Estudo PGs 12/08/2015
Tema: As parábolas do Mestre
Estudo 8: A parábola do joio
O ensino
Propôs-lhes outra parábola, dizendo: O reino dos céus é semelhante ao
homem que semeia a boa semente no seu campo; Mas, dormindo os homens,
veio o seu inimigo, e semeou joio no meio do trigo, e retirou-se. E, quando a
erva cresceu e frutificou, apareceu também o joio.
E os servos do pai de família, indo ter com ele, disseram-lhe: Senhor, não
semeaste tu, no teu campo, boa semente? Por que tem, então, joio?
E ele lhes disse: Um inimigo é quem fez isso.
E os servos lhe disseram: Queres pois que vamos arrancá-lo?
Ele, porém, lhes disse: Não; para que, ao colher o joio, não arranqueis também
o trigo com ele. Deixai crescer ambos juntos até à ceifa; e, por ocasião da
ceifa, direi aos ceifeiros: Colhei primeiro o joio, e atai-o em molhos para o
queimar; mas, o trigo, ajuntai-o no meu celeiro.
Mateus 13:24-30
Entendendo a parábola
Esta é uma das várias “parábolas do Reino”, lições utilizadas por Deus para
trabalhar o conceito do reino dos céus para os discípulos. Ela sucede a
parábola do semeador (Mt. 13.1-23) e é sucedida pelas parábolas do grão de
mostarda, do fermento, do tesouro, da pérola e da boa pesca. É também uma
das poucas parábolas explicadas no texto bíblico pelo Mestre, nos vs. 36-43,
texto este que divide as quatro parábolas agrícolas das outras três (tesouro,
pérola e pesca).
Jesus novamente utilizou um
imaginário conhecido dos
discípulos. O trigo era uma planta
essencial para os habitantes da
região da Judeia, por ser a base da
alimentação do povo (a farinha de
trigo, como sabemos, é feita para
fazer pão). Já o joio é uma planta
conhecida por ser uma erva
daninha que cresce no meio das
plantações de trigo. No início de seu processo de crescimento, ela é
incrivelmente parecida com o trigo, chegando a ser chamada de “falso trigo” em
algumas regiões. Sua diferenciação acontece apenas quando chega à
maturidade e suas espigas florescem, pois são espigas mais delgadas e com
apenas um gomo, ao contrário do trigo, com espigas mais alongadas e vários
gomos.
O joio é considerado uma erva daninha, pois, além de tomar espaço na terra
com suas raízes, é suscetível à contaminação por fungos, tornando-a uma
planta venenosa. Logo, se o joio contaminado for colhido em conjunto com o
trigo, ele pode estragar toda uma colheita de sementes de trigo, gerando
prejuízos incalculáveis ao produtor rural. Por conta disso, os produtores de trigo
tratam de colher o joio anteriormente à colheita do trigo, de forma a impedir a
contaminação da colheita.
Com isso em mente, percebemos o extremo conhecimento do Mestre sobre a
agricultura local e o seu inteligente uso da imagética agrária para informar
várias verdades espirituais para o povo de forma que a entendessem. Um dado
importante é que as quatro parábolas agrárias foram ditas ao povo em geral,
enquanto as três últimas foram apenas mencionadas aos discípulos.
A explicação do Mestre sobre a parábola, então, adota um sentido mais
profundo: As sementes de joio, os filhos do maligno (v.38), são plantadas pelo
inimigo no meio da plantação de trigo, os filhos do reino, de forma a tentar
contaminá-los e estragar a colheita. Fica clara, então, a intenção do inimigo de
colocar pessoas no caminho do povo de Deus para tentar desviá-los do seu
propósito e fazê-los pecar.
Um detalhe importante é que a parábola afirma que a intenção do Mestre não é
arrancar o joio antes da ceifa. Ou seja, a intenção é que joio e trigo, os filhos de
Deus e os filhos do maligno, vivam em conjunto, até que chegue o fim dos
tempos. Quando chegar este ponto, o joio será separado do trigo e lançado no
inferno, enquanto o trigo será ajuntado no celeiro do Senhor, o paraíso, a Nova
Jerusalém, onde não haverá mais a influência do maligno.
Outro ponto a ser destacado na metáfora de Cristo é que o joio não consegue,
aparentemente, transmitir sua contaminação fúngica ao trigo, mas sim apenas
atrapalhar seu crescimento. Ervas daninhas são prejudiciais ao plantio por
tomarem espaço das raízes das demais plantas e sugar importantes nutrientes
da terra. Esta é uma situação similar à do crente em Cristo Jesus, que não
pode ser mais contaminado pela mancha do pecado original (2 Co. 5.17, Rm.
8.38,39), mas pode ser influenciado pelo inimigo a pecar, afastando-se de
Deus, apagando a chama do Espírito Santo e atrapalhando seu crescimento
espiritual na Terra.
Por fim, cabe notar que a diferenciação entre o joio e o trigo só é possível
quando ambos dão seus frutos. Tal ponto é importante na pregação de Jesus,
pois ele mesmo afirmou que é pelos frutos que conhecemos a árvore (Mt. 7.15-
20). Joio e trigo são iguais aos olhos humanos, mas quando florescem, seus
frutos deixam bem claro qual o tipo de planta. Este padrão de análise é usado
por Jesus para diferenciarmos um homem de Deus de um falso profeta, porém
pode ser igualmente usado para distinguir um cristão verdadeiro de um falso
crente, permitindo-nos agir com a pessoa da forma adequada.
A parábola em nossas vidas
1. Como você tem tratado o joio ao seu redor? Muitos cristãos tomam
esta parábola como uma desculpa para se afastar dos não crentes,
entregando-os à condenação eterna. Porém, é importante notar que o
Mestre veio para que todos tivessem a chance da salvação (Jo. 3.16,
Rm. 10.13). Por isso Ele não arranca o joio do nosso meio, mas permite
que ele viva entre nós: Para que tenham a chance de ouvir o Evangelho
e entregar suas vidas nas mãos do Salvador.
2. Você tem medo da contaminação pelo joio? Alguns cristãos, por
insegurança ou medo de serem influenciados pelo mundo, afastam-se
completamente das pessoas não crentes, impedindo que sejam
influências positivas em suas vidas e até mesmo sejam usados por Deus
para evangeliza-las. Para entrar na batalha pelas almas perdidas,
precisamos estar preparados, mas não podemos ter medo, pois não há
nada que possa nos separar do amor de Deus e Ele sempre irá nos
capacitar para fazer a sua obra, por mais difícil que seja, nos guardando
dos tropeços que possamos vir a incorrer (Judas 24).
3. Como identificar as pessoas que precisam conhecer Cristo? Jesus
deixa claro que é pelos frutos que conhecemos a árvore. É preciso saber
que muitas pessoas na igreja ainda estão em processo de santificação
e, por isso, podem cometer deslizes e incorrer em falhas. O texto bíblico
afirma que não é quem peca que se mostra desalinhado com o Senhor,
mas quem vive pecando (1 Jo. 3.6 NTLH), quem semeia o pecado,
tentando arrastar as pessoas para o caminho da perdição. A forma de
atuação para ambas é diferente: As primeiras precisam ser discipuladas,
enquanto as segundas precisam ser evangelizadas.
4. A separação será feita pelo Senhor: Jesus afirma no texto que não
devemos fazer nenhum tipo de distinção, separação ou segregação do
joio na sociedade (e na igreja), pois tal tarefa não cabe a nós. No final
dos tempos, Ele irá separar o joio do trigo e dar a eles o final apropriado.
Da mesma forma devemos agir, trabalhando na sociedade, em meio ao
joio, sem preconceito ou desprezo pelo pecador, dando chance a ele de
mudar de vida até que a vinda do Senhor se manifeste.
Um adendo: Muitos poderiam interpretar a postura acima como uma
justificativa para não se excluir pessoas da igreja (pois arrancar um joio
pode levar a arrancar um trigo junto, por suas raízes estarem misturadas). É
importante ressaltar que a parábola não fala explicitamente da igreja, mas
sim do mundo (Mt. 13.38). Logo, o texto parece falar de uma tentativa de se
fundar um reino cristão separado da sociedade neste mundo. Tal tentativa é
impossível, pois a separação só se dará no final dos tempos por meio do
Senhor.
Com relação à igreja, podemos entender que se destina a eliminar do meio
as pessoas que ainda não conhecem a Cristo, segregando-as da
comunidade. O fato é que o processo de exclusão de uma pessoa do rol de
membros nas igrejas batistas é um processo apenas formal, pois os batistas
entendem que somente os membros podem votar e decidir os destinos da
igreja e, para que este voto seja bem manifestado, as pessoas precisam
estar buscando uma intimidade com Deus e seu Espírito. Uma pessoa em
pecado obviamente se afasta desta condição e não estaria em condições
espirituais para decidir sobre os rumos da igreja.
Porém, desligar uma pessoa do rol de membros não significa afastá-la
completamente da igreja. Mesmo desligada, esta pessoa pode e deve ser
tratada com carinho e amor pelos membros da comunidade, de forma a
ajuda-la a se relacionar com Deus e deixar o estado de pecado o quanto
antes.
Próximo estudo: A parábola do grão de mostarda (Mt. 13.31,32)

20150812.Estudo PGs 15

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    Estudo PGs 12/08/2015 Tema:As parábolas do Mestre Estudo 8: A parábola do joio O ensino Propôs-lhes outra parábola, dizendo: O reino dos céus é semelhante ao homem que semeia a boa semente no seu campo; Mas, dormindo os homens, veio o seu inimigo, e semeou joio no meio do trigo, e retirou-se. E, quando a erva cresceu e frutificou, apareceu também o joio. E os servos do pai de família, indo ter com ele, disseram-lhe: Senhor, não semeaste tu, no teu campo, boa semente? Por que tem, então, joio? E ele lhes disse: Um inimigo é quem fez isso. E os servos lhe disseram: Queres pois que vamos arrancá-lo? Ele, porém, lhes disse: Não; para que, ao colher o joio, não arranqueis também o trigo com ele. Deixai crescer ambos juntos até à ceifa; e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros: Colhei primeiro o joio, e atai-o em molhos para o queimar; mas, o trigo, ajuntai-o no meu celeiro. Mateus 13:24-30 Entendendo a parábola Esta é uma das várias “parábolas do Reino”, lições utilizadas por Deus para trabalhar o conceito do reino dos céus para os discípulos. Ela sucede a parábola do semeador (Mt. 13.1-23) e é sucedida pelas parábolas do grão de mostarda, do fermento, do tesouro, da pérola e da boa pesca. É também uma das poucas parábolas explicadas no texto bíblico pelo Mestre, nos vs. 36-43, texto este que divide as quatro parábolas agrícolas das outras três (tesouro, pérola e pesca). Jesus novamente utilizou um imaginário conhecido dos discípulos. O trigo era uma planta essencial para os habitantes da região da Judeia, por ser a base da alimentação do povo (a farinha de trigo, como sabemos, é feita para fazer pão). Já o joio é uma planta conhecida por ser uma erva daninha que cresce no meio das plantações de trigo. No início de seu processo de crescimento, ela é incrivelmente parecida com o trigo, chegando a ser chamada de “falso trigo” em algumas regiões. Sua diferenciação acontece apenas quando chega à maturidade e suas espigas florescem, pois são espigas mais delgadas e com
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    apenas um gomo,ao contrário do trigo, com espigas mais alongadas e vários gomos. O joio é considerado uma erva daninha, pois, além de tomar espaço na terra com suas raízes, é suscetível à contaminação por fungos, tornando-a uma planta venenosa. Logo, se o joio contaminado for colhido em conjunto com o trigo, ele pode estragar toda uma colheita de sementes de trigo, gerando prejuízos incalculáveis ao produtor rural. Por conta disso, os produtores de trigo tratam de colher o joio anteriormente à colheita do trigo, de forma a impedir a contaminação da colheita. Com isso em mente, percebemos o extremo conhecimento do Mestre sobre a agricultura local e o seu inteligente uso da imagética agrária para informar várias verdades espirituais para o povo de forma que a entendessem. Um dado importante é que as quatro parábolas agrárias foram ditas ao povo em geral, enquanto as três últimas foram apenas mencionadas aos discípulos. A explicação do Mestre sobre a parábola, então, adota um sentido mais profundo: As sementes de joio, os filhos do maligno (v.38), são plantadas pelo inimigo no meio da plantação de trigo, os filhos do reino, de forma a tentar contaminá-los e estragar a colheita. Fica clara, então, a intenção do inimigo de colocar pessoas no caminho do povo de Deus para tentar desviá-los do seu propósito e fazê-los pecar. Um detalhe importante é que a parábola afirma que a intenção do Mestre não é arrancar o joio antes da ceifa. Ou seja, a intenção é que joio e trigo, os filhos de Deus e os filhos do maligno, vivam em conjunto, até que chegue o fim dos tempos. Quando chegar este ponto, o joio será separado do trigo e lançado no inferno, enquanto o trigo será ajuntado no celeiro do Senhor, o paraíso, a Nova Jerusalém, onde não haverá mais a influência do maligno. Outro ponto a ser destacado na metáfora de Cristo é que o joio não consegue, aparentemente, transmitir sua contaminação fúngica ao trigo, mas sim apenas atrapalhar seu crescimento. Ervas daninhas são prejudiciais ao plantio por tomarem espaço das raízes das demais plantas e sugar importantes nutrientes da terra. Esta é uma situação similar à do crente em Cristo Jesus, que não pode ser mais contaminado pela mancha do pecado original (2 Co. 5.17, Rm. 8.38,39), mas pode ser influenciado pelo inimigo a pecar, afastando-se de Deus, apagando a chama do Espírito Santo e atrapalhando seu crescimento espiritual na Terra. Por fim, cabe notar que a diferenciação entre o joio e o trigo só é possível quando ambos dão seus frutos. Tal ponto é importante na pregação de Jesus, pois ele mesmo afirmou que é pelos frutos que conhecemos a árvore (Mt. 7.15- 20). Joio e trigo são iguais aos olhos humanos, mas quando florescem, seus frutos deixam bem claro qual o tipo de planta. Este padrão de análise é usado por Jesus para diferenciarmos um homem de Deus de um falso profeta, porém pode ser igualmente usado para distinguir um cristão verdadeiro de um falso crente, permitindo-nos agir com a pessoa da forma adequada.
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    A parábola emnossas vidas 1. Como você tem tratado o joio ao seu redor? Muitos cristãos tomam esta parábola como uma desculpa para se afastar dos não crentes, entregando-os à condenação eterna. Porém, é importante notar que o Mestre veio para que todos tivessem a chance da salvação (Jo. 3.16, Rm. 10.13). Por isso Ele não arranca o joio do nosso meio, mas permite que ele viva entre nós: Para que tenham a chance de ouvir o Evangelho e entregar suas vidas nas mãos do Salvador. 2. Você tem medo da contaminação pelo joio? Alguns cristãos, por insegurança ou medo de serem influenciados pelo mundo, afastam-se completamente das pessoas não crentes, impedindo que sejam influências positivas em suas vidas e até mesmo sejam usados por Deus para evangeliza-las. Para entrar na batalha pelas almas perdidas, precisamos estar preparados, mas não podemos ter medo, pois não há nada que possa nos separar do amor de Deus e Ele sempre irá nos capacitar para fazer a sua obra, por mais difícil que seja, nos guardando dos tropeços que possamos vir a incorrer (Judas 24). 3. Como identificar as pessoas que precisam conhecer Cristo? Jesus deixa claro que é pelos frutos que conhecemos a árvore. É preciso saber que muitas pessoas na igreja ainda estão em processo de santificação e, por isso, podem cometer deslizes e incorrer em falhas. O texto bíblico afirma que não é quem peca que se mostra desalinhado com o Senhor, mas quem vive pecando (1 Jo. 3.6 NTLH), quem semeia o pecado, tentando arrastar as pessoas para o caminho da perdição. A forma de atuação para ambas é diferente: As primeiras precisam ser discipuladas, enquanto as segundas precisam ser evangelizadas. 4. A separação será feita pelo Senhor: Jesus afirma no texto que não devemos fazer nenhum tipo de distinção, separação ou segregação do joio na sociedade (e na igreja), pois tal tarefa não cabe a nós. No final dos tempos, Ele irá separar o joio do trigo e dar a eles o final apropriado. Da mesma forma devemos agir, trabalhando na sociedade, em meio ao joio, sem preconceito ou desprezo pelo pecador, dando chance a ele de mudar de vida até que a vinda do Senhor se manifeste. Um adendo: Muitos poderiam interpretar a postura acima como uma justificativa para não se excluir pessoas da igreja (pois arrancar um joio pode levar a arrancar um trigo junto, por suas raízes estarem misturadas). É importante ressaltar que a parábola não fala explicitamente da igreja, mas sim do mundo (Mt. 13.38). Logo, o texto parece falar de uma tentativa de se fundar um reino cristão separado da sociedade neste mundo. Tal tentativa é impossível, pois a separação só se dará no final dos tempos por meio do Senhor. Com relação à igreja, podemos entender que se destina a eliminar do meio as pessoas que ainda não conhecem a Cristo, segregando-as da comunidade. O fato é que o processo de exclusão de uma pessoa do rol de membros nas igrejas batistas é um processo apenas formal, pois os batistas entendem que somente os membros podem votar e decidir os destinos da
  • 4.
    igreja e, paraque este voto seja bem manifestado, as pessoas precisam estar buscando uma intimidade com Deus e seu Espírito. Uma pessoa em pecado obviamente se afasta desta condição e não estaria em condições espirituais para decidir sobre os rumos da igreja. Porém, desligar uma pessoa do rol de membros não significa afastá-la completamente da igreja. Mesmo desligada, esta pessoa pode e deve ser tratada com carinho e amor pelos membros da comunidade, de forma a ajuda-la a se relacionar com Deus e deixar o estado de pecado o quanto antes. Próximo estudo: A parábola do grão de mostarda (Mt. 13.31,32)