigeração-na indústria de alimentos
                                         Gilberto Arejano Corrêa
7-3


    Contudo, uma vez que as quantidades de ar que         SOLUÇÃO
entra são geralmente dadas em vazão volumétrica,                                                       273,15  18 
                                                                          
                                                                             0,7  2,5  3  3  1              
ext , em vez de vazão mássica, onde vext é o volume                                                    273,15  25 
                                                                                                   
específico. A taxa de calor devido a entrada do ar na                                  
                                                                                         3,4533 m3 / s
câmara em 24h é
                                                        Para um índice de renovação de  = 2,3 (Tabela 7.3),
                 
                 QAR  ext ( hext  hint )
                      vext                                obtido com as dimensões da câmara (17,5x10x4m)
                                                          calcula-se a vazão necessária de renovação de ar da
      A quantidade de ar externo que entra através das    câmara por dia
aberturas de portas num período de 24h depende do                                          
                                                                 necssário     necessário  
número, tamanho das portas, e da freqüência de                                            necessário =2,3 por dia
duração de suas aberturas. A experiência tem                     Vcâmara      17,5  10  4    700
mostrado que como uma regra geral, a quantidade de        necessário  2,3  700  1610m3 / dia
troca de ar depende do volume interno do frigorífico      O tempo ( tnecessário ) de permanência da abertura da
e do tipo de uso. O cálculo da vazão do ar exterior,
                                                          porta frigorífica
 
 ext , pode ser obtido através do índice de renovação                     
                                                                           necessário    1610
diária,  , de ar exterior. A Tabela 7.3 (Costa, 2000)    t necessário                         466s dia  7 ,7 min dia
                                                                                       3,4533
mostra esta relação.                                                                         Resposta tnecessário  7,7 min dia
          Tabela 7.3 Índice de renovação diária
                                  
            Vcâmara                                       E 7.4 Determine a taxa de calor por dia devido ao ar
                       Tcâmara <    Tcâmara > 0ºC
              m³                                          externo do E 7.3
                         0ºC                              SOLUÇÃO
              7,0       29,0            38,0              Ar na câmara
              8,5       26,2            34,5              Com a Tabela 6.4:
             11,5       22,5            29,5              Tcâmara =-18ºC corresponde a uma ps= 0,00128 bar e
             14,0       20,0            26,0
                                                          hv= 2464,732 kJ/kgv,
             17,0       18,0            23,0
                                                                                             pv 
             23,0       15,3            20,0              como  = 90% e        ps 
             28,0       13,5            17,5                                           T
             42,0       11,5            14,0              Portanto: pv  0,9  0,00128 0,001152 bar e
             57,0        9,3            12,0
                                                                          0,001152    
             85,0        8,1             9,5              w  0,622                   =0,000708 kgv/kga
            115,0        7,4             8,2                          1,0135 0,001152
            140,0        6,3             7,2              A entalpia do ar úmido no interior da câmara
            170,0        5,6             6,5              hcâmara  1 ( 18 )  0,000708 2464,732
                                                                                         
            230,0        5,0             5,5              hcâmara = -16,2555 kJ/kga
            280,0        4,3             4,9              Ar exterior
            420,0        3,8             3,9              Com a Tabela 6.4:
            570,0        2,6             3,5              Texterno = 25ºC corresponde a uma ps= 0,031690 bar e
            700,0        2,3             3,0
                                                          hv= 2547,2 kJ/kgv,
            850,0        2,1             2,7
                                                                                            pv 
           1150,0        1,8             2,3              como  = 80% e    
                                                                              ps 
           1400,0        1,5             2,0                                     T
           2000,0        1,3             1,6              Portanto: pv  0,8  0,031690 0,025352 bar e
                                                                          0,025352    
                                                          w  0,622                   =0,015958 kgv/kga
                                                                      1,0135 0,025352
EXERCÍCIO
E 7.3 Uma porta de uma câmara frigorífica possui          A entalpia do ar úmido no interior da câmara
uma altura h = 3 m e uma largura b = 2,5 m.               hcâmara  1 25  0,015958 2547,2
                                                                                    
Determine o tempo de permanência da abertura da           hcâmara = 65,65 kJ/kga
porta frigorífica, admitindo que a vazão de entrada do    A pressão do ar seco exterior:
ar em m³/s é aproximadamente:                             pa  p  pv  1013,23  25,352  987,998 mbar
                              T                        pa  98800 N/m²
                 0,7.b.h. h.1  câmara 
                               T          
                                  externa               O volume específico do ar seco exterior:
Para: Tcâmara = -18ºC;  câmara =90%; Texterna =25ºC e           287,08( Nm / kga.K )  ( 273  25 )K
                                                          va                                          0,866 m3 / kga
                                                                          98800( N / m2 )
 externa =80%



                                     Refrigeração-na indústria de alimentos
                                            Gilberto Arejano Corrêa
7-4


A taxa de calor por dia devido ao ar externo entrando           7.4 CARGA          TÉRMICA               DO      PRODUTO
na câmara                                                       (ALIMENTO)
                            1610
QAR  mext ( hext  hint ) 
                                   ( 65,65  ( 16,2555))
                             0,866                                   A determinação da carga térmica do produto é
                                                               essencial para os projetos de instalações frigoríficas.
Q = 152272,3 kJ/dia
  AR
                                                                No procedimento de cálculo exige-se o conhecimento
                                   
                          Resposta QAR = 152272,3 kJ/dia        das características do alimento e o processamento
                                                                adotado na sua conservação (resfriamento e/ou
Observação: Em processos de resfriamento,                       congelamento).
congelamento ou de armazenamento a frio de                           A Tabela 7.4 indica na prática a alguns produtos,
produtos em embalagens com retenção de odores, a                a temperatura e o tempo de armazenagem (vida de
                                   
renovação do ar é desnecessária ( necessário ). No             prateleira).
                                      
entanto a penetração do ar externo (  ext ) devido a           Tabela 7.4 Temperatura de conservação e tempo de
abertura de porta para movimentações deve-se levar              armazenagem de alguns produtos
em conta.                                                                                         Período de
     Programe o número de aberturas das portas das                  Produto        T ºC
                                                                                               armazenamento
câmaras e o tempo de permanência destas abertas. A               Cordeiro cong.     -18           6-8 meses
entrada do ar externo é indesejável além de formar                Porco cong.       -18           4-6 meses
uma carga térmica elevada, sensível e latente, e sua               Aves cong        -29           9-10 meses
umidade irá se depositar em forma de gelo no                      Cereja cong.      -18          10-12 meses
resfriador.                                                          Caqui           -1             2 meses
      A utilização de cortinas especiais (de ar ou                   Maçã            -1           2-6 meses
PVC) e antecâmaras conjuntamente com a                            Peixe cong.       -18           2-4 meses
programação irão atenuar estes problemas. Estas                    Crustáceos       0,5             3-7 dias
servem para isolar dois ambientes distintos seja                    Queijos        -1 a 7           Varável
aquecido, refrigerado ou para impedir que partículas,                Leite          0,5              7 dias
gases, insetos, etc. permitindo livre tráfego de                  Ovas cong.        -18            12 meses
pessoas ou empilhadeiras.                                           Brócolis          0            7-10 dias
                                                                Cenoura fresca        0           4-5 meses
                                                                   Pão cong.        -18      Mais de uma semana
                                                                     Alface           0          3-4 semanas
                                                                     batata       3,3 a 10        4-8 meses
                                                                Tomate maduro       0,5             2-7 dias
                                                                    Abóbora       10 a 13         2-6 meses

                                                                     O uso de baixas temperaturas na conservação
                                                                dos alimentos é decisivo alguns critérios:
                                                                a) O tempo de vida de prateleira
                                                                b) A aceitabilidade do consumidor quanto a qualidade
                                                                do alimento.
E 7.5 A câmara frigorífica do E 7.4 e E 7.5                     c) Os custos
permanece 0,25 h com a porta aberta por 24h na                  d) A ausência de ações nocivas a saúde.
movimentação         (entrada/saída)   de    produtos.               Cada alimento devido a sua constituição tem um
Determine a carga térmica por dia devido ao ar                  comportamento particular nos processos de troca
externo.                                                        térmica. O calor específico, a condutividade térmica,
SOLUÇÃO                                                         a difusividade térmica, a massa específica e a
A vazão de ar externo devido a abertura da porta                entalpia são propriedades fundamentais no
                                                              resfriamento e congelamento dos alimentos na
    ext  .t  3,4533 0,25 3600= 3107,97 m³/dia
                                                                determinação do tempo e do calor removido.
A taxa de calor por dia devido ao ar externo entrando
na câmara                                                                                      
                                                                                  Qproduto  m hi  hm , f   
                            3107,97
QAR  mext ( hext  hint ) 
                                     ( 65,65  ( 16,2555))
                              0,866                             onde: hi - hm , f é a diferença de entalpia por unidade

Q = 293949 kJ/dia
  AR                                                            de massa do alimento no resfriamento e/ou
                                     
                            Resposta QAR = 293949 kJ/dia        congelamento desde uma temperatura inicial Ti a
                                                                uma temperatura média volumétrica final Tm , f . As



                                         Refrigeração-na indústria de alimentos
                                                Gilberto Arejano Corrêa
7-5



temperaturas Ti e Tm , f são assumidas como valores
de condição de equilíbrio térmico do sólido, no                             EXERCÍCIO
tempo inicial e final.                                                      E 7.7 Determinem a quantidade de calor devido a
                                                                            ocupação, de 2 pessoas na movimentação de carga,
EXERCÍCIO                                                                   durante 0,25 horas/dia em uma câmara a -18ºC.

E 7.6 Determinem a quantidade de calor removido no                          SOLUÇÃO
congelamento de 20 tonelada de peixe (magro) de -                           Com a tabela 7.5 e a temperatura leio o fator de
0,8 ºC (início de congelamento) a -18 ºC por dia                            calor/pessoa, F = 1400 kJ/h
sendo conhecida a variação da entalpia (Fig. 7.2)
                   30                                                       
                                                                            Qpessoas  1400 2  0,25 = 700 kJ/dia

                   25

                           Hgcastanha
                   20                                                       7.6 CARGA TÉRMICA DE                     MOTORES
hmf, hi [kJ/kg]




                            Hfcastanha
                                                                            ELÉTRICOS   EM   UMA                      CÂMARA
                   15                                                       FRIGORÍFICA
                   10
                                                                                 Os motores elétricos querem estejam no recinto,
                    5
                                                                            em qualquer ponto do fluxo de ar ou mesmo nos
                                                                            ventiladores, adicionam carga térmica ao sistema
                    0                                                       devido às perdas nos enrolamentos, e esta carga
                    -20           -16        -12         -8      -4     0   precisa ser retirada pela instalação frigorífica. É
                                              T [ºC]                        preciso levar em conta se o motor está sempre em
Figura 7.2 Variação da entalpia na temperatura                              funcionamento ou se a sua utilização é apenas
média ( hm ) e a do início do congelamento ( h g ) do                       esporádica.
peixe magro.                                                                     As vazões do ar dos ventiladores, na refrigeração
                                        
                  Qproduto  m hi  hm , f  20000 ( 25,12  4,10 )        de produtos, apresentam uma circulação de 60 a 80
Calor a ser removido por dia é 420 400 kJ/dia                               vezes por hora o volume da câmara (ou túneis) vazia.
                                                                            Esta condição permite velocidades de 0,5 a 2 m/s
7.5 CARGA TÉRMICA DE OCUPAÇÃO POR                                           junto ao produto dependendo do lay out.
DIA DE PESSOAS EM UMA CÂMARA                                                     No congelamento as vazões do ar dos
FRIGORÍFICA                                                                 ventiladores, apresentam uma recirculação de 100 a
                                                                            150 vezes por hora o volume da câmara (ou túneis)
    A Tabela 7.5 mostra o desprendimento de calor                           vazia. Esta vazão permite velocidades do ar
de uma pessoa adulta executando forte trabalho                              aproximadas de 3 m/s junto ao produto.
                                                                                 Comercialmente se usa motores de potência ( W )
corporal. Para trabalhos médios podemos considerar
a metade do valor do fator equivalente desta tabela.                        de 0,5 CV para cada 6000 m³/h insuflados por
                                                                            resfriadores de ar forçado.
                                  nº de horas de ocupação
Q pessoas  Fator  nº de pessoas                                                      
                                             dia                                      W
                                                                            Qmotores        
                                                                                          736 [kJ/dia]
                                                                                      motor
                          Tabela 7.5 Fator equivalente                      Onde
                          de Calor/Pessoa                                        é o número de horas de funcionamento do
                            Temperatura        Fator                        motor;
                           ambiente em ºC     em kJ/h
                                 10             760                             motor é o rendimento do motor.
                                  5             890
                                 -1            1000                                    Tabela 7.6 Rendimento do motor
                                 -7            1100                                                          motor
                                                                                               W
                                -12            1300
                                -18            1400                                         < ½ CV             0,6
                                -24            1500                                        ½ a 3 CV           0,68
                                -30            1600                                       3 a 20 CV           0,85
                                -36            1680
                                -42            1800                         EXERCÍCIO
                                -48            1900




                                                       Refrigeração-na indústria de alimentos
                                                              Gilberto Arejano Corrêa
7-6


E 7.8 Determinem a quantidade de calor devido aos                     EXERCÍCIO
motores dos resfriadores de ar forçado de uma                                                                        
                                                                      E 7.10 Determinem a carga térmica total, QT ,com
câmara com o volume interno de 120 m³ à - 18ºC.                       um fator de segurança de 10%, utilizando os
SOLUÇÃO                                                               resultados dos exercícios: E 7.1; E 7.5; E 7.6; E 7.7;
 Para uma recirculação de 100 vezes corresponde                       E 7.8 e E 7.9.
uma vazão de                                                          SOLUÇÃO
 
resfriadores  100 120 = 12000 m³/h                                 Carga térmica cedida:
         12000                                                               Paredes      133804 kJ/dia      15,4%
Wmotor           0,5  1 CV/h
           6000                                                               Ar           293949 kJ/dia      33,7%
           1 CV/h                                                             Produto      420400 kJ/dia      48,3%

Qmotores           24 h / dia  736 kJ/CV =20781,18
             0,85
                                                                              Pessoas          700 kJ/dia      0,1%
                                                                              Motores        20782 kJ/dia      2,4%
kJ/dia
                                                                              Iluminação      1575 kJ/dia      0,2%
                                         
                                Resposta Qmotores = 20782 kJ/dia              Total         871210kJ/dia 100,0%

7.7 CARGA TÉRMICA DE ILUMINAÇÃO DE                                    Com o Fator de segurança de 10%
UMA CÂMARA FRIGORÍFICA                                                
                                                                      QT  1,1 871210kJ/dia  958331kJ/dia
       Deve-se levar em conta, no cálculo da carga
                                                                                                          
                                                                                                Resposta QT  958331kJ/dia
térmica, o tempo que as lâmpadas estão ligadas por
dia. A capacidade de iluminação usual em câmaras
frigoríficas é de 10 W/m² de piso. Neste caso:                        E 7.11 Determinem a capacidade frigorífica
 
 Qilu min ação  10A                                                                                    
                                                                      requerida, QE , pela carga térmica, QT , do exercício
Onde:                                                                 E 7.10. Considere que toda a operação da troca
     é o número de horas de funcionamento das                        térmica ocorra em 18 h (permite operações de
lâmpadas por dia;                                                     degelo).
    A é a área de piso da câmara em m².                                          kJ dia   h
                                                                      QE  958331             14,789kW
                                                                                 dia 18h 3600s
EXERCÍCIO                                                                                                       
                                                                                                       Resposta QE  15 kW

E 7.9 Determinem a quantidade de calor devido a
iluminação de câmara com o volume interno de 700                      CONCLUSÃO
m³ à - 18ºC, com uma área de piso de 17,5 m x 10 m.
SOLUÇÃO                                                                  O procedimento adotado utilizou :
Admitindo a capacidade de iluminação na câmaras de                                                       
                                                                         1) O valor do fluxo de calor, Q / A , através das
10 W/m² (36 kJ/h.m²) de piso.Determinem a carga
                                                                     paredes foi adotado 1506,8 kJ/m² por 24h. (Tab. 7.1),
térmica Qilu min ação durante 0,25 horas/dia
                                                                      para um T = 50ºC (condição de verão). Uma

Qilu min ação  36 17,5 10  0,25 = 1575 kJ/dia                     hipótese supondo uma pior condição operacional. Em
                                                                                                                   
                                                                      outras situações ( T menor) a taxa de calor, Q paredes ,
                               Resposta Qilu min ação = 1575 kJ/dia
                                                                      é menor.
7.8 CARGA TÉRMICA DE UMA CÂMARA                                             2) No cálculo da carga térmica do ar não foi
FRIGORÍFICA                                                           considerado fatores de redução desta taxa de calor,
                                                                       
                                                                       Qa r , através do uso: de ante câmaras ( T menor); de
                                               
   A carga térmica de uma câmara frigorífica ( QT )                   cortina no vão da porta (tiras plásticas para baixas
por dia é a soma das taxas de calor diária                            temperaturas) ou ainda uma cortina de ar (Fig.7.3)
                                                                                       
                                                                      reduzindo a Qa r para valores menos significativo em
considerando uma situação possível de maior
exigência de troca termica:                                                     
                                                                      relação a Q produto .
                                                                      3) A capacidade da instalação necessária
QT =             Q paredes +           Qa r +       Q produto    +    frigorífica está diretamente relacionada com a
                     
Q pessoas + Qmotores + Qilu min ação                                  produção processado e na conservação durante a
                                                                      armazenagem. No exercício E 7.6, a escolha das
    A carga térmica total é a soma dos ganhos de                      temperaturas de armazenamento vai depender da
calor estudados neste capítulo. É prática comum                       qualidade e do aspecto econômico por espécie de
adicionar 5 a 10% para este valor como fator de                       peixe. As propriedades termofísicas destas espécies,
segurança.                                                            assim como, o formato, tamanho e disposição
                                                                      influenciam na velocidade da troca térmica. Os


                                                Refrigeração-na indústria de alimentos
                                                       Gilberto Arejano Corrêa
7-7


capítulos seguintes apresentam as características de
alguns alimentos.

EXERCÍCIO

                                              
E 7.12 Determinem a carga térmica total, QT , do
exercício E 7.10, considerando a vazão de ar de 1610
m³/dia do exercício E 7.3.

SOLUÇÃO
Carga térmica cedida:

       Paredes        133804 kJ/dia       18,3%
       Ar             152272 kJ/dia       20,9%
       Produto        420400 kJ/dia       57,6%
       Pessoas            700 kJ/dia       0,1%
       Motores          20782 kJ/dia       2,8%
       Iluminação        1575 kJ/dia       0,2%
       Total           729533kJ/dia      100,0%

Com o Fator de segurança de 10%

QT  1,1 729533kJ/dia  8024863 kJ/dia
                               ,
                                  
                        Resposta Q  8024863 kJ/dia
                                           ,
                                     T

E 7.13 Determinem a capacidade frigorífica
                                   
requerida, QE , pela carga térmica, QT , do exercício
E 7.12. Considere que toda a operação da troca
térmica ocorra em 18 h
            kJ dia    h
QE  8024863
           ,              12,38405kW
             dia 18h 3600s
                                     
                          Resposta Q  12,4kW
                                            E



E 7.14 Determinem o tempo em horas na remoção de
calor do exercício E 7.12 utilizando a capacidade
frigorífica de 15 kW do E 7.11.
SOLUÇÃO
O tempo necessário para remover a taxa de calor

QT  8024863 kJ/dia
           ,
          18h 12,4kW
tempo                 14,9h
             15kW
                                Resposta tempo = 14,9h


REFERÊNCIA

[5] - DOSSAT, R.J. - Manual de Refrigeração - Ed.
Hemus - São Paulo, 1980.

[2] - PHOLMANN, W. - Manual de Técnica
Frigorífica - Ediciones Ômega, S.A. - Barcelona,
1964.




                                   Refrigeração-na indústria de alimentos
                                          Gilberto Arejano Corrêa
8-1

RESFRIAMENTO E CONGELAMENTO DE
PESCADO
                                                                                                                  8
                                                          específica de cada tipo de alimento (água,
 8.1 INTRODUÇÃO                                           proteínas, lipídios, carboidratos, cinzas, e fibras),
                                                          suscetíveis à variação da temperatura.
      A denominação genérica pescado compreende os
 peixes, crustáceos, moluscos, anfíbios, quelônios e           As propriedades termofísicas (massa
 mamíferos de água doce ou salgada, usados na             específica, calor específico, condutividade
 alimentação humana, extensivas às algas marinhas e       térmica, entalpia) podem ser calculadas
 outras plantas e animais aquáticos, desde que            utilizando um programa computacional para os
 destinados à alimentação humana.                         alimentos utilizando as equações constitutivas de
      O pescado é o produto de origem animal que          Choi e Okos (1984) e ASHRAE (2001), segundo
 mais rápido se deteriora, exigindo o emprego de          a temperatura e composição proximal, enquanto
 técnicas de conservação para retardar as reações         que a variação das entalpias pode ser
 químicas, a atividade enzimática, bem como inibir a      determinada através das expressões de Chen
 atividade dos microorganismos causadores da              (1985). Para todas estas propriedades (massa
 decomposição.                                            específica, calor específico, condutividade
      O processo de redução da temperatura, através do    térmica, difusividade térmica e entalpia) é
 resfriamento ou do congelamento, prolonga a vida de      adicionada a variação percentual de água líquida
 prateleira, apresentando a vantagem ao consumidor        e sólida com a temperatura média volumétrica do
 de estar adquirindo um pescado, com uma imagem de        alimento.
 alimento fresco de melhor qualidade (Contreras,
 1984).                                                   EXERCÍCIO
                                                          E 8.1 Determinem as propriedades termofísicas
 8.2 PESCADO RESFRIADO                                    do filé de peixe da espécie corvina no
                                                          resfriamento. Conforme dados da Tab. 8.1
      Na etapa inicial após a captura, o pescado pode           Tabela 8.1 Dados
 ser conservado fresco durante sete dias quando                 Umidade Contida (Xwo) 78,7
 armazenado imerso no gelo em uma câmara                        Proteínas (Xp)           18,8
 frigorífica a -1 ºC e   90 a 100%. A contagem de             Lipídeos (Xg)            1,1
 microorganismos se mantém baixa, e nos primeiros               Carboidratos (Xc)        0
 dias não é perceptível nenhum amolecimento por                 Fibras (Xf)              0
 ação de microorganismos. Quando os pseudomonas                 Sais (Xs)                1,2
 predominam é possível perceber com o passar do                 Temperatura média        20ºC (68ºF)
 tempo, o amolecimento, e em paralelo, a deterioração     As equações constitutivas na determinação das
 (Contreras, 1984). No entanto, a qualidade neste         propriedades foram fornecidas em inglês
 tempo de sete dias depende das condições iniciais.       (.ASHRAE, 2001)
                                                          SOLUÇÃO
 8.3 PESCADO CONGELADO                                    Substituindo t = 68 ºF
                                                          Massa Específica (lb/pé3)
      Congelar alimentos significa reduzir a sua
 temperatura (abaixo do ponto de congelamento), o         Proteína   8,3599x101  1,7979x1012 t
 suficiente para fazer passar parte da água contida       Gordura   5,8246x101  1,4482x102 t
 neste alimento em gelo. A velocidade que ocorre o
                                                          Carboidrato   1,0017x102  1,0767x102 t
 congelamento influencia na cristalização da água.
 Quanto maior a velocidade menor é a                      Fibras   8,2280x101  1,2690x102 t
 irreversibilidade do processo ao restabelecer o estado   Sais   1,5162x102  9,7329x103 t
 inicial.                                                 Água   6,2174x101  4,7425x103 t  7,2397x105 t 2
      A etapa de congelamento do pescado é precedida                                     1 
 pela de limpeza, que tem como objetivo principal a       Massa específica total  
                                                                                                Xi
 separação total ou parcial das partes comestíveis das                                      
                                                                                                i
 não comestíveis. Além disso, há a separação das
                                                          Onde: ε é a porosidade, e vale zero para
 partes perecíveis a fim de se prolongar a vida útil do
                                                          alimentos não granulares.
 restante que será congelado.
                                                          Calor Específico (BTU/lb°F)
 8.4 PROPRIEDADES TÉRMICA DO PESCADO
                                                          Proteína
      A predição de tempos de resfriamento e de           C p  4,7442x101  1,6661 104 t  9,6784x108 t 2
                                                                                    x
 congelamento dos alimentos com precisão não é uma
 tarefa fácil devido à complexa composição química
                                      Refrigeração-na indústria de alimentos
                                             Gilberto Arejano Corrêa
8-2



Gordura Cg  4,6730x101  2,1815x104 t  3,5391x107 t 2                  hg  ( tg  ( 40 ))( 0,37  0,3 Xs 
Carboidrato                                                                                                                ( Tg  32 )
                                                                                                  ( Xwo  Xb )143,4                           )
                             1                   4
           Cc  3,6114x10  2,8843x10 t  4,3788x10 t                7 2                                             ( 40  32 )( tg  32 )
Fibras CPf  4,3276x101  2,6485x104 t  3,4285x107 t 2
                                                                            Xs  1  Xwo
Sais       CS  2,5266x101  2,6810x104 t  2,7141 107 t 2
                                                    x                       Xb  0,4 Xp
Água     Cw  1,0725 5,3992x103 t  7,3361 105 t 2
                                            x                               h  hg  ( T  Tg )(1  0,55Xs  0,15Xs3 )
Calor específico total C   CiXi
                                                                                Resultados das Propriedades Termofísicas
Condutividade Térmica (BTU/h.pé .ºF)          2                               Condutividade Térmica     0,4901    W/m.K
Proteína                                                                         Massa Específica        1058      Kg/m³
                                                                                 Calor Específico        3,705    kJ/kg.K
Kp  9,0535x102  4,1486x104 t  4,8467x107 t 2                             Difusividade Térmica 1,251 E-07 m²/s
Gordura Kg  1,3273x101  8,8405x104 t  3,1652x108 t 2                          Entalpia h           375,8     kJ/kg
Carboidrato                                                                              t                20         ºC
           Kc  1,0133x101  4,9478x104 t  7,7238x107 t 2
Fibras                                                                      E 8.2 Faça uma simulação das propriedades
                                                                            termofísicas do filé de peixe do exercício E 8.1.
Kf  9,2499x102  4,3731 104 t  5,6500x107 t 2
                         x
                                                                             Propriedades termofísicas do filé de peixe
Sais       Ks  1,7553x101  4,8292x104 t  5,1839x107 t 2                                                       
                                                                            ºC    c                h       k
Água       Kw  3,1064x101  6,4226x104 t  1,1955x106 t 2               30 3,709 1,27E-07 411,8 0,50 1058,00
                                                                            25 3,707 1,26E-07 393,4 0,50 1058,00
Concentração Volumétrica Xvi                                                20 3,705 1,25E-07 374,9 0,49 1058,00
                                                                            15 3,703 1,24E-07 356,5 0,48 1057,00
   Proteína             Gordura                        Gordura              10 3,702 1,22E-07 338,0 0,48 1057,00
            Xp                   Xg                            Xg            5     3,7 1,20E-07 319,6 0,47 1057,00
            p                   g                            g            0 3,699 1,18E-07 301,2 0,46 1056,00
  XVp                XVg                         XVg      
             Xi                   Xi                            Xi
                                                            
             i                   i                            i          Observa-se que no resfriamento as propriedades
 Carboidrato             Fibras                            Sais             pouco variaram com a temperatura com exceção
        Xc                       Xf                       Xs                da entalpia.
                                                                            E 8.3 Determinem o calor trocado em kJ/kg de
        c                       f                       s
  X c
   V
                      XV f                        X sV
                                                                            filé entre 30ºC e 0ºC
         Xi                       Xi                       Xi
                                                                         Q  ( hi  hf )  ( 411,8  301,2 )  110,6 kJ/kg
         i                       i                       i
                                                                                             Resposta Q =110,6 kJ/kg de filé
                            Xw
                                                                            E 8.4 Determinem as propriedades termofísicas
                            w
       Água           X w
                       V
                                                                            do filé de peixe da espécie corvina no
                             Xi
                                                                           congelamento.
                             i
                                                                            SOLUÇÃO
                                                                            Com a temperatura inicial de congelamento tc = -
Cálculo da Condutividade Térmica em paralelo:                               2ºC (28,4 ºF) e a temperatura final tf = - 18 ºC (-
                       Kpar   X viKi                                      0,4 ºF) determino a temperatura média t.
Cálculo da Condutividade Térmica perpendicular:                                  2  ( 18 )
                                                                            t                 10º C (14 ºF)
                                      1                                               2
                        Kper 
                                      X vi                                  A seguir calculo a fração de gelo na composição
                                  
                                      Ki                                    X gelo na t =14 ºF (-10 ºC) onde
Cálculo da Condutividade térmica média:                                     Conforme dados da Tab. 8.1 porem com uma
                             kpar  kper
                      k                                                    temperatura média -10 ºC (14 ºF), onde a
                                  2                                         Substituindo t =14 ºF e tc = 28,4 ºF calculo a
                                                       k                    fração de gelo na composição X gelo a 14 ºF (-10
Cálculo da difusividade térmica  
                                                    .C                     ºC) onde Xp =18,8% (de proteína, Tab. 8.1)
Cálculo da entalpia h




                                             Refrigeração-na indústria de alimentos
                                                    Gilberto Arejano Corrêa
8-3



                      tc  32                                         2,2ºC)
X gelo  ( Xwo  Xb )1           = 0,57 (57%) ,sendo
                         t  32 
                                                                       Entalpia final (-10ºC)               54,48          kJ/kg.

Xb  0,4 Xp  0,4( 0,188)  0,0752
                                                                      E 8.5 Faça uma simulação das propriedades
Com a formação de gelo, a quantidade de água                          termofísicas do filé de peixe do exercício E 8.4
líquida ficou reduzida a:                                             .
 Xw  Xwo  X gelo = 0,787-0,57 = 0,217 (21,7%)                          Propriedades termofísicas do filé de peixe
A Tab. 8.2 mostra a nova composição da corvina na                       ºC     c                   h        k       
temperatura de -10 ºC (14 ºF).                                           -2   3,35 1,83E-07 374,9           0,64 1040
       Tabela 8.2 Dados para o congelamento                              -5 2,351 4,97E-07 105,6 1,167 998,3
       Umidade Contida (Xw) 21,7                                       -10 2,197 5,72E-07 54,48 1,249 993,7
       Proteínas (Xp)           18,8                                   -15 2,128 6,09E-07 26,89 1,286 992,7
       Lipídeos (Xg)            1,1                                    -20 2,079 6,36E-07 4,265 1,313 992,5
       Carboidratos (Xc)        0                                      -25 2,037 6,61E-07          -16,5 1,336 992,7
       Fibras (Xf)              0                                      -30 2,001 6,84E-07 -36,37 1,358 993,1
       Sais (Xs)                1,2
       Gelo ( X gelo )          57                                     Propriedades termofísicas do filé de peixe
                                                                         ºC         %Gelo             %Água
       Temperatura média        -10ºC (14ºF)
                                                                          -2           0                78,7
                                                                          -5         62,81             15,89
Substituindo t = 14 ºF nas equações constitutivas
                                                                         -10         68,96              9,74
empregadas no exercício E 8.1 adicionando a parcela
                                                                         -15         71,08              7,62
do gelo :
                                                                         -20         72,26              6,44
 gelo  5,7385x101  4,5333x103 t
                                                                         -25         73,05              5,65
Cgelo  0,46677 0,00080636
                          t                                              -30         73,62              5,08
K gelo  1,3652 0,0031648  0,0000181082
                         t             t
                                                                      Observa-se que no congelamento a condutividade
             X gelo
                                                                      térmica aumenta com o aumento do % de gelo.
              gelo
X V gelo 
                 Xi                                                   E 8.6 Determinem o calor trocado em kJ/kg de
             
                 i                                                   filé entre: a) -5ºC e -30ºC ; b) -2 (pto de
                                               k                      congelamento) e -30 ºC e c) 30 ºC a -30ºC
Cálculo da difusividade térmica                                     Q  ( hi  hf )  ( 8,855 ( 3,049)  11,9 kJ/kg
                                              .C
                                                                                         Resposta a) Q =11,9 kJ/kg de filé
Cálculo da entalpia h                                                 hg = 24,7 kJ/kg na tg= -2 ºC

hg  ( tg  ( 40 ))( 0,37  0,3 Xs                                  Q  ( hg  h f )  ( 24,7  ( 3,049)  27,75 kJ/kg
                                               ( Tg  32 )                                Resposta b) Q =27,75 kJ/kg de filé
                      ( Xwo  Xb )143,4                           )
                                          ( 40  32 )( tg  32 )     Do E 8.2 para t= 30ºC o valor de hi = 177,4 kJ/kg
                                                                      Q  ( hi  h f )  ( 177,4  ( 3,049)  180,449 kJ/kg
Xs  1  Xwo                                                                           Resposta c) Q =177,4 kJ/kg de filé
Xb  0,4 Xp
hf  ( tf  ( 40 ))( 0,37  0,3 Xs 
                                               ( Tg  32 )                O conteúdo na composição de umidade
                      ( Xwo  Xb )143,4                           )
                                          ( 40  32 )( tf  32 )     (em massa) indica: para filés de peixe fresco
                                                                      81±2%;peixe inteiro fresco 78,7±2%; moluscos
   Resultados das Propriedades Físicas do Filé de                     80±2% e uma temperatura inicial (ponto) de
       corvina na etapa de congelamento (SI)                          congelamento para todas estas espécies de -2,2
  Condutividade Térmica          1,249    W/m.K                       ºC (ASHRAE,1993)
  Massa Específica               993,7     Kg/m³
                                                                      8.5 PERFIL DE TEMPERATURA
                                           kJ/kg.
  Calor Específico                2,2         K
                                                                          Na determinação do perfil da temperatura
                               5,722 E-
                                                                      média no resfriamento e no congelamento de
  Difusividade Térmica             07       m²/s
                                                                      alimentos e posterior aplicação no cálculo da
  Entalpia pto. do cong. (-       293      kJ/kg.


                                        Refrigeração-na indústria de alimentos
                                               Gilberto Arejano Corrêa
8-4


variação da taxa de calor removida foi utilizado o
método analítico para problemas de condução                                                                                        E 8.8 Determinem o perfil da taxa de calor
transiente, obtida da solução da equação da condução                                                                               removida do peixe do E 8.7
de calor, tridimensional, aplicada a paralelepípedo.                                                                               Dados utilizados na simulação:
                                                                                                                                   Peso do peixe inteiro m = 0,9 kg
A temperatura média com o tempo é obtida da
                                                                                                                                            1,8
equação
                                                                                                                                            1,6
                                                                                                                                                                                    Q
                                                           m, f  1
                                            
                                                                   x y  z dV
                                                                                                                                           1,4
                                                           i
                                             m, f
                                                                  V




                                                                                                                                   Q [kW]
                                                                                                                                            1,2

Substituindo as soluções de   ,   ,   e resolvendo
                              x     y     z                                                                                                  1

a integral é determinada a temperatura média Tm,f .                                                                                         0,8

 m,f                 n            sen( n x )  n
                                                    
                                                                sen( n y )       
                                                                                              n           sen n ( n z ) 
                                                                                                                                           0,6
                        Cn                        .   Cn                                                               
     i
                       
                      n1                   2
                                                        
                                     n exp  n Fo  x n1
                                                              n exp  n Fo
                                                                        2
                                                                                       .   C
                                                                                          y  n1
                                                                                                          n
                                                                                                                       2
                                                                                                                              
                                                                                                               n exp  n Fo  z
                                                                                                                                            0,4

                                                                                                                                            0,2
Onde                                                                                                                                          100   200   300   400     500   600   700   800    900   1000

 m , f  Tm , f  T0 e  i  Ti  T0 sendo                                             ,f
                                                                                        m                 f Fo,Bi  .                                               tempo [s]

Através do Fo para cada Tm , f desejado teremos o                                                                                       O perfil da taxa de calor é o calor removido
tempo decorrido para atingir esta temperatura.                                                                                     (obtido como no exercício E 8.3) em um intervalo
                                                                                                                                   de tempo.
8.6 PROGRAMA COMPUTACIONAL                                                                                                         Assim:
                                                                                                                                                                               
                                                                                                                                   1)Conhecendo a capacidade frigorífica, QE , da
     As equações foram resolvidas numericamente                                                                                    câmara (ou túnel) para a tca= -23 ºC, e os perfis
utilizando as propriedades termofísicas (massa                                                                                     dos exercícios E 8.7 e E 8.8, posso determinar a
específica, calor específico, difusividade térmica,                                                                                movimentação e a quantidade de peixes.
condutividade térmica e entalpia) do alimento obtidas                                                                              2)Conhecendo os perfis dos exercícios E 8.7 e E
em função da temperatura média do volume no                                                                                        8.8, a movimentação e a quantidade de peixes.
tempo.                                                                                                                             Podemos determinar a capacidade frigorífica,
     Foram desenvolvidos programas computacionais                                                                                   
                                                                                                                                   QE , da câmara (ou túnel) para a tca= -23 ºC.
para auxiliar a predição das propriedades termofísicas
e de tempos de congelamento de alimentos. A
utilização destes, e sua combinação permitiram a
determinação dos perfis de temperaturas no centro,                                                                                 REFERÊNCIAS
superfície e média dos alimentos.
                                                                                                                                   ASHRAE HANDBOOK. Refrigeration systems
E 8.7 Determinem o perfil de temperatura no                                                                                        and applications. Atlanta: American Society of
congelamento de peixe eviscerado sem cabeça e calda                                                                                Heating. Refrigeration and Air-Conditioning.
da espécie castanha.                                                                                                               Engineers, 1998.
Dados utilizados na simulação:                                                                                                     COSTA, Ê. C., Refrigeração. 3° ed. Edgard
Troca térmica tridimensional em regime transitório.                                                                                Blücher LTDA. São Paulo, 1994.
Temperatura da câmara tca = -23 ºC,  = 90% e                                                                                      DOSSAT, Manual de Refrigeração. HEMUS, vol
                                                                                                                                   2 e 4. Houston, 1980
velocidade do ar de 2 m/s.
                                                                                                                                   INCROPERA, F.P. & WITT, D.P. fundamentos
                              -5                                                                                                   da Transferência de Calor e de Massa,
                                                                                                                                   Guanabara. Rio de Janeiro, 1992.
                             -8,5
                                                                                                          tMÉDIO                   PLANK, R. El Empleo del Frío en la Industria de
                                                                                                          tCENTRO
                                                                                                                                   la Alimentación, Reverté S.A. Barcelona
                                                                                                                                   Espanha, 1963.
tMÉDIO, tCENTRO




                             -12
                                                                                                                                   STOECKER, W.F. Refrigeração             e    Ar
                        -15,5                                                                                                      Condicionado. Mc Graw Hill. São Paulo, 1985.
                                                                                                                                   RUSCHEINSKY,NIRSE.Refrigeração de filé de
                             -19
                                                                                                                                   pescado.
                                                                                                                                   BONACINA, MARLICE.Desenvolvimento e
                        -22,5
                                                                                                                                   Caracterização de Empanado a partir da Corvina.
                            100          200            300    400     500       600           700        800       900    1000
                                                                     tempo [s]




                                                                                 Refrigeração-na indústria de alimentos
                                                                                        Gilberto Arejano Corrêa
8-5


PHOLMANN, W. - Manual de Técnica Frigorífica -        STOECKER, W.F. - Refrigeration and Air
Ediciones Ômega, S.A. - Barcelona, 1964.              Conditioning - McGraw Hill Book Company,
ELONKA, S.M. e MINICH, Q.W. - Standard                1958.
Refrigeration and Air Conditioning Questions and
Answers - McGraw Hill Book Company, 1973.
CARRIER, W.H., CHERNE, R.E., e GRANT, W.A. -
Modern Air Conditioning, Heating and Ventilating -
Pitman Publishing Corporation, 1957.




                              Refrigeração-na indústria de alimentos
                                     Gilberto Arejano Corrêa
9-1

RESFRIAMENTO E CONGELAMENTO
DE VEGETAIS
                                                                                                                9
                                                          embalagem que contêm os produtos, permitindo
9.1 INTRODUÇÃO                                            uma eficiente troca de calor com o meio
                                                          refrigerado.
     As frutas e hortaliças não se adaptam bem a
                                                               Já no segundo método, o calor dos produtos é
armazenamentos prolongados. Estas para terem
                                                          removido usando-se como meio de resfriamento,
consumo fresco têm que estarem condicionadas a
                                                          água a baixas temperaturas. O resfriamento com
sobrevivência desde o período da colheita por vários
                                                          água, pode ser feito introduzindo os produtos em
dias ou semanas. A falta de tratamento e manuseio
                                                          tanques de imersão, ou, usando-se o método de
adequados, aumenta a vulnerabilidade ao ataque de
                                                          aspersão, onde a água é aspergida de forma
microorganismos e, a falta do procedimento de
                                                          contínua na superfície dos produtos. O resfriamento
estocagem frigorificada provocam perdas na
                                                          nestes tipos de sistemas é rápido e eficiente
produção nacional (de frutas e verduras pós-colheita)
                                                          (uniforme), podendo ser aplicado numa ampla faixa
de 30 a 50%.
                                                          de produtos.
     A preservação de frutas e hortaliças por meio da
refrigeração retarda a ação dos fenômenos                     Ambos os sistemas, ar forçado e água,
metabólicos, prolongando por maior tempo, a               garantem baixos tempos de resfriamento.
conservação e a qualidade do produto (ROCHA e
SAGNOL, 1983).                                            Tabela 9.1 Condições de armazenamento
     Os vegetais são organismos vivos que respiram         na conservação de vegetais
consumindo oxigênio e desprendendo gás carbônico,                                      %
produtos odorantes e calor. Quando armazenados em             Produto          ºC                tempo
                                                                                      U.R.
câmaras estanques, observa-se a queda progressiva da          Frutas
concentração de oxigênio. O princípio da conservação     Abacaxi                7      90      2 a 4 sem.
dos vegetais em atmosfera controlada consiste na         Azeitona                     85 a
estabilização da mistura gasosa empobrecida de                              7 a 10             4 a 6 sem
                                                                                       90
oxigênio em valores da ordem de 3 a 10 % (COSTA,         Bananas              11,5     85        3 sem.
Ê., 1994).                                               Fruta congelada    -23 a -   80 a       6 a 12
     O uso da refrigeração em atmosfera controlada                             15      90        meses
permite aos vegetais (frutas e hortaliças) dobrar o      Laranja                      85 a
tempo de conservação obtida por simples                                     0 a 1,2           8 a 10 sem.
                                                                                       90
refrigeração.                                            Maçã                         85 a
     A Tabela 9.1 relaciona alguns produtos e suas                           -1 a 1           2 a 7 meses
                                                                                       90
condições     de    armazenamento       de    máxima     Massa de frutas        1      80       6 meses
conservação.
                                                         Morango             -1 a 1    90      2 a 3 sem.
                                                         Peras                        90 a
9.2 VEGETAIS RESFRIADOS                                                      -1 a 2           1 a 8 meses
                                                                                       95
     Originalmente, as frutas eram resfriadas em
                                                         Pêssegos                     85 a
hydrocollers como operação final após a embalagem.                            0e1              4 a 6 sem.
                                                                                       90
Atualmente, a maior parte das frutas e hortaliças são
resfriadas a ar em resfriadores pressurizados,           Suco de frutas               80 a
                                                                           15 a 23            2 a 8 meses
denominado túnel de resfriamento, para remover                                         90
rapidamente a resistência ao calor logo após o           Suco de maçãs         4,5     85       3 meses
período de pós-colheita.                                 Uvas                         85 a
                                                                              1a3             1 a 4 meses
     No caso dos pêssegos como exemplo, o                                              90
resfriamento até 4 ºC logo após a colheita é essencial      Hortaliças
na retenção da qualidade e controle do                   Abóbora                      80 a
                                                                              0a3              2 a 3 sem.
apodrecimento. Pêssegos começam a amolecer e                                           85
apodrecer em poucas horas se não houver um               Alface                       85 a
                                                                              0a1              1 a 2 sem.
controle de temperatura apropriado.                                                    90
     Entre os diferentes métodos de resfriamento         Alho                         70 a
                                                                           -1,5 a 0           6 a 8 meses
rápido destacam-se os sistemas de resfriamento com                                     75
ar forçado (forced-air cooling) e com água gelada        Batatas                      85 a
                                                                              3a6               6 meses
(hydrocooling). No primeiro método, os produtos são                                    90
condicionados no interior de um túnel de ar forçado,     Beterraba branca             90 a
                                                                                0             4 a 5 meses
estando composto por ventiladores, associados ao                                       95
sistema de refrigeração da câmara. O ar resfriado        Beterraba rocha              90 a
                                                                                0             10 a 15 dias
deve entrar em contato com a maior área da                                             95
                                                         Brócoli            0 a 1,6   90 a    7 a 10 dias
                                     Refrigeração-na indústria de alimentos
                                            Gilberto Arejano Corrêa
9-2



                                  95                                 Na industrialização destes alimentos ocorre
Cebola                1,5         80        3 meses             um aumento no aproveitamento da matéria prima
Ervilhas                         85 a                           através da remoção parcial das partes danificadas.
                    -0,5 a 0               1 a3 sem.
                                  90
Ervilhas em vage                 85 a                           9.4 ARMAZENAGEM DE VEGETAIS
                       0                   1 a 2 sem
                                  90
Legumes             -24 a -                  6 a 12                  Na armazenagem, além da temperatura,
                      18                     meses              também devem ser controlados outros parâmetros,
Tomates                          85 a                           especialmente a umidade relativa e a velocidade de
                       0                   1 a 3 sem.           ventilação. Para a maioria dos alimentos no
maduros                           90
Tomates verdes       11,5 a      85 a                           armazenamento, a umidade relativa ótima está em
                                           3 a 5 sem.           torno de 85 a 90%. A umidade excessiva
                      13          90
Vegetais      em                                                acompanhada de uma interrupção da ventilação
                       1         85          2 sem.             pode provocar o intenso desenvolvimento da
geral
                                                                microflora; por outro lado, uma umidade relativa
                                                                baixa acentua a perda de água dos produtos não
 9.3 FRUTAS CONGELADAS                                          embalados ou envoltos em materiais não
                                                                impermeáveis. Para impedir esse efeito, utilizam-se
      O inicio da temperatura do congelamento (ponto            sistemas de refrigeração que garantam uma
 de congelamento) da água depende da pressão                    suficiente movimentação do ar em toda a câmara.
 atmosférica. Na medida em que aumentamos a                     Geralmente a velocidade do ar em torno de 0,1 a
 pressão, aumentamos esta temperatura do ponto de               0,3 m/s sobre a superfície dos produtos é o
 congelamento.                                                  suficiente.
      Congelar frutas inteiras ou em pedaços, significa              As frutas e hortaliças continuam vivas depois
 reduzir a sua temperatura (abaixo do ponto de                  de colhidas respiram, esquentam (reações
 congelamento), o suficiente para fazer passar parte            químicas), perdem água e envelhecem. Estes
 da água contida neste alimento em gelo. A                      vegetais são muito sensíveis a perda de água e ao
 velocidade que ocorre o congelamento influencia na             efeito do etileno, gás natural produzido por estes
 cristalização da água. Quanto maior a velocidade               durante o armazenamento.
 menor é a irreversibilidade do processo ao                          O calor desprendido pelos vegetais é
 restabelecer o estado inicial. Em geral se utiliza uma         conhecido como calor de respiração e deve ser
 velocidade linear média de 1 a 3 cm/h. A velocidade            considerado como parte do calor do produto. A
 de congelamento determina a estrutura macroscópica             tabela 9.2 mostra o calor de respiração de algumas
 dos alimentos.                                                 frutas e hortaliças.
      O ponto de congelamento de frutas ocorre                       No depósito refrigerado de frutas tem-se
 aproximadamente a -2,2 ºC e hortaliças a -1,0 ºC.              utilizado com bastante êxito o método CA. Trata-se
       As vendas de frutas processadas (sucos,                  de um armazenamento em uma atmosfera
 conservas e massas) e as minimamente processadas               modificada em sua composição                 gasosa,
 como frutas e hortaliças (limpas, descascadas e                aumentando as taxas de nitrogênio e dióxido de
 fatiadas), resfriadas ou congeladas têm recebido a             carbono e diminuindo o conteúdo de oxigênio. Em
 preferência do consumidor, o qual se deve a                    geral a atmosfera é controlada em níveis de 2 a 8%
 diminuição da sua jornada de trabalho e a facilidade           de O2 e 5 a 15% de C O2.
 de aquisição.

                   Tabela 9.2 Calor de respiração de frutas e hortaliças
                   Produtos     ºC     kJ/h.kg Produtos         ºC     kJ/h.kg   Produtos     ºC     kJ/h.kg
                    Amora        2       1,06                    0       0,16     peras        0      0,15
                                15       3,18      Maçã          5       0,27                15,5     2,12
                    Banana      13        4,6                   15       1,10                  0      0,54
                                21        4,6                    0       0,21      Aipo       4,5     0,87
                   Damasco       5       0,33     pêssego       4,5      0,33                15,5     2,58
                                15       1,56                  15,5      1,56     Alface      4,5     3,04
                                 0       0,16                    0       0,62                15,5     8,85
                    laranja     4,5      0,26     morango       4,5      1,10    Ervilhas      0      1,56
                               15,5      0,95                  15,5      3,32                15,5     7,56




                                    Refrigeração-na indústria de alimentos
                                           Gilberto Arejano Corrêa
9-3
                                                               (branqueamento de verduras), assim como com o
E 9.1 Determinem a quantidade de calor de respiração           emprego de embalagens adequadas. Se forem cumpridas
removido em 24 horas no resfriamento de vinte mil kg           todas as prescrições referentes ao estado da matéria-
de maçã desde uma temperatura de 30ºC à -1ºC.                  prima, do método de tratamento, tipo de congelamento,
 Q respiração  massakg  calor respiração kJ h.kg  24h
                                                              condições do depósito em ambiente congelado e
                                                               modalidade de descongelamento, os alimentos assim
      Qrespiração  20000kg  0,43kJ h.kg  24h
                                                              conservados, com relação às características sensoriais e
                                                              à preservação de importantes nutrientes e vitaminas
                                Qrespiração  206400 kJ
                                                               apresentam consideráveis vantagens frente a outros
Calor de respiração = 0,43 kJ h.kg *                           processos de conservação.
*O calor de respiração foi obtido da Tabela 9.2, para
uma temperatura média de 8ºC, por regressão tipo               REFERÊNCIA
polinomial.                                                    COSTA, Ê. C., Refrigeração. 3° ed. Edgard Blücher
                                                               LTDA. São Paulo, 1994.
                                                               DOSSAT, Manual de Refrigeração. HEMUS, vol 2 e 4.
9.5 ALTERAÇÕES DE QUALIDADE                                    Houston, 1980
                                                               PLANK, R. El Empleo del Frío en la Industria de la
    O congelamento trava o processo de decomposição,           Alimentación, Reverté S.A. Barcelona Espanha, 1963.
de tal forma que o alimento mantém intactas, durante           STOECKER, W.F. - Refrigeration and Air
todo o tempo, todas as suas qualidades.                        Conditioning - McGraw Hill Book Company, 1958.
    Porém em alguns casos ocorrem alterações de                ROCHA, J.L.V. da; SPAGNOL, W.A. Frutas e
qualidade que dependem sobretudo do caráter do                 hortaliças. In: VAN’DENDER, A.G.F. et al.
produto e das condições em que se levam a cabo os              ARMAZENAMENTO DE GÊNEROS E PRODUTOS
processos industriais. Nestes casos somente se obtém           ALIMENTÍCIOS. São Paulo: Secretaria da Indústria,
uma boa ação da conservação por congelamento quando            Comércio, Ciência e Tecnologia, 1983. p. 227-72.
esta é associada com um tratamento térmico prévio




                                      Refrigeração-na indústria de alimentos
                                             Gilberto Arejano Corrêa
10.1

ISOLAMENTO TÉRMICO
APLICAÇÃO PRÁTICA
                                                                                                            10
10.1 GENERALIDADES                                       - Reboco 1:5;

     A finalidade do isolamento térmico de câmara        - Chumbadores com arame galvanizado nº14;
frias, é reduzir as trocas térmicas indesejáveis e       - Primer asfaltico;
manter a temperatura da parede externa do recinto        - Asfalto 0,84 em 3 demãos;
climatizado próxima a do ambiente, a fim de evitar       - folha de alumínio ou filme plástico de 0,1 mm;
problemas de condensação.                                - 1º camada de isolante colocada com asfalto e
     Um bom isolante deve apresentar as seguintes        sarrafeada na horizontal e vertical;
qualidades:                                              - 2º camada de isolante colocada com asfalto com
- Baixa condutividade térmica;                           as juntas desencontradas e sarrafeada na horizontal
- Boa resistência mecânica e a agentes químicos;         e vertical;
- Não deve sofrer influência da temperatura;             - Tela de estuque;
- Não deve ser combustível;                              - Cavilha para enrrolar o arame e fixar a tela de
- Não deve ser perecível nem atacável por ratos;         estuque;
- Baixo custo;                                           - Filme plástico de 0,1 mm;
- Baixa permeabilidade ao vapor d'água;                  - Argamassa 1:5.
- Deve ser de fácil aplicação.
                                                              Outra técnica de execução de isolamento de
                                                         paredes de alvenarias e forros de concreto é o da
10.2 TÉCNICAS           DE     EXECUÇÃO         DOS      utilização de placas isolantes em uma camada
ISOLAMENTOS                                              única, rebaixadas nas bordas e fixadas por meio de
                                                         tiras metálicas ou de madeira compensada. As tiras
    Para a construção de uma câmara frigorífica          de fixação são protegidas após sua colocação por
deve-se seguir um roteiro de informações, para se        meio de tiras do mesmo material isolante colado.
chegar racionalmente e sem contratempos ao final da      Este tipo de execução é aconselhável para o caso de
obra no prazo estipulado.                                forros suspensos em estruturas de madeira.
                                                              Nos pisos de concreto, o isolante é lançado em
10.2.1 Relação de etapas na elaboração do projeto.       duas camadas simplesmente coladas com asfalto e
                                                         protegida por lage de concreto para uniformização
- Memorial de cálculo;                                   da carga. Quando se trata de piso térreo em câmaras
- Desenhos de implantação como planta baixa e            de temperaturas inferiores a 0 0C, adota-se o porão
cortes indicando níveis e detalhes de lajes, colunas,    ventilado para evitar o congelamento do solo.
piso e contrapiso, pé direito, posicionamento de               Tanto em estruturas de alvenaria como em
evaporadores, tubulações do sistema frigorífico e        estruturas de concreto, o isolante é lançado de uma
elétrico, drenos e portas;                               maneira contínua em todas as superfícies de modo a
- Aprovisionamento e especificações de materiais;        criar uma câmara estanque. Nas paredes divisórias o
- Cuidados de montagem e inspeção.                       isolante deve ser colocado dos dois lados da parede.

     A colocação do isolamento deve ser feita com        10.2.3 Isolamento térmico com painéis pré-
todo o cuidado, de modo a garantir sua continuidade,     fabricados.
evitando-se :
- falhas;                                                     Em estruturas metálicas normalmente o
- superfícies de menor isolamento;                       isolante é lançado em grandes painéis ou painéis
- condensações internas;                                 pré-fabricados, com revestimento de fibrocimento,
- pontos de congelamento.                                alumínio, madeira, poliéster, etc.. Estes painéis são
                                                         geralmente fabricados de espuma rígida de
10.2.2 Isolamento térmico convencional.                  poliestireno ou poliuretano.
                                                              A colocação do isolamento pode ser feita tanto
     Sobre as paredes de alvenaria o isolante deve ser   pelo lado interno como pelo lado externo da
aplicado sempre em duas ou mais camadas. Para fixar      estrutura. No primeiro caso, a despesa é menor. No
melhor o isolante podem ser adotados sarrafos ou         segundo caso o volume disponível é maior.
arames com chumbadores. A simples colagem do
isolante com asfalto de baixo ponto de pressão não é     10.2.4 Cuidados de ordem prática.
aconselhável. Igual técnica pode ser adotada para a
colocação do isolamento nos forros de concreto.              Para os responsáveis pelos serviços de
     Portanto seguindo uma ordem de colocação:           colocação dos isolamentos, alguns cuidados de
- Alvenaria com armassa de 1:5;                          ordem prática :
                                     Refrigeração-na indústria de alimentos
                                            Gilberto Arejano Corrêa
10.2


- O armazenamento dos materiais deve ser adequado,       menor temperatura. Os mecanismos desta
em ambiente seco e fresco, tanto antes de começar o      transferência de calor ocorrem por condução,
serviço, como durante a obra.                            convecção e radiação. A combinação dos
- Verificar a segurança dos andaimes a fim de evitar     mecanismos conveção e radiação ocorrem
acidentes.                                               normalmente em paralelo.
- Os objetos isolantes deverão ter as superfícies             Todos os cálculos apresentados prevêem
limpas, bem como as áreas a serem isoladas. Deverão      condições de transferência de calor em estado
ser eliminadas, também, irregularidades da superfície.   estacionário.
- Os isolantes devem ser medidos e conferidos no ato                                            
                                                              A perda térmica ou taxa de calor, Q , é dada
do recebimento, e somente deverão ser aceitos se         por:
estiverem rigorosamente dentro das especificações.
                                                                           T
                                                                          Q                         (10.1)
10.3 RECOMENDAÇÕES PARA REDUZIR A                                             Rt
TEMPERATURA      EM      CÂMARAS
FRIGORÍFICAS.                                                 A resistência térmica total, Rt é o somatório
                                                         das resistências: convecção interna e externa,
     Após a conclusão da construção de uma câmara:       condução das paredes compostas e radiação interna
- Somente iniciar o processo de resfriamento após ter    e externa.
passado 15 dias do lançamento do concreto da lage
superior do piso (acabamento);                            R t   R convec.   R cond.  R rad.      (10.2)
- Resfriar a câmara até +2ºC/+3ºC, a razão de 5ºC por
dia;
                                                         10.5.1 Condução
- Manter a temperatura em +2ºC/+3ºC durante seis
dias;
                                                             A lei fundamental que descreve a condução
- Abaixar a temperatura para -2ºC/ 0 ºC e mantê-lo
                                                         térmica é a lei de Fourier (Eq. 10.3).
durante cinco dias;
- Reduzir até a temperatura de trabalho à razão de 5ºC
por dia.                                                                   k A
                                                                             xi
                                                                                 
                                                                 Q cond.  i i T j  T j 1           (10.3)
Observação: O mesmo processo é válido para               x   espessura do material [m]
câmaras frigoríficas que já estavam em operação, mas     A   área normal a transferência de calor [m²]
que foram aquecidas para trabalho de manutenção.         k   coeficiente de condutibilidade térmica [W/m.K]
                                                         j   volume de controle entrada e saída
10.4 COMO EVITAR O CONGELAMENTO DO
SOLO SOB CÂMARAS FRIGORÍFICAS.                           Onde k é uma propriedade própria de cada material
                                                         (i). Consiste numa grandeza física que mede a
     Depende do solo e do lençol freático e linha        capacidade de uma substância conduzir o calor. A
isotérmica zero, no interior do isolamento. Deve-se      Tabela 10.1 classifica os materiais através da
empregar isolamento de boa qualidade e mais as           condutividade térmica.
seguintes providências:
                                                         A resistência térmica por condução
- Construir a unidade frigorífica sobre uma camada de                              x
pedra britada com espessura não inferior a 60 cm;                    Rcond.   i                      (10.4)
                                                                                 k i Ai
- Concretar a laje do contrapiso sobre canais de
ventilação;
- Elaborar o projeto arquitetônico de materiais tais a        Tabela 10.1 Classificação dos materiais na
se ter entre a laje do contrapiso e do solo, um vão           condução de calor.
livre de 60 cm, que permitirá uma ventilação natural;                Classificação          k [W/m.K]
- Instalar um sistema de aquecimento do contrapiso.           Condutores                        >23
                                                              Semi-condutores                  9 a 23
10.5 ISOLAMENTO DE PAREDES PLANAS                             Refratários                     1,1 a 3,5
                                                              Refratários leves              0,35 a 1,1
     Toda parede a uma temperatura inferior a do              Semi-refratários              0,16 a 0,35
ambiente, como a de câmaras frigoríficas, devem ser           Isolantes                        <0,16
isoladas para reduzir as perdas térmicas e evitar a
condensação superficial.                                 A Tabela 10.2 mostra a condutibilidade de alguns
     A transferência de calor ocorre na existencia de    Materiais.
regiões a diferentes temperaturas, no sentido das de



                                 Refrigeração-na indústria de alimentos
                                        Gilberto Arejano Corrêa
10.3


       Tabela 10.2 Condutibilidade de alguns            A resistência térmica convectiva
       materiais                                                                    1
                Material           k [W/m.k]                      R convec.                         (10.6)
                                                                                 h cj A j
       Aço                              45
       Concreto                        1,3              A Tabela 10.3         mostra     valores práticos do
       Gelo                            1,9              coeficiente, hc.
       Argamassa                       0,6
       Tijolo                       0,4 - 0,8                Tabela 10.3 Convecção de alguns sistemas
       Asfalto                         0,6                             Sistemas            hc [W/m2.k]
       Fibra de vidro                 0,046                  Natural - gás                     2 - 15
       Ar parado                      0,026                  Forçado - gás                   15 - 250
       Poliestireno               0,028-0,035                Natural - líquidos             50 - 1000
       Poliuretano                0,017-0,020                Forçado - líquidos           1000 - 100000

E 10.1 Determinem a taxa de calor por condução, de           O coeficiente, hc é determinado através de
uma parede de poliestireno (k = 0,035 W/m.K) com        estudo do escoamento através de vários trabalhos
espessura x igual a 100 mm, sujeita a uma diferença     numéricos e experimentais, encontrados na
de temperatura ΔT igual a 30ºC. Compare com o           literatura.
valor obtido da Tabela 7.1.
Solução:                                                 10.5.3 Radiação
Fazendo A = 1 m², determinamos a resistência
térmica da parede.                                           A energia radiante que um corpo emite
       x       0,1               K                      (Eq.10.7) é dada pela Lei de Stefan-Boltzmann
 R                  2,857143                         aplicada a um corpo real.
      k A 0,035  1              W
Rearanjando a Eq.(10.1), determinamos a taxa de
calor                                                          Q rad .   A j  Tsup .  T. 
                                                                               
                                                                                   4        4
                                                                                                     (10.7)
                                                                                              
                                                                                             
 
 Q T           30            W          kJ
                      10,5     907                          
                                                               Q rad.  h r A j Tsup .  T           (10.8)
 A R.A 2,857143               m2       m 2 dia
O valor da taxa de calor obtido pela Tabela 7.1 é de          coeficiente de radiação térmica [W/m².K]
                                                        hr
904,1 kJ/m²dia. Comparando a diferença dos valores      A      área normal a transferência de calor [m²]
em relação ao da Tabela 7.1                             j       volume de controle entrada e saída
              907,2  904,1 
    Dif %                  100  0,34% (maior)
                             
                 904,1                                A resistência térmica radiante
Comentário: O valor tabelado fornecido pelo                                          1
                                                                  R radiação                        (10.9)
fabricante é confiável.                                                           h rj A j
                                                        onde o coeficiente de transferência de calor por
                                                        radiação
10.5.2 Convecção
                                                                                
                                                                                 
                                                                                    
                                                           h r  . Tsup .  T  Tsup .  T 
                                                                                    2        2
                                                                                               
                                                                                               
                                                                                                      (1.32)
     A Eq. (10.5) é conhecida como lei de Newton. O
calor se transmite por partículas do meio, que se       Onde “σ” é a constante de Sefan-Boltzmann e vale
movimentam de um local para outro. Ocorre com           5,6697E-8 W/(m²K4) onde a emissividade (ε) é uma
líquidos e gases de duas maneiras:                      propriedade radioativa da superfície. A Tabela
- Convecção natural (ou convecção livre) quando o       (10.4) mostra os valores da emissividade e da
movimento se deve a diferença de densidade.             absortividade (α) de vários superfícies onde α= ε.
 - Convecção forçada quando o movimento é
provocado por agentes externos ( ventoinha, agitador    Tabela 10.4 Emissividade (ε) e Absortividade (α)
e bomba).                                                                          Emissividade ou
                                                            Superfícies             absortividade
                       
     Q convec.  h cj A j Tsup .  T      (10.5)
                                                        Cor negra
                                                                              10 - 35ºC
                                                                             0,90 a 0,98
                                                                                                500ºC
                                                                                              0,90 a 0,98
                                                        Pintura escura       0,85 a 0,95      0,75 a 0,90
hc   coeficiente de convecção térmica [W/m².K]          Pintura clara        0,85 a 0,95      0,70 a 0,85
A    área normal a transferência de calor [m²]          Pintura branca       0,85 a 0,95      0,60 a 0,75
j     volume de controle entrada e saída                Pintura alumínio     0,40 a 0,60           -




                                  Refrigeração-na indústria de alimentos
                                         Gilberto Arejano Corrêa
10.4


    Quando ocorem simultâneamente a transferência                                     x isolameno
de calor simultânea por convecção e radiação, utiliza-        R isolamento 
                                                                               k isolamento A isolamento
se um coeficiente combinado (h’ = hc + hr)
                                                              Ou seja
10.6 CÁLCULO PRÁTICO DE ESPESSURA DE                          x isolamento  R isolamento k isolamentoA isolamento
ISOLAMENTO TÉRMICO
                                                              x isolamento  4,817143 * 0,035 *1  0,1686 m
     O cálculo da espessura, a partir de uma taxa de
calor estimada por unidade de área, conduz a                  Comentário:
resultados rápidos. Este método garante uma taxa de           - Ao considerar Ra = 0 simplifica os cálculos e
calor, dentro de uma classificação (Tabela 10.5) de           garante um fator de segurança.
qualidade aceito internacionalmente.                          - A colocação de duas camadas de espessura
                                                              comercial (100mm + 75mm) com as juntas
     Tabela 10.5 Classificação do isolamento em               desencontradas na horizontal e vertical satisfaz a
     relação a taxa de calor por unidade de área              espessura de 169 mm e garante um fator de
                  ótimo < 9,3 W/m²                            segurança.
               9,3 ≤ bom ≤ 11,7 W/m²
            11,7 ≤ regular ≤ 17,4 W/m²
                                                              10.6 CÁLCULO    DO    ISOLAMENTO
EXERCÍCIO                                                     TÉRMICO PARA QUE NÃO OCORRA
                                                              CONDENSAÇÃO SUPERFICIAL
E 10.2 Determinem a espessura do isolante térmico
(poliestireno) para uma uma parede de alvenaria, para                  A condensação da umidade do ar
                                           
que seja admitida uma perda máxima Q A = 9 W/m²               atmosférico ocorre quando a mesma atinge valores
nas seguintes condições: Tint.=-10ºC e Text.=35ºC             inferiores a sua temperatura de orvalho, ponto de
respectivamente temperaturas interna e externa da             saturação. O ar em contato com uma parede fria,
parede.                                                       diminui sua temperatura podendo condensar sobre a
Considerar:                                                   mesma.
- A transferência de calor combinada (h = hc + hr)
externa hext. = 25 W/m²K e interna hint. = 7 W/m²K            E 10.3 Determinem a espessura limite do
obtida da Tabela 10.3.                                        isolamento térmico para que não ocorra
- Estado estacionário (Text. a Tint. constantes no tempo)     condensação superficial em um frezer, sabendo que:
- Resistência térmica da alvenaria Ra = 0 (valor pouco        1) Temperaturas: do ar externa 30ºC e U.R. 80%;
significativo)                                                da parede interna -20ºC.
                                                              2)Coeficientes: kisol. = 0,02 W/m.ºC e har = 20
Solução                                                       W/m².ºC
                       1             1
R combinado                                                 Solução:
                  ' A           ' A
                h ext . ext . h int . int .
Fazendo as áreas iguais a 1 m².                               Determinação da temperatura do ponto de orvalho
                                                              do ar:
                  1      1
R combinado                 0,182857 [K / W]              Com Text.=30ºC, obtemos da Tabela (6.4) de
                25x1 7 x1                                     saturação da água , a pressão de saturação ps =
Rearanjando a Eq.(10.1), determinamos a taxa de               0,042460 bar.
calor
 
 Q                  T                                        A pressão de vapor do ar (pv): p v  (U.R.).p s
   
 A (R combinado  R isolamento )A
                T                                             p v  0,8  0,042460  0,033968 bar
R isolamento         R combinado
                
                Q                                             Consultando a mesma Tabela (6.4), com p v na
               ( )A                                           condição de saturado determino a temperatura de
                A
                                                              saturação do ar (para 30ºC e 80% de umidade
A isolamento igual a 1m² normal ao sentido da taxa            relativa) Ts= 26,06ºC. A temperatura de orvalho,
de calor.                                                     To, corresponde a temperatura de saturação T s.
                 (35  (10))
R isolamento                  0,182857  4,817143 [K / W]
                    (9) x1                                    To= 26,06ºC (Temperatura de orvalho)
Conforme Eq.(10.4)
                                                              Determinação da taxa de calor



                                     Refrigeração-na indústria de alimentos
                                            Gilberto Arejano Corrêa
10.5



 
Q  h.A.(Text.  To)  20 1 (30  26,06)  78,85W
Onde A = 1m²

Menor espessura para que não ocorra condensação
superficial:

                    To  Tisol. 
x isol  k isol. .A
                   
                                 
                                 
                          
                        Q                                   Figura 10.1 Parede frigorífica esquematizada.

                   26,06  (20) 
x isol  0,02 1 
                                   0,012m
                                                           T 
                                                           Q
                                                                                   Area .t
                                                                                                       12,57 W
                       78,85                                Rt           1      LA LI          1
                                                                                          
                                                                         hext k A k I h int .
Comentário:
                                                           Cálculo do perfil de temperatura na parede.
- A condensação superficial é um dos problemas mais
                                                           Com o regime de troca térmica considerado
graves dos isolamentos de baixa temperatura,
                                                           permanente, determino as temperaturas nas
danificando materiais.
                                                           superfícies dos materiais da parede composta.
- Observa-se que a espessura do isolamento de 12
                                                                                
                                                                                Q
mm é pequena, e vai permitir uma troca térmica ruim        Ta  Text                   28,2º C
  
( Q A > 17,4 W/m²) . Portanto é um cálculo utilizado                      hext ..Area
                                                                           
                                                                          Q.L A
para verificar se há ocorrencia de condensação             Tb  Ta                  23,71º C
superficial.                                                            k A .Area
                                                                          
                                                                          Q.L I
10.7 CONDENSAÇÃO NO                   INTERIOR     DO      Tc  Tb                 18,2º C
ISOLAMENTO TÉRMICO                                                      k I .Area
                                                           Com as temperaturas obtemos da tabela de
        A presença de água nos isolamentos                 saturação da água, as pressões de saturação ou
térmicos, se devem a permeabilidade dos materiais ao       através da expressão com a temperatura T em
vapor d’água. A diferença de temperaturas entre dois       Kelvin:
meios propicia um diferencial de pressão de vapor,                                            2316 
promovendo a transferência de massa de vapor                     log ps mmHg  0,1466                     (10.10)
                                                                                              T 
d’água em superfícies porosas.
Medidas preventivas para que não ocorram                   Com a substituição das temperaturas para as
condensação em câmaras figoríficas                         posições conforme Fig (10.1):
O uso de barreiras de vapor previne, que a presença        psext. = 31,844 mmHg; psint. = 0,982 mmHg; psa =
de água reduzam a capacidade do isolamento e               28,665 mmHg; psb = 21,914 mmHg; psc = 1,14
mesmo sua destruição.                                      mmHg.
                                                           A pressão de vapor (pv) do ar, de ambos os lados da
E 10.4 Verificar a necessidade de uso de barreira de       parede:
vapor no isolamento térmico de uma parede de uma
câmara frigorífica conforme Figura 10.1.                          pv ext  (U.R.).ps ext  24,365 mmHg
Dados: Text. =30ºC e U.R.ext= 85%; Tint.=-20ºC e
U.R.int. = 90%; kI = 0,03 W/m.K e LI = 0,1 m                       pv int .  (U.R.).ps int  1,026 mmHg
(isolamento térmico); kA = 0,84 W/m.K e LA = 0,3 m         Cálculo da vazão mássica de vapor (Mv):
(alvenaria); hext.= hint. = 7 W/m².K; Área = 1 m².         A razão entre a diferença de pressão de vapor e a
Permeabilidade dos materiais (g/m.h.mmHg):P A =            resistência a passagem de vapor d’água dos
0,022 (alvenaria) e PI = 0,001 (poliestireno               materias da parede.
expandido).                                                       pv        pv ext .  pv int .
Estado estacionário (Text. a Tint. constantes no tempo)     Mv                                  0,23g / m².h
                                                                   Rv         LA            LI
                                                                                      
Solução                                                                    PA .Area PI .Area
                                                           Cálculo da pressão de vapor pvb:
                                                                         Mv.L A
                                                            pvb  pva              21,223mmHg
                                                                            PA




                                     Refrigeração-na indústria de alimentos
                                            Gilberto Arejano Corrêa
10.6


A condensação no interior ocorre quando o perfil de
pressão de saturação ao longo da parede cruza o perfil      Solução:
da pressão do vapor.                                        A taxa de juro anual é obtida pela Eq.(10.11)
Como os valores da pressão de vapor pv é menor que
o da saturação em “b”, indica que não ocorrerá                             F = P (1+i)n                     (10.11)
condensação.                                                Onde
                                                            F Valor Futuro
10.8 CÁLCULO DA ESPESSURA ECONÔMICA                         P Valor Principal
DE ISOLAMENTOS TÉRMICOS                                     n Periodo (mês ou ano)
     A medida que aumentamos a espessuraa do
isolamento térmico, reduzimos a troca de calor              Fazendo P = 1, determinamos F após 1 ano aplicado
indesejável, mas o custo do isolamento aumenta.             n =12 meses
     A espessura econômica será aquela para a qual a        F = 1 x (1+0,018)12 = 1,2387
soma dos custos de amortização de material colocado         Então a taxa de juro anual (ia)
do isolamento e do custo de reposição devido as             n = 1 ano
perdas térmicas seja o mínimo.                              1,2387 = 1 x (1+ia)1
    CTOTAL = CAMORTIZAÇÃO + CPERDAS = CMÍNIMO               ia = 1,2387 - 1 = 0,2387 ou 23,87% (taxa de juro
                                                            anual efetiva)
E 10.5 Determinação da espessura econômica de               A taxa mais utilizada pelas emprezas é a “atrativa”
isolamento térmico de Poliestireno Expandido para           e corresponde a um valor qualquer maior que a
uma câmara frigorífica de 100 m² e o tempo de               “efetiva”.
retorno do investimento, sabendo que:
1- Taxa de juros im = 1,8% mensal;                          Determinação do fator de juro condiderando a vida
2- Custo energético por hora r = R$1,07/kWh (r =            útil na amortização (depreciação).
Pm/Pf). Esta é a relação do custo médio, onde Pm                                        i(1  i) n
representa a potência consumida pelos motores                        (A / P, i%, n ) 
                                                                                                      (10.12)
(compressores,      bombas,ventiladores,..)     e   Pf                                 (1  i) n  1
representa a potência frigorífica ou seja todo o calor      Fazendo n =10 anos (vida útil dos isolamentos
retirado pelo sistema frigorífico ao londo do ano.          térmicos)
3- Nº de horas/ano de operação da câmara: 4800 h;
4- Temperatura interna -20ºC; externa: 30ºC da               (A/P,24%,10) =0,2716 fator de juro para período de
câmara;                                                     capitalização de 10 anos.
5- Condutividade do isolamento ki = 0,03 W/mºC e
vida útil de 10 anos;                                       Custo    amortizado      (CA)   do    isolamento
6- Revestimento de alvenaria k A = 0,84 e espessura         considerando a vida útil de 10 anos (R$/ano)
de 0,30m;
7-Prazo de financiamento de 8 meses;                        CA = ACi (A/P,24%,10)
8-Relação espessura (L) e o custo do isolamento              Lm          Ci       A                      CA
                                                                                            FRP
colocado (Ci):                                               (m)      (R$/m²)   (m²)                  (R$/ano)
                   L (m) Ci (R$/m²)                          0,05      100,00   100        0,2716       2716,02
                   0,05      100,00                          0,10      200,00   100        0,2716       5432,04
                   0,10      200,00                          0,15      300,00   100        0,2716       8148,06
                   0,15      300,00                          0,20      400,00   100        0,2716      10864,09
                   0,20      400,00                          0,25      500,00   100        0,2716      13580,11
                   0,25      500,00
                                                            Custo da reposição das perdas térmicas
Considerações:
                                                                                  r T
- Estado estacionário (Text. a Tint. constantes no tempo)                  CP 
- A temperatura interna e externa da câmara serão                                 R                    (10.13)
admitidas respectivamente nas faces das paredes da          r = R$1,07/kWh
mesma, simplificando os cálculos, visto que os              Para um tempo operacional T = 4800 h/ano
termos      negligenciados      são     sempre      pouco
                                                                       R$         h   1 kW            R$
significativos em relação a resistência do isolamento        r  1,07     x 4800    x         5,136
térmico.                                                              kWh        ano 1000 W          W ano
- No custo de reposição das perdas térmicas só foi          r =R$ 5,136/Wano (custo médio energético ao longo
levado em conta o consumo energético. Não foram             do ano)
considerados outros custeios como manutenção e
operação para o funcionamento do frigorífico.


                                   Refrigeração-na indústria de alimentos
                                          Gilberto Arejano Corrêa
10.7


Resistência a passagem de calor
                        La      Li                                       O prazo de retorno é o espaço de tempo
       R  Ra  Ri          
                                                           (10.14)
                        ka A kiA                                     necessário para que os Benefícios B advindos do
                                                                     investimento possam cobrir seus Custos C,
                                                                     considerados a uma adequada taxa de juros, ou seja,
 Lm (m)                    Ra [K/W]      Ri [K/W]      R [K/W]       quando C - B = 0.
  0,05                     0,00357       0,01667       0,02024           Para uma melhor compreensão utilizaremos
  0,10                     0,00357       0,03333       0,03690       uma representação gráfica (Fig.10) que permite
  0,15                     0,00357       0,05000       0,05357       visualizar as posições econômicas ao longo do
  0,20                     0,00357       0,06667       0,07024       tempo denominado Fluxo de Caixa.
  0,25                     0,00357       0,08333       0,08690           Consideremos um fluxo de caixa em que o
                                                                     Benefício ou Receita é a economia do Custo de
     Custo das perdas térmicas para cada espessura                   Produção Frigorífica durante o prazo de retorno n’,
do isolamento                                                        onde a economia é a diferença entre o custo de
   Lm         r        T      R         CP                         Produção Frigorífica com e sem isolamento.
   (m) [R$/Wano] [K]          [K/W] [R$/ano]
  0,05      5,136      50 0,02024       12688,94                                                                                      F
  0,10      5,136      50 0,03690        6958,45                                                        A1 - A2
  0,15      5,136      50 0,05357        4793,60
  0,20      5,136      50 0,07024        3656,14                       0
  0,25      5,136      50 0,08690        2954,96
                                                                               1       2       3       4                             n'
                                                                        P
   O custo total CT é a soma do custo do isolamento
amortizado CI e do custo das perdas térmicas CP                      Figura 10.3 - Fluxo de Caixa na obtenção do prazo
                                                                     de retorno
  Lm                      CA               CP             CT         Convenções adotadas no diagrama do Fluxo de
  (m)                  (R$/ano)         (R$/ano)       (R$/ano)      Caixa:
  0,05                  2716,02         12688,94       15404,96      1. O eixo horizontal representa o tempo a partir de
  0,10                  5432,04          6958,45       12390,49      um instante considerado inicial até um instante
  0,15                  8148,06          4793,60       12941,66      considerado final do prazo em questão.
  0,20                 10864,09          3656,14       14520,23      2. Os segmentos positivos, isto é, do eixo horizontal
  0,25                 13580,11          2954,96       16535,07      para cima, representam: a economia (A1-A2) e o
                                                                     Valor Residual (F) do isolamento.
      O custo total mínimo indica 0,10 m como a                      3. O segmento negativo, isto é, do eixo horizontal
espessura térmica econômica para 10 anos de vida                     para baixo, representa o valor do investimento (P)
útil.                                                                do isolamento.
                                                                          Analisando pelo Método do Prazo de Retorno
     A Figura 10.2 mostra a curva de custos para                     do Investimento, em função do Valor Presente
diferentes espessuras.                                               Líquido (VPL) e avaliando-se o valor da venda
                                                                     residual para o instante n' considerado,
                                                                     verificaremos se devemos investir no isolamento
                   Camortizado           Cptérmica         C total
                                                                     (Hirschfeld, 1984):
               18000
               16000
                                                                     VPL  P  (A1  A2)( P / A, i%, n' )  F(P / F, i%, n' )  0
               14000
                                                                     (10.15)
  Custo [R$]




               12000
               10000
                8000                                                      A última parcela da Eq. (10.15), representa o
                6000
                                                                     valor residual do isolamento e, será considerada
                4000
                2000                                                 igual a zero por não ter valor de comercialização,
                   0                                                 ou seja não contribui neste caso para o retorno do
                       0          0,1            0,2          0,3    investimento. O valor de n’ é calculado
                             Espessura do isolamento [m]             iterativamente de forma que a Eq. (10.15) seja
                                                                     satisfeita. Se n’ (prazo de retorno do investimento)
Figura 10.2 Curva de custos para diferentes
                                                                     for menor que n = 10 anos (vida de serviço do bem
espessuras.
                                                                     investido), o bem deve ser adquirido.

Retorno do investimento a taxas de atratividade.



                                              Refrigeração-na indústria de alimentos
                                                     Gilberto Arejano Corrêa
10.8


    O porte dos investimentos necessários
considerando o prazo de 8 meses do financiamento na           E 10.5 Uma fábrica pretende isolar térmicamente
amortização.                                                  uma tubulação de 100 m ao ar livre  2” (60/51
                                                              mm), onde circula amônia líquida saturada a -15ºC.
P = 8 ACi A/P(1,8%,8) = 8x100x200x0,1353                      Para tanto foram consultadas 2 firmas
                                                              especializadas em isolamentos, as quais apresentam
P =R$ 21653,70 ou seja 8 prestações de R$2706,71              as seguintes propostas:

Custo da reposição da perda térmica da parede sem                        Firma A               Firma B
isolamento.                                                        Custo : R$ 55,00/m Custo: R$ 50,00/m
                                                                   kA = 0,027 W/m.ºC kB = 0,03 W/m.ºC
       r T
A1                                                           A espessura do isolamento para as firmass é a
       RA                                                     mesma e vale 76,2 mm.
                                                              A tubulação é de aço ka = 50 W/m.ºC.
               R$            50    ºC
A1  5,136          x                  R $71 904,00 / ano    O custo energético é R$ 5,136/W ano.
              W ano          0,3   ºC                         Vida útil do isolamento: 10 anos.
                          0,84x100 W                          Taxa de juros im = 1,8% mensal.
Por mês                                                       Prazo de financiamento:10 meses.
A1  R$5992,00 / mês                                          Os coeficientes hi e he, valem respectivamente 300
                                                              e 8 W/m²ºC.
Custo da reposição da perda térmica da parede com             Temperatura do ar externo a tubulação: 35ºC.
isolamento.
                                                              Custo da reposição da perda térmica da parede com
       r T                                                   isolamento.
A2 
       R                                                                                                     
                                                                                                              
A 2  5,136
             R$
                  x
                      50x100 º C                                                                              
            W ano    0,3   0,1 º C                                   r T                   2LT             
                                                               Cp        r.                                
                    0,84 0,03 W                                        R                re    R          
                                                                               1      ln  ln              
                                                                                         ri     re  1
                                                                                                               
A2 = R$ 12688,94/ano = R$ 1057,41/mês                                          hi.ri  kaço  kisol.  he.R   
                                                                                                              

                          P         R$ 21653,70
(P / A,1,8%, n ' )                                          Teremos dois custos CpA (com k=ka) e CpB (com
                       A1  A2 R $(5992,00  1057,41)         k=kB), onde R = re + 0,0762 (m); re = 0,03 (m); ri
(P / A,1,8%, n' )  4,38                                      = 0,0255 (m); r = R$ 5,136/W ano e ΔT = 50ºC.

mas                                                           Fornecedor A: Cp = R$ 3352,20/ano
                      (1  i) n '  1                         Fornecedor B: Cp = R$ 3713,41/ano
(P / A,0,018, n ' ) 
                       i(1  i) n '
                          (1  0,018) n '  1
(P / A,0,018, n ' )                            4,38         Custo    amortizado      (CA)   do    isolamento
                        0,018x (1  0,018) n '                considerando a vida útil de 10 anos (R$/ano)

Reagrupando determino o prazo de retorno do                   CA = LCi (A/P,24%,10)
investimento
                               n’ = 4,6 meses                                             i(1  i) n
                                                              Onde: (A / P, 24%, 10) 
                                                                                         (1  i) n  1
10.9 AVALIAÇÃO DE PROPOSTAS DE
ISOLAMENTOS   TÉRMICOS EM  UMA                                Substituindo: i = 0,24 e n = 10
TUBULAÇÃO.
                                                              (A/P, 24%, 10) = 0,2716
         O isolamento térmico em tubulações de
instalações de refrigeração, evita as trocas térmicas         Fornecedor A:           CA     =    100x55x0,2716=R$
indesejáveis causando mudança de estado e/ou                  1493,80/ano
elevação da temperatura do fluido refrigerante.



                                        Refrigeração-na indústria de alimentos
                                               Gilberto Arejano Corrêa
10.9


Fornecedor B: CA = 100x50x0,2716=R$ 1358,00/ano       COSTA, E.C. - Física Industrial - Refrigeração -
                                                      Vol. II - Ed. Meridional EMMA - Porto Alegre,
                                                      1975.
   O custo total CT é a soma do custo do isolamento
amortizado CA e do custo das perdas térmicas CP       RAPIN, P. - Formulaire du Froid - Editions
                                                      Technique e Vulgarisation - Paris, 1994.

Teremos dois custos dos isolamentos (A e B)
amortizados .
Fornecedor      CA        CP          CT
              (R$/ano) (R$/ano)    (R$/ano)
    A         1493,80  3352,20     4846,00
    B         1358,80  3713,41     5071,41


O menor custo total indica que a firma A,
apresenta a melhor proposta de isolamento, para
10 anos de vida útil.

E 10.5 Determinem a espessura mínima do
isolamento térmico (k=0,03 W/m.K) para que não
ocorra condensação superficial na tubulação.




E 10.6 Verificar a possibilidade de condensação no
interior de uma parede de uma câmara frigorífica,
constituída de 30 cm de tijolos maciços (k=0,84
kcal/h.m.K e P=0,00055 gm/m²h.mmHg), isolada
internamente com 12” de polietileno (k=0,027
kcal/h.m.K e P=0,055 gm/m²h.mmHg) quando sujeita
às condições:
Internas, 0ºC e 90% de umidade,
Externas, 22ºC e 60% de umidade.


4. BIBLIOGRAFIA

PHOLMANN, W. - Taschenbuc Für Kältetechniker -
Verlag C.F. Müller - Karlsruhe, 1964.




                              Refrigeração-na indústria de alimentos
                                     Gilberto Arejano Corrêa

Livro refri

  • 1.
    refrigeração na indústriade alimentos Gilberto Arejano Corrêa Teoria , cálculo e aplicações práticas a todos profissionais engenheiros e técnicos de refrigeração.
  • 2.
  • 3.
    SUMÁRIO Prefácio .................................................................................................................................................... IV 01. PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS................................................................................................... 1-01 1.1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................................. 1-01 1.2 PROPRIEDADES TERMODIÂMICAS ...................................................................................... 1-01 1.3 SISTEMAS DE UNIDADES ...................................................................................................... 1-01 1.4 VOLUME ESPECÍFICO, MASSA ESPECÍFICA E PESO ESPECÍFICO................................. 1-01 1.5 PRESSÃO..................................................................................................................................... 1-01 1.6 TEMPERATURA ........................................................................................................................ 1-02 1.7 CALOR E POTÊNCIA ............................................................................................................... 1-02 1.8 PRIMEIRA E SEGUNDA LEI DA TERMODINÂMICA ......................................................... 1-03 1.9 ENERGIA, ENTALPIA E ENTROPIA ...................................................................................... 1-03 1.10 GÁS PERFEITO ....................................................................................................................... 1-04 1.11 MISTURAS DE GASES PERFEITOS ......................................... ............................................ 1-04 1.12 PROPRIEDADES DA ÁGUA E DO VAPOR ............................. ............................................ 1-04 1.13 EQUAÇÃO DA ENERGIA EM FLUXO ESTACIONÁRIO ......... ........................................ 1-04 1.14 FATOR DE COMPRESSIBILIDADE DOS GASES REAIS ............... .................................. 1-05 1.15 ESTADO DE UMA SUBSTÂNCIA PURA ..................................... ....................................... 1-05 1.16 TRANSFERÊNCIA DE CALOR .................................................... ...................................... 1-06 1.17 CONDUÇÃO ................................................................................. ..... ................................ 1-06 1.18 RADIAÇÃO........................................................................................ ..... ........................... 1-06 1.19 CONVECÇÃO ...................................................................................... ..... ....................... 1-07 1.20 CONSERVAÇÃO DA ENERGIA .................................................... ... ..... ....................... 1-07 1.21 EQUAÇÃO DA DIFUSÃO DE CALOR .................................. ... ..... ............................... 1-08 REFERÊNCIAS ..................................................................................... ... ..... .......................... 1-09 02. REFRIGERANTE ..................................................................................................................... 2-01 2.1 INTRODUÇÃO ............................................................................ ... ..... .............................. 2-01 2.2 EFEITOS DA TEMPERATURA E PRESSÃO ............... ... ..... .......................................... 2-01 2.3 CALOR LATENTE ........................................................................................ ... ..... ............ 2-01 2.4 FATORES A CONSIDERAR NA ESCOLHA DE UM REFRIGERANTE ........................ 2-01 2.5 CLASSIFICAÇÃO ............................................................... ... ..... ....................................... 2-01 2.6 COMPATIBILIDADE DOS REFRIGERANTES .................... ... ..... .................................. 2-07 2.7 SEGURANÇA ....................................................................... ... ... ..... .................................. 2-07 2.8 AMÔNIA (NH3) - R717 ................................................................. .... .................................. 2-07 2.9 RESISTÊNCIA A CORROSÃO ....................................................... .... .................................. 2-08 2.10 CARGA DO REFRIGERANTE ................................................. .... .................................. 2-08
  • 4.
    REFERÊNCIAS ............................................................................. ......... .................................. 2-08 03. CICLO DE REFRIGERAÇÃO POR COMPRESSÃO ........................................................ 3-01 3.1 CICLO DE REFRIGERAÇÃO MAIS IMPORTANTE ................ ..... .... ........................... 3-01 3.2 CICLOS REAIS E CICLO DE CARNOT ................................................ ........................... 3-01 3.3 MODIFICAÇÕES DO CICLO DE CARNOT PARA O CICLO REAL ..... ........................ 3-01 3.4 ESQUEMA SIMPLES DE UMA INSTALAÇÃO FRIGORÍFICA ............ ........................ 3-01 3.5 REPRESENTAÇÃO GRÁFICA ................................................................. ......................... 3-01 3.6 CICLO PADRÃO DE COMPRESSÃO DE VAPOR NO ESQUEMA SIMPLES................. 3-02 3.7 POTÊNCIA DO CICLO ............................................................... ........................ ................ 3-02 3.8 COEFICIENTE OPERACIONAL FRIGORÍFICO ......................... ...................... ................ 3-02 3.9 EFEITO DA TEMPERATURA DE ADMISSÃO SOBRE A EFICIÊNCIA DO CICLO ... 3-03 3.10 EFEITO DA TEMPERATURA DE CONDENSAÇÃO SOBRE A EFICIÊNCIA DO CICLO 3-03 3.11 CICLO REAL DE COMPRESSÃO DE VAPOR E OS DESVIOS DO CICLO SATURADO 3-04 SIMPLES.................................................................................................................................. 3.12 EFEITO DO SUPERAQUECIMENTO DO VAPOR DE ADMISSÃO.......................... 3-04 3.13 EFEITOS DO SUBRESFRIAMENTO DO LÍQUIDO .................................................... 3-05 3.14 EFEITOS DAS PERDAS DE PRESSÃO RESULTANTES DO ATRITO ..................... 3-05 3.15 REGIMES DE TRABALHO ............................................................................................ 3-06 REFERÊNCIAS ....................................................................................................................... 3-09 04. SISTEMAS MULTIPRESSÃO ............................................................................................ 4-01 4.1 REFRIGERAÇÃO POR COMPRESSÃO DE VAPOR ..................................................... 4-01 4.1.1 DOIS COMPRESSÔRES EM PARALELO ............................................................ 4-01 4.1.2 COMPRESSOR E VÁLVULA REDUTORA DE PRESSÃO................................. 4-02 4.2 CICLOS DE COMPRESSÃO POR ESTÁGIO................................................................... 4-03 4.2.1 SUBRESFRIAMENTO POR SUPERFÍCIE ............................................................ 4-03 4.2.2 SUBRESFRIAMENTO POR MISTURA ................................................................ 4-04 REFERÊNCIAS......................................................................................................................... 4-05 05. ABSORÇÃO ........................................................................................................................... 5-01 5.1 INTRODUÇÃO ....................... ...................... ................ ...................... ................ ........... 5-01 5.2 TIPOS DE APARELHOS ................................................................................................... 5-02 5.3 PROPRIEDADES ELEMENTARES DAS MISTURAS BINÁRIAS....... ...................... .. 5-02 5.4 FLUXO ESTACIONÁRIO COM MISTURAS BINÁRIAS ......... ...................... ............. 5-02 5.4.1 MISTURA ADIABÁTICA DE DUAS CORRENTES ......... ...................... ........... 5-04 5.4.2 MISTURA DE CORRENTES COM TROCA DE CALOR...................... .............. 5-05 5.4.3 PROCESSOS SIMPLES DE AQUECIMENTO E RESFRIAMENTO... ............... 5-05 5.4.4 ESTRANGULAMENTO .................. ...................... ................ ...................... ....... 5-06 5.4.5 RETIFICAÇÃO DE UMA MISTURA BINÁRIA ............... ...................... .......... 5-06 REFERÊNCIAS ...................................................................... ...................... ........................ 5-08
  • 5.
    ANEXO - DIAGRAMAAMÔNIA-ÁGUA................................. ...................... ................... 5-09 06. PSICROMETRIA ................................................................................................................ 6-01 6.1 DEFINIÇÃO .............................. ...................... ................ ...................... ....................... 6-01 6.2 REGIÕES TERMODINÂMICAS DO AR SECO E DO VAPOR D’ÁGUA ................. 6-01 6.3 AR ATMOSFÉRICA ....................... ...................... ................ ...................... ............... 6-01 6.4 AR SECO ............................. ...................... ................ ...................... ........................... 6-01 6.5 VAPOR D’ÁGUA ................................................................... ............ ......................... 6-02 6.6 AR ÚMIDO .................................................... ............ ................................. ............ ... 6-03 6.7 CARTA PSICROMÉTRICA ................................................ ............ ........................... 6-06 6.8 PROCESSOS DE ACONDICIONAMENTO DO AR .. ............ ...... ............................ 6-06 6.8.1 CONDIÇÃO DE SIMPLES AQUECIMENTO DO AR ..................................... 6-06 6.8.2 CONDIÇÃO DE SIMPLES RESFRIAMENTO DO AR .................................... 6-07 6.8.3 PROCESSO DE UMIDIFICAÇÃO DO AR ..................................................... 6-07 6.8.4 CONDIÇÃO DE AQUECIMENTO E UMIDIFICAÇÃO DO AR .................... 6-08 6.8.5 CONDIÇÃO DE SIMPLES DESUMIDIFICAÇÃO DO AR............................. 6-09 6.8.6 CONDIÇÃO DE RESFRIAMENTO E DESUMIDIFICAÇÃO DO AR........... 6-09 6.8.7 MISTURAS ADIABÁTICAS DE DUAS CORRENTES DE AR ÚMIDO....... 6-10 6.9 SERPENTINAS DE RESFRIAMENTO E DESUMIDIFICAÇÃO............................. 6-10 6.10 SERPENTINAS DE SUPERFÍCIE EXTENDIDAS.................................................. 6-11 REFERÊNCIAS ............................................................................................................... 6-11 07. CARGAS TÉRMICAS ................................................................................................. 7-01 7.1 GENERALIDADES ................................................................................................... 7-01 7.2 CARGA TÉRMICA ATRAVÉS DAS PAREDES..................................................... 7-01 7.3 CARGA TÉRMICA DEVIDO AO AR............ ................................. ............ ......... 7-02 7.4 CARGA TÉRMICA DO PRODUTO (ALIMENTO)................................................ 7-04 7.5 CARGA TÉRMICA DE PESSOAS EM UMA CÂMARA FRIGORÍFICA............. 7-04 7.6 CARGA TÉRMICA DE MOTORES ELÉTRICOS EM CÂMARA FRIGORÍFIC. 7-05 7.7 CARGA TÉRMICA DE ILUMINAÇÃO EM CÂMARA FRIGORÍFICA............... 7-05 7.8 CARGA TÉRMICA TOTAL EM CÂMARA FRIGORÍFICA................................. 7-05 CONCLUSÃO................................................................................................................. 7-06 REFERÊNCIAS............................................................................................................... 7-06 08. PESCADO .................................................................................................................... 8-01 8-1 INTRODUÇÃO........................................................................................................ 8-01 8-2 PESCADO RESFRIADO......................................................................................... 8-01 8-3 PESCADO CONGELADO...................................................................................... 8-01 8-4 PROPRIEDADES TÉRMICAS DO PESCADO..................................................... 8-01 8-5 PERFIL DE TEMPERATURA................................................................................ 8-03 8-6 PROGRAMA COMPUTACIONAL........................................................................ 8-03
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    REFERÊNCIAS.............................................................................................................. 8-04 09.FRUTAS ........................................................................................................................ 9-01 9.1 INTRODUÇÃO........................................................................................................ 9-01 9.2 VEGETAIS RESFRIADAS...................................................................................... 9-01 9.3 FRUTAS E HORTALIÇAS...................................................................................... 9-01 9.4 ARMAZENAGEM DE VEGETAIS......................................................................... 9-02 REFERÊNCIAS............................................................................................................... 9-02
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    PREFÁCIO Esta publicação destina-se auxiliar estudantes e profisionais, a relacionar o estudo teórico da refrigeração, com a aplicação prática na indústria. O Capítulo 1 envolve conhecimentos prévios fundamentais para o estudo da refrigeração, facilitando um melhor entendimento. Os demais capítulos relacionam-se entre sí, apresentando problemas práticos resolvidos e propostos do ramo da refrigeração. O Capítulo 2 descreve aspectos termodinâmicos, químicos e físicos importantes dos refrigerantes. Os refrigerantes são utilizados como agente na remoção de calor nos sistemas de refrigeração: na conservação e processamento de alimentos; na climatização de ambientes; na dissipação de calor de equipamentos e entre outras inúmeras aplicações.A amônia devido a suas características têm se imposto, como preferido, na seleção dos fluidos refrigerantes utilizados nas instalações industriais. Os ciclos de refrigeração por compressão mecânica de vapor são os mais usados na prática, e são apresentados nos Capítulos 3 e 4. Nestes são estudados os efeitos das temperaturas, na eficiência dos sistemas através dos balanços térmicos. No Capítulo 5 são estudados os sistemas de refrigeração por absorção. Estes se caracterizam pelo uso maior da energia térmica em substituição à elétrica e, pela simplicidade por não possuir partes móveis. Atualmente estes sistemas estão cada vez mais difundidos, sendo construídas desde pequenas unidades empregadas em refrigeradores domésticos e ar condicionado, até grandes unidades indústrias. No Capítulo 6 se estuda as propriedades do ar úmido e os processos de acondicionamento do ar. Para a solução dos exercícios são utilizados os métodos analíticos e/ou gráficos. Os Capítulos 7, 8, 9 e 10 tratam do estudo da carga térmica dos alimentos na refrigeração, congelamento e armazenagem. A maioria dos conteúdos abordados neste livro, procedem de vários autores citados no final de cada capítulo, porém diferenciam-se pela forma simples e objetiva aplicada. Gilberto A. Corrêa
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    PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DE TERMODINÂMICAE DE TRANSMISSÃO DE 1 CALOR 1.1 INTRODUÇÃO especializadas que ainda predominam estas unidades, ainda são bastante utilizadas. É de vital importância para o profissional que trata Sem dúvida, se apresenta uma grande confusão de problemas térmicos, a compreensão dos princípios quando se trabalha com distintos sistemas de básicos de termodinâmica e da transmissão de calor. O unidades, a tendência é a utilização de um sistema propósito deste capítulo é revisar alguns aspectos único que é o Sistema Internacional (SI). fundamentais. Neste último a unidade de massa é o quilograma (kg), que está referenciado a uma 1.2 PROPRIEDADES TERMODIÂMICAS quantidade padrão de material. A unidade de força é o Newton (N), que é a intensidade de uma força Uma propriedade termodinâmica é qualquer necessária para acelerar em 1 m/s² uma massa de característica medível, observável ou calculada de uma um quilograma. A massa (m), força (F) e substância, que depende somente do estado da mesma aceleração (a) estão relacionadas pela segunda lei substância. do movimento de Newton: 1.3 SISTEMA DE UNIDADES F  m.a (1.1) Os sistemas de unidades de uso corrente em O sistema padrão de unidades é o sistema refrigeração no Brasil é o sistema métrico, no Internacional (SI). Os outros sistemas de unidades entanto a preponderância da tecnologia norte- como o sistema inglês, relacionam-se ao SI americana que coexiste entre nós, ou a européia mediante fatores de conversão simples (Tabela que utiliza igualmente as unidades inglesas, 1.1). principalmente as publicações técnicas Tabela 1.1 - Fatores de conversão de unidades Grandezas/Dimensão Sistema Inglês Sistema métrico Sistema Internacional Massa M 1lb=0,454 kg kg kg Comprimento L 1ft=0,3048m m m Tempo T s s s 1lbf=32,2 lb.ft/s² 1kgf=9,81 kgm/s² 1 N= 1kg.m/s² Força MLT-2 1lbf=0,454 kgf 1kgf=9,81N 1psi=14,7lbf/in² 1kgf/cm²=98,1kN/m² 1Pa=1,0N/m² Pressão ML-1T-2 1psi=0,07031kgf/cm² 1 kgf/cm²=735,56 mmHg 1atm=1,01325x105Pa Volume específico M-1L3 ft³/lb 1m³/kg=6,24E-2 ft³/lb m³/kg Temperatura relativa °F=9/5(°C) +32 °C=5/9(°F-32) °C Temperatura absoluta R=°F+460 K=°C+273 K=°C+273 Trabalho ML²T-2 1lbf.ft=0,1383kgf.m 1kgf.m=9,81J 1J=1Nm=1W.s Calor ML²T-2 1Btu=0,252kcal 1kcal=4,1855kJ kJ Equivalência Calor-Trabalho 1 Btu =778 lbf.ft 1 kcal=427 kg.m 1 kcal=4187J Constante universal dos gases R=1545 lbf.ft/lbmol.R R=848 kgf.m/kmol.K R=8,314kj/kmol.K Calor específico 1Btu/lb°F=4,186kJ/kg.K 1kcal/kgK=1Btu/lb°F kJ/kg.K Potência 1HP=746W 1HP=1,014CV kW 1.4 VOLUME ESPECÍFICO, MASSA e sua unidade no SI é o m³/ kg. A massa específica ESPECÍFICA E PESO ESPECÍFICO. ou densidade, ρ, é o inverso do volume específico. O peso específico, γ, de uma substância é o seu O volume específico, v, de uma substância é o peso (G) por unidade de volume, e sua unidade no quociente entre o seu volume (V) e sua massa (m), SI é o N/m³. γ = G/V = m.g/V (g = 9,81 m.s-2)
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    E 1.1 Qualé a massa de ar contida em um recinto de dimensões 4x6x3 m, se o volume específico do ar é de 0,83 m³/kg? Solução O volume do recinto é de 72 m³, de modo que a massa de ar contida deve ser V 72m 3 m   86,7kg v 0,83m 3 / kg Densidade relativa (dr) é o quociente da densidade Figura 1.1 Diagrama comparativo das pressões de uma substância, em relação a densidade de um 1.6 TEMPERATURA material de referência. A gravidade específica geralmente significa densidade relativa em relação A temperatura é uma grandeza física que mede à água (destilada a 4ºC) com ρ = 1kg/m³. O termo o estado de agitação das partículas de um corpo ou "densidade relativa" é muitas vezes preferido no substância, caracterizando o seu estado térmico. A uso científico moderno. temperatura de uma substância pode ser expressa em unidades relativas ou absolutas. A temperatura 1.5 PRESSÃO absoluta é uma propriedade termodinâmica A temperatura de fusão do gelo se dá em um valor Pressão é a força que exerce por unidade de área arbitrário de 0 grau Celsius (°C) e, 100 °C para a no contorno de uma substância. A unidade de água em ebulição, a 1 atm de pressão. pressão é o N/m², denominado pascal (Pa). Em Por meio da segunda lei da termodinâmica, engenharia, as pressões são conhecidas como podemos provar que existe uma “temperatura pressões absoluta, relativa ou a vácuo. A pressão mínima concebível”. Esta temperatura é o zero absoluta é uma propriedade termodinâmica. A absoluto, e qualquer temperatura medida a partir pressão relativa é obtida através da leitura de um dela é uma temperatura absoluta. A escala Celsius instrumento (manômetro, manovacuômetro ou absoluta (chamada Kelvin, K) se utiliza para vacuômetro). A Figura 1.1 mostra esquematizado expressar temperaturas absolutas no Sistema um diagrama comparativo. Internacional. A temperatura absoluta é calculada Se a pressão relativa (ou manométrica) é maior mediante: que a pressão atmosférica (ou barométrica), a pressão absoluta é a soma das pressões relativa e K  C  273,16 (1.2) atmosférica. E 1.4 O ponto de ebulição da água em condições de p_manométrica < p_absoluta pressão atmosférica padrão (1 bar) é 100 ºC. p_absoluta = p_manométrica + p_atmosférica Exprimir esta temperatura em Kelvin (K): E 1.2 T = 100 + 273,16 =373,16 K Pressão relativa (ou manométrica) = 2 bar Pressão atmosférica (ao nível do mar) = 1 bar O ponto de ebulição ou temperatura de ebulição Pressão absoluta = 2 + 1 = 3 bar é a temperatura em que uma substância passa do estado líquido ao estado gasoso. Quando a pressão relativa (de vácuo) é menor que a atmosférica, a pressão de vácuo é a diferença 1.7 UNIDADES DE CALOR E POTÊNCIA entre a pressão atmosférica e a pressão absoluta, esta é comumente expressa em mmH2O. A pressão Calor (Q) é uma quantidade de energia térmica atmosférica (1 atm padrão) vale 1,01x10 5 N/m². transferida. Quando o calor entra em uma pvácuo < patmosférica substância, ele aquece, e quando sai da substância, pvácuo = patmosférica - pabsoluta ele esfria. Para determinar a quantidade de calor E 1.3 relacionamos a massa dessa substância, a existência Pressão atmosférica (ao nível do mar) = 1 bar a uma diferença de temperatura. Pressão absoluta = 3 bar Pressão de vácuo = 1 - 3 = -2 bar Q α m Δt A unidade utilizada no SI do calor é o quilojaule, kJ, definida como a quantidade de calor
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    necessária para elevarem 1°C a temperatura de 1   5  0º C  969,2kJ kJ kg da substância. Qs  100kg  1,9384 c kg º C Esta proporcionalidade podemos transformar x0  2º C  837,36kJ kJ em uma igualdade utilizando um coeficiente Q s  100kg  4,1868 conhecido por calor específico, c. r kg º C Latente: Q  m.ct 2  t 1  (1.3) kJ Q l  100kg  335  33500 kJ O calor específico (cp à pressão constante ou cv kg à volume constante) na maioria das substâncias O calor retirado das verduras é a soma das três varia com a temperatura, porém se podem utilizar parcelas -35306,56 kJ valores médios, c, em intervalos limitados de A taxa de transferência de calor proporcionado temperatura. pelo gelo, E 1.5 Qual é a taxa de transferência de calor em um resfriador de água se 0,4 kg/s de água entram a  35306,56kJ  0,408641 kW  408,641 W Q s 20°C e deixam a 9°C? 24h  3600 Solução h Como a pressão da água permanece essencialmente A taxa de calor fornecida pelas verduras é constante, o cp pode ser utilizado. A quantidade de conhecida por Carga Térmica do Produto(Qp), e a energia retirada por quilograma de água é obtida capacidade do gelo de retirar este calor é chamada pela Eq. (1.3) onde o cp vale 4,19 kJ/kg.K no caso de Potência Frigorífica (Pf). da água e m  0,4 kg / s .  Trabalho é a energia transferida entre um 0,4 kg/s x 4,19 kJ/kg.K x (20-9)°C = 18,44 kJ/s sistema e um meio ambiente quando algum deles  exerce uma força sobre o outro ao longo de certa Q  18,44 kW distância. A unidade de trabalho no Sistema Internacional é o Nm, chamado joule (J). A Em cálculos de refrigeração se considera com Potência se define como a velocidade a qual se freqüência dois tipos de calor: executa este trabalho. A unidade básica é o J/s, Calor sensível, que é o calor trocado pela chamado watt (W). A unidade corrente que substância envolvendo variação na sua temperatura; expressa a capacidade nos sistemas de refrigeração Calor latente, que é o calor trocado que envolve é a tonelada de refrigeração (TR), onde 1 TR vale variação de fase da substância. 3,51 kW. E 1.6 Em uma câmara frigorífica foram colocados 1.8 PRIMEIRA E SEGUNDA LEI 100 kg de gelo a -5°C para esfriar alguns vegetais. DA TERMODINÂMICA Vinte e quatro horas mais tarde, o gelo se fundiu ficando a água a 2°C. Se o calor específico do gelo A termodinâmica se baseia em dois princípios é 1,9384 kJ/kg°C, o calor de fusão é 335 kJ/kg, e o empíricos chamados a primeira e a segunda lei da calor específico da água é 4,1868 kJ/kg°C, qual é a termodinâmica. taxa de transferência de calor proporcionado pelo A primeira lei da termodinâmica estabelece gelo? uma equivalência entre o trabalho e o calor trocado Nota: a câmara frigorífica referida é um depósito de entre um sistema e o seu meio exterior, cujo alimentos refrigerados somente com gelo. enunciado pode ser em um sistema fechado: A variação da energia interna de um sistema é igual à Solução diferença entre o calor e o trabalho trocado. O calor retirado das verduras, proporcionado pelo gelo envolve duas parcelas de calor sensível, Q  W  U (1.4) uma antes e outra depois da fusão do gelo, e uma de calor latente durante a fusão do gelo. Admitindo a Q recebido + W recebido – temperatura de fusão do gelo 0°C, Q fornecido - W efetuado + Sensíveis antes e depois da fusão: Por unidade de massa: q  w  u 2  u1 (1.5)
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    Para um sistemaem movimento (aberto), onde pv – energia potencial de fluxo associado ao campo fica implícita a conservação da energia contida em de forças do escoamento. um volume de controle, supondo fluxo estacionário. c²/2 – energia cinética. É calculada mediante: gz – energia potencial gravitacional. Q  W  me1  e 2   0    (1.6) Na análise de alguns processos específicos, as duas últimas parcelas costumam ser negligenciada A segunda lei da termodinâmica estabelece em presença das demais, de modo que a equação as condições em que é possível a transformação de (1.6) pode ser rescrita na forma: calor em trabalho. A conversão de calor em energia mecânica é conseguida por meio de uma máquina Q  W  m[u 2  u1   p1v1  p 2 v 2 ]    (1.9) térmica, cujo enunciado (Kelvin e Planck) pode ser: É impossível construir uma máquina térmica que, Uma combinação de propriedades operando em ciclo, transforme em trabalho todo o termodinâmicas ocorre quando temos um processo calor recebido de uma fonte. à pressão constante que denominamos de entalpia Como conseqüência da segunda lei da (h) e que é a soma (u+pv), e se dividirmos pela termodinâmica estabelece o conceito de entropia. A vazão mássica teremos: entropia se define mediante a seguinte equação: q  w  h 2  h1 (1.10) dQ (1.7) dS  (processo reversível) Onde h = entalpia, em kj / kg; u = energia T A entropia procura mensurar a parcela de interna, em kJ / kg; p = pressão, em N/m²; v = energia que não pode mais ser transformada em volume específico, em m³/ kg. A importância da trabalho, em transformações termodinâmicas. O entalpia se deve a sua presença em todos os calor é a forma mais evidente de se fazer a entropia problemas em fluxo estacionário. do sistema variar (aumentar o micro estado A entropia, como a entalpia, é uma significa desperdiçar energia que poderia ser propriedade matemática que não é evidente por aproveitada como trabalho), ao passo que a troca de medições diretas. Em engenharia, a entropia é útil energia mediante trabalho por si só não implica na solução de problemas que incluem processos variação da entropia. isotérmicos ou adiabáticos reversíveis. Em Em sistemas mais complexos, o que inclui as termodinâmica mais avançada, se usa entropia transformações irreversíveis é quase sempre como um critério de equilíbrio, através de análises produzida dentro do próprio sistema, e a variação exergéticas. total na entropia destes sistemas é igual à soma de dois termos: a entropia produzida e a entropia 1.10 O GAS PERFEITO trocada com a vizinhança. A entropia trocada equivale, conforme descrito, Uma equação de estado expressa a relação à integral de dQ/T, sendo sempre nula quando a entre a pressão, o volume específico e a transformação é adiabática. Já a entropia produzida temperatura de uma substância. No caso de um gás vale zero apenas quando o processo é reversível, perfeito: sendo sempre positiva em transformações irreversíveis. pv  RT (1.11) 1.9 ENERGIA ESPECÍFICA, ENTALPIA E A constante do gás, R, varia para os diferentes ENTROPIA. gases. A equação (1.11) é satisfatória para gases reais a relativamente altas temperaturas e baixas Como resultado da primeira lei da pressões; em cálculos do ar úmido este se comporta termodinâmica, obtivemos o conceito da como um gás perfeito. propriedade de energia interna. A energia Para os gases perfeitos podemos deduzir específica do escoamento (Eq. 1.8) inclui todos os muitas relações que incluem calores específicos. tipos de energia armazenadas em suas moléculas Para qualquer processo, podemos provar que a energia interna é função só da temperatura e é expressa por: c2 e  u  pv   gz (1.8) 2 u 2  u1  cv t 2  t1  (1.12) Onde temos: u – energia interna (devido ao movimento e/ou forças intermoleculares).
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    O mesmo, avariação de entalpia é para m x cp x  m y cp y  qualquer processo: cp  (1.20) m h 2  h1  cpt 2  t1 (1.13) 1.12 PROPRIEDADES DA ÁGUA E DO VAPOR Uma relação útil entre cp e cv para um gás perfeito é: É essencial para o engenheiro, uma cp  cv  R (1.14) compreensão das propriedades da água. O vapor de água é uma constituinte da atmosfera, importante 1.11 MISTURAS DE GASES PERFEITOS no cálculo da climatização de ambientes. As propriedades termodinâmicas da água, no estado de O engenheiro de refrigeração trata vapor e de líquido, podem ser encontradas em continuamente com misturas gasosas. Nesta seção, tabelas e gráficos em literatura especializada, como recordemos alguns conceitos básicos sobre a os fornecidos pela ASHRAE Handbook of mistura de gases perfeitos. Fundamentals. Consideremos primeiro um volume dado de Podemos calcular o volume específico, entalpia uma mistura de dois gases perfeitos x e y, onde e entropia de uma mistura se conhecer o título x, ou cada gás ocupa o volume total V, e cada gás está à seja, kg de vapor saturado por kg de mistura. As mesma temperatura T. Posto que estejam tratando equações seguintes são evidentes: de gases perfeitos, não há interação entre eles e cada um cumpre separadamente com a equação v  1  x v l  xv v (1.11). Podem-se aplicar as seguintes relações: h  1  x h l  xh v m  mx  my s  1  x s l  xs v V  Vx  Vy T  Tx  Ty 1.13 A EQUAÇÃO DA ENERGIA EM FLUXO ESTACIONÁRIO p  px  py Posto que se suponha que cada gás se comporta A maioria dos processos termodinâmicos são como se o outro não estivesse presente, temos de processos de fluxo estacionário com respeito ao acordo com a equação (1.11): tempo. A equação da energia em fluxo estacionário, pela primeira lei da termodinâmica, a px V  mx R x T soma de todas as energias que entram em um (1.15) sistema deve ser igual à soma de todas as energias pyV  myR yT (1.16) que saem do sistema. Ou seja: e para a mistura de todos os gases, V12   V2  m(h 1    z1 )  Q  m(h 2  2  z 2 )  W (1.21) 2g 2g pV  mRT (1.17) Onde a entalpia é das equações (1.15) - (1.17), temos: h  u  pv (1.22) Na maioria dos problemas de engenharia, muito dos R m x R x  m y R y  (1.18) termos são desprezíveis ou não existem. m E 1.17 Determine a potência necessária, para A constante da mistura de gases perfeitos é a comprimir em processo isentrópico (adiabático e média ponderada das constantes dos componentes. sem atrito) 0,204 kg/s de vapor de amônia saturada, Quando os gases se misturam adiabaticamente, desde 1,44 bar até 4 bar (pressões absolutas), em sem haver nenhum trabalho, a primeira lei da um processo de fluxo estacionário. termodinâmica requer que a entalpia do sistema Solução permaneça constante. Ou seja, podemos escrever, A equação (1.21) para fluxo estacionário, desprezando a energia cinética e potencial de m x h x  m y h y  posição (pequenas). A potencia do compressor h (1.19) W  m h 2  h1   (a) m Com a pressão p1= 1,44 bar pode ser E para o calor específico cp: determinada na Tabela 2.1 da amônia saturada a entalpia h1= 1409,51 kJ/kg e a entropia do vapor S1 = 5,71 kJ/kg.K
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    Como o processoé isentrópico S1=S2 conforme Fig. 1.2, retrata a terminologia que define Com a p2= 4 bar e S2= 5,71 kJ/kg.K determinamos os estados de uma substância pura, onde o título x na Tabela 2.2 da amônia de vapor superaquecido a representa a relação entre a massa de vapor e a entalpia h2= 1543,38 kJ/kg massa total. As entalpias h1 e h2 podem também serem determinadas em diagramas: Temperatura e Entropia (T x S) Pressão e Entalpia (p x h) Substituindo em (a), determinamos a potência do compressor (0,204 kg/s) (1543,38-1409,51kJ/kg) = 27,31 kW  Nota: A potência ( W ) nos sistemas de refrigeração é chamada de potência mecânica (Pm) 1.14 FATOR DE COMPRESSIBILIDADE DOS GASES REAIS Quando a equação de estado dos gases perfeitos não oferece precisão satisfatória, é necessário o desenvolvimento de uma equação de estado específica da substância, ou o emprego de uma genérica, como a do uso do fator de compressibilidade (Z), definido como a razão entre o volume ocupado por um gás, e o volume ocupado por um gás perfeito de mesma natureza molecular, nas mesmas condições de pressão e temperatura. v Z (1.23) v ideal Assim utilizando diagramas generalizados determinamos o fator de compressibilidade como função de suas propriedades reduzidas (pressão e temperatura), sendo que: p T Figura 1.2 – Método de obtenção dos diferentes pr  e Tr  (1.24) estados de uma substância pura pc Tc Onde a pressão reduzida é função da pressão de Repetindo-se a experiência para diferentes pressões operação e da pressão crítica e a temperatura e com a equação de estado, seus resultados reduzida função da temperatura de operação e da permitirão obter tabelas (propriedades do fluido temperatura crítica conforme equação (1.24). saturado e superaquecido) ou diagramas (Fig. 1.3) Portanto a Eq. (1.11) fica assim corrigida para o gás que apresentam a relação entre as propriedades real: termodinâmicas, bem como permite visualizar os pv  ZRT (1.25) processos que ocorrem com as substâncias. As Muitas outras equações de estado foram tabelas dos principais fluidos utilizados em desenvolvidas para relacionar as propriedades refrigeração encontram-se em anexo, assim como termodinâmicas. Para simplificar a obtenção destas exemplos de sua utilização. correlações foram construídas tabelas de propriedades termodinâmicas para as substâncias utilizadas. 1.15 ESTADOS DE UMA SUBSTÂNCIA PURA Uma substância pura aquecida à pressão constante em um cilindro provido de um pistão
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    propriedades); temperaturas operacionais satisfatórias (levando em conta os custos) 3 Climatização Ambiental Ocorrem em projetos térmicos que necessitam manter o controle de temperatura, umidade, pureza e movimentação do ar, em conjunto ou separadamente, numa faixa muito restrita de Figura 1.3 – diagramas esquematizados pxh e Tx S variação de valores, sem comprometer a sua aplicação. Inúmeras são as aplicações que exigem EXERCÍCIO PROPOSTO este controle. Como exemplo: processamento de produtos e conservação, na medicina, no 1. Determinar as propriedades termodinâmicas (p, resfriamento de reatores e mesmo em naves v, h, S) para a água e a amônia para o estado líquido espaciais, entre muitos. saturado e vapor saturado à temperatura de 35°C. Use as tabelas e os diagramas. 1.17 CONDUÇÃO 1.16 TRANSFERÊNCIA DE CALOR A condução térmica se define mediante a relação de Fourier, para um problema A transferência de calor pode ser definida como unidimensional na direção x. a transferência de energia de uma região para outro como resultado de uma diferença de temperatura  Q dQ x dT qx    k (1.26) entre elas. A análise de transferência de calor é feita A Ad dx a partir das equações de conservação de massa e energia, da segunda lei da termodinâmica e de três Isto é, o fluxo de calor qx (W/m²) por unidade de leis fenomenológicas que descrevem as taxas de área é proporcional ao gradiente de temperatura transferência de energia em condução, convecção e dT/dx (K/m). A constante de proporcionalidade k radiação. Quando em um sistema com transferência (W/mK) se denomina condutividade térmica do de calor não há variação de temperatura com o material e dQx/dθ (W) a taxa de transferência de tempo o regime é considerado permanente, no caso calor na direção x normal a área A (m²). de variação de temperatura o regime é não A quantidade de energia transportada é permanente ou variável. molecular. A energia se transporta de uma região de alta temperatura a uma de baixa temperatura devido Porque é importante o conhecimento da ao movimento molecular. transferência de calor na Refrigeração? A condutividade térmica k é uma propriedade do material e indica a quantidade de calor que fluirá Nós podemos analisar três classes de problemas através de uma área unitária se o gradiente de encontrados na engenharia da refrigeração. temperatura for unitário. A condutividade térmica varia com a temperatura, com o material e com o 1 Isolamentos Térmicos - estado de agregação do mesmo. As ordens de grandeza da condutividade térmica de varias classes O objetivo deste tipo de projeto térmico é de materiais estão mostrados na Tabela 1.2. minimizar a taxa de transferência de calor, Tabela 1.2. Ordem de grandeza da condutividade considerado como uma carga térmica, com um térmica custo a ser reposta por um sistema de refrigeração. Material W/m K Kcal/h.m.°C O projeto depende do meio e restrições geométricas Gases à pressão de transferência de calor, e de fatores econômicos 0,0069-0,17 0,006-0,15 atmosférica de investimento e retorno, na aplicação do Materiais isolamento térmico. 0,034-0,21 0,03-0,18 isolantes térmicos Líquidos não- 2 Aumento da Taxa de Transferência de Calor 0,086-0,69 0,07-0,60 metálicos Sólidos não- No projeto de equipamentos de troca térmica o 0,034-2,6 0,03-2,20 metálicos objetivo é aumentar a taxa de transferência de calor, Metais líquidos 8,60-76,0 7,5-65,0 para isto deve ser levado em conta: os fluidos Ligas 14,0-120,0 12,0-103,0 envolvidos (escoamento, propriedades e Metais puros 52,0-410,0 45,0-360,0 temperaturas); materiais (geometria e
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    1.18 RADIAÇÃO 1.19 CONVECÇÃO A radiação térmica é a energia emitida pela A transferência de calor pela convecção matéria (sólida, líquida ou gasosa) que estiver numa compreende dois mecanismos. Além da temperatura finita. Independente do estado da transferência de energia provocada pelo movimento matéria, a emissão pode ser atribuída as molecular aleatório (difusão), a energia se modificações eletrônicas dos átomos ou das transfere pelo movimento de massa do fluido. moléculas que a constituem, onde a energia do Os problemas práticos de convecção tratam da campo de radiação é transportada por ondas transferência de calor entre o fluido e uma eletromagnéticas independente de qualquer meio superfície sólida. Os processos reais de material, ocorrendo com maior eficiência no vácuo. transferência de calor incluem condução tanto como O fluxo máximo (W/m²) que pode ser emitido convecção. A Fig. 1.4, apresenta o escoamento de por uma superfície é dado pela lei de Stefan- um fluido sobre uma superfície aquecida. Boltzmann.  Q rmáx (1.27)  .TS4 A Onde “σ” é a constante de Sefan-Boltzmann e vale Figura 1.4 – Desenvolvimento da camada limite 5,6697E-8 W/(m²K4). Esta superfície é denominada na transferência convectiva de calor um radiador ideal ou um corpo negro. O fluxo de calor emitido por uma superfície real é menor que o Independente da natureza particular do processo emitido por um radiador ideal e dado por de transferência de calor convecção, a equação é:  Qr (1.28)  Qc  ..TS4 qc   h c Ts  Tf  (1.33) A A onde “  “ a emissividade é uma propriedade Esta expressão é conhecida como lei de Newton radioativa da superfície, indicando a eficiência da do resfriamento e a constante de proporcionalidade emissão da superfície em comparação com o maior hc (W/m².K) é conhecida como coeficiente de radiador ideal. Inversamente, se houver incidência transferência convectivo de calor, ou condutância de radiação sobre uma superfície, uma parcela será da película, ou coeficiente de película. Em absorvida e a taxa na qual a energia é absorvida particular este coeficiente depende das condições na pela unidade de área superficial pode ser calculada camada limite, ou são influenciados pela geometria mediante o conhecimento de uma propriedade da superfície, pela natureza do movimento do fluido radiativa da superfície denominada de e por um conjunto de propriedades termodinâmicas absortividade “  “. e de transporte do fluido. Isto é, o fluxo de calor qc (W/m²) por unidade de área é proporcional ao   Q r (abs)   Q r (inc) (1.29) coeficiente de transferência de calor (W/m².K) e a diferença entre a temperatura da superfície ts e a temperatura do fluido tf. A análise da transferência A determinação da taxa líquida na qual a de calor por convecção baseia-se na determinação radiação é trocada entre superfícies, admitindo de hc. Na determinação deste coeficiente, alem das    (superfície cinzenta) é:   temperaturas envolvidas na transferência de calor,  Q   A T 4  T 4 (1.30) depende também para sua operação, do transporte r S VIZ mecânico de massa. Em muitas aplicações é conveniente exprimir a A superfície na vizinhança pode também troca líquida de radiação térmica na forma: transferir calor, simultaneamente por convecção e radiação. A taxa de calor é então a soma das taxas Q r  h r ATs  Tviz   (1.31) térmicas dos dois modos: onde o coeficiente de transferência radiativa de q  q c q r (1.34) calor é:  h r  .TS  TVIZ  TS2  TVIZ 2  (1.32)
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    Observa-se que ataxa de transferência de calor é A variação da energia acumulada se deve a igual o produto do fluxo de calor pela área variação da temperatura. superficial. A Tabela 1.3 mostra valores médios de transmissão dE acumulada d de calor por convecção encontrados na prática.  E acumulada   mcT  (1.36) dt dt Tabela 1.3 Valôres médios de hc (W/m².K) 1.21 A EQUAÇÃO DA DIFUSÃO DE CALOR Ar , em convecção natural 6 - 30 Vapor ou ar, superaquecido, em 30 - 300 convecção forçada Ao definirmos um volume de controle Óleo, em convecção forçada 60 - 1800 infinitesimal (Fig. 1.6) e identificamos o processo Água, em convecção forçada 300 - 6000 de transferência de energia relevante, introduzimos Água, em ebulição 3000 - 60000 as equações de taxa de transferência apropriadas, na Vapor, em condensação 6000 - 120000 existência de um gradiente de temperaturas. O resultado é uma equação diferencial cuja solução com condições de contorno dadas, dá a distribuição 1.20 CONSERVAÇÃO DA ENERGIA de temperaturas no meio. As taxas de condução de calor perpendicular, a cada uma das superfícies de A diferença da taxa de energia térmica e controle nos pontos de coordenadas cartesianas, são energia mecânica que entram e saem simbolizadas pelos termos qx, qy e qz. respectivamente num volume de controle, mais a taxa de energia térmica gerada no interior do volume de controle, é igual à taxa de variação de energia armazenada no interior do volume de controle. A Fig. 1.5 mostra um volume de controle e analisa a aplicação da conservação de energia. Figura 1.5 – Conservação da energia num volume de controle. Figura 1.6 – Volume de controle unidimensional Aplicando as equações 1.35 e 1.36, onde a energia     E entrada  E gerada E saída  E acumulada de entrada e de saída representa a taxa de transferência de calor para cada componente x, y e (1.35) z, obtêm-se: As taxas de energia de entrada e saída são (1.37) fenômenos de superfície. A situação mais comum envolve entrada e saída são de energia em virtude Substituindo as taxas de condução de calor pela da transferência de calor pelos modos condutivo, aplicação da lei de Fourier e simplificando (sem convectivo ou radioativo. Em situações que geração de energia interna) obtemos a equação da envolvam escoamento de fluidos para dentro e/ou difusão de calor: para fora do volume de controle incluem também energia transportada (potencial, cinética ou              térmica), podendo também envolver interações do .Cp.   kx    ky    kz  tipo trabalho. t x  x  y y  z  z    (1.38) A taxa de energia térmica gerada está associada a conversão da forma de energia (química, elétrica, Onde: eletromagnética ou nuclear) dentro do volume, x, y, z, t   Tx, y, z, t   T portanto é um fenômeno volumétrico. T = Temperatura média do sólido
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    Com este balanço(1.38) não tem solução analítica exata, duas ações gerais foram desenvolvidas para resolvê-lo: os Métodos Numéricos e os Métodos Simplificados. 1)Métodos Numéricos: Uso de dados experimentais ou equações teóricas para predição de propriedades térmicas. O balanço (1.38) é resolvido por métodos numéricos de diferenças finitas, elementos finitos ou colocação ortogonal. 2)Métodos Simplificados: Uma série de simplificações é feita para a equação (1.38) de modo que o resultado é obtido por um método (analítico ou gráfico), aproximado. Os métodos analíticos e gráficos utilizados para determinar a história da distribuição de temperaturas em processo que ocorrem em corpos com configuração unidirecional e a transferência de calor total associada a estes processos, permitem que suas soluções possam ser combinadas de modo a produzir a solução dos problemas de condução transitória em corpos com geometria como a de um paralelepípedo (Bejan,2004) As taxas de condução de calor, em cada uma das superfícies opostas, podem ser expressas numa expansão em série de Taylor, desprezando-se os termos de ordem superior à primeira. Este paralelepípedo pode ser tratado como a interseção de três planos mutuamente perpendiculares. Assim:  x, y, z, t    x, t    y, t    z, t     . .  (1.39)  i    xi    yi    zi    A solução do problema   x, y, z, t  é igual ao produto das soluções unidimensionais:   x, t .  y, t .  z, t  REFERÊNCIAS: BEJAN, A., 2004, Convection heat transfer. Willey, 694 p. HOLMAN, J.P. Termodinâmica, McGraw-Hill, México, 1975. INCROPERA, F.P., DEWITT, D.P., 2002..Fundamentos de Transferência de Calor e de Massa. 5ª ed.., LTC- Livros Técnicos e Científicos,p 698p. MORAN, M. J., SHAPIRO, H. N., 2002, Princípios de Termodinâmica para Engenharia. Ed. LTC 4ª edição. 681p.
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    REFRIGERANTES 2 2.1 INTRODUÇÃO R11 Tricloromonofluormetano CCl3F (compressores centrífugos – vazões grandes). Em qualquer processo de refrigeração, a R12 Diclorodifluormetano CCl2F2 (compressores substância empregada como absorvente de calor ou alternativos – pressões cômodas). agente de esfriamento é chamado de refrigerante. 2- compostos inorgânicos –refrigerantes naturais. Em geral esta substância é empregada como um Exemplo: R717 Amônia; R718 Água; R729 Ar; fluido de trabalho para a transferência de calor num R744 Dióxido de carbono CO2; R764 Anidrido sistema de refrigeração. sulfuroso SO2. 3- hidrocarbonetos - Operam em indústria de 2.2 EFEITO DA TEMPERATURA E PRESSÃO petróleo e petroquímica. Exemplo: R50 corresponde ao Metano CH4; R170 ao Etano CH3- Todos os fluidos são afetados simultaneamente CH3; R290 ao Propano CH3-CH2-CH3. pelas temperaturas e pressões. Para ilustrar estes 4- misturas azeotrópicas – São substâncias não efeitos utilizaremos a água que foi o primeiro separáveis por destilação, se evapora e se condensa refrigerante utilizando máquinas que baixavam a como substância simples com propriedades pressão do vapor d’água e apressavam sua diferentes dos seus constituintes. Como exemplo o evaporação. R502 utilizado em ar condicionado de veículos A água é líquida na pressão atmosférica normal corresponde a 48,8% de R22 e 51,2% R115. (1bar) para todas as temperaturas entre 0 ºC e 100 ºC. Para valores inferiores a 0 ºC a água congela A Figura 2.1 mostra um ciclo de refrigeração, mudando do estado líquido para sólido, e acima de onde o fluido primário remove a carga térmica 100 ºC vaporiza. diretamente. A medida que diminuímos a pressão da água reduzimos a sua temperatura de vaporização e vice- versa. A mesma tendência ocorrem com todos os fluidos, diferenciando-se um dos outros, os valores simultâneos de pressão e temperatura. 2.3 CALOR LATENTE Uma outra característica importante é que durante as mudanças de estado dos fluidos puros, a Figura 2.1 Refrigeração direta temperatura e a pressão permanecem constantes. Tanto a vaporização ou a condensação dependem 2.6 FATORES A CONSIDERAR NA respectivamente do calor fornecido ou removido ESCOLHA DE UM REFRIGERANTE conhecido como calor latente. Termodinâmicos: (1) Pressões do evaporador e do 2.4 CLASSIFICAÇÃO condensador deve ser pequeno a fim de reduzir o trabalho de compressão, e de preferência superior a Segundo a norma 34 - 1992 da American pressão atmosférica. (2) Ponto de congelamento. Society of Refrigeration Engineers (ASRAE), o Não deve congelar-se às temperaturas mais baixas fluido refrigerante é designado pela letra R seguida do processo. (3) Pequena vazão em volume de por um número que os identifica, classificando-os vapor refrigerante que o compressor deverá em Primários e Secundários. comprimir por TR. (4) O coeficiente de funcionamento deve-se comparar com o valor 2.5 REFRIGERANTES PRIMÁRIOS máximo possível correspondente ao ciclo de Carnot. São os que apresentam mudanças de fase na troca Químicos: (1) Inflamabilidade; (2) Toxidade; (3) térmica. Estes refrigerantes são divididos em Reação com os materiais de construção; (4) Danos grupos: aos produtos refrigerados. 1 – compostos halocarbônicos – São refrigerantes Físicos: (1) Tendências as fugas (fácilmente que contém um ou mais dos seguintes halogênios: dectados); (2) Viscosidade e condutividade térmica cloro, flúor e bromo. Exemplo:
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    2-2 devem ser altas;(3) Ação sobre o óleo inflamável sob certas condições. Compostos de HC (missibilidade); (4) Custo e a Preferência pessoal. são altamente inflamáveis Todos os refrigerantes em uso têm uma ou mais Na analise de sitemas de refrigeração usamos as características indesejáveis e, dependendo das propriedades dos fluidos refrigerantes A tabela 2.1 condições de uso este se aproxima do ideal. mostra as propriedades termodinâmicas da amônia O Brasil signatário do protocolo de Montreal na condição saturada (líquida e vapor). Ela não (1986) , cumpre um cronograma de eliminação dos pode ser aplicada quando o vapor está refrigerantes HCFCs (hidroclorofluorcarbono) e superaquecido, isto é, aquecida depois de CFCs (clorofluorcarbono) responsáveis parciais evaporação a uma temperatura mais alto que o pelo aquecimento global devido a destruição da ponto de ebulição correspondente a sua pressão. A camada de ozônio (ODP). Alternativas tabela 2.2 mostra as propriedades termodinâmicas ecologicamente limpas são a amônia e compostos da amônia na condição de vapor superaquecido de hidrogênio e carbono (HC). A amônia é tóxica e 2.7 TABELA DAS PROPRIEDADES DA AMÔNIA Tabela 2.1 Propriedades da Amônia Saturada (R 717) Vol. esp. Energ. int. Entalpia Entropia Temp. Press m³/kg kJ/kg kJ/kg kJ/kg.K ºC bar Líq. Vap. Líq. Vapor Líq. Vap. Líq. Vap. Evap. sat sat sat sat sat sat sat. sat. -50 0,4086 1,4245 2,6265 -43,94 1264,99 -43,88 1416,20 1372,32 -0,1922 6,1543 -45 0,5453 1,4367 2,0060 -22,03 1271,19 -21,95 1402,52 1380,57 -0,0951 6,0523 -40 0,7174 1,4493 1,5524 -0,10 1277,20 0,00 1388,56 1388,56 0,0000 6,9557 -36 0,8850 1,4597 1,2757 17,47 1281,87 17,60 1377,17 1394,77 0,0747 5,8819 -32 1,0832 1,4703 1,0561 35,09 1286,41 35,25 1365,55 1400,81 0,1484 5,8111 -30 1,1950 1,4757 0,9634 43,93 1288,63 44,10 1359,65 1403,75 0,1849 5,7767 -28 1,3159 1,4812 0,8803 52,78 1290,82 52,97 1353,68 1406,66 0,2212 5,7430 -26 1,4465 1,4867 0,8056 61,65 1292,97 61,86 1347,65 1409,51 0,2572 5,7100 -22 1,7390 1,4980 0,6780 79,46 1297,18 79,72 1335,36 1415,08 0,3287 5,6457 -20 1,9019 1,5038 0,6233 88,40 1299,23 88,68 1329,10 1417,79 0,3642 5,6144 -18 2,0769 1,5096 0,5739 97,36 1301,25 97,68 1322,77 1420,45 0,3994 5,5837 -16 2,2644 1,5155 0,5291 106,36 1303,23 106,70 1316,35 1423,05 0,4346 5,5536 -14 2,4652 1,5215 0,4885 115,37 1305,17 115,75 1309,86 1425,61 0,4695 5,5239 -12 2,6798 1,5276 0,4516 124,42 1307,08 124,83 1303,28 1428,11 0,5043 5,4948 -10 2,9089 1,5338 0,4180 133,50 1308,95 133,94 1296,61 1430,55 0,5389 5,4662 -8 3,1532 1,5400 0,3874 142,60 1310,78 143,09 1289,86 1432,95 0,5734 5,4380 -6 3,4134 1,5464 0,3595 151,74 1312,57 152,26 1283,02 1435,28 0,6077 5,4103 -4 3,6901 1,5528 0,3340 160,88 1314,32 161,46 1276,10 1437,56 0,6418 5,3831 -2 3,9842 1,5594 0,3106 170,07 1316,04 170,69 1269,08 1439,78 0,6759 5,3562 0 4,2962 1,5660 0,2892 179,29 1317,71 179,96 1261,97 1441,94 0,7097 5,3298 2 4,6270 1,5727 0,2695 188,53 1319,34 189,26 1254,77 1444,03 0,7435 5,3038 4 4,9773 1,5796 0,2514 197,80 1320,92 198,59 1247,48 1446,07 0,7770 5,2781 6 5,3479 1,5866 0,2348 207,10 1322,47 207,95 1240,09 1448,04 0,8105 5,2529 8 5,7395 1,5936 0,2195 216,42 1323,96 217,34 1232,61 1449,94 0,8438 5,2279 10 6,1529 1,6008 0,2054 225,77 1325,42 226,75 1225,03 1451,78 0,8769 5,2033 12 6,5890 1,6081 0,1923 235,14 1326,82 236,20 1217,35 1453,55 0,9099 5,1791 16 7,5324 1,6231 0,1691 253,95 1329,48 255,18 1201,70 1456,87 0,9755 5,1314 20 8,5762 1,6386 0,1492 272,86 1331,94 274,26 1185,64 1459,90 1,0404 5,0849 24 9,7274 1,6547 0,1320 291,84 1334,19 293,45 1169,16 1462,61 1,1048 5,0394 28 10,993 1,6714 0,1172 310,92 1336,20 312,75 1152,24 1465,00 1,1686 5,9948 32 12,380 1,6887 0,1043 330,07 1337,97 332,17 1134,87 1467,03 1,2319 4,9509 36 13,896 1,7068 0,0930 349,32 1339,47 351,69 1117,00 1468,70 1,2946 4,9078 40 15,549 1,7256 0,0831 368,67 1340,70 371,35 1098,62 1469,97 1,3569 4,8652 45 17,819 1,7503 0,0725 393,01 1341,81 396,13 1074,84 1470,96 1,4341 4,8125 50 20,331 1,7765 0,0634 417,56 1342,42 421,17 1050,09 1471,26 1,5109 4,7604 Fonte: As Tabelas 2.1 e 2.2 são calculadas baseadas nas equações de L. Haar e J.S. Gallagher, “Thermodynamic Properties of Ammonia”, J. Phys. Chem. Reference Data, Vol. 7, 1978, pp.635 - 792. Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    2-3 Tabela 2.2 -Propriedades do Vapor de Amônia Superaquecido (R717) T v u h s v u h s ºC m³/kg kJ/kg kJ/kg kJ/kg.K m³/kg kJ/kg kJ/kg kJ/kg.K p = 0,4 bar =0,04 MPa p = 0,6 bar =0,06 MPa (Tsat =-50,36 ºC) (Tsat =-43,28 ºC) Sat 2,6795 1264,54 1371,72 6,1618 1,8345 1273,27 1383,34 6,0186 -50 2,6841 1265,11 1372,48 6,1652 - - - - -45 2,7481 1273,05 1382,98 6,2118 - - - - -40 2,8118 1281,01 1393,48 6,2573 1,8630 1278,62 1390,40 6,0490 -35 2,8753 1288,96 1403,98 6,3018 1,9061 1286,75 1401,12 6,0946 -30 2,9385 1296,93 1414,47 6,3455 1,9491 1294,88 1411,83 6,1390 -25 3,0015 1304,90 1424,96 6,3882 1,9918 1301,01 1422,52 6,1826 -20 3,0644 1312,88 1435,46 6,4300 2,0343 1311,13 1433,19 6,2251 -15 3,1271 1320,87 1445,95 6,4711 2,0766 1319,25 1443,85 6,2668 -10 3,1896 1328,87 1456,45 6,5114 2,1188 1327,37 1454,50 6,3077 -5 3,2520 1336,88 1466,95 6,5509 2,1609 1335,49 1465,14 6,3478 0 3,3142 1344,90 1477,47 6,5898 2,2028 1343,61 1475,78 6,3871 5 3,3764 1352,95 1488,00 6,6280 2,2446 1351,75 1486,43 6,4257 p = 0,8 bar =0,08 MPa p = 1,0 bar =0,10 MPa (Tsat =-37,94 ºC) (Tsat =-33,60 ºC) Sat 1,4021 1279,61 1391,78 5,9174 1,1381 1284,61 1398,41 5,8391 -35 1,4215 1254,51 1398,23 5,9446 -30 1,4543 1292,81 1409,15 5,9900 1,1573 1290,71 1406,44 5,8723 -25 1,4868 1301,09 1420,04 6,0343 1,1838 1299,15 1417,53 5,9175 -20 1,5192 1309,36 1430,90 6,0777 1,2101 1307,57 1428,58 5,9616 -15 1,5514 1317,61 1441,72 6,1200 1,2362 1315,96 1439,58 6,0046 -10 1,5834 1325,85 1452,53 6,1615 1,2621 1324,33 1450,54 6,0467 -5 1,6153 1334,09 1463,31 6,2021 1,2880 1332,67 1461,47 6,0878 0 1,6471 1342,31 1474,08 6,2419 1,3136 1341,00 1472,37 6,1281 5 1,6788 1350,54 1484,84 6,2809 1,3392 1349,33 1483,25 6,1676 10 1,7103 1358,77 1495,60 6,3192 1,3647 1357,64 1494,11 6,2063 15 1,7418 1367,01 1506,35 6,3568 1,3900 1365,95 1504,96 6,2442 20 1,7732 1375,25 1517,10 6,3939 1,4153 1374,27 1515,80 6,2816 p =1,5 bar =0,15 MPa p = 2,0 bar =0,20 MPa (Tsat =-25,22 ºC) (Tsat =-18,86 ºC) Sat 0,7787 1293,80 1410,61 5,6973 0,59460 1300,39 1419,31 5,5969 -25 0,7795 1294,20 1411,13 5,6994 -20 0,7978 1303,00 1422,67 5,7454 -15 0,8158 1311,75 1434,12 5,7902 0,60542 1307,43 1428,51 5,6328 -10 0,8336 1320,44 1445,49 5,8338 0,61926 1316,46 1440,31 5,6781 -5 0,8514 1329,08 1456,79 5,8764 0,63294 1325,41 1452,00 5,7221 0 0,8689 1337,68 1468,02 5,9179 0,64648 1334,29 1463,59 5,7649 5 0,8864 1346,25 1479,20 5,9585 0,65989 1343,11 1475,09 5,8066 10 0,9037 1354,78 1490,34 5,9981 0,67320 1351,87 1486,51 5,8473 15 0,9210 1363,29 1501,44 6,0370 0,68640 1360,59 1497,87 5,8871 20 0,9382 1371,79 1512,51 6,0751 0,69952 1369,28 1509,18 5,9260 25 0,9553 1380,28 1523,56 6,1125 0,71256 1377,93 1520,44 5,9641 30 0,9723 1388,76 1534,60 6,1492 0,72553 1386,56 1531,67 6,0014 Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    2-4 Tabela 2.2 -Propriedades do Vapor de Amônia Superaquecido (R717) T v u h s v u h s ºC m³/kg kJ/kg kJ/kg kJ/kg.K m³/kg kJ/kg kJ/kg kJ/kg.K p = 2,5 bar =0,25 MPa p = 3,0 bar =0,30 MPa (Tsat =-13,67 ºC) (Tsat =-9,24 ºC) Sat 0,48213 1305,49 1426,03 5,5190 0,40607 1309,65 1431,47 5,4554 -10 0,49051 1312,37 1435,00 5,5534 -5 0,50180 1321,65 1447,10 5,5989 0,41428 1317,80 1442,08 5,4953 0 0,51293 1330,83 1459,06 5,6431 0,42382 1327,28 1454,43 5,5409 5 0,52393 1339,91 1470,89 5,6860 0,43323 1336,64 1466,61 5,5851 10 0,53482 1348,91 1482,61 5,7278 0,44251 1345,89 1478,65 5,6280 15 0,54560 1357,84 1494,25 5,7685 0,45169 1355,05 1490,56 5,6697 20 0,55630 1366,72 1505,80 5,8083 0,46078 1364,13 1502,36 5,7103 25 0,56691 1375,55 1517,28 5,8471 0,46978 1373,14 1514,07 5,7499 30 0,57745 1384,34 1528,70 5,8851 0,47870 1382,09 1525,70 5,7886 35 0,58793 1393,10 1540,08 5,9223 0,48756 1391,00 1537,26 5,8264 40 0,59835 1401,84 1551,42 5,9589 0,49637 1399,86 1548,77 5,8635 45 0,60872 1410,56 1562,74 5,9947 0,50512 1408,70 1560,24 5,8998 p =3,5 bar =0,35 MPa p =4,0 bar =0,40 MPa (Tsat =-5,36 ºC) (Tsat =-1,90 ºC) Sat 0,35108 1313,14 1436,01 5,4016 0,30942 1316,12 1439,89 5,3548 0 0,36011 1323,66 1449,70 5,4522 0,31227 1319,95 1444,86 5,3731 10 0,37654 1342,82 1474,61 5,5417 0,32701 1339,68 1470,49 5,4652 20 0,39251 1361,49 1498,87 5,6259 0,34129 1358,81 1495,33 5,5515 30 0,40814 1379,81 1522,66 5,7057 0,35520 1377,49 1519,57 5,6328 40 0,42350 1397,87 1546,09 5,7818 0,36884 1395,85 1543,38 5,7101 60 0,45363 1433,55 1592,32 5,9249 0,39550 1431,97 1590,17 5,8549 80 0,48320 1469,06 1638,18 6,0586 0,42160 1467,77 1636,41 5,9897 100 0,51240 1504,73 1684,07 6,1850 0,44733 1503,64 1682,58 6,1169 120 0,54136 1540,79 1730,26 6,3056 0,47280 1539,85 1728,97 6,2380 140 0,57013 1577,38 1776,92 6,4213 0,49808 1576,55 1775,79 6,3541 160 0,59876 1614,60 1824,16 6,5330 0,52323 1613,86 1823,16 6,4661 180 0,62728 1652,51 1872,06 6,6411 0,54827 1651,85 1871,16 6,5744 200 0,65572 1691,15 1920,65 6,7460 0,57322 1690,56 1919,85 6,6796 p =4,5 bar =0,45 MPa p =5,0 bar =0,50 MPa (Tsat = 1,25 ºC) (Tsat = 4,13 ºC) Sat 0,27671 1318,73 1443,25 5,3135 0,25034 1321,02 1446,19 5,2765 10 0,28846 1336,48 1466,29 5,3962 0,25757 1333,22 1462,00 5,3330 20 0,30142 1356,09 1491,72 5,4845 0,26949 1353,32 1488,06 5,4234 30 0,31401 1375,15 1516,45 5,5674 0,28103 1372,76 1513,28 5,5080 40 0,32631 1393,80 1540,64 5,6460 0,29227 1391,74 1537,87 5,5878 60 0,35029 1430,37 1588,00 5,7926 0,31410 1428,76 1585,81 5,7362 80 0,37369 1466,47 1634,63 5,9285 0,33535 1465,16 1632,84 5,8733 100 0,39671 1502,55 1681,07 6,0564 0,35621 1501,46 1679,56 6,0020 120 0,41947 1538,91 1727,67 6,1781 0,37681 1537,97 1726,37 6,1242 140 0,44205 1575,73 1774,65 6,2946 0,39722 1574,90 1773,51 6,2412 160 0,46448 1613,13 1822,15 6,4069 0,41749 1612,40 1821,14 6,3537 180 0,48681 1651,20 1870,26 6,5155 0,43765 1650,54 1869,36 6,4626 200 0,50905 1689,97 1919,04 6,6208 0,45771 1689,38 1918,24 6,5681 Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
  • 22.
    2-5 Tabela 2.2 -Propriedades do Vapor de Amônia Superaquecido (R717) T v u h s v u h s ºC m³/kg kJ/kg kJ/kg kJ/kg.K m³/kg kJ/kg kJ/kg kJ/kg.K p =5,5 bar =0,55 MPa p =6,0 bar =0,60 MPa (Tsat = 6,79 ºC) (Tsat = 9,27 ºC) Sat 0,22861 1323,06 1448,80 5,2430 0,21038 1324,89 1451,12 5,2122 10 0,23227 1329,88 1457,63 5,2743 0,21115 1326,47 1453,16 5,2195 20 0,24335 1350,50 1484,34 5,3671 0,22155 1347,62 1480,55 5,3145 30 0,25403 1370,35 1510,07 5,4534 0,23152 1367,90 1506,81 5,4026 40 0,26441 1389,64 1535,07 5,5345 0,24118 1387,52 1532,23 5,4851 50 0,27454 1408,53 1559,53 5,6114 0,25059 1406,67 1557,03 5,5631 60 0,28449 1427,13 1583,60 5,6848 0,25981 1425,49 1581,38 5,6373 80 0,30398 1463,85 1631,04 5,8230 0,27783 1462,52 1629,22 5,7768 100 0,32307 1500,36 1678,05 5,9525 0,29546 1499,25 1676,52 5,9071 120 0,34190 1537,02 1725,07 6,0753 0,31281 1536,07 1723,76 6,0304 140 0,36054 1574,07 1772,37 6,1926 0,32997 1573,24 1771,22 6,1481 160 0,37903 1611,66 1820,13 6,3055 0,34699 1610,92 1819,12 6,2613 180 0,39742 1649,88 1868,46 6,4146 0,36390 1649,22 1867,56 6,3707 200 0,41571 1688,79 1917,43 6,5203 0,38071 1688,20 1916,63 6,4766 p =7,0 bar =0,70 MPa p =8,0 bar =0,80 MPa (Tsat = 13,79 ºC) (Tsat = 17,84 ºC) Sat 0,18148 1328,04 1455,07 5,1576 0,15958 1330,64 1458,30 5,1099 20 0,18721 1341,72 1472,77 5,2186 0,16138 1335,59 1464,70 5,1318 30 0,19610 1362,88 1500,15 5,3104 0,16948 1357,71 1493,29 5,2277 40 0,20464 1383,20 1526,45 5,3958 0,17720 1378,77 1520,53 5,3161 50 0,21293 1402,90 1551,95 5,4760 0,18465 1399,05 1546,77 5,3986 60 0,22101 1422,16 1576,87 5,5519 0,19189 1418,77 1572,28 5,4763 80 0,23674 1459,85 1625,56 5,6939 0,20590 1457,14 1621,86 5,6209 100 0,25205 1497,02 1673,46 5,8258 0,21949 1494,77 1670,37 5,7545 120 0,26709 1534,16 1721,12 5,9502 0,23280 1532,24 1718,48 5,8801 140 0,28193 1571,57 1768,92 6,0688 0,24590 1569,89 1766,61 5,9995 160 0,29663 1609,44 1817,08 6,1826 0,25886 1607,96 1815,04 6,1140 180 0,31121 1647,90 1865,75 6,2925 0,27170 1646,57 1863,94 6,2243 200 0,32571 1687,02 1915,01 6,3988 0,28445 1685,83 1913,39 6,3311 p = 9,0 bar =0,90 MPa p = 10,0 bar =1,00 MPa (Tsat = 21,52 ºC) (Tsat = 24,89 ºC) Sat 0,14239 1332,82 1460,97 5,0675 0,12852 1334,66 1463,18 5,0294 30 0,14872 1352,36 1486,20 5,1520 0,13206 1346,82 1478,88 5,0816 40 0,15582 1374,21 1514,45 5,2436 0,13868 1369,52 1508,20 5,1768 50 0,16263 1395,11 1541,47 5,3286 0,14499 1391,07 1536,06 5,2644 60 0,16922 1415,32 1567,61 5,4083 0,15106 1411,79 1562,86 5,3460 80 0,18191 1454,39 1618,11 5,5555 0,16270 1451,60 1614,31 5,4960 100 0,19416 1492,50 1667,24 5,6908 0,17389 1490,20 1664,10 5,6332 120 0,20612 1530,30 1715,81 5,8176 0,18478 1528,35 1713,13 5,7612 140 0,21788 1568,20 1764,29 5,9379 0,19545 1566,51 1761,96 5,8823 160 0,22948 1606,46 1813,00 6,0530 0,20598 1604,97 1810,94 5,9981 180 0,24097 1645,24 1862,12 6,1639 0,21638 1643,91 1860,29 6,1095 200 0,25237 1684,64 1911,77 6,2711 0,22670 1683,44 1910,14 6,2171 Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    2-6 Tabela 2.2 -Propriedades do Vapor de Amônia Superaquecido (R717) T v u h s v u h s ºC m³/kg kJ/kg kJ/kg kJ/kg.K m³/kg kJ/kg kJ/kg kJ/kg.K p = 12,0 bar = 1,20 MPa p = 14,0 bar = 1,40 MPa (Tsat = 30,94 ºC) (Tsat = 36,26 ºC) Sat 0,10751 1337,52 1466,53 4,9625 0,09231 1339,56 1468,79 4,9050 40 0,11287 1359,73 1495,18 5,0553 0,09432 1349,29 1481,33 4,9453 60 0,12378 1404,54 1553,07 5,2347 0,10423 1396,97 1542,89 5,1360 80 0,13387 1445,91 1606,56 5,3906 0,11324 1440,06 1598,59 5,2984 100 0,14347 1485,55 1657,71 5,5315 0,12172 1480,79 1651,20 5,4433 120 0,15275 1524,41 1707,71 5,6620 0,12986 1520,41 1702,21 5,5765 140 0,16181 1563,09 1757,26 5,7850 0,13777 1559,63 1752,52 5,7013 160 0,17072 1601,95 1806,81 5,9021 0,14552 1598,92 1802,65 5,8198 180 0,17950 1641,23 1856,63 6,0145 0,15315 1638,53 1852,94 5,9133 200 0,18819 1681,05 1906,87 6,1230 0,16068 1678,64 1903,59 6,0427 220 0,19680 1721,50 1957,66 6,2282 0,16813 1719,35 1954,73 6,1485 240 0,20534 1762,63 2009,04 6,3303 0,17551 1760,72 2006,43 6,2513 260 0,21382 1804,48 2061,06 6,4297 0,18283 1802,78 2058,75 6,3513 280 0,22225 1847,04 2113,74 6,5267 0,19010 1845,55 2111,69 6,4488 p = 16,0 bar =1,60 MPa p = 18,0 bar = 1,80 MPa (Tsat = 41,03 ºC) (Tsat = 45,38 ºC) Sat 0,08079 1340,97 1470,23 4,8542 0,07174 1341,88 1471,01 4,8086 60 0,08951 1389,06 1532,28 5,0461 0,07801 1380,77 1521,19 4,9627 80 0,09774 1434,02 1590,40 5,2156 0,08565 1427,79 1581,97 5,1399 100 0,10539 1475,93 1644,56 5,3648 0,09267 1470,97 1637,78 5,2937 120 0,11268 1516,34 1696,64 5,5008 0,09931 1512,22 1690,98 5,4326 140 0,11974 1556,14 1747,72 5,6276 0,10570 1552,61 1742,88 5,5614 160 0,12663 1595,85 1798,45 5,7475 0,11192 1592,76 1794,23 5,6828 180 0,13339 1635,81 1849,23 5,8621 0,11801 1633,08 1845,50 5,7985 200 0,14005 1676,21 1900,29 5,9723 0,12400 1673,78 1896,98 5,9096 220 0,14663 1717,18 1951,79 6,0789 0,12991 1715,00 1948,83 6,0170 240 0,15314 1758,79 2003,81 6,1823 0,13574 1756,85 2001,18 6,1210 260 0,15959 1801,07 2056,42 6,2829 0,14152 1799,35 2054,08 6,2222 280 0,16599 1844,05 2109,64 6,3809 0,14724 1842,55 2107,58 6,3207 p = 20,0 bar = 2,00 MPa (Tsat = 49,37 ºC) Sat 0,06445 1342,37 1471,26 4,7670 60 0,06875 1372,05 1509,54 4,8838 80 0,07596 1421,36 1573,27 5,0696 100 0,08248 1465,89 1630,86 5,2283 120 0,08861 1508,03 1685,24 5,3703 140 0,09447 1549,03 1737,98 5,5012 160 0,10016 1589,65 1789,97 5,6241 180 0,10571 1630,32 1841,74 5,7409 200 0,11116 1671,33 1893,64 5,8530 220 0,11652 1712,82 1945,87 5,9611 240 0,12182 1754,90 1998,54 6,0658 260 0,12706 1797,63 2051,74 6,1675 280 0,13224 1841,03 2105,50 6,2665 Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    2-7 cristalização (gelo) das salmouras ou dos 2.8 REFRIGERANTES SECUNDÁRIOS anticongelantes. A Figura 2.3, 2.4 e 2.6, mostra o diagrama de São os que não apresentam mudança de fase fase da solução salina, da variação da densidade durante a troca térmica. Transferem energia da relativa e da variação do calor específico, substância que está sendo resfriada para o separador respectivamente. de um sistema de refrigeração. A Figura 2.2 mostra um ciclo de refrigeração, onde Salmoura a a carga térmica é removida indiretamente. % em massa de cloreto de Cálcio em água 0 Ponto de Solidificação [ºC] 0 10 20 30 40 -10 -20 líquido líquido e gelo -30 líquido e -40 sal Sólido E -50 Figura 2.3 Diagrama de fase No diagrama de fase mostra as curvas formadas pelos pontos de congelamento na medida em que Figura 2.2 Refrigeração indireta varia a concentração. O ponto E da curva se chama Ponto Eutético, e representa a concentração a qual Os principais refrigerantes secundários : Água ; pode-se alcançar a mais baixa temperatura, sem a Salmouras (Cloreto de cálcio e de sódio) e os solidificação total da salmoura. Anticongelantes (Água+ etileno glicol, ou cloreto de cálcio, ou alcool, ou glicerina). Seus pontos de solidificação variam com sua concentração Salmoura percentual em massa. 1,4 Densidade relativa 15/15ºC 1,35 1,3 2.9 FATORES A CONSIDERAR NA 1,25 ESCOLHA DE UM REFRIGERANTE 1,2 1,15 SECUNDÁRIO 1,1 1,05 - Baixa viscosidade 1 - Calor específico e condutividade térmica alta; 0 5 10 15 20 25 30 35 40 - Não deve congelar-se às temperaturas mais baixas % em massa de cloreto de Cálcio em água do processo. Figura 2.4 Variação da densidade - Segurança operacional. - Custo e a Preferência pessoal. A Figura 2.4 mostra para a variação da solução, valores maiores de densidade relativa do que para a A água líquida é usada como refrigerante água pura na mesma temperatura (15ºC). secundário em instalações de ar condicionado e de refrigeração em processos industriais, onde as condições de temperatura estejam acima do seu ponto Salmoura de congelamento. Devido a sua fluidez, alto calor 4,5 Calor específico kJ/kg.K específico e coeficiente de troca térmica 4 (condutividade e convecção) é excelente podendo ser 3,5 utizada em resfriadores do tipo Chillers, ou de forma 3 2,5 pulverizada. 2 A água líquida na temperatura do seu ponto de 1,5 congelamento ocorre a sua cristalização (gelo). A 1 adição de sais e glicóis dissolvidos a água forma as 0 5 10 15 20 25 30 35 40 salmouras e os anticongelantes respectivamente. Em % em massa de Cloreto de Cálcio em água princípio quanto mais alta for a concentração (de sais Figura 2.5 Variação do Calor específico ou glicóis), mais baixa é a temperatura da Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    2-8 A Figura 2.5, mostra para a solução valores b) Se a salmoura se esfria a -40ºC, qual é o menores do calor específico, quando comparados percentual em peso da solução, se transformará em com a água pura. gelo e em líquido? O principal objetivo das salmouras e dos Solução: anticongelantes é permitir que as soluções tenham a Com o auxílio do diagrama de fase (Fig. 2.3) e com temperatura do ponto de congelamento menor que o 25% em peso de cloreto de cálcio, traço uma linha da água pura. auxiliar até a temperatura de -40ºC. Obtenho duas A Figura 2.7, mostra o diagrama do ponto de áreas, onde x1 é a parcela líquida e x2 é a parcela de congelamento versus percentual de concentração em gelo. massa, de algumas soluções salinas e glicóis. Salmoura % em massa de cloreto de Cálcio em água 0 Ponto de Solidificação [ºC] 0 10 20 30 40 -10 -20 líquido líquido e gelo -30 l x1 l x2 líquido e -40 sal l E Sólido -50 Assim conforme diagrama de fase : x1 = 25 e x2 = 2,5 x2 % de gelo   100 x1  x 2 2,5 % de gelo   100 = 9,09 25  2,5 Resposta % de gelo = 9,09 % de líquido = 100 - 9,09 = 90,91 Resposta % de líquido = 9,09 E.2.4 Repita o E 2.3 para outras soluções aquosas da Fig. 2.7. Figura 2.7 Diagrama do Ponto de congelamento de soluções aquosas 2.10 AMÔNIA (NH3) – R717 EXERCÍCIOS Devido a sua grande disponibilidade e menor custo, a amônia tem se imposto como preferido, na E 2.1 Se a amônia a 100 kPa tem uma temperatura seleção dos fluidos refrigerantes utilizados nas real de -30 ºC, o seu estado pode ser descrito como: instalações frigoríficas industriais a mais de 120 a) Superaquecida; b) Subresfriada e c) Saturada. anos. Solução Propriedades da amônia Conforme Tabela 2.2 para a pressão de 100 kPa (ou 1 A Tabela 2.3 mostra algumas propriedades da bar) a temperatura de saturação é Tsat =-33,60 ºC amônia Como - 30 ºC > Tsat (Figura 1.0) o estado é Tabela 2.3 Propriedades da amônia superaquecido. Resposta a) Cor Incolor Odor Forte, irritante E 2.2 Determinar a entalpia (h) da amônia do E 2.1. Peso molecular 17,03 Solução. Ponto de ebulição a 1bar -33,35 ºC Conforme Tabela 2.2 Resposta h = 1406,44 kJ/kg Ponto de congelamento a 1 bar -77,7 ºC Calor de fusão 452,8 kJ/kg E 2.3 Uma solução de 25% em peso de cloreto de Calor de vaporização a 1 bar 1370,33 kJ/kg cálcio (CaCl2) em água se esfria gradualmente. Temperatura crítica 132,4 ºC a) A que temperatura começa a cristalização? Pressão crítica (absoluta) 111,5 bar Solução: Com o 25% no diagrama de fase, o ponto de Densidade crítica 0,235 kg/l congelamento é -30ºC Resposta T= -30 ºC Fonte: FCI Chemical Engineers, 1989. Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    2-9 composição correta de fluido refrigerante, é Segurança: A amônia torna-se explosiva em necessário que a maior parte do fluido seja carregada concentrações aproximadas de 16 a 25% com o ar. na fase líquida. Tal carregamento deve ser feito na parte de alta do sistema, por exemplo, para evitar 2.11 RESISTÊNCIA A CORROSÃO "golpe de líquido" no compressor. A verificação da carga deverá ser feita através da A Tabela 2.4 recomenda o uso de certos análise dos seguintes parâmetros: pressão de sucção e materiais em contato com líquidos e gases de descarga, superaquecimento e sub-resfriamento, refrigerantes (amônia). Para uma análise mais corrente elétrica do(s) compressor(es), nível de apurada é necessário considerar as condições líquido do tanque, visor de líquido, etc. operacionais. Os índices alfabéticos fornecem a recomendação de uso: A (excelente); B (bom); C (médio); D (não recomendável). Tabela 2.4 Resistência a corrosão dos materiais Agente corrosivo Amônia, Ferro e Aço Fundido A Figura 2.4 Carga do refrigerante anidro Ferro ductil C Onde: Liga 20 A 1 cilindro de carga (amônia) Níquel C 2 balança Bronze, Cobre D 3 pescador Alumínio B 4 válvula do cilindro Borracha Natural D 5 balde com água Polietileno,Polipropileno,Nylon, A 6 válvula de purga (dreno) Teflon, Neoprene. 7 válvula de carga 8 válvula de expansão 2.12 CARGA DO REFRIGERANTE 9 válvula mestra 10 reservatório de amônia do sistema A amônia é armazenada em cilindros de aço 11 visor de líquido. (Fig. 2.3) tamanho padrão do mercado, o seu enchimento é feito a 10°C, de modo que a NH3 Levantar o fundo do cilindro, inclinando 2 cm líquida ocupe 88% do volume. acima do topo, certificar-se que o tubo pescador está Pesar o(s) cilindro(s) de refrigerante antes da voltado para baixo. carga para manter um controle exato da quantidade Apertar bem as conexões, fechar a válvula de gás que entrará no sistema. mestre, assim a pressão de linha de acoplamento cairá a pressão de sucção. Quanto à quantidade de amônia que o sistema deve conter, a informação do fabricante deve ser seguida, se não deve ser calculada. Em uma instalação em pleno funcionamento, o visor de líquido dá a indicação, deve ficar pela metade. Pequenos estalidos na válvula de expansão indicam falta de NH3, ou se não na operação a parte inferior da serpentina apresenta congelamento (“frost”). No caso de precisar retirar a amônia do sistema, coloque o cilindro numa balança e ligue-o ao sistema a instrução anterior, com exceção que o tubo pescador deverá ser voltado para cima, fechar a válvula de expansão e ligar o compressor Figura 2.3 Cilindro de carga vagarosamente com o condensador a plena alimentação de água. A carga de amônia no sistema é realizada entre a O visor de líquido (peça de vidro) no recipiente válvula mestre e a válvula de expansão (Figura 2.4). deve ser observado para evitar o transbordamento. Para se certificar de estar carregando uma Assim que o líquido ficar aparente no visor, abrir a Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    2-10 válvula do cilindroe a válvula do receptor. Depois de adversos. Para a maioria dos produtos químicos algum tempo, a vazão diminuiu devido o aumento de examinados, os limites são concentrações médias pressão no cilindro, então fecha a válvula do receptor pesadas por tempo e alguma exposição acima do e abra a de purga para eliminar a presença dos não limite seria permitida se fosse compensada com uma condensáveis e recomeçar a operação. Quando a exposição equivalente abaixo do limite durante o dia. balança indicar a quantidade de amônia desejada, O valor máximo fixado para qualquer produto fechar a válvula do receptor e do cilindro, e químico (exceto dióxido de carbono) é 1000 partes desconectar o cilindro. por milhão, por volume. Na carga e descarga certificar-se se a sala está bem ventilada e faça a carga com todo cuidado. A Tabela 2.5 mostra uma classificação comparativa dos perigos de vida devido a gases Como se pode manter a carga equilibrada em instalações de refrigeração de grande porte? Tabela 2.5 Ìndice de segurança para Depende das operações manuais de partidas e concentração de gases. paradas, deve-se fazer funcionar e parar o número Índice Concentração Tempo de correto de compressores para manter a temperatura % em volume exposição correta nas câmaras. de ar 1 0,5 a 1 5 minutos 2.13 GESTÃO SEGURA DAS INSTALAÇÕES 2 0,5 a 30 minutos DE AMÔNIA 3 2 a 2,5 1 hora 4 2 a 2,5 2 horas Deve ter: 5a Menos nocivo - Um projeto orientado por normas. que o grupo 4 - Manutenção eficaz 5b Entre os - Operação adequada. grupos 5ª e 6 6 Algum efeito 2 a 20 horas 2.14 COMPATIBILIDADE Os principais riscos encontrados em refrigeração Deverá ser sempre usado o gás para o qual o são: (1) explosões; (2) incêndio (3) efeitos tóxicos equipamento foi projetado e construído, a menos que dos gases usados. O risco de explosão tende a o fabricante concorde no contrário. aumentar na medida em que aumenta a quantidade de Muitas perguntas precisam ser respondidas refrigerante. Se houver escapamento de gases, podem antes de ser introduzido no sistema, um gás diferente: ser danificadas as mercadorias armazenadas nas 1. O novo gás é compatível com todos os metais, câmaras frigoríficas. Se o gás é tóxico, pode causar elastômeros (dilatação dos materiais e a difusão do danos pessoais sérios. Se for inflamável, pode se gás através do elastômero), plásticos, enrolamentos acumular em concentrações explosivas. dos motores e isolação do sistema? Quais são as causas de explosão no cárter de um a) Nunca use cloreto de metila com alumínio; compressor de refrigeração? Existem duas causas b) Não use amoníaco com cobre; principais: a entrada de impurezas líquidas no gás e o c) Não use os gases FREON® com alumínio mais de vazamento através dos anéis de pistão e do cerca de 2% de magnésio, zinco ou qualquer outro engaxetamento. O vazamento permite a mistura de metal reativo. vapores de óleo com o gás no interior do cárter, a 2. Com o novo gás, a capacidade aumentará a ponto altas temperaturas, gerando uma mistura inflamável. de causar sobrecarga no motor? Os vapores refrigerantes são várias vezes mais 3. A válvula de expansão ou a tubulação capilar serão pesados que o ar e, sob condições estáticas de tamanhos adequados para o novo gás? (ambientes mal ventilados), aumentam sua 4 É apropriado o sistema de controle? concentração excluindo o oxigênio, causando 5. O evaporador e as serpentinas de condensação possibilidade de dano ou morte. terão dimensões apropriadas? 2.15 SEGURANÇA REFERÊNCIAS 1. ASHRAE. HVAC Systems and Equipment. A Conferência Americana de Higienistas Atlanta, United States: American Society of Industriais do Governo dos EUA estabeleceu valores Heating, Refrigeration and Air Conditioning, 2008. limites adotados para muitos produtos químicos 2. BARBOSA, L. C. de A. Introdução à Química industriais. Esses valores são as concentrações no ar Orgânica. São Paulo, Brasil: Prentice Hall, 2004. que se acredita representarem limites seguros para 3.CENGEL, Y. A., BOLES, M. A. exposições repetidas diariamente sem efeitos Thermodynamics: An Engineering Approach. 6th Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    2-11 edition. New York,United States: McGraw-Hill, Engineering and Management – Royal Institute of 2006. Technology, 2007. 4. CENGEL, Y. A. Heat and Mass Transfer: A 12. PRUZAESKY, F. C., et al. Pasta de gelo e Practical Approach. 3rd edition. New York, United nanofluidos em sistemas de refrigeração. States: McGraw-Hill, 2007. Climatização e Refrigeração, edição n° 96, p. 47- 5. CARRIER AIR CONDITIONING CO. Handbook 60, 2008. of Air Conditioning System Design. New York, 13. ROTH, K., ZOGG, R., BRODRICK, J. Cool United States: McGraw-Hill, 2003. Thermal Energy Storage. ASHRAE Journal, vol. 6. CHUMIOQUE, J. J. R. Simulação de um Sistema 48, p. 94-96, 2006. de Refrigeração com Termoacumulação operando 14. SKOVRUP, M. J. SecCool Properties: users em Regime Transiente. Rio de Janeiro, Brasil, 2004. manual. Lyngby, Denmark: IPU & Department of Dissertação de Mestrado – Departamento de Mechanical Engineering Technical – University of Engenharia Mecânica – Pontifícia Universidade Denmark, 2005. Católica, 2004. 15. SOLOMONS, T. W. G., FRYHLE, C. Organic 7. DOSSAT, R. J., HORAN, T. J. Principles of Chemistry. 9th edition. Hoboken, United States: Refrigeration. 5th edition. New Jersey, United John Wiley & Sons, 2007. States: Prentice Hall, 2001. 16. TICONA, E. M. Determinação Experimental 8. FINK, J. K. Oil Field Chemical. Burlington, das Características de Transferência de Calor de United States: Gulf Professional Publishing, 2003. um Gerador de Pasta de Gelo. Rio de Janeiro, 9. INCROPERA, F. P., DEWITT, D. P. Brasil, 2007. Tese de Doutorado – Departamento de Fundamentos de Transferência de Calor e de Engenharia Mecânica – Pontifícia Universidade Massa. 4ª edição. São Paulo, Brasil: LTC, 2002. Católica, 2007. 10. JAKOBSEN, A., et al. CoolPack: a collection of 17. WYLEN, G., SONNTAG, R., BORGNAKKE, C. simulation tools for refrigeration. Lyngby, Fundamentos da Termodinâmica. 6ª edição. São Denmark: IPU & Department of Mechanical Paulo, Brasil: Edgard Blücher, 2003. Engineering Technical – University of Denmark, 2001. 11. MELINDER, A. Thermophysical Properties of Aqueous Solution Used as Secondary Working Fluids. Stockholm, Sweeden, 2007. Doctoral Thesis – Dept. of Energy Technology, School of Industrial Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    3-1 CICLO DE REFRIGERAÇÃOPOR 3 COMPRESSÃO MECÂNICA DE VAPOR de maior porte utiliza-se um reservatório de líquido 3.1 CICLO DE REFRIGERAÇÃO MAIS na saída do condensador. UTILIZADO. O compressor tem a finalidade de bombear o fluido refrigerante através do circuito frigorífico, O ciclo de compressão de vapor é o mais usado além de aumentar a pressão e temperatura do na prática, e consiste na produção contínua de refrigerante para facilitar sua condensação por meio líquidos refrigerantes, o qual por vaporização nos de uma fonte disponível na natureza. fornece a desejada retirada de calor do meio a refrigerar. O condensador tem a finalidade de liquefazer o vapor superaquecido proveniente do compressor, 3.2 CICLOS REAIS E CICLO DE CARNOT cedendo calor ao ambiente. Esta energia é composta pelo calor absorvido pelo evaporador (carga térmica) Os ciclos reais devem ser considerados de tal e o calor produzido pela compressão dos gases no modo que se aproximem o máximo possível do ciclo compressor. de Carnot que é o mais eficiente, como a aplicabilidade de qualquer ciclo se relaciona com os O reservatório de líquido tem duas finalidades: custos e eficiência, justifica-se assim como base esta armazenar o líquido refrigerante do sistema quando aproximação. se faz alguma manutenção e absorver parte do líquido quando o sistema sofre pequenas variações de 3.3 MODIFICAÇÕES DO CICLO DE CARNOT carga, evitando-se alterações de funcionamento. PARA O CICLO REAL O dispositivo de expansão tem a função de Embora o ciclo de Carnot apresente alta dosar a injeção de líquido dentro do evaporador e eficiência, considerações de ordem prática exigem garantir um mínimo de superaquecimento certas modificações: (incremento de temperatura do evaporador até o 1°- O processo de compressão ocorre com o vapor compressor). seco e não úmido, evitando-se danos ao compressor. 2° - O processo de expansão é isentalpico e não O evaporador tem a finalidade de absorver o isentrópico ocorrendo por estrangulamento da calor do meio a ser resfriado através da evaporação passagem do líquido refrigerante ao evaporador, a do refrigerante. utilização de uma turbina não se justifica sob o ponto de vista econômico. 3.5 PARA QUE SERVE A REPRESENTAÇÃO GRÁFICA DO CICLO DE REFRIGERAÇÃO 3.4 ESQUEMA SIMPLES DE UMA INSTALAÇÃO FRIGORÍFICA A representação gráfica descreve o ciclo, representando as transformações dos fluidos refrigerantes em evolução. Permite discutir e identificar valores (propriedades) na execução de uma análise. Os mais utilizados são os diagramas de pressão versus entalpia e, temperatura versus entropia. 3.6 CICLO PADRÃO DE COMPRESSÃO DE VAPOR BASEADO NO ESQUEMA SIMPLES 1 – Compressor 2 –Condensador 3 – válvula de DE UMA INSTALAÇÃO FRIGORÍFICA. expansão 4 – evaporador As figuras 3.2 e 3.3 representam o ciclo padrão Figura 3.1 Esquema simples de uma instalação de compressão de vapor nos diagramas: temperatura frigorífica versus entropia e, pressão versus entalpia. Os sistemas de refrigeração mecânica por compressão de vapor mais simples se compõem de 4 elementos fundamentais: compressor, condensador, dispositivo de expansão e evaporador. Em sistemas Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    3-2 qc  hD  hA (3.4) Se o refrigerante deve considerar o ponto A no fim do ciclo, nas mesmas condições iniciais, o calor rejeitado pelo refrigerante no condensador, deve ser igual ao calor absorvido pelo refrigerante em todas as outras partes do ciclo, onde temos aumentado sua energia. Portanto: qc  q e  q w (3.5) 3.7 POTÊNCIA DO CICLO  Seja m a vazão mássica do refrigerante circulante, à quantidade de calor absorvido ou Figura 3.2 Ciclo padrão de compressão de vapor no rejeitado no ciclo será: diagrama temperatura versus entropia. Calor absorvido ou potência frigorífica:  QE  m .qe  (3.6) Calor rejeitado ou potência calorífica  QC  m .qc  (3.7) Potência mecânica teórica  W  m .qW  (3.8) A potência referida é a quantidade de energia por  unidade de tempo. Quanto maior for m , maiores serão estas quantidades e vice-versa, determinando assim o tamanho da instalação frigorífica, utilizando assim estes valores no seu dimensionamento. Figura 3.3 Ciclo padrão de compressão de vapor no 3.8 COEFICIENTE OPERACIONAL diagrama pressão versus entalpia. FRIGORÍFICO A condição do refrigerante em qualquer É a expressão da eficiência do ciclo e, é condição termodinâmica pode ser representada como enunciada como a relação entre o calor absorvido no um ponto nos gráficos acima (ABCD). evaporador e a energia térmica equivalente a energia Cada componente (Fig. 3.1) é tratado como um suprida ao compressor. volume de controle com entrada e saída de fluxos, e qe (3.9) COP  com as interações de transferência de calor e qw trabalho. A aplicação da equação (1.21) em base Varia entre 1 e ∞ e este valor diminui com os mássica para fluxo estacionário, desprezando a afastamentos das temperaturas de ebulição e energia cinética e potencial de posição (pequenas) condensação. correspondente a cada trecho: Concluímos que o trabalho consumido cresce rapidamente com a redução da temperatura desejada . A - B Expansão irreversível à entalpia constante. O valor econômico da frigoria (equivalente a caloria) hA  hB  0 (3.1) depende essencialmente da temperatura que a mesma B - C Ganho de calor à pressão constante extraído é retirada. do meio a refrigerar, produzindo a evaporação do fluido refrigerante. O processo é reversível e produz EXERCÍCIOS um efeito frigorífico. qe  hB  hC (3.2) E 3.1 Determine o efeito frigorífico ( qe ) de um C - D Compressão isoentrópica (adiabática sistema de refrigeração empregando R717 (amônia) reversível). O trabalho de compressão do refrigerante baseado na Fig. 3 com uma temperatura de é igual à variação da entalpia no processo, evaporação de -10 ºC e uma temperatura de produzindo um efeito mecânico. condensação de 32 ºC. qw  hC  hD (3.3) Solução: trecho B -C onde hA  hB  0 (isentálpico) D - A O processo reversível onde o fluido Conforme Tabela 2.1: refrigerante à pressão constante, cede calor ao meio externo produzindo um efeito calorífico. Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    3-3 Com T =32 ºC (liquido saturado) leio hA = 332,17 kJ/kg Com T = -10 ºC (vapor saturado) leio hC = 1430,55 kJ/kg. Com a equação (3.2): q e = 1430,55 - 332,17 Resposta qe = 1098,32 kJ/kg E 3.2 Determine o efeito mecânico do sistema do exercício E 3.1. Solução: trecho C -D Compressão isentrópica SC  S D Conforme Tabela 2.1: Figura 3.4 Representação do ciclo padrão de compressão de vapor a temperaturas de admissão Com T = -10 ºC leio SC  4,9509 kJ/kg.K diferentes. Com T = 32 ºC leio PD = 12,380 bar Conforme Tabela 2.2: Uma comparação visual na Figura 3.4 permite Com PD e SC determino hD =1466,92 kJ/kg por observar: interpolação linear. Com a equação (3.3): qW =1466,92 - 1430,55 qW = 36,37 kJ/kg Ciclo Ciclo ABCDEA AB’C’D’EA Efeitos qe  hB  hC < q'e  hB'  hC' frigorífico E 3.3 Determine o efeito calorífico do sistema do exercício E 3.1. qw  hC  hD > q' w  hC'  hD' mecânico Solução: trecho D - A, e com a equação (3.4): qc  hD  hA > q' c  hD'  hA calorífico qC =1466,92 - 332,17 Resposta qC =1134,75 kJ/kg O calor de compressão por unidade de massa é menor para o ciclo (AB’C’D’) que tem a temperatura de vaporização mais elevada e, portanto o trabalho de E 3.4 Determinem as potências do ciclo do sistema compressão (efeito mecânico) requerido é menor. do exercício E 3.1. Admitindo conhecida uma das potências do ciclo COP < COP' determino a vazão mássica e as demais potências.  QE = 50 TR (1 TR = 3,51 kJ/s) O ciclo (AB’C’D’) que tem a temperatura de Com as equações (3.6) a (3.8): admissão mais elevada, uma fração menor do 50  3,51 refrigerante vaporiza (F’B’) no controle (válvula de  m= =0,1598 kg/s 1098,32 expansão) e uma porção maior vaporiza no  QC  0 ,15981134,75  Resposta QC =181,33 kJ/s evaporador e produz resfriamento proveitoso.   Para uma condição de mesma potência W  0 ,1598 36,37 Resposta W = 5,812 kJ/s frigorífica para ambos os ciclos apresentados, a taxa de fluxo de massa é menor para a que tem a E 3.5 Determine o COP do sistema do E 3.1. temperatura de admissão mais elevada. 1098,32 COP  Resposta COP= 30,2 36,37   m > m' Quanto maior a quantidade de calor a ser 3.9 EFEITO DA TEMPERATURA DE removida no evaporador, maior deve ser a vazão ADMISSÃO SOBRE A EFICIÊNCIA DO mássica e por conseqüência maior deve ser a CICLO. capacidade do compressor. A figura 3.4 permite comparar o ciclo padrão de   m.v > '  m'.v' onde   v  v' compressão de vapor, no diagrama pressão versus entalpia, operando em dois regimes diferentes de A vazão em volume, aspirada de vapor pelo temperatura de admissão. compressor varia muito com as temperaturas de admissão, e é este um dos fatores mais importantes que influencia a capacidade física dos compressores. EXERCÍCIO PROPOSTO Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    3-4 E 3.6 Comparem(%) os efeitos frigorífico, calorífico O calor de compressão por unidade de massa e mecânico, assim como o COP dos dois sistemas de (efeito mecânico) é maior para o que tem a refrigeração empregando R717 (amônia) baseado na temperatura de condensação mais elevada e, portanto Fig. E 3.1. o trabalho de compressão requerido é maior. Apresenta os ciclos saturados simples A’B’C’D’ com Comparando os dois ciclos nota-se que o efeito a temperatura de ebulição de -10 ºC e ABCD com a frigorífico é maior para o que tem a temperatura de temperatura de ebulição de -20 ºC. condensação mais baixa, conseqüência da diferença de temperatura na válvula de controle. O calor de compressão por unidade de massa (efeito mecânico) é menor para o que tem a temperatura de condensação mais baixa. COP > COP'   m < m' Para uma mesma potência frigorífica, a taxa de fluxo de massa é menor para a que tem a temperatura Fig. E 3.1 de condensação mais baixa. 3.10 O EFEITO DA TEMPERATURA DE   m.v < '  m'.v'   v  v' CONDENSAÇÃO SOBRE A EFICIÊNCIA DO CICLO. O volume de vapor a ser deslocado pelo pistão é diretamente proporcional à taxa de fluxo de massa A figura 3.5 permite comparar o ciclo padrão de  ( m ) visto que o volume específico é o mesmo. compressão de vapor, no diagrama pressão versus entalpia, operando em dois regimes diferentes de NOTA: Observou-se nos itens 3.9 e 3.10 que com o temperatura de condensação. aumento da relação de compressão, aumenta o trabalho de compressão enquanto diminui o efeito frigorífico. Portanto diminui o COP. EXERCÍCIO PROPOSTO E 3.7 Comparem (%) os efeitos frigorífico, calorífico e mecânico, assim como o COP dos dois sistemas de refrigeração empregando R717 (amônia) baseado na Fig. E 3.2. Apresenta os ciclos saturados simples A’B’C’D’ com a temperatura de condensação de 32 ºC e ABCD com a temperatura de condensação de 28 ºC. Figura 3.5 Representação do ciclo padrão de compressão de vapor no diagrama p - h, operando a temperaturas de condensação diferentes. Uma comparação visual na Figura 3.5 permite observar: Ciclo Ciclo ABCDEA AB’C’D’E’A’ Efeitos qe  hB  hC < q' e  hB'  hC frigorífico qw  hC  hD < q'w  hC  hD ' mecânico qc  hD  hA < q'c  hD'  hA ' calorífico Fig. E 3.2 3.11 O CICLO REAL DE COMPRESSÃO DE O ciclo que tem a temperatura de condensação VAPOR E OS DESVIOS DO CICLO mais elevada, uma fração maior do refrigerante SATURADO SIMPLES. vaporiza no controle (válvula de expansão) e uma porção menor vaporiza no evaporador e produz Os ciclos reais de refrigeração desviam-se um resfriamento proveitoso. pouco do ciclo saturado simples. A razão disto é que são supostas certas hipóteses para o ciclo saturado Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    3-5 simples que nãosão verdadeiramente válidas para o ciclo real. Comparando os dois ciclos frigoríficos referente Na comparação entre o ciclo saturado simples e ao superaquecimento podemos fazer as seguintes o ciclo real, destacamos as principais diferenças: observações: a) O ciclo padrão admite que não haja perda de Ciclo Ciclo carga resultante do fluxo de massa através dos ABCDEA A’B’CD’E’A’ Efeitos elementos do sistema. qe  hB  hC < q'e  hB'  hC' frigorífico b) Os efeitos do subresfriamento do líquido e qw  hC  hD < q' w  hC'  hD' mecânico superaquecimento do vapor de admissão não são qc  hD  hA < q'c  hD'  hA ' calorífico considerados no ciclo padrão. c) O fato da compressão no ciclo real não ser isentrópico, ocorre ineficiência devido ao atrito e 1. O calor de compressão do ciclo superaquecido é outras perdas. ligeiramente maior. 2. A temperatura do fluido há descarga do 3.12 O EFEITO DO SUPERAQUECIMENTO compressor é mais elevada no ciclo DO VAPOR DE ADMISSÃO superaquecido. 3. Uma quantidade de calor muito maior deve No ciclo saturado simples, considera-se que o ser rejeitada no condensador, para o ciclo vapor de admissão alcança a entrada do compressor superaquecido. Isto acontece por causa do calor como um vapor saturado à pressão e temperatura de adicional absorvido pelo vapor que os torna vaporização. Na prática isto raramente é verdadeiro. superaquecido e por causa do pequeno aumento Depois que o líquido refrigerante tiver vaporizado do calor de compressão. completamente no evaporador, o vapor saturado frio, 4. O volume específico do vapor superaquecido continuará geralmente a absorver calor e, deste será sempre maior, significando um volume modo, tornar-se-á superaquecido antes de alcançar o maior de vapor a ser comprimido. compressor. O superaquecimento do vapor de admissão pode 3.13 OS EFEITOS DO SUB-RESFRIAMENTO ocorrer em qualquer uma ou nas combinações dos DO LÍQUIDO. seguintes lugares: 1. No final do evaporador; O sub-resfriamento ocorre quando o líquido 2. Na tubulação de admissão instalada no interior do entra no dispositivo de expansão com uma espaço refrigerado; temperatura inferior à temperatura de condensação. 3. Na tubulação de admissão localizada fora do Quando o líquido é subresfriado antes de atingir espaço refrigerado; o dispositivo de controle (dispositivo de expansão) o 4. Em um trocador de calor. efeito de refrigeração por unidade de massa é Nos casos 1 e 2 produzem um resfriamento útil. aumentado. O aumento no efeito de refrigeração resultante Se a ligeira queda de pressão que resulta do do subresfriamento, é a diferença entre hB e hB’, e é fluxo do vapor na tubulação de admissão for exatamente igual a diferença entre hA e hA' , a qual negligenciada, deve-se considerar que a pressão do representa o calor eliminado do líquido durante o vapor de admissão permanece constante durante o sub-resfriamento. superaquecimento. Figura 3.7 Representação dos desvios do ciclo Figura 3.6 Representação dos desvios do ciclo saturado operando com subresfriamento após a saturado operando com vapor superaquecido na condensação e perdas de carga. admissão do compressor e perdas de carga. Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    3-6 Comparando os dois ciclos frigoríficos referente Está relacionado ao processo de compressão, isto ao subresfriamento podemos fazer as seguintes é, dita condição de entrada e saída do fluido observações: refrigerante no compressor. Ciclo Ciclo Dizemos que a compressão é úmida quando o ABCDEA A’B’CD’E’A’ Efeitos processo se dá na região bifásica, com gotículas de qe  hB  hC < q' e  hB'  hC frigorífico líquido misturadas ao vapor. qw  hC  hD < q' w  hC'  hD' mecânico qc  hD  hA < q' c  hD'  hA' calorífico 1. O efeito frigorífico é aumentado 2. Uma quantidade de calor maior deve ser rejeitado. 3. O subresfriamento do líquido pode ocorrer em uma ou na combinação dos seguintes lugares: 4. No tanque coletor de líquido ou nas linhas de líquido cedendo calor ao meio ambiente; 5. No condensador; 6. Em um trocador de calor (intercambiador). 3.14 OS EFEITOS DAS PERDAS DE PRESSÃO RESULTANTES DO ATRITO. Figura 3.9 Representação dos regimes de trabalho seco e úmido. Vencendo o atrito, o refrigerante sofre uma queda de pressão através da tubulação, evaporador, Embora aparentemente apresente um coeficiente condensador, válvulas e passagens do compressor. de efeito frigorífico elevado em relação a outros, por No diagrama da Fig. 3.8 mostra o comportamento do não possuir uma área adicional criada devido ao ciclo padrão e do ciclo em que ocorre a perda de superaquecimento, esse proceder, no entanto é pouco pressão. recomendado em compressores alternativos, pelas razões: 1. Retenção de líquido no cabeçote do compressor causando danificação de válvulas e cabeçote. 2. A presença de líquido possibilita eliminar o óleo lubrificante no cilindro, acelerando o desgaste. EXERCÍCIOS. E 3.8 Determinar o efeito refrigerante, se a temperatura do líquido R717 que chega ao controle do refrigerante é de 32ºC e a temperatura do vapor saturado que abandona o evaporador é de -2ºC. Figura 3.8 Representação dos desvios do ciclo SOLUÇÃO. saturado operando com subresfriamento, Na tabela do R717 saturado (capítulo 2) determino as superaquecimento e perdas de carga. entalpias: Vapor saturado, a -2ºC = 1439,72 kJ/kg. B’- C’ Representa o processo de vaporização no Líquido saturado a 32ºC = 332,17 kJ/kg evaporador durante o qual o refrigerante apresenta O efeito refrigerante = 1107,55 kJ/kg. uma queda de pressão ΔPs ao fluir devido ao atrito. D’-A’ Representa o processo de condensação no E 3.9 No exemplo E 3.8, a temperatura do líquido condensador durante o qual o refrigerante apresenta que entra no controle do refrigerante é de 16ºC em uma queda de pressão ΔPd ao fluir devido ao atrito. lugar de 32ºC. Determinar o efeito refrigerante. Comparando os dois ciclos referentes à perda de SOLUÇÃO. carga (pressão) concluímos: Na tabela do R717 saturado determino a entalpia: 1° - Perda de eficiência Líquido saturado a 16ºC = 255,18 kJ/kg. 2° - Maior custo operacional. O efeito refrigerante = 1158,54 kJ/kg. 3.15 REGIMES DE TRABALHO. E 3.10 Se no E 3.8, a pressão no evaporador é de 3,4134 bar e o líquido que chega ao controle do refrigerante é de 32ºC. Qual é o efeito refrigerante? Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    3-7 SOLUÇÃO. (d) O volume de vapor comprimido por minuto por Na tabela do R717 saturado determino a temperatura TR. e entalpias: (e) O efeito mecânico e o calorífico (admitir A temperatura de saturação do R717 na pressão compressão isentrópica). 3,4134 bar é de - 6,0 ºC e a entalpia do vapor (f) O coeficiente operacional (COP) saturado a essa temperatura = 1435,28 kJ/kg. O efeito refrigerante = 1103,11 kJ/kg. E 3.14 Se o líquido que chega ao controle de Comparando os exemplos E 3.8 e E 3.9, se refrigerante no E 3.13 se subresfria a 21 ºC, encontra que o efeito refrigerante aumenta ao reduzir determinar: a temperatura do líquido que chega ao controle do (a) O efeito refrigerante que circula. refrigerante, porem na comparação do exemplo E 3.8 (b) A perda de efeito refrigerante. e E 3.10, mostra que o efeito refrigerante diminui ao (c) O peso refrigerante, que circula por minuto por diminuir a temperatura de vaporização. Portanto, é TR. evidente que o efeito refrigerante depende de dois (d) O volume de vapor comprimido por minuto por fatores: (1) da temperatura de ebulição e (2) da TR. temperatura a qual chega o líquido refrigerante ao (e) O efeito mecânico e o calorífico (admitir controle. Quanto mais elevada é a temperatura de compressão isentrópica). ebulição e menor a temperatura do líquido que chega (f) O coeficiente operacional (COP) à válvula de controle do fluido refrigerante, maior será o efeito refrigerante. E 3.15 Compare os resultados percentualmente do E 3.11 No exercício E 3.8, determine: (a) a problema E 3.9 e E 3.10 e faça uma conclusão por capacidade de refrigeração do sistema em kW e (b) resultado. em toneladas de refrigeração (1 TR = 3,51kW), se circula 5 kg/s de R717 no sistema. E 3.16 Esquematizem o ciclo frigorífico abaixo nos SOLUÇÃO. diagramas T x s e P x h e determine a potência a - do exercício E 3.8, o efeito refrigerante = 1107,55 mecânica em kW/TR. Dados: Fluido NH3; kJ/kg.. p1=291,57kPa; p2 = 1352,2 kPa; p5’=500 kPa; t3= A capacidade de refrigeração = 5*1107,55 = 5537,75 33ºC; Pf= 2Pf’; Pf’= 1TR. As pressões acima são kW. absolutas. b - A capacidade de refrigeração = 5537,75 / 3,51 = vrp = válvula redutora de pressão. 1557,70 TR. EXERCÍCIOS PROPOSTOS E 3.12 A temperatura do R717 líquido que entra na válvula de controle de refrigerante é de 30ºC e a temperatura de vaporização é de -1,11ºC. Determinar: (a) O efeito refrigerante que circula. (b) A perda de efeito refrigerante. (c) O peso refrigerante, que circula por minuto por TR (d) O volume de vapor comprimido por minuto por TR. (e) O efeito mecânico e o calorífico (admitir compressão isentrópica). E 3.13 Se chega líquido R717 saturado ao controle do refrigerante a uma pressão de 9,5 bar e a pressão 3.16 FUNCIONAMENTO de vaporização no evaporador é de 2,0 bar, determinar: A análise termodinâmica do ciclo padrão de (a) O efeito refrigerante que circula. refrigeração como foi mostrado, proporcionou (b) A perda de efeito refrigerante. identificar tendências, que seguem válidas para ciclos (c) O peso refrigerante, que circula por minuto por reais, ainda que se devam ajustar os valores através TR. de rendimentos. Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    3-8 Rendimentos Resposta a) V = 0,9284 A vazão de fluido refrigerante aspirado pelo compressor comparado com a sua capacidade 0,92  1,5 volumétrica teórica de deslocamento deste fluido m   0,055 kg/s 0,4180 60 determina o rendimento volumétrico de  Resposta b) m = 0,055 kg/s compressão, mvC V  pC vC  pDvD (compressão politrópica) ou n n D n 1 n 1  onde m e vC é respectivamente a vazão mássica e o TD  p D  n V     C V   volume específico na entrada do compressor e,  D , a TC  pC     D  vazão em volume devido ao movimento do pistão do 1,251  12,68  T D  10  273  1,25 compressor. Quando  D do compressor é conhecido  = 356,77 K = 83,77 ºC  2,76  o V denomina-se como rendimento volumétrico Conforme Tabela 2.1 real, caso contrário, o V é obtido por aproximação Com TC = -10 ºC determino hC =1430,55 kJ/kg considerando a expansão do gás, retido no extremo Conforme Tabela 2.2 do curso do pistão (espaço morto). Com PD =12,68 kPa e TD = 83,77 ºC determino 1 hD =1614 kJ/kg por interpolação. p n V  1      desc arg a  A potência de frenagem:  Psucção    onde  (2% a 5%) é o coeficiente do espaço nocivo  m  ( hD  hC ) 0,055 ( 1614 1430,55 )  Weixo   = 18 HP (relação entre o volume do espaço morto e o volume m 0,8  0,746 do cilindro percorrido pelo pistão do compressor) e n  Resposta c) Weixo = 18 HP o coeficiente politrópico. No caso de compressores trecho B -C onde hA  hB  0 (isentálpico) resfriados com água utilizando a amônia como fluido refrigerante, o valor de n é estimado na faixa de 1,25 Conforme Tabela 2.1 a 1,3. Com T = 32 ºC (liquido saturado) leio hA = 332,17 kJ/kg EXERCÍCIOS. Com T = -10 ºC (vapor saturado) leio hC = 1430,55 kJ/kg E 3.17 Amônia saturada no estado de vapor (Fig. 3.3) q e = 1430,55 - 332,17 = 1098,32 kJ/kg m hC  hB  0,0551098,32 entra no compressor a - 10 ºC.A pressão de descarga  é de 12,38 bar (abs); a queda de pressão nas válvulas  QE   = 17,21 TR 3,51 3,51 de sucção e de descarga são de 0,15 kPa e 0,30 kPa, respectivamente. O coeficiente de espaço morto do  Resposta d) Q  17,21 TR E compressor (  ) é de 3 % e o coeficiente politrópico HP 18 HP   1,046 Resposta e)  1,046 n = 1,25. a) Determine o rendimento volumétrico e TR 17,21 TR  b) a capacidade do compressor ( m ) em kg/s, se a vazão em volume (  D ) devido ao movimento do A tabela 3.1 foi preparada para mostrar o pistão do compressor é de 1,5 m³/min . c) a potência rendimento volumétrico, ηv, e o fator de performance  mecânica efetiva (no eixo), Weixo , em HP supondo um de compressores alternativos rendimento mecânico,  m , de 80%. d) A taxa de Tabela 3.1 Rendimento volumétrico calor removida no evaporador em TR (3,51 kW) aproximado para compressores e) determine a relação HP/TR (fator de performance) Relação de Rendimento Performance compressão volumétrico % HP/TR SOLUÇÃO: 2,0 97,78 0,4063  = 0,03; n  1,25 ; Pdesc  12,38  0,30  12,68 kPa 2,2 97,36 0,4666 Psucç  2,91 0,15  2,76 kPa; vC = 0,4180 m³/kg (Tab. 2,4 96,96 0,5225 2.1) 2,6 96,56 0,5747 12,68 2,8 96,16 0,6236 rC   4,596 2,76 3,0 95,78 0,6697 1 3,2 95,39 0,7133  12,68  1,2 5 3,4 95,01 0,7546 V  1  0,03  0,03    = 0,9284  2,76  3,6 94,64 0,7940 Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    3-9 3,8 94,27 0,8316 Um fator de serviço de 1,15 na determinação 4,0 93,91 0,8675 de um motor elétrico para o acionamento do 4,2 93,54 0,9020 compressor é recomendado devido a perdas de 4,4 93,19 0,9351 rendimento (transmissão) 4,6 92,83 0,9670 4,8 92,48 0,9977  Wmotor  1,15 18  20,7 HP 5,0 92,13 1,0270 5,2 91,78 1,0560 EXERCÍCIOS PROPOSTOS 5,4 91,44 1,0840 5,6 91,10 1,1110 1). Entra amônia em um trocador de calor a 80 kPa e 5,8 90,76 1,1370 0,23 de título. A amônia flui pelo trocador 6,0 90,42 1,1620 absorvendo calor e sai como vapor a 249 K. A 6,2 90,09 1,1870 capacidade de absorver calor é de 100 000 kcal/h. 6,4 89,75 1,2110 Qual é a vazão de amônia que deve ser fornecido ao 6,6 89,42 1,2350 trocador em kg/h e em m³/min.? 6,8 89,10 1,2570 2).A vazão em volume por TR de um compressor se comporta de que maneira com o aumento da pressão E 3.18 Compare os resultados do E 3.17 com os de admissão? Comprove exemplificando. resultados utilizando a Tabela 3.1. Determine o 3) Assume-se uma perda desprezível na linha de número de cilindros necessário para compressor sucção com um compressor utilizando-se refrigerante modelo MADEF e a Potência do motor elétrico de saturado de um evaporador à 0ºC e descarregado em acionamento. um condensador o qual produz líquido saturado a Solução: 35ºC. Se a eficiência volumétrica fosse 80%, calcule No exercício E 3.17 a relação de compressão, a potência frigorífica em Kilowatts e o “COP” se o rC , corresponde a 4,596. Interpolando na Tabela 3.1 compressor tem um deslocamento de 40 litros por segundo quando o sistema está carregado com R717. determino o rendimento volumétrico, V = 0,9283 e o 4) Qual a importância da utilização de um HP termômetro e um manômetro na linha de sucção e na fator de performance,  0,9670. TR linha de descarga do compressor? Comparando com os resultados em E 3.17 5) Explique termodinâmicamente um sitema de encontramos o mesmo resultado para o rendimento refrigeração de compressão a dois estágios e volumétrico e para o fator de performance uma esquematize suas transformações no diagrama Txs. diferença de 7,6% menor que o calculado. 5) Um subresfriador de líquido como mostrado na  Para Weixo  18 HP , segundo a Tabela 5.1 , o figura recebe líquido a 30ºC e subresfria 0,6 kg/s a sistema de refrigeração (Fig.3.3) proporciona uma 5ºC. Vapor saturado deixa o subresfriador para o capacidade frigorífica de compressor do estágio de alta a -1ºC. Calcule a vazão 18 de NH3 que evapora para resfriar o líquido.  QE   18,61 TR > 17,21 TR 0,9670 A vazão mássica obtida: 18,61 3,51 m   0,059 kg/s 1098,32 A vazão em volume (  D ) mvC 0,059 0,4180 60  D    1,594 m³/min v 0,9283 Onde para um modelo de compressor MADEF: D = 0,16 (diâmetro do cilindro) REFERÊNCIAS L = 0,11 (curso do pistão) N = número de cilindros 1- COSTA, Ennio Cruz da. – Física Industrial – Rpm = 750 (rotação por minuto) Refrigeração. Ed. PUC – Porto alegre, 1976.  D 2 L N rpm 2- DOSSAT, R.J. - Manual de Refrigeração - Ed. D  4 Hemus - São Paulo, 1980. 3-HOLMAN, J.P. Termodinâmica, McGraw-Hill, 4  1,594 México, 1975. N 1   0,162  0,11 750 Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    3-10 4-MORAN, M. J.,SHAPIRO, H. N., 2002, Princípios de Termodinâmica para Engenharia. Ed. LTC 4ª edição. 681p. 5- PHOLMANN, W. - Manual de Técnica Frigorífica - Ediciones Ômega, S.A. - Barcelona, 1964. 6-STOECKER, W.F., JONES, J.W., Refrigeração e Ar Condicionado, McGraw-Hill, São Paulo, 1985. Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    4-1 SISTEMAS MULTIPRESSÃO EMREFRIGERAÇÃO POR COMPRESSÃO DE VAPOR 4 O QUE SÃO SISTEMAS MULTIPRESSÃO EM representação operacional desejada do fluido REFRIGERAÇÃO POR COMPRESSÃO DE refrigerante, permitem uma orientação de cálculo. VAPOR? São sistemas de refrigeração que tem dois ou mais níveis de baixa pressão, portanto permite operar com duas ou mais temperaturas de evaporação. Os níveis de baixa pressão compreendem desde a saída da válvula de expansão até a entrada de sucção do compressor. 4.1 CICLO DE REFRIGERAÇÃO A DUAS TEMPERATURAS DE VAPORIZAÇÃO. 4.1.1 DOIS COMPRESSÔRES EM Figura 2 - Representação do Ciclo a duas PARALELO temperaturas de evaporação com dois compressores no diagrama p-h As aplicações destes sistemas são inúmeras, tanto em processos, como em armazenagens de produtos em Orientação de cálculo. refrigeração (resfriados e congelados), atendendo diferentes condições operacionais no lado de baixa Balanço de massa. pressão, servidos por uma única condição mTOTAL  mA  mB    operacional no lado de alta pressão. Os compressores A e B da Fig.1 aspiram vapor Balanço de energia em torno do evaporador A saturado, impondo as condições de pressão de  determina m A : ebulição, de acordo com as cargas térmicas,  QEA propiciadas por seus respectivos evaporadores. mA   h1  h4 Balanço de energia em torno do evaporador B  determina m B :  QEB mB   h1'  h4'   Para fluir as vazões mássicas m A e m B nos evaporadores nas condições de pressões desejadas devemos determinar a capacidade dos compressores. Balanço de energia em torno do compressor A, na  determinação da Potencia Mecânica WA em processo teórico (isentrópico): Figura 1 – Ciclo de Refrigeração a duas temperaturas WA  mA h2  h1    de evaporação com dois compressores  Balanço de energia em torno do compressor B, na A taxa de calor removida pelos evaporadores ( QEA e  determinação da Potencia Mecânica WB em processo  QE B ), juntamente com as temperaturas são em geral teórico (isentrópico): condições desejadas. Na prática da refrigeração, a entalpia é uma das propriedades mais importantes, e WB  mB h2'  h1'    a pressão pode-se determinar muito facilmente. Um esboço do diagrama pressão e entalpia Fig. 2 com a Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    4-2 O funcionamento deum compressor real – a tendência que seguem as curvas de comportamento O coeficiente operacional ( COP ) varia de 1 a ∞ e de um compressor ideal (isentrópico) se mantém para relaciona: um compressor real, se bem que os valores  QE numéricos são ligeiramente diferentes. O rendimento COP  W volumétrico real e o trabalho de compressão real diferem do compressor ideal, no entanto é possível 4.1.2 COMPRESSOR E VÁLVULA relacionar o trabalho realizado no compressor de um REDUTORA DE PRESSÃO. compressor real com o realizado em um compressor ideal mediante o rendimento adiabático  a , onde: O compressor mostrado na Fig. 3 aspira vapor W superaquecido, impondo as condições de pressão de a  IDEAL * 100 W REAL ebulição, de acordo com as cargas térmicas, Os fabricantes possuem os gráficos de rendimento da propiciadas por seus respectivos evaporadores. O compressão adiabática, relacionado as condições evaporador de maior temperatura Te’ que opera com operacionais, podem assim indicar o compressor da uma pressão pe’> pe, utiliza uma válvula reguladora sua construção. de pressão na saída, para reduzir a pressão pe’ para pe, condição de sucção do compressor. A vazão volumétrica, na entrada do compressor é outro fator de igual importância a ser observado na indicação do compressor pelo fabricante, a suprir a necessidade do cliente. O rendimento volumétrico (  V ) relaciona: a vazãoaspirada V  * 100 d cilindrada Onde a cilindrada é capacidade física de deslocamento da unidade compressora. Os fabricantes possuem os gráficos de rendimento volumétrico real. A vazão volumétrica na entrada dos compressores (m³/s): Figura 3 – Ciclo de Refrigeração a duas temperaturas de evaporação com um compressor aA  mAv1  e a B  mB v1'  O compressor deverá ter capacidade para remover o fluído dos dois evaporadores e ainda vencer a perda Os condensadores recebem o vapor superaquecido de carga da válvula redutora de pressão. A expansão procedente do compressor e proporciona sua numa válvula redutora de pressão é isentálpica, contínua liquefação, eliminando o calor do sistema segmento 1’ – 1’’ esboçado na Fig. 4 do diagrama p- de refrigeração. Existem diferentes tipos de h. O ponto 3 e 3’ são coincidentes, onde a condensadores, os mais utilizados nos frigoríficos propriedade do fluido é a mesma. são: os multitubulares casco-tubo, usando a água como meio de remoção de calor por troca térmica por superfície; os resfriados a ar são trocadores que apresentam menores coeficientes de troca térmica, exigindo uma área de troca maior; e os condensadores evaporativos, que combina as vantagens dos dois anteriores. Para determinar a área de troca térmica é necessário conhecer o calor rejeitado e as condições operacionais. Para determinar o calor rejeitado no lado de alta pressão no sistema de refrigeração: Balanço de energia na condensação, na determinação Figura 4 – Representação do Ciclo a duas da taxa de calor removida em kW: temperaturas de evaporação com um compressor no diagrama p-h QC  mA h2  h3   mB h2'  h3'     Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    4-3 Orientação de cálculo. atinge valores tais, que torna aconselhável o uso da compressão por estágios. Balanço de massa. pd Relação de compressão: r ps mTOTAL  mA  mB    O aumento da relação de compressão não só Balanço de energia em torno do evaporador A e B reduz o rendimento volumétrico do compressor:   determina m A e m B : V  1     ( r )1 n , como acarreta a elevação da  QEA temperatura de descarga do mesmo, elevação esta mA   h1  h4 responsável pela carbonização do óleo e corrosão das  válvulas. Q mB   EB h1'  h4' Dependendo do fluido frigorígeno onde a temperatura de evaporação é muito baixa (-30°C) e   Para fluir as vazões mássicas m A e m B nos temperatura de condensação muito elevada (acima de evaporadores nas condições de pressões desejadas + 30°C), se divide a compressão em duas etapas, a devemos determinar a capacidade dos compressores. Fig.5 mostra o resfriamento do vapor superaquecido O balanço de energia em torno do compressor, na entre os estágios, portanto reduz o trabalho de  determinação da Potencia Mecânica WTOTAL em compressão e aumenta o COP. Qualquer decisão de se usar sistemas de compressão por estágios, deve ser processo teórico (isentrópico): baseada em uma análise econômica. WTOTAL  mTOTAL h2  h1'''    A Fig. 6 mostra no diagrama p-h o resfriamento intermediário (2 – 4). Este pode ocorrer através de A vazão volumétrica na entrada dos compressores um trocador de calor resfriado a água, ar ou ainda por (m³/s): um refrigerante líquido do condensador. Sistemas a a  mTOTALv1'''  compressão por estágios, com resfriamento intermediário requerem menos potência, do que de Balanço de energia na condensação, na determinação um único estágio, entretanto deve-se sempre da taxa de calor removida em kW: verificar, se a economia de potência justifica os custos adicionais dos equipamentos. QC  mTOTAL h2  h3    O coeficiente operacional ( COP ) varia de 1 a ∞ e relaciona:   QE COP  W PROBLEMA PROPOSTO. Compare percentualmente os dois sistemas de obtenção a duas temperaturas de evaporação, utilizando R717, para as temperaturas de ebulição nos evaporadores (A e B) de 5°C e -15°C, Figura 5 – Compressão por estágio respectivamente para as taxas de calor removidas de 2 TR e 1TR. A temperatura de condensação é de 30°C. Discuta os resultados e conclua. *Sugestão: Resolva o problema: (1) - utilizando os gráficos p-h e T-s e (2) - utilizando as tabelas de vapor saturado e superaquecidos. 4.2 CICLOS POR COMPRESSÃO DE VAPOR POR ESTÁGIOS. Quando a diferença entre as temperaturas da fonte quente e da fonte fria do ciclo de refrigeração é muito elevada a relação de compressão a ser vencida Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    4-4 Resolvendo literalmente o esquema apresentado na figura 7, e fazendo: (1) a pressão intermediária é igual à média geométrica entre as pressões de alta e baixa (supondo estas conhecidas) quando se deseja uma relação de compressão igual para os dois  estágios, (2) a potência frigorífica QEA conhecida (geralmente fornecida), (3) conhecida as condições de estado, pressões e temperaturas em cada ponto, (4) funcionando em regime permanente e (5) Figura 6 – resfriamento no diagrama p-v e p-h considerando a energia cinética e potencial nula. 4.2.1 SUBRESFRIAMENTO POR SUPERFÍCIE Orientação de cálculo. A figura 7 mostra um ciclo de compressão de dois estágios, utilizado em sistemas industriais, com o uso Conhecida a pressão de condensação e a pressão do da amônia como fluido refrigerante. Observa-se: evaporador da baixa pressão determino a pressão 1. O aproveitamento do frio é feito a temperatura intermediária mais baixas do processo (Te). pi  ( pc  pe )0,5 2. O sub-resfriamento do líquido é de superfície no interior do resfriador intermediário (9 -11) 3. A válvula de expansão principal (evaporador) se reduz a uma única (11 -12). Balanços de massa: 4. O evaporador é do tipo inundado por um vazo mB  m1  m2  m3  m9  m11  m12        separador de baixa pressão, que fornece líquido mA  m4  m5  m6  m7      saturado para a serpentina e vapor saturado para o mA  m8  mB    compressor B (12 -1). 5. Na saída dos compressores o vapor é Balanço de energia em torno do evaporador B superaquecido. O resfriamento do vapor em 2  determina m B : primeiramente utiliza o meio ambiente (água ou ar), e em seguida por mistura com o líquido a uma temperatura de saturação correspondente a uma  QEB mB   pressão intermediária entre as pressões de alta e h1  h12 baixa. Balanço de energia em torno do resfriador  intermediário determina m A :  h h  m A  mB   11 3     h h   7 4  O balanço de energia em torno dos compressores, na   determinação das Potencias Mecânicas WB e W A em processo teórico (isentrópico): WB  mB h2  h1    WA  mA h5  h4    A vazão volumétrica na entrada dos compressores (m³/s): B  mB v1   A  m A v4  Balanço de energia na condensação, na determinação da taxa de calor removida em kW: Figura 7 - Esquema e diagrama p- h em expansão única QC  mA h5  h7    Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    4-5 O coeficiente operacional( COP ) varia de 1 a ∞ e Balanço de energia em torno do resfriador relaciona:  intermediário determina m A : mB h3  h9   QA  QEA   COP  mA   WA  B  W h4  h7  4.2.2 SUBRESFRIAMENTO POR MISTURA O balanço de energia em torno dos compressores, na   determinação das Potencias Mecânicas WB e W A em A Figura 8 mostra um ciclo de compressão de dois estágios, igualmente utilizado em sistemas processo teórico (isentrópico): industriais, com amônia. Observam-se algumas modificações em relação ao da Figura 7: WB  mB h2  h1    1. O aproveitamento do líquido é feito não só a temperatura mais baixa como a intermediária do WA  mA h5  h4    processo. 2. O sub-resfriamento é de mistura no interior do A vazão volumétrica na entrada dos compressores resfriador intermediário (8 - 9). (m³/s): 3. O número de válvulas de expansão do tipo principal é igual ao número de estágios. B  mB v1   A  m A v4  Balanço de energia na condensação, na determinação da taxa de calor removida em kW: QC  mA h5  h7    O coeficiente operacional ( COP ) varia de 1 a ∞ e relaciona:   QEA  QEB COP  WA  B  W EXERCÍCIOS 1)Resolva literalmente os esquemas apresentados nas figuras 7 e 8, fazendo: (1) a pressão intermediária igual à média geométrica entre as pressões de alta e baixa (supondo estas conhecidas) e (2) As potências frigoríficas igual a 1 TR. SOLUÇÃO Conhecida a pressão de condensação e a pressão do evaporador da baixa pressão determino a pressão intermediária Figura 8 - Esquema e diagrama p- h em expansão pi  ( pc  pe )0,5 (Fig.7 e 8) fracionada  QE  m1  ( h1  h12 )  Orientação de cálculo. Balanços de massa: 2)Um sistema conforme Fig. 7, porém sem resfriador mB  m1  m2  m3  m9  m10       a água. A temperatura de condensação é 32 ºC, a temperatura intermediária de saturação é -11 ºC e a mA  m4  m5  m6  m7  m8       temperatura de evaporação é - 40 ºC. O líquido sai do subresfriamento a -4 ºC. O vapor que sai do resfriador intermediário está saturado, o mesmo que Balanço de energia em torno do evaporador B sai do evaporador. Calcule a potencia mecânica dos  determina m B : compressores de alta e baixa pressão.  QEB mB   REFERÊNCIAS h1  h10 Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    4-6 1- COSTA, EnnioCruz da. – Física Industrial – Refrigeração. Ed. PUC – Porto alegre, 1976. 2- DOSSAT, R.J. - Manual de Refrigeração - Ed. Hemus - São Paulo, 1980. 3-HOLMAN, J.P. Termodinâmica, McGraw-Hill, México, 1975. 4-MORAN, M. J., SHAPIRO, H. N., 2002, Princípios de Termodinâmica para Engenharia. Ed. LTC 4ª edição. 681p. 5- PHOLMANN, W. - Manual de Técnica Frigorífica - Ediciones Ômega, S.A. - Barcelona, 1964. 6-STOECKER, W.F., JONES, J.W., Refrigeração e Ar Condicionado, McGraw-Hill, São Paulo, 1985. Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    5-1 REFRIGERAÇÃO POR ABSORÇÃO 5 5.1 INTRODUÇÃO SOLUÇÃO W  h2  h1 A refrigeração por absorção foi descoberta por Observação: no ponto 1 o vapor é saturado na NAIRN em 1777, embora o primeiro refrigerador entrada do compressor e no ponto 2 o vapor é comercial deste tipo, só tenha sido construído em 1823 superaquecido na saída do compressor. por Ferdinand Carre. Considere a compressão isentrópica do ponto 1 O funcionamento da refrigeração por absorção, se ao ponto 2. baseia no fato de que os vapores de alguns dos fluídos Conforme Tabela 2.1 (NH3 saturada) - Para a frigorígenos conhecidos são absorvidos a frio, em temperatura de saturação de 35ºC leio a pressão grandes quantidades, por certos líquidos ou soluções p2 = 13,8 bar ou 1398285 N/m². salinas. Para a temperatura de saturação de - 15ºC leio a Se esta solução binária assim concentrada é pressão p1 = 2,5 bar ou 253312,50 N/m²; h1= aquecida, verifica-se uma destilação fracionada na qual 1424,33 kJ/kg e s1=5,53 kJ/kg.K o vapor formado será rico no fluído mais volátil (fluído Conforme Tabela 2.2 (NH3 superaquecida) - frigorígenos), podendo ser separado, retificado, Com a pressão p2= 13,8 bar e s2=s1=5,53 condensado e aproveitado para a produção do frio, kJ/kg.K leio h2=1755 kJ/kg. como nas máquinas de compressão. O sistema de refrigeração por absorção mais W  ( h2  h1 )  ( 1755 1424,33 )  330,67 kJ/kg comum é aquele que usa amônia (NH3) como fluido NH3 refrigerante e a água como absorvente. O trabalho da compressão mecânica é Nas instalações de ar condicionado é adotada Resposta W = 330,67 kJ/kg NH3 preferencialmente a solução binária constituída de água (fluido frigorígenos) e brometo de lítio E 5.2 Agora o vapor de amoníaco que sai do (absorvente) a qual é menos perigosa que a anterior. evaporador do ciclo de compressão mecânica do Como vantagem em relação aos sistemas de E 5.1 é absorvido por água, produzindo uma compressão mecânica que se utiliza da energia elétrica concentração líquida x = 0,4 kg de NH3/ kg de que é cara e muitas vezes não disponível, já os sistemas solução, supondo que o volume específico da de absorção se utiliza de energia térmica. solução é 0,00118 m3/kg. Determine o trabalho Além desta vantagem, as instalações de absorção se requerido pela bomba para elevar a pressão da caracterizam pela sua simplicidade por não solução líquida de 2,5 à 13,8 bar. apresentarem partes internas móveis (as bombas são colocadas à parte) o que lhes permite um SOLUÇÃO funcionamento mais silencioso e sem vibração. v Os sistemas de refrigeração mecânica por W   dp x compressão de vapor, requerem uma quantidade v relativamente grande de trabalho, devido a grande W  p variação do seu volume específico ocorrido na sua x compressão. A refrigeração por compressão de vapor  1398285 253312  por absorção ao contrário da mecânica, permite elevar 0,00118 W a pressão do refrigerante com reduzido trabalho 0,4 requerido, no entanto requer uma grande quantidade de W=3377,67 Nm/kgNH3= 3,38 kJ/kg NH3 calor. O custo desta energia térmica poderá ser o fator O trabalho da bomba é decisivo na escolha entre estes dois sistemas de Resposta W = 3,38 kJ/kg NH3 refrigeração. Esta vantagem pode ser observada Ou seja, o trabalho requerido pela solução comparando os resultados do trabalho dos exercícios E líquida é aproximadamente 1% do requerido 5.1 e E 5.2 realizado pelos dois sistemas. pelo compressor. EXERCÍCIOS Para melhor compreendermos os ciclos de E 5.1 - Uma planta de refrigeração de NH3, opera refrigeração por absorção, estudaremos segundo o ciclo teórico de um só estágio com algumas características fundamentais das evaporação e condensação -15C e 35C, misturas binárias. respectivamente. Determine o trabalho requerido pelo compressor. 5.2 TIPOS DE APARELHOS Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    5-2 A - Aparelhosde funcionamento descontínuo Conhecido como bola de gelo, é constituído de dois recipientes de aço unidos por um conduto inclinado como pode ser visto na Figura 5.1, seu funcionamento é intermitente. Figura 5.2 Aparelho de funcionamento contínuo Figura 5.1 Aparelho de funcionamento descontínuo 5.3 PROPRIEDADES ELEMENTARES Introduz-se no conjunto uma solução concentrada DAS MISTURAS BINÁRIAS de NH3 e água (30 a 35%) tendo-se cuidado de eliminar o ar do seu interior. As misturas se formam mediante duas ou A solução ocupa inicialmente o recipiente “A” onde mais substâncias puras, e estas misturas é aquecida à de 180C (12,38 bar) desprendendo-se a podemos classificá-las em homogêneas e amônia que se condensa (32C) no recipiente “B” que é heterogêneas. Uma mistura homogênea tem esfriado por meio de água corrente. como característica uma composição uniforme Quando a maior parte da amônia tenha passada ao (densidade, pressão e temperatura) e não podem recipiente “B” o que se traduz por uma maior elevação ser separadas mecanicamente (decantação ou da temperatura em “A”, está concluído a primeira fase centrifugação). Praticamente todas as misturas de funcionamento do aparelho, a qual toma o nome de gasosas são misturas homogêneas, devido a preparatória. facilidade de se difundir um no outro. Como Deixando-se se aquecer o recipiente “A”, a solução exemplo tem o ar úmido. contida nele, pobre em amônia, se esfria até a Uma mistura heterogênea não possui temperatura ambiente (40 a 45C) absorvendo a composição uniforme, podendo ser separada por amônia que se vaporiza em “B”a pressão constante meios mecânicos. Em geral podemos misturar (2,0769 bar) produzindo o abaixamento de temperatura substâncias para formar misturas homogêneas e até o valor correspondente à pressão de vaporização (- heterogêneas em fases sólidas, líquidas ou de 18C). vapores. Neste capítulo trataremos só de misturas binárias homogêneas de vapores e B - Aparelhos de funcionamento contínuo líquidos. O estado termodinâmico de uma mistura não Para tornar contínuo o funcionamento de uma pode ser determinado somente pela pressão e instalação de refrigeração por absorção é necessário temperatura, como nas substâncias puras, pois encontrar um meio de vencer a diferença de pressão devemos considerar a composição quantitativa, entre as duas fases de funcionamento do aparelho em função da concentração x de uma massa citado. A Figura 5.2 ilustra o procedimento de forma constituinte da massa da mistura. Portanto p, t e esquematizada. O gerador e o condensador operam a x estabelecem o estado termodinâmico da uma pressão de alta enquanto o absorvedor e o mistura. evaporador a baixa pressão. Uma característica importante de uma mistura é sua miscibilidade. Uma mistura é miscível em todo o intervalo arbitrário de valores de concentração em que se forma uma mistura homogênea. Uma mistura não miscível é uma mistura heterogênea. Algumas misturas são miscíveis em certas condições, porem em outras são imiscíveis. As misturas binárias convenientes para os sistemas de absorção devem ser completamente miscíveis na fase líquida e na fase de vapor. Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    5-3 Dois fenômenos importantes que ocorrem ao misturar líquidos são: a variação de volume e da temperatura. Fi gura 5.3 - Esquema das variações de volume e temperatura na mistura de líquidos. Figura 5.4 Características de evaporação e condensação de uma mistura binária homogênea A Figura 5.3 mostra esquematicamente um recipiente dividido que contém x kg de líquido A e (1 - Começamos com uma solução líquida x) kg de líquido B. Cada líquido está à mesma (estado 1) e lentamente vamos adicionando temperatura t1. O volume do constituinte é: calor, conservando a pressão constante. Até que se alcança a t2, observamos que a solução v1 = xvA + ( 1 - x ) vB permanece completamente líquida. Se adicionarmos mais calor, o pistão se eleva em Suponhamos que a parede divisória se retira e que relação ao nível de líquido, indicando que há os dois líquidos se misturam completamente. vaporização, apresentando concentrações Observamos geralmente que v2  v1 e t2  t1, em diferentes para o líquido x3 e para o vapor x4. alguns casos haverá contração do volume ou expansão Se continuarmos adicionando calor, notamos assim como em alguns casos haverá aumento de que o líquido vai gradualmente desaparecendo, temperatura ou diminuição, não havendo uma regra quando alcançamos o ponto 5, teremos só o definitiva e os resultados são obtidos vapor onde x5 é igual a x1. experimentalmente. Este efeito térmico é atribuído ao Se continuarmos aquecendo a concentração calor de solução Hx. Se a mistura se efetua a pressão continua constante conforme pode ser constante: observado, x1 = x5, na Figura 5.4. Se repetirmos o experimento com diferentes h1 = x hA + ( 1 - x ) hB valores de concentração, porém com a mesma pressão, obteremos as linhas de equilíbrio da E depois da mistura: evaporação e da condensação mostrada na Figura 5.4(b). A Figura 5.4(c) mostra o h2 = h1 + Hx = x hA + ( 1 - x ) hB + Hx (4.1) resultado do experimento para diferentes pressões. A Figura 5.4 mostra esquematicamente o O diagrama entalpia-concentração (h-x) é o experimento e os resultados obtidos em um diagrama t diagrama mais útil em uma mistura binária. A - x. Figura 5.5 mostra um diagrama esquematizado h-x com a região líquida e vapor. Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    5-4 Figura 5.5 Diagramah -x esquematizado de uma mistura binária homogênea Os sistemas industriais envolvem muitos tipos de processos simultaneamente. O estudo Pode-se localizar o estado de uma solução líquida separado destes processos permite uma melhor saturada, na intersecção das linhas de pressão, compreensão do funcionamento dos sistemas temperatura e concentração. Se a solução líquida está de refrigeração por absorção. subresfriada pode-se localizar aproximadamente o seu estado conhecendo-se a sua temperatura e sua 5.4.1 Mistura adiabática de duas correntes. concentração. A Figura 5.7 mostra esquematicamente uma Para localizar-se o estado de vapor saturado em câmara onde se mistura duas correntes equilíbrio com o líquido saturado de estado conhecido, adiabaticamente. mediante o auxílio das linhas de equilíbrio e um esquadro, conforme pode ser observado na Figura 5.6. Figura 5.6 - Diagrama h -x esquematizado para uma Figura5.7 Mistura adiabática de duas correntes condição de equilíbrio líquido e vapor. em fluxo estacionário. EXERCÍCIOS Podemos escrever três equações fundamentais para o sistema da Figura 5.7 E 5.3 - Se sabe que uma mistura líquida de amônia- água saturada a t=40C e p= 2 bar. Determine: a) m1h1 + m2h2 = m3h3 entalpia e b) a concentração mistura SOLUÇÃO m1 + m2 = m3 Utilizando o diagrama h-x da mistura amônia-água, na intersecção da isotérmica t= 40 C e a isobárica de m1x1 + m2x2 = m3x3 2 bar. Resposta a) h = - 34 kJ/kg de mistura; b) x = 0,34 E 5.3 - Uma corrente líquida amônia-água (m= kg NH3/kg de mistura. 10 kg/min., x = 0,7 kg de NH3/kg de mistura, t=-10ºC, p = 2 bar) se mistura adiabaticamente E 5.2 - Uma mistura líquida de amônia-água se com uma corrente líquida amônia-água encontra (p= 8 bar; x = 0,27 kg NH3/kg de mistura; t = saturada (m = 5 kg/min., t = 40 ºC, p = 2 bar). 40C) Determine a entalpia. Supondo condições de fluxo estacionário, Solução - A mistura não se encontra saturada, pois p,t determine (a) a concentração da mistura, (b) a e x não coincide no diagrama. A mistura líquida entalpia da mistura. (c) a temperatura de encontra-se subresfriada, e pode-se localizar equilíbrio da mistura e (d) a composição da aproximadamente sua entalpia no diagrama h-x, pela mistura em percentagem de líquido e de vapor intersecção no caso da isotérmica (t = 40C) com a depois que se alcança o equilíbrio. linha de concentração constante (x = 0,27 kg NH3/kg de mistura), pois a entalpia do líquido pouco varia Solução - No diagrama h-x da mistura amônia- com a pressão. água conforme Figura 5.7 conectamos os Resposta: h =- 3,5 kJ/kg de mistura. estados 1 e 2 e fazemos as leituras h1  242,3 kJ / kg de solução 3 5.4 PROCESSOS ELEMENTARES DE FLUXO h2  34,2 kJ / kg de solução ESTACIONÁRIO COM MISTURAS BINÁRIAS Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    5-5 x2  0,34kgNH3 / kg de solução Os itens (a) e (b) são determinados utilizando as três equações fundamentais para mistura adiabática de duas correntes. m3  10  5  15 kg de mistura/ min. 10  ( 242,3 )  5  ( 34,2 ) h3  = 15 h3  172,9 kJ / kg de solução 10  0,7  5  0,34 x3  = 15 x3  0,58 kgNH3 / kg de solução Resposta (a) x3  0,58 kgNH3 / kg de solução (b) Figura 5.8 Mistura de duas correntes binárias em fluxo estacionário com troca de calor h3  172,9 kJ / kg de solução O item (c ) Observamos que o ponto 3 está por As equações fundamentais da mistura são: cima da linha de líquido em equilíbrio a 2 bar, ou seja m1h1 + m2h2 = m3h3 + q o estado do ponto 3 é uma mistura mecânica de líquido e vapor, com o auxílio de um esquadro m1 + m2 = m3 encontramos a linha f3g conforme Figura 5.7, esta linha é a isotérmica da região líquido-vapor que m1x1 + m2x2 = m3x3 conecta os estados f e g. Em f temos a temperatura da mistura tf = tg = t3 =-13ºC. Onde xv = 0,99 e xl=0,56 Exemplo 5.4 - 0,5 kg por min de vapor de Resposta (c) t 3  13º C amônia saturado (x = 1,0, p =2 bar) se mistura O item (d) posto que o item (3) e uma mistura de com 5 kg por min. de líquido amônia- água líquido e vapor aplicam a equação de misturas, ou saturado (t =40ºC, p=2 bar). O estado final da seja: mistura é líquido saturado a 2 bar. Determine mv  ml  15 (a) a concentração, temperatura e entalpia do mv  0,99  ml  0,56  15  0,58 estado da mistura e (b) a eliminação do calor mv  0,7 kg de soluçãono estado de vapor em kJ/min. ml  14,3 kg de soluçãono estado de líquido Solução - No diagrama h-x da mistura amônia- destas água conforme Figura 5.8 conectamos os mv 0,7   100  4,7% estados 1 e 2. m3 15 Item (a) é determinado utilizando as três ml 14,3   100  95,3% equações fundamentais para mistura de duas m3 15 correntes. E pelo diagrama, o ponto 3 é dado pela projeção de 3’ sobre a linha de pressão de Resposta (d) Portanto a mistura contém 95,3 % 2 bar. Leio a temperatura: t3'  25ºC de líquido e 4,7 % de vapor. m3  m1  m2  0,5  5  5,5 kg / min m1x1  m2 x 2 0,5  1  5  0,35 5.4.2 Mistura de correntes com troca de calor. - x3'    0,41 Processo que ocorre em um absorvedor, conforme m3 5,5 pode ser observado na Figura 5.8. x3  x3' m1h1  m2h2 0,5  1270 5  ( 25 ) h3'    92,73 m3 5,5 Resposta (a) x3  0,41 kgNH3 / kg de solução, t3'  25ºC, h3  92,73 kJ / kg de solução. O item (b) é determinado pela figura 5.8 onde: q / m3  h3'  h3  92,73  ( 25 )  117,73 kJ / kg de solução Resposta (b): q = 647,515 kJ/min 5.4.3 Processos simples de aquecimento e resfriamento - A Figura 5.9 apresenta Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    5-6 trocadores de calorem série com separadores de 5.4.4 Estrangulamento - A figura 5.10 mostra líquido e vapor. esquematicamente uma válvula de estrangulamento e o comportamento no gráfico: x1=x2 e h1=h2, os pontos 1 e 2 são idênticos. Sabemos que em processo de estrangulamento pode haver vaporização e supomos que líquido e vapor estão em equilíbrio. Com um esquadro, obtemos por ensaio a isotérmica 12 . Figura 5.10 - Estrangulamento de uma mistura binária Figura 5.9 Processos de aquecimento e resfriamento em fluxo estacionário 5.4.5 RETIFICAÇÃO DE UMA MISTURA BINÁRIA Em condições de fluxo estacionário: Nas seções anteriores estudamos os Para o trocador de calor e separador A e B: processos simples estacionários de aquecimento e resfriamento. Na Figura 5.9 o 1q2 = m1 (h2 - h1) trocador A efetua a função do gerador e o separador B efetua a função de analisador na m1 = m2 obtenção de vapor, num sistema de refrigeração por absorção. Para produzir vapor de alta x1 = x2 qualidade necessário ao sistema, devemos introduzir uma coluna de retificação entre o m2h2 = m3h3 + m4h4 gerador e o analisador. A Figura 5.11 mostra esquematicamente uma coluna de retificação m2 = m3 + m4 entre o gerador e o analisador. A coluna de retificação contém várias placas intercaladas ou m2x2 = m3x3 + m4x4 perfuradas. Uma solução de vapor sobe através da coluna enquanto a solução líquida desce. O 4q5 = m4 (h5 - h4) propósito das placas é levar a solução líquida e o vapor a um contato íntimo direto. O vapor m4 = m5 que sobe condensa em parte e o líquido que desce se evapora outra parte. Com respeito à x4 = x5 posição, o vapor ascendente adquire progressivamente uma maior concentração, e m5h5 = m6h6 + m7h7 ao mesmo tempo a solução líquida descendente adquire progressivamente menor concentração. m5 = m6 + m7 m5x5 = m6x6 + m7x7 Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    5-7 Figura 5.11 Coluna de destilação Figura 5.12 Representação esquemática da Entre os cortes transversais “a” e “b” temos: equação 5.2, polo de retificação (P1) e linha de operação. mv,a + ml,b = mv,b + ml,a Como se mostra na Figura 5.12 (a), a ou seja para qualquer parte transversal: equação 5.2 define uma linha reta sobre o diagrama h-x em condição de fluxo mv - ml = constante = m3 estacionário. A equação deve ser satisfeita pela combinação do analisador e qualquer porção de maneira similar podemos mostrar: conectada da coluna. Este requisito conduz a solução gráfica mostrada na Figura 5.12 (b). Se mvxv - mlxl = m3x3 conectarmos com linhas retas, os pontos de estado de vapor e líquido da mesma secção mvhv - mlhl = m3h3 + qanaliz. transversal, todas as linhas das diferentes secções devem intersectar-se num ponto Destas equações, se entende que os subíndices v e l comum. Estas linhas retas se denominam se referem sempre à mesma secção transversal, ainda linhas de operação. Seu ponto de intersecção que a localização desta seja arbitrária, assim teremos: P1 se denomina um polo. A Figura 5.13(a) mostra esquematicamente mv/m3 = (x3 - xl )/ (xv - xl) uma coluna de descarga. Seguindo um Como: procedimento idêntico ao usado pela coluna de mv/m3 ( hv - hl) = (h3 - hl) + qanaliz./m3 retificação, podemos demonstrar que para qualquer secção transversal da coluna. (x3 - xl )/ (xv - xl) ( hv - hl) = (h3 - hl) + qanaliz./m3 (4.2) Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    5-8 Figura 5.14 - A coluna dupla de retificação Podemos escrever as seguintes equações fundamentais: m1 = m2 + m3 m1x1 = m2x2 + m3x3 Figura 5.13 Coluna de descarga m1h1 + qg = m2h2 + m3h3 + qanaliz. Para qualquer secção transversal da coluna: Destas podemos demonstrar: ml - mv = constante = m2  qanaliz .   qg  de maneira similar podemos mostrar:  h3   h1 h1   h2     m3    m2  mlxl - mvxv = m2x2 x3  x1 x1  x 2 mlhl - mvhv = m2h2 + qgerador REFERÊNCIA. destas, obtemos: PHOLMANN, W. - Taschenbuc Für Kältetechniker - Verlag C.F. Müller - (xv - x2 )/ (xv - xl) ( hv - hl) = (hv - h2) + qgerador/m2 Karlsruhe, 1964. COSTA, E.C. - Física Industrial - Refrigeração - A Figura 5.14 mostra esquematicamente uma Vol. II - Ed. Meridional EMMA - Porto coluna dupla de retificação. A coluna dupla de Alegre, 1975. retificação se forma acoplando a coluna de descarga e a coluna simples de retificação estudada previamente. Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    5-1 Refrigeração-na indústria dealimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    6-1 PSICROMETRIA 6 separadamente o mesmo volume, em uma mesma PROPRIEDADES TERMODINÂMICAS DO temperatura. AR-VAPOR D’ÁGUA (AR ÚMIDO) 6.1 Definição A psicrometria estuda as propriedades do ar afetado pela conteúdo de umidade. O conceito de ar seco é muito útil e simplifica os cálculos psicrométricos, ainda que realmente não exista o ar Figura 6.3 Ar úmido, ar seco e o vapor d’água seco. Este termo indica ar sem vapor d’água.. Se ocupando separadamente o mesmo volume. entende por ar úmido a mistura binária natural do ar seco e vapor d’água. O ar atmosférico se comporta como um gás perfeito onde a relação pv T para cada um dos m (ar úmido) = ma (ar seco) +mv(vapor d’água) ou componentes permanece constante ( R ). A constante m  ma  mv    universal dos gases , R , vale 8,314 kJ/kmol.K O ar obedece a Lei de Dalton (das pressões parciais). Por tanto, a pressão barométrica total será a 6.3 Ar Atmosférico: soma das pressões parciais exercidas pelos gases Atmosfera terrestre = N2 + O2 + A + CO2 + H2O + secos e pelo vapor d’água. outros p  pa  pv Obs.: Acima de 6000 m a atmosfera é essencialmente ar seco. 6.2 Regiões termodinâmicas do ar seco e do vapor A pressão barométrica é a força por unidade de área d’água (Figs. 6.1 e 6.2): devido ao peso da atmosfera. Ao nível do mar: p atmosfera = 1013,20 mbar À medida que se penetra na atmosfera, pressão e temperatura diminui. A Tabela 6.1 mostra esta variação da pressão e da temperatura com a altitude Definição da “ASHRAE” de atmosfera standard: 1. A atmosfera se comporta como gás perfeito. 2. A gravidade é constante. g = 9,81 m/s² 3. Ao nível do mar a pressão é 29,921 pol Hg = 14,696 psia = 1013,20 mbar e a temperatura 15ºC. 4. A temperatura “T” diminui linearmente com a altitude “H”, até o limite inferior da atmosférica isotérmica de acordo com: Figura 6.1 Região termodinâmica do ar seco T  T0  0,006667H T ,T0 º C ; H  m esquematizada no diagrama T x s 0 ,1409  0,006667H  p  p 0 1     p = mbar  T0  Tabela 6.1 Variação da pressão e temperatura com a altura H (m) p (mbar) T (ºC) -300 1031,23 17,0 0 1013,20 15,0 100 1006,74 14,3 500 977,95 11,6 1000 932,67 8,3 1500 867,89 4,5 2000 743,40 1,6 Figura 6.2 Região termodinâmica do vapor d’água 6.4 AR SECO esquematizada no diagrama T x s A tabela 6.2 mostra os principais componentes do ar seco e o peso molecular. A Figura 6.3 mostra as condições para o ar úmido, ar seco e do vapor d’água como se ocupassem Tabela 6.2 Composição do ar seco Substância Peso Fração Peso Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    6-2 molecular molar molecular E 6.1 Determinem a entalpia do ar seco à (Ma) kg/kmol do ar seco temperatura de 25 ºC (290 K) para um Cpa ≈1,0 N2 28,016 0,7809 21,878 kJ/kga.K O2 32 0,2095 6,704 Solução: A 39,944 0,0093 0,371 ha = Cpa (T)= 1,0  25  25 kJ/kga CO2 44,01 0,0003 0,013 1,0000 28,966 6.5 VAPOR D’ÁGUA Obs.1: Esta composição é bastante uniforme sobre a . A constante particular do vapor d’água superfície da terra a até 100 milhas. R 8 ,314 Rv   = 0,461 kJ/kgv.K Obs.2: O ar seco tem comportamento de gás perfeito. Mv 18,016 O peso molecular do vapor d’água é 18,016 kg/kmol A constante particular do ar seco R 8 ,314 Entalpia do vapor d’água (hv) Ra   = 0,287 kJ/kga.K Ma 28,966 A Figura 6.4 mostra a região da variação da entalpia do vapor d’água esquematizada no diagrama Calor específico a pressão constante do ar seco a T x s. Nesta região o vapor comporta-se como gás baixa pressão ( Cpa ) - A tabela 6.3 mostra a faixa de perfeito onde a entalpia só varia com a temperatura. variação do Cpa com a temperatura. Tabela 6.3 Calor específico ( Cpa ) do ar seco Na faixa de: -100ºF (-73,33 ºC) a 250ºF (121,11 ºC) Btu/lb°F kcal/kgK Kj/kg.K 0,2400 -0,2420 0,2400 -0,2420 1,000 -1,007 Relacionando o calor específico com a variação de entalpia h dh Cpa   T dT Entalpia do ar seco (ha) A Figura 6.3 mostra a região da variação da A Figura 6.4 Região da variação da entalpia do vapor entalpia do ar seco (há) esquematizada no diagrama d’água na mistura ar úmido no diagrama T x s T x s. Nesta região o ar seco comporta-se como gás perfeito onde a entalpia só varia com a temperatura. para baixas pressões: ha = u + p v = f (T) + R T hv  hg  hg 0º C  CpvT R = constante ha = f” (T) Onde: hg  0ºC = 2497,85 kJ/kgv ( h calor latente de vaporização)1 Cpv = 1,84 kJ/kgv.ºC (calor específico médio do vapor d’água) EXERCÍCIO E 6.2 Qual a entalpia do vapor d”água a 25ºC ? Solução: a) pela equação: hv = 2497,85 + 1,84*25 =2543,85 kJ/kgv A Figura 6.3 Região da variação da entalpia do ar seco esquematizada no diagrama T x s b) Tabela 6.4 (vapor da água saturada): hv = 2536,15 kJ/kgv A entalpia (há) é medida em unidade de energia calorífica por unidade de massa de ar seco em kJ/kga e obtidas por tabela 6.6. EXERCÍCIO 1 hreferência= hl 0º C =0 kJ/kg Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    6-3 A tabela 6.4mostra a relação da temperatura com as nv  mv Mv número de moles do vapor d’água pressões e entalpias da água na  ma Ma número de moles do ar seco Tabela 6.4 Propriedades da Água Umidade Relativa (  ) T p Entalpia kJ kg É definida como a razão entre a massa de vapor Sólido vapor d’água e a massa de vapor saturado deste ar a ºC bar hS hv temperatura e a pressão constante. -45 0,000038 -420,31 2414,86 -40 0,000128 -411,35 2424,1  mv  pvV / nvR T  pv        -35 0,000224 -402,19 2433,34  ms T psV / nvR T  ps T   -30 0,000380 -392,90 2442,57 -25 0,000632 -383,40 2451,82 O ar está saturado na condição de máxima -20 0,001032 -373,71 2461,04 quantidade de vapor d’água para um volume de ar -15 0,001652 -363,84 2470,27 -10 0,002598 -353,81 2479,49 sem que ocorra condensação. Quando  =1 ou 100% -5 0,004015 -343,56 2488,69 o ar está saturado. Condição em que mv  ms . T p Entalpia kJ kg EXERCÍCIO E 6.2 Calcule a umidade (w) do ar úmido de uma sala Líquido Vapor ºC bar de 300 m³ a 20ºC,  = 80% à pressão atmosférica de: hl hv a)1013,5 mbar e 0 0,006108 0 2497,85 b) 900 mbar 5 0,008720 20,98 2510,6 Solução 10 0,012280 42,01 2519,8 Pela Tabela 6.4 da água saturada, com T=20 ºC leio 15 0,017050 62,99 2528,9 ps = 23,37 mbar. 20 0,023390 83,96 2538,1 pv  0,8  23,37  18,696 bar 25 0,031690 104,89 2547,2 30 0,042460 125,79 2556,3  18,696  w  0,622   = 0,0117 35 0,056280 146,68 2565,3  1013,5  18,696  40 0,073840 167,57 2574,3 45 0,095930 188,45 2583,2 Resposta a) w = 0,0117 kgv/kga 50 0,123500 209,33 2592,1 55 0,1576 230,23 2600,9  18,696  60 0,1994 251,13 2609,6 w  0 ,622   900  18,696  = 0,0132    65 0,2503 272,06 2618,3 70 0,3119 292,98 2626,8 75 0,3858 313,93 2653,3 Resposta b) w = 0,0132 kgv/kga 80 0,4739 334,91 2643,7 85 0,5783 355,90 2651,9 90 0,7014 376,92 2660,1 Entalpia do ar úmido (entalpia da mistura) 95 0,8455 397,96 2668,1 100 1,014 419,04 2676,1 H = Entalpia H 110 1,433 461,30 2691,5 h Entalpia específica 120 1,985 503,71 2706,3 m 130 2,701 546,31 2720,5 H  Ha  Hv 140 2,613 589,13 2733,9 mah  maha mvhv mv h  ha  hv  ha  W hv ma 6.6 AR ÚMIDO Utiliza-se esta definição, porque é mais Umidade Absoluta ou Umidade(w) conveniente definir a entalpia em relação à massa de É definida como a razão entre a massa de vapor ar seco que não varia, pois a umidade (vapor) é que d’água e a massa de ar seco vai variar. mv pvV / nvR T pv pv EXERCÍCIO w   0 ,622  0 ,622 ma paV / naR T pa p  pv E 6.3 Calcule a entalpia do ar úmido, h , do exercício E 6.2. Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    6-4 Solução: h1  h2  ( w2  w1 )hl Pela Tabela 6.4 da água saturada com T=20 ºC leio hg  hv = 2538,1 kJ/kg pv  p  pa ( pressão total permanece constante) h  1 20  0,0117 2538,1 = 49,69 Resposta a) h = 49,69 kJ/kga h  20  0,0132 2538,1 = 53,249 Resposta b) h = 53,249 kJ/kga Temperatura de Orvalho É a temperatura do ar saturado, que tem a mesma pressão de vapor que o ar úmido em questão. A Fig.6.4 exemplifica a temperatura de orvalho (ponto de orvalho). Temperatura de bulbo úmido Em substituição ao saturador adiabático é utilizado um termômetro de bulbo úmido (TBU) conforme Figura 6.7 Figura 6.4 Ponto de orvalho. Temperatura de saturação adiabática A Figura 6.5 mostra o ar atmosférico, com Figura 6.7 Conjunto de termômetros TBS e TBU uma umidade relativa < 1, entrando (ponto 1) em um saturador adiabático, o que significa que este ar tem capacidade de absorver água até atingir a sua A temperatura de bulbo seco (TBS) do ar é a saturação. O ar provoca a evaporação da água temperatura medida por termômetro ordinário de fornecendo o calor necessário. Dessa maneira a sua bulbo seco. A temperatura de bulbo úmido do ar é a temperatura diminui e a umidade aumenta porque o temperatura medida em um termômetro de bulbo vapor de água acompanha a massa de ar. Se a úmido, que é um termômetro ordinário cujo bulbo trajetória do ar for suficientemente longa o ar na está envolto com uma espécie de pano umedecido saída (ponto 2) do saturador adiabático sairá (saturado com água limpa quase a temperatura do saturado. Quando T2 for igual a temperatura T’da bulbo seco do ar, e o termômetro tem de sofrer uma água do reservatório, a temperatura do ar é velocidade do ar entre 5 a 10 m/s). Nas condições de denominada de saturação adiabática ou de bulbo saturado a 100%, a temperatura do bulbo seco, bulbo úmido termodinâmico. úmido e ponto de orvalho coincidem. O conjunto de termômetros de bulbo seco e bulbo úmido formam um equipamento denominado psicrômetro. O uso do psicrômetro é importante na determinação da umidade relativa do ar. O processo de saturação do ar, neste caso, é semelhante ao de saturação adiabática, o que nos permite chegar a seguinte conclusão: A ENTALPIA DO AR É A MESMA, ANTES E Figura 6.5 Saturador adiabático DEPOIS DO TERMÔMETRO DE BULBO O balanço térmico no saturador proporciona ÚMIDO. Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    6-5 Os termômetros usados nos psicrômetros são de vidro podendo ainda ser de resistência, termopares e psV 0,04246 500 mvsat   =0,152 kgv elementos bimetálicos. RvT 0,461 ( 30  273) Os psicrômetros sem ventilação não são confiáveis.  mv  0,12     = 0,79 ou 79% Equação experimental para determinar a pressão  ms T 0,152 de vapor (pv) Resposta  = 0,79 ou 79% O uso da equação experimental determina a E 6.6 Calcule a umidade relativa do ar úmido a 20ºC pressão de vapor do ar de bulbo seco (BS) e 15ºC de bulbo úmido (BU) e pv  psBU  pat A TBS  TBU  pressão barométrica: onde “A” (Tab 6.5) corresponde é a constante a) 950 mbar função do modelo do psicrômetro e da faixa da TBU b) 1013,25 mbar Tabela 6.5 SOLUÇÃO: Constante A Pela Tabela 6.4 da água saturada com T = 20 ºC leio Psicrômetro TBU < 0 ºC TBU > 0 ºC ps = 0,02339 bar Estacionário 7,99*10-4 C-1 7,20*10-4 C-1 Giratório 6,66*10-4 C-1 5,94*10-4 C-1 a)Para a pressão barométrica de 950 mbar ,exercício E 6.4, pv = 13,877 mbar . EXERCÍCIO  pv  13,877       = 0,5933 ou 59,33%  ps T 23,39 E 6.4 Calcule a pressão de vapor do ar úmido no Resposta a)  = 0,5933 ou 59,33% estado 20ºC bulbo seco e 15ºC bulbo úmido (psicrômetro giratório) para as pressões barométricas: b) Para a pressão barométrica de 1013,25 mbar, a) 950 mbar exercício E 6.4, pv = 13,666 mbar b) 1013,25 mbar SOLUÇÃO  pv  13,666       = 0,5843 ou 58,43% Pela Tabela 6.5 com TBU = 15 ºC → A =5,94*10-4  ps T 23,39 C-1 Resposta b)  = 0,5843 ou 58,43% Pela Tabela 6.4 da água saturada com TBU = 15 ºC leio psBU  0,01705 bar E 6.7 Calculem o conteúdo de umidade do exercício E 6.6. a) pa t = 950 mbar SOLUÇÃO: pv  17,05  950 5,94 104  20  15 = 13,877 mbar a) para 950 mbar 13,877 w  0,622 =0,0092 kgv/kga Resposta a) pv = 13,877 mbar 950  13,877 Resposta a) w = 0,0092 kgv/kga b) pat = 1013,25 mbar b) para 1013,25 mbar pv  17,05  1013,25 5,94 10  20  15 = 4 13,666 w  0,622 13,666 =0,0085 kgv/kga mbar 1013,25  13,666 Resposta b) w = 0,0085 kgv/kga Resposta b) pv = 13,666 mbar E 6.8 Calcule o conteúdo de umidade do ar saturado E 6.5 Calcular a umidade relativa do ar de uma sala a 20ºC de 500 m³ que contém 0,12 kg de vapor à a) 950 mbar temperatura de 30ºC. b) 1013,25 mbar SOLUÇÃO: SOLUÇÃO: 23,39 a) W s  0,622 = 0,0157 kgv/kga Pela Tabela 6.4 da água saturada com T = 30 ºC leio 950  23,39 ps  0,04246 bar Resposta a) ws = 0,0157 kgv/kga Utilizando a equação de gás perfeito: Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    6-6 m  ma  mv  ma (1  W ) 23,39 b) W s  0,622 = 0,0149 kgv/kga va  V 1013,25  23,39 ma Resposta a) ws = 0,0149 kgv/kga V ma .va va v   m ma (1  W ) (1  W ) ponto de orvalho – Temperatura do ponto de EXERCÍCIO orvalho (To) É a temperatura do ar saturado, que tem a mesma E 6.11 Calcule o volume específico do exercício E pressão de vapor que o ar úmido em questão. 6.9 do ar úmido. SOLUÇÃO pv W  0,622 va 0,841 pt  pv v   0,834 m3 / kgu 1  W ( 1  0,0085) W s( pt,To )  W Resposta v = 0,834 m³/kga 6.7 CARTA PSICROMÉTRICA É a menor temperatura até que se pode resfriar o ar mantendo a pressão parcial de vapor pv constante; São gráficos (Fig. 6.8) que representam as sem que haja a condensação, ou seja, diminua o propriedades psicrométricas do ar. O uso de tais conteúdo de umidade. gráficos permite a análise dos processos psicrométricos facilitando a solução de muitos EXERCÍCIO problemas práticos relacionados com o ar, que de E 6.9 Calcule a temperatura do ponto de orvalho do outra forma requererem de soluções matemáticas ar úmido à 20ºC de bulbo seco e 15ºC de bulbo complicadas. Os valores apresentados na carta são úmido e 1013,23 mbar. para o ar na pressão de 1 atm . Para outras pressões devem se fazer correções. SOLUÇÃO: Com o exercício E 6.4 item b) pv=13,67 mbar e com a tabela 6.4 da água saturada leio a temperatura do ponto de orvalho To= 11,5ºC Resposta To = 11,5 ºC Volume específico do ar seco em função da massa de ar seco (m³/kga) Utilizando a equação de gás perfeito: RaT va  ainda pa EXERCÍCIO E 6.10 Calcule o volume específico do exercício E 6.9 do ar seco. SOLUÇÃO pa  p  pv  101323 13,67  999,56 , mbar=99956 N/m² Figura 6.8 Carta psicrométrica esquematizada 287,08( Nm / kga.K )  ( 273 20 )K Observações sobre a carta va   0,841 m3 / kga 1. As linhas de conteúdo de umidade são horizontais 99956 N / m2 ) ( 2. As linhas de entalpia são retas perfeitamente Resposta va = 0,841 m³/kga paralelas. 3.As linhas de bulbo seco são retas ligeiramente inclinadas com respeito a vertical, e não são Volume específico do ar úmido em função da massa perfeitamente paralelas. de ar seco (m³/kga) 4. As linhas de BU tem direção que difere ligeiramente das linhas de entalpia. São retas porém, Com não perfeitamente paralelas. 5. As linhas de volume específico não são perfeitamente paralelas. Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    6-7 6 Podemos observarque na maioria dos processos do uma redução da umidade relativa. Todo calor trocado ar úmido ma é uma quantidade invariável e assim, é sensível. va é de grande utilidade na solução de problemas. Por isto não é surpreendente que seja a quantidade volumétrica utilizada na carta psicrométrica. É importante ter em conta que em uma determinada carta psicrométrica só é de utilidade para as condições de pressão total indicadas por esta. É empregada a carta em cálculos rápidos, que não necessitam de grande precisão. Névoa = Ar úmido sat. + gotículas pulverizados de H2O. Cerração = Ar úmido + gotículas. Chuva = Ar úmido + gotícula. Figura 6.10 Processo de aquecimento simples 6.8 PROCESSOS DE ACONDICIONAMENTO DO AR Determinação da Taxa de calor fornecida ao ar em As cartas psicrométricas (Fig.6.9) além de uma serpentina de aquecimento. Conhecida a vazão cálculos rápidos permitem ter uma boa visão dos V: processos. Podemos esquematizar os processos V levando em conta as condições iniciais (1) e finais ma1   onde ma1  ma2   va1 desejadas (2).   ma1h1  Q  ma2h2  EXERCÍCIO E 12 Ar úmido entra em uma serpentina aquecida por vapor a uma temperatura de bulbo seco e bulbo úmido, respectivamente 20° e 18°C, em uma vazão de 5 m³/min. A pressão barométrica é de 101,3 kPa. O ar deixa a serpentina na temperatura de bulbo seco de 50 °C. Determine a vazão mássica em kg/h de Figura 6.9 Processos na carta psicrométrica vapor saturado a 140°C, que se requer se o condensado deixa a serpentina a 90°C. Em geral: A condição inicial 1 e final 2 de um processo, SOLUÇÃO pode ser posicionadas na carta psicrométrica, desde Com a carta psicrométrica (Fig. 6.18) localizo que conhecidas duas propriedades quaisquer TBS1=20ºC e TBU1= 18ºC e TBS2=60ºC de acordo indicadas para os respectivos pontos, ou ainda: com a Fig. 6.10 (Processo de aquecimento simples) e leio h1=50 kJ/kg; va1 = 0,93 m³/kg e h2=85 kJ/kg. 6.8.1 CONDIÇÃO DE SIMPLES AQUECIMENTO DO AR (Fig, 6.10), sem Quantidade de calor absorvido pelo ar.  ocorrência de variação de umidade (W = cte), o   Q  ( h1  h2 )  5  ( 50  85 ) = -3,14 kJ/s ponto 2 estará situado à direita do ponto 1. Basta se va 60 0,93 conhecer uma propriedade final do ar (que não seja Tabela 6.4 para vapor saturado da água na entrada da W) que intercepte a linha azul na direção 1a, para serpentina de aquecimento Te = 140 ºC leio posicionar o ponto 2. No caso de simples he=2733,9 kJ/kg, e na saída o condensado Ts = 90 ºC aquecimento pode-se observar para o ar um aumento leio hs  376,92kJ / kg . da temperatura, da entalpia, do volume específico e A vazão mássica de vapor para o aquecimento fornecido para a serpentina. Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    6-8 3,14  3600 que se continuarmos a reduzir a temperatura o ar vai m  =4,8 kg/h ( 2733,9  376,92 ) se orvalhar (ponto de orvalho ou temperatura de orvalho). Uma aplicação simples é na calefação em dias frios. Observa-se que alguns ocupantes se sentem Algumas aplicações do resfriamento do ar sem que incomodados devido a redução da umidade (relativa). ocorra a variação de umidade específica pode ser Isto se deve porque a medida que aquecemos o ar, dada para: o conforto térmico; em produtos que não mais afastamos este ar da curva de saturação. podem perder umidade; em instrumentação, na Em processos industriais de secagem de determinação da temperatura de orvalho do ar e da produtos, o ar aquecido é conveniente pois aumenta a umidade relativa. capacidade de absorver a umidade ao entrar em contatos com estes produtos. 6.8.3 PROCESSO DE UMIDIFICAÇÃO DO AR (Fig. 6.12), fornecimento de umidade ao ar sem adicionar outro tipo de energia, a umidade pode estar 6.8.2 CONDIÇÃO DE SIMPLES em forma de vapor ou de líquido. Vamos supor que RESFRIAMENTO DO AR (Fig. 6.11), sem toda a umidade fornecida em uma câmera seja ocorrência de variação de umidade (W = cte), o absorvida pelo ar. ponto 2 estará situado à esquerda do ponto 1. Basta A direção da linha de processo, que liga (1) a (2) se conhecer uma propriedade final do ar (que não depende da entalpia da umidade agregada. seja W) que intercepte a linha azul na direção 1b, para posicionar o ponto 2. No caso de simples Quando se quer umidificar o ar a temperatura resfriamento pode-se observar para o ar uma redução constante de bulbo seco do ar. A entalpia específica da temperatura, da entalpia, do volume específico e do vapor agregado deve ser igual a do vapor saturado um aumento da umidade relativa. Todo calor trocado ( hg na tabela da água saturada) a temperatura de é sensível. bulbo seco do ar, assim hw  hg . O ponto 2 estará situado acima do ponto 1. Basta se conhecer uma propriedade final do ar (que não seja t) que intercepte a linha vermelha na direção 1c, para posicionar o ponto 2. No caso de simples umidificação pode-se observar para o ar um aumento da umidade absoluta, da umidade relativa, da entalpia e do volume específico. Todo calor trocado é latente. Quando se quer agregar água na temperatura termodinâmica de bulbo úmido, as temperaturas de bulbo úmido do ar na entrada e na saída serão idênticas. E se agregar água na temperatura menor que a temperatura de bulbo seco do ar na entrada, a inclinação da linha de processo estará à esquerda (quadrante IV). Assim se hw  hg o ar pode ser Figura 6.11 Processo de resfriamento simples resfriado. Toda troca térmica será latente e sensível. Determinação da Taxa de calor retirada do ar em uma serpentina de resfriamento. Conhecida a vazão V: Quando se quer agregar água na temperatura V maior que a temperatura de bulbo seco do ar da ma1   onde ma1  ma2   entrada, a linha de processo estará à direita va1 (quadrante I). Assim se hw  hg o ar pode ser aquecido. Toda troca térmica será latente e sensível.   ma1h1  Q  ma2h2  À medida que resfriamos o ar, a umidade relativa aumenta, pois o ponto 2 aproxima-se da curva de saturação até atingir a saturação, condição limite em Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    6-9 Figura 6.12 Processode umidificação Figura 6.13 Processo de umidificação simples Determinação da Taxa de calor e a água absorvida Determinação da Taxa de calor e a água absorvida pelo ar. Conhecida a vazão V: pelo ar. Conhecida a vazão V: V V ma1   onde ma1  ma2   ma1   onde ma1  ma2   va1 va1   ma1h1  Q  mw .hw  ma2h2  ma1h1  ml.hw  ma2h2    a1.W1  ml  ma2.W 2 m   ma1.W1  ml  ma2.W 2    Uma aplicação prática é na correção da umidade EXERCÍCIO PROPOSTO absoluta e relativa em ambientes que não se deseje alterações na temperatura. E 13 Ar úmido entra em uma câmara com uma temperatura de bulbo seco e bulbo úmido, 6.8.4 CONDIÇÃO DE AQUECIMENTO E respectivamente 20° e 18°C, em uma vazão de 5 UMIDIFICAÇÃO DO AR (Fig. 6.13) (em duas m³/min. A pressão barométrica é de 101,3 kPa. O ar operações ),o ar é aquecido e umidificado em um só úmido ao passar pela câmara absorve 0,5 kw de calor equipamento. É necessário conhecer duas sensível e 6 kg/h de vapor saturado a 110°C. propriedades finais do ar para posicionar o ponto 2. Determine a temperatura de bulbo seco e bulbo No caso de aquecimento e umidificação em conjunto úmido do ar processado. pode-se observar para o ar um aumento da SOLUÇÃO temperatura, da entalpia, do volume específico e da Com a carta psicrométrica (Fig. 6.18) localizo umidade específica. O aumento ou redução da TBS1=20ºC e TBU1= 18ºC, conforme a Fig.6.13 umidade relativa vai depender da inclinação da linha (Processo de aquecimento e umidificação) e leio de processo. Todo calor trocado é sensível e latente. h1=53 kJ/kg; va1 = 0,84 m³/kg. A vazão mássica   5 ma    =0,001653 kg/s va1 60  0,84 6 mw  = 0,001667kgv/s 3600 Com a Tabela 6.4 e T= 110ºC leio 2691,5 kJ/kgv Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    6-10 ( ma1h1  Q  mw .hw ) 0,001653 50  0,5  0,001667 26915    , h2   6.8.6 CONDIÇÃO DE RESFRIAMENTO E ma2 0,001653 DESUMIDIFICAÇÃO DO AR (Fig. 6.15), Se o ar úmido é resfriado por debaixo da temperatura do h 2 = 56,31 kJ/kg ponto de orvalho, haverá condensação da umidade na serpentina. É necessário conhecer duas propriedades ma1.w1  ml 0,001653 0,0125 0,001667   w2   =1,02 finais do ar para posicionar o ponto 2. No caso de  ma 2 0,001653 resfriamento e desumidificação em conjunto pode-se 05 observar para o ar um aumento da umidade relativa e redução na temperatura, da entalpia, do volume 6.8.5 CONDIÇÃO DE SIMPLES específico e da umidade específica. O aumento da DESUMIDIFICAÇÃO DO AR (Fig. 6.14), sem umidade relativa vai depender da inclinação da linha ocorrência de variação de temperatura(t= cte), o de processo. ponto 2 estará situado abaixo do ponto 1. Basta se conhecer uma propriedade final do ar (que não seja t) que intercepte a linha vermelha na direção 1d, para posicionar o ponto 2. No caso de simples desumidificação pode-se observar para o ar uma redução da umidade absoluta, da umidade relativa, da entalpia e do volume específico. Todo calor é latente. Figura 6.15 Processo de resfriamento e desumidificação Determinação da Taxa de calor retirada do ar em uma serpentina de resfriamento. Conhecida a vazão V: V ma1   onde ma1  ma2   va1 Figura 6.14 Processo de desumidificação simples Todo calor trocado no resfriamento e desumidificação é sensível e latente.    Q  QS  QL Determinação da Taxa de calor e a água absorvida pelo filtro. Conhecida a vazão V: V ma1   onde ma1  ma2   va1   ma1h1  Q  ma2h2  ma1.W1  ml  ma2.W 2       ma1h1  Q  ma2h2 6.8.7 MISTURAS ADIABÁTICAS DE DUAS CORRENTES DE AR ÚMIDO (Fig. 6.16). Em ma1.W1  ml  ma2.W 2    todos os processos de mistura ocorrem em condições adiabáticas. Ocorre em situações de reaproveitamento do ar já processado. Aplicações no controle de umidade através de uma operação de filtragem e assim mantendo a temperatura constante. Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    6-11 Uma vez começado a condensação, todo o processo de transmissão de calor é sensível e latente, onde a diferença de entalpia é o potencial de transmissão de energia. Qs  ma.cpt1  t 2  mah0  h2    Ql  ma.W1 W 2hlv = ma.h1  h0     t  Qs  Ql  ma.hs  hl Onde: Q    A curva de estado é uma linha reta que une o estado na entrada, ponto 1, com o ponto 2 saída do ar, na direção da temperatura do ar saturado Tp na superfície da serpentina. Esta linha é conhecida como linha operacional e indica as proporções relativas dos calores sensível e latente. Uma declividade pronunciada indica uma forte retirada de taxa de umidade. Figura 6.16 Processo de resfriamento e desumidificação Determinação das condições do ar úmido em 3 conhecido as condições 1 e 2: V1 V2 ma1   ma 2   va1 va 2 ma1h1  ma2h2  ma3h3   ma1.W1  ma2.W 2  ma3W 3   ma1  ma2  ma3   O termo que indica a relação entre as taxas de EXERCÍCIO PROPOSTO calor sensível e total é conhecido por fator de calor sensível (FCS), e a relação entre as taxas de calor E 14 Dados 2 m³/s de ar à temperatura de bulbo seco latente e total é conhecida por fator de calor latente e bulbo úmido, respectivamente 15º e12°C, se (FCL. mistura com uma corrente de ar de 3 m³ com Q Q FCS  S FCL  L temperatura de bulbo seco de 30°C e umidade Q Q relativa de 50%. Determine as propriedades da FCS + FCL = 1 mistura. A temperatura do ar úmido na saída da serpentina, ponto2, só sairá saturado na temperatura 6.9 SERPENTINAS DE RESFRIAMENTO E da serpentina, se a eficiência deste trocador de calor DESUMIDIFICAÇÃO for de 100% ou igual a 1,ou seja a máxima troca térmica, logo a eficiência   é dada por: Se a superfície da serpentina está a uma T1  T 2 temperatura uniforme menor que a temperatura do   FC ponto de orvalho do ar na entrada, o ar que circula ao T1  Tp longo da superfície fria se condensa, formando uma Esta eficiência está baseada no conceito de que o película úmida. ar que passa através da serpentina, uma parte se O processo de condensação consiste em uma esfria na temperatura da superfície e o restante passa transferência de massa devida a diferença de pressão sem sofrer alteração. Na continuação as duas de vapor do ar úmido que circula com a da proporções do ar se misturam. Esta eficiência é serpentina. conhecida por fator de contato (FC), e seu Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    6-12 complemento é conhecidocomo fator de desvio (FD). T 2  Tp FD  1  FC  T1  Tp Assim: T 2  T1FD  Tp1  FD w2  w1FD  ws1  FD Utilizando o coeficiente de desvio, se admite uma linha reta como curva de estado da serpentina. Se FD1 corresponde o fator de desvio para uma fila de tubos da serpentina, para duas filas de tubos teremos uma temperatura t3 na saída do ar. T 3  T 2FD1  Tp1  FD1 Substituindo t2 teremos: T 3  T1FD1  Tp1  FD1FD1  Tp1  FD1   Figura 6.17 Serpentinas de superfícies extendidas T 3  T1FD1  Tp 1  FD1 2 2 O meio de aquecimento ou esfriamento É dizer, que o FD para duas filas vale: circula pelo interior dos tubos, enquanto o ar úmido FD2  FD1 2 flui por entre os tubos. As serpentinas aletadas são Para n filas de tubos mais compactas, tem menor peso que as de tubo liso FDn  FD1 de mesma capacidade e usualmente são de menor n custo. EXERCÍCIO Na análise de serpentinas de esfriamento é Se o fator de derivação (FD) para uma fila de tubos é bem mais complicada do que as de serpentina de 0,67. Qual é o fator de derivação da serpentina de aquecimento por haver simultaneamente resfriamento para: a) para duas fileiras de tubos; b) transferência de calor e massa (desumidificação). para quatro fileiras e c) para seis fileiras de tubos. Analisaremos serpentinas úmidas de ocorrência em SOLUÇÃO sistemas de refrigeração do ar úmido. FD1  0,67 A Figura 6.18 mostra de forma FDn  FD1 n esquematizada uma superfície fria em contato com FD para duas filas = 0,67² = 0,45 uma corrente de ar úmido FD para quatro filas = 0,674 = 0,2 nde FD para seis filas = 0,676 = 0,04 Observação: Quanto menor for o fator de derivação maior é a eficiência da troca térmica 6.10 SERPENTINAS DE SUPERFÍCIE EXTENDIDAS Podemos aquecer ou esfriar o ar fazendo-o passar por condutores que contém serpentinas, que constam de tubos lisos ou aletados (Figura 6.17). Os trocadores aletados, são bastante utilizados em sistemas de refrigeração, onde as trocas térmicas ocorrem por convecção em condensadores, evaporadores, resfriadores e desumidificadores. O aletamento dos tubos (acréscimo de área externa) é utilizado para compensar a diferença do valor menor, do coeficiente de película do ar, em relação ao do fluido refrigerante no interior dos tubos. Figura 6.18 Superfície fria em contato com uma corrente de ar úmido Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    6-13 hc hD  cp u Pela equação da convecção, o calor sensível Onde: Cpu  cpa  W a.cp s adicionado ao ar pela água é dado pela equação. Tomando como convenção ti> ta dqs  hc.dA( ti  ta ) Substituindo: Onde hc se define como um coeficiente de dq  hc.dA cp.ti  W ihlv  cp.ta  W a.cp s ta  W a.cp s .ti  W a.hlv  transferência de calor e os índices “i” e “a” cp u representam respectivamente as condições do ar saturado e do ar superaquecido. A expressão ( W ihl W ahl) é muito pequena em face aos outros termos, sua adição a equação não altera A taxa de transferência de massa de água é significativamente o resultado, assim: proporcional a diferença de umidade absoluta, ma.dW  hD dA( W i W a)  dq  hc.dA cp.ti  W i( hi  hlv )  cp.ta  W a.( hl  .cp s ta  cp s .ti  .hlv cpu e a transferência de calor devido à condensação A expressão no interior do primeiro colchete é a tomando como convenção Wi> Wa entalpia do ar saturado na temperatura da superfície molhada (hi), enquanto o segundo colchete contém a dql  hD dA( W i  W a).hlv expressão da entalpia do ar na corrente livre(ha). Assim: onde hD se define como um coeficiente de dq  hc.dA hi  ha transferência de massa e hlv o calor latente de cp u vaporização da água. Propicia a determinação das transferências de calor e massa em serpentinas de resfriamento e A transferência de calor é um processo combinado de desumidificação, condensadores evaporativos e torres convecção e condução assim a taxa de calor total é de resfriamento. dada pela soma das taxas de calor sensível e do calor latente. Podemos analisar 3 casos: dq  dqs  dql Caso 1: dq  hc.dA( t  ta )  hD dA( W i W a).hlv dqs ta>ti Lews (pesquisador) fez uma anologia relacionando os dql Se dão do ar para a água Wa>Wi mecanismos de transferência de calor e massa, dq ha>hi devido à semelhança das equações obtidas por Eckert (pesquisador) b   .V .L    .Cp  c hc.L (Nusselt) Nu    a   .  k     k  b c hD .L   .V .L     (Sherwod) Sch   a     .   .D    .D     Dividindo Nu Sch obtemos a relação c hc k D    hD D    Onde   k  Cp é a difusividade térmica em m²/s. Dividindo ambos os lados por Cp 1c hc   Le    hD cp  D  Caso 2: O termo adimensional hc / hD cp se denomina número dqs Se dá do ar para a água ta>ti de Lews. No caso particular do ar úmido, o número dql Se dá da água para o ar Wi>Wa de Le  1 . A relação pode ser escrita como: dq Se dá do ar para a água ha>hi Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    6-14 Cpu  1,01kJ / kg Calor específico do ar úmido CASO 1 Tabela 6.4 para Ti = 10 ºC leio ps = 0,012280 bar; hl  42,01kJ / kg ; hv  2519,8kJ / kg . ps 0,012280 wi  0,622  0,622  0,0076 pt  ps 1,01325 0,012280 30 kgv/kga QS  18 0,2  35  10 = 90 kW (calor sensível)  ha  CpTa  wa hva  1 35  0,021443 2565,3 =  90 kJ/kga hi  CpTi  wi hvi  110  0,007630 2519,8 = 29,22 kJ/kga 18 0,2  90  29,22 = 214,51 kW (calor total) Caso 3:  QT  dqs Se dá do ar para a água ta>ti 1,02 dql Se dá da água para o ar Wi>Wa 18 0,2 dq Se dá da água para o ar hi>ha  QL   0,021443 0,007630  2565,3  42,01 =  1,02 124,221 kW (calor latente) Verificando:    QL  QT  QS  214,51 90 =124,51 kW (calor latente) CASO 2 e 3 são propostos EXERCÍCIOS PROPOSTOS E.15 Ar úmido apresenta em uma câmara frigorífica para frutas, uma temperatura de 10C e uma umidade absoluta de 0,015. Para a pressão barométrica de 101 kpa, determine: a) entalpia em kj/kg b) a TPO (temperatura do ponto de orvalho) em C c) volume específico em m³/kg de ar seco. R= 287 J/kgK. E.16 Ar úmido apresenta em uma câmara frigorífica para frutas, uma temperatura de 10C e uma umidade EXERCÍCIO absoluta de 0,015. Para a pressão barométrica de 90 Para os 3 casos determine o calor sensível, o latente e kpa, determine: a) entalpia em kj/kg b) a TPO o total para uma área de troca de 0,2 m² e um (temperatura do ponto de orvalho) em C c) volume coeficiente de convecção de 18 W/m², para o ar na específico em m³/kg de ar seco. R= 287 J/kgK. temperatura de 35°C e 60% de umidade relativa que entra em contato com a água na temperatura a) 10°C, E.17 Calcular a entalpia específica do ar saturado b) 20°C e c) 27°C sujeito a pressão de 1 atm e temperatura de 30°C. Calcular pelo processo analítico. SOLUÇÃO a) QS  hC ATa  Ti  Calor sensível  E.18 Calcular o ponto de orvalho do ar atmosférico QL  C wa  wi hLv Calor latente  h A da cidade de São Paulo (pressão barométrica é 695,1 Cpu mmHg), na temperatura de bulbo seco de 35ºC e Umidade relativa de 50%. QT  C ha  hi Calor total  h A Cpu E.19 Em uma noite de inverno, em um ambiente de Tabela 6.4 para Ta = 35 ºC leio ps = 0,056280 bar; 75 m³ encontra-se a temperatura de 10°C e umidade hl  146,68kJ / kg ; hv  2565,3 kJ / kg . relativa de 70%. Para tornar o ambiente mais pva   psa  0,6  0,056280 0,033768 bar agradável instalou-se um aquecedor elétrico que pv 0,033768 elevou a temperatura para 25ºC. Nessas condições, wa  0,622  0,622  0,0214 calcular a umidade relativa do ar. Calcular pelo pt  pv 1,01325 0,033768 43 kgv/kga processo analítico. Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    6-15 E 20 Umpsicrômetro rotativo indica uma Tbs=35ºC REFERÊNCIAS e uma Tbu=20ºC. A pressão barométrica é de 90 Kpa. Qual é a umidade relativa da corrente de ar? Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    7-1 CARGAS TÉRMICAS DECÂMARAS 7 FRIGORÍFICAS 7.2. CARGA TÉRMICA ATRAVÉS DAS 7.1. GENERALIDADES PAREDES A determinação da carga térmica de câmaras A carga térmica cedida pelas paredes é a medida frigoríficas não é uma tarefa fácil, visto que para da taxa de fluxo de calor por condução através das diferentes produtos exigem diferentes temperaturas, paredes do espaço refrigerado do exterior para o um tempo determinado para sua refrigeração ou interior. Como não há isolamento perfeito, há sempre congelamento, assim como uma determinada uma quantidade de calor passando do exterior para o renovação de ar e de conteúdo de umidade. Além do interior. A carga cedida pelas paredes é comum para mais, a carga térmica depende do calor específico e todas as aplicações de refrigeração e é geralmente da movimentação dos gêneros, do clima, do lay-out e uma parte considerável da carga térmica total. A Fig. das características construtivas da câmara. Para um 7.1 mostra uma câmara pré-moldada utilizando projeto de qualidade é indispensável experiência e painéis isolantes térmicos modulares. conhecimento de todos os fatores de influência. Depois de calculada a carga térmica necessárias, haverá de se projetar a instalação frigorífica, da maneira mais econômica e eficiente, levando em conta o tempo diário de serviço. Para um curto tempo de funcionamento, se exige uma grande instalação frigorífica, bom isolamento e elevada remoção de calor nas câmaras. Para serviços mais prolongados poderá se especificar uma instalação de menor capacidade de produção.  A carga térmica total, QT , de uma câmara frigorífica é a soma do calor que usualmente se desprende de várias fontes diferentes. Algumas fontes mais comuns que abastecem a carga térmica são: a) O calor que entra do exterior na câmara, por condução, através das paredes isoladas; b) O calor que entra na câmara através do ar Figura 7.1 Câmara frigorífica pré-moldada quente exterior que entra através de portas abertas ou A quantidade de calor transmitido através das através de fendas em torno de janelas ou portas. paredes da câmara é expressa pela seguinte equação: c) O calor cedido pelo produto quando sua  Q  AUT temperatura é reduzida ao nível desejado.  O valor fluxo de calor Q / A depende da d) O calor cedido por pessoas que ocupam o espaço refrigerado. espessura da parede, dos materiais usados na sua e) O calor cedido por qualquer equipamento construção e das condições do ar externo e interno. gerador de calor, localizado no interior da câmara, Estes valores podem ser encontrados na tabela 7.1, tais como motores elétricos e iluminação. Embora as em função do tipo construtivo da câmara.  Tabela 7.1 Valor do Q / A em kJ/m² por 24h capacidades do equipamento de refrigeração sejam normalmente dadas em kW, nas aplicações de T Espessura do poliestireno em mm  refrigeração a carga térmica total QT é geralmente ºC 50 75 100 150 200 calculada para um período de 24h. Portanto, a carga 1 58,6 39,8 30,1 20,1 15,1  10 598,5 397,6 301,4 200,9 150,7 térmica requerida pelo equipamento, QE , pode ser 15 891,5 596,4 452,0 301,4 226,0 dada por :   QE  QT 20 1197,1 795,2 602,7 401,8 301,4 A utilização de uma instalação frigorífica com 25 1490,0 994,1 753,4 502,3 376,7  capacidade remoção de calor QE maior que a carga 30 1783,0 1192,9 904,1 602,7 452,0 35 2088,6 1391,7 1054,7 703,2 527,4  térmica de projeto QT , nas mesmas condições 40 2394,1 1590,5 1205,4 803,6 602,7 avaliadas de projeto, indicará um menor tempo 45 2687,1 1789,3 1356,1 904,1 678,1 operacional. O vice-verso é verdadeiro. Portanto, é 50 2980,1 1988,1 1506,8 1004,5 753,4 importante ter os cuidados necessários para avaliar as 55 3273,1 2186,9 1657,5 1105,0 828,7 verdadeiras condições requeridas que variam de 60 3566,0 2385,7 1808,1 1205,4 904,1 instalação para instalação. 65 3871,6 2584,5 1958,8 1305,9 979,4 70 4177,1 2783,4 2109,5 1406,3 1054,7 Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    7-2 Para isolamento térmicode poliuretano multiplicar os Tabela 7.2 Fatores de correção p/ paredes  valores do Q / A da tabela 7.1 por 0,68. Para painéis ensolaradas modular de poliuretano da Fig. 7.1, multiplicar os Superfície parede parede parede teto  leste sul oeste valores do Q / A da tabela 7.1 por 0,60. cor escura 4,5ºC 3 ºC 4,5 ºC 11 ºC Quando um frigorífico está localizado no interior cor média 3,5 ºC 2 ºC 3,5 ºC 8 ºC de um edifício e existe distância adequada entre o cor clara 2 ºC 1 ºC 2 ºC 5 ºC topo do frigorífico e o teto do edifício, para permitir livre circulação de ar ao redor do topo do frigorífico, EXERCÍCIO o teto deste é tratado da mesma maneira que uma E 7.2 Determine a carga térmica de uma parede leste parede interna. 6x4 m com um diferencial de temperatura de 50ºC. A cor da parede é branca e o isolamento é de painéis EXERCÍCIO modular de poliuretano de 100mm . SOLUÇÃO E 7.1 Determine a carga térmica cedida pelas paredes Conforme Tab. 7.2 de uma câmara frigorífica pré-moldada com as T = 50 + 2 = 52 interpolando, o valor do fluxo de dimensões 6x5x4 m. O isolamento térmico é de calor é 1567,08 kJ/m² por 24h. painéis modular conforme Fig. 1. A espessura do isolamento escolhida é de 100mm e a diferença de A carga térmica cedida pela parede leste ensolarada: temperaturas é de 50ºC entre o meio externo e o Parede: 6 x 4 x 1567,08 x 0,6 = 22565,95 kJ/dia interno.  Resposta QParedes = 22565,95 kJ/dia SOLUÇÃO Conforme a Tab. 7.1 para o poliestireno o valor do 7.3 CARGA DEVIDO AS TROCAS DE AR fluxo de calor é 1506,8 kJ/m² por 24h. O fator de correção da Tab. 7.1 é 0,6 para painéis Quando a porta de um espaço refrigerado é modular de poliuretano. aberta, o ar quente exterior entra no espaço para substituir o ar frio mais denso que é perdido do A carga térmica cedida pelas paredes: espaço refrigerado através da porta aberta. O calor Teto: 6 x 5 x1506,8 x 0,6 = 27122,40 kJ/dia que deve ser removido deste ar exterior quente para Piso: 6 x 5 x1506,8 x 0,6 = 27122,40 kJ/dia reduzir sua temperatura e teor de umidade para as Parede: 6 x 4 x1506,8 x 0,6 x 2 = 43395,84 kJ/dia condições designadas do espaço torna-se uma parte Parede: 5 x 4 x1506,8 x 0,6 x 2 = 36163,20 kJ/dia da carga térmica total do equipamento. 133803,84 kJ/dia A relação entre a carga de troca de ar e a carga térmica total varia com a aplicação. Enquanto que em  Resposta QParedes = 133803,84 kJ/dia algumas aplicações a carga de troca de ar é desprezível, em outras ela representa uma porção considerável da carga total. Todas as vezes que as paredes de um refrigerador Dado que as portas dos refrigeradores comerciais são situadas de tal modo que recebem uma são equipadas com juntas bem montadas, as fendas quantidade excessiva de calor de radiação, ou do sol, ao redor das portas são firmemente vedadas. Por isso, ou de algum outro corpo quente, a temperatura da na refrigeração comercial, as trocas de ar são superfície exterior da parede em geral, situa-se geralmente limitadas àquelas que são executadas por consideravelmente acima da temperatura do ar abertura ou fechamento efetivo de porta ou portas. ambiente. A quantidade a qual a temperatura da O ganho de calor do espaço resultante de trocas superfície ultrapassa a temperatura do ar ambiente de ar no espaço refrigerado é difícil de ser depende da quantidade de energia radiante que se determinado com exatidão, exceto quando o ar é choca com a superfície e com a reflexibilidade da captado deliberadamente para fins de ventilação. superfície. Quando a massa de ar externo que entra num espaço Uma vez que qualquer aumento na temperatura refrigerado num período de 24 h é conhecida, o da superfície externa poderá aumentar o diferencial ganho de calor do espaço resultante de trocas de ar, de temperatura através da parede. O diferencial de depende da diferença de entalpias do ar em condições temperatura através das paredes ensolaradas deve ser internas e externas, e pode ser calculado pela corrigido para compensar o efeito do sol. seguinte equação : Os fatores de correção para as paredes  ensolaradas são dados na tabela 7.2. Estes valores QAR  mext ( hext  hint )  devem ser adicionados ao diferencial de temperatura  onde mext é a vazão mássica de ar exterior que entra normal. em 24 h na câmara; hext e hin t é respectivamente a entalpia do ar exterior e interior da câmara. Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    7-3 Contudo, uma vez que as quantidades de ar que SOLUÇÃO entra são geralmente dadas em vazão volumétrica,  273,15  18      0,7  2,5  3  3  1   ext , em vez de vazão mássica, onde vext é o volume 273,15  25   específico. A taxa de calor devido a entrada do ar na    3,4533 m3 / s câmara em 24h é  Para um índice de renovação de  = 2,3 (Tabela 7.3),  QAR  ext ( hext  hint ) vext obtido com as dimensões da câmara (17,5x10x4m) calcula-se a vazão necessária de renovação de ar da A quantidade de ar externo que entra através das câmara por dia aberturas de portas num período de 24h depende do    necssário necessário  número, tamanho das portas, e da freqüência de    necessário =2,3 por dia duração de suas aberturas. A experiência tem Vcâmara 17,5  10  4 700 mostrado que como uma regra geral, a quantidade de necessário  2,3  700  1610m3 / dia troca de ar depende do volume interno do frigorífico O tempo ( tnecessário ) de permanência da abertura da e do tipo de uso. O cálculo da vazão do ar exterior, porta frigorífica  ext , pode ser obtido através do índice de renovação  necessário 1610 diária,  , de ar exterior. A Tabela 7.3 (Costa, 2000) t necessário    466s dia  7 ,7 min dia  3,4533 mostra esta relação. Resposta tnecessário  7,7 min dia Tabela 7.3 Índice de renovação diária  Vcâmara E 7.4 Determine a taxa de calor por dia devido ao ar Tcâmara < Tcâmara > 0ºC m³ externo do E 7.3 0ºC SOLUÇÃO 7,0 29,0 38,0 Ar na câmara 8,5 26,2 34,5 Com a Tabela 6.4: 11,5 22,5 29,5 Tcâmara =-18ºC corresponde a uma ps= 0,00128 bar e 14,0 20,0 26,0 hv= 2464,732 kJ/kgv, 17,0 18,0 23,0  pv  23,0 15,3 20,0 como  = 90% e      ps  28,0 13,5 17,5  T 42,0 11,5 14,0 Portanto: pv  0,9  0,00128 0,001152 bar e 57,0 9,3 12,0  0,001152  85,0 8,1 9,5 w  0,622   =0,000708 kgv/kga 115,0 7,4 8,2  1,0135 0,001152 140,0 6,3 7,2 A entalpia do ar úmido no interior da câmara 170,0 5,6 6,5 hcâmara  1 ( 18 )  0,000708 2464,732  230,0 5,0 5,5 hcâmara = -16,2555 kJ/kga 280,0 4,3 4,9 Ar exterior 420,0 3,8 3,9 Com a Tabela 6.4: 570,0 2,6 3,5 Texterno = 25ºC corresponde a uma ps= 0,031690 bar e 700,0 2,3 3,0 hv= 2547,2 kJ/kgv, 850,0 2,1 2,7  pv  1150,0 1,8 2,3 como  = 80% e      ps  1400,0 1,5 2,0  T 2000,0 1,3 1,6 Portanto: pv  0,8  0,031690 0,025352 bar e  0,025352  w  0,622   =0,015958 kgv/kga  1,0135 0,025352 EXERCÍCIO E 7.3 Uma porta de uma câmara frigorífica possui A entalpia do ar úmido no interior da câmara uma altura h = 3 m e uma largura b = 2,5 m. hcâmara  1 25  0,015958 2547,2  Determine o tempo de permanência da abertura da hcâmara = 65,65 kJ/kga porta frigorífica, admitindo que a vazão de entrada do A pressão do ar seco exterior: ar em m³/s é aproximadamente: pa  p  pv  1013,23  25,352  987,998 mbar   T  pa  98800 N/m²   0,7.b.h. h.1  câmara   T   externa  O volume específico do ar seco exterior: Para: Tcâmara = -18ºC;  câmara =90%; Texterna =25ºC e 287,08( Nm / kga.K )  ( 273  25 )K va   0,866 m3 / kga 98800( N / m2 )  externa =80% Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    7-4 A taxa decalor por dia devido ao ar externo entrando 7.4 CARGA TÉRMICA DO PRODUTO na câmara (ALIMENTO)  1610 QAR  mext ( hext  hint )    ( 65,65  ( 16,2555)) 0,866 A determinação da carga térmica do produto é  essencial para os projetos de instalações frigoríficas. Q = 152272,3 kJ/dia AR No procedimento de cálculo exige-se o conhecimento  Resposta QAR = 152272,3 kJ/dia das características do alimento e o processamento adotado na sua conservação (resfriamento e/ou Observação: Em processos de resfriamento, congelamento). congelamento ou de armazenamento a frio de A Tabela 7.4 indica na prática a alguns produtos, produtos em embalagens com retenção de odores, a a temperatura e o tempo de armazenagem (vida de  renovação do ar é desnecessária ( necessário ). No prateleira).  entanto a penetração do ar externo (  ext ) devido a Tabela 7.4 Temperatura de conservação e tempo de abertura de porta para movimentações deve-se levar armazenagem de alguns produtos em conta. Período de Programe o número de aberturas das portas das Produto T ºC armazenamento câmaras e o tempo de permanência destas abertas. A Cordeiro cong. -18 6-8 meses entrada do ar externo é indesejável além de formar Porco cong. -18 4-6 meses uma carga térmica elevada, sensível e latente, e sua Aves cong -29 9-10 meses umidade irá se depositar em forma de gelo no Cereja cong. -18 10-12 meses resfriador. Caqui -1 2 meses A utilização de cortinas especiais (de ar ou Maçã -1 2-6 meses PVC) e antecâmaras conjuntamente com a Peixe cong. -18 2-4 meses programação irão atenuar estes problemas. Estas Crustáceos 0,5 3-7 dias servem para isolar dois ambientes distintos seja Queijos -1 a 7 Varável aquecido, refrigerado ou para impedir que partículas, Leite 0,5 7 dias gases, insetos, etc. permitindo livre tráfego de Ovas cong. -18 12 meses pessoas ou empilhadeiras. Brócolis 0 7-10 dias Cenoura fresca 0 4-5 meses Pão cong. -18 Mais de uma semana Alface 0 3-4 semanas batata 3,3 a 10 4-8 meses Tomate maduro 0,5 2-7 dias Abóbora 10 a 13 2-6 meses O uso de baixas temperaturas na conservação dos alimentos é decisivo alguns critérios: a) O tempo de vida de prateleira b) A aceitabilidade do consumidor quanto a qualidade do alimento. E 7.5 A câmara frigorífica do E 7.4 e E 7.5 c) Os custos permanece 0,25 h com a porta aberta por 24h na d) A ausência de ações nocivas a saúde. movimentação (entrada/saída) de produtos. Cada alimento devido a sua constituição tem um Determine a carga térmica por dia devido ao ar comportamento particular nos processos de troca externo. térmica. O calor específico, a condutividade térmica, SOLUÇÃO a difusividade térmica, a massa específica e a A vazão de ar externo devido a abertura da porta entalpia são propriedades fundamentais no   resfriamento e congelamento dos alimentos na ext  .t  3,4533 0,25 3600= 3107,97 m³/dia determinação do tempo e do calor removido. A taxa de calor por dia devido ao ar externo entrando na câmara  Qproduto  m hi  hm , f   3107,97 QAR  mext ( hext  hint )    ( 65,65  ( 16,2555)) 0,866 onde: hi - hm , f é a diferença de entalpia por unidade  Q = 293949 kJ/dia AR de massa do alimento no resfriamento e/ou  Resposta QAR = 293949 kJ/dia congelamento desde uma temperatura inicial Ti a uma temperatura média volumétrica final Tm , f . As Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    7-5 temperaturas Ti eTm , f são assumidas como valores de condição de equilíbrio térmico do sólido, no EXERCÍCIO tempo inicial e final. E 7.7 Determinem a quantidade de calor devido a ocupação, de 2 pessoas na movimentação de carga, EXERCÍCIO durante 0,25 horas/dia em uma câmara a -18ºC. E 7.6 Determinem a quantidade de calor removido no SOLUÇÃO congelamento de 20 tonelada de peixe (magro) de - Com a tabela 7.5 e a temperatura leio o fator de 0,8 ºC (início de congelamento) a -18 ºC por dia calor/pessoa, F = 1400 kJ/h sendo conhecida a variação da entalpia (Fig. 7.2) 30  Qpessoas  1400 2  0,25 = 700 kJ/dia 25 Hgcastanha 20 7.6 CARGA TÉRMICA DE MOTORES hmf, hi [kJ/kg] Hfcastanha ELÉTRICOS EM UMA CÂMARA 15 FRIGORÍFICA 10 Os motores elétricos querem estejam no recinto, 5 em qualquer ponto do fluxo de ar ou mesmo nos ventiladores, adicionam carga térmica ao sistema 0 devido às perdas nos enrolamentos, e esta carga -20 -16 -12 -8 -4 0 precisa ser retirada pela instalação frigorífica. É T [ºC] preciso levar em conta se o motor está sempre em Figura 7.2 Variação da entalpia na temperatura funcionamento ou se a sua utilização é apenas média ( hm ) e a do início do congelamento ( h g ) do esporádica. peixe magro. As vazões do ar dos ventiladores, na refrigeração   Qproduto  m hi  hm , f  20000 ( 25,12  4,10 ) de produtos, apresentam uma circulação de 60 a 80 Calor a ser removido por dia é 420 400 kJ/dia vezes por hora o volume da câmara (ou túneis) vazia. Esta condição permite velocidades de 0,5 a 2 m/s 7.5 CARGA TÉRMICA DE OCUPAÇÃO POR junto ao produto dependendo do lay out. DIA DE PESSOAS EM UMA CÂMARA No congelamento as vazões do ar dos FRIGORÍFICA ventiladores, apresentam uma recirculação de 100 a 150 vezes por hora o volume da câmara (ou túneis) A Tabela 7.5 mostra o desprendimento de calor vazia. Esta vazão permite velocidades do ar de uma pessoa adulta executando forte trabalho aproximadas de 3 m/s junto ao produto. Comercialmente se usa motores de potência ( W ) corporal. Para trabalhos médios podemos considerar a metade do valor do fator equivalente desta tabela. de 0,5 CV para cada 6000 m³/h insuflados por resfriadores de ar forçado.  nº de horas de ocupação Q pessoas  Fator  nº de pessoas  dia  W Qmotores   736 [kJ/dia]  motor Tabela 7.5 Fator equivalente Onde de Calor/Pessoa  é o número de horas de funcionamento do Temperatura Fator motor; ambiente em ºC em kJ/h 10 760 motor é o rendimento do motor. 5 890 -1 1000 Tabela 7.6 Rendimento do motor -7 1100  motor W -12 1300 -18 1400 < ½ CV 0,6 -24 1500 ½ a 3 CV 0,68 -30 1600 3 a 20 CV 0,85 -36 1680 -42 1800 EXERCÍCIO -48 1900 Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    7-6 E 7.8 Determinema quantidade de calor devido aos EXERCÍCIO motores dos resfriadores de ar forçado de uma  E 7.10 Determinem a carga térmica total, QT ,com câmara com o volume interno de 120 m³ à - 18ºC. um fator de segurança de 10%, utilizando os SOLUÇÃO resultados dos exercícios: E 7.1; E 7.5; E 7.6; E 7.7; Para uma recirculação de 100 vezes corresponde E 7.8 e E 7.9. uma vazão de SOLUÇÃO  resfriadores  100 120 = 12000 m³/h Carga térmica cedida:  12000 Paredes 133804 kJ/dia 15,4% Wmotor   0,5  1 CV/h 6000 Ar 293949 kJ/dia 33,7% 1 CV/h Produto 420400 kJ/dia 48,3%  Qmotores   24 h / dia  736 kJ/CV =20781,18 0,85 Pessoas 700 kJ/dia 0,1% Motores 20782 kJ/dia 2,4% kJ/dia Iluminação 1575 kJ/dia 0,2%  Resposta Qmotores = 20782 kJ/dia Total 871210kJ/dia 100,0% 7.7 CARGA TÉRMICA DE ILUMINAÇÃO DE Com o Fator de segurança de 10% UMA CÂMARA FRIGORÍFICA  QT  1,1 871210kJ/dia  958331kJ/dia Deve-se levar em conta, no cálculo da carga  Resposta QT  958331kJ/dia térmica, o tempo que as lâmpadas estão ligadas por dia. A capacidade de iluminação usual em câmaras frigoríficas é de 10 W/m² de piso. Neste caso: E 7.11 Determinem a capacidade frigorífica  Qilu min ação  10A   requerida, QE , pela carga térmica, QT , do exercício Onde: E 7.10. Considere que toda a operação da troca  é o número de horas de funcionamento das térmica ocorra em 18 h (permite operações de lâmpadas por dia; degelo). A é a área de piso da câmara em m².  kJ dia h QE  958331    14,789kW dia 18h 3600s EXERCÍCIO  Resposta QE  15 kW E 7.9 Determinem a quantidade de calor devido a iluminação de câmara com o volume interno de 700 CONCLUSÃO m³ à - 18ºC, com uma área de piso de 17,5 m x 10 m. SOLUÇÃO O procedimento adotado utilizou : Admitindo a capacidade de iluminação na câmaras de  1) O valor do fluxo de calor, Q / A , através das 10 W/m² (36 kJ/h.m²) de piso.Determinem a carga  paredes foi adotado 1506,8 kJ/m² por 24h. (Tab. 7.1), térmica Qilu min ação durante 0,25 horas/dia para um T = 50ºC (condição de verão). Uma  Qilu min ação  36 17,5 10  0,25 = 1575 kJ/dia hipótese supondo uma pior condição operacional. Em   outras situações ( T menor) a taxa de calor, Q paredes , Resposta Qilu min ação = 1575 kJ/dia é menor. 7.8 CARGA TÉRMICA DE UMA CÂMARA 2) No cálculo da carga térmica do ar não foi FRIGORÍFICA considerado fatores de redução desta taxa de calor,  Qa r , através do uso: de ante câmaras ( T menor); de  A carga térmica de uma câmara frigorífica ( QT ) cortina no vão da porta (tiras plásticas para baixas por dia é a soma das taxas de calor diária temperaturas) ou ainda uma cortina de ar (Fig.7.3)  reduzindo a Qa r para valores menos significativo em considerando uma situação possível de maior exigência de troca termica:  relação a Q produto .     3) A capacidade da instalação necessária QT = Q paredes + Qa r + Q produto + frigorífica está diretamente relacionada com a    Q pessoas + Qmotores + Qilu min ação produção processado e na conservação durante a armazenagem. No exercício E 7.6, a escolha das A carga térmica total é a soma dos ganhos de temperaturas de armazenamento vai depender da calor estudados neste capítulo. É prática comum qualidade e do aspecto econômico por espécie de adicionar 5 a 10% para este valor como fator de peixe. As propriedades termofísicas destas espécies, segurança. assim como, o formato, tamanho e disposição influenciam na velocidade da troca térmica. Os Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    7-7 capítulos seguintes apresentamas características de alguns alimentos. EXERCÍCIO  E 7.12 Determinem a carga térmica total, QT , do exercício E 7.10, considerando a vazão de ar de 1610 m³/dia do exercício E 7.3. SOLUÇÃO Carga térmica cedida: Paredes 133804 kJ/dia 18,3% Ar 152272 kJ/dia 20,9% Produto 420400 kJ/dia 57,6% Pessoas 700 kJ/dia 0,1% Motores 20782 kJ/dia 2,8% Iluminação 1575 kJ/dia 0,2% Total 729533kJ/dia 100,0% Com o Fator de segurança de 10%  QT  1,1 729533kJ/dia  8024863 kJ/dia ,  Resposta Q  8024863 kJ/dia , T E 7.13 Determinem a capacidade frigorífica   requerida, QE , pela carga térmica, QT , do exercício E 7.12. Considere que toda a operação da troca térmica ocorra em 18 h  kJ dia h QE  8024863 ,    12,38405kW dia 18h 3600s  Resposta Q  12,4kW E E 7.14 Determinem o tempo em horas na remoção de calor do exercício E 7.12 utilizando a capacidade frigorífica de 15 kW do E 7.11. SOLUÇÃO O tempo necessário para remover a taxa de calor  QT  8024863 kJ/dia , 18h 12,4kW tempo   14,9h 15kW Resposta tempo = 14,9h REFERÊNCIA [5] - DOSSAT, R.J. - Manual de Refrigeração - Ed. Hemus - São Paulo, 1980. [2] - PHOLMANN, W. - Manual de Técnica Frigorífica - Ediciones Ômega, S.A. - Barcelona, 1964. Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    8-1 RESFRIAMENTO E CONGELAMENTODE PESCADO 8 específica de cada tipo de alimento (água, 8.1 INTRODUÇÃO proteínas, lipídios, carboidratos, cinzas, e fibras), suscetíveis à variação da temperatura. A denominação genérica pescado compreende os peixes, crustáceos, moluscos, anfíbios, quelônios e As propriedades termofísicas (massa mamíferos de água doce ou salgada, usados na específica, calor específico, condutividade alimentação humana, extensivas às algas marinhas e térmica, entalpia) podem ser calculadas outras plantas e animais aquáticos, desde que utilizando um programa computacional para os destinados à alimentação humana. alimentos utilizando as equações constitutivas de O pescado é o produto de origem animal que Choi e Okos (1984) e ASHRAE (2001), segundo mais rápido se deteriora, exigindo o emprego de a temperatura e composição proximal, enquanto técnicas de conservação para retardar as reações que a variação das entalpias pode ser químicas, a atividade enzimática, bem como inibir a determinada através das expressões de Chen atividade dos microorganismos causadores da (1985). Para todas estas propriedades (massa decomposição. específica, calor específico, condutividade O processo de redução da temperatura, através do térmica, difusividade térmica e entalpia) é resfriamento ou do congelamento, prolonga a vida de adicionada a variação percentual de água líquida prateleira, apresentando a vantagem ao consumidor e sólida com a temperatura média volumétrica do de estar adquirindo um pescado, com uma imagem de alimento. alimento fresco de melhor qualidade (Contreras, 1984). EXERCÍCIO E 8.1 Determinem as propriedades termofísicas 8.2 PESCADO RESFRIADO do filé de peixe da espécie corvina no resfriamento. Conforme dados da Tab. 8.1 Na etapa inicial após a captura, o pescado pode Tabela 8.1 Dados ser conservado fresco durante sete dias quando Umidade Contida (Xwo) 78,7 armazenado imerso no gelo em uma câmara Proteínas (Xp) 18,8 frigorífica a -1 ºC e   90 a 100%. A contagem de Lipídeos (Xg) 1,1 microorganismos se mantém baixa, e nos primeiros Carboidratos (Xc) 0 dias não é perceptível nenhum amolecimento por Fibras (Xf) 0 ação de microorganismos. Quando os pseudomonas Sais (Xs) 1,2 predominam é possível perceber com o passar do Temperatura média 20ºC (68ºF) tempo, o amolecimento, e em paralelo, a deterioração As equações constitutivas na determinação das (Contreras, 1984). No entanto, a qualidade neste propriedades foram fornecidas em inglês tempo de sete dias depende das condições iniciais. (.ASHRAE, 2001) SOLUÇÃO 8.3 PESCADO CONGELADO Substituindo t = 68 ºF Massa Específica (lb/pé3) Congelar alimentos significa reduzir a sua temperatura (abaixo do ponto de congelamento), o Proteína   8,3599x101  1,7979x1012 t suficiente para fazer passar parte da água contida Gordura   5,8246x101  1,4482x102 t neste alimento em gelo. A velocidade que ocorre o Carboidrato   1,0017x102  1,0767x102 t congelamento influencia na cristalização da água. Quanto maior a velocidade menor é a Fibras   8,2280x101  1,2690x102 t irreversibilidade do processo ao restabelecer o estado Sais   1,5162x102  9,7329x103 t inicial. Água   6,2174x101  4,7425x103 t  7,2397x105 t 2 A etapa de congelamento do pescado é precedida 1  pela de limpeza, que tem como objetivo principal a Massa específica total   Xi separação total ou parcial das partes comestíveis das  i não comestíveis. Além disso, há a separação das Onde: ε é a porosidade, e vale zero para partes perecíveis a fim de se prolongar a vida útil do alimentos não granulares. restante que será congelado. Calor Específico (BTU/lb°F) 8.4 PROPRIEDADES TÉRMICA DO PESCADO Proteína A predição de tempos de resfriamento e de C p  4,7442x101  1,6661 104 t  9,6784x108 t 2 x congelamento dos alimentos com precisão não é uma tarefa fácil devido à complexa composição química Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    8-2 Gordura Cg 4,6730x101  2,1815x104 t  3,5391x107 t 2 hg  ( tg  ( 40 ))( 0,37  0,3 Xs  Carboidrato ( Tg  32 ) ( Xwo  Xb )143,4 ) 1 4 Cc  3,6114x10  2,8843x10 t  4,3788x10 t 7 2 ( 40  32 )( tg  32 ) Fibras CPf  4,3276x101  2,6485x104 t  3,4285x107 t 2 Xs  1  Xwo Sais CS  2,5266x101  2,6810x104 t  2,7141 107 t 2 x Xb  0,4 Xp Água Cw  1,0725 5,3992x103 t  7,3361 105 t 2 x h  hg  ( T  Tg )(1  0,55Xs  0,15Xs3 ) Calor específico total C   CiXi Resultados das Propriedades Termofísicas Condutividade Térmica (BTU/h.pé .ºF) 2 Condutividade Térmica 0,4901 W/m.K Proteína Massa Específica 1058 Kg/m³ Calor Específico 3,705 kJ/kg.K Kp  9,0535x102  4,1486x104 t  4,8467x107 t 2 Difusividade Térmica 1,251 E-07 m²/s Gordura Kg  1,3273x101  8,8405x104 t  3,1652x108 t 2 Entalpia h 375,8 kJ/kg Carboidrato t 20 ºC Kc  1,0133x101  4,9478x104 t  7,7238x107 t 2 Fibras E 8.2 Faça uma simulação das propriedades termofísicas do filé de peixe do exercício E 8.1. Kf  9,2499x102  4,3731 104 t  5,6500x107 t 2 x Propriedades termofísicas do filé de peixe Sais Ks  1,7553x101  4,8292x104 t  5,1839x107 t 2  ºC c  h k Água Kw  3,1064x101  6,4226x104 t  1,1955x106 t 2 30 3,709 1,27E-07 411,8 0,50 1058,00 25 3,707 1,26E-07 393,4 0,50 1058,00 Concentração Volumétrica Xvi 20 3,705 1,25E-07 374,9 0,49 1058,00 15 3,703 1,24E-07 356,5 0,48 1057,00 Proteína Gordura Gordura 10 3,702 1,22E-07 338,0 0,48 1057,00 Xp Xg Xg 5 3,7 1,20E-07 319,6 0,47 1057,00 p g g 0 3,699 1,18E-07 301,2 0,46 1056,00 XVp  XVg  XVg  Xi Xi Xi    i i i Observa-se que no resfriamento as propriedades Carboidrato Fibras Sais pouco variaram com a temperatura com exceção Xc Xf Xs da entalpia. E 8.3 Determinem o calor trocado em kJ/kg de c f s X c V XV f  X sV filé entre 30ºC e 0ºC Xi Xi Xi    Q  ( hi  hf )  ( 411,8  301,2 )  110,6 kJ/kg i i i Resposta Q =110,6 kJ/kg de filé Xw E 8.4 Determinem as propriedades termofísicas w Água X w V do filé de peixe da espécie corvina no Xi  congelamento. i SOLUÇÃO Com a temperatura inicial de congelamento tc = - Cálculo da Condutividade Térmica em paralelo: 2ºC (28,4 ºF) e a temperatura final tf = - 18 ºC (- Kpar   X viKi 0,4 ºF) determino a temperatura média t. Cálculo da Condutividade Térmica perpendicular: 2  ( 18 ) t  10º C (14 ºF) 1 2 Kper  X vi A seguir calculo a fração de gelo na composição  Ki X gelo na t =14 ºF (-10 ºC) onde Cálculo da Condutividade térmica média: Conforme dados da Tab. 8.1 porem com uma kpar  kper k temperatura média -10 ºC (14 ºF), onde a 2 Substituindo t =14 ºF e tc = 28,4 ºF calculo a k fração de gelo na composição X gelo a 14 ºF (-10 Cálculo da difusividade térmica    .C ºC) onde Xp =18,8% (de proteína, Tab. 8.1) Cálculo da entalpia h Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    8-3  tc  32  2,2ºC) X gelo  ( Xwo  Xb )1  = 0,57 (57%) ,sendo  t  32   Entalpia final (-10ºC) 54,48 kJ/kg. Xb  0,4 Xp  0,4( 0,188)  0,0752 E 8.5 Faça uma simulação das propriedades Com a formação de gelo, a quantidade de água termofísicas do filé de peixe do exercício E 8.4 líquida ficou reduzida a: . Xw  Xwo  X gelo = 0,787-0,57 = 0,217 (21,7%) Propriedades termofísicas do filé de peixe A Tab. 8.2 mostra a nova composição da corvina na ºC c  h k  temperatura de -10 ºC (14 ºF). -2 3,35 1,83E-07 374,9 0,64 1040 Tabela 8.2 Dados para o congelamento -5 2,351 4,97E-07 105,6 1,167 998,3 Umidade Contida (Xw) 21,7 -10 2,197 5,72E-07 54,48 1,249 993,7 Proteínas (Xp) 18,8 -15 2,128 6,09E-07 26,89 1,286 992,7 Lipídeos (Xg) 1,1 -20 2,079 6,36E-07 4,265 1,313 992,5 Carboidratos (Xc) 0 -25 2,037 6,61E-07 -16,5 1,336 992,7 Fibras (Xf) 0 -30 2,001 6,84E-07 -36,37 1,358 993,1 Sais (Xs) 1,2 Gelo ( X gelo ) 57 Propriedades termofísicas do filé de peixe ºC %Gelo %Água Temperatura média -10ºC (14ºF) -2 0 78,7 -5 62,81 15,89 Substituindo t = 14 ºF nas equações constitutivas -10 68,96 9,74 empregadas no exercício E 8.1 adicionando a parcela -15 71,08 7,62 do gelo : -20 72,26 6,44  gelo  5,7385x101  4,5333x103 t -25 73,05 5,65 Cgelo  0,46677 0,00080636 t -30 73,62 5,08 K gelo  1,3652 0,0031648  0,0000181082 t t Observa-se que no congelamento a condutividade X gelo térmica aumenta com o aumento do % de gelo.  gelo X V gelo  Xi E 8.6 Determinem o calor trocado em kJ/kg de  i filé entre: a) -5ºC e -30ºC ; b) -2 (pto de k congelamento) e -30 ºC e c) 30 ºC a -30ºC Cálculo da difusividade térmica   Q  ( hi  hf )  ( 8,855 ( 3,049)  11,9 kJ/kg  .C Resposta a) Q =11,9 kJ/kg de filé Cálculo da entalpia h hg = 24,7 kJ/kg na tg= -2 ºC hg  ( tg  ( 40 ))( 0,37  0,3 Xs  Q  ( hg  h f )  ( 24,7  ( 3,049)  27,75 kJ/kg ( Tg  32 ) Resposta b) Q =27,75 kJ/kg de filé ( Xwo  Xb )143,4 ) ( 40  32 )( tg  32 ) Do E 8.2 para t= 30ºC o valor de hi = 177,4 kJ/kg Q  ( hi  h f )  ( 177,4  ( 3,049)  180,449 kJ/kg Xs  1  Xwo Resposta c) Q =177,4 kJ/kg de filé Xb  0,4 Xp hf  ( tf  ( 40 ))( 0,37  0,3 Xs  ( Tg  32 ) O conteúdo na composição de umidade ( Xwo  Xb )143,4 ) ( 40  32 )( tf  32 ) (em massa) indica: para filés de peixe fresco 81±2%;peixe inteiro fresco 78,7±2%; moluscos Resultados das Propriedades Físicas do Filé de 80±2% e uma temperatura inicial (ponto) de corvina na etapa de congelamento (SI) congelamento para todas estas espécies de -2,2 Condutividade Térmica 1,249 W/m.K ºC (ASHRAE,1993) Massa Específica 993,7 Kg/m³ 8.5 PERFIL DE TEMPERATURA kJ/kg. Calor Específico 2,2 K Na determinação do perfil da temperatura 5,722 E- média no resfriamento e no congelamento de Difusividade Térmica 07 m²/s alimentos e posterior aplicação no cálculo da Entalpia pto. do cong. (- 293 kJ/kg. Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    8-4 variação da taxade calor removida foi utilizado o método analítico para problemas de condução E 8.8 Determinem o perfil da taxa de calor transiente, obtida da solução da equação da condução removida do peixe do E 8.7 de calor, tridimensional, aplicada a paralelepípedo. Dados utilizados na simulação: Peso do peixe inteiro m = 0,9 kg A temperatura média com o tempo é obtida da 1,8 equação 1,6 Q  m, f 1       x y  z dV  1,4 i m, f V Q [kW] 1,2 Substituindo as soluções de   ,   ,   e resolvendo x y z 1 a integral é determinada a temperatura média Tm,f . 0,8  m,f n sen( n x )  n  sen( n y )   n sen n ( n z )   0,6   Cn  .   Cn    i   n1  2    n exp  n Fo  x n1   n exp  n Fo 2   .   C  y n1 n  2   n exp  n Fo  z 0,4 0,2 Onde 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000  m , f  Tm , f  T0 e  i  Ti  T0 sendo  ,f m  f Fo,Bi  . tempo [s] Através do Fo para cada Tm , f desejado teremos o O perfil da taxa de calor é o calor removido tempo decorrido para atingir esta temperatura. (obtido como no exercício E 8.3) em um intervalo de tempo. 8.6 PROGRAMA COMPUTACIONAL Assim:  1)Conhecendo a capacidade frigorífica, QE , da As equações foram resolvidas numericamente câmara (ou túnel) para a tca= -23 ºC, e os perfis utilizando as propriedades termofísicas (massa dos exercícios E 8.7 e E 8.8, posso determinar a específica, calor específico, difusividade térmica, movimentação e a quantidade de peixes. condutividade térmica e entalpia) do alimento obtidas 2)Conhecendo os perfis dos exercícios E 8.7 e E em função da temperatura média do volume no 8.8, a movimentação e a quantidade de peixes. tempo. Podemos determinar a capacidade frigorífica, Foram desenvolvidos programas computacionais  QE , da câmara (ou túnel) para a tca= -23 ºC. para auxiliar a predição das propriedades termofísicas e de tempos de congelamento de alimentos. A utilização destes, e sua combinação permitiram a determinação dos perfis de temperaturas no centro, REFERÊNCIAS superfície e média dos alimentos. ASHRAE HANDBOOK. Refrigeration systems E 8.7 Determinem o perfil de temperatura no and applications. Atlanta: American Society of congelamento de peixe eviscerado sem cabeça e calda Heating. Refrigeration and Air-Conditioning. da espécie castanha. Engineers, 1998. Dados utilizados na simulação: COSTA, Ê. C., Refrigeração. 3° ed. Edgard Troca térmica tridimensional em regime transitório. Blücher LTDA. São Paulo, 1994. Temperatura da câmara tca = -23 ºC,  = 90% e DOSSAT, Manual de Refrigeração. HEMUS, vol 2 e 4. Houston, 1980 velocidade do ar de 2 m/s. INCROPERA, F.P. & WITT, D.P. fundamentos -5 da Transferência de Calor e de Massa, Guanabara. Rio de Janeiro, 1992. -8,5 tMÉDIO PLANK, R. El Empleo del Frío en la Industria de tCENTRO la Alimentación, Reverté S.A. Barcelona Espanha, 1963. tMÉDIO, tCENTRO -12 STOECKER, W.F. Refrigeração e Ar -15,5 Condicionado. Mc Graw Hill. São Paulo, 1985. RUSCHEINSKY,NIRSE.Refrigeração de filé de -19 pescado. BONACINA, MARLICE.Desenvolvimento e -22,5 Caracterização de Empanado a partir da Corvina. 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1000 tempo [s] Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    8-5 PHOLMANN, W. -Manual de Técnica Frigorífica - STOECKER, W.F. - Refrigeration and Air Ediciones Ômega, S.A. - Barcelona, 1964. Conditioning - McGraw Hill Book Company, ELONKA, S.M. e MINICH, Q.W. - Standard 1958. Refrigeration and Air Conditioning Questions and Answers - McGraw Hill Book Company, 1973. CARRIER, W.H., CHERNE, R.E., e GRANT, W.A. - Modern Air Conditioning, Heating and Ventilating - Pitman Publishing Corporation, 1957. Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    9-1 RESFRIAMENTO E CONGELAMENTO DEVEGETAIS 9 embalagem que contêm os produtos, permitindo 9.1 INTRODUÇÃO uma eficiente troca de calor com o meio refrigerado. As frutas e hortaliças não se adaptam bem a Já no segundo método, o calor dos produtos é armazenamentos prolongados. Estas para terem removido usando-se como meio de resfriamento, consumo fresco têm que estarem condicionadas a água a baixas temperaturas. O resfriamento com sobrevivência desde o período da colheita por vários água, pode ser feito introduzindo os produtos em dias ou semanas. A falta de tratamento e manuseio tanques de imersão, ou, usando-se o método de adequados, aumenta a vulnerabilidade ao ataque de aspersão, onde a água é aspergida de forma microorganismos e, a falta do procedimento de contínua na superfície dos produtos. O resfriamento estocagem frigorificada provocam perdas na nestes tipos de sistemas é rápido e eficiente produção nacional (de frutas e verduras pós-colheita) (uniforme), podendo ser aplicado numa ampla faixa de 30 a 50%. de produtos. A preservação de frutas e hortaliças por meio da refrigeração retarda a ação dos fenômenos Ambos os sistemas, ar forçado e água, metabólicos, prolongando por maior tempo, a garantem baixos tempos de resfriamento. conservação e a qualidade do produto (ROCHA e SAGNOL, 1983). Tabela 9.1 Condições de armazenamento Os vegetais são organismos vivos que respiram na conservação de vegetais consumindo oxigênio e desprendendo gás carbônico, % produtos odorantes e calor. Quando armazenados em Produto ºC tempo U.R. câmaras estanques, observa-se a queda progressiva da Frutas concentração de oxigênio. O princípio da conservação Abacaxi 7 90 2 a 4 sem. dos vegetais em atmosfera controlada consiste na Azeitona 85 a estabilização da mistura gasosa empobrecida de 7 a 10 4 a 6 sem 90 oxigênio em valores da ordem de 3 a 10 % (COSTA, Bananas 11,5 85 3 sem. Ê., 1994). Fruta congelada -23 a - 80 a 6 a 12 O uso da refrigeração em atmosfera controlada 15 90 meses permite aos vegetais (frutas e hortaliças) dobrar o Laranja 85 a tempo de conservação obtida por simples 0 a 1,2 8 a 10 sem. 90 refrigeração. Maçã 85 a A Tabela 9.1 relaciona alguns produtos e suas -1 a 1 2 a 7 meses 90 condições de armazenamento de máxima Massa de frutas 1 80 6 meses conservação. Morango -1 a 1 90 2 a 3 sem. Peras 90 a 9.2 VEGETAIS RESFRIADOS -1 a 2 1 a 8 meses 95 Originalmente, as frutas eram resfriadas em Pêssegos 85 a hydrocollers como operação final após a embalagem. 0e1 4 a 6 sem. 90 Atualmente, a maior parte das frutas e hortaliças são resfriadas a ar em resfriadores pressurizados, Suco de frutas 80 a 15 a 23 2 a 8 meses denominado túnel de resfriamento, para remover 90 rapidamente a resistência ao calor logo após o Suco de maçãs 4,5 85 3 meses período de pós-colheita. Uvas 85 a 1a3 1 a 4 meses No caso dos pêssegos como exemplo, o 90 resfriamento até 4 ºC logo após a colheita é essencial Hortaliças na retenção da qualidade e controle do Abóbora 80 a 0a3 2 a 3 sem. apodrecimento. Pêssegos começam a amolecer e 85 apodrecer em poucas horas se não houver um Alface 85 a 0a1 1 a 2 sem. controle de temperatura apropriado. 90 Entre os diferentes métodos de resfriamento Alho 70 a -1,5 a 0 6 a 8 meses rápido destacam-se os sistemas de resfriamento com 75 ar forçado (forced-air cooling) e com água gelada Batatas 85 a 3a6 6 meses (hydrocooling). No primeiro método, os produtos são 90 condicionados no interior de um túnel de ar forçado, Beterraba branca 90 a 0 4 a 5 meses estando composto por ventiladores, associados ao 95 sistema de refrigeração da câmara. O ar resfriado Beterraba rocha 90 a 0 10 a 15 dias deve entrar em contato com a maior área da 95 Brócoli 0 a 1,6 90 a 7 a 10 dias Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    9-2 95 Na industrialização destes alimentos ocorre Cebola 1,5 80 3 meses um aumento no aproveitamento da matéria prima Ervilhas 85 a através da remoção parcial das partes danificadas. -0,5 a 0 1 a3 sem. 90 Ervilhas em vage 85 a 9.4 ARMAZENAGEM DE VEGETAIS 0 1 a 2 sem 90 Legumes -24 a - 6 a 12 Na armazenagem, além da temperatura, 18 meses também devem ser controlados outros parâmetros, Tomates 85 a especialmente a umidade relativa e a velocidade de 0 1 a 3 sem. ventilação. Para a maioria dos alimentos no maduros 90 Tomates verdes 11,5 a 85 a armazenamento, a umidade relativa ótima está em 3 a 5 sem. torno de 85 a 90%. A umidade excessiva 13 90 Vegetais em acompanhada de uma interrupção da ventilação 1 85 2 sem. pode provocar o intenso desenvolvimento da geral microflora; por outro lado, uma umidade relativa baixa acentua a perda de água dos produtos não 9.3 FRUTAS CONGELADAS embalados ou envoltos em materiais não impermeáveis. Para impedir esse efeito, utilizam-se O inicio da temperatura do congelamento (ponto sistemas de refrigeração que garantam uma de congelamento) da água depende da pressão suficiente movimentação do ar em toda a câmara. atmosférica. Na medida em que aumentamos a Geralmente a velocidade do ar em torno de 0,1 a pressão, aumentamos esta temperatura do ponto de 0,3 m/s sobre a superfície dos produtos é o congelamento. suficiente. Congelar frutas inteiras ou em pedaços, significa As frutas e hortaliças continuam vivas depois reduzir a sua temperatura (abaixo do ponto de de colhidas respiram, esquentam (reações congelamento), o suficiente para fazer passar parte químicas), perdem água e envelhecem. Estes da água contida neste alimento em gelo. A vegetais são muito sensíveis a perda de água e ao velocidade que ocorre o congelamento influencia na efeito do etileno, gás natural produzido por estes cristalização da água. Quanto maior a velocidade durante o armazenamento. menor é a irreversibilidade do processo ao O calor desprendido pelos vegetais é restabelecer o estado inicial. Em geral se utiliza uma conhecido como calor de respiração e deve ser velocidade linear média de 1 a 3 cm/h. A velocidade considerado como parte do calor do produto. A de congelamento determina a estrutura macroscópica tabela 9.2 mostra o calor de respiração de algumas dos alimentos. frutas e hortaliças. O ponto de congelamento de frutas ocorre No depósito refrigerado de frutas tem-se aproximadamente a -2,2 ºC e hortaliças a -1,0 ºC. utilizado com bastante êxito o método CA. Trata-se As vendas de frutas processadas (sucos, de um armazenamento em uma atmosfera conservas e massas) e as minimamente processadas modificada em sua composição gasosa, como frutas e hortaliças (limpas, descascadas e aumentando as taxas de nitrogênio e dióxido de fatiadas), resfriadas ou congeladas têm recebido a carbono e diminuindo o conteúdo de oxigênio. Em preferência do consumidor, o qual se deve a geral a atmosfera é controlada em níveis de 2 a 8% diminuição da sua jornada de trabalho e a facilidade de O2 e 5 a 15% de C O2. de aquisição. Tabela 9.2 Calor de respiração de frutas e hortaliças Produtos ºC kJ/h.kg Produtos ºC kJ/h.kg Produtos ºC kJ/h.kg Amora 2 1,06 0 0,16 peras 0 0,15 15 3,18 Maçã 5 0,27 15,5 2,12 Banana 13 4,6 15 1,10 0 0,54 21 4,6 0 0,21 Aipo 4,5 0,87 Damasco 5 0,33 pêssego 4,5 0,33 15,5 2,58 15 1,56 15,5 1,56 Alface 4,5 3,04 0 0,16 0 0,62 15,5 8,85 laranja 4,5 0,26 morango 4,5 1,10 Ervilhas 0 1,56 15,5 0,95 15,5 3,32 15,5 7,56 Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    9-3 (branqueamento de verduras), assim como com o E 9.1 Determinem a quantidade de calor de respiração emprego de embalagens adequadas. Se forem cumpridas removido em 24 horas no resfriamento de vinte mil kg todas as prescrições referentes ao estado da matéria- de maçã desde uma temperatura de 30ºC à -1ºC. prima, do método de tratamento, tipo de congelamento, Q respiração  massakg  calor respiração kJ h.kg  24h  condições do depósito em ambiente congelado e modalidade de descongelamento, os alimentos assim Qrespiração  20000kg  0,43kJ h.kg  24h  conservados, com relação às características sensoriais e  à preservação de importantes nutrientes e vitaminas Qrespiração  206400 kJ apresentam consideráveis vantagens frente a outros Calor de respiração = 0,43 kJ h.kg * processos de conservação. *O calor de respiração foi obtido da Tabela 9.2, para uma temperatura média de 8ºC, por regressão tipo REFERÊNCIA polinomial. COSTA, Ê. C., Refrigeração. 3° ed. Edgard Blücher LTDA. São Paulo, 1994. DOSSAT, Manual de Refrigeração. HEMUS, vol 2 e 4. 9.5 ALTERAÇÕES DE QUALIDADE Houston, 1980 PLANK, R. El Empleo del Frío en la Industria de la O congelamento trava o processo de decomposição, Alimentación, Reverté S.A. Barcelona Espanha, 1963. de tal forma que o alimento mantém intactas, durante STOECKER, W.F. - Refrigeration and Air todo o tempo, todas as suas qualidades. Conditioning - McGraw Hill Book Company, 1958. Porém em alguns casos ocorrem alterações de ROCHA, J.L.V. da; SPAGNOL, W.A. Frutas e qualidade que dependem sobretudo do caráter do hortaliças. In: VAN’DENDER, A.G.F. et al. produto e das condições em que se levam a cabo os ARMAZENAMENTO DE GÊNEROS E PRODUTOS processos industriais. Nestes casos somente se obtém ALIMENTÍCIOS. São Paulo: Secretaria da Indústria, uma boa ação da conservação por congelamento quando Comércio, Ciência e Tecnologia, 1983. p. 227-72. esta é associada com um tratamento térmico prévio Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    10.1 ISOLAMENTO TÉRMICO APLICAÇÃO PRÁTICA 10 10.1 GENERALIDADES - Reboco 1:5; A finalidade do isolamento térmico de câmara - Chumbadores com arame galvanizado nº14; frias, é reduzir as trocas térmicas indesejáveis e - Primer asfaltico; manter a temperatura da parede externa do recinto - Asfalto 0,84 em 3 demãos; climatizado próxima a do ambiente, a fim de evitar - folha de alumínio ou filme plástico de 0,1 mm; problemas de condensação. - 1º camada de isolante colocada com asfalto e Um bom isolante deve apresentar as seguintes sarrafeada na horizontal e vertical; qualidades: - 2º camada de isolante colocada com asfalto com - Baixa condutividade térmica; as juntas desencontradas e sarrafeada na horizontal - Boa resistência mecânica e a agentes químicos; e vertical; - Não deve sofrer influência da temperatura; - Tela de estuque; - Não deve ser combustível; - Cavilha para enrrolar o arame e fixar a tela de - Não deve ser perecível nem atacável por ratos; estuque; - Baixo custo; - Filme plástico de 0,1 mm; - Baixa permeabilidade ao vapor d'água; - Argamassa 1:5. - Deve ser de fácil aplicação. Outra técnica de execução de isolamento de paredes de alvenarias e forros de concreto é o da 10.2 TÉCNICAS DE EXECUÇÃO DOS utilização de placas isolantes em uma camada ISOLAMENTOS única, rebaixadas nas bordas e fixadas por meio de tiras metálicas ou de madeira compensada. As tiras Para a construção de uma câmara frigorífica de fixação são protegidas após sua colocação por deve-se seguir um roteiro de informações, para se meio de tiras do mesmo material isolante colado. chegar racionalmente e sem contratempos ao final da Este tipo de execução é aconselhável para o caso de obra no prazo estipulado. forros suspensos em estruturas de madeira. Nos pisos de concreto, o isolante é lançado em 10.2.1 Relação de etapas na elaboração do projeto. duas camadas simplesmente coladas com asfalto e protegida por lage de concreto para uniformização - Memorial de cálculo; da carga. Quando se trata de piso térreo em câmaras - Desenhos de implantação como planta baixa e de temperaturas inferiores a 0 0C, adota-se o porão cortes indicando níveis e detalhes de lajes, colunas, ventilado para evitar o congelamento do solo. piso e contrapiso, pé direito, posicionamento de Tanto em estruturas de alvenaria como em evaporadores, tubulações do sistema frigorífico e estruturas de concreto, o isolante é lançado de uma elétrico, drenos e portas; maneira contínua em todas as superfícies de modo a - Aprovisionamento e especificações de materiais; criar uma câmara estanque. Nas paredes divisórias o - Cuidados de montagem e inspeção. isolante deve ser colocado dos dois lados da parede. A colocação do isolamento deve ser feita com 10.2.3 Isolamento térmico com painéis pré- todo o cuidado, de modo a garantir sua continuidade, fabricados. evitando-se : - falhas; Em estruturas metálicas normalmente o - superfícies de menor isolamento; isolante é lançado em grandes painéis ou painéis - condensações internas; pré-fabricados, com revestimento de fibrocimento, - pontos de congelamento. alumínio, madeira, poliéster, etc.. Estes painéis são geralmente fabricados de espuma rígida de 10.2.2 Isolamento térmico convencional. poliestireno ou poliuretano. A colocação do isolamento pode ser feita tanto Sobre as paredes de alvenaria o isolante deve ser pelo lado interno como pelo lado externo da aplicado sempre em duas ou mais camadas. Para fixar estrutura. No primeiro caso, a despesa é menor. No melhor o isolante podem ser adotados sarrafos ou segundo caso o volume disponível é maior. arames com chumbadores. A simples colagem do isolante com asfalto de baixo ponto de pressão não é 10.2.4 Cuidados de ordem prática. aconselhável. Igual técnica pode ser adotada para a colocação do isolamento nos forros de concreto. Para os responsáveis pelos serviços de Portanto seguindo uma ordem de colocação: colocação dos isolamentos, alguns cuidados de - Alvenaria com armassa de 1:5; ordem prática : Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    10.2 - O armazenamentodos materiais deve ser adequado, menor temperatura. Os mecanismos desta em ambiente seco e fresco, tanto antes de começar o transferência de calor ocorrem por condução, serviço, como durante a obra. convecção e radiação. A combinação dos - Verificar a segurança dos andaimes a fim de evitar mecanismos conveção e radiação ocorrem acidentes. normalmente em paralelo. - Os objetos isolantes deverão ter as superfícies Todos os cálculos apresentados prevêem limpas, bem como as áreas a serem isoladas. Deverão condições de transferência de calor em estado ser eliminadas, também, irregularidades da superfície. estacionário. - Os isolantes devem ser medidos e conferidos no ato  A perda térmica ou taxa de calor, Q , é dada do recebimento, e somente deverão ser aceitos se por: estiverem rigorosamente dentro das especificações.  T Q (10.1) 10.3 RECOMENDAÇÕES PARA REDUZIR A Rt TEMPERATURA EM CÂMARAS FRIGORÍFICAS. A resistência térmica total, Rt é o somatório das resistências: convecção interna e externa, Após a conclusão da construção de uma câmara: condução das paredes compostas e radiação interna - Somente iniciar o processo de resfriamento após ter e externa. passado 15 dias do lançamento do concreto da lage superior do piso (acabamento); R t   R convec.   R cond.  R rad. (10.2) - Resfriar a câmara até +2ºC/+3ºC, a razão de 5ºC por dia; 10.5.1 Condução - Manter a temperatura em +2ºC/+3ºC durante seis dias; A lei fundamental que descreve a condução - Abaixar a temperatura para -2ºC/ 0 ºC e mantê-lo térmica é a lei de Fourier (Eq. 10.3). durante cinco dias; - Reduzir até a temperatura de trabalho à razão de 5ºC por dia.  k A xi  Q cond.  i i T j  T j 1  (10.3) Observação: O mesmo processo é válido para x espessura do material [m] câmaras frigoríficas que já estavam em operação, mas A área normal a transferência de calor [m²] que foram aquecidas para trabalho de manutenção. k coeficiente de condutibilidade térmica [W/m.K] j volume de controle entrada e saída 10.4 COMO EVITAR O CONGELAMENTO DO SOLO SOB CÂMARAS FRIGORÍFICAS. Onde k é uma propriedade própria de cada material (i). Consiste numa grandeza física que mede a Depende do solo e do lençol freático e linha capacidade de uma substância conduzir o calor. A isotérmica zero, no interior do isolamento. Deve-se Tabela 10.1 classifica os materiais através da empregar isolamento de boa qualidade e mais as condutividade térmica. seguintes providências: A resistência térmica por condução - Construir a unidade frigorífica sobre uma camada de x pedra britada com espessura não inferior a 60 cm; Rcond.   i (10.4) k i Ai - Concretar a laje do contrapiso sobre canais de ventilação; - Elaborar o projeto arquitetônico de materiais tais a Tabela 10.1 Classificação dos materiais na se ter entre a laje do contrapiso e do solo, um vão condução de calor. livre de 60 cm, que permitirá uma ventilação natural; Classificação k [W/m.K] - Instalar um sistema de aquecimento do contrapiso. Condutores >23 Semi-condutores 9 a 23 10.5 ISOLAMENTO DE PAREDES PLANAS Refratários 1,1 a 3,5 Refratários leves 0,35 a 1,1 Toda parede a uma temperatura inferior a do Semi-refratários 0,16 a 0,35 ambiente, como a de câmaras frigoríficas, devem ser Isolantes <0,16 isoladas para reduzir as perdas térmicas e evitar a condensação superficial. A Tabela 10.2 mostra a condutibilidade de alguns A transferência de calor ocorre na existencia de Materiais. regiões a diferentes temperaturas, no sentido das de Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    10.3 Tabela 10.2 Condutibilidade de alguns A resistência térmica convectiva materiais 1 Material k [W/m.k] R convec.   (10.6) h cj A j Aço 45 Concreto 1,3 A Tabela 10.3 mostra valores práticos do Gelo 1,9 coeficiente, hc. Argamassa 0,6 Tijolo 0,4 - 0,8 Tabela 10.3 Convecção de alguns sistemas Asfalto 0,6 Sistemas hc [W/m2.k] Fibra de vidro 0,046 Natural - gás 2 - 15 Ar parado 0,026 Forçado - gás 15 - 250 Poliestireno 0,028-0,035 Natural - líquidos 50 - 1000 Poliuretano 0,017-0,020 Forçado - líquidos 1000 - 100000 E 10.1 Determinem a taxa de calor por condução, de O coeficiente, hc é determinado através de uma parede de poliestireno (k = 0,035 W/m.K) com estudo do escoamento através de vários trabalhos espessura x igual a 100 mm, sujeita a uma diferença numéricos e experimentais, encontrados na de temperatura ΔT igual a 30ºC. Compare com o literatura. valor obtido da Tabela 7.1. Solução: 10.5.3 Radiação Fazendo A = 1 m², determinamos a resistência térmica da parede. A energia radiante que um corpo emite x 0,1 K (Eq.10.7) é dada pela Lei de Stefan-Boltzmann R   2,857143 aplicada a um corpo real. k A 0,035  1 W Rearanjando a Eq.(10.1), determinamos a taxa de calor Q rad .   A j  Tsup .  T.    4 4  (10.7)      Q T 30 W kJ    10,5  907  Q rad.  h r A j Tsup .  T (10.8) A R.A 2,857143 m2 m 2 dia O valor da taxa de calor obtido pela Tabela 7.1 é de coeficiente de radiação térmica [W/m².K] hr 904,1 kJ/m²dia. Comparando a diferença dos valores A área normal a transferência de calor [m²] em relação ao da Tabela 7.1 j volume de controle entrada e saída  907,2  904,1  Dif %    100  0,34% (maior)   904,1  A resistência térmica radiante Comentário: O valor tabelado fornecido pelo 1 R radiação   (10.9) fabricante é confiável. h rj A j onde o coeficiente de transferência de calor por radiação 10.5.2 Convecção     h r  . Tsup .  T  Tsup .  T  2 2   (1.32) A Eq. (10.5) é conhecida como lei de Newton. O calor se transmite por partículas do meio, que se Onde “σ” é a constante de Sefan-Boltzmann e vale movimentam de um local para outro. Ocorre com 5,6697E-8 W/(m²K4) onde a emissividade (ε) é uma líquidos e gases de duas maneiras: propriedade radioativa da superfície. A Tabela - Convecção natural (ou convecção livre) quando o (10.4) mostra os valores da emissividade e da movimento se deve a diferença de densidade. absortividade (α) de vários superfícies onde α= ε. - Convecção forçada quando o movimento é provocado por agentes externos ( ventoinha, agitador Tabela 10.4 Emissividade (ε) e Absortividade (α) e bomba). Emissividade ou Superfícies absortividade   Q convec.  h cj A j Tsup .  T  (10.5) Cor negra 10 - 35ºC 0,90 a 0,98 500ºC 0,90 a 0,98 Pintura escura 0,85 a 0,95 0,75 a 0,90 hc coeficiente de convecção térmica [W/m².K] Pintura clara 0,85 a 0,95 0,70 a 0,85 A área normal a transferência de calor [m²] Pintura branca 0,85 a 0,95 0,60 a 0,75 j volume de controle entrada e saída Pintura alumínio 0,40 a 0,60 - Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    10.4 Quando ocorem simultâneamente a transferência x isolameno de calor simultânea por convecção e radiação, utiliza- R isolamento  k isolamento A isolamento se um coeficiente combinado (h’ = hc + hr) Ou seja 10.6 CÁLCULO PRÁTICO DE ESPESSURA DE x isolamento  R isolamento k isolamentoA isolamento ISOLAMENTO TÉRMICO x isolamento  4,817143 * 0,035 *1  0,1686 m O cálculo da espessura, a partir de uma taxa de calor estimada por unidade de área, conduz a Comentário: resultados rápidos. Este método garante uma taxa de - Ao considerar Ra = 0 simplifica os cálculos e calor, dentro de uma classificação (Tabela 10.5) de garante um fator de segurança. qualidade aceito internacionalmente. - A colocação de duas camadas de espessura comercial (100mm + 75mm) com as juntas Tabela 10.5 Classificação do isolamento em desencontradas na horizontal e vertical satisfaz a relação a taxa de calor por unidade de área espessura de 169 mm e garante um fator de ótimo < 9,3 W/m² segurança. 9,3 ≤ bom ≤ 11,7 W/m² 11,7 ≤ regular ≤ 17,4 W/m² 10.6 CÁLCULO DO ISOLAMENTO EXERCÍCIO TÉRMICO PARA QUE NÃO OCORRA CONDENSAÇÃO SUPERFICIAL E 10.2 Determinem a espessura do isolante térmico (poliestireno) para uma uma parede de alvenaria, para A condensação da umidade do ar  que seja admitida uma perda máxima Q A = 9 W/m² atmosférico ocorre quando a mesma atinge valores nas seguintes condições: Tint.=-10ºC e Text.=35ºC inferiores a sua temperatura de orvalho, ponto de respectivamente temperaturas interna e externa da saturação. O ar em contato com uma parede fria, parede. diminui sua temperatura podendo condensar sobre a Considerar: mesma. - A transferência de calor combinada (h = hc + hr) externa hext. = 25 W/m²K e interna hint. = 7 W/m²K E 10.3 Determinem a espessura limite do obtida da Tabela 10.3. isolamento térmico para que não ocorra - Estado estacionário (Text. a Tint. constantes no tempo) condensação superficial em um frezer, sabendo que: - Resistência térmica da alvenaria Ra = 0 (valor pouco 1) Temperaturas: do ar externa 30ºC e U.R. 80%; significativo) da parede interna -20ºC. 2)Coeficientes: kisol. = 0,02 W/m.ºC e har = 20 Solução W/m².ºC 1 1 R combinado   Solução: ' A ' A h ext . ext . h int . int . Fazendo as áreas iguais a 1 m². Determinação da temperatura do ponto de orvalho do ar: 1 1 R combinado    0,182857 [K / W] Com Text.=30ºC, obtemos da Tabela (6.4) de 25x1 7 x1 saturação da água , a pressão de saturação ps = Rearanjando a Eq.(10.1), determinamos a taxa de 0,042460 bar. calor  Q T A pressão de vapor do ar (pv): p v  (U.R.).p s  A (R combinado  R isolamento )A T p v  0,8  0,042460  0,033968 bar R isolamento   R combinado  Q Consultando a mesma Tabela (6.4), com p v na ( )A condição de saturado determino a temperatura de A saturação do ar (para 30ºC e 80% de umidade A isolamento igual a 1m² normal ao sentido da taxa relativa) Ts= 26,06ºC. A temperatura de orvalho, de calor. To, corresponde a temperatura de saturação T s. (35  (10)) R isolamento   0,182857  4,817143 [K / W] (9) x1 To= 26,06ºC (Temperatura de orvalho) Conforme Eq.(10.4) Determinação da taxa de calor Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    10.5  Q h.A.(Text.  To)  20 1 (30  26,06)  78,85W Onde A = 1m² Menor espessura para que não ocorra condensação superficial:  To  Tisol.  x isol  k isol. .A      Q  Figura 10.1 Parede frigorífica esquematizada.  26,06  (20)  x isol  0,02 1     0,012m   T  Q Area .t  12,57 W  78,85  Rt 1 LA LI 1    hext k A k I h int . Comentário: Cálculo do perfil de temperatura na parede. - A condensação superficial é um dos problemas mais Com o regime de troca térmica considerado graves dos isolamentos de baixa temperatura, permanente, determino as temperaturas nas danificando materiais. superfícies dos materiais da parede composta. - Observa-se que a espessura do isolamento de 12  Q mm é pequena, e vai permitir uma troca térmica ruim Ta  Text   28,2º C  ( Q A > 17,4 W/m²) . Portanto é um cálculo utilizado hext ..Area  Q.L A para verificar se há ocorrencia de condensação Tb  Ta   23,71º C superficial. k A .Area  Q.L I 10.7 CONDENSAÇÃO NO INTERIOR DO Tc  Tb   18,2º C ISOLAMENTO TÉRMICO k I .Area Com as temperaturas obtemos da tabela de A presença de água nos isolamentos saturação da água, as pressões de saturação ou térmicos, se devem a permeabilidade dos materiais ao através da expressão com a temperatura T em vapor d’água. A diferença de temperaturas entre dois Kelvin: meios propicia um diferencial de pressão de vapor,  2316  promovendo a transferência de massa de vapor log ps mmHg  0,1466    (10.10)  T  d’água em superfícies porosas. Medidas preventivas para que não ocorram Com a substituição das temperaturas para as condensação em câmaras figoríficas posições conforme Fig (10.1): O uso de barreiras de vapor previne, que a presença psext. = 31,844 mmHg; psint. = 0,982 mmHg; psa = de água reduzam a capacidade do isolamento e 28,665 mmHg; psb = 21,914 mmHg; psc = 1,14 mesmo sua destruição. mmHg. A pressão de vapor (pv) do ar, de ambos os lados da E 10.4 Verificar a necessidade de uso de barreira de parede: vapor no isolamento térmico de uma parede de uma câmara frigorífica conforme Figura 10.1. pv ext  (U.R.).ps ext  24,365 mmHg Dados: Text. =30ºC e U.R.ext= 85%; Tint.=-20ºC e U.R.int. = 90%; kI = 0,03 W/m.K e LI = 0,1 m pv int .  (U.R.).ps int  1,026 mmHg (isolamento térmico); kA = 0,84 W/m.K e LA = 0,3 m Cálculo da vazão mássica de vapor (Mv): (alvenaria); hext.= hint. = 7 W/m².K; Área = 1 m². A razão entre a diferença de pressão de vapor e a Permeabilidade dos materiais (g/m.h.mmHg):P A = resistência a passagem de vapor d’água dos 0,022 (alvenaria) e PI = 0,001 (poliestireno materias da parede. expandido). pv pv ext .  pv int . Estado estacionário (Text. a Tint. constantes no tempo) Mv    0,23g / m².h Rv LA LI  Solução PA .Area PI .Area Cálculo da pressão de vapor pvb: Mv.L A pvb  pva   21,223mmHg PA Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    10.6 A condensação nointerior ocorre quando o perfil de pressão de saturação ao longo da parede cruza o perfil Solução: da pressão do vapor. A taxa de juro anual é obtida pela Eq.(10.11) Como os valores da pressão de vapor pv é menor que o da saturação em “b”, indica que não ocorrerá F = P (1+i)n (10.11) condensação. Onde F Valor Futuro 10.8 CÁLCULO DA ESPESSURA ECONÔMICA P Valor Principal DE ISOLAMENTOS TÉRMICOS n Periodo (mês ou ano) A medida que aumentamos a espessuraa do isolamento térmico, reduzimos a troca de calor Fazendo P = 1, determinamos F após 1 ano aplicado indesejável, mas o custo do isolamento aumenta. n =12 meses A espessura econômica será aquela para a qual a F = 1 x (1+0,018)12 = 1,2387 soma dos custos de amortização de material colocado Então a taxa de juro anual (ia) do isolamento e do custo de reposição devido as n = 1 ano perdas térmicas seja o mínimo. 1,2387 = 1 x (1+ia)1 CTOTAL = CAMORTIZAÇÃO + CPERDAS = CMÍNIMO ia = 1,2387 - 1 = 0,2387 ou 23,87% (taxa de juro anual efetiva) E 10.5 Determinação da espessura econômica de A taxa mais utilizada pelas emprezas é a “atrativa” isolamento térmico de Poliestireno Expandido para e corresponde a um valor qualquer maior que a uma câmara frigorífica de 100 m² e o tempo de “efetiva”. retorno do investimento, sabendo que: 1- Taxa de juros im = 1,8% mensal; Determinação do fator de juro condiderando a vida 2- Custo energético por hora r = R$1,07/kWh (r = útil na amortização (depreciação). Pm/Pf). Esta é a relação do custo médio, onde Pm i(1  i) n representa a potência consumida pelos motores (A / P, i%, n )  (10.12) (compressores, bombas,ventiladores,..) e Pf (1  i) n  1 representa a potência frigorífica ou seja todo o calor Fazendo n =10 anos (vida útil dos isolamentos retirado pelo sistema frigorífico ao londo do ano. térmicos) 3- Nº de horas/ano de operação da câmara: 4800 h; 4- Temperatura interna -20ºC; externa: 30ºC da (A/P,24%,10) =0,2716 fator de juro para período de câmara; capitalização de 10 anos. 5- Condutividade do isolamento ki = 0,03 W/mºC e vida útil de 10 anos; Custo amortizado (CA) do isolamento 6- Revestimento de alvenaria k A = 0,84 e espessura considerando a vida útil de 10 anos (R$/ano) de 0,30m; 7-Prazo de financiamento de 8 meses; CA = ACi (A/P,24%,10) 8-Relação espessura (L) e o custo do isolamento Lm Ci A CA FRP colocado (Ci): (m) (R$/m²) (m²) (R$/ano) L (m) Ci (R$/m²) 0,05 100,00 100 0,2716 2716,02 0,05 100,00 0,10 200,00 100 0,2716 5432,04 0,10 200,00 0,15 300,00 100 0,2716 8148,06 0,15 300,00 0,20 400,00 100 0,2716 10864,09 0,20 400,00 0,25 500,00 100 0,2716 13580,11 0,25 500,00 Custo da reposição das perdas térmicas Considerações: r T - Estado estacionário (Text. a Tint. constantes no tempo) CP  - A temperatura interna e externa da câmara serão R (10.13) admitidas respectivamente nas faces das paredes da r = R$1,07/kWh mesma, simplificando os cálculos, visto que os Para um tempo operacional T = 4800 h/ano termos negligenciados são sempre pouco R$ h 1 kW R$ significativos em relação a resistência do isolamento r  1,07 x 4800 x  5,136 térmico. kWh ano 1000 W W ano - No custo de reposição das perdas térmicas só foi r =R$ 5,136/Wano (custo médio energético ao longo levado em conta o consumo energético. Não foram do ano) considerados outros custeios como manutenção e operação para o funcionamento do frigorífico. Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    10.7 Resistência a passagemde calor La Li O prazo de retorno é o espaço de tempo  R  Ra  Ri   (10.14) ka A kiA necessário para que os Benefícios B advindos do investimento possam cobrir seus Custos C, considerados a uma adequada taxa de juros, ou seja, Lm (m) Ra [K/W] Ri [K/W] R [K/W] quando C - B = 0. 0,05 0,00357 0,01667 0,02024 Para uma melhor compreensão utilizaremos 0,10 0,00357 0,03333 0,03690 uma representação gráfica (Fig.10) que permite 0,15 0,00357 0,05000 0,05357 visualizar as posições econômicas ao longo do 0,20 0,00357 0,06667 0,07024 tempo denominado Fluxo de Caixa. 0,25 0,00357 0,08333 0,08690 Consideremos um fluxo de caixa em que o Benefício ou Receita é a economia do Custo de Custo das perdas térmicas para cada espessura Produção Frigorífica durante o prazo de retorno n’, do isolamento onde a economia é a diferença entre o custo de Lm r T R CP Produção Frigorífica com e sem isolamento. (m) [R$/Wano] [K] [K/W] [R$/ano] 0,05 5,136 50 0,02024 12688,94 F 0,10 5,136 50 0,03690 6958,45 A1 - A2 0,15 5,136 50 0,05357 4793,60 0,20 5,136 50 0,07024 3656,14 0 0,25 5,136 50 0,08690 2954,96 1 2 3 4 n' P O custo total CT é a soma do custo do isolamento amortizado CI e do custo das perdas térmicas CP Figura 10.3 - Fluxo de Caixa na obtenção do prazo de retorno Lm CA CP CT Convenções adotadas no diagrama do Fluxo de (m) (R$/ano) (R$/ano) (R$/ano) Caixa: 0,05 2716,02 12688,94 15404,96 1. O eixo horizontal representa o tempo a partir de 0,10 5432,04 6958,45 12390,49 um instante considerado inicial até um instante 0,15 8148,06 4793,60 12941,66 considerado final do prazo em questão. 0,20 10864,09 3656,14 14520,23 2. Os segmentos positivos, isto é, do eixo horizontal 0,25 13580,11 2954,96 16535,07 para cima, representam: a economia (A1-A2) e o Valor Residual (F) do isolamento. O custo total mínimo indica 0,10 m como a 3. O segmento negativo, isto é, do eixo horizontal espessura térmica econômica para 10 anos de vida para baixo, representa o valor do investimento (P) útil. do isolamento. Analisando pelo Método do Prazo de Retorno A Figura 10.2 mostra a curva de custos para do Investimento, em função do Valor Presente diferentes espessuras. Líquido (VPL) e avaliando-se o valor da venda residual para o instante n' considerado, verificaremos se devemos investir no isolamento Camortizado Cptérmica C total (Hirschfeld, 1984): 18000 16000 VPL  P  (A1  A2)( P / A, i%, n' )  F(P / F, i%, n' )  0 14000 (10.15) Custo [R$] 12000 10000 8000 A última parcela da Eq. (10.15), representa o 6000 valor residual do isolamento e, será considerada 4000 2000 igual a zero por não ter valor de comercialização, 0 ou seja não contribui neste caso para o retorno do 0 0,1 0,2 0,3 investimento. O valor de n’ é calculado Espessura do isolamento [m] iterativamente de forma que a Eq. (10.15) seja satisfeita. Se n’ (prazo de retorno do investimento) Figura 10.2 Curva de custos para diferentes for menor que n = 10 anos (vida de serviço do bem espessuras. investido), o bem deve ser adquirido. Retorno do investimento a taxas de atratividade. Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    10.8 O porte dos investimentos necessários considerando o prazo de 8 meses do financiamento na E 10.5 Uma fábrica pretende isolar térmicamente amortização. uma tubulação de 100 m ao ar livre  2” (60/51 mm), onde circula amônia líquida saturada a -15ºC. P = 8 ACi A/P(1,8%,8) = 8x100x200x0,1353 Para tanto foram consultadas 2 firmas especializadas em isolamentos, as quais apresentam P =R$ 21653,70 ou seja 8 prestações de R$2706,71 as seguintes propostas: Custo da reposição da perda térmica da parede sem Firma A Firma B isolamento. Custo : R$ 55,00/m Custo: R$ 50,00/m kA = 0,027 W/m.ºC kB = 0,03 W/m.ºC r T A1  A espessura do isolamento para as firmass é a RA mesma e vale 76,2 mm. A tubulação é de aço ka = 50 W/m.ºC. R$ 50 ºC A1  5,136 x  R $71 904,00 / ano O custo energético é R$ 5,136/W ano. W ano 0,3 ºC Vida útil do isolamento: 10 anos. 0,84x100 W Taxa de juros im = 1,8% mensal. Por mês Prazo de financiamento:10 meses. A1  R$5992,00 / mês Os coeficientes hi e he, valem respectivamente 300 e 8 W/m²ºC. Custo da reposição da perda térmica da parede com Temperatura do ar externo a tubulação: 35ºC. isolamento. Custo da reposição da perda térmica da parede com r T isolamento. A2  R     A 2  5,136 R$ x 50x100 º C   W ano 0,3 0,1 º C r T  2LT   Cp   r.  0,84 0,03 W  R   re  R   1 ln  ln     ri   re  1  A2 = R$ 12688,94/ano = R$ 1057,41/mês  hi.ri  kaço  kisol.  he.R    P R$ 21653,70 (P / A,1,8%, n ' )   Teremos dois custos CpA (com k=ka) e CpB (com A1  A2 R $(5992,00  1057,41) k=kB), onde R = re + 0,0762 (m); re = 0,03 (m); ri (P / A,1,8%, n' )  4,38 = 0,0255 (m); r = R$ 5,136/W ano e ΔT = 50ºC. mas Fornecedor A: Cp = R$ 3352,20/ano (1  i) n '  1 Fornecedor B: Cp = R$ 3713,41/ano (P / A,0,018, n ' )  i(1  i) n ' (1  0,018) n '  1 (P / A,0,018, n ' )   4,38 Custo amortizado (CA) do isolamento 0,018x (1  0,018) n ' considerando a vida útil de 10 anos (R$/ano) Reagrupando determino o prazo de retorno do CA = LCi (A/P,24%,10) investimento n’ = 4,6 meses i(1  i) n Onde: (A / P, 24%, 10)  (1  i) n  1 10.9 AVALIAÇÃO DE PROPOSTAS DE ISOLAMENTOS TÉRMICOS EM UMA Substituindo: i = 0,24 e n = 10 TUBULAÇÃO. (A/P, 24%, 10) = 0,2716 O isolamento térmico em tubulações de instalações de refrigeração, evita as trocas térmicas Fornecedor A: CA = 100x55x0,2716=R$ indesejáveis causando mudança de estado e/ou 1493,80/ano elevação da temperatura do fluido refrigerante. Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa
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    10.9 Fornecedor B: CA= 100x50x0,2716=R$ 1358,00/ano COSTA, E.C. - Física Industrial - Refrigeração - Vol. II - Ed. Meridional EMMA - Porto Alegre, 1975. O custo total CT é a soma do custo do isolamento amortizado CA e do custo das perdas térmicas CP RAPIN, P. - Formulaire du Froid - Editions Technique e Vulgarisation - Paris, 1994. Teremos dois custos dos isolamentos (A e B) amortizados . Fornecedor CA CP CT (R$/ano) (R$/ano) (R$/ano) A 1493,80 3352,20 4846,00 B 1358,80 3713,41 5071,41 O menor custo total indica que a firma A, apresenta a melhor proposta de isolamento, para 10 anos de vida útil. E 10.5 Determinem a espessura mínima do isolamento térmico (k=0,03 W/m.K) para que não ocorra condensação superficial na tubulação. E 10.6 Verificar a possibilidade de condensação no interior de uma parede de uma câmara frigorífica, constituída de 30 cm de tijolos maciços (k=0,84 kcal/h.m.K e P=0,00055 gm/m²h.mmHg), isolada internamente com 12” de polietileno (k=0,027 kcal/h.m.K e P=0,055 gm/m²h.mmHg) quando sujeita às condições: Internas, 0ºC e 90% de umidade, Externas, 22ºC e 60% de umidade. 4. BIBLIOGRAFIA PHOLMANN, W. - Taschenbuc Für Kältetechniker - Verlag C.F. Müller - Karlsruhe, 1964. Refrigeração-na indústria de alimentos Gilberto Arejano Corrêa