Conceitos Básicos e
Objetivos da Vigilância em
Saúde
Profª. Ma. Keila Sousa
Objetivo da Aula:
Conhecer o conceito de Vigilância em Saúde;
Compreender os objetivos, estrutura e aplicação da Vigilância em Saúde;
Conhecer conceitos importantes para a compreensão da saúde;
Compreender a Abordagem One Health.
Conceito da Vigilância em Saúde
A Vigilância em Saúde é definida
como o processo contínuo e
sistemático de coleta,
consolidação, análise e
disseminação de informações
sobre eventos relacionados à
saúde.
Seu objetivo é o planejamento e
a implementação de medidas de
saúde pública, incluindo a
regulação, intervenção e atuação
sobre os condicionantes e
determinantes da saúde para
proteger e promover a saúde da
população, prevenir e controlar
riscos, agravos e doenças.
Componentes da Vigilância em
Saúde
Atuação da Vigilância
em Saúde em diferentes
áreas:
• Abrangência em todos os níveis de atenção à saúde.
• Detecção, controle e prevenção de doenças transmissíveis;
• Promoção da saúde;
• Na interação com o laboratório,
• No controle de vetores;
• Investigação epidemiológica de campo;
• Fortalecimento da estrutura e a organização dos serviços e
aumentar a capacidade de resposta do Sistema Nacional de
Vigilância em Saúde (SNVS);
• Articulação e construção conjunta na Rede de Atenção à
Saúde do SUS.
• Prontidão para detectar e responder adequadamente às
emergências em saúde pública, estruturada para o
previsível, para o inusitado e para o futuro.
“Preparar-se para o inevitável, prevenindo o indesejável
e controlando o que for controlável”
(Peter Drucker)
Diretrizes Orientadoras do SNVS
 Portarias: Ministério da Saúde (3.252/2009 e 1.378 de 2013)
 Resolução: N° 588, de 12 de julho de 2018 art. 1°, fica instituída a Política Nacional de Vigilância em Saúde (PNVS). Trata-se de um
documento norteador do planejamento das ações de Vigilância em Saúde, com definições claras de responsabilidades, princípios,
diretrizes e estratégias.
O artigo 4º da portaria cita que as ações de Vigilância em Saúde abrangem toda a população brasileira e envolvem práticas e processos de
trabalho voltados para:
 Principais ações:
o Vigilância da situação de saúde da população.
o Resposta às emergências de saúde pública.
o Vigilância, prevenção e controle de doenças transmissíveis e crônicas.
o Vigilância de populações expostas a riscos ambientais em saúde;
o Vigilância da saúde do trabalhador e ambiental.
Vigilância
epidemiológica
Estuda a ocorrência de doenças e outros
agravos prioritários, seus fatores de risco e
suas tendências na população de um
território em um determinado tempo, além
de planejar, executar e avaliar medidas de
prevenção e de controle.
O MS estabelece a Lista Nacional de
Notificação Compulsória de doenças,
agravos e eventos de saúde pública nos
serviços.
Imunização
• As ações de vacinação estão entre as diretrizes e
responsabilidades para a execução de Vigilância em
Saúde e estão definidas em legislação nacional que
aponta que a sua gestão é compartilhada pela
União, pelos Estados, pelo Distrito Federal e pelos
Municípios.
• Instituir a vigilância de eventos adversos pós-
vacinas e a universalidade de atendimento,
aprimorar os sistemas de informação, além de
descentralizar as ações e garantir a capacitação e
atualização técnico-gerencial para seus gestores em
todos os âmbitos
• O acesso universal e gratuito a vacinas eficazes,
seguras e de qualidade vem permitindo importantes
resultados sobre as doenças imunopreveníveis,
acarretando mudanças no padrão de adoecimento e
morte da população brasileira.
Eliminação da Pólio
Sucesso da Vigilância Epidemiológica e
Imunização
• Histórico da Doença:
• Pólio aterrorizava pais no início do século XX
• Contaminação podia levar ao uso do pulmão de aço e danos
musculares irreparáveis
• Situação no Brasil:
• Último caso registrado em 1989
• Certificado de eliminação em 1994
• Sucesso devido à alta cobertura vacinal
• Importância da Vigilância e Imunização:
• Risco de casos importados enquanto a doença não for
erradicada globalmente
• Manter altas taxas de cobertura vacinal e vigilância
constante
• Progresso Global:
• 99,9% de redução nos casos desde 1988
• Casos do vírus selvagem apenas no Afeganistão e Paquistão
nos últimos dois anos
Pulmões de aço: caixa torácica submetida a pressão negativa externa, haveria o seu
deslocamento permitindo a ventilação pulmonar. Acesso em:http
://www.medicinaintensiva.com.br/pulmao-aco-historia-fotos.htm
Eliminação da Rubéola
Exemplo de Sucesso na Vigilância e
Imunização
• Histórico no Brasil:
• Trabalho conjunto da vigilância e assistência à saúde
• Séries de campanhas de prevenção e intensificação das ações de
vacinação desde 2004
• Campanha Nacional de 2008:
• 67,9 milhões vacinados, alcançando 96,7% do público-alvo (20-39 anos)
• 250 milhões vacinados nas Américas contra rubéola e sarampo
• Ações Estratégicas:
• Melhoria das ações de vigilância epidemiológica e diagnóstico de
genótipos
• Avaliação de todas as internações hospitalares de agravos de
notificação compulsória
• Resultados:
• Ausência de novos casos autóctones de rubéola desde 2009
• Presença de assessores técnicos em todos os estados brasileiros,
facilitando a comunicação e estratégias de vacinação
• Desafio Recente:
• Reintrodução do sarampo em 2018: 10.326 casos confirmados em 11
estados
• Em 2019, 5.346 casos e 4 óbitos em 13 unidades federadas
• Ministério da Saúde enviou 19,4 milhões de doses da vacina tríplice
viral para prevenção
Fonte: BRASIL. Ministério da Saúde. Boletins Epidemiológicos sobre a situação do sarampo (2018-2019).
Vigilância em
saúde ambiental
Objetivo: Proporcionar o conhecimento e a
detecção de mudanças nos fatores ambientais
que interferem na saúde humana.
Finalidade: Identificar medidas de prevenção e
controle dos fatores de risco ambientais
relacionados a doenças ou outros agravos à
saúde.
Atribuições:
• Realizar vigilância epidemiológica das
doenças e agravos à saúde humana
associados a contaminantes ambientais.
• Focar em contaminantes como agrotóxicos,
amianto, mercúrio, benzeno e chumbo.
Vigilância em saúde do
trabalhador (VISAT)
Objetivo: Promover a saúde e reduzir a morbimortalidade
da população trabalhadora.
Ações: Integração de ações que intervenham nos agravos e
determinantes decorrentes dos modelos de desenvolvimento
e processos produtivos.
Especificidade: Focar na relação da saúde com o ambiente
e os processos de trabalho.
Participação: Desenvolver práticas sanitárias com a
participação dos trabalhadores em todas as etapas.
Atuação: Contínua e sistemática para detectar, conhecer,
pesquisar e analisar os fatores determinantes dos agravos à
saúde relacionados aos processos e ambientes de trabalho.
Finalidade: Planejar, executar e avaliar intervenções para
eliminar ou controlar os fatores de risco (Portaria GM/MS Nº
3.120/98).
Vigilância sanitária
•Objetivo Principal: Proteção e promoção da saúde,
prevenindo riscos à saúde humana.
•Ações Principais:
•Fiscalização e monitoramento de processos e produtos.
•Aplicação de infrações, intimações, interdição de
estabelecimentos e apreensão de produtos e equipamentos.
•Forma de Atuação:
•Combate às causas de efeitos nocivos à saúde devido a
distorções sanitárias na produção, circulação de bens e
serviços.
•Ação Comunicativa:
•Mobilização e motivação da população para adesão às
práticas sanitárias e promoção da saúde.
•Desafios Atuais:
•Emergência e reemergência de doenças devido a mudanças
nos determinantes e condicionantes do adoecimento, como
urbanização, mobilidade populacional e fatores econômicos,
políticos e comportamentais.
Abordagem One
Health (Saúde Única)
• One Health é uma visão integrada
da saúde composta por três áreas
indissociáveis: humana, animal e
ambiental.
• Propõe a atuação conjunta e a
adoção de políticas públicas efetivas
para prevenção e controle de
doenças e agravos, trabalhando nos
níveis local, regional e nacional.
• Tem como objetivo de reduzir os
riscos para a saúde global.
Conceito de Saúde Única e Zoonoses
Interações Ecológicas: Humanos e animais interagem em vários ambientes,
possibilitando a transmissão de doenças entre eles, chamadas zoonoses.
Aproximadamente 60% das doenças humanas são zoonóticas, segundo a
Organização Mundial da Saúde Animal.
Saúde Única (One Health):
• Origem: Conferência Ministerial Internacional sobre Influenza Aviária
e Pandêmica (2007) na Índia, com a participação de 111 países e 29
organizações internacionais.
• Objetivo: Reduzir riscos de doenças infecciosas resultantes da
interação entre animais, humanos e ecossistemas.
• Estratégia: Colaboração interdisciplinar para a prevenção, vigilância e
detecção de doenças animais, segurança alimentar e resistência a
antimicrobianos.
Impactos das Zoonoses:
• Estatísticas: 2,5 bilhões de casos e 2,7 milhões de mortes anuais; 5
novas doenças humanas surgem anualmente, sendo 3 de origem
animal.
• Desafios:
• Práticas Pecuárias: Falhas em rastreios e tratamentos
profiláticos podem levar à rápida disseminação de zoonoses.
• Animais de Estimação: Negligência nos cuidados e abandono
de animais aumentam o risco de doenças zoonóticas.
Consequências:
• Saúde Pública: A falta de cuidados preventivos e tratamentos
adequados pode agravar as zoonoses e impactar a saúde pública.
Em resumo:
Fator (Causa) Mudança (Efeito)
A população está crescendo e se expandindo para novas áreas geográficas. Como resultado, mais pessoas vivem em contato próximo com animais selvagens e
domésticos. O contato próximo fornece mais oportunidades para que doenças passem
entre animais e pessoas.
A terra sofre mudanças climáticas e aumentou o uso indevido da terra, como
desmatamento e práticas agrícolas intensivas.
Interrupções nas condições ambientais e habitats fornecem novas oportunidades para
doenças passarem para os animais.
Aumento de viagens internacionais e comércio. As doenças e patógenos podem se espalhar rapidamente pelo mundo.
Avanços na Saúde Pública no Brasil
Estratégias de Integração Bem-Sucedidas: Redução da Mortalidade Infantil
• Sucesso: Redução de 73% na mortalidade infantil no Brasil (60,8 óbitos por mil nascidos vivos em
1990 para 16,4 em 2015).
• Meta da ONU: Reduzir em 66% a mortalidade infantil; Brasil superou a média mundial em 20%.
• Global: Taxa global caiu de 91 para 43 mortes por mil nascidos vivos (redução de 53%).
Fatores Contribuintes
• Ampliação da Atenção Básica
• Acesso à Vacinação
• Melhoria das Taxas de Aleitamento Materno
• Educação Materna
• Redução da Pobreza: Programas de transferência de renda
Impactos Positivos: Quase extinção de internações por desnutrição e doenças
imunopreveníveis (sarampo, difteria, tétano neonatal, poliomielite, varíola, rubéola,
meningites) e por diarreia ou pneumonia.
Avanços na Saúde Pública no
Brasil
Programa Nacional de Controle do Tabagismo
Ratificação: Convenção-Quadro da OMS para Controle do
Tabaco ratificada pelo Brasil em novembro de 2005 e
promulgada em janeiro de 2006.
Objetivo: Política de Estado com foco na implementação
de medidas de controle do tabaco.
Ações Principais:
• Educação e Comunicação: Treinamento e
conscientização.
• Redução da Demanda: Medidas contra a dependência
e para abandono do tabaco.
• Trabalho em Rede: Criação de um ambiente favorável
às medidas de controle.
Medidas Regulatórias:
• Proibição de propagandas em rádio e TV
• Proibição de fumar em locais fechados
Vamos
exercitar
Maxcity é um município que possui um pouco mais de 800 mil
habitantes, do interior do estado de Unilândia. A cidade está
enfrentando um surto de sífilis e há preocupação especial, por parte
das autoridades sanitárias locais, em relação às grávidas porque a
doença está relacionada com complicações na gestação e
malformações fetais. Na tentativa de controlar a transmissão vertical
da doença, o município passou a realizar teste rápido para detecção
de sífilis em todas as grávidas acompanhadas pelo pré-natal na
atenção primária à saúde. As grávidas diagnosticadas com a doença
passaram a ser notificadas por meio da ficha de notificação
compulsória específica, seguindo o fluxo de informação para a
Secretaria Municipal de Saúde de Maxcity e depois para a Secretaria
Estadual de Saúde de Unilandia. O estado encaminha rotineiramente
os casos ao Ministério da Saúde, por meio do Sistema de Informação
de Agravos de Notificação (SINAN). Foi possível analisar o cenário
epidemiológico da sífilis no município, utilizando os dados das
notificações. Dessa maneira, o estado e o município puderam estimar
a quantidade de insumos necessários para o tratamento das grávidas
e de seus parceiros. Além disso, uma campanha para a prevenção da
sífilis foi realizada, incentivando o uso de preservativos durante as
relações sexuais e bem como a realização de testagem na população
com fatores de risco para o adoecimento por sífilis
Agora, liste cinco estratégias implementadas em Maxcity na
tentativa de conter a epidemia de sífilis em gestantes.
Respostas:
1. Realização de Testes Rápidos para Sífilis:
1. Testes rápidos são realizados em todas as grávidas durante o pré-natal na atenção primária à saúde para a detecção
precoce da sífilis.
2. Notificação Compulsória:
1. As grávidas diagnosticadas com sífilis são notificadas por meio da ficha de notificação compulsória específica,
seguindo um fluxo de informações da Secretaria Municipal de Saúde de Epicity para a Secretaria Estadual de Saúde
de Campos Novos e, posteriormente, para o Ministério da Saúde de Proepilândia.
3. Análise Epidemiológica:
1. Utilização dos dados das notificações para analisar o cenário epidemiológico da sífilis no município, permitindo
estimar a quantidade necessária de insumos para o tratamento das grávidas e seus parceiros.
4. Campanha de Prevenção:
1. Realização de campanhas de prevenção da sífilis, incentivando o uso de preservativos durante as relações sexuais e
a realização de testagem na população com fatores de risco para a doença.
5. Estimativa e Distribuição de Insumos:
1. Estimativa da quantidade de insumos necessários para o tratamento, baseada na análise dos dados
epidemiológicos, e distribuição desses insumos para o tratamento adequado das grávidas e de seus parceiros.
Essas estratégias ajudam a identificar, tratar e prevenir a sífilis, especialmente em gestantes, reduzindo
as complicações e malformações fetais associadas à doença.
Referências
• ALMEIDA FILHO N, BARRETO ML. Epidemiologia & Saúde: Fundamentos, Métodos, Aplicações. Koogan G, editor. Rio de
Janeiro, 2011. 699 p.
• BRASIL, MINISTÉRIO DA JUSTIÇA. A SAÚDE E A HIGIENE PÚBLICA NA ORDEM COLONIAL E JOANINA. Arquivo Nacional.
Disponível em: http://www.historiacolonial.arquivonacional.gov.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=2168&sid=163.
• BRASIL, MINISTÉRIO DA SAÚDE, SECRETARIA DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE, DEPARTAMENTO DE VIGILÂNCIA
EPIDEMIOLÓGICA. Guia de Vigilância Epidemiológica. 7. ed. Brasília, 816 p. (2009).
• BRASIL, MINISTÉRIO DA SAÚDE, SECRETARIA DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE, DEPARTAMENTO DE VIGILÂNCIA
EPIDEMIOLÓGICA. Ministério da Saúde confirma relação entre vírus Zika e microcefalia. http://por
talsaude.saude.gov.br/index.php/o-ministerio/principal/secretarias/svs/noticiassvs/21016-ministerio-da-saude-
confirma-relacao-entre-viruszika-e-microcefalia (acessado em 30/Nov/2015)
• BRASIL. Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer José de Alencar Gomes da Silva. Fundação Oswaldo Cruz
(Fiocruz). O controle do tabaco no Brasil: uma trajetória. Rio de Janeiro: INCA, 2012.
• CARVALHO AO & EDUARDO MBP. Sistemas de Informação em Saúde para Municípios, vol. 6. São Paulo: Faculdade de
Saúde Pública da Universidade de São Paulo, 1998. (Série Saúde & Cidadania).
• CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Guidelines for Evaluation Public Health Surveillance Systems.
MMWR Supplements, 06 May. 1988 /37 (S-5): 1-18.14p. Disponível em: < www.cdc.gov/mmwr/preview/
mmwrhtml/00001769.htm > Acesso em: 27 jan. 2004.
• CHURCHILL, R. E.; TEUTSCH, S. M. Principles and Practice of Public Health Surveillance. 2.ed. Oxford: University press,
2000. p. 1.

Conceitos Básicos e Objetivos da Vigilância em Saúde aula 2.pptx

  • 1.
    Conceitos Básicos e Objetivosda Vigilância em Saúde Profª. Ma. Keila Sousa Objetivo da Aula: Conhecer o conceito de Vigilância em Saúde; Compreender os objetivos, estrutura e aplicação da Vigilância em Saúde; Conhecer conceitos importantes para a compreensão da saúde; Compreender a Abordagem One Health.
  • 2.
    Conceito da Vigilânciaem Saúde A Vigilância em Saúde é definida como o processo contínuo e sistemático de coleta, consolidação, análise e disseminação de informações sobre eventos relacionados à saúde. Seu objetivo é o planejamento e a implementação de medidas de saúde pública, incluindo a regulação, intervenção e atuação sobre os condicionantes e determinantes da saúde para proteger e promover a saúde da população, prevenir e controlar riscos, agravos e doenças.
  • 3.
  • 4.
    Atuação da Vigilância emSaúde em diferentes áreas: • Abrangência em todos os níveis de atenção à saúde. • Detecção, controle e prevenção de doenças transmissíveis; • Promoção da saúde; • Na interação com o laboratório, • No controle de vetores; • Investigação epidemiológica de campo; • Fortalecimento da estrutura e a organização dos serviços e aumentar a capacidade de resposta do Sistema Nacional de Vigilância em Saúde (SNVS); • Articulação e construção conjunta na Rede de Atenção à Saúde do SUS. • Prontidão para detectar e responder adequadamente às emergências em saúde pública, estruturada para o previsível, para o inusitado e para o futuro. “Preparar-se para o inevitável, prevenindo o indesejável e controlando o que for controlável” (Peter Drucker)
  • 5.
    Diretrizes Orientadoras doSNVS  Portarias: Ministério da Saúde (3.252/2009 e 1.378 de 2013)  Resolução: N° 588, de 12 de julho de 2018 art. 1°, fica instituída a Política Nacional de Vigilância em Saúde (PNVS). Trata-se de um documento norteador do planejamento das ações de Vigilância em Saúde, com definições claras de responsabilidades, princípios, diretrizes e estratégias. O artigo 4º da portaria cita que as ações de Vigilância em Saúde abrangem toda a população brasileira e envolvem práticas e processos de trabalho voltados para:  Principais ações: o Vigilância da situação de saúde da população. o Resposta às emergências de saúde pública. o Vigilância, prevenção e controle de doenças transmissíveis e crônicas. o Vigilância de populações expostas a riscos ambientais em saúde; o Vigilância da saúde do trabalhador e ambiental.
  • 6.
    Vigilância epidemiológica Estuda a ocorrênciade doenças e outros agravos prioritários, seus fatores de risco e suas tendências na população de um território em um determinado tempo, além de planejar, executar e avaliar medidas de prevenção e de controle. O MS estabelece a Lista Nacional de Notificação Compulsória de doenças, agravos e eventos de saúde pública nos serviços.
  • 7.
    Imunização • As açõesde vacinação estão entre as diretrizes e responsabilidades para a execução de Vigilância em Saúde e estão definidas em legislação nacional que aponta que a sua gestão é compartilhada pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal e pelos Municípios. • Instituir a vigilância de eventos adversos pós- vacinas e a universalidade de atendimento, aprimorar os sistemas de informação, além de descentralizar as ações e garantir a capacitação e atualização técnico-gerencial para seus gestores em todos os âmbitos • O acesso universal e gratuito a vacinas eficazes, seguras e de qualidade vem permitindo importantes resultados sobre as doenças imunopreveníveis, acarretando mudanças no padrão de adoecimento e morte da população brasileira.
  • 8.
    Eliminação da Pólio Sucessoda Vigilância Epidemiológica e Imunização • Histórico da Doença: • Pólio aterrorizava pais no início do século XX • Contaminação podia levar ao uso do pulmão de aço e danos musculares irreparáveis • Situação no Brasil: • Último caso registrado em 1989 • Certificado de eliminação em 1994 • Sucesso devido à alta cobertura vacinal • Importância da Vigilância e Imunização: • Risco de casos importados enquanto a doença não for erradicada globalmente • Manter altas taxas de cobertura vacinal e vigilância constante • Progresso Global: • 99,9% de redução nos casos desde 1988 • Casos do vírus selvagem apenas no Afeganistão e Paquistão nos últimos dois anos Pulmões de aço: caixa torácica submetida a pressão negativa externa, haveria o seu deslocamento permitindo a ventilação pulmonar. Acesso em:http ://www.medicinaintensiva.com.br/pulmao-aco-historia-fotos.htm
  • 9.
    Eliminação da Rubéola Exemplode Sucesso na Vigilância e Imunização • Histórico no Brasil: • Trabalho conjunto da vigilância e assistência à saúde • Séries de campanhas de prevenção e intensificação das ações de vacinação desde 2004 • Campanha Nacional de 2008: • 67,9 milhões vacinados, alcançando 96,7% do público-alvo (20-39 anos) • 250 milhões vacinados nas Américas contra rubéola e sarampo • Ações Estratégicas: • Melhoria das ações de vigilância epidemiológica e diagnóstico de genótipos • Avaliação de todas as internações hospitalares de agravos de notificação compulsória • Resultados: • Ausência de novos casos autóctones de rubéola desde 2009 • Presença de assessores técnicos em todos os estados brasileiros, facilitando a comunicação e estratégias de vacinação • Desafio Recente: • Reintrodução do sarampo em 2018: 10.326 casos confirmados em 11 estados • Em 2019, 5.346 casos e 4 óbitos em 13 unidades federadas • Ministério da Saúde enviou 19,4 milhões de doses da vacina tríplice viral para prevenção Fonte: BRASIL. Ministério da Saúde. Boletins Epidemiológicos sobre a situação do sarampo (2018-2019).
  • 10.
    Vigilância em saúde ambiental Objetivo:Proporcionar o conhecimento e a detecção de mudanças nos fatores ambientais que interferem na saúde humana. Finalidade: Identificar medidas de prevenção e controle dos fatores de risco ambientais relacionados a doenças ou outros agravos à saúde. Atribuições: • Realizar vigilância epidemiológica das doenças e agravos à saúde humana associados a contaminantes ambientais. • Focar em contaminantes como agrotóxicos, amianto, mercúrio, benzeno e chumbo.
  • 11.
    Vigilância em saúdedo trabalhador (VISAT) Objetivo: Promover a saúde e reduzir a morbimortalidade da população trabalhadora. Ações: Integração de ações que intervenham nos agravos e determinantes decorrentes dos modelos de desenvolvimento e processos produtivos. Especificidade: Focar na relação da saúde com o ambiente e os processos de trabalho. Participação: Desenvolver práticas sanitárias com a participação dos trabalhadores em todas as etapas. Atuação: Contínua e sistemática para detectar, conhecer, pesquisar e analisar os fatores determinantes dos agravos à saúde relacionados aos processos e ambientes de trabalho. Finalidade: Planejar, executar e avaliar intervenções para eliminar ou controlar os fatores de risco (Portaria GM/MS Nº 3.120/98).
  • 12.
    Vigilância sanitária •Objetivo Principal:Proteção e promoção da saúde, prevenindo riscos à saúde humana. •Ações Principais: •Fiscalização e monitoramento de processos e produtos. •Aplicação de infrações, intimações, interdição de estabelecimentos e apreensão de produtos e equipamentos. •Forma de Atuação: •Combate às causas de efeitos nocivos à saúde devido a distorções sanitárias na produção, circulação de bens e serviços. •Ação Comunicativa: •Mobilização e motivação da população para adesão às práticas sanitárias e promoção da saúde. •Desafios Atuais: •Emergência e reemergência de doenças devido a mudanças nos determinantes e condicionantes do adoecimento, como urbanização, mobilidade populacional e fatores econômicos, políticos e comportamentais.
  • 13.
    Abordagem One Health (SaúdeÚnica) • One Health é uma visão integrada da saúde composta por três áreas indissociáveis: humana, animal e ambiental. • Propõe a atuação conjunta e a adoção de políticas públicas efetivas para prevenção e controle de doenças e agravos, trabalhando nos níveis local, regional e nacional. • Tem como objetivo de reduzir os riscos para a saúde global.
  • 14.
    Conceito de SaúdeÚnica e Zoonoses Interações Ecológicas: Humanos e animais interagem em vários ambientes, possibilitando a transmissão de doenças entre eles, chamadas zoonoses. Aproximadamente 60% das doenças humanas são zoonóticas, segundo a Organização Mundial da Saúde Animal. Saúde Única (One Health): • Origem: Conferência Ministerial Internacional sobre Influenza Aviária e Pandêmica (2007) na Índia, com a participação de 111 países e 29 organizações internacionais. • Objetivo: Reduzir riscos de doenças infecciosas resultantes da interação entre animais, humanos e ecossistemas. • Estratégia: Colaboração interdisciplinar para a prevenção, vigilância e detecção de doenças animais, segurança alimentar e resistência a antimicrobianos. Impactos das Zoonoses: • Estatísticas: 2,5 bilhões de casos e 2,7 milhões de mortes anuais; 5 novas doenças humanas surgem anualmente, sendo 3 de origem animal. • Desafios: • Práticas Pecuárias: Falhas em rastreios e tratamentos profiláticos podem levar à rápida disseminação de zoonoses. • Animais de Estimação: Negligência nos cuidados e abandono de animais aumentam o risco de doenças zoonóticas. Consequências: • Saúde Pública: A falta de cuidados preventivos e tratamentos adequados pode agravar as zoonoses e impactar a saúde pública.
  • 15.
    Em resumo: Fator (Causa)Mudança (Efeito) A população está crescendo e se expandindo para novas áreas geográficas. Como resultado, mais pessoas vivem em contato próximo com animais selvagens e domésticos. O contato próximo fornece mais oportunidades para que doenças passem entre animais e pessoas. A terra sofre mudanças climáticas e aumentou o uso indevido da terra, como desmatamento e práticas agrícolas intensivas. Interrupções nas condições ambientais e habitats fornecem novas oportunidades para doenças passarem para os animais. Aumento de viagens internacionais e comércio. As doenças e patógenos podem se espalhar rapidamente pelo mundo.
  • 16.
    Avanços na SaúdePública no Brasil Estratégias de Integração Bem-Sucedidas: Redução da Mortalidade Infantil • Sucesso: Redução de 73% na mortalidade infantil no Brasil (60,8 óbitos por mil nascidos vivos em 1990 para 16,4 em 2015). • Meta da ONU: Reduzir em 66% a mortalidade infantil; Brasil superou a média mundial em 20%. • Global: Taxa global caiu de 91 para 43 mortes por mil nascidos vivos (redução de 53%). Fatores Contribuintes • Ampliação da Atenção Básica • Acesso à Vacinação • Melhoria das Taxas de Aleitamento Materno • Educação Materna • Redução da Pobreza: Programas de transferência de renda Impactos Positivos: Quase extinção de internações por desnutrição e doenças imunopreveníveis (sarampo, difteria, tétano neonatal, poliomielite, varíola, rubéola, meningites) e por diarreia ou pneumonia.
  • 17.
    Avanços na SaúdePública no Brasil Programa Nacional de Controle do Tabagismo Ratificação: Convenção-Quadro da OMS para Controle do Tabaco ratificada pelo Brasil em novembro de 2005 e promulgada em janeiro de 2006. Objetivo: Política de Estado com foco na implementação de medidas de controle do tabaco. Ações Principais: • Educação e Comunicação: Treinamento e conscientização. • Redução da Demanda: Medidas contra a dependência e para abandono do tabaco. • Trabalho em Rede: Criação de um ambiente favorável às medidas de controle. Medidas Regulatórias: • Proibição de propagandas em rádio e TV • Proibição de fumar em locais fechados
  • 18.
    Vamos exercitar Maxcity é ummunicípio que possui um pouco mais de 800 mil habitantes, do interior do estado de Unilândia. A cidade está enfrentando um surto de sífilis e há preocupação especial, por parte das autoridades sanitárias locais, em relação às grávidas porque a doença está relacionada com complicações na gestação e malformações fetais. Na tentativa de controlar a transmissão vertical da doença, o município passou a realizar teste rápido para detecção de sífilis em todas as grávidas acompanhadas pelo pré-natal na atenção primária à saúde. As grávidas diagnosticadas com a doença passaram a ser notificadas por meio da ficha de notificação compulsória específica, seguindo o fluxo de informação para a Secretaria Municipal de Saúde de Maxcity e depois para a Secretaria Estadual de Saúde de Unilandia. O estado encaminha rotineiramente os casos ao Ministério da Saúde, por meio do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). Foi possível analisar o cenário epidemiológico da sífilis no município, utilizando os dados das notificações. Dessa maneira, o estado e o município puderam estimar a quantidade de insumos necessários para o tratamento das grávidas e de seus parceiros. Além disso, uma campanha para a prevenção da sífilis foi realizada, incentivando o uso de preservativos durante as relações sexuais e bem como a realização de testagem na população com fatores de risco para o adoecimento por sífilis Agora, liste cinco estratégias implementadas em Maxcity na tentativa de conter a epidemia de sífilis em gestantes.
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    Respostas: 1. Realização deTestes Rápidos para Sífilis: 1. Testes rápidos são realizados em todas as grávidas durante o pré-natal na atenção primária à saúde para a detecção precoce da sífilis. 2. Notificação Compulsória: 1. As grávidas diagnosticadas com sífilis são notificadas por meio da ficha de notificação compulsória específica, seguindo um fluxo de informações da Secretaria Municipal de Saúde de Epicity para a Secretaria Estadual de Saúde de Campos Novos e, posteriormente, para o Ministério da Saúde de Proepilândia. 3. Análise Epidemiológica: 1. Utilização dos dados das notificações para analisar o cenário epidemiológico da sífilis no município, permitindo estimar a quantidade necessária de insumos para o tratamento das grávidas e seus parceiros. 4. Campanha de Prevenção: 1. Realização de campanhas de prevenção da sífilis, incentivando o uso de preservativos durante as relações sexuais e a realização de testagem na população com fatores de risco para a doença. 5. Estimativa e Distribuição de Insumos: 1. Estimativa da quantidade de insumos necessários para o tratamento, baseada na análise dos dados epidemiológicos, e distribuição desses insumos para o tratamento adequado das grávidas e de seus parceiros. Essas estratégias ajudam a identificar, tratar e prevenir a sífilis, especialmente em gestantes, reduzindo as complicações e malformações fetais associadas à doença.
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    Referências • ALMEIDA FILHON, BARRETO ML. Epidemiologia & Saúde: Fundamentos, Métodos, Aplicações. Koogan G, editor. Rio de Janeiro, 2011. 699 p. • BRASIL, MINISTÉRIO DA JUSTIÇA. A SAÚDE E A HIGIENE PÚBLICA NA ORDEM COLONIAL E JOANINA. Arquivo Nacional. Disponível em: http://www.historiacolonial.arquivonacional.gov.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=2168&sid=163. • BRASIL, MINISTÉRIO DA SAÚDE, SECRETARIA DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE, DEPARTAMENTO DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA. Guia de Vigilância Epidemiológica. 7. ed. Brasília, 816 p. (2009). • BRASIL, MINISTÉRIO DA SAÚDE, SECRETARIA DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE, DEPARTAMENTO DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA. Ministério da Saúde confirma relação entre vírus Zika e microcefalia. http://por talsaude.saude.gov.br/index.php/o-ministerio/principal/secretarias/svs/noticiassvs/21016-ministerio-da-saude- confirma-relacao-entre-viruszika-e-microcefalia (acessado em 30/Nov/2015) • BRASIL. Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer José de Alencar Gomes da Silva. Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O controle do tabaco no Brasil: uma trajetória. Rio de Janeiro: INCA, 2012. • CARVALHO AO & EDUARDO MBP. Sistemas de Informação em Saúde para Municípios, vol. 6. São Paulo: Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, 1998. (Série Saúde & Cidadania). • CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Guidelines for Evaluation Public Health Surveillance Systems. MMWR Supplements, 06 May. 1988 /37 (S-5): 1-18.14p. Disponível em: < www.cdc.gov/mmwr/preview/ mmwrhtml/00001769.htm > Acesso em: 27 jan. 2004. • CHURCHILL, R. E.; TEUTSCH, S. M. Principles and Practice of Public Health Surveillance. 2.ed. Oxford: University press, 2000. p. 1.