Em entrevista ao JT, o diretor-geral
da ATP revela os pontos essenciais
do Plano Estratégico para o “Cluster
Têxtil Moda 2020”, cuja apresenta-
ção oficial terá lugar a 24 de setem-
bro no âmbito do XVI Fórum da In-
dústria Têxtil.
Na estação quente do próximo ano, os
homens vão trocar o formal pelo ca-
sual, bebendo inspiração no sports-
wear e workwear. A moda masculina
assume um estilo híbrido nos desfiles
em Milão e o seu lado mais andrógino
nas passerelles de Paris.
Integrado naquela que já vai ser a 4.ª
edição da Porto Fashion Week, o úni-
co salão de tecidos e acessórios euro-
peus que se realiza em Portugal está
de regresso ao Edifício da Alfândega
do Porto nos dias 24 e 25 de setem-
bro. Esta edição anuncia como lema
o “Nonsense” e promete dois dias de
muito trabalho mas também muita ir-
reverência e animação, que começa-
rão logo por uma festa com desfile
de moda no Passeio dos Clérigos, em
pleno coração da Invicta, a ter lugar na
noite do primeiro dia de feira.
Paulo Vaz Bom filho à Alfândega torna Moda homem
Inteligência
têxtilPágina 04
Página 14 Página 28Página 23
XVI FIT Verão 2015modtissimo
N.o 187 | setembro 2014
ASSINATURA ANUAL 39,75€
cenit | DIRETOR MANUEL LOPES TEIXEIRA
ANO XVII | MENSAL | 3,70€
JT#187-set.indd 1 8/29/14 1:34 AM
06 setembro’14 Jornal Têxtil
«Motor do
crescimento da
Ert é o mercado
automóvel»
Fernando Merino
A Ert começou em 1992 como uma em-
presa dedicada à laminagem. Que pro-
dutos e processos constituem atual-
mente as competências da empresa?
Em 1992, a Ert era uma microempresa de se-
te trabalhadores e tinha apenas uma máquina
de colagem de têxteis com espumas pelo pro-
cesso de chama. Colava forros para calçado.
Nos anos 90, a empresa foi capaz de se adap-
tar aos tempos de crise no sector do calçado e
também conseguiu aproveitar as oportunida-
des então criadas para o desenvolvimento da
indústria automóvel em Portugal. Em 2000
começou a atividade para o sector automóvel
e a administração foi modernizando a empre-
sa, fazendo com que ela crescesse e se espe-
cializasse. Atualmente somos cerca de 450
trabalhadores distribuídos por oito unidades
industriais em seis países. Do ponto de vista
industrial, somos uma empresa de colagem,
corte, costura e acabamentos de materiais
flexíveis. Tudo o que seja flexível é passível de
ser colado com as nossas tecnologias e, por
isso, colamos todo o tipo de malhas, tecidos,
não-tecidos, espumas, couros, membranas,
que são depois aplicados como materiais de
superfície para interiores de automóveis. Mas
temos outros desenvolvimentos industriais
[ tema de capa ]
Com 450 trabalhadores e 14 empresas em oito países, o grupo Ert é hoje uma das mais reputadas empresas portuguesas
no sector dos têxteis técnicos, onde para além de produtos destinados à indústria automóvel, que equipam marcas como
Porsche, Maserati, Volvo e Rolls Royce, fornece ainda os sectores do calçado, náutica ou vestuário. Vinte e dois anos depois
de ter começado com a “simples” laminagem, a empresa de São João da Madeira é cada vez mais sinónimo de inovação,
dispondo dentro de portas de um Centro de Inovação Criativa e investindo anualmente 2,5% do volume de negócios em
I&D. Fernando Merino, diretor de inovação da Ert, desvenda os projetos em curso, as tecnologias na vanguarda e as metas
futuras desta especialista em cruzar fronteiras, sejam elas da geografia, produção ou ciência.
para o mercado de bens de consumo, com
aplicações em vestuário, calçado, puericul-
tura e utilidades domésticas. Para tudo isto
dispomos de tecnologias de hotmelt, chama,
spray, vácuo e calandra, cortamos por exem-
plo têxteis e couro com máquinas de coman-
do numérico e ferramentas de corte e para as
costuras temos máquinas com intervenção de
operadoras mas também com comando nu-
mérico. Dispomos ainda de vários processos
de acabamento como a alta-frequência e a
termomoldagem.
Quais são os principais segmentos de
mercado onde atuam?
Do ponto de vista têxtil somos uma empre-
sa de têxteis técnicos, mas na realidade so-
mos uma empresa que transforma materiais
flexíveis para aplicação em mercados compe-
titivos, orientados para estilos de vida urba-
nos e modernos. A mobilidade e os bens de
consumo são os mercados estratégicos, mas o
negócio da empresa concentra-se atualmente
no sector automóvel. Para este produzimos os
medalhões das portas, os revestimentos dos
encostos de braço, dos pilares, dos painéis de
instrumentos, dos encostos de cabeça dos as-
sentos, das alavancas de velocidade, das pa-
las de sol e dos tetos. Temos também negócio
na produção para assentos da ferrovia e náu-
tica. Para o mercado dos bens de consumo
temos produtos laminados, com membranas
para aplicação em vestuário e calçado, ma-
teriais flexíveis para revestimento de equipa-
mentos de proteção em desporto motorizado
como capacetes e proteção do peito e revesti-
mentos para cadeiras de transporte de crian-
ças em bicicletas e automóveis.
O motor do crescimento da Ert tem sido o
mercado automóvel, que representa atual-
mente cerca de 85% do volume de negócio.
E as exportações têm ganho peso nos últimos
anos, o que confirma a nossa orientação para
os mercados internacionais e que está na base
da evolução do negócio. Polónia, Alemanha,
Espanha, França, Hungria, Marrocos e Ro-
ménia são os nossos principais mercados de
exportação.
Em 2013 o grupo comprou a Reiner In-
terieur na República Checa, rebatizada
Ert Automotive Bohemia. O que moti-
vou esta aquisição?
Esta empresa veio somar 100 trabalhadores e
7 milhões de euros ao grupo Ert, mas tam-
bém acrescentar novos clientes com forneci-
mentos para marcas premium como a Aston
Martin, Maserati ou Rolls Royce. Esta expan-
são insere-se na estratégia de crescimento a
Leste e na América Latina e a administração
traçou como objetivo para a República Checa
atingir em 2016 um volume de negócio de 15
milhões de euros.
Em que outros países detêm unidades
de produção?
Hoje estamos a falar de um grupo com am-
bições multinacionais, porque está instala-
do em vários países. A Ert tem unidades de
produção em Portugal, Roménia e República
Checa, uma unidade logística na Polónia e re-
presentações em Espanha, Turquia, Bélgica e
Alemanha, mas mantém os centros de deci-
são em São João da Madeira.
Atualmente, o grupo possui 14 empresas em
áreas tão distintas como os sectores auto-
móvel, ferrovia, náutica, calçado, logística e
transportes, inspeção e controlo de qualidade
em linhas de montagem, comercialização de
têxteis e colas industriais.
Quais as mais-valias da Ert face à con-
corrência?
Acima de tudo é a nossa flexibilidade indus-
trial aliada à capacidade de inovação. Os in-
vestimentos realizados em inovação tec-
nológica a partir de 2002 expandiram a
especialização e aumentaram a força compe-
titiva da Ert. Somos inovadores no automó-
vel porque levamos conceitos de outras áreas
e no sentido contrário também se verifica. E
o facto de se continuar a produzir para o cal-
JT#187-set.indd 6 8/29/14 1:34 AM
Jornal Têxtil setembro’14 07
çado, onde está o ADN da empresa e que hoje
é um sector muito inovador, a que se acres-
centam os mercados como o desporto e a pue-
ricultura, geram um efeito de simbiose entre
áreas tecnológicas.
Que investimentos efetuaram nos últi-
mos anos em I&D?
Investimos anualmente 2,5% do volume de
negócios em I&D.
Em particular, os últimos dois anos foram es-
senciais para desenhar uma estratégia de ino-
vação, arrancando com projetos de cooperação
estratégica, mas também para o desenvolvi-
mento integrado de soluções de comunicação,
conciliando criatividade, inovação e tecno-
logia, numa abordagem de marketing da ino-
vação. Isto não só nos permitiu certificar pela
Norma NP 4457 o Sistema de Gestão da Inova-
ção do produto, do processo, da organização e
do marketing, como também esteve na origem
da nossa entrada para a Rede PME Inovação da
Cotec. Investimos também numa primeira fa-
se na nossa presença no Centro Empresarial e
Tecnológico de São João da Madeira.
Estão planeados novos investimentos?
Sim, porque entretanto saímos da Sanjotec e
criámos recentemente o Centro de Inovação
Criativa, que desenvolve atividades de cria-
tividade e inovação para todo o grupo. Está
instalado na Oliva Creative Factory e assen-
ta numa estratégia de explorar de forma mais
eficaz as sinergias do Grupo Ert e de aprovei-
tar os talentos que passam pela Incubadora e
Business Centre da Oliva. Os próximos inves-
timentos estão pensados também para aqui e
planeamos o envolvimento das nossas subsi-
diárias no estrangeiro em projetos de IDI de
nível europeu.
Têm desenvolvido parcerias com di-
ferentes instituições. Que resultados
têm gerado essas parcerias?
Atualmente temos em curso projetos de IDI
com a Universidade do Minho, mas também
com as faculdades de Engenharia e de Belas
Artes da Universidade do Porto e com a Uni-
versidade de Aveiro. Temos também um pro-
jeto de IDI com o CEIIA, o Centro de Engenha-
ria Automóvel e Aeronáutica. Em suma, as
nossas grandes linhas de inovação são cinco
e focam-se em sistemas inteligentes de con-
forto e condução assistida inteligente, siste-
mas avançados de produção, sustentabilidade
e design de superfícies.
Estas parcerias estão alinhadas com a nossa po-
lítica de inovação que assenta no entendimen-
to de que para fornecer mercados competitivos
é estratégico adicionar valor através da tecno-
logia e da flexibilidade industrial, mas também
das sinergias entre a capacidade de inovação e
as alianças estratégicas com clientes, parceiros,
fornecedores, players da macro envolvente e es-
pecialmente centros de investigação.
Qual o volume de negócios do grupo em
2013?
Em 2013 o volume de negócios foi de cerca
de 54 milhões de euros e crescemos mais de
40% em relação ao ano anterior.
Que expectativas têm para o resto de
2014? E para o futuro?
Continuamos a crescer no nosso principal
mercado e temos vindo a dinamizar muito a
produção e comercialização dos nossos pro-
dutos para o mercado dos bens de consumo,
como o calçado, o vestuário e as aplicações
em desporto e, por consequência, as expec-
tativas são de crescimento ainda este ano
neste mercado. Há também uma nova abor-
dagem ao mercado nesta área e assim deci-
dimos participar já na próxima edição do Mo-
dtissimo no Porto. No futuro pretendemos
tirar partido da nossa presença global a nível
europeu para aproveitar as oportunidades do
mercado automóvel e, por isso, estamos com
os olhos postos na Europa de Leste, mas tam-
bém na América Latina.
Está ligado há muitos anos à área da
inovação: desde o Citeve, onde lançou
o fórum têxteis do futuro e o diretório
dos têxteis técnicos em Portugal, às
atuais funções como diretor de inova-
ção no Grupo Ert. Como avalia a evolu-
ção do sector dos têxteis técnicos em
Portugal e no mundo?
Há 15 anos era um sector sem expressão. O
desconhecimento era generalizado sobre o
que eram os têxteis técnicos e que empresas
existiam em Portugal. E também era um sec-
tor menos valorizado quando comparado com
o vestuário ou os têxteis-lar. Havia até asso-
ciações para os vários subsectores têxteis,
menos para os têxteis técnicos. Não é que ho-
je exista muitas mais empresas, mas sim uma
grande visibilidade do sector, que beneficiou
dessas iniciativas mas também dos apoios em
eventos internacionais que contribuíram para
a imagem e também para os negócios. Hoje
vemos empresas portuguesas de têxteis téc-
nicos a participar em feiras nos Estados Uni-
dos, na Alemanha, na China, na Rússia.
Quais as áreas dos têxteis técnicos que
acredita terem mais potencial em Por-
tugal?
O mercado português é muito pequeno e, por
isso, as empresas têm que estar orientadas
para os mercados externos. Para uma em-
presa como a Ert, o mercado interno apenas
é robusto porque fornecemos um verdadeiro
cluster como o automóvel. Isto é, tanto forne-
cemos empresas que abastecem a Autoeuro-
pa, como outras que exportam para linhas de
montagem noutros países. E fornecemos tan-
to as empresas que produzem os pilares e as
portas revestidos com têxteis, como empre-
sas que revestem assentos. Ainda que o sec-
tor da saúde possa criar oportunidades, não
vejo em Portugal outro cluster como o auto-
móvel que esteja desenhado em torno de uma
linha de montagem e que assim garanta sus-
tentabilidade para um número considerável
de empresas.
Como poderão as empresas portugue-
sas reforçar o seu posicionamento in-
ternacional no mercado dos têxteis
técnicos?
Acima de tudo têm que ser inovadoras, mas
cada empresa de têxteis técnicos é um mun-
do. Também são factos críticos os recur-
sos de que dispõe, as redes de contactos e
a capacidade de montar uma estratégia e de
investir na internacionalização, porque in-
ternacionalizar não é participar em feiras in-
ternacionais.
JT#187-set.indd 7 8/29/14 1:34 AM

Entrevista_FM_JT187

  • 1.
    Em entrevista aoJT, o diretor-geral da ATP revela os pontos essenciais do Plano Estratégico para o “Cluster Têxtil Moda 2020”, cuja apresenta- ção oficial terá lugar a 24 de setem- bro no âmbito do XVI Fórum da In- dústria Têxtil. Na estação quente do próximo ano, os homens vão trocar o formal pelo ca- sual, bebendo inspiração no sports- wear e workwear. A moda masculina assume um estilo híbrido nos desfiles em Milão e o seu lado mais andrógino nas passerelles de Paris. Integrado naquela que já vai ser a 4.ª edição da Porto Fashion Week, o úni- co salão de tecidos e acessórios euro- peus que se realiza em Portugal está de regresso ao Edifício da Alfândega do Porto nos dias 24 e 25 de setem- bro. Esta edição anuncia como lema o “Nonsense” e promete dois dias de muito trabalho mas também muita ir- reverência e animação, que começa- rão logo por uma festa com desfile de moda no Passeio dos Clérigos, em pleno coração da Invicta, a ter lugar na noite do primeiro dia de feira. Paulo Vaz Bom filho à Alfândega torna Moda homem Inteligência têxtilPágina 04 Página 14 Página 28Página 23 XVI FIT Verão 2015modtissimo N.o 187 | setembro 2014 ASSINATURA ANUAL 39,75€ cenit | DIRETOR MANUEL LOPES TEIXEIRA ANO XVII | MENSAL | 3,70€ JT#187-set.indd 1 8/29/14 1:34 AM
  • 2.
    06 setembro’14 JornalTêxtil «Motor do crescimento da Ert é o mercado automóvel» Fernando Merino A Ert começou em 1992 como uma em- presa dedicada à laminagem. Que pro- dutos e processos constituem atual- mente as competências da empresa? Em 1992, a Ert era uma microempresa de se- te trabalhadores e tinha apenas uma máquina de colagem de têxteis com espumas pelo pro- cesso de chama. Colava forros para calçado. Nos anos 90, a empresa foi capaz de se adap- tar aos tempos de crise no sector do calçado e também conseguiu aproveitar as oportunida- des então criadas para o desenvolvimento da indústria automóvel em Portugal. Em 2000 começou a atividade para o sector automóvel e a administração foi modernizando a empre- sa, fazendo com que ela crescesse e se espe- cializasse. Atualmente somos cerca de 450 trabalhadores distribuídos por oito unidades industriais em seis países. Do ponto de vista industrial, somos uma empresa de colagem, corte, costura e acabamentos de materiais flexíveis. Tudo o que seja flexível é passível de ser colado com as nossas tecnologias e, por isso, colamos todo o tipo de malhas, tecidos, não-tecidos, espumas, couros, membranas, que são depois aplicados como materiais de superfície para interiores de automóveis. Mas temos outros desenvolvimentos industriais [ tema de capa ] Com 450 trabalhadores e 14 empresas em oito países, o grupo Ert é hoje uma das mais reputadas empresas portuguesas no sector dos têxteis técnicos, onde para além de produtos destinados à indústria automóvel, que equipam marcas como Porsche, Maserati, Volvo e Rolls Royce, fornece ainda os sectores do calçado, náutica ou vestuário. Vinte e dois anos depois de ter começado com a “simples” laminagem, a empresa de São João da Madeira é cada vez mais sinónimo de inovação, dispondo dentro de portas de um Centro de Inovação Criativa e investindo anualmente 2,5% do volume de negócios em I&D. Fernando Merino, diretor de inovação da Ert, desvenda os projetos em curso, as tecnologias na vanguarda e as metas futuras desta especialista em cruzar fronteiras, sejam elas da geografia, produção ou ciência. para o mercado de bens de consumo, com aplicações em vestuário, calçado, puericul- tura e utilidades domésticas. Para tudo isto dispomos de tecnologias de hotmelt, chama, spray, vácuo e calandra, cortamos por exem- plo têxteis e couro com máquinas de coman- do numérico e ferramentas de corte e para as costuras temos máquinas com intervenção de operadoras mas também com comando nu- mérico. Dispomos ainda de vários processos de acabamento como a alta-frequência e a termomoldagem. Quais são os principais segmentos de mercado onde atuam? Do ponto de vista têxtil somos uma empre- sa de têxteis técnicos, mas na realidade so- mos uma empresa que transforma materiais flexíveis para aplicação em mercados compe- titivos, orientados para estilos de vida urba- nos e modernos. A mobilidade e os bens de consumo são os mercados estratégicos, mas o negócio da empresa concentra-se atualmente no sector automóvel. Para este produzimos os medalhões das portas, os revestimentos dos encostos de braço, dos pilares, dos painéis de instrumentos, dos encostos de cabeça dos as- sentos, das alavancas de velocidade, das pa- las de sol e dos tetos. Temos também negócio na produção para assentos da ferrovia e náu- tica. Para o mercado dos bens de consumo temos produtos laminados, com membranas para aplicação em vestuário e calçado, ma- teriais flexíveis para revestimento de equipa- mentos de proteção em desporto motorizado como capacetes e proteção do peito e revesti- mentos para cadeiras de transporte de crian- ças em bicicletas e automóveis. O motor do crescimento da Ert tem sido o mercado automóvel, que representa atual- mente cerca de 85% do volume de negócio. E as exportações têm ganho peso nos últimos anos, o que confirma a nossa orientação para os mercados internacionais e que está na base da evolução do negócio. Polónia, Alemanha, Espanha, França, Hungria, Marrocos e Ro- ménia são os nossos principais mercados de exportação. Em 2013 o grupo comprou a Reiner In- terieur na República Checa, rebatizada Ert Automotive Bohemia. O que moti- vou esta aquisição? Esta empresa veio somar 100 trabalhadores e 7 milhões de euros ao grupo Ert, mas tam- bém acrescentar novos clientes com forneci- mentos para marcas premium como a Aston Martin, Maserati ou Rolls Royce. Esta expan- são insere-se na estratégia de crescimento a Leste e na América Latina e a administração traçou como objetivo para a República Checa atingir em 2016 um volume de negócio de 15 milhões de euros. Em que outros países detêm unidades de produção? Hoje estamos a falar de um grupo com am- bições multinacionais, porque está instala- do em vários países. A Ert tem unidades de produção em Portugal, Roménia e República Checa, uma unidade logística na Polónia e re- presentações em Espanha, Turquia, Bélgica e Alemanha, mas mantém os centros de deci- são em São João da Madeira. Atualmente, o grupo possui 14 empresas em áreas tão distintas como os sectores auto- móvel, ferrovia, náutica, calçado, logística e transportes, inspeção e controlo de qualidade em linhas de montagem, comercialização de têxteis e colas industriais. Quais as mais-valias da Ert face à con- corrência? Acima de tudo é a nossa flexibilidade indus- trial aliada à capacidade de inovação. Os in- vestimentos realizados em inovação tec- nológica a partir de 2002 expandiram a especialização e aumentaram a força compe- titiva da Ert. Somos inovadores no automó- vel porque levamos conceitos de outras áreas e no sentido contrário também se verifica. E o facto de se continuar a produzir para o cal- JT#187-set.indd 6 8/29/14 1:34 AM
  • 3.
    Jornal Têxtil setembro’1407 çado, onde está o ADN da empresa e que hoje é um sector muito inovador, a que se acres- centam os mercados como o desporto e a pue- ricultura, geram um efeito de simbiose entre áreas tecnológicas. Que investimentos efetuaram nos últi- mos anos em I&D? Investimos anualmente 2,5% do volume de negócios em I&D. Em particular, os últimos dois anos foram es- senciais para desenhar uma estratégia de ino- vação, arrancando com projetos de cooperação estratégica, mas também para o desenvolvi- mento integrado de soluções de comunicação, conciliando criatividade, inovação e tecno- logia, numa abordagem de marketing da ino- vação. Isto não só nos permitiu certificar pela Norma NP 4457 o Sistema de Gestão da Inova- ção do produto, do processo, da organização e do marketing, como também esteve na origem da nossa entrada para a Rede PME Inovação da Cotec. Investimos também numa primeira fa- se na nossa presença no Centro Empresarial e Tecnológico de São João da Madeira. Estão planeados novos investimentos? Sim, porque entretanto saímos da Sanjotec e criámos recentemente o Centro de Inovação Criativa, que desenvolve atividades de cria- tividade e inovação para todo o grupo. Está instalado na Oliva Creative Factory e assen- ta numa estratégia de explorar de forma mais eficaz as sinergias do Grupo Ert e de aprovei- tar os talentos que passam pela Incubadora e Business Centre da Oliva. Os próximos inves- timentos estão pensados também para aqui e planeamos o envolvimento das nossas subsi- diárias no estrangeiro em projetos de IDI de nível europeu. Têm desenvolvido parcerias com di- ferentes instituições. Que resultados têm gerado essas parcerias? Atualmente temos em curso projetos de IDI com a Universidade do Minho, mas também com as faculdades de Engenharia e de Belas Artes da Universidade do Porto e com a Uni- versidade de Aveiro. Temos também um pro- jeto de IDI com o CEIIA, o Centro de Engenha- ria Automóvel e Aeronáutica. Em suma, as nossas grandes linhas de inovação são cinco e focam-se em sistemas inteligentes de con- forto e condução assistida inteligente, siste- mas avançados de produção, sustentabilidade e design de superfícies. Estas parcerias estão alinhadas com a nossa po- lítica de inovação que assenta no entendimen- to de que para fornecer mercados competitivos é estratégico adicionar valor através da tecno- logia e da flexibilidade industrial, mas também das sinergias entre a capacidade de inovação e as alianças estratégicas com clientes, parceiros, fornecedores, players da macro envolvente e es- pecialmente centros de investigação. Qual o volume de negócios do grupo em 2013? Em 2013 o volume de negócios foi de cerca de 54 milhões de euros e crescemos mais de 40% em relação ao ano anterior. Que expectativas têm para o resto de 2014? E para o futuro? Continuamos a crescer no nosso principal mercado e temos vindo a dinamizar muito a produção e comercialização dos nossos pro- dutos para o mercado dos bens de consumo, como o calçado, o vestuário e as aplicações em desporto e, por consequência, as expec- tativas são de crescimento ainda este ano neste mercado. Há também uma nova abor- dagem ao mercado nesta área e assim deci- dimos participar já na próxima edição do Mo- dtissimo no Porto. No futuro pretendemos tirar partido da nossa presença global a nível europeu para aproveitar as oportunidades do mercado automóvel e, por isso, estamos com os olhos postos na Europa de Leste, mas tam- bém na América Latina. Está ligado há muitos anos à área da inovação: desde o Citeve, onde lançou o fórum têxteis do futuro e o diretório dos têxteis técnicos em Portugal, às atuais funções como diretor de inova- ção no Grupo Ert. Como avalia a evolu- ção do sector dos têxteis técnicos em Portugal e no mundo? Há 15 anos era um sector sem expressão. O desconhecimento era generalizado sobre o que eram os têxteis técnicos e que empresas existiam em Portugal. E também era um sec- tor menos valorizado quando comparado com o vestuário ou os têxteis-lar. Havia até asso- ciações para os vários subsectores têxteis, menos para os têxteis técnicos. Não é que ho- je exista muitas mais empresas, mas sim uma grande visibilidade do sector, que beneficiou dessas iniciativas mas também dos apoios em eventos internacionais que contribuíram para a imagem e também para os negócios. Hoje vemos empresas portuguesas de têxteis téc- nicos a participar em feiras nos Estados Uni- dos, na Alemanha, na China, na Rússia. Quais as áreas dos têxteis técnicos que acredita terem mais potencial em Por- tugal? O mercado português é muito pequeno e, por isso, as empresas têm que estar orientadas para os mercados externos. Para uma em- presa como a Ert, o mercado interno apenas é robusto porque fornecemos um verdadeiro cluster como o automóvel. Isto é, tanto forne- cemos empresas que abastecem a Autoeuro- pa, como outras que exportam para linhas de montagem noutros países. E fornecemos tan- to as empresas que produzem os pilares e as portas revestidos com têxteis, como empre- sas que revestem assentos. Ainda que o sec- tor da saúde possa criar oportunidades, não vejo em Portugal outro cluster como o auto- móvel que esteja desenhado em torno de uma linha de montagem e que assim garanta sus- tentabilidade para um número considerável de empresas. Como poderão as empresas portugue- sas reforçar o seu posicionamento in- ternacional no mercado dos têxteis técnicos? Acima de tudo têm que ser inovadoras, mas cada empresa de têxteis técnicos é um mun- do. Também são factos críticos os recur- sos de que dispõe, as redes de contactos e a capacidade de montar uma estratégia e de investir na internacionalização, porque in- ternacionalizar não é participar em feiras in- ternacionais. JT#187-set.indd 7 8/29/14 1:34 AM