PROGRAMANDO A ALTA:
TIPOS, CRITÉRIOS E ENCAMINHAMENTO
Jorge Luiz de Oliveira e-mail:joluol.as@hotmail.com
Alta Médica Hospitalar
A alta médica hospitalar, como o próprio termo diz, é
prerrogativa do médico.
Em se tratando de psiquiatria a participação dos demais
profissionais que fazem parte da equipe multidisciplinar é tão
importante quanto à do Médico.
É verdade que o Médico tem a ultima palavra, mas não
tem todas.
A alta é um procedimento de responsabilidade do Médico,
mas fazê-la, deliberada, inadvertida e onipotentemente é uma
atitude desnecessária, uma vez que ignora a participação e a
importância da opinião dos parceiro de equipe na tomada de
decisão, a respeito de um quadro clinico “rico” de nuances
farmacoterápico e alternâncias reativas por parte do
paciente?
No processo terapêutico a alta é tão importante quanta as
demais etapas que envolvem a internação. Certamente é o que
todos afirmariam. Olhada por um outro prisma no entanto,
ela assume uma outra conotação, se não vejamos:
Internação – É revestida de incertezas, dor, às vezes, medo,
expectativas e insegurança.
Prescrição – Mistério, ignorância, medo, dor, experiências,
perda de autoridade, incógnita...
Investigações – fezes, sangue, urina, escarros, invasão, inserção,
indignação, humilhação (passeios nos corredores, exposição,
nudez...).
Tratamento – Na ótica do médico é o meio. Caminhos a
percorrer. O elo entre o começo e o resultado final.
Alta – Na ótica do paciente é o apogeu. A liberdade. O fim
apoteótico é o que todos esperam, em todos os sentidos.
Estes pressupostos não se constituem em paradigmas
terapêuticos. Mas não deixam de ser pressupostos presentes e
importantes quando o paciente tem sua opinião e suas manifestações
sejam elas religiosas, sociais, culturais, políticas e éticas respeitadas.
A opinião médica é decisiva, mas não significa uma verdade
absoluta. Por isso se diz que embora a alta seja uma prerrogativa do
Médico ele deve sempre , na duvida, consultar colegas, parceiros e até
mesmo o paciente, razão maior do seu trabalho.
É importante salientar que, quando hospitalizado, o paciente tem
o direito de ter um médico como responsável direto pela sua internação,
assistência e acompanhamento até a alta, sendo dever do Diretor-Clínico
do estabelecimento de saúde as providências cabíveis para que isso
ocorra.
Modalidades de Altas Hospitalares
A alta hospitalar pode ocorrer de maneiras
diferenciadas. Não vamos falar de todas, mas mencionaremos
em que situação elas poderão ocorrer.
Alta compartilhada – Decisão que ocorre entre médico e
paciente embora prevaleça a do médico.
Alta alternativa – Decisão que uma só das partes deseja por
razões pessoais, logística ou por intercorrência clinica.
Alta a Pedido
Existem situações nas quais a alta hospitalar pode ser solicitada
pelo paciente ou por seus responsáveis, denominada alta a pedido. Para a
solução deste problema, é fundamental distinguir a alta a pedido que não
envolve iminente risco à vida, daquela em sentido contrário; somente
através de avaliação e parecer técnico poderá haver tal distinção.
No caso da alta a pedido, sem colocar em risco a vida do paciente,
nem o médico responsável nem o hospital podem ferir o princípio da
autonomia do mesmo, cerceando seu direito de "ir e vir". A instituição
hospitalar e o médico devem, de maneira clara, documentar fartamente a
decisão do paciente, quanto a sair do hospital.
Entretanto, em caso de iminente perigo à vida do paciente, o médico
pode se recusar a conceder a alta a pedido. Essa é uma exceção prevista
no Código de Ética Médica (Art. 56) para que o médico possa intervir
contrariamente à vontade do paciente, em situações de "iminente risco à
vida". Portanto, é a gravidade ou a iminência de perigo à vida que deve
condicionar a aceitação ou recusa da alta a pedido.
Vale a pena ressaltar que, se a saúde do paciente agravar-se em
conseqüência da alta a pedido, o profissional que a autorizou poderá ser
responsabilizado pela prática de seu ato, assim como o hospital, pois "é
presumida a culpa do patrão ou comitente pelo ato culposo do
empregado ou preposto", no caso por omissão de socorro, imprudência
ou negligência. Existe também a responsabilidade penal, na modalidade
culposa para os crimes de homicídio e lesões corporais, quando
praticado através de imprudência, negligência ou imperícia.
Em caso de alta a pedido de crianças e adolescentes, o
"Termo de Responsabilidade" deverá ser assinado pelos
responsáveis. A aceitação ou não do pedido de alta, pelo médico,
também fica condicionado à gravidade ou à iminência de perigo à
vida da criança ou adolescente.
Diante do impasse entre a solicitação de alta pelos
responsáveis e a recusa do profissional em aceitá-la, com o atual
Estatuto da Criança e do Adolescente, a Vara da Infância e da
Juventude deverá ser acionada para a resolução do conflito.
O paciente que, devidamente esclarecido e sem iminente
risco à vida, assume o não cumprimento da determinação médica
de permanecer sob tratamento intra-hospitalar, desobriga o
profissional de dar continuidade ao tratamento, bem como de
emitir receita. Tal fato deve ficar expressamente documentado no
prontuário médico.
Se, após o médico informar de maneira ampla, completa,
acessível e de forma isenta ao próprio paciente e/ou aos seus
responsáveis, sobre as vantagens e desvantagens da alta solicitada,
esses insistirem no pedido de alta e o médico aceitá-lo, deve-se
redigir o "Termo de Responsabilidade" assinado pelo paciente ou
por seus responsáveis. A assinatura apenas explicita o direito do
paciente quanto à decisão sobre sua saúde e bem estar.
O "Termo de Responsabilidade" tem a finalidade de
documentar que os riscos, vantagens e desvantagens foram
devidamente explicados ao próprio paciente e/ou aos seus
responsáveis.
Outra informação importante é que, mesmo tendo
solicitado e recebido alta a pedido, o paciente ou seus familiares
poderão solicitar nova internação, sendo este seu direito, devendo
o hospital atender a esta solicitação.
TERMO DE ALTA A PEDIDO DO PACIENTE
Considerando - ser direito de recusar o atendimento ou procedimentos propostos para meu tratamento de deixar as
dependências do hospital, mesmo sabendo das possíveis conseqüências e riscos de tal atitude.
Considerando - que alta a pedido não constitui ato que tenha sido indicado ou praticado pela equipe médica, mas sim um ato
livre e soberano da autonomia do paciente, atendido o disposto no Termo de Responsabilidade.
Considerando – Que o exercício, por parte do paciente, deste seu direito, a partir do momento em que deixar o hospital, isenta
o médico e a Instituição da responsabilidade por quaisquer conseqüências adversas à saúde diretamente relacionadas a esta alta.
Considerando – Que mesmo tendo o médico, com o apoio da equipe multiprofissional, explicado em linguagem acessível ao
doente, o diagnóstico, suas condições clínicas, possibilidades terapêuticas e as conseqüências da interrupção da assistência médica,
especificando possíveis riscos e danos.
Considerando – Que a alta a pedido desobriga o Médico de dar continuidade ao tratamento, bem como de emitir receita,
solicitação de exames e encaminhamento para outro estabelecimento.
Ainda assim solicito a interrupção do meu tratamento sendo essa atitude uma livre expressão de minha vontade
PARECER MÉDICO:
_________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
___________________________________________________
Assinatura e carimbo médico
DECLARAÇÃO DO PACIENTE:
Declaro que fui devidamente informado e esclarecido quanto à situação de minha saúde, conforme acima registrado e decido
deixar de ser assistido neste hospital, em razão de:
_________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
___________________________________________________
Assinatura do paciente e/ou responsável
Alta por Fuga
Em caso de fuga do paciente nos deparamos com duas
situações diferentes.
Uma delas se refere a pacientes com incapacidade de
discernimento e aos adolescentes. Nesses casos a responsabilidade
em relação ao paciente será transferido à pessoa ou ao
estabelecimento a quem o mesmo foi confiado.
Logo, caracterizada a fuga do paciente, é cristalina a culpa
in vigilando da instituição (culpa existente em função do cuidado
que deveria ter sido dedicado àquele que lá estava internado). Em
decorrência, nasce o dever de indenizar em função dos danos
causados, a não ser que seja comprovado que não houve
negligência.
Nos outros casos, onde a capacidade de entendimento da
situação (internação hospitalar) está preservada, a evasão do
paciente deve ser explicitada no prontuário médico e pode ser
feito boletim de ocorrência para preservação de direito do médico
e da instituição.
Alta Hospitalar com Garantia de Leito
É outra forma de alta médica hospitalar que tem sido utilizada como
procedimento em alguns hospitais, ressaltando-se, porém, a responsabilidade
do médico que assiste o paciente em concedê-lo ou não.
Nesta situação, o paciente é liberado para o domicílio, usualmente nos
finais de semana, retornando dois ou três dias após, tendo garantido o seu
leito e sem prejuízo para o tratamento previsto.
A responsabilidade do médico para com o paciente se limita ao
período em que este estiver no ambiente hospitalar, desde a internação até a
alta.
Alta a Pedido de Terceiros
Como dito anteriormente, a alta médica hospitalar é
prerrogativa do médico, cuja decisão deve ser tomada de acordo
com os ditames éticos e legais.
O médico não deve aceitar o pedido de alta de paciente
feito por Chefe de Serviço, Diretor Clínico ou convênios quando,
de acordo com sua avaliação técnica, não existem condições
para a alta.
Alta Médica por Indisciplina /
Administrativa
Uso de bebidas alcoólicas e drogas ilícitas, por vezes
produzindo agressões físicas a outros pacientes e proferindo
ameaças aos funcionários, obriga o hospital a proceder a alta por
indisciplina.
O Conselho Regional de Medicina, com as devidas ressalvas,
considera lícita a conduta do estabelecimento de saúde, invocando a justa
causa, com fundamento no Código de Ética Médica, ressaltando que este
versa sobre o ato do médico ao deixar de atender a um paciente que está sob
os seus cuidados, por motivo claro e aceitável: Seja porque não há
possibilidade para o perfeito desempenho da função do médico e/ou porque
o relacionamento entre paciente e médico esteja prejudicado.
O parecer também faz uma abordagem técnica interessante sobre a
doença.
Ressalta o CRM, que qualquer atitude nesse sentido não poderá ser
adotada se houver risco iminente de morte para o paciente ou de
contaminação dos contatos, hipótese em que deve ser garantida a
continuidade do tratamento, sem risco potencial à família e à comunidade.
COMUNICAÇÃO DE ALTA ADMINISTRATIVA
Paciente: Data de internação: ___/___/___
Diagnóstico: Médico:
Responsável: Procedência:
Data da alta: ___/___/___
Evolução do quadro do paciente:
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
Motivo da alta:
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
OBS.: Quando o paciente fere os princípios que norteiam a internação psiquiátrica, rompe um ciclo da
relação entre equipe técnica e paciente. Fato que impede temporária ou até mesmo definitivamente, a
sequência do tratamento pela quebra de confiança e de segurança necessária.
Alta Hospitalar Convencional
Dentro do possível, o doente e a família serão informados da alta
hospitalar com antecedência. Antes de sair do serviço ser-lhe-ão
dadas todas as informações necessárias relativas a:
 Relatório técnico para entregar a serviço de contra referencia
e/ou médico assistente;
 Data da próxima consulta se necessária;
 Receitas;
 Informações sobre os medicamentos, a dieta, e cuidados a ter.
Recebeu alta _____/_____/_____
A pedido ( ) Sim ( ) Não ( ) Outros
Outras Informações Importantes:
Laguna/SC_____/_____/_____
_________________________________
Dr. André Luiz Moraes Souza dos Santos
Medicamento Dose (mg) Manhã Tarde Noite
Obs.: PACIENTE DEVERÁ MANTER A MEDICAÇÃO ATÉ REAVALIAÇÃO MÉDICA.
Sr.(a) ___________________________________________________________________________;
deu entrada na Ala Psiquiátrica, em ____/____/____ permaneceu pelo período de ______dia(s).
Participou das atividades terapêuticas desenvolvidas pela equipe multidisciplinar.
Apresentou melhora significativa ( ) Sim ( ) Não ( ) Outros
Necessita continuar tratamento Psiquiátrico ( ) Sim ( ) Não ( ) Outros
Necessita continuar tratamento Psicológico ( ) Sim ( ) Não ( ) Outros
Paciente apresenta quadro clínico compatível com ___________________ (CID 10) e evoluiu favoravelmente em uso
de: (quadro de medicações).
Resumo de Alta- Contra-referência
A Alta Hospitalar é dividida em três partes
distintas:
O médico assistente assina a alta clínica no prontuário do
paciente, informando à equipe técnica sobre a alta e se haverá
necessidade de algum procedimento ou medicação antes da saída
do paciente.
O responsável pelo paciente é comunicado oficialmente
sobre a alta hospitalar, devendo então agilizar sua saída.
Se necessário, a equipe técnica continua os procedimentos
prescritos, de acordo com a recomendação do médico assistente,
até que o paciente deixar o hospital.
Representação de Alta a Pedido,
Administrativa e Fuga
Fevereiro de 2008 à Outubro de 2010 = 1097 internações
Obrigado!

JORGE LUIZ DE OLIVEIRA - PROGRAMANDO A ALTA.ppt

  • 1.
    PROGRAMANDO A ALTA: TIPOS,CRITÉRIOS E ENCAMINHAMENTO Jorge Luiz de Oliveira e-mail:joluol.as@hotmail.com
  • 2.
    Alta Médica Hospitalar Aalta médica hospitalar, como o próprio termo diz, é prerrogativa do médico. Em se tratando de psiquiatria a participação dos demais profissionais que fazem parte da equipe multidisciplinar é tão importante quanto à do Médico. É verdade que o Médico tem a ultima palavra, mas não tem todas.
  • 3.
    A alta éum procedimento de responsabilidade do Médico, mas fazê-la, deliberada, inadvertida e onipotentemente é uma atitude desnecessária, uma vez que ignora a participação e a importância da opinião dos parceiro de equipe na tomada de decisão, a respeito de um quadro clinico “rico” de nuances farmacoterápico e alternâncias reativas por parte do paciente? No processo terapêutico a alta é tão importante quanta as demais etapas que envolvem a internação. Certamente é o que todos afirmariam. Olhada por um outro prisma no entanto, ela assume uma outra conotação, se não vejamos:
  • 4.
    Internação – Érevestida de incertezas, dor, às vezes, medo, expectativas e insegurança. Prescrição – Mistério, ignorância, medo, dor, experiências, perda de autoridade, incógnita... Investigações – fezes, sangue, urina, escarros, invasão, inserção, indignação, humilhação (passeios nos corredores, exposição, nudez...). Tratamento – Na ótica do médico é o meio. Caminhos a percorrer. O elo entre o começo e o resultado final. Alta – Na ótica do paciente é o apogeu. A liberdade. O fim apoteótico é o que todos esperam, em todos os sentidos.
  • 5.
    Estes pressupostos nãose constituem em paradigmas terapêuticos. Mas não deixam de ser pressupostos presentes e importantes quando o paciente tem sua opinião e suas manifestações sejam elas religiosas, sociais, culturais, políticas e éticas respeitadas. A opinião médica é decisiva, mas não significa uma verdade absoluta. Por isso se diz que embora a alta seja uma prerrogativa do Médico ele deve sempre , na duvida, consultar colegas, parceiros e até mesmo o paciente, razão maior do seu trabalho. É importante salientar que, quando hospitalizado, o paciente tem o direito de ter um médico como responsável direto pela sua internação, assistência e acompanhamento até a alta, sendo dever do Diretor-Clínico do estabelecimento de saúde as providências cabíveis para que isso ocorra.
  • 6.
    Modalidades de AltasHospitalares A alta hospitalar pode ocorrer de maneiras diferenciadas. Não vamos falar de todas, mas mencionaremos em que situação elas poderão ocorrer. Alta compartilhada – Decisão que ocorre entre médico e paciente embora prevaleça a do médico. Alta alternativa – Decisão que uma só das partes deseja por razões pessoais, logística ou por intercorrência clinica.
  • 7.
    Alta a Pedido Existemsituações nas quais a alta hospitalar pode ser solicitada pelo paciente ou por seus responsáveis, denominada alta a pedido. Para a solução deste problema, é fundamental distinguir a alta a pedido que não envolve iminente risco à vida, daquela em sentido contrário; somente através de avaliação e parecer técnico poderá haver tal distinção. No caso da alta a pedido, sem colocar em risco a vida do paciente, nem o médico responsável nem o hospital podem ferir o princípio da autonomia do mesmo, cerceando seu direito de "ir e vir". A instituição hospitalar e o médico devem, de maneira clara, documentar fartamente a decisão do paciente, quanto a sair do hospital.
  • 8.
    Entretanto, em casode iminente perigo à vida do paciente, o médico pode se recusar a conceder a alta a pedido. Essa é uma exceção prevista no Código de Ética Médica (Art. 56) para que o médico possa intervir contrariamente à vontade do paciente, em situações de "iminente risco à vida". Portanto, é a gravidade ou a iminência de perigo à vida que deve condicionar a aceitação ou recusa da alta a pedido. Vale a pena ressaltar que, se a saúde do paciente agravar-se em conseqüência da alta a pedido, o profissional que a autorizou poderá ser responsabilizado pela prática de seu ato, assim como o hospital, pois "é presumida a culpa do patrão ou comitente pelo ato culposo do empregado ou preposto", no caso por omissão de socorro, imprudência ou negligência. Existe também a responsabilidade penal, na modalidade culposa para os crimes de homicídio e lesões corporais, quando praticado através de imprudência, negligência ou imperícia.
  • 9.
    Em caso dealta a pedido de crianças e adolescentes, o "Termo de Responsabilidade" deverá ser assinado pelos responsáveis. A aceitação ou não do pedido de alta, pelo médico, também fica condicionado à gravidade ou à iminência de perigo à vida da criança ou adolescente. Diante do impasse entre a solicitação de alta pelos responsáveis e a recusa do profissional em aceitá-la, com o atual Estatuto da Criança e do Adolescente, a Vara da Infância e da Juventude deverá ser acionada para a resolução do conflito.
  • 10.
    O paciente que,devidamente esclarecido e sem iminente risco à vida, assume o não cumprimento da determinação médica de permanecer sob tratamento intra-hospitalar, desobriga o profissional de dar continuidade ao tratamento, bem como de emitir receita. Tal fato deve ficar expressamente documentado no prontuário médico. Se, após o médico informar de maneira ampla, completa, acessível e de forma isenta ao próprio paciente e/ou aos seus responsáveis, sobre as vantagens e desvantagens da alta solicitada, esses insistirem no pedido de alta e o médico aceitá-lo, deve-se redigir o "Termo de Responsabilidade" assinado pelo paciente ou por seus responsáveis. A assinatura apenas explicita o direito do paciente quanto à decisão sobre sua saúde e bem estar.
  • 11.
    O "Termo deResponsabilidade" tem a finalidade de documentar que os riscos, vantagens e desvantagens foram devidamente explicados ao próprio paciente e/ou aos seus responsáveis. Outra informação importante é que, mesmo tendo solicitado e recebido alta a pedido, o paciente ou seus familiares poderão solicitar nova internação, sendo este seu direito, devendo o hospital atender a esta solicitação.
  • 12.
    TERMO DE ALTAA PEDIDO DO PACIENTE Considerando - ser direito de recusar o atendimento ou procedimentos propostos para meu tratamento de deixar as dependências do hospital, mesmo sabendo das possíveis conseqüências e riscos de tal atitude. Considerando - que alta a pedido não constitui ato que tenha sido indicado ou praticado pela equipe médica, mas sim um ato livre e soberano da autonomia do paciente, atendido o disposto no Termo de Responsabilidade. Considerando – Que o exercício, por parte do paciente, deste seu direito, a partir do momento em que deixar o hospital, isenta o médico e a Instituição da responsabilidade por quaisquer conseqüências adversas à saúde diretamente relacionadas a esta alta. Considerando – Que mesmo tendo o médico, com o apoio da equipe multiprofissional, explicado em linguagem acessível ao doente, o diagnóstico, suas condições clínicas, possibilidades terapêuticas e as conseqüências da interrupção da assistência médica, especificando possíveis riscos e danos. Considerando – Que a alta a pedido desobriga o Médico de dar continuidade ao tratamento, bem como de emitir receita, solicitação de exames e encaminhamento para outro estabelecimento. Ainda assim solicito a interrupção do meu tratamento sendo essa atitude uma livre expressão de minha vontade PARECER MÉDICO: _________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________ ___________________________________________________ Assinatura e carimbo médico DECLARAÇÃO DO PACIENTE: Declaro que fui devidamente informado e esclarecido quanto à situação de minha saúde, conforme acima registrado e decido deixar de ser assistido neste hospital, em razão de: _________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________ ___________________________________________________ Assinatura do paciente e/ou responsável
  • 13.
    Alta por Fuga Emcaso de fuga do paciente nos deparamos com duas situações diferentes. Uma delas se refere a pacientes com incapacidade de discernimento e aos adolescentes. Nesses casos a responsabilidade em relação ao paciente será transferido à pessoa ou ao estabelecimento a quem o mesmo foi confiado.
  • 14.
    Logo, caracterizada afuga do paciente, é cristalina a culpa in vigilando da instituição (culpa existente em função do cuidado que deveria ter sido dedicado àquele que lá estava internado). Em decorrência, nasce o dever de indenizar em função dos danos causados, a não ser que seja comprovado que não houve negligência. Nos outros casos, onde a capacidade de entendimento da situação (internação hospitalar) está preservada, a evasão do paciente deve ser explicitada no prontuário médico e pode ser feito boletim de ocorrência para preservação de direito do médico e da instituição.
  • 15.
    Alta Hospitalar comGarantia de Leito É outra forma de alta médica hospitalar que tem sido utilizada como procedimento em alguns hospitais, ressaltando-se, porém, a responsabilidade do médico que assiste o paciente em concedê-lo ou não. Nesta situação, o paciente é liberado para o domicílio, usualmente nos finais de semana, retornando dois ou três dias após, tendo garantido o seu leito e sem prejuízo para o tratamento previsto. A responsabilidade do médico para com o paciente se limita ao período em que este estiver no ambiente hospitalar, desde a internação até a alta.
  • 16.
    Alta a Pedidode Terceiros Como dito anteriormente, a alta médica hospitalar é prerrogativa do médico, cuja decisão deve ser tomada de acordo com os ditames éticos e legais. O médico não deve aceitar o pedido de alta de paciente feito por Chefe de Serviço, Diretor Clínico ou convênios quando, de acordo com sua avaliação técnica, não existem condições para a alta.
  • 18.
    Alta Médica porIndisciplina / Administrativa Uso de bebidas alcoólicas e drogas ilícitas, por vezes produzindo agressões físicas a outros pacientes e proferindo ameaças aos funcionários, obriga o hospital a proceder a alta por indisciplina.
  • 19.
    O Conselho Regionalde Medicina, com as devidas ressalvas, considera lícita a conduta do estabelecimento de saúde, invocando a justa causa, com fundamento no Código de Ética Médica, ressaltando que este versa sobre o ato do médico ao deixar de atender a um paciente que está sob os seus cuidados, por motivo claro e aceitável: Seja porque não há possibilidade para o perfeito desempenho da função do médico e/ou porque o relacionamento entre paciente e médico esteja prejudicado. O parecer também faz uma abordagem técnica interessante sobre a doença. Ressalta o CRM, que qualquer atitude nesse sentido não poderá ser adotada se houver risco iminente de morte para o paciente ou de contaminação dos contatos, hipótese em que deve ser garantida a continuidade do tratamento, sem risco potencial à família e à comunidade.
  • 20.
    COMUNICAÇÃO DE ALTAADMINISTRATIVA Paciente: Data de internação: ___/___/___ Diagnóstico: Médico: Responsável: Procedência: Data da alta: ___/___/___ Evolução do quadro do paciente: ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ Motivo da alta: ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ OBS.: Quando o paciente fere os princípios que norteiam a internação psiquiátrica, rompe um ciclo da relação entre equipe técnica e paciente. Fato que impede temporária ou até mesmo definitivamente, a sequência do tratamento pela quebra de confiança e de segurança necessária.
  • 21.
    Alta Hospitalar Convencional Dentrodo possível, o doente e a família serão informados da alta hospitalar com antecedência. Antes de sair do serviço ser-lhe-ão dadas todas as informações necessárias relativas a:  Relatório técnico para entregar a serviço de contra referencia e/ou médico assistente;  Data da próxima consulta se necessária;  Receitas;  Informações sobre os medicamentos, a dieta, e cuidados a ter.
  • 22.
    Recebeu alta _____/_____/_____ Apedido ( ) Sim ( ) Não ( ) Outros Outras Informações Importantes: Laguna/SC_____/_____/_____ _________________________________ Dr. André Luiz Moraes Souza dos Santos Medicamento Dose (mg) Manhã Tarde Noite Obs.: PACIENTE DEVERÁ MANTER A MEDICAÇÃO ATÉ REAVALIAÇÃO MÉDICA. Sr.(a) ___________________________________________________________________________; deu entrada na Ala Psiquiátrica, em ____/____/____ permaneceu pelo período de ______dia(s). Participou das atividades terapêuticas desenvolvidas pela equipe multidisciplinar. Apresentou melhora significativa ( ) Sim ( ) Não ( ) Outros Necessita continuar tratamento Psiquiátrico ( ) Sim ( ) Não ( ) Outros Necessita continuar tratamento Psicológico ( ) Sim ( ) Não ( ) Outros Paciente apresenta quadro clínico compatível com ___________________ (CID 10) e evoluiu favoravelmente em uso de: (quadro de medicações). Resumo de Alta- Contra-referência
  • 23.
    A Alta Hospitalaré dividida em três partes distintas: O médico assistente assina a alta clínica no prontuário do paciente, informando à equipe técnica sobre a alta e se haverá necessidade de algum procedimento ou medicação antes da saída do paciente. O responsável pelo paciente é comunicado oficialmente sobre a alta hospitalar, devendo então agilizar sua saída. Se necessário, a equipe técnica continua os procedimentos prescritos, de acordo com a recomendação do médico assistente, até que o paciente deixar o hospital.
  • 24.
    Representação de Altaa Pedido, Administrativa e Fuga Fevereiro de 2008 à Outubro de 2010 = 1097 internações
  • 25.