REVISTA DE BIOLOGIA E CIÊNCIAS DA TERRA ISSN 1519-5228
Volume 22 - Número 2 - 2º Semestre 2022
INVESTIGAÇÃO DA DEGRADAÇÃO AMBIENTAL EM TERRITÓRIOS RIBEIRINHOS
DO MARAJÓ (PA): UMAALTERNATIVA PARA O PROGRAMA DE RESTAURAÇÃO
FLORESTAL
Higor Almeida da Silva1
RESUMO
A restauração florestal consiste no aumento da sustentabilidade ambiental dos ecossistemas
degradados resultantes das atividades antrópicas negativas. O artigo objetivou identificar a
quantidade de áreas degradadas em dois territórios ribeirinhos localizados no Marajó, município de
Portel-PA, e propor um Programa de Restauração Florestal baseado nas modalidades de
Enriquecimento de Capoeira e Sistemas Agroflorestais. A metodologia incluiu a análise de mapas
temáticos de vegetação oriundos da classificação supervisionada das imagens de satélite Landsat-
8/TM do ano de 2022, o levantamento da quantidade de espécies agroflorestais dos viveiros de mudas
com seus respectivos grupos ecológicos, e a apresentação de estimativas dos custos de produção das
mudas. No Acangatá foi constatado uma média de 6.542,69 ha de áreas degradadas, enquanto o Alto
Camarapí apresentou média de 8.451,24 ha. Foram identificadas 10 espécies agroflorestais nos dois
viveiros de mudas analisados. As três espécies com o maior número de mudas foram Euterpe oleracea
Mart. (8.954), Theobroma cacao L. (6.680) e Inga edulis Mart. (1.050). Através da análise das
características ecológicas locais, observou-se que as duas modalidades propostas podem ser utilizadas
nos dois territórios, sendo necessário o fortalecimento de parcerias institucionais visando às políticas
de compra de mudas agroflorestais perante as comunidades tradicionais da Amazônia.
Palavras-chave: Amazônia, Enriquecimento de Capoeira, Sistemas Agroflorestais.
INVESTIGATION OF ENVIRONMENTAL DEGRADATION IN RIPARIAN
TERRITORIES OF THE MARAJÓ (PA): AN ALTERNATIVE FOR THE FOREST
RESTORATION PROGRAM
ABSTRACT
The forest restoration consists in the increase of environmental sustainability of degraded ecosystems
resultants from negative anthropic activities. The article aimed to identify the quantity of degraded
areas in two riparian territories located in Marajó, Portel-PA, and to propose a Forest Restoration
Program based in the modalities of Capoeira Enrichment and Agroforestry Systems. The
methodology included the analysis of thematic maps of vegetation arising from the supervised
classification, utilizing satellite images Landsat-8/TM of the year 2022, the survey of quantity of
agroforestry species of the seedling nurseries with their respective ecological groups, and the
presentation of production cost estimates of the seedlings. In the Acangatá, was found an average of
6,542.69 ha degraded areas, while the Alto Camarapí presented average of 8,451.24 ha. Were
identified 10 agroforestry species in the two seedling nurseries analysed. The three species with the
highest number of seedlings were Euterpe oleracea Mart. (8,954), Theobroma cacao L. (6,680) and
Inga edulis Mart. (1,050). Through the analysis of local ecological characteristics, it was observed
that the two proposals modalities may be utilized in both territories, being necessary the strengthening
of institutional partnerships aiming at the policies purchase of agroforestry seedlings before the
traditional communities of the Amazon.
Keywords: Amazon, Capoeira Enrichment, Agroforestry Systems.
34
INTRODUÇÃO
As atividades antrópicas negativas
resultaram na perda da cobertura florestal a nível
global ao longo das últimas décadas (HANSEN
et al., 2013), associada à redução da
biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos,
como o abastecimento de água, a ciclagem de
nutrientes e a regulação do clima (TOLESSA et
al., 2017). O processo de degradação florestal
afeta a dinâmica das espécies em relação a
variáveis ambientais e sucessão ecológica,
incluindo a regeneração natural (GHAZOUL et
al., 2015).
Estas consequências negativas oriundas da
degradação florestal no planeta, e,
principalmente, na região Amazônica,
configuram uma relevância estratégica de
subsídio à conservação dos recursos florestais
existentes (ARAÚJO et al., 2022). O desafio da
restauração florestal e a crescente mudança
climática estabelecem a abordagem da
restauração dos ecossistemas em uma
perspectiva funcional e paisagística
(STANTURF et al., 2014), impulsionados pelo
propósito de aumentar-se a sustentabilidade
ambiental dos ecossistemas degradados e seus
respectivos serviços ecossistêmicos (SAPKOTA
et al., 2018).
O aumento dos níveis de degradação
florestal observados nos últimos anos na
Amazônia, abrangendo, sobretudo, o território do
Marajó, Pará (SANTOS, 2015; RIBEIRO et al.,
2022), proporcionados, principalmente, pela
exploração madeireira ilegal e agricultura
itinerante (DOUROJEANNI, 2019), estabelecem
grandes alterações na cobertura e no uso da terra
caracterizadas em uma relação predatória dos
recursos naturais utilizados pelas comunidades
tradicionais (CAVIGLIA-HARRIS et al., 2016).
Diante deste contexto, o presente trabalho
tem como objetivo identificar a quantidade de
áreas degradadas em dois territórios ribeirinhos
localizados no território do Marajó, município de
Portel, estado do Pará, denominados de Projetos
Estaduais de Assentamento Extrativista
(PEAEXs) do Acangatá e do Alto Camarapí,
além de propor a elaboração de um Programa de
Restauração Florestal contendo os dois
territórios, baseado nas modalidades de
Enriquecimento de Capoeira e Sistemas
Agroflorestais.
MATERIAL E MÉTODOS
Caracterização da área
O estudo foi realizado nos Territórios do
PEAEXAcangatá e Alto Camarapí, município de
Portel, no estado do Pará (Figura 1). A região
possui uma rica biodiversidade, caracterizada nas
atividades de artesanato, produção de plantas
medicinais, criação de animais, além das práticas
ecoturísticas que são desenvolvidas por
intermédio das belezas naturais existentes no
território do Marajó (SILVA, 2020).
Figura 1. Mapa de localização da área de estudo.
Estes dois territórios possuem ainda um
histórico de degradação das áreas florestais e da
cobertura vegetal natural devido à constatação de
dois principais fatores comuns inerentes à região
Amazônica: as empresas madeireiras locais, as
quais realizaram uma exploração florestal, na
maioria das vezes, de forma predatória; e a
prática da agricultura itinerante (derruba e
queima), realizada pelas próprias famílias
ribeirinhas, com o objetivo de plantar espécies
agrícolas, principalmente, a cultura da mandioca
(Manihot esculenta Crantz.) visando à produção
de farinha (SILVA et al., 2017; OLIVEIRA et al.,
2021).
A observação do processo histórico de
degradação dos recursos naturais existentes nas
comunidades tradicionais destes dois territórios
do Marajó foi ponderada também de acordo com
Nobre et al. (2016), os quais caracterizaram o
desenvolvimento rural na Amazônia como
resultado da ampla mudança no uso, ocupação e
cobertura da terra intrínseca à agricultura de
Fonte: Elaborado pelo autor (2023).
baixa produtividade, além de ser considerada
insustentável devido às sucessivas queimadas;
havendo a necessidade de um novo paradigma de
desenvolvimento sustentável para a região
estudada.
Coleta e análise de dados
As imagens de satélite Landsat-8/TM
pertencentes ao ano de 2022 utilizadas neste
estudo foram obtidas no banco de dados do
Núcleo de Inteligência de Imagens (NUIM),
disponibilizados pelo Centro Gestor e
Operacional do Sistema de Proteção da
Amazônia (Censipam), sendo que o processo de
classificação supervisionada das imagens
ocorreu em conformidade com Jog e Dixit
(2016), mediante o auxílio do software ArcGIS
versão 10.8.2.
O período da pesquisa para o levantamento
de campo em relação à quantidade de espécies
agroflorestais existentes nos viveiros de mudas
dos dois territórios estudados (PEAEX Acangatá
e Alto Camarapí) ocorreu durante seis meses
(julho a dezembro de 2022), caracterizado na
coleta das informações sobre as mudas de
essências florestais nativas produzidas pelos
agricultores familiares locais em parceria com
profissionais e pesquisadores da área florestal
(SILVA et al., 2015).
O levantamento florístico mediante a
classificação dos grupos ecológicos foi feito
através da identificação das mudas nativas e
registros fotográficos, adotando-se as
metodologias descritas por Budowski (1965),
Swaine e Whitmore (1988). As estimativas dos
custos de produção foram levantadas mediante a
pesquisa dos preços das mudas nos mercados
locais, abrangendo as modalidades de
Enriquecimento de Capoeira e Sistemas
Agroflorestais, sendo que a tabulação e o
processamento dos cálculos foram realizados
através do Microsoft Excel 2019.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
As quantidades médias de áreas
degradadas evidenciadas nos territórios do
PEAEX Acangatá e do Alto Camarapí, foram,
respectivamente, de 6.542,69 e 8.451,24 ha
degradados, tendo como base as análises das
imagens de satélite Landsat-8/TM pertencentes
ao ano de 2022, e em função da soma das áreas
degradadas de duas categorias relativas à
classificação supervisionada das imagens: a
agricultura itinerante e a pastagem (Figura 2).
Figura 2. Estimativa de áreas degradadas no Território do Acangatá (A) e do Alto Camarapí (B) do ano de 2022.
Fonte: Elaborado pelo autor (2023).
A soma das áreas degradadas para as
categorias de agricultura e pastagens no território
do Acangatá, corresponderam, respectivamente,
a 5.886,43 ha (89,97%) e 656,26 ha (10,03%).
No território do Alto Camarapí, a soma das áreas
degradadas para a categoria de agricultura foi de
8.209,11 ha (97,13%), enquanto para a categoria
de pastagens, o resultado foi de 242,13 ha
(2,87%).
Em um estudo realizado por Cano-Crespo
et al. (2015), no que diz respeito às análises dos
percentuais das mudanças no uso e cobertura da
terra na Amazônia Legal brasileira, mediante a
classificação e interpretação de imagens Landsat
Thematic Mapper (TM)-5 dos anos de 2008 e
2010, foram apresentados os valores totais de
11,2% para a agricultura anual e 33,8% para a
pastagem degradada.
Santos et al. (2020) também evidenciaram
alterações no uso e cobertura da terra na
Amazônia em decorrência de atividades
antrópicas negativas, através dos estudos de
imagens de satélites Landsat-5/TM (1984) e
Landsat-8/TM (2014), observando uma redução
significativa da cobertura florestal no período de
30 anos (1984-2014), sendo de 69% em 1984,
para 43% em 2014, constatando ainda, um
aumento médio de 24% (1984), para 51% (2014)
em relação à paisagem de pastagens em
comunidades rurais da Amazônia brasileira.
Os resultados mostram que a redução da
cobertura florestal e o aumento das áreas de
agricultura e pastagens são relacionados às ações
antrópicas degradantes, associadas igualmente as
práticas de urbanização e desmatamento na
região Amazônica (LU et al., 2007;
LAURANCE et al., 2009; BARBER et al.,
2014). Esses estudos demonstram a importância
das técnicas de sensoriamento remoto para a
avaliação dos indicadores de degradação florestal
em territórios rurais.
Deste modo, identificaram-se um total de
10 espécies agroflorestais para cada viveiro de
mudas, sendo um viveiro existente em cada
território estudado, visando ao planejamento
prévio do Programa de Restauração Florestal a
ser implementado. No território do PEAEX
Acangatá, as três espécies que apresentaram o
maior número de mudas no viveiro foram
Euterpe oleracea Mart. (3.369), Theobroma
cacao L. (3.330) e Inga edulis Mart. (300)
(Tabela 1).
Tabela 1. Espécies agroflorestais levantadas no viveiro de mudas do PEAEX Acangatá.
Nº Nome Vulgar Nome Científico Grupo Ecológico Quantidade (mudas)
1 Açaí da mata Euterpe precatoria Mart. Clímax 250
2 Açaí de touceira Euterpe oleracea Mart. Clímax 3.369
3 Andiroba Carapa guianensis Aubl. Clímax 125
4 Angelim-da-mata Hymenolobium excelsum Pioneira 80
5 Cacau Theobroma cacao L. Secundária Inicial 3.330
6 Copaíba Copaifera multijuga Hayne Secundária Tardia 35
7 Cupuaçu Theobroma grandiflorum Secundária Inicial 210
8 Ingá de metro Inga edulis Mart. Secundária Inicial 300
9 Seringueira Hevea brasiliensis Mull. Secundária Tardia 45
10 Taperebá Spondias mombin L. Secundária Inicial 275
Total 8.019
Fonte: Elaborado pelo autor (2023).
No território do PEAEX Alto Camarapí, as
três espécies que apresentaram o maior número
de mudas também foram Euterpe oleracea Mart.
(5.585), Theobroma cacao L. (3.550) e Inga
edulis Mart. (750) (Tabela 2). Essa similaridade
entre as espécies levantadas deve-se à
proximidade geográfica entre os dois territórios,
facilitando, assim, os aspectos socioeconômicos
de produção das mudas (NUNES et al., 2020).
Tabela 2. Espécies agroflorestais levantadas no viveiro de mudas do PEAEX Alto Camarapí.
Nº Nome Vulgar Nome Científico Grupo Ecológico Quantidade (mudas)
1 Açaí da mata Euterpe precatoria Mart. Clímax 310
2 Açaí de touceira Euterpe oleracea Mart. Clímax 5.585
3 Andiroba Carapa guianensis Aubl. Clímax 30
4 Bacabi Oenocarpus mapora H. Clímax 50
5 Cacau Theobroma cacao L. Secundária Inicial 3.350
6 Copaíba Copaifera multijuga Hayne Secundária Tardia 40
7 Cupuaçu Theobroma grandiflorum Secundária Inicial 155
8 Ingá de metro Inga edulis Mart. Secundária Inicial 750
9 Pupunha Bactris gasipaes Kunth Secundária Tardia 30
10 Taperebá Spondias mombin L. Secundária Inicial 25
Total 10.325
Fonte: Elaborado pelo autor (2023).
A soma total das três espécies com o maior
número de mudas, abrangendo os territórios
PEAEXs Acangatá e Alto Camarapí,
correspondeu a 8.954 para a Euterpe oleracea
Mart., 6.680 para o Theobroma cacao L. e 1.050
para o Inga edulis Mart.. De acordo ainda com
Nunes et al. (2020), esses resultados demonstram
a necessidade da inclusão dos critérios
silviculturais e socioeconômicos na seleção
efetiva de espécies nativas visando aos
programas de restauração florestal em larga
escala na Amazônia.
O levantamento florístico baseado na
classificação dos grupos ecológicos para o
território do Acangatá apresentou, considerando
o total de 10 espécies levantadas no viveiro, 1
espécie do grupo ecológico da pioneira (10%), 4
espécies do grupo da secundária inicial (40%), 2
espécies do grupo da secundária tardia (20%) e 3
espécies do grupo clímax (30%). No território do
Alto Camarapí, os valores corresponderam a 4
espécies do grupo da secundária inicial (40%), 2
espécies do grupo da secundária tardia (20%) e 4
espécies do grupo clímax (40%).
Esta identificação das mudas nativas
existentes nos dois viveiros de mudas
pertencentes aos dois territórios ribeirinhos
estudados (Figura 3), enfatizada na classificação
dos grupos ecológicos, proporcionou as análises
das espécies agroflorestais mais adequadas para
o programa de restauração florestal a ser
implementado, tendo por base as modalidades de
Enriquecimento de Capoeira e Sistemas
Agroflorestais.
Figura 3. Levantamento das mudas nativas existentes nos viveiros dos Territórios Acangatá (A) e Alto Camarapí (B).
(A) (B)
Fonte: Elaborado pelo autor (2023).
Considerando a modalidade de
enriquecimento de capoeira para os dois
territórios, de acordo com as características
ecológicas locais, bem como a disponibilidade de
sementes e mudas, propõe-se a seleção de 8
espécies florestais, caracterizadas da seguinte
forma: 3 espécies (37,5%) para o grupo das
pioneiras (Cecropia Loefl., Hymenolobium
excelsum Ducke, Inga alba (Sw.) Willd); 1
espécie (12,5%) para o grupo das secundárias
iniciais (Inga edulis Mart.); 2 espécies (25%)
para o grupo das secundárias tardias (Bertholletia
excelsa Bonpl., Copaifera multijuga Hayne); e 2
espécies (25%) para o grupo clímax (Carapa
guianensis Aubl., Swietenia macrophylla King).
Esta seleção foi similar à pesquisa
desenvolvida por Santos e Ferreira (2020), os
quais obtiveram resultados satisfatórios com
relação ao enriquecimento de florestas
secundárias na Amazônia, utilizando 6 espécies
florestais nativas, distribuídas entre os seguintes
grupos ecológicos: 1 espécie (16,67%) do grupo
secundária inicial (Tabebuia rosea (Bertol.)
Bertero ex A.DC.); 3 espécies (50%) do grupo
secundária tardia (Bertholletia excelsa Bonpl.,
Cedrela fissilis Vell., Hymenaea courbaril L.); e
2 espécies (33,33%) do grupo clímax (Carapa
guianensis Aubl., Swietenia macrophylla King).
Em relação à modalidade de SAFs proposta
para os dois territórios, de acordo com a
disponibilidade de sementes e mudas, e levando
em consideração os interesses socioeconômicos
comuns inerentes aos agricultores familiares,
sugerem-se a seleção de 8 espécies agroflorestais
a serem dispostas em diferentes arranjos, e
descritas da seguinte forma: 1 espécie (12,5%) do
grupo pioneira (Musa spp.); 3 (37,5%) espécies
do grupo secundária inicial (Spondias mombin
L., Theobroma cacao L., Theobroma
grandiflorum (Willd. ex Spreng.) Schum); 2
espécies (25%) do grupo secundária tardia
(Bactris gasipaes Kunth, Copaifera multijuga
Hayne); e 2 espécies (25%) do clímax (Euterpe
oleracea Mart., Carapa guianensis Aubl.).
Estudos realizados por Braga et al. (2019)
e Sousa et al. (2022) baseados na seleção das
espécies vegetais utilizadas em sistemas
agroflorestais pelas comunidades rurais na
Amazônia, mostram que, entre as 8 espécies
citadas nas duas pesquisas, 2 espécies (25%)
pertencem ao grupo das pioneiras (Musa spp.,
Schizolobium parahyba var. amazonicum (Huber
ex Ducke) Barneby); 3 espécies (37,5%) ao
grupo das secundárias iniciais (Handroanthus
serratifolius (Vahl) S.Grose, Theobroma cacao
L., Theobroma grandiflorum (Willd. ex Spreng.)
Schum); 1 espécie (12,5%) ao grupo das
secundárias tardias (Pouteria macrophylla
(Lam.) Eyma); e 2 espécies (25%) ao grupo das
clímax (Dipteryx odorata (Aubl.) Forsyth f.,
Euterpe oleracea Mart.).
O levantamento das estimativas dos custos
de produção das mudas nativas pensadas para as
modalidades de enriquecimento de capoeira e
sistemas agroflorestais e para os dois territórios
ribeirinhos estudados, apresentou uma média
total de R$ 250.000,00 (Tabela 3), mediante a
análise dos preços para as 10 espécies agrícolas e
florestais pesquisadas com base nos mercados
locais e nas literaturas científicas como sendo as
espécies normalmente utilizadas para a
recuperação de áreas degradadas.
Tabela 3. Estimativas de preços das espécies vegetais visando às modalidades de enriquecimento de capoeira e sistemas
agroflorestais.
Nº Espécies Espaçamento
Quantidade
mudas/ha
Perda de
10%
Custo das
mudas
Custo das
mudas/ha
1 Bertholletia excelsa Bonpl. 12 m x 12 m 69,44 76,89 R$ 150,00 R$ 11.458,33
2 Carapa guianensis Aubl. 3 m x 4 m 833,33 916,67 R$ 70,00 R$ 64.166,67
3 Copaifera multijuga Hayne 3 m x 3 m 1111,11 1222,22 R$ 20,00 R$ 24.444,44
4 Euterpe oleracea Mart. 6 m x 4 m 416,67 458,33 R$ 3,00 R$ 1.375,00
5 Hevea brasiliensis L. 3 m x 4 m 833,33 916,67 R$ 4,00 R$ 3.666,67
6 Hymenaea courbaril L. 3 m x 3 m 1111,11 1222,22 R$ 25,00 R$ 30.555,56
7 Inga edulis Mart. 3 m x 3 m 1111,11 1222,22 R$ 40,00 R$ 48.888,89
8 Schizolobium amazonicum 3 m x 3 m 1111,11 1222,22 R$ 0,20 R$ 244,44
9
Swietenia macrophylla
King
3 m x 3 m 1111,11 1222,22 R$ 15,00 R$ 18.333,33
10 Theobroma cacao L. 3 m x 3 m 1111,11 1222,22 R$ 40,00 R$ 48.888,89
Valores Totais 8819,43 9701,88 R$ 367,20 R$ 252.022,22
Fonte: Elaborado pelo autor (2023).
O planejamento do Programa de
Restauração Florestal para os territórios dos
PEAEXs Acangatá e Alto Camarapí, cujas áreas
degradadas corresponderam a um total,
respectivamente, de 6.542,69 e 8.451,24 ha, foi
proposto para um período de 360 meses (30
anos). Essa proposta equivale à média de 18,17
ha (PEAEX Acangatá) e 23,47 ha (PEAEX Alto
Camarapí) a serem restaurados em 12 meses,
superando a média anual encontrada por Nunes
et al. (2020), a qual foi de 6,25 ha a serem
restaurados na Amazônia brasileira.
O custo total estimado em reais para a
compra de mudas por hectare proposto ao
Programa de Restauração Florestal baseado na
quantidade de áreas degradadas a serem
recuperadas anualmente de 18,17 ha para o
PEAEX Acangatá e 23,47 ha para o PEAEX Alto
Camarapí, e considerando também a
disponibilidade de mudas existentes nos viveiros,
caracterizou-se por ter apresentado os seguintes
valores para as três espécies com o maior número
de plantas: 1ª) Euterpe oleracea Mart. (R$
14.876,55 - Acangatá) e (R$ 15.516,00 - Alto
Camarapí); 2ª) Theobroma cacao L. (R$
888.309,20 - Acangatá) e (R$ 1.147.420,00 -
Alto Camarapí); e 3ª) Inga edulis Mart. (R$
888.309,20 - Acangatá) e (R$ 1.147.420,00 -
Alto Camarapí).
Estes valores totalizam um custo anual
estimado de R$ 4.101.850,95 para ambos os
territórios, abrangendo somente estas três
espécies nativas, as quais podem ser utilizadas
nas modalidades de enriquecimento de capoeira
e sistemas agroflorestais, evidenciando, deste
modo, o elevado custo com a restauração
ecológica na Amazônia (CAVALCANTE et al.,
2022).
CONCLUSÕES
A partir da análise do quantitativo de áreas
degradadas existentes nos territórios ribeirinhos
PEAEXs do Acangatá e do Alto Camarapí,
observou-se que as modalidades de
enriquecimento de capoeira e sistemas
agroflorestais podem ser utilizadas como
metodologias para a restauração florestal,
capazes de auxiliar no desenvolvimento da
produção agroflorestal nestas comunidades
tradicionais da Amazônia.
Os cálculos estimados dos custos de
produção das espécies agroflorestais corroboram
ainda mais a necessidade do fortalecimento de
parcerias institucionais visando às políticas de
incentivo, capacitação e de garantia de compra de
mudas, com o intuito de auxiliar na
implementação dos Programas de Restauração
Florestal, além de mitigar os impactos antrópicos
negativos nestes territórios com a consequente
melhoria das condições socioeconômicas dos
agricultores familiares.
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______________________________________
1- Higor Almeida da Silva. Sou Doutor em
Sociedade, Natureza e Desenvolvimento e
Pesquisador da Universidade Federal do Pará
(UFPA). higor_sial@hotmail.com
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Artigo_Bioterra_V22_N2_03

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    REVISTA DE BIOLOGIAE CIÊNCIAS DA TERRA ISSN 1519-5228 Volume 22 - Número 2 - 2º Semestre 2022 INVESTIGAÇÃO DA DEGRADAÇÃO AMBIENTAL EM TERRITÓRIOS RIBEIRINHOS DO MARAJÓ (PA): UMAALTERNATIVA PARA O PROGRAMA DE RESTAURAÇÃO FLORESTAL Higor Almeida da Silva1 RESUMO A restauração florestal consiste no aumento da sustentabilidade ambiental dos ecossistemas degradados resultantes das atividades antrópicas negativas. O artigo objetivou identificar a quantidade de áreas degradadas em dois territórios ribeirinhos localizados no Marajó, município de Portel-PA, e propor um Programa de Restauração Florestal baseado nas modalidades de Enriquecimento de Capoeira e Sistemas Agroflorestais. A metodologia incluiu a análise de mapas temáticos de vegetação oriundos da classificação supervisionada das imagens de satélite Landsat- 8/TM do ano de 2022, o levantamento da quantidade de espécies agroflorestais dos viveiros de mudas com seus respectivos grupos ecológicos, e a apresentação de estimativas dos custos de produção das mudas. No Acangatá foi constatado uma média de 6.542,69 ha de áreas degradadas, enquanto o Alto Camarapí apresentou média de 8.451,24 ha. Foram identificadas 10 espécies agroflorestais nos dois viveiros de mudas analisados. As três espécies com o maior número de mudas foram Euterpe oleracea Mart. (8.954), Theobroma cacao L. (6.680) e Inga edulis Mart. (1.050). Através da análise das características ecológicas locais, observou-se que as duas modalidades propostas podem ser utilizadas nos dois territórios, sendo necessário o fortalecimento de parcerias institucionais visando às políticas de compra de mudas agroflorestais perante as comunidades tradicionais da Amazônia. Palavras-chave: Amazônia, Enriquecimento de Capoeira, Sistemas Agroflorestais. INVESTIGATION OF ENVIRONMENTAL DEGRADATION IN RIPARIAN TERRITORIES OF THE MARAJÓ (PA): AN ALTERNATIVE FOR THE FOREST RESTORATION PROGRAM ABSTRACT The forest restoration consists in the increase of environmental sustainability of degraded ecosystems resultants from negative anthropic activities. The article aimed to identify the quantity of degraded areas in two riparian territories located in Marajó, Portel-PA, and to propose a Forest Restoration Program based in the modalities of Capoeira Enrichment and Agroforestry Systems. The methodology included the analysis of thematic maps of vegetation arising from the supervised classification, utilizing satellite images Landsat-8/TM of the year 2022, the survey of quantity of agroforestry species of the seedling nurseries with their respective ecological groups, and the presentation of production cost estimates of the seedlings. In the Acangatá, was found an average of 6,542.69 ha degraded areas, while the Alto Camarapí presented average of 8,451.24 ha. Were identified 10 agroforestry species in the two seedling nurseries analysed. The three species with the highest number of seedlings were Euterpe oleracea Mart. (8,954), Theobroma cacao L. (6,680) and Inga edulis Mart. (1,050). Through the analysis of local ecological characteristics, it was observed that the two proposals modalities may be utilized in both territories, being necessary the strengthening of institutional partnerships aiming at the policies purchase of agroforestry seedlings before the traditional communities of the Amazon. Keywords: Amazon, Capoeira Enrichment, Agroforestry Systems. 34
  • 2.
    INTRODUÇÃO As atividades antrópicasnegativas resultaram na perda da cobertura florestal a nível global ao longo das últimas décadas (HANSEN et al., 2013), associada à redução da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos, como o abastecimento de água, a ciclagem de nutrientes e a regulação do clima (TOLESSA et al., 2017). O processo de degradação florestal afeta a dinâmica das espécies em relação a variáveis ambientais e sucessão ecológica, incluindo a regeneração natural (GHAZOUL et al., 2015). Estas consequências negativas oriundas da degradação florestal no planeta, e, principalmente, na região Amazônica, configuram uma relevância estratégica de subsídio à conservação dos recursos florestais existentes (ARAÚJO et al., 2022). O desafio da restauração florestal e a crescente mudança climática estabelecem a abordagem da restauração dos ecossistemas em uma perspectiva funcional e paisagística (STANTURF et al., 2014), impulsionados pelo propósito de aumentar-se a sustentabilidade ambiental dos ecossistemas degradados e seus respectivos serviços ecossistêmicos (SAPKOTA et al., 2018). O aumento dos níveis de degradação florestal observados nos últimos anos na Amazônia, abrangendo, sobretudo, o território do Marajó, Pará (SANTOS, 2015; RIBEIRO et al., 2022), proporcionados, principalmente, pela exploração madeireira ilegal e agricultura itinerante (DOUROJEANNI, 2019), estabelecem grandes alterações na cobertura e no uso da terra caracterizadas em uma relação predatória dos recursos naturais utilizados pelas comunidades tradicionais (CAVIGLIA-HARRIS et al., 2016). Diante deste contexto, o presente trabalho tem como objetivo identificar a quantidade de áreas degradadas em dois territórios ribeirinhos localizados no território do Marajó, município de Portel, estado do Pará, denominados de Projetos Estaduais de Assentamento Extrativista (PEAEXs) do Acangatá e do Alto Camarapí, além de propor a elaboração de um Programa de Restauração Florestal contendo os dois territórios, baseado nas modalidades de Enriquecimento de Capoeira e Sistemas Agroflorestais. MATERIAL E MÉTODOS Caracterização da área O estudo foi realizado nos Territórios do PEAEXAcangatá e Alto Camarapí, município de Portel, no estado do Pará (Figura 1). A região possui uma rica biodiversidade, caracterizada nas atividades de artesanato, produção de plantas medicinais, criação de animais, além das práticas ecoturísticas que são desenvolvidas por intermédio das belezas naturais existentes no território do Marajó (SILVA, 2020). Figura 1. Mapa de localização da área de estudo. Estes dois territórios possuem ainda um histórico de degradação das áreas florestais e da cobertura vegetal natural devido à constatação de dois principais fatores comuns inerentes à região Amazônica: as empresas madeireiras locais, as quais realizaram uma exploração florestal, na maioria das vezes, de forma predatória; e a prática da agricultura itinerante (derruba e queima), realizada pelas próprias famílias ribeirinhas, com o objetivo de plantar espécies agrícolas, principalmente, a cultura da mandioca (Manihot esculenta Crantz.) visando à produção de farinha (SILVA et al., 2017; OLIVEIRA et al., 2021). A observação do processo histórico de degradação dos recursos naturais existentes nas comunidades tradicionais destes dois territórios do Marajó foi ponderada também de acordo com Nobre et al. (2016), os quais caracterizaram o desenvolvimento rural na Amazônia como resultado da ampla mudança no uso, ocupação e cobertura da terra intrínseca à agricultura de Fonte: Elaborado pelo autor (2023).
  • 3.
    baixa produtividade, alémde ser considerada insustentável devido às sucessivas queimadas; havendo a necessidade de um novo paradigma de desenvolvimento sustentável para a região estudada. Coleta e análise de dados As imagens de satélite Landsat-8/TM pertencentes ao ano de 2022 utilizadas neste estudo foram obtidas no banco de dados do Núcleo de Inteligência de Imagens (NUIM), disponibilizados pelo Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), sendo que o processo de classificação supervisionada das imagens ocorreu em conformidade com Jog e Dixit (2016), mediante o auxílio do software ArcGIS versão 10.8.2. O período da pesquisa para o levantamento de campo em relação à quantidade de espécies agroflorestais existentes nos viveiros de mudas dos dois territórios estudados (PEAEX Acangatá e Alto Camarapí) ocorreu durante seis meses (julho a dezembro de 2022), caracterizado na coleta das informações sobre as mudas de essências florestais nativas produzidas pelos agricultores familiares locais em parceria com profissionais e pesquisadores da área florestal (SILVA et al., 2015). O levantamento florístico mediante a classificação dos grupos ecológicos foi feito através da identificação das mudas nativas e registros fotográficos, adotando-se as metodologias descritas por Budowski (1965), Swaine e Whitmore (1988). As estimativas dos custos de produção foram levantadas mediante a pesquisa dos preços das mudas nos mercados locais, abrangendo as modalidades de Enriquecimento de Capoeira e Sistemas Agroflorestais, sendo que a tabulação e o processamento dos cálculos foram realizados através do Microsoft Excel 2019. RESULTADOS E DISCUSSÃO As quantidades médias de áreas degradadas evidenciadas nos territórios do PEAEX Acangatá e do Alto Camarapí, foram, respectivamente, de 6.542,69 e 8.451,24 ha degradados, tendo como base as análises das imagens de satélite Landsat-8/TM pertencentes ao ano de 2022, e em função da soma das áreas degradadas de duas categorias relativas à classificação supervisionada das imagens: a agricultura itinerante e a pastagem (Figura 2). Figura 2. Estimativa de áreas degradadas no Território do Acangatá (A) e do Alto Camarapí (B) do ano de 2022. Fonte: Elaborado pelo autor (2023).
  • 4.
    A soma dasáreas degradadas para as categorias de agricultura e pastagens no território do Acangatá, corresponderam, respectivamente, a 5.886,43 ha (89,97%) e 656,26 ha (10,03%). No território do Alto Camarapí, a soma das áreas degradadas para a categoria de agricultura foi de 8.209,11 ha (97,13%), enquanto para a categoria de pastagens, o resultado foi de 242,13 ha (2,87%). Em um estudo realizado por Cano-Crespo et al. (2015), no que diz respeito às análises dos percentuais das mudanças no uso e cobertura da terra na Amazônia Legal brasileira, mediante a classificação e interpretação de imagens Landsat Thematic Mapper (TM)-5 dos anos de 2008 e 2010, foram apresentados os valores totais de 11,2% para a agricultura anual e 33,8% para a pastagem degradada. Santos et al. (2020) também evidenciaram alterações no uso e cobertura da terra na Amazônia em decorrência de atividades antrópicas negativas, através dos estudos de imagens de satélites Landsat-5/TM (1984) e Landsat-8/TM (2014), observando uma redução significativa da cobertura florestal no período de 30 anos (1984-2014), sendo de 69% em 1984, para 43% em 2014, constatando ainda, um aumento médio de 24% (1984), para 51% (2014) em relação à paisagem de pastagens em comunidades rurais da Amazônia brasileira. Os resultados mostram que a redução da cobertura florestal e o aumento das áreas de agricultura e pastagens são relacionados às ações antrópicas degradantes, associadas igualmente as práticas de urbanização e desmatamento na região Amazônica (LU et al., 2007; LAURANCE et al., 2009; BARBER et al., 2014). Esses estudos demonstram a importância das técnicas de sensoriamento remoto para a avaliação dos indicadores de degradação florestal em territórios rurais. Deste modo, identificaram-se um total de 10 espécies agroflorestais para cada viveiro de mudas, sendo um viveiro existente em cada território estudado, visando ao planejamento prévio do Programa de Restauração Florestal a ser implementado. No território do PEAEX Acangatá, as três espécies que apresentaram o maior número de mudas no viveiro foram Euterpe oleracea Mart. (3.369), Theobroma cacao L. (3.330) e Inga edulis Mart. (300) (Tabela 1). Tabela 1. Espécies agroflorestais levantadas no viveiro de mudas do PEAEX Acangatá. Nº Nome Vulgar Nome Científico Grupo Ecológico Quantidade (mudas) 1 Açaí da mata Euterpe precatoria Mart. Clímax 250 2 Açaí de touceira Euterpe oleracea Mart. Clímax 3.369 3 Andiroba Carapa guianensis Aubl. Clímax 125 4 Angelim-da-mata Hymenolobium excelsum Pioneira 80 5 Cacau Theobroma cacao L. Secundária Inicial 3.330 6 Copaíba Copaifera multijuga Hayne Secundária Tardia 35 7 Cupuaçu Theobroma grandiflorum Secundária Inicial 210 8 Ingá de metro Inga edulis Mart. Secundária Inicial 300 9 Seringueira Hevea brasiliensis Mull. Secundária Tardia 45 10 Taperebá Spondias mombin L. Secundária Inicial 275 Total 8.019 Fonte: Elaborado pelo autor (2023). No território do PEAEX Alto Camarapí, as três espécies que apresentaram o maior número de mudas também foram Euterpe oleracea Mart. (5.585), Theobroma cacao L. (3.550) e Inga edulis Mart. (750) (Tabela 2). Essa similaridade entre as espécies levantadas deve-se à proximidade geográfica entre os dois territórios, facilitando, assim, os aspectos socioeconômicos de produção das mudas (NUNES et al., 2020). Tabela 2. Espécies agroflorestais levantadas no viveiro de mudas do PEAEX Alto Camarapí. Nº Nome Vulgar Nome Científico Grupo Ecológico Quantidade (mudas) 1 Açaí da mata Euterpe precatoria Mart. Clímax 310 2 Açaí de touceira Euterpe oleracea Mart. Clímax 5.585
  • 5.
    3 Andiroba Carapaguianensis Aubl. Clímax 30 4 Bacabi Oenocarpus mapora H. Clímax 50 5 Cacau Theobroma cacao L. Secundária Inicial 3.350 6 Copaíba Copaifera multijuga Hayne Secundária Tardia 40 7 Cupuaçu Theobroma grandiflorum Secundária Inicial 155 8 Ingá de metro Inga edulis Mart. Secundária Inicial 750 9 Pupunha Bactris gasipaes Kunth Secundária Tardia 30 10 Taperebá Spondias mombin L. Secundária Inicial 25 Total 10.325 Fonte: Elaborado pelo autor (2023). A soma total das três espécies com o maior número de mudas, abrangendo os territórios PEAEXs Acangatá e Alto Camarapí, correspondeu a 8.954 para a Euterpe oleracea Mart., 6.680 para o Theobroma cacao L. e 1.050 para o Inga edulis Mart.. De acordo ainda com Nunes et al. (2020), esses resultados demonstram a necessidade da inclusão dos critérios silviculturais e socioeconômicos na seleção efetiva de espécies nativas visando aos programas de restauração florestal em larga escala na Amazônia. O levantamento florístico baseado na classificação dos grupos ecológicos para o território do Acangatá apresentou, considerando o total de 10 espécies levantadas no viveiro, 1 espécie do grupo ecológico da pioneira (10%), 4 espécies do grupo da secundária inicial (40%), 2 espécies do grupo da secundária tardia (20%) e 3 espécies do grupo clímax (30%). No território do Alto Camarapí, os valores corresponderam a 4 espécies do grupo da secundária inicial (40%), 2 espécies do grupo da secundária tardia (20%) e 4 espécies do grupo clímax (40%). Esta identificação das mudas nativas existentes nos dois viveiros de mudas pertencentes aos dois territórios ribeirinhos estudados (Figura 3), enfatizada na classificação dos grupos ecológicos, proporcionou as análises das espécies agroflorestais mais adequadas para o programa de restauração florestal a ser implementado, tendo por base as modalidades de Enriquecimento de Capoeira e Sistemas Agroflorestais. Figura 3. Levantamento das mudas nativas existentes nos viveiros dos Territórios Acangatá (A) e Alto Camarapí (B). (A) (B) Fonte: Elaborado pelo autor (2023).
  • 6.
    Considerando a modalidadede enriquecimento de capoeira para os dois territórios, de acordo com as características ecológicas locais, bem como a disponibilidade de sementes e mudas, propõe-se a seleção de 8 espécies florestais, caracterizadas da seguinte forma: 3 espécies (37,5%) para o grupo das pioneiras (Cecropia Loefl., Hymenolobium excelsum Ducke, Inga alba (Sw.) Willd); 1 espécie (12,5%) para o grupo das secundárias iniciais (Inga edulis Mart.); 2 espécies (25%) para o grupo das secundárias tardias (Bertholletia excelsa Bonpl., Copaifera multijuga Hayne); e 2 espécies (25%) para o grupo clímax (Carapa guianensis Aubl., Swietenia macrophylla King). Esta seleção foi similar à pesquisa desenvolvida por Santos e Ferreira (2020), os quais obtiveram resultados satisfatórios com relação ao enriquecimento de florestas secundárias na Amazônia, utilizando 6 espécies florestais nativas, distribuídas entre os seguintes grupos ecológicos: 1 espécie (16,67%) do grupo secundária inicial (Tabebuia rosea (Bertol.) Bertero ex A.DC.); 3 espécies (50%) do grupo secundária tardia (Bertholletia excelsa Bonpl., Cedrela fissilis Vell., Hymenaea courbaril L.); e 2 espécies (33,33%) do grupo clímax (Carapa guianensis Aubl., Swietenia macrophylla King). Em relação à modalidade de SAFs proposta para os dois territórios, de acordo com a disponibilidade de sementes e mudas, e levando em consideração os interesses socioeconômicos comuns inerentes aos agricultores familiares, sugerem-se a seleção de 8 espécies agroflorestais a serem dispostas em diferentes arranjos, e descritas da seguinte forma: 1 espécie (12,5%) do grupo pioneira (Musa spp.); 3 (37,5%) espécies do grupo secundária inicial (Spondias mombin L., Theobroma cacao L., Theobroma grandiflorum (Willd. ex Spreng.) Schum); 2 espécies (25%) do grupo secundária tardia (Bactris gasipaes Kunth, Copaifera multijuga Hayne); e 2 espécies (25%) do clímax (Euterpe oleracea Mart., Carapa guianensis Aubl.). Estudos realizados por Braga et al. (2019) e Sousa et al. (2022) baseados na seleção das espécies vegetais utilizadas em sistemas agroflorestais pelas comunidades rurais na Amazônia, mostram que, entre as 8 espécies citadas nas duas pesquisas, 2 espécies (25%) pertencem ao grupo das pioneiras (Musa spp., Schizolobium parahyba var. amazonicum (Huber ex Ducke) Barneby); 3 espécies (37,5%) ao grupo das secundárias iniciais (Handroanthus serratifolius (Vahl) S.Grose, Theobroma cacao L., Theobroma grandiflorum (Willd. ex Spreng.) Schum); 1 espécie (12,5%) ao grupo das secundárias tardias (Pouteria macrophylla (Lam.) Eyma); e 2 espécies (25%) ao grupo das clímax (Dipteryx odorata (Aubl.) Forsyth f., Euterpe oleracea Mart.). O levantamento das estimativas dos custos de produção das mudas nativas pensadas para as modalidades de enriquecimento de capoeira e sistemas agroflorestais e para os dois territórios ribeirinhos estudados, apresentou uma média total de R$ 250.000,00 (Tabela 3), mediante a análise dos preços para as 10 espécies agrícolas e florestais pesquisadas com base nos mercados locais e nas literaturas científicas como sendo as espécies normalmente utilizadas para a recuperação de áreas degradadas. Tabela 3. Estimativas de preços das espécies vegetais visando às modalidades de enriquecimento de capoeira e sistemas agroflorestais. Nº Espécies Espaçamento Quantidade mudas/ha Perda de 10% Custo das mudas Custo das mudas/ha 1 Bertholletia excelsa Bonpl. 12 m x 12 m 69,44 76,89 R$ 150,00 R$ 11.458,33 2 Carapa guianensis Aubl. 3 m x 4 m 833,33 916,67 R$ 70,00 R$ 64.166,67 3 Copaifera multijuga Hayne 3 m x 3 m 1111,11 1222,22 R$ 20,00 R$ 24.444,44 4 Euterpe oleracea Mart. 6 m x 4 m 416,67 458,33 R$ 3,00 R$ 1.375,00 5 Hevea brasiliensis L. 3 m x 4 m 833,33 916,67 R$ 4,00 R$ 3.666,67 6 Hymenaea courbaril L. 3 m x 3 m 1111,11 1222,22 R$ 25,00 R$ 30.555,56 7 Inga edulis Mart. 3 m x 3 m 1111,11 1222,22 R$ 40,00 R$ 48.888,89 8 Schizolobium amazonicum 3 m x 3 m 1111,11 1222,22 R$ 0,20 R$ 244,44 9 Swietenia macrophylla King 3 m x 3 m 1111,11 1222,22 R$ 15,00 R$ 18.333,33 10 Theobroma cacao L. 3 m x 3 m 1111,11 1222,22 R$ 40,00 R$ 48.888,89 Valores Totais 8819,43 9701,88 R$ 367,20 R$ 252.022,22 Fonte: Elaborado pelo autor (2023).
  • 7.
    O planejamento doPrograma de Restauração Florestal para os territórios dos PEAEXs Acangatá e Alto Camarapí, cujas áreas degradadas corresponderam a um total, respectivamente, de 6.542,69 e 8.451,24 ha, foi proposto para um período de 360 meses (30 anos). Essa proposta equivale à média de 18,17 ha (PEAEX Acangatá) e 23,47 ha (PEAEX Alto Camarapí) a serem restaurados em 12 meses, superando a média anual encontrada por Nunes et al. (2020), a qual foi de 6,25 ha a serem restaurados na Amazônia brasileira. O custo total estimado em reais para a compra de mudas por hectare proposto ao Programa de Restauração Florestal baseado na quantidade de áreas degradadas a serem recuperadas anualmente de 18,17 ha para o PEAEX Acangatá e 23,47 ha para o PEAEX Alto Camarapí, e considerando também a disponibilidade de mudas existentes nos viveiros, caracterizou-se por ter apresentado os seguintes valores para as três espécies com o maior número de plantas: 1ª) Euterpe oleracea Mart. (R$ 14.876,55 - Acangatá) e (R$ 15.516,00 - Alto Camarapí); 2ª) Theobroma cacao L. (R$ 888.309,20 - Acangatá) e (R$ 1.147.420,00 - Alto Camarapí); e 3ª) Inga edulis Mart. (R$ 888.309,20 - Acangatá) e (R$ 1.147.420,00 - Alto Camarapí). Estes valores totalizam um custo anual estimado de R$ 4.101.850,95 para ambos os territórios, abrangendo somente estas três espécies nativas, as quais podem ser utilizadas nas modalidades de enriquecimento de capoeira e sistemas agroflorestais, evidenciando, deste modo, o elevado custo com a restauração ecológica na Amazônia (CAVALCANTE et al., 2022). CONCLUSÕES A partir da análise do quantitativo de áreas degradadas existentes nos territórios ribeirinhos PEAEXs do Acangatá e do Alto Camarapí, observou-se que as modalidades de enriquecimento de capoeira e sistemas agroflorestais podem ser utilizadas como metodologias para a restauração florestal, capazes de auxiliar no desenvolvimento da produção agroflorestal nestas comunidades tradicionais da Amazônia. Os cálculos estimados dos custos de produção das espécies agroflorestais corroboram ainda mais a necessidade do fortalecimento de parcerias institucionais visando às políticas de incentivo, capacitação e de garantia de compra de mudas, com o intuito de auxiliar na implementação dos Programas de Restauração Florestal, além de mitigar os impactos antrópicos negativos nestes territórios com a consequente melhoria das condições socioeconômicas dos agricultores familiares. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARAÚJO, C. S. F.; MATOS, G. H. B.; ANJOS, L. J. S. Dinâmica da cobertura vegetal e mudanças no uso da terra no Estado do Pará ao longo de três décadas. Revista Agroecossistemas, v. 1, n. 1, p. 83-95, 2022. BARBER, C. P.; COCHRANE, M. A.; SOUZA, C. M.; LAURANCE, W. F. Roads, deforestation, and the mitigating effect of protected areas in the Amazon. Biological Conservation, v. 177, p. 203-209, 2014. BRAGA, D. P. P; DOMENE, F.; GANDARA, F. B. Shade trees composition and diversity in cacao agroforestry systems of southern Pará, Brazilian Amazon. Agroforestry Systems, v. 93, p. 1409-1421, 2019. BUDOWSKI, G. Distribution of tropical american rain forest species in the light of sucessional processes. Turrialba, v. 15, n. 1, p. 40-42, 1965. CANO-CRESPO, A.; OLIVEIRA, P. J. C.; BOIT, A.; CARDOSO, M.; THONICKE, K. Forest edge burning in the Brazilian Amazon promoted by escaping fires from managed pastures. Journal of Geophysical Research: Biogeosciences, v. 120, p. 2095–2107, 2015. CAVALCANTE, R. B. L.; NUNES, S.; VIADEMONTE, S.; RODRIGUES, C. M. F.; GOMES, W. C.; JUNIOR, J. S. F.; PONTES, P. R. M.; GIANNINI, T. C.; AWADE, M.; MIRANDA, L. S.; JUNIOR, W. R. N. Multicriteria approach to prioritize forest restoration areas for biodiversity conservation in
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