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EDD - CRESCIMENTOESPIRITUAL
1 - CRESCIMENTO ESPIRITUAL
1.1. A NATUREZA TRÍPLICE
Todo homem é espírito, alma e corpo. A concepção geral das pessoas é a de que o
homem seja apenas corpo e alma. Para elas, espírito e alma seriam a mesma coisa.
Porém, eles não são a mesma coisa. Caso fossem, qual a necessidade de separá-los?
Na carta aos Hebreus lemos que “a Palavra de Deus é viva e eficaz e penetra até ao
ponto de dividir alma e espírito” (Hb 4.12). Alma e espírito, portanto, não são a
mesma coisa.
A Palavra de Deus nos ensina que o homem é um ser triúno, formado por espírito,
alma e corpo. Paulo aconselhou os tessalonicenses a esse respeito:
“O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo, sejam
conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo”
1Tessalonicenses 5.23
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2. AS NECESSIDADES DE SE PERCEBER O PRÓPRIO ESPÍRITO
Por que precisamos saber que o homem é espírito, alma e corpo? Isso é
fundamental sob muitos aspectos. Vejamos algumas razões pelas quais nos é
imprescindível aprendermos, não apenas que o homem possui uma dimensão
tríplice, mas também que existe uma necessidade de aprendermos a perceber o
nosso próprio espírito humano.
2.1. Deus é Espírito
A Bíblia nos diz que Deus é Espírito (Jo 4.24). Para que possamos ter contato com a
matéria, precisamos ser matéria. Do mesmo modo, para que possamos ter contato
com Deus, que é Espírito, precisamos ser espírito.
Não podemos ouvir a Deus com os nossos ouvidos físicos, nem olhá-lo com os
olhos da carne. Mas, apesar disso, a Bíblia nos diz que nós podemos conhecê-lo e
entrar em contato com Ele através de nosso espírito. Logo, se falharmos em discernir
o nosso próprio espírito, como podemos conhecer a Deus?
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2.2. 0 novo nascimento ocorre inteiramente no espírito
“O que é nascido da carne, é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito”
João 3.6
Quando Adão pecou, ele morreu e, bem assim, toda a sua descendência. A morte
de Adão não foi uma morte física de imediato, mas sim uma morte espiritual: O seu
espírito morreu para Deus. Isso não quer dizer que o homem natural não tenha
espírito, mas sim que o seu espírito está morto, incapaz de manter contato com
Deus.
O novo nascimento é o renascer do espírito humano caído para Deus. O nosso
espírito é como uma antena que tem a função de sintonizar as ondas celestiais.
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2.3. 0 conhecimento espiritual é adquirido no espírito
“Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são
loucura, e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente”
1Coríntios 2.14
Todo conhecimento que tem algum valor na vida cristã é adquirido
espiritualmente. As coisas espirituais se discernem espiritualmente, ou seja, pelo
espírito. O homem natural, por ter o seu espírito morto, não consegue entender as
coisas do Espírito.
Não é que as coisas do espírito sejam difíceis ou misteriosas, mas como o espírito
do homem natural está morto, separado de Deus, ele não poderá entendê-las, ou
seja, a sua antena espiritual não sintonizará a frequência de Deus.
O Senhor Jesus disse que as Suas palavras são espírito (Jo 6.63). Se elas são
espírito, somente o espírito pode percebê-las.
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O problema é que muitos cristãos, apesar de nascidos de novo, continuam a
usar sua mente para entender coisas que só se discernem espiritualmente.
Quem não consegue discernir o próprio espírito, normalmente lê a Bíblia
usando unicamente sua mente e, por isso, retira pouco proveito dela.
2.4. A adoração é feita no espírito
Deus é espírito e deve, portanto, ser adorado em espírito (Jo 4.24). Não é uma
questão de forma, mas de origem. Devemos exercitar o nosso espírito se
queremos adorar a Deus. Se falharmos em perceber o nosso espírito, a nossa
adoração será comprometida. O máximo que iremos alcançar será um louvor
no nível da alma.
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2.5. Devemos orar sem cessar no espírito (Ef 6.18; 1 Co 14.14)
A oração em línguas é um tipo de oração feita no nível do espírito. Escrevendo aos
Coríntios, Paulo explica que se orarmos em outra língua, então nosso espírito ora (1
Co 14.14). No verso seguinte ele acrescenta: “Orarei com o espírito”. Para orar com o
espírito não precisamos usar a mente; por isso, podemos orar o tempo todo, mesmo
enquanto trabalhamos ou estudamos.
Como poderei fazer esse tipo de oração se eu nem mesmo sei que possuo um
espírito? Se a adoração é no espírito, a oração também é. A prática normal da vida
cristã implica na compreensão clara de que cada um de nós é um ser espiritual com
uma alma habitando em um corpo.
Somos seres espirituais da natureza de Deus, feito à sua imagem e semelhança (SI
82.6). Nós não somos corpo, mas espírito. Por isso estamos aptos a ter comunhão
com Deus, a ouvir e falar com Ele. Cada um de nós é um espírito que possui uma
alma e habita em um corpo.
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Orar sem cessar é estar continuamente conectado em Deus. Por mais que a sua
mente esteja envolvida com outras atividades, o seu espírito está aceso para
Deus, focado na direção de Deus.
2.6. Somos exortados a andar no espírito
Toda a nossa vida cristã consiste em aprendermos a exercitar o nosso espírito
humano recriado para contatar o Senhor e sermos guiados por Ele.
O apóstolo Paulo diz: “Se eu orar em outra língua, então meu espírito ora” (1 Co
14.14). Quando ele diz: “se eu orar [...] então meu espírito ora”, ele está dizendo
que o “EU” e o “espírito” são a mesma coisa, mostrando que Paulo se via como
um ser espiritual.
O Espírito Santo não habita na alma, mas sim em nosso espírito humano
recriado. Toda direção que o Espírito nos dá vem através do nosso espírito. Para
isso temos um espírito, porque ele é parte do nosso ser cuja função é contatar a
Deus.
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Falhar em discernir o próprio espírito pode ser extremamente prejudicial para
uma vida cristã vitoriosa, a qual, em última análise, consiste em sermos guiados
pelo Espírito. Se eu não conseguir ouvir o que o Espírito Santo está dizendo,
como serei guiado por Ele?
Este é o centro da vida cristã: Deus habita em nós na pessoa do Espírito Santo,
nos moldando e nos guiando a toda verdade. Isso não pode ser mera doutrina,
tem de ser revelação em nosso espírito. Este é o ápice da revelação de Deus:
Cristo Jesus habita em nós, sendo a nossa própria vida.
A vida cristã consiste em duas substituições: a primeira na cruz, onde Ele
morreu em nosso lugar; a outra no nosso dia a dia, em que Ele vive a vida cristã
por nós. Tudo é feito por sua graça: a salvação e a santificação.
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2.7. Servimos a Deus no espírito
Paulo diz em sua Carta aos Romanos que ele serve a Deus no espírito (Rm 1.9). O
mesmo se aplica à cada cristão. Precisamos aprender a exercitar o nosso espírito para
que possamos servir a Deus fazendo a Sua vontade.
Para isso, precisamos aprender a exercitar o nosso espírito porque somente por meio
do nosso espírito, podemos conhecer o coração de Deus e fazermos a Sua vontade. O
Senhor Jesus nos disse que “o Espírito da verdade nos guiará a toda a verdade” (Jo
16.13). Como o Espírito nos guia a toda a verdade? Falando conosco através de nosso
espírito recriado.
O Espírito Santo habita em nós, Ele fala conosco. Todos podemos testemunhar que
de uma forma ou de outra já percebemos a voz de Deus em nosso espírito. Se alguém
nunca ouviu o Senhor no espírito, então, não nasceu de novo, pois nós somos gerados
pela Palavra de Deus. Se não temos ouvido a sua voz, é porque a antena está mal
sintonizada.
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Eu sei perceber o meu corpo e minha alma, ou seja, minha mente e emoções.
Mas como posso perceber o meu espírito? Essa pergunta é importante. O nosso
espírito muitas vezes é chamado de coração na Bíblia.
“Porque não é judeu quem o é exteriormente, nem é circuncisão a que é
somente na carne. Porém judeu é aquele que o é interiormente, e circuncisão a
que é do coração, no espírito, não segundo a letra, e cujo louvor não procede
dos homens, mas de Deus”
Romanos 2.28-29
O coração é o meio pelo qual podemos perceber o nosso espírito. Não devemos
pensar que o coração seja este órgão físico que pulsa em nós. Quando a Bíblia
fala de coração, ela está falando de algo íntimo, das profundezas do nosso ser, o
nosso espírito.
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3. FUNÇÕES DO ESPÍRITO, ALMA E CORPO
Pela Palavra de Deus e pela experiência, compreendemos que o homem possui três
partes e que cada uma delas possui a sua função específica.
O corpo é a parte material onde estão os nossos sentidos físicos. A sua função básica é
manter contato com o mundo material através dos cinco sentidos.
A alma, por sua vez, é a parte que nos permite contatar a nós mesmos. É a parte que nos
permite ter autoconsciência, ou seja, consciência de nós mesmos. A alma é o “eu”, o
centro da personalidade.
O espírito é a parte pela qual temos comunhão com Deus e, por meio dele, temos
consciência de Deus.
Embora a alma seja o centro de nossa personalidade, o espírito é a parte mais
importante, porque é o centro do nosso ser. É pelo espírito que podemos adorar a Deus
e receber Sua revelação. Dizemos ainda que o espírito é o centro porque Deus habita
nele.
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4. FUNÇÕES DO ESPÍRITO
O espírito humano possui três funções básicas: intuição, consciência e comunhão.
4.1. Intuição
“E vós possuis unção que vem do Santo e todos tendes conhecimento.“
IJoão 2.20
“Quanto a vós outros, a unção que dele recebestes permanece em vós, e não tendes
necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina a respeito de
todas as coisas, e é verdadeira, e não é falsa, permanecei nele, como também ela vos
ensinou”
IJoão 2.27
Intuição é a capacidade do espírito humano de conhecer e saber algo independente de
qualquer influência exterior. É o conhecimento que chega até nós sem qualquer ajuda
da mente ou da emoção. É o conhecimento que nos chega intuitivamente. As revelações
de Deus e todas as ações do Espírito Santo, se tornam conhecidas por nós pela intuição
do espírito. A nossa mente simplesmente nos ajuda a entender o que o Espírito Santo
revela ao nosso espírito.
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Muitas vezes, sentimos algo em nosso íntimo nos impelindo a fazer algo ou nos
constrangendo para que não o façamos. Essa sensação interior é a intuição do espírito.
Quantas vezes depois de fazermos alguma coisa, confessamos: “Bem que dentro de
mim algo me dizia para eu não fazer”? Todos nós passamos por experiências
semelhantes a essa. O espírito está funcionando, mas nós não damos crédito. Estamos
confinados a uma vida exterior e quase nunca damos crédito à voz interior no espírito.
As coisas do espírito devem ser discernidas pelo nosso espírito (1Co 2.14). Jesus sabia
no Seu espírito o que os outros arrazoavam. Paulo foi constrangido no espírito. Em
todas esses casos, vemos a forma como se manifesta a intuição do espírito. É um saber
que não tem origem na mente e nem no mundo físico.
“Não ensinará jamais cada um ao seu próximo, nem cada um ao seu irmão dizendo:
conhece ao Senhor, porque todos me conhecerão, desde o menor até o maior deles. Diz
o Senhor”
Jeremias 31.34
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Hoje vivemos debaixo dessa promessa; somos todos ensinados pelo Senhor. Você não sabe como,
mas algo em seu interior lhe diz que certas coisas não são verdadeiras.
A intuição se manifesta pela restrição e pelo constrangimento. Por exemplo, podemos planejar fazer
determinada coisa que nos parece muito razoável, gostamos da ideia e resolvemos ir em frente.
Porém, algo dentro de nós, uma sensação pesada, opressiva, parece opor-se àquilo que a nossa mente
planejou, nossa emoção aceitou e a nossa vontade decidiu. A sensação parece nos dizer que tal coisa
não deve ser feita. Esse é o impedimento ou a restrição da intuição.
Tomemos agora um exemplo oposto. Determinada coisa parece irracional, contrária ao nosso deleite,
e contrária à nossa vontade. Mas, por algum motivo desconhecido, há dentro de nós certo
constrangimento, um impulso, um estímulo para que a façamos. Esse é o constrangimento da
intuição.
É importante entender que há diferença entre o conhecer e o entender. O conhecer está no espírito,
enquanto o entender está na mente. Quando conhecemos uma coisa por meio da intuição do espírito,
a nossa mente é iluminada para entender o que a intuição conheceu. Na intuição do espírito,
conhecemos a persuasão do Espírito Santo. Na mente, entendemos a orientação do Espírito Santo.
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O conhecimento da intuição na Bíblia é chamado de revelação. Revelação é o desvendar, pelo
Espírito Santo, da verdadeira realidade de alguma coisa. Este conhecimento é muito mais
profundo do que o conhecimento da mente. A unção do Senhor nos ensina a respeito de todas
as coisas pelo espírito de revelação e de entendimento.
4.2. Consciência
É fácil entender a consciência. Todos nós estamos familiarizados com ela. Ela é a capacidade
de discernir entre o certo e o errado, não segundo os critérios da mente, mas segundo a
direção do espírito.
“Digo a verdade em Cristo, não minto, testemunhando comigo, no Espírito Santo, a minha
própria consciência”
Romanos 9.1
“Enquanto Paulo os esperava em Atenas, o seu espírito se revoltava em face da idolatria
dominante na cidade”
Atos 17.16
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Quando comparamos os dois textos acima, vemos que a consciência está localizada no
espírito humano. Testificar, confirmar, recusar, acusar são funções da consciência.
Paulo diz que, em seu espírito, ele julgou uma pessoa como sendo pecaminosa (1Co
5.3). Julgar significa condenar ou justificar, estas são ações da consciência.
Muito frequentemente, a consciência condena coisas que a nossa mente aprova. O
julgamento da consciência não é segundo o conhecimento mental, mas segundo a
direção do próprio Espírito Santo.
Na Bíblia há dois caminhos: o da Árvore da Vida e o do Conhecimento do Bem e do
Mal. A Palavra de Deus não nos exorta a andar segundo o padrão do “certo e errado”.
Antes, ela nos orienta a sermos guiados pelo espírito. Quando você para diante de um
cinema, qual é a sua ponderação sobre o filme? “Não é pornográfico, não é errado,
não faz mal, então eu posso assistir”? Esse tipo de ponderação não é da consciência,
mas da mente. A consciência não faz ponderações, ela apenas decide.
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Há muitas coisas que a nossa consciência recusa, mas a nossa mente aprova. Devemos rejeitar de
uma vez por todas o caminhar segundo a mente, segundo a árvore do conhecimento. Devemos ser
guiados pelo espírito, pelo princípio da vida de Deus em nós, percebido em nossa consciência.
Precisamos ser absolutos sobre o que Deus condena em nossa consciência. Nunca devemos tentar
explicar o pecado justificando-o. Sempre que houver uma recusa em nossa consciência, devemos
parar imediatamente. Alguns tentam se justificar dizendo que não têm muita convicção se
determinada coisa é errada ou não. Mas a Bíblia diz que tudo o que não vem da plena certeza e
da fé é pecado (Rm 14.23).
Só podemos servir a Deus com a consciência limpa. Todos nós podemos testificar que a ação da
nossa consciência, não depende do nosso conhecimento da Bíblia. Muitas vezes, sentíamos que
algo era errado e só depois descobríamos aquela proibição na Bíblia. Sem que ninguém nos
ensinasse, sabíamos que o nosso namoro estava errado, que as nossas finanças estavam
desajustadas. Aquele que é nascido de Deus, tem no seu espírito a voz do Espírito Santo falando
pela sua consciência. Ninguém jamais poderá dizer que não sabia. A nossa consciência tem a
função de testificar conosco a vontade de Deus.
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4.3. Comunhão
“Meu espírito exulta em Deus meu salvador”
Lucas 1.47
“O que se une ao Senhor é um só espírito com ele”
1Coríntios 6.17
Toda comunhão genuína com Deus é feita no nível do nosso espírito. Deus não é percebido
pelos nossos pensamentos, sentimentos e intenções. Ele só pode ser conhecido diretamente
em nosso espírito. Aqueles que não conseguem perceber o seu próprio espírito, não
conseguem também adorar a Deus em espírito. É no nosso espírito que nos unimos ao Senhor
e mantemos comunhão com Ele.
Tudo o que Deus faz, Ele o faz a partir do nosso espírito, sempre de dentro para fora. Essa é
uma maneira bem prática de sabermos o que vem de Deus e o que vem do diabo. O diabo
sempre começa a agir de fora, pelo corpo, tentando atingir nossa alma. Deus, por sua vez, age
de dentro para fora.
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Sempre que formos adorar a Deus, devemos nos voltar para o nosso coração, pois é nele que
percebemos o nosso espírito. Não procure exercitar a mente na hora de adorar, exercite o
espírito através do coração. É por isso que a adoração com cânticos em línguas é mais
eficiente, pois a nossa mente fica infrutífera e podemos exercitar o nosso espírito livremente.
Quando o fogo vier queimando o coração, absorva-o completamente. Quando vier como um
rio transbordante, beba-o completamente. A comunhão é sempre percebida no coração.
5. EXERCITANDO O NOSSO PRÓPRIO ESPÍRITO
A obra de Deus em nosso espírito já foi completada. É como uma lâmpada que se ascendeu.
Jesus disse que o nosso Espírito está pronto (Mt 26.41). O nosso espírito está pronto, mas
ainda precisa ser aperfeiçoado pelo exercitar. É como uma criança que acabou de nascer. Ela
é perfeita mas ainda precisa ser aperfeiçoada; ela tem a boca perfeita, mas não sabe falar,
possui pés perfeitos, mas não sabe andar.
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Fomos gerados e nascidos de Deus; Ele agora habita em nosso espírito. A nós cabe
exercitá-lo. Exercitamos o nosso espírito para sermos capazes de discernir o que
procede de nossa alma (Hb 4.12) daquilo que procede do espírito. Se formos incapazes
de distinguir a alma do espírito, teremos dificuldade em contatar o Senhor e mesmo de
servi-lo. Deus nos leva a exercitar o nosso próprio espírito por quatro caminhos:
5.1. Quebrantamento
A alma encobre o espírito, assim como os ossos encobrem a medula. Para ver a medula,
há que se quebrar os ossos. Da mesma forma, para percebermos o espírito, a alma
precisa ser quebrada. Sem quebrantamento é difícil perceber o nosso espírito. A
primeira maneira que Deus usa para percebermos o nosso próprio espírito é pelo
quebrantamento da alma. Nessas circunstâncias, nos tornamos sensíveis a Deus em
nosso espírito.
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5.2. Meditação na Palavra
A Palavra de Deus também tem o poder de separar a alma do espírito. Deus, na verdade, usa
o quebrantamento pelas circunstâncias e o poder da palavra para separar a alma do espírito. A
Bíblia nos diz:
“Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois
gumes, e penetra até o ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para
discernir os pensamentos e propósitos do coração”
Hebreus 4.12
5.3. Pela oração em línguas
A terceira maneira para percebermos o nosso espírito humano é orando em línguas. Paulo diz
que aquele que ora em línguas tem o próprio espírito orando enquanto a mente (alma) fica
infrutífera (1Co 14.14). Se você ainda não ora em línguas, busque do Senhor essa
experiência, pois, por meio dela, você crescerá em seu próprio espírito.
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5.4. Rejeitando a passividade
A última maneira de exercitar o nosso espírito é rejeitar toda passividade. Para que o
diabo possa agir no homem, o diabo o leva à passividade mas, para que Deus possa
agir, o homem precisa cooperar exercitando sua vontade.
Se você vai a um culto e fica parado, passivo, esperando que algo lhe aconteça você
irá embora sem receber coisa alguma. Mas, se você coopera com o Espírito
exercitando a Sua vontade, buscando a Deus, você certamente receberá a sua
bênção.
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6. FUNÇÕES DA ALMA
A alma é a sede da nossa personalidade, é o nosso “eu”. É por esse motivo que, em muitos lugares, a
Palavra de Deus chama o homem de “alma”. As principais características do homem, tais como
ideais, pensamentos, amor etc. A Palavra de Deus nos mostra clara e inequivocamente que a alma
humana é composta por três partes: mente, vontade e emoções.
6.1. Mente
Várias vezes o Livro de Provérbios nos sugere que a alma necessita de conhecimento (Pv
2.10,19.2,24.14 etc.). O conhecimento é uma função da mente, logo, a mente é uma função da alma.
“As suas obras são admiráveis e a minha alma o sabe muito bem.“
Salmo 139.14b
Reiteramos, o conhecimento é uma função da mente, e, portanto, também da alma. O Livro das
Lamentações diz que a alma pode se lembrar (Lm 3.20) e sabemos que a lembrança é função da
mente.
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A mente é a função mais importante da alma. Se a nossa mente for obscurecida, nunca poderemos chegar
ao pleno conhecimento da verdade. A nossa mente é renovada para poder experimentar e entender a
vontade de Deus, a qual é revelada em nosso espírito.
6.2. Vontade
Buscar é uma função da vontade; vemos que a vontade está na alma:
“Disponha agora o vosso coração e a vossa alma para buscardes o Senhor Deus”
1Crônicas 22.19
Recusar é uma função da vontade:
“Aquilo que minha alma recusava em tocar.”
Jó 6.7
Escolher, também, é uma função da vontade:
“Pelo que a minha alma escolheria, antes ser estrangulada”
Jó 7.15
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Esses trechos nos mostram que a vontade é uma função da alma. A vontade é o
instrumento para nossas decisões e indisposições: queremos ou não queremos. Sem ela, o
homem seria reduzido a um ser autômato. É a vontade do homem que também resolve
entre pecar ou servir a Deus. É na nossa alma que está o nosso poder de escolha.
6.3. Emoções
As emoções são parte importante da experiência humana; elas dão cor à nossa vida.
Todavia, jamais podemos nos deixar ser guiados por elas, uma vez que elas são parte da
alma. As emoções se manifestam de muitas formas: amor, ódio, alegria, tristeza, pesar,
saudade, desejo etc.
A alma tem a função de ter emoções tais como o ódio e também a alegria (Is 61.10 e SI
86.4), a angústia e o desejo (1Sm 30.6 e 20.4, Ez 24.25 e Jr 44.14).
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7. O PERIGO DE VIVER A VIDA CRISTÃ NA ALMA
Uma das verdades mais importantes da vida cristã é o fato de que, agora, Deus habita
em nosso espírito, na pessoa do Espírito Santo. Portanto, é importante ser capaz de
diferenciar alma e espírito, pois é no espírito que Deus nos fala. Sem essa distinção,
como discernir a voz e a vontade de Deus? Se você falhar nesse contato com o
Espírito Santo em seu espírito, consequentemente seu crescimento espiritual estará
comprometido.
A Palavra de Deus chama quem anda segundo a alma de “carnal”. Carnal não é quem
anda na prática do pecado. Quem anda na prática do pecado, possivelmente nem
nasceu de novo, pois “aquele que é nascido de Deus não vive na prática do pecado”
(1Jo 3.9). O carnal é quem sinceramente tenta conhecer e fazer a vontade de Deus,
mas exercitando a alma. O cristão que vive pela alma tende a seguir a função da alma
que lhe seja mais peculiar. Assim, constatamos três funções pelas quais identificamos
o carnal.
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7.1. Emotivo
Uma pessoa mais emotiva usa as emoções como critério de vida espiritual. Se sente
calafrios e fortes emoções, consegue fazer a obra de Deus, mas se essas emoções se
esvaem, seu ânimo também se esvai.
7.2. Mental
Esse tipo de carnal recusa a emotividade da alma, mas anda segundo o padrão da
mente. Chega a criticar os emotivos como sendo carnais, mas não percebe que andar
segundo a mente também é da alma. Quem anda segundo a mente tende a ser
extremamente crítico e natural na obra de Deus, não aceita o sobrenatural e quer
adequar o Espírito Santo ao seu padrão de mente.
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Os crentes carnais parecem muito piedosos, mas apenas usam desculpas da carne para não
servir a Deus. Se você andar segundo a alma, invariavelmente cairá em um desses três
pontos, ou em todos eles.
“Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus”
Romanos 8.8
8. TRANSFORMAÇÃO DA ALMA
O espírito já foi recriado, regenerado. Toda a obra de Deus, nele já está completa. Como já
aprendemos hoje, o nosso espírito deve ser exercitado. O novo nascimento aconteceu em
um instante, mas a alma agora deve ser transformada. O processo de transformação da alma
é algo que dura a vida inteira. Como a alma pode ser transformada?
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A expressão transformai-vos ou transformação é “metamorfose” no original grego. Essa
palavra só aparece três vezes no Novo Testamento. A primeira vez é traduzida como
transfigurar, no Evangelho de Mateus 17. 1-6. O Senhor Jesus levou Pedro, Tiago e
João a um alto monte e alí foi transfigurado diante deles, ou seja, revelou a Sua glória.
A palavra transfigurado alí é “metamorfose”.
A segunda vez que essa palavra é mencionada, está em Rm 12. 2 que diz: “e não vos
conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para
que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”. A maneira
como a transformação acontece é pela renovação da mente, ou seja, quando alinhamos
nossos conceitos com a verdade do evangelho. Quando as nossas crenças estão
alinhadas com a Palavra de Deus, então somos mudados.
A terceira menção da palavra metamorfose é justamente em 2Co 3.17. Nesse texto
Paulo diz que somos transformados de glória em glória apenas por contemplar o
Senhor.
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8.1. Pela renovação da mente
A nossa mente é o lugar onde somos atacados. É nela que está contida toda a carga de informação
por meio da qual discernimos algo. A mente é a primeira função da alma. Se mudarmos a mente,
mudaremos toda a nossa vida. A única maneira de mudar a nossa mente é conformando-a com a
Palavra de Deus.
“E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente”
Romanos 12.2
8.2. Pela contemplação ao Senhor
A segunda maneira de termos a alma transformada é pelo contemplar do Senhor (2Co 3.18).
Somos mudados de glória em glória quando contemplamos o Senhor por meio de todo tipo de
oração e comunhão.
“E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor,
somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito”
2Coríntios 3.18
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O meu espírito foi criado para conter a Deus, mas a minha alma foi criada para
refletir a Deus. Com relação ao nosso espírito, devemos exercitá-lo constantemente
para contatarmos a Deus; mas com relação à nossa alma, devemos transformá-la
mediante a renovação da nossa mente com a Palavra de Deus e o contemplar do
Senhor.
Eu colaboro com o Espírito Santo na minha própria transformação na medida em
que me encho da Palavra de Deus e me disponho a buscar a sua face.
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9. FUNÇÕES DO CORPO
A Palavra de Deus nos diz que o corpo é apenas a nossa casa terrestre. É o lugar
onde moramos neste mundo. A função básica do corpo é ter contato com o mundo
físico. O apóstolo Paulo nos diz que o nosso corpo é a nossa casa terrestre, mas
haverá um dia em que seremos revestidos da nossa habitação celestial (2Co 5.1-4).
O nosso corpo não tem conserto e nem salvação, por isso precisamos receber outro
corpo. No céu não teremos uma nova alma, mas teremos um novo corpo.
O nosso espírito foi regenerado, a nossa alma está sendo transformada e o nosso
corpo será glorificado. Vemos assim os aspectos passados, presentes e futuros da
nossa salvação.
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9.1. Sensação
A função da sensação é a porta do nosso ser. Ela é composta dos cinco sentidos do corpo. Tudo o que
entra em nossa alma, entra através dos cinco sentidos. Se desejarmos obter vitória sobre o pecado,
precisamos disciplinar o nosso corpo para que através dele não entre nada de sujo ou pecaminoso em
nossa alma.
9.2. Locomoção
Evidentemente é função do nosso corpo se locomover. O nosso corpo é a parte mais inferior, pois é
ele que tem contato com o mundo físico e para o corpo é impossível perceber as coisas espirituais.
9.3. Instinto
Os instintos são reações do organismo que não dependem do comando da nossa alma. São reações
automáticas e em si mesmas não são pecaminosas. Entretanto, elas são a base da concupiscência da
carne. Deus criou os instintos para serem bons, mas por causa do pecado, eles foram degenerados e
hoje precisamos exercer domínio sobre eles.
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Há três grupos de instintos básicos: sobrevivência, defesa e sexual. Analisemos rapidamente
cada um.
a. Sobrevivência – O instinto de sobrevivência inclui comer, beber e as necessidades
fisiológicas. São inatos, ninguém precisa ensinar uma criança a mamar, ela já nasce sabendo.
O pecado transformou esse instinto natural em glutonaria e bebedices.
b. Defesa – O instinto de defesa inclui os atos reflexos de proteção, como esquivar-se,
esconder-se, proteger-se. O pecado o transformou em brigas, facções, iras e todo tipo de
violência.
c. Sexual – O instinto sexual foi corrompido para se transformar em adultério, fornicação,
prostituição, sodomia e coisas parecidas.
Não devemos permitir que esses instintos naturais, que permanecem em nós, mesmo depois
que nos convertemos, nos controlem. O corpo deve ser nosso servo e não nosso senhor.
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10. DISCIPLINA DO CORPO
Precisamos entender as funções do corpo para compreender que Deus está dentro de nosso espírito,
mas o diabo está de fora. Sendo assim, tudo o que é de Deus vem de dentro (do nosso espírito) para
fora, mas tudo o que é do diabo vem de fora para dentro.
Foi assim que ele agiu com Eva:
“Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer...” – a primeira coisa que a mulher fez foi ver,
ou seja, estava ainda no nível externo, pois o diabo sempre começa pelo lado de fora.
“...agradável aos olhos...” – depois de ter visto, percebeu que o fruto era atraente. Nesse ponto sua
alma foi atingida.
“...árvore desejável para dar entendimento...” – agora seu espírito fora atingido, pois foi produzido
um desejo soberbo de ser como Deus.
“...Tomou-lhe do fruto e comeu e deu também ao marido, e ele comeu”
Gênesis 3.6
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Em Mateus 4 nós vemos que o processo de tentação de Jesus aconteceu na mesma ordem.
Assim como Adão foi tentado, Jesus também teve que ser tentado, pois Ele veio para ser o
primeiro de uma nova raça, então precisava ser aprovado. O diabo não muda sua estratégia,
portanto, da mesma maneira como ele agiu com Eva, agiu com Jesus e ainda hoje age conosco.
Primeiro foi a tentação pelo pão – isso atinge o corpo, é algo físico, aponta para “bom para se
comer” de Gênesis 3.
Depois foi tentado a pular do pináculo do templo – isso seria um espetáculo para os olhos a fim
de ganhar reconhecimento e aceitação, mostrando aos outros como Ele era extraordinário,
digno de admiração, que realmente Ele era o Messias.
E por fim vemos a tentação pelo desejo de glória – Satanás ofereceu a Jesus toda a glória deste
mundo.
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Ao ler 1 João 2.16, vemos que o processo ainda é o mesmo contra nós:
“Porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e
a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo” , porque tudo que há no
mundo é:
• A concupiscência da carne;
• A concupiscência dos olhos; e a
• Soberba da vida.
Existe ainda uma forma simples de compreendermos o processo de tentação e dessa
forma poderemos vencer no meio da luta.
O processo da tentação envolve quatro estágios. Vamos ver esses estágios numa tentação.
Suponha que houvesse o mandamento “não comerás pizza”.
O primeiro estágio da tentação é despertar a atenção.
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Nunca há tentação em relação a algo para o qual não estejamos atentos. Por isso, a primeira coisa que
o inimigo faz é chamar a nossa atenção para a pizza. Começamos a sentir o cheiro da mussarela e do
orégano. Nesse momento nossa mente se volta para a pizza.
O segundo estágio é despertar um instinto do corpo. Uma vez que olhamos para a pizza, nossa boca se
enche de água. Essa é uma reação involuntária do nosso corpo. O instinto ainda não é o desejo. É algo
natural, involuntário, que Deus colocou em nosso corpo como a fome, por exemplo. Até aqui, ainda
não houve pecado, mas o nosso corpo já foi despertado. Se cortamos a ação do inimigo aqui,
vencemos a tentação.
O terceiro estágio é despertar o desejo da alma. Diferente do instinto, o desejo é um ato específico da
nossa alma e, nesse ponto, a tentação já começa a se tornar irresistível, pois ela está diretamente ligada
ao nosso desejo. Depois que a nossa boca se enche de água, nós começamos a desejar aquela pizza.
Para satisfazer um instinto de comer, qualquer pedaço de pão resolve, mas quando surge o desejo é
preciso ser aquela pizza. Somos tentados em algo que desejamos, algo que é interessante para nós, o
que torna inútil nosso esforço em resistir a tentação. Por isso, precisamos fugir dela, não tentar vencê-
la.
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O quarto estágio é acionar a intenção da vontade. Nesse estágio, sim, o pecado aconteceu. Em
Mateus 5.28 lemos o que Jesus ensinou a respeito das nossas intenções: “Eu, porém, vos digo:
qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela”. É
muito importante compreendermos todo esse processo para que não caiamos na cilada do inimigo
que tenta nos convencer de que já pecamos simplesmente porque fomos tentados. Ser tentado não
é pecado – Jesus foi tentado em todas as coisas e não pecou. Por isso, a compreensão desse
processo também nos leva à vitória.
Veja a maneira como o inimigo age: Ele primeiro procura entrar pelas portas da alma, que são os
sentidos do corpo. O processo sempre começa com o inimigo tentando chamar a nossa atenção.
Uma vez que ele tem a nossa atenção, ele tentará despertar algum instinto básico do nosso corpo.
Como já vimos, os nossos instintos foram corrompidos pelo pecado e tornaram-se aliados do
diabo. Dizemos que estamos sendo tentados quando o diabo desperta um instinto do nosso corpo.
Uma vez que o instinto é despertado, o próximo passo é produzir um desejo. O desejo ainda não
é pecado se ele for apenas uma forte tentação. Ser tentado ainda não é pecado.
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O pecado acontece quando o nosso desejo se transforma em intenção. Jesus disse que
qualquer um que olhar com intenção impura para uma mulher, já adulterou com ela (Mt
5.28]. Quando compreendemos a forma como o diabo age, fica mais simples alcançar vitória
sobre o inimigo. Além disso, a Palavra de Deus diz que há algo que devemos fazer com o
nosso corpo:
“Rogo-vos, pois, irmãos, petas misericórdias de Deus, que apresenteis os vossos corpos por
sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional”
Romanos 12.1
Devemos ofertar o nosso corpo a Deus e trazê-lo debaixo de disciplina. Disciplinar não é usar
de ascetismo, é simplesmente não fazer a vontade do corpo. O nosso corpo e a nossa alma
são a parte do nosso ser natural que é chamada de carne no Novo Testamento. O carnal,
então, é aquele que vive no nível do natural; ou seja, no nível da alma e do corpo.
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11. CONSEQUÊNCIAS DA QUEDA
O homem é formado por corpo, alma e espírito e a queda afetou essa triplicidade do homem..
a. O corpo tornou-se a carne
“Neste caso, quem faz isto já não sou eu, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que
em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim;
não, porém, o efetuá-lo.”
Romanos 7.17-18
O corpo totalmente santo, criado por Deus, foi então contaminado pelo veneno da serpente e
tornou-se aliado dela. Por isso, receberemos um novo corpo quando da volta do Senhor.
b. A alma corrompeu-se e tornou-se o Ego
“Pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores,
desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem
domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos
prazeres que amigos de Deus.” 2Timóteo. 3.2-4
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Pela desobediência o homem tornou-se independente de Deus e recebeu algo do diabo
dentro de si. A vontade de Deus era que o espírito tivesse o controle do homem. Porém,
a queda fez com que a alma tomasse essa posição, fazendo do homem um ser
egocêntrico.
A desobediência é terrível, mas a sua consequência é ainda pior, pois é ter o veneno da
serpente dentro de si. E foi para isso que Jesus veio: para tirar o veneno de dentro do
homem.
“Isto, portanto, digo e no Senhor testifico que não mais andeis como também andam os
gentios, na vaidade dos seus próprios pensamentos, obscurecidos de entendimento,
alheios à vida de Deus por causa da ignorância em que vivem, pela dureza do seu
coração...”
Efésios 4.17-18
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c. O espírito humano morreu para Deus
“Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados.”
Efésios 2.1
Morte não significa aniquilação e sim, separação. Alguém que já morreu não deixou
de existir, mas está separado de nós. Adão e Eva não morreram fisicamente,
imediatamente, após terem pecado, porém, seus espíritos já não podiam mais ter
comunhão com Deus. O homem não deixou de existir, mas tornou-se separado de
Deus.
Há três tipos de morte na Bíblia, a física, a espiritual e a eterna. Morte física é a
separação do espírito do corpo; a morte espiritual é a separação do espírito do
homem do Espírito de Deus e a morte eterna é a eterna separação de Deus.
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12. IMPLICAÇÕES PRÁTICAS
Essa divisão entre espírito, alma e corpo, feita por Deus, atende algumas finalidades. Há
implicações práticas nessa divisão que devemos compreender à luz da Palavra de Deus. São
atitudes e relações que precisamos ter e praticar para que vivamos de forma vitoriosa a vida
cristã. Uma vez que somos seres triúnos, cada parte exige uma atitude. Assim temos que:
12.1. O espírito deve ser exercitado
A obra de Deus em nosso espírito está pronta, daí dizer que o espírito está pronto. Todavia,
assim como uma criança nasce perfeita, mas ainda precisa ser aperfeiçoada, o mesmo
também acontece com o nosso espírito.
12.2. A alma deve ser transformada
Essa transformação acontece pela renovação da mente, pois somente por meio dessa
renovação podemos conhecer a vontade de Deus (Rm 12.1; 2Co 3.16).
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12.3. O corpo deve ser disciplinado
Paulo nos ensina a tratar duramente o nosso corpo, submetendo-o a servidão, a fim de
ser aprovado (Rm 12.1; 1co 9.27).
12.4. As três partes do homem e a salvação
a. O espírito foi regenerado no passado – A vida de Deus foi colocada em nosso
espírito. É como uma lâmpada que se acendeu. A obra está completa, por isso o Senhor
disse que o espírito está pronto (Mt 26.41).
b. A alma está sendo transformada no presente – O alvo de Deus é que essa vida, que
está no espírito, possa transbordar para nossa alma a ponto de saturá-la e transformá-la.
c. O corpo será glorificado no futuro – O ápice da obra de Deus é a manifestação dos
filhos de Deus na glória.
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12.5. As três partes e o propósito de Deus
a. O corpo aponta para o Egito – Do ponto de vista de Deus, o corpo é o lugar onde o
pecado habita e, portanto, não tem remédio. Deveremos receber um corpo glorificado.
b. A alma aponta para o deserto – Depois de termos sido salvos, precisamos nos
perguntar se estamos vivendo no nível da alma ou do espírito. A vida da alma é lugar de
aridez e falta de fruto. Viver pela alma é viver no deserto.
c. O espírito aponta para Canaã – A boa terra aponta para Cristo. Deus queria que Israel
desfrutasse da boa terra assim como hoje Ele deseja que desfrutemos do Senhor Jesus.
Sabemos que o Senhor habita em nosso espírito, daí entendermos que é no espírito que
devemos desfrutar dEle.
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12.6. As três partes e a habitação de Deus
a.O corpo aponta para o átrio.
b. A alma aponta para o lugar santo.
c. O espírito aponta para o Santo dos Santos.
O apóstolo Paulo, na Carta aos Hebreus, nos exorta a entrarmos ousadamente no Santo dos Santos (Hb 10.19).
Mas onde está o Santo dos Santos hoje? A resposta é muito simples: em nosso espírito. É nele que está a Arca
do Senhor e é a partir dele que Deus nos fala.
Dentro de todo rádio há um receptor. Ao sintonizar o rádio, o receptor capta as ondas eletromagnéticas que
estão no ar. Assim acontece conosco. O nosso espírito é o receptor que capta as ondas espirituais que vêm de
Deus. Nós sintonizamos o nosso espírito corretamente quando temos um espírito quebrantado, contrito e aberto
diante de Deus.
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13. A REVELAÇÃO NO ESPÍRITO
Na vida cristã o ponto mais importante é o conhecimento espiritual, ou seja, a revelação (Ef 1.15-19,
Ef 3.14-19).
Revelação é o conhecimento que é transmitido pelo Espírito Santo ao nosso espírito. Não é descobrir
algo que ninguém nunca tenha visto antes, pelo contrário, não existe nada novo, tudo já está escrito.
Quando a luz de Deus brilha no nosso espírito, então há revelação.
Revelação é saber pelo espírito algo que a nossa mente talvez até já saiba. É simplesmente ver do
ponto de vista de Deus. É ver como Deus vê (1 Co 2.11,12; 2Co 3.6; 4.6; 2Co 5.16; Jo 20.11-16; Lc
24.13-16; 30,31).
Revelação não é ver algo que ninguém nunca tenha visto, antes é ver as mesmas coisas com a luz do
Espírito. É quando as letras da Bíblia “saltam” aos nossos olhos e fazem com que aquilo que já
sabíamos com a mente adquira agora uma intensidade e uma realidade antes desconhecida. Antes, por
exemplo, você já sabia que era templo do Espírito Santo, mas depois que vem a revelação do Senhor
sobre essa verdade, tudo parece ser diferente, uma nova atitude de santidade brota dentro de si, afinal
você agora sabe que alguém tremendamente Santo habita dentro de você.
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A revelação é algo que ocorre primeiramente no nosso espírito. O Espírito Santo transmite uma
verdade ao nosso espírito, e o nosso espírito, para a nossa mente. A mente por si só não pode ter
revelação de Deus.
Há uma grande diferença entre o conhecimento mental e o conhecimento espiritual. Por que muitas
pessoas conhecem a Palavra de Deus e não são transformadas? Porque o homem natural não entende
as coisas do Espírito de Deus. Essas coisas se discernem espiritualmente, ou seja, por revelação.
Uma coisa é o conhecimento natural e carnal, outra coisa é o conhecimento espiritual por revelação.
Paulo diz que, antes, ele conhecia Jesus na carne, mas depois passou a conhecê-lo pelo Espírito.
“Assim que, nós, daqui por diante, a ninguém conhecemos segundo a carne; e, se antes conhecemos
Cristo segundo a carne, já agora não o conhecemos deste modo”
2Coríntios 5.16
A maior preocupação de Paulo era a de que os crentes tivessem revelação de Deus. Se observarmos
atentamente as orações de Paulo mencionadas nas epístolas, constataremos que o seu alvo de oração
era único: revelação (Ef 1.15-19, Ef 3.14-19; Fp 1.9; Cl 1.9-12).
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Paulo sabia que quando há revelação, naturalmente as pessoas são transformadas pela ação da Palavra.
Espontaneamente a fé se manifestará e a unção ávida de Deus irá transbordar.
Quando há a revelação de Deus, então há crescimento, há discipulado, há maturidade cristã, há missões, há
novos líderes. Tudo o mais é apenas consequência de termos as nossas vidas impactadas pela luz do
Espírito Santo.
“Por isso, também eu, tendo ouvido da fé que há entre vós no Senhor Jesus e o amor para com todos os
santos, não cesso de dar graças por vós, fazendo menção de vós nas minhas orações, para que o Deus de
nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda espírito de sabedoria e de revelação no pleno
conhecimento dele, iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a esperança do seu
chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos e qual a suprema grandeza do seu
poder para com os que cremos, segundo a eficácia da força do seu poder”
Efésios 1. 15-19
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À medida que nossos olhos espirituais se abrem e entendemos a dimensão do Seu poder dentro de nós,
há uma explosão de poder e autoridade em nossa vida. Essa geração vai descobrir a autoridade que tem
e a suprema grandeza do poder de Deus que opera dentro de nós. Não adianta saber com a mente, temos
que ter revelação no espírito.
“Por esta causa me ponho de joelhos [...] a fim de poderdes compreender [...] qual é a largura, e o
comprimento, e a altura, e a profundidade, e conhecer o amor de Deus que excede todo entendimento,
para que se/a/s tomados de toda a plenitude de Deus”
Efésios 3.14-19
A Bíblia nos diz que o amor de Deus excede todo entendimento. Por isso, Paulo ora por revelação, pois
a mente sozinha não pode entender. Paulo desejava que os crentes fossem tomados de toda a plenitude
de Deus e, para que isso acontecesse, eles precisavam apenas ter revelação do amor de Deus. Quando
os nossos olhos se abrem e entendemos claramente o amor de Deus, então somos tomados de toda a
plenitude dEle. Muitos de nós pedem poder, mas este poder já está dentro de nós. O Espírito Santo é o
poder de Deus, que agora está habitando dentro de nós e esperando apenas ser liberado pela fé. Quando
a revelação vem, há fé para liberar o poder de Deus que habita em nós na pessoa do Espírito Santo.
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“E também faço esta oração: que o vosso amor aumente mais e mais em pleno conhecimento e toda
a percepção, para aprovardes as coisas excelentes e serdes sinceros e inculpáveis para o Dia de
Cristo, cheios do fruto de justiça, o qual é mediante Jesus Cristo, para a glória e louvor de Deus”
Filipenses 1.9-11
Essa percepção da qual Paulo fala é algo espiritual e não mental. A vida cristã não consiste em
acúmulo de conhecimento mental, mas em um avançar em níveis novos de revelação no espírito.
“Por esta razão [...] não cessamos de orar por vós, e de pedir que transbordeis de pleno
conhecimento [...] em toda sabedoria e entendimento espiritual [...] a fim de v/Verdes de modo digno
do evangelho”
Colossenses 1.9,10
Mais uma vez Paulo está orando para que os crentes transbordem de revelação a fim de terem uma
vida santa. Ele diz que a vida santa é apenas consequência de revelação. É um fato que, à medida que
Deus realmente habita em nós, haverá temor ao usarmos o nosso corpo. Se carregamos uma alta
quantidade de dinheiro no bolso, todos vão perceber um cuidado em nosso andar. Se carregamos o
Deus de toda a vida dentro de nós, todos devem perceber algo diferente em nossa maneira de andar.
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14. CONDIÇÕES PARA SE OBTER REVELAÇÃO Observando a Palavra de Deus podemos
dizer que há pelo menos quatro fatores essenciais para se obter revelação.
14.1. Conhecer a Palavra de Deus Por definição, revelação é tomar algo que estava oculto, ou
escondido e trazer à tona para que todos vejam. O que significa isso? Eu simplesmente não vou ter
revelação alguma se a Palavra de Deus estiver oculta para mim. Precisamos conhecer a Palavra de
Deus antes de recebermos revelação. Evidentemente, o mero conhecimento mental da Bíblia não
tem valor algum. Se esse tipo de conhecimento é tudo o que você tem, então você não tem coisa
alguma. Espíritas e católicos leem a Bíblia e, no entanto, permanecem no erro. É assim por que o
mero conhecimento mental não muda a vida de ninguém. Por outro lado, há um princípio espiritual
na Primeira Carta aos Coríntios: “Mas não é primeiro o espiritual e, sim o natural; depois o
espiritual” 1Coríntios 15.46 Antes de termos o conhecimento espiritual, precisamos do
conhecimento natural. Como podemos ter revelação no espírito de algo que nem conhecemos com a
mente? Antes de termos revelação, precisamos encher a nossa mente com a Palavra de Deus. Gaste
tempo lendo, estudando, meditando, ouvindo, falando e praticando a Palavra de Deus. Na medida
em que isso for se tornando real, naturalmente o seu espírito será exercitado e as revelações virão
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14.2. Ter olhos para ver
Vamos tomar o exemplo de um baú. Se quisermos ver o que está dentro do baú, a primeira coisa que
faremos é abrilo e retirar o que queremos ver, no entanto, percebemos que somos cegos. Nesse caso,
não podemos ver o que está sendo revelado. O mesmo não acontece conosco. Não basta abrir a Bíblia,
precisamos de olhos para ver. É o que a Bíblia nos diz: “O homem natural não aceita as coisas do
Espírito de Deus, porque lhe são loucura, e não pode entendê-las porque elas se discernem
espiritualmente.” 1Coríntios 2.14 Se você ainda não foi regenerado, não terá condição de ter
revelação. Quem não nasceu de novo é cego para Deus, não pode ver as coisas do Espírito.
14.3. Luz
Uma vez que já tenhamos aberto o baú e não sejamos cegos, teremos condições de enxergar, mas
faltará algo fundamental: Luz, sem ela não veremos coisa alguma. Deixar de ser cego implica um
novo nascimento, mas ter luz implica na experiência do batismo no Espírito Santo. O crente que ainda
não foi batizado no Espírito, é filho de Deus mas vive como homem natural, não discerne as coisas do
Espírito. Ele pode até louvar, mas não consegue adorar. Pode até conhecer a Bíblia, mas não tem
revelação. A terceira condição, então, é ser batizado no Espírito Santo.
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14.4. Olhos abertos
Da mesma forma que não podemos ver algo que está oculto, também não podemos ver se não
houver luz. Mas ainda que tenhamos tudo isso, não veremos coisa alguma se estivermos com
os olhos fechados. Na Bíblia, os olhos são o nosso coração. Ter os olhos fechados é ter o
coração fechado. Muitos fecham o coração para aprender com outros irmãos, por isso Deus os
resiste impedindo-os de receber da Sua revelação. Devemos ser muito cuidadosos com o nosso
coração, pois é por meio dele que vem todas as coisas de Deus. Tudo passa pelo coração. “Eis
que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e
cearei com ele, e ele, comigo” Apocalipse 3.20 O Senhor Jesus disse aos crentes de Laudicéia,
que Ele está à porta batendo. Essa palavra foi dita para os crentes, não para incrédulos. Eles
estavam com o coração fechado e o Senhor dizia que queria entrar. Do mesmo modo, Deus
hoje tem batido à porta do nosso coração para que abramos para Ele, para que tenhamos sede
dEle, fome de sua Palavra e sede por Sua presença. Não adianta termos todos os ingredientes
se nos faltam os olhos abertos, o coração escancarado para o Senhor
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15. A VERDADEIRA REVELAÇÃO
O homem é um ser triúno: ele é espírito, possui uma alma e habita em um corpo. Para
avançar, esse mesmo homem deve aprender as coisas de Deus pelo espírito e não apenas
pela mente. Todavia, há muitos que confundem as coisas quando falam sobre o saber algo
no espírito. A revelação parece ter outro sentido para alguns irmãos. Entretanto, a Palavra de
Deus nos fala claramente acerca das coisas sobre as quais devemos ter revelação. Alguns
irmãos querem ter revelação de coisas sem importância e chegam a ensinar que revelação é
descobrir algo que jamais alguém viu ou percebeu. Precisamos entender algo: a Palavra de
Deus tem um ponto central. Todo propósito de Deus na história da humanidade tem um
ponto central: Jesus Cristo dentro de nós. É sobre essa verdade que devemos ter revelação. O
problema de muitos irmãos dentro da Igreja, é que gastam tempo tentando conhecer muitas
coisas que fogem do ponto central de Deus: Cristo. Existem outros tantos que, por mais que
conheçam as verdades bíblicas, ainda assim não percebem diferença em suas vidas.
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16. EVIDÊNCIAS DE UMA REVELAÇÃO VERDADEIRA
Como saber se tivemos ou não uma revelação? Basicamente, há quatro sinais ou
evidências de uma revelação genuína. Uma revelação genuína, fruto do Espírito Santo
em nosso espírito, gera em nós alguns frutos: 16.1.
Vida
“O espírito é o que vivifica; a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos tenho
dito são espírito e são vida” João 6.63 Essas palavras do Senhor Jesus nos mostram
claramente que, quando o Senhor fala conosco na Palavra, essa revelação vai gerar
vida dentro de nosso ser. A primeira característica de alguém que recebeu revelação do
Senhor é que ela expressará vida. A letra é morte, mas a palavra que sai da boca de
Jesus vem acompanhada do Seu sopro e este sopro é o Espírito Santo. Quando o
Senhor fala, então há luz, porque “a vida estava nele e a vida era a luz dos homens” (Jo
1.4). Sempre que o Senhor nos fala, há vida e nós nos enchemos dela. A revelação da
Palavra nos enche de vida. Precisamos ter a vida a jorrar em nós como uma fonte para
saciar a outros. O que todos procuram é vida.
59.
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Na Bíblia, o vinho é um símbolo da vida. O vinho simboliza a vida porque seus efeitos são semelhantes.
Quando alguém se enche de vinho, se sente mais corajoso, mais audacioso, fica mais sorridente, cheio de
alegria, se torna falante, com muito ânimo e disposição. Até a pele muda, se torna mais rosada e os olhos
mais brilhantes. Tudo isso é a vida se manifestando. É verdade que seus efeitos são passageiros, pois o
vinho é apenas uma figura e não a realidade. O vinho é uma mera falsificação da suprema realidade de
vida que é a pessoa do Senhor Jesus. Quando nos enchemos do Senhor, temos todas essas expressões de
vida, mas com realidade. Sentimos mais alegres, ousados, capazes de falar e cheios de disposição. É
muito estranho conviver com irmãos que não expressam vida de forma alguma. Sempre que a Palavra de
Deus queima em nossos corações, a vida se manifesta porque Jesus é a palavra viva. A vontade de Deus é
que transbordemos da vida abundante que Jesus é em nós. É a vida de Deus fluindo em nós que será
autoridade em nossa boca. É a vida fluindo em nossas palavras que gerará vida nos outros. É a vida que
tem o poder de destruir a morte. Não podemos explicar a vida adequadamente, mas podemos percebê-la
onde quer que ela se manifeste. O que todos procuram é vida. Não devemos aceitar reuniões sem vida,
aconselhamento sem vida, pregação sem vida. Onde a vida não estiver se manifestando, há algum
problema espiritual. A letra sozinha mata, mas a Palavra revelada gera vida
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16.2. Fé
A segunda característica de alguém que teve uma revelação é que ele cresce em fé. É
como se uma nova luz brilhasse sobre um texto bíblico já conhecido por nós. Quando
há revelação, o coração é despertado em uma fé empolgante. Paulo diz que “a fé vem
pelo ouvir a Palavra de Deus” (Rm 10.17). Se não houver o despertar da fé, não houve
revelação. A fé é gerada pela Palavra de Deus e a revelação nada mais é que a Palavra
viva de Deus em nosso espírito. Se algum conhecimento não gera em nós uma nova
medida de fé, esse conhecimento é da mente, é puramente intelectual. Quando a
revelação de Deus vem a nós, o nosso coração se aquece com fé e disposição novas.
Crescer em fé é crescer em revelação. A revelação é como a luz. Hoje, enxergamos
como uma vela, amanhã como uma lâmpada de 60 Watts, depois de 100, de 1000, até
sermos como um holofote, como um farol. Não devemos nos contentar com o nível de
revelação e fé que já alcançamos, antes devemos avançar para níveis novos.
61.
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16.3. Mudança
“Respondendo Simão Pedro, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. Então,
Jesus lhe afirmou: Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e
sangue que to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus. Também eu te digo que
tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno
céus; e o que ligares na terra terá sido ligado nos céus; e o que desligares na terra
terá sido desligado nos céus” Mateus 16.16-19 Depois de receber revelação do
Senhor, uma pessoa nunca mais será a mesma, pois a revelação transforma. Pedro
faz uma grande declaração a Jesus. Jesus responde que uma revelação foi dada a
Pedro pelo Pai. Por causa dessa revelação, Pedro, que antes era “Simão” - frágil -,
agora foi transformado em “Pedro” - rocha. Pedra é da mesma natureza de Jesus.
O que transformou Pedro? O próprio Senhor Jesus disse que foi a revelação que
Pedro recebeu do Pai. A cada nova revelação que recebemos, somos
transformados de glória em glória até alcançarmos a semelhança de Jesus.
62.
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Não precisamos nos esforçar para mudar a nós mesmos e nos transformar.
Precisamos apenas conhecer ao Senhor por revelação no espírito. Quando essa
revelação ocorre, somos naturalmente transformados. Quando alguém diz ter
tido revelação de alguma verdade, mas essa revelação não o transformou de
forma alguma, sua revelação é questionável. Revelação gera mudança de vida.
Se em sua vida não tem havido mudanças, está lhe faltando luz sobre a
Palavra. Há quem reclame de irmãos que estão sempre mudando. Graças a
Deus por essas pessoas que mudam e continuarão sempre mudando. Não são
as mesmas do ano passado e não serão as mesmas no ano que vem. Se há uma
Palavra queimando em meu coração, a minha vida tem que estar
constantemente em crescimento e transformação.
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16.4. Sustento na tentação
Quando uma verdade é aprendida apenas na mente, ela não nos ajuda na hora
dos ataques do diabo, mas quando ela é algo que queima em nosso coração,
podemos lançar mão dela sempre que for necessário, porque sempre haverá fé
para destruir a ação do inimigo. A Palavra que vem do espírito, dentro de nós,
destrói as obras do diabo. Toda Palavra que sai do espírito é Palavra de Deus.
Assim, vimos que a revelação se manifesta pelo menos de quatro maneiras:
gerando vida, gerando fé, transformando a vida e provendo-nos livramento na
hora da batalha. A revelação é progressiva, é como a luz da aurora que vai
brilhando mais e mais até ser um dia perfeito (Pv 4.18). “Porque, agora, vemos
como em espelho, obscuramente; então, veremos face a face. Agora, conheço
em parte; então, conhecerei como também sou conhecido” 1Coríntios 13.12
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17. PRINCÍPIOS PARA SE OBTER REVELAÇÃO
Existem princípios nos quais devemos estar inseridos se desejamos alcançar revelação da parte do Senhor.
Eu não posso forçar que a luz de Deus venha, mas eu posso estar habilitado a percebê-la sempre que ela se
manifestar. A principal questão para se alcançar revelação é tratar com o coração. É no coração que a luz de
Deus resplandece (2Co 4.6). Se o nosso coração estiver com problemas, não perceberemos a luz de Deus.
17.1. Coração Consagrado a Deus: Sansão foi derrotado pelos filisteus e estes lhe cegaram os olhos (Jz
16.20,21). Por que Sansão foi derrotado? Porque ele era nazireu consagrado ao Senhor, e o sinal da sua
consagração era o seu cabelo. Quando o seu cabelo foi cortado, então a sua consagração também foi cortada.
Todas as vezes que a nossa consagração e obediência a Deus são quebradas, uma nuvem escura vem sobre
nós. Tornarmos-nos como cegos para as coisas espirituais.
O pecado é algo terrível, produz insensibilidade em nosso coração e nos incapacita a ouvir e a receber de
Deus. O alvo do diabo, como já dissemos, é impedir que vejamos Deus e Seu propósito. Quando o pecado
entra em nossas vidas, o diabo tem espaço para nos cegar e, assim, somos impedidos de obter revelação de
Deus. A revelação do Senhor é para aqueles que O obedecem, que têm um coração consagrado, dado,
ofertado a Deus.
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O pecado é algo terrível, produz insensibilidade em nosso coração e nos incapacita a ouvir e a receber
de Deus. O alvo do diabo, como já dissemos, é impedir que vejamos Deus e Seu propósito. Quando o
pecado entra em nossas vidas, o diabo tem espaço para nos cegar e, assim, somos impedidos de obter
revelação de Deus. A revelação do Senhor é para aqueles que O obedecem, que têm um coração
consagrado, dado, ofertado a Deus.
Todavia, aqueles que andam em obediência se tornam cada vez mais sensíveis e aptos a receberem de
Deus no espírito.
17.2. Coração ensinável Com relação ao ensino, há dois tipos de crentes na casa de Deus. Há aqueles
que são portadores do complexo de Adão e daqueles que julgam saber tudo. Os crentes do primeiro
caso julgam que não devem aprender nada com ninguém, pois Deus ensinará tudo a eles. Em sua
presunção, estes irmãos jogam fora séculos de história e de mover de Deus e esperam que Deus
comece tudo outra vez com eles.
Por outro lado, os irmãos do segundo tipo são um pouco pior, porque quem já sabe tudo não precisa
aprender com mais ninguém, tampouco precisa buscar revelação. Eles detêm todo o conhecimento da
humanidade.
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Os que agem assim não devem esperar algo no Senhor, pois Deus os resiste. Tudo isso é soberba e
Deus resiste ao soberbo, mas dá graça ao humilde (1 Pe 5.5). O Senhor aconselha a igreja de
Laodicéia a comprar colírio para que possa ver (Ap 3.18). Esse ver é algo esperado no espírito.
Colocar colírio nos olhos significa buscar um coração ensinável. Quem não se dispõe a aprender
com os outros também não aprenderá diretamente com o Senhor. Sansão ficou cego por causa da
falta de consagração, os laodicenses ficaram cegos por causa de um coração soberbo que julgou
saber todas as coisas. Revelação é simplesmente desvendar, é revelar algo que estava oculto. Mas
não basta apenas revelar o que está oculto, é preciso que haja luz; caso contrário, não se poderá
enxergar. Eu posso revelar o que está oculto em uma caixa, mas, se não houver luz, de nada vai
adiantar. O desvendar é importante, mas a luz é imprescindível, porque se em mim não houver
olhos para enxergar, então tudo foi em vão.
O ministro deve abrir a Palavra e isso acompanhado de muita luz do Senhor, mas se as pessoas
estiverem cegas, de nada adiantará. Antes de tudo é preciso que tenhamos olhos para enxergar. Se
não, cairemos no mesmo problema dos fariseus: tinham olhos, mas não viam, tinham ouvidos,
mas não ouviam.
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Eu não devo buscar aprender sozinho o que meu irmão já sabe, pois Deus não vai me ensinar.
Mas, se me disponho a aprender com meu irmão, então a luz de Deus virá através dele. Se,
em nossa cidade, Deus está se movendo em algum lugar, eu devo me dispor a ir até lá para
aprender, pois se eu não o fizer e tentar aprender sozinho, Deus poderá me resistir. Deus
resiste ao soberbo. Que o Senhor nos dê colírio para que possamos enxergar e alcançar
revelação dentro da sua Palavra.
17.3. Coração limpo
17.3. Coração limpo Jesus disse que “os limpos de coração poderiam ver a Deus” (Mt 5.8).
Veja bem que esse “ver” é uma promessa para o futuro, mas também se refere ao tempo
presente, quando podemos ver por revelação a Deus (1 Co 2.9-10). Muitos não conseguem
ter revelação pelo simples fato de terem um coração impuro diante de Deus. Não é suficiente
ter um coração limpo, precisamos ter um coração puro. Ser limpo significa não ter pecado
oculto. Significa a apropriação completa do perdão do sangue de Jesus. Mas ter um coração
puro não é simplesmente uma questão de pecado. Um copo d’água pode ter água limpa,
porém misturada com açúcar. Portanto, há corações limpos que não são de modo algum
puros.
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Ter um coração puro significa ter um coração sem misturas. Se o nosso coração está cheio de coisas
profanas, fica difícil enxergar coisas do espírito. Há muitas coisas que não são pecaminosas, mas que
tornam o nosso coração impuro. Por exemplo, uma pessoa acaba de abrir uma loja. Apesar de seu
coração não estar sujo, ele está cheio de interesse pelo comércio. Durante todo o dia, ele está voltado
para as coisas da loja. Se em nosso coração há um interesse pelo Senhor, mas um interesse igualmente
grande por outras coisas, o nosso coração está impuro. Ter um coração puro é ter um coração para
Deus.
“Quem mais tenho eu no céu? Não há outro em que eu me compraza na terra” SaImos 73.25 Davi foi
chamado de “homem segundo o coração de Deus” por causa do seu prazer inteiramente colocado em
Deus. Quando o nosso coração está inteiramente voltado para o Senhor e podemos dizer que o nosso
prazer está nEle, então as janelas do céu se abrem e a luz de Deus vem sobre a sua Palavra. No
Segundo Livro das Crônicas, 16.9, lemos que os olhos do Senhor passam por sobre toda a Terra,
procurando um homem cujo coração seja completamente para Ele. Ter o coração para Deus é tê-Lo
como nosso tesouro, pois “onde está o meu coração ali estará o meu tesouro” (Lc 12.34). Quando o
nosso prazer e o nosso tesouro estão no Senhor, então há revelação espontaneamente
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17.4. Coração sem véu: “Mas até hoje, quando é lido Moisés, o véu está posto sobre o coração
deles” 2Coríntios 3.15 Paulo está dizendo que há um véu sobre o coração dos judeus que os
impede de enxergar a revelação de Jesus. Que véu é esse? O véu do tradicionalismo. Por que há
tantos que não se rendem às evidências do batismo no Espírito Santo? A história comprova o
crescimento das igrejas, os sinais comprovam, a maturidade das vidas também. Por que, então,
ainda dizem que é tudo mentira? Só pode ser por causa desse véu posto sobre o seu coração. Não é
Deus quem coloca o véu, somos nós mesmos. Quando nos endurecemos em um conceito natural e
humano, estamos colocando sobre o nosso coração um véu que nos impede de enxergar novas
revelações. Durante toda a história, esse fato pode ser percebido. Deus sempre usa um homem
para trazer uma revelação, mas esse mesmo homem de novo resiste às revelações que Deus quer
trazer através de outros. Se desejamos revelação, devemos abrir mão do tradicionalismo humano.
Ser tradicional é estar fechado para qualquer palavra nova que Deus esteja falando. Tradicional é
aquele que está preso ao passado. Veja que ter um coração correto é algo básico para haver
revelação. Se desejamos revelação, é fundamental nos enchermos com a Palavra de Deus
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17.5. Estar cheio da Palavra de Deus: Evidentemente, se desejamos crescer em
revelação da Palavra, preciso gastar tempo lendo-a, enchendo a mente com ela. Mas a
revelação não é no espírito? Sim, a revelação é no espírito, mas a mente deve começar a
se encher com a Palavra. Há um princípio bíblico importante: “Não é primeiro o
espiritual, e sim, o natural, depois o espiritual” (1Co 15.46). A mente tem uma função
muito importante, portanto, se a mente for obscura e problemática, a revelação no
espírito ficará comprometida. Primeiro, a mente deve saber para, depois, o espírito ter
luz. Muitos não têm revelação porque suas mentes não estão cheias com a Palavra. À
medida que se enche a mente com a Palavra do Senhor, Ele mesmo se encarregará de
transformar esse conhecimento, inicialmente mental, em algo espiritual, que
transformará, gerará fé e encherá de vida.
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18. LOGOS X RHEMA
Ao ler a Bíblia em Português, não conseguimos distinguir dois termos usados no original e que
são igualmente traduzidos como “Palavra”. Esses dois termos são logos e rhema. Esses termos
são traduzidos como “Palavra” porque são vistos como sinônimos, porém o Espírito Santo
escolheu tais termos para nos mostrar a tremenda diferença que existe entre a Palavra escrita e a
Palavra viva. Vejamos alguns exemplos bíblicos nos quais encontramos os termos logos e
rhema:
18.1. Logos
Logos é a Palavra escrita. É aquilo que Deus falou e que foi registrado para nossa orientação.
Ela contém o que Deus falou anteriormente pelos profetas e por meio do Filho (Hb 1.1,2). É
essa a Palavra que nós ministramos. Não ministramos palavra de homens. Precisamos estar
familiarizados com essa Palavra, pois o conhecimento da letra da Bíblia é extremamente
importante. Vejamos alguns textos em que se usa o termo logos no original e qual deve ser a
nossa atitude para com a palavra escrita
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“Se alguém me ama guardará a minha palavra (logos)” Jo 14.23
“Lembrai-vos da palavra (logos) que vos disse” Jo 15.20
“Santifica-os na verdade, a tua palavra (logos) é a verdade” Jo 17.17
“Mas nós perseveraremos na oração e no ministério da palavra (logos)” At 6.4
“A palavra (logos) de Deus crescia” At 6.7
“Retendo a palavra (logos) da vida” Fp 2.16
“Que maneja bem a palavra (logos) da verdade” 2Tm 2.15
“Prega a palavra (logos)” 2Tm 4.2 “Porque a palavra (logos) é viva e eficaz” Hb4.12 “Não está experimentado
na palavra (logos) da justiça” Hb 5.13
“E sede praticantes da palavra (logos)” Tg 1.22
“A palavra (logos) de Cristo habite em vós abundantemente” Cl 3.16 A Palavra escrita deve habitar em nós rica
e abundantemente. Devemos ler, meditar e decorar esta Palavra. Devemos saber o suficiente para que o simples
mencionar de um fato das escrituras seja o suficiente para que saibamos o seu conteúdo (pelo menos em linhas
gerais). Esse conhecimento é fundamental, pois sem o conhecimento da Palavra escrita nunca chegaremos à
experiência da Palavra viva (Rhema)
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A Palavra escrita deve habitar em nós rica e abundantemente. Devemos ler, meditar e
decorar esta Palavra. Devemos saber o suficiente para que o simples mencionar de um fato
das escrituras seja o suficiente para que saibamos o seu conteúdo (pelo menos em linhas
gerais). Esse conhecimento é fundamental, pois sem o conhecimento da Palavra escrita
nunca chegaremos à experiência da Palavra viva (Rhema). O logos é o fundamento do
rhema. Como já aprendemos anteriormente, primeiro é o natural, depois o espiritual.
Primeiro, devemos ter a mente cheia do logos para que o Espírito Santo nos traga o rhema.
“Eu vos escrevi, jovens, porque sois fortes e a palavra (logos) de Deus está em vós e já
vencestes o maligno” 1Jo 2.14 A característica dos jovens a quem João se referia era a
força, não a força natural, mas sim a espiritual. O jovem aqui em sua luta contra o diabo é
como o Senhor Jesus quando tentado por Satanás. O inimigo citou para Ele trechos das
escrituras, porém o Senhor o combateu usando a própria escritura. Jesus afirmava: “Está
escrito” (Mt 4.4; 7,10).
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18.2. Rhema
Apesar de ser traduzida como “Palavra” na Bíblia, à semelhança de Logos, o Rhema
tem um significado muito diferente de Logos. Enquanto o Logos é a Palavra falada no
passado e que se tornou escrita, o rhema é a Palavra que Deus está falando conosco
pessoalmente, é aquela palavra que está queimando em nosso coração. Vejamos
algumas passagens no Novo Testamento em que a palavra rhema é usada. “Jesus,
porém, respondeu: Está escrito: Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra
(rhema) que procede da boca de Deus” Mateus 4.4
O termo usado no original grego é rhema. Isso significa que o logos, a palavra escrita,
não pode nos alimentar. Somente o rhema pode nutrir o nosso espírito. Tanto o logos
como o rhema são a Palavra de Deus, mas a primeira é a Palavra escrita na Bíblia,
enquanto a última é a Palavra de Deus falada a nós em uma ocasião específica. “A fé
vem pelo ouvir e o ouvir pela palavra (rhema) de Cristo.” Romanos 10.17
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Aqui, novamente a Palavra é rhema e não logos. Isso nos mostra que o que gera fé não é simplesmente
ler a Bíblia, mas é ter a Palavra queimando em nosso coração pelo Espírito Santo. Sem essa ação do
Espírito, é só letra.
Todos conhecemos muitos trechos da Bíblia. Porém, um dia um texto já conhecido de cor assume um
frescor, vida e cor diferente. Essa verdade começa a nos aquecer o coração, gerando fé. Deus está
falando conosco. Antes, sabíamos genericamente, mas agora Deus falou individualmente conosco.
Todo rhema é baseado no logos, mas também não podemos ter o logos sem o rhema. “As palavras
(rhema) que eu vos digo são espírito e são vida” João 6.63 Somente o Rhema é espírito e vida, na
verdade. O logos sozinho não pode dar vida. O Evangelho segundo Lucas narra a fala de Maria, ao
saber que daria à luz ao Cristo de Deus: “Aqui está a serva do Senhor, que se cumpra em mim
conforme a tua palavra [rhema]” Lucas 1.38 Antes, Maria tinha as palavras do profeta Isaías: “Eis que
a virgem conceberá e dará à luz um filho” Isaías 7.14 Mas agora ela tem a Palavra falada
especificamente a ela: “Você conceberá e dará à luz um filho”. Foi por ter recebido esta Palavra que
Maria concebeu e tudo se cumpriu. Deus falou com ela o mesmo texto que estava escrito, mas quando
Deus falou, a Bíblia usa a expressão rhema ,indicando que é a palavra viva.
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2 ANDANDO NO ESPÍRITO
“Se vivemos no espírito, andemos também no espírito” Gálatas 5.25
Depois de entendermos a constituição básica do homem e os princípios de revelação na
Palavra, precisamos entender como se processa a obra de Deus em nós e como devemos
colaborar com Ele, lembrando sempre que precisamos exercitar o nosso espírito a fim de
sermos guiados por Deus. Nossa alma deve ser transformada pela renovação da nossa
mente e o nosso corpo precisa ser disciplinado.
O nosso espírito já foi regenerado. Quando Adão pecou, ele morreu para Deus e junto
com ele toda a raça humana. Sendo assim, a primeira coisa que Deus precisa efetuar no
homem é o novo nascimento, ou seja, a regeneração. Uma vez que fomos regenerados, a
vontade de Deus é nos dirigir por meio do Espírito Santo que habita em nosso espírito.
Simultaneamente, Deus espera que cooperemos com Ele exercitando o nosso espírito
para obedecê-lo.
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O Espírito Santo agora habita dentro de nós. O poder, a saúde, a natureza, a bondade, a
justiça, o amor de Deus, tudo isso reside dentro do nosso espírito recriado. Não
precisamos buscar estas coisas, precisamos ter revelação de que elas já estão dentro de
nós. Nós temos a mente de Cristo, a unção do Espírito Santo e tudo aquilo que é
necessário para uma vida santa e plena já foi colocado dentro de nós pela pessoa do
Espírito Santo. Uma vez que andamos no espírito, todas as realidades do Espírito Santo
de Deus que habitam em nosso próprio espírito, se tornarão realidades em nós.
Todos nós éramos como um enfermo portador de várias doenças que foi ao médico.
Após diagnosticado, foi-lhe dada a receita para que tomasse vários tipos de remédios, um
para cada doença. O farmacêutico, então, colocou todos os medicamentos dentro de
uma única seringa. Esse coquetel de medicamentos foi a dose que curou todas as suas
enfermidades.
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O que precisamos aprender agora é como sermos guiados pelo Espírito e dependermos dele em todas as
nossas necessidades. A vida cristã é constituída de duas substituições: a primeira foi na Cruz onde O Senhor
Jesus morreu em nosso lugar, e a segunda é no nosso dia a dia, pois o Espírito Santo quer viver em nosso
lugar sendo a nossa própria vida.
1.O PRIMEIRO PECADO
Se entendermos como surgiu o primeiro pecado do homem, poderemos entender como os outros surgem,
pois o princípio do pecado é o mesmo (Gn 3. 1-6). O primeiro pecado deu origem a todos os outros. O
pecado se manifestou por três princípios: a incredulidade, a independência e a vida natural.
O primeiro pecado não foi terrível do ponto de vista da aparência. Não era obsceno, pornográfico,
escandaloso ou feio de se ver. Adão e Eva apenas comeram o fruto da árvore do conhecimento do bem e do
mal, nada mais do que isso. O primeiro pecado deu origem a todos os outros, pois o princípio que o governou
governa todos os outros, embora possam surgir de formas diferentes. Vejamos como foi isso. Neste estudo
veremos o princípio da incredulidade. Deus disse para Adão e Eva sobre a árvore do conhecimento do bem e
do mal: “No dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2.17). Eva preferiu acreditar no que o
diabo disse a acreditar no que Deus dissera. O diabo veio e desmentiu Deus, dizendo: “É certo que não
morrereis”(Gn 3.4).
79.
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O mundo diz: “você nunca pode mudar; pra você não há libertação; você nasceu assim, vai morrer assim;
pode até virar crente, mas vai continuar sendo o que era, pois pau que nasce torto morre torto” - isso é o
que o mundo e o diabo dizem. Todavia, Deus diz que se você crer será nova criatura- o “pau só fica torto”
até o dia em que ele encontra o carpinteiro de Nazaré.
As duas afirmações estão diante de nós, a de Deus e a do diabo. Qual você escolhe? A base dessa escolha
é uma questão de “em quem vou crer?”. Todo homem deve fazer essa mesma escolha, pois foi nesse
ponto que o pecado surgiu. Quando Adão e Eva preferiram crer no diabo a confiar em Deus, foi aí que o
pecado surgiu.
O mundo diz: “Você nunca poderá mudar; para você não há transformação; você nasceu assim e morrerá
assim. Pode até virar crente, mas vai continuar sendo o que era”. Isso é o que o mundo e o diabo dizem.
Todavia, Deus diz que se você crer, será nova criatura. É uma questão de ser e não simplesmente de
fazer. Você é nova criatura. Devemos sempre colocar para o homem a escolha de em quem crer, pois foi
nesse ponto que o pecado surgiu, quando Adão e Eva preferiram confiar no diabo a confiar em Deus. A
Bíblia nos adverte: “Seja Deus verdadeiro e mentiroso todo homem” (Rm 3.4). Deus não pode mentir, Ele
é completamente fiel àquilo que diz.
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1.1. Para Deus, o pecado se manifesta de três formas
a.Soberba (rebeldia) - Esse pecado agride Deus em Sua autoridade, atinge o trono de Deus. Satanás
disse: “subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo” (Is 14.13). Do ponto de vista
de Deus, esse é o tipo mais grave de pecado, porque ele atinge diretamente o trono de Sua autoridade.
b.Desobediência - O desobediente é aquele que mente, rouba e prostitui. É aquele que desobedece ao
mandamento de Deus. Ele agride Deus em sua santidade. Deus é santo e Ele não suporta a sujeira, a
impureza e a iniquidade.
c.Incredulidade - O incrédulo atinge a Deus em seu caráter. O incrédulo é quem tenta fazer de Deus um
mentiroso. O Senhor diz: “Em tudo fostes enriquecidos” (1 Co 1.5), mas o incrédulo diz: “eu sou pobre”.
Deus diz: “Eu carreguei na cruz a sua enfermidade” (Mt 8.17); o incrédulo diz: “tenho medo de morrer
de câncer”. Deus diz: “Eis que vos dou autoridade sobre serpentes e escorpiões” (Lc 10.19); mas o
incrédulo diz: “Eu não tenho o dom de expulsar demônios; isso é só para pastores”. Há muitas maneiras
sutis de dizer que Deus é mentiroso e, na maioria das vezes, somos astutos em nossa incredulidade. Para
melhor entendermos a vida no Espírito, vamos dividir o nosso estudo em três princípios bem simples:
andar por fé, andar pela cruz e andar no sobrenatural
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2. ANDAR POR FÉ
Para andarmos em fé e entendermos o padrão da vida no Espírito, precisamos compreender como foi o
primeiro pecado. O pecado desviou o homem do padrão de Deus. Conhecer o desvio já nos ajuda a
determinar o caminho de volta ao modelo de Deus. Quando Adão e Eva duvidaram da Palavra de Deus, então
o problema da carne começou. E, para entrarmos agora na dimensão do espírito, devemos cumprir a primeira
condição, andar em espírito implica andar em fé. Se não andamos assim, significa que não andamos no
espírito.
Andar no Espírito e andar em fé se misturam na Bíblia. A Palavra de Deus nos diz que “sem fé é impossível
agradar a Deus” (Hb 11.6) e que “os que estão na carne não podem agradar a Deus” (Rm 8.8). Observe essas
duas colocações. Na Carta aos Hebreus, Paulo diz que os incrédulos não podem agradar a Deus e na Carta aos
Romanos, o apóstolo diz que os carnais também não podem agradá-lo. Logo, os carnais são, também,
incrédulos.
Eva duvidou da Palavra de Deus. Agora, para entrarmos na dimensão do espírito, devemos cumprir a primeira
condição, andar em fé. Se não andamos em fé, então não estamos andando no espírito e andar no espírito é
andar em fé. Carnalidade é sinônimo de incredulidade. Aqueles que estão na carne são facilmente percebidos,
pois eles são incrédulos, indiferentes e insensíveis.
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2.1. Fé é sinônimo de vida no espírito
Se alguém anda no espírito, invariavelmente ficará cheio do Espírito. Uma pessoa que anda no
espírito pode facilmente ser reconhecida, pois expressa naturalmente vida. Quando falamos
de vida, não nos referimos à vida prática: retidão, integridade e tudo mais que um cristão deve
ter; falamos de algo mais tênue, subjetivo, algo que não sabemos de onde vem, nem para
onde vai. Quando vemos alguém cheio do espírito, sentimos algo diferente nele.
O primeiro sinal que o Senhor Jesus realizou foi transformar água em vinho. O vinho é símbolo
de vida. Isso pode ser facilmente observado em uma pessoa que tenha ingerido certa
quantidade de vinho ou outra bebida alcoólica. A primeira coisa que se percebe nela é uma
mudança em sua pele, ela demonstra uma aparência de saúde. Em segundo lugar, os olhos
começam a brilhar como que cheios de alegria; é uma alegria natural, proveniente da bebida.
Em terceiro lugar, surge uma dose de ânimo, empolgação e força. A pessoa começa a se sentir
como um leão; em seus lábios, o sorriso é fácil, e ela parece estar cheia de vida. O vinho é
para nós um símbolo de vida, ainda que superficial e efêmera.
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Quando bebemos e nos embriagamos do Senhor, algo parecido nos acontece, mas é algo que
ninguém pode nos tirar. O nosso sorriso também fica fácil, não há mais dificuldades de
jubilarmos diante de Deus, de saltar ou de gritar. Não é uma alegria vinda de fora, de piadas ou
do ritmo quente de uma música, é algo sublime, que vem de dentro, do espírito, algo
permanente, um fogo do Senhor que vem queimando de dentro de nossos corações, que torna
a vida diferente e linda. Esse fogo é a presença viva do Senhor em nós. Andar em fé gera vida,
pois implica andar sob a Palavra de Deus.
2.2. O que significa andar em fé
Andar em fé implica abrir mão do que vê, do esforço próprio e do entendimento próprio, ou
seja, andar no espírito implica renunciar a estas três coisas: andar por vista, por esforço próprio
e por entendimento próprio.
a. Não andar por vista
“Visto que andamos por fé e não pelo que vemos” 2Corintios 5.7
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EDD - CRESCIMENTOESPIRITUAL
O segundo aspecto importante para andar no espírito é não andar por vista, mas por fé. Tenho
sempre comigo uma regra: “Enquanto o que vejo bate com a Palavra de Deus, continuo vendo;
quando, porém, não bate mais, ignoro o que estou vendo, e fico somente com a Palavra de
Deus.” É um estilo de vida considerado louco, e é sim loucura para o mundo.
Uma situação em que facilmente andamos por vista é em relação às enfermidades. Insistimos
em olhar para os sintomas da doença em vez de olhar para a Palavra de Deus.
Se a Palavra diz que o Senhor já levou as nossas enfermidades na cruz (Mt 8.17), devemos
rejeitá-las e passar à verdade da Palavra, independentemente do que estamos vendo ou
sentindo.
Andar por vista é característica do crente carnal. Se insistirmos em andar por vista, seremos
escravos do natural. As circunstâncias facilmente nos desanimarão e ficaremos prostrados.
Devemos ter um olhar profético: andar pelo que cremos que será e não pelo que o diabo quer
nos mostrar.
85.
85
EDD - CRESCIMENTOESPIRITUAL
b. Renunciar ao esforço próprio
Todo carnal anda pelo esforço próprio. A fé pressupõe dependência de Deus. Se andarmos pela nossa
força, não precisamos exercer fé. A principal característica da vida de fé é o descanso. Paulo diz em
Hebreus 4.3: “Nós, porém, que cremos, entramos no descanso, conforme Deus tem dito [...]” (Hb 4.3).
Os que andam no espírito andam em descanso, são como barcos no meio do mar, não precisam se
esforçar, é só se deixar levar pelo vento. Nós somos como os barcos, o vento é o Espírito. Veja que
este descanso não é lazer, não é retiro e nem férias. Podemos ir a esses lugares em todas essas
formas de descanso e, mesmo assim, não descansarmos.
O verdadeiro descanso é poder dizer: “Senhor, és tu quem fazes, não eu. Não sou eu quem salva; és
tu, Senhor. Não sou eu quem santifica; és tu, Senhor. Não sou eu quem faço; és tu, Senhor”. Se
ficarmos angustiados, cada vez que temos de fazer algo, como pregar, trabalhar ou qualquer outra
atividade, e se a ansiedade aumenta a ponto de a vida perder o sabor, é porque nos tem faltado o
descanso. A obra de Deus não se faz no cansaço, não se faz na fadiga, não se faz com suor. A obra de
Deus se faz na dependência do Senhor.
86.
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EDD - CRESCIMENTOESPIRITUAL
Ezequiel nos dá uma orientação clara àqueles que trabalham no templo:
“E será que, quando entrarem pelas portas do átrio interior, usarão vestes de linho; não se
porá lã sobre eles, quando servirem nas portas do átrio interior, dentro do templo. Tiaras
de linho lhes estarão sobre a cabeça, e calções de Unho sobre as coxas; não se cingirão a
ponto de lhes vir suor”
Ezequiel 44.17-18
Na obra de Deus não pode haver suor. Nós somos sacerdotes levitas, encarregados de
servir na casa do Senhor e quando servimos ao Senhor, não pode haver suor.
Qual é o significado do suor? Gênesis 3.19 nos fala que o suor é maldição por causa do
pecado. Suor é símbolo de maldição, mas graças a Deus que por meio de Jesus Cristo nos
libertou de toda a maldição do pecado. É bom demais servir a Deus. Não precisamos suar
e viver no cansaço. É como diz certo cântico: “É meu somente meu todo o trabalho, e o
teu trabalho é descansar em Mim”. Essa é a Palavra de Deus para nós.
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Aqueles que se achegam para servir no santuário, não podem derramar suor lá dentro. Não
precisamos mais suportar a maldição do pecado. O Senhor Jesus suou no Getsêmani o suor que nos
cabia. Agora podemos ter descanso. Não precisamos mais fazer a vontade do nosso esforço próprio. O
Seu Espírito agora opera em nós.
O primeiro aspecto de andar em fé, logo, é abrir mão do esforço próprio e entrar no descanso de
Deus. Se andamos em espírito, andamos também em descanso.
c. Renunciar ao entendimento próprio
Há aqueles que andam pelo esforço próprio, há os que andam por vista, mas há, também, os que
andam pelo seu próprio entendimento.
Depois que o homem comeu da árvore do conhecimento do bem e do mal, ele se tornou cheio de
opiniões próprias. Para que o homem possa hoje desfrutar do melhor de Deus, ele precisa ser
quebrantado em seu entendimento natural independente de Deus.
Deus chamou a Abraão e lhe disse que ele seria pai de multidões. Ele e sua esposa não podiam ter
filhos, por isso Abraão resolveu ajudar a Deus gerando um filho a partir de sua serva Hagar (Gn16.1-4).
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Aquele filho chamado Ismael, foi fruto de seu entendimento humano e de sua força natural tentando
cumprir a vontade de Deus, mas o Senhor não aceita isso. Deus rejeita aqueles que fazem coisas que
não o agrada, mas rejeita, também, aqueles que fazem coisas para agradá-lo, porém as fazem de
acordo com suas vontades, com o seu próprio entendimento.
Outro exemplo de alguém que andou no entendimento próprio foi Saul. O Senhor ordenou que Saul
fosse e destruísse completamente a Amaleque (1Sm 15.3). Mas, o que fez Saul? Vendo o gado bonito e
as ovelhas gordas resolveu separá-las para ofertá-las a Deus. O entendimento natural é que se trata de
um desperdício ofertado a Deus por Saul. Mas o veredicto de Deus é que aqueles que estão na carne,
não podem agradá-lo.
Existem muitas coisas que não são erradas aos olhos dos homens, mas que são reprovadas por Deus.
Todavia, não devemos ser escravos de códigos de conduta e normas permissivas e proibitivas O
importante é aprender a andar no espírito.
Se ouvirmos o espírito, naturalmente faremos a vontade de Deus. Se andarmos por entendimento não
dependeremos de fé no Espírito, por isso os que andam pelo entendimento próprio, não podem
agradar a Deus. O que eles fazem não provém da fé, portanto da carne.
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Quando estivermos aconselhando uma pessoa, não devemos dar-lhe todas as respostas
prontas, antes devemos estimulá-la a usar o seu próprio espírito para que possa discernir a
direção de Deus. Só há crescimento quando Deus fala. As palavras humanas podem ser
boas, mas somente quando Deus fala há transformação e há vida.
O crescimento vem quando aprendemos a ouvir a Deus. Muitos líderes estimulam seus
discípulos a dependerem deles. O verdadeiro líder deve ensinar o discípulo a ouvir e a
depender de Deus. Se o líder sempre fala qual é a vontade de Deus, o discípulo nunca vai
aprender a discerni-la por si mesmo.
Viver na carne é andar pela força própria, pela vista e pelo entendimento próprio. Andar
em fé, pelo contrário, é andar no descanso de Deus, ignorar a vista e renunciar o próprio
entendimento.
3. ANDAR PELA CRUZ
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EDD - CRESCIMENTOESPIRITUAL
O primeiro pecado teve o aspecto da incredulidade, e se desejamos andar hoje no espírito,
temos de andar em fé. Mas houve ainda outro aspecto: a independência. Havia no Éden
duas árvores: a árvore da vida e a árvore do conhecimento do bem e do mal. A primeira
apontava para o próprio Deus. Se o homem optasse pela árvore da vida, teria escolhido
depender de Deus. Ele não saberia o bem e o mal por si mesmo, teria de depender de
Deus para saber. Não viveria por si mesmo, mas por aquilo que Deus dissesse. Já a árvore
do conhecimento do bem e do mal simbolizava a independência de Deus. Ao comer da
árvore do conhecimento do bem e do mal o homem tornou-se independente de Deus.
Esse é um caso em que independência é morte. Como originou-se o primeiro pecado,
certamente os outros pecados se originam, pois todo pecado tem no seu centro o
egocentrismo. Todo pecado, em sua origem, é o ego em ação. A independência é a forma
específica de como o ego se manifesta: “eu tenho minhas opiniões, meus desejos, meus
alvos, minha identidade”. Quando o homem optou por comer da árvore do conhecimento,
o seu Ego, a sua alma, foi aumentado, e passou a ser o centro da personalidade humana.
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O propósito de Deus era (e é) que o espírito humano fosse o centro, mas o pecado transformou
o homem em algo da alma, o homem se tornou almático. O espírito morreu, o ego se tornou o
centro, por isso o homem passou a ser egoísta e egocêntrico. Pecado é tudo aquilo que tem
origem no ego. Tudo aquilo que é feito independente de Deus é pecado. Pode ser pregar, orar,
ou qualquer outra coisa piedosa, se é feito por iniciativa do ego, é carne. Mas também atrás de
todo fruto da carne tem o ego em ação. O que é inimizade? É quando o ego não é reconhecido.
O que é raiva? É o ego contrariado. O que é ciúme? É o medo de o ego ser suplantado. O que é
divisão? É o ego que sempre está certo e nunca abre mão. Assim como todo pecado consiste
no egocentrismo, toda virtude consiste no oposto, no altruísmo. Enquanto o egocentrismo é
colocar a si mesmo no centro, altruísmo é colocar o outro no centro.
O que é amor? É esquecer-se de si e olhar para o outro. O que é alegria? É viver contente com
o que se tem e o que se é. Essa atitude de negar a si mesmo e colocar o outro no centro é
chamado de tomar a cruz na Bíblia. Para vivermos uma vida no espírito, não basta andar em fé,
temos também de andar pela cruz.
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“Ora, o seu mandamento é este, que creiamos em o nome de seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos
uns aos outros, segundo o mandamento que nos ordenou” 1João 3.23 Aqui temos os dois
princípios: fé e amor (ou cruz). Andar em amor e andar pela cruz é a mesma coisa. Amar é, em
última análise, renúncia de si mesmo. A vida no Espírito é uma consequência direta de passarmos
pela cruz. Só há cristianismo se vivermos pela cruz. Jesus não apenas morreu numa cruz, ele viveu
uma vida de cruz. A Vida de cruz consiste em negar a vontade do ego para fazer a vontade de
Deus. Quando Jesus ensinou os seus discípulos a orar em Mateus 6.9-13, Ele terminou a oração
dizendo: “Porque teu é o reino, o poder e a glória”. Reino, poder e glória são tudo aquilo que o
homem natural busca. O reino nos fala de bens, riqueza, respeito e reconhecimento. O poder é
aquele desejo íntimo de mandar, de ter a primazia, ter dons e capacidades. A glória é o ponto
crucial do ego: o desejo de elogio e louvor. A vida de cruz consiste em abrir mão do reino, do
poder e da glória, sabendo que tais coisas devem ser tributadas unicamente a Deus.
O Senhor precisa nos mostrar o quanto o nosso Ego é deplorável aos seus olhos. Precisamos nos
ver na luz do Senhor. Podemos renunciar o Eu.
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Esse espelho de Deus é revelação da nossa própria condição. Isso nos leva ao fim de nós mesmos.
Mas, quando isso falha por causa da nossa dureza e insensibilidade ao Espírito, o Senhor se vê forçado
a usar outro recurso: o fracasso e o vexame. Não é o desejo do Senhor que soframos vexame. Ele vem
por causa da nossa dureza e resistência em aprender por meio da luz do Espírito. Ele vem também
porque muitas vezes temos um conceito errado a respeito de nós mesmos; pensamos que somos
humildes, quando na verdade não somos. Pensamos que somos dependentes, quando na verdade
agimos pelo esforço próprio. Suponha que um irmão simples é convidado para pregar na reunião
principal da Igreja no domingo. Ele certamente vai sentir angústias e até ter uma disenteria por medo
da responsabilidade. Essa é uma reação interessante, porém é apenas uma expressão do medo da
carne à exposição do vexame. Como o irmão está inseguro, ele vai orar bastante, jejuar e meditar na
Palavra. Chega o domingo e a sua pregação é impactante. Os líderes ficam admirados e convidam-no
para o domingo seguinte. No segundo domingo, ele já não está tão inseguro, mas ainda assim precisa
gastar um tempo em oração buscando a Deus. Mais uma vez é uma bênção e a liderança extasiada, o
convida para mais um outro domingo. Dessa vez o nosso irmão já está tão seguro que pensa ser capaz
de pregar para um estádio inteiro.
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Veja a maneira como Deus fez, Ele levou aquele irmão a perceber que ele não era tão dependente e
humilde quanto pensava, mas foi só no terceiro domingo que ele percebeu isso. Não é fácil
perceber em nós erro nenhum, mas quando vem o vexame, eles se tornam manifestos.
3.1. Negar a si mesmo é tomar a cruz O que é negar-se a si mesmo? Existem muitos conceitos
equivocados sobre negar o ego. Negar-se a si mesmo não é a completa anulação da vontade, mas
uma renúncia definida quando minha vontade quer seguir outra direção diferente da vontade de
Deus. Negar-se a si mesmo não é tornar-se um alienado. Não é uma vida de ascetismo. Essa posição
coloca a vida cristã como uma dor constante. A vida se torna um peso, dura de ser suportada. Jesus
veio para que o homem tivesse vida abundante. Negar-se a si mesmo não é a perda do desejo.
Quando o desejo se torna concupiscência, ele passa a ser pecado. Mas, há desejos legítimos como o
desejo de se casar, ter filhos, pregar o evangelho, salvar vidas etc. Negar a si mesmo é uma
renúncia ao domínio da própria vida, e isso, sem dúvida, em algumas situações, vai implicar em
todos os aspectos que mencionamos acima. Haverá momentos de aparente perda da vontade, da
aparente alienação, de um também aparente ascetismo, bem como de uma renúncia de um desejo
legítimo.