E AS
NARRATIVAS       DE
 FICÇÃO CIENTÍFICA


      Rodrigo Belinaso Guimarães
Instituto Federal do Rio Grande do Sul
As narrativas de ficção
  científica imaginam espaços
  que se recusam, tal como o
   hospital cenário de House
M.D., a se constituírem como
   meio ambiente estável. Na
 ficção científica, são comuns
    os personagens híbridos.
      House constitui sua
subjetividade e seu organismo
emaranhados com o remédio
           Vicodim®.
Há uma recusa deliberada de House em reconhecer
     seus pacientes do ponto de vista humanitário,
    desconsiderando seus sentimentos, apreensões e
      escolhas. House, enquanto soberano, liga-se
exclusivamente à vida nua (AGAMBEN, 2002), ou seja,
 despoja os pacientes de qualquer qualidade identitária.
House M.D compõe uma
 narrativa que explora os
 conceitos de corpo e de
subjetividade, para assim,
  interrogar ao público
sobre as novas dimensões
da vida humana, possíveis
    por uma crescente
   imbricação homem-
         máquina.
House exige uma extrema
disposição dos pacientes para os
exames e tratamentos médicos,
 exemplificada na anulação de
     suas subjetividades e na
      aceitação dos suplícios
       requisitados por suas
experiências diagnósticas. Tudo
   isso perfaz uma finalidade
   concreta para a população
       humana: a aceitação
  generalizada da hibridização
 homem-máquina, pelo medo
generalizado da morte e por ela
    poder ocorrer a qualquer
            momento.
House é aquele que decide
sobre o estado de exceção.
 Ele decide se o caso exige
 diagnóstico diferenciado.
Nesse sentido, toda a série
 transcorre num estado de
exceção efetivo, no qual a
      normalidade dos
  diagnósticos é suspensa.
Assim, nas ações de House,
   norma e o ato não são
       diferenciados.
Da disputa de House com sua perna
doente, não mais produtiva, que dói sem
 explicação, nasce, talvez, um House que
    se liberta de sua dor através de um
 comprimido que o faz mais inteligente e
   perspicaz. A ficção científica narra a
 imortalidade do homem individual, das
populações e do Estado-nação ao estarem
sempre em disputa contra as ameaças de
  um corpo que morre, se desfaz ou se
dissolve. House é um organismo que está
         sempre se reconstituindo.

Apresentação House

  • 1.
    E AS NARRATIVAS DE FICÇÃO CIENTÍFICA Rodrigo Belinaso Guimarães Instituto Federal do Rio Grande do Sul
  • 2.
    As narrativas deficção científica imaginam espaços que se recusam, tal como o hospital cenário de House M.D., a se constituírem como meio ambiente estável. Na ficção científica, são comuns os personagens híbridos. House constitui sua subjetividade e seu organismo emaranhados com o remédio Vicodim®.
  • 3.
    Há uma recusadeliberada de House em reconhecer seus pacientes do ponto de vista humanitário, desconsiderando seus sentimentos, apreensões e escolhas. House, enquanto soberano, liga-se exclusivamente à vida nua (AGAMBEN, 2002), ou seja, despoja os pacientes de qualquer qualidade identitária.
  • 4.
    House M.D compõeuma narrativa que explora os conceitos de corpo e de subjetividade, para assim, interrogar ao público sobre as novas dimensões da vida humana, possíveis por uma crescente imbricação homem- máquina.
  • 5.
    House exige umaextrema disposição dos pacientes para os exames e tratamentos médicos, exemplificada na anulação de suas subjetividades e na aceitação dos suplícios requisitados por suas experiências diagnósticas. Tudo isso perfaz uma finalidade concreta para a população humana: a aceitação generalizada da hibridização homem-máquina, pelo medo generalizado da morte e por ela poder ocorrer a qualquer momento.
  • 6.
    House é aqueleque decide sobre o estado de exceção. Ele decide se o caso exige diagnóstico diferenciado. Nesse sentido, toda a série transcorre num estado de exceção efetivo, no qual a normalidade dos diagnósticos é suspensa. Assim, nas ações de House, norma e o ato não são diferenciados.
  • 7.
    Da disputa deHouse com sua perna doente, não mais produtiva, que dói sem explicação, nasce, talvez, um House que se liberta de sua dor através de um comprimido que o faz mais inteligente e perspicaz. A ficção científica narra a imortalidade do homem individual, das populações e do Estado-nação ao estarem sempre em disputa contra as ameaças de um corpo que morre, se desfaz ou se dissolve. House é um organismo que está sempre se reconstituindo.