Faculdade de Letras e Ciˆencias Sociais
Departamento de Ciˆencias Pol´ıtica e Administra¸c˜ao P´ublica
Curso: Licenciatura em Administra¸c˜ao P´ublica
Disciplina: Configura¸c˜ao de Desenvolvimento e Rela¸c˜oes de Poder
Resumo
Configura¸c˜oes do Desenvolvimento &
Rela¸c˜oes de Poder
Docente:
Francisco da Concei¸c˜ao, Ph.D
Licenciando:
Nelson Tom´as Vetevene
Maputo, 5 de Maio de 2018
Universidade Eduardo Mondlane FLCS
Sum´ario
1 INTRODUC¸ ˜AO 1
2 Desenvolvimento Econ´omico 2
2.1 A pesquisa do Premium Mobile . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2
2.1.1 Recursos Naturais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2
2.1.2 O Capital . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2
2.1.3 Capacidade de Organiza¸c˜ao e Direc¸c˜ao . . . . . . . . . . . . . . . . 2
2.2 A importˆancia de ser um Pa´ıs Retardado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3
2.3 A ideia da Transforma¸c˜ao como Obst´aculo a Transforma¸c˜ao . . . . . . . . 4
2.4 A necessidade de Processos de Incentivos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
3 Desenvolvimento Enfoque Hist´orico-estrutural 6
3.1 Desenvolvimento-Subdesenvolvimento:Problem´atica Actual . . . . . . . . . 6
3.2 As dimens˜oes do Conceito de Desenvolvimento . . . . . . . . . . . . . . . . 6
3.3 Vis˜ao sint´etica do processo de Desenvolvimento . . . . . . . . . . . . . . . 8
4 Desenvolvimento na Am´erica Latina 10
4.1 An´alise Integrada de Desenvolvimento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10
4.2 Contextualiza¸c˜ao . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10
4.3 Subdesenvolvimento, Periferia e Dependˆencia . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
4.4 O Subdesenvolvimento Nacional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12
5 Mecanismo de Transferˆencia de Renda 14
5.1 Desenvolvimento, Subdesenvolvimento & Dependˆencia . . . . . . . . . . . 14
5.2 Mecanismos de Transferˆencia da Renda . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
5.3 Estrutura do Sistema Econ´omico Mundial . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17
6 Mo¸cambique em Transi¸c˜ao 1974-1992 19
6.1 Desenvolvimento a Curto Prazo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19
6.2 Desenvolvimento da economia pol´ıtica internacional . . . . . . . . . . . . . 20
6.3 A Coopera¸c˜ao regional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21
6.4 Dependˆencia da Ajuda . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
6.5 Implementa¸c˜ao do programa de reabilita¸c˜ao econˆomica . . . . . . . . . . . 23
6.6 Pol´ıtica de distribui¸c˜ao regional do governo . . . . . . . . . . . . . . . . . 23
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7 Referˆencias Bibliografica 25
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1 INTRODUC¸ ˜AO
As presentes resenhas foram elaborada no contexto da disciplina Configura¸c˜ao Desenvol-
vimento & Rela¸c˜oes de Poder, como forma de aprimorar os conhecimentos obtidos nesta
disciplina, e a percep¸c˜ao da mat´eria dada no percurso das aulas. S˜ao resenhas cr´ıticas na
medida que n˜ao se cinge apenas em resumir a informa¸c˜ao obtida mas tamb´em dar o meu
contributo, meu ponto de vista ou seja fazer algumas cr´ıticas a medida que vou abordando
os assuntos inerentes a estas teorias sobre desenvolvimento, depedˆencia centro e periferia
aqui apresentadas.
As resenhas est˜ao apresentado em forma de cap´ıtulos, dada a explica¸c˜ao que o docente
deixou sobre a elabora¸c˜ao das resenhas, em algumas fases pode parecer que os cap´ıtulos
estejam repetidos mas n˜ao ´e a mesma coisa, a verdade ´e que foi feita a escolha de cap´ıtulos
tendo em conta a obra de cada autor com a mat´eria ligadas ao desenvolvimento.
Num primeiro cap´ıtulo vamos encontrar a obra de Albert Hirschman, intitulada ”Estra-
tegia de Desenvolvimento Econ´omico” no seu capitulo 1, onde procurei de todas formas
trazer o seu pensamento sobre o desenvolvimento na periferia, cr´ıticar o autor tendo em
conta os elementos por ele abordados como sendo motores para o desenvolvimento para
os pa´ıses do sul que sofrem de subdesenvolvimento.
Segue-se com o texto de Celso furtado, Introdu¸c˜ao ao Desenvolvimento no seu cap´ıtulo
2, intitulado desenvolvimento e subdesenvolvimento, mas adiante fez-se an´alise do texto
de Henrique Cardoso, an´alise integrada de desenvolvimento, na mesma linha de pensa-
mento fez an´alise e cr´ıtica dos textos de Osvaldo Sunkel Desenvolvimento, Subdesenvolvi-
mento, Dependˆencia, Marginaliza¸c˜ao e desigualdades espaciais e por fim o texto de Hans
Abrahansson, Mo¸cambique em Transi¸c˜ao.
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2 Desenvolvimento Econ´omico
Autor: Albert O. Hirchman
2.1 A pesquisa do Premium Mobile
O problema de desenvolvimento econ´omico apresentou uma lista enorme de factores e
condi¸c˜oes, de requisito pr´evios e dentro deles podemos citar:
2.1.1 Recursos Naturais
Desde os tempos das viagens de explora¸c˜ao, passando da primeira guerra mundial 1914
at´e a grade cr´ıse de super produ¸c˜ao de 1929, os recursos naturais constitu´ıram o centro
das aten¸c˜oes quando o assunto fosse o desenvolvimento de um Pa´ıs, mas n˜ao surtiu efeito
porque existiam pa´ıses com grande quantidade recursos naturais mas n˜ao havia sinais de
desenvolvimento.
2.1.2 O Capital
Mas tarde o capital, uma entidade criada pelo homem e capaz de se expressar quanti-
tativamente, passou a ser considerado o principal factor de desenvolvimento. Primeiro
acreditava-se que os pa´ıses subdesenvolvidos pudessem apenas obter, pelos seus pr´oprios
esfor¸cos ou pelo aux´ılio exterior, ac´umulo suficiente de capital, teria capacidade de reali-
zar a sua tarefa de desenvolvimento. Mas essa cren¸ca na sua importˆancia estrat´egica do
capital foi progressivamente colapsando com o passar do tempo.
2.1.3 Capacidade de Organiza¸c˜ao e Direc¸c˜ao
A capacidade de organiza¸c˜ao e direc¸c˜ao ocupa actualmente nos documentos oficiais uma
posi¸c˜ao privilegiada, pelo menos equivalente a do capital. Mas com passar do tempo este
modelo tamb´em poder ter seu fim porque o processo de desenvolvimento funciona como
um c´ırculo vicioso. Mas sobre o processo de desenvolvimento acreditava-se que os pa´ıses
j´a desenvolvidos como sendo os primeiros a alcan¸car este nivel, imaginava-se que podiam
criar pol´ıticas para alcan¸car o desenvolvimento nos pa´ıses que sofriam de subdesenvolvi-
mento. No entanto ´e preciso frisar que n˜ao existe uma formula pol´ıtica ou t´ecnica para
desenvolver os pa´ıses retardados, que sofre do subdesenvolvimento, sem antes procurar
conhecer a sua hist´oria econˆomica e social que deram origem ao subdesenvolvimento.
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2.2 A importˆancia de ser um Pa´ıs Retardado
Para desenvolver este subcap´ıtulo primeiro come¸co por afirmar que nenhum pa´ıs torna-se
importante quando se trata de retardar o seu desenvolvimento para criar um desenvolvi-
mento menos espontˆaneo e mais reflectido do que ocorreu nos pa´ıses onde o processo teve
o seu arcabou¸co.
H´a teorias que defendem que quando se inicia um processo de desenvolvimento acelerado,
chega-se a um ponto em que as vantagens impl´ıcitas no r´apido desenvolvimento ser˜ao
mais do que compensat´orias dos obst´aculos ao progresso econ´omico, inerente ao Estado
de atraso da economia. Na verdade esta teoria tenta explicar claramente que o processo
de desenvolvimento dos pa´ıses retardados n˜ao ´e geralmente atrasado por deficiˆencia ob-
jectivas, ou pela ausˆencia de pr´e-requisitos, mas porque n˜ao h´a requisitos estabelecidos
para o desenvolvimento econ´omico, o que torna imposs´ıvel estatuir um n´umero fixo de
configura¸c˜oes rumo ao desenvolvimento.
Bom eu penso que os pa´ıses subdesenvolvidos procuram chegar ao desenvolvimento a
todo custo sem saber quais s˜ao os processo a seguir para chegar a este cume, e nem pelo
menos tentam para errar e depois descobrir quais as modifica¸c˜oes do seu pr´oprio meio
social s˜ao requeridas no curso do processo de desenvolvimento, `a medida que tomaram
iniciativas erradas e em que acertarem superar˜ao sucessivos obst´aculos.
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2.3 A ideia da Transforma¸c˜ao como Obst´aculo a Transforma¸c˜ao
O sentimento de que a transforma¸c˜ao e o progresso s˜ao poss´ıveis e desej´aveis esta pre-
destinado a uma for¸ca de alto dinamismo numa sociedade at´e ent˜ao estacionaria. Bom
para perceber o processo de transforma¸c˜ao em uma sociedade estacion´aria, ´e preciso ter
me conta que o progresso econ´omico primeiro ir´a se impor a consciˆencia de tal sociedade,
onde cada individuo membro desta colectividade cogitara a transforma¸c˜ao como algo que
deve atingir toda a sociedade ao que o autor designou de transforma¸c˜ao ou progresso
grupal.
Hoje nos pa´ıses subdesenvolvidos, o apelo ao comunismo, a sociedade tradicional, de-
rivam do facto de que pretende conciliar as exigˆencias da transformacao que se manifesta
vigorosamente nestes pa´ıses. Eu penso que a ideia principal do autor ´e tentar mostrar
que o desenvolvimento tamb´em pode ser feito a partir da um conluio grupal, onde dentro
deste cada um desenvolve a sua actividade, ou seja tem um papel a desempenhar, onde
todos procuram alcan¸car o mesmo objectivo o desenvolvimento.
2.4 A necessidade de Processos de Incentivos
O processo de desenvolvimento tem uma caracter´ıstica especial n˜ao se relaciona com falta
de deste ou daquele factor, mas combina¸c˜ao de v´arios factores indispens´aveis como ele-
mentos (capital e educa¸c˜ao) que precisam ser equacionados e combinados com outros
elementos para produzir o desenvolvimento econ´omico.
Assim sendo quando esses elementos n˜ao s˜ao equacionados gera atraso devido `a insu-
ficiˆencia num´erica, ao ritmo das decis˜oes de desenvolvimento e a realiza¸c˜ao das tarefas
desenvolvimentistas. Mas na minha opini˜ao esta teoria est´a em grade parte em desacordo
com outras literaturas desenvolvidas sobre o desenvolvimento, na medida que ela exclui
v´arios obstaculo ao progresso econ´omico, tais como: sistema de press˜ao, fam´ılia, instabili-
dade administrativa e a carˆencia de educa¸c˜ao t´ecnica, deduzindo tais elementos atrav´es de
remo¸c˜ao de um ou mais obst´aculos que desprenderiam ou favorecessem o desenvolvimento.
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O autor alia isso ao processo de adop¸c˜ao de pol´ıticas monet´arias fracas que muita das
vezes os seus efeitos n˜ao s˜ao de curto prazo mas sim longo prazo, o que de alguma forma
n˜ao garante o processo de remo¸c˜ao de obst´aculos, ou seja n˜ao vai al´em de aprova¸c˜ao de
decis˜oes para recupera¸c˜ao da economia.
A ideia de tomada de decis˜ao na economia ´e familiar, porque procura em primeiro lu-
gar a distin¸c˜ao entre as decis˜oes de investimento autˆonomo e induzidas cada uma delas
com efeitos diferenciados na economia. Nos pa´ıses em via de desenvolvimento o grade
dilema est´a na capacidade de tomar decis˜oes com recursos escasso, o que muita das vezes
condiciona a outras carˆencias e dificuldades nestes pa´ıses retardados.
Um factor de produ¸c˜ao escasso se economiza, reduzindo-lhe as propor¸c˜oes em rela¸c˜ao
a outros factores espalhando-lhe levemente sobre os demais factores que se desp˜oe com
maior fractura. Mas aconselha-se que este m´etodo n˜ao pode ser usado no caso de fomentar
decis˜oes desde que cada passo de desenvolvimento requer sua pr´opria decis˜ao.
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3 Desenvolvimento Enfoque Hist´orico-estrutural
3.1 Desenvolvimento-Subdesenvolvimento:Problem´atica Actual
Autor: Celso Furtado
3.2 As dimens˜oes do Conceito de Desenvolvimento
O conceito de desenvolvimento de tem sido utilizado com referˆencia `a hist´oria contem-
porˆanea, em dois sentidos destintos. O primeiro diz respeito `a evolu¸c˜ao de um sistema
social de produ¸c˜ao `a medida que este, mediante a acumula¸c˜ao e o progresso das t´ecnicas
torna-se mais eficaz, ou seja eleva a produtividade do conjunto de suas for¸cas de trabalho.
O segundo sentido faz-se referˆencia ao conceito de desenvolvimento relacionado-se com
o grau de satisfa¸c˜ao das necessidades humanas, ou seja um desenvolvimento efectivo em
que o povo senti quando se satisfaz as necessidades sociais para n˜ao dizer colectivas.
Portanto existe um certo dilema, quando se trata de relacionar estes dois conceitos de
desenvolvimento que at´e certo ponto podem ser objectivos. Uma coisa ´e a satisfa¸c˜ao das
necessidades humanas tais como, alimenta¸c˜ao, vestu´ario e habita¸c˜ao, estes trˆes que con-
sequentemente ampliam a expectativa de vida da popula¸c˜ao.
Outra coisa ´e o incremento da efic´acia do sistema de produ¸c˜ao, que de certa forma ´e
considerado o indicador principal do desenvolvimento, mas que por sua vez p˜oe em causa
as condi¸c˜oes de vida da popula¸c˜ao, na medida em que a disponibilidade de recursos e a
eleva¸c˜ao dos padr˜oes de vida da popula¸c˜ao podem ocorrer na ausˆencia de modifica¸c˜ao nos
processo produtivos. Ou seja satisfazer as necessidades da popula¸c˜ao, sem provocar uma
degrada¸c˜ao das condi¸c˜oes de vida da mesma.
N˜ao ´e de mais assinalar que a ac¸c˜ao produtiva do homem tem cada vez mais como con-
trapartida processos naturais irrevers´ıveis, tais como degrada¸c˜ao de energia, tendentes a
aumentar a entropia do universo. O est´ımulo `as t´ecnicas apoiadas na utiliza¸c˜ao intensiva
de energia, fruto da vis˜ao de curto prazo engendra a apropria¸c˜ao privada dos recursos
n˜ao-renov´aveis, agrava esta tendˆencia, fazendo do processo econ´omico uma ac¸c˜ao crescen-
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temente predat´oria.
A subordina¸c˜ao da actividade t´ecnica aos interesses de reprodu¸c˜ao de uma sociedade
fortemente inigualit´aria e de elevado potencial de acumula¸c˜ao ´e a causa de alguns aspec-
tos paradoxais da civiliza¸c˜ao contemporˆanea. Como ´e sabido que, mesmo nos pa´ıses em
que mais avan¸cou o processo de acumula¸c˜ao, parte da popula¸c˜ao n˜ao alcan¸ca o n´ıvel de
renda real necess´aria para satisfazer o que se considera como sendo necessidades elemen-
tares.
Assim sendo a elimina¸c˜ao da pobreza dentro da riqueza ´e um processo dif´ıcil enquanto
existirem avan¸cos de acumula¸c˜ao, mas simultaneamente este avan¸co n˜ao chegar para to-
dos. Foi em fun¸c˜ao dos valores desta civiliza¸c˜ao material que se formou a consciˆencia
das desigualdades internacionais de n´ıveis de vida, do atraso acumulado do subdesen-
volvimento. O internacional atraso acumulado e desigualdade dos n´ıveis de vida, levou
a reflex˜ao sobre o desenvolvimento no per´ıodo subsequente `a segunda guerra mundial,
como causa principal de tomada de consciˆencia do atraso econ´omico em que vive grande
maioria da humanidade.
Indicadores mais espec´ıficos, tais como a mortalidade infantil, incidˆencia de enfermidades
contagiosas, grau de alfabetiza¸c˜ao e outros logo foram recordados, o contribuiu para com-
binar as ideias de desenvolvimento, bem-estar social, moderniza¸c˜ao em fim tudo o que
sugeria acesso `as formas de vida criadas pela civiliza¸c˜ao industrial.
Com efeito, durante todo este per´ıodo, o debate sobre o desenvolvimento, centrou-se em
quest˜oes cuja dimens˜ao pol´ıtica era determinante: degrada¸c˜ao dos termos de intercˆambio
externo, inadequa¸c˜ao dos sistemas de pre¸cos na orienta¸c˜ao dos investimentos, debilidade
de acumula¸c˜ao em sociedades expostas ao efeito de demostra¸c˜ao, insuficiˆencia de insti-
tui¸c˜oes tradicionais em face das novas fun¸c˜oes do Estado, inadequa¸c˜ao da tecnologia im-
portada relativamente `a oferta potencial de factores e as dimens˜oes do mercado interno,
tendˆencia a concentra¸c˜ao da renda, infla¸c˜ao crˆonica, desiquil´ıbrio permanente no balan¸co
de pagamento e assim por diante, havendo necessidade de se tra¸car novos caminhos.
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3.3 Vis˜ao sint´etica do processo de Desenvolvimento
A acelera¸c˜ao da acumula¸c˜ao de capais mais conhecido hoje em dia como a revolu¸c˜ao indus-
trial, apresenta desde o in´ıcio duas fazes distintas: A primeira retrata da transforma¸c˜ao
do modo de produ¸c˜ao ou seja, o processo de destrui¸c˜ao total ou parcial das formas fa-
miliares, artesanais, senhorial e corporativa de organiza¸c˜ao de produ¸c˜ao, e de progressiva
implementa¸c˜ao de mercados de ingredientes da produ¸c˜ao: m˜ao-de-obra e recurso naturais
apropriados privadamente.
Essa transforma¸c˜ao no sistema de domina¸c˜ao social respons´avel pela organiza¸c˜ao de
produ¸c˜ao abriu mais amplos canais `a divis˜ao do trabalho e ao avan¸co das t´ecnicas, o
que realimentaria o processo acumulativo. A segunda face reflete a ativa¸c˜ao das activida-
des comerciais, mais precisamente, da divisao do trabalho inter-regional.
Neste contexto podemos notar que a forma¸c˜ao do sistema econ´omico mundial apoiou-
se, assim, tanto do processo de transforma¸c˜ao das estruturas sociais como no processo
de moderniza¸c˜ao do estilo de vida. Assim sendo Desenvolvimento e Subdesenvolvimento,
como express˜ao de estruturas sociais, que viriam ser resultantes da prevalˆencia de um ou
outros desses dois processos.
Portanto ´e de capital importˆancia considerar o desenvolvimento e o subdesenvolvimento
como situa¸c˜oes hist´oricas distintas, mas derivadas de um mesmo impulso inicial e ten-
dendo a refor¸ca-se mutuamente.
Neste ˆambito para compreender o desenvolvimento, ´e necess´ario observar como parte de
um todo e como express˜ao da dinˆamica do sistema econ´omico mundial engendrado pelo
capitalismo industria.
A industrializa¸c˜ao retardada que teria lugar nos pa´ıses que se havia inserido no sistema
econ´omico mundial pela via de moderniza¸c˜ao faziam concorrˆencia com as importa¸c˜oes e
n˜ao com as actividades artesanais pr´e-existentes como acontecia nos pa´ıses pr´e-capitalistas.
Da´ı que as estruturais sociais destes pa´ıses seja t˜ao distintas se comparando com as que se
constitu´ıram ali onde avan¸caram paralelamente e diversifica¸c˜ao da demanda ou seja nos
pa´ıses de origem.
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A mecaniza¸c˜ao das infra-estruturas e as transforma¸c˜oes impostas `a agricultura pelo
esfor¸co de exporta¸c˜ao e pela evolu¸c˜ao da demanda interna, bem como o impacto da in-
dustrializa¸c˜ao na constru¸c˜ao civil, p˜oe em marcha um longo processo de destrui¸c˜ao de
formas de emprego que o ritmo de acumula¸c˜ao estava longe de neutralizar. A intensa e
ca´otica urbaniza¸c˜ao, presente na totalidade dos pa´ıses subdesenvolvidos, ´e manifesta¸c˜ao
directa desse processo de desestrutura¸c˜ao social.
As massas demogr´aficas, que a modifica¸c˜ao das formas de produ¸c˜ao privam de suas
ocupa¸c˜oes tradicionais, buscam abrigo em sistemas subculturais urbanos, as ditas po-
pula¸c˜oes marginais, s˜ao a express˜ao de uma estratifica¸c˜ao social que tem suas ra´ızes na
moderniza¸c˜ao. Foi este esfor¸co que visava unificar o quadro conceitual dessa problem´atica
que produziu a teoria da dependˆencia.
A reflex˜ao sobre o desenvolvimento, ao conduzir uma progressiva aproxima¸c˜ao da teoria
de acumula¸c˜ao com a teoria de estratifica¸c˜ao social e com a teoria de poder, constituiu-se
em ponto de convergˆencia das distintas ciˆencias sociais. A primeira ideia sobre o desen-
volvimento econ´omico, definido como aumento do fluxo de bens e servi¸cos mais r´apidos
que a expans˜ao demogr´afica, foram progressivamente substitu´ıdos por outras referidas a
transforma¸c˜ao do conjunto de uma sociedade `as quais um sistema de valores.
Com tudo a tem´atica tradicional circunscrita aos obst´aculos ao desenvolvimento tendeu a
ser substitu´ıda por outra sa´ıda do debate sobre os limites ao crescimento, estilo de desen-
volvimento e os tipos de sociedade a ordem mundial. Por outro lado, a cr´ıtica a l´ogica dos
mercados levou a uma clara percep¸c˜ao do impacto do ecossistema de um tipo de socie-
dade que impulsa `a a acumula¸c˜ao e ao mesmo reproduz necessariamente as desigualdades,
ao car´acter interdisciplinar da reflex˜ao sobre o desenvolvimento deve-se, seguramente de
todas as maneiras o horizonte por aberto, que contribuiu para a aprofundar a consciˆencia
cr´ıtica do homem contemporˆaneo.
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4 Desenvolvimento na Am´erica Latina
4.1 An´alise Integrada de Desenvolvimento
Autor: Fernando Henrique Cardoso & Enzo Faleto
4.2 Contextualiza¸c˜ao
Fernando Henrique Cardoso tamb´em conhecido como (FHC), foi nascido aos 18 de Junho
de 1931 na cidade do Rio de Janeiro ´e um Soci´ologo, Ciˆentista Pol´ıtico, Professor Univer-
sit´ario e escritor brasileiro. Foi o 34o
presidente da Rep´ublica Federativa brasileira entre
1995 e 2003.
Figura 1: Fernando Henrique Cardoso
Surgiu como intelectual, que entrou para vida
pol´ıtica com este perfil e firmou-se como es-
tadista. Trabalhou na Comiss˜ao Econ´omica
para Am´erica Latina (CEPAL), uma agˆencia
que nasceu com intuito de fundar uma base
institucional que criasse condi¸c˜oes de desen-
volvimento para os pa´ıses da regi˜ao, defen-
dia que os pa´ıses Latino-Americanos s´o se de-
senvolveriam a partir da montagem de uma
m´aquina industrial orientado pela ac¸c˜ao es-
tatal.
Portanto Fernando Henrique Cardoso e Enzo Faletto, formulam uma an´alise que encontra
os condicionantes do processo de desenvolvimento no tipo de integra¸c˜ao estabelecido em
os diversos grupos sociais, tanto internos como externamente, de forma que o desenvolvi-
mento poderia ser interpretado como um processo social.
Dentro disso, a supera¸c˜ao da dependˆencia, enquanto um componente estrutural do capi-
talismo, pressup˜oe uma articula¸c˜ao entre as for¸cas sociais dominantes internas e os centro
hegemˆonicos, e por isso, mais que um car´ater de industrializa¸c˜ao, o desenvolvimento pe-
rif´erico deveria ter um car´ater industrializante-associado.
Esse movimento de associa¸c˜ao ao capital internacional traria, inevitavelmente, um au-
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mento nos graus de concentra¸c˜ao de renda e a abertura ao capital externo um dos pilares
do consenso neoliberal.
4.3 Subdesenvolvimento, Periferia e Dependˆencia
Bom! a especificidade hist´orica entre desenvolvimento e subdesenvolvimento nasce preci-
samente da rela¸c˜ao entre sociedade perif´erica e centrais, que desde o in´ıcio tiveram uma
conex˜ao entre sistemas econ´omicos e a organiza¸c˜ao social e pol´ıtica das sociedades sub-
desenvolvidas e desenvolvidas.
Em todo caso podemos contextualizar o subdesenvolvimento como sendo o produto da
expans˜ao do capitalismo comercial e depois do capitalismo industrial, onde al´em de apre-
sentar varia¸c˜oes do sistema de produ¸c˜ao ocupou posi¸c˜oes distintas na estrutura global do
sistema capitalista.
Entre tanto o conceito de subdesenvolvimento, tal como ´e conhecido hoje refere-se mais
a uma estrutura de um tipo de sistema econ´omico, com predom´ınio de sector prim´ario
e forte concentra¸c˜ao da renda pouca diferencia¸c˜ao dos sistema produtivo e sobre tudo
prom´ınio de mercado externo sobre o interno.
Na minha linha de pensamento os autores advogam que as quest˜oes de desenvolvimento
e depedˆencia j´a tem um hist´orico vinculado entre se na medida em que o subdesenvolvi-
mento e dependˆencia tem um hist´orico na expans˜ao das economias dos pa´ıses capitalistas
origin´arios. Olhando para as quest˜oes de dependˆencia podemos contextualizar como tendo
surgido no quadro hist´orico latino Americano em 1960, como uma tentativa de explicar o
desenvolvimento s´ocio-econ´omico na regi˜ao, em especial a partir da sua fase de industri-
aliza¸c˜ao.
Os autores nas suas abordagens tentam explicar a situa¸c˜ao de depedˆencia na an´alise
de desenvolvimento ´e que a integra¸c˜ao das economias subdesenvolvidas ou seja das eco-
nomias nacionais com u mundo externo depende do n´ıvel inter-rela¸c˜ao dos grupos sociais
entre se com os grupos externos.
E de facto estas abordagens desenvolvidas pelos autores faz muito sentido, na medida
em, mesmo quando falamos em desenvolvimento e subdesenvolvimento na obra de Celso
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Furtado vamos verificar que os mais subdesenvolvidos foram aqueles que tiveram mais
contacto com pa´ıses imperialistas.
4.4 O Subdesenvolvimento Nacional
O subdesenvolvimento nacional ´e tamb´em um tipo de desenvolvimento interno que muita
das vezes depende de v´ınculos e subordina¸c˜oes externas, mas nem sempre, quando se trata
de economias nacionais existem algumas que s˜ao est´aveis ou seja (conseguem controlar
a sua balan¸ca de pagamento) e existem outras que s˜ao super dependentes como o caso
do nosso pa´ıs. Nestas economias a dependˆencia encontra n˜ao s´o a express˜ao interna mas
tamb´em o seu verdadeiro car´acter como determinado de rela¸c˜oes estruturais. Se olharmos
nesta perspectiva a an´alise da dependˆencia significa que n˜ao se deve considerar como uma
vari´avel externa mas a partir das configura¸c˜ao interna e do sistema de rela¸c˜oes entre as
deferentes classes sociais no ˆambito das rela¸c˜oes dependentes.
Mas para realizarmos estas an´alises temos que deixar de fora a ideia de que as mesmas leis
que ditaram o desenvolvimento dos pa´ıses centrais tamb´em podem servir para desenvolver
os subdesenvolvidos. Temos que deixar estas ideias de fora porque? porque os pa´ıses hoje
desenvolvidos o seu trajecto origin´ario de desenvolvimento passou por v´arias fases:
• Primeiro, porque o mercado era controlados pelos propriet´arios dos meios de produ¸c˜ao;
• O interesse dos particulares servia para regular as necessidades colectivas;
• O mercado actuava como arbitro para dirimir conflito de interesse dos grupos
dinˆamicos.
Com toda a simplifica¸c˜ao inerente a este esquema, considerava-se que os grupos dirigentes
e modo de funcionamento do mercado expressava o interesse geral e que, nestas condi¸c˜oes
o mercado funcionava adequadamente como mecanismo regulador dos interesses geral e
dos particulares.
S´o depois do realizado esfor¸co e in´ıcio da revolu¸c˜ao industrial, foi quando existiram classes
populares em condi¸c˜oes de fazer-se presente nas sociedades industriais como forca pol´ıtica
participante, o que contribuiu para o ˆexito das economias nacionais nos pa´ıses de desen-
volvimento origin´ario, e se consolidando simultaneamente com a expens˜ao do mercado
mundial e passando a ocupar principais posi¸c˜oes no sistema de domina¸c˜ao internacional
estabelecida.
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Com o esquema apresentado sobre o processo de desenvolvimento nos pa´ıses origin´arios,
podemos notar alguma heterogeneidade se comparando relativamente aos pa´ıses Latino-
Americano. Tendo em conta os dados apresentados podemos notar que existe uma rela¸c˜ao
de subordina¸c˜ao e explora¸c˜ao econˆomica o que em muitos pa´ıses dependentes n˜ao s´o na
Am´erica Latina, ´Africa especificamente Mo¸cambique estes fenˆomenos n˜ao s˜ao considera-
das como patol´ogicos mas sim a maneira real de ser destes pa´ıses.
Portanto se no processo do desenvolvimento do capitalismo consegu´ıssemos destinguir
as suas diferentes fases tais como, capitalismo mercantil, capitalismo industrial, e finan-
ceiro, com certeza n˜ao nos seria pertinente indagar quais destes momento aproxima-se
aos pa´ıses do sul, visto que n˜ao constitui economias separadas do mercado capitalista
internacional. Mas acontece o contrario, o modo de desenvolvimento dos pa´ıses hoje ca-
pitalistas puros s´o se apresentam como desenvolvidos e n˜ao se pode verificar nada no que
tange as fases para pelo menos podermos comparar com os pa´ıses em via desenvolvimento.
Entretanto ´e necess´ario esclarecer o que significa os termos estrutura da economia e es-
trutura social e a rela¸c˜ao da depedˆencia para os pa´ıses do sul durante estes distintos
momentos. O mesmo acontece com os conceitos de capitalismo competitivo e o capita-
lismo monopolista que podem ter existido como tendˆencia nas trˆes etapas assinaladas do
capitalismo, mas que predominaram mais em umas do que em outras forma¸c˜oes sociais
concretas.
A rela¸c˜ao de dependˆencia configura assim uma conota¸c˜ao de controle de desenvolvimento
de outras economias, tanto da produ¸c˜ao de mat´eria-prima assim como a poss´ıvel forma¸c˜ao
de outros centros econˆomicos. Portanto as condi¸c˜oes hist´oricas s˜ao diferentes em um caso
se estava criando o mercado mundial paralelamente ao desenvolvimento, gracas `a ac¸c˜ao
da denominada Bourgeosie conqu´erante, e em outro tenta-se o desenvolvimento quando
ja existem rela¸c˜oes de mercado, de ´ındole capitalista, entre ambos os grupos de pa´ıses e
quando o mercado se mundial se apresenta dividido entre o mundo capitalista e socialista.
O mais importante nesta senda de ideias ´e que n˜ao se pode considerar as diferen¸cas como
desvio geral em rela¸c˜ao ao padr˜ao de desenvolvimento; pois os factores, as formas de
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conduta e os processos sociais econˆomicos que a priore constituem formas de desvio das
imperfeitas realiza¸c˜oes de desenvolvimento, devem ser consideradas fundamentalmente
como n´ucleos de an´alise destinada a formar o intelig´ıvel sistema econ´omico e social.
5 Mecanismo de Transferˆencia de Renda
5.1 Desenvolvimento, Subdesenvolvimento & Dependˆencia
Autor: Osvaldo Sunkel
5.2 Mecanismos de Transferˆencia da Renda
Fazer uma an´alise das diferentes rendas que permitem a manuten¸c˜ao dos paradigmas
de consumo internacional em sectores minorit´arios dos pa´ıses subdesenvolvidos, levanta
muita das vezes perguntas sobre esta renda. Mas de uma forma mais acurada podemos
citar que a fonte de renda das economias subdesenvolvidas s´o podem encontrar-se a luz
de quatro elementos:
a) Actividade de alta produtividade;
b) Transferˆencia da renda das actividades de alta produtividade para sectores sociais n˜ao
vinculados a ela;
c) Explora¸c˜ao monopol´ısta de mercado de produtos ou factores em sectores de baixa
produtividade;
d) Transferˆencia externa da renda.
Estas quatro formas de obten¸c˜ao de receitas, elas n˜ao s˜ao excludentes mas sim comple-
mentares na medida que eles se refor¸cam mutuamente. Com tudo as actividade de maior
produtividade tem sido os sectores extrativistas de exporta¸c˜ao, pelo facto da industria
manufatureira ter uma consequente estrutura da renda, e uma pol´ıtica deliberada de fo-
mento industrial.
Mas isso n˜ao significa que outros sectores sejam improdutivos, significa apenas que essa
actividade permitem a sobtens˜ao de uma massa consider´avel de receitas globais, gra¸cas a
uma produtividade m´edia relativamente alta por homem empregado, a qual por sua vez,
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´e consequˆencia de um n´ıvel maior de capitaliza¸c˜ao e de pre¸cos relativos favor´aveis.
Assim a distribui¸c˜ao dessa renda entre os participantes depende de condi¸c˜oes institu-
cionais referentes `a concentra¸c˜ao e `a natureza da propriedade dos recursos naturais e do
capital, bem como das caracter´ısticas do mercado de trabalho e dos mercados de insumos
e produtos dos referidos setores produtivos.
Bom neste cap´ıtulo o autor procura apresentar de forma sistematizada o processo de
transferˆencia de renda a partir do contexto produtivo, para as fam´ılias empregadas, ou
seja busca mostrar a natureza e propriedade dos recursos naturais bem como as carac-
ter´ısticas do mercado de trabalho tendo em conta os sector mas produtivos e aqueles que
menos produzem e que esperam a redistribui¸c˜ao da renda a partir do aparato estatal, por
n˜ao estarem directamente vinculados a nenhum dos sectores produtivos sejam ele mais
produtivos ou menos. Neste contexto, nos casos em que a massa da renda ´e produzida
consideravelmente, e mesmo assim se encontrando em poucos estabelecimentos, nos quais
o mercado de trabalho ´e reduzido e mais qualificado, d´a lugar a um proletariado mais
organizado e restrito, neste caso esta elite trabalhadora consegui obter um salario real
substancialmente superior `a m´edia da massa assalariada.
Em outros casos, nos quais n˜ao se registam as condi¸c˜oes retrocitadas, uma grande massa
trabalhadora de qualifica¸c˜ao prec´aria dispersa por numerosas formas de explora¸c˜ao, nas
quais n˜ao existem propriamente mercado de trabalho, n˜ao chega a haver uma organiza¸c˜ao
de um proletariado, o sal´ario real desses trabalhadores pode manter-se em n´ıveis de sub-
sistˆencia n˜ao muito superiores aos dos setores mais primitivos da popula¸c˜ao rural.
Ao contr´ario a estes casos existe uma camada privilegiada que olham para o aparato
estatal como uma institui¸c˜ao de capital importˆancia, na medida que a partir dos seus
mecanismos tribut´arios, capta uma parcela mais ou menos significativa que gera das ca-
madas mais produtivas e transfere para outros ramos sociais dentro ou fora da pr´opria
receita.
Deste modo aqueles sectores que n˜ao est˜ao directamente ligada a actividade produtiva
serve-se do aparato estatal como um mecanismo de redistribui¸c˜ao da renda, ou seja o
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estado capta e aloca de forma equitativa e ´optima os recurso gerados dos sectores mas
produtivos para aqueles sectores n˜ao muito produtivos e se auxiliando da sua politica
redistributiva, faz a aloca¸c˜ao destas receitas para outras camadas sociais.
Na mesma linha de pensamento estas pessoas com condi¸c˜oes m´ınimas que olham para
o Estado como o seu auxiliar, est˜ao em condi¸c˜oes de obter uma renda que lhes permite in-
gressar neste c´ırculo de pessoas produtivas mesmo n˜ao realizando actividades produtivas
elevadas, desfrutam de condi¸c˜oes institucionais mesmo que esta renda seja relativamente
reduzida.
Trata-se, tipicamente, dos casos em que h´a um grau elevado de concentra¸c˜ao da pro-
priedade dos fatores produtivos ou de situa¸c˜oes de oligopsˆonio ou oligop´olio nos mercados
de bens e servi¸cos (poucos compradores para muitos vendedores e poucos vendedores
para muitos compradores, respectivamente). Trata-se ainda de atividades econˆomicas
com baixa dota¸c˜ao de capital, e portanto com uma baixa produtividade da m˜ao-de-obra,
nas quais prevalecem, por conseguinte, formas institucionais e organizacionais de tal or-
dem que permitem pagar sal´arios baix´ıssimos e obter benef´ıcios excessivos das transa¸c˜oes
de compra e venda.
Em toda parte do mundo existem pessoas com rendas altas mesmo n˜ao estando vin-
culado a qualquer actividade de capta¸c˜ao de receita. Tratam-se de pessoas que obtˆem
esta renda atrav´es de transferˆencias directas do exterior que pertencem a outras estruturas
econ´omicas, pol´ıticas, administrativas. De certa forma isso constitui aquilo que chamamos
de marginaliza¸c˜ao na maioria dos pa´ıses, na medida que converte-se num factor significa-
tivo, quando j´a n˜ao se trata dos casos individuais mas sim de determinados sectores de
um pa´ıs que s˜ao maci¸camente subsidiados pelo exterior atrav´es de uma ajuda financeira
substancial ao Estado.
Em geral, como a estrutura produtiva e de transferˆencia implica uma grande heteroge-
neidade de modos de produ¸c˜ao inter-relacionados, vigorosos mecanismos administrativos
e, ao mesmo tempo, uma grande desigualdade da renda, a distribui¸c˜ao espacial da ativi-
dade econˆomica (nela incluindo o consumo) tende, em geral, para uma forte concentra¸c˜ao
urbana.
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Assim como, ao mesmo tempo, para uma segrega¸c˜ao intra-urbana, pelo menos nas ci-
dades principais, nas quais, como foi anteriormente assinalado, coincidem as atividades
econˆomicas (exceto as extrativistas), as estruturas de poder e sua express˜ao administrativa
e financeira e os centros de consumo das rendas menores ou maiores, s˜ao convenientemente
discriminadas em sua express˜ao espacial.
5.3 Estrutura do Sistema Econ´omico Mundial
O sistema econ´omico internacional como qualquer outro sistema social, ´e, simultanea-
mente um sistema de poder, um sistema de domina¸c˜ao ou dependˆencia que tem favore-
cido sistematicamente, o desenvolvimento dos pa´ıses hoje desenvolvidos e o subdesenvol-
vimento dos pa´ıses actualmente subdesenvolvidos.
No actual contexto hist´orico, esse sistema internacional passou por diversas fases, que
s˜ao as do mercantilismo, liberalismo e o actual que chamamos de neo-mercantilismo, nas
quais foram se metamorfoseando tanto o centro principal quanto a natureza de suas for-
mas de domina¸c˜ao. Em outras palavras, a principal caracter´ıstica do sistema atual e,
provavelmente, do futuro sistema das rela¸c˜oes econˆomicas internacionais ´e a penetra¸c˜ao
da economia dos pa´ıses subdesenvolvidos pelos agentes econˆomicos mais poderosos da
economia dos pa´ıses desenvolvidos e, muito particularmente, pelos da economia estadual,
que ´e o centro predominante do sistema capitalista na actualidade.
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A conglomera¸c˜ao das grandes firmas, que tiveram o seu arcabou¸co nos Estados Uni-
dos, passando para Europa e Jap˜ao, foram se expandindo al´em fronteiras. Estas novas
empresas gigantescas propagaram-se pelas economias internacionais em v´arias etapas, que
v˜ao desde a exporta¸c˜ao dos seus produtos para outros pa´ıses, cria¸c˜ao de organiza¸c˜oes para
a exporta¸c˜ao e venda de produtos no exterior.
Estes fenˆomenos econˆomicos levam este processo ao seu apogeu e acabam adquirindo
estabelecimentos produtivos locais e acabam se estalando como produtora no exterior,
atrav´es de subs´ıdios que v˜ao de propriedade total e parcial, mais inteiramente controladas
por elas.
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6 Mo¸cambique em Transi¸c˜ao 1974-1992
6.1 Desenvolvimento a Curto Prazo
Autores: Hans Abrahamsson & Anders Nilsson
Mo¸cambique ´e pa´ıs do continente ´Africano localizado na costa oriental, a sul do equa-
dor, na regi˜ao da ´Africa Austral. Encontra-se entre os paralelos de 10◦
27’ e 26 e 52 de
latitude sul, entre os meridianos 30◦
e 42◦
51’ de longitude Este.
´E uma col´onia portuguesa, alcan¸cou a sua indepedˆencia a 25 de junho de 1975 assim
como as outras col´onias portuguesas no caso de Angola que tamb´em alcan¸cou a sua in-
dependˆencia no mesmo ano, a descoloniza¸c˜ao de Mo¸cambique e Angola coincidiu com
uma resistˆencia crescente, a n´ıvel nacional e internacional, contra o sistema aphartheid
na ´Africa do Sul.
Mas a hist´oria de Mo¸cambique tem um contexto bastante interessante no que tange ao
processo de desenvolvimento. mesmo na era colonial, quando o pa´ıs estava nas m˜aos
do colono, Portugal j´a se mostrava fraco na gest˜ao das suas pr´oprias colonias, tendo em
conta as leituras que fiz, Portugal procurou de todas as formas arrendar as companhias
magest´aticas ao capital estrangeiro e fazer corte de sal´ario dos mo¸cambicanos que´ıam tra-
balhar na vizinha ´Africa do Sul isso para poder assegurar a economia interna ao servi¸co
da Metr´opole.
Ent˜ao a ideia de desenvolvimento local estava muito longe na cachimˆonia do colono,
mas isso n˜ao significa que n˜ao tinham tendˆencia de desenvolver Mo¸cambique mas era
uma propaga¸c˜ao n˜ao evidente, o faziam com instrumentos obsoletos isto ´e j´a usados na
metr´opole.
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Neste contexto a ideia de desenvolvimento para Mo¸cambique era incerto, mas v´arios
factores concorreram a n´ıvel regional e nacional para o desenvolvimento pelo menos a
curto prazo, deste factores posso citar:
• O desenvolvimento da economia pol´ıtica internacional;
• Coopera¸c˜ao regional;
• Dependˆencia da Ajuda;
• Implementa¸c˜ao do programa de reabilita¸c˜ao econˆomica e social;
• Pol´ıtica de distribui¸c˜ao regional do governo.
6.2 Desenvolvimento da economia pol´ıtica internacional
Na altura da independˆencia de Mo¸cambique os governos dos pa´ıses do sul exigiram uma
nova ordem econˆomica internacional no mundo. Os dirigentes ´Africanos alguns procura-
vam abandonar o sistema capitalista, se aliando aos socialista como o caso de Mo¸cambique,
mas esta procura era apenas uma fei¸c˜ao porque a partir dos anos 90 os mesmo dirigentes
desenvolveram esfor¸cos no sentido de os seus pa´ıses continuarem a pertencer `a ordem
mundial refor¸cando as suas liga¸c˜oes econˆomicas com o mundo ocidental isto ´e de volta ao
capitalismo.
O mais importante a reter ´e que os dirigentes ´Africanos procuravam se aliar a um re-
gime que pelo menos lhes dera apoio consider´avel seja do ponto de vista econ´omico,
social, estrat´egico e militar, a ideia de fazer muitos amigos e poucos inimigos. As dividas
aumentaram a dependˆencia do continente africano em rela¸c˜ao as economias ocidentais ao
mesmo tempo corroeram, pelo simples facto, o de n˜ao saber de que lado estar, o conti-
nente africano perdeu investimentos necess´ario para a continua¸c˜ao das suas actividades
onde para os olho dos ocidentais a ´Africa desempenha agora um papel marginal, a esse
respeito o continente africano n˜ao apresenta quaisquer vantagens de concorrˆencia a n´ıvel
internacional.
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A maioria dos pa´ıses africanos agora s´o cumprem com as recomenda¸c˜oes do FMI, que
lhes indica a seguir a estrat´egia de orienta¸c˜ao a exporta¸c˜ao, para beneficiar o ocidente
enquanto a pobreza se agrava na periferia ou seja nos pa´ıses onde sai a mat´eria prima.
6.3 A Coopera¸c˜ao regional
A coopera¸c˜ao regional foi uma alternativa proposta pelos pa´ıses africanos no in´ıcio da
d´ecada 80, como uma vontade de cooperar regionalmente, mas as realidades geopol´ıticas
da regi˜ao n˜ao permitiram que a coopera¸c˜ao SADC se desenvolvesse de modo a tornar-se
uma alternativa real no mundo ocidental.
Este fenˆomeno deve-se ao facto de alguns pa´ıses membros n˜ao terem uma base econˆomica
solida para que decis˜oes pol´ıticas pudessem ter impacto na pr´atica. Por outro lado atrav´es
de diferentes acordos que na verdade ficaram nas gavetas, a dependˆencia da regi˜ao em
rela¸c˜ao a ´Africa do Sul aumentou e o papel destes pa´ıs como denominador regional pode
ser confirmado n´ıtidamente.
No meu entender penso que trata-se de um conjunto de pa´ıses que procuravam de to-
das formas fazer uma coopera¸c˜ao regional, mas por falta de uma base econˆomica fixa e
a n˜ao participa¸c˜ao nesta coopera¸c˜ao de alguns pa´ıses na regi˜ao que s˜ao poderosos econo-
micamente, com grande enfoque para a ´Africa do Sul neste caso considerado o regime da
maioria, trouxe um desequil´ıbrio nesta coopera¸c˜ao, deste modo havendo uma necessidade
de incluir Africa do Sul nesta organiza¸c˜ao de modo a aumentar a complementaridade
interna e as condi¸c˜oes da regi˜ao para um aumento do comercio intra-regional.
A necessidade e as condi¸c˜oes para uma coopera¸c˜ao regional s˜ao tamb´em influenciadas pelo
desenvolvimento pol´ıtico internacional, na medida que a globaliza¸c˜ao do mundo poder´a
criar novas alian¸cas para os pa´ıses do sul por causa da crescente rivalidade entre os pa´ıses
industrializados. Mas mesmo com a abertura desta janela a coopera¸c˜ao regional sul/sul
ira aumentar a marginaliza¸c˜ao da ´Africa o que levaria a obter resultados a partir de baixo
que os dirigentes Africanos n˜ao poderiam atingir de cima. Assim a coopera¸c˜ao regional
n˜ao oferece condi¸c˜oes para um desenvolvimento est´avel a curto prazo.
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6.4 Dependˆencia da Ajuda
´E sabido que a dependˆencia de Mo¸cambique face a ajuda externa ´e muito grande, posso
estimar que 75% do Produto Nacional Bruto (PNB), provem do fluxo da ajuda interna-
cional. Esta grande dependˆencia em rela¸c˜ao `a ajuda internacional reduz a soberania do
pa´ıs e as possibilidades de tomar decis˜oes pol´ıticas independentes.
Um facto muito simples quanto a dependˆencia externa, por exemplo o que estamos a
verificar neste actual momento em Mo¸cambique, o governo esta impossibilitado de tomar
decis˜oes independentes sem antes consultar o Fundo Monet´ario Internacional, que agora
dita as regras do jogo uma vez que nos encontramos no fundo do po¸co, ali´as ´e sempre
assim tendo em conta os pa´ıses que o FMI ajuda ele d´a ajuda financeira e depois dita as
regras do jogo, o que muita das vezes reduz a soberania do pa´ıs.
Ao mesmo tempo que o Estado diminui a sua interven¸c˜ao pol´ıtica e econˆomica, os em-
pres´arios locais s˜ao demasiados fracos para conseguirem um desenvolvimento da economia
do mercado. Os empres´arios locais s˜ao fracos neste ˆambito porque? porque o Estado
como regulador da economia interna muita das vezes estimula o sector privado com as
suas pol´ıticas sejam elas monet´arias ou fiscais, mas quando o Estado encontra-se grande
dependente da ajuda externa isso muita das vezes fragiliza o tecido econ´omico interno,
estou a falar mesmo do sector privado.
Neste contexto a falta de capacidade de recep¸c˜ao do estado a n´ıvel central e local criou
uma situa¸c˜ao em que os pr´oprios mo¸cambicanos s˜ao muita das vezes distanciados do de-
senvolvimento, e simultaneamente a necessidade de ajuda ´e de tal maneira grande que
Mo¸cambique na situa¸c˜ao actual n˜ao tem possibilidade de negar ajuda.
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6.5 Implementa¸c˜ao do programa de reabilita¸c˜ao econˆomica
O outro elemento levando em conta como condi¸c˜ao para o desenvolvimento pacifico das
zonas rurais ´e o programa de recupera¸c˜ao econ´omica e social, que tinha como principal
objectivo trazer a melhorias consider´aveis das condi¸c˜oes de vida da popula¸c˜ao rural.
Mas num contexto em que n˜ao havia paz nem possibilidades de produ¸c˜ao, o crescimento
econ´omico via-se ineficiente. Uma sa´ıda encontrada foi a agricultura de subsistˆencia que
consistia em diminuir as necessidades de importa¸c˜ao de modo a estimular os agricultores
a orientar-se para o aumento da produ¸c˜ao agr´ıcola para a exporta¸c˜ao. Enquanto isso o
Governo de Mo¸cambique tentava formular uma estrat´egia econˆomica, que tenha o apoio
incondicional dos doadores para reabilitar as infra-estruturas f´ısicas, sociais e comerciais
que s˜ao imprescind´ıveis para que a popula¸c˜ao possa voltar a uma vida normal de paz.
Al´em disso, o desenvolvimento pol´ıtico econ´omico internacional indica que pa´ıses como
Mo¸cambique ir˜ao ter dificuldade em conservar o actual n´ıvel de ajuda internacional. Nesta
parte tamb´em existem tendˆencias que apontem, clara e n´ıtidamente, para uma estabi-
liza¸c˜ao.
6.6 Pol´ıtica de distribui¸c˜ao regional do governo
Existem pelo menos duas circunstˆancias importantes sobre a pol´ıtica de distribui¸c˜ao re-
gional em Mo¸cambique, a primeira ´e que alguns partidos pol´ıticos agem como defensores
dos interesses regionais ou ´etnicos neste caso (Renamo e MDM), na medida que a guerra
que isolou as diferentes partes do pa´ıs uma das outras.1
A outra circunstˆancia importante
´e o resultado da pol´ıtica regional exercida pela Frelimo, ou seja a concentra¸c˜ao de recursos
num n´umero pequeno de projectos que ao mesmo tempo estes projectos n˜ao beneficiam
a toda popula¸c˜ao num contexto regional. Consta-se tamb´em um desequil´ıbrio na distri-
bui¸c˜ao de recurso entre cidade e o campo mesmo os investimentos feitos nas prov´ıncias
mais long´ınquas tem uma tendencia para n˜ao favorecer as zonas rurais.
Pareces que as zonas rurais desde os tempos da colonialismo foram consideradas como
sendo apenas produtoras de m˜aos-obra barata e mat´eria prima bruta, mas de tudo o
1
Uma das quest˜oes que ´e levantada neste contexto ´e a existˆencia de um desenvolvimento desequilibrado
entre o Centro, Norte e Sul, a popula¸c˜ao do centro e norte do Pa´ıs parece ser odiada pelo povo do sul, o
que muita das vezes leva a criar conflitos ´etnicos at´e mesmo armados. O que leva alguns partidos pol´ıticos
a agir na defensiva contra os abusos praticados pelo partido no poder.
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que fazem nem se quer volta para eles com a m´axima efetividade, nos ´ultimos anos em
Mo¸cambique parece que este cen´ario tem sido revertido uma vez que se considera o distrito
como polo de desenvolvimento. Mas mesmo com este facto o redistribui¸c˜ao dos recursos
para estas zonas tem sido feita de uma forma ineficiente principalmente em zonas em que
a oposi¸c˜ao tem poder exacerbado.
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7 Referˆencias Bibliografica
1. FERNANDO, Cardoso. H. Faleto. Dependˆencia e Desenvolvimento na Am´erica-Latina
9a
Ed. Civiliza¸c˜ao Brasileira. Rio de Janeiro 2010.
2. FURTADO, Celso. Introdu¸c˜ao ao Desenvolvimento, 3a
Ed, Paz e Terra, S˜ao Paulo
2000.
3. HANS, Abrahamsson. Anders, Nilson. Mo¸cambique em Transi¸c˜ao (1974-1992), Insti-
tuto Superior de Rela¸c˜oes Internacionais. Maputo S/A.
4. HIRSCHMAN. O. Albert. Estrat´egia do Desenvolvimento Economico, Ed. Fundo de
Cultura. S˜ao Paulo 1961.
5. SUNKEL, Osvaldo. Desenvolvimento, Subdesenvolvimento, Dependˆencia, Margina-
liza¸c˜ao e Desigualdade Espacial. Record. S˜ao Paulo 2000.
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Configuaracao e desenvolvimento

  • 1.
    Faculdade de Letrase Ciˆencias Sociais Departamento de Ciˆencias Pol´ıtica e Administra¸c˜ao P´ublica Curso: Licenciatura em Administra¸c˜ao P´ublica Disciplina: Configura¸c˜ao de Desenvolvimento e Rela¸c˜oes de Poder Resumo Configura¸c˜oes do Desenvolvimento & Rela¸c˜oes de Poder Docente: Francisco da Concei¸c˜ao, Ph.D Licenciando: Nelson Tom´as Vetevene Maputo, 5 de Maio de 2018
  • 2.
    Universidade Eduardo MondlaneFLCS Sum´ario 1 INTRODUC¸ ˜AO 1 2 Desenvolvimento Econ´omico 2 2.1 A pesquisa do Premium Mobile . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2 2.1.1 Recursos Naturais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2 2.1.2 O Capital . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2 2.1.3 Capacidade de Organiza¸c˜ao e Direc¸c˜ao . . . . . . . . . . . . . . . . 2 2.2 A importˆancia de ser um Pa´ıs Retardado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3 2.3 A ideia da Transforma¸c˜ao como Obst´aculo a Transforma¸c˜ao . . . . . . . . 4 2.4 A necessidade de Processos de Incentivos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4 3 Desenvolvimento Enfoque Hist´orico-estrutural 6 3.1 Desenvolvimento-Subdesenvolvimento:Problem´atica Actual . . . . . . . . . 6 3.2 As dimens˜oes do Conceito de Desenvolvimento . . . . . . . . . . . . . . . . 6 3.3 Vis˜ao sint´etica do processo de Desenvolvimento . . . . . . . . . . . . . . . 8 4 Desenvolvimento na Am´erica Latina 10 4.1 An´alise Integrada de Desenvolvimento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10 4.2 Contextualiza¸c˜ao . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10 4.3 Subdesenvolvimento, Periferia e Dependˆencia . . . . . . . . . . . . . . . . . 11 4.4 O Subdesenvolvimento Nacional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12 5 Mecanismo de Transferˆencia de Renda 14 5.1 Desenvolvimento, Subdesenvolvimento & Dependˆencia . . . . . . . . . . . 14 5.2 Mecanismos de Transferˆencia da Renda . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14 5.3 Estrutura do Sistema Econ´omico Mundial . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17 6 Mo¸cambique em Transi¸c˜ao 1974-1992 19 6.1 Desenvolvimento a Curto Prazo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19 6.2 Desenvolvimento da economia pol´ıtica internacional . . . . . . . . . . . . . 20 6.3 A Coopera¸c˜ao regional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21 6.4 Dependˆencia da Ajuda . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22 6.5 Implementa¸c˜ao do programa de reabilita¸c˜ao econˆomica . . . . . . . . . . . 23 6.6 Pol´ıtica de distribui¸c˜ao regional do governo . . . . . . . . . . . . . . . . . 23 Vetevene@gmail.com i
  • 3.
    Universidade Eduardo MondlaneFLCS 7 Referˆencias Bibliografica 25 Vetevene@gmail.com ii
  • 4.
    Universidade Eduardo MondlaneFLCS 1 INTRODUC¸ ˜AO As presentes resenhas foram elaborada no contexto da disciplina Configura¸c˜ao Desenvol- vimento & Rela¸c˜oes de Poder, como forma de aprimorar os conhecimentos obtidos nesta disciplina, e a percep¸c˜ao da mat´eria dada no percurso das aulas. S˜ao resenhas cr´ıticas na medida que n˜ao se cinge apenas em resumir a informa¸c˜ao obtida mas tamb´em dar o meu contributo, meu ponto de vista ou seja fazer algumas cr´ıticas a medida que vou abordando os assuntos inerentes a estas teorias sobre desenvolvimento, depedˆencia centro e periferia aqui apresentadas. As resenhas est˜ao apresentado em forma de cap´ıtulos, dada a explica¸c˜ao que o docente deixou sobre a elabora¸c˜ao das resenhas, em algumas fases pode parecer que os cap´ıtulos estejam repetidos mas n˜ao ´e a mesma coisa, a verdade ´e que foi feita a escolha de cap´ıtulos tendo em conta a obra de cada autor com a mat´eria ligadas ao desenvolvimento. Num primeiro cap´ıtulo vamos encontrar a obra de Albert Hirschman, intitulada ”Estra- tegia de Desenvolvimento Econ´omico” no seu capitulo 1, onde procurei de todas formas trazer o seu pensamento sobre o desenvolvimento na periferia, cr´ıticar o autor tendo em conta os elementos por ele abordados como sendo motores para o desenvolvimento para os pa´ıses do sul que sofrem de subdesenvolvimento. Segue-se com o texto de Celso furtado, Introdu¸c˜ao ao Desenvolvimento no seu cap´ıtulo 2, intitulado desenvolvimento e subdesenvolvimento, mas adiante fez-se an´alise do texto de Henrique Cardoso, an´alise integrada de desenvolvimento, na mesma linha de pensa- mento fez an´alise e cr´ıtica dos textos de Osvaldo Sunkel Desenvolvimento, Subdesenvolvi- mento, Dependˆencia, Marginaliza¸c˜ao e desigualdades espaciais e por fim o texto de Hans Abrahansson, Mo¸cambique em Transi¸c˜ao. Vetevene@gmail.com 1
  • 5.
    Universidade Eduardo MondlaneFLCS 2 Desenvolvimento Econ´omico Autor: Albert O. Hirchman 2.1 A pesquisa do Premium Mobile O problema de desenvolvimento econ´omico apresentou uma lista enorme de factores e condi¸c˜oes, de requisito pr´evios e dentro deles podemos citar: 2.1.1 Recursos Naturais Desde os tempos das viagens de explora¸c˜ao, passando da primeira guerra mundial 1914 at´e a grade cr´ıse de super produ¸c˜ao de 1929, os recursos naturais constitu´ıram o centro das aten¸c˜oes quando o assunto fosse o desenvolvimento de um Pa´ıs, mas n˜ao surtiu efeito porque existiam pa´ıses com grande quantidade recursos naturais mas n˜ao havia sinais de desenvolvimento. 2.1.2 O Capital Mas tarde o capital, uma entidade criada pelo homem e capaz de se expressar quanti- tativamente, passou a ser considerado o principal factor de desenvolvimento. Primeiro acreditava-se que os pa´ıses subdesenvolvidos pudessem apenas obter, pelos seus pr´oprios esfor¸cos ou pelo aux´ılio exterior, ac´umulo suficiente de capital, teria capacidade de reali- zar a sua tarefa de desenvolvimento. Mas essa cren¸ca na sua importˆancia estrat´egica do capital foi progressivamente colapsando com o passar do tempo. 2.1.3 Capacidade de Organiza¸c˜ao e Direc¸c˜ao A capacidade de organiza¸c˜ao e direc¸c˜ao ocupa actualmente nos documentos oficiais uma posi¸c˜ao privilegiada, pelo menos equivalente a do capital. Mas com passar do tempo este modelo tamb´em poder ter seu fim porque o processo de desenvolvimento funciona como um c´ırculo vicioso. Mas sobre o processo de desenvolvimento acreditava-se que os pa´ıses j´a desenvolvidos como sendo os primeiros a alcan¸car este nivel, imaginava-se que podiam criar pol´ıticas para alcan¸car o desenvolvimento nos pa´ıses que sofriam de subdesenvolvi- mento. No entanto ´e preciso frisar que n˜ao existe uma formula pol´ıtica ou t´ecnica para desenvolver os pa´ıses retardados, que sofre do subdesenvolvimento, sem antes procurar conhecer a sua hist´oria econˆomica e social que deram origem ao subdesenvolvimento. Vetevene@gmail.com 2
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    Universidade Eduardo MondlaneFLCS 2.2 A importˆancia de ser um Pa´ıs Retardado Para desenvolver este subcap´ıtulo primeiro come¸co por afirmar que nenhum pa´ıs torna-se importante quando se trata de retardar o seu desenvolvimento para criar um desenvolvi- mento menos espontˆaneo e mais reflectido do que ocorreu nos pa´ıses onde o processo teve o seu arcabou¸co. H´a teorias que defendem que quando se inicia um processo de desenvolvimento acelerado, chega-se a um ponto em que as vantagens impl´ıcitas no r´apido desenvolvimento ser˜ao mais do que compensat´orias dos obst´aculos ao progresso econ´omico, inerente ao Estado de atraso da economia. Na verdade esta teoria tenta explicar claramente que o processo de desenvolvimento dos pa´ıses retardados n˜ao ´e geralmente atrasado por deficiˆencia ob- jectivas, ou pela ausˆencia de pr´e-requisitos, mas porque n˜ao h´a requisitos estabelecidos para o desenvolvimento econ´omico, o que torna imposs´ıvel estatuir um n´umero fixo de configura¸c˜oes rumo ao desenvolvimento. Bom eu penso que os pa´ıses subdesenvolvidos procuram chegar ao desenvolvimento a todo custo sem saber quais s˜ao os processo a seguir para chegar a este cume, e nem pelo menos tentam para errar e depois descobrir quais as modifica¸c˜oes do seu pr´oprio meio social s˜ao requeridas no curso do processo de desenvolvimento, `a medida que tomaram iniciativas erradas e em que acertarem superar˜ao sucessivos obst´aculos. Vetevene@gmail.com 3
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    Universidade Eduardo MondlaneFLCS 2.3 A ideia da Transforma¸c˜ao como Obst´aculo a Transforma¸c˜ao O sentimento de que a transforma¸c˜ao e o progresso s˜ao poss´ıveis e desej´aveis esta pre- destinado a uma for¸ca de alto dinamismo numa sociedade at´e ent˜ao estacionaria. Bom para perceber o processo de transforma¸c˜ao em uma sociedade estacion´aria, ´e preciso ter me conta que o progresso econ´omico primeiro ir´a se impor a consciˆencia de tal sociedade, onde cada individuo membro desta colectividade cogitara a transforma¸c˜ao como algo que deve atingir toda a sociedade ao que o autor designou de transforma¸c˜ao ou progresso grupal. Hoje nos pa´ıses subdesenvolvidos, o apelo ao comunismo, a sociedade tradicional, de- rivam do facto de que pretende conciliar as exigˆencias da transformacao que se manifesta vigorosamente nestes pa´ıses. Eu penso que a ideia principal do autor ´e tentar mostrar que o desenvolvimento tamb´em pode ser feito a partir da um conluio grupal, onde dentro deste cada um desenvolve a sua actividade, ou seja tem um papel a desempenhar, onde todos procuram alcan¸car o mesmo objectivo o desenvolvimento. 2.4 A necessidade de Processos de Incentivos O processo de desenvolvimento tem uma caracter´ıstica especial n˜ao se relaciona com falta de deste ou daquele factor, mas combina¸c˜ao de v´arios factores indispens´aveis como ele- mentos (capital e educa¸c˜ao) que precisam ser equacionados e combinados com outros elementos para produzir o desenvolvimento econ´omico. Assim sendo quando esses elementos n˜ao s˜ao equacionados gera atraso devido `a insu- ficiˆencia num´erica, ao ritmo das decis˜oes de desenvolvimento e a realiza¸c˜ao das tarefas desenvolvimentistas. Mas na minha opini˜ao esta teoria est´a em grade parte em desacordo com outras literaturas desenvolvidas sobre o desenvolvimento, na medida que ela exclui v´arios obstaculo ao progresso econ´omico, tais como: sistema de press˜ao, fam´ılia, instabili- dade administrativa e a carˆencia de educa¸c˜ao t´ecnica, deduzindo tais elementos atrav´es de remo¸c˜ao de um ou mais obst´aculos que desprenderiam ou favorecessem o desenvolvimento. Vetevene@gmail.com 4
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    Universidade Eduardo MondlaneFLCS O autor alia isso ao processo de adop¸c˜ao de pol´ıticas monet´arias fracas que muita das vezes os seus efeitos n˜ao s˜ao de curto prazo mas sim longo prazo, o que de alguma forma n˜ao garante o processo de remo¸c˜ao de obst´aculos, ou seja n˜ao vai al´em de aprova¸c˜ao de decis˜oes para recupera¸c˜ao da economia. A ideia de tomada de decis˜ao na economia ´e familiar, porque procura em primeiro lu- gar a distin¸c˜ao entre as decis˜oes de investimento autˆonomo e induzidas cada uma delas com efeitos diferenciados na economia. Nos pa´ıses em via de desenvolvimento o grade dilema est´a na capacidade de tomar decis˜oes com recursos escasso, o que muita das vezes condiciona a outras carˆencias e dificuldades nestes pa´ıses retardados. Um factor de produ¸c˜ao escasso se economiza, reduzindo-lhe as propor¸c˜oes em rela¸c˜ao a outros factores espalhando-lhe levemente sobre os demais factores que se desp˜oe com maior fractura. Mas aconselha-se que este m´etodo n˜ao pode ser usado no caso de fomentar decis˜oes desde que cada passo de desenvolvimento requer sua pr´opria decis˜ao. Vetevene@gmail.com 5
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    Universidade Eduardo MondlaneFLCS 3 Desenvolvimento Enfoque Hist´orico-estrutural 3.1 Desenvolvimento-Subdesenvolvimento:Problem´atica Actual Autor: Celso Furtado 3.2 As dimens˜oes do Conceito de Desenvolvimento O conceito de desenvolvimento de tem sido utilizado com referˆencia `a hist´oria contem- porˆanea, em dois sentidos destintos. O primeiro diz respeito `a evolu¸c˜ao de um sistema social de produ¸c˜ao `a medida que este, mediante a acumula¸c˜ao e o progresso das t´ecnicas torna-se mais eficaz, ou seja eleva a produtividade do conjunto de suas for¸cas de trabalho. O segundo sentido faz-se referˆencia ao conceito de desenvolvimento relacionado-se com o grau de satisfa¸c˜ao das necessidades humanas, ou seja um desenvolvimento efectivo em que o povo senti quando se satisfaz as necessidades sociais para n˜ao dizer colectivas. Portanto existe um certo dilema, quando se trata de relacionar estes dois conceitos de desenvolvimento que at´e certo ponto podem ser objectivos. Uma coisa ´e a satisfa¸c˜ao das necessidades humanas tais como, alimenta¸c˜ao, vestu´ario e habita¸c˜ao, estes trˆes que con- sequentemente ampliam a expectativa de vida da popula¸c˜ao. Outra coisa ´e o incremento da efic´acia do sistema de produ¸c˜ao, que de certa forma ´e considerado o indicador principal do desenvolvimento, mas que por sua vez p˜oe em causa as condi¸c˜oes de vida da popula¸c˜ao, na medida em que a disponibilidade de recursos e a eleva¸c˜ao dos padr˜oes de vida da popula¸c˜ao podem ocorrer na ausˆencia de modifica¸c˜ao nos processo produtivos. Ou seja satisfazer as necessidades da popula¸c˜ao, sem provocar uma degrada¸c˜ao das condi¸c˜oes de vida da mesma. N˜ao ´e de mais assinalar que a ac¸c˜ao produtiva do homem tem cada vez mais como con- trapartida processos naturais irrevers´ıveis, tais como degrada¸c˜ao de energia, tendentes a aumentar a entropia do universo. O est´ımulo `as t´ecnicas apoiadas na utiliza¸c˜ao intensiva de energia, fruto da vis˜ao de curto prazo engendra a apropria¸c˜ao privada dos recursos n˜ao-renov´aveis, agrava esta tendˆencia, fazendo do processo econ´omico uma ac¸c˜ao crescen- Vetevene@gmail.com 6
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    Universidade Eduardo MondlaneFLCS temente predat´oria. A subordina¸c˜ao da actividade t´ecnica aos interesses de reprodu¸c˜ao de uma sociedade fortemente inigualit´aria e de elevado potencial de acumula¸c˜ao ´e a causa de alguns aspec- tos paradoxais da civiliza¸c˜ao contemporˆanea. Como ´e sabido que, mesmo nos pa´ıses em que mais avan¸cou o processo de acumula¸c˜ao, parte da popula¸c˜ao n˜ao alcan¸ca o n´ıvel de renda real necess´aria para satisfazer o que se considera como sendo necessidades elemen- tares. Assim sendo a elimina¸c˜ao da pobreza dentro da riqueza ´e um processo dif´ıcil enquanto existirem avan¸cos de acumula¸c˜ao, mas simultaneamente este avan¸co n˜ao chegar para to- dos. Foi em fun¸c˜ao dos valores desta civiliza¸c˜ao material que se formou a consciˆencia das desigualdades internacionais de n´ıveis de vida, do atraso acumulado do subdesen- volvimento. O internacional atraso acumulado e desigualdade dos n´ıveis de vida, levou a reflex˜ao sobre o desenvolvimento no per´ıodo subsequente `a segunda guerra mundial, como causa principal de tomada de consciˆencia do atraso econ´omico em que vive grande maioria da humanidade. Indicadores mais espec´ıficos, tais como a mortalidade infantil, incidˆencia de enfermidades contagiosas, grau de alfabetiza¸c˜ao e outros logo foram recordados, o contribuiu para com- binar as ideias de desenvolvimento, bem-estar social, moderniza¸c˜ao em fim tudo o que sugeria acesso `as formas de vida criadas pela civiliza¸c˜ao industrial. Com efeito, durante todo este per´ıodo, o debate sobre o desenvolvimento, centrou-se em quest˜oes cuja dimens˜ao pol´ıtica era determinante: degrada¸c˜ao dos termos de intercˆambio externo, inadequa¸c˜ao dos sistemas de pre¸cos na orienta¸c˜ao dos investimentos, debilidade de acumula¸c˜ao em sociedades expostas ao efeito de demostra¸c˜ao, insuficiˆencia de insti- tui¸c˜oes tradicionais em face das novas fun¸c˜oes do Estado, inadequa¸c˜ao da tecnologia im- portada relativamente `a oferta potencial de factores e as dimens˜oes do mercado interno, tendˆencia a concentra¸c˜ao da renda, infla¸c˜ao crˆonica, desiquil´ıbrio permanente no balan¸co de pagamento e assim por diante, havendo necessidade de se tra¸car novos caminhos. Vetevene@gmail.com 7
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    Universidade Eduardo MondlaneFLCS 3.3 Vis˜ao sint´etica do processo de Desenvolvimento A acelera¸c˜ao da acumula¸c˜ao de capais mais conhecido hoje em dia como a revolu¸c˜ao indus- trial, apresenta desde o in´ıcio duas fazes distintas: A primeira retrata da transforma¸c˜ao do modo de produ¸c˜ao ou seja, o processo de destrui¸c˜ao total ou parcial das formas fa- miliares, artesanais, senhorial e corporativa de organiza¸c˜ao de produ¸c˜ao, e de progressiva implementa¸c˜ao de mercados de ingredientes da produ¸c˜ao: m˜ao-de-obra e recurso naturais apropriados privadamente. Essa transforma¸c˜ao no sistema de domina¸c˜ao social respons´avel pela organiza¸c˜ao de produ¸c˜ao abriu mais amplos canais `a divis˜ao do trabalho e ao avan¸co das t´ecnicas, o que realimentaria o processo acumulativo. A segunda face reflete a ativa¸c˜ao das activida- des comerciais, mais precisamente, da divisao do trabalho inter-regional. Neste contexto podemos notar que a forma¸c˜ao do sistema econ´omico mundial apoiou- se, assim, tanto do processo de transforma¸c˜ao das estruturas sociais como no processo de moderniza¸c˜ao do estilo de vida. Assim sendo Desenvolvimento e Subdesenvolvimento, como express˜ao de estruturas sociais, que viriam ser resultantes da prevalˆencia de um ou outros desses dois processos. Portanto ´e de capital importˆancia considerar o desenvolvimento e o subdesenvolvimento como situa¸c˜oes hist´oricas distintas, mas derivadas de um mesmo impulso inicial e ten- dendo a refor¸ca-se mutuamente. Neste ˆambito para compreender o desenvolvimento, ´e necess´ario observar como parte de um todo e como express˜ao da dinˆamica do sistema econ´omico mundial engendrado pelo capitalismo industria. A industrializa¸c˜ao retardada que teria lugar nos pa´ıses que se havia inserido no sistema econ´omico mundial pela via de moderniza¸c˜ao faziam concorrˆencia com as importa¸c˜oes e n˜ao com as actividades artesanais pr´e-existentes como acontecia nos pa´ıses pr´e-capitalistas. Da´ı que as estruturais sociais destes pa´ıses seja t˜ao distintas se comparando com as que se constitu´ıram ali onde avan¸caram paralelamente e diversifica¸c˜ao da demanda ou seja nos pa´ıses de origem. Vetevene@gmail.com 8
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    Universidade Eduardo MondlaneFLCS A mecaniza¸c˜ao das infra-estruturas e as transforma¸c˜oes impostas `a agricultura pelo esfor¸co de exporta¸c˜ao e pela evolu¸c˜ao da demanda interna, bem como o impacto da in- dustrializa¸c˜ao na constru¸c˜ao civil, p˜oe em marcha um longo processo de destrui¸c˜ao de formas de emprego que o ritmo de acumula¸c˜ao estava longe de neutralizar. A intensa e ca´otica urbaniza¸c˜ao, presente na totalidade dos pa´ıses subdesenvolvidos, ´e manifesta¸c˜ao directa desse processo de desestrutura¸c˜ao social. As massas demogr´aficas, que a modifica¸c˜ao das formas de produ¸c˜ao privam de suas ocupa¸c˜oes tradicionais, buscam abrigo em sistemas subculturais urbanos, as ditas po- pula¸c˜oes marginais, s˜ao a express˜ao de uma estratifica¸c˜ao social que tem suas ra´ızes na moderniza¸c˜ao. Foi este esfor¸co que visava unificar o quadro conceitual dessa problem´atica que produziu a teoria da dependˆencia. A reflex˜ao sobre o desenvolvimento, ao conduzir uma progressiva aproxima¸c˜ao da teoria de acumula¸c˜ao com a teoria de estratifica¸c˜ao social e com a teoria de poder, constituiu-se em ponto de convergˆencia das distintas ciˆencias sociais. A primeira ideia sobre o desen- volvimento econ´omico, definido como aumento do fluxo de bens e servi¸cos mais r´apidos que a expans˜ao demogr´afica, foram progressivamente substitu´ıdos por outras referidas a transforma¸c˜ao do conjunto de uma sociedade `as quais um sistema de valores. Com tudo a tem´atica tradicional circunscrita aos obst´aculos ao desenvolvimento tendeu a ser substitu´ıda por outra sa´ıda do debate sobre os limites ao crescimento, estilo de desen- volvimento e os tipos de sociedade a ordem mundial. Por outro lado, a cr´ıtica a l´ogica dos mercados levou a uma clara percep¸c˜ao do impacto do ecossistema de um tipo de socie- dade que impulsa `a a acumula¸c˜ao e ao mesmo reproduz necessariamente as desigualdades, ao car´acter interdisciplinar da reflex˜ao sobre o desenvolvimento deve-se, seguramente de todas as maneiras o horizonte por aberto, que contribuiu para a aprofundar a consciˆencia cr´ıtica do homem contemporˆaneo. Vetevene@gmail.com 9
  • 13.
    Universidade Eduardo MondlaneFLCS 4 Desenvolvimento na Am´erica Latina 4.1 An´alise Integrada de Desenvolvimento Autor: Fernando Henrique Cardoso & Enzo Faleto 4.2 Contextualiza¸c˜ao Fernando Henrique Cardoso tamb´em conhecido como (FHC), foi nascido aos 18 de Junho de 1931 na cidade do Rio de Janeiro ´e um Soci´ologo, Ciˆentista Pol´ıtico, Professor Univer- sit´ario e escritor brasileiro. Foi o 34o presidente da Rep´ublica Federativa brasileira entre 1995 e 2003. Figura 1: Fernando Henrique Cardoso Surgiu como intelectual, que entrou para vida pol´ıtica com este perfil e firmou-se como es- tadista. Trabalhou na Comiss˜ao Econ´omica para Am´erica Latina (CEPAL), uma agˆencia que nasceu com intuito de fundar uma base institucional que criasse condi¸c˜oes de desen- volvimento para os pa´ıses da regi˜ao, defen- dia que os pa´ıses Latino-Americanos s´o se de- senvolveriam a partir da montagem de uma m´aquina industrial orientado pela ac¸c˜ao es- tatal. Portanto Fernando Henrique Cardoso e Enzo Faletto, formulam uma an´alise que encontra os condicionantes do processo de desenvolvimento no tipo de integra¸c˜ao estabelecido em os diversos grupos sociais, tanto internos como externamente, de forma que o desenvolvi- mento poderia ser interpretado como um processo social. Dentro disso, a supera¸c˜ao da dependˆencia, enquanto um componente estrutural do capi- talismo, pressup˜oe uma articula¸c˜ao entre as for¸cas sociais dominantes internas e os centro hegemˆonicos, e por isso, mais que um car´ater de industrializa¸c˜ao, o desenvolvimento pe- rif´erico deveria ter um car´ater industrializante-associado. Esse movimento de associa¸c˜ao ao capital internacional traria, inevitavelmente, um au- Vetevene@gmail.com 10
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    Universidade Eduardo MondlaneFLCS mento nos graus de concentra¸c˜ao de renda e a abertura ao capital externo um dos pilares do consenso neoliberal. 4.3 Subdesenvolvimento, Periferia e Dependˆencia Bom! a especificidade hist´orica entre desenvolvimento e subdesenvolvimento nasce preci- samente da rela¸c˜ao entre sociedade perif´erica e centrais, que desde o in´ıcio tiveram uma conex˜ao entre sistemas econ´omicos e a organiza¸c˜ao social e pol´ıtica das sociedades sub- desenvolvidas e desenvolvidas. Em todo caso podemos contextualizar o subdesenvolvimento como sendo o produto da expans˜ao do capitalismo comercial e depois do capitalismo industrial, onde al´em de apre- sentar varia¸c˜oes do sistema de produ¸c˜ao ocupou posi¸c˜oes distintas na estrutura global do sistema capitalista. Entre tanto o conceito de subdesenvolvimento, tal como ´e conhecido hoje refere-se mais a uma estrutura de um tipo de sistema econ´omico, com predom´ınio de sector prim´ario e forte concentra¸c˜ao da renda pouca diferencia¸c˜ao dos sistema produtivo e sobre tudo prom´ınio de mercado externo sobre o interno. Na minha linha de pensamento os autores advogam que as quest˜oes de desenvolvimento e depedˆencia j´a tem um hist´orico vinculado entre se na medida em que o subdesenvolvi- mento e dependˆencia tem um hist´orico na expans˜ao das economias dos pa´ıses capitalistas origin´arios. Olhando para as quest˜oes de dependˆencia podemos contextualizar como tendo surgido no quadro hist´orico latino Americano em 1960, como uma tentativa de explicar o desenvolvimento s´ocio-econ´omico na regi˜ao, em especial a partir da sua fase de industri- aliza¸c˜ao. Os autores nas suas abordagens tentam explicar a situa¸c˜ao de depedˆencia na an´alise de desenvolvimento ´e que a integra¸c˜ao das economias subdesenvolvidas ou seja das eco- nomias nacionais com u mundo externo depende do n´ıvel inter-rela¸c˜ao dos grupos sociais entre se com os grupos externos. E de facto estas abordagens desenvolvidas pelos autores faz muito sentido, na medida em, mesmo quando falamos em desenvolvimento e subdesenvolvimento na obra de Celso Vetevene@gmail.com 11
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    Universidade Eduardo MondlaneFLCS Furtado vamos verificar que os mais subdesenvolvidos foram aqueles que tiveram mais contacto com pa´ıses imperialistas. 4.4 O Subdesenvolvimento Nacional O subdesenvolvimento nacional ´e tamb´em um tipo de desenvolvimento interno que muita das vezes depende de v´ınculos e subordina¸c˜oes externas, mas nem sempre, quando se trata de economias nacionais existem algumas que s˜ao est´aveis ou seja (conseguem controlar a sua balan¸ca de pagamento) e existem outras que s˜ao super dependentes como o caso do nosso pa´ıs. Nestas economias a dependˆencia encontra n˜ao s´o a express˜ao interna mas tamb´em o seu verdadeiro car´acter como determinado de rela¸c˜oes estruturais. Se olharmos nesta perspectiva a an´alise da dependˆencia significa que n˜ao se deve considerar como uma vari´avel externa mas a partir das configura¸c˜ao interna e do sistema de rela¸c˜oes entre as deferentes classes sociais no ˆambito das rela¸c˜oes dependentes. Mas para realizarmos estas an´alises temos que deixar de fora a ideia de que as mesmas leis que ditaram o desenvolvimento dos pa´ıses centrais tamb´em podem servir para desenvolver os subdesenvolvidos. Temos que deixar estas ideias de fora porque? porque os pa´ıses hoje desenvolvidos o seu trajecto origin´ario de desenvolvimento passou por v´arias fases: • Primeiro, porque o mercado era controlados pelos propriet´arios dos meios de produ¸c˜ao; • O interesse dos particulares servia para regular as necessidades colectivas; • O mercado actuava como arbitro para dirimir conflito de interesse dos grupos dinˆamicos. Com toda a simplifica¸c˜ao inerente a este esquema, considerava-se que os grupos dirigentes e modo de funcionamento do mercado expressava o interesse geral e que, nestas condi¸c˜oes o mercado funcionava adequadamente como mecanismo regulador dos interesses geral e dos particulares. S´o depois do realizado esfor¸co e in´ıcio da revolu¸c˜ao industrial, foi quando existiram classes populares em condi¸c˜oes de fazer-se presente nas sociedades industriais como forca pol´ıtica participante, o que contribuiu para o ˆexito das economias nacionais nos pa´ıses de desen- volvimento origin´ario, e se consolidando simultaneamente com a expens˜ao do mercado mundial e passando a ocupar principais posi¸c˜oes no sistema de domina¸c˜ao internacional estabelecida. Vetevene@gmail.com 12
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    Universidade Eduardo MondlaneFLCS Com o esquema apresentado sobre o processo de desenvolvimento nos pa´ıses origin´arios, podemos notar alguma heterogeneidade se comparando relativamente aos pa´ıses Latino- Americano. Tendo em conta os dados apresentados podemos notar que existe uma rela¸c˜ao de subordina¸c˜ao e explora¸c˜ao econˆomica o que em muitos pa´ıses dependentes n˜ao s´o na Am´erica Latina, ´Africa especificamente Mo¸cambique estes fenˆomenos n˜ao s˜ao considera- das como patol´ogicos mas sim a maneira real de ser destes pa´ıses. Portanto se no processo do desenvolvimento do capitalismo consegu´ıssemos destinguir as suas diferentes fases tais como, capitalismo mercantil, capitalismo industrial, e finan- ceiro, com certeza n˜ao nos seria pertinente indagar quais destes momento aproxima-se aos pa´ıses do sul, visto que n˜ao constitui economias separadas do mercado capitalista internacional. Mas acontece o contrario, o modo de desenvolvimento dos pa´ıses hoje ca- pitalistas puros s´o se apresentam como desenvolvidos e n˜ao se pode verificar nada no que tange as fases para pelo menos podermos comparar com os pa´ıses em via desenvolvimento. Entretanto ´e necess´ario esclarecer o que significa os termos estrutura da economia e es- trutura social e a rela¸c˜ao da depedˆencia para os pa´ıses do sul durante estes distintos momentos. O mesmo acontece com os conceitos de capitalismo competitivo e o capita- lismo monopolista que podem ter existido como tendˆencia nas trˆes etapas assinaladas do capitalismo, mas que predominaram mais em umas do que em outras forma¸c˜oes sociais concretas. A rela¸c˜ao de dependˆencia configura assim uma conota¸c˜ao de controle de desenvolvimento de outras economias, tanto da produ¸c˜ao de mat´eria-prima assim como a poss´ıvel forma¸c˜ao de outros centros econˆomicos. Portanto as condi¸c˜oes hist´oricas s˜ao diferentes em um caso se estava criando o mercado mundial paralelamente ao desenvolvimento, gracas `a ac¸c˜ao da denominada Bourgeosie conqu´erante, e em outro tenta-se o desenvolvimento quando ja existem rela¸c˜oes de mercado, de ´ındole capitalista, entre ambos os grupos de pa´ıses e quando o mercado se mundial se apresenta dividido entre o mundo capitalista e socialista. O mais importante nesta senda de ideias ´e que n˜ao se pode considerar as diferen¸cas como desvio geral em rela¸c˜ao ao padr˜ao de desenvolvimento; pois os factores, as formas de Vetevene@gmail.com 13
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    Universidade Eduardo MondlaneFLCS conduta e os processos sociais econˆomicos que a priore constituem formas de desvio das imperfeitas realiza¸c˜oes de desenvolvimento, devem ser consideradas fundamentalmente como n´ucleos de an´alise destinada a formar o intelig´ıvel sistema econ´omico e social. 5 Mecanismo de Transferˆencia de Renda 5.1 Desenvolvimento, Subdesenvolvimento & Dependˆencia Autor: Osvaldo Sunkel 5.2 Mecanismos de Transferˆencia da Renda Fazer uma an´alise das diferentes rendas que permitem a manuten¸c˜ao dos paradigmas de consumo internacional em sectores minorit´arios dos pa´ıses subdesenvolvidos, levanta muita das vezes perguntas sobre esta renda. Mas de uma forma mais acurada podemos citar que a fonte de renda das economias subdesenvolvidas s´o podem encontrar-se a luz de quatro elementos: a) Actividade de alta produtividade; b) Transferˆencia da renda das actividades de alta produtividade para sectores sociais n˜ao vinculados a ela; c) Explora¸c˜ao monopol´ısta de mercado de produtos ou factores em sectores de baixa produtividade; d) Transferˆencia externa da renda. Estas quatro formas de obten¸c˜ao de receitas, elas n˜ao s˜ao excludentes mas sim comple- mentares na medida que eles se refor¸cam mutuamente. Com tudo as actividade de maior produtividade tem sido os sectores extrativistas de exporta¸c˜ao, pelo facto da industria manufatureira ter uma consequente estrutura da renda, e uma pol´ıtica deliberada de fo- mento industrial. Mas isso n˜ao significa que outros sectores sejam improdutivos, significa apenas que essa actividade permitem a sobtens˜ao de uma massa consider´avel de receitas globais, gra¸cas a uma produtividade m´edia relativamente alta por homem empregado, a qual por sua vez, Vetevene@gmail.com 14
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    Universidade Eduardo MondlaneFLCS ´e consequˆencia de um n´ıvel maior de capitaliza¸c˜ao e de pre¸cos relativos favor´aveis. Assim a distribui¸c˜ao dessa renda entre os participantes depende de condi¸c˜oes institu- cionais referentes `a concentra¸c˜ao e `a natureza da propriedade dos recursos naturais e do capital, bem como das caracter´ısticas do mercado de trabalho e dos mercados de insumos e produtos dos referidos setores produtivos. Bom neste cap´ıtulo o autor procura apresentar de forma sistematizada o processo de transferˆencia de renda a partir do contexto produtivo, para as fam´ılias empregadas, ou seja busca mostrar a natureza e propriedade dos recursos naturais bem como as carac- ter´ısticas do mercado de trabalho tendo em conta os sector mas produtivos e aqueles que menos produzem e que esperam a redistribui¸c˜ao da renda a partir do aparato estatal, por n˜ao estarem directamente vinculados a nenhum dos sectores produtivos sejam ele mais produtivos ou menos. Neste contexto, nos casos em que a massa da renda ´e produzida consideravelmente, e mesmo assim se encontrando em poucos estabelecimentos, nos quais o mercado de trabalho ´e reduzido e mais qualificado, d´a lugar a um proletariado mais organizado e restrito, neste caso esta elite trabalhadora consegui obter um salario real substancialmente superior `a m´edia da massa assalariada. Em outros casos, nos quais n˜ao se registam as condi¸c˜oes retrocitadas, uma grande massa trabalhadora de qualifica¸c˜ao prec´aria dispersa por numerosas formas de explora¸c˜ao, nas quais n˜ao existem propriamente mercado de trabalho, n˜ao chega a haver uma organiza¸c˜ao de um proletariado, o sal´ario real desses trabalhadores pode manter-se em n´ıveis de sub- sistˆencia n˜ao muito superiores aos dos setores mais primitivos da popula¸c˜ao rural. Ao contr´ario a estes casos existe uma camada privilegiada que olham para o aparato estatal como uma institui¸c˜ao de capital importˆancia, na medida que a partir dos seus mecanismos tribut´arios, capta uma parcela mais ou menos significativa que gera das ca- madas mais produtivas e transfere para outros ramos sociais dentro ou fora da pr´opria receita. Deste modo aqueles sectores que n˜ao est˜ao directamente ligada a actividade produtiva serve-se do aparato estatal como um mecanismo de redistribui¸c˜ao da renda, ou seja o Vetevene@gmail.com 15
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    Universidade Eduardo MondlaneFLCS estado capta e aloca de forma equitativa e ´optima os recurso gerados dos sectores mas produtivos para aqueles sectores n˜ao muito produtivos e se auxiliando da sua politica redistributiva, faz a aloca¸c˜ao destas receitas para outras camadas sociais. Na mesma linha de pensamento estas pessoas com condi¸c˜oes m´ınimas que olham para o Estado como o seu auxiliar, est˜ao em condi¸c˜oes de obter uma renda que lhes permite in- gressar neste c´ırculo de pessoas produtivas mesmo n˜ao realizando actividades produtivas elevadas, desfrutam de condi¸c˜oes institucionais mesmo que esta renda seja relativamente reduzida. Trata-se, tipicamente, dos casos em que h´a um grau elevado de concentra¸c˜ao da pro- priedade dos fatores produtivos ou de situa¸c˜oes de oligopsˆonio ou oligop´olio nos mercados de bens e servi¸cos (poucos compradores para muitos vendedores e poucos vendedores para muitos compradores, respectivamente). Trata-se ainda de atividades econˆomicas com baixa dota¸c˜ao de capital, e portanto com uma baixa produtividade da m˜ao-de-obra, nas quais prevalecem, por conseguinte, formas institucionais e organizacionais de tal or- dem que permitem pagar sal´arios baix´ıssimos e obter benef´ıcios excessivos das transa¸c˜oes de compra e venda. Em toda parte do mundo existem pessoas com rendas altas mesmo n˜ao estando vin- culado a qualquer actividade de capta¸c˜ao de receita. Tratam-se de pessoas que obtˆem esta renda atrav´es de transferˆencias directas do exterior que pertencem a outras estruturas econ´omicas, pol´ıticas, administrativas. De certa forma isso constitui aquilo que chamamos de marginaliza¸c˜ao na maioria dos pa´ıses, na medida que converte-se num factor significa- tivo, quando j´a n˜ao se trata dos casos individuais mas sim de determinados sectores de um pa´ıs que s˜ao maci¸camente subsidiados pelo exterior atrav´es de uma ajuda financeira substancial ao Estado. Em geral, como a estrutura produtiva e de transferˆencia implica uma grande heteroge- neidade de modos de produ¸c˜ao inter-relacionados, vigorosos mecanismos administrativos e, ao mesmo tempo, uma grande desigualdade da renda, a distribui¸c˜ao espacial da ativi- dade econˆomica (nela incluindo o consumo) tende, em geral, para uma forte concentra¸c˜ao urbana. Vetevene@gmail.com 16
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    Universidade Eduardo MondlaneFLCS Assim como, ao mesmo tempo, para uma segrega¸c˜ao intra-urbana, pelo menos nas ci- dades principais, nas quais, como foi anteriormente assinalado, coincidem as atividades econˆomicas (exceto as extrativistas), as estruturas de poder e sua express˜ao administrativa e financeira e os centros de consumo das rendas menores ou maiores, s˜ao convenientemente discriminadas em sua express˜ao espacial. 5.3 Estrutura do Sistema Econ´omico Mundial O sistema econ´omico internacional como qualquer outro sistema social, ´e, simultanea- mente um sistema de poder, um sistema de domina¸c˜ao ou dependˆencia que tem favore- cido sistematicamente, o desenvolvimento dos pa´ıses hoje desenvolvidos e o subdesenvol- vimento dos pa´ıses actualmente subdesenvolvidos. No actual contexto hist´orico, esse sistema internacional passou por diversas fases, que s˜ao as do mercantilismo, liberalismo e o actual que chamamos de neo-mercantilismo, nas quais foram se metamorfoseando tanto o centro principal quanto a natureza de suas for- mas de domina¸c˜ao. Em outras palavras, a principal caracter´ıstica do sistema atual e, provavelmente, do futuro sistema das rela¸c˜oes econˆomicas internacionais ´e a penetra¸c˜ao da economia dos pa´ıses subdesenvolvidos pelos agentes econˆomicos mais poderosos da economia dos pa´ıses desenvolvidos e, muito particularmente, pelos da economia estadual, que ´e o centro predominante do sistema capitalista na actualidade. Vetevene@gmail.com 17
  • 21.
    Universidade Eduardo MondlaneFLCS A conglomera¸c˜ao das grandes firmas, que tiveram o seu arcabou¸co nos Estados Uni- dos, passando para Europa e Jap˜ao, foram se expandindo al´em fronteiras. Estas novas empresas gigantescas propagaram-se pelas economias internacionais em v´arias etapas, que v˜ao desde a exporta¸c˜ao dos seus produtos para outros pa´ıses, cria¸c˜ao de organiza¸c˜oes para a exporta¸c˜ao e venda de produtos no exterior. Estes fenˆomenos econˆomicos levam este processo ao seu apogeu e acabam adquirindo estabelecimentos produtivos locais e acabam se estalando como produtora no exterior, atrav´es de subs´ıdios que v˜ao de propriedade total e parcial, mais inteiramente controladas por elas. Vetevene@gmail.com 18
  • 22.
    Universidade Eduardo MondlaneFLCS 6 Mo¸cambique em Transi¸c˜ao 1974-1992 6.1 Desenvolvimento a Curto Prazo Autores: Hans Abrahamsson & Anders Nilsson Mo¸cambique ´e pa´ıs do continente ´Africano localizado na costa oriental, a sul do equa- dor, na regi˜ao da ´Africa Austral. Encontra-se entre os paralelos de 10◦ 27’ e 26 e 52 de latitude sul, entre os meridianos 30◦ e 42◦ 51’ de longitude Este. ´E uma col´onia portuguesa, alcan¸cou a sua indepedˆencia a 25 de junho de 1975 assim como as outras col´onias portuguesas no caso de Angola que tamb´em alcan¸cou a sua in- dependˆencia no mesmo ano, a descoloniza¸c˜ao de Mo¸cambique e Angola coincidiu com uma resistˆencia crescente, a n´ıvel nacional e internacional, contra o sistema aphartheid na ´Africa do Sul. Mas a hist´oria de Mo¸cambique tem um contexto bastante interessante no que tange ao processo de desenvolvimento. mesmo na era colonial, quando o pa´ıs estava nas m˜aos do colono, Portugal j´a se mostrava fraco na gest˜ao das suas pr´oprias colonias, tendo em conta as leituras que fiz, Portugal procurou de todas as formas arrendar as companhias magest´aticas ao capital estrangeiro e fazer corte de sal´ario dos mo¸cambicanos que´ıam tra- balhar na vizinha ´Africa do Sul isso para poder assegurar a economia interna ao servi¸co da Metr´opole. Ent˜ao a ideia de desenvolvimento local estava muito longe na cachimˆonia do colono, mas isso n˜ao significa que n˜ao tinham tendˆencia de desenvolver Mo¸cambique mas era uma propaga¸c˜ao n˜ao evidente, o faziam com instrumentos obsoletos isto ´e j´a usados na metr´opole. Vetevene@gmail.com 19
  • 23.
    Universidade Eduardo MondlaneFLCS Neste contexto a ideia de desenvolvimento para Mo¸cambique era incerto, mas v´arios factores concorreram a n´ıvel regional e nacional para o desenvolvimento pelo menos a curto prazo, deste factores posso citar: • O desenvolvimento da economia pol´ıtica internacional; • Coopera¸c˜ao regional; • Dependˆencia da Ajuda; • Implementa¸c˜ao do programa de reabilita¸c˜ao econˆomica e social; • Pol´ıtica de distribui¸c˜ao regional do governo. 6.2 Desenvolvimento da economia pol´ıtica internacional Na altura da independˆencia de Mo¸cambique os governos dos pa´ıses do sul exigiram uma nova ordem econˆomica internacional no mundo. Os dirigentes ´Africanos alguns procura- vam abandonar o sistema capitalista, se aliando aos socialista como o caso de Mo¸cambique, mas esta procura era apenas uma fei¸c˜ao porque a partir dos anos 90 os mesmo dirigentes desenvolveram esfor¸cos no sentido de os seus pa´ıses continuarem a pertencer `a ordem mundial refor¸cando as suas liga¸c˜oes econˆomicas com o mundo ocidental isto ´e de volta ao capitalismo. O mais importante a reter ´e que os dirigentes ´Africanos procuravam se aliar a um re- gime que pelo menos lhes dera apoio consider´avel seja do ponto de vista econ´omico, social, estrat´egico e militar, a ideia de fazer muitos amigos e poucos inimigos. As dividas aumentaram a dependˆencia do continente africano em rela¸c˜ao as economias ocidentais ao mesmo tempo corroeram, pelo simples facto, o de n˜ao saber de que lado estar, o conti- nente africano perdeu investimentos necess´ario para a continua¸c˜ao das suas actividades onde para os olho dos ocidentais a ´Africa desempenha agora um papel marginal, a esse respeito o continente africano n˜ao apresenta quaisquer vantagens de concorrˆencia a n´ıvel internacional. Vetevene@gmail.com 20
  • 24.
    Universidade Eduardo MondlaneFLCS A maioria dos pa´ıses africanos agora s´o cumprem com as recomenda¸c˜oes do FMI, que lhes indica a seguir a estrat´egia de orienta¸c˜ao a exporta¸c˜ao, para beneficiar o ocidente enquanto a pobreza se agrava na periferia ou seja nos pa´ıses onde sai a mat´eria prima. 6.3 A Coopera¸c˜ao regional A coopera¸c˜ao regional foi uma alternativa proposta pelos pa´ıses africanos no in´ıcio da d´ecada 80, como uma vontade de cooperar regionalmente, mas as realidades geopol´ıticas da regi˜ao n˜ao permitiram que a coopera¸c˜ao SADC se desenvolvesse de modo a tornar-se uma alternativa real no mundo ocidental. Este fenˆomeno deve-se ao facto de alguns pa´ıses membros n˜ao terem uma base econˆomica solida para que decis˜oes pol´ıticas pudessem ter impacto na pr´atica. Por outro lado atrav´es de diferentes acordos que na verdade ficaram nas gavetas, a dependˆencia da regi˜ao em rela¸c˜ao a ´Africa do Sul aumentou e o papel destes pa´ıs como denominador regional pode ser confirmado n´ıtidamente. No meu entender penso que trata-se de um conjunto de pa´ıses que procuravam de to- das formas fazer uma coopera¸c˜ao regional, mas por falta de uma base econˆomica fixa e a n˜ao participa¸c˜ao nesta coopera¸c˜ao de alguns pa´ıses na regi˜ao que s˜ao poderosos econo- micamente, com grande enfoque para a ´Africa do Sul neste caso considerado o regime da maioria, trouxe um desequil´ıbrio nesta coopera¸c˜ao, deste modo havendo uma necessidade de incluir Africa do Sul nesta organiza¸c˜ao de modo a aumentar a complementaridade interna e as condi¸c˜oes da regi˜ao para um aumento do comercio intra-regional. A necessidade e as condi¸c˜oes para uma coopera¸c˜ao regional s˜ao tamb´em influenciadas pelo desenvolvimento pol´ıtico internacional, na medida que a globaliza¸c˜ao do mundo poder´a criar novas alian¸cas para os pa´ıses do sul por causa da crescente rivalidade entre os pa´ıses industrializados. Mas mesmo com a abertura desta janela a coopera¸c˜ao regional sul/sul ira aumentar a marginaliza¸c˜ao da ´Africa o que levaria a obter resultados a partir de baixo que os dirigentes Africanos n˜ao poderiam atingir de cima. Assim a coopera¸c˜ao regional n˜ao oferece condi¸c˜oes para um desenvolvimento est´avel a curto prazo. Vetevene@gmail.com 21
  • 25.
    Universidade Eduardo MondlaneFLCS 6.4 Dependˆencia da Ajuda ´E sabido que a dependˆencia de Mo¸cambique face a ajuda externa ´e muito grande, posso estimar que 75% do Produto Nacional Bruto (PNB), provem do fluxo da ajuda interna- cional. Esta grande dependˆencia em rela¸c˜ao `a ajuda internacional reduz a soberania do pa´ıs e as possibilidades de tomar decis˜oes pol´ıticas independentes. Um facto muito simples quanto a dependˆencia externa, por exemplo o que estamos a verificar neste actual momento em Mo¸cambique, o governo esta impossibilitado de tomar decis˜oes independentes sem antes consultar o Fundo Monet´ario Internacional, que agora dita as regras do jogo uma vez que nos encontramos no fundo do po¸co, ali´as ´e sempre assim tendo em conta os pa´ıses que o FMI ajuda ele d´a ajuda financeira e depois dita as regras do jogo, o que muita das vezes reduz a soberania do pa´ıs. Ao mesmo tempo que o Estado diminui a sua interven¸c˜ao pol´ıtica e econˆomica, os em- pres´arios locais s˜ao demasiados fracos para conseguirem um desenvolvimento da economia do mercado. Os empres´arios locais s˜ao fracos neste ˆambito porque? porque o Estado como regulador da economia interna muita das vezes estimula o sector privado com as suas pol´ıticas sejam elas monet´arias ou fiscais, mas quando o Estado encontra-se grande dependente da ajuda externa isso muita das vezes fragiliza o tecido econ´omico interno, estou a falar mesmo do sector privado. Neste contexto a falta de capacidade de recep¸c˜ao do estado a n´ıvel central e local criou uma situa¸c˜ao em que os pr´oprios mo¸cambicanos s˜ao muita das vezes distanciados do de- senvolvimento, e simultaneamente a necessidade de ajuda ´e de tal maneira grande que Mo¸cambique na situa¸c˜ao actual n˜ao tem possibilidade de negar ajuda. Vetevene@gmail.com 22
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    Universidade Eduardo MondlaneFLCS 6.5 Implementa¸c˜ao do programa de reabilita¸c˜ao econˆomica O outro elemento levando em conta como condi¸c˜ao para o desenvolvimento pacifico das zonas rurais ´e o programa de recupera¸c˜ao econ´omica e social, que tinha como principal objectivo trazer a melhorias consider´aveis das condi¸c˜oes de vida da popula¸c˜ao rural. Mas num contexto em que n˜ao havia paz nem possibilidades de produ¸c˜ao, o crescimento econ´omico via-se ineficiente. Uma sa´ıda encontrada foi a agricultura de subsistˆencia que consistia em diminuir as necessidades de importa¸c˜ao de modo a estimular os agricultores a orientar-se para o aumento da produ¸c˜ao agr´ıcola para a exporta¸c˜ao. Enquanto isso o Governo de Mo¸cambique tentava formular uma estrat´egia econˆomica, que tenha o apoio incondicional dos doadores para reabilitar as infra-estruturas f´ısicas, sociais e comerciais que s˜ao imprescind´ıveis para que a popula¸c˜ao possa voltar a uma vida normal de paz. Al´em disso, o desenvolvimento pol´ıtico econ´omico internacional indica que pa´ıses como Mo¸cambique ir˜ao ter dificuldade em conservar o actual n´ıvel de ajuda internacional. Nesta parte tamb´em existem tendˆencias que apontem, clara e n´ıtidamente, para uma estabi- liza¸c˜ao. 6.6 Pol´ıtica de distribui¸c˜ao regional do governo Existem pelo menos duas circunstˆancias importantes sobre a pol´ıtica de distribui¸c˜ao re- gional em Mo¸cambique, a primeira ´e que alguns partidos pol´ıticos agem como defensores dos interesses regionais ou ´etnicos neste caso (Renamo e MDM), na medida que a guerra que isolou as diferentes partes do pa´ıs uma das outras.1 A outra circunstˆancia importante ´e o resultado da pol´ıtica regional exercida pela Frelimo, ou seja a concentra¸c˜ao de recursos num n´umero pequeno de projectos que ao mesmo tempo estes projectos n˜ao beneficiam a toda popula¸c˜ao num contexto regional. Consta-se tamb´em um desequil´ıbrio na distri- bui¸c˜ao de recurso entre cidade e o campo mesmo os investimentos feitos nas prov´ıncias mais long´ınquas tem uma tendencia para n˜ao favorecer as zonas rurais. Pareces que as zonas rurais desde os tempos da colonialismo foram consideradas como sendo apenas produtoras de m˜aos-obra barata e mat´eria prima bruta, mas de tudo o 1 Uma das quest˜oes que ´e levantada neste contexto ´e a existˆencia de um desenvolvimento desequilibrado entre o Centro, Norte e Sul, a popula¸c˜ao do centro e norte do Pa´ıs parece ser odiada pelo povo do sul, o que muita das vezes leva a criar conflitos ´etnicos at´e mesmo armados. O que leva alguns partidos pol´ıticos a agir na defensiva contra os abusos praticados pelo partido no poder. Vetevene@gmail.com 23
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    Universidade Eduardo MondlaneFLCS que fazem nem se quer volta para eles com a m´axima efetividade, nos ´ultimos anos em Mo¸cambique parece que este cen´ario tem sido revertido uma vez que se considera o distrito como polo de desenvolvimento. Mas mesmo com este facto o redistribui¸c˜ao dos recursos para estas zonas tem sido feita de uma forma ineficiente principalmente em zonas em que a oposi¸c˜ao tem poder exacerbado. Vetevene@gmail.com 24
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    Universidade Eduardo MondlaneFLCS 7 Referˆencias Bibliografica 1. FERNANDO, Cardoso. H. Faleto. Dependˆencia e Desenvolvimento na Am´erica-Latina 9a Ed. Civiliza¸c˜ao Brasileira. Rio de Janeiro 2010. 2. FURTADO, Celso. Introdu¸c˜ao ao Desenvolvimento, 3a Ed, Paz e Terra, S˜ao Paulo 2000. 3. HANS, Abrahamsson. Anders, Nilson. Mo¸cambique em Transi¸c˜ao (1974-1992), Insti- tuto Superior de Rela¸c˜oes Internacionais. Maputo S/A. 4. HIRSCHMAN. O. Albert. Estrat´egia do Desenvolvimento Economico, Ed. Fundo de Cultura. S˜ao Paulo 1961. 5. SUNKEL, Osvaldo. Desenvolvimento, Subdesenvolvimento, Dependˆencia, Margina- liza¸c˜ao e Desigualdade Espacial. Record. S˜ao Paulo 2000. Vetevene@gmail.com 25