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A Decisão Componentes: Joel e Daniel
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O nobre tinha mais dificuldade do que eu para se adaptar à vida entre os índios, grande parte devido às suas preocupações por viver em pecado. Onofre tinha certeza de os portugueses iriam voltar, falou que eles iriam tomar posse da terra e ampliar o reino. Perguntei-lhe como é que ele sabia sobre isso, então ele me respondeu que quando trabalhava para o vigário, muitas vezes havia escutado a conversa com dois amigos. Um deles era bacharel por Coimbra e o outro, um fidalgo da região. Quando os três se reuniam, o assunto sempre eram as viagens marítimas e a ampliação do reino. Falei-lhe: - E daí? Então me respondeu que eles sabiam das coisas. O bacharel afirmava que o futuro estava em descobrir novas terras para o oeste, fundar cidades e ampliar o reino.
Novamente lhe perguntei: - Como ele sabia que havia novas terras se ainda não tínhamos chegado aqui? Onofre falou que Bacharéis por Coimbra, fidalgos e vigários sabem mais coisas do que a gente pode supor. Eles falavam que a Espanha já havia chegado a outro mundo, onde as cidades eram de ouro, e Portugal precisava chegar lá também. Indaguei-o dizendo que aqui não havia nada disso, não havia ouro, nem prata e nem pedras preciosas, e além do mais são coisas que os índios nunca viram. Onofre falou que por enquanto os portugueses ficam trocando madeira, mas um dia vão conseguir ser os donos de tudo. Deixei-o falar porque senti que aqueles sonhos faziam bem para sua saúde, mas, por dentro, tinha muito medo de que aquela boa vida que eu estava levando terminasse. Se fundassem cidades, com certeza construiriam aqui um mundo igual àquele que eu conhecia, de estradas, estalagens e meninos trabalhando como guias de cegos ou criados de curas.
Onofre me aconselhou a ir buscar as roupas que deixamos na árvore para me apresentar vestido aos brancos. Falei: E os índios, o que vão achar disso? Onofre disse que os índios sabem que brancos usam roupas, não gostei muito da idéia de usar roupa, mas acabei concordando com ele e fui buscar as roupas. No dia seguinte, pedi licença a meu pai para me afastar da oca e levar comigo dois ou três companheiros, porque os índios não vão sós quando saem para qualquer jornada. Dois amigos mais ou menos da minha idade foram comigo. Éramos considerados muito jovens para a derrubada das árvores e por isso não estávamos envolvidos naquela tarefa.
Ficava tão perto que agora me parecia absurdo que eu e Onofre nunca tivéssemos voltado ao nosso esconderijo, onde passamos nossas primeiras noites no Novo Mundo. Andamos o dia todo, parando apenas na hora do sol mais quente, para descansar e comer. Íamos sem muita pressa, brincávamos um pouco no mar e retomávamos a caminhada. Ao anoitecer, meu amigos escolheram um lugar para acampar. Passamos a noite ali, e quando amanheceu saímos cedo, sem pressa. Tínhamos andado pouco quando vi uma coisa esquisita e corri para verificar. Logo reconheci que era um pedaço de pano de uma calça que trouxera do navio.
Me perguntei, como poderia estar ali? E rasgada? Quem poderia ter feito isso? Para meus companheiros aquilo fazia tão pouco sentido quanto vir buscar roupas que eu tinha deixado para trás. Comecei a prestar atenção a qualquer detalhe, pois a cruz que Onofre erguera com galhos para marcar o lugar devia estar muito perto. Talvez estivesse coberta pela vegetação. Sem ela, como poderia identificar a árvore? Havia ainda a cruz gravada no tronco, mas era burrice examinar cada árvore para descobrir a marca. Por fim, o ladrão se identificou. Nossa presença alarmou um bando de bugios, que se puseram a guinchar. Um dos índios armou o arco. Eu já havia acompanhado os guerreiros da tribo em caçadas para buscar alimento, mas agora me parecia melhor detê-lo. Foi o que fiz. Ele esperou, abaixando o arco.
Os macacos começaram a fazer folia, alguns nos jogaram excrementos, outro macaco jogou um gorro de lã que fora de Onofre e agora estava imundo. Nossa árvore havia se tornado um abrigo de macacos, mas os assustamos e eles se afastaram, mas pareciam dispostos a defender aquele território. Pouco se poderia se aproveitar da roupa que os macacos tinham rasgado e sujado e já dava a tarefa por finda, quando um dos índios viu a faca que Onofre trouxera do navio brilhar na mão de um macaco. Para eles, uma faca valia mais do que uma pepita de ouro, do que uma jóia era tudo o que mais desejavam. Foi questão de segundos, meu amigo atingiu o macaco com uma flecha certeira. O bicho caiu da árvore segurando a faca na mão.
O resto do bando fugiu para um lugar mais seguro. Enquanto os bugios fugiam, o índio subiu rapidamente na árvore e jogou de lá de cima o que restava do capote de marinheiro que Onofre trouxera. Os dois índios como se houvessem combinado, colocaram o bugio morto no velho capote, cada um pegou em uma extremidade e levaram-no como caça. Os índios estavam satisfeito pois tínhamos vir buscar coisas inúteis, e voltamos com uma bela comida que todos iriam apreciar. Quando olhava o sangue do bugio que pingava no chão, me entristecia pensando que as roupas tinham sido o motivo de sua morte. Na minha cabeça, ou talvez no meu coração, o sentimento era de que outras coisas iam ser disputadas. Meus dois povos, índios e brancos, talvez viessem a se enfrentar e derramar sangue um do outro.

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  • 1. A Decisão Componentes: Joel e Daniel
  • 2.
  • 3. O nobre tinha mais dificuldade do que eu para se adaptar à vida entre os índios, grande parte devido às suas preocupações por viver em pecado. Onofre tinha certeza de os portugueses iriam voltar, falou que eles iriam tomar posse da terra e ampliar o reino. Perguntei-lhe como é que ele sabia sobre isso, então ele me respondeu que quando trabalhava para o vigário, muitas vezes havia escutado a conversa com dois amigos. Um deles era bacharel por Coimbra e o outro, um fidalgo da região. Quando os três se reuniam, o assunto sempre eram as viagens marítimas e a ampliação do reino. Falei-lhe: - E daí? Então me respondeu que eles sabiam das coisas. O bacharel afirmava que o futuro estava em descobrir novas terras para o oeste, fundar cidades e ampliar o reino.
  • 4. Novamente lhe perguntei: - Como ele sabia que havia novas terras se ainda não tínhamos chegado aqui? Onofre falou que Bacharéis por Coimbra, fidalgos e vigários sabem mais coisas do que a gente pode supor. Eles falavam que a Espanha já havia chegado a outro mundo, onde as cidades eram de ouro, e Portugal precisava chegar lá também. Indaguei-o dizendo que aqui não havia nada disso, não havia ouro, nem prata e nem pedras preciosas, e além do mais são coisas que os índios nunca viram. Onofre falou que por enquanto os portugueses ficam trocando madeira, mas um dia vão conseguir ser os donos de tudo. Deixei-o falar porque senti que aqueles sonhos faziam bem para sua saúde, mas, por dentro, tinha muito medo de que aquela boa vida que eu estava levando terminasse. Se fundassem cidades, com certeza construiriam aqui um mundo igual àquele que eu conhecia, de estradas, estalagens e meninos trabalhando como guias de cegos ou criados de curas.
  • 5. Onofre me aconselhou a ir buscar as roupas que deixamos na árvore para me apresentar vestido aos brancos. Falei: E os índios, o que vão achar disso? Onofre disse que os índios sabem que brancos usam roupas, não gostei muito da idéia de usar roupa, mas acabei concordando com ele e fui buscar as roupas. No dia seguinte, pedi licença a meu pai para me afastar da oca e levar comigo dois ou três companheiros, porque os índios não vão sós quando saem para qualquer jornada. Dois amigos mais ou menos da minha idade foram comigo. Éramos considerados muito jovens para a derrubada das árvores e por isso não estávamos envolvidos naquela tarefa.
  • 6. Ficava tão perto que agora me parecia absurdo que eu e Onofre nunca tivéssemos voltado ao nosso esconderijo, onde passamos nossas primeiras noites no Novo Mundo. Andamos o dia todo, parando apenas na hora do sol mais quente, para descansar e comer. Íamos sem muita pressa, brincávamos um pouco no mar e retomávamos a caminhada. Ao anoitecer, meu amigos escolheram um lugar para acampar. Passamos a noite ali, e quando amanheceu saímos cedo, sem pressa. Tínhamos andado pouco quando vi uma coisa esquisita e corri para verificar. Logo reconheci que era um pedaço de pano de uma calça que trouxera do navio.
  • 7. Me perguntei, como poderia estar ali? E rasgada? Quem poderia ter feito isso? Para meus companheiros aquilo fazia tão pouco sentido quanto vir buscar roupas que eu tinha deixado para trás. Comecei a prestar atenção a qualquer detalhe, pois a cruz que Onofre erguera com galhos para marcar o lugar devia estar muito perto. Talvez estivesse coberta pela vegetação. Sem ela, como poderia identificar a árvore? Havia ainda a cruz gravada no tronco, mas era burrice examinar cada árvore para descobrir a marca. Por fim, o ladrão se identificou. Nossa presença alarmou um bando de bugios, que se puseram a guinchar. Um dos índios armou o arco. Eu já havia acompanhado os guerreiros da tribo em caçadas para buscar alimento, mas agora me parecia melhor detê-lo. Foi o que fiz. Ele esperou, abaixando o arco.
  • 8. Os macacos começaram a fazer folia, alguns nos jogaram excrementos, outro macaco jogou um gorro de lã que fora de Onofre e agora estava imundo. Nossa árvore havia se tornado um abrigo de macacos, mas os assustamos e eles se afastaram, mas pareciam dispostos a defender aquele território. Pouco se poderia se aproveitar da roupa que os macacos tinham rasgado e sujado e já dava a tarefa por finda, quando um dos índios viu a faca que Onofre trouxera do navio brilhar na mão de um macaco. Para eles, uma faca valia mais do que uma pepita de ouro, do que uma jóia era tudo o que mais desejavam. Foi questão de segundos, meu amigo atingiu o macaco com uma flecha certeira. O bicho caiu da árvore segurando a faca na mão.
  • 9. O resto do bando fugiu para um lugar mais seguro. Enquanto os bugios fugiam, o índio subiu rapidamente na árvore e jogou de lá de cima o que restava do capote de marinheiro que Onofre trouxera. Os dois índios como se houvessem combinado, colocaram o bugio morto no velho capote, cada um pegou em uma extremidade e levaram-no como caça. Os índios estavam satisfeito pois tínhamos vir buscar coisas inúteis, e voltamos com uma bela comida que todos iriam apreciar. Quando olhava o sangue do bugio que pingava no chão, me entristecia pensando que as roupas tinham sido o motivo de sua morte. Na minha cabeça, ou talvez no meu coração, o sentimento era de que outras coisas iam ser disputadas. Meus dois povos, índios e brancos, talvez viessem a se enfrentar e derramar sangue um do outro.