Filme: O Encouraçado Potemkin Comentários : Prof. Ms. Fabio  Augusto  de Oliveira Santos – DEHG - FAI
Problematizando o filme 1º momento:  Para entender o filme – contexto histórico do período. 2º momento:  Apresentação do filme  3º momento:  O filme como arte 4º momento:  Para ensinar e aprender história – a utilização do filme em sala de aula.
O contexto histórico  abordado no filme   Ano de 1905: O ensaio geral da Revolução na Rússia .
No poder estava o czar Nicolau II
Um dos países mais pobres da Europa. Poucas indústrias (capital estrangeiro da Bélgica, França, Alemanha e Inglaterra). Concentração fundiária (boiardos = nobres proprietários). Camponeses (mujiques) explorados de forma quase feudal. Ausência de liberdades individuais. Igreja Ortodoxa monopolizava o ensino e possuía privilégios. Economia e sociedade na Rússia em 1905
1905: Crise de abastecimento, inflação, greves...
A guerra contra o Japão – disputa pela Manchúria – derrota russa
Situação encontrada pelos soldados na Rússia
O Domingo Sangrento (1905)
“ Senhor! Não recuses ajudar o Teu povo! Derruba a muralha que Te separa do Teu povo! Ordena que seja dada satisfação aos nossos pedidos, ordena-o publicamente e tornarás a Rússia feliz; se não, estamos prontos a morrer aqui mesmo. Só temos dois caminhos: a liberdade e a felicidade ou o túmulo.”
A revolta no Encouraçado Potemkin
Apresentação do filme Ano:  1925 Direção:  Serguei Eisenstein  Gênero:  Drama Filmado em Preto e Branco Duração:  75 minutos Elenco: - Aleksandr Antonov - Vladimir Barski - Grigori Aleksandrov - A. Levchin Produção: Iakov Bliokh
Sinopse do filme Feito sob encomenda para comemorar os 20 anos da Revolução Soviética, o filme fixa-se no motim dos marinheiros de 1905, que se rebelaram contra a tirania de seus comandantes e assumiram o controle do navio de guerra Potemkin. O estopim do motim deu-se quando foi dada carne estragada aos marinheiros. Muitos se recusaram a comer e os oficiais do navio decidiram executar os rebelados. A situação, então, sai de controle. Momentos antes do fuzilamento, um marinheiro grita para os soldados encarregados da execução e pede para que pensem e decidam se estão com os oficiais ou com os marinheiros. Os soldados hesitam e abaixam suas armas. Louco de ódio, um oficial tenta agarrar um dos rifles e provoca uma revolta no navio, dando início a uma grande tragédia.
A divisão encontrada no filme 1ª parte: Os homens e os vermes 2ª parte: Drama no golfo Tendra 3ª parte: O morto grita 4ª parte: A escada de Odessa 5ª parte: O encontro com a esquadra
Os homens e os vermes
Situa a idéia do tempo, através de um diálogo entre os marujos Vakulintchuk e Matiuchenko, no início do levante operário da Revolução Russa de 1905.  O espaço é o do Encouraçado Potemkin na Baía do Tendra (Mar Negro), próximo à cidade de Odessa (Ucrânia). A crise do país é micro-representada na  carne com vermes  que será servida aos marinheiros do Encouraçado, avaliada como boa pelo oficial médico Smirnov.  Os marinheiros, revoltados com a situação, recusam-se a comer a sopa e furtam os enlatados reservados aos oficiais.
Drama no golfo Tendra
* Todos chamados ao convés, constrói-se no navio metaforicamente a estratificação social russa: o almirante Guiliarovsky (o Czar Nicolau II), oficiais do primeiro escalão (a aristocracia), a guarda (o exército imperial), os "dragões" do segundo escalão (a burguesia) e os marinheiros não graduados (o proletariado).  * Questionados pelo almirante sobre a boa qualidade sopa, começam a aderir os oficiais e a maioria dos marujos. A aceitação da  carne podre  representa a  aceitação do "regime"  do Czar.
"A  maioria  aderiu" simboliza os  Mencheviques  do Partido Social Democrata russo.  Ao final da "adesão" a minoria (Bolchevique) é encurralada num canto da  proa , simbolizando sua posição de  vanguarda , dos que vão "à frente".  Ao perceber o risco que correm, alguns marujos tentam fugir pela escotilha do almirante mas são violentamente impedidos pelo próprio almirante, simbolizando a inacessibilidade do povo aos privilégios da elite.
Aparece (nas  alturas  do convés) o pastor (figura estranhíssima, quase demoníaca, de olhar obsessivo) que afirma "Senhor, fazei-os voltar à obediência", mostrando o apoio da Igreja ao  status quo . Um close passeia por vários elementos repertoriais metálicos: mostra uma  cruz  na mão do pastor (símbolo do poder eclesiástico), passa para a  espada  (arma branca) de um oficial (poder imperial), para as  armas de fogo  (arma negra) da guarda (poder militar) e em seguida para a  corneta  (voz metálica).
O almirante persegue e mata Vakulintchuk com um  tiro pelas costas , representando a perseguição e risco das lideranças populares. A parte II se encerra com a cena de vários  marujos jogando-se ao mar  para tentar salvar Vakulintchuk, mostrando a camaradagem como valor revolucionário.
O morto grita
Parte mais pesarosa e reflexiva do filme. Expõe o percurso desde o velamento do mártir, onde a população de Odessa chora a morte do herói, até a revolta das massas ocorrida a partir da provocação de um burguês anti-semita. Nesta parte é dito por um marinheiro "Um por todos e todos por um", uma das principais frases do filme.
Vela  - símbolo da iluminação, fonte da consciência e da vigília.  Pescadores  - proletário é o real produtor de bens indispensáveis.  Escadaria  - símbolo da estratificação social e das divisões hierárquicas.  Procissão  - representando a necessidade da movimentação social, coletiva.  Moedas doadas  - solidariedade como valor.  Leitura do manifesto  - tomada de consciência. É o morto que  conclama  o povo à revolta.
A escada de Odessa
Aqui se desenrola o massacre do povo de Odessa pela guarda imperial do Czar. Cenas de alta dramaticidade reproduzem a verve assassina e cruel do exército frente a mulheres, crianças e homens desarmados. É nesta parte que ocorre uma cena que ficou para a história do cinema, citada por vários diretores: a do carrinho de bebê que rola escada abaixo após a morte da mãe.
Outro ponto importante é quando uma  criança  é atingida, desfalece e é  pisoteada . A câmera dá um close na pisada que um homem dá em sua mão. Sua mãe enlouquece. Toma o filho no colo para denunciar a insanidade do massacre. Anda contra a corrente da multidão que foge e é impiedosamente morta pelo exército. Ênfase na  crueldade . A referência à figura da  mãe  pode simbolizar o desprezo à fraternidade e a incapacidade dos homens do exército em reconhecer sua igualdade de origem com o povo de Odessa.
O encontro com a esquadra
* Uma assembléia dos marujos discute sobre o seu desembarque para auxiliar o povo de Odessa. A notícia de que a  esquadra imperial  está a caminho faz com que decidam se preparar para enfrentá-la. Ela representa a figura do Czar que deve ser derrotado. *  A  espera  pela chegada da esquadra mescla, paradoxalmente, um clima de tensão e de estaticidade.
*  O clima se torna altamente dinâmico, com a preparação do couraçado para o combate. Todos correm e a música acelera o ritmo.  * A ordem " máquinas  a todo  vapor " é seguida por imagens de pistões (máquinas) e da chaminé expelindo fumaça (vapor). Esse ciclo é repetido, aumentando a tensão.
A frase "um por todos e todos por um" da se torna nesse instante "um contra todos e todos contra um".  Como última tentativa, o Potemkin manda uma  mensagem  para a esquadra incitando os outros barcos a aderirem à Revolução, o que efetivamente ocorre, encerrando o filme numa espécie de "anti-clímax" pacífico representado pelo "hurra" geral e o hasteamento da  bandeira vermelha  do socialismo.
O filme é um clássico do cinema? Não há arte revolucionária sem forma revolucionária”  (Vladimir Maiakovski)
O Encouraçado Potemkin pertence à categoria dos filmes que apresentaram um impacto tão grande no desenvolvimento do cinema, que se deve utilizá-lo como um marco, que determina um antes e um depois deste filme. Como em todo filme de referência, o mito e a fábula envolvem o filme numa aura casual, transformando-o numa quase obra do destino, num achado, embora a maioria de seus elementos fundamentais tenham sido verídicos. Por outro lado, seu conteúdo revolucionário, sua visão emocionada da revolta de uma tripulação, contrária à opressão e à fome, ainda perduram em nossa consciência anos depois, como um intenso manifesto a favor da dignidade e da solidariedade humana.
Questionamentos de um historiador... O que é importante registrar é que hoje se admite que a imagem não ilustra nem reproduz a realidade, ela a reconstrói a partir de uma linguagem própria que é produzida num dado contexto histórico. Isto quer dizer que a utilização da imagem pelo historiador pressupõe uma série de indagações que vão muito além do reconhecimento do glamour dos documentos visuais. O historiador deverá passar por um processo de educação do olhar que lhe possibilite "ler" as imagens.
Ver está implicado ao sentido físico da visão. Costumamos, todavia, usar a expressão olhar para afirmar uma outra complexidade do ver. Quando chamo alguém para olhar algo espero dele uma atenção estética, demorada e contemplativa, enquanto ao esperar que alguém veja algo, a expectativa se dirige à visualização, ainda que curiosa, sem que se espere dele o aspecto contemplativo. Ver é reto, olhar é sinuoso. Ver é sintético, olhar é analítico. Ver é imediato, olhar é mediado.  Lembrando que...
Inspirado na noção de documento - monumento de Michel Foucault, Jacques Le Goff afirma: "O documento é monumento. Resulta do esforço das sociedades históricas para impor ao futuro - voluntária ou involuntariamente - determinada imagem de si próprias. No limite, não existe um documento verdade. Todo documento é mentira. Cabe ao historiador não fazer o papel de ingênuo (-) É preciso começar por demonstrar, demolir esta montagem (a do monumento), desestruturar esta constrição e analisar as condições de produção dos documentos-monumentos."
Para Marc Ferro, no seu artigo "O filme: uma contra-análise da sociedade?" "Resta estudar o filme, associá-lo ao mundo que o produz. A hipótese? Que o filme, imagem ou não da realidade, documento ou ficção, intriga autêntica ou pura invenção, é História. O postulado? Que aquilo que não se realizou, as crenças, as intenções, o imaginário do homem, é tanto a história quanto a História."
Ainda segundo Marc Ferro... Há definição de duas vias de leitura do cinema acessíveis ao historiador: a  leitura histórica do filme  e a  leitura cinematográfica da história . A primeira corresponde à leitura do filme à luz do período em que foi produzido, ou seja, o filme lido através da história, e a segunda à leitura do filme enquanto discurso sobre o passado, isto é, a história lida através do cinema e, em particular, dos "filmes históricos".
Filme, história, educação... “ (...) escrito, arqueológico, figurativo, oral, que é interrogar os silêncios da História (...) algo que nos foi dado intencionalmente, ele é o produto de uma certa orientação da História, de que devemos fazer crítica, não só segundo as regras do método, que obviamente continuam necessárias a um certo nível, mas também de uma maneira que eu qualificaria de quase ideológica. É preciso para explicar e reconhecer o documento o seu caráter sempre mais ou menos fabricado...”
Objetivos a serem atingidos ao se trabalhar filmes em sala de aula Transmitir uma memória coletiva, revista e corrigida a cada geração, que coloca o aluno diante de uma consciência coletiva; Formar a capacidade de julgar - comparando sociedades em épocas diferentes, e a existência delas ao mesmo tempo em locais diferentes - que tem como efeito social o desenvolvimento do espírito crítico e da tolerância; Analisar uma situação - aprendendo a isolar os componentes e as relações de força de um acontecimento ou de uma situação - que leva ao refinamento do espírito, antídoto ao simplismo de pensamento; Formar a consciência política como instrumento de coesão social, memória de um grupo que toma consciência de um destino comum.
Finalizando... O Encouraçado Potemkin é uma obra de arte e como toda arte devemos, segundo Paul Valéry, disse que uma obra de arte deveria nos ensinar que não vimos aquilo que vemos. Que ver é não ver. Dirá Lacan: ver é perder. Perder algo do objeto, algo do que contemplamos, por que jamais podemos contemplar o todo. O que se mostra só se mostra por que não o vemos. Neste processo está implicado o que podemos chamar o silêncio da visão: abrimo-nos à experiência do olhar no momento em que o objeto nos impede de ver. Uma obra de arte não nos deixa ver. Ela nos faz pensar. Então, olhamos para ela e vemos.

Encouraçado Potemkin

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    Filme: O EncouraçadoPotemkin Comentários : Prof. Ms. Fabio Augusto de Oliveira Santos – DEHG - FAI
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    Problematizando o filme1º momento: Para entender o filme – contexto histórico do período. 2º momento: Apresentação do filme 3º momento: O filme como arte 4º momento: Para ensinar e aprender história – a utilização do filme em sala de aula.
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    O contexto histórico abordado no filme Ano de 1905: O ensaio geral da Revolução na Rússia .
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    No poder estavao czar Nicolau II
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    Um dos paísesmais pobres da Europa. Poucas indústrias (capital estrangeiro da Bélgica, França, Alemanha e Inglaterra). Concentração fundiária (boiardos = nobres proprietários). Camponeses (mujiques) explorados de forma quase feudal. Ausência de liberdades individuais. Igreja Ortodoxa monopolizava o ensino e possuía privilégios. Economia e sociedade na Rússia em 1905
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    1905: Crise deabastecimento, inflação, greves...
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    A guerra contrao Japão – disputa pela Manchúria – derrota russa
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    Situação encontrada pelossoldados na Rússia
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    “ Senhor! Nãorecuses ajudar o Teu povo! Derruba a muralha que Te separa do Teu povo! Ordena que seja dada satisfação aos nossos pedidos, ordena-o publicamente e tornarás a Rússia feliz; se não, estamos prontos a morrer aqui mesmo. Só temos dois caminhos: a liberdade e a felicidade ou o túmulo.”
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    A revolta noEncouraçado Potemkin
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    Apresentação do filmeAno: 1925 Direção: Serguei Eisenstein Gênero: Drama Filmado em Preto e Branco Duração: 75 minutos Elenco: - Aleksandr Antonov - Vladimir Barski - Grigori Aleksandrov - A. Levchin Produção: Iakov Bliokh
  • 13.
    Sinopse do filmeFeito sob encomenda para comemorar os 20 anos da Revolução Soviética, o filme fixa-se no motim dos marinheiros de 1905, que se rebelaram contra a tirania de seus comandantes e assumiram o controle do navio de guerra Potemkin. O estopim do motim deu-se quando foi dada carne estragada aos marinheiros. Muitos se recusaram a comer e os oficiais do navio decidiram executar os rebelados. A situação, então, sai de controle. Momentos antes do fuzilamento, um marinheiro grita para os soldados encarregados da execução e pede para que pensem e decidam se estão com os oficiais ou com os marinheiros. Os soldados hesitam e abaixam suas armas. Louco de ódio, um oficial tenta agarrar um dos rifles e provoca uma revolta no navio, dando início a uma grande tragédia.
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    A divisão encontradano filme 1ª parte: Os homens e os vermes 2ª parte: Drama no golfo Tendra 3ª parte: O morto grita 4ª parte: A escada de Odessa 5ª parte: O encontro com a esquadra
  • 15.
    Os homens eos vermes
  • 16.
    Situa a idéiado tempo, através de um diálogo entre os marujos Vakulintchuk e Matiuchenko, no início do levante operário da Revolução Russa de 1905. O espaço é o do Encouraçado Potemkin na Baía do Tendra (Mar Negro), próximo à cidade de Odessa (Ucrânia). A crise do país é micro-representada na carne com vermes que será servida aos marinheiros do Encouraçado, avaliada como boa pelo oficial médico Smirnov. Os marinheiros, revoltados com a situação, recusam-se a comer a sopa e furtam os enlatados reservados aos oficiais.
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    * Todos chamadosao convés, constrói-se no navio metaforicamente a estratificação social russa: o almirante Guiliarovsky (o Czar Nicolau II), oficiais do primeiro escalão (a aristocracia), a guarda (o exército imperial), os "dragões" do segundo escalão (a burguesia) e os marinheiros não graduados (o proletariado). * Questionados pelo almirante sobre a boa qualidade sopa, começam a aderir os oficiais e a maioria dos marujos. A aceitação da carne podre representa a aceitação do "regime" do Czar.
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    "A maioria aderiu" simboliza os Mencheviques do Partido Social Democrata russo. Ao final da "adesão" a minoria (Bolchevique) é encurralada num canto da proa , simbolizando sua posição de vanguarda , dos que vão "à frente". Ao perceber o risco que correm, alguns marujos tentam fugir pela escotilha do almirante mas são violentamente impedidos pelo próprio almirante, simbolizando a inacessibilidade do povo aos privilégios da elite.
  • 20.
    Aparece (nas alturas do convés) o pastor (figura estranhíssima, quase demoníaca, de olhar obsessivo) que afirma "Senhor, fazei-os voltar à obediência", mostrando o apoio da Igreja ao status quo . Um close passeia por vários elementos repertoriais metálicos: mostra uma cruz na mão do pastor (símbolo do poder eclesiástico), passa para a espada (arma branca) de um oficial (poder imperial), para as armas de fogo (arma negra) da guarda (poder militar) e em seguida para a corneta (voz metálica).
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    O almirante perseguee mata Vakulintchuk com um tiro pelas costas , representando a perseguição e risco das lideranças populares. A parte II se encerra com a cena de vários marujos jogando-se ao mar para tentar salvar Vakulintchuk, mostrando a camaradagem como valor revolucionário.
  • 22.
  • 23.
    Parte mais pesarosae reflexiva do filme. Expõe o percurso desde o velamento do mártir, onde a população de Odessa chora a morte do herói, até a revolta das massas ocorrida a partir da provocação de um burguês anti-semita. Nesta parte é dito por um marinheiro "Um por todos e todos por um", uma das principais frases do filme.
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    Vela -símbolo da iluminação, fonte da consciência e da vigília. Pescadores - proletário é o real produtor de bens indispensáveis. Escadaria - símbolo da estratificação social e das divisões hierárquicas. Procissão - representando a necessidade da movimentação social, coletiva. Moedas doadas - solidariedade como valor. Leitura do manifesto - tomada de consciência. É o morto que conclama o povo à revolta.
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    Aqui se desenrolao massacre do povo de Odessa pela guarda imperial do Czar. Cenas de alta dramaticidade reproduzem a verve assassina e cruel do exército frente a mulheres, crianças e homens desarmados. É nesta parte que ocorre uma cena que ficou para a história do cinema, citada por vários diretores: a do carrinho de bebê que rola escada abaixo após a morte da mãe.
  • 27.
    Outro ponto importanteé quando uma criança é atingida, desfalece e é pisoteada . A câmera dá um close na pisada que um homem dá em sua mão. Sua mãe enlouquece. Toma o filho no colo para denunciar a insanidade do massacre. Anda contra a corrente da multidão que foge e é impiedosamente morta pelo exército. Ênfase na crueldade . A referência à figura da mãe pode simbolizar o desprezo à fraternidade e a incapacidade dos homens do exército em reconhecer sua igualdade de origem com o povo de Odessa.
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    O encontro coma esquadra
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    * Uma assembléiados marujos discute sobre o seu desembarque para auxiliar o povo de Odessa. A notícia de que a esquadra imperial está a caminho faz com que decidam se preparar para enfrentá-la. Ela representa a figura do Czar que deve ser derrotado. * A espera pela chegada da esquadra mescla, paradoxalmente, um clima de tensão e de estaticidade.
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    * Oclima se torna altamente dinâmico, com a preparação do couraçado para o combate. Todos correm e a música acelera o ritmo. * A ordem " máquinas a todo vapor " é seguida por imagens de pistões (máquinas) e da chaminé expelindo fumaça (vapor). Esse ciclo é repetido, aumentando a tensão.
  • 31.
    A frase "umpor todos e todos por um" da se torna nesse instante "um contra todos e todos contra um". Como última tentativa, o Potemkin manda uma mensagem para a esquadra incitando os outros barcos a aderirem à Revolução, o que efetivamente ocorre, encerrando o filme numa espécie de "anti-clímax" pacífico representado pelo "hurra" geral e o hasteamento da bandeira vermelha do socialismo.
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    O filme éum clássico do cinema? Não há arte revolucionária sem forma revolucionária” (Vladimir Maiakovski)
  • 33.
    O Encouraçado Potemkinpertence à categoria dos filmes que apresentaram um impacto tão grande no desenvolvimento do cinema, que se deve utilizá-lo como um marco, que determina um antes e um depois deste filme. Como em todo filme de referência, o mito e a fábula envolvem o filme numa aura casual, transformando-o numa quase obra do destino, num achado, embora a maioria de seus elementos fundamentais tenham sido verídicos. Por outro lado, seu conteúdo revolucionário, sua visão emocionada da revolta de uma tripulação, contrária à opressão e à fome, ainda perduram em nossa consciência anos depois, como um intenso manifesto a favor da dignidade e da solidariedade humana.
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    Questionamentos de umhistoriador... O que é importante registrar é que hoje se admite que a imagem não ilustra nem reproduz a realidade, ela a reconstrói a partir de uma linguagem própria que é produzida num dado contexto histórico. Isto quer dizer que a utilização da imagem pelo historiador pressupõe uma série de indagações que vão muito além do reconhecimento do glamour dos documentos visuais. O historiador deverá passar por um processo de educação do olhar que lhe possibilite "ler" as imagens.
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    Ver está implicadoao sentido físico da visão. Costumamos, todavia, usar a expressão olhar para afirmar uma outra complexidade do ver. Quando chamo alguém para olhar algo espero dele uma atenção estética, demorada e contemplativa, enquanto ao esperar que alguém veja algo, a expectativa se dirige à visualização, ainda que curiosa, sem que se espere dele o aspecto contemplativo. Ver é reto, olhar é sinuoso. Ver é sintético, olhar é analítico. Ver é imediato, olhar é mediado. Lembrando que...
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    Inspirado na noçãode documento - monumento de Michel Foucault, Jacques Le Goff afirma: "O documento é monumento. Resulta do esforço das sociedades históricas para impor ao futuro - voluntária ou involuntariamente - determinada imagem de si próprias. No limite, não existe um documento verdade. Todo documento é mentira. Cabe ao historiador não fazer o papel de ingênuo (-) É preciso começar por demonstrar, demolir esta montagem (a do monumento), desestruturar esta constrição e analisar as condições de produção dos documentos-monumentos."
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    Para Marc Ferro,no seu artigo "O filme: uma contra-análise da sociedade?" "Resta estudar o filme, associá-lo ao mundo que o produz. A hipótese? Que o filme, imagem ou não da realidade, documento ou ficção, intriga autêntica ou pura invenção, é História. O postulado? Que aquilo que não se realizou, as crenças, as intenções, o imaginário do homem, é tanto a história quanto a História."
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    Ainda segundo MarcFerro... Há definição de duas vias de leitura do cinema acessíveis ao historiador: a leitura histórica do filme e a leitura cinematográfica da história . A primeira corresponde à leitura do filme à luz do período em que foi produzido, ou seja, o filme lido através da história, e a segunda à leitura do filme enquanto discurso sobre o passado, isto é, a história lida através do cinema e, em particular, dos "filmes históricos".
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    Filme, história, educação...“ (...) escrito, arqueológico, figurativo, oral, que é interrogar os silêncios da História (...) algo que nos foi dado intencionalmente, ele é o produto de uma certa orientação da História, de que devemos fazer crítica, não só segundo as regras do método, que obviamente continuam necessárias a um certo nível, mas também de uma maneira que eu qualificaria de quase ideológica. É preciso para explicar e reconhecer o documento o seu caráter sempre mais ou menos fabricado...”
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    Objetivos a serematingidos ao se trabalhar filmes em sala de aula Transmitir uma memória coletiva, revista e corrigida a cada geração, que coloca o aluno diante de uma consciência coletiva; Formar a capacidade de julgar - comparando sociedades em épocas diferentes, e a existência delas ao mesmo tempo em locais diferentes - que tem como efeito social o desenvolvimento do espírito crítico e da tolerância; Analisar uma situação - aprendendo a isolar os componentes e as relações de força de um acontecimento ou de uma situação - que leva ao refinamento do espírito, antídoto ao simplismo de pensamento; Formar a consciência política como instrumento de coesão social, memória de um grupo que toma consciência de um destino comum.
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    Finalizando... O EncouraçadoPotemkin é uma obra de arte e como toda arte devemos, segundo Paul Valéry, disse que uma obra de arte deveria nos ensinar que não vimos aquilo que vemos. Que ver é não ver. Dirá Lacan: ver é perder. Perder algo do objeto, algo do que contemplamos, por que jamais podemos contemplar o todo. O que se mostra só se mostra por que não o vemos. Neste processo está implicado o que podemos chamar o silêncio da visão: abrimo-nos à experiência do olhar no momento em que o objeto nos impede de ver. Uma obra de arte não nos deixa ver. Ela nos faz pensar. Então, olhamos para ela e vemos.