Boa Viagem l 76l Boa Viagem
Uma ilha de nostalgia do século XX
Javier Galea/AP
RESSACA: os ventos da
tempestade tropical Fay
criaram ondas que
castigaram Havana
no mês passado
Fotos de Fernando Moreira
RARIDADES e relíquias
automobilísticas: nas ruas
circulam desde o Buick
1951 rosa e branco até o
Dodge bege 1949
Fernando Moreira
CUBANOS fazem
fila em frente a
vitrine de loja de
eletroeletrônicos
em Sancti Spíritus
Isabel Kopschitz • HAVANA
C
UBA RESISTE. Às mudan-
ças políticas e aos fura-
cões Ike e Gustav, que
passaram recentemente pela ilha,
deixando um rastro de estragos.
Nem a substituição na condução do país há dois anos, quando
Fidel Castro deixou o poder por problemas de saúde e delegou o
cargo ao irmão Raúl, interferiu em seu ambiente de nostalgia.
Não é por acaso que mais de dois milhões de visitantes estiveram
em seu território em 2007. Com pouco mais de 110 mil quilôme-
tros quadrados, o arquipélago caribenho que foi durante 30 anos
a vitrine do comunismo soviético nas Américas — a 170 quilô-
metros dos Estados Unidos — já tem sinais de abertura econô-
mica. De acordo com a Comissão Econômica para a América La-
tina e o Caribe (Cepal), Cuba está entre os quatro países da região
que mais vão crescer em 2008, com uma estimativa de 7%. Agora
os cubanos podem ter telefones celulares, computadores e apa-
relhos de DVD, embora a maior parte da população não tenha
dinheiro para comprá-los. Contradições à parte, não há como ne-
gar a poesia de um pôr-do-sol no Malecón ou a fascinante viagem
pela História que se faz ao cruzar os bairros de La Habana e as
estradas do país, observando imagens de Che Guevara em cada
outdoor amarelado ou pintura de muro gasta pelo tempo. Nem
como não ficar fascinado com relíquias automobilísticas como
Ladas, Buicks, Dodges e Cadillacs “rabo-de-peixe” nas ruas.

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    Boa Viagem l76l Boa Viagem Uma ilha de nostalgia do século XX Javier Galea/AP RESSACA: os ventos da tempestade tropical Fay criaram ondas que castigaram Havana no mês passado Fotos de Fernando Moreira RARIDADES e relíquias automobilísticas: nas ruas circulam desde o Buick 1951 rosa e branco até o Dodge bege 1949 Fernando Moreira CUBANOS fazem fila em frente a vitrine de loja de eletroeletrônicos em Sancti Spíritus Isabel Kopschitz • HAVANA C UBA RESISTE. Às mudan- ças políticas e aos fura- cões Ike e Gustav, que passaram recentemente pela ilha, deixando um rastro de estragos. Nem a substituição na condução do país há dois anos, quando Fidel Castro deixou o poder por problemas de saúde e delegou o cargo ao irmão Raúl, interferiu em seu ambiente de nostalgia. Não é por acaso que mais de dois milhões de visitantes estiveram em seu território em 2007. Com pouco mais de 110 mil quilôme- tros quadrados, o arquipélago caribenho que foi durante 30 anos a vitrine do comunismo soviético nas Américas — a 170 quilô- metros dos Estados Unidos — já tem sinais de abertura econô- mica. De acordo com a Comissão Econômica para a América La- tina e o Caribe (Cepal), Cuba está entre os quatro países da região que mais vão crescer em 2008, com uma estimativa de 7%. Agora os cubanos podem ter telefones celulares, computadores e apa- relhos de DVD, embora a maior parte da população não tenha dinheiro para comprá-los. Contradições à parte, não há como ne- gar a poesia de um pôr-do-sol no Malecón ou a fascinante viagem pela História que se faz ao cruzar os bairros de La Habana e as estradas do país, observando imagens de Che Guevara em cada outdoor amarelado ou pintura de muro gasta pelo tempo. Nem como não ficar fascinado com relíquias automobilísticas como Ladas, Buicks, Dodges e Cadillacs “rabo-de-peixe” nas ruas.