Dr. Acácio Ribeiro Gomes Tomás Pesquisador Científico VI Centro APTA Pescado Marinho Instituto de Pesca
Mudanças climáticas fazem parte de um processo natural.  O planeta passa por etapas contínuas de esfriamento e aquecimento desde a sua criação e que estariam associadas ao afastamento ou à aproximação do Sol.   Discute-se muito na atualidade se as ações promovidas pelo Homem poderiam acelerar ou não o aquecimento global. Épocas mais frias ou mais quentes sempre acompanharam a história do Homem.  E essas oscilações, em escala temporal ou espacial, fazem parte do equilíbrio natural do planeta, ainda que nem tenham sido relatadas pela história.
As correntes marinhas e os ventos são forças que promovem o balanceamento térmico do planeta.  Circulação em larga escala no  Atlântico Sul (Peterson & Stramma, 1991)
O acompanhamento das medidas de temperatura é uma das principais formas de avaliar o equilíbrio do planeta.  TSM apontando (retângulos) vórtices da Corrente do Brasil, que podem ser traduzidos como áreas de interesse pesqueiro para espécies pelágicas (atuns e afins) (Imagem: www.gsfc.nasa.gov)
Aquecimento das águas do mar Nova acomodação do planeta  Busca de um novo equilíbrio térmico,  Promovendo modificações  nos padrões de distribuição de ventos e correntes  melhor distribuição da energia para regulação térmica.
A produtividade da pesca sempre esteve  e continuará – relacionada ao clima.
As populações marinhas são mais numerosas apresentam maior fecundidade,  possuem elevada dispersão de ovos e larvas,  apresentam maior dependência das condições ambientais para efetuar essa dispersão (correntes oceânicas).
Cushing (1982, 1997):  “ a produtividade na pesca regulada é pela produtividade do oceano ”.
 
 
Daniel Pauly (da Universidade de Columbia Britânica, no Canadá) Polêmica :  “ ... se não nos cuidarmos, em breve estaremos comendo sopa de algas com águas-vivas ”.  A pressão pesqueira tem reduzido a população dos grandes predadores e a pesca tem se voltado a espécies de menores dimensões.   Essas espécies dependem mais diretamente de organismos planctônicos e da distribuição dos nutrientes pelas massas d´água.
Abundâncias e biomassas de diversas espécies de interesse pesqueiro associadas às variações de condições ambientais.  Essas interações garantem melhores (ou piores) épocas de pesca.  Dificuldade em identificar quando são as condições ambientais ou a pressão pesqueira  afetando  a pesca.  Em geral efeitos são aditivos
Alguns autores sugerem que a sensibilidade de populações sob forte pressão pesqueira seria maior frente a variações climáticas. Fenômeno ENOS ( El Niño -Oscilação Sul):  Aquecimento (EN) ou esfriamento (LN) anômalos das águas do Pacífico  ação de ventos em alta atmosfera  reflexos em todo hemisfério sul e mesmo no hemisfério norte
Obs.: Parte superior em ocorrência de  El Niño  e parte inferior de  La Niña
La Niña   - fenômeno antagônico ao  El Niño : na costa sul brasileira reduz ação de frentes frias no inverno ampliando possibilidade de ressurgências de águas frias, que são mais comuns no verão, geram: - maior produtividade primária  - melhor recrutamento de peixes e moluscos - maior produtividade na pesca no Sudeste e Sul do Brasil.  Situações assemelhadas ocorrem no hemisfério norte com a nominada Oscilação do Atlântico Norte como também decorrentes de mudanças de escala deceniais ou mesmo seculares.
MMA, IBAMA Principais recursos pesqueiros brasileiros
Aquecimento global poderá ampliar zonas oceânicas com menor taxa de oxigenação  redução do alimento disponível cadeia alimentar A modificação na distribuição de energia nos oceanos  ampliará a magnitude de fenômenos naturais.  Impacto na distribuição dos organismos,  Possível extinção de espécies menos tolerantes.
 
Mudanças na distribuição de energia poderão trazer até a superfície águas quase que anóxicas,  ações danosas aos recursos pesqueiros,  atividade pesqueira poderá ser drasticamente reduzida. P  Fotossíntese R  Respiração D c  Profundidade de   compensação D cr  Profundidade   crítica Penetração da Luz Fotossíntese e Respiração Planctônica
Estuários: aquecimento influenciar migrações de espécies estuarino-dependentes  menor oxigênio dissolvido para larvas.  aumento do nível do mar: mudanças na linha de costa e perda de habitats
Embranquecimento dos corais:  aumento gradual da temperatura da água reduz disponibilidade de alimento aos corais,  permanece somente estrutura calcárea. J. Hoogesteger,  in  Buccheim. J.  http://www.marinebiology.org/coralbleaching.htm
Fenômenos ambientais recentes vem sendo atribuídas ao aquecimento global:  tsunami  no Oceano Indíco (2004); - invasão de medusas gigantes (Japão)  afixe.weblog.com.pt Saturnattacks.com/2007/11/19/medusas-gigantes
Revista  Science:   estudo apontando colapso da pesca até 2050. fim da pesca não será devido às mudanças climáticas.  Virá pela sede pelo lucro rápido.  Situação atual piorará com aquecimento de apenas 2 o C (IPCC estima que pode ser de até 7 o C): drásticas modificações nas populações dos principais recursos pesqueiros, afetando taxas reprodutivas, causando migrações, reduzindo a biomassa disponível para captura.
www.topnews.in/greenland-and-antarctic-ice-sh...   climateprogress.org/wp-content/uploads/2007/0..  Derretimento das geleiras  reduzirá salinidade. Impacto sobre recursos pesqueiros
Soma-se aos possíveis impactos do aquecimento global: que o atual modelo de gestão da atividade pesqueira não é adequado  Pesca-se mais do que o ambiente pode repor.  Uma possível saída seria o incentivo à aquacultura.
O nosso planeta já passou por diversas mudanças climáticas última década desaceleração no processo de aquecimento.  Energia queimada tende a elevar a temperatura,  reduzindo a camada de ozônio.
Enorme especulação Muito a descobrir Sócrates permanece atual:  “ Tudo que sei é que nada sei” .

Aquecimento Global e Pesca

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    Dr. Acácio RibeiroGomes Tomás Pesquisador Científico VI Centro APTA Pescado Marinho Instituto de Pesca
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    Mudanças climáticas fazemparte de um processo natural. O planeta passa por etapas contínuas de esfriamento e aquecimento desde a sua criação e que estariam associadas ao afastamento ou à aproximação do Sol. Discute-se muito na atualidade se as ações promovidas pelo Homem poderiam acelerar ou não o aquecimento global. Épocas mais frias ou mais quentes sempre acompanharam a história do Homem. E essas oscilações, em escala temporal ou espacial, fazem parte do equilíbrio natural do planeta, ainda que nem tenham sido relatadas pela história.
  • 3.
    As correntes marinhase os ventos são forças que promovem o balanceamento térmico do planeta. Circulação em larga escala no Atlântico Sul (Peterson & Stramma, 1991)
  • 4.
    O acompanhamento dasmedidas de temperatura é uma das principais formas de avaliar o equilíbrio do planeta. TSM apontando (retângulos) vórtices da Corrente do Brasil, que podem ser traduzidos como áreas de interesse pesqueiro para espécies pelágicas (atuns e afins) (Imagem: www.gsfc.nasa.gov)
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    Aquecimento das águasdo mar Nova acomodação do planeta Busca de um novo equilíbrio térmico, Promovendo modificações nos padrões de distribuição de ventos e correntes melhor distribuição da energia para regulação térmica.
  • 6.
    A produtividade dapesca sempre esteve e continuará – relacionada ao clima.
  • 7.
    As populações marinhassão mais numerosas apresentam maior fecundidade, possuem elevada dispersão de ovos e larvas, apresentam maior dependência das condições ambientais para efetuar essa dispersão (correntes oceânicas).
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    Cushing (1982, 1997): “ a produtividade na pesca regulada é pela produtividade do oceano ”.
  • 9.
  • 10.
  • 11.
    Daniel Pauly (daUniversidade de Columbia Britânica, no Canadá) Polêmica : “ ... se não nos cuidarmos, em breve estaremos comendo sopa de algas com águas-vivas ”. A pressão pesqueira tem reduzido a população dos grandes predadores e a pesca tem se voltado a espécies de menores dimensões. Essas espécies dependem mais diretamente de organismos planctônicos e da distribuição dos nutrientes pelas massas d´água.
  • 12.
    Abundâncias e biomassasde diversas espécies de interesse pesqueiro associadas às variações de condições ambientais. Essas interações garantem melhores (ou piores) épocas de pesca. Dificuldade em identificar quando são as condições ambientais ou a pressão pesqueira afetando a pesca. Em geral efeitos são aditivos
  • 13.
    Alguns autores sugeremque a sensibilidade de populações sob forte pressão pesqueira seria maior frente a variações climáticas. Fenômeno ENOS ( El Niño -Oscilação Sul): Aquecimento (EN) ou esfriamento (LN) anômalos das águas do Pacífico ação de ventos em alta atmosfera reflexos em todo hemisfério sul e mesmo no hemisfério norte
  • 14.
    Obs.: Parte superiorem ocorrência de El Niño e parte inferior de La Niña
  • 15.
    La Niña - fenômeno antagônico ao El Niño : na costa sul brasileira reduz ação de frentes frias no inverno ampliando possibilidade de ressurgências de águas frias, que são mais comuns no verão, geram: - maior produtividade primária - melhor recrutamento de peixes e moluscos - maior produtividade na pesca no Sudeste e Sul do Brasil. Situações assemelhadas ocorrem no hemisfério norte com a nominada Oscilação do Atlântico Norte como também decorrentes de mudanças de escala deceniais ou mesmo seculares.
  • 16.
    MMA, IBAMA Principaisrecursos pesqueiros brasileiros
  • 17.
    Aquecimento global poderáampliar zonas oceânicas com menor taxa de oxigenação redução do alimento disponível cadeia alimentar A modificação na distribuição de energia nos oceanos ampliará a magnitude de fenômenos naturais. Impacto na distribuição dos organismos, Possível extinção de espécies menos tolerantes.
  • 18.
  • 19.
    Mudanças na distribuiçãode energia poderão trazer até a superfície águas quase que anóxicas, ações danosas aos recursos pesqueiros, atividade pesqueira poderá ser drasticamente reduzida. P Fotossíntese R Respiração D c Profundidade de compensação D cr Profundidade crítica Penetração da Luz Fotossíntese e Respiração Planctônica
  • 20.
    Estuários: aquecimento influenciarmigrações de espécies estuarino-dependentes menor oxigênio dissolvido para larvas. aumento do nível do mar: mudanças na linha de costa e perda de habitats
  • 21.
    Embranquecimento dos corais: aumento gradual da temperatura da água reduz disponibilidade de alimento aos corais, permanece somente estrutura calcárea. J. Hoogesteger, in Buccheim. J. http://www.marinebiology.org/coralbleaching.htm
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    Fenômenos ambientais recentesvem sendo atribuídas ao aquecimento global: tsunami no Oceano Indíco (2004); - invasão de medusas gigantes (Japão) afixe.weblog.com.pt Saturnattacks.com/2007/11/19/medusas-gigantes
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    Revista Science: estudo apontando colapso da pesca até 2050. fim da pesca não será devido às mudanças climáticas. Virá pela sede pelo lucro rápido. Situação atual piorará com aquecimento de apenas 2 o C (IPCC estima que pode ser de até 7 o C): drásticas modificações nas populações dos principais recursos pesqueiros, afetando taxas reprodutivas, causando migrações, reduzindo a biomassa disponível para captura.
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    www.topnews.in/greenland-and-antarctic-ice-sh... climateprogress.org/wp-content/uploads/2007/0.. Derretimento das geleiras reduzirá salinidade. Impacto sobre recursos pesqueiros
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    Soma-se aos possíveisimpactos do aquecimento global: que o atual modelo de gestão da atividade pesqueira não é adequado Pesca-se mais do que o ambiente pode repor. Uma possível saída seria o incentivo à aquacultura.
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    O nosso planetajá passou por diversas mudanças climáticas última década desaceleração no processo de aquecimento. Energia queimada tende a elevar a temperatura, reduzindo a camada de ozônio.
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    Enorme especulação Muitoa descobrir Sócrates permanece atual: “ Tudo que sei é que nada sei” .