A Contribuição dos Sistemas de Classificação para a Tecnologia BIM

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A Contribuição dos Sistemas de Classificação para a Tecnologia BIM

  1. 1. V TIC - Salvador, Bahia, Brasil, 4 e 5 de agosto de 2011A CONTRIBUIÇÃO DOS SISTEMAS DE CLASSIFICAÇÃO PARA A TECNOLOGIA BIM - UMA ABORDAGEM TEÓRICA Julio Cesar Bastos Silva Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil, UFF jcbastos@gmail.com Sérgio Roberto Leusin de Amorim Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil, UFF Grupo de pesquisa NITCON sergio.leusin@gmail.comResumoA indústria da Construção Civil brasileira passou por um período de estagnação por 20 anos que causou umadormência em seus processos produtivos. Por volta do ano de 2005, a retomada do aquecimento da economiabrasileira em bases sólidas, além de políticas de incentivo para o setor de construção alavancaram o setor emritmo acelerado. Tendo em vista que o setor AEC é uma das bases da economia, o Governo Federal brasileiroestabeleceu um plano de metas a serem alcançadas com o objetivo de modernizar a indústria estabelecendoformas sustentáveis de financiamento, capacitação de mão-de-obra, promoção da industrialização da construçãoe incentivo e difusão da tecnologia industrial. Uma das ações estabelecidas para ajudar a atingir esses objetivosfoi a intensificação do uso de tecnologias da informação e dentro desta ação, fazia-se necessária a implantaçãode normas técnicas que suportassem a tecnologia BIM e a adoção de um sistema de classificação decomponentes da construção. O objetivo deste artigo é apresentar o processo de modelagem de um sistema declassificação da informação da construção que visa contribuir para a implantação de um novo paradigmatecnológico, o Building Information Modeling, modernizando os processos de planejamento, projeto, construção,operação e manutenção através de um sistema de classificação que represente a complexidade dos processos dosetor. O estudo baseia-se na análise de outros sistemas de classificação internacionais e de sistemas já utilizadosno Brasil e o impacto da adaptação de um sistema de classificação estrangeiro como base para um sistemanacional. A conclusão deste artigo indica que a implantação de um sistema de classificação da informação daconstrução pode ter impacto positivo na indústria AEC brasileira, pois a padronização de referência aoscomponentes da construção tem interface direta nas melhores práticas em todo o ciclo de vida doempreendimento.Palavras-chave: BIM. Sistema de Classificação. Processo de Projeto. Modelagem da Informação.AbstractThe Brazilian construction industry has been stand still for 20 years which caused a freezing period in theirproductive processes. Around year 2005, the recovering of the economy at solid basis, further encouragementpolicies for the construction segment quickly increased it. As a common knowledge that the AEC industry is oneof the economy basis, the Brazilian government launched a strategic plan in order to modernize constructionindustry establishing sustainable financing programs, manpower training, construction industrializationpromotion and industrial technology outspreading. One of the demands to be reach was the intensifiedinformation technology use and the approach to it was the implementation of BIM supported standards and theadoption of a classification system for building information. The aim of this paper is to present the modelingprocess of a classification system for building information which will contribute to the implementation of a newconstruction paradigm, the Building Information Modeling, modernizing the building lifecycle processes throughthe complex industry processes represented by the classification system. The study was based in anotherinternational classification systems analysis and Brazilian systems still in use and a foreign classification systemadapting impact as a model for a national classification system. The conclusion of this paper indicates that aclassification system for building information implementation may have a positive impact on the Brazilian AECindustry since construction components standards directly interfere in the best practices of the building lifecycle.Keywords: BIM. Classification System. Project Process. Information Modelling.
  2. 2. V TIC - Salvador, Bahia, Brasil, 4 e 5 de agosto de 20111 INTRODUÇÃOComo parte das demandas apresentadas pela Política de Desenvolvimento Produtivo doMinistério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior voltadas para o setor AECbrasileiro, uma das ações pretendidas para o processo de modernização do setor AECbrasileiro recai na adoção da tecnologia BIM. Concomitante a esta ação estratégica foramnecessárias adoções de medidas complementares que dessem suporte à tecnologia como aimplementação de um sistema internacional de classificação adaptado às demandas brasileiraspara o sucesso do cumprimento das metas estabelecidas.O objetivo desse trabalho é apresentar as ações que foram necessárias para embasar oprocesso de modelagem de um sistema de classificação da informação da construção quevenha a contribuir para a implementação do Building Information Modeling e como semodifica a estrutura organizacional e os processos de produção de um empreendimento naforma como são concebidos hoje em dia. O presente trabalho apresenta um fator limitador,tendo em vista que os trabalhos do órgão normativo brasileiro ainda estão emdesenvolvimento e não é possível afirmar que a conclusão do presente trabalho venha a serexatamente a mesma da proposta pela comissão constituída por este órgão normativo, comparticipação de outras entidades do setor construtivo nacional. Entretanto, como as diretrizesprincipais já foram apresentadas para consulta pública, os riscos de insucesso foramminimizados, mesmo que o tempo de desenvolvimento deste trabalho seja menor que odesenvolvimento dos trabalhos relativos à comissão do órgão normativo nacional.Para desenvolver este trabalho foram necessários os estudos dos sistemas de classificaçãomais relevantes utilizados à nível mundial e os sistemas de classificação existentes no Brasil.O resultado dessa pesquisa é a descrição de como o órgão normativo nacional e as entidadesque integram a indústria AEC brasileira propõem esse novo sistema de classificação, que temcomo missão traduzir as complexidades inerentes do setor construtivo para estabelecer umalinguagem única, através de um modelo bem definido de operação e que venha a facilitar epadronizar a interoperabilidade entre os instrumentos de produção e gerenciamento deprojetos.2 SISTEMAS DE CLASSIFICAÇÃO2.1 DefiniçõesSegundo Lopes (2003), um sistema se propõe a ordenar e hierarquizar o objeto de estudo,dividindo por classes e/ou princípios de especialização, agrupando-o de forma coerente e defácil entendimento e, evitando por parte do interlocutor desse objeto de estudo, interpretaçõesdúbias.No que refere-se à classificação, para Bailey (1994), a classificação é tanto o processo quantoo resultado da representação criteriosamente ordenada dos elementos ou casos de umuniverso. Esta análise sintetiza o processo descrito por esse trabalho, onde as análises dasestruturas de outros sistemas e suas adaptações à realidade nacional, em si, se tornavam umprocesso de classificação de terminologias que foram utilizadas para a construção de um novosistema.2.2 SISTEMAS INTERNACIONAIS • OMNICLASSA OMNICLASS pode ser definida de maneira simplificada, como um padrão de toda ainformação para a construção (OMNICLASS, 2011). Sua abordagem vai desde a organização
  3. 3. V TIC - Salvador, Bahia, Brasil, 4 e 5 de agosto de 2011do conjunto de materiais e produtos até os descritivos de projeto. Sua estrutura mescla aclassificação facetada e a classificação hierárquica, constituída de 15 tabelas representativasdas diferentes facetas de informação dos objetos construtivos, que podem ser utilizadas deforma independente ou combinadas. • MasterformatMasterFormat é a lista principal das terminologias e codificações usados para organizar asespecificações e outras informações de projeto para a maioria dos projetos de edifícioscomerciais, desde a concepção até a construção na América do Norte para organizar dadossobre os requisitos de construção, produtos e atividades e ao padronizar essas informações,facilita a comunicação entre arquitetos, especificadores, empreiteiros e fornecedores,colaborando com o cumprimento dos requisitos de construção dos proprietários, cronogramase orçamentos. • UniformatUniFormat é um método de organização de informações de construção com base emelementos funcionais ou partes de uma instalação, caracterizados por suas funções, sem levarem conta os materiais e métodos utilizados para alcançá-las. Estes elementos são muitas vezesreferidos como sistemas ou conjuntos. A abordagem do UniFormat para a organização dedados também é importante para o desenvolvimento contínuo da modelagem da informaçãoda construção (BIM), pois com a sua organização do sistema, permite que objetos sejaminseridos antes que suas propriedades sejam definidas. • EUROCODESOs EuroCódigos Estruturais (conhecidos como EuroCódigos) são um conjunto de dez normaseuropéias que contêm regras comuns para o projeto estrutural de edifícios e estruturas deengenharia civil. Os EuroCódigos são aplicáveis às estruturas de conjunto e aos elementosindividuais de estruturas e servem para o uso de todos os principais materiais de construçãocomo cimento, aço, madeira, alvenaria e alumínio. • SICAEO SICAE – Sistema Informação da Classificação Portuguesa de Atividades Econômicas - éum departamento do Ficheiro Central de Pessoas Coletivas (FCPC), que integra, numa únicabase de dados, a informação sobre o código da Classificação Portuguesa das AtividadesEconômicas (CAE) das empresas e entidades de classe. O SICAE, localiza-se na Internet(www.sicae.pt), para obter informação atualizada sobre o código CAE de qualquer empresa,associação, fundação e demais pessoas jurídicas e entidades de classe, evitando as não-conformidades nos códigos CAE atribuídos a essas entidades por diferentes serviços doEstado. A classificação Portuguesa de Atividades Econômicas (CAE), interrelacionada emtermos estruturais e conceituais com a Nomenclatura das Atividades Econômicas da UniãoEuropéia (CAE-Rev.3) e com a Classificação das Atividades das Nações Unidas (CITA-Rev.4), estabelece o conjunto das atividades econômicas que podem ser prosseguidas poragentes econômicos, ajustado às necessidades nacionais. Nesta medida, a CAE permiteprosseguir diferentes objetivos, quer ao nível da análise estatística, quer ao nível daregulamentação de atividades econômicas. • JCCSSegundo Terai (2008), o Sistema de Classificação para informação da Construção Japonesa(Construction information Classification System in Japan) foi baseado na ISO/ PAS 12.006-2com o objetivo de desenvolvimento de um sistema padronizado de classificação baseado em
  4. 4. V TIC - Salvador, Bahia, Brasil, 4 e 5 de agosto de 2011estrutura orientada a objeto para ser usado como tradução intermediária / sistema demapeamento para os sistemas existentes continuarem sendo utilizados, sem interferir nasrotinas culturais do setor de construção.2.3 Sistemas Existentes Nacionais • SISMICATO SISMICAT - Sistema Militar de Catalogação foi criado em 1982 em um processo que seiniciou em 1968 com a criação da Comissão Permanente de Catalogação de Material peloEMFA. O objetivo do SISMICAT é o de identificar, classificar e codificar os itens desuprimentos das Forças Armadas brasileiras. Visando manter uma interface aos padrões dobloco militar a que o Brasil pertence, em 1997 o Estado Maior das Forças Armadas assinaacordo com a Agência de Abastecimento e Manutenção da OTAN, adotando o SistemaOTAN de Catalogação.O Governo Federal adotou o sistema como padrão de classificação, e apesar possuir de umaestrutura coerente à sua função sistêmica, o SISMICAT não atendeu o setor da Construçãocomo padrão. • SINAPIO Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil – SINAPI – éresponsável pela realização de pesquisas mensais que informam os custos e índices daconstrução civil. Implantado em 1969, o sistema calcula custos para projetos residenciais,comerciais, equipamentos comunitários, saneamento básico e emprego e renda urbana e rural.A Caixa Econômica Federal (CEF) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)são os órgãos responsáveis pela publicação desses resultados e também pela manutenção,atualização e aperfeiçoamento dos cadastros técnicos, métodos de cálculo e controle dequalidade das informações. Mensalmente, a rede de coleta do IBGE avalia em todas ascapitais brasileiras os preços de materiais e equipamentos de construção, além dos salários dascategorias profissionais em estabelecimentos comerciais, industriais e sindicatos daconstrução civil.A CEF é responsável pela manutenção da base técnica de engenharia, base cadastral de coletae métodos de produção. • SEAPA Secretaria de Estado de Administração e Patrimônio estabeleceu as normas sobre Práticasde Projeto, Práticas de Construção e Práticas de Manutenção, hoje vigentes na AdministraçãoPública Federal, e que foram atualizadas considerando os avanços tecnológicos ocorridos nosúltimos anos a respeito de projeto, construção, manutenção e demolição de edifícios públicos,constituindo precioso material de consulta para os profissionais e empresas do setor. Os trêsmódulos específicos em que se estruturam as mencionadas normas agrupam disposições sobreas atividades de manutenção, com vistas à preservação do desempenho, prolongamento davida útil, redução do desperdício e dos investimentos na recuperação dos edifícios públicos.Constituem, também, motivo de permanente preocupação, os aspectos inerentes a garantia econtrole de qualidade, preservação do meio ambiente, segurança e saúde do trabalhador,conservação de energia e eliminação de barreiras arquitetônicas ao acesso de deficientesfísicos, entre outros.
  5. 5. V TIC - Salvador, Bahia, Brasil, 4 e 5 de agosto de 20113 A PROPOSTA DE CLASSIFICAÇÃO NACIONAL3.1 Processo de Normalização do Sistema de Classificação BrasileiroDesde o ano 2000, os sistemas de classificação são estudados dentro da academia brasileiraatravés de projetos de pesquisa. O CDCON – Desenvolvimento de Terminologia eCodificação de Materiais e Serviços para a Construção, ANTAC (2006) propunha umacontribuição para o desenvolvimento de terminologias e de um sistema de classificação combase na norma ISO PAS 12006-2, além de pesquisas bibliográficas, dados públicos e privadose consultorias com especialistas. De acordo com Marchiori (2009), sua estrutura nãoconseguiu atingir o mercado da construção como um todo nem se tornou uma normabrasileira de codificação e classificação, em virtude de dois fatores preponderantes: a ausênciada ABNT no processo de normalização à época contribuiu para o esvaziamento do processopor parte das entidades representativas do setor e apesar de terem demonstrado interesse pelosresultados, as instituições não se motivaram a dispender recursos humanos e financeiros demodo que o projeto pudesse ser viabilizado (HABITARE, 2006, vol.6, p.215).Com a adoção da tecnologia BIM pelas empresas do setor de construção, fez-se necessário umprocesso de criação de um sistema de classificação nacional que desse suporte a indústria, demaneira a consolidar a tecnologia para o setor, dentro de parâmetros eficazes, seguros e defácil aplicação.3.2 O Papel da ABNT e da Comissão de Estudos Especiais 134No ano de 2009, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior estabeleceuuma agenda de ações denominada Política de Desenvolvimento Produtivo - PDP - setorial daConstrução Civil, com o objetivo de aumentar a competitividade e melhoria da produtividadeatravés de uso mais intenso de ferramentas de Tecnologia da Informação.Uma das metas estabelecidas para alcançar os objetivos firmados no PDP, a difusão datecnologia BIM – Building Information Modeling (Modelagem da Informação da Construção)foi um dos caminhos encontrados como forma de impulsionar esse processo de modernização.Observando o cenário do setor àquela época, o MDIC destacou a importância da definição deum padrão nacional e seu respectivo sistema de classificação de componentes da construção,tendo em vista a necessidade de suprir esta lacuna de falta de padrões de referência nacionaispara os arquivos BIM., A Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT – foi convidadapara direcionar o desenvolvimento dos trabalhos, de forma a organizar e mediar o plano deação para atender as demandas do MDIC. Foi então criada a Comissão de Estudo Especial134, reunindo agentes fornecedores, consumidores e neutros do setor AEC (público eprivado), que passou a ter como objetivos normativos a simplificação, voluntariedade,atualização, representatividade, paridade, transparência e consenso de forma a conferircredibilidade a todo o processo. Para que esse princípios sejam atingidos, os textos pré-aprovados são submetidos à consulta pública, que é divulgada através de publicação no DiárioOficial para que toda a sociedade possa opinar e levantar questões que possam enriquecer oprocesso de normalização como um todo.3.3 PROPOSTA ESTRUTURAL DAS CLASSIFICAÇÕESPara que o sistema de classificação da informação da construção atendesse de formasatisfatória os diversos agentes AEC, fez-se necessária a análise da estrutura que melhorservisse aos interesses da indústria brasileira, levando-se em conta suas peculiaridadesregionais. Obviamente, um país de dimensões continentais como o Brasil e culturalmentediversificado, impunha obstáculos claros no que se referia ao atendimento de todas essas
  6. 6. V TIC - Salvador, Bahia, Brasil, 4 e 5 de agosto de 2011peculiaridades e essas adaptações foram retiradas do escopo de análise. De acordo com oCDCON (2003) o desenvolvimento de normas para a estrutura de codificação, padronizandoconteúdos e terminologias mas deixando aberta possibilidades de inclusão de facetaspertinentes a cada etapa do processo de construção foi a ação mais viável para a organizaçãode um sistema nacional. Outra ação pertinente foi a integração, através dessa estrutura declassificação, da indústria de materiais e componentes aos profissionais do setor de projetos,pelos conjuntos de objetos paramétricos associados aos descritivos fornecidos, criando assim,as bibliotecas BIM. A partir do momento em que esses processos de formação de conteúdosfossem normalizados, automaticamente os processos de projeto e especificações ganhariamrespaldo jurídico, pois a plataforma BIM oferece a possibilidade da rastreabilidade doprocesso de produção e da tomada de decisão baseada na aplicação das melhores práticasdentro do processo.Em virtude da necessidade de estar em concomitância com os padrões adotadosinternacionalmente, uma das decisões naturais seria a da tradução da norma internacionalISO/PAS 12006-2 como base para o estudo de uma estrutura normativa nacional, além deoutros sistemas de classificação internacionais. Baseando-se na estrutura da ISO/ PAS12.006-2, chegou-se a conclusão que subdividir a estrutura em seis níveis básicos declassificação da informação da construção era a melhor forma de organizar as terminologiasde acordo com seus níveis macro de especialização que foram divididos da seguinte maneira: 1. Características dos Objetos; 2. Processos da Construção; 3. Recursos da Construção; 4. Resultados da Construção; 5. Unidades da Construção e Espaços da Construção; 6. Informação da Construção; Característica dos Materiais M 0 Objetos Propriedades P Fases F 1 Processos Serviços S Disciplinas D Funções O 2 Recursos Equipamentos Q Componentes C Elementos E 3 Resultados Resultados R Unidades da Unidades U 4 Construção e Espaços Espaços A Informação da 5 Informação I Construção Figura 1 - Terminologias dos princípios de especialização Fonte: ABNT CEE-134, 2010
  7. 7. V TIC - Salvador, Bahia, Brasil, 4 e 5 de agosto de 2011Essa subdivisão foi confrontada com a estrutura proposta pela OMNICLASS de forma aestabelecer um modelo de correlação de tabelas onde fossem estabelecidas a nomenclaturadas fases de acordo com seus princípios de especialização, conforme é apresentado na Figura1, onde, na coluna da esquerda, apresenta-se o código da tabela e o princípio deespecialização e na coluna da direita, apresenta-se a que se refere cada fase e a sua referidainicial.4. DISCUSSÃO DOS IMPACTOS POTENCIAIS4.1 A Importância da Norma Técnica NBR-ISO 12.006-2:2010 Construção de Edificação– Organização de Informação da Construção – Parte 2: Estrutura para Classificação deInformaçãoDe acordo com ABNT (2009), as classificações mais utilizadas são de serviços(especialmente para especificações) e de elementos (principalmente para análise de custos).Estas também são as que apresentam maior grau de variação, não apenas em sua itemização eestrutura, mas também no âmbito de outros propósitos para as quais elas são aplicadas.Com a pluralização da informação sobre o BIM, o foco sobre produtos e propriedades dosobjetos da construção, externou ainda mais a necessidade de uma norma técnica que fosse umdos suportes da tecnologia.O Building Information Modeling é uma tecnologia que processa dados de diferentescaracterísticas. Geometria, custos, informações técnicas, cronogramas, especificações sãoalguns dos dados processados e necessitam de uma organização simples e direta para quesejam utilizados de maneira adequada junto aos aplicativos operacionais. Para a ABNT(2009), o objetivo da Parte 2 da NBR 12.006 é definir a estrutura e o conjunto de títulosrecomendados de tabelas apoiados por definições, em que se destina o uso por organizaçõesque desenvolvem e publicam sistemas de classificação e tabelas em âmbito nacional ouregional, identificando as classes para a organização da informação e indicando a interrelaçãoentre elas. Apesar de não definir um sistema para classificação completo, definiu a base que aproposta da norma que estabelece o sistema de classificação da informação da construçãobrasileiro fosse consolidada, apesar de não oferecer uma classificação hierárquica e facetadacomo o OMNICLASS. Essa flexibilização da produção das tabelas constitutivas do sistemaque está em proposição pelo órgão normativo nacional e embasado na NBR ISO 12006-2:2010, desde que fossem utilizados os princípios de especialização aplicados à classe dosobjetos, é que conferiram ao processo de normalização a confiabilidade de que o sistema declassificação da informação brasileiro precisava para atender de maneira satisfatória aindústria AEC.A NBR 12.006-2:2010 estabeleceu que o escopo das tabelas apresentassem o tema, a classe, oprincípio de especialização e a tabela de referência como forma de organizar o sistema, videFigura 2 a seguir.
  8. 8. V TIC - Salvador, Bahia, Brasil, 4 e 5 de agosto de 2011 Temas Classe Princípio de especialização Tabela de referência Forma A.1 Unidade de construção Atividade ou função de usuário A.2, A.6 Complexo de construções Atividade ou função de usuário A.3, A.6 Resultado da Construção Grau de fechamento A.4 Espaço A.5, A.6 Atividade ou função de usuário Classificada pelas tabelas relacionadas de Parte de unidade de construção elementos, elementos projetados e A.7, A.8, A.9 resultados de serviço de construção Função característica predominante da Elemento A.7 unidade de construção Elemento projetado Elemento por tipo de serviço A.8 Resultado de serviço de construção Tipo de serviço A.9 Processo de gerenciamento Tipo de processo A.10 Classificado por tabela relacionada de Processo Processo de construção A.9 resultados de construção Etapa do ciclo de vida de unidade de Caráter geral dos processos durante a etapa A.11 construção Etapa de projeto Caráter geral dos processos durante a etapa A.12 Produto de construção Função A.13 Recursos Apoio à construção Função A.14 Agente da construção Disciplina A.15 Informação da construção Tipo de mídia A.16 Propriedade Propriedade/característica Tipo A.17 Figura 2 – Princípios de especialização aplicados às classes de objetos Fonte: ABNT CEE-134, 20104.2 Para que Serve o Sistema de Classificação e seu Impacto na InteroperabilidadeSegundo Fraga e Amorim (2007), a carência de uma padronização de terminologias no setorde AEC dificulta a comunicação e a integração entre sistemas operacionais, gerenciais eadministrativos, prejudicando a uniformização e contextualização da linguagem textual econceitos e, consequentemente, a interoperabilidade e adequada utilização das NTI´s existenteno mercado atual. Os sistemas de classificação têm na sua essência, a capacidade de criarclasses de objetos e relacioná-las aos objetos em si. Esse relacionamento entre as classes dosobjetos construtivos permite a criação de ontologias que ordenam todo um ambiente determinologias específicas de modo que sejam acessadas de maneira facilitada por todos osagentes da cadeia de produção. Essa padronização de nomenclaturas se tornará a base para aorganização e gerenciamento das informações, facilitando a gestão de projetos e ainteroperabilidade entre sistemas dando suporte ao BIM na aplicação prática desses processos.Em face da utilização da extensão *.ifc para a intercambialidade entre aplicativos BIM, osistema de classificação atua como interlocutor na leitura desta extensão em relação aocontexto brasileiro para designação dos componentes construtivos.Sendo assim, podemos afirmar que a importância do sistema de classificação reside no fatoque a interoperabilidade entre sistemas, dentro da indústria AEC, decorrente dele, ocasiona:diminuição de perdas, diminuição do re-trabalho, melhora a produtividade e eleva os ganhosreais do empreendimento.
  9. 9. V TIC - Salvador, Bahia, Brasil, 4 e 5 de agosto de 20115 CONCLUSÃOO tempo de desenvolvimento deste trabalho foi menor que o tempo de desenvolvimento dostrabalhos da ABNT CEE-134, que ainda estão em andamento. Entretanto, em virtude daABNT CEE-134 já ter aprovado a NBR-ISO 12.006-2:2010, a estrutura do escopo da NormaTécnica do Sistema de Classificação e já ter colocado em consulta nacional a primeira partedesta nova Norma Técnica, o resultado esperado pelos autores é que esse trabalho venha acontribuir para que o sistema de classificação seja plenamente difundido e seja relevante paraa indústria AEC brasileira e que a tecnologia BIM tenha um suporte significativo a partir domomento em que parâmetros de codificação e nomenclatura consistentes para sua utilizaçãoestejam normalizadosEspera-se também que, futuramente, após a implantação das normas técnicas regulando atecnologia BIM, seja possível integrar as terminologias e codificações das classes de objetos eos descritivos de especificação do SINAPI com essas normas, envolvendo cerca de 7200componentes da construção, de forma a facilitar e agilizar assim a análise de projetoshabitacionais pela Caixa Econômica Federal e os demais agentes de financiamentoimobiliário. REFERÊNCIASASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 12006-2: Construção de edificação– Organização de informação da consrução Parte 2: Estrutura para classificação de informação. Rio deJaneiro, 2010.AMORIM, S. R. L., PEIXOTO, L. A. Capítulo 8 CDCON: classificação e terminologia para aconstrução. In: AMORIM, S. R. L., BONIN Luis Carlos. Coletânea Habitare: Inovação Tecnológicana Construção Habitacional. Porto Alegre: ANTAC, 2006. 228 p. Volume 6, 189-219.BAILEY, K. D. Typologies and taxonomies: an introduction to classification techniques.Thousand Oaks: Sage Publications, 1994. 90p.EUROCODES. Building the Future. Disponível em: <http://www.eurocodes.jrc.ec.europa.eu/>.Acesso em: 16 fev. 2011.LOPES, R. A. Taxonomia do processo de projeto de edificações. Dissertação (Mestrado emSistemas de Gestão) – Escola de Engenharia, Universidade Federal Fluminense, 2004.MARCHIORI, F. F. Desenvolvimento de um Método para Elaboração de Redes de Composiçõesde Custo para Orçamentação de Obras de Edificações. Tese de Doutorado. Escola Politécnica,Universidade de São Paulo, 2009.OMNICLASS. A Strategy for Classifying the Built Environment. Disponível em:<http://www.omniclass.org/>. Acesso em: 7 fev. 2011.RABELO, P. F. R., AMORIM, S. R. L. ONTOARQ – Ontologia para Arquitetura, Engenharia eConstrução. Visualização e Gerenciamento na WEB. In: TIC2007 - ENCONTRO DE TECNOLOGIADA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO NA CONSTRUÇÃO CIVIL, 3., 2007, Porto Alegre.Anais... Porto Alegre: ANTAC, 2007.SICAE. Sistema Informação da Classificação Portuguesa de Actividades Econômicas. Disponívelem: <http://www.sicae.pt/Default.aspx/>. Acesso em: 18 mar. 2011.TERAI, T. Development of the construction classification system in Japan (JCCS). Department ofArchitecture and Civil Engineering. Faculty of Engineering. Chiba Institute of Technology. Chiba,2008. Disponível em: <http://www.qhxb.lib.tsinghua.edu.cn/myweb/english/2008/2008es1/199-204.pdf/>. Acesso em: 24 abr. 2011.

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