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inteiro, os preservativos estão quase no último lugar da preferência dos casais como método deplanejamento familiar, verif...
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Verificando os dados coletados na pesquisa podemos analisar a pergunta: Você costumausar preservativo durante as relações ...
Carreno e Costa (2006) afirmam que a confiança no parceiro fixo e a vasta diversidade decontraceptivos disponíveis no merc...
afetividade e confiança implicaria a possibilidade de rompimento de tal compromisso, pondo emquestão a fidelidade do parce...
Apesar dos dados demonstrarem que 59% dos acadêmicos não utilizam o preservativodurante as relações sexuais com seus parce...
A minha mãe Maria Cleide Natali Mendes, meu pai Luiz Mendes a minha irmã FláviaNatali Mendes, pelas orientações durante as...
9. KALICHMAN, A. O.           A vigilância epidemiológica de AIDS: recuperação histórica deconceitos e práticas: São Paulo...
21. SEVERINO, Antonio Joaquim. Metodologia do trabalho científico: São Paulo: Cortez, 1996.22. SILVEIRA, Mariângela F.; SA...
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USO DO PRESERVATIVO NAS RELAÇÕES SEXUAIS: UM ESTUDO NA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE PONTA GROSSA

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USO DO PRESERVATIVO NAS RELAÇÕES SEXUAIS: UM ESTUDO NA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE PONTA GROSSA

  1. 1. USO DO PRESERVATIVO NAS RELAÇÕES SEXUAIS: UM ESTUDO NA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE PONTA GROSSA USE OF THE PRESERVATIVE IN THE SEXUAL RELATIONSHIPS: A STUDY IN THE STATE UNIVERSITY OF PONTA GROSSAMichaely Natali Mendes Costa1, Lidia Dalgallo Zarpellon21 Autor para contato:Acadêmica da Universidade Estadual de Ponta Grossa- UEPG (44) 36231704; e-mail: michanatali@hotmail.com2 Enfermeira Mestre em Educação, Docente da Universidade Estadual de Ponta Grossa- UEPG,Campus de Uvaranas, Departamento de Enfermagem, Ponta Grossa, PR, Brasil;(42) 32203735; e-mail:ldzarpellon@interponta.com.br RESUMOO presente estudo teve como objetivo avaliar o uso do preservativo em acadêmicos com parceirosfixos dos cursos enfermagem, odontologia, direito, administração e jornalismo e verificou que odesuso, abandono ou uso não-consistente do preservativo está relacionado a confiança no parceiroou ao uso de outro método contraceptivo. Foram entrevistados 200 acadêmicos, onde se avaliou aidade, sexo, tempo de relacionamento, se usam o preservativo durante as relações sexuais, qualmétodo contraceptivo utilizam, tempo de relacionamento para abandono do preservativo e sedialogam sobre a importância do preservativo. A metodologia foi quantitativa utilizando o softwareSPSS para análise bioestatística. Verificou-se que 59% dos acadêmicos não utilizam o preservativodurante suas relações sexuais, destes 47% não o utilizam por possuírem parceria de confiança e32,3% não o utilizam, pois fazem uso de um anticoncepcional. Dos duzentos acadêmicosentrevistados, 87% responderam que dialogam com o parceiro sobre a importância do preservativo.Práticas de sexo seguro entre homens e mulheres dependem de fatores socioculturais que envolveminformação, percepção de risco e significados das relações afetivas. Entre a consciência danecessidade e uso do preservativo não implica que a prática de seu uso deva ocorrer, uma vez quevárias pesquisas mostram que há uma enorme distância entre um grau avançado de conhecimentoem relação a DST/HIV/AIDS e a necessidade do uso do preservativo e comportamentos queenvolvam menor risco.Palavras-chave: contraceptivo; preservativo; parceiro fixo. ABSTRACTThe present study had as objective evaluates the use of the preservative in academics with fixedpartners of the courses nursing, dentistry, legal, administration and journalism and it verified thatthe disuse, abandonment or no-solid use of the preservative is related the trust in the partner or tothe use of another contraceptive method. 200 were interviewed academic, where the age, sex, timeof relationship was evaluated, they are used the preservative during the sexual relationships, whichcontraceptive method uses, time of relationship for abandonment of the preservative and they aredialogued on the importance of the preservative. The methodology was quantitative using thesoftware SPSS for analysis statistic. It was verified that 59% of the academics dont use thepreservative during their sexual relationships, of these 47% they dont use him/it for they possesstrust partnership and 32,3% dont use him/it, therefore they make use of a contraceptive. Of the twohundred academics interviewees, 87% answered that you/they dialogue with the partner on theimportance of the preservative. Practices of safe sex between men and women depend onsociocultural factors that you/they involve information, risk perception and meanings of theaffectionate relationships. Between the conscience of the need and use of the preservative it doesntimplicate that the practice of his/her use should happen, once several researches show that there is
  2. 2. an enormous distance among an advanced degree of knowledge in relation to DST/HIV/AIDS andthe need of the use of the preservative and behaviors that involve smaller risk.Key words: contraceptive; preservative; fixed partner. 1. Introdução É de conhecimento da grande maioria da população que o meio mais eficaz de prevenção daAIDS/DST é o preservativo, ele permite a prática sexual com penetração com o menor risco decontaminação. O uso do preservativo é alvo de várias campanhas publicitárias do governo e deorganizações não governamentais. As campanhas são veiculadas na TV e rádio desde 1987,procurando alcançar uma maior eficácia na sua atribuição, buscando despertar nos indivíduos aprocura e consumo dessa poderosa arma contra a tão temida AIDS. O uso do preservativo como uma das diretrizes mais importantes para a prevenção dainfecção do HIV pela via sexual foi, desde os primeiros anos da epidemia, a alternativa para o sexomais protegido em tempos de AIDS (Kalichman, 1993). O uso da camisinha foi incorporado, como recomendado desde 1987, proposto por técnicosdedicados à saúde pública e à prevenção em conjunto com o movimento das comunidades maisatingidas, principalmente a comunidade gay organizada, apesar da oposição até hoje de algunsgrupos religiosos (Paternostro, 1999). Muitas pesquisas buscam determinados grupos e determinantes do uso do preservativo,porém, tem se percebido nas últimas pesquisas realizadas pelo governo, uma feminização dosportadores do HIV e, ainda que a maioria das mulheres infectadas são casadas ou possuem parceirosfixo ( Paiva et al, 2006). De acordo com Segatto (2006), “Entre 1994 e 2004 os casos de AIDS cresceram 175% entreas mulheres, que muitas vezes são infectadas pelos parceiros, namorados, noivos ou maridos”. Cerca de 44 milhões de casais usam a camisinha para o planejamento familiar. Esses 44milhões representam 4% de todos os casais onde a mulher está em idade reprodutiva. No mundo
  3. 3. inteiro, os preservativos estão quase no último lugar da preferência dos casais como método deplanejamento familiar, verificando-se assim que, quando usado por casais, o preservativo temapenas a função de prevenir gestações indesejadas (DEFASAGEM..., 2006). Para entender um pouco o motivo do abandono do uso do preservativo entre casais énecessário aprofundar-se na história do preservativo e do anticoncepcional. 1.1 Um breve histórico do preservativo Segundo Schiavo, (1997) na história do Ocidente, o aparecimento da “camisinha” não é umfato preciso. Sua primeira descrição escrita data de 1564, quando o italiano Gabriel Fallopio, ummédico-cirurgião, declarou que um envoltório de linho usado sobre o pênis durante a relação sexualimpediria a disseminação de doenças venéreas. Souza (2003) declara que os chineses foram os desbravadores que, com sua sabedoria,criaram capas de papel de seda, embebido em óleo. Na Idade Média os turcos desenvolveram umacapa para o pênis, feito de intestino de carneiro. No ano de 1750, a França proibiu o uso dopreservativo, que na época era chamado de sobrecasacas inglesas porém, com a RevoluçãoFrancesa, o governo de Paris autorizou e legalizou a venda e a utilização da camisinha, e estas eramconfeccionadas para cada cliente. Mora e Serrano (2000) citam que o higienista britânico Condom introduz em 1720 o célebreartigo do mesmo nome fabricado com intestino de ovelha e vedado na ponta com um fio ou fita demaneira a evitar o refluxo. A partir do século XVII, foi que a camisinha teve como função protegerde indesejável gestação, pois teria sido desenvolvida para o rei Carlos II, da Inglaterra, que tinha umnúmero enorme de filhos ilegítimos. No século XIX, com o processo de vulcanização da borracha, o preservativo pode serfabricado em grandes quantidades, mas era lavado, seco e reutilizado e mesmo assim, eraconsiderado de alto custo para as classes baixas. Somente na década de trinta do século XX, opreservativo passou a ser fabricado em látex, porém, seu aparecimento ainda estava mais ligado à
  4. 4. prevenção de doenças sexualmente transmissíveis que à contracepção. A contracepção ficava porconta das mulheres que utilizavam esponjas e tampões até o fim do século XVII. (McLaren, 1997). Devido à função de prevenção de doenças, o preservativo passou a ser identificado a práticaslibertinas, relações extraconjugais, relacionado à perversão. E, ainda, o fato de que a contracepçãodeveria ficar a cargo das mulheres, tornou a camisinha impopular. Durante a primeira guerramundial, é que o preservativo se popularizou, por prevenir doenças, assim a sua associação àprostituição, tornou-se ainda mais um opositor ao casamento (Marinho 1999). Marinho (2006) afirma que a mídia foi fundamental na procura do preservativo por jovens esolteiros, porém ainda é associada ao comportamento promíscuo, dificultando o seu uso entreparceiros fixos que afirmam que o compromisso e a confiança no parceiro (a) não justificariam ouso consistente do preservativo. Segundo Sanches (2006), o preservativo como método de prevenção de DST/HIV/AIDS évisto por muitos casais como um símbolo de infidelidade ou desconfiança, por isso há uma maioradesão entre pessoas que têm parceiros eventuais. 1.2 O surgimento da pílula Na década de 30, pesquisas apontaram que o hormônio feminino progesterona apresentavaindícios contraceptivos, uma década depois, Russel Marker um químico americano, produziu oprimeiro comprimido de progesterona sintética feito de raiz de batata-doce mexicana (Souza, 2003). Com a introdução dos contraceptivos orais combinados os (COC´s) na década de 60,observa-se uma evolução contínua dos compostos utilizados, focalizando comodidade, segurança econforto. A rápida evolução dos contraceptivos foi o maior responsável pela progressiva diminuiçãodo uso do preservativo. Com a chegada da pílula, as mulheres foram libertadas da obrigação dagravidez indesejada. Nesse período, a camisinha viveu praticamente isolada e escondida nasprateleiras das farmácias, pois seu uso ficara restrito para casos de infecção das doenças
  5. 5. sexualmente transmissíveis. A contracepção oral é o método contraceptivo reversível maisamplamente utilizado no mundo (Livoti e Topp, 2006). As mulheres hoje podem escolher o momento certo para engravidar, e decidem também amaneira e por quanto tempo pretendem usar o anticoncepcional, pois não lhes faltam opções,existem anticoncepcionais orais, comprimidos vaginais, adesivos, injetáveis, anéis vaginais,implantes intradérmicos. A escolha do anticoncepcional pela mulher é algo pessoal. As opções diversas dos métodosanticoncepcionais envolvem diferentes riscos, melhores adequações conforme a faixa etária,métodos mais ou menos definitivos, custos, mas principalmente os efeitos colaterais (Ferriani,2003). A camisinha, ao contrário de todos os outros métodos contraceptivos, não oferece efeitoscolaterais, exceto em casos de usuários alérgicos ao látex, é de baixo custo, além de ser distribuídapela rede pública de saúde. Soares (2001) afirma que a camisinha é o único método contraceptivo que, além de evitarfilhos, protege contra a transmissão das DST/HIV/AIDS. É importante frisar que as ações de anticoncepção devem estar atreladas à prevenção deDST/HIV/AIDS, principalmente a síndrome da imunodeficiência que vem crescendo amplamenteentre as mulheres e jovens (Aquino, 2003). A utilização de métodos contraceptivos adequados e eficazes aliados à prevenção de DSTtem esbarrado na aceitabilidade, taxa de descontinuação, preconceito que o tema DST gera (Souzaet al., 2006). 2. Objetivos O objetivo geral da pesquisa realizada foi avaliar o uso do preservativo em acadêmico comparceiros fixos, verificando se o desuso, abandono ou uso não-consistente do preservativo está
  6. 6. relacionado à confiança no parceiro ou o uso de outro método contraceptivo, de forma que estasinformações possibilitem o desenvolvimento de programas preventivos e adequados, com suaposterior avaliação. Para a execução dos objetivos foram necessários levantamentos bibliográficos, que tinhamcomo foco o uso do preservativo e o motivo de seu desuso ou abandono. 3. Sujeitos, Materiais e Métodos Optou-se por abordar acadêmicos para a pesquisa por situarem-se na faixa etária depopulação sexualmente ativa e para avaliar se o conhecimento adquirido na universidade, ou seja, seo grau de instrução favorece ou não a utilização do preservativo. O estudo realizado entre setembro e outubro de 2007 foi quantitativo e utilizou-se dequestionário semi-estruturado, auto preenchido em sala de aula por alunos dos curso de direito (trêsturmas), enfermagem (duas turmas) jornalismo, administração e odontologia (uma turma) daUniversidade Estadual de Ponta Grossa - Paraná. A abordagem foi feita anteriormente com oprofessor que estaria em sala de aula no momento da pesquisa. Os questionários foram aplicadosnos primeiros vinte minutos iniciais da aula com os acadêmicos que estavam presentes. Foram excluídos da pesquisa acadêmicos menores de 18 anos e acadêmicos que nãopossuíam parceiro fixo por pelo menos dois meses. A proposta do projeto foi registrada no Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade Estadualde Ponta Grossa, sendo submetida à apreciação e obteve parecer favorável, sob o nº 37/2007estando de acordo com as normas éticas estabelecidas pela resolução nº196/96 do Ministério daSaúde. Em relação ao tamanho da amostra, utilizou-se o modelou N= (Z/d)2. p(1-p), onde N é otamanho da amostra, Z é a variável normal reduzida, p(1-p) é o desvio padrão amostral e d é o erropadrão de 5%. Os dados foram processados e submetidos a estudos estatísticos utilizando-se o
  7. 7. software SPSS (Statistical Package for the Social Sciences) versão 12.0. Inicialmente, foi construídauma base de dados a partir dos dados coletados pela entrevistadora. Em seguida, procedeu-se aentrada de dados, com dupla digitação (dois digitadores diferentes). Após a digitação, fez-se aconsistência lógica do banco de dados. A análise dos dados foi feita no mesmo SPSS e foramutilizados o teste de Qui- quadrado de Pearson e Yates, sendo que o nível de significância p foi de5%. 4. Resultados e Discussão Os resultados desse estudo baseiam-se nas respostas obtidas a partir da aplicação de umquestionário estruturado a uma amostra de 200 acadêmicos, composta pelos cursos de direito,jornalismo, administração, enfermagem e odontologia. A amostra constitui-se de 55% deacadêmicos do sexo feminino e 45% de acadêmicos do sexo masculino. Na amostra global, a idade dos acadêmicos variou entre 18 e 38 anos, 44,5% têm idade entre21 e 26 anos, 8,5% têm idade de 33 a 38 anos. Quanto ao tempo de relacionamento, 57% dos acadêmicos entrevistados mantémrelacionamento há pelo menos 24 meses, 15% tem relacionamento entre 12 e 18 meses, 12% de 6 a11 meses e 16% de 2 a 5 meses. O que se percebe nos dias de hoje é que ainda existe uma visão de que o preservativo deveser usado eventualmente com parceiros que ainda não são considerados de “confiança”. Segundo Brasil (2006) dados divulgados pelo Programa DST/HIV/AIDS do Ministério daSaúde, em pesquisa realizada em território nacional com 1.882 pessoas com mais de 14 anos em2003, o uso do preservativo com parceiros fixos fica na faixa de (20%) na última relação sexual.Número semelhante ao encontrado na pesquisa de 1998 do Ministério da Saúde (21%). Quandoperguntados sobre o uso consistente do preservativo (uso em todas as relações sexuais), o índice caipara (11%).
  8. 8. Verificando os dados coletados na pesquisa podemos analisar a pergunta: Você costumausar preservativo durante as relações sexuais? Apenas 41% responderam que usam. Destes, apenas 34,4 % eram do sexo masculino. Mais da metade, 59% dos acadêmicos não utilizam o preservativo, e justificaram suasrespostas. Analisando as justificativas para o não uso do preservativo, encontramos as seguintesrespostas (tabela 1).Tabela 1- Distribuição percentual (%) da justificativa da não utilização do preservativo durante as relações sexuais segundo o sexo. Justificativa F M Total Parceiro fixo 23,7% 71,2% 47,4% Uso de Anticoncepcional 45,8% 18,6% 32,3% Parceiro Fixo e Anticoncepcional 28,8% 8,5% 18,6% Coito interrompido 1,7% 1,7% 1,7%Fonte: A pesquisadora 2007 a partir de amostra com 200 acadêmicos A baixa freqüência no uso de preservativos na amostra do sexo masculino aparecepreferencialmente relacionada à natureza do relacionamento, demonstrando que o preservativo sejamenos utilizado ou usado apenas com o intuito primário de prevenir uma gravidez indesejável. Paiva et al. (2003) relata que a relação estabelecida entre parceiros é a explicaçãopredominante para não usar o preservativo. Segundo Amorin e Andrade (2006) outro fator que tem aumentado o número de casos deHIV/AIDS em mulheres, é a chamada dupla moral sexual, que acaba impondo restrições àexpressão sexual das mulheres e uma maior tolerância às relações extraconjugais dos homens.
  9. 9. Carreno e Costa (2006) afirmam que a confiança no parceiro fixo e a vasta diversidade decontraceptivos disponíveis no mercado têm favorecido um aumento significativo de casos de AIDSentre as mulheres, causando preocupação. Já na amostra feminina predomina o uso do anticoncepcional, ou seja, a mulher demonstrater o poder de escolher se quer ou não engravidar independente se o parceiro usa ou não opreservativo. A escolha do método contraceptivo, de acordo com Brasil (2002), pressupõe a oferta detodas as alternativas de elegibilidade do contraceptivo, que depende do grau de confiança e eficáciaque ele oferece ao casal. Outros fatores influenciam na escolha, como a disponibilidade do produto,facilidade do uso e reversibilidade do método e a proteção contra doenças sexualmentetransmissíveis. Um fator predominante nas vivências afetivo-sexuais nos acadêmicos pesquisados, a relaçãoestável, mantida com um único parceiro é o principal fator associado à dispensa de prevenção, nãouso ou uso inconsistente do preservativo masculino. Quanto à pergunta: Você ou seu parceiro usam algum método contraceptivo? Verificou-se o uso do preservativo como método contraceptivo em apenas 7,5% dosacadêmicos. O uso ideal do preservativo juntamente com anticoncepcional totalizaram 18,5%, oanticoncepcional ficou em primeiro lugar com 66,5%. Foi questionado também qual o motivo que leva o acadêmico a utilizar o preservativo. O usodos preservativos foi relacionado às praticas anticoncepcionais na maioria das respostas; 37% só outilizam como substituto na falta de outro método contraceptivo, 18,5% utilizam o preservativoapenas como contraceptivo, para evitar gravidez. Relacionaram o uso do preservativo diretamente àprevenção de DST/HIV/AIDS, 14,5% dos acadêmicos. O preservativo, como método de prevenção de doenças, parece não ter grande popularidadenessa amostra, historicamente o preservativo ainda é visto por alguns como símbolo de infidelidadeou desconfiança. Para muitos, o uso do preservativo durante um relacionamento baseado na
  10. 10. afetividade e confiança implicaria a possibilidade de rompimento de tal compromisso, pondo emquestão a fidelidade do parceiro. Algumas bibliografias ainda associam a não utilização dopreservativo por ele ser visto como um obstáculo ao prazer. A percepção do preservativo como um método contraceptivo, mais do que como umpreventivo de DST/AIDS, também é o motivo para o abandono de seu uso. Uma porção razoável (30 %) afirmou fazer o uso consistente do preservativo independentedo motivo. Uma questão de grande importância foi a de com quanto tempo de relacionamento houve oabandono do preservativo (tabela 2).Tabela 2- Distribuição percentual (%) do tempo de relação para abandonar o uso do preservativo. Tempo de abandono F M Total 1 a 4 meses 22,7% 26,7% 24,5% 5 a 10 meses 10% 15,5% 12,5% 11 a 18 meses 9,2% 10% 9,5% 24 meses ou mais 5,4% 5,5% 5,5% Nunca usei 11,8% 12,2% 12% Sempre uso 40,9% 30,9% 36% Fonte: A pesquisadora 2007 a partir de amostra com 200 acadêmicos Segundo as Políticas e Diretrizes de Prevenção das DST/AIDS entre Mulheres , a prevençãoem parcerias fixas e/ou estáveis está intimamente relacionada à prevenção da transmissão sexual doHIV, onde o termo se refere à relação entre duas pessoas casadas ou que moram juntas (coabitam) e/ou se relacionam sexualmente por um período de pelo menos de 12 meses. Porém, o que se temvisto é que adolescentes e adultos que se relacionam por menos de 3 (três) meses têm dispensado ouso de camisinha, procurando apenas se prevenirem de uma possível gravidez (Brasil,2003).
  11. 11. Apesar dos dados demonstrarem que 59% dos acadêmicos não utilizam o preservativodurante as relações sexuais com seus parceiros, 87% responderam que dialogam com o parceirosobre a importância do preservativo, destes 7,3% são mulheres e 20% homens. Outro valor destacado na população de acadêmicos pesquisada é a percepção de risco, queestá presente tanto nos homens quanto nas mulheres. 5. Conclusão Práticas de sexo seguro entre homens e mulheres dependem de fatores socioculturais queenvolvem informação, percepção de risco e significados das relações afetivas (Sanches, 2006). Entre a consciência da necessidade e uso do preservativo não implica que a prática de seuuso deva ocorrer, uma vez que várias pesquisas mostram que há uma enorme distância entre umgrau avançado de conhecimento em relação a DST/HIV/AIDS e a necessidade do uso dopreservativo e comportamentos que envolvam menor risco. Trata-se de insistir no fato de sereconhecer que o estímulo do desejo dos indivíduos pelo preservativo não deve estar limitado aocaráter meramente contraceptivo, mas tentar associá-los à prevenção de valores socioculturaisconhecidos, desejados e respeitados. A vulnerabilidade coletiva de novas infecções pelo HIV pareceestar se reduzindo há certos estratos da população. Deve-se buscar uma a mudança no sentido moral, coerente com as normas sociais queatribuem pecado e risco ao sexo não conjugal e, no entanto, há uma visão oposta de que o “sexocom um parceiro fixo” é mais protegido, por isso tem se verificado uma não utilização dopreservativo em parceiros fixo ou de confiança, enquanto que com parceiros eventuais há umamaior utilização do preservativo. Agradecimentos
  12. 12. A minha mãe Maria Cleide Natali Mendes, meu pai Luiz Mendes a minha irmã FláviaNatali Mendes, pelas orientações durante as horas de pânico e ansiedade para a finalização destetrabalho, à minha tia Ana Odete Cray pelas correções gramaticais, que mesmo sabendo que nãopoderiam ser citados como co-autores, devido ao grau de parentesco me ajudaram, sem vocês eunão teria conseguido. Obrigada!Referencias Bibliográficas1. AMORIN, Melissa Mattos. ANDRADE, Ângela Nobre de. Relações afetivo-sexuais e prevençãocontra infecções sexualmente transmissíveis e AIDS entre mulheres do município de Vitória-ES.Psicologia em estudo, Maringá, v.11, n.2, p331-339, 2006.2. AQUINO, E.M.L.; HEIBORN M.; KNAUTH D.; BOZON M.; ALMEIDA M.C.; ARAUJO J.Adolescência e reprodução no Brasil: A heterogeneidade dos perfis sociais. Cadernos SaúdePublica. 2003.3. BRASIL, Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Área Técnica de Saúde daMulher. Assistência em planejamento familiar: Manual Técnico: Brasília: Brasília, 2002.4. BRASIL, Ministério da Saúde. Coordenação Nacional de DST e Aids. Políticas e diretrizes dasDST/ Aids entre mulheres: Brasília, 2003.5. BRASIL, Ministério da Saúde. Comportamento da População Brasileira Sexualmente Ativa.Disponível em: <http//www.aids.gov.br/final/biblioteca/ibope_2003/briefing2.doc>. Acesso em: 18de dez. de 2006.6. CARRENO, Ioná; COSTA. Juvenal Dias da Costa. Uso de preservativo nas relações sexuais:estudo de base populacional. Revista Saúde Pública. São Paulo v.40(4), n.305. 2006.7. DEFASAGEM no uso dos preservativos: uma crise da área de saúde. Disponível em:<http://boasaude.uol.com.br>. Acesso em: 02 de set. de 2006.8. FERRIANI, Rui Alberto. Evolução da anticoncepção hormonal. São Paulo: Janssen-Cilag,2003.
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