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Rafael
Sayão
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TEXTO RAFAEL SAYÃO
A
Jornada Mundial da Juven-
tude reuniu milhões de jo-
vens, de todo o mundo, na
cidade do Rio de Janeiro. A
“Missa de envio” realizada
nas areias da Praia de Copacabana,
já que o Campus Fidei em Guaratiba
estava inutilizado, contou com a parti-
cipação de 3,7 milhões de peregrinos
que atentos ao grande palco montado
na areia da praia, acompanhavam a
celebração do Papa Francisco.
O que estas milhões de pessoas
não sabiam é que debaixo daquela
palco montado as pressas em Copa-
cabana havia uma estrutura de segu-
rança dotada de eficientes recursos da
Marinha do Brasil e capaz de evacuar
o sumo pontífice, pelo mar, em caso
de qualquer ameaça. Além duas viatu-
ras lagarta anfíbio CLAnf, o esquema
contava com a participação de milita-
res do Batalhão Tonelero, especializa-
dos em ações de contraterrorismo.
As origens
“Como pode um pequeno grupo de
soldados atacar e destruir um inimigo
entrincheirado e numericamente muito
superior e ainda obter sucesso? Pode
parecer impossível, mas é exatamen-
te essa a essência das Forças de
Operações Especiais.” Esta frase do
Almirante William H. McRaven, ex-co-
mandante do U.S. Special Operations
Command, resume com simplicidade
a necessidade deste tipo de tropa na
atualidade onde as tropas estão envol-
vidas em conflitos pontuais, assimétri-
cos e que causem o mínimo possível
de danos colaterais. Para o Comando
dos Fuzileiros Navais, esta flexibili-
dade característica das unidades de
operações especiais, é garantida pelo
Batalhão de Operações Especiais de
Fuzileiros Navais (BtlOpEspFuzNav).
O desenvolvimento das atividades
de operações especiais no Corpo de
Fuzileiros Navais datam da década de
50 com a Criação da Companhia de
Reconhecimento Anfíbio. Entretanto,
foi somente em 1971 que o Batalhão
Tonelero foi criado e organizado de
acordo com a conjuntura política exis-
tente à época. Para o CFN era muito
importante possuir uma unidade vol-
tada para o emprego em situação de
guerra de guerrilhas e que, ao mesmo
tempo, possuísse a capacidade de ser
um 4º Batalhão de Infantaria.
Nucleado por uma Companhia de
Operações Especiais, o Batalhão in-
troduziu as atividades de instrução
voltadas para esse tipo de operações
O desenvolvimento das atividades
de operações especiais no Corpo
de Fuzileiros Navais datam da
década de 50. Tonelero
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REPORTAGEM BATALHÃO DE OPERAÇÕES ESPECIAIS DE FUZILEIROS NAVAIS
específicas. Em 1972 foi formada a
primeira turma do Curso de Contra-
guerrilha (ConGue), que em 1974
passou a ser denominado Curso de
Adestramento de Comandos Anfíbios
e posteriormente, Curso Especial de
Comandos Anfíbios.
No primeiro dia do ano de 1991, a
Companhia de Reconhecimento Anfí-
bio (CiaReconAnf), pertencente à Tro-
pa de Reforço, foi transferida para o
Batalhão. Em 26 de março de 1996,
a Companhia de Reconhecimento
Terrestre (CiaReconTer), foi transferi-
da da Divisão Anfíbia para o Batalhão
Tonelero, reunindo-se no Batalhão de
Operações Especiais de Fuzileiros
Navais, todas as atividades de ope-
rações especiais de fuzileiros navais.
Com o vulto e importância dessas
novas e tão complexas atribuições, o
Batalhão Tonelero, até então perten-
cente à Tropa de Reforço, passou a
partir de 20 de dezembro de 1995, à
subordinação direta do Comando da
Força de Fuzileiros da Esquadra.
Subordinado diretamente a Força
de Fuzileiros da Esquadra, o BtlOpEs-
pFuzNav é hoje a “carta na manga”
do comandandante da Força e pode
ser empregado rapidamente nos vá-
rios ambientes operacionais encontra-
dos no Brasil. Como toda unidade de
operações especiais, o Tonelero lança
mão de variados métodos de infiltra-
ção.
Largamente empregada, a Infiltra-
ção por paraquedas, permitinde uma
infiltração sigilosa à retaguarda pro-
funda do inimigo. Atingindo um levado
grau de adestramento dentro da ativi-
dade aeroterrestre, o Tonelero possui
capacidade de infiltração através das
técnicas de High Altitude-Low Ope-
ning (HALO) e High Altitude-High Ope-
ning (HAHO). A versatilidade do vetor
aéreo também é utilizando na infiltra-
ção com o apoio de helicópteros. Atra-
vés das técnicas do pouso, vôo pai-
rado, “rappel,” “fast rope” ou “penca”,
os operadores do Tonelero passam a
contar com a flexibilidade e sigilo da
aeronave de asas rotativas em suas
infiltrações e exfiltrações.
Como não poderia deixar de ser,
a infiltração pelo mar é um dos prin-
cipais recursos do Batalhão. Utilizan-
do equipamentos de circuito fechado,
muito empregado quando em atuação
no interior das posições inimigas, a
infilitração por mergulho é também
muito empregada. Quando operando
a partir dos navios e submarinos da
Esquadra Brasileira e utilizando-se de
Embarcações de Desembarque Pneu-
máticas (EDP) ZODIAC F470 , o Bata-
lhão ganha a capacidade de infiltrar
além da linha do horizonte, um método
amplamente utilizado nas Operações
Anfíbias.
Estrutura
Para garantir sua elevada capaci-
dade operacional, o BtlOpEspFuzNav
possui em sua estrutura organizacio-
nal uma Companhia de Comando e
Serviços e três Companhias de Ope-
rações Especiais.
A 1ª Companhia de Operações
Especiais, Companhia de Reconheci-
mento, é a subunidade especializada
nas atividades de reconhecimento e
vigilância, atuando atrás das linhas
inimigas, em prol dos Grupamentos
Operativos de Fuzileiros Navais. Pos-
sui três Pelotões de Reconhecimento
Tático e dois Pelotões de Reconhe-
cimento Operacional que garantem à
Companhia de Reconhecimento a ca-
pacidade para realização de reconhe-
cimento a fim de obter dados sobre a
situação militar do inimigo e caracte-
rísticas da área de operações; operar
postos de vigilância; realizar observa-
ção dos fogos das armas de apoio; im-
plantar e operar sensores de sistemas
de vigilância terrestre e equipamentos
de alerta para guerra química, bioló-
gica e nuclear; reconhecer, balizar e
O Tonelero possui capacidade de
infiltração através das técnicas
HALO e HAHO. Tonelero
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operar zonas de desembarque e zo-
nas de lançamento; e guiar tropas por
itinerários reconhecidos.
A 2ª Companhia de Operações Es-
peciais, Companhia de Ação de Co-
mandos, é a subunidade responsável
por agir de forma direta sobre objeti-
vos de valor operacional e estratégi-
cos. Valendo-se de pequenos efetivos,
pessoal especialmente selecionado e
adestrado e superioridade relativa, ela
proporciona grande vantagem na rela-
ção custo-benefício sendo, portanto,
largamente empregada no combate
moderno para neutralizar pontos de
importância como instalações logísti-
cas ou de C3I do inimigo. Esta compa-
nhia conta ainda com uma importan-
te arma: os caçadores. Atuando em
apoio às ações da companhia ou em
dupla, isolados em território controla-
do pelo inimigo, eles se valem de seus
fuzis anti-pessoal e anti-material para
atingir alvos de qualquer natureza.
A 3ª Companhia de Operações Es-
peciais, especializada em Contraterro-
rismo, é a subunidade onde está inse-
rido o Grupo Especial de Retomada e
Resgate (GERR/OpEsp). Este Grupo
foi criado em 1986 devido à crescente
onda de criminalidade e ameaças do
terrorismo em todo o mundo. Visan-
do dar uma pronta resposta às novas
ameaças, a alta administração naval
criou este Grupo extremamente es-
pecializado em Ações de Retomada
e Resgate de pessoal, material e ins-
talações de interesse do Poder Naval.
Sua organização é composta por uma
Unidade Tarefa de Comando, uma
Unidade Tarefa de Assalto, e uma Uni-
dade Tarefa Precursora, que engloba
as equipes de Observadores e Reco-
nhecimento e Segurança.
O adestramento desse grupo está
fundamentado na aplicação de técni-
cas modernas e é realizado de forma
contínua, com o propósito de manter,
durante todo o ano, seu permanente
estado de pronto-emprego, obtendo o
“poder de resposta rápida e positiva”.
O Batalhão conta também com
uma companhia de apoio às opera-
ções especiais que tem como missão
prover apoio às companhias operacio-
nais nas infiltrações aérea, terrestre
Rafael Sayão
Rafael Sayão
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A infiltração pelo mar é um dos principais
recursos do Batalhão. Rafael Sayão
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e marítima. São estes
elementos os responsá-
veis pela manutenção
de pára-quedas, em-
barcações, motores e
equipamentos de mer-
gulho. Sem o valioso
trabalho da companhia
de apoio, o trabalho
dos times operacio-
nais seria totalmente
comprometido. O nível
de profissionalismo do
pessoal de apoio é mui-
to elevado. O Batalhão
realiza através de seus
militares DOMPSA, for-
mados na Brigada de
Infantaria Pára-quedista do Exército
Brasileiro, a manutenção e dobragem
de seus equipamentos de salto livre e
semi-automático garantindo perfeitas
condições operacionais para os equi-
pamentos.
Armamentos
Responsável pelo cumprimento de
uma gama variada de missões espe-
ciais, o Batalhão Tonelero demanda
a utilização de equipamentos diferen-
ciados em seu inventário. Atualmente
o Batalhão opera com três
fuzis de assalto de calibre
5,56 mm: o M16 A2 Mod.
705 “Standart”, o M16 A2
Mod. 779 “M4 Carbine” e
o M16 A2 Mod. 733 “Com-
mando”. Preferência entre
a maioria das unidades de
operações especiais do
mundo, a alemã HK tam-
bém equipa o Tonelero
com as submetralhadoras
MP5 KA4 e P5 SD6.
Os caçadores da uni-
dade operam com o fuzil
de precisão Anti-Material
“Hecate II” (.50) e os anti-
-pessoal M85 “Parker Hal-
le” (7,62 mm) e Ultima Ratio “Com-
mando I e Supressed”. Além destes a
unidade conta com morteiros france-
ses “Comando” de 60mm, lança-gra-
nadas M203 de 40mm, espingardas
CBC Mod. 586.2 e Mossberg M590,
O equipamentos de circuito fechado é
muito empregado quando em atuação no
interior das posições inimigas. Rafael Sayão
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rifle CBC Impala Máster, metralhado-
ras “MAG” (7,62mm) e Minimi Para
(5,56mm), submetralhadora MINI-UZI
(9mm) e pistolas Taurus PT 92 e PT
24/7 “Pro Tactical”.
Formação
O nível de formação dos militares
do Batalhão é muito elevado. Todos os
militares são selecionados através de
concurso público o que garante um per-
fil profissional diferenciado da tropa.
Para se tornar um Comandos Anfí-
bios o militar Fuzileiro Naval precisa ser
3º sargento, ou cabo já aprovado na
seleção para sargento. O Curso Espe-
cial de Comandos Anfíbios é realizado
no Centro de Instrução Almirante Sylvio
de Camargo e tem como objetivo geral
preparar oficiais e praças para o plane-
jamento e execução de Operações Es-
peciais de Fuzileiros Navais.
O curso é realizado em três fases
distintas. A primeira fase é a adapta-
ção onde é dado ênfase nas atividades
práticas e aplicação de conhecimentos
e técnicos básicos para o elemento
de operações especiais. Além disso,
é priorizado condicionamento físico e
psicológico necessários para o prosse-
guimento do curso. A segunda fase, co-
nhecida como fase de aprimoramento, é
destinada a assimilação de novos con-
teúdos e obtenção de conhecimentos
técnicos necessários para a parte mais
prática do curso. Na terceira o aluno já
possui os conhecimentos necessários
para iniciar o planejamento e execução
de Operações Especiais. Desta forma,
os conhecimentos básicos consolida-
dos na primeira fase e os conhecimen-
tos técnicos, assimilados na segunda
fase, serão colocados em prática em
diversas operações, verificando a ca-
pacidade do aluno de aplicar os conhe-
cimentos adquiridos sob as condições
rigorosas das Operações Especiais. É
nesta fase que ocorre o maior número
de cortes do curso.
Anualmente, centenas de voluntá-
rios aparecem na tentativa de serem
selecionados, ao longo dos seis meses
de curso, para o desempenho das difí-
ceis tarefas atribuídas ao Batalhão To-
nelero.
REPORTAGEM BATALHÃO DE OPERAÇÕES ESPECIAIS DE FUZILEIROS NAVAIS
Rafael Sayão
Rafael Sayão
O curso de Comandos Anfíbios é realizado
em três fases distintas. Tonelero
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A 1ª Companhia de Operações Especiais,
Companhia de Reconhecimento, é a
subunidade especializada nas atividades
de reconhecimento e vigilância, atuando
atrás das linhas inimigas. Rafael Sayão
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O
Capitão-de-Mar-e-Guerra (FN)
Claudio Eduardo Silva Dias,
nasceu no Rio de Janeiro no
dia 13 de agosto de 1968. Ingressou
no Colégio Naval em 1983 e na Es-
cola Naval em 1986, sendo declarado
Guarda-Marinha em 13 de dezembro
de 1989. Possui, entre outros, os cur-
sos de Comandos Anfíbios, Opera-
ções Especiais e o Amphibious Re-
connaissance Course, realizado no
USMC, nos Estados Unidos. Antes de
comandar o Batalhão Tonelero, atuou
como assessor de Assuntos Institu-
cionais e do CFN no Gabinete do Co-
mandante da Marinha e comandou 2º
Batalhão de Infantaria de Fuzileiros
Navais (Btl. Humaitá) e o 15º Contin-
gente do GptOpFuzNav-Haiti.
Operacional - Durante a produção
desta reportagem foi possível per-
ceber o elevado nível técnico e pro-
fissional dos militares que compõe
o Batalhão Tonelero. É um diferen-
cial para a unidade contar um efeti-
vo deste nível?
CMG (FN) Eduardo: O militar Fuzilei-
ro Naval é um militar diferenciado. Ele
é bem preparado, é todo de carreira.
Quem entra para ser Fuzileiro Naval
faz um concurso, se forma Fuzileiro
Naval no CIAMPA e segue carreira.
Ninguém entra com Sargento, então
você vê a diferença na experiência.
O nosso Sargento hoje foi soldado e
cabo. O nível de formação da Mari-
nha é muito bom. Para chegar a sar-
gento ele tem que ter o ensino médio
completo, passou por diversos cursos
e fez um ano de curso no Centro de
Instrução Almirante Sylvio de Camar-
go para se tornar sargento. Inclusive
com o curso de aperfeiçoamento no
mesmo ano. Isso já da um diferencial
no profissionalismo do nosso pessoal.
Os Comandos Anfíbios ainda estão
em um step à cima pela dedicação e
amor que eles tem a profissão. Tive-
ram o curso de Comandos Anfíbios
que já os prepararam para esta parte
operacional toda, de inteligência, e vi-
vem isso no dia a dia. Nós trabalhos
em um nível que quando nós vamos
para o campo de batalha, nós vamos
para um nível operacional, atuando
em reconhecimento e ações de co-
mandos, então eles tem este enten-
dimento de uma operação militar em
um nível acima do militar de infantaria
convencional que atua no nível tático.
Ele busca informações para acessorar
o comandante da Força, ele esta fa-
zendo uma ação de comandos que vai
contribuir para o desembarque anfíbio
como um todo. O nível dele é um nível
acima. Por isso ele tem esta formação
diferenciada que reflete até no dia-a-
-dia do quartel. É um pessoal que você
contar com um assessoramento muito
bem feito e correto. Um comprometi-
mento para que a missão seja sempre
feita da melhor forma possível.
CMG (FN) CLAUDIO EDUARDO SILVA DIAS
Comandante do Batalhão de Operações Especiais de Fuzileiros Navais
REPORTAGEM BATALHÃO DE OPERAÇÕES ESPECIAIS DE FUZILEIROS NAVAIS
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Operacional - Um dos pontos mais
elogiados da Jornada Mundial da Ju-
ventude foi o esquema de segurança.
Alguns recursos eram vistos pela po-
pulação e outros, até mesmo mais im-
portantes, ficavam fora do alcance dos
olhos dos peregrinos. Podemos dizer
que Batalhão Tonelero teve um papel
fundamental na segurança do Papa
Francisco?
CMG (FN) Eduardo: Agora que já
passou a Jornada nós podemos co-
mentar. Nós ficamos responsáveis
pelo plano de evacuação do Papa em
Copacabana. Na época não foi divul-
gado, mas nós tinhamos um plano
para que caso ouvesse alguma con-
tingência durante a missa papal ou a
vigília, o Papa seria retirado pelos nos-
sos militares utilizando os carros la-
garta anfíbio (CLAnf7A1) que estavam
camuflados debaixo no altar. Foi real-
mente uma participação muito grande
e toda operação foi conduzida de uma
forma transparente para a população.
Ninguém soube que debaixo daquele
altar tinham dois carros lagarta anfíbio
prontos para evacuar o Papa caso fos-
se necessário.
Operacional - Podemos dizer então
que o Batalhão foi escolhido a dedo
para esta missão?
CMG (FN) Eduardo: A vocação do Ba-
talhão é esta. Como seria uma retirada
para o mar, o pessoal melhor adestra-
do para fazer este tipo de coisa, que
tinha o melhor preparo e nossa intimi-
dade com a água, seria da Marinha,
dos Fuzileiros Navais e do Batalhão
do Tonelero.
Operacional - Analisando o organo-
grama da Força de Fuzileiros da Es-
quadra (FFE) vemos o Batalhão Tone-
lero em uma posição muito destacada.
Seria correto dizer que o Batalhão é
a “Carta na manga” com comandante
da Força?
CMG (FN) Eduardo: Com certeza! O
Tonelero é um Batalhão, mas está no
organograma da Força de Fuzileiros
da Esquadra no mesmo nível de duas
forças, a Divisão Anfíbia e a Tropa de
Reforço. O Batalhão Tonelero, a Base
e o Comando da Tropa de Desembar-
que. Apesar de ser um Batalhão, ele
está nas mãos do Comandante da
FFE. As tarefas do Tonelero são justa-
mente neste nível. Contribuindo e atu-
ando nas operações neste nível mais
alto e chegando ao nível Operacional.
Na busca de informações, nos diver-
sos tipos de reconhecimento e nas
ações diretas de comandos. Como fa-
lei, às vezes você pode depender de
uma ação de comandos para permitir
toda a aproximação de uma força tare-
fa anfíbia. A importância do Batalhão é
muito grande.
Operacional - Os grandes eventos
como a Copa do Mundo estão baten-
do a nossa porta e sem dúvidas o To-
nelero irá assumir um papel importan-
te no esquema de segurança destes
eventos. Como está sendo feita esta
preparação?
CMG (FN) Eduardo: Nós estamos
com um plano de adestramento todo
voltado para a Copa do Mundo.O Ba-
talhão já participou ano passado da
Copa das Confederações e da Jorna-
da Mundial da Juventude. Para a Copa
nós já estamos fazendo adestramento
internamente e a partir de março já te-
mos adestramentos externos focados
na Copa do Mundo. Nós já fizemos
viajens de reconhecimento nas sedes
e partipei de diversas reuniões. Estive
recentemente em Salvador em uma
reunião sobre os dois CDA da Ma-
rinha, Salvador e Natal e em termos
de planejamento e execução estamos
bem adiantados. O adestramento do
Tonelero esta todo focado na Copa do
Mundo.
Operacional - O Brasil, desde 2011,
faz parte da Força-Tarefa Marítima
(FTM) da Força Interina das Nações
Unidas que atua no Líbano. O Brasil
se mostrou solicito ao desejo da ONU
de enviar tropas brasileiras para atua-
rem no Líbano. O Tonelero está prepa-
rado para esta missão?
CMG (FN) Eduardo: Nós estamos
nos preparando para isso. A Força de
Fuzileiros da Esquadra está se orga-
nizando. Já preparamos um um gru-
pamento operativo visando caso seja
realmente ativado o Libano nós este-
jamos em condições. O adestramento
para o Libano esta sendo feito. Nós
estamos estudando o adestramento
do Haiti e adaptando para as reais
necessidades do Líbano. Já foi feito
também o levantamento de inteligên-
cia operacional e de como nós temos
que focar o adestramento. Lá as coi-
sas são diferentes, nós temos os ex-
plosivos improvisados, nós temos esta
preocupação a mais lá no Libano e o
adestramento vai ser adaptado para
nós mandarmos tropas para o Libano
prontas para a realidade.
Operacional - Fazendo uma análise
do cenário, é possível crer que o Ba-
talhão será muito mais empregado no
Líbano que no Haiti...
CMG (FN) Eduardo: Na organização
inicial do Grupamento Líbano já con-
templa uma unidade de Comandos
Anfíbios mais forte que a do Haiti, com
um efetivo maior, com pessoal espe-
cializado em desativação de artefatos
explosivos, já vizando um emprego di-
ferenciado e importante no Líbano.
OPERACIONAL 2014 61
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Batalhão de Operações Especiais de Fuzileiros Navais (BtlOpEspFuzNav) - Batalhão Tonelero.pdf

  • 1.
  • 2.
    TEXTO RAFAEL SAYÃO A JornadaMundial da Juven- tude reuniu milhões de jo- vens, de todo o mundo, na cidade do Rio de Janeiro. A “Missa de envio” realizada nas areias da Praia de Copacabana, já que o Campus Fidei em Guaratiba estava inutilizado, contou com a parti- cipação de 3,7 milhões de peregrinos que atentos ao grande palco montado na areia da praia, acompanhavam a celebração do Papa Francisco. O que estas milhões de pessoas não sabiam é que debaixo daquela palco montado as pressas em Copa- cabana havia uma estrutura de segu- rança dotada de eficientes recursos da Marinha do Brasil e capaz de evacuar o sumo pontífice, pelo mar, em caso de qualquer ameaça. Além duas viatu- ras lagarta anfíbio CLAnf, o esquema contava com a participação de milita- res do Batalhão Tonelero, especializa- dos em ações de contraterrorismo. As origens “Como pode um pequeno grupo de soldados atacar e destruir um inimigo entrincheirado e numericamente muito superior e ainda obter sucesso? Pode parecer impossível, mas é exatamen- te essa a essência das Forças de Operações Especiais.” Esta frase do Almirante William H. McRaven, ex-co- mandante do U.S. Special Operations Command, resume com simplicidade a necessidade deste tipo de tropa na atualidade onde as tropas estão envol- vidas em conflitos pontuais, assimétri- cos e que causem o mínimo possível de danos colaterais. Para o Comando dos Fuzileiros Navais, esta flexibili- dade característica das unidades de operações especiais, é garantida pelo Batalhão de Operações Especiais de Fuzileiros Navais (BtlOpEspFuzNav). O desenvolvimento das atividades de operações especiais no Corpo de Fuzileiros Navais datam da década de 50 com a Criação da Companhia de Reconhecimento Anfíbio. Entretanto, foi somente em 1971 que o Batalhão Tonelero foi criado e organizado de acordo com a conjuntura política exis- tente à época. Para o CFN era muito importante possuir uma unidade vol- tada para o emprego em situação de guerra de guerrilhas e que, ao mesmo tempo, possuísse a capacidade de ser um 4º Batalhão de Infantaria. Nucleado por uma Companhia de Operações Especiais, o Batalhão in- troduziu as atividades de instrução voltadas para esse tipo de operações O desenvolvimento das atividades de operações especiais no Corpo de Fuzileiros Navais datam da década de 50. Tonelero OPERACIONAL 2014 53 |
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    REPORTAGEM BATALHÃO DEOPERAÇÕES ESPECIAIS DE FUZILEIROS NAVAIS específicas. Em 1972 foi formada a primeira turma do Curso de Contra- guerrilha (ConGue), que em 1974 passou a ser denominado Curso de Adestramento de Comandos Anfíbios e posteriormente, Curso Especial de Comandos Anfíbios. No primeiro dia do ano de 1991, a Companhia de Reconhecimento Anfí- bio (CiaReconAnf), pertencente à Tro- pa de Reforço, foi transferida para o Batalhão. Em 26 de março de 1996, a Companhia de Reconhecimento Terrestre (CiaReconTer), foi transferi- da da Divisão Anfíbia para o Batalhão Tonelero, reunindo-se no Batalhão de Operações Especiais de Fuzileiros Navais, todas as atividades de ope- rações especiais de fuzileiros navais. Com o vulto e importância dessas novas e tão complexas atribuições, o Batalhão Tonelero, até então perten- cente à Tropa de Reforço, passou a partir de 20 de dezembro de 1995, à subordinação direta do Comando da Força de Fuzileiros da Esquadra. Subordinado diretamente a Força de Fuzileiros da Esquadra, o BtlOpEs- pFuzNav é hoje a “carta na manga” do comandandante da Força e pode ser empregado rapidamente nos vá- rios ambientes operacionais encontra- dos no Brasil. Como toda unidade de operações especiais, o Tonelero lança mão de variados métodos de infiltra- ção. Largamente empregada, a Infiltra- ção por paraquedas, permitinde uma infiltração sigilosa à retaguarda pro- funda do inimigo. Atingindo um levado grau de adestramento dentro da ativi- dade aeroterrestre, o Tonelero possui capacidade de infiltração através das técnicas de High Altitude-Low Ope- ning (HALO) e High Altitude-High Ope- ning (HAHO). A versatilidade do vetor aéreo também é utilizando na infiltra- ção com o apoio de helicópteros. Atra- vés das técnicas do pouso, vôo pai- rado, “rappel,” “fast rope” ou “penca”, os operadores do Tonelero passam a contar com a flexibilidade e sigilo da aeronave de asas rotativas em suas infiltrações e exfiltrações. Como não poderia deixar de ser, a infiltração pelo mar é um dos prin- cipais recursos do Batalhão. Utilizan- do equipamentos de circuito fechado, muito empregado quando em atuação no interior das posições inimigas, a infilitração por mergulho é também muito empregada. Quando operando a partir dos navios e submarinos da Esquadra Brasileira e utilizando-se de Embarcações de Desembarque Pneu- máticas (EDP) ZODIAC F470 , o Bata- lhão ganha a capacidade de infiltrar além da linha do horizonte, um método amplamente utilizado nas Operações Anfíbias. Estrutura Para garantir sua elevada capaci- dade operacional, o BtlOpEspFuzNav possui em sua estrutura organizacio- nal uma Companhia de Comando e Serviços e três Companhias de Ope- rações Especiais. A 1ª Companhia de Operações Especiais, Companhia de Reconheci- mento, é a subunidade especializada nas atividades de reconhecimento e vigilância, atuando atrás das linhas inimigas, em prol dos Grupamentos Operativos de Fuzileiros Navais. Pos- sui três Pelotões de Reconhecimento Tático e dois Pelotões de Reconhe- cimento Operacional que garantem à Companhia de Reconhecimento a ca- pacidade para realização de reconhe- cimento a fim de obter dados sobre a situação militar do inimigo e caracte- rísticas da área de operações; operar postos de vigilância; realizar observa- ção dos fogos das armas de apoio; im- plantar e operar sensores de sistemas de vigilância terrestre e equipamentos de alerta para guerra química, bioló- gica e nuclear; reconhecer, balizar e O Tonelero possui capacidade de infiltração através das técnicas HALO e HAHO. Tonelero www.revistaoperacional.com.br 54
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    operar zonas dedesembarque e zo- nas de lançamento; e guiar tropas por itinerários reconhecidos. A 2ª Companhia de Operações Es- peciais, Companhia de Ação de Co- mandos, é a subunidade responsável por agir de forma direta sobre objeti- vos de valor operacional e estratégi- cos. Valendo-se de pequenos efetivos, pessoal especialmente selecionado e adestrado e superioridade relativa, ela proporciona grande vantagem na rela- ção custo-benefício sendo, portanto, largamente empregada no combate moderno para neutralizar pontos de importância como instalações logísti- cas ou de C3I do inimigo. Esta compa- nhia conta ainda com uma importan- te arma: os caçadores. Atuando em apoio às ações da companhia ou em dupla, isolados em território controla- do pelo inimigo, eles se valem de seus fuzis anti-pessoal e anti-material para atingir alvos de qualquer natureza. A 3ª Companhia de Operações Es- peciais, especializada em Contraterro- rismo, é a subunidade onde está inse- rido o Grupo Especial de Retomada e Resgate (GERR/OpEsp). Este Grupo foi criado em 1986 devido à crescente onda de criminalidade e ameaças do terrorismo em todo o mundo. Visan- do dar uma pronta resposta às novas ameaças, a alta administração naval criou este Grupo extremamente es- pecializado em Ações de Retomada e Resgate de pessoal, material e ins- talações de interesse do Poder Naval. Sua organização é composta por uma Unidade Tarefa de Comando, uma Unidade Tarefa de Assalto, e uma Uni- dade Tarefa Precursora, que engloba as equipes de Observadores e Reco- nhecimento e Segurança. O adestramento desse grupo está fundamentado na aplicação de técni- cas modernas e é realizado de forma contínua, com o propósito de manter, durante todo o ano, seu permanente estado de pronto-emprego, obtendo o “poder de resposta rápida e positiva”. O Batalhão conta também com uma companhia de apoio às opera- ções especiais que tem como missão prover apoio às companhias operacio- nais nas infiltrações aérea, terrestre Rafael Sayão Rafael Sayão Rafael Sayão OPERACIONAL 2014 55 |
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    A infiltração pelomar é um dos principais recursos do Batalhão. Rafael Sayão www.revistaoperacional.com.br 56
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    e marítima. Sãoestes elementos os responsá- veis pela manutenção de pára-quedas, em- barcações, motores e equipamentos de mer- gulho. Sem o valioso trabalho da companhia de apoio, o trabalho dos times operacio- nais seria totalmente comprometido. O nível de profissionalismo do pessoal de apoio é mui- to elevado. O Batalhão realiza através de seus militares DOMPSA, for- mados na Brigada de Infantaria Pára-quedista do Exército Brasileiro, a manutenção e dobragem de seus equipamentos de salto livre e semi-automático garantindo perfeitas condições operacionais para os equi- pamentos. Armamentos Responsável pelo cumprimento de uma gama variada de missões espe- ciais, o Batalhão Tonelero demanda a utilização de equipamentos diferen- ciados em seu inventário. Atualmente o Batalhão opera com três fuzis de assalto de calibre 5,56 mm: o M16 A2 Mod. 705 “Standart”, o M16 A2 Mod. 779 “M4 Carbine” e o M16 A2 Mod. 733 “Com- mando”. Preferência entre a maioria das unidades de operações especiais do mundo, a alemã HK tam- bém equipa o Tonelero com as submetralhadoras MP5 KA4 e P5 SD6. Os caçadores da uni- dade operam com o fuzil de precisão Anti-Material “Hecate II” (.50) e os anti- -pessoal M85 “Parker Hal- le” (7,62 mm) e Ultima Ratio “Com- mando I e Supressed”. Além destes a unidade conta com morteiros france- ses “Comando” de 60mm, lança-gra- nadas M203 de 40mm, espingardas CBC Mod. 586.2 e Mossberg M590, O equipamentos de circuito fechado é muito empregado quando em atuação no interior das posições inimigas. Rafael Sayão Rafael Sayão OPERACIONAL 2014 57 |
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    rifle CBC ImpalaMáster, metralhado- ras “MAG” (7,62mm) e Minimi Para (5,56mm), submetralhadora MINI-UZI (9mm) e pistolas Taurus PT 92 e PT 24/7 “Pro Tactical”. Formação O nível de formação dos militares do Batalhão é muito elevado. Todos os militares são selecionados através de concurso público o que garante um per- fil profissional diferenciado da tropa. Para se tornar um Comandos Anfí- bios o militar Fuzileiro Naval precisa ser 3º sargento, ou cabo já aprovado na seleção para sargento. O Curso Espe- cial de Comandos Anfíbios é realizado no Centro de Instrução Almirante Sylvio de Camargo e tem como objetivo geral preparar oficiais e praças para o plane- jamento e execução de Operações Es- peciais de Fuzileiros Navais. O curso é realizado em três fases distintas. A primeira fase é a adapta- ção onde é dado ênfase nas atividades práticas e aplicação de conhecimentos e técnicos básicos para o elemento de operações especiais. Além disso, é priorizado condicionamento físico e psicológico necessários para o prosse- guimento do curso. A segunda fase, co- nhecida como fase de aprimoramento, é destinada a assimilação de novos con- teúdos e obtenção de conhecimentos técnicos necessários para a parte mais prática do curso. Na terceira o aluno já possui os conhecimentos necessários para iniciar o planejamento e execução de Operações Especiais. Desta forma, os conhecimentos básicos consolida- dos na primeira fase e os conhecimen- tos técnicos, assimilados na segunda fase, serão colocados em prática em diversas operações, verificando a ca- pacidade do aluno de aplicar os conhe- cimentos adquiridos sob as condições rigorosas das Operações Especiais. É nesta fase que ocorre o maior número de cortes do curso. Anualmente, centenas de voluntá- rios aparecem na tentativa de serem selecionados, ao longo dos seis meses de curso, para o desempenho das difí- ceis tarefas atribuídas ao Batalhão To- nelero. REPORTAGEM BATALHÃO DE OPERAÇÕES ESPECIAIS DE FUZILEIROS NAVAIS Rafael Sayão Rafael Sayão O curso de Comandos Anfíbios é realizado em três fases distintas. Tonelero www.revistaoperacional.com.br 58
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    A 1ª Companhiade Operações Especiais, Companhia de Reconhecimento, é a subunidade especializada nas atividades de reconhecimento e vigilância, atuando atrás das linhas inimigas. Rafael Sayão OPERACIONAL 2014 59 |
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    O Capitão-de-Mar-e-Guerra (FN) Claudio EduardoSilva Dias, nasceu no Rio de Janeiro no dia 13 de agosto de 1968. Ingressou no Colégio Naval em 1983 e na Es- cola Naval em 1986, sendo declarado Guarda-Marinha em 13 de dezembro de 1989. Possui, entre outros, os cur- sos de Comandos Anfíbios, Opera- ções Especiais e o Amphibious Re- connaissance Course, realizado no USMC, nos Estados Unidos. Antes de comandar o Batalhão Tonelero, atuou como assessor de Assuntos Institu- cionais e do CFN no Gabinete do Co- mandante da Marinha e comandou 2º Batalhão de Infantaria de Fuzileiros Navais (Btl. Humaitá) e o 15º Contin- gente do GptOpFuzNav-Haiti. Operacional - Durante a produção desta reportagem foi possível per- ceber o elevado nível técnico e pro- fissional dos militares que compõe o Batalhão Tonelero. É um diferen- cial para a unidade contar um efeti- vo deste nível? CMG (FN) Eduardo: O militar Fuzilei- ro Naval é um militar diferenciado. Ele é bem preparado, é todo de carreira. Quem entra para ser Fuzileiro Naval faz um concurso, se forma Fuzileiro Naval no CIAMPA e segue carreira. Ninguém entra com Sargento, então você vê a diferença na experiência. O nosso Sargento hoje foi soldado e cabo. O nível de formação da Mari- nha é muito bom. Para chegar a sar- gento ele tem que ter o ensino médio completo, passou por diversos cursos e fez um ano de curso no Centro de Instrução Almirante Sylvio de Camar- go para se tornar sargento. Inclusive com o curso de aperfeiçoamento no mesmo ano. Isso já da um diferencial no profissionalismo do nosso pessoal. Os Comandos Anfíbios ainda estão em um step à cima pela dedicação e amor que eles tem a profissão. Tive- ram o curso de Comandos Anfíbios que já os prepararam para esta parte operacional toda, de inteligência, e vi- vem isso no dia a dia. Nós trabalhos em um nível que quando nós vamos para o campo de batalha, nós vamos para um nível operacional, atuando em reconhecimento e ações de co- mandos, então eles tem este enten- dimento de uma operação militar em um nível acima do militar de infantaria convencional que atua no nível tático. Ele busca informações para acessorar o comandante da Força, ele esta fa- zendo uma ação de comandos que vai contribuir para o desembarque anfíbio como um todo. O nível dele é um nível acima. Por isso ele tem esta formação diferenciada que reflete até no dia-a- -dia do quartel. É um pessoal que você contar com um assessoramento muito bem feito e correto. Um comprometi- mento para que a missão seja sempre feita da melhor forma possível. CMG (FN) CLAUDIO EDUARDO SILVA DIAS Comandante do Batalhão de Operações Especiais de Fuzileiros Navais REPORTAGEM BATALHÃO DE OPERAÇÕES ESPECIAIS DE FUZILEIROS NAVAIS Rafael Sayão www.revistaoperacional.com.br 60
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    Operacional - Umdos pontos mais elogiados da Jornada Mundial da Ju- ventude foi o esquema de segurança. Alguns recursos eram vistos pela po- pulação e outros, até mesmo mais im- portantes, ficavam fora do alcance dos olhos dos peregrinos. Podemos dizer que Batalhão Tonelero teve um papel fundamental na segurança do Papa Francisco? CMG (FN) Eduardo: Agora que já passou a Jornada nós podemos co- mentar. Nós ficamos responsáveis pelo plano de evacuação do Papa em Copacabana. Na época não foi divul- gado, mas nós tinhamos um plano para que caso ouvesse alguma con- tingência durante a missa papal ou a vigília, o Papa seria retirado pelos nos- sos militares utilizando os carros la- garta anfíbio (CLAnf7A1) que estavam camuflados debaixo no altar. Foi real- mente uma participação muito grande e toda operação foi conduzida de uma forma transparente para a população. Ninguém soube que debaixo daquele altar tinham dois carros lagarta anfíbio prontos para evacuar o Papa caso fos- se necessário. Operacional - Podemos dizer então que o Batalhão foi escolhido a dedo para esta missão? CMG (FN) Eduardo: A vocação do Ba- talhão é esta. Como seria uma retirada para o mar, o pessoal melhor adestra- do para fazer este tipo de coisa, que tinha o melhor preparo e nossa intimi- dade com a água, seria da Marinha, dos Fuzileiros Navais e do Batalhão do Tonelero. Operacional - Analisando o organo- grama da Força de Fuzileiros da Es- quadra (FFE) vemos o Batalhão Tone- lero em uma posição muito destacada. Seria correto dizer que o Batalhão é a “Carta na manga” com comandante da Força? CMG (FN) Eduardo: Com certeza! O Tonelero é um Batalhão, mas está no organograma da Força de Fuzileiros da Esquadra no mesmo nível de duas forças, a Divisão Anfíbia e a Tropa de Reforço. O Batalhão Tonelero, a Base e o Comando da Tropa de Desembar- que. Apesar de ser um Batalhão, ele está nas mãos do Comandante da FFE. As tarefas do Tonelero são justa- mente neste nível. Contribuindo e atu- ando nas operações neste nível mais alto e chegando ao nível Operacional. Na busca de informações, nos diver- sos tipos de reconhecimento e nas ações diretas de comandos. Como fa- lei, às vezes você pode depender de uma ação de comandos para permitir toda a aproximação de uma força tare- fa anfíbia. A importância do Batalhão é muito grande. Operacional - Os grandes eventos como a Copa do Mundo estão baten- do a nossa porta e sem dúvidas o To- nelero irá assumir um papel importan- te no esquema de segurança destes eventos. Como está sendo feita esta preparação? CMG (FN) Eduardo: Nós estamos com um plano de adestramento todo voltado para a Copa do Mundo.O Ba- talhão já participou ano passado da Copa das Confederações e da Jorna- da Mundial da Juventude. Para a Copa nós já estamos fazendo adestramento internamente e a partir de março já te- mos adestramentos externos focados na Copa do Mundo. Nós já fizemos viajens de reconhecimento nas sedes e partipei de diversas reuniões. Estive recentemente em Salvador em uma reunião sobre os dois CDA da Ma- rinha, Salvador e Natal e em termos de planejamento e execução estamos bem adiantados. O adestramento do Tonelero esta todo focado na Copa do Mundo. Operacional - O Brasil, desde 2011, faz parte da Força-Tarefa Marítima (FTM) da Força Interina das Nações Unidas que atua no Líbano. O Brasil se mostrou solicito ao desejo da ONU de enviar tropas brasileiras para atua- rem no Líbano. O Tonelero está prepa- rado para esta missão? CMG (FN) Eduardo: Nós estamos nos preparando para isso. A Força de Fuzileiros da Esquadra está se orga- nizando. Já preparamos um um gru- pamento operativo visando caso seja realmente ativado o Libano nós este- jamos em condições. O adestramento para o Libano esta sendo feito. Nós estamos estudando o adestramento do Haiti e adaptando para as reais necessidades do Líbano. Já foi feito também o levantamento de inteligên- cia operacional e de como nós temos que focar o adestramento. Lá as coi- sas são diferentes, nós temos os ex- plosivos improvisados, nós temos esta preocupação a mais lá no Libano e o adestramento vai ser adaptado para nós mandarmos tropas para o Libano prontas para a realidade. Operacional - Fazendo uma análise do cenário, é possível crer que o Ba- talhão será muito mais empregado no Líbano que no Haiti... CMG (FN) Eduardo: Na organização inicial do Grupamento Líbano já con- templa uma unidade de Comandos Anfíbios mais forte que a do Haiti, com um efetivo maior, com pessoal espe- cializado em desativação de artefatos explosivos, já vizando um emprego di- ferenciado e importante no Líbano. OPERACIONAL 2014 61 |