Jaqueline Harumi
DA AGÊNCIA ANHANGUERA
jaqueline.ishikawa@rac.com.br
Batizadas na Região Metropoli-
tana de Campinas (RMC) e
presentes em feiras da Associa-
ção de Agricultura Natural de
Campinas e Região (ANC), as
plantas alimentícias chama-
das de não convencionais
(Pancs), muitas delas pouco
conhecidas, ganham espaço
na Agrishow, uma das três
principais feiras de tecnologia
agrícola do mundo, e a maior
da América Latina, que come-
ça amanhã e vai até sexta-feira
em Ribeirão Preto. Estarão ex-
postas 14 espécies do Polo Re-
gional de Pindamonhangaba
da Agência Paulista de Tecno-
logia dos Agronegócios (Apta),
que desenvolve o projeto Sobe-
rania e Segurança Alimentar
Nutricional desde 2011 para
resgate, produção e consumo
de tais plantas.
A sigla Panc foi criada em
2004 durante a elaboração do
livro Plantas Alimentícias não
Convencionais (Panc) no Bra-
sil, publicado há três anos e de
autoria do engenheiro agrôno-
mo e botânico Harri Lorenzi,
idealizador do Jardim Botâni-
co Plantarum, um centro de re-
ferência em pesquisa e conser-
vação da flora brasileira locali-
zado na cidade de Nova Odes-
sa. “São plantas que crescem
espontaneamente no local ou
foram implantadas aqui com
fins ornamentais desde o ano
de 1998, quando iniciamos a
construção do jardim, que
tem pouco mais de 4 mil espé-
cies de plantas e pelo menos
uns 10% delas podem ser con-
sumidas, ou seja, são Pancs”,
explica o botânico, que apre-
sentou 352 espécies no livro,
com informações, imagens e
receitas. “A maioria delas é na-
tiva da flora brasileiras e as de-
mais são plantas exóticas intro-
duzidas no território brasileiro
há muito tempo e já naturaliza-
das ou cultivadas aqui para vá-
rios fins”, ressalta.
Segundo a engenheira agrô-
noma Maria Elisa Von Zuben
Tassi, da ANC, a publicação de
Lorenzi desencadeou uma
maior disseminação das espé-
cies, que não são encontradas
regularmente no mercado e, as-
sim, acabam esquecidas. “Têm
surgido muitos cursos, muitas
oficinas, inclusive em setem-
bro todo ano ocorre a Semana
de Agricultura Orgânica de
Campinas, que no ano passado
e retrasado teve oficinas com o
tema. Tem aumentado a popu-
larização de alguma maneira,
mas muitas pessoas não conhe-
cem, então não dá para o pro-
dutor fazer um cultivo grande:
ele tem que ter garantia de co-
mercialização. Muitas vezes o
que tem aparecido é o vínculo
das Pancs com os chefs de cozi-
nha, com pessoas que cozi-
nham e estão dando esse valor,
resgatando esse conhecimento
tradicional” , relata.
É o caso da gastrônoma Ma-
bele Meloze, que, ao lado do
marido, o engenheiro eletricis-
ta Diogo Cortez, apostou no
cultivo das Pancs em seu sítio
em Cosmópolis em 2015, on-
de já tinham um pé de ora-pro-
nóbis há oito anos, com produ-
ção destinada apenas a alguns
clientes fiéis. “Como essa plan-
tinhas não soam muito conhe-
cidas, um ou outro se interes-
sa”, afirma Mabele, que pro-
duz ora-pro-nóbis e jambu em
meio a diversas espécies con-
vencionais. “Pensamos: va-
mos plantar uma coisa que a
gente gosta, diferente”, lem-
bra. “O jambu pica a língua,
amortece, então você coloca
ele com peixe, com frango, o
que seja, você vai comer e sen-
tir que a boca dá aquela amor-
tecida, e o pessoal gosta muito
de fazer pinga de jambu, por-
que a boca fica completamen-
te amortecida: isso faz um su-
cesso tremendo”, exemplifica.
Na Agrishow, estarão expos-
tos, além de ora-pro-nóbis,
araruta, cúrcuma, carás, em
forma de tubérculos, e capu-
chinha, peixinho-da-horta, ma-
jor-gomes, serralha, azedinha,
caruru, taioba, chuchu de ven-
to, bertalha e vinagreira, plan-
tados em vasos. “A principal
preocupação não é só abordar
a parte técnica, mas fazer um
resgate e valorização, porque
estão ligadas à nossa história e
nossa cultura alimentar”, res-
salta a pesquisadora da Apta
responsável pelo projeto Sobe-
rania e Segurança Alimentar
Nutricional, Cristina Maria de
Castro, que vê nas Pancs uma
importante fonte de renda pa-
ra os produtores rurais familia-
res por serem facilmente culti-
vadas e terem valor agregado.
O Programa Nacional de Ali-
mentação Escolar (Pnae), por
exemplo, paga 30% a mais pa-
ra produtos orgânicos do que
para convencionais. “A Lei Mu-
nicipal 16.140 também prevê a
introdução progressiva de ali-
mentos orgânicos ou de base
agroecológica na alimentação
escolar no município de São
Paulo. A ideia é inserir alimen-
tos saudáveis, ricos em nu-
trientes e livres de resíduos
químicos na merenda esco-
lar”, afirma.
Mais saudável
O “criador” das Pancs, Harri
Lorenzi, frisa que elas ganham
força na necessidade de supri-
mento equilibrado de nutrien-
tes em nosso organismo.
“Com a industrialização e a
modernização de nossas vi-
das, o cardápio de opções ali-
mentares vem sendo reduzido
drasticamente, com pouco
mais de meia dúzia de plantas
sendo consumidas no dia a
dia da maioria da população”,
lembra. “O importante para as
pessoas é saber quais plantas
podem ser consumidas sem
risco para suas saúde, mas o
mais importante é saberem
que dispõem desta opção para
variar o seu cardápio alimen-
tar sem gastar com a sua ob-
tenção uma vez que estão pre-
sentes em todos os lugares, li-
vres para serem coletadas”, es-
clarece.
A pesquisadora da Apta con-
sidera bons exemplos para
consumo caruaru e ora-pro-
nóbis. “O caruru é um indica-
dor de terra boa, parente da
quinua, que é uma coisa chi-
que que todo mundo come,
dos Andes, que valorizam a
cultura deles. O caruru é uma
espécie espontânea, presente
no Brasil nas hortas e riquíssi-
mo em ferro. Como a parte de
grãos é menor, comemos as fo-
lhas refogadas, como se fosse
um espinafre, que tem aproxi-
madamente 6mg de ferro em
cada 100g e tem espécies de ca-
ruru que podem ter 200%
mais ferro”, explica. “Ora-pro-
nóbis é um cactus que possui
folhas riquíssimas em proteí-
nas: 25% são proteína. É co-
nhecido como 'carne de po-
bre', carne vegetal. Além da
proteína, é rico em ferro e cál-
cio. O sabor lembra um espina-
fre”, completa.
Para a popularização das
Pancs, Cristina está semestral-
mente presente em feiras pelo
Estado com chef de cozinha
para elaboração e ensino de re-
ceitas, realiza palestras e im-
planta hortas demonstrativas
em escolas.
“O que a gente come hoje
em dia virou um combinado
de vazio nutricional, com qua-
se nenhum nutriente, e uma
combinação de substâncias
que não alimentam, que são
conservantes, acidulantes e
aromatizantes, que colocam
para dar cor, aroma e sabor, e
nutrientes que nós temos na
natureza. Além disso, há alta
presença de açúcares, sal e
gorduras, o que tem levado ao
aparecimento de muitas doen-
ças. Antigamente a gente se
alimentava para ter saúde e
atualmente a gente está se ali-
mentando e ficando doente”,
afirma.
Menino consome
bala com veneno
Vinagreira,
usada para
colorir
alimentos,
mas
também
para fazer
chás,
bebidas e
até doces
Com várias
finalidades
medicinais,
a bertalha
não
deve ser
consumida
crua e é
fonte de
vitaminas
Ora-pro-nó
bis, que é
usada em
forma de
salada, mas
também
como
refogado e
até cerca
natural
Agrishow: plantas ‘discretas’ em pauta
Circula pelo WhatsApp um áu-
dio em que uma mulher afir-
ma que um menino está inter-
nado na Unidade de Terapia
Intensiva (UTI) de um hospital
porque teria chupado uma ba-
la com veneno tipo chumbi-
nho. O doce foi dado por um
adolescente que está partici-
pando do jogo Baleia Azul. Dar
balas com veneno a crianças é
uma das etapas da compe-
tição. “É verdade. Está no
meu plantão. É gravíssi-
mo”, diz a voz feminina. A
gravação tem sido divulgada
com dizeres informando que o
caso teria ocorrido em Jagua-
riúna. De acordo com o áudio,
o menino estava brincando
em frente à casa dele com um
irmão quando ganhou a bala.
Rica em
vitaminas,
a serralha é
bastante
parecida
com o
espinafre e
é bastante
usada em
cozidos
AGRONEGÓCIO ||| NOVIDADES
ESTA É A VERDADE
Segundo informações do
Hospital Municipal Walter
Ferrari, o único da cidade de
Jaguariúna, nenhuma criança
deu entrada na unidade de
saúde por envenenamento
depois de ter chupado uma
bala com chumbinho. A
unidade informou também que
nenhuma pessoa foi internada
por essa razão. Ainda de
acordo o hospital, esse boato
que tem circulado pelo
WhatsApp gerou uma
enxurrada
de ligações
ao PABX da
instituição
de pessoas
em busca de
informações sobre o caso. Na
maioria dos casos, eram pais e
moradores da cidade
preocupados com o estado de
saúde do menino e com as
consequências que podem
advir da ingestão de veneno do
tipo chumbinho.
SAIBA MAIS
O Correio Popular passa a publicar regularmente uma seção dedicada a vigiar o noticiário falso que circula na internet. Trata-se de espaço que reafirma o compromisso
do jornal em manter um jornalismo sério e de qualidade. Caso os leitores queiram ajudar o Correio a ser vigilante da boataria irresponsável, basta entrar em contato pelo
e-mail boatosnarede@rac.com.br e apontar a informação que tenha despertado desconfiança para que os jornalistas da redação possam investigar. Você pode também
contribuir pelo WhatsApp no (19) 9 9998-9902 ou ligar nos telefones 3772-8221 ou 3772-8003. O esforço para combater a desinformação tem de ser coletivo.
Boatos na rede
Fotos: Divulgação
Variedades pouco conhecidas serão apresentadas na feira de tecnologia agrícola em Ribeirão
Maior parte tem ação
medicinal e pode ser
comida crua ou cozida
TUBÉRCULOS
Ora-pro-nóbis - Muito usada em
cercas vivas, mas suas folhas e
frutos, que são bagas amarelas e
redondas, também servem como
alimento. A planta é também
empregada para a produção de mel.
Araruta - Considerada como um
alimento de fácil digestão, a fécula
da araruta é usada no preparo de
mingaus, bolos e biscoitos.
Cúrcuma - é uma planta herbácea
originária da Índia e Indonésia e da
qual se obtém uma especiaria usada
em temperos. Sua característica
principal é a forte cor amarela.
Cará - Fonte de carboidrato, ajuda
na complementação da
alimentação dos vegetarianos.
Combina com sopas, cremes,
saladas ou carnes de panela com
molho.
EM VASOS
Capuchinha - Suas folhas apresentam sabor picante, similar ao do agrião.
Peixinho-da-horta - Da mesma família de sálvia, hortelã e manjericão. Pode ser cultivada como planta ornamental,
possui uso medicinal, é servida como chá e quando frita lembra o sabor de peixe.
Major-gomes - Usada na medicina caseira como diurético, cicatrizante e antiinfeccioso, é também consumida em
saladas e refogados.
Serralha - É comestível e rica em vitaminas A, D e E; possui um sabor amargo e paladar que lembra o espinafre. É
usada em saladas e cozidos, além de fins medicinais.
Azedinha - Fresca e picada, é ótima para saladas e sucos; quando refogada, é usada para incrementar sopas e
molhos.
Caruru - Rica em ferro, potássio, cálcio e vitaminas A, B1, B2 e C. Tem funções medicinais, combate infecções,
problemas hepáticos. As sementes podem ser torradas e usadas em pães e outras receitas.
Taioba - Típica da cozinha de Goiás. A folha é rica em vitamina A e amido. Alimento fundamental para as crianças,
idosos, atletas, grávidas e mulheres que amamentam.
Chuchu-de-vento - espécie de chuchu oco por dentro. Na culinária, pode ser recheado com camarão, lula, siri,
verduras ou carnes. Possui propriedades medicinais.
Bertalha - As folhas são ricas em cálcio, ferro, magnésio, manganês, potássio, sódio, zinco, fósforo, clorofila e
vitaminas A, B, B2, B5 e C. Tem bastante ácido oxálico e, portanto, seu consumo cru não é recomendável, assim
como o do espinafre comum.
Vinagreira - É usado como condimento e para colorir e dar sabor agridoce a chás e bebidas alcoólicas e
não-alcoólicas. É ideal para geleias, chutneys, molhos e conservas. As folhas jovens são importantes como erva
culinária.
A8 CORREIO POPULARA8
Campinas, domingo, 30 de abril de 2017
CIDADES

Agrishow: plantas 'discretas' em pauta

  • 1.
    Jaqueline Harumi DA AGÊNCIAANHANGUERA jaqueline.ishikawa@rac.com.br Batizadas na Região Metropoli- tana de Campinas (RMC) e presentes em feiras da Associa- ção de Agricultura Natural de Campinas e Região (ANC), as plantas alimentícias chama- das de não convencionais (Pancs), muitas delas pouco conhecidas, ganham espaço na Agrishow, uma das três principais feiras de tecnologia agrícola do mundo, e a maior da América Latina, que come- ça amanhã e vai até sexta-feira em Ribeirão Preto. Estarão ex- postas 14 espécies do Polo Re- gional de Pindamonhangaba da Agência Paulista de Tecno- logia dos Agronegócios (Apta), que desenvolve o projeto Sobe- rania e Segurança Alimentar Nutricional desde 2011 para resgate, produção e consumo de tais plantas. A sigla Panc foi criada em 2004 durante a elaboração do livro Plantas Alimentícias não Convencionais (Panc) no Bra- sil, publicado há três anos e de autoria do engenheiro agrôno- mo e botânico Harri Lorenzi, idealizador do Jardim Botâni- co Plantarum, um centro de re- ferência em pesquisa e conser- vação da flora brasileira locali- zado na cidade de Nova Odes- sa. “São plantas que crescem espontaneamente no local ou foram implantadas aqui com fins ornamentais desde o ano de 1998, quando iniciamos a construção do jardim, que tem pouco mais de 4 mil espé- cies de plantas e pelo menos uns 10% delas podem ser con- sumidas, ou seja, são Pancs”, explica o botânico, que apre- sentou 352 espécies no livro, com informações, imagens e receitas. “A maioria delas é na- tiva da flora brasileiras e as de- mais são plantas exóticas intro- duzidas no território brasileiro há muito tempo e já naturaliza- das ou cultivadas aqui para vá- rios fins”, ressalta. Segundo a engenheira agrô- noma Maria Elisa Von Zuben Tassi, da ANC, a publicação de Lorenzi desencadeou uma maior disseminação das espé- cies, que não são encontradas regularmente no mercado e, as- sim, acabam esquecidas. “Têm surgido muitos cursos, muitas oficinas, inclusive em setem- bro todo ano ocorre a Semana de Agricultura Orgânica de Campinas, que no ano passado e retrasado teve oficinas com o tema. Tem aumentado a popu- larização de alguma maneira, mas muitas pessoas não conhe- cem, então não dá para o pro- dutor fazer um cultivo grande: ele tem que ter garantia de co- mercialização. Muitas vezes o que tem aparecido é o vínculo das Pancs com os chefs de cozi- nha, com pessoas que cozi- nham e estão dando esse valor, resgatando esse conhecimento tradicional” , relata. É o caso da gastrônoma Ma- bele Meloze, que, ao lado do marido, o engenheiro eletricis- ta Diogo Cortez, apostou no cultivo das Pancs em seu sítio em Cosmópolis em 2015, on- de já tinham um pé de ora-pro- nóbis há oito anos, com produ- ção destinada apenas a alguns clientes fiéis. “Como essa plan- tinhas não soam muito conhe- cidas, um ou outro se interes- sa”, afirma Mabele, que pro- duz ora-pro-nóbis e jambu em meio a diversas espécies con- vencionais. “Pensamos: va- mos plantar uma coisa que a gente gosta, diferente”, lem- bra. “O jambu pica a língua, amortece, então você coloca ele com peixe, com frango, o que seja, você vai comer e sen- tir que a boca dá aquela amor- tecida, e o pessoal gosta muito de fazer pinga de jambu, por- que a boca fica completamen- te amortecida: isso faz um su- cesso tremendo”, exemplifica. Na Agrishow, estarão expos- tos, além de ora-pro-nóbis, araruta, cúrcuma, carás, em forma de tubérculos, e capu- chinha, peixinho-da-horta, ma- jor-gomes, serralha, azedinha, caruru, taioba, chuchu de ven- to, bertalha e vinagreira, plan- tados em vasos. “A principal preocupação não é só abordar a parte técnica, mas fazer um resgate e valorização, porque estão ligadas à nossa história e nossa cultura alimentar”, res- salta a pesquisadora da Apta responsável pelo projeto Sobe- rania e Segurança Alimentar Nutricional, Cristina Maria de Castro, que vê nas Pancs uma importante fonte de renda pa- ra os produtores rurais familia- res por serem facilmente culti- vadas e terem valor agregado. O Programa Nacional de Ali- mentação Escolar (Pnae), por exemplo, paga 30% a mais pa- ra produtos orgânicos do que para convencionais. “A Lei Mu- nicipal 16.140 também prevê a introdução progressiva de ali- mentos orgânicos ou de base agroecológica na alimentação escolar no município de São Paulo. A ideia é inserir alimen- tos saudáveis, ricos em nu- trientes e livres de resíduos químicos na merenda esco- lar”, afirma. Mais saudável O “criador” das Pancs, Harri Lorenzi, frisa que elas ganham força na necessidade de supri- mento equilibrado de nutrien- tes em nosso organismo. “Com a industrialização e a modernização de nossas vi- das, o cardápio de opções ali- mentares vem sendo reduzido drasticamente, com pouco mais de meia dúzia de plantas sendo consumidas no dia a dia da maioria da população”, lembra. “O importante para as pessoas é saber quais plantas podem ser consumidas sem risco para suas saúde, mas o mais importante é saberem que dispõem desta opção para variar o seu cardápio alimen- tar sem gastar com a sua ob- tenção uma vez que estão pre- sentes em todos os lugares, li- vres para serem coletadas”, es- clarece. A pesquisadora da Apta con- sidera bons exemplos para consumo caruaru e ora-pro- nóbis. “O caruru é um indica- dor de terra boa, parente da quinua, que é uma coisa chi- que que todo mundo come, dos Andes, que valorizam a cultura deles. O caruru é uma espécie espontânea, presente no Brasil nas hortas e riquíssi- mo em ferro. Como a parte de grãos é menor, comemos as fo- lhas refogadas, como se fosse um espinafre, que tem aproxi- madamente 6mg de ferro em cada 100g e tem espécies de ca- ruru que podem ter 200% mais ferro”, explica. “Ora-pro- nóbis é um cactus que possui folhas riquíssimas em proteí- nas: 25% são proteína. É co- nhecido como 'carne de po- bre', carne vegetal. Além da proteína, é rico em ferro e cál- cio. O sabor lembra um espina- fre”, completa. Para a popularização das Pancs, Cristina está semestral- mente presente em feiras pelo Estado com chef de cozinha para elaboração e ensino de re- ceitas, realiza palestras e im- planta hortas demonstrativas em escolas. “O que a gente come hoje em dia virou um combinado de vazio nutricional, com qua- se nenhum nutriente, e uma combinação de substâncias que não alimentam, que são conservantes, acidulantes e aromatizantes, que colocam para dar cor, aroma e sabor, e nutrientes que nós temos na natureza. Além disso, há alta presença de açúcares, sal e gorduras, o que tem levado ao aparecimento de muitas doen- ças. Antigamente a gente se alimentava para ter saúde e atualmente a gente está se ali- mentando e ficando doente”, afirma. Menino consome bala com veneno Vinagreira, usada para colorir alimentos, mas também para fazer chás, bebidas e até doces Com várias finalidades medicinais, a bertalha não deve ser consumida crua e é fonte de vitaminas Ora-pro-nó bis, que é usada em forma de salada, mas também como refogado e até cerca natural Agrishow: plantas ‘discretas’ em pauta Circula pelo WhatsApp um áu- dio em que uma mulher afir- ma que um menino está inter- nado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital porque teria chupado uma ba- la com veneno tipo chumbi- nho. O doce foi dado por um adolescente que está partici- pando do jogo Baleia Azul. Dar balas com veneno a crianças é uma das etapas da compe- tição. “É verdade. Está no meu plantão. É gravíssi- mo”, diz a voz feminina. A gravação tem sido divulgada com dizeres informando que o caso teria ocorrido em Jagua- riúna. De acordo com o áudio, o menino estava brincando em frente à casa dele com um irmão quando ganhou a bala. Rica em vitaminas, a serralha é bastante parecida com o espinafre e é bastante usada em cozidos AGRONEGÓCIO ||| NOVIDADES ESTA É A VERDADE Segundo informações do Hospital Municipal Walter Ferrari, o único da cidade de Jaguariúna, nenhuma criança deu entrada na unidade de saúde por envenenamento depois de ter chupado uma bala com chumbinho. A unidade informou também que nenhuma pessoa foi internada por essa razão. Ainda de acordo o hospital, esse boato que tem circulado pelo WhatsApp gerou uma enxurrada de ligações ao PABX da instituição de pessoas em busca de informações sobre o caso. Na maioria dos casos, eram pais e moradores da cidade preocupados com o estado de saúde do menino e com as consequências que podem advir da ingestão de veneno do tipo chumbinho. SAIBA MAIS O Correio Popular passa a publicar regularmente uma seção dedicada a vigiar o noticiário falso que circula na internet. Trata-se de espaço que reafirma o compromisso do jornal em manter um jornalismo sério e de qualidade. Caso os leitores queiram ajudar o Correio a ser vigilante da boataria irresponsável, basta entrar em contato pelo e-mail boatosnarede@rac.com.br e apontar a informação que tenha despertado desconfiança para que os jornalistas da redação possam investigar. Você pode também contribuir pelo WhatsApp no (19) 9 9998-9902 ou ligar nos telefones 3772-8221 ou 3772-8003. O esforço para combater a desinformação tem de ser coletivo. Boatos na rede Fotos: Divulgação Variedades pouco conhecidas serão apresentadas na feira de tecnologia agrícola em Ribeirão Maior parte tem ação medicinal e pode ser comida crua ou cozida TUBÉRCULOS Ora-pro-nóbis - Muito usada em cercas vivas, mas suas folhas e frutos, que são bagas amarelas e redondas, também servem como alimento. A planta é também empregada para a produção de mel. Araruta - Considerada como um alimento de fácil digestão, a fécula da araruta é usada no preparo de mingaus, bolos e biscoitos. Cúrcuma - é uma planta herbácea originária da Índia e Indonésia e da qual se obtém uma especiaria usada em temperos. Sua característica principal é a forte cor amarela. Cará - Fonte de carboidrato, ajuda na complementação da alimentação dos vegetarianos. Combina com sopas, cremes, saladas ou carnes de panela com molho. EM VASOS Capuchinha - Suas folhas apresentam sabor picante, similar ao do agrião. Peixinho-da-horta - Da mesma família de sálvia, hortelã e manjericão. Pode ser cultivada como planta ornamental, possui uso medicinal, é servida como chá e quando frita lembra o sabor de peixe. Major-gomes - Usada na medicina caseira como diurético, cicatrizante e antiinfeccioso, é também consumida em saladas e refogados. Serralha - É comestível e rica em vitaminas A, D e E; possui um sabor amargo e paladar que lembra o espinafre. É usada em saladas e cozidos, além de fins medicinais. Azedinha - Fresca e picada, é ótima para saladas e sucos; quando refogada, é usada para incrementar sopas e molhos. Caruru - Rica em ferro, potássio, cálcio e vitaminas A, B1, B2 e C. Tem funções medicinais, combate infecções, problemas hepáticos. As sementes podem ser torradas e usadas em pães e outras receitas. Taioba - Típica da cozinha de Goiás. A folha é rica em vitamina A e amido. Alimento fundamental para as crianças, idosos, atletas, grávidas e mulheres que amamentam. Chuchu-de-vento - espécie de chuchu oco por dentro. Na culinária, pode ser recheado com camarão, lula, siri, verduras ou carnes. Possui propriedades medicinais. Bertalha - As folhas são ricas em cálcio, ferro, magnésio, manganês, potássio, sódio, zinco, fósforo, clorofila e vitaminas A, B, B2, B5 e C. Tem bastante ácido oxálico e, portanto, seu consumo cru não é recomendável, assim como o do espinafre comum. Vinagreira - É usado como condimento e para colorir e dar sabor agridoce a chás e bebidas alcoólicas e não-alcoólicas. É ideal para geleias, chutneys, molhos e conservas. As folhas jovens são importantes como erva culinária. A8 CORREIO POPULARA8 Campinas, domingo, 30 de abril de 2017 CIDADES