Indústria
              Náutica
           Brasileira




FATOS E NÚMEROS 2012
www.acobar.org.br
Indústria
   Náutica
Brasileira
FATOS E NÚMEROS 2012
ÍNDICE
              6
                  APRESENTAÇÃO
             10
                  INTRODUÇÃO
             12
                  A FROTA BRASILEIRA
             20
                  ESTRUTURAS DE APOIO NÁUTICO
             36
                  ESTALEIROS E FABRICANTES
                  DE EQUIPAMENTOS
             50
                  COMÉRCIO
             54
                  REGIÕES NÁUTICAS
             62
                  ANÁLISE CONJUNTURAL
             74
                  DESAFIOS E OPORTUNIDADES
             80
                  A VISÃO DOS LÍDERES
             84
                  METODOLOGIA
             86
                  REFERÊNCIAS




4
C
                                                                   riado em 2011 e coordenado pela Secre-
                                                                   taria Estadual de Desenvolvimento Eco-
                                                                   nômico, Energia, Indústria e Serviços, o
                                                            Fórum Náutico Fluminense demonstrou ser ex-
                                                            celente ambiente gerador de reflexão estratégi-
                                                            ca a favor do Rio de Janeiro.


     APRESENTAÇÃO                                           Desde o decreto estadual que reduziu para 7%
                                                            o ICMS sobre a fabricação de embarcações de
                                                            lazer no Estado, a indústria náutica tem mantido
                                                            ritmo forte de crescimento, a taxas de 15% ao
                                                            ano, mesmo no período pós-crise global, capaz
                                                            de gerar cerca de 30 mil empregos.



    O
            Estado do Rio de Janeiro concentra 24,2%        Endossando a recomendação das demais insti-
            da infraestrutura náutica nacional. É in-       tuições que compõem o Fórum, o Governo do
            questionável o potencial do setor na ge-        Estado apoia a concepção de um sistema de in-
    ração de emprego, distribuição de renda e de-           formações capaz de retratar o status econômi-
    senvolvimento social. Também são evidentes as           co e tecnológico dos principais estaleiros, fabri-
    inúmeras possibilidades de negócios oferecidas às       cantes de equipamentos e acessórios náuticos,
    micro e pequenas empresas. Diante desse cenário,        prestadores de serviço, marinas e importadores
    o Sebrae/RJ, em parceria com o Governo do Esta-         do mercado náutico local e nacional.
    do do Rio de Janeiro, representantes empresariais
    e instituições de apoio, ajuda na inserção competi-     Temos no Governo do Rio de Janeiro a certeza
    tiva de micro e pequenas empresas na cadeia pro-        de que um novo referencial estatístico do setor
    dutiva náutica fluminense.                              náutico virá a robustecer ainda mais o nosso ex-
                                                            pediente regular de formulação e execução de
    A instituição atua, ainda, no estabelecimento de        uma política estadual de desenvolvimento para
    uma agenda positiva, capaz de conter as grandes         este importante setor na economia local.
    metas transformadoras a serem estabelecidas e
    perseguidas em favor de micro e pequenos pro-           É nesse contexto que a Secretaria de Estado de
    dutores de embarcações de recreio e proprietá-          Desenvolvimento Econômico, Energia, Indús-
    rios de marinas e garagens náuticas. Um dos te-         tria e Serviços do Governo do Estado do Rio de
    mas prioritários a serem cobertos pela agenda, por      Janeiro apresenta a Pesquisa Indústria Náutica
    exemplo, diz respeito ao gargalo estrutural de in-      Brasileira – Fatos & Números 2012, com a con-
    formações desse setor. A Pesquisa Fatos & Núme-         vicção de que este instrumento de informação
    ros da Indústria Náutica Brasileira 2012 foi elabora-   estratégica irá orientar, não apenas no Rio de
    da em sintonia com os membros permanentes do            Janeiro mas em todo o território nacional, uma
    Fórum Náutico Fluminense justamente para criar          correta e adequada tomada de decisão por par-
    instrumentos sólidos de informações socioeconô-         te dos agentes públicos e privados, com reflexos
    micas. Assim, poderá direcionar a priorização de        significativos no fortalecimento da competitivi-
    projetos e ações do Sebrae/RJ e parceiros que ga-       dade da base produtiva náutica e na elevação
    rantam resultados relevantes e mensuráveis.	            dos níveis de emprego e renda oriundos dessa
                                                            indústria em escala regional e nacional.
    Com isso, o Sebrae/RJ espera contribuir para
    elevar a competitividade das empresas do setor
    náutico e torná-lo uma alavanca de crescimento
    econômico, de modo a tornar o Rio de Janeiro o
    melhor lugar do Brasil para abrir e desenvolver                                        Julio Cesar Bueno
                                                                      Secretário de Estado de Desenvolvimento
    micro e pequenos negócios da cadeia náutica.                     Econômico, Energia, Indústria e Serviços do
                                                               Governo do Estado do Rio de Janeiro e Presidente
                                                                     do Conselho do Fórum Náutico Fluminense.

                                        Cezar Vasquez
                    Diretor-superintendente do Sebrae/RJ




                                                                                                        INDÚSTRIA
                                                                                                          NÁUTICA
                                                                                                       BRASILEIRA
6
A
           ssociação Brasileira dos Construtores de Barcos - ACOBAR, e seus Imple-
           mentos acredita que o caminho para o desenvolvimento profissional do
           mercado náutico brasileiro passa pela formulação de políticas públicas e
    associativas que, essencialmente, depende da coleta, organização e divulgação
    de informações completas, atuais e fidedignas sobre o mercado náutico, que ser-
    virão de referência para o processo de tomada de decisões empresariais incenti-
    vando e apoiando nossas cadeias produtivas.

    Somente a transparência nos dados e a coerência na atuação da náutica enquan-
    to setor organizado fará com que sejam superados os entraves históricos que se
    interpõem à realização plena do potencial náutico do Brasil.

    Nosso potencial é imenso e internacionalmente reconhecido, como evidencia o
    recente interesse de grandes empresas multinacionais do setor náutico em estabele-
    cer conexões no Brasil. A indústria nacional está diante de desafios e oportunidades
    igualmente inéditos, e para fazer frente a eles deve demonstrar sua capacidade de
    utilizar as ferramentas que o mercado exige: informação consistente, raciocínio es-
    tratégico e talento humano.

    O primeiro passo está dado.

    Por esta razão, nos congratulamos e expressamos nosso mais sincero agradeci-
    mento ao SEBRAE-RJ, ao Banco Santander e ao Fórum Náutico Fluminense que
    se engajaram na viabilização deste estudo que atende às necessidades e anseios
    de um setor que luta para se desenvolver e oferecer a um número cada vez maior
    de brasileiros a oportunidade de conviver com as maravilhas naturais deste país.


                                                                     Eduardo Colunna
                                                                  Presidente da ACOBAR




                                                                                            INDÚSTRIA
                                                                                              NÁUTICA
                                                                                           BRASILEIRA
8
Cada vez mais, o setor passa a ser        França, Itália, Austrália e Nova Ze-
                                             percebido como um elo importan-           lândia, para citar os exemplos mais
                                             te da cadeia produtiva da indústria       evidentes, onde a cadeia produtiva
                                             do turismo, na qual as embarcações        náutica é reconhecida como uma
      INTRODUÇÃO                             são bens de capital, não mais bens        poderosa ferramenta de geração
                                             de consumo de luxo.                       de emprego e renda, divisas inter-
                                                                                       nacionais, inovação tecnológica e
                                             A expansão e a crescente formali-         preservação do meio ambiente.
                                             zação das atividades do setor origi-


     D
            esde 2005, quando a primei-      naram um grande número de novas           O primeiro passo dessa caminhada
            ra edição deste estudo foi       empresas, várias delas de micro e         é apresentar ao Brasil o tamanho, a
            realizada, o mercado náuti-      pequeno porte, gerando empregos           importância e o potencial desse se-
     co brasileiro passou por grandes        e renda, o que criou condições para       tor. Esse é o propósito deste estudo.
     mudanças, impulsionado por um           uma racionalização na carga tributá-
     movimento de expansão sem para-         ria, com redução da alíquota de IPI       O relatório Indústria Náutica Brasi-
     lelo na sua história.                   e das alíquotas de ICMS em estados        leira – Fatos & Números 2012 é uma
                                             importantes como São Paulo, Rio de        iniciativa da Associação Brasileira
     Alavancadas por um crescimen-           Janeiro, Santa Catarina e Bahia.          dos Construtores de Barcos e seus
     to da renda disponível no mercado                                                 Implementos – Acobar, patrocinada
     interno, as vendas de embarcações       No entanto, mesmo diante de um            pelo Sebrae-RJ e pelo Banco San-
     novas atingiram patamares inéditos      quadro tão auspicioso e um poten-         tander, e apoiada pelo Fórum Náu-
     nos anos de 2008, 2009 e 2010. Nes-     cial sem paralelo no mundo, o setor       tico Fluminense. Tem o objetivo de
     se cenário, a demanda se espalhou       náutico brasileiro ainda tem gran-        oferecer uma base de conhecimento
     como uma onda: novos usuários           des desafios e gargalos a superar         sobre o status do mercado náutico
     ingressaram na base da pirâmide,        em todos os pontos da sua cadeia          brasileiro, seus principais agentes e
     adquirindo suas primeiras embar-        produtiva inbound (produção e             os problemas, as ameaças e as opor-
     cações, enquanto os consumidores        venda de embarcações) e outbou-           tunidades que se apresentam para o
     que já possuíam lanchas e veleiros      nd (utilização das embarcações e          desenvolvimento do setor.
     investiram em upgrades, adquirindo      serviços correlatos).
     embarcações novas e usadas mais                                                   A coleta de dados foi feita por con-
     sofisticadas e de maior porte.          O Brasil, por seu clima e suas carac-     tato direto com as mais importantes
                                             terísticas geográficas, encerra um        empresas do mercado náutico brasi-
     No mercado de embarcações de            dos maiores potenciais náuticos do        leiro – inclusive as estruturas de apoio
     luxo e grande porte, topo dessa pirâ-   mundo. Para realizá-lo, é fundamen-       –, entre elas marinas, garagens náuti-
     mide de consumo, em que os prazos       tal que se criem condições de segu-       cas, iates clubes, estaleiros, fabrican-
     e o custo de capital para se adap-      rança institucional e de infraestrutura   tes de equipamentos e acessórios,
     tar ao crescimento da demanda são       para suportar o crescimento do setor.     varejistas, prestadoras de serviços e
     muito maiores, abriram-se as portas                                               importadoras em atividade no Brasil.
     para um grande número de marcas         A continuidade do ciclo de expan-
     internacionais, que passaram a per-     são observado nos últimos anos está       Para complementar o estudo, fo-
     ceber o Brasil como um mercado de       condicionada à modernização das           ram realizadas entrevistas pessoais
     alto potencial, principalmente dian-    estruturas de apoio náutico, com a        com lideranças do setor e persona-
     te da crise econômica que afeta os      criação de novas marinas, garagens        lidades ligadas ao mundo náutico,
     países centrais, com destaque para      náuticas e iates clubes, como tam-        às quais agradecemos imensamen-
     a comunidade do Euro.                   bém de núcleos de formação e qua-         te a colaboração.
                                             lificação de mão de obra em todos
     Esse ciclo de expansão alavancou        os níveis; investimentos na estrutura
     não só a demanda por embarca-           de fiscalização e apoio à navegação
     ções e acessórios, mas também por       de esporte e recreio; e redução da
     estruturas e serviços de apoio náu-     carga tributária incidente sobre a fa-
     tico, com reflexos em todo o Brasil.    bricação e a venda de embarcações.
     Centros náuticos surgiram e se mo-
                                                                                                          Marcio Malmegrin
     dernizaram no litoral e, principal-     Observadas essas condições, o Bra-
                                                                                                   Independente Consultores
     mente, no interior do País, onde um     sil conquistará o lugar a que tem                 Outubro de 2012, Florianópolis,
     enorme potencial náutico começa         direito entre os grandes centros                          Ilha de Santa Catarina
     a ser explorado de forma cada vez       náuticos do mundo, ao lado de pa-                      27°39’40” S; 48°32’42” W
     mais organizada e profissional.         íses como Estados Unidos, Espanha,




                                                                                                                INDÚSTRIA
                                                                                                                  NÁUTICA
                                                                                                               BRASILEIRA
10
11
A
                          frota brasileira de embarca-     Estudos realizados pelo Instituto de
                          ções de esporte e recreio        Marinas do Brasil apontam que es-
                          acima de 16 pés compreende       truturas informais de apoio náutico
              A   um conjunto de aproximadamente           abrigam uma quantidade equiva-
                  70.000 embarcações, entre lanchas        lente a 20% das embarcações regis-
         FROTA    e veleiros.                              tradas nas marinas regulares. Essas
                                                           estruturas informais compreendem
     BRASILEIRA   Para a elaboração deste estudo fo-       um conjunto de aproximadamente
                  ram visitadas 388 estruturas regu-       uma centena de pontos que incluem
                  lares de apoio náutico em todas as       pátios de postos de combustível,
                  regiões do Brasil, incluindo o litoral   restaurantes à beira-mar ou próxi-
                  dos estados das regiões Nordeste,        mos de cursos d´água, hotéis e lotes
                  Sudeste e Sul, interior de São Pau-      vazios espalhados por todo o País.
                  lo, Minas Gerais, Paraná, Goiás, Mato    Nestes locais pode-se encontrar
                  Grosso, Rio Grande do Sul e as ca-       uma parcela expressiva das embar-
                  pitais dos estados de São Paulo,         cações a motor com comprimento
                  Amazonas e Pará. Essas estruturas        igual ou abaixo de 23 pés.
                  representam 80% do universo de
                  estruturas formais de apoio náutico      Existem, ainda, os proprietários que
                  em operação no Brasil, que totaliza      mantêm suas embarcações em suas
                  cerca de 480 pontos.                     próprias casas ou em poitas funde-
                                                           adas em baías, rios, lagoas e ense-
                  Na coleta de dados em campo, jun-        adas abrigadas, sem qualquer custo
                  to a estas estruturas foram conta-       de locação de espaço ou guarda da
                  bilizadas 29.996 embarcações a           embarcação. Esse tipo de alocação
                  motor e 5.145 embarcações a vela         responde por uma parcela equiva-
                  maiores de 16 pés.                       lente a 20% da frota e contém uma
                                                           parcela expressiva das pequenas
                  A partir destes valores foram proje-     lanchas e veleiros de quilha.
                  tados os totais de embarcações a
                  motor e a vela abrigadas nas estru-
                  turas formais de apoio náutico, que
                  somam 40.574 e 6.430 unidades,
                  respectivamente.




12
FATOS E NÚMEROS 2012




                                                                                          13




    Abaixo, a distribuição das embarcações por estrutura:


                              lanchas                 veleiros
embarcações em
estruturas regulares            40574                       6431
embarcações em
estruturas IRregulares           8115                       1286
embarcações ABRIGADAS
EM CASA OU POITAS               9738                        1543

TOTAL                           58427                       9261    67687
A exemplo do que foi registrado na edição de 2005 da pesquisa Indústria Náutica Brasilei-
       ra – Fatos & Números, predominam no mercado brasileiro as embarcações a motor, com
       quase 84% do total da frota, enquanto que a participação dos barcos a vela chega a 16,3%.




                                                                       16,36%
                                                                            VELEIROS
                                           83,64%
                                                  LANCHAS




           A distribuição da frota de embarcações de esporte e recreio no Brasil obedece
           à seguinte proporção:



              DISTRIBUIÇÃO DA
            FROTA POR REGIÃO
                           DISTRIBUIÇÃO DAS ESTRUTURAS POR REGIÃO
                        DISTRIBUIÇÃO DAS ESTRUTURAS POR REGIÃO (%)



     120

     100

     80
                                           48%
     60

     40                  25%                53%
                                                             14%               12%
     20                   19%                                                                       1%
                                                             15%                8%                 5%
      0
               SU                 SE               NE                CO                N0
               VELA    MOTOR




                                                                                               INDÚSTRIA
                                                                                                 NÁUTICA
                                                                                              BRASILEIRA
14
FATOS E NÚMEROS 2012




                                                                                                                              15
               Embarcações a Motor

               Cerca de 60% das embarcações a motor têm até 26 pés, sendo que a categoria mais en-
               contrada nas estruturas de apoio náutico pesquisadas inclui as lanchas entre 20 e 26 pés.

               Essa categoria de embarcação oferece conforto para até oito pessoas, condição boa de
               navegabilidade e segurança para utilização em águas costeiras e abrigadas, como baías,
               enseadas e lagoas, bem como em rios e lagos. Atualmente, o valor unitário (com motor)
               desse tipo de embarcação varia entre R$ 60.000,00 e R$120.000,00, dependendo do
               nível de sofisticação do modelo e da potência do motor.



                                                                                   DISTRIBUIÇÃO DE
                                                                                   LANCHAS POR TAMANHO (%)
                                                                  DISTRIBUIÇÃO LANCHAS POR TAMANHO


                            5,1                     17,8
             1,9        37 A 41 PÉS            27 A 32 PÉS
                                                                                                           29,5
                      1,6 PÉS
        51 A 60 PÉS
                                          9,2                                                              16 A 19 PÉS

          0,6         47 A 50         33 A 36 PÉS
                                                                                               3126 PÉS
       61 A 70 PÉS
                       3A 46 PÉS                                                               20 A


        0,3
                       42

ACIMA DE 75 PÉS




               A distribuição da frota por tamanho não é homogênea nas estruturas de apoio náutico nas
               diferentes regiões brasileiras.

               Nas estruturas de apoio náutico pesquisadas na região Sul observa-se um perfil de frota mui-
               to semelhante entre os estados de Santa Catarina e Paraná, que compartilham condições de
               navegação e padrões de poder aquisitivo similar.

               No caso do Rio Grande do Sul, a distribuição do tamanho da frota é influenciada pelo am-
               biente náutico do Estado, que inibe a utilização de embarcações de maior porte nas águas
               interiores e no litoral.

                      SUL
        60                                                                                   16 A 19 PÉS

                                                                                            20 A 26 PÉS
        50
                                                                                             27 A 32 PÉS

        40                                                                                   32 A 36 PÉS

                                                                                             37 A 41 PÉS
        30
                                                                                            42 A 46 PÉS

        20                                                                                  47 A 50 PÉS

                                                                                             51 A 60 PÉS
         10
                                                                                             61 A 75 PÉS

           0                                                                                ACIMA DE 75 PÉS

                                RS                           SC              PR
Nos dados da região Sudeste nota-se um perfil semelhante de distribuição do tamanho das
             embarcações na frota nos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro. A expressiva partici-
             pação dos tamanhos menores no perfil de São Paulo representa a frota de embarcações de
             esporte e recreio baseadas nas águas interiores do Estado.

             Já o perfil da frota do Espírito Santo é composto por embarcações de menor porte e alcan-
             ce, enquanto que em Minas Gerais a frota apresenta um perfil mais elitizado, apesar de ser
             numericamente menor que as frotas dos estados vizinhos.




          SUDESTE
     60                                                                                      16 A 19 PÉS

                                                                                            20 A 26 PÉS
     50
                                                                                             27 A 32 PÉS

     40                                                                                     32 A 36 PÉS

                                                                                             37 A 41 PÉS
     30
                                                                                            42 A 46 PÉS

     20                                                                                     47 A 50 PÉS

                                                                                             51 A 60 PÉS
     10
                                                                                             61 A 75 PÉS

      0                                                                                    ACIMA DE 75 PÉS

                 SP                   RJ                  ES                MG



             Nas estruturas de apoio náutico da região Nordeste há uma frota com predominância
             das embarcações a motor entre 20 e 26 pés, com destaque para a alta diversificação de
             tamanhos, com participação de embarcações maiores nos estados onde a náutica conta
             com estruturas de apoio mais sofisticadas, como a Bahia e Pernambuco.




          NORDESTE
     80

     70                                                                                                     16 A 19 PÉS

                                                                                                           20 A 26 PÉS
     60
                                                                                                            27 A 32 PÉS

     50                                                                                                     32 A 36 PÉS

                                                                                                            37 A 41 PÉS
     40
                                                                                                           42 A 46 PÉS

     30                                                                                                    47 A 50 PÉS

                                                                                                            51 A 60 PÉS
     20                                                                                                     61 A 75 PÉS

                                                                                                           ACIMA DE 75 PÉS
     10

     0
            AL            BA           CE            PB           PE           RN           SE




                                                                                                    INDÚSTRIA
                                                                                                      NÁUTICA
                                                                                                   BRASILEIRA
16
FATOS E NÚMEROS 2012




Entre as estruturas pesquisadas na região Centro Oeste observa-se maior variedade de                17
tamanhos de embarcações em Brasília. No entanto, a pujança do mercado emergente
da região se faz notar com a participação de embarcações acima de 27 pés nas frotas
de Goiás e do Mato Grosso.




       CENTRO-OESTE
90

80                                                                          16 A 19 PÉS

70                                                                         20 A 26 PÉS

60                                                                         27 A 32 PÉS

                                                                           32 A 36 PÉS
50
                                                                           37 A 41 PÉS
40
                                                                           42 A 46 PÉS
30
                                                                           47 A 50 PÉS
20                                                                         51 A 60 PÉS

10                                                                         61 A 75 PÉS

 0                                                                     ACIMA DE 75 PÉS

              DF                    GO                MT


Já na região Norte percebe-se a presença crescente das embarcações entre 20 e 26 pés,
a exemplo do que acontece nas demais regiões. O ambiente náutico também favorece a
participação de embarcações maiores, até 32 pés, no Amazonas e no Pará.




       NORTE

        70                                                   16 A 19 PÉS

                                                            20 A 26 PÉS
        60
                                                            27 A 32 PÉS
        50                                                  32 A 36 PÉS

       40                                                    37 A 41 PÉS

                                                            42 A 46 PÉS
        30
                                                            47 A 50 PÉS
        20
                                                            51 A 60 PÉS
        10                                                  61 A 75 PÉS

         0                                                 ACIMA DE 75 PÉS

                       AM                   PA
INDÚSTRIA
        NÁUTICA
     BRASILEIRA
18
FATOS E NÚMEROS 2012




                                                                                                                                   19



                       Veleiros

                       Mais de 50% dos veleiros encontrados na pesquisa de campo têm tamanho igual ou
                       inferior a 26 pés, o que os torna adequados para navegação costeira e em águas abri-
                       gadas como lagoas, rios, baías e enseadas.




                                                                                               DISTRIBUIÇÃO DE
                                                                                               VELEIROS POR TAMANHO (%)
                                                                        DISTRIBUIÇÃO VELEIROS POR TAMANHO (%)




          0,9                  10,4
                              37 A 41 PÉS
                                                             14,1                                               35,6
      51 A 60 PÉS
                    2,3 PÉS                   10,7
                                                          27 A 32 PÉS                                           16 A 19 PÉS


         0,2                                                                       21,5
                    47 A 50                 33 A 36 PÉS

     61 A 70 PÉS      4,1 PÉS
                      42 A 46
                                                                                 20 A 26 PÉS


       0,2
ACIMA DE 75 PÉS




                     As estruturas de apoio náutico pesquisadas nos estados das regiões Sudeste e Sul
                     abrigam as maiores flotilhas de veleiros do País e sediam grande parte dos eventos
                     esportivos do iatismo nacional. Os estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande
                     do Sul, Bahia, Santa Catarina e Brasília – DF reúnem 90% dos veleiros abrigados nas
                     estruturas de apoio náutico pesquisadas.




                                                                                                    CO / 12,06%
                         NE/ 14,13%


                                                                                                    SE / 48,70%
                         NO/ 1,75%



                                                                                                    SU / 25,11%
INDÚSTRIA
        NÁUTICA
     BRASILEIRA
20
FATOS E NÚMEROS 2012




                                                                                                               21




                           E
                                    stas estruturas são mantidas        como parte de operações hotelei-
                                    por empresas, em sua maioria        ras ou ainda de incorporações imo-
                                    de pequeno porte, cujo objeto       biliárias de alto padrão. Localizam-
                               social inclui a prestação de serviços    se nos pontos do litoral, onde se
                               e a guarda de embarcações. Além          concentram os clientes com maior
                               de competirem entre si, estruturas       poder aquisitivo, e disponibilizam
  ESTRUTURAS                   de apoio mais simples e focadas no
                               mercado de embarcações de me-
                                                                        infraestrutura para receber, abri-
                                                                        gar ou reparar embarcações de
     DE APOIO                  nor porte concorrem com agentes
                               informais que também disponibili-
                                                                        esporte e recreio de grande porte.
                                                                        Também oferecem uma série de
     NÁUTICO                   zam espaços para a guarda de em-
                               barcações e acessos à água, como
                                                                        negócios complementares          com
                                                                        produtos e serviço para este grupo
                               restaurantes, pousadas, postos de        de consumidores, agregando recei-
                               gasolina, hotéis, loteamentos e até      tas significativas à operação como
O MERCADO BRASILEIRO           lotes vazios.                            um todo.
     CONTA COM CERCA
    DE 480 ESTRUTURAS          No outro extremo da segmentação          Neste cenário, merecem destaque
                               do mercado há um grupo de gran-          as marinas da região da Costa Ver-
     DE APOIO NÁUTICO          des marinas altamente organizadas        de do Rio de Janeiro (Angra dos
       REGULARES QUE           e estruturadas, oferecendo serviços      Reis, Parati e Mangaratiba), da Bai-
    ESTÃO ESPALHADAS           e instalações de classe internacional.   xada Santista, em São Paulo, e as
                                                                        operações de alto nível mantidas
  PELAS CINCO REGIÕES          Estas marinas funcionam como             em Salvador – BA e no litoral de
       DO PAÍS. DESTAS,        empreendimentos autônomos ou             Santa Catarina.
    APROXIMADAMENTE
     13% SURGIRAM NOS
    ÚLTIMOS SETE ANOS
     E RESPONDEM POR                                     DISTRIBUIÇÃO DAS
   10% DAS VAGAS PARA                                    ESTRUTURAS POR REGIÃO (%)
                                        DISTRIBUIÇÃO DAS ESTRUTURAS POR REGIÃO (%)
   BARCOS DISPONÍVEIS
          NO MERCADO.                 24,7           52,6           5,4           14,4           1,5
                          60

    A REGIÃO SUDESTE      50

     CONCENTRA MAIS       40

       DE 50% DESTAS      30

      ESTRUTURAS, EM      20

   SEGUIDA APARECEM       10


     AS REGIÕES SUL E     0


 NORDESTE, CONFORME
                                   SU              SE             CO            NE            N0
  O GRÁFICO AO LADO.
                                   SERIES 1
Vagas disponíveis
           Nas estruturas de apoio náutico regulares em todo o Brasil estão disponíveis aproxi-
           madamente 46.000 vagas para embarcações de esporte e recreio. Deste total, são
           oferecidas pouco menos de 39.000 vagas secas e cerca de 7.000 vagas molhadas.

           A distribuição de vagas por região pode ser observada nos gráficos abaixo:




         DISTRIBUIÇÃO VAGAS
        SECAS POR REGIÃO (%)
                  DISTRIBUIÇÃO VAGAS SECAS POR REGIÃO (%)



                                                                            NO / 4,1
                        NE / 11,6

                                                                            SU / 21,7
                        CO / 7,8




                                                                            SE / 54,8


                            SERIES 1




          DISTRIBUIÇÃO VAGAS
     MOLHADAS POR REGIÃO (%) VAGAS MOLHADAS POR REGIÃO (%)
                 DISTRIBUIÇÃO



                                                                           NO / 0,8
                      NE / 22,2
                                                                           SU / 21,6

                       CO / 1,3




                                                                           SE / 54,1


                          SERIES 1




                                                                                             INDÚSTRIA
                                                                                               NÁUTICA
                                                                                            BRASILEIRA
22
FATOS E NÚMEROS 2012




           A disponibilidade de vagas molhadas é maior nos estados onde há a maior concentração                                  23
           de embarcações de maior porte: Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia e Santa Catarina,
           conforme o gráfico abaixo.
                                    DISTRIBUIÇÃO DAS VAGAS MOLHADAS POR ESTADO

                                                                            DISTRIBUIÇÃO VAGAS
40                                                                          MOLHADAS POR ESTADO (%)
                                    35,7
35

30

25

20
                             17,1                                                16
15
                11,4
10
          5,2          5,4
 5                                         1            1,1                            2,1         2,6
                                                  0,3         0      0,1   0,1               0,7         0,2   0    0,7    0,1
0
          RS     SC    PR    SP      RJ    ES MG        DF GO MT           AL    BA CE       PB    PE    RN    SE   AM     PA

           TOTAL VAGA MOLHADA


           Valores
           O valor mensal cobrado para a locação de vagas nas estruturas de apoio náutico é,
           via de regra, proporcional ao tamanho das embarcações e calculado em Reais por pé
           (unidade de comprimento equivalente a 30,48cm) por mês.

           Em média, os brasileiros gastam R$28,60/pé/mês para a guarda de embarcações em
           vagas secas e R$26,50/pé/mês para a guarda de embarcações em vagas molhadas.
           Estes valores, respectivamente equivalentes a US$14,10 e US$13,07 (pelo câmbio oficial
           de 24/09/12), são próximos da média praticada por estruturas de apoio náutico dos
           Estados Unidos e da Austrália (US$15,95), segundo levantamento do Instituto de
           Marinas do Brasil e do ICOMIA.

           Os valores cobrados nas estruturas de apoio náutico variam de acordo com a demanda
           por vagas na região, a localização e a facilidade de acesso, além do nível de sofisticação
           da infraestrutura e dos serviços disponibilizados, conforme os gráficos abaixo:




                                              VALOR MÉDIO POR PÉ
                VALOR MÉDIO POR PÉ - VAGAS SECAS POR REGIÃO (R$)
                                              VAGAS SECAS POR REGIÃO (R$)

     35

 30

     25

 20

     15

     10

     5

     0
                BRASIL / 28,6         SU / 20,1          SE / 32,6         CO / 33,5         NE / 25,7         N0 / 22,9


                 SERIES 1
VALOR MÉDIO POR PÉ
          VAGAS MOLHADAS POR REGIÃO (R$) MOLHADAS POR REGIÃO (R$)
             VALOR MÉDIO POR PÉ - VAGAS

     35

     30

     25

     20

     15

     10

      5

     0
             BRASIL / 26,5        SU / 17,8      SE / 30,2        CO / 31,4        NE / 24,5            N0 / 23,9


              SERIES 1



                Empregos
                As estruturas de apoio náutico no Brasil empregam aproximadamente 7.000 trabalha-
                dores diretos e cerca de 5.000 trabalhadores temporários que são contratados duran-
                te os períodos de maior movimento. As marinas são, ainda, a base de trabalho de cerca
                de 9.000 marinheiros particulares e seus auxiliares: funcionários contratados e pagos
                pelos proprietários de embarcações de médio e grande porte.

                A maior parte destes trabalhadores encontra-se na região Sudeste, que concentra o
                maior número de estruturas de apoio náutico e as maiores estruturas do mercado, ofe-
                recendo um extenso mix de serviços para os seus usuários.




                             PARTICIPAÇÃO TOTAL
                  PARTICIPAÇÃO TOTAL DE TRABALHADORES DO SETOR
             DE TRABALHADORES DO SETOR



                         NE / 10,4%                                           NO/ 2,4%

                             CO / 4,7%                                        SU / 16,7%


                    SE / 65,9%

                                                     SERIES 1




                                                                                                     INDÚSTRIA
                                                                                                       NÁUTICA
                                                                                                    BRASILEIRA
24
FATOS E NÚMEROS 2012




       Salário                                                                                                                                       25

       O salário médio oferecido pelas estruturas de apoio náutico no Brasil é de R$927,90.
       Porém, no Rio de Janeiro, que é o mercado mais sofisticado do Brasil em termos de
       serviços e estruturas de apoio náutico, o salário médio é 53% superior à média nacional.




                                                          SALÁRIO MÉDIO POR ESTADO
                                                                                             SALÁRIO MÉDIO
1600
                                                                                             POR ESTADO
                                        1419,2
1400         1315,5                              1312,5
                      1282,3                                                                                                           1263
1200
       963                     1036,9                           1098,3 1075   1000                1048,8                                      1052
1000
                                                          863                                 859,5
800                                                                                                                776,9 805,2
                                                                                     693,8                 691,2                 665
600

400

200

  0
       RS     SC       PR        SP       RJ      ES MG          DF GO MT             AL       BA CE        PB      PE    RN     SE    AM      PA

        SERIES 1
Abastecimento e segurança
                     O alcance das embarcações, a segurança e a qualidade da experiência náutica em uma
                     determinada região estão diretamente relacionados à existência de uma rede de estru-
                     turas de apoio náutico que ofereça abastecimento de combustível e água doce, além
                     de suporte em caso de emergência.

                     Em todas as regiões estudadas são poucas as estruturas de apoio náutico que ofere-
                     cem postos de abastecimento de combustível, como pode ser observado nos gráficos
                     abaixo. Esta escassez é explicada, na maioria dos casos, pela dificuldade em obter
                     licenciamento ambiental para a implantação de estruturas de abastecimento de deri-
                     vados de petróleo em áreas próximos à costa ou a cursos d´água.

                     Paradoxalmente, a inexistência de postos oficiais e controlados pelas autoridades com-
                     petentes aumenta o risco de contaminação durante a realização de operações impro-
                     visadas de abastecimento.




                 ESTRUTURAS QUE OFERECEM SERVIÇO
          ABASTECIMENTO DE GASOLINA (% POR REGIÃO)
     ESTRUTURAS QUE OFERECEM SERVIÇO ABASTECIMENTO DE GASOLINA (%POR REGIÃO)



            100
                              9,7            9,4                                               7,1
            90
                                                             11,8
                                                                             28,6
             80                                                                               19,6
                              24                                                                               50
                                             29,2            21,6
             70

            60

             50
                                                                             71,4            73,2
            40
                             66,3            61,5            66,7
             30
                                                                                                               50
             20

                10

                0
                             BRASIL           SU              SE              CO             NE               NO
      TERCERIZADO              9,7            9,4             11,8             0             7,1              0
      PRÓPRIO                  24            29,2             21,6           28,6           19,6              50

      NÃO POSSUI              66,3           61,5             66,7            71,4          73,2              50




                                                                                                           INDÚSTRIA
                                                                                                             NÁUTICA
                                                                                                          BRASILEIRA
26
FATOS E NÚMEROS 2012



                                          ESTRUTURAS QUE OFERECEM SERVIÇO
ESTRUTURAS QUE OFERECEM SERVIÇO ABASTECIMENTO DE DIESEL (%POR REGIÃO)
                                          ABASTECIMENTO DE DIESEL (%POR REGIÃO)                                              27


       100
                         9,9             8,3                                                5,4
       90                                                 13,2                                                 16,7
                                                                            19
        80                                                                                 19,6
                         20,1            21,9              19,6
        70

       60

        50
                                                                                                               83,3
                                                                            81              75
       40
                         70              69,8              67,2
        30

        20

           10

           0
                        BRASIL            SU                SE             CO              NE                 NO
 TERCERIZADO              9,9             8,3              13,2             0              5,4                 0
 PRÓPRIO                 20,1            21,9              19,6             19             19,6               16,7

 NÃO POSSUI               70             69,8              67,2             81             75                 83,3


                 No que se refere às estações de rádio-base e estruturas de salvatagem, observa-se uma
                 disponibilidade muito maior nas estruturas de apoio náutico em todas as regiões do Brasil.

                 Este componente contribui para o aumento da segurança da navegação costeira. No
                 entanto, a concentração geográfica das estruturas de apoio náutico em torno das ca-
                 pitais (no caso dos estados do Nordeste) e em pontos isolados do litoral (no caso da
                 região Sul), limita a eficiência desta rede de apoio aos navegantes.



ESTRUTURAS QUE OFERECEM SERVIÇO ABASTECIMENTO DE DIESEL (%POR REGIÃO)
                                                       DISPONIBILIDADE DE SERVIÇO RESGATE
                                                       SALVATAGEM POR REGIÃO
                                0,3                               0,5
           100
                                4,4              5,2              4,4                              5,4
            90

            80

            70
                                                                                 66,7
            60                 74,7                               76
                                                 75                                               71,4                83,3
            50

            40

            30

            20
                                                                                 33,3
                               20,6             19,8                                              23,2
                10                                                19,1                                                16,7
                0
                          BRASIL                SU                SE              CO              NE                  NO

  AMBOS                        0,3               0                0,5             0                0                   0
  TERCERIZADO                  4,4              5,2               4,4             0               5,4                  0
  PRÓPRIO                     74,7              75                76             66,7             71,4                83,3

  NÃO POSSUI                20,6                19,8              19,1           33,3             23,2                16,7
Características das bases
     de apoio náutico no Brasil


     P
          equenas garagens náuticas são estru-
          turas que oferecem vagas cobertas e
          descobertas (galpão fechado ou aberto)
     para barcos com carretas próprias, rebocadas
     por trator. Estas garagens incluem rampa de
     descida ou subida dos barcos, mas em muitos
     lugares a própria praia serve de rampa.

     As instalações se resumem a um pequeno                 A maioria das marinas no Brasil são privadas
     escritório, com depósito, lanchonete e sani-           e se constituem num negócio similar a um ho-
     tários. Algumas apresentam área social, com            tel, no qual o hóspede é o barco. Geralmente,
     churrasqueira e área sombreada. Em geral               a principal receita de uma marina brasileira é
     não possuem posto de combustível próprio.              originada pelo aluguel de vagas, que chega a
     Muitas dessas garagens náuticas são apenas             representar 85% do faturamento bruto anual.
     guarda-barcos e algumas estão localizadas
     em áreas com forte influência de maré, con-            No entanto, algumas marinas – por suas carac-
     dicionando as saídas e retornos dos barcos a           terísticas de localização (marina urbana, por
     esse fenômeno físico.                                  exemplo) – atendem às demandas de público
                                                            externo, que pode acessar o estabelecimento
     Pelo pequeno número de barcos guardados,               náutico para consumir em bares, restaurantes,
     essas estruturas raramente alcançam uma re-            lojas náuticas, aluguel de barcos, exposições
     ceita financeira suficiente para investir em apri-     de barcos, eventos sociais etc. Nesses casos,
     moramentos compatíveis com as exigências               a receita anual agregada pode representar até
     dos proprietários de embarcações de médio e            30% do faturamento da marina, diminuindo a
     grande porte. O diferencial que costumam ofe-          dependência da receita do aluguel de vagas.
     recer é o atendimento ao cliente.
                                                            Atualmente, a demora e a dificuldade para apro-
     Marinas em geral são as estruturas que con-            var a construção de uma nova marina fazem
     tam com vagas secas cobertas em um nível               com que o mercado brasileiro conviva com uma
     ou verticalizadas, até quatro níveis (empilha-         enorme demanda reprimida de vagas para bar-
     mento de barcos com drystack); vagas molha-            cos, o que se torna um gargalo para a produção
     das, doca de combustível, rampa, equipamen-            de embarcações de recreio. Isso também leva a
     tos mais sofisticados para rápido lançamento           tarifas muito altas de aluguel de vagas nas ma-
     ou recolhimento de barcos da água (travelift,          rinas e nas garagens náuticas mais procuradas,
     forklift, carreta universal); estaleiro de serviços,   acima inclusive do que é cobrado em outros pa-
     lojas, restaurantes, bares, lavanderia, escola de      íses do hemisfério norte e da Oceania.
     vela, base de charter, estacionamentos para veí-
     culos, hotelaria, residencial, alojamento e refeitó-   A falta de marinas influencia e estimula o mer-
     rio para marinheiros, centro de eventos etc.           cado periférico, representado por milhares de
                                                            velejadores em todo o País que deixam seus
                                                            barcos em poitas, trapiches particulares, em
                                                            milhares de residências, em especial nas águas
                                                            interiores brasileiras; pelos píeres turísticos e/
                                                            ou de pesca, nas baías e enseadas abrigadas,
                                                            rios estuarinos etc.




                                                                                                  INDÚSTRIA
                                                                                                    NÁUTICA
                                                                                                 BRASILEIRA
28
FATOS E NÚMEROS 2012




                                                                                                             29




Iates Clubes geralmente mantêm vagas secas
e/ou molhadas, doca de combustível, rampa,
veleria, escola de vela, restaurante, salas de jo-
gos, bares, lojas, área social, e estacionamento
para veículos.                                       Os focos de investimento na melhoria da
                                                     estrutura física e dos serviços
A maioria destes clubes se desenvolveu sem
planejamento e ocupou o espaço físico de ter-        O foco mais recente de investimento nas es-
reno e do espelho d´água conforme as neces-          truturas de apoio náutico organizadas tem
sidades e condições financeiras dos sócios.          sido na verticalização de vagas, substituindo
                                                     o sistema convencional de garagens cobertas
Muitos expandiram suas instalações além do           para barcos. Essa alternativa permite ocupar
limite físico, gerando problemas de fluxo na         terrenos com menor espaço, multiplicando o
operação náutica e no setor social. Uma mino-        número de vagas.
ria, como o Iate Clube de Santos, aumentou sua
atuação instalando sub-sedes em outros muni-         Da mesma forma, há crescente investimento
cípios, como Ilhabela, Parati e Angra dos Reis.      em substituição de sistemas e equipamentos
                                                     convencionais por outros mais avançados, tipo
Entretanto, esses iates clubes – vários funda-       drystack, travelift, trailers hidráulicos, forklifts,
dos na década de 40 – sobreviveram graças            pump-out, câmeras de segurança, automati-
às atividades náuticas e à carência de vagas         zação, informatização, energia solar, captação
disponíveis, enquanto dezenas de clubes con-         de águas, estações de tratamento, pisos com
vencionais nas cidades vêm mostrando pouco           drenagem, sinalização e comunicação.
fôlego para se manterem.
                                                     Há uma melhoria de serviços em razão de pla-
                                                     nejamento, investimentos em qualificação de
                                                     mão de obra, treinamentos, cursos e conscien-
                                                     tização ambiental, inclusive nos aspectos de
                                                     segurança nas marinas, que estimulam – posi-
                                                     tivamente – o comportamento dos usuários na
                                                     condução de seus barcos.
Polos de maior crescimento no
     litoral e no interior do Brasil


     E
          m todo o País percebe-se uma expansão gradativa e
          espontânea das atividades náuticas naquelas regiões
          nas quais se possam aprovar marinas. Neste cenário,
     predominam as estruturas de pequeno porte: as garagens
     náuticas. Sua instalação é simples e rápida quando já existe
     um terreno em frente às águas calmas, com abrigo natural e
     protegido das ondas. Neste local constrói-se uma rampa ou
     usa-se a própria praia como acesso dos barcos à água.

     Assim surgem núcleos embrionários com poucos barcos,
     que se desenvolve até atingir uma quantidade maior. Em lu-
     gares onde nunca se viu uma embarcação de recreio, esses
     núcleos atraem a curiosidade dos moradores e até de públi-
     co mais distante, que encontra “a solução” para guardar seu
     barco, ou então comprar um, pois terá onde deixar.

     Na região Sudeste, que concentra a maioria das estruturas
     de apoio náutico, não houve lançamentos de marinas de
     maior porte nos últimos anos. As estruturas existentes estão
     sendo continuamente ampliadas no limite de suas capacida-
     des, para atender a demanda.

     Em determinadas regiões do Sudeste, nota-se tendência de
     diminuição no número de barcos no mesmo espaço físico,
     pois os barcos maiores ocupam o lugar dos menores, às ve-
     zes tomando o espaço de duas vagas pequenas para acomo-
     dar um iate maior. Continua firme a preferência das marinas
     por clientes com barcos maiores.

     Nas demais regiões do País há vários projetos em gestação,
     mas poucas realizações, com exceção da proliferação das
     garagens náuticas.

     Alguns poucos planos contratados pelos governos estadu-
     ais e/ou municipais têm estimulado o empreendedorismo
     náutico, mesmo com o esforço para a formação de associa-
     ções regionais de marinas, buscando a conscientização dos
     governantes e dos órgãos que influenciam no licenciamento
     dessas estruturas.

     Os Planos de Ordenamento Náutico são o início: estudos de
     planejamento do waterfront que resultam num diagnóstico
     para indicar os locais potenciais, os tipos de estruturas de
     apoio náutico e o que se deve fazer para viabilizá-las numa
     determinada região marítima ou em águas interiores.

     Estes planos representam a referência básica para os entes
     públicos e a iniciativa privada entrarem em sintonia positiva
     na avaliação técnica, econômica, ambiental e social envol-
     vendo várias atividades além da navegação de recreio, tais
     como o transporte aquaviário, o turismo náutico, a pesca, a
     aquicultura, as reservas ambientais, as praias, os esportes náu-
     ticos, entre outros fatores que dividem o espaço nas águas.




                                                                         INDÚSTRIA
                                                                           NÁUTICA
                                                                        BRASILEIRA
30
FATOS E NÚMEROS 2012




                       31
Mercados e espaços ameaçados                         Marinas nas águas interiores brasilei-
                                                          ras, tendência irreversível que pode

     A
             s regiões que estão sofrendo degrada-
             ção ambiental afastam o usuário de barco     ajudar a definir um cenário melhor
             de recreio, assim como turistas embarca-
     dos. Por exemplo, hoje a represa de Guarapiran-      A atividade náutica registra um tímido avanço para
     ga, que já foi o berço de grandes velejadores e de   aproveitar o potencial de milhares de quilômetros
     vários iates clubes, está cercada por ocupações      navegáveis nas bacias hidrográficas do País.
     irregulares, que contaminam as águas e colocam
     em risco a saúde dos usuários náuticos.              Hidrovias, rios, lagos e represas formam um
                                                          imenso “mar interior” com longas extensões na-
     A ocupação irregular das margens das represas        vegáveis ultrapassando as fronteiras estaduais e
     e a falta de saneamento básico colocam em xe-        até nacionais, aproximando culturas e interesses
     que a atividade náutica, obrigando os donos de       econômicos. Nestes locais o turismo náutico se
     barcos de recreio a migrar para outras regiões.      insere como uma alternativa saudável, pacífica,
                                                          não poluidora, geradora de riqueza e milhares de
     Em regiões onde os entraves para a aprovação         postos de trabalho, diretos e indiretos.
     de marinas são endêmicos, como Florianópolis
     - SC, a atividade náutica se manifesta muito ti-     A hidrovia Tietê-Paraná é um dos mais notáveis
     midamente devido à falta de novas estruturas de      cursos d´água, por sua extensão e em especial,
     apoio náutico.                                       por sua preservação ambiental em grande parte
                                                          de seus limites. Atribui-se esta situação à exis-
     Especificamente neste caso, a Lagoa da Con-          tência de grandes latifúndios produtivos e ao
     ceição – que tem limitações de espaço físico         monitoramento da operadora do sistema, em
     e baixa profundidade para a navegação de re-         sintonia com os órgãos ambientais dos estados
     creio – está repleta de barcos grandes guar-         de São Paulo e do Paraná.
     dados em simples garagens náuticas ou em
     trapiches particulares.                              Entretanto, a ocupação e o uso irregular das águas
                                                          em alguns pontos às margens da hidrovia e dos
     Outro exemplo é a região do Saco da Ribei-           rios a ela conectados é uma questão a ser evitada.
     ra, em Ubatuba - SP, que teve uma ocupação           Assim como ocorreu em grande parte do litoral
     contínua e muito densa de vários tipos de            brasileiro, a ameaça se dá na forma das constru-
     estruturas na água, como o píer público de           ções irregulares e usos antrópicos indevidos. Es-
     pesca, que concentra grande movimento náu-           sas irregularidades são incompatíveis com a vida
     tico em seu entorno, em especial uma grande          marinha, impactam e agridem a natureza, em es-
     quantidade de poitas ao largo.                       pecial nas regiões portuárias e praias urbanas, es-
                                                          tressando o meio ambiente e afastando as opor-
     A falta de um planejamento inicial e a dificulda-    tunidades de receber investimentos turísticos.
     de de aprovação de marinas no litoral paulista
     resultaram nessa concentração de píeres, mari-       No ranking dos países com maior potencial de
     nas, iates clubes e barcos em poitas, disputan-      explorar “waterway” (espaço de águas interio-
     do o espelho d´água de maneira desordenada           res navegáveis) a China lidera. A Rússia vem em
     e impactante.                                        segundo, o Brasil em terceiro e os Estados Uni-
                                                          dos ficam em quarto lugar.
     No Pontal do Paraná, dezenas de garagens
     náuticas surgiram ao longo de um canal artifi-       Os norte-americanos adotaram um programa na-
     cial construído pelo governo para fins de dre-       cional de proteção de seu litoral e de suas águas
     nagem e que deságua na baía de Paranaguá.            interiores (“Sea Grant Program”), que abrange os
     A navegação dos barcos de recreio está con-          Grandes Lagos e mais de 11.000 lagos interiores
     dicionada a variação das marés, devido à bai-        acima de cinco hectares cada um.
     xa profundidade nesse estreito canal, onde se
     observam pontos de deterioração ambiental e          No interior dos Estados Unidos existe um mi-
     intensa ocupação habitacional e náutica.             lhão de barcos de recreio. A maioria deles está
                                                          engajada voluntariamente nos programas para
     A superfície das águas da baía de Guanabara          ajudar as autoridades a fiscalizar aspectos am-
     é afetada pelo descarte de lixo não degradável       bientais relacionados com as águas, como a in-
     em vários pontos. Esses locais são evitados pe-      vasão de espécies exóticas de moluscos e plan-
     los barcos de recreio, o que desvaloriza o patri-    tas, além da denúncia de ocorrências de usos e
     mônio náutico e a própria região.                    ocupações irregulares nas margens e nas águas.




                                                                                                      INDÚSTRIA
                                                                                                        NÁUTICA
                                                                                                     BRASILEIRA
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Prevalece a consciência de preservação do     Esse case de sucesso pode ser adotado no
meio ambiente onde esses velejadores e seus   Brasil, justamente através das marinas que
familiares passam seus melhores momentos      estão surgindo nas águas interiores como
de lazer. As marinas estão igualmente enga-   grande novidade de opção de lazer e es-
jadas nesse programa, pois elas representam   porte náutico. Afinal, as águas interiores não
o local onde se “confinam” os usuários dos    são salgadas nem têm a dinâmica marinha,
barcos, podendo lhes transmitir consciência   portanto são passiveis de sofrer deterioração
ambiental e de prevenção a acidentes, manu-   em médio prazo, conforme os impactos e as
tenção de suas embarcações etc.               características da região.



        NOME DO PAÍS           VIAS DE NAVEGAÇÃO (KM)                ANO DE ESTIMATIVA

CHINA                                    110.000                              2010
RÚSSIA                                  102.000                               2009
BRASIL                                   50.000                               2010
ESTADOS UNIDOS                           41.009                               2008
INDONÉSIA                                21.579                               2011
COLÔMBIA                                 18.000                               2010
VIETNAM                                  17.702                               2011
CONGO                                    15.OOO                               2009
ÍNDIA                                    14.500                               2008
BURMA                                    12.800                               2008
ARGENTINA                                11.000                               2007
Fonte: Worldby Map
A necessidade do
     marco regulatório


     O
            GT Náutico – coordenado pelo
            Ministério do Turismo – reúne
            vários ministérios, agências, au-
     tarquias e secretarias, juntamente com      Outras barreiras
     representantes da iniciativa privada, que
     defendem os interesses do setor náuti-      dificultam a viabilização
     co, no qual as marinas estão Incluídas.     de marinas:
     Vários esforços são desenvolvidos para      A tributação excessiva sobre a impor-
     remover barreiras ao desenvolvimento        tação de equipamentos essenciais para
     do mercado náutico no País, incluindo a     a operação de estruturas modernas tais
     reformulação dos critérios de aprovação     como forklifts, travelift, trailers hidráulicos,
     das marinas, que não foram planejados       pump-outs, ainda sem similares no País
     no passado, quando elas não existiam.       que possam garantir a mesma segurança,
                                                 durabilidade e qualidade alcançada pelos
     Nos primórdios da atividade náutica,        fabricantes estrangeiros, dado à expertise
     apenas iates clubes eram aprovados por      e décadas de estudo e investimentos de
     uma autorização especial do Presidente      pesquisa nesse tipo de tecnologia.
     da República. As marinas foram surgin-
     do e cada aprovação era uma surpresa        A inexistência de um programa de desas-
     para o próprio governo, pela falta de um    soreamento e fixação de barras de rios
     marco regulatório.                          estuarinos, que perderam profundidade
                                                 original para atender o acesso ou a saída
     Nas últimas três décadas, o processo de     de embarcações miúdas e médias, tanto
     regularização de uma estrutura de apoio     de recreio quanto de pesca.
     náutico exigia reunir técnicos e adaptar
     estruturas de diferentes ministérios para
     avaliar a aprovação ou rejeição de uma      NESSA IMERSÃO PARA
     marina, numa iniciativa dos órgãos de li-   IDENTIFICAR AS DIFICULDADES
     cenciamento ambiental.                      E EXPECTATIVAS DO SETOR
                                                 NÁUTICO HÁ CONSENSO NO GT
     Até os dias de hoje, os empreendedo-
                                                 NÁUTICO E REPERCUSSÃO NO
     res e investidores de marinas empregam
     recursos e tempo consideráveis para         MERCADO E NA SOCIEDADE DE
     desenvolver estudos e relatórios de im-     QUE O BRASIL DEVE SOLTAR
     pacto ambiental, sem parâmetros defi-       AS AMARRAS DA BUROCRACIA
     nitivos estabelecidos para este fim.        E APROVEITAR MELHOR SEUS
                                                 RECURSOS NATURAIS PARA O
                                                 TURISMO DA NAVEGAÇÃO DE
                                                 RECREIO, QUE É UMA ATIVIDADE
                                                 CONSAGRADA NA MAIORIA DOS
                                                 PAÍSES DESENVOLVIDOS.




                                                                                                 INDÚSTRIA
                                                                                                   NÁUTICA
                                                                                                BRASILEIRA
34
FATOS E NÚMEROS 2012




                       35
ESTALEIROS
        E FABRICANTES
     DE EQUIPAMENTOS
     Estaleiros


     O
             s estaleiros brasileiros especiali-
             zados na fabricação de embarca-
             ções de esporte e recreio ofere-
     cem ao mercado uma gama completa de
     produtos que inclui desde caiaques, pran-
     chas a vela e motos aquáticas até iates
     de alto luxo, trawlers e veleiros de longo
     curso, capazes de dar a volta ao mundo.

     Apesar de a atividade de construção na-
     val destinada ao esporte e recreio datar
     do início do século XX, somente na déca-
     da de 1960 surgiram as primeiras opera-
     ções industriais especializadas no setor,
     trabalhando a partir de encomendas e,
     posteriormente, formando os primeiros
     estoques de produtos acabados.

     As iniciativas pioneiras tiveram origem
     nos estados do Rio de Janeiro e São
     Paulo, não por acaso os dois principais
     polos de geração de demanda no mer-
     cado nacional. Ali, as primeiras opera-
     ções se consolidaram e viabilizaram a
     expansão da náutica por diversos pon-
     tos do litoral e do interior do Brasil.




                                                    INDÚSTRIA
                                                      NÁUTICA
                                                   BRASILEIRA
36
37
A partir da década de 1980, com o aumento da visibilidade da náutica no cenário
           brasileiro, houve um crescimento no número de estaleiros e o mercado pôde ob-
           servar o surgimento de novas operações industriais e novas marcas focadas na
           demanda crescente das regiões Sul e Nordeste do Brasil. Esse movimento foi refor-
           çado pelo crescimento e pela estabilidade econômica que tiveram lugar a partir de
           meados da década de 1990, com o advento do Real.

           Nesse período começaram a se desenvolver os embriões dos novos centros de produção
           náutica, que se consolidaram nos últimos vinte anos e se mantêm pujantes até o presente,
           entre os quais merecem destaque as regiões da Grande São Paulo, Baixada Fluminense e os
           estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Alagoas e Pernambuco.

           As regiões Sudeste e Sul concentram mais de 85% dos estaleiros, com destaque
           para os estados de São Paulo (35% do total de estaleiros), Santa Catarina (21% do
           total) e Rio de Janeiro (14%).




                                           PARTICIPAÇÃO
     DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA




                                                                                       SE / 52%

         NE/ 11%

              CO / 1%
                                                                                 SU / 36%



           Em que pese a qualidade dos produtos desenvolvidos e construídos pelos estaleiros
           nacionais e a existência de movimentos incipientes dirigidos ao mercado externo, o
           principal foco dessas empresas é, sem dúvida, o mercado brasileiro, que se encontra
           em expansão e com perspectivas de continuidade para os próximos anos.




                                                                                                   INDÚSTRIA
                                                                                                     NÁUTICA
                                                                                                  BRASILEIRA
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                                                                                                                                                   39
              No passado recente, merece destaque o início                         Logicamente, a construção e a comerciali-
              das operações no Brasil de estaleiros de origem eu-                  zação de embarcações maiores demandam
              ropeia e norte-americana, que, confrontados com a                    expertise mais elevada e uma estrutura de
              crise econômica nos mercados de origem, vieram                       capital mais robusta, que suporte o ciclo de
              disputar uma fatia do crescente mercado brasileiro.                  produção, o que limita o número de competi-
                                                                                   dores nessa faixa de mercado. Por essa razão,
              Atualmente, o mercado conta com cerca de 120                         observa-se que a concorrência no mercado
              estaleiros formais em operação e que produzem                        náutico é mais acirrada entre os fabricantes
              embarcações de 16 pés ou mais, foco principal                        de embarcações menores, que oferecem mix
              desta pesquisa. Nesse universo, 70% dos estalei-                     de produtos semelhantes entre si.
              ros produzem apenas lanchas e 15% deles oferecem
              modelos de 50 pés ou mais. Os estaleiros dedicados                   Entre os estaleiros pesquisados que produ-
              apenas à produção de veleiros representam 13% do                     zem lanchas movidas a motor de popa, temos
              total, e o restante dos fabricantes oferece um mix                   a seguinte distribuição de modelos oferecidos
              de produtos variados que inclui infláveis, monotipos                 ao mercado:
              com tamanho inferior a 16 pés e até trawlers de lon-
              go curso, fabricados por encomenda.




        OS TAMANHOS DE BARCOS A MOTOR DE POPA MAIS PRODUZIDOS
         QUAIS SÃO OS TAMANHOS DE BARCOS A MOTOR DE POPA PROZUIDOS PELO ESTALEIRO?
        PELO ESTALEIROS RESPONDENTES SÃO 24, 16, 19 E 21 PÉS

          6%
     33 A 36 PÉS


    2%
42 A 46 PÉS
                        11%
                     27 A 32 PÉS
                                                                     54%
                                                                20 A 26 PÉS
                                                                                                                               27%
                                                                                                                              16 A 19 PÉS




         Entre os estaleiros que produzem lanchas movidas a motor de centro ou centro-rabeta, temos a seguinte
         distribuição de modelos oferecidos ao mercado:



        OS TAMANHOS DE BARCOS A MOTOR DE CENTRO OU CENTRO-RABETA
      QUAIS SÃO OS TAMANHOS DE BARCO COM MOTOR DE SÃO 30, 35 E 26 PÉS. ESTALEIRO?
       MAIS PRODUZIDOS PELOS RESPONDENTES CENTRO PROZUIDOS PELO


              5%
   ACIMA DE 75 PÉS
                           6%
                       51 A 60 PÉS
                                           10%
                                         42 A 46 PÉS
                                                                       10%
                                                                     33 A 36 PÉS
                                                                                                         30%
                                                                                                         27 A 32 PÉS
                                                                                                                                        2%
                                                                                                                                     16 A 19 PÉS


                     6%
                 61 A 70 PÉS
                                       3%
                                   47 A 50 PÉS
                                                        10%
                                                       37 A 41 PÉS
                                                                                                                         18%
                                                                                                                       20 A 26 PÉS
Entre os estaleiros pesquisados que produzem veleiros, temos a
                        seguinte distribuição de modelos oferecidos ao mercado:


      OS TAMANHOS DE VELEIROS MAIS OFERTADOS
      PELOS ESTALEIROS SÃO 16, 28, 33 e 43 PÉS
             QUAIS SÃO OS TAMANHOS DE VELEIROS PROZUIDOS PELO ESTALEIRO?



             5%
     ACIMA DE 75 PÉS
                                 9%
                             47 A 50 PÉS
                                                                         14%
                                                                       33 A 36 PÉS
                                                                                        14%
                                                                                      27 A 32 PÉS
                                                                                                                                 27%
                                                                                                                                16 A 19 PÉS


                       5%
                   61 A 75 PÉS
                                             14%
                                           42 A 46 PÉS
                                                            5%
                                                         37 A 41 PÉS
                                                                                                        9%
                                                                                                    20 A 26 PÉS




                       É importante destacar que as característi-                    com produtos semelhantes fabricados por
                       cas semiartesanais e altamente especiali-                     empresas de maior porte a preferência dos
                       zadas do processo de fabricação de uma                        consumidores.
                       embarcação de esporte e recreio viabilizam
                       a coexistência de estruturas produtivas de                    A alocação da força de trabalho nos estalei-
                       diferentes tamanhos dentro do mercado,                        ros pesquisados se concentra, pela ordem, na
                       sem prejuízo para a qualidade e competiti-                    produção, seguida pela área administrativa,
                       vidade do produto final. Isso significa que                   vendas, desenvolvimento de produto e pós-
                       pequenos estaleiros, que operam com pa-                       vendas, conforme pode ser observado nos
                       drões de qualidade de processo e produto,                     gráficos abaixo.
                       mantêm-se ativos no mercado e disputam




            FUNCIONÁRIOS PRODUÇÃO
                             FUNCIONÁRIOS PRODUÇÃO



                           11,5% / ACIMA DE 100                                                              23,1% / ATÉ 10
                                                                                                             FUNCIONÁRIOS
                       3,8% / ENTRE 71 e 80

                       11,5% / ENTRE 51 e 60

                  3,8% / ENTRE 41 e 50
                                                                                                              26,9% / ENTRE
                       3,8% / ENTRE 31 e 40                                                                   11 E 20

                                 15,9% / ENTRE 21 E 30




                                                                                                                               INDÚSTRIA
                                                                                                                                 NÁUTICA
                                                                                                                              BRASILEIRA
40
FATOS E NÚMEROS 2012




                                                                                          41

   FUNCIONÁRIOS ADMINISTRATIVOS
      FUNCIONÁRIOS BACKOFFICE                     FUNCIONÁRIOS PÓSPÓS VENDAS
                                                       FUNCIONÁRIOS VENDAS




                                   7,7% / ENTRE
                                   21 E 30                                        20% /
 7,7% /
                                                                                  ZERO
ENTRE
11 E 20
                                           80% / ATÉ 10
                                         FUNCIONÁRIOS



                                 84,6% / ATÉ 10
                                 FUNCIONÁRIOS




                 FUNCIONÁRIOS VENDAS VENDAS
                           FUNCIONÁRIOS



                  8% / ENTRE
                                                           12% / ZERO
                       21 E 30
                 8% / ENTRE
                      11 E 20


                                                           72% / ATÉ 10
                                                           FUNCIONÁRIOS




                 FUNCIONÁRIOS DES. PRODUTO
                        FUNCIONÁRIOS DES. PRODUTO



                3,8% / ENTRE
                                                          11,5% / ZERO
                       21 E 30
               3,8% / ENTRE
                      11 E 20


                                                          80,8% / ATÉ 10
                                                          FUNCIONÁRIOS
Com relação ao nível de escolaridade dos funcionários, temos
     a seguinte distribuição nas empresas respondentes:



     ESCOLARIDADE MÉDIA FUNCIONÁRIOS DIRETOS DOS ESTALEIROS

     DESENVOLVIMENTO DE PRODUTO
         DESENVOLVIMENTO DE PRODUTO                                    VENDASVENDAS

                       4%                                              4%    9%
                                            NÃO RESPONDEU                                      NÃO RESPONDEU
       22%                      13%         FUNDAMENTAL                                        ENSINO MÉDIO
                                            INCOMPLETO        9%                   13%
                                                                                               COMPLETO
                                            ENSINO MÉDIO                                       SUPERIOR
                                            COMPLETO                                           INCOMPLETO
                                      13%
                                            SUPERIOR                                           SUPERIOR
                                            INCOMPLETO                                         COMPLETO
                                            SUPERIOR                                           PÓS-GRADUAÇÃO /
                                 9%         COMPLETO                                           MESTRADO
       39%                                                    48%                   17%
                                            PÓS-GRADUAÇÃO /                                    DOUTORADO
                                            MESTRADO




             PRODUÇÃO
                   PRODUÇÃO                                         ADMINISTRATIVO
                                                                            ADIMINISTRATIVO




       16%                                  FUNDAMENTAL
                                                               12%                       19%    ENSINO MÉDIO
                                            INCOMPLETO                                          COMPLETO
                                            FUNDAMENTAL                                         SUPERIOR
                                            COMPLETO                                            COMPLETO
       19%                         46%                        38%                        31%
                                            ENSINO MÉDIO                                        SUPERIOR
                                            INCOMPLETO                                          INCOMPLETO

                                            ENSINO MÉDIO                                        PÓS-GRADUAÇÃO /
       19%                                  COMPLETO                                            MESTRADO




             PÓS VENDAVENDA
                    PÓS


                                            NÃO RESPONDEU

                                            FUNDAMENTAL
                                            INCOMPLETO
       45%                      14%
                                            FUNDAMENTAL
                                            COMPLETO

                                            ENSINO MÉDIO
                                      4%    INCOMPLETO
                                            ENSINO MÉDIO
                                            COMPLETO

        5%                      14%         SUPERIOR
                                            INCOMPLETO

                                            SUPERIOR
               9%       9%                  COMPLETO




                                                                                                INDÚSTRIA
                                                                                                  NÁUTICA
                                                                                               BRASILEIRA
42
FATOS E NÚMEROS 2012




                       43
O que se reflete na remuneração média dos profissionais de cada setor:



     SALÁRIO MÉDIO FUNCIONÁRIOS DIRETOS DOS ESTALEIROS

     DESENVOLVIMENTO DE PRODUTO
         DESENVOLVIMENTO DE PRODUTO                              PRODUÇÃO       PRODUÇÃO


                17%   4%
                                       NÃO RESPONDEU

          4%                 18%       ENTRE 2 E 3*

                                       ENTRE 3 E 5*
                                                                                           ENTRE 1 E 2*
     4%                                ENTRE 5 E 7*O
                                                                                           ENTRE 2 E 3*
                                       ENTRE 7 E 10*          19%                  66%
     9%                                                                                    ENTRE 3 E 5*
                                       ENTRE 10 E 15*
                                                                                           *SALÁRIOS MÍNIMOS
                             44%       ENTRE 15 E 20*
                                                                 15%
                                       *SALÁRIOS MÍNIMOS




                 VENDAS
                      VENDAS                                     ADMINISTRATIVO
                                                                      ADIMINISTATIVO


                9%      4%                                               12%

       4%                              NÃO RESPONDEU
      4%                      4%       ENTRE 1 E 2*                 8%             19%      ENTRE 1 E 2*

                                       ENTRE 2 E 3*                                         ENTRE 2 E 3*

                                       ENTRE 3 E 5*                                         ENTRE 3 E 5*
     18%                                                        4%
                               31%     ENTRE 5 E 7*                                         ENTRE 5 E 7*

                                       ENTRE 7 E 10*                                        ENTRE 7 E 10*

                                       ENTRE 15 E 20*                              42%      ENTRE 10 E 15*
          26%                                                    15%
                                       ACIMA DE 20*                                         *SALÁRIOS MÍNIMOS

                                       *SALÁRIOS MÍNIMOS




                PÓS VENDA
                 PÓS VENDA


                 5%   14%
        4%                            NÃO RESPONDEU

       4%                    9%       ENTRE 1 E 2*

                                      ENTRE 2 E 3*

                                      ENTRE 3 E 5*

                                      ENTRE 5 E 7*

                                      ENTRE 10 E 15*

                             32%      ENTRE 15 E 20*
      32%
                                      *SALÁRIOS MÍNIMOS




                                                                                             INDÚSTRIA
                                                                                               NÁUTICA
                                                                                            BRASILEIRA
44
FATOS E NÚMEROS 2012




                                                                                                     45

Os funcionários mais qualificados e liga-      envolvida em todas as etapas do processo,
dos às tarefas mais complexas trabalham        altamente especializada. Por consequência,
no desenvolvimento de produtos e vendas.       a mão de obra direta representa uma parcela
Essas são as carreiras que apresentam me-      de até 65% do custo final de fabricação dos
lhor remuneração dentro da estrutura mé-       produtos acabados na grande maioria dos es-
dia dos estaleiros brasileiros.                taleiros.

A construção naval de embarcações de es-       Essa configuração, aliada à necessidade de
porte e recreio é um processo altamente        amplos espaços para a construção de uma
especializado e (até muito recentemente)       embarcação e à utilização de insumos de alto
de escala restrita, que demanda um alto        custo (muitos deles importados), faz com que
padrão de qualidade de produto e proces-       a atividade de construção naval de embarca-
so, tendo em vista a garantia de segurança     ções de esporte e recreio seja altamente inten-
na utilização dos produtos e o nível de exi-   siva em capital.
gência do consumidor final. Por essa razão,
as operações dos estaleiros tendem a ser
fortemente verticalizadas; e a mão de obra




Fabricantes de equipamentos,
peças e acessórios
Conforme exposto anteriormente, o pro-         As primeiras velerias organizadas empre-
cesso de produção e a utilização de em-        sarialmente e especializadas em equipar
barcações de esporte e recreio demandam        embarcações de esporte e recreio surgi-
cada vez mais a utilização de equipamentos,    ram na década de 1960.
componentes e acessórios especificamente
desenvolvidos para a aplicação náutica. As     Inicialmente, os estaleiros se viam obriga-
exigências em termos de qualidade (inclusi-    dos a adaptar soluções a partir de peças
ve aparência) e durabilidade sob condições     e equipamentos desenvolvidos para ou-
extremas de temperatura, umidade, exposi-      tras aplicações, ou recorriam a indústrias
ção à radiação solar, vento e água salgada     (principalmente metal-mecânicas e de
fazem com que a produção desses bens seja      termoplásticos) para a produção de itens
cercada de cuidados e processos e envolva      sob encomenda para equipar suas em-
matérias-primas e insumos especialmente        barcações. Com o passar dos anos, linhas
desenvolvidos para essas finalidades.          de produto específicas foram desenvol-
                                               vidas por indústrias de diversos setores,
No Brasil, esse segmento industrial começou    as quais também podiam ter aplicações
a tomar forma ao mesmo tempo em que            náuticas. Esse tipo de configuração pode
surgiam os primeiros estaleiros especializa-   ser observado até hoje.
dos em embarcações de esporte e recreio.
Na década de 1970, surgiram as primeiras        Atualmente, o processo industrial dos esta-
           empresas especializadas na produção de          leiros movimenta uma cadeia produtiva es-
           equipamentos e acessórios náuticos, dan-        pecializada, em sua maioria composta por
           do início à consolidação do setor. As re-       micro e pequenas empresas que fornecem
           giões Sul e Sudeste, sede da maioria dos        partes e peças para as embarcações, como
           estaleiros brasileiros naquela época, foram     capotas e toldos, cabeamentos e instalações
           o berço de grande parcela das empresas          elétricas, para-brisas, metais, ferragens, ca-
           fabricantes de equipamentos e acessórios.       bos e âncoras, bem como serviços de apoio
                                                           à produção, como assessoria na laminação
           A partir da expansão da demanda por             de compósitos e gerenciamento de resídu-
           embarcações de esporte e recreio e da           os. 50% dos estaleiros pesquisados traba-
           estabilidade macroeconômica observadas          lham com mais de 40 fornecedores em sua
           nos últimos 10 anos, nota-se a tendência de     cadeia produtiva.
           funcionários especializados de estaleiros
           darem início a novos negócios, focados no
           fornecimento de peças, acessórios e servi-
           ços, indicando uma reversão da tendência
           de verticalização do processo de produção
           e comercialização na indústria náutica.




                                       NÚMERO DE FORNECEDORES POR ESTALEIRO

     QUANTAS EMPRESAS FORNECEM PRODUTOS E SERVIÇOS PARA O ESTALEIRO?

                                                                               50%



                                               16,7% 16,7% 16,7%
                           0%         0%
                           DE 1      DE 5       DE 10      DE 20    DE 30      40 OU
                           A5        A 10       A 20       A 30     A 40        MAIS




         É importante ressaltar que, apesar da evolu-      No que se refere à alocação da força de tra-
         ção e consolidação das empresas fabricantes       balho, os fabricantes de equipamentos, pe-
         de equipamentos, peças e acessórios no Brasil,    ças e acessórios náuticos acompanham a
         o fornecimento de equipamentos e acessórios       tendência observada nos estaleiros.
         de alto valor agregado, cujas configurações ou
         processos produtivos implicam alta tecnologia     Nas empresas respondentes, a maior parte
         ou larga escala industrial, como motores diesel   dos funcionários está alocada nas áreas de
         de alto desempenho, equipamentos de teleco-       produção, enquanto que as remunerações
         municação e apoio à navegação por satélite,       mais elevadas são reservadas aos profissio-
         sistemas de telemetria, resinas e compósitos      nais com mais educação formal e alocados
         especiais, ainda é exclusividade de grandes       geralmente no desenvolvimento de produtos.
         empresas multinacionais, várias das quais com
         operações comerciais e industriais no País.




                                                                                                     INDÚSTRIA
                                                                                                       NÁUTICA
                                                                                                    BRASILEIRA
46
FATOS E NÚMEROS 2012




                                                                                                           47



FABRICANTES DE EQUIPAMENTOS - SALÁRIO MÉDIO FUNCIONÁRIOS DIRETOS

DESENVOLVIMENTO DE PRODUTO
      DESENVOL. PRODUTO                                        PRODUÇÃO
                                                                    PRODUÇÃO


                 17%
           8%                                                   8%


  17%
                               ENTRE 2 E 3*
                                                                                      ENTRE 1 E 2*
                               ENTRE 3 E 5*
                                                                                      ENTRE 2 E 3*
                         50%   ENTRE 5 E 7*        36%                         56%
                                                                                      ENTRE 3 E 5*
                               ENTRE 7 E 10*
                                                                                      *SALÁRIOS MÍNIMOS
                               ENTRE 10 E 15*
      8%
                               *SALÁRIOS MÍNIMOS




            VENDA
            VENDA                                         ADMINISTRATIVO
                                                                  ADIMINISTRATIVO


           23%                                                  8%



                               ENTRE 2 E 3*
                                                                                       ENTRE 2 E 3*
                               ENTRE 3 E 5*
                                                                                       ENTRE 3 E 5*
15%                      31%   ENTRE 5 E 7*        59%                         33%
                                                                                       ENTRE 5 E 7*
                               ENTRE 7 E 10*
                                                                                       *SALÁRIOS MÍNIMOS
                               ENTRE 10 E 15*
                       23%
                               *SALÁRIOS MÍNIMOS

           8%




                                                               PÓS VENDA
                                                                 POS VENDA


                                                                10%   10%


                                                         10%                           NÃO RESPONDEU /
                                                                                       NÃO SE APLICA

                                                                                       ENTRE 2 E 3*
                                                                                50%    ENTRE 3 E 5*

                                                                                       ENTRE 5 E 7*

                                                                                       ENTRE 10 E 15*
                                                         20%
                                                                                       *SALÁRIOS MÍNIMOS
INDÚSTRIA
        NÁUTICA
     BRASILEIRA
48
FATOS E NÚMEROS 2012




                                                                                              49



FABRICANTES DE EQUIPAMENTOS - ESCOLARIDADE MÉDIA FUNCIONÁRIOS DIRETOS

DESENVOLVIMENTODE PRODUTO
    DESENVOLVIMENTO DE PRODUTO                      PRODUÇÃO
                                                    PRODUÇÃO


        8%                                           9%


                  17%     ENSINO MÉDIO
                          COMPLETO
                                                                            FUNDAMENTAL
                          SUPERIOR                                          INCOMPLETO
                          INCOMPLETO
                    25%                                                     ENSINO MÉDIO
50%                                         45%                    46%      INCOMPLETO
                          SUPERIOR
                          COMPLETO
                                                                            ENSINO MÉDIO
                          PÓS-GRADUAÇÃO /                                   COMPLETO
                          MESTRADO




          VENDA
       VENDA                                      ADMINISTRATIVO
                                                    ADIMINISTRATIVO


                                                      8%    8%

                                                                            ENSINO MÉDIO
 38%                                                                        INCOMPLETO
                          ENSINO MÉDIO                                      ENSINO MÉDIO
                          COMPLETO                                          COMPLETO
                          SUPERIOR
                    54%                     34%                       42%   SUPERIOR
                          INCOMPLETO                                        INCOMPLETO
                          SUPERIOR                                          SUPERIOR
                          COMPLETO                                          COMPLETO
  8%
                                                                            PÓS-GRADUAÇÃO /
                                                                            MESTRADO

                                                      8%




                                                     PÓS VENDA
                                                     PÓS VENDA


                                                      10%    10%


                                                                            NÃO RESPONDEU /
                                                                            NÃO SE APLICA

                                                                            ENSINO MÉDIO
                                                                            INCOMPLETO
                                             50%                      30%
                                                                            ENSINO MÉDIO
                                                                            COMPLETO

                                                                            SUPERIOR
                                                                            COMPLETO
INDÚSTRIA
        NÁUTICA
     BRASILEIRA
50
FATOS E NÚMEROS 2012




                                                                                           51




COMÉRCIO

           A
                   rede de varejo que atende ao     sua atuação pela segmentação ge-
                   mercado náutico brasileiro é     ográfica do mercado, ou seja, aten-
                   formada por lojas especiali-     de os consumidores da sua região
           zadas que se reúnem em torno das         de influência e concorre com as lo-
           estruturas de apoio náutico e dos        jas da mesma praça.
           maiores centros consumidores do
           País, com destaque para as capitais      Baseadas nos mercados mais con-
           e litoral das regiões Sudeste, Sul e     solidados, estão lojas especializa-
           Nordeste e também para os polos          das em linhas de produtos específi-
           emergentes no interior.                  cas, como materiais de salvatagem,
                                                    hélices e ferragens náuticas, tintas
           Além disso, destacam-se os depar-        e equipamentos eletrônicos de te-
           tamentos de náutica de concessio-        lemetria e apoio à navegação. Essas
           nárias de veículos e motocicletas,       lojas extrapolam os limites dos seus
           bem como grandes lojas agropecuá-        mercados regionais, atendendo
           rias e especializadas em caça e pesca,   consumidores finais e varejistas em
           nos centros do agronegócio, onde a       todo o País, e também atuam como
           oferta de equipamentos náuticos de       representantes exclusivas de linhas
           esporte e lazer surge como um up-        de produtos importados.
           grade das linhas de produtos ofereci-
           das originalmente, que incluíam ape-     Apesar de atenderem clientes com
           nas equipamentos voltados para usos      bom poder aquisitivo e trabalha-
           comerciais e de transporte.              rem com estoques diversificados,
                                                    com centenas de itens, ainda são
           No total, temos cerca de 350 lojas       poucas as operações de varejo que
           especializadas em náutica no Brasil,     se valem de ferramentas de tele-
           as quais vendem embarcações de           vendas, comércio eletrônico, ou
           todos os tamanhos, além de aces-         vendas por catálogos.
           sórios, equipamentos e peças. A
           grande maioria dessas lojas pauta a
Entre as empresas respondentes desta pesquisa, temos:


     A MAIORIA DAS EMPRESAS NÃO FAZ VENDAS POR
     E-COMMERCE, TELEMARKETING OU CATÁLOGO


                 26%       SIM                  21%     SIM                21%       SIM


                 74%       NÃO                  79%     NÃO               79%        NÃO




         FAZ VENDAS                   FAZ VENDAS POR                 FAZ VENDAS
       POR E-COMMERCE?                TELEMARKETING?               POR CATÁLOGO?




     Na comercialização de embarcações de        turas, estão os agentes independentes, cha-
     maior valor unitário, observamos alguns     mados brokers náuticos, que atuam como
     modelos de negócios que ora concorrem,      corretores especializados, assessorando o
     ora se complementam.                        consumidor final na escolha, negociação,
                                                 compra e venda de embarcações.
     De um lado, estão as operações formais
     de varejo que abrigam estoques consigna-    Os brokers têm um papel fundamental na
     dos pelos estaleiros (geralmente mais de    dinâmica do mercado na medida em que
     um) e também expõem aos consumidores        também viabilizam a circulação do estoque
     um estoque de embarcações usadas, num       de embarcações usadas, que frequentemen-
     modelo semelhante às revendas de auto-      te entram nas negociações como parte do
     móveis “multimarca”; no outro extremo,      pagamento de uma embarcação nova. No
     estão os chamados dealers, operações        mercado de embarcações de maior porte
     comerciais estruturadas que operam em       e valor unitário, esses brokers atuam geral-
     parceria com estaleiros (geralmente em      mente em parceria exclusiva com um dealer,
     regime de exclusividade) e que negociam     mas fazem parte de um network informal
     a venda de embarcações produzidas por       que cobre boa parte do litoral brasileiro.
     encomenda. No espaço entre essas estru-




                                                                                            INDÚSTRIA
                                                                                              NÁUTICA
                                                                                           BRASILEIRA
52
REGIÕES
     NÁUTICAS
     DO BRASIL

     Região Sudeste
     A Região Sudeste é a mais próspera do        Rio de Janeiro
     Brasil, do ponto de vista econômico, e
     abriga os mais importantes centros de        O Estado do Rio de Janeiro é o berço do
     produção e utilização de embarcações de      primeiro centro náutico do Brasil. Na capi-
     esporte e recreio do mercado nacional.       tal, surgiram os primeiros clubes náuticos
                                                  no início do século XX.
     O litoral da região abriga os principais
     polos de turismo náutico do País e é do-     O litoral do Estado possui características
     tado de uma infraestrutura que não é         excelentes para a navegação em embarca-
     encontrada em nenhuma outra parte do         ções de esporte e recreio: águas abrigadas
     Brasil. O interior, por sua vez, conta com   e quentes, baías, lagoas, ilhas e enseadas
     rios, lagos e represas nos quais a náutica   abrigadas, além de paisagens naturais in-
     é uma atividade cada vez mais frequente      comparáveis.
     para a população.
                                                  Do ponto de vista náutico, o Estado do Rio
     O parque industrial e a estrutura de apoio   de Janeiro pode ser dividido em três seg-
     ao turismo náutico que se desenvolveram      mentos: a capital, abrangendo a Baía da
     na região alavancam uma parcela signifi-     Guanabara, a costa da cidade do Rio de
     cativa do mercado náutico brasileiro e são   Janeiro e Niterói; a Costa Verde, ao sul, in-
     foco das primeiras e bem-sucedidas ini-      cluindo as cidades de Mangaratiba, Angra
     ciativas de atuação estratégica e fomento    dos Reis e Parati; e ao norte a Região dos
     à cadeia produtiva do setor por parte dos    Lagos, que vai de Maricá até Rio das Ostras.
     governos estaduais e entidades setoriais.




                                                                                               INDÚSTRIA
                                                                                                 NÁUTICA
                                                                                              BRASILEIRA
54
FATOS E NÚMEROS 2012




                                                                                                       55




Cada um desses segmentos apresenta ca-           diversos campeões mundiais e olímpicos,
racterísticas particulares e vocações distin-    a exemplo de Torben e Lars Grael, Gas-
tas para a atividade náutica. A Costa Verde      tão Brun, Peter Tanscheit, Marcos Soares e
apresenta um relevo recortado e a proximi-       Eduardo Penido, Alan Adler, Maurício Santa
dade entre a Serra do Mar e o litoral, criando   Cruz, entre vários outros.
uma paisagem de grande exuberância na-
tural e caracterizada por águas quentes e        A prática da pesca oceânica e da caça subma-
abrigadas, perfeitas para a navegação, onde      rina também é muito desenvolvida na região.
a atividade náutica se desenvolveu como
em nenhuma outra parte do Brasil.                A Região dos Lagos abriga as cidades de
                                                 Cabo Frio e Búzios, dois centros náuticos im-
Nessa região, observamos a maior concen-         portantes para as atividades esportivas como
tração de embarcações de esporte e recreio       o mergulho e a vela, devido às suas águas
do País, abrigadas nas mais bem organizadas      transparentes, ricas em peixes, e ao regime
estruturas de apoio náutico do mercado, que      constante de ventos que predomina na região.
funcionam como empreendimentos autôno-
mos ou como parte de operações hoteleiras        Apesar de o litoral menos abrigado oferecer
ou incorporações imobiliárias de alto padrão.    uma condição mais difícil para navegação,
                                                 a Região dos Lagos é muito procurada por
Na capital, reúnem-se uma das paisagens          suas belezas naturais e possui uma estrutu-
mais belas do mundo e uma das cidades            ra organizada de apoio náutico, com iates
mais prósperas do Brasil. A atividade náu-       clubes, operadoras de mergulho, marinas e
tica, com mais de um século de história, va-     garagens náuticas.
le-se de uma série de estruturas de apoio
náutico, como marinas, garagens náuticas e
um conjunto de iates clubes de grande tra-
dição no cenário nacional, de onde saíram
Gravitando em torno dessas regiões, o Esta-          São Paulo
     do do Rio de Janeiro abriga parcela impor-
     tante da cadeia produtiva da indústria náu-          São Paulo é o estado mais rico e populoso da
     tica brasileira, incluindo alguns dos maiores        Federação. Representa 33,5% do PIB nacio-
     e mais tradicionais estaleiros, fabricantes de       nal e possui 42 milhões de habitantes.
     equipamentos e acessórios, prestadores de
     serviços e importadores do mercado nacional.         As primeiras iniciativas ligadas à náutica no Es-
                                                          tado datam da década de 1930, quando imi-
     Atualmente, o Rio de Janeiro detém a maior           grantes europeus fundaram os primeiros iates
     frota de embarcações de esporte e recreio            clubes, às margens das represas próximas à
     em atividade no País.                                capital, e, posteriormente, na Baixada Santista.

     Esse conjunto de características faz com que         Atualmente a atividade náutica em São Pau-
     o litoral do Rio de Janeiro atraia um grande         lo se distribui entre o litoral, a represa de
     número de turistas de todo o Brasil, com des-        Guarapiranga e diversos rios e reservatórios
     taque para os mercados de São Paulo e Mi-            no interior do Estado.
     nas Gerais, e do exterior, ávidos por desfrutar
     uma experiência náutica de alto nível. Esses         No litoral, destaca-se a região da Baixada
     turistas, juntamente com a demanda gerada            Santista, a apenas 80 quilômetros da capi-
     pela população do Estado, tornam o setor             tal, onde encontramos as estruturas de apoio
     náutico um importante vetor de geração de            náutico mais organizadas do Estado, bem
     emprego e renda e uma fonte expressiva de            como uma importante rede de prestação de
     receitas para os cofres do Estado.                   serviços ligados ao setor. Essas estruturas
                                                          abrigam uma parcela significativa das em-
     Diante desse quadro e das oportunidades              barcações de grande porte e alto valor unitá-
     que trarão a Copa do Mundo de 2014 e as              rio do mercado brasileiro.
     Olimpíadas de 2016, o Governo do Estado
     do Rio de Janeiro, em parceria com entida-           Mais ao Norte, na região de São Sebastião /
     des representativas da iniciativa privada e o        Ilhabela, desenvolveu-se um dos maiores po-
     Sebrae-RJ, organizou-se em torno do pro-             los de iatismo de competição do Brasil, onde
     jeto Rio Náutico para a formulação de uma            se realizam os eventos internacionais de vela
     “Agenda Positiva”que estabelece de forma             mais importantes do cenário brasileiro, como
     concreta os desafios e as oportunidades do           a Semana Internacional de Vela de Ilhabe-
     setor náutico fluminense; define as grandes          la, que acontece desde 1973. Nessa região,
     metas transformadoras a serem estabeleci-            encontra-se uma grande flotilha de veleiros
     das e perseguidas em favor do setor náutico          de cruzeiro e competição, além de embarca-
     fluminense; estabelece as prioridades estra-         ções a motor de diversos tamanhos. Porém,
     tégicas para o setor náutico fluminense e            as severas restrições ambientais às constru-
     permite um acompanhamento do desenvol-               ções à beira-mar fazem com que pouquíssi-
     vimento econômico desse setor; e chama a             mas estruturas de apoio náutico ofereçam
     atenção para a importância de um enfrenta-           instalações adequadas para a guarda de em-
     mento positivo dos entraves que podem es-            barcações de grande porte na região, o que
     tar inibindo a conversão do setor náutico flu-       gera uma demanda reprimida por vagas.
     minense em um setor competitivo em classe
     mundial.*                                            A região contígua, ao norte de São Sebas-
                                                          tião, abriga as cidades de Caraguatatuba e
     * Projeto “Rio Náutico - Agenda Estratégica”: 2011   Ubatuba, onde também funciona um conjun-
     SEBRAE/RJ: Glaudson Bastos, M.Sc; Werner Gripp,      to importante de estruturas de apoio náu-
     D.Sc. e Zoroastro Esteves (Consultores). – Rio de    tico, que abrigam veleiros oceânicos e em-
     Janeiro: SEBRAE, 2011. 76 p. Relatório Final.        barcações a motor de todos os portes. Tanto
                                                          a região de São Sebastião como Caraguá e
     Esse projeto representa um novo paradigma            Ubatuba são pródigas em praias, baías, ense-
     na abordagem do desenvolvimento das re-              adas abrigadas e ilhas, que se convertem em
     giões náuticas brasileiras e apresenta uma           atrativos para um grande número de turistas
     referência para o setor em outros estados da         interessados na atividade náutica.
     Federação.




                                                                                                         INDÚSTRIA
                                                                                                           NÁUTICA
                                                                                                        BRASILEIRA
56
FATOS E NÚMEROS 2012




                                                                                                                                        57 57
                       PARTICIPAÇÃO DOS ESTADOS
  PARTICIPAÇÃO DOS ESTADOS (%)

UF/Participação %      RJ    SP     MG    ES    PR    SC    RS    GO    DF   MT    BA    AL    SE    PE    PB    RN    CE   AM    PA
PIB Brasil*            12    33     9     2     6     4     7     2,7   4    2     4     0,7   0,6   2,5   0,9   0,9   2    1,5   1,8
Estaleiros            15,5   35      1    0     5     21    10     1    0    0     2     2      1    4      1    0     1    0     0
Frota                  25    24     1,5   1,5   6     9,5   6     0,5   6     1    6      1     1    4      3     1    1    1,5   0,5
Estruturas de
                      24,2   26,8   0,6   1     8,5   12    4,3    1    4    0,5   4,5    1    0,5   3,5    3     1    1    1     0,5
Apoio Náutico

*IBGE 2009


              Em comparação com a região da Baixada                     A força da demanda náutica em São Paulo fez
              Santista e com a região do litoral norte, a re-           com que um conjunto de estaleiros especiali-
              gião sul do litoral paulista ainda é incipiente           zados em embarcações de esporte e recreio
              do ponto de vista da atividade náutica, ape-              surgisse na Grande São Paulo e no interior do
              sar de oferecer algumas estruturas de apoio               Estado, incluindo as maiores operações indus-
              náutico tradicionais. Esse fato pode ser expli-           triais de construção de embarcações de grande
              cado, em parte, pelo fato de essa faixa litorâ-           valor unitário, o que levou ao desenvolvimento
              nea apresentar um relevo menos recortado e                de uma ampla cadeia de fornecedores de ser-
              pródigo em baías e águas abrigadas.                       viços, equipamentos e acessórios para o setor.
                                                                        Atualmente, São Paulo concentra cerca de 35%
              Na capital paulista, fica a Represa do Guara-             das indústrias náuticas em operação no Brasil.
              piranga, um reservatório que, apesar do seu
              tamanho relativamente acanhado (26 quilô-                 Como consequência dessa concentração, São
              metros quadrados), abriga um conjunto ex-                 Paulo também abriga as mais importantes
              pressivo de estruturas de apoio náutico vol-              operações de varejo e prestação de serviços
              tadas a embarcações de pequeno porte, que                 ligadas à náutica no mercado brasileiro.
              inclui alguns dos mais tradicionais e impor-
              tantes iates clubes do Brasil. Nas águas de               Espírito Santo
              Guarapiranga, surgiram grandes nomes do
              iatismo brasileiro, inclusive campeões mun-               O litoral do Espírito Santo é formado por 15 muni-
              diais e olímpicos, como Joerg Bruder, Alex                cípios e possui 411 quilômetros de extensão.
              Welter e Lars Bjorkstrom, Reinaldo Conrad e,
              mais recentemente, Robert Scheidt.                        Reconhecido como um centro náutico emergen-
                                                                        te, com ênfase na pesca oceânica e no mergulho,
              O interior do Estado de São Paulo, região de              o Estado conta com uma rede de estruturas de
              grande prosperidade econômica e detentora                 apoio náutico, principalmente em torno da região
              de alguns dos maiores índices de potencial                metropolitana de Vitória, onde merece destaque
              de consumo do mercado brasileiro, possui                  o Iate Clube do Espírito Santo.
              vários centros náuticos de pequeno e médio
              porte, em represas e ao longo dos rios, com               A pesca de mar azul, praticada tradicional-
              destaque para a hidrovia Tietê-Paraná. Nes-               mente na região, movimenta uma estrutura de
              ses locais, predomina a utilização de embar-              prestação de serviços que inclui a locação de
              cações a motor com até 26 pés.                            lanchas e a organização de expedições focadas
                                                                        na captura de peixes de bico, atraindo aficiona-
              Os polos mais importantes estão situados às               dos de todas as partes do Brasil e do exterior.
              margens do Rio Tietê, na região que abrange
              as cidades de Barra Bonita, Bauru, Pederneiras            Campeonatos atraem pescadores de todo o
              e Jaú, bem como às margens das represas de                mundo e movimentam a economia das cidades
              Jurumirim (Avaré e Paranapanema), Atibainha               do litoral capixaba. O Brasil abriga a melhor re-
              (Nazaré Paulista), Jaguari (Bragança Paulista)            gião natural para a pesca do marlim-azul, e o
              e Paraibuna. Merece destaque o crescimento                Espírito Santo detém dois recordes mundiais
              da atividade náutica na região noroeste do Es-            fisgados em seu litoral: um marlim-azul de 636
              tado de São Paulo, na cidade de Rifaina e muni-           quilos e um marlim-branco de 82,5 quilos.
              cípios vizinhos, que atrai usuários da região de
              Ribeirão Preto, Franca e até de Uberaba (MG).
Minas Gerais
     Único estado da Região Sudeste desprovido de           - O relevo do litoral catarinense, que oferece baías,
     acesso ao mar, Minas Gerais ganha destaque           ilhas, lagoas, penínsulas e enseadas abrigadas, favore-
     pelo crescimento de um polo náutico emergen-         cendo a navegação costeira, além de belezas naturais
     te na região sul do Estado, no lago da represa       que atraem um grande número de turistas.
     de Furnas. Ali, uma série de condomínios de            - Polos importantes de turismo receptivo e vera-
     alto padrão instalados às margens do reserva-        neio, nos quais o mar é o grande atrativo, como
     tório deu origem a clubes e estruturas de apoio      Balneário Camboriú, Florianópolis e Porto Belo,
     náutico que abrigam um número crescente de           destinos tradicionais para brasileiros e turistas do
     embarcações, algumas com mais de 36 pés.             Mercosul.

     A demanda da região espelha uma tendência             - Cidades grandes e prósperas num raio de 500
     de expansão da náutica no interior do Brasil e       quilômetros, que representam centros de gera-
     que deu origem a estaleiros focados nesse ni-        ção de demanda, como Porto Alegre, Curitiba,
     cho de mercado.                                      Ponta Grossa, Caxias do Sul, Florianópolis, Blu-
                                                          menau e Joinville.
     Região Sul
                                                           - Regime constante de ventos ao longo do ano,
     A Região Sul abriga um dos mais tradicionais         o que favorece a navegação a vela.
     e ativos polos náuticos do Brasil e se destaca
     por apresentar a segunda maior concentração          Não por coincidência, encontra-se nessa mesma
     de estaleiros e fabricantes de equipamentos e        região o segundo maior polo industrial náutico
     acessórios náuticos do mercado nacional, além        do Brasil, onde estão instalados mais de 20 esta-
     de um grande número de estruturas de apoio           leiros, em sua maioria especializados na constru-
     náutico, que incluem alguns dos mais tradicio-       ção de lanchas com tamanhos que variam entre
     nais iates clubes do País, como o Clube Náutico      19 e 80 pés. Além da demanda gerada localmen-
     Veleiros do Sul, o Iate Clube de Santa Catarina      te, essas empresas têm participação importante
     e o Clube dos Jangadeiros.                           no mercado nacional, sendo líderes em volume
                                                          de vendas em diversos segmentos.
     Nesses clubes, surgiram grandes nomes do
     iatismo de competição no Brasil, entre eles          Do ponto de vista esportivo, o Estado de San-
     diversos campeões mundiais em suas classes           ta Catarina (e Florianópolis, com mais ênfase) se
     de veleiros monotipos, além de tripulantes           destaca como uma das melhores raias para rega-
     premiados internacionalmente em grandes              tas do Brasil e como polo de formação de talen-
     competições de vela oceânica.                        tos do iatismo que alcançam projeção internacio-
                                                          nal, como André Fonseca, Bruno Fontes, Horácio
     O alto nível de desenvolvimento econômico e          Carabelli, Matheus Dellagnelo, entre outros.
     social da região e a forte influência cultural da
     colonização europeia contribuem para que o sul       Rio Grande do Sul
     do Brasil apresente a maior proporção de em-
     barcações de esporte e recreio por habitante no      O Rio Grande do Sul abriga um polo náutico
     País.                                                tradicional e respeitado em todo o Brasil, que
                                                          reúne pelo menos 15 estaleiros especializados na
     Santa Catarina                                       construção de lanchas e também veleiros de alto
                                                          desempenho. Em sinergia com esses estaleiros,
     O eixo da BR-101, em Santa Catarina, é o polo        desenvolveu-se no Rio Grande do Sul o terceiro
     náutico mais importante da região e o terceiro       maior polo de fabricação de equipamentos e aces-
     maior do Brasil, atrás apenas do litoral do Rio de   sórios náuticos do Brasil, que só perde em varieda-
     Janeiro e de São Paulo. A região abriga mais de      de para os estados do Rio de Janeiro e São Paulo.
     50 estruturas de apoio náutico, que incluem ia-      No estado gaúcho, atua um grupo de fabricantes
     tes clubes, garagens náuticas, hotéis, empreen-      náuticos que inclui velerias, fabricantes de cabos e
     dimentos imobiliários e marinas de alto padrão.      cordas, e indústrias metal-mecânicas especializa-
     As razões para o desenvolvimento náutico des-        das em ferragens náuticas, mastros para veleiros e
     sa região incluem uma série de fatores, como:        peças de reposição.




                                                                                                         INDÚSTRIA
                                                                                                           NÁUTICA
                                                                                                        BRASILEIRA
58
FATOS E NÚMEROS 2012




A exemplo do que acontece em Santa Catari-            Os clubes e as demais estruturas de apoio náu-      59
na, desenvolveu-se no Rio Grande do Sul um            tico que se desenvolveram no litoral do Estado,
importante e tradicional polo de formação de          em cidades como Pontal do Paraná, Paranaguá,
talentos do iatismo de competição, que desta-         Antonina e Morretes, têm como público principal
ca nomes como Boris Ostergren, Nelson Picco-          os moradores da região de Curitiba e das regiões
lo, Alexandre e Marco Aurélio Paradeda, Nelson        mais próximas. O foco de utilização das embar-
Ilha, entre vários outros.                            cações abrigadas nessas estruturas é a baía de
                                                      Paranaguá e seu entorno, que inclui pontos como
As estruturas de apoio náutico no Rio Grande          a Ilha do Mel e a Reserva do Superagui.
do Sul estão instaladas, em sua maioria, nas          Cabe destacar que a atividade náutica ganhou
águas interiores do estuário do Rio Guaíba,           força nos reservatórios e rios no interior do Es-
onde se localiza a cidade de Porto Alegre, e na       tado, em consequência do ciclo de expansão
Lagoa dos Patos, onde encontramos centros             da agroindústria, que alavancou a economia da
náuticos tradicionais, como Pelotas, São Lou-         região e promoveu o crescimento do mercado
renço, Tapes e Rio Grande.                            de consumo nas últimas décadas. As ativida-
                                                      des náuticas, que antes se limitavam à pesca
O litoral gaúcho é conhecido por oferecer condi-      em embarcações de pequeno calado, sofis-
ções árduas para a navegação, devido ao regime        ticaram-se e oportunizaram o surgimento de
de ventos fortes, mar grosso e pouca profundida-      estruturas de apoio náutico na forma de iates
de próximo da costa, e é desprovido de baías ou       clubes, negócios independentes ou como parte
abrigos naturais para embarcações, o que restrin-     das facilidades oferecidas por empreendimen-
ge a sua atratividade e uso para esporte e recreio.   tos imobiliários na região.
Essas características fazem com que uma parcela
importante dos gaúchos aficionados pela náutica       Esse movimento teve início no reservatório do
tenham embarcações baseadas em estruturas de          lago de Itaipu, e mais recentemente se expan-
apoio náutico de Santa Catarina e até no balneá-      diu por outras regiões do Estado, ao longo dos
rio uruguaio de Punta del Este.                       rios Paraná, Paranapanema, Iguaçu, entre ou-
                                                      tros, e em reservatórios como a represa dos
Paraná                                                Alagados, próxima à cidade de Ponta Grossa, a
                                                      de Capivara, próxima à cidade de Sertaneja, e
A exemplo do que acontece nos demais estados          Salto Osório, em Águas de Iguaçu.
da Região Sul, o Paraná tem sua náutica desen-
volvida e estruturada desde meados do século
XX, quando foram criados o Iate Clube de Gua-
ratuba e o Iate Clube de Caiobá, localizados nos
pontos mais valorizados do litoral paranaense.
Região Nordeste                                    reformas ou ampliaram sua capacidade de
                                                        atendimento. Cabe ainda destacar que a ten-
     Reconhecida internacionalmente por suas be-        dência de crescimento (tanto na quantidade
     lezas naturais e pelo seu clima ensolarado e       como no tamanho das embarcações) se man-
     quente durante todo o ano, a Região Nordeste       tém para o futuro próximo, uma vez que mais
     do Brasil desenvolveu seu potencial náutico ao     de 65% das estruturas de apoio náutico pes-
     longo dos últimos anos, através de um movi-        quisadas têm planos para ampliação da sua
     mento de ampliação da capacidade das estru-        capacidade física nos próximos dois anos.
     turas de apoio náutico estabelecidas, em sua
     maioria, nas capitais dos estados da Região.       Marinas com vagas molhadas compõem 30%
                                                        das estruturas de apoio náutico na Região
     Estaleiros locais detêm fatia importante da        Nordeste, ao passo que as restantes oferecem
     demanda por embarcações no mercado do              apenas estruturas de hangar para a guarda
     Nordeste e, atentos à demanda por embarca-         das embarcações.
     ções maiores, ampliaram as linhas de produtos,
     oferecendo mais opções de maior porte e, com       Na maioria dos estados do Nordeste, as es-
     isso, fortalecendo sua posição no mercado.         truturas de apoio náutico estão concentradas
                                                        junto às regiões metropolitanas das capitais,
     Os estaleiros em operação nos estados de           onde se localizam os maiores centros gerado-
     Pernambuco e Alagoas possuem os maiores            res de demanda. Esse fato, aliado à predomi-
     volumes de produção na região e atualmente         nância de embarcações a motor de compri-
     oferecem um amplo mix de produtos, que in-         mento igual ou inferior a 30 pés, faz com que
     clui lanchas de proa aberta, direcionadas pre-     a experiência náutica na região seja limitada à
     dominantemente ao seu mercado primário, e          realização de passeios em um raio de até 25
     embarcações cabinadas de médio e grande            milhas náuticas do ponto de partida, tendo
     porte, oferecidas também para clientes de ou-      em vista as limitações de autonomia dessas
     tras regiões do País.                              embarcações e a inexistência de postos de re-
                                                        abastecimento, estrutura de salvatagem maríti-
     Merece destaque, ainda, a produção de              ma e estações radiobase de longo alcance.
     trawlers de luxo no Ceará, embarcações des-
     tinadas principalmente ao mercado externo.         A exceção a essa regra é o Estado da Bahia,
                                                        onde há embarcações de maior porte e uma
     A exemplo do que ocorre nas demais regiões         estrutura de apoio náutico espalhada pela re-
     do Brasil, a produção dos estaleiros do Nordeste   gião da Baía de Todos-os-Santos e de Cama-
     é um processo com grande grau de verticaliza-      mu, Morro de São Paulo e, mais ao sul, Ilhéus
     ção, devido à falta de fornecedores de equipa-     e Porto Seguro.
     mentos e serviços específicos para a constru-
     ção e comercialização de embarcações.              Merece destaque o fato de o Governo da Bahia
                                                        manter um programa agressivo de incentivo
     O crescimento do número de embarcações             ao turismo náutico, fomentando a produção e
     em atividade no Nordeste e no tamanho des-         comercialização de embarcações, acessórios e
     sas embarcações teve reflexos importantes          equipamentos, a prestação de serviços e o de-
     sobre as marinas e iates clubes da região.         senvolvimento da estrutura de apoio náutico no
     Observou-se um crescimento do número de            estado através da isenção de impostos esta-
     estruturas de apoio náutico na ordem de 10%        duais e ações de planejamento estratégico, em
     nos últimos sete anos, ao passo que 50% das        parceria com a Universidade Federal da Bahia e
     estruturas de apoio náutico que existiam no        o Ministério do Turismo.
     litoral da região antes de 2005 passaram por




                                                                                                     INDÚSTRIA
                                                                                                       NÁUTICA
                                                                                                    BRASILEIRA
60
FATOS E NÚMEROS 2012




                                                                                                       61

Regiões Norte e                                    de veículos, indústrias farmacêuticas e de pro-
                                                   cessamento de alimentos. Esse crescimento se
Centro-Oeste                                       refletiu também no surgimento de polos náuti-
                                                   cos, com predomínio total de lanchas.
As regiões Norte e Centro-Oeste represen-
tam os novos mercados da náutica no Brasil
                                                   Essas embarcações são comercializadas por
e estão revelando um grande potencial de
                                                   uma rede de varejistas que, em sua maioria,
crescimento para os próximos anos.
                                                   desenvolveu um departamento de náutica
                                                   agregado ao negócio principal, voltado para
Apesar da tradição do polo náutico de Bra-
                                                   a comercialização de motocicletas, triciclos,
sília, que concentra uma grande quantidade
                                                   veículos ou equipamentos para caça e pesca.
de embarcações de pequeno e médio porte
às margens do Lago Paranoá, e da utilização
                                                   Os principais pontos de desenvolvimento da
intensiva de embarcações no deslocamento
                                                   náutica em Goiás são a represa de Corumbá,
entre pontos isolados da região, só agora a
                                                   localizada em Caldas Novas; Três Ranchos,
atividade náutica começa a se fortalecer na
                                                   no sul do Estado; próximo a Catalão e à fron-
região, principalmente nos estados de Goiás,
                                                   teira com Minas Gerais.
Mato Grosso e Amazonas.

Nesses estados, observa-se o aparecimento          Mato Grosso
das primeiras estruturas organizadas de apoio
náutico da região, algumas com instalações         Apesar de embarcações de esporte e recreio
de grande porte e preparadas para abrigar          mais simples serem utilizadas há bastante
centenas de embarcações.                           tempo em atividades ligadas principalmente
                                                   à pesca na região de Cáceres, onde existe um
A expansão e a prosperidade do agronegócio,        iate clube com mais de 30 anos de história,
o clima e as características naturais dos rios e   observa-se recentemente o surgimento de um
reservatórios da região explicam o crescente in-   polo náutico relevante às margens do Lago de
teresse dos consumidores pelo mundo náutico        Manso, a cerca de 90 quilômetros da capital
e a forte expansão da náutica nesses mercados.     do Estado, Cuiabá.

                                                   Na região, surgiram loteamentos de alto pa-
Brasília – DF                                      drão com estruturas náuticas organizadas que
                                                   vêm atraindo clientes de alto poder aquisitivo.
A capital da República apresenta o maior ín-
                                                   A região abriga cerca de 250 lanchas nas es-
dice de renda per capita do Brasil, e sua po-
                                                   truturas de apoio náutico visitadas, onde pre-
pulação é influenciada pela forte presença de
                                                   dominam embarcações de 20 a 26 pés.
estrangeiros e migrantes de estados litorâne-
os. Esses fatos, aliados ao clima da região e
                                                   Merece destaque o crescimento da parcela de
à balneabilidade do Lago Paranoá, tornaram
                                                   barcos maiores; as embarcações de 26 a 32
Brasília um dos maiores centros náuticos do
                                                   pés já representam 15% do total da flotilha, e
País, com mais de 15 estruturas de apoio náu-
                                                   encontram-se até lanchas na faixa de 42 a 46
tico, inclusive clubes que organizam regatas e
                                                   pés, algo inédito no interior do Brasil.
eventos durante todo o ano.

Em Brasília encontra-se a quarta maior frota       Amazonas
de veleiros do País e a quinta maior frota de
lanchas. Em uma análise regional, a capital        A região de Manaus conta com uma rede de
detém cerca de 90% dos veleiros e 65% das          estruturas de apoio náutico às margens do
lanchas abrigados em estruturas de apoio           Rio Negro, além de vários píeres e ancoradou-
náutico da Região Centro-Oeste.                    ros, onde são abrigadas as embarcações de
                                                   esporte e recreio.
Goiás                                              Atualmente, predominam as embarcações
                                                   de pequeno porte, de até 26 pés, mas as
A economia do Estado de Goiás experimen-
                                                   estruturas de apoio náutico buscam formas
tou um forte crescimento nas últimas décadas,
                                                   de disponibilizar espaços para abrigar em-
com a expansão da renda gerada pela agrope-
                                                   barcações cada vez
cuária e, principalmente, pelo desenvolvimento
de polos industriais, que abrigam montadoras
INDÚSTRIA
        NÁUTICA
     BRASILEIRA
62
FATOS E NÚMEROS 2012




                                                                                      63




                             O cenário global
      ANÁLISE
                             D
                                    esde 2005, data da primeira edição
 CONJUNTURAL                        da pesquisa Indústria Náutica Bra-
                                    sileira Fatos & Números, o cenário
                             econômico mundial passou por turbulên-
                             cias, com destaque para a crise de 2008,
         A PARTIR DE 2010,   na qual grandes instituições financeiras
  HOUVE UM PRINCÍPIO DE      com atuação global sucumbiram após a
                             quebra do banco Lehman Brothers e da
  RETOMADA DO NÍVEL DE       seguradora AIG nos Estados Unidos, ge-
   ATIVIDADE ECONÔMICA       rando uma restrição em escala mundial
                             no fluxo de capitais e crédito.
    GLOBAL, SUSTENTADO
  EM GRANDE PARTE PELO       O nível de atividade econômica se re-
                             traiu no mundo inteiro, dando origem a
        CRESCIMENTO DOS      um movimento de recessão que fez o PIB
      PAÍSES EMERGENTES      global recuar 1% em 2009. Se forem ana-
                             lisados somente os chamados mercados
CONHECIDOS COMO BRICS        maduros (EUA, Europa e Japão), a queda
   (BRASIL, RÚSSIA, ÍNDIA    foi ainda mais dramática, chegando a 5%
                             de variação negativa.
   E CHINA). NO ENTANTO,
    ESSE MOVIMENTO NÃO       A profundidade e a abrangência da crise
                             que se seguiu à quebra de grandes ban-
     FOI SUFICIENTE PARA     cos de investimento em diversos países
  DEVOLVER AO MERCADO        afetaram de forma contundente o merca-
                             do náutico mundial, uma vez que houve
     O NÍVEL DE DEMANDA      uma fortíssima retração da demanda, o
 OBSERVADO NO PERÍODO        cancelamento de pedidos firmes, a devo-
                             lução e a retomada de embarcações fi-
              ANTERIOR À     nanciadas, dando início a um ciclo vicioso
       CRISE ECONÔMICA.      cujos efeitos se fazem sentir até hoje.

                             Um agravante para o mercado náutico
                             é o fato de que, em 2012, quase quatro
                             anos após a eclosão da primeira onda da
                             crise econômica mundial, os países no
                             centro das preocupações da comunidade
                             financeira internacional são, justamente,
                             aqueles que abrigam alguns dos maiores
                             e mais sofisticados centros náuticos do
                             planeta, como Itália, Espanha, Portugal e
                             Grécia. Nesse cenário, os governos des-
                             ses países têm adotado medidas drásti-
                             cas de redução dos seus déficits internos,
                             entre as quais o aumento de impostos so-
                             bre a compra, posse e utilização de em-
                             barcações de esporte e recreio.
Como parâmetro, merece destaque o fato de         serva na Argentina*, a frota brasileira deve-
     a indústria náutica italiana, uma das mais tra-   ria ser de aproximadamente 754.000 bar-
     dicionais do mundo, ter experimentado uma         cos, uma figura bem distante da realidade
     retração de 21% entre 2009 e 2010, apesar         atual do nosso mercado.
     de direcionar 67% do total das embarcações
     produzidas para o mercado externo.                Desde 2005, mais de 20 grandes estaleiros
                                                       detentores de marcas reconhecidas inter-
     O impacto da recessão e da crise de con-          nacionalmente estabeleceram estruturas de
     fiança global que se seguiram aos fatos           revendas, representações e, em alguns ca-
     de setembro de 2008 gerou uma nova re-            sos, operações industriais no Brasil.
     alidade, na qual as empresas disputam um
     mercado que diminuiu entre 35% e 50% do           EM 2012, O BRASIL APRESEN-
     seu volume original, segundo dados do In-
     ternational Council of Marine Industry Asso-      TOU O MAIOR CRESCIMENTO
     ciations – Icomia. Ao longo desse processo,       NO NÚMERO DE PESSOAS COM
     empresas tradicionais foram forçadas a fe-        MAIS DE US$ 1,0 MILHÃO, EM
     char suas portas e observou-se a consolida-
     ção de operações concorrentes através de          TODO O MUNDO.
     fusões e aquisições, as quais resultaram em
     uma maior concentração de mercado nas             O foco dessas empresas tem sido o merca-
     mãos de empresas maiores.                         do de embarcações de alto luxo, no qual os
                                                       consumidores há muito cultivam o hábito
     É fundamental ressaltar que não se trata,         de consumo de bens e serviços importados.
     em absoluto, de um segmento frágil ou de-
     cadente. Segundo o relatório anual do Ico-        O público-alvo deste segmento se destaca
     mia, publicado em 2011 (dado mais recente         pela valorização de atributos intangíveis de
     disponível no mercado), a indústria náutica       marca, como imagem e exclusividade, além
     movimenta mais de 83,5 bilhões em todo o          dos aspectos físicos relacionados à sofisti-
     mundo, conta com cerca de 4.900 estalei-          cação de acabamento e à inovação.
     ros e 200 fabricantes de motores, e empre-        Por outro lado, esse nicho de mercado tor-
     ga cerca de 700 mil pessoas.                      na-se ainda mais interessante na medida em
                                                       que oferece margens unitárias mais altas e
     A queda da demanda nos mercados centrais          apresenta elasticidade–preço da demanda
     fez com que as maiores empresas do setor          mais baixa que os demais segmentos.
     náutico adotassem estratégias agressivas
     de busca e ocupação de novos mercados,            ATÉ 2016, O BRASIL SERÁ O PAÍS
     entre os quais o Brasil mereceu grande des-       COM O MAIOR CRESCIMENTO
     taque, tanto pela pujança da sua economia
     como pelo fortalecimento e consolidação           NO NÚMERO DE PESSOAS COM
     de um mercado de luxo, e pelo potencial           MAIS DE US$100 MILHÕES.
     representado pelas dimensões do seu vasto
     litoral e águas interiores.                       Corroborando essa percepção, o Brasil foi
                                                       apontado pelo World Wealth Report, ela-
     Apesar do impacto da crise econômica de           borado no início de 2012 pela consultoria
     2008, a economia brasileira se desenvolveu        Capgemini, como o país que apresentou o
     de forma consistente ao longo dos últimos         maior crescimento relativo (6,2%) do grupo
     sete anos. Nesse período, o Produto Interno       dos chamados HNWI (High Net Worth In-
     Bruto cresceu 27,5%, em valores atualizados.      dividuals), pessoas que possuem ativos dis-
     A cadeia produtiva da náutica acompanhou          poníveis acima de U$1,0 milhão e que hoje
     essa tendência de crescimento e expandiu-         somam 165 mil indivíduos no País.
     se em número de clientes, valor, número e
     tamanho de embarcações, e, por consequ-           Outro estudo, elaborado em 2011 pela con-
     ência, geração de empregos.                       sultoria de investimentos imobiliários Knight
                                                       Frank, em parceria com o Citi Private Bank,
                                                       aponta o Brasil como o país onde se ob-
     O impacto no Brasil                               servará o maior crescimento no número de
                                                       indivíduos com patrimônio acima de U$100
     O potencial inexplorado da náutica no Brasil
                                                       milhões até 2016.
     merece uma atenção muito especial. Para
     alcançarmos, por exemplo, a proporção de          *Fonte: ICOMIA Fact Book 2010
     252 habitantes por embarcação que se ob-




                                                                                                 INDÚSTRIA
                                                                                                   NÁUTICA
                                                                                                BRASILEIRA
64
FATOS E NÚMEROS 2012




                                                                                                            65



CARACTERIZAÇÃO ECONÔMICA DA INDÚSTRIA NÁUTICA BRASILEIRA



MÉDIA DE 7,4 EMPREGOS                DESENVOLVIMENTO                        120 ESTALEIROS
POR CADA EMBARCAÇÃO                  ECONÔMICO E                            FORMAIS EM TODO
PRODUZIDA.                           RACIONALIZAÇÃO                         O BRASIL PRODUZEM
                                     DA CARGA TRIBUTÁRIA                    EMBARCAÇÕES DE
                                     FAVORECERAM                            10 A 120 PÉS.
                                     O CRESCIMENTO
                                     DO MERCADO EM
480 ESTRUTURAS
                                     TAXAS INÉDITAS.
FORMAIS DE APOIO
NÁUTICO SÃO AS                                                               CRESCIMENTO
BASES PARA O                                                                 SUSTENTADO
APROVEITAMENTO                                                               DA ECONOMIA
                                     ESTRUTURAS DE APOIO                     BRASILEIRA, TURISMO
DO POTENCIAL DO
                                     LOCALIZADAS NAS                         INTERNO E EXTERNO
LITORAL E DAS ÁGUAS
                                     REGIÕES LITORÂNEAS,                     EM EXPANSÃO,
INTERIORES DO BRASIL.
                                     FIXANDO A POPULAÇÃO                     ESTIMULADO POR
                                     ONDE HÁ CARÊNCIA DE                     GRANDES EVENTOS
                                     ALTERNATIVAS EMPREGO                    CONFIGURAM
                                     E RENDA.                                UMA JANELA DE
                                                                             OPORTUNIDADE PARA
                                                                             O DESENVOLVIMENTO
                                                                             DO SETOR EM TODAS
                                                                             OS ELOS DA CADEIA
                                                                             PRODUTIVA.




     A força da base da pirâmide
     Apesar da visibilidade e do impacto dos movi-     Em ambas as condições de uso, as embarca-
     mentos dos estaleiros especializados em em-       ções de comprimento igual ou inferior a 26 pés
     barcações high-end, o fato mais importante        podem ser transportadas em reboques por ca-
     no mercado náutico brasileiro atual é o cres-     minhonetes ou mesmo carros de passeio. Isso
     cimento da demanda por embarcações com            faz com que seu uso tenha características dife-
     comprimento entre 20 e 26 pés, com valores        rentes das embarcações maiores, que deman-
     entre R$60.000,00 e R$120.000,00.                 dam estruturas de apoio náutico mais organi-
                                                       zadas e, por consequência, mais caras.
     Esse tipo de embarcação inclui os modelos de
     entrada para consumidores que navegam no          O aumento do número de famílias de clas-
     mar, baías e estuários, onde o nível de exigên-   se AB nos próximos anos tende a apoiar o
     cia em termos de estabilidade e navegabilida-     crescimento desse segmento do mercado
     de é mais elevado. No entanto, já são conside-    náutico. Segundo projeções do Centro de
     radas lanchas de porte e custo intermediário      Políticas Sociais da Fundação Getúlio Var-
     na média das embarcações utilizadas em água       gas, a classe AB deverá crescer 29,3% até
     doce (rios, lagos e represas), onde a navega-     2014, em comparação com 2012.
     ção é mais tranquila e menos arriscada.
Uma parcela dessas famílias, que em sua             As boas perspectivas de crescimento do
     maioria já possuem casa própria, automó-            mercado náutico brasileiro se alinham à per-
     veis e outros bens de consumo duráveis, tem         cepção positiva do mercado internacional
     renda disponível para adquirir e manter uma         com relação à economia brasileira como um
     embarcação de porte pequeno ou médio.               todo. Segundo projeções da Economist In-
     Sua renda, igual ou superior a R$20.000,00/         telligence Unit, a economia brasileira tende a
     mês, aliada a uma condição patrimonial con-         crescer de forma consistente a taxas de 4%
     solidada, permite a obtenção de financia-           a.a. até 2020, acima da média global projeta-
     mentos para a aquisição de embarcações a            da em 3% a.a. para o mesmo período.
     taxas de juros razoáveis no mercado.
                                                         A percepção do mercado
     No interior dos estados das regiões sudeste,
     sul e centro-oeste, onde o crescimento da ren-      Não por acaso observa-se, em todos os
     da per capita tem sido mais acentuado ao lon-       elos da cadeia produtiva da indústria náuti-
     go dos últimos anos, observa-se a utilização        ca brasileira investigados para este estudo,
     cada vez maior das águas de represas, reser-        uma forte tendência de expansão de negó-
     vatórios, rios e lagos para a prática de ativida-   cios, com manifestação de intenção de am-
     des náuticas. Este movimento propicia o sur-        pliação de linhas de produto, estruturas fí-
     gimento de polos náuticos emergentes, que           sicas e força de trabalho nos próximos dois
     dão origem cadeias produtivas próprias, que         anos na maioria das empresas responden-
     incluem desde uma simples garagem náutica           tes, em todas as regiões do Brasil.
     até estaleiros de projeção nacional.




     ESTALEIROS
     Entre os estaleiros que responderam à pesquisa, é evidente a expectativa positiva com relação
     ao comportamento do mercado nos próximos anos, com ampliação da demanda por embar-
     cações de esporte e recreio. Essa percepção se traduz na intenção expressa de 73% dos entre-
     vistados em ampliar suas linhas de produtos, estruturas físicas e força de trabalho.




      73% DOS ESTALEIROS PRETENDEM AMPLIAR
     O MIX DE PRODUTOS NOS PRÓXIMOS 2 ANOS


     27% 73%
          NÃO                    SIM




     QUESTÃO RESPONDIDA: 22 / QUESTÃO IGNORADA: 18




                                                                                                   INDÚSTRIA
                                                                                                     NÁUTICA
                                                                                                  BRASILEIRA
66
FATOS E NÚMEROS 2012




                                                                          67


                      73% DOS ESTALEIROS PRETENDEM AMPLIAR
                      A ESTRUTURA FÍSICA NOS PRÓXIMOS 2 ANOS




27% 73%
    NÃO              SIM




QUESTÃO RESPONDIDA: 22 / QUESTÃO IGNORADA: 18




                      QUASE A TOTALIDADE DOS ESTALEIROS
                      RESPONDENTES PRETENDE AMPLIAR OS
                      POSTOS DE TRABALHO NOS PRÓXIMOS 2ANOS




 4% 96%
  NÃO                SIM
FABRICANTES DE EQUIPAMENTOS E ACESSÓRIOS
     Acompanhando a tendência apontada pelos estaleiros, os fabricantes de equi-
     pamentos, peças e acessórios também apostam em um quadro de demanda as-
     cendente e programam investimentos na ampliação de seu mix de produtos e de
     postos de trabalho para os próximos dois anos.




              100% DAS EMPRESAS RESPONDENTES PRETENDEM
                   AMPLIAR O MIX DE PRODUTOS E OS POSTOS
                        DE TRABALHO NOS PRÓXIMOS 2 ANOS




                                               VAGAS DE EMPREGO
     MIX DE PRODUTOS




                                 100%                                                 100%




     COMÉRCIO
     A percepção da tendência de expan-       Essas perspectivas se traduzem na
     são do mercado se faz notar também       intenção de investimentos para a am-
     na ponta de contato com o consu-         pliação do mix de produtos ofereci-
     midor final: a rede varejista especia-   dos, da estrutura física e de postos de
     lizada no segmento náutico. Entre os     trabalho nos próximos dois anos.
     varejistas de todas as regiões do Bra-
     sil entrevistados para esta pesquisa,             83% DOS VAREJOS
     nota-se a percepção de um mercado
     com movimento inercial positivo.                  PRETENDEM AMPLIAR
                                                       O MIX DE PRODUTOS
     Segundo este levantamento, o volu-                NOS PRÓXIMOS 2 ANOS
     me de negócios cresceu nos últimos
     dois anos para 57% dos empresários
     e se manteve estável para 39% deles
     em comparação com o período an-
     terior. No entanto, 84% dos varejis-
     tas declararam aumento na base de
     clientes nesse mesmo período.
     Para os próximos dois anos, a pers-                                           17%
     pectiva é de crescimento no volume                                              NÃO
     de vendas para 81% dos entrevista-
     dos, enquanto 96% deles preveem
     o crescimento da base de clientes, o
     que evidencia o crescimento do mer-
                                                                                  83%
                                                                                       SIM
     cado como um todo.

                                                                      MIX DE
                                                                    PRODUTOS



                                                                  QUESTÃO RESPONDIDA: 18
                                                                   QUESTÃO IGNORADA: 8



                                                                                              INDÚSTRIA
                                                                                                NÁUTICA
                                                                                             BRASILEIRA
68
FATOS E NÚMEROS 2012




                                                                       69




61% DOS VAREJOS              78% DOS VAREJOS
PRETENDEM AMPLIAR            PRETENDEM AMPLIAR
A ESTRUTURA FÍSICA           OS POSTOS DE
NOS PRÓXIMOS 2 ANOS          TRABALHO NOS
                             PRÓXIMOS 2 ANOS




                  39%                         22%
                     NÃO                         NÃO




                   61%                        78%
                       SIM                         SIM


    ESTRUTURA                      VAGAS
      FÍSICA



                              QUESTÃO RESPONDIDA: 18
  QUESTÃO RESPONDIDA: 18
                               QUESTÃO IGNORADA: 8
   QUESTÃO IGNORADA: 8
ESTRUTURAS DE APOIO NÁUTICO                        O TURISMO EXTERNO
     A percepção da tendência de expansão da            Além da expansão da demanda interna, o
     demanda no mercado náutico se faz sentir,          crescimento da demanda turística externa
     também, nas estruturas de apoio náutico em         projetada para os próximos anos, alavancado
     todo o Brasil. Apesar das dificuldades de licen-   principalmente pela Copa do Mundo de 2014
     ciamento ambiental e da valorização imobi-         e pelas Olimpíadas de 2016, tende a fomentar
     liária de terrenos à beira-mar e ao longo das      a expansão de serviços de turismo náutico,
     margens de rios, lagos e represas, 62% das es-     como a locação de lanchas e veleiros (char-
     truturas de apoio náutico visitadas para a ela-    ters) e a atracação de embarcações estran-
     boração deste estudo apontaram a intenção          geiras. A segunda edição do Plano Aquarela
     de ampliar suas instalações nos próximos dois      2020, elaborado pelo Ministério do Turismo
     anos, gerando mais de 12 mil vagas adicionais      e pela Embratur em 2009, projeta um cresci-
     para embarcações.                                  mento de 113% na demanda turística externa
                                                        para 2020, em comparação com 2010, tota-
     É importante interpretar esse dado de forma        lizando 11,1 milhões de turistas estrangeiros e
     cuidadosa, considerando que:                       gerando uma receita de mais de U$17 bilhões.

     a) Essa intenção não se reflete necessaria-        Em estados onde as estruturas de apoio náu-
     mente na criação dessas vagas, uma vez que         tico e os prestadores de serviços ligados ao
     a maioria das estruturas de apoio náutico que      turismo náutico oferecem um grau mais alto
     a manifestaram opera no limite da sua capaci-      de organização e sofisticação, como Rio de
     dade física e depende da aprovação dos po-         Janeiro, São Paulo, Bahia e Santa Catarina, o
     deres concedentes e/ou da aquisição de áreas       potencial de aproveitamento dessa demanda
     circunvizinhas para ampliar suas instalações.      latente é ainda mais significativo.

     b) Essa ampliação pretendida no número de          Uma referência para mensuração do poten-
     vagas tem por objetivo atender a uma de-           cial de crescimento do turismo náutico no
     manda reprimida ao longo dos últimos anos          Brasil é o case de sucesso apresentado pela
     e, dado o volume de investimento demanda-          Croácia. O país, que conta com um litoral de
     do e o impacto que obras desse tipo criam no       pouco mais de 6.000km de extensão, investiu
     cotidiano da operação, tem a perspectiva de        na construção de uma infraestrutura de apoio
     gerar capacidade ociosa para atender à de-         ao turismo náutico a partir de meados da dé-
     manda futura.                                      cada de 1990 e se tornou um dos destinos
                                                        mais desejados da Europa.
     c) Muitas das estruturas de apoio náutico pre-
     tendem ampliar suas instalações e facilidades      No caso da Croácia, o setor cresce a taxas de
     para abrigar embarcações maiores e mais so-        aproximadamente 5% ao ano e, em 2010, ge-
     fisticadas, além de investir no incremento do      rou uma receita de US$ 571 milhões.
     seu mix de serviços para ampliar a geração de
     receitas no relacionamento com suas bases de
     clientes atuais.




                                                                                                 INDÚSTRIA
                                                                                                   NÁUTICA
                                                                                                BRASILEIRA
70
FATOS E NÚMEROS 2012




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MICRO E PEQUENAS EMPRESAS
A participação das micro e pequenas empresas é marcante em todos os elos da cadeia
produtiva da náutica no Brasil.

ESTALEIROS

Na esfera da produção de embarcações de esporte e recreio, conforme exposto anteriormente,
os estaleiros se valem de uma rede de fornecedores que inclui micro e pequenas empresas,
tanto no fornecimento de peças, equipamentos e acessórios como na prestação de serviços
especializados.

Os estaleiros entrevistados para este estudo contam, em média, com 20 fornecedores
enquadrados como microempresas e 34 enquadrados como empresas de pequeno porte.



Esses números incluem empresas de diversas especialidades e ramos de atuação, tais como:



    Logística e transporte               Consultoria em laminação de fibra de vidro
    Design e engenharia                  Refeições industriais
    Manutenção e limpeza                 Gestão de resíduos
    Assessoria contábil e fiscal         Instalação e calibragem de eletrônicos
    Tapeçaria                            Estofaria
    Propaganda e marketing               Montagens industriais
    Segurança patrimonial                Tornearia e usinagem de peças



Cabe destacar que, em vários casos, parte importante da comercialização de embarcações
está sob responsabilidade de brokers, empresários individuais estruturados em empresas de
micro e pequeno porte e especializados na compra e venda de barcos.

FABRICANTES DE EQUIPAMENTOS, PEÇAS E ACESSÓRIOS

Conforme exposto anteriormente, a dinâmica do mercado náutico fez com que diversos
negócios se originassem a partir da experiência de profissionais especializados que
identificaram oportunidades para empreender e buscar sua independência.

Nesse sentido, diversos agentes do mercado de equipamentos, peças e acessórios náuticos são
micro e pequenas empresas que detêm técnicas e expertises específicas para esse mercado.

Esse conjunto de empresas inclui fabricantes de itens como:



    Vestuário náutico                    Peças de decoração
    Coletes salva-vidas                  Peças usinadas sob medida
    Capas protetoras                     Capotas náuticas
    Cabos para esqui e wakeboard         Enxovais personalizados
    Pranchas de wakeboard                Churrasqueiras
    Tapeçaria e capachos                 Adesivos decorativos
    Velas                                Hélices
    Anodos de sacrifício                 Âncoras
COMÉRCIO E PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS

     Dada a dispersão geográfica e a demanda         ações de varejo náutico ou estruturas de apoio
     ainda incipiente do mercado náutico, a pre-     náutico, onde agregaram experiência na nego-
     sença de pequenas e microempresas na            ciação, conhecimento técnico e um network de
     comercialização e prestação de serviços li-     clientes fundamental à sua atividade.
     gados ao setor ainda é muito expressiva.
                                                     Cabe destacar que os brokers também oper-
     Conforme mencionado anteriormente, es-          am em sinergia com os dealers, negociando em-
     truturas individuais ou microempresas dos       barcações novas para o seu network de clientes
     chamados brokers náuticos são responsáveis      e oferecendo acompanhamento pós-venda.
     pela comercialização de uma parcela impor-
     tante das embarcações em águas brasileiras      Já a prestação de serviços no mercado náu-
     e pela viabilização do mercado de embar-        tico é dominada pelas microempresas e em-
     cações usadas, principalmente no que se         presas de pequeno porte, nascidas do desejo
     refere às embarcações de maior porte e valor.   empreendedor de profissionais especializa-
                                                     dos ligados a estaleiros, fabricantes de equi-
     Esses profissionais independentes são, em sua   pamentos e acessórios, varejistas e estruturas
     maioria, oriundos das estruturas comerciais     de apoio náutico.
     ligadas a estaleiros (dealers), grandes oper-




     Entre os serviços que são oferecidos por essas empresas, temos:


         Corretagem de seguros                                    Manutenção de embarcações
         Instalação e calibragem de instrumentos                  Pintura e reparação náutica
         Transporte de embarcações por terra e por mar            Vistorias
         Montagem de veleiros                                     Treinamento de tripulação
         Mecânica especializada                                   Reparos elétricos
         Reparos hidráulicos                                      Polimento
         Capotaria                                                Estofaria
         Higienização                                             Salvatagem
         Despacho na Capitania dos Portos                         Personalização




     ESTRUTURAS DE APOIO NÁUTICO

     No extremo da cadeia produtiva outbound         Através desse processo, florescem polos de
     da indústria náutica, destaca-se a maior pre-   negócios em diversos pontos do País e torna-
     sença das micro e pequenas empresas, e,         se possível gerar emprego e renda em locais
     nesse segmento, percebe-se de forma mais        remotos do litoral ou do interior, que não po-
     clara o potencial de desenvolvimento social     dem ser alcançados sem a utilização de uma
     que a atividade náutica apresenta.              embarcação.

     A utilização de embarcações de esporte           Acidentes geográficos e paisagens se conver-
     e recreio implica a distribuição de renda       tem em fontes de sustento para populações
     através de relações comerciais de troca         locais, o que estimula a sua preservação e
     entre os usuários destas embarcações e          gera um ciclo virtuoso e sustentável que val-
     os provedores de produtos e serviços das        oriza, ainda, a cultura e os costumes locais.
     regiões visitadas.




                                                                                                 INDÚSTRIA
                                                                                                   NÁUTICA
                                                                                                BRASILEIRA
72
FATOS E NÚMEROS 2012




                                                                                             73




Nesse cenário, as micro e pequenas empresas se destacam
no fornecimento de bens e serviços como:



   Artesanato                       Turismo cultural e arqueológico
   Entretenimento                   Gastronomia
   Apoio à pesca                    Apoio à navegação (praticagem)
   Montagem de veleiros             Ecoturismo
   Apoio ao mergulho                Salvatagem e resgate
   Hospedagem                       Educação ambiental
   Capotaria
DESAFIOS E
     OPORTUNIDADES


      D
           esde a realização da primeira edição    Apesar do crescimento observado nos
           desta pesquisa, há sete anos, o mer-    últimos anos, o mercado náutico brasileiro
           cado náutico brasileiro apresentou as   ainda tem diante de si uma série de desa-
      maiores taxas de crescimento em todo o       fios históricos, ligados a todas as etapas
      mundo e evoluiu de forma impressionante.     da produção, comercialização e utilização
                                                   de embarcações, para realizar, de forma
      Na esteira de um período de expansão da      plena, o seu potencial econômico e social
      economia, o consumidor brasileiro deu        no cenário nacional.
      vazão à sua paixão pela náutica e gerou
      um aumento na demanda por produtos           Mais do que nunca, faz-se necessária a
      cada vez mais sofisticados, e serviços de    atuação coordenada das forças vivas do
      apoio em diversas regiões do país.           setor no governo, em todas as suas esfe-
                                                   ras, para buscar a eliminação de gargalos,
      NOS ÚLTIMOS SETE ANOS O                      a organização de uma política de incen-
                                                   tivo ao setor, a racionalização da carga
      MERCADO NÁUTICO BRASI-                       tributária e a formatação de marcos re-
      LEIRO APRESENTOU AS MAIO-                    gulatórios que ofereçam aos empresários
      RES TAXAS DE CRESCIMENTO                     e investidores a segurança institucional e
                                                   econômica necessária para a alocação de
      EM TODO O MUNDO.                             recursos na náutica, com geração de em-
                                                   prego e renda sustentáveis para um nú-
                                                   mero cada vez maior de brasileiros.




                                                                                       INDÚSTRIA
                                                                                         NÁUTICA
                                                                                      BRASILEIRA
74
FATOS E NÚMEROS 2012




Produção e comercialização                    Esse esforço tem como referência a ex-
                                                                                                   75
                                              periência da cadeia produtiva da indús-
Na esfera da produção, os empresários         tria náutica na Itália. Em 1997, a União
brasileiros que desenvolvem e produ-          da Indústria Náutica Italiana – Ucina
zem embarcações de esporte e recreio          conseguiu do governo daquele país a
enfrentam dificuldades ligadas à carga        aprovação de um pacote de normas de
tributária elevada, à escassez de mão de      incentivo ao setor, incluindo redução
obra especializada e à inexistência de        da carga tributária para a produção e
uma política industrial que apoie o de-       utilização de embarcações, além de um
senvolvimento tecnológico da náutica          marco regulatório para a implantação,
no Brasil.                                    modernização e ampliação de estrutu-
                                              ras de apoio náutico.
Tributação                                    Essas medidas culminaram na edição
                                              de duas normas legais (Lei nº 172, de 8
Desde 2005, a questão tributária tem
                                              de julho de 2003, e Decreto nº 95, de 4
sido alvo de uma gestão proativa das en-
                                              de abril de 2005) que determinaram a
tidades representativas do setor, como a
                                              isenção fiscal para a indústria náutica,
Associação Brasileira dos Construtores
                                              extensiva aos insumos empregados na
de Barcos e seus Implementos – Acobar e
                                              utilização e manutenção de embarca-
a diretoria náutica do Sindicato Nacional
                                              ções, com fortes reflexos na ampliação
da Indústria da Construção e Reparação
                                              da oferta de trabalho em toda a cadeia
Naval e Offshore – Sinaval. Essa iniciativa
                                              produtiva do setor.
tem por objetivo desonerar a produção
e comercialização de embarcações de
                                              Os resultados falam por si. O número
esporte e recreio no Brasil, para agregar
                                              de estruturas de apoio náutico saltou
competitividade internacional ao setor e
                                              de 104, em 1997, para 421, em 2011, en-
buscar o fortalecimento da indústria na-
                                              quanto o número de vagas para em-
cional e a geração de empregos dentro
                                              barcações passou de 29.300 para mais
da cadeia produtiva da náutica.
                                              de 153 mil. Esse movimento fez da Itália
                                              um polo de excelência na indústria náu-
                                              tica, que hoje gera mais de €3,3 bilhões
                                              e emprega mais de 23 mil pessoas, só
                                              na produção de embarcações.
O não entendimento da cadeia produtiva           Comércio
     náutica como atividade de interesse social
     fez com que o segmento fosse sujeito a uma       No âmbito do comércio, a escassez de linhas de
     forte tributação na construção naval. O fato     crédito para compra de embarcações e as taxas
     de a construção naval náutica ser tributada      de juros praticadas pela maioria das instituições
     pelo IPI (o que não ocorre com a indústria       financeiras se aliam ao alto custo dos estoques
     naval metal-mecânica) representa distorção       e aos tributos estaduais para aumentar o preço
     conceitual, uma vez que a característica pro-    final dos produtos e diminuir a atratividade do
     dutiva da atividade está muito mais asseme-      setor náutico perante o público em geral.
     lhada à construção civil que à indústria auto-
     mobilística.                                     A questão tributária, que afeta a composição
                                                      da matriz de custos dos fabricantes de em-
     Segurança jurídica                               barcações, equipamentos, peças e acessó-
                                                      rios, também influi na composição dos pre-
     Outra questão que afeta toda a cadeia pro-       ços finais ao consumidor, inibindo a demanda
     dutiva do setor náutico diz respeito à inexis-   global do varejo.
     tência de um registro único e centralizado das
     embarcações em uso no Brasil. Atualmente, os     Estruturas de apoio náutico
     cadastros das embarcações são mantidos e ar-
     quivados nas Capitanias dos Portos, de forma     A problemática do setor adquire contornos
     descentralizada.                                 mais complicados na esfera da utilização do
                                                      produto náutico. A infraestrutura de apoio à
     A inexistência de um sistema único de regis-     navegação costeira e a formação de mão de
     tro faz com que o conhecimento sobre o ta-       obra especializada no segmento náutico no
     manho da frota brasileira e suas característi-   Brasil exigem investimentos urgentes e em
     cas de porte e utilização seja muito limitado.   larga escala.
     Por outro lado, a precariedade do sistema de
     registro utilizado atualmente não oferece às     No entanto, temos, por um lado, a limitação
     instituições financeiras o grau de segurança     dos recursos públicos para fazer frente a es-
     e transparência que se observa, por exemplo,     sas demandas e, por outro, a inexistência de
     no registro de automóveis (Renavam) ou de        marcos regulatórios específicos que viabili-
     aeronaves (RAB), o que torna a contratação       zem os investimentos privados necessários
     de financiamentos, arrendamentos e seguros       para a construção dessa nova realidade.
     mais complicada, arriscada e cara em com-
     paração com outros bens de valor e aplica-
     ção semelhantes.
                                                      Marco regulatório ambiental
                                                      para a construção de estruturas
     Mão de obra                                      de apoio náutico
     A formação de mão de obra especializada na       A construção de estruturas de apoio náutico
     construção náutica é outro gargalo que inibe     demanda a mobilização de um volume cada
     o desenvolvimento do setor no Brasil. Atu-       vez maior de capital, tendo em vista a cres-
     almente, as iniciativas que buscam a forma-      cente valorização imobiliária das áreas de
     ção de pessoal para os estaleiros brasileiros,   waterfront e a necessidade de investimentos
     como o Polo Náutico da UFRJ, o Projeto Gra-      na construção de estruturas adequadas, em
     el, entre outras, apesar de seu sucesso pon-     equipamentos de movimentação de embar-
     tual, são isoladas e tem alcance regional. Por   cações e em tecnologias de proteção am-
     essa razão, os maiores estaleiros do mercado     biental. Isso faz com que a estrutura de ca-
     são, ao mesmo tempo, centros de demanda          pital necessária para viabilizar a implantação
     e também núcleos de formação de profissio-       de marinas e garagens náuticas seja cada vez
     nais especializados.                             mais forte e complexa.




                                                                                                  INDÚSTRIA
                                                                                                    NÁUTICA
                                                                                                 BRASILEIRA
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FATOS E NÚMEROS 2012




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A inexistência de um marco regulatório de-        Geração de empregos
finitivo para a instalação de equipamentos e
estruturas de apoio náutico traz a dificuldade    e renda, a oportunidade
na obtenção do licenciamento para a implan-       para o setor
tação e operação desse tipo de equipamen-
to, e faz com que o nível de incerteza das        A cadeia produtiva da náutica no Brasil tem
incorporações se torne alto em relação a ou-      vocação para gerar empregos em todos os
tras alternativas de investimento no mercado      seus elos e, por isso, tem um potencial de im-
brasileiro, limitando e encarecendo o fluxo de    pacto social muito importante.
capitais para esse setor, e inibindo o surgi-
mento de novas estruturas de apoio náutico        A atividade náutica é altamente intensiva em
e o desenvolvimento do potencial náutico de       mão de obra, de modo que é grande gera-
regiões inteiras do País.                         dora de trabalho e renda, tanto durante o
                                                  processo de construção das embarcações,
Esse fato tem impacto negativo sobre toda         no qual a mão de obra representa cerca de
a cadeia produtiva da náutica, uma vez que,       60% de seu custo primário, quanto durante a
especialmente no caso de embarcações aci-         utilização das embarcações, quando há apli-
ma de 40 pés, a demanda é negativamente           cação de mão de obra qualificada e indispen-
impactada pela falta de vagas em estruturas       sável.
de apoio náutico.
                                                  O fornecimento de produtos e serviços vol-
                                                  tados à utilização das embarcações de es-
Regularização da                                  porte e recreio, a chamada cadeia produtiva
mão de obra                                       outbound, representa um vetor de geração
                                                  de renda e emprego longe dos centros in-
No que se refere à formação e disponibili-        dustriais tradicionais, o que caracteriza uma
zação de mão de obra especializada para a         dispersão geográfica interessante para a em-
prestação de serviços na utilização de em-        pregabilidade no País e para a fixação da po-
barcações de esporte e recreio, o investimen-     pulação nessas regiões, diminuindo o fluxo
to na formação de marinheiros particulares é      migratório para os grandes centros urbanos.
limitado pela inexistência de uma categoria
profissional específica que ampare os traba-      O número de trabalhadores empregados em
lhadores do setor.                                estaleiros especializados na construção de
                                                  embarcações de esporte e recreio no Brasil
Na medida em que a carreira de marinheiro         é estimado em 9.800 pessoas, enquanto que
particular não se constitui em uma ocupação       os fabricantes de acessórios, peças e equi-
regular, não existem programas de formação        pamentos empregam aproximadamente 7
e outras ferramentas públicas de desenvol-        mil trabalhadores. Cabe destacar que esses
vimento da carreira. Paradoxalmente, traba-       números incluem trabalhadores de empresas
lhadores bem remunerados, com alto grau           que não produzem somente embarcações.
de especialização e reconhecimento no mer-        No caso dos estaleiros e fabricantes de equi-
cado de trabalho, são registrados em outras       pamentos e acessórios, parte da chamada
categorias que não refletem ou valorizam sua      cadeia produtiva inbound, a demanda por
experiência profissional.                         mão de obra tende a se manter crescente
                                                  nos próximos dois anos.
Esse cenário não é, infelizmente, privilégio da
cadeia produtiva da náutica no Brasil. Diver-
sos setores da economia brasileira contem-
plam desafios da mesma envergadura e com
características muito semelhantes.
Aproximadamente 95% dos estaleiros entrevistados para
     este estudo pretendem ampliar seu quadro funcional nes-
     se período, para fazer frente a um aumento esperado na
     demanda por embarcações. Nesse sentido, a tendência é
     a geração de um número maior de vagas na área de produ-
     ção, que responde por um percentual expressivo da força
     de trabalho empregada nos estaleiros e não exige alto grau
     de escolaridade.

     Já no caso dos fabricantes de equipamentos e acessórios,
     merece destaque o fato de 100% das empresas entrevista-
     das terem planos de ampliação das suas linhas de produtos
     e do número de postos de trabalho, com maior ênfase na
     área de produção, mas também na área de desenvolvimen-
     to de produtos, na qual serão abertas vagas para profis-
     sionais mais qualificados e com ofertas mais atraentes em
     termos de remuneração. Essas empresas declaram, ainda,
     a intenção de ampliar o quadro funcional nas áreas de ven-
     das e no setor administrativo.

     Confirmando essa tendência, 78% das empresas que co-
     mercializam embarcações, peças, equipamentos e acessórios
     entrevistadas para este estudo declararam intenção de ampliar
     o seu quadro funcional nos próximos dois anos, com ênfase
     para as áreas de vendas, pós-vendas e assistência técnica.

     Apesar desse quadro essencialmente otimista, é funda-
     mental ressaltar que essas empresas que responderam a
     esta pesquisa também apontaram a falta de qualificação
     da mão de obra disponível no mercado como um dos prin-
     cipais entraves ao desenvolvimento dos negócios para es-
     taleiros, fabricantes de equipamentos e varejistas.

     Esse problema foi apontado como um dos mais sérios
     e urgentes a serem enfrentados pelo setor por 88% dos
     respondentes da pesquisa nos três segmentos.

     No que se refere às estruturas de apoio náutico, apesar de
     uma perspectiva de ampliação dos negócios, do cresci-
     mento do tamanho das embarcações e, em alguns casos,
     da disponibilidade de vagas, a criação de vagas não tende
     a acelerar de forma tão evidente.

     Mesmo em se tratando de estruturas intensivas em servi-
     ço e que por consequência dependem de mão de obra para
     ampliar seus negócios, a percepção dos operadores é de que
     há força de trabalho suficiente para suprir as necessidades
     de atendimento, mesmo que seja preenchida a capacidade
     ociosa que hoje se observa em algumas estruturas, ou que
     haja um upgrade no tamanho das embarcações ali baseadas.

     Não obstante, a falta de mão de obra qualificada também foi
     apontada pela grande maioria dos responsáveis pelas estru-
     turas de apoio náutico em todo o Brasil como um dos pro-
     blemas mais sérios e urgentes que inibem o crescimento da
     náutica no País, o que torna evidente a necessidade de inves-
     timentos urgentes na formação de profissionais para o setor.




                                                                      INDÚSTRIA
                                                                        NÁUTICA
                                                                     BRASILEIRA
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FATOS E NÚMEROS 2012




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INDÚSTRIA
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     BRASILEIRA
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                                   A
                                          o longo do desenvolvimento desta pesquisa,
                                          buscou-se balizar as informações colhidas no
                                          campo e as conclusões elaboradas no estudo
                                    com a opinião e a visão de personalidades que têm
                                    na indústria náutica o seu foco de atuação e possuem
                                    uma perspectiva global deste segmento.

                                    Na busca destes parâmetros foram ouvidos empresá-
                                    rios e executivos de empresas que atuam na constru-
    A VISÃO                         ção náutica, varejo, importação, geração e gestão de
                                    conteúdo segmentado, projetos sociais e entidades
DOS LÍDERES                         internacionais ligadas à atividade náutica.




Forneceram depoimentos para este estudo:
Ernani Paciornik – Diretor Presidente – Grupo 1 Editora
Felipe Furquim – CEO – Regatta
Gabriela Lobato Marins – Diretora – BR Marinas
Lars Grael – Medalhista Olímpico e Consultor do COB
Luis Henrique Moreira Ferreira – Sócio Administrador – Vellroy Estaleiros do Brasil
Natanael Santos de Souza – Presidente – Grupo First
Tony Rice – Secretary General – International Council of Marine Industry Associations
Udo Kleinitz – Diretor Técnico – International Council of Marine Industry Associations
Apesar das diferenças de ponto de vista inerentes à participação de cada
      um na cadeia produtiva do setor, as percepções destas lideranças sobre
     o papel, a importância, o potencial e as limitações para o desenvolvimento
     da atividade náutica no brasil são essencialmente convergentes e alinhadas
                     às conclusões apresentadas neste estudo:



     O BRASIL, POR SUAS CARACTERÍSTICAS DE CLIMA, DISPONIBILIDADE DE ÁGUAS
       PRÓPRIAS PARA A NAVEGAÇÃO DE ESPORTE E RECREIO E CONFIGURAÇÃO
             SÓCIO-DEMOGRÁFICA ABRIGA UM GRANDE POTENCIAL PARA
           O DESENVOLVIMENTO DAS ATIVIDADES NÁUTICAS, TENDO COMO
        FOCO TANTO A POPULAÇÃO DO PAÍS COMO OS MERCADOS EXTERNOS.




       O DESENVOLVIMENTO DA ATIVIDADE NÁUTICA NO BRASIL TEM POTENCIAL
      PARA GERAR BENEFÍCIOS EM TERMOS DE INCENTIVO AO CONVÍVIO FAMILIAR
       E COM A NATUREZA COMO CONTRAPONTO À TENDÊNCIA DE ISOLAMENTO
                    E VALORIZAÇÃO DE UM MUNDO VIRTUAL.




                                                                           INDÚSTRIA
                                                                             NÁUTICA
                                                                          BRASILEIRA
82
FATOS E NÚMEROS 2012



A ATIVIDADE NÁUTICA TEM POTENCIAL PARA DISTRIBUIR EMPREGO E RENDA ATRAVÉS DE
 UMA EXTENSA CADEIA PRODUTIVA, ALTAMENTE INTENSIVA EM MÃO DE OBRA, ALÉM DE         83
 OFERECER UMA ALTERNATIVA DE LAZER E PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PARA AS POPULA-
   ÇÕES DE CIDADES À BEIRA-MAR OU PRÓXIMAS DE CURSOS DE ÁGUA NAVEGÁVEIS.




EXISTE EM SEGMENTOS DA SOCIEDADE E DO GOVERNO UMA FALSA PERCEPÇÃO DE CON-
FLITO ENTRE O DESENVOLVIMENTO DA ATIVIDADE NÁUTICA E A PRESERVAÇÃO DO MEIO
 AMBIENTE. NO MUNDO INTEIRO, A ATIVIDADE NÁUTICA É UM FATOR DE PROTEÇÃO ÀS
PAISAGENS NATURAIS E À QUALIDADE DA ÁGUA, DOIS FATORES INDISPENSÁVEIS PARA O
                         CRESCIMENTO DESTE SETOR.




  ESTA DISTORÇÃO, ALIADA À FALTA DE UM MARCO REGULATÓRIO DEFINITIVO PARA O
   LICENCIAMENTO AMBIENTAL DE INSTALAÇÃO DE ESTRUTURAS DE APOIO NÁUTICO,
 DIFICULTA A CONSTRUÇÃO DE NOVOS EMPREENDIMENTOS, RESTRINGE E ENCARECE A
 OFERTA DE VAGAS NAS ESTRUTURAS EXISTENTES, O QUE SE CONVERTE NUM FATOR DE
                  INIBIÇÃO PARA O CRESCIMENTO DO MERCADO.




 NO MUNDO INTEIRO, A NÁUTICA É PERCEBIDA COMO UMA ATIVIDADE SAUDÁVEL, SO-
 CIALMENTE ACESSÍVEL E DIRIGIDA PRINCIPALMENTE ÀS FAMÍLIAS. NO BRASIL, EXISTE
UMA PERCEPÇÃO DISTORCIDA COM RELAÇÃO À SUPOSTA ELITIZAÇÃO DA ATIVIDADE, O
QUE AFETA O ENCAMINHAMENTO DOS PLEITOS DO SETOR E AFETA ATÉ MESMO A TRIBU-
       TAÇÃO QUE INCIDE SOBRE OS NEGÓCIOS DA SUA CADEIA PRODUTIVA.




A SUPERAÇÃO DESTES DESAFIOS DEVE OCORRER ATRAVÉS DE UMA ATUAÇÃO COORDE-
 NADA DAS FORÇAS DO MERCADO NÁUTICO PARA INFORMAR E SENSIBILIZAR A SOCIE-
 DADE E AS AUTORIDADES COM RELAÇÃO À CONVERGÊNCIA ENTRE OS CONCEITOS DE
DESENVOLVIMENTO NÁUTICO E PRESERVAÇÃO AMBIENTAL, EVIDENCIANDO OS BENEFÍ-
     CIOS QUE O SETOR PODE TRAZER PARA A SOCIEDADE E PARA A ECONOMIA.




O FÓRUM NÁUTICO FLUMINENSE SE DESTACA COMO UMA REFERÊNCIA PARA O DESEN-
VOLVIMENTO DE CENTROS DE EXCELÊNCIA DA NÁUTICA EM TODO O PAÍS, UMA VEZ QUE
  PROPÕE A ARTICULAÇÃO ESTRATÉGICA DOS AGENTES DO MERCADO, MOBILIZANDO
 A INICIATIVA PRIVADA, O PODER PÚBLICO E ENTIDADES SETORIAIS EM TORNO DE UMA
                     AGENDA ÚNICA E POSITIVA PARA O SETOR.




  É ESTRATÉGICO PARA O SETOR APOIAR INICIATIVAS QUE ESTIMULEM O CONTATO DO
PÚBLICO COM A CULTURA E A PRÁTICA DA ATIVIDADE NÁUTICA, TAIS COMO A CONSTRU-
ÇÃO DE RAMPEAMENTO NÁUTICO PÚBLICO, A REALIZAÇÃO DE EVENTOS COMPETITIVOS
E DE EXIBIÇÃO, FESTIVAIS, FEIRAS, O DESENVOLVIMENTO DE PROGRAMAS DE INICIAÇÃO
                     DESPORTIVA E ALUGUEL DE EMBARCAÇÕES.
O
                           s dados primários da pesquisa Indus-
                           tria Náutica Brasileira – Fatos & Nú-
     METODOLOGIA           meros 2012 relativos às estruturas de
                   apoio náutico foram coletados através de en-
                   trevistas pessoais e aplicação de questionário
                   estruturado e pré-testado junto aos opera-
                   dores e gestores de 388 marinas, garagens
                   náuticas e iates clubes em todas as regiões
                   brasileiras.

                   Os dados primários relativos às demais ativi-
                   dades ligadas à cadeia produtiva da náutica
                   foram coletados através de questionários on-
                   line enviados a 103 estaleiros especializados
                   na fabricação de embarcações de esporte e
                   recreio, 45 fabricantes de equipamentos, pe-
                   ças e acessórios náuticos, 84 operações de
                   varejo, 12 importadores e 23 prestadores de
                   serviços focados no mercado náutico.

                   Estas informações foram complementadas
                   com entrevistas em profundidade por telefo-
                   ne junto a 30 varejistas espalhados por todas
                   as regiões do Brasil e por depoimentos pre-
                   senciais colhidos junto a lideranças do setor
                   náutico.

                   Os dados secundários foram coletados jun-
                   to a instituições e empresas especializadas
                   no diagnóstico e formulação de políticas se-
                   toriais ligadas à náutica, ao turismo e ao de-
                   senvolvimento econômico regional, além de
                   publicações e sites do setor náutico.

                   Estas atividades foram realizadas no período
                   de junho a setembro de 2012.




                                                                     INDÚSTRIA
                                                                       NÁUTICA
                                                                    BRASILEIRA
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FATOS E NÚMEROS 2012




                       85
FATOS E NÚMEROS 2012                                                      INDÚSTRIA
                                                                                 NÁUTICA
                                                                              BRASILEIRA



     REFERÊNCIAS:
     A hora e a vez do desenvolvimento regional brasileiro: uma proposta
     de longo prazo. Liana Carleial e Bruno Cruz – IPEA


     Brazil Economic Impact Report – World Travel & Tourism Council


     “Governança Costeira – O Brasil Voltado para o Mar” Instituto Pharos
     e Instituto de Marinas do Brasil


     Guia de Turismo Fluvial – Secretaria da Ciência, Tecnologia,
     Desenvolvimento Econômico e Turismo do Estado de São Paulo


     ICOMIA Statistics Book 2010 - International Council of Marine Industry
     Associations


     Latin America as a Foreign Direct Investments Hotspot -
     Opportunities and risks – The Economist Intelligence Unit


     Nautica & Fisco – Uma guida per diportsiti i operatori - Agenzia della
     Entrate Direzione Regionale Liguria / UCINA


     Overview Rio Náutico 2011 – Fórum Náutico Fluminense


     PARTNERING MARINA & NAUTICAL TOURISM – ICOMIA


     Plano Aquarela 2020 – Marketing Turístico Internacional do Brasil –
     Ministério do Turismo


     Programa Nacional de Orientação para Implantação de Marinas nas
     Águas Interiores Brasileiras - Instituto de Marinas do Brasil


     The Wealth Report 2012 – A global perspective on prime property and
     wealth – Knight Frank & Citi Private Bank


     The World Wealth Report – Capgemini


     UK Leisure, Superyacht, and Small Commercial Marine Industry – Key
     Performance Indicators 2010/11 – British Marine Federation




86
COORDENAÇÃO TÉCNICA
Renato Regazzi - SEBRAE-RJ
Leandro Luis de Sousa Marinho - SEBRAE-RJ


APOIO
Evandro Peçanha Alves – SEBRAE-RJ
Alexandre Gurgel - CIA DE DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL - RJ
André Tostes- CIA DE DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL - RJ
Eduardo Colunna - ACOBAR
Lenilson Marcelo Bezerra - ACOBAR
Luis Henrique Moreira Ferreira - SINAVAL
Klaus Peters - SEMAR
Glaudson Bastos - LOGIKE
Rita de Cassia Franco - BANCO SANTANDER
Kátia de Almeida Faria - BANCO SANTANDER


EQUIPE RESPONSÁVEL

Coordenação geral do projeto: Marcio Malmegrin – Independente Consultores - fcindependente.com.br

Consultor de estruturas de apoio náutico: Claudio Brasil do Amaral – Instituto de Marinas do Brasil

Revisão: Lilia Lacerda da Silva / Chris Schardosim

Projeto Gráfico: dlab.com.br
Acobar   stats 2012

Acobar stats 2012

  • 1.
    Indústria Náutica Brasileira FATOS E NÚMEROS 2012
  • 2.
  • 3.
    Indústria Náutica Brasileira FATOS E NÚMEROS 2012
  • 4.
    ÍNDICE 6 APRESENTAÇÃO 10 INTRODUÇÃO 12 A FROTA BRASILEIRA 20 ESTRUTURAS DE APOIO NÁUTICO 36 ESTALEIROS E FABRICANTES DE EQUIPAMENTOS 50 COMÉRCIO 54 REGIÕES NÁUTICAS 62 ANÁLISE CONJUNTURAL 74 DESAFIOS E OPORTUNIDADES 80 A VISÃO DOS LÍDERES 84 METODOLOGIA 86 REFERÊNCIAS 4
  • 6.
    C riado em 2011 e coordenado pela Secre- taria Estadual de Desenvolvimento Eco- nômico, Energia, Indústria e Serviços, o Fórum Náutico Fluminense demonstrou ser ex- celente ambiente gerador de reflexão estratégi- ca a favor do Rio de Janeiro. APRESENTAÇÃO Desde o decreto estadual que reduziu para 7% o ICMS sobre a fabricação de embarcações de lazer no Estado, a indústria náutica tem mantido ritmo forte de crescimento, a taxas de 15% ao ano, mesmo no período pós-crise global, capaz de gerar cerca de 30 mil empregos. O Estado do Rio de Janeiro concentra 24,2% Endossando a recomendação das demais insti- da infraestrutura náutica nacional. É in- tuições que compõem o Fórum, o Governo do questionável o potencial do setor na ge- Estado apoia a concepção de um sistema de in- ração de emprego, distribuição de renda e de- formações capaz de retratar o status econômi- senvolvimento social. Também são evidentes as co e tecnológico dos principais estaleiros, fabri- inúmeras possibilidades de negócios oferecidas às cantes de equipamentos e acessórios náuticos, micro e pequenas empresas. Diante desse cenário, prestadores de serviço, marinas e importadores o Sebrae/RJ, em parceria com o Governo do Esta- do mercado náutico local e nacional. do do Rio de Janeiro, representantes empresariais e instituições de apoio, ajuda na inserção competi- Temos no Governo do Rio de Janeiro a certeza tiva de micro e pequenas empresas na cadeia pro- de que um novo referencial estatístico do setor dutiva náutica fluminense. náutico virá a robustecer ainda mais o nosso ex- pediente regular de formulação e execução de A instituição atua, ainda, no estabelecimento de uma política estadual de desenvolvimento para uma agenda positiva, capaz de conter as grandes este importante setor na economia local. metas transformadoras a serem estabelecidas e perseguidas em favor de micro e pequenos pro- É nesse contexto que a Secretaria de Estado de dutores de embarcações de recreio e proprietá- Desenvolvimento Econômico, Energia, Indús- rios de marinas e garagens náuticas. Um dos te- tria e Serviços do Governo do Estado do Rio de mas prioritários a serem cobertos pela agenda, por Janeiro apresenta a Pesquisa Indústria Náutica exemplo, diz respeito ao gargalo estrutural de in- Brasileira – Fatos & Números 2012, com a con- formações desse setor. A Pesquisa Fatos & Núme- vicção de que este instrumento de informação ros da Indústria Náutica Brasileira 2012 foi elabora- estratégica irá orientar, não apenas no Rio de da em sintonia com os membros permanentes do Janeiro mas em todo o território nacional, uma Fórum Náutico Fluminense justamente para criar correta e adequada tomada de decisão por par- instrumentos sólidos de informações socioeconô- te dos agentes públicos e privados, com reflexos micas. Assim, poderá direcionar a priorização de significativos no fortalecimento da competitivi- projetos e ações do Sebrae/RJ e parceiros que ga- dade da base produtiva náutica e na elevação rantam resultados relevantes e mensuráveis. dos níveis de emprego e renda oriundos dessa indústria em escala regional e nacional. Com isso, o Sebrae/RJ espera contribuir para elevar a competitividade das empresas do setor náutico e torná-lo uma alavanca de crescimento econômico, de modo a tornar o Rio de Janeiro o melhor lugar do Brasil para abrir e desenvolver Julio Cesar Bueno Secretário de Estado de Desenvolvimento micro e pequenos negócios da cadeia náutica. Econômico, Energia, Indústria e Serviços do Governo do Estado do Rio de Janeiro e Presidente do Conselho do Fórum Náutico Fluminense. Cezar Vasquez Diretor-superintendente do Sebrae/RJ INDÚSTRIA NÁUTICA BRASILEIRA 6
  • 8.
    A ssociação Brasileira dos Construtores de Barcos - ACOBAR, e seus Imple- mentos acredita que o caminho para o desenvolvimento profissional do mercado náutico brasileiro passa pela formulação de políticas públicas e associativas que, essencialmente, depende da coleta, organização e divulgação de informações completas, atuais e fidedignas sobre o mercado náutico, que ser- virão de referência para o processo de tomada de decisões empresariais incenti- vando e apoiando nossas cadeias produtivas. Somente a transparência nos dados e a coerência na atuação da náutica enquan- to setor organizado fará com que sejam superados os entraves históricos que se interpõem à realização plena do potencial náutico do Brasil. Nosso potencial é imenso e internacionalmente reconhecido, como evidencia o recente interesse de grandes empresas multinacionais do setor náutico em estabele- cer conexões no Brasil. A indústria nacional está diante de desafios e oportunidades igualmente inéditos, e para fazer frente a eles deve demonstrar sua capacidade de utilizar as ferramentas que o mercado exige: informação consistente, raciocínio es- tratégico e talento humano. O primeiro passo está dado. Por esta razão, nos congratulamos e expressamos nosso mais sincero agradeci- mento ao SEBRAE-RJ, ao Banco Santander e ao Fórum Náutico Fluminense que se engajaram na viabilização deste estudo que atende às necessidades e anseios de um setor que luta para se desenvolver e oferecer a um número cada vez maior de brasileiros a oportunidade de conviver com as maravilhas naturais deste país. Eduardo Colunna Presidente da ACOBAR INDÚSTRIA NÁUTICA BRASILEIRA 8
  • 10.
    Cada vez mais,o setor passa a ser França, Itália, Austrália e Nova Ze- percebido como um elo importan- lândia, para citar os exemplos mais te da cadeia produtiva da indústria evidentes, onde a cadeia produtiva do turismo, na qual as embarcações náutica é reconhecida como uma INTRODUÇÃO são bens de capital, não mais bens poderosa ferramenta de geração de consumo de luxo. de emprego e renda, divisas inter- nacionais, inovação tecnológica e A expansão e a crescente formali- preservação do meio ambiente. zação das atividades do setor origi- D esde 2005, quando a primei- naram um grande número de novas O primeiro passo dessa caminhada ra edição deste estudo foi empresas, várias delas de micro e é apresentar ao Brasil o tamanho, a realizada, o mercado náuti- pequeno porte, gerando empregos importância e o potencial desse se- co brasileiro passou por grandes e renda, o que criou condições para tor. Esse é o propósito deste estudo. mudanças, impulsionado por um uma racionalização na carga tributá- movimento de expansão sem para- ria, com redução da alíquota de IPI O relatório Indústria Náutica Brasi- lelo na sua história. e das alíquotas de ICMS em estados leira – Fatos & Números 2012 é uma importantes como São Paulo, Rio de iniciativa da Associação Brasileira Alavancadas por um crescimen- Janeiro, Santa Catarina e Bahia. dos Construtores de Barcos e seus to da renda disponível no mercado Implementos – Acobar, patrocinada interno, as vendas de embarcações No entanto, mesmo diante de um pelo Sebrae-RJ e pelo Banco San- novas atingiram patamares inéditos quadro tão auspicioso e um poten- tander, e apoiada pelo Fórum Náu- nos anos de 2008, 2009 e 2010. Nes- cial sem paralelo no mundo, o setor tico Fluminense. Tem o objetivo de se cenário, a demanda se espalhou náutico brasileiro ainda tem gran- oferecer uma base de conhecimento como uma onda: novos usuários des desafios e gargalos a superar sobre o status do mercado náutico ingressaram na base da pirâmide, em todos os pontos da sua cadeia brasileiro, seus principais agentes e adquirindo suas primeiras embar- produtiva inbound (produção e os problemas, as ameaças e as opor- cações, enquanto os consumidores venda de embarcações) e outbou- tunidades que se apresentam para o que já possuíam lanchas e veleiros nd (utilização das embarcações e desenvolvimento do setor. investiram em upgrades, adquirindo serviços correlatos). embarcações novas e usadas mais A coleta de dados foi feita por con- sofisticadas e de maior porte. O Brasil, por seu clima e suas carac- tato direto com as mais importantes terísticas geográficas, encerra um empresas do mercado náutico brasi- No mercado de embarcações de dos maiores potenciais náuticos do leiro – inclusive as estruturas de apoio luxo e grande porte, topo dessa pirâ- mundo. Para realizá-lo, é fundamen- –, entre elas marinas, garagens náuti- mide de consumo, em que os prazos tal que se criem condições de segu- cas, iates clubes, estaleiros, fabrican- e o custo de capital para se adap- rança institucional e de infraestrutura tes de equipamentos e acessórios, tar ao crescimento da demanda são para suportar o crescimento do setor. varejistas, prestadoras de serviços e muito maiores, abriram-se as portas importadoras em atividade no Brasil. para um grande número de marcas A continuidade do ciclo de expan- internacionais, que passaram a per- são observado nos últimos anos está Para complementar o estudo, fo- ceber o Brasil como um mercado de condicionada à modernização das ram realizadas entrevistas pessoais alto potencial, principalmente dian- estruturas de apoio náutico, com a com lideranças do setor e persona- te da crise econômica que afeta os criação de novas marinas, garagens lidades ligadas ao mundo náutico, países centrais, com destaque para náuticas e iates clubes, como tam- às quais agradecemos imensamen- a comunidade do Euro. bém de núcleos de formação e qua- te a colaboração. lificação de mão de obra em todos Esse ciclo de expansão alavancou os níveis; investimentos na estrutura não só a demanda por embarca- de fiscalização e apoio à navegação ções e acessórios, mas também por de esporte e recreio; e redução da estruturas e serviços de apoio náu- carga tributária incidente sobre a fa- tico, com reflexos em todo o Brasil. bricação e a venda de embarcações. Centros náuticos surgiram e se mo- Marcio Malmegrin dernizaram no litoral e, principal- Observadas essas condições, o Bra- Independente Consultores mente, no interior do País, onde um sil conquistará o lugar a que tem Outubro de 2012, Florianópolis, enorme potencial náutico começa direito entre os grandes centros Ilha de Santa Catarina a ser explorado de forma cada vez náuticos do mundo, ao lado de pa- 27°39’40” S; 48°32’42” W mais organizada e profissional. íses como Estados Unidos, Espanha, INDÚSTRIA NÁUTICA BRASILEIRA 10
  • 11.
  • 12.
    A frota brasileira de embarca- Estudos realizados pelo Instituto de ções de esporte e recreio Marinas do Brasil apontam que es- acima de 16 pés compreende truturas informais de apoio náutico A um conjunto de aproximadamente abrigam uma quantidade equiva- 70.000 embarcações, entre lanchas lente a 20% das embarcações regis- FROTA e veleiros. tradas nas marinas regulares. Essas estruturas informais compreendem BRASILEIRA Para a elaboração deste estudo fo- um conjunto de aproximadamente ram visitadas 388 estruturas regu- uma centena de pontos que incluem lares de apoio náutico em todas as pátios de postos de combustível, regiões do Brasil, incluindo o litoral restaurantes à beira-mar ou próxi- dos estados das regiões Nordeste, mos de cursos d´água, hotéis e lotes Sudeste e Sul, interior de São Pau- vazios espalhados por todo o País. lo, Minas Gerais, Paraná, Goiás, Mato Nestes locais pode-se encontrar Grosso, Rio Grande do Sul e as ca- uma parcela expressiva das embar- pitais dos estados de São Paulo, cações a motor com comprimento Amazonas e Pará. Essas estruturas igual ou abaixo de 23 pés. representam 80% do universo de estruturas formais de apoio náutico Existem, ainda, os proprietários que em operação no Brasil, que totaliza mantêm suas embarcações em suas cerca de 480 pontos. próprias casas ou em poitas funde- adas em baías, rios, lagoas e ense- Na coleta de dados em campo, jun- adas abrigadas, sem qualquer custo to a estas estruturas foram conta- de locação de espaço ou guarda da bilizadas 29.996 embarcações a embarcação. Esse tipo de alocação motor e 5.145 embarcações a vela responde por uma parcela equiva- maiores de 16 pés. lente a 20% da frota e contém uma parcela expressiva das pequenas A partir destes valores foram proje- lanchas e veleiros de quilha. tados os totais de embarcações a motor e a vela abrigadas nas estru- turas formais de apoio náutico, que somam 40.574 e 6.430 unidades, respectivamente. 12
  • 13.
    FATOS E NÚMEROS2012 13 Abaixo, a distribuição das embarcações por estrutura: lanchas veleiros embarcações em estruturas regulares 40574 6431 embarcações em estruturas IRregulares 8115 1286 embarcações ABRIGADAS EM CASA OU POITAS 9738 1543 TOTAL 58427 9261 67687
  • 14.
    A exemplo doque foi registrado na edição de 2005 da pesquisa Indústria Náutica Brasilei- ra – Fatos & Números, predominam no mercado brasileiro as embarcações a motor, com quase 84% do total da frota, enquanto que a participação dos barcos a vela chega a 16,3%. 16,36% VELEIROS 83,64% LANCHAS A distribuição da frota de embarcações de esporte e recreio no Brasil obedece à seguinte proporção: DISTRIBUIÇÃO DA FROTA POR REGIÃO DISTRIBUIÇÃO DAS ESTRUTURAS POR REGIÃO DISTRIBUIÇÃO DAS ESTRUTURAS POR REGIÃO (%) 120 100 80 48% 60 40 25% 53% 14% 12% 20 19% 1% 15% 8% 5% 0 SU SE NE CO N0 VELA MOTOR INDÚSTRIA NÁUTICA BRASILEIRA 14
  • 15.
    FATOS E NÚMEROS2012 15 Embarcações a Motor Cerca de 60% das embarcações a motor têm até 26 pés, sendo que a categoria mais en- contrada nas estruturas de apoio náutico pesquisadas inclui as lanchas entre 20 e 26 pés. Essa categoria de embarcação oferece conforto para até oito pessoas, condição boa de navegabilidade e segurança para utilização em águas costeiras e abrigadas, como baías, enseadas e lagoas, bem como em rios e lagos. Atualmente, o valor unitário (com motor) desse tipo de embarcação varia entre R$ 60.000,00 e R$120.000,00, dependendo do nível de sofisticação do modelo e da potência do motor. DISTRIBUIÇÃO DE LANCHAS POR TAMANHO (%) DISTRIBUIÇÃO LANCHAS POR TAMANHO 5,1 17,8 1,9 37 A 41 PÉS 27 A 32 PÉS 29,5 1,6 PÉS 51 A 60 PÉS 9,2 16 A 19 PÉS 0,6 47 A 50 33 A 36 PÉS 3126 PÉS 61 A 70 PÉS 3A 46 PÉS 20 A 0,3 42 ACIMA DE 75 PÉS A distribuição da frota por tamanho não é homogênea nas estruturas de apoio náutico nas diferentes regiões brasileiras. Nas estruturas de apoio náutico pesquisadas na região Sul observa-se um perfil de frota mui- to semelhante entre os estados de Santa Catarina e Paraná, que compartilham condições de navegação e padrões de poder aquisitivo similar. No caso do Rio Grande do Sul, a distribuição do tamanho da frota é influenciada pelo am- biente náutico do Estado, que inibe a utilização de embarcações de maior porte nas águas interiores e no litoral. SUL 60 16 A 19 PÉS 20 A 26 PÉS 50 27 A 32 PÉS 40 32 A 36 PÉS 37 A 41 PÉS 30 42 A 46 PÉS 20 47 A 50 PÉS 51 A 60 PÉS 10 61 A 75 PÉS 0 ACIMA DE 75 PÉS RS SC PR
  • 16.
    Nos dados daregião Sudeste nota-se um perfil semelhante de distribuição do tamanho das embarcações na frota nos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro. A expressiva partici- pação dos tamanhos menores no perfil de São Paulo representa a frota de embarcações de esporte e recreio baseadas nas águas interiores do Estado. Já o perfil da frota do Espírito Santo é composto por embarcações de menor porte e alcan- ce, enquanto que em Minas Gerais a frota apresenta um perfil mais elitizado, apesar de ser numericamente menor que as frotas dos estados vizinhos. SUDESTE 60 16 A 19 PÉS 20 A 26 PÉS 50 27 A 32 PÉS 40 32 A 36 PÉS 37 A 41 PÉS 30 42 A 46 PÉS 20 47 A 50 PÉS 51 A 60 PÉS 10 61 A 75 PÉS 0 ACIMA DE 75 PÉS SP RJ ES MG Nas estruturas de apoio náutico da região Nordeste há uma frota com predominância das embarcações a motor entre 20 e 26 pés, com destaque para a alta diversificação de tamanhos, com participação de embarcações maiores nos estados onde a náutica conta com estruturas de apoio mais sofisticadas, como a Bahia e Pernambuco. NORDESTE 80 70 16 A 19 PÉS 20 A 26 PÉS 60 27 A 32 PÉS 50 32 A 36 PÉS 37 A 41 PÉS 40 42 A 46 PÉS 30 47 A 50 PÉS 51 A 60 PÉS 20 61 A 75 PÉS ACIMA DE 75 PÉS 10 0 AL BA CE PB PE RN SE INDÚSTRIA NÁUTICA BRASILEIRA 16
  • 17.
    FATOS E NÚMEROS2012 Entre as estruturas pesquisadas na região Centro Oeste observa-se maior variedade de 17 tamanhos de embarcações em Brasília. No entanto, a pujança do mercado emergente da região se faz notar com a participação de embarcações acima de 27 pés nas frotas de Goiás e do Mato Grosso. CENTRO-OESTE 90 80 16 A 19 PÉS 70 20 A 26 PÉS 60 27 A 32 PÉS 32 A 36 PÉS 50 37 A 41 PÉS 40 42 A 46 PÉS 30 47 A 50 PÉS 20 51 A 60 PÉS 10 61 A 75 PÉS 0 ACIMA DE 75 PÉS DF GO MT Já na região Norte percebe-se a presença crescente das embarcações entre 20 e 26 pés, a exemplo do que acontece nas demais regiões. O ambiente náutico também favorece a participação de embarcações maiores, até 32 pés, no Amazonas e no Pará. NORTE 70 16 A 19 PÉS 20 A 26 PÉS 60 27 A 32 PÉS 50 32 A 36 PÉS 40 37 A 41 PÉS 42 A 46 PÉS 30 47 A 50 PÉS 20 51 A 60 PÉS 10 61 A 75 PÉS 0 ACIMA DE 75 PÉS AM PA
  • 18.
    INDÚSTRIA NÁUTICA BRASILEIRA 18
  • 19.
    FATOS E NÚMEROS2012 19 Veleiros Mais de 50% dos veleiros encontrados na pesquisa de campo têm tamanho igual ou inferior a 26 pés, o que os torna adequados para navegação costeira e em águas abri- gadas como lagoas, rios, baías e enseadas. DISTRIBUIÇÃO DE VELEIROS POR TAMANHO (%) DISTRIBUIÇÃO VELEIROS POR TAMANHO (%) 0,9 10,4 37 A 41 PÉS 14,1 35,6 51 A 60 PÉS 2,3 PÉS 10,7 27 A 32 PÉS 16 A 19 PÉS 0,2 21,5 47 A 50 33 A 36 PÉS 61 A 70 PÉS 4,1 PÉS 42 A 46 20 A 26 PÉS 0,2 ACIMA DE 75 PÉS As estruturas de apoio náutico pesquisadas nos estados das regiões Sudeste e Sul abrigam as maiores flotilhas de veleiros do País e sediam grande parte dos eventos esportivos do iatismo nacional. Os estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul, Bahia, Santa Catarina e Brasília – DF reúnem 90% dos veleiros abrigados nas estruturas de apoio náutico pesquisadas. CO / 12,06% NE/ 14,13% SE / 48,70% NO/ 1,75% SU / 25,11%
  • 20.
    INDÚSTRIA NÁUTICA BRASILEIRA 20
  • 21.
    FATOS E NÚMEROS2012 21 E stas estruturas são mantidas como parte de operações hotelei- por empresas, em sua maioria ras ou ainda de incorporações imo- de pequeno porte, cujo objeto biliárias de alto padrão. Localizam- social inclui a prestação de serviços se nos pontos do litoral, onde se e a guarda de embarcações. Além concentram os clientes com maior de competirem entre si, estruturas poder aquisitivo, e disponibilizam ESTRUTURAS de apoio mais simples e focadas no mercado de embarcações de me- infraestrutura para receber, abri- gar ou reparar embarcações de DE APOIO nor porte concorrem com agentes informais que também disponibili- esporte e recreio de grande porte. Também oferecem uma série de NÁUTICO zam espaços para a guarda de em- barcações e acessos à água, como negócios complementares com produtos e serviço para este grupo restaurantes, pousadas, postos de de consumidores, agregando recei- gasolina, hotéis, loteamentos e até tas significativas à operação como O MERCADO BRASILEIRO lotes vazios. um todo. CONTA COM CERCA DE 480 ESTRUTURAS No outro extremo da segmentação Neste cenário, merecem destaque do mercado há um grupo de gran- as marinas da região da Costa Ver- DE APOIO NÁUTICO des marinas altamente organizadas de do Rio de Janeiro (Angra dos REGULARES QUE e estruturadas, oferecendo serviços Reis, Parati e Mangaratiba), da Bai- ESTÃO ESPALHADAS e instalações de classe internacional. xada Santista, em São Paulo, e as operações de alto nível mantidas PELAS CINCO REGIÕES Estas marinas funcionam como em Salvador – BA e no litoral de DO PAÍS. DESTAS, empreendimentos autônomos ou Santa Catarina. APROXIMADAMENTE 13% SURGIRAM NOS ÚLTIMOS SETE ANOS E RESPONDEM POR DISTRIBUIÇÃO DAS 10% DAS VAGAS PARA ESTRUTURAS POR REGIÃO (%) DISTRIBUIÇÃO DAS ESTRUTURAS POR REGIÃO (%) BARCOS DISPONÍVEIS NO MERCADO. 24,7 52,6 5,4 14,4 1,5 60 A REGIÃO SUDESTE 50 CONCENTRA MAIS 40 DE 50% DESTAS 30 ESTRUTURAS, EM 20 SEGUIDA APARECEM 10 AS REGIÕES SUL E 0 NORDESTE, CONFORME SU SE CO NE N0 O GRÁFICO AO LADO. SERIES 1
  • 22.
    Vagas disponíveis Nas estruturas de apoio náutico regulares em todo o Brasil estão disponíveis aproxi- madamente 46.000 vagas para embarcações de esporte e recreio. Deste total, são oferecidas pouco menos de 39.000 vagas secas e cerca de 7.000 vagas molhadas. A distribuição de vagas por região pode ser observada nos gráficos abaixo: DISTRIBUIÇÃO VAGAS SECAS POR REGIÃO (%) DISTRIBUIÇÃO VAGAS SECAS POR REGIÃO (%) NO / 4,1 NE / 11,6 SU / 21,7 CO / 7,8 SE / 54,8 SERIES 1 DISTRIBUIÇÃO VAGAS MOLHADAS POR REGIÃO (%) VAGAS MOLHADAS POR REGIÃO (%) DISTRIBUIÇÃO NO / 0,8 NE / 22,2 SU / 21,6 CO / 1,3 SE / 54,1 SERIES 1 INDÚSTRIA NÁUTICA BRASILEIRA 22
  • 23.
    FATOS E NÚMEROS2012 A disponibilidade de vagas molhadas é maior nos estados onde há a maior concentração 23 de embarcações de maior porte: Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia e Santa Catarina, conforme o gráfico abaixo. DISTRIBUIÇÃO DAS VAGAS MOLHADAS POR ESTADO DISTRIBUIÇÃO VAGAS 40 MOLHADAS POR ESTADO (%) 35,7 35 30 25 20 17,1 16 15 11,4 10 5,2 5,4 5 1 1,1 2,1 2,6 0,3 0 0,1 0,1 0,7 0,2 0 0,7 0,1 0 RS SC PR SP RJ ES MG DF GO MT AL BA CE PB PE RN SE AM PA TOTAL VAGA MOLHADA Valores O valor mensal cobrado para a locação de vagas nas estruturas de apoio náutico é, via de regra, proporcional ao tamanho das embarcações e calculado em Reais por pé (unidade de comprimento equivalente a 30,48cm) por mês. Em média, os brasileiros gastam R$28,60/pé/mês para a guarda de embarcações em vagas secas e R$26,50/pé/mês para a guarda de embarcações em vagas molhadas. Estes valores, respectivamente equivalentes a US$14,10 e US$13,07 (pelo câmbio oficial de 24/09/12), são próximos da média praticada por estruturas de apoio náutico dos Estados Unidos e da Austrália (US$15,95), segundo levantamento do Instituto de Marinas do Brasil e do ICOMIA. Os valores cobrados nas estruturas de apoio náutico variam de acordo com a demanda por vagas na região, a localização e a facilidade de acesso, além do nível de sofisticação da infraestrutura e dos serviços disponibilizados, conforme os gráficos abaixo: VALOR MÉDIO POR PÉ VALOR MÉDIO POR PÉ - VAGAS SECAS POR REGIÃO (R$) VAGAS SECAS POR REGIÃO (R$) 35 30 25 20 15 10 5 0 BRASIL / 28,6 SU / 20,1 SE / 32,6 CO / 33,5 NE / 25,7 N0 / 22,9 SERIES 1
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    VALOR MÉDIO PORPÉ VAGAS MOLHADAS POR REGIÃO (R$) MOLHADAS POR REGIÃO (R$) VALOR MÉDIO POR PÉ - VAGAS 35 30 25 20 15 10 5 0 BRASIL / 26,5 SU / 17,8 SE / 30,2 CO / 31,4 NE / 24,5 N0 / 23,9 SERIES 1 Empregos As estruturas de apoio náutico no Brasil empregam aproximadamente 7.000 trabalha- dores diretos e cerca de 5.000 trabalhadores temporários que são contratados duran- te os períodos de maior movimento. As marinas são, ainda, a base de trabalho de cerca de 9.000 marinheiros particulares e seus auxiliares: funcionários contratados e pagos pelos proprietários de embarcações de médio e grande porte. A maior parte destes trabalhadores encontra-se na região Sudeste, que concentra o maior número de estruturas de apoio náutico e as maiores estruturas do mercado, ofe- recendo um extenso mix de serviços para os seus usuários. PARTICIPAÇÃO TOTAL PARTICIPAÇÃO TOTAL DE TRABALHADORES DO SETOR DE TRABALHADORES DO SETOR NE / 10,4% NO/ 2,4% CO / 4,7% SU / 16,7% SE / 65,9% SERIES 1 INDÚSTRIA NÁUTICA BRASILEIRA 24
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    FATOS E NÚMEROS2012 Salário 25 O salário médio oferecido pelas estruturas de apoio náutico no Brasil é de R$927,90. Porém, no Rio de Janeiro, que é o mercado mais sofisticado do Brasil em termos de serviços e estruturas de apoio náutico, o salário médio é 53% superior à média nacional. SALÁRIO MÉDIO POR ESTADO SALÁRIO MÉDIO 1600 POR ESTADO 1419,2 1400 1315,5 1312,5 1282,3 1263 1200 963 1036,9 1098,3 1075 1000 1048,8 1052 1000 863 859,5 800 776,9 805,2 693,8 691,2 665 600 400 200 0 RS SC PR SP RJ ES MG DF GO MT AL BA CE PB PE RN SE AM PA SERIES 1
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    Abastecimento e segurança O alcance das embarcações, a segurança e a qualidade da experiência náutica em uma determinada região estão diretamente relacionados à existência de uma rede de estru- turas de apoio náutico que ofereça abastecimento de combustível e água doce, além de suporte em caso de emergência. Em todas as regiões estudadas são poucas as estruturas de apoio náutico que ofere- cem postos de abastecimento de combustível, como pode ser observado nos gráficos abaixo. Esta escassez é explicada, na maioria dos casos, pela dificuldade em obter licenciamento ambiental para a implantação de estruturas de abastecimento de deri- vados de petróleo em áreas próximos à costa ou a cursos d´água. Paradoxalmente, a inexistência de postos oficiais e controlados pelas autoridades com- petentes aumenta o risco de contaminação durante a realização de operações impro- visadas de abastecimento. ESTRUTURAS QUE OFERECEM SERVIÇO ABASTECIMENTO DE GASOLINA (% POR REGIÃO) ESTRUTURAS QUE OFERECEM SERVIÇO ABASTECIMENTO DE GASOLINA (%POR REGIÃO) 100 9,7 9,4 7,1 90 11,8 28,6 80 19,6 24 50 29,2 21,6 70 60 50 71,4 73,2 40 66,3 61,5 66,7 30 50 20 10 0 BRASIL SU SE CO NE NO TERCERIZADO 9,7 9,4 11,8 0 7,1 0 PRÓPRIO 24 29,2 21,6 28,6 19,6 50 NÃO POSSUI 66,3 61,5 66,7 71,4 73,2 50 INDÚSTRIA NÁUTICA BRASILEIRA 26
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    FATOS E NÚMEROS2012 ESTRUTURAS QUE OFERECEM SERVIÇO ESTRUTURAS QUE OFERECEM SERVIÇO ABASTECIMENTO DE DIESEL (%POR REGIÃO) ABASTECIMENTO DE DIESEL (%POR REGIÃO) 27 100 9,9 8,3 5,4 90 13,2 16,7 19 80 19,6 20,1 21,9 19,6 70 60 50 83,3 81 75 40 70 69,8 67,2 30 20 10 0 BRASIL SU SE CO NE NO TERCERIZADO 9,9 8,3 13,2 0 5,4 0 PRÓPRIO 20,1 21,9 19,6 19 19,6 16,7 NÃO POSSUI 70 69,8 67,2 81 75 83,3 No que se refere às estações de rádio-base e estruturas de salvatagem, observa-se uma disponibilidade muito maior nas estruturas de apoio náutico em todas as regiões do Brasil. Este componente contribui para o aumento da segurança da navegação costeira. No entanto, a concentração geográfica das estruturas de apoio náutico em torno das ca- pitais (no caso dos estados do Nordeste) e em pontos isolados do litoral (no caso da região Sul), limita a eficiência desta rede de apoio aos navegantes. ESTRUTURAS QUE OFERECEM SERVIÇO ABASTECIMENTO DE DIESEL (%POR REGIÃO) DISPONIBILIDADE DE SERVIÇO RESGATE SALVATAGEM POR REGIÃO 0,3 0,5 100 4,4 5,2 4,4 5,4 90 80 70 66,7 60 74,7 76 75 71,4 83,3 50 40 30 20 33,3 20,6 19,8 23,2 10 19,1 16,7 0 BRASIL SU SE CO NE NO AMBOS 0,3 0 0,5 0 0 0 TERCERIZADO 4,4 5,2 4,4 0 5,4 0 PRÓPRIO 74,7 75 76 66,7 71,4 83,3 NÃO POSSUI 20,6 19,8 19,1 33,3 23,2 16,7
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    Características das bases de apoio náutico no Brasil P equenas garagens náuticas são estru- turas que oferecem vagas cobertas e descobertas (galpão fechado ou aberto) para barcos com carretas próprias, rebocadas por trator. Estas garagens incluem rampa de descida ou subida dos barcos, mas em muitos lugares a própria praia serve de rampa. As instalações se resumem a um pequeno A maioria das marinas no Brasil são privadas escritório, com depósito, lanchonete e sani- e se constituem num negócio similar a um ho- tários. Algumas apresentam área social, com tel, no qual o hóspede é o barco. Geralmente, churrasqueira e área sombreada. Em geral a principal receita de uma marina brasileira é não possuem posto de combustível próprio. originada pelo aluguel de vagas, que chega a Muitas dessas garagens náuticas são apenas representar 85% do faturamento bruto anual. guarda-barcos e algumas estão localizadas em áreas com forte influência de maré, con- No entanto, algumas marinas – por suas carac- dicionando as saídas e retornos dos barcos a terísticas de localização (marina urbana, por esse fenômeno físico. exemplo) – atendem às demandas de público externo, que pode acessar o estabelecimento Pelo pequeno número de barcos guardados, náutico para consumir em bares, restaurantes, essas estruturas raramente alcançam uma re- lojas náuticas, aluguel de barcos, exposições ceita financeira suficiente para investir em apri- de barcos, eventos sociais etc. Nesses casos, moramentos compatíveis com as exigências a receita anual agregada pode representar até dos proprietários de embarcações de médio e 30% do faturamento da marina, diminuindo a grande porte. O diferencial que costumam ofe- dependência da receita do aluguel de vagas. recer é o atendimento ao cliente. Atualmente, a demora e a dificuldade para apro- Marinas em geral são as estruturas que con- var a construção de uma nova marina fazem tam com vagas secas cobertas em um nível com que o mercado brasileiro conviva com uma ou verticalizadas, até quatro níveis (empilha- enorme demanda reprimida de vagas para bar- mento de barcos com drystack); vagas molha- cos, o que se torna um gargalo para a produção das, doca de combustível, rampa, equipamen- de embarcações de recreio. Isso também leva a tos mais sofisticados para rápido lançamento tarifas muito altas de aluguel de vagas nas ma- ou recolhimento de barcos da água (travelift, rinas e nas garagens náuticas mais procuradas, forklift, carreta universal); estaleiro de serviços, acima inclusive do que é cobrado em outros pa- lojas, restaurantes, bares, lavanderia, escola de íses do hemisfério norte e da Oceania. vela, base de charter, estacionamentos para veí- culos, hotelaria, residencial, alojamento e refeitó- A falta de marinas influencia e estimula o mer- rio para marinheiros, centro de eventos etc. cado periférico, representado por milhares de velejadores em todo o País que deixam seus barcos em poitas, trapiches particulares, em milhares de residências, em especial nas águas interiores brasileiras; pelos píeres turísticos e/ ou de pesca, nas baías e enseadas abrigadas, rios estuarinos etc. INDÚSTRIA NÁUTICA BRASILEIRA 28
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    FATOS E NÚMEROS2012 29 Iates Clubes geralmente mantêm vagas secas e/ou molhadas, doca de combustível, rampa, veleria, escola de vela, restaurante, salas de jo- gos, bares, lojas, área social, e estacionamento para veículos. Os focos de investimento na melhoria da estrutura física e dos serviços A maioria destes clubes se desenvolveu sem planejamento e ocupou o espaço físico de ter- O foco mais recente de investimento nas es- reno e do espelho d´água conforme as neces- truturas de apoio náutico organizadas tem sidades e condições financeiras dos sócios. sido na verticalização de vagas, substituindo o sistema convencional de garagens cobertas Muitos expandiram suas instalações além do para barcos. Essa alternativa permite ocupar limite físico, gerando problemas de fluxo na terrenos com menor espaço, multiplicando o operação náutica e no setor social. Uma mino- número de vagas. ria, como o Iate Clube de Santos, aumentou sua atuação instalando sub-sedes em outros muni- Da mesma forma, há crescente investimento cípios, como Ilhabela, Parati e Angra dos Reis. em substituição de sistemas e equipamentos convencionais por outros mais avançados, tipo Entretanto, esses iates clubes – vários funda- drystack, travelift, trailers hidráulicos, forklifts, dos na década de 40 – sobreviveram graças pump-out, câmeras de segurança, automati- às atividades náuticas e à carência de vagas zação, informatização, energia solar, captação disponíveis, enquanto dezenas de clubes con- de águas, estações de tratamento, pisos com vencionais nas cidades vêm mostrando pouco drenagem, sinalização e comunicação. fôlego para se manterem. Há uma melhoria de serviços em razão de pla- nejamento, investimentos em qualificação de mão de obra, treinamentos, cursos e conscien- tização ambiental, inclusive nos aspectos de segurança nas marinas, que estimulam – posi- tivamente – o comportamento dos usuários na condução de seus barcos.
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    Polos de maiorcrescimento no litoral e no interior do Brasil E m todo o País percebe-se uma expansão gradativa e espontânea das atividades náuticas naquelas regiões nas quais se possam aprovar marinas. Neste cenário, predominam as estruturas de pequeno porte: as garagens náuticas. Sua instalação é simples e rápida quando já existe um terreno em frente às águas calmas, com abrigo natural e protegido das ondas. Neste local constrói-se uma rampa ou usa-se a própria praia como acesso dos barcos à água. Assim surgem núcleos embrionários com poucos barcos, que se desenvolve até atingir uma quantidade maior. Em lu- gares onde nunca se viu uma embarcação de recreio, esses núcleos atraem a curiosidade dos moradores e até de públi- co mais distante, que encontra “a solução” para guardar seu barco, ou então comprar um, pois terá onde deixar. Na região Sudeste, que concentra a maioria das estruturas de apoio náutico, não houve lançamentos de marinas de maior porte nos últimos anos. As estruturas existentes estão sendo continuamente ampliadas no limite de suas capacida- des, para atender a demanda. Em determinadas regiões do Sudeste, nota-se tendência de diminuição no número de barcos no mesmo espaço físico, pois os barcos maiores ocupam o lugar dos menores, às ve- zes tomando o espaço de duas vagas pequenas para acomo- dar um iate maior. Continua firme a preferência das marinas por clientes com barcos maiores. Nas demais regiões do País há vários projetos em gestação, mas poucas realizações, com exceção da proliferação das garagens náuticas. Alguns poucos planos contratados pelos governos estadu- ais e/ou municipais têm estimulado o empreendedorismo náutico, mesmo com o esforço para a formação de associa- ções regionais de marinas, buscando a conscientização dos governantes e dos órgãos que influenciam no licenciamento dessas estruturas. Os Planos de Ordenamento Náutico são o início: estudos de planejamento do waterfront que resultam num diagnóstico para indicar os locais potenciais, os tipos de estruturas de apoio náutico e o que se deve fazer para viabilizá-las numa determinada região marítima ou em águas interiores. Estes planos representam a referência básica para os entes públicos e a iniciativa privada entrarem em sintonia positiva na avaliação técnica, econômica, ambiental e social envol- vendo várias atividades além da navegação de recreio, tais como o transporte aquaviário, o turismo náutico, a pesca, a aquicultura, as reservas ambientais, as praias, os esportes náu- ticos, entre outros fatores que dividem o espaço nas águas. INDÚSTRIA NÁUTICA BRASILEIRA 30
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    Mercados e espaçosameaçados Marinas nas águas interiores brasilei- ras, tendência irreversível que pode A s regiões que estão sofrendo degrada- ção ambiental afastam o usuário de barco ajudar a definir um cenário melhor de recreio, assim como turistas embarca- dos. Por exemplo, hoje a represa de Guarapiran- A atividade náutica registra um tímido avanço para ga, que já foi o berço de grandes velejadores e de aproveitar o potencial de milhares de quilômetros vários iates clubes, está cercada por ocupações navegáveis nas bacias hidrográficas do País. irregulares, que contaminam as águas e colocam em risco a saúde dos usuários náuticos. Hidrovias, rios, lagos e represas formam um imenso “mar interior” com longas extensões na- A ocupação irregular das margens das represas vegáveis ultrapassando as fronteiras estaduais e e a falta de saneamento básico colocam em xe- até nacionais, aproximando culturas e interesses que a atividade náutica, obrigando os donos de econômicos. Nestes locais o turismo náutico se barcos de recreio a migrar para outras regiões. insere como uma alternativa saudável, pacífica, não poluidora, geradora de riqueza e milhares de Em regiões onde os entraves para a aprovação postos de trabalho, diretos e indiretos. de marinas são endêmicos, como Florianópolis - SC, a atividade náutica se manifesta muito ti- A hidrovia Tietê-Paraná é um dos mais notáveis midamente devido à falta de novas estruturas de cursos d´água, por sua extensão e em especial, apoio náutico. por sua preservação ambiental em grande parte de seus limites. Atribui-se esta situação à exis- Especificamente neste caso, a Lagoa da Con- tência de grandes latifúndios produtivos e ao ceição – que tem limitações de espaço físico monitoramento da operadora do sistema, em e baixa profundidade para a navegação de re- sintonia com os órgãos ambientais dos estados creio – está repleta de barcos grandes guar- de São Paulo e do Paraná. dados em simples garagens náuticas ou em trapiches particulares. Entretanto, a ocupação e o uso irregular das águas em alguns pontos às margens da hidrovia e dos Outro exemplo é a região do Saco da Ribei- rios a ela conectados é uma questão a ser evitada. ra, em Ubatuba - SP, que teve uma ocupação Assim como ocorreu em grande parte do litoral contínua e muito densa de vários tipos de brasileiro, a ameaça se dá na forma das constru- estruturas na água, como o píer público de ções irregulares e usos antrópicos indevidos. Es- pesca, que concentra grande movimento náu- sas irregularidades são incompatíveis com a vida tico em seu entorno, em especial uma grande marinha, impactam e agridem a natureza, em es- quantidade de poitas ao largo. pecial nas regiões portuárias e praias urbanas, es- tressando o meio ambiente e afastando as opor- A falta de um planejamento inicial e a dificulda- tunidades de receber investimentos turísticos. de de aprovação de marinas no litoral paulista resultaram nessa concentração de píeres, mari- No ranking dos países com maior potencial de nas, iates clubes e barcos em poitas, disputan- explorar “waterway” (espaço de águas interio- do o espelho d´água de maneira desordenada res navegáveis) a China lidera. A Rússia vem em e impactante. segundo, o Brasil em terceiro e os Estados Uni- dos ficam em quarto lugar. No Pontal do Paraná, dezenas de garagens náuticas surgiram ao longo de um canal artifi- Os norte-americanos adotaram um programa na- cial construído pelo governo para fins de dre- cional de proteção de seu litoral e de suas águas nagem e que deságua na baía de Paranaguá. interiores (“Sea Grant Program”), que abrange os A navegação dos barcos de recreio está con- Grandes Lagos e mais de 11.000 lagos interiores dicionada a variação das marés, devido à bai- acima de cinco hectares cada um. xa profundidade nesse estreito canal, onde se observam pontos de deterioração ambiental e No interior dos Estados Unidos existe um mi- intensa ocupação habitacional e náutica. lhão de barcos de recreio. A maioria deles está engajada voluntariamente nos programas para A superfície das águas da baía de Guanabara ajudar as autoridades a fiscalizar aspectos am- é afetada pelo descarte de lixo não degradável bientais relacionados com as águas, como a in- em vários pontos. Esses locais são evitados pe- vasão de espécies exóticas de moluscos e plan- los barcos de recreio, o que desvaloriza o patri- tas, além da denúncia de ocorrências de usos e mônio náutico e a própria região. ocupações irregulares nas margens e nas águas. INDÚSTRIA NÁUTICA BRASILEIRA 32
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    FATOS E NÚMEROS2012 33 Prevalece a consciência de preservação do Esse case de sucesso pode ser adotado no meio ambiente onde esses velejadores e seus Brasil, justamente através das marinas que familiares passam seus melhores momentos estão surgindo nas águas interiores como de lazer. As marinas estão igualmente enga- grande novidade de opção de lazer e es- jadas nesse programa, pois elas representam porte náutico. Afinal, as águas interiores não o local onde se “confinam” os usuários dos são salgadas nem têm a dinâmica marinha, barcos, podendo lhes transmitir consciência portanto são passiveis de sofrer deterioração ambiental e de prevenção a acidentes, manu- em médio prazo, conforme os impactos e as tenção de suas embarcações etc. características da região. NOME DO PAÍS VIAS DE NAVEGAÇÃO (KM) ANO DE ESTIMATIVA CHINA 110.000 2010 RÚSSIA 102.000 2009 BRASIL 50.000 2010 ESTADOS UNIDOS 41.009 2008 INDONÉSIA 21.579 2011 COLÔMBIA 18.000 2010 VIETNAM 17.702 2011 CONGO 15.OOO 2009 ÍNDIA 14.500 2008 BURMA 12.800 2008 ARGENTINA 11.000 2007 Fonte: Worldby Map
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    A necessidade do marco regulatório O GT Náutico – coordenado pelo Ministério do Turismo – reúne vários ministérios, agências, au- tarquias e secretarias, juntamente com Outras barreiras representantes da iniciativa privada, que defendem os interesses do setor náuti- dificultam a viabilização co, no qual as marinas estão Incluídas. de marinas: Vários esforços são desenvolvidos para A tributação excessiva sobre a impor- remover barreiras ao desenvolvimento tação de equipamentos essenciais para do mercado náutico no País, incluindo a a operação de estruturas modernas tais reformulação dos critérios de aprovação como forklifts, travelift, trailers hidráulicos, das marinas, que não foram planejados pump-outs, ainda sem similares no País no passado, quando elas não existiam. que possam garantir a mesma segurança, durabilidade e qualidade alcançada pelos Nos primórdios da atividade náutica, fabricantes estrangeiros, dado à expertise apenas iates clubes eram aprovados por e décadas de estudo e investimentos de uma autorização especial do Presidente pesquisa nesse tipo de tecnologia. da República. As marinas foram surgin- do e cada aprovação era uma surpresa A inexistência de um programa de desas- para o próprio governo, pela falta de um soreamento e fixação de barras de rios marco regulatório. estuarinos, que perderam profundidade original para atender o acesso ou a saída Nas últimas três décadas, o processo de de embarcações miúdas e médias, tanto regularização de uma estrutura de apoio de recreio quanto de pesca. náutico exigia reunir técnicos e adaptar estruturas de diferentes ministérios para avaliar a aprovação ou rejeição de uma NESSA IMERSÃO PARA marina, numa iniciativa dos órgãos de li- IDENTIFICAR AS DIFICULDADES cenciamento ambiental. E EXPECTATIVAS DO SETOR NÁUTICO HÁ CONSENSO NO GT Até os dias de hoje, os empreendedo- NÁUTICO E REPERCUSSÃO NO res e investidores de marinas empregam recursos e tempo consideráveis para MERCADO E NA SOCIEDADE DE desenvolver estudos e relatórios de im- QUE O BRASIL DEVE SOLTAR pacto ambiental, sem parâmetros defi- AS AMARRAS DA BUROCRACIA nitivos estabelecidos para este fim. E APROVEITAR MELHOR SEUS RECURSOS NATURAIS PARA O TURISMO DA NAVEGAÇÃO DE RECREIO, QUE É UMA ATIVIDADE CONSAGRADA NA MAIORIA DOS PAÍSES DESENVOLVIDOS. INDÚSTRIA NÁUTICA BRASILEIRA 34
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    ESTALEIROS E FABRICANTES DE EQUIPAMENTOS Estaleiros O s estaleiros brasileiros especiali- zados na fabricação de embarca- ções de esporte e recreio ofere- cem ao mercado uma gama completa de produtos que inclui desde caiaques, pran- chas a vela e motos aquáticas até iates de alto luxo, trawlers e veleiros de longo curso, capazes de dar a volta ao mundo. Apesar de a atividade de construção na- val destinada ao esporte e recreio datar do início do século XX, somente na déca- da de 1960 surgiram as primeiras opera- ções industriais especializadas no setor, trabalhando a partir de encomendas e, posteriormente, formando os primeiros estoques de produtos acabados. As iniciativas pioneiras tiveram origem nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo, não por acaso os dois principais polos de geração de demanda no mer- cado nacional. Ali, as primeiras opera- ções se consolidaram e viabilizaram a expansão da náutica por diversos pon- tos do litoral e do interior do Brasil. INDÚSTRIA NÁUTICA BRASILEIRA 36
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    A partir dadécada de 1980, com o aumento da visibilidade da náutica no cenário brasileiro, houve um crescimento no número de estaleiros e o mercado pôde ob- servar o surgimento de novas operações industriais e novas marcas focadas na demanda crescente das regiões Sul e Nordeste do Brasil. Esse movimento foi refor- çado pelo crescimento e pela estabilidade econômica que tiveram lugar a partir de meados da década de 1990, com o advento do Real. Nesse período começaram a se desenvolver os embriões dos novos centros de produção náutica, que se consolidaram nos últimos vinte anos e se mantêm pujantes até o presente, entre os quais merecem destaque as regiões da Grande São Paulo, Baixada Fluminense e os estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Alagoas e Pernambuco. As regiões Sudeste e Sul concentram mais de 85% dos estaleiros, com destaque para os estados de São Paulo (35% do total de estaleiros), Santa Catarina (21% do total) e Rio de Janeiro (14%). PARTICIPAÇÃO DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA SE / 52% NE/ 11% CO / 1% SU / 36% Em que pese a qualidade dos produtos desenvolvidos e construídos pelos estaleiros nacionais e a existência de movimentos incipientes dirigidos ao mercado externo, o principal foco dessas empresas é, sem dúvida, o mercado brasileiro, que se encontra em expansão e com perspectivas de continuidade para os próximos anos. INDÚSTRIA NÁUTICA BRASILEIRA 38
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    FATOS E NÚMEROS2012 39 No passado recente, merece destaque o início Logicamente, a construção e a comerciali- das operações no Brasil de estaleiros de origem eu- zação de embarcações maiores demandam ropeia e norte-americana, que, confrontados com a expertise mais elevada e uma estrutura de crise econômica nos mercados de origem, vieram capital mais robusta, que suporte o ciclo de disputar uma fatia do crescente mercado brasileiro. produção, o que limita o número de competi- dores nessa faixa de mercado. Por essa razão, Atualmente, o mercado conta com cerca de 120 observa-se que a concorrência no mercado estaleiros formais em operação e que produzem náutico é mais acirrada entre os fabricantes embarcações de 16 pés ou mais, foco principal de embarcações menores, que oferecem mix desta pesquisa. Nesse universo, 70% dos estalei- de produtos semelhantes entre si. ros produzem apenas lanchas e 15% deles oferecem modelos de 50 pés ou mais. Os estaleiros dedicados Entre os estaleiros pesquisados que produ- apenas à produção de veleiros representam 13% do zem lanchas movidas a motor de popa, temos total, e o restante dos fabricantes oferece um mix a seguinte distribuição de modelos oferecidos de produtos variados que inclui infláveis, monotipos ao mercado: com tamanho inferior a 16 pés e até trawlers de lon- go curso, fabricados por encomenda. OS TAMANHOS DE BARCOS A MOTOR DE POPA MAIS PRODUZIDOS QUAIS SÃO OS TAMANHOS DE BARCOS A MOTOR DE POPA PROZUIDOS PELO ESTALEIRO? PELO ESTALEIROS RESPONDENTES SÃO 24, 16, 19 E 21 PÉS 6% 33 A 36 PÉS 2% 42 A 46 PÉS 11% 27 A 32 PÉS 54% 20 A 26 PÉS 27% 16 A 19 PÉS Entre os estaleiros que produzem lanchas movidas a motor de centro ou centro-rabeta, temos a seguinte distribuição de modelos oferecidos ao mercado: OS TAMANHOS DE BARCOS A MOTOR DE CENTRO OU CENTRO-RABETA QUAIS SÃO OS TAMANHOS DE BARCO COM MOTOR DE SÃO 30, 35 E 26 PÉS. ESTALEIRO? MAIS PRODUZIDOS PELOS RESPONDENTES CENTRO PROZUIDOS PELO 5% ACIMA DE 75 PÉS 6% 51 A 60 PÉS 10% 42 A 46 PÉS 10% 33 A 36 PÉS 30% 27 A 32 PÉS 2% 16 A 19 PÉS 6% 61 A 70 PÉS 3% 47 A 50 PÉS 10% 37 A 41 PÉS 18% 20 A 26 PÉS
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    Entre os estaleirospesquisados que produzem veleiros, temos a seguinte distribuição de modelos oferecidos ao mercado: OS TAMANHOS DE VELEIROS MAIS OFERTADOS PELOS ESTALEIROS SÃO 16, 28, 33 e 43 PÉS QUAIS SÃO OS TAMANHOS DE VELEIROS PROZUIDOS PELO ESTALEIRO? 5% ACIMA DE 75 PÉS 9% 47 A 50 PÉS 14% 33 A 36 PÉS 14% 27 A 32 PÉS 27% 16 A 19 PÉS 5% 61 A 75 PÉS 14% 42 A 46 PÉS 5% 37 A 41 PÉS 9% 20 A 26 PÉS É importante destacar que as característi- com produtos semelhantes fabricados por cas semiartesanais e altamente especiali- empresas de maior porte a preferência dos zadas do processo de fabricação de uma consumidores. embarcação de esporte e recreio viabilizam a coexistência de estruturas produtivas de A alocação da força de trabalho nos estalei- diferentes tamanhos dentro do mercado, ros pesquisados se concentra, pela ordem, na sem prejuízo para a qualidade e competiti- produção, seguida pela área administrativa, vidade do produto final. Isso significa que vendas, desenvolvimento de produto e pós- pequenos estaleiros, que operam com pa- vendas, conforme pode ser observado nos drões de qualidade de processo e produto, gráficos abaixo. mantêm-se ativos no mercado e disputam FUNCIONÁRIOS PRODUÇÃO FUNCIONÁRIOS PRODUÇÃO 11,5% / ACIMA DE 100 23,1% / ATÉ 10 FUNCIONÁRIOS 3,8% / ENTRE 71 e 80 11,5% / ENTRE 51 e 60 3,8% / ENTRE 41 e 50 26,9% / ENTRE 3,8% / ENTRE 31 e 40 11 E 20 15,9% / ENTRE 21 E 30 INDÚSTRIA NÁUTICA BRASILEIRA 40
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    FATOS E NÚMEROS2012 41 FUNCIONÁRIOS ADMINISTRATIVOS FUNCIONÁRIOS BACKOFFICE FUNCIONÁRIOS PÓSPÓS VENDAS FUNCIONÁRIOS VENDAS 7,7% / ENTRE 21 E 30 20% / 7,7% / ZERO ENTRE 11 E 20 80% / ATÉ 10 FUNCIONÁRIOS 84,6% / ATÉ 10 FUNCIONÁRIOS FUNCIONÁRIOS VENDAS VENDAS FUNCIONÁRIOS 8% / ENTRE 12% / ZERO 21 E 30 8% / ENTRE 11 E 20 72% / ATÉ 10 FUNCIONÁRIOS FUNCIONÁRIOS DES. PRODUTO FUNCIONÁRIOS DES. PRODUTO 3,8% / ENTRE 11,5% / ZERO 21 E 30 3,8% / ENTRE 11 E 20 80,8% / ATÉ 10 FUNCIONÁRIOS
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    Com relação aonível de escolaridade dos funcionários, temos a seguinte distribuição nas empresas respondentes: ESCOLARIDADE MÉDIA FUNCIONÁRIOS DIRETOS DOS ESTALEIROS DESENVOLVIMENTO DE PRODUTO DESENVOLVIMENTO DE PRODUTO VENDASVENDAS 4% 4% 9% NÃO RESPONDEU NÃO RESPONDEU 22% 13% FUNDAMENTAL ENSINO MÉDIO INCOMPLETO 9% 13% COMPLETO ENSINO MÉDIO SUPERIOR COMPLETO INCOMPLETO 13% SUPERIOR SUPERIOR INCOMPLETO COMPLETO SUPERIOR PÓS-GRADUAÇÃO / 9% COMPLETO MESTRADO 39% 48% 17% PÓS-GRADUAÇÃO / DOUTORADO MESTRADO PRODUÇÃO PRODUÇÃO ADMINISTRATIVO ADIMINISTRATIVO 16% FUNDAMENTAL 12% 19% ENSINO MÉDIO INCOMPLETO COMPLETO FUNDAMENTAL SUPERIOR COMPLETO COMPLETO 19% 46% 38% 31% ENSINO MÉDIO SUPERIOR INCOMPLETO INCOMPLETO ENSINO MÉDIO PÓS-GRADUAÇÃO / 19% COMPLETO MESTRADO PÓS VENDAVENDA PÓS NÃO RESPONDEU FUNDAMENTAL INCOMPLETO 45% 14% FUNDAMENTAL COMPLETO ENSINO MÉDIO 4% INCOMPLETO ENSINO MÉDIO COMPLETO 5% 14% SUPERIOR INCOMPLETO SUPERIOR 9% 9% COMPLETO INDÚSTRIA NÁUTICA BRASILEIRA 42
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    O que sereflete na remuneração média dos profissionais de cada setor: SALÁRIO MÉDIO FUNCIONÁRIOS DIRETOS DOS ESTALEIROS DESENVOLVIMENTO DE PRODUTO DESENVOLVIMENTO DE PRODUTO PRODUÇÃO PRODUÇÃO 17% 4% NÃO RESPONDEU 4% 18% ENTRE 2 E 3* ENTRE 3 E 5* ENTRE 1 E 2* 4% ENTRE 5 E 7*O ENTRE 2 E 3* ENTRE 7 E 10* 19% 66% 9% ENTRE 3 E 5* ENTRE 10 E 15* *SALÁRIOS MÍNIMOS 44% ENTRE 15 E 20* 15% *SALÁRIOS MÍNIMOS VENDAS VENDAS ADMINISTRATIVO ADIMINISTATIVO 9% 4% 12% 4% NÃO RESPONDEU 4% 4% ENTRE 1 E 2* 8% 19% ENTRE 1 E 2* ENTRE 2 E 3* ENTRE 2 E 3* ENTRE 3 E 5* ENTRE 3 E 5* 18% 4% 31% ENTRE 5 E 7* ENTRE 5 E 7* ENTRE 7 E 10* ENTRE 7 E 10* ENTRE 15 E 20* 42% ENTRE 10 E 15* 26% 15% ACIMA DE 20* *SALÁRIOS MÍNIMOS *SALÁRIOS MÍNIMOS PÓS VENDA PÓS VENDA 5% 14% 4% NÃO RESPONDEU 4% 9% ENTRE 1 E 2* ENTRE 2 E 3* ENTRE 3 E 5* ENTRE 5 E 7* ENTRE 10 E 15* 32% ENTRE 15 E 20* 32% *SALÁRIOS MÍNIMOS INDÚSTRIA NÁUTICA BRASILEIRA 44
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    FATOS E NÚMEROS2012 45 Os funcionários mais qualificados e liga- envolvida em todas as etapas do processo, dos às tarefas mais complexas trabalham altamente especializada. Por consequência, no desenvolvimento de produtos e vendas. a mão de obra direta representa uma parcela Essas são as carreiras que apresentam me- de até 65% do custo final de fabricação dos lhor remuneração dentro da estrutura mé- produtos acabados na grande maioria dos es- dia dos estaleiros brasileiros. taleiros. A construção naval de embarcações de es- Essa configuração, aliada à necessidade de porte e recreio é um processo altamente amplos espaços para a construção de uma especializado e (até muito recentemente) embarcação e à utilização de insumos de alto de escala restrita, que demanda um alto custo (muitos deles importados), faz com que padrão de qualidade de produto e proces- a atividade de construção naval de embarca- so, tendo em vista a garantia de segurança ções de esporte e recreio seja altamente inten- na utilização dos produtos e o nível de exi- siva em capital. gência do consumidor final. Por essa razão, as operações dos estaleiros tendem a ser fortemente verticalizadas; e a mão de obra Fabricantes de equipamentos, peças e acessórios Conforme exposto anteriormente, o pro- As primeiras velerias organizadas empre- cesso de produção e a utilização de em- sarialmente e especializadas em equipar barcações de esporte e recreio demandam embarcações de esporte e recreio surgi- cada vez mais a utilização de equipamentos, ram na década de 1960. componentes e acessórios especificamente desenvolvidos para a aplicação náutica. As Inicialmente, os estaleiros se viam obriga- exigências em termos de qualidade (inclusi- dos a adaptar soluções a partir de peças ve aparência) e durabilidade sob condições e equipamentos desenvolvidos para ou- extremas de temperatura, umidade, exposi- tras aplicações, ou recorriam a indústrias ção à radiação solar, vento e água salgada (principalmente metal-mecânicas e de fazem com que a produção desses bens seja termoplásticos) para a produção de itens cercada de cuidados e processos e envolva sob encomenda para equipar suas em- matérias-primas e insumos especialmente barcações. Com o passar dos anos, linhas desenvolvidos para essas finalidades. de produto específicas foram desenvol- vidas por indústrias de diversos setores, No Brasil, esse segmento industrial começou as quais também podiam ter aplicações a tomar forma ao mesmo tempo em que náuticas. Esse tipo de configuração pode surgiam os primeiros estaleiros especializa- ser observado até hoje. dos em embarcações de esporte e recreio.
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    Na década de1970, surgiram as primeiras Atualmente, o processo industrial dos esta- empresas especializadas na produção de leiros movimenta uma cadeia produtiva es- equipamentos e acessórios náuticos, dan- pecializada, em sua maioria composta por do início à consolidação do setor. As re- micro e pequenas empresas que fornecem giões Sul e Sudeste, sede da maioria dos partes e peças para as embarcações, como estaleiros brasileiros naquela época, foram capotas e toldos, cabeamentos e instalações o berço de grande parcela das empresas elétricas, para-brisas, metais, ferragens, ca- fabricantes de equipamentos e acessórios. bos e âncoras, bem como serviços de apoio à produção, como assessoria na laminação A partir da expansão da demanda por de compósitos e gerenciamento de resídu- embarcações de esporte e recreio e da os. 50% dos estaleiros pesquisados traba- estabilidade macroeconômica observadas lham com mais de 40 fornecedores em sua nos últimos 10 anos, nota-se a tendência de cadeia produtiva. funcionários especializados de estaleiros darem início a novos negócios, focados no fornecimento de peças, acessórios e servi- ços, indicando uma reversão da tendência de verticalização do processo de produção e comercialização na indústria náutica. NÚMERO DE FORNECEDORES POR ESTALEIRO QUANTAS EMPRESAS FORNECEM PRODUTOS E SERVIÇOS PARA O ESTALEIRO? 50% 16,7% 16,7% 16,7% 0% 0% DE 1 DE 5 DE 10 DE 20 DE 30 40 OU A5 A 10 A 20 A 30 A 40 MAIS É importante ressaltar que, apesar da evolu- No que se refere à alocação da força de tra- ção e consolidação das empresas fabricantes balho, os fabricantes de equipamentos, pe- de equipamentos, peças e acessórios no Brasil, ças e acessórios náuticos acompanham a o fornecimento de equipamentos e acessórios tendência observada nos estaleiros. de alto valor agregado, cujas configurações ou processos produtivos implicam alta tecnologia Nas empresas respondentes, a maior parte ou larga escala industrial, como motores diesel dos funcionários está alocada nas áreas de de alto desempenho, equipamentos de teleco- produção, enquanto que as remunerações municação e apoio à navegação por satélite, mais elevadas são reservadas aos profissio- sistemas de telemetria, resinas e compósitos nais com mais educação formal e alocados especiais, ainda é exclusividade de grandes geralmente no desenvolvimento de produtos. empresas multinacionais, várias das quais com operações comerciais e industriais no País. INDÚSTRIA NÁUTICA BRASILEIRA 46
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    FATOS E NÚMEROS2012 47 FABRICANTES DE EQUIPAMENTOS - SALÁRIO MÉDIO FUNCIONÁRIOS DIRETOS DESENVOLVIMENTO DE PRODUTO DESENVOL. PRODUTO PRODUÇÃO PRODUÇÃO 17% 8% 8% 17% ENTRE 2 E 3* ENTRE 1 E 2* ENTRE 3 E 5* ENTRE 2 E 3* 50% ENTRE 5 E 7* 36% 56% ENTRE 3 E 5* ENTRE 7 E 10* *SALÁRIOS MÍNIMOS ENTRE 10 E 15* 8% *SALÁRIOS MÍNIMOS VENDA VENDA ADMINISTRATIVO ADIMINISTRATIVO 23% 8% ENTRE 2 E 3* ENTRE 2 E 3* ENTRE 3 E 5* ENTRE 3 E 5* 15% 31% ENTRE 5 E 7* 59% 33% ENTRE 5 E 7* ENTRE 7 E 10* *SALÁRIOS MÍNIMOS ENTRE 10 E 15* 23% *SALÁRIOS MÍNIMOS 8% PÓS VENDA POS VENDA 10% 10% 10% NÃO RESPONDEU / NÃO SE APLICA ENTRE 2 E 3* 50% ENTRE 3 E 5* ENTRE 5 E 7* ENTRE 10 E 15* 20% *SALÁRIOS MÍNIMOS
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    FATOS E NÚMEROS2012 49 FABRICANTES DE EQUIPAMENTOS - ESCOLARIDADE MÉDIA FUNCIONÁRIOS DIRETOS DESENVOLVIMENTODE PRODUTO DESENVOLVIMENTO DE PRODUTO PRODUÇÃO PRODUÇÃO 8% 9% 17% ENSINO MÉDIO COMPLETO FUNDAMENTAL SUPERIOR INCOMPLETO INCOMPLETO 25% ENSINO MÉDIO 50% 45% 46% INCOMPLETO SUPERIOR COMPLETO ENSINO MÉDIO PÓS-GRADUAÇÃO / COMPLETO MESTRADO VENDA VENDA ADMINISTRATIVO ADIMINISTRATIVO 8% 8% ENSINO MÉDIO 38% INCOMPLETO ENSINO MÉDIO ENSINO MÉDIO COMPLETO COMPLETO SUPERIOR 54% 34% 42% SUPERIOR INCOMPLETO INCOMPLETO SUPERIOR SUPERIOR COMPLETO COMPLETO 8% PÓS-GRADUAÇÃO / MESTRADO 8% PÓS VENDA PÓS VENDA 10% 10% NÃO RESPONDEU / NÃO SE APLICA ENSINO MÉDIO INCOMPLETO 50% 30% ENSINO MÉDIO COMPLETO SUPERIOR COMPLETO
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    FATOS E NÚMEROS2012 51 COMÉRCIO A rede de varejo que atende ao sua atuação pela segmentação ge- mercado náutico brasileiro é ográfica do mercado, ou seja, aten- formada por lojas especiali- de os consumidores da sua região zadas que se reúnem em torno das de influência e concorre com as lo- estruturas de apoio náutico e dos jas da mesma praça. maiores centros consumidores do País, com destaque para as capitais Baseadas nos mercados mais con- e litoral das regiões Sudeste, Sul e solidados, estão lojas especializa- Nordeste e também para os polos das em linhas de produtos específi- emergentes no interior. cas, como materiais de salvatagem, hélices e ferragens náuticas, tintas Além disso, destacam-se os depar- e equipamentos eletrônicos de te- tamentos de náutica de concessio- lemetria e apoio à navegação. Essas nárias de veículos e motocicletas, lojas extrapolam os limites dos seus bem como grandes lojas agropecuá- mercados regionais, atendendo rias e especializadas em caça e pesca, consumidores finais e varejistas em nos centros do agronegócio, onde a todo o País, e também atuam como oferta de equipamentos náuticos de representantes exclusivas de linhas esporte e lazer surge como um up- de produtos importados. grade das linhas de produtos ofereci- das originalmente, que incluíam ape- Apesar de atenderem clientes com nas equipamentos voltados para usos bom poder aquisitivo e trabalha- comerciais e de transporte. rem com estoques diversificados, com centenas de itens, ainda são No total, temos cerca de 350 lojas poucas as operações de varejo que especializadas em náutica no Brasil, se valem de ferramentas de tele- as quais vendem embarcações de vendas, comércio eletrônico, ou todos os tamanhos, além de aces- vendas por catálogos. sórios, equipamentos e peças. A grande maioria dessas lojas pauta a
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    Entre as empresasrespondentes desta pesquisa, temos: A MAIORIA DAS EMPRESAS NÃO FAZ VENDAS POR E-COMMERCE, TELEMARKETING OU CATÁLOGO 26% SIM 21% SIM 21% SIM 74% NÃO 79% NÃO 79% NÃO FAZ VENDAS FAZ VENDAS POR FAZ VENDAS POR E-COMMERCE? TELEMARKETING? POR CATÁLOGO? Na comercialização de embarcações de turas, estão os agentes independentes, cha- maior valor unitário, observamos alguns mados brokers náuticos, que atuam como modelos de negócios que ora concorrem, corretores especializados, assessorando o ora se complementam. consumidor final na escolha, negociação, compra e venda de embarcações. De um lado, estão as operações formais de varejo que abrigam estoques consigna- Os brokers têm um papel fundamental na dos pelos estaleiros (geralmente mais de dinâmica do mercado na medida em que um) e também expõem aos consumidores também viabilizam a circulação do estoque um estoque de embarcações usadas, num de embarcações usadas, que frequentemen- modelo semelhante às revendas de auto- te entram nas negociações como parte do móveis “multimarca”; no outro extremo, pagamento de uma embarcação nova. No estão os chamados dealers, operações mercado de embarcações de maior porte comerciais estruturadas que operam em e valor unitário, esses brokers atuam geral- parceria com estaleiros (geralmente em mente em parceria exclusiva com um dealer, regime de exclusividade) e que negociam mas fazem parte de um network informal a venda de embarcações produzidas por que cobre boa parte do litoral brasileiro. encomenda. No espaço entre essas estru- INDÚSTRIA NÁUTICA BRASILEIRA 52
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    REGIÕES NÁUTICAS DO BRASIL Região Sudeste A Região Sudeste é a mais próspera do Rio de Janeiro Brasil, do ponto de vista econômico, e abriga os mais importantes centros de O Estado do Rio de Janeiro é o berço do produção e utilização de embarcações de primeiro centro náutico do Brasil. Na capi- esporte e recreio do mercado nacional. tal, surgiram os primeiros clubes náuticos no início do século XX. O litoral da região abriga os principais polos de turismo náutico do País e é do- O litoral do Estado possui características tado de uma infraestrutura que não é excelentes para a navegação em embarca- encontrada em nenhuma outra parte do ções de esporte e recreio: águas abrigadas Brasil. O interior, por sua vez, conta com e quentes, baías, lagoas, ilhas e enseadas rios, lagos e represas nos quais a náutica abrigadas, além de paisagens naturais in- é uma atividade cada vez mais frequente comparáveis. para a população. Do ponto de vista náutico, o Estado do Rio O parque industrial e a estrutura de apoio de Janeiro pode ser dividido em três seg- ao turismo náutico que se desenvolveram mentos: a capital, abrangendo a Baía da na região alavancam uma parcela signifi- Guanabara, a costa da cidade do Rio de cativa do mercado náutico brasileiro e são Janeiro e Niterói; a Costa Verde, ao sul, in- foco das primeiras e bem-sucedidas ini- cluindo as cidades de Mangaratiba, Angra ciativas de atuação estratégica e fomento dos Reis e Parati; e ao norte a Região dos à cadeia produtiva do setor por parte dos Lagos, que vai de Maricá até Rio das Ostras. governos estaduais e entidades setoriais. INDÚSTRIA NÁUTICA BRASILEIRA 54
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    FATOS E NÚMEROS2012 55 Cada um desses segmentos apresenta ca- diversos campeões mundiais e olímpicos, racterísticas particulares e vocações distin- a exemplo de Torben e Lars Grael, Gas- tas para a atividade náutica. A Costa Verde tão Brun, Peter Tanscheit, Marcos Soares e apresenta um relevo recortado e a proximi- Eduardo Penido, Alan Adler, Maurício Santa dade entre a Serra do Mar e o litoral, criando Cruz, entre vários outros. uma paisagem de grande exuberância na- tural e caracterizada por águas quentes e A prática da pesca oceânica e da caça subma- abrigadas, perfeitas para a navegação, onde rina também é muito desenvolvida na região. a atividade náutica se desenvolveu como em nenhuma outra parte do Brasil. A Região dos Lagos abriga as cidades de Cabo Frio e Búzios, dois centros náuticos im- Nessa região, observamos a maior concen- portantes para as atividades esportivas como tração de embarcações de esporte e recreio o mergulho e a vela, devido às suas águas do País, abrigadas nas mais bem organizadas transparentes, ricas em peixes, e ao regime estruturas de apoio náutico do mercado, que constante de ventos que predomina na região. funcionam como empreendimentos autôno- mos ou como parte de operações hoteleiras Apesar de o litoral menos abrigado oferecer ou incorporações imobiliárias de alto padrão. uma condição mais difícil para navegação, a Região dos Lagos é muito procurada por Na capital, reúnem-se uma das paisagens suas belezas naturais e possui uma estrutu- mais belas do mundo e uma das cidades ra organizada de apoio náutico, com iates mais prósperas do Brasil. A atividade náu- clubes, operadoras de mergulho, marinas e tica, com mais de um século de história, va- garagens náuticas. le-se de uma série de estruturas de apoio náutico, como marinas, garagens náuticas e um conjunto de iates clubes de grande tra- dição no cenário nacional, de onde saíram
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    Gravitando em tornodessas regiões, o Esta- São Paulo do do Rio de Janeiro abriga parcela impor- tante da cadeia produtiva da indústria náu- São Paulo é o estado mais rico e populoso da tica brasileira, incluindo alguns dos maiores Federação. Representa 33,5% do PIB nacio- e mais tradicionais estaleiros, fabricantes de nal e possui 42 milhões de habitantes. equipamentos e acessórios, prestadores de serviços e importadores do mercado nacional. As primeiras iniciativas ligadas à náutica no Es- tado datam da década de 1930, quando imi- Atualmente, o Rio de Janeiro detém a maior grantes europeus fundaram os primeiros iates frota de embarcações de esporte e recreio clubes, às margens das represas próximas à em atividade no País. capital, e, posteriormente, na Baixada Santista. Esse conjunto de características faz com que Atualmente a atividade náutica em São Pau- o litoral do Rio de Janeiro atraia um grande lo se distribui entre o litoral, a represa de número de turistas de todo o Brasil, com des- Guarapiranga e diversos rios e reservatórios taque para os mercados de São Paulo e Mi- no interior do Estado. nas Gerais, e do exterior, ávidos por desfrutar uma experiência náutica de alto nível. Esses No litoral, destaca-se a região da Baixada turistas, juntamente com a demanda gerada Santista, a apenas 80 quilômetros da capi- pela população do Estado, tornam o setor tal, onde encontramos as estruturas de apoio náutico um importante vetor de geração de náutico mais organizadas do Estado, bem emprego e renda e uma fonte expressiva de como uma importante rede de prestação de receitas para os cofres do Estado. serviços ligados ao setor. Essas estruturas abrigam uma parcela significativa das em- Diante desse quadro e das oportunidades barcações de grande porte e alto valor unitá- que trarão a Copa do Mundo de 2014 e as rio do mercado brasileiro. Olimpíadas de 2016, o Governo do Estado do Rio de Janeiro, em parceria com entida- Mais ao Norte, na região de São Sebastião / des representativas da iniciativa privada e o Ilhabela, desenvolveu-se um dos maiores po- Sebrae-RJ, organizou-se em torno do pro- los de iatismo de competição do Brasil, onde jeto Rio Náutico para a formulação de uma se realizam os eventos internacionais de vela “Agenda Positiva”que estabelece de forma mais importantes do cenário brasileiro, como concreta os desafios e as oportunidades do a Semana Internacional de Vela de Ilhabe- setor náutico fluminense; define as grandes la, que acontece desde 1973. Nessa região, metas transformadoras a serem estabeleci- encontra-se uma grande flotilha de veleiros das e perseguidas em favor do setor náutico de cruzeiro e competição, além de embarca- fluminense; estabelece as prioridades estra- ções a motor de diversos tamanhos. Porém, tégicas para o setor náutico fluminense e as severas restrições ambientais às constru- permite um acompanhamento do desenvol- ções à beira-mar fazem com que pouquíssi- vimento econômico desse setor; e chama a mas estruturas de apoio náutico ofereçam atenção para a importância de um enfrenta- instalações adequadas para a guarda de em- mento positivo dos entraves que podem es- barcações de grande porte na região, o que tar inibindo a conversão do setor náutico flu- gera uma demanda reprimida por vagas. minense em um setor competitivo em classe mundial.* A região contígua, ao norte de São Sebas- tião, abriga as cidades de Caraguatatuba e * Projeto “Rio Náutico - Agenda Estratégica”: 2011 Ubatuba, onde também funciona um conjun- SEBRAE/RJ: Glaudson Bastos, M.Sc; Werner Gripp, to importante de estruturas de apoio náu- D.Sc. e Zoroastro Esteves (Consultores). – Rio de tico, que abrigam veleiros oceânicos e em- Janeiro: SEBRAE, 2011. 76 p. Relatório Final. barcações a motor de todos os portes. Tanto a região de São Sebastião como Caraguá e Esse projeto representa um novo paradigma Ubatuba são pródigas em praias, baías, ense- na abordagem do desenvolvimento das re- adas abrigadas e ilhas, que se convertem em giões náuticas brasileiras e apresenta uma atrativos para um grande número de turistas referência para o setor em outros estados da interessados na atividade náutica. Federação. INDÚSTRIA NÁUTICA BRASILEIRA 56
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    FATOS E NÚMEROS2012 57 57 PARTICIPAÇÃO DOS ESTADOS PARTICIPAÇÃO DOS ESTADOS (%) UF/Participação % RJ SP MG ES PR SC RS GO DF MT BA AL SE PE PB RN CE AM PA PIB Brasil* 12 33 9 2 6 4 7 2,7 4 2 4 0,7 0,6 2,5 0,9 0,9 2 1,5 1,8 Estaleiros 15,5 35 1 0 5 21 10 1 0 0 2 2 1 4 1 0 1 0 0 Frota 25 24 1,5 1,5 6 9,5 6 0,5 6 1 6 1 1 4 3 1 1 1,5 0,5 Estruturas de 24,2 26,8 0,6 1 8,5 12 4,3 1 4 0,5 4,5 1 0,5 3,5 3 1 1 1 0,5 Apoio Náutico *IBGE 2009 Em comparação com a região da Baixada A força da demanda náutica em São Paulo fez Santista e com a região do litoral norte, a re- com que um conjunto de estaleiros especiali- gião sul do litoral paulista ainda é incipiente zados em embarcações de esporte e recreio do ponto de vista da atividade náutica, ape- surgisse na Grande São Paulo e no interior do sar de oferecer algumas estruturas de apoio Estado, incluindo as maiores operações indus- náutico tradicionais. Esse fato pode ser expli- triais de construção de embarcações de grande cado, em parte, pelo fato de essa faixa litorâ- valor unitário, o que levou ao desenvolvimento nea apresentar um relevo menos recortado e de uma ampla cadeia de fornecedores de ser- pródigo em baías e águas abrigadas. viços, equipamentos e acessórios para o setor. Atualmente, São Paulo concentra cerca de 35% Na capital paulista, fica a Represa do Guara- das indústrias náuticas em operação no Brasil. piranga, um reservatório que, apesar do seu tamanho relativamente acanhado (26 quilô- Como consequência dessa concentração, São metros quadrados), abriga um conjunto ex- Paulo também abriga as mais importantes pressivo de estruturas de apoio náutico vol- operações de varejo e prestação de serviços tadas a embarcações de pequeno porte, que ligadas à náutica no mercado brasileiro. inclui alguns dos mais tradicionais e impor- tantes iates clubes do Brasil. Nas águas de Espírito Santo Guarapiranga, surgiram grandes nomes do iatismo brasileiro, inclusive campeões mun- O litoral do Espírito Santo é formado por 15 muni- diais e olímpicos, como Joerg Bruder, Alex cípios e possui 411 quilômetros de extensão. Welter e Lars Bjorkstrom, Reinaldo Conrad e, mais recentemente, Robert Scheidt. Reconhecido como um centro náutico emergen- te, com ênfase na pesca oceânica e no mergulho, O interior do Estado de São Paulo, região de o Estado conta com uma rede de estruturas de grande prosperidade econômica e detentora apoio náutico, principalmente em torno da região de alguns dos maiores índices de potencial metropolitana de Vitória, onde merece destaque de consumo do mercado brasileiro, possui o Iate Clube do Espírito Santo. vários centros náuticos de pequeno e médio porte, em represas e ao longo dos rios, com A pesca de mar azul, praticada tradicional- destaque para a hidrovia Tietê-Paraná. Nes- mente na região, movimenta uma estrutura de ses locais, predomina a utilização de embar- prestação de serviços que inclui a locação de cações a motor com até 26 pés. lanchas e a organização de expedições focadas na captura de peixes de bico, atraindo aficiona- Os polos mais importantes estão situados às dos de todas as partes do Brasil e do exterior. margens do Rio Tietê, na região que abrange as cidades de Barra Bonita, Bauru, Pederneiras Campeonatos atraem pescadores de todo o e Jaú, bem como às margens das represas de mundo e movimentam a economia das cidades Jurumirim (Avaré e Paranapanema), Atibainha do litoral capixaba. O Brasil abriga a melhor re- (Nazaré Paulista), Jaguari (Bragança Paulista) gião natural para a pesca do marlim-azul, e o e Paraibuna. Merece destaque o crescimento Espírito Santo detém dois recordes mundiais da atividade náutica na região noroeste do Es- fisgados em seu litoral: um marlim-azul de 636 tado de São Paulo, na cidade de Rifaina e muni- quilos e um marlim-branco de 82,5 quilos. cípios vizinhos, que atrai usuários da região de Ribeirão Preto, Franca e até de Uberaba (MG).
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    Minas Gerais Único estado da Região Sudeste desprovido de - O relevo do litoral catarinense, que oferece baías, acesso ao mar, Minas Gerais ganha destaque ilhas, lagoas, penínsulas e enseadas abrigadas, favore- pelo crescimento de um polo náutico emergen- cendo a navegação costeira, além de belezas naturais te na região sul do Estado, no lago da represa que atraem um grande número de turistas. de Furnas. Ali, uma série de condomínios de - Polos importantes de turismo receptivo e vera- alto padrão instalados às margens do reserva- neio, nos quais o mar é o grande atrativo, como tório deu origem a clubes e estruturas de apoio Balneário Camboriú, Florianópolis e Porto Belo, náutico que abrigam um número crescente de destinos tradicionais para brasileiros e turistas do embarcações, algumas com mais de 36 pés. Mercosul. A demanda da região espelha uma tendência - Cidades grandes e prósperas num raio de 500 de expansão da náutica no interior do Brasil e quilômetros, que representam centros de gera- que deu origem a estaleiros focados nesse ni- ção de demanda, como Porto Alegre, Curitiba, cho de mercado. Ponta Grossa, Caxias do Sul, Florianópolis, Blu- menau e Joinville. Região Sul - Regime constante de ventos ao longo do ano, A Região Sul abriga um dos mais tradicionais o que favorece a navegação a vela. e ativos polos náuticos do Brasil e se destaca por apresentar a segunda maior concentração Não por coincidência, encontra-se nessa mesma de estaleiros e fabricantes de equipamentos e região o segundo maior polo industrial náutico acessórios náuticos do mercado nacional, além do Brasil, onde estão instalados mais de 20 esta- de um grande número de estruturas de apoio leiros, em sua maioria especializados na constru- náutico, que incluem alguns dos mais tradicio- ção de lanchas com tamanhos que variam entre nais iates clubes do País, como o Clube Náutico 19 e 80 pés. Além da demanda gerada localmen- Veleiros do Sul, o Iate Clube de Santa Catarina te, essas empresas têm participação importante e o Clube dos Jangadeiros. no mercado nacional, sendo líderes em volume de vendas em diversos segmentos. Nesses clubes, surgiram grandes nomes do iatismo de competição no Brasil, entre eles Do ponto de vista esportivo, o Estado de San- diversos campeões mundiais em suas classes ta Catarina (e Florianópolis, com mais ênfase) se de veleiros monotipos, além de tripulantes destaca como uma das melhores raias para rega- premiados internacionalmente em grandes tas do Brasil e como polo de formação de talen- competições de vela oceânica. tos do iatismo que alcançam projeção internacio- nal, como André Fonseca, Bruno Fontes, Horácio O alto nível de desenvolvimento econômico e Carabelli, Matheus Dellagnelo, entre outros. social da região e a forte influência cultural da colonização europeia contribuem para que o sul Rio Grande do Sul do Brasil apresente a maior proporção de em- barcações de esporte e recreio por habitante no O Rio Grande do Sul abriga um polo náutico País. tradicional e respeitado em todo o Brasil, que reúne pelo menos 15 estaleiros especializados na Santa Catarina construção de lanchas e também veleiros de alto desempenho. Em sinergia com esses estaleiros, O eixo da BR-101, em Santa Catarina, é o polo desenvolveu-se no Rio Grande do Sul o terceiro náutico mais importante da região e o terceiro maior polo de fabricação de equipamentos e aces- maior do Brasil, atrás apenas do litoral do Rio de sórios náuticos do Brasil, que só perde em varieda- Janeiro e de São Paulo. A região abriga mais de de para os estados do Rio de Janeiro e São Paulo. 50 estruturas de apoio náutico, que incluem ia- No estado gaúcho, atua um grupo de fabricantes tes clubes, garagens náuticas, hotéis, empreen- náuticos que inclui velerias, fabricantes de cabos e dimentos imobiliários e marinas de alto padrão. cordas, e indústrias metal-mecânicas especializa- As razões para o desenvolvimento náutico des- das em ferragens náuticas, mastros para veleiros e sa região incluem uma série de fatores, como: peças de reposição. INDÚSTRIA NÁUTICA BRASILEIRA 58
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    FATOS E NÚMEROS2012 A exemplo do que acontece em Santa Catari- Os clubes e as demais estruturas de apoio náu- 59 na, desenvolveu-se no Rio Grande do Sul um tico que se desenvolveram no litoral do Estado, importante e tradicional polo de formação de em cidades como Pontal do Paraná, Paranaguá, talentos do iatismo de competição, que desta- Antonina e Morretes, têm como público principal ca nomes como Boris Ostergren, Nelson Picco- os moradores da região de Curitiba e das regiões lo, Alexandre e Marco Aurélio Paradeda, Nelson mais próximas. O foco de utilização das embar- Ilha, entre vários outros. cações abrigadas nessas estruturas é a baía de Paranaguá e seu entorno, que inclui pontos como As estruturas de apoio náutico no Rio Grande a Ilha do Mel e a Reserva do Superagui. do Sul estão instaladas, em sua maioria, nas Cabe destacar que a atividade náutica ganhou águas interiores do estuário do Rio Guaíba, força nos reservatórios e rios no interior do Es- onde se localiza a cidade de Porto Alegre, e na tado, em consequência do ciclo de expansão Lagoa dos Patos, onde encontramos centros da agroindústria, que alavancou a economia da náuticos tradicionais, como Pelotas, São Lou- região e promoveu o crescimento do mercado renço, Tapes e Rio Grande. de consumo nas últimas décadas. As ativida- des náuticas, que antes se limitavam à pesca O litoral gaúcho é conhecido por oferecer condi- em embarcações de pequeno calado, sofis- ções árduas para a navegação, devido ao regime ticaram-se e oportunizaram o surgimento de de ventos fortes, mar grosso e pouca profundida- estruturas de apoio náutico na forma de iates de próximo da costa, e é desprovido de baías ou clubes, negócios independentes ou como parte abrigos naturais para embarcações, o que restrin- das facilidades oferecidas por empreendimen- ge a sua atratividade e uso para esporte e recreio. tos imobiliários na região. Essas características fazem com que uma parcela importante dos gaúchos aficionados pela náutica Esse movimento teve início no reservatório do tenham embarcações baseadas em estruturas de lago de Itaipu, e mais recentemente se expan- apoio náutico de Santa Catarina e até no balneá- diu por outras regiões do Estado, ao longo dos rio uruguaio de Punta del Este. rios Paraná, Paranapanema, Iguaçu, entre ou- tros, e em reservatórios como a represa dos Paraná Alagados, próxima à cidade de Ponta Grossa, a de Capivara, próxima à cidade de Sertaneja, e A exemplo do que acontece nos demais estados Salto Osório, em Águas de Iguaçu. da Região Sul, o Paraná tem sua náutica desen- volvida e estruturada desde meados do século XX, quando foram criados o Iate Clube de Gua- ratuba e o Iate Clube de Caiobá, localizados nos pontos mais valorizados do litoral paranaense.
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    Região Nordeste reformas ou ampliaram sua capacidade de atendimento. Cabe ainda destacar que a ten- Reconhecida internacionalmente por suas be- dência de crescimento (tanto na quantidade lezas naturais e pelo seu clima ensolarado e como no tamanho das embarcações) se man- quente durante todo o ano, a Região Nordeste tém para o futuro próximo, uma vez que mais do Brasil desenvolveu seu potencial náutico ao de 65% das estruturas de apoio náutico pes- longo dos últimos anos, através de um movi- quisadas têm planos para ampliação da sua mento de ampliação da capacidade das estru- capacidade física nos próximos dois anos. turas de apoio náutico estabelecidas, em sua maioria, nas capitais dos estados da Região. Marinas com vagas molhadas compõem 30% das estruturas de apoio náutico na Região Estaleiros locais detêm fatia importante da Nordeste, ao passo que as restantes oferecem demanda por embarcações no mercado do apenas estruturas de hangar para a guarda Nordeste e, atentos à demanda por embarca- das embarcações. ções maiores, ampliaram as linhas de produtos, oferecendo mais opções de maior porte e, com Na maioria dos estados do Nordeste, as es- isso, fortalecendo sua posição no mercado. truturas de apoio náutico estão concentradas junto às regiões metropolitanas das capitais, Os estaleiros em operação nos estados de onde se localizam os maiores centros gerado- Pernambuco e Alagoas possuem os maiores res de demanda. Esse fato, aliado à predomi- volumes de produção na região e atualmente nância de embarcações a motor de compri- oferecem um amplo mix de produtos, que in- mento igual ou inferior a 30 pés, faz com que clui lanchas de proa aberta, direcionadas pre- a experiência náutica na região seja limitada à dominantemente ao seu mercado primário, e realização de passeios em um raio de até 25 embarcações cabinadas de médio e grande milhas náuticas do ponto de partida, tendo porte, oferecidas também para clientes de ou- em vista as limitações de autonomia dessas tras regiões do País. embarcações e a inexistência de postos de re- abastecimento, estrutura de salvatagem maríti- Merece destaque, ainda, a produção de ma e estações radiobase de longo alcance. trawlers de luxo no Ceará, embarcações des- tinadas principalmente ao mercado externo. A exceção a essa regra é o Estado da Bahia, onde há embarcações de maior porte e uma A exemplo do que ocorre nas demais regiões estrutura de apoio náutico espalhada pela re- do Brasil, a produção dos estaleiros do Nordeste gião da Baía de Todos-os-Santos e de Cama- é um processo com grande grau de verticaliza- mu, Morro de São Paulo e, mais ao sul, Ilhéus ção, devido à falta de fornecedores de equipa- e Porto Seguro. mentos e serviços específicos para a constru- ção e comercialização de embarcações. Merece destaque o fato de o Governo da Bahia manter um programa agressivo de incentivo O crescimento do número de embarcações ao turismo náutico, fomentando a produção e em atividade no Nordeste e no tamanho des- comercialização de embarcações, acessórios e sas embarcações teve reflexos importantes equipamentos, a prestação de serviços e o de- sobre as marinas e iates clubes da região. senvolvimento da estrutura de apoio náutico no Observou-se um crescimento do número de estado através da isenção de impostos esta- estruturas de apoio náutico na ordem de 10% duais e ações de planejamento estratégico, em nos últimos sete anos, ao passo que 50% das parceria com a Universidade Federal da Bahia e estruturas de apoio náutico que existiam no o Ministério do Turismo. litoral da região antes de 2005 passaram por INDÚSTRIA NÁUTICA BRASILEIRA 60
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    FATOS E NÚMEROS2012 61 Regiões Norte e de veículos, indústrias farmacêuticas e de pro- cessamento de alimentos. Esse crescimento se Centro-Oeste refletiu também no surgimento de polos náuti- cos, com predomínio total de lanchas. As regiões Norte e Centro-Oeste represen- tam os novos mercados da náutica no Brasil Essas embarcações são comercializadas por e estão revelando um grande potencial de uma rede de varejistas que, em sua maioria, crescimento para os próximos anos. desenvolveu um departamento de náutica agregado ao negócio principal, voltado para Apesar da tradição do polo náutico de Bra- a comercialização de motocicletas, triciclos, sília, que concentra uma grande quantidade veículos ou equipamentos para caça e pesca. de embarcações de pequeno e médio porte às margens do Lago Paranoá, e da utilização Os principais pontos de desenvolvimento da intensiva de embarcações no deslocamento náutica em Goiás são a represa de Corumbá, entre pontos isolados da região, só agora a localizada em Caldas Novas; Três Ranchos, atividade náutica começa a se fortalecer na no sul do Estado; próximo a Catalão e à fron- região, principalmente nos estados de Goiás, teira com Minas Gerais. Mato Grosso e Amazonas. Nesses estados, observa-se o aparecimento Mato Grosso das primeiras estruturas organizadas de apoio náutico da região, algumas com instalações Apesar de embarcações de esporte e recreio de grande porte e preparadas para abrigar mais simples serem utilizadas há bastante centenas de embarcações. tempo em atividades ligadas principalmente à pesca na região de Cáceres, onde existe um A expansão e a prosperidade do agronegócio, iate clube com mais de 30 anos de história, o clima e as características naturais dos rios e observa-se recentemente o surgimento de um reservatórios da região explicam o crescente in- polo náutico relevante às margens do Lago de teresse dos consumidores pelo mundo náutico Manso, a cerca de 90 quilômetros da capital e a forte expansão da náutica nesses mercados. do Estado, Cuiabá. Na região, surgiram loteamentos de alto pa- Brasília – DF drão com estruturas náuticas organizadas que vêm atraindo clientes de alto poder aquisitivo. A capital da República apresenta o maior ín- A região abriga cerca de 250 lanchas nas es- dice de renda per capita do Brasil, e sua po- truturas de apoio náutico visitadas, onde pre- pulação é influenciada pela forte presença de dominam embarcações de 20 a 26 pés. estrangeiros e migrantes de estados litorâne- os. Esses fatos, aliados ao clima da região e Merece destaque o crescimento da parcela de à balneabilidade do Lago Paranoá, tornaram barcos maiores; as embarcações de 26 a 32 Brasília um dos maiores centros náuticos do pés já representam 15% do total da flotilha, e País, com mais de 15 estruturas de apoio náu- encontram-se até lanchas na faixa de 42 a 46 tico, inclusive clubes que organizam regatas e pés, algo inédito no interior do Brasil. eventos durante todo o ano. Em Brasília encontra-se a quarta maior frota Amazonas de veleiros do País e a quinta maior frota de lanchas. Em uma análise regional, a capital A região de Manaus conta com uma rede de detém cerca de 90% dos veleiros e 65% das estruturas de apoio náutico às margens do lanchas abrigados em estruturas de apoio Rio Negro, além de vários píeres e ancoradou- náutico da Região Centro-Oeste. ros, onde são abrigadas as embarcações de esporte e recreio. Goiás Atualmente, predominam as embarcações de pequeno porte, de até 26 pés, mas as A economia do Estado de Goiás experimen- estruturas de apoio náutico buscam formas tou um forte crescimento nas últimas décadas, de disponibilizar espaços para abrigar em- com a expansão da renda gerada pela agrope- barcações cada vez cuária e, principalmente, pelo desenvolvimento de polos industriais, que abrigam montadoras
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    FATOS E NÚMEROS2012 63 O cenário global ANÁLISE D esde 2005, data da primeira edição CONJUNTURAL da pesquisa Indústria Náutica Bra- sileira Fatos & Números, o cenário econômico mundial passou por turbulên- cias, com destaque para a crise de 2008, A PARTIR DE 2010, na qual grandes instituições financeiras HOUVE UM PRINCÍPIO DE com atuação global sucumbiram após a quebra do banco Lehman Brothers e da RETOMADA DO NÍVEL DE seguradora AIG nos Estados Unidos, ge- ATIVIDADE ECONÔMICA rando uma restrição em escala mundial no fluxo de capitais e crédito. GLOBAL, SUSTENTADO EM GRANDE PARTE PELO O nível de atividade econômica se re- traiu no mundo inteiro, dando origem a CRESCIMENTO DOS um movimento de recessão que fez o PIB PAÍSES EMERGENTES global recuar 1% em 2009. Se forem ana- lisados somente os chamados mercados CONHECIDOS COMO BRICS maduros (EUA, Europa e Japão), a queda (BRASIL, RÚSSIA, ÍNDIA foi ainda mais dramática, chegando a 5% de variação negativa. E CHINA). NO ENTANTO, ESSE MOVIMENTO NÃO A profundidade e a abrangência da crise que se seguiu à quebra de grandes ban- FOI SUFICIENTE PARA cos de investimento em diversos países DEVOLVER AO MERCADO afetaram de forma contundente o merca- do náutico mundial, uma vez que houve O NÍVEL DE DEMANDA uma fortíssima retração da demanda, o OBSERVADO NO PERÍODO cancelamento de pedidos firmes, a devo- lução e a retomada de embarcações fi- ANTERIOR À nanciadas, dando início a um ciclo vicioso CRISE ECONÔMICA. cujos efeitos se fazem sentir até hoje. Um agravante para o mercado náutico é o fato de que, em 2012, quase quatro anos após a eclosão da primeira onda da crise econômica mundial, os países no centro das preocupações da comunidade financeira internacional são, justamente, aqueles que abrigam alguns dos maiores e mais sofisticados centros náuticos do planeta, como Itália, Espanha, Portugal e Grécia. Nesse cenário, os governos des- ses países têm adotado medidas drásti- cas de redução dos seus déficits internos, entre as quais o aumento de impostos so- bre a compra, posse e utilização de em- barcações de esporte e recreio.
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    Como parâmetro, merecedestaque o fato de serva na Argentina*, a frota brasileira deve- a indústria náutica italiana, uma das mais tra- ria ser de aproximadamente 754.000 bar- dicionais do mundo, ter experimentado uma cos, uma figura bem distante da realidade retração de 21% entre 2009 e 2010, apesar atual do nosso mercado. de direcionar 67% do total das embarcações produzidas para o mercado externo. Desde 2005, mais de 20 grandes estaleiros detentores de marcas reconhecidas inter- O impacto da recessão e da crise de con- nacionalmente estabeleceram estruturas de fiança global que se seguiram aos fatos revendas, representações e, em alguns ca- de setembro de 2008 gerou uma nova re- sos, operações industriais no Brasil. alidade, na qual as empresas disputam um mercado que diminuiu entre 35% e 50% do EM 2012, O BRASIL APRESEN- seu volume original, segundo dados do In- ternational Council of Marine Industry Asso- TOU O MAIOR CRESCIMENTO ciations – Icomia. Ao longo desse processo, NO NÚMERO DE PESSOAS COM empresas tradicionais foram forçadas a fe- MAIS DE US$ 1,0 MILHÃO, EM char suas portas e observou-se a consolida- ção de operações concorrentes através de TODO O MUNDO. fusões e aquisições, as quais resultaram em uma maior concentração de mercado nas O foco dessas empresas tem sido o merca- mãos de empresas maiores. do de embarcações de alto luxo, no qual os consumidores há muito cultivam o hábito É fundamental ressaltar que não se trata, de consumo de bens e serviços importados. em absoluto, de um segmento frágil ou de- cadente. Segundo o relatório anual do Ico- O público-alvo deste segmento se destaca mia, publicado em 2011 (dado mais recente pela valorização de atributos intangíveis de disponível no mercado), a indústria náutica marca, como imagem e exclusividade, além movimenta mais de 83,5 bilhões em todo o dos aspectos físicos relacionados à sofisti- mundo, conta com cerca de 4.900 estalei- cação de acabamento e à inovação. ros e 200 fabricantes de motores, e empre- Por outro lado, esse nicho de mercado tor- ga cerca de 700 mil pessoas. na-se ainda mais interessante na medida em que oferece margens unitárias mais altas e A queda da demanda nos mercados centrais apresenta elasticidade–preço da demanda fez com que as maiores empresas do setor mais baixa que os demais segmentos. náutico adotassem estratégias agressivas de busca e ocupação de novos mercados, ATÉ 2016, O BRASIL SERÁ O PAÍS entre os quais o Brasil mereceu grande des- COM O MAIOR CRESCIMENTO taque, tanto pela pujança da sua economia como pelo fortalecimento e consolidação NO NÚMERO DE PESSOAS COM de um mercado de luxo, e pelo potencial MAIS DE US$100 MILHÕES. representado pelas dimensões do seu vasto litoral e águas interiores. Corroborando essa percepção, o Brasil foi apontado pelo World Wealth Report, ela- Apesar do impacto da crise econômica de borado no início de 2012 pela consultoria 2008, a economia brasileira se desenvolveu Capgemini, como o país que apresentou o de forma consistente ao longo dos últimos maior crescimento relativo (6,2%) do grupo sete anos. Nesse período, o Produto Interno dos chamados HNWI (High Net Worth In- Bruto cresceu 27,5%, em valores atualizados. dividuals), pessoas que possuem ativos dis- A cadeia produtiva da náutica acompanhou poníveis acima de U$1,0 milhão e que hoje essa tendência de crescimento e expandiu- somam 165 mil indivíduos no País. se em número de clientes, valor, número e tamanho de embarcações, e, por consequ- Outro estudo, elaborado em 2011 pela con- ência, geração de empregos. sultoria de investimentos imobiliários Knight Frank, em parceria com o Citi Private Bank, aponta o Brasil como o país onde se ob- O impacto no Brasil servará o maior crescimento no número de indivíduos com patrimônio acima de U$100 O potencial inexplorado da náutica no Brasil milhões até 2016. merece uma atenção muito especial. Para alcançarmos, por exemplo, a proporção de *Fonte: ICOMIA Fact Book 2010 252 habitantes por embarcação que se ob- INDÚSTRIA NÁUTICA BRASILEIRA 64
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    FATOS E NÚMEROS2012 65 CARACTERIZAÇÃO ECONÔMICA DA INDÚSTRIA NÁUTICA BRASILEIRA MÉDIA DE 7,4 EMPREGOS DESENVOLVIMENTO 120 ESTALEIROS POR CADA EMBARCAÇÃO ECONÔMICO E FORMAIS EM TODO PRODUZIDA. RACIONALIZAÇÃO O BRASIL PRODUZEM DA CARGA TRIBUTÁRIA EMBARCAÇÕES DE FAVORECERAM 10 A 120 PÉS. O CRESCIMENTO DO MERCADO EM 480 ESTRUTURAS TAXAS INÉDITAS. FORMAIS DE APOIO NÁUTICO SÃO AS CRESCIMENTO BASES PARA O SUSTENTADO APROVEITAMENTO DA ECONOMIA ESTRUTURAS DE APOIO BRASILEIRA, TURISMO DO POTENCIAL DO LOCALIZADAS NAS INTERNO E EXTERNO LITORAL E DAS ÁGUAS REGIÕES LITORÂNEAS, EM EXPANSÃO, INTERIORES DO BRASIL. FIXANDO A POPULAÇÃO ESTIMULADO POR ONDE HÁ CARÊNCIA DE GRANDES EVENTOS ALTERNATIVAS EMPREGO CONFIGURAM E RENDA. UMA JANELA DE OPORTUNIDADE PARA O DESENVOLVIMENTO DO SETOR EM TODAS OS ELOS DA CADEIA PRODUTIVA. A força da base da pirâmide Apesar da visibilidade e do impacto dos movi- Em ambas as condições de uso, as embarca- mentos dos estaleiros especializados em em- ções de comprimento igual ou inferior a 26 pés barcações high-end, o fato mais importante podem ser transportadas em reboques por ca- no mercado náutico brasileiro atual é o cres- minhonetes ou mesmo carros de passeio. Isso cimento da demanda por embarcações com faz com que seu uso tenha características dife- comprimento entre 20 e 26 pés, com valores rentes das embarcações maiores, que deman- entre R$60.000,00 e R$120.000,00. dam estruturas de apoio náutico mais organi- zadas e, por consequência, mais caras. Esse tipo de embarcação inclui os modelos de entrada para consumidores que navegam no O aumento do número de famílias de clas- mar, baías e estuários, onde o nível de exigên- se AB nos próximos anos tende a apoiar o cia em termos de estabilidade e navegabilida- crescimento desse segmento do mercado de é mais elevado. No entanto, já são conside- náutico. Segundo projeções do Centro de radas lanchas de porte e custo intermediário Políticas Sociais da Fundação Getúlio Var- na média das embarcações utilizadas em água gas, a classe AB deverá crescer 29,3% até doce (rios, lagos e represas), onde a navega- 2014, em comparação com 2012. ção é mais tranquila e menos arriscada.
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    Uma parcela dessasfamílias, que em sua As boas perspectivas de crescimento do maioria já possuem casa própria, automó- mercado náutico brasileiro se alinham à per- veis e outros bens de consumo duráveis, tem cepção positiva do mercado internacional renda disponível para adquirir e manter uma com relação à economia brasileira como um embarcação de porte pequeno ou médio. todo. Segundo projeções da Economist In- Sua renda, igual ou superior a R$20.000,00/ telligence Unit, a economia brasileira tende a mês, aliada a uma condição patrimonial con- crescer de forma consistente a taxas de 4% solidada, permite a obtenção de financia- a.a. até 2020, acima da média global projeta- mentos para a aquisição de embarcações a da em 3% a.a. para o mesmo período. taxas de juros razoáveis no mercado. A percepção do mercado No interior dos estados das regiões sudeste, sul e centro-oeste, onde o crescimento da ren- Não por acaso observa-se, em todos os da per capita tem sido mais acentuado ao lon- elos da cadeia produtiva da indústria náuti- go dos últimos anos, observa-se a utilização ca brasileira investigados para este estudo, cada vez maior das águas de represas, reser- uma forte tendência de expansão de negó- vatórios, rios e lagos para a prática de ativida- cios, com manifestação de intenção de am- des náuticas. Este movimento propicia o sur- pliação de linhas de produto, estruturas fí- gimento de polos náuticos emergentes, que sicas e força de trabalho nos próximos dois dão origem cadeias produtivas próprias, que anos na maioria das empresas responden- incluem desde uma simples garagem náutica tes, em todas as regiões do Brasil. até estaleiros de projeção nacional. ESTALEIROS Entre os estaleiros que responderam à pesquisa, é evidente a expectativa positiva com relação ao comportamento do mercado nos próximos anos, com ampliação da demanda por embar- cações de esporte e recreio. Essa percepção se traduz na intenção expressa de 73% dos entre- vistados em ampliar suas linhas de produtos, estruturas físicas e força de trabalho. 73% DOS ESTALEIROS PRETENDEM AMPLIAR O MIX DE PRODUTOS NOS PRÓXIMOS 2 ANOS 27% 73% NÃO SIM QUESTÃO RESPONDIDA: 22 / QUESTÃO IGNORADA: 18 INDÚSTRIA NÁUTICA BRASILEIRA 66
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    FATOS E NÚMEROS2012 67 73% DOS ESTALEIROS PRETENDEM AMPLIAR A ESTRUTURA FÍSICA NOS PRÓXIMOS 2 ANOS 27% 73% NÃO SIM QUESTÃO RESPONDIDA: 22 / QUESTÃO IGNORADA: 18 QUASE A TOTALIDADE DOS ESTALEIROS RESPONDENTES PRETENDE AMPLIAR OS POSTOS DE TRABALHO NOS PRÓXIMOS 2ANOS 4% 96% NÃO SIM
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    FABRICANTES DE EQUIPAMENTOSE ACESSÓRIOS Acompanhando a tendência apontada pelos estaleiros, os fabricantes de equi- pamentos, peças e acessórios também apostam em um quadro de demanda as- cendente e programam investimentos na ampliação de seu mix de produtos e de postos de trabalho para os próximos dois anos. 100% DAS EMPRESAS RESPONDENTES PRETENDEM AMPLIAR O MIX DE PRODUTOS E OS POSTOS DE TRABALHO NOS PRÓXIMOS 2 ANOS VAGAS DE EMPREGO MIX DE PRODUTOS 100% 100% COMÉRCIO A percepção da tendência de expan- Essas perspectivas se traduzem na são do mercado se faz notar também intenção de investimentos para a am- na ponta de contato com o consu- pliação do mix de produtos ofereci- midor final: a rede varejista especia- dos, da estrutura física e de postos de lizada no segmento náutico. Entre os trabalho nos próximos dois anos. varejistas de todas as regiões do Bra- sil entrevistados para esta pesquisa, 83% DOS VAREJOS nota-se a percepção de um mercado com movimento inercial positivo. PRETENDEM AMPLIAR O MIX DE PRODUTOS Segundo este levantamento, o volu- NOS PRÓXIMOS 2 ANOS me de negócios cresceu nos últimos dois anos para 57% dos empresários e se manteve estável para 39% deles em comparação com o período an- terior. No entanto, 84% dos varejis- tas declararam aumento na base de clientes nesse mesmo período. Para os próximos dois anos, a pers- 17% pectiva é de crescimento no volume NÃO de vendas para 81% dos entrevista- dos, enquanto 96% deles preveem o crescimento da base de clientes, o que evidencia o crescimento do mer- 83% SIM cado como um todo. MIX DE PRODUTOS QUESTÃO RESPONDIDA: 18 QUESTÃO IGNORADA: 8 INDÚSTRIA NÁUTICA BRASILEIRA 68
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    FATOS E NÚMEROS2012 69 61% DOS VAREJOS 78% DOS VAREJOS PRETENDEM AMPLIAR PRETENDEM AMPLIAR A ESTRUTURA FÍSICA OS POSTOS DE NOS PRÓXIMOS 2 ANOS TRABALHO NOS PRÓXIMOS 2 ANOS 39% 22% NÃO NÃO 61% 78% SIM SIM ESTRUTURA VAGAS FÍSICA QUESTÃO RESPONDIDA: 18 QUESTÃO RESPONDIDA: 18 QUESTÃO IGNORADA: 8 QUESTÃO IGNORADA: 8
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    ESTRUTURAS DE APOIONÁUTICO O TURISMO EXTERNO A percepção da tendência de expansão da Além da expansão da demanda interna, o demanda no mercado náutico se faz sentir, crescimento da demanda turística externa também, nas estruturas de apoio náutico em projetada para os próximos anos, alavancado todo o Brasil. Apesar das dificuldades de licen- principalmente pela Copa do Mundo de 2014 ciamento ambiental e da valorização imobi- e pelas Olimpíadas de 2016, tende a fomentar liária de terrenos à beira-mar e ao longo das a expansão de serviços de turismo náutico, margens de rios, lagos e represas, 62% das es- como a locação de lanchas e veleiros (char- truturas de apoio náutico visitadas para a ela- ters) e a atracação de embarcações estran- boração deste estudo apontaram a intenção geiras. A segunda edição do Plano Aquarela de ampliar suas instalações nos próximos dois 2020, elaborado pelo Ministério do Turismo anos, gerando mais de 12 mil vagas adicionais e pela Embratur em 2009, projeta um cresci- para embarcações. mento de 113% na demanda turística externa para 2020, em comparação com 2010, tota- É importante interpretar esse dado de forma lizando 11,1 milhões de turistas estrangeiros e cuidadosa, considerando que: gerando uma receita de mais de U$17 bilhões. a) Essa intenção não se reflete necessaria- Em estados onde as estruturas de apoio náu- mente na criação dessas vagas, uma vez que tico e os prestadores de serviços ligados ao a maioria das estruturas de apoio náutico que turismo náutico oferecem um grau mais alto a manifestaram opera no limite da sua capaci- de organização e sofisticação, como Rio de dade física e depende da aprovação dos po- Janeiro, São Paulo, Bahia e Santa Catarina, o deres concedentes e/ou da aquisição de áreas potencial de aproveitamento dessa demanda circunvizinhas para ampliar suas instalações. latente é ainda mais significativo. b) Essa ampliação pretendida no número de Uma referência para mensuração do poten- vagas tem por objetivo atender a uma de- cial de crescimento do turismo náutico no manda reprimida ao longo dos últimos anos Brasil é o case de sucesso apresentado pela e, dado o volume de investimento demanda- Croácia. O país, que conta com um litoral de do e o impacto que obras desse tipo criam no pouco mais de 6.000km de extensão, investiu cotidiano da operação, tem a perspectiva de na construção de uma infraestrutura de apoio gerar capacidade ociosa para atender à de- ao turismo náutico a partir de meados da dé- manda futura. cada de 1990 e se tornou um dos destinos mais desejados da Europa. c) Muitas das estruturas de apoio náutico pre- tendem ampliar suas instalações e facilidades No caso da Croácia, o setor cresce a taxas de para abrigar embarcações maiores e mais so- aproximadamente 5% ao ano e, em 2010, ge- fisticadas, além de investir no incremento do rou uma receita de US$ 571 milhões. seu mix de serviços para ampliar a geração de receitas no relacionamento com suas bases de clientes atuais. INDÚSTRIA NÁUTICA BRASILEIRA 70
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    FATOS E NÚMEROS2012 71 MICRO E PEQUENAS EMPRESAS A participação das micro e pequenas empresas é marcante em todos os elos da cadeia produtiva da náutica no Brasil. ESTALEIROS Na esfera da produção de embarcações de esporte e recreio, conforme exposto anteriormente, os estaleiros se valem de uma rede de fornecedores que inclui micro e pequenas empresas, tanto no fornecimento de peças, equipamentos e acessórios como na prestação de serviços especializados. Os estaleiros entrevistados para este estudo contam, em média, com 20 fornecedores enquadrados como microempresas e 34 enquadrados como empresas de pequeno porte. Esses números incluem empresas de diversas especialidades e ramos de atuação, tais como: Logística e transporte Consultoria em laminação de fibra de vidro Design e engenharia Refeições industriais Manutenção e limpeza Gestão de resíduos Assessoria contábil e fiscal Instalação e calibragem de eletrônicos Tapeçaria Estofaria Propaganda e marketing Montagens industriais Segurança patrimonial Tornearia e usinagem de peças Cabe destacar que, em vários casos, parte importante da comercialização de embarcações está sob responsabilidade de brokers, empresários individuais estruturados em empresas de micro e pequeno porte e especializados na compra e venda de barcos. FABRICANTES DE EQUIPAMENTOS, PEÇAS E ACESSÓRIOS Conforme exposto anteriormente, a dinâmica do mercado náutico fez com que diversos negócios se originassem a partir da experiência de profissionais especializados que identificaram oportunidades para empreender e buscar sua independência. Nesse sentido, diversos agentes do mercado de equipamentos, peças e acessórios náuticos são micro e pequenas empresas que detêm técnicas e expertises específicas para esse mercado. Esse conjunto de empresas inclui fabricantes de itens como: Vestuário náutico Peças de decoração Coletes salva-vidas Peças usinadas sob medida Capas protetoras Capotas náuticas Cabos para esqui e wakeboard Enxovais personalizados Pranchas de wakeboard Churrasqueiras Tapeçaria e capachos Adesivos decorativos Velas Hélices Anodos de sacrifício Âncoras
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    COMÉRCIO E PRESTAÇÃODE SERVIÇOS Dada a dispersão geográfica e a demanda ações de varejo náutico ou estruturas de apoio ainda incipiente do mercado náutico, a pre- náutico, onde agregaram experiência na nego- sença de pequenas e microempresas na ciação, conhecimento técnico e um network de comercialização e prestação de serviços li- clientes fundamental à sua atividade. gados ao setor ainda é muito expressiva. Cabe destacar que os brokers também oper- Conforme mencionado anteriormente, es- am em sinergia com os dealers, negociando em- truturas individuais ou microempresas dos barcações novas para o seu network de clientes chamados brokers náuticos são responsáveis e oferecendo acompanhamento pós-venda. pela comercialização de uma parcela impor- tante das embarcações em águas brasileiras Já a prestação de serviços no mercado náu- e pela viabilização do mercado de embar- tico é dominada pelas microempresas e em- cações usadas, principalmente no que se presas de pequeno porte, nascidas do desejo refere às embarcações de maior porte e valor. empreendedor de profissionais especializa- dos ligados a estaleiros, fabricantes de equi- Esses profissionais independentes são, em sua pamentos e acessórios, varejistas e estruturas maioria, oriundos das estruturas comerciais de apoio náutico. ligadas a estaleiros (dealers), grandes oper- Entre os serviços que são oferecidos por essas empresas, temos: Corretagem de seguros Manutenção de embarcações Instalação e calibragem de instrumentos Pintura e reparação náutica Transporte de embarcações por terra e por mar Vistorias Montagem de veleiros Treinamento de tripulação Mecânica especializada Reparos elétricos Reparos hidráulicos Polimento Capotaria Estofaria Higienização Salvatagem Despacho na Capitania dos Portos Personalização ESTRUTURAS DE APOIO NÁUTICO No extremo da cadeia produtiva outbound Através desse processo, florescem polos de da indústria náutica, destaca-se a maior pre- negócios em diversos pontos do País e torna- sença das micro e pequenas empresas, e, se possível gerar emprego e renda em locais nesse segmento, percebe-se de forma mais remotos do litoral ou do interior, que não po- clara o potencial de desenvolvimento social dem ser alcançados sem a utilização de uma que a atividade náutica apresenta. embarcação. A utilização de embarcações de esporte Acidentes geográficos e paisagens se conver- e recreio implica a distribuição de renda tem em fontes de sustento para populações através de relações comerciais de troca locais, o que estimula a sua preservação e entre os usuários destas embarcações e gera um ciclo virtuoso e sustentável que val- os provedores de produtos e serviços das oriza, ainda, a cultura e os costumes locais. regiões visitadas. INDÚSTRIA NÁUTICA BRASILEIRA 72
  • 73.
    FATOS E NÚMEROS2012 73 Nesse cenário, as micro e pequenas empresas se destacam no fornecimento de bens e serviços como: Artesanato Turismo cultural e arqueológico Entretenimento Gastronomia Apoio à pesca Apoio à navegação (praticagem) Montagem de veleiros Ecoturismo Apoio ao mergulho Salvatagem e resgate Hospedagem Educação ambiental Capotaria
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    DESAFIOS E OPORTUNIDADES D esde a realização da primeira edição Apesar do crescimento observado nos desta pesquisa, há sete anos, o mer- últimos anos, o mercado náutico brasileiro cado náutico brasileiro apresentou as ainda tem diante de si uma série de desa- maiores taxas de crescimento em todo o fios históricos, ligados a todas as etapas mundo e evoluiu de forma impressionante. da produção, comercialização e utilização de embarcações, para realizar, de forma Na esteira de um período de expansão da plena, o seu potencial econômico e social economia, o consumidor brasileiro deu no cenário nacional. vazão à sua paixão pela náutica e gerou um aumento na demanda por produtos Mais do que nunca, faz-se necessária a cada vez mais sofisticados, e serviços de atuação coordenada das forças vivas do apoio em diversas regiões do país. setor no governo, em todas as suas esfe- ras, para buscar a eliminação de gargalos, NOS ÚLTIMOS SETE ANOS O a organização de uma política de incen- tivo ao setor, a racionalização da carga MERCADO NÁUTICO BRASI- tributária e a formatação de marcos re- LEIRO APRESENTOU AS MAIO- gulatórios que ofereçam aos empresários RES TAXAS DE CRESCIMENTO e investidores a segurança institucional e econômica necessária para a alocação de EM TODO O MUNDO. recursos na náutica, com geração de em- prego e renda sustentáveis para um nú- mero cada vez maior de brasileiros. INDÚSTRIA NÁUTICA BRASILEIRA 74
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    FATOS E NÚMEROS2012 Produção e comercialização Esse esforço tem como referência a ex- 75 periência da cadeia produtiva da indús- Na esfera da produção, os empresários tria náutica na Itália. Em 1997, a União brasileiros que desenvolvem e produ- da Indústria Náutica Italiana – Ucina zem embarcações de esporte e recreio conseguiu do governo daquele país a enfrentam dificuldades ligadas à carga aprovação de um pacote de normas de tributária elevada, à escassez de mão de incentivo ao setor, incluindo redução obra especializada e à inexistência de da carga tributária para a produção e uma política industrial que apoie o de- utilização de embarcações, além de um senvolvimento tecnológico da náutica marco regulatório para a implantação, no Brasil. modernização e ampliação de estrutu- ras de apoio náutico. Tributação Essas medidas culminaram na edição de duas normas legais (Lei nº 172, de 8 Desde 2005, a questão tributária tem de julho de 2003, e Decreto nº 95, de 4 sido alvo de uma gestão proativa das en- de abril de 2005) que determinaram a tidades representativas do setor, como a isenção fiscal para a indústria náutica, Associação Brasileira dos Construtores extensiva aos insumos empregados na de Barcos e seus Implementos – Acobar e utilização e manutenção de embarca- a diretoria náutica do Sindicato Nacional ções, com fortes reflexos na ampliação da Indústria da Construção e Reparação da oferta de trabalho em toda a cadeia Naval e Offshore – Sinaval. Essa iniciativa produtiva do setor. tem por objetivo desonerar a produção e comercialização de embarcações de Os resultados falam por si. O número esporte e recreio no Brasil, para agregar de estruturas de apoio náutico saltou competitividade internacional ao setor e de 104, em 1997, para 421, em 2011, en- buscar o fortalecimento da indústria na- quanto o número de vagas para em- cional e a geração de empregos dentro barcações passou de 29.300 para mais da cadeia produtiva da náutica. de 153 mil. Esse movimento fez da Itália um polo de excelência na indústria náu- tica, que hoje gera mais de €3,3 bilhões e emprega mais de 23 mil pessoas, só na produção de embarcações.
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    O não entendimentoda cadeia produtiva Comércio náutica como atividade de interesse social fez com que o segmento fosse sujeito a uma No âmbito do comércio, a escassez de linhas de forte tributação na construção naval. O fato crédito para compra de embarcações e as taxas de a construção naval náutica ser tributada de juros praticadas pela maioria das instituições pelo IPI (o que não ocorre com a indústria financeiras se aliam ao alto custo dos estoques naval metal-mecânica) representa distorção e aos tributos estaduais para aumentar o preço conceitual, uma vez que a característica pro- final dos produtos e diminuir a atratividade do dutiva da atividade está muito mais asseme- setor náutico perante o público em geral. lhada à construção civil que à indústria auto- mobilística. A questão tributária, que afeta a composição da matriz de custos dos fabricantes de em- Segurança jurídica barcações, equipamentos, peças e acessó- rios, também influi na composição dos pre- Outra questão que afeta toda a cadeia pro- ços finais ao consumidor, inibindo a demanda dutiva do setor náutico diz respeito à inexis- global do varejo. tência de um registro único e centralizado das embarcações em uso no Brasil. Atualmente, os Estruturas de apoio náutico cadastros das embarcações são mantidos e ar- quivados nas Capitanias dos Portos, de forma A problemática do setor adquire contornos descentralizada. mais complicados na esfera da utilização do produto náutico. A infraestrutura de apoio à A inexistência de um sistema único de regis- navegação costeira e a formação de mão de tro faz com que o conhecimento sobre o ta- obra especializada no segmento náutico no manho da frota brasileira e suas característi- Brasil exigem investimentos urgentes e em cas de porte e utilização seja muito limitado. larga escala. Por outro lado, a precariedade do sistema de registro utilizado atualmente não oferece às No entanto, temos, por um lado, a limitação instituições financeiras o grau de segurança dos recursos públicos para fazer frente a es- e transparência que se observa, por exemplo, sas demandas e, por outro, a inexistência de no registro de automóveis (Renavam) ou de marcos regulatórios específicos que viabili- aeronaves (RAB), o que torna a contratação zem os investimentos privados necessários de financiamentos, arrendamentos e seguros para a construção dessa nova realidade. mais complicada, arriscada e cara em com- paração com outros bens de valor e aplica- ção semelhantes. Marco regulatório ambiental para a construção de estruturas Mão de obra de apoio náutico A formação de mão de obra especializada na A construção de estruturas de apoio náutico construção náutica é outro gargalo que inibe demanda a mobilização de um volume cada o desenvolvimento do setor no Brasil. Atu- vez maior de capital, tendo em vista a cres- almente, as iniciativas que buscam a forma- cente valorização imobiliária das áreas de ção de pessoal para os estaleiros brasileiros, waterfront e a necessidade de investimentos como o Polo Náutico da UFRJ, o Projeto Gra- na construção de estruturas adequadas, em el, entre outras, apesar de seu sucesso pon- equipamentos de movimentação de embar- tual, são isoladas e tem alcance regional. Por cações e em tecnologias de proteção am- essa razão, os maiores estaleiros do mercado biental. Isso faz com que a estrutura de ca- são, ao mesmo tempo, centros de demanda pital necessária para viabilizar a implantação e também núcleos de formação de profissio- de marinas e garagens náuticas seja cada vez nais especializados. mais forte e complexa. INDÚSTRIA NÁUTICA BRASILEIRA 76
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    FATOS E NÚMEROS2012 77 A inexistência de um marco regulatório de- Geração de empregos finitivo para a instalação de equipamentos e estruturas de apoio náutico traz a dificuldade e renda, a oportunidade na obtenção do licenciamento para a implan- para o setor tação e operação desse tipo de equipamen- to, e faz com que o nível de incerteza das A cadeia produtiva da náutica no Brasil tem incorporações se torne alto em relação a ou- vocação para gerar empregos em todos os tras alternativas de investimento no mercado seus elos e, por isso, tem um potencial de im- brasileiro, limitando e encarecendo o fluxo de pacto social muito importante. capitais para esse setor, e inibindo o surgi- mento de novas estruturas de apoio náutico A atividade náutica é altamente intensiva em e o desenvolvimento do potencial náutico de mão de obra, de modo que é grande gera- regiões inteiras do País. dora de trabalho e renda, tanto durante o processo de construção das embarcações, Esse fato tem impacto negativo sobre toda no qual a mão de obra representa cerca de a cadeia produtiva da náutica, uma vez que, 60% de seu custo primário, quanto durante a especialmente no caso de embarcações aci- utilização das embarcações, quando há apli- ma de 40 pés, a demanda é negativamente cação de mão de obra qualificada e indispen- impactada pela falta de vagas em estruturas sável. de apoio náutico. O fornecimento de produtos e serviços vol- tados à utilização das embarcações de es- Regularização da porte e recreio, a chamada cadeia produtiva mão de obra outbound, representa um vetor de geração de renda e emprego longe dos centros in- No que se refere à formação e disponibili- dustriais tradicionais, o que caracteriza uma zação de mão de obra especializada para a dispersão geográfica interessante para a em- prestação de serviços na utilização de em- pregabilidade no País e para a fixação da po- barcações de esporte e recreio, o investimen- pulação nessas regiões, diminuindo o fluxo to na formação de marinheiros particulares é migratório para os grandes centros urbanos. limitado pela inexistência de uma categoria profissional específica que ampare os traba- O número de trabalhadores empregados em lhadores do setor. estaleiros especializados na construção de embarcações de esporte e recreio no Brasil Na medida em que a carreira de marinheiro é estimado em 9.800 pessoas, enquanto que particular não se constitui em uma ocupação os fabricantes de acessórios, peças e equi- regular, não existem programas de formação pamentos empregam aproximadamente 7 e outras ferramentas públicas de desenvol- mil trabalhadores. Cabe destacar que esses vimento da carreira. Paradoxalmente, traba- números incluem trabalhadores de empresas lhadores bem remunerados, com alto grau que não produzem somente embarcações. de especialização e reconhecimento no mer- No caso dos estaleiros e fabricantes de equi- cado de trabalho, são registrados em outras pamentos e acessórios, parte da chamada categorias que não refletem ou valorizam sua cadeia produtiva inbound, a demanda por experiência profissional. mão de obra tende a se manter crescente nos próximos dois anos. Esse cenário não é, infelizmente, privilégio da cadeia produtiva da náutica no Brasil. Diver- sos setores da economia brasileira contem- plam desafios da mesma envergadura e com características muito semelhantes.
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    Aproximadamente 95% dosestaleiros entrevistados para este estudo pretendem ampliar seu quadro funcional nes- se período, para fazer frente a um aumento esperado na demanda por embarcações. Nesse sentido, a tendência é a geração de um número maior de vagas na área de produ- ção, que responde por um percentual expressivo da força de trabalho empregada nos estaleiros e não exige alto grau de escolaridade. Já no caso dos fabricantes de equipamentos e acessórios, merece destaque o fato de 100% das empresas entrevista- das terem planos de ampliação das suas linhas de produtos e do número de postos de trabalho, com maior ênfase na área de produção, mas também na área de desenvolvimen- to de produtos, na qual serão abertas vagas para profis- sionais mais qualificados e com ofertas mais atraentes em termos de remuneração. Essas empresas declaram, ainda, a intenção de ampliar o quadro funcional nas áreas de ven- das e no setor administrativo. Confirmando essa tendência, 78% das empresas que co- mercializam embarcações, peças, equipamentos e acessórios entrevistadas para este estudo declararam intenção de ampliar o seu quadro funcional nos próximos dois anos, com ênfase para as áreas de vendas, pós-vendas e assistência técnica. Apesar desse quadro essencialmente otimista, é funda- mental ressaltar que essas empresas que responderam a esta pesquisa também apontaram a falta de qualificação da mão de obra disponível no mercado como um dos prin- cipais entraves ao desenvolvimento dos negócios para es- taleiros, fabricantes de equipamentos e varejistas. Esse problema foi apontado como um dos mais sérios e urgentes a serem enfrentados pelo setor por 88% dos respondentes da pesquisa nos três segmentos. No que se refere às estruturas de apoio náutico, apesar de uma perspectiva de ampliação dos negócios, do cresci- mento do tamanho das embarcações e, em alguns casos, da disponibilidade de vagas, a criação de vagas não tende a acelerar de forma tão evidente. Mesmo em se tratando de estruturas intensivas em servi- ço e que por consequência dependem de mão de obra para ampliar seus negócios, a percepção dos operadores é de que há força de trabalho suficiente para suprir as necessidades de atendimento, mesmo que seja preenchida a capacidade ociosa que hoje se observa em algumas estruturas, ou que haja um upgrade no tamanho das embarcações ali baseadas. Não obstante, a falta de mão de obra qualificada também foi apontada pela grande maioria dos responsáveis pelas estru- turas de apoio náutico em todo o Brasil como um dos pro- blemas mais sérios e urgentes que inibem o crescimento da náutica no País, o que torna evidente a necessidade de inves- timentos urgentes na formação de profissionais para o setor. INDÚSTRIA NÁUTICA BRASILEIRA 78
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    FATOS E NÚMEROS2012 81 A o longo do desenvolvimento desta pesquisa, buscou-se balizar as informações colhidas no campo e as conclusões elaboradas no estudo com a opinião e a visão de personalidades que têm na indústria náutica o seu foco de atuação e possuem uma perspectiva global deste segmento. Na busca destes parâmetros foram ouvidos empresá- rios e executivos de empresas que atuam na constru- A VISÃO ção náutica, varejo, importação, geração e gestão de conteúdo segmentado, projetos sociais e entidades DOS LÍDERES internacionais ligadas à atividade náutica. Forneceram depoimentos para este estudo: Ernani Paciornik – Diretor Presidente – Grupo 1 Editora Felipe Furquim – CEO – Regatta Gabriela Lobato Marins – Diretora – BR Marinas Lars Grael – Medalhista Olímpico e Consultor do COB Luis Henrique Moreira Ferreira – Sócio Administrador – Vellroy Estaleiros do Brasil Natanael Santos de Souza – Presidente – Grupo First Tony Rice – Secretary General – International Council of Marine Industry Associations Udo Kleinitz – Diretor Técnico – International Council of Marine Industry Associations
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    Apesar das diferençasde ponto de vista inerentes à participação de cada um na cadeia produtiva do setor, as percepções destas lideranças sobre o papel, a importância, o potencial e as limitações para o desenvolvimento da atividade náutica no brasil são essencialmente convergentes e alinhadas às conclusões apresentadas neste estudo: O BRASIL, POR SUAS CARACTERÍSTICAS DE CLIMA, DISPONIBILIDADE DE ÁGUAS PRÓPRIAS PARA A NAVEGAÇÃO DE ESPORTE E RECREIO E CONFIGURAÇÃO SÓCIO-DEMOGRÁFICA ABRIGA UM GRANDE POTENCIAL PARA O DESENVOLVIMENTO DAS ATIVIDADES NÁUTICAS, TENDO COMO FOCO TANTO A POPULAÇÃO DO PAÍS COMO OS MERCADOS EXTERNOS. O DESENVOLVIMENTO DA ATIVIDADE NÁUTICA NO BRASIL TEM POTENCIAL PARA GERAR BENEFÍCIOS EM TERMOS DE INCENTIVO AO CONVÍVIO FAMILIAR E COM A NATUREZA COMO CONTRAPONTO À TENDÊNCIA DE ISOLAMENTO E VALORIZAÇÃO DE UM MUNDO VIRTUAL. INDÚSTRIA NÁUTICA BRASILEIRA 82
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    FATOS E NÚMEROS2012 A ATIVIDADE NÁUTICA TEM POTENCIAL PARA DISTRIBUIR EMPREGO E RENDA ATRAVÉS DE UMA EXTENSA CADEIA PRODUTIVA, ALTAMENTE INTENSIVA EM MÃO DE OBRA, ALÉM DE 83 OFERECER UMA ALTERNATIVA DE LAZER E PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PARA AS POPULA- ÇÕES DE CIDADES À BEIRA-MAR OU PRÓXIMAS DE CURSOS DE ÁGUA NAVEGÁVEIS. EXISTE EM SEGMENTOS DA SOCIEDADE E DO GOVERNO UMA FALSA PERCEPÇÃO DE CON- FLITO ENTRE O DESENVOLVIMENTO DA ATIVIDADE NÁUTICA E A PRESERVAÇÃO DO MEIO AMBIENTE. NO MUNDO INTEIRO, A ATIVIDADE NÁUTICA É UM FATOR DE PROTEÇÃO ÀS PAISAGENS NATURAIS E À QUALIDADE DA ÁGUA, DOIS FATORES INDISPENSÁVEIS PARA O CRESCIMENTO DESTE SETOR. ESTA DISTORÇÃO, ALIADA À FALTA DE UM MARCO REGULATÓRIO DEFINITIVO PARA O LICENCIAMENTO AMBIENTAL DE INSTALAÇÃO DE ESTRUTURAS DE APOIO NÁUTICO, DIFICULTA A CONSTRUÇÃO DE NOVOS EMPREENDIMENTOS, RESTRINGE E ENCARECE A OFERTA DE VAGAS NAS ESTRUTURAS EXISTENTES, O QUE SE CONVERTE NUM FATOR DE INIBIÇÃO PARA O CRESCIMENTO DO MERCADO. NO MUNDO INTEIRO, A NÁUTICA É PERCEBIDA COMO UMA ATIVIDADE SAUDÁVEL, SO- CIALMENTE ACESSÍVEL E DIRIGIDA PRINCIPALMENTE ÀS FAMÍLIAS. NO BRASIL, EXISTE UMA PERCEPÇÃO DISTORCIDA COM RELAÇÃO À SUPOSTA ELITIZAÇÃO DA ATIVIDADE, O QUE AFETA O ENCAMINHAMENTO DOS PLEITOS DO SETOR E AFETA ATÉ MESMO A TRIBU- TAÇÃO QUE INCIDE SOBRE OS NEGÓCIOS DA SUA CADEIA PRODUTIVA. A SUPERAÇÃO DESTES DESAFIOS DEVE OCORRER ATRAVÉS DE UMA ATUAÇÃO COORDE- NADA DAS FORÇAS DO MERCADO NÁUTICO PARA INFORMAR E SENSIBILIZAR A SOCIE- DADE E AS AUTORIDADES COM RELAÇÃO À CONVERGÊNCIA ENTRE OS CONCEITOS DE DESENVOLVIMENTO NÁUTICO E PRESERVAÇÃO AMBIENTAL, EVIDENCIANDO OS BENEFÍ- CIOS QUE O SETOR PODE TRAZER PARA A SOCIEDADE E PARA A ECONOMIA. O FÓRUM NÁUTICO FLUMINENSE SE DESTACA COMO UMA REFERÊNCIA PARA O DESEN- VOLVIMENTO DE CENTROS DE EXCELÊNCIA DA NÁUTICA EM TODO O PAÍS, UMA VEZ QUE PROPÕE A ARTICULAÇÃO ESTRATÉGICA DOS AGENTES DO MERCADO, MOBILIZANDO A INICIATIVA PRIVADA, O PODER PÚBLICO E ENTIDADES SETORIAIS EM TORNO DE UMA AGENDA ÚNICA E POSITIVA PARA O SETOR. É ESTRATÉGICO PARA O SETOR APOIAR INICIATIVAS QUE ESTIMULEM O CONTATO DO PÚBLICO COM A CULTURA E A PRÁTICA DA ATIVIDADE NÁUTICA, TAIS COMO A CONSTRU- ÇÃO DE RAMPEAMENTO NÁUTICO PÚBLICO, A REALIZAÇÃO DE EVENTOS COMPETITIVOS E DE EXIBIÇÃO, FESTIVAIS, FEIRAS, O DESENVOLVIMENTO DE PROGRAMAS DE INICIAÇÃO DESPORTIVA E ALUGUEL DE EMBARCAÇÕES.
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    O s dados primários da pesquisa Indus- tria Náutica Brasileira – Fatos & Nú- METODOLOGIA meros 2012 relativos às estruturas de apoio náutico foram coletados através de en- trevistas pessoais e aplicação de questionário estruturado e pré-testado junto aos opera- dores e gestores de 388 marinas, garagens náuticas e iates clubes em todas as regiões brasileiras. Os dados primários relativos às demais ativi- dades ligadas à cadeia produtiva da náutica foram coletados através de questionários on- line enviados a 103 estaleiros especializados na fabricação de embarcações de esporte e recreio, 45 fabricantes de equipamentos, pe- ças e acessórios náuticos, 84 operações de varejo, 12 importadores e 23 prestadores de serviços focados no mercado náutico. Estas informações foram complementadas com entrevistas em profundidade por telefo- ne junto a 30 varejistas espalhados por todas as regiões do Brasil e por depoimentos pre- senciais colhidos junto a lideranças do setor náutico. Os dados secundários foram coletados jun- to a instituições e empresas especializadas no diagnóstico e formulação de políticas se- toriais ligadas à náutica, ao turismo e ao de- senvolvimento econômico regional, além de publicações e sites do setor náutico. Estas atividades foram realizadas no período de junho a setembro de 2012. INDÚSTRIA NÁUTICA BRASILEIRA 84
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    FATOS E NÚMEROS2012 INDÚSTRIA NÁUTICA BRASILEIRA REFERÊNCIAS: A hora e a vez do desenvolvimento regional brasileiro: uma proposta de longo prazo. Liana Carleial e Bruno Cruz – IPEA Brazil Economic Impact Report – World Travel & Tourism Council “Governança Costeira – O Brasil Voltado para o Mar” Instituto Pharos e Instituto de Marinas do Brasil Guia de Turismo Fluvial – Secretaria da Ciência, Tecnologia, Desenvolvimento Econômico e Turismo do Estado de São Paulo ICOMIA Statistics Book 2010 - International Council of Marine Industry Associations Latin America as a Foreign Direct Investments Hotspot - Opportunities and risks – The Economist Intelligence Unit Nautica & Fisco – Uma guida per diportsiti i operatori - Agenzia della Entrate Direzione Regionale Liguria / UCINA Overview Rio Náutico 2011 – Fórum Náutico Fluminense PARTNERING MARINA & NAUTICAL TOURISM – ICOMIA Plano Aquarela 2020 – Marketing Turístico Internacional do Brasil – Ministério do Turismo Programa Nacional de Orientação para Implantação de Marinas nas Águas Interiores Brasileiras - Instituto de Marinas do Brasil The Wealth Report 2012 – A global perspective on prime property and wealth – Knight Frank & Citi Private Bank The World Wealth Report – Capgemini UK Leisure, Superyacht, and Small Commercial Marine Industry – Key Performance Indicators 2010/11 – British Marine Federation 86
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    COORDENAÇÃO TÉCNICA Renato Regazzi- SEBRAE-RJ Leandro Luis de Sousa Marinho - SEBRAE-RJ APOIO Evandro Peçanha Alves – SEBRAE-RJ Alexandre Gurgel - CIA DE DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL - RJ André Tostes- CIA DE DESENVOLVIMENTO INDUSTRIAL - RJ Eduardo Colunna - ACOBAR Lenilson Marcelo Bezerra - ACOBAR Luis Henrique Moreira Ferreira - SINAVAL Klaus Peters - SEMAR Glaudson Bastos - LOGIKE Rita de Cassia Franco - BANCO SANTANDER Kátia de Almeida Faria - BANCO SANTANDER EQUIPE RESPONSÁVEL Coordenação geral do projeto: Marcio Malmegrin – Independente Consultores - fcindependente.com.br Consultor de estruturas de apoio náutico: Claudio Brasil do Amaral – Instituto de Marinas do Brasil Revisão: Lilia Lacerda da Silva / Chris Schardosim Projeto Gráfico: dlab.com.br