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A VERDADE BÍBLICA
E
A CIÊNCIA HUMANA
A VERDADEBÍBLICA E A CIÊNCIA
HUMANA ESTÃO
INTERLIGADASE DEPENDEMDE
ESTUDOS E INTERPRETAÇÕES.
VEJAMOS O PRIMEIRO LIVRO
DE GÊNESIS, CUJA PALAVRA DO
TÍTULO BÍBLICO ORIGINOU A
PALAVRA GENE:
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O QUE É O LIVRO DE GÊNESIS
Autor: O autor do Livro de Gênesis não é identificado.
Tradicionalmente, tem-se sempre achado que o autor foi
Moisés. Não há nenhuma razão determinante para negar a
autoria mosaica de Gênesis.
Quando foi escrito: O livro de Gênesis não afirma quando foi
escrito. A data de sua autoria é provavelmente entre 1440 e
1400 AC, entre o tempo quando Moisés conduziu os israelitas
para fora do Egito e a sua morte.
Propósito: O livro de Gênesis tem sido por vezes chamado de
“semente-enredo” de toda a Bíblia. A maioria das principais
doutrinas da Bíblia é introduzida de forma “semente” no livro
de Gênesis.Junto com a Queda do homem, a promessa de Deus
de salvação ou redenção é registrada (Gênesis 3:15). As
doutrinas da criação, imputação do pecado, justificação,
expiação, depravação, ira, graça, soberania, responsabilidade e
muitas outras são abordadas neste livro de origens chamado
Gênesis.
Muitas das grandes questões da vida são respondidas em
Gênesis:
(1) De onde é que eu vim ? (Deus nos criou - Gênesis 1:1)
(2) Por que estou aqui ? (Nós estamos aqui para ter um
relacionamento com Deus - Gênesis 15:6)
(3) Para onde vou ? (Temos um destino após a morte - Gênesis
25:8). Gênesis é atraente aos cientistas, ao historiador, ao
teólogo, à dona de casa, ao agricultor, ao viajante e ao homem
ou mulher de Deus. É um começo adequado para a história de
Deus do Seu plano para a humanidade, a Bíblia.
Versículos-chave:
Gênesis 1:1: “No princípio, criou Deus os céus e a terra. ”
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Gênesis 3:15: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua
descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu
lhe ferirás o calcanhar. ”
Gênesis 12:2-3: “de ti farei uma grande nação, e te abençoarei,
e te engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção! Abençoarei os
que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em
ti serão benditas todas as famílias da terra. ”
Gênesis 50:20: “Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim;
porém Deus o tornou em bem, para fazer, como vedes agora,
que se conserve muita gente em vida. ”
Resumo: O livro de Gênesis pode ser dividido em duas seções:
História Primitiva e História Patriarcal:
A História Primitiva registra (1) Criação (Gênesis 1-2), (2) a
Queda do homem (Gênesis 3-5), (3) o Dilúvio (Gênesis 6-9) e (4)
a Dispersão (Gênesis capítulos 10-11).
A História Patriarcal registra as vidas de quatro grandes
homens: (1) Abraão (Gênesis 12-25:8), (2) Isaque (Gênesis 21:1-
35-29); (3) Jacó (Gênesis 25:21-50: 14) e (4) José(Gênesis 30:22-
50:26).
Deus criou um universo que era bom e livre do pecado. Deus
criou o homem para ter um relacionamento pessoal com Ele.
Adão e Eva pecaram e, assim, trouxeram o mal e a morte ao
mundo. O mal aumentou de forma constante em todo o mundo
até que houve apenas uma família emque Deus encontrou algo
de bom. Deus enviou o Dilúvio para acabar com o mal, mas
salvou Noé, sua família e os animais da Arca. Após o Dilúvio, a
humanidade começou novamente a se multiplicar e a se
espalhar por todo o mundo.
Deus escolheu Abraão, através de quem Ele criaria um povo
escolhido e eventualmente o Messias prometido. A linhagem
escolhida foi passada para o filho de Abraão, Isaque, e então ao
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filho de Isaque, Jacó. Deus mudou o nome de Jacó para Israel, e
os seus doze filhos tornaram-se os antepassados das doze tribos
de Israel. Em Sua soberania, Deus fez com que o filho de Jacó,
José, fosse enviado para o Egito como resultado das ações
desprezíveis dos seus irmãos. Este ato, projetado para o mal
pela perversidade dos irmãos, foi por Deus destinado para o
bem e eventualmente resultou em Jacó e sua família sendo
salva por José de uma fome devastadora, pois este havia
adquirido grande poder no Egito.
Prenúncios: Muitos temas do Novo Testamento têm suas
raízes em Gênesis. Jesus Cristo é a Semente da mulher que irá
destruir o poder de Satanás (Gênesis 3:15). Tal como acontece
com José, o plano de Deus para o bem da humanidade através
do sacrifício de Seu Filho foi concebido para o bem, apesar de
que aqueles que o crucificaram tiveram más intenções. Noé e
sua família são os primeiros de muitos remanescentes
retratados na Bíblia. Apesar de desvantagens esmagadoras e
circunstâncias difíceis, Deus sempre preserva um grupo
remanescente dos fiéis para Si. O remanescente de Israel
retornou a Jerusalém depois do cativeiro babilônico; Deus
preservou um remanescente através de todas as perseguições
descritas em Isaías e Jeremias; uns remanescentes de 7.000
sacerdotes foram escondidos da ira de Jezabel; Deus promete
que um grupo remanescente de judeus um dia receberá o seu
verdadeiro Messias (Romanos 11). A fé demonstrada por
Abraão seriao dom de Deus e abase de salvaçãopara os judeus
e gentios (Efésios 2:8-9, Hebreus 11).
Aplicação Prática: O tema predominante de Gênesis é a
existência eterna de Deus e a Sua criação do mundo. Não há
nenhum esforço por parte do autor de defender a existência de
Deus; elesimplesmente afirma que Deus é, sempre foi esempre
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será o Todo-Poderoso sobre todos. Da mesma forma, temos
confiança nas verdades de Gênesis, apesar das afirmações
daqueles que o negam. Todas as pessoas, independentemente
da cultura, nacionalidade ou língua, terão que prestar contas
diante do Criador. Não obstante, por causa do pecado,
introduzido ao mundo pela Queda, somos separados de Deus.
No entanto, através de uma pequena nação, Israel, o plano
redentor de Deus para a humanidade foi revelado e feito
acessível a todos. Alegramo-nos com esse plano.
Deus criou o universo, a terra e todo ser vivo. Nós podemos
confiar que Ele pode lidar com as preocupações em nossas
vidas. Deus pode tomar uma situação desesperadora (como
Abraão e Sara ainda sem filhos) e fazer coisas incríveis se
simplesmente confiarmos e obedecermos. Coisas terríveis e
injustas podem acontecer em nossas vidas, como aconteceram
com José, mas Deus sempre vai fazer surgir um bem maior se
tivermos fé Nele e em Seu plano soberano. “Sabemos que todas
as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus,
daqueles que são chamados segundo o seu propósito”
(Romanos 8:28).
O QUE É GENE
O significadode gene na genéticaclássicaéaunidade funcional
da hereditariedade onde estão presentes os ácidos nucleicos,
portadores de informações genéticas que proporcionam a
diversidade entre os indivíduos. A palavra gene foi criada em
1909 pelo botânico dinamarquês Wilhelm Ludvig Johannsen.
Gene é uma sequência de nucleotídeos distintos que fazem
parte de um cromossomo. Cadagene codificauma determinada
sequência de uma cadeia polipeptídica (união de aminoácidos
que formam a proteína). O gene é formado por uma sequência
de DNA (ácido desoxirribonucleico) e RNA (ácido ribonucleico),
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sendo este último responsável pela síntese de proteínas da
célula.
Genética é a ciência que estuda os genes. Os genes são
classificados em: gene dominante (responsável pela atribuição
de determinada característica no descendente), gene recessivo
(manifesta-se na ausência de gene dominante), gene estrutural
(contém a informação que determina a estrutura dos seres
vivos), gene operador (atua no funcionamento de outros genes)
e gene regulador (controla a síntese e transcrição de outros
genes).
Genoma é o conjunto de genes de um indivíduo. Cada ser
humano possui um único genoma, estimando-se que seja
composto por cerca de 25 000 genes. Esse resultado foi obtido
através de um trabalho conjunto denominado Projeto Genoma
Humano, que tem a função de mapear o genoma humano, ou
seja, identificar todos os nucleotídeos que o compõem.
No princípio criou Deus o céu e a terra.
E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do
abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas.
E disse Deus: Haja luz; e houve luz.
E viu Deus que era boa a luz; e fez Deus separação entre a luz e
as trevas.
E Deus chamou à luz Dia; e às trevas chamou Noite. E foi a tarde
e a manhã, o dia primeiro. Gênesis 1:1-5
MOVIMENTOS DOS CORPOS CELESTES
Foram os movimentos provocados por DEUS em todos os
corposcelestesdouniverso, quederam forma aos mesmos.
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Ao todo, existem catorze movimentos da Terra que deram
a forma atual da mesma. Alguns interferem diretamente
na vida em sociedade, outros, nem tanto.
O planeta Terra não é estático no universo, assim como
acontece com todos os corpos celestes. Ele realiza uma série de
movimentos envolvendo a órbita em torno de si mesmo, ao
redor do sol, em conjunto com a Via Láctea e com o próprio
universo. Portanto, estudar esses movimentos significa
entender uma parte da dinamicidade do espaço sideral.
Os principais movimentos da Terra, istoé, aqueles que possuem
um efeito direto mais notório em nossas vidas, são a rotação e
a translação.
A rotação é o movimento que a Terra realiza em torno de si
mesma, circulando ao redor do seu eixo imaginário central
durante um período aproximado de 24 horas, com uma
velocidade de 1.666 km/hora. A rotação ocorre no sentido anti-
horário, ou seja, de oeste para leste, o que faz com que o
movimento aparente do sol seja de leste (nascente) para oeste
(poente). A principal consequência desse movimento é a
sucessão dos dias e das noites.
A translação é o movimento elíptico que a Terra executa ao
redor do sol, com uma duração de 365 dias, 5 horas e 48
minutos em uma velocidade de 107.000 km/hora. Quando a
Terra termina uma volta completa em relação ao sol, dizemos
que se passou um ano. A principal consequência desse
movimento é a origem das estações do ano, que ocorrem pelo
fato de o eixo do planeta apresentar uma inclinação de 23º27',
ocasionando a sucessão dos solstícios e dos equinócios.
O movimento de translação também é chamado de revolução.
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Movimento de translação terrestre
Além desses dois movimentos principais, a Terra possui outros
três importantes movimentos que não possuemuma influência
muito notória sobre a humanidade, mas que são importantes
por originarem outros movimentos. Essas variações são
a precessão, a nutação e o deslocamento do periélio.
A precessão – ou precessão dos equinócios – é o movimento
giratório realizado pela projeção de eixo de rotação terrestre no
sentido horário, com uma duração cíclica de 25.770 anos. A
principal consequência é a antecipação dos equinócios e a
mudança da posição aparente dos astros celestes no céu.
A nutação é uma pequena variação periódica no eixo
rotacional terrestre que ocorre a cada 18,6 anos em função da
influência da gravidade da Lua sobre a Terra. Não há
consequências relevantes.
O deslocamento do periélio é a variação da órbita terrestre
ao redor do sol. Como sabemos, o periélio é o ponto da órbita
em que o planeta se encontra mais próximo ao corpo solar.
Assim, essa diferença varia ao longo do tempo em função da
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influência da órbita de outros planetas, com uma repetição
cíclica de 21 mil anos.
Além desses cinco movimentos apresentados, a Terra realiza
outros nove movimentos de menor importância que envolvem
derivações desses ciclos e transformações ocorridas em
conjunto com o universo.
Um desses movimentos é a obliquidade da eclíptica, que é a
variação entre o plano da órbita da Terra e o plano da Linha do
Equador, ou seja, a variação do eixo de inclinação. Esse
movimento possui um ciclo de 42 mil anos e faz com que o
ângulo desse eixo varie entre 22º e 24º30'.
Há também a variação da excentricidade da órbita, em que
o eixo de translação da Terra ora é mais circular, ora é mais
elíptico, possuindo uma duração cíclica de 92 mil anos. Há
indícios de que esse movimento seja o responsável pelas
grandes glaciações da Terra.
Já o movimento do centro de massa Terra-Lua indica a
órbita que o centro de massa do sistema Terra-Lua realiza ao
redor do sol. Da mesma forma, o movimento em torno do
centro de massa do Sistema Solar é o movimento realizado
pela Terra ao redor do centro de massa do sol e todos os
planetas que circundam ao seu redor.
Outro movimento interessante éo movimento das marés, em
que há uma contração e uma descontração cíclicas do globo
terrestre por influência da gravidade da Lua. A mais conhecida
influência desse movimento é a variação das marés.
A Terra também realiza alguns movimentos imprevisíveis, com
pequenas variações em suas órbitas, fenômeno ocasionado
pela influência dos demais planetas solares, notadamente
Vênus e Júpiter. Esses movimentos são chamados
de perturbações planetárias.
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Como o Sol também se desloca, observa-se que, concomitante
ao movimento de translação, a Terra também realiza
um movimento helicoidal em direção ao próprio sol.
Da mesma forma ocorre em relação à ViaLáctea,que apresenta
um giro ao redor de seu centro com duração de 250 milhões de
anos. A Terra, assimcomo todo o sistema solar, faz parte dessa
movimentação, que é chamada de rotação junto com a
galáxia. No entanto, como o universo continua expandindo-se,
a galáxia também se movimenta, levando todos os seus corpos
celestes consigo, o que faz com que seja considerado o
movimento de translação junto com a galáxia.
Imagem da Via Láctea
Em resumo, os 14 movimentos da Terra são:
1) Rotação
2) Translação
3) Precessão
4) Nutação
5) Deslocamento do periélio
6) Obliquidade da eclíptica
7) Variação da excentricidade da órbita
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8) Movimento de centro de massa Terra-Lua
9) Movimento em torno do centro de massa do Sistema Solar
10) Movimento das Marés
11) Perturbações Planetárias
12) Movimento Helicoidal
13) Rotação junto com a galáxia
14) Translação junto com a galáxia
O QUE É O SOL:
Portanto o que seobserva éque o SOL não tinha a queima atual,
portanto não estava formado, então vejamos:
Massa: 332.83 vezes a da Terra, Diâmetro: 1.390.000 km,
Temperatura: 6000 C, Composição Química: Hidrogênio, Hélio,
Nitrogênio, Carbono, neon, Ferro, Silício, Magnésio e enxofre
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O Sol é a estrela mais próxima denós eao seu redorgiram 8 planetas, centenas deasteroides,
dezenas de satélites, um grande número de cometas e cinco planetas -anões.
O Sol é uma estrela devido à grande quantidade de massa que
tem, de aproximadamente 334.672 vezes a massa da Terra e é
constituído principalmente de hidrogênio e hélio.
Onde fica o Sol
O Sol ocupa uma posição na periferia da Via-Láctea, a 27 mil
anos luz do seu centro. Isso corresponde a 2/3 do raio total da
Galáxia.
A posição atual do Sol é conhecida como Braço de Orion.
Da mesma forma como a Terra gira ao redor do Sol, este
também orbita ao redor do centro da Galáxia. O ano solaré de
aproximadamente 200 milhões de anos terrestres e sua
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velocidade orbital é de 250 km/segundos. Sendo a idade do Sol
de aproximadamente 4.6 bilhões de anos,é correto afirmarque
até agora o Sol já realizou cerca de 22 revoluções completas ao
redor da Via-Láctea.
A magnitude de uma estrela é medida supondo que estivesse a
uma distância de 32.6 anos-luz. Se o Sol fosse colocado a esta
distância, seu brilho seria semelhante ao de uma estrela de
magnitude igual a cinco. Assim, o Sol é uma estrela de quinta
magnitude.
A formação do Sol
Os estudos mais recentes ainda não explicamexatamente como
o Sol se formou, mas uma das teorias mais aceitas diz que antes
de existir o Sol e os planetas, o que existia no lugar do sistema
solar era uma gigantesca nuvem de gases e poeira, bem maior
que o sistema solar.
Os gases dessa nuvem seriam os que conhecemos: oxigênio,
nitrogênio e principalmente hidrogênio e hélio. A poeira seria
formada por todos os outros elementos químicos: ferro,
alumínio, urânio, etc.
Por algum motivo ainda não explicado, essa nuvem encontrou
condições adequadas para se aglomerar e se juntar em
pequenos blocos, e que começaram a se juntar em blocos cada
vez maiores.
Acredita-se que o bloco que se formou primeiro no centro da
nuvem ficou tão grande e pesado que sua força gravitacional se
tornou forte o suficiente para reter os gases com muita
facilidade.
Continuando a atrair os gases devido à formação gravitacional,
esse bloco aumentou tanto de tamanho e massa que acabou se
transformado no Sol. Os blocos menores que se formaram ao
redor do bloco central deram então origem aos planetas.
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Algumas pessoas pensamque os planetas são pequenas bolhas
expelidas pelo Sol, pois os cientistas do século 19 e início do
século 20 pensavam assim. Atualmente sabe-se que isso não é
verdade e a teoria apresentada, de gás e poeira, é a mais aceita
entre a comunidade científica.
Pela Lei da Gravitação Universal de Isaac Newton (1642-1727) é
possível calcular a massa solar que é estimada em 334.672
vezes a massa da Terra, com um raio de 700 mil km.
A densidade média é 1.4 g/cm3, já que a matéria não é
homogênea em seu interior. No centro solar a densidade é
muito maior, enquanto que nas camadas externas é muito
inferior.
O seu eixo de rotação tem uma inclinação em relação ao plano
da eclíptica de 7° 15''.
Apesar da massa estelar ser centenas de milhares de vezes
maior que a da Terra, a gravidade na superfície solaré somente
28 vezes maior que a gravidade terrestre.
A superfície não é solida, mas sim em estado de plasma e gás e
apresenta temperatura da ordem de 5.770 graus Kelvin.
O fato de o Sol ser basicamente um corpo constituído por um
fluído (plasma e gás), provoca o fenômeno conhecido
como rotação diferenciada.
A velocidade dessa rotação varia nas diferentes latitudes com
um valor máximo no equador (2 km/segundo) correspondendo
a 25,03 dias e uma mínima nos polos com um período de 30
dias.
Essas informações só foram possíveis graças à observação das
manchas solares, vistas mais adiante.
O Sol representa 99.867% de toda a massa do Sistema Solar. O
restante está dividido entre os planetas, asteroides, satélites e
cometas.
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Como o Sol funciona
Quando só as reações químicas eram conhecidas para a
produção de fogo e calor, acreditava-seque o Sol funcionava de
maneira similar, até que os cientistas calcularam sua massa e
quantidade de energia necessária para mantê-lo aquecido.
Constatou-se que se assimfosse, o Sol não duraria mais de 100
anos.
Como o Sol é muito mais velho que 1 século, o mecanismo de
geração de calor deveria ser outro, descoberto na primeira
metade do século XX, a partir do estudo da energia atômica.
Sabemos que quando um gás é comprimido, este tende a se
aquecer. Para comprovar isso, experimente encher um pneu de
bicicleta usando uma pequena bomba manual. Tanto o bico do
pneu como a extremidade próxima da bomba se aquecem.
Isso ocorre por que o gás que está dentro da bomba é
comprimido pela força que você faz para encher o pneu.
Quando o pneu está quase cheio e você faz mais força, o gás
fica ainda mais quente.
Sabemos também que a pressão aumenta com a profundidade.
Se mergulharmos 2 ou 3 metros dentro de uma piscina
percebemos claramente o aumento da pressão em nossos
ouvidos.
No Sol, a pressão é milhões de vezes maior que a pressão na
Terra. Para se ter uma ideia, no Sol pode-se afundar até 50
vezes o diâmetro da Terra sem que cheguemos ao seu centro.
O hidrogênio, combustível principal do Sol, ao ser submetido à
essa gigantesca pressão, chega a atingirtemperaturas de até 15
milhões de graus. Nestas condições o núcleo do hidrogênio se
funde e se transforma em hélio, liberando uma enorme
quantidade de energia. Esse processo se chama fusão nuclear e
produz milhões de vezes mais energia que as reações nucleares
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produzidas na Terra.
Aqui na terra recebemos somente uma pequena fração de toda
a energia que o Sol produz.
Foi somente no século XX que os cientistas atingiram
conhecimentos teóricos suficientes para elaborar uma teoria a
respeito de toda a energia que o Sol irradia.
A estrutura externa do Sol
O Sol é formado por três principais camadas: A fotosfera, a
crosfera e a coroa solar.
Aparentemente a olho nu ou com instrumentos de baixa
precisão a superfície do Sol é bastante uniforme, mas na
realidade ela é formada por pequenas estruturas hexagonais,
os grânulos, de forma irregular e separadas por zonas mais
escuras.
E disse Deus: Haja uma expansão no meio das águas, e haja
separação entre águas e águas.
E fez Deus a expansão, e fez separação entre as águas que
estavam debaixo da expansão e as águas que estavam sobre a
expansão; e assim foi.
E chamou Deus à expansão Céus, e foi a tarde e a manhã, o dia
segundo. Gênesis 1:6-8
O que seobserva nos Versículos 6 ao 8 do Capítulo 1 de Gênesis,
é que não havia se formado a atmosfera, espaço necessário
para a vida na Terra.
ATMOSFERA TERRESTRE
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Imagem da Terra vista do Apollo 17.
Quando visto de uma certa altitude, como aqui de um avião, o céu varia de cor
A atmosfera terrestre é uma camada de gases que envolve a
Terra e é retida pela força da gravidade. A atmosfera terrestre
protege a vida na Terra absorvendo a radiação
ultravioleta solar, aquecendo a superfície por meio da
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retenção de calor (efeito estufa), e reduzindo os extremos de
temperatura entre o dia e a noite. Visto do espaço, o
planeta Terra aparece como uma esfera de coloração azul
brilhante. Esse efeito cromático é produzido pela dispersão da
luz solar sobre a atmosfera, e que existe também em outros
planetas do sistema solar dotados de atmosfera.
O ar seco contém, em volume, cerca de 78,09% de nitrogênio,
20,95% de oxigênio, 0,93% de argônio, 0,039% de gás
carbônico e pequenas quantidades de outros gases. O ar
contém uma quantidade variável de vapor de água, em média
1%.
A atmosfera tem uma massa de aproximadamente 5 x 1018 kg,
sendo que três quartos dessa massa estão situados nos
primeiros 11 km desde a superfície. A atmosfera terrestre se
torna cada vez mais tênue conforme se aumenta a altitude, e
não há um limite definido entre a atmosfera terrestre e
o espaço exterior. Apenas em altitudes inferiores a 120 km a
atmosfera terrestre passa a ser bem percebida durante
a reentrada atmosférica de um ônibusespacial,porexemplo.
A linha Kármán, a 100 km de altitude, é considerada
frequentemente como o limite entre atmosfera e o espaço
exterior.
Composição da atmosfera terrestre.
Quantidade média de vapor de água na atmosfera
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A atmosfera terrestre é composta principalmente
de nitrogênio, oxigênio e argônio. Os gases restantes são
muitas vezes referidos como gases traços, entre os quais estão
incluídos os gases do efeito estufa, como vapor de água,
o dióxido de carbono, metano, óxido nitroso e o ozônio. O
ar filtrado pode conter vestígios de muitos outros compostos
químicos. Muitas substâncias naturais podem estar presente
em quantidades ínfimas em uma amostra de ar não purificada,
incluindo poeira, pólen e esporos, gotículas de água
líquida, cinzas vulcânicas e meteoroides. Vários poluentes
industriais também podem estar presentes, tais como
o cloro (elementar ou em compostos), compostos
de flúor, mercúrio elementar e compostos de enxofre, tais
como dióxido de enxofre (SO2, que pode causar a chuva
ácida).
Composição da atmosfera ( isenta de água), por volume
ppmv: partes por milhão por volume (nota: a fração de
volume é igual à fração molar para apenas gases ideais)
Gás Volume
Nitrogênio (N2) 780.840 ppmv (78,084%)
Oxigênio (O2) 209.460 ppmv (20,946%)
Argônio (Ar) 9.340 ppmv (0,9340%)
Dióxido de
carbono (CO2)
390 ppmv (0,0390%)[2]
Neônio (Ne) 18,18 ppmv (0,001818%)
Hélio (He) 5,24 ppmv (0,000524%)
Metano (CH4) 1,79 ppmv (0,000179%)[3]
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Criptônio (Kr) 1,14 ppmv (0,000114%)
Hidrogênio (H2) 0,55 ppmv (0,000055%)
Óxido nitroso (N2O) 0,3 ppmv (0,00003%)
Monóxido de
carbono (CO)
0,1 ppmv (0,00001%)
Xenônio (Xe) 0,09 ppmv (9x10−6%)
Ozônio (O3) 0,0 a 0,07 ppmv (0% a 7x10−6%)
Dióxido de
nitrogênio (NO2)
0,02 ppmv (2x10−6%)
Iodo (I) 0,01 ppmv (10−6%)
Amônio (NH3) Traços
Gases não incluídos na alta atmosfera (amostra isenta de
água):
Vapor de água (H2O)
~0.40% em toda a atmosfera,
normalmente entre 1%-4% na
superfície
Vapor de água
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Figura de monitoramentoda concentração devaporna atmosfera causada pelo fenômeno El
Niño
O vapor d'água na atmosfera encontra-se principalmente nas
camadas mais baixas da atmosfera (75% de todo o vapor d'água
está abaixo dos quatro mil metros de altitude) e exerce o
importante papel de regulador da ação do Sol sobre a
superfície terrestre. A quantidade de vapor varia muito em
função das condições climáticas das diferentes regiões
do planeta; os níveis de evaporação e precipitação são
compensados até chegara um equilíbrio na baixa atmosfera: o
vapor de água contido nas camadas inferiores está muito
próximo ao seu ponto de saturação. A água torna-se líquida
quando a sua concentração chega a 4% na baixa atmosfera.
O ar, em algumas áreas, como desertos, pode estar
praticamente isento de vapor de água, enquanto em outras
pode chegar a ao nível de saturação, algo muito comum nas
regiões equatoriais, onde a precipitação pluvial é constante
todo o ano.
Camadas da atmosfera.
A temperatura da atmosfera terrestre varia entre camadas em
altitudes diferentes. Portanto, a relação matemática entre
temperatura e altitude também varia, sendo uma das bases da
classificação das diferentes camadas da atmosfera.
A atmosfera está convencionalmente estruturada em cinco
camadas, três das quais são relativamente quentes, separadas
por duas camadas relativamente frias. Os contatos entre essas
camadas são áreas de descontinuidade, e recebem o sufixo
"pausa" após o nome da camada subjacente.
Troposfera
A Troposfera é a camada atmosférica que se estende da
superfície da Terra até a base da estratosfera. Esta camada
responde por cerca de oitenta por cento do peso atmosférico e
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é a única camada em que os seres vivos podem respirar
normalmente. A sua espessura média é de aproximadamente
12 km, atingindo até 17 km nos trópicos e reduzindo-se para em
torno de sete quilômetros nos polos. Praticamente todos
os fenómenos meteorológicos estão confinados a esta
camada.
Na base da troposfera encontra-se a camada limite
planetária (CLP) (também chamada de camada limite
atmosférica - CLA), a camada mais baixa da troposfera, com
uma altura média de 1 km, na qual os efeitos da superfície são
importantes, como o ciclo diurno de aquecimento e
resfriamento. O que distingue a CLP de outras regiões da
troposfera é a turbulência atmosférica e seu efeito de
mistura, resultando na chamada camada de mistura (CM).
Acima da CLP, o escoamento atmosférico é laminar (não
turbulento), e o ar desliza em camadas, à exceção do
movimento turbulento que é encontrado dentro das
nuvens convectivas do tipo cumulonimbus, de grande
desenvolvimento vertical.
Em geral, a base das nuvens e a uma inversão térmica de
altitude podem ser encontradas junto ao topo da CLP,
limitando-a. Os poluentes atmosféricos são difundidos pela
turbulência dentro da CLP e transportados a longas distâncias,
até encontrar uma região de ocorrência de nuvens de grande
desenvolvimento vertical que possam lhes transportar até a
troposfera superior. Uma camada de transição existe entre a
CLP e a atmosfera livre, na qual ocorre a intrusão de ar frio e
seco da atmosfera livre dentro da CLP. O ar da CLP sobre os
continentes nas latitudes tropicais em geral é quente e úmido.
Os fluxos de calor, umidade e de poluentes ocorrem na base da
CLP a partir da superfície e, por isso, o fluxo turbulento de calor
23
diminui verticalmente. Em geral, durante o dia, a CLP é uma
camada convectiva, durante a noite, é estável junto à superfície
que se resfria por perda radiativa do calor acumulado durante
o dia.
Tropopausa
A tropopausa é o nome dado à camada intermediária entre a
troposfera e a estratosfera, situada a uma altura média em
torno de 17 km sobre a linha do Equador. A distância da
tropopausa em relação ao solo varia conforme as condições
climáticas da troposfera, da temperatura do ar, da latitude,
entre outros fatores. Se existe na troposfera uma agitação
climática com muitas correntes de convecção, a tropopausa
tende a subir. Isto se deve por causa do aumento do volume do
ar na troposfera, este aumentando, aquela aumentará, por
consequência, empurrará a tropopausa para cima.
Estratosfera
24
Gráfico queilustra distribuiçãodas camadas da atmosfera segundoa pressão, temperatura,
altitude e densidade
Na estratosfera a temperatura aumenta com a altitude e se
caracteriza pelos movimentos horizontais do ar. Situa-se
aproximadamente entre 7 e 17 até 50 km de altitude
aproximadamente, compreendida entre a troposfera e a
mesosfera. Apresenta pequena concentração de vapor de
água, e a temperatura cresce conforme maior a altitude até a
região limítrofe, denominada estratopausa. Muitos aviões a
jato circulam na estratosfera devido à sua estabilidade. É nesta
camada que está situada a camada de ozônio, e onde começa
a dispersão da luz solar (que origina o azul do céu).
Estratopausa
A estratopausa é a região limítrofe entre a estratosfera e a
mesosfera e onde a temperatura para de aumentar conforme a
elevação da altitude, marcando o início da mesosfera.
Mesosfera
Na mesosfera a temperatura diminui com a altitude. Esta é a
camada atmosférica onde há uma substancial queda de
temperatura, chegando até a -90°C em seu topo. A mesosfera
está situada entre a estratopausa em sua parte inferior
e mesopausa em sua parte superior, entre 50 a 80/85 km de
altitude. É na mesosfera que ocorre o fenómeno da
aeroluminescência das emissões da hidroxila e é nela que se dá
a combustão dos meteoroides.
Mesopausa
A mesopausa é a região da atmosfera que determina o limite
entre uma atmosfera com massa molecular constante de outra
onde predomina a difusão molecular.
Termosfera
Na termosfera a temperatura aumenta com a altitude, e está
localizada acima da mesopausa. Sua temperatura aumenta
25
rapidamente com a altitude até onde a densidade
das moléculas é tão pequena que se movem em trajetórias
aleatórias, chocando-se raramente. A temperatura média da
termosfera é de 1.500°C, mas a densidade é tão pequena que a
temperatura não é sentida normalmente. Sua espessura varia
entre 350 a 800 km dependendo da atividade solar, embora
sua espessura seja tão pequena quanto 80 km em épocas de
pouca atividade solar. É a camada onde ocorrem as auroras e
onde orbita o ônibus espacial.
Termopausa
A termopausa ou exobase é a região limítrofe entre
a termosfera e a exosfera. Fisicamente, toda a radiação solar
incidente atua abaixo da termopausa, mas pode ser
negligenciado quando é considerado a exosfera, onde a
atmosfera é tão tênue que fenômenos decorridos aí
praticamente não são percebidos.
Exosfera
A camada mais externa da atmosfera da Terra seestende desde
a termopausa para o espaço exterior. Aqui, as partículas estão
tão distantes que podem viajar centenas de quilômetros sem
colidir umas com as outras. Uma vez que as partículas colidem
raramente, a exosfera não se comporta como um fluido. Essas
partículas que se movem livremente seguem trajetórias
retilíneas e podem migrar para dentro ou para fora
da magnetosfera ou da região de atuação do vento solar. A
exosfera é composta principalmente de hidrogênio e hélio.
Não existe um limite definido entre o espaço exterior e a
atmosfera. Presume-se que esta tenha cerca de mil quilômetros
de espessura, 99% da densidade está concentrada nas camadas
mais inferiores e cerca 80% da massa atmosférica está numa
faixa de 11 km desde a superfície. À medida que se vai subindo,
26
o ar vai se tornando cada vez mais rarefeito, perdendo sua
homogeneidade e composição. Na exosfera, zona em que foi
arbitrado limítrofe entre a atmosfera e o espaço
interplanetário, algumas moléculas de gás acabamescapando à
ação do campo gravitacional.
O limite onde os efeitos atmosféricos são notáveis durante
a reentrada atmosférica, fica em torno de 120 km de altitude.
A altitude de 100 quilômetros, conhecida como a linha
Kármán, também é usadafrequentemente como o limite entre
atmosfera e o espaço exterior.
Outras camadas
Além das cinco camadas principais determinadas pela
temperatura, outras camadas são determinadas por várias
outras propriedades.
Ozonosfera
A ozonosfera ou camada de ozônio está contida dentro
da estratosfera. Nesta, a concentração da camada de ozônio é
de cerca de 2 a 8 partes por milhão, que é muito maior do que
o ozônio na atmosfera próxima à superfície, mas ainda é muito
pequeno quando comparado com os principais componentes
da atmosfera. Está localizada principalmente na parte inferior
da estratosfera, entre 15 a 35 km de altitude, embora a
espessuravarie sazonalmente e geograficamente. Cerca de 90%
do ozônio em nossa atmosfera está contida na estratosfera.
Ionosfera
27
As auroras polares ocorrem na ionosfera
A ionosfera, a parte da atmosfera ionizada pela radiação
solar, estende-se de 50 a 1.000 km de altitude e, normalmente,
engloba tanto a termosfera quanto a exosfera. A ionosfera
representa a fronteira interna da magnetosfera. Tem
importância prática, e influencia, por exemplo, a propagação
radioelétrica sobre a Terra. É responsável pelas auroras. É
dividida em subcamadas que se diferem pela quantidade de
energia eletromagnética recebida pelo sol ou de ficarem mais
ativas quando os raios solares incidem perpendicularmente no
meio.
Homosfera e heterosfera
A homosfera e a heterosfera são definidas pelo fato de que os
gases atmosféricos estão ou não bem misturados. No
homosfera, a composição química da atmosfera não depende
do peso molecular; os gases são misturados pela turbulência.
A homosfera inclui a troposfera, a estratosfera e a mesosfera.
Acima da turbopausa, a cerca de 100 km de altitude
(essencialmente a altitude da mesopausa), a composição varia
com a altitude. Isso ocorre porque a distância que as partículas
podem se mover sem colidir uma com as outras é grande em
comparação com o tamanho dos movimentos turbulentos que
fazem a mistura. Isso permite que os gases estratifiquem-se
28
pelo peso molecular; os mais pesados, como
o oxigênio e nitrogênio, estão presentes apenas próximos da
parte inferior da heterosfera. A parte superior do heterosfera é
composta quase que totalmente por hidrogênio, o elemento
mais leve.
Camada limite planetária
A camada limite planetária é a parte da troposfera que está
mais próxima da superfície terrestre, e é diretamente afetada
por ela, principalmente através da difusão turbulenta.
Durante o dia, a camada limite planetária é geralmente bem
misturada, enquanto à noite, torna-se estavelmente
estratificada, com ocasiões de mistura fraca ou intermitente. A
profundidade da camada limite planetária varia de 100 m,
durante noites claras e calmas, para 3.000 m ou mais durante a
tarde nas regiões secas.
Propriedades físicas
As camadas mais altas da atmosfera terrestre.
A pressão atmosférica média ao nível do mar é de cerca de
1 atmosfera (atm) = 101,3 kPa (quilopascais) = 14,7 psi (libras
por polegada quadrada) = 760 mmHg (milímetros de
mercúrio). A massa atmosférica total é de 5,1480 ×
1018kg, cerca de 2,5% inferior ao que seria calculado
ingenuamente a partir da pressão média ao nível do mar e da
área da Terra, de cerca de 51.007,2 mega-hectares. este desvio
29
nos cálculos é devido ao terreno montanhoso da superfície
terrestre. A pressão atmosférica é o peso total do ar por
unidade de área, no ponto onde a pressão é medida. Assim, a
pressão do ar varia com a localização e momento, porque a
quantidade de ar acima da superfície da Terra varia.
Se a densidade atmosférica se mantiver constante com a altura,
aatmosfera iriaterminar abruptamente a8,50 km. Ao vez disso,
a densidade da atmosfera diminui com a altura, caindo em 50%
a uma altitude de cerca de 5,6 km. Como resultado, a pressão
atmosférica decresce exponencialmente com a altura,
continuando a diminuir 50% a cada 5,6 km até atingir a
mesopausa. No entanto, a partir da mesopausa, mudanças nos
valores da gravidade , temperatura, peso molecular médio em
toda a coluna atmosférica, a dependência da pressão
atmosférica à altitude é modelado por equações separadas
para cada uma das camadas acima. Mesmo na exosfera, a
atmosfera ainda está presente. Isto pode ser visto pelos efeitos
do arrasto atmosférico em satélites.
Em resumo, as equações da pressão em função da altitude
podem ser usadas diretamente para estimar a espessura da
atmosfera:
50% da atmosfera, em massa, está a uma altitude inferior a
5,6 km.
90% da atmosfera, em massa, está a uma altitude inferior a
16 km.
99,99997% da atmosfera, em massa, está abaixo de 100 km de
altitude, embora nas camadas rarefeitas acima,
existem auroras e outros fenômenos atmosféricos.
Densidade e massa
30
Temperatura e densidade em função da altitudedo modelo atmosférico padrãoNRLMSISE-
00
A densidade do ar ao nível do mar é cerca de 1,2 kg/m³. A
densidade não deve ser medida diretamente, mas é calculada a
partir de medições de temperatura, pressãoe umidade, usando
a equação de estado para o ar (uma forma da lei dos gases
ideais). A densidade atmosférica diminui com o aumento da
altitude. Esta variação pode ser aproximadamente modelada
utilizando a equação barométrica. Modelos mais sofisticados
são usados para prever a decaimento orbital dos satélites.
A massa média da atmosfera é de cerca de 5 quatrilhões
(5x1015) de toneladas, ou cerca de 1/1.200.000 a massa da
Terra. Segundo o Centro Nacional de Pesquisas
Atmosféricas dos Estados Unidos, "A massa média total da
atmosfera é de 5,1480 × 1021g, comuma variação anual, devido
às diferentes concentrações de vapor de água, que varia entre
1,2 a 1,5 × 1018g, dependendo dos dados da pressão
atmosférica superfície ou de vapor de água utilizados, pouco
menor do que a estimativa anterior. A massa média de vapor
d'águaé estimada em 1,27 × 1019g,e massadaatmosfera isenta
de ar como 5,1352±0,0003 × 1018kg."
Fenômenos ópticos
A radiação (ou luz) solar é a energia que a Terra recebe do
sol.A Terra também emite radiação de volta para o espaço, mas
em comprimentos de onda mais longos, que não podemos ver.
31
Parte da radiação emitida e é absorvida ou refletida pela
atmosfera.
Dispersão
Quando a luz passa através da atmosfera, os fótons interagem
através da dispersão. Se a luz não interagir com a atmosfera,
então ocorre a radiação direta e é o que nós vemos quando
olhamos diretamente para o sol. A radiação indireta é a luz que
é dispersa na atmosfera. Por exemplo, em um dia nublado,
quando não conseguimos ver a nossa própria sombra, não há
radiação direta, toda aluz visívelé produto de radiaçãoindireta.
Devido a um fenômeno óptico conhecido como dispersão de
Rayleigh, comprimentos de onda mais curtos (azul) se
dispersammais facilmente do que comprimentos de onda mais
longos (vermelho). É por isso que o céu parece azul, resultado
de radiação indireta que dá preferência aos comprimentos de
onda que tendem ao azul. Também por isso, o pôr-do-sol é
vermelho, porque o Sol está próximo do horizonte, e os raios
solares têm que atravessar uma atmosfera mais espessa para
chegar a nossa visão. Grande parte da luz azul é espalhada e
neutralizada, deixando apenas a luz vermelha em um pôr-do-
sol.
Absorção
A opacidade, ou transmitância, da atmosfera terrestre em
diferentes comprimentos de onda, incluindo o espectro visível
32
Diferentes moléculas absorvem radiações com diferentes
comprimentos de onda. Por exemplo, o oxigênio e
o ozônio absorvem quase todos os comprimentos de onda
mais curtos do que 300 nanômetros (radiação ultravioleta e
radiações mais energéticas). A água absorve vários
comprimentos de onda acima de 700 nm
(radiação infravermelha e radiações menos energéticas).
Quando uma molécula absorve um fóton, aumenta aenergia da
molécula. Podemos deduzir isso como o aquecimento da
atmosfera, mas também a atmosfera se resfria emitindo
radiação.
O espectro de absorção combinado dos gases na atmosfera
deixa "janelas" de baixa opacidade, permitindo a transmissão
de apenas determinadas faixas de luz. A janela óptica vai de
cerca de 300 nm (ultravioleta-C), até 1.100 nm (infravermelho)
Está janela inclui o espectro visível, de comprimento de onda
de 400 a 700 nm. Há também janelas de infravermelho e
de rádio, cujo comprimento de onda varia de um centímetro a
11 metros.
A temperatura média da atmosfera Na superfície terrestre é de
14°C. ou 15°C, dependendo da referência.
Emissão
A emissão é o oposto da absorção, que é quando um corpo
emite radiação. Corpos tendem a emitir quantidades e
comprimentos de onda de radiação em função de sua curva de
emissão de seu "corpo negro". Portanto, corpos quentes
tendem a emitir mais radiação com comprimentos de onda
mais curtos. Corpos mais frios emitem menos radiação, com
comprimentos de onda mais longos. Por exemplo, a
temperatura da superfíciesolaré de aproximadamente 6000 K,
33
mas seupico de radiação estásituado próximo ao comprimento
de onda de cerca de 500 nm, e é visível ao olho
humano. A temperatura da superfície terrestre é de 290 K,
então seu pico de radiação tem o comprimento de onda
próximo de 10.000 nm, e é demasiado longo para ser visível aos
seres humanos.
Por causa de sua temperatura, a atmosfera emite radiação
infravermelha. Por exemplo, em noites claras, a superfície da
Terra se esfria mais rapidamente do que em noites nubladas.
Isso ocorre porque as nuvens são fortes absorvedoras e
emissoras de radiação infravermelha. É também por isso, a
noite torna-se mais fria emaltitudes mais elevadas.A atmosfera
age como um "cobertor", que limita a quantidade de radiação
que a Terra perde para o espaço.
O efeito estufa está diretamente relacionado a esta absorção e
emissão em vigor. Alguns compostos químicos na atmosfera
absorvem e emitem radiação infravermelha, mas não
interagem com a luz solarno espectro visível.Os exemplos mais
comuns destes produtos químicos são o gás carbônico e a
água. Se houver excesso de gases do efeito estufa, o Sol
aquece a superfície da Terra, mas os gases bloqueiam a
radiação infravermelha de sair de volta para o espaço. Este
desequilíbrio faz com que a Terra se aqueça e,
consequentemente causa alterações climáticas.
Índice de refração
O índice de refração do ar é ligeiramente maior do que 1.
Variações sistemáticas no índice de refração podem levar à
curvatura dos raios de luz ao longo de grandes percursos óptico.
Por exemplo, em algumas circunstâncias, os observadores a
bordo dos navios pode ver outros navios ao longo
34
do horizonte apenas porque a luz é refratada na mesma
direção da curvatura da superfície da Terra.
O índice de refração do ar depende da temperatura, dando
origem a efeitos de refração, quando o gradiente de
temperatura é grande. Um exemplo desses efeitos é
a miragem.
Dinâmica atmosférica
Uma vista idealizada das três grandes células de circulação atmosférica
Exemplo de Mapeamento da temperatura da superfície da Terra
As camadas superiores do planeta refletem em torno de 40% da
radiação solar. Dos 60% restantes, aproximadamente 17% são
absorvidos pelas camadas inferiores, sendo que
o ozônio interage e absorve os raios ultravioleta. O dióxido
de carbono e o vapor de água absorvem os
raios infravermelhos. Restam 43% da energia solar, e esta
35
alcança a superfície do planeta, que por sua vez reflete dez por
cento das radiações solares de volta para o espaço. Além dos
efeitos descritos, existe ainda a influência do vapor de água e
sua concentração variável. Estes, juntamente com a inclinação
dos raios solares em função da latitude, agemde forma decisiva
na penetrância da energia solar, que por sua vez tem
aproximadamente 33% da energia absorvida por toda a
superfície atingida durante o dia, sendo uma parte muito
pequena desta reirradiada durante a noite. Existe ainda a
influência e interação dos oceanos com a atmosfera em sua
autorregulação. Estes mantêm um equilíbrio dinâmico entre os
fenômenos climáticos das diferentes regiões da Terra.
Todos os mecanismos relatados acima atuando em conjunto,
geram uma transição suave de temperaturas em todo o
planeta. A exceção à regra ocorre onde são menores a
quantidade de água a espessura da troposfera, como nos
desertos e cordilheiras de grande altitude.
36
Mapeamento de velocidade dos ventos
Na baixa atmosfera, o ar se desloca tanto no sentido horizontal
quanto no sentido vertical, sempre compensando as mudanças
na pressão atmosférica decorridas pelas diferenças de
temperatura; ao aquecer-se, uma massa de ar aquecida sobe,
e ao esfriar-se, desce, gerando assim, umsistema oscilatório de
variação da pressão atmosférica que pode adquirir
características próprias.
Uma dos maiores determinantes na distribuição do calor e
umidade na atmosfera é a circulação do ar, pois esta ativa a
evaporação média, dispersa as massas de ar quente ou frio,
conforme a região e o momento. Por consequência caracteriza
o próprio tempo meteorológico e o clima típico de uma
determinada região.
A circulação atmosférica é o movimento em larga escala da
atmosfera, e os meios (juntamente com a circulação
37
oceânica), pelo qual o calor é distribuído ao redor da Terra. A
estrutura de grande escala da circulação atmosférica varia de
ano para ano, mas aestrutura básicapermanece razoavelmente
constante, uma vez que é determinado pela taxa de rotação da
Terra (força de Coriolis) e pela diferença de radiação solar
entre a linha do Equador e os polos.
A evolução da atmosfera terrestre
Podemos compreender razoavelmente a história da atmosfera
da Terra até há um bilhão anos atrás. Regredindo no tempo,
podemos somente especular, pois, é uma área ainda em
constante pesquisa.
Primeira atmosfera
A primeira atmosfera era composta principalmente
por hélio e hidrogênio. O calor provindo da crosta
terrestre ainda em forma de plasma, e o Sol, a dissiparam.
Segunda atmosfera
Há evidências de que existia água em estado líquido na
superfície terrestre há pelo menos 3,8 bilhões de anos,
comprovados pela coleta de sedimentos que datam daquela
época.
400 milhões de anos mais tarde, praticamente não
havia oxigênio livre e era composta quase que integralmente
por nitrogênio e compostos de carbono. Era aproximadamente
100 vezes mais densa do que a atmosfera atual, embora a
existência de vida, que é comprovada a partir de 3,5 bilhões de
anos, já interferia na composição da antiga atmosfera. O sol
emitia cerca de 30% menos radiação do que atualmente, mas
as evidências geológicas comprovam que existiam oceanos
líquidos sobre a superfície terrestre naquela época. Esta
discrepância, conhecida como o paradoxo do jovem Sol
38
fraco, pode evidenciar que o efeito estufa naquela época era
muito maior do que atualmente.
De fato, as evidências geológicas mostram que a temperatura
na superfície terrestre praticamente se manteve constante por
bilhões de anos, com a exceção de uma era glacial ocorrida há
2,4 bilhões de anos
Surgiram organismos fotossintéticos que evoluiriam e
começaram a converter dióxido de carbono em oxigênio.No fim
do período arqueano, as primeiras evidências da presença de
oxigênio começaram a se desenvolver, provavelmente de algas
fotossintetizantes, descobertas em fósseis estromatólitos tão
antigos quanto 2,7 bilhões de anos. As proporções
dos isótopos de carbono daquela época são praticamente as
mesmas de hoje em dia, sugerindo que as estruturas
fundamentais do ciclo docarbono jáestavamestabelecidas há
pelo menos 4 bilhões de anos.
Terceira atmosfera
Concentração de oxigênio na atmosfera terrestre ao longo dos
últimos um bilhão de anos
Com a acreção dos continentes há cerca de 3,5 bilhões de
anos. O movimento das placas tectônicas rearranjou
39
continuamente os continentes e também moldaram a evolução
do clima, permitindo a transferência do gás carbônico
atmosféricos para grandes depósitos orgânicos continentais.
Embora a produção de oxigênio por organismos seja tão antiga
quanto 3 bilhões de anos, o oxigênio livre na atmosfera não
existiaaté pelo menos há 1,7 bilhões/mil milhões de anos; o que
pode ser verificado pela formação de óxido de ferro em
sedimentos e o fim da sedimentação do ferro em estado
elementar. Foi o fim da atmosfera redutiva para a atmosfera
oxidante. A partir de então, a quantidade de oxigênio na
atmosfera terrestre manteve-se estável em5% até 600 milhões
de anos atrás, mas alcançou um pico de 35% há 300 milhões de
anos. Desde então, a quantidade de oxigênio na atmosfera
sofreu flutuações até se estabilizar em 21% atualmente.
E disse Deus: Ajuntem-se as águas debaixo dos céus num lugar;
e apareça a porção seca; e assim foi.
E chamou Deus à porção seca Terra; e ao ajuntamento das
águas chamou Mares; e viu Deus que era bom. Gênesis 1:9,10
O que seobserva nos Versículos 9 e 10 do Capítulo 1 de Gênesis,
é que não haviam se formados os continentes, espaços
necessários para a vida terrestre.
O QUE SÃO OS CONTINENTES
40
Continente é uma grande massa de terra cercada por água. Na
gigantesca massa de água salgada (formada principalmente
pelos oceanos) pela qual são cobertos mais de 10%
da superfície terrestre, é muito fácil notar aqui e ali o
aparecimento de territórios contínuos muito extensos, o que
torna pouco conveniente para os geógrafos dar a essas massas
o nome de ilhas. Assim, essas extensões de terras são definidas
como continentes.
O conceito que os geógrafos usam para definir uma massa
continental pode variar segundo os critérios que esses
especialistas adotam em cada caso, podendo
ser físicos,culturais, políticosou históricos.A definiçãofísica
de maior disseminação considera a divisão em quatro
continentes: América, Eurafrásia, Austrália e Antártida.
Mas, seguindo-se critérios tanto culturais como políticos,
costuma-se considerar a Europa, a Ásia e a África,
a América, e a Oceania.
Historicamente, o Velho Mundo é constituído pelos mesmos
três continentes que constituem a
Eurafrásia: Europa, Ásia e África. Essa classificação é baseada
41
numa verdadeira afirmação de que as três massas terrestres se
unem geograficamente: Ásia e Europa (Eurásia),
cujos acidentes que ligam os continentes são o Cáucaso,
o mar Cáspio e a cordilheira dos Urais, no momento em que
a África e a Ásia são comunicadas pelo istmo do
Suez. No Novo Mundo são agrupados ambos os
subcontinentes americanos que o istmo do Panamá une; e
no Novíssimo Mundo (Oceania) são reunidas a grande ilha
australiana, as ilhas da Tasmânia, Nova Zelândia, Nova
Guiné, e
os arquipélagos da Melanésia, Micronésia e Polinésia.
Etimologia
A origem etimológica do nome "continente" é derivada das
palavras latinas continens e entis, que significam "contínuo,
ininterrupto" (e, "abstinente, moderado"), estando no
particípio presente de continere, significando "conter,
abranger", verbo oriundo de cum, con e tenere, tendo o
significado de "ter". Esta é a fonte do eruditismo em cinco
línguas europeias: em língua
portuguesa, espanhola e italiana, continente (século XV);
em língua inglesa continent, (século XIV);
o vocábulo inglês continent é uma palavra que foi emprestada
do vocábulo francês continent (século XII). Na acepção
geográfica que se considera abaixo, os substantivos das quatro
línguas europeias têm o mesmo significado: em português,
espanhol e italiano, continente (século XVI); em
francês, continent (1532); em inglês, continent (1590); e
em língua alemã Kontinent (entre os séculos XVI e XVII). O
vocábulo português e espanhol continente foi documentado
entre os séculos XII e XIV, significado "gesto, atitude, parte",
cujo sentido atualmente está obsoleto.
42
Classificação e estatísticas
Tipologias
Existem dois tipos de continentes:
físicos: é qualquer massa de terra mais extensa que
a Groenlândia.
políticos: é um conjunto de países em uma certa região do
mundo que podem conter arquipélagos ou ilhas fora de seu
território.
A seguir a lista dos continentes em sua definição mais
abrangente:
físicos: América, Eurafrásia, Austrália e Antártida[9]
políticos: América, Europa, Ásia, África, Oceania e Antárti
da[9]
Os continentes políticos nem sempre sãosomente os que foram
citados acima, sendo que a América é frequentemente dividida
em duas partes: a América do Norte e a América do Sul,
visto que muitas vezes a América Central e arquipélago
do Caribe são considerados ainda outras subdivisões do
continente.
O termo "Eurafrásia" é incomum, mas é o mais correto para se
referir à grande massa de terra que é subdividida em Europa,
África e Ásia, visto que a Ásia e a Europa se separam
pelos montes Urais e a África se separa da Ásia pelo Canal de
Suez; nenhuma dessas regiões são oceanos, e portanto, a
Eurafrásiaé o único continente físicoque pode existirna região.
Apesar disso, muitos consideram que a África e Ásia estão
suficientemente separados, pois pode-se perceber claramente
ao olhar no mapa que não há terra que junte os continentes e a
parte do Canal de Suez é mínima, diferente do que acontece
entre a Europa e a Ásia; por isso foi criado o
termo Eurásia (Europa e Ásia), para se referir a esses
43
continentes políticos como um só continente físico separado da
África.
Modelos continentais
Na realidade não existe uma única forma de fixar o número de
continentes e depende de cada área cultural determinar se
duas grandes massas de terra unidas formam um ou dois
continentes, e concretamente, decidir os limites entre Europa e
Ásia (Eurásia) por uma parte, e América do Norte e América do
Sul (América) por outra. Os principais modelos sãoos seguintes:
Quatro continentes: Alguns sugerem que Europa, África e Ásia
deveriam ser considerados um único continente
chamado Eurafrásia. Este modelo se baseia em uma definição
estrita de continente como uma área de terra contínua, onde as
fronteiras artificiais como os canais de Suez e do Panamá não
seriam verdadeiras barreiras continentais.
Cinco continentes (modelo tradicional): Modelo no qual se
mostra somente com os continentes permanentemente
habitados (excluindo a Antártida)—como se vê nos 5 anéis do
logotipo olímpico.
44
Cinco continentes: Modelo no qual se considera
a Antártida como um continente; além de
que Europa e Ásia formam somente um, a Eurásia.
Seis continentes (modelo tradicional): O modelo de seis
continentes tem uma base cultural e histórica e é ensinado
na América Latina e algumas partes da Europa
como Espanha, Portugal, Itália, Grécia e Bélgica.
Seis continentes (modelo geológico): Guarda uma relação
aproximada com as placas tectónicas continentais
(combinando a Eurásia).É o modelo preferido pelacomunidade
geográfica dos países da ex-União Soviética e Japão.
Sete continentes: Modelo convencional que se ensina
habitualmente na maioria dos países de língua inglesa e
na China. O conceito Oceania é geralmente substituído pelo
de continente australiano e América Central está incluída
dentro do continente norte-americano.
Os nomes de Austrália ou Australásia são utilizados às vezes
no lugar de Oceania. Utiliza-se "Oceania no" «Atlas de
Canadá»,[16] assim como no modelo ensinado na Ibero-
América.
Os continentes dos distintos modelos são os seguintes:
África: limita com a Ásia pelo canal de Suez e está separada
da Europa pelo estreito de Gibraltar e se estende do sudoeste
até o cabo da Boa Esperança;
América: está separada da Ásia pelo estreito de Bering, no
noroeste, e está dividida em dois ou três subcontinentes;
América do Norte: localizada no hemisfério nor-ocidental;
América Central: se estende do istmo de Panamá até
o istmo de Tehuantepec.
América do Sul: se estende do sul do canal até o cabo de
Horns;
45
Ásia: separada da Áfricapelo canalde Suez, seestende do leste
e noroeste até o estreito de Bering e o oceano Índico;
Europa: separada da África pelo Mediterrâneo, se estende
desde os montes Urais até a península Ibérica;
Oceania: localizadaaosudeste da Ásia,entre os oceanos Índico
e Pacífico.
Antártida: rodeia o Polo Sul. Está separada da América
pelo estreito de Drake, da Oceania pelo limite entre os
oceanos Pacífico e Índico, e da África pelo limite entre este
último e o Atlántico.
Supercontinentes
Há também os Supercontinentes, que são os mesmos
continentes atuais, bilhões de anos no passado, quando tinham
outra forma. Visite o artigo principal acima para ler mais sobre
tal assunto.
Mapa da Terra com os continentes
Mapa físico da Terra.
46
Aspectos estruturais
Em ambos os hemisférios em que é dividida a Terra são muito
desproporcionais as áreas dos oceanos e dos continentes. Da
área superior a 145 milhões de quilômetros quadrados que os
continentes ocupam, dois terços inferiores a essa superfície
estão localizados no hemisfério norte, e uma quantidade
inferior a 45 milhões no hemisfério sul. Essa desproporção é
oriunda do fato de que, no hemisfério boreal (norte), os
continentes vão se estendendo bastante à medida da sua
aproximação com o Círculo Polar Ártico, enquanto
no hemisfério austral (sul), há uma diminuição da distância
dos continentes em direção ao sul. Assim, no extremo sul
da América é ultrapassada em pouco a latitude de 50º ao sul
da linha do equador, que no hemisfério norte é
correspondente ao Canadá e ao centro da Europa e da Ásia.
Igualmente, a superfície dos continentes no hemisfério norte é
bem maior que a dos mares, enquanto no sul os mares são
desproporcionais, na fração de 8,5 até 1. Esse fato de que
a terra firme se opõe ao oceano é um dos traços importantes
da estrutura que forma a superfície do planeta, da qual são
ocupados somente três décimos pelos continentes.[21]
Os continentes tendem ao término formado em ponta em seu
extremo sul. Isso pode ser observado acima de tudo
na África e América do Sul, mas também numa grande
quantidade
de penínsulas (Kamchatka, Coréia, Indochina, Hindustão,
Arábia).[21]
A zona de contanto que existe entre os mares e continentes
tem grande variação. Em certos pontos que se localizam
nos litorais, a superfície do terreno faz uma descida brusca até
sua penetração no mar, de maneira que, a poucos quilômetros
47
do litoral, o mar já é muito profundo. Nos demais lugares,existe
uma larga faixa marinha menos profunda, abaixo de 200m;
nesses, as massas submersas integram os continentes e são
denominadas plataformas continentais. O talude
continental afasta as plataformas continentais das áreas muito
profundas, de declives de grande acentuação, e suas dimensões
variam, com largura de quase noventa quilômetros.
A altitude relativamente moderada é apresentada pelos
continentes, apesar da elevação de certas cordilheiras a
milhares de metros superiores ao nível do mar. Se os
continentes, conservando suas dimensões, fossem
transformadas numa superfície plana, a média de sua altitude
seria reduzida para mais de 700m.
Evolucionismo continental
As massas terrestres transformaram-se e ainda se
transformam bastante. Durante milhares de anos, os mares e
os continentes se distribuíram de forma muito diferente do
que é hoje. Uma variedade de fatos foi demonstrada pelas
pesquisas: primeiro, que os continentes deslocam-se, elevam-
se e abatem-se muito; segundo, que não descarta-se a
existência na Terra de nenhuma zona que o mar não cobriu;
terceiro, que as erosões são desgastadas continuamente da
superfície, de tal modo que, se não fossem elevados, os
continentes teriam desaparecidos porque o mar cobriria; e
quartamente, que uma grande quantidade de terras se
levantou da água recentemente.
Livros que foram escritos
por geólogos, zoólogos e botânicos consideram que certas
depressões, que o mar cobriu no passado, constituíram, nos
demais tempos, a extensão dos continentes. Hádiversas teorias
sobre como se originou e se formou a superfície da Terra.
48
Uma das de maior difusão traz a narração de que entre o
período carbonífero (era paleozóica) e o início do
período terciário (era cenozóica),a Europa encontrava-se em
união com a América do Norte; e que no hemisfério
sul notava-se a existência de um grande continente, que os
geólogos denominaram Gonduana, da qual eram
compreendidos a América do Sul, a África, a península da
Arábia, a Índia, a Antártida e a Austrália. Entre essas duas
gigantescas massas terrestres era estendida uma faixa
marítima. O continente de Gonduana começaria a ser
fragmentado no fim do período triássico(era mesozóica),com
o fato de que Madagáscar se desmembrou do conjunto da
África, e deu continuidade ao seu rompimento na época
do jurássico, com a Índia que se desmembrou da Austrália. No
final do período cretáceo, foram desmembradas a África e a
América do Sul; e quando começou o período terciário, com
o mar Vermelho que se formou, ocorreu o desligamento da
Arábia em relação à África; também ocorreu a formação
das depressões que se correspondem às águas salgadas dos
oceanos Atlântico e Índico, que então seriam mais novos que o
Pacífico.
O que primeiramente se explicou de maneira generalizada
sobre o fato de que os continentes se formaram e se evoluíram
é a da deriva continental, que o geólogo alemão Alfred
Wegener propôs em 1912. É a explicação da superfície
terrestre desde a diferente massa dos continentes, cuja
cota altimétrica é de 700m, e o fundo dos oceanos, cuja
cota batimétrica é de 3.800m. Ao atestar a veracidade de que
as massas continentais têmmais leveza que o fundo dos mares,
que se constitui de sima (silício e magnésio), Wegener pensou
na hipótese da flutuação dos continentes sobre os oceanos.
49
De acordo com Wegener, na época da era paleozóica uma
espécie de gigantesca "embarcação" única, a Pangeia,
manteve-se em flutuação sobre o sima. Posteriormente, pela
ação da força centrífuga que se originou do fato de que a Terra
gira em torno de si mesma, essa "balsa" primitiva dividiu-se
em frações e cada um dos pedaços constituiu um dos escudos
que hoje em dia se conhecem. Assim, ainda se pode ter
percepção dessa formação original desde o período terciário,
porque os respectivos litorais têm formato quase semelhante,
com a fratura no formato de uma letra "S" que serve de
afastamento entre a África e a América do Sul. Os
continentes teriam feito a migração para oeste, transladando
lentamente a deriva continental, ao longo da qual a perda dos
fragmentos da parte posterior dos escudos continentais teria,
dessa forma, dado origem à Nova Zelândia, Madagáscar ou
às Antilhas, que seriam as partes que sofreram
desprendimento dos respectivos continentes a que
pertenceram.
Estrutura continental
Os continentes variam na sua estrutura formal. A África é o
continente que possui maior macicez. Num continente com
formato de trapézio no norte e de triângulo no sul, existe um
pequeno número de ilhas e penínsulas. Tem extensão entre
o cabo Branco (pararelo 37 N) e o das Agulhas (paralelo 34
S). Por estar localizado no centro geográfico da Terra, duas
terças partes que pertencem ao seu território são encontradas
em latitudes por entre os trópicos. Tem como limites: ao norte
com o mar Mediterrâneo, a leste com o mar Vermelho e
o Oceano Índico e a oeste com o Oceano Atlântico.
A África é separada,em respectivo, da Ásia e da Europa pelos
50
estreitos de Bab al-Mandab (27km de largura)
e Gibraltar (13km).
A América está localizada muito distante do restante das
massas continentais. Tem extensão por aproximadamente 50%
da circunferência terrestre, entre o cabo Barrow (paralelo 72
N), e o cabo Horn, na Terra do Fogo (paralelo 52 S). Desse
ponto ao norte a esse outro ponto ao sul dista mais de
14.000km. A América tem como limites: ao norte com o oceano
Glacial Ártico e o estreito de Bering -- pelo qual é separada
a Ásia -- a oeste com o Oceano Pacífico e a leste com
o Oceano Atlântico.
A Ásia é o continente de maior extensão territorial do planeta.
Tendo como características seus grandes contrastes, nela tudo
adquire proporções exageradas: das montanhas de
maior altitude da Terra às mais profundas depressões, e do
desolamento dos desertos à maior densidade das florestas.
Tem como limites: ao norte com o oceano Glacial Ártico, ao
sul com o Oceano Índico, a leste como Pacífico e a oeste com
a Europa e os mares Vermelho, Mediterrâneo e Negro. O
conjunto da qual pertence sua massa terrestre se localiza
no hemisfério norte, do paralelo 77 N ao paralelo 1 N.
A Europa é o continente onde se encontram as
grandes planícies, cuja cota altimétrica é da ordem de 375m.
Tem extensão entre o paralelo 36 N e o paralelo 71 N. Sua
situação favorece em particular a vida do homem, pois a quase
totalidade do continente está situada no interior da zona
temperada. Tem como limites ao norte com o oceano Glacial
Ártico, ao sul com o Mar Mediterrâneo, a oeste com
o Oceano Atlântico e a leste com a Ásia (cordilheira
dos Urais e do Cáucaso.
51
A Oceania é um continente que se compõe de um rosário
de ilhas (superior a dez mil), de quaisquer das dimensões, que
se espalham pelo Oceano Pacífico, do Velho até o Novo
Mundo. Exceto a Austrália, na topografia apresentada
geralmente pelas ilhas existe um sem-número
de montanhas que no passado geológico eram
verdadeiros vulcões. A Oceania se constitui dos restos que
pertenciam a um continente primitivo, que parcialmente
afundou, do qual somente é subsistente a Austrália. Este leque
de ilhas serve de cobertura, no sentido sudeste-noroeste, de
um espaço com uma distância superior a 13.000km.
A Antártica é uma massa continental pela qual é ocupada
quase a totalidade da calota polar que se encontra
no hemisfério sul, desde o paralelo 69 S. Maciço de baixa
articulação, cujo formato faz lembrar o da África e o
da Austrália, é o mais alto dos continentes, pois sua cota
altimétrica é superior aos dois mil metros. Devido ao clima
glacial, nela, praticamente, muitas poucas pessoas habitam. É
um continente que se encontra em isolamento; o cabo Horn,
extremidade sul da América do Sul, a mil quilômetros de
distância, é o único ponto de um continente que se encontra
nas proximidades da Antártida. Uma enorme barreira de gelo
cerca o litoral da Antártica.
O QUE SÃO OS MARES
52
Componente vital da biosfera, o mar contém 97,2% de toda a água presente na Terra.
Mar é um grande corpo de águasalgada cercado por terra em
parte ou em totalidade. Mais amplamente, o mar — com
o artigo definido — é o sistema interconectado de águas dos
oceanos, considerado um oceano global ou o conjunto das
várias divisões oceânicas principais. Ele modera o clima da
Terra e desempenha importante papel nos ciclos hídrico, do
carbono e do nitrogênio. Embora tenha sido canal
para viagens e explorações desde a pré-história, seu estudo
científico contemporâneo, a oceanografia, data da expedição
Challenger britânica, durante a década de 1870. O mar é, por
convenção, dividido por até cinco grandes seções oceânicas,
entre elas as instituídas pela Organização Hidrográfica
Internacional, que são o Atlântico, Pacífico, Índico e Ártico,
mais o Antártico.
Emdecorrência do estado da deriva continental,o hemisfério
norte apresenta uma razoável proporção entre terra e mar
53
(cerca de 2:3), enquanto que o sul é predominantemente
oceânico (1:4.7). A salinidade em alto mar é, em geral, de
aproximadamente 3.5% de massa, não obstante isso varie em
águas fechadas, proximamente a bocas de grandes rios ou a
grandes profundidades. Cerca de 85% dos sólidos em mar
aberto são cloreto de sódio. As correntes de mar
profundo surgem a partir de diferenças salinas e
de temperatura; os cursos de superfície, por sua vez, são
formados pelo atrito de ondas produzidas por ventos e marés.
Já as mudanças locais no nível do mar originam-se a partir
da gravidade da Lua e do Sol. A direção de tudo isso é
atribuída às massas de terra de superfície e submarinas e
à rotação da Terra, por meio da força inercial de Coriolis.
Antigas mudanças nos níveis marítimos provocaram a formação
de plataformas continentais, áreas rasas próximas à terra. As
águas dessas áreas, ricas em nutrientes, são abundantes
em vida, provendo aos humanos suprimentos essenciais
para alimento — sobretudo peixes, mas
também mariscos, mamíferos e macroalgas, por exemplo —
que são tanto colhidos em estado
selvagem quanto cultivados em viveiro. As áreas mais
diversificadas são cercadas por grandes recifes de
coral tropicais. A baleação já foi uma atividade comum, mas a
redução dos números de tais animais induziu o surgimento
de esforços internacionais de conservação e uma
consequente moratória à maior parte da caça comercial. A
oceanografia estabeleceu que nem toda forma de vida
marítima é restrita a águas de superfícieiluminadapeloSol;
mesmo a grandes profundidades e pressão, nutrientes que
fluem de fontes hidrotermais mantêm seu próprio e único
ecossistema. A vida pode ter tido início nesses locais,
54
e microorganismos aquáticos são geralmente creditados
pelo grande evento de oxigenação da atmosfera terrestre.
Acredita-se que
tanto vegetais quanto animais teriam evoluído a partir dos
mares.
Tem-se o mar como um dos elementos essenciais do comércio,
do transporte, da extração mineral, da geração de força e
energia e do militarismo. Ele é, ainda, um fator determinante
na exposição de cidades e populações
a terremotos e vulcões de falhas geológicas próximas;
a tsunamis; e a ciclones produzidos em zonas tropicais. Sua
significância e dualidade — construída pela interpretação
humana de suas características, tanto benéficas quanto
perigosas — tiveram imensurável efeito no desenvolvimento
da cultura das sociedades, das mudanças socioculturais
do intercâmbio colombiano à Odisseia de Homero e
às divindades aquáticas; dos funerais vikings à Grande
Onda de Kanagawa de Hokusai e aos filmes blockbusters da
contemporaneidade; do Holandês Voador de Richard
Wagner à Tempestade de William Shakespeare e ao Leviatã.
Ele é, também, um local de atividades de lazer, estando
a natação, o mergulho, o surfe e o iatismo entre as mais
populares. O mar sofre, entretanto, constantes danos, como os
do fenômeno da absorção de dióxido de carbono atmosférico
em grandes quantidades, diminuindo seu pH num processo
denominado acidificação oceânica. O crescimento
populacionalhumano eo uso não sustentáveldos recursos
marítimos advindo da industrialização e da aquacultura
intensiva, por exemplo, têm contribuído para a intensificação
da poluição e de outros problemas ambientais.
Definição
55
O sistema interconectado dos oceanos e suas várias divisões.
Após o fortalecimento do uso indiscriminado dos termos ao
longo do tempo, não restaram consideráveis diferenças de
definição entre "mar" e "oceano", embora o primeiro seja tido
como um menor corpo de água — com exceção do mar dos
Sargaços, criado pelo Giro do Atlântico Norte (p90) — cercado
por terras na escala de países, e o segundo, em comparação,
banhe múltiplos continentes. Mares são geralmente maiores
que lagos e contêm água salgada. Há, contudo, casos
peculiares no tocante à utilização do vocábulo, como o do mar
da Galileia, um lago de água doce que, por motivos históricos
e culturais, mantém seu nome. Não há, entretanto, uma
designação técnica universalmente aceita entre os
oceanógrafos. No campo do direito internacional,
a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do
Mar decretou que toda a totalidade do oceano é "o mar". Por
convenção, ele tem até cinco grandes seções oceânicas, entre
elas as instituídas pela Organização Hidrográfica
Internacional, que sãoo Atlântico, Pacífico,Índico e Ártico, mais
o Antártico.
Ciência física
56
The Blue Marble em sua representação original (de ponta-cabeça), exibindo a confluência
entre os oceanos Índico e Atlântico no cabo da Boa Esperança.
A Terra é o único planeta conhecido aabrigarágua líquidaem
sua superfície e, portanto, o único a possuir mares,
embora Marte seja dotada dessa substância em
estado sólido nas suas calotas de gelo permanente e
em vapor na sua atmosfera, além da possibilidade aberta de
existência de planetas similares à Terra em outros sistemas,
onde também podem existirmares e oceanos.[12] A origem da
água na Terra ainda é incerta; porém, visto do espaçosideral,
o planeta parece uma "bola azul" com vários componentes,
entre oceanos, calotas de gelo e nuvens. A relação entre água e
terra no hemisfério Norte do globo é de cerca de 2:3, enquanto
que o valor no Sul é de 1:4.7. Estima-se que exista
1 335 000 000 km³ de mar, volume representativo de
aproximadamente 97.2 porcento da água conhecida, cobrindo
mais de setenta porcento da superfície. Ainda, cerca de 2.15%
da água terrestre está congelada e localiza-se nos mares que
57
cobrem o oceano Ártico, nas calotas da Antártida e
adjacências, alémdas várias geleiras e depósitos de superfície
por todo o mundo. O restante, por volta de 0.65%, constitui
os reservatórios subterrâneos ou os vários estágios do ciclo
da água, abrigando a água doce encontrada e usada pela
maior parte das formas de vida: vapor no ar, nas nuvens e em
suas chuvas, além de lagos e rios espontaneamente formados
com os fluxos marítimos. Notando a tamanha dominância e
influência do mar sobre o planeta, o escritor britânico Arthur
C. Clarke uma vez disseque a Terra teria sido melhor nomeada
de "Oceano".
O estudo científico da água no planeta e seu ciclo é chamado
de hidrologia; já a hidrodinâmica dedica-se à física da
substância em movimento. As pesquisas mais recentes sobre o
mar em particular são fruto da oceanografia. Elas foram
iniciadas a partir de inquietações acerca das formas
de corrente oceânica, expandindo-se, após, enquanto
campo multidisciplinar. Essa vertente científica estuda, por
exemplo, as propriedades da água do mar;
das ondas, marés e correntes; mapeia litorais e analisa solos
oceânicos; além de investigar a vida marinha. O subcampo
que lida com o movimento dos mares, suas forças e forças nele
atuantes é conhecido como oceanografia física. Já a biologia
marinha (ou oceanografia biológica) debruça-se sobre
as plantas, animais e outros organismos habitantes
dos ecossistemas marinhos. Nesse grupo de subcampos,
também está a oceanografia química, relacionada ao
comportamento de elementos e moléculas nos oceanos, em
particular o ciclo do carbono e o papel do dióxido de
carbono na crescente acidificação das águas do mar.
As geografias marinha e marítima dissertam sobre as formas e
58
formações dos grandes corpos de água, enquanto que a
geologia marinha (ou oceanografia geológica) provê as
evidências da deriva continental e da composição e estrutura
da Terra, clarificando o processo de sedimentação e assistindo
o estudo do vulcanismo e da sismologia.
Água do mar
Médias globais da salinidade da superfície oceânica, produzidas pelo satélite SMOS,
da Agência Espacial Europeia, em 2011. O índice salino varia de 32‰(azul) a 38‰
(vermelho).
A água do mar é, via de regra, salgada. Embora o índice de
salinidade possa variar, cerca de 90% das águas oceânicas têm
34–35 g (1.2 oz)de sólidosdissolvidos por litro,o que produz
uma medida salina de 3.4 e 3.5%. Para a fácil descrição de
pequenas diferenças, contudo, os oceanógrafos indicam
usualmente esse índice em permilagem (‰) ou parte por
mil em vez de percentagem. Tais estimativas acerca das águas
de superfície no hemisfério norte são geralmente próximas à
marca de 34‰, enquanto que 35‰ é a média do hemisfério
sul.[14] Os solutos oceânicos vêm tanto do afluxo dos rios
quanto do fundo do mar,[26] sendo estável a sua composição
relativa: sódio (Na) e cloreto (Cl) perfazem cerca de 85% e o
restante divide-se
entre magnésio (Mg), cálcio (Ca), sulfato (SO₄), carbonato (
CO₃) e brometos. Na ausência de poluição, a água do mar não
seria danosa para o consumo oral, exceto por possuir gosto
59
acentuadamente salgado; similarmente, não é possível usá-la
para irrigação da maior parte das plantas sem
anterior dessalinização.
Variações de salinidade podemser causadas pormuitos fatores:
o movimento de correntes entre os mares; o afluxo de água
doce de rios e geleiras; a precipitação; a formação e o
derretimento de bancos de gelo; e a evaporação, que por sua
vez é afetada pela temperatura, ventos e ondas. Por exemplo,
o nível superior do mar Báltico possui pouca salinidade (de 10
a 15‰) em decorrência da parca evaporação nas baixas
temperaturas do ambiente em que ele se insere; também, pela
grande quantidade de afluxo de rios que ele recebe; e ainda
porque sua conexão com o mar do Norte tende a criar uma
densa camada subaquática que dificilmente se mistura com as
águas de superfície.[32] Como caso contrastante, o mar
Vermelho, entre o Saara e o deserto da Arábia, tem alto
índice de produção de vapor e pouca precipitação, além de
poucos e sazonais afluxos e estreitas conexões com grandes
corpos de água próximos, notadamente o canal de Suez ao
norte e o Bab-el-Mandeb ao sul; tais características são
determinantes para sua salinidade de cerca de 40%.
Médias globais detemperatura da superfíciemarítima em 2009,indo de -2 °C (lilás claro) a 30
°C (bege).
60
A temperatura da água marítima depende, sobretudo, da
quantidade de radiação solar absorvida. Nos trópicos, onde a
luz do Sol recai de forma mais direta, essa medida nas camadas
aquáticas de superfície pode chegar a mais de 30 °C. Na
proximidade dos polos, esse índice equilibra-se com o do gelo
marítimo em seu ponto de fusão. Sua taxa de salinidade torna
essa escala menor que a das áreas de água doce, que é
usualmente de cerca de -1.8 °C. Essas diferenças de
temperatura contribuem para a contínua circulação da água no
mar. Por exemplo, correntes quentes de superfície esfriam à
medida que se movem para longe dos trópicos; ao ficarem mais
adensadas,elas afundam, misturando-se. Por outro lado, aágua
fria do mar profundo move-se em direção ao equador antes de
fluir para a superfície tendo temperatura entre -2 e 5 °C em
todas as partes do globo terrestre.[34]
Nas baixas temperaturas dos mares
de congelamento, cristais de gelo começam a se formar a
partir da superfície, quebram-se depois em pequenos pedaços
e se aglutinamem discosplanos que, por sua vez, formam uma
espessa suspensão conhecida como frazil. Em calmas
condições, frazis congelam-se e formam chapas finas e planas
chamadas "nilas", que engrossam-se como novos construtos de
gelo acima do mar. Já em águas turbulentas, os frazis unem-se
para constituir discos planos maiores, com nome popular de
"panquecas de gelo". Estes deslizam sobre ou sob outros,
gerando blocos de gelo à deriva. Durante esses processos,
água salgada e ar prendem-se em meio às formações sólidas.
Nilas desenvolvem-se emambientes comsalinidadegirando em
torno de 12–15‰ e são acinzentadas de início, dotando-se de
61
viço com o tempo; após um ano, elas ganham cor azulada e
evidenciam índice de salino de cerca de 4–6‰.
Médias globais dos níveis de oxigênio dissolvido nos mares em 2009,de 0.15(violeta claro)
a 0.45 (bege) mols de O₂ por metro cúbico.
A quantidade de luz do dia que penetra o mar depende
do ângulo do Sol, do clima, e da turbidez. Grande porção
da luz que alcança a superfície marítima é refletida e seus
comprimentos de onda de espectro vermelho são absorvidos
nos primeiros metros de profundidade dessa superfície. Já os
amarelos e verdes atingem maiores distâncias mar adentro; os
azuis e violetas, contudo, podem penetrar mil metros (3 300
pés) ou mais. A quantidade de oxigênio presente na água
marinha depende primariamente de sua temperatura e
dos organismos fotossintéticos nela viventes, em
particular álgas, fitoplânctons e plantas como a erva
marinha. Durante o dia, suas atividades de fotossíntese
produzem tal gás, que se dissolve no meio aquoso salino e é
consumido por animais. A saturação desse oxigênio é mais
baixadurante a noite e muito mais em mar profundo. Abaixo da
profundidade de cerca de 200 m (660 pés), há insuficiência de
luz para desenvolvimento fotossintético e
consequentemente hipóxia. Ainda mais abaixo, bactérias
62
anaeróbias desmembram a matéria orgânica caída das
camadas superiores, produzindo sulfeto de
hidrogênio (H₂S). Projeta-se que o aquecimento
global reduzirá o oxigênio, tanto das camadas de superfície
quanto das profundas, em decorrência do decréscimo de
solubilidade advindo do aumento de temperatura e
da estratificação oceânica.
Ondas
Médias globais de altura das ondas de superfície em 1992, de 0 m (púrpura) a 6 m
(branco). Nota-se os grandes swells nas porções marítimas do sul.
Dinâmica de movimento dos fluidos durante a passagem das ondas.
As ondas oceânicas são oscilações causadas
pelo atrito do ar que se movimenta sobre a superfície
marítima. Talatrito transfere energiae causaa instabilidadena
água, perpendicular à direção do vento. O topo da onda é
conhecido como "crista" e a base é chamada de "vale". A
63
distância entre duas cristas é o comprimento. Tais ondas
são mecânicas; à medida que se aproximam de um
determinado ponto, as moléculas de água de uma determinada
posição elevam-se e, à passagem, baixam, traçando um
caminho mais ou menos circular. A energia transita pela
superfície e não representa um movimento horizontal da
própria água.O estado do oceano é determinado pelo tamanho
de tais ondas, que, na superfície livre, depende da velocidade
do vento e do fetch, que é a distância a que o vento sopra sobre
a água. As ondas menores são chamadas de capilares. Com o
bater de ventos mais fortes e prolongados nas cristas elevadas
das capilares, ondas maiores e irregulares se formam. Em tal
estágio, essas ondulações alcançam sua altura máxima quando
o ritmo no qual elas viajam chega próximo ao correspondente
de velocidade do vento e, com o tempo, elas se separam
naturalmente,[nota 5] formando um grupo de longas e poderosas
ondas com direções e comprimentos semelhantes.
Tais swells são particularmente comuns nos Roaring
Forties do hemisfério Sul, onde o vento sopra continuamente.
Quando as rajadas diminuem, as capilares desaparecem
facilmente em decorrência da tensão superficial da água,
embora swells possam ser lentamente reduzidos pela
gravidade ou por interferências destrutivas somente a partir
de outras ondas. As interferências construtivas, no entanto,
podem causar vagalhões individuais muito maiores que as
formações normais. A maioria das ondulações é menor que 3 m
(10 pés) em altura, e não é incomum que fortes tempestades
dupliquem ou tripliquem esse tamanho;[43] construções nas
águas distantes da costa, tais como plataformas eólicas e de
petróleo, usam essas medidas na computação de ondas
centenárias, um tipo especial ao qual tais equipamentos não
64
são projetados para resistir. Já foram documentados vagalhões
que atingiram alturas de mais de 25 metros (82 pés).
Quando as ondas entramemáguas rasas,elas desacelerame sua amplitude(altura) aumenta.
Quando as ondas aproximam-se da beira da costa, movendo-
se em direção às águas rasas, elas mudam de
comportamento. No confronto a partir de um determinado
ângulo, elas podem desviar ou envolver rochas
e promontórios. Quando tais ondulações alcançam o ponto
onde suas moléculas oscilantes mais profundas entram em
contato com o solo oceânico, o atrito inicia seu processo de
desaceleração. Este fenômeno "puxa" as cristas para perto uma
da outra e aumenta suas alturas. No momento em que a razão
da altura com o comprimento de onda excede 1:7, ela é
"quebrada", tombando numa massa de água espumante. Uma
camada dessa água corre na área de praia e então se retrai de
volta ao mar por influência da gravidade.
A tsunami é uma inusual forma de onda causadapor repentinos
e poderosos eventos, tais quais terremotos
submarinos, deslizamentos de
terra, impactos de meteorito e erupções vulcânicas, por
exemplo. Tais fenômenos podem elevar ou rebaixar
temporariamente a superfície marítima em determinada área
afetada. A energia potencial da porção de água deslocada se
65
transforma em energia cinética, criando uma onda rasa que se
movimenta numa velocidade proporcional à raiz quadrada da
profundidade da água. Dessa forma, tsunamis se deslocam
muito mais rapidamente em oceano aberto que numa
plataforma continental. Apesar de possuírem velocidade de
mais de 970 km/h (600 mph), tsunamis de mar profundo
podem ser dotadas de comprimento que varia de 130 a 480 km
(80 a 300 milhas), com amplitude de menos de três pés. Ondas
comuns de superfície numa mesma região podem ter
comprimentos de somente poucas centenas de pés e
velocidades de cerca de 105 km/h (65 mph). As tsunamis,
porém, quando comparadas às possíveis amplitudes de cerca
de 14 m (45 ft) dessas ondas comuns, podem comumente
passar desapercebidas.
A tsunami do Oceano Índico de 2004 avançando de súbito no litoral da Tailândia. Em
decorrência dessedesastrenatural, estima-sequecerca de 8 000 pessoas morreram nesse
país e outras 220 000 no restante da costa do Índico.
Os sistemas de alerta de tsunami têm seu funcionamento
dependente do fato de que ondas sísmicas causadas por
terremotos viajampelo mundo numa velocidade de cerca de 14
400 km (8,900 mi) por hora, permitindo que regiões ameaçadas
possam ser alertadas da possibilidade de uma grande
onda. Medições de redes de estações marítimas tornam
66
possível a confirmação ou negação de um alerta de
tsunami. Um evento engatilhador na plataforma continental
pode causaruma tsunami localem terra próxima eoutra grande
oscilação a viajar pelo oceano. A energia de uma tsunami é
dissipada somente de forma gradual, embora se espalhe pela
frente da onda. Quando a oscilação se desloca para longe de
seu ponto de origem, sua frente fica mais longa e a energia
média diminui, de forma que praias distantes são geralmente
atingidas por porções de onda mais fracas.A velocidade de uma
tsunami, contudo, é determinada pela profundidade da água, o
que faz com que ela não viaje com a mesma rapidez em todas
as direções, além disso afetar também a frente da onda. Esse
efeito, conhecido como refração, pode concentrar a força de
uma tsunami a avançar em algumas áreas e enfraquecer em
outras, de acordo com a topografia submarina que seapresenta
ao longo do caminho.
Assim como acontece com outros tipos de onda, o
deslocamento para águas rasas provoca uma desaceleração e
crescimento em amplitude da tsunami. Tanto o vale quanto a
crista dessa grande oscilação podem chegar primeiro à
costa. Na primeira possibilidade, o mar recua e deixa áreas de
submaré expostas. Já na chegada da crista, ela não procede à
usual quebra, mas se espalha em terra, inundando tudo em seu
caminho. Muito da destruição decorrente de um tipo de
desastre como esse pode ser produzido por tais águas da
inundação, que, após se espalharem, são drenadas de volta ao
mar pela gravidade, levando pessoas e escombros consigo.
Várias tsunamis podem ser causadas por um único evento
geológico. Em casos assim, é comum que as últimas ondas
cheguem em terra entre oito minutos e duas horas após a
primeira, que não necessariamente é a maior ou mais
67
destrutiva. Ocasionalmente, em baías rasas ou estuários, uma
tsunami pode se transformar num macaréu.
Marés
Altas marés (azul) nos pontos mais próximos e mais distantes da Terra para a Lua.
Time-lapse exibindo o fenômeno de transição da maré baixa para maré alta na Nova Zelândia.
Maré é o elevar e rebaixar regular do nível da água
experienciado pelos mares e oceanos em resposta às
influências gravitacionais da Lua e do Sol e os efeitos da rotação
da Terra. Em qualquer lugar, águas ascendemsobre o curso do
ciclo das marés a uma altura máxima conhecida como "maré
alta", antes de declinar novamente ao nível mínimo da "maré
baixa". Com o recuar, são reveladas áreas da zona
68
entremarés ou faixa litoral submergível. A diferença de altura
entre as marés alta e baixa é a amplitude da maré. Macaréus
podem ocorrer nas bocas de rios, onde o vigor da maré achegar
"empurra" ondas de áreas marítimas rio acima contra a
corrente. Em Hangzhou, na China, por exemplo, um macaréu
pode alcançar até 9 m (30 pés) de altura e viajar a cerca de
40 km (25 mi) por hora.
A maioria dos lugares costuma experienciar duas marés altas
por dia, que ocorrem em intervalos de cerca de 12 horas e 25
minutos, metade do período necessário para a Terra completar
uma rotação e a Lua retornar à sua posição relativa prévia para
um observador. A massa desse satélite natural é por volta de
27 milhões de vezes menor que a do Sol, embora o primeiro
esteja cerca de quatrocentas vezes mais próximo da Terra que
o segundo. A força de maré decresce rapidamente com a
distância do agente, de forma que a Lua é dotada de duas vezes
mais influência sobre esse efeito que o Sol. Uma protuberância
é formada no oceano no lugar onde o planeta é mais próximo
de seu satélite natural, por este ser também o ponto onde o
efeito da gravidade da Lua é mais forte. No lado oposto do
globo, a força lunar tem sua mais fraca influência, o que causa,
da mesma maneira, a formação de uma protuberância. Tais
bojos giramem torno da Terra assimcomo a Lua. Quando o Sol,
a Lua e a Terra alinham-se nas luas cheias e novas, o efeito
combinado resultanas altas "marés vivas" ou "marés de sizígia".
Em contraste, quando o Sol está a 90° da Lua na visão terrestre,
o efeito gravitacional combinado nas marés é
correspondentemente reduzido, causando as baixas "marés
mortas" ou "marés de quadratura".
Os fluxos de água do mar nas marés são detidos pela inércia e
podem ser afetados pelas massas de terra. Em lugares como
69
o golfo do México, onde a terra restringe o movimento dos
bojos, apenas uma sériede maré, constituída pela sequência de
altae baixa,pode ocorrer acada dia.Na costa de uma ilha,pode
acontecer um complexo ciclo diário com quatro marés altas.
Os estreitos insulares em Cálcis, Eubeia, por exemplo,
experienciam fortes correntes que abruptamente mudam de
direção, em geral quatro vezes por dia, mas possivelmente até
doze vezes quando a Lua e o Sol estão separados em noventa
graus. Onde há baías ou estuários em forma de funil, a
amplitude de maré pode ter maior abrangência. A baía de
Fundy, no Canadá, por exemplo, pode passarpor marés vivas
de 15 m (49 pés). Embora ela seja regular e previsível, a altura
de marés altas pode ser rebaixada por ventos vindos do oceano
e elevada por ventos costeiros. A alta pressão do centro
de anticiclones compele as águas para baixo e está associada
com marés anormalmente baixas, enquanto que a pressão
atmosférica baixa pode causar marés extremamente altas. Já
a maré de tempestade pode ocorrer quando altos ventos
pilham as águas contra a costa numa área rasa, e isso,
combinado com o sistema de baixa pressão, pode elevar a
superfície marítima em maré alta de forma drástica. Em
1900, Galveston, nos Estados Unidos, por exemplo,
experienciou uma onda de 5 m (15 pés) durante a passagemde
um furacão que devastou a localidade, matando mais de 3
500 pessoas e destruindo 3 636 casas.
Correntes
70
Médias globais de densidade de superfície em 2009, de 1020 (lilás) a 1028
(bege) kilogramas por metro cúbico.
O vento que sopra sobre a superfície oceânica causa atrito no
ponto de contato entre o mar e o ar. Isso não somente causa a
formação de ondas, mas também faz a água de tal superfície se
mover na mesma direção do vento. Apesarde suacaracterística
inerente de variabilidade, em qualquer lugar onde ele corre
predominantemente numa mesma direção, uma corrente de
superfície pode ser criada. Ventos do oeste são mais frequentes
em médias latitudes enquanto que os do leste dominam os
trópicos. Quando uma corrente de água se move nesse
esquema, outras águas fluem para preencher a lacuna e um
movimento circular de superfície conhecido como giro
oceânico é formado. Existem cinco giros principais nos
oceanos: dois no Pacífico, dois no Atlântico e um no Índico. O
do Atlântico Norte produz o mar dos Sargaços e acumula
níveis salinos de cerca de 38‰. Outros giros inferiores são
encontrados em mares menores e um único flui em torno
da Antártida. Tais giros têm seguido a mesma rota por
milênios, guiados pela topografia do solo, peladireção do vento
e pela força inercialde Coriolis.As correntes de superfície fluem
em sentido horário no Hemisfério Norte e em sentido anti-
horário no Sul. A água que se desloca para longe do equador é
71
quente, enquanto que a fluente em direção à linha perdeu a
maior parte de seu calor. Tais correntes equatoriais contribuem
para amoderação do climana Terra, resfriando aregião dalinha
e aquecendo zonas de maior latitude.[65] O clima global e
as previsões de tempo são afetados pelo mar, ou oceano
global, de forma tal que os estudos de modelação climática
global fazem uso de modelos de circulação oceânica, assim
como de outras variáveis maiores para fatores
como atmosfera, superfície terrestre, aerossóis e gelo
marítimo. Os modelos oceânicos, por suavez, utilizam um ramo
específico da física, a dinâmica geofísica de fluidos, que
estuda o fluxo de larga escala de fluidos como a água do mar.
Correntes globais de superfície, entre quentes (vermelhas) e frias (azuis).
As correntes de superfície afetamapenas as primeiras centenas
de metros (ou jardas) do mar, mas também há fluxos de larga
escala nas profundezas oceânicas, causados pelo movimento
das massas de água baixa. A principal corrente do oceano
profundo flui através de todos os oceanos do mundo e é
conhecida como circulação termohalina. Esse movimento é
lento e dirigido por diferenças em densidade aquática causadas
por variações de salinidade e temperatura. A altas latitudes, a
água é resfriada pela baixa temperatura atmosférica e se torna
mais salgada com o cristalizar do gelo marítimo. Do fundo do
72
mar próximo à Groelândia, tais fluxos deslocam-se para o sul
entre as massas continentais do Atlântico. Ao chegar no
Antártico, eles se juntam a outras massas de água fria de
profundidade e fluem para o leste. Em seguida, os fluxos se
dividem em duas correntes que se movem em direção ao norte,
para os oceanos Índico e Pacífico. Nesse estágio, tais cursos são
gradualmente aquecidos, tornam-se menos densos, sobem
para a superfície e circulam de volta sobre si; alguns deles
voltam ao Atlântico. São necessários mil anos para esse padrão
de circulação ser concluído.
Mapa global de circulação termoalina.
Além de giros, há correntes temporárias de superfície que
ocorrem em condições específicas. Quando as ondas
encontram a costa num determinado ângulo, uma deriva
litorânea é criada com a água a ser empurrada paralelamente
ao litoral. Essa porção redemoinha para a praia em ângulo reto
com as ondas que se aproximam, mas é drenada diretamente
abaixo do declive pelo efeito da gravidade. Quanto maiores são
as ondas de quebra, mais oblíquas são suas chegadas e o mais
fortes são as correntes litorâneas.[69] Tais correntes podem
deslocar grandes volumes de areia ou pedras, criar cordões,
fazer praias inteiras desaparecerem ou canais de águaentrarem
73
em assoreamento. Uma corrente de retorno pode ocorrer
quando a água é pilhada proximamente à costa a partir de
ondas a avançar e é então conduzida ao mar por canais no solo
oceânico. Isso pode ocorrer numa abertura de barra ou perto
de estruturas construídas, como quebra-mares. Essas fortes
correntes têm normalmente uma velocidade de 1 m/s (3,3 ft/s),
formam-se em diferentes lugares, em diferentes fases da maré,
alémde terem força suficiente para arrastar consigo nadadores
incautos.[70] Já correntes de ressurgência temporárias ocorrem
quando o vento empurra a água para longe da terra e porções
profundas sobem para substitui-la.Tais levas de profundeza são
frias e frequentemente ricas em nutrientes, podendo criar
incidências de fitoplâncton e locupletar, em termos de
variedade e quantidade de substâncias, a área emque incidem.
Bacias
Os três tipos de fronteira de placas.
A batimetria é o mapeamento e estudo da topografia do fundo
dos oceanos. Os métodos utilizados para mensurar a
profundidade do mar incluem a ecobatimetria,o uso de sonda
aerotransportada de profundidade a laser e o cálculo por
dados de sensoriamento remoto via satélite. Esta informação
é usada para determinar rotas de cabos submarinos e de
dutos, para a escolha de locais adequados à instalação de
74
plataformas de petróleo e turbinas eólicas offshore e para
identificação de possíveis novas áreas de pesca, por exemplo.
A terra é composta por um núcleo magnético central,
um manto principalmente líquido e uma casca rígida exterior
(ou litosfera), a qual é composta pela crosta rochosa e pela
camada exterior sólida do manto. A crosta abaixo da terra é
conhecida como continental, enquanto que sob o mar abissal
é chamada de oceânica. Esta última é constituída
de basalto relativamente denso e tem espessura de algo entre
5–10 km (3-6 milhas). A consideravelmente fina litosfera flutua
sobre o manto mais fraco e mais quente abaixo e é quebrada
numa série de placas tectônicas. Em meio ao
oceano, magma é constantemente empurrado do fundo por
entre as placas adjacentes, formando as dorsais oceânicas,
onde as correntes em convecção entre o manto tendem a
conduzir duas placas adjacentes à separação. Paralelamente
aos cumes dorsais e mais proximamente às costas, uma placa
oceânica pode deslizar sob outra, num processo conhecido
como subdução. Fossas profundas são formadas nesse
processo, que é acompanhado por atrito no confrontar de
placas. O movimento prossegue em arrancos, que por sua vez
causam sismos. Calortambém é produzido e magma é forçado
para cima, criando montanhas submarinas, algumas das quais
se transformam em ilhas vulcânicas. Perto de algumas
fronteiras entre a terra e o mar, as placas oceânicas,
ligeiramente mais densas, deslizamsob as placas continentais e
mais trincheiras de subducção são formadas. Nesse fenômeno,
as placas continentais se desfiguram, causando a formação de
montanhas de superfície e atividade sísmica.
A mais profunda trincheira da Terra é a fossa das Marianas,
que se estende por cerca de 2 500 km (1 600 mi), localizada
75
próxima às ilhas Marianas,
um arquipélago vulcânicono PacíficoOcidental.Embora ela
atinja apenas 68 km (42 milhas) de amplitude, seu ponto mais
profundo é 10 994 km (quase 7 milhas) abaixo da superfície
oceânica.[75] Uma trincheira ainda mais longa estende-se na
costa do Peru e Chile, alcançando uma profundidade de 8 065
m (26 460 pés) e amplitude de aproximadamente 5 900 km (3
700 milhas). Ela está onde a placa de Nazca oceânica resvala
sob a placa Sul-Americana continental, estando associada à
impulsão e atividades vulcânicas nos Andes.
Costas
Costa na Califórnia, Estados Unidos.
Costa na ilha de Fuerteventura, Canárias.
A zona onde a terra encontra o mar é conhecida como a costa.
Já a parte entre as mais baixas marés vivas e o limite atingido
76
pelas quebras de onda é chamada de margem. A praia é o
acúmulo de areia ou cascalho na margem. Uma cabeceira,
ou promontório, é um ponto de terra projetado para o mar
que, quando detém grande extensão, recebe o nome de cabo.
O recuo de um litoral, especialmente entre dois promontórios,
é uma baía; uma pequena baía com uma entrada estreita é
chamada de enseada; já uma grande baía ou um mar em forma
de baía detém a designaçãode golfo. Olitoral é afetado por um
número de fatores, incluindo a força das ondas que chegam à
costa, o declive da margem de terra, a composição e dureza das
formações rochosas costeiras, a inclinação do declive marítimo
e as alterações no nível da terra em decorrência da elevação ou
submersão local. Normalmente, as ondas deslocam-se em
direção à costa a uma taxa de seis a oito por minuto. Tais ondas
são conhecidas como construtivas e tendem a
mover sedimentos e outros materiais do mar até a praia, além
de possuírem pouco efeito erosivo. Já as ondas de tempestade
que chegam em terra em rápida sucessão são conhecidas
como destrutivas, pois movem sedimentos da praia para o
mar. Sob sua influência, a areia e cascalho na margem são
moídos em conjunto e decompostos. Em maré alta, o poder de
uma onda de tempestade a impactar o pé de um penhasco tem
um efeito devastador, com ar de fendas e rachaduras a ser
comprimido e, em seguida, expandindo-se rapidamente para
liberar pressão. No mesmo fenômeno, areia e seixos têm um
efeito erosivo quando são atirados contra as rochas. Junto com
outros processos de meteorização e intemperismo, como
a geada, isso tende a escavar e esculpir a base de
um precipício. Ao fim, uma plataforma de quebra de onda se
desenvolve no sopé, acabando por adquirir um efeito protetor
à costa.
77
Os materiais desgastados das margens são eventualmente
deslocados para o mar, onde são sujeitos à atrição, um tipo
de erosão marinha, com o fluir de correntes paralelas à costa,
que limpam os canais e transportam depósitos e sedimentos
para longe de seu lugar de origem. Tal sedimento movido para
o mar se instala no seu fundo, causando o surgimento
de estuários a partir de deltas. O movimento constante desses
materiais é influenciado pelas ondas, marés e correntes.
Interferindo nesses fenômenos para a conveniência humana, a
dragagem é um método de engenharia que remove matéria
depositada no solo marítimo e aprofunda canais, embora possa
encadear efeitos inesperados em outros lugares na costa.É uma
atividade comum a governos o planejamento de ações
preventivas a inundações por meio da construção
de diques, quebra-mares, molhes, entre outras defesas
contra o mar. Na Grã-Bretanha, por exemplo, a barreira do
Tamisa guarda eficazmente Londres do efeito
de tempestades, enquanto que, em contraste, o fracasso dos
diques e barragens nos arredores de Nova Orleans durante a
passagem do furacão Katrina criou uma crise
humanitária nos Estados Unidos. Outro exemplo relacionado
é a recuperação de terras em Hong Kong que permitiu a
construção do Aeroporto Internacional de Hong Kong após
o nivelamento e expansão de duas ilhas menores. Na
sequência da adoção à presente CNUDM, o litoral sob a lei
internacional é uma linha de base de um estado.
Nível do mar
78
Variações do nível marítimo em 1992, de -1.4 m (roxo) a +1.0 m (bege),
por TOPEX/Poseidon.
Durante a maior parte do tempo geológico, o nível do mar foi
maior do que é hoje. O principal fator a influenciaresse nível ao
longo dos anos é o resultado de alterações na crosta oceânica,
com uma tendência de queda prevista para continuar a muito
longo prazo. No último máximo glacial, há cerca de 20 000
anos, o nível marítimo esteve 120 m (390 pés) abaixo do atual.
Pelo menos durante os últimos cem anos, no entanto, ele tem
aumentado a uma taxa média de aproximadamente 1.8 mm
(0.071 polegadas) por ano. A maior parte desse aumento pode
ser atribuído a uma elevação na temperatura do mar e à
resultante ligeira expansão térmica nos 500 m (1 600 pés)
superiores da água. Contribuições adicionais para isso, de cerca
de um quarto do total, vêm de fontes de água em terra, tais
como o derretimento de neve e geleiras e extração de água
subterrânea para irrigação e outras necessidades agrícolas e
humanas. A tendência de aumento do aquecimento global
deverá continuar pelo menos até o final do século XXI.[85]
Ciclo da água
O mar desempenha importante papel no ciclo da água. Quando
ela evapora do oceano, viaja através da atmosfera
como vapor, condensa, cai (geralmente em forma
79
de chuva ou neve) novamente e, em seguida, retorna em
grande parte para o oceano. Mesmo no deserto de Atacama,
onde há pouca ocorrência de fortes chuvas, densas nuvens de
nevoeiro conhecidas como camanchaca são sopradas do mar e
auxiliam na manutenção de vida vegetal. Em grandes massas
de terra, características geológicas podembloquear o acessode
algumas regiões ao mar. Em lugares como esse, onda há bacias
endorreicas, particularmente na Ásia Central, podem se
desenvolver lagos salgados como evaporar de águas deafluxo
e o acúmulo de minerais dissolvidos ao longo do tempo. O
maior dos corpos de água desse tipo é o mar Cáspio, embora
às vezes seja considerado um mar em decorrência de sua bacia
de (na atualidade, sem litoral) crosta oceânica. Outros
exemplos notáveis incluem o mar de Aral, na Ásia Central, e
o Grande Lago Salgado, no oeste dos Estados Unidos.
Ciclo do carbono
Os oceanos contêm a maior quantidade de carbono de ciclo
ativo no planeta e estão em segundo lugar, após somente a
litosfera, na quantidade de armazenamento total. A camada de
superfície marítima é dotada de grandes porções de carbono
orgânico dissolvido, que é rapidamente comutado com a
atmosfera. A concentração de inorgânico dissolvido nas
camadas profundas é cerca de quinze porcento maior que a da
camada de superfície, [90] e nas profundezas permanece por
muito mais tempo. As circulação termoalina intercambia
carbono entre essas duas divisões.
A substância adentra o oceano quando o dióxido de carbono
atmosférico se dissolve na superfície marítima e é convertido
em ácido carbônico, carbonato e bicarbonato:
80
CO2 (aq) + H2O {displaystyle rightleftharpoons }
H2CO3 {displaystyle rightleftharpoons }
HCO3− + H+ {displaystyle rightleftharpoons }
CO32− + 2h+. O processo libera íons hidrogênio (H+),
diminuindo o pH oceânico e elevando sua acidez.
Ela também pode entrar em águas marítimas como carbono
orgânico dissolvido por meio dos rios, sendo convertida por
organismos fotossintéticos em carbono orgânico. Isso pode ser
comutado na cadeia alimentar ou precipitar às camadas
oceânicas mais profundas e mais ricas na substância como
tecido morto ou em conchas e ossos na forma de carbonato de
cálcio. Tal carbono circula nessa camada por longos períodos
de tempo antes de ser depositado como sedimento ou
retornado às águas de superfície pela circulação termoalina.
Acidificação aspecto ambiental e social da acidificação
oceânica.
A água do mar é levemente alcalina e tem um pH pré-industrial
de cerca de 8.2. Nos últimos tempos,
atividades antropogênicas têm aumentado em constância a
quantidade de dióxido de carbono da atmosfera; por volta de
30–40% do CO2 adicionado é absorvido pelos oceanos,
formando ácido carbônico e diminuindo o pH (agora abaixo de
8.1) por meio do processo de acidificação oceânica. No ano de
2100, é esperado que esse índice chegue a 7.7, representando
um aumento de três vezes na concentração de íon hidrogênio,
o que será uma significante mudança na virada do século.
Um importante elemento para a formação esqueletal dos
animais marinhos é o cálcio. O carbonato de cálcio, no entanto,
81
torna-se mais solúvel com pressão, de forma que conchas e
esqueletos de carbonato se dissolvem abaixo de
sua profundidade de compensação. Esse composto também
se torna mais solúvel a pHs baixos, fazendo, assim, com que a
acidificação oceânica tenha profundos efeitos sobre os
organismos do mar com formações externas de cálcio, como
ostras, moluscos, ouriços-do-mar e corais, prejudicando sua
habilidade e reduzindo sua capacidade de formação e
sobrevivência. Nesse processo, outras formas de vida afetadas
são os organismos plactônicos, como os pterópodes,
e algas unicelulares, como cocolitóforos e foraminíferos.
Todos esses são importantes para a cadeia alimentar e uma
diminuição de seus números poderá acarretar em significantes
consequências. Nas regiões tropicais, há tendência de efeito
maior aos corais a partir da dificuldade de construção de seus
esqueletos de carbonato de cálcio, por sua vez, impactando
negativamente outros habitantes de arrecife.
A atual taxa de mudança química do oceano parece ser sem
precedentes na história geológica da Terra, tornando pouco
claro o quão bem os ecossistemas marinhos serão capazes de
se adaptar às condições mutáveis do futuro próximo. De
particular preocupação é a maneira na qual a combinação de
acidificação com esperados problemas adicionais relacionados
a altas temperaturas e níveis baixos de oxigênio irá impactar
o mar.
Vida marinha
82
Médias globais de clorofila a, entre 1998 e 2006, de 0.03 (violeta) a 30 mg chl por m³
(marrom) em escala logarítmica.
Os oceanos são o habitat de um diverso conjunto de formas de
vida. Pelo fato da luz do Sol iluminar somente as camadas
marítimas superiores, a maior parte dessas águas existe em
permanente escuridão. Com diferentes profundidades e zonas
de temperatura, essas duas áreas fornecem condições de
manutenção de vida para grupos únicos de espécies, de forma
que o ambiente marinho como um todo comporta uma cadeia
imensa de diversidade biológica. Os habitats marinhos variam
das águas de superfícieàs mais profundas trincheiras oceânicas,
incluindo recifes de coral, florestas de kelp, ervas
marinhas, poças de maré, solos oceânicos enlameados,
arenosos e rochosos, além da zona pelágica. Os organismos
característicos desses lugares variam de baleias de 30 metros
(100 pés) de comprimento a fitoplânctons microscópicos, além
de zooplânctons, fungi, bacterias e vírus, que incluem os
recentemente descobertos bacteriófagos marinhos,
viventes parasitários de bactérias. A vida marinha tem
importante papel no ciclo do carbono em decorrência da ação
fotossintética de organismos que convertem dióxido de
carbono dissolvido em carbono orgânico, além de serem de
83
valor inestimável para a economia e suprimento humano,
sobretudo os peixes.
A vida pode ter sido originada a partir do mar. Alémdisso, todos
os grandes grupos de animais estãorepresentados por formas
viventes dos oceanos. Cientistas divergemacerca da estimativa
de onde exatamente no mar a vida teria surgido. A experiência
de Miller e Urey, nesse sentido, sugeriu que uma "sopa"
química diluída em águas abertas pudesse ter atuado nessa
origem, mas estudos mais recentes incluem hipóteses que
envolvem fontes termais vulcânicas, sedimentos argilosos de
grão fino e fumarolas negras, em todas elas teria havido
provisão de proteção contra danos da radiação
ultravioleta que não teria sido bloqueada pela atmosfera
primitiva da Terra.
Habitats marinhos
Zona litoral
Zona entremarés
Estuários
Florestas de kelp
Recifes de coral
Bancos oceânicos
Plataforma continental
Zona nerítica
Estreitos
Zona pelágica
Zona oceânica
Montes submarinos
Fontes hidrotermais
Emanações frias
84
Zona demersal
Zona bentônica
v • e
Habitats
Os habitats marinhos podem ser divididos horizontalmente em
costeiros e de oceano aberto. Os costeiros têm extensão
compreendida do litoral à beira da plataforma continental. A
maioria das formas de vida marinha é encontrada nesse tipo
de habitat, mesmo com a área da plataforma ocupando apenas
sete porcento da total do mar. Os de oceano aberto estão em
águas profundas e distantes para além desse limite. De forma
alternativa, habitats marinhos podem ser divididos
verticalmente em pelágicos (de águas
abertas), demersais (logo acima do fundo do mar)
e bentônicos (ao fundo do mar). Um terceiro agrupamento é
caracterizado pela latitude: de águas tropicais a temperadas e
a polares.
Recifes de coral, vulgarmente chamados de "florestas tropicais
do mar", ocupam menos de 0,1 porcento da superfície
oceânica, embora seus ecossistemas incluam 25 porcento de
todas as espécies marinhas.[109] Entreos mais conhecidos, estão
os corais tropicais da Austrália como a Grande Barreira de
Coral. Recifes de água fria, contudo, também abrigam uma
grande variedade de espécies, incluindo corais (apenas seis dos
quais contribuem para a formação de recife).[1](pp204–207)[110]
Algas e plantas
Os produtores primários marinhos, entre plantas e
organismos microscópicos em plâncton, estão largamente
85
espalhados pelos oceanos e são de grande diversidade. Algas
fotossintéticas e fitoplâncton contribuem numa maior
proporção da potência desse fenômeno que todas as florestas
terrestres combinadas. Cerca de 45 porcento da produção
primária de matéria viva no mar é de responsabilidade
das diatomáceas. Algas de grande porte comumente
conhecidas como macroalgas são dotadas de importância
local;já os sargassum formam derivas flutuantes, enquanto que
as laminariales compoem as florestas do solo
oceânico. Plantas de floração na forma de ervas marinhas
crescem em espécies de prados de águas rasas
arenosas,[112] manguezais se alinham nas costas de regiões
tropicais e subtropicais e plantas halófitas se desenvolvem
em sapais regularmente inundados. Todos esses habitats são
capazes de isolar grandes quantidades de carbono e manter
uma cadeia biodiversa de vida animal de grande e pequeno
porte.
A luz é capaz de penetrar somente os primeiros 200 m (660 pés)
dos ambientes oceânicos, fazendo dessas as únicas áreas do
mar onde plantas podem crescer. Com frequência, as camadas
de superfície tornam-se deficientes de compostos
biologicamente ativos de nitrogênio. O ciclo do
nitrogênio marinho consiste de complexas transformações
microbiais que incluem a fixação, sua
assimilação, nitrificação, anammox e desnitrificação. Alguns
desses processos acontecemem águas profundas, de modo que
o crescimento de plantas é maior onde há ressurgência de
águas geladas ou proximamente a estuários que guardam
nutrientes terrenos. Isso significa que as áreas mais produtivas,
ricas em plâncton e por consequência em peixes, são
principalmente costeiras.
86
Animais e outros tipos de vida
Baleia cachalote, a maior baleia comdentes e maior predador marinho com dentes, além
de também possuir o maior cérebro entre os mamíferos.
Habitats marinhos comoos recifes de coral guardam uma grande diversidade de espécies.
Amphiprion sandaracinos,uma das muitas formas devida marinha dotadas de dicogamia.
87
A manta gigante é uma espécie marinha
considerada vulnerável e está na Lista Vermelha da IUCN.
Há um espectro mais amplo de taxa animal no mar que em
terra. Além disso, muitas espécies marinhas ainda não foram
descobertas, e o número de conhecidas à ciênciaeleva-setodos
os anos. Alguns vertebrados, como aves
oceânicas, focas e tartarugas marinhas, retornam em
constância à terra para procriar, mas peixes, cetáceos e cobras
marinhas, por exemplo, têm estilo de vida completamente
aquático, e muitos filos de invertebrados são completamente
marinhos. Em verdade, os oceanos abundam emformas de vida
e propiciam também variados microhabitats. Um deles é a
camada de superfície, que, embora sofra as perturbações da
ação das ondas, provê um rico ambiente, abrigando
bactérias, fungos marinhos, microalgas, protozoários, ovos
de peixe e larvas.
A zona pelágica contém macro e microfauna, além de uma
miríade de zooplânctons que se deslocam com as correntes. A
maioria dos organismos menores é de larvas de peixe
e invertebrados marinhos, que liberam ovos em grandes
quantidades em decorrência da diminuta chance de que
qualquer dos embriões sobreviva à maturação. Os zooplânctons
se alimentam de fitoplânctons ou de seus iguais, além de
88
formarem uma peça basilarna complexa cadeia alimentar que
se estende por peixes de vários tamanhos e outros
organismos nectônicos, que, por sua vez, servem de
alimentação para lulas, tubarões, marsuínos, golfinhos e
baleias.[120] Algumas criaturas marinhas executam grandes
migrações para outras regiões dos oceanos numa periodicidade
sazonal ou acima e abaixo nas camadas marítimas,
frequentemente ascendendo às áreas de superfície para se
alimentar à noite e voltando à segurança das interiores durante
o dia. Navios podem introduzir ou espalhar espécies
invasoras com a descarga da água de lastros ou pelo trasporte
de organismos acumulados via bioincrustação em cascos.
A zona demersal abriga muitos animais que se alimentam de
organismos bentônicos ou procuram proteção de predadores.
O solo oceânico provê uma variedade de habitats na e sob a
superfície de substratos, que são utilizados por criaturas
adaptadas às condições locais. A zona entremarés, com sua
exposição periódica a ar desidratante, é o local de vivência
de cirripedias, moluscos e crustáceos. A zona nerítica possui
muitos organismos que necessitamde luz para se desenvolver.
Nela, esponjas, equinodermess, poliquetas, anêmonas-do-
mar e outros invertebrados vivem entre rochas de algas
encrustadas. Corais comumente
contêm simbiontes fotossintéticos e vivem em águas rasas,
onde a luz penetra. Os extensos esqueletos calcários que eles
expelem acumulam-se e formam arrecifes, que são uma
importante marca do solo marítimo, constituindo um
biodiverso habitat. Há menos formas de vida marinha ao solo
das mais profundas áreas oceânicas, embora a vida também
floresça nos montes submarinos que se elevam das maiores
profundezas, onde peixes e outros animais se reúnem para a
89
desova e alimentação. Próximos a essas áreas baixas, vivem
peixes demersais que se alimentam largamente de organismos
pelágicos ou de invertebrados bentônicos. A exploração do mar
profundo por meio de submersíveis revelou um novo mundo de
criaturas antes desconhecidas a viver proximamente ao solo.
Alguns, como os detritívoros, dependem da neve marinha.
Outros se aglomeram em volta de fontes hidrotermais, onde
ricos fluxos de minerais emergem, mantendo comunidades
cujos produtores primários são
bactérias quimiotróficas sulfureto-oxidantes e cujos
consumidores incluem bivalves especializados, anêmonas-do-
mar, cirripedias, caranguejos, vermes e peixes. Uma baleia
morta afundada ao solo oceânico também fornece alimento
para grupos de organismos que similarmente também
dependem em grande parte das ações de bactérias redutoras
de enxofre. Essas áreas oceânicas abrigam, ainda, biomas
únicos onde muitos micróbios novos e outras formas de vida
têm sido constantemente descobertas.
Humanidade e o mar
Navegação e exploração
Gravura doséculo XIX retratado a "descoberta"das Américaspor Cristóvão Colombo, em
12 de outubro de 1492.
90
As sociedades têm viajado por meio do mar desde tempos
pré-históricos, originalmente em jangadas, balsas e canoas de
casca e junco. A maior parte das migrações humanas
primitivas, no entanto, ocorreu via terra; mesmo as áreas que
nos tempos atuais são separadas pelo mar, como as Américas,
eram conectadas por pontes terrestres ou gelo
permanente durante a última era do gelo. O homo
floresiensis, afetado pelo nanismo insular, provavelmente
precisou cruzar um estreito de 19 km (12 milhas)
na Sundalândia para chegar até Komodo, e, embora os
exatos detalhes ainda sejam objeto de estudo por
pesquisadores, tem-se como válida a hipótese de que os
ancestrais dos aborígenes australianos teriam cruzado o alto-
mar na linha de Wallace até a Oceania Próxima há dezenas
de milhares de anos.
O povo caçador-coletor ortoiroide começou a se espalhar
pelo Caribe a partir do vale Orinoco, na Venezuela, no sexto
milênio a.C ou antes. Por volta do mesmo
período, mesopotâmios já faziam uso
de betume para calafetar seus barcos de junco e, pouco
depois, vieram a dominar a concepção de velas.[130] Lothal,
no Vale do Indo, abrigou a primeira doca que se tem notícia,
por volta de 2400 a.C. Em torno de 2000
a.C, austronésios em Taiwan começaram a se dispersarpelas
regiões marítimas do sudoeste da Ásia. De 1300 a 900 a.C,
povos austronésios "lapita" executaram grandes façanhas de
navegação, indo do arquipélago de Bismarck a lugares
distantes
como Fiji, Tonga e Samoa. Seus descendentes continuaram a
realizar, em canoas especiais, viagens de milhares de
milhas;[136] os austronésios das ilhas da Sonda se
91
estabeleceram em Madagascar, a sudeste da África, antes de
500 d.C; já os polinésios se assentaram em ilhas do
Havaí antes de 800, na ilha de Páscoa antes de 1200[138] e
na Nova Zelândia pouco depois o faraó Necho II iniciou a
construção de um canal que eventualmente veio a ligar o mar
Mediterrâneo e o Vermelho por volta de 600 a.C. Acredita-se
que Heródoto tenha autorizado uma expedição de três anos
de circunavegação da África a partir do mar Vermelho até
o delta do Nilo. Por volta de 500 a.C, o
navegador cartaginês Hanão deixou um detalhado périplode
uma jornada pelo Atlântico que teria alcançado ao
menos Senegal e possivelmente o monte Camarões; já
o grego Píteas deixou outro périplo, que dava detalhes de
exploração dos mares ao redor da Grã-Bretanha por volta de
325 a.C. O grande Farol de Alexandria, do terceiro século a.C,
foi considerado uma das sete maravilhas do mundo.[144] No
segundo século, o alexandrino Ptolemeu mapeou o mundo
até então conhecido, usando as ilhas Afortunadas como
seu meridiano primário e incluindo detalhes de lugares tão
distantes quanto o golfo da Tailândia. Um versão modificada
de seu mapa foi usada por Cristóvão Colombo durante suas
viagens de exploração.
Na era medieval, os vikings usaram barcos de casco
trincado para colonizar
a Islândia, Groelândia,Canadá e Rússia.Foi registrado o uso
da primeira bússola com declinação magnética no livro
clássico do primeiro século chinês Lunheng (論衡). A primeira
evidência de seu uso na navegação marítima desse povo,
contudo, data ao texto Pingzhou Ketan (萍洲可談), de c. 1115,
por Zhu Yu. A publicação De naturis rerum, de Alexander
92
Neckham, contém a primeira menção europeia de uma agulha
magnética, datando de 1190, e relata seu uso por marinheiros.
A latitude (posição do barco indo de 0° ao equador a 90° aos
polos Norte e Sul) podia ser determinada
por inclinômetros —
incluindo astrolábio, sextante e balestilha— a medir o ângulo
entre o horizonte e grandes corpos como o Sol e a Lua. A
determinação acurada da longitude (posição do barco a leste
ou oeste de determinado ponto fixo), no entanto, era muito
mais difícil.
Mapa de 1569 de Gerardo Mercator. Acosta doVelho Mundo é retratada com bastante
precisão,apesar das grandes distorções desta projeção nas zonas polares e da informação
incerta acerca das Américas.
No século XV, marinhas da Europa Ocidental — sendo a
de Portugal a pioneira — iniciaram a execução de ainda mais
longas viagens de exploração, usando conhecimentos
adquiridos e uma variação dos barcos de pesca africanos que
recebeu o nome de caravela. Em 1473, Lopo
Gonçalves conseguiu cruzar o equador e assim refutar a
noção aristotélica de que um anel de fogo barraria a
exploração do hemisfério Sul. Bartolomeu Dias passou
pelo cabo da Boa Esperançaem 1487; no ano seguinte, Vasco
93
da Gama alcançou Melinde, onde um navegador local o
ensinou como seguira monção do Sul da Ásia até a Índia. Em
1492, usando estimativas incorretas da circunferência da
Terra, Colombo navegou de Cádis às Canárias e de lá para o
Atlântico numa tentativa de alcançar o Oriente. Em vez disso,
ele desembarcou numa ilha do mar do Caribe. O
resultante intercâmbio colombiano introduziu
as batatas, milhos e pimentas ao Velho Mundo, enquanto que
epidemias de varíola começaram a surgir entre os povos
ameríndios. Essa perturbação e a resultante despopulação de
determinadas áreas propiciou a rápida colonizaçãoespanhola
da América e levou à ampla adoção da escravização de povos
africanos para o trabalho nos lucrativos cultivos
de tabaco, açúcar, índigo e algodão.Em1519, Juan Sebastián
Elcano completou a expedição à vela pelo mundo iniciada
por Fernão de Magalhães. Esta e outras viagens permitiram a
criação de mapas num grau de precisão antes impossível de ser
alcançado. Em 1538, Gerardo Mercator concebeu uma
projeção cartográfica com rumos (loxodromia)
convenientemente constantes e retos. No Ártico, em 1594,
o capitãoneerlandês WillemBarents alcançou Esvalbardae
o mar de Barents; já Anthony de la Roché cruzou
a convergência Antártica em 1675, e três expedições
separadas — uma britânica, uma estadunidense e
outra russa — reivindicaram a descoberta da Antártica em
1820. Nem todas as viagens de descoberta, contudo, partiram
da Europa Ocidental. Embora o mapeamento preciso da costa
da Rússia só tenha sido iniciado no século XVIII e o arquipélago
de Severnaya Zemlya não fosse conhecido até
1910, navegadores de Novgorod já exploravam o mar
Branco desde pelo menos o século XIII. Mesmo com sua
94
preferência de longa data pela autarquia, a China se abriu
brevemente durante a dinastia Sung e a mongol Yuan. No
início do século XV, a frota de navios do tesouro sob o
comando de Zheng He navegou repetidamente a partir
da China Ming com tripulações de cerca de 37 000 homens
em um total de 317 embarcações, alcançando lugares distantes
como a costa africana.[1](pp12–13) A exploração chinesa,
entretanto, foi reduzida e banida posteriormente. Os povos da
Ásia Oriental passaram a conhecer as formas de outros
continentes somente a partir dos mapas de Matteo Ricci.
Mapa-múndi, emlíngua chinesa, elaboradopor Matteo Ricci e colaboradores nativos, com
o nome de 坤輿萬國全圖 (Kūnyú Wànguó Quántú; em italiano:
Carta Geografica Completa di tutti i Regni del Mondo). Na
história registrada, foi o primeiro dos mapas orientais a guardar
alguma proximidade com o estilo cartográfico
ocidental. Chamado de "tulipa negra da cartografia" por sua
"raridade, importância e exotismo", foi um obra crucial para a
expansão do conhecimento oriental sobre o resto do mundo.
A determinação de longitudes continuou a envolver
aproximações e estimativas vagas; seu cálculo requeria o uso
de cronômetro marinho, um medidor acurado que permitia
95
comparações entre o meio-dia a partir da posição relativa do
navio e o tempo exato num determinado ponto, como
o Observatório Real em Greenwich. O
prêmio britânico Longitude foi concedido em 1773 a John
Harrison, pelo seu desenvolvimento de um medidor específico
para atividades marítimas em 1761. James Cook usou uma
cópia dessa invenção em sua segunda e terceira viagens para o
estudo do Pacífico,[156] exploração essa que inspirou outros
estudos na Rússia, França, Países Baixos e Estados Unidos. A
finalização de instalação de um cabo telegráfico submarino a
cruzar o canal da Mancha em 1850 e subsequentes ligações
do All Red Line levaram a um aumento do interesse pelo
fundo do mar. Ideias iniciais de que não poderia existir vida
abaixo de trezentas braças (550 metros ou 1 800 pés) foram
refutadas em 1860, quando uma linha mediterrânea falhou e
foi puxada para cima, percebendo-se que estivera a uma
profundidade quatro vezes maior, completamente encrustada
nas profundezas do oceano. A descoberta de Michael Sars de
"fósseis vivos" aos fundos dos fiordes da Noruega ajudou a
impulsionar os esforços de estudo da Marinha Real Britânica,
incluindo a Expedição Challenger durante a década de
1870, que criou efetivamente a oceanografia moderna. De
1878 a 1880, a expedição Vega executou com sucesso
a passagem do Nordeste, circunavegando pela primeira vez
as formações continentais que um dia foram a Eurásia. Na
metade da década de 1890, Fridtjof Nansen usou um navio
especialmente desenhado para flutuar pelo bloco de gelo
do norte, levando ao entendimento de que o Ártico era um mar
aberto. Em 1898 e 1899, Carl Chun descobriu e estudou
muitas formas de vida características de mais de 4 000 m (13
000 pés) abaixo da superfície do Atlântico Sul.
96
No século XX, o Gjøa foi a primeira embarcação a concluir
a passagem do Noroeste, em 1906. Em 1921, A Organização
Hidrográfica Internacional, em Mônaco, padronizou a
análise técnica e a pesquisa no mar;[161] já em 1924,
as Discovery Investigations buscaram estudar as baleias e
mapear os mares próximos à Antártida. Em 1930,
a batisfera era capaz de descer a uma profundidade de 434
metros (1 424 pés) com o auxílio de cabos[162] e, na década de
1940, Jacques-Yves Cousteau ajudou a desenvolver
o primeiro equipamento funcional de scuba e a popularizar
o mergulho subaquático. AGuerra Fria e o desenvolvimento
da exploração de óleo e gás propiciaram outra tendência de
interesse geral crescente pela pesquisa marítima; por volta de
1960, o batiscafoTrieste conseguiu levar uma tripulação a 10
915 m (35 810 pés) adentro da fossa das Marianas,[163] e, em
2006, um mergulhador da Marinha dos Estados Unidos,
num atmospheric diving suit, alcançou com sucesso
profundezas de 2 000 pés (610 m) abaixo do nível do mar.
Nos dias atuais, o sistema de posicionamento global propicia
navegações acuradas pelo mundo com o auxílio de mais de
trinta satélites e com tempo de mensagem extremamente
exato. Pesquisas oceanográficas mais recentes incluem o
estudo de formas de vida marinha conhecidas e ainda
desconhecidas, conservação, ambiente marítimo, química do
oceano, modelamento de dinâmicas climáticas, estudo de
padrões do clima, recursos oceânicos, energias renováveis,
ondas e correntes, além da concepção e desenvolvimento de
novas ferramentas e tecnologias para a investigação das
profundezas do mar, por exemplo. Pesquisadores fazem uso de
sensoriamento remoto via satélite para águas de superfície,
além de embarcações destinadas à
97
pesquisa, observatórios ancorados e veículos de navegação
subaquática autônoma para o exame e monitoramento de
todas as partes dos oceanos.
Comércio
As mais comuns rotas de navegação e a relativa densidade da rede marítima pelo globo.
O uso de rotas no mar para transporte de mercadorias é um
dos elementos basilares do comércio desde o despontar
da civilização, quando a Suméria era conectada à Índia
Harappeana. Por volta de 2000 a.C,
os minoicos de Creta estabeleceram uma forma primitiva
de talassocracia, um império marítimo fortemente
dependente de seu poder naval e de mercados. Os governos
das cidades-estado dos fenícios e gregos os substituíram nos
séculos após 1200 a.C, estabelecendo longínquos impérios
coloniais que iam do mar de Azov à costa atlântica de
Marrocos. Com os romanos, o comércio marítimo continuou a
progredir. Nos primeiros séculos a.C, a interrupção, por parte
de nômades das estepes, do acesso da Índia ao ouro da Sibéria
motivou esse povo a criar rotas até
a Malásia e Indonésia, expondo a população do primeiro à
cultura hindu e então colocando-as em contato com
comerciantes muçulmanos. Com o colapso dos romanos, o
comércio europeu minguou, mas a atividade continuou a se
desenvolver em outros lugares. A dinastia Chola, de
origem tâmil, prosperou com atividades mercantis entre
98
a China Tang, o Império Srivijayɑ javanês e o Califado
Abássida no oeste. Seguindo conquistas seguintes, os
arábios vieram a dominar o comércio marítimo no Índico,
espalhando o islão pela costa leste africana e eventualmente
pela costa sudoeste asiática. Um dos principais efeitos da era
dos descobrimentos foi a unificação das redes de rotas
regionais do globo num único mercado mundial, em grande
parte operacionalizado por e para as monarquias europeias e
mercadores de Amsterdão, Londres e de outros portos do
Atlântico. Do século XVI ao XIX, cerca de treze milhões de
pessoas foramtransportadas por vias marítimas atlânticas para
serem vendidas como escravas nas Américas. A Blue
Riband foi um prêmio dado às viagens comerciais mais rápidas
a cruzarem esse oceano.
Na contemporaneidade, grandes quantidades de bens e
produtos são transportadas pelo mar, especialmente pelo
oceano Atlântico e pelo Círculo do Pacífico. Uma das mais
importantes rotas comerciais passa pelas Colunas de
Hércules, cruza o Mediterrâneo e o canal de Suez para o
oceano Índico e prosseguepelo estreitode Malaca; há viagens,
ainda, pelo canal da Mancha e vários outros pontos
estratégicos de navegação pelo mundo. Dentro desseprocesso,
as rotas comerciais são os trajetos padronizados em alto-mar
usados por embarcações cargueiras, tradicionalmente
executadas com o auxílio de alísios e correntes. Mais de
sessenta porcento do trafego mundial de contêineres é
manejado em cerca de vinte principais rotas comerciais. O
crescente derretimento do gelodo Ártico possibilitadesde2007
o atravessar de navios pela passagem do Noroeste durante
algumas semanas do verão, evitando rotas maiores como a de
Suez ou do canal do Panamá. O transporte marítimo é
99
suplementado pelo transporte aéreo, um método mais
dispendioso e comumente usado para cargas mais valiosas ou
perecíveis. O comércio marítimo movimenta mais de 4 trilhões
de dólares em bens e produtos por ano.
Antes da contentorização, na década de 1950, as cargas
marítimas e mercadorias eram carregadas, transportadas e
descarregadas de forma fragmentada. O uso de contêineres
otimizou grandemente a eficiência e baixou o custo de tais
movimentações, com a maioria do frete, na atualidade, sendo
manejada a partir de uma padronização de tamanhos e pesos,
em compartimentos com dispositivos de segurança, carregados
em navios cargueiros do tipo porta-contentor em terminais
dedicados.[181][181] Nesse contexto,
os transitários desempenham o papel de firmar agendas de
carga, organizar retiradas e entregas e gerenciar
documentações. A segurança dessa modalidade de navegação
é regimentada pela Organização Marítima Internacional,
convocada pela primeira vez em 1959. Suas incumbências
incluem o desenvolvimento e a manutenção de quadros
regulatórios de frotas e rotas, salvaguarda marítima, atuação
em questões ambientais, assuntos legais, cooperação técnica,
entre outras competências.
Pesca
100
Pesca com lança no Egito Antigo. Pintura na tumba de Usheret em Tebas, décima oitava
dinastia, c. 1430 a.C.
O total globalde unidades depescadocapturadas em2010foi estimado em0,97-2,7trilhões.
Há 40 000 anos, populações humanas da Ásia Oriental já
consumiam grandes quantidades de peixe de água fresca.
A caça submarina com arpões farpados pelos litorais passou
a se difundir já a partir do paleolítico. Por volta de 2 500
a.C,viveiros depeixe eram comumente usados como cercania
de templos sumérios. Um texto clássico chinês credita o
negociante do século X a.C Fan Li como o primeiro indivíduo
conhecido a trabalhar com piscicultura. Um fragmento
remanescente de itinerário de Pártia, escrito por Isidoro de
Cárax e datado do primeiro século d.C, descreve locais
propícios ao mergulho livre para a caça de pérolas no Golfo
101
Pérsico, e uma obra do segundo século, Halieutics, de Opiano,
refere-se aos quatro principais métodos romanos e gregos de
pescaria como sendo anzol-e-linha, rede, armadilha
passiva e por tridente.
Barcos de pesca tradicionais operam comumente em águas
costeiras. Durante a Baixa Idade Média e início da Idade
Moderna, contudo, a pescaria de alto-mar — particularmente
de bacalhau — foi particularmente importante para o
desenvolvimento econômico e naval da Europa
Setentrional, Nova Inglaterra e Canadá. A sobrepesca pela
costa do mar do Norte impulsionou o desenvolvimento de
embarcações de caça de águas profundas, sobretudo de
arrasto, como o Brixham e outros arrastões, que podiam
servir como naves-mãe para barcos de
baixo calado para palangre. No século XIX, avanços como
o transporte ferroviário, a conservação de alimentos e
a refrigeração permitiram que a pesca se tornasse
uma indústria eminente. Os sonares, a partir de
melhoramentos desenvolvidos durante as guerras mundiais,
foram adaptados como fatômetro. Na década de 1950,
grandes barcos-fábrica capturavam e processavam pescado
em unidades por hora na mesma quantidade que o total de uma
temporada de um arrastão. Já nos anos 1960, as caças
marítimas no Norte Atlântico e Norte Pacífico estiveram
próximas à exploração máxima. Como efeito do rápido avanço
da atividade, sua capacidade de captura aumentou de 18
milhões de toneladas métricas em 1950 para cerca de 85
milhões no fim da década de 1980.
A abertura econômica da China levou a um massivo
crescimento de sua produtividade pesqueira, de 7% do total
mundial em 1961 a 35% em 2010. A evolução de estudos
102
científicos sobre dinâmica de populações marinhas e
a nacionalização de áreas oceânicas têm ajudado no
enfrentamento à superexploração desses recursos, mas o
sucesso da indústria da pesca comercial tem exigido ações
corretivas contundentes. Em 1992, por exemplo, a pescaria de
bacalhau no noroeste do Atlântico entrou em colapso,
reduzindo-se a menos de 1% de seus níveis históricos e
requerendo uma grande moratória por parte do governo do
Canadá. A China tem aplicado uma política de zero crescimento
para a captura desde 2000, redirecionando sua indústria
pesqueira para a aquacultura; suas frequentes interdições de
atividade pesqueira em áreas disputadas do mar da China
Meridional são impostas sob protesto dos Estados vizinhos.
Redes de pesca artesanal de arrasto em Da Nang, Vietnã.
103
A pesca de arrasto tem sido alvo de rígida legislação em decorrência de sua nocividade
à conservação da fauna.
Em 2006, estimava-se que 43,5 milhões de pessoas estariam
envolvidas na captura ou criação de frutos do mar, 85,5% das
quais localizadas na Ásia. Cerca de três quartos era de
pescadores e o restante de aquacultores. Em 2012, o total da
produção de pescado, sejade peixes, crustáceos,moluscosou
outros animais aquáticos, bateu o recorde de 158 milhões de
toneladas métricas (174 milhões de toneladas curtas), das quais
91,3 milhões de toneladas métricas (100 milhões de toneladas
curtas) foram capturadas em habtat natural. O índice étambém
um recorde se não for considerada a
captura peruana de engraulis ringens,[199] cujapopulação pode
variar drasticamernte com o ciclodo El Niño. A tendência geral
104
é de permanência de crescimento do índice em decorrência da
expansão da aquacultura em águas interiores e
da maricultura no oceano em vez de capturas massivas como
a de arrasto. As zonas econômicas exclusivas nas imediações
de países costeiros sob o regine da CNUDM têm permitido a
estados instituir cotas de captura e outros decretos de
manutenção nas regiões mais produtivas dos mares, tendo as
atividades sob essas medidas representatividade de cerca de
87% do total da colheira anual. Mudanças radicais nos
indicadores dessa indústria podem ter efeitos drásticos — a
exemplo da calmaria de pesca ao longo da Primeira Guerra
Mundial, que acarretou acúmulo no de demanda e fez com que
as capturas no mar do Norte em 1919 duplicassem no
comparativo com 1913. Nas últimas décadas, as espécies mais
frequentemente e globalmente pescadas têm sido arenque,
bacalhau, engráulido, atum, linguado, tainha, lula e salmã
o. As populações de parte desses grupos, bem como de grandes
peixes predadores, encontram-se abaixo dos níveis históricos.
Mais de três milhões de navios são usados para pesca em todo
o mundo. Modernas embarcações pesqueiras incluem
arrastões de popa, cercadores, navios-fábrica com palangre e
grandes navios-fábrica adaptados à permanência em alto-mar
por semanas, com mecanismos de processamento e
congelamento de grandes quantidades de peixe. Os
equipamentos mais tradicionais usados para a captura variam
entre diferentes tipos de rede, como as de emalhar, dragas e
palangres. A Organização das Nações Unidas para
Alimentação e Agricultura encoraja o desenvolvimento de
organizações pesqueiras locais no intuito de zelar
pela segurança alimentar de pequenas comunidades costeiras
e ajudar a diminuir a pobreza por meio da atuação comunitária
105
coordenada. Uma mais embarcações mais notórias história é o
barco-fábrica baleeiro Tonan Maru №2, que foi atingido por
torpedos em quatro ocasiões de período de guerra e reparado
ou reedificado após cada uma delas. Construída
com design norueguês, a frota baleeira japonesa provia
metade da demanda de carne do país durante a ocupação
estadunidense e permanece como a mais ativa do mundo.
Baleeiros similares na Europa inspiraram os barcos-fábrica da
atualidade.
A caça às baleias nasIlhas Feroe é centenária e essencial para a subsistência da população.
A atividade, porém, enfrenta a oposição de organizações de proteção da vida marinha.
Aquacultura em Marselha, França.
Cerca de 79 milhões de toneladas métricas (87 milhões de
toneladas curtas) de produtos alimentícios e não alimentícios
foram produzidos a partir de aquacultura em 2010, um recorde
106
até aquele ano. Algo entre seiscentas espécies de animais e
plantas foram cultivados, entre fusiformes, répteis aquáticos,
crustáceos, moluscos, pepinos-do-
ar, ouriços, urocordados e medusas.
A maricultura integrada tem a vantagem de que há, no mar,
suprimento de alimentos planctônicos prontamente disponível
e remoção natural de resíduos; em casos onde tais resíduos
possam ser prejudiciais ao cultivo, técnicas
multitróficas podem ser usadas para, por exemplo, alimentar
grupos de mariscos a partir dos restos produzidos em cultivos
de salmão. Nesse contexto, muitos métodos podem ser
empregados; cercos de malha para peixes comuns podem ser
suspensos no mar aberto, jaulas podem ser usadas em águas
protegidas ou tanques podem ser renovados com água a cada
maré alta. A carcinicultura, ainda, pode ser executada em
lagoas rasas ligadas ao maraberto. Cordas pode ser penduradas
na água para que nelas cresçam algas, ostras e mexilhões.
Ostras podem ser cultivadas também em espécies de bandejas
ou em tubos de malha. Pepinos-do-mar podem ser criados em
rancho no fundo do mar. Programas de reprodução em
cativeiro têm cultivado larvas de lagosta para o lançamento
prematuro ao mar, resultando posteriormente em aumento da
colheita de lagosta, como é feito em Maine, por
exemplo.[213] Pelo menos 145 espécies de algas vermelhas,
verdes e marrons são consumidas pelo mundo, algumas com
grandes tradições de cultivo no Japão e outros países asiáticos,
denotando grande potencial de algacultura. Algumas plantas
marítimas de flor são amplamente usadas para alimentação,
como a salicornia sapal, consumida tanto na forma crua
quanto cozinhada. Uma das grandes dificuldades da execução
de aquacultura é a tendência à monocultura e o risco
107
associado da difusão de doenças nas populações cultivadas. Na
década de 1990, por exemplo, na China, uma epidemia destruiu
o cultivo de chlamys farreri e camarão branco, requerendo sua
substituição pela cultura de outras espécies .[216]Já a
carcinicultura foi motivo de destruição de grandes áreas de
manguezal no sudeste asiático.
Lei
O direito marítimo é a ramificação específica
de leinacional aplicadaa questões e crimes envolvendo o mar,
este que foi entendido por séculos, desde a antiguidade, em
decorrência das viagens marítimas, como
uma jurisdição única. Leis como a romana e
a bizantina foram importantes influências a códigos como
o francês e o hanseático, responsáveis, por sua vez, pelo
estabelecimento da primeira corte marítima, de origem
inglesa. Diferente do common law, as cortes marítimas eram
próximas ao sistema romano-germânico, deixando espaço
para a ocorrência de irregularidades e abusos. Ilegalidades
dessetipo tiveram impacto, por exemplo, em eventos históricos
como a instauração da Revolução Americana. A adoção
da constituição vigente dos Estados Unidos reintroduziu a
lei marítima americana, porém com esfera relativamente maior
para decisões por júri.
A Lei do Mar foi instituída pela Convenção das Nações Unidas
sobre o Direito do Mar (CNUDM), o maior tratado internacional
corrente do gênero. Séculos antes, impérios como o romano
e da China reivindicaram jurisdição universal; durante a
Idade Média, repúblicas marítimas da Itália,
como Veneza e Gênova, reconhecendo a existência de
estados rivais, vindicavamo direito de fechar os mares ao seu
tráfego. A busca dos
108
impérios Português e Espanhol por direitos similares em
novos mares e terras durante a Era dos Descobrimentos e
o apoio papal de seus clamores foi um significante fator de
influência nas guerras de religião na Europa; em 1609,
um jurista contratado para defender um lucrativo esquema
de pirataria pela Companhia Holandesa das Índias
Orientais escreveu o Mare Liberum,[221] um ensaio de
argumentação em favor da liberdade dos mares, que, em
última instância, ensejou o compromisso de que o território
marítimo se estenderia "tão longe quanto a distância que
um tiro de canhão em terra poderia alcançar", padronizando-
o em três milhas náuticas (5 556 m ou 18 228 pés), e que tudo
além de tal área seria alto-mar. O presidente dos Estados
Unidos Woodrow Wilson, por exemplo, arrazoou esse
princípio durante a entrada estadunidensena PrimeiraGuerra
Mundial e como um de seus Quatorze Pontos, criados em
posterior; no entanto, a arrogação unilateral pela jurisdição de
reservas de petróleo e gás no golfo do México, partida do
presidente Truman, em 1945, levou diretamente ao fim do
regime.
A CNUDM vigente foi assinada em 1982 e entrou em vigor em
1994. Ela declara que "o alto-mar é aberto a todos os estados
soberanos, tanto os costeiros quanto os não costeiros" e provê
uma lista não exaustiva de liberdades, que inclui a
de navegação, sobrevoo, inserção de cabos submarinos,
construção de ilhas artificiais, pesca e pesquisa
científica.[225] Ela estende as águas territoriais a doze milhas
náuticas (22.2 km ou 13.8 milhas) a partir de uma linha de
base geralmente — mas não sempre — equivalente àbaixa-mar
média de sizígia, um fator que representa a altura média das
mais baixas baixa-mares nas marés semidiurnas; essa área fica
109
sujeita a leis nacionais, porém livre para passagem casual e
trafego comercial. Uma "zona contínua" de mais doze milhas
náuticas é liberada
para perseguições de segurança envolvendo embarcações
acusadas de qualquer violação legal ou crime em águas
territoriais, envolvendo tributação, imigração ou infrações
de poluição, por exemplo. Uma "zona econômica exclusiva"
dá limites geográficos à exploração da vida marinha e
de minerais entre duzentas milhas náuticas (370 km ou 230
milhas) da linha de base sob supervisão nacional. Para efeitos
legais, a "plataforma continental" é considerada de facto uma
plataforma continental (a uma profundidade de 200 m ou 660
pés)contígua à linhade baseou duzentas milhas náuticas, o que
for maior; animais marinhos e minerais "anexos ao" (ou
abaixo) solo oceânico dentro dessa área também recaem em
supervisão nacional.
Guerra
Um galé bizantino a usar fogo grego contra barcos rebeldes no século IX.
Desde o desenvolvimento de frotas coordenadas capazes de
desembarcar forças de invasão, o militarismo naval tem sido
um importante braço de defesa ou conquista de estados
marítimos. O primeiro combate naval na história que se tem
registro envolveu Suppiluliuma II de Hititas a incendiar uma
frota cipriota ao mar em 1210 a.C. Pouco depois, frotas
110
dos povos do mar rebentaram todo o Mediterrâneo
Oriental: por um período de cerca de cinquenta anos,
incursões e invasões destruíram violentamente quase que
todas as cidades costeiras entre Pilos e Gaza. Com o
desenvolvimento dos impérios e o crescimento de seus
exércitos de forma tal que se fazia necessário que habitassem
áreas fora das terras pelas quais passavam, a interrupção do
abastecimento de suas frotas também se tornou uma poderosa
tática de guerra. A batalha de Salamina, em 480 a.C, por
exemplo, determinou em grande parte o curso das Guerras
Médicas, não por causa de seus danos inerentes (embora
consideráveis), mas simporque a enganação a Temístocles e a
estratégia superior permitiram que os atenienses fossem
capazes de romper a transferência de suprimentos via oceano
à vontade e atacar potencialmente em pontes
flutuantes pelo Helesponto, eliminando a linha de retirada
dos persas. Durante a era dos navios de madeira, no entanto,
grandes frotas eram onerosas de se manter e sempre
suscetíveis à destruição por clima adverso, tendo como caso
notório o dos dois tufões kamikaze que evitaram
as invasões mongóis ao Japão em 1274 e 1281 d.C.
Carraca Santa Catarina do Monte Sinai, um dos mais poderosos navios de guerra da
história da Marinha Portuguesa.
111
A pirataria foi apoiada por muitos povos e estados ao longo da
história, entre eles os vikings,japoneses,ingleseseberberes,
por exemplo.[231] Na contemporaneidade, ela permanece como
um problema, dado o custo envolvido na proteção e segurança
de cada navio mercante ou no policiamento extensivo de
litorais.
No mundo antigo, emadição àBatalhade Salamina,foi também
exemplo de grande enfrentamento naval a Batalha de Áccio,
que permitiu a fundação do Império Romano de Augusto. Na
era moderna, foram notórias, por exemplo, as vitórias do Reino
da Inglaterra contra a Invencível Armada, em 1588, e
a Batalha de Trafalgar, em 1805, que quebrou as ameaças de
invasão pelas forças terrestres superiores dos
impérios Espanhol e Francês.
Demonstrativo depoderionaval moderno. Torpedo a atingir o USS West Virginia durante
o ataque a Pearl Harbor.
Com o vapor, placas de aço produzidas em massa e cartuchos
explosivos, os gunships europeus propiciaram
o neoimperialismo do século XIX, forçando amplo acesso
à África, China, Coreia e Japão em termos favoráveis para
seus mercadores. Embora políticas internas dificultassem a
modernização chinesa, o poder naval estadunidense permitiu
112
uma ampla reforma nipônica, que deu frutos durante
a Batalha de Tsushima, em 1905, quando os japoneses foram
capazes de derrotar decisivamente a Rússia. De início, as
grandes marinhas focavam seus esforços na construção de
robustos dreadnoughts e couraçados, mas estes lutaram de
forma pouco eficaz na Primeira Guerra Mundial.
Contrastantemente, os u-boots alemães foram exemplos de
como submarinos poderiam paralisaro transporte até mesmo
em águas nominalmente controladas pelo
inimigo. Na Segunda Guerra
Mundial, comboios, inteligência e mecanismos de guerra
aérea antissubmarino foram grandes responsáveis por
importantes vitórias, como a da Batalha do Atlântico; mas
desenvolvimentos em física aplicada incorreram que, por volta
da década de 1960, submarinos nucleares lançadores de
mísseis balísticos fossemmantidos em patrulha constante na
forma de força de segunda investida juntamente com um
segundo conjunto de caçadores destinados a contra-atacar.
Enquanto isso, as batalhas nos palcos de enfrentamento do
Mediterrâneo e Pacífico evidenciaram a força aérea capaz de
soprepujar os mais fortes navios de guerra.
Viagem
MS Allure of the Seas, da Royal Caribbean International, o maior navio de cruzeiro do
mundo.
113
Embora o uso de pequenas embarcações particulares para o
transporte pessoal remonte à pré-história, grandes navios
capazes de enfrentar o oceano aberto estiveram tipicamente
relacionados ao comércioou à pescana maior parte da história
humana. Mesmo campanhas militares frequentemente
contratavam ou comandavam tais frotas privadas para servirde
transporte de tropas, do mesmo modo executado para
atividades mercantis, peregrinação e turismo de
abastados na antiguidade e Idade Média. As viagens
de exploração e colonização eram comumente financiadas
pela coroa; quando não, enquadravam-se no fretamento ou
então embarcações eram compradas e em seguida destinadas
para transporte de suprimentos e mercadorias, após o uso
inicial. Serviços dedicados e programados de passageiros locais
começaram a ser oferecidos nos séculos XVI e XVII, embora
a Black Ball, de 1817, tenha sido a primeira linha de
passageiros transatlântica. Na era da navegação à vela, a
duração de tais incursões dependiam dos ventos
dominantes e do clima. Durante o século XIX,
transatlânticos movidos a vapor conectavam redes
de ferrovia pelo mundo. Por volta de 1900, a travessia do
Atlântico durava cerca de cinco dias, e as linhas de passageiros
competiam para ganhar disputas informais de rapidez de
trajeto como estratégia de promoção mercadológica. Durante
vinte anos, a partir de 1909, a Blue Riband foi entregue ao
RMS Mauretania por sua velocidade média de
26.06 nós (48.26 km/h). Essa era passou a minguar a partir da
concepção e popularização dos voos intercontinentais, mais
rápidos e baratos, sobretudo na rota Nova Iorque–Paris de
1958.
114
Na contemporaneidade, o mar permanece como um lugar
propício a atividades recreacionais como as viagens de
cruzeiro. Ele é, também, um canal de escape
para refugiados e emigrantes, alguns a viajar em
embarcações precárias e impróprias para o enfrentamento do
alto-mar e outros traficados em navios de transporte. Alguns
fogem de perseguições políticas ou religiosas, por exemplo, e
outros são socialoueconomicamente vulneráveis a procurar
melhores condições de vida em outros países.
Lazer
O surfe é uma das mais populares formas de lazer ao mar.
Um mergulhador com a típica aparelhagem eacessórios para respiraçãoe nadosubaquático.
115
A utilização do mar para o lazer se desenvolveu no século XIX e
tornou-se uma indústria economicamente significativa no
século XX.[248] As atividades desenvolvidas variam e incluem
passeios de náutica de recreio[249] pescadesportivaeviagens
comerciais em navios de cruzeiro, por exemplo; além de
programas ecoturísticos e de observação de cetáceos e aves
costeiras.
Muitos povos mostraram gosto pela aventura ao mar ao longo
da história. É uma atividade comum às crianças o refrescar em
águas rasas, enquanto outros apreciam a natação ou
relaxamento na praia. Tais atividades, no entanto, nunca foram
costumeiras a todas as sociedades. Na Europa, o banho de mar
conquistou grande adesão somente no século XVIII, após a
advocacia de William Buchan em favor de tal pratica para fins
de saúde. O surfe foi um dos esportes aquáticos que mais
amplamente se popularizou na contemporaneidade, por meio
do qual o utilizador se equilibra numa prancha em meio à
ocorrência de ondas e nesseambiente realiza manobras. Outros
semelhantes, conhecidos como esportes de aventura ou
radicais, incluemo kitesurf; o windsurf e o esqui aquático, por
exemplo.
Abaixo da superfície, o mergulho livre é necessariamente
restrito a descidas rasas. Caçadores de pérolas
tradicionalmente untam sua pele, inserem algodão nos ouvidos
e clipes emseus narizes, e então mergulham 12 m (40 pés) com
cestas, a fim de coletar ostras perlíferas. Os olhos humanos
não são adaptados para o funcionamento abaixo d'água, mas a
visãopode ser melhorada com o uso de máscara de mergulho.
Outros equipamentos úteis incluem pés de pato e snorkels. Os
utensílios de scuba propiciam a respiração subaquática,
permitindo a permanência abaixo da superfície durante horas.
116
A profundidade que pode ser alcançada e o tempo máximo de
mergulho são limitados pelo aumento de pressão
experienciado com a descida e pela necessidade de prevenção
da doença de descompressão ao retorno da água. Praticantes
da modalidade recreacional são aconselhados a limitar-se a
profundidades menores que 30 m (100 pés), além da qual o
perigo de narcose por nitrogênio cresce. Mergulhos maiores
podem ser feitos com equipamentos especiais e treinamento.
Geração de energia
Usina maremotriz de Kislaya Guba, localizada na península de Kola, Rússia.
Movimento da água na passagem pela barragem da usina maremotriz de La Rance.
O mar é capaz de fornecer grandes quantidades de energia,
carregada pelas ondas, marés, diferenças de salinidade e de
temperatura, as quais podem ser aproveitadas para geração
de eletricidade. As formas de 'energia verde' marinha
envolvem maremotriz, correntes, energia
117
osmótica, térmica e de ondas. No tocante à potência
energética das marés, são utilizados geradores para se produzir
a eletricidade a partir de seus fluxos. Também podem ser
usadas barragens com o fim de armazenar e liberar água do
mar. A usina maremotriz de La Rance, por exemplo, com
1 km (0.62 milhas)de comprimento, localizadapróxima a Saint-
Malo, na França, aberta em 1967, gera cerca de 540 GWh por
ano. Tal equipamento foi a primeira usina do gênero a ser
construída no mundo.
A grande e altamente variável energia fornecida pelas ondas
possui também enorme capacidade destrutiva, fazendo com
que maquinarias de geração e captação acessíveis e confiáveis
sejam problemáticas de se desenvolver. Por exemplo, uma
usina maremotriz comercial de pequeno porte com capacidade
de 2 MW, chamada "Osprey", construída no norte
da Escócia em 1995, cerca de 300 metros (1000 pés) distante
da costa, foi danificada pela força das ondas e posteriormente
destruída por uma tempestade em decorrência de sua
localização. Quando devidamente aproveitada, contudo, a
potência das correntes marinhas pode ser capaz de suprir
parcial ou totalmente as necessidades energéticas de áreas
populadas inteiras próximas ao mar. Em princípio, essapode ser
aparelhada em turbinas de fluxo aberto; sistemas como esse
para atuação na área próxima ao solo oceânico também são
fabricados, mas limitam-se a uma profundidade de cerca de 40
m (130 pés).
Os parques eólicos marítimos constituem outra recorrente
forma de geração de energia em área de mar, por meio do uso
de aerogeradores instalados em plataformas na superfície
oceânica; essa modalidade tem a vantagem de que, nessas
localidades, a velocidade do vento é maior, embora parques
118
dessetipo sejammais onerosos que os implantados em terra. O
primeiro parque offshore de energia eólica foi construído
na Dinamarca, em 1991. A capacidade instalada de produção
energética eólica na Europa alcançou 3 GW em 2010.
Usinas de produção elétrica são frequentemente construídas
na costa ou ao lado de um estuário, de foma que o mar possa
ser usado como dissipador de calor. Um dissipador mais frio
permite geração energética de forma mais eficiente, algo que é
importante especialmente para usinas nucleares de alto custo
de manutenção.
Indústrias extrativistas
Usina de dessalinização por osmose inversa.
Existemgrandes depósitos de petróleo, assimcomo óleo e gás
natural, nas camadas rochosas abaixo do solo marítimo.
119
As plataformas petrolíferas e perfuratrizes são os
equipamentos que extraem óleo e gás e os armazenam para
transporte até a terra. A perfuração de busca por óleo no mar
acarreta impactos ambientais; os animais podem entrar em
perturbação pelas ondas sísmicas usadas para localizar
depósitos, o que pode causar até mesmo arrojamentos; além
disso, substâncias
tóxicas como mercúrio, chumbo e arsênio podem ser
liberadas no processo e a infraestrutura pode causar danos
geológicos.
O mar abriga enormes quantidades de minerais dissolvidos
significativamente úteis. O mais importante deles, o sal, tem
sido captado pela evaporação solar a partir de lagoas rasas
desde tempos pré-históricos. O bromo, que se acumula após
ser lixiviado da costa, é apanhado para fins comerciais no mar
Morto, onde há ocorrência de 55 000 partes por milhão
(ppm). Outros minerais da superfície do solo oceânico ou de
dentro dele podem ser explorados via dragagem. Esse tipo de
mineração tem vantagens sobre a de terra uma vez que os
equipamentos podem ser construídos
em estaleiros especializados e os custos de infraestrutura são
menores. Entre as desvantagens e dificuldades, estão a possível
ocorrência de problemas de operação causados por ondas e
marés, a tendência de que escavações se sedimentem e o
caminho possivelmente repleto de detritos. Há, ainda, risco de
erosão costeira e outros tipos de dano ambiental. Depósitos
de sulfeto no solo oceânico são fontes potenciais
de prata, ouro, cobre, chumbo, zinco e de traços de metais
somente descobertos na década de 1960. Essas áreas se
formam quando água geotermicamentesuperaquecida é
emitida por aberturas hidrotermais conhecidas
120
como fumarolas negras; em contato com águas geladas do
fundo do oceano, os minerais precipitam e se assentam em
volta da abertura. Os minérios depositados nesses locais são de
alta qualidade, porém muito dispendiosos para se extrair. A
mineração de pequena escala no fundo do mar tem se
desenvolvido proximamente à costa da Papua-Nova
Guiné por meio do uso de técnicas robóticas, mas os
obstáculos emmeio ao desenvolvimento dessainovação têm se
mostrado desafiadores.
Fumarola negra a expelir sulfetos dissolvidos e outros minerais por seus jatos de água
superaquecida.
A dessalinização é a técnica de remoção de sais da água
marinha com o objetivo de condicioná-la ao consumo oral e à
121
irrigação. Os dois principais métodos de
processamento, destilação a vácuo e osmose reversa, usam
grandes quantidades de energia. Ela é normalmente realizada
somente onde a água doce proveniente de outras fontes está
em falta ou onde há abundância energética.
A salmoura produzida como subproduto contém alguns
materiais tóxicos e por isso é retornada ao mar.
Há grandes quantidades de hidrato de metano no solo
oceânico e em sedimentos marítimos numa temperatura de
cerca de 2 °C (36 °F), algo de interesse como potencial fonte de
energia. Estimativas inferem a quantidade disponível entre um
e cinco milhões de quilômetros cúbicos (entre 0,24 e 1,2
milhões de milhas cúbicas). Também em solo oceânico,
estão nódulos de manganês formados por camadas
de ferro, manganês e outros hidróxidos em torno de um
núcleo. No Pacífico, eles podem cobrir até trinta porcento do
solo do fundo do mar. Os minerais precipitam das camadas
aquáticas superiores e aumentam de quantidade de forma
lenta. A extração comercial de níquel desses nódulos foi
estudada na década de 1970, mas abandonada em favor da
exploração de fontes mais convenientes desse recurso. Em
locais adequados, diamantes podem ser recolhidos do fundo
do mar com o uso de mangueiras de sucção para extrair o
cascalho da terra. Em águas mais profundas, máquinas podem
ser usadas para a mineração. Na Namíbia, por exemplo, são
extraídos mais diamantes a partir de fontes marinhas do que
pelos métodos convencionais em terra.
Poluição
Muitas substâncias adentram o mar como resultado de
atividades humanas. Produtos de combustão, por exemplo, são
transportados por ar e depositados no mar por meio da
122
precipitação. Escoamentos agriculturais, industriais
e residuais, metais pesados, pesticidas, bifenilos
policlorados, desinfetantes e outros compostos
sintéticos podem se concentrar na superfície e em sedimentos
marinhos, especialmente em lama estuarina. O resultado dessa
contaminação é imprevisível em decorrência da larga
quantidade de substâncias envolvidas e da falta de informação
a respeito de seus efeitos biológicos. Os metais pesados de
maior perigo são o cobre, chumbo, mercúrio, cádmio e zinco,
que podem ser acumulados por invertebrados marinhos e
então passados adiante via cadeia alimentar.
Mapa das zonas oceânicas commaior incidência de poluição porpetróleo, coincidentes com
as principais rotas globais de transporte marítimo.
A explosão da plataforma Deepwater Horizon, em2010, no golfo do México,foi o maior
desastreambientaldos Estados Unidos eo maior derramamentoacidentalde óleono mar da
história.
123
Os fertilizantes usados em terras de agricultura são uma
grande fonte de poluição em algumas áreas, alémdas matérias
de esgoto, que têm efeito similar. Os nutrientes extras
fornecidos por essas fontes podem causar excessivo
crecimento vegetal. O nitrogênio é frequentemente o fator
limitante em sistemas marinhos, e sua adição ao mar faz com
que se acentue a proliferação de algas e marés vermelhas, o
que pode diminuir os níveis de oxigênio da água a um ponto
capaz de matar animais. Tais eventos já criaram zonas mortas
no mar Báltico e no golfo do México. A eflorescência algal
também pode ser causada por cianobactérias que fazem com
que mariscos que nelas filtram alimento se tornem tóxicos,
colocando em perigo outros animais, como as lontras-
marinhas. Instalações deprodução de energia nucleartambém
podem causarpoluição; o mar da Irlanda, por exemplo, já foi
contaminado por césio-137 da antiga usina nuclear de
processamento de combustível de Sellafield; incidentes
nucleares podem, em algumas situações, acarretar infiltração
de material radioativo no mar, como ocorreu
em Fukushima em 2011.
O despejo de resíduos — incluindo o óleo, líquidos nocivos,
esgoto e lixo — no mar é regido por leisinternacionais. Dentro
desse contexto, a Convenção de Londres de 1972 é um
acordo das Nações Unidas celebrado com o intuito de controlar
o despejo nos oceanos, ratificado por 89 países em 8 de junho
de 2012.[288] Já a Marpol é um acordo destinado ao trabalho
para minimizar a poluição dos mares por navios. Em maio de
2013, 152 países ratificaram esse tratado.
Boa parte do lixo plástico flutuante não biodegrada, e em vez
disso se desintegra ao longo do tempo, eventualmente se
desfazendo ao nível molecular. Plásticos rígidos, no entanto,
124
podem flutuar por anos. No centro do giro do Pacífico, há
uma porção permanente de lixo acumulado de maioria
plástica,existindo também uma similar no Atlântico. Pássaros
de mar como o albatroz e o petrel costumam confundir
detritos com comida, assimacumulando materiais plásticos em
seus sistemas digestivos. Tartarugas e baleias também já
foram encontradas com sacos plásticos e linhas de pesca em
seus estômagos. Microplásticos despejados em zonas
oceânicas podem afundar, colocando em perigo animais
filtradores do fundo do mar.
A maior parte da poluição por óleos no mar vem de cidades e
indústrias. O petróleo, em especial, é perigoso para os animais
marinhos. Ele pode se acumular nas asas de aves, reduzindo o
efeito isolante das penas e a flutuabilidade dos animais, ou
pode ser ingerido quando eles tentam se limpar. Mamíferos
marinhos são menos afetados com severidade, embora
possamficar desidratados com o acúmulo dessecomposto pelo
corpo ou até mesmo cegos, por exemplo.
Invertebrados bentônicos podem facilmente ficaratolados em
petróleo e peixes podem ser envenenados. Todas essas
possibilidades, sobretudo a última, podem impactar
tragicamente a cadeia alimentar. A curto prazo, derrames de
óleo resultam em populações de animais selvagens sendo
diminuídas ou entrando em desequilíbrio, impactando o
ecossistema e afetando até mesmo populações humanas. O
ambiente marinho, contudo, tem propriedades de auto-
limpeza e bactérias naturalmente atuantes na eliminação de
compostos nocivos.
Povos indígenas do mar
125
Família inupiat, povo indígena que vive na região do estreito de Bering.
Diversos grupos indígenas nômades do Sudeste Asiático
vivem em barcos e obtêm quase tudo que precisam para
sobrevivência a partir de recursos marítimos. Os Moken, por
exemplo, vivem em áreas costeiras da Tailândia, Myanmar e
em ilhas do mar de Andamão. Já os Bajau são originalmente
do arquipélago de Sulu, de Mindanau do norte
de Bornéu. Alguns ciganos do mar são considerados tenazes
mergulhadores, capazes de alcançarprofundidades de 30 m (98
pés), embora muitos deles adotem um estilo de vida estável e
baseado na terra.
Povos indígenas do ártico, como
os Chukchis, Inuítes e Yupik, conhecidos popularmente
como esquimós, costumam caçar mamíferos marinhos
como focas e baleias. Já os nativos do estreito de
Torres reivindicam a propriedade da Grande Barreira de Coral.
Esse povo tem uma vida insular que envolve tradicionalmente
caça, pesca, horticultura e negócios com povos de terras
vizinhas da Papua Nova Guiné e Austrália.
Na cultura
126
Relevo assírio de c. 700 a.C mostrando peixes e caranguejos a nadar em volta de
um birreme.
A Grande Onda de Kanagawa, gravura de Hokusai de c. 1829. A primeira das Trinta e seis vistas do monte Fuji.
127
Tempestade no Mar da Galiléia, tela de 1633 de Rembrandt.
O mar tem sido interpretado e representado
nas culturas humanas de forma dualista, como algo tão
poderoso quanto sereno ou tão perigoso quanto belo. Ele
detém significativa importância em mitologias e religiões, bem
como em modalidades artísticas tais quais literatura, cinema,
teatro e música. Os antigos o personificavam, acreditando que
ele estivesse sob o controle de alguma deidade característica.
Esse corpo de água seria, em muitas das lendas, habitado
por criaturas fantásticas, como
o Leviatã da Bíblia, a Cila da mitologia
grega, a Isonade do imaginário
japonês, o Kraken da mitologia nórdica, entre outras. O mar
é especialmente comum no simbolismo cristão, dentro do
qual é possível perceber, por exemplo, a importância da
128
profissão de pescador no mar da Galileia, sobretudo entre
os apóstolos de Jesus.
O mar, as formas de vida que ele abriga e as embarcações que
nele navegam foram e são costumeiramente representados
na arte, que se estende de desenhos primitivos simples em
paredes de cavernas das imediações de Les Eyzies, na França,
ao Ichthys cristão antigo, às pinturas de navios de Hendrick
Cornelisz Vroom, ao ukiyo-e de Hokusai e às paisagens
marítimas de Winslow Homer, por exemplo. Durante
o Século de Ouro dos Países Baixos, artistas como Jan
Porcellis, Hendrick Dubbels, Willem van de
Velde e Ludolf Bakhuizen destacavam os mares em seus
trabalhos e celebravam a Marinha Real Neerlandesa ao pico
de seu poderio e façanhas.
A música também possui fortes laços com o mar. Por exemplo,
eram denominados de celeumas os cânticos entoados
por marinheiros com o objetivo de estimular a coordenação
de tarefas árduas, como o remar. Essas canções eram
geralmente curtas, sofriam forte influência da cultura
musicada tradicional e tinham como temáticas comuns o
movimento das águas oceânicas e as tempestades. Entre as
mais famosas peças musicais clássicas que guardam forte
relação com o mar, estão O Holandês Voador (1843),
de Richard Wagner, e La mer (1903–05), de Claude
Debussy; além de Sea Pictures (1899), de Edward Elgar, e A
Sea Symphony (1903–1909), de Ralph Vaughan Williams.
Como um símbolo, o mar tem sido, por séculos, personagem e
cenário na literatura, sobretudo na poesia. Algumas vezes, seu
papel é de mero plano de fundo para eventos narrativos,
frequentemente introduzindo temáticas
como tormentas, naufrágios, batalhas, desastres,
129
sofrimento, mortes ou ímpetos de esperança, por
exemplo.[315] No poema épico Odisseia, escrito no século XVIII
a.C, Homero narra uma jornada de dez anos
do herói grego Odisseu, que luta para retornar para casa
viajando pelos mares e enfrentando perigos após
a guerra descrita na Ilíada.[317] O mar é, ainda, um tema
recorrente nos haikus do poeta japonês do período
Edo Matsuo Bashō.[318]
Na literatura contemporânea, as histórias inspiradas no mar
ganharam destaque com as novelas escritas por marinheiros,
entre eles Herman Melville, Joseph Conrad e Herman
Wouk.[321] O psiquiatra Carl Jung argumentava que,
na interpretação dos sonhos, o mar simbolizaria
o inconsciente individual e o coletivo. Embora a origem da
vida na Terra ainda seja assunto de disputas
teóricas, a naturalista Rachel Carson declara no seu livro The
Sea Around Us (1951): "(...) é uma situação curiosa que o mar,
a partir do qual a vida primeiramente surgiu, deva agora estar
ameaçado pelas atividades de uma das formas dessa vida. Mas
o mar, embora mudado de uma maneira sinistra, continuará a
existir: a ameaça é, em verdade, contra a própria vida".
E disse Deus: Produza a terra erva verde, erva que dê semente,
árvore frutífera que dê fruto segundo a sua espécie, cuja
semente está nela sobre a terra; e assim foi.
E a terra produziu erva, erva dando semente conforme a sua
espécie, e a árvore frutífera, cuja semente está nela conforme
a sua espécie; e viu Deus que era bom.
E foi a tarde e a manhã, o dia terceiro. Gênesis 1:11-13
130
O que se observa nos Versículos 11 ao 13, é que DEUS criou as
primeiras sementes de todas as árvores frutíferas e ervas, que
são os alimentos dos seres viventes na terra e nos mares.
A terra só produziu com as sementes após a primeira chuva,
como consta de Gênesis, Capítulo 2, Versículos 5 e 6.
Semente
Semente é o óvulo maduro e já fecundado
das plantas gimnospermas ou angiospermas.
. É formada por:
tegumento ou casca
embrião
endosperma (que o envolve)
Sua importância está relacionada às formas mais primitivas
de reprodução e dispersão e é atestada pelo sucesso destes
dois grupos das plantas em dominar a paisagem.
Anatomia das sementes
Germinação de sementes de feijão.
A semente amassada contém um suco a partir do qual a planta
crescerá quando encontrar as condições desejadas. Também
contém um suprimento de reserva que servirão para o primeiro
estágio de desenvolvimento da planta, depois da formação
completa dos órgãos responsáveis pela alimentação. Este
suprimento se desenvolve a partir de um embrião
chamado fixosperma, proveniente da planta mãe. O
131
endosperma torna-se rico em óleo ou amido e proteínas. Em
algumas espécies, o embrião é envolto em endosperma, que
será usado pela semente durante a germinação. Em outras
palavras o endosperma é absorvido pelo embrião durante a
formação da semente, e seus cotilédones passama armazenar
o alimento. As sementes destas espécies, quando maduras,
passam a não ter mais endosperma.
O embrião da semente se divide em duas principais partes:
radícula e gêmula. A radícula é a primeira parte da semente a
emergir durante a germinação. É a parte do embrião da
semente que irá de formar em raiz. A gêmula é a parte do
embrião que originará as primeiras folhas da planta.
Exemplos de sementes com endosperma na maturidade: todas
as coníferas e a maioria das monocotiledôneas.
Exemplos de sementes sem endosperma na maturidade,
também conhecidas como ex-
albuminosas: feijão, amendoim e soja.
Óvulo de gimnosperma à esquerda, de angiosperma à direita.
A parte externa da semente, o tegumento, desenvolve-se a
partir do tecido que envolvia o óvulo – a parte mais externa
deriva da primina, e a mais interna, dasecundina. Tem bagagem
genética da planta mãe.
132
Em sementes maduras, o tegumento pode formar uma fina
camada ou uma camada espessa e resistente. Ela ajuda a
proteger o embrião de injúrias mecânicas e perda excessiva
de água. Para que o embrião germine, é preciso que o
tegumento se rompa. Na maioria das espécies, isso acontece
em contato com a água ou com um certo teor de umidade; em
outras, é preciso que haja uma escarificação mecânica (uma
quebra ou raspagem, que, na natureza, pode ser provocada por
algum animal, ou pela própria queda da semente no chão),
para que a água possa atingir o embrião. Outras sementes,
ainda, precisam passar pelo trato digestivo de animais
(ex: erva-de-passarinho) ou ser expostas a
altas temperaturas (como algumas plantas
do cerrado brasileiro, que germinam depois de um incêndio).
Em certos casos, estruturas da própria semente
produzem enzimas que degradam o tegumento a partir de
estímulos do hormônio giberelina.
As sementes das angiospermas, em geral, formam-se e
desenvolvem-se dentro do fruto. em alguns casos os tecidos do
fruto se soldam com o tegumento da semente e se confundem
com ele, como por exemplo no milho e no girassol.
As sementes das gimnospermas começam o seu
desenvolvimento descobertas, e são depois envoltas por
estruturas chamadas pinhas ou cones (Ex: pinhão).
Partes da semente
Tegumento: é o envoltório protetor da semente, originário
dos tegumentos do óvulo. Sua resistência em geral, relaciona-
se com a consistência do pericarpo. Em algumas sementes, o
tegumento é constituído por duas partes: a testa, que é externa
e espessa, e o tegmen, que é a parte interna, mais delgada.
133
Estas partes correspondem, mas não obrigatoriamente à prima
e secundina do óvulo.
Amêndoa: é a parte principal da semente. Corresponde à
nucela do óvulo, um tanto modificada depois da fecundação. É
protegida pelo tegumento e consta, em geral, de duas partes:
embrião e albúmen.
Embrião: é a parte principal da semente. A experiência
demonstra ser o embrião responsável pela origem do novo
vegetal, quando há germinação da semente. Efetivamente, o
embrião é um verdadeiro vegetal em estado potencial, com
seus órgãos rudimentares, representados pela radícula,
caulículo e gêmula.
A radícula dá origem a raiz, enquanto que, o caulículo origina o
colo ou nó vital (região de transição entre a raiz e o caule); a
gêmula se responsabiliza pelo desenvolvimento do caule e das
folhas.
Os cotilédones são folhas modificadas que se traduzem em
reservatórios de alimentos, utilizados pelo vegetal nos
primórdios do seu desenvolvimento.
Albúmen: é a reserva alimentar acumulada na semente, fora
dos cotilédones. De acordo com a natureza das substâncias que
o formam, o albúmen pode ser:
amiláceo: se o amido for o seu principal componente. Exemplo:
cereais.
oleaginoso: quando há predominância dos lipídios. Exemplo:
mamona.
córneo: quando se apresenta rígido. Exemplo: café.
A formação das sementes
A flor, após sofrer a diferenciação, desenvolve-se e, à
semelhançade um ramo vegetativo, passaaconstituir-se de um
134
eixo (receptáculo) e de apêndices laterais, que são os órgãos
florais.
Formação do embrião
O zigoto diploide (proveniente da fusão do microgameta com
a oosfera)divide-se em duas células.A mais externa, encostada
à micrópila, por divisões sucessivas, forma um cordão, o
suspensor, ligado por um lado ao saco embrionário, por onde
recebe substâncias nutritivas. O suspensortem vida efêmera. A
mais interna, concomitantemente, por divisões sucessivas,
forma o embrião, que é a futura planta.
Função das sementes
As sementes demilho, sãoexemplos de sementes quesãocomercializadas no mundointeiro.
Diferentemente dos animais, as plantas são limitadas em sua
habilidade de procurar condições favoráveis para sua vida e
crescimento. Como consequência, elas desenvolveram muitas
maneiras de dispersão e distribuição da sua população através
das sementes. Pode ser na terra na água no caso das plantas
aquáticas e até em rochas.
Uma semente precisa chegar de alguma maneira a um local e
precisa estar lá enquanto houver condições favoráveis
à germinação e crescimento. Em alguns casos,as propriedades
que contribuem com este movimento das próximas gerações
para longe da planta mãe estão mais ligadas a propriedades do
fruto do que da semente e, em alguns casos, a uma mistura dos
dois.
135
As sementes também possuem um mecanismo de proteção da
próxima geração, evitando que a planta germine em condições
desfavoráveis ao crescimento. Em áreas de invernos rigorosos,
as sementes podem passar o inverno todo debaixo
da neve, dormentes, só germinando na primavera. Esta
mesma propriedade forma o banco de sementes em algumas
florestas: as sementes ficam no solo até que
alguma árvore mais velha caia e abra uma clareira, permitindo
que a luz entre e que novas sementes germinem. Em muitas
espécies, a estratégia é a mais simples: produzir o maior
número de sementes. Esta estratégia funciona, mas exige o
investimento de uma grande quantidade de energia por parte
da planta, de forma que a relação custo-benefício pode ficar
próxima da produção de poucas sementes altamente
especializadas. As sementes são órgãos reprodutores, como a
flor e o fruto.
Insetos surgiram há 480
milhões de anos
Os primeiros insetos voadores teriam se originado há 400
milhões de anos, quase 200 milhões de anos antes de os
pterossauros desenvolverem a mesma habilidade
136
Os primeiros insetos provavelmente se pareciam a atual traça (Lepisma saccharina )
Os primeiros insetos que habitaram o planeta surgiramhá cerca
de 480 milhões de anos, e 80 milhões de anos depois
desenvolveram a habilidade de voar. A descoberta é de uma
pesquisa publicada nesta sexta-feira na revista Science, na qual
participaram mais de cem cientistas de dezesseis países.
CONHEÇA A PESQUISA
Título original: Phylogenomics resolves the timing and
pattern of insect evolution
Onde foi divulgada: periódico Science
Quem fez: Bernhard Misof, Shanlin Liu, Karen Meusemann,
Ralph S. Peters, Alexander Donath, Christoph Mayer, entre
outros
137
Instituição: Museu Alexander Koenig de Pesquisa Zoológica,
Alemanha, Universidade Rutgers, nos EUA e outras
Dados de amostragem: 1 478 genes de 144 espécies,
abrangendo todos os principais grupos de insetos.
Resultado: Os primeiros insetos que habitaram o planeta
surgiram há cercade 480 milhões de anos, e 80 milhões de anos
depois desenvolveram a habilidade de voar.
“Nossapesquisa mostra que os insetos se originaramao mesmo
tempo em que as primeiras plantas terrestres, há cerca de 480
milhões de anos”, disse o diretor da Coleção Nacional
Australiana de Insetos da Commonwealth Scientific and
Industrial Research Organisation (CSIRO), David Yeates, em
comunicado da organização. “Os primeiros insetos
provavelmente separeciam coma atualtraça”, disseocientista.
Essa data é 70 milhões de anos anterior ao fóssil de inseto mais
antigo já encontrado.
Os pesquisadores analisaram 1 478 genes de 144 espécies,
abrangendo todos os principais grupos de insetos. Segundo
eles, os primeiros provavelmente evoluíram de um grupo de
crustáceos venenosos denominado Remipedia. “Há 480
milhões de anos, os oceanos estavam cheios de vida, mas
sobreviver fora da água era desafiador”, descreve Karl Kjer,
biólogo da Universidade Rutgers, em New Jersey, nos Estados
Unidos, que também participou do estudo. “As plantas e os
insetos evoluíram simultaneamente, um afetando o outro. ”
Alçando voo – Os primeiros insetos voadores teriam se
desenvolvido há 400 milhões de anos. “Essatransformação,que
ocorreu quando as plantas terrestres começaram a atingir
altura, demonstrou a capacidade dos insetos de se adaptar
rapidamente às mudanças ambientais”, explicou Yates. Quase
138
200 milhões de anos se passariam até que os pterossauros
desenvolvessem a capacidade de voar.
“Dois terços de todas as espécies animais são insetos”, lembra
Bernhard Misof, pesquisador do Museu Alexander Koenig de
Pesquisa Zoológica, na Alemanha, um dos líderes do estudo.
“Eles são partes importantes no ecossistema terrestre, junto
com as plantas. ”
E disse Deus: Haja luminares na expansão dos céus, para haver
separação entre o dia e a noite; e sejam eles para sinais e para
tempos determinados e para dias e anos.
E sejam para luminares na expansão dos céus, para iluminar a
terra; e assim foi.
E fez Deus os dois grandes luminares: o luminar maior para
governar o dia, e o luminar menor para governar a noite; e fez
as estrelas.
E Deus os pôs na expansão dos céus para iluminara terra, e para
governar o dia e a noite, e para fazer separação entre a luz e as
trevas; e viu Deus que era bom.
E foi a tarde e a manhã, o dia quarto. Gênesis 1:14-19
O que se observa nos Versículos 14 ao 19 é que DEUS fez as
estrelas da mesma forma que havia feito o SOL, e os satélites
nos seus respectivos planetas.
Satélite natural
Planeta secundário, lua ou satélite natural é considerado um
corpo celestial que orbite planetas e também corpos menores.
O termo pode ser utilizado para designar galáxias anãs que
orbitam outras de maior tamanho ou, até mesmo, planetas
anões na órbita de estrelas. Entretanto, sua utilização mais
139
geral é como sinônimo de lua no que se refere à identificação
de satélites não-artificiais dos planetas. Um dos exemplos mais
conhecidos de satélite natural é a Lua em relação à Terra.
Em 2011 foram identificados mais de 200 objetos na órbita
do Sistema Solar e todos foram categorizados como luas
(satélites naturais). Deste montante, 206 estão localizados na
órbita de corpos menores e planetas anões e 169 na órbita de
planetas. Entretanto, existem luas de maior tamanho do que os
planetas que orbitam o Sol. Exemplos desse fenômeno são Titã
e Ganímedes, respectivos satélites naturais de Saturno e
de Júpiter, e que são maiores do que Mercúrio. Se ambos não
estivessemna órbita destes astros, seriam categorizados como
140
planetas. Fora isso, há satélites com dimensões abaixo de 5
quilômetros como as diversas luas de Júpiter.
O aparecimento ou formação dos satélites naturais, luas ou
planetas secundários ocorre de três maneiras: processos
catastróficos, de captura ou formação simultânea. No primeiro
processo, o planeta secundário forma-se através de um forte
impacto envolvendo dois ou mais corpos planetários. Um
exemplo de satélite natural formado desta maneira é a Lua
(satélite da Terra).
Geralmente, o surgimento de satélites naturais ocorre através
do processo de captura por satélites menores que possuem
órbitas mais irregulares. A formação destas luas ocorre quando
há um desvio do satélite de sua órbita de início, causada pelo
efeito de campos de gravitação dos planetas. Assim, estes
planetas secundários são deslocados para órbitas com menor
estabilidade dos planetas em questão.
Quando ocorre a formação simultânea, a lua é gerada no
mesmo tempo de gênese que o planeta que irá orbitar. Essa
fase de formação foi denominada como de acreção, em que o
projeto de satélite encontra-se desde o início orbitando o
planeta principal. No que se refere à formação de satélites com
grandes dimensões, este é o processo de surgimento mais
importante.
E disse Deus: Produzam as águas abundantemente répteis de
alma vivente; e voem as aves sobre a facedaexpansão dos céus.
E Deus criou as grandes baleias, e todo o réptil de alma vivente
que as águas abundantemente produziram conforme as suas
espécies; e toda a ave de asas conforme a sua espécie; e viu
Deus que era bom.
141
E Deus os abençoou, dizendo: Frutificai e multiplicai-vos, e
enchei as águas nos mares; e as aves se multipliquem na terra.
E foi a tarde e a manhã, o dia quinto. Gênesis 1:20-23
DEUS criou os óvulos dos répteis, aves e peixes, e os manteve
em ambiente adequado até o nascimento, neste período não
havia alimento para os mesmos.
Os répteis, aves e peixes só começaram a produzir e reproduzir,
após a primeira chuva que caiu na face da terra, pois não havia
alimento, conforme consta de Gênesis, Capítulo 2, Versículos 5
e 6.
Répteis
Os répteis (latim científico: Reptilia) constituem
uma classe de animais vertebrados tetrápodes e ectotérmi
cos, ou seja,não possuem temperatura corporal constante. São
todos amniotas (animais cujos embriões são rodeados por
uma membrana amniótica), característica que os permitiu
ficarem independentes da água para reprodução, ao contrário
dos anfíbios. Os répteis atuais são representados por quatro
ordens: Crocodilia, Rhynchocephalia, Squamata e Testudi
nea.
A pele dos répteis é seca, sem glândulas mucosas, e revestida
por escamas de origem epidérmica ou por placas ósseas de
origem dérmica. Com tais características a pele dos répteis
apresenta grande resistência. Seu sistema respiratório é mais
complexo secomparado com dos anfíbios.Nos répteis os sexos
são distintos (macho e fêmea) e a maior parte geralmente
é ovípara.
Os répteis são encontrados em todos os continentes exceto
na Antártida, apesar de suas principais distribuições
compreenderem os trópicose subtrópicos.Não possuemuma
142
temperatura corporal constante, são ectotérmicos e
necessitam do calor externo para regulação da temperatura
corporal, por isso habitam ambientes quentes e tropicais.
Conseguem até um certo ponto regular ativamente a
temperatura corporal, que é altamente dependente da
temperatura ambiente. A maioria das espécies de répteis
são carnívoras e ovíparas (botam ovos). Algumas espécies
são ovovivíparas, e algumas poucas espécies são
realmente vivíparas.
Os dinossauros, extintos no final do Mesozóico, pertencem à
superordem Dinosauria, também integrada na classe dos
répteis. Outros répteis pré-históricos são os membros das
ordens Pterosauria, Plesiosauria e Ichthyosauria.
A língua portuguesa permite
duas ortografias e pronúncias: reptil (oxítona), com
plural reptis; ou réptil (paroxítona), com
plural répteis (dissílaba, paroxítona).
Classificação
A classificação lineana dos répteis não inclui grupos que
evoluíram a partir deles, aves e mamíferos, sendo por isso um
grupo parafilético. Em anos recentes, grande parte
dos taxonomistas defendem que a classificação deveria
ser monofilética, seguindo a escola de
pensamento cladista ou seja, os grupos deveriam incluir todos
os descendentes de uma forma particular. Colin Tudge diz:
143
Os mamíferos são uma clade, e consequentemente os cladistas
sãofelizes em reconhecer a táxon tradicional dos mamíferos. As
Aves são também uma clade. Na realidade, Mamíferos e Aves
sãosubclados dentro da cladeprincipal dos Amniotas. Contudo,
a classe tradicional Reptilia não é uma clade, mas apenas uma
seção da clade Amniotas, que restou após a remoção dos
grupos Mamíferos e Aves. Não pode ser definida por
sinapomorfias, como seria apropriado. Em vez disso, é definida
pela combinação das características que possuem e as que
faltam: répteis são os amniotas a que faltampelos ou penas, ou
seja, no máximo poderíamos dizer que os répteis, na definição
tradicional são amniotas 'não-aves' e 'não-mamíferos'.
A tartaruga-das-galápagos (Geochelone nigra spp.) Harriet (c.1830-2006), que viveu
aproximadamente 176 anos
Os répteis se classificam em:
Escamosos (lagartos, cobras, camaleões)
Crocodilianos (crocodilos, jacarés)
Quelônios.
Evolução
Existem milhares de fósseis de espécies que mostram uma
clara transição entre os ancestrais dos répteis e os répteis
modernos.
144
O primeiro verdadeiro réptil é categorizado como Anapsídeo,
tendo um crânio sólido com buracos apenas
para boca, nariz, olhos, ouvidos e medula espinhal.
Algumas pessoas acreditam que as tartarugas são os
Anapsídeos sobreviventes, já que eles compartilham essa
estrutura de crânio, mas essa informação tem sido contestada
ultimamente, com alguns argumentando que tartarugas
criaram esse mecanismo de maneira a melhorar sua armadura.
Os dois lados tem fortes evidências, e o conflito ainda está por
ser resolvido.
Pouco depois do aparecimento dos répteis, o grupo dividiu-se
em dois ramos. Um dos quais evoluiu para os mamíferos, o
outro voltou a dividir-se nos lepidossauros (que inclui
as cobras e lagartos modernos e talvez os répteis marinhos
do Mesozóico) e nos arcossauros (crocodilos e dinossauros).
Esta última classe deu origem também às aves.
Anatomia e fisiologia
Corpo coberto com pele seca queratinizada (não mucosa)
geralmente com escamas ou escudos e
poucas glândulas superficiais;
Dois pares de extremidades(membros), cada uma tipicamente
com cinco dedos terminando em garras córneas e adaptadas
para correr, rastejar ou trepar; pernas semelhantes
a remos nas tartarugas marinhas, reduzidas em
alguns lagartos, ausentes em alguns e em todas as cobras;
Esqueleto interno completamente ossificado; crânio com
um côndilo occipital;
Coração dividido em três cavidades: duas aurículas e
um ventrículo,com a exceção do crocodilo que possui quatro
cavidades; um par de arcos aórticos; glóbulos vermelhos
nucleados, biconvexos e ovais;
145
Respiração pulmonar; as tartarugas podem permanecer
algumas horas embaixo d'água, prendendo a respiração e, para
isso,o organismo funciona lentamente, o coração bate devagar,
num fenômeno chamado bradicardia, e o fornecimento
de oxigênio é auxiliado por um tipo de respiração acessória,
em que o oxigênio dissolvido na água é absorvido pelas
vias faríngica e cloacal;
Doze pares de nervos cranianos;
Temperatura corporal variável (pecilotermos),deacordo com
o ambiente;
Fecundação interna, geralmente por
órgãos copuladores; ovos grandes, com grandes vitelos,
em cascas córneas ou calcárias geralmente libertados, mas
retidos pela fêmea para o desenvolvimento em
alguns lagartos e cobras; estas características revelam uma
adaptação evolutiva para a vida terrestre;
Segmentação meroblástica; envoltórios embrionários
(âmnio, cório, saco vitelino e alantóide) presentes durante o
desenvolvimento; filhotes quando eclodem (nascem)
assemelham-se aos adultos (sem metamorfoses).
Musculatura muito desenvolvida em Squamata (cobras e
lagartos) e em Crocodylia (jacarés e crocodilos), mas
em Testudines (tartarugas, cágados e jabutis) a musculatura é
desenvolvida apenas no pescoço.
Répteis pré-históricos
Ainda que o termo réptil pré-histórico, por definição, remeta-
se aos dinossauros, que foram répteis que viveram na Pré-
história, costuma-se utilizá-lo também para remeter-se às três
outras maiores ordens de répteis extintos que habitaram
o planeta Terra no período pré-histórico, coexistindo com os
146
dinossauros: ictiossauros, plesiossauros e pterossauros, que
ao contrário dos dinossauros, podiam nadar e voar.
Duria Antiquior, de Henry de la Beche
Entretanto, as quatro categorias acima não foram as únicas a
englobar répteis pré-históricos. Houve muitas outras espécies
— algumas vieram antes dos dinossauros, como
o dimetrodonte, outras foram suas contemporâneas, como
o sacissauro.
Taxonomia
Série Amniota
Classe Synapsida
147
Ordem Pelycosauria (répteis que são ancestrais distantes dos
mamíferos, extintos)
Ordem Therapsida (répteis similares a mamíferos e ancestrais
imediatos destes, extintos)
Classe Mammalia
Classe Sauropsida
Subclasse Anapsida
Ordem Testudinata (tartarugas, cágados e jabutis)
Uma série de famílias anapsidas extintas não atribuídas a
Ordem Testudinata, correspondendo
a Captorhinida, Mesosauria e Procolophonomorpha
Subclasse Diapsida
Ordem Araeoscelidia (répteis diapsidas primitivos similares a
lagartos)
Ordem Avicephala (répteis diapsidas arboricolas extintos do
Permiano)
Ordem Younginiformes (répteis diapsidas extintos dos
períodos Permiano e Triássico)
Ordem Thalattosauria (répteis diapsidas marinhos extintos,
não se sabe se são mais próximos dos lepidossauros ou dos
arcossauros)
Infraclasse Ichthyosauria
148
Ordem Ichthyopterigea (ictiossauros, répteis marinhos extintos
similares a golfinhos)
Infraclasse Lepidosauromorpha
Superordem Sauropterygia
Ordem Placodontia (répteis aquáticos similares a tartarugas
mas sem parentesco com estas, extintos)
Ordem Nothosauroidea (répteis semi-aquáticos
extintos)
Ordem Plesiosauria (plesiossauros, répteis marinhos
extintos)
Superordem Lepidosauria
Ordem Sphenodontida (tuatara)
Ordem Squamata (lagartos & serpentes)
Infraclasse Archosauromorpha
Ordem Prolacertiformes (répteis arborícolas e aquáticos
extintos)
? Ordem Choristodera (extintos)
Ordem Trilophosauria (extintos)
Divisão Archosauria
Subdivisão Crurotarsi
Superordem Crocodylomorpha
Ordem Crocodylia (crocodilos, jacarés e gaviais atuais)
Ordem Aetosauria (répteis similares a crocodilianos, porém
eram herbivoros terrestres, extintos)
Ordem Phytosauria (répteis semi-aquáticos similares aos
atuais crocodilianos, extintos)
149
Ordem Rauisuchia (répteis similares a crocodilianos, eram
carnívoros terrestres, extintos)
Ordem Rhynchosauria (répteis herbivoros, parente próximo
dos crocodilianos, extintos)
Subdivisão Avemetatarsalia
Infradivisão Ornithodira
Ordem Pterosauria (pterossauros, répteis voadores
extintos)
Superordem Dinosauria (dinossauros, grupo formado por
duas ordens extintas)
Ordem Saurischia (carnívoros como o tiranossauro e o
velociraptor e herbívoros como o
argentinossauro)
Ordem Ornithischia (herbívoros como os triceratopos,
anquilossauros, estegossauros, parasaurolofos e
paquicefalossauros)
Classe Aves
Filogenia
Sauropsida
|--Anapsida
| |--Mesosauridae (Extinto)
| `--Parareptilia
| |--Millerettidae (Extinto)
| |--Bolosauridae (Extinto)
| `--Procolophonomorpha
150
| |--Procolophonia
| | |--Procolophonidae (Extinto)
| | `--Pareiasauridae (Extinto)
| `?-Testudines (tartarugas)
`--Eureptilia
|--Captorhinidae (Extinto)
`--Romeriida
|--Protorothyrididae (Extinto)
`--Diapsida
|--Araeoscelidia (Extinto)
|--Avicephala (Extinto)
`--Neodiapsida
|?-Younginiformes (Extinto)
`--+--Lepidosauromorpha
| |?-Euryapsida
| | |?-Sauropterygia (Extinto)
| | `?-Ichthyopterygia (Extinto)
| `--Lepidosauriformes
| `--Lepidosauria
| |--Sphenodontida (incluindo tuataras)
| `--Squamata (incluindo lagartos, mosassauros
e serpentes)
`--Archosauromorpha
|?-Choristodera (Extinto)
|--Trilophosauridae (Extinto)
|--Rhynchosauridae (Extinto)
|--Prolacertiformes (Extinto)
`--Archosauriformes
|--Proterosuchidae (Extinto)
|?-Erythrosuchidae (Extinto)
151
|--Euparkeriidae (Extinto)
`--+--Proterochampsidae
`--Archosauria
|--Crurotarsi (incluindo Crocodylia)
`--Ornithodira
|--Pterosauromorpha (Extinto)
`--Dinosauromorpha
`--Dinosauria (incluindo Aves)
Aves
Aves são uma classe de seres
vivos vertebrados endotérmicos caracterizada pela presença
de penas, um bico sem dentes, oviparidade de casca rígida,
elevado metabolismo, um coração com quatro câmaras e
um esqueleto pneumático resistente e leve. As aves estão
presentes em todas as regiões do mundo e variam
significativamente de tamanho, desde os 5 cm do colibri até
aos 2,75 m da avestruz. São a classe de tetrápodes com o
maior número de espécies vivas,aproximadamente dez mil, das
quais mais de metade são passeriformes. As aves
apresentam asas, que são mais ou menos desenvolvidas
dependendo da espécie. Os únicos grupos conhecidos semasas
são as moas e as aves-elefante, ambos extintos. As asas, que
evoluíram a partir dos membros anteriores, oferecem às aves a
capacidade de voar, embora a especiação tenha
produzido aves não voadoras, como
as avestruzes, pinguins e diversas aves endémicas insulares.
Os sistemas digestivo erespiratório das aves estão adaptados
ao voo. Algumas espécies deaves que habitam em ecossistemas
aquáticos, como os pinguins ou a família dos patos,
desenvolveram a capacidade de nadar.
152
Algumas aves, especialmente os corvos e os papagaios, estão
entre os animais mais inteligentes do planeta. Algumas
espécies constroem e usam ferramentas e passam o
conhecimento entre gerações. Muitas espécies
realizam migrações ao longo de grandes distâncias. As aves
são animais sociais que comunicam entre si com sinais
visuais, chamamentos e cantos, e realizam atividades
comunitárias como procriação e caça cooperativa, voo
em bando e grupos de defesa contra predadores. A grande
maioria das espécies de aves são monogâmicas, geralmente
durante uma época de acasalamento epor vezes durante vários
anos, mas raramente durante toda a vida. Outras espécies
são polígamas ou, mais raramente, poliândricas. As aves
reproduzem-se através de ovos, que são fertilizados
por reprodução sexual e geralmente colocados
num ninho onde são incubados pelos progenitores. A maior
parte das aves apresenta um período prolongado de cuidados
parentais após a incubação. Algumas aves, como as galinhas,
põem ovos mesmo que não sejam fertilizados, embora esses
ovos não produzam descendência.
As aves, e em particular os fringilídeos de Darwin, tiveram
um papel importante no desenvolvimento da teoria da
evolução por seleção natural de Darwin. O registo
fóssil indica que as aves são os últimos sobreviventes
dos dinossauros, tendo evoluído a partir de dinossauros
emplumados dentro do grupo terópode dos saurísquios. As
primeiras aves apareceram durante o período cretácico, há
cerca de 100 milhões de anos, e estima-se que o
último ancestral comum tenha vivido há 95 milhões de
anos. As evidências de ADN indicam que as aves se
desenvolveram extensivamente durante a extinção do
153
Cretáceo-Paleogeno que matou os dinossauros não avianos.
As aves na América do Sul sobreviveram a este evento, tendo
depois migrado para as várias partes do mundo através de
várias passagens terrestres, ao mesmo tempo que se
diversificavam em espécies durante os períodos de
arrefecimento global. Algumas aves primitivas dentro do
grupo Avialae datam do período Jurássico. Muitos destes
ancestrais das aves, como o Archaeopteryx, não tinham plena
capacidade de voo e muitos apresentavam ainda características
primitivas como mandíbula em vez de bico e cauda
vertebrada.
Muitas espécies de aves têm importância económica. As aves
domesticadas (de capoeira) e não domesticadas (de caça) são
fontes importantes de ovos, carne e penas. As aves canoras e
os papagaios são animais de estimação populares. O guano é
usado como fertilizante.As aves sãoum elemento de destaque
na cultura. No entanto, desde o século XVII que cerca de 120 a
130 espécies foram extintas devido à ação humana e várias
centenas foram extintas nos séculos anteriores. Atualmente
existem 1 375 espécies de aves ameaçadas de extinção,
embora haja esforços no sentido de as conservar.
A observação de aves é uma atividade importante no setor
do ecoturismo.
Habitat, diversidade e distribuição
154
O pisco-de-peito-ruivo viveemtodoo continenteeuropeu, desdea fria Escandinávia até
aos desertos do norte de África.
A capacidade de voar proporcionou às aves uma diversificação
extraordinária, pelo que hoje em diavivem e reproduzem-se em
praticamente todos os habitats terrestres e em todos os sete
continentes. O petrel-das-neves nidifica em colónias que já
foram observadas a distâncias de 440 km do litoral
da Antártida. A maior biodiversidade de aves tem lugar
nas regiões tropicais. Anteriormente, pensava-se que esta
maior diversidade era o resultado de uma maior velocidade
de especiação nos trópicos. No entanto, estudos mais recentes
verificaram que a especiação é superior nas latitudes mais
elevadas, embora a velocidade de extinção seja também
superior à dos trópicos. Várias famílias de aves evoluíram para
se adaptar à vida nos oceanos. Algumas espécies de aves
marinhas regressam à costa apenas para nidificar e
alguns pinguins são capazes de mergulhar até 300 metros de
profundidade.
Regra geral, o número de espécies que se reproduz em
determinada área é diretamente proporcional ao tamanho
dessa área e à diversidade de habitats disponíveis. O número
155
total de espécies está também relacionado com factores como
a posição dessa área em relação às rotas de migração e ao
número de espécies que aí passam o inverno. Na Europa a
oeste dos montes Urais, incluindo grande parte da Turquia,
vivem cerca de 540 espécies de aves. Na Ásia vivem 2 700
espécies, o que corresponde a 25% da avifauna mundial, e só
na Rússia vivemcerca de 700. Em África vivem cerca de 2 300
espécies. Em todo o continente americano vivem cerca de
4 400 espécies, embora em alguns países da América central e
do sul haja mais de mil espécies. A Costa Rica é a região com
maior número de espécies em relação ao tamanho, com cerca
de 800 conhecidas numa área de apenas 51 000 km2.
Muitas espécies de aves estabeleceram o seu território nas
regiões em que foram introduzidas pelo ser humano. A
introdução de algumas espécies foi deliberada, como por
exemplo o faisão-comum, que foi introduzido em todo o
mundo como ave de caça.Outras introduções foram acidentais,
como o periquito-monge que atualmente está presente em
várias cidades norte-americanas como consequência de fugas
de cativeiro. Algumas espécies, como a garça-
boieira, o gavião-carrapateiro e a cacatua-
galah expandiram-se muito para além do seu território inicial
de forma natural, à medida que a agricultura foi criando novos
habitats.
Anatomia e fisiologia
156
Topografia deuma ave: 1 Bico, 2Coroa,3 Íris, 4 Pupila, 5 Manto, 6 Pequenas coberturas, 7
Escapulares, 8Grandes coberturas,9 Terciárias, 10 Uropígio, 11 Primárias, 12 Cloaca, 13
Coxa, 14 Articulação tíbiotársica, 15 Tarso, 16 Pata, 17 Tíbia, 18 Ventre, 19 Flancos, 20
Peito, 21 Garganta, 22 Papada, 23 Lista supraciliar
Em comparação com outros vertebrados, as aves apresentam
um corpo com diversas adaptações invulgares e únicas que lhes
permitem voar, mesmo que sejam apenas estruturas vestigiais
ou que sejam usadas para deslocação terrestre ou aquática.
Embora haja várias particularidades ósseas e anatómicas
exclusivas das aves, a presença de penas é a mais proeminente
e distintiva característica das aves. As aves possuem também
um órgão único entre os animais, a siringe, que lhes permite
produzir os cantos e chamamentos. A pele das aves é
praticamente ausente de quaisquer glândulas, à exceção
da glândula uropigial que produz um óleo que protege e
impermeabiliza as penas.
As aves são animais endotérmicos que mantêm uma
temperatura de aproximadamente 41 °C, podendo ser
ligeiramente inferior durante as horas de sono e ligeiramente
superior durante os períodos de atividade intensa. As penas e,
em algumas espécies, a gordura subcutânea, oferecem
isolamento térmico. Como não possuem glândulas
sudoríparas, o excesso de calor é dissipado pela respiração
157
rápida que, em algumas espécies, pode chegar às 300
respirações por minuto. Algumas espécies são capazes
de hibernar temporariamente.
Nas aves voadoras de maior dimensão, os ossos são permeados
por cavidades de ar e o sistema respiratório é constituído por
sacos de ar, o que contribui para diminuir o seu peso.
O albatroz é a ave voadora com maior envergadura de asas,
que pode atingir os 3,5 metros, enquanto o cisne-
trombeteiro pode atingiros 17 kg de peso. A ave mais pequena
é o colibri-cubano, que pode medir 5–6 cm de comprimento e
pesar apenas 3 gramas. Quando as aves perdem a capacidade
de voar deixam de estar limitadas pelo peso, como é o caso
da avestruz, que pode atingir os 2,75 metros de altura e pesar
150 kg.
Voo
Movimento descendente das asas de uma Myiagra inquieta
A maior parte das aves tem a capacidade de voar, o que as
distingue de praticamente todas as outras classes de
vertebrados. O voo é a principal forma de deslocação para a
maioria das espécies de aves e é usado para a reprodução,
alimentação e fuga de predadores. No entanto, cerca de 60
espécies vivas de aves são incapazes de voar, assim como
158
muitas das aves extintas.[17] A incapacidade de voo ocorre
muitas vezes em ilhas isoladas, provavelmente devido aos
recursos limitados e à ausência de predadores
terrestres. Embora incapazes de voar ou de percorrer grandes
distâncias, algumas aves usam a mesma musculatura e
movimentos para nadar na água, como é o caso
dos pinguins, tordas ou os melros-d'água.
As aves possuem diversas adaptações evolutivas destinadas ao
voo, entre as quais ossos pneumáticos e leves, dois grandes
músculos de voo (os peitorais – que correspondem a 15% do
peso da ave – e o supracoracoide) e um membro anterior
modificado (a asa) que atua simultaneamente
como aerofólio (que sustenta a ave no ar) e como elemento de
impulso. Muitas aves alternam entre o voo impulsionado pelo
bater de asas e o voo planado e usam a cauda para direcionar
o voo. A asa é bastante flexível, podendo ser alongada ou
recolhida por flexão, as penas das bordas podem ser abertas ou
fechadas e o ângulo das asas pode ser ajustado, quer em
conjunto, quer individualmente.
O tamanho e a forma das asas estão relacionados com o tipo de voo dessa espécie.
O tamanho e forma da asa geralmente está relacionado com o
tipo de voo dessa espécie. Por exemplo, os albatrozes,
as gaivotas e outras aves marinhas apresentam asas
159
compridas e estreitas que tiram partido do vento sobre o
oceano para planar, enquanto que as aves de rapina têm asas
amplas para tirar partido das correntes de ar ascendentes e
descendentes de montanha. As aves de asa curta, como
os galináceos, fazem apenas voos curtos. As asas pontiagudas
dos patos permitem-lhes percorrer rapidamente grandes
distâncias. As andorinhas e os estorninhos têm asas
compridas e pontiagudas que lhes permitem fazer acrobacias
aéreas durante horas seguidas. Enquanto algumas aves de
grande dimensão, como os abutres, planam ao longo de horas
e só ocasionalmente batem as asas, outras aves, como os
colibris, batem as asas várias vezes por segundo.
A velocidade de voo varia imenso entre as espécies. As aves
mais pequenas, como os pardais ou as carriças, voam entre
15-30 km/h. As aves de pequena a média dimensão, como
os tordos, rabos-de-quilha, estorninhos ou andorinhões, e as
aves de grande envergadura de asa, como os pelicanos e as
gaivotas, voam entre 30 e 60 km/h. As aves mais rápidas, como
os falcões, patos, gansos e pombos voam entre 60 a 100 km/h.
A ave que atinge maior velocidade é o falcão-peregrino, que é
capaz de realizar voos a pique que atingem os 320 km/h.
Muitas aves com pés pequenos, como os andorinhões, colibris
ou calaus, raramente caminham e usam as patas apenas para
se empoleirarem, enquanto outras apresentam patas mais
robustas e realizam grande parte dos movimentos a pé, como
as galinhas de água. Os papagaios caminham
frequentemente ao longo dos ramos, enquanto espécies como
os melros saltitam no terreno. Muitas espécies usam as asas
para se deslocardebaixo de água, como é o caso dos pinguins,
embora algumas só nadem à superfície. Algumas aves, como
as mobêlhas, estão tão adaptadas à vida no mar que só vão a
160
terra nidificar. Muitas aves, como o pato-real, são capazes de
levantar voo diretamente a partir da superfícieda água,embora
outras necessitem de fazer uma pequena corrida para ganhar
impulso, como os mergulhões.
Penas, plumagem e escamas
Estorninho-de-hildebrandt adulto com penas iridiscentes. Aplumagem das aves muda
regularmentee pode apresentar cores significativamente diferentes conformea idade, sexo e
altura do ano.
As penas são uma característica proeminente e única das
aves. As penas permitem às aves voar, fornecem isolamento
que facilita a regulação térmica e são usadas como forma de
exibicionismo, camuflagem e comunicação. Existem vários
tipos de penas, cada um com finalidades específicas. As penas
são desenvolvimentos epidérmicos ligados à pele e crescem
apenas em regiões específicas da pele denominadas pterilas. O
padrão de distribuição da implantação das penas em tratos
161
denomina-se pterilose. Aptérios são zonas desprovidas de
penas. A distribuição e aparência do conjunto das penas no
corpo é denominada plumagem e é uma das principais
características que permitem identificar a espécie de ave. A
plumagem pode variar significativamente dentro da própria
espécie de acordo com a idade, estatuto social[20] esexo.A cor
das penas tem origem em pigmentos ou na estrutura. Os
castanhos e os pretos são causados por melaninas sintetizadas
pela ave e depositados em grânulos, enquanto os amarelos,
laranjas e vermelhos são causados por carotenoides com
origem na dieta e difundidos pela pele e penas. As cores azuis
são estruturais e têm origem numa camada fina e porosa
de queratina. Os verdes resultam do acréscimo de pigmento
amarelo ao azul estrutural. As cores iridescentes têm origem na
estrutura laminada das bárbulas e são realçadas pelos
depósitos de melanina.
A plumagem das aves muda regularmente. Geralmente a
muda é anual, embora em algumas espécies se observem duas
mudas, uma antes da época de reprodução e outra depois,
podendo ocorrer variações entre espécies e entre indivíduos da
mesma espécie. As maiores aves de rapina podem mudar de
plumagem apenas uma vez em vários anos. As características
da muda variamentre espécies.Empasseriformes, as penas de
voo são substituídas uma de cada vez, sendo as primárias da
face inferior substituídas primeiro. Após a substituição da
quinta ou sexta primária, começam a cair as terciárias
exteriores, seguidas pelas secundárias e pelas outras penas. As
grandes coberturas primárias são substituídas ao mesmo
tempo das primárias que cobrem. Este processo denomina-se
muda centrífuga. Por outro lado, um pequeno número de
espécies, entre as quais os patos e os gansos, perdem todas as
162
penas de voo de uma única vez, ficando temporariamente
incapazes de voar. Regra geral, a muda das penas da cauda
segue o mesmo padrão da das asas, do interior para o
exterior. No entanto, nos Phasianidae verifica-se muda
centrípeta (de fora para o centro), enquanto que na cauda
dos pica-paus e das trepadeiras a muda começa no segundo
par mais interior e acaba no par central de penas, de modo a
que a ave possa continuar a trepar.
As escamas das aves encontram-se principalmente nos dedos e
no metatarso, embora em algumas aves estejam presentes
acima do tornozelo. À semelhança dos bicos, garras e espigões,
são constituídas por queratina. A maior parte das escamas não
se sobrepõe de forma significativa, exceto nos casos
do guarda-rios e do pica-pau. Pensa-se que as escamas das
aves sejam homólogas às dos répteis e dos mamíferos.
Bico
Adaptação do bico a diversas formas de alimentação.
Embora o tamanho e a forma do bico das aves varie
significativamente de espécie para espécie, a sua estrutura é
idêntica. Todos os bicos são constituídos por duas mandíbulas,
163
superior e inferior. A mandíbula superior estáapoiadanum osso
denominado intermaxilar, cujas ligações permitem que a
mandíbula seja flexível e se mova para cima e para baixo. A
mandíbula inferior está apoiada num osso denominado osso
maxilar inferior.
A superfície exterior do bico é constituída por uma camada fina
de queratina, denominada ranfoteca. Entre a ranfoteca e as
camadas mais profundas da derme existe uma
camada vascularizada ligada diretamente aos ossos do bico. A
ranfoteca forma-se nas células na base de cada mandíbula e
cresce continuamente na maior parte das aves, enquanto em
algumas espécies muda de cor conforme a estação.
As bordas cortantes do bico são denominadas tomia. Na maior
parte das espécies, as bordas variam entre arredondadas e
ligeiramente afiadas, embora algumas espécies tenham
desenvolvido modificações estruturais que lhes permitem
manusear melhor a sua fonte de alimentação. Por exemplo, as
aves granívoras têm bordas serrilhadas que lhes permitem
quebrar a casca de sementes. A maior parte dos falcões e
alguns papagaios omnívoros apresentam uma projeção na
mandíbula superior, de modo a atingir mortalmente as
vértebras das presas ou a dilacerar insetos. Algumas espécies
que se alimentam de peixe, como os mergansos, têm bicos
serrilhados que mantêm preso o peixe escorregadio.[36] Cerca
de 30 famílias de aves insetívoras apresentam cerdas muito
curtas em toda a mandíbula que aumentam a fricção e lhes
permitem segurar insetos de carapaça dura.
Visão e audição
164
Olho de um abibe a ser coberto pela membrana nictitante.
A visão das aves é geralmente bastante desenvolvida. As aves
marinhas apresentam lentes flexíveis, o que lhes permite ver
claramente tanto no arcomo dentro de água. Algumas espécies
têm dupla fóvea. As aves são tetracromáticas,
possuindo cones não só sensíveis à luz verde, vermelha e
azul como também à luz ultravioleta. Muitas aves exibem
padrões de plumagem refletora ultravioleta que são invisíveis
ao olho humano. Algumas aves cujos sexos aparentam ser
iguais apresentam, na realidade, padrões diferenciados. Os
machos do chapim-azul, por exemplo, têm uma coroa
refletora ultravioleta que é exposta durante a corte ao levantar
as penas da nuca. A luz ultravioleta é também usada na procura
de comida. Alguns falcões procuram presas através da deteção
dos rastos de urina dos roedores, que refletem a luz
ultravioleta.
As pálpebras das aves não são usadas para pestanejar. Em vez
disso, o olho é lubrificado por uma terceira pálpebra que se
desloca horizontalmente, denominada membrana
nictitante.[41] Esta membrana também cobre o olho e funciona
como uma lente de contacto em muitas aves
marinhas. A retina das aves tem um sistema irrigatório próprio
denominado pécten ocular. A maior parte das aves não
consegue mover os olhos, embora haja exceções, como
o corvo-marinho-de-faces-brancas. As aves com olhos nas
165
partes laterais da cabeça têm um grande campo visual,
enquanto que as aves com olhos na parte da frente da cabeça
têm visãobinocular e sãocapazes de estimara profundidade
de campo.
O alcance auditivo das aves é limitado.[6] O ouvido não
apresenta pavilhão auditivo externo, embora o orifício seja
revestido por penas. Em algumas aves de rapina, como
as corujas, mochos ou bufos, estas penas formam tufos que
se assemelham a orelhas. O ouvido interno apresenta
uma cóclea, mas não em espiral como nos mamíferos.
Sistema respiratório e olfato
O sistema respiratório das aves é bastante complexo e responde às exigências do
elevado metabolismo.
As aves têm um dos mais complexos e eficientes sistemas
respiratórios de todos os animais. Devido ao elevado ritmo
metabólico exigido pelo voo, necessitam de um fornecimento
constante de grande quantidade de oxigénio. Embora
possuam pulmões, a ventilação é assegurada em grande parte
por sacos aéreos ligados aos pulmões, que correspondem a
15% do volume do corpo. Embora as paredes dos sacos aéreos
não façam trocas gasosas, têm a função de atuar como foles
166
para fazer circular o ar pelo sistema respiratório. No momento
da inalação, apenas 25% do ar inalado vai diretamente para os
pulmões; os restantes 75% atravessam os pulmões e passam
diretamente para um saco de ar posterior que se estende a
partir dos pulmões e está ligado às cavidades de ar nos ossos,
as quais preenche com ar. Quando a ave expira, o ar usado sai
dos pulmões e o ar fresco do saco de ar posterior é forçado a
passar para os pulmões. Desta forma, os pulmões são
constantemente fornecidos de ar fresco, quer durante a
inalação quer durante a expiração.
Os sons das aves são produzidos na siringe, uma câmara
muscular constituída por várias membranas timpânicas que
diverge da extremidade inferior da traqueia. Em algumas
espécies, a traqueia é alongada, o que aumenta o volume das
vocalizações e a perceção do tamanho da ave.
A maior parte das aves tem olfato pouco apurado, embora
os quivis, os abutres do Novo Mundo e
os procelariformes sejam exceções notáveis. A maior parte
das aves apresenta duas narinas externas situadas no bico,
geralmente com forma circular, oval ou em corte e ligadas
à cavidade nasal no interior do crânio. As espécies da ordem
dos procelariformes, como os albatrozes, apresentam narinas
encerradas em dois tubos na mandíbula superior. No entanto,
outras espécies, como os gansos-patola, não têm narinas
externas e respiram pela boca. Embora na maior parte das aves
as narinas estejam descobertas, em algumas espécies
encontram-se cobertas por penas, como nos corvos e nos pica-
paus.
Sistema ósseo
O sistema ósseo das aves é constituído
por ossos extremamente leves com cavidades de ar ligadas
167
ao sistema respiratório (ossos pneumáticos). Nos adultos, os
ossos do crânio estão fundidos entre si e não
apresentam suturas cranianas. As órbitas são de grande
dimensão e separadas por um septo nasal. A coluna
vertebral divide-se nas vértebras cervicais, torácicas, lombares
e caudais. As vértebras cervicais (do pescoço), cujo número
varia significativamente entre espécies, são particularmente
flexíveis. No entanto, o movimento nas vértebras torácicas é
limitado e completamente ausente nas vértebras
posteriores. As últimas vértebras encontram-se fundidas com
a pelve, formando o sinsacro. As costelas são achatadas.
O esterno apresenta uma quilha que sustenta os músculos
peitorais envolvidos no voo, embora esteja ausente das aves
não voadoras. Os membros anteriores encontram-se
modificados na forma de asas.
Sistema digestivo
Melro-preto a capturar uma minhoca.Adigestãodas aves é bastante rápida,de modo a não
interferir com o voo. Uma vez que não têm dentes, as presas são engolidas inteiras.
O sistema digestivo das aves é constituído por um papo,onde
é armazenado o conteúdo digestivo, e uma moela que contém
pedras, que as aves engolem para moer os alimentos como
forma de compensar a falta de dentes. A maior parte das aves
168
apresenta uma digestão bastante rápida, de modo a não
interferir com o voo. Algumas aves migratórias adaptaram-se
de modo a usar proteínasde várias partes do corpo como fonte
de energia adicional durante a migração. Muitas aves
regurgitam egregófitos.
Embora a maior parte das aves necessite de água, as
características do seu sistema excretor e a ausência
de glândulas sudoríparas fazem com que a quantidade
necessária seja reduzida. Algumas aves do deserto conseguem
satisfazer a necessidade de água exclusivamente a partir da
água contida nos alimentos e são tolerantes ao aumento da
temperatura corporal, o que lhes permite evitar despender
vapor de água em arrefecimento. As aves marinhas estão
adaptadas para beber água salgada do mar,
possuindo glândulas de sal na cabeça que eliminam o excesso
de sal através das narinas.
A maior parte das aves não consegue realizar movimento de
sucção da água, pelo que recolhe a água no bico e inclina a
cabeça de modo a permitir que a água escorra pela garganta.
No entanto, algumas espécies, principalmente de regiões
áridas, conseguem beber água sem necessidade de inclinar a
cabeça, como é o caso das famílias
dos pombos, estrilídeos, coliiformes, toirões e abetardas.
Algumas aves do deserto dependem da presença de fontes de
água, como os cortiçois, que se agregam à volta de poços de
água durante o dia. Algumas espécies levam água às crias
humedecendo as penas, enquanto outras a transportam
no papoou a regurgitam juntamente com acomida. As famílias
dos pombos, dos flamingos e dos pinguins produzem para as
crias um líquido nutritivo denominado leite de papo.
Sistemas reprodutor e urogenital
169
Durantea épocade acasalamento, o sistema reprodutor das aves sofrediversas alterações.
Tal como os répteis, as aves são seres uricotélicos; isto é, os
seus rins filtram os resíduos nitrogenados da corrente
sanguínea e excretam-no na forma de ácido úrico (em vez
de ureia ou amoníaco) ao longo dos uréteres até ao intestino.
As aves não têm bexiga nem uretra exterior, pelo que (à
exceção das avestruzes) o ácido úrico é expelido em conjunto
com as fezes em dejetos semi-sólidos. No entanto, algumas
aves, como o colibri, podem ser amoniotélicos, excretando a
maior parte dos resíduos nitrogenados na forma
de amoníaco. Também excretam creatina, em vez
de creatinina como os mamíferos.[16] Este material é expulso
através da cloaca, em conjunto com os dejetos intestinais. A
cloaca é um orifício com diversas finalidades. Não só é por aí
que são expulsos os dejetos, como a maior parte das aves
acasalamjuntando as cloacas e é também por aí que as fêmeas
depositam os ovos.
Os machos possuem dois testículos internos que durante a
época de acasalamento aumentam de tamanho centenas de
vezes para produzir esperma. As fêmeas da maior parte das
famílias possuem um único ovário funcional (o esquerdo),
ligado a um oviduto, embora as de algumas espécies tenham
dois ovários funcionais. Os machos dos Palaeognathae (à
170
exceção dos quivis), dos Anseriformes (à exceção
dos Anhimidae) e, de forma rudimentar,
dos Galliformes (mas totalmente desenvolvido nos Cracidae)
possuemum pénis,o qual não seobserva nas Neoaves. Pensa-
se que o comprimento esteja relacionado com a competição
espermática. Fora do momento da cópula, encontra-se oculto
no interior do proctodeu, um compartimento no interior da
cloaca.
Sistema circulatório
O sistema circulatório das aves é impulsionado por um coração
miogénico de quatro câmaras protegido por
um pericárdio fibroso. O pericárdio encontra-se preenchido
com fluido seroso que o lubrifica. O coração em si está dividido
em duas metades, direita e esquerda, cada uma constituída por
uma aurícula e um ventrículo. As aurículas e ventrículos de
cada lado estão separados entre si por válvulas cardíacas que
impedem que o sangue passe de uma câmara para a outra
durante a contração. Sendo miogénico, o ritmo cardíaco é
mantido pelas células marca-passo do nó sinusal situado na
aurícula direita. O coração das aves também apresenta arcos
musculares, constituídos por camadas espessas de músculo. De
forma semelhante ao coração dos mamíferos, o coração das
aves é constituído pelas camadas
do endocárdio, miocárdio e pericárdio. As paredes
auriculares tendem a ser mais delgadas do que as paredes
ventriculares, devido à intensa contração ventricular usada
para bombear sangue oxigenado pelo corpo. Em comparação
com a massa corporal, o coração das aves é geralmente maior
do que o dos mamíferos. Esta adaptação permite que seja
bombeada maior quantidade de sangue de modo a responder
às necessidades metabólicas associadas ao voo. As principais
171
artérias que transportam o sangue do coração têm origem
no arco aórtico direito, ao contrário dos mamíferos, em que é
o arco aórtico esquerdo que forma esta parte da aorta. A veia
cava inferior recebe o sangue dos membros através
do sistema venoso portal. Também ao contrário dos
mamíferos, os glóbulos vermelhos das aves mantêm o
seu núcleo celular.
As aves têm um sistema bastante eficiente de distribuição de
oxigénio pelo corpo, uma vez que têm uma superfície de trocas
gasosas dez vezes maiordo que os mamíferos. Isto faz com que
as aves tenham nos vasos capilares mais sangue por unidade
de volume dos pulmões do que um mamífero. As artérias das
aves são constituídas por músculos elásticos e espessos para
resistir à pressão da forte constrição ventricular, que se tornam
mais rígidos à medida que se encontram mais afastados do
coração. O sangue passa pelas artérias, que
sofrem vasoconstrição, em direção às arteríolas, que
distribuem o oxigénio e os nutrientes a todos os tecidos do
corpo. À medida que as arteríolas se encontram mais afastadas
do coração e próximas dos órgãos e dos tecidos, são cada vez
mais ramificadas de modo a aumentar a área de superfície e
diminuir a intensidade da corrente sanguínea. A partir das
arteríolas, o sangue desloca-se para os vasos capilares onde
ocorre a troca de oxigénio pelos resíduos de dióxido de
carbono. Após a troca gasosa, o sangue desoxigenado passa
pelas vénulas e é transportado pelas veias de volta ao coração.
Ao contrário das artérias, as veias são finas e rígidas, uma vez
que não necessitam de resistir a pressões elevadas.
Defesa e combate
172
A plumagem do pavão-do-pará imita um grande predador.
Algumas espécies são capazes de usar defesas químicas contra
predadores. Alguns Procellariiformes projetam um óleo
estomacal desagradável contra agressores, enquanto algumas
espécies de pitohuis da Nova Guiné têm a pele e penas
revestidas por uma poderosa neurotoxina. A plumagem de
algumas espécies envia sinais intimidatórios a potenciais
predadores, como o pavão-do-pará,cujas penas criama ilusão
de um grande predador de modo a afugentar falcões eproteger
as crias.
Ocasionalmente, os combates entre espécies resultam em
ferimentos ou morte. Os anhimídeos, algumas jaçanãs,
o pato-ferrão, o pato-das-torrentes e nove espécies
de abibes apresentam um espigão afiado na asa que usam
como arma. Os patos-vapor, os cisnes e gansos, as pombas
do ártico, os motum e os alcaravões apresentam uma
protuberância óssea na álula para esmurrar os
oponentes. Algumas jaçanãs apresentam um rádio expandido
em forma de lâmina. O extinto ibis jamaicano apresentava um
membro anterior alongado que provavelmente funcionava em
combate de forma semelhante a um malho. Outras aves, como
173
os cisnes, são capazes de morder ao defender os ovos ou as
crias.
Comportamento
A maior parte das aves é diurna, embora algumas aves
sejam noctívagas ou crepusculares, como as corujas, e
muitas aves limícolas se alimentem de acordo com as marés,
seja de dia ou de noite. A socialização entre indivíduos varia
imenso de espécie para espécie. Muitas aves de rapina são
solitárias, enquanto outras espécies são vincadamente
gregárias, atingindo comunidades de milhares de indivíduos.
Durante a época de reprodução, muitas espécies defendem um
território. Muitos comportamentos das aves são universais e
ocorrem invariavelmente em praticamente todas as espécies de
aves,como é o casodos cuidados com as penas, os movimentos
de distensão das pernas, asas ou caudas, os banhos de água e
poeira, ou o movimento que sacode o corpo.[6]
Alimentação
Algumas espécies, como o guarda-rios, pescam os seus próprios alimentos.
174
As aves limícolas, como os maçaricos, vasculham a areia à procura de comida.
As dietas das aves são bastante variadas, podendo
incluir néctar, frutas, plantas, sementes, carcaças e vários
animais de menor dimensão, incluindo outras aves. Uma vez
que as aves não têm dentes, o seu sistemadigestivo encontra-
se adaptado de modo a processar alimentos engolidos inteiros
sem mastigar. As aves que usam várias estratégias para
adquirir comida ou se alimentam de vários alimentos são
denominadas generalistas. As que dedicam tempo e esforço na
procura de alimentos específicos são denominadas
especialistas. As estratégias de alimentação variam de espécie
para espécie. Muitas aves simplesmente recolhem insetos,
invertebrados, fruta ou sementes. Algumas caçam,
surpreendendo insetos com ataques súbitos a partir de ramos
de árvores.
As aves que se alimentam do néctar das flores, como os beija-
flores, apresentam línguas longas e especialmente adaptadas
para a recolha do néctar e, em muitos casos, os próprios bicos
foram se adaptando de forma a encaixar em determinadas
flores – fenómeno denominado coevolução. Os quivís e
as aves limícolas têm bicos longos que lhes permitem
vasculhar o terreno à procura de pequenos invertebrados. Os
diferentes comprimentos do bico e diferentes métodos de
175
procura fazem com que as espécies limícolas se encontrem
muitas vezes em nichos ecológicos distintos. Algumas
espécies, como as mobelhas, os zarros, os pinguins ou
as tordas, perseguem a presa debaixo de água, usando as asas
e as patas como meio de propulsão. Os predadores aéreos,
como os sulídeos, os guarda-rios ou as andorinhas-do-mar,
mergulham em queda livre atrás das presas.Os flamingos, três
espécies de priões e alguns patos filtram os alimentos da
água.
Algumas espécies, como as fragatas, gaivotas[93] ou
os moleirospraticam cleptoparasitismo,roubando comida de
outras aves. No entanto, pensa-se que o cleptoparasitismo seja
apenas um complemento à comida obtida através da caça, e
não a principal fonte de alimentação. Outras espécies
são necrófagas. Entre estas, algumas, como os abutres, são
especializadas no consumo de carcaças, enquanto outras,
como as gaivotas, corvídeos ou determinadas aves de rapina,
são oportunistas.
Cuidados com as penas
Pinguins-imperador durante a limpeza das penas. O bico remove parasitas e fungos e
algumas espécies aplicamuma substância oleosa que impede o crescimento de bactérias.
176
As penas exigemmanutenção constante. Para alémdo desgaste
físico,as penas sãoatacadas por fungos, parasitas e piolhos. As
aves conservam as penas com a limpeza, aplicaçãode secreções
protetoras e banhos de água ou pó. Enquanto algumas aves
apenas se banham em água rasa, como bebedouros ou fontes,
outras mergulham em águas profundas e algumas espécies
arbustivas aproveitam a água da chuva que se acumula nas
folhas.As aves de regiões áridas usamo solo para tomarbanhos
de poeira. Algumas espécies encorajam formigas a percorrer
as penas, reduzindo o número de ectoparasitas. Muitas
espécies abremfrequentemente as asas expondo-as àluz direta
do sol, o que diminui o número de parasitas e previne o
aparecimento de fungos. Algumas aves esfregam as formigas
nas penas, o que faz com que libertem ácido fórmico que mata
alguns parasitas.
As aves limpam, alisam e tratam das penas todos os dias,
despendendo neste processo cerca de 9% das horas de
atividade.[101] O bico é usado para escovar partículas estranhas
e para aplicar secreções de uma substância oleosa produzida
pela glândula uropigial que mantém as penas flexíveis e atua
como agente antimicrobiótico que impede o crescimento
de bactérias que degradam as penas.
Migração
Muitas espécies de aves migram de forma a tirar partido das
diferenças sazonais de temperatura que influenciam a
disponibilidade de fontes alimentares e dos habitats de
reprodução. Estas migrações variam significativamente entre
diferentes grupos. Muitas aves terrestres, aves limícolas e aves
marinhas realizam migrações anuais ao longo de grandes
distâncias, geralmente iniciadas com a mudança do tempo ou
da quantidade das horas de luz. Estas aves geralmente alternam
177
entre uma época de reprodução passada nas regiões de clima
temperado ou polar e outra época não reprodutiva passada
em regiões tropicais ou no hemisfério oposto. Antes da
migração, as aves aumentam substancialmente as reservas de
gordura corporal e diminuem o tamanho de alguns dos seus
órgãos. A migração exige uma elevada quantidade de energia,
sobretudo quando as aves atravessamdesertos e oceanos sem
sepoder reabastecer. As aves terrestres têm um alcancede voo
de cerca de 2500 km e as aves costeiras até 4000 km, embora
o fuselo seja capaz de voar 10 200 km sem
paragens. Algumas aves marinhas realizam também grandes
migrações, a mais longa das quais é realizada pela pardela-
preta, que nidifica na Nova Zelândia e no Chile e durante o
verão se alimenta no Pacífico norte ao largo do Japão,
do Alasca e da Califórnia, viajando por ano 64 000 km. Outras
aves marinhas dispersam-se após a reprodução, viajando
significativamentesemuma rota de migração fixa.Por exemplo,
os albatrozes que nidificam no Oceano Austral realizam
viagens circumpolares entre as épocas de acasalamento.
Rotas de migração dos fuselos a partirda NovaZelândia.Esta espécierealiza a mais longa
rota de migração sem paragens que se conhece, voando cerca de 10 200 km.
178
Outras espécies realizam migrações mais curtas, viajando
apenas o que for necessário para evitar o mau tempo ou obter
comida. As espécies irruptivas, como os fringilídeos boreais,
são um desses grupos, sendo possível que num ano
permaneçam em determinado locale no seguinte não. Estetipo
de migração está normalmente associado à disponibilidade de
comida. Algumas espécies podem também viajarapenas dentro
da sua área de distribuição, neste caso migrando os indivíduos
de maiores latitudes para os locais da sua espécie a menores
latitudes. Outras ainda realizam apenas migrações parciais, em
que migra apenas uma parte da população, geralmente as
fêmeas e os machos subdominantes. Em algumas regiões, as
migrações parciais podem representar uma parte significativa
dos movimentos migratórios. Na Austrália, por exemplo, 44%
dos não passeriformes e 32% dos passeriformes realizam
apenas migrações parciais. A migração altitudinal é uma
forma de migração de curta distância em que as aves passama
época de reprodução nas altitudes mais elevadas e em
condições menos favoráveis migram para zonas mais baixas.
Este tipo de migração é desencadeado por alterações na
temperatura e quando o território normal se torna inóspito
devido à falta de comida. Outras espécies são nómadas, não
tendo um território definido e deslocando-se de acordo com o
tempo e a disponibilidade de comida.
As aves têm a capacidade de regressar exatamente à mesma
localização de onde partiram, mesmo após percorrem grandes
distâncias. Durante a migração, as aves navegam através de
diversos métodos. Os migrantes diurnos orientam-se
pelo Sol durante o dia e pelas estrelas durante a noite. As que
usam o sol compensam a deslocação do astro usando
um relógio interno, enquanto que a orientação pelas estrelas
179
depende da posição das constelações que circundam a estrela
polar. Para além disto, algumas espécies têm a capacidade de
sentir o geomagnetismo terrestre através
de fotorrecetores especiais.
Comunicação
As aves comunicam principalmente através de sinais visuais e
auditivos. Muitas espécies usam a plumagem para procurar ou
reafirmar o estauto social, para mostrar que se encontram na
época de acasalamento ou para enviar sinais intimidatórios aos
predadores. As variações na plumagem também permitem
identificar as aves e diferenciar espécies. Os rituais de exibição
fazem também parte da comunicação visual entre as aves,
podendo ser usados para demonstrar agressão, submissão ou
como forma de criar laços entre indivíduos. Os rituais mais
sofisticados ocorrem durante o cortejo sexual e são
acompanhados por danças de movimentos complexos. O êxito
do macho em acasalar pode depender da qualidade destes
rituais.[119]
Os cantos e chamamentos são o principal meio de
comunicação sonoro das aves e podem serbastante complexos.
Os sons são produzidos na siringe. Algumas espécies
conseguem usar os dois lados da siringe de forma
independente, o que lhes permite produzir dois sons diferentes
em simultâneo. Os chamamentos são usados para as mais
diversas finalidades, entre as quais a atração do macho durante
a época de reprodução, a avaliação de potenciais parceiros, a
criação de laços afetivos, a reivindicação e manutenção
territorial e identificação de outros indivíduos (como quando os
progenitores procuram as crias nas colónias ou quando os
parceiros se reúnem no início da época de reprodução), e aviso
às outras aves de potenciais predadores, por vezes com
180
informação específica sobre a natureza da ameaça. Algumas
espécies também usam sons mecânicos para comunicar. As
narcejas neo-zelandesas produzem sons fazendo o ar circular
por entre as penas, os pica-paus tamboreiam de forma
territorial e as cacatuas-das-palmeiras usaminstrumentos de
percussão.
Comportamento de grupo
Os tecelões-de-bico-vermelho são a espécie de ave mais comum no mundo e formam
bandos que chegam às dezenas de milhares de indivíduos.
Enquanto algumas aves são essencialmente territoriais ou
vivem em pequenos grupos familiares, outras aves
formam bandos de grande dimensão. Os principais benefícios
dos bandos são a segurança pelo número e a maior eficácia na
procura de comida. A defesa contra eventuais predadores é
especialmente relevante em habitats fechados, como
nas florestas, em que é a predação por emboscada é comum
e um grupo grande aumenta a vigilância. Existem também
bandos dedicados à procura de comida que juntam várias
espécies que, embora ofereçam segurança,também aumentam
a competição pelos recursos.
181
No entanto, o agrupamento em bando também potencia o
assédio, a dominância de algumas aves em relação a outras e,
em alguns casos, uma diminuição na eficácia da procura por
comida.
As aves por vezes também formam associações com espécies
não aviárias. Algumas aves marinhas que caçam por mergulho
associam-se a golfinhos e atuns que empurram os cardumes
de peixe em direção à superfície. Os calaus têm uma
relação mutualista com os mangustos-anão, na qual caçam
em conjunto e avisam-seentre siemrelaçãoa aves derapina e
outros predadores.
Repouso e empoleiramento
Muitas aves, como este flamingo-americano, repousam a cabeça nas costas ao dormir.
O elevado metabolismo das aves durante a parte ativa do dia
é compensado pelo repouso no restante tempo. Ao dormir, as
aves incorrem num tipo de sono denominado "sono de vigília",
em que os períodos de descanso são intercalados com rápidas
"espreitadelas" de olhos abertos, o que lhes permite aperceber
de eventuais distúrbios e rapidamente escapar de
ameaças. Tem sido sugerido que possa haver determinados
tipos de sono que são possíveis até mesmo durante o voo. Por
182
exemplo, acredita-se que os andorinhões sejam capazes de
dormir em pleno voo, e as observações de radar sugerem que
se orientam na direção do vento durante o sono. Algumas aves
têm também demonstrado a capacidade de ter de forma
alternada apenas um dos hemisférios cerebrais em sono
profundo, o que permite ao olho oposto ao hemisfério que está
a dormir continuar vigilante. As aves tendem a exercer esta
capacidade quando estão nas orlas dos
bandos. O empoleiramento comunitário é comum, uma vez
que diminui a perda de calor corporal e diminui os riscos
associados com os predadores. Os locais de poleiro são
geralmente escolhidos tendo em conta a segurança e regulação
de calor.
Durante o sono, muitas aves dobram a cabeça e o pescoço
sobre as costas e enfiam o bico nas penas do dorso, enquanto
outras o fazem nas penas do peito. Muitas aves descansam
apoiadas apenas numa perna, enquanto algumas puxam as
pernas para baixo das penas, especialmente no inverno.
Os pássaros apresentam um mecanismo que bloqueia
o tendão que os ajuda a manterem-se no poleiro enquanto
dormem. Muitas aves que vivem junto ao solo, como
as codornizes e os faisões, empoleiram-se nas árvores. Alguns
papagaios do género Loriculus empoleiram-se de cabeça para
baixo.[136] Mais de uma centena de espécies, como o colibri
ou noitibó, descansam num estado de torpor acompanhado
de uma diminuição do metabolismo.[137]Uma espécie,
o noitibó-de-nuttall, chega a entrar num estado
de hibernação.
Reprodução
As aves têm dois sexos: macho e fêmea. O sexo das aves é
determinado pelos cromossomas Z e W, em vez dos
183
cromossomas X e Y presentes nos mamíferos. Os machos têm
dois cromossomas Z (ZZ) e as fêmeas um cromossoma W e um
Z (WZ).
Acasalamento
Dimorfismo sexual de tamanho, cor e ornamentos sexuais entre o macho (esquerda) e
fêmea (direita) do pato-mandarim.
A fêmea de um casal de abelharucos aguarda pela oferta de comida de um macho. O
acasalamento de maior parte das espécies envolve rituais de corte.
As aves apresentam diversos comportamentos
de acasalamento, estando identificados muitos tipos
de seleção sexual entre as aves. Na seleção intersexual é a
fêmea que escolhe o parceiro, enquanto na competição
intrassexual os indivíduos do sexo mais abundante competem
184
entre si pelo privilégio de acasalar. O acasalamento da maior
parte das espécies envolve alguma forma de corte sexual,
geralmente por parte do macho. A maior parte dos rituais de
acasalamento são bastante simples e envolvem apenas algum
tipo de canto. No entanto, alguns são coreografias bastante
complexas e, dependendo da espécie, podem incluir dança,
bater de asas ou cauda, voos aéreos ou lek comunitário. Após a
escolha do parceiro, muitas espécies fazem ofertas de objetos
entre os parceiros ou juntam os bicos em sinal de afeto.
Os ornamentos de seleção sexual muitas vezes evoluempara se
tornar mais pronunciados em situações de competição, até ao
ponto em que começam a limitar a agilidade do indivíduo. O
elevado custo dos comportamentos e ornamentos sexuais
exagerados assegura que apenas os indivíduos de melhor
qualidade os conseguem apresentar. A cauda do pavão é
provavelmente o exemplo mais conhecido de um ornamento
sexual emaves. Os dimorfismos sexuais, como a diferença de
tamanho e de cor, são bastante comuns entre as aves e um
indicador de forte competição reprodutiva.
Noventa e cinco por cento das espécies de aves são
socialmente monógamas. Os casais destas espécies estão
juntos pelo menos durante uma época de reprodução ou, em
alguns casos, durante vários anos ou até à morte de um dos
parceiros. A monogamia permite que o pai também cuide das
crias, o que é fundamental nas espécies em que as fêmeas
necessitamda assistência dos machos durante a incubação. No
entanto, entre as muitas espécies monógamas a infidelidade é
comum.[145] Este comportamento verifica-se geralmente entre
os machos dominantes e as fêmeas de machos subordinados,
embora possa também ser o resultado de cópula forçada
em patos e outros anatídeos. As fêmeas das aves têm
185
mecanismos de armazenamento de esperma que permitem
que o esperma do macho se mantenha viável durante bastante
tempo depois da cópula, chegando a 100 dias em algumas
espécies, e que haja competição entre o esperma de vários
machos. Para as fêmeas,entre os possíveis benefícios da cópula
extra-par está a possibilidade de melhores genes para a prole e
garantia contra uma eventual infertilidade do parceiro. Os
machos das espécies que praticam cópula extra-par vigiam de
perto acompanheira de modo agarantir a paternidade da prole
que criam. Nos restantes 5% de espécies verificam-se
vários sistemas de acasalamento,
incluindo poliginia, poliandria, poligamia, poliginandria e
promiscuidade. O acasalamento polígamo ocorre quando as
fêmeas são capazes de criara prole sema ajuda dos machos. Foi
também observado comportamento homossexual em
machos ou fêmeas de várias espécies de aves, incluindo cópula,
formação de pares e nos cuidados com as crias.
Territórios, nidificação e incubação
Os machos dos Tecelões-de-dorso-dourado constroem ninhos suspensos a partir de erva.
186
Fêmea de cauda-de-leque durante a incubação, que tem a finalidade de normalizar a
temperatura de desenvolvimento da cria no ovo.
Durante a época de reprodução, muitas aves defendem
ativamente um território de outros indivíduos da mesma
espécie,assegurando assimfontes de comida para as suas crias.
As espécies que não sãoterritoriais, como as aves marinhas ou
os andorinhões, geralmente reproduzem-se em colónias que
oferecem proteção contra predadores. As aves coloniais
defendem apenas o ninho, embora a competição pelos
melhores locais para construir o ninho possa ser intensa.
As aves geralmente põem os ovos num ninho. A maior parte
das espécies constrói ninhos bastante elaborados, que podem
ser em forma de chávena, de prato, em montículo ou dentro de
uma toca. No entanto, alguns ninhos são extremamente
primitivos. O ninho do albatroz, por exemplo, pouco mais é do
que algumaterra e ramos secos no chão. A maior parte das aves
constrói ninhos em locais abrigados ou escondidos para evitar
predadores, embora as aves coloniais ou de grande dimensão,
que têm maior capacidade de defesa, possam construir ninhos
abertos. Os materiais de construção do ninho variam imenso,
incluindo pequenas pedras, lama, ervas, galhos, folhas, algas e
fibras de plantas, sendo usados tanto isoladamente como em
conjunto. Algumas aves procuram também materiais de origem
187
animal, como penas, pelo de cavalos ou pele de cobras. Os
materiais podem ser entrançados, cosidos ou unidos com
lama. Algumas espécies procuram plantas com determinadas
toxinas que impedem a propagação de parasitas, de modo a
aumentar a sobrevivência das crias, e penas, que oferecem
isolamento térmico. Algumas espécies não fazem ninho; por
exemplo, o airo põe os ovos na rocha nua e os pinguins-
imperador mantêm os ovos entre o corpo e as patas.
Todas as aves põem ovos amnióticos de casca dura,
constituída principalmente por carbonato de cálcio.[16] O
número de ovos postos em cada ninhada varia entre 1 e cerca
de 20, dependendo da espécie. Algumas espécies põem
invariavelmente o mesmo número de ovos por ninhada,
embora a maioria das aves ponha um número variável. O
número de ovos tende a ser menor nas espécies de regiões
tropicais do que nas de regiões mais frias.[6] As espécies que
constroem o ninho enterrado ou em buracos tendem a pôr ovos
brancos ou claros, enquanto as espécies de ninho aberto põem
ovos camuflados. No entanto, existem muitas exceções a este
padrão; por exemplo, os noitibós, que colocam os ovos no
chão, têm ovos claros e a camuflagem é oferecida pelas
próprias penas. As espécies que são vítimas de parasitas de
ninhada têm ovos de várias cores de modo a aumentar a
probabilidade de detetar o ovo de um parasita, o que obriga as
fêmeas parasitas a fazer corresponder os seus ovos com os dos
seus hospedeiros.
Antes da nidificação, as fêmeas de muitas espécies
desenvolvem uma placa de incubação, perdendo penas no
abdómen. A pele desta região é bastante irrigada com vasos
sanguíneos, o que ajuda a ave durante
a Incubação. A incubação dos ovos tem início após a postura
188
do último ovo e tem como finalidade normalizar a temperatura
de desenvolvimento da cria. Em espécies monogâmicas a tarefa
de incubação é geralmente partilhada entre o casal, enquanto
que nas espécies polígamas só um dos progenitores é
responsável pela incubação. O calor dos progenitores passa
para o ovo através das placas de incubação – áreas de pele no
abdómen ou peito das aves, ricas em vasos sanguíneos. A
incubação pode ser um processo exigente em termos
energéticos; por exemplo, um albatroz adulto chega a perder
83 g de peso por dia durante a incubação. No entanto,
os megápodes aquecem os ovos com energia do sol, da
decomposição orgânica ou aproveitando a energia
geotérmica. Os períodos de incubação variam entre os 10 dias
(nos pica-paus, cucos e passeriformes) e os 80 dias (em
albatrozes e quivís).
Cuidados parentais e crias
Crias altriciais de papa-moscas-preto.
189
Fêmea de colibri calíope a alimentar as crias, já plenamente desenvolvidas.
No momento da eclosão dos ovos, dependendo da espécie, as
crias apresentam vários estádios de desenvolvimento, desde
completamente indefesas até perfeitamente independentes.
As crias indefesas são denominadas altriciais e tendem a
nascer pequenas, cegas, imóveis e ainda sem penas. As crias
que nascem já com autonomia, mobilidade e penas são
denominadas precociais ou nidífugas. As crias altriciais
necessitamde ajuda para regular a temperatura do corpo e são
cuidadas durante mais tempo do que as precociais. As crias que
não se enquadram nestes extremos podem ser semi-precociais
ou semi-altriciais.
A natureza e duração dos cuidados parentais variam
sinificativamente entre as diferentes ordens e espécies. Num
dos extremos, os cuidados parentais
nos megápodes terminam no momento da eclosão. As crias
saem do ovo e escavam sozinhas o caminho para fora do
montículo que serve de ninho, começando imediatamente a
alimentar-se por si mesmas. No outro extremo, muitas aves
marinhas prestam cuidados parentais ao longo de um grande
período de tempo. O mais longo é o da fragata-grande, cujas
crias levam seis meses até estarem prontas a voar e são
alimentadas pelos progenitores ainda por mais 14 meses. O
190
período de guarda é o período imediatamente a seguir à
eclosão, em que um dos adultos está permanentemente
presente no ninho. O propósito principal deste período é ajudar
as crias a regular a temperatura e protegê-las dos predadores.
Em muitas espécies,sãoambos os progenitores que cuidam das
crias. Noutras, os cuidados são da responsabilidade de apenas
um dos sexos. Em algumas espécies, outros membros da
mesma espécie ajudam a criar a prole, geralmente parentes
próximos do casal, como um descendente de uma ninhada
anterior.[163] Este comportamento é particularmente comum
entre os corvídeos, embora tenha também sido observado em
espécies tão diversas como a carriça-da-nova-zelândia ou
o milhafre-real. Embora na maioria dos animais sejamraros os
cuidados parentais por parte do macho, nas aves são bastante
comuns e mais do que em qualquer outra classe de
vertebrados. Embora a defesa do território, do ninho, a
incubação e a alimentação das crias sejam geralmente tarefas
partilhadas entre o casal, por vezes verifica-se uma divisão do
trabalho, em que um dos parceiros realiza toda ou grande parte
de determinada tarefa.
O momento em que as penas e os músculos das crias estão
suficientemente desenvolvidos para permitir voar varia de
forma muito significativa. As crias das tordas abandonam o
ninho na noite imediatamente a seguir à eclosão dos ovos,
seguindo os progenitores em direção ao mar, onde são criados
fora do alcance de predadores terrestres. Mas na maior parte
das espécies as crias abandonam o ninho imediatamente antes
ou pouco depois de serem capazes de voar. O período de
cuidados parentais após as crias conseguirem voar varia. Por
exemplo, enquanto as crias de albatroz abandonam o ninho por
elas próprias e não recebem mais ajuda, outras espécies
191
continuam a alimentar as crias. As crias de algumas espécies
migratórias seguemos pais ao longo da sua primeira migração.
Parasitismo de ninhada
Ninho de um piuí ocupado por um ovo de chopim-mulato, um parasita de ninhada.
O parasitismo de ninhada, ou nidoparasitismo, descreve o
comportamento de algumas espécies que põem os ovos nas
ninhadas de outras espécies. Este comportamento é mais
comum entre aves em comparação com outros animais. Após a
ave parasitater posto os ovos no ninho de outra ave, esses ovos
são muitas vezes aceites e cuidados pelo hospedeiro e com
prejuízo para a sua própria ninhada. Os nidoparasitas dividem-
se entre os que o fazem por necessidade, uma vez que são
incapazes de criar as suas próprias crias, e os ocasionais, que
apesar de serem capazes de criar a prole põem ovos em ninhos
de espécies coespecíficas para aumentar a sua capacidade
reprodutora. Entre os parasitas ocasionais estão mais de cem
espécies de aves, incluindo espécies das
famílias Indicatoridae, Icteridae e o pato-de-cabeça-preta,
embora o exemplo mais conhecido sejam os cucos. Algumas
crias de nidoparasitas eclodem antes das crias dos hospedeiros,
o que lhes permite destruir os ovos, empurrando-os para fora
192
do ninho ou matando as crias. Isto assegura que toda a comida
levada para o ninho servirá para alimentar as crias dos
nidoparasitas.
Ecologia
Algumas aves nectarívoras,como o colibri, são polinizadoras de determinadas plantas.
As aves ocupam uma ampla variedade de posições
ecológicas. Enquanto algumas aves são generalistas, outras são
especializadas emrelação ao habitat ou à alimentação. Mesmo
num único habitat, como por exemplo numa floresta, os nichos
ecológicos ocupados pelas diferentes espécies variam.
Enquanto algumas espécies vivem no dossel florestal, outras
vivem nos estratos intermédios e outras ainda junto ao solo.
Cada um destes grupos pode conter
aves insetívoras,frugívoras e nectarívoras. As aves aquáticas
geralmente alimentam-se da pesca, de plantas ou por
cleptoparasitismo. As aves de rapina especializam-senacaçade
pequenos mamíferos ou outras aves, enquanto os abutres
são necrófagos especializados. Alguns nectarívoros
são polinizadores importantes e muitos frugívoros são
essenciais para a dispersão de sementes. As plantas e as aves
polinizadoras muitas vezes coevoluem, e, em alguns casos, o
193
principal polinizador de determinada flor é a única espécie de
ave capaz de alcançar o seu néctar.
As aves são particularmente importantes para a ecologia das
ilhas. Tendo sido capazes de migrar para ilhas às quais os
mamíferos não conseguiram chegar, as aves podem
desempenhar papéis ecológicos que nos continentes são
geralmente realizados por animais de maior porte. Por
exemplo, as extintas moas tiveram de tal forma impacto no
ecossistema da Nova Zelândia, assimcomo têm o kereru ou
o kokako na atualidade, pelo que ainda hoje as plantas da ilha
mantêm as adaptações defensivas que as protegiam das
moas. Durante a nidação, as aves marinhas também afetam
significativamente a ecologia das ilhas e do mar envolvente,
principalmente devido à concentração de grandes quantidades
de guano que enriquece o solo da região.
Relação com o ser humano
Algumas aves têm bastante visibilidade e são animais comuns
com os quais o ser humano tem uma estreita relação desde o
início da Humanidade.[179] Em alguns casos, estas relações
são mutualistas, como na recolha de mel conjunta entre
os Indicatoridae e alguns povos africanos, como
os Boranas. Noutros casos, as relações podem ser comensais,
como o benefício que o pardal-doméstico tira das atividades
humanas. No entanto, as aves podem também ser vetores que
propagam ao longo de grandes distâncias doenças como
a ornitose, salmonelose, campilobacteriose, micobacterios
e (tuberculose aviária), gripe das
aves, giardiose ou criptosporidíase. Algumas destas
são doenças zoonóticas que podem também ser transmitidas
para os seres humanos.
Importância económica
194
As aves de criação, como a galinha, são a principal fonte
de proteínas animais consumida pelo ser humano.
Muitas espécies de aves, como o pardal-doméstico, são criadas como animais de
estimação.
As aves de criação são a principal fonte de proteínas animais
consumida pelo ser humano. Em 2003, foram consumidos 76
milhões de toneladas de aves de criação e produzidas 61
milhões de toneladas de ovos em todo o
mundo. Os frangos representam a maior parte do consumo de
aves, embora o peru, o pato e os gansos domesticados sejam
também comuns. Muitas espécies de aves são tambémcaçadas
para comida. A caça de aves é essencialmente uma atividade
recreativa, exceto em regiões bastante subdesenvolvidas. As
aves de caça mais comuns são os patos selvagens,
faisões, perus selvagens, perdizes, pombos,
tetrazes, maçaricos e galinholas. Embora alguma caça possa
ser sustentável, a caça no geral tem provocado a extinção ou
colocado em risco dezenas de espécies. Entre os outros
produtos avícolas com valor comercial estão as penas,
especialmente as dos gansos e patos, que são usadas como
isolamento em casacos e na roupa de cama, e o guano (fezes
de aves marinhas), que é uma fonte valiosa
195
de fósforo e nitrogénio. A Guerra do Pacífico foi travada
devido em parte ao controlo dos depósitos de guano.
As espécies que se alimentam de pragas são muitas vezes
usadas em programas de controlo biológico. Por outro lado,
algumas espécies tornaram-se elas próprias pragas agrícolas de
elevado custo económico, enquanto outras constituem riscos
para a aviação.
As aves são domesticadas pelo ser humano, não só
como animais de estimação mas também para efeitos
utilitários. Muitas aves com cores exóticas, como
os papagaios ou as araras, são criadas em cativeiro ou
vendidas como animais de companhia. No entanto, isto
também tem feito crescer o tráfico ilegal de várias espécies
ameaçadas. A falcoaria e a pesca com a assistência de corvos
marinhos são tradições milenares. Os pombos-correio,
usados pelo menos desde o século I, foram essenciais nas
comunicações até à II Guerra Mundial, No entanto, hoje em
dia estas atividades são mais comuns como passatempo ou
atração turística. Existemmilhões de entusiastas amadores que
apreciam a observação de aves, ou birdwatching, uma
vertente significativa do ecoturismo. Muitos proprietários
constroem alimentadores de pássaros perto de casa para
atrair várias espécies.
Religião, folclore e cultura
196
As percepções culturais sobre as espécies de aves diferem de
cultura para cultura. Enquanto em África as corujas são
associadas a má sorte e bruxaria, na Europa são associadas ao
conhecimento.
As aves têm um papel de relevo no folclore, na religião e
na cultura popular e vários dos seus atributos, reais ou
imaginários, são usados de forma simbólica na arte e na
literatura. Desde as gravuras rupestres da época pré-
histórica que são um motivo frequente de representação
artística e, o longo dos séculos, foram usadas como motivo nas
mais diversas formas de arte sacra ou simbólica, como por
exemplo o Trono do Pavão dos
imperadores mogois e persas. As Fábulas de Esopo contêm
várias personificações de aves. Os fisiólogos e
os bestiários medievais contêm lições de moral que usam as
aves como símbolos para transmitir ideias. O tema central
do Conto do Velho Marinheiro, de S. T. Coleridge, é a relação
entre um albatroz e um marinheiro. Algumas metáforas na
linguagem têm origem no comportamento das aves, como a
associação de investidores ou fundos predatórios
aos abutres necrófagos. As aves são também um tema
importante na poesia. Homero escreveu sobre
os rouxinóis na Odisseia, enquanto Cátulo usou
um pardal como símbolo erótico nos seus poemas.
Na religião, as aves são muitas vezes associadas a mensageiros,
sacerdotes ou líderes de determinada divindade.
No Cristianismo, as aves simbolizam a transcendência da alma
e, na iconografia medieval, uma ave envolta em folhas
simbolizava a alma envolvida pelo materialismo do
mundo secular. Na mitologia nórdica, Hugin e Munin são
197
dois corvos que deram a volta ao mundo para trazer notícias
ao deus Odin. Em várias civilizações da Antiguidade italiana,
principalmente na mitologiaetrusca e na religiãoromana, os
sacerdotes praticavam auguria, interpretando as palavras das
aves, enquanto o auspex as usava para fazer previsões sobre o
futuro. As aves podem também servir como símbolos religiosos,
como no caso de Jonas (hebraico: ‫ֹוי‬‫נ‬ָ‫,ה‬ pomba), que
simbolizava o medo, passividade, pesar e beleza
tradicionalmente associados às pombas.[199] As próprias aves
são muitas vezes deificadas, como no caso do pavão-comum,
que os Dravidianos vêm como a Terra-Mãe.[200] Algumas aves
são também vistas como monstros, incluindo o
mitológico Roc e o lendário Poukai, uma ave gigante que para
os Maoris é capaz de raptar seres humanos.
Os maias e os Astecas veneravam o quetzal-resplandecente,
que hoje em dia dá nome àmoeda da Guatemala e é um motivo
popular na arte, tecidos e joalharia. As águias são símbolo de
poder e prestígio em muitas partes do mundo, incluindo na
Europa, onde são frequentemente motivos heráldicos.
Os povos nativos norte-americanos usavam frequentemente
penas de águia em rituais religiosos, como ornamento pessoal
e eram oferecidas aos convidados como símbolo de paz e
amizade.[6] No culto doMakemake os tangata manu (homens-
pássaro) da ilha de Páscoa eram nomeados líderes.[202] Os
povos indígenas dos Andes contam lendas de pássaros que
atravessam mundos metafísicos. Em imagens religiosas dos
impérios Inca e Tiwanaku, as aves são representadas a
transgredir a fronteira entre o reino terrestre e o reino
espiritual subterrâneo.
As percepções culturais sobre diversas espécies de aves são
muitas vezes diferentes de cultura para cultura. Por exemplo,
198
enquanto em África e na mitologia norte-americana
as corujas são associadas a má sorte, bruxaria e
morte,[205] na Europa são vistas como sábias.[206] As poupas,
consideradas sagradas no Antigo Egito e símbolo de virtude
na Pérsia, são no entanto vistas como ladras em grande parte
da Europa e como presságio de guerra na Escandinávia.
Conservação
O condor-da-califórnia,outrora restritoa apenas 22indivíduos, conta hojecom330 graças a
medidas de conservação.
Embora a presença humana tenha facilitado a expansão de
algumas espécies, como a andorinha-das-chaminés ou
o estorninho-comum, foi também a causa da extinção ou
diminuição da população de muitas outras espécies. Embora
em tempos históricos tenham sido extintas mais de cem
espécies de aves,[208] a mais dramática das extinções de aves
causadas pelo ser humano, que erradicou entre 750 e 1 800
199
espécies, ocorreu durante a colonização humana das ilhas
da Melanésia, Polinésia e Micronésia. Muitas populações de
aves em todo o mundo encontram-se em declínio, com 1 375
espécies listadas como ameaçadas pela BirdLife
International e pela União Internacional para a
Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais em
2015.
A ameaça humana às aves mais comum é a destruição dos
habitats. Entre as outras ameaças estão a caça em excesso,
mortalidade acidental devido a colisões aéreas ou captura
acessória na pesca, poluição (incluindo marés negras e uso
de pesticidas), e competição e predação de espécies
invasoras.[215] Os governos e os conservacionistas trabalham
em conjunto para proteger as aves, criando legislação que
promova a conservação ou o restauro dos habitats ou criando
populações de cativeiro para futura reintrodução nos
habitats. Um estudo estimou que o esforço de conservação
salvou da extinção 16 espécies deaves entre 1994 e2004, como
o condor-da-califórnia ou o periquito-de-Norfolk.
Evolução e classificação
O Archaeopteryx lithographica é geralmente considerada a mais antiga ave verdadeira
conhecida.
200
A primeira classificação taxonómica das aves foi publicada
por Francis Willughby e John Ray em 1676 no
volume Ornithologiae. Em 1758, Carolus Linnaeus modificou
essa classificação para o sistema de classificação
taxonómica em uso na atualidade. No Sistema de Linné, as
aves estão categorizadas na classe homónima das Aves.
A classificação filogenética coloca as aves no clado dos
dinossauros terópodes.[219] As Aves, bem como o grupo
relacionado do clado Crocodilia, são os únicos representantes
vivos do clado réptil dos Archosauria. Em
termos filogenéticos, as Aves são geralmente definidas como
todos os descendentes do ancestral comum mais recente das
aves modernas e do Archaeopteryx lithographica. Segundo esta
definição, a ave mais antiga que se conhece é o Archaeopteryx,
que viveu na idade do Kimmeridgiano do Jurássico Superior,
há 155-150 milhões de anos.
No entanto, outros paleontólogos, entre os quais Jacques
Gauthier e os aderentes do sistema PhyloCode, definiram
Aves de modo a incluir apenas os grupos de aves modernas,
excluíndo a maior parte dos grupos conhecidos apenas a partir
de fósseis, os quais atribuíramao grupo Avialae. Segundo esta
definição, o Archaeopteryx é um membro dos Avialae,e não das
Aves. As propostas de Gauthier têm sido adotadas por muitos
investigadores no campo da paleontologia e evolução das
aves, embora as definições aplicadas não tenham sido
consistentes. O clado Avialae, inicialmente proposto para
substituir o conteúdo fóssil do grupo das Aves, é muitas vezes
usado por estes investigadores como sinónimo do termo
vernacular "ave".
Dinossauros e a origem das aves
201
Com base em evidências fósseis e biológicas, a maior parte dos
cientistas aceita que as aves são um subgrupo especializado
dos dinossauros terópodes e, mais especificamente, que são
membros dos Maniraptora, um grupo de terópodes que inclui
os dromeossaurídeos e os oviraptorídeos, entre outros. À
medida que os cientistas foram descobrindo mais terópodes
estreitamente relacionados com as aves, a distinção
anteriormente clara entre aves e não aves foi se esbatendo. As
descobertas recentes na província chinesa de Liaoning de
vários dinossauros emplumados terópodes de pequena
dimensão vieram contribuir para esta ambiguidade.
O consenso na paleontologia contemporânea é de que os
terópodes voadores, ou Avialae, sãoos parentes mais próximos
dos deinonicossauros, grupo que inclui os dromeossaurídeos
e os troodontídeos. Em conjunto, estes formam um grupo
designado Paraves.Alguns membros basaisdeste grupo, como
o Microraptor, apresentam características que lhes podem ter
permitido planar ou voar. A maior parte dos deinocossauros
basais eram muito pequenos. Estas evidências aumentam a
possibilidade de que o ancestral de todos os paraves possa ter
sido arborícola, ter sido capaz de planar, ou ambos. Ao
contrário do Archaeopteryx edos dinossauros emplumados não
avianos, que comiam principalmente carne, os estudos mais
recentes sugerem que os primeiros avianos eram omnívoros.
O Archaeopteryx, que viveu no Jurássico Superior, foi um dos
primeiros fósseis de transição descobertos, tendo sido uma
das bases para a teoria da evolução em finais do século XIX.
O Archaeopteryx foi o primeiro fóssil a exibir não só
características claramente de réptil, como os dentes, garras e
uma cauda comprida semelhante a um lagarto, mas também
asas com penas adaptadas ao voo semelhantes às das aves
202
modernas. No entanto, não é considerado um ancestral direto
das aves, embora esteja possivelmente relacionado com o
verdadeiro ancestral.
Evolução inicial
Os mais antigos fósseis avianos conhecidos são provenientes
da Formação de Tiaojishan, na China, e estão datados do
estágio Oxfordiano do período Jurássico Superior, há cerca
de 160 milhões de anos. As espécies avianas deste período
incluem o Anchiornis huxleyi, Xiaotingia zhengi e o Aurornis
xui. O aviano mais conhecido, Archaeopteryx, data de rochas
jurássicas alemãs ligeiramente posteriores, de há cerca de 155
milhões de anos. Muitos destes primeiros avianos partilhavam
entre si características anatómicas invulgares que podem ter
sido ancestrais das aves modernas, mas que foram mais tarde
perdidas durante a evolução das aves. Estas características
incluem uma garra maior no segundo dedo e asas posteriores
que cobriam os membros e pés posteriores e que podem ter
sido usadas para manobras no ar.
Durante o Cretácico, os avianos diversificaram-se numa ampla
variedade de formas. Muitos grupos mantiveram
as características primitivas, como as asas com garras e os
dentes. Estes últimos acabaram por se perder em vários grupos
avianos, incluindo as aves modernas, embora de forma
independente entre si.Enquanto os avianos mais antigos, como
o Archaeopteryx e o Shenzhouraptor sinensis, mantiveram as
caudas ósseas dos seus ancestrais,[235] as caudas de avianos
mais avançados foram sendo encurtadas após o aparecimento
dos ossos pigóstilos no grupo Pygostylia. No Cretácico
superior, há cerca de 95 milhões de anos, o ancestral de todas
as aves modernas desenvolveu também o sentido do olfato.
Diversificação inicial dos ancestrais das aves
203
A primeira grande e diversificada linhagemde avianos de cauda
curta a evoluir foram os enantiornithes, ou "opostos às aves",
assimdesignados porque a construção dos ossos dos ombros se
apresenta invertida em relação às aves modernas.
Os enantiornithes ocupavam um vasto conjunto de nichos
ecológicos, desde os que vasculhavam as areias nas zonas
costeiras, passando pelos que se alimentavam de peixe, até aos
que viviam nas árvores e se alimentavam de sementes. Embora
tenham sido o grupo dominante dentro dos avianos durante o
período Cretácico, os enantiornithes extinguiram-se no fim
do Mesozoico, a par de muitos outros grupos de dinossauros.
A segunda grande linhagem aviana a desenvolver-se foram
os Euornithes, ou "aves verdadeiras", assim designados porque
incluem os ancestrais das aves modernas. Muitas das espécies
deste grupo eram semi-aquáticas eespecializadas nacapturade
peixe e outros organismos marinhos. Ao contrário
dos enantiornithes, que dominavam os habitats terrestres e
arbustivos, à maior parte dos primeiros euornithes faltavam
adaptações que lhes permitissem empoleirar, pelo que neste
grupo se observam sobretudo espécies adaptadas às regiões
costeiras ou capazes de nadar e mergulhar. Entre as que
possuíam esta última característica estão
os hesperornithiformes, que se tornaram de tal forma
especializados na pesca de peixe em ambientes marinhos que
perderam a capacidade de voar e se tornaram aquáticos. Os
primeiros euornithes também assistiram ao desenvolvimento
de várias características associadas às aves modernas, como
osso esterno com quilha, ausência de dentes e partes da
mandíbula em forma de bico. No entanto, a maior parte
dos euornithes manteve dentes noutras partes da mandíbula. O
grupo dos euornithes também inclui os primeiros avianos a
204
desenvolver um verdadeiro pigóstilo e um conjunto completo
de penas de cauda, o qual pode ter substituído as asas
posteriores como principal meio de manobrabilidade e
desaceleração em voo.
Diversificação das aves modernas
Todas as aves modernas pertencem ao grupo coroa das Aves
(ou, em alternativa, Neornithes), o qual tem duas subdivisões:
os Paleognathae, em que se incluem os ratitas não voadores
(como a avestruz), os tinamiformes e o extremamente
diversificado grupo dos Neognathae, que contém todas as
outras aves. A estas duas subdivisões dá-se muitas vezes
a categoria taxonómica de superordem. Dependendo do
ponto de vista taxonómico, o número de espécies de aves vivas
conhecidas varia entre 9 800[241] e 10 050. Devido em grande
parte à descoberta do Vegavis, um membro neognato da
linhagem dos patos, sabe-se que o grupo Aves se dividiu em
várias linhagens modernas por volta do fim da era
do Mesozoico. Alguns estudos estimaram que a origem efetiva
das aves modernas terá provavelmente ocorrido mais cedo do
que os fósseis conhecidos mais antigos, provavelmente a meio
do período Cretácico.
Há um consenso de que as Aves se desenvolveram durante o
Cretácico e que a divisão dos Galloanseri dos outros neognatos
ocorreu antes da extinção do Cretáceo-Paleogeno, embora
haja diferentes opiniões sobre se a radiação evolutiva dos
restantes neognatos ocorreu antes ou depois da extinção dos
restantes dinossauros. Esta discordância deve-se em parte a
uma divergência nas evidências.Os dados moleculares sugerem
uma radiação durante o Cretácico, enquanto as evidências
fósseis sugerem uma radiação durante o Cenozoico. As
tentativas para reconciliar as evidências moleculares e fósseis
205
têm-se revelado controversas, embora resultados recentes
mostrem que todos os grupos existentes de aves tenham tido
origem num pequeno grupo de espécies que sobreviveu à
extinção do Cretáceo-Paleogeno.
Classificação das ordens das aves
A classificação das aves é um tema controverso. A
publicação Phylogeny and Classification of Birds (1990), da
autoria de Charles Sibleye Jon Ahlquist, é uma das principais
obras de referência na classificação das aves, embora seja
frequentementemente discutida e continuamente revista. A
maior parte das evidências sugere que a distribuição das ordens
é correta, embora os cientistas discordem entre si quanto às
relações entre as ordens. Apesar de a discussão contar com
evidências da anatomia das aves modernas, ADN e registos
fósseis, ainda não há um consenso determinante.
Recentemente, a descoberta de novos fósseis e a obtenção de
evidências moleculares está a contribuir para uma panorâmica
cada vez mais clara da evolução das ordens de aves modernas.
A investigação mais recente tem-se focado
na sequenciação de genomas completos de 48 espécies
representativas.
Peixe
Os peixes são animais vertebrados, aquáticos,
tipicamente ectotérmicos, que possuem o corpo fusiforme,
os membros transformados em barbatanas ou
nadadeiras (ausentes em alguns grupos) sustentadas
por raios ósseosou cartilaginosos,guelras ou brânquias com
que respiram o oxigénio dissolvido na água (embora
os dipnóicos usem pulmões) e, na sua maior parte, o corpo
coberto de escamas.
206
Os peixes são recursos importantes, principalmente como
alimento, mas também são capturados por pescadores
recreativos, mantidos como animais de estimação, criados
por aquaristas, e expostos em aquários públicos. Os peixes
tiveram um papel importante na cultura através dos tempos,
servindo como divindades, símbolos religiosos (ver ichthys), e
como temas de arte, livros e filmes.
Uma vez que o "peixe" é definido negativamente, e exclui
os tetrápodes (ou seja, os anfíbios, répteis, aves
e mamíferos) que são descendentes da mesma origem, é um
agrupamento parafilético, não considerado adequado na
biologia sistemática. A classe Pisces, de Lineu é considerada
tipológica, mas não filogenética.
Os primeiros organismos que podem ser classificados como
peixes eram cordados de corpo mole que apareceram pela
primeira vez durante o período Cambriano. Embora eles não
tivessem uma verdadeira espinha dorsal,
possuíam notocórdio, que lhes permitiu serem mais ágeis do
que os invertebrados marinhos. Os peixes continuaram a
evoluir durante o Paleozoico,diversificando-seemuma grande
variedade de formas.
Classificação
207
Técnica dediafanização -espécimeesclarecido para a visualização deestruturas anatômicas
em exposição no MAV/USP.
No uso comum, o termo peixe tem sido frequentemente
utilizado para descrever um vertebrado aquático com
brânquias, membros, se presentes, na forma de nadadeiras, e
normalmente com escamas de origem dérmica no tegumento.
Sendo este conceito do termo "peixe" utilizado por
conveniência, e não por unidade taxonômica, porque os peixes
não compõem um grupo monofilético, já que eles não possuem
um ancestral comum exclusivo. Para que se tornasse um grupo
monofilético, os peixes deveriam juntar os Tetrápodes.
Os peixes são tradicionalmente divididos nos seguintes grupos:
Peixes ósseos (Osteichthyes, com mais de 22 000 espécies) à
qual pertencem as sardinhas, as garoupas, o bacalhau,
o atum e, em geral, todos os peixes que possuem esqueleto
ósseo;
Peixescartilaginosos (Chondrichthyes, mais de 1000 espécies)
à qual pertencem os tubarões e as raias;
Vários grupos de peixes semmaxilas (antigamente classificados
como Agnatha ou Cyclostomata, com cerca de 80 espécies),
incluindo as lampréias e as mixinas.[4]
208
Em vista desta diversidade, os zoólogos não mais aceitam a
antiga classe Pisces em que Lineu os agrupou, como se pode
ver na classificação dos Vertebrados. Abaixo apresentam-se
detalhes da classificação atualmente aceita.
Importância dos peixes
Peixes de água salgada.
Por vezes, usa-se a palavra peixe para designar vários animais
aquáticos (por exemplo na palavra peixe-mulher para designar
o dugongo). Mas a maior parte dos organismos aquáticos
muitas vezes designados por "peixe", incluindo
as medusas (águas-vivas), os moluscos e crustáceos e
mesmo mamíferos muito parecidos com os peixes como
os golfinhos, não são peixes.[7]
Os peixes encontram-se em praticamente todos
os ecossistemas aquáticos, tanto em água doce como
em água salgada, desde a água da praia até às grandes
profundezas dos oceanos (ver biologia marinha). Mas há
alguns lagos hiper-salinos, como o Grande Lago Salgado,
nos Estados Unidos da América do Norte onde não vivem
peixes.
209
Os peixes têm uma grande importância para a humanidade e
desde tempos imemoriais foram pescados para a sua
alimentação. Muitas espécies de peixes são criadas em
condições artificiais (ver aquacultura), não só para
alimentação humana, mas também para outros fins, como
os aquários.
Há algumas espécies perigosas para o homem, como
os peixes-escorpião que têm espinhos venenosos e algumas
espécies de tubarão, que podem atacar pessoas nas praias.
Muitas espécies de peixes encontram-se ameaçadas
de extinção, quer por pesca excessiva, quer por deterioração
dos seus habitats.
O ramo da zoologia que estuda os peixes do ponto de vista da
sua posição sistemática é a ictiologia. No entanto, os peixes
são igualmente estudados no âmbito da ecologia, da biologia
pesqueira, da fisiologia e doutros ramos da biologia.
Ecologia dos peixes
Classificação ecológica
Arenque, Clupea harengus
Esta espécie já foi considerada pelo Guinness Book of
Records como a mais numerosa entre os peixes; com a pesca
excessiva, este peixe do norte do Oceano Atlântico já não tem
os níveis populacionais de outrora.
Uma forma de classificar os peixes é segundo o
seu comportamento relativamente à região das águas onde
210
vivem; este comportamento determina o papel de cada grupo
no ambiente aquático:
pelágicos (do latim pelagos, que significa o "mar aberto") – os
peixes que vivem geralmente em cardumes, nadando
livremente na coluna de água; fazem parte deste grupo as
sardinhas, as anchovas, os atuns e muitos tubarões.
demersais – os que vivem a maior parte do tempo em
associação com o substrato, quer em fundos arenosos como
os linguados, ou em fundos rochosos, como as garoupas.
Muitas espécies demersais têm hábitos territoriais e defendem
o seu território activamente – um exemplo são as moreias,
que se comportam como verdadeiras serpentes aquáticas,
atacando qualquer animalque seaproxime do seu esconderijo.
batipelágicos – os peixes que nadam livremente em águas de
grandes profundidades (zona batial).
mesopelágicos – espécies que fazem
grandes migrações verticais diárias, aproximando-se da
superfície à noite e vivendo em águas profundas durante o dia.
Exemplo deste grupo são os peixes-lanterna.
Hábitos alimentares
Órgãos: 1. Fígado, 2. Bexiga de gás, 3. Ovas, 4. Cecos pilóricos, 5. Estômago, 6. intestino.
211
Os peixes pelágicos de pequenas dimensões como
as sardinhas são geralmente planctonófagos, ou
seja, alimentam-se quase passivamente do plâncton disperso
na água,[13] que filtram à medida que "respiram", com a ajuda
de branquispinhas, que são excrescências ósseas dos arcos
branquiais (a estrutura que segura as brânquias ou guelras).
Algumas espécies de maiores dimensões têm também este
hábito alimentar, incluindo algumas baleias (que não são
peixes, mas mamíferos) e alguns tubarões como os zorros
(género Alopias). Mas a maioria dos grandes peixes pelágicos
são predadores ativos, ou seja, procuram e capturam as suas
presas,que sãotambém organismos pelágicos,nãosó peixes,
mas
também cefalópodes (principalmente lulas), crustáceos ou
outros.
Os peixes demersais podem ser predadores, mas também
podem ser herbívoros, que se alimentam de plantas
aquáticas, detritívoros, ou seja, que se alimentam dos restos
de animais e plantas que se encontram no substrato, ou
serem comensais de outros organismos, como a rémora que
se fixa a um atum ou tubarão através dum disco adesivo no
topo da cabeça e se alimenta dos restos de comida que caem
da boca do seu hospedeiro (normalmente um grande
predador), ou mesmo parasitas de outros organismos.
Alguns peixes abissais e também alguns neríticos, como
os diabos (família Lophiidae) apresentam excrescências,
geralmente na cabeça, que servem para atrair as suas presas;
essas espécies costumam ter uma boca de grandes dimensões,
que lhes permitem comer animais maiores que eles próprios.
Numa destas espécies, o macho é parasita da fêmea, fixando-
se pela boca a um tentáculo da sua cabeça.
212
Hábitos de reprodução
A maioria dos peixes é dióica, ovípara, fertiliza
os óvulos externamente e não desenvolve cuidados
parentais. Nas espécies que vivem em cardumes, as
fêmeas desovam nas próprias águas onde os cardumes vivem
e, ao mesmo tempo, os machos libertam o esperma na água,
promovendo a fertilização. Em alguns peixes pelágicos,
os ovos flutuam livremente na água – e podem ser comidos por
outros organismos, quer planctónicos, quer nectónicos; por
essa razão, nessas espécies é normal cada fêmea libertar um
enorme número de óvulos.[17] Noutras espécies, os ovos
afundam e o seu desenvolvimento realiza-se junto ao fundo –
nestes casos, os óvulos podem não ser tão numerosos, uma vez
que são menos vulneráveis aos predadores.
No entanto, existem excepções a todas estas características e
neste artigo referem-se apenas algumas. Abaixo, na
secção Migrações encontram-se os casos de espécies que
se reproduzem na água doce, mas crescem na água
salgada e vice-versa.
Em termos de separação dos sexos, existem também (ex.:
família Sparidae, os pargos) casos de hermafroditismo e
casos de mudança de sexo - peixes que são fêmeas durante as
primeiras fases de maturação sexual e depois se transformam
em machos (protoginia) e o inverso (protandria).
Os cuidados parentais, quando existem, apresentam casos
curiosos. Nos cavalos-marinhos (género Hypocampus), por
exemplo, o macho recolhe os ovos fecundados e incuba-
os numa bolsa marsupial. Muitos ciclídeos (de que faz parte
a tilápia) e algumas espécies de aquário endémicas do Lago
Niassa (também conhecido por Lago Malawi, na fronteira
entre Moçambique e o Malawi) guardam os filhotes na boca,
213
quer do macho, quer da fêmea, ou alternadamente, para os
protegerem dos predadores.[17]
Refere-se acima que a maioria dos peixes é ovípara, mas
existem também espécies vivíparas e ovovivíparas, ou seja,
em que o embrião se desenvolve dentro do útero materno.
Nestes casos, pode haver fertilização interna - embora os
machos não tenham um verdadeiro pênis, mas possuem uma
estrutura para introduzir o esperma dentro da fêmea. Muitos
destes casos encontram-se nos peixes cartilagíneos (tubarões
e raias), mas também em muitos peixes de água doce e mesmo
de aquário.
Hábitos de repouso
Os peixes não dormem. Eles apenas alternam estados de vigília
e repouso. O período de repouso consistenum aparente estado
de imobilidade, em que os peixes mantêm o equilíbrio por meio
de movimentos bem lentos.
Como não têm pálpebras, seus olhos ficam sempre abertos.
Algumas espécies se deitam no fundo do mar ou no rio,
enquanto os menores seescondem emburacos para não serem
comidos enquanto descansam.
Migrações
Muitas espécies de peixes (principalmente os pelágicos)
realizam migrações regularmente, desde migrações diárias
(normalmente verticais, entre a superfície e águas mais
profundas), até anuais, percorrendo distâncias que podem
variar de apenas alguns metros até várias centenas de
quilómetros e mesmo plurianuais, como as migrações
das enguias.
214
Tubarão-serra
Na maior parte das vezes, estas migrações estão relacionadas
ou com a reprodução ou com a alimentação (procura de locais
com mais alimento). Algumas espécies de atuns migram
anualmente entre o norte e o sul do oceano, seguindo massas
de água com a temperatura ideal para eles.
Os peixes migratórios classificam-se da seguinte forma:*
diádromos – peixes que migram entre os rios e o mar;
anádromos – peixes que vivem geralmente no mar, mas se
reproduzem em água doce;
catádromos – peixes que vivem nos rios, mas se reproduzem
no mar;
anfídromos – peixes que mudam o seu habitat de água doce
para salgada durante a vida, mas não para se
reproduzirem (normalmente por relações fisiológicas, ligadas
à sua ontogenia);
potamódromos – peixes que realizam as suas migrações
sempre emáguadoce, dentro dum rio ou dum rio para um lago;
e
oceanódromos – peixes que realizam as suas migrações
sempre em águas marinhas, como os atuns.
Os peixes anádromos mais estudados são os salmões (ordem
Salmoniformes), que desovam nas partes altas dos rios, se
desenvolvem no curso do rio e, a certa altura migram para o
215
oceano onde se desenvolvem e depois voltam ao mesmo
rio onde nasceram para se reproduzirem. Muitas espécies de
salmões têm um grande valor económico e cultural, de forma
que muitos rios onde estes peixes se desenvolvem têm
barragens com passagens parapeixes (chamadas eminglês "fish
ladders" ou "escadas para peixes"), que lhes permitem passar
para montante da barragem.
O exemplo mais bem estudado de catadromia é o caso
da enguia europeia que migra cerca de 6000 km até ao Mar
dos Sargaços (na parte central e ocidental do Oceano
Atlântico) para desovar, sofrendo grandes metamorfoses
durante a viagem; as larvas, por seu lado, migram no sentido
inverso, para se desenvolverem nos rios da Europa.
Camuflagem e outras formas de proteção
Alguns peixes secamuflam para fugirem de certos predadores,
outros para melhor apanharem as suas presas. Algumas
espécies de arraia, por outro lado, se escondem na areia e
podem mudar o tom da pele,para suas presas não notarem sua
presença no ambiente.
Anatomia dos peixes
Anatomia interna
216
A - Nadadeira dorsal; B -Raios da nadadeira; C -Linha Lateral; D - Rim; E-Bexiga; F -Aparelho
de Weber; G - Ouvido interno; H -Cérebro;I -Narinas; L - Olhos; M - Guelra N - Coração; O
- Estômago; P -Vesícula Biliar; Q -Baço; R -Órgãos sexuais internos;S -Nadadeira ventral; T
- Coluna; U - Nadadeira anal; V - Nadadeira caudal.
Esqueleto
Coração
Aparelho digestivo
Bexiga natatória
A bexiga natatória é um órgão que auxilia o peixe a manter-
se a determinada profundidade através do controle da
sua densidade relativamente à da água. É um saco de paredes
flexíveis, derivado do intestino que pode expandir-se ou
contrair de acordo com a pressão; tem muito poucos
vasos sanguíneos, mas as paredes estão forradas com cristais
de guanina, que a fazem impermeáveis aos gases.
A bexiga natatória possui uma glândula que permite a
introdução de gases, principalmente oxigênio, na bexiga, para
aumentar o seu volume. Noutra região da bexiga, esta
encontra-se em contacto com o sangue através doutra
estrutura conhecida por "janela oval", através da qual o
oxigénio pode voltar para a corrente sanguínea,baixando assim
a pressão dentro da bexiga natatória e diminuindo o seu
tamanho.
Nem todos os peixes possuem este órgão:
os tubarões controlam a sua posição na água apenas com
a locomoção e com o controle de densidade de seus corpos,
através da quantidade de óleo emseu fígado; outros peixes têm
reservas de tecido adiposo para essa finalidade.
A presença de bexiga natatória traz uma desvantagem para o
seu portador: ela proíbe a subida rápida do animal dentro da
coluna de água, sob o risco daquele órgão rebentar.
217
A denominação bexiga natatória foi substituída por vesícula
gasosa.
Anatomia externa
Para além de mostrar diferentes adaptações evolutivas dos
peixes ao meio aquático, as características externas destes
animais (e algumas internas, tais como o número de vértebras)
são muito importantes para a sua classificação sistemática.
Forma do corpo
A forma do corpo dos peixes "típicos" –
basicamente fusiforme – é uma das suas melhores adaptações
à locomoção dentro de água. A maioria dos
peixes pelágicos (ver acima), principalmente os que
formam cardumes activos, como os atuns, apresentam esta
forma "típica".
No entanto, há bastantes variações a esta forma típica,
principalmente entre os demersais e nos peixes abissais (que
vivem nas regiões mais profundas dos oceanos). Nestes últimos,
o corpo pode ser globoso e apresentar excrescências que
servem para atrair as suas presas.
A variação mais dramática do corpo dos peixes encontra-se
nos Pleuronectiformes, ordem a que pertencem
os linguadose as solhas. Nestes animais, adaptados a viverem
escondidos em fundos de areia, o corpo
sofre metamorfoses durante o seu desenvolvimento larvar,
de forma que os dois olhos ficam do mesmo lado do corpo –
direito ou esquerdo, de acordo com a família.
Muitos outros peixes demersais têm o corpo
achatado dorsiventralmente para melhor seconfundirem com
o fundo. Alguns, como os góbios, que são peixes muito
pequenos que vivem em estuários, têm inclusivamente
218
as nadadeiras ventrais transformadas num botão adesivo,
para evitarem ser arrastados pelas correntes de maré.
Os Anguilliformes (enguias, congros e moreias) têm o corpo
"anguiliforme", ou seja em forma de serpente, assim como
algumas outras ordens de peixes.
Nadadeiras
As diversas estruturas da nadadeira
As barbatanas ou nadadeiras são órgãos de locomoção dos
peixes. São extensões da derme (a camada profunda da pele)
suportadas por lepidotríquias, que são escamas modificadas
e funcionam como os raios das rodas de bicicleta. Por essa
razão, chamam-se raios os que são flexíveis, muitas
vezes segmentados e |ramificados, ou espinhos, quando são
rígidos e podem ser ocos e possuir um canal para a emissão
de veneno.
Os números de espinhos e raios nas nadadeiras dos peixes são
importantes caracteres para a sua classificação, havendo
mesmo chaves dicotómicas para a sua identificação em que
este é um dos principais factores.
219
Tipicamente, os peixes apresentam os seguintes tipos de
nadadeiras:
uma nadadeira dorsal
uma nadadeira anal;
uma nadadeira caudal;
um par de nadadeiras ventrais (ou nadadeiras pélvicas);
um par de nadadeiras peitorais.
Apenas as nadadeiras pares têm relação evolutiva com os
membros dos restantes vertebrados.
Algumas ou todas estas nadadeiras podem faltar ou estar
unidas - já foi referida atransformação das nadadeiras peitorais
dos góbios num disco adesivo – mas as uniões mais comuns são
entre as nadadeiras ímpares, como a dorsal com a caudal e anal
com caudal (caso de algumas espécies de linguados).
As nadadeiras têm formas e cores típicas em alguns grupos de
peixes.
Para além da coloração do corpo, a forma e cor das nadadeiras
sãodecisivas para os aquaristas, de tal forma que chegamaser
produzidas variedades de espécies com nadadeiras
espectaculares, como o famoso cauda-de-véu, uma variedade
do peixinho-dourado (Carassius auratus).
Alguns grupos de peixes, para além da nadadeira dorsal com
espinhos e raios (que podem estar separadas), possuem
uma nadadeira adiposa, normalmente perto da caudal. É o caso
dos salmões e dos peixes da família do bacalhau (Gadídeos).
Escamas ou placas
A pele dos peixes é fundamentalmente semelhante à dos
outros vertebrados, mas possui algumas características
específicas dos animais aquáticos. O corpo dos peixes está
normalmente coberto de muco que, por um lado diminui a
resistência da água ao movimento e, por outro, os protege dos
220
inimigos. Embora haja muitos grupos de peixes com pele nua,
como as enguias, a maior parte dos peixes tem-na coberta
de escamas que, ao contrário dos répteis, têm origem na
própria derme.
Os peixes apresentam quatro tipos básicos de escamas:
ciclóides, as mais comuns, normalmente finas, subcirculares e
com a margem lisa ou finamente serrilhada;
ctenóides, também sub-circulares, mas normalmente rugosas e
com a margem serrilhada ou mesmo espinhosa;
ganóides, de forma sub-romboidal e que podem ser bastante
grossas como as dos esturjões; e salmões.
placóides, normalmente duras com um ou mais espinhos, de
formas variadas.
Alguns grupos de peixes têm o corpo coberto de placas ou
mesmo uma armadura rígida, como o peixe-cofre e os cavalos-
marinhos. Esta armadura pode estar ornamentada com cristas
e espinhos e apresenta fendas por onde saem as nadadeiras.
Linha lateral
Um órgão sensorial específico dos peixes é a linha lateral,
normalmente formada por uma fiada longitudinal de escamas
perfuradas através das quais corre um canal que tem ligação
com o sistema nervoso; aparentemente, este órgão tem
funções relacionadas com a orientação, uma espécie de
sentido do olfacto através do qual os peixes reconhecem as
características das massas de
água (temperatura, salinidade e outras).
Sistema nervoso e órgãos dos sentidos
Peixes têm sistemas nervosos complexos e seu cérebro é
dividido em diferentes partes. O mais anterior, ou frontal,
contém as glândulas olfativas. Diferente da maioria dos
221
vertebrados, o cérebro do peixe primeiro processa o senso do
olfato antes de todas as ações voluntárias.
Os lobos óticos processam informações dos olhos.
O cerebelo coordena os movimentos do corpo enquanto
a medula controla as funções dos órgãos internos.
Aproximadamente todos os peixes diurnos possuem olhos
bem desenvolvidos com visão colorida. Muitos peixes
possuem também células especializadas conhecidas como
quimioreceptores, que são responsáveis
pelos sentidos de gosto e cheiro.
A maioria dos peixes têm receptores sensitivos que formam
o sistema linear lateral, que permite aos peixes detectar
correntes e vibrações, bemcomo o movimento de outros peixes
e presas por perto (ver acima).
Em 2003, alguns cientistas escoceses da Universidade de
Edimburgo descobriram que os peixes podem
sentir dor.[45] Um estudo prévio pelo professor James D. Rose
da Universidade de Wyoming dizia que os peixes não podiam
sentir dor porque eles não possuíam a parte neocortexal do
cérebro, responsável por tal sensação. Peixes como os peixes-
gato e tubarões possuem órgãos que detectam
pequenas correntes elétricas. Outros peixes, como
a enguia elétrica, podem produzir sua própria eletricidade.
Idade de um peixe
É possível saber a idade de um peixe através do exame dos seus
"ouvidos". Todos os peixes, com exceção dos tubarões e da
arraias, escondem nos ouvidos três pares de otólitos, que são
concreções de carbonato de cálcio que servem para a audição
e para manter o equilíbrio no meio líquido. O crescimento
desses otólitos se faz por depósitos concêntricos sucessivos,
cuja espessura e a composição química variam segundo o meio
222
ambiente e a alimentação. Trata-se de um verdadeiro "álbum"
que retrata a vida do peixe.
Preservação
A destruição do habitat
A Lista Vermelha da IUCN em 2006 nomeou 1.173 espécies
de peixes que estão ameaçadas de extinção. Incluem-se
espécies como o bacalhau do Atlântico, Diabo Hole, celacantos,
e grandes tubarões brancos. Porque os peixes vivem debaixo
d'água são mais difíceis de estudardo que os animais terrestres
e plantas,e informações sobre as populações de peixes é muitas
vezes inexistente. No entanto, peixes de água doce parecem
particularmente ameaçados, porque eles vivem muitas vezes
em corpos d'água relativamente pequenos. Por exemplo, o
Buraco do Demônio tem apenas 6 metros (10 por 20 pés) para
a piscina.
A chave do estresse sobre os ecossistemas de água doce é a
degradação do habitat, incluindo a poluição da água, a
construção de barragens, a remoção de águapara uso por seres
humanos, e a introdução de espécies exóticas. Um exemplo de
um peixe que se tornou em perigo por causa da mudança de
habitat é o esturjão pálido, um peixe norte-americano de água
doce que vive nos rios deteriorados pela ação humana.
Pesca excessiva
A pesca excessiva é uma grande ameaça para peixes
comestíveis, como o bacalhau e o atum. pesca excessiva,
eventualmente, provoca colapso da população (conhecido
como estoque), pois os sobreviventes não conseguem produzir
o suficiente para substituir aqueles removidos. Extinção
comercial Tal não significa que a espécie está extinta, mas
apenas que ele não pode mais sustentar uma pescaria.
223
Um exemplo bem estudado de um colapso da pesca é a
sardinha do Pacífico Sadinops pesca ao largo da costa
da Califórnia. De um pico de 790.000 toneladas em 1937 a
captura declinou para apenas 24.000 toneladas em 1968, após
o qual a pesca já não era economicamente viável.
A principal tensão entre a ciência da pesca e da indústria de
pesca é que os dois grupos têm opiniões diferentes sobre a
resiliência da pesca para a pesca intensiva. Em lugares como
a Escócia, Terra Nova, e do Alasca a indústria da pesca é um
grande empregador, assim, os governos estão predispostos a
apoiá-lo. Por outro lado, cientistas e conservacionistas
empurram para a proteção rigorosa, alertando que muitas
ações poderim ser dizimado dentro de cinqüenta anos.
As espécies exóticas
Introdução de espécies não-nativas ocorreu em muitos
habitats. Um dos melhores exemplos estudados é a introdução
da perca do Nilo no Lago Vitória, na década de 1960. A perca do
Nilo gradualmente exterminada do lago de 500 espécies
endêmicas de ciclídeos. Alguns deles sobrevivem agora em
programas de reprodução em cativeiro, mas outros são
provavelmente extinta. Carp, snakeheads, tilápia, poleiro
europeu, truta, truta arco-íris, e lampreias marinhas são outros
exemplos de peixes que têm causado problemas ao serem
introduzidos em ambientes considerados alienígenas.
Classificação sistemática
A classificação simplificada no topo desta página é a mais
próxima da utilizada por Lineu, mas esconde algumas
características importantes que fazem deste grupo dos
"Peixes", um agregado de espécies com diferentes
aspectos evolutivos. Por essa razão, as classificações mais
recentes abandonaram alguns taxa tradicionais:
224
Domínio Eukariota, ao
Reino Animalia, aos clades
Metazoa
Bilateria
Deuterostomia, ao filo
Chordata e, dentro deste, ao clade
Craniata
A partir deste ponto, os estudos evolutivos mostraram
divergências:
O taxon classe tem sido usado (e, na Wikipedia em inglês,
encontramos vários exemplos) para vários clades diferentes.
Por essa razão, e até os taxonomistas acordarem numa forma
de classificação científica consensual, devemos abster-nos de
utilizar esse taxon. Os peixes, tanto espécies existentes
como fósseis, dividem-se pelos seguintes clades:
Hyperotreti – as mixinas (peixes sem coluna vertebral) e
Vertebrata (vertebrados) - um clade que inclui as lampréias e
os restantes vertebrados com maxilas;
Dentro dos vertebrados, consideram-se os clades
Hyperoartia - as lampréias (que têm coluna vertebral, mas
não têm maxilas);
Gnathostomata – todos os animais com maxilas;
e mais sete grupos fósseis.
Dentro dos Gnathostomata, são aceites os seguintes clades:
Teleostomi – animais com boca terminal;
Chondrichthyes – tubarões e raias – boca sub-terminal ou
ventral;
Acanthodii (extintos)
Placodermi (extintos).
Dentro dos Teleostomi
225
Osteichthyes – animais com tecido ósseo endocondral e com
dentes implantados nas maxilas e
Acanthodii (extintos)
Dentro dos Osteichthyes
Sarcopterygii – um grupo que inclui os peixes com nadadeiras
lobadas:
Coelacanthimorpha – os celacantos, considerados
remanescentes dos primeiros anfíbios;
Dipnoi – os peixes pulmonados ou dipnóicos
os tetrápodes, ou seja, os restantes
vertebrados batráquios, répteis, aves e mamíferos; e os
Actinopterygii - peixes com raios ou lepidotríquias nas
nadadeiras, ou seja, os "teleósteos", que incluem a maioria
das ordens de peixes actuais e algumas outras com
divergências filogenéticas.
Dentro desta classificação,os tradicionais taxa Agnatha (peixes
sem maxilas), Ostracodermi (formas fósseis sem maxilas)
e Cyclostomata (peixes sem maxilas, como as mixinas
e lampréias) não devem ser utilizados, uma vez que não
são monofiléticos.
E disse Deus: Produza a terra alma vivente conforme a sua
espécie;gado, e répteis e feras da terra conforme a sua espécie;
e assim foi.
E fez Deus as feras da terra conforme a sua espécie, e o gado
conforme a sua espécie, e todo o réptil da terra conforme a sua
espécie; e viu Deus que era bom. Gênesis 1:24,25
Nesta fase DEUS criou os gados, repteis e as feras, da mesma
forma que criou o corpo do homem, só que o homem e a
226
mulher, possuem espírito e são racionais e inteligentes, porem
os gados, repteis e as feras são irracionais, que como as aves
serviriam e servem de alimento para o ser humano, entre
outras utilidades.
Ainda não havia criado os alimentos para o gado, répteis e as
feras, só após a primeira chuva que fez cair sobre a terra,
quando se iniciou a vida sobre a mesma, como consta de
Gênesis,Capítulo 2,versículos 5 e6. “Um vapor, porém,subia
da terra, e regava toda a face da terra”.
Reprodução animal
Graças à reprodução, as espécies podem continuar existindo.
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Os animais, assim como todos os seres vivos, são capazes
de se reproduzir. Isso significa que eles podem dar
origem a novos indivíduos de sua espécie, permitindo
que elas continuem a existir.
A reprodução dos animais pode ser:
ASSEXUADA
Na reprodução assexuada, uma célula (ou mais) se
desprende do corpo do animal e se desenvolve,
227
formando um novo ser vivo.
Tipos de reprodução assexuada:
- Fragmentação ou regeneração: um novo indivíduo é
formado por fragmentação a partir de um pedaço que se
desprendeu acidentalmente do corpo de um indivíduo
adulto. Ela ocorre em esponjas; em alguns platelmintos, como
as planárias; e em alguns equinodermos, como a estrela-do-
mar.
Regeneração das planárias.
- Brotamento: formam-se, no corpo de indivíduos
adultos, brotos que depois se desprendem e dão origem a
novos indivíduos. Ocorre em esponjas.
Brotamento nas esponjas.
228
- Gemulação: ocorre a formação de estruturas chamadas
gêmulas, quando o ambiente está muito alterado. Dessa
forma, quando o ambiente volta ao normal, elas se
desenvolvem e formam novos seres vivos. Ocorre em esponjas
e celenterados.
SEXUADA:
Na reprodução sexuada há a união de duas células, uma
masculina e outra feminina, chamadas gametas.
Ela ocorre em todos os grupos de animais, até mesmo
entre aqueles que se reproduzem de forma assexuada, como as
esponjas, celenterados e equinodermos.
Tipos de reprodução sexuada
A reprodução sexuada pode acontecer entre indivíduos
de sexos diferentes, ou seja: machos e fêmeas, que é o
caso da maioria dos animais que conhecemos. Ela
também pode ocorrer entre indivíduos que possuem os
dois sexos, chamados hermafroditos. A minhoca é um
exemplo de animal hermafrodito.
A fecundação, ou seja, o encontro entre os gametas, pode
ocorrer no ambiente (fecundação externa), ou a partir do
contato corporal entre os dois indivíduos, geralmente
dentro do corpo da fêmea (fecundação interna).
Além disso, na reprodução sexuada, os novos animais podem
se desenvolver e nascer a partir de ovos (animais
ovíparos), oudentro do corpo de um dos pais, geralmente
da fêmea (animais vivíparos).
229
Tartaruga nascendo a partir do ovo: animal ovíparo.
Mulher gestante: exemplo de viviparidade.
Depois de nascidos, se os filhotes são bem parecidos com
os adultos de sua espécie, só que de tamanho pequeno,
dizemos que eles têm desenvolvimento direto.
Falamos que uma espécie animal tem desenvolvimento
indireto quando os filhotes não se parecem nem um
pouco com os adultos de sua espécie, e passam por
mudanças corporais grandes até se tornarem adultos. Esse
230
é o caso de alguns anfíbios, e também das borboletas e
mariposas que, de lagartas, passampor algumas etapas até se
tornarem animais com asas.
Desenvolvimento indireto: girino – imago – anfíbio adulto.
Curiosidade:
A partir do que foi explicado, podemos concluir que a
reprodução dos seres humanos é sexuada, com
fecundação interna, os filhos se desenvolvem e nascem
de dentro do corpo da mãe (viviparidade), e o
desenvolvimento é direto.
FERAS - Vida selvagem
231
Cratera do Ngorongoro, Tanzânia, África, refúgio da vida selvagem.
Vida selvagem refere-se a todos os vegetais, animais e outros
organismos não-domesticados. Organismos domesticados são
aqueles que foram adaptados para sobreviver com a ajuda de
(ou sob o controle de) humanos, depois de muitas gerações.
Espécies de plantas e animais foram domesticados para
benefício humano muitas vezes por todo o planeta, o que
acarretou um grande impacto sobre o meio ambiente, tanto
positivo quanto negativo.
A vida selvagem pode ser encontrada em todos
os ecossistemas. Desertos, florestas tropicais, planícies e
outras áreas—incluindo as cidades mais desenvolvidas—todas
têm formas distintas de vida selvagem. Embora na cultura
popular a expressão geralmente se refira a animais intocados
pela presença humana, a maioria dos cientistas concordam que
a vida selvagem ao redor do globo sofre, de um modo ou de
outro, o impacto das atividades humanas.
Historicamente, os seres humanos buscaram separar
a civilização da vida selvagem de uma série de maneiras,
incluindo os aspectos legal, social e moral. Isto tem sido tema
de debate através de toda história regist(r)ada,particularmente
por meio da literatura. As religiões têm declarado com
freqüência que certos animais são sagrados e em épocas
recentes, a preocupação com o meio ambiente e a exploração
232
da vida selvagem para benefício humano
ou entretenimento tem provocado protestos por parte
de ativistas.
As populações mundiais de peixes, aves, mamíferos e répteis
sofreram uma redução de 52% entre 1970 e 2010. O Relatório
Planeta Vivo da WWF, publicado de dois em dois anos, salienta
que as exigências das populações humanas estão agora 50%
acima do que a natureza é capaz de aguentar, com árvores a
serem cortadas, aquíferos a serem bombeados e dióxido de
carbono a ser emitido demasidado depressa para o planeta
recuperar. Segundo o comunicado de Ken Norris, director
científico da Sociedade Zoológica de Londres, “estes danos
não são inevitáveis,sãouma consequência do estilode vidaque
escolhemos”.
Relativamente às populações selvagens de vertebrados, esse
relatório concluiu que os maiores declínios se verificaram nas
regiões tropicais, em especial na América Latina. Segundo os
novos resultados (2014), a pior quebra deu-se entre as
populações de peixes de água doce, que caíram 76% nas
últimas quatro décadas até 2010, enquanto ambos os números
relativos às populações marinhas e terrestres desceram 39%. A
principal razão do declínio das populações foi a perda
de habitats naturais, a caça e a pesca e as alterações
climáticas.
A edição 2014 do Relatório Planeta Vivo da WWF aponta que a
combinação de perda de biodiversidade e Pegada
ecológica insustentável ameaça os sistemas naturais e o bem-
estar humano no mundo inteiro. Globalmente, a demanda
da humanidade sobre o planeta está 50% maior do que
a natureza é capaz de renovar. Ou seja, estima-se que
atualmente seria necessário 1,5 planeta para produzir os
233
recursos necessários para a nossa atual Pegada Ecológica, que
é a medida da demanda da humanidade sobre o meio
ambiente.
Gado
Por gado entende-se o conjunto de animais que foram
domesticados pelo homem para aumentar a sua produção,
serviços agrícolas, consumo doméstico, comercial ou industrial:
Gado asinino - os ásnos também denominados jumentos,
jegues ou burros
Gado bovino ou vacum - os bovinos e algumas espécies de
búfalo
Gado caprino - as cabras
Gado cavalar ou equino - os cavalos
Gado muar - as mulas e mulos (português europeu) / burros
(português brasileiro)
Gado rangífero - as renas
Gado de Bico - aves domésticas
Gado suíno - os porcos domésticos
Gado ovino ou arietino - as ovelhas
Aves de capoeira – galinhas
E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a
nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as
aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo
o réptil que se move sobre a terra.
E criou Deus o homem à suaimagem; à imagemde Deus o criou;
homem e mulher os criou.
E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-
vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do
234
mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se
move sobre a terra.
E disse Deus: Eis que vos tenho dado toda a erva que dê
semente, que está sobre a face de toda a terra; e toda a árvore,
em que há fruto que dê semente, ser-vos-á para mantimento.
E a todo o animal da terra, e a toda a ave dos céus, e a todo o
réptil da terra, em que há alma vivente, toda a erva verde será
para mantimento; e assim foi.
E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom; e
foi a tarde e a manhã, o dia sexto. Gênesis 1:26-31
Deus criou os espíritos do homem e da mulher à sua imagem, e
lhes deu tudo quanto havia criado, o domínio para viverem e se
manterem, portanto são as maiores criações de DEUS, ou seja
os espíritos. Deu-les poder e dominio sobre toda a sua criação.
Espírito
A palavra espírito apresenta diferentes significados e
conotações diferentes, a maioria deles relativos a uma
substância não-corpórea em contraste com o corpo material. A
palavra espírito é muitas vezes usada metafisicamente para se
referir à consciência ou personalidade. As noções de espírito
de uma pessoa muitas vezes também se sobrepõem, como
tanto contraste com o corpo e ambos são entendidos como
sobreviver à morte do corpo na religião e ocultismo, e
"espírito" também pode ter o sentido de "fantasma", ou seja,
uma manifestação do espírito de uma pessoa falecida.
O termo também pode se referir a qualquer incorpóreo ou ser
imaterial, tais como demônios ou divindades, no cristianismo
especificamentedo EspíritoSanto (embora com um "S") vivido
pelos discípulos no Pentecostes.
Etimologia
235
A palavra espírito tem sua
raiz etimológica do Latim "spiritus", significando "respiração"
ou "sopro", mas também pode estar se referindo a "coragem",
"vigor" e finalmente, fazer referência a sua raiz no
idioma PIE *(s)peis-(“soprar”).Na Vulgata,apalavra emLatim
é traduzida a partir do grego "pneuma" (πνευμα), (em Hebreu
(‫)רוח‬ ruah), e está em oposição ao termo anima, traduzido por
"psykhē".
A distinção entre a alma e o espírito somente ocorreu com a
atual terminologia judaico-cristã (ex. Grego. "psykhe" vs.
"pneuma", Latim "anima" vs. "spiritus", Hebreu "ruach" vs.
"neshama", "nephesh" ou ainda "neshama" da raíz
"NSHM", respiração.)
A declaração do apóstolo Paulo nas Escrituras de que `o
espírito, alma e corpo´ devem ser `conservados íntegros´,
expressa claramente que alma e espírito são coisas distintas. 1
Tessalonicenses 5:23.
A palavra espírito costuma ser usada em dois contextos,
um metafísico e outro metafórico.
Cristianismo
Não há uma única opinião sobre a natureza do homem entre os
cristãos. Enquanto certos ramos do cristianismo defendem que
`corpo´ e`espírito´ sãopartes integrantes do homem, eque este
último, separa-se em caso de morte para receber
sua recompensa (Céu ou Inferno) segundo as obras
praticadas em vida; outros defendem que o homem é uma
unidade indivisível de corpo, mente e espírito, e que este
último, é somente um `vento´ ou `folego de vida´ soprado por
Deus nas narinas do homem na Criação (Gênesis 2:7)e que não
possui, em si, qualquer inteligência ou emoção após a morte
(Eclesiastes 9:5,6 e 10), alcançando, o ser,
236
sua recompensa (vida eterna ou morte eterna) em carne e
osso.
Filosofia
Espírito é definido pelo conjunto total das faculdades
intelectuais. Ele é frequentemente considerado como um
princípio ou essência da vida incorpórea (religião e tradição
espiritualista da filosofia), mas pode também concebido como
um princípio material (conjunto de leis da física que geram
nosso sistema nervoso).
Na Antiguidade, o sopro e o que ele portava (o som, a voz, a
palavra, o nome) continha a vida, seja em protótipo, em
essência ou em potência (mítica). No tronco judaico-cristão das
religiões diz-se que Deus soprou o barro para gerar o (ser no)
homem. Dar um nome aos seres vivos ou não, emitir o som do
nome (i.e, chamar por um nome, imitar as vozes animais,
mimetizá-los, fazer do nome onomatopeia, apresentar-lhes na
língua, dar-lhes uma palavra que lhes chame etc), fazer soar
pela emissão do sopro vocal, significava possuir (ter o que é
deles, a carne, a voz, i.e., ser-lhes o proprietário). Assim, diz-se
também que ao dar nomes aos animais, o Homem ancestral,
tomou deles a posse, tomou deles algo, deu-lhes a
representação, o espírito. Nos contos míticos, emitir um som
significa chamar pelo ser que atente a tal som. Assim, o génio
da lâmpada de Aladino das (Mil e Uma Noites)aparecia quando
Aladino esfregava a lâmpada maravilhosa, assimemitindo um
ruído ou som que era exactamente o nome do génio
encarcerado.
Em política,diz-se do espíritodasleis, expresso na constituição.
O termo espírito das leis vem de Montesquieu, que escreveu
um livro sobre com este título, no qual ele descreve o sistema
triparte de repartição dos estados.
237
Corpo e espírito
Em diferentes culturas, o espírito vivifica o ser no mundo. O
espírito também permitiria ao ser perceber o elo entre
o corpo e a alma. Entretanto, muitas vezes espírito é
identificado com alma e vice-versa, sendo utilizados de forma
equivalente para expressar a mesma coisa.
Segundo ateoria dualistade Descartes, o corpo e o espírito são
duas substâncias imiscíveis, cada qual com uma natureza
diferente: o espírito pertenceria aomundo daracionalidade (res
cogitans), enquanto o corpo às coisas do mundo com extensão
(res extensa), i.e., ao mundo das coisas mensuráveis. Descartes
acreditava que a função da glândula pineal seria unir a
alma/espírito ao corpo. Sua visão do ser humano era
mecanicista.O corpo era tratado como uma máquina de grande
complexidade. Pensava em partes separadas, no que ligaria o
que com o que, qual seria a função de cada parte, em suas
relações etc.
Para algumas tradições religiosas, a morte separa o espírito do
corpo físico, e a partir daí, o espírito passa a ser somente da
esfera espiritual. Para estas, a morte parece não encerrar a
existência de cada ser particular.
Psicologia
Em psicologia, o espírito designa a atitude mental dominante
de uma pessoa ou de um grupo, que motiva-o a fazer ou a dizer
coisas de um determinado modo.
Espiritologia
De acordo com a espiritologia (ou "psicologia espiritual"), o
espírito é o corpo psíquico, que entra em contato com a quarta
dimensão (ou Mundo Astral), local onde não existem
problemas de espaço (distâncias) ou de tempo. Segundo
esta corrente, o ser humano pode entrar em contacto com
238
outros lugares ou até outras épocas, sendo que, alguns
pesquisadores, como o psiquiatra suíço Carl Gustav Jung,
acreditavam que os problemas do mundo contemporâneo, não
eram regidos apenas pelas pessoas fisicamente, mas também
psiquicamente, utilizando o mundo astralcomo meio de intervir
no Mundo Terrestre.
Outros Espíritos na Bíblia
Na Bíblia, a expressão "espíritos" também se refere
aos anjos que se rebelaram contra Deus (versículos 7 a 9 do
capítulo 12 do Apocalipse). Na tradição judaico-cristã, são
também chamados de "anjos decaídos" ou "demônios". Eles
subordinaram-se à liderança de um anjo rebelde que foi
proeminente na hierarquia angélica, comummente
denominado por Satanás e Diabo.
Segundo a Bíblia, estes "anjos decaídos" teriam grande força e
influência sobre a mente e o modo de viver dos humanos
(versículos 14 e 15 do capítulo 11 da Primeira Epístola aos
Coríntios), operando grandes sinais de maneira que até fogo
do céu fariam descer à terra diante dos homens (versículo 13
do capítulo 13 do Apocalipse). Teriam, ainda, capacidade de se
incorporar em humanos e em animais e possuí-los (possessão).
No Novo Testamento, o uso do termo "demónio"
(em grego, daimoníon) é limitado e específico em comparação
com as noções dos antigos filósofos e o modo em que esta
palavra era usada no grego clássico. Originalmente, o
termo daimoníon designavaas divindades,que podiam serboas
ou ruins.
Espiritismo
Segundo a Doutrina espírita, o espírito é a individualização do
princípio inteligente do Universo. Quando encarnado - ou seja,
vestido de um corpo humano - é chamado de alma, nesta
239
situaçãoalma e espírito são as mesmas coisas.A reencarnação,
segundo o espiritismo, é o processo de autoaperfeiçoamento
por que passam todos os espíritos.
Para os espíritas, o estado natural do espírito seria o de
liberdade em relação à matéria, ou seja, a condição de
desencarnado. Nesta situação, o espírito mantém a sua
personalidade e suas características individuais.
Também segundo a doutrina espírita, a interação do espírito
com o cérebro se dá através do perispírito. Este conecta a
vontade que nasce no espírito com o estímulo que direciona o
cérebro.[3]
Para designar um espírito específico, os espíritas utilizam a
inicial em maiúsculo, como por exemplo: "O
Espírito Emmanuel".
Teosofia
Na Teosofia, o espírito é associado aos dois princípios mais
elevados do Homem, adíade Atman-Budhi, a essênciaimortal
do Homem.
Assim os céus, a terra e todo o seu exército foram acabados.
E havendo Deus acabado no dia sétimo a obra que fizera,
descansou no sétimo dia de toda a sua obra, que tinha feito.
E abençoou Deus o dia sétimo, e o santificou; porque nele
descansou de toda a sua obra que Deus criara e fizera.
Estas são as origens dos céus e da terra, quando foram criados;
no dia em que o Senhor Deus fez a terra e os céus,
E toda a planta do campo que ainda não estava na terra, e toda
a erva do campo que ainda não brotava; porque ainda o Senhor
Deus não tinha feito chover sobre a terra, e não havia homem
para lavrar a terra.
240
Um vapor, porém, subia da terra, e regava toda a face da terra.
Gênesis 2:1-6
Como consta dos Versículos acima, todas as plantas e os
animais, não tinham vida, e após a chuva na verdade iniciou-se
a vida no globo terrestre. Entenda-se que não haviaalimento na
face da terra, portanto não havia a vida plena.
Chuva
Chuva sobre algumas árvores
A chuva (do latim pluvia) é um fenômeno meteorológico que
resulta da precipitação das
gotas líquidas ou sólidasda água das nuvens sobre a
superfícieda Terra. Durante o fenômeno da precipitação, gotas
pequenas crescem por condensação de vapor de água. A
seguir, elas podem crescer por captura de gotas menores que
se encontram em sua trajetória de queda, ou por outros
fenômenos.
Quando duas pequenas gotas d'água se unem e, com isto,
formam somente uma gota que possui dimensões maiores,
241
dizemos que ocorreu um fenômeno denominado
"coalescência". Nem toda chuva atinge a superfície: algumas
evaporam-se enquanto ainda estão a cair, num fenômeno que
recebe o nome de virga e que acontece principalmente em
locais ou períodos de ar seco. A chuva tem papel importante
no ciclo hidrológico e pode alterar a sensação térmica do
ambiente.
Medição da chuva
Precipitação dechuva ao longo dos meses doano no mundo: as regiões azuis são as regiões
com maior precipitação.
A medida da precipitação é denominada pluviosidade.[4] Em
outras palavras: quando a água das nuvens se aglutina e forma
chuva, tem-se o fenômeno da precipitação, e quando se mede
a quantidade de água da chuva que, devido à precipitação,
acumulou-se em determinado local durante um determinado
período de tempo, tem-se a "pluviosidade" ou "medida da
precipitação".
242
No Sistema Internacional de Unidades, a unidade de
pluviosidade (ou "unidade de medida de precipitação") é
o milímetro (mm). Uma pluviosidade de 1 milímetro equivale
ao volume de 1 litro de água de chuva que se acumulou sobre
uma superfície de área igual a 1 metro quadrado.
Para constatar que 1 milímetro de pluviosidade é o mesmo que
1 litro por metro quadrado, observe esta demonstração
matemática:
Portanto, 1 litro por metro quadrado = 1 milímetro.
A pluviosidade é, geralmente, medida com um instrumento
denominado pluviômetro. O funcionamento do pluviômetro é
bastante simples: a boca de um funil de área conhecida coleta
as gotas de chuva e as acumula em um reservatório colocado
abaixo do funil; então, a intervalos regulares (1 vez por dia, 4
vezes por dia etc.), um observador utiliza uma pipeta com
escala graduada para coletar uma amostra e medir o volume
d'água que foi acumulado no período. Por exemplo: ele pode
medir e constatar que nas últimas 24 horas caíram 25
milímetros de chuva.
Quando se deseja registrar as variações da pluviosidade em
função do tempo utiliza-se um instrumento denominado
pluviógrafo, que nada mais é que um pluviômetro dotado de
um dispositivo de registro cronológico contínuo. Esses registros
cronológicos são feitos em um gráfico
denominado pluviograma, no qual a pluviosidade (em
milímetros) é indicada em um dos eixos do gráfico e o tempo
(em horas) é indicado no outro eixo. Essa "taxa de variação da
pluviosidade por unidade de tempo" é dada em milímetros por
hora (mm/h).
Como o volume de 1 litro de qualquer substância equivale a
1 decímetro cúbico, e tendo em vista que
243
a densidade da água pura corresponde a 1 quilograma
de massa por decímetro cúbico, conclui-se que 1 milímetro de
pluviosidade corresponde a aproximadamente 1kg/m2, ou seja,
1mm de pluviosidade significa que em cada metro quadrado de
área da superfície haverá 1 quilograma de massa de água.
Matematicamente:
Densidade da água: Cada litro de água pura possui 1
quilograma de massa. [i]
Correspondência pluviométrica: [ii]
Fazendo [i] em [ii], temos que:
Portanto, 1 mm = 1 kg/m2
Consequentemente, quando desejamos ler a pluviosidade não
em função da altura da coluna d'água (em milímetros) mas sim
em função da massa de água da chuva que se acumulou em
cada metro quadrado da superfície, calculamos a pluviosidade
em quilogramas por metro quadrado (kg/m2).
Quando secalculaataxa de variação dessamassapluviométrica
por unidade de tempo, o valor da taxa é dado
em quilogramas por metro quadrado e segundos (massa
pluviométrica por unidade de tempo):
Tipos de chuvas
Há dois tipos básicos de precipitação: estratiformes e
convectivas.
As precipitações podem estar associadas a diferentes
fenômenos atmosféricos sob diferentes escalas de
desenvolvimento temporal e espacial. Por exemplo:
244
"Chuvas frontais" são causadas pelo encontro de uma massa
fria (e seca) com outra quente (e úmida), típicas das latitudes
médias, como as de inverno no Brasil Meridional que
caminham desde o Sul (Argentina) e se dissipamno caminho,
podendo, eventualmente, chegaraté o estado da Bahia.Por ser
mais pesado, o ar frio faz o ar quente subir na atmosfera. Com
a subida da massa de ar quente e úmida, há um resfriamento
da mesma que condensa e forma a precipitação. São,
geralmente, de média intensidade, grande duração e atingem
grandes áreas.
Exemplo de chuvas deconvecçãono municípiode Coronel Fabriciano, no estado de Minas
Gerais, Brasil
"Chuvas de convecção" ou "convectivas" são também
chamadas de "chuvas de verão" na RegiãoSudestedo Brasil e
são provocadas pela intensa evapotranspiração de superfícies
úmidas e aquecidas (como florestas, cidades e oceanos
tropicais). O ar ascende em parcelas de ar que se resfriam de
forma praticamente adiabática (sem trocar calor com o meio
exterior) durante sua ascensão. Precipitação convectiva é
comum no verão brasileiro, na Floresta Amazônica e
no Centro-Oeste. Na região Sudeste, particularmente sobre
245
a Região Metropolitana de São Paulo (RMSP). Na região
Nordeste, exceto nas áreas litorâneas e sobre a Região
Metropolitana do Rio de Janeiro (RMRJ) também ocorrem
tempestades convectivas associadas a entrada de brisa
marítima ao final da tarde com graves consequências sobre as
centenas de áreas de risco ambiental. Estas chuvas também são
conhecidas popularmente como "pancadas de chuva",
"aguaceiros" ou "torós". São, geralmente, de grande
intensidade, pequena duração e atingem pequenas áreas.
"Chuvas orográficas" ou "estacionais", "chuvas de serra" ou
"chuvas de relevo" ocorrem quando os ventos úmidos se
elevam e se resfriam pelo encontro de uma
barreira montanhosa, como é normal nas encostas voltadas
para o mar. São comuns
nos litorais paranaense, catarinense e paulista e em todo o
litoral brasileiro na Serra do Mar. Esse tipo de precipitação
pode estar associada a presença do efeito Föhn, que
condiciona a existência de áreas mais secas a sotavento dessas
barreiras. São geralmente de pequena intensidade e grande
duração e atingem pequenas áreas.
As maiores precipitações registradas na região sudeste
ocorreram em fevereiro de 1966 quando durante um tórrido
verão se juntaram uma frente fria com as precipitações
convectivas e na Serra do Mar as chuvas orográficas,
ocasionando grandes desastres sobretudo no eixo Rio-São
Paulo. Esta chuva excepcional de período de retorno ou
recorrência calculado como cerca de 100 anos está registrada
no livro "Enchentes no Rio de Janeiro" publicado pela SEMADS-
GTZ.
As gotas de chuva
246
Formação das gotas de chuva
Gotas de chuva atingindo o solo
As gotas de chuva não seguem a mesma formação que as gotas
de água que caem de uma bica ou de uma torneira.
As menores, com menos de 1 milímetro de raio, na verdade
são esféricas.As que crescemmais, começam-se a deformar na
parte de baixo, porque a pressão do ar puxando para cima na
queda começa a conseguir contrariar a tensão superficial que
a tenta manter esférica. Quando o raio excede a cerca de
4 milímetros, o buraco interior cresce tanto que a gota, antes
de se partir em gotas menores, adquire uma forma semelhante
à de um paraquedas, ou seja, a forma de um saco de paredes
finas voltado para baixo, com um anel mais grosso de água em
roda da abertura inferior.
As gotas de chuva são muito maiores do que as gotículas das
nuvens, que são geralmente menores que 15 micra e podem
ficarsuspensas no arpor muito tempo. Jáas gotas de chuva, por
247
serem muito maiores e mais pesadas, não podem ficar
suspensas no ar e, portanto, ocorre a precipitação.
Intensidade
Intensidade de precipitação é classificada de acordo com a
taxa de precipitação:
Chuva fraca: quando a taxa é inferior a 5 milímetros por hora
(mm/h);
Chuva moderada: quando taxa está entre 5 e 25 mm/h;
Chuva forte: quando taxa está entre 25 e 50 mm/h;
Chuva muito forte: quando taxa é igual ou superior a 50 mm/h.
Impacto
Sobre a agricultura
Chuva em Três Pontas, no sul de Minas Gerais, importante região produtora de café.
A chuva tem um efeito dramático sobre a agricultura. Todas
as plantas precisam de pelo menos um pouco de água para
sobreviver, portanto a chuva (sendo os meios mais eficazes de
irrigação) é importante para a agricultura. Enquanto um padrão
de chuva regular é geralmente vital para saudáveis plantas ,
muito ou pouca chuva pode ser prejudicial. A Seca pode matar
culturas, provocar erosões, enquanto o tempo excessivamente
úmido pode causar outros problemas. As plantas precisam de
diferentes quantidades de chuva para sobreviver. Por exemplo,
248
alguns cactos necessitamde pequenas quantidades, enquanto
as plantas tropicais podem precisar de até centenas de
centímetros de chuva por ano para sobreviver.
Em áreas com estações secas e úmidas, os nutrientes
diminuem e a erosão aumenta durante a estação chuvosa. Os
animais têm adaptação e sobrevivência estratégicas para o
regime mais úmido. Os países em desenvolvimento têm
notado que as suas populações mostram flutuações sazonais de
peso devido à escassez de alimentos observados antes da
primeira colheita, que ocorre no final do estação chuvosa. A
chuva pode ser colhida através do uso de tanques de águas
pluviais; tratada para uso potável ou para irrigação. O excesso
de chuvas durante curtos períodos de tempo pode
causar inundações.
Nuvens carregadas se aproximando de Goiânia, em Goiás, Brasil.
Na cultura
As culturas relacionadas à chuva diferem em todo o mundo. A
chuva tanto pode trazer alegria como relaxamento. Em locais
secos, como a Índia, ou durante períodos de seca, a chuva
eleva o humor das pessoas. Em Botswana, a chuva é usada
como o nome da moeda nacional (o pula, "chuva" em tsuana),
em reconhecimento da importância económica da chuva neste
249
país desértico. Várias culturas têm desenvolvido meios de lidar
com a chuva e têm desenvolvido inúmeros dispositivos de
proteção contra ela, tais como guarda-chuvas, calhas, entre
outros. Muitas pessoas acham o cheiro durante e
imediatamente após a chuva agradável ou distintivo (o cheiro
pode ser devido ao ozônio formado pelos relâmpagos;
a bactérias do solo; ou a óleos secretados por plantas).
E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em
suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente.
E plantou o Senhor Deus um jardim no Éden, do lado oriental; e
pôs ali o homem que tinha formado.
E o Senhor Deus fez brotar da terra toda a árvore agradável à
vista, e boa para comida; e a árvore da vida no meio do jardim,
e a árvore do conhecimento do bem e do mal.
E saía um rio do Éden para regar o jardim; e dali se dividia e se
tornava em quatro braços.
O nome do primeiro é Pisom; este é o que rodeia toda a terra
de Havilá, onde há ouro.
E o ouro dessa terra é bom; ali há o bdélio, e a pedra sardônica.
E o nome do segundo rio é Giom; este é o que rodeia toda a
terra de Cuxe.
E o nome do terceiro rio é Tigre; este é o que vai para o lado
oriental da Assíria; e o quarto rio é o Eufrates.
E tomou o Senhor Deus o homem, e o pôs no jardim do Éden
para o lavrar e o guardar.
E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda a árvore
do jardim comerás livremente,
250
Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não
comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente
morrerás. Gênesis 2:7-17
E o corpo do homem inteligente foi criado, e DEUS lhe inseriu o
espírito, portanto o corpo do homem morre, porem o seu
espírito é eterno.
DEUS nestes versículos definiu os limites do Jardim de ÉDEN
onde o colocou para viver.
E disse o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-
lhe-ei uma ajudadora idônea para ele.
Havendo, pois, o Senhor Deus formado da terra todo o animal
do campo, e toda a ave dos céus, os trouxe a Adão, para este
ver como lhes chamaria; e tudo o que Adão chamou a toda a
alma vivente, isso foi o seu nome.
E Adão pôs os nomes a todo o gado, e às aves dos céus, e a todo
o animal do campo; mas para o homem não se achava
ajudadora idônea.
Então o Senhor Deus fez cairum sono pesado sobre Adão, e este
adormeceu; e tomou uma das suas costelas, e cerrou a carne
em seu lugar;
E da costela que o Senhor Deus tomou do homem, formou uma
mulher, e trouxe-a a Adão.
E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da
minha carne; esta será chamada mulher, porquanto do homem
foi tomada.
Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-
á à sua mulher, e serão ambos uma carne.
E ambos estavam nus, o homem e a sua mulher; e não se
envergonhavam. Gênesis 2:18-25
251
A solidão do homem inteligente que havia criado comoveu a
DEUS, que se preocupou em arrumar-lhe companhia, acabando
de formar a mulher originada do corpo de Adão, que foi
formado do pó da terra, portanto a mulher também descende
do pó da terra.
Idade do universo
Idade do universo é o tempo decorrido entre o Big Bang até o
presente momento. Há alguns anos, a sonda WMAP coletou
dados que levaram astrônomos chegarem a conclusão de que
os dados da sonda aceitava a determinação da idade
do Universo em 13,73 (± 0,12) bilhões (ou mil milhões em
Portugal) de anos, entretanto, com base em dados coletados
pelo satélite Planck, da Agência Espacial Europeia (ESA), que
entre 2009 e 2013 mapeou o céu em busca de pequenas
variações na chamada radiação cósmica de fundo, foi
descoberto que o Universo é quase 100 milhões de anos mais
velho. As interpretações de observações astronômicas
em 2014 indicaram que a idade do Universo é de 13.82 bilhões
de anos.
A idade dos elementos químicos
Para se determinar a idade do universo é medida a abundância
do Rênio-187 (Re187), que decai no Ósmio-187 (Os187) com
uma meia-vida de 40 bilhões de anos. É importante dizer que
os dois elementos acima são isóbaros e que a análise da
abundância desses elementos fornece uma estimativa para a
idade do Universo que vai de 11,6 a 17,5 bilhões de anos.
Existem outros elementos que também são usados para fazer
esse cálculo, como Urânio (U238) com sua meia-vida de 4,468
252
bilhões de anos e o Tório (Th232) com sua meia-vida de 14,05
bilhões de anos. A análise desses dois elementos nos dão uma
outra expectativa da idade do Universo, que é 14,5+2.8
-2.2.
Aplicação do decaimento radioativo para a apuração da
idade das estrelas
A idade de algumas estrelas já conhecidas como CS 22892-052
e HD 115444 que é de 15,6 ± 4,6 bilhões de anos. Já a estrela CS
31082-001 temuma idade de 12,5 ± 3 bilhões de anos de acordo
com o decaimento do Urânio (Ur238). Depois pelo método do
decaimento do Urânio e do Tório foi obtido um valor para a
idade dessa estrela que é 14,1 ± 2,5 bilhões de anos.
Idade dos aglomerados estelares antigos
Quando há a transformação do Hidrogênio (H) em Hélio (He) no
núcleo das estrelas temos a nucleossíntese, essa estrela se
enquadra em uma pequena curva do diagrama criado
por Hertzsprung e Russell (Diagrama de Hertzsprung-
Russell). Essa curva também é conhecida como a "sequência
principal" uma vez que a maioria das estrelas do Universo são
encontradas em seu ciclo de vida nesta fase. Uma vez que sua
luminosidade (L) varia proporcionalmente a uma potência de
sua massa entre M3 e M4, o tempo (T) de vida da estrela pode
ser calculado pela fórmula T = K/L0.7 onde K é uma constante e
T proporcional ao inverso de L0.7. estelar.
Assim, na sequência principal se você medir a luminosidade da
estrela mais brilhante, conseguirá definir a idade limite do
aglomerado.
Assimesta fórmula sem distorção, só é aplicada a aglomerados
estelares com milhares de membros e a idade do aglomerado é
praticamente igual a K/Lmax
0.7Usando esse método nos
aglomerados globulares,Chaboyer, Demarque, Kernan e Krauss
calcularam 12,07 bilhões de anos sendo 95% de certeza da
253
idade mínima do Universo. Gratton et al. calcularamcalcularam
idades entre 8,5 e 13,3 bilhões de anos sendo mais
provável 12,1[12].Reidobteve a estimativaentre 11 e 13 bilhões
de anos e Chaboyer et al. estabeleceram 11,5 ± 1,3 bilhões de
anos para a idade média do mais velho dos aglomerados.
Idade das anãs brancas
Messier 4 visto pelo Telescópio Espacial Hubble.
Uma anã-branca é um objeto com a massa equivalente ao
nosso Sol e raio da ordem de grandeza da Terra.
A densidade de uma anã branca é um milhão de vezes maior
que a da água. As anãs-brancas brilham como resultado do seu
calor residual. As anãs-brancas mais antigas são mais frias e
menos brilhantes. Pesquisando e medindo a idade das anãs
brancas no aglomerado globular M4. Em 2004, Hans et al.
apuraram a idade de 12,1 ± 0,9 bilhões de anos para a M4 e
consequentemente, considerando o tempo entre o Big Bang e
254
a formação da M4, estimaram a idade do Universo em 12,8 ±
1,1 bilhões de anos.
Estimativa a partir de medidas da radiação cósmica de
fundo em micro-ondas
Imagem do WMAP da radiação cósmica de fundo em micro-ondas.
A radiação cósmica de fundo em micro-ondas parece vir
uniformemente de todas as direções (é claro que existemvários
tipos de fontes que emitem micro-ondas, dentre elas existema
poeira cósmica aquecida, as estrelas, as galáxias e até mesmo
elétrons livres espiralando nas linhas dos campos magnéticos –
mas estes possuemcaracterísticas distintas, assimpodendo ser
retiradas da equação). Essas micro-ondas foram originadas nos
elétrons que encheram o Universo há muito tempo, bem antes
de terem se combinado com os prótons livres para formar os
átomos neutros de hidrogênio. Naquela ocasião a matéria
comum do Universo é composta apenas de gás (plasma, na
verdade), com uma temperatura praticamente igual em todos
os lugares havendo equilíbrio térmico , e emitia a radiação de
um corpo negro.
Assim que o plasma tornou-se um gás neutro, a radiação
térmica ficou livre para fluirpelo cosmo, isso ocorreu quando o
Universo tinha cerca de 380.000 anos de idade e uma pequena
255
parte desta radiação pode ser observada hoje em dia, através
de instrumentos diferentes e sensíveis tais como a
sonda Wilkinson Microwave Anisotropy Project (WMAP) e
a sonda criogênica PLANCK[17]. Nós conseguimos detectar essa
radiação na faixa do espectro das microondas por causa
do Efeito Doppler, desviando a freqüência para o vermelho,
causado pela expansão do Universo[18]. A radiação cósmica de
microondas de fundo (CMB - Cosmic Micro Wave Background
Radiation) é a mais perfeita radiação de corpo negro conhecida,
mas não se trata de um corpo negro perfeito. A CMB tem um
pólo quente e um mais frio, devido ao movimento de nosso
sistema solar mais a galáxia. Ela também apresenta flutuações
da ordem de 1 até 10 µK (micro-Kelvin), o que parece ruído
aleatório para nós (ruído branco). Mas a CMB não é aleatória,
ao contrario, ela nos mostra os processos físicos primordiais, a
maior parte do tempo onde os fótons tornaram-se livres para
fluir (alguns são devido aos efeitos da massa e energia ao longo
do caminho entre o plasma primordial e nós).
256
Conteudo-do-Universo-antes-e-agora
Pela análise criteriosa das flutuações da CMB, a densidade da
matéria junto coma energiaescura dos primórdios do Universo,
pode ser enfim calculada, assimcomo a composição da matéria
primordial (matéria comum, neutrinos e matéria escura).
Colocando-se estas estimativas nas equações da Teoria da
Relatividade Geral temos os resultados da dimensão da
velocidade de expansão do Universo. Compare então tais
resultados com a Constante de Hubble que foi recentemente
recalculada, e que mede como o Universo se expande, assim
temos a noção da idade do Big Bang.
257
Você sabe qual é a idade do
Planeta Terra?
Que o nosso planeta é muito antigo todo mundo sabe. Afinal de
contas, antes dos humanos habitarem a Terra, dinossauros e
outras criaturas que hoje parecem saídas de filmes ficção
científica já tomaram conta de todo o planeta, mas que por
acasos do destino acabaram sendo extintos para sempre.
Porém, você já parou para pensar sobre quantos anos
realmente o planeta Terra tem? Provavelmente a resposta é
não. E é exatamente para esclarecer essa dúvida que reunimos
aqui uma série de informações que vão contar para você não só
a idade do planeta Terra, como vai também mostrar um pouco
de como os cientistas conseguem medir isso, afinal de contas,
nenhum humano estava lá para saber quando ela surgiu.
A idade da Terra
258
A idade exata doplaneta nãopodeser medida,isso porquea medição que é realizada pelos
cientistas não éexatamente precisa e possui uma margem de erro de datação que fica em
torno dos 10%.
Levando issoemconsideração, de acordo com grande parte dos
cientistas que são responsáveis por estudar o passado
geológico do planeta Terra, o nosso planeta possui
aproximadamente 4,5 bilhões de anos. Um número
impressionante não é mesmo?
A data de nascimento da Terra já foi recalculadainúmeras vezes
no decorrer da história, isso porque, a cada nova evidência que
era encontrada por uma série de cientistas e a cada nova
técnica mais moderna que surgia, novas medições eram feitas.
E a cada medição realizada o que se percebia é que a Terra era
muito mais antiga do que até então se imaginava.
259
Hoje o método que é utilizado para medir a idade do nosso
planeta é a datação de átomos de Urânio, que se transformam
em átomos de chumbo, consequentemente liberando radiação.
Com esse processo, depois de um período conhecido como
meia-vida, esse urânio se reduz pela metade.
Assim, calculando a quantidade de urânio que resta nas rochas
mais antigas da Terra é possíveldescobrir a idade do planeta, levando em consideração, é
claro, a margem de erro de 10% que foi mencionada mais acima.
Com isso podemos perceber que a história da humanidade é
ínfima quando comparada com a história da Terra. E é
exatamente por isso que a história de ambos costuma ser
dividida de maneira diferente, a primeira é tratada pelo tempo
histórico e a segunda pelo tempo geológico.
260
Para efeito de comparação, caso toda ahistória da Terra tivesse
24 horas, os primeiros Homo Sapiens – o homem – teriam
surgido apenas às 23 horas, 59 minutos e 57 segundos. Ou seja,
teria uma história de apenas 3 segundos em toda a história da
Terra.
Louroantonio4@yahoo.com.br – www.palavra10.com
01 de janeiro de 2017

A VERDADE BÍBLICA E A CIÊNCIA HUMANA

  • 1.
    1 A VERDADE BÍBLICA E ACIÊNCIA HUMANA A VERDADEBÍBLICA E A CIÊNCIA HUMANA ESTÃO INTERLIGADASE DEPENDEMDE ESTUDOS E INTERPRETAÇÕES. VEJAMOS O PRIMEIRO LIVRO DE GÊNESIS, CUJA PALAVRA DO TÍTULO BÍBLICO ORIGINOU A PALAVRA GENE:
  • 2.
    2 O QUE ÉO LIVRO DE GÊNESIS Autor: O autor do Livro de Gênesis não é identificado. Tradicionalmente, tem-se sempre achado que o autor foi Moisés. Não há nenhuma razão determinante para negar a autoria mosaica de Gênesis. Quando foi escrito: O livro de Gênesis não afirma quando foi escrito. A data de sua autoria é provavelmente entre 1440 e 1400 AC, entre o tempo quando Moisés conduziu os israelitas para fora do Egito e a sua morte. Propósito: O livro de Gênesis tem sido por vezes chamado de “semente-enredo” de toda a Bíblia. A maioria das principais doutrinas da Bíblia é introduzida de forma “semente” no livro de Gênesis.Junto com a Queda do homem, a promessa de Deus de salvação ou redenção é registrada (Gênesis 3:15). As doutrinas da criação, imputação do pecado, justificação, expiação, depravação, ira, graça, soberania, responsabilidade e muitas outras são abordadas neste livro de origens chamado Gênesis. Muitas das grandes questões da vida são respondidas em Gênesis: (1) De onde é que eu vim ? (Deus nos criou - Gênesis 1:1) (2) Por que estou aqui ? (Nós estamos aqui para ter um relacionamento com Deus - Gênesis 15:6) (3) Para onde vou ? (Temos um destino após a morte - Gênesis 25:8). Gênesis é atraente aos cientistas, ao historiador, ao teólogo, à dona de casa, ao agricultor, ao viajante e ao homem ou mulher de Deus. É um começo adequado para a história de Deus do Seu plano para a humanidade, a Bíblia. Versículos-chave: Gênesis 1:1: “No princípio, criou Deus os céus e a terra. ”
  • 3.
    3 Gênesis 3:15: “Poreiinimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar. ” Gênesis 12:2-3: “de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção! Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra. ” Gênesis 50:20: “Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem, para fazer, como vedes agora, que se conserve muita gente em vida. ” Resumo: O livro de Gênesis pode ser dividido em duas seções: História Primitiva e História Patriarcal: A História Primitiva registra (1) Criação (Gênesis 1-2), (2) a Queda do homem (Gênesis 3-5), (3) o Dilúvio (Gênesis 6-9) e (4) a Dispersão (Gênesis capítulos 10-11). A História Patriarcal registra as vidas de quatro grandes homens: (1) Abraão (Gênesis 12-25:8), (2) Isaque (Gênesis 21:1- 35-29); (3) Jacó (Gênesis 25:21-50: 14) e (4) José(Gênesis 30:22- 50:26). Deus criou um universo que era bom e livre do pecado. Deus criou o homem para ter um relacionamento pessoal com Ele. Adão e Eva pecaram e, assim, trouxeram o mal e a morte ao mundo. O mal aumentou de forma constante em todo o mundo até que houve apenas uma família emque Deus encontrou algo de bom. Deus enviou o Dilúvio para acabar com o mal, mas salvou Noé, sua família e os animais da Arca. Após o Dilúvio, a humanidade começou novamente a se multiplicar e a se espalhar por todo o mundo. Deus escolheu Abraão, através de quem Ele criaria um povo escolhido e eventualmente o Messias prometido. A linhagem escolhida foi passada para o filho de Abraão, Isaque, e então ao
  • 4.
    4 filho de Isaque,Jacó. Deus mudou o nome de Jacó para Israel, e os seus doze filhos tornaram-se os antepassados das doze tribos de Israel. Em Sua soberania, Deus fez com que o filho de Jacó, José, fosse enviado para o Egito como resultado das ações desprezíveis dos seus irmãos. Este ato, projetado para o mal pela perversidade dos irmãos, foi por Deus destinado para o bem e eventualmente resultou em Jacó e sua família sendo salva por José de uma fome devastadora, pois este havia adquirido grande poder no Egito. Prenúncios: Muitos temas do Novo Testamento têm suas raízes em Gênesis. Jesus Cristo é a Semente da mulher que irá destruir o poder de Satanás (Gênesis 3:15). Tal como acontece com José, o plano de Deus para o bem da humanidade através do sacrifício de Seu Filho foi concebido para o bem, apesar de que aqueles que o crucificaram tiveram más intenções. Noé e sua família são os primeiros de muitos remanescentes retratados na Bíblia. Apesar de desvantagens esmagadoras e circunstâncias difíceis, Deus sempre preserva um grupo remanescente dos fiéis para Si. O remanescente de Israel retornou a Jerusalém depois do cativeiro babilônico; Deus preservou um remanescente através de todas as perseguições descritas em Isaías e Jeremias; uns remanescentes de 7.000 sacerdotes foram escondidos da ira de Jezabel; Deus promete que um grupo remanescente de judeus um dia receberá o seu verdadeiro Messias (Romanos 11). A fé demonstrada por Abraão seriao dom de Deus e abase de salvaçãopara os judeus e gentios (Efésios 2:8-9, Hebreus 11). Aplicação Prática: O tema predominante de Gênesis é a existência eterna de Deus e a Sua criação do mundo. Não há nenhum esforço por parte do autor de defender a existência de Deus; elesimplesmente afirma que Deus é, sempre foi esempre
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    5 será o Todo-Poderososobre todos. Da mesma forma, temos confiança nas verdades de Gênesis, apesar das afirmações daqueles que o negam. Todas as pessoas, independentemente da cultura, nacionalidade ou língua, terão que prestar contas diante do Criador. Não obstante, por causa do pecado, introduzido ao mundo pela Queda, somos separados de Deus. No entanto, através de uma pequena nação, Israel, o plano redentor de Deus para a humanidade foi revelado e feito acessível a todos. Alegramo-nos com esse plano. Deus criou o universo, a terra e todo ser vivo. Nós podemos confiar que Ele pode lidar com as preocupações em nossas vidas. Deus pode tomar uma situação desesperadora (como Abraão e Sara ainda sem filhos) e fazer coisas incríveis se simplesmente confiarmos e obedecermos. Coisas terríveis e injustas podem acontecer em nossas vidas, como aconteceram com José, mas Deus sempre vai fazer surgir um bem maior se tivermos fé Nele e em Seu plano soberano. “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Romanos 8:28). O QUE É GENE O significadode gene na genéticaclássicaéaunidade funcional da hereditariedade onde estão presentes os ácidos nucleicos, portadores de informações genéticas que proporcionam a diversidade entre os indivíduos. A palavra gene foi criada em 1909 pelo botânico dinamarquês Wilhelm Ludvig Johannsen. Gene é uma sequência de nucleotídeos distintos que fazem parte de um cromossomo. Cadagene codificauma determinada sequência de uma cadeia polipeptídica (união de aminoácidos que formam a proteína). O gene é formado por uma sequência de DNA (ácido desoxirribonucleico) e RNA (ácido ribonucleico),
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    6 sendo este últimoresponsável pela síntese de proteínas da célula. Genética é a ciência que estuda os genes. Os genes são classificados em: gene dominante (responsável pela atribuição de determinada característica no descendente), gene recessivo (manifesta-se na ausência de gene dominante), gene estrutural (contém a informação que determina a estrutura dos seres vivos), gene operador (atua no funcionamento de outros genes) e gene regulador (controla a síntese e transcrição de outros genes). Genoma é o conjunto de genes de um indivíduo. Cada ser humano possui um único genoma, estimando-se que seja composto por cerca de 25 000 genes. Esse resultado foi obtido através de um trabalho conjunto denominado Projeto Genoma Humano, que tem a função de mapear o genoma humano, ou seja, identificar todos os nucleotídeos que o compõem. No princípio criou Deus o céu e a terra. E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas. E disse Deus: Haja luz; e houve luz. E viu Deus que era boa a luz; e fez Deus separação entre a luz e as trevas. E Deus chamou à luz Dia; e às trevas chamou Noite. E foi a tarde e a manhã, o dia primeiro. Gênesis 1:1-5 MOVIMENTOS DOS CORPOS CELESTES Foram os movimentos provocados por DEUS em todos os corposcelestesdouniverso, quederam forma aos mesmos.
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    7 Ao todo, existemcatorze movimentos da Terra que deram a forma atual da mesma. Alguns interferem diretamente na vida em sociedade, outros, nem tanto. O planeta Terra não é estático no universo, assim como acontece com todos os corpos celestes. Ele realiza uma série de movimentos envolvendo a órbita em torno de si mesmo, ao redor do sol, em conjunto com a Via Láctea e com o próprio universo. Portanto, estudar esses movimentos significa entender uma parte da dinamicidade do espaço sideral. Os principais movimentos da Terra, istoé, aqueles que possuem um efeito direto mais notório em nossas vidas, são a rotação e a translação. A rotação é o movimento que a Terra realiza em torno de si mesma, circulando ao redor do seu eixo imaginário central durante um período aproximado de 24 horas, com uma velocidade de 1.666 km/hora. A rotação ocorre no sentido anti- horário, ou seja, de oeste para leste, o que faz com que o movimento aparente do sol seja de leste (nascente) para oeste (poente). A principal consequência desse movimento é a sucessão dos dias e das noites. A translação é o movimento elíptico que a Terra executa ao redor do sol, com uma duração de 365 dias, 5 horas e 48 minutos em uma velocidade de 107.000 km/hora. Quando a Terra termina uma volta completa em relação ao sol, dizemos que se passou um ano. A principal consequência desse movimento é a origem das estações do ano, que ocorrem pelo fato de o eixo do planeta apresentar uma inclinação de 23º27', ocasionando a sucessão dos solstícios e dos equinócios. O movimento de translação também é chamado de revolução.
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    8 Movimento de translaçãoterrestre Além desses dois movimentos principais, a Terra possui outros três importantes movimentos que não possuemuma influência muito notória sobre a humanidade, mas que são importantes por originarem outros movimentos. Essas variações são a precessão, a nutação e o deslocamento do periélio. A precessão – ou precessão dos equinócios – é o movimento giratório realizado pela projeção de eixo de rotação terrestre no sentido horário, com uma duração cíclica de 25.770 anos. A principal consequência é a antecipação dos equinócios e a mudança da posição aparente dos astros celestes no céu. A nutação é uma pequena variação periódica no eixo rotacional terrestre que ocorre a cada 18,6 anos em função da influência da gravidade da Lua sobre a Terra. Não há consequências relevantes. O deslocamento do periélio é a variação da órbita terrestre ao redor do sol. Como sabemos, o periélio é o ponto da órbita em que o planeta se encontra mais próximo ao corpo solar. Assim, essa diferença varia ao longo do tempo em função da
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    9 influência da órbitade outros planetas, com uma repetição cíclica de 21 mil anos. Além desses cinco movimentos apresentados, a Terra realiza outros nove movimentos de menor importância que envolvem derivações desses ciclos e transformações ocorridas em conjunto com o universo. Um desses movimentos é a obliquidade da eclíptica, que é a variação entre o plano da órbita da Terra e o plano da Linha do Equador, ou seja, a variação do eixo de inclinação. Esse movimento possui um ciclo de 42 mil anos e faz com que o ângulo desse eixo varie entre 22º e 24º30'. Há também a variação da excentricidade da órbita, em que o eixo de translação da Terra ora é mais circular, ora é mais elíptico, possuindo uma duração cíclica de 92 mil anos. Há indícios de que esse movimento seja o responsável pelas grandes glaciações da Terra. Já o movimento do centro de massa Terra-Lua indica a órbita que o centro de massa do sistema Terra-Lua realiza ao redor do sol. Da mesma forma, o movimento em torno do centro de massa do Sistema Solar é o movimento realizado pela Terra ao redor do centro de massa do sol e todos os planetas que circundam ao seu redor. Outro movimento interessante éo movimento das marés, em que há uma contração e uma descontração cíclicas do globo terrestre por influência da gravidade da Lua. A mais conhecida influência desse movimento é a variação das marés. A Terra também realiza alguns movimentos imprevisíveis, com pequenas variações em suas órbitas, fenômeno ocasionado pela influência dos demais planetas solares, notadamente Vênus e Júpiter. Esses movimentos são chamados de perturbações planetárias.
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    10 Como o Soltambém se desloca, observa-se que, concomitante ao movimento de translação, a Terra também realiza um movimento helicoidal em direção ao próprio sol. Da mesma forma ocorre em relação à ViaLáctea,que apresenta um giro ao redor de seu centro com duração de 250 milhões de anos. A Terra, assimcomo todo o sistema solar, faz parte dessa movimentação, que é chamada de rotação junto com a galáxia. No entanto, como o universo continua expandindo-se, a galáxia também se movimenta, levando todos os seus corpos celestes consigo, o que faz com que seja considerado o movimento de translação junto com a galáxia. Imagem da Via Láctea Em resumo, os 14 movimentos da Terra são: 1) Rotação 2) Translação 3) Precessão 4) Nutação 5) Deslocamento do periélio 6) Obliquidade da eclíptica 7) Variação da excentricidade da órbita
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    11 8) Movimento decentro de massa Terra-Lua 9) Movimento em torno do centro de massa do Sistema Solar 10) Movimento das Marés 11) Perturbações Planetárias 12) Movimento Helicoidal 13) Rotação junto com a galáxia 14) Translação junto com a galáxia O QUE É O SOL: Portanto o que seobserva éque o SOL não tinha a queima atual, portanto não estava formado, então vejamos: Massa: 332.83 vezes a da Terra, Diâmetro: 1.390.000 km, Temperatura: 6000 C, Composição Química: Hidrogênio, Hélio, Nitrogênio, Carbono, neon, Ferro, Silício, Magnésio e enxofre
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    12 O Sol éa estrela mais próxima denós eao seu redorgiram 8 planetas, centenas deasteroides, dezenas de satélites, um grande número de cometas e cinco planetas -anões. O Sol é uma estrela devido à grande quantidade de massa que tem, de aproximadamente 334.672 vezes a massa da Terra e é constituído principalmente de hidrogênio e hélio. Onde fica o Sol O Sol ocupa uma posição na periferia da Via-Láctea, a 27 mil anos luz do seu centro. Isso corresponde a 2/3 do raio total da Galáxia. A posição atual do Sol é conhecida como Braço de Orion. Da mesma forma como a Terra gira ao redor do Sol, este também orbita ao redor do centro da Galáxia. O ano solaré de aproximadamente 200 milhões de anos terrestres e sua
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    13 velocidade orbital éde 250 km/segundos. Sendo a idade do Sol de aproximadamente 4.6 bilhões de anos,é correto afirmarque até agora o Sol já realizou cerca de 22 revoluções completas ao redor da Via-Láctea. A magnitude de uma estrela é medida supondo que estivesse a uma distância de 32.6 anos-luz. Se o Sol fosse colocado a esta distância, seu brilho seria semelhante ao de uma estrela de magnitude igual a cinco. Assim, o Sol é uma estrela de quinta magnitude. A formação do Sol Os estudos mais recentes ainda não explicamexatamente como o Sol se formou, mas uma das teorias mais aceitas diz que antes de existir o Sol e os planetas, o que existia no lugar do sistema solar era uma gigantesca nuvem de gases e poeira, bem maior que o sistema solar. Os gases dessa nuvem seriam os que conhecemos: oxigênio, nitrogênio e principalmente hidrogênio e hélio. A poeira seria formada por todos os outros elementos químicos: ferro, alumínio, urânio, etc. Por algum motivo ainda não explicado, essa nuvem encontrou condições adequadas para se aglomerar e se juntar em pequenos blocos, e que começaram a se juntar em blocos cada vez maiores. Acredita-se que o bloco que se formou primeiro no centro da nuvem ficou tão grande e pesado que sua força gravitacional se tornou forte o suficiente para reter os gases com muita facilidade. Continuando a atrair os gases devido à formação gravitacional, esse bloco aumentou tanto de tamanho e massa que acabou se transformado no Sol. Os blocos menores que se formaram ao redor do bloco central deram então origem aos planetas.
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    14 Algumas pessoas pensamqueos planetas são pequenas bolhas expelidas pelo Sol, pois os cientistas do século 19 e início do século 20 pensavam assim. Atualmente sabe-se que isso não é verdade e a teoria apresentada, de gás e poeira, é a mais aceita entre a comunidade científica. Pela Lei da Gravitação Universal de Isaac Newton (1642-1727) é possível calcular a massa solar que é estimada em 334.672 vezes a massa da Terra, com um raio de 700 mil km. A densidade média é 1.4 g/cm3, já que a matéria não é homogênea em seu interior. No centro solar a densidade é muito maior, enquanto que nas camadas externas é muito inferior. O seu eixo de rotação tem uma inclinação em relação ao plano da eclíptica de 7° 15''. Apesar da massa estelar ser centenas de milhares de vezes maior que a da Terra, a gravidade na superfície solaré somente 28 vezes maior que a gravidade terrestre. A superfície não é solida, mas sim em estado de plasma e gás e apresenta temperatura da ordem de 5.770 graus Kelvin. O fato de o Sol ser basicamente um corpo constituído por um fluído (plasma e gás), provoca o fenômeno conhecido como rotação diferenciada. A velocidade dessa rotação varia nas diferentes latitudes com um valor máximo no equador (2 km/segundo) correspondendo a 25,03 dias e uma mínima nos polos com um período de 30 dias. Essas informações só foram possíveis graças à observação das manchas solares, vistas mais adiante. O Sol representa 99.867% de toda a massa do Sistema Solar. O restante está dividido entre os planetas, asteroides, satélites e cometas.
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    15 Como o Solfunciona Quando só as reações químicas eram conhecidas para a produção de fogo e calor, acreditava-seque o Sol funcionava de maneira similar, até que os cientistas calcularam sua massa e quantidade de energia necessária para mantê-lo aquecido. Constatou-se que se assimfosse, o Sol não duraria mais de 100 anos. Como o Sol é muito mais velho que 1 século, o mecanismo de geração de calor deveria ser outro, descoberto na primeira metade do século XX, a partir do estudo da energia atômica. Sabemos que quando um gás é comprimido, este tende a se aquecer. Para comprovar isso, experimente encher um pneu de bicicleta usando uma pequena bomba manual. Tanto o bico do pneu como a extremidade próxima da bomba se aquecem. Isso ocorre por que o gás que está dentro da bomba é comprimido pela força que você faz para encher o pneu. Quando o pneu está quase cheio e você faz mais força, o gás fica ainda mais quente. Sabemos também que a pressão aumenta com a profundidade. Se mergulharmos 2 ou 3 metros dentro de uma piscina percebemos claramente o aumento da pressão em nossos ouvidos. No Sol, a pressão é milhões de vezes maior que a pressão na Terra. Para se ter uma ideia, no Sol pode-se afundar até 50 vezes o diâmetro da Terra sem que cheguemos ao seu centro. O hidrogênio, combustível principal do Sol, ao ser submetido à essa gigantesca pressão, chega a atingirtemperaturas de até 15 milhões de graus. Nestas condições o núcleo do hidrogênio se funde e se transforma em hélio, liberando uma enorme quantidade de energia. Esse processo se chama fusão nuclear e produz milhões de vezes mais energia que as reações nucleares
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    16 produzidas na Terra. Aquina terra recebemos somente uma pequena fração de toda a energia que o Sol produz. Foi somente no século XX que os cientistas atingiram conhecimentos teóricos suficientes para elaborar uma teoria a respeito de toda a energia que o Sol irradia. A estrutura externa do Sol O Sol é formado por três principais camadas: A fotosfera, a crosfera e a coroa solar. Aparentemente a olho nu ou com instrumentos de baixa precisão a superfície do Sol é bastante uniforme, mas na realidade ela é formada por pequenas estruturas hexagonais, os grânulos, de forma irregular e separadas por zonas mais escuras. E disse Deus: Haja uma expansão no meio das águas, e haja separação entre águas e águas. E fez Deus a expansão, e fez separação entre as águas que estavam debaixo da expansão e as águas que estavam sobre a expansão; e assim foi. E chamou Deus à expansão Céus, e foi a tarde e a manhã, o dia segundo. Gênesis 1:6-8 O que seobserva nos Versículos 6 ao 8 do Capítulo 1 de Gênesis, é que não havia se formado a atmosfera, espaço necessário para a vida na Terra. ATMOSFERA TERRESTRE
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    17 Imagem da Terravista do Apollo 17. Quando visto de uma certa altitude, como aqui de um avião, o céu varia de cor A atmosfera terrestre é uma camada de gases que envolve a Terra e é retida pela força da gravidade. A atmosfera terrestre protege a vida na Terra absorvendo a radiação ultravioleta solar, aquecendo a superfície por meio da
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    18 retenção de calor(efeito estufa), e reduzindo os extremos de temperatura entre o dia e a noite. Visto do espaço, o planeta Terra aparece como uma esfera de coloração azul brilhante. Esse efeito cromático é produzido pela dispersão da luz solar sobre a atmosfera, e que existe também em outros planetas do sistema solar dotados de atmosfera. O ar seco contém, em volume, cerca de 78,09% de nitrogênio, 20,95% de oxigênio, 0,93% de argônio, 0,039% de gás carbônico e pequenas quantidades de outros gases. O ar contém uma quantidade variável de vapor de água, em média 1%. A atmosfera tem uma massa de aproximadamente 5 x 1018 kg, sendo que três quartos dessa massa estão situados nos primeiros 11 km desde a superfície. A atmosfera terrestre se torna cada vez mais tênue conforme se aumenta a altitude, e não há um limite definido entre a atmosfera terrestre e o espaço exterior. Apenas em altitudes inferiores a 120 km a atmosfera terrestre passa a ser bem percebida durante a reentrada atmosférica de um ônibusespacial,porexemplo. A linha Kármán, a 100 km de altitude, é considerada frequentemente como o limite entre atmosfera e o espaço exterior. Composição da atmosfera terrestre. Quantidade média de vapor de água na atmosfera
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    19 A atmosfera terrestreé composta principalmente de nitrogênio, oxigênio e argônio. Os gases restantes são muitas vezes referidos como gases traços, entre os quais estão incluídos os gases do efeito estufa, como vapor de água, o dióxido de carbono, metano, óxido nitroso e o ozônio. O ar filtrado pode conter vestígios de muitos outros compostos químicos. Muitas substâncias naturais podem estar presente em quantidades ínfimas em uma amostra de ar não purificada, incluindo poeira, pólen e esporos, gotículas de água líquida, cinzas vulcânicas e meteoroides. Vários poluentes industriais também podem estar presentes, tais como o cloro (elementar ou em compostos), compostos de flúor, mercúrio elementar e compostos de enxofre, tais como dióxido de enxofre (SO2, que pode causar a chuva ácida). Composição da atmosfera ( isenta de água), por volume ppmv: partes por milhão por volume (nota: a fração de volume é igual à fração molar para apenas gases ideais) Gás Volume Nitrogênio (N2) 780.840 ppmv (78,084%) Oxigênio (O2) 209.460 ppmv (20,946%) Argônio (Ar) 9.340 ppmv (0,9340%) Dióxido de carbono (CO2) 390 ppmv (0,0390%)[2] Neônio (Ne) 18,18 ppmv (0,001818%) Hélio (He) 5,24 ppmv (0,000524%) Metano (CH4) 1,79 ppmv (0,000179%)[3]
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    20 Criptônio (Kr) 1,14ppmv (0,000114%) Hidrogênio (H2) 0,55 ppmv (0,000055%) Óxido nitroso (N2O) 0,3 ppmv (0,00003%) Monóxido de carbono (CO) 0,1 ppmv (0,00001%) Xenônio (Xe) 0,09 ppmv (9x10−6%) Ozônio (O3) 0,0 a 0,07 ppmv (0% a 7x10−6%) Dióxido de nitrogênio (NO2) 0,02 ppmv (2x10−6%) Iodo (I) 0,01 ppmv (10−6%) Amônio (NH3) Traços Gases não incluídos na alta atmosfera (amostra isenta de água): Vapor de água (H2O) ~0.40% em toda a atmosfera, normalmente entre 1%-4% na superfície Vapor de água
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    21 Figura de monitoramentodaconcentração devaporna atmosfera causada pelo fenômeno El Niño O vapor d'água na atmosfera encontra-se principalmente nas camadas mais baixas da atmosfera (75% de todo o vapor d'água está abaixo dos quatro mil metros de altitude) e exerce o importante papel de regulador da ação do Sol sobre a superfície terrestre. A quantidade de vapor varia muito em função das condições climáticas das diferentes regiões do planeta; os níveis de evaporação e precipitação são compensados até chegara um equilíbrio na baixa atmosfera: o vapor de água contido nas camadas inferiores está muito próximo ao seu ponto de saturação. A água torna-se líquida quando a sua concentração chega a 4% na baixa atmosfera. O ar, em algumas áreas, como desertos, pode estar praticamente isento de vapor de água, enquanto em outras pode chegar a ao nível de saturação, algo muito comum nas regiões equatoriais, onde a precipitação pluvial é constante todo o ano. Camadas da atmosfera. A temperatura da atmosfera terrestre varia entre camadas em altitudes diferentes. Portanto, a relação matemática entre temperatura e altitude também varia, sendo uma das bases da classificação das diferentes camadas da atmosfera. A atmosfera está convencionalmente estruturada em cinco camadas, três das quais são relativamente quentes, separadas por duas camadas relativamente frias. Os contatos entre essas camadas são áreas de descontinuidade, e recebem o sufixo "pausa" após o nome da camada subjacente. Troposfera A Troposfera é a camada atmosférica que se estende da superfície da Terra até a base da estratosfera. Esta camada responde por cerca de oitenta por cento do peso atmosférico e
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    22 é a únicacamada em que os seres vivos podem respirar normalmente. A sua espessura média é de aproximadamente 12 km, atingindo até 17 km nos trópicos e reduzindo-se para em torno de sete quilômetros nos polos. Praticamente todos os fenómenos meteorológicos estão confinados a esta camada. Na base da troposfera encontra-se a camada limite planetária (CLP) (também chamada de camada limite atmosférica - CLA), a camada mais baixa da troposfera, com uma altura média de 1 km, na qual os efeitos da superfície são importantes, como o ciclo diurno de aquecimento e resfriamento. O que distingue a CLP de outras regiões da troposfera é a turbulência atmosférica e seu efeito de mistura, resultando na chamada camada de mistura (CM). Acima da CLP, o escoamento atmosférico é laminar (não turbulento), e o ar desliza em camadas, à exceção do movimento turbulento que é encontrado dentro das nuvens convectivas do tipo cumulonimbus, de grande desenvolvimento vertical. Em geral, a base das nuvens e a uma inversão térmica de altitude podem ser encontradas junto ao topo da CLP, limitando-a. Os poluentes atmosféricos são difundidos pela turbulência dentro da CLP e transportados a longas distâncias, até encontrar uma região de ocorrência de nuvens de grande desenvolvimento vertical que possam lhes transportar até a troposfera superior. Uma camada de transição existe entre a CLP e a atmosfera livre, na qual ocorre a intrusão de ar frio e seco da atmosfera livre dentro da CLP. O ar da CLP sobre os continentes nas latitudes tropicais em geral é quente e úmido. Os fluxos de calor, umidade e de poluentes ocorrem na base da CLP a partir da superfície e, por isso, o fluxo turbulento de calor
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    23 diminui verticalmente. Emgeral, durante o dia, a CLP é uma camada convectiva, durante a noite, é estável junto à superfície que se resfria por perda radiativa do calor acumulado durante o dia. Tropopausa A tropopausa é o nome dado à camada intermediária entre a troposfera e a estratosfera, situada a uma altura média em torno de 17 km sobre a linha do Equador. A distância da tropopausa em relação ao solo varia conforme as condições climáticas da troposfera, da temperatura do ar, da latitude, entre outros fatores. Se existe na troposfera uma agitação climática com muitas correntes de convecção, a tropopausa tende a subir. Isto se deve por causa do aumento do volume do ar na troposfera, este aumentando, aquela aumentará, por consequência, empurrará a tropopausa para cima. Estratosfera
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    24 Gráfico queilustra distribuiçãodascamadas da atmosfera segundoa pressão, temperatura, altitude e densidade Na estratosfera a temperatura aumenta com a altitude e se caracteriza pelos movimentos horizontais do ar. Situa-se aproximadamente entre 7 e 17 até 50 km de altitude aproximadamente, compreendida entre a troposfera e a mesosfera. Apresenta pequena concentração de vapor de água, e a temperatura cresce conforme maior a altitude até a região limítrofe, denominada estratopausa. Muitos aviões a jato circulam na estratosfera devido à sua estabilidade. É nesta camada que está situada a camada de ozônio, e onde começa a dispersão da luz solar (que origina o azul do céu). Estratopausa A estratopausa é a região limítrofe entre a estratosfera e a mesosfera e onde a temperatura para de aumentar conforme a elevação da altitude, marcando o início da mesosfera. Mesosfera Na mesosfera a temperatura diminui com a altitude. Esta é a camada atmosférica onde há uma substancial queda de temperatura, chegando até a -90°C em seu topo. A mesosfera está situada entre a estratopausa em sua parte inferior e mesopausa em sua parte superior, entre 50 a 80/85 km de altitude. É na mesosfera que ocorre o fenómeno da aeroluminescência das emissões da hidroxila e é nela que se dá a combustão dos meteoroides. Mesopausa A mesopausa é a região da atmosfera que determina o limite entre uma atmosfera com massa molecular constante de outra onde predomina a difusão molecular. Termosfera Na termosfera a temperatura aumenta com a altitude, e está localizada acima da mesopausa. Sua temperatura aumenta
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    25 rapidamente com aaltitude até onde a densidade das moléculas é tão pequena que se movem em trajetórias aleatórias, chocando-se raramente. A temperatura média da termosfera é de 1.500°C, mas a densidade é tão pequena que a temperatura não é sentida normalmente. Sua espessura varia entre 350 a 800 km dependendo da atividade solar, embora sua espessura seja tão pequena quanto 80 km em épocas de pouca atividade solar. É a camada onde ocorrem as auroras e onde orbita o ônibus espacial. Termopausa A termopausa ou exobase é a região limítrofe entre a termosfera e a exosfera. Fisicamente, toda a radiação solar incidente atua abaixo da termopausa, mas pode ser negligenciado quando é considerado a exosfera, onde a atmosfera é tão tênue que fenômenos decorridos aí praticamente não são percebidos. Exosfera A camada mais externa da atmosfera da Terra seestende desde a termopausa para o espaço exterior. Aqui, as partículas estão tão distantes que podem viajar centenas de quilômetros sem colidir umas com as outras. Uma vez que as partículas colidem raramente, a exosfera não se comporta como um fluido. Essas partículas que se movem livremente seguem trajetórias retilíneas e podem migrar para dentro ou para fora da magnetosfera ou da região de atuação do vento solar. A exosfera é composta principalmente de hidrogênio e hélio. Não existe um limite definido entre o espaço exterior e a atmosfera. Presume-se que esta tenha cerca de mil quilômetros de espessura, 99% da densidade está concentrada nas camadas mais inferiores e cerca 80% da massa atmosférica está numa faixa de 11 km desde a superfície. À medida que se vai subindo,
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    26 o ar vaise tornando cada vez mais rarefeito, perdendo sua homogeneidade e composição. Na exosfera, zona em que foi arbitrado limítrofe entre a atmosfera e o espaço interplanetário, algumas moléculas de gás acabamescapando à ação do campo gravitacional. O limite onde os efeitos atmosféricos são notáveis durante a reentrada atmosférica, fica em torno de 120 km de altitude. A altitude de 100 quilômetros, conhecida como a linha Kármán, também é usadafrequentemente como o limite entre atmosfera e o espaço exterior. Outras camadas Além das cinco camadas principais determinadas pela temperatura, outras camadas são determinadas por várias outras propriedades. Ozonosfera A ozonosfera ou camada de ozônio está contida dentro da estratosfera. Nesta, a concentração da camada de ozônio é de cerca de 2 a 8 partes por milhão, que é muito maior do que o ozônio na atmosfera próxima à superfície, mas ainda é muito pequeno quando comparado com os principais componentes da atmosfera. Está localizada principalmente na parte inferior da estratosfera, entre 15 a 35 km de altitude, embora a espessuravarie sazonalmente e geograficamente. Cerca de 90% do ozônio em nossa atmosfera está contida na estratosfera. Ionosfera
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    27 As auroras polaresocorrem na ionosfera A ionosfera, a parte da atmosfera ionizada pela radiação solar, estende-se de 50 a 1.000 km de altitude e, normalmente, engloba tanto a termosfera quanto a exosfera. A ionosfera representa a fronteira interna da magnetosfera. Tem importância prática, e influencia, por exemplo, a propagação radioelétrica sobre a Terra. É responsável pelas auroras. É dividida em subcamadas que se diferem pela quantidade de energia eletromagnética recebida pelo sol ou de ficarem mais ativas quando os raios solares incidem perpendicularmente no meio. Homosfera e heterosfera A homosfera e a heterosfera são definidas pelo fato de que os gases atmosféricos estão ou não bem misturados. No homosfera, a composição química da atmosfera não depende do peso molecular; os gases são misturados pela turbulência. A homosfera inclui a troposfera, a estratosfera e a mesosfera. Acima da turbopausa, a cerca de 100 km de altitude (essencialmente a altitude da mesopausa), a composição varia com a altitude. Isso ocorre porque a distância que as partículas podem se mover sem colidir uma com as outras é grande em comparação com o tamanho dos movimentos turbulentos que fazem a mistura. Isso permite que os gases estratifiquem-se
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    28 pelo peso molecular;os mais pesados, como o oxigênio e nitrogênio, estão presentes apenas próximos da parte inferior da heterosfera. A parte superior do heterosfera é composta quase que totalmente por hidrogênio, o elemento mais leve. Camada limite planetária A camada limite planetária é a parte da troposfera que está mais próxima da superfície terrestre, e é diretamente afetada por ela, principalmente através da difusão turbulenta. Durante o dia, a camada limite planetária é geralmente bem misturada, enquanto à noite, torna-se estavelmente estratificada, com ocasiões de mistura fraca ou intermitente. A profundidade da camada limite planetária varia de 100 m, durante noites claras e calmas, para 3.000 m ou mais durante a tarde nas regiões secas. Propriedades físicas As camadas mais altas da atmosfera terrestre. A pressão atmosférica média ao nível do mar é de cerca de 1 atmosfera (atm) = 101,3 kPa (quilopascais) = 14,7 psi (libras por polegada quadrada) = 760 mmHg (milímetros de mercúrio). A massa atmosférica total é de 5,1480 × 1018kg, cerca de 2,5% inferior ao que seria calculado ingenuamente a partir da pressão média ao nível do mar e da área da Terra, de cerca de 51.007,2 mega-hectares. este desvio
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    29 nos cálculos édevido ao terreno montanhoso da superfície terrestre. A pressão atmosférica é o peso total do ar por unidade de área, no ponto onde a pressão é medida. Assim, a pressão do ar varia com a localização e momento, porque a quantidade de ar acima da superfície da Terra varia. Se a densidade atmosférica se mantiver constante com a altura, aatmosfera iriaterminar abruptamente a8,50 km. Ao vez disso, a densidade da atmosfera diminui com a altura, caindo em 50% a uma altitude de cerca de 5,6 km. Como resultado, a pressão atmosférica decresce exponencialmente com a altura, continuando a diminuir 50% a cada 5,6 km até atingir a mesopausa. No entanto, a partir da mesopausa, mudanças nos valores da gravidade , temperatura, peso molecular médio em toda a coluna atmosférica, a dependência da pressão atmosférica à altitude é modelado por equações separadas para cada uma das camadas acima. Mesmo na exosfera, a atmosfera ainda está presente. Isto pode ser visto pelos efeitos do arrasto atmosférico em satélites. Em resumo, as equações da pressão em função da altitude podem ser usadas diretamente para estimar a espessura da atmosfera: 50% da atmosfera, em massa, está a uma altitude inferior a 5,6 km. 90% da atmosfera, em massa, está a uma altitude inferior a 16 km. 99,99997% da atmosfera, em massa, está abaixo de 100 km de altitude, embora nas camadas rarefeitas acima, existem auroras e outros fenômenos atmosféricos. Densidade e massa
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    30 Temperatura e densidadeem função da altitudedo modelo atmosférico padrãoNRLMSISE- 00 A densidade do ar ao nível do mar é cerca de 1,2 kg/m³. A densidade não deve ser medida diretamente, mas é calculada a partir de medições de temperatura, pressãoe umidade, usando a equação de estado para o ar (uma forma da lei dos gases ideais). A densidade atmosférica diminui com o aumento da altitude. Esta variação pode ser aproximadamente modelada utilizando a equação barométrica. Modelos mais sofisticados são usados para prever a decaimento orbital dos satélites. A massa média da atmosfera é de cerca de 5 quatrilhões (5x1015) de toneladas, ou cerca de 1/1.200.000 a massa da Terra. Segundo o Centro Nacional de Pesquisas Atmosféricas dos Estados Unidos, "A massa média total da atmosfera é de 5,1480 × 1021g, comuma variação anual, devido às diferentes concentrações de vapor de água, que varia entre 1,2 a 1,5 × 1018g, dependendo dos dados da pressão atmosférica superfície ou de vapor de água utilizados, pouco menor do que a estimativa anterior. A massa média de vapor d'águaé estimada em 1,27 × 1019g,e massadaatmosfera isenta de ar como 5,1352±0,0003 × 1018kg." Fenômenos ópticos A radiação (ou luz) solar é a energia que a Terra recebe do sol.A Terra também emite radiação de volta para o espaço, mas em comprimentos de onda mais longos, que não podemos ver.
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    31 Parte da radiaçãoemitida e é absorvida ou refletida pela atmosfera. Dispersão Quando a luz passa através da atmosfera, os fótons interagem através da dispersão. Se a luz não interagir com a atmosfera, então ocorre a radiação direta e é o que nós vemos quando olhamos diretamente para o sol. A radiação indireta é a luz que é dispersa na atmosfera. Por exemplo, em um dia nublado, quando não conseguimos ver a nossa própria sombra, não há radiação direta, toda aluz visívelé produto de radiaçãoindireta. Devido a um fenômeno óptico conhecido como dispersão de Rayleigh, comprimentos de onda mais curtos (azul) se dispersammais facilmente do que comprimentos de onda mais longos (vermelho). É por isso que o céu parece azul, resultado de radiação indireta que dá preferência aos comprimentos de onda que tendem ao azul. Também por isso, o pôr-do-sol é vermelho, porque o Sol está próximo do horizonte, e os raios solares têm que atravessar uma atmosfera mais espessa para chegar a nossa visão. Grande parte da luz azul é espalhada e neutralizada, deixando apenas a luz vermelha em um pôr-do- sol. Absorção A opacidade, ou transmitância, da atmosfera terrestre em diferentes comprimentos de onda, incluindo o espectro visível
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    32 Diferentes moléculas absorvemradiações com diferentes comprimentos de onda. Por exemplo, o oxigênio e o ozônio absorvem quase todos os comprimentos de onda mais curtos do que 300 nanômetros (radiação ultravioleta e radiações mais energéticas). A água absorve vários comprimentos de onda acima de 700 nm (radiação infravermelha e radiações menos energéticas). Quando uma molécula absorve um fóton, aumenta aenergia da molécula. Podemos deduzir isso como o aquecimento da atmosfera, mas também a atmosfera se resfria emitindo radiação. O espectro de absorção combinado dos gases na atmosfera deixa "janelas" de baixa opacidade, permitindo a transmissão de apenas determinadas faixas de luz. A janela óptica vai de cerca de 300 nm (ultravioleta-C), até 1.100 nm (infravermelho) Está janela inclui o espectro visível, de comprimento de onda de 400 a 700 nm. Há também janelas de infravermelho e de rádio, cujo comprimento de onda varia de um centímetro a 11 metros. A temperatura média da atmosfera Na superfície terrestre é de 14°C. ou 15°C, dependendo da referência. Emissão A emissão é o oposto da absorção, que é quando um corpo emite radiação. Corpos tendem a emitir quantidades e comprimentos de onda de radiação em função de sua curva de emissão de seu "corpo negro". Portanto, corpos quentes tendem a emitir mais radiação com comprimentos de onda mais curtos. Corpos mais frios emitem menos radiação, com comprimentos de onda mais longos. Por exemplo, a temperatura da superfíciesolaré de aproximadamente 6000 K,
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    33 mas seupico deradiação estásituado próximo ao comprimento de onda de cerca de 500 nm, e é visível ao olho humano. A temperatura da superfície terrestre é de 290 K, então seu pico de radiação tem o comprimento de onda próximo de 10.000 nm, e é demasiado longo para ser visível aos seres humanos. Por causa de sua temperatura, a atmosfera emite radiação infravermelha. Por exemplo, em noites claras, a superfície da Terra se esfria mais rapidamente do que em noites nubladas. Isso ocorre porque as nuvens são fortes absorvedoras e emissoras de radiação infravermelha. É também por isso, a noite torna-se mais fria emaltitudes mais elevadas.A atmosfera age como um "cobertor", que limita a quantidade de radiação que a Terra perde para o espaço. O efeito estufa está diretamente relacionado a esta absorção e emissão em vigor. Alguns compostos químicos na atmosfera absorvem e emitem radiação infravermelha, mas não interagem com a luz solarno espectro visível.Os exemplos mais comuns destes produtos químicos são o gás carbônico e a água. Se houver excesso de gases do efeito estufa, o Sol aquece a superfície da Terra, mas os gases bloqueiam a radiação infravermelha de sair de volta para o espaço. Este desequilíbrio faz com que a Terra se aqueça e, consequentemente causa alterações climáticas. Índice de refração O índice de refração do ar é ligeiramente maior do que 1. Variações sistemáticas no índice de refração podem levar à curvatura dos raios de luz ao longo de grandes percursos óptico. Por exemplo, em algumas circunstâncias, os observadores a bordo dos navios pode ver outros navios ao longo
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    34 do horizonte apenasporque a luz é refratada na mesma direção da curvatura da superfície da Terra. O índice de refração do ar depende da temperatura, dando origem a efeitos de refração, quando o gradiente de temperatura é grande. Um exemplo desses efeitos é a miragem. Dinâmica atmosférica Uma vista idealizada das três grandes células de circulação atmosférica Exemplo de Mapeamento da temperatura da superfície da Terra As camadas superiores do planeta refletem em torno de 40% da radiação solar. Dos 60% restantes, aproximadamente 17% são absorvidos pelas camadas inferiores, sendo que o ozônio interage e absorve os raios ultravioleta. O dióxido de carbono e o vapor de água absorvem os raios infravermelhos. Restam 43% da energia solar, e esta
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    35 alcança a superfíciedo planeta, que por sua vez reflete dez por cento das radiações solares de volta para o espaço. Além dos efeitos descritos, existe ainda a influência do vapor de água e sua concentração variável. Estes, juntamente com a inclinação dos raios solares em função da latitude, agemde forma decisiva na penetrância da energia solar, que por sua vez tem aproximadamente 33% da energia absorvida por toda a superfície atingida durante o dia, sendo uma parte muito pequena desta reirradiada durante a noite. Existe ainda a influência e interação dos oceanos com a atmosfera em sua autorregulação. Estes mantêm um equilíbrio dinâmico entre os fenômenos climáticos das diferentes regiões da Terra. Todos os mecanismos relatados acima atuando em conjunto, geram uma transição suave de temperaturas em todo o planeta. A exceção à regra ocorre onde são menores a quantidade de água a espessura da troposfera, como nos desertos e cordilheiras de grande altitude.
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    36 Mapeamento de velocidadedos ventos Na baixa atmosfera, o ar se desloca tanto no sentido horizontal quanto no sentido vertical, sempre compensando as mudanças na pressão atmosférica decorridas pelas diferenças de temperatura; ao aquecer-se, uma massa de ar aquecida sobe, e ao esfriar-se, desce, gerando assim, umsistema oscilatório de variação da pressão atmosférica que pode adquirir características próprias. Uma dos maiores determinantes na distribuição do calor e umidade na atmosfera é a circulação do ar, pois esta ativa a evaporação média, dispersa as massas de ar quente ou frio, conforme a região e o momento. Por consequência caracteriza o próprio tempo meteorológico e o clima típico de uma determinada região. A circulação atmosférica é o movimento em larga escala da atmosfera, e os meios (juntamente com a circulação
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    37 oceânica), pelo qualo calor é distribuído ao redor da Terra. A estrutura de grande escala da circulação atmosférica varia de ano para ano, mas aestrutura básicapermanece razoavelmente constante, uma vez que é determinado pela taxa de rotação da Terra (força de Coriolis) e pela diferença de radiação solar entre a linha do Equador e os polos. A evolução da atmosfera terrestre Podemos compreender razoavelmente a história da atmosfera da Terra até há um bilhão anos atrás. Regredindo no tempo, podemos somente especular, pois, é uma área ainda em constante pesquisa. Primeira atmosfera A primeira atmosfera era composta principalmente por hélio e hidrogênio. O calor provindo da crosta terrestre ainda em forma de plasma, e o Sol, a dissiparam. Segunda atmosfera Há evidências de que existia água em estado líquido na superfície terrestre há pelo menos 3,8 bilhões de anos, comprovados pela coleta de sedimentos que datam daquela época. 400 milhões de anos mais tarde, praticamente não havia oxigênio livre e era composta quase que integralmente por nitrogênio e compostos de carbono. Era aproximadamente 100 vezes mais densa do que a atmosfera atual, embora a existência de vida, que é comprovada a partir de 3,5 bilhões de anos, já interferia na composição da antiga atmosfera. O sol emitia cerca de 30% menos radiação do que atualmente, mas as evidências geológicas comprovam que existiam oceanos líquidos sobre a superfície terrestre naquela época. Esta discrepância, conhecida como o paradoxo do jovem Sol
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    38 fraco, pode evidenciarque o efeito estufa naquela época era muito maior do que atualmente. De fato, as evidências geológicas mostram que a temperatura na superfície terrestre praticamente se manteve constante por bilhões de anos, com a exceção de uma era glacial ocorrida há 2,4 bilhões de anos Surgiram organismos fotossintéticos que evoluiriam e começaram a converter dióxido de carbono em oxigênio.No fim do período arqueano, as primeiras evidências da presença de oxigênio começaram a se desenvolver, provavelmente de algas fotossintetizantes, descobertas em fósseis estromatólitos tão antigos quanto 2,7 bilhões de anos. As proporções dos isótopos de carbono daquela época são praticamente as mesmas de hoje em dia, sugerindo que as estruturas fundamentais do ciclo docarbono jáestavamestabelecidas há pelo menos 4 bilhões de anos. Terceira atmosfera Concentração de oxigênio na atmosfera terrestre ao longo dos últimos um bilhão de anos Com a acreção dos continentes há cerca de 3,5 bilhões de anos. O movimento das placas tectônicas rearranjou
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    39 continuamente os continentese também moldaram a evolução do clima, permitindo a transferência do gás carbônico atmosféricos para grandes depósitos orgânicos continentais. Embora a produção de oxigênio por organismos seja tão antiga quanto 3 bilhões de anos, o oxigênio livre na atmosfera não existiaaté pelo menos há 1,7 bilhões/mil milhões de anos; o que pode ser verificado pela formação de óxido de ferro em sedimentos e o fim da sedimentação do ferro em estado elementar. Foi o fim da atmosfera redutiva para a atmosfera oxidante. A partir de então, a quantidade de oxigênio na atmosfera terrestre manteve-se estável em5% até 600 milhões de anos atrás, mas alcançou um pico de 35% há 300 milhões de anos. Desde então, a quantidade de oxigênio na atmosfera sofreu flutuações até se estabilizar em 21% atualmente. E disse Deus: Ajuntem-se as águas debaixo dos céus num lugar; e apareça a porção seca; e assim foi. E chamou Deus à porção seca Terra; e ao ajuntamento das águas chamou Mares; e viu Deus que era bom. Gênesis 1:9,10 O que seobserva nos Versículos 9 e 10 do Capítulo 1 de Gênesis, é que não haviam se formados os continentes, espaços necessários para a vida terrestre. O QUE SÃO OS CONTINENTES
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    40 Continente é umagrande massa de terra cercada por água. Na gigantesca massa de água salgada (formada principalmente pelos oceanos) pela qual são cobertos mais de 10% da superfície terrestre, é muito fácil notar aqui e ali o aparecimento de territórios contínuos muito extensos, o que torna pouco conveniente para os geógrafos dar a essas massas o nome de ilhas. Assim, essas extensões de terras são definidas como continentes. O conceito que os geógrafos usam para definir uma massa continental pode variar segundo os critérios que esses especialistas adotam em cada caso, podendo ser físicos,culturais, políticosou históricos.A definiçãofísica de maior disseminação considera a divisão em quatro continentes: América, Eurafrásia, Austrália e Antártida. Mas, seguindo-se critérios tanto culturais como políticos, costuma-se considerar a Europa, a Ásia e a África, a América, e a Oceania. Historicamente, o Velho Mundo é constituído pelos mesmos três continentes que constituem a Eurafrásia: Europa, Ásia e África. Essa classificação é baseada
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    41 numa verdadeira afirmaçãode que as três massas terrestres se unem geograficamente: Ásia e Europa (Eurásia), cujos acidentes que ligam os continentes são o Cáucaso, o mar Cáspio e a cordilheira dos Urais, no momento em que a África e a Ásia são comunicadas pelo istmo do Suez. No Novo Mundo são agrupados ambos os subcontinentes americanos que o istmo do Panamá une; e no Novíssimo Mundo (Oceania) são reunidas a grande ilha australiana, as ilhas da Tasmânia, Nova Zelândia, Nova Guiné, e os arquipélagos da Melanésia, Micronésia e Polinésia. Etimologia A origem etimológica do nome "continente" é derivada das palavras latinas continens e entis, que significam "contínuo, ininterrupto" (e, "abstinente, moderado"), estando no particípio presente de continere, significando "conter, abranger", verbo oriundo de cum, con e tenere, tendo o significado de "ter". Esta é a fonte do eruditismo em cinco línguas europeias: em língua portuguesa, espanhola e italiana, continente (século XV); em língua inglesa continent, (século XIV); o vocábulo inglês continent é uma palavra que foi emprestada do vocábulo francês continent (século XII). Na acepção geográfica que se considera abaixo, os substantivos das quatro línguas europeias têm o mesmo significado: em português, espanhol e italiano, continente (século XVI); em francês, continent (1532); em inglês, continent (1590); e em língua alemã Kontinent (entre os séculos XVI e XVII). O vocábulo português e espanhol continente foi documentado entre os séculos XII e XIV, significado "gesto, atitude, parte", cujo sentido atualmente está obsoleto.
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    42 Classificação e estatísticas Tipologias Existemdois tipos de continentes: físicos: é qualquer massa de terra mais extensa que a Groenlândia. políticos: é um conjunto de países em uma certa região do mundo que podem conter arquipélagos ou ilhas fora de seu território. A seguir a lista dos continentes em sua definição mais abrangente: físicos: América, Eurafrásia, Austrália e Antártida[9] políticos: América, Europa, Ásia, África, Oceania e Antárti da[9] Os continentes políticos nem sempre sãosomente os que foram citados acima, sendo que a América é frequentemente dividida em duas partes: a América do Norte e a América do Sul, visto que muitas vezes a América Central e arquipélago do Caribe são considerados ainda outras subdivisões do continente. O termo "Eurafrásia" é incomum, mas é o mais correto para se referir à grande massa de terra que é subdividida em Europa, África e Ásia, visto que a Ásia e a Europa se separam pelos montes Urais e a África se separa da Ásia pelo Canal de Suez; nenhuma dessas regiões são oceanos, e portanto, a Eurafrásiaé o único continente físicoque pode existirna região. Apesar disso, muitos consideram que a África e Ásia estão suficientemente separados, pois pode-se perceber claramente ao olhar no mapa que não há terra que junte os continentes e a parte do Canal de Suez é mínima, diferente do que acontece entre a Europa e a Ásia; por isso foi criado o termo Eurásia (Europa e Ásia), para se referir a esses
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    43 continentes políticos comoum só continente físico separado da África. Modelos continentais Na realidade não existe uma única forma de fixar o número de continentes e depende de cada área cultural determinar se duas grandes massas de terra unidas formam um ou dois continentes, e concretamente, decidir os limites entre Europa e Ásia (Eurásia) por uma parte, e América do Norte e América do Sul (América) por outra. Os principais modelos sãoos seguintes: Quatro continentes: Alguns sugerem que Europa, África e Ásia deveriam ser considerados um único continente chamado Eurafrásia. Este modelo se baseia em uma definição estrita de continente como uma área de terra contínua, onde as fronteiras artificiais como os canais de Suez e do Panamá não seriam verdadeiras barreiras continentais. Cinco continentes (modelo tradicional): Modelo no qual se mostra somente com os continentes permanentemente habitados (excluindo a Antártida)—como se vê nos 5 anéis do logotipo olímpico.
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    44 Cinco continentes: Modelono qual se considera a Antártida como um continente; além de que Europa e Ásia formam somente um, a Eurásia. Seis continentes (modelo tradicional): O modelo de seis continentes tem uma base cultural e histórica e é ensinado na América Latina e algumas partes da Europa como Espanha, Portugal, Itália, Grécia e Bélgica. Seis continentes (modelo geológico): Guarda uma relação aproximada com as placas tectónicas continentais (combinando a Eurásia).É o modelo preferido pelacomunidade geográfica dos países da ex-União Soviética e Japão. Sete continentes: Modelo convencional que se ensina habitualmente na maioria dos países de língua inglesa e na China. O conceito Oceania é geralmente substituído pelo de continente australiano e América Central está incluída dentro do continente norte-americano. Os nomes de Austrália ou Australásia são utilizados às vezes no lugar de Oceania. Utiliza-se "Oceania no" «Atlas de Canadá»,[16] assim como no modelo ensinado na Ibero- América. Os continentes dos distintos modelos são os seguintes: África: limita com a Ásia pelo canal de Suez e está separada da Europa pelo estreito de Gibraltar e se estende do sudoeste até o cabo da Boa Esperança; América: está separada da Ásia pelo estreito de Bering, no noroeste, e está dividida em dois ou três subcontinentes; América do Norte: localizada no hemisfério nor-ocidental; América Central: se estende do istmo de Panamá até o istmo de Tehuantepec. América do Sul: se estende do sul do canal até o cabo de Horns;
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    45 Ásia: separada daÁfricapelo canalde Suez, seestende do leste e noroeste até o estreito de Bering e o oceano Índico; Europa: separada da África pelo Mediterrâneo, se estende desde os montes Urais até a península Ibérica; Oceania: localizadaaosudeste da Ásia,entre os oceanos Índico e Pacífico. Antártida: rodeia o Polo Sul. Está separada da América pelo estreito de Drake, da Oceania pelo limite entre os oceanos Pacífico e Índico, e da África pelo limite entre este último e o Atlántico. Supercontinentes Há também os Supercontinentes, que são os mesmos continentes atuais, bilhões de anos no passado, quando tinham outra forma. Visite o artigo principal acima para ler mais sobre tal assunto. Mapa da Terra com os continentes Mapa físico da Terra.
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    46 Aspectos estruturais Em ambosos hemisférios em que é dividida a Terra são muito desproporcionais as áreas dos oceanos e dos continentes. Da área superior a 145 milhões de quilômetros quadrados que os continentes ocupam, dois terços inferiores a essa superfície estão localizados no hemisfério norte, e uma quantidade inferior a 45 milhões no hemisfério sul. Essa desproporção é oriunda do fato de que, no hemisfério boreal (norte), os continentes vão se estendendo bastante à medida da sua aproximação com o Círculo Polar Ártico, enquanto no hemisfério austral (sul), há uma diminuição da distância dos continentes em direção ao sul. Assim, no extremo sul da América é ultrapassada em pouco a latitude de 50º ao sul da linha do equador, que no hemisfério norte é correspondente ao Canadá e ao centro da Europa e da Ásia. Igualmente, a superfície dos continentes no hemisfério norte é bem maior que a dos mares, enquanto no sul os mares são desproporcionais, na fração de 8,5 até 1. Esse fato de que a terra firme se opõe ao oceano é um dos traços importantes da estrutura que forma a superfície do planeta, da qual são ocupados somente três décimos pelos continentes.[21] Os continentes tendem ao término formado em ponta em seu extremo sul. Isso pode ser observado acima de tudo na África e América do Sul, mas também numa grande quantidade de penínsulas (Kamchatka, Coréia, Indochina, Hindustão, Arábia).[21] A zona de contanto que existe entre os mares e continentes tem grande variação. Em certos pontos que se localizam nos litorais, a superfície do terreno faz uma descida brusca até sua penetração no mar, de maneira que, a poucos quilômetros
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    47 do litoral, omar já é muito profundo. Nos demais lugares,existe uma larga faixa marinha menos profunda, abaixo de 200m; nesses, as massas submersas integram os continentes e são denominadas plataformas continentais. O talude continental afasta as plataformas continentais das áreas muito profundas, de declives de grande acentuação, e suas dimensões variam, com largura de quase noventa quilômetros. A altitude relativamente moderada é apresentada pelos continentes, apesar da elevação de certas cordilheiras a milhares de metros superiores ao nível do mar. Se os continentes, conservando suas dimensões, fossem transformadas numa superfície plana, a média de sua altitude seria reduzida para mais de 700m. Evolucionismo continental As massas terrestres transformaram-se e ainda se transformam bastante. Durante milhares de anos, os mares e os continentes se distribuíram de forma muito diferente do que é hoje. Uma variedade de fatos foi demonstrada pelas pesquisas: primeiro, que os continentes deslocam-se, elevam- se e abatem-se muito; segundo, que não descarta-se a existência na Terra de nenhuma zona que o mar não cobriu; terceiro, que as erosões são desgastadas continuamente da superfície, de tal modo que, se não fossem elevados, os continentes teriam desaparecidos porque o mar cobriria; e quartamente, que uma grande quantidade de terras se levantou da água recentemente. Livros que foram escritos por geólogos, zoólogos e botânicos consideram que certas depressões, que o mar cobriu no passado, constituíram, nos demais tempos, a extensão dos continentes. Hádiversas teorias sobre como se originou e se formou a superfície da Terra.
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    48 Uma das demaior difusão traz a narração de que entre o período carbonífero (era paleozóica) e o início do período terciário (era cenozóica),a Europa encontrava-se em união com a América do Norte; e que no hemisfério sul notava-se a existência de um grande continente, que os geólogos denominaram Gonduana, da qual eram compreendidos a América do Sul, a África, a península da Arábia, a Índia, a Antártida e a Austrália. Entre essas duas gigantescas massas terrestres era estendida uma faixa marítima. O continente de Gonduana começaria a ser fragmentado no fim do período triássico(era mesozóica),com o fato de que Madagáscar se desmembrou do conjunto da África, e deu continuidade ao seu rompimento na época do jurássico, com a Índia que se desmembrou da Austrália. No final do período cretáceo, foram desmembradas a África e a América do Sul; e quando começou o período terciário, com o mar Vermelho que se formou, ocorreu o desligamento da Arábia em relação à África; também ocorreu a formação das depressões que se correspondem às águas salgadas dos oceanos Atlântico e Índico, que então seriam mais novos que o Pacífico. O que primeiramente se explicou de maneira generalizada sobre o fato de que os continentes se formaram e se evoluíram é a da deriva continental, que o geólogo alemão Alfred Wegener propôs em 1912. É a explicação da superfície terrestre desde a diferente massa dos continentes, cuja cota altimétrica é de 700m, e o fundo dos oceanos, cuja cota batimétrica é de 3.800m. Ao atestar a veracidade de que as massas continentais têmmais leveza que o fundo dos mares, que se constitui de sima (silício e magnésio), Wegener pensou na hipótese da flutuação dos continentes sobre os oceanos.
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    49 De acordo comWegener, na época da era paleozóica uma espécie de gigantesca "embarcação" única, a Pangeia, manteve-se em flutuação sobre o sima. Posteriormente, pela ação da força centrífuga que se originou do fato de que a Terra gira em torno de si mesma, essa "balsa" primitiva dividiu-se em frações e cada um dos pedaços constituiu um dos escudos que hoje em dia se conhecem. Assim, ainda se pode ter percepção dessa formação original desde o período terciário, porque os respectivos litorais têm formato quase semelhante, com a fratura no formato de uma letra "S" que serve de afastamento entre a África e a América do Sul. Os continentes teriam feito a migração para oeste, transladando lentamente a deriva continental, ao longo da qual a perda dos fragmentos da parte posterior dos escudos continentais teria, dessa forma, dado origem à Nova Zelândia, Madagáscar ou às Antilhas, que seriam as partes que sofreram desprendimento dos respectivos continentes a que pertenceram. Estrutura continental Os continentes variam na sua estrutura formal. A África é o continente que possui maior macicez. Num continente com formato de trapézio no norte e de triângulo no sul, existe um pequeno número de ilhas e penínsulas. Tem extensão entre o cabo Branco (pararelo 37 N) e o das Agulhas (paralelo 34 S). Por estar localizado no centro geográfico da Terra, duas terças partes que pertencem ao seu território são encontradas em latitudes por entre os trópicos. Tem como limites: ao norte com o mar Mediterrâneo, a leste com o mar Vermelho e o Oceano Índico e a oeste com o Oceano Atlântico. A África é separada,em respectivo, da Ásia e da Europa pelos
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    50 estreitos de Babal-Mandab (27km de largura) e Gibraltar (13km). A América está localizada muito distante do restante das massas continentais. Tem extensão por aproximadamente 50% da circunferência terrestre, entre o cabo Barrow (paralelo 72 N), e o cabo Horn, na Terra do Fogo (paralelo 52 S). Desse ponto ao norte a esse outro ponto ao sul dista mais de 14.000km. A América tem como limites: ao norte com o oceano Glacial Ártico e o estreito de Bering -- pelo qual é separada a Ásia -- a oeste com o Oceano Pacífico e a leste com o Oceano Atlântico. A Ásia é o continente de maior extensão territorial do planeta. Tendo como características seus grandes contrastes, nela tudo adquire proporções exageradas: das montanhas de maior altitude da Terra às mais profundas depressões, e do desolamento dos desertos à maior densidade das florestas. Tem como limites: ao norte com o oceano Glacial Ártico, ao sul com o Oceano Índico, a leste como Pacífico e a oeste com a Europa e os mares Vermelho, Mediterrâneo e Negro. O conjunto da qual pertence sua massa terrestre se localiza no hemisfério norte, do paralelo 77 N ao paralelo 1 N. A Europa é o continente onde se encontram as grandes planícies, cuja cota altimétrica é da ordem de 375m. Tem extensão entre o paralelo 36 N e o paralelo 71 N. Sua situação favorece em particular a vida do homem, pois a quase totalidade do continente está situada no interior da zona temperada. Tem como limites ao norte com o oceano Glacial Ártico, ao sul com o Mar Mediterrâneo, a oeste com o Oceano Atlântico e a leste com a Ásia (cordilheira dos Urais e do Cáucaso.
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    51 A Oceania éum continente que se compõe de um rosário de ilhas (superior a dez mil), de quaisquer das dimensões, que se espalham pelo Oceano Pacífico, do Velho até o Novo Mundo. Exceto a Austrália, na topografia apresentada geralmente pelas ilhas existe um sem-número de montanhas que no passado geológico eram verdadeiros vulcões. A Oceania se constitui dos restos que pertenciam a um continente primitivo, que parcialmente afundou, do qual somente é subsistente a Austrália. Este leque de ilhas serve de cobertura, no sentido sudeste-noroeste, de um espaço com uma distância superior a 13.000km. A Antártica é uma massa continental pela qual é ocupada quase a totalidade da calota polar que se encontra no hemisfério sul, desde o paralelo 69 S. Maciço de baixa articulação, cujo formato faz lembrar o da África e o da Austrália, é o mais alto dos continentes, pois sua cota altimétrica é superior aos dois mil metros. Devido ao clima glacial, nela, praticamente, muitas poucas pessoas habitam. É um continente que se encontra em isolamento; o cabo Horn, extremidade sul da América do Sul, a mil quilômetros de distância, é o único ponto de um continente que se encontra nas proximidades da Antártida. Uma enorme barreira de gelo cerca o litoral da Antártica. O QUE SÃO OS MARES
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    52 Componente vital dabiosfera, o mar contém 97,2% de toda a água presente na Terra. Mar é um grande corpo de águasalgada cercado por terra em parte ou em totalidade. Mais amplamente, o mar — com o artigo definido — é o sistema interconectado de águas dos oceanos, considerado um oceano global ou o conjunto das várias divisões oceânicas principais. Ele modera o clima da Terra e desempenha importante papel nos ciclos hídrico, do carbono e do nitrogênio. Embora tenha sido canal para viagens e explorações desde a pré-história, seu estudo científico contemporâneo, a oceanografia, data da expedição Challenger britânica, durante a década de 1870. O mar é, por convenção, dividido por até cinco grandes seções oceânicas, entre elas as instituídas pela Organização Hidrográfica Internacional, que são o Atlântico, Pacífico, Índico e Ártico, mais o Antártico. Emdecorrência do estado da deriva continental,o hemisfério norte apresenta uma razoável proporção entre terra e mar
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    53 (cerca de 2:3),enquanto que o sul é predominantemente oceânico (1:4.7). A salinidade em alto mar é, em geral, de aproximadamente 3.5% de massa, não obstante isso varie em águas fechadas, proximamente a bocas de grandes rios ou a grandes profundidades. Cerca de 85% dos sólidos em mar aberto são cloreto de sódio. As correntes de mar profundo surgem a partir de diferenças salinas e de temperatura; os cursos de superfície, por sua vez, são formados pelo atrito de ondas produzidas por ventos e marés. Já as mudanças locais no nível do mar originam-se a partir da gravidade da Lua e do Sol. A direção de tudo isso é atribuída às massas de terra de superfície e submarinas e à rotação da Terra, por meio da força inercial de Coriolis. Antigas mudanças nos níveis marítimos provocaram a formação de plataformas continentais, áreas rasas próximas à terra. As águas dessas áreas, ricas em nutrientes, são abundantes em vida, provendo aos humanos suprimentos essenciais para alimento — sobretudo peixes, mas também mariscos, mamíferos e macroalgas, por exemplo — que são tanto colhidos em estado selvagem quanto cultivados em viveiro. As áreas mais diversificadas são cercadas por grandes recifes de coral tropicais. A baleação já foi uma atividade comum, mas a redução dos números de tais animais induziu o surgimento de esforços internacionais de conservação e uma consequente moratória à maior parte da caça comercial. A oceanografia estabeleceu que nem toda forma de vida marítima é restrita a águas de superfícieiluminadapeloSol; mesmo a grandes profundidades e pressão, nutrientes que fluem de fontes hidrotermais mantêm seu próprio e único ecossistema. A vida pode ter tido início nesses locais,
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    54 e microorganismos aquáticossão geralmente creditados pelo grande evento de oxigenação da atmosfera terrestre. Acredita-se que tanto vegetais quanto animais teriam evoluído a partir dos mares. Tem-se o mar como um dos elementos essenciais do comércio, do transporte, da extração mineral, da geração de força e energia e do militarismo. Ele é, ainda, um fator determinante na exposição de cidades e populações a terremotos e vulcões de falhas geológicas próximas; a tsunamis; e a ciclones produzidos em zonas tropicais. Sua significância e dualidade — construída pela interpretação humana de suas características, tanto benéficas quanto perigosas — tiveram imensurável efeito no desenvolvimento da cultura das sociedades, das mudanças socioculturais do intercâmbio colombiano à Odisseia de Homero e às divindades aquáticas; dos funerais vikings à Grande Onda de Kanagawa de Hokusai e aos filmes blockbusters da contemporaneidade; do Holandês Voador de Richard Wagner à Tempestade de William Shakespeare e ao Leviatã. Ele é, também, um local de atividades de lazer, estando a natação, o mergulho, o surfe e o iatismo entre as mais populares. O mar sofre, entretanto, constantes danos, como os do fenômeno da absorção de dióxido de carbono atmosférico em grandes quantidades, diminuindo seu pH num processo denominado acidificação oceânica. O crescimento populacionalhumano eo uso não sustentáveldos recursos marítimos advindo da industrialização e da aquacultura intensiva, por exemplo, têm contribuído para a intensificação da poluição e de outros problemas ambientais. Definição
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    55 O sistema interconectadodos oceanos e suas várias divisões. Após o fortalecimento do uso indiscriminado dos termos ao longo do tempo, não restaram consideráveis diferenças de definição entre "mar" e "oceano", embora o primeiro seja tido como um menor corpo de água — com exceção do mar dos Sargaços, criado pelo Giro do Atlântico Norte (p90) — cercado por terras na escala de países, e o segundo, em comparação, banhe múltiplos continentes. Mares são geralmente maiores que lagos e contêm água salgada. Há, contudo, casos peculiares no tocante à utilização do vocábulo, como o do mar da Galileia, um lago de água doce que, por motivos históricos e culturais, mantém seu nome. Não há, entretanto, uma designação técnica universalmente aceita entre os oceanógrafos. No campo do direito internacional, a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar decretou que toda a totalidade do oceano é "o mar". Por convenção, ele tem até cinco grandes seções oceânicas, entre elas as instituídas pela Organização Hidrográfica Internacional, que sãoo Atlântico, Pacífico,Índico e Ártico, mais o Antártico. Ciência física
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    56 The Blue Marbleem sua representação original (de ponta-cabeça), exibindo a confluência entre os oceanos Índico e Atlântico no cabo da Boa Esperança. A Terra é o único planeta conhecido aabrigarágua líquidaem sua superfície e, portanto, o único a possuir mares, embora Marte seja dotada dessa substância em estado sólido nas suas calotas de gelo permanente e em vapor na sua atmosfera, além da possibilidade aberta de existência de planetas similares à Terra em outros sistemas, onde também podem existirmares e oceanos.[12] A origem da água na Terra ainda é incerta; porém, visto do espaçosideral, o planeta parece uma "bola azul" com vários componentes, entre oceanos, calotas de gelo e nuvens. A relação entre água e terra no hemisfério Norte do globo é de cerca de 2:3, enquanto que o valor no Sul é de 1:4.7. Estima-se que exista 1 335 000 000 km³ de mar, volume representativo de aproximadamente 97.2 porcento da água conhecida, cobrindo mais de setenta porcento da superfície. Ainda, cerca de 2.15% da água terrestre está congelada e localiza-se nos mares que
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    57 cobrem o oceanoÁrtico, nas calotas da Antártida e adjacências, alémdas várias geleiras e depósitos de superfície por todo o mundo. O restante, por volta de 0.65%, constitui os reservatórios subterrâneos ou os vários estágios do ciclo da água, abrigando a água doce encontrada e usada pela maior parte das formas de vida: vapor no ar, nas nuvens e em suas chuvas, além de lagos e rios espontaneamente formados com os fluxos marítimos. Notando a tamanha dominância e influência do mar sobre o planeta, o escritor britânico Arthur C. Clarke uma vez disseque a Terra teria sido melhor nomeada de "Oceano". O estudo científico da água no planeta e seu ciclo é chamado de hidrologia; já a hidrodinâmica dedica-se à física da substância em movimento. As pesquisas mais recentes sobre o mar em particular são fruto da oceanografia. Elas foram iniciadas a partir de inquietações acerca das formas de corrente oceânica, expandindo-se, após, enquanto campo multidisciplinar. Essa vertente científica estuda, por exemplo, as propriedades da água do mar; das ondas, marés e correntes; mapeia litorais e analisa solos oceânicos; além de investigar a vida marinha. O subcampo que lida com o movimento dos mares, suas forças e forças nele atuantes é conhecido como oceanografia física. Já a biologia marinha (ou oceanografia biológica) debruça-se sobre as plantas, animais e outros organismos habitantes dos ecossistemas marinhos. Nesse grupo de subcampos, também está a oceanografia química, relacionada ao comportamento de elementos e moléculas nos oceanos, em particular o ciclo do carbono e o papel do dióxido de carbono na crescente acidificação das águas do mar. As geografias marinha e marítima dissertam sobre as formas e
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    58 formações dos grandescorpos de água, enquanto que a geologia marinha (ou oceanografia geológica) provê as evidências da deriva continental e da composição e estrutura da Terra, clarificando o processo de sedimentação e assistindo o estudo do vulcanismo e da sismologia. Água do mar Médias globais da salinidade da superfície oceânica, produzidas pelo satélite SMOS, da Agência Espacial Europeia, em 2011. O índice salino varia de 32‰(azul) a 38‰ (vermelho). A água do mar é, via de regra, salgada. Embora o índice de salinidade possa variar, cerca de 90% das águas oceânicas têm 34–35 g (1.2 oz)de sólidosdissolvidos por litro,o que produz uma medida salina de 3.4 e 3.5%. Para a fácil descrição de pequenas diferenças, contudo, os oceanógrafos indicam usualmente esse índice em permilagem (‰) ou parte por mil em vez de percentagem. Tais estimativas acerca das águas de superfície no hemisfério norte são geralmente próximas à marca de 34‰, enquanto que 35‰ é a média do hemisfério sul.[14] Os solutos oceânicos vêm tanto do afluxo dos rios quanto do fundo do mar,[26] sendo estável a sua composição relativa: sódio (Na) e cloreto (Cl) perfazem cerca de 85% e o restante divide-se entre magnésio (Mg), cálcio (Ca), sulfato (SO₄), carbonato ( CO₃) e brometos. Na ausência de poluição, a água do mar não seria danosa para o consumo oral, exceto por possuir gosto
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    59 acentuadamente salgado; similarmente,não é possível usá-la para irrigação da maior parte das plantas sem anterior dessalinização. Variações de salinidade podemser causadas pormuitos fatores: o movimento de correntes entre os mares; o afluxo de água doce de rios e geleiras; a precipitação; a formação e o derretimento de bancos de gelo; e a evaporação, que por sua vez é afetada pela temperatura, ventos e ondas. Por exemplo, o nível superior do mar Báltico possui pouca salinidade (de 10 a 15‰) em decorrência da parca evaporação nas baixas temperaturas do ambiente em que ele se insere; também, pela grande quantidade de afluxo de rios que ele recebe; e ainda porque sua conexão com o mar do Norte tende a criar uma densa camada subaquática que dificilmente se mistura com as águas de superfície.[32] Como caso contrastante, o mar Vermelho, entre o Saara e o deserto da Arábia, tem alto índice de produção de vapor e pouca precipitação, além de poucos e sazonais afluxos e estreitas conexões com grandes corpos de água próximos, notadamente o canal de Suez ao norte e o Bab-el-Mandeb ao sul; tais características são determinantes para sua salinidade de cerca de 40%. Médias globais detemperatura da superfíciemarítima em 2009,indo de -2 °C (lilás claro) a 30 °C (bege).
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    60 A temperatura daágua marítima depende, sobretudo, da quantidade de radiação solar absorvida. Nos trópicos, onde a luz do Sol recai de forma mais direta, essa medida nas camadas aquáticas de superfície pode chegar a mais de 30 °C. Na proximidade dos polos, esse índice equilibra-se com o do gelo marítimo em seu ponto de fusão. Sua taxa de salinidade torna essa escala menor que a das áreas de água doce, que é usualmente de cerca de -1.8 °C. Essas diferenças de temperatura contribuem para a contínua circulação da água no mar. Por exemplo, correntes quentes de superfície esfriam à medida que se movem para longe dos trópicos; ao ficarem mais adensadas,elas afundam, misturando-se. Por outro lado, aágua fria do mar profundo move-se em direção ao equador antes de fluir para a superfície tendo temperatura entre -2 e 5 °C em todas as partes do globo terrestre.[34] Nas baixas temperaturas dos mares de congelamento, cristais de gelo começam a se formar a partir da superfície, quebram-se depois em pequenos pedaços e se aglutinamem discosplanos que, por sua vez, formam uma espessa suspensão conhecida como frazil. Em calmas condições, frazis congelam-se e formam chapas finas e planas chamadas "nilas", que engrossam-se como novos construtos de gelo acima do mar. Já em águas turbulentas, os frazis unem-se para constituir discos planos maiores, com nome popular de "panquecas de gelo". Estes deslizam sobre ou sob outros, gerando blocos de gelo à deriva. Durante esses processos, água salgada e ar prendem-se em meio às formações sólidas. Nilas desenvolvem-se emambientes comsalinidadegirando em torno de 12–15‰ e são acinzentadas de início, dotando-se de
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    61 viço com otempo; após um ano, elas ganham cor azulada e evidenciam índice de salino de cerca de 4–6‰. Médias globais dos níveis de oxigênio dissolvido nos mares em 2009,de 0.15(violeta claro) a 0.45 (bege) mols de O₂ por metro cúbico. A quantidade de luz do dia que penetra o mar depende do ângulo do Sol, do clima, e da turbidez. Grande porção da luz que alcança a superfície marítima é refletida e seus comprimentos de onda de espectro vermelho são absorvidos nos primeiros metros de profundidade dessa superfície. Já os amarelos e verdes atingem maiores distâncias mar adentro; os azuis e violetas, contudo, podem penetrar mil metros (3 300 pés) ou mais. A quantidade de oxigênio presente na água marinha depende primariamente de sua temperatura e dos organismos fotossintéticos nela viventes, em particular álgas, fitoplânctons e plantas como a erva marinha. Durante o dia, suas atividades de fotossíntese produzem tal gás, que se dissolve no meio aquoso salino e é consumido por animais. A saturação desse oxigênio é mais baixadurante a noite e muito mais em mar profundo. Abaixo da profundidade de cerca de 200 m (660 pés), há insuficiência de luz para desenvolvimento fotossintético e consequentemente hipóxia. Ainda mais abaixo, bactérias
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    62 anaeróbias desmembram amatéria orgânica caída das camadas superiores, produzindo sulfeto de hidrogênio (H₂S). Projeta-se que o aquecimento global reduzirá o oxigênio, tanto das camadas de superfície quanto das profundas, em decorrência do decréscimo de solubilidade advindo do aumento de temperatura e da estratificação oceânica. Ondas Médias globais de altura das ondas de superfície em 1992, de 0 m (púrpura) a 6 m (branco). Nota-se os grandes swells nas porções marítimas do sul. Dinâmica de movimento dos fluidos durante a passagem das ondas. As ondas oceânicas são oscilações causadas pelo atrito do ar que se movimenta sobre a superfície marítima. Talatrito transfere energiae causaa instabilidadena água, perpendicular à direção do vento. O topo da onda é conhecido como "crista" e a base é chamada de "vale". A
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    63 distância entre duascristas é o comprimento. Tais ondas são mecânicas; à medida que se aproximam de um determinado ponto, as moléculas de água de uma determinada posição elevam-se e, à passagem, baixam, traçando um caminho mais ou menos circular. A energia transita pela superfície e não representa um movimento horizontal da própria água.O estado do oceano é determinado pelo tamanho de tais ondas, que, na superfície livre, depende da velocidade do vento e do fetch, que é a distância a que o vento sopra sobre a água. As ondas menores são chamadas de capilares. Com o bater de ventos mais fortes e prolongados nas cristas elevadas das capilares, ondas maiores e irregulares se formam. Em tal estágio, essas ondulações alcançam sua altura máxima quando o ritmo no qual elas viajam chega próximo ao correspondente de velocidade do vento e, com o tempo, elas se separam naturalmente,[nota 5] formando um grupo de longas e poderosas ondas com direções e comprimentos semelhantes. Tais swells são particularmente comuns nos Roaring Forties do hemisfério Sul, onde o vento sopra continuamente. Quando as rajadas diminuem, as capilares desaparecem facilmente em decorrência da tensão superficial da água, embora swells possam ser lentamente reduzidos pela gravidade ou por interferências destrutivas somente a partir de outras ondas. As interferências construtivas, no entanto, podem causar vagalhões individuais muito maiores que as formações normais. A maioria das ondulações é menor que 3 m (10 pés) em altura, e não é incomum que fortes tempestades dupliquem ou tripliquem esse tamanho;[43] construções nas águas distantes da costa, tais como plataformas eólicas e de petróleo, usam essas medidas na computação de ondas centenárias, um tipo especial ao qual tais equipamentos não
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    64 são projetados pararesistir. Já foram documentados vagalhões que atingiram alturas de mais de 25 metros (82 pés). Quando as ondas entramemáguas rasas,elas desacelerame sua amplitude(altura) aumenta. Quando as ondas aproximam-se da beira da costa, movendo- se em direção às águas rasas, elas mudam de comportamento. No confronto a partir de um determinado ângulo, elas podem desviar ou envolver rochas e promontórios. Quando tais ondulações alcançam o ponto onde suas moléculas oscilantes mais profundas entram em contato com o solo oceânico, o atrito inicia seu processo de desaceleração. Este fenômeno "puxa" as cristas para perto uma da outra e aumenta suas alturas. No momento em que a razão da altura com o comprimento de onda excede 1:7, ela é "quebrada", tombando numa massa de água espumante. Uma camada dessa água corre na área de praia e então se retrai de volta ao mar por influência da gravidade. A tsunami é uma inusual forma de onda causadapor repentinos e poderosos eventos, tais quais terremotos submarinos, deslizamentos de terra, impactos de meteorito e erupções vulcânicas, por exemplo. Tais fenômenos podem elevar ou rebaixar temporariamente a superfície marítima em determinada área afetada. A energia potencial da porção de água deslocada se
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    65 transforma em energiacinética, criando uma onda rasa que se movimenta numa velocidade proporcional à raiz quadrada da profundidade da água. Dessa forma, tsunamis se deslocam muito mais rapidamente em oceano aberto que numa plataforma continental. Apesar de possuírem velocidade de mais de 970 km/h (600 mph), tsunamis de mar profundo podem ser dotadas de comprimento que varia de 130 a 480 km (80 a 300 milhas), com amplitude de menos de três pés. Ondas comuns de superfície numa mesma região podem ter comprimentos de somente poucas centenas de pés e velocidades de cerca de 105 km/h (65 mph). As tsunamis, porém, quando comparadas às possíveis amplitudes de cerca de 14 m (45 ft) dessas ondas comuns, podem comumente passar desapercebidas. A tsunami do Oceano Índico de 2004 avançando de súbito no litoral da Tailândia. Em decorrência dessedesastrenatural, estima-sequecerca de 8 000 pessoas morreram nesse país e outras 220 000 no restante da costa do Índico. Os sistemas de alerta de tsunami têm seu funcionamento dependente do fato de que ondas sísmicas causadas por terremotos viajampelo mundo numa velocidade de cerca de 14 400 km (8,900 mi) por hora, permitindo que regiões ameaçadas possam ser alertadas da possibilidade de uma grande onda. Medições de redes de estações marítimas tornam
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    66 possível a confirmaçãoou negação de um alerta de tsunami. Um evento engatilhador na plataforma continental pode causaruma tsunami localem terra próxima eoutra grande oscilação a viajar pelo oceano. A energia de uma tsunami é dissipada somente de forma gradual, embora se espalhe pela frente da onda. Quando a oscilação se desloca para longe de seu ponto de origem, sua frente fica mais longa e a energia média diminui, de forma que praias distantes são geralmente atingidas por porções de onda mais fracas.A velocidade de uma tsunami, contudo, é determinada pela profundidade da água, o que faz com que ela não viaje com a mesma rapidez em todas as direções, além disso afetar também a frente da onda. Esse efeito, conhecido como refração, pode concentrar a força de uma tsunami a avançar em algumas áreas e enfraquecer em outras, de acordo com a topografia submarina que seapresenta ao longo do caminho. Assim como acontece com outros tipos de onda, o deslocamento para águas rasas provoca uma desaceleração e crescimento em amplitude da tsunami. Tanto o vale quanto a crista dessa grande oscilação podem chegar primeiro à costa. Na primeira possibilidade, o mar recua e deixa áreas de submaré expostas. Já na chegada da crista, ela não procede à usual quebra, mas se espalha em terra, inundando tudo em seu caminho. Muito da destruição decorrente de um tipo de desastre como esse pode ser produzido por tais águas da inundação, que, após se espalharem, são drenadas de volta ao mar pela gravidade, levando pessoas e escombros consigo. Várias tsunamis podem ser causadas por um único evento geológico. Em casos assim, é comum que as últimas ondas cheguem em terra entre oito minutos e duas horas após a primeira, que não necessariamente é a maior ou mais
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    67 destrutiva. Ocasionalmente, embaías rasas ou estuários, uma tsunami pode se transformar num macaréu. Marés Altas marés (azul) nos pontos mais próximos e mais distantes da Terra para a Lua. Time-lapse exibindo o fenômeno de transição da maré baixa para maré alta na Nova Zelândia. Maré é o elevar e rebaixar regular do nível da água experienciado pelos mares e oceanos em resposta às influências gravitacionais da Lua e do Sol e os efeitos da rotação da Terra. Em qualquer lugar, águas ascendemsobre o curso do ciclo das marés a uma altura máxima conhecida como "maré alta", antes de declinar novamente ao nível mínimo da "maré baixa". Com o recuar, são reveladas áreas da zona
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    68 entremarés ou faixalitoral submergível. A diferença de altura entre as marés alta e baixa é a amplitude da maré. Macaréus podem ocorrer nas bocas de rios, onde o vigor da maré achegar "empurra" ondas de áreas marítimas rio acima contra a corrente. Em Hangzhou, na China, por exemplo, um macaréu pode alcançar até 9 m (30 pés) de altura e viajar a cerca de 40 km (25 mi) por hora. A maioria dos lugares costuma experienciar duas marés altas por dia, que ocorrem em intervalos de cerca de 12 horas e 25 minutos, metade do período necessário para a Terra completar uma rotação e a Lua retornar à sua posição relativa prévia para um observador. A massa desse satélite natural é por volta de 27 milhões de vezes menor que a do Sol, embora o primeiro esteja cerca de quatrocentas vezes mais próximo da Terra que o segundo. A força de maré decresce rapidamente com a distância do agente, de forma que a Lua é dotada de duas vezes mais influência sobre esse efeito que o Sol. Uma protuberância é formada no oceano no lugar onde o planeta é mais próximo de seu satélite natural, por este ser também o ponto onde o efeito da gravidade da Lua é mais forte. No lado oposto do globo, a força lunar tem sua mais fraca influência, o que causa, da mesma maneira, a formação de uma protuberância. Tais bojos giramem torno da Terra assimcomo a Lua. Quando o Sol, a Lua e a Terra alinham-se nas luas cheias e novas, o efeito combinado resultanas altas "marés vivas" ou "marés de sizígia". Em contraste, quando o Sol está a 90° da Lua na visão terrestre, o efeito gravitacional combinado nas marés é correspondentemente reduzido, causando as baixas "marés mortas" ou "marés de quadratura". Os fluxos de água do mar nas marés são detidos pela inércia e podem ser afetados pelas massas de terra. Em lugares como
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    69 o golfo doMéxico, onde a terra restringe o movimento dos bojos, apenas uma sériede maré, constituída pela sequência de altae baixa,pode ocorrer acada dia.Na costa de uma ilha,pode acontecer um complexo ciclo diário com quatro marés altas. Os estreitos insulares em Cálcis, Eubeia, por exemplo, experienciam fortes correntes que abruptamente mudam de direção, em geral quatro vezes por dia, mas possivelmente até doze vezes quando a Lua e o Sol estão separados em noventa graus. Onde há baías ou estuários em forma de funil, a amplitude de maré pode ter maior abrangência. A baía de Fundy, no Canadá, por exemplo, pode passarpor marés vivas de 15 m (49 pés). Embora ela seja regular e previsível, a altura de marés altas pode ser rebaixada por ventos vindos do oceano e elevada por ventos costeiros. A alta pressão do centro de anticiclones compele as águas para baixo e está associada com marés anormalmente baixas, enquanto que a pressão atmosférica baixa pode causar marés extremamente altas. Já a maré de tempestade pode ocorrer quando altos ventos pilham as águas contra a costa numa área rasa, e isso, combinado com o sistema de baixa pressão, pode elevar a superfície marítima em maré alta de forma drástica. Em 1900, Galveston, nos Estados Unidos, por exemplo, experienciou uma onda de 5 m (15 pés) durante a passagemde um furacão que devastou a localidade, matando mais de 3 500 pessoas e destruindo 3 636 casas. Correntes
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    70 Médias globais dedensidade de superfície em 2009, de 1020 (lilás) a 1028 (bege) kilogramas por metro cúbico. O vento que sopra sobre a superfície oceânica causa atrito no ponto de contato entre o mar e o ar. Isso não somente causa a formação de ondas, mas também faz a água de tal superfície se mover na mesma direção do vento. Apesarde suacaracterística inerente de variabilidade, em qualquer lugar onde ele corre predominantemente numa mesma direção, uma corrente de superfície pode ser criada. Ventos do oeste são mais frequentes em médias latitudes enquanto que os do leste dominam os trópicos. Quando uma corrente de água se move nesse esquema, outras águas fluem para preencher a lacuna e um movimento circular de superfície conhecido como giro oceânico é formado. Existem cinco giros principais nos oceanos: dois no Pacífico, dois no Atlântico e um no Índico. O do Atlântico Norte produz o mar dos Sargaços e acumula níveis salinos de cerca de 38‰. Outros giros inferiores são encontrados em mares menores e um único flui em torno da Antártida. Tais giros têm seguido a mesma rota por milênios, guiados pela topografia do solo, peladireção do vento e pela força inercialde Coriolis.As correntes de superfície fluem em sentido horário no Hemisfério Norte e em sentido anti- horário no Sul. A água que se desloca para longe do equador é
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    71 quente, enquanto quea fluente em direção à linha perdeu a maior parte de seu calor. Tais correntes equatoriais contribuem para amoderação do climana Terra, resfriando aregião dalinha e aquecendo zonas de maior latitude.[65] O clima global e as previsões de tempo são afetados pelo mar, ou oceano global, de forma tal que os estudos de modelação climática global fazem uso de modelos de circulação oceânica, assim como de outras variáveis maiores para fatores como atmosfera, superfície terrestre, aerossóis e gelo marítimo. Os modelos oceânicos, por suavez, utilizam um ramo específico da física, a dinâmica geofísica de fluidos, que estuda o fluxo de larga escala de fluidos como a água do mar. Correntes globais de superfície, entre quentes (vermelhas) e frias (azuis). As correntes de superfície afetamapenas as primeiras centenas de metros (ou jardas) do mar, mas também há fluxos de larga escala nas profundezas oceânicas, causados pelo movimento das massas de água baixa. A principal corrente do oceano profundo flui através de todos os oceanos do mundo e é conhecida como circulação termohalina. Esse movimento é lento e dirigido por diferenças em densidade aquática causadas por variações de salinidade e temperatura. A altas latitudes, a água é resfriada pela baixa temperatura atmosférica e se torna mais salgada com o cristalizar do gelo marítimo. Do fundo do
  • 72.
    72 mar próximo àGroelândia, tais fluxos deslocam-se para o sul entre as massas continentais do Atlântico. Ao chegar no Antártico, eles se juntam a outras massas de água fria de profundidade e fluem para o leste. Em seguida, os fluxos se dividem em duas correntes que se movem em direção ao norte, para os oceanos Índico e Pacífico. Nesse estágio, tais cursos são gradualmente aquecidos, tornam-se menos densos, sobem para a superfície e circulam de volta sobre si; alguns deles voltam ao Atlântico. São necessários mil anos para esse padrão de circulação ser concluído. Mapa global de circulação termoalina. Além de giros, há correntes temporárias de superfície que ocorrem em condições específicas. Quando as ondas encontram a costa num determinado ângulo, uma deriva litorânea é criada com a água a ser empurrada paralelamente ao litoral. Essa porção redemoinha para a praia em ângulo reto com as ondas que se aproximam, mas é drenada diretamente abaixo do declive pelo efeito da gravidade. Quanto maiores são as ondas de quebra, mais oblíquas são suas chegadas e o mais fortes são as correntes litorâneas.[69] Tais correntes podem deslocar grandes volumes de areia ou pedras, criar cordões, fazer praias inteiras desaparecerem ou canais de águaentrarem
  • 73.
    73 em assoreamento. Umacorrente de retorno pode ocorrer quando a água é pilhada proximamente à costa a partir de ondas a avançar e é então conduzida ao mar por canais no solo oceânico. Isso pode ocorrer numa abertura de barra ou perto de estruturas construídas, como quebra-mares. Essas fortes correntes têm normalmente uma velocidade de 1 m/s (3,3 ft/s), formam-se em diferentes lugares, em diferentes fases da maré, alémde terem força suficiente para arrastar consigo nadadores incautos.[70] Já correntes de ressurgência temporárias ocorrem quando o vento empurra a água para longe da terra e porções profundas sobem para substitui-la.Tais levas de profundeza são frias e frequentemente ricas em nutrientes, podendo criar incidências de fitoplâncton e locupletar, em termos de variedade e quantidade de substâncias, a área emque incidem. Bacias Os três tipos de fronteira de placas. A batimetria é o mapeamento e estudo da topografia do fundo dos oceanos. Os métodos utilizados para mensurar a profundidade do mar incluem a ecobatimetria,o uso de sonda aerotransportada de profundidade a laser e o cálculo por dados de sensoriamento remoto via satélite. Esta informação é usada para determinar rotas de cabos submarinos e de dutos, para a escolha de locais adequados à instalação de
  • 74.
    74 plataformas de petróleoe turbinas eólicas offshore e para identificação de possíveis novas áreas de pesca, por exemplo. A terra é composta por um núcleo magnético central, um manto principalmente líquido e uma casca rígida exterior (ou litosfera), a qual é composta pela crosta rochosa e pela camada exterior sólida do manto. A crosta abaixo da terra é conhecida como continental, enquanto que sob o mar abissal é chamada de oceânica. Esta última é constituída de basalto relativamente denso e tem espessura de algo entre 5–10 km (3-6 milhas). A consideravelmente fina litosfera flutua sobre o manto mais fraco e mais quente abaixo e é quebrada numa série de placas tectônicas. Em meio ao oceano, magma é constantemente empurrado do fundo por entre as placas adjacentes, formando as dorsais oceânicas, onde as correntes em convecção entre o manto tendem a conduzir duas placas adjacentes à separação. Paralelamente aos cumes dorsais e mais proximamente às costas, uma placa oceânica pode deslizar sob outra, num processo conhecido como subdução. Fossas profundas são formadas nesse processo, que é acompanhado por atrito no confrontar de placas. O movimento prossegue em arrancos, que por sua vez causam sismos. Calortambém é produzido e magma é forçado para cima, criando montanhas submarinas, algumas das quais se transformam em ilhas vulcânicas. Perto de algumas fronteiras entre a terra e o mar, as placas oceânicas, ligeiramente mais densas, deslizamsob as placas continentais e mais trincheiras de subducção são formadas. Nesse fenômeno, as placas continentais se desfiguram, causando a formação de montanhas de superfície e atividade sísmica. A mais profunda trincheira da Terra é a fossa das Marianas, que se estende por cerca de 2 500 km (1 600 mi), localizada
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    75 próxima às ilhasMarianas, um arquipélago vulcânicono PacíficoOcidental.Embora ela atinja apenas 68 km (42 milhas) de amplitude, seu ponto mais profundo é 10 994 km (quase 7 milhas) abaixo da superfície oceânica.[75] Uma trincheira ainda mais longa estende-se na costa do Peru e Chile, alcançando uma profundidade de 8 065 m (26 460 pés) e amplitude de aproximadamente 5 900 km (3 700 milhas). Ela está onde a placa de Nazca oceânica resvala sob a placa Sul-Americana continental, estando associada à impulsão e atividades vulcânicas nos Andes. Costas Costa na Califórnia, Estados Unidos. Costa na ilha de Fuerteventura, Canárias. A zona onde a terra encontra o mar é conhecida como a costa. Já a parte entre as mais baixas marés vivas e o limite atingido
  • 76.
    76 pelas quebras deonda é chamada de margem. A praia é o acúmulo de areia ou cascalho na margem. Uma cabeceira, ou promontório, é um ponto de terra projetado para o mar que, quando detém grande extensão, recebe o nome de cabo. O recuo de um litoral, especialmente entre dois promontórios, é uma baía; uma pequena baía com uma entrada estreita é chamada de enseada; já uma grande baía ou um mar em forma de baía detém a designaçãode golfo. Olitoral é afetado por um número de fatores, incluindo a força das ondas que chegam à costa, o declive da margem de terra, a composição e dureza das formações rochosas costeiras, a inclinação do declive marítimo e as alterações no nível da terra em decorrência da elevação ou submersão local. Normalmente, as ondas deslocam-se em direção à costa a uma taxa de seis a oito por minuto. Tais ondas são conhecidas como construtivas e tendem a mover sedimentos e outros materiais do mar até a praia, além de possuírem pouco efeito erosivo. Já as ondas de tempestade que chegam em terra em rápida sucessão são conhecidas como destrutivas, pois movem sedimentos da praia para o mar. Sob sua influência, a areia e cascalho na margem são moídos em conjunto e decompostos. Em maré alta, o poder de uma onda de tempestade a impactar o pé de um penhasco tem um efeito devastador, com ar de fendas e rachaduras a ser comprimido e, em seguida, expandindo-se rapidamente para liberar pressão. No mesmo fenômeno, areia e seixos têm um efeito erosivo quando são atirados contra as rochas. Junto com outros processos de meteorização e intemperismo, como a geada, isso tende a escavar e esculpir a base de um precipício. Ao fim, uma plataforma de quebra de onda se desenvolve no sopé, acabando por adquirir um efeito protetor à costa.
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    77 Os materiais desgastadosdas margens são eventualmente deslocados para o mar, onde são sujeitos à atrição, um tipo de erosão marinha, com o fluir de correntes paralelas à costa, que limpam os canais e transportam depósitos e sedimentos para longe de seu lugar de origem. Tal sedimento movido para o mar se instala no seu fundo, causando o surgimento de estuários a partir de deltas. O movimento constante desses materiais é influenciado pelas ondas, marés e correntes. Interferindo nesses fenômenos para a conveniência humana, a dragagem é um método de engenharia que remove matéria depositada no solo marítimo e aprofunda canais, embora possa encadear efeitos inesperados em outros lugares na costa.É uma atividade comum a governos o planejamento de ações preventivas a inundações por meio da construção de diques, quebra-mares, molhes, entre outras defesas contra o mar. Na Grã-Bretanha, por exemplo, a barreira do Tamisa guarda eficazmente Londres do efeito de tempestades, enquanto que, em contraste, o fracasso dos diques e barragens nos arredores de Nova Orleans durante a passagem do furacão Katrina criou uma crise humanitária nos Estados Unidos. Outro exemplo relacionado é a recuperação de terras em Hong Kong que permitiu a construção do Aeroporto Internacional de Hong Kong após o nivelamento e expansão de duas ilhas menores. Na sequência da adoção à presente CNUDM, o litoral sob a lei internacional é uma linha de base de um estado. Nível do mar
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    78 Variações do nívelmarítimo em 1992, de -1.4 m (roxo) a +1.0 m (bege), por TOPEX/Poseidon. Durante a maior parte do tempo geológico, o nível do mar foi maior do que é hoje. O principal fator a influenciaresse nível ao longo dos anos é o resultado de alterações na crosta oceânica, com uma tendência de queda prevista para continuar a muito longo prazo. No último máximo glacial, há cerca de 20 000 anos, o nível marítimo esteve 120 m (390 pés) abaixo do atual. Pelo menos durante os últimos cem anos, no entanto, ele tem aumentado a uma taxa média de aproximadamente 1.8 mm (0.071 polegadas) por ano. A maior parte desse aumento pode ser atribuído a uma elevação na temperatura do mar e à resultante ligeira expansão térmica nos 500 m (1 600 pés) superiores da água. Contribuições adicionais para isso, de cerca de um quarto do total, vêm de fontes de água em terra, tais como o derretimento de neve e geleiras e extração de água subterrânea para irrigação e outras necessidades agrícolas e humanas. A tendência de aumento do aquecimento global deverá continuar pelo menos até o final do século XXI.[85] Ciclo da água O mar desempenha importante papel no ciclo da água. Quando ela evapora do oceano, viaja através da atmosfera como vapor, condensa, cai (geralmente em forma
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    79 de chuva ouneve) novamente e, em seguida, retorna em grande parte para o oceano. Mesmo no deserto de Atacama, onde há pouca ocorrência de fortes chuvas, densas nuvens de nevoeiro conhecidas como camanchaca são sopradas do mar e auxiliam na manutenção de vida vegetal. Em grandes massas de terra, características geológicas podembloquear o acessode algumas regiões ao mar. Em lugares como esse, onda há bacias endorreicas, particularmente na Ásia Central, podem se desenvolver lagos salgados como evaporar de águas deafluxo e o acúmulo de minerais dissolvidos ao longo do tempo. O maior dos corpos de água desse tipo é o mar Cáspio, embora às vezes seja considerado um mar em decorrência de sua bacia de (na atualidade, sem litoral) crosta oceânica. Outros exemplos notáveis incluem o mar de Aral, na Ásia Central, e o Grande Lago Salgado, no oeste dos Estados Unidos. Ciclo do carbono Os oceanos contêm a maior quantidade de carbono de ciclo ativo no planeta e estão em segundo lugar, após somente a litosfera, na quantidade de armazenamento total. A camada de superfície marítima é dotada de grandes porções de carbono orgânico dissolvido, que é rapidamente comutado com a atmosfera. A concentração de inorgânico dissolvido nas camadas profundas é cerca de quinze porcento maior que a da camada de superfície, [90] e nas profundezas permanece por muito mais tempo. As circulação termoalina intercambia carbono entre essas duas divisões. A substância adentra o oceano quando o dióxido de carbono atmosférico se dissolve na superfície marítima e é convertido em ácido carbônico, carbonato e bicarbonato:
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    80 CO2 (aq) +H2O {displaystyle rightleftharpoons } H2CO3 {displaystyle rightleftharpoons } HCO3− + H+ {displaystyle rightleftharpoons } CO32− + 2h+. O processo libera íons hidrogênio (H+), diminuindo o pH oceânico e elevando sua acidez. Ela também pode entrar em águas marítimas como carbono orgânico dissolvido por meio dos rios, sendo convertida por organismos fotossintéticos em carbono orgânico. Isso pode ser comutado na cadeia alimentar ou precipitar às camadas oceânicas mais profundas e mais ricas na substância como tecido morto ou em conchas e ossos na forma de carbonato de cálcio. Tal carbono circula nessa camada por longos períodos de tempo antes de ser depositado como sedimento ou retornado às águas de superfície pela circulação termoalina. Acidificação aspecto ambiental e social da acidificação oceânica. A água do mar é levemente alcalina e tem um pH pré-industrial de cerca de 8.2. Nos últimos tempos, atividades antropogênicas têm aumentado em constância a quantidade de dióxido de carbono da atmosfera; por volta de 30–40% do CO2 adicionado é absorvido pelos oceanos, formando ácido carbônico e diminuindo o pH (agora abaixo de 8.1) por meio do processo de acidificação oceânica. No ano de 2100, é esperado que esse índice chegue a 7.7, representando um aumento de três vezes na concentração de íon hidrogênio, o que será uma significante mudança na virada do século. Um importante elemento para a formação esqueletal dos animais marinhos é o cálcio. O carbonato de cálcio, no entanto,
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    81 torna-se mais solúvelcom pressão, de forma que conchas e esqueletos de carbonato se dissolvem abaixo de sua profundidade de compensação. Esse composto também se torna mais solúvel a pHs baixos, fazendo, assim, com que a acidificação oceânica tenha profundos efeitos sobre os organismos do mar com formações externas de cálcio, como ostras, moluscos, ouriços-do-mar e corais, prejudicando sua habilidade e reduzindo sua capacidade de formação e sobrevivência. Nesse processo, outras formas de vida afetadas são os organismos plactônicos, como os pterópodes, e algas unicelulares, como cocolitóforos e foraminíferos. Todos esses são importantes para a cadeia alimentar e uma diminuição de seus números poderá acarretar em significantes consequências. Nas regiões tropicais, há tendência de efeito maior aos corais a partir da dificuldade de construção de seus esqueletos de carbonato de cálcio, por sua vez, impactando negativamente outros habitantes de arrecife. A atual taxa de mudança química do oceano parece ser sem precedentes na história geológica da Terra, tornando pouco claro o quão bem os ecossistemas marinhos serão capazes de se adaptar às condições mutáveis do futuro próximo. De particular preocupação é a maneira na qual a combinação de acidificação com esperados problemas adicionais relacionados a altas temperaturas e níveis baixos de oxigênio irá impactar o mar. Vida marinha
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    82 Médias globais declorofila a, entre 1998 e 2006, de 0.03 (violeta) a 30 mg chl por m³ (marrom) em escala logarítmica. Os oceanos são o habitat de um diverso conjunto de formas de vida. Pelo fato da luz do Sol iluminar somente as camadas marítimas superiores, a maior parte dessas águas existe em permanente escuridão. Com diferentes profundidades e zonas de temperatura, essas duas áreas fornecem condições de manutenção de vida para grupos únicos de espécies, de forma que o ambiente marinho como um todo comporta uma cadeia imensa de diversidade biológica. Os habitats marinhos variam das águas de superfícieàs mais profundas trincheiras oceânicas, incluindo recifes de coral, florestas de kelp, ervas marinhas, poças de maré, solos oceânicos enlameados, arenosos e rochosos, além da zona pelágica. Os organismos característicos desses lugares variam de baleias de 30 metros (100 pés) de comprimento a fitoplânctons microscópicos, além de zooplânctons, fungi, bacterias e vírus, que incluem os recentemente descobertos bacteriófagos marinhos, viventes parasitários de bactérias. A vida marinha tem importante papel no ciclo do carbono em decorrência da ação fotossintética de organismos que convertem dióxido de carbono dissolvido em carbono orgânico, além de serem de
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    83 valor inestimável paraa economia e suprimento humano, sobretudo os peixes. A vida pode ter sido originada a partir do mar. Alémdisso, todos os grandes grupos de animais estãorepresentados por formas viventes dos oceanos. Cientistas divergemacerca da estimativa de onde exatamente no mar a vida teria surgido. A experiência de Miller e Urey, nesse sentido, sugeriu que uma "sopa" química diluída em águas abertas pudesse ter atuado nessa origem, mas estudos mais recentes incluem hipóteses que envolvem fontes termais vulcânicas, sedimentos argilosos de grão fino e fumarolas negras, em todas elas teria havido provisão de proteção contra danos da radiação ultravioleta que não teria sido bloqueada pela atmosfera primitiva da Terra. Habitats marinhos Zona litoral Zona entremarés Estuários Florestas de kelp Recifes de coral Bancos oceânicos Plataforma continental Zona nerítica Estreitos Zona pelágica Zona oceânica Montes submarinos Fontes hidrotermais Emanações frias
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    84 Zona demersal Zona bentônica v• e Habitats Os habitats marinhos podem ser divididos horizontalmente em costeiros e de oceano aberto. Os costeiros têm extensão compreendida do litoral à beira da plataforma continental. A maioria das formas de vida marinha é encontrada nesse tipo de habitat, mesmo com a área da plataforma ocupando apenas sete porcento da total do mar. Os de oceano aberto estão em águas profundas e distantes para além desse limite. De forma alternativa, habitats marinhos podem ser divididos verticalmente em pelágicos (de águas abertas), demersais (logo acima do fundo do mar) e bentônicos (ao fundo do mar). Um terceiro agrupamento é caracterizado pela latitude: de águas tropicais a temperadas e a polares. Recifes de coral, vulgarmente chamados de "florestas tropicais do mar", ocupam menos de 0,1 porcento da superfície oceânica, embora seus ecossistemas incluam 25 porcento de todas as espécies marinhas.[109] Entreos mais conhecidos, estão os corais tropicais da Austrália como a Grande Barreira de Coral. Recifes de água fria, contudo, também abrigam uma grande variedade de espécies, incluindo corais (apenas seis dos quais contribuem para a formação de recife).[1](pp204–207)[110] Algas e plantas Os produtores primários marinhos, entre plantas e organismos microscópicos em plâncton, estão largamente
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    85 espalhados pelos oceanose são de grande diversidade. Algas fotossintéticas e fitoplâncton contribuem numa maior proporção da potência desse fenômeno que todas as florestas terrestres combinadas. Cerca de 45 porcento da produção primária de matéria viva no mar é de responsabilidade das diatomáceas. Algas de grande porte comumente conhecidas como macroalgas são dotadas de importância local;já os sargassum formam derivas flutuantes, enquanto que as laminariales compoem as florestas do solo oceânico. Plantas de floração na forma de ervas marinhas crescem em espécies de prados de águas rasas arenosas,[112] manguezais se alinham nas costas de regiões tropicais e subtropicais e plantas halófitas se desenvolvem em sapais regularmente inundados. Todos esses habitats são capazes de isolar grandes quantidades de carbono e manter uma cadeia biodiversa de vida animal de grande e pequeno porte. A luz é capaz de penetrar somente os primeiros 200 m (660 pés) dos ambientes oceânicos, fazendo dessas as únicas áreas do mar onde plantas podem crescer. Com frequência, as camadas de superfície tornam-se deficientes de compostos biologicamente ativos de nitrogênio. O ciclo do nitrogênio marinho consiste de complexas transformações microbiais que incluem a fixação, sua assimilação, nitrificação, anammox e desnitrificação. Alguns desses processos acontecemem águas profundas, de modo que o crescimento de plantas é maior onde há ressurgência de águas geladas ou proximamente a estuários que guardam nutrientes terrenos. Isso significa que as áreas mais produtivas, ricas em plâncton e por consequência em peixes, são principalmente costeiras.
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    86 Animais e outrostipos de vida Baleia cachalote, a maior baleia comdentes e maior predador marinho com dentes, além de também possuir o maior cérebro entre os mamíferos. Habitats marinhos comoos recifes de coral guardam uma grande diversidade de espécies. Amphiprion sandaracinos,uma das muitas formas devida marinha dotadas de dicogamia.
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    87 A manta giganteé uma espécie marinha considerada vulnerável e está na Lista Vermelha da IUCN. Há um espectro mais amplo de taxa animal no mar que em terra. Além disso, muitas espécies marinhas ainda não foram descobertas, e o número de conhecidas à ciênciaeleva-setodos os anos. Alguns vertebrados, como aves oceânicas, focas e tartarugas marinhas, retornam em constância à terra para procriar, mas peixes, cetáceos e cobras marinhas, por exemplo, têm estilo de vida completamente aquático, e muitos filos de invertebrados são completamente marinhos. Em verdade, os oceanos abundam emformas de vida e propiciam também variados microhabitats. Um deles é a camada de superfície, que, embora sofra as perturbações da ação das ondas, provê um rico ambiente, abrigando bactérias, fungos marinhos, microalgas, protozoários, ovos de peixe e larvas. A zona pelágica contém macro e microfauna, além de uma miríade de zooplânctons que se deslocam com as correntes. A maioria dos organismos menores é de larvas de peixe e invertebrados marinhos, que liberam ovos em grandes quantidades em decorrência da diminuta chance de que qualquer dos embriões sobreviva à maturação. Os zooplânctons se alimentam de fitoplânctons ou de seus iguais, além de
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    88 formarem uma peçabasilarna complexa cadeia alimentar que se estende por peixes de vários tamanhos e outros organismos nectônicos, que, por sua vez, servem de alimentação para lulas, tubarões, marsuínos, golfinhos e baleias.[120] Algumas criaturas marinhas executam grandes migrações para outras regiões dos oceanos numa periodicidade sazonal ou acima e abaixo nas camadas marítimas, frequentemente ascendendo às áreas de superfície para se alimentar à noite e voltando à segurança das interiores durante o dia. Navios podem introduzir ou espalhar espécies invasoras com a descarga da água de lastros ou pelo trasporte de organismos acumulados via bioincrustação em cascos. A zona demersal abriga muitos animais que se alimentam de organismos bentônicos ou procuram proteção de predadores. O solo oceânico provê uma variedade de habitats na e sob a superfície de substratos, que são utilizados por criaturas adaptadas às condições locais. A zona entremarés, com sua exposição periódica a ar desidratante, é o local de vivência de cirripedias, moluscos e crustáceos. A zona nerítica possui muitos organismos que necessitamde luz para se desenvolver. Nela, esponjas, equinodermess, poliquetas, anêmonas-do- mar e outros invertebrados vivem entre rochas de algas encrustadas. Corais comumente contêm simbiontes fotossintéticos e vivem em águas rasas, onde a luz penetra. Os extensos esqueletos calcários que eles expelem acumulam-se e formam arrecifes, que são uma importante marca do solo marítimo, constituindo um biodiverso habitat. Há menos formas de vida marinha ao solo das mais profundas áreas oceânicas, embora a vida também floresça nos montes submarinos que se elevam das maiores profundezas, onde peixes e outros animais se reúnem para a
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    89 desova e alimentação.Próximos a essas áreas baixas, vivem peixes demersais que se alimentam largamente de organismos pelágicos ou de invertebrados bentônicos. A exploração do mar profundo por meio de submersíveis revelou um novo mundo de criaturas antes desconhecidas a viver proximamente ao solo. Alguns, como os detritívoros, dependem da neve marinha. Outros se aglomeram em volta de fontes hidrotermais, onde ricos fluxos de minerais emergem, mantendo comunidades cujos produtores primários são bactérias quimiotróficas sulfureto-oxidantes e cujos consumidores incluem bivalves especializados, anêmonas-do- mar, cirripedias, caranguejos, vermes e peixes. Uma baleia morta afundada ao solo oceânico também fornece alimento para grupos de organismos que similarmente também dependem em grande parte das ações de bactérias redutoras de enxofre. Essas áreas oceânicas abrigam, ainda, biomas únicos onde muitos micróbios novos e outras formas de vida têm sido constantemente descobertas. Humanidade e o mar Navegação e exploração Gravura doséculo XIX retratado a "descoberta"das Américaspor Cristóvão Colombo, em 12 de outubro de 1492.
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    90 As sociedades têmviajado por meio do mar desde tempos pré-históricos, originalmente em jangadas, balsas e canoas de casca e junco. A maior parte das migrações humanas primitivas, no entanto, ocorreu via terra; mesmo as áreas que nos tempos atuais são separadas pelo mar, como as Américas, eram conectadas por pontes terrestres ou gelo permanente durante a última era do gelo. O homo floresiensis, afetado pelo nanismo insular, provavelmente precisou cruzar um estreito de 19 km (12 milhas) na Sundalândia para chegar até Komodo, e, embora os exatos detalhes ainda sejam objeto de estudo por pesquisadores, tem-se como válida a hipótese de que os ancestrais dos aborígenes australianos teriam cruzado o alto- mar na linha de Wallace até a Oceania Próxima há dezenas de milhares de anos. O povo caçador-coletor ortoiroide começou a se espalhar pelo Caribe a partir do vale Orinoco, na Venezuela, no sexto milênio a.C ou antes. Por volta do mesmo período, mesopotâmios já faziam uso de betume para calafetar seus barcos de junco e, pouco depois, vieram a dominar a concepção de velas.[130] Lothal, no Vale do Indo, abrigou a primeira doca que se tem notícia, por volta de 2400 a.C. Em torno de 2000 a.C, austronésios em Taiwan começaram a se dispersarpelas regiões marítimas do sudoeste da Ásia. De 1300 a 900 a.C, povos austronésios "lapita" executaram grandes façanhas de navegação, indo do arquipélago de Bismarck a lugares distantes como Fiji, Tonga e Samoa. Seus descendentes continuaram a realizar, em canoas especiais, viagens de milhares de milhas;[136] os austronésios das ilhas da Sonda se
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    91 estabeleceram em Madagascar,a sudeste da África, antes de 500 d.C; já os polinésios se assentaram em ilhas do Havaí antes de 800, na ilha de Páscoa antes de 1200[138] e na Nova Zelândia pouco depois o faraó Necho II iniciou a construção de um canal que eventualmente veio a ligar o mar Mediterrâneo e o Vermelho por volta de 600 a.C. Acredita-se que Heródoto tenha autorizado uma expedição de três anos de circunavegação da África a partir do mar Vermelho até o delta do Nilo. Por volta de 500 a.C, o navegador cartaginês Hanão deixou um detalhado périplode uma jornada pelo Atlântico que teria alcançado ao menos Senegal e possivelmente o monte Camarões; já o grego Píteas deixou outro périplo, que dava detalhes de exploração dos mares ao redor da Grã-Bretanha por volta de 325 a.C. O grande Farol de Alexandria, do terceiro século a.C, foi considerado uma das sete maravilhas do mundo.[144] No segundo século, o alexandrino Ptolemeu mapeou o mundo até então conhecido, usando as ilhas Afortunadas como seu meridiano primário e incluindo detalhes de lugares tão distantes quanto o golfo da Tailândia. Um versão modificada de seu mapa foi usada por Cristóvão Colombo durante suas viagens de exploração. Na era medieval, os vikings usaram barcos de casco trincado para colonizar a Islândia, Groelândia,Canadá e Rússia.Foi registrado o uso da primeira bússola com declinação magnética no livro clássico do primeiro século chinês Lunheng (論衡). A primeira evidência de seu uso na navegação marítima desse povo, contudo, data ao texto Pingzhou Ketan (萍洲可談), de c. 1115, por Zhu Yu. A publicação De naturis rerum, de Alexander
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    92 Neckham, contém aprimeira menção europeia de uma agulha magnética, datando de 1190, e relata seu uso por marinheiros. A latitude (posição do barco indo de 0° ao equador a 90° aos polos Norte e Sul) podia ser determinada por inclinômetros — incluindo astrolábio, sextante e balestilha— a medir o ângulo entre o horizonte e grandes corpos como o Sol e a Lua. A determinação acurada da longitude (posição do barco a leste ou oeste de determinado ponto fixo), no entanto, era muito mais difícil. Mapa de 1569 de Gerardo Mercator. Acosta doVelho Mundo é retratada com bastante precisão,apesar das grandes distorções desta projeção nas zonas polares e da informação incerta acerca das Américas. No século XV, marinhas da Europa Ocidental — sendo a de Portugal a pioneira — iniciaram a execução de ainda mais longas viagens de exploração, usando conhecimentos adquiridos e uma variação dos barcos de pesca africanos que recebeu o nome de caravela. Em 1473, Lopo Gonçalves conseguiu cruzar o equador e assim refutar a noção aristotélica de que um anel de fogo barraria a exploração do hemisfério Sul. Bartolomeu Dias passou pelo cabo da Boa Esperançaem 1487; no ano seguinte, Vasco
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    93 da Gama alcançouMelinde, onde um navegador local o ensinou como seguira monção do Sul da Ásia até a Índia. Em 1492, usando estimativas incorretas da circunferência da Terra, Colombo navegou de Cádis às Canárias e de lá para o Atlântico numa tentativa de alcançar o Oriente. Em vez disso, ele desembarcou numa ilha do mar do Caribe. O resultante intercâmbio colombiano introduziu as batatas, milhos e pimentas ao Velho Mundo, enquanto que epidemias de varíola começaram a surgir entre os povos ameríndios. Essa perturbação e a resultante despopulação de determinadas áreas propiciou a rápida colonizaçãoespanhola da América e levou à ampla adoção da escravização de povos africanos para o trabalho nos lucrativos cultivos de tabaco, açúcar, índigo e algodão.Em1519, Juan Sebastián Elcano completou a expedição à vela pelo mundo iniciada por Fernão de Magalhães. Esta e outras viagens permitiram a criação de mapas num grau de precisão antes impossível de ser alcançado. Em 1538, Gerardo Mercator concebeu uma projeção cartográfica com rumos (loxodromia) convenientemente constantes e retos. No Ártico, em 1594, o capitãoneerlandês WillemBarents alcançou Esvalbardae o mar de Barents; já Anthony de la Roché cruzou a convergência Antártica em 1675, e três expedições separadas — uma britânica, uma estadunidense e outra russa — reivindicaram a descoberta da Antártica em 1820. Nem todas as viagens de descoberta, contudo, partiram da Europa Ocidental. Embora o mapeamento preciso da costa da Rússia só tenha sido iniciado no século XVIII e o arquipélago de Severnaya Zemlya não fosse conhecido até 1910, navegadores de Novgorod já exploravam o mar Branco desde pelo menos o século XIII. Mesmo com sua
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    94 preferência de longadata pela autarquia, a China se abriu brevemente durante a dinastia Sung e a mongol Yuan. No início do século XV, a frota de navios do tesouro sob o comando de Zheng He navegou repetidamente a partir da China Ming com tripulações de cerca de 37 000 homens em um total de 317 embarcações, alcançando lugares distantes como a costa africana.[1](pp12–13) A exploração chinesa, entretanto, foi reduzida e banida posteriormente. Os povos da Ásia Oriental passaram a conhecer as formas de outros continentes somente a partir dos mapas de Matteo Ricci. Mapa-múndi, emlíngua chinesa, elaboradopor Matteo Ricci e colaboradores nativos, com o nome de 坤輿萬國全圖 (Kūnyú Wànguó Quántú; em italiano: Carta Geografica Completa di tutti i Regni del Mondo). Na história registrada, foi o primeiro dos mapas orientais a guardar alguma proximidade com o estilo cartográfico ocidental. Chamado de "tulipa negra da cartografia" por sua "raridade, importância e exotismo", foi um obra crucial para a expansão do conhecimento oriental sobre o resto do mundo. A determinação de longitudes continuou a envolver aproximações e estimativas vagas; seu cálculo requeria o uso de cronômetro marinho, um medidor acurado que permitia
  • 95.
    95 comparações entre omeio-dia a partir da posição relativa do navio e o tempo exato num determinado ponto, como o Observatório Real em Greenwich. O prêmio britânico Longitude foi concedido em 1773 a John Harrison, pelo seu desenvolvimento de um medidor específico para atividades marítimas em 1761. James Cook usou uma cópia dessa invenção em sua segunda e terceira viagens para o estudo do Pacífico,[156] exploração essa que inspirou outros estudos na Rússia, França, Países Baixos e Estados Unidos. A finalização de instalação de um cabo telegráfico submarino a cruzar o canal da Mancha em 1850 e subsequentes ligações do All Red Line levaram a um aumento do interesse pelo fundo do mar. Ideias iniciais de que não poderia existir vida abaixo de trezentas braças (550 metros ou 1 800 pés) foram refutadas em 1860, quando uma linha mediterrânea falhou e foi puxada para cima, percebendo-se que estivera a uma profundidade quatro vezes maior, completamente encrustada nas profundezas do oceano. A descoberta de Michael Sars de "fósseis vivos" aos fundos dos fiordes da Noruega ajudou a impulsionar os esforços de estudo da Marinha Real Britânica, incluindo a Expedição Challenger durante a década de 1870, que criou efetivamente a oceanografia moderna. De 1878 a 1880, a expedição Vega executou com sucesso a passagem do Nordeste, circunavegando pela primeira vez as formações continentais que um dia foram a Eurásia. Na metade da década de 1890, Fridtjof Nansen usou um navio especialmente desenhado para flutuar pelo bloco de gelo do norte, levando ao entendimento de que o Ártico era um mar aberto. Em 1898 e 1899, Carl Chun descobriu e estudou muitas formas de vida características de mais de 4 000 m (13 000 pés) abaixo da superfície do Atlântico Sul.
  • 96.
    96 No século XX,o Gjøa foi a primeira embarcação a concluir a passagem do Noroeste, em 1906. Em 1921, A Organização Hidrográfica Internacional, em Mônaco, padronizou a análise técnica e a pesquisa no mar;[161] já em 1924, as Discovery Investigations buscaram estudar as baleias e mapear os mares próximos à Antártida. Em 1930, a batisfera era capaz de descer a uma profundidade de 434 metros (1 424 pés) com o auxílio de cabos[162] e, na década de 1940, Jacques-Yves Cousteau ajudou a desenvolver o primeiro equipamento funcional de scuba e a popularizar o mergulho subaquático. AGuerra Fria e o desenvolvimento da exploração de óleo e gás propiciaram outra tendência de interesse geral crescente pela pesquisa marítima; por volta de 1960, o batiscafoTrieste conseguiu levar uma tripulação a 10 915 m (35 810 pés) adentro da fossa das Marianas,[163] e, em 2006, um mergulhador da Marinha dos Estados Unidos, num atmospheric diving suit, alcançou com sucesso profundezas de 2 000 pés (610 m) abaixo do nível do mar. Nos dias atuais, o sistema de posicionamento global propicia navegações acuradas pelo mundo com o auxílio de mais de trinta satélites e com tempo de mensagem extremamente exato. Pesquisas oceanográficas mais recentes incluem o estudo de formas de vida marinha conhecidas e ainda desconhecidas, conservação, ambiente marítimo, química do oceano, modelamento de dinâmicas climáticas, estudo de padrões do clima, recursos oceânicos, energias renováveis, ondas e correntes, além da concepção e desenvolvimento de novas ferramentas e tecnologias para a investigação das profundezas do mar, por exemplo. Pesquisadores fazem uso de sensoriamento remoto via satélite para águas de superfície, além de embarcações destinadas à
  • 97.
    97 pesquisa, observatórios ancoradose veículos de navegação subaquática autônoma para o exame e monitoramento de todas as partes dos oceanos. Comércio As mais comuns rotas de navegação e a relativa densidade da rede marítima pelo globo. O uso de rotas no mar para transporte de mercadorias é um dos elementos basilares do comércio desde o despontar da civilização, quando a Suméria era conectada à Índia Harappeana. Por volta de 2000 a.C, os minoicos de Creta estabeleceram uma forma primitiva de talassocracia, um império marítimo fortemente dependente de seu poder naval e de mercados. Os governos das cidades-estado dos fenícios e gregos os substituíram nos séculos após 1200 a.C, estabelecendo longínquos impérios coloniais que iam do mar de Azov à costa atlântica de Marrocos. Com os romanos, o comércio marítimo continuou a progredir. Nos primeiros séculos a.C, a interrupção, por parte de nômades das estepes, do acesso da Índia ao ouro da Sibéria motivou esse povo a criar rotas até a Malásia e Indonésia, expondo a população do primeiro à cultura hindu e então colocando-as em contato com comerciantes muçulmanos. Com o colapso dos romanos, o comércio europeu minguou, mas a atividade continuou a se desenvolver em outros lugares. A dinastia Chola, de origem tâmil, prosperou com atividades mercantis entre
  • 98.
    98 a China Tang,o Império Srivijayɑ javanês e o Califado Abássida no oeste. Seguindo conquistas seguintes, os arábios vieram a dominar o comércio marítimo no Índico, espalhando o islão pela costa leste africana e eventualmente pela costa sudoeste asiática. Um dos principais efeitos da era dos descobrimentos foi a unificação das redes de rotas regionais do globo num único mercado mundial, em grande parte operacionalizado por e para as monarquias europeias e mercadores de Amsterdão, Londres e de outros portos do Atlântico. Do século XVI ao XIX, cerca de treze milhões de pessoas foramtransportadas por vias marítimas atlânticas para serem vendidas como escravas nas Américas. A Blue Riband foi um prêmio dado às viagens comerciais mais rápidas a cruzarem esse oceano. Na contemporaneidade, grandes quantidades de bens e produtos são transportadas pelo mar, especialmente pelo oceano Atlântico e pelo Círculo do Pacífico. Uma das mais importantes rotas comerciais passa pelas Colunas de Hércules, cruza o Mediterrâneo e o canal de Suez para o oceano Índico e prosseguepelo estreitode Malaca; há viagens, ainda, pelo canal da Mancha e vários outros pontos estratégicos de navegação pelo mundo. Dentro desseprocesso, as rotas comerciais são os trajetos padronizados em alto-mar usados por embarcações cargueiras, tradicionalmente executadas com o auxílio de alísios e correntes. Mais de sessenta porcento do trafego mundial de contêineres é manejado em cerca de vinte principais rotas comerciais. O crescente derretimento do gelodo Ártico possibilitadesde2007 o atravessar de navios pela passagem do Noroeste durante algumas semanas do verão, evitando rotas maiores como a de Suez ou do canal do Panamá. O transporte marítimo é
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    99 suplementado pelo transporteaéreo, um método mais dispendioso e comumente usado para cargas mais valiosas ou perecíveis. O comércio marítimo movimenta mais de 4 trilhões de dólares em bens e produtos por ano. Antes da contentorização, na década de 1950, as cargas marítimas e mercadorias eram carregadas, transportadas e descarregadas de forma fragmentada. O uso de contêineres otimizou grandemente a eficiência e baixou o custo de tais movimentações, com a maioria do frete, na atualidade, sendo manejada a partir de uma padronização de tamanhos e pesos, em compartimentos com dispositivos de segurança, carregados em navios cargueiros do tipo porta-contentor em terminais dedicados.[181][181] Nesse contexto, os transitários desempenham o papel de firmar agendas de carga, organizar retiradas e entregas e gerenciar documentações. A segurança dessa modalidade de navegação é regimentada pela Organização Marítima Internacional, convocada pela primeira vez em 1959. Suas incumbências incluem o desenvolvimento e a manutenção de quadros regulatórios de frotas e rotas, salvaguarda marítima, atuação em questões ambientais, assuntos legais, cooperação técnica, entre outras competências. Pesca
  • 100.
    100 Pesca com lançano Egito Antigo. Pintura na tumba de Usheret em Tebas, décima oitava dinastia, c. 1430 a.C. O total globalde unidades depescadocapturadas em2010foi estimado em0,97-2,7trilhões. Há 40 000 anos, populações humanas da Ásia Oriental já consumiam grandes quantidades de peixe de água fresca. A caça submarina com arpões farpados pelos litorais passou a se difundir já a partir do paleolítico. Por volta de 2 500 a.C,viveiros depeixe eram comumente usados como cercania de templos sumérios. Um texto clássico chinês credita o negociante do século X a.C Fan Li como o primeiro indivíduo conhecido a trabalhar com piscicultura. Um fragmento remanescente de itinerário de Pártia, escrito por Isidoro de Cárax e datado do primeiro século d.C, descreve locais propícios ao mergulho livre para a caça de pérolas no Golfo
  • 101.
    101 Pérsico, e umaobra do segundo século, Halieutics, de Opiano, refere-se aos quatro principais métodos romanos e gregos de pescaria como sendo anzol-e-linha, rede, armadilha passiva e por tridente. Barcos de pesca tradicionais operam comumente em águas costeiras. Durante a Baixa Idade Média e início da Idade Moderna, contudo, a pescaria de alto-mar — particularmente de bacalhau — foi particularmente importante para o desenvolvimento econômico e naval da Europa Setentrional, Nova Inglaterra e Canadá. A sobrepesca pela costa do mar do Norte impulsionou o desenvolvimento de embarcações de caça de águas profundas, sobretudo de arrasto, como o Brixham e outros arrastões, que podiam servir como naves-mãe para barcos de baixo calado para palangre. No século XIX, avanços como o transporte ferroviário, a conservação de alimentos e a refrigeração permitiram que a pesca se tornasse uma indústria eminente. Os sonares, a partir de melhoramentos desenvolvidos durante as guerras mundiais, foram adaptados como fatômetro. Na década de 1950, grandes barcos-fábrica capturavam e processavam pescado em unidades por hora na mesma quantidade que o total de uma temporada de um arrastão. Já nos anos 1960, as caças marítimas no Norte Atlântico e Norte Pacífico estiveram próximas à exploração máxima. Como efeito do rápido avanço da atividade, sua capacidade de captura aumentou de 18 milhões de toneladas métricas em 1950 para cerca de 85 milhões no fim da década de 1980. A abertura econômica da China levou a um massivo crescimento de sua produtividade pesqueira, de 7% do total mundial em 1961 a 35% em 2010. A evolução de estudos
  • 102.
    102 científicos sobre dinâmicade populações marinhas e a nacionalização de áreas oceânicas têm ajudado no enfrentamento à superexploração desses recursos, mas o sucesso da indústria da pesca comercial tem exigido ações corretivas contundentes. Em 1992, por exemplo, a pescaria de bacalhau no noroeste do Atlântico entrou em colapso, reduzindo-se a menos de 1% de seus níveis históricos e requerendo uma grande moratória por parte do governo do Canadá. A China tem aplicado uma política de zero crescimento para a captura desde 2000, redirecionando sua indústria pesqueira para a aquacultura; suas frequentes interdições de atividade pesqueira em áreas disputadas do mar da China Meridional são impostas sob protesto dos Estados vizinhos. Redes de pesca artesanal de arrasto em Da Nang, Vietnã.
  • 103.
    103 A pesca dearrasto tem sido alvo de rígida legislação em decorrência de sua nocividade à conservação da fauna. Em 2006, estimava-se que 43,5 milhões de pessoas estariam envolvidas na captura ou criação de frutos do mar, 85,5% das quais localizadas na Ásia. Cerca de três quartos era de pescadores e o restante de aquacultores. Em 2012, o total da produção de pescado, sejade peixes, crustáceos,moluscosou outros animais aquáticos, bateu o recorde de 158 milhões de toneladas métricas (174 milhões de toneladas curtas), das quais 91,3 milhões de toneladas métricas (100 milhões de toneladas curtas) foram capturadas em habtat natural. O índice étambém um recorde se não for considerada a captura peruana de engraulis ringens,[199] cujapopulação pode variar drasticamernte com o ciclodo El Niño. A tendência geral
  • 104.
    104 é de permanênciade crescimento do índice em decorrência da expansão da aquacultura em águas interiores e da maricultura no oceano em vez de capturas massivas como a de arrasto. As zonas econômicas exclusivas nas imediações de países costeiros sob o regine da CNUDM têm permitido a estados instituir cotas de captura e outros decretos de manutenção nas regiões mais produtivas dos mares, tendo as atividades sob essas medidas representatividade de cerca de 87% do total da colheira anual. Mudanças radicais nos indicadores dessa indústria podem ter efeitos drásticos — a exemplo da calmaria de pesca ao longo da Primeira Guerra Mundial, que acarretou acúmulo no de demanda e fez com que as capturas no mar do Norte em 1919 duplicassem no comparativo com 1913. Nas últimas décadas, as espécies mais frequentemente e globalmente pescadas têm sido arenque, bacalhau, engráulido, atum, linguado, tainha, lula e salmã o. As populações de parte desses grupos, bem como de grandes peixes predadores, encontram-se abaixo dos níveis históricos. Mais de três milhões de navios são usados para pesca em todo o mundo. Modernas embarcações pesqueiras incluem arrastões de popa, cercadores, navios-fábrica com palangre e grandes navios-fábrica adaptados à permanência em alto-mar por semanas, com mecanismos de processamento e congelamento de grandes quantidades de peixe. Os equipamentos mais tradicionais usados para a captura variam entre diferentes tipos de rede, como as de emalhar, dragas e palangres. A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura encoraja o desenvolvimento de organizações pesqueiras locais no intuito de zelar pela segurança alimentar de pequenas comunidades costeiras e ajudar a diminuir a pobreza por meio da atuação comunitária
  • 105.
    105 coordenada. Uma maisembarcações mais notórias história é o barco-fábrica baleeiro Tonan Maru №2, que foi atingido por torpedos em quatro ocasiões de período de guerra e reparado ou reedificado após cada uma delas. Construída com design norueguês, a frota baleeira japonesa provia metade da demanda de carne do país durante a ocupação estadunidense e permanece como a mais ativa do mundo. Baleeiros similares na Europa inspiraram os barcos-fábrica da atualidade. A caça às baleias nasIlhas Feroe é centenária e essencial para a subsistência da população. A atividade, porém, enfrenta a oposição de organizações de proteção da vida marinha. Aquacultura em Marselha, França. Cerca de 79 milhões de toneladas métricas (87 milhões de toneladas curtas) de produtos alimentícios e não alimentícios foram produzidos a partir de aquacultura em 2010, um recorde
  • 106.
    106 até aquele ano.Algo entre seiscentas espécies de animais e plantas foram cultivados, entre fusiformes, répteis aquáticos, crustáceos, moluscos, pepinos-do- ar, ouriços, urocordados e medusas. A maricultura integrada tem a vantagem de que há, no mar, suprimento de alimentos planctônicos prontamente disponível e remoção natural de resíduos; em casos onde tais resíduos possam ser prejudiciais ao cultivo, técnicas multitróficas podem ser usadas para, por exemplo, alimentar grupos de mariscos a partir dos restos produzidos em cultivos de salmão. Nesse contexto, muitos métodos podem ser empregados; cercos de malha para peixes comuns podem ser suspensos no mar aberto, jaulas podem ser usadas em águas protegidas ou tanques podem ser renovados com água a cada maré alta. A carcinicultura, ainda, pode ser executada em lagoas rasas ligadas ao maraberto. Cordas pode ser penduradas na água para que nelas cresçam algas, ostras e mexilhões. Ostras podem ser cultivadas também em espécies de bandejas ou em tubos de malha. Pepinos-do-mar podem ser criados em rancho no fundo do mar. Programas de reprodução em cativeiro têm cultivado larvas de lagosta para o lançamento prematuro ao mar, resultando posteriormente em aumento da colheita de lagosta, como é feito em Maine, por exemplo.[213] Pelo menos 145 espécies de algas vermelhas, verdes e marrons são consumidas pelo mundo, algumas com grandes tradições de cultivo no Japão e outros países asiáticos, denotando grande potencial de algacultura. Algumas plantas marítimas de flor são amplamente usadas para alimentação, como a salicornia sapal, consumida tanto na forma crua quanto cozinhada. Uma das grandes dificuldades da execução de aquacultura é a tendência à monocultura e o risco
  • 107.
    107 associado da difusãode doenças nas populações cultivadas. Na década de 1990, por exemplo, na China, uma epidemia destruiu o cultivo de chlamys farreri e camarão branco, requerendo sua substituição pela cultura de outras espécies .[216]Já a carcinicultura foi motivo de destruição de grandes áreas de manguezal no sudeste asiático. Lei O direito marítimo é a ramificação específica de leinacional aplicadaa questões e crimes envolvendo o mar, este que foi entendido por séculos, desde a antiguidade, em decorrência das viagens marítimas, como uma jurisdição única. Leis como a romana e a bizantina foram importantes influências a códigos como o francês e o hanseático, responsáveis, por sua vez, pelo estabelecimento da primeira corte marítima, de origem inglesa. Diferente do common law, as cortes marítimas eram próximas ao sistema romano-germânico, deixando espaço para a ocorrência de irregularidades e abusos. Ilegalidades dessetipo tiveram impacto, por exemplo, em eventos históricos como a instauração da Revolução Americana. A adoção da constituição vigente dos Estados Unidos reintroduziu a lei marítima americana, porém com esfera relativamente maior para decisões por júri. A Lei do Mar foi instituída pela Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM), o maior tratado internacional corrente do gênero. Séculos antes, impérios como o romano e da China reivindicaram jurisdição universal; durante a Idade Média, repúblicas marítimas da Itália, como Veneza e Gênova, reconhecendo a existência de estados rivais, vindicavamo direito de fechar os mares ao seu tráfego. A busca dos
  • 108.
    108 impérios Português eEspanhol por direitos similares em novos mares e terras durante a Era dos Descobrimentos e o apoio papal de seus clamores foi um significante fator de influência nas guerras de religião na Europa; em 1609, um jurista contratado para defender um lucrativo esquema de pirataria pela Companhia Holandesa das Índias Orientais escreveu o Mare Liberum,[221] um ensaio de argumentação em favor da liberdade dos mares, que, em última instância, ensejou o compromisso de que o território marítimo se estenderia "tão longe quanto a distância que um tiro de canhão em terra poderia alcançar", padronizando- o em três milhas náuticas (5 556 m ou 18 228 pés), e que tudo além de tal área seria alto-mar. O presidente dos Estados Unidos Woodrow Wilson, por exemplo, arrazoou esse princípio durante a entrada estadunidensena PrimeiraGuerra Mundial e como um de seus Quatorze Pontos, criados em posterior; no entanto, a arrogação unilateral pela jurisdição de reservas de petróleo e gás no golfo do México, partida do presidente Truman, em 1945, levou diretamente ao fim do regime. A CNUDM vigente foi assinada em 1982 e entrou em vigor em 1994. Ela declara que "o alto-mar é aberto a todos os estados soberanos, tanto os costeiros quanto os não costeiros" e provê uma lista não exaustiva de liberdades, que inclui a de navegação, sobrevoo, inserção de cabos submarinos, construção de ilhas artificiais, pesca e pesquisa científica.[225] Ela estende as águas territoriais a doze milhas náuticas (22.2 km ou 13.8 milhas) a partir de uma linha de base geralmente — mas não sempre — equivalente àbaixa-mar média de sizígia, um fator que representa a altura média das mais baixas baixa-mares nas marés semidiurnas; essa área fica
  • 109.
    109 sujeita a leisnacionais, porém livre para passagem casual e trafego comercial. Uma "zona contínua" de mais doze milhas náuticas é liberada para perseguições de segurança envolvendo embarcações acusadas de qualquer violação legal ou crime em águas territoriais, envolvendo tributação, imigração ou infrações de poluição, por exemplo. Uma "zona econômica exclusiva" dá limites geográficos à exploração da vida marinha e de minerais entre duzentas milhas náuticas (370 km ou 230 milhas) da linha de base sob supervisão nacional. Para efeitos legais, a "plataforma continental" é considerada de facto uma plataforma continental (a uma profundidade de 200 m ou 660 pés)contígua à linhade baseou duzentas milhas náuticas, o que for maior; animais marinhos e minerais "anexos ao" (ou abaixo) solo oceânico dentro dessa área também recaem em supervisão nacional. Guerra Um galé bizantino a usar fogo grego contra barcos rebeldes no século IX. Desde o desenvolvimento de frotas coordenadas capazes de desembarcar forças de invasão, o militarismo naval tem sido um importante braço de defesa ou conquista de estados marítimos. O primeiro combate naval na história que se tem registro envolveu Suppiluliuma II de Hititas a incendiar uma frota cipriota ao mar em 1210 a.C. Pouco depois, frotas
  • 110.
    110 dos povos domar rebentaram todo o Mediterrâneo Oriental: por um período de cerca de cinquenta anos, incursões e invasões destruíram violentamente quase que todas as cidades costeiras entre Pilos e Gaza. Com o desenvolvimento dos impérios e o crescimento de seus exércitos de forma tal que se fazia necessário que habitassem áreas fora das terras pelas quais passavam, a interrupção do abastecimento de suas frotas também se tornou uma poderosa tática de guerra. A batalha de Salamina, em 480 a.C, por exemplo, determinou em grande parte o curso das Guerras Médicas, não por causa de seus danos inerentes (embora consideráveis), mas simporque a enganação a Temístocles e a estratégia superior permitiram que os atenienses fossem capazes de romper a transferência de suprimentos via oceano à vontade e atacar potencialmente em pontes flutuantes pelo Helesponto, eliminando a linha de retirada dos persas. Durante a era dos navios de madeira, no entanto, grandes frotas eram onerosas de se manter e sempre suscetíveis à destruição por clima adverso, tendo como caso notório o dos dois tufões kamikaze que evitaram as invasões mongóis ao Japão em 1274 e 1281 d.C. Carraca Santa Catarina do Monte Sinai, um dos mais poderosos navios de guerra da história da Marinha Portuguesa.
  • 111.
    111 A pirataria foiapoiada por muitos povos e estados ao longo da história, entre eles os vikings,japoneses,ingleseseberberes, por exemplo.[231] Na contemporaneidade, ela permanece como um problema, dado o custo envolvido na proteção e segurança de cada navio mercante ou no policiamento extensivo de litorais. No mundo antigo, emadição àBatalhade Salamina,foi também exemplo de grande enfrentamento naval a Batalha de Áccio, que permitiu a fundação do Império Romano de Augusto. Na era moderna, foram notórias, por exemplo, as vitórias do Reino da Inglaterra contra a Invencível Armada, em 1588, e a Batalha de Trafalgar, em 1805, que quebrou as ameaças de invasão pelas forças terrestres superiores dos impérios Espanhol e Francês. Demonstrativo depoderionaval moderno. Torpedo a atingir o USS West Virginia durante o ataque a Pearl Harbor. Com o vapor, placas de aço produzidas em massa e cartuchos explosivos, os gunships europeus propiciaram o neoimperialismo do século XIX, forçando amplo acesso à África, China, Coreia e Japão em termos favoráveis para seus mercadores. Embora políticas internas dificultassem a modernização chinesa, o poder naval estadunidense permitiu
  • 112.
    112 uma ampla reformanipônica, que deu frutos durante a Batalha de Tsushima, em 1905, quando os japoneses foram capazes de derrotar decisivamente a Rússia. De início, as grandes marinhas focavam seus esforços na construção de robustos dreadnoughts e couraçados, mas estes lutaram de forma pouco eficaz na Primeira Guerra Mundial. Contrastantemente, os u-boots alemães foram exemplos de como submarinos poderiam paralisaro transporte até mesmo em águas nominalmente controladas pelo inimigo. Na Segunda Guerra Mundial, comboios, inteligência e mecanismos de guerra aérea antissubmarino foram grandes responsáveis por importantes vitórias, como a da Batalha do Atlântico; mas desenvolvimentos em física aplicada incorreram que, por volta da década de 1960, submarinos nucleares lançadores de mísseis balísticos fossemmantidos em patrulha constante na forma de força de segunda investida juntamente com um segundo conjunto de caçadores destinados a contra-atacar. Enquanto isso, as batalhas nos palcos de enfrentamento do Mediterrâneo e Pacífico evidenciaram a força aérea capaz de soprepujar os mais fortes navios de guerra. Viagem MS Allure of the Seas, da Royal Caribbean International, o maior navio de cruzeiro do mundo.
  • 113.
    113 Embora o usode pequenas embarcações particulares para o transporte pessoal remonte à pré-história, grandes navios capazes de enfrentar o oceano aberto estiveram tipicamente relacionados ao comércioou à pescana maior parte da história humana. Mesmo campanhas militares frequentemente contratavam ou comandavam tais frotas privadas para servirde transporte de tropas, do mesmo modo executado para atividades mercantis, peregrinação e turismo de abastados na antiguidade e Idade Média. As viagens de exploração e colonização eram comumente financiadas pela coroa; quando não, enquadravam-se no fretamento ou então embarcações eram compradas e em seguida destinadas para transporte de suprimentos e mercadorias, após o uso inicial. Serviços dedicados e programados de passageiros locais começaram a ser oferecidos nos séculos XVI e XVII, embora a Black Ball, de 1817, tenha sido a primeira linha de passageiros transatlântica. Na era da navegação à vela, a duração de tais incursões dependiam dos ventos dominantes e do clima. Durante o século XIX, transatlânticos movidos a vapor conectavam redes de ferrovia pelo mundo. Por volta de 1900, a travessia do Atlântico durava cerca de cinco dias, e as linhas de passageiros competiam para ganhar disputas informais de rapidez de trajeto como estratégia de promoção mercadológica. Durante vinte anos, a partir de 1909, a Blue Riband foi entregue ao RMS Mauretania por sua velocidade média de 26.06 nós (48.26 km/h). Essa era passou a minguar a partir da concepção e popularização dos voos intercontinentais, mais rápidos e baratos, sobretudo na rota Nova Iorque–Paris de 1958.
  • 114.
    114 Na contemporaneidade, omar permanece como um lugar propício a atividades recreacionais como as viagens de cruzeiro. Ele é, também, um canal de escape para refugiados e emigrantes, alguns a viajar em embarcações precárias e impróprias para o enfrentamento do alto-mar e outros traficados em navios de transporte. Alguns fogem de perseguições políticas ou religiosas, por exemplo, e outros são socialoueconomicamente vulneráveis a procurar melhores condições de vida em outros países. Lazer O surfe é uma das mais populares formas de lazer ao mar. Um mergulhador com a típica aparelhagem eacessórios para respiraçãoe nadosubaquático.
  • 115.
    115 A utilização domar para o lazer se desenvolveu no século XIX e tornou-se uma indústria economicamente significativa no século XX.[248] As atividades desenvolvidas variam e incluem passeios de náutica de recreio[249] pescadesportivaeviagens comerciais em navios de cruzeiro, por exemplo; além de programas ecoturísticos e de observação de cetáceos e aves costeiras. Muitos povos mostraram gosto pela aventura ao mar ao longo da história. É uma atividade comum às crianças o refrescar em águas rasas, enquanto outros apreciam a natação ou relaxamento na praia. Tais atividades, no entanto, nunca foram costumeiras a todas as sociedades. Na Europa, o banho de mar conquistou grande adesão somente no século XVIII, após a advocacia de William Buchan em favor de tal pratica para fins de saúde. O surfe foi um dos esportes aquáticos que mais amplamente se popularizou na contemporaneidade, por meio do qual o utilizador se equilibra numa prancha em meio à ocorrência de ondas e nesseambiente realiza manobras. Outros semelhantes, conhecidos como esportes de aventura ou radicais, incluemo kitesurf; o windsurf e o esqui aquático, por exemplo. Abaixo da superfície, o mergulho livre é necessariamente restrito a descidas rasas. Caçadores de pérolas tradicionalmente untam sua pele, inserem algodão nos ouvidos e clipes emseus narizes, e então mergulham 12 m (40 pés) com cestas, a fim de coletar ostras perlíferas. Os olhos humanos não são adaptados para o funcionamento abaixo d'água, mas a visãopode ser melhorada com o uso de máscara de mergulho. Outros equipamentos úteis incluem pés de pato e snorkels. Os utensílios de scuba propiciam a respiração subaquática, permitindo a permanência abaixo da superfície durante horas.
  • 116.
    116 A profundidade quepode ser alcançada e o tempo máximo de mergulho são limitados pelo aumento de pressão experienciado com a descida e pela necessidade de prevenção da doença de descompressão ao retorno da água. Praticantes da modalidade recreacional são aconselhados a limitar-se a profundidades menores que 30 m (100 pés), além da qual o perigo de narcose por nitrogênio cresce. Mergulhos maiores podem ser feitos com equipamentos especiais e treinamento. Geração de energia Usina maremotriz de Kislaya Guba, localizada na península de Kola, Rússia. Movimento da água na passagem pela barragem da usina maremotriz de La Rance. O mar é capaz de fornecer grandes quantidades de energia, carregada pelas ondas, marés, diferenças de salinidade e de temperatura, as quais podem ser aproveitadas para geração de eletricidade. As formas de 'energia verde' marinha envolvem maremotriz, correntes, energia
  • 117.
    117 osmótica, térmica ede ondas. No tocante à potência energética das marés, são utilizados geradores para se produzir a eletricidade a partir de seus fluxos. Também podem ser usadas barragens com o fim de armazenar e liberar água do mar. A usina maremotriz de La Rance, por exemplo, com 1 km (0.62 milhas)de comprimento, localizadapróxima a Saint- Malo, na França, aberta em 1967, gera cerca de 540 GWh por ano. Tal equipamento foi a primeira usina do gênero a ser construída no mundo. A grande e altamente variável energia fornecida pelas ondas possui também enorme capacidade destrutiva, fazendo com que maquinarias de geração e captação acessíveis e confiáveis sejam problemáticas de se desenvolver. Por exemplo, uma usina maremotriz comercial de pequeno porte com capacidade de 2 MW, chamada "Osprey", construída no norte da Escócia em 1995, cerca de 300 metros (1000 pés) distante da costa, foi danificada pela força das ondas e posteriormente destruída por uma tempestade em decorrência de sua localização. Quando devidamente aproveitada, contudo, a potência das correntes marinhas pode ser capaz de suprir parcial ou totalmente as necessidades energéticas de áreas populadas inteiras próximas ao mar. Em princípio, essapode ser aparelhada em turbinas de fluxo aberto; sistemas como esse para atuação na área próxima ao solo oceânico também são fabricados, mas limitam-se a uma profundidade de cerca de 40 m (130 pés). Os parques eólicos marítimos constituem outra recorrente forma de geração de energia em área de mar, por meio do uso de aerogeradores instalados em plataformas na superfície oceânica; essa modalidade tem a vantagem de que, nessas localidades, a velocidade do vento é maior, embora parques
  • 118.
    118 dessetipo sejammais onerososque os implantados em terra. O primeiro parque offshore de energia eólica foi construído na Dinamarca, em 1991. A capacidade instalada de produção energética eólica na Europa alcançou 3 GW em 2010. Usinas de produção elétrica são frequentemente construídas na costa ou ao lado de um estuário, de foma que o mar possa ser usado como dissipador de calor. Um dissipador mais frio permite geração energética de forma mais eficiente, algo que é importante especialmente para usinas nucleares de alto custo de manutenção. Indústrias extrativistas Usina de dessalinização por osmose inversa. Existemgrandes depósitos de petróleo, assimcomo óleo e gás natural, nas camadas rochosas abaixo do solo marítimo.
  • 119.
    119 As plataformas petrolíferase perfuratrizes são os equipamentos que extraem óleo e gás e os armazenam para transporte até a terra. A perfuração de busca por óleo no mar acarreta impactos ambientais; os animais podem entrar em perturbação pelas ondas sísmicas usadas para localizar depósitos, o que pode causar até mesmo arrojamentos; além disso, substâncias tóxicas como mercúrio, chumbo e arsênio podem ser liberadas no processo e a infraestrutura pode causar danos geológicos. O mar abriga enormes quantidades de minerais dissolvidos significativamente úteis. O mais importante deles, o sal, tem sido captado pela evaporação solar a partir de lagoas rasas desde tempos pré-históricos. O bromo, que se acumula após ser lixiviado da costa, é apanhado para fins comerciais no mar Morto, onde há ocorrência de 55 000 partes por milhão (ppm). Outros minerais da superfície do solo oceânico ou de dentro dele podem ser explorados via dragagem. Esse tipo de mineração tem vantagens sobre a de terra uma vez que os equipamentos podem ser construídos em estaleiros especializados e os custos de infraestrutura são menores. Entre as desvantagens e dificuldades, estão a possível ocorrência de problemas de operação causados por ondas e marés, a tendência de que escavações se sedimentem e o caminho possivelmente repleto de detritos. Há, ainda, risco de erosão costeira e outros tipos de dano ambiental. Depósitos de sulfeto no solo oceânico são fontes potenciais de prata, ouro, cobre, chumbo, zinco e de traços de metais somente descobertos na década de 1960. Essas áreas se formam quando água geotermicamentesuperaquecida é emitida por aberturas hidrotermais conhecidas
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    120 como fumarolas negras;em contato com águas geladas do fundo do oceano, os minerais precipitam e se assentam em volta da abertura. Os minérios depositados nesses locais são de alta qualidade, porém muito dispendiosos para se extrair. A mineração de pequena escala no fundo do mar tem se desenvolvido proximamente à costa da Papua-Nova Guiné por meio do uso de técnicas robóticas, mas os obstáculos emmeio ao desenvolvimento dessainovação têm se mostrado desafiadores. Fumarola negra a expelir sulfetos dissolvidos e outros minerais por seus jatos de água superaquecida. A dessalinização é a técnica de remoção de sais da água marinha com o objetivo de condicioná-la ao consumo oral e à
  • 121.
    121 irrigação. Os doisprincipais métodos de processamento, destilação a vácuo e osmose reversa, usam grandes quantidades de energia. Ela é normalmente realizada somente onde a água doce proveniente de outras fontes está em falta ou onde há abundância energética. A salmoura produzida como subproduto contém alguns materiais tóxicos e por isso é retornada ao mar. Há grandes quantidades de hidrato de metano no solo oceânico e em sedimentos marítimos numa temperatura de cerca de 2 °C (36 °F), algo de interesse como potencial fonte de energia. Estimativas inferem a quantidade disponível entre um e cinco milhões de quilômetros cúbicos (entre 0,24 e 1,2 milhões de milhas cúbicas). Também em solo oceânico, estão nódulos de manganês formados por camadas de ferro, manganês e outros hidróxidos em torno de um núcleo. No Pacífico, eles podem cobrir até trinta porcento do solo do fundo do mar. Os minerais precipitam das camadas aquáticas superiores e aumentam de quantidade de forma lenta. A extração comercial de níquel desses nódulos foi estudada na década de 1970, mas abandonada em favor da exploração de fontes mais convenientes desse recurso. Em locais adequados, diamantes podem ser recolhidos do fundo do mar com o uso de mangueiras de sucção para extrair o cascalho da terra. Em águas mais profundas, máquinas podem ser usadas para a mineração. Na Namíbia, por exemplo, são extraídos mais diamantes a partir de fontes marinhas do que pelos métodos convencionais em terra. Poluição Muitas substâncias adentram o mar como resultado de atividades humanas. Produtos de combustão, por exemplo, são transportados por ar e depositados no mar por meio da
  • 122.
    122 precipitação. Escoamentos agriculturais,industriais e residuais, metais pesados, pesticidas, bifenilos policlorados, desinfetantes e outros compostos sintéticos podem se concentrar na superfície e em sedimentos marinhos, especialmente em lama estuarina. O resultado dessa contaminação é imprevisível em decorrência da larga quantidade de substâncias envolvidas e da falta de informação a respeito de seus efeitos biológicos. Os metais pesados de maior perigo são o cobre, chumbo, mercúrio, cádmio e zinco, que podem ser acumulados por invertebrados marinhos e então passados adiante via cadeia alimentar. Mapa das zonas oceânicas commaior incidência de poluição porpetróleo, coincidentes com as principais rotas globais de transporte marítimo. A explosão da plataforma Deepwater Horizon, em2010, no golfo do México,foi o maior desastreambientaldos Estados Unidos eo maior derramamentoacidentalde óleono mar da história.
  • 123.
    123 Os fertilizantes usadosem terras de agricultura são uma grande fonte de poluição em algumas áreas, alémdas matérias de esgoto, que têm efeito similar. Os nutrientes extras fornecidos por essas fontes podem causar excessivo crecimento vegetal. O nitrogênio é frequentemente o fator limitante em sistemas marinhos, e sua adição ao mar faz com que se acentue a proliferação de algas e marés vermelhas, o que pode diminuir os níveis de oxigênio da água a um ponto capaz de matar animais. Tais eventos já criaram zonas mortas no mar Báltico e no golfo do México. A eflorescência algal também pode ser causada por cianobactérias que fazem com que mariscos que nelas filtram alimento se tornem tóxicos, colocando em perigo outros animais, como as lontras- marinhas. Instalações deprodução de energia nucleartambém podem causarpoluição; o mar da Irlanda, por exemplo, já foi contaminado por césio-137 da antiga usina nuclear de processamento de combustível de Sellafield; incidentes nucleares podem, em algumas situações, acarretar infiltração de material radioativo no mar, como ocorreu em Fukushima em 2011. O despejo de resíduos — incluindo o óleo, líquidos nocivos, esgoto e lixo — no mar é regido por leisinternacionais. Dentro desse contexto, a Convenção de Londres de 1972 é um acordo das Nações Unidas celebrado com o intuito de controlar o despejo nos oceanos, ratificado por 89 países em 8 de junho de 2012.[288] Já a Marpol é um acordo destinado ao trabalho para minimizar a poluição dos mares por navios. Em maio de 2013, 152 países ratificaram esse tratado. Boa parte do lixo plástico flutuante não biodegrada, e em vez disso se desintegra ao longo do tempo, eventualmente se desfazendo ao nível molecular. Plásticos rígidos, no entanto,
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    124 podem flutuar poranos. No centro do giro do Pacífico, há uma porção permanente de lixo acumulado de maioria plástica,existindo também uma similar no Atlântico. Pássaros de mar como o albatroz e o petrel costumam confundir detritos com comida, assimacumulando materiais plásticos em seus sistemas digestivos. Tartarugas e baleias também já foram encontradas com sacos plásticos e linhas de pesca em seus estômagos. Microplásticos despejados em zonas oceânicas podem afundar, colocando em perigo animais filtradores do fundo do mar. A maior parte da poluição por óleos no mar vem de cidades e indústrias. O petróleo, em especial, é perigoso para os animais marinhos. Ele pode se acumular nas asas de aves, reduzindo o efeito isolante das penas e a flutuabilidade dos animais, ou pode ser ingerido quando eles tentam se limpar. Mamíferos marinhos são menos afetados com severidade, embora possamficar desidratados com o acúmulo dessecomposto pelo corpo ou até mesmo cegos, por exemplo. Invertebrados bentônicos podem facilmente ficaratolados em petróleo e peixes podem ser envenenados. Todas essas possibilidades, sobretudo a última, podem impactar tragicamente a cadeia alimentar. A curto prazo, derrames de óleo resultam em populações de animais selvagens sendo diminuídas ou entrando em desequilíbrio, impactando o ecossistema e afetando até mesmo populações humanas. O ambiente marinho, contudo, tem propriedades de auto- limpeza e bactérias naturalmente atuantes na eliminação de compostos nocivos. Povos indígenas do mar
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    125 Família inupiat, povoindígena que vive na região do estreito de Bering. Diversos grupos indígenas nômades do Sudeste Asiático vivem em barcos e obtêm quase tudo que precisam para sobrevivência a partir de recursos marítimos. Os Moken, por exemplo, vivem em áreas costeiras da Tailândia, Myanmar e em ilhas do mar de Andamão. Já os Bajau são originalmente do arquipélago de Sulu, de Mindanau do norte de Bornéu. Alguns ciganos do mar são considerados tenazes mergulhadores, capazes de alcançarprofundidades de 30 m (98 pés), embora muitos deles adotem um estilo de vida estável e baseado na terra. Povos indígenas do ártico, como os Chukchis, Inuítes e Yupik, conhecidos popularmente como esquimós, costumam caçar mamíferos marinhos como focas e baleias. Já os nativos do estreito de Torres reivindicam a propriedade da Grande Barreira de Coral. Esse povo tem uma vida insular que envolve tradicionalmente caça, pesca, horticultura e negócios com povos de terras vizinhas da Papua Nova Guiné e Austrália. Na cultura
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    126 Relevo assírio dec. 700 a.C mostrando peixes e caranguejos a nadar em volta de um birreme. A Grande Onda de Kanagawa, gravura de Hokusai de c. 1829. A primeira das Trinta e seis vistas do monte Fuji.
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    127 Tempestade no Marda Galiléia, tela de 1633 de Rembrandt. O mar tem sido interpretado e representado nas culturas humanas de forma dualista, como algo tão poderoso quanto sereno ou tão perigoso quanto belo. Ele detém significativa importância em mitologias e religiões, bem como em modalidades artísticas tais quais literatura, cinema, teatro e música. Os antigos o personificavam, acreditando que ele estivesse sob o controle de alguma deidade característica. Esse corpo de água seria, em muitas das lendas, habitado por criaturas fantásticas, como o Leviatã da Bíblia, a Cila da mitologia grega, a Isonade do imaginário japonês, o Kraken da mitologia nórdica, entre outras. O mar é especialmente comum no simbolismo cristão, dentro do qual é possível perceber, por exemplo, a importância da
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    128 profissão de pescadorno mar da Galileia, sobretudo entre os apóstolos de Jesus. O mar, as formas de vida que ele abriga e as embarcações que nele navegam foram e são costumeiramente representados na arte, que se estende de desenhos primitivos simples em paredes de cavernas das imediações de Les Eyzies, na França, ao Ichthys cristão antigo, às pinturas de navios de Hendrick Cornelisz Vroom, ao ukiyo-e de Hokusai e às paisagens marítimas de Winslow Homer, por exemplo. Durante o Século de Ouro dos Países Baixos, artistas como Jan Porcellis, Hendrick Dubbels, Willem van de Velde e Ludolf Bakhuizen destacavam os mares em seus trabalhos e celebravam a Marinha Real Neerlandesa ao pico de seu poderio e façanhas. A música também possui fortes laços com o mar. Por exemplo, eram denominados de celeumas os cânticos entoados por marinheiros com o objetivo de estimular a coordenação de tarefas árduas, como o remar. Essas canções eram geralmente curtas, sofriam forte influência da cultura musicada tradicional e tinham como temáticas comuns o movimento das águas oceânicas e as tempestades. Entre as mais famosas peças musicais clássicas que guardam forte relação com o mar, estão O Holandês Voador (1843), de Richard Wagner, e La mer (1903–05), de Claude Debussy; além de Sea Pictures (1899), de Edward Elgar, e A Sea Symphony (1903–1909), de Ralph Vaughan Williams. Como um símbolo, o mar tem sido, por séculos, personagem e cenário na literatura, sobretudo na poesia. Algumas vezes, seu papel é de mero plano de fundo para eventos narrativos, frequentemente introduzindo temáticas como tormentas, naufrágios, batalhas, desastres,
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    129 sofrimento, mortes ouímpetos de esperança, por exemplo.[315] No poema épico Odisseia, escrito no século XVIII a.C, Homero narra uma jornada de dez anos do herói grego Odisseu, que luta para retornar para casa viajando pelos mares e enfrentando perigos após a guerra descrita na Ilíada.[317] O mar é, ainda, um tema recorrente nos haikus do poeta japonês do período Edo Matsuo Bashō.[318] Na literatura contemporânea, as histórias inspiradas no mar ganharam destaque com as novelas escritas por marinheiros, entre eles Herman Melville, Joseph Conrad e Herman Wouk.[321] O psiquiatra Carl Jung argumentava que, na interpretação dos sonhos, o mar simbolizaria o inconsciente individual e o coletivo. Embora a origem da vida na Terra ainda seja assunto de disputas teóricas, a naturalista Rachel Carson declara no seu livro The Sea Around Us (1951): "(...) é uma situação curiosa que o mar, a partir do qual a vida primeiramente surgiu, deva agora estar ameaçado pelas atividades de uma das formas dessa vida. Mas o mar, embora mudado de uma maneira sinistra, continuará a existir: a ameaça é, em verdade, contra a própria vida". E disse Deus: Produza a terra erva verde, erva que dê semente, árvore frutífera que dê fruto segundo a sua espécie, cuja semente está nela sobre a terra; e assim foi. E a terra produziu erva, erva dando semente conforme a sua espécie, e a árvore frutífera, cuja semente está nela conforme a sua espécie; e viu Deus que era bom. E foi a tarde e a manhã, o dia terceiro. Gênesis 1:11-13
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    130 O que seobserva nos Versículos 11 ao 13, é que DEUS criou as primeiras sementes de todas as árvores frutíferas e ervas, que são os alimentos dos seres viventes na terra e nos mares. A terra só produziu com as sementes após a primeira chuva, como consta de Gênesis, Capítulo 2, Versículos 5 e 6. Semente Semente é o óvulo maduro e já fecundado das plantas gimnospermas ou angiospermas. . É formada por: tegumento ou casca embrião endosperma (que o envolve) Sua importância está relacionada às formas mais primitivas de reprodução e dispersão e é atestada pelo sucesso destes dois grupos das plantas em dominar a paisagem. Anatomia das sementes Germinação de sementes de feijão. A semente amassada contém um suco a partir do qual a planta crescerá quando encontrar as condições desejadas. Também contém um suprimento de reserva que servirão para o primeiro estágio de desenvolvimento da planta, depois da formação completa dos órgãos responsáveis pela alimentação. Este suprimento se desenvolve a partir de um embrião chamado fixosperma, proveniente da planta mãe. O
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    131 endosperma torna-se ricoem óleo ou amido e proteínas. Em algumas espécies, o embrião é envolto em endosperma, que será usado pela semente durante a germinação. Em outras palavras o endosperma é absorvido pelo embrião durante a formação da semente, e seus cotilédones passama armazenar o alimento. As sementes destas espécies, quando maduras, passam a não ter mais endosperma. O embrião da semente se divide em duas principais partes: radícula e gêmula. A radícula é a primeira parte da semente a emergir durante a germinação. É a parte do embrião da semente que irá de formar em raiz. A gêmula é a parte do embrião que originará as primeiras folhas da planta. Exemplos de sementes com endosperma na maturidade: todas as coníferas e a maioria das monocotiledôneas. Exemplos de sementes sem endosperma na maturidade, também conhecidas como ex- albuminosas: feijão, amendoim e soja. Óvulo de gimnosperma à esquerda, de angiosperma à direita. A parte externa da semente, o tegumento, desenvolve-se a partir do tecido que envolvia o óvulo – a parte mais externa deriva da primina, e a mais interna, dasecundina. Tem bagagem genética da planta mãe.
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    132 Em sementes maduras,o tegumento pode formar uma fina camada ou uma camada espessa e resistente. Ela ajuda a proteger o embrião de injúrias mecânicas e perda excessiva de água. Para que o embrião germine, é preciso que o tegumento se rompa. Na maioria das espécies, isso acontece em contato com a água ou com um certo teor de umidade; em outras, é preciso que haja uma escarificação mecânica (uma quebra ou raspagem, que, na natureza, pode ser provocada por algum animal, ou pela própria queda da semente no chão), para que a água possa atingir o embrião. Outras sementes, ainda, precisam passar pelo trato digestivo de animais (ex: erva-de-passarinho) ou ser expostas a altas temperaturas (como algumas plantas do cerrado brasileiro, que germinam depois de um incêndio). Em certos casos, estruturas da própria semente produzem enzimas que degradam o tegumento a partir de estímulos do hormônio giberelina. As sementes das angiospermas, em geral, formam-se e desenvolvem-se dentro do fruto. em alguns casos os tecidos do fruto se soldam com o tegumento da semente e se confundem com ele, como por exemplo no milho e no girassol. As sementes das gimnospermas começam o seu desenvolvimento descobertas, e são depois envoltas por estruturas chamadas pinhas ou cones (Ex: pinhão). Partes da semente Tegumento: é o envoltório protetor da semente, originário dos tegumentos do óvulo. Sua resistência em geral, relaciona- se com a consistência do pericarpo. Em algumas sementes, o tegumento é constituído por duas partes: a testa, que é externa e espessa, e o tegmen, que é a parte interna, mais delgada.
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    133 Estas partes correspondem,mas não obrigatoriamente à prima e secundina do óvulo. Amêndoa: é a parte principal da semente. Corresponde à nucela do óvulo, um tanto modificada depois da fecundação. É protegida pelo tegumento e consta, em geral, de duas partes: embrião e albúmen. Embrião: é a parte principal da semente. A experiência demonstra ser o embrião responsável pela origem do novo vegetal, quando há germinação da semente. Efetivamente, o embrião é um verdadeiro vegetal em estado potencial, com seus órgãos rudimentares, representados pela radícula, caulículo e gêmula. A radícula dá origem a raiz, enquanto que, o caulículo origina o colo ou nó vital (região de transição entre a raiz e o caule); a gêmula se responsabiliza pelo desenvolvimento do caule e das folhas. Os cotilédones são folhas modificadas que se traduzem em reservatórios de alimentos, utilizados pelo vegetal nos primórdios do seu desenvolvimento. Albúmen: é a reserva alimentar acumulada na semente, fora dos cotilédones. De acordo com a natureza das substâncias que o formam, o albúmen pode ser: amiláceo: se o amido for o seu principal componente. Exemplo: cereais. oleaginoso: quando há predominância dos lipídios. Exemplo: mamona. córneo: quando se apresenta rígido. Exemplo: café. A formação das sementes A flor, após sofrer a diferenciação, desenvolve-se e, à semelhançade um ramo vegetativo, passaaconstituir-se de um
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    134 eixo (receptáculo) ede apêndices laterais, que são os órgãos florais. Formação do embrião O zigoto diploide (proveniente da fusão do microgameta com a oosfera)divide-se em duas células.A mais externa, encostada à micrópila, por divisões sucessivas, forma um cordão, o suspensor, ligado por um lado ao saco embrionário, por onde recebe substâncias nutritivas. O suspensortem vida efêmera. A mais interna, concomitantemente, por divisões sucessivas, forma o embrião, que é a futura planta. Função das sementes As sementes demilho, sãoexemplos de sementes quesãocomercializadas no mundointeiro. Diferentemente dos animais, as plantas são limitadas em sua habilidade de procurar condições favoráveis para sua vida e crescimento. Como consequência, elas desenvolveram muitas maneiras de dispersão e distribuição da sua população através das sementes. Pode ser na terra na água no caso das plantas aquáticas e até em rochas. Uma semente precisa chegar de alguma maneira a um local e precisa estar lá enquanto houver condições favoráveis à germinação e crescimento. Em alguns casos,as propriedades que contribuem com este movimento das próximas gerações para longe da planta mãe estão mais ligadas a propriedades do fruto do que da semente e, em alguns casos, a uma mistura dos dois.
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    135 As sementes tambémpossuem um mecanismo de proteção da próxima geração, evitando que a planta germine em condições desfavoráveis ao crescimento. Em áreas de invernos rigorosos, as sementes podem passar o inverno todo debaixo da neve, dormentes, só germinando na primavera. Esta mesma propriedade forma o banco de sementes em algumas florestas: as sementes ficam no solo até que alguma árvore mais velha caia e abra uma clareira, permitindo que a luz entre e que novas sementes germinem. Em muitas espécies, a estratégia é a mais simples: produzir o maior número de sementes. Esta estratégia funciona, mas exige o investimento de uma grande quantidade de energia por parte da planta, de forma que a relação custo-benefício pode ficar próxima da produção de poucas sementes altamente especializadas. As sementes são órgãos reprodutores, como a flor e o fruto. Insetos surgiram há 480 milhões de anos Os primeiros insetos voadores teriam se originado há 400 milhões de anos, quase 200 milhões de anos antes de os pterossauros desenvolverem a mesma habilidade
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    136 Os primeiros insetosprovavelmente se pareciam a atual traça (Lepisma saccharina ) Os primeiros insetos que habitaram o planeta surgiramhá cerca de 480 milhões de anos, e 80 milhões de anos depois desenvolveram a habilidade de voar. A descoberta é de uma pesquisa publicada nesta sexta-feira na revista Science, na qual participaram mais de cem cientistas de dezesseis países. CONHEÇA A PESQUISA Título original: Phylogenomics resolves the timing and pattern of insect evolution Onde foi divulgada: periódico Science Quem fez: Bernhard Misof, Shanlin Liu, Karen Meusemann, Ralph S. Peters, Alexander Donath, Christoph Mayer, entre outros
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    137 Instituição: Museu AlexanderKoenig de Pesquisa Zoológica, Alemanha, Universidade Rutgers, nos EUA e outras Dados de amostragem: 1 478 genes de 144 espécies, abrangendo todos os principais grupos de insetos. Resultado: Os primeiros insetos que habitaram o planeta surgiram há cercade 480 milhões de anos, e 80 milhões de anos depois desenvolveram a habilidade de voar. “Nossapesquisa mostra que os insetos se originaramao mesmo tempo em que as primeiras plantas terrestres, há cerca de 480 milhões de anos”, disse o diretor da Coleção Nacional Australiana de Insetos da Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation (CSIRO), David Yeates, em comunicado da organização. “Os primeiros insetos provavelmente separeciam coma atualtraça”, disseocientista. Essa data é 70 milhões de anos anterior ao fóssil de inseto mais antigo já encontrado. Os pesquisadores analisaram 1 478 genes de 144 espécies, abrangendo todos os principais grupos de insetos. Segundo eles, os primeiros provavelmente evoluíram de um grupo de crustáceos venenosos denominado Remipedia. “Há 480 milhões de anos, os oceanos estavam cheios de vida, mas sobreviver fora da água era desafiador”, descreve Karl Kjer, biólogo da Universidade Rutgers, em New Jersey, nos Estados Unidos, que também participou do estudo. “As plantas e os insetos evoluíram simultaneamente, um afetando o outro. ” Alçando voo – Os primeiros insetos voadores teriam se desenvolvido há 400 milhões de anos. “Essatransformação,que ocorreu quando as plantas terrestres começaram a atingir altura, demonstrou a capacidade dos insetos de se adaptar rapidamente às mudanças ambientais”, explicou Yates. Quase
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    138 200 milhões deanos se passariam até que os pterossauros desenvolvessem a capacidade de voar. “Dois terços de todas as espécies animais são insetos”, lembra Bernhard Misof, pesquisador do Museu Alexander Koenig de Pesquisa Zoológica, na Alemanha, um dos líderes do estudo. “Eles são partes importantes no ecossistema terrestre, junto com as plantas. ” E disse Deus: Haja luminares na expansão dos céus, para haver separação entre o dia e a noite; e sejam eles para sinais e para tempos determinados e para dias e anos. E sejam para luminares na expansão dos céus, para iluminar a terra; e assim foi. E fez Deus os dois grandes luminares: o luminar maior para governar o dia, e o luminar menor para governar a noite; e fez as estrelas. E Deus os pôs na expansão dos céus para iluminara terra, e para governar o dia e a noite, e para fazer separação entre a luz e as trevas; e viu Deus que era bom. E foi a tarde e a manhã, o dia quarto. Gênesis 1:14-19 O que se observa nos Versículos 14 ao 19 é que DEUS fez as estrelas da mesma forma que havia feito o SOL, e os satélites nos seus respectivos planetas. Satélite natural Planeta secundário, lua ou satélite natural é considerado um corpo celestial que orbite planetas e também corpos menores. O termo pode ser utilizado para designar galáxias anãs que orbitam outras de maior tamanho ou, até mesmo, planetas anões na órbita de estrelas. Entretanto, sua utilização mais
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    139 geral é comosinônimo de lua no que se refere à identificação de satélites não-artificiais dos planetas. Um dos exemplos mais conhecidos de satélite natural é a Lua em relação à Terra. Em 2011 foram identificados mais de 200 objetos na órbita do Sistema Solar e todos foram categorizados como luas (satélites naturais). Deste montante, 206 estão localizados na órbita de corpos menores e planetas anões e 169 na órbita de planetas. Entretanto, existem luas de maior tamanho do que os planetas que orbitam o Sol. Exemplos desse fenômeno são Titã e Ganímedes, respectivos satélites naturais de Saturno e de Júpiter, e que são maiores do que Mercúrio. Se ambos não estivessemna órbita destes astros, seriam categorizados como
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    140 planetas. Fora isso,há satélites com dimensões abaixo de 5 quilômetros como as diversas luas de Júpiter. O aparecimento ou formação dos satélites naturais, luas ou planetas secundários ocorre de três maneiras: processos catastróficos, de captura ou formação simultânea. No primeiro processo, o planeta secundário forma-se através de um forte impacto envolvendo dois ou mais corpos planetários. Um exemplo de satélite natural formado desta maneira é a Lua (satélite da Terra). Geralmente, o surgimento de satélites naturais ocorre através do processo de captura por satélites menores que possuem órbitas mais irregulares. A formação destas luas ocorre quando há um desvio do satélite de sua órbita de início, causada pelo efeito de campos de gravitação dos planetas. Assim, estes planetas secundários são deslocados para órbitas com menor estabilidade dos planetas em questão. Quando ocorre a formação simultânea, a lua é gerada no mesmo tempo de gênese que o planeta que irá orbitar. Essa fase de formação foi denominada como de acreção, em que o projeto de satélite encontra-se desde o início orbitando o planeta principal. No que se refere à formação de satélites com grandes dimensões, este é o processo de surgimento mais importante. E disse Deus: Produzam as águas abundantemente répteis de alma vivente; e voem as aves sobre a facedaexpansão dos céus. E Deus criou as grandes baleias, e todo o réptil de alma vivente que as águas abundantemente produziram conforme as suas espécies; e toda a ave de asas conforme a sua espécie; e viu Deus que era bom.
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    141 E Deus osabençoou, dizendo: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei as águas nos mares; e as aves se multipliquem na terra. E foi a tarde e a manhã, o dia quinto. Gênesis 1:20-23 DEUS criou os óvulos dos répteis, aves e peixes, e os manteve em ambiente adequado até o nascimento, neste período não havia alimento para os mesmos. Os répteis, aves e peixes só começaram a produzir e reproduzir, após a primeira chuva que caiu na face da terra, pois não havia alimento, conforme consta de Gênesis, Capítulo 2, Versículos 5 e 6. Répteis Os répteis (latim científico: Reptilia) constituem uma classe de animais vertebrados tetrápodes e ectotérmi cos, ou seja,não possuem temperatura corporal constante. São todos amniotas (animais cujos embriões são rodeados por uma membrana amniótica), característica que os permitiu ficarem independentes da água para reprodução, ao contrário dos anfíbios. Os répteis atuais são representados por quatro ordens: Crocodilia, Rhynchocephalia, Squamata e Testudi nea. A pele dos répteis é seca, sem glândulas mucosas, e revestida por escamas de origem epidérmica ou por placas ósseas de origem dérmica. Com tais características a pele dos répteis apresenta grande resistência. Seu sistema respiratório é mais complexo secomparado com dos anfíbios.Nos répteis os sexos são distintos (macho e fêmea) e a maior parte geralmente é ovípara. Os répteis são encontrados em todos os continentes exceto na Antártida, apesar de suas principais distribuições compreenderem os trópicose subtrópicos.Não possuemuma
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    142 temperatura corporal constante,são ectotérmicos e necessitam do calor externo para regulação da temperatura corporal, por isso habitam ambientes quentes e tropicais. Conseguem até um certo ponto regular ativamente a temperatura corporal, que é altamente dependente da temperatura ambiente. A maioria das espécies de répteis são carnívoras e ovíparas (botam ovos). Algumas espécies são ovovivíparas, e algumas poucas espécies são realmente vivíparas. Os dinossauros, extintos no final do Mesozóico, pertencem à superordem Dinosauria, também integrada na classe dos répteis. Outros répteis pré-históricos são os membros das ordens Pterosauria, Plesiosauria e Ichthyosauria. A língua portuguesa permite duas ortografias e pronúncias: reptil (oxítona), com plural reptis; ou réptil (paroxítona), com plural répteis (dissílaba, paroxítona). Classificação A classificação lineana dos répteis não inclui grupos que evoluíram a partir deles, aves e mamíferos, sendo por isso um grupo parafilético. Em anos recentes, grande parte dos taxonomistas defendem que a classificação deveria ser monofilética, seguindo a escola de pensamento cladista ou seja, os grupos deveriam incluir todos os descendentes de uma forma particular. Colin Tudge diz:
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    143 Os mamíferos sãouma clade, e consequentemente os cladistas sãofelizes em reconhecer a táxon tradicional dos mamíferos. As Aves são também uma clade. Na realidade, Mamíferos e Aves sãosubclados dentro da cladeprincipal dos Amniotas. Contudo, a classe tradicional Reptilia não é uma clade, mas apenas uma seção da clade Amniotas, que restou após a remoção dos grupos Mamíferos e Aves. Não pode ser definida por sinapomorfias, como seria apropriado. Em vez disso, é definida pela combinação das características que possuem e as que faltam: répteis são os amniotas a que faltampelos ou penas, ou seja, no máximo poderíamos dizer que os répteis, na definição tradicional são amniotas 'não-aves' e 'não-mamíferos'. A tartaruga-das-galápagos (Geochelone nigra spp.) Harriet (c.1830-2006), que viveu aproximadamente 176 anos Os répteis se classificam em: Escamosos (lagartos, cobras, camaleões) Crocodilianos (crocodilos, jacarés) Quelônios. Evolução Existem milhares de fósseis de espécies que mostram uma clara transição entre os ancestrais dos répteis e os répteis modernos.
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    144 O primeiro verdadeiroréptil é categorizado como Anapsídeo, tendo um crânio sólido com buracos apenas para boca, nariz, olhos, ouvidos e medula espinhal. Algumas pessoas acreditam que as tartarugas são os Anapsídeos sobreviventes, já que eles compartilham essa estrutura de crânio, mas essa informação tem sido contestada ultimamente, com alguns argumentando que tartarugas criaram esse mecanismo de maneira a melhorar sua armadura. Os dois lados tem fortes evidências, e o conflito ainda está por ser resolvido. Pouco depois do aparecimento dos répteis, o grupo dividiu-se em dois ramos. Um dos quais evoluiu para os mamíferos, o outro voltou a dividir-se nos lepidossauros (que inclui as cobras e lagartos modernos e talvez os répteis marinhos do Mesozóico) e nos arcossauros (crocodilos e dinossauros). Esta última classe deu origem também às aves. Anatomia e fisiologia Corpo coberto com pele seca queratinizada (não mucosa) geralmente com escamas ou escudos e poucas glândulas superficiais; Dois pares de extremidades(membros), cada uma tipicamente com cinco dedos terminando em garras córneas e adaptadas para correr, rastejar ou trepar; pernas semelhantes a remos nas tartarugas marinhas, reduzidas em alguns lagartos, ausentes em alguns e em todas as cobras; Esqueleto interno completamente ossificado; crânio com um côndilo occipital; Coração dividido em três cavidades: duas aurículas e um ventrículo,com a exceção do crocodilo que possui quatro cavidades; um par de arcos aórticos; glóbulos vermelhos nucleados, biconvexos e ovais;
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    145 Respiração pulmonar; astartarugas podem permanecer algumas horas embaixo d'água, prendendo a respiração e, para isso,o organismo funciona lentamente, o coração bate devagar, num fenômeno chamado bradicardia, e o fornecimento de oxigênio é auxiliado por um tipo de respiração acessória, em que o oxigênio dissolvido na água é absorvido pelas vias faríngica e cloacal; Doze pares de nervos cranianos; Temperatura corporal variável (pecilotermos),deacordo com o ambiente; Fecundação interna, geralmente por órgãos copuladores; ovos grandes, com grandes vitelos, em cascas córneas ou calcárias geralmente libertados, mas retidos pela fêmea para o desenvolvimento em alguns lagartos e cobras; estas características revelam uma adaptação evolutiva para a vida terrestre; Segmentação meroblástica; envoltórios embrionários (âmnio, cório, saco vitelino e alantóide) presentes durante o desenvolvimento; filhotes quando eclodem (nascem) assemelham-se aos adultos (sem metamorfoses). Musculatura muito desenvolvida em Squamata (cobras e lagartos) e em Crocodylia (jacarés e crocodilos), mas em Testudines (tartarugas, cágados e jabutis) a musculatura é desenvolvida apenas no pescoço. Répteis pré-históricos Ainda que o termo réptil pré-histórico, por definição, remeta- se aos dinossauros, que foram répteis que viveram na Pré- história, costuma-se utilizá-lo também para remeter-se às três outras maiores ordens de répteis extintos que habitaram o planeta Terra no período pré-histórico, coexistindo com os
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    146 dinossauros: ictiossauros, plesiossaurose pterossauros, que ao contrário dos dinossauros, podiam nadar e voar. Duria Antiquior, de Henry de la Beche Entretanto, as quatro categorias acima não foram as únicas a englobar répteis pré-históricos. Houve muitas outras espécies — algumas vieram antes dos dinossauros, como o dimetrodonte, outras foram suas contemporâneas, como o sacissauro. Taxonomia Série Amniota Classe Synapsida
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    147 Ordem Pelycosauria (répteisque são ancestrais distantes dos mamíferos, extintos) Ordem Therapsida (répteis similares a mamíferos e ancestrais imediatos destes, extintos) Classe Mammalia Classe Sauropsida Subclasse Anapsida Ordem Testudinata (tartarugas, cágados e jabutis) Uma série de famílias anapsidas extintas não atribuídas a Ordem Testudinata, correspondendo a Captorhinida, Mesosauria e Procolophonomorpha Subclasse Diapsida Ordem Araeoscelidia (répteis diapsidas primitivos similares a lagartos) Ordem Avicephala (répteis diapsidas arboricolas extintos do Permiano) Ordem Younginiformes (répteis diapsidas extintos dos períodos Permiano e Triássico) Ordem Thalattosauria (répteis diapsidas marinhos extintos, não se sabe se são mais próximos dos lepidossauros ou dos arcossauros) Infraclasse Ichthyosauria
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    148 Ordem Ichthyopterigea (ictiossauros,répteis marinhos extintos similares a golfinhos) Infraclasse Lepidosauromorpha Superordem Sauropterygia Ordem Placodontia (répteis aquáticos similares a tartarugas mas sem parentesco com estas, extintos) Ordem Nothosauroidea (répteis semi-aquáticos extintos) Ordem Plesiosauria (plesiossauros, répteis marinhos extintos) Superordem Lepidosauria Ordem Sphenodontida (tuatara) Ordem Squamata (lagartos & serpentes) Infraclasse Archosauromorpha Ordem Prolacertiformes (répteis arborícolas e aquáticos extintos) ? Ordem Choristodera (extintos) Ordem Trilophosauria (extintos) Divisão Archosauria Subdivisão Crurotarsi Superordem Crocodylomorpha Ordem Crocodylia (crocodilos, jacarés e gaviais atuais) Ordem Aetosauria (répteis similares a crocodilianos, porém eram herbivoros terrestres, extintos) Ordem Phytosauria (répteis semi-aquáticos similares aos atuais crocodilianos, extintos)
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    149 Ordem Rauisuchia (répteissimilares a crocodilianos, eram carnívoros terrestres, extintos) Ordem Rhynchosauria (répteis herbivoros, parente próximo dos crocodilianos, extintos) Subdivisão Avemetatarsalia Infradivisão Ornithodira Ordem Pterosauria (pterossauros, répteis voadores extintos) Superordem Dinosauria (dinossauros, grupo formado por duas ordens extintas) Ordem Saurischia (carnívoros como o tiranossauro e o velociraptor e herbívoros como o argentinossauro) Ordem Ornithischia (herbívoros como os triceratopos, anquilossauros, estegossauros, parasaurolofos e paquicefalossauros) Classe Aves Filogenia Sauropsida |--Anapsida | |--Mesosauridae (Extinto) | `--Parareptilia | |--Millerettidae (Extinto) | |--Bolosauridae (Extinto) | `--Procolophonomorpha
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    150 | |--Procolophonia | ||--Procolophonidae (Extinto) | | `--Pareiasauridae (Extinto) | `?-Testudines (tartarugas) `--Eureptilia |--Captorhinidae (Extinto) `--Romeriida |--Protorothyrididae (Extinto) `--Diapsida |--Araeoscelidia (Extinto) |--Avicephala (Extinto) `--Neodiapsida |?-Younginiformes (Extinto) `--+--Lepidosauromorpha | |?-Euryapsida | | |?-Sauropterygia (Extinto) | | `?-Ichthyopterygia (Extinto) | `--Lepidosauriformes | `--Lepidosauria | |--Sphenodontida (incluindo tuataras) | `--Squamata (incluindo lagartos, mosassauros e serpentes) `--Archosauromorpha |?-Choristodera (Extinto) |--Trilophosauridae (Extinto) |--Rhynchosauridae (Extinto) |--Prolacertiformes (Extinto) `--Archosauriformes |--Proterosuchidae (Extinto) |?-Erythrosuchidae (Extinto)
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    151 |--Euparkeriidae (Extinto) `--+--Proterochampsidae `--Archosauria |--Crurotarsi (incluindoCrocodylia) `--Ornithodira |--Pterosauromorpha (Extinto) `--Dinosauromorpha `--Dinosauria (incluindo Aves) Aves Aves são uma classe de seres vivos vertebrados endotérmicos caracterizada pela presença de penas, um bico sem dentes, oviparidade de casca rígida, elevado metabolismo, um coração com quatro câmaras e um esqueleto pneumático resistente e leve. As aves estão presentes em todas as regiões do mundo e variam significativamente de tamanho, desde os 5 cm do colibri até aos 2,75 m da avestruz. São a classe de tetrápodes com o maior número de espécies vivas,aproximadamente dez mil, das quais mais de metade são passeriformes. As aves apresentam asas, que são mais ou menos desenvolvidas dependendo da espécie. Os únicos grupos conhecidos semasas são as moas e as aves-elefante, ambos extintos. As asas, que evoluíram a partir dos membros anteriores, oferecem às aves a capacidade de voar, embora a especiação tenha produzido aves não voadoras, como as avestruzes, pinguins e diversas aves endémicas insulares. Os sistemas digestivo erespiratório das aves estão adaptados ao voo. Algumas espécies deaves que habitam em ecossistemas aquáticos, como os pinguins ou a família dos patos, desenvolveram a capacidade de nadar.
  • 152.
    152 Algumas aves, especialmenteos corvos e os papagaios, estão entre os animais mais inteligentes do planeta. Algumas espécies constroem e usam ferramentas e passam o conhecimento entre gerações. Muitas espécies realizam migrações ao longo de grandes distâncias. As aves são animais sociais que comunicam entre si com sinais visuais, chamamentos e cantos, e realizam atividades comunitárias como procriação e caça cooperativa, voo em bando e grupos de defesa contra predadores. A grande maioria das espécies de aves são monogâmicas, geralmente durante uma época de acasalamento epor vezes durante vários anos, mas raramente durante toda a vida. Outras espécies são polígamas ou, mais raramente, poliândricas. As aves reproduzem-se através de ovos, que são fertilizados por reprodução sexual e geralmente colocados num ninho onde são incubados pelos progenitores. A maior parte das aves apresenta um período prolongado de cuidados parentais após a incubação. Algumas aves, como as galinhas, põem ovos mesmo que não sejam fertilizados, embora esses ovos não produzam descendência. As aves, e em particular os fringilídeos de Darwin, tiveram um papel importante no desenvolvimento da teoria da evolução por seleção natural de Darwin. O registo fóssil indica que as aves são os últimos sobreviventes dos dinossauros, tendo evoluído a partir de dinossauros emplumados dentro do grupo terópode dos saurísquios. As primeiras aves apareceram durante o período cretácico, há cerca de 100 milhões de anos, e estima-se que o último ancestral comum tenha vivido há 95 milhões de anos. As evidências de ADN indicam que as aves se desenvolveram extensivamente durante a extinção do
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    153 Cretáceo-Paleogeno que matouos dinossauros não avianos. As aves na América do Sul sobreviveram a este evento, tendo depois migrado para as várias partes do mundo através de várias passagens terrestres, ao mesmo tempo que se diversificavam em espécies durante os períodos de arrefecimento global. Algumas aves primitivas dentro do grupo Avialae datam do período Jurássico. Muitos destes ancestrais das aves, como o Archaeopteryx, não tinham plena capacidade de voo e muitos apresentavam ainda características primitivas como mandíbula em vez de bico e cauda vertebrada. Muitas espécies de aves têm importância económica. As aves domesticadas (de capoeira) e não domesticadas (de caça) são fontes importantes de ovos, carne e penas. As aves canoras e os papagaios são animais de estimação populares. O guano é usado como fertilizante.As aves sãoum elemento de destaque na cultura. No entanto, desde o século XVII que cerca de 120 a 130 espécies foram extintas devido à ação humana e várias centenas foram extintas nos séculos anteriores. Atualmente existem 1 375 espécies de aves ameaçadas de extinção, embora haja esforços no sentido de as conservar. A observação de aves é uma atividade importante no setor do ecoturismo. Habitat, diversidade e distribuição
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    154 O pisco-de-peito-ruivo viveemtodoocontinenteeuropeu, desdea fria Escandinávia até aos desertos do norte de África. A capacidade de voar proporcionou às aves uma diversificação extraordinária, pelo que hoje em diavivem e reproduzem-se em praticamente todos os habitats terrestres e em todos os sete continentes. O petrel-das-neves nidifica em colónias que já foram observadas a distâncias de 440 km do litoral da Antártida. A maior biodiversidade de aves tem lugar nas regiões tropicais. Anteriormente, pensava-se que esta maior diversidade era o resultado de uma maior velocidade de especiação nos trópicos. No entanto, estudos mais recentes verificaram que a especiação é superior nas latitudes mais elevadas, embora a velocidade de extinção seja também superior à dos trópicos. Várias famílias de aves evoluíram para se adaptar à vida nos oceanos. Algumas espécies de aves marinhas regressam à costa apenas para nidificar e alguns pinguins são capazes de mergulhar até 300 metros de profundidade. Regra geral, o número de espécies que se reproduz em determinada área é diretamente proporcional ao tamanho dessa área e à diversidade de habitats disponíveis. O número
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    155 total de espéciesestá também relacionado com factores como a posição dessa área em relação às rotas de migração e ao número de espécies que aí passam o inverno. Na Europa a oeste dos montes Urais, incluindo grande parte da Turquia, vivem cerca de 540 espécies de aves. Na Ásia vivem 2 700 espécies, o que corresponde a 25% da avifauna mundial, e só na Rússia vivemcerca de 700. Em África vivem cerca de 2 300 espécies. Em todo o continente americano vivem cerca de 4 400 espécies, embora em alguns países da América central e do sul haja mais de mil espécies. A Costa Rica é a região com maior número de espécies em relação ao tamanho, com cerca de 800 conhecidas numa área de apenas 51 000 km2. Muitas espécies de aves estabeleceram o seu território nas regiões em que foram introduzidas pelo ser humano. A introdução de algumas espécies foi deliberada, como por exemplo o faisão-comum, que foi introduzido em todo o mundo como ave de caça.Outras introduções foram acidentais, como o periquito-monge que atualmente está presente em várias cidades norte-americanas como consequência de fugas de cativeiro. Algumas espécies, como a garça- boieira, o gavião-carrapateiro e a cacatua- galah expandiram-se muito para além do seu território inicial de forma natural, à medida que a agricultura foi criando novos habitats. Anatomia e fisiologia
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    156 Topografia deuma ave:1 Bico, 2Coroa,3 Íris, 4 Pupila, 5 Manto, 6 Pequenas coberturas, 7 Escapulares, 8Grandes coberturas,9 Terciárias, 10 Uropígio, 11 Primárias, 12 Cloaca, 13 Coxa, 14 Articulação tíbiotársica, 15 Tarso, 16 Pata, 17 Tíbia, 18 Ventre, 19 Flancos, 20 Peito, 21 Garganta, 22 Papada, 23 Lista supraciliar Em comparação com outros vertebrados, as aves apresentam um corpo com diversas adaptações invulgares e únicas que lhes permitem voar, mesmo que sejam apenas estruturas vestigiais ou que sejam usadas para deslocação terrestre ou aquática. Embora haja várias particularidades ósseas e anatómicas exclusivas das aves, a presença de penas é a mais proeminente e distintiva característica das aves. As aves possuem também um órgão único entre os animais, a siringe, que lhes permite produzir os cantos e chamamentos. A pele das aves é praticamente ausente de quaisquer glândulas, à exceção da glândula uropigial que produz um óleo que protege e impermeabiliza as penas. As aves são animais endotérmicos que mantêm uma temperatura de aproximadamente 41 °C, podendo ser ligeiramente inferior durante as horas de sono e ligeiramente superior durante os períodos de atividade intensa. As penas e, em algumas espécies, a gordura subcutânea, oferecem isolamento térmico. Como não possuem glândulas sudoríparas, o excesso de calor é dissipado pela respiração
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    157 rápida que, emalgumas espécies, pode chegar às 300 respirações por minuto. Algumas espécies são capazes de hibernar temporariamente. Nas aves voadoras de maior dimensão, os ossos são permeados por cavidades de ar e o sistema respiratório é constituído por sacos de ar, o que contribui para diminuir o seu peso. O albatroz é a ave voadora com maior envergadura de asas, que pode atingir os 3,5 metros, enquanto o cisne- trombeteiro pode atingiros 17 kg de peso. A ave mais pequena é o colibri-cubano, que pode medir 5–6 cm de comprimento e pesar apenas 3 gramas. Quando as aves perdem a capacidade de voar deixam de estar limitadas pelo peso, como é o caso da avestruz, que pode atingir os 2,75 metros de altura e pesar 150 kg. Voo Movimento descendente das asas de uma Myiagra inquieta A maior parte das aves tem a capacidade de voar, o que as distingue de praticamente todas as outras classes de vertebrados. O voo é a principal forma de deslocação para a maioria das espécies de aves e é usado para a reprodução, alimentação e fuga de predadores. No entanto, cerca de 60 espécies vivas de aves são incapazes de voar, assim como
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    158 muitas das avesextintas.[17] A incapacidade de voo ocorre muitas vezes em ilhas isoladas, provavelmente devido aos recursos limitados e à ausência de predadores terrestres. Embora incapazes de voar ou de percorrer grandes distâncias, algumas aves usam a mesma musculatura e movimentos para nadar na água, como é o caso dos pinguins, tordas ou os melros-d'água. As aves possuem diversas adaptações evolutivas destinadas ao voo, entre as quais ossos pneumáticos e leves, dois grandes músculos de voo (os peitorais – que correspondem a 15% do peso da ave – e o supracoracoide) e um membro anterior modificado (a asa) que atua simultaneamente como aerofólio (que sustenta a ave no ar) e como elemento de impulso. Muitas aves alternam entre o voo impulsionado pelo bater de asas e o voo planado e usam a cauda para direcionar o voo. A asa é bastante flexível, podendo ser alongada ou recolhida por flexão, as penas das bordas podem ser abertas ou fechadas e o ângulo das asas pode ser ajustado, quer em conjunto, quer individualmente. O tamanho e a forma das asas estão relacionados com o tipo de voo dessa espécie. O tamanho e forma da asa geralmente está relacionado com o tipo de voo dessa espécie. Por exemplo, os albatrozes, as gaivotas e outras aves marinhas apresentam asas
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    159 compridas e estreitasque tiram partido do vento sobre o oceano para planar, enquanto que as aves de rapina têm asas amplas para tirar partido das correntes de ar ascendentes e descendentes de montanha. As aves de asa curta, como os galináceos, fazem apenas voos curtos. As asas pontiagudas dos patos permitem-lhes percorrer rapidamente grandes distâncias. As andorinhas e os estorninhos têm asas compridas e pontiagudas que lhes permitem fazer acrobacias aéreas durante horas seguidas. Enquanto algumas aves de grande dimensão, como os abutres, planam ao longo de horas e só ocasionalmente batem as asas, outras aves, como os colibris, batem as asas várias vezes por segundo. A velocidade de voo varia imenso entre as espécies. As aves mais pequenas, como os pardais ou as carriças, voam entre 15-30 km/h. As aves de pequena a média dimensão, como os tordos, rabos-de-quilha, estorninhos ou andorinhões, e as aves de grande envergadura de asa, como os pelicanos e as gaivotas, voam entre 30 e 60 km/h. As aves mais rápidas, como os falcões, patos, gansos e pombos voam entre 60 a 100 km/h. A ave que atinge maior velocidade é o falcão-peregrino, que é capaz de realizar voos a pique que atingem os 320 km/h. Muitas aves com pés pequenos, como os andorinhões, colibris ou calaus, raramente caminham e usam as patas apenas para se empoleirarem, enquanto outras apresentam patas mais robustas e realizam grande parte dos movimentos a pé, como as galinhas de água. Os papagaios caminham frequentemente ao longo dos ramos, enquanto espécies como os melros saltitam no terreno. Muitas espécies usam as asas para se deslocardebaixo de água, como é o caso dos pinguins, embora algumas só nadem à superfície. Algumas aves, como as mobêlhas, estão tão adaptadas à vida no mar que só vão a
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    160 terra nidificar. Muitasaves, como o pato-real, são capazes de levantar voo diretamente a partir da superfícieda água,embora outras necessitem de fazer uma pequena corrida para ganhar impulso, como os mergulhões. Penas, plumagem e escamas Estorninho-de-hildebrandt adulto com penas iridiscentes. Aplumagem das aves muda regularmentee pode apresentar cores significativamente diferentes conformea idade, sexo e altura do ano. As penas são uma característica proeminente e única das aves. As penas permitem às aves voar, fornecem isolamento que facilita a regulação térmica e são usadas como forma de exibicionismo, camuflagem e comunicação. Existem vários tipos de penas, cada um com finalidades específicas. As penas são desenvolvimentos epidérmicos ligados à pele e crescem apenas em regiões específicas da pele denominadas pterilas. O padrão de distribuição da implantação das penas em tratos
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    161 denomina-se pterilose. Aptériossão zonas desprovidas de penas. A distribuição e aparência do conjunto das penas no corpo é denominada plumagem e é uma das principais características que permitem identificar a espécie de ave. A plumagem pode variar significativamente dentro da própria espécie de acordo com a idade, estatuto social[20] esexo.A cor das penas tem origem em pigmentos ou na estrutura. Os castanhos e os pretos são causados por melaninas sintetizadas pela ave e depositados em grânulos, enquanto os amarelos, laranjas e vermelhos são causados por carotenoides com origem na dieta e difundidos pela pele e penas. As cores azuis são estruturais e têm origem numa camada fina e porosa de queratina. Os verdes resultam do acréscimo de pigmento amarelo ao azul estrutural. As cores iridescentes têm origem na estrutura laminada das bárbulas e são realçadas pelos depósitos de melanina. A plumagem das aves muda regularmente. Geralmente a muda é anual, embora em algumas espécies se observem duas mudas, uma antes da época de reprodução e outra depois, podendo ocorrer variações entre espécies e entre indivíduos da mesma espécie. As maiores aves de rapina podem mudar de plumagem apenas uma vez em vários anos. As características da muda variamentre espécies.Empasseriformes, as penas de voo são substituídas uma de cada vez, sendo as primárias da face inferior substituídas primeiro. Após a substituição da quinta ou sexta primária, começam a cair as terciárias exteriores, seguidas pelas secundárias e pelas outras penas. As grandes coberturas primárias são substituídas ao mesmo tempo das primárias que cobrem. Este processo denomina-se muda centrífuga. Por outro lado, um pequeno número de espécies, entre as quais os patos e os gansos, perdem todas as
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    162 penas de voode uma única vez, ficando temporariamente incapazes de voar. Regra geral, a muda das penas da cauda segue o mesmo padrão da das asas, do interior para o exterior. No entanto, nos Phasianidae verifica-se muda centrípeta (de fora para o centro), enquanto que na cauda dos pica-paus e das trepadeiras a muda começa no segundo par mais interior e acaba no par central de penas, de modo a que a ave possa continuar a trepar. As escamas das aves encontram-se principalmente nos dedos e no metatarso, embora em algumas aves estejam presentes acima do tornozelo. À semelhança dos bicos, garras e espigões, são constituídas por queratina. A maior parte das escamas não se sobrepõe de forma significativa, exceto nos casos do guarda-rios e do pica-pau. Pensa-se que as escamas das aves sejam homólogas às dos répteis e dos mamíferos. Bico Adaptação do bico a diversas formas de alimentação. Embora o tamanho e a forma do bico das aves varie significativamente de espécie para espécie, a sua estrutura é idêntica. Todos os bicos são constituídos por duas mandíbulas,
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    163 superior e inferior.A mandíbula superior estáapoiadanum osso denominado intermaxilar, cujas ligações permitem que a mandíbula seja flexível e se mova para cima e para baixo. A mandíbula inferior está apoiada num osso denominado osso maxilar inferior. A superfície exterior do bico é constituída por uma camada fina de queratina, denominada ranfoteca. Entre a ranfoteca e as camadas mais profundas da derme existe uma camada vascularizada ligada diretamente aos ossos do bico. A ranfoteca forma-se nas células na base de cada mandíbula e cresce continuamente na maior parte das aves, enquanto em algumas espécies muda de cor conforme a estação. As bordas cortantes do bico são denominadas tomia. Na maior parte das espécies, as bordas variam entre arredondadas e ligeiramente afiadas, embora algumas espécies tenham desenvolvido modificações estruturais que lhes permitem manusear melhor a sua fonte de alimentação. Por exemplo, as aves granívoras têm bordas serrilhadas que lhes permitem quebrar a casca de sementes. A maior parte dos falcões e alguns papagaios omnívoros apresentam uma projeção na mandíbula superior, de modo a atingir mortalmente as vértebras das presas ou a dilacerar insetos. Algumas espécies que se alimentam de peixe, como os mergansos, têm bicos serrilhados que mantêm preso o peixe escorregadio.[36] Cerca de 30 famílias de aves insetívoras apresentam cerdas muito curtas em toda a mandíbula que aumentam a fricção e lhes permitem segurar insetos de carapaça dura. Visão e audição
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    164 Olho de umabibe a ser coberto pela membrana nictitante. A visão das aves é geralmente bastante desenvolvida. As aves marinhas apresentam lentes flexíveis, o que lhes permite ver claramente tanto no arcomo dentro de água. Algumas espécies têm dupla fóvea. As aves são tetracromáticas, possuindo cones não só sensíveis à luz verde, vermelha e azul como também à luz ultravioleta. Muitas aves exibem padrões de plumagem refletora ultravioleta que são invisíveis ao olho humano. Algumas aves cujos sexos aparentam ser iguais apresentam, na realidade, padrões diferenciados. Os machos do chapim-azul, por exemplo, têm uma coroa refletora ultravioleta que é exposta durante a corte ao levantar as penas da nuca. A luz ultravioleta é também usada na procura de comida. Alguns falcões procuram presas através da deteção dos rastos de urina dos roedores, que refletem a luz ultravioleta. As pálpebras das aves não são usadas para pestanejar. Em vez disso, o olho é lubrificado por uma terceira pálpebra que se desloca horizontalmente, denominada membrana nictitante.[41] Esta membrana também cobre o olho e funciona como uma lente de contacto em muitas aves marinhas. A retina das aves tem um sistema irrigatório próprio denominado pécten ocular. A maior parte das aves não consegue mover os olhos, embora haja exceções, como o corvo-marinho-de-faces-brancas. As aves com olhos nas
  • 165.
    165 partes laterais dacabeça têm um grande campo visual, enquanto que as aves com olhos na parte da frente da cabeça têm visãobinocular e sãocapazes de estimara profundidade de campo. O alcance auditivo das aves é limitado.[6] O ouvido não apresenta pavilhão auditivo externo, embora o orifício seja revestido por penas. Em algumas aves de rapina, como as corujas, mochos ou bufos, estas penas formam tufos que se assemelham a orelhas. O ouvido interno apresenta uma cóclea, mas não em espiral como nos mamíferos. Sistema respiratório e olfato O sistema respiratório das aves é bastante complexo e responde às exigências do elevado metabolismo. As aves têm um dos mais complexos e eficientes sistemas respiratórios de todos os animais. Devido ao elevado ritmo metabólico exigido pelo voo, necessitam de um fornecimento constante de grande quantidade de oxigénio. Embora possuam pulmões, a ventilação é assegurada em grande parte por sacos aéreos ligados aos pulmões, que correspondem a 15% do volume do corpo. Embora as paredes dos sacos aéreos não façam trocas gasosas, têm a função de atuar como foles
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    166 para fazer circularo ar pelo sistema respiratório. No momento da inalação, apenas 25% do ar inalado vai diretamente para os pulmões; os restantes 75% atravessam os pulmões e passam diretamente para um saco de ar posterior que se estende a partir dos pulmões e está ligado às cavidades de ar nos ossos, as quais preenche com ar. Quando a ave expira, o ar usado sai dos pulmões e o ar fresco do saco de ar posterior é forçado a passar para os pulmões. Desta forma, os pulmões são constantemente fornecidos de ar fresco, quer durante a inalação quer durante a expiração. Os sons das aves são produzidos na siringe, uma câmara muscular constituída por várias membranas timpânicas que diverge da extremidade inferior da traqueia. Em algumas espécies, a traqueia é alongada, o que aumenta o volume das vocalizações e a perceção do tamanho da ave. A maior parte das aves tem olfato pouco apurado, embora os quivis, os abutres do Novo Mundo e os procelariformes sejam exceções notáveis. A maior parte das aves apresenta duas narinas externas situadas no bico, geralmente com forma circular, oval ou em corte e ligadas à cavidade nasal no interior do crânio. As espécies da ordem dos procelariformes, como os albatrozes, apresentam narinas encerradas em dois tubos na mandíbula superior. No entanto, outras espécies, como os gansos-patola, não têm narinas externas e respiram pela boca. Embora na maior parte das aves as narinas estejam descobertas, em algumas espécies encontram-se cobertas por penas, como nos corvos e nos pica- paus. Sistema ósseo O sistema ósseo das aves é constituído por ossos extremamente leves com cavidades de ar ligadas
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    167 ao sistema respiratório(ossos pneumáticos). Nos adultos, os ossos do crânio estão fundidos entre si e não apresentam suturas cranianas. As órbitas são de grande dimensão e separadas por um septo nasal. A coluna vertebral divide-se nas vértebras cervicais, torácicas, lombares e caudais. As vértebras cervicais (do pescoço), cujo número varia significativamente entre espécies, são particularmente flexíveis. No entanto, o movimento nas vértebras torácicas é limitado e completamente ausente nas vértebras posteriores. As últimas vértebras encontram-se fundidas com a pelve, formando o sinsacro. As costelas são achatadas. O esterno apresenta uma quilha que sustenta os músculos peitorais envolvidos no voo, embora esteja ausente das aves não voadoras. Os membros anteriores encontram-se modificados na forma de asas. Sistema digestivo Melro-preto a capturar uma minhoca.Adigestãodas aves é bastante rápida,de modo a não interferir com o voo. Uma vez que não têm dentes, as presas são engolidas inteiras. O sistema digestivo das aves é constituído por um papo,onde é armazenado o conteúdo digestivo, e uma moela que contém pedras, que as aves engolem para moer os alimentos como forma de compensar a falta de dentes. A maior parte das aves
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    168 apresenta uma digestãobastante rápida, de modo a não interferir com o voo. Algumas aves migratórias adaptaram-se de modo a usar proteínasde várias partes do corpo como fonte de energia adicional durante a migração. Muitas aves regurgitam egregófitos. Embora a maior parte das aves necessite de água, as características do seu sistema excretor e a ausência de glândulas sudoríparas fazem com que a quantidade necessária seja reduzida. Algumas aves do deserto conseguem satisfazer a necessidade de água exclusivamente a partir da água contida nos alimentos e são tolerantes ao aumento da temperatura corporal, o que lhes permite evitar despender vapor de água em arrefecimento. As aves marinhas estão adaptadas para beber água salgada do mar, possuindo glândulas de sal na cabeça que eliminam o excesso de sal através das narinas. A maior parte das aves não consegue realizar movimento de sucção da água, pelo que recolhe a água no bico e inclina a cabeça de modo a permitir que a água escorra pela garganta. No entanto, algumas espécies, principalmente de regiões áridas, conseguem beber água sem necessidade de inclinar a cabeça, como é o caso das famílias dos pombos, estrilídeos, coliiformes, toirões e abetardas. Algumas aves do deserto dependem da presença de fontes de água, como os cortiçois, que se agregam à volta de poços de água durante o dia. Algumas espécies levam água às crias humedecendo as penas, enquanto outras a transportam no papoou a regurgitam juntamente com acomida. As famílias dos pombos, dos flamingos e dos pinguins produzem para as crias um líquido nutritivo denominado leite de papo. Sistemas reprodutor e urogenital
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    169 Durantea épocade acasalamento,o sistema reprodutor das aves sofrediversas alterações. Tal como os répteis, as aves são seres uricotélicos; isto é, os seus rins filtram os resíduos nitrogenados da corrente sanguínea e excretam-no na forma de ácido úrico (em vez de ureia ou amoníaco) ao longo dos uréteres até ao intestino. As aves não têm bexiga nem uretra exterior, pelo que (à exceção das avestruzes) o ácido úrico é expelido em conjunto com as fezes em dejetos semi-sólidos. No entanto, algumas aves, como o colibri, podem ser amoniotélicos, excretando a maior parte dos resíduos nitrogenados na forma de amoníaco. Também excretam creatina, em vez de creatinina como os mamíferos.[16] Este material é expulso através da cloaca, em conjunto com os dejetos intestinais. A cloaca é um orifício com diversas finalidades. Não só é por aí que são expulsos os dejetos, como a maior parte das aves acasalamjuntando as cloacas e é também por aí que as fêmeas depositam os ovos. Os machos possuem dois testículos internos que durante a época de acasalamento aumentam de tamanho centenas de vezes para produzir esperma. As fêmeas da maior parte das famílias possuem um único ovário funcional (o esquerdo), ligado a um oviduto, embora as de algumas espécies tenham dois ovários funcionais. Os machos dos Palaeognathae (à
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    170 exceção dos quivis),dos Anseriformes (à exceção dos Anhimidae) e, de forma rudimentar, dos Galliformes (mas totalmente desenvolvido nos Cracidae) possuemum pénis,o qual não seobserva nas Neoaves. Pensa- se que o comprimento esteja relacionado com a competição espermática. Fora do momento da cópula, encontra-se oculto no interior do proctodeu, um compartimento no interior da cloaca. Sistema circulatório O sistema circulatório das aves é impulsionado por um coração miogénico de quatro câmaras protegido por um pericárdio fibroso. O pericárdio encontra-se preenchido com fluido seroso que o lubrifica. O coração em si está dividido em duas metades, direita e esquerda, cada uma constituída por uma aurícula e um ventrículo. As aurículas e ventrículos de cada lado estão separados entre si por válvulas cardíacas que impedem que o sangue passe de uma câmara para a outra durante a contração. Sendo miogénico, o ritmo cardíaco é mantido pelas células marca-passo do nó sinusal situado na aurícula direita. O coração das aves também apresenta arcos musculares, constituídos por camadas espessas de músculo. De forma semelhante ao coração dos mamíferos, o coração das aves é constituído pelas camadas do endocárdio, miocárdio e pericárdio. As paredes auriculares tendem a ser mais delgadas do que as paredes ventriculares, devido à intensa contração ventricular usada para bombear sangue oxigenado pelo corpo. Em comparação com a massa corporal, o coração das aves é geralmente maior do que o dos mamíferos. Esta adaptação permite que seja bombeada maior quantidade de sangue de modo a responder às necessidades metabólicas associadas ao voo. As principais
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    171 artérias que transportamo sangue do coração têm origem no arco aórtico direito, ao contrário dos mamíferos, em que é o arco aórtico esquerdo que forma esta parte da aorta. A veia cava inferior recebe o sangue dos membros através do sistema venoso portal. Também ao contrário dos mamíferos, os glóbulos vermelhos das aves mantêm o seu núcleo celular. As aves têm um sistema bastante eficiente de distribuição de oxigénio pelo corpo, uma vez que têm uma superfície de trocas gasosas dez vezes maiordo que os mamíferos. Isto faz com que as aves tenham nos vasos capilares mais sangue por unidade de volume dos pulmões do que um mamífero. As artérias das aves são constituídas por músculos elásticos e espessos para resistir à pressão da forte constrição ventricular, que se tornam mais rígidos à medida que se encontram mais afastados do coração. O sangue passa pelas artérias, que sofrem vasoconstrição, em direção às arteríolas, que distribuem o oxigénio e os nutrientes a todos os tecidos do corpo. À medida que as arteríolas se encontram mais afastadas do coração e próximas dos órgãos e dos tecidos, são cada vez mais ramificadas de modo a aumentar a área de superfície e diminuir a intensidade da corrente sanguínea. A partir das arteríolas, o sangue desloca-se para os vasos capilares onde ocorre a troca de oxigénio pelos resíduos de dióxido de carbono. Após a troca gasosa, o sangue desoxigenado passa pelas vénulas e é transportado pelas veias de volta ao coração. Ao contrário das artérias, as veias são finas e rígidas, uma vez que não necessitam de resistir a pressões elevadas. Defesa e combate
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    172 A plumagem dopavão-do-pará imita um grande predador. Algumas espécies são capazes de usar defesas químicas contra predadores. Alguns Procellariiformes projetam um óleo estomacal desagradável contra agressores, enquanto algumas espécies de pitohuis da Nova Guiné têm a pele e penas revestidas por uma poderosa neurotoxina. A plumagem de algumas espécies envia sinais intimidatórios a potenciais predadores, como o pavão-do-pará,cujas penas criama ilusão de um grande predador de modo a afugentar falcões eproteger as crias. Ocasionalmente, os combates entre espécies resultam em ferimentos ou morte. Os anhimídeos, algumas jaçanãs, o pato-ferrão, o pato-das-torrentes e nove espécies de abibes apresentam um espigão afiado na asa que usam como arma. Os patos-vapor, os cisnes e gansos, as pombas do ártico, os motum e os alcaravões apresentam uma protuberância óssea na álula para esmurrar os oponentes. Algumas jaçanãs apresentam um rádio expandido em forma de lâmina. O extinto ibis jamaicano apresentava um membro anterior alongado que provavelmente funcionava em combate de forma semelhante a um malho. Outras aves, como
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    173 os cisnes, sãocapazes de morder ao defender os ovos ou as crias. Comportamento A maior parte das aves é diurna, embora algumas aves sejam noctívagas ou crepusculares, como as corujas, e muitas aves limícolas se alimentem de acordo com as marés, seja de dia ou de noite. A socialização entre indivíduos varia imenso de espécie para espécie. Muitas aves de rapina são solitárias, enquanto outras espécies são vincadamente gregárias, atingindo comunidades de milhares de indivíduos. Durante a época de reprodução, muitas espécies defendem um território. Muitos comportamentos das aves são universais e ocorrem invariavelmente em praticamente todas as espécies de aves,como é o casodos cuidados com as penas, os movimentos de distensão das pernas, asas ou caudas, os banhos de água e poeira, ou o movimento que sacode o corpo.[6] Alimentação Algumas espécies, como o guarda-rios, pescam os seus próprios alimentos.
  • 174.
    174 As aves limícolas,como os maçaricos, vasculham a areia à procura de comida. As dietas das aves são bastante variadas, podendo incluir néctar, frutas, plantas, sementes, carcaças e vários animais de menor dimensão, incluindo outras aves. Uma vez que as aves não têm dentes, o seu sistemadigestivo encontra- se adaptado de modo a processar alimentos engolidos inteiros sem mastigar. As aves que usam várias estratégias para adquirir comida ou se alimentam de vários alimentos são denominadas generalistas. As que dedicam tempo e esforço na procura de alimentos específicos são denominadas especialistas. As estratégias de alimentação variam de espécie para espécie. Muitas aves simplesmente recolhem insetos, invertebrados, fruta ou sementes. Algumas caçam, surpreendendo insetos com ataques súbitos a partir de ramos de árvores. As aves que se alimentam do néctar das flores, como os beija- flores, apresentam línguas longas e especialmente adaptadas para a recolha do néctar e, em muitos casos, os próprios bicos foram se adaptando de forma a encaixar em determinadas flores – fenómeno denominado coevolução. Os quivís e as aves limícolas têm bicos longos que lhes permitem vasculhar o terreno à procura de pequenos invertebrados. Os diferentes comprimentos do bico e diferentes métodos de
  • 175.
    175 procura fazem comque as espécies limícolas se encontrem muitas vezes em nichos ecológicos distintos. Algumas espécies, como as mobelhas, os zarros, os pinguins ou as tordas, perseguem a presa debaixo de água, usando as asas e as patas como meio de propulsão. Os predadores aéreos, como os sulídeos, os guarda-rios ou as andorinhas-do-mar, mergulham em queda livre atrás das presas.Os flamingos, três espécies de priões e alguns patos filtram os alimentos da água. Algumas espécies, como as fragatas, gaivotas[93] ou os moleirospraticam cleptoparasitismo,roubando comida de outras aves. No entanto, pensa-se que o cleptoparasitismo seja apenas um complemento à comida obtida através da caça, e não a principal fonte de alimentação. Outras espécies são necrófagas. Entre estas, algumas, como os abutres, são especializadas no consumo de carcaças, enquanto outras, como as gaivotas, corvídeos ou determinadas aves de rapina, são oportunistas. Cuidados com as penas Pinguins-imperador durante a limpeza das penas. O bico remove parasitas e fungos e algumas espécies aplicamuma substância oleosa que impede o crescimento de bactérias.
  • 176.
    176 As penas exigemmanutençãoconstante. Para alémdo desgaste físico,as penas sãoatacadas por fungos, parasitas e piolhos. As aves conservam as penas com a limpeza, aplicaçãode secreções protetoras e banhos de água ou pó. Enquanto algumas aves apenas se banham em água rasa, como bebedouros ou fontes, outras mergulham em águas profundas e algumas espécies arbustivas aproveitam a água da chuva que se acumula nas folhas.As aves de regiões áridas usamo solo para tomarbanhos de poeira. Algumas espécies encorajam formigas a percorrer as penas, reduzindo o número de ectoparasitas. Muitas espécies abremfrequentemente as asas expondo-as àluz direta do sol, o que diminui o número de parasitas e previne o aparecimento de fungos. Algumas aves esfregam as formigas nas penas, o que faz com que libertem ácido fórmico que mata alguns parasitas. As aves limpam, alisam e tratam das penas todos os dias, despendendo neste processo cerca de 9% das horas de atividade.[101] O bico é usado para escovar partículas estranhas e para aplicar secreções de uma substância oleosa produzida pela glândula uropigial que mantém as penas flexíveis e atua como agente antimicrobiótico que impede o crescimento de bactérias que degradam as penas. Migração Muitas espécies de aves migram de forma a tirar partido das diferenças sazonais de temperatura que influenciam a disponibilidade de fontes alimentares e dos habitats de reprodução. Estas migrações variam significativamente entre diferentes grupos. Muitas aves terrestres, aves limícolas e aves marinhas realizam migrações anuais ao longo de grandes distâncias, geralmente iniciadas com a mudança do tempo ou da quantidade das horas de luz. Estas aves geralmente alternam
  • 177.
    177 entre uma épocade reprodução passada nas regiões de clima temperado ou polar e outra época não reprodutiva passada em regiões tropicais ou no hemisfério oposto. Antes da migração, as aves aumentam substancialmente as reservas de gordura corporal e diminuem o tamanho de alguns dos seus órgãos. A migração exige uma elevada quantidade de energia, sobretudo quando as aves atravessamdesertos e oceanos sem sepoder reabastecer. As aves terrestres têm um alcancede voo de cerca de 2500 km e as aves costeiras até 4000 km, embora o fuselo seja capaz de voar 10 200 km sem paragens. Algumas aves marinhas realizam também grandes migrações, a mais longa das quais é realizada pela pardela- preta, que nidifica na Nova Zelândia e no Chile e durante o verão se alimenta no Pacífico norte ao largo do Japão, do Alasca e da Califórnia, viajando por ano 64 000 km. Outras aves marinhas dispersam-se após a reprodução, viajando significativamentesemuma rota de migração fixa.Por exemplo, os albatrozes que nidificam no Oceano Austral realizam viagens circumpolares entre as épocas de acasalamento. Rotas de migração dos fuselos a partirda NovaZelândia.Esta espécierealiza a mais longa rota de migração sem paragens que se conhece, voando cerca de 10 200 km.
  • 178.
    178 Outras espécies realizammigrações mais curtas, viajando apenas o que for necessário para evitar o mau tempo ou obter comida. As espécies irruptivas, como os fringilídeos boreais, são um desses grupos, sendo possível que num ano permaneçam em determinado locale no seguinte não. Estetipo de migração está normalmente associado à disponibilidade de comida. Algumas espécies podem também viajarapenas dentro da sua área de distribuição, neste caso migrando os indivíduos de maiores latitudes para os locais da sua espécie a menores latitudes. Outras ainda realizam apenas migrações parciais, em que migra apenas uma parte da população, geralmente as fêmeas e os machos subdominantes. Em algumas regiões, as migrações parciais podem representar uma parte significativa dos movimentos migratórios. Na Austrália, por exemplo, 44% dos não passeriformes e 32% dos passeriformes realizam apenas migrações parciais. A migração altitudinal é uma forma de migração de curta distância em que as aves passama época de reprodução nas altitudes mais elevadas e em condições menos favoráveis migram para zonas mais baixas. Este tipo de migração é desencadeado por alterações na temperatura e quando o território normal se torna inóspito devido à falta de comida. Outras espécies são nómadas, não tendo um território definido e deslocando-se de acordo com o tempo e a disponibilidade de comida. As aves têm a capacidade de regressar exatamente à mesma localização de onde partiram, mesmo após percorrem grandes distâncias. Durante a migração, as aves navegam através de diversos métodos. Os migrantes diurnos orientam-se pelo Sol durante o dia e pelas estrelas durante a noite. As que usam o sol compensam a deslocação do astro usando um relógio interno, enquanto que a orientação pelas estrelas
  • 179.
    179 depende da posiçãodas constelações que circundam a estrela polar. Para além disto, algumas espécies têm a capacidade de sentir o geomagnetismo terrestre através de fotorrecetores especiais. Comunicação As aves comunicam principalmente através de sinais visuais e auditivos. Muitas espécies usam a plumagem para procurar ou reafirmar o estauto social, para mostrar que se encontram na época de acasalamento ou para enviar sinais intimidatórios aos predadores. As variações na plumagem também permitem identificar as aves e diferenciar espécies. Os rituais de exibição fazem também parte da comunicação visual entre as aves, podendo ser usados para demonstrar agressão, submissão ou como forma de criar laços entre indivíduos. Os rituais mais sofisticados ocorrem durante o cortejo sexual e são acompanhados por danças de movimentos complexos. O êxito do macho em acasalar pode depender da qualidade destes rituais.[119] Os cantos e chamamentos são o principal meio de comunicação sonoro das aves e podem serbastante complexos. Os sons são produzidos na siringe. Algumas espécies conseguem usar os dois lados da siringe de forma independente, o que lhes permite produzir dois sons diferentes em simultâneo. Os chamamentos são usados para as mais diversas finalidades, entre as quais a atração do macho durante a época de reprodução, a avaliação de potenciais parceiros, a criação de laços afetivos, a reivindicação e manutenção territorial e identificação de outros indivíduos (como quando os progenitores procuram as crias nas colónias ou quando os parceiros se reúnem no início da época de reprodução), e aviso às outras aves de potenciais predadores, por vezes com
  • 180.
    180 informação específica sobrea natureza da ameaça. Algumas espécies também usam sons mecânicos para comunicar. As narcejas neo-zelandesas produzem sons fazendo o ar circular por entre as penas, os pica-paus tamboreiam de forma territorial e as cacatuas-das-palmeiras usaminstrumentos de percussão. Comportamento de grupo Os tecelões-de-bico-vermelho são a espécie de ave mais comum no mundo e formam bandos que chegam às dezenas de milhares de indivíduos. Enquanto algumas aves são essencialmente territoriais ou vivem em pequenos grupos familiares, outras aves formam bandos de grande dimensão. Os principais benefícios dos bandos são a segurança pelo número e a maior eficácia na procura de comida. A defesa contra eventuais predadores é especialmente relevante em habitats fechados, como nas florestas, em que é a predação por emboscada é comum e um grupo grande aumenta a vigilância. Existem também bandos dedicados à procura de comida que juntam várias espécies que, embora ofereçam segurança,também aumentam a competição pelos recursos.
  • 181.
    181 No entanto, oagrupamento em bando também potencia o assédio, a dominância de algumas aves em relação a outras e, em alguns casos, uma diminuição na eficácia da procura por comida. As aves por vezes também formam associações com espécies não aviárias. Algumas aves marinhas que caçam por mergulho associam-se a golfinhos e atuns que empurram os cardumes de peixe em direção à superfície. Os calaus têm uma relação mutualista com os mangustos-anão, na qual caçam em conjunto e avisam-seentre siemrelaçãoa aves derapina e outros predadores. Repouso e empoleiramento Muitas aves, como este flamingo-americano, repousam a cabeça nas costas ao dormir. O elevado metabolismo das aves durante a parte ativa do dia é compensado pelo repouso no restante tempo. Ao dormir, as aves incorrem num tipo de sono denominado "sono de vigília", em que os períodos de descanso são intercalados com rápidas "espreitadelas" de olhos abertos, o que lhes permite aperceber de eventuais distúrbios e rapidamente escapar de ameaças. Tem sido sugerido que possa haver determinados tipos de sono que são possíveis até mesmo durante o voo. Por
  • 182.
    182 exemplo, acredita-se queos andorinhões sejam capazes de dormir em pleno voo, e as observações de radar sugerem que se orientam na direção do vento durante o sono. Algumas aves têm também demonstrado a capacidade de ter de forma alternada apenas um dos hemisférios cerebrais em sono profundo, o que permite ao olho oposto ao hemisfério que está a dormir continuar vigilante. As aves tendem a exercer esta capacidade quando estão nas orlas dos bandos. O empoleiramento comunitário é comum, uma vez que diminui a perda de calor corporal e diminui os riscos associados com os predadores. Os locais de poleiro são geralmente escolhidos tendo em conta a segurança e regulação de calor. Durante o sono, muitas aves dobram a cabeça e o pescoço sobre as costas e enfiam o bico nas penas do dorso, enquanto outras o fazem nas penas do peito. Muitas aves descansam apoiadas apenas numa perna, enquanto algumas puxam as pernas para baixo das penas, especialmente no inverno. Os pássaros apresentam um mecanismo que bloqueia o tendão que os ajuda a manterem-se no poleiro enquanto dormem. Muitas aves que vivem junto ao solo, como as codornizes e os faisões, empoleiram-se nas árvores. Alguns papagaios do género Loriculus empoleiram-se de cabeça para baixo.[136] Mais de uma centena de espécies, como o colibri ou noitibó, descansam num estado de torpor acompanhado de uma diminuição do metabolismo.[137]Uma espécie, o noitibó-de-nuttall, chega a entrar num estado de hibernação. Reprodução As aves têm dois sexos: macho e fêmea. O sexo das aves é determinado pelos cromossomas Z e W, em vez dos
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    183 cromossomas X eY presentes nos mamíferos. Os machos têm dois cromossomas Z (ZZ) e as fêmeas um cromossoma W e um Z (WZ). Acasalamento Dimorfismo sexual de tamanho, cor e ornamentos sexuais entre o macho (esquerda) e fêmea (direita) do pato-mandarim. A fêmea de um casal de abelharucos aguarda pela oferta de comida de um macho. O acasalamento de maior parte das espécies envolve rituais de corte. As aves apresentam diversos comportamentos de acasalamento, estando identificados muitos tipos de seleção sexual entre as aves. Na seleção intersexual é a fêmea que escolhe o parceiro, enquanto na competição intrassexual os indivíduos do sexo mais abundante competem
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    184 entre si peloprivilégio de acasalar. O acasalamento da maior parte das espécies envolve alguma forma de corte sexual, geralmente por parte do macho. A maior parte dos rituais de acasalamento são bastante simples e envolvem apenas algum tipo de canto. No entanto, alguns são coreografias bastante complexas e, dependendo da espécie, podem incluir dança, bater de asas ou cauda, voos aéreos ou lek comunitário. Após a escolha do parceiro, muitas espécies fazem ofertas de objetos entre os parceiros ou juntam os bicos em sinal de afeto. Os ornamentos de seleção sexual muitas vezes evoluempara se tornar mais pronunciados em situações de competição, até ao ponto em que começam a limitar a agilidade do indivíduo. O elevado custo dos comportamentos e ornamentos sexuais exagerados assegura que apenas os indivíduos de melhor qualidade os conseguem apresentar. A cauda do pavão é provavelmente o exemplo mais conhecido de um ornamento sexual emaves. Os dimorfismos sexuais, como a diferença de tamanho e de cor, são bastante comuns entre as aves e um indicador de forte competição reprodutiva. Noventa e cinco por cento das espécies de aves são socialmente monógamas. Os casais destas espécies estão juntos pelo menos durante uma época de reprodução ou, em alguns casos, durante vários anos ou até à morte de um dos parceiros. A monogamia permite que o pai também cuide das crias, o que é fundamental nas espécies em que as fêmeas necessitamda assistência dos machos durante a incubação. No entanto, entre as muitas espécies monógamas a infidelidade é comum.[145] Este comportamento verifica-se geralmente entre os machos dominantes e as fêmeas de machos subordinados, embora possa também ser o resultado de cópula forçada em patos e outros anatídeos. As fêmeas das aves têm
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    185 mecanismos de armazenamentode esperma que permitem que o esperma do macho se mantenha viável durante bastante tempo depois da cópula, chegando a 100 dias em algumas espécies, e que haja competição entre o esperma de vários machos. Para as fêmeas,entre os possíveis benefícios da cópula extra-par está a possibilidade de melhores genes para a prole e garantia contra uma eventual infertilidade do parceiro. Os machos das espécies que praticam cópula extra-par vigiam de perto acompanheira de modo agarantir a paternidade da prole que criam. Nos restantes 5% de espécies verificam-se vários sistemas de acasalamento, incluindo poliginia, poliandria, poligamia, poliginandria e promiscuidade. O acasalamento polígamo ocorre quando as fêmeas são capazes de criara prole sema ajuda dos machos. Foi também observado comportamento homossexual em machos ou fêmeas de várias espécies de aves, incluindo cópula, formação de pares e nos cuidados com as crias. Territórios, nidificação e incubação Os machos dos Tecelões-de-dorso-dourado constroem ninhos suspensos a partir de erva.
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    186 Fêmea de cauda-de-lequedurante a incubação, que tem a finalidade de normalizar a temperatura de desenvolvimento da cria no ovo. Durante a época de reprodução, muitas aves defendem ativamente um território de outros indivíduos da mesma espécie,assegurando assimfontes de comida para as suas crias. As espécies que não sãoterritoriais, como as aves marinhas ou os andorinhões, geralmente reproduzem-se em colónias que oferecem proteção contra predadores. As aves coloniais defendem apenas o ninho, embora a competição pelos melhores locais para construir o ninho possa ser intensa. As aves geralmente põem os ovos num ninho. A maior parte das espécies constrói ninhos bastante elaborados, que podem ser em forma de chávena, de prato, em montículo ou dentro de uma toca. No entanto, alguns ninhos são extremamente primitivos. O ninho do albatroz, por exemplo, pouco mais é do que algumaterra e ramos secos no chão. A maior parte das aves constrói ninhos em locais abrigados ou escondidos para evitar predadores, embora as aves coloniais ou de grande dimensão, que têm maior capacidade de defesa, possam construir ninhos abertos. Os materiais de construção do ninho variam imenso, incluindo pequenas pedras, lama, ervas, galhos, folhas, algas e fibras de plantas, sendo usados tanto isoladamente como em conjunto. Algumas aves procuram também materiais de origem
  • 187.
    187 animal, como penas,pelo de cavalos ou pele de cobras. Os materiais podem ser entrançados, cosidos ou unidos com lama. Algumas espécies procuram plantas com determinadas toxinas que impedem a propagação de parasitas, de modo a aumentar a sobrevivência das crias, e penas, que oferecem isolamento térmico. Algumas espécies não fazem ninho; por exemplo, o airo põe os ovos na rocha nua e os pinguins- imperador mantêm os ovos entre o corpo e as patas. Todas as aves põem ovos amnióticos de casca dura, constituída principalmente por carbonato de cálcio.[16] O número de ovos postos em cada ninhada varia entre 1 e cerca de 20, dependendo da espécie. Algumas espécies põem invariavelmente o mesmo número de ovos por ninhada, embora a maioria das aves ponha um número variável. O número de ovos tende a ser menor nas espécies de regiões tropicais do que nas de regiões mais frias.[6] As espécies que constroem o ninho enterrado ou em buracos tendem a pôr ovos brancos ou claros, enquanto as espécies de ninho aberto põem ovos camuflados. No entanto, existem muitas exceções a este padrão; por exemplo, os noitibós, que colocam os ovos no chão, têm ovos claros e a camuflagem é oferecida pelas próprias penas. As espécies que são vítimas de parasitas de ninhada têm ovos de várias cores de modo a aumentar a probabilidade de detetar o ovo de um parasita, o que obriga as fêmeas parasitas a fazer corresponder os seus ovos com os dos seus hospedeiros. Antes da nidificação, as fêmeas de muitas espécies desenvolvem uma placa de incubação, perdendo penas no abdómen. A pele desta região é bastante irrigada com vasos sanguíneos, o que ajuda a ave durante a Incubação. A incubação dos ovos tem início após a postura
  • 188.
    188 do último ovoe tem como finalidade normalizar a temperatura de desenvolvimento da cria. Em espécies monogâmicas a tarefa de incubação é geralmente partilhada entre o casal, enquanto que nas espécies polígamas só um dos progenitores é responsável pela incubação. O calor dos progenitores passa para o ovo através das placas de incubação – áreas de pele no abdómen ou peito das aves, ricas em vasos sanguíneos. A incubação pode ser um processo exigente em termos energéticos; por exemplo, um albatroz adulto chega a perder 83 g de peso por dia durante a incubação. No entanto, os megápodes aquecem os ovos com energia do sol, da decomposição orgânica ou aproveitando a energia geotérmica. Os períodos de incubação variam entre os 10 dias (nos pica-paus, cucos e passeriformes) e os 80 dias (em albatrozes e quivís). Cuidados parentais e crias Crias altriciais de papa-moscas-preto.
  • 189.
    189 Fêmea de colibricalíope a alimentar as crias, já plenamente desenvolvidas. No momento da eclosão dos ovos, dependendo da espécie, as crias apresentam vários estádios de desenvolvimento, desde completamente indefesas até perfeitamente independentes. As crias indefesas são denominadas altriciais e tendem a nascer pequenas, cegas, imóveis e ainda sem penas. As crias que nascem já com autonomia, mobilidade e penas são denominadas precociais ou nidífugas. As crias altriciais necessitamde ajuda para regular a temperatura do corpo e são cuidadas durante mais tempo do que as precociais. As crias que não se enquadram nestes extremos podem ser semi-precociais ou semi-altriciais. A natureza e duração dos cuidados parentais variam sinificativamente entre as diferentes ordens e espécies. Num dos extremos, os cuidados parentais nos megápodes terminam no momento da eclosão. As crias saem do ovo e escavam sozinhas o caminho para fora do montículo que serve de ninho, começando imediatamente a alimentar-se por si mesmas. No outro extremo, muitas aves marinhas prestam cuidados parentais ao longo de um grande período de tempo. O mais longo é o da fragata-grande, cujas crias levam seis meses até estarem prontas a voar e são alimentadas pelos progenitores ainda por mais 14 meses. O
  • 190.
    190 período de guardaé o período imediatamente a seguir à eclosão, em que um dos adultos está permanentemente presente no ninho. O propósito principal deste período é ajudar as crias a regular a temperatura e protegê-las dos predadores. Em muitas espécies,sãoambos os progenitores que cuidam das crias. Noutras, os cuidados são da responsabilidade de apenas um dos sexos. Em algumas espécies, outros membros da mesma espécie ajudam a criar a prole, geralmente parentes próximos do casal, como um descendente de uma ninhada anterior.[163] Este comportamento é particularmente comum entre os corvídeos, embora tenha também sido observado em espécies tão diversas como a carriça-da-nova-zelândia ou o milhafre-real. Embora na maioria dos animais sejamraros os cuidados parentais por parte do macho, nas aves são bastante comuns e mais do que em qualquer outra classe de vertebrados. Embora a defesa do território, do ninho, a incubação e a alimentação das crias sejam geralmente tarefas partilhadas entre o casal, por vezes verifica-se uma divisão do trabalho, em que um dos parceiros realiza toda ou grande parte de determinada tarefa. O momento em que as penas e os músculos das crias estão suficientemente desenvolvidos para permitir voar varia de forma muito significativa. As crias das tordas abandonam o ninho na noite imediatamente a seguir à eclosão dos ovos, seguindo os progenitores em direção ao mar, onde são criados fora do alcance de predadores terrestres. Mas na maior parte das espécies as crias abandonam o ninho imediatamente antes ou pouco depois de serem capazes de voar. O período de cuidados parentais após as crias conseguirem voar varia. Por exemplo, enquanto as crias de albatroz abandonam o ninho por elas próprias e não recebem mais ajuda, outras espécies
  • 191.
    191 continuam a alimentaras crias. As crias de algumas espécies migratórias seguemos pais ao longo da sua primeira migração. Parasitismo de ninhada Ninho de um piuí ocupado por um ovo de chopim-mulato, um parasita de ninhada. O parasitismo de ninhada, ou nidoparasitismo, descreve o comportamento de algumas espécies que põem os ovos nas ninhadas de outras espécies. Este comportamento é mais comum entre aves em comparação com outros animais. Após a ave parasitater posto os ovos no ninho de outra ave, esses ovos são muitas vezes aceites e cuidados pelo hospedeiro e com prejuízo para a sua própria ninhada. Os nidoparasitas dividem- se entre os que o fazem por necessidade, uma vez que são incapazes de criar as suas próprias crias, e os ocasionais, que apesar de serem capazes de criar a prole põem ovos em ninhos de espécies coespecíficas para aumentar a sua capacidade reprodutora. Entre os parasitas ocasionais estão mais de cem espécies de aves, incluindo espécies das famílias Indicatoridae, Icteridae e o pato-de-cabeça-preta, embora o exemplo mais conhecido sejam os cucos. Algumas crias de nidoparasitas eclodem antes das crias dos hospedeiros, o que lhes permite destruir os ovos, empurrando-os para fora
  • 192.
    192 do ninho oumatando as crias. Isto assegura que toda a comida levada para o ninho servirá para alimentar as crias dos nidoparasitas. Ecologia Algumas aves nectarívoras,como o colibri, são polinizadoras de determinadas plantas. As aves ocupam uma ampla variedade de posições ecológicas. Enquanto algumas aves são generalistas, outras são especializadas emrelação ao habitat ou à alimentação. Mesmo num único habitat, como por exemplo numa floresta, os nichos ecológicos ocupados pelas diferentes espécies variam. Enquanto algumas espécies vivem no dossel florestal, outras vivem nos estratos intermédios e outras ainda junto ao solo. Cada um destes grupos pode conter aves insetívoras,frugívoras e nectarívoras. As aves aquáticas geralmente alimentam-se da pesca, de plantas ou por cleptoparasitismo. As aves de rapina especializam-senacaçade pequenos mamíferos ou outras aves, enquanto os abutres são necrófagos especializados. Alguns nectarívoros são polinizadores importantes e muitos frugívoros são essenciais para a dispersão de sementes. As plantas e as aves polinizadoras muitas vezes coevoluem, e, em alguns casos, o
  • 193.
    193 principal polinizador dedeterminada flor é a única espécie de ave capaz de alcançar o seu néctar. As aves são particularmente importantes para a ecologia das ilhas. Tendo sido capazes de migrar para ilhas às quais os mamíferos não conseguiram chegar, as aves podem desempenhar papéis ecológicos que nos continentes são geralmente realizados por animais de maior porte. Por exemplo, as extintas moas tiveram de tal forma impacto no ecossistema da Nova Zelândia, assimcomo têm o kereru ou o kokako na atualidade, pelo que ainda hoje as plantas da ilha mantêm as adaptações defensivas que as protegiam das moas. Durante a nidação, as aves marinhas também afetam significativamente a ecologia das ilhas e do mar envolvente, principalmente devido à concentração de grandes quantidades de guano que enriquece o solo da região. Relação com o ser humano Algumas aves têm bastante visibilidade e são animais comuns com os quais o ser humano tem uma estreita relação desde o início da Humanidade.[179] Em alguns casos, estas relações são mutualistas, como na recolha de mel conjunta entre os Indicatoridae e alguns povos africanos, como os Boranas. Noutros casos, as relações podem ser comensais, como o benefício que o pardal-doméstico tira das atividades humanas. No entanto, as aves podem também ser vetores que propagam ao longo de grandes distâncias doenças como a ornitose, salmonelose, campilobacteriose, micobacterios e (tuberculose aviária), gripe das aves, giardiose ou criptosporidíase. Algumas destas são doenças zoonóticas que podem também ser transmitidas para os seres humanos. Importância económica
  • 194.
    194 As aves decriação, como a galinha, são a principal fonte de proteínas animais consumida pelo ser humano. Muitas espécies de aves, como o pardal-doméstico, são criadas como animais de estimação. As aves de criação são a principal fonte de proteínas animais consumida pelo ser humano. Em 2003, foram consumidos 76 milhões de toneladas de aves de criação e produzidas 61 milhões de toneladas de ovos em todo o mundo. Os frangos representam a maior parte do consumo de aves, embora o peru, o pato e os gansos domesticados sejam também comuns. Muitas espécies de aves são tambémcaçadas para comida. A caça de aves é essencialmente uma atividade recreativa, exceto em regiões bastante subdesenvolvidas. As aves de caça mais comuns são os patos selvagens, faisões, perus selvagens, perdizes, pombos, tetrazes, maçaricos e galinholas. Embora alguma caça possa ser sustentável, a caça no geral tem provocado a extinção ou colocado em risco dezenas de espécies. Entre os outros produtos avícolas com valor comercial estão as penas, especialmente as dos gansos e patos, que são usadas como isolamento em casacos e na roupa de cama, e o guano (fezes de aves marinhas), que é uma fonte valiosa
  • 195.
    195 de fósforo enitrogénio. A Guerra do Pacífico foi travada devido em parte ao controlo dos depósitos de guano. As espécies que se alimentam de pragas são muitas vezes usadas em programas de controlo biológico. Por outro lado, algumas espécies tornaram-se elas próprias pragas agrícolas de elevado custo económico, enquanto outras constituem riscos para a aviação. As aves são domesticadas pelo ser humano, não só como animais de estimação mas também para efeitos utilitários. Muitas aves com cores exóticas, como os papagaios ou as araras, são criadas em cativeiro ou vendidas como animais de companhia. No entanto, isto também tem feito crescer o tráfico ilegal de várias espécies ameaçadas. A falcoaria e a pesca com a assistência de corvos marinhos são tradições milenares. Os pombos-correio, usados pelo menos desde o século I, foram essenciais nas comunicações até à II Guerra Mundial, No entanto, hoje em dia estas atividades são mais comuns como passatempo ou atração turística. Existemmilhões de entusiastas amadores que apreciam a observação de aves, ou birdwatching, uma vertente significativa do ecoturismo. Muitos proprietários constroem alimentadores de pássaros perto de casa para atrair várias espécies. Religião, folclore e cultura
  • 196.
    196 As percepções culturaissobre as espécies de aves diferem de cultura para cultura. Enquanto em África as corujas são associadas a má sorte e bruxaria, na Europa são associadas ao conhecimento. As aves têm um papel de relevo no folclore, na religião e na cultura popular e vários dos seus atributos, reais ou imaginários, são usados de forma simbólica na arte e na literatura. Desde as gravuras rupestres da época pré- histórica que são um motivo frequente de representação artística e, o longo dos séculos, foram usadas como motivo nas mais diversas formas de arte sacra ou simbólica, como por exemplo o Trono do Pavão dos imperadores mogois e persas. As Fábulas de Esopo contêm várias personificações de aves. Os fisiólogos e os bestiários medievais contêm lições de moral que usam as aves como símbolos para transmitir ideias. O tema central do Conto do Velho Marinheiro, de S. T. Coleridge, é a relação entre um albatroz e um marinheiro. Algumas metáforas na linguagem têm origem no comportamento das aves, como a associação de investidores ou fundos predatórios aos abutres necrófagos. As aves são também um tema importante na poesia. Homero escreveu sobre os rouxinóis na Odisseia, enquanto Cátulo usou um pardal como símbolo erótico nos seus poemas. Na religião, as aves são muitas vezes associadas a mensageiros, sacerdotes ou líderes de determinada divindade. No Cristianismo, as aves simbolizam a transcendência da alma e, na iconografia medieval, uma ave envolta em folhas simbolizava a alma envolvida pelo materialismo do mundo secular. Na mitologia nórdica, Hugin e Munin são
  • 197.
    197 dois corvos quederam a volta ao mundo para trazer notícias ao deus Odin. Em várias civilizações da Antiguidade italiana, principalmente na mitologiaetrusca e na religiãoromana, os sacerdotes praticavam auguria, interpretando as palavras das aves, enquanto o auspex as usava para fazer previsões sobre o futuro. As aves podem também servir como símbolos religiosos, como no caso de Jonas (hebraico: ‫ֹוי‬‫נ‬ָ‫,ה‬ pomba), que simbolizava o medo, passividade, pesar e beleza tradicionalmente associados às pombas.[199] As próprias aves são muitas vezes deificadas, como no caso do pavão-comum, que os Dravidianos vêm como a Terra-Mãe.[200] Algumas aves são também vistas como monstros, incluindo o mitológico Roc e o lendário Poukai, uma ave gigante que para os Maoris é capaz de raptar seres humanos. Os maias e os Astecas veneravam o quetzal-resplandecente, que hoje em dia dá nome àmoeda da Guatemala e é um motivo popular na arte, tecidos e joalharia. As águias são símbolo de poder e prestígio em muitas partes do mundo, incluindo na Europa, onde são frequentemente motivos heráldicos. Os povos nativos norte-americanos usavam frequentemente penas de águia em rituais religiosos, como ornamento pessoal e eram oferecidas aos convidados como símbolo de paz e amizade.[6] No culto doMakemake os tangata manu (homens- pássaro) da ilha de Páscoa eram nomeados líderes.[202] Os povos indígenas dos Andes contam lendas de pássaros que atravessam mundos metafísicos. Em imagens religiosas dos impérios Inca e Tiwanaku, as aves são representadas a transgredir a fronteira entre o reino terrestre e o reino espiritual subterrâneo. As percepções culturais sobre diversas espécies de aves são muitas vezes diferentes de cultura para cultura. Por exemplo,
  • 198.
    198 enquanto em Áfricae na mitologia norte-americana as corujas são associadas a má sorte, bruxaria e morte,[205] na Europa são vistas como sábias.[206] As poupas, consideradas sagradas no Antigo Egito e símbolo de virtude na Pérsia, são no entanto vistas como ladras em grande parte da Europa e como presságio de guerra na Escandinávia. Conservação O condor-da-califórnia,outrora restritoa apenas 22indivíduos, conta hojecom330 graças a medidas de conservação. Embora a presença humana tenha facilitado a expansão de algumas espécies, como a andorinha-das-chaminés ou o estorninho-comum, foi também a causa da extinção ou diminuição da população de muitas outras espécies. Embora em tempos históricos tenham sido extintas mais de cem espécies de aves,[208] a mais dramática das extinções de aves causadas pelo ser humano, que erradicou entre 750 e 1 800
  • 199.
    199 espécies, ocorreu durantea colonização humana das ilhas da Melanésia, Polinésia e Micronésia. Muitas populações de aves em todo o mundo encontram-se em declínio, com 1 375 espécies listadas como ameaçadas pela BirdLife International e pela União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais em 2015. A ameaça humana às aves mais comum é a destruição dos habitats. Entre as outras ameaças estão a caça em excesso, mortalidade acidental devido a colisões aéreas ou captura acessória na pesca, poluição (incluindo marés negras e uso de pesticidas), e competição e predação de espécies invasoras.[215] Os governos e os conservacionistas trabalham em conjunto para proteger as aves, criando legislação que promova a conservação ou o restauro dos habitats ou criando populações de cativeiro para futura reintrodução nos habitats. Um estudo estimou que o esforço de conservação salvou da extinção 16 espécies deaves entre 1994 e2004, como o condor-da-califórnia ou o periquito-de-Norfolk. Evolução e classificação O Archaeopteryx lithographica é geralmente considerada a mais antiga ave verdadeira conhecida.
  • 200.
    200 A primeira classificaçãotaxonómica das aves foi publicada por Francis Willughby e John Ray em 1676 no volume Ornithologiae. Em 1758, Carolus Linnaeus modificou essa classificação para o sistema de classificação taxonómica em uso na atualidade. No Sistema de Linné, as aves estão categorizadas na classe homónima das Aves. A classificação filogenética coloca as aves no clado dos dinossauros terópodes.[219] As Aves, bem como o grupo relacionado do clado Crocodilia, são os únicos representantes vivos do clado réptil dos Archosauria. Em termos filogenéticos, as Aves são geralmente definidas como todos os descendentes do ancestral comum mais recente das aves modernas e do Archaeopteryx lithographica. Segundo esta definição, a ave mais antiga que se conhece é o Archaeopteryx, que viveu na idade do Kimmeridgiano do Jurássico Superior, há 155-150 milhões de anos. No entanto, outros paleontólogos, entre os quais Jacques Gauthier e os aderentes do sistema PhyloCode, definiram Aves de modo a incluir apenas os grupos de aves modernas, excluíndo a maior parte dos grupos conhecidos apenas a partir de fósseis, os quais atribuíramao grupo Avialae. Segundo esta definição, o Archaeopteryx é um membro dos Avialae,e não das Aves. As propostas de Gauthier têm sido adotadas por muitos investigadores no campo da paleontologia e evolução das aves, embora as definições aplicadas não tenham sido consistentes. O clado Avialae, inicialmente proposto para substituir o conteúdo fóssil do grupo das Aves, é muitas vezes usado por estes investigadores como sinónimo do termo vernacular "ave". Dinossauros e a origem das aves
  • 201.
    201 Com base emevidências fósseis e biológicas, a maior parte dos cientistas aceita que as aves são um subgrupo especializado dos dinossauros terópodes e, mais especificamente, que são membros dos Maniraptora, um grupo de terópodes que inclui os dromeossaurídeos e os oviraptorídeos, entre outros. À medida que os cientistas foram descobrindo mais terópodes estreitamente relacionados com as aves, a distinção anteriormente clara entre aves e não aves foi se esbatendo. As descobertas recentes na província chinesa de Liaoning de vários dinossauros emplumados terópodes de pequena dimensão vieram contribuir para esta ambiguidade. O consenso na paleontologia contemporânea é de que os terópodes voadores, ou Avialae, sãoos parentes mais próximos dos deinonicossauros, grupo que inclui os dromeossaurídeos e os troodontídeos. Em conjunto, estes formam um grupo designado Paraves.Alguns membros basaisdeste grupo, como o Microraptor, apresentam características que lhes podem ter permitido planar ou voar. A maior parte dos deinocossauros basais eram muito pequenos. Estas evidências aumentam a possibilidade de que o ancestral de todos os paraves possa ter sido arborícola, ter sido capaz de planar, ou ambos. Ao contrário do Archaeopteryx edos dinossauros emplumados não avianos, que comiam principalmente carne, os estudos mais recentes sugerem que os primeiros avianos eram omnívoros. O Archaeopteryx, que viveu no Jurássico Superior, foi um dos primeiros fósseis de transição descobertos, tendo sido uma das bases para a teoria da evolução em finais do século XIX. O Archaeopteryx foi o primeiro fóssil a exibir não só características claramente de réptil, como os dentes, garras e uma cauda comprida semelhante a um lagarto, mas também asas com penas adaptadas ao voo semelhantes às das aves
  • 202.
    202 modernas. No entanto,não é considerado um ancestral direto das aves, embora esteja possivelmente relacionado com o verdadeiro ancestral. Evolução inicial Os mais antigos fósseis avianos conhecidos são provenientes da Formação de Tiaojishan, na China, e estão datados do estágio Oxfordiano do período Jurássico Superior, há cerca de 160 milhões de anos. As espécies avianas deste período incluem o Anchiornis huxleyi, Xiaotingia zhengi e o Aurornis xui. O aviano mais conhecido, Archaeopteryx, data de rochas jurássicas alemãs ligeiramente posteriores, de há cerca de 155 milhões de anos. Muitos destes primeiros avianos partilhavam entre si características anatómicas invulgares que podem ter sido ancestrais das aves modernas, mas que foram mais tarde perdidas durante a evolução das aves. Estas características incluem uma garra maior no segundo dedo e asas posteriores que cobriam os membros e pés posteriores e que podem ter sido usadas para manobras no ar. Durante o Cretácico, os avianos diversificaram-se numa ampla variedade de formas. Muitos grupos mantiveram as características primitivas, como as asas com garras e os dentes. Estes últimos acabaram por se perder em vários grupos avianos, incluindo as aves modernas, embora de forma independente entre si.Enquanto os avianos mais antigos, como o Archaeopteryx e o Shenzhouraptor sinensis, mantiveram as caudas ósseas dos seus ancestrais,[235] as caudas de avianos mais avançados foram sendo encurtadas após o aparecimento dos ossos pigóstilos no grupo Pygostylia. No Cretácico superior, há cerca de 95 milhões de anos, o ancestral de todas as aves modernas desenvolveu também o sentido do olfato. Diversificação inicial dos ancestrais das aves
  • 203.
    203 A primeira grandee diversificada linhagemde avianos de cauda curta a evoluir foram os enantiornithes, ou "opostos às aves", assimdesignados porque a construção dos ossos dos ombros se apresenta invertida em relação às aves modernas. Os enantiornithes ocupavam um vasto conjunto de nichos ecológicos, desde os que vasculhavam as areias nas zonas costeiras, passando pelos que se alimentavam de peixe, até aos que viviam nas árvores e se alimentavam de sementes. Embora tenham sido o grupo dominante dentro dos avianos durante o período Cretácico, os enantiornithes extinguiram-se no fim do Mesozoico, a par de muitos outros grupos de dinossauros. A segunda grande linhagem aviana a desenvolver-se foram os Euornithes, ou "aves verdadeiras", assim designados porque incluem os ancestrais das aves modernas. Muitas das espécies deste grupo eram semi-aquáticas eespecializadas nacapturade peixe e outros organismos marinhos. Ao contrário dos enantiornithes, que dominavam os habitats terrestres e arbustivos, à maior parte dos primeiros euornithes faltavam adaptações que lhes permitissem empoleirar, pelo que neste grupo se observam sobretudo espécies adaptadas às regiões costeiras ou capazes de nadar e mergulhar. Entre as que possuíam esta última característica estão os hesperornithiformes, que se tornaram de tal forma especializados na pesca de peixe em ambientes marinhos que perderam a capacidade de voar e se tornaram aquáticos. Os primeiros euornithes também assistiram ao desenvolvimento de várias características associadas às aves modernas, como osso esterno com quilha, ausência de dentes e partes da mandíbula em forma de bico. No entanto, a maior parte dos euornithes manteve dentes noutras partes da mandíbula. O grupo dos euornithes também inclui os primeiros avianos a
  • 204.
    204 desenvolver um verdadeiropigóstilo e um conjunto completo de penas de cauda, o qual pode ter substituído as asas posteriores como principal meio de manobrabilidade e desaceleração em voo. Diversificação das aves modernas Todas as aves modernas pertencem ao grupo coroa das Aves (ou, em alternativa, Neornithes), o qual tem duas subdivisões: os Paleognathae, em que se incluem os ratitas não voadores (como a avestruz), os tinamiformes e o extremamente diversificado grupo dos Neognathae, que contém todas as outras aves. A estas duas subdivisões dá-se muitas vezes a categoria taxonómica de superordem. Dependendo do ponto de vista taxonómico, o número de espécies de aves vivas conhecidas varia entre 9 800[241] e 10 050. Devido em grande parte à descoberta do Vegavis, um membro neognato da linhagem dos patos, sabe-se que o grupo Aves se dividiu em várias linhagens modernas por volta do fim da era do Mesozoico. Alguns estudos estimaram que a origem efetiva das aves modernas terá provavelmente ocorrido mais cedo do que os fósseis conhecidos mais antigos, provavelmente a meio do período Cretácico. Há um consenso de que as Aves se desenvolveram durante o Cretácico e que a divisão dos Galloanseri dos outros neognatos ocorreu antes da extinção do Cretáceo-Paleogeno, embora haja diferentes opiniões sobre se a radiação evolutiva dos restantes neognatos ocorreu antes ou depois da extinção dos restantes dinossauros. Esta discordância deve-se em parte a uma divergência nas evidências.Os dados moleculares sugerem uma radiação durante o Cretácico, enquanto as evidências fósseis sugerem uma radiação durante o Cenozoico. As tentativas para reconciliar as evidências moleculares e fósseis
  • 205.
    205 têm-se revelado controversas,embora resultados recentes mostrem que todos os grupos existentes de aves tenham tido origem num pequeno grupo de espécies que sobreviveu à extinção do Cretáceo-Paleogeno. Classificação das ordens das aves A classificação das aves é um tema controverso. A publicação Phylogeny and Classification of Birds (1990), da autoria de Charles Sibleye Jon Ahlquist, é uma das principais obras de referência na classificação das aves, embora seja frequentementemente discutida e continuamente revista. A maior parte das evidências sugere que a distribuição das ordens é correta, embora os cientistas discordem entre si quanto às relações entre as ordens. Apesar de a discussão contar com evidências da anatomia das aves modernas, ADN e registos fósseis, ainda não há um consenso determinante. Recentemente, a descoberta de novos fósseis e a obtenção de evidências moleculares está a contribuir para uma panorâmica cada vez mais clara da evolução das ordens de aves modernas. A investigação mais recente tem-se focado na sequenciação de genomas completos de 48 espécies representativas. Peixe Os peixes são animais vertebrados, aquáticos, tipicamente ectotérmicos, que possuem o corpo fusiforme, os membros transformados em barbatanas ou nadadeiras (ausentes em alguns grupos) sustentadas por raios ósseosou cartilaginosos,guelras ou brânquias com que respiram o oxigénio dissolvido na água (embora os dipnóicos usem pulmões) e, na sua maior parte, o corpo coberto de escamas.
  • 206.
    206 Os peixes sãorecursos importantes, principalmente como alimento, mas também são capturados por pescadores recreativos, mantidos como animais de estimação, criados por aquaristas, e expostos em aquários públicos. Os peixes tiveram um papel importante na cultura através dos tempos, servindo como divindades, símbolos religiosos (ver ichthys), e como temas de arte, livros e filmes. Uma vez que o "peixe" é definido negativamente, e exclui os tetrápodes (ou seja, os anfíbios, répteis, aves e mamíferos) que são descendentes da mesma origem, é um agrupamento parafilético, não considerado adequado na biologia sistemática. A classe Pisces, de Lineu é considerada tipológica, mas não filogenética. Os primeiros organismos que podem ser classificados como peixes eram cordados de corpo mole que apareceram pela primeira vez durante o período Cambriano. Embora eles não tivessem uma verdadeira espinha dorsal, possuíam notocórdio, que lhes permitiu serem mais ágeis do que os invertebrados marinhos. Os peixes continuaram a evoluir durante o Paleozoico,diversificando-seemuma grande variedade de formas. Classificação
  • 207.
    207 Técnica dediafanização -espécimeesclarecidopara a visualização deestruturas anatômicas em exposição no MAV/USP. No uso comum, o termo peixe tem sido frequentemente utilizado para descrever um vertebrado aquático com brânquias, membros, se presentes, na forma de nadadeiras, e normalmente com escamas de origem dérmica no tegumento. Sendo este conceito do termo "peixe" utilizado por conveniência, e não por unidade taxonômica, porque os peixes não compõem um grupo monofilético, já que eles não possuem um ancestral comum exclusivo. Para que se tornasse um grupo monofilético, os peixes deveriam juntar os Tetrápodes. Os peixes são tradicionalmente divididos nos seguintes grupos: Peixes ósseos (Osteichthyes, com mais de 22 000 espécies) à qual pertencem as sardinhas, as garoupas, o bacalhau, o atum e, em geral, todos os peixes que possuem esqueleto ósseo; Peixescartilaginosos (Chondrichthyes, mais de 1000 espécies) à qual pertencem os tubarões e as raias; Vários grupos de peixes semmaxilas (antigamente classificados como Agnatha ou Cyclostomata, com cerca de 80 espécies), incluindo as lampréias e as mixinas.[4]
  • 208.
    208 Em vista destadiversidade, os zoólogos não mais aceitam a antiga classe Pisces em que Lineu os agrupou, como se pode ver na classificação dos Vertebrados. Abaixo apresentam-se detalhes da classificação atualmente aceita. Importância dos peixes Peixes de água salgada. Por vezes, usa-se a palavra peixe para designar vários animais aquáticos (por exemplo na palavra peixe-mulher para designar o dugongo). Mas a maior parte dos organismos aquáticos muitas vezes designados por "peixe", incluindo as medusas (águas-vivas), os moluscos e crustáceos e mesmo mamíferos muito parecidos com os peixes como os golfinhos, não são peixes.[7] Os peixes encontram-se em praticamente todos os ecossistemas aquáticos, tanto em água doce como em água salgada, desde a água da praia até às grandes profundezas dos oceanos (ver biologia marinha). Mas há alguns lagos hiper-salinos, como o Grande Lago Salgado, nos Estados Unidos da América do Norte onde não vivem peixes.
  • 209.
    209 Os peixes têmuma grande importância para a humanidade e desde tempos imemoriais foram pescados para a sua alimentação. Muitas espécies de peixes são criadas em condições artificiais (ver aquacultura), não só para alimentação humana, mas também para outros fins, como os aquários. Há algumas espécies perigosas para o homem, como os peixes-escorpião que têm espinhos venenosos e algumas espécies de tubarão, que podem atacar pessoas nas praias. Muitas espécies de peixes encontram-se ameaçadas de extinção, quer por pesca excessiva, quer por deterioração dos seus habitats. O ramo da zoologia que estuda os peixes do ponto de vista da sua posição sistemática é a ictiologia. No entanto, os peixes são igualmente estudados no âmbito da ecologia, da biologia pesqueira, da fisiologia e doutros ramos da biologia. Ecologia dos peixes Classificação ecológica Arenque, Clupea harengus Esta espécie já foi considerada pelo Guinness Book of Records como a mais numerosa entre os peixes; com a pesca excessiva, este peixe do norte do Oceano Atlântico já não tem os níveis populacionais de outrora. Uma forma de classificar os peixes é segundo o seu comportamento relativamente à região das águas onde
  • 210.
    210 vivem; este comportamentodetermina o papel de cada grupo no ambiente aquático: pelágicos (do latim pelagos, que significa o "mar aberto") – os peixes que vivem geralmente em cardumes, nadando livremente na coluna de água; fazem parte deste grupo as sardinhas, as anchovas, os atuns e muitos tubarões. demersais – os que vivem a maior parte do tempo em associação com o substrato, quer em fundos arenosos como os linguados, ou em fundos rochosos, como as garoupas. Muitas espécies demersais têm hábitos territoriais e defendem o seu território activamente – um exemplo são as moreias, que se comportam como verdadeiras serpentes aquáticas, atacando qualquer animalque seaproxime do seu esconderijo. batipelágicos – os peixes que nadam livremente em águas de grandes profundidades (zona batial). mesopelágicos – espécies que fazem grandes migrações verticais diárias, aproximando-se da superfície à noite e vivendo em águas profundas durante o dia. Exemplo deste grupo são os peixes-lanterna. Hábitos alimentares Órgãos: 1. Fígado, 2. Bexiga de gás, 3. Ovas, 4. Cecos pilóricos, 5. Estômago, 6. intestino.
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    211 Os peixes pelágicosde pequenas dimensões como as sardinhas são geralmente planctonófagos, ou seja, alimentam-se quase passivamente do plâncton disperso na água,[13] que filtram à medida que "respiram", com a ajuda de branquispinhas, que são excrescências ósseas dos arcos branquiais (a estrutura que segura as brânquias ou guelras). Algumas espécies de maiores dimensões têm também este hábito alimentar, incluindo algumas baleias (que não são peixes, mas mamíferos) e alguns tubarões como os zorros (género Alopias). Mas a maioria dos grandes peixes pelágicos são predadores ativos, ou seja, procuram e capturam as suas presas,que sãotambém organismos pelágicos,nãosó peixes, mas também cefalópodes (principalmente lulas), crustáceos ou outros. Os peixes demersais podem ser predadores, mas também podem ser herbívoros, que se alimentam de plantas aquáticas, detritívoros, ou seja, que se alimentam dos restos de animais e plantas que se encontram no substrato, ou serem comensais de outros organismos, como a rémora que se fixa a um atum ou tubarão através dum disco adesivo no topo da cabeça e se alimenta dos restos de comida que caem da boca do seu hospedeiro (normalmente um grande predador), ou mesmo parasitas de outros organismos. Alguns peixes abissais e também alguns neríticos, como os diabos (família Lophiidae) apresentam excrescências, geralmente na cabeça, que servem para atrair as suas presas; essas espécies costumam ter uma boca de grandes dimensões, que lhes permitem comer animais maiores que eles próprios. Numa destas espécies, o macho é parasita da fêmea, fixando- se pela boca a um tentáculo da sua cabeça.
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    212 Hábitos de reprodução Amaioria dos peixes é dióica, ovípara, fertiliza os óvulos externamente e não desenvolve cuidados parentais. Nas espécies que vivem em cardumes, as fêmeas desovam nas próprias águas onde os cardumes vivem e, ao mesmo tempo, os machos libertam o esperma na água, promovendo a fertilização. Em alguns peixes pelágicos, os ovos flutuam livremente na água – e podem ser comidos por outros organismos, quer planctónicos, quer nectónicos; por essa razão, nessas espécies é normal cada fêmea libertar um enorme número de óvulos.[17] Noutras espécies, os ovos afundam e o seu desenvolvimento realiza-se junto ao fundo – nestes casos, os óvulos podem não ser tão numerosos, uma vez que são menos vulneráveis aos predadores. No entanto, existem excepções a todas estas características e neste artigo referem-se apenas algumas. Abaixo, na secção Migrações encontram-se os casos de espécies que se reproduzem na água doce, mas crescem na água salgada e vice-versa. Em termos de separação dos sexos, existem também (ex.: família Sparidae, os pargos) casos de hermafroditismo e casos de mudança de sexo - peixes que são fêmeas durante as primeiras fases de maturação sexual e depois se transformam em machos (protoginia) e o inverso (protandria). Os cuidados parentais, quando existem, apresentam casos curiosos. Nos cavalos-marinhos (género Hypocampus), por exemplo, o macho recolhe os ovos fecundados e incuba- os numa bolsa marsupial. Muitos ciclídeos (de que faz parte a tilápia) e algumas espécies de aquário endémicas do Lago Niassa (também conhecido por Lago Malawi, na fronteira entre Moçambique e o Malawi) guardam os filhotes na boca,
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    213 quer do macho,quer da fêmea, ou alternadamente, para os protegerem dos predadores.[17] Refere-se acima que a maioria dos peixes é ovípara, mas existem também espécies vivíparas e ovovivíparas, ou seja, em que o embrião se desenvolve dentro do útero materno. Nestes casos, pode haver fertilização interna - embora os machos não tenham um verdadeiro pênis, mas possuem uma estrutura para introduzir o esperma dentro da fêmea. Muitos destes casos encontram-se nos peixes cartilagíneos (tubarões e raias), mas também em muitos peixes de água doce e mesmo de aquário. Hábitos de repouso Os peixes não dormem. Eles apenas alternam estados de vigília e repouso. O período de repouso consistenum aparente estado de imobilidade, em que os peixes mantêm o equilíbrio por meio de movimentos bem lentos. Como não têm pálpebras, seus olhos ficam sempre abertos. Algumas espécies se deitam no fundo do mar ou no rio, enquanto os menores seescondem emburacos para não serem comidos enquanto descansam. Migrações Muitas espécies de peixes (principalmente os pelágicos) realizam migrações regularmente, desde migrações diárias (normalmente verticais, entre a superfície e águas mais profundas), até anuais, percorrendo distâncias que podem variar de apenas alguns metros até várias centenas de quilómetros e mesmo plurianuais, como as migrações das enguias.
  • 214.
    214 Tubarão-serra Na maior partedas vezes, estas migrações estão relacionadas ou com a reprodução ou com a alimentação (procura de locais com mais alimento). Algumas espécies de atuns migram anualmente entre o norte e o sul do oceano, seguindo massas de água com a temperatura ideal para eles. Os peixes migratórios classificam-se da seguinte forma:* diádromos – peixes que migram entre os rios e o mar; anádromos – peixes que vivem geralmente no mar, mas se reproduzem em água doce; catádromos – peixes que vivem nos rios, mas se reproduzem no mar; anfídromos – peixes que mudam o seu habitat de água doce para salgada durante a vida, mas não para se reproduzirem (normalmente por relações fisiológicas, ligadas à sua ontogenia); potamódromos – peixes que realizam as suas migrações sempre emáguadoce, dentro dum rio ou dum rio para um lago; e oceanódromos – peixes que realizam as suas migrações sempre em águas marinhas, como os atuns. Os peixes anádromos mais estudados são os salmões (ordem Salmoniformes), que desovam nas partes altas dos rios, se desenvolvem no curso do rio e, a certa altura migram para o
  • 215.
    215 oceano onde sedesenvolvem e depois voltam ao mesmo rio onde nasceram para se reproduzirem. Muitas espécies de salmões têm um grande valor económico e cultural, de forma que muitos rios onde estes peixes se desenvolvem têm barragens com passagens parapeixes (chamadas eminglês "fish ladders" ou "escadas para peixes"), que lhes permitem passar para montante da barragem. O exemplo mais bem estudado de catadromia é o caso da enguia europeia que migra cerca de 6000 km até ao Mar dos Sargaços (na parte central e ocidental do Oceano Atlântico) para desovar, sofrendo grandes metamorfoses durante a viagem; as larvas, por seu lado, migram no sentido inverso, para se desenvolverem nos rios da Europa. Camuflagem e outras formas de proteção Alguns peixes secamuflam para fugirem de certos predadores, outros para melhor apanharem as suas presas. Algumas espécies de arraia, por outro lado, se escondem na areia e podem mudar o tom da pele,para suas presas não notarem sua presença no ambiente. Anatomia dos peixes Anatomia interna
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    216 A - Nadadeiradorsal; B -Raios da nadadeira; C -Linha Lateral; D - Rim; E-Bexiga; F -Aparelho de Weber; G - Ouvido interno; H -Cérebro;I -Narinas; L - Olhos; M - Guelra N - Coração; O - Estômago; P -Vesícula Biliar; Q -Baço; R -Órgãos sexuais internos;S -Nadadeira ventral; T - Coluna; U - Nadadeira anal; V - Nadadeira caudal. Esqueleto Coração Aparelho digestivo Bexiga natatória A bexiga natatória é um órgão que auxilia o peixe a manter- se a determinada profundidade através do controle da sua densidade relativamente à da água. É um saco de paredes flexíveis, derivado do intestino que pode expandir-se ou contrair de acordo com a pressão; tem muito poucos vasos sanguíneos, mas as paredes estão forradas com cristais de guanina, que a fazem impermeáveis aos gases. A bexiga natatória possui uma glândula que permite a introdução de gases, principalmente oxigênio, na bexiga, para aumentar o seu volume. Noutra região da bexiga, esta encontra-se em contacto com o sangue através doutra estrutura conhecida por "janela oval", através da qual o oxigénio pode voltar para a corrente sanguínea,baixando assim a pressão dentro da bexiga natatória e diminuindo o seu tamanho. Nem todos os peixes possuem este órgão: os tubarões controlam a sua posição na água apenas com a locomoção e com o controle de densidade de seus corpos, através da quantidade de óleo emseu fígado; outros peixes têm reservas de tecido adiposo para essa finalidade. A presença de bexiga natatória traz uma desvantagem para o seu portador: ela proíbe a subida rápida do animal dentro da coluna de água, sob o risco daquele órgão rebentar.
  • 217.
    217 A denominação bexiganatatória foi substituída por vesícula gasosa. Anatomia externa Para além de mostrar diferentes adaptações evolutivas dos peixes ao meio aquático, as características externas destes animais (e algumas internas, tais como o número de vértebras) são muito importantes para a sua classificação sistemática. Forma do corpo A forma do corpo dos peixes "típicos" – basicamente fusiforme – é uma das suas melhores adaptações à locomoção dentro de água. A maioria dos peixes pelágicos (ver acima), principalmente os que formam cardumes activos, como os atuns, apresentam esta forma "típica". No entanto, há bastantes variações a esta forma típica, principalmente entre os demersais e nos peixes abissais (que vivem nas regiões mais profundas dos oceanos). Nestes últimos, o corpo pode ser globoso e apresentar excrescências que servem para atrair as suas presas. A variação mais dramática do corpo dos peixes encontra-se nos Pleuronectiformes, ordem a que pertencem os linguadose as solhas. Nestes animais, adaptados a viverem escondidos em fundos de areia, o corpo sofre metamorfoses durante o seu desenvolvimento larvar, de forma que os dois olhos ficam do mesmo lado do corpo – direito ou esquerdo, de acordo com a família. Muitos outros peixes demersais têm o corpo achatado dorsiventralmente para melhor seconfundirem com o fundo. Alguns, como os góbios, que são peixes muito pequenos que vivem em estuários, têm inclusivamente
  • 218.
    218 as nadadeiras ventraistransformadas num botão adesivo, para evitarem ser arrastados pelas correntes de maré. Os Anguilliformes (enguias, congros e moreias) têm o corpo "anguiliforme", ou seja em forma de serpente, assim como algumas outras ordens de peixes. Nadadeiras As diversas estruturas da nadadeira As barbatanas ou nadadeiras são órgãos de locomoção dos peixes. São extensões da derme (a camada profunda da pele) suportadas por lepidotríquias, que são escamas modificadas e funcionam como os raios das rodas de bicicleta. Por essa razão, chamam-se raios os que são flexíveis, muitas vezes segmentados e |ramificados, ou espinhos, quando são rígidos e podem ser ocos e possuir um canal para a emissão de veneno. Os números de espinhos e raios nas nadadeiras dos peixes são importantes caracteres para a sua classificação, havendo mesmo chaves dicotómicas para a sua identificação em que este é um dos principais factores.
  • 219.
    219 Tipicamente, os peixesapresentam os seguintes tipos de nadadeiras: uma nadadeira dorsal uma nadadeira anal; uma nadadeira caudal; um par de nadadeiras ventrais (ou nadadeiras pélvicas); um par de nadadeiras peitorais. Apenas as nadadeiras pares têm relação evolutiva com os membros dos restantes vertebrados. Algumas ou todas estas nadadeiras podem faltar ou estar unidas - já foi referida atransformação das nadadeiras peitorais dos góbios num disco adesivo – mas as uniões mais comuns são entre as nadadeiras ímpares, como a dorsal com a caudal e anal com caudal (caso de algumas espécies de linguados). As nadadeiras têm formas e cores típicas em alguns grupos de peixes. Para além da coloração do corpo, a forma e cor das nadadeiras sãodecisivas para os aquaristas, de tal forma que chegamaser produzidas variedades de espécies com nadadeiras espectaculares, como o famoso cauda-de-véu, uma variedade do peixinho-dourado (Carassius auratus). Alguns grupos de peixes, para além da nadadeira dorsal com espinhos e raios (que podem estar separadas), possuem uma nadadeira adiposa, normalmente perto da caudal. É o caso dos salmões e dos peixes da família do bacalhau (Gadídeos). Escamas ou placas A pele dos peixes é fundamentalmente semelhante à dos outros vertebrados, mas possui algumas características específicas dos animais aquáticos. O corpo dos peixes está normalmente coberto de muco que, por um lado diminui a resistência da água ao movimento e, por outro, os protege dos
  • 220.
    220 inimigos. Embora hajamuitos grupos de peixes com pele nua, como as enguias, a maior parte dos peixes tem-na coberta de escamas que, ao contrário dos répteis, têm origem na própria derme. Os peixes apresentam quatro tipos básicos de escamas: ciclóides, as mais comuns, normalmente finas, subcirculares e com a margem lisa ou finamente serrilhada; ctenóides, também sub-circulares, mas normalmente rugosas e com a margem serrilhada ou mesmo espinhosa; ganóides, de forma sub-romboidal e que podem ser bastante grossas como as dos esturjões; e salmões. placóides, normalmente duras com um ou mais espinhos, de formas variadas. Alguns grupos de peixes têm o corpo coberto de placas ou mesmo uma armadura rígida, como o peixe-cofre e os cavalos- marinhos. Esta armadura pode estar ornamentada com cristas e espinhos e apresenta fendas por onde saem as nadadeiras. Linha lateral Um órgão sensorial específico dos peixes é a linha lateral, normalmente formada por uma fiada longitudinal de escamas perfuradas através das quais corre um canal que tem ligação com o sistema nervoso; aparentemente, este órgão tem funções relacionadas com a orientação, uma espécie de sentido do olfacto através do qual os peixes reconhecem as características das massas de água (temperatura, salinidade e outras). Sistema nervoso e órgãos dos sentidos Peixes têm sistemas nervosos complexos e seu cérebro é dividido em diferentes partes. O mais anterior, ou frontal, contém as glândulas olfativas. Diferente da maioria dos
  • 221.
    221 vertebrados, o cérebrodo peixe primeiro processa o senso do olfato antes de todas as ações voluntárias. Os lobos óticos processam informações dos olhos. O cerebelo coordena os movimentos do corpo enquanto a medula controla as funções dos órgãos internos. Aproximadamente todos os peixes diurnos possuem olhos bem desenvolvidos com visão colorida. Muitos peixes possuem também células especializadas conhecidas como quimioreceptores, que são responsáveis pelos sentidos de gosto e cheiro. A maioria dos peixes têm receptores sensitivos que formam o sistema linear lateral, que permite aos peixes detectar correntes e vibrações, bemcomo o movimento de outros peixes e presas por perto (ver acima). Em 2003, alguns cientistas escoceses da Universidade de Edimburgo descobriram que os peixes podem sentir dor.[45] Um estudo prévio pelo professor James D. Rose da Universidade de Wyoming dizia que os peixes não podiam sentir dor porque eles não possuíam a parte neocortexal do cérebro, responsável por tal sensação. Peixes como os peixes- gato e tubarões possuem órgãos que detectam pequenas correntes elétricas. Outros peixes, como a enguia elétrica, podem produzir sua própria eletricidade. Idade de um peixe É possível saber a idade de um peixe através do exame dos seus "ouvidos". Todos os peixes, com exceção dos tubarões e da arraias, escondem nos ouvidos três pares de otólitos, que são concreções de carbonato de cálcio que servem para a audição e para manter o equilíbrio no meio líquido. O crescimento desses otólitos se faz por depósitos concêntricos sucessivos, cuja espessura e a composição química variam segundo o meio
  • 222.
    222 ambiente e aalimentação. Trata-se de um verdadeiro "álbum" que retrata a vida do peixe. Preservação A destruição do habitat A Lista Vermelha da IUCN em 2006 nomeou 1.173 espécies de peixes que estão ameaçadas de extinção. Incluem-se espécies como o bacalhau do Atlântico, Diabo Hole, celacantos, e grandes tubarões brancos. Porque os peixes vivem debaixo d'água são mais difíceis de estudardo que os animais terrestres e plantas,e informações sobre as populações de peixes é muitas vezes inexistente. No entanto, peixes de água doce parecem particularmente ameaçados, porque eles vivem muitas vezes em corpos d'água relativamente pequenos. Por exemplo, o Buraco do Demônio tem apenas 6 metros (10 por 20 pés) para a piscina. A chave do estresse sobre os ecossistemas de água doce é a degradação do habitat, incluindo a poluição da água, a construção de barragens, a remoção de águapara uso por seres humanos, e a introdução de espécies exóticas. Um exemplo de um peixe que se tornou em perigo por causa da mudança de habitat é o esturjão pálido, um peixe norte-americano de água doce que vive nos rios deteriorados pela ação humana. Pesca excessiva A pesca excessiva é uma grande ameaça para peixes comestíveis, como o bacalhau e o atum. pesca excessiva, eventualmente, provoca colapso da população (conhecido como estoque), pois os sobreviventes não conseguem produzir o suficiente para substituir aqueles removidos. Extinção comercial Tal não significa que a espécie está extinta, mas apenas que ele não pode mais sustentar uma pescaria.
  • 223.
    223 Um exemplo bemestudado de um colapso da pesca é a sardinha do Pacífico Sadinops pesca ao largo da costa da Califórnia. De um pico de 790.000 toneladas em 1937 a captura declinou para apenas 24.000 toneladas em 1968, após o qual a pesca já não era economicamente viável. A principal tensão entre a ciência da pesca e da indústria de pesca é que os dois grupos têm opiniões diferentes sobre a resiliência da pesca para a pesca intensiva. Em lugares como a Escócia, Terra Nova, e do Alasca a indústria da pesca é um grande empregador, assim, os governos estão predispostos a apoiá-lo. Por outro lado, cientistas e conservacionistas empurram para a proteção rigorosa, alertando que muitas ações poderim ser dizimado dentro de cinqüenta anos. As espécies exóticas Introdução de espécies não-nativas ocorreu em muitos habitats. Um dos melhores exemplos estudados é a introdução da perca do Nilo no Lago Vitória, na década de 1960. A perca do Nilo gradualmente exterminada do lago de 500 espécies endêmicas de ciclídeos. Alguns deles sobrevivem agora em programas de reprodução em cativeiro, mas outros são provavelmente extinta. Carp, snakeheads, tilápia, poleiro europeu, truta, truta arco-íris, e lampreias marinhas são outros exemplos de peixes que têm causado problemas ao serem introduzidos em ambientes considerados alienígenas. Classificação sistemática A classificação simplificada no topo desta página é a mais próxima da utilizada por Lineu, mas esconde algumas características importantes que fazem deste grupo dos "Peixes", um agregado de espécies com diferentes aspectos evolutivos. Por essa razão, as classificações mais recentes abandonaram alguns taxa tradicionais:
  • 224.
    224 Domínio Eukariota, ao ReinoAnimalia, aos clades Metazoa Bilateria Deuterostomia, ao filo Chordata e, dentro deste, ao clade Craniata A partir deste ponto, os estudos evolutivos mostraram divergências: O taxon classe tem sido usado (e, na Wikipedia em inglês, encontramos vários exemplos) para vários clades diferentes. Por essa razão, e até os taxonomistas acordarem numa forma de classificação científica consensual, devemos abster-nos de utilizar esse taxon. Os peixes, tanto espécies existentes como fósseis, dividem-se pelos seguintes clades: Hyperotreti – as mixinas (peixes sem coluna vertebral) e Vertebrata (vertebrados) - um clade que inclui as lampréias e os restantes vertebrados com maxilas; Dentro dos vertebrados, consideram-se os clades Hyperoartia - as lampréias (que têm coluna vertebral, mas não têm maxilas); Gnathostomata – todos os animais com maxilas; e mais sete grupos fósseis. Dentro dos Gnathostomata, são aceites os seguintes clades: Teleostomi – animais com boca terminal; Chondrichthyes – tubarões e raias – boca sub-terminal ou ventral; Acanthodii (extintos) Placodermi (extintos). Dentro dos Teleostomi
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    225 Osteichthyes – animaiscom tecido ósseo endocondral e com dentes implantados nas maxilas e Acanthodii (extintos) Dentro dos Osteichthyes Sarcopterygii – um grupo que inclui os peixes com nadadeiras lobadas: Coelacanthimorpha – os celacantos, considerados remanescentes dos primeiros anfíbios; Dipnoi – os peixes pulmonados ou dipnóicos os tetrápodes, ou seja, os restantes vertebrados batráquios, répteis, aves e mamíferos; e os Actinopterygii - peixes com raios ou lepidotríquias nas nadadeiras, ou seja, os "teleósteos", que incluem a maioria das ordens de peixes actuais e algumas outras com divergências filogenéticas. Dentro desta classificação,os tradicionais taxa Agnatha (peixes sem maxilas), Ostracodermi (formas fósseis sem maxilas) e Cyclostomata (peixes sem maxilas, como as mixinas e lampréias) não devem ser utilizados, uma vez que não são monofiléticos. E disse Deus: Produza a terra alma vivente conforme a sua espécie;gado, e répteis e feras da terra conforme a sua espécie; e assim foi. E fez Deus as feras da terra conforme a sua espécie, e o gado conforme a sua espécie, e todo o réptil da terra conforme a sua espécie; e viu Deus que era bom. Gênesis 1:24,25 Nesta fase DEUS criou os gados, repteis e as feras, da mesma forma que criou o corpo do homem, só que o homem e a
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    226 mulher, possuem espíritoe são racionais e inteligentes, porem os gados, repteis e as feras são irracionais, que como as aves serviriam e servem de alimento para o ser humano, entre outras utilidades. Ainda não havia criado os alimentos para o gado, répteis e as feras, só após a primeira chuva que fez cair sobre a terra, quando se iniciou a vida sobre a mesma, como consta de Gênesis,Capítulo 2,versículos 5 e6. “Um vapor, porém,subia da terra, e regava toda a face da terra”. Reprodução animal Graças à reprodução, as espécies podem continuar existindo. PUBLICIDADE Os animais, assim como todos os seres vivos, são capazes de se reproduzir. Isso significa que eles podem dar origem a novos indivíduos de sua espécie, permitindo que elas continuem a existir. A reprodução dos animais pode ser: ASSEXUADA Na reprodução assexuada, uma célula (ou mais) se desprende do corpo do animal e se desenvolve,
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    227 formando um novoser vivo. Tipos de reprodução assexuada: - Fragmentação ou regeneração: um novo indivíduo é formado por fragmentação a partir de um pedaço que se desprendeu acidentalmente do corpo de um indivíduo adulto. Ela ocorre em esponjas; em alguns platelmintos, como as planárias; e em alguns equinodermos, como a estrela-do- mar. Regeneração das planárias. - Brotamento: formam-se, no corpo de indivíduos adultos, brotos que depois se desprendem e dão origem a novos indivíduos. Ocorre em esponjas. Brotamento nas esponjas.
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    228 - Gemulação: ocorrea formação de estruturas chamadas gêmulas, quando o ambiente está muito alterado. Dessa forma, quando o ambiente volta ao normal, elas se desenvolvem e formam novos seres vivos. Ocorre em esponjas e celenterados. SEXUADA: Na reprodução sexuada há a união de duas células, uma masculina e outra feminina, chamadas gametas. Ela ocorre em todos os grupos de animais, até mesmo entre aqueles que se reproduzem de forma assexuada, como as esponjas, celenterados e equinodermos. Tipos de reprodução sexuada A reprodução sexuada pode acontecer entre indivíduos de sexos diferentes, ou seja: machos e fêmeas, que é o caso da maioria dos animais que conhecemos. Ela também pode ocorrer entre indivíduos que possuem os dois sexos, chamados hermafroditos. A minhoca é um exemplo de animal hermafrodito. A fecundação, ou seja, o encontro entre os gametas, pode ocorrer no ambiente (fecundação externa), ou a partir do contato corporal entre os dois indivíduos, geralmente dentro do corpo da fêmea (fecundação interna). Além disso, na reprodução sexuada, os novos animais podem se desenvolver e nascer a partir de ovos (animais ovíparos), oudentro do corpo de um dos pais, geralmente da fêmea (animais vivíparos).
  • 229.
    229 Tartaruga nascendo apartir do ovo: animal ovíparo. Mulher gestante: exemplo de viviparidade. Depois de nascidos, se os filhotes são bem parecidos com os adultos de sua espécie, só que de tamanho pequeno, dizemos que eles têm desenvolvimento direto. Falamos que uma espécie animal tem desenvolvimento indireto quando os filhotes não se parecem nem um pouco com os adultos de sua espécie, e passam por mudanças corporais grandes até se tornarem adultos. Esse
  • 230.
    230 é o casode alguns anfíbios, e também das borboletas e mariposas que, de lagartas, passampor algumas etapas até se tornarem animais com asas. Desenvolvimento indireto: girino – imago – anfíbio adulto. Curiosidade: A partir do que foi explicado, podemos concluir que a reprodução dos seres humanos é sexuada, com fecundação interna, os filhos se desenvolvem e nascem de dentro do corpo da mãe (viviparidade), e o desenvolvimento é direto. FERAS - Vida selvagem
  • 231.
    231 Cratera do Ngorongoro,Tanzânia, África, refúgio da vida selvagem. Vida selvagem refere-se a todos os vegetais, animais e outros organismos não-domesticados. Organismos domesticados são aqueles que foram adaptados para sobreviver com a ajuda de (ou sob o controle de) humanos, depois de muitas gerações. Espécies de plantas e animais foram domesticados para benefício humano muitas vezes por todo o planeta, o que acarretou um grande impacto sobre o meio ambiente, tanto positivo quanto negativo. A vida selvagem pode ser encontrada em todos os ecossistemas. Desertos, florestas tropicais, planícies e outras áreas—incluindo as cidades mais desenvolvidas—todas têm formas distintas de vida selvagem. Embora na cultura popular a expressão geralmente se refira a animais intocados pela presença humana, a maioria dos cientistas concordam que a vida selvagem ao redor do globo sofre, de um modo ou de outro, o impacto das atividades humanas. Historicamente, os seres humanos buscaram separar a civilização da vida selvagem de uma série de maneiras, incluindo os aspectos legal, social e moral. Isto tem sido tema de debate através de toda história regist(r)ada,particularmente por meio da literatura. As religiões têm declarado com freqüência que certos animais são sagrados e em épocas recentes, a preocupação com o meio ambiente e a exploração
  • 232.
    232 da vida selvagempara benefício humano ou entretenimento tem provocado protestos por parte de ativistas. As populações mundiais de peixes, aves, mamíferos e répteis sofreram uma redução de 52% entre 1970 e 2010. O Relatório Planeta Vivo da WWF, publicado de dois em dois anos, salienta que as exigências das populações humanas estão agora 50% acima do que a natureza é capaz de aguentar, com árvores a serem cortadas, aquíferos a serem bombeados e dióxido de carbono a ser emitido demasidado depressa para o planeta recuperar. Segundo o comunicado de Ken Norris, director científico da Sociedade Zoológica de Londres, “estes danos não são inevitáveis,sãouma consequência do estilode vidaque escolhemos”. Relativamente às populações selvagens de vertebrados, esse relatório concluiu que os maiores declínios se verificaram nas regiões tropicais, em especial na América Latina. Segundo os novos resultados (2014), a pior quebra deu-se entre as populações de peixes de água doce, que caíram 76% nas últimas quatro décadas até 2010, enquanto ambos os números relativos às populações marinhas e terrestres desceram 39%. A principal razão do declínio das populações foi a perda de habitats naturais, a caça e a pesca e as alterações climáticas. A edição 2014 do Relatório Planeta Vivo da WWF aponta que a combinação de perda de biodiversidade e Pegada ecológica insustentável ameaça os sistemas naturais e o bem- estar humano no mundo inteiro. Globalmente, a demanda da humanidade sobre o planeta está 50% maior do que a natureza é capaz de renovar. Ou seja, estima-se que atualmente seria necessário 1,5 planeta para produzir os
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    233 recursos necessários paraa nossa atual Pegada Ecológica, que é a medida da demanda da humanidade sobre o meio ambiente. Gado Por gado entende-se o conjunto de animais que foram domesticados pelo homem para aumentar a sua produção, serviços agrícolas, consumo doméstico, comercial ou industrial: Gado asinino - os ásnos também denominados jumentos, jegues ou burros Gado bovino ou vacum - os bovinos e algumas espécies de búfalo Gado caprino - as cabras Gado cavalar ou equino - os cavalos Gado muar - as mulas e mulos (português europeu) / burros (português brasileiro) Gado rangífero - as renas Gado de Bico - aves domésticas Gado suíno - os porcos domésticos Gado ovino ou arietino - as ovelhas Aves de capoeira – galinhas E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra. E criou Deus o homem à suaimagem; à imagemde Deus o criou; homem e mulher os criou. E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai- vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do
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    234 mar e sobreas aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra. E disse Deus: Eis que vos tenho dado toda a erva que dê semente, que está sobre a face de toda a terra; e toda a árvore, em que há fruto que dê semente, ser-vos-á para mantimento. E a todo o animal da terra, e a toda a ave dos céus, e a todo o réptil da terra, em que há alma vivente, toda a erva verde será para mantimento; e assim foi. E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom; e foi a tarde e a manhã, o dia sexto. Gênesis 1:26-31 Deus criou os espíritos do homem e da mulher à sua imagem, e lhes deu tudo quanto havia criado, o domínio para viverem e se manterem, portanto são as maiores criações de DEUS, ou seja os espíritos. Deu-les poder e dominio sobre toda a sua criação. Espírito A palavra espírito apresenta diferentes significados e conotações diferentes, a maioria deles relativos a uma substância não-corpórea em contraste com o corpo material. A palavra espírito é muitas vezes usada metafisicamente para se referir à consciência ou personalidade. As noções de espírito de uma pessoa muitas vezes também se sobrepõem, como tanto contraste com o corpo e ambos são entendidos como sobreviver à morte do corpo na religião e ocultismo, e "espírito" também pode ter o sentido de "fantasma", ou seja, uma manifestação do espírito de uma pessoa falecida. O termo também pode se referir a qualquer incorpóreo ou ser imaterial, tais como demônios ou divindades, no cristianismo especificamentedo EspíritoSanto (embora com um "S") vivido pelos discípulos no Pentecostes. Etimologia
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    235 A palavra espíritotem sua raiz etimológica do Latim "spiritus", significando "respiração" ou "sopro", mas também pode estar se referindo a "coragem", "vigor" e finalmente, fazer referência a sua raiz no idioma PIE *(s)peis-(“soprar”).Na Vulgata,apalavra emLatim é traduzida a partir do grego "pneuma" (πνευμα), (em Hebreu (‫)רוח‬ ruah), e está em oposição ao termo anima, traduzido por "psykhē". A distinção entre a alma e o espírito somente ocorreu com a atual terminologia judaico-cristã (ex. Grego. "psykhe" vs. "pneuma", Latim "anima" vs. "spiritus", Hebreu "ruach" vs. "neshama", "nephesh" ou ainda "neshama" da raíz "NSHM", respiração.) A declaração do apóstolo Paulo nas Escrituras de que `o espírito, alma e corpo´ devem ser `conservados íntegros´, expressa claramente que alma e espírito são coisas distintas. 1 Tessalonicenses 5:23. A palavra espírito costuma ser usada em dois contextos, um metafísico e outro metafórico. Cristianismo Não há uma única opinião sobre a natureza do homem entre os cristãos. Enquanto certos ramos do cristianismo defendem que `corpo´ e`espírito´ sãopartes integrantes do homem, eque este último, separa-se em caso de morte para receber sua recompensa (Céu ou Inferno) segundo as obras praticadas em vida; outros defendem que o homem é uma unidade indivisível de corpo, mente e espírito, e que este último, é somente um `vento´ ou `folego de vida´ soprado por Deus nas narinas do homem na Criação (Gênesis 2:7)e que não possui, em si, qualquer inteligência ou emoção após a morte (Eclesiastes 9:5,6 e 10), alcançando, o ser,
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    236 sua recompensa (vidaeterna ou morte eterna) em carne e osso. Filosofia Espírito é definido pelo conjunto total das faculdades intelectuais. Ele é frequentemente considerado como um princípio ou essência da vida incorpórea (religião e tradição espiritualista da filosofia), mas pode também concebido como um princípio material (conjunto de leis da física que geram nosso sistema nervoso). Na Antiguidade, o sopro e o que ele portava (o som, a voz, a palavra, o nome) continha a vida, seja em protótipo, em essência ou em potência (mítica). No tronco judaico-cristão das religiões diz-se que Deus soprou o barro para gerar o (ser no) homem. Dar um nome aos seres vivos ou não, emitir o som do nome (i.e, chamar por um nome, imitar as vozes animais, mimetizá-los, fazer do nome onomatopeia, apresentar-lhes na língua, dar-lhes uma palavra que lhes chame etc), fazer soar pela emissão do sopro vocal, significava possuir (ter o que é deles, a carne, a voz, i.e., ser-lhes o proprietário). Assim, diz-se também que ao dar nomes aos animais, o Homem ancestral, tomou deles a posse, tomou deles algo, deu-lhes a representação, o espírito. Nos contos míticos, emitir um som significa chamar pelo ser que atente a tal som. Assim, o génio da lâmpada de Aladino das (Mil e Uma Noites)aparecia quando Aladino esfregava a lâmpada maravilhosa, assimemitindo um ruído ou som que era exactamente o nome do génio encarcerado. Em política,diz-se do espíritodasleis, expresso na constituição. O termo espírito das leis vem de Montesquieu, que escreveu um livro sobre com este título, no qual ele descreve o sistema triparte de repartição dos estados.
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    237 Corpo e espírito Emdiferentes culturas, o espírito vivifica o ser no mundo. O espírito também permitiria ao ser perceber o elo entre o corpo e a alma. Entretanto, muitas vezes espírito é identificado com alma e vice-versa, sendo utilizados de forma equivalente para expressar a mesma coisa. Segundo ateoria dualistade Descartes, o corpo e o espírito são duas substâncias imiscíveis, cada qual com uma natureza diferente: o espírito pertenceria aomundo daracionalidade (res cogitans), enquanto o corpo às coisas do mundo com extensão (res extensa), i.e., ao mundo das coisas mensuráveis. Descartes acreditava que a função da glândula pineal seria unir a alma/espírito ao corpo. Sua visão do ser humano era mecanicista.O corpo era tratado como uma máquina de grande complexidade. Pensava em partes separadas, no que ligaria o que com o que, qual seria a função de cada parte, em suas relações etc. Para algumas tradições religiosas, a morte separa o espírito do corpo físico, e a partir daí, o espírito passa a ser somente da esfera espiritual. Para estas, a morte parece não encerrar a existência de cada ser particular. Psicologia Em psicologia, o espírito designa a atitude mental dominante de uma pessoa ou de um grupo, que motiva-o a fazer ou a dizer coisas de um determinado modo. Espiritologia De acordo com a espiritologia (ou "psicologia espiritual"), o espírito é o corpo psíquico, que entra em contato com a quarta dimensão (ou Mundo Astral), local onde não existem problemas de espaço (distâncias) ou de tempo. Segundo esta corrente, o ser humano pode entrar em contacto com
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    238 outros lugares ouaté outras épocas, sendo que, alguns pesquisadores, como o psiquiatra suíço Carl Gustav Jung, acreditavam que os problemas do mundo contemporâneo, não eram regidos apenas pelas pessoas fisicamente, mas também psiquicamente, utilizando o mundo astralcomo meio de intervir no Mundo Terrestre. Outros Espíritos na Bíblia Na Bíblia, a expressão "espíritos" também se refere aos anjos que se rebelaram contra Deus (versículos 7 a 9 do capítulo 12 do Apocalipse). Na tradição judaico-cristã, são também chamados de "anjos decaídos" ou "demônios". Eles subordinaram-se à liderança de um anjo rebelde que foi proeminente na hierarquia angélica, comummente denominado por Satanás e Diabo. Segundo a Bíblia, estes "anjos decaídos" teriam grande força e influência sobre a mente e o modo de viver dos humanos (versículos 14 e 15 do capítulo 11 da Primeira Epístola aos Coríntios), operando grandes sinais de maneira que até fogo do céu fariam descer à terra diante dos homens (versículo 13 do capítulo 13 do Apocalipse). Teriam, ainda, capacidade de se incorporar em humanos e em animais e possuí-los (possessão). No Novo Testamento, o uso do termo "demónio" (em grego, daimoníon) é limitado e específico em comparação com as noções dos antigos filósofos e o modo em que esta palavra era usada no grego clássico. Originalmente, o termo daimoníon designavaas divindades,que podiam serboas ou ruins. Espiritismo Segundo a Doutrina espírita, o espírito é a individualização do princípio inteligente do Universo. Quando encarnado - ou seja, vestido de um corpo humano - é chamado de alma, nesta
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    239 situaçãoalma e espíritosão as mesmas coisas.A reencarnação, segundo o espiritismo, é o processo de autoaperfeiçoamento por que passam todos os espíritos. Para os espíritas, o estado natural do espírito seria o de liberdade em relação à matéria, ou seja, a condição de desencarnado. Nesta situação, o espírito mantém a sua personalidade e suas características individuais. Também segundo a doutrina espírita, a interação do espírito com o cérebro se dá através do perispírito. Este conecta a vontade que nasce no espírito com o estímulo que direciona o cérebro.[3] Para designar um espírito específico, os espíritas utilizam a inicial em maiúsculo, como por exemplo: "O Espírito Emmanuel". Teosofia Na Teosofia, o espírito é associado aos dois princípios mais elevados do Homem, adíade Atman-Budhi, a essênciaimortal do Homem. Assim os céus, a terra e todo o seu exército foram acabados. E havendo Deus acabado no dia sétimo a obra que fizera, descansou no sétimo dia de toda a sua obra, que tinha feito. E abençoou Deus o dia sétimo, e o santificou; porque nele descansou de toda a sua obra que Deus criara e fizera. Estas são as origens dos céus e da terra, quando foram criados; no dia em que o Senhor Deus fez a terra e os céus, E toda a planta do campo que ainda não estava na terra, e toda a erva do campo que ainda não brotava; porque ainda o Senhor Deus não tinha feito chover sobre a terra, e não havia homem para lavrar a terra.
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    240 Um vapor, porém,subia da terra, e regava toda a face da terra. Gênesis 2:1-6 Como consta dos Versículos acima, todas as plantas e os animais, não tinham vida, e após a chuva na verdade iniciou-se a vida no globo terrestre. Entenda-se que não haviaalimento na face da terra, portanto não havia a vida plena. Chuva Chuva sobre algumas árvores A chuva (do latim pluvia) é um fenômeno meteorológico que resulta da precipitação das gotas líquidas ou sólidasda água das nuvens sobre a superfícieda Terra. Durante o fenômeno da precipitação, gotas pequenas crescem por condensação de vapor de água. A seguir, elas podem crescer por captura de gotas menores que se encontram em sua trajetória de queda, ou por outros fenômenos. Quando duas pequenas gotas d'água se unem e, com isto, formam somente uma gota que possui dimensões maiores,
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    241 dizemos que ocorreuum fenômeno denominado "coalescência". Nem toda chuva atinge a superfície: algumas evaporam-se enquanto ainda estão a cair, num fenômeno que recebe o nome de virga e que acontece principalmente em locais ou períodos de ar seco. A chuva tem papel importante no ciclo hidrológico e pode alterar a sensação térmica do ambiente. Medição da chuva Precipitação dechuva ao longo dos meses doano no mundo: as regiões azuis são as regiões com maior precipitação. A medida da precipitação é denominada pluviosidade.[4] Em outras palavras: quando a água das nuvens se aglutina e forma chuva, tem-se o fenômeno da precipitação, e quando se mede a quantidade de água da chuva que, devido à precipitação, acumulou-se em determinado local durante um determinado período de tempo, tem-se a "pluviosidade" ou "medida da precipitação".
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    242 No Sistema Internacionalde Unidades, a unidade de pluviosidade (ou "unidade de medida de precipitação") é o milímetro (mm). Uma pluviosidade de 1 milímetro equivale ao volume de 1 litro de água de chuva que se acumulou sobre uma superfície de área igual a 1 metro quadrado. Para constatar que 1 milímetro de pluviosidade é o mesmo que 1 litro por metro quadrado, observe esta demonstração matemática: Portanto, 1 litro por metro quadrado = 1 milímetro. A pluviosidade é, geralmente, medida com um instrumento denominado pluviômetro. O funcionamento do pluviômetro é bastante simples: a boca de um funil de área conhecida coleta as gotas de chuva e as acumula em um reservatório colocado abaixo do funil; então, a intervalos regulares (1 vez por dia, 4 vezes por dia etc.), um observador utiliza uma pipeta com escala graduada para coletar uma amostra e medir o volume d'água que foi acumulado no período. Por exemplo: ele pode medir e constatar que nas últimas 24 horas caíram 25 milímetros de chuva. Quando se deseja registrar as variações da pluviosidade em função do tempo utiliza-se um instrumento denominado pluviógrafo, que nada mais é que um pluviômetro dotado de um dispositivo de registro cronológico contínuo. Esses registros cronológicos são feitos em um gráfico denominado pluviograma, no qual a pluviosidade (em milímetros) é indicada em um dos eixos do gráfico e o tempo (em horas) é indicado no outro eixo. Essa "taxa de variação da pluviosidade por unidade de tempo" é dada em milímetros por hora (mm/h). Como o volume de 1 litro de qualquer substância equivale a 1 decímetro cúbico, e tendo em vista que
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    243 a densidade daágua pura corresponde a 1 quilograma de massa por decímetro cúbico, conclui-se que 1 milímetro de pluviosidade corresponde a aproximadamente 1kg/m2, ou seja, 1mm de pluviosidade significa que em cada metro quadrado de área da superfície haverá 1 quilograma de massa de água. Matematicamente: Densidade da água: Cada litro de água pura possui 1 quilograma de massa. [i] Correspondência pluviométrica: [ii] Fazendo [i] em [ii], temos que: Portanto, 1 mm = 1 kg/m2 Consequentemente, quando desejamos ler a pluviosidade não em função da altura da coluna d'água (em milímetros) mas sim em função da massa de água da chuva que se acumulou em cada metro quadrado da superfície, calculamos a pluviosidade em quilogramas por metro quadrado (kg/m2). Quando secalculaataxa de variação dessamassapluviométrica por unidade de tempo, o valor da taxa é dado em quilogramas por metro quadrado e segundos (massa pluviométrica por unidade de tempo): Tipos de chuvas Há dois tipos básicos de precipitação: estratiformes e convectivas. As precipitações podem estar associadas a diferentes fenômenos atmosféricos sob diferentes escalas de desenvolvimento temporal e espacial. Por exemplo:
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    244 "Chuvas frontais" sãocausadas pelo encontro de uma massa fria (e seca) com outra quente (e úmida), típicas das latitudes médias, como as de inverno no Brasil Meridional que caminham desde o Sul (Argentina) e se dissipamno caminho, podendo, eventualmente, chegaraté o estado da Bahia.Por ser mais pesado, o ar frio faz o ar quente subir na atmosfera. Com a subida da massa de ar quente e úmida, há um resfriamento da mesma que condensa e forma a precipitação. São, geralmente, de média intensidade, grande duração e atingem grandes áreas. Exemplo de chuvas deconvecçãono municípiode Coronel Fabriciano, no estado de Minas Gerais, Brasil "Chuvas de convecção" ou "convectivas" são também chamadas de "chuvas de verão" na RegiãoSudestedo Brasil e são provocadas pela intensa evapotranspiração de superfícies úmidas e aquecidas (como florestas, cidades e oceanos tropicais). O ar ascende em parcelas de ar que se resfriam de forma praticamente adiabática (sem trocar calor com o meio exterior) durante sua ascensão. Precipitação convectiva é comum no verão brasileiro, na Floresta Amazônica e no Centro-Oeste. Na região Sudeste, particularmente sobre
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    245 a Região Metropolitanade São Paulo (RMSP). Na região Nordeste, exceto nas áreas litorâneas e sobre a Região Metropolitana do Rio de Janeiro (RMRJ) também ocorrem tempestades convectivas associadas a entrada de brisa marítima ao final da tarde com graves consequências sobre as centenas de áreas de risco ambiental. Estas chuvas também são conhecidas popularmente como "pancadas de chuva", "aguaceiros" ou "torós". São, geralmente, de grande intensidade, pequena duração e atingem pequenas áreas. "Chuvas orográficas" ou "estacionais", "chuvas de serra" ou "chuvas de relevo" ocorrem quando os ventos úmidos se elevam e se resfriam pelo encontro de uma barreira montanhosa, como é normal nas encostas voltadas para o mar. São comuns nos litorais paranaense, catarinense e paulista e em todo o litoral brasileiro na Serra do Mar. Esse tipo de precipitação pode estar associada a presença do efeito Föhn, que condiciona a existência de áreas mais secas a sotavento dessas barreiras. São geralmente de pequena intensidade e grande duração e atingem pequenas áreas. As maiores precipitações registradas na região sudeste ocorreram em fevereiro de 1966 quando durante um tórrido verão se juntaram uma frente fria com as precipitações convectivas e na Serra do Mar as chuvas orográficas, ocasionando grandes desastres sobretudo no eixo Rio-São Paulo. Esta chuva excepcional de período de retorno ou recorrência calculado como cerca de 100 anos está registrada no livro "Enchentes no Rio de Janeiro" publicado pela SEMADS- GTZ. As gotas de chuva
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    246 Formação das gotasde chuva Gotas de chuva atingindo o solo As gotas de chuva não seguem a mesma formação que as gotas de água que caem de uma bica ou de uma torneira. As menores, com menos de 1 milímetro de raio, na verdade são esféricas.As que crescemmais, começam-se a deformar na parte de baixo, porque a pressão do ar puxando para cima na queda começa a conseguir contrariar a tensão superficial que a tenta manter esférica. Quando o raio excede a cerca de 4 milímetros, o buraco interior cresce tanto que a gota, antes de se partir em gotas menores, adquire uma forma semelhante à de um paraquedas, ou seja, a forma de um saco de paredes finas voltado para baixo, com um anel mais grosso de água em roda da abertura inferior. As gotas de chuva são muito maiores do que as gotículas das nuvens, que são geralmente menores que 15 micra e podem ficarsuspensas no arpor muito tempo. Jáas gotas de chuva, por
  • 247.
    247 serem muito maiorese mais pesadas, não podem ficar suspensas no ar e, portanto, ocorre a precipitação. Intensidade Intensidade de precipitação é classificada de acordo com a taxa de precipitação: Chuva fraca: quando a taxa é inferior a 5 milímetros por hora (mm/h); Chuva moderada: quando taxa está entre 5 e 25 mm/h; Chuva forte: quando taxa está entre 25 e 50 mm/h; Chuva muito forte: quando taxa é igual ou superior a 50 mm/h. Impacto Sobre a agricultura Chuva em Três Pontas, no sul de Minas Gerais, importante região produtora de café. A chuva tem um efeito dramático sobre a agricultura. Todas as plantas precisam de pelo menos um pouco de água para sobreviver, portanto a chuva (sendo os meios mais eficazes de irrigação) é importante para a agricultura. Enquanto um padrão de chuva regular é geralmente vital para saudáveis plantas , muito ou pouca chuva pode ser prejudicial. A Seca pode matar culturas, provocar erosões, enquanto o tempo excessivamente úmido pode causar outros problemas. As plantas precisam de diferentes quantidades de chuva para sobreviver. Por exemplo,
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    248 alguns cactos necessitamdepequenas quantidades, enquanto as plantas tropicais podem precisar de até centenas de centímetros de chuva por ano para sobreviver. Em áreas com estações secas e úmidas, os nutrientes diminuem e a erosão aumenta durante a estação chuvosa. Os animais têm adaptação e sobrevivência estratégicas para o regime mais úmido. Os países em desenvolvimento têm notado que as suas populações mostram flutuações sazonais de peso devido à escassez de alimentos observados antes da primeira colheita, que ocorre no final do estação chuvosa. A chuva pode ser colhida através do uso de tanques de águas pluviais; tratada para uso potável ou para irrigação. O excesso de chuvas durante curtos períodos de tempo pode causar inundações. Nuvens carregadas se aproximando de Goiânia, em Goiás, Brasil. Na cultura As culturas relacionadas à chuva diferem em todo o mundo. A chuva tanto pode trazer alegria como relaxamento. Em locais secos, como a Índia, ou durante períodos de seca, a chuva eleva o humor das pessoas. Em Botswana, a chuva é usada como o nome da moeda nacional (o pula, "chuva" em tsuana), em reconhecimento da importância económica da chuva neste
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    249 país desértico. Váriasculturas têm desenvolvido meios de lidar com a chuva e têm desenvolvido inúmeros dispositivos de proteção contra ela, tais como guarda-chuvas, calhas, entre outros. Muitas pessoas acham o cheiro durante e imediatamente após a chuva agradável ou distintivo (o cheiro pode ser devido ao ozônio formado pelos relâmpagos; a bactérias do solo; ou a óleos secretados por plantas). E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente. E plantou o Senhor Deus um jardim no Éden, do lado oriental; e pôs ali o homem que tinha formado. E o Senhor Deus fez brotar da terra toda a árvore agradável à vista, e boa para comida; e a árvore da vida no meio do jardim, e a árvore do conhecimento do bem e do mal. E saía um rio do Éden para regar o jardim; e dali se dividia e se tornava em quatro braços. O nome do primeiro é Pisom; este é o que rodeia toda a terra de Havilá, onde há ouro. E o ouro dessa terra é bom; ali há o bdélio, e a pedra sardônica. E o nome do segundo rio é Giom; este é o que rodeia toda a terra de Cuxe. E o nome do terceiro rio é Tigre; este é o que vai para o lado oriental da Assíria; e o quarto rio é o Eufrates. E tomou o Senhor Deus o homem, e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e o guardar. E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente,
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    250 Mas da árvoredo conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás. Gênesis 2:7-17 E o corpo do homem inteligente foi criado, e DEUS lhe inseriu o espírito, portanto o corpo do homem morre, porem o seu espírito é eterno. DEUS nestes versículos definiu os limites do Jardim de ÉDEN onde o colocou para viver. E disse o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far- lhe-ei uma ajudadora idônea para ele. Havendo, pois, o Senhor Deus formado da terra todo o animal do campo, e toda a ave dos céus, os trouxe a Adão, para este ver como lhes chamaria; e tudo o que Adão chamou a toda a alma vivente, isso foi o seu nome. E Adão pôs os nomes a todo o gado, e às aves dos céus, e a todo o animal do campo; mas para o homem não se achava ajudadora idônea. Então o Senhor Deus fez cairum sono pesado sobre Adão, e este adormeceu; e tomou uma das suas costelas, e cerrou a carne em seu lugar; E da costela que o Senhor Deus tomou do homem, formou uma mulher, e trouxe-a a Adão. E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; esta será chamada mulher, porquanto do homem foi tomada. Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se- á à sua mulher, e serão ambos uma carne. E ambos estavam nus, o homem e a sua mulher; e não se envergonhavam. Gênesis 2:18-25
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    251 A solidão dohomem inteligente que havia criado comoveu a DEUS, que se preocupou em arrumar-lhe companhia, acabando de formar a mulher originada do corpo de Adão, que foi formado do pó da terra, portanto a mulher também descende do pó da terra. Idade do universo Idade do universo é o tempo decorrido entre o Big Bang até o presente momento. Há alguns anos, a sonda WMAP coletou dados que levaram astrônomos chegarem a conclusão de que os dados da sonda aceitava a determinação da idade do Universo em 13,73 (± 0,12) bilhões (ou mil milhões em Portugal) de anos, entretanto, com base em dados coletados pelo satélite Planck, da Agência Espacial Europeia (ESA), que entre 2009 e 2013 mapeou o céu em busca de pequenas variações na chamada radiação cósmica de fundo, foi descoberto que o Universo é quase 100 milhões de anos mais velho. As interpretações de observações astronômicas em 2014 indicaram que a idade do Universo é de 13.82 bilhões de anos. A idade dos elementos químicos Para se determinar a idade do universo é medida a abundância do Rênio-187 (Re187), que decai no Ósmio-187 (Os187) com uma meia-vida de 40 bilhões de anos. É importante dizer que os dois elementos acima são isóbaros e que a análise da abundância desses elementos fornece uma estimativa para a idade do Universo que vai de 11,6 a 17,5 bilhões de anos. Existem outros elementos que também são usados para fazer esse cálculo, como Urânio (U238) com sua meia-vida de 4,468
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    252 bilhões de anose o Tório (Th232) com sua meia-vida de 14,05 bilhões de anos. A análise desses dois elementos nos dão uma outra expectativa da idade do Universo, que é 14,5+2.8 -2.2. Aplicação do decaimento radioativo para a apuração da idade das estrelas A idade de algumas estrelas já conhecidas como CS 22892-052 e HD 115444 que é de 15,6 ± 4,6 bilhões de anos. Já a estrela CS 31082-001 temuma idade de 12,5 ± 3 bilhões de anos de acordo com o decaimento do Urânio (Ur238). Depois pelo método do decaimento do Urânio e do Tório foi obtido um valor para a idade dessa estrela que é 14,1 ± 2,5 bilhões de anos. Idade dos aglomerados estelares antigos Quando há a transformação do Hidrogênio (H) em Hélio (He) no núcleo das estrelas temos a nucleossíntese, essa estrela se enquadra em uma pequena curva do diagrama criado por Hertzsprung e Russell (Diagrama de Hertzsprung- Russell). Essa curva também é conhecida como a "sequência principal" uma vez que a maioria das estrelas do Universo são encontradas em seu ciclo de vida nesta fase. Uma vez que sua luminosidade (L) varia proporcionalmente a uma potência de sua massa entre M3 e M4, o tempo (T) de vida da estrela pode ser calculado pela fórmula T = K/L0.7 onde K é uma constante e T proporcional ao inverso de L0.7. estelar. Assim, na sequência principal se você medir a luminosidade da estrela mais brilhante, conseguirá definir a idade limite do aglomerado. Assimesta fórmula sem distorção, só é aplicada a aglomerados estelares com milhares de membros e a idade do aglomerado é praticamente igual a K/Lmax 0.7Usando esse método nos aglomerados globulares,Chaboyer, Demarque, Kernan e Krauss calcularam 12,07 bilhões de anos sendo 95% de certeza da
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    253 idade mínima doUniverso. Gratton et al. calcularamcalcularam idades entre 8,5 e 13,3 bilhões de anos sendo mais provável 12,1[12].Reidobteve a estimativaentre 11 e 13 bilhões de anos e Chaboyer et al. estabeleceram 11,5 ± 1,3 bilhões de anos para a idade média do mais velho dos aglomerados. Idade das anãs brancas Messier 4 visto pelo Telescópio Espacial Hubble. Uma anã-branca é um objeto com a massa equivalente ao nosso Sol e raio da ordem de grandeza da Terra. A densidade de uma anã branca é um milhão de vezes maior que a da água. As anãs-brancas brilham como resultado do seu calor residual. As anãs-brancas mais antigas são mais frias e menos brilhantes. Pesquisando e medindo a idade das anãs brancas no aglomerado globular M4. Em 2004, Hans et al. apuraram a idade de 12,1 ± 0,9 bilhões de anos para a M4 e consequentemente, considerando o tempo entre o Big Bang e
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    254 a formação daM4, estimaram a idade do Universo em 12,8 ± 1,1 bilhões de anos. Estimativa a partir de medidas da radiação cósmica de fundo em micro-ondas Imagem do WMAP da radiação cósmica de fundo em micro-ondas. A radiação cósmica de fundo em micro-ondas parece vir uniformemente de todas as direções (é claro que existemvários tipos de fontes que emitem micro-ondas, dentre elas existema poeira cósmica aquecida, as estrelas, as galáxias e até mesmo elétrons livres espiralando nas linhas dos campos magnéticos – mas estes possuemcaracterísticas distintas, assimpodendo ser retiradas da equação). Essas micro-ondas foram originadas nos elétrons que encheram o Universo há muito tempo, bem antes de terem se combinado com os prótons livres para formar os átomos neutros de hidrogênio. Naquela ocasião a matéria comum do Universo é composta apenas de gás (plasma, na verdade), com uma temperatura praticamente igual em todos os lugares havendo equilíbrio térmico , e emitia a radiação de um corpo negro. Assim que o plasma tornou-se um gás neutro, a radiação térmica ficou livre para fluirpelo cosmo, isso ocorreu quando o Universo tinha cerca de 380.000 anos de idade e uma pequena
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    255 parte desta radiaçãopode ser observada hoje em dia, através de instrumentos diferentes e sensíveis tais como a sonda Wilkinson Microwave Anisotropy Project (WMAP) e a sonda criogênica PLANCK[17]. Nós conseguimos detectar essa radiação na faixa do espectro das microondas por causa do Efeito Doppler, desviando a freqüência para o vermelho, causado pela expansão do Universo[18]. A radiação cósmica de microondas de fundo (CMB - Cosmic Micro Wave Background Radiation) é a mais perfeita radiação de corpo negro conhecida, mas não se trata de um corpo negro perfeito. A CMB tem um pólo quente e um mais frio, devido ao movimento de nosso sistema solar mais a galáxia. Ela também apresenta flutuações da ordem de 1 até 10 µK (micro-Kelvin), o que parece ruído aleatório para nós (ruído branco). Mas a CMB não é aleatória, ao contrario, ela nos mostra os processos físicos primordiais, a maior parte do tempo onde os fótons tornaram-se livres para fluir (alguns são devido aos efeitos da massa e energia ao longo do caminho entre o plasma primordial e nós).
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    256 Conteudo-do-Universo-antes-e-agora Pela análise criteriosadas flutuações da CMB, a densidade da matéria junto coma energiaescura dos primórdios do Universo, pode ser enfim calculada, assimcomo a composição da matéria primordial (matéria comum, neutrinos e matéria escura). Colocando-se estas estimativas nas equações da Teoria da Relatividade Geral temos os resultados da dimensão da velocidade de expansão do Universo. Compare então tais resultados com a Constante de Hubble que foi recentemente recalculada, e que mede como o Universo se expande, assim temos a noção da idade do Big Bang.
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    257 Você sabe qualé a idade do Planeta Terra? Que o nosso planeta é muito antigo todo mundo sabe. Afinal de contas, antes dos humanos habitarem a Terra, dinossauros e outras criaturas que hoje parecem saídas de filmes ficção científica já tomaram conta de todo o planeta, mas que por acasos do destino acabaram sendo extintos para sempre. Porém, você já parou para pensar sobre quantos anos realmente o planeta Terra tem? Provavelmente a resposta é não. E é exatamente para esclarecer essa dúvida que reunimos aqui uma série de informações que vão contar para você não só a idade do planeta Terra, como vai também mostrar um pouco de como os cientistas conseguem medir isso, afinal de contas, nenhum humano estava lá para saber quando ela surgiu. A idade da Terra
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    258 A idade exatadoplaneta nãopodeser medida,isso porquea medição que é realizada pelos cientistas não éexatamente precisa e possui uma margem de erro de datação que fica em torno dos 10%. Levando issoemconsideração, de acordo com grande parte dos cientistas que são responsáveis por estudar o passado geológico do planeta Terra, o nosso planeta possui aproximadamente 4,5 bilhões de anos. Um número impressionante não é mesmo? A data de nascimento da Terra já foi recalculadainúmeras vezes no decorrer da história, isso porque, a cada nova evidência que era encontrada por uma série de cientistas e a cada nova técnica mais moderna que surgia, novas medições eram feitas. E a cada medição realizada o que se percebia é que a Terra era muito mais antiga do que até então se imaginava.
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    259 Hoje o métodoque é utilizado para medir a idade do nosso planeta é a datação de átomos de Urânio, que se transformam em átomos de chumbo, consequentemente liberando radiação. Com esse processo, depois de um período conhecido como meia-vida, esse urânio se reduz pela metade. Assim, calculando a quantidade de urânio que resta nas rochas mais antigas da Terra é possíveldescobrir a idade do planeta, levando em consideração, é claro, a margem de erro de 10% que foi mencionada mais acima. Com isso podemos perceber que a história da humanidade é ínfima quando comparada com a história da Terra. E é exatamente por isso que a história de ambos costuma ser dividida de maneira diferente, a primeira é tratada pelo tempo histórico e a segunda pelo tempo geológico.
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    260 Para efeito decomparação, caso toda ahistória da Terra tivesse 24 horas, os primeiros Homo Sapiens – o homem – teriam surgido apenas às 23 horas, 59 minutos e 57 segundos. Ou seja, teria uma história de apenas 3 segundos em toda a história da Terra. Louroantonio4@yahoo.com.br – www.palavra10.com 01 de janeiro de 2017