ATERRAMENTO
       ELÉTRICO                                                                                                Alexandre Capelli




         1 – INTRODUÇÃO                        Veremos, mais adiante, que exis-               Teoricamente, o terminal neutro da
                                           tem várias outras funções para o               concessionária deve ter potencial igual
    O aterramento elétrico, com certe-     aterramento elétrico, até mesmo para           a zero volt. Porém, devido ao des-
za, é um assunto que gera um núme-         eliminação de EMI , porém essas três           balanceamento nas fases do transfor-
ro enorme de dúvidas quanto às nor-        acima são as mais fundamentais.                mador de distribuição, é comum esse
mas e procedimentos no que se refe-                                                       terminal tender a assumir potenciais
re ao ambiente elétrico industrial. Mui-                                                  diferentes de zero.
tas vezes, o desconhecimento das téc-           3 – DEFINIÇÕES : TERRA,                       O desbalanceamento de fases
nicas para realizar um aterramento                 NEUTRO, E MASSA.                       ocorre quando temos consumidores
eficiente, ocasiona a queima de equi-                                                     com necessidades de potências mui-
pamentos, ou pior, o choque elétrico           Antes de falarmos sobre os tipos           to distintas, ligadas em um mesmo link.
nos operadores desses equipamentos.        de aterramento, devemos esclarecer             Por exemplo, um transformador ali-
    Mas o que é o “terra”? Qual a dife-    (de uma vez por todas !) o que é terra,        menta, em um setor seu, uma residên-
rença entre terra, neutro, e massa?        neutro, e massa.                               cia comum, e no outro setor, um pe-
Quais são as normas que devo seguir            Na figura 1 temos um exemplo da            queno supermercado. Essa diferença
para garantir um bom aterramento ?         ligação de um PC à rede elétrica, que          de demanda, em um mesmo link, pode
Bem, esses são os tópicos que este         possui duas fases (+110 VCA, - 110             fazer com que o neutro varie seu po-
artigo tentará esclarecer. É fato que o    VCA), e um neutro.                             tencial (flutue) .
assunto "aterramento" é bastante vas-          Essa alimentação é fornecida pela              Para evitar que esse potencial “flu-
to e complexo, porém, demonstrare-         concessionária de energia elétrica,            tue”, ligamos (logo na entrada) o fio
mos algumas regras básicas.                que somente liga a caixa de entrada            neutro a uma haste de terra. Sendo
                                           ao poste externo se houver uma has-            assim, qualquer potencial que tender
                                           te de aterramento padrão dentro do             a aparecer será escoado para a terra.
       2 – PARA QUE SERVE O                ambiente do usuário. Além disso, a                 Ainda analisando a figura 1 , ve-
     ATERRAMENTO ELÉTRICO ?                concessionária também exige dois               mos que o PC está ligado em 110
                                           disjuntores de proteção.                       VCA, pois utiliza uma fase e o neutro.
   O aterramento elétrico tem três fun-
ções principais :
                                             Fig. 1 - Ligação de um PC à rede elétrica.
    a – Proteger o usuário do equipa-
mento das descargas atmosféricas,
através da viabilização de um cami-
nho alternativo para a terra, de des-
cargas atmosféricas.

   b – “ Descarregar” cargas estáticas
acumuladas nas carcaças das máqui-
nas ou equipamentos para a terra.

    c – Facilitar o funcionamento dos
dispositivos de proteção ( fusíveis,
disjuntores, etc. ), através da corrente
desviada para a terra.

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Mas, ao mesmo tempo, ligamos sua                                                                     Fig. 2 - Sistema TN-S.
carcaça através de outro condutor na
mesma haste, e damos o nome des-
se condutor de “terra”.
    Pergunta “fatídica”: Se o neutro
e o terra estão conectados ao mesmo
ponto (haste de aterramento), porque
um é chamado de terra e o outro de
neutro?
    Aqui vai a primeira definição : o
neutro é um “condutor” fornecido pela
concessionária de energia elétrica,
pelo qual há o “retorno” da corrente
elétrica.                                       Esse sistema, embora normaliza-      C em último caso, isto é, quando real-
    O terra é um condutor construído       do, não é aconselhável, pois o fio ter-   mente for impossível estabelecer qual-
através de uma haste metálica e que ,      ra e o neutro são constituídos pelo       quer um dos dois sistemas anteriores.
em situações normais, não deve pos-        mesmo condutor. Dessa vez, sua iden-
suir corrente elétrica circulante.         tificação é PEN ( e não PE, como o
    Resumindo: A grande diferença          anterior ). Podemos notar pela figura           5 – PROCEDIMENTOS
entre terra e neutro é que, pelo neutro    3 que, após o neutro ser aterrado na
há corrente circulando, e pelo terra,      entrada, ele próprio é ligado ao neu-         Os cálculos e variáveis para
não. Quando houver alguma corrente         tro e à massa do equipamento.             dimensionar um aterramento podem
circulando pelo terra, normalmente ela                                               ser considerados assuntos para “pós
deverá ser transitória, isto é, desviar    c – Sistema TT :                          – graduação em Engenharia Elétrica”.
uma descarga atmosférica para a ter-          Esse sistema é o mais eficiente        A resistividade e tipo do solo, geome-
ra, por exemplo. O fio terra, por nor-     de todos. Na figura 4 vemos que o         tria e constituição da haste de
ma, vem identificado pelas letras PE,      neutro é aterrado logo na entrada e       aterramento, formato em que as has-
e deve ser de cor verde e amarela.         segue (como neutro) até a carga (         tes são distribuídas, são alguns dos
Notem ainda que ele está ligado à          equipamento). A massa do equipa-          fatores que influenciam o valor da re-
carcaça do PC. A carcaça do PC, ou         mento é aterrada com uma haste pró-       sistência do aterramento.
de qualquer outro equipamento é o          pria, independente da haste de                Como não podemos abordar tudo
que chamamos de “massa”.                   aterramento do neutro.                    isso em um único artigo, daremos al-
                                              O leitor pode estar pensando : “       gumas “dicas” que, com certeza, irão
                                           Mas qual desses sistemas devo utili-      ajudar:
  4 – TIPOS DE ATERRAMENTO                 zar na prática?”
                                              Geralmente, o próprio fabricante           a ) Haste de aterramento:
                                           do equipamento especifica qual sis-           A haste de aterramento normal-
    A ABNT ( Associação Brasileira de      tema é melhor para sua máquina, po-       mente, é feita de uma alma de aço
Normas Técnicas ) possui uma nor-          rém, como regra geral, temos :            revestida de cobre. Seu comprimento
ma que rege o campo de instalações                                                   pode variar de 1,5 a 4,0m. As de 2,5m
elétricas em baixa tensão. Essa nor-           a ) Sempre que possível, optar pelo   são as mais utilizadas, pois diminuem
ma é a NBR 5410, a qual, como todas        sistema TT em 1º lugar.                   o risco de atingirem dutos subterrâne-
as demais normas da ABNT, possui                                                     os em sua instalação.
subseções. As subseções : 6.3.3.1.1,           b ) Caso, por razões operacionais
6.3.3.1.2, e 6.3.3.1.3 referem-se aos      e estruturais do local, não seja possí-      b ) O valor ideal para um bom
possíveis sistemas de aterramento          vel o sistema TT, optar pelo sistema      aterramento deve ser menor ou igual
que podem ser feitos na indústria.         TN-S.                                     a 5Ω. Dependendo da química do solo
    Os três sistemas da NBR 5410               c ) Somente optar pelo sistema TN-    (quantidade de água, salinidade,
mais utilizados na indústria são :
                                                                                                     Fig. 3 - Sistema TN-C.
a – Sistema TN-S :
   Notem pela figura 2 que temos o
secundário de um transformador ( ca-
bine primária trifásica ) ligado em Y. O
neutro é aterrado logo na entrada, e
levado até a carga . Paralelamente ,
outro condutor identificado como PE
é utilizado como fio terra , e é
conectado à carcaça (massa) do equi-
pamento.
b – Sistema TN-C:

SABER ELETRÔNICA Nº 329/JUNHO/2000                                                                                            57
alcalinidade, etc.), mais de uma haste
pode se fazer necessária para nos                                                                       Fig. 4 - Sistema TT
aproximarmos desse valor. Caso isso
ocorra, existem duas possibilidades:
tratamento químico do solo (que será
analisado mais adiante), e o agrupa-
mento de barras em paralelo.
    Uma boa regra para agruparem-se
barras é a da formação de polígonos.
A figura 5 mostra alguns passos. No-
tem que, quanto maior o número de
barras, mais próximo a um círculo fi-
camos. Outra regra no agrupamento
de barras é manter sempre a distân-
cia entre elas, o mais próximo possí-
vel do comprimento de uma barra.
    É bom lembrar ao leitor que essas
são regras práticas. Como dissemos
anteriormente, o dimensionamento do
aterramento é complexo, e repleto de
cálculos. Para um trabalho mais pre-                                                 Fig. 5 - Agrupamento de barras em paralelo.
ciso e científico, o leitor deve consul-
tar uma literatura própria.                tensão é a proibição (por norma) de        indicar o valor ôhmico da resistência
                                           tratamento químico do solo para equi-      do terra.
                                           pamentos a serem instalados em lo-             Uma grande dificuldade na utiliza-
6 -TRATAMENTO QUÍMICO DO SOLO              cais de acesso público (colunas de         ção desse instrumento é achar um lo-
                                           semáforos, caixas telefônicas,             cal apropriado para instalar as hastes
    Como já observamos, a resistên-        controladores de tráfego, etc...). Essa    de referência. Normalmente, o chão
cia do terra depende muito da consti-      medida visa a segurança das pesso-         das fábricas são concretados, e , com
tuição química do solo.                    as nesses locais.                          certeza, fazer dois “ buracos” no chão
    Muitas vezes, o aumento de núme-                                                  ( muitas vezes até já pintado ) não é
ro de “barras” de aterramento não con-                                                algo agradável .
segue diminuir a resistência do terra            7 - MEDINDO O TERRA                      Infelizmente, caso haja a necessi-
significativamente. Somente nessa si-                                                 dade de medir – se o terra , não te-
tuação devemos pensar em tratar qui-            O instrumento clássico para medir-    mos outra opção a não ser essa. Mas,
micamente o solo.                          se a resistência do terra é o terrôme-     podemos ter uma idéia sobre o esta-
    O tratamento químico tem uma           tro.                                       do em que ele se encontra , sem
grande desvantagem em relação ao                Esse instrumento possui 2 hastes      medi–lo propriamente. A figura 7
aumento do número de hastes, pois a        de referência, que servem como divi-       mostra esse “ truque”.
terra, aos poucos, absorve os elemen-      sores resistivos conforme a figura 6 .         Em primeiro lugar escolhemos
tos adicionados. Com o passar do tem-           Na verdade, o terrômetro “injeta”     uma fase qualquer, e a conectamos a
po, sua resistência volta a aumentar,      uma corrente pela terra que é trans-       um pólo de uma lâmpada elétrica co-
portanto, essa alternativa deve ser o      formada em “quedas” de tensão pe-          mum. Em segundo lugar, ligamos o
último recurso.                            los resistores formados pelas hastes       outro pólo da lâmpada na haste de
    Temos vários produtos que podem        de referência , e pela própria haste de    terra que estamos analisando. Quan-
ser colocados no solo antes ou depois      terra.                                     to mais próximo do normal for o brilho
da instalação da haste para diminuir-           Através do valor dessa queda de       da lâmpada , mais baixa é a resistên-
mos a resistividade do solo. A             tensão, o mostrador é calibrado para       cia de terra .
Bentonita e o Gel são os mais utiliza-
dos. De qualquer forma, o produto a
ser utilizado para essa finalidade deve                                                                     Fig. 6 - Terrômetro.
ter as seguintes características :

     - Não ser tóxico
     - Deve reter umidade
     - Bom condutor de eletricidade
     - Ter pH alcalino (não corrosivo)
     - Não deve ser solúvel em água

   Uma observação importante no
que se refere a instalação em baixa

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Caso o leitor queira ser mais pre-        - Excesso de EMI gerado ( interfe-
ciso , imaginem um exemplo de uma          rências eletromagnéticas ) .
lâmpada de 110 volts por 100 W . Ao           - Aquecimento anormal das etapas
fazer esse teste em uma rede de 110        de potência ( inversores, conversores,
V com essa lâmpada , podemos me-           etc... ) , e motorização.
dir a corrente elétrica que circula por
ela. Para um “terra” considerado razo-        - Em caso de computadores pes-
ável , essa corrente deve estar acima      soais, funcionamento irregular com
de 600 mA .                                constantes “travamentos”.
    Cabe lembrar ao leitor que , essa
prática é apenas um artifício ( para não      - Falhas intermitentes, que não
dizer macete ) com o qual podemos          seguem um padrão.
ter uma idéia das condições gerais do
aterramento. Em hipótese alguma               - Queima de CI’s ou placas eletrô-
esse método pode ser utilizado para        nicas sem razão aparente , mesmo
a determinação de um valor preciso.        sendo elas novas e confiáveis.

                                              - Para equipamentos com
      8 - IMPLICAÇÕES DE                   monitores de vídeo, interferências na
     UM MAU ATERRAMENTO                    imagem e ondulações podem ocorrer.

    Ao contrário do que muitos pen-
sam , os problemas que um aterra-                     CONCLUSÃO
mento deficiente pode causar não se
limitam apenas aos aspectos de se-              Antes de executarmos qualquer
gurança .                                   trabalho (projeto, manutenção, ins-
    É bem verdade que os principais         talação, etc...) na área eletroele-
efeitos de uma máquina mal aterrada         trônica, devemos observar todas as
são choques elétricos ao operador , e       normas técnicas envolvidas no pro-
resposta lenta (ou ausente) dos sis-        cesso.
temas de proteção (fusíveis, disjun-            Somente assim poderemos re-
tores , etc...).                            alizar um trabalho eficiente, e sem
    Mas outros problemas operacio-          problemas de natureza legal.
nais podem ter origem no aterramento            Atualmente, com os programas
deficiente.                                 de qualidade das empresas, ape-
    Abaixo segue uma pequena lista          nas um serviço bem feito não é su-
do que já observamos em campo.              ficiente. Laudos técnicos, e docu-
Caso alguém se identifique com algum        mentação adequada também são
desses problemas, e ainda não che-          elementos integrantes do sistema .
cou seu aterramento, está aí a dica:            Para quem estiver preparado, a
                                            consultoria de serviços de instala-
   - Quebra de comunicação entre            ções em baixa – tensão é um mer-
máquina e PC ( CPL, CNC, etc... ) em        cado, no mínimo, interessante .
modo on-line. Principalmente se o pro-          Até a próxima !               n
tocolo de comunicação for RS 232.




   Fig. 7 - Verificação
  do estado do "terra".


SABER ELETRÔNICA Nº 329/JUNHO/2000                                                  59

Aterramento1

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    ATERRAMENTO ELÉTRICO Alexandre Capelli 1 – INTRODUÇÃO Veremos, mais adiante, que exis- Teoricamente, o terminal neutro da tem várias outras funções para o concessionária deve ter potencial igual O aterramento elétrico, com certe- aterramento elétrico, até mesmo para a zero volt. Porém, devido ao des- za, é um assunto que gera um núme- eliminação de EMI , porém essas três balanceamento nas fases do transfor- ro enorme de dúvidas quanto às nor- acima são as mais fundamentais. mador de distribuição, é comum esse mas e procedimentos no que se refe- terminal tender a assumir potenciais re ao ambiente elétrico industrial. Mui- diferentes de zero. tas vezes, o desconhecimento das téc- 3 – DEFINIÇÕES : TERRA, O desbalanceamento de fases nicas para realizar um aterramento NEUTRO, E MASSA. ocorre quando temos consumidores eficiente, ocasiona a queima de equi- com necessidades de potências mui- pamentos, ou pior, o choque elétrico Antes de falarmos sobre os tipos to distintas, ligadas em um mesmo link. nos operadores desses equipamentos. de aterramento, devemos esclarecer Por exemplo, um transformador ali- Mas o que é o “terra”? Qual a dife- (de uma vez por todas !) o que é terra, menta, em um setor seu, uma residên- rença entre terra, neutro, e massa? neutro, e massa. cia comum, e no outro setor, um pe- Quais são as normas que devo seguir Na figura 1 temos um exemplo da queno supermercado. Essa diferença para garantir um bom aterramento ? ligação de um PC à rede elétrica, que de demanda, em um mesmo link, pode Bem, esses são os tópicos que este possui duas fases (+110 VCA, - 110 fazer com que o neutro varie seu po- artigo tentará esclarecer. É fato que o VCA), e um neutro. tencial (flutue) . assunto "aterramento" é bastante vas- Essa alimentação é fornecida pela Para evitar que esse potencial “flu- to e complexo, porém, demonstrare- concessionária de energia elétrica, tue”, ligamos (logo na entrada) o fio mos algumas regras básicas. que somente liga a caixa de entrada neutro a uma haste de terra. Sendo ao poste externo se houver uma has- assim, qualquer potencial que tender te de aterramento padrão dentro do a aparecer será escoado para a terra. 2 – PARA QUE SERVE O ambiente do usuário. Além disso, a Ainda analisando a figura 1 , ve- ATERRAMENTO ELÉTRICO ? concessionária também exige dois mos que o PC está ligado em 110 disjuntores de proteção. VCA, pois utiliza uma fase e o neutro. O aterramento elétrico tem três fun- ções principais : Fig. 1 - Ligação de um PC à rede elétrica. a – Proteger o usuário do equipa- mento das descargas atmosféricas, através da viabilização de um cami- nho alternativo para a terra, de des- cargas atmosféricas. b – “ Descarregar” cargas estáticas acumuladas nas carcaças das máqui- nas ou equipamentos para a terra. c – Facilitar o funcionamento dos dispositivos de proteção ( fusíveis, disjuntores, etc. ), através da corrente desviada para a terra. 56 SABER ELETRÔNICA Nº 329/JUNHO/2000
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    Mas, ao mesmotempo, ligamos sua Fig. 2 - Sistema TN-S. carcaça através de outro condutor na mesma haste, e damos o nome des- se condutor de “terra”. Pergunta “fatídica”: Se o neutro e o terra estão conectados ao mesmo ponto (haste de aterramento), porque um é chamado de terra e o outro de neutro? Aqui vai a primeira definição : o neutro é um “condutor” fornecido pela concessionária de energia elétrica, pelo qual há o “retorno” da corrente elétrica. Esse sistema, embora normaliza- C em último caso, isto é, quando real- O terra é um condutor construído do, não é aconselhável, pois o fio ter- mente for impossível estabelecer qual- através de uma haste metálica e que , ra e o neutro são constituídos pelo quer um dos dois sistemas anteriores. em situações normais, não deve pos- mesmo condutor. Dessa vez, sua iden- suir corrente elétrica circulante. tificação é PEN ( e não PE, como o Resumindo: A grande diferença anterior ). Podemos notar pela figura 5 – PROCEDIMENTOS entre terra e neutro é que, pelo neutro 3 que, após o neutro ser aterrado na há corrente circulando, e pelo terra, entrada, ele próprio é ligado ao neu- Os cálculos e variáveis para não. Quando houver alguma corrente tro e à massa do equipamento. dimensionar um aterramento podem circulando pelo terra, normalmente ela ser considerados assuntos para “pós deverá ser transitória, isto é, desviar c – Sistema TT : – graduação em Engenharia Elétrica”. uma descarga atmosférica para a ter- Esse sistema é o mais eficiente A resistividade e tipo do solo, geome- ra, por exemplo. O fio terra, por nor- de todos. Na figura 4 vemos que o tria e constituição da haste de ma, vem identificado pelas letras PE, neutro é aterrado logo na entrada e aterramento, formato em que as has- e deve ser de cor verde e amarela. segue (como neutro) até a carga ( tes são distribuídas, são alguns dos Notem ainda que ele está ligado à equipamento). A massa do equipa- fatores que influenciam o valor da re- carcaça do PC. A carcaça do PC, ou mento é aterrada com uma haste pró- sistência do aterramento. de qualquer outro equipamento é o pria, independente da haste de Como não podemos abordar tudo que chamamos de “massa”. aterramento do neutro. isso em um único artigo, daremos al- O leitor pode estar pensando : “ gumas “dicas” que, com certeza, irão Mas qual desses sistemas devo utili- ajudar: 4 – TIPOS DE ATERRAMENTO zar na prática?” Geralmente, o próprio fabricante a ) Haste de aterramento: do equipamento especifica qual sis- A haste de aterramento normal- A ABNT ( Associação Brasileira de tema é melhor para sua máquina, po- mente, é feita de uma alma de aço Normas Técnicas ) possui uma nor- rém, como regra geral, temos : revestida de cobre. Seu comprimento ma que rege o campo de instalações pode variar de 1,5 a 4,0m. As de 2,5m elétricas em baixa tensão. Essa nor- a ) Sempre que possível, optar pelo são as mais utilizadas, pois diminuem ma é a NBR 5410, a qual, como todas sistema TT em 1º lugar. o risco de atingirem dutos subterrâne- as demais normas da ABNT, possui os em sua instalação. subseções. As subseções : 6.3.3.1.1, b ) Caso, por razões operacionais 6.3.3.1.2, e 6.3.3.1.3 referem-se aos e estruturais do local, não seja possí- b ) O valor ideal para um bom possíveis sistemas de aterramento vel o sistema TT, optar pelo sistema aterramento deve ser menor ou igual que podem ser feitos na indústria. TN-S. a 5Ω. Dependendo da química do solo Os três sistemas da NBR 5410 c ) Somente optar pelo sistema TN- (quantidade de água, salinidade, mais utilizados na indústria são : Fig. 3 - Sistema TN-C. a – Sistema TN-S : Notem pela figura 2 que temos o secundário de um transformador ( ca- bine primária trifásica ) ligado em Y. O neutro é aterrado logo na entrada, e levado até a carga . Paralelamente , outro condutor identificado como PE é utilizado como fio terra , e é conectado à carcaça (massa) do equi- pamento. b – Sistema TN-C: SABER ELETRÔNICA Nº 329/JUNHO/2000 57
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    alcalinidade, etc.), maisde uma haste pode se fazer necessária para nos Fig. 4 - Sistema TT aproximarmos desse valor. Caso isso ocorra, existem duas possibilidades: tratamento químico do solo (que será analisado mais adiante), e o agrupa- mento de barras em paralelo. Uma boa regra para agruparem-se barras é a da formação de polígonos. A figura 5 mostra alguns passos. No- tem que, quanto maior o número de barras, mais próximo a um círculo fi- camos. Outra regra no agrupamento de barras é manter sempre a distân- cia entre elas, o mais próximo possí- vel do comprimento de uma barra. É bom lembrar ao leitor que essas são regras práticas. Como dissemos anteriormente, o dimensionamento do aterramento é complexo, e repleto de cálculos. Para um trabalho mais pre- Fig. 5 - Agrupamento de barras em paralelo. ciso e científico, o leitor deve consul- tar uma literatura própria. tensão é a proibição (por norma) de indicar o valor ôhmico da resistência tratamento químico do solo para equi- do terra. pamentos a serem instalados em lo- Uma grande dificuldade na utiliza- 6 -TRATAMENTO QUÍMICO DO SOLO cais de acesso público (colunas de ção desse instrumento é achar um lo- semáforos, caixas telefônicas, cal apropriado para instalar as hastes Como já observamos, a resistên- controladores de tráfego, etc...). Essa de referência. Normalmente, o chão cia do terra depende muito da consti- medida visa a segurança das pesso- das fábricas são concretados, e , com tuição química do solo. as nesses locais. certeza, fazer dois “ buracos” no chão Muitas vezes, o aumento de núme- ( muitas vezes até já pintado ) não é ro de “barras” de aterramento não con- algo agradável . segue diminuir a resistência do terra 7 - MEDINDO O TERRA Infelizmente, caso haja a necessi- significativamente. Somente nessa si- dade de medir – se o terra , não te- tuação devemos pensar em tratar qui- O instrumento clássico para medir- mos outra opção a não ser essa. Mas, micamente o solo. se a resistência do terra é o terrôme- podemos ter uma idéia sobre o esta- O tratamento químico tem uma tro. do em que ele se encontra , sem grande desvantagem em relação ao Esse instrumento possui 2 hastes medi–lo propriamente. A figura 7 aumento do número de hastes, pois a de referência, que servem como divi- mostra esse “ truque”. terra, aos poucos, absorve os elemen- sores resistivos conforme a figura 6 . Em primeiro lugar escolhemos tos adicionados. Com o passar do tem- Na verdade, o terrômetro “injeta” uma fase qualquer, e a conectamos a po, sua resistência volta a aumentar, uma corrente pela terra que é trans- um pólo de uma lâmpada elétrica co- portanto, essa alternativa deve ser o formada em “quedas” de tensão pe- mum. Em segundo lugar, ligamos o último recurso. los resistores formados pelas hastes outro pólo da lâmpada na haste de Temos vários produtos que podem de referência , e pela própria haste de terra que estamos analisando. Quan- ser colocados no solo antes ou depois terra. to mais próximo do normal for o brilho da instalação da haste para diminuir- Através do valor dessa queda de da lâmpada , mais baixa é a resistên- mos a resistividade do solo. A tensão, o mostrador é calibrado para cia de terra . Bentonita e o Gel são os mais utiliza- dos. De qualquer forma, o produto a ser utilizado para essa finalidade deve Fig. 6 - Terrômetro. ter as seguintes características : - Não ser tóxico - Deve reter umidade - Bom condutor de eletricidade - Ter pH alcalino (não corrosivo) - Não deve ser solúvel em água Uma observação importante no que se refere a instalação em baixa 58 SABER ELETRÔNICA Nº 329/JUNHO/2000
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    Caso o leitorqueira ser mais pre- - Excesso de EMI gerado ( interfe- ciso , imaginem um exemplo de uma rências eletromagnéticas ) . lâmpada de 110 volts por 100 W . Ao - Aquecimento anormal das etapas fazer esse teste em uma rede de 110 de potência ( inversores, conversores, V com essa lâmpada , podemos me- etc... ) , e motorização. dir a corrente elétrica que circula por ela. Para um “terra” considerado razo- - Em caso de computadores pes- ável , essa corrente deve estar acima soais, funcionamento irregular com de 600 mA . constantes “travamentos”. Cabe lembrar ao leitor que , essa prática é apenas um artifício ( para não - Falhas intermitentes, que não dizer macete ) com o qual podemos seguem um padrão. ter uma idéia das condições gerais do aterramento. Em hipótese alguma - Queima de CI’s ou placas eletrô- esse método pode ser utilizado para nicas sem razão aparente , mesmo a determinação de um valor preciso. sendo elas novas e confiáveis. - Para equipamentos com 8 - IMPLICAÇÕES DE monitores de vídeo, interferências na UM MAU ATERRAMENTO imagem e ondulações podem ocorrer. Ao contrário do que muitos pen- sam , os problemas que um aterra- CONCLUSÃO mento deficiente pode causar não se limitam apenas aos aspectos de se- Antes de executarmos qualquer gurança . trabalho (projeto, manutenção, ins- É bem verdade que os principais talação, etc...) na área eletroele- efeitos de uma máquina mal aterrada trônica, devemos observar todas as são choques elétricos ao operador , e normas técnicas envolvidas no pro- resposta lenta (ou ausente) dos sis- cesso. temas de proteção (fusíveis, disjun- Somente assim poderemos re- tores , etc...). alizar um trabalho eficiente, e sem Mas outros problemas operacio- problemas de natureza legal. nais podem ter origem no aterramento Atualmente, com os programas deficiente. de qualidade das empresas, ape- Abaixo segue uma pequena lista nas um serviço bem feito não é su- do que já observamos em campo. ficiente. Laudos técnicos, e docu- Caso alguém se identifique com algum mentação adequada também são desses problemas, e ainda não che- elementos integrantes do sistema . cou seu aterramento, está aí a dica: Para quem estiver preparado, a consultoria de serviços de instala- - Quebra de comunicação entre ções em baixa – tensão é um mer- máquina e PC ( CPL, CNC, etc... ) em cado, no mínimo, interessante . modo on-line. Principalmente se o pro- Até a próxima ! n tocolo de comunicação for RS 232. Fig. 7 - Verificação do estado do "terra". SABER ELETRÔNICA Nº 329/JUNHO/2000 59