Verdade II

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Verdade II

  1. 1. “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” - João 8:32 http://semprecabe.blogspot.com Ano I • Nº 02 • Novembro de 2009 Editorial Tempos mais que modernos Desde tempos remotos da civilização, quando aprendemos a gravar em livros nossa história, o homem busca conhecer a si mesmo.Ter idéia do que aconteceria, evoluir, aprender e passar o conhecimento às gerações futuras. Na época da Grécia antiga, discutia-se os assuntos em praça pública, de tal forma que todos podiam ouvir e ser ouvidos. Criou-se o conceito Uma das poucas obras do governo na PA 150: falta sinalização e sobram buracos em estrada perigosa de democracia, que vinha do Divisão ocorre pela grego Demos (povo) + Kratos (poder). Antes disso, porém, criaram o conceito de Philosofia falta de recursos (amigo do conhecimento). Naquela época, os gregos refletiam muito acerca do que tinham e chegavam a conclusões que hoje nos pareceriam banais. O Mas isso é conhecido como o berço de todas as ciências. Antes nde se acha justiça em um lugar onde Na contramão do atraso político, há a prosperidade de ser o que é, cada uma delas não há (ou pelo menos não se vê) a financeira em cidades onde as pessoas tem seu veícu- teve o seu desenvolvimento e presença de poder público? É, pode lo próprio, quase não importando qual o ordenado do um conhecimento novo sempre ser que isso soe estranho à primeira mês. Confesso que, em matéria de dinheiro, ganha-se é embasado em uma questão vista, mas não foi o que eu vi durante pouco. Mas, pelo menos em Redenção, quase todas que se prova à exaustão. Logo, uma viagem para o Sul do Pará, no município de Re- as pessoas tem sua moto. Há fartura de possibilidades todo e qualquer conhecimento denção, cidade agradável e segura relativamente, mas de ganho financeiro e moradia não parece ser proble- adquirido é fruto de um onde falta mais ajuste em uma região de conflitos e ma. Afora a parte onde a estrada cruza com Eldorado questionamento filosófico. De necessidades. do Carajás, não há o que comemorar: É pobreza uma verdade que se prova falsa A história começa na falta de sinalização da estrada mesmo. Choupanas tomam conta do canteiro, num ou verdadeira. e os gigantescos buracos encontrados após o muni- valão, e, mais adiante, sem-terras construíram o que O que pretendemos com o cípio de Marabá. Ao se atravessar a primeira ponte, parece ser a casa de palha dos três porquinhos em um blog é justamente isso: Provar nota-se o tamanho do atraso: Apenas uma via de mão terreno que se assemelha a uma vila. um pouco do saber filosófico de direção em uma das cidades mais importantes do Eram poucas as placas do Governo. Porém, as das verdades que pomos à Estado. Dizem que o trem passa ao meio, mas não obras prometidas não tinham nenhum indicativo de prova.Verdade ou mentira, pude ver. Depois dali, é só atraso: O celular não pega importância do povo que ali vive. Mais se tira do que colocamos em pratos limpos os na maioria das cidades que cruzam a estrada, a não se põe de volta, tal como na época da colonização do questionamentos que surgem ser que você tenha ou um TIM ou um Vivo. Embora Brasil. Enquanto gritam os muitos, parece que a única para que você, leitor, veja com a Amazônia Celular tenha sido comprada pela OI, providência no sentido de ajudar aquele povo, foi seus próprios olhos o que é a uma funciona e a outra não. Na pista, os buracos dão alterar o DDD: De 91 para 94. verdade e o que é a mentira. medo em quem se acostumou com algumas estradas E a vida segue assim: Sem motivos para comemo- Convidamos vocês a entrarem do interior da região nordeste. Pior: Os prefeitos dos rar por lá. Até que os barões do Pará resolvam retirar no mundo do conhecimento! municípios daquela região não podem sequer mexer o impecilho e atender as preces daquela região, eles na estrada por se tratar de rodovia, por vezes, Federal. (e nós) teremos perdido muito dinheiro.
  2. 2. 2 • http://semprecabe.blogspot.com Alternância de poder Apoio para e Constituição neles Zelaia pode custar caro Se os militares de outros tem direito de se rebelar contra a mentira, contra ao Brasil a conspiração bem concertada da “esquerda”, países, em outros momentos esse chapelão sob o qual se abrigam o latifundiá- César Maia rio Zelaya, o liberticida clássico Robert Mugabe, da história, tivessem agido do Zimbábue, o coronel Chávez e até ambien- Economista • Ex-Blog como os hondurenhos de talistas e o segundo time vasto dos que “lutam por um mundo melhor”, desatentos ao fato de O Senador norte-americano agora, muito horror teria que o remédio é muito pior do que os males que Richard Lugar (Republicano- pretendem combater. Indiana) terminou seu firme (e sido evitado Sobre Honduras caiu uma tempestade dessas realista) pronunciamento com mentiras. A mãe de todas elas é a que vê um gol- uma exortação para o Brasil Reinaldo Azevedo pe na destituição de Zelaya. Só se pode sustentar ser menos intrometido do que Jornalista • Blog na Veja online que houve um golpe em Honduras ignorando-se vem sendo até este momento. H o que diz a Constituição daquele país. Não é É difícil entender sob que onduras venceu. Hugo Chávez per- por outro motivo que o Plano Arias, base de um preceito do direito internacio- deu. Este é o verdadeiro confronto possível entendimento para pôr fim à crise, já nal o Brasil insiste em apoiar que se trava naquele pequeno país previa a volta de Zelaya à Presidência, mas não e hospedar um homem cuja da América Central: entre o cha- ao poder. O primeiro a reagir contra esse arranjo, irresponsabilidade preten- vismo e o antichavismo. Todas as o Acordo de San José, foi Chávez, o chefe de deu violar a Constituição de armas são válidas contra o bolivarianismo, essa Zelaya. Reconheça-se que faltou o chamado seu país e hoje espera que o exótica mistura de esquerdismo velho, populis- “devido processo legal” para retirar do país o mundo ignore o direito de os mo novo e antissemitismo delirante? A resposta presidente deposto. Mas não faltou para depô-lo. hondurenhos se dirigirem às é não. Só as armas que a democracia represen- Um conjunto de artigos da Constituição justifica urnas eleitorais para recuperar tativa oferece e que são, não por acaso, as mais a deposição, decidida pela Corte Suprema e exe- o destino de seu próprio país. eficientes contra essa trapaça política. cutada disciplinadamente pelos militares. Onde estava o Brasil ou a O único desdobramento, a esta altura impro- Os militares são um capítulo importante OEA, quando o Sr. Zelaya vável, que daria a vitória ao tiranete venezuelano nessa história. Quando Zelaya deu a ordem aos estava procurando um refe- seria a reinstalação, com plenos poderes, de generais para fazerem o plebiscito mesmo contra rendo ilegal para conseguir sua Manuel Zelaya na Presidência e a realização do a decisão da Justiça, eles correram a consultar reeleição? Ambos permane- plebiscito inconstitucional que detonou a crise. uma equipe de advogados. Foram informados ceram silenciosos e ausentes Era essa a proposta do socialista chileno José de que, ao obedecerem à ordem presidencial e na questão da Venezuela, Miguel Insulza, secretário-geral da OEA, e de desafiarem a Justiça, estariam violando a Cons- precursora desta confusão. O Celso Amorim, ministro das Relações Exterio- tituição. Tivessem os homens de farda cumprido desejo de o Brasil permane- res do PT, ideólogo e operador do desastrado a determinação de Zelaya, estaria consumado o cer cego diante dos múltiplos “Imperialismo Megalonanico”, cruza patética de verdadeiro golpe. Se os militares de outros pa- excessos de Hugo Chávez foi Gigante Adormecido com Anão Hiperativo. íses, em outros momentos da história, tivessem maior do que seu papel de cão A despeito de muito sofrimento, Honduras agido como os hondurenhos de agora, muito de guarda na região. sairá desta crise com o triunfo de dois princípios. horror teria sido evitado. O Presidente Lula, seu O primeiro é o da subordinação dos Poderes a O Brasil sai diminuído dessa história. Em infeliz Chanceler Amorim e o uma Constituição democraticamente instituí- nome da “democracia”, permite que sua embai- nefasto Marco Aurelio Garcia da. O segundo é o princípio da alternância do xada se transforme em base de uma tentativa de são claramente parte do poder. Os bolivarianos só dão por realizado seu levante. Ao agir assim o Brasil rasgou a Conven- problema e não parte de sua propósito quando conseguem sabotar esses dois ção de Viena e a Carta da OEA. Paradoxalmente, solução. Estes três brasileiros pilares. Negue-se isso a eles e suas bravatas, suas exigiu dos “golpistas” o respeito, que é devido, deveriam preocupar-se mais bandeiras, suas tropas de choque, seus jornalistas à inviolabilidade da representação diplomática. com o precedente que criam de aluguel vão se desbotando até sumir na paisa- Ora, é apenas má propaganda exigir de “golpis- todos os dias, ao ignorarem gem da própria insignificância. tas” – que, em o sendo, não teriam compromisso as violações de Chávez a cada A pobre Honduras foi o primeiro país a dizer com formalidades – o respeito às leis, enquanto cláusula da Carta Democrá- “Não!”, para escândalo das entidades multilate- como país democrático o Brasil se sinta livre tica da OEA que permaneça rais, imensas burocracias repletas de si mesmas e para desrespeitá-las. O que se desenha é um con- no seu caminho – e contra o de antiamericanismo. A resistência dos hondure- fronto entre “golpistas decorosos” e “democratas óbvio desejo – de milhões de nhos nos alerta para o fato de que a democracia criminosos”? Servir a Chávez está enlouquecen- hondurenhos. tem direito legítimo à rebelião. A democracia do nossa diplomacia.
  3. 3. http://semprecabe.blogspot.com • 3 thalesbruno@yahoo.com.br  Sexo no Celular - Essa cena todos já viram. A primeira vez que aconteceu no Brasil foi no sul - e lá as crianças precisa- ram mudar de cidade. Agora foi a vez de Belém. Os jovens bem sabiam do risco que corriam. Claro, não foi a primeira vez. (out/2009)  Nicarágua: Constitui- ção do país desrespeitada pelo STF de lá. (César Maia Na Argentina não há - out/2009)  Brasil: Gari tenta sacar R$ 2 e recebe mais de ordem para as coisas R$ 5 mil. Ele devolveu o valor excedente (O Globo - out/2009)  Nobel de Gorbatchev Artigo de Eduardo Fidanza sistível e alcançou na Argentina níveis intoleráveis. Implica, como tantas vezes se tem repetido, numa - É fato que o ex-líder soviéti- co foi agraciado com o Nobel para o La Nación, periódico confusão entre Estado, Governo e Partido. Chegar ao da Paz por defender reformas governo supõe apropriar-se do Estado como instru- como a Glasnost e a Perestroika, de maior circulação da mento arbitrário de acumulação de poder. que culminaram com o fim do Argentina, sobre Anormia. O sexto é a deserção do Estado de suas funções básicas. Lá se vão duas décadas que nossa classe diri- comunismo no leste europeu. (out/2009) gente discute se o Estado deveria intervir ativamente O primeiro e talvez o mais grave definiu o histo- na economia ou deveria limitar-se a garantir serviços  Kruschev também foi razo- riador Tulio Halperín Donghi: “Se há um elemento essenciais. Tivemos uma década para cada posição. ável no episódio dos mísseis em que caracteriza a vida política argentina é a recí- O sétimo é a fragmentação e perda de identidade Cuba e merece certa distinção proca negação de legitimidade das forças que nela das forças políticas. A decadência dos partidos, o uso por retirá-los. (out/2009) se enfrentam, agravada porque estas não coincidem arbitrário do poder estatal, as máscaras do peronismo, nem nos critérios aplicáveis para reconhecer essa os problemas da UCR para governar, a inexistência  Divisão do Estado legitimidade”. de direita e esquerda apresentáveis, entre outros, pro- - Quem já viajou pelas estradas O segundo é consequência do primeiro. Chama- duziram a atomização e a dissolução das identidades que ligam a região metropolitana rei de demarcação de territórios. As elites argentinas, políticas. ao sul do Estado sabe: O Pará como animais, fixam obsessivamente os limites de O oitavo é o autismo. As elites, enrascadas em suas precisa ser dividido. Porém, há seus espaços de ação e pretendem reinar sem intro- lutas facciosas, perderam a noção de que vivem em o perigo que o novo estado do missões ou limites. uma região com graves problemas. Com isso há uma Carajás continue deixando seus O terceiro é o descolamento entre poder e autorida- perda de tempo (se não imbecilidade) em viver dila- concidadãos às escuras, por falta de. Como ninguém reconhece legitimidade ao outro, pidando oportunidades, debatendo temas do passado, (ou malversação) das verbas na Argentina cada setor se dedica a exercer o poder. praticando a desunião e dando as costas à realidade. para corrigir seus problemas. O poder sem legitimidade reduz-se à pura força. Há O nono é a desigualdade. É certo que se trata de Quando se os resolverão? que ser prepotente, avançar, apertar, atropelar, ocupar um problema mundial de difícil solução, mas a Ar- (nov/2009) espaços, depredar. gentina é o país que se tornou mais desigual em me- O quarto é a falta de consenso a respeito do perfil nos tempo.  Verdades - Lula está com institucional do país. A classe dirigente não se põe de O décimo fator é um signo de governos irresponsá- um problemão. Pergunta que acordo com que tipos de instituições deveriam reger veis. Quando a economia vai bem, se gasta e reparte não quer calar: Porque, no caso a sociedade. sem prever tempos piores. Se induz a crer que não há dos atletas cubanos, não agiu de O quinto é a utilização do Estado para fins partidá- limites. Quando o bom tempo termina, cada setor se crê forma semelhante? (nov/2009) rios. Esse fenômeno é, em geral, uma tentação irre- com o direito a seguir reclamando a quota prometida
  4. 4. 4 • http://semprecabe.blogspot.com Inversão de valores A imprensa é uma defensora cípio baseado na expressão majoritária da sejam fabricantes de uma consciência falsa democracia, ou seja, o tenso contraponto no público, aplicada por seus proprietários, dos interesses da sociedade. entre o público e o privado, a soberania do a distância é curta. Se esta não pode defender povo, que se manifesta pela maioria, tem Se as verdades são só aquelas que àquela, pode-se dizer que se a faculdade de influir com energia sobre a transmitem os governantes é lógico pensar opinião. A capacidade de síntese com que que as imagens que circulam na sociedade está em uma ditadura. Este é Perón resumia suas ideias é demonstrada sejam produto de um engano deliberado. o expediente de maus atores. nesta frase de 1951: “A preparação da Rompida esta membrana, a verdade do po- opinião pública em um país soberano é der poderá refulgir sem intermediários, em Natálio Botana parte da soberania que exerce o governo”. um vínculo transparente com o povo que o Especial • La Nación Em resumo: é a articulação estatal sobre elegeu. Os problemas explodem quando os os meios de comunicação, reduzidos a um governantes sofrem a inclemência de uma P aparato oficial de difusão. realidade que não se ajusta a esses esque- olíticos do governo e da oposi- É difícil encontrar nas experiências con- mas. Nesta encruzilhada entre o que é e o ção coincidem num ponto: a lei cretas das democracias uma circunstância que o poder supõe ser, se agita e estremece de controle dos meios audiovi- na qual prevaleça absolutamente uma ou o ânimo por alcançar o triunfo eleitoral. suais é um suporte estratégico outra concepção. Os comportamentos Há 60 anos já se dizia que a Argentina dos Kirchner para a eleição pre- — privado e público — estão misturados. possui um sistema que não reconhece sidencial de 2011. A distância da eleição e A dinâmica da imprensa privada, guiada lealmente a derrota. Esse sistema ainda a proximidade dessas manobras mostram pela inovação, conduz ao crescimento e a persiste. A eleição parlamentar de junho que a sucessão segue sendo um assunto expansão. A dinâmica do poder do Estado traçou limites e mostrou a necessidade de traumático. Essa sucessão tão distante está conduz a aplicar regulações. Os efeitos pactuar políticas, mas a resposta do gover- provocando um enorme desperdício de estatizantes são muito mais graves quando no foi saltar para frente e desconhecer o esforços quando deveria estar tratando do os governantes assumem o cargo presi- que realmente ocorreu, agregando que esse federalismo, reforma tributária, política dencial com uma espécie de mandato de resultado eleitoral foi apenas o produto das energética e pobreza. Tudo está suspenso refundação do país, baseado em uma ver- deformações instrumentadas pela impren- em nome da eleição de 2011. A imposta- dade superior a de seus contrários. Daí a sa. Com teoria semelhante, a vontade livre ção do temperamento hegemônico sobre estabelecer que os meios de comunicação do povo e a autonomia da cidadania têm o republicano de nossa democracia relega escasso valor. Esses atributos só são valio- a um segundo plano o que é vital, sos quando se acoplam à von- enquanto se esquentam os motores tade do governante. Ainda há das eleições. tempo de mudar esse rumo. Esse debate remonta a duas con- Do contrário, nosso regime cepções dos séculos 18 e 19. Uma é o constitucional corre sérios ris- princípio da legitimidade do governo cos de empantanar-se depois limitado: o monopólio mais perigoso de 10 de dezembro (posse dos é o monopólio dos governos. A lei novos parlamentares). Ruge deve ter a virtude suficiente para cor- o leão? Ou é tão só um gato tar as asas da concentração do poder, encurralado que lança rugidos em especial do Estado. Outra é o prin- sem tom nem som? Campanhas mos- tram o que seria do mundo sem a imprensa.

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