EgoCiência



                                e



                        Serciência



                          Ensaios


Auxílio à busca do SER, busca essa, inscrita no DNA Cósmico-
              Terreno, de cada animal humano.




               Autoria: Maria do Rocio Macedo Moraes

                       Curitiba – PR - Brasil




                                 1
Para download livre.
Informação importante: O livro EgoCiência e SerCiência ─ Ensaios (bem como o EgoCiência e
SerCiência ─ Em busca de conexões Quânticas) foi encaminhado à AMORC, como doação e
guarda, do mesmo.




                                            2
Profundos agradecimentos a:



Eloá Macedo Moraes e Vinicius Mossurunga Moraes, meus “compositores” por terem me
ensinado a ver e ouvir além do que vejo e ouço.



Cleidi, pela sua profunda afeição e despreendimento.



Gil, pela ponte através da qual cheguei ao outro lado.




                                               3
Sempre senti como se minhas moléculas estivessem confinadas a um espaço muito pequeno,
materialmente falando.

Percebia suas agitações, suas turbulências, quase ao ponto de explosão.

Então, pouco a pouco, fui aprendendo a liberá-las além de mim; sobreveio, então, a paz e o
bem-estar físico e mental.

Ofereço este livro a todas as pessoas que, como eu, sentem suas moléculas “gritando” por
mais espaço.




                                             4
“À querida filhinha Maria do Rocio, ofereço este álbum

para que nele guardes as tuas melhores recordações.



             Querida Filha:

                      Tendo

            Deus ─ como único Bem

                   a vida ─ como meio

                    a virtude ─ por sustentáculo,

            Olha teu futuro, amando sempre a virtude;

                    Entra na vida!

                              Sorri!

                                Caminha!

Lembrando-te sempre destas palavras que tua mãe escreveu, creia sempre que a
verdadeira grandeza está na virtude e não no êxito dos negócios ou de uma carreira,
porque os bens do mundo são inconstantes e podes perdê-los, ao passo que os bens
acumulados em ti mesma, a custa de aperfeiçoar-te no saber e na dignidade, nenhuma
força conseguirá destruí-los!



                      Tua mãe que muito te quer.

                                            Eloá.

                                        Curitiba, 29-5-1951”



Tomei a liberdade de iniciar este livro com palavras de minha mãe, ao dar-me de presente
um álbum, quando de meus 7 anos, completados em 05/02/51.

A página desse álbum está comigo até hoje; as palavras estão gravadas na estrutura
quântica do Ser.




                                            5
SUMÁRIO
PRÓLOGO................................................................................................................................. 10



                                               EGOCIÊNCIA E SERCIÊNCIA

                                                              ENSAIOS

                                                              PARTE 1

ESPAÇO 1 EXPLICAÇÕES PRELIMINARES .......................................................................... 13

ESPAÇO 2 MUNDO ................................................................................................................. 16

ESPAÇO 3 NÃO MUNDO........................................................................................................ 17

ESPAÇO 4 VIDA .................................................................................................................... 18

ESPAÇO 5 NÃO VIDA............................................................................................................ 19

ESPAÇO 6 MATÉRIA ............................................................................................................. 20

ESPAÇO 7 NÃO MATÉRIA ..................................................................................................... 21

ESPAÇO 8 ESPAÇO E TEMPO............................................................................................. 22

ESPAÇO 9 NÃO PENSAR ...................................................................................................... 23

ESPAÇO 10 CONSIDERAÇÕES SOBRE ESTÁGIO E ESTADO ........................................... 24

ESPAÇO 11 O AGORA ........................................................................................................... 25

ESPAÇO 12 A PERFEITA COMPOSIÇÃO ............................................................................. 26

ESPAÇO 13 O TEMPO, PASSA? .......................................................................................... 28

ESPAÇO 14 “VIAGEM” À NÃO MATÉRIA............................................................................... 29

ESPAÇO 15 SENTINDO A NÃO MATÉRIA ............................................................................ 30

ESPAÇO 16 “RUÍDOS” DO SILÊNCIO ................................................................................... 31

ESPAÇO 17 CHOQUE DICOTÔMICO .................................................................................... 32

ESPAÇO 18 DE ONDE VIM? PARA ONDE IREI? ................................................................ 33

ESPAÇO 19 PENSARES 1 ..................................................................................................... 34

ESPAÇO 20 PENSARES 2 ..................................................................................................... 35

ESPAÇO 21 PENSARES 3 ..................................................................................................... 36

ESPAÇO 22 PENSARES 4 .................................................................................................... 37


                                                                    6
ESPAÇO 23 PENSARES 5 ..................................................................................................... 38

ESPAÇO 24 QUEM MORRE?................................................................................................. 39

ESPAÇO 25 PENSARES 6 ................................................................................................... 40

ESPAÇO 26 ESTADO NÃO ................................................................................................... 41

ESPAÇO 27 SENTIR CONEXO ............................................................................................. 42

ESPAÇO 28 INTELIGÊNCIA E............................................................................................... 43

ESPAÇO 29 TODO CONEXO ................................................................................................ 44

ESPAÇO 30 GERAÇÃO ......................................................................................................... 45

ESPAÇO 31 PENSARES 7 ................................................................................................... 46

ESPAÇO 32 PENSARES 8 ..................................................................................................... 47

ESPAÇO 33 A FACE OCULTA DA MENTE ............................................................................ 48

ESPAÇO 34 PENSARES 9 .................................................................................................... 49

ESPAÇO 35 A PESSOA MATÉRIA........................................................................................ 50

ESPAÇO 37 E DEUS?............................................................................................................. 53

ESPAÇO 38 POR QUE DO ESTÁGIO MATÉRIA? ................................................................ 54

ESPAÇO 39 CONEXÃO ......................................................................................................... 55

ESPAÇO 40 REALIMENTAÇÃO ENERGÉTICA .................................................................... 56

ESPAÇO 41 GERAÇÃO DE UM SER PLENO ....................................................................... 57

ESPAÇO 42 FELICIDADE, O QUE É? ................................................................................... 60

ESPAÇO 43 SER PLENO ....................................................................................................... 61

ESPAÇO 44 REDE INVISÍVEL................................................................................................ 62

ESPAÇO 45 DÚVIDAS ............................................................................................................ 63

ESPAÇO 46 PENSARES 11 ................................................................................................... 64

ESPAÇO 47 PENSARES 12 ................................................................................................... 65

ESPAÇO 48 MUNDO MATÉRIA ............................................................................................. 66

ESPAÇO 49 EGOCIÊNCIA ..................................................................................................... 67

ESPAÇO 50 PENSARES 13 ................................................................................................... 68

ESPAÇO 51 DIREITO DE PENSAR E OUSAR....................................................................... 69


                                                               7
ESPAÇO 53 PENSARES 15 ................................................................................................. 71

ESPAÇO 54 PICO EVOLUTIVO............................................................................................. 72

ESPAÇO 55 O SEMPRE ........................................................................................................ 73

ESPAÇO 56 O TODO CONEXO ─ VOCÊ.............................................................................. 74

ESPAÇO 57 “EMBRIONAR-SE”.............................................................................................. 75



                                              EGOCIÊNCIA E SERCIÊNCIA

                                                            ENSAIOS

                                                             PARTE 2

EXPLICAÇÕES PRELIMINARES.............................................................................................. 77

ESPAÇO 1 MUNDO ................................................................................................................ 79

ESPAÇO 2 NÃO MUNDO.......................................................................................................... 85

ESPAÇO 3 VIDA ....................................................................................................................... 87

ESPAÇO 4 NÃO VIDA............................................................................................................. 91

ESPAÇO 5 MATÉRIA .............................................................................................................. 92

ESPAÇO 6 NÃO MATÉRIA ..................................................................................................... 95

ESPAÇO 7 ESPAÇO E TEMPO DA MATÉRIA ....................................................................... 98

ESPAÇO 8 ESPAÇO-TEMPO DA NÃO MATÉRIA ............................................................... 100

ESPAÇO 9 SENSAÇÃO DE SER............................................................................................ 103

ESPAÇO 10 PENSAR ............................................................................................................. 104

ESPAÇO 11 NÃO PENSAR .................................................................................................. 106

ESPAÇO 12 “EU SOU”.......................................................................................................... 108

ESPAÇO 13 EGOCIÊNCIA E SERCIÊNCIA .......................................................................... 113

ESPAÇO 14 PENSARES/SENTIRES ................................................................................... 120

ESPAÇO 15            UM POUCO DOS CAMINHOS PERCORRIDOS............................................. 122




                                                                   8
EGOCIÊNCIA E SERCIÊNCIA

                                                            ENSAIOS

                                                            PARTE 3

EXPLICAÇÕES PRELIMINARES............................................................................................ 127

“PRIORIDADE 1 ─                OBJETIVO MUNDIAL”......................................................................... 136

ADENDO AO EGOCIÊCIA E SERCIÊNCIA ─ PARTE 3......................................................... 136

INTRODUÇÃO......................................................................................................................... 136




                                             EGOCIÊNCIA E SERCIÊNCIA

                                                            ENSAIOS

                                                            PARTE 4

EXPLICAÇÕES PRELIMINARES............................................................................................ 144

ESPAÇO 1 PRESSENTIMENTOS/SENSAÇÕES .................................................................. 145

ESPAÇO 2           SOBRE AS 4 PARTES DO EGOCIÊNCIA E SERCIÊNCIA .............................. 152

ESPAÇO 3 EGOCIÊNCIA E SERCIÊNCIA ........................................................................... 155

ESPAÇO 4 ENERGIA............................................................................................................. 160

ESPAÇO 5 SENSAÇÃO ......................................................................................................... 165

ESPAÇO 6 EGO E SER ......................................................................................................... 170

ESPAÇO 7 MENTE E CONSCIÊNCIA .................................................................................. 174

ESPAÇO 8 UM POUCO, DE TUDO QUE FOI VISTO........................................................... 182



BIBLIOGRAFIA REFERENTE À PARTE 4 ............................................................................. 195




                                                                  9
Prólogo

A estória deste livro tem, ao todo, mais de 38 anos.
Ao nascer, ele não tinha esse título ─ EgoCiência e SerCiência; chamava-se Ensaios sobre a
Não Matéria. Como livro, propriamente dito, ele surgiu, para mim, em 1984, mas ele vinha
sendo “gestado”, sem que percebesse, desde 1970 ou, antes.
Nesse tempo de “gestação”, diferentes situações foram vivenciadas por mim, dando início a um
prolongado período de busca por explicações, em diversas áreas, que será exposto na
sequência do livro.
Para que você, leitor, possa acompanhar o passo a passo, dessa busca, ele será dividido em 4
partes diferenciadas para as quais, você terá uma pequena explicação preliminar,
principalmente para situá-las cronologicamente e enfatizar o conteúdo, de cada uma delas.
Devo confessar a você a grande dificuldade que senti em escrevê-lo; o assunto merecia uma
outra forma de exposição, diferente da linear discursiva que não consegue, na maioria das
vezes, expressar a real intensidade dos fatos e experiências.
São inúmeras as dificuldades encontradas por aqueles que sentem necessidade de expor
“descobertas” que abrangem o inacessível, à pessoa, quando de seu envolvimento maior com
a matéria, simplesmente. Essas dificuldades principiam pela forma como expor o assunto que,
em si, é extremamente simples, extremamente claro para quem já caminhou e caminha por ele,
mas que se torna complexo e aparentemente obscuro, quando o envolvemos com as palavras
passíveis de uso, para sua abordagem.
Nessa hora, tomamos consciência, de forma mais profunda, da enorme defasagem entre as
palavras passíveis de uso e a essência daquilo que desejamos expressar, através delas.
Muitos percebem essa “incapacidade”, das palavras, em transmitir a essência mesma
principalmente, do que se escreve.
No interessantíssimo livro ─ Sejam sábios, tornem-se profetas, dos físicos Georges Charpak e
Rolan Omnès, destaco o trecho a seguir: “E com efeito existem, por trás dessa aparente
magia, leis perfeitamente coerentes, hoje comprovadas em todos os seus aspectos e cuja
estranheza tem um motivo simples. Como nossa imaginação e nossa intuição foram formadas
num mundo de escala média, ou seja, em nossa própria escala, nada nos permite imaginar o
mundo dos átomos e das partículas, nem do espaço-tempo. Pior ainda, as palavras de nossa
linguagem, embora sejam perfeitamente capazes de descrever o que vemos todos os
dias, não têm a sutileza das matemáticas, de tal maneira que nos atrapalham com a
mesma frequência com que nos ajudam.”( negrito da autora)



                                               10
Assim, peço a você leitor, que procure ir ao âmago do assunto e até mesmo das palavras, pois
a sua interpretação para tudo que lerá é, para mim, o aspecto mais importante e até mesmo, a
razão de tê-lo “escrito” ─ o uso de aspas é pertinente e você saberá, em momento oportuno, a
razão.




                                            11
EgoCiência e SerCiência
                                  Ensaios
                                         Parte 1

  “ A mais bela emoção de que somos capazes é a mística. Ela é a força de toda arte e ciência
verdadeiras. Aquele que não a experimenta está praticamente morto. Saber que o que é
impenetrável para nós de fato existe, manifestando-se como a sabedoria maior e mais preclara
formosura, que nossas toscas faculdades só podem captar em sua forma mais primitiva ─ esse
conhecimento, esse sentimento está no centro da verdadeira religiosidade.

Neste sentido, e apenas nele, pertenço ao grupo dos homens devotadamente religiosos.”
Albert Einstein



“Se nossos sentidos fossem suficientemente apurados, perceberíamos o penhasco imóvel
como um caos dançante.”    Nietzche




                                             12
Espaço 1 Explicações Preliminares

  O EgoCiência e SerCiência precisa de algumas explicações preliminares para esclarecer a
razão da utilização dos termos Não Matéria, Não Vida, Não Mundo, Não Pensar e também a
razão de estar dividido em quatro partes

  Antes, entretanto, quero dizer a você que se a 1ª parte vier e oferecer certa dificuldade de
compreensão ou, ao contrário, demasiada simplicidade, você pode avançar para a 2ª onde
tudo se torna mais claro, mais abrangente.

  Entretanto, ler o EgoCiência e SerCiência na seqüência apresentada poderá mostrar              a
você o passo a passo que envolveu todas as experiências que culminaram na escrita dele.

  Comecemos pelos termos, que apesar de não serem inéditos, pois em diversos tipos de
literatura, um ou outro já foi utilizado ─ ou insinuado ─, para mim, eles “surgiram” vindos de três
direções que poderíamos dizer, opostas. Apesar de extremamente difícil de explicar, em
poucas linhas, tentarei fazê-lo da maneira mais simples possível.

  Durante um certo período de minha vida, precisei procurar uma forma de autoanálise mais
direcionada a esclarecer a razão do meu repúdio à grande maioria daquilo que chamei de
“programações         mundo”,      que       englobavam       quase       todo      o     sistema
sócio/econômico/político/cultural e religioso, em vigência em nosso mundo.

  O que havia comigo? Por que o “sistema operacional” embutido em meu “hardware” não
rodava as “programações mundo” vigentes, satisfatoriamente?

  Após várias tentativas, resolvi analisar também as “programações mundo”; pensei e tentei
reprogramar em linguagem diferente daquelas em que as “programações mundo” chegavam
até mim; a esses novos programas dei o nome de “programações não mundo”, para diferenciá-
las das anteriores.

  Essa foi, provavelmente, a primeira semente lançada; o verso e o reverso jogados para o
alto; o sim e o não desvestidos de recortes e perfeitamente unidos.

  Como resultado mais efetivo da análise feita, posso apontar a descoberta da existência, em
mim, de um “sensor” fortemente atuante, que emitia sinais de rejeição àquilo que não admitia,
oferecendo, ao mesmo tempo, as razões dessa rejeição à mente consciente.




                                                13
Em outro período, resolvi analisar os efeitos que poderia causar em mim, ouvir-me falar
sobre os mais diversos assuntos que viessem a minha cabeça, espontânea e naturalmente.
Assim, fiz uma série de gravações onde expunha meus pensamentos e depois ouvia as fitas
para verificar como eles retornavam a mim, sonoramente. Numas dessas gravações, surgiu o
termo Não Matéria como substituto de termos como alma, espírito, e outros.

  Bem mais tarde, foram surgindo momentos de inspiração quando, estivesse onde estivesse,
e independente do que fazia, palavras, frases e até parágrafos, um pouco mais longos,
“surgiam” em minha cabeça e tinha que escrevê-los; nessas ocasiões, Não Matéria, Não Vida,
Não Mundo, Não Pensar eram termos dominantes.

  Esses foram os três caminhos através dos quais esses termos utilizados no EgoCiência e
SerCiência conectaram-se para dar vazão, creio eu, a uma verdade maior, muito maior ─ O
TODO CONEXO ─ que inclui e “funde” o sim e o não; a cara e a coroa; o real e o imaginário; o
visível e o invisível; a vida e a morte; enfim, unificação dos opostos, justamente por não serem
opostos.

  Portanto, mesmo não sendo neologismos ─ Não Matéria, Não Vida, Não Mundo, Não
Pensar ─, assim o foram, para mim, em relação ao ESTADO NOVO que a partir deles e com
eles, descobri.

  A divisão em parte 1, 2, 3, 4 é consequência natural do processo de caminhada; as coisas
não aconteceram todas ao mesmo tempo; houve um passo a passo que poderá ser
perfeitamente sentido pelo leitor; por essa razão, cada parte terá uma explicação exclusiva.

  Complementando o EgoCiência e SerCiência ─ mais especificadamente em sua parte 3 ─
vem o “Prioridade I ─ Objetivo Mundial”, uma parte extremamente delicada, séria , muito mais
transpessoal ─ em todo o seu conteúdo ─ do que qualquer das outras partes.

  Este livro será composto por Espaços, em sua parte 1 e 2, cada um deles encerrando, em si
mesmo, o que foi proposto ao pensamento. Creio ser essa forma mais livre, mais objetiva de
expor os pontos principais que nortearam quase todo livro, excetuando a parte 4, um pouco
diferenciada, por razões óbvias.

  Esta Parte 1, especificamente, foi a resultante das “conversas” comigo mesma, gravadas
em fitas K7, e dos escritos que surgiam ─ quase como os conhecidos insights ─ em vários
momentos de minha vida.




                                               14
Quando resolvi passar tudo para o papel, nasceu a Parte 1 do então Ensaios Sobre a Não
Matéria, isto em 1984, sendo que em 2008, seu nome foi mudado para o atual EgoCiência e
SerCiência ─ Ensaios.

  O Espaço 2, dará início à exposição da caminhada.




                                            15
Espaço 2 Mundo

      Por definição: “conjunto do espaço, corpos e seres que a visão humana pode abranger”. ∗

      Portanto, concebo que existe a mais diferenciada visão de mundo, pois cada pessoa “fecha”
o seu mundo dentro de um quadrado de dimensões variadas, porém, sempre um quadrado,
porque o círculo e/ou a esfera poderia vir a confundir posições que corpos ou seres viessem a
ocupar dentro do espaço “mundo’ de cada pessoa. Mesmo que se tenha ideia de um mundo
esférico, o mundo de cada um fecha-se num quadrado de dimensões variáveis e variadas.

      Normalmente, o mundo de cada um é repleto do concreto, do que é mensurável, do que é
ou já foi provado como “real”, ou seja, existente de fato. Tudo o mais que assim não o foi,
permanece fora do mundo de cada um; não consegue “espaço” dentro do espaço “mundo’, de
cada pessoa.

      E tudo que “pertence” ao mundo de cada um de nós, é hermeticamente fechado e rotulado
por pronomes possessivos que não admitem contestações: meu, minha, meus minhas.




∗
    Conforme definição encontrada no Pequeno Dicionário da Língua Portuguesa de Aurélio B. de H. Ferreira.


                                                                            16
ESPAÇO 3 NÃO MUNDO

  O Não Mundo, não deveria ser associado a nenhuma imagem pré-concebida; entretanto,
usando o círculo e/ou a esfera, proponho que eles podem, independente das dimensões dadas
a eles, configurar INFINITUDE.

  Além disso, o círculo e/ou a esfera, dá a ideia de algo “inflável”, “expandível”. Assim, se a
ideia de “inflável” puder ser associada ao círculo e/ou a esfera, também em relação a eles
pode-se conceber a ideia de “vazio”; mas, se assim for, “inflável” de quê? “Vazio” de quê?

  Com isso quero colocar que o Não Mundo, associado a ideia de algo “inflável”, de algo
“vazio”, só poderá ser “preenchido” pela Não Matéria, e que somente a Não Matéria pode
“captar” a substância do Não Mundo.

  Com tudo que expus acima, tento dizer que o mundo, associado à ideia de um quadrado é
facilmente entendido, e até mesmo, muito real para nós ─ FINITO.

  Não Mundo, associado à ideia de círculo e/ou esfera ─ “vazios”, “infláveis”─, torna-se à
imaginação algo INFINITO.




                                              17
ESPAÇO 4 VIDA

      Por definição: “estado de incessante atividade funcional, peculiar à matéria orgânica, animal
ou vegetal; tempo decorrido entre o nascimento e a morte. ∗

      Mais uma vez um quadrado repleto de imagens, definições que subsidiam a
existência/permanência da matéria “dentro” do mundo.

      E como o próprio mundo, o conceito de vida, a noção de vida, das pessoas, apresenta uma
diversificação imensa. A maior ou menor amplitude de visão de vida, de cada pessoa, vai
provavelmente depender da quantidade de “informações” recebidas, captadas, acumuladas
dentro do limite VIDA  MORTE.

      Portanto, a vida é FINITA.




∗
    Conforme definição encontrada no Pequeno Dicionário da Língua Portuguesa de Aurélio B. de H. Ferreira.


                                                                            18
ESPAÇO 5 NÃO VIDA

  Vazia de imagens, conceitos, definições (inerentes à vida e ao mundo), subsidiando a Não
Matéria em sua “permanência” ─ frequência ─ no Não Mundo.

  A Não Vida não pode ser confundida com a morte.

  Nestes ensaios, a Não Vida deverá ser entendida como ESTADO inerente à vida; portanto, a
Vida é “composição” da própria Não Vida, assim como a Matéria é “composição” da própria
Não Matéria.

  A Não Vida é, na realidade, aquela sensação de “algo mais” que sentimos quando falamos
de vida. É aquele “algo” não reconhecido que paira, naturalmente em nós, quando pensamos
na vida.




                                           19
ESPAÇO 6 MATÉRIA

  Por definição: “qualquer substância sólida, líquida ou gasosa que ocupa lugar no espaço;
substância suscetível de receber certa forma ou em que atua determinado agente.”

  Nós somos matéria; concebemo-nos como tal. Ocupamos lugar no espaço e mais que isso,
ocupamos esse espaço por um determinado período de tempo.

  Como matéria, entendemos, “compreendemos” e vivemos em conformidade com o conceito
de espaço e tempo, “estabelecido” pelo ser humano.

  Como matéria, recebemos determinada forma, moldagem e sofremos a atuação de não
apenas um, mas de dezenas, centenas ou até milhares de agentes.

  A matéria, que somos nós, é uma condição para um Estágio de vida; portanto, uma situação
transitória, passageira. Estamos em trânsito, como matéria, nesta parcela do Universo que é
chamada ─ Planeta Terra.




                                             20
ESPAÇO 7 NÃO MATÉRIA

   Para mim, ESTADO inerente a própria matéria, porém, ainda desconhecido, principalmente
do ponto de vista de nossa matéria, da matéria do ser humano, cuja Não Matéria significa
PURA ENERGIA.

   Essa Não Matéria, que é PURA ENERGIA, anima a matéria e é indizível, individual e
indivisível.

   É indizível porque dela, usando simplesmente palavras, nada se pode dizer; nada se pode
explicar em profundidade.

   É individual ─ e eis a grande maravilha!

   Ela é a parcela Universal que cada um de nós traz, em nosso Estágio matéria. Aí,
exatamente aí reside a IMORTALIDADE e a INFINITUDE do ser humano, e a sua continuidade,
portanto, Ad infinitum.

   E exatamente aqui, quero ousar dizer o seguinte, em função da Não Matéria:

   Ninguém nasce

   Ninguém morre

   Todos continuam!

   A Não Matéria é também indivisível sem, entretanto, deixar de ser permutável. Podemos
permutar, com toda a natureza, a “nossa” Não Matéria, sem que haja a troca de nosso
conteúdo Não Matéria individual, mas sim, a troca de componentes de PURA ENERGIA
UNIVERSAL, que é o significado maior da Não Matéria.

   A ligação Matéria/Não Matéria é de extrema beleza, pois enquanto a Matéria, que somos, é
um mecanismo perfeito, a Não Matéria é de uma sensibilidade, de uma pureza, de uma
intensidade tal, que captá-la, senti-la e vivê-la é a maior felicidade que o ser humano pode
desfrutar, em meu entender, é claro.




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ESPAÇO 8 ESPAÇO E TEMPO

   Espaço ─ por definição: “extensão indefinida”.

   Espaço ─ concepção mais aproximada do Estado Não Matéria, quando o ser humano não
consegue determinar (materialmente falando), o espaço imaginado; quando ele se perde nessa
concepção passando, sem o perceber, de um espaço limitante e limitado, para um espaço
ilimitado onde não consegue situar-se como matéria. Quando isso ocorre, e é sensível ao ser
humano, a “sensação” descrita é de um vácuo, algo assim como se a matéria deixasse de
sofrer a ação da força da gravidade.

   Tempo ─ por definição: “duração das coisas; duração limitada, sucessão de dias, horas,
momentos...”

   Tempo ─ concepção contrária a Não Matéria, Não Vida, Não Mundo porque a transposição
passado/presente/futuro é, na realidade, ininterrupta, contínua, sobrando desses três “tempos”,
um Infinito AGORA, que é a única realidade distinta e realmente sensível, em termos de tempo
“vivo”.

   E o AGORA, que é INFINITO E ETERNO, é o “tempo” da Não Matéria, Não Vida, Não
Mundo.




                                               22
ESPAÇO 9 NÃO PENSAR

  O desconhecimento ou a insensibilidade à Não Matéria, Não Vida, Não Mundo cria, no ser
humano, estado de ansiedade quase incontrolável e toda a força é canalizada para a matéria,
vida e mundo que, por serem Estágios por enquanto dissociados do Estado Não Matéria, Não
Vida, Não Mundo são finitos, atribulados, desfocados, inconexos; são repletos de valores, não
totalmente falsos, mas sim, incompletos, porque não abrangem a Não Matéria, Não Vida, Não
Mundo.

  Veja, a matéria é passível de análises em laboratórios, através de ciências conhecidas, do
nosso mundo. A Não Matéria, não deverá ser passível de análises através das ciências do
mundo, pois seus “elementos” não são os elementos conhecidos ou presumidos pela ciência,
tal qual a temos; algo mais terá que ser associado a ela.

  Veja também o seguinte: mundo ─ por mais extensa que possa ser a suposição de mundo,
de cada pessoa, não é abrangente o bastante para captar o Não Mundo, pois é sempre
necessário utilizar “recortes” conhecidos para captar logicamente, e entre os “recortes”
conhecidos, não surge um específico para o Não Mundo, por mais que a pessoa pense a
respeito.

  Mas, é exatamente no pensar que reside a impossibilidade maior de captação do Não
Mundo, porque o Não Mundo é impenetrável quando se pensa nele, na forma usual de pensar,
do ser humano. O Estado para captação e compreensão da Não Matéria, Não Vida, Não
Mundo é exatamente o Estado do Não Pensar.




                                               23
ESPAÇO 10                                      CONSIDERAÇÕES SOBRE ESTÁGIO E
ESTADO

      No decorrer deste livro, vamos falar muitas vezes em Estágio e ESTADO. Para que você
possa compreender melhor o que será dito, é preciso que fique esclarecido o que realmente
quero dizer com Estágio e ESTADO, no que concerne ao assunto.

      Estágio, por definição: “aprendizado; situação transitória de preparação.”∗

      ESTADO, por definição: “modo de ser ou estar; situação; posição, modo de vida;
condição.”∗∗

      Assim, considero e chamo de Estágio, a matéria, a vida, o mundo, o pensar, encaixando-os
perfeitamente dentro daquilo que temos condição de constatar, analisar e até mudar.

      Por ESTADO, chamo a Não Matéria, a Não Vida, o Não Mundo e o Não Pensar, por
considerá-los condição natural dos estágios matéria, vida, mundo e pensar.

      Existe uma “simbiose” perfeita entre Matéria e Não Matéria, Vida e Não Vida, Mundo e Não
Mundo, Pensar e Não Pensar, havendo, em consequência, benefícios recíprocos entre Estágio
e ESTADO.

      Vejamos. O Estágio Matéria seria demasiadamente “vazio” se nele não existisse o ESTADO
Não Matéria.

      Por outro lado, o ESTADO Não Matéria impregna toda a matéria, dissociando-se desta,
apenas quando a matéria perde sua condição de vida natural ─ quando a matéria “morre” ─,
permanecendo a Não Matéria, que por ser um ESTADO puramente energético, deve ser
“sugado” para campos energéticos naturais, do Universo, justamente por ser PURA ENERGIA.

      De uma certa forma, a matéria “segura”, “prende” a Não Matéria, pelo menos enquanto
permanecemos na ignorância quanto ao ESTADO Não Matéria, pois quando o captamos,
quando o reconhecemos, quando o compreendemos, passamos a sentir, em toda profundidade
e extensão, a leveza, a suavidade da Não Matéria.

      Importante observar, que o ESTADO Não Matéria “existe’ enquanto a matéria é natural;
enquanto a matéria é natural é também Não Matéria, ─ PURA ENERGIA !




∗
    Conforme definição encontrada no Pequeno Dicionário da Língua Portuguesa de Aurélio B. de H. Ferreira.
∗∗
    Idem, acima.


                                                                            24
ESPAÇO 11 O AGORA

  Quando o ser humano pensa, dentro ou em conformidade com a estrutura chamada “lógica”
de pensar, cabe perfeitamente tempo fracionado minuto a minuto, segundo a segundo. Cabe
perfeitamente passado, presente e futuro, porque a “extensão” dada a cada um encaixa-se,
perfeitamente, dentro do chamado “raciocínio lógico”.

  Agora veja:

  Passado: condição do que deixou de ser AGORA;

  Presente: contínuo AGORA.

  Futuro: o mais indefinível e nunca realmente vivenciado, porque só se vive o AGORA, que é,
          em si mesmo─

  Passado/Presente/Futuro.




                                              25
ESPAÇO 12 A PERFEITA COMPOSIÇÃO

  Vamos ver se consigo transmitir, o que considero ser a Perfeita Composição.

  O Estágio Matéria, associado ao ESTADO Não Matéria é a grande realidade universal
porque é inconcebível a “solidão” da matéria, no Universo. A matéria, pura e simplesmente, não
consegue manter uma ligação mais íntima com o Universo, por mais que ela, a matéria, tenha
em sua composição elementos          do próprio Universo. Entretanto, mesmo o conhecimento
desses elementos comuns entre o ser humano e o Universo, não consegue despertar, no ser
humano, a consciência, a certeza de sua universalidade, de sua infinitude. Porém, o Estágio
Matéria associado, conexo ao Estado Não Matéria, traz ao ser humano a certeza de ser
Universal, de ser Pura Energia, Sempre.

  O Estágio Mundo, onde a “nossa” matéria se localiza, onde encontra seu habitat natural,
desenvolve-se, prolifera-se, é também muito concreto para fazer a pessoa sentir-se Universal,
principalmente quando esse Estágio Mundo, ao qual nos referimos, deixa de ser observado
como natural e passa a ser vivido, quase que exclusivamente, em sua composição artificial, ou
seja, o mundo material artificial, cria do ser humano. É realmente o mundo do concreto,
onde a validade maior está em comprovar, materialmente falando, tudo que nos cerca.

  Porém, quando o ser humano descobre o ESTADO Não Mundo, ele passa a beneficiar-se
bem mais do Estágio Mundo, tanto matéria quanto Não Matéria.

  Quanto ao Estágio Vida, a sua associação, a sua conexão ao ESTADO Não Vida, é o
vínculo mais forte entre o ser humano e o INFINITO dele. O ser humano aprendeu que após a
vida, ou seja, com a morte, é que ele passa a “viver” realmente. O curto espaço do ser
humano, entre a vida e a morte, é preenchido por inúmeras atividades físicas e mentais. As
atividades físicas são, em sua grande maioria, relacionadas à sobrevivência; as atividades
mentais, entre outras coisas, deveriam permitir ao ser humano, profundos questionamentos
sobre si mesmo, sobre a vida, mas normalmente, esses questionamentos do ser humano (pela
pouca amplitude e distorção das respostas dadas a ele), o levam a distanciar-se deles por
trazer-lhe uma profunda desilusão e um distanciamento, cada vez maior, da Unidade Universal
que palpita em seu íntimo e que ele procura ardentemente comprovar, de forma consciente ou
não. Assim, a esperança de que com a morte a pessoa possa encontrar essa Unidade
Universal, não é tão acalentadora.


                                              26
O ser humano, consciente ou inconscientemente, “sente” que gostaria de sentir algo mais
em sua vida e não ficar, apenas, na esperança de que um dia, após a morte, ele irá sentir o
que realmente deseja e que não sabe, na maioria das vezes, identificar o que é. E por não
saber identificar   sua insatisfação, por não saber identificar o que realmente sente, o ser
humano pensa, pensa muito, e o Estágio Pensar é algo profundamente ligado ao Estágio
Matéria. Dissociado do ESTADO Não Pensar, o Estágio Pensar permite ao ser humano
“concluir” apenas o superficial, por mais que esse superficial seja extremamente complexo e dê
a impressão de que é o máximo que a pessoa pode atingir em termos de conhecimento de si e
do mundo.

  Porém, o Estágio Pensar, associado, conexo ao ESTADO Não Pensar, abre ao ser humano
todos os caminhos possíveis do conhecimento Universal; derruba todas as barreiras do simples
pensar e abrange a Plenitude do TODO, sem recortes, sem limite algum, sem as
complexidades do pensar comum.

  O mais importante a sentir é que, enquanto Estágio, a matéria, a vida, o mundo, o pensar
estão devidamente recortados, desunidos; são parcelas bem distintas, para nós, de um Todo
que sabemos existir, mas que não conseguimos sentir.

  O ESTADO NÃO é o TODO CONEXO do qual, todo ser humano é, após atingir a sua
PLENITUDE DE SER.




                                              27
ESPAÇO 13 O TEMPO, PASSA?

  É importante observar, que enquanto no ESTADO Não Matéria, o espaço e o tempo
praticamente inexistem ─ da forma como nós os concebemos ─, no Estágio Matéria eles
vigoram em toda plenitude.

  Materialmente falando, ocupamos espaço e sofremos a influência do tempo que, segundo a
segundo, e de acordo com o conceito que temos de tempo, age de forma não dominável e sim,
de forma dominadora. Usamos uma expressão muito comum e incrivelmente associada ao
Estágio Matéria:   “o tempo passa”, expressão essa que causa certa angústia e um
‘”apressamento” em aproveitar ao máximo o tempo.

  Porém, no ESTADO Não Matéria, existe a libertação de conceitos materiais de espaço e
tempo, e com isso, a “fluidificação” é possível; é sensível ao ser humano tornar-se não
dimensionável.

  Na grande realidade, não é o tempo que passa: o tempo é, digamos assim, “estático”; na
realidade ele inexiste na forma como o concebemos no Estágio Matéria. O que passa, muda,
desloca-se é a matéria, enquanto a Não Matéria, associada ao Não Tempo, permanece
SEMPRE.

  Um dos mais famosos paradoxos da física moderna, o chamado “paradoxo dos gêmeos”
pode bem “demonstrar” a possibilidade de um tempo que não o que nós temos conhecimento,
em nosso Estágio Matéria.




                                           28
ESPAÇO 14 “VIAGEM” À NÃO MATÉRIA

  Uma coisa é certa, não será possível conceber algo sobre o ESTADO Não Matéria e
Estágio Matéria, se não os conhecermos em profundidade; e só conheceremos o Estágio
Matéria, em sua realidade, quando conhecermos o ESTADO Não Matéria, porque o Estágio
Matéria é totalmente avulso, externo, massificante, enquanto o ESTADO Não Matéria é
composto, interno, peculiar.

  Ele, o ESTADO Não Matéria, é composto por ser INFINITO e não pode ser decomposto por
ser INFINITO. Como decompor o INFINITO?

  O ESTADO Não Matéria é também peculiar, porque cada um de nós terá uma extensão,
uma dimensão do ESTADO Não Matéria totalmente compatível com o que realmente é, como
Não Matéria; não será igual a nenhum outro, sem ser diferente dos demais, pois a esse nível
as diferenças, da forma como nós entendemos diferenças, não existem.

  Ele também é interno, porque é só daquele ser humano, porque ele, o ESTADO Não Matéria
foi “captado” pelo ser humano em seu interior, não fora dele; foi preciso fazer uma viagem
interna, por suas entranhas, para que essa viagem interna o impulsionasse a uma vivência
diferente, e como vivência quero dizer algo interno, algo nas entranhas sendo captado/sentido.
Pode-se até chegar ao ESTADO Não Matéria através de algo externo, entretanto, é preciso
observar que o estímulo pode ser externo, mas a captação da realidade, a captação do
ESTADO Não Matéria é interno; acontece dentro de nós, em nosso interior profundo, levando-
nos, impulsionando-nos àquela viagem por nós, em nós.




                                             29
ESPAÇO 15 SENTINDO A NÃO MATÉRIA

  Torno a dizer que o uso de palavras dificulta tremendamente a compreensão do assunto, até
mesmo porque o assunto não é apenas para ser compreendido; o assunto é para ser sentido,
vivenciado e o que se sente, não tem como ser transferido através de palavras ou, de qualquer
outra forma comum, usual.

  A única coisa que se pode fazer é tentar, “externamente”, fazer com que haja, em cada um,
a vontade ou até mesmo a curiosidade em “experimentar” o ESTADO Não Matéria, mais a
fundo, já que todos o sentimos porém, ainda superficialmente, indefinidamente.

  Só que, após os primeiros “sentires” do ESTADO Não Matéria, qualquer que tenha sido o
motivo que levou a pessoa a principiar a caminhada ao seu encontro, esse motivo será
transformado em algo indefinível: não será vontade, desejo ou curiosidade; será um “sentir”
todo particular, infinitamente particular, indestrutivelmente particular.




                                                  30
ESPAÇO 16 “RUÍDOS” DO SILÊNCIO

  Quando a pessoa penetra em seu ser, em “sua” Não Matéria, é como se saísse da agitação
da vida artificial urbana e penetrasse numa caverna; por instantes, fica aturdida entre as
“lembranças” dos ruídos externos e o profundo, absoluto silêncio do novo local.

  Após algum tempo, que variará de pessoa para pessoa, gradualmente começam a ser
percebidos os ruídos próprios da caverna, que antes, era absoluto silêncio. E há então, um
apuro tão grande dos sentidos auditivo e visual, que o ser humano passa a ouvir e ver coisas,
que de fora da caverna, jamais poderia imaginar houvesse em seu interior.

  O mesmo ocorre conosco, quando penetramos em nosso interior; passamos a ouvir e ver
coisas de uma forma que jamais imaginaríamos.

  Esse ouvir e ver nada tem com algo como imagens e sons estranhos, anormais e sim,
passar a ver as coisas e ouvir os sons com uma profundidade maior, captando, através desse
“ver” e “ouvir”, mensagens plenas de significação, que serão             compreendidas, em
profundidade.




                                              31
ESPAÇO 17 CHOQUE DICOTÔMICO

  Vejamos o seguinte: a gente vive, materialmente falando, com a ideia/sugestão de dois
mundos completamente diferentes, opostos  o mundo material e o chamado mundo
espiritual. Essa dicotomia, inevitavelmente traz sobreposição de valores, que logicamente,
entram em choque constantemente.

  Por que?

  Porque o material é próximo, é aqui, é agora, é palpável, mensurável, etc, etc, etc...

  Em contrapartida, o chamado “mundo espiritual” é distante, é o depois; é um futuro sequer
passível de imaginação.

  Ao conseguirmos extirpar essa dicotomia, de nossa existência, sentindo as coisas como
Matéria e Não Matéria, traremos para nosso espaço conhecido, toda a certeza, toda realidade
daquele algo desconhecido, não sentido, jamais vivenciado por nós. Essa, creio eu, é e será
sempre a grande realização do ser humano; a mais profunda, a mais verdadeira; aquela
esperada, ansiada por todos, mesmo que inconscientemente.

  A metamorfose que ocorre no ser humano que capta e passa a viver em sintonia com as
duas maiores realidades existentes  Matéria e Não Matéria  , é algo inenarrável,
intransferível sob qualquer forma conhecida. Somente ao “captar”, ao vivenciar essa realidade
é que o ser humano pode saber o que realmente é, muito mais porque, cada ser humano é
uma única e legítima parcela da existência, não havendo duas iguais em hipótese alguma,
naturalmente falando. Exatamente nessa legítima individualidade é que residem as diferenças
de “sentires”, e daí digo que: somente vivenciando o ESTADO Não Matéria, o ESTADO NÃO,
O TODO CONEXO, é que o ser humano poderá realmente desfrutar da amplitude de sua
existência, pois cada um tem um grau de sensibilidade energética para vivê-lo, em maior ou
menor amplitude, porém todos, sem exceção, podem captá-lo, senti-lo, vivenciá-lo.

  Assim, inexistem mestres que possam fazer alguém “sentir” essa realidade maior  CADA
UM SERÁ SEU PRÓPRIO MESTRE , pois cada um encontrará dentro de si, O MESTRE.

  O que pode existir são pessoas que tentem, através de palavras, falar de suas experiências
levando a que outros desejem conhecer essa realidade dual natural  sem ser dicotômica ,
levando-os a observar, com maior agudez, quando e como sentirem que estão próximos dela.




                                               32
ESPAÇO 18 DE ONDE VIM? PARA ONDE IREI?

  Esses questionamentos, entre tantos outros que o ser humano faz, demonstram que ele não
prevê, para si, uma participação isolada a este Estágio.

  Só que os questionamentos saem do ser humano, para outros pontos, de forma
inteligente/racional; dessa forma, apenas, não há como conseguir que eles atinjam a plenitude
onde “orbitam” as verdadeiras respostas. É necessário, então, que o ser humano tente
interiorizar esses questionamentos, pois sendo ele, o ser humano, um “microuniverso”, todas
as respostas estão no próprio ser e não, fora dele. Além de tudo, de que adianta ao ser
humano continuar questionando, da forma como o faz ─ inteligente, racional, apenas ─ se
milhares e milhares de “respostas” já lhe foram dadas e ele ainda permanece em dúvida?

  Assim, o que realmente o ser humano precisa é “EMBRIONAR-SE” desses questionamentos
e aguardar as respostas que virão para ele, nele. Então, não haverá mais dúvida e um novo
Ser, o Ser que realmente é ─ Ser Infinito ─, nascerá.

  A partir do momento que as pessoas captarem os sintomas dessa realidade maior,
espontaneamente sentirão uma nova realidade palpitando em suas entranhas; uma nova visão
das coisas passará a acompanhar cada um, sempre e naturalmente, sem nenhum esforço
sobre-humano; passará a ser vivenciada a dualidade Matéria/Não Matéria, Vida/Não Vida,
Mundo/Não Mundo, Pensar/Não Pensar, sem a dicotomia atual.

  Pode parecer vago, sem consistência, extremamente irreal o que tento dizer; porém, posso
lhes assegurar que assim não o é.




                                               33
ESPAÇO 19 PENSARES 1

  A sensação de “não estar” identifica a afinidade que existe entre o ser humano matéria, e o
Ser Não Matéria.




                                             34
ESPAÇO 20 PENSARES 2

As chamadas “misérias do mundo” são frutos da materialidade extrema, da pessoa.

  A couraça imposta pelo Estágio Matéria  não o Estágio Matéria natural, mas o artificial, o
criado  , torna a pessoa incapaz de captar e sentir, profundamente, o ESTADO Não Matéria,
e com isso, a sociedade formada tem bases altamente desfavoráveis à combinação
Matéria/Não Matéria.




                                             35
ESPAÇO 21 PENSARES 3

  A condição natural do Não Pensar foi subjugada pela chamada “estrutura lógica do pensar”,
própria do Estágio Matéria, limitando, com isso, as possibilidades infinitas do ser humano, de
Captar, ficando apenas com a finita e limitante condição do conhecer e aprender.




                                              36
ESPAÇO 22 PENSARES 4

  A situação de perfeita conexão entre o Estágio Matéria e o ESTADO Não Matéria, poderá
ser denominado (como já o fiz), de TODO CONEXO, que seria definidor da VIDA, em sua
dimensão total.




                                          37
ESPAÇO 23 PENSARES 5

  Não é o tempo que passa; o tempo é, digamos assim ─ “estático”. Na realidade, ele inexiste
na forma, na concepção de tempo que temos, que conhecemos.

  O que passa, muda, desloca-se é a Matéria, enquanto que a Não Matéria, associada então,
ao Não Tempo, permanece SEMPRE.




                                            38
ESPAÇO 24 QUEM MORRE?
  Ao captar, sentir e vivenciar o ESTADO Não Matéria, dentro de nosso Estágio Matéria, um
dos aspectos mais polêmicos, mais traumatizantes que o ser humano vivencia, e que é a
morte, deixará de ser aquilo que hoje é, que hoje representa, pois, enquanto a morte
continuará sendo inevitável à matéria, a Não Matéria sequer será atingida pela ideia da morte.
Consequentemente, haverá uma postura totalmente diferente da que hoje existe, na relação
com a morte, mesmo porque, enquanto houver o desconhecimento do ESTADO Não Matéria,
fica bastante difícil acreditar na alma que terá continuidade após a morte, pois o conceito de
alma perpetuando-se além da morte, não exclui o sofrimento, o trauma da morte, durante o
período de vida do ser humano.

  Ao sentirmos em nós a existência do ESTADO Não Matéria ─ em conexão com o Estágio
Matéria ─ desaparecerá o peso, o fantasma da morte, pois enquanto na vivência única e
isolada do Estágio Matéria, pensamos em ela estar nos rondando como uma inimiga, pintada
de imagem destruidora, veremos que ao conectarmos o ESTADO Não Matéria, essa sensação
desaparecerá e ela, a morte, simplesmente estará existindo em nós, ou seja, concluiremos
pacificamente, sem traumas, sem lutas, que somos finitos enquanto matéria, e que sempre
fomos, somos e seremos, como Não Matéria, como Todo Conexo; e o que é mais importante:
viveremos realmente a calmaria da INFINITUDE      e ETERNIDADE conexa ao nosso Estágio
Matéria, que é finito, enquanto tal.




                                             39
ESPAÇO 25 PENSARES 6
  A vivência do Estágio Matéria, do Estágio Vida, dissociado do ESTADO Não Matéria, Não
Vida resulta na alienação em que está envolvido o ser humano.




                                            40
ESPAÇO 26 ESTADO NÃO
  Não é fácil transmitir as ocorrências todas, relativas ao ser humano quando atinge, quando
capta o ESTADO NÃO MATÉRIA e, essa dificuldade sentida divide-se em duas, de igual
importância.

  Uma dificuldade resulta da peculiaridade da sensação de captação do ESTADO Não; é
muito peculiar; é muito de cada um; é muito do quanto a pessoa consegue, concordante com
seu nível de sensibilidade. Portanto, não posso dizer da minha sensação ao captar o ESTADO
NÃO porque iria talvez distorcer o que você virá a sentir quando descobrir, quando captar o
“seu” ESTADO NÃO.

  A outra grande dificuldade (por mais vezes mencionada), em se tentar falar, lançar algo a
respeito do ESTADO NÃO, são as palavras passíveis de uso, já desgastadas em seus
múltiplos empregos. Através delas consegue-se, com pouca força, palidamente, apenas dar
ideia do que realmente se sente, mesmo porque as próprias palavras têm sua extensão
limitada de compreensão, para o ser humano; elas mesmas são e impõem um “recorte”, um
limite, principalmente enquanto ficarmos presos a elas e não pudermos captar a extensão que
elas podem ter, quando as deixamos mais “livres”.

  Realmente, a comunicação verbal ou escrita é pobre, é limitante dos “sentires”, que só
poderiam ser transmitidos a outros, numa forma extrassensorial, se assim se pode dizer.

  Esforço-me, então, para dizer a você que procure ir além, muito além das coisas ditas neste
pequeno livro; procure entrar na ESSÊNCIA da mensagem, pois na ESSÊNCIA do que tento
dizer, é que está a validade do que poderíamos designar de “chamado” ao “seu” ser Não
Matéria.

  E neste ponto, digo da maravilhosa capacidade intuitiva/emocional própria dos poetas; eles,
em sua grande maioria, “traduzem” de forma sublime, verdades que captam de Espaços
insondáveis e que nos tocam, profundamente, com suas mensagens. Gostaria imensamente de
ter condições de poetizar, sobre os assuntos tratados neste EgoCiência e SerCiência para dar
a eles ─ alguns, mais especificamente ─, uma face mais sublime, em acordo com a mensagem
de cada um, mas, não tenho pendor para tal, o que me frustra muito, confesso.




                                             41
ESPAÇO 27 SENTIR CONEXO
  É interessante observar que quando existe um sentimento forte, entre duas pessoas,
principalmente amor, quando naturalmente forte, não há quase necessidade em se falar;
transmite-se o que se quer dizer através de meios desconhecidos, em sua profundidade.

  Além disso, o conhecido binômio espaço/tempo é eliminado, pois, por mais distante que se
esteja da pessoa amada, consegue-se senti-la em toda plenitude no AGORA que se vive,
independente de distância e/ou fuso horário diferentes. E consegue-se mais, consegue-se
sentir, em plenitude total, tudo que se sente e vive quando juntas, quando unidas fisicamente.

  Com isso quero dizer que a vivência plena de um sentimento forte e natural, permite ao ser
humano (mesmo que inconscientemente), “sentir” os sintomas dos ESTADOS Não Matéria,
Não Vida, Não Mundo e Não Pensar.




                                               42
ESPAÇO 28 INTELIGÊNCIA E NÃO INTELIGÊNCIA
  Estágio Consciente Inteligente ─ o ser humano desenvolveu a inteligência que é,
especificamente, suporte da pessoa, durante o Estágio Matéria, Vida, Mundo, Pensar.

  Estado Consciente Não Inteligente ─ estado a ser redescoberto pelo ser humano, e que em
nada depende da matéria, da inteligência, propriamente ditas, e sim, de fatores peculiares ao
ESTADO NÃO; portanto, fatores naturais sensíveis que deverão voltar a reger (de forma mais
intensa), as civilizações futuras, quando será plenamente desenvolvido o até hoje pesquisado e
desconhecido lado chamado “sobrenatural” , do ser humano, que será apenas designado de
NATURAL, quando houver o pleno desenvolvimento do ESTADO NÃO.




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ESPAÇO 29 TODO CONEXO
  O ser humano, quando adulto, já se concebeu alienado/reprimido de seus impulsos naturais,
tornando bem mais difícil o processo de captação, de descoberta de sua condição bem mais
ampla do que a de ser humano, pois ser humano, foi e é um “recorte” imposto, que por mais
válido que seja, ainda não atinge a plenitude da Criatura, pois sua identificação real ─
CRIATURA ─, não admite nenhuma limitação, nenhum recorte, justamente pela sua
composição Não Matéria conexa à sua composição mais conhecida ─ Matéria.

  Uso a conhecida designação ser humano, por considerar a mais ampla, tendo em vista o
Estágio Matéria; porém, quando o ser humano, ultrapassando suas limitações como matéria,
atinge a plena conexão do ser humano, ou seja, Matéria/Não Matéria, então sua designação
poderá ser, com total consciência ─ Todo Conexo.




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ESPAÇO 30 GERAÇÃO
  No momento de geração de um filho, quando for possível e sensível ao ser humano “sair” do
nível Matéria, e impregnar-se da Não Matéria, essa geração fará, desse ser gerado, alguém
mutável na escala do tempo, pois virá sob a projeção Não Matéria impregnada em sua Matéria
─ como já o é ─, mas sentindo, à flor da pele, a conexão entre elas. Dessa forma, estará a
meio passo, apenas, da captação consciente de seu ESTADO Todo Conexo.

  As pessoas não devem esquecer que ao gerar um novo ser humano, parte do que está
ocorrendo com elas é transferido no ato da geração; isto quer dizer que todas as perturbações
de ordem material, todos os tumultos     da vida material podem explodir, quando do jorro
orgástico.

  A responsabilidade de geração de um novo ser deveria ser acompanhada de uma satisfação
infinita e natural, apenas possível quando o ato sexual, em sua plenitude, for acompanhado do
ESTADO Não Matéria. Na realidade, toda relação sexual deveria ser vivida no ESTADO Não
Matéria, para que fosse sentida toda plenitude, todo êxtase inerente a ela, que é totalmente
diferente do chamado “prazer sexual”, pois este é mais ou menos localizado, e o ÊXTASE do
ser pleno é maravilhosamente difuso.




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ESPAÇO 31 PENSARES 7
  Na matéria ─ corpo humano ─, existe obediência natural às leis naturais universais. Nada é
imposto; nada é forçado; o fluxo é natural, segue exatamente o que a natureza determina.

  Todo e qualquer órgão “sabe” exatamente a sua função, a sua interconexão com os outros
órgãos.

  Nada há, naturalmente falando, de inconexo no corpo humano.

  Comece por observar isso, com mais atenção, com mais carinho.




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ESPAÇO 32 PENSARES 8
  Nada do que não seja interno ao ser humano, poderá despertar-lhe o ser pleno que é.

  O ser humano não chegará a desfrutar da plenitude de “sua” Não Matéria, durante o Estágio
Matéria, se não for por seus próprios caminhos.

  NADA e NINGUÉM o levará a Não Matéria.

  É “EMBRIONANDO-SE” que o ser humano permitirá o surgimento do ser pleno, do Todo
Conexo que é, e que deve saber que o é.




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ESPAÇO 33 A FACE OCULTA DA MENTE
  Assim como o Universo é um complexo de imensa beleza, grandiosidade e energia, o ser
humano, como legítima parcela desse Universo, apresenta também complexidade tão bela, tão
grandiosa e energética, quanto ele.

  O ser humano, enquanto matéria encerra, em si mesmo, todo um mecanismo perfeito em
sua natureza Universal, que lhe confere qualidades específicas de pessoa. Sua unidade
criadora maior ─ A CABEÇA ─, entendida aqui como um todo, permite-lhe aprender, criar,
analisar, observar, comparar, etc.

  A grande verdade, creio eu, é que na cabeça do ser humano está o comando central dele,
como pessoa, como matéria. E como sabemos, é mínima a parcela dessa unidade em
funcionamento consciente; a parcela maior ainda permanece às escuras quanto ao que
realmente representa. Tenho para mim que essa parcela “às escuras” da cabeça do ser
humano, apenas será “iluminada” quando o ser humano atingir a perfeita sintonia, a perfeita
conexão e vivência do Estágio Matéria e ESTADO Não Matéria quando então estará também
conexo o ESTADO Não Pensar, do qual dependerá, tenho certeza, a descoberta da face oculta
da Mente.




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ESPAÇO 34 PENSARES 9
  A matéria não modifica a Não Matéria; porém esta, pela sua força e pela sua condição de
SEMPRE, pode modificar a matéria, em determinados níveis, a partir da captação e vivência,
pelo ser humano, do ESTADO Não Matéria.




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ESPAÇO 35 A PESSOA MATÉRIA
   A pessoa matéria, portanto nós, é o elemento da natureza mais exposto ao meio-ambiente
sendo também o elemento que mais sofre as influências desse meio-ambiente               ─ aqui
focalizado como meio ambiente material/artificial ─ , cria da própria espécie humana.

   Se em seu princípio, o ser humano matéria conectava-se de forma total com o meio
ambiente natural, obediente as suas leis naturais, hoje, ele está quase que totalmente
desconexo aos seus princípios naturais. Ouso mesmo pensar, que os seres humanos
“primários”, tinham a matéria embrutecida porém, o seu ESTADO Não Matéria seria mais
atuante, muito mais atuante, não deixando, entretanto, de ser desconhecido como tal. Penso
dessa forma porque, seguindo a evolução natural, vemos que foram em seres não tão
“materializados”, não tão embrutecidos pela materialidade, que a luz de grandes descobertas
sobre o mundo, sobre o Universo, sobre a Natureza e sobre o próprio ser, fez-se. Foi em seres
menos materializados, que a força do pensamento supra-humano fez-se presente, com a
transparência do Universal, pois esses seres praticamente foram responsáveis pelos alicerces
do conhecimento humano. O que se fez, na sequência, foi aprimorar, desenvolver aquilo que
poderíamos chamar de “princípios”.

   Com a evolução tecnológica, principalmente, o ser humano passou a contar com máquinas
que o auxiliam a “pensar”, e a acomodação a esse “sufocar” do pensamento, trouxe e traz
consequências à pessoa. Pensadores naturais, no mundo atual, são pessoas marginalizadas,
ainda perigosas aos sistemas, e também consideradas como improdutivas e alienadas.

   Comumente as pessoas dizem: “não tenho tempo para pensar em nada”; “pensar é perda
de tempo e tempo é dinheiro, e dinheiro é o que interessa”, “pensar não resolve nada”, etc.,
etc., etc. .

   Na era dos descartáveis, o Pensar também passou a ser quase que totalmente descartado
pela grande maioria das pessoas. Com isso concluímos que pouco a pouco, o Pensar foi
subestimado, foi relevado a planos inferiores, até mesmo por imposição ─ não aparente ─, dos
próprios sistemas sociais vigentes.

   Assim, o ser humano não pensou naturalmente; materializou-se quase que totalmente;
entregou-se às mãos da “máquina”, da “engrenagem” ─ cria do próprio ser humano; fez-se,
produziu-se conforme aquilo que o social-material vigente, exigia.

   Materialmente falando, evoluiu muito. Mas hoje, o ser humano sente, que do material, pouco
mais há a esperar, a não ser o estrangulamento, o colapso do próprio material, principalmente
pela destruição compulsiva do Natural.

                                               50
Talvez esse sentir, essa observação faça-o pensar, e do pensar, ele, o ser humano, chegue
ao Não Pensar e descubra, capte o que realmente é ─ Matéria/ Não Matéria ─ Ser Pleno ─
Todo Conexo.

  Talvez...




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ESPAÇO 36 PENSARES 10
  A Não Matéria é a Inteligência Superior do ser humano.

  Deus ─ Não Matéria absoluta;       TODO CONEXO,          Suprema Inteligência do Universo;
Energia Inteligente;   LUZ, da qual somos, no ESTADO Não Matéria, semelhantes, pois para
chegarmos a isso, fomos criados.




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ESPAÇO 37 E DEUS?
  Deus, dentro do pensamento maior, da vivência maior que envolve o que escrevo e que,
portanto, é o que sinto em plenitude, é     NÃO MATÉRIA, é       Essência Absoluta, de Tudo,
portanto ─ O TODO CONEXO ─ PURA ENERGIA.

  Assim, Deus somos nós, em nosso ESTADO NÃO; somos nós, porque somos parcela de
Seu Todo; somos força e energia semelhantes; somos ETERNIDADE E INFINITUDE D’DELE.
Somos de Deus o seu ponto de chegada; Ele chega em nós, tornando-se UNO conosco
através do “nosso” ESTADO NÃO.

  Somos Deus em nossa INFINITUDE, SEMPRE. Porém, como ainda somos incompletos por
desconhecermos o ESTADO Não Matéria, por vivermos mais o Estágio Matéria, sem
captarmos ainda a importância desse Estágio associado, conexo ao ESTADO Não Matéria,
precisamos de certas imagens, de certos “recortes” que nos deem a ideia de um deus que não
somos nós, que nunca poderemos ser e sim, algo inatingível na escala de espaço e tempo que
conhecemos, e que talvez possamos vir a saber Dele, mais verdadeiramente, apenas após a
morte.

  Sei que para muitos pode chocar, pode assustar a ideia de sermos Deus, em sua
INFINITUDE; é que olhamos para nós mesmos e nunca vemos o nosso interior, a nossa
contraparte de luz; o nosso avesso.

  Olhamos para os outros e vemos como eles se apresentam ao nosso mundo exterior;
olhamos para nós mesmos e para nossos semelhantes com o confuso, nublado e deturpado
olhar material, e o que vemos é a imagem da matéria, trabalhada ou mutilada pelo mundo
material artificial, que nos envolve. Enquanto não conseguirmos penetrar e caminhar, em nosso
avesso, em nossas entranhas, e aprender naturalmente a ver e sentir a totalidade que somos,
ou seja: Matéria/Não Matéria ─ Todo Conexo ─ Deus, permaneceremos apenas exterior,
fachada, luz apagada; não conseguiremos produzir em nós a Alquimia do Amor e Ele
permanecerá     fora   de   nós;   não    conseguiremos,   não    alcançaremos    a   UNIÃO
CONSUBSTANCIAL com Ele.

  Se demos à Energia Criativa o nome de Deus é hora de pensarmos em conhecer melhor
essa ENERGIA, saindo um pouco do contexto religioso e penetrando em um dos pontos da
Física ─ Física Quântica ─ que certamente trará maior amplitude de conexão ao se pensar a
Energia Criativa, tenho absoluta certeza disso.




                                                  53
ESPAÇO 38 POR QUE DO ESTÁGIO MATÉRIA?
  Eis uma pergunta que deverá surgir com frequência: Por que do Estágio Matéria?

  Essa pergunta, eu a fiz muitas e muitas vezes, a mim mesma; ainda a faço, porque estou
apenas principiando a caminhada Matéria/Não Matéria; portanto, trago ainda toda a força do
Estágio Matéria, entrando em choque com o ESTADO Não Matéria, principalmente pelo uso do
pensamento material/racional que por vezes quer ter domínio no campo do pensar, não
querendo admitir o Não Pensar. Na realidade, centenas de questionamentos ainda
permanecem na periferia do pensar, aguardando sua absorção pelo Não Pensar.

  Como espero que as respostas venham do Todo Conexo, continuo aguardando o momento
de SENTÍ-LAS, isto se meu nível Não Matéria estiver programado para isso. Tenho comigo, por
tudo que já senti, que os chamados “grandes mistérios” da vida, só serão dissipados quando o
maior número possível de pessoas estiver conexo com O TODO CONEXO, pois isto permitirá
uma sintonia mais ampla, um campo mais favorável para recepção de uma gama enorme de
informações superiores. Antes disso, falta o mais importante: a busca, a captação e a perfeita
vivência Matéria/Não Matéria.

  Ousando, não será possível que o tão falado e comentado “Final dos Tempos”, possa ser,
de alguma forma, o início do Não Tempo? Esse Não Tempo seria, então, o término dos tempos
obscuros do ser humano, no que tange ao próprio ser humano; seria então, a descoberta e
vivência da INFINITUDE, mesmo havendo a Finitude da Matéria, porque o ser humano matéria,
será também Todo Conexo, de forma CONSCIENTEMENTE CONHECIDA , RECONHECIDA e
SENTIDA.

  Assim, pode-se até pensar que o Estágio Matéria tem a sua importância, justamente para
que haja, ainda, um dia, a descoberta ─ ou redescoberta? ─, e captação total do ESTADO
NÃO pelo ser humano, dando início a um novo Estágio de Vida ─ VIDA PLENA.




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ESPAÇO 39 CONEXÃO
  É provável que muitas pessoas vivam em certa conexão com o ESTADO Não Matéria, só
que de forma inconsciente, não em sua plenitude, portanto.

  A totalidade do ESTADO NÃO é abrangente à própria matéria, mantendo-a em suas
características naturais, não se desvinculando desta, enquanto for matéria natural.

  Portanto repito: o Estágio Matéria, conexo ao ESTADO Não Matéria resulta o Todo Conexo
que é o ser humano, em sua realidade maior e transcendente.




                                               55
ESPAÇO 40 REALIMENTAÇÃO ENERGÉTICA
  O ESTADO Não Matéria conecta o ser humano com as leis naturais universais, leis essas
que regem o que chamamos de vida e também, principalmente, a Não Vida, permitindo uma
realimentação energética natural e constante entre Matéria e Não Matéria, com reflexos
perfeitamente harmoniosos em todas as demais esferas, ou seja,       Mundo/Não Mundo,
Pensar/Não Pensar e aspectos próprios destes.

  A ausência ou, melhor dizendo, o enfraquecimento dessa conexão causa uma sobrecarga
para a matéria, criando situações profundamente desfavoráveis e “desarmônicas” para o ser
humano, para toda a natureza, e para o próprio Planeta Terra.




                                             56
ESPAÇO 41 GERAÇÃO DE UM SER PLENO
  Existe algo de que gostaria de falar, e que considero uma das coisas mais importantes,
dentro do Estágio Vida; algo, que de certa forma, não atingiu ainda a real importância ─
Geração de filhos.

  Possivelmente, dentro desta 1a parte, este Espaço venha a ser um dos mais longos; falarei
do assunto da forma mais clara e aberta possível; falarei em função do que penso a respeito,
tendo em vista a Não Matéria, enfim, o que chamei de ESTADO NÃO.

  MACHO/FÊMEA         ─     HOMEM/MULHER

  Desde que o mundo é mundo, desde que foi concebido como tal, desde que recebeu a
designação de mundo, temos a situação acima colocada e sempre, desde seu início,
conflitante. É evidente que quando falo de concepção do mundo, como tal, estou me referindo
mais especificamente, ao conteúdo racional de tal concepção, coisa que fez com que a
situação macho/homem fosse considerada altamente superior a situação fêmea/mulher. É
evidente que enquanto no reino animal, chamado irracional ─ o que é questionável, ao se
avaliar situações em que poderíamos merecer também tal designação ─, essa diferença
permaneceu apenas à questão física, para o “reino” animal racional a diferença foi imputada ao
todo, da pessoa. Não precisamos ir muito longe para atestar a veracidade dessa situação, para
confirmar essa situação altamente discriminatória ─ as pessoas preferem um filho ou uma
filha?   Se você fosse ganhar um animalzinho de presente, preferiria que fosse macho ou
fêmea? . Essa segunda pergunta atesta de que forma a nossa conceituação de macho/fêmea,
atinge o reino animal irracional através de nossas idéias, atos e preconceitos.

  Essa situação conflitante foi distanciando o homem e a mulher, do encontro maior,
colocando-os, infelizmente, em situações totalmente opostas, fazendo com que, por várias
razões, quase que uma única coisa os unisse ─ a cópula ─, que na maioria dos casos nunca
ultrapassou o Estágio Matéria, em sua realização. Essa união sexual entre seres humanos,
muitas vezes aconteceu envolvida pelo amor ─ um sentimento que só é o que realmente deve
ser, quando ultrapassa o Estágio Matéria, quando consegue despertar, no ser humano, os
sintomas do ESTADO NÃO. Mas, na grande maioria das vezes, o que existe não é realmente
AMOR; pode receber muitos outros nomes, mas não, AMOR.

  Vamos tentar ver o assunto de uma forma bastante simplificada. Um homem e uma mulher
se conhecem; passa a existir todo aquele envolvimento inicial e um dia, consideram-se
apaixonados e prontos para viver uma relação mais íntima ─ veja que estamos falando de
casos mais especiais, não daqueles em que apenas a relação sexual imediata, conta.


                                               57
Então, esse homem e essa mulher partem para o momento íntimo, e para que ele seja
completo, ficam nus (talvez apenas materialmente falando), e acontece a penetração do
homem na mulher; acontece a cópula que traz, evidentemente, um prazer sexual muitas vezes
intenso, mas localizado, ou seja, na região dos órgãos sexuais do homem e da mulher, apenas.
Porém, na grande maioria das vezes, existe uma fração milesimal de tempo, do prazer sentido
quando do ato sexual, que faz com que as pessoas procurem desesperadamente por esse
instante; é como se o ser humano quisesse perpetuá-lo, tamanha é a sua indescritível
plenitude. Nessa fração milesimal de tempo, não existe, não aparece, não é sentida a diferença
homem/mulher; nesse instante, altamente fugidio, os corpos deixam de ser e resumem-se em
ALGO ÚNICO. Nesse instante, o homem não sente que está dentro da mulher (sexualmente
falando), e nem a mulher sente que o homem está dentro dela (também sexualmente falando);
sentem-se únicos, nesse instante maior; a parceria deixa de existir. É nesse instante que
costuma ocorrer o que é chamado de Orgasmo∗, que sob o aspecto fisiológico, tem inúmeras
explicações de como e razão por que ocorre. Então, quando ocorre o Orgasmo, paira no ar
uma sensação de inexistência da pessoa, do mundo, e até da própria vida; o ser humano
“entra” em um estado desconhecido dele mesmo, definido normalmente como Êxtase, mas que
eu chamaria de Momento Pleno por ser um dos momentos em que mais próximo o ser humano
chega, da descoberta do ESTADO NÃO, pois nesse instante, ele (o ser humano), o mundo, a
vida, a morte, o pensamento tornam-se inexistentes. A busca pela repetição desse momento,
faz com que as pessoas busquem as relações sexuais com voracidade; assim o fazem, porque
não conseguem “armazenar” aquela sensação por um tempo maior do que aquele milesimal
espaço de tempo. Diria então, que em cada relação sexual existe uma “agonia”, um estado de
ansiedade que busca aquele momento de fugidia paz.

      Essa “agonia” ocorre porque, em sendo a relação sexual vivida apenas no Estágio Matéria, a
sensação de Momento Pleno não consegue perpetuar-se, no ser. Por mais que o Estado Não
Matéria esteja presente, nesse momento, ele ainda não é tocado em sua profundidade.
Quando o ser humano vive uma relação sexual em perfeita conexão Matéria/Não Matéria,
aquilo que chamei de Momento Pleno, transforma-se, aí sim, em ÊXTASE, e nesse instante o
ser humano se transforma em Ser, evidentemente, se esse for o seu caminho de encontro ao
Ser.




∗
    Orgasmo: sabe-se que o orgasmo pode ser atingido sem que haja a cópula, ou até mesmo, o ato sexual, pois ele, na verdade, é algo do ser único; ele não é
    sentido no outro e sim, no próprio ser; não é externo, não é local, não é parcial. O orgasmo, quando verdadeiro, quando ultrapassa o estágio Matéria e alcança
    o ESTADO Não-Matéria, transmuta-se em ÊXTASSE, que é verdadeiro, interno, total e independe do outro.


                                                                                58
A grande maioria dos seres humanos não tem, ainda, sensibilidade desenvolvida para
captar, sentir e vivenciar a magnitude de uma relação sexual; isto porque, sua sensibilidade é
ainda limitada e limitante ao Estágio Matéria. E normalmente, é sob o envolvimento dessa
sensibilidade limitada e limitante ao Estágio Matéria, que um novo ser humano é gerado; novo
ser humano visto aqui apenas no aspecto matéria, pois quando visto sob a ótica do Todo
Conexo, ele não é novo nem velho, é simplesmente Infinitamente Eterno, pois é Ser. Porém, o
novo ser humano, gerado em circunstâncias não plenas do ser, traz consigo todas as
interferências acumuladas de séculos e séculos e do dia a dia de seus geradores. Assim, um
novo ser é gerado, em um instante de euforia sexual, extremamente passageiro, e por ser
eufórico é, na grande maioria das vezes, também banal.

  E depois de gerado, enquanto é “gestado”, permanece ainda, o novo ser humano, sob o
efeito de preocupações quase que estritamente materiais ─ o que ele será ou deixará de ser,
dentro da ótica “mundo sócio-material”; pouco ou nada é pensado sobre ele, como ser humano
pleno; no nível de vida integral e plena.

  Acredito, do mais profundo do meu ser, que dia virá em que o ser humano pleno ─
Matéria/Não Matéria ─, fará vir ao mundo um ser especial, através de um momento especial;
um ser que trará as características do Todo Conexo em toda sua constituição molecular, em
todos os seus pensamentos, em todas as suas atitudes. Confio que esse tempo está mais
próximo do que possamos imaginar, pois o que falta, apenas, é que cada pessoa tente
“EMBRIONAR-SE”, nascer de novo e nascer pleno, para dar início às mudanças que o novo
ser ─ Todo Conexo ─, terá que fazer.




                                             59
ESPAÇO 42 FELICIDADE, O QUE É?
  Acredito que a felicidade nada mais é do que um “estar bem” constante, da pessoa com ela
mesma, independente de todo e qualquer problema relativo         à vida material (natural ou
artificial), pois esse “estar bem” consigo mesma e com a vida não acarreta nenhum distúrbio de
ordem psíquica, emocional, mesmo que a pessoa tenha que enfrentar situações de grande
dificuldade; mesmo assim, estará bem, porque estará plena, interiormente, daquela força que
nos sustenta, naturalmente, em qualquer situação.

  Porém, a vivência isolada do Estágio Matéria acarreta incompatibilidades tremendas com a
própria vida material causando, em função disso, praticamente todos os distúrbios emocionais
de que temos conhecimento, e com isso, a ausência quase que total desse estar bem.

  E qual é a razão para isso?

  É que o ser humano é Matéria e Não Matéria, e apenas através da vivência real de ambas,
através da conexão total de ambas é que poderá ajustar-se como ser humano pleno ─ Todo
Conexo. Enquanto isso não ocorrer, a vivência será desarmônica e consequentemente,
problemática.




                                             60
ESPAÇO 43 SER PLENO
  O ser humano pleno ─ Todo Conexo ─, é só, sem ser só.

  É só, porque o Todo é solitário, por ser Único, e o Único é só. Porém, não é só, porque
sendo Todo Conexo, ele é Pleno e sendo Pleno não é só, mesmo sendo único.

  A solidão que as pessoas normalmente sentem, por mais acompanhadas que estejam, é
porque consideram-se avulsas; consideram-se, não no Todo, mas na parte; considerando-se
como parte, não são plenas; e não sendo plenas, a solidão da parte as assola e elas buscam
mil e uma formas enganosas de complementarem-se, de tornarem-se plenas; mais
especificamente, cheias por dentro.

  Essa solidão da pessoa deixará de existir, da forma como é sentida, quando ela, a pessoa,
conceber-se Plena ─ Matéria/Não Matéria ─ Todo Conexo.




                                            61
ESPAÇO 44 REDE INVISÍVEL
  Pela solidão e desamparo que o ser humano matéria sente (mesmo que inconscientemente),
a proliferação de ideologias encontra terreno fértil. O ser humano precisa, pela solidão e
desamparo que sente, de uma ligação mais forte; de uma ligação que a ele pode não parecer,
mas que na grande maioria das vezes é de domínio.

  E cérebros humanos, privilegiados pela observação e sondagem das chamadas “fraquezas
humanas” ─ oriundas desse sentimento de solidão e desamparo ─ criaram uma rede que
lançada sobre o ser humano, não o permite escapar. Só que existem minúsculos espaços,
nessa rede, através dos quais alguns seres humanos escaparam, e tentaram falar sobre a
textura dessa rede; porém, ela é muito forte e os que ainda estão sob ela (a maioria de nós,
seres humanos), são vencidos cada vez mais, apesar de considerarem-se vencedores, isto,
pelo efeito “narcotizante “ de certos elementos constituintes dessa rede.

  Assim, só acredito no rompimento dessa rede, quando o ser humano captar e vivenciar o
Todo Conexo que é ─ Matéria/Não Matéria ─, não submisso a nada além do estritamente
natural, que é.




                                               62
ESPAÇO 45 DÚVIDAS
  Não posso deixar de admitir a enorme dificuldade quando nos propomos a “captar” nossa
realidade maior e transcendente, isto porque, o choque com tudo que nos rodeia é fatal e, por
inúmeras vezes, as dúvidas nos assolam quase que de forma incontrolável. Porém,
exatamente nas dúvidas do ser humano, em suas buscas maiores, é que reside o terreno fértil
para o encontro, para a captação de seu ESTADO NÃO.

  Quase todos os ensinamentos que temos, no que se refere principalmente ao campo
religioso, não nos dão permissão para duvidar. Se duvidamos, se ousamos duvidar dos
ensinamentos “instituídos”, que nos dão, nós mesmos tentamos afastar essas dúvidas porque
nos foi dito, nos foi imposto que, se duvidamos, então não temos fé, e o que é pior: somos
horríveis pecadores, não havendo perdão para isso, a não ser através de um sufocante e
destruidor sentimento de culpa.

  Nos foi ensinado que a fé, seja no que for, não admite dúvidas; que a fé deve, então, ser
cega; nos foi ensinado (por aqueles que instituíram credos), que há coisas que não podem ser
pensadas, que não podem ser questionadas pelo ser humano comum, porque a ele não foi
dado o direito de conhecer coisas, além daquelas que estão disponíveis (e perfeitamente
dosadas e/ou camufladas), para serem conhecidas. Então, o medo por estar agredindo, por
estar pecando, sufocou e sufoca ainda, na grande maioria dos seres humanos, todos os “será
que é isso mesmo?”; sufoca, no ser humano, toda busca natural e espontânea de respostas às
indagações que também, natural e espontaneamente o ser humano tem. Apesar de já estar
longe o famoso tempo da Inquisição, mesmo assim, perante a sociedade, e principalmente
perante algumas de suas instituições, ai de quem ousar pensar e duvidar ─ do que está escrito
e determinado ─ e divulgar suas dúvidas, torná-las de conhecimento público.

  Porém, existe um espaço onde essas dúvidas e questionamentos podem ser lançados, com
total segurança, com total liberdade, e até mesmo, certeza de respostas: o nosso interior.

  Portanto, torno a repetir que o ser humano precisa “EMBRIONAR-SE” dos questionamentos
que tem, e aguardar as respostas que virão, e o novo ser que “nascerá” juntamente com as
respostas captadas e sentidas. Para mim, prova maior do que foi dito acima, da necessidade
de questionar, de compreender e não apenas de crer, sem consistência interna, está nas
seguintes palavras de Jesus, O Cristo, quando perguntaram a Ele, qual era o maior
mandamento: “Ama o Senhor teu Deus, com todo o teu coração, com tôda a tua alma e com
todo o teu entendimento”. (Grifos da autora).




                                               63
ESPAÇO 46 PENSARES 11
  A hegemonia e continuidade das “engrenagens enferrujadas” estão no desuso do Pensar e
no sufocar das dúvidas.




                                          64
ESPAÇO 47 PENSARES 12
  E de simples, a vida tornou-se complexa e limitante, pela complexa e limitante forma de
domínio do ser humano, pelo próprio ser humano, como consequência do desconhecimento de
sua simples, Infinita e Ilimitada condição NÃO.




                                                  65
ESPAÇO 48 MUNDO MATÉRIA
  É importantíssimo observar que quando falo em “mundo matéria”, como sendo o grande
causador de transtornos ao ser humano, subentenda-se, nessa maneira de falar, não
propriamente o mundo, a matéria (naturais), como sendo o mal do ser humano, mas sim, os
Sistemas, as Doutrinas, as Instituições de Domínio, as Ideologias, etc., etc., etc... criadas para
“melhorar”, “aperfeiçoar” a condição de vida neste Planeta. Foram essas coisas instituídas que
“acertaram” as posições do ser humano, nos esquemas criados; ao mesmo tempo, sufocaram
os acertos naturais que o ser humano pleno ─ Matéria/Não Matéria ─ traz em si, para sua
sobrevivência durante o Estágio Matéria.




                                               66
ESPAÇO 49 EGOCIÊNCIA
  A EGOCIÊNCIA, que proclamo como auxiliar às ciências conhecidas, do nosso mundo, na
descoberta total da Não Matéria, do Todo Conexo, será encontrada quando o ser humano
“EMBRIONAR-SE” de seus, e em seus questionamentos.

  Nós somos, em natureza, a própria Ciência, e da Ciência que somos, somos também o
Cientista que a descobrirá e dará vazão a Ciência Eterna da Não Matéria Natural e Igual ─
SEMPRE.




                                           67
ESPAÇO 50 PENSARES 13
  DEUS ─ CIÊNCIA ─ TODO CONEXO, como prefiro chamá-lo, encontrado pela pura ciência
mais a ciência do ser ─ a SerCiência.

  Chamo de pura ciência, as Ciências do Natural, e do Sobrenatural, estas, assim chamadas,
por sua íntima ligação com o desconhecido do ser humano.




                                            68
ESPAÇO 51 DIREITO DE PENSAR E OUSAR
  O ser humano sempre se sentiu e se sente “duplo”, sem conseguir, entretanto, identificar
exatamente no que e em que reside esse “duplo” que ele tem, por vezes, a sensação de ser ou
ter. Mas, mesmo sentindo-se “duplo”, também sempre se sentiu e se sente só; uma solidão e
um desamparo frente a um Todo Desconhecido, no qual, tenta, algumas vezes, pensar. Mas,
cada vez que tenta pensar (na forma humana, material, racional, lógica de pensar), ele se
choca com seus próprios pensamentos, que podem, na grande maioria das vezes, não serem
tão seus; podem ser pensamentos de outro seres humanos, pensamentos que foram, também
de uma certa forma, “injetados” em nós, e assim sendo, muitas vezes confundem, perturbam o
ser humano em seus “arrojos” ao pensar.

  Parece então, ao ser humano, que tudo que havia para ser pensado e descoberto, já o foi; e
se ele se arroja a novos “pensares”, e os exterioriza, é totalmente desencorajado, porque a
grande maioria das pessoas tem opiniões estranhas a respeito de quem “ousa” duvidar,
perguntar, pensar sobre coisas que já lhe disseram ser “inquestionáveis”, ao ser humano
chamado “comum”. Com essa situação, abrem-se enormes brechas para que o ser humano
considere que apenas para alguns poucos        foi dado o direito de pensar e lançar seus
pensamentos ao mundo, e o mundo os “aceitar” como verdades únicas, portanto, definitivas a
respeito do ser humano e de tudo aquilo que a ele, mais profundamente, diz respeito.

  Mas, independente de tudo quanto já foi dito, ao ser humano, sobre ele mesmo, ele continua
a questionar, a duvidar, a ousar, e assim será ─ creio eu ─ até que cada ser humano consiga
“EMBRIONAR-SE” de suas dúvidas, de suas questões, de seus “pensares”, e descubra por si
mesmo, a sua verdade maior, o seu Todo Conexo.




                                              69
ESPAÇO 52 PENSARES 14
  Enquanto o Estágio Matéria dinamiza o ser humano em suas conexões materiais, o
ESTADO NÃO, insere-lhe sua INFINITUDE; insere-lhe seu ESTADO de Todo Conexo, e o
conecta, evidentemente, com esse TODO CONEXO que ele, ser humano, é.




                                         70
ESPAÇO 53 PENSARES 15
  A descoberta breve, ou não, do ESTADO NÃO, depende do nível de “congestionamento”, de
“concretude” em que se encontra a pessoa, em função da distorção da realidade do Estágio
Matéria.

  Entretanto, por mais estranho que possa parecer, esse próprio “congestionamento”, esse
estado de extrema “concretude”, da pessoa, do ser humano, pode vir a detonar a descoberta
do ESTADO NÃO, num curto espaço de tempo.




                                           71
ESPAÇO 54 PICO EVOLUTIVO
  Acredito que o pico evolutivo máximo, do ser humano, enquanto matéria, será a vivência
plena da Matéria e Não Matéria, pois enquanto uma é Finita, a outra foi, é e será SEMPRE.
Portanto, a plenitude do ser humano, acredito, deverá ser a vivência plenamente conhecida de
seu ESTADO NÃO; será sua vivência como Todo Conexo que sempre foi, é e será.




                                            72
ESPAÇO 55 O SEMPRE
  O ser humano, quando Todo Conexo, não é um ser morto, apegado a “raízes” distorcidas e
apodrecidas.



  Ele é sempre novo, porque o Todo Conexo vibra em conexão com a Natureza e esta sabe
bem o que fazer com as raízes distorcidas e apodrecidas, do seu meio.



   Na Natureza, Tudo é constantemente novo e mutante; não há estagnação, no sentido real
da palavra.



  O SEMPRE é sempre novo porque é constantemente renovador e renovado; por ser
SEMPRE, sua “época” é ininterrupta e vibrante; além do mais, o SEMPRE não é preso a nada;
ele paira além do que foi, do que é, e do que poderá ser.




                                               73
ESPAÇO 56 O TODO CONEXO ─ VOCÊ
  O que esta primeira parte do EgoCiência e SerCiência tentou dizer a você, é que NADA e
NINGUÉM pode tirar de você a sua INFINITUDE, mas que também, NADA e NINGUÉM poderá
descobrir em você, o Todo Conexo que você é, só você mesmo. A INFINITUDE DO TODO
CONEXO só você pode procurar, encontrar e viver.

  A caminhada ao encontro de “sua” Não-Matéria, enfim, a caminhada ao encontro de sua
verdade maior, o Todo Conexo que você é, é difícil pela força da rede que foi lançada sobre
nós, mas que nós temos força suficiente para “dissolvê-la”, e deixar fluir a verdadeira VIDA ─
Matéria/Não Matéria.




                                             74
ESPAÇO 57 “EMBRIONAR-SE”
  Devo admitir que foi longo o tempo de busca, até chegar a captar e sentir a realidade do
ESTADO Não Matéria, e da fusão dele, comigo mesma, que foi em verdade, o encontro com o
Todo Conexo , que sou. Daí a conclusão do Todo Conexo que somos e que é aquele que a
grande maioria chama de Deus.

  Para mim, Deus É TODO CONEXO ─ e assim prefiro chamá-lo ─, assim como você e eu
também somos, nas dimensões que a matéria nos permite, mas totalmente não dimensionáveis
e INFINITOS, em nosso ESTADO Não Matéria.

  EMBRIONEI-ME de todos os questionamentos que tinha sobre a vida; observei o material ─
natural e artificial ─, e captei a natural Não Matéria. Durante longo tempo pensei na vida, na
forma como ela é vivida e conhecida, e quando deixei de pensar e passei a ser o próprio
pensamento, “captei” e senti a vida e cheguei a Não Vida, exatamente através do Não Pensar.

  Agora estou no princípio de minha caminhada consciente Matéria/Não Matéria; sou recém-
nascida e vou ter que ver, agora, dentro do tempo que tenho no Estágio Matéria, o que é,
realmente, ser Todo Conexo, plenamente, como espero.




                                             75
EgoCiência e SerCiência

       Ensaios



        Parte 2




          76
Explicações Preliminares

Quando comecei a escrever a Parte 2 do EgoCiência e SerCiência-Ensaios, percebi, com
maior intensidade, a realidade maior do que havia “escrito” na Parte 1, e esta Parte 2 é uma
tentativa de ampliar as colocações, então feitas.
Você leitor, deve ter observado que usei aspas (“”) na palavra escrito; deve lembrar,também, o
mencionado sobre explicar a razão da utilização delas, no decorrer dos assuntos.
A explicação é simples. No que se refere a Parte 1, praticamente apenas passei para o papel
(em máquina de escrever, pois na época, não dispunha de computador) tudo o que havia
“pensado” e anotado, em momentos diversos e também tudo que havia “surgido” nas
gravações feitas, quando daquelas “conversas” já citadas na Parte 1.
Portanto, honestamente, não poderia assumir ─ racional e logicamente ─ de forma integral, a
autoria da maioria daqueles espaços; algo mais, além de meu racional e lógico, propôs as
questões e as “formulou” ao entendimento.
Tal coisa não aconteceu nesta Parte 2; aqui, o pensamento, da forma usual conhecida por nós,
formulou as questões e elas foram desenvolvidas, de certa forma ampliando, parte do que já foi
visto, provavelmente para uma melhor compreensão.
 As partes que veremos, a seguir, foram sendo desenvolvidas mais ou menos entre 1987 e
1990.
Creio ser importante dizer a você, leitor, qual motivo levou-me a propor o então Ensaios sobre
a Não Matéria, atual EgoCiência e SerCiência.
Não havia, de início, nenhuma intenção de fazê-lo; pensei em como seria difícil tentar expor
algo que havia nascido de experiência totalmente particular, e como tal, talvez devesse ficar
apenas comigo, pois que interesse poderia ter, para outra pessoa, aquilo pelo que passei, o
ponto onde cheguei e o que alcancei?
O que impulsionou-me a fazê-lo, primeiro foi ter verificado que, em cada livro lido por mim, algo
─ mesmo uma pequena frase ─ renovava aspectos internos importantes; segundo, que se a
maior parte do EgoCiência e SerCiência veio através daquilo que podemos chamar de insights,
com certeza é porque sua mensagem poderá encontrar eco em pessoas, que como eu,
almejam caminhos alternativos de busca.
Ainda um terceiro motivo surgiu ao pensar em quantas e quantas pessoas passam por
situações semelhantes, sem que consigam despertar para seus próprios meios de analisar os
fatos e encontrar respostas em si mesmas.




                                                77
Assim, continuemos juntos, percorrendo as linhas escritas e procurando ir além do que se
apresenta, deixando espaço aberto para que esta ou aquela frase, este ou aquele parágrafo
possam “dizer” algo mais.
É importante também que lhes diga que, as dificuldades encontradas na abordagem dos
assuntos contidos na Parte 1, continuaram nesta Parte 2. É mais que certo que as palavras não
podem “transportar”, por elas mesmas, a Essência do que está sendo escrito; além do mais, eu
mesma tenho limitações na exposição desses assuntos; não consigo trabalhá-los de forma
linear, seqüencial, discursiva; não há como escrever detalhadamente, pois tenho consciência
de que apenas os contornos devem ser expostos.
Por essa razão, continua a divisão dos assuntos em Espaços e estes, nesta Parte 2, foram
constituídos por aquilo que chamei de Pontos (P). Essa forma de expor os assuntos permite
que a penosa e restrita sequência linear, lógica de exposição através de palavras, seja
atenuada. Em cada Espaço, a sequência de Pontos baila com certa flexibilidade e liberdade, o
que permite que em cada um deles, você leitor, encontre ─ na grande maioria das vezes ─ um
todo que o é por si mesmo, apesar de fazer parte de um todo maior ─ o Espaço.
Então, comecemos.




                                             78
ESPAÇO 1 MUNDO
P.1 Se dermos a qualquer pessoa duas figuras totalmente diferentes, um quadrado e uma
esfera, e pedirmos que ao lado de uma delas escreva a palavra mundo, é evidente que a figura
escolhida será a esfera. Mas, nossa realidade sensível, para o mundo, não é a esfera porque
vivemos em conformidade com a tridimensionalidade, que por si só nos aprisiona, nos limita ─
fisicamente falando ─, e nos condiciona, psicologicamente. A tridimensionalidade envolve o ser
humano desde o nascimento:

─ o berço onde é colocado (a maioria dos seres humanos);

─ o quarto, onde fica o berço;

─ a casa onde ficam o quarto e o berço.

SÃO FORMAS E COISAS MARCANTES E SÃO TRIDIMENSIONAIS.

P.2   Provavelmente o movimento de nossos olhos ─ quando ainda crianças ─,ou melhor,
recém-nascidos, encontra naturalmente a limitação da tridimensionalidade, e a medida que
nosso cérebro registra a “realidade” dimensional em que vivemos ─ materialmente falando ─
vamos sendo programados para reconhecer a tridimensionalidade como uma de nossas
maiores realidades, mesmo que jamais pensemos a respeito, mesmo que jamais a
questionemos.

P.3   A tridimensionalidade que a vida física nos impõe, limita-nos, inclusive psicologicamente,
porque quando nos deparamos ─ visualmente falando ─ com algo que parece escapar a
tridimensionalidade, temos dificuldade em nos adaptarmos a essa visão; nossa psique, de certa
forma, é abalada pelo diferente, pelo fora do comum.

P.4      Ao vivermos em conformidade com a tridimensionalidade ─ por nossa condição
física/material e nosso condicionamento mental ─, vamos pouco a pouco “fechando” o mundo
em uma “pequena caixinha” onde “colocamos” e “guardamos” aquelas pessoas, coisas e
lugares de que mais gostamos ou necessitamos. É evidente que isso, na totalidade, não ocorre
a nível físico, mas sim, em nossa estrutura interna, de forma tão inconsciente que não nos
damos conta quão forte e limitada é a nossa estrutura interna de mundo. Essa estrutura
interna, se analisarmos bem, é tão limitada que a casa de nosso vizinho não faz parte dela, a
não ser que por alguma razão, nossa, esse vizinho tenha participação especial que o
diferenciará de outros e o colocará em nossa “caixinha mundo”, por exclusiva deferência nossa.


                                              79
P. 5     Veja: é evidente que como ser físico, o espaço que temos condição de abranger é
extremamente limitado; que nada há de errado em termos um mundo tão pequeno,
comparativamente ao tamanho do mundo em que vivemos, isto para falar apenas do Planeta
Terra. O problema, penso eu, está na interiorização emocional, psíquica e mental desse
“mundo caixinha”. Essa interiorização gera um isolamento da pessoa, do Todo do qual ela é
parte integrante. Dessa interiorização de nosso “mundo caixinha”, passamos automaticamente
à desconsideração, parcial ou total, de todos os outros “mundos caixinha” que existem,
abrangendo essa desconsideração o Planeta como um todo, a natureza em sua quase
totalidade, pois ela, pela nossa estrutura interna de mundo, está fora desse “nosso” mundo.

P.6 Cada um de nós, portanto, tem um mundo particular, próprio, composto de seres, coisas e
lugares que mais nos interessam ─ seja qual for o nível e/ou aspecto desse interesse ─
recortes do mundo global que guardamos em “pequenas caixas” que permanecem ─ de forma
bastante acentuada e evidente ─ alheias as outras “caixinhas mundo”, das outras pessoas. Por
essa razão, não precisamos nos esforçar demais para entender o porquê da grande dificuldade
de comunicação entre as pessoas; ficamos, muitas vezes, horas em contato com pessoas sem
sequer trocar, pelo menos, um cumprimento, pois, a priori, as consideramos estranhas.
Chegamos ao cúmulo, muitas vezes, de considerarmos ainda como “estranhas”, pessoas que
diariamente encontramos no elevador, na fila do ônibus, no ônibus, enfim, nos mais diversos
lugares; sequer arriscamos um tímido cumprimento porque elas, pela nossa estrutura interna
de mundo, pertencem a outro mundo, que não é o nosso. E se alguém tenta quebrar essa
incomunicabilidade, dificilmente encontra ressonância; muitas vezes é olhado com certo ar de
repreensão, como se fosse um E.T., que com essa atitude quisesse penetrar no “mundo
caixinha” de alguém, sem ser convidado.

P.7    VIVEMOS NO UNIVERSO, NUM PLANETA CHAMADO TERRA.

  A primeira idéia ─ VIVEMOS NO UNIVERSO ─ não nos é nada familiar na extensão e
profundidade que deveria ser; para alguns, pode chegar a ser inconcebível, estranha, sem
condição de racionalização e muito menos, de percepção.

  A segunda está mais próxima de nós, mas também não na extensão e profundidade que a
realidade exigiria. O que está bem próximo de nós é uma pequena caixinha que representa o
mundo para nós, ou melhor, representa não, é o mundo, para nós.

  Não trazemos em nós (física/materialmente falando) a vivência esférica; por essa razão, nos
perdemos    do   infinito   e   desconhecemos      o   universo,   preferindo   a   limitação   da
tridimensionalidade e até mesmo da gravidade, pois ambas nos ajudam a delimitar, a fechar, a


                                              80
firmar um espaço que desejamos, particularmente nosso. Na realidade, talvez nem todos se
sintam prisioneiros da tridimensionalidade (como algumas pessoas), porque de uma certa
forma ela é aconchegante; o que foi feito em função dela, em acordo com ela, é cômodo,
prático, vivenciável ─ “real”.

P.8    A tridimensionalidade e a gravidade aprisionam a pessoa à materialidade.

P.9    Quanto mais nos materializamos, quanto mais nos fechamos em pequenos mundos,
mais distantes ficamos do Universo. Em plena Era Espacial, a pessoa está mais distante do
Universo do que em todas as outras eras passadas.

P.10 A pessoa precisa romper com a tridimensionalidade e com a gravidade e deixar nascer o
Ser; a pessoa permanecerá sob os efeitos de ambas, mas pela presença do Ser, não se sentirá
mais “presa” a nenhuma delas.

P.11 A própria força da gravidade que nos “fixa” no Planeta Terra, age em nossa psique não
nos deixando alçar voo para além daquilo que consideramos como real ─ visível, palpável,
definível ─ existente de fato.

P.12 Somos conscientes de uma pequeníssima parcela da realidade que nos cerca; tudo o
mais permanece, digamos assim, “flutuante” em nosso mecanismo cérebro/sensitivo; só em
algumas ocasiões conseguimos centrar algumas dessas coisas “flutuantes”, ao nosso “mundo
caixinha”, quando, por alguma razão específica nossa, essa coisa nos interessa. Exemplo:
“sabemos” da importância da natureza em nossa vida, mas nunca paramos para pensar na
extensão dessa importância; isso apenas flutua em nós, pois afinal, há tantas outras coisas
importantes (para o nosso “mundo caixinha”), em que pensar, com que se preocupar.

  Agora, com todas as situações ecológicas desfavoráveis sendo apontadas, mostradas,
comentadas, esse algo “flutuante”, em algumas pessoas já se tornou algo centrado ─ parou de
flutuar ─ foi anexado ao “mundo caixinha”; mas isso aconteceu, não propriamente porque o
mundo global, o Planeta Terra e a humanidade correm riscos e sim, porque esses fatos estão,
de uma certa forma, ameaçando o “mundo caixinha” dessas pessoas. Não estão preocupadas
com os efeitos de uma possível catástrofe mundial, para a humanidade, para a natureza, para
o Planeta; estão preocupadas com os efeitos dessa situação em seus “mundos caixinha”.
Talvez nem sequer pensassem nessa possível catástrofe ecológica, se ela não atingisse
também aqueles “mundinhos” onde “vivem”, ou seja, se alguma coisa viesse a ocorrer longe de
onde essas pessoas têm os seus “mundos caixinha”; assim talvez respirassem e dormissem
tranquilas. Na verdade, não teriam culpa em pensar assim; estariam apenas demonstrando, na



                                              81
prática, os efeitos danosos, nocivos da tridimensionalidade e da gravidade, interiorizadas ─
Egoísmo, desunião e ausência total de pensamento holístico.

P.13 A tridimensionalidade, aliada à gravidade nos traem quanto a nossa própria condição de
percepção do espaço que habitamos. Não conseguimos nos sentir vivendo numa quase esfera,
e muito menos, que essa quase esfera está, digamos assim, “solta” no Universo; não
conseguimos sentir que a nossa proximidade com o Universo é bem mais real do que
possamos imaginar, porque vivemos nele; por estarmos no Planeta Terra, não significa que
não estejamos no Universo.

P.14 A tridimensionalidade real (física, material), aliada à tridimensionalidade mental, ou seja,
aquela que a condição física de existência nos impõe, estimula o aprisionamento ao que é
concreto, ao que nos é provado como real; materializa-nos; fecha, limita nossos horizontes;
castra nossa imaginação espacial; ergue muralhas quase intransponíveis ao Ser. Se a
tridimensionalidade nos limita ao espaço em que vivemos (materialmente falando), a gravidade
nos força, nos pressiona, nos “suga” para essa mesma tridimensionalidade.

P.15 É evidente que o que foi dito em P.14, não nos é transparente; não temos consciência
de que as coisas possam ocorrer dessa forma. Não pensamos, no nosso dia a dia, na
tridimensionalidade e na gravidade; aliás, é algo que sequer nos lembramos. Porém, os efeitos
de ambas, inúmeras vezes chegam ao nosso nível consciente, sem que sejam diagnosticados
como tal. É aquela sensação de aprisionamento; sentimos, algumas vezes, como que
“fechados”, sem espaço e também “pesados”. Ambas as sensações ─ de “fechados” e
“pesados” ─ geram certo desconforto, certa angústia. Nessas horas, algumas pessoas até
costumam dizer: “sinto uma vontade enorme de sair correndo, de sair voando por aí”.

P.16 É importante observar que esse quadro de mal-estar definido em P.15, aumenta de
intensidade e número de pessoas acometidas por ele, na razão direta do afastamento do que
poderíamos chamar de espaços naturais, ou seja, quanto mais afastados estivermos (física
e/ou mentalmente), de espaços naturais, mais “pesados” e “presos” nos sentiremos. Assim,
quanto mais próximos estivermos de espaços onde o concreto, o artificial nos envolvem, mais e
mais vezes sentiremos esse tipo de mal-estar. Nos grandes centros urbanos onde os espaços
são rigorosamente definidos, onde a tridimensionalidade está ameaçadoramente demarcada
pelo concreto, a perda do ser natural ─ da pessoa ─ é perfeitamente visível; as pessoas trazem
no rosto o enquadramento ao formal.

P.17 Será importante dizer que considero que os efeitos da tridimensionalidade e da
gravidade, foram se tornando mais marcantes, mais evidentes à medida que a humanidade


                                               82
começou sua caminhada mais aceleradamente, em direção àquilo que foi proclamado como
progresso,     como      desenvolvimento      material/social.    Essa        tridimensionalidade
psíquica/mental/emocional acompanhou, passo a passo, essa caminhada da humanidade,
enquanto o aspecto material/físico (dessa mesma tridimensionalidade) tornou-se cada vez mais
agressivamente presente.

P.18 Temos ainda exemplos de povos, de seres não “contaminados” psíquica, emocional,
mentalmente pela tridimensionalidade, entre eles, os povos indígenas, principalmente aqueles
que nenhum contato têm com a chamada “civilização”. Esses povos vivem mais, muito mais em
contato com a esfericidade do Planeta, tanto que suas “casas” são de formato esférico,
comprovando que eles têm mais conexão que nós, com a realidade espacial do habitat terreno.

  Por que as ocas dos índios são arredondadas?

P.19 Os seres humanos, ditos civilizados, perderam muito de sua composição natural
passando, sem a devida percepção, para ser artificial sofrendo, entretanto, os efeitos danosos
dessa quase radical mudança. Talvez a coisa mais linda e importante que os povos não
civilizados, não “materializados” têm, é o que poderíamos chamar de uma noção integrada da
natureza, ou simplesmente, Amor à Natureza.

Esse sentimento engloba um imenso respeito a tudo que os rodeia, fazendo com que esses
povos tenham sensibilidade aguçada para entender todas as mensagens de seu meio
ambiente; são ecologicamente corretos ─ usando um termo bem atual, mas, para a maioria de
nós, existente apenas no papel e nos discursos; isto, por enquanto, espero.

P.20 A grande maioria das pessoas, pela estrutura interna de mundo, que tem, olha, mas não
vê tudo o mais que está fora de seu ”mundo caixinha”. Quando se olha, apenas, alguma coisa,
não nos tornamos unos com aquilo que estamos olhando; mas quando, além de olhar também
se vê aquilo que se está olhando, então nos tornamos unos com aquilo. Resumindo, quando
também vemos aquilo que estamos olhando, essa coisa olhada e vista, passa a fazer parte de
nosso “mundo caixinha”, por inclusão ou exclusão; por inclusão, quando essa coisa nos
agrada; por exclusão, quando não nos agrada, pois apesar de assim ser, fará parte de nosso
“mundinho”.

P.21 O mundo definido, limitado, coerente com a lógica cartesiana, com o pensamento
racional, com a ânsia do ser (dito humano), em guardar a si próprio, a outros que quer bem, e
guardar coisas de que mais gosta, permite o estreitamento do vínculo da pessoa com o Ter,
com o Possuir. O mundo, da forma como foi “recriado” pelo ser humano, ou seja, o “mundo
caixinha” de cada um, desenvolveu demasiadamente o já profundo egoísmo das pessoas,


                                              83
egoísmo esse que chega a máxima consequência de não reconhecimento, dos menos
próximos, como seres humanos; as pessoas se olham como se não fossem todas iguais, em
constituição; olham-se, como se não pertencessem ao mesmo mundo, ao mesmo Planeta, ao
mesmo Universo; olham-se, como se não tivessem, todas, o mesmo destino infalivelmente
marcado ─ a morte.

P.22 E o mundo de que temos conhecimento, de belo tornou-se feio, angustiado, sufocado,
carente, doente porque fizemos dele um reflexo de todas as nossas imperfeições, de todo o
nosso desamor por nós mesmos, e por extensão lógica/racional, por todos aqueles que não
são próximos a nós por não fazerem parte de nosso restrito e egoísta “mundo caixinha”, por
não serem do rol daqueles que, possessivamente, chamamos de “os meus”.




                                            84
ESPAÇO 2 NÃO MUNDO

P.1   Falar sobre aquilo que considero ser o Não Mundo é de extrema dificuldade, muito mais
por ser, digamos assim, substrato de uma realidade que poderíamos chamar de particular,
concebida por uma pessoa, em sua essência “não dimensionável”. Sendo assim, não se pode
transferir para outra pessoa (que também tem o Ser não dimensional talvez, ainda não
descoberto), algo que é fruto, não da objetividade racional, mas sim, da subjetividade intuitiva
do Ser.

P.2   O Não Mundo não é vazio, porque o vazio inexiste da forma como se pensa. Porém, se
formos pensar na significação do cheio, para nós, então poderemos dizer que o Não Mundo é
totalmente vazio de tudo quanto possamos pensar que poderia preenchê-lo.

P.3   O Não Mundo não pode ser apreendido, se não desmoronarmos, se não implodirmos,
em nós, a frenética idéia de mundo que temos e que, de certa forma, é real, porque
transformamos em real, em verdadeiro, a parafernália material desenvolvida/alimentada com o
intuito de subsidiar a pessoa com recursos para sua existência física/material.

P.4   O Não Mundo não pode ser dimensionado, nem definido, nem qualificado se tivermos
em conta apenas o racional, o lógico, o material, o físico. A apreensão do Não Mundo, de seu
significado, depende da transcendência do racional, do lógico, do material, do físico. Podemos
partir de qualquer um deles ao encontro do Não Mundo; porém, teremos que implodir em nós
toda e qualquer idéia vigente, todo e qualquer conceito, para então, transcendendo o ponto de
partida ─ nós mesmos ─ podermos “alcançar” o vazio e nele conceber, dar luz à sensibilidade
do Não Mundo.

P.5   Quando nos tornamos Ser, as dicotomias desaparecem; por essa razão, Mundo e Não
Mundo não são diferentes para aquele que se tornou Ser, pois transcendeu conceitos e
definições, incluindo-se no TODO CONEXO, que tudo É.

P.6   Se pudéssemos definir o Não Mundo, diríamos que é PURA SENSAÇÃO porque não há
interferência de qualquer conceito ou sentido, ditos humanos. Explicaremos, no Espaço 9, o
que queremos dizer com “PURA SENSAÇÃO”.




                                               85
P.7   Portanto, para mim, o Não Mundo é Pura Sensação que após experimentada, não é
mais esquecida; passa a fazer parte de nós; não é mais algo externo, que se busca; é algo que
está e é, em nós. Após essa “concretização” do Não Mundo, em nós, deixam de existir todas as
dicotomias relativas ao mundo material, físico; há apenas a fusão do Mundo e Não Mundo em
consequência de um ESTADO de apreensão do Infinito e do Eterno que permite ao Ser, uma
abrangência ilimitada que, aliás, é a sua realidade.

P.8   Quando ultrapassamos, como Ser, a visão limitada de mundo e nos fundimos ao Não
Mundo, com clareza (e profunda tristeza), verificamos que pelo desconhecimento do Não
Mundo, fizemos ao Mundo ─ Planeta Terra ─ algo que jamais faríamos se a Pura Sensação do
Não Mundo, não tivesse sido sufocada em nós, seres humanos.

P.9   Como seres universais que somos, em nossa Essência Energética, podemos captar, em
nós, a realidade maior que nos rodeia e mais que isso, que somos. Ao captar isso, entendemos
o porquê da pessoa, do ser matéria, da vida terrena; entendemos por que o Ser Energia
precisa do Estágio Matéria para dimensionar-se Infinito e conceber-se Eterno. Apenas como
ser físico, como matéria, o Ser Energético conhece a limitação espaço/temporal. O Ser
Energético, Infinito e Eterno, precisa sentir o condicionamento físico, material, mental, ao finito
espaço e tempo da matéria; só pode senti-lo, realmente, através da tosca e passageira
vestimenta material que usa, durante um curto espaço de tempo, neste Planeta.

P.10 O Não Mundo, Infinito e Eterno, não se decompõe por ser Pura Energia; o mundo ─
Planeta Terra ─ finito e dimensionável, é passível de decomposição em seu aspecto material,
físico, mas, em seu nível energético “acopla-se” ao Não Mundo realizando o grande segredo do
TODO CONEXO, do qual, nada se pode saber, apenas pressentir e vislumbrar, através da
Pura Sensação.

P.11 Numa linguagem tosca poderíamos dizer que o Não Mundo é tudo aquilo que não temos
condição de olhar, ouvir, tatear, sentir. Numa analogia extremamente simples, poderíamos
dizer que o mundo é uma casa que estamos observando, vendo apenas em seu aspecto
exterior ─ paredes externas, portas, janelas ─; vemos apenas o exterior, enquanto que o
interior ─ o Não Mundo ─ só poderemos “conhecê-lo” ao penetrarmos em seu interior, ao
abrirmos as portas da percepção e sentir a Pura Sensação do Não Mundo.




                                                86
ESPAÇO 3 VIDA

P.1   A vida, para mim, parece mais uma grande mensagem em código explícito e secreto (ao
mesmo tempo), de conhecimento/aperfeiçoamento da pessoa. Explícito, porque totalmente a
descoberto, está visível a quem quiser entender as mensagens da vida, escritas sem nenhum
segredo, sem nenhuma restrição, mas, mesmo assim, através de códigos. Secreto, porque é
um código, que apesar de Universal, apenas se dá a conhecer em parcelas individuais,
particulares, especificamente dosadas e dimensionadas em relação à “qualidade” de energia
de cada ser humano.

P.2   O que foi dito em P.1, não é difícil de entender:

  ─ mensagem em código explícito, porque basta olhar a natureza, toda a natureza, para que
percebamos a importância, a grandiosidade, a coerência, o sincronismo que existe; nada é
avulso na natureza; nada é somente; tudo se relaciona, tudo se interliga numa majestosa fusão
de energia, constantemente em mutação. Nada na natureza permanece inerte e igual; segundo
a segundo, tudo se transforma; nada disso é visto e/ou sentido por aqueles que fecham o
mundo em “pequenas caixinhas”;

  ─ mensagem em código secreto, porque o explícito deverá levar cada pessoa,
individualmente, pessoalmente, solitariamente à busca e apreensão do quanto lhe couber,
como Ser, do TODO CONEXO.

P.3   É tão fácil, ao contato com a natureza, adquirir a certeza da existência de um Todo muito
maior, Infinito mesmo, que de tudo faz parte e que é parte de tudo.

P.4   Alguns podem questionar quanto a validade em descobrir e conhecer o código explícito
e de desvendar e apreender o código secreto, em relação ao dia a dia, ao prático existencial da
materialidade que, evidentemente, leva ao que é chamado de “luta pela sobrevivência”. Na
verdade, descobrir e conhecer o código explícito, já nos vai fazer entender que essa chamada
“luta pela sobrevivência”, esse corre corre, do dia a dia, embotou a sensibilidade do ser
humano para as coisas mais simples, como: prestar atenção ao canto dos pássaros, olhar o
céu em noites estreladas, entregar-se, sem reservas, à melodia de uma canção, e tantas e
tantas outras coisas extremamente simples que já não ressoam mais em nosso ser, em função
da deteriorização de nossa sensibilidade, talvez até mais acentuada do que a própria
deteriorização de nosso meio ambiente.




                                               87
P.5     Desvendar e apreender o código secreto vai, em realidade, ampliar nossa visão de
mundo, nossa visão de vida; vai ajustar-nos à natureza como um todo; vai multiplicar nossa
existência em função da abrangência de nossa sensibilidade, de nossa compreensão para com
o todo vivente; vai nos dar a exata medida do que somos, como matéria; nos dar a exata
medida do que realmente necessitamos para viver e nos fazer questionar o supérfluo, e muito
mais, o excessivamente supérfluo.

P.6     Uma das coisas mais importantes em desvendar a mensagem em código explícito e
secreto, da vida (creio eu), é a sensibilidade aguçada que passa a nos envolver, fazendo-nos
sair da sensibilidade do eu para a sensibilidade do nós ─ abrangente, incondicional ─ que
amplia ao máximo, e de forma cada vez mais nítida, nossa condição de percepção do Todo
que nos rodeia e que somos.

P.7     Antes de desvendar a mensagem da vida, nossa sensibilidade é restrita ao o que “eu
sinto”, que evidentemente, envolve apenas aquele pequeno “mundo caixinha” de que falamos
no Espaço 1; diríamos que é uma sensibilidade em “circuito fechado”. Essa sensibilidade em
“circuito fechado”, própria da pessoa que ainda não se descobriu Ser, permitiu que a situação
de vida, no Planeta Terra, chegasse ao ponto crucial em que está, pela omissão e descaso
pelo Todo, do qual, cada um de nós, é parte integrante, querendo ou não querendo admitir.

P.8     O que comumente o ser humano entende por vida ─ período desde o nascimento até a
morte ─ tem um desenrolar natural: nascer, crescer, envelhecer, morrer, ou variações que
fazem com que o nascer e o morrer coincidam, ou que não se chegue a nascer, crescer ou
envelhecer, para morrer, isto, naturalmente falando. Hoje em dia, em função dos avanços da
medicina, o morrer quase tornou-se opcional (para alguns) em determinados casos ─ ou morre
agora ou daqui a 5, 10, 15 ou mais anos. O viver também está hoje, muito mais que
antigamente, condicionado a inúmeros fatores externos, que acabam penetrando no interior
das pessoas de uma forma perceptível ou não:

  ─ violência urbana;

  ─ acidentes automobilísticos;

  ─ contaminação dos alimentos por produtos químicos tóxicos;

  ─ contaminação da água também por produtos químicos tóxicos;

  ─ contaminação da carne (para quem ainda é carnívoro), pelos mesmos produtos químicos,
      direta ou indiretamente ingeridos pelo bovino, suíno e aves;

  ─ poluição do ar, pelos mais diversos tipos de gases tóxicos, é claro;


                                                 88
─ destruição da camada de ozônio;

  ─ contaminação nuclear, cuja extensão real da já existente, não nos é dada a conhecer, por
       motivos óbvios.

  Esses fatores, e muitos outros mais, a curto ou médio prazo contribuem para a
degenerescência orgânica, causadora e/ou terreno fértil para inúmeras doenças graves.

P.9      A humanidade deixou-se enredar num pseudoconceito de vida que a esta aniquilando
física, mental, emocional e espiritualmente. De forma alegre, colorida e até cômoda, os
tentáculos de uma monstruosa, fria e desumana estrutura de vida se espalham pelo planeta,
deixando a grande maioria dos seres humanos (consciente ou inconscientemente), sufocada
por uma terrível sensação de impotência, cansaço, desilusão, angústia, e incapaz também, de
diagnosticar o por que daquilo que é mais conhecido como “sufoco de vida”. Analistas e
psicólogos não dão conta do número de pessoas que os procuram; os médicos assustam-se
com o número crescente de pacientes com estranhas formas de doença ou, pelo aumento
progressivo desta ou daquela, incluindo hoje, grande número de recém-natos ou crianças em
tenra idade que trazem, em sua pequena estrutura orgânica e/ou mental, sérios problemas de
saúde anteriormente apresentados apenas pelos adultos.

  As indústrias farmacêuticas aumentam, dia a dia, a produção (e seus fabulosos lucros
também, é claro), de medicamentos “indicados” para depressão, ansiedade, angústia, etc., etc.,
etc.

  Seitas religiosas, criadas do dia para noite, enriquecem seus fundadores de forma
vertiginosamente rápida, porque àqueles que necessitam (e são tantos!), de algum tipo de
ajuda para suportar grandes pesos que a “vida” lhes impõe, “financiam” um atendimento
religioso, dando-lhes, pelo menos por algumas horas, a impressão de que há ainda quem por
eles se preocupe.

P.10 Fazemos com a vida o mesmo que fazemos com o mundo ─ uma “pequena caixinha”,
única e exclusivamente nossa; não nos ampliamos; fechamo-nos cada vez mais, e a
multiplicidade de “pequenas caixinhas” fechadas, doentes, enfraquece e quase extermina
aquilo que poderia ser o grande lenitivo para o sofrimento, e o grande incentivo para busca de
algo melhor ─ COOPERAÇÃO ─ de uma abrangência muito maior do que aquela que nossa
pequena e limitada racionalidade consegue abranger. É a Cooperação que transcende a
pseudocooperação que visa, exclusivamente, preservar nossos interesses ou interesses de
grupos fechados, limitados; é a Cooperação natural, espiritual, universal e até mesmo –
CÓSMICA!


                                             89
É a Cooperação que incorpora no prático, no dia a dia, as magníficas palavras quase
apagadas pelo vendaval materialista ─ “AMAI-VOS UNS AOS OUTROS”─ algo profundamente
simples, descomplicado e de uma abrangência infinitamente real e verdadeira. Essa
Cooperação, se mundialmente compreendida e aceita, faria com que os seres humanos, com
maior facilidade e espontaneidade, decifrassem a mensagem em código explícito e secreto, da
vida.




                                            90
ESPAÇO 4 NÃO VIDA

P.1    Em nosso estágio ─ vida material ─ não temos condição (através apenas dos órgãos
sensoriais) de captar a essência da Não Vida, porque nossos órgãos sensoriais atuais estão
profundamente comprometidos com a materialidade, com a tridimensionalidade e com a
gravidade.

P.2    A Não Vida é imaterial. Essa é uma afirmativa que para muitos, nada significa, porque
não temos como pensar/raciocinar a imaterialidade, em razão do quanto “sabemos”,
percebemos e sentimos, da matéria. A influência da matéria, em nós, é profunda, apesar de
praticamente nunca questionarmos a respeito.

P.3    A matéria é para nós, real ─ palpável, tangível, visível, dimensionável; assim, a Não Vida
sendo imaterial, não consegue espaço comprobatório em nosso “equipamento” cérebro-
sensitivo comum.

P.4    Não temos referencial algum para podermos entender/compreender a Não Vida, em seu
aspecto imaterial, não dimensionável.

P.5    A Não Vida, não é separada do Não Mundo; ao captarmos, ao termos vislumbres de um
deles, chegaremos a compreensão, digamos assim, automática, do outro, e chegaremos mais,
chegaremos a compreensão do Todo, da indivisibilidade do Todo; quando isso ocorre a
sensação principal é de ausência de espaço e tempo (da forma como os conhecemos), bem
como, de um reconfortante vazio.

P.6    A Não Vida, assim como o Não Mundo é, para mim, PURA SENSAÇÃO, que após
experimentada uma primeira vez, não mais é esquecida; passa a fazer parte de nós; não é
mais algo externo, que se busca; é algo que está e é, em nós ─ até mesmo em nosso próprio
DNA.




                                               91
ESPAÇO 5 MATÉRIA

P.1   A matéria, de que somos compostos, não é ainda conhecida em profundidade pela
ciência, naquilo que os cientistas pretendem denominar de “estrutura básica”. E nós, pessoas
comuns e pouco interessadas, “sabemos” apenas que “temos” um corpo, materialmente
composto; mas do funcionamento desse corpo, o que ele sente (além daquilo que chegamos a
perceber), seu relacionamento com o Ser, com a natureza, e o que existe no avesso e além,
nada ou, quase nada sabemos.

P.2   Tratamos o nosso corpo, a nossa matéria como um objeto, até mesmo como uma
máquina através da qual podemos fazer inúmeras coisas, que nos são ditadas pela nossa
necessidade e/ou vontade.

P.3   Olhamos para nosso corpo (em seu aspecto exterior), quase sempre para ver se está
em acordo com aquilo que almejamos seja visto pelos outros; disso dependerá a satisfação ou
não, de nossa vaidade.

P.4   Estranhamente, a grande maioria das pessoas tem com o corpo uma relação
antagônica, bastante difícil de explicar. Antagônica, porque a pessoa é o corpo que possui
(materialmente falando), porém, normalmente a pessoa procura dissimular esse corpo físico
que tem, impondo a ele, inúmeras vezes, sacrifícios extremos para que se mantenha conforme
padrões estéticos vigentes. Agindo dessa forma, dá a impressão que a pessoa se separa do
corpo, mantendo-se fora dele, como se o corpo fosse, realmente, um simples objeto que deve
estar em perfeito acordo com o que a pessoa pensa e almeja, a respeito dele, para bem
satisfazer sua vaidade.

P.5   A pessoa, inúmeras vezes age com seu corpo, como uma criança age, por exemplo,
com sua boneca; arruma, põe roupas novas, brincos, colar, faz penteado diferente e sai para
mostrar às outras crianças, como é bonita a sua boneca, o exterior, aquilo tudo que foi
“anexado” ao corpo da boneca, não exatamente ela. A boneca não tem vida própria; tem a vida
que se dá a ela, sem opção. Agindo com o corpo como a criança age com sua boneca, parece-
nos que a pessoa que assim o faz, separa-se da vida que seu corpo prova-lhe ter, tentando
impor a ele a “vida” que aflora em suas fantasias, em seus sonhos, em sua ambição em “ser”
desta ou daquela forma.




                                            92
Aliás, a forma como a criança age com sua boneca, cuidando de seu visual, não deixa de
ser a mesma que os pais fazem com os filhos produzindo, desenvolvendo neles a idéia de que
são mais e melhores, pelos acessórios (roupas, sapatos, etc., etc., etc.) que usam.

P.6   Exceções à parte, poderíamos dizer que mesmo as pessoas que cuidam de seu corpo
(boa alimentação, ginástica, por exemplo), não o fazem porque tenham com ele uma relação
íntima de carinho e amizade; fazem-no, para que esse corpo mantenha-se em condições de
bem “representá-las”, perante os outros.

P.7   Precisaríamos ser mais amigos de nossa matéria, porque nosso corpo material é parte
integrante (como o são todas as coisas da natureza), daquela mensagem em código explícito e
secreto, da vida, que falamos em P.1 do Espaço 3.

P.8   Precisaríamos conversar como nosso corpo, mais amiúde; precisaríamos olhar-nos, olho
a olho, no espelho, para perceber o que realmente nos queremos dizer, sem subterfúgios, sem
meias verdades. Precisaríamos sentir, mais vezes, como é eloqüente o contato de nossas
mãos com elas mesmas; precisaríamos aprender a agradecer à nossa matéria, o bem que
pode nos proporcionar.

P.9   Esse tipo de relacionamento com nossa matéria, descrito em P.7 e P.8, nos
encaminhará, com certeza, para além da matéria, para além do corpo físico, de uma forma bem
mais segura e pacífica; nos permitirá, também, compreender e respeitar (mesmo ainda como
pessoas), todas as outras formas de matéria ou toda matéria, em outras formas (animais,
plantas, aves, etc.), existente. Não respeitamos a nossa própria matéria; como querer que
tenhamos respeito pelas outras matérias que nos circundam, sejam elas de que espécie for?

P.10 Para nós, pessoas comuns, o tatear o mais próximo é o caminho mais seguro e menos
penoso para alcançar a realidade que existe além de nós ─ matéria; além de nós ─
pensamento racional; além de nós ─ lógica.

P.11 O mais próximo de nós, pessoa física, é o nosso corpo; o mais próximo e uma fonte
inesgotável de mensagens em código explícito e secreto; um verdadeiro trampolim para o salto
mais importante ─ de pessoa para Ser, do eu para o Nós.

P.12 Transcender, através de nossa própria matéria, de pessoa para Ser é algo de
inimaginável pureza e beleza.

P.13 Quando nos isolamos da agitada vida material, e nos voltamos para nossa matéria, para
nosso corpo físico, deixando-nos ficar a sós e em completo silêncio com ele, pouco a pouco,
dia após dia, durante aqueles minutos ou horas que assim ficarmos, vamos penetrando cada


                                              93
vez mais em nós, até que um dia ─ após uma profunda escuridão, após um nada, após um
milionésimo de segundo de morte ─ o Ser nasce. É o segundo nascimento; o nascimento real,
verdadeiro; aquele que será para sempre, porque sempre foi e sempre será, pois é Não
Matéria ─ Pura Energia.

P.14 Após o nascimento do Ser, na pessoa, ele ─ o Ser ─, irá lenta e progressivamente
assumindo o controle de todos os pensamentos, de todas as ações da pessoa, apesar de esta
continuar física, materialmente igual a todas as outras; não há nenhuma mudança na estrutura
física (exteriormente falando), mas o Ser se fará presente através de algo que é detectado
como “algo diferente” no semblante da pessoa que deu nascimento ao Ser.

P.15 Esse Ser que nasce, do “embrionar-se” da pessoa, passa a agir em todos os níveis, até
que acontece o desaparecimento completo da antiga pessoa, com a “instalação” definitiva do
Ser verdadeiro, que transcende a pessoa, dita humana.

P.16 A matéria, o corpo físico passará a ter a exata dimensão para a pessoa que deu
nascimento ao Ser; exata medida, que apenas como pessoa, não teria condições de perceber.

P.17 Quando da descoberta da Não Matéria, quando do nascimento do Ser, provavelmente
não haverá mais desamor pela matéria e sim, compreensão profunda do significado maior da
matéria, dentro da ordem terrena e universal.

P.18 Não podemos nem devemos desrespeitar a matéria; nem condená-la ao descaso, como
se fosse algo imprestável, maléfico, que deve ser desprezado, ignorado, maltratado. A matéria
é algo fundamental para este estágio de vida; só podemos entendê-la em plenitude, quando
nos tornamos Ser, transcendendo-a. Enquanto “gravitamos” nela, matéria, sem compreendê-la,
os vínculos que temos com ela tornam-se extremamente pesados; não conseguimos perceber
o que realmente significa a matéria, nem podemos permitir que ela nos ensine, nos diga, nos
mostre o que realmente somos.

P.19   É bem provável que pessoas energeticamente mais evoluídas, possam alçar voo à
esfera do Ser, sem a necessária cooperação do físico, do material, do racional, do lógico. Mas,
para a grande maioria, é interessante e mais seguro partir do aparentemente mais simples,
daquilo que se pensa conhecer melhor ─ a matéria, o físico, o racional, o lógico ─, pois, se
assim não fizer poderá correr o risco de não encontrar “chão” ao “retornar” de alguma tentativa
mais profunda de transcendência.




                                                94
ESPAÇO 6 NÃO MATÉRIA

P.1   Alcançar/conceber o Estado Não Matéria é algo de profunda beleza; é gratificante, muito
mais pela fina sintonia que se desenvolve em nós, para percepção de um Estado de
consciência transcendente, através do qual emergimos, do finito e temporal para o INFINITO E
ETERNO.

P.2   A concepção da Não Matéria não pode ser descrita, através de simples palavras já
desgastadas, consumidas pelo aspecto “material” de nosso falar e escrever; não pode ser
descrita também porque não há correlação naquele que ainda está imerso apenas na matéria,
das coisas sentidas e captadas por aquele que emergiu da matéria para a Não Matéria.

P.3   Há uma grande impossibilidade em se falar sobre a Não Matéria por razões, digamos
assim, objetivas. Aplicar, em palavras comuns e conhecidas, uma conotação que a
sensibilidade apenas material não tem condições de absorver, seria algo infrutífero; apenas
causaria um grande vazio de entendimento. Seria intransponível a barreira entre a palavra e
aquilo que realmente se quer transmitir, através dela, ou seja, a essência do que foi dito não
poderá ser captada apenas através da palavra, a não ser que haja, naquele que lê ou ouve,
sensibilidade desperta da Não-Matéria ou, a proximidade dela.

P.4   Existe ainda uma outra impossibilidade em se falar sobre a Não-Matéria, um pouco difícil
de explicar, mas tentemos. Aqueles que, por razões          e caminhos diversos conseguiram
alcançar uma verdade que a       priori, chamaríamos de pessoal, de particular, não podem
envolvê-la, rotulá-la como uma verdade universal, pois, por mais que assim possa ser, não o
será para todos, num mesmo nível, numa mesma escala, numa mesma proporção. Haverá
variação de sensibilidade de captação, em acordo com o “quantum” de verdade universal
couber ao Ser, da pessoa, “individualmente”, em sua essência, ou seja, não há nenhuma
possibilidade e nenhum mérito em se tentar impor uma verdade transcendente a alguém, e
ninguém pode “adotar” uma verdade transcendente sem ter com ela uma conexão energética
que a fará transcender o racional, o lógico e alcançar a essência do Ser.

P.5   Quando ultrapassamos o envolvimento material; quando transpomos a barreira da força
da gravidade; quando “desmaterializamos” a tridimensionalidade, quando ultrapassamos o
racional e o lógico, chegamos sempre a algum ponto, que antes nos era totalmente
desconhecido. Só que esse ponto é um ponto único, exclusivo. Apesar da universalidade e da
infinitude que esse ponto nos confere, ele é único por não ser alcançado, por não ser atingido
em grupo e sim, individualmente, pelo Ser da pessoa. Por assim ser, pela exclusividade da


                                               95
chegada e da captação; pela descoberta da realidade maior envolvente; pela sintonia fina,
suave, porém, bem mais abrangente, não se pode expor em detalhes a concepção do
ESTADO Não Matéria, além, evidentemente, das outras razões já expostas, quais sejam,
inexpressividade das palavras passíveis de uso e falta de sensibilidade, no âmbito da matéria,
do pensamento racional, da lógica, e do sensorial comum para captar a essência que a palavra
tenta transmitir.

P.6     Quando a pessoa capta o ESTADO Não Matéria, passa a compreender ─ com o
advento do Ser ─ coisas que antes representavam um enigma indissolúvel, para ela, e que
outras pessoas escreviam e falavam de.

P.7     Quando alguém capta a Não Matéria, a busca angustiante por algo além de nós, deixa
de existir, permanecendo a caminhada suave e irresistível ao encontro da Luz.

P.8     Apesar de analogias serem difíceis quando tratamos de assunto que transcende o
entendimento apenas racional e lógico, tentemos a seguinte:

  ─ pense numa forminha de “fazer” cubinhos de gelo;

  ─ a água é colocada na forminha;

  ─ a forminha é levada ao congelador e os cubos de gelo, após algum tempo, se formam; o
      líquido transforma-se em sólido;

  ─ tirando a forminha de gelo, do congelador, e deixando-a em temperatura ambiente, pouco
      a pouco o gelo transforma-se em água, ou seja, o gelo ─ sólido ─, transforma-se em água
      ─ líquido ─, sendo que essa água descongelada traz, em sua essência molecular, a
      “lembrança” dos processos ocorridos.

  Assim, a Não Matéria seria a água colocada numa forma para tornar-se sólida ─ Matéria.
Quando a pessoa deixa o sólido da Matéria converte-se em Não Matéria, percebe então o
processo em sua essência e profundidade maior, e ao voltar ─ agora já como Ser ─ à
convivência do sólido da Matéria saberá que ela, a Matéria, é real apenas na superfície, pois,
na essência é Não Matéria, é Pura Energia.

P.9     Pelos caminhos que percorri; pelos espaços nos quais imergi e dos quais emergi; pela
máscara que tirei; pelo véu que descerrei; pelo peso da gravidade e enquadramento ao
tridimensional que transcendi; pela ponte que atravessei; pela caverna escura onde a Luz se
fez ─ cheguei a Não Matéria que transmuta a pessoa em Ser. Mas, não posso prová-la a você;
mas você pode prová-la a você mesmo, talvez dando a ela ─ Não Matéria ─ um nome
diferente, recebendo dela mesma um nome diferente, que seja mais significativo a você, mas


                                              96
só você e ─ SÓ ─, pode descobrir o Eterno e o Infinito e desfrutar da grandiosidade e beleza
dessa verdade maior e transcendente que existe em você, que é você, que somos nós!




                                            97
ESPAÇO 7 ESPAÇO E TEMPO DA MATÉRIA

P.1    Normalmente a pessoa, em sua composição de pensamento e raciocínio chamado
lógico, admite um espaço definido, conhecido por ela, vivenciado por ela, como algo delineado,
demarcado principalmente pela tridimensionalidade. É esse espaço que tem significado para a
pessoa; um espaço que tem nome próprio definido pelo tipo de ocupação que esse espaço
tem.

P.2    A noção de tempo, hoje, mais do que nunca, está atrelada à quantidade de atividades
que a pessoa desempenha, que a pessoa assume. Dessa forma, hoje, o tempo é “espremido”
por uma quantidade enorme de atividades que preenchem, totalmente, doze horas de um
cronômetro, quase multiplicadas por 2. Um relógio determina o “tempo” de uma pessoa; 24
horas “fixas” do dia estão totalmente ocupadas; praticamente inexistem horas vagas, onde o
“não fazer nada” poderia encontrar espaço, falando-se principalmente dos grandes centros
urbanos, em seus dias úteis.

P.3    Portanto o espaço, conhecidamente demarcado, delineado, ocupado, e o tempo,
exaustivamente preenchido e controlado, não deixam muita alternativa de amplitude e
elasticidade ao “livre pensar”, ao soltar, liberar o pensamento das amarras de tudo aquilo que
se chama de concreto, de real, de material e que envolve a chamada “luta pela sobrevivência”,
luta pela conquista do que é chamado de “espaço”, dentro do massificante sistema engendrado
e alimentado.

P.4    Entre o tic tac constantemente sufocante dos cronômetros e os andaimes de construção
do “espaço” de concreto, caminha a pessoa, carregando uma vaga sensação de cansaço, de
desesperança, de amargura, de decepção, de medo, de angústia, de impotência, que não
consegue diagnosticar a razâo, por falta de interesse, por falta de tempo ou por achar inútil ─
improdutivo mesmo ─ preocupar-se com “vagas” sensações que lhe assolam, e para as quais
procura os mais variados ─ e até mesmo perigosos ─ lenitivos, apenas.

P.5    O pior é que nós, adultos, estamos impondo às crianças esse ritmo alucinante de vida,
com desculpa de que precisam ser preparadas para conquistar, no futuro, algo que é
denominado “espaço” dentro da engrenagem massacrante da estrutura econômico/social
vigente.




                                              98
P.6   Falar sobre o espaço da matéria, da pessoa, é falar sobre “pequenas caixinhas”
fechadas, demarcadas, quase que inacessíveis aos menos próximos; é falar de um espaço
reservado ao lógico, ao racional, ao material ─ aquilo que nos parece existir de fato.

O tempo da matéria exprime-se mais pela falta de mais tempo para cumprir com todos os
compromissos que a pessoa assume. Hoje em dia, falta tempo para tudo e o que mais se ouve,
comprova isso: “falta tempo”; “não dá tempo”; “preciso de mais tempo”, etc., etc., etc. .

  A síndrome do “apressamento” está estampada em cada pessoa, porque a fria estrutura
material vigente, e o que foi criado em função dela, quer “sugar” todos os minutos da pessoa,
mesmo quando eles são de lazer ou prazer. É preferível, para essa estrutura, que a pessoa
não tenha tempo disponível para ela, e a pessoa, em contrapartida, contaminada pelo “vírus
egoísta” do “eu quero ter”, esquece-se de Ser e perde-se nos espaços materiais que
aprisionam o tempo da matéria, que é Finito, mas que quase ninguém lembra, ou não quer
lembrar.




                                               99
ESPAÇO 8 ESPAÇO-TEMPO DA NÃO MATÉRIA

P.1    Talvez a concepção do grande cientista ─ e humanista ─ Albert Einstein, de um espaço-
tempo como entidade única, não separados, possa “falar” melhor sobre o espaço e tempo da
Não Matéria, porque em realidade, a concepção de Einstein veio demolir o antigo conceito de
espaço e tempo não combinados, não participantes ou atuantes em um mesmo Agora.

P.2    Para a Não Matéria inexiste espaço e tempo, como nós os concebemos.

P.3    Quando damos nascimento em nós, à Não Matéria, compreendemos, percebemos que o
espaço, em sua extensão indefinida, é algo em que a pessoa não consegue situar-se, como
matéria; é algo vago demais para que a pessoa possa ultrapassar aquele referencial que tem
de tridimensionalidade, e encontrar dentre as centenas ou milhares de recortes, um, que possa
encaixar-se ─ materialmente falando ─ quando tenta pensar em um espaço que transcende a
noção que dele tem.

P.4    Não há como se falar, por exemplo, em Universo, em Infinito e querer que as pessoas
possam conceber ─ mental e logicamente, apenas ─ o que eles possam ser. Existirá,
naturalmente, uma barreira intransponível entre o mundo das ideias, das pessoas ─ mundo
esse direcionado ao concreto, ao físico, ao material ─ e a ideia de Universo, de Infinito.

P.5    Aquela pessoa que, “embrionando-se”, deixou nascer a Não Matéria, o Ser, passa a
conviver internamente com a sensação de Universo, de Infinito e de Eterno. Ela sente o
Universo e sabe que ele é muito mais não dimensionável do que se possa tentar imaginar ou
teorizar.

P.6    O Ser que “nasce” na pessoa que concebeu a Não Matéria, sabe do Universo, do
Infinito, do Eterno não através do que o verbo saber define, mas através do verbo Sentir, verbo
esse que, em realidade, deveria ser conjugado apenas na 1a pessoa do singular e ainda em
determinados tempos, apenas.

P.7    Sentir é diferente de saber; porém, pode-se saber de algo através do sentir,
principalmente em relação a tudo aquilo que não se pode apreender e compreender, através
de palavras.

P.8    A pessoa que ultrapassou as barreiras de simples pessoa, alcançando o Ser, implodiu
em si a materialidade física e mental, descobrindo-se conhecedora do Infinito, do Eterno,
através da Não Matéria, de que é composta. Essa ultrapassagem de barreiras que dificultam ─

                                               100
e na grande maioria das vezes impedem ─ a pessoa de conceber a Não Matéria, transfere, do
Ser para a pessoa, a realidade do Infinito e do Eterno, através do Sentir.

P.9     A dificuldade em se falar sobre a Não Matéria, e em extensão, sobre o Infinito e o
Eterno, está na impossibilidade de se explicar um sentir quando não existe ressonância de um
sentir, pelo menos parecido, naquele para quem se está tentando dar essa explicação. Veja,
quando alguém que sente determinado medo, fala sobre isso a outra pessoa, provavelmente
apenas duas coisas podem ocorrer:

  ─ se essa pessoa já sentiu alguma vez, algum tipo de medo, ela poderá imaginar ─ tendo
      como referência o seu próprio medo ─ o que esse alguém está sentindo, mas só poderá
      imaginar, não vai sentir identicamente a extensão exata do medo que lhe está sendo
      explicado;

  ─ se essa pessoa jamais sentiu medo, de forma tão profunda, se desconhece essa
      sensação, ela sequer poderá imaginar a que está se referindo esse alguém.

P.10 O sentir, seja ele em que aspecto for e muito mais no abstrato, no emocional, é
estritamente particular ─ Único. Se você e eu, por exemplo, sentimos dor de dente, as nossas
dores, apesar de serem fisicamente iguais em origem, mesmo assim não o serão em nosso
nível mais profundo de sentir, porque a dor que sentimos terá, em cada um de nós, uma
“frequência”, uma amplitude diferente, dependendo de todo um complexo sensível de nosso
ser mais profundo e total; note que estamos falando de um sentir causado pelo físico, sentido
pelo físico; que dirá então dos de outro nível!

P.11 As pessoas se sensibilizam mais com dores e sofrimentos de outras pessoas quando já
passaram por algo semelhante. Por essa razão, a grande maioria não se sensibiliza com a dor,
com o sofrimento animal, vegetal porque desconhece o nível de sensibilidade deles à dor ou ao
sofrimento; aliás, muitas pessoas sequer conseguem imaginar que outros seres da natureza
possam ter outro nível de sofrimento, além daquele que chamam de “simples” dor física. Mas
para aquele que desenvolveu a afinidade com a Não Matéria, do Ser, o clamor de qualquer ser
da natureza é compreendido, atingindo, essa compreensão, o clamor constante do próprio
Planeta Terra.

P.12 Portanto, falar sobre algo que é percebido quando se penetra em nós, profundamente, é
algo que exige um cuidado muito especial. Da mesma forma, falar simplesmente sobre Espaço
e Tempo da Não Matéria é impossível, porque inexiste Espaço e Tempo ao se tratar de Não
Matéria ─ Espaço e Tempo como entidades separadas e perfeitamente delineadas,
demarcadas. Talvez o máximo, mas também o mais comum, o mais simples que se possa


                                                  101
dizer sobre o Espaço/Tempo da Não Matéria, é que eles transmutam-se em Infinito e Eterno, e
que o Infinito não é (um) lugar, e o Eterno, não é (um) tempo, e que ambos, em conformidade
com a Não Matéria, são unicamente um SENTIR.

P.13 Há algo bastante difícil de explicar, quanto a esse SENTIR que falamos tanto. Esse
SENTIR, que é PURA SENSAÇÃO ─ portanto, não dissonante ─ é relativo apenas ao
“quantum” desse SENTIR é possível ao nosso Ser “suportar”, apesar desse “quantum” ser
idêntico a todos os demais “quantuns”, por ser expressão legítima do TODO CONEXO, que se
dá em “porções”, dependendo apenas da sensibilidade do Ser. Esse Ser é o TODO CONEXO,
na proporção dessa “porção”, sem entretanto considerar-se mais ou menos, pois mais (+) ou
menos (-), inexistem a esse nível; apenas a PURA SENSAÇÃO existe, igual no Todo e
diferenciada (sem o ser), nas “porções”. Uma analogia profundamente simples pode ser feita,
como uma forma de tornar menos complexo o que acima foi dito: imagine um grande bolo ─ de
chocolate, por exemplo ─ cortado em dezenas de fatias; cada fatia desse bolo é o próprio,
independente das fatias serem todas iguais em tamanho, ou não.




                                            102
ESPAÇO 9 SENSAÇÃO DE SER

P. 1   A Sensação de Ser é uma sensação integrada; você e a sensação são uma única coisa,
por inteiro. É diferente das inúmeras sensações que ocorrem na esfera da pessoa, apenas.

P. 2   As sensações de âmbito pessoa, sempre “ressoam” dissonantemente em algum ponto
específico do corpo físico; pode notar, que dependendo desta ou daquela sensação, você
percebe e sente algo diferente em algum ponto de seu corpo físico. Tanto a sensação
agradável quanto a desagradável, provocam ─ dependendo também da intensidade ─ algo
diferente em suas entranhas.

P. 3   Talvez, o que de melhor possamos dizer sobre a SENSAÇÃO DE SER, é que, se a
sensação comum ─ da pessoa ─ provoca naquele que a sente certa dissonância física,
orgânica, a Sensação de Ser, o SENTIR-SE SER, não causa nenhuma dissonância em nosso
ser material.

P. 4   A Sensação de Ser, o SENTIR-SE SER, é uma sensação não dissonante, aquela que
chamo de PURA SENSAÇÃO, por ser íntegra, límpida, permanente e ÚNICA.




                                            103
ESPAÇO 10 PENSAR

P. 1    Existe, para mim, um componente diferencial extra do pensar; se o pensar fosse algo
apenas mecânico, uma atividade regular, autônoma e absoluta ─ não relativa a nada ─
provavelmente pensaríamos igual a respeito de tudo.

P. 2    Esse componente diferencial extra do pensar, é que permite a exponencial multiplicidade
de pensamentos a respeito de um mesmo assunto, ou aspecto de uma mesma questão ou
objeto.

P. 3    Nossa “forma” de pensar é sempre relativa, creio eu; mas não propriamente relativa ao
“objeto” proposto ao pensamento e sim, relativa a algo interno a nós; portanto, pensar sobre
ou, em alguma coisa, não é descobrir algo a respeito da coisa pensada, tão somente; é
descobrir algo a respeito de nós mesmos, só que praticamente nunca “pensamos” dessa forma.

P. 4    Para tornar mais claro o que está em P.3, é só pensar que se 10 pessoas estiverem
vendo um mesmo objeto teremos, provavelmente, 10 pensamentos diferentes a respeito do
mesmo objeto; se o pensar não tivesse em cada uma dessas pessoas um componente
diferencial extra, não teríamos essa diversificação.

P. 5    Apesar de não considerar tão necessário, mesmo assim vamos ressaltar que estamos
falando aqui, mais especificamente, do pensar que exige/e ou admite a emissão de opinião,
conceito ou definição. Você pode estranhar ter sido feita essa ressalva, mas se você pensar
bem, verá que o próprio termo ─ pensar ─ admite uma multiplicidade de estudos, análises,
conceituações, investigações sem que se tenha, ainda, atingido um consenso em toda
extensão, profundidade e complexidade que o assunto, cujo termo pensar sugere, propõe ou
tenta definir como sendo isto ou aquilo.

P. 6    O que foi dito em P.1, 2, 3, e 4 parece primário e óbvio; só que não nos damos conta do
que realmente acontece, ou seja, de que não estamos propriamente pensando aquilo que
achamos estar pensando a respeito de algo; estamos exteriorizando o reflexo desse “algo” em
alguma determinada faixa de receptividade nossa que foi, digamos assim, “tocada” por esse
algo.

P. 7    Talvez pudéssemos propor que o componente diferencial extra do pensar, não seria
evidentemente, algo único, definido, mas sim, uma escala de receptividade que permite a
pessoa pensar desta ou daquela forma, dependendo da frequência da escala de receptividade
que foi “acionada” frente ao “objeto” proposto ao pensar.



                                               104
P. 8   Enquanto pensamento racional, lógico ─ da pessoa ─ atingimos apenas algumas
frequências dessa escala de receptividade, do componente diferencial extra do pensar.
Transcendendo o pensamento racional e lógico começamos, paulatinamente, a alcançar outros
níveis de frequência dessa escala que supomos ─ Infinita.

P. 9   Estamos    constantemente,    consciente     ou   inconscientemente   acionando   essa
engrenagem reflexiva, através também de nossos órgãos sensoriais, provocando o pensar
numa velocidade inacessível de constatação a qualquer mente subsidiada apenas pelo
comum. É provável que inúmeras vezes, altas frequências dessa escala de receptividade, do
componente extra do pensar, sejam atingidas em altíssima velocidade; porém, com a mesma
velocidade, há a queda para frequências mais baixas, isto porque, o que foi “pensado” em
conexão com frequências elevadas, não encontra “chão” no pensar comum, perdendo-se assim
─ durante a queda de frequência ─ aquilo que havia sido pensado em alta frequência, gerando
o que costumamos chamar de esquecimento. Fica então apenas aquela sensação
“adormecida” de ter pensado algo. Porém, na grande maioria das vezes nem chegamos a
perceber qualquer movimentação do pensamento, mais ainda quando o pensar está próximo
dessas altas frequências.

P.10 Há algo curioso em relação ao pensar, e que leva ─ na grande maioria das vezes ─
automática e naturalmente ao Não Pensar, pessoas tidas como mais objetivas. Essa
curiosidade é a impossibilidade que a grande maioria das pessoas tem, em pensar o ponto (.) e
o Infinito (∞). Quase poderíamos ousar dizer que o Ponto (.) e o Infinito (∞), são pontos
            ∞                                                              ∞
aglutinadores do Não Pensar ou, pontos de ultrapassagem do pensar comum.

P.11 O Ponto (.) e o Infinito (∞), são inacessíveis ao pensar comum, àquele embasado na
                               ∞
lógica, na tridimensionalidade, na gravidade, apenas.

P.12 Na realidade, para mim, o Ponto (.) e o Infinito (∞), são pontes do pensar comum
                                                       ∞
para o Não Pensar e deste, para a única forma de conhecer o Ponto e o Infinito que é a
SENSAÇÃO ─ o sentir o Ponto (.) e o Infinito (∞), em nós.
                                              ∞




                                              105
ESPAÇO 11 NÃO PENSAR

P. 1   Antes de se tentar expor algo sobre o Não Pensar, é preciso novamente dizer da grande
dificuldade em se explicar um sentir, principalmente quando esse sentir advém de Sensações
Não Dissonantes que falamos em P.3 e 4 do Espaço 9.

P. 2   O Não Pensar, assim como a Não Matéria, a Não Vida, o Não Mundo, é PURA
SENSAÇÃO, aquela que não é dissonante e que, portanto, não nos causa “perturbação”
orgânica e/ou mental.

P. 3   Falar então sobre o Não Pensar, é extremamente difícil ─ impossível em essência e
profundidade ─ porque nos falta referencial (racional, lógico, material e concreto), que nos
abasteça em nossa conceituação normal, pessoal; nos faltam “recortes” conhecidos dos quais
pudéssemos selecionar alguns em que o Não Pensar encaixasse.

P. 4   O Não Pensar, para mim, é o silenciar o raciocínio lógico ─ que considero instrumento
periférico do pensar superior ─ e despertar o Intuir, o Sentir e a Consciência Transcendente
que, em minha opinião, formam o tripé que sustenta o encontro, a fusão da pessoa com o Ser.

P. 5   O Não Pensar não se dissocia da coisa pensada, como o faz o pensar comum, racional
e lógico. No Não Pensar, o Ser ─ da pessoa ─ funde-se com a coisa pensada, tornando-se
uma única coisa.

P. 6   O Não Pensar é o silenciar do ruidoso, agitado, tumultuado, indisciplinado pensar
periférico; é o despertar do Pensar Profundo e Transcendente com o qual atingimos
frequências extremamente elevadas da escala de receptividade do componente diferencial
extra, do pensar.

P. 7   O pensamento é discursivo, analítico, cartesiano.

P. 8   O Não Pensamento é meditativo, espontâneo, naturalmente intuitivo.

P. 9   O pensamento, quando provocado, evoca o conhecimento, permitindo a varredura dos
arquivos das programações mais ou menos sequênciais do cérebro, em sua porção exotérica.

P.10 O Não Pensamento, atingido por “desligamento” da porção cerebral exotérica, penetra
nas profundezas desconhecidas e desperta a porção cerebral esotérica, isto acontecendo,
justamente pela liberação das interligações cerebrais que obstruem o intuitivo. É provavelmente
por essa razão que grandes descobertas científicas e criações artísticas ─ quando intuitivas ─
acontecem “de estalo”. Isto quer dizer que em determinado momento os arquivos universais da
Mente foram acessados, trazendo à luz do dia o que jazia nas profundezas da porção esotérica

                                              106
da Mente, ao que daríamos também o nome de Não Mente, como forma de diferenciá-la de
tudo que é conceituado como mente.




                                        107
ESPAÇO 12 “EU SOU”

P. 1   O “EU SOU” que aí está, foi pronunciado por um SER que sabia exatamente o que era e
por saber disse apenas “EU SOU”!

P. 2   Nem esse EU, nem esse SOU derivam da matéria; eles, como uma só coisa, definem
aquilo que realmente É, Foi e Será ─ SER ETERNO ─ que não encontra abrigo na mente
racional e lógica, da pessoa.

P. 3   Esse “EU SOU”, foi pronunciado por Jesus, O Cristo, para mim o maior metafísico,
aquele que veio ao Planeta Terra, não para criar, instituir religiões e muito menos para apontar
representantes, porque o Ser que simplesmente disse “EU SOU”, sabia ─ porque sempre
soube ─ que o significado maior de uma religião não é a massa de adeptos que congrega; o
significado maior de uma religião está muito além dela própria, como instituição humana ─ está
na FÉ ─ que acredito ser o verdadeiro elo de ligação entre a pessoa e o Ser, entre a matéria e
a Não Matéria, entre o Ser e o TODO CONEXO. A fé verdadeira e simples é lúcida; independe
de instituições, de local específico de prática; independe de formalidades. Se assim não o for,
Jesus, O Cristo não teria dito, quando foi interrogado sobre em que lugar deveria ser adorado o
Pai, o seguinte: “Mas aproxima-se a hora, ou melhor, já estamos nela, em que os verdadeiros
adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade, porque é assim que o Pai quer os seus
adoradores. Deus é espírito, e os que o adoram em espírito e em verdade é que o devem
adorar.” E também não diria o que disse aos escribas, que eram os intérpretes da lei de
Moisés, palavras essas, que por extensão, valem ainda hoje para todos aqueles que se
arrogam autorizados ─ pelo poder e não pelo Amor ─ a pregar, a “interpretar” as palavras de
Jesus, O Cristo: “... Atam pesadas cargas e difíceis de carregar e poem-nas aos ombros dos
homens, mas eles nem com o dedo as querem mover. Fazem todas as suas obras para serem
vistos pelos homens. Por isso alargam as suas filacterias e alongam as franjas dos seus
mantos. Cobiçam os primeiros lugares nos banquetes, as primeira cadeiras nas sinagogas, as
saudações nas praças e que os homens lhes chamem rabi, Vós, porém, não queirais ser
chamados rabi, pois um só é o Vosso Mestre, e todos vós sois irmãos. E não chameis a
ninguém vosso Pai, sobre a Terra, porque um só é o vosso Pai, o do céu. Nem queirais que
vos chamem mestres, porque um só é o vosso Mestre, Cristo...”.

Observe bem que Jesus não disse ser ele, o Mestre!




                                              108
P. 4   A Fé, une e eleva a pessoa, encaminhando-a ao Ser; a religião institucionalizada nem
sempre o faz ─ se é que o faz ─ porque não há nela, exclusivamente nela, nenhuma força
suficiente para tal, muito mais porque a religião instituída por pessoas não é a pessoa; é a
massa agregada sob esta ou aquela denominação, gerando com isso confronto, e não ─
UNIÃO. Além do mais, a Fé não é uma questão quantitativa; a Fé é uma questão qualitativa e
como tal, depende de cada pessoa, do que cada um é, realmente, e não do que pensa ser ou
que pretendem que seja. A Fé, quando verdadeira, une e eleva a pessoa porque é a própria
pessoa vibrando em uníssono com o Ser, em um templo sem paredes e sem teto, em um
templo que se ergue da pessoa ─ após Ser ─ ao Infinito e Eterno do TODO CONEXO - DEUS.
A Fé verdadeira não é dogmática, nem preconceituosa e nem abriga o fanatismo.

P. 5   Foi dada, através de Jesus, O Cristo, a chance a cada pessoa de empreender, por conta
própria, solitariamente, a religação entre pessoa e ser, entre matéria e Não Matéria ou, como é
mais conhecida, a religação entre matéria e Espírito.

P. 6   E por que, através de Jesus, O Cristo, é possível a transformação de pessoa em Ser?
Unicamente porque Jesus, O Cristo é um ESTADO DE SER; não pode e não deve nunca ser
visto como pessoa especial, apenas, pois a pessoa especial de Jesus de Nazaré (é o que
sabemos, “oficialmente”, sobre seu nome) assumiu o ESTADO CRÏSTICO para espargi-lo à
humanidade. É o ESTADO CRÍSTICO que transcende a matéria, a carne, o pensamento
racional e lógico, demonstrando claramente que o mundo, a matéria, a carne precisam ser
transcendidos para se alcançar o Ser. Por isso, o ESTADO CRÍSTICO foi anunciado por Jesus,
O Cristo, quando disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém pode ir ao Pai, senão
por meio de mim.”. Ele, tenho certeza, não estava falando da pessoa dele ─ Jesus de Nazaré;
estava falando do ESTADO NOVO que havia trazido ─ ESTADO CRÍSTICO. Jesus, O Cristo,
deixou mais que claro que a sua mensagem teria que transcender a sua figura humana; deixou
clara a sua transcendência quando disse:     “Eu e o Pai somos uma só coisa.” Ele não disse:
“somos uma só pessoa”; disse claro também, que é possível à pessoa que transcende o
mundo, a matéria, a carne, tornar-se o mesmo que Ele e o Pai; deixou claro isso quando disse:
“Quanto a mim, dei-lhes a glória que tu me comunicaste, para que sejam um como nós somos
um; eu nêles e tu em mim, para chegarem à perfeita unidade... “. Como pessoa, apenas, não
poderia fazer isso; mas, como ESTADO DE SER, sim.

P. 7   Toda pessoa tem oportunidades, durante a sua caminhada física, material, de ser
lembrada de sua possibilidade de transcender o mundo, a matéria, a carne; essa “lembrança” é
trazida até nós pelo que foi denominado Divino Espírito Santo, a ENERGIA que toca a pessoa,
de uma forma ou de outra. Mas, nem toda pessoa ouve, vê ou sente esse “toque”; nem, tantos


                                              109
outros, se aprofundam nele. Porém, quando uma pessoa pressente em si ─ seja qual for a
razão ─ a necessidade de busca de algo além dela mesma, passará a contar com mais ajuda
para trilhar o dificílimo caminho do Ser. E a batalha é árdua; mas a vitória do ser sobre a
pessoa é de uma gratificação inenarrável, mesmo porque, ela é única daquele Ser, porque:
“Na casa de meu Pai existem muitas habitações... “.

P. 8   Para a pessoa física, material, nominal, é aqui seu princípio e seu fim. Mas, se no
Estágio Matéria a pessoa conseguir operar em si o milagre do “nascer de novo”, após o
“embrionar-se”, então saberá que não pertence a este mundo, que tudo que a liga a matéria, à
carne, ao físico, à mente racional e lógica deverá ser transcendido. É evidentemente claro, que
quando falamos de mundo, matéria, carne, mente racional e lógica, enfim, quando falamos
pessoa, não estamos querendo dizer que são coisas maléficas que devem ser extirpadas
grosseiramente; o que queremos dizer é que a resultante de tudo isso, sufocou aquilo que
realmente seria o produto natural da combinação desses elementos. Por essa razão, há a
necessidade de transcendência para recuperação da SENSAÇÃO DE SER, sufocada pela
materialidade. Veja, com o desconhecimento da Não Matéria, com o desconhecimento do Ser,
a pessoa material, física ─ e toda a sua estrutura pensante ─ caminha sob o domínio do
racional, do lógico agindo em conformidade com noções, regras, ditames da vida material; por
mais que a pessoa sinta, vez ou outra, uma onda sensitiva maior e diferente, isso não chega a
abalar a estrutura mundo que a pessoa traz e desenvolve em sua vida terrena. Quando a
pessoa dá nascimento ao Ser, em si, seria ilógico que sendo esse Ser a realidade, e não a
pessoa, ele não ocasionasse ─ o Ser ─ uma mudança radical naquela pessoa que nascendo
pela 2a vez, agora é Ser. Muitas pessoas temem tal mudança; consideram que deixarão de ser
atuantes, “felizes”, interessadas em tudo que se relaciona ao que costumamos chamar de
“vida”; temem a obrigatoriedade de sufocar este ou aquele desejo, esta ou aquela atitude. Esse
temor é infundado.

P.10 Quando uma pessoa busca uma verdade que transcende a simples vida material ─
simples, justamente pelo desconhecimento de seu real valor ─ e essa busca é solitária,
particular, é porque essa pessoa é terreno fértil onde germinará e brotará a semente do Ser.
Dessa forma, tudo que acontecer à pessoa, após o nascimento do Ser, será espontâneo,
natural. A pessoa que deu nascimento ao Ser, não será obrigada a nada, e nada lhe será
tolhido; apenas o Ser, envolverá a pessoa com tal magnitude, que a própria pessoa
reconhecerá aquilo que foi, que deixou de ser, e por inteiro, sem mais recortes, sem mais
fragmentações, será Ser, mesmo estando pessoa.




                                             110
P.11 Para esse grande encontro da pessoa com o Ser, considero o ESTADO CRÍSTICO o
caminho mais fácil, mais natural, mais ao alcance da grande maioria dos seres humanos. E por
que assim considero? Porque o ESTADO CRÍSTICO tende à unidade através de algo que
verdadeiramente unifica ─ o Amor. Isso está mais que claro em diversas citações de Jesus, O
Cristo, entre elas aquela feita quando perguntaram a Ele, qual dos mandamentos era o maior e
sua resposta foi:   “Ama o Senhor teu Deus, com todo teu coração, com toda tua alma e com
todo o teu entendimento. O segundo é semelhante a êste:          Ama o teu próximo como a ti
mesmo. A estes dois mandamentos reduz-se tôda a lei e os profetas.”(grifo da autora).

P.12 Jesus, O Cristo, pregou o Amor, porque sabia que o Amor Fraterno e Universal seria a
única força capaz de extirpar, do íntimo das pessoas, o maior de todos os males, a raiz de
todos os desencontros, de toda crueldade, e o fundamento de toda desunião ─ o egoísmo. O
Amor que Jesus, O Cristo pretendeu ver instituído em cada pessoa, tornaria bem mais fácil o
nascimento do Ser, pois o mais forte combatente da verdade, o mais forte inimigo do Ser, o
mais forte aliado da destruição individual e coletiva seria vencido ─ o egoísmo. O egoísmo
comanda o não querer dar, o não querer dividir, o não querer aceitar; o egoísmo comanda o
querer tomar, o querer dominar, o querer possuir; o egoísmo cria aquilo que denominamos de
“mundo caixinha”, pois corroe a sensibilidade para com o Todo. O egoísmo cega, deixa surda,
emudece e paralisa a pessoa, não permitindo o nascimento do Ser. O egoísmo foi e é a grande
desgraça da humanidade e do próprio Planeta Terra; esse egoísmo, coletivo e mundial,
alimentado individualmente pela pessoa, esse egoísmo tornado mundial, ao invés do Amor,
fomentou a discórdia, desagregou a esperança, implantou o poder, a dominação, fornecendo
ao materialismo um terreno extremamente forte e fértil para a sobrevida de suas teorias. A filha
legítima do egoísmo ─ a ganância ─ que por si só é desmedida, criou, alimentou e alimenta o
lucro exorbitante do capitalismo selvagem, que colore e deslumbra as pessoas sem deixar que
vejam a sua verdadeira face ─ a desumanidade.

P.13 Jesus, O Cristo disse o que seria melhor para todos; mas até mesmo o que foi criado em
Seu nome fomentou a separação, instituiu o poder, a dominação, a escravidão, a falsidade e o
próprio egoísmo.

P.14 Não sei se das palavras de Jesus, O Cristo, algo foi subtraído; também não sei se
palavras outras foram aditadas às pronunciadas por Ele; nenhum de nós poderá saber isso de
forma concreta, racional. Porém, abstendo-se de qualquer filiação religiosa, buscando destapar
os ouvidos dos refrões de sempre; buscando abrir os olhos para enxergar à distância e
principalmente, buscando dilatar o coração para que aquilo que é realmente verdadeiro consiga
circular com mais facilidade ─ enquanto silenciamos a mente racional/lógica ─ pode-se


                                              111
alcançar a Sensação Não Dissonante do que realmente tenha sido dito por Jesus, O Cristo,
sensação essa que será única para cada pessoa. Após isso, a mente racional e lógica
receberá como que um “filtro” especial, permitindo que a pessoa encontre, com facilidade,
“enxertos” feitos provavelmente para “encaminhar” o pensamento religioso, da pessoa, para
caminhos de interesses outros.

P.15 Há algo importante, em relação à mensagem de Jesus, O Cristo, que gostaria de deixar
registrado. Na realidade, é uma sensação e como tal, um pouco difícil de explicar. É a
sensação de que, com a visão atual da ciência, com a convergência do pensamento de
grandes cientistas da atualidade para um ponto que transcende os próprios pilares científicos e
atinge o âmago da incógnita maior, veremos a atualidade das palavras, da mensagem de
Jesus, O Cristo. Então, será a hora da Egociência e da Serciência invadir o ser humano,
apontar para uma era totalmente nova e fazer com que cada ser humano entenda, por ele
mesmo e na extensão de Ser, que atingir, a verdadeira extensão de tudo aquilo que aconteceu,
quase dois mil anos atrás. A partir daí será trilhado um estado Novo de Ser. Quando isso
ocorrer, veremos “concluída” a missão de Jesus, O Cristo entre os humanos, e poderemos, ao
compreender o ESTADO CRÍSTICO em toda sua potencialidade, ao compreendermos a
grandiosidade do TODO CONEXO, retirar Jesus, da Cruz, pois terá chegada a hora em que O
veremos da forma que realmente É, ao transcender a matéria, e que está perfeitamente claro
nesta passagem, ao mesmo tempo física, metafísica, mística e transdimensional:              “E
transfigurou-se diante dêles, de sorte que seu rosto brilhou como o sol, e as suas vestes
tornaram-se brancas como a luz.”.

P.16 Compreenderemos então, maravilhados, a razão dessa definição de Ser, ao mesmo
tempo tão simples, tão profunda, tão abrangente: “EU SOU”.




                                             112
ESPAÇO 13 EgoCiência e SerCiência

P. 1    Na 1a Parte do então, Ensaios sobre a Não Matéria ─ atual EgoCiência e SerCiência ─
falamos sobre a Egociência como sendo a ciência que a pessoa pode desenvolver em si
mesma, através do “embrionar-se”, do mergulhar em si mesma e descobrir o que realmente é
─ Ser Infinito e Eterno.

P. 2    Hoje, com mais clareza ainda, vejo que a Egociência é um ponto de partida, racional e
lógico, para a busca de algo além, ou seja, a pessoa, por ela mesma, procuraria a sua melhor
forma de “embrionar-se” para buscar suas verdades maiores; “embrionar-se-ia” para buscar-se.

P. 3    Mas, já no “embrionar-se”, e muito mais ainda, após o nascimento do Ser, na pessoa,
essa Egociência transformasse em Serciência. Essa transposição da Egociência ─ Ciência da
Pessoa, para a Serciência ─ Ciência do Ser, acompanha tudo aquilo que ocorre internamente
na pessoa que busca sua verdade maior.

P. 4    Gostaria de dizer que o que foi dito em P.1 e P.2 e principalmente P.3, não é um jogo de
palavras; é algo para ser pensado; é algo sério. Vamos tentar dizer a razão dessa seriedade,
na sequência deste Espaço que, por essa razão, será um pouco mais longo que os demais.

P. 5    A proposta da Egociência fundamenta-se na certeza, que temos, de que a pessoa, em
hipótese alguma poderá encontrar o Ser, fora de si mesma: por mais que os caminhos a serem
percorridos possam mostrar-se externos à pessoa, haverá um determinado momento em que
tudo será verdadeiramente interiorizado, para depois de mais um tempo, acontecer o
surgimento do Ser, na pessoa. Esse Ser, não está e nunca esteve fora de nós; muito pelo
contrário. Esse Ser está tão interiorizado em nós, tão escondido, tão minusculamente presente,
que só “embrionando-nos”, conseguimos alcançá-lo.

P. 6    A Egociência propõe que os questionamentos que temos, não sejam apenas
exteriorizados ─ como normalmente o são ─, mas também, e principalmente, sejam
conscientemente interiorizados, pois há em nós espaço suficientemente seguro e propício, para
isso.

P. 7    O perigo da busca apenas exterior, de algo além de nós, pessoa, é que quando nos
exteriorizamos demais, deixando-nos ao mesmo tempo plantados em um só ponto, enquanto
tentamos alcançar outros, distantes, mais dia menos dia entramos em colapso; estilhaçamo-
nos em centenas ou milhares de pedaços. Então, aqueles milhares de “recortes” que tínhamos

                                               113
em nós, que faziam parte de nós, perdem-se; para reuní-los, o trabalho é árduo, penoso e
algumas vezes, vão. Esse estado de perda de “concretude”, de perda daquilo que chamamos
de “real”, causa, na maioria das vezes, sérios problemas. Buscamos então auxílio que
consideramos especializado; analistas, psicólogos, médicos ou mesmo, religiosos Alguns de
nós permanecem anos a fio atrelados a eles, num emaranhado cada vez maior de
questionamentos e problemas novos, oriundos dos mesmos antigos problemas. Porém, na
grande maioria das vezes, o simples fato de termos quem nos ouça, de termos com quem
conversar e que saiba como fazê-lo, já nos alivia da tensão, angústia, depressão ou, seja lá o
que for que nos tenha encaminhado a eles, especialistas, que se esforçam ao máximo para
dar conta das desestruturações humanas.

P. 8   Hoje em dia, algo mais está na moda, em termos de ajuda especializada em problemas
existenciais. É a chamada Terapia de Vidas Passadas, pressupondo situações reencarnatórias
que poderiam estar, no presente, ocasionando determinados estados confusos de
comportamento, estados esses que precisam ser diagnosticados, em sua origem.

P. 9   A Terapia de Vidas Passadas, em si mesma, traz um fundamento extremamente válido
─ Vidas Passadas; o enfoque, entretanto, Reencarnação, é que se apresenta, em minha
opinião, tendencioso, ou seja, tenta comprovar a reencarnação através de “fatos” e/ou
“situações” que provavelmente se deslocam de pontos obscuros, não identificados, para a
claridade consciente ou semi-consciente da pessoa analisada, porém, de forma confusa e/ou
mascarada. Essas situações estranhas ao presente são computadas como sendo vivências do
espírito da pessoa em questão, quando em encarnações anteriores. Não estou querendo dizer
─ e nem teria subsídios para tal ─ que reencarnação não existe; estou apenas tentando dizer
que ela é uma possibilidade, entre tantas outras, para que uma pessoa receba, hoje,
influências ─ boas ou más ─ de vidas passadas. É isso que vamos ver, até novo encontro com
a Egociência, no Espaço 25.

P.10 Observe, por favor, a figura abaixo, representando, de forma estilizada, a montagem de
uma árvore genealógica.




                                             114
Essa figura vista, é o esboço diferenciado, de uma árvore genealógica que pode, por
suposição, pertencer a qualquer um de nós que aqui estamos. Nos detemos nela, apenas nos
diversos pares formadores principais. Após observar esse desenho, gostaria que você
observasse que temos como constituintes praticamente diretos, 62 pessoas, num prazo,
digamos ,de 100 anos, ou seja:

                             Pai/Mãe                          2

                             Avós Paternos                    2

                             Avós Maternos                    2

                             Bisavós Paternos                 4

                                “       Maternos              4

                             Tataravós Paternos               8

                               “         Maternos             8

                             Tetravós Paternos.              16

                                    “   Maternos.            16

                             Total:                       62 pessoas



P.11       Você pode estar se perguntando: “o que tem a ver a árvore genealógica, esses
cálculos, com a Terapia de Vidas Passadas, com a Egociência e com a Serciência?”. Na
realidade, tem tudo a ver.

P.12      Comecemos com a Terapia de Vidas Passadas. Como vimos, o enfoque dela é a
reencarnação. Quando uma pessoa se submete a uma Terapia de Vidas Passadas ─ por
curiosidade ou por problemas ─ aquilo que surgir como “algo” realmente impossível de ser
identificado como pertencente ao rol de possíveis lembranças, da própria pessoa, desde o
período de sua vida intra-uterina até o momento em que se propõe a esse tipo de terapia,
aquilo que surgir, repito, é computado como “lembranças” de outras vidas passadas, vividas
pelo espírito dessa pessoa de hoje. Há inúmeros registros de pessoas que passaram a “saber”
o que elas “foram” em outras encarnações.

P.13     Não seria possível, que o surgimento dessas lembranças, ao invés de ser computado
ao fator reencarnação, pudesse ser investigado em termos de antecedentes dentro da própria

                                                    115
árvore genealógica dessa pessoa? Explicando melhor. Hoje a ciência possuí um profundo
conhecimento daquilo que é mais conhecido como DNA. O DNA (abreviatura de ácido
desoxirribonucleico), é, na realidade, molécula. Essa famosa molécula de DNA traz codificada,
não só nossa condição de espécie humana, mas também a carga genética “particular” de cada
um de nós. Sabe-se hoje que todas as características físicas e mentais, da pessoa, são
fornecidas por mensagens codificadas, inscritas nas moléculas de DNA. Essas mesmas
moléculas de DNA codificam também, tanto o animal como o vegetal∗. Portanto, está mais que
claro que independentemente de todas as mutações que sofremos, como espécie humana,
trazemos em nós a história da humanidade devidamente registrada. Nós não somos um
ponto surgido ontem; basta olhar o simples esboço de árvore genealógica para termos a
certeza de que nosso princípio é de uma anterioridade tão grande, que sequer conseguimos
imaginar. Precisamos nos conscientizar de que não somos um ponto único e isolado; somos
sequência, consequência de milhares de outros pontos, que caso não tivessem existido, nós
também não existiríamos, materialmente falando.

Não podemos considerar, portanto, de todo anormal, que em ocasiões excepcionais pessoas
possam lembrar algo, que pela estranheza da lembrança e impossibilidade de locá-la em um
passado mais próximo, será então considerada oriunda de coisas vividas pelo espírito em
encarnação ou encarnações anteriores. Mas, e se não for propriamente caso de
reencarnação? E se for, por exemplo, uma remexida em nosso “baú hereditário”, tirando algo
que nos aflora como estranho e totalmente desconhecido? Na verdade, esse “algo” é muitas
vezes, dificílimo de ser detectado ─ sendo até impossível, por vias normais ─ de onde e por
que, já que a distância que nos separa do detonador desse algo pode estar a milhões e
milhões de anos, no tempo, mas quem sabe Agora em nós, e por que não?

P.14             Essa remexida em nosso “baú hereditário”, pode ser consequência de tudo quanto
deve estar gravado nas moléculas de DNA, que de repente, traz a tona características e/ou
fatos que fogem ao possível e esperado, hoje.

P.15           Há uma curiosidade sobre as moléculas de DNA, que gostaria de lhes contar, se é que
ainda não a conhecem. Como já foi dito, a famosa molécula de DNA traz mensagens em
código; esse código, os especialistas já decifraram, e até o manipulam; só que a maior parte
dessas moléculas de DNA, traz trechos em que, aparentemente, não há nada gravado, trechos
esses denominados pelos cientistas de “lixo”, até prova em contrário. Será que realmente
esses trechos, que curiosamente perfazem a maior parte de cada molécula de DNA, não dizem
nada? Sabemos que a Natureza não faz coisas sem valor, coisas inúteis; portanto, é de se

∗
    Para melhor compreensão do assunto, Molécula de DNA, ler “A Procura da Dupla Hélice”, de John Gribbin - Ed.Pensamento.


                                                                          116
perguntar se realmente esses trechos merecem a denominação de “lixos”. Essa pergunta, é
claro, não é só nossa; os estudiosos do assunto também a fazem; só que estão deixando
quase de lado esses “lixos” para se aprofundarem mais nas técnicas de alteração de código
genético, que já estão efetuando nas moléculas de DNA ─ alterando parte das mensagens, é
claro ─ com o intuito de “aperfeiçoar” os seres humanos, retirando imperfeições e quiçá,
adicionando qualidades.

P.16     Saindo um pouco do DNA, precisamos recordar que existe em nós, nas profundezas
do inconsciente, lembranças várias; Carl Gustav Jung, desmembrou esse inconsciente em
duas camadas:        inconsciente pessoal e inconsciente coletivo, ambos, potencialmente
qualificados para transferir ao consciente, “lembranças” arquivadas. Esses assuntos ─
Inconsciente Pessoal e Inconsciente Coletivo ─, seriam demasiadamente longos para tratá-los
aqui; fica a sugestão, para aqueles interessados, que leiam, por exemplo:        Estudos sobre
Psicologia Analítica, do próprio Carl G. Jung.

P.17    Portanto, no meu entender, entre o Inconsciente Pessoal, o Inconsciente Coletivo e as
moléculas de DNA deve existir, provavelmente, uma ligação muito maior do que se possa
imaginar, do que se possa supor. Provavelmente, essa estreita ligação já deve estar
impulsionando estudiosos do assunto, que poderão, num futuro próximo, oferecer à Terapia de
Vidas Passadas, especificamente, outras possibilidades além da reencarnação para as
lembranças da pessoa, hoje.

P.18     Além do que foi visto até aqui, precisamos nos lembrar também que somos Energia
Condensada e como tal, tanto emitimos quanto captamos energia durante todo o período que
chamamos de vida ─ período desde o nascimento até a morte, para falarmos apenas deste
Estágio que chamamos vida. Não devemos esquecer que a Energia emitida por nós ─ e por
toda a Natureza ─ “circula” em diversas faixas vibratórias existentes, faixas essas
provavelmente compatíveis com a maior ou menor intensidade de Energia emitida, nesta ou
naquela circunstância, Energia essa que jamais se desfaz. Se não se desfaz, há de se
imaginar que toda Energia emitida até o presente momento, pela humanidade ─ e por todos os
seres da Natureza ─ aí está, “circulando” por diversas faixas vibratórias e pronta a ser captada
por um bom receptor.

P.19      Para mim, é o Estado Não Matéria o que realmente perpetua a Energia própria de
cada um de nós, e evidentemente, de toda Natureza.

P.20       Enquanto estamos atuantes no Estágio ─ vida material ─ podemos comprovar,
inúmeras vezes, como a Energia por nós emitida pode ser facilmente captada por alguém ─ e


                                                 117
vice-versa ─ até mesmo à longa distância; isto comprova a existência de um “meio” através do
qual nossa energia “viaja”, se “desloca”, mesmo que não nos demos conta disso ou que demos
a isso o nome de casualidade. Esse meio, já inúmeras vezes pensado, imaginado, e de
denominações diversas, é para mim, um Estado de Conservação de Energia inerente ao
Estado Não Matéria, que é um Estado Universal, Infinito e Eterno; Estado esse em que tudo
nele é, sempre. E por assim ser, nenhuma Energia nele é perdida.

P.21   Creio eu, que é através do Estado Não Matéria que pode haver entendimento entre os
seres da Natureza, porque esse Estado permite livre trânsito da Energia; acredito eu, que essa
Energia tem como forma de expressão a SENSAÇÃO ─ o Sentir algo, tanto na liberação
quanto na captação. É preciso que lhes diga que acredito ser a SENSAÇÃO ─ seja ela de que
nível for ─ sentida pela pessoa, o maior indicador de que alguma Energia “saiu” ou “entrou”
da/na pessoa, de forma especial. Colocando de uma forma mais correta e elegante, diríamos
que a SENSAÇÃO é o sinal sensível de que alguma forma de Energia foi captada ou emitida,
pela pessoa. Veja um exemplo milenar dessa condição de sensibilidade, nas palavras de
Jesus, O Cristo, nesta passagem: “Ora, uma mulher, que sofria de fluxo de sangue havia doze
anos e que, embora tenha gasto com os médicos tôda fortuna, não pudera ser curada por
nenhum, acercou-se-lhe por detrás e tocou-lhe na orla do manto, e imediatamente estancou-
se-lhe o fluxo de sangue. E Jesus disse: ‘Quem foi que me tocou’? Enquanto todos zombavam,
Pedro com seus companheiros observou:       ‘Mestre, a multidão te rodeia em tôda a volta e te
comprime!’ Mas Jesus replicou:     ‘Alguém me tocou, pois percebi que saiu de mim uma
virtude”. (grifo da autora).

Percebesse, quando já estamos em trabalho com a EgoCiência, quando de “nós” sai algo que
não conseguimos definir, para outra pessoa, animal, planta etc.. É uma SENSAÇÃO, a mesma
que nos faz perceber quando outra pessoa nos “envolve” com algum tipo de pensamento
diferenciado, bom ou ruim.

P.22     E não são só as sensações das pessoas que geram Energia que ficará “conservada”
no Estado Não Matéria; também os animais, os vegetais, enfim, toda a Natureza tem essa
condição, justamente por que todos os seres da Natureza são “sensitivos”; captam Sensações
e oferecem “resposta” também com Sensações. Provavelmente por essa razão os animais, os
vegetais percebem a intenção das pessoas em seus gestos; eles não entendem o simbolismo
do gesto ─ só após condicionamento, caso específico dos animais ─; eles não entendem o que
o gesto quer dizer, em si, mas captam a Energia da Sensação que acompanha o gesto.
Sendo a Sensação, para mim, um impulso energético, acredito que ela é captada pelo animal
ou pelo vegetal, que passa a compreender o que a pessoa quer dizer ou fazer, com aquele


                                             118
determinado gesto ou até mesmo, tom de voz. É também por essa condição de sensibilidade
que os animais mortos em abatedouros “sabem” o que vai lhes acontecer e muitos até choram.
Você já deve ter ouvido falar que os animais choram, não?

P.23      Voltando ao Estado Não Matéria, ele também pode, é claro, nos fazer lembrar de
coisas acontecidas, centenas ou milhares de anos atrás, isto porque, a conservação de
Energia do fato acontecido ─ e no presente lembrado ─ faz com que a Energia oriunda da
Sensação que envolveu o respectivo fato, esteja até hoje “circulando” em determinada faixa
energética vibratória. Portanto, a Energia conservada no Estado Não Matéria, desde o princípio
da humanidade, desde o princípio de tudo, vem engrossar a lista de possibilidades de
“lembranças” do passado, em condições excepcionais, hoje.

P.24     Já conversamos um pouco sobre a Terapia de Vidas Passadas; sobre o Inconsciente
Pessoal e Coletivo, de Jung; conversamos um pouco sobre a molécula de DNA e sobre a
conservação de Energia no Estado Não Matéria.

Retornemos à Egociência e à Serciência.

P.25      A EGOCIÊNCIA, como já dissemos, é a proposta da pessoa para ela mesma, de
interiorizar seus questionamentos. É ainda uma proposta racional e lógica, pelo menos em sua
fase inicial, pois nela distinguem-se ainda, em nós, pensamento, vontade, dúvida, razão, lógica,
e evidentemente, o Ego, porém este, atolado em seus questionamentos e já beirando às
fronteiras do Ser. Durante o tempo da EgoCiência, a pessoa descobre-se mais inclinada a
reconhecer que a vida não pode ser, apenas e exclusivamente, aquilo que se nos apresenta no
frontal, no prático, no objetivo do dia a dia. Então, após o “tempo” da EgoCiência ─ que poderá
ser surpreendentemente breve, ou assustadoramente longo , para o tempo da matéria ─ o Ser
nasce!

P.26     Com o nascimento do Ser, da pessoa, a Egociência ─ Ciência da Pessoa ─ dilui-se na
Serciência ─ Ciência do Ser. A esta caberá a verdadeira condição de trazer para o consciente
da pessoa, a realidade do Ser, realidade essa antes adormecida, mas pulsante, no interior
dessa mesma pessoa e, com a clareza dessa realidade trazer, para o finito e temporal, da
pessoa, o Infinito e Eterno do Ser. Na realidade, é através da SerCiência que atingimos a
certeza, em nós, do TODO CONEXO, da Não Matéria, do Infinito e Eterno, distintos assim,
dessa forma, apenas para maior compreensão de toda a possibilidade de               alcance da
SerCiência, pois à pessoa que deu nascimento ao Ser e “pratica” a SerCiência, existe
unicamente a vivência do TODO CONEXO, que a tudo abarca, que tudo é, foi e será ─
SEMPRE.


                                              119
ESPAÇO 14 PENSARES/SENTIRES

P. 1        Quando se escreve, as palavras ficam “orbitando” num espaço que ainda não é o
concreto, o real do que se quer dizer através das palavras impressas, “aprisionadas” no papel;
após isso, é a outra pessoa, aquela que lê, que tem que fazer o inverso, ou seja:   “liberar” as
palavras inscritas no papel e deixá-las “orbitar” em seu espaço de sentir e sentir o que
realmente aquelas palavras querem lhe dizer.

P. 2        Em princípio, eram caminhos tão estreitos que apenas uma pessoa podia passar.
Depois, apenas a Não Matéria conseguia espaço no estreito caminho do Ser.

P. 3        Apenas a sensibilidade consegue ultrapassar fronteiras e holografar o Mundo e o
Universo.

P. 4   A nossa cultura alimenta o Ego e não o Ser.

P. 5 Quando perambulo pela vida, sentindo nas entranhas o viver em plenitude, naturalmente
percebo seus sussurros, respondendo meus mentais questionares.

P. 6   O concreto só é permeável ao Sentir.

P.7    Precisaríamos de um pensamento de efeito nuclear que “contaminasse” todas as
pessoas, toda a humanidade, à busca de um caminho melhor.

P. 8    Vivemos sempre na expectativa do novo, do diferente ─ e o capitalismo beneficia-se
profundamente disso ─; mas em realidade, essa busca é inútil porque não é o novo que
buscamos ─ é o ETERNO. E não o encontraremos fora de nós.

P. 9     Depois de traçarmos uma circunferência, não temos idéia de onde a começamos. O
curioso é que o começo e o fim, em uma circunferência estão, digamos assim, fusionados num
mesmo ponto. Difícil é chegar a essa Unidade de Princípio e Fim.

P.10 O Ponto e o Infinito.

       Você “viaja” tão longe, em relação ao Ponto, em busca do Ponto, que pode ─ e
normalmente acontece ─ alcançar o Infinito. E quando você se aventura ao Infinito, quando
você “viaja” rumo ao Infinito, acaba chegando ao Ponto.

P.11        As pessoas necessitam demasiadamente de outras, e praticamente nunca pensam
que outras mais possam estar precisando delas. Dessa forma, os elos da Corrente da
Solidariedade e do Amor ao Próximo ─ sinônimos ─ jamais se unem, porque nada é bilateral,



                                               120
multilateral ─ apenas unilateral. Isto leva apenas ao encontro de pessoas, sempre exterior e
interesseiro.

P.12      Na grande maioria das vezes nos “doamos”, fisicamente falando, ao outro, não pelo
prazer, alegria ou felicidade que esse ato pode despertar no outro; nos “doamos”, na busca do
prazer, felicidade ou alegria que o outro pode nos proporcionar. Não há encontro; não há
doação ─ Efeito Nulo.

P.13     Não posso impor meu labirinto a você, dizendo ser ─ O Labirinto. Cada um de nós tem
e faz o seu labirinto, quando busca entre dezenas, centenas de caminhos e atalhos, O
Caminho, aquele que mesmo sendo Único, recebe cada novo peregrino como se fosse o
primeiro, como se fosse o Único, porque assim o É.

P.14     Quando a pessoa se conscientiza de sua real não significação, no mundo, esvazia-se
tal qual um balão-de-gás, quando lhe é tirada a válvula ─ murcha. Era um balão-de-gás; não é
mais, ou talvez, nunca tenha sido, em realidade; foi feito um balão-de-gás.

  A significação ou realidade exterior de um balão-de-gás, é o gás; vazio nada é.

  Somos tal qual um balão-de-gás; enchem-nos e nos enchemos de significações exteriores;
quando extraímos todo o gás das significações exteriores, das significações impostas,
encontramo-nos com a não significação e com o profundo vazio que a perda das significações
exteriores causa, em princípio. É um período extremamente difícil o deixar de ser o que
pensávamos ser; a pessoa sente-se pesada; parece ter toneladas de peso, justamente pela
retirada do gás das significações exteriores. Até que percebe que não era o gás nem o balão.
Saberá então o que realmente é.

P.15       Quando você puder olhar e ver a transparência e luminosidade de sua sombra,
provavelmente terá encontrado o Ser.




                                              121
ESPAÇO 15             UM POUCO DOS CAMINHOS PERCORRIDOS

  Acredito ser importante dizer-lhes, neste final da 2a Parte do EgoCiência e SerCiência, como
as coisas foram acontecendo em minha vida, até chegar a quase total vivência do que chamei
de Não Matéria. Não farei nenhuma longa explanação, mesmo porque, cada pessoa tem o seu
caminho para trilhar na busca de algo além da matéria, do físico, da vida, da forma como os
“conhecemos”.

  Será importante dizer que sempre fui extremamente curiosa, algo rebelde e pouco
influenciável, desde pequena. Sempre tentei descobrir as coisas por mim mesma ─ até onde
era possível, é claro ─ independentemente de respostas e/ou explicações que me eram dadas
face aos inúmeros questionares que brotavam em mim.           Hoje consigo analisar que era
importante, que as coisas que me eram ditas, ou que eu lia, conseguissem encontrar um
espaço a ser ocupado, dentro de mim, sem coação, naturalmente. Apenas quando isso ocorria
é que a questão estava resolvida; caso contrário, o registro da questão ficava “arquivado”, até
novas buscas; poderia dizer que a questão ficava “orbitando” em mim.

  Para felicidade minha, encontrei pais terrenos que, pela inteligência de ambos, aliada a uma
sensibilidade de Ser, permitiram-me e incentivaram-me a não fechar o mundo em uma
“pequena caixinha”.

  Como acontece com todas as pessoas, inúmeras coisas importantes marcaram-me quando
criança; mas uma delas, de maneira muito especial ─ meu pai conseguiu provar-me que a linha
do horizonte existia e não existia. Essa dualidade, que compreendi por volta dos cinco anos de
idade, foi de extrema importância em meus caminhos.

  Sérios problemas passei a enfrentar quando comecei a ter o que antigamente chamava-se
de “aula de catecismo”, problemas esses ocasionados pela minha curiosidade, que na
realidade, é própria de toda criança. Acontece que as coisas que nos eram ensinadas,
deixavam margem para perguntas, que na maioria das vezes, não eram respondidas. Esse
período crítico e tumultuado estendeu-se até, e por todo o curso ginasial, nas então chamadas
aulas de religião. Terei de lhes dar um exemplo simples, de uma das coisas que aconteceram
comigo, apenas para que possam sentir como as crianças e os jovens podem ser barrados em
suas buscas, e quanto isso pode ser pernicioso à sua evolução como pessoa e como Ser.
Vejam.   Mais ou menos aos 12 anos, resolvi ler a Bíblia mais seriamente; dessa leitura que
interrompeu-se quase em seu princípio, algo chamou minha atenção ao ler o Gênesis 4, 1-18.
Perguntei então, durante a referida aula de religião, como poderia Caim, após ter matado Abel


                                             122
e ter sido expulso das terras onde vivia, ter encontrado uma mulher, numa terra muito distante,
se Adão e Eva foram os primeiros seres humanos e que deles havia nascido, até então, Caim e
Abel, apenas?

  A pergunta feita mais ou menos como aí está, foi motivo de séria advertência sob alegação
de mau comportamento e rebeldia. Na verdade, essa e outras questões tornavam-se cada vez
mais sérias para mim, pois na parte de Introdução da Bíblia, havia a seguinte afirmação ─ entre
outras:   “Portanto, tôda palavra da Bíblia é de tal maneira, ao mesmo tempo, palavra do
homem (do escritor) e palavra de Deus (do Espírito Santo), que “tudo aquilo que o autor
sagrado afirma, enuncia ou insinua, deve considerar-se como afirmado, enunciado e insinuado
pelo Espírito Santo”, assim diz a Pontifícia Comissão Bíblica no seu decreto de 18 de junho
de 1915, ponto II.” Não achava correto que isso pudesse ser determinado através de decreto
puramente humano, institucional, além de considerar que essa afirmação poderia causar um
desestímulo à perguntas e dúvidas.

  É mais que evidente que todas essas coisas acontecidas, na época abalaram-me bastante,
fazendo-me conviver, dali por diante, com um grande conflito entre religião e Fé, já que era
demasiadamente jovem para entender o porquê das atitudes de alguns daqueles que se diziam
aptos a pregar a palavra de Deus.

  Dessa situação toda, algo permaneceu “flutuante” em mim, até o encontro com a Não
Matéria. Foram palavras ditas por minha mãe quando expus a ela os meus conflitos: “Um dia
você saberá que religião e Fé podem não ter nenhuma ligação para algumas pessoas; saberá
também que o importante é a Fé verdadeira e lúcida, e não a religião instituída.”

  Durante um longo período de minha vida, permaneci no mundo, atuando como pessoa, não
deixando de sentir, inúmeras vezes, aquela sensação não dissonante quando me encontrava
“fora” do mundo, daquilo tudo que conhecemos como mundo. Decidi, então, que iria “forçar”
mais esses instantes e para isso resolvi que durante 1 ou 2 horas por dia, iria “abandonar” o
mundo e ficar comigo mesma, em silêncio ─ mas fazendo perguntas e aguardando respostas ─
ou então, fazendo qualquer coisa, tais como gravar, ouvir música, pintar, ler, observar a
Natureza, caminhar em lugares distantes e naturais. Durante esse tempo de isolamento do
mundo, dei à luz, em mim, a Não Matéria, Não Vida, Não Mundo, e senti que o Ser Eterno
havia “nascido”. Esse nascimento ocorreu cerca de 10 anos atrás; mas hoje sei, que o tempo
de “gestação” desse Ser, foi de muito mais de trinta anos de minha vida material, e que todas
as situações favoráveis ou adversas pelas quais passei, foram alimentando, fortalecendo,
energizando essa “gestação”, até o nascimento do Ser, que é um Ser compatível com a escala
de Ser que esse Ser alcançou. Para mim, CADA SER É UM COMPLEXO DE ENERGIA QUE

                                              123
ATINGE O TODO CONEXO ─ DEUS ─ NO PONTO EXATO DO ESPECTRO DE ENERGIA
DERIVANTE DELE, COM O QUAL ESSE SER “COMBINA”, PELO QUAL É ATRAÍDO, DO
QUAL É.

  Hoje, após o nascimento do Ser, convive comigo a certeza do TODO CONEXO ─ DEUS, da
Eternidade e Infinitude do Ser; convive comigo a certeza da Unidade do ESTADO CRÍSTICO, e
a certeza da Energia Cósmica apresentada ao mundo, por Jesus, O Cristo como sendo o
DIVINO ESPÍRITO SANTO, verdadeiro responsável pelos “toques” de despertar que inúmeras
vezes sentimos, mas não acolhemos – ENERGIA.

   Convive comigo hoje, com muito mais fundamento, a certeza que sempre tive de que o
TODO CONEXO ─ DEUS, jamais poderia ser um legislador de conduta humana a
posteriori, ou seja, após a criação. Suas Leis, não só para nós, mas para toda a Natureza,
para todo Universo, vêm incrustadas, vêm embutidas na Não Matéria; é aí que residem suas
Leis, com reflexos profundos e determinantes sobre a Matéria, é claro, por ser esta um Estágio
e aquela um ESTADO.

  Alguém poderia perguntar como se deu meu encontro com Jesus, O Cristo já que falo tanto
Dele e não professo nenhuma religião instituída em nome Dele. Esse é outro fato
interessante, pois sempre me senti atraída pela “figura” de Jesus, O Cristo. Sempre dizia
considerar Jesus, o maior metafísico e revolucionário que o Planeta Terra conheceu. Só que
sempre tive receio em procurar saber dele, Jesus, através da fonte mais comumente
conhecida, pois temia decepções, não propriamente com ele e sim com aquilo que poderiam
ter tentado fazer dele. Por essa razão, aventurei-me por caminhos outros, mais ligados aos
aspectos científicos da vida, além de buscar conhecer um pouco de outros seres expressivos,
que por aqui passaram. Um grande e maravilhoso espaço foi aberto em meu caminho através
da incursão pela Filosofia Budista, trazida em sua origem, ao Planeta Terra, por um ser
também especial ─ Sidarta Gautama ─ que após revelar o Ser, atingiu o ESTADO DE BUDA.
O que de mais importante considerei, na evolução da caminhada de Sidarta Gautama para o
ESTADO DE BUDA, é a conclusão de que é necessário transcendermo-nos e não,
aniquilarmo-nos, como pessoa, para nos tornarmos Ser. “Existem dois extremos dos quais
aquele que vive religiosamente deve afastar-se. Um, é uma vida toda voltada à sensualidade e
ao prazer; isso é desprezível, grosseiro e vão. O outro, é uma vida de mortificações; esta é
dolorosa e inútil.” Essas teriam sido algumas das palavras de Sidarta Gautama, já como ─ O
BUDA.

  Após várias “investigações” em caminhos outros, e cedendo ao conselho de um grande
amigo que dizia sempre: “você precisa ler os 4 Evangelhos ─ Lucas, Marcos, Mateus e João.”,

                                             124
considerei-me preparada para fazê-lo e o fiz. Li e reli, deixando que minha sensibilidade fosse
me encaminhando ao cerne da mensagem de Jesus, O CRISTO que a mim caberia
compreender. Descobri com essa leitura, que aquilo que pensava dele, ou seja, um Ser
Metafísico e Revolucionário, era perfeitamente evidente, para mim, em diversas passagens das
quais tomei a liberdade de extrair um Cristo Ciência, um Cristo Religião, um Cristo Místico e um
Cristo Metafísico.



  CRISTO Ciência:          “Eu e o Pai somos uma só coisa.”

   CRISTO Religião:        “Amai-vos uns aos outros.”

   CRISTO Místico:         “EU SOU”

   CRISTO Metafísico:        “E transfigurou-se diante dêles, de sorte que o seu rosto brilhou
                          como o sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz.”

                            Esta, para mim, representa a primeira demonstração, no campo
                          ocidental, de nossa constituição quântica.




                                              125
EgoCiência e SerCiência



        Parte 3




          126
Explicações Preliminares

Tentei a edição do Ensaios sobre a Não-Matéria, pela 1a vez em 1985.

Tenho ainda comigo as cartas de recusa do original.

Curiosamente, e independente de qualquer outra consideração, o livro realmente não estava
pronto, pois a 2a parte do mesmo veio nos anos seguintes, e em nova tentativa de edição,
novas recusas, novas cartas guardadas.

É interessante como as coisas acontecem.

Quando da primeira tentativa de edição, frustrada, resolvi consultar o I Ching, com a seguinte
pergunta: “I Ching, o que vossa sabedoria diz sobre meu livro Ensaios sobre a Não Matéria?
(lembre-se que esse era o nome inicialmente dado ao atual EgoCiência e SerCiência).

O Hexagrama que veio como resposta foi o número 42. I/Aumento.

Depois da segunda tentativa, fiz nova consulta e por incrível que possa parecer aos mais
céticos, o mesmo Hexagrama veio em resposta à mesma pergunta.

Certíssimo, pois em setembro de 1996, mais precisamente dia 21, de forma surpreendente e
inesperada veio até mim a terceira parte, trazendo em sua sequência, algo extremamente
importante. Esse algo foi o “Prioridade 1 ─ Objetivo Mundial”.

Algumas pessoas aconselharam-me a desmembrar esse último ponto do restante do livro e
tentar divulgá-lo através de diversos meios. Isso não seria justo, porque, para que o “Prioridade
1 - Objetivo Mundial” chegasse até mim, precisei, provavelmente, seguir a trajetória toda que
está, digamos assim, resumida nas três partes do livro em questão. Mesmo assim, enviei o
Prioridade 1 ─ Objetivo Mundial para alguns pontos, inclusive para Fritjof Capra, de quem
recebi resposta, tecendo comentários.

Em termos de trajetória, foram mais de 26 anos (1970-1996), mas, o tempo de recepção da
terceira parte, incluindo o “Prioridade 1 ─ Objetivo Mundial”, não demorou mais que o tempo de
gravação de uma fita de 60 minutos.

Portanto, como tenho certeza da existência de conexões de nível Não Matéria, para que
tivesse condições de “captar”, da forma nítida como “captei” a terceira parte e sequência,
precisei ser preparada durante todo esse tempo.

  É importante que lhes conte ainda, de três situações que ocorreram comigo alguns meses
antes da data de 21/09/1996, pois creio que elas estão, de alguma forma, profundamente

                                              127
relacionadas ao que será visto nesta parte três do livro, e sequência. Tentarei descrever de
forma mais clara possível.

Uma dessas situações ocorria quando via luzes de cores diferenciadas, em diversas formações
geométricas. Quando isso ocorria, em momentos de relaxamento, não podia prender a atenção
nas formas, pois perdia a conexão tanto com elas ─ as formas ─ quanto com as luzes
coloridas. Assim, deixava as coisas acontecerem, sem tentar “observar” nada com mais
atenção e conseguindo assim “ver”, com nitidez, tanto as cores quanto as formações. Quando
tudo acabava, conseguia lembrar de algumas delas ─ das formações ─, pois eram tantas,
talvez até centenas, em questão de minutos.

Outra situação era vivenciada quando percebia, com absoluta nitidez, as duas partes do
cérebro ─ o lado esquerdo e o direito ─, subitamente iluminados; tanto fazia se ficava de olhos
abertos ou fechados; se era dia ou noite. Eles permaneciam assim, iluminados, com cores que
iam se alternando em tons de azul, amarelo-ouro, lilás e prateado; e via, literalmente via dentro
da estrutura cerebral, os dois lóbulos iluminados. Este estado tinha duração maior que o
anterior e a alternância das cores era mais lenta.

Finalmente, quando em estado de meditação, fechava os olhos, sentia como se minha cabeça
inteira se fundisse a um espaço totalmente impossível de dimensionar. Nesse tempo em que
assim permanecia, que podia ser horas, “perdia” a noção de constituição física normal ─
cabeça, tronco e membros; sentia apenas minha cabeça como que unificada, sendo ela e esse
espaço a mesma coisa, e o mais importante é que um pequenino ponto de luz me
acompanhava o tempo todo ou, eu o perseguia o tempo todo.

  Foi num desses momentos que veio até mim esta terceira parte do livro e o “Prioridade 1 ─
Objetivo Mundial” que estão devidamente registrados em fita gravada, pois antes que isso
ocorresse, “senti” que deveria acionar meu velho e barulhento gravador mas, grande amigo e
companheiro.

  Em sequência virá, de forma literal, o que foi “captado” ou “recebido”, por mim; assim tudo
virá em itálico, diferenciando do restante do livro.

  Lembre, caro leitor, que falamos que a Parte 1 deste livro veio, quase em sua totalidade, em
situações tipo insight. A segunda, também comentamos, foi mais racional e logicamente
desenvolvida. Esta terceira parte veio em situação totalmente diferenciada.

  Durante os quase 60 minutos de gravação da fita K7, “estive” em meio caminho entre o que
se costuma chamar de estado consciente e estado inconsciente. Esta é a única forma



                                                 128
encontrada para tentar definir o estado em que permaneci, durante a “captação” de tudo que
veremos, a seguir.

  Essas explicações dadas a você têm razão de ser pelo profundo respeito que tenho por
aquilo que escrevo e, principalmente, por respeito a você, leitor, pois afinal: “IN LAKE`CH ─ “
Eu sou um outro você”. Extraído do Livro Fator Maia, de José Argüelles - Editora Cultrix

Nunca precisei pedir ou esperar por uma prova da existência de Deus, pois olhando e
observando toda a Natureza, convivi e convivo com Ele.

Mas, a “viagem” do pequenino ponto de luz, premiou minha existência com mais alguma coisa
que pude conhecer DELE, NELE.

O todo abaixo, será em itálico, pois refere-se, integralmente, ao que foi “captado”.

P. 1 Tal qual um pequenino ponto de luz, iniciei “viagem” através dos séculos, sem ater-me a
ideia de tempo, porque tudo ESTÁ, desde o ontem até o amanhã, pois são ─ SEMPRE.

P. 2   E nesse espaço indefinido e indefinível que “penetrei”, na busca dos séculos, há um
silêncio profundo, adormecido, contagiante. Estando nele, silenciamos de forma completa e
absoluta e o que se “ouve”, é totalmente diferente de qualquer ouvir conhecido por nós, seres
humanos.

  Esse espaço, não é espaço como nós concebemos; pode até mesmo ser chamado, como já
o foi, de “vácuo”.

  Por que “vácuo”? Porque nada daquilo que conhecemos como espaço se faz presente ou é
sentido. Não há delimitação de área; não há esquerda ou direita; nem alto nem baixo; não há
em cima nem embaixo; não há quadrado, nem triângulo, nem circunferência; não há calor nem
frio, nem se precisa saber se é dia ou noite; não há pressa nem vagar; a velocidade não é
sentida.

P. 3   Em princípio a sensação é estranha, inimaginavelmente estranha, porque, nesse espaço
secular, milenar você convive com ENERGIA que você sente, pois na raiz mesma da
ENERGIA, ela não é força, não é movimento, não é sólida, nem líquida ─ ela é SENSAÇÃO.
Você sente a SENSAÇÃO e os diferentes níveis dela mesma, mas você sabe que essa
SENSAÇÃO é totalmente diferente daquelas sensações detonadas por algum órgão de sentido
─ visão, tato, olfato, audição.

P. 4   Somos envoltos em um ESTADO de constante SENSAÇÃO, que na verdade, equivale a
uma realidade que ultrapassa todos os níveis de bem-estar, de plenitude que possamos
imaginar ou sentir. Essa SENSAÇÃO, não é uma sensação localizada ─ na cabeça, no peito,

                                               129
no abdômen; também não é um arrepio, nem calafrio, nem vertigem; não é alegria, surpresa;
não é euforia, muito menos ansiedade.

P. 5   A SENSAÇÃO É ÚNICA E CONSTANTE, mas tem diversas frequências, intensidades
diferenciadas, algo assim como uma escala musical ─ dó, ré, mi, fá, sol, lá, si ─, que mesmo
você não conhecendo música, de forma teórica, você percebe as variações de tons; assim é
com a SENSAÇÃO.

P.6    A grande diferença é que essa SENSAÇÃO você não a sente da forma como
concebemos e definimos um sentir; VIVE-SE essa SENSAÇÃO; SOMOS ESSA SENSAÇÃO;
ela não está fora de nós pois estamos imersos nessa SENSAÇÃO; nosso SER QUÂNTICO faz
parte dela, É ela.

P. 7   Essa SENSAÇÃO tem uma “linguagem” específica, através da qual os diferentes níveis
são reconhecidos por ela mesma, e os níveis, entre si. Há um fluxo contínuo de “atração” e
“repulsão” num interminável ESTADO DE CRIAÇÃO que, por milionésimo de milionésimo de
segundo, percebe-se em formas e cores diferenciadas, “existindo” e deixando de existir quase
que simultaneamente, e SEMPRE, SEMPRE.

  A “linguagem” existe SEMPRE, sem ser preciso que algo seja pronunciado ou “escrito”; não
poderíamos chamá-la de linguagem telepática, pois seria um erro.

P. 8   Tudo ESTÁ e por onde se passa, por onde se circula capta-se naturalmente essa
“linguagem”, sem interferências, sem equívocos; e todo o ESPAÇO é PLENO dessa
“linguagem”; por isso o ESPAÇO, o INFINITO é UNO, na ENERGIA e na LINGUAGEM, ou
melhor, ambos são uma só coisa ─ ENERGIA/LINGUAGEM, sem dicotomia, sem que isto seja
uma coisa e aquilo outra. Ambos são a mesma coisa ─ ENERGIA/LINGUAGEM.

---------------- Não se busque o Princípio disso que temos ideia do que seja UNIVERSO;
não existe, dentro da lógica cronológica humana, terrena, noção do que seja esse
“Princípio” e não será neste estágio de Ser que poderemos saber; num Estado mais
avançado mentalmente, talvez. --------

P. 9   O PENSAMENTO que envolve todo o UNIVERSO é UNO. Não existem divergências de
pensamento quanto a UNIDADE; todos os processos intermináveis, constantes e imediatos que
ocorrem, “pensam” essa UNIDADE, essa INFINITUDE, e a INTELIGÊNCIA que permeia, que
origina esse PENSAMENTO é também UNA, CONEXA.

P.10 Portanto, a ENERGIA É SENSAÇÃO, INTELIGÊNCIA, PENSAMENTO E LINGUAGEM.




                                            130
------- Neste ponto seria correto pensar, que a famosa fórmula do grande cientista Albert
Einstein poderia traduzir melhor a realidade a que se propõe se fosse mudada para, talvez,
PE=m.c2, pois mediante ao que a ENERGIA é, realmente, essa fórmula não faz jus, não reflete
o REAL.

P.11 Inclusão∗: A famosa fórmula de Einstein é relativa a determinado nível de Energia, a
determinada faceta da ENERGIA ─ creio eu ─ e nãopara a ENERGIA, em sua expressão
máxima, ainda desconhecida pela Ciência.

      O que pode significar P, “sugerido” em P.10, apenas pessoas capacitadas poderão cogitar,
se assim quiserem fazê-lo.

P.12 Essa ENERGIA-SENSAÇÃO é INTELIGENTE e “pensa” não um único “pensamento”;
diríamos ser impossível sequer imaginar a quantidade deles, mesmo porque a ordem é sempre
crescente, até mesmo exponencial. Mas ela pensa UNO, pensa em COMUNHÃO, pensa em
CONEXÃO. Todos os pensamentos saem de um mesmo ponto e retornam; eles não são
perdidos ou extraviados; eles cumprem a meta a que se destinam e permanecem Vivos,
Ativos.

----------- A ETERNIDADE NÃO É TEMPO. É VIDA DO PENSAMENTO QUE É SEMPRE. “NO
PRINCÍPIO ERA O VERBO” ─ E O VERBO ERA SER, É SER E SERÁ SER.

P.13 O PENSAMENTO é UNO, mas a LINGUAGEM, através da qual esse PENSAMENTO é
expresso, é diferente de um nível para outro, dessa mesma ENERGIA. Essa LINGUAGEM É;
ela existe em todo o UNIVERSO.

P.14 Após algum “tempo” envolta nessa Atmosfera Energética Universal, percebo totalmente
que a SENSAÇÃO, através da qual “captei” parte do TODO, é, na verdade, a forma como o
Espectro de Energia de nosso Corpo de Luz “percebe” todos os processos de VIDA do nível a
que estamos falando; melhor ainda ─ a ESTRUTURA QUÂNTICA de nosso Corpo de Luz é
que percebe esses processos; mas nossa estrutura cerebral, nossa estrutura psíquica está
com o potencial para “decodificar” essa SENSAÇÃO, praticamente atrofiado, até mesmo,
desativado. Não conseguimos decodificar nem a SENSAÇÃO, nem a LINGUAGEM.

P.15 A ENERGIA É INTELIGÊNCIA, PENSAMENTO E LINGUAGEM.




∗
    Inclusão: ponto adicionado após audição do conteúdo da fita.


                                                                   152


                                                                   131
P.16 Seria mais fácil e simples dizer que O TODO é ENERGIA e pronto; mas, apenas isso
não bastaria para nossa estrutura lógica de pensar ser desperta para um outro nível de
pensamento.

----------É COM ESSA PROFUNDA LIMITAÇÃO QUE TRABALHAMOS PARA TRAZER ATÉ
A MENTE HUMANA UMA PERSPECTIVA DO QUE SEJA A REALIDADE UNIVERSAL---------
----

P.17 A ENERGIA que É, é INTELIGENTE; na realidade ela sabe tudo; nada escapa ao seu
“conhecimento” ou “reconhecimento”; mas não porque saiba por saber, mas sabe por SER,
sabe por que É, por que É TUDO.

P.18 A ENERGIA É PENSAMENTO SEMPRE.

P.19 A ENERGIA E O PENSAMENTO DELA SÃO UMA SÓ E MESMA COISA.

P.20 Assim, a ENERGIA INTELIGENTE É PENSAMENTO E É TAMBÉM LINGUAGEM.

P.21 A ENERGIA se autocomunica através de uma LINGUAGEM fantasticamente simples,
mas, exuberantemente complexa, pois todos os níveis da ENERGIA conhecem a LINGUAGEM
do TODO, mas trabalham com LINGUAGEM específica a cada nível ─ a estrutura pensante de
cada nível da ENERGIA comporta a LINGUAGEM do TODO. É estranha a Sensação que se
tem da existência dessa LINGUAGEM, pois parece que ela vibra, esse é o termo ─ ELA
VIBRA POR TODO O UNIVERSO, INCLUSIVE EM NÓS.

P.22 É importante dizer que SOMOS a ENERGIA na ESTRUTURA QUÂNTICA de “nosso”
Corpo de Luz; é a esse nível de nosso Ser que a ENERGIA trabalha. Esse Corpo de Luz é
“conectado” à nossa estrutura material através de “nosso” Centro Nuclear, que não deve ser
entendido como um único ponto isolado, mesmo sendo Um e provavelmente é o PAI ─
PRINCIPAL ÁTOMO INICIAL que sendo o CENTRO NUCLEAR, esparge ENERGIA e ao final
do tempo matéria “recolhe” essa ENERGIA, que permanecerá ad infinitum em “nosso” Corpo
de Luz, como sempre esteve.

P.23 É O “NOSSO” CORPO DE LUZ, CONECTADO A NÓS MATÉRIA ATRAVÉS DO
CENTRO NUCLEAR QUE “ARMAZENA” A RESULTANTE DE NOSSOS ATOS PELA
SENSAÇÃO ENERGÉTICA QUE ELES EMITEM.

P.24 Ao falar em Corpo de Luz conectado a nós matéria, dá a impressão de duas coisas
distintas, mas não são. Somos completamente Corpo de Luz só que, pelo nosso despreparo,
pelo embrutecimento de nossos órgãos de sentido, tanto terrenos quanto Universais,
Cósmicos, só conseguimos ver, sentir o corpo material, que é uma realidade terrena. Esse


                                           132
Corpo de LuZ não é primazia do ser humano; todo ser vivente da Natureza o tem, mesmo que
em vibrações e frequências diferenciadas, através dos níveis.

      Hoje, bem mais que em tempos passados, em razão da materialidade psíquica e emocional,
das pessoas, tornou-se extremamente raro quem consegue perceber o Corpo de Luz.

P.25 Estranho, lembro algo, agora, que está também aqui no ESPAÇO ─ a Imagem do
Monte Tabor, quando Jesus, O Cristo tornou-se inteiramente iluminado; essa foi a visão
incrustada no ser humano e pela qual o ser humano busca; Ele conseguiu mostrar ─
pela força mental, pelo poder psíquico, pelo poder de transfiguração ─, esse Corpo de
Luz, O Corpo de Luz.

      Essa Imagem definida no Monte Tabor ─ TRANSFIGURAÇÃO ─, é a Imagem que
deveria ter ficado; foi escolhida a Imagem de Jesus Crucificado; mas a Imagem para ter
ficado é aquela do Monte Tabor; ela teria diferenciado totalmente as conexões dos seres
humanos.

      É necessário que a Imagem de Jesus Crucificado ─ essa imagem dolorida, sofrida,
pesada, seja trocada; as pessoas e as religiões cristãs que têm como símbolo essa
imagem devem guardá-la; e já que o ser humano ainda precisa de uma imagem, algo
semelhante a do Monte Tabor deverá ser colocada em lugar da Imagem de Jesus
Crucificado, em todos os lugares e URGENTEMENTE.

P. 26 Inclusão∗ : convém lembrar o que foi dito na Transfiguração, em Lucas, Mateus e
Marcos. Lembremos Mateus 17,1-2 ─ “Seis dias depois, Jesus tomou consigo a Pedro, Tiago
e seu irmão João, e os levou a um lugar à parte, sobre um alto monte. Transfigurou-se diante
deles: seu rosto brilhava como o sol e sua roupa tornou-se branca como a luz.”

      Agora, vejam as seguintes definições de:

      Figura: forma exterior, representação;

      Figuração: ato de figurar; figura.

      Assim, Transfiguração pressupõe algo além da figuração, que transcende, que ultrapassa a
figura. Assim, creio eu, a TRANSFIGURAÇÃO mostra que a figura humana, portanto, sua
forma exterior é apenas algo que assim o é, porque não conseguimos ver aquilo que é Real, ou
seja, o Corpo de Luz; esta, creio eu, não é uma questão religiosa; é uma questão científica.



∗
    Inclusão: ponto adicionado após audição do conteúdo da fita.



                                                                   133
P.27 A ENERGIA, mesmo sendo UNA, como é, existe ou É, em diversos níveis e até mesmo
sub-níveis, mesmo sendo UNA. Esse níveis e sub-níveis da ENERGIA são ESTADOS DE VIDA
DIFERENCIADOS e com Peculiaridades a cada nível.

  No Estágio Vida no Planeta Terra, vários níveis e sub-níveis da ENERGIA estão em
atuação, e o Estágio Vida do Planeta Terra é uma “réplica” imperfeita ainda, do ESTADO VIDA
de um dos níveis, de um dos complexos energéticos da ENERGIA. Só que o Estágio Vida, pela
extrema materialidade artificial das pessoas, distanciou-se ainda mais dessa “réplica”
Universal.

P.28 Em cada um de nós existe um Centro Nuclear; esse Centro Nuclear nos conecta à
ENERGIA CÓSMICA mas tem também a “missão” de preparar um quantum de Energia para
um dia, “acoplar-se” ao “molde” Universal que existe, sempre existiu e existirá. É como se a
ENERGIA, estivesse “voltada” para a Matéria, e quando acontece a “desativação” desse Centro
Nuclear, na matéria, a ENERGIA retorna ao nível ou complexo energético, de origem. Esta é
uma parte difícil de explicar, mas fácil de entender.

P.29 O UNIVERSO NÃO É LONGE; ELE APENAS É; MAS SUA TOTALIDADE É VASTIDÃO.

P.30 Todos os seres humanos e da Natureza, todos têm sua “réplica” luminosa ativada
através do Centro Nuclear que conecta a ENERGIA do Corpo de Luz à matéria, que tem, por
sua essência, tudo a ver com a ENERGIA.

P.31 Aparentemente, o mais difícil de explicar dentro ou em conformidade com a lógica do
pensamento humano, simplesmente, é que os níveis da ENERGIA ─ “COEXISTEM”─; estão,
digamos assim, todos “misturados”; não há uma hierarquia espacial entre eles ─ 1o, 2o, 3o... .
Eles estão todos em tudo e a única diferenciação entre eles é a LINGUAGEM.

  É pela LINGUAGEM que, por exemplo, um nível sabe a qual complexo energético
“pertence”. Esse “pertencer” ou não “pertencer” é, pode-se dizer ─ INSTANTÂNEO ─ , ou seja,
quase ao mesmo tempo um quantum da ENERGIA muda de um nível para outro, de um
complexo energético para outro. Na verdade, a real impressão que dá é que o quantum da
ENERGIA é ativado, por uma razão específica, neste ou naquele nível, neste ou naquele
complexo energético, dependendo única e exclusivamente da LINGUAGEM.

  Essa “mudança” de nível de um quantum da ENERGIA, não é exatamente um salto,
uma passagem de um quantum da ENERGIA de um nível para outro, mas sim, a ativação
de um quantum ou de milhares e milhares deles, neste ou naquele nível, neste ou
naquele complexo energético, mediante a LINGUAGEM “utilizada”.



                                                134
Termina aqui, a Parte 3, referente à ENERGIA. Em sequência vem o que chamei de Adendo
desta Parte 3, cuja denominação foi “captada” como sendo: “Prioridade 1 ─ Objetivo Mundial”.




                                             135
“PRIORIDADE 1 ─ OBJETIVO MUNDIAL”
Adendo ao EgoCiêcia e SerCiência ─ Parte 3


INTRODUÇÃO
Não há muito mais a dizer, além do que será exposto no “Prioridade 1-Objetivo Mundial”.

Só posso lhes dizer, lhes afirmar que a “visão” de tudo que se seguirá, foi algo profundamente
marcante ─ impossível descrever o quanto!

Na verdade, só há uma coisa a ser dita, ainda:      que as pessoas, sejam elas ditas “do povo”,
sejam elas membros de governo, sejam elas ligadas a qualquer credo, sejam elas ligadas à
ciência, sejam elas ligadas à imprensa não ignorem o que está informado no “Prioridade 1 ─
Objetivo Mundial”, pois se assim for feito, é prova mais que suficiente que não existe resquício
algum de Amor, de Responsabilidade e Discernimento sobre a face da Terra, entre os
humanos, é claro, e assim, não há por que a Humanidade se preocupar com ela mesma e com
este imenso e maravilhoso ÚTERO ENERGÉTICO que é o Planeta Terra.

  Não está nas mãos de uma só pessoa, ou de um grupo, aceitar esse Objetivo Mundial
descrito no “Prioridade 1” ------ A HUMANIDADE É RESPONSÁVEL, AGORA, MAIS DO QUE
NUNCA, PELO SEU PRÓPRIO FUTURO.

  Isto não é uma ameaça; é uma CONSTATAÇÃO!

        Cada um de nós, seres humanos, tem em pequenino alguém cujo futuro é nossa
responsabilidade.

        Esse alguém pode estar ainda no útero, pode estar no berço, na escola ou até
mesmo, na rua, ao desamparo, e nenhum poder de decisão tem, com relação ao futuro.

        Nós, adultos, é que precisamos urgentemente tirar a venda de nossos olhos e enxergar
o que precisa ser feito para que esse alguém que amamos ou, conhecemos, apenas, tenha um
futuro melhor, tenha realmente futuro de Vida, neste Planeta Terra.

P. 1   Agora vem o ponto que chamaria crítico, muito crítico, pois após a “caminhada”, após a
“viagem”, do pequenino ponto de luz, houve como que um “estacionar”; sentia-me ainda
envolvida naquela atmosfera anterior, mas a SENSAÇÃO “ parou” e me vi, literalmente me vi
parada frente a algo como se fosse um enorme Painel de Controle, só que totalmente diferente
de qualquer painel de controle que se possa conhecer ou imaginar.




                                              136
Esse Painel era total; ele era todo o ESPAÇO e estranhamente, era como se eu estivesse
dentro do Painel e estivesse “olhando” para mim; na verdade, era como se eu e o Painel
fossemos uma só e mesma coisa e estivéssemos olhando para alguém fora de nós, no caso ─
eu mesma. Isto é profundamente difícil de explicar.

P. 2   Nesse Painel, imagens como que holográficas ─ não seria bem isso, mas é o mais
próximo que posso dizer ─, surgiram e todas relativas ao “SISTEMA PLANETA TERRA”; era
assim que o Painel “identificava” as imagens. Nesse ponto, tudo que eu “via” eu também
“ouvia”; não era daquela forma anterior de SENSAÇÃO; era captação normal, da forma como
qualquer um de nós vê ou ouve, até mesmo racional e logicamente. A única diferença é que o
que eu via, via de forma total, ou seja, toda a minha estrutura cerebral via, não apenas meus
olhos; o mesmo ocorria com aquilo que ouvia, pois essa audição era inteira em mim.

Enfim, para melhorar a condição de entendimento, a linguagem usada era a comum de nossas
palavras e símbolos conhecidos; o que eu via eram coisas que nós conhecemos, que faz parte
do dia a dia; só a forma de captação era diferente, era como que “ressonante”; era como se eu
estivesse “dentro” daquilo que ouvia e “dentro” daquilo que via.

P. 3   E nesse Painel, as imagens que se seguiam eram acompanhadas de um jogo de
palavras:   “PRIORIDADE 1 ─ OBJETIVO MUNDIAL”, tudo relacionado, torno a dizer, ao
Sistema Planeta Terra.

P. 4   Deste ponto para frente, vou narrar exatamente o que vi nesse Painel, obedecendo a
sequência exata dos quadros, das imagens. O texto todo que se seguirá confere, quase que na
íntegra, com o que está na fita gravada, através da qual registrei a “visão” da terceira parte do
então Ensaios sobre a Não Matéria e o “Prioridade 1 - Objetivo Mundial”. Assim, estará
também, em itálico, como foi feito com a 3ª Parte.

Algo relacionado ao “passado” da Humanidade surge em meio a uma luz opaca, bem opaca,
tendendo ao obscurecimento total; a sequência de imagens mostra que houve a possibilidade
da Humanidade ter sido re-conectada, através de seus órgãos de sentido, ao Grande Projeto
Universal; isso teria ocorrido através de uma “despressurização” do ambiente e do Centro
Nuclear de cada ser humano, permitindo que o ser humano compreendesse a linguagem da
Natureza do Planeta Terra e retornasse a um convívio de equilíbrio, de respeito com a
Natureza como um todo. Captei que seria um retorno, pois o ser humano em épocas muito,
muito remotas vivia com a Natureza; além disso, seres humanos de eras passadas tinham o
conhecimento natural─ intuitivo ─, de recursos mentais que lhes permitiam realizar coisas que
hoje consideraríamos totalmente impossíveis. Porém, logo nos primeiros séculos d.C.,


                                               137
principalmente, uma situação irregular permitiu e desencadeou uma avalanche de
pensamentos desconexos, no ser humano, e essa “onda” tomou proporções imensas e de uma
certa forma atingiu quase que a totalidade das mentes humanas, direta ou indiretamente. E
exatamente aqui vem uma imagem de impacto: Jesus, O Cristo foi o ser humano determinado
e programado para receber, como recebeu, a ENERGIA de Nível Crístico ou supra-humana, e
para trazer a “mensagem” de Reconciliação com o TODO, e a Imagem que Ele deixou no
Planeta para que , através dela pudesse haver a reconexão energética, é a Imagem do Monte
Tabor, porém, a imagem que foi difundida foi outra, totalmente oposta, e tempo virá em que
saberemos por que isso ocorreu. Essa Imagem do Monte Tabor está “orbitando” em todo
campo energético do Planeta Terra e vez ou outra é “captada” por pessoas que ficam apenas
na impressão de terem tido uma “visão”, que não sabem identificar, pois ela é apenas de Luz.

  Enquanto permanece ressoando em mim o “Prioridade 1 ─ Objetivo Mundial”, essa imagem,
esse quadro vai se desvanecendo, tornando-se apagado, e vem surgindo um outro quadro
que “PULSA” entre o opaco e o claro, dando a nítida impressão de um Sistema de
Alarme; algo está sendo sinalizado; e ao mesmo tempo que essa imagem “holográfica”
oscila entre o opaco e o claro, imagens de corpos humanos também oscilam entre o
opaco e o claro, e depois, quase que numa visão total mas na qual todas as partes são
vistas individualmente, tudo no Planeta oscila entre o opaco e o claro.

  Neste ponto, intensifica-se o Prioridade 1 ─ Objetivo Mundial e algo acontece:      quando
essa imagem global do Planeta Terra e seres nele viventes, tomam a cor opaca,
aparecem os seres viventes, desde plantas, animais, até o ser humano sendo
exterminados de maneira lenta e profundamente angustiante, pois os recursos naturais,
a comida, tornam-se, pouco a pouco impróprios para uso, sejam produtos agrícolas,
sejam produtos de origem animal, peixes, a própria água e por último o ar.

  É uma imagem, é um quadro extremamente duro, muito difícil de ver; triste, angustiante.

  Assim que essa imagem torna-se totalmente opaca, e nada mais é visto, volta a imagem de
cor clara, a imagem da luz; e veio nítida, e enquanto torna-se mais forte o “ Prioridade 1 ─
Objetivo Mundial”, aparecem as ruas das cidades totalmente vazias de carros; milhares e
milhares de pessoas, pelo mundo inteiro, caminham a pé, porém, seus corpos tornam-se
cada vez menos opacos. Enormes áreas, campos imensos com milhares de árvores
frutíferas espalhadas por todo globo terrestre; as cidades também, cobertas de árvores
frutíferas ─ praças, ruas, com      milhares delas. Castanheira, a castanheira é muito
presente, e durante o tempo de crescimento da Castanheira, antes dela dar frutos,



                                             138
poucas, muito poucas crianças nascem; depois, quando as Castanheiras estão cobertas
de frutos, as crianças também começam a nascer.

Um dos pontos de maior saliência é a interrupção do abate de animais ─ gado, porco,
aves; apesar da imagem ser de difícil compreensão, observa-se que essas áreas onde
hoje é feita a criação ou confinamento de animais de corte, é uma área escura, pesada,
de cor ocre; parece mistura de terra e sangue. Nessas áreas, parece que a ENERGIA
SOL, que é diferente da Energia do Sol, não consegue espaço molecular para penetrar,
tamanha a densidade magnética dessas áreas, pois os animais sofrem e além do mais
somatizam, por serem mais naturais, a situação totalmente irregular de Vida no Planeta.

  Mas essas áreas, na imagem clara, são permutadas para plantio de árvores frutíferas e
também para plantio de soja, trigo e centeio, e a situação energética vai se alterando,
recompondo o campo energético de forma total.

Outro ponto difícil de perceber é o que diz respeito ao que resta das florestas do Planeta; aqui,
a imagem torna-se mais intensa e pormenorizada; percebo os aglomerados de árvores ─ as
florestas ─, porém, percebo no mesmo quadro, os espectros que provavelmente são das
árvores abatidas; percebo a imensidão das áreas; como eram imensas e a que ficaram
reduzidas. Só que, esses espectros de árvores, grande parte, começam a ressurgir como
brotos de árvores, como se tivessem sido recém-plantadas, só que espalhadas por todas
as cidades do Planeta. É uma imagem muito bonita, e a idéia que envolve essa
percepção é REFLORESTAMENTO!

Percebo agora, em meio às imagens que vão se alternando, entre o opaco e o claro, a razão
do “Prioridade 1 ─ Objetivo Mundial”. É que todas as pessoas, o campo energético de todas as
pessoas está envolto em um OBJETIVO ÚNICO: SALVAR A VIDA, RECUPERANDO O
PLANETA TERRA. É exatamente isso que ressoa em todas as imagens que surgem nesse
grande Painel de Controle ─ a Humanidade finalmente encontra um Objetivo Mundial que UNE,
que aproxima todos os seres humanos. Aparece, em meio a essas imagens positivas do
Planeta, que podem ser positivas, os carros parados, os grandes centros sem crescimento e
alguns até como que diminuídos; as árvores, milhares delas plantadas, assim como soja, trigo ,
centeio e a Castanheira, pois serão a base da alimentação mundial, e precisam estar
disponíveis a todos, principalmente as árvores frutíferas.

  Aparece, em meio a todo esse quadro, uma data de início para aquilo que ressoa
como sendo ─ ALTERNATIVA, O PRIORIDADE 1 ─ OBJETIVO MUNDIAL -; e essa data é
─ 2000 , claramente informada ─        ------- 2000 ------------ Dois Mil.


                                               139
E isso que ressoa como ALTERNATIVA, O PRIORIDADE 1 - OBJETIVO MUNDIAL,informa:
SE A HUMANIDADE NÃO ACEITAR O OBJETIVO ÚNICO, ELA IRÁ COMEÇAR UMA FASE
DE GRANDES SOFRIMENTOS QUE CHEGARÃO AO MÁXIMO EM 2025, pois a cor ocre ─ a
cor ocre demonstra doença ─, paira sobre os animais de corte, dizendo que eles estão
doentes e vão se tornar mais doentes, se continuar a criação e confinamento para abate, e vão
passar doenças para a carne e na própria respiração; e a cor ocre vai mais além:        hoje
animais, amanhã plantas e depois o ar; a cor ocre vai se espalhar nessa ordem, e a cor
opaca, a medida que vai se acentuando , significa morte.

  Só há essa “ALTERNATIVA DE LUZ”, O “ PRIORIDADE 1 ─ OBJETIVO MUNDIAL”--------
não há carros nas ruas, não há carros circulando nas cidades, nos grandes centros; as
pessoas estão a pé e estão bem, tornando-se menos opacas; e as árvores estão
crescendo, a Castanheira está crescendo; campos cheios de árvores frutíferas, de soja,
de trigo, de centeio, e os rios ficando limpos e os mares também.

  E vem, tomando a totalidade do Painel de Controle, onde “pulsa” a imagem “holográfica” do
Planeta, a Imagem transmitida através da TRANSFIGURAÇÃO, substituindo, em todos os
lugares a Imagem de Jesus Crucificado; esta desaparece e aquela toma o seu lugar em todo o
seu esplendor ─ é uma Imagem onde os traços do rosto são apenas delineados; o corpo é
delineado e preenchido totalmente de luz, e o rosto com uma luz mais atraente, mais
acentuada ─ a Imagem toda é LUZ e nada lembra religião e sim ----- ENERGIZAÇÃO!

Gostaria, ainda antes de encerrar esta Parte 3 e seu adendo, o “Prioridade 1 ─ Objetivo
Mundial”, dizer que a imagem “vista” da Transfiguração de Jesus, não tem nenhuma conotação
religiosa.

Para mim, particularmente, é importante salientar esse ponto, pois em hipótese alguma
gostaria que o que foi visto, em relação à imagem de Luz, nas duas “visões” anteriores, fosse
considerado como um possível devaneio de uma pessoa “doentiamente religiosa”, e sim, como
uma constatação de dois pontos de extrema importância para aqueles que seguem esta ou
aquela religião instituída e que tem, na figura de Jesus de Nazaré (como foi denominado) a
máxima representatividade. Esses pontos são:

1 ─ o que informa que a imagem de Jesus Crucificado foi indevidamente “escolhida” para
representá-lo;

2 ─ o que informa sobre a demonstração feita do Corpo de Luz, quando do episódio da
Transfiguração, dando a conhecer a verdadeira constituição quântica de todos os seres e que
essa constituição, por ser o que é, não se extingue.


                                              140
Creio que os dois pontos vistos acima, podem e devem ser analisados sob a ótica científica; o
primeiro pela ressonância que tal imagem pode ter ─ e tem ─ no contexto mental/psicológico; o
segundo, por considerar que nossa constituição quântica, vez ou outra, pode ser observada
sob efeito de uma ampliação de nossa Percepção Extrassensorial.




                                            141
EgoCiência e SerCiência

       Ensaios



        Parte 4




          142
“A verdadeira experiência mística implica numa associação com a realidade objetiva.”

                                   Do livro: Os Mestres da Terra




           “Nada é mais fácil que escrever de tal modo que ninguém compreenda. Nada é mais
difícil, por outro lado, que exprimir os pensamentos importantes que devem ser entendidos por
todos.”



                                Arthur Schopenhauer




          “Tudo deve ser o mais simples possível, nunca mais que isso.”



                                  Albert Einstein




                                               143
Explicações Preliminares

 Conforme combinado, cada Parte teria uma Explicação Preliminar.

 Sendo esta a última parte do EgoCiência e SerCiência, creio ser necessário conversarmos,
 um pouco, sobre o que foi visto nas partes anteriores e o que será visto, nesta.

 Vamos lembrar aqui, que como livro, o então ─ Ensaios sobre a Não Matéria ─, (atual
 EgoCiência e SerCiência), nasceu em 1984 mas, sua “gestação” teria tido início em 1970,
 aproximadamente.

 A Parte 2 foi desenvolvida entre 1987 e 1990.

 A Parte 3 foi “captada” em 1996, mais precisamente em 21 de setembro.

 Esta Parte 4 foi escrita por mim, nos primeiros seis meses de 2008 e não nasceu, em
 princípio, como mais uma parte; tinha em mente o Volume 2 do livro. Entretanto, decidi por
 reunir as 4 Partes, em um só volume, por considerar que esta última, de certa forma,
 “responde” parte dos questionamentos que fundamentaram o então Ensaios sobre a Não
 Matéria e sendo assim, não deveria ficar separada das demais.

 Provavelmente você, leitor, deve ter percebido longos espaços em que, aparentemente
 ,nada acontecia em relação ao livro. Mas, não foi o que aconteceu; desde 1970 até 2008,
 muitas situações foram vivenciadas, nem todas mencionadas nas partes anteriores mas,
 elas estavam implícitas nos questionamentos e na busca por “respostas”.

 Vou tomar a liberdade de narrar algumas dessas situações ─ no Espaço 1
 Pressentimentos/Sensações ─, por acreditar que assim agindo darei a você, leitor, maiores
 subsídios em suas análises em relação ao todo.

 Esclareço, ainda, que não fiz nenhuma alteração nas Parte 1 e 2,em relação ao conteúdo,
 mesmo considerando alguns pontos ali expostos, de certa forma, primários; entretanto, eles
 identificam o princípio da busca e não caberia modificar, em nada, a “iniciação”.




                                            144
Espaço 1 Pressentimentos/Sensações

 Em 1969, aproximadamente em maio ou junho, sonhei que ao virar a esquina da rua onde
 morava, avistei um féretro se aproximando. Parei bem na esquina e ao passar por mim, vi
 que o caixão estava aberto e dentro dele meu avô materno. O sonho foi tão nítido que até a
 cor do terno que vestia, consegui ver.

 Na época, apesar de ter achado estranho, não dei maior importância, pois meu avô gozava
 de perfeita saúde, apesar de seus 84 anos. Não comentei o sonho com ninguém e ele
 acabou sendo esquecido.

 Alguns meses se passaram e meu avô apresentou problema de saúde, submetendo-se a
 uma cirurgia, cujo êxito e recuperação foram excelentes. No dia de sua alta, plenamente
 recuperado, falou a minha tia que o acompanhava, que iria tomar um banho, vestir o terno
 novo e esperar por meu tio, que iria buscá-lo. Assim o fez. Como houvesse certa demora na
 chegada do filho, resolveu deitar-se um pouco, adormecendo em seguida. Pouco tempo
 depois, minha tia achou que ele estava muito quieto; levantou-se da cadeira e foi olhá-lo;
 notou que não respirava. Chamou imediatamente os enfermeiros e com a chegada do
 médico, foi constatado seu óbito, de forma praticamente inexplicável, pois absolutamente
 nada sugeria tal possibilidade, em seu quadro pós-operatório.

 Cheguei ao hospital pouco antes dele ser transladado para Castro, sua cidade natal e onde
 morou a maior parte de sua vida.

 Foi no exato momento de vê-lo, que a cena do sonho veio à minha cabeça; até mesmo a cor
 do terno era a mesma, sem a menor diferença.

 Contei, então, o sonho aos parentes mais próximos e as coisas ficaram, é claro, sem
 explicação.

 O caso seguinte teve como figura principal, uma enfermeira da Santa Casa de Misericórdia
 de Curitiba, enfermeira essa antiga amiga nossa e excelente profissional ─ Iraci Bezerra de
 Menezes.

 O sonho que tive foi muito bonito, independente de sua indicação. Sonhei que passava pela
 praça Rui Barbosa onde ficava (e fica) o referido hospital. Ela estava cheia de flores e
 crianças vestidas de branco. No meio da praça havia um esquife e ao chegar perto dele, vi
 Iraci dentro. Nessa ocasião resolvi contar o sonho a minha mãe, não nos preocupando
 tanto, pois Iraci estava em perfeita saúde, trabalhando.


                                             145
Passaram-se alguns meses quando soubemos que Iraci havia sido operada, pelo melhor
cirurgião daquele hospital e que, infelizmente, seu caso era terminal, vindo a falecer dias
após a cirurgia.

Minha mãe e eu conversamos bastante sobre esse segundo caso. Algumas pessoas
aconselharam-me a procurar explicações espíritas para os fatos.

Alguns anos se passaram e em 1975, por volta de fevereiro ou março, sonhei que eu estava
morta, no meio da sala do apto. onde minha mãe e eu morávamos, observando a chegada
de amigos meus da URBS, local onde trabalhava, na época. Preocupei-me muito com esse
sonho em função de ser filha única. Não falei dele para ninguém e a preocupação foi ficando
mais atenuada.

Em junho desse mesmo ano, dia 07, às 08:20 da manhã, minha mãe faleceu em virtude de
um enfarte fulminante.

Após ter sido ela preparada ─ enquanto fiquei na casa de uma vizinha e amiga, pois não
queria estar presente ─, voltei para o apartamento e, por coincidência, amigas minhas da
URBS estavam chegando e aí, ao vê-la ali na sala e minhas amigas, o sonho que tive
comigo veio imediatamente, pois o “quadro” era o mesmo, só havia mudado a pessoa.

Doze anos se passaram e em 1987, tive um sonho no qual um pequeno avião de coloração
esverdeada, caia. Em uma de suas asas havia um número de quatro algarismos os quais vi
perfeitamente, apesar da enorme “distância” de onde eu estava, em sonho, e onde o avião
caia, só não lembrando bem da ordem em que estavam dispostos. Em setembro do mesmo
ano, dia 24, meu pai faleceu.

Nada havia que pudesse ligar sua morte com o sonho que tive, mas, no ano seguinte, um tio
meu, irmão de meu pai, adoeceu gravemente. Ao visitá-lo, 1 ou 2 dias antes de seu
falecimento, conversando com ele, disse-me que meu pai tinha um número que sempre
perseguia na loteria; era seu número no exército (lembra da coloração esverdeada do
pequeno avião?). Ao dizer o número, imediatamente recordei do sonho, pois os 4
algarismos eram os mesmos que havia visto na asa do pequeno avião.

Em 199 , sonhei com um amigo. Sonhei que estava sentada num banquinho e ele chegou
todo vestido de branco. Deitou a cabeça em meu colo. Quando fui abraçá-lo, senti uma
sensação assustadora e falei alto: “Val, você está morto!”




                                           146
Contei esse sonho a amigos comuns, não havendo grande preocupação; nosso amigo era
jovem, estava muito bem de saúde e não era dado a excessos de velocidade em seu carro,
nem em sua potente moto.

Alguns meses se passaram e o assunto, como sempre ─ e apesar dos antecedentes ─,
ficou esquecido, até que uma amiga comum, enfermeira, telefonou-me contando que nosso
amigo tinha procurado por ela levando resultados de exames positivos para AIDS. Após a
constatação, alguns meses se passaram e ele já estava em tratamento, quando houve um
acidente com um irmão dele; o choque foi grande além de um exaustivo trabalho de busca
em meio ao frio e a chuva. Nosso amigo ficou bastante abalado com a morte do irmão e seu
estado de saúde declinou muito, levando-o a óbito, por complicações decorrentes da própria
doença.

Resolvi então, seriamente, buscar pela segunda vez, orientações junto ao Candomblé; a
primeira vez havia sido em 1975, logo após falecimento de minha mãe, quando resolvi ir a
Salvador, ao Cantuá, da Mãe Menininha.

Nessa segunda vez, segui as orientações dos Búzios e firmei pensamento de que não
queria mais ter esses sonhos, pois, se eles vieram para “forçar-me” a deixar um pouco de
lado o lógico e o racional e compreender que coisas inexplicáveis pelo racional e lógico ─
como os concebemos ─, podem ocorrer a qualquer pessoa, haviam cumprido a missão de
forma a não deixar qualquer ponto de dúvida.

Neste ponto, gostaria de citar algo que li no livro A Dança dos Mestres Wu Li, de Gary
Zukav que, provavelmente, possa descerrar parte do véu para entendimento dos fatos
ocorridos e acima descritos.

É algo dito por Hermann Minkowski (em 1908), fantástico matemático que foi professor de
Einstein e o comentário feito por Gary Zugav, a respeito.

Minkowski: “ Daqui em diante, o espaço por si mesmo e o tempo por si mesmo estão
condenados a desaparecer como meras sombras, e só uma espécie de união de ambos
preservará uma realidade independente.”

Gary Zugav, comentando o acima, diz: “ As explorações matemáticas de Minkowski de
espaço e tempo foram ao mesmo tempo, fascinantes e revolucionárias. Delas surgiu um
simples diagrama de espaço-tempo mostrando a relação matemática entre passado,
presente e futuro. Da riqueza de informações contidas nesse diagrama, a mais
impressionante é a de que todo o passado e todo o futuro de cada indivíduo se encontram e
se encontraram sempre em um único ponto: o agora. Ademais, o agora de cada indivíduo

                                           147
está localizado especificamente; nunca será encontrado em qualquer outro lugar que não
seja aqui (onde quer que o observador se encontre).”

Qual a razão de considerar o que acima foi citado, como informação que pode auxiliar na
compreensão de fatos como os que estamos comentando?

Acontece que a PES ─ Percepção Extrassensorial ─, campo aparentemente definido para,
de certa forma, alocar os chamados “fenômenos paranormais” (dos quais um tipo seria o
dos sonhos premonitórios), está sendo analisada, mais seriamente, no campo científico e
mais especificamente ─ como realmente deveria ser ─, pela Física Quântica, através de
alguns cientistas da área.

Assim, se passado e futuro, de cada um de nós, podem ser encontrados em um único ponto
─ “o agora”─, só nos restará o trabalho de saber como esse “encontro” se dá, por exemplo,
quando acessamos o futuro nosso ou, de qualquer outra pessoa, através dos sonhos, que é
o caso visto até agora. Creio que, se matematicamente está definida a possibilidade de um
grande encontro de passado e futuro, exatamente no agora, isso, de certa forma, veio trazer
luz sobre aspectos considerados extremamente obscuros e dos quais, a Ciência, queria
manter um seguro distanciamento, aspectos esses que podem, em totalidade, ser
encaixados na PES.

Retornemos ao assunto ─ Pressentimentos/Sensações.

Não demorou muito para que outras situações ocorressem, não mais em forma de sonhos e
sim, em forma de sensações físicas que chegaram ao extremo de quase levar-me a
hospital, não fosse eu, avessa a isso.

A primeira vez que aconteceu pensei, seriamente, que ia morrer; todo o sistema orgânico
entrou em desordem; o mal estar era imenso. Fiz o que sempre faço que é relaxar e tentar
ver se o organismo volta ao normal. De nada adiantou e passei a madrugada toda
acordada. Consegui dormir apenas quando o dia clareava.

Após acordar e ligar o rádio para ouvir música, ouvi que havia acontecido um terremoto, no
Japão, causando centenas de vítimas. Até aí, é claro, nada associei entre o que senti e o
acontecido.

Porém, não muito tempo depois, nova noite de caos orgânico. Ao assistir o Jornal da Tarde,
no dia seguinte, a notícia de nova catástrofe ocorrida, obrigou-me a considerar a
possibilidade de uma interligação entre os fatos. Conversei com amigos e um deles
aconselhou-me procurar um médico, pois, segundo ele, os sintomas eram parecidos com os


                                          148
da famosa “síndrome do pânico” que começava a se tornar mais atuante. Argumentei que
se houvesse uma próxima vez, iria realmente fazer o sugerido.

Sequencialmente passei a ter, vez ou outra, o mesmo tipo de desconforto; nessas ocasiões,
entretanto, o motivo passou a ser outro e estava relacionado a dois tios maternos que
sempre foram bastante ligados a mim ─ uma tia que morava em Castro (cerca de 150km de
Curitiba), e um tio que morava na mesma cidade que eu, Curitiba.

A primeira vez que senti o mesmo tipo de mal estar, recebi, na manhã seguinte, telefonema
de minha tia dizendo ter passado muito mal, a noite, e que havia desejado que eu estivesse
com ela. Não liguei um fato a outro e como não havia acontecido nenhuma catástrofe
considerei, mais seriamente, a possibilidade de consultar um médico, mas não de imediato.

Mais um tempo se passou, até que novamente, só que desta vez durante o dia, senti todo
aquele terrível desconforto. Ainda quando estava sob efeito dele, tocou o telefone e meu tio
pediu que fosse até a casa dele, pois não estava nada bem e os filhos, estavam fora. No
exato momento em que ouvi seu pedido, todo o desconforto se dissipou, por
completo. Conclui, então, que os fatos estavam totalmente vinculados; era preciso tomar
uma atitude para deixar de “captar” tanto as “informações” de catástrofes quanto as
“emissões” de meus tios.

Felizmente, após um certo período de reclusão, trabalhando mentalmente ─ conforme
orientações recebidas anteriormente, através dos Búzios ─, alcancei o objetivo a que me
propus, ou seja, libertar-me dessa “abertura” às informações até certo ponto, indesejáveis,
pois nada podia ser feito para conter desastres naturais, nem o que meus tios viessem a
sentir.

É interessante como algumas pessoas são lentas em observar situações fora do normal
(dentro do que se computa como normal), que ocorrem com elas. Em meu caso específico,
isso provavelmente ocorreu, repito, em função da grande ligação que sempre tive com o
racional e o lógico; era muito difícil, para mim, acreditar em fatos narrados, dentro do
mesmo contexto dos acima citados.

Analisando todos os acontecimentos, incluindo entre eles os tópicos do então Ensaios sobre
a Não Matéria que vinham, em grande parte, via insight, além da Parte 3,
extraordinariamente “vivida” por mim, quando de sua “captação”, pude diagnosticar, com
precisão, a desconhecida conexão (desconhecida para mim, é claro), que aconteceu em
todas as ocasiões em que esta ou aquela situação ocorria, inicialmente, antecipando fatos,
como nos sonhos premonitórios; posteriormente “sentindo” algo em tempo real, no caso das


                                          149
catástrofes e “apelos” de meus tios. Esses fatos narrados foram os principais, os mais
determinantes; outras situações, de cunho mais pessoal e não tão sérios, foram vivenciadas
em muitas e muitas ocasiões, durante minha vida.

Cessadas essas etapas anteriormente citadas, houve algo diferenciado que aconteceu
comigo durante, aproximadamente, uns oito meses antes da “captação” da Parte 3 do livro,
fatos considerados, por mim, altamente expressivos, significativos; já os mencionamos nas
Explicações Preliminares da Parte 3, que o leitor poderá reler, caso não lembre o que lá
consta.

Eis, portanto, resumo da trajetória de parte de fenômenos que, de certa forma, envolveram
tudo que está nas 4 partes do EgoCiência e Serciência. Quis colocá-los dessa forma, pois
considero importante para, até certo ponto, fundamentar como aconteceu a “captação” da
Parte 3 e também do “Prioridade 1-Objetivo Mundial”, porque tenho absoluta certeza de
que houve necessidade de determinados “ajustes” de freqüência para que tudo pudesse ser
“compreendido” e, o mais importante ─ Decodificado.

O que quero dizer com “ajustes” de freqüência é, em primeiro lugar, a “desconstrução” da
“muralha” imposta pelo racional e lógico em relação à possibilidade de sonhos
premonitórios; ao contrário do que pensava, isso realmente pode acontecer e acontece; em
segundo, quanto a sensibilidade de captação de situações anormais, tanto relativas à
Natureza do Planeta quanto, familiares, outro dos pontos em que as dúvidas sempre
estiveram presentes, a cada vez que ouvia relatos similares.

Resolvidas as questões do aspecto puramente racional e lógico, que seriam possíveis
impedimentos para outras situações, houve a necessidade de “ajustes” de freqüência
diretamente relacionados à própria estrutura cerebral, através de ativações de conexões,
provavelmente mais avançadas, para que houvesse capacitação de “entendimento” ao que
seria posteriormente “captado”.

Repito que é assim que vejo e sinto o que está relatado na Parte 3 ─ Explicações
Preliminares; aqueles “ajustes” feitos na estrutura cerebral, de forma mais direta,
provavelmente provocaram conexões importantes, sem as quais, a possibilidade de
“captação” e entendimento não teria chance de acontecer.

Creio ser este o momento propício para explicar-lhes qual a razão da preferência pelo termo
captar, ao invés de receber. Em meu modo de pensar, “receber” pressupõe um canal
interativo, mais direto, entre aquele que “dá” e aquele que “recebe”. Por essa ótica, prefiro
computar o termo “receber” a médiuns que, em seus trabalhos, “interagem” com seres


                                           150
desmaterializados;    dependendo       do   que      estiver   sendo   realizado,   a   identificação
nominal/material, do Ego-pessoa, do ser imaterial, se faz. Temos uma infinidade de obras
trazendo a identificação do ser transmissor, desta ou daquela mensagem, a este ou àquele
autor/receptor.

Já “captar” revela, para mim, uma condição diferente de conexão. Em “captar”, as coisas
tornam-se um pouco diferenciadas de “receber”, porque consigo visualizar melhor um
aspecto científico, principalmente relacionado à Física Quântica, quando ela utiliza o termo
captura para nomear o “processo em que um sistema nuclear, atômico adquiri uma partícula
adicional.”. Sendo assim, para mim é mais fácil entender “captar” porque, como somos um
aglomerado atômico, um “sistema” atômico ─ no sentido de sermos estruturados por átomos
─, ao “captar” algo diferenciado estamos, em realidade, senão capturando ─ propriamente
dito ─, essa partícula ( para mim ente ou, ser quântico), permitindo captação de informação
da partícula adicional, diferenciada ao nosso sistema, como um todo.

Minha opção por “captar” é fundamentada, principalmente, na observação importante de
que nunca houve qualquer “identificação” de “alguém” ou algo que estivesse “passando” as
informações captadas.

Tanto o “receber” quanto o “captar” pressupõe sermos, em parte, “sensores” e ainda
“decodificadores” de mensagem adicional, diferenciada, “transmitida” por ente ou ser
quântico;   para   isso,   “ajustes”   devem      ser   efetuados,     provavelmente    ─   e   mais
especificamente ─, em nossa estrutura cérebro-glandular, ou seja, em duas das mais
importantes glândulas localizadas na estrutura craniana, importância essa ressaltada em
obras do Esoterismo avançado.

Além do pressuposto acima, ainda existe a possibilidade, creio eu, de que essa nova
informação ─ nova, por a desconhecermos ─, já estar, de alguma forma, “armazenada” em
algum ponto da estrutura quântica do Ego-pessoa, “surgindo” após interação com campo de
frequência diferenciado que, de certa forma, “ativaria” áreas não comuns. Os tão famosos
insights poderiam, quem sabe, encaixar-se no que acima foi dito.




                                               151
Espaço 2            Sobre as 4 Partes do EgoCiência e SerCiência

 Neste Espaço 2, faz-se necessário conversarmos, um pouco, sobre as quatro partes do livro
 acima referenciado.

 O leitor deve estar lembrado, de já ter sido citado que a Parte 1 foi estruturada, toda ela, em
 escritos e trechos gravados em fita K7. Deve lembrar, também, que a Parte 2 teve contexto
 diferenciado, pois nela, o pensamento, na forma como o concebemos, foi o condutor
 principal de tudo que ali está que, em realidade, foi tão somente estender, dar mais
 conteúdo ao que já constava da Parte 1.

 Assim nasceu o então Ensaios sobre a Não Matéria. Enviei-o a algumas editoras para
 análise. Mas, em realidade, ele ainda não estava pronto, como já mencionado, pois algo de
 fundamental importância surgiria, mais precisamente, em 21 de setembro de 1996,
 compondo assim a Parte 3, totalmente diferenciada, em sua totalidade, da Parte 1 e 2.

 A Parte 4, racional e logicamente escrita ─ diferenciada, portanto, da Parte 1 e 3 ─, é uma
 tentativa de ampliar o conteúdo das partes anteriores, buscando possíveis conexões com a
 Mística e com a Ciência, principalmente a Física e mais especificamente, a Física Quântica,
 na tentativa de encontrar parte de respostas às questões, até o momento, vistas.

 Por que, com a Física Quântica?

 Em princípio, por acreditar que, em um contexto muito mais profundo, dela, poderemos
 começar a vislumbrar parte da INCOGNOSCÍVEL ENERGIA.

 A Física Quântica, em meu entender, “navega”, “trabalha” em campos invisíveis,
 impalpáveis dos quais, apenas os “efeitos” são observados, calculados ou previstos,
 praticamente tudo envolto na “possibilidade” de acontecer isto ou aquilo ou, algo
 “intermediário”.

 O INCOGNOSCÍVEL “permeia”, envolve essa terceira possibilidade, esse “algo” que, em
 realidade, funde, alicerça de forma irrefutável, o que está além do todo conhecido, até o
 presente, no campo científico.

 A Física Quântica, para mim, trabalha com o EXISTENTE INVISÍVEL.

  Parte dessa “crença” ─ citada em parágrafo anterior ─, em relação a Física Quântica, vem
 do todo “captado” e exposto na Parte 3.




                                             152
Sempre considerei absurda a hipótese de que tudo que existe, existe por existir, sem que
tenha havido     sequer um pensamento que            delineasse estruturas, que definisse
especificações, que norteasse objetivos, que, enfim, desse VIDA ao sistema, como um todo,
e o TODO é formado por entes quânticos ─ partículas, para a Física ─, que, em meu
entender ─ e fundamentado no que foi “vivenciado” quando da “captação” da Parte 3 ─,
sabem o que fazem, quando e a razão, sempre em perfeita consonância com o informado
pela LINGUAGEM DA ENERGIA.

A VIDA, para mim, em sua totalidade indizível, é Pura Ciência, e a Fé verdadeira, livre,
universal e cósmica é a resultante da Ciência da VIDA.

Lembro o leitor, que quando cito VIDA, em maiúsculo, é para diferenciá-la da vida que se
nos apresenta como tal ─ a vida material em seu aspecto exclusivamente artificial.

Creio que aqui cabe citar um dos mais vibrantes pensamentos, que já tomei conhecimento,
quase poeticamente expresso pelo filósofo Jean Guitton, no livro ─ Deus e a Ciência: “Já o
dissemos: o Universo é um vasto pensamento. Em cada partícula, átomo, molécula, célula
de matéria, vive a atua, incógnita, uma onipresença.”

Sei que muitos daqueles que trabalham com os aspectos “práticos” da Física Quântica, em
hipótese alguma admitem qualquer ligação dela com a Mística; ocorre que, assim como a
quântica trabalha com o universo “invisível” das partículas quânticas, a Mística “incorpora”,
em si, esse mesmo universo invisível, mas sensível em seus “efeitos”, em seus “recados”,
em sua linguagem. Não há, portanto, nenhum demérito em se tentar uma aproximação ─
que já existe, de “fato”, mas não de direito ─, entre a Quântica e a Mística, pois ambas são,
em meu entender, Linguagens da ENERGIA, “trabalhando” com Entes/Seres Quânticos que,
para a Física, são partículas.



Retornando aos comentários iniciais sobre as 4 partes do EgoCiência e SerCiência, cabe
complementar que nesta Parte 4, foi o pensamento racional e lógico a base para o que foi
escrito mas, esse racional e lógico, sinto já estar mais “sutilizado”; são pensamentos que
contam com uma essência diferenciada.

Provavelmente o leitor poderá sentir diferenças entre as partes; isto é mais que natural, pois
ao ampliarmos a caminhada, os horizontes vão, naturalmente,             se ampliando; novos
aspectos são observados, considerados, alterando, em parte, os conceitos anteriores sem,
entretanto, desfigurar a essência, muito pelo contrário; ela foi mantida intacta, pois para mim



                                            153
─ nas profundezas do “meu” ser ─, existe a certeza absoluta da conexão maior, de tudo,
com o contexto científico, da VIDA.

Creio ter sido importante esclarecer esses pontos; para mim, é satisfatório pensar que o
leitor poderá, com isso, vislumbrar, de forma mais nítida, como aconteceram os fatos e o
que eles desencadearam, no decorrer desta longa caminhada de mais de 38 anos.




                                         154
Espaço 3 EgoCiência e SerCiência

 Desde a “concepção” dos termos EgoCiência e SerCiência em 1981, 27 anos passaram, de
 forma vertiginosamente rápida.

 Lembremos aqui, algo dito na Parte 2, sobre EgoCiência, no Espaço 13 em P.2: “Hoje, com
 mais clareza, ainda, vejo que a EgoCiência é um ponto de partida, racional e lógico,para a
 busca de algo além, ou seja, a pessoa, por ela mesma, procuraria a melhor forma de
 “embrionar-se” para buscar suas verdades maiores; “embrionar-se-ia” para buscar-se.”

 Por que, EgoCiência?

 Porque o Ego, em meu entender, é perfeitamente capaz de trabalhar, de forma mais
 científica, com uma gama imensa de conhecimentos/informações disponíveis a qualquer
 pessoa que queira ─ ou sinta necessidade de ─, entender-se, racional e logicamente.

 Em meu caso específico, parti para um caminho de busca que, em princípio, tinha apenas a
 intenção de compreender, racionalmente, as várias e diversificadas experiências pessoais,
 já relatadas.

 Além da necessidade lógica de saber “como” dessas experiências, um intrigante
 questionamento relacionado a “montagem” do que as pessoas denominavam e
 conceituavam de “realidade da vida”, “realidade do mundo”, assolava-me. Assim, o início do
 trabalho   do   Ego,   foi   tentar   uma   “reconceitualização”,   para   mim   mesma,   das
 conceitualizações existentes, daí Matéria/Não Matéria, Vida/Não Vida, Mundo/ Não Mundo,
 Pensar/Não Pensar, não como uma forma de negação e sim, como busca de alternativas ao
 que se conceitua como Matéria, Vida, Mundo, Pensar.

 Paralelamente às investidas do Ego, para fora ─ investigando o externo ─, investigava-se,
 ele próprio frente ao externo, na tentativa de explicações para a grande incompatibilidade
 entre o que via e o que sentia. O Ego queria saber qual a razão dele mesmo “desconfiar”
 das conceitualizações apresentadas como verdadeiras e factuais.

 O Ego, em várias linhas de pensamento ─ tanto orientais quanto ocidentais ─, foi sempre
 visto como possível vilão da existência humana. Em parte, é possível dizer ser verdadeiro,
 pois a grande maioria dos seres dito humanos, reconhece-se como tal, apenas em função
 do Ego, que manifesta-se, nas pessoas ─ quase na totalidade delas ─, como um eu
 exclusivista, autoritário, dominador, cerceador, dono de verdades inquestionáveis,
 extremamente materialista, individualista quanto ao que pensa ser de direito dele, quase


                                              155
sempre em detrimento ao do próximo, gerando atritos com os outros eus que pensam de
forma semelhante, criando, assim, atmosfera de desentendimento que se propaga, é claro,
entre seres humanos, nações, etnias, credos estabelecendo quase um caos em todos os
níveis de relacionamentos.

Esse Ego, quando profundamente enraizado em si mesmo, caminha só; nada lhe faz
companhia porque ele, o Ego, normalmente se sente todo e único; o que faz para ter
“agregados” ─ e não, companheiros ─, é por única e exclusiva necessidade de domínio, de
continuidade (caso específico dos filhos “produzidos” para “continuidade”), e porque esses
outros eus agregados, dão-lhe aumento de status emocional. Ele, o Ego, em sua grande
maioria, sente-se mais importante quanto mais pessoas-ego estiver sobre sua influência,
estiver “orbitando” em sua esfera de ação. A frenética busca de fama e reconhecimento, a
qualquer preço, talvez possa comprovar o que acima foi exposto.

Mas, esse mesmo Ego, considerado “vilão” pode ─ e em muitos casos o faz ─, levar-se,
inclinar-se para dúvidas e questionamentos, que é claro, aparentemente não lhe seriam
próprios ao considerarmos o Ego, como o “atributo” mais intimamente ligado à
materialidade, à objetividade, às conceitualizações preestabelecidas.

Falamos, no parágrafo acima, em considerar o Ego como o “atributo” mais ligado à
materialidade, à objetividade. Mas, “atributo” de quem, se ele ─ o Ego ─, e a pessoa não
estão em campo opostos, não são duas coisas distintas, duas “entidades” dispares?

Em meu entender ─ e em função do caminho percorrido ─, só se pode tentar responder
essa questão quando adentramos à SerCiência, quando desmoronamos, em parte,o véu
que encobre a Realidade Maior, que, em Si mesma, só pode ser sentida, através daquela
SENSAÇÃO que falamos, na Parte 1 e 2, e que é totalmente diferenciada das sensações do
nível matéria, do estágio pessoa. É essa SENSAÇÃO que nos “fala” ─ em linguagem
totalmente diferenciada ─,    da Realidade Maior e nos “diz” que o Ser, é o Verdadeiro
Existencial.

Por que, Verdadeiro Existencial?

Existencial é um adjetivo que, por si só qualifica, para mim, o Ser e também A ENERGIA,
tanto que, em meu entender, poderiam ser sinônimos ─ Ser e Existencial ─, pois creio que
ambas as palavras podem oferecer a máxima qualificação do que, verdadeiramente, não se
pode definir, qualificar sem incorrer em imprecisões.

Portanto, para mim, falar no Ser Existencial é extremamente redundante ─ o Ser é
Existencial, independente de qualquer análise posterior, pois É, a priori.

                                            156
Insistamos um pouco mais no Ser e no Existencial, antes de continuarmos falando do Ego,
como “atributo”.

Não sei se algo parecido acontece com você, leitor, mas quando me deparo ─ e sempre foi
assim ─, com a palavra Ser, quando solitária, ou seja, sem nenhum adendo, não encontro
nenhum “recorte” onde possa encaixá-la; é uma palavra completa, maravilhosamente
simples e profundamente complexa, tanto que se a ela nada acrescentarmos, seu
significado, pelo menos para mim, já existe a priori; ao contrário, se a ela adjuntarmos outro
termo, há uma quebra no encantamento profundo que ela, por si só, tem o poder de
transmitir.

O mesmo acontece com Existencial. Essa palavra só, sem nada junto a ela, diz, fala de uma
totalidade sem limite; quando a vejo, solitariamente, não sei a razão, mas lembro-me e me
vem Sensação de Universo, de Infinito, de Eterno, de Deus, da ENERGIA. Se pudesse
explicar melhor, diria que essas palavras ─ Ser, Existencial, Universo, Infinito, Deus,
ENERGIA, ressoam em mim numa profundidade indizível; elas despertam a Sensação de
Ser e nada mais é necessário pois “incorporo-me” de todas elas em “meu” espectro
energético.

Voltemos ao ponto crítico de procurar saber qual poderia ser a resposta para a questão
levantada anteriormente: “atributo” de quem seria o Ego se, aparentemente ele, o Ego e a
pessoa não estão em campos opostos, não são duas entidades díspares?

Lembra, leitor, que dissemos, ainda neste Espaço, considerar que só ao dar nascimento à
SerCiência, poderíamos tentar buscar essa resposta? Pois bem, vou tentar ─
independentemente da dificuldade deste nosso nível de linguagem            em ultrapassar o
racional e o lógico ─, dizer a você como consegui “sentir” parte dessa resposta.

Quando ainda utilizei o dualismo para definir EgoCiência e SerCiência ─ dualismo aí
expresso em Ego e Ser ─, já palpitava, em mim, a certeza da não existência dessas duas
“entidades”, da forma como são comumente definidas. O que sinto hoje, quase em
plenitude, é que o Existencial é o Ser; esse Ser, para mim, é um quantum da ENERGIA ─
breve falaremos dela. Só que esse quantum da ENERGIA ─ que considero, repito, o Ser ─,
tem “autonomia” Existencial e, creio eu, um “caminho” a percorrer, desde Sempre e até
Sempre, na vastidão existencial do Universo. Por onde esse quantum da ENERGIA circula,
precisa, evidentemente, “formar-se” existente naquele específico “ambiente”, naquela
específica faixa de freqüência, naquele específico campo energético. No caso, Planeta




                                           157
Terra, faz-se necessário “corporificar-se” para a respectiva experiência terrena, desse
quantum da ENERGIA.

Neste ponto você, leitor, pode perguntar ─ e deve fazê-lo sempre, pois não nos
esqueçamos que estamos trabalhando com Ensaios sobre assuntos complexos e
indefinidos: “Mas, se você diz que a ENERGIA ABSOLUTA é Inteligente e tudo sabe, qual a
necessidade de experiências específicas de um quantum, dela mesma, que você define
como Ser?

O que posso tentar responder a você (e a mim, também), é que saber algo é diferente de
saber “experienciando” aquilo que se sabe. A experiência é sempre acompanhada de uma
freqüência energética e, creio eu, é exatamente essa diferenciação de freqüência
energética que interessa ao Ser, “experienciar”.

Assim ─ e considerando que as coisas, até mesmo em níveis mais elevados, não ocorrem
num passe de mágica, não ocorrem sem que haja um contexto apropriado ─, esse Ser
Existencial, um quantum da ENERGIA, precisaria ter um “suporte” o mais próximo possível
da matéria ─ corpo humano ─, para que esse “suporte”, ele também um quantum da mesma
ENERGIA, mas diferenciado ─ em freqüência ─, do Ser, “suportasse” a densidade terrena
apresentada pelo corpo físico e pelo próprio ambiente terreno e pudesse “decodificar” as
Sensações ─ em seu conteúdo energético ─, transferindo, assim “decodificadas”, para o
Ser. Sei que isso pode parecer complexo demais, mas não o é. Em analogia, poderíamos
dizer que o Ser e o Ego seriam as duas faces de uma mesma moeda voltada, cada face,
para seu respectivo campo energético, porém ambas, atuantes em conformidade com a
INTELIGÊNCIA, PENSAMENTO e LINGUAGEM da ENERGIA.

Portanto, a resposta parcialmente sentida é de que o Ego pode ser o “atributo”, do Ser,
“suportando” todas as influências do campo energético humano e do próprio Planeta Terra,
diferenciados de outros milhares e milhares de campos energéticos existentes no Universo
─ inclusive do próprio Ser ─, e, evidentemente, campos energéticos diferenciados,
apresentam frequências diferenciadas. Assim, o Ser, acredito, teria sua atuação no campo
energético humano/terreno praticamente impossibilitada em função da diferenciação de
frequência. O Ego, em contrapartida, poderia apresentar freqüência compatível, tanto para a
captação das frequências humanas ─ cuja principal fonte de emissão seria a SENSAÇÃO, o
SENTIR algo ─, quanto para “decodificá-las” e emiti-las ao Ser.

Não nos esqueçamos que frequência refere-se, em Física, ao “número de oscilações ou de
vibrações realizadas pelo móvel na unidade de tempo.” Dessa maneira, claro está, que a


                                           158
frequência do corpo material é infinitamente diferenciada da vibração do Ser principalmente,
porque este, “está infuso” na Não Matéria.

Assim, considero agora, com mais certeza, não existir dualidade, oposição entre Ego e Ser;
o que existe, creio eu, é a ENERGIA atuando em dois campos aparentemente opostos, com
intencionalidade que acredito, não disponível ao campo humano, para conhecimento, pelo
menos não, em totalidade.

Antes de encerrarmos este Espaço, gostaria de deixar alguns pontos no ar ─ que serão
vistos, mais à frente ─, e que dizem respeito, primeiro, a fantástica diversidade de Egos
atuantes no Planeta Terra; segundo, a visão que tenho da pessoa humana como parte
operacional do esquema vigente; terceiro, a possibilidade do Ego ser um “protótipo” do Ser.




                                             159
Espaço 4 ENERGIA

 Neste Espaço 4, conversaremos um pouco sobre a forma como entendo e, principalmente,
 compreendo a ENERGIA. Isso se faz necessário porque falaremos constantemente sobre
 Ela e para que você, leitor, acompanhe-me nestes Ensaios, é importante que saiba, antes
 de mais nada, como “vejo” A ENERGIA.

 Já falamos, no Espaço 3, de determinadas palavras que, desde muito cedo têm o poder de
 provocar uma sensação diferenciada, em mim, sensação essa que defino como uma
 espécie de “ressonância” na totalidade de mim. Vejamos o que nos diz o dicionário ─
 Aurélio B. de Holanda/Novo Aurélio ─, sobre ressonância: “3.Fis. Transferência de energia
 de um sistema oscilante para outro quando a frequência do primeiro coincide com uma das
 frequências próprias do segundo.” Quem sabe essas palavras, no que possam expressar de
 real, “transfiram” de seus sistemas informativos, frequências que encontram determinadas
 correspondências com alguma frequências do Ser (ou do Ego), gerando essa sensação
 diferenciada captada por “mim”.

 Além do acima, vejamos o que José Argüelles, em seu famoso livro ─ O Fator Maia ─, fala
 sobre: “Ressonância significa a qualidade de soar novamente.” Argüelles diz ainda que
 “como um soar novamente, a ressonância é informação”, dizendo, também, que “...
 informação é a forma-veículo de qualidades da energia entre dois agentes ou dois grupos.”
 Essa visão que Argüelles apresenta sobre informação é da perspectiva dos harmônicos
 ressonantes, como ele mesmo explica. O mesmo Argüelles diz: “A essência da informação,
 portanto, não é seu conteúdo, mas a sua ressonância. Por isso que sentir as coisas é
 importante.” (negrito da autora)

 Portanto, hoje entendo que palavras como Ser, Existencial, Universo, Infinito, Eternidade,
 ENERGIA encontraram e encontram em “minha” estrutura quântica, um sinal de igualdade
 entre o que elas “tentam” dizer, realmente, e o que sinto que elas, verdadeiramente, querem
 “dizer”. É como se elas informassem que há algo de muito real, muito verdadeiro no que
 tentam “representar”, “definir”, “conceituar”, pois através dessas palavras, consigo
 “conceber”, “sentir” Universo, Eternidade, Existencial, ENERGIA de forma como se
 “conhecesse”, a priori, o que elas exprimem.

 Essa forma ─ que poderia até chamar de molecular ─, de “sentir”, de “compreender”, neste
 caso específico, a palavra ENERGIA, tornou-se muito mais enraizada desde a “captação” da
 Parte 3 do então Ensaios sobre a Não Matéria, hoje EgoCiência e SerCiência. Lembremos


                                           160
aqui, parte do que “captei” da ENERGIA, relatado, na íntegra, na parte acima citada: “A
ENERGIA É INTELIGÊNCIA, PENSAMENTO e LINGUAGEM.”

Sendo a ENERGIA, Inteligência, Pensamento e Linguagem, Ela, com certeza, será Mente
Universal, Cósmica, Incognoscível em essência, portanto, SAGRADA. Por essa razão refiro-
me a Ela sempre em maiúsculo, diferenciando-A de suas inúmeras formas de
“apresentação”, que são os aspectos da ENERGIA, conhecidos pela Ciência e por alguns
de nós.

Além do exposto acima, há outra razão forte e determinante para tratar A ENERGIA com o
máximo respeito; é que para mim, mediante tudo que “vi” e “senti”, considero ENERGIA
sinônimo de Deus, portanto SAGRADA, em ESSÊNCIA e, nesse contexto, devemos lembrar
da LUZ, sempre enaltecida em, praticamente, todas as formas de referências e reverências
ao SAGRADO. Luz é ENERGIA; ENERGIA é LUZ.

Ao falar em Deus, gostaria imensamente que fosse totalmente compreendido que, sob
minha ótica, essa palavra não precisa ter qualquer ligação com qualquer religião
instituída. Para mim, ela define O IMPONDERÁVEL, o INCOGNOSCÍVEL, o puramente
EXISTENCIAL que escapa totalmente ao racional e lógico, quando temos com eles, uma
forma mais densa, mais material, de trabalho. Tenho, para mim, que quando o racional e o
lógico transcendem o que deles conhecemos, eles passam a ser alicerces ─ entre outros
“elementos” ─, da PURA SABEDORIA, alcançada por tão poucos neste Planeta Terra!

Ainda falando sobre Deus, prefiro utilizar a palavra ENERGIA ─ em lugar da palavra Deus
─, pois tantas mazelas, tantos sofrimentos, tantas perseguições, tantos assassinatos (literal
e metaforicamente) foram causados/cometidos em nome de Deus, além da extrema
utilização da palavra ─ a meu ver, de forma indevida ─ o que deveria ser evitado. Tudo isso
chegou, de certa forma, a banalizar ALGO que deveria ser a máxima conceituação do
Incognoscível. De qualquer forma, respeito a palavra Deus no que ela tem de mais
representativo e admiro pessoas que, ao pronunciarem essa palavra, conseguem transmitir
a ESSÊNCIA dela mesma, o que, infelizmente, é muito, muito, mas muito raro!

Voltemos à ENERGIA e, vejamos agora, o que nos diz o dicionário* sobre:                5.Fis.
Propriedade de um sistema que permite realizar trabalho. Em seguida são enumeradas as
diversas formas de Energia. Neste ponto, creio ser válido citar algo que veio coincidir com
parte do que havia detectado ao ler a Parte 3, deste livro. Ao ler o tópico sobre função de
onda, no livro A Dança dos Mestres Wu Li, ficou mais claro, para mim, que mesmo que um
sistema observado possua n realidades, só podemos detectar aquela que se processa


                                           161
dentro da realidade tridimensional. O que penso, em relação a isso e ao “captado” descrito
na Parte 3, acima citada, é que, para que possamos detectar outra realidade dimensional,
algo diferenciado precisa ser “ativado”, precisa ser “calibrado” em nossa estrutura quântica,
mesmo que essa “ativação”, essa “calibragem” não nos seja aparente.

Essa observação acima é importante, porque A ENERGIA, ainda é tratada de uma forma
que poderia ser taxada de “infantil”, independente de tudo que, cientificamente, é dito sobre
Ela.   Entretanto,   essa   “infantilidade”   é     normal,   levando-se   em   consideração   a
tridimensionalidade ─ como vimos, no parágrafo anterior ─, e também porque, a grande
maioria dos cientistas ─ não todos, é claro ─, ainda estão aferrados ao racional
“convencional”; não despertaram, ainda, para as formas mais “sutilizadas” do racional e do
lógico.

Se pensarmos, por exemplo, na magnífica Sabedoria Antiga, que deixou raízes à própria
ciência, temos que admitir que os seres, portadores dessa Sabedoria, trabalhavam com o
racional e o lógico em sua forma mais “abstrata”, mais “sutilizada” o que permitiu, a esses
seres, creio eu, “captar” e “decodificar” partes importantíssimas da Linguagem da ENERGIA,
provavelmente em forma de insight. Não podemos nos esquecer dos artistas ─ poetas,
pintores, músicos e tantos outros ─, compositores de obras magníficas, cuja inspiração vem,
provavelmente ─ e na maioria dos casos ─, dessa mesma Sabedoria que permeia, creio eu,
o Ser e que a tantos inspirou, permitindo “captação” de nuances da Linguagem Universal.

Só para dar um exemplo do que foi dito acima, cito pequenos trechos da poesia do grande
Walt Whitman (1819-1892), Canção de mim mesmo, do Livro Folhas de Relva:                 “Cada
átomo que há em mim igualmente habita em ti. [...] É a ânsia central em cada átomo [...].
Para retornar à sua divina fonte e origem, não importa a que distância esteja,
potencialmente igual em todos os sujeitos e objetos, sem exceção” (trecho extraído da
Introdução, de Luciano Alves Meira).

Walt Whitman foi considerado um dos maiores poetas místicos; veja que ele já trazia, para
sua poesia, a visão de átomo que ultrapassava, em muito, muito mesmo, o que era pensado
dele, em sua época e, em certo sentido, o que ainda hoje é pensado. Observe que ele fala
da fonte divina da qual o átomo tem sua origem e que, segundo Whitman, quer, anseia
retornar. Isso é simplesmente maravilhoso, pelo menos é assim que considero.

Retornando à ENERGIA, sinto que ainda é tratada perifericamente, pela Ciência e mais
especificamente, pela Física. Sinto que, para que haja uma aproximação maior sobre a
Realidade da ENERGIA, é necessário permitir que o lógico, o racional sejam transcendidos


                                              162
em sua forma mais “grosseira”, “sutilizando-os” para que seja possível a “captação” de Sua
Linguagem, de forma mais “direta” e profunda. Só então começaremos, realmente, a
entendê-La em profundidade, porém, até onde tivermos aprimorado “nosso” campo
energético, “nossa” frequência”.

É importante dizer que falo da ENERGIA, em acordo com o que foi possível “sentir” Dela,
quando da “captação” do que foi exposto na Parte 3; portanto, não é, em absoluto, uma
forma arbitrária de pensamento, muito pelo contrário.

Não podemos nos esquecer que estamos imersos na ENERGIA; absolutamente nada, em
ponto algum do Universo está “fora” Dela. O corpo físico humano, “trabalha” sob orientação
de determinada Linguagem da ENERGIA, bem como todo e qualquer ser, elemento da
Natureza, trabalha sob essa mesma orientação, de forma específica. A diversificação da
Linguagem da ENERGIA é fantástica e, em conformidade com ela ─ Linguagem da
ENERGIA ─ a VIDA se faz neste Planeta e na imensidão do Universo; cada nível de VIDA,
totalmente diferenciado de outro, mas, sob orientação de formação/sustentação/destruição
feita através da Linguagem da ENERGIA.

Essa linguagem é o substrato de todo o conhecimento científico alcançado, até o presente,
pela Humanidade; ela é múltipla ─ mesmo sendo Una ─ e, absolutamente nada “age” ou
“deixa” de agir sem que seja devidamente informado pela Linguagem da ENERGIA, seja em
que nível for.

Essa Linguagem é encontrada em tudo.

Veja, por exemplo, o que é dito por Rav Philip S. Berg, em seu livro ─ Astrologia Cabalística:
“Nós somos, simplesmente, portanto, um conjunto de símbolos químicos vivos. Em
estrutura, somos todos alfabéticos.”

E eis, poesia de Charles Baudelaire que, poeticamente fala dessa Linquagem: “A natureza
é um templo em que pilastras vivas/Por vezes emitem palavras confusas/E nele o homem
passa por florestas de símbolos/Que o observam com um olhar familiar.” ─Extraída do livro:
Sejam sábios, tornem-se profetas, de Georges Charpak e Roland Omnès.

Creio ser totalmente possível dizer que:      A Fonte é ÚNICA; a diversidade está na
Linguagem.

Lembremos o P.31, da Parte 3 deste livro: “Aparentemente, o mais difícil de explicar dentro
ou em conformidade com a lógica do pensamento humano, simplesmente, é que os níveis
da ENERGIA ─ “COEXISTEM”; estão, digamos assim, todos “misturados”; não há hierarquia


                                           163
espacial entre eles ─ 1º , 2º, 3º ... . Eles estão todos em tudo e a única diferença entre eles
é a LINGUAGEM.” Citei o P.31 pois ele é, para mim, o fundamento do que falamos no
parágrafo anterior: A Fonte é ÚNICA; a diversidade está na Linguagem.

Creio que agora já podemos conversar, um pouco, sobre como “vejo” A ENERGIA.

De forma direta afirmo que, para mim, A ENERGIA é EXISTENCIAL; ELA É, nunca deixou e
nunca deixará de SER. Dessa forma, torno a repetir que nada, absolutamente nada existe
ou é, fora Dela. Tudo está, tudo É e Vive, Dela/Nela.

A ENERGIA, em essência é, para mim, CIÊNCIA, de quem a Ciência que conhecemos é,
em parte, ainda ínfima representante, apesar de tudo de maravilhoso que já “captou” de sua
raiz.

Creio que tudo o mais que tentasse falar da ENERGIA, seria, no mínimo, redundante;
assim, encerro dizendo que, para mim, ENERGIA é TUDO, é o TODO; portanto, tenho o
mais profundo respeito por Ela e sinto que um dia, Ela será reconhecida como tal, quando
então, uma de suas Linguagens específicas, será “sentida”, valorizada, considerada, pela
própria Ciência ─ a MÍSTICA, que tantas e tantas vezes já se fez presente, mesmo através
de grandiosas equações matemáticas e teorias físicas avançadas. Quando isso ocorrer,
novos e maravilhosos Caminhos se abrirão à Busca.




                                            164
Espaço 5 SENSAÇÃO

 Creio que tão importante quanto esclarecer como “vejo” a ENERGIA ─ o que foi feito no
 Espaço 4 ─, o é, conversarmos um pouco sobre SENSAÇÃO, pois ela foi fundamental para
 a percepção do exposto neste EgoCiência e SerCiência.

 Vejamos, primeiramente, o que diz o Dicionário*, sobre sensação:        “1.Fisiol. Impressão
 causada numa formação receptora por um estímulo, e que, por via aferente, é conduzida ao
 sistema nervoso central. 3.Filos. Conhecimento próprio da sensibilidade(11). 4. Impressão
 física em geral...”

 Para complementar o acima e fundamentar melhor o que se seguirá, vejamos o que o
 mesmo dicionário diz, sobre Sensibilidade, em sua aplicação filosófica e científica:
 “11.Filos. Faculdade que é fonte de conhecimento imediato e intuitivo, a qual se manifesta
 nas sensações propriamente ditas; sensualidade. [Cf., nesta acepç., entendimento]. 12.Fis.
 Medição da capacidade de resposta de um instrumento de medida, usualmente expressa
 pelo quociente de intensidade do sinal de saída pela intensidade do sinal de entrada.”

 Pode parecer estranho que as definições acima, das palavras Sensação e Sensibilidade,
 tenham correlação mais intrínseca com o que veremos no decorrer deste Espaço, mas a
 correlação existe e, para mim, é maior do que se possa pensar.

 Em meu entender, todo e qualquer pensamento nosso, toda e qualquer manifestação de
 sensibilidade, por mais simples que seja, provoca estado de sensação, na maioria das
 vezes, sequer percebido. Creio mesmo, que todo o aparato orgânico ─ nosso e de todos os
 seres da Natureza ─, “trabalha” movido por sensações. Os estímulos provocam
 determinadas impressões que são, imediatamente, “registradas” por sensores específicos
 do aparato orgânico. Evidentemente esses estímulos apresentam diversificação energética;
 as impressões devem ser também diferenciadas, qualitativamente.

 Creio que aqui cabe uma observação, no mínimo, interessante. Pela grande cumplicidade
 que sempre tive com animais domésticos e também com plantas, aprendi, observando, que
 eles têm sensibilidade super aguçada, através da qual conseguem “detectar” a intenção de
 nosso atos, sejam eles quais forem. Eles “sabem” sobre a intenção de nossos gestos e
 palavras, pois gestos e palavras provocam sensações que “falam” e “definem”, de forma
 mais nítida, o que mais, precisamente, querem expressar.




                                            165
Assim, fisiologicamente, as sensações constantemente estão pondo em movimento todo
aparato receptivo, sintamos ou não, os efeitos referentes. Não nos esqueçamos que as
sensações podem ter maior ou menor intensidade (em meu entender, freqüência geradora),
através da qual, sentiremos maior ou menor (ou até nenhum) “sintoma” físico, dependendo
também, é claro, de nossa sensibilidade.

Na acepção filosófica, a sensação é conhecimento próprio da sensibilidade, portanto, deste
ponto de vista, quanto maior sensibilidade houver, provavelmente maior será a possibilidade
da sensação ser detectada, sentida; haverá maior grau de sensibilidade disponibilizado às
sensações.

•   Novo Aurélio

Anteriormente, vimos que na acepção da Física, sensibilidade é medição da capacidade de
resposta de determinado instrumento de medida, cuja capacidade é aferida, através do
resultado da divisão da intensidade do sinal de saída pela intensidade do sinal de entrada.

As pessoas e, creio eu, toda natureza têm um sensor natural que capta o “campo
informativo/sensação” e oferece resposta que deverá ter correlação com a intensidade do
“campo informativo/sensação”, captado.

Senti necessidade de clarear um pouco mais os conceitos (alguns, apenas), aplicados à
palavra sensação para embasar o que veremos, na sequência deste.

Em primeiro, gostaria de dizer que, para mim, a sensação ─ seja qual for ─, é um campo
informativo, para a estrutura orgânica, da existência de determinado sinal que veio do
exterior ─ de qualquer ponto fora do corpo ─ ou, do próprio interior da estrutura orgânica.

No caso específico do sinal interno, lembremos algo bem simples e que muitas pessoas já
devem ter sentido quando, ao comer ou beber alguma coisa, “sente”, quase que de
imediato, certo desconforto físico; normalmente, então, a pessoa faz a observação de que
aquilo que comeu ou bebeu, não lhe caiu bem. Observe que a sensação, não ocorreu em
função de algo externo, ao corpo; não foi ao ver o que ia comer ou beber que a sensação se
fez e sim, quase no imediato momento em que esse algo “penetrou” na estrutura orgânica e
a sensação foi, então, sentida. É certo que, em algumas ocasiões “sentimos” como que um
aviso para não comer ou beber, algo e, se insistimos em fazê-lo, realmente acabamos
passando mal. Assim, por considerar a sensação como um campo informativo à estrutura
orgânica (em seu contexto mais amplo), creio ser de fundamental importância, prestar mais
atenção e, até mesmo, analisar aquilo que sentimos, mesmo que esse “sentir” não esteja
perfeitamente claro.

                                            166
Estamos sendo constantemente informados sobre algo e apenas para salientar mais o que
Argüelles colocou ─ já visto no Espaço 4 ─, lembremos apenas o seguinte: “A essência da
informação, portanto, não é seu conteúdo, mas a sua ressonância. Por isso que sentir as
coisas é importante.” (negrito da autora)

Até aqui, falamos das sensações que, de certa forma, “provocam” determinados sinais ─
agradáveis ou, não ─, na própria estrutura orgânica.

Na Parte 2, ESPAÇO 9, em P.3, dissemos: “talvez o que de melhor possamos dizer sobre a
SENSAÇÃO DE SER é que, se a sensação comum, provoca, naquele que a sente uma
certa “dissonância” física, orgânica, a Sensação de Ser, o SENTIR-SE SER, não causa
nenhuma “dissonância” em nosso campo material.

Trouxe esse parágrafo, como chamada, para o outro tipo de sensação que é a “SENSAÇÃO
DE SER”, totalmente diferenciada, porque, a “SENSAÇÃO DE SER” ─ o SENTIR-SE SER ─
é íntegra, límpida, permanente (após sentida), absoluta, ou seja, ela existe por ela mesma
sem ser relativa a qualquer situação específica, da pessoa material. Ela se “instala”, na
estrutura quântica do Ego-pessoa, quando é ultrapassado o racional e o lógico mais
simples, que trazem, até nós, as ferramentas necessárias para a vivência tridimensional do
Ego-pessoa material. Essa ultrapassagem, acima citada, creio ser possível fazê-la, também,
através do trabalho com a EgoCiência.

Ao “ultrapassarmos” ─ em nossa estrutura quântica─, a barreira da tridimensionalidade
psíquica/emocional somos “lançados” a um novo patamar de SENSIBILIDADE totalmente
específico de cada SER. Por essa razão, não é aconselhável falar de como o Ser que
“represento” traz, até os componentes físicos/receptivos de “minha” estrutura quântica, essa
SENSIBILIDADE      diferenciada,   que   apura,   intensifica   canais   de   receptividade   e
decodificação da Intuição, principalmente. Nesse aspecto, inexiste uniformidade de sentir;
inexiste “massificação”; cada Ego-pessoa terá SENSIBILIDADE diferenciada, que o fará
único em suas Sensações, mesmo que possa haver similaridades com as de outros Egos-
pessoa.

Creio não ser improcedente citar aqui, um pequeno trecho de um dos livros de Castaneda ─
Porta para o Infinito ─, em que dom Juan fala a Castaneda: “Os feiticeiros dizem que
estamos dentro de uma bolha. É uma bolha em que somos colocados no momento de
nosso nascimento. A princípio,a bolha está aberta, mas depois começa a fechar-se, até nos
ter trancafiado dentro dela. Essa bolha é a nossa percepção. Vivemos dentro dessa bolha




                                            167
toda a nossa vida. E o que presenciamos em suas paredes redondas é o nosso próprio
reflexo.”

Então dom Juan diz a Castaneda: O que está refletido é nossa visão do mundo. Essa visão
é uma primeira descrição, que nos é dada desde o momento de nosso nascimento, até que
toda a nossa atenção é apanhada por ela e a descrição se torna uma visão.” Dom Juan diz
que o trabalho do mestre e do benfeitor, é auxiliar na abertura dessa bolha e que: “A bolha
abre-se a fim de permitir ao ser luminoso uma visão de sua totalidade”

O próprio dom Juan diz ainda: “... chamar a coisa de uma bolha é apenas uma maneira de
dizer...”.

Vou me permitir dizer que, em meu caso específico, penso que essa “bolha” está sob
domínio do Ego e só após intenso trabalho com a EgoCiência, é possível romper a “bolha” e
começar o trabalho com a ciência do Ser ─ SerCiência ─, obtendo, então, a intensificação
de canais receptivos para “captação” de outras dimensões vibratórias energéticas, outras
freqüências de possibilidades do Ser, até então, totalmente desconhecidas pelo Ego-pessoa
material.

É interessante notar como existem determinadas correlações de pensamento entre pessoas
que, aparentemente, “atuam” em campos totalmente opostos, sob a ótica da visão racional e
lógica. Veja um exemplo, neste maravilhoso pensamento de Albert Einstein:         “Um ser
humano é parte do todo... . Ele experimenta a si mesmo, a seus pensamentos e a seus
sentimentos, como algo separado do resto ─ uma espécie de ilusão de óptica de sua
consciência. Tal ilusão constitui uma prisão para nós, restringindo-nos a nossos desejos
pessoais e à afeição por umas poucas pessoas que nos cercam. Nossa tarefa deve consistir
em quebrar essas cadeias, ampliando nosso círculo de compaixão para abarcar todas as
criaturas vivas e a totalidade da natureza em sua beleza. Ninguém é capaz de fazer isso
plenamente, mas o esforço já é, em si, parte da libertação e uma base para a segurança
interior.”

As semelhanças entre a explicação de dom Juan, a Castaneda e o pensamento expresso
por Einstein, são fantásticas; dom Juan fala da ilusão criada pela “bolha” em que somos
“colocados” logo ao nascer e, da necessidade dessa “bolha” ser aberta ─ “a fim de permitir,
ao ser luminoso uma visão de sua totalidade.”. Einstein fala da ilusão e da necessidade de
nos propormos à tarefa de quebrar cadeias para podermos ampliar-nos em vários campo.

Ambos falam da ilusão em que vivemos; dom Juan fala em abrir a “bolha” e Einstein fala em
quebrar cadeias, o que provavelmente o fez, pois, após abrir a “bolha”, quebrar cadeias,


                                          168
provavelmente nos tornamos principiantes em algo que sequer sabemos o que é. Foi isso,
em parte, que captei no que Gary Zukav escreveu em seu livro A Dança dos Mestres Wu Li,
sobre Einstein: “Albert Einstein foi o único que se deteve para contemplar dois dos maiores
quebra-cabeças de seu tempo e os olhou com uma mente de principiante.” (negrito da
autora)

Não seria impróprio lembrar que na Parte 2 deste livro, no Espaço 1, falamos em “pequenas
caixas” onde colocamos e “guardamos” pessoas, coisas e lugares de que mais gostamos
ou, necessitamos, “caixinhas” essas que ficam isoladas das “caixinhas” de outras pessoas.

E das “bolhas” particulares, das prisões particulares, das pequenas caixas particulares,
nasceram enormes compartimentos hermeticamente fechados ─ as Religiões Instituídas por
humanos ─, na tentativa de “isolar” o SAGRADO, nominando-o diferencialmente e criando,
com isso, enormes campos energéticos conflitantes.

O SAGRADO, tenho absoluta certeza, é totalmente fluido, por ser PURA ENERGIA e não
se deixa aprisionar; é totalmente livre e, em meu entender, quer a Energia do Ser, portanto,
um quantum Seu, livre de qualquer espécie de amarras, mesmo porque, em ESSÊNCIA,
isso não acontece.

Assim, creio eu, só podemos ampliar nossa Sensibilidade, quando abrirmos a “bolha”,
quebrarmos cadeias ou nos desfizermos das “pequenas caixas” que nos aprisionam ao que
é, em essência, ilusório.

Ao acontecer isso, os grandes compartimentos, da forma como se apresentam, como são
estruturados, não terão mais razão de ser, pela única razão de que O SAGRADO É UNO,
em Inteligência, Pensamento e Linguagem e, cada Quantum de Si, trabalha, entende,
compreende, aceita, participa da UNIDADE desde SEMPRE e, até SEMPRE.

O SAGRADO-ENERGIA não se rompe, não interrompe a Existência em todo e qualquer
ponto do Universo. Ele É. Sempre FOI e, sempre SERÁ e, para nós, “apresenta-se” na
SENSAÇÃO DE SER.




                                          169
ESPAÇO 6 Ego e Ser

 Como procuro fazer sempre, esclareço, que após o intenso trabalho com a EgoCiência,
 dicotomias ─ como a exposta na chamada do Espaço ─, não existem. Elas são, entretanto,
 necessárias para o nosso entendimento racional e lógico, no nível em que “atuamos”.

 É com base nas aparentes diferenciações, nas “ilusórias” dicotomias que temos tanta
 variedade de ideias, conceitos, premissas, hipóteses, teorias etc., nas mais diversas áreas
 do que é chamado “pensamento humano”. Se, por um lado, isso é enriquecedor ─ filosófica
 e culturalmente falando ─, por outro, nos condiciona mais e mais à materialidade, ao
 extremamente lógico e racional, caso não “abrirmos” aquela “bolha”, referenciada por dom
 Juan.

 Em meu entender, o Ego, é um ente quântico capaz de fazer a “ponte” entre a materialidade
 e a não-materialidade, “coletando” e “transferindo” dados energéticos para o Ser, cuja
 freqüência vibratória não é, provavelmente, “compatível”, diretamente, com a freqüência da
 pessoa/matéria e “decodificando” informações do Ser, para a estrutura mental, humana.
 Mesmo que o Ser, ele também um quantum da ENERGIA, conheça a Linguagem Universal,
 ele precisa trabalhar com sua própria Linguagem em seu próprio campo de atuação, pois
 essa Linguagem é, toda ela, desenvolvida por “diferenciações” vibratórias, a totalidade dela
 sendo de domínio da ENERGIA, mas cada quantum Dela, “conhece” essa Linguagem
 porém, trabalha com “idioma” próprio de seu campo de atuação.

 Assim, o Ser e o Ego, sendo “entes quânticos”, têm, cada um, sua linguagem vibratória de
 “trabalho”, mantendo, entretanto, uma linguagem comum entre eles para, creio eu,
 entendimento do Todo a ser realizado.

 O Ego, através da estrutura do corpo físico ─ falando, agora, da pessoa-matéria ─, e
 trabalhando com entes quânticos diferenciados que formam o conglomerado, corpo
 humano, “fomenta” experiências múltiplas para a matéria e para ele mesmo, em princípio
 dentro daquela “bolha” de dom Juan, daquela “cadeia” de Einstein, daquelas “pequenas
 caixas” faladas no Espaço 5.

 Se o próprio Ego se “deixar” envolver, além do necessário, com a materialidade e com a
 tridimensionalidade, próprias   do ambiente     terreno, não haverá      abertura para o
 conhecimento da Simbiose Matéria/Não-Matéria, Ego/Ser.




                                           170
No livro, O CAIBALION ─ que trata, especificamente, de conceitos Herméticos ─, é citado e
comentado o Princípio de Correspondência, que diz: “ O que está em cima é como o que
está embaixo, e o que está embaixo é como o que está em cima.”

Como o próprio livro ressalta, isso quer dizer que existe uma analogia, uma correspondência
─ não uma igualdade ─, entre o que está em cima e o que está embaixo.

No livro Astrologia Cabalística, de Rav Philip S. Berg, há uma citação que o autor faz de um
trecho do Zohar ─ um dos pilares do conhecimento cabalístico ─, que traz, praticamente, a
mesma essência do exposto acima. A citação é a seguinte: “Você que não sabe, mas que
mesmo assim aspira compreender, pondere a respeito do que está revelado [no mundo], e
entenderá o que está oculto... porque tudo aquilo a que o Criador deu forma corpórea foi
criado na imagem que está acima.”

O mesmo autor salienta, ainda: “A Cabala nos diz que tudo o que vemos neste mundo é
apenas um reflexo, uma aproximação, uma dica de algo além das aparências
externas.” (negrito do próprio autor)

Você pode estar se perguntando, qual a razão de citar o Princípio Hermético, no contexto
deste Espaço. Citei-o, pois acredito que através dele, será mais fácil compreender o que se
seguirá.

Em meu entender, o Ego deve ser um ente quântico a caminho do Ser. Veja, no contexto
material, da vida, uma pessoa, para usufruir de uma “posição”melhor de vida (material),
precisa passar por vários estágios de aprendizagem, aperfeiçoamento. Quanto mais “longe”
essa pessoa quiser ir, mais ela precisará conhecer/dominar diversas áreas de
conhecimento. Se assim não o fizer, ficará “subordinada” ao comum, ao “igual à maioria”,
dentro da ótica mundana; ficará fora de um espaço maior, de possibilidades.

É isso que penso do trabalho do Ego; se ele não “trabalhar” muito, não atingirá a frequência
do Ser ─ seu “Mestre Quântico”, imediato. É evidente que o Ego poderá ter mais facilidade
ou mais dificuldade em seu “caminho para o Ser”, em função dos “dispositivos” mais ou
menos aperfeiçoados, da estrutura da pessoa-matéria.

Quais “dispositivos” seriam esses e, através de qual meio eles “surgem”?

Bem, vejamos antes o seguinte: é importante observar, que assim como uma pessoa-
matéria tem maior ou menor chance de almejar crescimento dentro do sistema vigente,
chance essa diretamente proporcional ─ mas, até certo ponto, é claro ─, aos recursos
financeiros que dispõe, além de sua condição de inteligência, o Ego beneficia-se, até certo


                                          171
ponto, com essas condições, além daquelas”fornecidas” pelos outros entes quânticos que
“estruturam”, “suportam” o campo matéria, do corpo humano e que formam o contexto de
atuação direta do Ego.

Pense em um software de última geração que você precisa para trabalhar. Mas, o hardware
que você dispõe não consegue executá-lo. Nessa circunstância, você faz um upgrade da
máquina ou, compra outro equipamento.

O Ego, em meu entender, “traz” um software completo ─ e diferenciado ─ a ser “rodado” na
estrutura corpo humano, mais especificamente, na estrutura cerebral, como um todo. Se
essa estrutura não comportar a totalidade do software, evidentemente o equipamento não
poderá ser trocado mas, um “upgrade” é possível fazer, sem troca de componentes e sim,
através de novas sinapses (ligações entre neurônios), possibilidade essa descrita pela
neurologia em seu ramo específico ─ a neuroroplasticidade.

Hoje existe tecnologia avançada que permite detectar a possibilidade quase “infinita” de
novas sinapses e até, do “nascimento” de novos neurônios. Um caso, que com certeza,
seria analisado na atualidade pela neuroplasticidade, seria o do grande compositor Clássico,
Beethoven, que aos 26 anos perdeu a audição e mesmo assim, continuou compondo
maravilhas.    Se   esse   caso   tivesse   ocorrido   nos   dias   atuais,   provavelmente   a
neuroplasticidade poderia detectar novas sinapses, compensatórias, ao problema
apresentado.

Imagine então, a quantidade de novas sinapses, em grandes gênios da humanidade ─ além
daqueles que foram denominados de Iniciados ─, pois todos, acredito, para que suas
estruturas pudessem “rodar” os espetaculares softwares de “seus” Egos ─ ou, talvez, de
seus Seres ─, provavelmente tiveram, sem o saber, a ajuda da neuroplasticidade que, com
certeza, vem junto ao software “trazido” pelo Ego, para “atualizações” necessárias.

Bem, voltemos ao que deixamos pendente, ou seja, “dispositivos” necessários para que o
Ego tenha seu ”trabalho” facilitado e, através de qual meio eles “surgem”.

Quanto aos dispositivos, é mais fácil falar, pois creio que eles estão diretamente ligados à
estrutura cerebral, como um todo; bons “receptores”, bons “decodificadores”, bons
“transmissores” e, principalmente, bons “processadores”, que devem vir “informados”, creio
eu, através do DNA, em sua edição específica, para cada humano, entretanto, passíveis de
aperfeiçoamentos, como vimos.

É necessário observar que, particularmente, considero o próprio DNA ─ por motivos óbvios,
é claro ─ um Ente ou, Ser Quântico que trabalha com parte da Linguagem da ENERGIA.

                                            172
Isso é importante ressaltar, pois considero que as implicações, no todo da questão, devem
ser fantásticas!

Retornando aos “dispositivos”, resumidamente, eles devem ser aqueles que fazem parte do
hardware; portanto, conceitualmente, mais físicos. Já os “aplicativos”, como inteligência,
raciocínio lógico e outros, não tenho certeza se viriam junto aos softwares do Ego ou,
através do próprio DNA pois este, acredito, é atualizado constantemente e até,
cumulativamente, através das gerações. Sua “programação” não é “estática”, definitiva,
principalmente em relação aos “aplicativos” salientados.

Amigo leitor, para que você entenda melhor como vejo o Ego e o Ser, digo-lhes, mais uma
vez, que os considero entidades quânticas, cada uma atuando em frequências
diferenciadas “dentro” e, em perfeita consonância, com a própria ENERGIA, como um Todo.

Quanto a mim, pessoa-matéria, creio ser a parte que comporta a operacionalidade do
Sistema em questão; “operacionalizo” para o Ego, e “meus” componentes, também, em
essência, quânticos, fazem o trabalho deles, todos envolvidos na magnífica estrutura da
VIDA, da qual, a vida que se apresenta, no Planeta Terra ─ também ele um Ser Vivo! ─, é
apenas um tipo entre milhares e milhares de outros, espalhados pelo Universo, cada tipo de
vida, composto de “formas” totalmente diferenciadas e inimagináveis!

Essa “operacionalização”, dentro de todo contexto de Vida, neste Planeta é de extrema
importância; sermos “veículos” dessa “operacionalização”, permite que o Ego-pessoa,
encontre, na estrutura física humana, meios de “recepção/decodificação” de seu aparato
mental para, através desse trabalho efetuado, pela pessoa matéria chegar ao campo
receptivo/informativo, de outro Ego-pessoa.

Essa observação acima é um pouco estranha, mas ela tem fundamento. Observe os
fenômenos de Telepatia; nesse caso específico, há uma “interligação” entre os Egos-
pessoa; as mensagens “circulam”, “navegam” independentemente da estrutura corpo-físico
humano pois são duas entidades quânticas (partículas para a Ciência) que, nesse caso
específico, estão correlacionadas, por        “razões específicas”. Se fossemos, todos,
conscientemente conectados, correlacionados, os Egos (entes quânticos) não precisariam
de um sistema “operativo” como o é a estrutura física para “comunicar” seus “pensamentos”.
É no que acredito.

É muito provável que, em outros níveis/complexos de Vida, espalhados pelo Planeta e em
todo Universo, a “comunicação” não necessite “aparelhamento/mecanismo” tal qual o
temos, entre humanos.


                                           173
ESPAÇO 7 MENTE E CONSCIÊNCIA

 As questões deste Espaço 7 ─ Mente e Consciência ─, suscitam e, sempre suscitaram,
 controvérsias inúmeras e profundas. Por essa razão, trataremos delas, também, com
 extremo cuidado.

 Etmologicamente, a palavra consciência, deriva das palavras Scire (conhecer) e cum (com).
 Consciência é “conhecer com”.

 Para Amit Goswami ─ físico com Ph.D em Física Quântica, e autor de vários livros entre
 eles, Universo Autoconsciente e Física da Alma ─, a palavra Consciência implica
 “conhecimento não-local”.

 Para a Física, não-localidade é:     “ Uma influência ou comunicação instantânea, sem
 qualquer troca de sinais através do espaço-tempo; uma totalidade intacta ou não-
 separabilidade que transcende o espaço-tempo.”

 O conceito de não-localidade surgiu em função da Física Quântica, ao ser “observado” que,
 uma partícula quântica (que prefiro chamar de Ente Quântico), pode influenciar outra
 partícula (ao estarem correlacionadas), em qualquer ponto, até mesmo em distâncias
 astronômicas “lembrando”, de certa forma, a telepatia.

 Creio não ser improcedente lembrar, aqui, a frase, que também é título do livro de Richard
 Bach: “Longe é um lugar que não existe.”, pois no domínio da Física Quântica e portanto,
 no domínio da ENERGIA, o longe não existe pois tudo está em TUDO, o que torna a VIDA,
 maravilhosamente MÍSTICA!

 Você pode estar se perguntando, o que isso tudo tem a ver com o que vamos tratar neste
 Espaço 7 e que é Mente e Consciência.

 Para mim, tem tudo a ver.

 A Consciência, vem sendo conceituada de formas múltiplas, através dos milênios.

 Parte da Ciência, ainda hoje (em função de linhas de pensamento diferenciadas), considera
 a Consciência como um epifenômeno do cérebro, considerando, dessa forma (creio eu), o
 cérebro como estrutura passível de “comportar”, de “fazer funcionar” a Consciência. Há,
 também, a utilização da palavra mente, quase como sinônimo de Consciência.

 Portanto, pelo pouco, muito pouco que vimos acima, a questão da Consciência e da Mente
 é algo totalmente em aberto.


                                            174
Quando comecei a observar, a dar mais atenção àqueles pontos expostos no Espaço 1 ─
Questões Preliminares, passei a sentir maior dificuldade com algumas conceituações, entre
elas, mente e consciência. Assim, resolvi que essas duas questões seriam alocadas, por
mim, na Não Matéria, onde “orbitavam” questões que considerava ultrapassar o
entendimento racional e lógico, da forma como os concebemos.

Após a “captação” da Parte 3 do então, Ensaios sobre a Não Matéria, compreendi ─ na
extensão que me coube ─ que Mente e Consciência realmente “atuam” em conexão direta
com a Não Matéria do Ser e que, o Ego (em meu entender, contraparte “material” do Ser), é
“quem” recebe, em maior ou menor extensão, as influências dessas “atuações”.

Vamos, novamente, verificar o que diz o Caibalion neste caso, a respeito da Mente, que no
livro está em 1.0 Princípio de Mentalismo: “O TODO é MENTE; o Universo é mental.”

Ao “captar” uma parcela pequena da realidade da ENERGIA, “vi” que Ela é PENSAMENTO,
INTELIGÊNCIA E LINGUAGEM. Dessa forma, claro está que Ela é MENTE, no contexto
mais amplo possível, da palavra, e mais, muito mais além do que uma simples palavra pode
expressar e além, muito além de nosso entendimento. Essa MENTE, em maiúsculo, é, para
mim, Composto Absoluto da ENERGIA ─ PENSAMENTO, INTELIGÊNCIA E LINGUAGEM.
Assim sendo, todos os entes e seres quânticos, do Universo ─ e ele próprio ─, são Mentais.

O que poderia isso significar? Para mim, significa que eles “comportam” qualificações
mentais em acordo com o “trabalho” que executam, seja qual for o Espaço/Campo de
Universo que lhes seja “atribuído”.

Vou citar aqui, o P.16 da Parte 3, deste livro: “Seria mais fácil e simples dizer que O TODO
É ENERGIA e pronto; mas apenas isso não bastaria para nossa estrutura lógica de pensar
ser desperta, para outro nível de pensamento.

________É COM ESSA PROFUNDA LIMITAÇÃO QUE TRABALHAMOS PARA TRAZER
ATÉ A MENTE HUMANA UMA PERSPECTIVA DO QUE SEJA A REALIDADE
UNIVERSAL.”

O leitor deve lembrar, já ter sido dito que partes como essa, em que transcrevi tudo em
maiúsculo e negrito, foram partes em que a “captação” tornou-se marcante. Ao ouvir a fita,
nesses trechos a voz tornava-se bastante diferenciada, dos demais.

Um parêntese: quando ouvi a fita, pela 1ª vez, apesar de estar em total acordo com o que
ouvia, fiquei sem saber o que pensar do trecho “... QUE TRABALHAMOS PARA TRAZER




                                          175
ATÉ A MENTE HUMANA...” . Serão os entes ou, os seres quânticos que efetuam esse
trabalho? Não tenho, ainda, nenhuma “sensibilidade” de resposta, quanto a isso.

Voltando, qual a razão de ter citado esse ponto, neste Espaço sobre Mente e Consciência?

Porque percebesse, através dele, que a estrutura lógica, do “humano” precisa ser desperta
para outro nível de pensamento para, creio eu, comportar e suportar parcela da Realidade
Universal. Você não calcula a dificuldade em tentar expressar algo desse nível,
principalmente porque, pela própria condição de “nosso” nível de linguagem, precisamos, ao
utilizar esta ou aquela palavra, saber que ela está, digamos assim, “fechada” em
compartimentos relativamente estanques. Essa é uma das razões da utilização, de minha
parte, de tantos entre aspas (“”). Se pudéssemos entender, pura e simplesmente, que a
ENERGIA É, e nesse É, pudesse estar “embutido” ─ para nosso entendimento racional e
lógico ─ Pensamento, Inteligência e Linguagem, Mente ─, tudo se tornaria mais fácil de
apreensão, de compreensão; mas, infelizmente, a grande maioria de nós está, ainda,
fechada em “bolhas”, presa em cadeias, trancada em “pequenas caixas” dificultando e até,
impedindo “avançar” para outros níveis de freqüência/entendimento.

Retornando ao ponto antes da citação, considero que a mentalização do Universo e de cada
ente ou, Ser quântico, é derivante e, evidentemente, relativa à MENTE da ENERGIA.

Em nosso nível matéria, o Ego-pessoa tem seu mental, de certa forma, “ofuscado”, pela
condição relativamente “grosseira”, da matéria em contraposição à “fluidez” do nível
energético/mental. Talvez, por essa razão, tenhamos um nível de conhecimento mais
terreno; talvez, necessitemos do comprobatório e duvidemos do que assim não o possa ser,
em acordo com “testes” aplicados sobre este ou aquele fato. Temos condição de perceber
isso principalmente no campo científico; quando as coisas começam a complicar demais e
exigir aprofundamentos que vão além do que a Ciência ─ e principalmente a Física ─,
considera como seu domínio, traz imediatamente a Navalha de Occam para “exorcizar”, o
além da questão, ficando apenas com o confortável, com o que considera que está, que
cabe dentro dos limites inteligíveis, passíveis de testes e comprovações.

Mas, estamos começando a ver alterações em relação às “certezas absolutas”; os físicos
estão “atordoados” com as possibilidades quânticas, tanto que, questões como “ninguém
jamais viu um átomo”, tornaram-se quase, obsoletas.

Iniciamos este Espaço falando sobre como os conceitos de Mente e Consciência geram
controvérsias de opiniões; aprofundemo-nos um pouco mais, nessa questão.



                                           176
Roger Penrose, em seu livro ─ A Mente Nova do Rei, em sua parte 2, Capítulo Nove ─,
levanta a questão: “onde fica a consciência” e diz: Muitas opiniões diferentes já foram
expressas sobre a relação do estado do cérebro com o fenômeno da consciência. Há uma
falta notável de consenso de opinião quanto a um fenômeno de tão óbvia importância. É
claro, porém, que nem todas as partes do cérebro participam de sua manifestação.”

Ainda no mesmo livro e capítulo, Penrose comenta:            “O conhecido neurocirurgião
canadense Wilder Penfield ( que nas décadas de 1940 e 1950 foi responsável por grande
parte do mapeamento do cérebro humano), argumentou que a nossa consciência não está
ligada simplesmente à atividade cerebral. Sugeriu, à base de sua experiência em
numerosas operações do cérebro em pacientes conscientes, que uma região do chamado
tronco cerebelar superior constituído em grande parte pelo tálamo e cérebro médio (Penfield
e Jasper 1947) ─ embora se referisse principalmente à formação reticular ─ devia, de certo
modo, ser considerada o “local da consciência”.

Nesse mesmo livro, Capítulo Dez ─ Onde fica a física da Mente? ─, Penrose diz, após
questionar ─ “Para que servem as mentes?, o seguinte: “Na discussão do problema mente-
corpo há duas questões separadas, nas quais a atenção se focaliza habitualmente: “Como
um objeto material (um cérebro) pode evocar consciência?” E, inversamente, “Como uma
consciência, pela ação de sua vontade, pode influenciar o movimento (determinado, ao que
parece, fisicamente) dos objetos materiais?” São esses os aspectos passivo e ativo do
problema mente-corpo. Na “mente” (ou antes, na “consciência”) parecemos ter uma “coisa”
não-material que é, de um lado, evocada pelo mundo material e, de outro, que o pode
influenciar.”

Citamos essas duas partes para que você, leitor, observe que ainda Mente e Consciência
são tratadas, praticamente como sinônimos, principalmente no campo científico e que se
busca, ainda, no contexto estrutural físico, do cérebro, um determinado “local” onde a
consciência esteja “localizada”.

Mas, é normal que isso ocorra, principalmente em nosso lado Ocidental, já que o Oriente
traz, quase que “embutido” em sua forma de expressão, visão diferenciada sobre questões
tão polêmicas, para dizer o mínimo.

Lembremos o que, dentro de tudo que senti e vi da ENERGIA, disse neste Espaço: Essa
MENTE, em maiúsculo, é, para mim, Composto Absoluto da ENERGIA ─ PENSAMENTO,
INTELIGÊNCIA e LINGUAGEM.” Esse “composto” se espalha pelo Universo, dotando cada
ente quântico, cada ser quântico e cada composto quântico de características mentais em


                                          177
acordo com a intenção/ação a que se “destinam”. Assim pensando, creio que os entes
quânticos que compõem a estrutura do corpo humano ─ para nos atermos somente ao Ego-
pessoa    ─,     “difundem”   características     mentais   que   permeiam,   sustentam    o
funcionamento/gestão do todo ─ Corpo Humano, e o cérebro, com características “sólidas”,
com características de hardware, poderia sim, ser a estrutura mais “afinada”, mais “refinada”
para “comportar/informar” especificações mentais, próprias do composto humano e
intimamente relacionadas ao Ego-pessoa; daí, talvez, a exponencial diferenciação entre
“humanos”.

Creio que neste ponto, cabe observação sobre a importância do sistema glandular, na
estrutura humana, mais especificamente. Segundo o Esoterismo, a hipófise ─ localizada na
estrutura craniana ─, é uma das glândulas mais importantes. Juntamente com a hipófise, a
glândula pineal, também segundo o Esoterismo, determinaria possibilidade de conexões
mais avançadas.

As glândulas têm, ainda segundo o Esoterismo, correspondência com os famosos Chakras;
assim, a hipófise tem correspondência com o Chakra Frontal e a pineal, com o Chakra
Cabeça/coronário, isto para nos atermos apenas a essas duas.

Poderíamos, em conformidade com a linha de raciocínio que estamos desenvolvendo,
considerar que as glândulas, são estruturadas por entes quânticos, com especialidades
diferenciadas, de Ego-pessoa para Ego-pessoa, podendo “sustentar” conexões, altamente
diferenciadas.

Penso realmente, que Mente e Consciência “ressoam”; elas não estão “alojadas”,
“instaladas” no cérebro, como querem alguns cientistas e muito menos a consciência é um
epifenômeno do cérebro.

O que acredito acontecer é que, determinados pontos, provavelmente do “hardware”
cerebral, mais especificamente, seriam responsáveis pela “ponte ressonante”, permitindo
que a “onda” Mente e a “onda” Consciência tenham suas funções vibratórias ─ freqüências,
em física ─ “demoduladas” para a estrutura Ego-pessoa.

Portanto, para mim, Mente e Consciência nos “envolvem”, como o próprio ar, usado aqui
como metáfora para que possamos entender que, assim como não “vemos” o ar, não
“apalpamos” o ar, apenas o aspiramos e sentimentos seus efeitos em nossa estrutura
orgânica, assim, creio eu, seria com a Mente e com a Consciência.

Mente e Consciência, repito, “ressoam” na estrutura Ego-pessoa, através de uma “ponte
ressonante”; do lado de cá, da ponte, estariam entes quânticos capazes de “receber”

                                            178
“decodificar” suas Linguagens e “demodular” suas freqüências. Quem sabe esse trabalho
possa ser feito, de forma mais específica, pelos entes quânticos formadores das duas
principais glândulas já faladas ─ Hipófise e Pineal, mais especificamente.

Retomando, não podemos nos esquecer que o que torna as coisas menos compreensíveis,
às vezes, é a necessidade da utilização de nosso tipo de linguagem que nos obriga a
“proliferar” explicações, principalmente em questões que envolvem “conhecimento” através
de Sensações e posterior análise desse “conhecimento” à luz da razão e da lógica, em parte
já alteradas, em suas raízes mais “terrenas”, em razão da

Sensação, da própria “captação” de algo, cuja “freqüência existencial” é, até certo ponto,
“obscurecida” pela freqüência do campo existencial humano.

Vamos citar aqui mais um parágrafo do livro ─ A Dança dos Mestres Wu Li, de Gary Zugav:
“Agora retornemos à descoberta de Planck. Ele descobriu que a energia de um quantum de
luz aumenta com a freqüência. Quanto mais alta é a frequência, mais alta será sua energia.
A energia é proporcional à freqüência, e a constante de Planck é a “constante de
proporcionalidade” entre elas. Esta simples relação entre freqüência e energia é importante.
É o ponto central da física quântica: quanto mais alta é a freqüência, maior a energia;
quanto mais baixa a freqüência mais baixa a energia.”

Talvez possamos dizer que, quanto maior é a frequência, maior é a “fluidez” da ENERGIA.
Assim sendo, como sabemos que o composto matéria possui vibração, freqüência mais
“lenta”, mais “pesada” que o campo mental, este “precisa” adaptar-se às possibilidades
inerentes à matéria. Esses “ajustes” devem ser feitos pelos próprios entes quânticos, em
conformidade com a Linguagem da ENERGIA utilizada, por eles, em cada situação
específica, aqui ou em qualquer ponto do Universo. É no que creio.

Especificamente neste ponto, cabe citar um pensamento fantástico do mesmo Max Planck,
citado no livro Efeito Isaías, de Gregg Braden: “Toda matéria surge e existe apenas em
virtude de uma força que leva as partículas de um átomo a vibrar e manter coeso esse
diminuto sistema solar que é o átomo (...). Temos de aceitar a existência de uma mente
consciente e inteligente por trás dessa força. Essa mente é a matriz de toda a
matéria.”(negrito da autora)

Fantástico esse pensamento de Max Planck, físico alemão (1858-1947), ganhador de Nobel
em 1918, considerado precursor da Teoria Quântica.

E a Consciência?



                                           179
Lembremos, que no início deste Espaço, dissemos que, pela etimologia da palavra
Consciência, ela significa “conhecer com” e que, para Amit Goswami, a palavra Consciência
implica “conhecimento não-local”. Para o físico Goswami ─ segundo cita Fred Alan Wolf, no
Prefácio do livro O Universo Autoconsciente, do físico citado ─, “nada, exceto a consciência,
tem que ser experienciada, a fim de ser realmente compreendida.”

Segundo conceituação filosófica, experiência é “conhecimento que nos é transmitido pelos
sentidos.”

Aqui chegamos a um ponto extremamente importante da questão ─ SENSAÇÃO.

Lembra o leitor, que fizemos uma diferenciação, entre as sensações de âmbito físico-
humano e a SENAÇÃO. Essa SENSAÇÃO diferenciada é uma totalidade indizível sentida
além, muito além do físico, mas que, de certa forma, “incorporasse” no todo Ego-pessoa.
Essa SENSAÇÃO, dissemos, diferencia-se dos outros tipos de sensação pela ausência de
sinais sensíveis ao orgânico, como um todo. Tanto as sensações oriundas de coisas boas
como as originadas de processos ruins, causam esta ou aquela “interferência”, esta ou
aquela “sinalização” em algum órgão do corpo humano, ou, em sua totalidade. Essas
sensações, para mim, são as que vão “orientar” um certo nível de conhecimento, no Ego-
pessoa e contribuir para uma conscientização, primária. Tanto isso me parece real que, em
Egos-pessoa em que há certa ausência de sensibilidade, o “conhecimento” desses Egos-
pessoa fica na periferia do racional e lógico, pura e simplesmente.

Poderíamos então, avançar, dizendo que a SENSAÇÃO diferenciada, seria oriunda de um
Conhecimento Extrassensorial, entendendo Extrassensorial, claro, como além do que é
sensorial (aquilo que vem via órgãos de sentido, que na estrutura humana são reconhecidos
em número de cinco). Sendo a SENSAÇÃO, Conhecimento Extrassensorial, ela, com
certeza, será não-local e ainda mais ─ deverá ser a “roupagem” através da qual, cada Ego-
pessoa, identifica-se com Algo Maior, tornando-se perfeita e totalmente CONSCIENTE da
Magnitude do TODO.

Portanto, para mim, a SENSAÇÃO DIFERENCIADA é o sinal da Consciência Universal,
principalmente, pela condição de “infusão” no composto ─ Ego-pessoa, em sua condição
matéria/não-matéria.

E se Consciência é conhecer com, poderíamos considerar Consciência como conhecer com
Sensação, pois, conhecer com Sensação, através de Sensação, é, para mim, a única forma
do conhecimento tornar-se “infuso” no composto Ego-pessoa, favorecendo claro



                                           180
conhecimento que poderá ser considerado “saber infuso” e, dessa forma, não mais
esquecido, não mais apagado, na própria estrutura Ego-pessoa.

Pelo que tentei expor, acima, é que sinto a existência de um grande erro, ao se tentar
determinar um composto ─ cérebro/mente/consciência, em seu aspecto apenas de
“hardware”. Isso não ajudará o Ego-pessoa a abrir a “bolha”, quebrar cadeias, desmontar as
“pequenas caixas” que nos aprisionam, como já o dissemos, ao que é, em essência,
ilusório.

Por tudo que tentei expor acima, é que considero que usar os termos “consciente”,
“inconsciente” para, de certa forma, definir estrutura cerebral “ativada” ou “desativada”, em
seu aspecto de hardware, não ajuda a diferenciar exatamente o que possa ser
CONSCIÊNCIA, muito pelo contrário. Creio que em futuro próximo essas duas palavras
deverão ser mudadas para outras que digam respeito, realmente, a operações cerebrais
ativas e não ativas, ou seja, estrutura cerebral “ativada” ou “desativada” em suas funções
mais características e que determinam, até certo ponto, funcionamento do aparato orgânico,
como um todo.




                                           181
ESPAÇO 8 Um pouco, de tudo que foi visto

 Se me perguntassem se abri a “bolha”, quebrei cadeias ou, desmontei “pequenas caixas”,
 diria que não, em totalidade; talvez um “furinho”, na “bolha”; um ou dois elos da cadeia,
 quebrados; uma ou duas “pequenas caixas”, abertas.

 O que posso dizer que foi conseguido, através da trajetória, em parte exposta no Ego-
 Ciência e SerCiência, foi uma percepção mais aguçada da suposta realidade a que essas
 metáforas utilizadas por dom Juan, Einstein e por “mim”, se referem.

 Acredito que o maior “trabalho” de entes e Seres quânticos, na frequência do humano, com
 certeza deva ser alterar, em parte, essa frequência, através do trabalho direto Ser/Ego-
 pessoa, através da estrutura ─ corpo físico. Sem a estrutura física, específica, não haveria,
 provavelmente, condições para o desenvolvimento do “trabalho” efetuado pelo Ser sobre o
 Ego-pessoa. Em contrapartida, o Ego “precisa” contar com a estrutura quântica do corpo-
 matéria, para “perceber”, ”conhecer”, “sentir” e, é claro, “obter” consciência das diferentes
 faixas vibratórias, das diferentes frequências aqui mesmo, encontradas.

 O Ego-pessoa de Maria do Rocio, contou com a expressividade de dois Egos-pessoa ─ um
 deles às portas do Ser ─ que, conscientes da importância da VIDA, envolveram o “novo”
 Ego-pessoa (“eu”), em uma atmosfera de confiança na Vida, de admiração pelo TODO, de
 responsabilidade pessoal, e principalmente, incentivo aos questionamentos. Foi para dar
 uma pequena amostra do que expus acima, que coloquei, na abertura deste livro, palavras
 de minha mãe que permanecem, até hoje, gravadas nas páginas do álbum ─ e na estrutura
 quântica do Ego-pessoa (“eu”) ─, álbum esse que me foi dado aos 7 anos, completados em
 05.02.51. Como “coincidências” não existem, da forma como pensamos sobre elas, essas
 palavras, repassadas ao Ego-pessoa exatamente aos 7 anos (terrenos), vieram revestidas
 de alta significação, tenho certeza.

 Apesar de frisar sempre que a lógica e a racionalidade eram muito fortes, em “mim”, havia
 uma sensibilidade grande, principalmente em relação a toda Natureza e ao próprio Planeta
 Terra, o que fez despertar um Amor imenso pelo “Sistema Terra”, além da certeza absoluta
 da existência de “Algo” que tudo havia criado e, isso foi sentido, desde tenra idade.

 Situações religiosas vivenciadas por “mim”, fora do contexto familiar ─ onde a amplitude de
 visão era significativa ─, criaram desconfiança profunda em relação aos próprios conceitos
 da religião instituída. Uma dessas situações foi narrada na Parte 2; outras, de maior



                                             182
relevância, prefiro mantê-las confinadas à “clausura”, única e exclusivamente em respeito
aos que ainda mantêm crença maior em instituições, puramente humanas.

Creio, entretanto, que os caminhos estavam sendo preparados para que a procura do Ego-
pessoa ─ dentro do espaço terreno ─, em relação ao TODO ABSOLUTO e
INCOGNOSCÍVEL, acontecesse através de outro caminho ─ o Místico/Científico. E foi o que
aconteceu.

Não estranhem a colocação da “procura do Ego-pessoa”, no parágrafo acima; mesmo o Ego
sendo um ente quântico (em meu entender, é claro), ele “busca” por frequências que o
aproximem, o máximo possível, da FONTE, da ORIGEM, justamente por estar em atuação
em campo energético diferenciado.

Continuando.

Por parte da Mística, considerei extremamente importantes o Caminho de BUDA e o
Caminho de CRISTO. Tenho, para mim, que o ESTADO DE BUDA ─ porque BUDA não é o
Ego-pessoa de Sidarta Gautama e sim, uma freqüência energética “disseminada” no
Planeta Terra para evolução do Raciocínio Lógico daqueles Egos-pessoa que conseguirem
“ressonância” energética profunda, com o Estado/Caminho de BUDA, através do raciocínio
e da lógica, claramente diferenciados, “sutilizados”.

O Ego-pessoa, Sidarta Gautama, creio eu, deve ter trabalhado com o racional e o lógico em
suas formas transcendentais, em perfeita consonância com grande parte dos pensamentos
oriundos da Índia, oriundos do “lóbulo oriental”, do Planeta.

De tudo que li sobre Sidarta Gautama, algo acentuou-se mais, tendo inclusive feito menção
na Parte 2. Trata-se de uma frase de Gautama, após revelar o Ser e atingir o ESTADO DE
BUDA e que é, para mim, grande Verdade: “Existem dois extremos dos quais aquele que
vive religiosamente deve afastar-se. Um, é uma vida toda voltada à sensualidade e ao
prazer; isso é desprezível, grosseiro e vão. O outro, é uma vida de mortificações; este é
doloroso e inútil.”

Duas importantes observações cabem aqui, em relação ao Budismo, ambas constantes do
livro ─ Treine a mente/Mude o cérebro, de Sharon Begley: “Quatro temas são comuns ao
budismo, em sua melhor forma: racionalidade, empirismo, ceticismo e pragmatismo” e “... o
budismo não culmina na fé, como nas tradições abraâmicas. Culmina em percepção”. Essas
duas citações são de Alan Wallace, estudioso budista.




                                            183
Creio que neste ponto poderemos dizer que a Fé verdadeira, é fundamentalmente
Perceptiva, e não apenas, superficialmente “sentida” ou, pregada; ela não vem do exterior;
ela brota do interior daquele que “sente” ressonância com parte da Linguagem da
ENERGIA, seja ela qual for.

Quanto a Jesus, o Nazareno, fez-me ver e detectar, em passagens bíblicas com as quais
sintonizei-me, quatro grandes verdades, todas relativas ao Estado Crístico:

CRISTO Ciência: “EU SOU”

CRISTO Religião: “Amai-vos uns aos outros”

CRISTO Místico: “Eu e o Pai somos uma só coisa.”

CRISTO Metafísico: “E transfigurou-se diante deles, de sorte que o seu rosto brilhou como
o sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz” Mateus-Vers.17, 1-2

Vou me permitir dizer algumas coisas a mais, sobre como penso a respeito da maravilhosa
figura de Jesus, tirando esses pensamentos de palavras, que através de Sensação, alcancei
certeza de que realmente foram ditas por ele, pois nem tudo que dizem ter sido dito por ele,
provavelmente o foi, assim como coisas outras que ele possa ter dito, foram omitidas e/ou
truncadas.

Um pensamento é a respeito do que acima está vinculado ao CRISTO Místico; veja que
Jesus não diz que ele e o Pai são uma mesma pessoa e sim “uma só coisa”. Creio que essa
coisa seja ─ ENERGIA.

Jesus também disse algo muito importante, que me fez ver que a fé não pode ser cega, na
passagem ─ O maior mandamento: “Quando os fariseus souberam que Jesus fizera calar
os saduceus, juntaram-se em bloco. E um deles, doutor da Lei, perguntou, para o testar.
“Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?” Jesus lhe respondeu: “Amarás o Senhor teu
Deus com todo o coração, com toda alma e com toda a mente. Este é o maior e primeiro
mandamento. Mas o segundo é semelhante a este: Amarás o próximo como a ti mesmo.
Destes dois mandamentos dependem toda Lei e os profetas.” Veja que Jesus se refere a
amar a Deus, também “com toda a mente.”

É interessante prestar atenção ao que Jesus diz, no início de sua resposta: “Amarás o
Senhor teu Deus...”(negrito da autora)

Quanto a Transfiguração, creio ter sido a 1ª demonstração visual do Corpo de Luz, no
campo Ocidental, do Planeta.



                                           184
Citarei aqui, algo que li no livro ─ Las Claves de Enoc (As Chaves de Enoque) de J.J.
Hurtak ─, constante da Clave 3.1.6-57: “Cuando contemplas um “Ser Íntegro de Luz” estás
em La presencia de corpúsculos mecânicos quanta de Luz como em La apariencia del fulgor
de um relâmpago.”

No momento da Transfiguração, os apóstolos presentes, devem ter tido percepção
aumentada e ajustada para “suportar” a magnífica visão do “Ser Íntegro de Luz ─
CRISTO, na “figura” de Jesus, tão conhecida por eles.

Talvez possamos lembrar dom Juan e dizer que o ponto de aglutinação, de cada apóstolo
presente, foi movido para ampliar a percepção.



Creio ser interessante observar que o Versículo 17, de Mateus, referente à Transfiguração
de Jesus, pode ser considerado consequência do que foi dito, por Jesus, ao final do
Versículo 16: “eu vos garanto que alguns dos que aqui se encontram não morrerão antes
de verem o Filho do homem vir em seu reino.” E eis o Vers.17, em seu princípio: “Seis dias
depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e os levou a sós para um
monte alto e afastado. E transfigurou-se diante deles. ...”

Na Parte 3, deste livro, narrei, que por duas vezes “captei” a Imagem de Luz relativa a
Jesus, O CRISTO. E aqui quero lembrar, que o que “soava” quando essa Imagem surgia,
era de que a imagem conhecida e utilizada aqui no Planeta para “lembrar” a figura de Jesus
─ que é a imagem de Jesus Crucificado ─, não foi a escolha certa, provavelmente pelas
“conexões” deturpadas que ela, com certeza, provocou e provoca.

Após ter “captado” o acima referenciado, comecei a prestar mais atenção, principalmente
em crianças, que ao verem essa imagem, normalmente franzem a testa, como quase toda
criança faz, quando algo as desagrada. Quais serão as “conexões” que se formam nessa
pequena “estrutura quântica”, frente a essa imagem?

Vejamos o que José Arqüelles, em seu livro ─ Fator Maia, diz sobre símbolo, pois a imagem
de Jesus Crucificado, é um símbolo: “O que é um símbolo? Um símbolo é uma estrutura
ressonante, a reverberação de uma qualidade específica radiante que assume uma forma
para nossos sentidos. Obviamente, nossas faculdades sensoriais possuem a capacidade de
perceber uma forma, isto é, os órgãos do sentido funcionam como receptores reverberantes.
Como se fossem diferentes estações de radar, os sentidos recebem continuamente o influxo
de formas de onda ressonantes que abrangem o nosso universo. É função da mente fazer



                                            185
com que os símbolos ou estruturas ressonantes acusadas por nossas faculdades sensoriais
“tenham sentido” (negritos da autora)

Mediante o acima, qual será o sentido que uma criança pode apreender da imagem em
questão e qual poderá ser o reflexo futuro dessa apreensão, quando observamos que
muitas delas, ao vê-la, demonstram desagrado, muitas vezes, até, desviando o olhar? Aliás,
qual humano sensível poderia sentir algo alegre, descontraído, leve e, até mesmo
transcendental, ao vê-la?

Senti necessidade de estender-me um pouco mais nesta parte, por considerá-la importante,
pois o que penso, especificamente de Jesus, nada, absolutamente nada tem a ver com
religião instituída e sim, com a certeza que tenho de que Grandes Iniciados estiveram
neste Planeta e aqui “deixaram”, “ativaram” frequências energéticas que podem ser
alcançadas mediante trabalho como o da EgoCiência e SerCiência, por exemplo.

Particularmente, penso que Jesus aprofundou-se no Conhecimento ─ talvez o Esotérico,
podendo ser imaginado como um Homem de Conhecimento ─ na extensão máxima da
palavra ─ denominação essa que poucos, muito poucos tiveram mérito suficiente, para
recebê-la. Quem sabe, por essa razão, Jesus foi “visitado”, saudado pelo três reis magos
que lhe trouxeram ouro, incenso e mirra ─ altamente significativos, por sinal ─ pois, um
Homem de Conhecimento, traz a MAGIA do Incognoscível “incrustada” em sua natureza
quântica.

Assim, para mim, Jesus mostrou que o Conhecimento pode ser uma das “pontes” para o
“desconhecido” de nós, enquanto Sidarta Gautama utilizou-se do racional e lógico,
“sutilizados”, demonstrando, para os que conseguem perceber, que eles podem ser outra
das pontes para o “desconhecido”, de nós.

Ainda expondo sobre o Místico/Científico, do caminho percorrido, sinto-me sinceramente
agradecida ao que aprendi através do Candomblé e explico a razão.

Lembra que disse amar a natureza por inteiro, desde criança? Pois bem, o Candomblé
trabalha com seres da natureza, portanto, com a Energia inerente a cada um deles. As
folhas, o mar, os rios, as plantas, árvores, animais enfim, tudo que se relaciona ao natural
faz parte desse credo, cuja origem, é a maravilhosamente ancestral ─ ÁFRICA, e os Orixás,
tão conhecidos, são as denominações dadas às forças energéticas desses seres da
Natureza, todos quânticos, pois são Pura Energia. Há, no Candomblé, a alegria da
Natureza; os cantos, as danças, as roupas, os dialetos, tudo desperta a mais profunda
emoção, pura e natural, principalmente quando a pessoa tem a sorte de encontrar locais


                                            186
em que a ética, sabedoria e responsabilidade são os alicerces dos trabalhos desenvolvidos,
o mesmo valendo para qualquer instituição religiosa ou, de qualquer outro nível, pois é
sempre questão de “sorte” encontrar ética e responsabilidade nas pessoas que as
representam. Felizmente, tive essa sorte!

Creio que exatamente aqui é o momento oportuno para vermos algo que sempre foi (e ainda
é), motivo de inúmeras discussões e literaturas sobre: ─ O Bem e o Mal.

Serei breve, dizendo, em princípio, que A ENERGIA é o CAMPO TOTAL de tudo que se
possa pensar. Assim, a Linguagem da ENERGIA pode ser “trabalhada” por quem entende
um pouco dela, em direção do Bem ou do Mal. Além disso, tanto um quanto o outro,
permitem trabalho com frequências energéticas e, assim sendo, são possuidores de “poder”
energético e “despertam” sensações tanto nos emissores dessas freqüências quanto
naqueles a quem essas frequências (normalmente em forma de pensamento), são
direcionadas.

Você, leitor, deve ter observado, que tratamos do bem e do mal que são, em princípio,
“escolhas” de cada Ego-pessoa.

Quanto ao mal que assola a humanidade, como um todo ( em variados níveis), o próprio
Planeta Terra, a Natureza, foi e é uma questão de consequência lógica da inobservância
das próprias leis naturais, da “cegueira” de grande parte da humanidade e do querer
ter/possuir, de cada Ego-pessoa. Assim, para mim, BEM OU MAL não são “determinações”
da ENERGIA; não são “prêmios” ou “castigos” impostos, mas simples consequência das
ações de Egos-pessoa, de forma particular e/ou em pequenos, médios ou grandes grupos,
seja qual for o campo de atuação.

Outros caminhos místicos apresentaram-se, de forma maravilhosa, entre eles o do
Misticismo Oriental, vasto ao extremo, profundo, lógico, transcendente. Dentre todos, o
Taoísmo “realizou-se”, em mim, de forma amena e positiva. Citarei aqui, o que Fritjof Capra,
em seu livro ─ O Tao da Física, resumidamente, fala sobre o Taoísmo: “O Taoísmo, por
outro lado, volta-se primariamente para a observação da natureza e a descoberta do Tao. A
felicidade humana, segundo os taoístas, é alcançada quando os homens seguem a ordem
natural, agindo espontaneamente e confiando em seu próprio conhecimento intuitivo.”
(negrito da autora)

Como acredito, profundamente, na observação da natureza, na ação espontânea e,
principalmente na Intuição, é que o Taoísmo encontrou profunda ressonância em minha
estrutura quântica.


                                            187
É de suma importância que fale, também, sobre as obras de Castaneda. A figura mágica de
dom Juan Matus ─ o nagual ─, que Castaneda teve a felicidade de “encontrar”, tocou em
profundidades inimagináveis em “meu” ente quântico e, curiosamente, entendi em
profundidade o que meus pais “ensinaram” sobre ver e ouvir além do que vejo e ouço, pois
dom Juan “conceituava” ver como algo diferente de apenas olhar. Em uma passagem do
livro de Castaneda ─ Porta para o Infinito, dom Juan diz a Castaneda:



─ “Você viu através daquele homem ─ disse ele. Isso foi ver. Ver é assim. As declarações
são feitas com muita certeza e a gente não sabe como acontece...”

Veja que interessante o paralelo entre o místico e o científico. Em uma passagem do livro de
Roger Penrose ─ A Mente Nova do Rei, na parte 2, do Capítulo 10 (Onde fica a física da
mente), ele diz: “A verdade matemática não é alguma coisa que comprovamos
simplesmente pelo uso de um algoritmo. Creio também que a consciência é um elemento
crucial em nossa compreensão da verdade matemática. Devemos “ver” a verdade de um
raciocínio matemático para nos convencer de sua validade. Esse “ver” é a própria essência
da consciência. Quando nos convencemos da validade do teorema de Gödel, não apenas o
“vemos”, mas ao fazê-lo revelamos a própria natureza não-algorítmica desse “ver” o próprio
processo.” (negritos da autora)

Incrível esse paralelo, não é verdade? Ambos falam em um ver diferenciado, que
ultrapassa, em muito, o ver comum; ambos conectaram-se a esse ver diferenciado, algo que
lembra, evidentemente, a famosa “abertura do 3º olho” estudada, em profundidade, pelo
Esoterismo.

Em meu caso específico, o que meus pais “ensinaram”, é que devemos ir além da simples
aparência de uma pessoa, mais especificamente; deve-se prestar atenção ao conjunto e ao
fazê-lo conseguimos penetrar um pouco mais no âmago daquela pessoa, passando a
“conhecer” algo de mais interno do que a figura mostra, até mesmo por seus gestos,
maneira   de   olhar.   Também    é   importante   o   que   eles   ensinaram   sobre   ouvir
diferenciadamente; o tom de voz, as palavras utilizadas, a entonação desta ou daquela
frase, tudo pode esclarecer, de forma mais objetiva, se aquela pessoa que fala, fala
coerentemente com o que pensa, ou se camufla, escamoteia seus pensamentos. É evidente
que esse ver e ouvir, diferenciados, vão permitir uma abrangência e apuro de análise a
respeito, inclusive, de nós mesmos, abrindo um campo de percepção bem maior do que
apenas ver e ouvir.


                                          188
Pensando bem, esse ver e ouvir, diferenciados, podem bem ser duas das mais importantes
“ferramentas” da Intuição.

Voltemos.

Interessante que os caminhos místicos sempre impulsionaram minha tendência ao
científico, mesmo porque, vejo que grandes Místicos, de passado muito remoto, falaram
sobre pontos em que hoje, a Ciência (e principalmente a Física), conceitua como não-locais,
pontos em que as teorias físicas encontraram limites, no aqui/local, independentemente da
Navalha de Occan. Veja, por exemplo, o que o grande David Bohm diz, na seguinte
passagem do livro ─ Diálogos com cientistas e sábios, de Renée Weber: “Está implícito que
a fonte última é imensurável, fora do alcance de nosso conhecimento.” Lembremos que
David Bohm foi um dos maiores físicos do século/milênio passado (1916-1992), e não o que
se pensa que essa frase poderia identificar ─ um Místico; entretanto, quem pode saber se
não o foi?

Outra passagem, de parte do diálogo Weber e Bohm ( do mesmo livro acima citado,), sobre
momentos especiais de percepção:

Weber: ─ “Tal deve ser o denominador comum entre o místico e o cientista. É como se, num
dado momento, o véu da natureza se rasgasse para eles.”

Bohm: ─ “O véu da mente. A mente fica presa às coisas que toma como verdadeiras. A
mente comum, de energia inferior, passa pelas coisas sem se desvencilhar dos velhos
postulados. A energia superior, entretanto, dissolve o véu para que a mente possa atuar
num outro nível.”

Esse “véu da mente”, exposto por Davi Bohm, não lembra a “bolha” de dom Juan, a cadeia
de Einstein? Outro grande paralelo entre dois cientistas fantásticos, e um “homem de
Conhecimento” ─ dom Juan Matus, o Nagual das obras de Castaneda.

É interessante como as coisas têm uma ligação. Lendo o mais recente livro do excelente
Nilton Bonder ─ Tirando os sapatos ─, observei mais uma metáfora para enfatizar a
necessidade de ultrapassarmos conceitos enraizados, em nós, aos quais, muitas vezes,
sequer prestamos atenção em quão estão “grudados” em nós, e o quanto nos separam de
outras pessoas e suas experiências. Tirar os sapatos teria a mística de nos fazer sentir a
terra, o chão que é igual para todos desde os pés descalços até aos que usam sapatos de
pelica. Sem tirar os sapatos, permanecerá a ilusória diferenciação cultural/social/econômica;
não conseguiremos ver que, apesar dela existir, no âmago ela é totalmente ilusória, ridícula,



                                           189
sem chão. A existência dessa diferenciação, em termos de Ego-pessoa, não poderia ser
interiorizada, como o foi, desde o princípio.

Tirar os sapatos não deixa de ser, também, e até certo ponto ─ dentro ainda do trabalho da
EgoCiência ─, o mesmo que abrir a “bolha”, de dom Juan, quebrar cadeias, de Einstein,
descerrar o véu da mente de David Bohm, e isso é maravilhoso!

Algo do mesmo gênero, e muito interessante, li no livro de Hwee-Yong Jang ─ Projeto Gaia
2012. Fala sobre uma “expressão bem conhecida na Coréia que se refere à percepção
limitada de um mundo muito maior”, expressão essa que é “sapos num poço”. “O sapo que
nasce num poço só conhece a vida nesse poço e nunca suspeita que exista alguma coisa
fora dali que ele não possa perceber”



Vimos, até aqui, um pouco da possível futura junção da Ciência com a Mística, coisa que,
em passado remoto, já se mostrou possível, pois Místicos, Homens de Conhecimento,
Iniciados, Alquimistas, Poetas vislumbraram e falaram sobre coisas que hoje, a Ciência ─ e
mais especificamente a Física ─, começa a questionar, dentro de “seu” campo de atuação,
possibilidades outras, além daquelas que, até pouco tempo, consideravam como únicas e
definitivas.

Não é sem tempo, pois se até o átomo, que tratamos como algo “concreto”, que muitos
pensam já ter sido visto, tamanha a intimidade com que se ouve falar dele, é hipotético ─
“Isto nos causa uma sensação de desconforto porque nos lembra que os átomos, de
qualquer maneira, nunca foram coisas “reais”. Os átomos são entidades hipotéticas
construídas para tornar inteligíveis as observações experimentais. Ninguém, pessoa
alguma, jamais viu um átomo. Não obstante, estamos tão acostumados à idéia de que um
átomo é uma coisa, que nos esquecemos de que é uma idéia. Agora nos é dito que não
somente o átomo é uma idéia, senão que é uma idéia que nunca poderemos representar.”
Trecho extraído do livro A Dança dos Mestres Wu Li, de Gary Zugav ─ Parte:           Meu
Caminho/O papel do “eu”.

No final dessa mesma parte, do trecho acima citado, a frase de Gary Zugav é a sequinte:
“Se a nova física nos conduziu a alguma parte, foi ao encontro de nós mesmos, que é
certamente o único lugar para o qual poderíamos ir.”

Lembra do “Embrionar-se”?




                                            190
Foi especificamente a Física Quântica que veio trazer a mensagem para abertura de
horizontes até então, apenas experienciado pelo Místicos, pelos Homens de Conhecimento
─ Magos, pelos Alquimistas, pelos Iniciados, que adentraram em suas constituições
quânticas e de lá trouxeram partes do CONHECIMENTO.

Essa é uma das razões que me faz acreditar, profundamente, na verdade que Einstein
“revelou” com a seguinte frase em carta escrita a Max Born: “... mas estou convencido de
que Deus não joga dados.” Realmente, em meu entender ─ e pelo pouco que “captei” ─,
em hipótese alguma a ENERGIA deixa de SABER exatamente o que FAZ, como FAZ e, por
que FAZ.

O pouco, muito pouco que vi, foi de extrema importância. Vi, que a estrutura quântica,
corpo humano e o “eu” nominal, terreno é a contraparte Matéria da Não Matéria que
simplesmente É. Disso resulta, creio eu, a profunda importância da pessoa e também, sua
“insignificância”, conclusão a que se chega apenas e tão somente através da SENSAÇÃO.

Creio que aqui, após o acima, cabe explicar a utilização, em grande parte dos textos, das
palavras eu e meu, entre aspas(“”); “eu” não sou, mas “preciso”, através de abstração
máxima do Ego-pessoa ─ de racional e lógico terrenos ─, dar vazão à Mente Racional e
Lógica Transcendente que, se FAZ local mas, que É não-local.

Saindo do “eu”, pelo menos em parte, consegue-se uma liberdade indescritível. Eis uma
frase do padre Bede Griffiths, constante do livro Diálogos com Cientistas e Sábios ─ várias
vezes citado: “Há um outro ponto: para sermos espiritualmente livres, não podemos nos
prender a nada. Podemos usar as coisas, mas não nos ligar a elas.”

Antes de encerrarmos o EgoCiência e SerCiência, faz-se necessário, entre outras coisas,
repetir que como corpo físico, como matéria, considero ser, apenas e tão somente, a parte
“operacional” de um Sistema simplesmente FANTÁSTICO, que abrange o Macro ─ o
Universo e todos os sistemas “secundários” existentes nele, bem como o micro ─ entes
quânticos (denominados partículas, pela Ciência), que “estruturam” as mais diferenciadas
formas de “apresentação” da ENERGIA, tanto no Planeta Terra quanto em qualquer ponto
do Universo. Esse Sistema, ao qual gostaria de denominar de SISTEMA VIDA, é todo ele
engendrado pela ENERGIA, através de Seu PENSAMENTO; estruturado, através de Sua
INTELIGÊNCIA e disseminado, através de Sua magnífica LINGUAGEM e nada,
absolutamente nada, está fora desse Sistema aqui, ou em qualquer outro ponto do
Universo.




                                          191
O SISTEMA VIDA abrange tudo, mas, cada Subsistema Vida tem suas próprias
características que são especificadas pela Linguagem e por ela informadas, através dos
Entes e Seres quânticos.

Qual a diferença que vejo ser possível entre Entes e Seres quânticos? Para mim, é
simplesmente uma questão de qualidade de informação e, consequentemente, finalidade
específica. O que tento dizer com isso é que, cada ente quântico, sozinho ou em
combinação com outro(s) tem a linguagem informativa totalmente em acordo com o que
deverá ser desempenhado por ele(s), em contextos específicos. A isso chamo qualidade de
informação. O mesmo acontece, creio eu, com o Ser Quântico, com a única diferença que
o Ser “trabalha” de forma individual, ou seja, ele é único em cada “atividade” que
desempenha. É único em qualidade de informação e finalidade.

Talvez, exista uma “evolução” energética de Entes e Seres Quânticos; se assim for, torno a
repetir que o Ente quântico-Ego, pode ser um protótipo do Ser, até que ele, o Ente quântico-
Ego tenha “disponibilizado”, em seu espectro energético, tudo que sua linguagem
suportar/comportar em termos de experiências diretamente ligadas a frequências
energéticas diferenciadas, neste Subsistema, ou em qualquer outro em que venha a atuar
ou, tenha atuado.

Não podemos nos esquecer que a própria estrutura, corpo físico, é um subsistema Vida que
comporta inúmeros subsistemas que, para o entendimento da Ciência, são chamados, por
exemplo, de Sistema Respiratório, Sistema Circulatório, Sistema Digestivo etc..

A multiplicidade de subsistemas Vida é praticamente impossível dimensionar; só aqui no
Planeta Terra são incontáveis; imaginemos então, todo o Sistema Solar, a Galáxia e os
demais campos energéticos do Universo, tudo “estruturado” por Entes quânticos que são
orientados pela Magnífica LINGUAGEM DA ENERGIA.

Estamos quase terminando este volume do EgoCiência e SerCiência-Ensaios. Muitas coisas
pensadas, ainda encontram-se “flutuantes”, aguardando por informações “sentidas”.

Outras tantas mais, não abordamos neste, como por exemplo, razão, lógica; entretanto creio
ser possível admitir que razão e lógica, da forma como as conhecemos, são importantes
para subsidiar o pensamento humano em questões práticas tanto que, seus “postulados”
oferecem parâmetros exclusivamente ligados à materialidade, ao que é passível de
comprovação. Fora isso, as conceituações irracional e ilógico, são imputadas a tudo que
extrapolar as “possibilidades” previsíveis do “instituído” como racional e lógico. É o que
penso, em princípio, sobre Razão e Lógica, sem que essa forma de pensar, possa denegrir


                                           192
seus conceitos, pois a validade delas é o aqui/agora terrenos; o grande salto a ser feito é
“sutilizá-las”, o que foi feito, com perfeição, pelos grandes Iniciados, pelos Homens de
Conhecimento, pelos Místicos, por grandes poetas cujas poesias ─ muitas delas ─
extrapolaram o pensado de forma racional e lógica, comumente estabelecidas. O “foco” de
iluminação do racional e lógico sutilizados, extrapola, amplia, em muito, o até certo ponto,
limitado racional e lógico estritamente ligados à materialidade. O racional e lógico
“sutilizados” são transcendentes; permitem uma associação, extremamente positiva, entre
Ego e Ser, envolvendo o Ego com lucidez e abrangência, libertando-o das “amarras”, dos
preconceitos, da submissão ao estritamente material.

Estamos encerrando o EgoCiência e SerCiência e, na última página, gostaria de deixar
registrada uma pequena prece “captada” por mim, nos últimos minutos do dia 31 de
dezembro de 2005, durante permanência em um quarto de hotel para, solitariamente, dar
boas-vindas ao Novo Ano.




                                          193
“ Prece do Milênio”
 “ Senhora de Luz Divina

 Conceda-nos a graça divina

 Da cura física, espiritual, mental e emocional.

 Senhora de Luz Divina

Ilumine e esclareça a humanidade

Proteja e abençoe toda Natureza e o Planeta Terra.

           Que assim seja,

         Senhora de Luz Divina”




                                 194
Bibliografia referente à Parte 4

 ARQÜELLES, José. O Fator Maia. Editora Cultrix
 BEGLEY, Sharon. Treine a mente, mude o cérebro. Editora Fontanar
 BOHM, David. A totalidade e a ordem Implicada. Editora Cultrix
 BRADEN, Gregg. Efeito Isaís. 1ª Edição Editora Cultrix
 CAPRA, Fritjof. O Tao da física. 1ª Edição Editora Cultrix
 CASTANEDA, Carlos. Uma estranha realidade. 1ª Edição Editora Nova Era
 CASTANEDA, Carlos. Viagem a Extlan. 1ª Edição Editora Nova Era
 CASTANEDA, Carlos. Porta para o infinito. 1ª Edição Editora Nova Era
 CASTANEDA, Carlos. O presente da águia. 12ª Edição Editora Nova Era
 CASTANEDA, Carlos. O fogo interior. 8ª Edição Editora Nova Era
 CASTANEDA, Carlos. O poder do silêncio. 11ª Edição Editora Nova Era
 CASTANEDA, Carlos. O lado ativo do infinito. 1ª Edição Editora Nova Era
 CHARPAK, Georges & OMNÈS, Roland. Sejam sábios, tornem-se profetas. Ed. Best Seller
 EISEN, William. A Cabala da Astrologia. Editora Madras
 GOSWAMI, Amit. O universo autoconsciente. 3ª Edição Editora Rosa dos Ventos
 GOSWAMI, Amit. A física da alma. 2005 Editora Aleph
 GUITTON, Jean. Deus e a Ciência. Editora Nova Fronteira
 JANG, Hwee-Yong. Projeto Gaia 2012. Editora Pensamento
  KURTAK, J.J. Las Claves de Enoque. 1982 Edição espanhola ─ La Academia para La
 Ciência Futura
 O CAIBALION Editora Pensamento
 PENROSE, Roger. A mente nova do rei. Editora Campus
 RUYER, Raymond. A gnose de Princeton. Editora Cultrix
 WEBER, Renée. Diálogo com cientistas e sábios. 9ª Edição Editora Cultrix
 ILBER, Ken. O paradigma holográfico. Editora Cultrix
 ZOHAR, Danah. O ser quântico. 5ª Edição Editora Best Seller
 ZUKAV, Gary. A Dança dos Mestres Wu Li. Editora ECE




                                             195

Egociencia - Livro 01 / 02

  • 1.
    EgoCiência e Serciência Ensaios Auxílio à busca do SER, busca essa, inscrita no DNA Cósmico- Terreno, de cada animal humano. Autoria: Maria do Rocio Macedo Moraes Curitiba – PR - Brasil 1
  • 2.
    Para download livre. Informaçãoimportante: O livro EgoCiência e SerCiência ─ Ensaios (bem como o EgoCiência e SerCiência ─ Em busca de conexões Quânticas) foi encaminhado à AMORC, como doação e guarda, do mesmo. 2
  • 3.
    Profundos agradecimentos a: EloáMacedo Moraes e Vinicius Mossurunga Moraes, meus “compositores” por terem me ensinado a ver e ouvir além do que vejo e ouço. Cleidi, pela sua profunda afeição e despreendimento. Gil, pela ponte através da qual cheguei ao outro lado. 3
  • 4.
    Sempre senti comose minhas moléculas estivessem confinadas a um espaço muito pequeno, materialmente falando. Percebia suas agitações, suas turbulências, quase ao ponto de explosão. Então, pouco a pouco, fui aprendendo a liberá-las além de mim; sobreveio, então, a paz e o bem-estar físico e mental. Ofereço este livro a todas as pessoas que, como eu, sentem suas moléculas “gritando” por mais espaço. 4
  • 5.
    “À querida filhinhaMaria do Rocio, ofereço este álbum para que nele guardes as tuas melhores recordações. Querida Filha: Tendo Deus ─ como único Bem a vida ─ como meio a virtude ─ por sustentáculo, Olha teu futuro, amando sempre a virtude; Entra na vida! Sorri! Caminha! Lembrando-te sempre destas palavras que tua mãe escreveu, creia sempre que a verdadeira grandeza está na virtude e não no êxito dos negócios ou de uma carreira, porque os bens do mundo são inconstantes e podes perdê-los, ao passo que os bens acumulados em ti mesma, a custa de aperfeiçoar-te no saber e na dignidade, nenhuma força conseguirá destruí-los! Tua mãe que muito te quer. Eloá. Curitiba, 29-5-1951” Tomei a liberdade de iniciar este livro com palavras de minha mãe, ao dar-me de presente um álbum, quando de meus 7 anos, completados em 05/02/51. A página desse álbum está comigo até hoje; as palavras estão gravadas na estrutura quântica do Ser. 5
  • 6.
    SUMÁRIO PRÓLOGO................................................................................................................................. 10 EGOCIÊNCIA E SERCIÊNCIA ENSAIOS PARTE 1 ESPAÇO 1 EXPLICAÇÕES PRELIMINARES .......................................................................... 13 ESPAÇO 2 MUNDO ................................................................................................................. 16 ESPAÇO 3 NÃO MUNDO........................................................................................................ 17 ESPAÇO 4 VIDA .................................................................................................................... 18 ESPAÇO 5 NÃO VIDA............................................................................................................ 19 ESPAÇO 6 MATÉRIA ............................................................................................................. 20 ESPAÇO 7 NÃO MATÉRIA ..................................................................................................... 21 ESPAÇO 8 ESPAÇO E TEMPO............................................................................................. 22 ESPAÇO 9 NÃO PENSAR ...................................................................................................... 23 ESPAÇO 10 CONSIDERAÇÕES SOBRE ESTÁGIO E ESTADO ........................................... 24 ESPAÇO 11 O AGORA ........................................................................................................... 25 ESPAÇO 12 A PERFEITA COMPOSIÇÃO ............................................................................. 26 ESPAÇO 13 O TEMPO, PASSA? .......................................................................................... 28 ESPAÇO 14 “VIAGEM” À NÃO MATÉRIA............................................................................... 29 ESPAÇO 15 SENTINDO A NÃO MATÉRIA ............................................................................ 30 ESPAÇO 16 “RUÍDOS” DO SILÊNCIO ................................................................................... 31 ESPAÇO 17 CHOQUE DICOTÔMICO .................................................................................... 32 ESPAÇO 18 DE ONDE VIM? PARA ONDE IREI? ................................................................ 33 ESPAÇO 19 PENSARES 1 ..................................................................................................... 34 ESPAÇO 20 PENSARES 2 ..................................................................................................... 35 ESPAÇO 21 PENSARES 3 ..................................................................................................... 36 ESPAÇO 22 PENSARES 4 .................................................................................................... 37 6
  • 7.
    ESPAÇO 23 PENSARES5 ..................................................................................................... 38 ESPAÇO 24 QUEM MORRE?................................................................................................. 39 ESPAÇO 25 PENSARES 6 ................................................................................................... 40 ESPAÇO 26 ESTADO NÃO ................................................................................................... 41 ESPAÇO 27 SENTIR CONEXO ............................................................................................. 42 ESPAÇO 28 INTELIGÊNCIA E............................................................................................... 43 ESPAÇO 29 TODO CONEXO ................................................................................................ 44 ESPAÇO 30 GERAÇÃO ......................................................................................................... 45 ESPAÇO 31 PENSARES 7 ................................................................................................... 46 ESPAÇO 32 PENSARES 8 ..................................................................................................... 47 ESPAÇO 33 A FACE OCULTA DA MENTE ............................................................................ 48 ESPAÇO 34 PENSARES 9 .................................................................................................... 49 ESPAÇO 35 A PESSOA MATÉRIA........................................................................................ 50 ESPAÇO 37 E DEUS?............................................................................................................. 53 ESPAÇO 38 POR QUE DO ESTÁGIO MATÉRIA? ................................................................ 54 ESPAÇO 39 CONEXÃO ......................................................................................................... 55 ESPAÇO 40 REALIMENTAÇÃO ENERGÉTICA .................................................................... 56 ESPAÇO 41 GERAÇÃO DE UM SER PLENO ....................................................................... 57 ESPAÇO 42 FELICIDADE, O QUE É? ................................................................................... 60 ESPAÇO 43 SER PLENO ....................................................................................................... 61 ESPAÇO 44 REDE INVISÍVEL................................................................................................ 62 ESPAÇO 45 DÚVIDAS ............................................................................................................ 63 ESPAÇO 46 PENSARES 11 ................................................................................................... 64 ESPAÇO 47 PENSARES 12 ................................................................................................... 65 ESPAÇO 48 MUNDO MATÉRIA ............................................................................................. 66 ESPAÇO 49 EGOCIÊNCIA ..................................................................................................... 67 ESPAÇO 50 PENSARES 13 ................................................................................................... 68 ESPAÇO 51 DIREITO DE PENSAR E OUSAR....................................................................... 69 7
  • 8.
    ESPAÇO 53 PENSARES15 ................................................................................................. 71 ESPAÇO 54 PICO EVOLUTIVO............................................................................................. 72 ESPAÇO 55 O SEMPRE ........................................................................................................ 73 ESPAÇO 56 O TODO CONEXO ─ VOCÊ.............................................................................. 74 ESPAÇO 57 “EMBRIONAR-SE”.............................................................................................. 75 EGOCIÊNCIA E SERCIÊNCIA ENSAIOS PARTE 2 EXPLICAÇÕES PRELIMINARES.............................................................................................. 77 ESPAÇO 1 MUNDO ................................................................................................................ 79 ESPAÇO 2 NÃO MUNDO.......................................................................................................... 85 ESPAÇO 3 VIDA ....................................................................................................................... 87 ESPAÇO 4 NÃO VIDA............................................................................................................. 91 ESPAÇO 5 MATÉRIA .............................................................................................................. 92 ESPAÇO 6 NÃO MATÉRIA ..................................................................................................... 95 ESPAÇO 7 ESPAÇO E TEMPO DA MATÉRIA ....................................................................... 98 ESPAÇO 8 ESPAÇO-TEMPO DA NÃO MATÉRIA ............................................................... 100 ESPAÇO 9 SENSAÇÃO DE SER............................................................................................ 103 ESPAÇO 10 PENSAR ............................................................................................................. 104 ESPAÇO 11 NÃO PENSAR .................................................................................................. 106 ESPAÇO 12 “EU SOU”.......................................................................................................... 108 ESPAÇO 13 EGOCIÊNCIA E SERCIÊNCIA .......................................................................... 113 ESPAÇO 14 PENSARES/SENTIRES ................................................................................... 120 ESPAÇO 15 UM POUCO DOS CAMINHOS PERCORRIDOS............................................. 122 8
  • 9.
    EGOCIÊNCIA E SERCIÊNCIA ENSAIOS PARTE 3 EXPLICAÇÕES PRELIMINARES............................................................................................ 127 “PRIORIDADE 1 ─ OBJETIVO MUNDIAL”......................................................................... 136 ADENDO AO EGOCIÊCIA E SERCIÊNCIA ─ PARTE 3......................................................... 136 INTRODUÇÃO......................................................................................................................... 136 EGOCIÊNCIA E SERCIÊNCIA ENSAIOS PARTE 4 EXPLICAÇÕES PRELIMINARES............................................................................................ 144 ESPAÇO 1 PRESSENTIMENTOS/SENSAÇÕES .................................................................. 145 ESPAÇO 2 SOBRE AS 4 PARTES DO EGOCIÊNCIA E SERCIÊNCIA .............................. 152 ESPAÇO 3 EGOCIÊNCIA E SERCIÊNCIA ........................................................................... 155 ESPAÇO 4 ENERGIA............................................................................................................. 160 ESPAÇO 5 SENSAÇÃO ......................................................................................................... 165 ESPAÇO 6 EGO E SER ......................................................................................................... 170 ESPAÇO 7 MENTE E CONSCIÊNCIA .................................................................................. 174 ESPAÇO 8 UM POUCO, DE TUDO QUE FOI VISTO........................................................... 182 BIBLIOGRAFIA REFERENTE À PARTE 4 ............................................................................. 195 9
  • 10.
    Prólogo A estória destelivro tem, ao todo, mais de 38 anos. Ao nascer, ele não tinha esse título ─ EgoCiência e SerCiência; chamava-se Ensaios sobre a Não Matéria. Como livro, propriamente dito, ele surgiu, para mim, em 1984, mas ele vinha sendo “gestado”, sem que percebesse, desde 1970 ou, antes. Nesse tempo de “gestação”, diferentes situações foram vivenciadas por mim, dando início a um prolongado período de busca por explicações, em diversas áreas, que será exposto na sequência do livro. Para que você, leitor, possa acompanhar o passo a passo, dessa busca, ele será dividido em 4 partes diferenciadas para as quais, você terá uma pequena explicação preliminar, principalmente para situá-las cronologicamente e enfatizar o conteúdo, de cada uma delas. Devo confessar a você a grande dificuldade que senti em escrevê-lo; o assunto merecia uma outra forma de exposição, diferente da linear discursiva que não consegue, na maioria das vezes, expressar a real intensidade dos fatos e experiências. São inúmeras as dificuldades encontradas por aqueles que sentem necessidade de expor “descobertas” que abrangem o inacessível, à pessoa, quando de seu envolvimento maior com a matéria, simplesmente. Essas dificuldades principiam pela forma como expor o assunto que, em si, é extremamente simples, extremamente claro para quem já caminhou e caminha por ele, mas que se torna complexo e aparentemente obscuro, quando o envolvemos com as palavras passíveis de uso, para sua abordagem. Nessa hora, tomamos consciência, de forma mais profunda, da enorme defasagem entre as palavras passíveis de uso e a essência daquilo que desejamos expressar, através delas. Muitos percebem essa “incapacidade”, das palavras, em transmitir a essência mesma principalmente, do que se escreve. No interessantíssimo livro ─ Sejam sábios, tornem-se profetas, dos físicos Georges Charpak e Rolan Omnès, destaco o trecho a seguir: “E com efeito existem, por trás dessa aparente magia, leis perfeitamente coerentes, hoje comprovadas em todos os seus aspectos e cuja estranheza tem um motivo simples. Como nossa imaginação e nossa intuição foram formadas num mundo de escala média, ou seja, em nossa própria escala, nada nos permite imaginar o mundo dos átomos e das partículas, nem do espaço-tempo. Pior ainda, as palavras de nossa linguagem, embora sejam perfeitamente capazes de descrever o que vemos todos os dias, não têm a sutileza das matemáticas, de tal maneira que nos atrapalham com a mesma frequência com que nos ajudam.”( negrito da autora) 10
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    Assim, peço avocê leitor, que procure ir ao âmago do assunto e até mesmo das palavras, pois a sua interpretação para tudo que lerá é, para mim, o aspecto mais importante e até mesmo, a razão de tê-lo “escrito” ─ o uso de aspas é pertinente e você saberá, em momento oportuno, a razão. 11
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    EgoCiência e SerCiência Ensaios Parte 1 “ A mais bela emoção de que somos capazes é a mística. Ela é a força de toda arte e ciência verdadeiras. Aquele que não a experimenta está praticamente morto. Saber que o que é impenetrável para nós de fato existe, manifestando-se como a sabedoria maior e mais preclara formosura, que nossas toscas faculdades só podem captar em sua forma mais primitiva ─ esse conhecimento, esse sentimento está no centro da verdadeira religiosidade. Neste sentido, e apenas nele, pertenço ao grupo dos homens devotadamente religiosos.” Albert Einstein “Se nossos sentidos fossem suficientemente apurados, perceberíamos o penhasco imóvel como um caos dançante.” Nietzche 12
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    Espaço 1 ExplicaçõesPreliminares O EgoCiência e SerCiência precisa de algumas explicações preliminares para esclarecer a razão da utilização dos termos Não Matéria, Não Vida, Não Mundo, Não Pensar e também a razão de estar dividido em quatro partes Antes, entretanto, quero dizer a você que se a 1ª parte vier e oferecer certa dificuldade de compreensão ou, ao contrário, demasiada simplicidade, você pode avançar para a 2ª onde tudo se torna mais claro, mais abrangente. Entretanto, ler o EgoCiência e SerCiência na seqüência apresentada poderá mostrar a você o passo a passo que envolveu todas as experiências que culminaram na escrita dele. Comecemos pelos termos, que apesar de não serem inéditos, pois em diversos tipos de literatura, um ou outro já foi utilizado ─ ou insinuado ─, para mim, eles “surgiram” vindos de três direções que poderíamos dizer, opostas. Apesar de extremamente difícil de explicar, em poucas linhas, tentarei fazê-lo da maneira mais simples possível. Durante um certo período de minha vida, precisei procurar uma forma de autoanálise mais direcionada a esclarecer a razão do meu repúdio à grande maioria daquilo que chamei de “programações mundo”, que englobavam quase todo o sistema sócio/econômico/político/cultural e religioso, em vigência em nosso mundo. O que havia comigo? Por que o “sistema operacional” embutido em meu “hardware” não rodava as “programações mundo” vigentes, satisfatoriamente? Após várias tentativas, resolvi analisar também as “programações mundo”; pensei e tentei reprogramar em linguagem diferente daquelas em que as “programações mundo” chegavam até mim; a esses novos programas dei o nome de “programações não mundo”, para diferenciá- las das anteriores. Essa foi, provavelmente, a primeira semente lançada; o verso e o reverso jogados para o alto; o sim e o não desvestidos de recortes e perfeitamente unidos. Como resultado mais efetivo da análise feita, posso apontar a descoberta da existência, em mim, de um “sensor” fortemente atuante, que emitia sinais de rejeição àquilo que não admitia, oferecendo, ao mesmo tempo, as razões dessa rejeição à mente consciente. 13
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    Em outro período,resolvi analisar os efeitos que poderia causar em mim, ouvir-me falar sobre os mais diversos assuntos que viessem a minha cabeça, espontânea e naturalmente. Assim, fiz uma série de gravações onde expunha meus pensamentos e depois ouvia as fitas para verificar como eles retornavam a mim, sonoramente. Numas dessas gravações, surgiu o termo Não Matéria como substituto de termos como alma, espírito, e outros. Bem mais tarde, foram surgindo momentos de inspiração quando, estivesse onde estivesse, e independente do que fazia, palavras, frases e até parágrafos, um pouco mais longos, “surgiam” em minha cabeça e tinha que escrevê-los; nessas ocasiões, Não Matéria, Não Vida, Não Mundo, Não Pensar eram termos dominantes. Esses foram os três caminhos através dos quais esses termos utilizados no EgoCiência e SerCiência conectaram-se para dar vazão, creio eu, a uma verdade maior, muito maior ─ O TODO CONEXO ─ que inclui e “funde” o sim e o não; a cara e a coroa; o real e o imaginário; o visível e o invisível; a vida e a morte; enfim, unificação dos opostos, justamente por não serem opostos. Portanto, mesmo não sendo neologismos ─ Não Matéria, Não Vida, Não Mundo, Não Pensar ─, assim o foram, para mim, em relação ao ESTADO NOVO que a partir deles e com eles, descobri. A divisão em parte 1, 2, 3, 4 é consequência natural do processo de caminhada; as coisas não aconteceram todas ao mesmo tempo; houve um passo a passo que poderá ser perfeitamente sentido pelo leitor; por essa razão, cada parte terá uma explicação exclusiva. Complementando o EgoCiência e SerCiência ─ mais especificadamente em sua parte 3 ─ vem o “Prioridade I ─ Objetivo Mundial”, uma parte extremamente delicada, séria , muito mais transpessoal ─ em todo o seu conteúdo ─ do que qualquer das outras partes. Este livro será composto por Espaços, em sua parte 1 e 2, cada um deles encerrando, em si mesmo, o que foi proposto ao pensamento. Creio ser essa forma mais livre, mais objetiva de expor os pontos principais que nortearam quase todo livro, excetuando a parte 4, um pouco diferenciada, por razões óbvias. Esta Parte 1, especificamente, foi a resultante das “conversas” comigo mesma, gravadas em fitas K7, e dos escritos que surgiam ─ quase como os conhecidos insights ─ em vários momentos de minha vida. 14
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    Quando resolvi passartudo para o papel, nasceu a Parte 1 do então Ensaios Sobre a Não Matéria, isto em 1984, sendo que em 2008, seu nome foi mudado para o atual EgoCiência e SerCiência ─ Ensaios. O Espaço 2, dará início à exposição da caminhada. 15
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    Espaço 2 Mundo Por definição: “conjunto do espaço, corpos e seres que a visão humana pode abranger”. ∗ Portanto, concebo que existe a mais diferenciada visão de mundo, pois cada pessoa “fecha” o seu mundo dentro de um quadrado de dimensões variadas, porém, sempre um quadrado, porque o círculo e/ou a esfera poderia vir a confundir posições que corpos ou seres viessem a ocupar dentro do espaço “mundo’ de cada pessoa. Mesmo que se tenha ideia de um mundo esférico, o mundo de cada um fecha-se num quadrado de dimensões variáveis e variadas. Normalmente, o mundo de cada um é repleto do concreto, do que é mensurável, do que é ou já foi provado como “real”, ou seja, existente de fato. Tudo o mais que assim não o foi, permanece fora do mundo de cada um; não consegue “espaço” dentro do espaço “mundo’, de cada pessoa. E tudo que “pertence” ao mundo de cada um de nós, é hermeticamente fechado e rotulado por pronomes possessivos que não admitem contestações: meu, minha, meus minhas. ∗ Conforme definição encontrada no Pequeno Dicionário da Língua Portuguesa de Aurélio B. de H. Ferreira. 16
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    ESPAÇO 3 NÃOMUNDO O Não Mundo, não deveria ser associado a nenhuma imagem pré-concebida; entretanto, usando o círculo e/ou a esfera, proponho que eles podem, independente das dimensões dadas a eles, configurar INFINITUDE. Além disso, o círculo e/ou a esfera, dá a ideia de algo “inflável”, “expandível”. Assim, se a ideia de “inflável” puder ser associada ao círculo e/ou a esfera, também em relação a eles pode-se conceber a ideia de “vazio”; mas, se assim for, “inflável” de quê? “Vazio” de quê? Com isso quero colocar que o Não Mundo, associado a ideia de algo “inflável”, de algo “vazio”, só poderá ser “preenchido” pela Não Matéria, e que somente a Não Matéria pode “captar” a substância do Não Mundo. Com tudo que expus acima, tento dizer que o mundo, associado à ideia de um quadrado é facilmente entendido, e até mesmo, muito real para nós ─ FINITO. Não Mundo, associado à ideia de círculo e/ou esfera ─ “vazios”, “infláveis”─, torna-se à imaginação algo INFINITO. 17
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    ESPAÇO 4 VIDA Por definição: “estado de incessante atividade funcional, peculiar à matéria orgânica, animal ou vegetal; tempo decorrido entre o nascimento e a morte. ∗ Mais uma vez um quadrado repleto de imagens, definições que subsidiam a existência/permanência da matéria “dentro” do mundo. E como o próprio mundo, o conceito de vida, a noção de vida, das pessoas, apresenta uma diversificação imensa. A maior ou menor amplitude de visão de vida, de cada pessoa, vai provavelmente depender da quantidade de “informações” recebidas, captadas, acumuladas dentro do limite VIDA  MORTE. Portanto, a vida é FINITA. ∗ Conforme definição encontrada no Pequeno Dicionário da Língua Portuguesa de Aurélio B. de H. Ferreira. 18
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    ESPAÇO 5 NÃOVIDA Vazia de imagens, conceitos, definições (inerentes à vida e ao mundo), subsidiando a Não Matéria em sua “permanência” ─ frequência ─ no Não Mundo. A Não Vida não pode ser confundida com a morte. Nestes ensaios, a Não Vida deverá ser entendida como ESTADO inerente à vida; portanto, a Vida é “composição” da própria Não Vida, assim como a Matéria é “composição” da própria Não Matéria. A Não Vida é, na realidade, aquela sensação de “algo mais” que sentimos quando falamos de vida. É aquele “algo” não reconhecido que paira, naturalmente em nós, quando pensamos na vida. 19
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    ESPAÇO 6 MATÉRIA Por definição: “qualquer substância sólida, líquida ou gasosa que ocupa lugar no espaço; substância suscetível de receber certa forma ou em que atua determinado agente.” Nós somos matéria; concebemo-nos como tal. Ocupamos lugar no espaço e mais que isso, ocupamos esse espaço por um determinado período de tempo. Como matéria, entendemos, “compreendemos” e vivemos em conformidade com o conceito de espaço e tempo, “estabelecido” pelo ser humano. Como matéria, recebemos determinada forma, moldagem e sofremos a atuação de não apenas um, mas de dezenas, centenas ou até milhares de agentes. A matéria, que somos nós, é uma condição para um Estágio de vida; portanto, uma situação transitória, passageira. Estamos em trânsito, como matéria, nesta parcela do Universo que é chamada ─ Planeta Terra. 20
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    ESPAÇO 7 NÃOMATÉRIA Para mim, ESTADO inerente a própria matéria, porém, ainda desconhecido, principalmente do ponto de vista de nossa matéria, da matéria do ser humano, cuja Não Matéria significa PURA ENERGIA. Essa Não Matéria, que é PURA ENERGIA, anima a matéria e é indizível, individual e indivisível. É indizível porque dela, usando simplesmente palavras, nada se pode dizer; nada se pode explicar em profundidade. É individual ─ e eis a grande maravilha! Ela é a parcela Universal que cada um de nós traz, em nosso Estágio matéria. Aí, exatamente aí reside a IMORTALIDADE e a INFINITUDE do ser humano, e a sua continuidade, portanto, Ad infinitum. E exatamente aqui, quero ousar dizer o seguinte, em função da Não Matéria: Ninguém nasce Ninguém morre Todos continuam! A Não Matéria é também indivisível sem, entretanto, deixar de ser permutável. Podemos permutar, com toda a natureza, a “nossa” Não Matéria, sem que haja a troca de nosso conteúdo Não Matéria individual, mas sim, a troca de componentes de PURA ENERGIA UNIVERSAL, que é o significado maior da Não Matéria. A ligação Matéria/Não Matéria é de extrema beleza, pois enquanto a Matéria, que somos, é um mecanismo perfeito, a Não Matéria é de uma sensibilidade, de uma pureza, de uma intensidade tal, que captá-la, senti-la e vivê-la é a maior felicidade que o ser humano pode desfrutar, em meu entender, é claro. 21
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    ESPAÇO 8 ESPAÇOE TEMPO Espaço ─ por definição: “extensão indefinida”. Espaço ─ concepção mais aproximada do Estado Não Matéria, quando o ser humano não consegue determinar (materialmente falando), o espaço imaginado; quando ele se perde nessa concepção passando, sem o perceber, de um espaço limitante e limitado, para um espaço ilimitado onde não consegue situar-se como matéria. Quando isso ocorre, e é sensível ao ser humano, a “sensação” descrita é de um vácuo, algo assim como se a matéria deixasse de sofrer a ação da força da gravidade. Tempo ─ por definição: “duração das coisas; duração limitada, sucessão de dias, horas, momentos...” Tempo ─ concepção contrária a Não Matéria, Não Vida, Não Mundo porque a transposição passado/presente/futuro é, na realidade, ininterrupta, contínua, sobrando desses três “tempos”, um Infinito AGORA, que é a única realidade distinta e realmente sensível, em termos de tempo “vivo”. E o AGORA, que é INFINITO E ETERNO, é o “tempo” da Não Matéria, Não Vida, Não Mundo. 22
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    ESPAÇO 9 NÃOPENSAR O desconhecimento ou a insensibilidade à Não Matéria, Não Vida, Não Mundo cria, no ser humano, estado de ansiedade quase incontrolável e toda a força é canalizada para a matéria, vida e mundo que, por serem Estágios por enquanto dissociados do Estado Não Matéria, Não Vida, Não Mundo são finitos, atribulados, desfocados, inconexos; são repletos de valores, não totalmente falsos, mas sim, incompletos, porque não abrangem a Não Matéria, Não Vida, Não Mundo. Veja, a matéria é passível de análises em laboratórios, através de ciências conhecidas, do nosso mundo. A Não Matéria, não deverá ser passível de análises através das ciências do mundo, pois seus “elementos” não são os elementos conhecidos ou presumidos pela ciência, tal qual a temos; algo mais terá que ser associado a ela. Veja também o seguinte: mundo ─ por mais extensa que possa ser a suposição de mundo, de cada pessoa, não é abrangente o bastante para captar o Não Mundo, pois é sempre necessário utilizar “recortes” conhecidos para captar logicamente, e entre os “recortes” conhecidos, não surge um específico para o Não Mundo, por mais que a pessoa pense a respeito. Mas, é exatamente no pensar que reside a impossibilidade maior de captação do Não Mundo, porque o Não Mundo é impenetrável quando se pensa nele, na forma usual de pensar, do ser humano. O Estado para captação e compreensão da Não Matéria, Não Vida, Não Mundo é exatamente o Estado do Não Pensar. 23
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    ESPAÇO 10 CONSIDERAÇÕES SOBRE ESTÁGIO E ESTADO No decorrer deste livro, vamos falar muitas vezes em Estágio e ESTADO. Para que você possa compreender melhor o que será dito, é preciso que fique esclarecido o que realmente quero dizer com Estágio e ESTADO, no que concerne ao assunto. Estágio, por definição: “aprendizado; situação transitória de preparação.”∗ ESTADO, por definição: “modo de ser ou estar; situação; posição, modo de vida; condição.”∗∗ Assim, considero e chamo de Estágio, a matéria, a vida, o mundo, o pensar, encaixando-os perfeitamente dentro daquilo que temos condição de constatar, analisar e até mudar. Por ESTADO, chamo a Não Matéria, a Não Vida, o Não Mundo e o Não Pensar, por considerá-los condição natural dos estágios matéria, vida, mundo e pensar. Existe uma “simbiose” perfeita entre Matéria e Não Matéria, Vida e Não Vida, Mundo e Não Mundo, Pensar e Não Pensar, havendo, em consequência, benefícios recíprocos entre Estágio e ESTADO. Vejamos. O Estágio Matéria seria demasiadamente “vazio” se nele não existisse o ESTADO Não Matéria. Por outro lado, o ESTADO Não Matéria impregna toda a matéria, dissociando-se desta, apenas quando a matéria perde sua condição de vida natural ─ quando a matéria “morre” ─, permanecendo a Não Matéria, que por ser um ESTADO puramente energético, deve ser “sugado” para campos energéticos naturais, do Universo, justamente por ser PURA ENERGIA. De uma certa forma, a matéria “segura”, “prende” a Não Matéria, pelo menos enquanto permanecemos na ignorância quanto ao ESTADO Não Matéria, pois quando o captamos, quando o reconhecemos, quando o compreendemos, passamos a sentir, em toda profundidade e extensão, a leveza, a suavidade da Não Matéria. Importante observar, que o ESTADO Não Matéria “existe’ enquanto a matéria é natural; enquanto a matéria é natural é também Não Matéria, ─ PURA ENERGIA ! ∗ Conforme definição encontrada no Pequeno Dicionário da Língua Portuguesa de Aurélio B. de H. Ferreira. ∗∗ Idem, acima. 24
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    ESPAÇO 11 OAGORA Quando o ser humano pensa, dentro ou em conformidade com a estrutura chamada “lógica” de pensar, cabe perfeitamente tempo fracionado minuto a minuto, segundo a segundo. Cabe perfeitamente passado, presente e futuro, porque a “extensão” dada a cada um encaixa-se, perfeitamente, dentro do chamado “raciocínio lógico”. Agora veja: Passado: condição do que deixou de ser AGORA; Presente: contínuo AGORA. Futuro: o mais indefinível e nunca realmente vivenciado, porque só se vive o AGORA, que é, em si mesmo─ Passado/Presente/Futuro. 25
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    ESPAÇO 12 APERFEITA COMPOSIÇÃO Vamos ver se consigo transmitir, o que considero ser a Perfeita Composição. O Estágio Matéria, associado ao ESTADO Não Matéria é a grande realidade universal porque é inconcebível a “solidão” da matéria, no Universo. A matéria, pura e simplesmente, não consegue manter uma ligação mais íntima com o Universo, por mais que ela, a matéria, tenha em sua composição elementos do próprio Universo. Entretanto, mesmo o conhecimento desses elementos comuns entre o ser humano e o Universo, não consegue despertar, no ser humano, a consciência, a certeza de sua universalidade, de sua infinitude. Porém, o Estágio Matéria associado, conexo ao Estado Não Matéria, traz ao ser humano a certeza de ser Universal, de ser Pura Energia, Sempre. O Estágio Mundo, onde a “nossa” matéria se localiza, onde encontra seu habitat natural, desenvolve-se, prolifera-se, é também muito concreto para fazer a pessoa sentir-se Universal, principalmente quando esse Estágio Mundo, ao qual nos referimos, deixa de ser observado como natural e passa a ser vivido, quase que exclusivamente, em sua composição artificial, ou seja, o mundo material artificial, cria do ser humano. É realmente o mundo do concreto, onde a validade maior está em comprovar, materialmente falando, tudo que nos cerca. Porém, quando o ser humano descobre o ESTADO Não Mundo, ele passa a beneficiar-se bem mais do Estágio Mundo, tanto matéria quanto Não Matéria. Quanto ao Estágio Vida, a sua associação, a sua conexão ao ESTADO Não Vida, é o vínculo mais forte entre o ser humano e o INFINITO dele. O ser humano aprendeu que após a vida, ou seja, com a morte, é que ele passa a “viver” realmente. O curto espaço do ser humano, entre a vida e a morte, é preenchido por inúmeras atividades físicas e mentais. As atividades físicas são, em sua grande maioria, relacionadas à sobrevivência; as atividades mentais, entre outras coisas, deveriam permitir ao ser humano, profundos questionamentos sobre si mesmo, sobre a vida, mas normalmente, esses questionamentos do ser humano (pela pouca amplitude e distorção das respostas dadas a ele), o levam a distanciar-se deles por trazer-lhe uma profunda desilusão e um distanciamento, cada vez maior, da Unidade Universal que palpita em seu íntimo e que ele procura ardentemente comprovar, de forma consciente ou não. Assim, a esperança de que com a morte a pessoa possa encontrar essa Unidade Universal, não é tão acalentadora. 26
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    O ser humano,consciente ou inconscientemente, “sente” que gostaria de sentir algo mais em sua vida e não ficar, apenas, na esperança de que um dia, após a morte, ele irá sentir o que realmente deseja e que não sabe, na maioria das vezes, identificar o que é. E por não saber identificar sua insatisfação, por não saber identificar o que realmente sente, o ser humano pensa, pensa muito, e o Estágio Pensar é algo profundamente ligado ao Estágio Matéria. Dissociado do ESTADO Não Pensar, o Estágio Pensar permite ao ser humano “concluir” apenas o superficial, por mais que esse superficial seja extremamente complexo e dê a impressão de que é o máximo que a pessoa pode atingir em termos de conhecimento de si e do mundo. Porém, o Estágio Pensar, associado, conexo ao ESTADO Não Pensar, abre ao ser humano todos os caminhos possíveis do conhecimento Universal; derruba todas as barreiras do simples pensar e abrange a Plenitude do TODO, sem recortes, sem limite algum, sem as complexidades do pensar comum. O mais importante a sentir é que, enquanto Estágio, a matéria, a vida, o mundo, o pensar estão devidamente recortados, desunidos; são parcelas bem distintas, para nós, de um Todo que sabemos existir, mas que não conseguimos sentir. O ESTADO NÃO é o TODO CONEXO do qual, todo ser humano é, após atingir a sua PLENITUDE DE SER. 27
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    ESPAÇO 13 OTEMPO, PASSA? É importante observar, que enquanto no ESTADO Não Matéria, o espaço e o tempo praticamente inexistem ─ da forma como nós os concebemos ─, no Estágio Matéria eles vigoram em toda plenitude. Materialmente falando, ocupamos espaço e sofremos a influência do tempo que, segundo a segundo, e de acordo com o conceito que temos de tempo, age de forma não dominável e sim, de forma dominadora. Usamos uma expressão muito comum e incrivelmente associada ao Estágio Matéria: “o tempo passa”, expressão essa que causa certa angústia e um ‘”apressamento” em aproveitar ao máximo o tempo. Porém, no ESTADO Não Matéria, existe a libertação de conceitos materiais de espaço e tempo, e com isso, a “fluidificação” é possível; é sensível ao ser humano tornar-se não dimensionável. Na grande realidade, não é o tempo que passa: o tempo é, digamos assim, “estático”; na realidade ele inexiste na forma como o concebemos no Estágio Matéria. O que passa, muda, desloca-se é a matéria, enquanto a Não Matéria, associada ao Não Tempo, permanece SEMPRE. Um dos mais famosos paradoxos da física moderna, o chamado “paradoxo dos gêmeos” pode bem “demonstrar” a possibilidade de um tempo que não o que nós temos conhecimento, em nosso Estágio Matéria. 28
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    ESPAÇO 14 “VIAGEM”À NÃO MATÉRIA Uma coisa é certa, não será possível conceber algo sobre o ESTADO Não Matéria e Estágio Matéria, se não os conhecermos em profundidade; e só conheceremos o Estágio Matéria, em sua realidade, quando conhecermos o ESTADO Não Matéria, porque o Estágio Matéria é totalmente avulso, externo, massificante, enquanto o ESTADO Não Matéria é composto, interno, peculiar. Ele, o ESTADO Não Matéria, é composto por ser INFINITO e não pode ser decomposto por ser INFINITO. Como decompor o INFINITO? O ESTADO Não Matéria é também peculiar, porque cada um de nós terá uma extensão, uma dimensão do ESTADO Não Matéria totalmente compatível com o que realmente é, como Não Matéria; não será igual a nenhum outro, sem ser diferente dos demais, pois a esse nível as diferenças, da forma como nós entendemos diferenças, não existem. Ele também é interno, porque é só daquele ser humano, porque ele, o ESTADO Não Matéria foi “captado” pelo ser humano em seu interior, não fora dele; foi preciso fazer uma viagem interna, por suas entranhas, para que essa viagem interna o impulsionasse a uma vivência diferente, e como vivência quero dizer algo interno, algo nas entranhas sendo captado/sentido. Pode-se até chegar ao ESTADO Não Matéria através de algo externo, entretanto, é preciso observar que o estímulo pode ser externo, mas a captação da realidade, a captação do ESTADO Não Matéria é interno; acontece dentro de nós, em nosso interior profundo, levando- nos, impulsionando-nos àquela viagem por nós, em nós. 29
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    ESPAÇO 15 SENTINDOA NÃO MATÉRIA Torno a dizer que o uso de palavras dificulta tremendamente a compreensão do assunto, até mesmo porque o assunto não é apenas para ser compreendido; o assunto é para ser sentido, vivenciado e o que se sente, não tem como ser transferido através de palavras ou, de qualquer outra forma comum, usual. A única coisa que se pode fazer é tentar, “externamente”, fazer com que haja, em cada um, a vontade ou até mesmo a curiosidade em “experimentar” o ESTADO Não Matéria, mais a fundo, já que todos o sentimos porém, ainda superficialmente, indefinidamente. Só que, após os primeiros “sentires” do ESTADO Não Matéria, qualquer que tenha sido o motivo que levou a pessoa a principiar a caminhada ao seu encontro, esse motivo será transformado em algo indefinível: não será vontade, desejo ou curiosidade; será um “sentir” todo particular, infinitamente particular, indestrutivelmente particular. 30
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    ESPAÇO 16 “RUÍDOS”DO SILÊNCIO Quando a pessoa penetra em seu ser, em “sua” Não Matéria, é como se saísse da agitação da vida artificial urbana e penetrasse numa caverna; por instantes, fica aturdida entre as “lembranças” dos ruídos externos e o profundo, absoluto silêncio do novo local. Após algum tempo, que variará de pessoa para pessoa, gradualmente começam a ser percebidos os ruídos próprios da caverna, que antes, era absoluto silêncio. E há então, um apuro tão grande dos sentidos auditivo e visual, que o ser humano passa a ouvir e ver coisas, que de fora da caverna, jamais poderia imaginar houvesse em seu interior. O mesmo ocorre conosco, quando penetramos em nosso interior; passamos a ouvir e ver coisas de uma forma que jamais imaginaríamos. Esse ouvir e ver nada tem com algo como imagens e sons estranhos, anormais e sim, passar a ver as coisas e ouvir os sons com uma profundidade maior, captando, através desse “ver” e “ouvir”, mensagens plenas de significação, que serão compreendidas, em profundidade. 31
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    ESPAÇO 17 CHOQUEDICOTÔMICO Vejamos o seguinte: a gente vive, materialmente falando, com a ideia/sugestão de dois mundos completamente diferentes, opostos  o mundo material e o chamado mundo espiritual. Essa dicotomia, inevitavelmente traz sobreposição de valores, que logicamente, entram em choque constantemente. Por que? Porque o material é próximo, é aqui, é agora, é palpável, mensurável, etc, etc, etc... Em contrapartida, o chamado “mundo espiritual” é distante, é o depois; é um futuro sequer passível de imaginação. Ao conseguirmos extirpar essa dicotomia, de nossa existência, sentindo as coisas como Matéria e Não Matéria, traremos para nosso espaço conhecido, toda a certeza, toda realidade daquele algo desconhecido, não sentido, jamais vivenciado por nós. Essa, creio eu, é e será sempre a grande realização do ser humano; a mais profunda, a mais verdadeira; aquela esperada, ansiada por todos, mesmo que inconscientemente. A metamorfose que ocorre no ser humano que capta e passa a viver em sintonia com as duas maiores realidades existentes  Matéria e Não Matéria  , é algo inenarrável, intransferível sob qualquer forma conhecida. Somente ao “captar”, ao vivenciar essa realidade é que o ser humano pode saber o que realmente é, muito mais porque, cada ser humano é uma única e legítima parcela da existência, não havendo duas iguais em hipótese alguma, naturalmente falando. Exatamente nessa legítima individualidade é que residem as diferenças de “sentires”, e daí digo que: somente vivenciando o ESTADO Não Matéria, o ESTADO NÃO, O TODO CONEXO, é que o ser humano poderá realmente desfrutar da amplitude de sua existência, pois cada um tem um grau de sensibilidade energética para vivê-lo, em maior ou menor amplitude, porém todos, sem exceção, podem captá-lo, senti-lo, vivenciá-lo. Assim, inexistem mestres que possam fazer alguém “sentir” essa realidade maior  CADA UM SERÁ SEU PRÓPRIO MESTRE , pois cada um encontrará dentro de si, O MESTRE. O que pode existir são pessoas que tentem, através de palavras, falar de suas experiências levando a que outros desejem conhecer essa realidade dual natural  sem ser dicotômica , levando-os a observar, com maior agudez, quando e como sentirem que estão próximos dela. 32
  • 33.
    ESPAÇO 18 DEONDE VIM? PARA ONDE IREI? Esses questionamentos, entre tantos outros que o ser humano faz, demonstram que ele não prevê, para si, uma participação isolada a este Estágio. Só que os questionamentos saem do ser humano, para outros pontos, de forma inteligente/racional; dessa forma, apenas, não há como conseguir que eles atinjam a plenitude onde “orbitam” as verdadeiras respostas. É necessário, então, que o ser humano tente interiorizar esses questionamentos, pois sendo ele, o ser humano, um “microuniverso”, todas as respostas estão no próprio ser e não, fora dele. Além de tudo, de que adianta ao ser humano continuar questionando, da forma como o faz ─ inteligente, racional, apenas ─ se milhares e milhares de “respostas” já lhe foram dadas e ele ainda permanece em dúvida? Assim, o que realmente o ser humano precisa é “EMBRIONAR-SE” desses questionamentos e aguardar as respostas que virão para ele, nele. Então, não haverá mais dúvida e um novo Ser, o Ser que realmente é ─ Ser Infinito ─, nascerá. A partir do momento que as pessoas captarem os sintomas dessa realidade maior, espontaneamente sentirão uma nova realidade palpitando em suas entranhas; uma nova visão das coisas passará a acompanhar cada um, sempre e naturalmente, sem nenhum esforço sobre-humano; passará a ser vivenciada a dualidade Matéria/Não Matéria, Vida/Não Vida, Mundo/Não Mundo, Pensar/Não Pensar, sem a dicotomia atual. Pode parecer vago, sem consistência, extremamente irreal o que tento dizer; porém, posso lhes assegurar que assim não o é. 33
  • 34.
    ESPAÇO 19 PENSARES1 A sensação de “não estar” identifica a afinidade que existe entre o ser humano matéria, e o Ser Não Matéria. 34
  • 35.
    ESPAÇO 20 PENSARES2 As chamadas “misérias do mundo” são frutos da materialidade extrema, da pessoa. A couraça imposta pelo Estágio Matéria  não o Estágio Matéria natural, mas o artificial, o criado  , torna a pessoa incapaz de captar e sentir, profundamente, o ESTADO Não Matéria, e com isso, a sociedade formada tem bases altamente desfavoráveis à combinação Matéria/Não Matéria. 35
  • 36.
    ESPAÇO 21 PENSARES3 A condição natural do Não Pensar foi subjugada pela chamada “estrutura lógica do pensar”, própria do Estágio Matéria, limitando, com isso, as possibilidades infinitas do ser humano, de Captar, ficando apenas com a finita e limitante condição do conhecer e aprender. 36
  • 37.
    ESPAÇO 22 PENSARES4 A situação de perfeita conexão entre o Estágio Matéria e o ESTADO Não Matéria, poderá ser denominado (como já o fiz), de TODO CONEXO, que seria definidor da VIDA, em sua dimensão total. 37
  • 38.
    ESPAÇO 23 PENSARES5 Não é o tempo que passa; o tempo é, digamos assim ─ “estático”. Na realidade, ele inexiste na forma, na concepção de tempo que temos, que conhecemos. O que passa, muda, desloca-se é a Matéria, enquanto que a Não Matéria, associada então, ao Não Tempo, permanece SEMPRE. 38
  • 39.
    ESPAÇO 24 QUEMMORRE? Ao captar, sentir e vivenciar o ESTADO Não Matéria, dentro de nosso Estágio Matéria, um dos aspectos mais polêmicos, mais traumatizantes que o ser humano vivencia, e que é a morte, deixará de ser aquilo que hoje é, que hoje representa, pois, enquanto a morte continuará sendo inevitável à matéria, a Não Matéria sequer será atingida pela ideia da morte. Consequentemente, haverá uma postura totalmente diferente da que hoje existe, na relação com a morte, mesmo porque, enquanto houver o desconhecimento do ESTADO Não Matéria, fica bastante difícil acreditar na alma que terá continuidade após a morte, pois o conceito de alma perpetuando-se além da morte, não exclui o sofrimento, o trauma da morte, durante o período de vida do ser humano. Ao sentirmos em nós a existência do ESTADO Não Matéria ─ em conexão com o Estágio Matéria ─ desaparecerá o peso, o fantasma da morte, pois enquanto na vivência única e isolada do Estágio Matéria, pensamos em ela estar nos rondando como uma inimiga, pintada de imagem destruidora, veremos que ao conectarmos o ESTADO Não Matéria, essa sensação desaparecerá e ela, a morte, simplesmente estará existindo em nós, ou seja, concluiremos pacificamente, sem traumas, sem lutas, que somos finitos enquanto matéria, e que sempre fomos, somos e seremos, como Não Matéria, como Todo Conexo; e o que é mais importante: viveremos realmente a calmaria da INFINITUDE e ETERNIDADE conexa ao nosso Estágio Matéria, que é finito, enquanto tal. 39
  • 40.
    ESPAÇO 25 PENSARES6 A vivência do Estágio Matéria, do Estágio Vida, dissociado do ESTADO Não Matéria, Não Vida resulta na alienação em que está envolvido o ser humano. 40
  • 41.
    ESPAÇO 26 ESTADONÃO Não é fácil transmitir as ocorrências todas, relativas ao ser humano quando atinge, quando capta o ESTADO NÃO MATÉRIA e, essa dificuldade sentida divide-se em duas, de igual importância. Uma dificuldade resulta da peculiaridade da sensação de captação do ESTADO Não; é muito peculiar; é muito de cada um; é muito do quanto a pessoa consegue, concordante com seu nível de sensibilidade. Portanto, não posso dizer da minha sensação ao captar o ESTADO NÃO porque iria talvez distorcer o que você virá a sentir quando descobrir, quando captar o “seu” ESTADO NÃO. A outra grande dificuldade (por mais vezes mencionada), em se tentar falar, lançar algo a respeito do ESTADO NÃO, são as palavras passíveis de uso, já desgastadas em seus múltiplos empregos. Através delas consegue-se, com pouca força, palidamente, apenas dar ideia do que realmente se sente, mesmo porque as próprias palavras têm sua extensão limitada de compreensão, para o ser humano; elas mesmas são e impõem um “recorte”, um limite, principalmente enquanto ficarmos presos a elas e não pudermos captar a extensão que elas podem ter, quando as deixamos mais “livres”. Realmente, a comunicação verbal ou escrita é pobre, é limitante dos “sentires”, que só poderiam ser transmitidos a outros, numa forma extrassensorial, se assim se pode dizer. Esforço-me, então, para dizer a você que procure ir além, muito além das coisas ditas neste pequeno livro; procure entrar na ESSÊNCIA da mensagem, pois na ESSÊNCIA do que tento dizer, é que está a validade do que poderíamos designar de “chamado” ao “seu” ser Não Matéria. E neste ponto, digo da maravilhosa capacidade intuitiva/emocional própria dos poetas; eles, em sua grande maioria, “traduzem” de forma sublime, verdades que captam de Espaços insondáveis e que nos tocam, profundamente, com suas mensagens. Gostaria imensamente de ter condições de poetizar, sobre os assuntos tratados neste EgoCiência e SerCiência para dar a eles ─ alguns, mais especificamente ─, uma face mais sublime, em acordo com a mensagem de cada um, mas, não tenho pendor para tal, o que me frustra muito, confesso. 41
  • 42.
    ESPAÇO 27 SENTIRCONEXO É interessante observar que quando existe um sentimento forte, entre duas pessoas, principalmente amor, quando naturalmente forte, não há quase necessidade em se falar; transmite-se o que se quer dizer através de meios desconhecidos, em sua profundidade. Além disso, o conhecido binômio espaço/tempo é eliminado, pois, por mais distante que se esteja da pessoa amada, consegue-se senti-la em toda plenitude no AGORA que se vive, independente de distância e/ou fuso horário diferentes. E consegue-se mais, consegue-se sentir, em plenitude total, tudo que se sente e vive quando juntas, quando unidas fisicamente. Com isso quero dizer que a vivência plena de um sentimento forte e natural, permite ao ser humano (mesmo que inconscientemente), “sentir” os sintomas dos ESTADOS Não Matéria, Não Vida, Não Mundo e Não Pensar. 42
  • 43.
    ESPAÇO 28 INTELIGÊNCIAE NÃO INTELIGÊNCIA Estágio Consciente Inteligente ─ o ser humano desenvolveu a inteligência que é, especificamente, suporte da pessoa, durante o Estágio Matéria, Vida, Mundo, Pensar. Estado Consciente Não Inteligente ─ estado a ser redescoberto pelo ser humano, e que em nada depende da matéria, da inteligência, propriamente ditas, e sim, de fatores peculiares ao ESTADO NÃO; portanto, fatores naturais sensíveis que deverão voltar a reger (de forma mais intensa), as civilizações futuras, quando será plenamente desenvolvido o até hoje pesquisado e desconhecido lado chamado “sobrenatural” , do ser humano, que será apenas designado de NATURAL, quando houver o pleno desenvolvimento do ESTADO NÃO. 43
  • 44.
    ESPAÇO 29 TODOCONEXO O ser humano, quando adulto, já se concebeu alienado/reprimido de seus impulsos naturais, tornando bem mais difícil o processo de captação, de descoberta de sua condição bem mais ampla do que a de ser humano, pois ser humano, foi e é um “recorte” imposto, que por mais válido que seja, ainda não atinge a plenitude da Criatura, pois sua identificação real ─ CRIATURA ─, não admite nenhuma limitação, nenhum recorte, justamente pela sua composição Não Matéria conexa à sua composição mais conhecida ─ Matéria. Uso a conhecida designação ser humano, por considerar a mais ampla, tendo em vista o Estágio Matéria; porém, quando o ser humano, ultrapassando suas limitações como matéria, atinge a plena conexão do ser humano, ou seja, Matéria/Não Matéria, então sua designação poderá ser, com total consciência ─ Todo Conexo. 44
  • 45.
    ESPAÇO 30 GERAÇÃO No momento de geração de um filho, quando for possível e sensível ao ser humano “sair” do nível Matéria, e impregnar-se da Não Matéria, essa geração fará, desse ser gerado, alguém mutável na escala do tempo, pois virá sob a projeção Não Matéria impregnada em sua Matéria ─ como já o é ─, mas sentindo, à flor da pele, a conexão entre elas. Dessa forma, estará a meio passo, apenas, da captação consciente de seu ESTADO Todo Conexo. As pessoas não devem esquecer que ao gerar um novo ser humano, parte do que está ocorrendo com elas é transferido no ato da geração; isto quer dizer que todas as perturbações de ordem material, todos os tumultos da vida material podem explodir, quando do jorro orgástico. A responsabilidade de geração de um novo ser deveria ser acompanhada de uma satisfação infinita e natural, apenas possível quando o ato sexual, em sua plenitude, for acompanhado do ESTADO Não Matéria. Na realidade, toda relação sexual deveria ser vivida no ESTADO Não Matéria, para que fosse sentida toda plenitude, todo êxtase inerente a ela, que é totalmente diferente do chamado “prazer sexual”, pois este é mais ou menos localizado, e o ÊXTASE do ser pleno é maravilhosamente difuso. 45
  • 46.
    ESPAÇO 31 PENSARES7 Na matéria ─ corpo humano ─, existe obediência natural às leis naturais universais. Nada é imposto; nada é forçado; o fluxo é natural, segue exatamente o que a natureza determina. Todo e qualquer órgão “sabe” exatamente a sua função, a sua interconexão com os outros órgãos. Nada há, naturalmente falando, de inconexo no corpo humano. Comece por observar isso, com mais atenção, com mais carinho. 46
  • 47.
    ESPAÇO 32 PENSARES8 Nada do que não seja interno ao ser humano, poderá despertar-lhe o ser pleno que é. O ser humano não chegará a desfrutar da plenitude de “sua” Não Matéria, durante o Estágio Matéria, se não for por seus próprios caminhos. NADA e NINGUÉM o levará a Não Matéria. É “EMBRIONANDO-SE” que o ser humano permitirá o surgimento do ser pleno, do Todo Conexo que é, e que deve saber que o é. 47
  • 48.
    ESPAÇO 33 AFACE OCULTA DA MENTE Assim como o Universo é um complexo de imensa beleza, grandiosidade e energia, o ser humano, como legítima parcela desse Universo, apresenta também complexidade tão bela, tão grandiosa e energética, quanto ele. O ser humano, enquanto matéria encerra, em si mesmo, todo um mecanismo perfeito em sua natureza Universal, que lhe confere qualidades específicas de pessoa. Sua unidade criadora maior ─ A CABEÇA ─, entendida aqui como um todo, permite-lhe aprender, criar, analisar, observar, comparar, etc. A grande verdade, creio eu, é que na cabeça do ser humano está o comando central dele, como pessoa, como matéria. E como sabemos, é mínima a parcela dessa unidade em funcionamento consciente; a parcela maior ainda permanece às escuras quanto ao que realmente representa. Tenho para mim que essa parcela “às escuras” da cabeça do ser humano, apenas será “iluminada” quando o ser humano atingir a perfeita sintonia, a perfeita conexão e vivência do Estágio Matéria e ESTADO Não Matéria quando então estará também conexo o ESTADO Não Pensar, do qual dependerá, tenho certeza, a descoberta da face oculta da Mente. 48
  • 49.
    ESPAÇO 34 PENSARES9 A matéria não modifica a Não Matéria; porém esta, pela sua força e pela sua condição de SEMPRE, pode modificar a matéria, em determinados níveis, a partir da captação e vivência, pelo ser humano, do ESTADO Não Matéria. 49
  • 50.
    ESPAÇO 35 APESSOA MATÉRIA A pessoa matéria, portanto nós, é o elemento da natureza mais exposto ao meio-ambiente sendo também o elemento que mais sofre as influências desse meio-ambiente ─ aqui focalizado como meio ambiente material/artificial ─ , cria da própria espécie humana. Se em seu princípio, o ser humano matéria conectava-se de forma total com o meio ambiente natural, obediente as suas leis naturais, hoje, ele está quase que totalmente desconexo aos seus princípios naturais. Ouso mesmo pensar, que os seres humanos “primários”, tinham a matéria embrutecida porém, o seu ESTADO Não Matéria seria mais atuante, muito mais atuante, não deixando, entretanto, de ser desconhecido como tal. Penso dessa forma porque, seguindo a evolução natural, vemos que foram em seres não tão “materializados”, não tão embrutecidos pela materialidade, que a luz de grandes descobertas sobre o mundo, sobre o Universo, sobre a Natureza e sobre o próprio ser, fez-se. Foi em seres menos materializados, que a força do pensamento supra-humano fez-se presente, com a transparência do Universal, pois esses seres praticamente foram responsáveis pelos alicerces do conhecimento humano. O que se fez, na sequência, foi aprimorar, desenvolver aquilo que poderíamos chamar de “princípios”. Com a evolução tecnológica, principalmente, o ser humano passou a contar com máquinas que o auxiliam a “pensar”, e a acomodação a esse “sufocar” do pensamento, trouxe e traz consequências à pessoa. Pensadores naturais, no mundo atual, são pessoas marginalizadas, ainda perigosas aos sistemas, e também consideradas como improdutivas e alienadas. Comumente as pessoas dizem: “não tenho tempo para pensar em nada”; “pensar é perda de tempo e tempo é dinheiro, e dinheiro é o que interessa”, “pensar não resolve nada”, etc., etc., etc. . Na era dos descartáveis, o Pensar também passou a ser quase que totalmente descartado pela grande maioria das pessoas. Com isso concluímos que pouco a pouco, o Pensar foi subestimado, foi relevado a planos inferiores, até mesmo por imposição ─ não aparente ─, dos próprios sistemas sociais vigentes. Assim, o ser humano não pensou naturalmente; materializou-se quase que totalmente; entregou-se às mãos da “máquina”, da “engrenagem” ─ cria do próprio ser humano; fez-se, produziu-se conforme aquilo que o social-material vigente, exigia. Materialmente falando, evoluiu muito. Mas hoje, o ser humano sente, que do material, pouco mais há a esperar, a não ser o estrangulamento, o colapso do próprio material, principalmente pela destruição compulsiva do Natural. 50
  • 51.
    Talvez esse sentir,essa observação faça-o pensar, e do pensar, ele, o ser humano, chegue ao Não Pensar e descubra, capte o que realmente é ─ Matéria/ Não Matéria ─ Ser Pleno ─ Todo Conexo. Talvez... 51
  • 52.
    ESPAÇO 36 PENSARES10 A Não Matéria é a Inteligência Superior do ser humano. Deus ─ Não Matéria absoluta; TODO CONEXO, Suprema Inteligência do Universo; Energia Inteligente; LUZ, da qual somos, no ESTADO Não Matéria, semelhantes, pois para chegarmos a isso, fomos criados. 52
  • 53.
    ESPAÇO 37 EDEUS? Deus, dentro do pensamento maior, da vivência maior que envolve o que escrevo e que, portanto, é o que sinto em plenitude, é NÃO MATÉRIA, é Essência Absoluta, de Tudo, portanto ─ O TODO CONEXO ─ PURA ENERGIA. Assim, Deus somos nós, em nosso ESTADO NÃO; somos nós, porque somos parcela de Seu Todo; somos força e energia semelhantes; somos ETERNIDADE E INFINITUDE D’DELE. Somos de Deus o seu ponto de chegada; Ele chega em nós, tornando-se UNO conosco através do “nosso” ESTADO NÃO. Somos Deus em nossa INFINITUDE, SEMPRE. Porém, como ainda somos incompletos por desconhecermos o ESTADO Não Matéria, por vivermos mais o Estágio Matéria, sem captarmos ainda a importância desse Estágio associado, conexo ao ESTADO Não Matéria, precisamos de certas imagens, de certos “recortes” que nos deem a ideia de um deus que não somos nós, que nunca poderemos ser e sim, algo inatingível na escala de espaço e tempo que conhecemos, e que talvez possamos vir a saber Dele, mais verdadeiramente, apenas após a morte. Sei que para muitos pode chocar, pode assustar a ideia de sermos Deus, em sua INFINITUDE; é que olhamos para nós mesmos e nunca vemos o nosso interior, a nossa contraparte de luz; o nosso avesso. Olhamos para os outros e vemos como eles se apresentam ao nosso mundo exterior; olhamos para nós mesmos e para nossos semelhantes com o confuso, nublado e deturpado olhar material, e o que vemos é a imagem da matéria, trabalhada ou mutilada pelo mundo material artificial, que nos envolve. Enquanto não conseguirmos penetrar e caminhar, em nosso avesso, em nossas entranhas, e aprender naturalmente a ver e sentir a totalidade que somos, ou seja: Matéria/Não Matéria ─ Todo Conexo ─ Deus, permaneceremos apenas exterior, fachada, luz apagada; não conseguiremos produzir em nós a Alquimia do Amor e Ele permanecerá fora de nós; não conseguiremos, não alcançaremos a UNIÃO CONSUBSTANCIAL com Ele. Se demos à Energia Criativa o nome de Deus é hora de pensarmos em conhecer melhor essa ENERGIA, saindo um pouco do contexto religioso e penetrando em um dos pontos da Física ─ Física Quântica ─ que certamente trará maior amplitude de conexão ao se pensar a Energia Criativa, tenho absoluta certeza disso. 53
  • 54.
    ESPAÇO 38 PORQUE DO ESTÁGIO MATÉRIA? Eis uma pergunta que deverá surgir com frequência: Por que do Estágio Matéria? Essa pergunta, eu a fiz muitas e muitas vezes, a mim mesma; ainda a faço, porque estou apenas principiando a caminhada Matéria/Não Matéria; portanto, trago ainda toda a força do Estágio Matéria, entrando em choque com o ESTADO Não Matéria, principalmente pelo uso do pensamento material/racional que por vezes quer ter domínio no campo do pensar, não querendo admitir o Não Pensar. Na realidade, centenas de questionamentos ainda permanecem na periferia do pensar, aguardando sua absorção pelo Não Pensar. Como espero que as respostas venham do Todo Conexo, continuo aguardando o momento de SENTÍ-LAS, isto se meu nível Não Matéria estiver programado para isso. Tenho comigo, por tudo que já senti, que os chamados “grandes mistérios” da vida, só serão dissipados quando o maior número possível de pessoas estiver conexo com O TODO CONEXO, pois isto permitirá uma sintonia mais ampla, um campo mais favorável para recepção de uma gama enorme de informações superiores. Antes disso, falta o mais importante: a busca, a captação e a perfeita vivência Matéria/Não Matéria. Ousando, não será possível que o tão falado e comentado “Final dos Tempos”, possa ser, de alguma forma, o início do Não Tempo? Esse Não Tempo seria, então, o término dos tempos obscuros do ser humano, no que tange ao próprio ser humano; seria então, a descoberta e vivência da INFINITUDE, mesmo havendo a Finitude da Matéria, porque o ser humano matéria, será também Todo Conexo, de forma CONSCIENTEMENTE CONHECIDA , RECONHECIDA e SENTIDA. Assim, pode-se até pensar que o Estágio Matéria tem a sua importância, justamente para que haja, ainda, um dia, a descoberta ─ ou redescoberta? ─, e captação total do ESTADO NÃO pelo ser humano, dando início a um novo Estágio de Vida ─ VIDA PLENA. 54
  • 55.
    ESPAÇO 39 CONEXÃO É provável que muitas pessoas vivam em certa conexão com o ESTADO Não Matéria, só que de forma inconsciente, não em sua plenitude, portanto. A totalidade do ESTADO NÃO é abrangente à própria matéria, mantendo-a em suas características naturais, não se desvinculando desta, enquanto for matéria natural. Portanto repito: o Estágio Matéria, conexo ao ESTADO Não Matéria resulta o Todo Conexo que é o ser humano, em sua realidade maior e transcendente. 55
  • 56.
    ESPAÇO 40 REALIMENTAÇÃOENERGÉTICA O ESTADO Não Matéria conecta o ser humano com as leis naturais universais, leis essas que regem o que chamamos de vida e também, principalmente, a Não Vida, permitindo uma realimentação energética natural e constante entre Matéria e Não Matéria, com reflexos perfeitamente harmoniosos em todas as demais esferas, ou seja, Mundo/Não Mundo, Pensar/Não Pensar e aspectos próprios destes. A ausência ou, melhor dizendo, o enfraquecimento dessa conexão causa uma sobrecarga para a matéria, criando situações profundamente desfavoráveis e “desarmônicas” para o ser humano, para toda a natureza, e para o próprio Planeta Terra. 56
  • 57.
    ESPAÇO 41 GERAÇÃODE UM SER PLENO Existe algo de que gostaria de falar, e que considero uma das coisas mais importantes, dentro do Estágio Vida; algo, que de certa forma, não atingiu ainda a real importância ─ Geração de filhos. Possivelmente, dentro desta 1a parte, este Espaço venha a ser um dos mais longos; falarei do assunto da forma mais clara e aberta possível; falarei em função do que penso a respeito, tendo em vista a Não Matéria, enfim, o que chamei de ESTADO NÃO. MACHO/FÊMEA ─ HOMEM/MULHER Desde que o mundo é mundo, desde que foi concebido como tal, desde que recebeu a designação de mundo, temos a situação acima colocada e sempre, desde seu início, conflitante. É evidente que quando falo de concepção do mundo, como tal, estou me referindo mais especificamente, ao conteúdo racional de tal concepção, coisa que fez com que a situação macho/homem fosse considerada altamente superior a situação fêmea/mulher. É evidente que enquanto no reino animal, chamado irracional ─ o que é questionável, ao se avaliar situações em que poderíamos merecer também tal designação ─, essa diferença permaneceu apenas à questão física, para o “reino” animal racional a diferença foi imputada ao todo, da pessoa. Não precisamos ir muito longe para atestar a veracidade dessa situação, para confirmar essa situação altamente discriminatória ─ as pessoas preferem um filho ou uma filha? Se você fosse ganhar um animalzinho de presente, preferiria que fosse macho ou fêmea? . Essa segunda pergunta atesta de que forma a nossa conceituação de macho/fêmea, atinge o reino animal irracional através de nossas idéias, atos e preconceitos. Essa situação conflitante foi distanciando o homem e a mulher, do encontro maior, colocando-os, infelizmente, em situações totalmente opostas, fazendo com que, por várias razões, quase que uma única coisa os unisse ─ a cópula ─, que na maioria dos casos nunca ultrapassou o Estágio Matéria, em sua realização. Essa união sexual entre seres humanos, muitas vezes aconteceu envolvida pelo amor ─ um sentimento que só é o que realmente deve ser, quando ultrapassa o Estágio Matéria, quando consegue despertar, no ser humano, os sintomas do ESTADO NÃO. Mas, na grande maioria das vezes, o que existe não é realmente AMOR; pode receber muitos outros nomes, mas não, AMOR. Vamos tentar ver o assunto de uma forma bastante simplificada. Um homem e uma mulher se conhecem; passa a existir todo aquele envolvimento inicial e um dia, consideram-se apaixonados e prontos para viver uma relação mais íntima ─ veja que estamos falando de casos mais especiais, não daqueles em que apenas a relação sexual imediata, conta. 57
  • 58.
    Então, esse homeme essa mulher partem para o momento íntimo, e para que ele seja completo, ficam nus (talvez apenas materialmente falando), e acontece a penetração do homem na mulher; acontece a cópula que traz, evidentemente, um prazer sexual muitas vezes intenso, mas localizado, ou seja, na região dos órgãos sexuais do homem e da mulher, apenas. Porém, na grande maioria das vezes, existe uma fração milesimal de tempo, do prazer sentido quando do ato sexual, que faz com que as pessoas procurem desesperadamente por esse instante; é como se o ser humano quisesse perpetuá-lo, tamanha é a sua indescritível plenitude. Nessa fração milesimal de tempo, não existe, não aparece, não é sentida a diferença homem/mulher; nesse instante, altamente fugidio, os corpos deixam de ser e resumem-se em ALGO ÚNICO. Nesse instante, o homem não sente que está dentro da mulher (sexualmente falando), e nem a mulher sente que o homem está dentro dela (também sexualmente falando); sentem-se únicos, nesse instante maior; a parceria deixa de existir. É nesse instante que costuma ocorrer o que é chamado de Orgasmo∗, que sob o aspecto fisiológico, tem inúmeras explicações de como e razão por que ocorre. Então, quando ocorre o Orgasmo, paira no ar uma sensação de inexistência da pessoa, do mundo, e até da própria vida; o ser humano “entra” em um estado desconhecido dele mesmo, definido normalmente como Êxtase, mas que eu chamaria de Momento Pleno por ser um dos momentos em que mais próximo o ser humano chega, da descoberta do ESTADO NÃO, pois nesse instante, ele (o ser humano), o mundo, a vida, a morte, o pensamento tornam-se inexistentes. A busca pela repetição desse momento, faz com que as pessoas busquem as relações sexuais com voracidade; assim o fazem, porque não conseguem “armazenar” aquela sensação por um tempo maior do que aquele milesimal espaço de tempo. Diria então, que em cada relação sexual existe uma “agonia”, um estado de ansiedade que busca aquele momento de fugidia paz. Essa “agonia” ocorre porque, em sendo a relação sexual vivida apenas no Estágio Matéria, a sensação de Momento Pleno não consegue perpetuar-se, no ser. Por mais que o Estado Não Matéria esteja presente, nesse momento, ele ainda não é tocado em sua profundidade. Quando o ser humano vive uma relação sexual em perfeita conexão Matéria/Não Matéria, aquilo que chamei de Momento Pleno, transforma-se, aí sim, em ÊXTASE, e nesse instante o ser humano se transforma em Ser, evidentemente, se esse for o seu caminho de encontro ao Ser. ∗ Orgasmo: sabe-se que o orgasmo pode ser atingido sem que haja a cópula, ou até mesmo, o ato sexual, pois ele, na verdade, é algo do ser único; ele não é sentido no outro e sim, no próprio ser; não é externo, não é local, não é parcial. O orgasmo, quando verdadeiro, quando ultrapassa o estágio Matéria e alcança o ESTADO Não-Matéria, transmuta-se em ÊXTASSE, que é verdadeiro, interno, total e independe do outro. 58
  • 59.
    A grande maioriados seres humanos não tem, ainda, sensibilidade desenvolvida para captar, sentir e vivenciar a magnitude de uma relação sexual; isto porque, sua sensibilidade é ainda limitada e limitante ao Estágio Matéria. E normalmente, é sob o envolvimento dessa sensibilidade limitada e limitante ao Estágio Matéria, que um novo ser humano é gerado; novo ser humano visto aqui apenas no aspecto matéria, pois quando visto sob a ótica do Todo Conexo, ele não é novo nem velho, é simplesmente Infinitamente Eterno, pois é Ser. Porém, o novo ser humano, gerado em circunstâncias não plenas do ser, traz consigo todas as interferências acumuladas de séculos e séculos e do dia a dia de seus geradores. Assim, um novo ser é gerado, em um instante de euforia sexual, extremamente passageiro, e por ser eufórico é, na grande maioria das vezes, também banal. E depois de gerado, enquanto é “gestado”, permanece ainda, o novo ser humano, sob o efeito de preocupações quase que estritamente materiais ─ o que ele será ou deixará de ser, dentro da ótica “mundo sócio-material”; pouco ou nada é pensado sobre ele, como ser humano pleno; no nível de vida integral e plena. Acredito, do mais profundo do meu ser, que dia virá em que o ser humano pleno ─ Matéria/Não Matéria ─, fará vir ao mundo um ser especial, através de um momento especial; um ser que trará as características do Todo Conexo em toda sua constituição molecular, em todos os seus pensamentos, em todas as suas atitudes. Confio que esse tempo está mais próximo do que possamos imaginar, pois o que falta, apenas, é que cada pessoa tente “EMBRIONAR-SE”, nascer de novo e nascer pleno, para dar início às mudanças que o novo ser ─ Todo Conexo ─, terá que fazer. 59
  • 60.
    ESPAÇO 42 FELICIDADE,O QUE É? Acredito que a felicidade nada mais é do que um “estar bem” constante, da pessoa com ela mesma, independente de todo e qualquer problema relativo à vida material (natural ou artificial), pois esse “estar bem” consigo mesma e com a vida não acarreta nenhum distúrbio de ordem psíquica, emocional, mesmo que a pessoa tenha que enfrentar situações de grande dificuldade; mesmo assim, estará bem, porque estará plena, interiormente, daquela força que nos sustenta, naturalmente, em qualquer situação. Porém, a vivência isolada do Estágio Matéria acarreta incompatibilidades tremendas com a própria vida material causando, em função disso, praticamente todos os distúrbios emocionais de que temos conhecimento, e com isso, a ausência quase que total desse estar bem. E qual é a razão para isso? É que o ser humano é Matéria e Não Matéria, e apenas através da vivência real de ambas, através da conexão total de ambas é que poderá ajustar-se como ser humano pleno ─ Todo Conexo. Enquanto isso não ocorrer, a vivência será desarmônica e consequentemente, problemática. 60
  • 61.
    ESPAÇO 43 SERPLENO O ser humano pleno ─ Todo Conexo ─, é só, sem ser só. É só, porque o Todo é solitário, por ser Único, e o Único é só. Porém, não é só, porque sendo Todo Conexo, ele é Pleno e sendo Pleno não é só, mesmo sendo único. A solidão que as pessoas normalmente sentem, por mais acompanhadas que estejam, é porque consideram-se avulsas; consideram-se, não no Todo, mas na parte; considerando-se como parte, não são plenas; e não sendo plenas, a solidão da parte as assola e elas buscam mil e uma formas enganosas de complementarem-se, de tornarem-se plenas; mais especificamente, cheias por dentro. Essa solidão da pessoa deixará de existir, da forma como é sentida, quando ela, a pessoa, conceber-se Plena ─ Matéria/Não Matéria ─ Todo Conexo. 61
  • 62.
    ESPAÇO 44 REDEINVISÍVEL Pela solidão e desamparo que o ser humano matéria sente (mesmo que inconscientemente), a proliferação de ideologias encontra terreno fértil. O ser humano precisa, pela solidão e desamparo que sente, de uma ligação mais forte; de uma ligação que a ele pode não parecer, mas que na grande maioria das vezes é de domínio. E cérebros humanos, privilegiados pela observação e sondagem das chamadas “fraquezas humanas” ─ oriundas desse sentimento de solidão e desamparo ─ criaram uma rede que lançada sobre o ser humano, não o permite escapar. Só que existem minúsculos espaços, nessa rede, através dos quais alguns seres humanos escaparam, e tentaram falar sobre a textura dessa rede; porém, ela é muito forte e os que ainda estão sob ela (a maioria de nós, seres humanos), são vencidos cada vez mais, apesar de considerarem-se vencedores, isto, pelo efeito “narcotizante “ de certos elementos constituintes dessa rede. Assim, só acredito no rompimento dessa rede, quando o ser humano captar e vivenciar o Todo Conexo que é ─ Matéria/Não Matéria ─, não submisso a nada além do estritamente natural, que é. 62
  • 63.
    ESPAÇO 45 DÚVIDAS Não posso deixar de admitir a enorme dificuldade quando nos propomos a “captar” nossa realidade maior e transcendente, isto porque, o choque com tudo que nos rodeia é fatal e, por inúmeras vezes, as dúvidas nos assolam quase que de forma incontrolável. Porém, exatamente nas dúvidas do ser humano, em suas buscas maiores, é que reside o terreno fértil para o encontro, para a captação de seu ESTADO NÃO. Quase todos os ensinamentos que temos, no que se refere principalmente ao campo religioso, não nos dão permissão para duvidar. Se duvidamos, se ousamos duvidar dos ensinamentos “instituídos”, que nos dão, nós mesmos tentamos afastar essas dúvidas porque nos foi dito, nos foi imposto que, se duvidamos, então não temos fé, e o que é pior: somos horríveis pecadores, não havendo perdão para isso, a não ser através de um sufocante e destruidor sentimento de culpa. Nos foi ensinado que a fé, seja no que for, não admite dúvidas; que a fé deve, então, ser cega; nos foi ensinado (por aqueles que instituíram credos), que há coisas que não podem ser pensadas, que não podem ser questionadas pelo ser humano comum, porque a ele não foi dado o direito de conhecer coisas, além daquelas que estão disponíveis (e perfeitamente dosadas e/ou camufladas), para serem conhecidas. Então, o medo por estar agredindo, por estar pecando, sufocou e sufoca ainda, na grande maioria dos seres humanos, todos os “será que é isso mesmo?”; sufoca, no ser humano, toda busca natural e espontânea de respostas às indagações que também, natural e espontaneamente o ser humano tem. Apesar de já estar longe o famoso tempo da Inquisição, mesmo assim, perante a sociedade, e principalmente perante algumas de suas instituições, ai de quem ousar pensar e duvidar ─ do que está escrito e determinado ─ e divulgar suas dúvidas, torná-las de conhecimento público. Porém, existe um espaço onde essas dúvidas e questionamentos podem ser lançados, com total segurança, com total liberdade, e até mesmo, certeza de respostas: o nosso interior. Portanto, torno a repetir que o ser humano precisa “EMBRIONAR-SE” dos questionamentos que tem, e aguardar as respostas que virão, e o novo ser que “nascerá” juntamente com as respostas captadas e sentidas. Para mim, prova maior do que foi dito acima, da necessidade de questionar, de compreender e não apenas de crer, sem consistência interna, está nas seguintes palavras de Jesus, O Cristo, quando perguntaram a Ele, qual era o maior mandamento: “Ama o Senhor teu Deus, com todo o teu coração, com tôda a tua alma e com todo o teu entendimento”. (Grifos da autora). 63
  • 64.
    ESPAÇO 46 PENSARES11 A hegemonia e continuidade das “engrenagens enferrujadas” estão no desuso do Pensar e no sufocar das dúvidas. 64
  • 65.
    ESPAÇO 47 PENSARES12 E de simples, a vida tornou-se complexa e limitante, pela complexa e limitante forma de domínio do ser humano, pelo próprio ser humano, como consequência do desconhecimento de sua simples, Infinita e Ilimitada condição NÃO. 65
  • 66.
    ESPAÇO 48 MUNDOMATÉRIA É importantíssimo observar que quando falo em “mundo matéria”, como sendo o grande causador de transtornos ao ser humano, subentenda-se, nessa maneira de falar, não propriamente o mundo, a matéria (naturais), como sendo o mal do ser humano, mas sim, os Sistemas, as Doutrinas, as Instituições de Domínio, as Ideologias, etc., etc., etc... criadas para “melhorar”, “aperfeiçoar” a condição de vida neste Planeta. Foram essas coisas instituídas que “acertaram” as posições do ser humano, nos esquemas criados; ao mesmo tempo, sufocaram os acertos naturais que o ser humano pleno ─ Matéria/Não Matéria ─ traz em si, para sua sobrevivência durante o Estágio Matéria. 66
  • 67.
    ESPAÇO 49 EGOCIÊNCIA A EGOCIÊNCIA, que proclamo como auxiliar às ciências conhecidas, do nosso mundo, na descoberta total da Não Matéria, do Todo Conexo, será encontrada quando o ser humano “EMBRIONAR-SE” de seus, e em seus questionamentos. Nós somos, em natureza, a própria Ciência, e da Ciência que somos, somos também o Cientista que a descobrirá e dará vazão a Ciência Eterna da Não Matéria Natural e Igual ─ SEMPRE. 67
  • 68.
    ESPAÇO 50 PENSARES13 DEUS ─ CIÊNCIA ─ TODO CONEXO, como prefiro chamá-lo, encontrado pela pura ciência mais a ciência do ser ─ a SerCiência. Chamo de pura ciência, as Ciências do Natural, e do Sobrenatural, estas, assim chamadas, por sua íntima ligação com o desconhecido do ser humano. 68
  • 69.
    ESPAÇO 51 DIREITODE PENSAR E OUSAR O ser humano sempre se sentiu e se sente “duplo”, sem conseguir, entretanto, identificar exatamente no que e em que reside esse “duplo” que ele tem, por vezes, a sensação de ser ou ter. Mas, mesmo sentindo-se “duplo”, também sempre se sentiu e se sente só; uma solidão e um desamparo frente a um Todo Desconhecido, no qual, tenta, algumas vezes, pensar. Mas, cada vez que tenta pensar (na forma humana, material, racional, lógica de pensar), ele se choca com seus próprios pensamentos, que podem, na grande maioria das vezes, não serem tão seus; podem ser pensamentos de outro seres humanos, pensamentos que foram, também de uma certa forma, “injetados” em nós, e assim sendo, muitas vezes confundem, perturbam o ser humano em seus “arrojos” ao pensar. Parece então, ao ser humano, que tudo que havia para ser pensado e descoberto, já o foi; e se ele se arroja a novos “pensares”, e os exterioriza, é totalmente desencorajado, porque a grande maioria das pessoas tem opiniões estranhas a respeito de quem “ousa” duvidar, perguntar, pensar sobre coisas que já lhe disseram ser “inquestionáveis”, ao ser humano chamado “comum”. Com essa situação, abrem-se enormes brechas para que o ser humano considere que apenas para alguns poucos foi dado o direito de pensar e lançar seus pensamentos ao mundo, e o mundo os “aceitar” como verdades únicas, portanto, definitivas a respeito do ser humano e de tudo aquilo que a ele, mais profundamente, diz respeito. Mas, independente de tudo quanto já foi dito, ao ser humano, sobre ele mesmo, ele continua a questionar, a duvidar, a ousar, e assim será ─ creio eu ─ até que cada ser humano consiga “EMBRIONAR-SE” de suas dúvidas, de suas questões, de seus “pensares”, e descubra por si mesmo, a sua verdade maior, o seu Todo Conexo. 69
  • 70.
    ESPAÇO 52 PENSARES14 Enquanto o Estágio Matéria dinamiza o ser humano em suas conexões materiais, o ESTADO NÃO, insere-lhe sua INFINITUDE; insere-lhe seu ESTADO de Todo Conexo, e o conecta, evidentemente, com esse TODO CONEXO que ele, ser humano, é. 70
  • 71.
    ESPAÇO 53 PENSARES15 A descoberta breve, ou não, do ESTADO NÃO, depende do nível de “congestionamento”, de “concretude” em que se encontra a pessoa, em função da distorção da realidade do Estágio Matéria. Entretanto, por mais estranho que possa parecer, esse próprio “congestionamento”, esse estado de extrema “concretude”, da pessoa, do ser humano, pode vir a detonar a descoberta do ESTADO NÃO, num curto espaço de tempo. 71
  • 72.
    ESPAÇO 54 PICOEVOLUTIVO Acredito que o pico evolutivo máximo, do ser humano, enquanto matéria, será a vivência plena da Matéria e Não Matéria, pois enquanto uma é Finita, a outra foi, é e será SEMPRE. Portanto, a plenitude do ser humano, acredito, deverá ser a vivência plenamente conhecida de seu ESTADO NÃO; será sua vivência como Todo Conexo que sempre foi, é e será. 72
  • 73.
    ESPAÇO 55 OSEMPRE O ser humano, quando Todo Conexo, não é um ser morto, apegado a “raízes” distorcidas e apodrecidas. Ele é sempre novo, porque o Todo Conexo vibra em conexão com a Natureza e esta sabe bem o que fazer com as raízes distorcidas e apodrecidas, do seu meio. Na Natureza, Tudo é constantemente novo e mutante; não há estagnação, no sentido real da palavra. O SEMPRE é sempre novo porque é constantemente renovador e renovado; por ser SEMPRE, sua “época” é ininterrupta e vibrante; além do mais, o SEMPRE não é preso a nada; ele paira além do que foi, do que é, e do que poderá ser. 73
  • 74.
    ESPAÇO 56 OTODO CONEXO ─ VOCÊ O que esta primeira parte do EgoCiência e SerCiência tentou dizer a você, é que NADA e NINGUÉM pode tirar de você a sua INFINITUDE, mas que também, NADA e NINGUÉM poderá descobrir em você, o Todo Conexo que você é, só você mesmo. A INFINITUDE DO TODO CONEXO só você pode procurar, encontrar e viver. A caminhada ao encontro de “sua” Não-Matéria, enfim, a caminhada ao encontro de sua verdade maior, o Todo Conexo que você é, é difícil pela força da rede que foi lançada sobre nós, mas que nós temos força suficiente para “dissolvê-la”, e deixar fluir a verdadeira VIDA ─ Matéria/Não Matéria. 74
  • 75.
    ESPAÇO 57 “EMBRIONAR-SE” Devo admitir que foi longo o tempo de busca, até chegar a captar e sentir a realidade do ESTADO Não Matéria, e da fusão dele, comigo mesma, que foi em verdade, o encontro com o Todo Conexo , que sou. Daí a conclusão do Todo Conexo que somos e que é aquele que a grande maioria chama de Deus. Para mim, Deus É TODO CONEXO ─ e assim prefiro chamá-lo ─, assim como você e eu também somos, nas dimensões que a matéria nos permite, mas totalmente não dimensionáveis e INFINITOS, em nosso ESTADO Não Matéria. EMBRIONEI-ME de todos os questionamentos que tinha sobre a vida; observei o material ─ natural e artificial ─, e captei a natural Não Matéria. Durante longo tempo pensei na vida, na forma como ela é vivida e conhecida, e quando deixei de pensar e passei a ser o próprio pensamento, “captei” e senti a vida e cheguei a Não Vida, exatamente através do Não Pensar. Agora estou no princípio de minha caminhada consciente Matéria/Não Matéria; sou recém- nascida e vou ter que ver, agora, dentro do tempo que tenho no Estágio Matéria, o que é, realmente, ser Todo Conexo, plenamente, como espero. 75
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    EgoCiência e SerCiência Ensaios Parte 2 76
  • 77.
    Explicações Preliminares Quando comeceia escrever a Parte 2 do EgoCiência e SerCiência-Ensaios, percebi, com maior intensidade, a realidade maior do que havia “escrito” na Parte 1, e esta Parte 2 é uma tentativa de ampliar as colocações, então feitas. Você leitor, deve ter observado que usei aspas (“”) na palavra escrito; deve lembrar,também, o mencionado sobre explicar a razão da utilização delas, no decorrer dos assuntos. A explicação é simples. No que se refere a Parte 1, praticamente apenas passei para o papel (em máquina de escrever, pois na época, não dispunha de computador) tudo o que havia “pensado” e anotado, em momentos diversos e também tudo que havia “surgido” nas gravações feitas, quando daquelas “conversas” já citadas na Parte 1. Portanto, honestamente, não poderia assumir ─ racional e logicamente ─ de forma integral, a autoria da maioria daqueles espaços; algo mais, além de meu racional e lógico, propôs as questões e as “formulou” ao entendimento. Tal coisa não aconteceu nesta Parte 2; aqui, o pensamento, da forma usual conhecida por nós, formulou as questões e elas foram desenvolvidas, de certa forma ampliando, parte do que já foi visto, provavelmente para uma melhor compreensão. As partes que veremos, a seguir, foram sendo desenvolvidas mais ou menos entre 1987 e 1990. Creio ser importante dizer a você, leitor, qual motivo levou-me a propor o então Ensaios sobre a Não Matéria, atual EgoCiência e SerCiência. Não havia, de início, nenhuma intenção de fazê-lo; pensei em como seria difícil tentar expor algo que havia nascido de experiência totalmente particular, e como tal, talvez devesse ficar apenas comigo, pois que interesse poderia ter, para outra pessoa, aquilo pelo que passei, o ponto onde cheguei e o que alcancei? O que impulsionou-me a fazê-lo, primeiro foi ter verificado que, em cada livro lido por mim, algo ─ mesmo uma pequena frase ─ renovava aspectos internos importantes; segundo, que se a maior parte do EgoCiência e SerCiência veio através daquilo que podemos chamar de insights, com certeza é porque sua mensagem poderá encontrar eco em pessoas, que como eu, almejam caminhos alternativos de busca. Ainda um terceiro motivo surgiu ao pensar em quantas e quantas pessoas passam por situações semelhantes, sem que consigam despertar para seus próprios meios de analisar os fatos e encontrar respostas em si mesmas. 77
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    Assim, continuemos juntos,percorrendo as linhas escritas e procurando ir além do que se apresenta, deixando espaço aberto para que esta ou aquela frase, este ou aquele parágrafo possam “dizer” algo mais. É importante também que lhes diga que, as dificuldades encontradas na abordagem dos assuntos contidos na Parte 1, continuaram nesta Parte 2. É mais que certo que as palavras não podem “transportar”, por elas mesmas, a Essência do que está sendo escrito; além do mais, eu mesma tenho limitações na exposição desses assuntos; não consigo trabalhá-los de forma linear, seqüencial, discursiva; não há como escrever detalhadamente, pois tenho consciência de que apenas os contornos devem ser expostos. Por essa razão, continua a divisão dos assuntos em Espaços e estes, nesta Parte 2, foram constituídos por aquilo que chamei de Pontos (P). Essa forma de expor os assuntos permite que a penosa e restrita sequência linear, lógica de exposição através de palavras, seja atenuada. Em cada Espaço, a sequência de Pontos baila com certa flexibilidade e liberdade, o que permite que em cada um deles, você leitor, encontre ─ na grande maioria das vezes ─ um todo que o é por si mesmo, apesar de fazer parte de um todo maior ─ o Espaço. Então, comecemos. 78
  • 79.
    ESPAÇO 1 MUNDO P.1Se dermos a qualquer pessoa duas figuras totalmente diferentes, um quadrado e uma esfera, e pedirmos que ao lado de uma delas escreva a palavra mundo, é evidente que a figura escolhida será a esfera. Mas, nossa realidade sensível, para o mundo, não é a esfera porque vivemos em conformidade com a tridimensionalidade, que por si só nos aprisiona, nos limita ─ fisicamente falando ─, e nos condiciona, psicologicamente. A tridimensionalidade envolve o ser humano desde o nascimento: ─ o berço onde é colocado (a maioria dos seres humanos); ─ o quarto, onde fica o berço; ─ a casa onde ficam o quarto e o berço. SÃO FORMAS E COISAS MARCANTES E SÃO TRIDIMENSIONAIS. P.2 Provavelmente o movimento de nossos olhos ─ quando ainda crianças ─,ou melhor, recém-nascidos, encontra naturalmente a limitação da tridimensionalidade, e a medida que nosso cérebro registra a “realidade” dimensional em que vivemos ─ materialmente falando ─ vamos sendo programados para reconhecer a tridimensionalidade como uma de nossas maiores realidades, mesmo que jamais pensemos a respeito, mesmo que jamais a questionemos. P.3 A tridimensionalidade que a vida física nos impõe, limita-nos, inclusive psicologicamente, porque quando nos deparamos ─ visualmente falando ─ com algo que parece escapar a tridimensionalidade, temos dificuldade em nos adaptarmos a essa visão; nossa psique, de certa forma, é abalada pelo diferente, pelo fora do comum. P.4 Ao vivermos em conformidade com a tridimensionalidade ─ por nossa condição física/material e nosso condicionamento mental ─, vamos pouco a pouco “fechando” o mundo em uma “pequena caixinha” onde “colocamos” e “guardamos” aquelas pessoas, coisas e lugares de que mais gostamos ou necessitamos. É evidente que isso, na totalidade, não ocorre a nível físico, mas sim, em nossa estrutura interna, de forma tão inconsciente que não nos damos conta quão forte e limitada é a nossa estrutura interna de mundo. Essa estrutura interna, se analisarmos bem, é tão limitada que a casa de nosso vizinho não faz parte dela, a não ser que por alguma razão, nossa, esse vizinho tenha participação especial que o diferenciará de outros e o colocará em nossa “caixinha mundo”, por exclusiva deferência nossa. 79
  • 80.
    P. 5 Veja: é evidente que como ser físico, o espaço que temos condição de abranger é extremamente limitado; que nada há de errado em termos um mundo tão pequeno, comparativamente ao tamanho do mundo em que vivemos, isto para falar apenas do Planeta Terra. O problema, penso eu, está na interiorização emocional, psíquica e mental desse “mundo caixinha”. Essa interiorização gera um isolamento da pessoa, do Todo do qual ela é parte integrante. Dessa interiorização de nosso “mundo caixinha”, passamos automaticamente à desconsideração, parcial ou total, de todos os outros “mundos caixinha” que existem, abrangendo essa desconsideração o Planeta como um todo, a natureza em sua quase totalidade, pois ela, pela nossa estrutura interna de mundo, está fora desse “nosso” mundo. P.6 Cada um de nós, portanto, tem um mundo particular, próprio, composto de seres, coisas e lugares que mais nos interessam ─ seja qual for o nível e/ou aspecto desse interesse ─ recortes do mundo global que guardamos em “pequenas caixas” que permanecem ─ de forma bastante acentuada e evidente ─ alheias as outras “caixinhas mundo”, das outras pessoas. Por essa razão, não precisamos nos esforçar demais para entender o porquê da grande dificuldade de comunicação entre as pessoas; ficamos, muitas vezes, horas em contato com pessoas sem sequer trocar, pelo menos, um cumprimento, pois, a priori, as consideramos estranhas. Chegamos ao cúmulo, muitas vezes, de considerarmos ainda como “estranhas”, pessoas que diariamente encontramos no elevador, na fila do ônibus, no ônibus, enfim, nos mais diversos lugares; sequer arriscamos um tímido cumprimento porque elas, pela nossa estrutura interna de mundo, pertencem a outro mundo, que não é o nosso. E se alguém tenta quebrar essa incomunicabilidade, dificilmente encontra ressonância; muitas vezes é olhado com certo ar de repreensão, como se fosse um E.T., que com essa atitude quisesse penetrar no “mundo caixinha” de alguém, sem ser convidado. P.7 VIVEMOS NO UNIVERSO, NUM PLANETA CHAMADO TERRA. A primeira idéia ─ VIVEMOS NO UNIVERSO ─ não nos é nada familiar na extensão e profundidade que deveria ser; para alguns, pode chegar a ser inconcebível, estranha, sem condição de racionalização e muito menos, de percepção. A segunda está mais próxima de nós, mas também não na extensão e profundidade que a realidade exigiria. O que está bem próximo de nós é uma pequena caixinha que representa o mundo para nós, ou melhor, representa não, é o mundo, para nós. Não trazemos em nós (física/materialmente falando) a vivência esférica; por essa razão, nos perdemos do infinito e desconhecemos o universo, preferindo a limitação da tridimensionalidade e até mesmo da gravidade, pois ambas nos ajudam a delimitar, a fechar, a 80
  • 81.
    firmar um espaçoque desejamos, particularmente nosso. Na realidade, talvez nem todos se sintam prisioneiros da tridimensionalidade (como algumas pessoas), porque de uma certa forma ela é aconchegante; o que foi feito em função dela, em acordo com ela, é cômodo, prático, vivenciável ─ “real”. P.8 A tridimensionalidade e a gravidade aprisionam a pessoa à materialidade. P.9 Quanto mais nos materializamos, quanto mais nos fechamos em pequenos mundos, mais distantes ficamos do Universo. Em plena Era Espacial, a pessoa está mais distante do Universo do que em todas as outras eras passadas. P.10 A pessoa precisa romper com a tridimensionalidade e com a gravidade e deixar nascer o Ser; a pessoa permanecerá sob os efeitos de ambas, mas pela presença do Ser, não se sentirá mais “presa” a nenhuma delas. P.11 A própria força da gravidade que nos “fixa” no Planeta Terra, age em nossa psique não nos deixando alçar voo para além daquilo que consideramos como real ─ visível, palpável, definível ─ existente de fato. P.12 Somos conscientes de uma pequeníssima parcela da realidade que nos cerca; tudo o mais permanece, digamos assim, “flutuante” em nosso mecanismo cérebro/sensitivo; só em algumas ocasiões conseguimos centrar algumas dessas coisas “flutuantes”, ao nosso “mundo caixinha”, quando, por alguma razão específica nossa, essa coisa nos interessa. Exemplo: “sabemos” da importância da natureza em nossa vida, mas nunca paramos para pensar na extensão dessa importância; isso apenas flutua em nós, pois afinal, há tantas outras coisas importantes (para o nosso “mundo caixinha”), em que pensar, com que se preocupar. Agora, com todas as situações ecológicas desfavoráveis sendo apontadas, mostradas, comentadas, esse algo “flutuante”, em algumas pessoas já se tornou algo centrado ─ parou de flutuar ─ foi anexado ao “mundo caixinha”; mas isso aconteceu, não propriamente porque o mundo global, o Planeta Terra e a humanidade correm riscos e sim, porque esses fatos estão, de uma certa forma, ameaçando o “mundo caixinha” dessas pessoas. Não estão preocupadas com os efeitos de uma possível catástrofe mundial, para a humanidade, para a natureza, para o Planeta; estão preocupadas com os efeitos dessa situação em seus “mundos caixinha”. Talvez nem sequer pensassem nessa possível catástrofe ecológica, se ela não atingisse também aqueles “mundinhos” onde “vivem”, ou seja, se alguma coisa viesse a ocorrer longe de onde essas pessoas têm os seus “mundos caixinha”; assim talvez respirassem e dormissem tranquilas. Na verdade, não teriam culpa em pensar assim; estariam apenas demonstrando, na 81
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    prática, os efeitosdanosos, nocivos da tridimensionalidade e da gravidade, interiorizadas ─ Egoísmo, desunião e ausência total de pensamento holístico. P.13 A tridimensionalidade, aliada à gravidade nos traem quanto a nossa própria condição de percepção do espaço que habitamos. Não conseguimos nos sentir vivendo numa quase esfera, e muito menos, que essa quase esfera está, digamos assim, “solta” no Universo; não conseguimos sentir que a nossa proximidade com o Universo é bem mais real do que possamos imaginar, porque vivemos nele; por estarmos no Planeta Terra, não significa que não estejamos no Universo. P.14 A tridimensionalidade real (física, material), aliada à tridimensionalidade mental, ou seja, aquela que a condição física de existência nos impõe, estimula o aprisionamento ao que é concreto, ao que nos é provado como real; materializa-nos; fecha, limita nossos horizontes; castra nossa imaginação espacial; ergue muralhas quase intransponíveis ao Ser. Se a tridimensionalidade nos limita ao espaço em que vivemos (materialmente falando), a gravidade nos força, nos pressiona, nos “suga” para essa mesma tridimensionalidade. P.15 É evidente que o que foi dito em P.14, não nos é transparente; não temos consciência de que as coisas possam ocorrer dessa forma. Não pensamos, no nosso dia a dia, na tridimensionalidade e na gravidade; aliás, é algo que sequer nos lembramos. Porém, os efeitos de ambas, inúmeras vezes chegam ao nosso nível consciente, sem que sejam diagnosticados como tal. É aquela sensação de aprisionamento; sentimos, algumas vezes, como que “fechados”, sem espaço e também “pesados”. Ambas as sensações ─ de “fechados” e “pesados” ─ geram certo desconforto, certa angústia. Nessas horas, algumas pessoas até costumam dizer: “sinto uma vontade enorme de sair correndo, de sair voando por aí”. P.16 É importante observar que esse quadro de mal-estar definido em P.15, aumenta de intensidade e número de pessoas acometidas por ele, na razão direta do afastamento do que poderíamos chamar de espaços naturais, ou seja, quanto mais afastados estivermos (física e/ou mentalmente), de espaços naturais, mais “pesados” e “presos” nos sentiremos. Assim, quanto mais próximos estivermos de espaços onde o concreto, o artificial nos envolvem, mais e mais vezes sentiremos esse tipo de mal-estar. Nos grandes centros urbanos onde os espaços são rigorosamente definidos, onde a tridimensionalidade está ameaçadoramente demarcada pelo concreto, a perda do ser natural ─ da pessoa ─ é perfeitamente visível; as pessoas trazem no rosto o enquadramento ao formal. P.17 Será importante dizer que considero que os efeitos da tridimensionalidade e da gravidade, foram se tornando mais marcantes, mais evidentes à medida que a humanidade 82
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    começou sua caminhadamais aceleradamente, em direção àquilo que foi proclamado como progresso, como desenvolvimento material/social. Essa tridimensionalidade psíquica/mental/emocional acompanhou, passo a passo, essa caminhada da humanidade, enquanto o aspecto material/físico (dessa mesma tridimensionalidade) tornou-se cada vez mais agressivamente presente. P.18 Temos ainda exemplos de povos, de seres não “contaminados” psíquica, emocional, mentalmente pela tridimensionalidade, entre eles, os povos indígenas, principalmente aqueles que nenhum contato têm com a chamada “civilização”. Esses povos vivem mais, muito mais em contato com a esfericidade do Planeta, tanto que suas “casas” são de formato esférico, comprovando que eles têm mais conexão que nós, com a realidade espacial do habitat terreno. Por que as ocas dos índios são arredondadas? P.19 Os seres humanos, ditos civilizados, perderam muito de sua composição natural passando, sem a devida percepção, para ser artificial sofrendo, entretanto, os efeitos danosos dessa quase radical mudança. Talvez a coisa mais linda e importante que os povos não civilizados, não “materializados” têm, é o que poderíamos chamar de uma noção integrada da natureza, ou simplesmente, Amor à Natureza. Esse sentimento engloba um imenso respeito a tudo que os rodeia, fazendo com que esses povos tenham sensibilidade aguçada para entender todas as mensagens de seu meio ambiente; são ecologicamente corretos ─ usando um termo bem atual, mas, para a maioria de nós, existente apenas no papel e nos discursos; isto, por enquanto, espero. P.20 A grande maioria das pessoas, pela estrutura interna de mundo, que tem, olha, mas não vê tudo o mais que está fora de seu ”mundo caixinha”. Quando se olha, apenas, alguma coisa, não nos tornamos unos com aquilo que estamos olhando; mas quando, além de olhar também se vê aquilo que se está olhando, então nos tornamos unos com aquilo. Resumindo, quando também vemos aquilo que estamos olhando, essa coisa olhada e vista, passa a fazer parte de nosso “mundo caixinha”, por inclusão ou exclusão; por inclusão, quando essa coisa nos agrada; por exclusão, quando não nos agrada, pois apesar de assim ser, fará parte de nosso “mundinho”. P.21 O mundo definido, limitado, coerente com a lógica cartesiana, com o pensamento racional, com a ânsia do ser (dito humano), em guardar a si próprio, a outros que quer bem, e guardar coisas de que mais gosta, permite o estreitamento do vínculo da pessoa com o Ter, com o Possuir. O mundo, da forma como foi “recriado” pelo ser humano, ou seja, o “mundo caixinha” de cada um, desenvolveu demasiadamente o já profundo egoísmo das pessoas, 83
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    egoísmo esse quechega a máxima consequência de não reconhecimento, dos menos próximos, como seres humanos; as pessoas se olham como se não fossem todas iguais, em constituição; olham-se, como se não pertencessem ao mesmo mundo, ao mesmo Planeta, ao mesmo Universo; olham-se, como se não tivessem, todas, o mesmo destino infalivelmente marcado ─ a morte. P.22 E o mundo de que temos conhecimento, de belo tornou-se feio, angustiado, sufocado, carente, doente porque fizemos dele um reflexo de todas as nossas imperfeições, de todo o nosso desamor por nós mesmos, e por extensão lógica/racional, por todos aqueles que não são próximos a nós por não fazerem parte de nosso restrito e egoísta “mundo caixinha”, por não serem do rol daqueles que, possessivamente, chamamos de “os meus”. 84
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    ESPAÇO 2 NÃOMUNDO P.1 Falar sobre aquilo que considero ser o Não Mundo é de extrema dificuldade, muito mais por ser, digamos assim, substrato de uma realidade que poderíamos chamar de particular, concebida por uma pessoa, em sua essência “não dimensionável”. Sendo assim, não se pode transferir para outra pessoa (que também tem o Ser não dimensional talvez, ainda não descoberto), algo que é fruto, não da objetividade racional, mas sim, da subjetividade intuitiva do Ser. P.2 O Não Mundo não é vazio, porque o vazio inexiste da forma como se pensa. Porém, se formos pensar na significação do cheio, para nós, então poderemos dizer que o Não Mundo é totalmente vazio de tudo quanto possamos pensar que poderia preenchê-lo. P.3 O Não Mundo não pode ser apreendido, se não desmoronarmos, se não implodirmos, em nós, a frenética idéia de mundo que temos e que, de certa forma, é real, porque transformamos em real, em verdadeiro, a parafernália material desenvolvida/alimentada com o intuito de subsidiar a pessoa com recursos para sua existência física/material. P.4 O Não Mundo não pode ser dimensionado, nem definido, nem qualificado se tivermos em conta apenas o racional, o lógico, o material, o físico. A apreensão do Não Mundo, de seu significado, depende da transcendência do racional, do lógico, do material, do físico. Podemos partir de qualquer um deles ao encontro do Não Mundo; porém, teremos que implodir em nós toda e qualquer idéia vigente, todo e qualquer conceito, para então, transcendendo o ponto de partida ─ nós mesmos ─ podermos “alcançar” o vazio e nele conceber, dar luz à sensibilidade do Não Mundo. P.5 Quando nos tornamos Ser, as dicotomias desaparecem; por essa razão, Mundo e Não Mundo não são diferentes para aquele que se tornou Ser, pois transcendeu conceitos e definições, incluindo-se no TODO CONEXO, que tudo É. P.6 Se pudéssemos definir o Não Mundo, diríamos que é PURA SENSAÇÃO porque não há interferência de qualquer conceito ou sentido, ditos humanos. Explicaremos, no Espaço 9, o que queremos dizer com “PURA SENSAÇÃO”. 85
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    P.7 Portanto, para mim, o Não Mundo é Pura Sensação que após experimentada, não é mais esquecida; passa a fazer parte de nós; não é mais algo externo, que se busca; é algo que está e é, em nós. Após essa “concretização” do Não Mundo, em nós, deixam de existir todas as dicotomias relativas ao mundo material, físico; há apenas a fusão do Mundo e Não Mundo em consequência de um ESTADO de apreensão do Infinito e do Eterno que permite ao Ser, uma abrangência ilimitada que, aliás, é a sua realidade. P.8 Quando ultrapassamos, como Ser, a visão limitada de mundo e nos fundimos ao Não Mundo, com clareza (e profunda tristeza), verificamos que pelo desconhecimento do Não Mundo, fizemos ao Mundo ─ Planeta Terra ─ algo que jamais faríamos se a Pura Sensação do Não Mundo, não tivesse sido sufocada em nós, seres humanos. P.9 Como seres universais que somos, em nossa Essência Energética, podemos captar, em nós, a realidade maior que nos rodeia e mais que isso, que somos. Ao captar isso, entendemos o porquê da pessoa, do ser matéria, da vida terrena; entendemos por que o Ser Energia precisa do Estágio Matéria para dimensionar-se Infinito e conceber-se Eterno. Apenas como ser físico, como matéria, o Ser Energético conhece a limitação espaço/temporal. O Ser Energético, Infinito e Eterno, precisa sentir o condicionamento físico, material, mental, ao finito espaço e tempo da matéria; só pode senti-lo, realmente, através da tosca e passageira vestimenta material que usa, durante um curto espaço de tempo, neste Planeta. P.10 O Não Mundo, Infinito e Eterno, não se decompõe por ser Pura Energia; o mundo ─ Planeta Terra ─ finito e dimensionável, é passível de decomposição em seu aspecto material, físico, mas, em seu nível energético “acopla-se” ao Não Mundo realizando o grande segredo do TODO CONEXO, do qual, nada se pode saber, apenas pressentir e vislumbrar, através da Pura Sensação. P.11 Numa linguagem tosca poderíamos dizer que o Não Mundo é tudo aquilo que não temos condição de olhar, ouvir, tatear, sentir. Numa analogia extremamente simples, poderíamos dizer que o mundo é uma casa que estamos observando, vendo apenas em seu aspecto exterior ─ paredes externas, portas, janelas ─; vemos apenas o exterior, enquanto que o interior ─ o Não Mundo ─ só poderemos “conhecê-lo” ao penetrarmos em seu interior, ao abrirmos as portas da percepção e sentir a Pura Sensação do Não Mundo. 86
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    ESPAÇO 3 VIDA P.1 A vida, para mim, parece mais uma grande mensagem em código explícito e secreto (ao mesmo tempo), de conhecimento/aperfeiçoamento da pessoa. Explícito, porque totalmente a descoberto, está visível a quem quiser entender as mensagens da vida, escritas sem nenhum segredo, sem nenhuma restrição, mas, mesmo assim, através de códigos. Secreto, porque é um código, que apesar de Universal, apenas se dá a conhecer em parcelas individuais, particulares, especificamente dosadas e dimensionadas em relação à “qualidade” de energia de cada ser humano. P.2 O que foi dito em P.1, não é difícil de entender: ─ mensagem em código explícito, porque basta olhar a natureza, toda a natureza, para que percebamos a importância, a grandiosidade, a coerência, o sincronismo que existe; nada é avulso na natureza; nada é somente; tudo se relaciona, tudo se interliga numa majestosa fusão de energia, constantemente em mutação. Nada na natureza permanece inerte e igual; segundo a segundo, tudo se transforma; nada disso é visto e/ou sentido por aqueles que fecham o mundo em “pequenas caixinhas”; ─ mensagem em código secreto, porque o explícito deverá levar cada pessoa, individualmente, pessoalmente, solitariamente à busca e apreensão do quanto lhe couber, como Ser, do TODO CONEXO. P.3 É tão fácil, ao contato com a natureza, adquirir a certeza da existência de um Todo muito maior, Infinito mesmo, que de tudo faz parte e que é parte de tudo. P.4 Alguns podem questionar quanto a validade em descobrir e conhecer o código explícito e de desvendar e apreender o código secreto, em relação ao dia a dia, ao prático existencial da materialidade que, evidentemente, leva ao que é chamado de “luta pela sobrevivência”. Na verdade, descobrir e conhecer o código explícito, já nos vai fazer entender que essa chamada “luta pela sobrevivência”, esse corre corre, do dia a dia, embotou a sensibilidade do ser humano para as coisas mais simples, como: prestar atenção ao canto dos pássaros, olhar o céu em noites estreladas, entregar-se, sem reservas, à melodia de uma canção, e tantas e tantas outras coisas extremamente simples que já não ressoam mais em nosso ser, em função da deteriorização de nossa sensibilidade, talvez até mais acentuada do que a própria deteriorização de nosso meio ambiente. 87
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    P.5 Desvendar e apreender o código secreto vai, em realidade, ampliar nossa visão de mundo, nossa visão de vida; vai ajustar-nos à natureza como um todo; vai multiplicar nossa existência em função da abrangência de nossa sensibilidade, de nossa compreensão para com o todo vivente; vai nos dar a exata medida do que somos, como matéria; nos dar a exata medida do que realmente necessitamos para viver e nos fazer questionar o supérfluo, e muito mais, o excessivamente supérfluo. P.6 Uma das coisas mais importantes em desvendar a mensagem em código explícito e secreto, da vida (creio eu), é a sensibilidade aguçada que passa a nos envolver, fazendo-nos sair da sensibilidade do eu para a sensibilidade do nós ─ abrangente, incondicional ─ que amplia ao máximo, e de forma cada vez mais nítida, nossa condição de percepção do Todo que nos rodeia e que somos. P.7 Antes de desvendar a mensagem da vida, nossa sensibilidade é restrita ao o que “eu sinto”, que evidentemente, envolve apenas aquele pequeno “mundo caixinha” de que falamos no Espaço 1; diríamos que é uma sensibilidade em “circuito fechado”. Essa sensibilidade em “circuito fechado”, própria da pessoa que ainda não se descobriu Ser, permitiu que a situação de vida, no Planeta Terra, chegasse ao ponto crucial em que está, pela omissão e descaso pelo Todo, do qual, cada um de nós, é parte integrante, querendo ou não querendo admitir. P.8 O que comumente o ser humano entende por vida ─ período desde o nascimento até a morte ─ tem um desenrolar natural: nascer, crescer, envelhecer, morrer, ou variações que fazem com que o nascer e o morrer coincidam, ou que não se chegue a nascer, crescer ou envelhecer, para morrer, isto, naturalmente falando. Hoje em dia, em função dos avanços da medicina, o morrer quase tornou-se opcional (para alguns) em determinados casos ─ ou morre agora ou daqui a 5, 10, 15 ou mais anos. O viver também está hoje, muito mais que antigamente, condicionado a inúmeros fatores externos, que acabam penetrando no interior das pessoas de uma forma perceptível ou não: ─ violência urbana; ─ acidentes automobilísticos; ─ contaminação dos alimentos por produtos químicos tóxicos; ─ contaminação da água também por produtos químicos tóxicos; ─ contaminação da carne (para quem ainda é carnívoro), pelos mesmos produtos químicos, direta ou indiretamente ingeridos pelo bovino, suíno e aves; ─ poluição do ar, pelos mais diversos tipos de gases tóxicos, é claro; 88
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    ─ destruição dacamada de ozônio; ─ contaminação nuclear, cuja extensão real da já existente, não nos é dada a conhecer, por motivos óbvios. Esses fatores, e muitos outros mais, a curto ou médio prazo contribuem para a degenerescência orgânica, causadora e/ou terreno fértil para inúmeras doenças graves. P.9 A humanidade deixou-se enredar num pseudoconceito de vida que a esta aniquilando física, mental, emocional e espiritualmente. De forma alegre, colorida e até cômoda, os tentáculos de uma monstruosa, fria e desumana estrutura de vida se espalham pelo planeta, deixando a grande maioria dos seres humanos (consciente ou inconscientemente), sufocada por uma terrível sensação de impotência, cansaço, desilusão, angústia, e incapaz também, de diagnosticar o por que daquilo que é mais conhecido como “sufoco de vida”. Analistas e psicólogos não dão conta do número de pessoas que os procuram; os médicos assustam-se com o número crescente de pacientes com estranhas formas de doença ou, pelo aumento progressivo desta ou daquela, incluindo hoje, grande número de recém-natos ou crianças em tenra idade que trazem, em sua pequena estrutura orgânica e/ou mental, sérios problemas de saúde anteriormente apresentados apenas pelos adultos. As indústrias farmacêuticas aumentam, dia a dia, a produção (e seus fabulosos lucros também, é claro), de medicamentos “indicados” para depressão, ansiedade, angústia, etc., etc., etc. Seitas religiosas, criadas do dia para noite, enriquecem seus fundadores de forma vertiginosamente rápida, porque àqueles que necessitam (e são tantos!), de algum tipo de ajuda para suportar grandes pesos que a “vida” lhes impõe, “financiam” um atendimento religioso, dando-lhes, pelo menos por algumas horas, a impressão de que há ainda quem por eles se preocupe. P.10 Fazemos com a vida o mesmo que fazemos com o mundo ─ uma “pequena caixinha”, única e exclusivamente nossa; não nos ampliamos; fechamo-nos cada vez mais, e a multiplicidade de “pequenas caixinhas” fechadas, doentes, enfraquece e quase extermina aquilo que poderia ser o grande lenitivo para o sofrimento, e o grande incentivo para busca de algo melhor ─ COOPERAÇÃO ─ de uma abrangência muito maior do que aquela que nossa pequena e limitada racionalidade consegue abranger. É a Cooperação que transcende a pseudocooperação que visa, exclusivamente, preservar nossos interesses ou interesses de grupos fechados, limitados; é a Cooperação natural, espiritual, universal e até mesmo – CÓSMICA! 89
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    É a Cooperaçãoque incorpora no prático, no dia a dia, as magníficas palavras quase apagadas pelo vendaval materialista ─ “AMAI-VOS UNS AOS OUTROS”─ algo profundamente simples, descomplicado e de uma abrangência infinitamente real e verdadeira. Essa Cooperação, se mundialmente compreendida e aceita, faria com que os seres humanos, com maior facilidade e espontaneidade, decifrassem a mensagem em código explícito e secreto, da vida. 90
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    ESPAÇO 4 NÃOVIDA P.1 Em nosso estágio ─ vida material ─ não temos condição (através apenas dos órgãos sensoriais) de captar a essência da Não Vida, porque nossos órgãos sensoriais atuais estão profundamente comprometidos com a materialidade, com a tridimensionalidade e com a gravidade. P.2 A Não Vida é imaterial. Essa é uma afirmativa que para muitos, nada significa, porque não temos como pensar/raciocinar a imaterialidade, em razão do quanto “sabemos”, percebemos e sentimos, da matéria. A influência da matéria, em nós, é profunda, apesar de praticamente nunca questionarmos a respeito. P.3 A matéria é para nós, real ─ palpável, tangível, visível, dimensionável; assim, a Não Vida sendo imaterial, não consegue espaço comprobatório em nosso “equipamento” cérebro- sensitivo comum. P.4 Não temos referencial algum para podermos entender/compreender a Não Vida, em seu aspecto imaterial, não dimensionável. P.5 A Não Vida, não é separada do Não Mundo; ao captarmos, ao termos vislumbres de um deles, chegaremos a compreensão, digamos assim, automática, do outro, e chegaremos mais, chegaremos a compreensão do Todo, da indivisibilidade do Todo; quando isso ocorre a sensação principal é de ausência de espaço e tempo (da forma como os conhecemos), bem como, de um reconfortante vazio. P.6 A Não Vida, assim como o Não Mundo é, para mim, PURA SENSAÇÃO, que após experimentada uma primeira vez, não mais é esquecida; passa a fazer parte de nós; não é mais algo externo, que se busca; é algo que está e é, em nós ─ até mesmo em nosso próprio DNA. 91
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    ESPAÇO 5 MATÉRIA P.1 A matéria, de que somos compostos, não é ainda conhecida em profundidade pela ciência, naquilo que os cientistas pretendem denominar de “estrutura básica”. E nós, pessoas comuns e pouco interessadas, “sabemos” apenas que “temos” um corpo, materialmente composto; mas do funcionamento desse corpo, o que ele sente (além daquilo que chegamos a perceber), seu relacionamento com o Ser, com a natureza, e o que existe no avesso e além, nada ou, quase nada sabemos. P.2 Tratamos o nosso corpo, a nossa matéria como um objeto, até mesmo como uma máquina através da qual podemos fazer inúmeras coisas, que nos são ditadas pela nossa necessidade e/ou vontade. P.3 Olhamos para nosso corpo (em seu aspecto exterior), quase sempre para ver se está em acordo com aquilo que almejamos seja visto pelos outros; disso dependerá a satisfação ou não, de nossa vaidade. P.4 Estranhamente, a grande maioria das pessoas tem com o corpo uma relação antagônica, bastante difícil de explicar. Antagônica, porque a pessoa é o corpo que possui (materialmente falando), porém, normalmente a pessoa procura dissimular esse corpo físico que tem, impondo a ele, inúmeras vezes, sacrifícios extremos para que se mantenha conforme padrões estéticos vigentes. Agindo dessa forma, dá a impressão que a pessoa se separa do corpo, mantendo-se fora dele, como se o corpo fosse, realmente, um simples objeto que deve estar em perfeito acordo com o que a pessoa pensa e almeja, a respeito dele, para bem satisfazer sua vaidade. P.5 A pessoa, inúmeras vezes age com seu corpo, como uma criança age, por exemplo, com sua boneca; arruma, põe roupas novas, brincos, colar, faz penteado diferente e sai para mostrar às outras crianças, como é bonita a sua boneca, o exterior, aquilo tudo que foi “anexado” ao corpo da boneca, não exatamente ela. A boneca não tem vida própria; tem a vida que se dá a ela, sem opção. Agindo com o corpo como a criança age com sua boneca, parece- nos que a pessoa que assim o faz, separa-se da vida que seu corpo prova-lhe ter, tentando impor a ele a “vida” que aflora em suas fantasias, em seus sonhos, em sua ambição em “ser” desta ou daquela forma. 92
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    Aliás, a formacomo a criança age com sua boneca, cuidando de seu visual, não deixa de ser a mesma que os pais fazem com os filhos produzindo, desenvolvendo neles a idéia de que são mais e melhores, pelos acessórios (roupas, sapatos, etc., etc., etc.) que usam. P.6 Exceções à parte, poderíamos dizer que mesmo as pessoas que cuidam de seu corpo (boa alimentação, ginástica, por exemplo), não o fazem porque tenham com ele uma relação íntima de carinho e amizade; fazem-no, para que esse corpo mantenha-se em condições de bem “representá-las”, perante os outros. P.7 Precisaríamos ser mais amigos de nossa matéria, porque nosso corpo material é parte integrante (como o são todas as coisas da natureza), daquela mensagem em código explícito e secreto, da vida, que falamos em P.1 do Espaço 3. P.8 Precisaríamos conversar como nosso corpo, mais amiúde; precisaríamos olhar-nos, olho a olho, no espelho, para perceber o que realmente nos queremos dizer, sem subterfúgios, sem meias verdades. Precisaríamos sentir, mais vezes, como é eloqüente o contato de nossas mãos com elas mesmas; precisaríamos aprender a agradecer à nossa matéria, o bem que pode nos proporcionar. P.9 Esse tipo de relacionamento com nossa matéria, descrito em P.7 e P.8, nos encaminhará, com certeza, para além da matéria, para além do corpo físico, de uma forma bem mais segura e pacífica; nos permitirá, também, compreender e respeitar (mesmo ainda como pessoas), todas as outras formas de matéria ou toda matéria, em outras formas (animais, plantas, aves, etc.), existente. Não respeitamos a nossa própria matéria; como querer que tenhamos respeito pelas outras matérias que nos circundam, sejam elas de que espécie for? P.10 Para nós, pessoas comuns, o tatear o mais próximo é o caminho mais seguro e menos penoso para alcançar a realidade que existe além de nós ─ matéria; além de nós ─ pensamento racional; além de nós ─ lógica. P.11 O mais próximo de nós, pessoa física, é o nosso corpo; o mais próximo e uma fonte inesgotável de mensagens em código explícito e secreto; um verdadeiro trampolim para o salto mais importante ─ de pessoa para Ser, do eu para o Nós. P.12 Transcender, através de nossa própria matéria, de pessoa para Ser é algo de inimaginável pureza e beleza. P.13 Quando nos isolamos da agitada vida material, e nos voltamos para nossa matéria, para nosso corpo físico, deixando-nos ficar a sós e em completo silêncio com ele, pouco a pouco, dia após dia, durante aqueles minutos ou horas que assim ficarmos, vamos penetrando cada 93
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    vez mais emnós, até que um dia ─ após uma profunda escuridão, após um nada, após um milionésimo de segundo de morte ─ o Ser nasce. É o segundo nascimento; o nascimento real, verdadeiro; aquele que será para sempre, porque sempre foi e sempre será, pois é Não Matéria ─ Pura Energia. P.14 Após o nascimento do Ser, na pessoa, ele ─ o Ser ─, irá lenta e progressivamente assumindo o controle de todos os pensamentos, de todas as ações da pessoa, apesar de esta continuar física, materialmente igual a todas as outras; não há nenhuma mudança na estrutura física (exteriormente falando), mas o Ser se fará presente através de algo que é detectado como “algo diferente” no semblante da pessoa que deu nascimento ao Ser. P.15 Esse Ser que nasce, do “embrionar-se” da pessoa, passa a agir em todos os níveis, até que acontece o desaparecimento completo da antiga pessoa, com a “instalação” definitiva do Ser verdadeiro, que transcende a pessoa, dita humana. P.16 A matéria, o corpo físico passará a ter a exata dimensão para a pessoa que deu nascimento ao Ser; exata medida, que apenas como pessoa, não teria condições de perceber. P.17 Quando da descoberta da Não Matéria, quando do nascimento do Ser, provavelmente não haverá mais desamor pela matéria e sim, compreensão profunda do significado maior da matéria, dentro da ordem terrena e universal. P.18 Não podemos nem devemos desrespeitar a matéria; nem condená-la ao descaso, como se fosse algo imprestável, maléfico, que deve ser desprezado, ignorado, maltratado. A matéria é algo fundamental para este estágio de vida; só podemos entendê-la em plenitude, quando nos tornamos Ser, transcendendo-a. Enquanto “gravitamos” nela, matéria, sem compreendê-la, os vínculos que temos com ela tornam-se extremamente pesados; não conseguimos perceber o que realmente significa a matéria, nem podemos permitir que ela nos ensine, nos diga, nos mostre o que realmente somos. P.19 É bem provável que pessoas energeticamente mais evoluídas, possam alçar voo à esfera do Ser, sem a necessária cooperação do físico, do material, do racional, do lógico. Mas, para a grande maioria, é interessante e mais seguro partir do aparentemente mais simples, daquilo que se pensa conhecer melhor ─ a matéria, o físico, o racional, o lógico ─, pois, se assim não fizer poderá correr o risco de não encontrar “chão” ao “retornar” de alguma tentativa mais profunda de transcendência. 94
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    ESPAÇO 6 NÃOMATÉRIA P.1 Alcançar/conceber o Estado Não Matéria é algo de profunda beleza; é gratificante, muito mais pela fina sintonia que se desenvolve em nós, para percepção de um Estado de consciência transcendente, através do qual emergimos, do finito e temporal para o INFINITO E ETERNO. P.2 A concepção da Não Matéria não pode ser descrita, através de simples palavras já desgastadas, consumidas pelo aspecto “material” de nosso falar e escrever; não pode ser descrita também porque não há correlação naquele que ainda está imerso apenas na matéria, das coisas sentidas e captadas por aquele que emergiu da matéria para a Não Matéria. P.3 Há uma grande impossibilidade em se falar sobre a Não Matéria por razões, digamos assim, objetivas. Aplicar, em palavras comuns e conhecidas, uma conotação que a sensibilidade apenas material não tem condições de absorver, seria algo infrutífero; apenas causaria um grande vazio de entendimento. Seria intransponível a barreira entre a palavra e aquilo que realmente se quer transmitir, através dela, ou seja, a essência do que foi dito não poderá ser captada apenas através da palavra, a não ser que haja, naquele que lê ou ouve, sensibilidade desperta da Não-Matéria ou, a proximidade dela. P.4 Existe ainda uma outra impossibilidade em se falar sobre a Não-Matéria, um pouco difícil de explicar, mas tentemos. Aqueles que, por razões e caminhos diversos conseguiram alcançar uma verdade que a priori, chamaríamos de pessoal, de particular, não podem envolvê-la, rotulá-la como uma verdade universal, pois, por mais que assim possa ser, não o será para todos, num mesmo nível, numa mesma escala, numa mesma proporção. Haverá variação de sensibilidade de captação, em acordo com o “quantum” de verdade universal couber ao Ser, da pessoa, “individualmente”, em sua essência, ou seja, não há nenhuma possibilidade e nenhum mérito em se tentar impor uma verdade transcendente a alguém, e ninguém pode “adotar” uma verdade transcendente sem ter com ela uma conexão energética que a fará transcender o racional, o lógico e alcançar a essência do Ser. P.5 Quando ultrapassamos o envolvimento material; quando transpomos a barreira da força da gravidade; quando “desmaterializamos” a tridimensionalidade, quando ultrapassamos o racional e o lógico, chegamos sempre a algum ponto, que antes nos era totalmente desconhecido. Só que esse ponto é um ponto único, exclusivo. Apesar da universalidade e da infinitude que esse ponto nos confere, ele é único por não ser alcançado, por não ser atingido em grupo e sim, individualmente, pelo Ser da pessoa. Por assim ser, pela exclusividade da 95
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    chegada e dacaptação; pela descoberta da realidade maior envolvente; pela sintonia fina, suave, porém, bem mais abrangente, não se pode expor em detalhes a concepção do ESTADO Não Matéria, além, evidentemente, das outras razões já expostas, quais sejam, inexpressividade das palavras passíveis de uso e falta de sensibilidade, no âmbito da matéria, do pensamento racional, da lógica, e do sensorial comum para captar a essência que a palavra tenta transmitir. P.6 Quando a pessoa capta o ESTADO Não Matéria, passa a compreender ─ com o advento do Ser ─ coisas que antes representavam um enigma indissolúvel, para ela, e que outras pessoas escreviam e falavam de. P.7 Quando alguém capta a Não Matéria, a busca angustiante por algo além de nós, deixa de existir, permanecendo a caminhada suave e irresistível ao encontro da Luz. P.8 Apesar de analogias serem difíceis quando tratamos de assunto que transcende o entendimento apenas racional e lógico, tentemos a seguinte: ─ pense numa forminha de “fazer” cubinhos de gelo; ─ a água é colocada na forminha; ─ a forminha é levada ao congelador e os cubos de gelo, após algum tempo, se formam; o líquido transforma-se em sólido; ─ tirando a forminha de gelo, do congelador, e deixando-a em temperatura ambiente, pouco a pouco o gelo transforma-se em água, ou seja, o gelo ─ sólido ─, transforma-se em água ─ líquido ─, sendo que essa água descongelada traz, em sua essência molecular, a “lembrança” dos processos ocorridos. Assim, a Não Matéria seria a água colocada numa forma para tornar-se sólida ─ Matéria. Quando a pessoa deixa o sólido da Matéria converte-se em Não Matéria, percebe então o processo em sua essência e profundidade maior, e ao voltar ─ agora já como Ser ─ à convivência do sólido da Matéria saberá que ela, a Matéria, é real apenas na superfície, pois, na essência é Não Matéria, é Pura Energia. P.9 Pelos caminhos que percorri; pelos espaços nos quais imergi e dos quais emergi; pela máscara que tirei; pelo véu que descerrei; pelo peso da gravidade e enquadramento ao tridimensional que transcendi; pela ponte que atravessei; pela caverna escura onde a Luz se fez ─ cheguei a Não Matéria que transmuta a pessoa em Ser. Mas, não posso prová-la a você; mas você pode prová-la a você mesmo, talvez dando a ela ─ Não Matéria ─ um nome diferente, recebendo dela mesma um nome diferente, que seja mais significativo a você, mas 96
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    só você e─ SÓ ─, pode descobrir o Eterno e o Infinito e desfrutar da grandiosidade e beleza dessa verdade maior e transcendente que existe em você, que é você, que somos nós! 97
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    ESPAÇO 7 ESPAÇOE TEMPO DA MATÉRIA P.1 Normalmente a pessoa, em sua composição de pensamento e raciocínio chamado lógico, admite um espaço definido, conhecido por ela, vivenciado por ela, como algo delineado, demarcado principalmente pela tridimensionalidade. É esse espaço que tem significado para a pessoa; um espaço que tem nome próprio definido pelo tipo de ocupação que esse espaço tem. P.2 A noção de tempo, hoje, mais do que nunca, está atrelada à quantidade de atividades que a pessoa desempenha, que a pessoa assume. Dessa forma, hoje, o tempo é “espremido” por uma quantidade enorme de atividades que preenchem, totalmente, doze horas de um cronômetro, quase multiplicadas por 2. Um relógio determina o “tempo” de uma pessoa; 24 horas “fixas” do dia estão totalmente ocupadas; praticamente inexistem horas vagas, onde o “não fazer nada” poderia encontrar espaço, falando-se principalmente dos grandes centros urbanos, em seus dias úteis. P.3 Portanto o espaço, conhecidamente demarcado, delineado, ocupado, e o tempo, exaustivamente preenchido e controlado, não deixam muita alternativa de amplitude e elasticidade ao “livre pensar”, ao soltar, liberar o pensamento das amarras de tudo aquilo que se chama de concreto, de real, de material e que envolve a chamada “luta pela sobrevivência”, luta pela conquista do que é chamado de “espaço”, dentro do massificante sistema engendrado e alimentado. P.4 Entre o tic tac constantemente sufocante dos cronômetros e os andaimes de construção do “espaço” de concreto, caminha a pessoa, carregando uma vaga sensação de cansaço, de desesperança, de amargura, de decepção, de medo, de angústia, de impotência, que não consegue diagnosticar a razâo, por falta de interesse, por falta de tempo ou por achar inútil ─ improdutivo mesmo ─ preocupar-se com “vagas” sensações que lhe assolam, e para as quais procura os mais variados ─ e até mesmo perigosos ─ lenitivos, apenas. P.5 O pior é que nós, adultos, estamos impondo às crianças esse ritmo alucinante de vida, com desculpa de que precisam ser preparadas para conquistar, no futuro, algo que é denominado “espaço” dentro da engrenagem massacrante da estrutura econômico/social vigente. 98
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    P.6 Falar sobre o espaço da matéria, da pessoa, é falar sobre “pequenas caixinhas” fechadas, demarcadas, quase que inacessíveis aos menos próximos; é falar de um espaço reservado ao lógico, ao racional, ao material ─ aquilo que nos parece existir de fato. O tempo da matéria exprime-se mais pela falta de mais tempo para cumprir com todos os compromissos que a pessoa assume. Hoje em dia, falta tempo para tudo e o que mais se ouve, comprova isso: “falta tempo”; “não dá tempo”; “preciso de mais tempo”, etc., etc., etc. . A síndrome do “apressamento” está estampada em cada pessoa, porque a fria estrutura material vigente, e o que foi criado em função dela, quer “sugar” todos os minutos da pessoa, mesmo quando eles são de lazer ou prazer. É preferível, para essa estrutura, que a pessoa não tenha tempo disponível para ela, e a pessoa, em contrapartida, contaminada pelo “vírus egoísta” do “eu quero ter”, esquece-se de Ser e perde-se nos espaços materiais que aprisionam o tempo da matéria, que é Finito, mas que quase ninguém lembra, ou não quer lembrar. 99
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    ESPAÇO 8 ESPAÇO-TEMPODA NÃO MATÉRIA P.1 Talvez a concepção do grande cientista ─ e humanista ─ Albert Einstein, de um espaço- tempo como entidade única, não separados, possa “falar” melhor sobre o espaço e tempo da Não Matéria, porque em realidade, a concepção de Einstein veio demolir o antigo conceito de espaço e tempo não combinados, não participantes ou atuantes em um mesmo Agora. P.2 Para a Não Matéria inexiste espaço e tempo, como nós os concebemos. P.3 Quando damos nascimento em nós, à Não Matéria, compreendemos, percebemos que o espaço, em sua extensão indefinida, é algo em que a pessoa não consegue situar-se, como matéria; é algo vago demais para que a pessoa possa ultrapassar aquele referencial que tem de tridimensionalidade, e encontrar dentre as centenas ou milhares de recortes, um, que possa encaixar-se ─ materialmente falando ─ quando tenta pensar em um espaço que transcende a noção que dele tem. P.4 Não há como se falar, por exemplo, em Universo, em Infinito e querer que as pessoas possam conceber ─ mental e logicamente, apenas ─ o que eles possam ser. Existirá, naturalmente, uma barreira intransponível entre o mundo das ideias, das pessoas ─ mundo esse direcionado ao concreto, ao físico, ao material ─ e a ideia de Universo, de Infinito. P.5 Aquela pessoa que, “embrionando-se”, deixou nascer a Não Matéria, o Ser, passa a conviver internamente com a sensação de Universo, de Infinito e de Eterno. Ela sente o Universo e sabe que ele é muito mais não dimensionável do que se possa tentar imaginar ou teorizar. P.6 O Ser que “nasce” na pessoa que concebeu a Não Matéria, sabe do Universo, do Infinito, do Eterno não através do que o verbo saber define, mas através do verbo Sentir, verbo esse que, em realidade, deveria ser conjugado apenas na 1a pessoa do singular e ainda em determinados tempos, apenas. P.7 Sentir é diferente de saber; porém, pode-se saber de algo através do sentir, principalmente em relação a tudo aquilo que não se pode apreender e compreender, através de palavras. P.8 A pessoa que ultrapassou as barreiras de simples pessoa, alcançando o Ser, implodiu em si a materialidade física e mental, descobrindo-se conhecedora do Infinito, do Eterno, através da Não Matéria, de que é composta. Essa ultrapassagem de barreiras que dificultam ─ 100
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    e na grandemaioria das vezes impedem ─ a pessoa de conceber a Não Matéria, transfere, do Ser para a pessoa, a realidade do Infinito e do Eterno, através do Sentir. P.9 A dificuldade em se falar sobre a Não Matéria, e em extensão, sobre o Infinito e o Eterno, está na impossibilidade de se explicar um sentir quando não existe ressonância de um sentir, pelo menos parecido, naquele para quem se está tentando dar essa explicação. Veja, quando alguém que sente determinado medo, fala sobre isso a outra pessoa, provavelmente apenas duas coisas podem ocorrer: ─ se essa pessoa já sentiu alguma vez, algum tipo de medo, ela poderá imaginar ─ tendo como referência o seu próprio medo ─ o que esse alguém está sentindo, mas só poderá imaginar, não vai sentir identicamente a extensão exata do medo que lhe está sendo explicado; ─ se essa pessoa jamais sentiu medo, de forma tão profunda, se desconhece essa sensação, ela sequer poderá imaginar a que está se referindo esse alguém. P.10 O sentir, seja ele em que aspecto for e muito mais no abstrato, no emocional, é estritamente particular ─ Único. Se você e eu, por exemplo, sentimos dor de dente, as nossas dores, apesar de serem fisicamente iguais em origem, mesmo assim não o serão em nosso nível mais profundo de sentir, porque a dor que sentimos terá, em cada um de nós, uma “frequência”, uma amplitude diferente, dependendo de todo um complexo sensível de nosso ser mais profundo e total; note que estamos falando de um sentir causado pelo físico, sentido pelo físico; que dirá então dos de outro nível! P.11 As pessoas se sensibilizam mais com dores e sofrimentos de outras pessoas quando já passaram por algo semelhante. Por essa razão, a grande maioria não se sensibiliza com a dor, com o sofrimento animal, vegetal porque desconhece o nível de sensibilidade deles à dor ou ao sofrimento; aliás, muitas pessoas sequer conseguem imaginar que outros seres da natureza possam ter outro nível de sofrimento, além daquele que chamam de “simples” dor física. Mas para aquele que desenvolveu a afinidade com a Não Matéria, do Ser, o clamor de qualquer ser da natureza é compreendido, atingindo, essa compreensão, o clamor constante do próprio Planeta Terra. P.12 Portanto, falar sobre algo que é percebido quando se penetra em nós, profundamente, é algo que exige um cuidado muito especial. Da mesma forma, falar simplesmente sobre Espaço e Tempo da Não Matéria é impossível, porque inexiste Espaço e Tempo ao se tratar de Não Matéria ─ Espaço e Tempo como entidades separadas e perfeitamente delineadas, demarcadas. Talvez o máximo, mas também o mais comum, o mais simples que se possa 101
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    dizer sobre oEspaço/Tempo da Não Matéria, é que eles transmutam-se em Infinito e Eterno, e que o Infinito não é (um) lugar, e o Eterno, não é (um) tempo, e que ambos, em conformidade com a Não Matéria, são unicamente um SENTIR. P.13 Há algo bastante difícil de explicar, quanto a esse SENTIR que falamos tanto. Esse SENTIR, que é PURA SENSAÇÃO ─ portanto, não dissonante ─ é relativo apenas ao “quantum” desse SENTIR é possível ao nosso Ser “suportar”, apesar desse “quantum” ser idêntico a todos os demais “quantuns”, por ser expressão legítima do TODO CONEXO, que se dá em “porções”, dependendo apenas da sensibilidade do Ser. Esse Ser é o TODO CONEXO, na proporção dessa “porção”, sem entretanto considerar-se mais ou menos, pois mais (+) ou menos (-), inexistem a esse nível; apenas a PURA SENSAÇÃO existe, igual no Todo e diferenciada (sem o ser), nas “porções”. Uma analogia profundamente simples pode ser feita, como uma forma de tornar menos complexo o que acima foi dito: imagine um grande bolo ─ de chocolate, por exemplo ─ cortado em dezenas de fatias; cada fatia desse bolo é o próprio, independente das fatias serem todas iguais em tamanho, ou não. 102
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    ESPAÇO 9 SENSAÇÃODE SER P. 1 A Sensação de Ser é uma sensação integrada; você e a sensação são uma única coisa, por inteiro. É diferente das inúmeras sensações que ocorrem na esfera da pessoa, apenas. P. 2 As sensações de âmbito pessoa, sempre “ressoam” dissonantemente em algum ponto específico do corpo físico; pode notar, que dependendo desta ou daquela sensação, você percebe e sente algo diferente em algum ponto de seu corpo físico. Tanto a sensação agradável quanto a desagradável, provocam ─ dependendo também da intensidade ─ algo diferente em suas entranhas. P. 3 Talvez, o que de melhor possamos dizer sobre a SENSAÇÃO DE SER, é que, se a sensação comum ─ da pessoa ─ provoca naquele que a sente certa dissonância física, orgânica, a Sensação de Ser, o SENTIR-SE SER, não causa nenhuma dissonância em nosso ser material. P. 4 A Sensação de Ser, o SENTIR-SE SER, é uma sensação não dissonante, aquela que chamo de PURA SENSAÇÃO, por ser íntegra, límpida, permanente e ÚNICA. 103
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    ESPAÇO 10 PENSAR P.1 Existe, para mim, um componente diferencial extra do pensar; se o pensar fosse algo apenas mecânico, uma atividade regular, autônoma e absoluta ─ não relativa a nada ─ provavelmente pensaríamos igual a respeito de tudo. P. 2 Esse componente diferencial extra do pensar, é que permite a exponencial multiplicidade de pensamentos a respeito de um mesmo assunto, ou aspecto de uma mesma questão ou objeto. P. 3 Nossa “forma” de pensar é sempre relativa, creio eu; mas não propriamente relativa ao “objeto” proposto ao pensamento e sim, relativa a algo interno a nós; portanto, pensar sobre ou, em alguma coisa, não é descobrir algo a respeito da coisa pensada, tão somente; é descobrir algo a respeito de nós mesmos, só que praticamente nunca “pensamos” dessa forma. P. 4 Para tornar mais claro o que está em P.3, é só pensar que se 10 pessoas estiverem vendo um mesmo objeto teremos, provavelmente, 10 pensamentos diferentes a respeito do mesmo objeto; se o pensar não tivesse em cada uma dessas pessoas um componente diferencial extra, não teríamos essa diversificação. P. 5 Apesar de não considerar tão necessário, mesmo assim vamos ressaltar que estamos falando aqui, mais especificamente, do pensar que exige/e ou admite a emissão de opinião, conceito ou definição. Você pode estranhar ter sido feita essa ressalva, mas se você pensar bem, verá que o próprio termo ─ pensar ─ admite uma multiplicidade de estudos, análises, conceituações, investigações sem que se tenha, ainda, atingido um consenso em toda extensão, profundidade e complexidade que o assunto, cujo termo pensar sugere, propõe ou tenta definir como sendo isto ou aquilo. P. 6 O que foi dito em P.1, 2, 3, e 4 parece primário e óbvio; só que não nos damos conta do que realmente acontece, ou seja, de que não estamos propriamente pensando aquilo que achamos estar pensando a respeito de algo; estamos exteriorizando o reflexo desse “algo” em alguma determinada faixa de receptividade nossa que foi, digamos assim, “tocada” por esse algo. P. 7 Talvez pudéssemos propor que o componente diferencial extra do pensar, não seria evidentemente, algo único, definido, mas sim, uma escala de receptividade que permite a pessoa pensar desta ou daquela forma, dependendo da frequência da escala de receptividade que foi “acionada” frente ao “objeto” proposto ao pensar. 104
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    P. 8 Enquanto pensamento racional, lógico ─ da pessoa ─ atingimos apenas algumas frequências dessa escala de receptividade, do componente diferencial extra do pensar. Transcendendo o pensamento racional e lógico começamos, paulatinamente, a alcançar outros níveis de frequência dessa escala que supomos ─ Infinita. P. 9 Estamos constantemente, consciente ou inconscientemente acionando essa engrenagem reflexiva, através também de nossos órgãos sensoriais, provocando o pensar numa velocidade inacessível de constatação a qualquer mente subsidiada apenas pelo comum. É provável que inúmeras vezes, altas frequências dessa escala de receptividade, do componente extra do pensar, sejam atingidas em altíssima velocidade; porém, com a mesma velocidade, há a queda para frequências mais baixas, isto porque, o que foi “pensado” em conexão com frequências elevadas, não encontra “chão” no pensar comum, perdendo-se assim ─ durante a queda de frequência ─ aquilo que havia sido pensado em alta frequência, gerando o que costumamos chamar de esquecimento. Fica então apenas aquela sensação “adormecida” de ter pensado algo. Porém, na grande maioria das vezes nem chegamos a perceber qualquer movimentação do pensamento, mais ainda quando o pensar está próximo dessas altas frequências. P.10 Há algo curioso em relação ao pensar, e que leva ─ na grande maioria das vezes ─ automática e naturalmente ao Não Pensar, pessoas tidas como mais objetivas. Essa curiosidade é a impossibilidade que a grande maioria das pessoas tem, em pensar o ponto (.) e o Infinito (∞). Quase poderíamos ousar dizer que o Ponto (.) e o Infinito (∞), são pontos ∞ ∞ aglutinadores do Não Pensar ou, pontos de ultrapassagem do pensar comum. P.11 O Ponto (.) e o Infinito (∞), são inacessíveis ao pensar comum, àquele embasado na ∞ lógica, na tridimensionalidade, na gravidade, apenas. P.12 Na realidade, para mim, o Ponto (.) e o Infinito (∞), são pontes do pensar comum ∞ para o Não Pensar e deste, para a única forma de conhecer o Ponto e o Infinito que é a SENSAÇÃO ─ o sentir o Ponto (.) e o Infinito (∞), em nós. ∞ 105
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    ESPAÇO 11 NÃOPENSAR P. 1 Antes de se tentar expor algo sobre o Não Pensar, é preciso novamente dizer da grande dificuldade em se explicar um sentir, principalmente quando esse sentir advém de Sensações Não Dissonantes que falamos em P.3 e 4 do Espaço 9. P. 2 O Não Pensar, assim como a Não Matéria, a Não Vida, o Não Mundo, é PURA SENSAÇÃO, aquela que não é dissonante e que, portanto, não nos causa “perturbação” orgânica e/ou mental. P. 3 Falar então sobre o Não Pensar, é extremamente difícil ─ impossível em essência e profundidade ─ porque nos falta referencial (racional, lógico, material e concreto), que nos abasteça em nossa conceituação normal, pessoal; nos faltam “recortes” conhecidos dos quais pudéssemos selecionar alguns em que o Não Pensar encaixasse. P. 4 O Não Pensar, para mim, é o silenciar o raciocínio lógico ─ que considero instrumento periférico do pensar superior ─ e despertar o Intuir, o Sentir e a Consciência Transcendente que, em minha opinião, formam o tripé que sustenta o encontro, a fusão da pessoa com o Ser. P. 5 O Não Pensar não se dissocia da coisa pensada, como o faz o pensar comum, racional e lógico. No Não Pensar, o Ser ─ da pessoa ─ funde-se com a coisa pensada, tornando-se uma única coisa. P. 6 O Não Pensar é o silenciar do ruidoso, agitado, tumultuado, indisciplinado pensar periférico; é o despertar do Pensar Profundo e Transcendente com o qual atingimos frequências extremamente elevadas da escala de receptividade do componente diferencial extra, do pensar. P. 7 O pensamento é discursivo, analítico, cartesiano. P. 8 O Não Pensamento é meditativo, espontâneo, naturalmente intuitivo. P. 9 O pensamento, quando provocado, evoca o conhecimento, permitindo a varredura dos arquivos das programações mais ou menos sequênciais do cérebro, em sua porção exotérica. P.10 O Não Pensamento, atingido por “desligamento” da porção cerebral exotérica, penetra nas profundezas desconhecidas e desperta a porção cerebral esotérica, isto acontecendo, justamente pela liberação das interligações cerebrais que obstruem o intuitivo. É provavelmente por essa razão que grandes descobertas científicas e criações artísticas ─ quando intuitivas ─ acontecem “de estalo”. Isto quer dizer que em determinado momento os arquivos universais da Mente foram acessados, trazendo à luz do dia o que jazia nas profundezas da porção esotérica 106
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    da Mente, aoque daríamos também o nome de Não Mente, como forma de diferenciá-la de tudo que é conceituado como mente. 107
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    ESPAÇO 12 “EUSOU” P. 1 O “EU SOU” que aí está, foi pronunciado por um SER que sabia exatamente o que era e por saber disse apenas “EU SOU”! P. 2 Nem esse EU, nem esse SOU derivam da matéria; eles, como uma só coisa, definem aquilo que realmente É, Foi e Será ─ SER ETERNO ─ que não encontra abrigo na mente racional e lógica, da pessoa. P. 3 Esse “EU SOU”, foi pronunciado por Jesus, O Cristo, para mim o maior metafísico, aquele que veio ao Planeta Terra, não para criar, instituir religiões e muito menos para apontar representantes, porque o Ser que simplesmente disse “EU SOU”, sabia ─ porque sempre soube ─ que o significado maior de uma religião não é a massa de adeptos que congrega; o significado maior de uma religião está muito além dela própria, como instituição humana ─ está na FÉ ─ que acredito ser o verdadeiro elo de ligação entre a pessoa e o Ser, entre a matéria e a Não Matéria, entre o Ser e o TODO CONEXO. A fé verdadeira e simples é lúcida; independe de instituições, de local específico de prática; independe de formalidades. Se assim não o for, Jesus, O Cristo não teria dito, quando foi interrogado sobre em que lugar deveria ser adorado o Pai, o seguinte: “Mas aproxima-se a hora, ou melhor, já estamos nela, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade, porque é assim que o Pai quer os seus adoradores. Deus é espírito, e os que o adoram em espírito e em verdade é que o devem adorar.” E também não diria o que disse aos escribas, que eram os intérpretes da lei de Moisés, palavras essas, que por extensão, valem ainda hoje para todos aqueles que se arrogam autorizados ─ pelo poder e não pelo Amor ─ a pregar, a “interpretar” as palavras de Jesus, O Cristo: “... Atam pesadas cargas e difíceis de carregar e poem-nas aos ombros dos homens, mas eles nem com o dedo as querem mover. Fazem todas as suas obras para serem vistos pelos homens. Por isso alargam as suas filacterias e alongam as franjas dos seus mantos. Cobiçam os primeiros lugares nos banquetes, as primeira cadeiras nas sinagogas, as saudações nas praças e que os homens lhes chamem rabi, Vós, porém, não queirais ser chamados rabi, pois um só é o Vosso Mestre, e todos vós sois irmãos. E não chameis a ninguém vosso Pai, sobre a Terra, porque um só é o vosso Pai, o do céu. Nem queirais que vos chamem mestres, porque um só é o vosso Mestre, Cristo...”. Observe bem que Jesus não disse ser ele, o Mestre! 108
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    P. 4 A Fé, une e eleva a pessoa, encaminhando-a ao Ser; a religião institucionalizada nem sempre o faz ─ se é que o faz ─ porque não há nela, exclusivamente nela, nenhuma força suficiente para tal, muito mais porque a religião instituída por pessoas não é a pessoa; é a massa agregada sob esta ou aquela denominação, gerando com isso confronto, e não ─ UNIÃO. Além do mais, a Fé não é uma questão quantitativa; a Fé é uma questão qualitativa e como tal, depende de cada pessoa, do que cada um é, realmente, e não do que pensa ser ou que pretendem que seja. A Fé, quando verdadeira, une e eleva a pessoa porque é a própria pessoa vibrando em uníssono com o Ser, em um templo sem paredes e sem teto, em um templo que se ergue da pessoa ─ após Ser ─ ao Infinito e Eterno do TODO CONEXO - DEUS. A Fé verdadeira não é dogmática, nem preconceituosa e nem abriga o fanatismo. P. 5 Foi dada, através de Jesus, O Cristo, a chance a cada pessoa de empreender, por conta própria, solitariamente, a religação entre pessoa e ser, entre matéria e Não Matéria ou, como é mais conhecida, a religação entre matéria e Espírito. P. 6 E por que, através de Jesus, O Cristo, é possível a transformação de pessoa em Ser? Unicamente porque Jesus, O Cristo é um ESTADO DE SER; não pode e não deve nunca ser visto como pessoa especial, apenas, pois a pessoa especial de Jesus de Nazaré (é o que sabemos, “oficialmente”, sobre seu nome) assumiu o ESTADO CRÏSTICO para espargi-lo à humanidade. É o ESTADO CRÍSTICO que transcende a matéria, a carne, o pensamento racional e lógico, demonstrando claramente que o mundo, a matéria, a carne precisam ser transcendidos para se alcançar o Ser. Por isso, o ESTADO CRÍSTICO foi anunciado por Jesus, O Cristo, quando disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém pode ir ao Pai, senão por meio de mim.”. Ele, tenho certeza, não estava falando da pessoa dele ─ Jesus de Nazaré; estava falando do ESTADO NOVO que havia trazido ─ ESTADO CRÍSTICO. Jesus, O Cristo, deixou mais que claro que a sua mensagem teria que transcender a sua figura humana; deixou clara a sua transcendência quando disse: “Eu e o Pai somos uma só coisa.” Ele não disse: “somos uma só pessoa”; disse claro também, que é possível à pessoa que transcende o mundo, a matéria, a carne, tornar-se o mesmo que Ele e o Pai; deixou claro isso quando disse: “Quanto a mim, dei-lhes a glória que tu me comunicaste, para que sejam um como nós somos um; eu nêles e tu em mim, para chegarem à perfeita unidade... “. Como pessoa, apenas, não poderia fazer isso; mas, como ESTADO DE SER, sim. P. 7 Toda pessoa tem oportunidades, durante a sua caminhada física, material, de ser lembrada de sua possibilidade de transcender o mundo, a matéria, a carne; essa “lembrança” é trazida até nós pelo que foi denominado Divino Espírito Santo, a ENERGIA que toca a pessoa, de uma forma ou de outra. Mas, nem toda pessoa ouve, vê ou sente esse “toque”; nem, tantos 109
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    outros, se aprofundamnele. Porém, quando uma pessoa pressente em si ─ seja qual for a razão ─ a necessidade de busca de algo além dela mesma, passará a contar com mais ajuda para trilhar o dificílimo caminho do Ser. E a batalha é árdua; mas a vitória do ser sobre a pessoa é de uma gratificação inenarrável, mesmo porque, ela é única daquele Ser, porque: “Na casa de meu Pai existem muitas habitações... “. P. 8 Para a pessoa física, material, nominal, é aqui seu princípio e seu fim. Mas, se no Estágio Matéria a pessoa conseguir operar em si o milagre do “nascer de novo”, após o “embrionar-se”, então saberá que não pertence a este mundo, que tudo que a liga a matéria, à carne, ao físico, à mente racional e lógica deverá ser transcendido. É evidentemente claro, que quando falamos de mundo, matéria, carne, mente racional e lógica, enfim, quando falamos pessoa, não estamos querendo dizer que são coisas maléficas que devem ser extirpadas grosseiramente; o que queremos dizer é que a resultante de tudo isso, sufocou aquilo que realmente seria o produto natural da combinação desses elementos. Por essa razão, há a necessidade de transcendência para recuperação da SENSAÇÃO DE SER, sufocada pela materialidade. Veja, com o desconhecimento da Não Matéria, com o desconhecimento do Ser, a pessoa material, física ─ e toda a sua estrutura pensante ─ caminha sob o domínio do racional, do lógico agindo em conformidade com noções, regras, ditames da vida material; por mais que a pessoa sinta, vez ou outra, uma onda sensitiva maior e diferente, isso não chega a abalar a estrutura mundo que a pessoa traz e desenvolve em sua vida terrena. Quando a pessoa dá nascimento ao Ser, em si, seria ilógico que sendo esse Ser a realidade, e não a pessoa, ele não ocasionasse ─ o Ser ─ uma mudança radical naquela pessoa que nascendo pela 2a vez, agora é Ser. Muitas pessoas temem tal mudança; consideram que deixarão de ser atuantes, “felizes”, interessadas em tudo que se relaciona ao que costumamos chamar de “vida”; temem a obrigatoriedade de sufocar este ou aquele desejo, esta ou aquela atitude. Esse temor é infundado. P.10 Quando uma pessoa busca uma verdade que transcende a simples vida material ─ simples, justamente pelo desconhecimento de seu real valor ─ e essa busca é solitária, particular, é porque essa pessoa é terreno fértil onde germinará e brotará a semente do Ser. Dessa forma, tudo que acontecer à pessoa, após o nascimento do Ser, será espontâneo, natural. A pessoa que deu nascimento ao Ser, não será obrigada a nada, e nada lhe será tolhido; apenas o Ser, envolverá a pessoa com tal magnitude, que a própria pessoa reconhecerá aquilo que foi, que deixou de ser, e por inteiro, sem mais recortes, sem mais fragmentações, será Ser, mesmo estando pessoa. 110
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    P.11 Para essegrande encontro da pessoa com o Ser, considero o ESTADO CRÍSTICO o caminho mais fácil, mais natural, mais ao alcance da grande maioria dos seres humanos. E por que assim considero? Porque o ESTADO CRÍSTICO tende à unidade através de algo que verdadeiramente unifica ─ o Amor. Isso está mais que claro em diversas citações de Jesus, O Cristo, entre elas aquela feita quando perguntaram a Ele, qual dos mandamentos era o maior e sua resposta foi: “Ama o Senhor teu Deus, com todo teu coração, com toda tua alma e com todo o teu entendimento. O segundo é semelhante a êste: Ama o teu próximo como a ti mesmo. A estes dois mandamentos reduz-se tôda a lei e os profetas.”(grifo da autora). P.12 Jesus, O Cristo, pregou o Amor, porque sabia que o Amor Fraterno e Universal seria a única força capaz de extirpar, do íntimo das pessoas, o maior de todos os males, a raiz de todos os desencontros, de toda crueldade, e o fundamento de toda desunião ─ o egoísmo. O Amor que Jesus, O Cristo pretendeu ver instituído em cada pessoa, tornaria bem mais fácil o nascimento do Ser, pois o mais forte combatente da verdade, o mais forte inimigo do Ser, o mais forte aliado da destruição individual e coletiva seria vencido ─ o egoísmo. O egoísmo comanda o não querer dar, o não querer dividir, o não querer aceitar; o egoísmo comanda o querer tomar, o querer dominar, o querer possuir; o egoísmo cria aquilo que denominamos de “mundo caixinha”, pois corroe a sensibilidade para com o Todo. O egoísmo cega, deixa surda, emudece e paralisa a pessoa, não permitindo o nascimento do Ser. O egoísmo foi e é a grande desgraça da humanidade e do próprio Planeta Terra; esse egoísmo, coletivo e mundial, alimentado individualmente pela pessoa, esse egoísmo tornado mundial, ao invés do Amor, fomentou a discórdia, desagregou a esperança, implantou o poder, a dominação, fornecendo ao materialismo um terreno extremamente forte e fértil para a sobrevida de suas teorias. A filha legítima do egoísmo ─ a ganância ─ que por si só é desmedida, criou, alimentou e alimenta o lucro exorbitante do capitalismo selvagem, que colore e deslumbra as pessoas sem deixar que vejam a sua verdadeira face ─ a desumanidade. P.13 Jesus, O Cristo disse o que seria melhor para todos; mas até mesmo o que foi criado em Seu nome fomentou a separação, instituiu o poder, a dominação, a escravidão, a falsidade e o próprio egoísmo. P.14 Não sei se das palavras de Jesus, O Cristo, algo foi subtraído; também não sei se palavras outras foram aditadas às pronunciadas por Ele; nenhum de nós poderá saber isso de forma concreta, racional. Porém, abstendo-se de qualquer filiação religiosa, buscando destapar os ouvidos dos refrões de sempre; buscando abrir os olhos para enxergar à distância e principalmente, buscando dilatar o coração para que aquilo que é realmente verdadeiro consiga circular com mais facilidade ─ enquanto silenciamos a mente racional/lógica ─ pode-se 111
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    alcançar a SensaçãoNão Dissonante do que realmente tenha sido dito por Jesus, O Cristo, sensação essa que será única para cada pessoa. Após isso, a mente racional e lógica receberá como que um “filtro” especial, permitindo que a pessoa encontre, com facilidade, “enxertos” feitos provavelmente para “encaminhar” o pensamento religioso, da pessoa, para caminhos de interesses outros. P.15 Há algo importante, em relação à mensagem de Jesus, O Cristo, que gostaria de deixar registrado. Na realidade, é uma sensação e como tal, um pouco difícil de explicar. É a sensação de que, com a visão atual da ciência, com a convergência do pensamento de grandes cientistas da atualidade para um ponto que transcende os próprios pilares científicos e atinge o âmago da incógnita maior, veremos a atualidade das palavras, da mensagem de Jesus, O Cristo. Então, será a hora da Egociência e da Serciência invadir o ser humano, apontar para uma era totalmente nova e fazer com que cada ser humano entenda, por ele mesmo e na extensão de Ser, que atingir, a verdadeira extensão de tudo aquilo que aconteceu, quase dois mil anos atrás. A partir daí será trilhado um estado Novo de Ser. Quando isso ocorrer, veremos “concluída” a missão de Jesus, O Cristo entre os humanos, e poderemos, ao compreender o ESTADO CRÍSTICO em toda sua potencialidade, ao compreendermos a grandiosidade do TODO CONEXO, retirar Jesus, da Cruz, pois terá chegada a hora em que O veremos da forma que realmente É, ao transcender a matéria, e que está perfeitamente claro nesta passagem, ao mesmo tempo física, metafísica, mística e transdimensional: “E transfigurou-se diante dêles, de sorte que seu rosto brilhou como o sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz.”. P.16 Compreenderemos então, maravilhados, a razão dessa definição de Ser, ao mesmo tempo tão simples, tão profunda, tão abrangente: “EU SOU”. 112
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    ESPAÇO 13 EgoCiênciae SerCiência P. 1 Na 1a Parte do então, Ensaios sobre a Não Matéria ─ atual EgoCiência e SerCiência ─ falamos sobre a Egociência como sendo a ciência que a pessoa pode desenvolver em si mesma, através do “embrionar-se”, do mergulhar em si mesma e descobrir o que realmente é ─ Ser Infinito e Eterno. P. 2 Hoje, com mais clareza ainda, vejo que a Egociência é um ponto de partida, racional e lógico, para a busca de algo além, ou seja, a pessoa, por ela mesma, procuraria a sua melhor forma de “embrionar-se” para buscar suas verdades maiores; “embrionar-se-ia” para buscar-se. P. 3 Mas, já no “embrionar-se”, e muito mais ainda, após o nascimento do Ser, na pessoa, essa Egociência transformasse em Serciência. Essa transposição da Egociência ─ Ciência da Pessoa, para a Serciência ─ Ciência do Ser, acompanha tudo aquilo que ocorre internamente na pessoa que busca sua verdade maior. P. 4 Gostaria de dizer que o que foi dito em P.1 e P.2 e principalmente P.3, não é um jogo de palavras; é algo para ser pensado; é algo sério. Vamos tentar dizer a razão dessa seriedade, na sequência deste Espaço que, por essa razão, será um pouco mais longo que os demais. P. 5 A proposta da Egociência fundamenta-se na certeza, que temos, de que a pessoa, em hipótese alguma poderá encontrar o Ser, fora de si mesma: por mais que os caminhos a serem percorridos possam mostrar-se externos à pessoa, haverá um determinado momento em que tudo será verdadeiramente interiorizado, para depois de mais um tempo, acontecer o surgimento do Ser, na pessoa. Esse Ser, não está e nunca esteve fora de nós; muito pelo contrário. Esse Ser está tão interiorizado em nós, tão escondido, tão minusculamente presente, que só “embrionando-nos”, conseguimos alcançá-lo. P. 6 A Egociência propõe que os questionamentos que temos, não sejam apenas exteriorizados ─ como normalmente o são ─, mas também, e principalmente, sejam conscientemente interiorizados, pois há em nós espaço suficientemente seguro e propício, para isso. P. 7 O perigo da busca apenas exterior, de algo além de nós, pessoa, é que quando nos exteriorizamos demais, deixando-nos ao mesmo tempo plantados em um só ponto, enquanto tentamos alcançar outros, distantes, mais dia menos dia entramos em colapso; estilhaçamo- nos em centenas ou milhares de pedaços. Então, aqueles milhares de “recortes” que tínhamos 113
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    em nós, quefaziam parte de nós, perdem-se; para reuní-los, o trabalho é árduo, penoso e algumas vezes, vão. Esse estado de perda de “concretude”, de perda daquilo que chamamos de “real”, causa, na maioria das vezes, sérios problemas. Buscamos então auxílio que consideramos especializado; analistas, psicólogos, médicos ou mesmo, religiosos Alguns de nós permanecem anos a fio atrelados a eles, num emaranhado cada vez maior de questionamentos e problemas novos, oriundos dos mesmos antigos problemas. Porém, na grande maioria das vezes, o simples fato de termos quem nos ouça, de termos com quem conversar e que saiba como fazê-lo, já nos alivia da tensão, angústia, depressão ou, seja lá o que for que nos tenha encaminhado a eles, especialistas, que se esforçam ao máximo para dar conta das desestruturações humanas. P. 8 Hoje em dia, algo mais está na moda, em termos de ajuda especializada em problemas existenciais. É a chamada Terapia de Vidas Passadas, pressupondo situações reencarnatórias que poderiam estar, no presente, ocasionando determinados estados confusos de comportamento, estados esses que precisam ser diagnosticados, em sua origem. P. 9 A Terapia de Vidas Passadas, em si mesma, traz um fundamento extremamente válido ─ Vidas Passadas; o enfoque, entretanto, Reencarnação, é que se apresenta, em minha opinião, tendencioso, ou seja, tenta comprovar a reencarnação através de “fatos” e/ou “situações” que provavelmente se deslocam de pontos obscuros, não identificados, para a claridade consciente ou semi-consciente da pessoa analisada, porém, de forma confusa e/ou mascarada. Essas situações estranhas ao presente são computadas como sendo vivências do espírito da pessoa em questão, quando em encarnações anteriores. Não estou querendo dizer ─ e nem teria subsídios para tal ─ que reencarnação não existe; estou apenas tentando dizer que ela é uma possibilidade, entre tantas outras, para que uma pessoa receba, hoje, influências ─ boas ou más ─ de vidas passadas. É isso que vamos ver, até novo encontro com a Egociência, no Espaço 25. P.10 Observe, por favor, a figura abaixo, representando, de forma estilizada, a montagem de uma árvore genealógica. 114
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    Essa figura vista,é o esboço diferenciado, de uma árvore genealógica que pode, por suposição, pertencer a qualquer um de nós que aqui estamos. Nos detemos nela, apenas nos diversos pares formadores principais. Após observar esse desenho, gostaria que você observasse que temos como constituintes praticamente diretos, 62 pessoas, num prazo, digamos ,de 100 anos, ou seja: Pai/Mãe 2 Avós Paternos 2 Avós Maternos 2 Bisavós Paternos 4 “ Maternos 4 Tataravós Paternos 8 “ Maternos 8 Tetravós Paternos. 16 “ Maternos. 16 Total: 62 pessoas P.11 Você pode estar se perguntando: “o que tem a ver a árvore genealógica, esses cálculos, com a Terapia de Vidas Passadas, com a Egociência e com a Serciência?”. Na realidade, tem tudo a ver. P.12 Comecemos com a Terapia de Vidas Passadas. Como vimos, o enfoque dela é a reencarnação. Quando uma pessoa se submete a uma Terapia de Vidas Passadas ─ por curiosidade ou por problemas ─ aquilo que surgir como “algo” realmente impossível de ser identificado como pertencente ao rol de possíveis lembranças, da própria pessoa, desde o período de sua vida intra-uterina até o momento em que se propõe a esse tipo de terapia, aquilo que surgir, repito, é computado como “lembranças” de outras vidas passadas, vividas pelo espírito dessa pessoa de hoje. Há inúmeros registros de pessoas que passaram a “saber” o que elas “foram” em outras encarnações. P.13 Não seria possível, que o surgimento dessas lembranças, ao invés de ser computado ao fator reencarnação, pudesse ser investigado em termos de antecedentes dentro da própria 115
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    árvore genealógica dessapessoa? Explicando melhor. Hoje a ciência possuí um profundo conhecimento daquilo que é mais conhecido como DNA. O DNA (abreviatura de ácido desoxirribonucleico), é, na realidade, molécula. Essa famosa molécula de DNA traz codificada, não só nossa condição de espécie humana, mas também a carga genética “particular” de cada um de nós. Sabe-se hoje que todas as características físicas e mentais, da pessoa, são fornecidas por mensagens codificadas, inscritas nas moléculas de DNA. Essas mesmas moléculas de DNA codificam também, tanto o animal como o vegetal∗. Portanto, está mais que claro que independentemente de todas as mutações que sofremos, como espécie humana, trazemos em nós a história da humanidade devidamente registrada. Nós não somos um ponto surgido ontem; basta olhar o simples esboço de árvore genealógica para termos a certeza de que nosso princípio é de uma anterioridade tão grande, que sequer conseguimos imaginar. Precisamos nos conscientizar de que não somos um ponto único e isolado; somos sequência, consequência de milhares de outros pontos, que caso não tivessem existido, nós também não existiríamos, materialmente falando. Não podemos considerar, portanto, de todo anormal, que em ocasiões excepcionais pessoas possam lembrar algo, que pela estranheza da lembrança e impossibilidade de locá-la em um passado mais próximo, será então considerada oriunda de coisas vividas pelo espírito em encarnação ou encarnações anteriores. Mas, e se não for propriamente caso de reencarnação? E se for, por exemplo, uma remexida em nosso “baú hereditário”, tirando algo que nos aflora como estranho e totalmente desconhecido? Na verdade, esse “algo” é muitas vezes, dificílimo de ser detectado ─ sendo até impossível, por vias normais ─ de onde e por que, já que a distância que nos separa do detonador desse algo pode estar a milhões e milhões de anos, no tempo, mas quem sabe Agora em nós, e por que não? P.14 Essa remexida em nosso “baú hereditário”, pode ser consequência de tudo quanto deve estar gravado nas moléculas de DNA, que de repente, traz a tona características e/ou fatos que fogem ao possível e esperado, hoje. P.15 Há uma curiosidade sobre as moléculas de DNA, que gostaria de lhes contar, se é que ainda não a conhecem. Como já foi dito, a famosa molécula de DNA traz mensagens em código; esse código, os especialistas já decifraram, e até o manipulam; só que a maior parte dessas moléculas de DNA, traz trechos em que, aparentemente, não há nada gravado, trechos esses denominados pelos cientistas de “lixo”, até prova em contrário. Será que realmente esses trechos, que curiosamente perfazem a maior parte de cada molécula de DNA, não dizem nada? Sabemos que a Natureza não faz coisas sem valor, coisas inúteis; portanto, é de se ∗ Para melhor compreensão do assunto, Molécula de DNA, ler “A Procura da Dupla Hélice”, de John Gribbin - Ed.Pensamento. 116
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    perguntar se realmenteesses trechos merecem a denominação de “lixos”. Essa pergunta, é claro, não é só nossa; os estudiosos do assunto também a fazem; só que estão deixando quase de lado esses “lixos” para se aprofundarem mais nas técnicas de alteração de código genético, que já estão efetuando nas moléculas de DNA ─ alterando parte das mensagens, é claro ─ com o intuito de “aperfeiçoar” os seres humanos, retirando imperfeições e quiçá, adicionando qualidades. P.16 Saindo um pouco do DNA, precisamos recordar que existe em nós, nas profundezas do inconsciente, lembranças várias; Carl Gustav Jung, desmembrou esse inconsciente em duas camadas: inconsciente pessoal e inconsciente coletivo, ambos, potencialmente qualificados para transferir ao consciente, “lembranças” arquivadas. Esses assuntos ─ Inconsciente Pessoal e Inconsciente Coletivo ─, seriam demasiadamente longos para tratá-los aqui; fica a sugestão, para aqueles interessados, que leiam, por exemplo: Estudos sobre Psicologia Analítica, do próprio Carl G. Jung. P.17 Portanto, no meu entender, entre o Inconsciente Pessoal, o Inconsciente Coletivo e as moléculas de DNA deve existir, provavelmente, uma ligação muito maior do que se possa imaginar, do que se possa supor. Provavelmente, essa estreita ligação já deve estar impulsionando estudiosos do assunto, que poderão, num futuro próximo, oferecer à Terapia de Vidas Passadas, especificamente, outras possibilidades além da reencarnação para as lembranças da pessoa, hoje. P.18 Além do que foi visto até aqui, precisamos nos lembrar também que somos Energia Condensada e como tal, tanto emitimos quanto captamos energia durante todo o período que chamamos de vida ─ período desde o nascimento até a morte, para falarmos apenas deste Estágio que chamamos vida. Não devemos esquecer que a Energia emitida por nós ─ e por toda a Natureza ─ “circula” em diversas faixas vibratórias existentes, faixas essas provavelmente compatíveis com a maior ou menor intensidade de Energia emitida, nesta ou naquela circunstância, Energia essa que jamais se desfaz. Se não se desfaz, há de se imaginar que toda Energia emitida até o presente momento, pela humanidade ─ e por todos os seres da Natureza ─ aí está, “circulando” por diversas faixas vibratórias e pronta a ser captada por um bom receptor. P.19 Para mim, é o Estado Não Matéria o que realmente perpetua a Energia própria de cada um de nós, e evidentemente, de toda Natureza. P.20 Enquanto estamos atuantes no Estágio ─ vida material ─ podemos comprovar, inúmeras vezes, como a Energia por nós emitida pode ser facilmente captada por alguém ─ e 117
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    vice-versa ─ atémesmo à longa distância; isto comprova a existência de um “meio” através do qual nossa energia “viaja”, se “desloca”, mesmo que não nos demos conta disso ou que demos a isso o nome de casualidade. Esse meio, já inúmeras vezes pensado, imaginado, e de denominações diversas, é para mim, um Estado de Conservação de Energia inerente ao Estado Não Matéria, que é um Estado Universal, Infinito e Eterno; Estado esse em que tudo nele é, sempre. E por assim ser, nenhuma Energia nele é perdida. P.21 Creio eu, que é através do Estado Não Matéria que pode haver entendimento entre os seres da Natureza, porque esse Estado permite livre trânsito da Energia; acredito eu, que essa Energia tem como forma de expressão a SENSAÇÃO ─ o Sentir algo, tanto na liberação quanto na captação. É preciso que lhes diga que acredito ser a SENSAÇÃO ─ seja ela de que nível for ─ sentida pela pessoa, o maior indicador de que alguma Energia “saiu” ou “entrou” da/na pessoa, de forma especial. Colocando de uma forma mais correta e elegante, diríamos que a SENSAÇÃO é o sinal sensível de que alguma forma de Energia foi captada ou emitida, pela pessoa. Veja um exemplo milenar dessa condição de sensibilidade, nas palavras de Jesus, O Cristo, nesta passagem: “Ora, uma mulher, que sofria de fluxo de sangue havia doze anos e que, embora tenha gasto com os médicos tôda fortuna, não pudera ser curada por nenhum, acercou-se-lhe por detrás e tocou-lhe na orla do manto, e imediatamente estancou- se-lhe o fluxo de sangue. E Jesus disse: ‘Quem foi que me tocou’? Enquanto todos zombavam, Pedro com seus companheiros observou: ‘Mestre, a multidão te rodeia em tôda a volta e te comprime!’ Mas Jesus replicou: ‘Alguém me tocou, pois percebi que saiu de mim uma virtude”. (grifo da autora). Percebesse, quando já estamos em trabalho com a EgoCiência, quando de “nós” sai algo que não conseguimos definir, para outra pessoa, animal, planta etc.. É uma SENSAÇÃO, a mesma que nos faz perceber quando outra pessoa nos “envolve” com algum tipo de pensamento diferenciado, bom ou ruim. P.22 E não são só as sensações das pessoas que geram Energia que ficará “conservada” no Estado Não Matéria; também os animais, os vegetais, enfim, toda a Natureza tem essa condição, justamente por que todos os seres da Natureza são “sensitivos”; captam Sensações e oferecem “resposta” também com Sensações. Provavelmente por essa razão os animais, os vegetais percebem a intenção das pessoas em seus gestos; eles não entendem o simbolismo do gesto ─ só após condicionamento, caso específico dos animais ─; eles não entendem o que o gesto quer dizer, em si, mas captam a Energia da Sensação que acompanha o gesto. Sendo a Sensação, para mim, um impulso energético, acredito que ela é captada pelo animal ou pelo vegetal, que passa a compreender o que a pessoa quer dizer ou fazer, com aquele 118
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    determinado gesto ouaté mesmo, tom de voz. É também por essa condição de sensibilidade que os animais mortos em abatedouros “sabem” o que vai lhes acontecer e muitos até choram. Você já deve ter ouvido falar que os animais choram, não? P.23 Voltando ao Estado Não Matéria, ele também pode, é claro, nos fazer lembrar de coisas acontecidas, centenas ou milhares de anos atrás, isto porque, a conservação de Energia do fato acontecido ─ e no presente lembrado ─ faz com que a Energia oriunda da Sensação que envolveu o respectivo fato, esteja até hoje “circulando” em determinada faixa energética vibratória. Portanto, a Energia conservada no Estado Não Matéria, desde o princípio da humanidade, desde o princípio de tudo, vem engrossar a lista de possibilidades de “lembranças” do passado, em condições excepcionais, hoje. P.24 Já conversamos um pouco sobre a Terapia de Vidas Passadas; sobre o Inconsciente Pessoal e Coletivo, de Jung; conversamos um pouco sobre a molécula de DNA e sobre a conservação de Energia no Estado Não Matéria. Retornemos à Egociência e à Serciência. P.25 A EGOCIÊNCIA, como já dissemos, é a proposta da pessoa para ela mesma, de interiorizar seus questionamentos. É ainda uma proposta racional e lógica, pelo menos em sua fase inicial, pois nela distinguem-se ainda, em nós, pensamento, vontade, dúvida, razão, lógica, e evidentemente, o Ego, porém este, atolado em seus questionamentos e já beirando às fronteiras do Ser. Durante o tempo da EgoCiência, a pessoa descobre-se mais inclinada a reconhecer que a vida não pode ser, apenas e exclusivamente, aquilo que se nos apresenta no frontal, no prático, no objetivo do dia a dia. Então, após o “tempo” da EgoCiência ─ que poderá ser surpreendentemente breve, ou assustadoramente longo , para o tempo da matéria ─ o Ser nasce! P.26 Com o nascimento do Ser, da pessoa, a Egociência ─ Ciência da Pessoa ─ dilui-se na Serciência ─ Ciência do Ser. A esta caberá a verdadeira condição de trazer para o consciente da pessoa, a realidade do Ser, realidade essa antes adormecida, mas pulsante, no interior dessa mesma pessoa e, com a clareza dessa realidade trazer, para o finito e temporal, da pessoa, o Infinito e Eterno do Ser. Na realidade, é através da SerCiência que atingimos a certeza, em nós, do TODO CONEXO, da Não Matéria, do Infinito e Eterno, distintos assim, dessa forma, apenas para maior compreensão de toda a possibilidade de alcance da SerCiência, pois à pessoa que deu nascimento ao Ser e “pratica” a SerCiência, existe unicamente a vivência do TODO CONEXO, que a tudo abarca, que tudo é, foi e será ─ SEMPRE. 119
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    ESPAÇO 14 PENSARES/SENTIRES P.1 Quando se escreve, as palavras ficam “orbitando” num espaço que ainda não é o concreto, o real do que se quer dizer através das palavras impressas, “aprisionadas” no papel; após isso, é a outra pessoa, aquela que lê, que tem que fazer o inverso, ou seja: “liberar” as palavras inscritas no papel e deixá-las “orbitar” em seu espaço de sentir e sentir o que realmente aquelas palavras querem lhe dizer. P. 2 Em princípio, eram caminhos tão estreitos que apenas uma pessoa podia passar. Depois, apenas a Não Matéria conseguia espaço no estreito caminho do Ser. P. 3 Apenas a sensibilidade consegue ultrapassar fronteiras e holografar o Mundo e o Universo. P. 4 A nossa cultura alimenta o Ego e não o Ser. P. 5 Quando perambulo pela vida, sentindo nas entranhas o viver em plenitude, naturalmente percebo seus sussurros, respondendo meus mentais questionares. P. 6 O concreto só é permeável ao Sentir. P.7 Precisaríamos de um pensamento de efeito nuclear que “contaminasse” todas as pessoas, toda a humanidade, à busca de um caminho melhor. P. 8 Vivemos sempre na expectativa do novo, do diferente ─ e o capitalismo beneficia-se profundamente disso ─; mas em realidade, essa busca é inútil porque não é o novo que buscamos ─ é o ETERNO. E não o encontraremos fora de nós. P. 9 Depois de traçarmos uma circunferência, não temos idéia de onde a começamos. O curioso é que o começo e o fim, em uma circunferência estão, digamos assim, fusionados num mesmo ponto. Difícil é chegar a essa Unidade de Princípio e Fim. P.10 O Ponto e o Infinito. Você “viaja” tão longe, em relação ao Ponto, em busca do Ponto, que pode ─ e normalmente acontece ─ alcançar o Infinito. E quando você se aventura ao Infinito, quando você “viaja” rumo ao Infinito, acaba chegando ao Ponto. P.11 As pessoas necessitam demasiadamente de outras, e praticamente nunca pensam que outras mais possam estar precisando delas. Dessa forma, os elos da Corrente da Solidariedade e do Amor ao Próximo ─ sinônimos ─ jamais se unem, porque nada é bilateral, 120
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    multilateral ─ apenasunilateral. Isto leva apenas ao encontro de pessoas, sempre exterior e interesseiro. P.12 Na grande maioria das vezes nos “doamos”, fisicamente falando, ao outro, não pelo prazer, alegria ou felicidade que esse ato pode despertar no outro; nos “doamos”, na busca do prazer, felicidade ou alegria que o outro pode nos proporcionar. Não há encontro; não há doação ─ Efeito Nulo. P.13 Não posso impor meu labirinto a você, dizendo ser ─ O Labirinto. Cada um de nós tem e faz o seu labirinto, quando busca entre dezenas, centenas de caminhos e atalhos, O Caminho, aquele que mesmo sendo Único, recebe cada novo peregrino como se fosse o primeiro, como se fosse o Único, porque assim o É. P.14 Quando a pessoa se conscientiza de sua real não significação, no mundo, esvazia-se tal qual um balão-de-gás, quando lhe é tirada a válvula ─ murcha. Era um balão-de-gás; não é mais, ou talvez, nunca tenha sido, em realidade; foi feito um balão-de-gás. A significação ou realidade exterior de um balão-de-gás, é o gás; vazio nada é. Somos tal qual um balão-de-gás; enchem-nos e nos enchemos de significações exteriores; quando extraímos todo o gás das significações exteriores, das significações impostas, encontramo-nos com a não significação e com o profundo vazio que a perda das significações exteriores causa, em princípio. É um período extremamente difícil o deixar de ser o que pensávamos ser; a pessoa sente-se pesada; parece ter toneladas de peso, justamente pela retirada do gás das significações exteriores. Até que percebe que não era o gás nem o balão. Saberá então o que realmente é. P.15 Quando você puder olhar e ver a transparência e luminosidade de sua sombra, provavelmente terá encontrado o Ser. 121
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    ESPAÇO 15 UM POUCO DOS CAMINHOS PERCORRIDOS Acredito ser importante dizer-lhes, neste final da 2a Parte do EgoCiência e SerCiência, como as coisas foram acontecendo em minha vida, até chegar a quase total vivência do que chamei de Não Matéria. Não farei nenhuma longa explanação, mesmo porque, cada pessoa tem o seu caminho para trilhar na busca de algo além da matéria, do físico, da vida, da forma como os “conhecemos”. Será importante dizer que sempre fui extremamente curiosa, algo rebelde e pouco influenciável, desde pequena. Sempre tentei descobrir as coisas por mim mesma ─ até onde era possível, é claro ─ independentemente de respostas e/ou explicações que me eram dadas face aos inúmeros questionares que brotavam em mim. Hoje consigo analisar que era importante, que as coisas que me eram ditas, ou que eu lia, conseguissem encontrar um espaço a ser ocupado, dentro de mim, sem coação, naturalmente. Apenas quando isso ocorria é que a questão estava resolvida; caso contrário, o registro da questão ficava “arquivado”, até novas buscas; poderia dizer que a questão ficava “orbitando” em mim. Para felicidade minha, encontrei pais terrenos que, pela inteligência de ambos, aliada a uma sensibilidade de Ser, permitiram-me e incentivaram-me a não fechar o mundo em uma “pequena caixinha”. Como acontece com todas as pessoas, inúmeras coisas importantes marcaram-me quando criança; mas uma delas, de maneira muito especial ─ meu pai conseguiu provar-me que a linha do horizonte existia e não existia. Essa dualidade, que compreendi por volta dos cinco anos de idade, foi de extrema importância em meus caminhos. Sérios problemas passei a enfrentar quando comecei a ter o que antigamente chamava-se de “aula de catecismo”, problemas esses ocasionados pela minha curiosidade, que na realidade, é própria de toda criança. Acontece que as coisas que nos eram ensinadas, deixavam margem para perguntas, que na maioria das vezes, não eram respondidas. Esse período crítico e tumultuado estendeu-se até, e por todo o curso ginasial, nas então chamadas aulas de religião. Terei de lhes dar um exemplo simples, de uma das coisas que aconteceram comigo, apenas para que possam sentir como as crianças e os jovens podem ser barrados em suas buscas, e quanto isso pode ser pernicioso à sua evolução como pessoa e como Ser. Vejam. Mais ou menos aos 12 anos, resolvi ler a Bíblia mais seriamente; dessa leitura que interrompeu-se quase em seu princípio, algo chamou minha atenção ao ler o Gênesis 4, 1-18. Perguntei então, durante a referida aula de religião, como poderia Caim, após ter matado Abel 122
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    e ter sidoexpulso das terras onde vivia, ter encontrado uma mulher, numa terra muito distante, se Adão e Eva foram os primeiros seres humanos e que deles havia nascido, até então, Caim e Abel, apenas? A pergunta feita mais ou menos como aí está, foi motivo de séria advertência sob alegação de mau comportamento e rebeldia. Na verdade, essa e outras questões tornavam-se cada vez mais sérias para mim, pois na parte de Introdução da Bíblia, havia a seguinte afirmação ─ entre outras: “Portanto, tôda palavra da Bíblia é de tal maneira, ao mesmo tempo, palavra do homem (do escritor) e palavra de Deus (do Espírito Santo), que “tudo aquilo que o autor sagrado afirma, enuncia ou insinua, deve considerar-se como afirmado, enunciado e insinuado pelo Espírito Santo”, assim diz a Pontifícia Comissão Bíblica no seu decreto de 18 de junho de 1915, ponto II.” Não achava correto que isso pudesse ser determinado através de decreto puramente humano, institucional, além de considerar que essa afirmação poderia causar um desestímulo à perguntas e dúvidas. É mais que evidente que todas essas coisas acontecidas, na época abalaram-me bastante, fazendo-me conviver, dali por diante, com um grande conflito entre religião e Fé, já que era demasiadamente jovem para entender o porquê das atitudes de alguns daqueles que se diziam aptos a pregar a palavra de Deus. Dessa situação toda, algo permaneceu “flutuante” em mim, até o encontro com a Não Matéria. Foram palavras ditas por minha mãe quando expus a ela os meus conflitos: “Um dia você saberá que religião e Fé podem não ter nenhuma ligação para algumas pessoas; saberá também que o importante é a Fé verdadeira e lúcida, e não a religião instituída.” Durante um longo período de minha vida, permaneci no mundo, atuando como pessoa, não deixando de sentir, inúmeras vezes, aquela sensação não dissonante quando me encontrava “fora” do mundo, daquilo tudo que conhecemos como mundo. Decidi, então, que iria “forçar” mais esses instantes e para isso resolvi que durante 1 ou 2 horas por dia, iria “abandonar” o mundo e ficar comigo mesma, em silêncio ─ mas fazendo perguntas e aguardando respostas ─ ou então, fazendo qualquer coisa, tais como gravar, ouvir música, pintar, ler, observar a Natureza, caminhar em lugares distantes e naturais. Durante esse tempo de isolamento do mundo, dei à luz, em mim, a Não Matéria, Não Vida, Não Mundo, e senti que o Ser Eterno havia “nascido”. Esse nascimento ocorreu cerca de 10 anos atrás; mas hoje sei, que o tempo de “gestação” desse Ser, foi de muito mais de trinta anos de minha vida material, e que todas as situações favoráveis ou adversas pelas quais passei, foram alimentando, fortalecendo, energizando essa “gestação”, até o nascimento do Ser, que é um Ser compatível com a escala de Ser que esse Ser alcançou. Para mim, CADA SER É UM COMPLEXO DE ENERGIA QUE 123
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    ATINGE O TODOCONEXO ─ DEUS ─ NO PONTO EXATO DO ESPECTRO DE ENERGIA DERIVANTE DELE, COM O QUAL ESSE SER “COMBINA”, PELO QUAL É ATRAÍDO, DO QUAL É. Hoje, após o nascimento do Ser, convive comigo a certeza do TODO CONEXO ─ DEUS, da Eternidade e Infinitude do Ser; convive comigo a certeza da Unidade do ESTADO CRÍSTICO, e a certeza da Energia Cósmica apresentada ao mundo, por Jesus, O Cristo como sendo o DIVINO ESPÍRITO SANTO, verdadeiro responsável pelos “toques” de despertar que inúmeras vezes sentimos, mas não acolhemos – ENERGIA. Convive comigo hoje, com muito mais fundamento, a certeza que sempre tive de que o TODO CONEXO ─ DEUS, jamais poderia ser um legislador de conduta humana a posteriori, ou seja, após a criação. Suas Leis, não só para nós, mas para toda a Natureza, para todo Universo, vêm incrustadas, vêm embutidas na Não Matéria; é aí que residem suas Leis, com reflexos profundos e determinantes sobre a Matéria, é claro, por ser esta um Estágio e aquela um ESTADO. Alguém poderia perguntar como se deu meu encontro com Jesus, O Cristo já que falo tanto Dele e não professo nenhuma religião instituída em nome Dele. Esse é outro fato interessante, pois sempre me senti atraída pela “figura” de Jesus, O Cristo. Sempre dizia considerar Jesus, o maior metafísico e revolucionário que o Planeta Terra conheceu. Só que sempre tive receio em procurar saber dele, Jesus, através da fonte mais comumente conhecida, pois temia decepções, não propriamente com ele e sim com aquilo que poderiam ter tentado fazer dele. Por essa razão, aventurei-me por caminhos outros, mais ligados aos aspectos científicos da vida, além de buscar conhecer um pouco de outros seres expressivos, que por aqui passaram. Um grande e maravilhoso espaço foi aberto em meu caminho através da incursão pela Filosofia Budista, trazida em sua origem, ao Planeta Terra, por um ser também especial ─ Sidarta Gautama ─ que após revelar o Ser, atingiu o ESTADO DE BUDA. O que de mais importante considerei, na evolução da caminhada de Sidarta Gautama para o ESTADO DE BUDA, é a conclusão de que é necessário transcendermo-nos e não, aniquilarmo-nos, como pessoa, para nos tornarmos Ser. “Existem dois extremos dos quais aquele que vive religiosamente deve afastar-se. Um, é uma vida toda voltada à sensualidade e ao prazer; isso é desprezível, grosseiro e vão. O outro, é uma vida de mortificações; esta é dolorosa e inútil.” Essas teriam sido algumas das palavras de Sidarta Gautama, já como ─ O BUDA. Após várias “investigações” em caminhos outros, e cedendo ao conselho de um grande amigo que dizia sempre: “você precisa ler os 4 Evangelhos ─ Lucas, Marcos, Mateus e João.”, 124
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    considerei-me preparada parafazê-lo e o fiz. Li e reli, deixando que minha sensibilidade fosse me encaminhando ao cerne da mensagem de Jesus, O CRISTO que a mim caberia compreender. Descobri com essa leitura, que aquilo que pensava dele, ou seja, um Ser Metafísico e Revolucionário, era perfeitamente evidente, para mim, em diversas passagens das quais tomei a liberdade de extrair um Cristo Ciência, um Cristo Religião, um Cristo Místico e um Cristo Metafísico. CRISTO Ciência: “Eu e o Pai somos uma só coisa.” CRISTO Religião: “Amai-vos uns aos outros.” CRISTO Místico: “EU SOU” CRISTO Metafísico: “E transfigurou-se diante dêles, de sorte que o seu rosto brilhou como o sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz.” Esta, para mim, representa a primeira demonstração, no campo ocidental, de nossa constituição quântica. 125
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    Explicações Preliminares Tentei aedição do Ensaios sobre a Não-Matéria, pela 1a vez em 1985. Tenho ainda comigo as cartas de recusa do original. Curiosamente, e independente de qualquer outra consideração, o livro realmente não estava pronto, pois a 2a parte do mesmo veio nos anos seguintes, e em nova tentativa de edição, novas recusas, novas cartas guardadas. É interessante como as coisas acontecem. Quando da primeira tentativa de edição, frustrada, resolvi consultar o I Ching, com a seguinte pergunta: “I Ching, o que vossa sabedoria diz sobre meu livro Ensaios sobre a Não Matéria? (lembre-se que esse era o nome inicialmente dado ao atual EgoCiência e SerCiência). O Hexagrama que veio como resposta foi o número 42. I/Aumento. Depois da segunda tentativa, fiz nova consulta e por incrível que possa parecer aos mais céticos, o mesmo Hexagrama veio em resposta à mesma pergunta. Certíssimo, pois em setembro de 1996, mais precisamente dia 21, de forma surpreendente e inesperada veio até mim a terceira parte, trazendo em sua sequência, algo extremamente importante. Esse algo foi o “Prioridade 1 ─ Objetivo Mundial”. Algumas pessoas aconselharam-me a desmembrar esse último ponto do restante do livro e tentar divulgá-lo através de diversos meios. Isso não seria justo, porque, para que o “Prioridade 1 - Objetivo Mundial” chegasse até mim, precisei, provavelmente, seguir a trajetória toda que está, digamos assim, resumida nas três partes do livro em questão. Mesmo assim, enviei o Prioridade 1 ─ Objetivo Mundial para alguns pontos, inclusive para Fritjof Capra, de quem recebi resposta, tecendo comentários. Em termos de trajetória, foram mais de 26 anos (1970-1996), mas, o tempo de recepção da terceira parte, incluindo o “Prioridade 1 ─ Objetivo Mundial”, não demorou mais que o tempo de gravação de uma fita de 60 minutos. Portanto, como tenho certeza da existência de conexões de nível Não Matéria, para que tivesse condições de “captar”, da forma nítida como “captei” a terceira parte e sequência, precisei ser preparada durante todo esse tempo. É importante que lhes conte ainda, de três situações que ocorreram comigo alguns meses antes da data de 21/09/1996, pois creio que elas estão, de alguma forma, profundamente 127
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    relacionadas ao queserá visto nesta parte três do livro, e sequência. Tentarei descrever de forma mais clara possível. Uma dessas situações ocorria quando via luzes de cores diferenciadas, em diversas formações geométricas. Quando isso ocorria, em momentos de relaxamento, não podia prender a atenção nas formas, pois perdia a conexão tanto com elas ─ as formas ─ quanto com as luzes coloridas. Assim, deixava as coisas acontecerem, sem tentar “observar” nada com mais atenção e conseguindo assim “ver”, com nitidez, tanto as cores quanto as formações. Quando tudo acabava, conseguia lembrar de algumas delas ─ das formações ─, pois eram tantas, talvez até centenas, em questão de minutos. Outra situação era vivenciada quando percebia, com absoluta nitidez, as duas partes do cérebro ─ o lado esquerdo e o direito ─, subitamente iluminados; tanto fazia se ficava de olhos abertos ou fechados; se era dia ou noite. Eles permaneciam assim, iluminados, com cores que iam se alternando em tons de azul, amarelo-ouro, lilás e prateado; e via, literalmente via dentro da estrutura cerebral, os dois lóbulos iluminados. Este estado tinha duração maior que o anterior e a alternância das cores era mais lenta. Finalmente, quando em estado de meditação, fechava os olhos, sentia como se minha cabeça inteira se fundisse a um espaço totalmente impossível de dimensionar. Nesse tempo em que assim permanecia, que podia ser horas, “perdia” a noção de constituição física normal ─ cabeça, tronco e membros; sentia apenas minha cabeça como que unificada, sendo ela e esse espaço a mesma coisa, e o mais importante é que um pequenino ponto de luz me acompanhava o tempo todo ou, eu o perseguia o tempo todo. Foi num desses momentos que veio até mim esta terceira parte do livro e o “Prioridade 1 ─ Objetivo Mundial” que estão devidamente registrados em fita gravada, pois antes que isso ocorresse, “senti” que deveria acionar meu velho e barulhento gravador mas, grande amigo e companheiro. Em sequência virá, de forma literal, o que foi “captado” ou “recebido”, por mim; assim tudo virá em itálico, diferenciando do restante do livro. Lembre, caro leitor, que falamos que a Parte 1 deste livro veio, quase em sua totalidade, em situações tipo insight. A segunda, também comentamos, foi mais racional e logicamente desenvolvida. Esta terceira parte veio em situação totalmente diferenciada. Durante os quase 60 minutos de gravação da fita K7, “estive” em meio caminho entre o que se costuma chamar de estado consciente e estado inconsciente. Esta é a única forma 128
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    encontrada para tentardefinir o estado em que permaneci, durante a “captação” de tudo que veremos, a seguir. Essas explicações dadas a você têm razão de ser pelo profundo respeito que tenho por aquilo que escrevo e, principalmente, por respeito a você, leitor, pois afinal: “IN LAKE`CH ─ “ Eu sou um outro você”. Extraído do Livro Fator Maia, de José Argüelles - Editora Cultrix Nunca precisei pedir ou esperar por uma prova da existência de Deus, pois olhando e observando toda a Natureza, convivi e convivo com Ele. Mas, a “viagem” do pequenino ponto de luz, premiou minha existência com mais alguma coisa que pude conhecer DELE, NELE. O todo abaixo, será em itálico, pois refere-se, integralmente, ao que foi “captado”. P. 1 Tal qual um pequenino ponto de luz, iniciei “viagem” através dos séculos, sem ater-me a ideia de tempo, porque tudo ESTÁ, desde o ontem até o amanhã, pois são ─ SEMPRE. P. 2 E nesse espaço indefinido e indefinível que “penetrei”, na busca dos séculos, há um silêncio profundo, adormecido, contagiante. Estando nele, silenciamos de forma completa e absoluta e o que se “ouve”, é totalmente diferente de qualquer ouvir conhecido por nós, seres humanos. Esse espaço, não é espaço como nós concebemos; pode até mesmo ser chamado, como já o foi, de “vácuo”. Por que “vácuo”? Porque nada daquilo que conhecemos como espaço se faz presente ou é sentido. Não há delimitação de área; não há esquerda ou direita; nem alto nem baixo; não há em cima nem embaixo; não há quadrado, nem triângulo, nem circunferência; não há calor nem frio, nem se precisa saber se é dia ou noite; não há pressa nem vagar; a velocidade não é sentida. P. 3 Em princípio a sensação é estranha, inimaginavelmente estranha, porque, nesse espaço secular, milenar você convive com ENERGIA que você sente, pois na raiz mesma da ENERGIA, ela não é força, não é movimento, não é sólida, nem líquida ─ ela é SENSAÇÃO. Você sente a SENSAÇÃO e os diferentes níveis dela mesma, mas você sabe que essa SENSAÇÃO é totalmente diferente daquelas sensações detonadas por algum órgão de sentido ─ visão, tato, olfato, audição. P. 4 Somos envoltos em um ESTADO de constante SENSAÇÃO, que na verdade, equivale a uma realidade que ultrapassa todos os níveis de bem-estar, de plenitude que possamos imaginar ou sentir. Essa SENSAÇÃO, não é uma sensação localizada ─ na cabeça, no peito, 129
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    no abdômen; tambémnão é um arrepio, nem calafrio, nem vertigem; não é alegria, surpresa; não é euforia, muito menos ansiedade. P. 5 A SENSAÇÃO É ÚNICA E CONSTANTE, mas tem diversas frequências, intensidades diferenciadas, algo assim como uma escala musical ─ dó, ré, mi, fá, sol, lá, si ─, que mesmo você não conhecendo música, de forma teórica, você percebe as variações de tons; assim é com a SENSAÇÃO. P.6 A grande diferença é que essa SENSAÇÃO você não a sente da forma como concebemos e definimos um sentir; VIVE-SE essa SENSAÇÃO; SOMOS ESSA SENSAÇÃO; ela não está fora de nós pois estamos imersos nessa SENSAÇÃO; nosso SER QUÂNTICO faz parte dela, É ela. P. 7 Essa SENSAÇÃO tem uma “linguagem” específica, através da qual os diferentes níveis são reconhecidos por ela mesma, e os níveis, entre si. Há um fluxo contínuo de “atração” e “repulsão” num interminável ESTADO DE CRIAÇÃO que, por milionésimo de milionésimo de segundo, percebe-se em formas e cores diferenciadas, “existindo” e deixando de existir quase que simultaneamente, e SEMPRE, SEMPRE. A “linguagem” existe SEMPRE, sem ser preciso que algo seja pronunciado ou “escrito”; não poderíamos chamá-la de linguagem telepática, pois seria um erro. P. 8 Tudo ESTÁ e por onde se passa, por onde se circula capta-se naturalmente essa “linguagem”, sem interferências, sem equívocos; e todo o ESPAÇO é PLENO dessa “linguagem”; por isso o ESPAÇO, o INFINITO é UNO, na ENERGIA e na LINGUAGEM, ou melhor, ambos são uma só coisa ─ ENERGIA/LINGUAGEM, sem dicotomia, sem que isto seja uma coisa e aquilo outra. Ambos são a mesma coisa ─ ENERGIA/LINGUAGEM. ---------------- Não se busque o Princípio disso que temos ideia do que seja UNIVERSO; não existe, dentro da lógica cronológica humana, terrena, noção do que seja esse “Princípio” e não será neste estágio de Ser que poderemos saber; num Estado mais avançado mentalmente, talvez. -------- P. 9 O PENSAMENTO que envolve todo o UNIVERSO é UNO. Não existem divergências de pensamento quanto a UNIDADE; todos os processos intermináveis, constantes e imediatos que ocorrem, “pensam” essa UNIDADE, essa INFINITUDE, e a INTELIGÊNCIA que permeia, que origina esse PENSAMENTO é também UNA, CONEXA. P.10 Portanto, a ENERGIA É SENSAÇÃO, INTELIGÊNCIA, PENSAMENTO E LINGUAGEM. 130
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    ------- Neste pontoseria correto pensar, que a famosa fórmula do grande cientista Albert Einstein poderia traduzir melhor a realidade a que se propõe se fosse mudada para, talvez, PE=m.c2, pois mediante ao que a ENERGIA é, realmente, essa fórmula não faz jus, não reflete o REAL. P.11 Inclusão∗: A famosa fórmula de Einstein é relativa a determinado nível de Energia, a determinada faceta da ENERGIA ─ creio eu ─ e nãopara a ENERGIA, em sua expressão máxima, ainda desconhecida pela Ciência. O que pode significar P, “sugerido” em P.10, apenas pessoas capacitadas poderão cogitar, se assim quiserem fazê-lo. P.12 Essa ENERGIA-SENSAÇÃO é INTELIGENTE e “pensa” não um único “pensamento”; diríamos ser impossível sequer imaginar a quantidade deles, mesmo porque a ordem é sempre crescente, até mesmo exponencial. Mas ela pensa UNO, pensa em COMUNHÃO, pensa em CONEXÃO. Todos os pensamentos saem de um mesmo ponto e retornam; eles não são perdidos ou extraviados; eles cumprem a meta a que se destinam e permanecem Vivos, Ativos. ----------- A ETERNIDADE NÃO É TEMPO. É VIDA DO PENSAMENTO QUE É SEMPRE. “NO PRINCÍPIO ERA O VERBO” ─ E O VERBO ERA SER, É SER E SERÁ SER. P.13 O PENSAMENTO é UNO, mas a LINGUAGEM, através da qual esse PENSAMENTO é expresso, é diferente de um nível para outro, dessa mesma ENERGIA. Essa LINGUAGEM É; ela existe em todo o UNIVERSO. P.14 Após algum “tempo” envolta nessa Atmosfera Energética Universal, percebo totalmente que a SENSAÇÃO, através da qual “captei” parte do TODO, é, na verdade, a forma como o Espectro de Energia de nosso Corpo de Luz “percebe” todos os processos de VIDA do nível a que estamos falando; melhor ainda ─ a ESTRUTURA QUÂNTICA de nosso Corpo de Luz é que percebe esses processos; mas nossa estrutura cerebral, nossa estrutura psíquica está com o potencial para “decodificar” essa SENSAÇÃO, praticamente atrofiado, até mesmo, desativado. Não conseguimos decodificar nem a SENSAÇÃO, nem a LINGUAGEM. P.15 A ENERGIA É INTELIGÊNCIA, PENSAMENTO E LINGUAGEM. ∗ Inclusão: ponto adicionado após audição do conteúdo da fita. 152 131
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    P.16 Seria maisfácil e simples dizer que O TODO é ENERGIA e pronto; mas, apenas isso não bastaria para nossa estrutura lógica de pensar ser desperta para um outro nível de pensamento. ----------É COM ESSA PROFUNDA LIMITAÇÃO QUE TRABALHAMOS PARA TRAZER ATÉ A MENTE HUMANA UMA PERSPECTIVA DO QUE SEJA A REALIDADE UNIVERSAL--------- ---- P.17 A ENERGIA que É, é INTELIGENTE; na realidade ela sabe tudo; nada escapa ao seu “conhecimento” ou “reconhecimento”; mas não porque saiba por saber, mas sabe por SER, sabe por que É, por que É TUDO. P.18 A ENERGIA É PENSAMENTO SEMPRE. P.19 A ENERGIA E O PENSAMENTO DELA SÃO UMA SÓ E MESMA COISA. P.20 Assim, a ENERGIA INTELIGENTE É PENSAMENTO E É TAMBÉM LINGUAGEM. P.21 A ENERGIA se autocomunica através de uma LINGUAGEM fantasticamente simples, mas, exuberantemente complexa, pois todos os níveis da ENERGIA conhecem a LINGUAGEM do TODO, mas trabalham com LINGUAGEM específica a cada nível ─ a estrutura pensante de cada nível da ENERGIA comporta a LINGUAGEM do TODO. É estranha a Sensação que se tem da existência dessa LINGUAGEM, pois parece que ela vibra, esse é o termo ─ ELA VIBRA POR TODO O UNIVERSO, INCLUSIVE EM NÓS. P.22 É importante dizer que SOMOS a ENERGIA na ESTRUTURA QUÂNTICA de “nosso” Corpo de Luz; é a esse nível de nosso Ser que a ENERGIA trabalha. Esse Corpo de Luz é “conectado” à nossa estrutura material através de “nosso” Centro Nuclear, que não deve ser entendido como um único ponto isolado, mesmo sendo Um e provavelmente é o PAI ─ PRINCIPAL ÁTOMO INICIAL que sendo o CENTRO NUCLEAR, esparge ENERGIA e ao final do tempo matéria “recolhe” essa ENERGIA, que permanecerá ad infinitum em “nosso” Corpo de Luz, como sempre esteve. P.23 É O “NOSSO” CORPO DE LUZ, CONECTADO A NÓS MATÉRIA ATRAVÉS DO CENTRO NUCLEAR QUE “ARMAZENA” A RESULTANTE DE NOSSOS ATOS PELA SENSAÇÃO ENERGÉTICA QUE ELES EMITEM. P.24 Ao falar em Corpo de Luz conectado a nós matéria, dá a impressão de duas coisas distintas, mas não são. Somos completamente Corpo de Luz só que, pelo nosso despreparo, pelo embrutecimento de nossos órgãos de sentido, tanto terrenos quanto Universais, Cósmicos, só conseguimos ver, sentir o corpo material, que é uma realidade terrena. Esse 132
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    Corpo de LuZnão é primazia do ser humano; todo ser vivente da Natureza o tem, mesmo que em vibrações e frequências diferenciadas, através dos níveis. Hoje, bem mais que em tempos passados, em razão da materialidade psíquica e emocional, das pessoas, tornou-se extremamente raro quem consegue perceber o Corpo de Luz. P.25 Estranho, lembro algo, agora, que está também aqui no ESPAÇO ─ a Imagem do Monte Tabor, quando Jesus, O Cristo tornou-se inteiramente iluminado; essa foi a visão incrustada no ser humano e pela qual o ser humano busca; Ele conseguiu mostrar ─ pela força mental, pelo poder psíquico, pelo poder de transfiguração ─, esse Corpo de Luz, O Corpo de Luz. Essa Imagem definida no Monte Tabor ─ TRANSFIGURAÇÃO ─, é a Imagem que deveria ter ficado; foi escolhida a Imagem de Jesus Crucificado; mas a Imagem para ter ficado é aquela do Monte Tabor; ela teria diferenciado totalmente as conexões dos seres humanos. É necessário que a Imagem de Jesus Crucificado ─ essa imagem dolorida, sofrida, pesada, seja trocada; as pessoas e as religiões cristãs que têm como símbolo essa imagem devem guardá-la; e já que o ser humano ainda precisa de uma imagem, algo semelhante a do Monte Tabor deverá ser colocada em lugar da Imagem de Jesus Crucificado, em todos os lugares e URGENTEMENTE. P. 26 Inclusão∗ : convém lembrar o que foi dito na Transfiguração, em Lucas, Mateus e Marcos. Lembremos Mateus 17,1-2 ─ “Seis dias depois, Jesus tomou consigo a Pedro, Tiago e seu irmão João, e os levou a um lugar à parte, sobre um alto monte. Transfigurou-se diante deles: seu rosto brilhava como o sol e sua roupa tornou-se branca como a luz.” Agora, vejam as seguintes definições de: Figura: forma exterior, representação; Figuração: ato de figurar; figura. Assim, Transfiguração pressupõe algo além da figuração, que transcende, que ultrapassa a figura. Assim, creio eu, a TRANSFIGURAÇÃO mostra que a figura humana, portanto, sua forma exterior é apenas algo que assim o é, porque não conseguimos ver aquilo que é Real, ou seja, o Corpo de Luz; esta, creio eu, não é uma questão religiosa; é uma questão científica. ∗ Inclusão: ponto adicionado após audição do conteúdo da fita. 133
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    P.27 A ENERGIA,mesmo sendo UNA, como é, existe ou É, em diversos níveis e até mesmo sub-níveis, mesmo sendo UNA. Esse níveis e sub-níveis da ENERGIA são ESTADOS DE VIDA DIFERENCIADOS e com Peculiaridades a cada nível. No Estágio Vida no Planeta Terra, vários níveis e sub-níveis da ENERGIA estão em atuação, e o Estágio Vida do Planeta Terra é uma “réplica” imperfeita ainda, do ESTADO VIDA de um dos níveis, de um dos complexos energéticos da ENERGIA. Só que o Estágio Vida, pela extrema materialidade artificial das pessoas, distanciou-se ainda mais dessa “réplica” Universal. P.28 Em cada um de nós existe um Centro Nuclear; esse Centro Nuclear nos conecta à ENERGIA CÓSMICA mas tem também a “missão” de preparar um quantum de Energia para um dia, “acoplar-se” ao “molde” Universal que existe, sempre existiu e existirá. É como se a ENERGIA, estivesse “voltada” para a Matéria, e quando acontece a “desativação” desse Centro Nuclear, na matéria, a ENERGIA retorna ao nível ou complexo energético, de origem. Esta é uma parte difícil de explicar, mas fácil de entender. P.29 O UNIVERSO NÃO É LONGE; ELE APENAS É; MAS SUA TOTALIDADE É VASTIDÃO. P.30 Todos os seres humanos e da Natureza, todos têm sua “réplica” luminosa ativada através do Centro Nuclear que conecta a ENERGIA do Corpo de Luz à matéria, que tem, por sua essência, tudo a ver com a ENERGIA. P.31 Aparentemente, o mais difícil de explicar dentro ou em conformidade com a lógica do pensamento humano, simplesmente, é que os níveis da ENERGIA ─ “COEXISTEM”─; estão, digamos assim, todos “misturados”; não há uma hierarquia espacial entre eles ─ 1o, 2o, 3o... . Eles estão todos em tudo e a única diferenciação entre eles é a LINGUAGEM. É pela LINGUAGEM que, por exemplo, um nível sabe a qual complexo energético “pertence”. Esse “pertencer” ou não “pertencer” é, pode-se dizer ─ INSTANTÂNEO ─ , ou seja, quase ao mesmo tempo um quantum da ENERGIA muda de um nível para outro, de um complexo energético para outro. Na verdade, a real impressão que dá é que o quantum da ENERGIA é ativado, por uma razão específica, neste ou naquele nível, neste ou naquele complexo energético, dependendo única e exclusivamente da LINGUAGEM. Essa “mudança” de nível de um quantum da ENERGIA, não é exatamente um salto, uma passagem de um quantum da ENERGIA de um nível para outro, mas sim, a ativação de um quantum ou de milhares e milhares deles, neste ou naquele nível, neste ou naquele complexo energético, mediante a LINGUAGEM “utilizada”. 134
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    Termina aqui, aParte 3, referente à ENERGIA. Em sequência vem o que chamei de Adendo desta Parte 3, cuja denominação foi “captada” como sendo: “Prioridade 1 ─ Objetivo Mundial”. 135
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    “PRIORIDADE 1 ─OBJETIVO MUNDIAL” Adendo ao EgoCiêcia e SerCiência ─ Parte 3 INTRODUÇÃO Não há muito mais a dizer, além do que será exposto no “Prioridade 1-Objetivo Mundial”. Só posso lhes dizer, lhes afirmar que a “visão” de tudo que se seguirá, foi algo profundamente marcante ─ impossível descrever o quanto! Na verdade, só há uma coisa a ser dita, ainda: que as pessoas, sejam elas ditas “do povo”, sejam elas membros de governo, sejam elas ligadas a qualquer credo, sejam elas ligadas à ciência, sejam elas ligadas à imprensa não ignorem o que está informado no “Prioridade 1 ─ Objetivo Mundial”, pois se assim for feito, é prova mais que suficiente que não existe resquício algum de Amor, de Responsabilidade e Discernimento sobre a face da Terra, entre os humanos, é claro, e assim, não há por que a Humanidade se preocupar com ela mesma e com este imenso e maravilhoso ÚTERO ENERGÉTICO que é o Planeta Terra. Não está nas mãos de uma só pessoa, ou de um grupo, aceitar esse Objetivo Mundial descrito no “Prioridade 1” ------ A HUMANIDADE É RESPONSÁVEL, AGORA, MAIS DO QUE NUNCA, PELO SEU PRÓPRIO FUTURO. Isto não é uma ameaça; é uma CONSTATAÇÃO! Cada um de nós, seres humanos, tem em pequenino alguém cujo futuro é nossa responsabilidade. Esse alguém pode estar ainda no útero, pode estar no berço, na escola ou até mesmo, na rua, ao desamparo, e nenhum poder de decisão tem, com relação ao futuro. Nós, adultos, é que precisamos urgentemente tirar a venda de nossos olhos e enxergar o que precisa ser feito para que esse alguém que amamos ou, conhecemos, apenas, tenha um futuro melhor, tenha realmente futuro de Vida, neste Planeta Terra. P. 1 Agora vem o ponto que chamaria crítico, muito crítico, pois após a “caminhada”, após a “viagem”, do pequenino ponto de luz, houve como que um “estacionar”; sentia-me ainda envolvida naquela atmosfera anterior, mas a SENSAÇÃO “ parou” e me vi, literalmente me vi parada frente a algo como se fosse um enorme Painel de Controle, só que totalmente diferente de qualquer painel de controle que se possa conhecer ou imaginar. 136
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    Esse Painel eratotal; ele era todo o ESPAÇO e estranhamente, era como se eu estivesse dentro do Painel e estivesse “olhando” para mim; na verdade, era como se eu e o Painel fossemos uma só e mesma coisa e estivéssemos olhando para alguém fora de nós, no caso ─ eu mesma. Isto é profundamente difícil de explicar. P. 2 Nesse Painel, imagens como que holográficas ─ não seria bem isso, mas é o mais próximo que posso dizer ─, surgiram e todas relativas ao “SISTEMA PLANETA TERRA”; era assim que o Painel “identificava” as imagens. Nesse ponto, tudo que eu “via” eu também “ouvia”; não era daquela forma anterior de SENSAÇÃO; era captação normal, da forma como qualquer um de nós vê ou ouve, até mesmo racional e logicamente. A única diferença é que o que eu via, via de forma total, ou seja, toda a minha estrutura cerebral via, não apenas meus olhos; o mesmo ocorria com aquilo que ouvia, pois essa audição era inteira em mim. Enfim, para melhorar a condição de entendimento, a linguagem usada era a comum de nossas palavras e símbolos conhecidos; o que eu via eram coisas que nós conhecemos, que faz parte do dia a dia; só a forma de captação era diferente, era como que “ressonante”; era como se eu estivesse “dentro” daquilo que ouvia e “dentro” daquilo que via. P. 3 E nesse Painel, as imagens que se seguiam eram acompanhadas de um jogo de palavras: “PRIORIDADE 1 ─ OBJETIVO MUNDIAL”, tudo relacionado, torno a dizer, ao Sistema Planeta Terra. P. 4 Deste ponto para frente, vou narrar exatamente o que vi nesse Painel, obedecendo a sequência exata dos quadros, das imagens. O texto todo que se seguirá confere, quase que na íntegra, com o que está na fita gravada, através da qual registrei a “visão” da terceira parte do então Ensaios sobre a Não Matéria e o “Prioridade 1 - Objetivo Mundial”. Assim, estará também, em itálico, como foi feito com a 3ª Parte. Algo relacionado ao “passado” da Humanidade surge em meio a uma luz opaca, bem opaca, tendendo ao obscurecimento total; a sequência de imagens mostra que houve a possibilidade da Humanidade ter sido re-conectada, através de seus órgãos de sentido, ao Grande Projeto Universal; isso teria ocorrido através de uma “despressurização” do ambiente e do Centro Nuclear de cada ser humano, permitindo que o ser humano compreendesse a linguagem da Natureza do Planeta Terra e retornasse a um convívio de equilíbrio, de respeito com a Natureza como um todo. Captei que seria um retorno, pois o ser humano em épocas muito, muito remotas vivia com a Natureza; além disso, seres humanos de eras passadas tinham o conhecimento natural─ intuitivo ─, de recursos mentais que lhes permitiam realizar coisas que hoje consideraríamos totalmente impossíveis. Porém, logo nos primeiros séculos d.C., 137
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    principalmente, uma situaçãoirregular permitiu e desencadeou uma avalanche de pensamentos desconexos, no ser humano, e essa “onda” tomou proporções imensas e de uma certa forma atingiu quase que a totalidade das mentes humanas, direta ou indiretamente. E exatamente aqui vem uma imagem de impacto: Jesus, O Cristo foi o ser humano determinado e programado para receber, como recebeu, a ENERGIA de Nível Crístico ou supra-humana, e para trazer a “mensagem” de Reconciliação com o TODO, e a Imagem que Ele deixou no Planeta para que , através dela pudesse haver a reconexão energética, é a Imagem do Monte Tabor, porém, a imagem que foi difundida foi outra, totalmente oposta, e tempo virá em que saberemos por que isso ocorreu. Essa Imagem do Monte Tabor está “orbitando” em todo campo energético do Planeta Terra e vez ou outra é “captada” por pessoas que ficam apenas na impressão de terem tido uma “visão”, que não sabem identificar, pois ela é apenas de Luz. Enquanto permanece ressoando em mim o “Prioridade 1 ─ Objetivo Mundial”, essa imagem, esse quadro vai se desvanecendo, tornando-se apagado, e vem surgindo um outro quadro que “PULSA” entre o opaco e o claro, dando a nítida impressão de um Sistema de Alarme; algo está sendo sinalizado; e ao mesmo tempo que essa imagem “holográfica” oscila entre o opaco e o claro, imagens de corpos humanos também oscilam entre o opaco e o claro, e depois, quase que numa visão total mas na qual todas as partes são vistas individualmente, tudo no Planeta oscila entre o opaco e o claro. Neste ponto, intensifica-se o Prioridade 1 ─ Objetivo Mundial e algo acontece: quando essa imagem global do Planeta Terra e seres nele viventes, tomam a cor opaca, aparecem os seres viventes, desde plantas, animais, até o ser humano sendo exterminados de maneira lenta e profundamente angustiante, pois os recursos naturais, a comida, tornam-se, pouco a pouco impróprios para uso, sejam produtos agrícolas, sejam produtos de origem animal, peixes, a própria água e por último o ar. É uma imagem, é um quadro extremamente duro, muito difícil de ver; triste, angustiante. Assim que essa imagem torna-se totalmente opaca, e nada mais é visto, volta a imagem de cor clara, a imagem da luz; e veio nítida, e enquanto torna-se mais forte o “ Prioridade 1 ─ Objetivo Mundial”, aparecem as ruas das cidades totalmente vazias de carros; milhares e milhares de pessoas, pelo mundo inteiro, caminham a pé, porém, seus corpos tornam-se cada vez menos opacos. Enormes áreas, campos imensos com milhares de árvores frutíferas espalhadas por todo globo terrestre; as cidades também, cobertas de árvores frutíferas ─ praças, ruas, com milhares delas. Castanheira, a castanheira é muito presente, e durante o tempo de crescimento da Castanheira, antes dela dar frutos, 138
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    poucas, muito poucascrianças nascem; depois, quando as Castanheiras estão cobertas de frutos, as crianças também começam a nascer. Um dos pontos de maior saliência é a interrupção do abate de animais ─ gado, porco, aves; apesar da imagem ser de difícil compreensão, observa-se que essas áreas onde hoje é feita a criação ou confinamento de animais de corte, é uma área escura, pesada, de cor ocre; parece mistura de terra e sangue. Nessas áreas, parece que a ENERGIA SOL, que é diferente da Energia do Sol, não consegue espaço molecular para penetrar, tamanha a densidade magnética dessas áreas, pois os animais sofrem e além do mais somatizam, por serem mais naturais, a situação totalmente irregular de Vida no Planeta. Mas essas áreas, na imagem clara, são permutadas para plantio de árvores frutíferas e também para plantio de soja, trigo e centeio, e a situação energética vai se alterando, recompondo o campo energético de forma total. Outro ponto difícil de perceber é o que diz respeito ao que resta das florestas do Planeta; aqui, a imagem torna-se mais intensa e pormenorizada; percebo os aglomerados de árvores ─ as florestas ─, porém, percebo no mesmo quadro, os espectros que provavelmente são das árvores abatidas; percebo a imensidão das áreas; como eram imensas e a que ficaram reduzidas. Só que, esses espectros de árvores, grande parte, começam a ressurgir como brotos de árvores, como se tivessem sido recém-plantadas, só que espalhadas por todas as cidades do Planeta. É uma imagem muito bonita, e a idéia que envolve essa percepção é REFLORESTAMENTO! Percebo agora, em meio às imagens que vão se alternando, entre o opaco e o claro, a razão do “Prioridade 1 ─ Objetivo Mundial”. É que todas as pessoas, o campo energético de todas as pessoas está envolto em um OBJETIVO ÚNICO: SALVAR A VIDA, RECUPERANDO O PLANETA TERRA. É exatamente isso que ressoa em todas as imagens que surgem nesse grande Painel de Controle ─ a Humanidade finalmente encontra um Objetivo Mundial que UNE, que aproxima todos os seres humanos. Aparece, em meio a essas imagens positivas do Planeta, que podem ser positivas, os carros parados, os grandes centros sem crescimento e alguns até como que diminuídos; as árvores, milhares delas plantadas, assim como soja, trigo , centeio e a Castanheira, pois serão a base da alimentação mundial, e precisam estar disponíveis a todos, principalmente as árvores frutíferas. Aparece, em meio a todo esse quadro, uma data de início para aquilo que ressoa como sendo ─ ALTERNATIVA, O PRIORIDADE 1 ─ OBJETIVO MUNDIAL -; e essa data é ─ 2000 , claramente informada ─ ------- 2000 ------------ Dois Mil. 139
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    E isso queressoa como ALTERNATIVA, O PRIORIDADE 1 - OBJETIVO MUNDIAL,informa: SE A HUMANIDADE NÃO ACEITAR O OBJETIVO ÚNICO, ELA IRÁ COMEÇAR UMA FASE DE GRANDES SOFRIMENTOS QUE CHEGARÃO AO MÁXIMO EM 2025, pois a cor ocre ─ a cor ocre demonstra doença ─, paira sobre os animais de corte, dizendo que eles estão doentes e vão se tornar mais doentes, se continuar a criação e confinamento para abate, e vão passar doenças para a carne e na própria respiração; e a cor ocre vai mais além: hoje animais, amanhã plantas e depois o ar; a cor ocre vai se espalhar nessa ordem, e a cor opaca, a medida que vai se acentuando , significa morte. Só há essa “ALTERNATIVA DE LUZ”, O “ PRIORIDADE 1 ─ OBJETIVO MUNDIAL”-------- não há carros nas ruas, não há carros circulando nas cidades, nos grandes centros; as pessoas estão a pé e estão bem, tornando-se menos opacas; e as árvores estão crescendo, a Castanheira está crescendo; campos cheios de árvores frutíferas, de soja, de trigo, de centeio, e os rios ficando limpos e os mares também. E vem, tomando a totalidade do Painel de Controle, onde “pulsa” a imagem “holográfica” do Planeta, a Imagem transmitida através da TRANSFIGURAÇÃO, substituindo, em todos os lugares a Imagem de Jesus Crucificado; esta desaparece e aquela toma o seu lugar em todo o seu esplendor ─ é uma Imagem onde os traços do rosto são apenas delineados; o corpo é delineado e preenchido totalmente de luz, e o rosto com uma luz mais atraente, mais acentuada ─ a Imagem toda é LUZ e nada lembra religião e sim ----- ENERGIZAÇÃO! Gostaria, ainda antes de encerrar esta Parte 3 e seu adendo, o “Prioridade 1 ─ Objetivo Mundial”, dizer que a imagem “vista” da Transfiguração de Jesus, não tem nenhuma conotação religiosa. Para mim, particularmente, é importante salientar esse ponto, pois em hipótese alguma gostaria que o que foi visto, em relação à imagem de Luz, nas duas “visões” anteriores, fosse considerado como um possível devaneio de uma pessoa “doentiamente religiosa”, e sim, como uma constatação de dois pontos de extrema importância para aqueles que seguem esta ou aquela religião instituída e que tem, na figura de Jesus de Nazaré (como foi denominado) a máxima representatividade. Esses pontos são: 1 ─ o que informa que a imagem de Jesus Crucificado foi indevidamente “escolhida” para representá-lo; 2 ─ o que informa sobre a demonstração feita do Corpo de Luz, quando do episódio da Transfiguração, dando a conhecer a verdadeira constituição quântica de todos os seres e que essa constituição, por ser o que é, não se extingue. 140
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    Creio que osdois pontos vistos acima, podem e devem ser analisados sob a ótica científica; o primeiro pela ressonância que tal imagem pode ter ─ e tem ─ no contexto mental/psicológico; o segundo, por considerar que nossa constituição quântica, vez ou outra, pode ser observada sob efeito de uma ampliação de nossa Percepção Extrassensorial. 141
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    EgoCiência e SerCiência Ensaios Parte 4 142
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    “A verdadeira experiênciamística implica numa associação com a realidade objetiva.” Do livro: Os Mestres da Terra “Nada é mais fácil que escrever de tal modo que ninguém compreenda. Nada é mais difícil, por outro lado, que exprimir os pensamentos importantes que devem ser entendidos por todos.” Arthur Schopenhauer “Tudo deve ser o mais simples possível, nunca mais que isso.” Albert Einstein 143
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    Explicações Preliminares Conformecombinado, cada Parte teria uma Explicação Preliminar. Sendo esta a última parte do EgoCiência e SerCiência, creio ser necessário conversarmos, um pouco, sobre o que foi visto nas partes anteriores e o que será visto, nesta. Vamos lembrar aqui, que como livro, o então ─ Ensaios sobre a Não Matéria ─, (atual EgoCiência e SerCiência), nasceu em 1984 mas, sua “gestação” teria tido início em 1970, aproximadamente. A Parte 2 foi desenvolvida entre 1987 e 1990. A Parte 3 foi “captada” em 1996, mais precisamente em 21 de setembro. Esta Parte 4 foi escrita por mim, nos primeiros seis meses de 2008 e não nasceu, em princípio, como mais uma parte; tinha em mente o Volume 2 do livro. Entretanto, decidi por reunir as 4 Partes, em um só volume, por considerar que esta última, de certa forma, “responde” parte dos questionamentos que fundamentaram o então Ensaios sobre a Não Matéria e sendo assim, não deveria ficar separada das demais. Provavelmente você, leitor, deve ter percebido longos espaços em que, aparentemente ,nada acontecia em relação ao livro. Mas, não foi o que aconteceu; desde 1970 até 2008, muitas situações foram vivenciadas, nem todas mencionadas nas partes anteriores mas, elas estavam implícitas nos questionamentos e na busca por “respostas”. Vou tomar a liberdade de narrar algumas dessas situações ─ no Espaço 1 Pressentimentos/Sensações ─, por acreditar que assim agindo darei a você, leitor, maiores subsídios em suas análises em relação ao todo. Esclareço, ainda, que não fiz nenhuma alteração nas Parte 1 e 2,em relação ao conteúdo, mesmo considerando alguns pontos ali expostos, de certa forma, primários; entretanto, eles identificam o princípio da busca e não caberia modificar, em nada, a “iniciação”. 144
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    Espaço 1 Pressentimentos/Sensações Em 1969, aproximadamente em maio ou junho, sonhei que ao virar a esquina da rua onde morava, avistei um féretro se aproximando. Parei bem na esquina e ao passar por mim, vi que o caixão estava aberto e dentro dele meu avô materno. O sonho foi tão nítido que até a cor do terno que vestia, consegui ver. Na época, apesar de ter achado estranho, não dei maior importância, pois meu avô gozava de perfeita saúde, apesar de seus 84 anos. Não comentei o sonho com ninguém e ele acabou sendo esquecido. Alguns meses se passaram e meu avô apresentou problema de saúde, submetendo-se a uma cirurgia, cujo êxito e recuperação foram excelentes. No dia de sua alta, plenamente recuperado, falou a minha tia que o acompanhava, que iria tomar um banho, vestir o terno novo e esperar por meu tio, que iria buscá-lo. Assim o fez. Como houvesse certa demora na chegada do filho, resolveu deitar-se um pouco, adormecendo em seguida. Pouco tempo depois, minha tia achou que ele estava muito quieto; levantou-se da cadeira e foi olhá-lo; notou que não respirava. Chamou imediatamente os enfermeiros e com a chegada do médico, foi constatado seu óbito, de forma praticamente inexplicável, pois absolutamente nada sugeria tal possibilidade, em seu quadro pós-operatório. Cheguei ao hospital pouco antes dele ser transladado para Castro, sua cidade natal e onde morou a maior parte de sua vida. Foi no exato momento de vê-lo, que a cena do sonho veio à minha cabeça; até mesmo a cor do terno era a mesma, sem a menor diferença. Contei, então, o sonho aos parentes mais próximos e as coisas ficaram, é claro, sem explicação. O caso seguinte teve como figura principal, uma enfermeira da Santa Casa de Misericórdia de Curitiba, enfermeira essa antiga amiga nossa e excelente profissional ─ Iraci Bezerra de Menezes. O sonho que tive foi muito bonito, independente de sua indicação. Sonhei que passava pela praça Rui Barbosa onde ficava (e fica) o referido hospital. Ela estava cheia de flores e crianças vestidas de branco. No meio da praça havia um esquife e ao chegar perto dele, vi Iraci dentro. Nessa ocasião resolvi contar o sonho a minha mãe, não nos preocupando tanto, pois Iraci estava em perfeita saúde, trabalhando. 145
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    Passaram-se alguns mesesquando soubemos que Iraci havia sido operada, pelo melhor cirurgião daquele hospital e que, infelizmente, seu caso era terminal, vindo a falecer dias após a cirurgia. Minha mãe e eu conversamos bastante sobre esse segundo caso. Algumas pessoas aconselharam-me a procurar explicações espíritas para os fatos. Alguns anos se passaram e em 1975, por volta de fevereiro ou março, sonhei que eu estava morta, no meio da sala do apto. onde minha mãe e eu morávamos, observando a chegada de amigos meus da URBS, local onde trabalhava, na época. Preocupei-me muito com esse sonho em função de ser filha única. Não falei dele para ninguém e a preocupação foi ficando mais atenuada. Em junho desse mesmo ano, dia 07, às 08:20 da manhã, minha mãe faleceu em virtude de um enfarte fulminante. Após ter sido ela preparada ─ enquanto fiquei na casa de uma vizinha e amiga, pois não queria estar presente ─, voltei para o apartamento e, por coincidência, amigas minhas da URBS estavam chegando e aí, ao vê-la ali na sala e minhas amigas, o sonho que tive comigo veio imediatamente, pois o “quadro” era o mesmo, só havia mudado a pessoa. Doze anos se passaram e em 1987, tive um sonho no qual um pequeno avião de coloração esverdeada, caia. Em uma de suas asas havia um número de quatro algarismos os quais vi perfeitamente, apesar da enorme “distância” de onde eu estava, em sonho, e onde o avião caia, só não lembrando bem da ordem em que estavam dispostos. Em setembro do mesmo ano, dia 24, meu pai faleceu. Nada havia que pudesse ligar sua morte com o sonho que tive, mas, no ano seguinte, um tio meu, irmão de meu pai, adoeceu gravemente. Ao visitá-lo, 1 ou 2 dias antes de seu falecimento, conversando com ele, disse-me que meu pai tinha um número que sempre perseguia na loteria; era seu número no exército (lembra da coloração esverdeada do pequeno avião?). Ao dizer o número, imediatamente recordei do sonho, pois os 4 algarismos eram os mesmos que havia visto na asa do pequeno avião. Em 199 , sonhei com um amigo. Sonhei que estava sentada num banquinho e ele chegou todo vestido de branco. Deitou a cabeça em meu colo. Quando fui abraçá-lo, senti uma sensação assustadora e falei alto: “Val, você está morto!” 146
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    Contei esse sonhoa amigos comuns, não havendo grande preocupação; nosso amigo era jovem, estava muito bem de saúde e não era dado a excessos de velocidade em seu carro, nem em sua potente moto. Alguns meses se passaram e o assunto, como sempre ─ e apesar dos antecedentes ─, ficou esquecido, até que uma amiga comum, enfermeira, telefonou-me contando que nosso amigo tinha procurado por ela levando resultados de exames positivos para AIDS. Após a constatação, alguns meses se passaram e ele já estava em tratamento, quando houve um acidente com um irmão dele; o choque foi grande além de um exaustivo trabalho de busca em meio ao frio e a chuva. Nosso amigo ficou bastante abalado com a morte do irmão e seu estado de saúde declinou muito, levando-o a óbito, por complicações decorrentes da própria doença. Resolvi então, seriamente, buscar pela segunda vez, orientações junto ao Candomblé; a primeira vez havia sido em 1975, logo após falecimento de minha mãe, quando resolvi ir a Salvador, ao Cantuá, da Mãe Menininha. Nessa segunda vez, segui as orientações dos Búzios e firmei pensamento de que não queria mais ter esses sonhos, pois, se eles vieram para “forçar-me” a deixar um pouco de lado o lógico e o racional e compreender que coisas inexplicáveis pelo racional e lógico ─ como os concebemos ─, podem ocorrer a qualquer pessoa, haviam cumprido a missão de forma a não deixar qualquer ponto de dúvida. Neste ponto, gostaria de citar algo que li no livro A Dança dos Mestres Wu Li, de Gary Zukav que, provavelmente, possa descerrar parte do véu para entendimento dos fatos ocorridos e acima descritos. É algo dito por Hermann Minkowski (em 1908), fantástico matemático que foi professor de Einstein e o comentário feito por Gary Zugav, a respeito. Minkowski: “ Daqui em diante, o espaço por si mesmo e o tempo por si mesmo estão condenados a desaparecer como meras sombras, e só uma espécie de união de ambos preservará uma realidade independente.” Gary Zugav, comentando o acima, diz: “ As explorações matemáticas de Minkowski de espaço e tempo foram ao mesmo tempo, fascinantes e revolucionárias. Delas surgiu um simples diagrama de espaço-tempo mostrando a relação matemática entre passado, presente e futuro. Da riqueza de informações contidas nesse diagrama, a mais impressionante é a de que todo o passado e todo o futuro de cada indivíduo se encontram e se encontraram sempre em um único ponto: o agora. Ademais, o agora de cada indivíduo 147
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    está localizado especificamente;nunca será encontrado em qualquer outro lugar que não seja aqui (onde quer que o observador se encontre).” Qual a razão de considerar o que acima foi citado, como informação que pode auxiliar na compreensão de fatos como os que estamos comentando? Acontece que a PES ─ Percepção Extrassensorial ─, campo aparentemente definido para, de certa forma, alocar os chamados “fenômenos paranormais” (dos quais um tipo seria o dos sonhos premonitórios), está sendo analisada, mais seriamente, no campo científico e mais especificamente ─ como realmente deveria ser ─, pela Física Quântica, através de alguns cientistas da área. Assim, se passado e futuro, de cada um de nós, podem ser encontrados em um único ponto ─ “o agora”─, só nos restará o trabalho de saber como esse “encontro” se dá, por exemplo, quando acessamos o futuro nosso ou, de qualquer outra pessoa, através dos sonhos, que é o caso visto até agora. Creio que, se matematicamente está definida a possibilidade de um grande encontro de passado e futuro, exatamente no agora, isso, de certa forma, veio trazer luz sobre aspectos considerados extremamente obscuros e dos quais, a Ciência, queria manter um seguro distanciamento, aspectos esses que podem, em totalidade, ser encaixados na PES. Retornemos ao assunto ─ Pressentimentos/Sensações. Não demorou muito para que outras situações ocorressem, não mais em forma de sonhos e sim, em forma de sensações físicas que chegaram ao extremo de quase levar-me a hospital, não fosse eu, avessa a isso. A primeira vez que aconteceu pensei, seriamente, que ia morrer; todo o sistema orgânico entrou em desordem; o mal estar era imenso. Fiz o que sempre faço que é relaxar e tentar ver se o organismo volta ao normal. De nada adiantou e passei a madrugada toda acordada. Consegui dormir apenas quando o dia clareava. Após acordar e ligar o rádio para ouvir música, ouvi que havia acontecido um terremoto, no Japão, causando centenas de vítimas. Até aí, é claro, nada associei entre o que senti e o acontecido. Porém, não muito tempo depois, nova noite de caos orgânico. Ao assistir o Jornal da Tarde, no dia seguinte, a notícia de nova catástrofe ocorrida, obrigou-me a considerar a possibilidade de uma interligação entre os fatos. Conversei com amigos e um deles aconselhou-me procurar um médico, pois, segundo ele, os sintomas eram parecidos com os 148
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    da famosa “síndromedo pânico” que começava a se tornar mais atuante. Argumentei que se houvesse uma próxima vez, iria realmente fazer o sugerido. Sequencialmente passei a ter, vez ou outra, o mesmo tipo de desconforto; nessas ocasiões, entretanto, o motivo passou a ser outro e estava relacionado a dois tios maternos que sempre foram bastante ligados a mim ─ uma tia que morava em Castro (cerca de 150km de Curitiba), e um tio que morava na mesma cidade que eu, Curitiba. A primeira vez que senti o mesmo tipo de mal estar, recebi, na manhã seguinte, telefonema de minha tia dizendo ter passado muito mal, a noite, e que havia desejado que eu estivesse com ela. Não liguei um fato a outro e como não havia acontecido nenhuma catástrofe considerei, mais seriamente, a possibilidade de consultar um médico, mas não de imediato. Mais um tempo se passou, até que novamente, só que desta vez durante o dia, senti todo aquele terrível desconforto. Ainda quando estava sob efeito dele, tocou o telefone e meu tio pediu que fosse até a casa dele, pois não estava nada bem e os filhos, estavam fora. No exato momento em que ouvi seu pedido, todo o desconforto se dissipou, por completo. Conclui, então, que os fatos estavam totalmente vinculados; era preciso tomar uma atitude para deixar de “captar” tanto as “informações” de catástrofes quanto as “emissões” de meus tios. Felizmente, após um certo período de reclusão, trabalhando mentalmente ─ conforme orientações recebidas anteriormente, através dos Búzios ─, alcancei o objetivo a que me propus, ou seja, libertar-me dessa “abertura” às informações até certo ponto, indesejáveis, pois nada podia ser feito para conter desastres naturais, nem o que meus tios viessem a sentir. É interessante como algumas pessoas são lentas em observar situações fora do normal (dentro do que se computa como normal), que ocorrem com elas. Em meu caso específico, isso provavelmente ocorreu, repito, em função da grande ligação que sempre tive com o racional e o lógico; era muito difícil, para mim, acreditar em fatos narrados, dentro do mesmo contexto dos acima citados. Analisando todos os acontecimentos, incluindo entre eles os tópicos do então Ensaios sobre a Não Matéria que vinham, em grande parte, via insight, além da Parte 3, extraordinariamente “vivida” por mim, quando de sua “captação”, pude diagnosticar, com precisão, a desconhecida conexão (desconhecida para mim, é claro), que aconteceu em todas as ocasiões em que esta ou aquela situação ocorria, inicialmente, antecipando fatos, como nos sonhos premonitórios; posteriormente “sentindo” algo em tempo real, no caso das 149
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    catástrofes e “apelos”de meus tios. Esses fatos narrados foram os principais, os mais determinantes; outras situações, de cunho mais pessoal e não tão sérios, foram vivenciadas em muitas e muitas ocasiões, durante minha vida. Cessadas essas etapas anteriormente citadas, houve algo diferenciado que aconteceu comigo durante, aproximadamente, uns oito meses antes da “captação” da Parte 3 do livro, fatos considerados, por mim, altamente expressivos, significativos; já os mencionamos nas Explicações Preliminares da Parte 3, que o leitor poderá reler, caso não lembre o que lá consta. Eis, portanto, resumo da trajetória de parte de fenômenos que, de certa forma, envolveram tudo que está nas 4 partes do EgoCiência e Serciência. Quis colocá-los dessa forma, pois considero importante para, até certo ponto, fundamentar como aconteceu a “captação” da Parte 3 e também do “Prioridade 1-Objetivo Mundial”, porque tenho absoluta certeza de que houve necessidade de determinados “ajustes” de freqüência para que tudo pudesse ser “compreendido” e, o mais importante ─ Decodificado. O que quero dizer com “ajustes” de freqüência é, em primeiro lugar, a “desconstrução” da “muralha” imposta pelo racional e lógico em relação à possibilidade de sonhos premonitórios; ao contrário do que pensava, isso realmente pode acontecer e acontece; em segundo, quanto a sensibilidade de captação de situações anormais, tanto relativas à Natureza do Planeta quanto, familiares, outro dos pontos em que as dúvidas sempre estiveram presentes, a cada vez que ouvia relatos similares. Resolvidas as questões do aspecto puramente racional e lógico, que seriam possíveis impedimentos para outras situações, houve a necessidade de “ajustes” de freqüência diretamente relacionados à própria estrutura cerebral, através de ativações de conexões, provavelmente mais avançadas, para que houvesse capacitação de “entendimento” ao que seria posteriormente “captado”. Repito que é assim que vejo e sinto o que está relatado na Parte 3 ─ Explicações Preliminares; aqueles “ajustes” feitos na estrutura cerebral, de forma mais direta, provavelmente provocaram conexões importantes, sem as quais, a possibilidade de “captação” e entendimento não teria chance de acontecer. Creio ser este o momento propício para explicar-lhes qual a razão da preferência pelo termo captar, ao invés de receber. Em meu modo de pensar, “receber” pressupõe um canal interativo, mais direto, entre aquele que “dá” e aquele que “recebe”. Por essa ótica, prefiro computar o termo “receber” a médiuns que, em seus trabalhos, “interagem” com seres 150
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    desmaterializados; dependendo do que estiver sendo realizado, a identificação nominal/material, do Ego-pessoa, do ser imaterial, se faz. Temos uma infinidade de obras trazendo a identificação do ser transmissor, desta ou daquela mensagem, a este ou àquele autor/receptor. Já “captar” revela, para mim, uma condição diferente de conexão. Em “captar”, as coisas tornam-se um pouco diferenciadas de “receber”, porque consigo visualizar melhor um aspecto científico, principalmente relacionado à Física Quântica, quando ela utiliza o termo captura para nomear o “processo em que um sistema nuclear, atômico adquiri uma partícula adicional.”. Sendo assim, para mim é mais fácil entender “captar” porque, como somos um aglomerado atômico, um “sistema” atômico ─ no sentido de sermos estruturados por átomos ─, ao “captar” algo diferenciado estamos, em realidade, senão capturando ─ propriamente dito ─, essa partícula ( para mim ente ou, ser quântico), permitindo captação de informação da partícula adicional, diferenciada ao nosso sistema, como um todo. Minha opção por “captar” é fundamentada, principalmente, na observação importante de que nunca houve qualquer “identificação” de “alguém” ou algo que estivesse “passando” as informações captadas. Tanto o “receber” quanto o “captar” pressupõe sermos, em parte, “sensores” e ainda “decodificadores” de mensagem adicional, diferenciada, “transmitida” por ente ou ser quântico; para isso, “ajustes” devem ser efetuados, provavelmente ─ e mais especificamente ─, em nossa estrutura cérebro-glandular, ou seja, em duas das mais importantes glândulas localizadas na estrutura craniana, importância essa ressaltada em obras do Esoterismo avançado. Além do pressuposto acima, ainda existe a possibilidade, creio eu, de que essa nova informação ─ nova, por a desconhecermos ─, já estar, de alguma forma, “armazenada” em algum ponto da estrutura quântica do Ego-pessoa, “surgindo” após interação com campo de frequência diferenciado que, de certa forma, “ativaria” áreas não comuns. Os tão famosos insights poderiam, quem sabe, encaixar-se no que acima foi dito. 151
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    Espaço 2 Sobre as 4 Partes do EgoCiência e SerCiência Neste Espaço 2, faz-se necessário conversarmos, um pouco, sobre as quatro partes do livro acima referenciado. O leitor deve estar lembrado, de já ter sido citado que a Parte 1 foi estruturada, toda ela, em escritos e trechos gravados em fita K7. Deve lembrar, também, que a Parte 2 teve contexto diferenciado, pois nela, o pensamento, na forma como o concebemos, foi o condutor principal de tudo que ali está que, em realidade, foi tão somente estender, dar mais conteúdo ao que já constava da Parte 1. Assim nasceu o então Ensaios sobre a Não Matéria. Enviei-o a algumas editoras para análise. Mas, em realidade, ele ainda não estava pronto, como já mencionado, pois algo de fundamental importância surgiria, mais precisamente, em 21 de setembro de 1996, compondo assim a Parte 3, totalmente diferenciada, em sua totalidade, da Parte 1 e 2. A Parte 4, racional e logicamente escrita ─ diferenciada, portanto, da Parte 1 e 3 ─, é uma tentativa de ampliar o conteúdo das partes anteriores, buscando possíveis conexões com a Mística e com a Ciência, principalmente a Física e mais especificamente, a Física Quântica, na tentativa de encontrar parte de respostas às questões, até o momento, vistas. Por que, com a Física Quântica? Em princípio, por acreditar que, em um contexto muito mais profundo, dela, poderemos começar a vislumbrar parte da INCOGNOSCÍVEL ENERGIA. A Física Quântica, em meu entender, “navega”, “trabalha” em campos invisíveis, impalpáveis dos quais, apenas os “efeitos” são observados, calculados ou previstos, praticamente tudo envolto na “possibilidade” de acontecer isto ou aquilo ou, algo “intermediário”. O INCOGNOSCÍVEL “permeia”, envolve essa terceira possibilidade, esse “algo” que, em realidade, funde, alicerça de forma irrefutável, o que está além do todo conhecido, até o presente, no campo científico. A Física Quântica, para mim, trabalha com o EXISTENTE INVISÍVEL. Parte dessa “crença” ─ citada em parágrafo anterior ─, em relação a Física Quântica, vem do todo “captado” e exposto na Parte 3. 152
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    Sempre considerei absurdaa hipótese de que tudo que existe, existe por existir, sem que tenha havido sequer um pensamento que delineasse estruturas, que definisse especificações, que norteasse objetivos, que, enfim, desse VIDA ao sistema, como um todo, e o TODO é formado por entes quânticos ─ partículas, para a Física ─, que, em meu entender ─ e fundamentado no que foi “vivenciado” quando da “captação” da Parte 3 ─, sabem o que fazem, quando e a razão, sempre em perfeita consonância com o informado pela LINGUAGEM DA ENERGIA. A VIDA, para mim, em sua totalidade indizível, é Pura Ciência, e a Fé verdadeira, livre, universal e cósmica é a resultante da Ciência da VIDA. Lembro o leitor, que quando cito VIDA, em maiúsculo, é para diferenciá-la da vida que se nos apresenta como tal ─ a vida material em seu aspecto exclusivamente artificial. Creio que aqui cabe citar um dos mais vibrantes pensamentos, que já tomei conhecimento, quase poeticamente expresso pelo filósofo Jean Guitton, no livro ─ Deus e a Ciência: “Já o dissemos: o Universo é um vasto pensamento. Em cada partícula, átomo, molécula, célula de matéria, vive a atua, incógnita, uma onipresença.” Sei que muitos daqueles que trabalham com os aspectos “práticos” da Física Quântica, em hipótese alguma admitem qualquer ligação dela com a Mística; ocorre que, assim como a quântica trabalha com o universo “invisível” das partículas quânticas, a Mística “incorpora”, em si, esse mesmo universo invisível, mas sensível em seus “efeitos”, em seus “recados”, em sua linguagem. Não há, portanto, nenhum demérito em se tentar uma aproximação ─ que já existe, de “fato”, mas não de direito ─, entre a Quântica e a Mística, pois ambas são, em meu entender, Linguagens da ENERGIA, “trabalhando” com Entes/Seres Quânticos que, para a Física, são partículas. Retornando aos comentários iniciais sobre as 4 partes do EgoCiência e SerCiência, cabe complementar que nesta Parte 4, foi o pensamento racional e lógico a base para o que foi escrito mas, esse racional e lógico, sinto já estar mais “sutilizado”; são pensamentos que contam com uma essência diferenciada. Provavelmente o leitor poderá sentir diferenças entre as partes; isto é mais que natural, pois ao ampliarmos a caminhada, os horizontes vão, naturalmente, se ampliando; novos aspectos são observados, considerados, alterando, em parte, os conceitos anteriores sem, entretanto, desfigurar a essência, muito pelo contrário; ela foi mantida intacta, pois para mim 153
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    ─ nas profundezasdo “meu” ser ─, existe a certeza absoluta da conexão maior, de tudo, com o contexto científico, da VIDA. Creio ter sido importante esclarecer esses pontos; para mim, é satisfatório pensar que o leitor poderá, com isso, vislumbrar, de forma mais nítida, como aconteceram os fatos e o que eles desencadearam, no decorrer desta longa caminhada de mais de 38 anos. 154
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    Espaço 3 EgoCiênciae SerCiência Desde a “concepção” dos termos EgoCiência e SerCiência em 1981, 27 anos passaram, de forma vertiginosamente rápida. Lembremos aqui, algo dito na Parte 2, sobre EgoCiência, no Espaço 13 em P.2: “Hoje, com mais clareza, ainda, vejo que a EgoCiência é um ponto de partida, racional e lógico,para a busca de algo além, ou seja, a pessoa, por ela mesma, procuraria a melhor forma de “embrionar-se” para buscar suas verdades maiores; “embrionar-se-ia” para buscar-se.” Por que, EgoCiência? Porque o Ego, em meu entender, é perfeitamente capaz de trabalhar, de forma mais científica, com uma gama imensa de conhecimentos/informações disponíveis a qualquer pessoa que queira ─ ou sinta necessidade de ─, entender-se, racional e logicamente. Em meu caso específico, parti para um caminho de busca que, em princípio, tinha apenas a intenção de compreender, racionalmente, as várias e diversificadas experiências pessoais, já relatadas. Além da necessidade lógica de saber “como” dessas experiências, um intrigante questionamento relacionado a “montagem” do que as pessoas denominavam e conceituavam de “realidade da vida”, “realidade do mundo”, assolava-me. Assim, o início do trabalho do Ego, foi tentar uma “reconceitualização”, para mim mesma, das conceitualizações existentes, daí Matéria/Não Matéria, Vida/Não Vida, Mundo/ Não Mundo, Pensar/Não Pensar, não como uma forma de negação e sim, como busca de alternativas ao que se conceitua como Matéria, Vida, Mundo, Pensar. Paralelamente às investidas do Ego, para fora ─ investigando o externo ─, investigava-se, ele próprio frente ao externo, na tentativa de explicações para a grande incompatibilidade entre o que via e o que sentia. O Ego queria saber qual a razão dele mesmo “desconfiar” das conceitualizações apresentadas como verdadeiras e factuais. O Ego, em várias linhas de pensamento ─ tanto orientais quanto ocidentais ─, foi sempre visto como possível vilão da existência humana. Em parte, é possível dizer ser verdadeiro, pois a grande maioria dos seres dito humanos, reconhece-se como tal, apenas em função do Ego, que manifesta-se, nas pessoas ─ quase na totalidade delas ─, como um eu exclusivista, autoritário, dominador, cerceador, dono de verdades inquestionáveis, extremamente materialista, individualista quanto ao que pensa ser de direito dele, quase 155
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    sempre em detrimentoao do próximo, gerando atritos com os outros eus que pensam de forma semelhante, criando, assim, atmosfera de desentendimento que se propaga, é claro, entre seres humanos, nações, etnias, credos estabelecendo quase um caos em todos os níveis de relacionamentos. Esse Ego, quando profundamente enraizado em si mesmo, caminha só; nada lhe faz companhia porque ele, o Ego, normalmente se sente todo e único; o que faz para ter “agregados” ─ e não, companheiros ─, é por única e exclusiva necessidade de domínio, de continuidade (caso específico dos filhos “produzidos” para “continuidade”), e porque esses outros eus agregados, dão-lhe aumento de status emocional. Ele, o Ego, em sua grande maioria, sente-se mais importante quanto mais pessoas-ego estiver sobre sua influência, estiver “orbitando” em sua esfera de ação. A frenética busca de fama e reconhecimento, a qualquer preço, talvez possa comprovar o que acima foi exposto. Mas, esse mesmo Ego, considerado “vilão” pode ─ e em muitos casos o faz ─, levar-se, inclinar-se para dúvidas e questionamentos, que é claro, aparentemente não lhe seriam próprios ao considerarmos o Ego, como o “atributo” mais intimamente ligado à materialidade, à objetividade, às conceitualizações preestabelecidas. Falamos, no parágrafo acima, em considerar o Ego como o “atributo” mais ligado à materialidade, à objetividade. Mas, “atributo” de quem, se ele ─ o Ego ─, e a pessoa não estão em campo opostos, não são duas coisas distintas, duas “entidades” dispares? Em meu entender ─ e em função do caminho percorrido ─, só se pode tentar responder essa questão quando adentramos à SerCiência, quando desmoronamos, em parte,o véu que encobre a Realidade Maior, que, em Si mesma, só pode ser sentida, através daquela SENSAÇÃO que falamos, na Parte 1 e 2, e que é totalmente diferenciada das sensações do nível matéria, do estágio pessoa. É essa SENSAÇÃO que nos “fala” ─ em linguagem totalmente diferenciada ─, da Realidade Maior e nos “diz” que o Ser, é o Verdadeiro Existencial. Por que, Verdadeiro Existencial? Existencial é um adjetivo que, por si só qualifica, para mim, o Ser e também A ENERGIA, tanto que, em meu entender, poderiam ser sinônimos ─ Ser e Existencial ─, pois creio que ambas as palavras podem oferecer a máxima qualificação do que, verdadeiramente, não se pode definir, qualificar sem incorrer em imprecisões. Portanto, para mim, falar no Ser Existencial é extremamente redundante ─ o Ser é Existencial, independente de qualquer análise posterior, pois É, a priori. 156
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    Insistamos um poucomais no Ser e no Existencial, antes de continuarmos falando do Ego, como “atributo”. Não sei se algo parecido acontece com você, leitor, mas quando me deparo ─ e sempre foi assim ─, com a palavra Ser, quando solitária, ou seja, sem nenhum adendo, não encontro nenhum “recorte” onde possa encaixá-la; é uma palavra completa, maravilhosamente simples e profundamente complexa, tanto que se a ela nada acrescentarmos, seu significado, pelo menos para mim, já existe a priori; ao contrário, se a ela adjuntarmos outro termo, há uma quebra no encantamento profundo que ela, por si só, tem o poder de transmitir. O mesmo acontece com Existencial. Essa palavra só, sem nada junto a ela, diz, fala de uma totalidade sem limite; quando a vejo, solitariamente, não sei a razão, mas lembro-me e me vem Sensação de Universo, de Infinito, de Eterno, de Deus, da ENERGIA. Se pudesse explicar melhor, diria que essas palavras ─ Ser, Existencial, Universo, Infinito, Deus, ENERGIA, ressoam em mim numa profundidade indizível; elas despertam a Sensação de Ser e nada mais é necessário pois “incorporo-me” de todas elas em “meu” espectro energético. Voltemos ao ponto crítico de procurar saber qual poderia ser a resposta para a questão levantada anteriormente: “atributo” de quem seria o Ego se, aparentemente ele, o Ego e a pessoa não estão em campos opostos, não são duas entidades díspares? Lembra, leitor, que dissemos, ainda neste Espaço, considerar que só ao dar nascimento à SerCiência, poderíamos tentar buscar essa resposta? Pois bem, vou tentar ─ independentemente da dificuldade deste nosso nível de linguagem em ultrapassar o racional e o lógico ─, dizer a você como consegui “sentir” parte dessa resposta. Quando ainda utilizei o dualismo para definir EgoCiência e SerCiência ─ dualismo aí expresso em Ego e Ser ─, já palpitava, em mim, a certeza da não existência dessas duas “entidades”, da forma como são comumente definidas. O que sinto hoje, quase em plenitude, é que o Existencial é o Ser; esse Ser, para mim, é um quantum da ENERGIA ─ breve falaremos dela. Só que esse quantum da ENERGIA ─ que considero, repito, o Ser ─, tem “autonomia” Existencial e, creio eu, um “caminho” a percorrer, desde Sempre e até Sempre, na vastidão existencial do Universo. Por onde esse quantum da ENERGIA circula, precisa, evidentemente, “formar-se” existente naquele específico “ambiente”, naquela específica faixa de freqüência, naquele específico campo energético. No caso, Planeta 157
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    Terra, faz-se necessário“corporificar-se” para a respectiva experiência terrena, desse quantum da ENERGIA. Neste ponto você, leitor, pode perguntar ─ e deve fazê-lo sempre, pois não nos esqueçamos que estamos trabalhando com Ensaios sobre assuntos complexos e indefinidos: “Mas, se você diz que a ENERGIA ABSOLUTA é Inteligente e tudo sabe, qual a necessidade de experiências específicas de um quantum, dela mesma, que você define como Ser? O que posso tentar responder a você (e a mim, também), é que saber algo é diferente de saber “experienciando” aquilo que se sabe. A experiência é sempre acompanhada de uma freqüência energética e, creio eu, é exatamente essa diferenciação de freqüência energética que interessa ao Ser, “experienciar”. Assim ─ e considerando que as coisas, até mesmo em níveis mais elevados, não ocorrem num passe de mágica, não ocorrem sem que haja um contexto apropriado ─, esse Ser Existencial, um quantum da ENERGIA, precisaria ter um “suporte” o mais próximo possível da matéria ─ corpo humano ─, para que esse “suporte”, ele também um quantum da mesma ENERGIA, mas diferenciado ─ em freqüência ─, do Ser, “suportasse” a densidade terrena apresentada pelo corpo físico e pelo próprio ambiente terreno e pudesse “decodificar” as Sensações ─ em seu conteúdo energético ─, transferindo, assim “decodificadas”, para o Ser. Sei que isso pode parecer complexo demais, mas não o é. Em analogia, poderíamos dizer que o Ser e o Ego seriam as duas faces de uma mesma moeda voltada, cada face, para seu respectivo campo energético, porém ambas, atuantes em conformidade com a INTELIGÊNCIA, PENSAMENTO e LINGUAGEM da ENERGIA. Portanto, a resposta parcialmente sentida é de que o Ego pode ser o “atributo”, do Ser, “suportando” todas as influências do campo energético humano e do próprio Planeta Terra, diferenciados de outros milhares e milhares de campos energéticos existentes no Universo ─ inclusive do próprio Ser ─, e, evidentemente, campos energéticos diferenciados, apresentam frequências diferenciadas. Assim, o Ser, acredito, teria sua atuação no campo energético humano/terreno praticamente impossibilitada em função da diferenciação de frequência. O Ego, em contrapartida, poderia apresentar freqüência compatível, tanto para a captação das frequências humanas ─ cuja principal fonte de emissão seria a SENSAÇÃO, o SENTIR algo ─, quanto para “decodificá-las” e emiti-las ao Ser. Não nos esqueçamos que frequência refere-se, em Física, ao “número de oscilações ou de vibrações realizadas pelo móvel na unidade de tempo.” Dessa maneira, claro está, que a 158
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    frequência do corpomaterial é infinitamente diferenciada da vibração do Ser principalmente, porque este, “está infuso” na Não Matéria. Assim, considero agora, com mais certeza, não existir dualidade, oposição entre Ego e Ser; o que existe, creio eu, é a ENERGIA atuando em dois campos aparentemente opostos, com intencionalidade que acredito, não disponível ao campo humano, para conhecimento, pelo menos não, em totalidade. Antes de encerrarmos este Espaço, gostaria de deixar alguns pontos no ar ─ que serão vistos, mais à frente ─, e que dizem respeito, primeiro, a fantástica diversidade de Egos atuantes no Planeta Terra; segundo, a visão que tenho da pessoa humana como parte operacional do esquema vigente; terceiro, a possibilidade do Ego ser um “protótipo” do Ser. 159
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    Espaço 4 ENERGIA Neste Espaço 4, conversaremos um pouco sobre a forma como entendo e, principalmente, compreendo a ENERGIA. Isso se faz necessário porque falaremos constantemente sobre Ela e para que você, leitor, acompanhe-me nestes Ensaios, é importante que saiba, antes de mais nada, como “vejo” A ENERGIA. Já falamos, no Espaço 3, de determinadas palavras que, desde muito cedo têm o poder de provocar uma sensação diferenciada, em mim, sensação essa que defino como uma espécie de “ressonância” na totalidade de mim. Vejamos o que nos diz o dicionário ─ Aurélio B. de Holanda/Novo Aurélio ─, sobre ressonância: “3.Fis. Transferência de energia de um sistema oscilante para outro quando a frequência do primeiro coincide com uma das frequências próprias do segundo.” Quem sabe essas palavras, no que possam expressar de real, “transfiram” de seus sistemas informativos, frequências que encontram determinadas correspondências com alguma frequências do Ser (ou do Ego), gerando essa sensação diferenciada captada por “mim”. Além do acima, vejamos o que José Argüelles, em seu famoso livro ─ O Fator Maia ─, fala sobre: “Ressonância significa a qualidade de soar novamente.” Argüelles diz ainda que “como um soar novamente, a ressonância é informação”, dizendo, também, que “... informação é a forma-veículo de qualidades da energia entre dois agentes ou dois grupos.” Essa visão que Argüelles apresenta sobre informação é da perspectiva dos harmônicos ressonantes, como ele mesmo explica. O mesmo Argüelles diz: “A essência da informação, portanto, não é seu conteúdo, mas a sua ressonância. Por isso que sentir as coisas é importante.” (negrito da autora) Portanto, hoje entendo que palavras como Ser, Existencial, Universo, Infinito, Eternidade, ENERGIA encontraram e encontram em “minha” estrutura quântica, um sinal de igualdade entre o que elas “tentam” dizer, realmente, e o que sinto que elas, verdadeiramente, querem “dizer”. É como se elas informassem que há algo de muito real, muito verdadeiro no que tentam “representar”, “definir”, “conceituar”, pois através dessas palavras, consigo “conceber”, “sentir” Universo, Eternidade, Existencial, ENERGIA de forma como se “conhecesse”, a priori, o que elas exprimem. Essa forma ─ que poderia até chamar de molecular ─, de “sentir”, de “compreender”, neste caso específico, a palavra ENERGIA, tornou-se muito mais enraizada desde a “captação” da Parte 3 do então Ensaios sobre a Não Matéria, hoje EgoCiência e SerCiência. Lembremos 160
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    aqui, parte doque “captei” da ENERGIA, relatado, na íntegra, na parte acima citada: “A ENERGIA É INTELIGÊNCIA, PENSAMENTO e LINGUAGEM.” Sendo a ENERGIA, Inteligência, Pensamento e Linguagem, Ela, com certeza, será Mente Universal, Cósmica, Incognoscível em essência, portanto, SAGRADA. Por essa razão refiro- me a Ela sempre em maiúsculo, diferenciando-A de suas inúmeras formas de “apresentação”, que são os aspectos da ENERGIA, conhecidos pela Ciência e por alguns de nós. Além do exposto acima, há outra razão forte e determinante para tratar A ENERGIA com o máximo respeito; é que para mim, mediante tudo que “vi” e “senti”, considero ENERGIA sinônimo de Deus, portanto SAGRADA, em ESSÊNCIA e, nesse contexto, devemos lembrar da LUZ, sempre enaltecida em, praticamente, todas as formas de referências e reverências ao SAGRADO. Luz é ENERGIA; ENERGIA é LUZ. Ao falar em Deus, gostaria imensamente que fosse totalmente compreendido que, sob minha ótica, essa palavra não precisa ter qualquer ligação com qualquer religião instituída. Para mim, ela define O IMPONDERÁVEL, o INCOGNOSCÍVEL, o puramente EXISTENCIAL que escapa totalmente ao racional e lógico, quando temos com eles, uma forma mais densa, mais material, de trabalho. Tenho, para mim, que quando o racional e o lógico transcendem o que deles conhecemos, eles passam a ser alicerces ─ entre outros “elementos” ─, da PURA SABEDORIA, alcançada por tão poucos neste Planeta Terra! Ainda falando sobre Deus, prefiro utilizar a palavra ENERGIA ─ em lugar da palavra Deus ─, pois tantas mazelas, tantos sofrimentos, tantas perseguições, tantos assassinatos (literal e metaforicamente) foram causados/cometidos em nome de Deus, além da extrema utilização da palavra ─ a meu ver, de forma indevida ─ o que deveria ser evitado. Tudo isso chegou, de certa forma, a banalizar ALGO que deveria ser a máxima conceituação do Incognoscível. De qualquer forma, respeito a palavra Deus no que ela tem de mais representativo e admiro pessoas que, ao pronunciarem essa palavra, conseguem transmitir a ESSÊNCIA dela mesma, o que, infelizmente, é muito, muito, mas muito raro! Voltemos à ENERGIA e, vejamos agora, o que nos diz o dicionário* sobre: 5.Fis. Propriedade de um sistema que permite realizar trabalho. Em seguida são enumeradas as diversas formas de Energia. Neste ponto, creio ser válido citar algo que veio coincidir com parte do que havia detectado ao ler a Parte 3, deste livro. Ao ler o tópico sobre função de onda, no livro A Dança dos Mestres Wu Li, ficou mais claro, para mim, que mesmo que um sistema observado possua n realidades, só podemos detectar aquela que se processa 161
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    dentro da realidadetridimensional. O que penso, em relação a isso e ao “captado” descrito na Parte 3, acima citada, é que, para que possamos detectar outra realidade dimensional, algo diferenciado precisa ser “ativado”, precisa ser “calibrado” em nossa estrutura quântica, mesmo que essa “ativação”, essa “calibragem” não nos seja aparente. Essa observação acima é importante, porque A ENERGIA, ainda é tratada de uma forma que poderia ser taxada de “infantil”, independente de tudo que, cientificamente, é dito sobre Ela. Entretanto, essa “infantilidade” é normal, levando-se em consideração a tridimensionalidade ─ como vimos, no parágrafo anterior ─, e também porque, a grande maioria dos cientistas ─ não todos, é claro ─, ainda estão aferrados ao racional “convencional”; não despertaram, ainda, para as formas mais “sutilizadas” do racional e do lógico. Se pensarmos, por exemplo, na magnífica Sabedoria Antiga, que deixou raízes à própria ciência, temos que admitir que os seres, portadores dessa Sabedoria, trabalhavam com o racional e o lógico em sua forma mais “abstrata”, mais “sutilizada” o que permitiu, a esses seres, creio eu, “captar” e “decodificar” partes importantíssimas da Linguagem da ENERGIA, provavelmente em forma de insight. Não podemos nos esquecer dos artistas ─ poetas, pintores, músicos e tantos outros ─, compositores de obras magníficas, cuja inspiração vem, provavelmente ─ e na maioria dos casos ─, dessa mesma Sabedoria que permeia, creio eu, o Ser e que a tantos inspirou, permitindo “captação” de nuances da Linguagem Universal. Só para dar um exemplo do que foi dito acima, cito pequenos trechos da poesia do grande Walt Whitman (1819-1892), Canção de mim mesmo, do Livro Folhas de Relva: “Cada átomo que há em mim igualmente habita em ti. [...] É a ânsia central em cada átomo [...]. Para retornar à sua divina fonte e origem, não importa a que distância esteja, potencialmente igual em todos os sujeitos e objetos, sem exceção” (trecho extraído da Introdução, de Luciano Alves Meira). Walt Whitman foi considerado um dos maiores poetas místicos; veja que ele já trazia, para sua poesia, a visão de átomo que ultrapassava, em muito, muito mesmo, o que era pensado dele, em sua época e, em certo sentido, o que ainda hoje é pensado. Observe que ele fala da fonte divina da qual o átomo tem sua origem e que, segundo Whitman, quer, anseia retornar. Isso é simplesmente maravilhoso, pelo menos é assim que considero. Retornando à ENERGIA, sinto que ainda é tratada perifericamente, pela Ciência e mais especificamente, pela Física. Sinto que, para que haja uma aproximação maior sobre a Realidade da ENERGIA, é necessário permitir que o lógico, o racional sejam transcendidos 162
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    em sua formamais “grosseira”, “sutilizando-os” para que seja possível a “captação” de Sua Linguagem, de forma mais “direta” e profunda. Só então começaremos, realmente, a entendê-La em profundidade, porém, até onde tivermos aprimorado “nosso” campo energético, “nossa” frequência”. É importante dizer que falo da ENERGIA, em acordo com o que foi possível “sentir” Dela, quando da “captação” do que foi exposto na Parte 3; portanto, não é, em absoluto, uma forma arbitrária de pensamento, muito pelo contrário. Não podemos nos esquecer que estamos imersos na ENERGIA; absolutamente nada, em ponto algum do Universo está “fora” Dela. O corpo físico humano, “trabalha” sob orientação de determinada Linguagem da ENERGIA, bem como todo e qualquer ser, elemento da Natureza, trabalha sob essa mesma orientação, de forma específica. A diversificação da Linguagem da ENERGIA é fantástica e, em conformidade com ela ─ Linguagem da ENERGIA ─ a VIDA se faz neste Planeta e na imensidão do Universo; cada nível de VIDA, totalmente diferenciado de outro, mas, sob orientação de formação/sustentação/destruição feita através da Linguagem da ENERGIA. Essa linguagem é o substrato de todo o conhecimento científico alcançado, até o presente, pela Humanidade; ela é múltipla ─ mesmo sendo Una ─ e, absolutamente nada “age” ou “deixa” de agir sem que seja devidamente informado pela Linguagem da ENERGIA, seja em que nível for. Essa Linguagem é encontrada em tudo. Veja, por exemplo, o que é dito por Rav Philip S. Berg, em seu livro ─ Astrologia Cabalística: “Nós somos, simplesmente, portanto, um conjunto de símbolos químicos vivos. Em estrutura, somos todos alfabéticos.” E eis, poesia de Charles Baudelaire que, poeticamente fala dessa Linquagem: “A natureza é um templo em que pilastras vivas/Por vezes emitem palavras confusas/E nele o homem passa por florestas de símbolos/Que o observam com um olhar familiar.” ─Extraída do livro: Sejam sábios, tornem-se profetas, de Georges Charpak e Roland Omnès. Creio ser totalmente possível dizer que: A Fonte é ÚNICA; a diversidade está na Linguagem. Lembremos o P.31, da Parte 3 deste livro: “Aparentemente, o mais difícil de explicar dentro ou em conformidade com a lógica do pensamento humano, simplesmente, é que os níveis da ENERGIA ─ “COEXISTEM”; estão, digamos assim, todos “misturados”; não há hierarquia 163
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    espacial entre eles─ 1º , 2º, 3º ... . Eles estão todos em tudo e a única diferença entre eles é a LINGUAGEM.” Citei o P.31 pois ele é, para mim, o fundamento do que falamos no parágrafo anterior: A Fonte é ÚNICA; a diversidade está na Linguagem. Creio que agora já podemos conversar, um pouco, sobre como “vejo” A ENERGIA. De forma direta afirmo que, para mim, A ENERGIA é EXISTENCIAL; ELA É, nunca deixou e nunca deixará de SER. Dessa forma, torno a repetir que nada, absolutamente nada existe ou é, fora Dela. Tudo está, tudo É e Vive, Dela/Nela. A ENERGIA, em essência é, para mim, CIÊNCIA, de quem a Ciência que conhecemos é, em parte, ainda ínfima representante, apesar de tudo de maravilhoso que já “captou” de sua raiz. Creio que tudo o mais que tentasse falar da ENERGIA, seria, no mínimo, redundante; assim, encerro dizendo que, para mim, ENERGIA é TUDO, é o TODO; portanto, tenho o mais profundo respeito por Ela e sinto que um dia, Ela será reconhecida como tal, quando então, uma de suas Linguagens específicas, será “sentida”, valorizada, considerada, pela própria Ciência ─ a MÍSTICA, que tantas e tantas vezes já se fez presente, mesmo através de grandiosas equações matemáticas e teorias físicas avançadas. Quando isso ocorrer, novos e maravilhosos Caminhos se abrirão à Busca. 164
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    Espaço 5 SENSAÇÃO Creio que tão importante quanto esclarecer como “vejo” a ENERGIA ─ o que foi feito no Espaço 4 ─, o é, conversarmos um pouco sobre SENSAÇÃO, pois ela foi fundamental para a percepção do exposto neste EgoCiência e SerCiência. Vejamos, primeiramente, o que diz o Dicionário*, sobre sensação: “1.Fisiol. Impressão causada numa formação receptora por um estímulo, e que, por via aferente, é conduzida ao sistema nervoso central. 3.Filos. Conhecimento próprio da sensibilidade(11). 4. Impressão física em geral...” Para complementar o acima e fundamentar melhor o que se seguirá, vejamos o que o mesmo dicionário diz, sobre Sensibilidade, em sua aplicação filosófica e científica: “11.Filos. Faculdade que é fonte de conhecimento imediato e intuitivo, a qual se manifesta nas sensações propriamente ditas; sensualidade. [Cf., nesta acepç., entendimento]. 12.Fis. Medição da capacidade de resposta de um instrumento de medida, usualmente expressa pelo quociente de intensidade do sinal de saída pela intensidade do sinal de entrada.” Pode parecer estranho que as definições acima, das palavras Sensação e Sensibilidade, tenham correlação mais intrínseca com o que veremos no decorrer deste Espaço, mas a correlação existe e, para mim, é maior do que se possa pensar. Em meu entender, todo e qualquer pensamento nosso, toda e qualquer manifestação de sensibilidade, por mais simples que seja, provoca estado de sensação, na maioria das vezes, sequer percebido. Creio mesmo, que todo o aparato orgânico ─ nosso e de todos os seres da Natureza ─, “trabalha” movido por sensações. Os estímulos provocam determinadas impressões que são, imediatamente, “registradas” por sensores específicos do aparato orgânico. Evidentemente esses estímulos apresentam diversificação energética; as impressões devem ser também diferenciadas, qualitativamente. Creio que aqui cabe uma observação, no mínimo, interessante. Pela grande cumplicidade que sempre tive com animais domésticos e também com plantas, aprendi, observando, que eles têm sensibilidade super aguçada, através da qual conseguem “detectar” a intenção de nosso atos, sejam eles quais forem. Eles “sabem” sobre a intenção de nossos gestos e palavras, pois gestos e palavras provocam sensações que “falam” e “definem”, de forma mais nítida, o que mais, precisamente, querem expressar. 165
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    Assim, fisiologicamente, assensações constantemente estão pondo em movimento todo aparato receptivo, sintamos ou não, os efeitos referentes. Não nos esqueçamos que as sensações podem ter maior ou menor intensidade (em meu entender, freqüência geradora), através da qual, sentiremos maior ou menor (ou até nenhum) “sintoma” físico, dependendo também, é claro, de nossa sensibilidade. Na acepção filosófica, a sensação é conhecimento próprio da sensibilidade, portanto, deste ponto de vista, quanto maior sensibilidade houver, provavelmente maior será a possibilidade da sensação ser detectada, sentida; haverá maior grau de sensibilidade disponibilizado às sensações. • Novo Aurélio Anteriormente, vimos que na acepção da Física, sensibilidade é medição da capacidade de resposta de determinado instrumento de medida, cuja capacidade é aferida, através do resultado da divisão da intensidade do sinal de saída pela intensidade do sinal de entrada. As pessoas e, creio eu, toda natureza têm um sensor natural que capta o “campo informativo/sensação” e oferece resposta que deverá ter correlação com a intensidade do “campo informativo/sensação”, captado. Senti necessidade de clarear um pouco mais os conceitos (alguns, apenas), aplicados à palavra sensação para embasar o que veremos, na sequência deste. Em primeiro, gostaria de dizer que, para mim, a sensação ─ seja qual for ─, é um campo informativo, para a estrutura orgânica, da existência de determinado sinal que veio do exterior ─ de qualquer ponto fora do corpo ─ ou, do próprio interior da estrutura orgânica. No caso específico do sinal interno, lembremos algo bem simples e que muitas pessoas já devem ter sentido quando, ao comer ou beber alguma coisa, “sente”, quase que de imediato, certo desconforto físico; normalmente, então, a pessoa faz a observação de que aquilo que comeu ou bebeu, não lhe caiu bem. Observe que a sensação, não ocorreu em função de algo externo, ao corpo; não foi ao ver o que ia comer ou beber que a sensação se fez e sim, quase no imediato momento em que esse algo “penetrou” na estrutura orgânica e a sensação foi, então, sentida. É certo que, em algumas ocasiões “sentimos” como que um aviso para não comer ou beber, algo e, se insistimos em fazê-lo, realmente acabamos passando mal. Assim, por considerar a sensação como um campo informativo à estrutura orgânica (em seu contexto mais amplo), creio ser de fundamental importância, prestar mais atenção e, até mesmo, analisar aquilo que sentimos, mesmo que esse “sentir” não esteja perfeitamente claro. 166
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    Estamos sendo constantementeinformados sobre algo e apenas para salientar mais o que Argüelles colocou ─ já visto no Espaço 4 ─, lembremos apenas o seguinte: “A essência da informação, portanto, não é seu conteúdo, mas a sua ressonância. Por isso que sentir as coisas é importante.” (negrito da autora) Até aqui, falamos das sensações que, de certa forma, “provocam” determinados sinais ─ agradáveis ou, não ─, na própria estrutura orgânica. Na Parte 2, ESPAÇO 9, em P.3, dissemos: “talvez o que de melhor possamos dizer sobre a SENSAÇÃO DE SER é que, se a sensação comum, provoca, naquele que a sente uma certa “dissonância” física, orgânica, a Sensação de Ser, o SENTIR-SE SER, não causa nenhuma “dissonância” em nosso campo material. Trouxe esse parágrafo, como chamada, para o outro tipo de sensação que é a “SENSAÇÃO DE SER”, totalmente diferenciada, porque, a “SENSAÇÃO DE SER” ─ o SENTIR-SE SER ─ é íntegra, límpida, permanente (após sentida), absoluta, ou seja, ela existe por ela mesma sem ser relativa a qualquer situação específica, da pessoa material. Ela se “instala”, na estrutura quântica do Ego-pessoa, quando é ultrapassado o racional e o lógico mais simples, que trazem, até nós, as ferramentas necessárias para a vivência tridimensional do Ego-pessoa material. Essa ultrapassagem, acima citada, creio ser possível fazê-la, também, através do trabalho com a EgoCiência. Ao “ultrapassarmos” ─ em nossa estrutura quântica─, a barreira da tridimensionalidade psíquica/emocional somos “lançados” a um novo patamar de SENSIBILIDADE totalmente específico de cada SER. Por essa razão, não é aconselhável falar de como o Ser que “represento” traz, até os componentes físicos/receptivos de “minha” estrutura quântica, essa SENSIBILIDADE diferenciada, que apura, intensifica canais de receptividade e decodificação da Intuição, principalmente. Nesse aspecto, inexiste uniformidade de sentir; inexiste “massificação”; cada Ego-pessoa terá SENSIBILIDADE diferenciada, que o fará único em suas Sensações, mesmo que possa haver similaridades com as de outros Egos- pessoa. Creio não ser improcedente citar aqui, um pequeno trecho de um dos livros de Castaneda ─ Porta para o Infinito ─, em que dom Juan fala a Castaneda: “Os feiticeiros dizem que estamos dentro de uma bolha. É uma bolha em que somos colocados no momento de nosso nascimento. A princípio,a bolha está aberta, mas depois começa a fechar-se, até nos ter trancafiado dentro dela. Essa bolha é a nossa percepção. Vivemos dentro dessa bolha 167
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    toda a nossavida. E o que presenciamos em suas paredes redondas é o nosso próprio reflexo.” Então dom Juan diz a Castaneda: O que está refletido é nossa visão do mundo. Essa visão é uma primeira descrição, que nos é dada desde o momento de nosso nascimento, até que toda a nossa atenção é apanhada por ela e a descrição se torna uma visão.” Dom Juan diz que o trabalho do mestre e do benfeitor, é auxiliar na abertura dessa bolha e que: “A bolha abre-se a fim de permitir ao ser luminoso uma visão de sua totalidade” O próprio dom Juan diz ainda: “... chamar a coisa de uma bolha é apenas uma maneira de dizer...”. Vou me permitir dizer que, em meu caso específico, penso que essa “bolha” está sob domínio do Ego e só após intenso trabalho com a EgoCiência, é possível romper a “bolha” e começar o trabalho com a ciência do Ser ─ SerCiência ─, obtendo, então, a intensificação de canais receptivos para “captação” de outras dimensões vibratórias energéticas, outras freqüências de possibilidades do Ser, até então, totalmente desconhecidas pelo Ego-pessoa material. É interessante notar como existem determinadas correlações de pensamento entre pessoas que, aparentemente, “atuam” em campos totalmente opostos, sob a ótica da visão racional e lógica. Veja um exemplo, neste maravilhoso pensamento de Albert Einstein: “Um ser humano é parte do todo... . Ele experimenta a si mesmo, a seus pensamentos e a seus sentimentos, como algo separado do resto ─ uma espécie de ilusão de óptica de sua consciência. Tal ilusão constitui uma prisão para nós, restringindo-nos a nossos desejos pessoais e à afeição por umas poucas pessoas que nos cercam. Nossa tarefa deve consistir em quebrar essas cadeias, ampliando nosso círculo de compaixão para abarcar todas as criaturas vivas e a totalidade da natureza em sua beleza. Ninguém é capaz de fazer isso plenamente, mas o esforço já é, em si, parte da libertação e uma base para a segurança interior.” As semelhanças entre a explicação de dom Juan, a Castaneda e o pensamento expresso por Einstein, são fantásticas; dom Juan fala da ilusão criada pela “bolha” em que somos “colocados” logo ao nascer e, da necessidade dessa “bolha” ser aberta ─ “a fim de permitir, ao ser luminoso uma visão de sua totalidade.”. Einstein fala da ilusão e da necessidade de nos propormos à tarefa de quebrar cadeias para podermos ampliar-nos em vários campo. Ambos falam da ilusão em que vivemos; dom Juan fala em abrir a “bolha” e Einstein fala em quebrar cadeias, o que provavelmente o fez, pois, após abrir a “bolha”, quebrar cadeias, 168
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    provavelmente nos tornamosprincipiantes em algo que sequer sabemos o que é. Foi isso, em parte, que captei no que Gary Zukav escreveu em seu livro A Dança dos Mestres Wu Li, sobre Einstein: “Albert Einstein foi o único que se deteve para contemplar dois dos maiores quebra-cabeças de seu tempo e os olhou com uma mente de principiante.” (negrito da autora) Não seria impróprio lembrar que na Parte 2 deste livro, no Espaço 1, falamos em “pequenas caixas” onde colocamos e “guardamos” pessoas, coisas e lugares de que mais gostamos ou, necessitamos, “caixinhas” essas que ficam isoladas das “caixinhas” de outras pessoas. E das “bolhas” particulares, das prisões particulares, das pequenas caixas particulares, nasceram enormes compartimentos hermeticamente fechados ─ as Religiões Instituídas por humanos ─, na tentativa de “isolar” o SAGRADO, nominando-o diferencialmente e criando, com isso, enormes campos energéticos conflitantes. O SAGRADO, tenho absoluta certeza, é totalmente fluido, por ser PURA ENERGIA e não se deixa aprisionar; é totalmente livre e, em meu entender, quer a Energia do Ser, portanto, um quantum Seu, livre de qualquer espécie de amarras, mesmo porque, em ESSÊNCIA, isso não acontece. Assim, creio eu, só podemos ampliar nossa Sensibilidade, quando abrirmos a “bolha”, quebrarmos cadeias ou nos desfizermos das “pequenas caixas” que nos aprisionam ao que é, em essência, ilusório. Ao acontecer isso, os grandes compartimentos, da forma como se apresentam, como são estruturados, não terão mais razão de ser, pela única razão de que O SAGRADO É UNO, em Inteligência, Pensamento e Linguagem e, cada Quantum de Si, trabalha, entende, compreende, aceita, participa da UNIDADE desde SEMPRE e, até SEMPRE. O SAGRADO-ENERGIA não se rompe, não interrompe a Existência em todo e qualquer ponto do Universo. Ele É. Sempre FOI e, sempre SERÁ e, para nós, “apresenta-se” na SENSAÇÃO DE SER. 169
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    ESPAÇO 6 Egoe Ser Como procuro fazer sempre, esclareço, que após o intenso trabalho com a EgoCiência, dicotomias ─ como a exposta na chamada do Espaço ─, não existem. Elas são, entretanto, necessárias para o nosso entendimento racional e lógico, no nível em que “atuamos”. É com base nas aparentes diferenciações, nas “ilusórias” dicotomias que temos tanta variedade de ideias, conceitos, premissas, hipóteses, teorias etc., nas mais diversas áreas do que é chamado “pensamento humano”. Se, por um lado, isso é enriquecedor ─ filosófica e culturalmente falando ─, por outro, nos condiciona mais e mais à materialidade, ao extremamente lógico e racional, caso não “abrirmos” aquela “bolha”, referenciada por dom Juan. Em meu entender, o Ego, é um ente quântico capaz de fazer a “ponte” entre a materialidade e a não-materialidade, “coletando” e “transferindo” dados energéticos para o Ser, cuja freqüência vibratória não é, provavelmente, “compatível”, diretamente, com a freqüência da pessoa/matéria e “decodificando” informações do Ser, para a estrutura mental, humana. Mesmo que o Ser, ele também um quantum da ENERGIA, conheça a Linguagem Universal, ele precisa trabalhar com sua própria Linguagem em seu próprio campo de atuação, pois essa Linguagem é, toda ela, desenvolvida por “diferenciações” vibratórias, a totalidade dela sendo de domínio da ENERGIA, mas cada quantum Dela, “conhece” essa Linguagem porém, trabalha com “idioma” próprio de seu campo de atuação. Assim, o Ser e o Ego, sendo “entes quânticos”, têm, cada um, sua linguagem vibratória de “trabalho”, mantendo, entretanto, uma linguagem comum entre eles para, creio eu, entendimento do Todo a ser realizado. O Ego, através da estrutura do corpo físico ─ falando, agora, da pessoa-matéria ─, e trabalhando com entes quânticos diferenciados que formam o conglomerado, corpo humano, “fomenta” experiências múltiplas para a matéria e para ele mesmo, em princípio dentro daquela “bolha” de dom Juan, daquela “cadeia” de Einstein, daquelas “pequenas caixas” faladas no Espaço 5. Se o próprio Ego se “deixar” envolver, além do necessário, com a materialidade e com a tridimensionalidade, próprias do ambiente terreno, não haverá abertura para o conhecimento da Simbiose Matéria/Não-Matéria, Ego/Ser. 170
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    No livro, OCAIBALION ─ que trata, especificamente, de conceitos Herméticos ─, é citado e comentado o Princípio de Correspondência, que diz: “ O que está em cima é como o que está embaixo, e o que está embaixo é como o que está em cima.” Como o próprio livro ressalta, isso quer dizer que existe uma analogia, uma correspondência ─ não uma igualdade ─, entre o que está em cima e o que está embaixo. No livro Astrologia Cabalística, de Rav Philip S. Berg, há uma citação que o autor faz de um trecho do Zohar ─ um dos pilares do conhecimento cabalístico ─, que traz, praticamente, a mesma essência do exposto acima. A citação é a seguinte: “Você que não sabe, mas que mesmo assim aspira compreender, pondere a respeito do que está revelado [no mundo], e entenderá o que está oculto... porque tudo aquilo a que o Criador deu forma corpórea foi criado na imagem que está acima.” O mesmo autor salienta, ainda: “A Cabala nos diz que tudo o que vemos neste mundo é apenas um reflexo, uma aproximação, uma dica de algo além das aparências externas.” (negrito do próprio autor) Você pode estar se perguntando, qual a razão de citar o Princípio Hermético, no contexto deste Espaço. Citei-o, pois acredito que através dele, será mais fácil compreender o que se seguirá. Em meu entender, o Ego deve ser um ente quântico a caminho do Ser. Veja, no contexto material, da vida, uma pessoa, para usufruir de uma “posição”melhor de vida (material), precisa passar por vários estágios de aprendizagem, aperfeiçoamento. Quanto mais “longe” essa pessoa quiser ir, mais ela precisará conhecer/dominar diversas áreas de conhecimento. Se assim não o fizer, ficará “subordinada” ao comum, ao “igual à maioria”, dentro da ótica mundana; ficará fora de um espaço maior, de possibilidades. É isso que penso do trabalho do Ego; se ele não “trabalhar” muito, não atingirá a frequência do Ser ─ seu “Mestre Quântico”, imediato. É evidente que o Ego poderá ter mais facilidade ou mais dificuldade em seu “caminho para o Ser”, em função dos “dispositivos” mais ou menos aperfeiçoados, da estrutura da pessoa-matéria. Quais “dispositivos” seriam esses e, através de qual meio eles “surgem”? Bem, vejamos antes o seguinte: é importante observar, que assim como uma pessoa- matéria tem maior ou menor chance de almejar crescimento dentro do sistema vigente, chance essa diretamente proporcional ─ mas, até certo ponto, é claro ─, aos recursos financeiros que dispõe, além de sua condição de inteligência, o Ego beneficia-se, até certo 171
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    ponto, com essascondições, além daquelas”fornecidas” pelos outros entes quânticos que “estruturam”, “suportam” o campo matéria, do corpo humano e que formam o contexto de atuação direta do Ego. Pense em um software de última geração que você precisa para trabalhar. Mas, o hardware que você dispõe não consegue executá-lo. Nessa circunstância, você faz um upgrade da máquina ou, compra outro equipamento. O Ego, em meu entender, “traz” um software completo ─ e diferenciado ─ a ser “rodado” na estrutura corpo humano, mais especificamente, na estrutura cerebral, como um todo. Se essa estrutura não comportar a totalidade do software, evidentemente o equipamento não poderá ser trocado mas, um “upgrade” é possível fazer, sem troca de componentes e sim, através de novas sinapses (ligações entre neurônios), possibilidade essa descrita pela neurologia em seu ramo específico ─ a neuroroplasticidade. Hoje existe tecnologia avançada que permite detectar a possibilidade quase “infinita” de novas sinapses e até, do “nascimento” de novos neurônios. Um caso, que com certeza, seria analisado na atualidade pela neuroplasticidade, seria o do grande compositor Clássico, Beethoven, que aos 26 anos perdeu a audição e mesmo assim, continuou compondo maravilhas. Se esse caso tivesse ocorrido nos dias atuais, provavelmente a neuroplasticidade poderia detectar novas sinapses, compensatórias, ao problema apresentado. Imagine então, a quantidade de novas sinapses, em grandes gênios da humanidade ─ além daqueles que foram denominados de Iniciados ─, pois todos, acredito, para que suas estruturas pudessem “rodar” os espetaculares softwares de “seus” Egos ─ ou, talvez, de seus Seres ─, provavelmente tiveram, sem o saber, a ajuda da neuroplasticidade que, com certeza, vem junto ao software “trazido” pelo Ego, para “atualizações” necessárias. Bem, voltemos ao que deixamos pendente, ou seja, “dispositivos” necessários para que o Ego tenha seu ”trabalho” facilitado e, através de qual meio eles “surgem”. Quanto aos dispositivos, é mais fácil falar, pois creio que eles estão diretamente ligados à estrutura cerebral, como um todo; bons “receptores”, bons “decodificadores”, bons “transmissores” e, principalmente, bons “processadores”, que devem vir “informados”, creio eu, através do DNA, em sua edição específica, para cada humano, entretanto, passíveis de aperfeiçoamentos, como vimos. É necessário observar que, particularmente, considero o próprio DNA ─ por motivos óbvios, é claro ─ um Ente ou, Ser Quântico que trabalha com parte da Linguagem da ENERGIA. 172
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    Isso é importanteressaltar, pois considero que as implicações, no todo da questão, devem ser fantásticas! Retornando aos “dispositivos”, resumidamente, eles devem ser aqueles que fazem parte do hardware; portanto, conceitualmente, mais físicos. Já os “aplicativos”, como inteligência, raciocínio lógico e outros, não tenho certeza se viriam junto aos softwares do Ego ou, através do próprio DNA pois este, acredito, é atualizado constantemente e até, cumulativamente, através das gerações. Sua “programação” não é “estática”, definitiva, principalmente em relação aos “aplicativos” salientados. Amigo leitor, para que você entenda melhor como vejo o Ego e o Ser, digo-lhes, mais uma vez, que os considero entidades quânticas, cada uma atuando em frequências diferenciadas “dentro” e, em perfeita consonância, com a própria ENERGIA, como um Todo. Quanto a mim, pessoa-matéria, creio ser a parte que comporta a operacionalidade do Sistema em questão; “operacionalizo” para o Ego, e “meus” componentes, também, em essência, quânticos, fazem o trabalho deles, todos envolvidos na magnífica estrutura da VIDA, da qual, a vida que se apresenta, no Planeta Terra ─ também ele um Ser Vivo! ─, é apenas um tipo entre milhares e milhares de outros, espalhados pelo Universo, cada tipo de vida, composto de “formas” totalmente diferenciadas e inimagináveis! Essa “operacionalização”, dentro de todo contexto de Vida, neste Planeta é de extrema importância; sermos “veículos” dessa “operacionalização”, permite que o Ego-pessoa, encontre, na estrutura física humana, meios de “recepção/decodificação” de seu aparato mental para, através desse trabalho efetuado, pela pessoa matéria chegar ao campo receptivo/informativo, de outro Ego-pessoa. Essa observação acima é um pouco estranha, mas ela tem fundamento. Observe os fenômenos de Telepatia; nesse caso específico, há uma “interligação” entre os Egos- pessoa; as mensagens “circulam”, “navegam” independentemente da estrutura corpo-físico humano pois são duas entidades quânticas (partículas para a Ciência) que, nesse caso específico, estão correlacionadas, por “razões específicas”. Se fossemos, todos, conscientemente conectados, correlacionados, os Egos (entes quânticos) não precisariam de um sistema “operativo” como o é a estrutura física para “comunicar” seus “pensamentos”. É no que acredito. É muito provável que, em outros níveis/complexos de Vida, espalhados pelo Planeta e em todo Universo, a “comunicação” não necessite “aparelhamento/mecanismo” tal qual o temos, entre humanos. 173
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    ESPAÇO 7 MENTEE CONSCIÊNCIA As questões deste Espaço 7 ─ Mente e Consciência ─, suscitam e, sempre suscitaram, controvérsias inúmeras e profundas. Por essa razão, trataremos delas, também, com extremo cuidado. Etmologicamente, a palavra consciência, deriva das palavras Scire (conhecer) e cum (com). Consciência é “conhecer com”. Para Amit Goswami ─ físico com Ph.D em Física Quântica, e autor de vários livros entre eles, Universo Autoconsciente e Física da Alma ─, a palavra Consciência implica “conhecimento não-local”. Para a Física, não-localidade é: “ Uma influência ou comunicação instantânea, sem qualquer troca de sinais através do espaço-tempo; uma totalidade intacta ou não- separabilidade que transcende o espaço-tempo.” O conceito de não-localidade surgiu em função da Física Quântica, ao ser “observado” que, uma partícula quântica (que prefiro chamar de Ente Quântico), pode influenciar outra partícula (ao estarem correlacionadas), em qualquer ponto, até mesmo em distâncias astronômicas “lembrando”, de certa forma, a telepatia. Creio não ser improcedente lembrar, aqui, a frase, que também é título do livro de Richard Bach: “Longe é um lugar que não existe.”, pois no domínio da Física Quântica e portanto, no domínio da ENERGIA, o longe não existe pois tudo está em TUDO, o que torna a VIDA, maravilhosamente MÍSTICA! Você pode estar se perguntando, o que isso tudo tem a ver com o que vamos tratar neste Espaço 7 e que é Mente e Consciência. Para mim, tem tudo a ver. A Consciência, vem sendo conceituada de formas múltiplas, através dos milênios. Parte da Ciência, ainda hoje (em função de linhas de pensamento diferenciadas), considera a Consciência como um epifenômeno do cérebro, considerando, dessa forma (creio eu), o cérebro como estrutura passível de “comportar”, de “fazer funcionar” a Consciência. Há, também, a utilização da palavra mente, quase como sinônimo de Consciência. Portanto, pelo pouco, muito pouco que vimos acima, a questão da Consciência e da Mente é algo totalmente em aberto. 174
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    Quando comecei aobservar, a dar mais atenção àqueles pontos expostos no Espaço 1 ─ Questões Preliminares, passei a sentir maior dificuldade com algumas conceituações, entre elas, mente e consciência. Assim, resolvi que essas duas questões seriam alocadas, por mim, na Não Matéria, onde “orbitavam” questões que considerava ultrapassar o entendimento racional e lógico, da forma como os concebemos. Após a “captação” da Parte 3 do então, Ensaios sobre a Não Matéria, compreendi ─ na extensão que me coube ─ que Mente e Consciência realmente “atuam” em conexão direta com a Não Matéria do Ser e que, o Ego (em meu entender, contraparte “material” do Ser), é “quem” recebe, em maior ou menor extensão, as influências dessas “atuações”. Vamos, novamente, verificar o que diz o Caibalion neste caso, a respeito da Mente, que no livro está em 1.0 Princípio de Mentalismo: “O TODO é MENTE; o Universo é mental.” Ao “captar” uma parcela pequena da realidade da ENERGIA, “vi” que Ela é PENSAMENTO, INTELIGÊNCIA E LINGUAGEM. Dessa forma, claro está que Ela é MENTE, no contexto mais amplo possível, da palavra, e mais, muito mais além do que uma simples palavra pode expressar e além, muito além de nosso entendimento. Essa MENTE, em maiúsculo, é, para mim, Composto Absoluto da ENERGIA ─ PENSAMENTO, INTELIGÊNCIA E LINGUAGEM. Assim sendo, todos os entes e seres quânticos, do Universo ─ e ele próprio ─, são Mentais. O que poderia isso significar? Para mim, significa que eles “comportam” qualificações mentais em acordo com o “trabalho” que executam, seja qual for o Espaço/Campo de Universo que lhes seja “atribuído”. Vou citar aqui, o P.16 da Parte 3, deste livro: “Seria mais fácil e simples dizer que O TODO É ENERGIA e pronto; mas apenas isso não bastaria para nossa estrutura lógica de pensar ser desperta, para outro nível de pensamento. ________É COM ESSA PROFUNDA LIMITAÇÃO QUE TRABALHAMOS PARA TRAZER ATÉ A MENTE HUMANA UMA PERSPECTIVA DO QUE SEJA A REALIDADE UNIVERSAL.” O leitor deve lembrar, já ter sido dito que partes como essa, em que transcrevi tudo em maiúsculo e negrito, foram partes em que a “captação” tornou-se marcante. Ao ouvir a fita, nesses trechos a voz tornava-se bastante diferenciada, dos demais. Um parêntese: quando ouvi a fita, pela 1ª vez, apesar de estar em total acordo com o que ouvia, fiquei sem saber o que pensar do trecho “... QUE TRABALHAMOS PARA TRAZER 175
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    ATÉ A MENTEHUMANA...” . Serão os entes ou, os seres quânticos que efetuam esse trabalho? Não tenho, ainda, nenhuma “sensibilidade” de resposta, quanto a isso. Voltando, qual a razão de ter citado esse ponto, neste Espaço sobre Mente e Consciência? Porque percebesse, através dele, que a estrutura lógica, do “humano” precisa ser desperta para outro nível de pensamento para, creio eu, comportar e suportar parcela da Realidade Universal. Você não calcula a dificuldade em tentar expressar algo desse nível, principalmente porque, pela própria condição de “nosso” nível de linguagem, precisamos, ao utilizar esta ou aquela palavra, saber que ela está, digamos assim, “fechada” em compartimentos relativamente estanques. Essa é uma das razões da utilização, de minha parte, de tantos entre aspas (“”). Se pudéssemos entender, pura e simplesmente, que a ENERGIA É, e nesse É, pudesse estar “embutido” ─ para nosso entendimento racional e lógico ─ Pensamento, Inteligência e Linguagem, Mente ─, tudo se tornaria mais fácil de apreensão, de compreensão; mas, infelizmente, a grande maioria de nós está, ainda, fechada em “bolhas”, presa em cadeias, trancada em “pequenas caixas” dificultando e até, impedindo “avançar” para outros níveis de freqüência/entendimento. Retornando ao ponto antes da citação, considero que a mentalização do Universo e de cada ente ou, Ser quântico, é derivante e, evidentemente, relativa à MENTE da ENERGIA. Em nosso nível matéria, o Ego-pessoa tem seu mental, de certa forma, “ofuscado”, pela condição relativamente “grosseira”, da matéria em contraposição à “fluidez” do nível energético/mental. Talvez, por essa razão, tenhamos um nível de conhecimento mais terreno; talvez, necessitemos do comprobatório e duvidemos do que assim não o possa ser, em acordo com “testes” aplicados sobre este ou aquele fato. Temos condição de perceber isso principalmente no campo científico; quando as coisas começam a complicar demais e exigir aprofundamentos que vão além do que a Ciência ─ e principalmente a Física ─, considera como seu domínio, traz imediatamente a Navalha de Occam para “exorcizar”, o além da questão, ficando apenas com o confortável, com o que considera que está, que cabe dentro dos limites inteligíveis, passíveis de testes e comprovações. Mas, estamos começando a ver alterações em relação às “certezas absolutas”; os físicos estão “atordoados” com as possibilidades quânticas, tanto que, questões como “ninguém jamais viu um átomo”, tornaram-se quase, obsoletas. Iniciamos este Espaço falando sobre como os conceitos de Mente e Consciência geram controvérsias de opiniões; aprofundemo-nos um pouco mais, nessa questão. 176
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    Roger Penrose, emseu livro ─ A Mente Nova do Rei, em sua parte 2, Capítulo Nove ─, levanta a questão: “onde fica a consciência” e diz: Muitas opiniões diferentes já foram expressas sobre a relação do estado do cérebro com o fenômeno da consciência. Há uma falta notável de consenso de opinião quanto a um fenômeno de tão óbvia importância. É claro, porém, que nem todas as partes do cérebro participam de sua manifestação.” Ainda no mesmo livro e capítulo, Penrose comenta: “O conhecido neurocirurgião canadense Wilder Penfield ( que nas décadas de 1940 e 1950 foi responsável por grande parte do mapeamento do cérebro humano), argumentou que a nossa consciência não está ligada simplesmente à atividade cerebral. Sugeriu, à base de sua experiência em numerosas operações do cérebro em pacientes conscientes, que uma região do chamado tronco cerebelar superior constituído em grande parte pelo tálamo e cérebro médio (Penfield e Jasper 1947) ─ embora se referisse principalmente à formação reticular ─ devia, de certo modo, ser considerada o “local da consciência”. Nesse mesmo livro, Capítulo Dez ─ Onde fica a física da Mente? ─, Penrose diz, após questionar ─ “Para que servem as mentes?, o seguinte: “Na discussão do problema mente- corpo há duas questões separadas, nas quais a atenção se focaliza habitualmente: “Como um objeto material (um cérebro) pode evocar consciência?” E, inversamente, “Como uma consciência, pela ação de sua vontade, pode influenciar o movimento (determinado, ao que parece, fisicamente) dos objetos materiais?” São esses os aspectos passivo e ativo do problema mente-corpo. Na “mente” (ou antes, na “consciência”) parecemos ter uma “coisa” não-material que é, de um lado, evocada pelo mundo material e, de outro, que o pode influenciar.” Citamos essas duas partes para que você, leitor, observe que ainda Mente e Consciência são tratadas, praticamente como sinônimos, principalmente no campo científico e que se busca, ainda, no contexto estrutural físico, do cérebro, um determinado “local” onde a consciência esteja “localizada”. Mas, é normal que isso ocorra, principalmente em nosso lado Ocidental, já que o Oriente traz, quase que “embutido” em sua forma de expressão, visão diferenciada sobre questões tão polêmicas, para dizer o mínimo. Lembremos o que, dentro de tudo que senti e vi da ENERGIA, disse neste Espaço: Essa MENTE, em maiúsculo, é, para mim, Composto Absoluto da ENERGIA ─ PENSAMENTO, INTELIGÊNCIA e LINGUAGEM.” Esse “composto” se espalha pelo Universo, dotando cada ente quântico, cada ser quântico e cada composto quântico de características mentais em 177
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    acordo com aintenção/ação a que se “destinam”. Assim pensando, creio que os entes quânticos que compõem a estrutura do corpo humano ─ para nos atermos somente ao Ego- pessoa ─, “difundem” características mentais que permeiam, sustentam o funcionamento/gestão do todo ─ Corpo Humano, e o cérebro, com características “sólidas”, com características de hardware, poderia sim, ser a estrutura mais “afinada”, mais “refinada” para “comportar/informar” especificações mentais, próprias do composto humano e intimamente relacionadas ao Ego-pessoa; daí, talvez, a exponencial diferenciação entre “humanos”. Creio que neste ponto, cabe observação sobre a importância do sistema glandular, na estrutura humana, mais especificamente. Segundo o Esoterismo, a hipófise ─ localizada na estrutura craniana ─, é uma das glândulas mais importantes. Juntamente com a hipófise, a glândula pineal, também segundo o Esoterismo, determinaria possibilidade de conexões mais avançadas. As glândulas têm, ainda segundo o Esoterismo, correspondência com os famosos Chakras; assim, a hipófise tem correspondência com o Chakra Frontal e a pineal, com o Chakra Cabeça/coronário, isto para nos atermos apenas a essas duas. Poderíamos, em conformidade com a linha de raciocínio que estamos desenvolvendo, considerar que as glândulas, são estruturadas por entes quânticos, com especialidades diferenciadas, de Ego-pessoa para Ego-pessoa, podendo “sustentar” conexões, altamente diferenciadas. Penso realmente, que Mente e Consciência “ressoam”; elas não estão “alojadas”, “instaladas” no cérebro, como querem alguns cientistas e muito menos a consciência é um epifenômeno do cérebro. O que acredito acontecer é que, determinados pontos, provavelmente do “hardware” cerebral, mais especificamente, seriam responsáveis pela “ponte ressonante”, permitindo que a “onda” Mente e a “onda” Consciência tenham suas funções vibratórias ─ freqüências, em física ─ “demoduladas” para a estrutura Ego-pessoa. Portanto, para mim, Mente e Consciência nos “envolvem”, como o próprio ar, usado aqui como metáfora para que possamos entender que, assim como não “vemos” o ar, não “apalpamos” o ar, apenas o aspiramos e sentimentos seus efeitos em nossa estrutura orgânica, assim, creio eu, seria com a Mente e com a Consciência. Mente e Consciência, repito, “ressoam” na estrutura Ego-pessoa, através de uma “ponte ressonante”; do lado de cá, da ponte, estariam entes quânticos capazes de “receber” 178
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    “decodificar” suas Linguagense “demodular” suas freqüências. Quem sabe esse trabalho possa ser feito, de forma mais específica, pelos entes quânticos formadores das duas principais glândulas já faladas ─ Hipófise e Pineal, mais especificamente. Retomando, não podemos nos esquecer que o que torna as coisas menos compreensíveis, às vezes, é a necessidade da utilização de nosso tipo de linguagem que nos obriga a “proliferar” explicações, principalmente em questões que envolvem “conhecimento” através de Sensações e posterior análise desse “conhecimento” à luz da razão e da lógica, em parte já alteradas, em suas raízes mais “terrenas”, em razão da Sensação, da própria “captação” de algo, cuja “freqüência existencial” é, até certo ponto, “obscurecida” pela freqüência do campo existencial humano. Vamos citar aqui mais um parágrafo do livro ─ A Dança dos Mestres Wu Li, de Gary Zugav: “Agora retornemos à descoberta de Planck. Ele descobriu que a energia de um quantum de luz aumenta com a freqüência. Quanto mais alta é a frequência, mais alta será sua energia. A energia é proporcional à freqüência, e a constante de Planck é a “constante de proporcionalidade” entre elas. Esta simples relação entre freqüência e energia é importante. É o ponto central da física quântica: quanto mais alta é a freqüência, maior a energia; quanto mais baixa a freqüência mais baixa a energia.” Talvez possamos dizer que, quanto maior é a frequência, maior é a “fluidez” da ENERGIA. Assim sendo, como sabemos que o composto matéria possui vibração, freqüência mais “lenta”, mais “pesada” que o campo mental, este “precisa” adaptar-se às possibilidades inerentes à matéria. Esses “ajustes” devem ser feitos pelos próprios entes quânticos, em conformidade com a Linguagem da ENERGIA utilizada, por eles, em cada situação específica, aqui ou em qualquer ponto do Universo. É no que creio. Especificamente neste ponto, cabe citar um pensamento fantástico do mesmo Max Planck, citado no livro Efeito Isaías, de Gregg Braden: “Toda matéria surge e existe apenas em virtude de uma força que leva as partículas de um átomo a vibrar e manter coeso esse diminuto sistema solar que é o átomo (...). Temos de aceitar a existência de uma mente consciente e inteligente por trás dessa força. Essa mente é a matriz de toda a matéria.”(negrito da autora) Fantástico esse pensamento de Max Planck, físico alemão (1858-1947), ganhador de Nobel em 1918, considerado precursor da Teoria Quântica. E a Consciência? 179
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    Lembremos, que noinício deste Espaço, dissemos que, pela etimologia da palavra Consciência, ela significa “conhecer com” e que, para Amit Goswami, a palavra Consciência implica “conhecimento não-local”. Para o físico Goswami ─ segundo cita Fred Alan Wolf, no Prefácio do livro O Universo Autoconsciente, do físico citado ─, “nada, exceto a consciência, tem que ser experienciada, a fim de ser realmente compreendida.” Segundo conceituação filosófica, experiência é “conhecimento que nos é transmitido pelos sentidos.” Aqui chegamos a um ponto extremamente importante da questão ─ SENSAÇÃO. Lembra o leitor, que fizemos uma diferenciação, entre as sensações de âmbito físico- humano e a SENAÇÃO. Essa SENSAÇÃO diferenciada é uma totalidade indizível sentida além, muito além do físico, mas que, de certa forma, “incorporasse” no todo Ego-pessoa. Essa SENSAÇÃO, dissemos, diferencia-se dos outros tipos de sensação pela ausência de sinais sensíveis ao orgânico, como um todo. Tanto as sensações oriundas de coisas boas como as originadas de processos ruins, causam esta ou aquela “interferência”, esta ou aquela “sinalização” em algum órgão do corpo humano, ou, em sua totalidade. Essas sensações, para mim, são as que vão “orientar” um certo nível de conhecimento, no Ego- pessoa e contribuir para uma conscientização, primária. Tanto isso me parece real que, em Egos-pessoa em que há certa ausência de sensibilidade, o “conhecimento” desses Egos- pessoa fica na periferia do racional e lógico, pura e simplesmente. Poderíamos então, avançar, dizendo que a SENSAÇÃO diferenciada, seria oriunda de um Conhecimento Extrassensorial, entendendo Extrassensorial, claro, como além do que é sensorial (aquilo que vem via órgãos de sentido, que na estrutura humana são reconhecidos em número de cinco). Sendo a SENSAÇÃO, Conhecimento Extrassensorial, ela, com certeza, será não-local e ainda mais ─ deverá ser a “roupagem” através da qual, cada Ego- pessoa, identifica-se com Algo Maior, tornando-se perfeita e totalmente CONSCIENTE da Magnitude do TODO. Portanto, para mim, a SENSAÇÃO DIFERENCIADA é o sinal da Consciência Universal, principalmente, pela condição de “infusão” no composto ─ Ego-pessoa, em sua condição matéria/não-matéria. E se Consciência é conhecer com, poderíamos considerar Consciência como conhecer com Sensação, pois, conhecer com Sensação, através de Sensação, é, para mim, a única forma do conhecimento tornar-se “infuso” no composto Ego-pessoa, favorecendo claro 180
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    conhecimento que poderáser considerado “saber infuso” e, dessa forma, não mais esquecido, não mais apagado, na própria estrutura Ego-pessoa. Pelo que tentei expor, acima, é que sinto a existência de um grande erro, ao se tentar determinar um composto ─ cérebro/mente/consciência, em seu aspecto apenas de “hardware”. Isso não ajudará o Ego-pessoa a abrir a “bolha”, quebrar cadeias, desmontar as “pequenas caixas” que nos aprisionam, como já o dissemos, ao que é, em essência, ilusório. Por tudo que tentei expor acima, é que considero que usar os termos “consciente”, “inconsciente” para, de certa forma, definir estrutura cerebral “ativada” ou “desativada”, em seu aspecto de hardware, não ajuda a diferenciar exatamente o que possa ser CONSCIÊNCIA, muito pelo contrário. Creio que em futuro próximo essas duas palavras deverão ser mudadas para outras que digam respeito, realmente, a operações cerebrais ativas e não ativas, ou seja, estrutura cerebral “ativada” ou “desativada” em suas funções mais características e que determinam, até certo ponto, funcionamento do aparato orgânico, como um todo. 181
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    ESPAÇO 8 Umpouco, de tudo que foi visto Se me perguntassem se abri a “bolha”, quebrei cadeias ou, desmontei “pequenas caixas”, diria que não, em totalidade; talvez um “furinho”, na “bolha”; um ou dois elos da cadeia, quebrados; uma ou duas “pequenas caixas”, abertas. O que posso dizer que foi conseguido, através da trajetória, em parte exposta no Ego- Ciência e SerCiência, foi uma percepção mais aguçada da suposta realidade a que essas metáforas utilizadas por dom Juan, Einstein e por “mim”, se referem. Acredito que o maior “trabalho” de entes e Seres quânticos, na frequência do humano, com certeza deva ser alterar, em parte, essa frequência, através do trabalho direto Ser/Ego- pessoa, através da estrutura ─ corpo físico. Sem a estrutura física, específica, não haveria, provavelmente, condições para o desenvolvimento do “trabalho” efetuado pelo Ser sobre o Ego-pessoa. Em contrapartida, o Ego “precisa” contar com a estrutura quântica do corpo- matéria, para “perceber”, ”conhecer”, “sentir” e, é claro, “obter” consciência das diferentes faixas vibratórias, das diferentes frequências aqui mesmo, encontradas. O Ego-pessoa de Maria do Rocio, contou com a expressividade de dois Egos-pessoa ─ um deles às portas do Ser ─ que, conscientes da importância da VIDA, envolveram o “novo” Ego-pessoa (“eu”), em uma atmosfera de confiança na Vida, de admiração pelo TODO, de responsabilidade pessoal, e principalmente, incentivo aos questionamentos. Foi para dar uma pequena amostra do que expus acima, que coloquei, na abertura deste livro, palavras de minha mãe que permanecem, até hoje, gravadas nas páginas do álbum ─ e na estrutura quântica do Ego-pessoa (“eu”) ─, álbum esse que me foi dado aos 7 anos, completados em 05.02.51. Como “coincidências” não existem, da forma como pensamos sobre elas, essas palavras, repassadas ao Ego-pessoa exatamente aos 7 anos (terrenos), vieram revestidas de alta significação, tenho certeza. Apesar de frisar sempre que a lógica e a racionalidade eram muito fortes, em “mim”, havia uma sensibilidade grande, principalmente em relação a toda Natureza e ao próprio Planeta Terra, o que fez despertar um Amor imenso pelo “Sistema Terra”, além da certeza absoluta da existência de “Algo” que tudo havia criado e, isso foi sentido, desde tenra idade. Situações religiosas vivenciadas por “mim”, fora do contexto familiar ─ onde a amplitude de visão era significativa ─, criaram desconfiança profunda em relação aos próprios conceitos da religião instituída. Uma dessas situações foi narrada na Parte 2; outras, de maior 182
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    relevância, prefiro mantê-lasconfinadas à “clausura”, única e exclusivamente em respeito aos que ainda mantêm crença maior em instituições, puramente humanas. Creio, entretanto, que os caminhos estavam sendo preparados para que a procura do Ego- pessoa ─ dentro do espaço terreno ─, em relação ao TODO ABSOLUTO e INCOGNOSCÍVEL, acontecesse através de outro caminho ─ o Místico/Científico. E foi o que aconteceu. Não estranhem a colocação da “procura do Ego-pessoa”, no parágrafo acima; mesmo o Ego sendo um ente quântico (em meu entender, é claro), ele “busca” por frequências que o aproximem, o máximo possível, da FONTE, da ORIGEM, justamente por estar em atuação em campo energético diferenciado. Continuando. Por parte da Mística, considerei extremamente importantes o Caminho de BUDA e o Caminho de CRISTO. Tenho, para mim, que o ESTADO DE BUDA ─ porque BUDA não é o Ego-pessoa de Sidarta Gautama e sim, uma freqüência energética “disseminada” no Planeta Terra para evolução do Raciocínio Lógico daqueles Egos-pessoa que conseguirem “ressonância” energética profunda, com o Estado/Caminho de BUDA, através do raciocínio e da lógica, claramente diferenciados, “sutilizados”. O Ego-pessoa, Sidarta Gautama, creio eu, deve ter trabalhado com o racional e o lógico em suas formas transcendentais, em perfeita consonância com grande parte dos pensamentos oriundos da Índia, oriundos do “lóbulo oriental”, do Planeta. De tudo que li sobre Sidarta Gautama, algo acentuou-se mais, tendo inclusive feito menção na Parte 2. Trata-se de uma frase de Gautama, após revelar o Ser e atingir o ESTADO DE BUDA e que é, para mim, grande Verdade: “Existem dois extremos dos quais aquele que vive religiosamente deve afastar-se. Um, é uma vida toda voltada à sensualidade e ao prazer; isso é desprezível, grosseiro e vão. O outro, é uma vida de mortificações; este é doloroso e inútil.” Duas importantes observações cabem aqui, em relação ao Budismo, ambas constantes do livro ─ Treine a mente/Mude o cérebro, de Sharon Begley: “Quatro temas são comuns ao budismo, em sua melhor forma: racionalidade, empirismo, ceticismo e pragmatismo” e “... o budismo não culmina na fé, como nas tradições abraâmicas. Culmina em percepção”. Essas duas citações são de Alan Wallace, estudioso budista. 183
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    Creio que nesteponto poderemos dizer que a Fé verdadeira, é fundamentalmente Perceptiva, e não apenas, superficialmente “sentida” ou, pregada; ela não vem do exterior; ela brota do interior daquele que “sente” ressonância com parte da Linguagem da ENERGIA, seja ela qual for. Quanto a Jesus, o Nazareno, fez-me ver e detectar, em passagens bíblicas com as quais sintonizei-me, quatro grandes verdades, todas relativas ao Estado Crístico: CRISTO Ciência: “EU SOU” CRISTO Religião: “Amai-vos uns aos outros” CRISTO Místico: “Eu e o Pai somos uma só coisa.” CRISTO Metafísico: “E transfigurou-se diante deles, de sorte que o seu rosto brilhou como o sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz” Mateus-Vers.17, 1-2 Vou me permitir dizer algumas coisas a mais, sobre como penso a respeito da maravilhosa figura de Jesus, tirando esses pensamentos de palavras, que através de Sensação, alcancei certeza de que realmente foram ditas por ele, pois nem tudo que dizem ter sido dito por ele, provavelmente o foi, assim como coisas outras que ele possa ter dito, foram omitidas e/ou truncadas. Um pensamento é a respeito do que acima está vinculado ao CRISTO Místico; veja que Jesus não diz que ele e o Pai são uma mesma pessoa e sim “uma só coisa”. Creio que essa coisa seja ─ ENERGIA. Jesus também disse algo muito importante, que me fez ver que a fé não pode ser cega, na passagem ─ O maior mandamento: “Quando os fariseus souberam que Jesus fizera calar os saduceus, juntaram-se em bloco. E um deles, doutor da Lei, perguntou, para o testar. “Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?” Jesus lhe respondeu: “Amarás o Senhor teu Deus com todo o coração, com toda alma e com toda a mente. Este é o maior e primeiro mandamento. Mas o segundo é semelhante a este: Amarás o próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda Lei e os profetas.” Veja que Jesus se refere a amar a Deus, também “com toda a mente.” É interessante prestar atenção ao que Jesus diz, no início de sua resposta: “Amarás o Senhor teu Deus...”(negrito da autora) Quanto a Transfiguração, creio ter sido a 1ª demonstração visual do Corpo de Luz, no campo Ocidental, do Planeta. 184
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    Citarei aqui, algoque li no livro ─ Las Claves de Enoc (As Chaves de Enoque) de J.J. Hurtak ─, constante da Clave 3.1.6-57: “Cuando contemplas um “Ser Íntegro de Luz” estás em La presencia de corpúsculos mecânicos quanta de Luz como em La apariencia del fulgor de um relâmpago.” No momento da Transfiguração, os apóstolos presentes, devem ter tido percepção aumentada e ajustada para “suportar” a magnífica visão do “Ser Íntegro de Luz ─ CRISTO, na “figura” de Jesus, tão conhecida por eles. Talvez possamos lembrar dom Juan e dizer que o ponto de aglutinação, de cada apóstolo presente, foi movido para ampliar a percepção. Creio ser interessante observar que o Versículo 17, de Mateus, referente à Transfiguração de Jesus, pode ser considerado consequência do que foi dito, por Jesus, ao final do Versículo 16: “eu vos garanto que alguns dos que aqui se encontram não morrerão antes de verem o Filho do homem vir em seu reino.” E eis o Vers.17, em seu princípio: “Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e os levou a sós para um monte alto e afastado. E transfigurou-se diante deles. ...” Na Parte 3, deste livro, narrei, que por duas vezes “captei” a Imagem de Luz relativa a Jesus, O CRISTO. E aqui quero lembrar, que o que “soava” quando essa Imagem surgia, era de que a imagem conhecida e utilizada aqui no Planeta para “lembrar” a figura de Jesus ─ que é a imagem de Jesus Crucificado ─, não foi a escolha certa, provavelmente pelas “conexões” deturpadas que ela, com certeza, provocou e provoca. Após ter “captado” o acima referenciado, comecei a prestar mais atenção, principalmente em crianças, que ao verem essa imagem, normalmente franzem a testa, como quase toda criança faz, quando algo as desagrada. Quais serão as “conexões” que se formam nessa pequena “estrutura quântica”, frente a essa imagem? Vejamos o que José Arqüelles, em seu livro ─ Fator Maia, diz sobre símbolo, pois a imagem de Jesus Crucificado, é um símbolo: “O que é um símbolo? Um símbolo é uma estrutura ressonante, a reverberação de uma qualidade específica radiante que assume uma forma para nossos sentidos. Obviamente, nossas faculdades sensoriais possuem a capacidade de perceber uma forma, isto é, os órgãos do sentido funcionam como receptores reverberantes. Como se fossem diferentes estações de radar, os sentidos recebem continuamente o influxo de formas de onda ressonantes que abrangem o nosso universo. É função da mente fazer 185
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    com que ossímbolos ou estruturas ressonantes acusadas por nossas faculdades sensoriais “tenham sentido” (negritos da autora) Mediante o acima, qual será o sentido que uma criança pode apreender da imagem em questão e qual poderá ser o reflexo futuro dessa apreensão, quando observamos que muitas delas, ao vê-la, demonstram desagrado, muitas vezes, até, desviando o olhar? Aliás, qual humano sensível poderia sentir algo alegre, descontraído, leve e, até mesmo transcendental, ao vê-la? Senti necessidade de estender-me um pouco mais nesta parte, por considerá-la importante, pois o que penso, especificamente de Jesus, nada, absolutamente nada tem a ver com religião instituída e sim, com a certeza que tenho de que Grandes Iniciados estiveram neste Planeta e aqui “deixaram”, “ativaram” frequências energéticas que podem ser alcançadas mediante trabalho como o da EgoCiência e SerCiência, por exemplo. Particularmente, penso que Jesus aprofundou-se no Conhecimento ─ talvez o Esotérico, podendo ser imaginado como um Homem de Conhecimento ─ na extensão máxima da palavra ─ denominação essa que poucos, muito poucos tiveram mérito suficiente, para recebê-la. Quem sabe, por essa razão, Jesus foi “visitado”, saudado pelo três reis magos que lhe trouxeram ouro, incenso e mirra ─ altamente significativos, por sinal ─ pois, um Homem de Conhecimento, traz a MAGIA do Incognoscível “incrustada” em sua natureza quântica. Assim, para mim, Jesus mostrou que o Conhecimento pode ser uma das “pontes” para o “desconhecido” de nós, enquanto Sidarta Gautama utilizou-se do racional e lógico, “sutilizados”, demonstrando, para os que conseguem perceber, que eles podem ser outra das pontes para o “desconhecido”, de nós. Ainda expondo sobre o Místico/Científico, do caminho percorrido, sinto-me sinceramente agradecida ao que aprendi através do Candomblé e explico a razão. Lembra que disse amar a natureza por inteiro, desde criança? Pois bem, o Candomblé trabalha com seres da natureza, portanto, com a Energia inerente a cada um deles. As folhas, o mar, os rios, as plantas, árvores, animais enfim, tudo que se relaciona ao natural faz parte desse credo, cuja origem, é a maravilhosamente ancestral ─ ÁFRICA, e os Orixás, tão conhecidos, são as denominações dadas às forças energéticas desses seres da Natureza, todos quânticos, pois são Pura Energia. Há, no Candomblé, a alegria da Natureza; os cantos, as danças, as roupas, os dialetos, tudo desperta a mais profunda emoção, pura e natural, principalmente quando a pessoa tem a sorte de encontrar locais 186
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    em que aética, sabedoria e responsabilidade são os alicerces dos trabalhos desenvolvidos, o mesmo valendo para qualquer instituição religiosa ou, de qualquer outro nível, pois é sempre questão de “sorte” encontrar ética e responsabilidade nas pessoas que as representam. Felizmente, tive essa sorte! Creio que exatamente aqui é o momento oportuno para vermos algo que sempre foi (e ainda é), motivo de inúmeras discussões e literaturas sobre: ─ O Bem e o Mal. Serei breve, dizendo, em princípio, que A ENERGIA é o CAMPO TOTAL de tudo que se possa pensar. Assim, a Linguagem da ENERGIA pode ser “trabalhada” por quem entende um pouco dela, em direção do Bem ou do Mal. Além disso, tanto um quanto o outro, permitem trabalho com frequências energéticas e, assim sendo, são possuidores de “poder” energético e “despertam” sensações tanto nos emissores dessas freqüências quanto naqueles a quem essas frequências (normalmente em forma de pensamento), são direcionadas. Você, leitor, deve ter observado, que tratamos do bem e do mal que são, em princípio, “escolhas” de cada Ego-pessoa. Quanto ao mal que assola a humanidade, como um todo ( em variados níveis), o próprio Planeta Terra, a Natureza, foi e é uma questão de consequência lógica da inobservância das próprias leis naturais, da “cegueira” de grande parte da humanidade e do querer ter/possuir, de cada Ego-pessoa. Assim, para mim, BEM OU MAL não são “determinações” da ENERGIA; não são “prêmios” ou “castigos” impostos, mas simples consequência das ações de Egos-pessoa, de forma particular e/ou em pequenos, médios ou grandes grupos, seja qual for o campo de atuação. Outros caminhos místicos apresentaram-se, de forma maravilhosa, entre eles o do Misticismo Oriental, vasto ao extremo, profundo, lógico, transcendente. Dentre todos, o Taoísmo “realizou-se”, em mim, de forma amena e positiva. Citarei aqui, o que Fritjof Capra, em seu livro ─ O Tao da Física, resumidamente, fala sobre o Taoísmo: “O Taoísmo, por outro lado, volta-se primariamente para a observação da natureza e a descoberta do Tao. A felicidade humana, segundo os taoístas, é alcançada quando os homens seguem a ordem natural, agindo espontaneamente e confiando em seu próprio conhecimento intuitivo.” (negrito da autora) Como acredito, profundamente, na observação da natureza, na ação espontânea e, principalmente na Intuição, é que o Taoísmo encontrou profunda ressonância em minha estrutura quântica. 187
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    É de sumaimportância que fale, também, sobre as obras de Castaneda. A figura mágica de dom Juan Matus ─ o nagual ─, que Castaneda teve a felicidade de “encontrar”, tocou em profundidades inimagináveis em “meu” ente quântico e, curiosamente, entendi em profundidade o que meus pais “ensinaram” sobre ver e ouvir além do que vejo e ouço, pois dom Juan “conceituava” ver como algo diferente de apenas olhar. Em uma passagem do livro de Castaneda ─ Porta para o Infinito, dom Juan diz a Castaneda: ─ “Você viu através daquele homem ─ disse ele. Isso foi ver. Ver é assim. As declarações são feitas com muita certeza e a gente não sabe como acontece...” Veja que interessante o paralelo entre o místico e o científico. Em uma passagem do livro de Roger Penrose ─ A Mente Nova do Rei, na parte 2, do Capítulo 10 (Onde fica a física da mente), ele diz: “A verdade matemática não é alguma coisa que comprovamos simplesmente pelo uso de um algoritmo. Creio também que a consciência é um elemento crucial em nossa compreensão da verdade matemática. Devemos “ver” a verdade de um raciocínio matemático para nos convencer de sua validade. Esse “ver” é a própria essência da consciência. Quando nos convencemos da validade do teorema de Gödel, não apenas o “vemos”, mas ao fazê-lo revelamos a própria natureza não-algorítmica desse “ver” o próprio processo.” (negritos da autora) Incrível esse paralelo, não é verdade? Ambos falam em um ver diferenciado, que ultrapassa, em muito, o ver comum; ambos conectaram-se a esse ver diferenciado, algo que lembra, evidentemente, a famosa “abertura do 3º olho” estudada, em profundidade, pelo Esoterismo. Em meu caso específico, o que meus pais “ensinaram”, é que devemos ir além da simples aparência de uma pessoa, mais especificamente; deve-se prestar atenção ao conjunto e ao fazê-lo conseguimos penetrar um pouco mais no âmago daquela pessoa, passando a “conhecer” algo de mais interno do que a figura mostra, até mesmo por seus gestos, maneira de olhar. Também é importante o que eles ensinaram sobre ouvir diferenciadamente; o tom de voz, as palavras utilizadas, a entonação desta ou daquela frase, tudo pode esclarecer, de forma mais objetiva, se aquela pessoa que fala, fala coerentemente com o que pensa, ou se camufla, escamoteia seus pensamentos. É evidente que esse ver e ouvir, diferenciados, vão permitir uma abrangência e apuro de análise a respeito, inclusive, de nós mesmos, abrindo um campo de percepção bem maior do que apenas ver e ouvir. 188
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    Pensando bem, essever e ouvir, diferenciados, podem bem ser duas das mais importantes “ferramentas” da Intuição. Voltemos. Interessante que os caminhos místicos sempre impulsionaram minha tendência ao científico, mesmo porque, vejo que grandes Místicos, de passado muito remoto, falaram sobre pontos em que hoje, a Ciência (e principalmente a Física), conceitua como não-locais, pontos em que as teorias físicas encontraram limites, no aqui/local, independentemente da Navalha de Occan. Veja, por exemplo, o que o grande David Bohm diz, na seguinte passagem do livro ─ Diálogos com cientistas e sábios, de Renée Weber: “Está implícito que a fonte última é imensurável, fora do alcance de nosso conhecimento.” Lembremos que David Bohm foi um dos maiores físicos do século/milênio passado (1916-1992), e não o que se pensa que essa frase poderia identificar ─ um Místico; entretanto, quem pode saber se não o foi? Outra passagem, de parte do diálogo Weber e Bohm ( do mesmo livro acima citado,), sobre momentos especiais de percepção: Weber: ─ “Tal deve ser o denominador comum entre o místico e o cientista. É como se, num dado momento, o véu da natureza se rasgasse para eles.” Bohm: ─ “O véu da mente. A mente fica presa às coisas que toma como verdadeiras. A mente comum, de energia inferior, passa pelas coisas sem se desvencilhar dos velhos postulados. A energia superior, entretanto, dissolve o véu para que a mente possa atuar num outro nível.” Esse “véu da mente”, exposto por Davi Bohm, não lembra a “bolha” de dom Juan, a cadeia de Einstein? Outro grande paralelo entre dois cientistas fantásticos, e um “homem de Conhecimento” ─ dom Juan Matus, o Nagual das obras de Castaneda. É interessante como as coisas têm uma ligação. Lendo o mais recente livro do excelente Nilton Bonder ─ Tirando os sapatos ─, observei mais uma metáfora para enfatizar a necessidade de ultrapassarmos conceitos enraizados, em nós, aos quais, muitas vezes, sequer prestamos atenção em quão estão “grudados” em nós, e o quanto nos separam de outras pessoas e suas experiências. Tirar os sapatos teria a mística de nos fazer sentir a terra, o chão que é igual para todos desde os pés descalços até aos que usam sapatos de pelica. Sem tirar os sapatos, permanecerá a ilusória diferenciação cultural/social/econômica; não conseguiremos ver que, apesar dela existir, no âmago ela é totalmente ilusória, ridícula, 189
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    sem chão. Aexistência dessa diferenciação, em termos de Ego-pessoa, não poderia ser interiorizada, como o foi, desde o princípio. Tirar os sapatos não deixa de ser, também, e até certo ponto ─ dentro ainda do trabalho da EgoCiência ─, o mesmo que abrir a “bolha”, de dom Juan, quebrar cadeias, de Einstein, descerrar o véu da mente de David Bohm, e isso é maravilhoso! Algo do mesmo gênero, e muito interessante, li no livro de Hwee-Yong Jang ─ Projeto Gaia 2012. Fala sobre uma “expressão bem conhecida na Coréia que se refere à percepção limitada de um mundo muito maior”, expressão essa que é “sapos num poço”. “O sapo que nasce num poço só conhece a vida nesse poço e nunca suspeita que exista alguma coisa fora dali que ele não possa perceber” Vimos, até aqui, um pouco da possível futura junção da Ciência com a Mística, coisa que, em passado remoto, já se mostrou possível, pois Místicos, Homens de Conhecimento, Iniciados, Alquimistas, Poetas vislumbraram e falaram sobre coisas que hoje, a Ciência ─ e mais especificamente a Física ─, começa a questionar, dentro de “seu” campo de atuação, possibilidades outras, além daquelas que, até pouco tempo, consideravam como únicas e definitivas. Não é sem tempo, pois se até o átomo, que tratamos como algo “concreto”, que muitos pensam já ter sido visto, tamanha a intimidade com que se ouve falar dele, é hipotético ─ “Isto nos causa uma sensação de desconforto porque nos lembra que os átomos, de qualquer maneira, nunca foram coisas “reais”. Os átomos são entidades hipotéticas construídas para tornar inteligíveis as observações experimentais. Ninguém, pessoa alguma, jamais viu um átomo. Não obstante, estamos tão acostumados à idéia de que um átomo é uma coisa, que nos esquecemos de que é uma idéia. Agora nos é dito que não somente o átomo é uma idéia, senão que é uma idéia que nunca poderemos representar.” Trecho extraído do livro A Dança dos Mestres Wu Li, de Gary Zugav ─ Parte: Meu Caminho/O papel do “eu”. No final dessa mesma parte, do trecho acima citado, a frase de Gary Zugav é a sequinte: “Se a nova física nos conduziu a alguma parte, foi ao encontro de nós mesmos, que é certamente o único lugar para o qual poderíamos ir.” Lembra do “Embrionar-se”? 190
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    Foi especificamente aFísica Quântica que veio trazer a mensagem para abertura de horizontes até então, apenas experienciado pelo Místicos, pelos Homens de Conhecimento ─ Magos, pelos Alquimistas, pelos Iniciados, que adentraram em suas constituições quânticas e de lá trouxeram partes do CONHECIMENTO. Essa é uma das razões que me faz acreditar, profundamente, na verdade que Einstein “revelou” com a seguinte frase em carta escrita a Max Born: “... mas estou convencido de que Deus não joga dados.” Realmente, em meu entender ─ e pelo pouco que “captei” ─, em hipótese alguma a ENERGIA deixa de SABER exatamente o que FAZ, como FAZ e, por que FAZ. O pouco, muito pouco que vi, foi de extrema importância. Vi, que a estrutura quântica, corpo humano e o “eu” nominal, terreno é a contraparte Matéria da Não Matéria que simplesmente É. Disso resulta, creio eu, a profunda importância da pessoa e também, sua “insignificância”, conclusão a que se chega apenas e tão somente através da SENSAÇÃO. Creio que aqui, após o acima, cabe explicar a utilização, em grande parte dos textos, das palavras eu e meu, entre aspas(“”); “eu” não sou, mas “preciso”, através de abstração máxima do Ego-pessoa ─ de racional e lógico terrenos ─, dar vazão à Mente Racional e Lógica Transcendente que, se FAZ local mas, que É não-local. Saindo do “eu”, pelo menos em parte, consegue-se uma liberdade indescritível. Eis uma frase do padre Bede Griffiths, constante do livro Diálogos com Cientistas e Sábios ─ várias vezes citado: “Há um outro ponto: para sermos espiritualmente livres, não podemos nos prender a nada. Podemos usar as coisas, mas não nos ligar a elas.” Antes de encerrarmos o EgoCiência e SerCiência, faz-se necessário, entre outras coisas, repetir que como corpo físico, como matéria, considero ser, apenas e tão somente, a parte “operacional” de um Sistema simplesmente FANTÁSTICO, que abrange o Macro ─ o Universo e todos os sistemas “secundários” existentes nele, bem como o micro ─ entes quânticos (denominados partículas, pela Ciência), que “estruturam” as mais diferenciadas formas de “apresentação” da ENERGIA, tanto no Planeta Terra quanto em qualquer ponto do Universo. Esse Sistema, ao qual gostaria de denominar de SISTEMA VIDA, é todo ele engendrado pela ENERGIA, através de Seu PENSAMENTO; estruturado, através de Sua INTELIGÊNCIA e disseminado, através de Sua magnífica LINGUAGEM e nada, absolutamente nada, está fora desse Sistema aqui, ou em qualquer outro ponto do Universo. 191
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    O SISTEMA VIDAabrange tudo, mas, cada Subsistema Vida tem suas próprias características que são especificadas pela Linguagem e por ela informadas, através dos Entes e Seres quânticos. Qual a diferença que vejo ser possível entre Entes e Seres quânticos? Para mim, é simplesmente uma questão de qualidade de informação e, consequentemente, finalidade específica. O que tento dizer com isso é que, cada ente quântico, sozinho ou em combinação com outro(s) tem a linguagem informativa totalmente em acordo com o que deverá ser desempenhado por ele(s), em contextos específicos. A isso chamo qualidade de informação. O mesmo acontece, creio eu, com o Ser Quântico, com a única diferença que o Ser “trabalha” de forma individual, ou seja, ele é único em cada “atividade” que desempenha. É único em qualidade de informação e finalidade. Talvez, exista uma “evolução” energética de Entes e Seres Quânticos; se assim for, torno a repetir que o Ente quântico-Ego, pode ser um protótipo do Ser, até que ele, o Ente quântico- Ego tenha “disponibilizado”, em seu espectro energético, tudo que sua linguagem suportar/comportar em termos de experiências diretamente ligadas a frequências energéticas diferenciadas, neste Subsistema, ou em qualquer outro em que venha a atuar ou, tenha atuado. Não podemos nos esquecer que a própria estrutura, corpo físico, é um subsistema Vida que comporta inúmeros subsistemas que, para o entendimento da Ciência, são chamados, por exemplo, de Sistema Respiratório, Sistema Circulatório, Sistema Digestivo etc.. A multiplicidade de subsistemas Vida é praticamente impossível dimensionar; só aqui no Planeta Terra são incontáveis; imaginemos então, todo o Sistema Solar, a Galáxia e os demais campos energéticos do Universo, tudo “estruturado” por Entes quânticos que são orientados pela Magnífica LINGUAGEM DA ENERGIA. Estamos quase terminando este volume do EgoCiência e SerCiência-Ensaios. Muitas coisas pensadas, ainda encontram-se “flutuantes”, aguardando por informações “sentidas”. Outras tantas mais, não abordamos neste, como por exemplo, razão, lógica; entretanto creio ser possível admitir que razão e lógica, da forma como as conhecemos, são importantes para subsidiar o pensamento humano em questões práticas tanto que, seus “postulados” oferecem parâmetros exclusivamente ligados à materialidade, ao que é passível de comprovação. Fora isso, as conceituações irracional e ilógico, são imputadas a tudo que extrapolar as “possibilidades” previsíveis do “instituído” como racional e lógico. É o que penso, em princípio, sobre Razão e Lógica, sem que essa forma de pensar, possa denegrir 192
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    seus conceitos, poisa validade delas é o aqui/agora terrenos; o grande salto a ser feito é “sutilizá-las”, o que foi feito, com perfeição, pelos grandes Iniciados, pelos Homens de Conhecimento, pelos Místicos, por grandes poetas cujas poesias ─ muitas delas ─ extrapolaram o pensado de forma racional e lógica, comumente estabelecidas. O “foco” de iluminação do racional e lógico sutilizados, extrapola, amplia, em muito, o até certo ponto, limitado racional e lógico estritamente ligados à materialidade. O racional e lógico “sutilizados” são transcendentes; permitem uma associação, extremamente positiva, entre Ego e Ser, envolvendo o Ego com lucidez e abrangência, libertando-o das “amarras”, dos preconceitos, da submissão ao estritamente material. Estamos encerrando o EgoCiência e SerCiência e, na última página, gostaria de deixar registrada uma pequena prece “captada” por mim, nos últimos minutos do dia 31 de dezembro de 2005, durante permanência em um quarto de hotel para, solitariamente, dar boas-vindas ao Novo Ano. 193
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    “ Prece doMilênio” “ Senhora de Luz Divina Conceda-nos a graça divina Da cura física, espiritual, mental e emocional. Senhora de Luz Divina Ilumine e esclareça a humanidade Proteja e abençoe toda Natureza e o Planeta Terra. Que assim seja, Senhora de Luz Divina” 194
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    Bibliografia referente àParte 4 ARQÜELLES, José. O Fator Maia. Editora Cultrix BEGLEY, Sharon. Treine a mente, mude o cérebro. Editora Fontanar BOHM, David. A totalidade e a ordem Implicada. Editora Cultrix BRADEN, Gregg. Efeito Isaís. 1ª Edição Editora Cultrix CAPRA, Fritjof. O Tao da física. 1ª Edição Editora Cultrix CASTANEDA, Carlos. Uma estranha realidade. 1ª Edição Editora Nova Era CASTANEDA, Carlos. Viagem a Extlan. 1ª Edição Editora Nova Era CASTANEDA, Carlos. Porta para o infinito. 1ª Edição Editora Nova Era CASTANEDA, Carlos. O presente da águia. 12ª Edição Editora Nova Era CASTANEDA, Carlos. O fogo interior. 8ª Edição Editora Nova Era CASTANEDA, Carlos. O poder do silêncio. 11ª Edição Editora Nova Era CASTANEDA, Carlos. O lado ativo do infinito. 1ª Edição Editora Nova Era CHARPAK, Georges & OMNÈS, Roland. Sejam sábios, tornem-se profetas. Ed. Best Seller EISEN, William. A Cabala da Astrologia. Editora Madras GOSWAMI, Amit. O universo autoconsciente. 3ª Edição Editora Rosa dos Ventos GOSWAMI, Amit. A física da alma. 2005 Editora Aleph GUITTON, Jean. Deus e a Ciência. Editora Nova Fronteira JANG, Hwee-Yong. Projeto Gaia 2012. Editora Pensamento KURTAK, J.J. Las Claves de Enoque. 1982 Edição espanhola ─ La Academia para La Ciência Futura O CAIBALION Editora Pensamento PENROSE, Roger. A mente nova do rei. Editora Campus RUYER, Raymond. A gnose de Princeton. Editora Cultrix WEBER, Renée. Diálogo com cientistas e sábios. 9ª Edição Editora Cultrix ILBER, Ken. O paradigma holográfico. Editora Cultrix ZOHAR, Danah. O ser quântico. 5ª Edição Editora Best Seller ZUKAV, Gary. A Dança dos Mestres Wu Li. Editora ECE 195