E STA D O D E M I N A S   ●   Q U A R T A - F E I R A ,           2 0     D E     J U N H O         D E   2 0 1 2
                                                                                                                                                                                                                             3

                                                                                 POLÍTICA
                                                                                                                                                                                       EDITOR: Baptista Chagas de Almeida
                                                                                                                                                                                EDITOR-ASSISTENTE: Renato Scapolatempore
                                                                                                                                                                                           E-MAIL: politica.em@uai.com.br
                                                                                                                                                                                                TELEFONE: (31) 3263-5293




Identidade do
              Um rosto sem nome
torturador mineiro
que levou a ex-
militante Dilma a
vivenciar cenas de                                                                                                                                                                             O ENDEREÇO
verdadeiro terror nos                                                                                                                                                                          DO HORROR
porões do estado                                                                                                                                                                               Durante a ditadura militar, o

ainda é mistério                                                                                                                                                                               Brasil teve pelo menos 234
                                                                                                                                                                                               centros de detenção e tortura
                                                                                                                                                                                               em unidades do Exército,
                                                                                                                                                                                               especialmente a partir da
                SANDRA KIEFER E DANIEL CAMARGOS                                                                                                                                                criação em todos os estados, do
                                                                                                                                                                                               Destacamento de Operações de
    Se é certo que a ex-militante política                                                                                                                                                     Informações – Centro de
conhecida como Estela, codinome de Dil-                                                                                                                                                        Operações de Defesa Interna
maRousseff,foitorturadaemJuizdeFora,                                                                                                                                                           (DOI-CODI), além de delegacias
sofrendo sessões de choque elétrico, pau                                                                                                                                                       da Polícia Civil. Os métodos de
deararaeatéumsoconosdentesem1970                                                                                                                                                               tortura poderiam variar de
– conforme mostrou o Estado de Minas                                                                                                                                                           centro para centro, mas, de
em série de reportagens iniciada no do-                                                                                                                                                        forma geral, os castigos físicos e
mingo – pairam dúvidas sobre a real iden-                                                                                                                                                      psicológicos aconteciam em
tidade do torturador. Em trecho do depoi-
                                                                                                                                                                                               celas especiais, equipadas com
mento pessoal concedido ao Conselho de
Defesa dos Direitos Humanos de Minas                                                                                                                                                           mesas, uma barra de ferro para
Gerais (Conedh-MG), em 2001, Dilma re-                                                                                                                                                         as sessões de pau de arara, uma
vela três possíveis nomes de torturadores,                                                                                                                                                     pequena engenhoca para
atribuídos a dois homens presentes nas                                                                                                                                                         choque elétricos, além da
cenas de horror vividas nos cárceres mi-                                                                                                                                                       cadeira dragão, que tinha a
neiros. Por duas vezes durante o depoi-                                                                                                                                                        mesma finalidade, e
mento, Dilma cita dr. Medeiros, que ela                                                                                                                                                        palmatórias. Algumas mais
acredita, porém, se tratar de um nome fal-                                                                                                                                                     sofisticadas tinham proteção
so. Esse mesmo torturador usaria tam-                                                                                                                                                          acústica. Outras podiam simular
bém o falso nome de Lara. “Esse dr. Medei-                                                                                                                                                     situações extremas como
ros aparecia de novo e ocupava um lugar
                                                                                                                                                                                               intensa escuridão, calor ou frio
central”, afirma. O terceiro nome é Joa-
quim, identificado por ela como sendo                                                                                                                                                          excessivos. As sessões eram
um agente de segundo nível, que poderia                                                                                                                                                        comandadas sempre por mais
ser um inspetor ou algo assim.                                                                                                                                                                 de um agente, que se
    Segundo a presidente, os torturadores                                                                                                                                                      revezavam numa encenação
eram possivelmente agentes do Departa-                                                                                                                                                         macabra do bem e do mal. Para
mento de Ordem Política e Social (DOPS)                                                                                                                                                        confundir as vítimas, um
de Minas Gerais. “Acho que em Minas Ge-                                                                                                                                                        torturador se apresentava
rais fui interrogada por civis, sobretudo                                                                                                                                                      excessivamente agressivo, para
os dois principais identificaram-se como                                                                                                                                                       em seguida, entrar um outro
policiais do Dops de Minas, dr. Medeiros,                                                                                                                                                      que se apresentava contrário às
que era um nome falso”, informou Dil-
                                                                                                                                                                                               agressões e solicitava a
ma, em depoimento à jovem equipe da
Conedh-MG, que viajou até Porto Alegre                                                                                                                                                         colaboração espontânea. Eles se
para ouvir seis depoimentos, inclusive o                          Trecho do depoimento em que Dilma cita dr. Medeiros e outros dois nomes como seus torturadores                               tratavam por codinomes, mas
da então secretária das Minas e Energia                                                                                                                                                        não se preocupavam em cobrir
do Rio Grande do Sul.                                                                                                                                                                          seus rostos. Alguns dos homens
    Durante os últimos 10 dias, desde que         te uma sessão de tortura. Ainda que o co-   não deixa de ser um torturador”, acredita.    Vigilância Social, onde funcionava o               que ganharam fama de
teve acesso exclusivo ao processo de Dil-         mandantedoCPORtivesseparticipadoda              OctávioMedeirosmorreuem2005,aos           Dops; a Delegacia de Furtos e Roubos; o            violentos durante o período de
ma, a reportagem do Estado de Minas               tortura de Dilma, é pouco provável que a    82 anos. Ele galgou importantes patentes      12º Regimento de Infantaria, todos em              exceção demonstravam até
conversou com pelo menos 23 pessoas de            presidente não soubesse da identidade       na carreira militar. Em 1978, chegou a as-    Belo Horizonte, e a Polícia do Exército do         certa satisfação em serem
diferentesorganizaçõespolíticasdaépoca            completa de Octávio Aguiar de Medeiros,     sumirachefiadoServiçoNacionaldeInte-          Estado da Guanabara, hoje Rio de Janeiro.          reconhecidos, como o delegado
pós-64, de diversas ideologias, incluindo         dizendo em outro trecho do depoimento       ligência (SNI), em substituição a João Bap-       A principal hipótese é de que a carta          Sérgio Paranhos Fleury, que
fontes da alta cúpula do Exército. Até ago-       que dr. Medeiros se tratava de um “nome     tista Figueiredo, que assumiu o posto de      foi redigida por Ângelo Pezzuti (principal
                                                                                                                                                                                               tinha prazer em informar aos
ra,porém,nãohouvecomocravaraidenti-               falso”. “Dilma tem memória de elefante e    último presidente da ditadura militar no      dirigente do Colina e que levou Dilma a
dade do torturador mineiro. Coincidência          não iria confundir o nome de seu tortura-   país.Foiduranteoperíodoquecomandou            ser torturada em Juiz de Fora ao endere-           presos políticos ter sido autor da
é que quem assina o Inquérito Policial Mi-        dor, ainda que tenham se passado 30 anos    o SNI, que ocorreu o atentado fracassado      çar a ela bilhetinhos com um plano de fu-          morte de militantes como Carlos
litar(IPM)deDilmaemJuizdeFora,conce-              do fato”, afirma uma fonte, que conhece     no RioCentro, quando duas bombas ex-          ga da prisão sob o codinome Gabriel). O            Marighella. (Maria Clara Prates)
dido sob tortura, é Octávio Aguiar de Me-         bem a presidente, desde a época de sua      plodiram em poder dos militares no cen-       documento teria sido entregue aos fami-
deiros,umdosnomesmaisproeminentes                 militância política em Belo Horizonte.      trodeconvençõesdoRio,emabrilde1981.           liares dele, no início de 1970. Na carta,
entreosmilitaresdaépoca.Noiníciodadé-             “Embora ainda fosse um ‘zé ninguém’ em          Outra possibilidade para encontrar o      constam os nomes de cinco torturadores:
cadade1970elefoicomandantedoCentro                BH, perto do que se tornaria mais tarde,    torturador da Dilma em Minas Gerais é         Luis Soares da Rocha, Mário Cândido da
de Preparação de Oficiais da Reserva              todo mundo sabia quem era o Medeiros        buscar com lupa na Carta de Linhares, co-     Rocha, José Pereira e José Reis. O quinto
(CPOR), em Belo Horizonte, e teria sido res-      naquelaépocadomovimentoestudantil”,         mo foi chamado o documento de 28 pá-          nome revela mais uma coincidência, pois
ponsável por acabar com o Comando de              garante outra, que prefere manter o ano-    ginas que detalha a tortura sofrida por       é Lara Rezende, o mesmo nome do codi-
LibertaçãoNacional(Colina)nacapitalmi-            nimato. Segundo outra pessoa, “é co-        presos em quatro locais: a Delegacia de       nome adotado pelo torturador de Dilma.
neira, organização a que Dilma pertencia.         mum a vítima de tortura referir-se aos
    Segundo os entrevistados, porém, não          participantes do cenário da tortura como
era de praxe que um oficial da patente
desse Medeiros comandasse pessoalmen-
                                                  sendo torturadores, ainda que não te-
                                                  nham torturado com a própria mão. Ele                    ❚   LEIA MAIS SOBRE A TORTURA NOS PORÕES DE MINAS
                                                                                                                                       PÁGINA 4                        ❚
                                                                                                    O QUE JÁ FOI MOSTRADO

                                                  » O Estado de Minas iniciou                                           » Na edição de segunda-feira, o EM                                       » Ontem, o EM publicou a
                                                    domingo uma série de                                                  mostrou que bilhetes                                                     reação da Comissão da
                                                    reportagens em que revela                                             endereçados a Dilma e                                                    Verdade ao depoimento da
                                                    com exclusividade                                                     interceptados por agentes                                                presidente Dilma. Um grupo
                                                    documentos, até então                                                 militares foram os responsáveis                                          de historiadores de Minas foi
                                                    inéditos, que comprovam                                               por novas sessões de tortura em                                          mobilizado para analisar o
                                                    que a presidente Dilma                                                Minas. Os militares acreditavam                                          testemunho. Além disso,
                                                    Rousseff foi torturada nos                                            que ela teria organizado, no fim                                         mostrou as variadas formas
                                                    porões da ditadura em Juiz                                            de 1969, um plano para dar fuga                                          de castigos sofridos por
                                                    de Fora, Zona da Mata                                                 ao militante Ângelo Pezzuti, que                                         Dilma nos porões da
                                                    mineira, e não apenas em                                              usava o codinome Gabriel. Por                                            ditadura e depoimentos de
                                                    São Paulo e no Rio de                                                 causa de 22 bilhetes                                                     ex-companheiros de
                                                    Janeiro, como se pensava.                                             encaminhados para a militante                                            militância, como o ex-
                                                    Os documentos reproduzem                                              Estela, um dos codinomes usados                                          ministro Nilmário Miranda e
   FOTOS: REPRODUÇÃO/EM




                                                    o depoimento pessoal de                                               por Dilma, ela teria voltado a ser                                       Emely Salaza, que, mais
                                                    Dilma dado em outubro de                                              torturada. A série de reportagens                                        tarde, seria presidente da
                                                    2001, no qual ela relata                                              teve repercussão na imprensa                                             Comissão Especial das
                                                    com detalhes todo o                                                   internacional. A presidente leu                                          Vítimas de Minas Gerais
                                                    sofrimento vivido em Minas                                            seu conteúdo antes de embarcar                                           (Ceivt-MG). Intensificam-se
                                                    como militante política de                                            para o México, mas preferiu ficar                                        as repercussões na imprensa
                                                    codinome Estela.                                                      em silêncio.                                                             nacional e internacional.

Ept2006p0003

  • 1.
    E STA DO D E M I N A S ● Q U A R T A - F E I R A , 2 0 D E J U N H O D E 2 0 1 2 3 POLÍTICA EDITOR: Baptista Chagas de Almeida EDITOR-ASSISTENTE: Renato Scapolatempore E-MAIL: politica.em@uai.com.br TELEFONE: (31) 3263-5293 Identidade do Um rosto sem nome torturador mineiro que levou a ex- militante Dilma a vivenciar cenas de O ENDEREÇO verdadeiro terror nos DO HORROR porões do estado Durante a ditadura militar, o ainda é mistério Brasil teve pelo menos 234 centros de detenção e tortura em unidades do Exército, especialmente a partir da SANDRA KIEFER E DANIEL CAMARGOS criação em todos os estados, do Destacamento de Operações de Se é certo que a ex-militante política Informações – Centro de conhecida como Estela, codinome de Dil- Operações de Defesa Interna maRousseff,foitorturadaemJuizdeFora, (DOI-CODI), além de delegacias sofrendo sessões de choque elétrico, pau da Polícia Civil. Os métodos de deararaeatéumsoconosdentesem1970 tortura poderiam variar de – conforme mostrou o Estado de Minas centro para centro, mas, de em série de reportagens iniciada no do- forma geral, os castigos físicos e mingo – pairam dúvidas sobre a real iden- psicológicos aconteciam em tidade do torturador. Em trecho do depoi- celas especiais, equipadas com mento pessoal concedido ao Conselho de Defesa dos Direitos Humanos de Minas mesas, uma barra de ferro para Gerais (Conedh-MG), em 2001, Dilma re- as sessões de pau de arara, uma vela três possíveis nomes de torturadores, pequena engenhoca para atribuídos a dois homens presentes nas choque elétricos, além da cenas de horror vividas nos cárceres mi- cadeira dragão, que tinha a neiros. Por duas vezes durante o depoi- mesma finalidade, e mento, Dilma cita dr. Medeiros, que ela palmatórias. Algumas mais acredita, porém, se tratar de um nome fal- sofisticadas tinham proteção so. Esse mesmo torturador usaria tam- acústica. Outras podiam simular bém o falso nome de Lara. “Esse dr. Medei- situações extremas como ros aparecia de novo e ocupava um lugar intensa escuridão, calor ou frio central”, afirma. O terceiro nome é Joa- quim, identificado por ela como sendo excessivos. As sessões eram um agente de segundo nível, que poderia comandadas sempre por mais ser um inspetor ou algo assim. de um agente, que se Segundo a presidente, os torturadores revezavam numa encenação eram possivelmente agentes do Departa- macabra do bem e do mal. Para mento de Ordem Política e Social (DOPS) confundir as vítimas, um de Minas Gerais. “Acho que em Minas Ge- torturador se apresentava rais fui interrogada por civis, sobretudo excessivamente agressivo, para os dois principais identificaram-se como em seguida, entrar um outro policiais do Dops de Minas, dr. Medeiros, que se apresentava contrário às que era um nome falso”, informou Dil- agressões e solicitava a ma, em depoimento à jovem equipe da Conedh-MG, que viajou até Porto Alegre colaboração espontânea. Eles se para ouvir seis depoimentos, inclusive o Trecho do depoimento em que Dilma cita dr. Medeiros e outros dois nomes como seus torturadores tratavam por codinomes, mas da então secretária das Minas e Energia não se preocupavam em cobrir do Rio Grande do Sul. seus rostos. Alguns dos homens Durante os últimos 10 dias, desde que te uma sessão de tortura. Ainda que o co- não deixa de ser um torturador”, acredita. Vigilância Social, onde funcionava o que ganharam fama de teve acesso exclusivo ao processo de Dil- mandantedoCPORtivesseparticipadoda OctávioMedeirosmorreuem2005,aos Dops; a Delegacia de Furtos e Roubos; o violentos durante o período de ma, a reportagem do Estado de Minas tortura de Dilma, é pouco provável que a 82 anos. Ele galgou importantes patentes 12º Regimento de Infantaria, todos em exceção demonstravam até conversou com pelo menos 23 pessoas de presidente não soubesse da identidade na carreira militar. Em 1978, chegou a as- Belo Horizonte, e a Polícia do Exército do certa satisfação em serem diferentesorganizaçõespolíticasdaépoca completa de Octávio Aguiar de Medeiros, sumirachefiadoServiçoNacionaldeInte- Estado da Guanabara, hoje Rio de Janeiro. reconhecidos, como o delegado pós-64, de diversas ideologias, incluindo dizendo em outro trecho do depoimento ligência (SNI), em substituição a João Bap- A principal hipótese é de que a carta Sérgio Paranhos Fleury, que fontes da alta cúpula do Exército. Até ago- que dr. Medeiros se tratava de um “nome tista Figueiredo, que assumiu o posto de foi redigida por Ângelo Pezzuti (principal tinha prazer em informar aos ra,porém,nãohouvecomocravaraidenti- falso”. “Dilma tem memória de elefante e último presidente da ditadura militar no dirigente do Colina e que levou Dilma a dade do torturador mineiro. Coincidência não iria confundir o nome de seu tortura- país.Foiduranteoperíodoquecomandou ser torturada em Juiz de Fora ao endere- presos políticos ter sido autor da é que quem assina o Inquérito Policial Mi- dor, ainda que tenham se passado 30 anos o SNI, que ocorreu o atentado fracassado çar a ela bilhetinhos com um plano de fu- morte de militantes como Carlos litar(IPM)deDilmaemJuizdeFora,conce- do fato”, afirma uma fonte, que conhece no RioCentro, quando duas bombas ex- ga da prisão sob o codinome Gabriel). O Marighella. (Maria Clara Prates) dido sob tortura, é Octávio Aguiar de Me- bem a presidente, desde a época de sua plodiram em poder dos militares no cen- documento teria sido entregue aos fami- deiros,umdosnomesmaisproeminentes militância política em Belo Horizonte. trodeconvençõesdoRio,emabrilde1981. liares dele, no início de 1970. Na carta, entreosmilitaresdaépoca.Noiníciodadé- “Embora ainda fosse um ‘zé ninguém’ em Outra possibilidade para encontrar o constam os nomes de cinco torturadores: cadade1970elefoicomandantedoCentro BH, perto do que se tornaria mais tarde, torturador da Dilma em Minas Gerais é Luis Soares da Rocha, Mário Cândido da de Preparação de Oficiais da Reserva todo mundo sabia quem era o Medeiros buscar com lupa na Carta de Linhares, co- Rocha, José Pereira e José Reis. O quinto (CPOR), em Belo Horizonte, e teria sido res- naquelaépocadomovimentoestudantil”, mo foi chamado o documento de 28 pá- nome revela mais uma coincidência, pois ponsável por acabar com o Comando de garante outra, que prefere manter o ano- ginas que detalha a tortura sofrida por é Lara Rezende, o mesmo nome do codi- LibertaçãoNacional(Colina)nacapitalmi- nimato. Segundo outra pessoa, “é co- presos em quatro locais: a Delegacia de nome adotado pelo torturador de Dilma. neira, organização a que Dilma pertencia. mum a vítima de tortura referir-se aos Segundo os entrevistados, porém, não participantes do cenário da tortura como era de praxe que um oficial da patente desse Medeiros comandasse pessoalmen- sendo torturadores, ainda que não te- nham torturado com a própria mão. Ele ❚ LEIA MAIS SOBRE A TORTURA NOS PORÕES DE MINAS PÁGINA 4 ❚ O QUE JÁ FOI MOSTRADO » O Estado de Minas iniciou » Na edição de segunda-feira, o EM » Ontem, o EM publicou a domingo uma série de mostrou que bilhetes reação da Comissão da reportagens em que revela endereçados a Dilma e Verdade ao depoimento da com exclusividade interceptados por agentes presidente Dilma. Um grupo documentos, até então militares foram os responsáveis de historiadores de Minas foi inéditos, que comprovam por novas sessões de tortura em mobilizado para analisar o que a presidente Dilma Minas. Os militares acreditavam testemunho. Além disso, Rousseff foi torturada nos que ela teria organizado, no fim mostrou as variadas formas porões da ditadura em Juiz de 1969, um plano para dar fuga de castigos sofridos por de Fora, Zona da Mata ao militante Ângelo Pezzuti, que Dilma nos porões da mineira, e não apenas em usava o codinome Gabriel. Por ditadura e depoimentos de São Paulo e no Rio de causa de 22 bilhetes ex-companheiros de Janeiro, como se pensava. encaminhados para a militante militância, como o ex- Os documentos reproduzem Estela, um dos codinomes usados ministro Nilmário Miranda e FOTOS: REPRODUÇÃO/EM o depoimento pessoal de por Dilma, ela teria voltado a ser Emely Salaza, que, mais Dilma dado em outubro de torturada. A série de reportagens tarde, seria presidente da 2001, no qual ela relata teve repercussão na imprensa Comissão Especial das com detalhes todo o internacional. A presidente leu Vítimas de Minas Gerais sofrimento vivido em Minas seu conteúdo antes de embarcar (Ceivt-MG). Intensificam-se como militante política de para o México, mas preferiu ficar as repercussões na imprensa codinome Estela. em silêncio. nacional e internacional.