Diário Oficial Poder Executivo - Seção IIV – São Paulo, 127 (118) terça-feira, 27 de junho de 2017
Sérgio Carbonell – “Qualidade por hectare”
Fernandes (técnico de apoio à pesquisa) – Quase 26 anos de aprendizado no IAC
IAC completa 130 anos de atuação
a serviço da tecnologia no campo
Com oito centros de
pesquisas em Campinas e
cinco em unidades situadas
em mais quatro cidades,
instituto é responsável pelo
melhoramento genético
de várias plantas
erão comemorados hoje, 27, os 130
anos de fundação do Instituto Agro-
nômico (IAC), que tem sede em
Campinas e unidades localizadas em
Ribeirão Preto, Cordeirópolis, Jun-
diaí e Votuporanga. Criado pelo impe-
rador D. Pedro II, em 1887, passou
em 1892 à administração do Governo
do Estado de São Paulo. Atualmente,
é instituto de pesquisa da Agência
Paulista de Tecnologia dos Agrone-
gócios (Apta), da Secretaria de Agri-
cultura e Abastecimento (SAA).
A SAA terá seu gabinete trans-
ferido simbolicamente para o IAC,
como forma de celebrar os 130 anos
de atuação na pesquisa agronômica,
que trouxe diversas contribuições ao
agronegócio brasileiro. Às 15 horas,
haverá a entrega do Prêmio IAC
2017, que destaca servidores da ins-
tituição, personalidades externas e
entidades atuantes no setor agrícola.
Será também apresentada a mais
recente edição da revista técnica-
-informativa O Agronômico, publi-
cada pela instituição, e lançado um
selo comemorativo.
O diretor-geral do IAC, Sérgio
Augusto Morais Carbonell, há 23 anos
no instituto, destaca a sua presença
em todas as cadeias de produção da
agricultura nacional. “O IAC foi modelo para
a criação de instituições como a Empresa
Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Em-
brapa) e o Instituto Agronômico do Paraná
(Iapar), entre outras”.
Cultivares – Os pesquisadores cos-
tumam dizer que o café da manhã de
muitos brasileiros tem sabor da pesqui-
sa do IAC. A razão é que praticamente
todo o café cultivado no País foi criado
em seus campos de experimentação e
em seus laboratórios. Da mesma forma,
pães, biscoitos e bolos são elaborados
com farinha de diferentes tipos de trigo
pesquisados na instituição.
A principal linha de pesquisa insti-
tucional, iniciada na década de 1930, é o
melhoramento genético de plantas. A sua
primeira cultivar (nome que se dá a uma
variação dentro da mesma espécie), o algo-
dão IA-7387, é de 1932. Ao longo de sua
história, o IAC desenvolveu 1.060 cultiva-
res, de 99 espécies, que abrangem grãos e
fibras, café, flores, frutas e hortaliças, citros
e seringueira, entre outros. Nada menos
do que 90% do parque cafeeiro nacional,
tipo arábica, é constituído por plantas com
genética do instituto.
“O feijão-carioca nasceu em 1970 no
IAC. Até então, as pessoas tinham de esco-
lher o feijão, que demorava 40 minutos
para cozinhar. Hoje é empacotado e não há
necessidade de ser limpo. Em 20 minutos é
possível cozinhá-lo”, lembra Carbonell.
Tecnologia – O IAC atua também
no desenvolvimento de pacotes tecnoló-
gicos que contribuem para elevar a pro-
dutividade das lavouras e a qualidade
dos produtos.
Em sua relação com o setor privado,
está incluída a prestação de serviços, por
meio de laboratórios acreditados pelo Ins-
tituto Nacional de Metrologia, Qualidade e
Tecnologia (Inmetro), que realizam análi-
ses em atendimento tanto aos agricultores
quanto a entidades oficiais.
“Treinamos anualmente mais de 130
laboratórios que fazem análise do solo.
Seus aparelhos são aferidos aqui”, informa
o diretor-geral.
No campo da fitossanidade, o IAC par-
ticipa do melhoramento de plantas, ao
buscar resistência a pragas e doenças, para
aumento de produção, sustentabilidade
ambiental e viabilidade econômica.
Para transferir conhecimentos e tec-
nologia aos profissionais do setor agrícola,
o IAC realiza eventos e cursos. O instituto
mantém o curso de Pós-Graduação em
Agricultura Tropical e Subtropical, ofere-
cido em Campinas. No curso de mestrado,
criado em 1999, formaram-se 376 mestres.
O doutorado surgiu em 2009 e já deu o títu-
lo de doutor a 39 profissionais.
Cana – Entre as várias ações, des-
taca-se o curso teórico e prático para ado-
ção do Sistema de Mudas Pré-Brotadas
de cana-de-açúcar (MPB), que treinou 400
pessoas desde 2013. Passaram pela for-
mação canavicultores, viveiristas, outros
profissionais e representantes de usinas.
Diretor do Centro de Cana do IAC, se-
diado em Ribeirão Preto, o pesquisador
Marcos Guimarães de Andrade Landell,
que está há 35 anos no instituto, ressalta
que “hoje existem centenas de núcleos de
MPB produzindo mudas de cana-de-açúcar
com qualidade”.
Para Landell, a importância de inicia-
tivas como essa pode ser medida pelo fato
de que o Estado de São Paulo é o maior
produtor de bioenergia no Brasil. Ele coor-
dena também o Programa Cana, que é mais
abrangente do que o Centro de Cana, pois
reúne pesquisadores de várias cidades e de
outras instituições, como universidades.
“Na década de 1950, cresceu a plan-
tação de cana no Estado. Isso somente foi
possível porque existia informação pro-
porcionada pelo IAC”, afirma Landell. Ele
completa: “A cana é uma planta maravilho-
sa, que se tornou um produto nobre porque
produz energia. Mas, hoje, quem produz
cana deve ser eficiente ou não se sustentará.
Daí entra a nossa contribuição”.
Transformações – Para o diretor-
-geral do IAC, vivemos um momento de
transformações, para as quais, em sua opi-
nião, a instituição está preparada. “Há 15
ou 20 anos, o foco era o aumento de produ-
ção. Hoje, percebemos que o produto tem
de ter qualidade. Dizemos que o IAC não
produz quilos por hectare, mas qualidade
por hectare”, afirma Carbonell.
O técnico de apoio à pesquisa Carlos
Aparecido Fernandes, prestes a completar
26 anos no IAC, é responsável por todas as
culturas plantadas na Fazenda Santa Elisa,
do instituto, que abastecem a Unidade
Básica de Sementes (UBS). Ali, são vendi-
das para produtores e empresas multiplica-
doras de sementes.
Trabalhando no campo desde os 7 anos
de idade, quando ajudava o pai a plan-
tar em sua cidade natal, Guanambi (BA),
Fernandes afirma gostar do que faz. “Aqui
no IAC trabalhei com trigo durante 20
anos, e aprendi muito”, relata.
Ele participa também de treinamentos
de agricultores e faz a verificação de exis-
tência de doenças em culturas. Atividades
aprendidas na prática, pela observação
cotidiana do desenvolvimento das plantas.
“Tem de ser curioso e ter força de vontade.
Procuro sempre conhecer as coisas”, diz.
Cláudio Soares
Imprensa Oficial – Conteúdo Editorial
IAC e seus 13 centros
de pesquisa
A área física do Instituto Agronô-
mico (IAC) é de 1.279 hectares de ter-
ras. São 13 centros de pesquisa, dos
quais oito em Campinas e cinco nos
municípios de Ribeirão Preto (cana-
-de-açúcar), Cordeirópolis (citros), Vo-
tuporanga (seringueiras e agroambien-
tais) e Jundiaí (frutas, engenharia e
automação). Trabalham na instituição
154 pesquisadores, 350 funcionários de
apoio e 500 colaboradores.
SERVIÇO
Instituto Agronômico (IAC)
Av. Barão de Itapura, 1.481 – Campinas – SP
Telefone (19) 2137-0600
www.iac.agricultura.sp.gov.br
S FOTOS:CLEOVELLEDA
Laboratórios IAC – Ao longo da história, desenvolvimento de 1.060 cultivares de 99 espécies Landell, diretor do Centro de Cana do IAC
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terça-feira, 27 de junho de 2017 às 01:58:59.

Aniversário 130 anos IAC

  • 1.
    Diário Oficial PoderExecutivo - Seção IIV – São Paulo, 127 (118) terça-feira, 27 de junho de 2017 Sérgio Carbonell – “Qualidade por hectare” Fernandes (técnico de apoio à pesquisa) – Quase 26 anos de aprendizado no IAC IAC completa 130 anos de atuação a serviço da tecnologia no campo Com oito centros de pesquisas em Campinas e cinco em unidades situadas em mais quatro cidades, instituto é responsável pelo melhoramento genético de várias plantas erão comemorados hoje, 27, os 130 anos de fundação do Instituto Agro- nômico (IAC), que tem sede em Campinas e unidades localizadas em Ribeirão Preto, Cordeirópolis, Jun- diaí e Votuporanga. Criado pelo impe- rador D. Pedro II, em 1887, passou em 1892 à administração do Governo do Estado de São Paulo. Atualmente, é instituto de pesquisa da Agência Paulista de Tecnologia dos Agrone- gócios (Apta), da Secretaria de Agri- cultura e Abastecimento (SAA). A SAA terá seu gabinete trans- ferido simbolicamente para o IAC, como forma de celebrar os 130 anos de atuação na pesquisa agronômica, que trouxe diversas contribuições ao agronegócio brasileiro. Às 15 horas, haverá a entrega do Prêmio IAC 2017, que destaca servidores da ins- tituição, personalidades externas e entidades atuantes no setor agrícola. Será também apresentada a mais recente edição da revista técnica- -informativa O Agronômico, publi- cada pela instituição, e lançado um selo comemorativo. O diretor-geral do IAC, Sérgio Augusto Morais Carbonell, há 23 anos no instituto, destaca a sua presença em todas as cadeias de produção da agricultura nacional. “O IAC foi modelo para a criação de instituições como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Em- brapa) e o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), entre outras”. Cultivares – Os pesquisadores cos- tumam dizer que o café da manhã de muitos brasileiros tem sabor da pesqui- sa do IAC. A razão é que praticamente todo o café cultivado no País foi criado em seus campos de experimentação e em seus laboratórios. Da mesma forma, pães, biscoitos e bolos são elaborados com farinha de diferentes tipos de trigo pesquisados na instituição. A principal linha de pesquisa insti- tucional, iniciada na década de 1930, é o melhoramento genético de plantas. A sua primeira cultivar (nome que se dá a uma variação dentro da mesma espécie), o algo- dão IA-7387, é de 1932. Ao longo de sua história, o IAC desenvolveu 1.060 cultiva- res, de 99 espécies, que abrangem grãos e fibras, café, flores, frutas e hortaliças, citros e seringueira, entre outros. Nada menos do que 90% do parque cafeeiro nacional, tipo arábica, é constituído por plantas com genética do instituto. “O feijão-carioca nasceu em 1970 no IAC. Até então, as pessoas tinham de esco- lher o feijão, que demorava 40 minutos para cozinhar. Hoje é empacotado e não há necessidade de ser limpo. Em 20 minutos é possível cozinhá-lo”, lembra Carbonell. Tecnologia – O IAC atua também no desenvolvimento de pacotes tecnoló- gicos que contribuem para elevar a pro- dutividade das lavouras e a qualidade dos produtos. Em sua relação com o setor privado, está incluída a prestação de serviços, por meio de laboratórios acreditados pelo Ins- tituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), que realizam análi- ses em atendimento tanto aos agricultores quanto a entidades oficiais. “Treinamos anualmente mais de 130 laboratórios que fazem análise do solo. Seus aparelhos são aferidos aqui”, informa o diretor-geral. No campo da fitossanidade, o IAC par- ticipa do melhoramento de plantas, ao buscar resistência a pragas e doenças, para aumento de produção, sustentabilidade ambiental e viabilidade econômica. Para transferir conhecimentos e tec- nologia aos profissionais do setor agrícola, o IAC realiza eventos e cursos. O instituto mantém o curso de Pós-Graduação em Agricultura Tropical e Subtropical, ofere- cido em Campinas. No curso de mestrado, criado em 1999, formaram-se 376 mestres. O doutorado surgiu em 2009 e já deu o títu- lo de doutor a 39 profissionais. Cana – Entre as várias ações, des- taca-se o curso teórico e prático para ado- ção do Sistema de Mudas Pré-Brotadas de cana-de-açúcar (MPB), que treinou 400 pessoas desde 2013. Passaram pela for- mação canavicultores, viveiristas, outros profissionais e representantes de usinas. Diretor do Centro de Cana do IAC, se- diado em Ribeirão Preto, o pesquisador Marcos Guimarães de Andrade Landell, que está há 35 anos no instituto, ressalta que “hoje existem centenas de núcleos de MPB produzindo mudas de cana-de-açúcar com qualidade”. Para Landell, a importância de inicia- tivas como essa pode ser medida pelo fato de que o Estado de São Paulo é o maior produtor de bioenergia no Brasil. Ele coor- dena também o Programa Cana, que é mais abrangente do que o Centro de Cana, pois reúne pesquisadores de várias cidades e de outras instituições, como universidades. “Na década de 1950, cresceu a plan- tação de cana no Estado. Isso somente foi possível porque existia informação pro- porcionada pelo IAC”, afirma Landell. Ele completa: “A cana é uma planta maravilho- sa, que se tornou um produto nobre porque produz energia. Mas, hoje, quem produz cana deve ser eficiente ou não se sustentará. Daí entra a nossa contribuição”. Transformações – Para o diretor- -geral do IAC, vivemos um momento de transformações, para as quais, em sua opi- nião, a instituição está preparada. “Há 15 ou 20 anos, o foco era o aumento de produ- ção. Hoje, percebemos que o produto tem de ter qualidade. Dizemos que o IAC não produz quilos por hectare, mas qualidade por hectare”, afirma Carbonell. O técnico de apoio à pesquisa Carlos Aparecido Fernandes, prestes a completar 26 anos no IAC, é responsável por todas as culturas plantadas na Fazenda Santa Elisa, do instituto, que abastecem a Unidade Básica de Sementes (UBS). Ali, são vendi- das para produtores e empresas multiplica- doras de sementes. Trabalhando no campo desde os 7 anos de idade, quando ajudava o pai a plan- tar em sua cidade natal, Guanambi (BA), Fernandes afirma gostar do que faz. “Aqui no IAC trabalhei com trigo durante 20 anos, e aprendi muito”, relata. Ele participa também de treinamentos de agricultores e faz a verificação de exis- tência de doenças em culturas. Atividades aprendidas na prática, pela observação cotidiana do desenvolvimento das plantas. “Tem de ser curioso e ter força de vontade. Procuro sempre conhecer as coisas”, diz. Cláudio Soares Imprensa Oficial – Conteúdo Editorial IAC e seus 13 centros de pesquisa A área física do Instituto Agronô- mico (IAC) é de 1.279 hectares de ter- ras. São 13 centros de pesquisa, dos quais oito em Campinas e cinco nos municípios de Ribeirão Preto (cana- -de-açúcar), Cordeirópolis (citros), Vo- tuporanga (seringueiras e agroambien- tais) e Jundiaí (frutas, engenharia e automação). Trabalham na instituição 154 pesquisadores, 350 funcionários de apoio e 500 colaboradores. SERVIÇO Instituto Agronômico (IAC) Av. Barão de Itapura, 1.481 – Campinas – SP Telefone (19) 2137-0600 www.iac.agricultura.sp.gov.br S FOTOS:CLEOVELLEDA Laboratórios IAC – Ao longo da história, desenvolvimento de 1.060 cultivares de 99 espécies Landell, diretor do Centro de Cana do IAC A IMPRENSA OFICIAL DO ESTADO SA garante a autenticidade deste documento quando visualizado diretamente no portal www.imprensaoficial.com.br terça-feira, 27 de junho de 2017 às 01:58:59.