Prevenção e Enfrentamento
ao Assédio Sexual e Moral
Programa de Auxílio à Prevenção e de Combate ao Assédio Sexual –
Procuradoria-Geral Federal
ANO 2023
O ASSÉDIO CONTRA MULHERES E
AS ASSIMETRIAS DE GÊNERO
Violência de gênero
O que está por trás: vieses inconscientes, estereótipos e
discriminação
Barreiras invisíveis e adicionais
Empoderamento feminino
Um convite para a ação preventiva
Camila Gomes Peres
Procuradora Federal
Membro do Programa de Auxílio à Prevenção e de Combate ao Assédio Sexual
no âmbito das autarquias e fundações públicas federais
Procuradora-Chefe Substituta da Procuradoria Federal junto à Capes
MULHERES SÃO AS MAIORES VÍTIMAS DE ASSÉDIO
SEXUAL E MORAL
❖Estudo realizado em 2020, pelo Instituto Think Eva:
• 1 em cada 2 mulheres (47%) afirma já ter sofrido assédio sexual no
ambiente de trabalho e
• 1(uma) a cada 6 (seis) pede demissão após o ocorrido.
• 78,4% alegaram que não denunciaram seus agressores pela expectativa da
1) impunidade 2) ausência de políticas eficientes e 3) medo de retaliação.
❖Mulheres também são as principais vítimas do assédio moral,
especialmente em razão de gravidez, do período de amamentação e
responsabilidade e cuidado familiar.
❖Pesquisa VISÍVEL E INVISÍVEL, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública junto ao Instituto Datafolha:
• 47% das brasileiras de 16 anos ou mais indicam ter sofrido assédio sexual.
MULHERES SÃO AS MAIORES VÍTIMAS DE ASSÉDIO
SEXUAL E MORAL
VIOLÊNCIA DE GÊNERO
• Não está não no fato de a vítima ser mulher, mas, sim, por conta de ela ser cometida em razão de
desigualdades, das assimetrias de gênero.
• Quando uma mulher é atropelada no trânsito, não necessariamente estamos falando de violência de
gênero – ainda que haja uma violência e que a vítima seja mulher. Por outro lado, quando uma
mulher sofre ASSEDIO SEXUAL, ela sofre em razão de uma situação de assimetria de poder estrutural,
que cria condições materiais, culturais e ideológicas para que esse tipo de violência – relacionada à
dominação de um grupo – ocorra.
Fonte: Protocolo para julgamento com perspectiva de gênero do CNJ
as mulheres experimentam essas violências de maneira distinta, a partir da incidência de
outros fatores como a raça, a classe social, etc. Mas é algo que todas as mulheres podem
experimentá-lo.
ESTATÍSTICAS DE GÊNERO DO IBGE
MULHERES SÃO MAIS ESCOLARIZADAS, MAS....
❖ocupam apenas 37,4% dos cargos gerenciais
❖ recebem menores salários, mesmo quando ocupam posição
equivalente a de um homem dentro de uma organização (77%)
❖ ocupam menos de 18% dos cargos do parlamento, são apenas
18% de ministras de cortes de justiça e 20% de cargos de nível
seis na administração.
! Precisamos de mais 132 anos para fecharmos a lacuna entre os
gêneros (Fórum Econômico Mundial).
VIESES INCONSCIENTES
ESTEREÓTIPOS DE GÊNERO
CRENÇAS
DISCRIMINAÇÃO
O FATOR CULTURAL
O início do
problema...
Fonte: Cartilha da Petrobrás de Prevenção e combate à discriminação, ao assédio moral e às violências de natureza sexual.
PERSPECTIVA HISTÓRIA
AUTORIDADE X TRABALHO DOMÉSTICO
MATERNIDADE
ESTEREÓTIPO DE GÊNERO NO AMBIENTE DE TRABALHO
ESTEREÓTIPOS DE GÊNERO
VIESES INCONSCIENTES
❖VIÉS DA AFINIDADE
❖VIÉS DE PERCEPÇÃO
❖VIÉS CONFIRMATÓRIO
❖EFEITO DE GRUPO
LIMIAR SOCIOLÓGICO DE 20% PARA INFLUENCIAR A PERCEPÇÃO DO
MUNDO
DISCRIMINAÇÃO
- MENORES SALÁRIOS
- MENOS OPORTUNIDADES EM RAZÃO DA MATERINIDADE
- COMPORTAMENTOS COORPORATIVOS QUE PREJUDICAM AS
MULHERES:
❖ MANTERRUPTING
❖ GASLIGHTING
❖ BROPRIATING
❖ MANSPLAINING
ESTEREÓTIPOS + VIESES INCONSCIENTES + DISCRIMINAÇÃO
=
AMBIENTE PROPÍCIO
PARA O ASSÉDIO
SEXUAL E MORAL
CONTRA MULHERES
=
BARREIRAS INVISÍVEIS
PARA A ASCENÇÃO
PROFISSIONAL DAS
MULHERES
AS BARREIRAS INVISÍVEIS
TETO DE VIDRO,
PAREDE DE VIDRO,
E HOJE FALAMOS
EM LABIRINTO...
Empoderamento feminino
• Movimento pela equidade de gênero em termos
sociais, políticos e econômicos
• Busca assegurar a participação e representatividade
das mulheres em debates públicos e espaços de
decisões que sejam importantes para o futuro da
sociedade, incluindo nos aspectos que estão
relacionados com a mulher
• Agenda ODS 2030 da ONU: Igualdade de gênero
1) Basear nossas relações interpessoais com base no respeito às pessoas e às
diferenças
2) Estarmos alertas para julgamentos automáticos e para nossos
comportamentos, reconhecendo quando estão sob influência de estereótipos,
vieses inconscientes ou preconceitos, de modo que possamos atuar para
superá-los
Não praticar e não ser conivente com qualquer tipo de conduta discriminatória,
assédio moral ou sexual ou outros tipos de violência
Acolher a pessoa que relata ser vítima dessas condutas
COMO PODEMOS COLABORAR
Na prática, alguns exemplos....
- evite piadas e comentários que possam ser desrespeitosos, observações
inadequadas sobre a aparência física ou sobre a personalidade de uma
pessoa
- em reuniões, respeite o espaço de fala diverso e representativo
- expresse de forma assertiva à pessoa quanto a um comportamento
inadequado
- auxilie uma mulher quando ela for interrompida, informando que gostaria
de ouvir a conclusão da sua ideia
- não faça contato físico não solicitado além do formal, com intimidade não
construída
- evite narração de piada ou uso de expressões de conteúdo sexual
- não faça convites insistentes e não solicitados
- pratique o respeito em todas as relações
Não silencie o assédio, denuncie!
Camila Gomes Peres
camilaperes@agu.gov.br
pgf.combateaoassedio@agu.gov.br

1. Material de Apoio - O assédio contra mulheres e as assimetrias de gênero.pdf

  • 1.
    Prevenção e Enfrentamento aoAssédio Sexual e Moral Programa de Auxílio à Prevenção e de Combate ao Assédio Sexual – Procuradoria-Geral Federal ANO 2023
  • 2.
    O ASSÉDIO CONTRAMULHERES E AS ASSIMETRIAS DE GÊNERO Violência de gênero O que está por trás: vieses inconscientes, estereótipos e discriminação Barreiras invisíveis e adicionais Empoderamento feminino Um convite para a ação preventiva Camila Gomes Peres Procuradora Federal Membro do Programa de Auxílio à Prevenção e de Combate ao Assédio Sexual no âmbito das autarquias e fundações públicas federais Procuradora-Chefe Substituta da Procuradoria Federal junto à Capes
  • 3.
    MULHERES SÃO ASMAIORES VÍTIMAS DE ASSÉDIO SEXUAL E MORAL ❖Estudo realizado em 2020, pelo Instituto Think Eva: • 1 em cada 2 mulheres (47%) afirma já ter sofrido assédio sexual no ambiente de trabalho e • 1(uma) a cada 6 (seis) pede demissão após o ocorrido. • 78,4% alegaram que não denunciaram seus agressores pela expectativa da 1) impunidade 2) ausência de políticas eficientes e 3) medo de retaliação. ❖Mulheres também são as principais vítimas do assédio moral, especialmente em razão de gravidez, do período de amamentação e responsabilidade e cuidado familiar. ❖Pesquisa VISÍVEL E INVISÍVEL, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública junto ao Instituto Datafolha: • 47% das brasileiras de 16 anos ou mais indicam ter sofrido assédio sexual.
  • 4.
    MULHERES SÃO ASMAIORES VÍTIMAS DE ASSÉDIO SEXUAL E MORAL VIOLÊNCIA DE GÊNERO • Não está não no fato de a vítima ser mulher, mas, sim, por conta de ela ser cometida em razão de desigualdades, das assimetrias de gênero. • Quando uma mulher é atropelada no trânsito, não necessariamente estamos falando de violência de gênero – ainda que haja uma violência e que a vítima seja mulher. Por outro lado, quando uma mulher sofre ASSEDIO SEXUAL, ela sofre em razão de uma situação de assimetria de poder estrutural, que cria condições materiais, culturais e ideológicas para que esse tipo de violência – relacionada à dominação de um grupo – ocorra. Fonte: Protocolo para julgamento com perspectiva de gênero do CNJ as mulheres experimentam essas violências de maneira distinta, a partir da incidência de outros fatores como a raça, a classe social, etc. Mas é algo que todas as mulheres podem experimentá-lo.
  • 5.
    ESTATÍSTICAS DE GÊNERODO IBGE MULHERES SÃO MAIS ESCOLARIZADAS, MAS.... ❖ocupam apenas 37,4% dos cargos gerenciais ❖ recebem menores salários, mesmo quando ocupam posição equivalente a de um homem dentro de uma organização (77%) ❖ ocupam menos de 18% dos cargos do parlamento, são apenas 18% de ministras de cortes de justiça e 20% de cargos de nível seis na administração. ! Precisamos de mais 132 anos para fecharmos a lacuna entre os gêneros (Fórum Econômico Mundial).
  • 6.
    VIESES INCONSCIENTES ESTEREÓTIPOS DEGÊNERO CRENÇAS DISCRIMINAÇÃO O FATOR CULTURAL
  • 7.
    O início do problema... Fonte:Cartilha da Petrobrás de Prevenção e combate à discriminação, ao assédio moral e às violências de natureza sexual.
  • 8.
    PERSPECTIVA HISTÓRIA AUTORIDADE XTRABALHO DOMÉSTICO MATERNIDADE ESTEREÓTIPO DE GÊNERO NO AMBIENTE DE TRABALHO ESTEREÓTIPOS DE GÊNERO
  • 9.
    VIESES INCONSCIENTES ❖VIÉS DAAFINIDADE ❖VIÉS DE PERCEPÇÃO ❖VIÉS CONFIRMATÓRIO ❖EFEITO DE GRUPO LIMIAR SOCIOLÓGICO DE 20% PARA INFLUENCIAR A PERCEPÇÃO DO MUNDO
  • 10.
    DISCRIMINAÇÃO - MENORES SALÁRIOS -MENOS OPORTUNIDADES EM RAZÃO DA MATERINIDADE - COMPORTAMENTOS COORPORATIVOS QUE PREJUDICAM AS MULHERES: ❖ MANTERRUPTING ❖ GASLIGHTING ❖ BROPRIATING ❖ MANSPLAINING
  • 11.
    ESTEREÓTIPOS + VIESESINCONSCIENTES + DISCRIMINAÇÃO = AMBIENTE PROPÍCIO PARA O ASSÉDIO SEXUAL E MORAL CONTRA MULHERES = BARREIRAS INVISÍVEIS PARA A ASCENÇÃO PROFISSIONAL DAS MULHERES
  • 12.
    AS BARREIRAS INVISÍVEIS TETODE VIDRO, PAREDE DE VIDRO, E HOJE FALAMOS EM LABIRINTO...
  • 13.
    Empoderamento feminino • Movimentopela equidade de gênero em termos sociais, políticos e econômicos • Busca assegurar a participação e representatividade das mulheres em debates públicos e espaços de decisões que sejam importantes para o futuro da sociedade, incluindo nos aspectos que estão relacionados com a mulher • Agenda ODS 2030 da ONU: Igualdade de gênero
  • 14.
    1) Basear nossasrelações interpessoais com base no respeito às pessoas e às diferenças 2) Estarmos alertas para julgamentos automáticos e para nossos comportamentos, reconhecendo quando estão sob influência de estereótipos, vieses inconscientes ou preconceitos, de modo que possamos atuar para superá-los Não praticar e não ser conivente com qualquer tipo de conduta discriminatória, assédio moral ou sexual ou outros tipos de violência Acolher a pessoa que relata ser vítima dessas condutas COMO PODEMOS COLABORAR
  • 15.
    Na prática, algunsexemplos.... - evite piadas e comentários que possam ser desrespeitosos, observações inadequadas sobre a aparência física ou sobre a personalidade de uma pessoa - em reuniões, respeite o espaço de fala diverso e representativo - expresse de forma assertiva à pessoa quanto a um comportamento inadequado - auxilie uma mulher quando ela for interrompida, informando que gostaria de ouvir a conclusão da sua ideia - não faça contato físico não solicitado além do formal, com intimidade não construída - evite narração de piada ou uso de expressões de conteúdo sexual - não faça convites insistentes e não solicitados - pratique o respeito em todas as relações
  • 16.
    Não silencie oassédio, denuncie! Camila Gomes Peres camilaperes@agu.gov.br pgf.combateaoassedio@agu.gov.br