Linguagem e estilo n’Os Maias
A linguagem n’Os Maias
🞃
Registo literário
e cuidado
🞃
• Construção frásica
elegante e cuidada
• Imagens sugestivas
• Léxico erudito
Versátil e maleável
Registos familiar
e corrente
🞃
• Falas das personagens
(registos familiar
e corrente e calão)
🞃
Reprodução da linguagem oral
do português do fim do século XIX
I. Reprodução do discurso no discurso
Discurso direto
(diálogos)
+
Discurso indireto livre
(a voz do narrador
e a da personagem
confundem-se)
As personagens expõem-se
e denunciam o seu carácter
🞃
As personagens mostram o que
são por aquilo que afirmam
Dâmaso: boçal
Cohen: irresponsável e inculto
Palma «Cavalão»: hipócrita
«Quase desde
o berço este
notável menino
revelara
um edificante amor
por alfarrábios
e por todas as
coisas do saber.»
(Capítulo III)
II. Recursos expressivos
Associada a uma
intenção crítica, permite
evidenciar contradições
e incongruências
Confere leveza
e humor à narrativa
Ironia
(figura em que se afirma
literalmente uma ideia
quando se quer transmitir
a mensagem contrária)
Hipálage
(caracterização de um elemento
através de um traço próprio de
outro com o qual se relacionada)
II. Recursos expressivos
«Ega espalhava também pelo
quarto um olhar pensativo […].»
(Capítulo XVIII)
Confere elegância
e expressividade à prosa
Comparação
e metáfora
II. Recursos expressivos
Surgem aliadas à ironia
e ao intuito trocista
🞃
Formas de
descrição insultuosa
Permitem descrever
artisticamente uma
paisagem
Permitem descrever
estados de alma
«[…] os bigodes esvoaçando
ao vendaval das paixões […]»
(Capítulo VI)
«— Tem todas as condições
para ser ministro: tem voz
sonora, leu Maurício Block, está
encalacrado, e é um asno!…»
(Capítulo VII)
«[…] uma das alamedas laterais
[…] e uma paz religiosa,
como um claustro […]»
(Capítulo VIII)
Adjetivo e advérbio utilizados com grande expressividade:
Adjetivo
🞃
Ligado a elementos aos quais,
normalmente, não está associado
do ponto de vista semântico
III. O adjetivo e o advérbio
«sorriso mole»
«chiar lento»
«[…] remexia desoladamente
o seu café […]»
Advérbio
🞃
Surge, frequentemente,
de forma inesperada
e surpreendente
• Projetam a subjetividade do enunciador
• Desencadeiam efeitos humorísticos
O imperfeito e o gerúndio
dão conta do valor aspectual
ou durativo da ação, caracterizando
a vida das personagens
Produz combinações sugestivas
e repletas de significado
Verbo
trabalhado
de forma
criativa
IV. O verbo
«Vamo-nos gouvarinhar […]»
«O tédio lento ia pesando outra vez […]»
• Anglicismos
(vocábulos de origem inglesa)
• Galicismos ou francesismos
(vocábulos de origem francesa)
V. Os estrangeirismos
Evidenciam o desejo
de mostrar requinte
e cosmopolitismo, revelando
o jogo de aparências
da alta sociedade lisboeta
O seu uso espelha
a submissão acrítica
ao modelo cultural francês
(Dâmaso)
VI. Os diminutivos
A utilização dos diminutivos pode ter significados quase opostos:
Projeta a subjetividade
do narrador, indicando afeto
(por exemplo, «Carlinhos»)
Resulta de uma intenção
sarcástica, visando a depreciação
ou a ridicularização de alguém
🞃
Evidencia a atitude trocista
do narrador na crítica
de comportamentos e costumes
(por exemplo, «Damasozinho»)

Linguagem e estilo.pptx.................

  • 1.
    Linguagem e estilon’Os Maias
  • 2.
    A linguagem n’OsMaias 🞃 Registo literário e cuidado 🞃 • Construção frásica elegante e cuidada • Imagens sugestivas • Léxico erudito Versátil e maleável Registos familiar e corrente 🞃 • Falas das personagens (registos familiar e corrente e calão) 🞃 Reprodução da linguagem oral do português do fim do século XIX
  • 3.
    I. Reprodução dodiscurso no discurso Discurso direto (diálogos) + Discurso indireto livre (a voz do narrador e a da personagem confundem-se) As personagens expõem-se e denunciam o seu carácter 🞃 As personagens mostram o que são por aquilo que afirmam Dâmaso: boçal Cohen: irresponsável e inculto Palma «Cavalão»: hipócrita
  • 4.
    «Quase desde o berçoeste notável menino revelara um edificante amor por alfarrábios e por todas as coisas do saber.» (Capítulo III) II. Recursos expressivos Associada a uma intenção crítica, permite evidenciar contradições e incongruências Confere leveza e humor à narrativa Ironia (figura em que se afirma literalmente uma ideia quando se quer transmitir a mensagem contrária)
  • 5.
    Hipálage (caracterização de umelemento através de um traço próprio de outro com o qual se relacionada) II. Recursos expressivos «Ega espalhava também pelo quarto um olhar pensativo […].» (Capítulo XVIII) Confere elegância e expressividade à prosa
  • 6.
    Comparação e metáfora II. Recursosexpressivos Surgem aliadas à ironia e ao intuito trocista 🞃 Formas de descrição insultuosa Permitem descrever artisticamente uma paisagem Permitem descrever estados de alma «[…] os bigodes esvoaçando ao vendaval das paixões […]» (Capítulo VI) «— Tem todas as condições para ser ministro: tem voz sonora, leu Maurício Block, está encalacrado, e é um asno!…» (Capítulo VII) «[…] uma das alamedas laterais […] e uma paz religiosa, como um claustro […]» (Capítulo VIII)
  • 7.
    Adjetivo e advérbioutilizados com grande expressividade: Adjetivo 🞃 Ligado a elementos aos quais, normalmente, não está associado do ponto de vista semântico III. O adjetivo e o advérbio «sorriso mole» «chiar lento» «[…] remexia desoladamente o seu café […]» Advérbio 🞃 Surge, frequentemente, de forma inesperada e surpreendente • Projetam a subjetividade do enunciador • Desencadeiam efeitos humorísticos
  • 8.
    O imperfeito eo gerúndio dão conta do valor aspectual ou durativo da ação, caracterizando a vida das personagens Produz combinações sugestivas e repletas de significado Verbo trabalhado de forma criativa IV. O verbo «Vamo-nos gouvarinhar […]» «O tédio lento ia pesando outra vez […]»
  • 9.
    • Anglicismos (vocábulos deorigem inglesa) • Galicismos ou francesismos (vocábulos de origem francesa) V. Os estrangeirismos Evidenciam o desejo de mostrar requinte e cosmopolitismo, revelando o jogo de aparências da alta sociedade lisboeta O seu uso espelha a submissão acrítica ao modelo cultural francês (Dâmaso)
  • 10.
    VI. Os diminutivos Autilização dos diminutivos pode ter significados quase opostos: Projeta a subjetividade do narrador, indicando afeto (por exemplo, «Carlinhos») Resulta de uma intenção sarcástica, visando a depreciação ou a ridicularização de alguém 🞃 Evidencia a atitude trocista do narrador na crítica de comportamentos e costumes (por exemplo, «Damasozinho»)