Módulo 8
MÓDULO 8 – PORTUGAL E O MUNDO, DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL AO INÍCIO DA
DÉCADA DE 80: OPÇÕES INTERNAS E CONTEXTO INTERNACIONAL
Unidade 1 – Nascimento e afirmação de um novo quadro geopolítico
Desenha-se uma nova ordem internacional
Doc. 1 Discurso de Winston Churchil (1946)
Doc. 2 Descarga de mercadorias de um avião americano, em Gatow, Berlim
Ocidental, 1948
1. A “vitória aliada” referida por Churchill (Doc. 1, linha 1) concretizou-se em
a) 1943.
b) 1944.
c) 1945.
d) 1946.
Uma sombra caiu sobre as cenas tão recentemente iluminadas pela vitória aliada. Ninguém sabe o que a
Rússia Soviética e a sua organização comunista internacional pretendem fazer num futuro imediato, ou quais
são os limites das suas tendências expansionistas e proselitistas. […]
De Stettin, no Báltico, a Trieste, no Adriático, uma cortina de ferro desceu através do continente. Além daquela
5 linha ficam as capitais dos antigos aliados da Europa Central e Oriental: Varsóvia, Praga, Viena, Budapeste,
Belgrado e Sofia, todas essas cidades ilustres e as suas populações estão sujeitas à influência soviética e ao
crescente controlo de Moscovo.
Os partidos comunistas, que eram muito pequenos em todos esses países da Europa Oriental, foram
colocados em preeminência e adquiriram um poder muito superior à sua importância, procurando obter
um controlo
10 totalitário. […]
Eu não acredito que a Rússia Soviética deseje a guerra. O que eles querem são os frutos da guerra e uma
expansão do seu poder e doutrinas. Mas o que devemos considerar aqui, hoje, enquanto há tempo, é uma
permanente prevenção da guerra e o estabelecimento de condições de liberdade e democracia tão
rapidamente quanto possível em todos os países. Isto só pode ser conseguido agora, em 1946, através de
entendimentos
15 sobre todos os pontos com a Rússia e sob a autoridade geral da Organização das Nações Unidas. […]
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Questões por módulo
2. Churchill utiliza a expressão “cortina de ferro” (Doc. 5, linha 4) para designar
a) as fronteiras da União Soviética.
b) as fronteiras entre os países da Europa Oriental e a URSS.
c) a divisão da Alemanha em zonas de ocupação.
d) a separação entre a área de influência soviética e os países ocidentais.
3. Churchill advoga o recurso às Nações Unidas para resolver a tensão entre as democracias
ocidentais e a URSS.
Apresente um argumento que justifique esta pretensão, fundamentando-o com informação
relevante do documento 1.
4. Identifique o conflito a que se reporta o documento 2.
5. Apresente dois fatores da progressiva deterioração das relações entre os Estados Unidos da
América e a União Soviética.
Os dois fatores devem ser fundamentados com informação relevante dos documentos 1 e 2.
O tempo da Guerra Fria
Doc. 1 Cartaz alemão alusivo ao Plano Marshall Doc. 2 Cartaz soviético de 1949
ERP ─ Plano de Recuperação da Europa.
“Estamos a reconstruir uma nova Europa”.
Em baixo: “Os povos do mundo rejeitam uma nova guerra
desastrosa. J. Estaline”.
Nas embalagens da mão esquerda: “Ovos”.
No papel que embrulha a espingarda: “Tratado do Atlântico Norte”.
Nas bandeiras: Viva a URSS (em Francês).
Doc. 3 Declaração do ministro dos Negócios Estrangeiros da URSS em resposta ao Pacto de Bagdade, 1955
A situação no Próximo e no Médio Oriente tornou-se recentemente muito mais tensa. Isto, porque certas
potências ocidentais fizeram uma nova tentativa para arrastar os países do Próximo e Médio Oriente para os
grupos militares que têm estado a constituir como apêndices do agressivo bloco Norte Atlântico. […]
Incapazes de estabelecer e manter a sua dominação pelos métodos antigos, estas potências tentam
5 envolver os países do Próximo e Médio Oriente em blocos agressivos, sob o falso pretexto de que isso
salvaguarda a sua defesa. […]
Tal como muitas vezes aconteceu no passado, também agora se fazem esforços para encobrir a natureza
agressiva dos planos dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha com ridículas efabulações sobre uma “ameaça
soviética”. Tais invenções em nada espelham a realidade, pois é sabido que a política externa soviética repousa
sobre um desejo
10 inalterável de fomentar a paz entre os povos, fundada na observância de princípios de igualdade, de não
interferência nos assuntos internos e de respeito pela independência nacional e a soberania do Estado.
Publicado em Soviet News n.º 3146 (19 de abril de 1955)
Módulo 8
Doc. 4 Reservas de armas nucleares das superpotências
1. Reservas de armas nucleares dos EUA. 2. Reservas de armas nucleares da URSS.
1. “O tempo da Guerra Fria” corresponde
a) ao período “entre as duas guerras”.
b) às décadas que se seguiram à Primeira Guerra Mundial.
c) às décadas que se seguiram à Segunda Guerra Mundial.
d) à primeira metade do século XX.
2. Compare as duas perspetivas acerca da atuação americana, expressas nos cartazes
reproduzidos, quanto a dois aspetos em que se opõem.
Fundamente a sua resposta com informações relevantes dos documentos 1 e 2.
3. A divisão do mundo em dois blocos antagónicos concretizou-se em organizações
várias. Associe as organizações que se encontram elencadas na coluna A às frases que
lhes correspondem, na coluna B.
Todas as frases apresentadas devem ser utilizadas. Cada frase deve ser associada apenas a uma
das organizações.
Escreva, na folha de respostas, apenas cada letra e os números que lhe correspondem.
Coluna A Coluna B
a) Plano Marshall/OECE
b) Organização do Tratado
do Atlântico Norte
c) Pacto de Varsóvia
1) Teve como contraponto, no bloco soviético, o COMECON.
2) Aliança militar diametralmente oposta à OTAN.
3) Aliança militar formada em 1949, sob a égide dos Estados Unidos.
4) Impulsionou a recuperação económica da Europa Ocidental.
5) Agrupou as democracias populares europeias e a URSS.
4. Explicite duas características da política internacional, no período da Guerra Fria.
As duas características devem ser fundamentadas com informação dos documentos 3 e 4.
Questões por módulo
A evolução económica do mundo capitalista
Doc. 1 Bens distribuídos na Europa, entre 1948 e 1951,
no âmbito do Plano Marshall (em milhões de dólares
americanos)
Doc. 3 O crescimento económico do pós-guerra
Doc. 2 Trabalho na lBM, multinacional
norte-americana da área da informática
(década de 50)
1. A ajuda económica conhecida por Plano Marshall (Doc. 1)
a) foi oferecida pelos Estados Unidos a todos os países europeus.
b) destinou-se a apoiar os países da NATO, aliados dos Estados Unidos.
c) foi implementada pelo Conselho Económico e Social da ONU, após a Segunda Guerra Mundial.
d) foi organizada pelo FMI e pelo Banco Mundial, e teve como finalidade a recuperação da economia europeia.
2. “O crescimento económico dos três decénios do pós-guerra” (Doc. 3) ficou conhecido por
a) as “Décadas Douradas”.
b) os “Trinta Gloriosos”.
c) os “Fabulosos Trinta”
d) os “Anos da Prosperidade”.
3. Apresente três fatores do crescimento económico a que se reporta o documento 3.
Fundamente a sua resposta com informações relevantes dos documentos 1, 2 e 3.
4. O intenso crescimento económico das economias capitalistas no pós-guerra propiciou
a) o Relatório Beveridge sobre o Estado-providência.
b) a nacionalização dos setores base da economia.
c) a sociedade de consumo.
d) o aumento do número de trabalhadores do setor primário.
O “crescimento económico” é uma expressão nova, que surge no princípio dos anos 50. Oposto ao fenómeno
conjuntural e temporário da expansão, o crescimento caracteriza a progressão rápida e constante da atividade
económica, do emprego e dos rendimentos. Segundo a expressão de W. Rostow, o crescimento é
“autossustentado”, ao contrário de uma fase de expansão, que se quebra rapidamente. O crescimento
5 económico dos três decénios do pós-guerra surge historicamente como um impulso sem precedentes das
forças produtivas. Porquê? Quais são as condições do crescimento económico? O despertar demográfico
europeu, as grandes inovações, as reformas de estrutura ou das variáveis estritamente económicas, como a
formação de capital e a mobilização do trabalho? Como? [...] Para quem?
Pierre Léon (dir.), História Económica e Social do Mundo, Sá da Costa, 1991
Módulo 8
As democracias populares
Doc. 1 Constituição da Checoslováquia Doc. 2 “Cumpriremos o plano quinquenal
em 4 anos”
Cartaz soviético de 1948.
Na legenda: Cumpriremos o plano quinquenal
em 4 anos.
Nota: A primeira constituição socialista de Checoslováquia data de 1948.
1. As afirmações que se seguem, sobre a URSS e as democracias populares europeias, são
todas verdadeiras.
Identifique as duas afirmações que podem ser comprovadas através da análise do documento 1.
I. Entre 1946 e 1949, todos os países da Europa de Leste libertados pelo Exército Vermelho se transformaram
em Repúblicas Populares.
II. Nas democracias populares vigorava o sistema de partido único.
III. O Estado controla o ensino e os meios de comunicação.
IV. A propriedade privada dos meios de produção é abolida total ou parcialmente.
V. A reforma política da Checoslóváquia, conhecida como “Primavera de Praga”, foi inviabilizada pela
União Soviética.
2. A ideia de um “sistema socialista mundial”, a que se refere a linha 4 justificou
a) a Doutrina Brejnev (da soberania limitada).
b) a Doutrina Truman.
c) o maoismo na China.
d) a atribuição à URSS e à China do direito de veto no Conselho de Segurança da ONU.
3. Nomeie o tipo de economia, própria dos países socialistas, que o cartaz documenta.
4. Refira duas características da economia dos países socialistas, após a Segunda Guerra
Mundial.
As duas características deverão ser fundamentadas com informação do documento 2.
Art. 1 – A República Socialista da Checoslováquia é um
Estado Socialista fundado na aliança sólida entre
operários, camponeses e intelectuais, liderados pela
classe operária […]. Ela faz parte do sistema socialista
mundial.
5 Art. 2 – Todo o poder pertence ao povo trabalhador que
exerce os poderes do Estado através das suas estruturas
representativas […].
Art. 4 – A força dirigente na sociedade e no Estado é a
vanguarda da classe operária, o Partido Comunista da
10 Checoslováquia […].
Art. 13 – Todas as escolas pertencem ao Estado […].
Art. 22 – A radiodifusão e a televisão constituem um direito
exclusivo do Estado […].
Art. 24 – Garante-se o direito de reunião e associação desde
15 que não ameace as instituições populares e democráticas
ou a paz e a ordem pública […].
Constituição de 1960
Questões por módulo
O fim dos impérios europeus
Doc. 1 Carta das Nações Unidas, artigo 73.º Doc. 2 “Grande limpeza de outono”
Caricatura húngara, 1960.
Nota: Gyarmat significa “colónia”.
1. Ordene cronologicamente os factos abaixo mencionados, que se reportam ao processo
descolonizador.
Escreva, na folha de respostas, a sequência correta das letras.
a) Vaga de descolonização da África Subsariana.
b) Aprovação da Carta das Nações Unidas.
c) Vaga de independência das colónias asiáticas.
d) Denúncia do neocolonialismo.
2. Explicite dois fatores que impulsionaram o fim do colonialismo europeu.
Fundamente um dos fatores com informação do documento 1 e outro com informação do documento 2.
3. O ano de 1960 (Doc. 2) foi particularmente marcante para o processo descolonizador, visto que
a) a URSS e os Estados Unidos chegaram a acordo sobre o fim do colonialismo.
b) foi o ano em que se registou o maior número de independências africanas.
c) nas colónias africanas, nasceram movimentos nacionalistas, que lideraram a contestação ao domínio
europeu.
d) eclodiram numerosas revoltas armadas na África Subsariana.
Os membros das Nações Unidas que assumiram ou
assumam responsabilidades pela administração de
territórios cujos povos ainda não se governem
completamente a si mesmos reconhecem o princípio do
primado dos interesses
5 dos habitantes desses territórios e aceitam, como missão
sagrada, a obrigação de promover […] o bem-estar dos
habitantes desses territórios, e, para tal fim:
a) Assegurar […] o seu progresso político, económico,
social e educacional, o seu tratamento equitativo e a sua
10 proteção contra qualquer abuso;
b) Promover seu governo próprio, ter na devida conta as
aspirações políticas dos povos e auxiliá-los no
desenvolvimento progressivo das suas instituições políticas
livres […].
Carta das Nações Unidas, Artigo 73.°
Módulo 8
Unidade 2 – Portugal, do autoritarismo à democracia
A economia portuguesa, de 1945 ao início da década de 70
Doc. 1 Discurso de Salazar sobre o I Plano de Fomento
Embora um quarto de século de finanças bem equilibradas e de saldos de contas [positivas] pudesse justificar
algumas ousadias, a regularidade administrativa e a estabilidade financeira continuam a ser a melhor base da
reconstrução nacional e o uso quase exclusivo de meios próprios, como se tem visto, medida salutar para o
reforço da nossa independência política. […]
5 A indústria e a agricultura no Plano
Tenho agora de dizer algumas palavras acerca da distribuição das somas a despender pela indústria e pela
agricultura. No que se refere à indústria e pondo de lado os transportes, o Plano restringe-se na Metrópole a
meia dúzia de indústrias consideradas básicas pela sua importância própria e repercussão nas demais, e na
produção e distribuição de energia, esta última medida pelas exigências crescentes do consumo e a
necessidade
10 de estender o seu uso aos centros e populações rurais. Quanto à agricultura, pode dizer-se que são atacados
apenas o repovoamento florestal, a irrigação por meio de grandes albufeiras e a colonização […].
Sabe-se que a indústria tem rentabilidade superior à agricultura e que só pela industrialização se pode
decisivamente elevar o nível de vida […]. Temos por outro lado que a agricultura, pela sua maior estabilidade,
pelo seu enraizamento natural no solo e mais estreita ligação com a produção de alimentos, constitui a
garantia
15 por excelência da própria vida, e, devido à formação que imprime nas almas, manancial inesgotável de forças
de resistência social.
A iniciativa privada
A inclusão no Plano de Fomento de atividades públicas e de atividades particulares e sobretudo a perspetiva
de elevados financiamentos assegurados a estas últimas pelo Estado podem suscitar dúvidas acerca de
fidelidade
20 a um dos princípios que temos considerado fundamentais – a iniciativa privada. […] O papel do Governo será,
porém, em tais casos, o de fomentar a criação das empresas, apoiá-las técnica e financeiramente, ditar-lhes
regimes adequados de exploração… e retirar-se, quando não seja necessária a sua presença ou o seu
auxílio. […] A primeira disciplina a exercer é pois nas despesas públicas; a segunda nos investimentos
particulares. O Plano foi elaborado tendo presente o conjunto de disponibilidades de que o Estado e
particulares podiam
25 usar para determinados fins. […]
António de Oliveira Salazar, Discurso proferido no Palácio Foz, em 28 de maio de 1953, no ato inaugural do ciclo de conferências
ministeriais e da Exposição do Plano de Fomento
Doc. 2 Estrutura da população ativa portuguesa e de outros
países da OCDE (1970)
Países
PNB / hab.
(dólares)
População ativa
Agricultura*
%
Indústria
%
Serviços
%
EUA 4380 5,0 33,8 61,2
Suíça 2790 7,8 52,2 40,0
França 2530 15,8 40,4 43,8
RFA 2200 10,2 48,2 41,6
Ing. 1850 3,1 46,7 50,2
Itália 1390 22,5 41,8 357
Esp. 770 29,4 36,6 34,0
Grécia 860 50,1 21,2 28,7
Port. 530 32,2 36,2 31,6
*Inclui silvicultura e pesca.
Doc. 3 Mulher e filhos de emigrante a
caminho do estrangeiro (anos 60)
Questões por módulo
Doc. 4 Uma nova política económica (1970)
1. Os Planos de Fomento nacional
a) foram motivados pelo desequilíbrio das finanças nacionais.
b) ficaram a dever-se à entrada na OECE e à necessidade de industrializar o país.
c) utilizaram unicamente verbas disponibilizadas pelo Estado português.
d) utilizaram, sobretudo, verbas investidas pelos particulares.
2. No discurso transcrito (Doc. 1), Salazar mostra o seu apreço pela atividade agrícola.
Apresente dois argumentos que justifiquem esse apreço, fundamentando a sua resposta com
informação relevante do documento 1.
3. A vaga de emigração portuguesa dos anos 60 foi propiciada
a) pelos Planos de Fomento.
b) pela entrada de Portugal na EFTA (Associação Europeia de Comércio Livre).
c) pelo crescimento das cidades do litoral.
d) pela estagnação agrícola.
4. Desenvolva o tema Opções da economia portuguesa no Estado Novo do pós-guerra
apresentando três elementos de cada um dos seguintes tópicos de orientação:
• situação do mundo rural;
• surto industrial.
Na sua resposta integre, pelo menos, uma informação relevante de cada um dos documentos 1 a 4.
Ao repetir, sempre que posso, que a indústria é a mais importante das atividades económicas nacionais, que
dela nos vem quase metade do nosso produto bruto, que nela a produtividade do trabalho é quatro vezes a do
setor primário, o que eu tenho é tentado desfazer o mito vetusto do país predominantemente agrário que já
não somos e cessar a surpresa que ainda surge, em estrangeiros e em nacionais, quando lhes relembram
estes
5 números […].
O primeiro grande objetivo a ter em conta com a nova política industrial tem de ser o de facilitar a rápida
adesão dos nossos empresários às realidades concorrenciais mundiais […]; a diferença essencial entre o
novo regime de política industrial, que se propõe, e o antigo reside assim na mudança radical de atitude que
preconiza e pressupõe: de protecionista passa a liberal, de autárcica passa a plenamente inserida na teia de
trocas mundial,
10 de imobilista passa a prospetiva.
Módulo 8
As eleições de 1958
Doc. 1 Discurso do general Humberto Delgado, candidato à Presidência da República, no ginásio do Liceu
Camões (18 de maio de 1958)
Minhas Senhoras e meus Senhores,
[…]
A vós me dirijo, independentemente de partidarismos, compromissos e crenças; a todos vós, também como vós
homem livre e sem medo, se dirigem estas palavras simples e comovidas. […]
5 Após estes oito dias que ficarão na História da Libertação do Povo Português, […] a consciência política de
um povo escravizado há trinta anos excedeu em força e beleza, em espontaneidade e valentia, tudo quanto
seria legítimo esperar. Estamos perante um pronunciamento da vontade nacional. No Porto e Lisboa, o povo
já disse que queria mudar de governo, que queria viver livre e dignamente como os povos civilizados do
mundo.
Não há eleição falsificada que possa iludir ou deter esta verdade! […] o povo das duas maiores cidades do país
10 correu à rua, ordeiramente, numa admirável manifestação de civismo, a proclamar que queria ser senhor dos
seus destinos, na consciência de que um povo como o português não pode eternamente ficar hipotecado à
vontade de um homem.
Depois das jornadas triunfais do Norte do país, Lisboa esperava-me numa receção apoteótica. […] Enquanto
a população que me esperava se entregava ordeiramente às mais entusiásticas demonstrações de civismo e
fé
15 nos princípios liberais […] o seu candidato era obrigado, pelas forças repressivas, a não poder receber as
entusiásticas saudações do povo de Lisboa e era obrigado a regressar a casa pela parte desértica da cidade.
[…] Depois de vários incidentes e de Lisboa ter assistido a cargas de cavalaria e tiroteio, fiquei detido pela
PIDE e por forças policiais na minha residência.
[…] Já na minha viagem ao Norte, a comitiva que me acompanhava se viu reduzida de dezenas de automóveis
20 a três ou, vá lá, quatro, porque a Guarda Republicana, barrando as estradas, não deixava passar mais. […]
Não foi reduzido a zero o número de carros, acabando com o meu, não porque lhes faltasse vontade, mas
porque, ao menos por agora, seria escândalo demais liquidarem-me. Mais: os jornais receberam ordens para
não publicarem fotografias de aspetos da multidão do Porto! Onde se desceu, meus senhores, não sabe a
Nação. A censura não deixa. […]
25 Duvida-se, porém, que o fácies despótico e estático do atual governo permita que o povo português tenha
suficiente confiança nele para presidir às eleições, depois de tanta promessa que fez e a que faltou de forma
que nem desejo classificar neste comício público
Doc. 2 Discurso de Salazar na sessão de encerramento da campanha eleitoral do contra-almirante Américo
Tomás (4 de junho de 1958)
Chega ao fim a campanha eleitoral, não como desejáramos, mas como pôde ser. Caracterizou-se esta por
manifestações dispensáveis para a apresentação dos candidatos e confronto dos seus méritos ou mesmo
para a comparação de ideologias e programas […]. Esta revisão enciclopédica a que tão liberalmente nos
temos submetido foi desta vez acompanhada de atentados à ordem pública que perturbaram a tranquilidade
habitual
5 do nosso viver e podem ter deixado nalguns espíritos uma sombra de dúvida ou de receio. […]
Nós temos trabalhado e continuaremos trabalhando na consolidação de um sistema de vida e de governo em
que a ordem resulta sobretudo da disciplina espontânea de cada um e do respeito pelos outros, e por isso nos
abstemos de agitar paixões malsãs que entre os portugueses espalhem a divisão. Não fazemos apelo à
violência, não diminuímos ninguém e a todos queremos prestar justiça. Pois agora teremos de
pacientemente
10 varrer a sementeira de ódios com que por ato de outrem a atmosfera do país se envenenou.
[…] Apesar de tudo, regozijamo-nos com o facto de as oposições se terem disposto a concorrer à eleição
presidencial, e o Governo tem feito os máximos esforços e lutado com as maiores dificuldades para
possibilitar- lhes a atividade e levá-las até às urnas. Pela primeira vez, suponho, temos de enfrentar em
cerrada coligação todos os que por qualquer motivo – de doutrina, de sentimento ou de interesses – se
conjugaram não para a
15 renovação, como alguns pensaram, mas para a subversão do regime. Seja qual for a sua representação,
larga ou restrita, a presença nas urnas contradiz, e clamorosamente […], um dos lugares-comuns desta, o
medo, contra cujo fantasma se fingiu ter de lutar.
[…] Há muitos incrédulos de alma vazia que temos a obrigação de tentar converter à nossa fé patriótica.
Haverá portadores de convicções muito afastadas das nossas e que devíamos esclarecer. Há todos esses e
talvez por
20 nossa culpa. Mas nós somos todos os mais. Somos tantos os que comungamos no mesmo ideal, somos
Questões por módulo
1. Após a Segunda Guerra Mundial, o regime salazarista manteve o seu carácter repressivo e
autoritário.
Apresente dois argumentos que comprovem esta afirmação, fundamentando a resposta com
informação relevante do documento 1.
2. O imobilismo político do regime português no segundo pós-guerra beneficiou de um contexto
internacional favorável, caracterizado
a) pela emergência dos movimentos de descolonização.
b) pelo recuo do expansionismo soviético no mundo.
c) pelo esforço de contenção do comunismo pelo bloco ocidental.
d) pela consolidação de um espaço económico e político europeu.
3. Transcreva a frase do documento 3 em que Salazar responsabiliza Humberto Delgado pela
perturbação da vida política do país.
4. Compare as duas perspetivas sobre o processo eleitoral de 1958 para a Presidência da
República, expressas nos documentos 1 e 2, quanto a dois aspetos em que se opõem.
Fundamente a sua resposta com excertos relevantes dos dois documentos.
5. Ordene cronologicamente os acontecimentos que se seguem e que se reportam à vida política
portuguesa, no segundo pós-guerra.
Escreva, na folha de respostas, a sequência correta das letras.
a) Carta de D. António Ferreira Gomes, bispo do Porto, a Salazar.
b) Candidatura do general Norton de Matos às eleições presidenciais.
c) Assassinato de Humberto Delgado.
d) Criação do MUD (Movimento de Unidade Democrática).
O tempo do PREC
Doc. 1 O MFA e as classes trabalhadoras
A grande decisão tomada pelo MFA, e claramente apoiada por múltiplas formas e em várias oportunidades
pelo povo português, é a construção de uma sociedade socialista: “Sociedade sem classes, obtida pela
coletivização dos meios de produção, eliminando todas as formas de exploração do homem pelo homem e na
qual serão dadas a todos os indivíduos iguais oportunidades de educação, trabalho, promoção, sem
distinção de
5 nascimento, sexo, credo religioso ou ideologia”.
A classe trabalhadora (operários, assalariados agrícolas, empregados) é aquela que mais imediatamente está
em condições de impulsionar a revolução; mas numa sociedade e estrutura económica como a portuguesa,
em que os objetivos imediatos da Revolução são a construção de um Estado democrático, pela desmontagem
das estruturas políticas, sociais e culturais do fascismo e pela destruição da dominação económica e social
dos
10 monopólios e dos grandes agrários, também os pequenos agricultores podem empenhar-se em ações de
profunda transformação que diretamente alterem, para melhor, a sua condição sacrificada, sendo ainda
possível mobilizar para a construção socialista a pequena burguesia vivendo do comércio e indústria, as
camadas intelectuais e parte da média burguesia.
Módulo 8
Doc. 3 Apoio à reforma agrária Doc. 4 Manifestação de desalojados de Angola,
em Lisboa (agosto de 1975)
Doc. 4 Entrevista dada pelo deputado Pacheco Pereira ao Jornal i, 2014
1. Descodifique a sigla “PREC”, presente no título e no documento 4.
2. As afirmações que se seguem, sobre a política portuguesa no período revolucionário a que se
reportam os documentos, são todas verdadeiras.
Identifique as duas afirmações que podem ser comprovadas através da análise do documento 1
I. Instituiu-se o Conselho da Revolução como órgão de soberania.
II. Concluiu-se o processo de descolonização.
III. A ala mais radical do MFA assumiu a condução da vida política portuguesa.
IV. Realizaram-se eleições para a Assembleia Constituinte, como previsto no Programa do MFA.
V. Definiu-se o rumo socialista do processo revolucionário.
3. Explicite dois aspetos da política económica deste período.
Fundamente um dos aspetos com informação do documento 1 e outro aspeto com informação
do documento 2.
4. Os “desalojados de Angola”, que se manifestam em Lisboa contra a sua situação
a) fugiram precipitadamente da violência que o processo de descolonização gerou neste território.
b) ocupavam posições-chave na administração angolana, que perderam após a independência.
c) deixaram Angola por se oporem ao regime socialista que passou a vigorar no novo país.
d) foram expulsos do território pelas novas autoridades angolanas.
5. Pacheco Pereira afirma: “direi que a democracia nasceu no PREC”.
Apresente dois argumentos que corroborem esta afirmação.
Pelo menos um dos argumentos deverá ser fundamentado com informação do documento 4.
[…] O PREC é o resultado de um tumulto que era inevitável ao fim de 48 anos de ditadura. […] Era inevitável
que as coisas fossem complicadas e tumultuárias. Eu não direi que a democracia nasceu do PREC, mas direi
que a democracia nasceu no PREC.
[…] O processo democrático normalizou-se mais tarde que 74 e 76, mas começou a ser construído no PREC.
[…]
5 Quando as pessoas votaram no PS ou quando, anos mais tarde, votaram na AD (Aliança Democrática,
coligação do PSD, CDS, PPM e Renovadores, dirigida por Sá Carneiro) permitindo a primeira mudança
significativa do poder no pós-25 de Abril, fizeram-no em liberdade. E essa liberdade nasceu da Revolução do 25
de Abril.

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  • 1.
    Módulo 8 MÓDULO 8– PORTUGAL E O MUNDO, DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL AO INÍCIO DA DÉCADA DE 80: OPÇÕES INTERNAS E CONTEXTO INTERNACIONAL Unidade 1 – Nascimento e afirmação de um novo quadro geopolítico Desenha-se uma nova ordem internacional Doc. 1 Discurso de Winston Churchil (1946) Doc. 2 Descarga de mercadorias de um avião americano, em Gatow, Berlim Ocidental, 1948 1. A “vitória aliada” referida por Churchill (Doc. 1, linha 1) concretizou-se em a) 1943. b) 1944. c) 1945. d) 1946. Uma sombra caiu sobre as cenas tão recentemente iluminadas pela vitória aliada. Ninguém sabe o que a Rússia Soviética e a sua organização comunista internacional pretendem fazer num futuro imediato, ou quais são os limites das suas tendências expansionistas e proselitistas. […] De Stettin, no Báltico, a Trieste, no Adriático, uma cortina de ferro desceu através do continente. Além daquela 5 linha ficam as capitais dos antigos aliados da Europa Central e Oriental: Varsóvia, Praga, Viena, Budapeste, Belgrado e Sofia, todas essas cidades ilustres e as suas populações estão sujeitas à influência soviética e ao crescente controlo de Moscovo. Os partidos comunistas, que eram muito pequenos em todos esses países da Europa Oriental, foram colocados em preeminência e adquiriram um poder muito superior à sua importância, procurando obter um controlo 10 totalitário. […] Eu não acredito que a Rússia Soviética deseje a guerra. O que eles querem são os frutos da guerra e uma expansão do seu poder e doutrinas. Mas o que devemos considerar aqui, hoje, enquanto há tempo, é uma permanente prevenção da guerra e o estabelecimento de condições de liberdade e democracia tão rapidamente quanto possível em todos os países. Isto só pode ser conseguido agora, em 1946, através de entendimentos 15 sobre todos os pontos com a Rússia e sob a autoridade geral da Organização das Nações Unidas. […] © SuperStock/Fotobanco.pt
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    Questões por módulo 2.Churchill utiliza a expressão “cortina de ferro” (Doc. 5, linha 4) para designar a) as fronteiras da União Soviética. b) as fronteiras entre os países da Europa Oriental e a URSS. c) a divisão da Alemanha em zonas de ocupação. d) a separação entre a área de influência soviética e os países ocidentais. 3. Churchill advoga o recurso às Nações Unidas para resolver a tensão entre as democracias ocidentais e a URSS. Apresente um argumento que justifique esta pretensão, fundamentando-o com informação relevante do documento 1. 4. Identifique o conflito a que se reporta o documento 2. 5. Apresente dois fatores da progressiva deterioração das relações entre os Estados Unidos da América e a União Soviética. Os dois fatores devem ser fundamentados com informação relevante dos documentos 1 e 2. O tempo da Guerra Fria Doc. 1 Cartaz alemão alusivo ao Plano Marshall Doc. 2 Cartaz soviético de 1949 ERP ─ Plano de Recuperação da Europa. “Estamos a reconstruir uma nova Europa”. Em baixo: “Os povos do mundo rejeitam uma nova guerra desastrosa. J. Estaline”. Nas embalagens da mão esquerda: “Ovos”. No papel que embrulha a espingarda: “Tratado do Atlântico Norte”. Nas bandeiras: Viva a URSS (em Francês). Doc. 3 Declaração do ministro dos Negócios Estrangeiros da URSS em resposta ao Pacto de Bagdade, 1955 A situação no Próximo e no Médio Oriente tornou-se recentemente muito mais tensa. Isto, porque certas potências ocidentais fizeram uma nova tentativa para arrastar os países do Próximo e Médio Oriente para os grupos militares que têm estado a constituir como apêndices do agressivo bloco Norte Atlântico. […] Incapazes de estabelecer e manter a sua dominação pelos métodos antigos, estas potências tentam 5 envolver os países do Próximo e Médio Oriente em blocos agressivos, sob o falso pretexto de que isso salvaguarda a sua defesa. […] Tal como muitas vezes aconteceu no passado, também agora se fazem esforços para encobrir a natureza agressiva dos planos dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha com ridículas efabulações sobre uma “ameaça soviética”. Tais invenções em nada espelham a realidade, pois é sabido que a política externa soviética repousa sobre um desejo 10 inalterável de fomentar a paz entre os povos, fundada na observância de princípios de igualdade, de não interferência nos assuntos internos e de respeito pela independência nacional e a soberania do Estado. Publicado em Soviet News n.º 3146 (19 de abril de 1955)
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    Módulo 8 Doc. 4Reservas de armas nucleares das superpotências 1. Reservas de armas nucleares dos EUA. 2. Reservas de armas nucleares da URSS. 1. “O tempo da Guerra Fria” corresponde a) ao período “entre as duas guerras”. b) às décadas que se seguiram à Primeira Guerra Mundial. c) às décadas que se seguiram à Segunda Guerra Mundial. d) à primeira metade do século XX. 2. Compare as duas perspetivas acerca da atuação americana, expressas nos cartazes reproduzidos, quanto a dois aspetos em que se opõem. Fundamente a sua resposta com informações relevantes dos documentos 1 e 2. 3. A divisão do mundo em dois blocos antagónicos concretizou-se em organizações várias. Associe as organizações que se encontram elencadas na coluna A às frases que lhes correspondem, na coluna B. Todas as frases apresentadas devem ser utilizadas. Cada frase deve ser associada apenas a uma das organizações. Escreva, na folha de respostas, apenas cada letra e os números que lhe correspondem. Coluna A Coluna B a) Plano Marshall/OECE b) Organização do Tratado do Atlântico Norte c) Pacto de Varsóvia 1) Teve como contraponto, no bloco soviético, o COMECON. 2) Aliança militar diametralmente oposta à OTAN. 3) Aliança militar formada em 1949, sob a égide dos Estados Unidos. 4) Impulsionou a recuperação económica da Europa Ocidental. 5) Agrupou as democracias populares europeias e a URSS. 4. Explicite duas características da política internacional, no período da Guerra Fria. As duas características devem ser fundamentadas com informação dos documentos 3 e 4.
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    Questões por módulo Aevolução económica do mundo capitalista Doc. 1 Bens distribuídos na Europa, entre 1948 e 1951, no âmbito do Plano Marshall (em milhões de dólares americanos) Doc. 3 O crescimento económico do pós-guerra Doc. 2 Trabalho na lBM, multinacional norte-americana da área da informática (década de 50) 1. A ajuda económica conhecida por Plano Marshall (Doc. 1) a) foi oferecida pelos Estados Unidos a todos os países europeus. b) destinou-se a apoiar os países da NATO, aliados dos Estados Unidos. c) foi implementada pelo Conselho Económico e Social da ONU, após a Segunda Guerra Mundial. d) foi organizada pelo FMI e pelo Banco Mundial, e teve como finalidade a recuperação da economia europeia. 2. “O crescimento económico dos três decénios do pós-guerra” (Doc. 3) ficou conhecido por a) as “Décadas Douradas”. b) os “Trinta Gloriosos”. c) os “Fabulosos Trinta” d) os “Anos da Prosperidade”. 3. Apresente três fatores do crescimento económico a que se reporta o documento 3. Fundamente a sua resposta com informações relevantes dos documentos 1, 2 e 3. 4. O intenso crescimento económico das economias capitalistas no pós-guerra propiciou a) o Relatório Beveridge sobre o Estado-providência. b) a nacionalização dos setores base da economia. c) a sociedade de consumo. d) o aumento do número de trabalhadores do setor primário. O “crescimento económico” é uma expressão nova, que surge no princípio dos anos 50. Oposto ao fenómeno conjuntural e temporário da expansão, o crescimento caracteriza a progressão rápida e constante da atividade económica, do emprego e dos rendimentos. Segundo a expressão de W. Rostow, o crescimento é “autossustentado”, ao contrário de uma fase de expansão, que se quebra rapidamente. O crescimento 5 económico dos três decénios do pós-guerra surge historicamente como um impulso sem precedentes das forças produtivas. Porquê? Quais são as condições do crescimento económico? O despertar demográfico europeu, as grandes inovações, as reformas de estrutura ou das variáveis estritamente económicas, como a formação de capital e a mobilização do trabalho? Como? [...] Para quem? Pierre Léon (dir.), História Económica e Social do Mundo, Sá da Costa, 1991
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    Módulo 8 As democraciaspopulares Doc. 1 Constituição da Checoslováquia Doc. 2 “Cumpriremos o plano quinquenal em 4 anos” Cartaz soviético de 1948. Na legenda: Cumpriremos o plano quinquenal em 4 anos. Nota: A primeira constituição socialista de Checoslováquia data de 1948. 1. As afirmações que se seguem, sobre a URSS e as democracias populares europeias, são todas verdadeiras. Identifique as duas afirmações que podem ser comprovadas através da análise do documento 1. I. Entre 1946 e 1949, todos os países da Europa de Leste libertados pelo Exército Vermelho se transformaram em Repúblicas Populares. II. Nas democracias populares vigorava o sistema de partido único. III. O Estado controla o ensino e os meios de comunicação. IV. A propriedade privada dos meios de produção é abolida total ou parcialmente. V. A reforma política da Checoslóváquia, conhecida como “Primavera de Praga”, foi inviabilizada pela União Soviética. 2. A ideia de um “sistema socialista mundial”, a que se refere a linha 4 justificou a) a Doutrina Brejnev (da soberania limitada). b) a Doutrina Truman. c) o maoismo na China. d) a atribuição à URSS e à China do direito de veto no Conselho de Segurança da ONU. 3. Nomeie o tipo de economia, própria dos países socialistas, que o cartaz documenta. 4. Refira duas características da economia dos países socialistas, após a Segunda Guerra Mundial. As duas características deverão ser fundamentadas com informação do documento 2. Art. 1 – A República Socialista da Checoslováquia é um Estado Socialista fundado na aliança sólida entre operários, camponeses e intelectuais, liderados pela classe operária […]. Ela faz parte do sistema socialista mundial. 5 Art. 2 – Todo o poder pertence ao povo trabalhador que exerce os poderes do Estado através das suas estruturas representativas […]. Art. 4 – A força dirigente na sociedade e no Estado é a vanguarda da classe operária, o Partido Comunista da 10 Checoslováquia […]. Art. 13 – Todas as escolas pertencem ao Estado […]. Art. 22 – A radiodifusão e a televisão constituem um direito exclusivo do Estado […]. Art. 24 – Garante-se o direito de reunião e associação desde 15 que não ameace as instituições populares e democráticas ou a paz e a ordem pública […]. Constituição de 1960
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    Questões por módulo Ofim dos impérios europeus Doc. 1 Carta das Nações Unidas, artigo 73.º Doc. 2 “Grande limpeza de outono” Caricatura húngara, 1960. Nota: Gyarmat significa “colónia”. 1. Ordene cronologicamente os factos abaixo mencionados, que se reportam ao processo descolonizador. Escreva, na folha de respostas, a sequência correta das letras. a) Vaga de descolonização da África Subsariana. b) Aprovação da Carta das Nações Unidas. c) Vaga de independência das colónias asiáticas. d) Denúncia do neocolonialismo. 2. Explicite dois fatores que impulsionaram o fim do colonialismo europeu. Fundamente um dos fatores com informação do documento 1 e outro com informação do documento 2. 3. O ano de 1960 (Doc. 2) foi particularmente marcante para o processo descolonizador, visto que a) a URSS e os Estados Unidos chegaram a acordo sobre o fim do colonialismo. b) foi o ano em que se registou o maior número de independências africanas. c) nas colónias africanas, nasceram movimentos nacionalistas, que lideraram a contestação ao domínio europeu. d) eclodiram numerosas revoltas armadas na África Subsariana. Os membros das Nações Unidas que assumiram ou assumam responsabilidades pela administração de territórios cujos povos ainda não se governem completamente a si mesmos reconhecem o princípio do primado dos interesses 5 dos habitantes desses territórios e aceitam, como missão sagrada, a obrigação de promover […] o bem-estar dos habitantes desses territórios, e, para tal fim: a) Assegurar […] o seu progresso político, económico, social e educacional, o seu tratamento equitativo e a sua 10 proteção contra qualquer abuso; b) Promover seu governo próprio, ter na devida conta as aspirações políticas dos povos e auxiliá-los no desenvolvimento progressivo das suas instituições políticas livres […]. Carta das Nações Unidas, Artigo 73.°
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    Módulo 8 Unidade 2– Portugal, do autoritarismo à democracia A economia portuguesa, de 1945 ao início da década de 70 Doc. 1 Discurso de Salazar sobre o I Plano de Fomento Embora um quarto de século de finanças bem equilibradas e de saldos de contas [positivas] pudesse justificar algumas ousadias, a regularidade administrativa e a estabilidade financeira continuam a ser a melhor base da reconstrução nacional e o uso quase exclusivo de meios próprios, como se tem visto, medida salutar para o reforço da nossa independência política. […] 5 A indústria e a agricultura no Plano Tenho agora de dizer algumas palavras acerca da distribuição das somas a despender pela indústria e pela agricultura. No que se refere à indústria e pondo de lado os transportes, o Plano restringe-se na Metrópole a meia dúzia de indústrias consideradas básicas pela sua importância própria e repercussão nas demais, e na produção e distribuição de energia, esta última medida pelas exigências crescentes do consumo e a necessidade 10 de estender o seu uso aos centros e populações rurais. Quanto à agricultura, pode dizer-se que são atacados apenas o repovoamento florestal, a irrigação por meio de grandes albufeiras e a colonização […]. Sabe-se que a indústria tem rentabilidade superior à agricultura e que só pela industrialização se pode decisivamente elevar o nível de vida […]. Temos por outro lado que a agricultura, pela sua maior estabilidade, pelo seu enraizamento natural no solo e mais estreita ligação com a produção de alimentos, constitui a garantia 15 por excelência da própria vida, e, devido à formação que imprime nas almas, manancial inesgotável de forças de resistência social. A iniciativa privada A inclusão no Plano de Fomento de atividades públicas e de atividades particulares e sobretudo a perspetiva de elevados financiamentos assegurados a estas últimas pelo Estado podem suscitar dúvidas acerca de fidelidade 20 a um dos princípios que temos considerado fundamentais – a iniciativa privada. […] O papel do Governo será, porém, em tais casos, o de fomentar a criação das empresas, apoiá-las técnica e financeiramente, ditar-lhes regimes adequados de exploração… e retirar-se, quando não seja necessária a sua presença ou o seu auxílio. […] A primeira disciplina a exercer é pois nas despesas públicas; a segunda nos investimentos particulares. O Plano foi elaborado tendo presente o conjunto de disponibilidades de que o Estado e particulares podiam 25 usar para determinados fins. […] António de Oliveira Salazar, Discurso proferido no Palácio Foz, em 28 de maio de 1953, no ato inaugural do ciclo de conferências ministeriais e da Exposição do Plano de Fomento Doc. 2 Estrutura da população ativa portuguesa e de outros países da OCDE (1970) Países PNB / hab. (dólares) População ativa Agricultura* % Indústria % Serviços % EUA 4380 5,0 33,8 61,2 Suíça 2790 7,8 52,2 40,0 França 2530 15,8 40,4 43,8 RFA 2200 10,2 48,2 41,6 Ing. 1850 3,1 46,7 50,2 Itália 1390 22,5 41,8 357 Esp. 770 29,4 36,6 34,0 Grécia 860 50,1 21,2 28,7 Port. 530 32,2 36,2 31,6 *Inclui silvicultura e pesca. Doc. 3 Mulher e filhos de emigrante a caminho do estrangeiro (anos 60)
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    Questões por módulo Doc.4 Uma nova política económica (1970) 1. Os Planos de Fomento nacional a) foram motivados pelo desequilíbrio das finanças nacionais. b) ficaram a dever-se à entrada na OECE e à necessidade de industrializar o país. c) utilizaram unicamente verbas disponibilizadas pelo Estado português. d) utilizaram, sobretudo, verbas investidas pelos particulares. 2. No discurso transcrito (Doc. 1), Salazar mostra o seu apreço pela atividade agrícola. Apresente dois argumentos que justifiquem esse apreço, fundamentando a sua resposta com informação relevante do documento 1. 3. A vaga de emigração portuguesa dos anos 60 foi propiciada a) pelos Planos de Fomento. b) pela entrada de Portugal na EFTA (Associação Europeia de Comércio Livre). c) pelo crescimento das cidades do litoral. d) pela estagnação agrícola. 4. Desenvolva o tema Opções da economia portuguesa no Estado Novo do pós-guerra apresentando três elementos de cada um dos seguintes tópicos de orientação: • situação do mundo rural; • surto industrial. Na sua resposta integre, pelo menos, uma informação relevante de cada um dos documentos 1 a 4. Ao repetir, sempre que posso, que a indústria é a mais importante das atividades económicas nacionais, que dela nos vem quase metade do nosso produto bruto, que nela a produtividade do trabalho é quatro vezes a do setor primário, o que eu tenho é tentado desfazer o mito vetusto do país predominantemente agrário que já não somos e cessar a surpresa que ainda surge, em estrangeiros e em nacionais, quando lhes relembram estes 5 números […]. O primeiro grande objetivo a ter em conta com a nova política industrial tem de ser o de facilitar a rápida adesão dos nossos empresários às realidades concorrenciais mundiais […]; a diferença essencial entre o novo regime de política industrial, que se propõe, e o antigo reside assim na mudança radical de atitude que preconiza e pressupõe: de protecionista passa a liberal, de autárcica passa a plenamente inserida na teia de trocas mundial, 10 de imobilista passa a prospetiva.
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    Módulo 8 As eleiçõesde 1958 Doc. 1 Discurso do general Humberto Delgado, candidato à Presidência da República, no ginásio do Liceu Camões (18 de maio de 1958) Minhas Senhoras e meus Senhores, […] A vós me dirijo, independentemente de partidarismos, compromissos e crenças; a todos vós, também como vós homem livre e sem medo, se dirigem estas palavras simples e comovidas. […] 5 Após estes oito dias que ficarão na História da Libertação do Povo Português, […] a consciência política de um povo escravizado há trinta anos excedeu em força e beleza, em espontaneidade e valentia, tudo quanto seria legítimo esperar. Estamos perante um pronunciamento da vontade nacional. No Porto e Lisboa, o povo já disse que queria mudar de governo, que queria viver livre e dignamente como os povos civilizados do mundo. Não há eleição falsificada que possa iludir ou deter esta verdade! […] o povo das duas maiores cidades do país 10 correu à rua, ordeiramente, numa admirável manifestação de civismo, a proclamar que queria ser senhor dos seus destinos, na consciência de que um povo como o português não pode eternamente ficar hipotecado à vontade de um homem. Depois das jornadas triunfais do Norte do país, Lisboa esperava-me numa receção apoteótica. […] Enquanto a população que me esperava se entregava ordeiramente às mais entusiásticas demonstrações de civismo e fé 15 nos princípios liberais […] o seu candidato era obrigado, pelas forças repressivas, a não poder receber as entusiásticas saudações do povo de Lisboa e era obrigado a regressar a casa pela parte desértica da cidade. […] Depois de vários incidentes e de Lisboa ter assistido a cargas de cavalaria e tiroteio, fiquei detido pela PIDE e por forças policiais na minha residência. […] Já na minha viagem ao Norte, a comitiva que me acompanhava se viu reduzida de dezenas de automóveis 20 a três ou, vá lá, quatro, porque a Guarda Republicana, barrando as estradas, não deixava passar mais. […] Não foi reduzido a zero o número de carros, acabando com o meu, não porque lhes faltasse vontade, mas porque, ao menos por agora, seria escândalo demais liquidarem-me. Mais: os jornais receberam ordens para não publicarem fotografias de aspetos da multidão do Porto! Onde se desceu, meus senhores, não sabe a Nação. A censura não deixa. […] 25 Duvida-se, porém, que o fácies despótico e estático do atual governo permita que o povo português tenha suficiente confiança nele para presidir às eleições, depois de tanta promessa que fez e a que faltou de forma que nem desejo classificar neste comício público Doc. 2 Discurso de Salazar na sessão de encerramento da campanha eleitoral do contra-almirante Américo Tomás (4 de junho de 1958) Chega ao fim a campanha eleitoral, não como desejáramos, mas como pôde ser. Caracterizou-se esta por manifestações dispensáveis para a apresentação dos candidatos e confronto dos seus méritos ou mesmo para a comparação de ideologias e programas […]. Esta revisão enciclopédica a que tão liberalmente nos temos submetido foi desta vez acompanhada de atentados à ordem pública que perturbaram a tranquilidade habitual 5 do nosso viver e podem ter deixado nalguns espíritos uma sombra de dúvida ou de receio. […] Nós temos trabalhado e continuaremos trabalhando na consolidação de um sistema de vida e de governo em que a ordem resulta sobretudo da disciplina espontânea de cada um e do respeito pelos outros, e por isso nos abstemos de agitar paixões malsãs que entre os portugueses espalhem a divisão. Não fazemos apelo à violência, não diminuímos ninguém e a todos queremos prestar justiça. Pois agora teremos de pacientemente 10 varrer a sementeira de ódios com que por ato de outrem a atmosfera do país se envenenou. […] Apesar de tudo, regozijamo-nos com o facto de as oposições se terem disposto a concorrer à eleição presidencial, e o Governo tem feito os máximos esforços e lutado com as maiores dificuldades para possibilitar- lhes a atividade e levá-las até às urnas. Pela primeira vez, suponho, temos de enfrentar em cerrada coligação todos os que por qualquer motivo – de doutrina, de sentimento ou de interesses – se conjugaram não para a 15 renovação, como alguns pensaram, mas para a subversão do regime. Seja qual for a sua representação, larga ou restrita, a presença nas urnas contradiz, e clamorosamente […], um dos lugares-comuns desta, o medo, contra cujo fantasma se fingiu ter de lutar. […] Há muitos incrédulos de alma vazia que temos a obrigação de tentar converter à nossa fé patriótica. Haverá portadores de convicções muito afastadas das nossas e que devíamos esclarecer. Há todos esses e talvez por 20 nossa culpa. Mas nós somos todos os mais. Somos tantos os que comungamos no mesmo ideal, somos
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    Questões por módulo 1.Após a Segunda Guerra Mundial, o regime salazarista manteve o seu carácter repressivo e autoritário. Apresente dois argumentos que comprovem esta afirmação, fundamentando a resposta com informação relevante do documento 1. 2. O imobilismo político do regime português no segundo pós-guerra beneficiou de um contexto internacional favorável, caracterizado a) pela emergência dos movimentos de descolonização. b) pelo recuo do expansionismo soviético no mundo. c) pelo esforço de contenção do comunismo pelo bloco ocidental. d) pela consolidação de um espaço económico e político europeu. 3. Transcreva a frase do documento 3 em que Salazar responsabiliza Humberto Delgado pela perturbação da vida política do país. 4. Compare as duas perspetivas sobre o processo eleitoral de 1958 para a Presidência da República, expressas nos documentos 1 e 2, quanto a dois aspetos em que se opõem. Fundamente a sua resposta com excertos relevantes dos dois documentos. 5. Ordene cronologicamente os acontecimentos que se seguem e que se reportam à vida política portuguesa, no segundo pós-guerra. Escreva, na folha de respostas, a sequência correta das letras. a) Carta de D. António Ferreira Gomes, bispo do Porto, a Salazar. b) Candidatura do general Norton de Matos às eleições presidenciais. c) Assassinato de Humberto Delgado. d) Criação do MUD (Movimento de Unidade Democrática). O tempo do PREC Doc. 1 O MFA e as classes trabalhadoras A grande decisão tomada pelo MFA, e claramente apoiada por múltiplas formas e em várias oportunidades pelo povo português, é a construção de uma sociedade socialista: “Sociedade sem classes, obtida pela coletivização dos meios de produção, eliminando todas as formas de exploração do homem pelo homem e na qual serão dadas a todos os indivíduos iguais oportunidades de educação, trabalho, promoção, sem distinção de 5 nascimento, sexo, credo religioso ou ideologia”. A classe trabalhadora (operários, assalariados agrícolas, empregados) é aquela que mais imediatamente está em condições de impulsionar a revolução; mas numa sociedade e estrutura económica como a portuguesa, em que os objetivos imediatos da Revolução são a construção de um Estado democrático, pela desmontagem das estruturas políticas, sociais e culturais do fascismo e pela destruição da dominação económica e social dos 10 monopólios e dos grandes agrários, também os pequenos agricultores podem empenhar-se em ações de profunda transformação que diretamente alterem, para melhor, a sua condição sacrificada, sendo ainda possível mobilizar para a construção socialista a pequena burguesia vivendo do comércio e indústria, as camadas intelectuais e parte da média burguesia.
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    Módulo 8 Doc. 3Apoio à reforma agrária Doc. 4 Manifestação de desalojados de Angola, em Lisboa (agosto de 1975) Doc. 4 Entrevista dada pelo deputado Pacheco Pereira ao Jornal i, 2014 1. Descodifique a sigla “PREC”, presente no título e no documento 4. 2. As afirmações que se seguem, sobre a política portuguesa no período revolucionário a que se reportam os documentos, são todas verdadeiras. Identifique as duas afirmações que podem ser comprovadas através da análise do documento 1 I. Instituiu-se o Conselho da Revolução como órgão de soberania. II. Concluiu-se o processo de descolonização. III. A ala mais radical do MFA assumiu a condução da vida política portuguesa. IV. Realizaram-se eleições para a Assembleia Constituinte, como previsto no Programa do MFA. V. Definiu-se o rumo socialista do processo revolucionário. 3. Explicite dois aspetos da política económica deste período. Fundamente um dos aspetos com informação do documento 1 e outro aspeto com informação do documento 2. 4. Os “desalojados de Angola”, que se manifestam em Lisboa contra a sua situação a) fugiram precipitadamente da violência que o processo de descolonização gerou neste território. b) ocupavam posições-chave na administração angolana, que perderam após a independência. c) deixaram Angola por se oporem ao regime socialista que passou a vigorar no novo país. d) foram expulsos do território pelas novas autoridades angolanas. 5. Pacheco Pereira afirma: “direi que a democracia nasceu no PREC”. Apresente dois argumentos que corroborem esta afirmação. Pelo menos um dos argumentos deverá ser fundamentado com informação do documento 4. […] O PREC é o resultado de um tumulto que era inevitável ao fim de 48 anos de ditadura. […] Era inevitável que as coisas fossem complicadas e tumultuárias. Eu não direi que a democracia nasceu do PREC, mas direi que a democracia nasceu no PREC. […] O processo democrático normalizou-se mais tarde que 74 e 76, mas começou a ser construído no PREC. […] 5 Quando as pessoas votaram no PS ou quando, anos mais tarde, votaram na AD (Aliança Democrática, coligação do PSD, CDS, PPM e Renovadores, dirigida por Sá Carneiro) permitindo a primeira mudança significativa do poder no pós-25 de Abril, fizeram-no em liberdade. E essa liberdade nasceu da Revolução do 25 de Abril.