GESTOS PARA MARCAR O
COMPASSO MUSICAL
O objetivo deste estudo compilado é apresentar o método utilizado,
pelos principais autores de teoria musical, para marcação dos
compassos, no sistema francês, considerado universal, a fim de
dirimir dúvidas dos estudantes de música que necessitam marcar o
tempo ao solfejar.
Solfejo - Algumas considerações
Solfejo segundo Osvaldo Lacerda é a entoação rítmica de uma melodia, pronunciando os
nomes das notas.
Entoação + Ritmo
Leitura Rítmica consiste em pronunciar os nomes das notas sem entoá-las, obedecendo
aos valores marcando o compasso com a mão.
“A leitura rítmica costuma ser também chamada “Solfejo falado” ou “Solfejo rezado”, o que
constitui um erro, uma vez que o verdadeiro Solfejo sempre envolve entoação das notas.”
“A marcação do compasso com a mão serve para dar segurança rítmica e pode ser
abandonada quando esta tiver sido adquirida.” Lacerda.
GESTOS DE MARCAÇÃO NA HISTÓRIA
Sérgio Luiz Deslandes de Souza, em sua tese, “A regência como componente curricular dos
cursos de licenciatura em música oferecidos pela universidade federais no Brasil”, nos
ensina que:
“Primeiramente com o surgimento da polifonia e a criação da escrita musical mensurada, tornou-se imperativo que alguém
coordenasse a flutuação de pulso que ocorre em grandes grupos musicais. A essa marcação deu-se o nome de “tactus”.
Escritores sobre música não mencionam a marcação de tempo até o fim do século XV. Adam von Fulda (1490) menciona o
tactus, mas não diz como marcá-lo; Ramis de Pareia (1482) recomenda que os cantores marquem o tactus para si, batendo
um pé, mão ou dedo. Muitos tratados do século XVI dão instruções de como executar o tactus para os outros cantores com
movimentos verticais da mão e braço. Agricola (1532) escreve que o “tactus é um movimento constante da mão do cantor (...)
por meio do qual as notas da canção são mostradas e medidas. Todas as vozes devem segui-lo se é para a música adquirir
uma boa sonoridade.” [...] Outros autores se queixam de que este tipo batida de tempo audível, perturba o desempenho
(Philomathes, 1523; Bermudo, 1555; Friderici, 1618. (SPITZER e ZASLAW, 2014) (tradução nossa)”
Ao pesquisar sobre as formas de marcações na história, o estudante se deparará com os
termos abaixos:
Tactus (latim) = Tocar
Thesis (grego) = Posição
Arsis (grego) = Levantar
Alguns dizem que as formas de marcação de tempo nas orquestras, pelos primeiros
regentes, eram feitas com bastões ou canudos de rolos de partituras, de maneira a garantir
a pulsação da música (evolução do tactus), com movimentos verticais indicando o Battere
(thesis) e o levare (arsis).
“Esse tipo de raciocínio se chama ​"dicotomia"​, ou seja, divisão de um elemento em duas partes, em geral, contrárias, como a
noite e o dia, claro e escuro, alto e baixo, forte e fraco, levantar e repousar. Esse pensamento estará sempre presente na
música e é extremamente importante que você consiga percebê-lo desde as primeiras lições. Nós músicos, utilizamos duas
palavrinhas gregas para identificar a dicotomia do tempo musical: ​Arsis ​e​ Thesis.”
“Arsis, ​significa elevação, suspensão, tensão. ​Thesis,​ é o contrário: repouso.”
Ronaldo Novaes: ​http://licoesdemusica.blogspot.com/2013/02/
BATTERE / LEVARE
Segundo ​Giulio Cinelli​:
Il concetto di “battere” e “levare” in musica si riferisce al ritmo e ai tempi musicali e in particolare alla pulsazione,
particella ritmica elementare grazie alla quale viene scandito il tempo musicale secondo una precisa periodicità.
Pensando ad un orologio la pulsazione corrisponde ad ogni tic della lancetta, mentre ad un metronomo allo
scandire del tempo del movimento del pendolo.
Il tamburo ci viene in aiuto per comprendere invece le due proprietà fondamentali della pulsazione: il momento di
tensione, espresso dalla massima energia, in cui la bacchetta va a colpire il tamburo producendo il suono, e il
momento di rilassamento, in cui la bacchetta torna su in maniera quasi automatica, senza sforzo.
Il momento di tensione è anche chiamato “battere”, mentre quello di rilassamento “levare”. Ogni pulsazione è,
pertanto, l’alternarsi di battere (tensione) e levare (rilassamento).
https://www.pianosolo.it/battere-levare-musica/
Il battere è l’inizio di una battuta; per esempio se abbiamo una battuta di 4/4 il battere sarà il primo quarto che di
solito ,se vi è una nota, è il tempo forte della battuta, ossia il più importante.
Il levare è l’opposto del battere; si tratta dell’ultimo tempo della battuta perciò se abbiamo una battuta di 4/4 il
levare è l’ultimo quarto.
https://solfeggiomusicale.com/solfeggio-battere-e-levare/
Daniel Petronzi:
Pulsazione : La ​pulsazione è la particella ritmica elementare grazie alla quale tensione e rilassamento si
alternano.
Si pensi ad un tamburo: la tensione equivale al battere della bacchetta su di esso, ed il rilassamento equivale al
levarsi della bacchetta da esso.
Pertanto, per ​pulsazione​ intendiamo l’alternarsi di battere (tensione) e levare (rilassamento).
Le pulsazioni si dividono in due categorie:
Pulsazioni binarie : due movimenti per ogni ​accento​ (battere – levare)
Pulsazioni ternarie : tre movimenti per ogni ​accento​ (Battere – levare – levare)
Queste due categorie danno origine ai ​tempi semplici (con ​pulsazione binaria) ed ai ​tempi composti (con
pulsazione​ ternaria).
http://www.diapasonblog.it/vocabolario/tempi-musicali/
SISTEMA ITALIANO:
O sistema italiano consiste em marcar todos os tempos com battere (em baixo) e levare (em
cima), nele é mais perceptível o início, o meio e o fim de cada tempo, não difere muito da
forma primitiva de marcação.
As setas abaixo, explicam o movimento da mão, juntamente com o som da contagem de
tempos, em seguida, diversos exemplos de como esse sistema italiano, que subdivide o
tempo, em battere e levare, está presente na teoria musical.
IL Nuovo Pozzoli - Ed. Ricordi italiana:
Mario Fulgoni:
Domenico Giannetta:
Andrea Landriscina:
Luigi Donora:
O SISTEMA FRANCÊS
Nelson Martins Gama ensina que o gestual de regência francesa foi criado em 1709 por
Michel Pignolet de Montéclair:
https://imslp.org/wiki/Principes_de_musique_(Mont%C3%A9clair%2C_Michel_Pignolet_de)
As instruções deixadas por Montéclair se encontram no link acima, em tradução livre,
significam o seguinte:
La mesure en trois temps, a deux frappés et un levé.
A medida (Compasso) em três tempos, tem duas batidas e uma levantada.
Le premier temps se fait en baissant la main;
O primeiro tempo é feito baixando a mão;
Le 2e. temps se fait en retournant la main et en la portant du côté droit;
O segundo tempo é feito girando a mão e levando-a para o lado direito;
Le 3e. temps se fait en relevant la main à la hauteur du menton.
O terceiro tempo é feito levantando a mão até a altura do queixo.
La Mesure à quatre temps graves et égaux, se marque par, C, et se bat en forme de
croix.
(O Compasso) a quatro tempos … é igual, é marcado por, C, e se bate em forma de
cruz.
Le Pr. temps se fait en baissant la main, comme aux mesures precedentes.
O 1º tempo é feito abaixando a mão, como as medições anteriores.
On ferme la main un peu en dedans et on la porte du côté gauche pour le 2e. temps.
Feche a mão um pouco para dentro e traga para a esquerda para o segundo tempo.
On ouvre la main et on la porte en ligne parallèle du côté droit, pour former le 3e.
temps.
Você abre a mão e carrega em linha paralela no lado direito para formar o terceiro
tempo.
On leve la main jusqu’a la hauteur du menton ou plus haut, car cela n’y fait rien, pour
faire le quatrieme temps.
Você levanta a mão até o queixo ou mais alto, porque não importa, “para” fazer o
quarto tempo.
Comme on le comprendra cy à côté.
Como será entendido pelo “cy?” seguinte (ao lado).
premier temps en frappant
primeiro tempo batendo
2e. temps à gauche
2º tempo a esquerda
3e. temps à droitte
3º tempo a direita
4e. temps en levant
4º tempo acima
Os demais livros, apenas repetem o que já está escrito acima:
Théorie Complète de la musique J. Chailley e H. Challan, pág. 20:
Vous remarquerez que le premier temps se bat toujours en bas.
Você notará que o primeiro tempo se bate sempre para baixo.
Le dernier temps se bat toujours en haut.
O último tempo se bate sempre para cima.
Tiero Pezzuti:
Daniele Zanettovich:
Joaquín Zamacois:
Oscar Zander - Regência Coral:
Oscar Zander - Regência Coral:
Oscar Zander - Regência Coral:
Orientação dada por​ Osvaldo Lacerda​, no Compêndio de Teoria Elementar da Música:
Continuação da orientação de ​Osvaldo Lacerda:
No livro Curso preparatório de Solfejo e ditado musical, Osvaldo Lacerda orienta que
ao praticar a marcação dos compassos, o estudante deve marcar o primeiro tempo
sempre para baixo.
Observação:
Esta imagem mostra exatamente qual flexa pertence ao número, devido a sua proximidade
com o mesmo.
Orientação de Maria Luísa de Mattos Priolli:
Edgar Willems, orienta:
Paul Hindemith, orienta:
Guilherme Schubert:
Guilherme Schubert:
Belmira Cardoso e Mário Mascarenhas:
Maria del Carmen Aguilar:
Alberto Merchede:
Sobre o gesto preventivo in levare:
O movimento mais importante, no entanto, é o que antecede o primeiro tempo do
compasso, ou seja, o tempo que prepara o início da obra ou da passagem, ou o último
tempo de um compasso, o que antecede ao primeiro tempo do compasso seguinte. O
movimento antecedente de uma entrada, ou o movimento que antecede o início de um
compasso é sempre o movimento que deve merecer uma atenção especial do diretor,
porque é este tempo que passa as informações necessárias para indicar o tempo seguinte.
No entanto o primeiro tempo de um compasso é imprescindível que seja bem claro e que
sempre seja para baixo.
http://tecnicasderegencia.blogspot.com/2007/06/?m=1
Raphael Baptista:
DOWNBEAT = BATTERE = POSITIONE
UPBEAT = LEVARE = ELEVATIONE
Downbeat definições:
The downward stroke of a conductor indicating the principally accented note of a measure of musicalso : the first
beat of a measure.
O traço para baixo de um regente indicando a nota principalmente acentuada de um
compasso musical: a primeira batida de um compasso.
https://www.merriam-webster.com/dictionary/downbeat
The downbeat is the first beat in a measure. The downbeat has an implied accent, making it stand out from other
beats.
Count: 1-2-3-4 … 1-2-3-4 … The 1 should be the loudest beat in your head, while 4 should be the weakest.
O downbeat é a primeira batida em um compasso. O downbeat tem um acento implícito,
fazendo com que ele se destaque de outras batidas.
Contagem: 1-2-3-4… 1-2-3-4… O 1 deve ser a batida mais forte em sua cabeça, enquanto 4
deve ser a mais fraca.
https://www.thoughtco.com/downbeat-definition-2701581
Nancy Rogers e Robert W. Ottman:
Upbeat
An upbeat in music, it means an unaccented beat that comes before an accented beat that typically comes as the
last beat in a measure.
Um upbeat na música, significa uma batida não acentuada que vem antes de uma batida
acentuada que normalmente vem como a última batida em um compasso.
https://www.thoughtco.com/upbeat-definition-2701829
The downbeat is the first beat of the bar, i.e. number 1. The upbeat is the last beat in the previous bar which
immediately precedes, and hence anticipates, the downbeat.[4] Both terms correspond to the direction taken by
the hand of a conductor.
O downbeat é a primeira batida da barra (de compasso), ou seja, o número 1. O upbeat é a
última batida na barra anterior que imediatamente precede e, portanto, antecipa a batida. [4]
Ambos os termos correspondem à direção tomada pela mão de um condutor (Regente).
https://en.m.wikipedia.org/wiki/Beat_(music)#Downbeat_and_upbeat
Trecho do artigo: A racionalização das práticas musicais: a regência de orquestra de
Neylson J. B. F. Crepalde
“Se adotamos a definição de Sell (2013, p. 10) de racionalização como “generalização e
institucionalização de uma determinada forma de ação social”, a mão direita parece assumir um nível
alto de racionalização. O primeiro gesto dessa mão, o levare, o impulso para que todos comecem
juntos, é absolutamente essencial para que o início seja sincronizado. Não há possibilidade de todos
os músicos respirarem juntos sem um estímulo externo. Em orquestras barrocas onde não há a
figura do maestro a frente da orquestra, o levare é executado pelo cravista com um movimento de
cabeça ou pelo spalla com um movimento de arco.”
…
“Analisando os três vídeos, fica claro que a técnica de regência tem uma parcela com maior nível de
racionalização a qual diz respeito à marcação dos compassos com a mão direita e à escolha de
alguns gestos com características similares em trechos específicos – como no caso dos impulsos
maiores e mais vigorosos nos trechos fortes ou nas entradas sincopadas, da regência executada
com leveza e com gestos pequenos nos trechos em piano, e o uso do levare. Logo no início da obra,
os três maestros fazem um levare seguido de um gesto vertical incisivo marcando a pausa, a saída
para que todos os instrumentos toquem juntos. Não há outra forma de executar o trecho sem ônus na
sincronia do grupo. O gesto de levare e os gestos incisivos em melodias sincopadas são um aspecto
absolutamente padronizado da técnica de regência. No início do primeiro tema, os três maestros
usam de um gestual padrão marcando os tempos num mesmo ponto – já que esse movimento, por
causa de seu tempo rápido, é comumente regido com apenas um battere por compasso. Porém, é
possível, em alguns momentos, perceber que dois dos maestros eventualmente usam um padrão de
gesto que lembra o desenho de um compasso quaternário. Ora, o fato de identificar facilmente o
desenho do padrão e o fato de que esse desenho é usado nos mesmos lugares por Karajan e
Harding indica uma compreensão fraseológica similar da obra que se expressa através do padrão
gestual. Esta é outra característica da técnica de regência que está padronizada. Em qualquer
orquestra profissional do mundo, se um maestro executa esse mesmo desenho, ele será identificado
como um compasso quaternário sem sombra de dúvida. A sustentação das notas também é
executada da mesma forma pelos três regentes: deixando suas mãos paradas ou num movimento
contínuo e ligeiramente lento. A direção do movimento, entretanto, cabe a cada maestro. O
movimento de corte usado pelos maestros também é o mesmo: um movimento circular para fora,
normalmente com a mão esquerda.”
_________________________________________________________________________
Nos links abaixo, uma apresentação sobre as diversas formas de regência, em todas, o 1º
tempo sempre é para baixo, e o último sempre é para cima:
https://edisciplinas.usp.br/mod/resource/view.php?id=194685
https://edisciplinas.usp.br/mod/resource/view.php?id=1673282
_________________________________________________________________________
Bibliografia:
Alberto Merchede - Noções de música para iniciantes no canto coral
Andrea Landriscina - Manuale di Direzione
Belmira Cardoso e Mário Mascarenhas - Curso completo de teoria musical e solfejo vol 1 e
2
Daniele Zanettovich - Elementi fondamentali di teoria e di ortografia musicale
Domenico Giannetta - Elementi di armonia e analisi musicale
Edgar Willems - Solfejo Curso Elementar
Guilherme Schubert - Método expositivo de teoria musical
J. Chailley e H. Challan - Théorie Complète de la musique
Joaquín Zamacois - Teoría de la música (I) Dividida en cursos
Luigi Donora - Lo studio progressivo del solfeggio parlato
M. Pincherle - Le solfège aux brevets de capacité
Maria del Carmen Aguilar - Método para leer y escribir música - ritmo
Maria Luisa de Mattos Priolli - Princípios básicos da música para a juventude Vol 1 e 2
Mario Fulgoni - Guida al metodo
Mario Fulgoni - Manuale di musica
Michel Pignolet de Montéclair - Principes de musique
Nancy Rogers e Robert W. Ottman - Music for Sight Singing
Nelson Martins Gama - A arte da regência - Apostila de ritmo inicial
Neylson J. B. F. Crepalde - A racionalização das práticas musicais: a regência de orquestra
Oscar Zander - Regência Coral
Osvaldo Lacerda - Compendio de Teoria Elementar da Música
Osvaldo Lacerda - Curso preparatório de solfejo e ditado musical
Paul Hindemith - Treinamento elementar para músicos
Pozzoli - Il Nuovo Pozzoli
Raphael Baptista - Tratado de regência
Sérgio Luiz Deslandes de Souza - A regência como componente curricular dos cursos de
licenciatura em música oferecidos pela universidade federais no Brasil
Tiero Pezzuti - Método téorico-prático para la enseñanza del solfeo
Estudo compilado por R. A. Toledo
Presidente Prudente-SP
Janeiro / 2019
Distribuição gratuita - proibida a venda

Gestos Marcação Compasso

  • 1.
    GESTOS PARA MARCARO COMPASSO MUSICAL O objetivo deste estudo compilado é apresentar o método utilizado, pelos principais autores de teoria musical, para marcação dos compassos, no sistema francês, considerado universal, a fim de dirimir dúvidas dos estudantes de música que necessitam marcar o tempo ao solfejar. Solfejo - Algumas considerações Solfejo segundo Osvaldo Lacerda é a entoação rítmica de uma melodia, pronunciando os nomes das notas. Entoação + Ritmo Leitura Rítmica consiste em pronunciar os nomes das notas sem entoá-las, obedecendo aos valores marcando o compasso com a mão. “A leitura rítmica costuma ser também chamada “Solfejo falado” ou “Solfejo rezado”, o que constitui um erro, uma vez que o verdadeiro Solfejo sempre envolve entoação das notas.” “A marcação do compasso com a mão serve para dar segurança rítmica e pode ser abandonada quando esta tiver sido adquirida.” Lacerda. GESTOS DE MARCAÇÃO NA HISTÓRIA Sérgio Luiz Deslandes de Souza, em sua tese, “A regência como componente curricular dos cursos de licenciatura em música oferecidos pela universidade federais no Brasil”, nos ensina que: “Primeiramente com o surgimento da polifonia e a criação da escrita musical mensurada, tornou-se imperativo que alguém coordenasse a flutuação de pulso que ocorre em grandes grupos musicais. A essa marcação deu-se o nome de “tactus”. Escritores sobre música não mencionam a marcação de tempo até o fim do século XV. Adam von Fulda (1490) menciona o tactus, mas não diz como marcá-lo; Ramis de Pareia (1482) recomenda que os cantores marquem o tactus para si, batendo um pé, mão ou dedo. Muitos tratados do século XVI dão instruções de como executar o tactus para os outros cantores com movimentos verticais da mão e braço. Agricola (1532) escreve que o “tactus é um movimento constante da mão do cantor (...) por meio do qual as notas da canção são mostradas e medidas. Todas as vozes devem segui-lo se é para a música adquirir uma boa sonoridade.” [...] Outros autores se queixam de que este tipo batida de tempo audível, perturba o desempenho (Philomathes, 1523; Bermudo, 1555; Friderici, 1618. (SPITZER e ZASLAW, 2014) (tradução nossa)”
  • 2.
    Ao pesquisar sobreas formas de marcações na história, o estudante se deparará com os termos abaixos: Tactus (latim) = Tocar Thesis (grego) = Posição Arsis (grego) = Levantar Alguns dizem que as formas de marcação de tempo nas orquestras, pelos primeiros regentes, eram feitas com bastões ou canudos de rolos de partituras, de maneira a garantir a pulsação da música (evolução do tactus), com movimentos verticais indicando o Battere (thesis) e o levare (arsis). “Esse tipo de raciocínio se chama ​"dicotomia"​, ou seja, divisão de um elemento em duas partes, em geral, contrárias, como a noite e o dia, claro e escuro, alto e baixo, forte e fraco, levantar e repousar. Esse pensamento estará sempre presente na música e é extremamente importante que você consiga percebê-lo desde as primeiras lições. Nós músicos, utilizamos duas palavrinhas gregas para identificar a dicotomia do tempo musical: ​Arsis ​e​ Thesis.” “Arsis, ​significa elevação, suspensão, tensão. ​Thesis,​ é o contrário: repouso.” Ronaldo Novaes: ​http://licoesdemusica.blogspot.com/2013/02/ BATTERE / LEVARE Segundo ​Giulio Cinelli​: Il concetto di “battere” e “levare” in musica si riferisce al ritmo e ai tempi musicali e in particolare alla pulsazione, particella ritmica elementare grazie alla quale viene scandito il tempo musicale secondo una precisa periodicità. Pensando ad un orologio la pulsazione corrisponde ad ogni tic della lancetta, mentre ad un metronomo allo scandire del tempo del movimento del pendolo. Il tamburo ci viene in aiuto per comprendere invece le due proprietà fondamentali della pulsazione: il momento di tensione, espresso dalla massima energia, in cui la bacchetta va a colpire il tamburo producendo il suono, e il momento di rilassamento, in cui la bacchetta torna su in maniera quasi automatica, senza sforzo. Il momento di tensione è anche chiamato “battere”, mentre quello di rilassamento “levare”. Ogni pulsazione è, pertanto, l’alternarsi di battere (tensione) e levare (rilassamento). https://www.pianosolo.it/battere-levare-musica/ Il battere è l’inizio di una battuta; per esempio se abbiamo una battuta di 4/4 il battere sarà il primo quarto che di solito ,se vi è una nota, è il tempo forte della battuta, ossia il più importante. Il levare è l’opposto del battere; si tratta dell’ultimo tempo della battuta perciò se abbiamo una battuta di 4/4 il levare è l’ultimo quarto. https://solfeggiomusicale.com/solfeggio-battere-e-levare/ Daniel Petronzi: Pulsazione : La ​pulsazione è la particella ritmica elementare grazie alla quale tensione e rilassamento si alternano.
  • 3.
    Si pensi adun tamburo: la tensione equivale al battere della bacchetta su di esso, ed il rilassamento equivale al levarsi della bacchetta da esso. Pertanto, per ​pulsazione​ intendiamo l’alternarsi di battere (tensione) e levare (rilassamento). Le pulsazioni si dividono in due categorie: Pulsazioni binarie : due movimenti per ogni ​accento​ (battere – levare) Pulsazioni ternarie : tre movimenti per ogni ​accento​ (Battere – levare – levare) Queste due categorie danno origine ai ​tempi semplici (con ​pulsazione binaria) ed ai ​tempi composti (con pulsazione​ ternaria). http://www.diapasonblog.it/vocabolario/tempi-musicali/ SISTEMA ITALIANO: O sistema italiano consiste em marcar todos os tempos com battere (em baixo) e levare (em cima), nele é mais perceptível o início, o meio e o fim de cada tempo, não difere muito da forma primitiva de marcação. As setas abaixo, explicam o movimento da mão, juntamente com o som da contagem de
  • 4.
    tempos, em seguida,diversos exemplos de como esse sistema italiano, que subdivide o tempo, em battere e levare, está presente na teoria musical. IL Nuovo Pozzoli - Ed. Ricordi italiana:
  • 5.
  • 6.
  • 7.
  • 8.
    O SISTEMA FRANCÊS NelsonMartins Gama ensina que o gestual de regência francesa foi criado em 1709 por Michel Pignolet de Montéclair: https://imslp.org/wiki/Principes_de_musique_(Mont%C3%A9clair%2C_Michel_Pignolet_de) As instruções deixadas por Montéclair se encontram no link acima, em tradução livre, significam o seguinte: La mesure en trois temps, a deux frappés et un levé. A medida (Compasso) em três tempos, tem duas batidas e uma levantada. Le premier temps se fait en baissant la main; O primeiro tempo é feito baixando a mão;
  • 9.
    Le 2e. tempsse fait en retournant la main et en la portant du côté droit; O segundo tempo é feito girando a mão e levando-a para o lado direito; Le 3e. temps se fait en relevant la main à la hauteur du menton. O terceiro tempo é feito levantando a mão até a altura do queixo. La Mesure à quatre temps graves et égaux, se marque par, C, et se bat en forme de croix. (O Compasso) a quatro tempos … é igual, é marcado por, C, e se bate em forma de cruz. Le Pr. temps se fait en baissant la main, comme aux mesures precedentes. O 1º tempo é feito abaixando a mão, como as medições anteriores. On ferme la main un peu en dedans et on la porte du côté gauche pour le 2e. temps. Feche a mão um pouco para dentro e traga para a esquerda para o segundo tempo. On ouvre la main et on la porte en ligne parallèle du côté droit, pour former le 3e. temps. Você abre a mão e carrega em linha paralela no lado direito para formar o terceiro tempo. On leve la main jusqu’a la hauteur du menton ou plus haut, car cela n’y fait rien, pour faire le quatrieme temps. Você levanta a mão até o queixo ou mais alto, porque não importa, “para” fazer o quarto tempo.
  • 10.
    Comme on lecomprendra cy à côté. Como será entendido pelo “cy?” seguinte (ao lado). premier temps en frappant primeiro tempo batendo 2e. temps à gauche 2º tempo a esquerda 3e. temps à droitte 3º tempo a direita 4e. temps en levant 4º tempo acima Os demais livros, apenas repetem o que já está escrito acima: Théorie Complète de la musique J. Chailley e H. Challan, pág. 20: Vous remarquerez que le premier temps se bat toujours en bas. Você notará que o primeiro tempo se bate sempre para baixo. Le dernier temps se bat toujours en haut. O último tempo se bate sempre para cima.
  • 12.
  • 13.
  • 14.
    Oscar Zander -Regência Coral:
  • 15.
    Oscar Zander -Regência Coral:
  • 16.
    Oscar Zander -Regência Coral:
  • 17.
    Orientação dada por​Osvaldo Lacerda​, no Compêndio de Teoria Elementar da Música:
  • 18.
    Continuação da orientaçãode ​Osvaldo Lacerda:
  • 19.
    No livro Cursopreparatório de Solfejo e ditado musical, Osvaldo Lacerda orienta que ao praticar a marcação dos compassos, o estudante deve marcar o primeiro tempo sempre para baixo.
  • 20.
    Observação: Esta imagem mostraexatamente qual flexa pertence ao número, devido a sua proximidade com o mesmo. Orientação de Maria Luísa de Mattos Priolli:
  • 21.
  • 22.
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  • 24.
  • 25.
    Belmira Cardoso eMário Mascarenhas:
  • 26.
    Maria del CarmenAguilar: Alberto Merchede:
  • 27.
    Sobre o gestopreventivo in levare: O movimento mais importante, no entanto, é o que antecede o primeiro tempo do compasso, ou seja, o tempo que prepara o início da obra ou da passagem, ou o último tempo de um compasso, o que antecede ao primeiro tempo do compasso seguinte. O movimento antecedente de uma entrada, ou o movimento que antecede o início de um compasso é sempre o movimento que deve merecer uma atenção especial do diretor, porque é este tempo que passa as informações necessárias para indicar o tempo seguinte. No entanto o primeiro tempo de um compasso é imprescindível que seja bem claro e que sempre seja para baixo. http://tecnicasderegencia.blogspot.com/2007/06/?m=1 Raphael Baptista:
  • 28.
    DOWNBEAT = BATTERE= POSITIONE UPBEAT = LEVARE = ELEVATIONE Downbeat definições: The downward stroke of a conductor indicating the principally accented note of a measure of musicalso : the first beat of a measure. O traço para baixo de um regente indicando a nota principalmente acentuada de um compasso musical: a primeira batida de um compasso. https://www.merriam-webster.com/dictionary/downbeat The downbeat is the first beat in a measure. The downbeat has an implied accent, making it stand out from other beats. Count: 1-2-3-4 … 1-2-3-4 … The 1 should be the loudest beat in your head, while 4 should be the weakest. O downbeat é a primeira batida em um compasso. O downbeat tem um acento implícito, fazendo com que ele se destaque de outras batidas. Contagem: 1-2-3-4… 1-2-3-4… O 1 deve ser a batida mais forte em sua cabeça, enquanto 4 deve ser a mais fraca. https://www.thoughtco.com/downbeat-definition-2701581 Nancy Rogers e Robert W. Ottman:
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    Upbeat An upbeat inmusic, it means an unaccented beat that comes before an accented beat that typically comes as the last beat in a measure. Um upbeat na música, significa uma batida não acentuada que vem antes de uma batida acentuada que normalmente vem como a última batida em um compasso. https://www.thoughtco.com/upbeat-definition-2701829 The downbeat is the first beat of the bar, i.e. number 1. The upbeat is the last beat in the previous bar which immediately precedes, and hence anticipates, the downbeat.[4] Both terms correspond to the direction taken by the hand of a conductor. O downbeat é a primeira batida da barra (de compasso), ou seja, o número 1. O upbeat é a última batida na barra anterior que imediatamente precede e, portanto, antecipa a batida. [4] Ambos os termos correspondem à direção tomada pela mão de um condutor (Regente). https://en.m.wikipedia.org/wiki/Beat_(music)#Downbeat_and_upbeat Trecho do artigo: A racionalização das práticas musicais: a regência de orquestra de Neylson J. B. F. Crepalde “Se adotamos a definição de Sell (2013, p. 10) de racionalização como “generalização e institucionalização de uma determinada forma de ação social”, a mão direita parece assumir um nível alto de racionalização. O primeiro gesto dessa mão, o levare, o impulso para que todos comecem juntos, é absolutamente essencial para que o início seja sincronizado. Não há possibilidade de todos os músicos respirarem juntos sem um estímulo externo. Em orquestras barrocas onde não há a figura do maestro a frente da orquestra, o levare é executado pelo cravista com um movimento de cabeça ou pelo spalla com um movimento de arco.” … “Analisando os três vídeos, fica claro que a técnica de regência tem uma parcela com maior nível de racionalização a qual diz respeito à marcação dos compassos com a mão direita e à escolha de alguns gestos com características similares em trechos específicos – como no caso dos impulsos maiores e mais vigorosos nos trechos fortes ou nas entradas sincopadas, da regência executada
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    com leveza ecom gestos pequenos nos trechos em piano, e o uso do levare. Logo no início da obra, os três maestros fazem um levare seguido de um gesto vertical incisivo marcando a pausa, a saída para que todos os instrumentos toquem juntos. Não há outra forma de executar o trecho sem ônus na sincronia do grupo. O gesto de levare e os gestos incisivos em melodias sincopadas são um aspecto absolutamente padronizado da técnica de regência. No início do primeiro tema, os três maestros usam de um gestual padrão marcando os tempos num mesmo ponto – já que esse movimento, por causa de seu tempo rápido, é comumente regido com apenas um battere por compasso. Porém, é possível, em alguns momentos, perceber que dois dos maestros eventualmente usam um padrão de gesto que lembra o desenho de um compasso quaternário. Ora, o fato de identificar facilmente o desenho do padrão e o fato de que esse desenho é usado nos mesmos lugares por Karajan e Harding indica uma compreensão fraseológica similar da obra que se expressa através do padrão gestual. Esta é outra característica da técnica de regência que está padronizada. Em qualquer orquestra profissional do mundo, se um maestro executa esse mesmo desenho, ele será identificado como um compasso quaternário sem sombra de dúvida. A sustentação das notas também é executada da mesma forma pelos três regentes: deixando suas mãos paradas ou num movimento contínuo e ligeiramente lento. A direção do movimento, entretanto, cabe a cada maestro. O movimento de corte usado pelos maestros também é o mesmo: um movimento circular para fora, normalmente com a mão esquerda.” _________________________________________________________________________ Nos links abaixo, uma apresentação sobre as diversas formas de regência, em todas, o 1º tempo sempre é para baixo, e o último sempre é para cima: https://edisciplinas.usp.br/mod/resource/view.php?id=194685 https://edisciplinas.usp.br/mod/resource/view.php?id=1673282 _________________________________________________________________________ Bibliografia: Alberto Merchede - Noções de música para iniciantes no canto coral Andrea Landriscina - Manuale di Direzione Belmira Cardoso e Mário Mascarenhas - Curso completo de teoria musical e solfejo vol 1 e 2 Daniele Zanettovich - Elementi fondamentali di teoria e di ortografia musicale Domenico Giannetta - Elementi di armonia e analisi musicale Edgar Willems - Solfejo Curso Elementar Guilherme Schubert - Método expositivo de teoria musical J. Chailley e H. Challan - Théorie Complète de la musique Joaquín Zamacois - Teoría de la música (I) Dividida en cursos Luigi Donora - Lo studio progressivo del solfeggio parlato M. Pincherle - Le solfège aux brevets de capacité Maria del Carmen Aguilar - Método para leer y escribir música - ritmo
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    Maria Luisa deMattos Priolli - Princípios básicos da música para a juventude Vol 1 e 2 Mario Fulgoni - Guida al metodo Mario Fulgoni - Manuale di musica Michel Pignolet de Montéclair - Principes de musique Nancy Rogers e Robert W. Ottman - Music for Sight Singing Nelson Martins Gama - A arte da regência - Apostila de ritmo inicial Neylson J. B. F. Crepalde - A racionalização das práticas musicais: a regência de orquestra Oscar Zander - Regência Coral Osvaldo Lacerda - Compendio de Teoria Elementar da Música Osvaldo Lacerda - Curso preparatório de solfejo e ditado musical Paul Hindemith - Treinamento elementar para músicos Pozzoli - Il Nuovo Pozzoli Raphael Baptista - Tratado de regência Sérgio Luiz Deslandes de Souza - A regência como componente curricular dos cursos de licenciatura em música oferecidos pela universidade federais no Brasil Tiero Pezzuti - Método téorico-prático para la enseñanza del solfeo Estudo compilado por R. A. Toledo Presidente Prudente-SP Janeiro / 2019 Distribuição gratuita - proibida a venda