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Direta ou indiretamente, o câncer está mais presente na vida dos brasileiros. Pesquisa do
Instituto Oncoguia mostra que 81% dos entrevistados têm ou conhecem alguém com a doença.
Mesmo assim, o país não a trata como prioridade. O tema foi debatido no IX Fórum Nacional de
Políticas de Saúde em Oncologia, em Brasília. Especialistas do Brasil e do exterior alertaram para
a necessidade de políticas de Estado mais eficientes para eliminar gargalos no diagnóstico e no
tratamento da doença, que deve se tornar a principal causa de morte no mundo até 2030.
DDiirreettoorraa ddee RReeddaaççããoo:: Ana Dubeux (anadubeux.df@dabr.com.br); EEddiittoorreess eexxeeccuuttiivvooss:: Placido Fernandes (placidofernandes.df@dabr.com.br) e Vicente Nunes
(vicentenunes.df@dabr.com.br); EEddiiççããoo:: Cida Barbosa e Paloma Oliveto; DDiiaaggrraammaaççããoo:: Diego Alves; RReeppóórrtteerreess:: Luiz Calcagno e Maria Eduarda Cardim;
RReevviissããoo:: Ailon Pedrosa e Rosiley Bertini; AArrttee:: Thiago Fagundes
Ocâncereadesinformação
Mesmocomadoençamaispresentenavidadosbrasileiros,desconhecimentosobreascausaségrande
C
em por cento dos en-
trevistados da pesquisa
Ibope encomendada
pelo Instituto Onco-
guia (veja na página 4) conhe-
cem ou ouviram falar da palavra
câncer, e 81% têm ou conhecem
alguém com a doença. Apesar
disso, a desinformação sobre
possíveis causas da enfermidade
ainda é notória. Uma prova disso
é que, dos que participaram do
levantamento, 8% não relacio-
nam tabagismo a tumores malig-
nos. E 62% não associam a enfer-
midade à obesidade e ao sobre-
peso. Além disso, 1/3 acredita
que câncer resulta de traumas
psicológicos, uma correlação
sem evidências científicas.
Os dados — apresentados e
debatidos no IX Fórum Nacio-
nal de Políticas de Saúde em On-
cologia, realizado em 16 e 17 de
abril com especialistas do Brasil
e do exterior — apontam que a
desinformação pode fazer com
que pacientes e familiares de-
morem a procurar um médico
ou deixem de enfrentar a doen-
ça com positividade.
A presidente e fundadora do
Instituto Oncoguia, Luciana
Holtz, destaca o caráter preo-
cupante dos dados revelados
pelo estudo. “Esse número do
tabagismo já deveria ser 0%”,
lamenta. A pesquisa foi realiza-
da em fevereiro de 2019 com
2.002 pessoas entre 16 e 55
anos, sendo 48% homens e
52%, mulheres.
O levantamento demonstra
também que 16% veem a enfer-
midade como uma sentença de
morte, 15% pensam na doença
como uma fonte de sofrimento
e dor, e 7% têm medo até de usar
a palavra. “Precisamos trocar o
medo do câncer por mais cui-
dado, por cuidado contínuo”,
afirma Holtz. “O medo parali-
sa as pessoas e impede que
elas se cuidem. Consequente-
mente, impede o diagnóstico
CORREIO BRAZILIENSE • Brasília, quinta-feira, 25 de abril de 2019 • 2
precoce, que é o melhor mo-
mento para uma possível cura.
É um preconceito que precisa-
mos mudar”, alerta.
Para a diretora voluntária de
Projetos Multidisciplinares do
Oncoguia, Regina Liberato, o
que falta para uma evolução é
aumentar a atenção que se dá à
educação. “Trata-se de um pon-
to-chave. É preciso falar na so-
ciedade sobre adoecimento. A
gente tem pudor, como se isso
não fizesse parte da nossa vida”,
frisa. Para ela, é por meio da edu-
cação que a sociedade consegui-
rá ver o câncer sem tanta negati-
vidade.“Uma doença crônica vai
trazer demandas, mas você
continua vivendo, e a vida é
imperativa. A Aids também pas-
sou por isso e, hoje em dia, com
o advento do coquetel, as pes-
soas que são soropositivas vi-
vem normalmente”, compara.
Boa perspectiva
A pesquisa também apre-
senta um viés positivo de parte
dos entrevistados. Sessenta por
cento deles têm uma boa pers-
pectiva sobre a doença, sendo
que 43% acham que câncer po-
de ser curado, desde que detec-
tado no começo, e 16% acredi-
tam que existem tecnologias
avançadas para diagnosticar e
tratar a enfermidade.
A discrepância entre os dois
grupos, para os estudiosos, tem
relação com a dificuldade do
governo de prestar a assistência e
o atendimento corretos para pa-
cientes e familiares. Tanto que
56%daspessoasouvidasnãoacre-
ditam ser possível detectar rapi-
damente o câncer, por falta de
exames, pela dificuldade de mar-
car consulta e de encontrar um
médico para examinar os sinto-
mas ou pela demora para fazer
uma biópsia. Para 73% não é pos-
síveliniciarumtratamentocontra
ocâncerematé60diasnoBrasil.
No fórum, foram debatidos
também temas como oncologia
sustentável e acessível, os graves
problemas no Sistema Único de
Saúde, incapaz de garantir aces-
so rápido a diagnóstico e trata-
mento, e o envolvimento do Le-
gislativo na causa.
OIXFórumNacionaldePolíticasdeSaúdeemOncologia,promovidopeloInstitutoOncoguia,reuniuespecialistasdoBrasiledoexterior
LucianaHoltzdizqueéprecisotrocar
omedodocâncerpeloautocuidado
Fotos: Ed Alves/CB/D.A Press
Educação:importante
armacontraadoença
CORREIO BRAZILIENSE • Brasília, quinta-feira, 25 de abril de 2019 • 3
A população é parte ativa na
luta contra o câncer. Esse é outro
importante dado apontado pela
pesquisa divulgada pelo Instituto
Oncoguia. Com as informações
corretas,sabendosecuidar,obra-
sileiro contribui diretamente para
a diminuição do número de casos
da doença e para a desobstrução
dosistemadesaúde.
Diretora de comunicação da
AssociaçãoBrasileiradeEnferma-
gememOncologiaeHematologia
(Abrenfoh), Ana Maria Pires acre-
dita que, aos poucos, as pessoas
têm compreendido melhor a en-
fermidade. Para ela, é fundamen-
tal também que tanto quem está
doente quanto familiares ajudem
nalutapelaeducação.“Ocânceré
umadoençacrônica.Vaiacompa-
nhar o paciente, que fica anos se
tratando. Ele precisa saber o que
está acontecendo com ele. A
orientação é proibitiva. O médico
dizoqueelenãopodefazer,masa
educação ajuda a pessoa a enten-
deraprópriasituaçãoesecuidar”,
ressalta.“Hoje, precisamos conti-
nuar com essa luta, mas acredito
que a população está muito mais
informadadoquehá10anos.”
AnaMariaPiressefundamenta
na pesquisa Ibope encomendada
peloInstitutoOncoguia,segundoa
qual8%dosentrevistadosnãorela-
cionamotabagismoaocâncer,en-
quanto 92% fazem a associação.
“Essapesquisa,háumadécada,se-
riamuito pior.Agoraéimportante
também fortalecer as instituições
quedivulgaminformaçõescorretas
sobreocâncer”,diz.“Acreditoquea
boa informação é a melhor forma
de combater as fake news que po-
deriam prejudicar o tratamento e
levarapopulaçãoanãorelacionaro
tabagismoeaobesidadeàdoença.”
Presidente da Sociedade Brasi-
leira de Psico-Oncologia,Tatiana
BuksteinVainboim, por sua vez,
destaca a importância de todo o
núcleo familiar de um paciente
comcâncerseinformar.“Afamília
do paciente, segundo a Organiza-
ção Mundial da Saúde (OMS), é a
segundaunidadedecuidado.Eos
familiares também precisam de
atendimento, pois, com o câncer,
é provável que toda a estrutura se
altere”, pondera.“Esse núcleo, co-
nhecendoasituação,podemudar
aprópriavisãosobreavidaerecu-
perarobem-estar.”
Ed Alves/CB/D.A Press
AnaMariaPires:“Boainformaçãoémelhorformadecombaterfakenews”
Saiba mais
No Brasil,a
estimativa para 2019 é
de que 634 mil novos
casos de câncer sejam
descobertos.O número
equivale a pelo menos
um novo diagnóstico
por minuto.O câncer
também deve se tornar
a principal causa de
morte no país e no
mundo até 2030.
Pacientes com os mais
diversos tipos de câncer são
beneficiados com mais de
uma opção de tratamento,
independentemente da fase
de descoberta da doença.
MUITAS OPÇÕES
ANOS
40
ANOS
50
ANOS
60
ANOS
70
ANOS
80
ANOS
90
EM
2010
EM
2012
O gás mostarda abre
caminho para o tratamento
de tumores hematológicos.
Antes desta descoberta, a
radioterapia e a cirurgia eram
os tratamentos disponíveis.
A quimioterapia torna-se um
dos tratamentos para o câncer
e pesquisas começam a revelar
informações sobre a existência
de fatores de risco e a genética
dos tumores.
Referências
Chabner BA, et al. Nature Reviews Cancer 2005; 5: 65–72
Kirkwood J, et al. CA Cancer J Clin 2012; 62:309–335
Hoos A. Nature Reviews Drug Discovery 2016; 15: 235–247
CRISTINA OLIVEIRA FONSECA, LUIZ ANTONIO TEIXEIRA. De doença desconhecida a problema de saúde
pública: o INCA e o controle do câncer no Brasil. Brasil: Ministério da Saúde, 2017.
AMERICAN CANCER SOCIETY. The History of Cancer. USA, 2014.
https://www.cancer.org/cancer/cancer-basics/history-of-cancer.html
GÁS DE
MOSTARDA EVOLUI
A evolução da medicina
permite a publicação de
inúmeros estudos e as
possibilidades de prevenção
começam a ser
compreendidas.
CONHECIMENTO E
PREVENÇÃO
Chega ao paciente
tratamentos para
combater o câncer de
mama, melanoma e
ovário.
O conhecimento da medicina em
relação ao funcionamento da
célula tumoral abre uma
oportunidade para os estudos de
terapia-alvo, aumentando as
chances daqueles que não
respondiam aos tratamentos
disponíveis.
QUIMIOTERAPIA
EVOLUI
O tratamento do câncer atingiu marcos importantes desde a chegada da quimioterapia
e, nos últimos anos, a medicina deu um salto extraordinário.
TERAPIA-ALVO
As terapias-alvo estabelecem-se
para tipos variados de câncer.
Pesquisas sobre a imunoterapia
avançam e buscam entender o
motivo pelo qual o sistema
imune não combate as células
tumorais.
BASE DA
IMUNOTERAPIA
Primeira imunoterapia da BMS é
aprovada no Brasil e traz
resultados promissores: casos
que antes eram considerados
irreversíveis, passam a apresentar
remissão e resultados
duradouros.
BRASIL COM
IMUNOTERAPIA
As pesquisas sobre a imunoterapia
começam a trazer resultados
positivos. Com a chegada delas ao
mercado, especialistas conseguem
tratar com tecnologias mais
modernas e aumentando a
qualidade de vida dos pacientes.
EXPANSÃO DA
IMUNOTERAPIAGÁS DE
MOSTARDA
Esta é só uma parte da história. Nós da Bristol-Myers Squibb acreditamos no poder da ciência para tratar algumas das
doenças mais desafiadoras do nosso tempo. Temos um alto nível de inovação focado em áreas onde os nossos
medicamentos podem realmente fazer a diferença para os pacientes. Nosso foco nas necessidades não atendidas na
área da saúde vive um momento sem precedentes, onde as descobertas científicas estão avançando como nunca.
EM
2019
Aprovado em abril de 2019 - NOBR1902675-01
CORREIO BRAZILIENSE • Brasília, quinta-feira, 25 de abril de 2019 • 4
CORREIO BRAZILIENSE • Brasília, quinta-feira, 25 de abril de 2019 • 5
Cionéia Garcia, 70 anos, rea-
tivou, com outros pacientes, a
Associação dos Ostomizados da
região de Rio Preto (SP) para in-
formar e oferecer qualidade de
vida a quem sofre de câncer e te-
ve de fazer algum tipo de osto-
mização — a ostomia é um pro-
cedimento cirúrgico para cons-
truir um novo trajeto destinado
a eliminar urina e fezes. Ela diz
que tem uma qualidade de vida
até melhor do que antes de per-
der parte do intestino e ficar li-
gada pelo resto da vida a uma
bolsa de colostomia.
Parece estranho que alguém
faça uma afirmação desse tipo,
mas Cionéia explica: a doença,as
duas cirurgias e um período em
coma a fizeram enxergar a vida
em perspectiva, a buscar forma-
ção e informação.“Estou em defi-
nitivo com a bolsa,mas a alterna-
tiva é a morte.Aproveito melhor a
vida hoje.Logo,tenho mais quali-
dade de vida”,diz,com convicção.
“Pratico esporte e natação. E o
câncer não voltou”,comemora.
A idosa trabalha para lembrar
a outras pessoas ostomizadas
que elas têm direitos e leis que as
protegem.“É preciso defender os
direitos assegurados por lei para
não perdê-los. Tanto a saúde pú-
blica quanto a privada têm a
obrigação,por exemplo,de forne-
cer bolsas de qualidade a quem
precisa”, frisa.“Isso assegura nos-
sa qualidade de vida e o amparo
social e psicológico. Com o trata-
mento e o equipamento certo,
podemos dar continuidade a
nossas vidas.”
Auxílio a
ostomizados
CionéiaGarcia:qualidadede
vidamesmoostomizada
Soluçãoégestãoeficiente
Oncologiaacessívelpassanãosópormaisrecursos,masporadministraçãoeficaz
A
busca por uma oncolo-
giasustentáveleacessí-
velatodosnoBrasilain-
da esbarra em um dos
maiores desafios do setor: o fi-
nanceiro.Essaéaopiniãodofun-
dador do Grupo COI — Clínicas
Oncológicas Integradas —, o pós-
doutor em ciência da saúde Nel-
son Teich, que faz mestrado em
racionalização de gestão na Uni-
versidade deYork, no Reino Uni-
do. Apesar de a sustentabilidade
não estar em pauta na saúde, o
acesso a ela, necessariamente,
passa pela quantidade de dinhei-
roqueogestortem.“Osistemade
saúde sempre será sustentável.
Elenãoquebra,sóseajustacomo
que tem para oferecer. Esse aces-
so depende do quanto você tem
de dinheiro e como você usa esse
dinheiro”,explica.
Tendoissocomobase,eleacre-
ditaquebuscarmaisdinheironão
é a melhor fórmula. “Se conse-
guirmos mais dinheiro, será pou-
co; logo, a solução é a eficiência.
Teremos de bater primeiro na efi-
ciênciaesóprometeraquiloqueé
viável”, orienta o especialista.“A
gente não trabalha a saúde com a
complexidadecomquedeveria.”
A percepção de uma visão
imediata é importante para pre-
parar o sistema para os próximos
anos, já que, com o envelheci-
mento da população, os casos de
câncer tendem a aumentar.
O oncologista do Hospital Is-
raelita Albert Einstein e diretor
científico do Instituto Oncoguia,
Rafael Kaliks, bate na tecla da
prevenção. Para o médico, a pre-
caução é um dos maiores focos
do Instituto e deveria ser preocu-
pação de todos.“Queremos mos-
trar que prevenir essa doença de-
ve ser um dos objetivos da socie-
dade, porque o tratamento é ex-
traordinariamente caro e não tão
eficazapontodecurartodomun-
do”, adverte. Como precaução,
ele aponta: facilitar o acesso à va-
cina do HPV, aumentar a adesão
à mamografia e identificar famí-
lias de risco, com base em testes
genéticos, entre outros.
Nessa mesma linha, o secretá-
rio de Ciências, Tecnologia e In-
sumos do Ministério da Saúde,
Denizar Vianna, insiste na im-
portância da atenção básica à
saúde. Para ele, esse é o setor do
sistema público que pode aju-
dar na prevenção. Principal-
mente, nos casos de câncer de
mama, colorretal e de colo do
útero. Ele admite, porém, ser
necessário especializar os fun-
cionários e reconhece a falta in-
fraestrutura para fazer biópsias.
Na média complexidade, ele
destaca a dificuldade para en-
contrar especialistas, marcar ci-
rurgias e fazer radioterapia.
Para Rafael Kaliks, existe uma
“evasão de cérebros do SUS (Sis-
tema Único de Saúde)”, porque
parte dos médicos não consegue
lidar com o conflito de oferecer
uma medicina ineficaz para a
oncologia. Ele cita uma pesquisa
feita pelo Oncoguia, que anali-
sou o tratamento de melanoma
metastático em 4 mil pacientes
do SUS entre 2015 e 2017: 97,9%
receberammedicamentosjásem
efeito ou moderadamente efica-
zes naqueles anos.“Isso destrói
psicologicamente qualquer mé-
dico. Quem vai se prestar a prati-
car uma oncologia atrasada? Por
que eu iria ensinar um residente
do SUS a praticar uma medicina
de1900?”,questiona.
Teichdizquebuscarmaisdinheiroparaosistemanãoéocaminho,porque,semgestão, sempreserápouco
“Quem vai se prestar a praticar
uma oncologia atrasada? Por
que eu iria ensinar um residente
do SUS a praticar uma medicina
de 1900?”
RafaelKaliks,
oncologista do Hospital Israelita Albert Einstein
e diretor científico do Instituto Oncoguia
“O sistema de saúde
sempre será sustentável.
Ele não quebra, só se
ajusta com o que tem
para oferecer”
NelsonTeich,
fundador do Grupo COI
Fotos: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press
CORREIO BRAZILIENSE • Brasília, quinta-feira, 25 de abril de 2019 • 6
Resultadoscomprometidos
Biópsia pelo SUS pode demorar até um ano para ser feita e valor é defasado
P
ara serem examinados,
osenxertosdetecidohu-
mano com suspeita de
câncerprecisamsercon-
servados em um recipiente ade-
quado,emformol10%tampona-
do. Caso contrário, os resultados
podem ser comprometidos. Na
maiorpartedasvezes,nosistema
público de saúde, porém, nem o
frasco nem o produto químico
conservante são utilizadoscorre-
tamente. Os problemas não pa-
ramporaí.Operíodomáximode
espera,de72horas,tambémestá
longe de ser respeitado. Em hos-
pitaisnoNortedopaís,porexem-
plo, existem peças inteiras de te-
cido mamário aguardando análi-
sehámaisdeumano.
Comainadequaçãodosistema
paralidarcomasbiópsias,muitos
pacientesperdemachancedecu-
ra,segundoopresidentedaSocie-
dadeBrasileiradePatologia,Clovis
Clock. Ele também afirma que o
SUSpagaR$24porexameemen-
xertodetecidohumano,valorque
está desatualizado.“Os laborató-
riospúblicosnãotêmcapacidade
para a demanda de biópsias. Isso
acontece até mesmo no Hospital
Partenon, em Porto Alegre, que é
uma unidade de referência. É um
desrespeitoàvidahumana.Preci-
samos modernizar o sistema e a
tabeladepreços”,alerta.
Clockexplicaqueainfraestru-
tura precária para análise das
biópsias e para tratamento do
câncer resulta numa falta de va-
lorização da patologia”. Além das
perdas de vidas, o descaso preju-
dica a formação de profissionais.
“O valor de R$ 24 está congelado
há 14 anos. Você acha que um
exame desses é mais barato do
que ir à manicure? O SUS não vê
a patologia como um problema.
E estamos falando da porta de
entrada da oncologia. Essa não
valorização culmina na desistên-
ciadaresidênciamédicanaárea.”
Ainda de acordo com Clock, a
tecnologia usada no setor está
parada na década de 1980. “Os
médicos residentes se deparam
com uma especialidade defasa-
da, sem perspectiva de cresci-
mento”, lamenta. Com a demora
no tratamento, muitos pacientes
procuram a Justiça para garantir
os direitos. A judicialização dos
tratamentos, segundo Maria Inês
Gadelha, chefe de gabinete da
Secretaria de Atenção à Saúde do
MinistériodaSaúde,resultanum
gastodeR$8bilhõesporano.
Ao analisar a relação com o
câncer, a advogada Maria Paula
Bandeira,32 anos,afirma que vi-
veu tanto uma perspectiva positi-
va quanto uma negativa ao desco-
brir a doença.Isso porque ela teve
dois diagnósticos. O primeiro foi
aos 24 anos,quando detectou,por
meio de exames de rotina,um tu-
mor maligno na mama.O segun-
do,foi recebido no início de 2016,
nofimdoquintoanodetratamen-
to.“Fuirepetirosexamesedescobri
um câncer de mama metastático.
Tinhametástasenofígado,noová-
rio,nopulmãoeemossos”,diz.
A diferença da percepção entre
umdiagnósticoeoutrofoienorme.
“Quando eu detectei o câncer pri-
mário,eu tinha certeza de que ia
superar,mas quando eu descobri
as metástases,achei que não teria
mais do que dois meses de vida”,
afirma ela, que é voluntária do
Instituto Oncoguia.“É preciso dis-
seminar que, mesmo que haja a
metástase e a doença avance,ain-
da é possível viver bem e com qua-
lidade”,ensina.
Foiissoqueelasepropôsafazer
nas redes sociais.Ela é influencia-
dora digital.O papel é comparti-
lhar e informar os 22 mil seguido-
res do perfil no Instagram,chama-
doLençodoDia.
Pela web,formou um grupo de
amigas,que também lidam com a
doença.“Em outubro de 2018,fo-
mos rir disso tudo em Paris”,brin-
ca. A viagem foi uma forma de
honrar uma das participantes da
turma,que morreu em agosto do
anopassadoetinhaodesejodeco-
nheceracapitaldaFrança.
Compartilhar
para entender
MariaPaulacomasamigasem
Paris:“Fomosrirdissotudo”
Creare Produções/Divulgação
Testesgenéticosidentificampacientesdealtorisco
Especialistaemoncogenética,
RodrigoGuindaliniexplicaqueos
testes genéticos (germinativos e
moleculares) são fundamentais
tantoantesquantodepoisdotra-
tamentodotumor.Emumcená-
rio em que há um paciente com
forte histórico familiar, mas que
nãodesenvolveuadoença,oexa-
me ajuda a identificar se ele é de
altoriscoe,apartirdaí,sãopassa-
dasorientaçõesparaqueestraté-
giasdiferenciadassejamseguidas.
Normalmente, são sugeridas
três: intensificação do rastrea-
mento e de exames de rotina,
prevenção com medicamentos e
cirurgias de redução de risco, co-
moretiradadamama,antesmes-
mo de se confirmar um diag-
nóstico de câncer. “O caso da
Angelina Jolie expôs esse tipo de
cenário, e muitos criticaram. Ela
não fez algo errado. Ela escolheu
o que era mais adequado para a
condiçãodela”,analisa.“Ostestes
também servem para identificar
omelhortratamentoparaaquele
paciente”,frisaooncologista.
Segundo ele, um dos benefí-
ciosdotesteéaracionalizaçãode
gastospúblicoscomaalocaçãode
recursos para a população ade-
quada.“Essaanálisegenéticanão
étemporária,elavaleparaoresto
davida.Issopodefazeradiferen-
çaediminuiroscustosdemanei-
rageral,seaplicadodeformacer-
ta”, considera. No entanto, Guin-
dalini diz que, atualmente, não é
possível fazertestesgenéticosno
SistemaÚnicodeSaúde.“NoSUS,
testesgenéticosnãoestãouniver-
salmente disponíveis. Somente
emcentrosdeexcelêncianoBra-
sil, financiados por pesquisa, é
possívelfazê-losgratuitamente.”
De acordo com ele, já se ini-
ciou um diálogo com o Ministé-
rio da Saúde sobre o assunto.“A
ideia édequeostestes sejamim-
plementados em Unidades de
Assistência de Alta Complexida-
de (Unacons) e Centros de Refe-
rência de Alta Complexidade
(Cacons) em todo o território na-
cional”,destaca.
R$ 8
bilhões
Valor gasto por ano pelo
governo com a judicialização
dos tratamentos
ClovisClock:“Oslaboratóriospúblicosnãotêmcapacidadeparaademandadebiópsias.Éumdesrespeitoàvida”
Cirurgias preventivas
A atriz Angelina Jolie se submeteu
a cirurgias para retirada das
mamas, dos ovários e das
trompas de Falópio. As operações
foram preventivas, porque ela tem
uma mutação genética que
representa risco de tumores.
Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press
CORREIO BRAZILIENSE • Brasília, quinta-feira, 25 de abril de 2019 • 7
Projetoparaacelerarbiópsia
Há regiões onde pacientes esperam até um ano pelo exame. Proposta quer limitar prazo a 30 dias
E
nquanto médicos e es-
pecialistas em oncologia
pesquisam para garantir
novastecnologiasdetra-
tamentoediagnósticosmaisrápi-
dos, um dos papéis do Poder Le-
gislativo é fazer com que esses es-
tudos,defato,beneficiemapopu-
lação. O instrumento é a lei. O
próximo passo dos congressistas
que integram a Frente Parlamen-
tarMistaemProldaLutaContrao
Câncer, lançada em março, é a
aprovaçãodoPL275/15,dadepu-
tadaCarmenZanotto(Cidadania-
SC), que garante aos pacientes do
Sistema Único de Saúde (SUS) o
direito ao exame de biópsia em,
no máximo, 30 dias, contados a
partirdopedidomédico.
A proposta foi deferida na Câ-
mara e aguarda apreciação pelo
Senado. Caso receba sinal verde,
farápartedaLeinº12.732/12,co-
nhecida como Lei dos 60 dias,
que estipula o início do trata-
mento pelo SUS contados 60 dias
a partir do diagnóstico da doen-
ça. Carmen Zanotto, presidente
da Frente Parlamentar Mista da
Saúde, considera o novo projeto
necessário, já que a legislação
não preenche essa lacuna. “Não
adianta garantir o tratamento no
período se a gente continua le-
vando, em algumas regiões do
país, 90 dias, seis meses ou até
mesmo um ano para fazer uma
biópsia”, ressalta.
Além de brigar pela aprovação
da proposta, a parlamentar faz
uma leitura crítica dos projetos
ainda não implementados.“Tex-
tos nós temos; nós temos agora é
de lutar para garantir que sejam
implementados”,afirma.
De acordo com a presidente
da frente parlamentar que deba-
te a doença, a deputada Silvia
Cristina (PDT-RO), existem mais
de 100 proposituras na Câmara
relativas a câncer.
Inca
Carmen Zanotto destaca o
papel do Instituto Nacional de
Câncer (Inca) na garantia dos di-
reitos dos pacientes. “Quem tem
de nos assegurar a garantia dos
textos legais não é só o Ministé-
rio da Saúde, mas também o In-
ca.Hoje,euvejooinstitutocomo
um prestador de serviço. Ele pre-
cisa ser fortalecido e voltar a ter o
papel de construtor da política
nacional do câncer”, frisa.
Já Silvia Cristina reconhece
que o tratamento no Brasil ainda
está aquém do que deveria ser.
“Não temos incentivo à pesquisa
nem ações mais concretas de
prevenção, que ainda é o melhor
remédio”, avalia. A própria depu-
tada foi diagnosticada com cân-
cer de mama em 2006 e sentiu na
pele a falta de qualidade nos hos-
pitais.“Na Região Norte, onde eu
moro, observamos um deficit
muito grande. Moro em Rondô-
niahá15anose,quandofuidiag-
nosticada, me deparei com um
tratamento péssimo. A máquina
de radioterapia ficava mais que-
brada do que funcionava. Sofri
bastante por isso”, relembra.
Se legislar é ferramenta para
combater o câncer, a pauta do
Congresso interfere nessa bata-
lha. O deputado Frederico Es-
caleira (Patri-MG) destaca a im-
portância do orçamento do Esta-
do para prover atendimento,
equipamentos, remédios e espe-
cialistas. Ele defende a reforma
da Previdência como forma de
adquirir mais recursos para ga-
rantir o cumprimento das leis.
“Cercade57%doqueéarrecada-
do de tributos é gasto com apo-
sentadoria e Previdência Social.
O deficit passou de R$ 2,5 bilhões
em 2010 para R$ 171 bilhões. As-
sim, não conseguimos aumentar
o orçamento da saúde”, alerta.
“Textos nós temos;
nós temos agora
é de lutar para
garantir que sejam
implementados”
CarmenZanotto,
deputada federal
Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press
Saúde
O nosso compromisso
BR/NCOM/0419/0020 – Abril / 2019
A inovação só tem sentido se estiver disponível a
quem precisa dela, por isso temos o compromisso de
buscar alternativas para ampliar o acesso de pacientes
brasileiros à saúde. Nós acreditamos que o diálogo e o
trabalho em parceria com todos os agentes da saúde são
fundamentais para chegarmos a uma solução comum
para a acessibilidade.
Somos muitos, trabalhando como um, em diversos
lugares, para mudar a realidade da sociedade brasileira.
Somos Roche.
CORREIO BRAZILIENSE • Brasília, quinta-feira, 25 de abril de 2019 • 8
Aauditoria
Confira o que foi levantado pela auditoria da Controladoria-Geral
da União sobre a Política Nacional de Prevenção e Combate ao Câncer
Fiscalização
Auditores visitaram 44 hospitais, 14 secretarias
municipais de saúde e 13 secretarias estaduais de saúde
nas 27 unidades federativas
Trabalho
Nas visitas, os auditores fizeram 103 fiscalizações e sete
auditorias nas áreas de planejamento, monitoramento e
avaliação, plano de expansão, convênios, transferência de
recursos, aquisições em oncologia e regulação
Estados com maior carência de hospitais
A auditoria revelou que existem municípios distantes,
em um raio de até 400km de hospitais com
especialização em oncologia
O levantamento apontou 281 regiões de saúde sem serviço de
oncologia e 156 com atendimento. Das 156, 51 não contam com
tratamento de radioterapia. Os estados em pior situação são:
Estado
Quantidade Quantidade
Deficit (%)
necessária existente
AAmmaazzoonnaass 88 11 77 (81,5)
MMaarraannhhããoo 1144 33 99 (78,6)
PPaarráá 1177 44 1133 (76,5)
GGooiiááss 1144 55 99 (64,3)
SSeerrggiippee 55 22 33 (60)
O ideal seriam mais 203 hospitais habilitados no país e 234
novos aparelhos de radioterapia. O investimento custaria,
respectivamente, R$ 1,57 bilhão, e R$ 1,6 bilhão
Gastos públicos no setor de oncologia
A auditoria da CGU mostra que tanto o governo federal quanto
os estaduais e municipais precisam melhorar a gestão para
otimizar gastos com pacientes. Os valores investidos por
pessoa variam de acordo com a localidade
» 41 tipos de medicamentos foram adquiridos entre 2017 e 2018
com 87 contratantes entre públicos e privados. O valor total
foi de R$ 1,4 bilhão
» Se todas as compras fossem realizadas pelo menor valor, a
economia seria de R$ 394.186.285
» Se todas as compras fossem realizadas, no máximo, pelo
valor médio dos medicamentos, seria de R$ 81.148.655
Contaminação e morte por câncer no Brasil e no mundo
» Em 2006, a doença provocou 155 mil mortes
» Em 2016, foram 215 mil mortes em 12 meses
» Em 2008, foram 243 novos casos a cada 100 mil habitantes
» Em 2018, o número subiu para 280 novos casos a cada 100
mil habitantes
» Em Santa Catarina, no Rio Grande do Sul e no Distrito
Federal, as mortes por câncer representam 20% do total
» Em 2030, a expectativa é de que a doença seja a principal
causa de morte no mundo
✓✓
✓✓
✓✓
✓✓
✓✓
✓✓
Mágestãoe
desperdício
CGU mostra falha no gerenciamento de políticas públicas
de combate ao câncer, provocando perda de recursos
O
governo tem três
grandesdesafiospara
lidar com os núme-
ros de casos de cân-
cer antes que haja aumento na
quantidade de pacientes, o que
ocorrerá com o envelhecimento
da população. Primeiro, levan-
tar a verba para bancar os exa-
mes,alémdaexpansãoedamo-
dernização do sistema; segun-
do, melhorar a gestão, para evi-
tar desperdícios, e, por fim, se
preparar para o futuro. Uma au-
ditoria da Controladoria-Geral
da União (CGU) mostra que os
problemas estão associados.
AuditordoCGUeumdosres-
ponsáveis pelo levantamento,
Rodrigo Eloy conta que o traba-
lhosemostroubemmaiorecom-
plexo do que o esperado. Uma
das complicações encontradas é
que, embora existam políticas
públicasdecombateaocâncer,o
sistema público de oncologia
não é padronizado sequer para
a compra e o uso de medica-
mentos. “Quem adquire esses
insumos, às vezes, é o hospital e,
às vezes, a Secretaria de Saúde.
Os valores variam muito em to-
do o país”, observa Eloy. O gasto
com medicamentos ultrapassa
R$ 1 bilhão. O estudo mostrou
que, se as compras fossem reali-
zadaspelomenorvalor,aecono-
mia seria de R$ 394.186.285. Se
fossem realizadas pelo valor mé-
dio,deR$81.148.655
Vigilância
A equipe usou um software
de aprendizagem de máquina
para fiscalizar licitações. Com o
equipamento, conseguiu, inclu-
sive, impedir compras de medi-
camentos com preços muito
acima do operado pelo merca-
do. “Fazíamos varreduras em
editais. Mas os remédios não
são a única questão. Temos um
problemasériodefaltadeestru-
turas físicas. Temos localidades
sem nenhum atendimento on-
cológico em um raio de 400km”,
destacaoauditor.“Eaoncologia
é,talvez,umadasáreasquemais
avançam em tecnologia, sendo
que o SUS já tem dificuldade de
incorporar essas tecnologias.”
Pascoal Marracini, presiden-
te da diretoria executiva da As-
sociação Brasileira de Institui-
ções Filantrópicas de Combate
ao Câncer (ABIFICC), também
tem críticas. “O poder público
não consegue levar à frente a
política de oncologia. Ninguém
quer assumir o papel de gestor:
nem a União nem os estados
nem os municípios”, diz.
OdiretordeAdvocacydoInsti-
tuto Oncoguia, Tiago Matos, vê
como solução um sistema que
permita o aprimoramento cons-
tantedaspolíticaspúblicas.“Polí-
ticaspúblicasnuncanascemboas.
Mesmo que o gestor tenha noção
do quadro geral. Se vigiamos e
aprimoramos procedimentos,
por que não fazer o mesmo com
essas políticas, que, no segundo
seguinteàaplicação,játêmalgoa
sermelhorado?”,questiona.
RodrigoEloy:“Hálocaissematendimentonumraiode400km”
“Opoderpúbliconão
conseguelevarà
frenteapolíticade
oncologia.Ninguém
querassumiropapel
degestor:nema
Uniãonemosestados
nemosmunicípios”
PascoalMarracini,
presidente da ABIFICC
Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press
CORREIO BRAZILIENSE • Brasília, quinta-feira, 25 de abril de 2019 • 9
Recursosinsuficientes
EspecialistadizqueBrasilaplicanaoncologiaapenas6%daverbatotaldasaúde
A
aplicação de recursos
em saúde ainda deixa
muitoadesejarnoBra-
sil. A opinião é de Gus-
tavo dos Santos Fernandes, vice-
presidente de Relações Nacio-
nais e Internacionais da Socie-
dade Brasileira de Oncologia Clí-
nica(SBOC).Oespecialistacom-
para os gastos do país com os
dos Estados Unidos. “Eles inves-
tem 19% do PIB em saúde, en-
quanto a gente, 8%. E, desses
8%, cerca de 4,1% vai para o se-
tor privado. É um investimento
muito pequeno”, alerta.
Do dinheiro direcionado ao
setor no Brasil — ainda segundo
o dirigente da SBOC —, apenas
6% vão para a oncologia. “Isso,
além dos gargalos, do preconcei-
to, da má gestão e da corrupção.
Há uma composição de proble-
mas com o qual vivemos”, ressal-
ta. “Se compararmos, por exem-
plo, a oncologia do sistema de
saúdepúblicodadécadade1990,
ela melhorou. Mas, hoje, esta-
mos mais distantes da tecnolo-
gia usada em países desenvolvi-
dos do que naquele período.”
Com o tratamento correto,
Fernandes lembra, mais pessoas
sobreviveriam, e o país ganha-
ria mais. “Por outro lado, colo-
car a culpa de tudo no governo
não é totalmente correto. A prá-
tica comercial da indústria é
muito acirrada para um país re-
lativamente pobre. Temos de
pensar em prioridades”, frisa.
“O que são R$ 10 bilhões, R$ 15
bilhões em tratamento de cân-
cer diante do anunciado R$ 1
trilhão esperado em economia
pela reforma da Previdência? É
um número irrelevante se a
saúde e o combate ao câncer
forem prioridade.”
A economista em saúde Va-
nessaTeichacreditaqueoBrasil
precisa de uma discussão de
prioridades. “Temos de esco-
lher quais serão as nossas bri-
gas. Discutir as prioridades da
sociedade e definir orçamentos
por áreas terapêuticas”, afirma.
Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press
“Farei tratamento paliativo pe-
lo resto da minha vida,e pretendo
viver muito.Ӄ assim que Daniele
Renata Camargo,35 anos,encara
a realidade.A vontade de viver fez
com que Daniele superasse os pro-
blemas do SUS para tratar de um
câncer de mama.Sabendo que en-
frentaria dificuldades financeiras,
fez a biópsia na rede particular.
Depois,passou por quimioterapia
no sistema público,mas,na hora
deoperar,tinhacertezadequenão
haveria tempo para ficar à mercê
da letargia do Estado.“Fizemos ri-
fa no trabalho, gastamos nossas
economias,contamos com ajuda
de amigos”,recorda.Ela fez cirur-
gia em dezembro. Em fevereiro,
descobriu a metástase óssea.“Se eu
tivessedemoradoametratar,espe-
rado biópsia,cirurgia,teria morri-
do.ÉdifícilsetratarnoSUS.”
Rifa para o
tratamento
Danielelutacontraumcâncerde
mama:“ÉdifícilsetratarnoSUS”
Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press
GustavodosSantosFernandes:“Hoje,estamosmaisdistantesda
tecnologiausadaempaísesdesenvolvidosdoquenadécadade1990”
Estímuloàluta
Trata-se de uma abordagem
terapêutica que estimula o
sistema imunológico a lutar
contra o tumor.
Esse seria um caminho para
tentar se aproximar da incorpo-
ração de novas tecnologias e tra-
tamentos,comoaimunoterapia.
Trata-sedeumaabordagemtera-
pêutica que estimula o sistema
imunológico a lutar contra o tu-
mor. O método tem obtido bons
resultados para diversos tipos de
cânceres, como o de pulmão, o
quemaismatanomundo.
Quando falta dinheiro para
adquirir novas tecnologias, é
preciso recorrer à avaliação de
tecnologia em saúde, conheci-
da como ATS. “Ela funciona co-
moumaferramentaparaajudar
a priorizar. Por mais que a gente
saiba que existem má gestão e
fraude, nenhum país tem di-
nheiro suficiente para pagar
por tudo (todas as tecnologias
que surgem) e precisa fazer es-
colhas”, ressalta.
DESAFIAR OS
LIMITES DA CIÊNCIA
PARA TRANSFORMAR
VIDAS É O QUE
NOS INSPIRA! 1631222-Produzidoemabril/2019.
Através da ciência, a Oncologia da AstraZeneca
oferece os mais avançados e inovadores
medicamentos, capazes de transformar a
vida dos pacientes.
Juntos podemos fazer
a diferença na saúde
dos pacientes!
Material destinado ao público leigo.
Contribuir para que as pessoas vivam com mais
qualidade de vida e por mais tempo é a nossa
maior conquista e o que nos motiva.
CORREIO BRAZILIENSE • Brasília, quinta-feira, 25 de abril de 2019 • 10
Pedidosà
Ouvidoria
Leinãogarantetratamento
Inca mostra que só 35,4% dos pacientes com diagnóstico prévio iniciaram terapia em até 60 dias
“Q
uem tem câncer
tem pressa”. Ape-
sar de a frase ter
sido declarada
diversas vezes no IX Fórum Na-
cional Oncoguia, seja por espe-
cialistas, seja por pacientes
que passam ou passaram pelo
tratamento da doença, alguns
dados apresentados no evento
mostram uma realidade dife-
rente da expectativa de quem
luta pela vida. Informações do
Instituto Nacional do Câncer
(Inca) revelam que, em 2016,
apenas 35,4% dos pacientes
com diagnóstico prévio come-
çaram o tratamento em até 60
dias. No total, somando pacien-
tes com e sem o diagnóstico
prévio, 44,3% iniciaram o trata-
mento fora do tempo indicado
pela Lei nº 12.732/12.
O cumprimento da Lei dos 60
dias é monitorado pelo Sistema
de Informação do Câncer (Sis-
can), instituído em 2013 pela
portaria nº 3.394. No entanto,
atualmente, o sistema está em
fase de reformulação. “Espera-
mos para os próximos meses es-
tar com ele funcionando em ní-
vel nacional”, afirma o coorde-
nador de Assistência do Inca e
oncologista clínico, Gélcio Men-
des. O Instituto é um dos parti-
cipantes do comitê de monito-
ramento e gerencia o sistema
desde 2017. “Naquela época, o
então ministro Ricardo Barros
definiu que o Siscan, efetiva-
mente, deveria monitorar a Lei
dos 60 dias”, conta Mendes.
O coordenador reconhece
que os números estão aquém do
desejado em termos do cumpri-
mento da lei. Ele culpa a partici-
pação de múltiplos atores no ca-
minho entre o diagnóstico e o
tratamento, incluindo a falta de
oferta de atenção oncológica.
“Temos um deficit de unidades
de tratamento oncológico, pro-
vavelmente, na faixa entre 320 e
350 unidades pelo Brasil. Isso dá
em torno de 25% a 30% da capa-
cidade instalada”, analisa.
Pascoal Marracini, presidente
da Diretoria Executiva da Asso-
ciação Brasileira de Instituições
Filantrópicas de Combate ao
Câncer (Abificc), acredita que há
umadesarticulaçãonoserviçode
regulação e defende a criação de
um Sistema Único de Oncologia.
“Hoje, o sistema de política pú-
blica de oncologia é um 3D: de-
sorganizado, desarticulado e de-
sestruturado”, critica.
E o câncer não respeitará a
demora no diagnóstico e no tra-
tamento, conforme alerta Lu-
cianno Henrique Pereira dos
Santos, membro da Diretoria da
Sociedade Brasileira de Oncolo-
gia Clínica.“O câncer não se im-
porta com as leis e as dificulda-
des do Estado. Ele cresce, se
multiplica e mata o hospedeiro.
É um problema de todos nós.
Precisamos nos organizar. O
diagnóstico tem de ser rápido.
Realmente precisamos de uma
lei pra isso?”, questiona.
Precariedade
Sem estrutura e tecnologia,
também fica difícil seguir as
leis. Quem afirma é Eronides
Batalha Filho, membro titular
representante da Sociedade
Brasileira de Radioterapia. Ele
alerta para a dificuldade de dar
acesso à população a aparelhos
de radioterapia, fundamentais
tanto para pacientes com chan-
ce de cura quanto para os que
enfrentam a doença em estágio
avançado. “O número de apare-
lhos é insuficiente e, hoje, 33%
estão obsoletos. Esse número
subirá para 44% em 2021. Espe-
ramos uma melhora de cenário
com o plano de expansão do
Ministério da Saúde”, observa.
Mesmo o plano de expansão,
queprevêcompradenovosequi-
pamentos, atrasou. Iniciado em
2012, tinha por objetivo com-
prar 80 máquinas. Após sete
anos, o governo só adquiriu 19.
“Isso ocorre, na maioria das ve-
zes, por motivos políticos em
municípios. A troca de um ges-
tor, prefeito ou diretor de hospi-
tal, que não tinha conhecimento
do trabalho que estava sendo
feito e não dá continuidade, que
não sabe o valor”, lamenta.
LuciannoHenriquedosSantos:“OcâncernãoseimportacomasleisecomasdificuldadesdoEstado”
Diretora na ouvidoria geral do
SUS, Luana Gonçalves Gehres
ressalta como o dispositivo pode
ajudar a otimizar o sistema. De
2018 para cá, aouvidoriafez 6.610
atendimentos. Cerca de 90% das
solicitações eram por assistência,
quando o paciente tem dificulda-
desdeconseguiratendimento.
Asegundamaiorcomplicaçãoé
deacessoamedicamentos,princi-
palmenteosnãopadronizados,in-
disponíveis na rede.“Isso impacta
na qualidade do atendimento do
usuário, mas cada caso tem de ser
atendido individualmente, levan-
do em conta, inclusive, a região do
paciente, pois o país é grande, e as
realidades de atendimento, muito
diferentes”,explica.
Gehresafirmaqueaouvidoriaé
um identificador de problemas.“É
uma forma de o usuário participar
da gestão e fiscalizar o que está
acontecendo. Não solucionamos
problemas. Identificamos, para a
gestão, onde estão os problemas a
resolverdeformamaisefetiva”,diz.
LigueCâncer
Informações do canal Ligue Câncer, do Instituto Oncoguia,
também expõem a baixa execução da Lei nº 12.732/12. Entre os
3.138 casos analisados pelo canal, 40% é de pacientes que não
tiveram a Lei dos 60 dias cumprida. As informações mostram que
os pacientes oncológicos e familiares dominam os 8.002 cadastros
feitos desde 2012 no Ligue Câncer. Ao todo, 26 tipos de tumores
foram abordados nos atendimentos por telefone. O câncer de
mama, de próstata e o colorretal são os mais mencionados.
SegundoLuanaGehres,90%dospedidosàOuvidoriasãoporassistência
Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press
Ed Alves/CB/D.A Press
CORREIO BRAZILIENSE • Brasília, quinta-feira, 25 de abril de 2019 • 11
Direitosviolados?ChameaDefensoria
Foconosmedicamentosorais
Em defesa da criação de grupo na ANS para ampliar e modernizar rol de substâncias
Para garantir o cumprimento
das leis que asseguram o direito a
saúde, tratamento e medicamen-
tos ao paciente oncológico, a po-
pulação mais vulnerável deve re-
correr às Defensorias Públicas. O
secretáriogeraldearticulaçãoins-
titucional da Defensoria Pública
da União (DPU), RenanVinícius
Mayor, orienta os pacientes que
têm os direitos violados:“A partir
do momento em que a Lei dos 60
dias, por exemplo, é descumpri-
da, o papel é procurar a Defenso-
riaPública”,afirma.
Ele explica que, ao ser conta-
tada, a Defensoria deve buscar,
prioritariamente, uma resolu-
ção extrajudicial. “Muitas vezes,
as ações judiciais não são o me-
lhor caminho, porque podem
demorar mais. Às vezes, um ofí-
cio pode solucionar o problema.
Caso não consiga, aí o ideal é ju-
dicializar”, frisa.
Segundo Mayor, casos de mais
urgênciavãodiretoparaajudicia-
lização. A maior quantidade de
pedidos é por remédios e acesso a
tratamento. “Pacientes entram
com chance de cura, mas, com a
demora e a interrupção da medi-
cação,aschancesdiminuemdras-
ticamente”, lamenta. De acordo
com o secretário da DPU, outro
papel do órgão é auxiliar a efetivi-
dade das políticas públicas.“Co-
mo chegam diariamente às de-
fensorias diversas demandas da
saúde, nós podemos ver os garga-
los e saber onde a saúde está fa-
lhando”,ressalta.
Para propor soluções e nego-
ciar com os gestores responsáveis
pela área, como o Ministério da
Saúde, a DPU pretende construir
umobservatóriodedados.“Nósjá
percebemos, na ponta, as dificul-
dades, mas não temos a base de
dados. Esse é nosso maior desafio
nomomento.”
“Vamos analisar a
proposta, e me
parece uma visão
interessante de
melhoria do
processo. Hoje, a
norma posta é que o
ciclo do rol seja feito
a cada dois anos,
mas tudo é possível
ser discutido com a
sociedade”
RogérioScarabelBarbosa,
diretor de Normas e Habilitação
de Produtos da ANS
O
IX Fórum Nacional de
Políticas de Saúde em
Oncologia, do Institu-
to Oncoguia, debateu
a criação de um grupo de traba-
lho dentro da Agência Nacional
de Saúde Suplementar (ANS). Se
formado, deverá discutir formas
de atualizar o modelo de atua-
ção do órgão para inserção de
medicamentos orais no rol de
substâncias autorizadas. Atual-
mente, só há a possibilidade de
incluir novos medicamentos
nessa lista a cada dois anos, não
existe prioridade, não existem
critériosclarosparaqueosnovos
medicamentos passem a fazer
parte dessa lista.
Para o diretor de Advocacy
do Instituto Oncoguia, Tiago
Matos, o tempo de dois anos
para a incorporação de remé-
dios orais é grande. “O rol foi
pensado em um momento em
que a gente não discutia medi-
camentos, mas equipamentos.
Dois anos não é muito tempo se
falarmos de tecnologia, mas,
quando se trata de medicamen-
tos orais, é diferente”, avalia.
“Por isso, é importante um gru-
po de trabalho interno na ANS
para pensar em um modelo de
atualização do rol (de medica-
mentos) e dar atenção especial
a essa dificuldade”, destaca.
Outro ponto criticado por
especialistas é a forma como
ocorre a adequação do rol. Tia-
go Matos explica que o proces-
so na ANS é cíclico, com uma
janela de oportunidade se
abrindo para se submeter novas
tecnologias. Este ano, começou
em 4 de fevereiro e termina em
4 de maio. “Caso uma nova tec-
nologia apareça depois desse
período, fica prejudicada, por-
que só poderá ser julgada pelo
rol no próximo ciclo”, afirma.
Nesse período, uma pessoa com
câncer que descobre o medica-
mento é obrigada a judicializar
o tratamento e forçar o Estado a
pagar pelo produto.
O diretor de Normas e Habili-
tação de Produtos da Agência
Nacional de Saúde Suplementar
(ANS), Rogério Scarabel Barbo-
sa, acredita que a mudança po-
de ocorrer mediante debate.
“Vamos analisar a proposta, e
me parece uma visão interes-
sante de melhoria do processo.
Hoje, a norma posta é que o ci-
clo do rol seja feito a cada dois
anos, mas tudo é possível ser
discutido com a sociedade. Isso
pode ser alterado sem nenhum
problema”, declara.
O oncologista e membro da
Diretoria da Sociedade Brasilei-
ra de Oncologia Clínica Lucian-
no Henrique Pereira dos Santos
entende a questão do prazo, mas
a questiona e a considera buro-
crática. “Por que temos de ter
uma janela fechada de apresen-
tação se as pesquisas e as evolu-
ções tecnológicas continuam to-
dos os dias?”, rebate.
RenanMayor:DPUquermontarumobservatóriodedados
Ed Alves/CB/D.A Press
Ed Alves/CB/D.A Press
TiagoMatosdizqueaperiodicidadededoisanosdocicloprejudicaaaquisição denovastecnologias
pode entrar num posto de saúde sem apresentar sintoma
algum e sair com um diagnóstico de câncer. Para ajudá-lo,
é fundamental esse paciente sentir-se acolhido, tratado
e cuidado. Precisa saber quando será sua próxima consulta,
quando começa seu tratamento, quando termina. Quando
será o próximo exame e quem estará lhe acompanhando.
Precisa ter um oncologista para chamar de seu.
Esse paciente deve ter um diagnóstico preciso, que
identifique qual é o tipo exato de tumor. Esta informação
é fundamental para definir o tratamento correto, que
precisa começar em no máximo dois meses, conforme diz
a lei. O tratamento deve ser mais padronizado, menos
desigual, pois mesmo dentro do Sistema Único de Saúde
(SUS) existe divergências na oferta de remédios
e tratamentos, de procedimentos cirúrgicos e radioterapia.
Aliás, a radioterapia precisa de um olhar dedicado, para que
seu plano de expansão aconteça e esteja disponível em todo
o país.
Durante toda a jornada é preciso também do olhar
interdisciplinar e multidisciplinar, com profissionais
de diferentes especialidades disponíveis ao paciente, como
nutricionistas, fisioterapeutas e psicólogos.
Por fim, pedimos também o envolvimento de toda
sociedade. Não podemos mais deixar o medo do câncer
e a desinformação paralisar as pessoas, impedindo-as
de se cuidarem, de buscarem seus exames, agilizarem seus
diagnósticos ou ainda, de oferecerem apoio aos pacientes.
O câncer é, sim, um problema de todos e precisa da sua
atenção, do seu comprometimento e empatia. Vamos
juntos lutar para que o combate e controle do câncer seja
uma prioridade para o Brasil?
Instituto Oncoguia
CÂNCER: UM PROBLEMA DE TODOS NÓS
DESAFIOS E PRIORIDADES
Não há uma pessoa no país que não saiba o que é câncer.
A doença toca diretamente a vida de oito em cada dez
brasileiros. Cerca de 60% têm um parente com a neoplasia.
Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), serão
registrados mais de 634 mil novos casos da doença este ano
no Brasil. Embora seja um importante problema de saúde
presente na vida de tantos brasileiros, o câncer ainda não
é uma prioridade para o país e há muito o que se fazer para
melhorar o acesso ao diagnósticoe ao tratamento.
Por trás dessas estatísticas, existem milhares de pacientes
que lutam arduamente para terem mais anos de vida. Nosso
pedido é para que sejam feitos esforços para melhorar
a chance de cada brasileiro vencer ou conviver com o câncer
como uma doença crônica. Para isso, é preciso criar uma
estrutura com fluxos transparentes e claros. Uma pessoa
A doença toca diretamente a vida de oito em
cada dez brasileiros. Cerca de 60% tem um
parente com uma neoplasia*.
*Fonte: Pesquisa IBOPE + Oncoguia 2019
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Câncer: uma realidade brasileira

  • 1. Direta ou indiretamente, o câncer está mais presente na vida dos brasileiros. Pesquisa do Instituto Oncoguia mostra que 81% dos entrevistados têm ou conhecem alguém com a doença. Mesmo assim, o país não a trata como prioridade. O tema foi debatido no IX Fórum Nacional de Políticas de Saúde em Oncologia, em Brasília. Especialistas do Brasil e do exterior alertaram para a necessidade de políticas de Estado mais eficientes para eliminar gargalos no diagnóstico e no tratamento da doença, que deve se tornar a principal causa de morte no mundo até 2030.
  • 2. DDiirreettoorraa ddee RReeddaaççããoo:: Ana Dubeux (anadubeux.df@dabr.com.br); EEddiittoorreess eexxeeccuuttiivvooss:: Placido Fernandes (placidofernandes.df@dabr.com.br) e Vicente Nunes (vicentenunes.df@dabr.com.br); EEddiiççããoo:: Cida Barbosa e Paloma Oliveto; DDiiaaggrraammaaççããoo:: Diego Alves; RReeppóórrtteerreess:: Luiz Calcagno e Maria Eduarda Cardim; RReevviissããoo:: Ailon Pedrosa e Rosiley Bertini; AArrttee:: Thiago Fagundes Ocâncereadesinformação Mesmocomadoençamaispresentenavidadosbrasileiros,desconhecimentosobreascausaségrande C em por cento dos en- trevistados da pesquisa Ibope encomendada pelo Instituto Onco- guia (veja na página 4) conhe- cem ou ouviram falar da palavra câncer, e 81% têm ou conhecem alguém com a doença. Apesar disso, a desinformação sobre possíveis causas da enfermidade ainda é notória. Uma prova disso é que, dos que participaram do levantamento, 8% não relacio- nam tabagismo a tumores malig- nos. E 62% não associam a enfer- midade à obesidade e ao sobre- peso. Além disso, 1/3 acredita que câncer resulta de traumas psicológicos, uma correlação sem evidências científicas. Os dados — apresentados e debatidos no IX Fórum Nacio- nal de Políticas de Saúde em On- cologia, realizado em 16 e 17 de abril com especialistas do Brasil e do exterior — apontam que a desinformação pode fazer com que pacientes e familiares de- morem a procurar um médico ou deixem de enfrentar a doen- ça com positividade. A presidente e fundadora do Instituto Oncoguia, Luciana Holtz, destaca o caráter preo- cupante dos dados revelados pelo estudo. “Esse número do tabagismo já deveria ser 0%”, lamenta. A pesquisa foi realiza- da em fevereiro de 2019 com 2.002 pessoas entre 16 e 55 anos, sendo 48% homens e 52%, mulheres. O levantamento demonstra também que 16% veem a enfer- midade como uma sentença de morte, 15% pensam na doença como uma fonte de sofrimento e dor, e 7% têm medo até de usar a palavra. “Precisamos trocar o medo do câncer por mais cui- dado, por cuidado contínuo”, afirma Holtz. “O medo parali- sa as pessoas e impede que elas se cuidem. Consequente- mente, impede o diagnóstico CORREIO BRAZILIENSE • Brasília, quinta-feira, 25 de abril de 2019 • 2 precoce, que é o melhor mo- mento para uma possível cura. É um preconceito que precisa- mos mudar”, alerta. Para a diretora voluntária de Projetos Multidisciplinares do Oncoguia, Regina Liberato, o que falta para uma evolução é aumentar a atenção que se dá à educação. “Trata-se de um pon- to-chave. É preciso falar na so- ciedade sobre adoecimento. A gente tem pudor, como se isso não fizesse parte da nossa vida”, frisa. Para ela, é por meio da edu- cação que a sociedade consegui- rá ver o câncer sem tanta negati- vidade.“Uma doença crônica vai trazer demandas, mas você continua vivendo, e a vida é imperativa. A Aids também pas- sou por isso e, hoje em dia, com o advento do coquetel, as pes- soas que são soropositivas vi- vem normalmente”, compara. Boa perspectiva A pesquisa também apre- senta um viés positivo de parte dos entrevistados. Sessenta por cento deles têm uma boa pers- pectiva sobre a doença, sendo que 43% acham que câncer po- de ser curado, desde que detec- tado no começo, e 16% acredi- tam que existem tecnologias avançadas para diagnosticar e tratar a enfermidade. A discrepância entre os dois grupos, para os estudiosos, tem relação com a dificuldade do governo de prestar a assistência e o atendimento corretos para pa- cientes e familiares. Tanto que 56%daspessoasouvidasnãoacre- ditam ser possível detectar rapi- damente o câncer, por falta de exames, pela dificuldade de mar- car consulta e de encontrar um médico para examinar os sinto- mas ou pela demora para fazer uma biópsia. Para 73% não é pos- síveliniciarumtratamentocontra ocâncerematé60diasnoBrasil. No fórum, foram debatidos também temas como oncologia sustentável e acessível, os graves problemas no Sistema Único de Saúde, incapaz de garantir aces- so rápido a diagnóstico e trata- mento, e o envolvimento do Le- gislativo na causa. OIXFórumNacionaldePolíticasdeSaúdeemOncologia,promovidopeloInstitutoOncoguia,reuniuespecialistasdoBrasiledoexterior LucianaHoltzdizqueéprecisotrocar omedodocâncerpeloautocuidado Fotos: Ed Alves/CB/D.A Press
  • 3. Educação:importante armacontraadoença CORREIO BRAZILIENSE • Brasília, quinta-feira, 25 de abril de 2019 • 3 A população é parte ativa na luta contra o câncer. Esse é outro importante dado apontado pela pesquisa divulgada pelo Instituto Oncoguia. Com as informações corretas,sabendosecuidar,obra- sileiro contribui diretamente para a diminuição do número de casos da doença e para a desobstrução dosistemadesaúde. Diretora de comunicação da AssociaçãoBrasileiradeEnferma- gememOncologiaeHematologia (Abrenfoh), Ana Maria Pires acre- dita que, aos poucos, as pessoas têm compreendido melhor a en- fermidade. Para ela, é fundamen- tal também que tanto quem está doente quanto familiares ajudem nalutapelaeducação.“Ocânceré umadoençacrônica.Vaiacompa- nhar o paciente, que fica anos se tratando. Ele precisa saber o que está acontecendo com ele. A orientação é proibitiva. O médico dizoqueelenãopodefazer,masa educação ajuda a pessoa a enten- deraprópriasituaçãoesecuidar”, ressalta.“Hoje, precisamos conti- nuar com essa luta, mas acredito que a população está muito mais informadadoquehá10anos.” AnaMariaPiressefundamenta na pesquisa Ibope encomendada peloInstitutoOncoguia,segundoa qual8%dosentrevistadosnãorela- cionamotabagismoaocâncer,en- quanto 92% fazem a associação. “Essapesquisa,háumadécada,se- riamuito pior.Agoraéimportante também fortalecer as instituições quedivulgaminformaçõescorretas sobreocâncer”,diz.“Acreditoquea boa informação é a melhor forma de combater as fake news que po- deriam prejudicar o tratamento e levarapopulaçãoanãorelacionaro tabagismoeaobesidadeàdoença.” Presidente da Sociedade Brasi- leira de Psico-Oncologia,Tatiana BuksteinVainboim, por sua vez, destaca a importância de todo o núcleo familiar de um paciente comcâncerseinformar.“Afamília do paciente, segundo a Organiza- ção Mundial da Saúde (OMS), é a segundaunidadedecuidado.Eos familiares também precisam de atendimento, pois, com o câncer, é provável que toda a estrutura se altere”, pondera.“Esse núcleo, co- nhecendoasituação,podemudar aprópriavisãosobreavidaerecu- perarobem-estar.” Ed Alves/CB/D.A Press AnaMariaPires:“Boainformaçãoémelhorformadecombaterfakenews” Saiba mais No Brasil,a estimativa para 2019 é de que 634 mil novos casos de câncer sejam descobertos.O número equivale a pelo menos um novo diagnóstico por minuto.O câncer também deve se tornar a principal causa de morte no país e no mundo até 2030. Pacientes com os mais diversos tipos de câncer são beneficiados com mais de uma opção de tratamento, independentemente da fase de descoberta da doença. MUITAS OPÇÕES ANOS 40 ANOS 50 ANOS 60 ANOS 70 ANOS 80 ANOS 90 EM 2010 EM 2012 O gás mostarda abre caminho para o tratamento de tumores hematológicos. Antes desta descoberta, a radioterapia e a cirurgia eram os tratamentos disponíveis. A quimioterapia torna-se um dos tratamentos para o câncer e pesquisas começam a revelar informações sobre a existência de fatores de risco e a genética dos tumores. Referências Chabner BA, et al. Nature Reviews Cancer 2005; 5: 65–72 Kirkwood J, et al. CA Cancer J Clin 2012; 62:309–335 Hoos A. Nature Reviews Drug Discovery 2016; 15: 235–247 CRISTINA OLIVEIRA FONSECA, LUIZ ANTONIO TEIXEIRA. De doença desconhecida a problema de saúde pública: o INCA e o controle do câncer no Brasil. Brasil: Ministério da Saúde, 2017. AMERICAN CANCER SOCIETY. The History of Cancer. USA, 2014. https://www.cancer.org/cancer/cancer-basics/history-of-cancer.html GÁS DE MOSTARDA EVOLUI A evolução da medicina permite a publicação de inúmeros estudos e as possibilidades de prevenção começam a ser compreendidas. CONHECIMENTO E PREVENÇÃO Chega ao paciente tratamentos para combater o câncer de mama, melanoma e ovário. O conhecimento da medicina em relação ao funcionamento da célula tumoral abre uma oportunidade para os estudos de terapia-alvo, aumentando as chances daqueles que não respondiam aos tratamentos disponíveis. QUIMIOTERAPIA EVOLUI O tratamento do câncer atingiu marcos importantes desde a chegada da quimioterapia e, nos últimos anos, a medicina deu um salto extraordinário. TERAPIA-ALVO As terapias-alvo estabelecem-se para tipos variados de câncer. Pesquisas sobre a imunoterapia avançam e buscam entender o motivo pelo qual o sistema imune não combate as células tumorais. BASE DA IMUNOTERAPIA Primeira imunoterapia da BMS é aprovada no Brasil e traz resultados promissores: casos que antes eram considerados irreversíveis, passam a apresentar remissão e resultados duradouros. BRASIL COM IMUNOTERAPIA As pesquisas sobre a imunoterapia começam a trazer resultados positivos. Com a chegada delas ao mercado, especialistas conseguem tratar com tecnologias mais modernas e aumentando a qualidade de vida dos pacientes. EXPANSÃO DA IMUNOTERAPIAGÁS DE MOSTARDA Esta é só uma parte da história. Nós da Bristol-Myers Squibb acreditamos no poder da ciência para tratar algumas das doenças mais desafiadoras do nosso tempo. Temos um alto nível de inovação focado em áreas onde os nossos medicamentos podem realmente fazer a diferença para os pacientes. Nosso foco nas necessidades não atendidas na área da saúde vive um momento sem precedentes, onde as descobertas científicas estão avançando como nunca. EM 2019 Aprovado em abril de 2019 - NOBR1902675-01
  • 4. CORREIO BRAZILIENSE • Brasília, quinta-feira, 25 de abril de 2019 • 4
  • 5. CORREIO BRAZILIENSE • Brasília, quinta-feira, 25 de abril de 2019 • 5 Cionéia Garcia, 70 anos, rea- tivou, com outros pacientes, a Associação dos Ostomizados da região de Rio Preto (SP) para in- formar e oferecer qualidade de vida a quem sofre de câncer e te- ve de fazer algum tipo de osto- mização — a ostomia é um pro- cedimento cirúrgico para cons- truir um novo trajeto destinado a eliminar urina e fezes. Ela diz que tem uma qualidade de vida até melhor do que antes de per- der parte do intestino e ficar li- gada pelo resto da vida a uma bolsa de colostomia. Parece estranho que alguém faça uma afirmação desse tipo, mas Cionéia explica: a doença,as duas cirurgias e um período em coma a fizeram enxergar a vida em perspectiva, a buscar forma- ção e informação.“Estou em defi- nitivo com a bolsa,mas a alterna- tiva é a morte.Aproveito melhor a vida hoje.Logo,tenho mais quali- dade de vida”,diz,com convicção. “Pratico esporte e natação. E o câncer não voltou”,comemora. A idosa trabalha para lembrar a outras pessoas ostomizadas que elas têm direitos e leis que as protegem.“É preciso defender os direitos assegurados por lei para não perdê-los. Tanto a saúde pú- blica quanto a privada têm a obrigação,por exemplo,de forne- cer bolsas de qualidade a quem precisa”, frisa.“Isso assegura nos- sa qualidade de vida e o amparo social e psicológico. Com o trata- mento e o equipamento certo, podemos dar continuidade a nossas vidas.” Auxílio a ostomizados CionéiaGarcia:qualidadede vidamesmoostomizada Soluçãoégestãoeficiente Oncologiaacessívelpassanãosópormaisrecursos,masporadministraçãoeficaz A busca por uma oncolo- giasustentáveleacessí- velatodosnoBrasilain- da esbarra em um dos maiores desafios do setor: o fi- nanceiro.Essaéaopiniãodofun- dador do Grupo COI — Clínicas Oncológicas Integradas —, o pós- doutor em ciência da saúde Nel- son Teich, que faz mestrado em racionalização de gestão na Uni- versidade deYork, no Reino Uni- do. Apesar de a sustentabilidade não estar em pauta na saúde, o acesso a ela, necessariamente, passa pela quantidade de dinhei- roqueogestortem.“Osistemade saúde sempre será sustentável. Elenãoquebra,sóseajustacomo que tem para oferecer. Esse aces- so depende do quanto você tem de dinheiro e como você usa esse dinheiro”,explica. Tendoissocomobase,eleacre- ditaquebuscarmaisdinheironão é a melhor fórmula. “Se conse- guirmos mais dinheiro, será pou- co; logo, a solução é a eficiência. Teremos de bater primeiro na efi- ciênciaesóprometeraquiloqueé viável”, orienta o especialista.“A gente não trabalha a saúde com a complexidadecomquedeveria.” A percepção de uma visão imediata é importante para pre- parar o sistema para os próximos anos, já que, com o envelheci- mento da população, os casos de câncer tendem a aumentar. O oncologista do Hospital Is- raelita Albert Einstein e diretor científico do Instituto Oncoguia, Rafael Kaliks, bate na tecla da prevenção. Para o médico, a pre- caução é um dos maiores focos do Instituto e deveria ser preocu- pação de todos.“Queremos mos- trar que prevenir essa doença de- ve ser um dos objetivos da socie- dade, porque o tratamento é ex- traordinariamente caro e não tão eficazapontodecurartodomun- do”, adverte. Como precaução, ele aponta: facilitar o acesso à va- cina do HPV, aumentar a adesão à mamografia e identificar famí- lias de risco, com base em testes genéticos, entre outros. Nessa mesma linha, o secretá- rio de Ciências, Tecnologia e In- sumos do Ministério da Saúde, Denizar Vianna, insiste na im- portância da atenção básica à saúde. Para ele, esse é o setor do sistema público que pode aju- dar na prevenção. Principal- mente, nos casos de câncer de mama, colorretal e de colo do útero. Ele admite, porém, ser necessário especializar os fun- cionários e reconhece a falta in- fraestrutura para fazer biópsias. Na média complexidade, ele destaca a dificuldade para en- contrar especialistas, marcar ci- rurgias e fazer radioterapia. Para Rafael Kaliks, existe uma “evasão de cérebros do SUS (Sis- tema Único de Saúde)”, porque parte dos médicos não consegue lidar com o conflito de oferecer uma medicina ineficaz para a oncologia. Ele cita uma pesquisa feita pelo Oncoguia, que anali- sou o tratamento de melanoma metastático em 4 mil pacientes do SUS entre 2015 e 2017: 97,9% receberammedicamentosjásem efeito ou moderadamente efica- zes naqueles anos.“Isso destrói psicologicamente qualquer mé- dico. Quem vai se prestar a prati- car uma oncologia atrasada? Por que eu iria ensinar um residente do SUS a praticar uma medicina de1900?”,questiona. Teichdizquebuscarmaisdinheiroparaosistemanãoéocaminho,porque,semgestão, sempreserápouco “Quem vai se prestar a praticar uma oncologia atrasada? Por que eu iria ensinar um residente do SUS a praticar uma medicina de 1900?” RafaelKaliks, oncologista do Hospital Israelita Albert Einstein e diretor científico do Instituto Oncoguia “O sistema de saúde sempre será sustentável. Ele não quebra, só se ajusta com o que tem para oferecer” NelsonTeich, fundador do Grupo COI Fotos: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press
  • 6. CORREIO BRAZILIENSE • Brasília, quinta-feira, 25 de abril de 2019 • 6 Resultadoscomprometidos Biópsia pelo SUS pode demorar até um ano para ser feita e valor é defasado P ara serem examinados, osenxertosdetecidohu- mano com suspeita de câncerprecisamsercon- servados em um recipiente ade- quado,emformol10%tampona- do. Caso contrário, os resultados podem ser comprometidos. Na maiorpartedasvezes,nosistema público de saúde, porém, nem o frasco nem o produto químico conservante são utilizadoscorre- tamente. Os problemas não pa- ramporaí.Operíodomáximode espera,de72horas,tambémestá longe de ser respeitado. Em hos- pitaisnoNortedopaís,porexem- plo, existem peças inteiras de te- cido mamário aguardando análi- sehámaisdeumano. Comainadequaçãodosistema paralidarcomasbiópsias,muitos pacientesperdemachancedecu- ra,segundoopresidentedaSocie- dadeBrasileiradePatologia,Clovis Clock. Ele também afirma que o SUSpagaR$24porexameemen- xertodetecidohumano,valorque está desatualizado.“Os laborató- riospúblicosnãotêmcapacidade para a demanda de biópsias. Isso acontece até mesmo no Hospital Partenon, em Porto Alegre, que é uma unidade de referência. É um desrespeitoàvidahumana.Preci- samos modernizar o sistema e a tabeladepreços”,alerta. Clockexplicaqueainfraestru- tura precária para análise das biópsias e para tratamento do câncer resulta numa falta de va- lorização da patologia”. Além das perdas de vidas, o descaso preju- dica a formação de profissionais. “O valor de R$ 24 está congelado há 14 anos. Você acha que um exame desses é mais barato do que ir à manicure? O SUS não vê a patologia como um problema. E estamos falando da porta de entrada da oncologia. Essa não valorização culmina na desistên- ciadaresidênciamédicanaárea.” Ainda de acordo com Clock, a tecnologia usada no setor está parada na década de 1980. “Os médicos residentes se deparam com uma especialidade defasa- da, sem perspectiva de cresci- mento”, lamenta. Com a demora no tratamento, muitos pacientes procuram a Justiça para garantir os direitos. A judicialização dos tratamentos, segundo Maria Inês Gadelha, chefe de gabinete da Secretaria de Atenção à Saúde do MinistériodaSaúde,resultanum gastodeR$8bilhõesporano. Ao analisar a relação com o câncer, a advogada Maria Paula Bandeira,32 anos,afirma que vi- veu tanto uma perspectiva positi- va quanto uma negativa ao desco- brir a doença.Isso porque ela teve dois diagnósticos. O primeiro foi aos 24 anos,quando detectou,por meio de exames de rotina,um tu- mor maligno na mama.O segun- do,foi recebido no início de 2016, nofimdoquintoanodetratamen- to.“Fuirepetirosexamesedescobri um câncer de mama metastático. Tinhametástasenofígado,noová- rio,nopulmãoeemossos”,diz. A diferença da percepção entre umdiagnósticoeoutrofoienorme. “Quando eu detectei o câncer pri- mário,eu tinha certeza de que ia superar,mas quando eu descobri as metástases,achei que não teria mais do que dois meses de vida”, afirma ela, que é voluntária do Instituto Oncoguia.“É preciso dis- seminar que, mesmo que haja a metástase e a doença avance,ain- da é possível viver bem e com qua- lidade”,ensina. Foiissoqueelasepropôsafazer nas redes sociais.Ela é influencia- dora digital.O papel é comparti- lhar e informar os 22 mil seguido- res do perfil no Instagram,chama- doLençodoDia. Pela web,formou um grupo de amigas,que também lidam com a doença.“Em outubro de 2018,fo- mos rir disso tudo em Paris”,brin- ca. A viagem foi uma forma de honrar uma das participantes da turma,que morreu em agosto do anopassadoetinhaodesejodeco- nheceracapitaldaFrança. Compartilhar para entender MariaPaulacomasamigasem Paris:“Fomosrirdissotudo” Creare Produções/Divulgação Testesgenéticosidentificampacientesdealtorisco Especialistaemoncogenética, RodrigoGuindaliniexplicaqueos testes genéticos (germinativos e moleculares) são fundamentais tantoantesquantodepoisdotra- tamentodotumor.Emumcená- rio em que há um paciente com forte histórico familiar, mas que nãodesenvolveuadoença,oexa- me ajuda a identificar se ele é de altoriscoe,apartirdaí,sãopassa- dasorientaçõesparaqueestraté- giasdiferenciadassejamseguidas. Normalmente, são sugeridas três: intensificação do rastrea- mento e de exames de rotina, prevenção com medicamentos e cirurgias de redução de risco, co- moretiradadamama,antesmes- mo de se confirmar um diag- nóstico de câncer. “O caso da Angelina Jolie expôs esse tipo de cenário, e muitos criticaram. Ela não fez algo errado. Ela escolheu o que era mais adequado para a condiçãodela”,analisa.“Ostestes também servem para identificar omelhortratamentoparaaquele paciente”,frisaooncologista. Segundo ele, um dos benefí- ciosdotesteéaracionalizaçãode gastospúblicoscomaalocaçãode recursos para a população ade- quada.“Essaanálisegenéticanão étemporária,elavaleparaoresto davida.Issopodefazeradiferen- çaediminuiroscustosdemanei- rageral,seaplicadodeformacer- ta”, considera. No entanto, Guin- dalini diz que, atualmente, não é possível fazertestesgenéticosno SistemaÚnicodeSaúde.“NoSUS, testesgenéticosnãoestãouniver- salmente disponíveis. Somente emcentrosdeexcelêncianoBra- sil, financiados por pesquisa, é possívelfazê-losgratuitamente.” De acordo com ele, já se ini- ciou um diálogo com o Ministé- rio da Saúde sobre o assunto.“A ideia édequeostestes sejamim- plementados em Unidades de Assistência de Alta Complexida- de (Unacons) e Centros de Refe- rência de Alta Complexidade (Cacons) em todo o território na- cional”,destaca. R$ 8 bilhões Valor gasto por ano pelo governo com a judicialização dos tratamentos ClovisClock:“Oslaboratóriospúblicosnãotêmcapacidadeparaademandadebiópsias.Éumdesrespeitoàvida” Cirurgias preventivas A atriz Angelina Jolie se submeteu a cirurgias para retirada das mamas, dos ovários e das trompas de Falópio. As operações foram preventivas, porque ela tem uma mutação genética que representa risco de tumores. Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press
  • 7. CORREIO BRAZILIENSE • Brasília, quinta-feira, 25 de abril de 2019 • 7 Projetoparaacelerarbiópsia Há regiões onde pacientes esperam até um ano pelo exame. Proposta quer limitar prazo a 30 dias E nquanto médicos e es- pecialistas em oncologia pesquisam para garantir novastecnologiasdetra- tamentoediagnósticosmaisrápi- dos, um dos papéis do Poder Le- gislativo é fazer com que esses es- tudos,defato,beneficiemapopu- lação. O instrumento é a lei. O próximo passo dos congressistas que integram a Frente Parlamen- tarMistaemProldaLutaContrao Câncer, lançada em março, é a aprovaçãodoPL275/15,dadepu- tadaCarmenZanotto(Cidadania- SC), que garante aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) o direito ao exame de biópsia em, no máximo, 30 dias, contados a partirdopedidomédico. A proposta foi deferida na Câ- mara e aguarda apreciação pelo Senado. Caso receba sinal verde, farápartedaLeinº12.732/12,co- nhecida como Lei dos 60 dias, que estipula o início do trata- mento pelo SUS contados 60 dias a partir do diagnóstico da doen- ça. Carmen Zanotto, presidente da Frente Parlamentar Mista da Saúde, considera o novo projeto necessário, já que a legislação não preenche essa lacuna. “Não adianta garantir o tratamento no período se a gente continua le- vando, em algumas regiões do país, 90 dias, seis meses ou até mesmo um ano para fazer uma biópsia”, ressalta. Além de brigar pela aprovação da proposta, a parlamentar faz uma leitura crítica dos projetos ainda não implementados.“Tex- tos nós temos; nós temos agora é de lutar para garantir que sejam implementados”,afirma. De acordo com a presidente da frente parlamentar que deba- te a doença, a deputada Silvia Cristina (PDT-RO), existem mais de 100 proposituras na Câmara relativas a câncer. Inca Carmen Zanotto destaca o papel do Instituto Nacional de Câncer (Inca) na garantia dos di- reitos dos pacientes. “Quem tem de nos assegurar a garantia dos textos legais não é só o Ministé- rio da Saúde, mas também o In- ca.Hoje,euvejooinstitutocomo um prestador de serviço. Ele pre- cisa ser fortalecido e voltar a ter o papel de construtor da política nacional do câncer”, frisa. Já Silvia Cristina reconhece que o tratamento no Brasil ainda está aquém do que deveria ser. “Não temos incentivo à pesquisa nem ações mais concretas de prevenção, que ainda é o melhor remédio”, avalia. A própria depu- tada foi diagnosticada com cân- cer de mama em 2006 e sentiu na pele a falta de qualidade nos hos- pitais.“Na Região Norte, onde eu moro, observamos um deficit muito grande. Moro em Rondô- niahá15anose,quandofuidiag- nosticada, me deparei com um tratamento péssimo. A máquina de radioterapia ficava mais que- brada do que funcionava. Sofri bastante por isso”, relembra. Se legislar é ferramenta para combater o câncer, a pauta do Congresso interfere nessa bata- lha. O deputado Frederico Es- caleira (Patri-MG) destaca a im- portância do orçamento do Esta- do para prover atendimento, equipamentos, remédios e espe- cialistas. Ele defende a reforma da Previdência como forma de adquirir mais recursos para ga- rantir o cumprimento das leis. “Cercade57%doqueéarrecada- do de tributos é gasto com apo- sentadoria e Previdência Social. O deficit passou de R$ 2,5 bilhões em 2010 para R$ 171 bilhões. As- sim, não conseguimos aumentar o orçamento da saúde”, alerta. “Textos nós temos; nós temos agora é de lutar para garantir que sejam implementados” CarmenZanotto, deputada federal Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press Saúde O nosso compromisso BR/NCOM/0419/0020 – Abril / 2019 A inovação só tem sentido se estiver disponível a quem precisa dela, por isso temos o compromisso de buscar alternativas para ampliar o acesso de pacientes brasileiros à saúde. Nós acreditamos que o diálogo e o trabalho em parceria com todos os agentes da saúde são fundamentais para chegarmos a uma solução comum para a acessibilidade. Somos muitos, trabalhando como um, em diversos lugares, para mudar a realidade da sociedade brasileira. Somos Roche.
  • 8. CORREIO BRAZILIENSE • Brasília, quinta-feira, 25 de abril de 2019 • 8 Aauditoria Confira o que foi levantado pela auditoria da Controladoria-Geral da União sobre a Política Nacional de Prevenção e Combate ao Câncer Fiscalização Auditores visitaram 44 hospitais, 14 secretarias municipais de saúde e 13 secretarias estaduais de saúde nas 27 unidades federativas Trabalho Nas visitas, os auditores fizeram 103 fiscalizações e sete auditorias nas áreas de planejamento, monitoramento e avaliação, plano de expansão, convênios, transferência de recursos, aquisições em oncologia e regulação Estados com maior carência de hospitais A auditoria revelou que existem municípios distantes, em um raio de até 400km de hospitais com especialização em oncologia O levantamento apontou 281 regiões de saúde sem serviço de oncologia e 156 com atendimento. Das 156, 51 não contam com tratamento de radioterapia. Os estados em pior situação são: Estado Quantidade Quantidade Deficit (%) necessária existente AAmmaazzoonnaass 88 11 77 (81,5) MMaarraannhhããoo 1144 33 99 (78,6) PPaarráá 1177 44 1133 (76,5) GGooiiááss 1144 55 99 (64,3) SSeerrggiippee 55 22 33 (60) O ideal seriam mais 203 hospitais habilitados no país e 234 novos aparelhos de radioterapia. O investimento custaria, respectivamente, R$ 1,57 bilhão, e R$ 1,6 bilhão Gastos públicos no setor de oncologia A auditoria da CGU mostra que tanto o governo federal quanto os estaduais e municipais precisam melhorar a gestão para otimizar gastos com pacientes. Os valores investidos por pessoa variam de acordo com a localidade » 41 tipos de medicamentos foram adquiridos entre 2017 e 2018 com 87 contratantes entre públicos e privados. O valor total foi de R$ 1,4 bilhão » Se todas as compras fossem realizadas pelo menor valor, a economia seria de R$ 394.186.285 » Se todas as compras fossem realizadas, no máximo, pelo valor médio dos medicamentos, seria de R$ 81.148.655 Contaminação e morte por câncer no Brasil e no mundo » Em 2006, a doença provocou 155 mil mortes » Em 2016, foram 215 mil mortes em 12 meses » Em 2008, foram 243 novos casos a cada 100 mil habitantes » Em 2018, o número subiu para 280 novos casos a cada 100 mil habitantes » Em Santa Catarina, no Rio Grande do Sul e no Distrito Federal, as mortes por câncer representam 20% do total » Em 2030, a expectativa é de que a doença seja a principal causa de morte no mundo ✓✓ ✓✓ ✓✓ ✓✓ ✓✓ ✓✓ Mágestãoe desperdício CGU mostra falha no gerenciamento de políticas públicas de combate ao câncer, provocando perda de recursos O governo tem três grandesdesafiospara lidar com os núme- ros de casos de cân- cer antes que haja aumento na quantidade de pacientes, o que ocorrerá com o envelhecimento da população. Primeiro, levan- tar a verba para bancar os exa- mes,alémdaexpansãoedamo- dernização do sistema; segun- do, melhorar a gestão, para evi- tar desperdícios, e, por fim, se preparar para o futuro. Uma au- ditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) mostra que os problemas estão associados. AuditordoCGUeumdosres- ponsáveis pelo levantamento, Rodrigo Eloy conta que o traba- lhosemostroubemmaiorecom- plexo do que o esperado. Uma das complicações encontradas é que, embora existam políticas públicasdecombateaocâncer,o sistema público de oncologia não é padronizado sequer para a compra e o uso de medica- mentos. “Quem adquire esses insumos, às vezes, é o hospital e, às vezes, a Secretaria de Saúde. Os valores variam muito em to- do o país”, observa Eloy. O gasto com medicamentos ultrapassa R$ 1 bilhão. O estudo mostrou que, se as compras fossem reali- zadaspelomenorvalor,aecono- mia seria de R$ 394.186.285. Se fossem realizadas pelo valor mé- dio,deR$81.148.655 Vigilância A equipe usou um software de aprendizagem de máquina para fiscalizar licitações. Com o equipamento, conseguiu, inclu- sive, impedir compras de medi- camentos com preços muito acima do operado pelo merca- do. “Fazíamos varreduras em editais. Mas os remédios não são a única questão. Temos um problemasériodefaltadeestru- turas físicas. Temos localidades sem nenhum atendimento on- cológico em um raio de 400km”, destacaoauditor.“Eaoncologia é,talvez,umadasáreasquemais avançam em tecnologia, sendo que o SUS já tem dificuldade de incorporar essas tecnologias.” Pascoal Marracini, presiden- te da diretoria executiva da As- sociação Brasileira de Institui- ções Filantrópicas de Combate ao Câncer (ABIFICC), também tem críticas. “O poder público não consegue levar à frente a política de oncologia. Ninguém quer assumir o papel de gestor: nem a União nem os estados nem os municípios”, diz. OdiretordeAdvocacydoInsti- tuto Oncoguia, Tiago Matos, vê como solução um sistema que permita o aprimoramento cons- tantedaspolíticaspúblicas.“Polí- ticaspúblicasnuncanascemboas. Mesmo que o gestor tenha noção do quadro geral. Se vigiamos e aprimoramos procedimentos, por que não fazer o mesmo com essas políticas, que, no segundo seguinteàaplicação,játêmalgoa sermelhorado?”,questiona. RodrigoEloy:“Hálocaissematendimentonumraiode400km” “Opoderpúbliconão conseguelevarà frenteapolíticade oncologia.Ninguém querassumiropapel degestor:nema Uniãonemosestados nemosmunicípios” PascoalMarracini, presidente da ABIFICC Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press
  • 9. CORREIO BRAZILIENSE • Brasília, quinta-feira, 25 de abril de 2019 • 9 Recursosinsuficientes EspecialistadizqueBrasilaplicanaoncologiaapenas6%daverbatotaldasaúde A aplicação de recursos em saúde ainda deixa muitoadesejarnoBra- sil. A opinião é de Gus- tavo dos Santos Fernandes, vice- presidente de Relações Nacio- nais e Internacionais da Socie- dade Brasileira de Oncologia Clí- nica(SBOC).Oespecialistacom- para os gastos do país com os dos Estados Unidos. “Eles inves- tem 19% do PIB em saúde, en- quanto a gente, 8%. E, desses 8%, cerca de 4,1% vai para o se- tor privado. É um investimento muito pequeno”, alerta. Do dinheiro direcionado ao setor no Brasil — ainda segundo o dirigente da SBOC —, apenas 6% vão para a oncologia. “Isso, além dos gargalos, do preconcei- to, da má gestão e da corrupção. Há uma composição de proble- mas com o qual vivemos”, ressal- ta. “Se compararmos, por exem- plo, a oncologia do sistema de saúdepúblicodadécadade1990, ela melhorou. Mas, hoje, esta- mos mais distantes da tecnolo- gia usada em países desenvolvi- dos do que naquele período.” Com o tratamento correto, Fernandes lembra, mais pessoas sobreviveriam, e o país ganha- ria mais. “Por outro lado, colo- car a culpa de tudo no governo não é totalmente correto. A prá- tica comercial da indústria é muito acirrada para um país re- lativamente pobre. Temos de pensar em prioridades”, frisa. “O que são R$ 10 bilhões, R$ 15 bilhões em tratamento de cân- cer diante do anunciado R$ 1 trilhão esperado em economia pela reforma da Previdência? É um número irrelevante se a saúde e o combate ao câncer forem prioridade.” A economista em saúde Va- nessaTeichacreditaqueoBrasil precisa de uma discussão de prioridades. “Temos de esco- lher quais serão as nossas bri- gas. Discutir as prioridades da sociedade e definir orçamentos por áreas terapêuticas”, afirma. Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press “Farei tratamento paliativo pe- lo resto da minha vida,e pretendo viver muito.”É assim que Daniele Renata Camargo,35 anos,encara a realidade.A vontade de viver fez com que Daniele superasse os pro- blemas do SUS para tratar de um câncer de mama.Sabendo que en- frentaria dificuldades financeiras, fez a biópsia na rede particular. Depois,passou por quimioterapia no sistema público,mas,na hora deoperar,tinhacertezadequenão haveria tempo para ficar à mercê da letargia do Estado.“Fizemos ri- fa no trabalho, gastamos nossas economias,contamos com ajuda de amigos”,recorda.Ela fez cirur- gia em dezembro. Em fevereiro, descobriu a metástase óssea.“Se eu tivessedemoradoametratar,espe- rado biópsia,cirurgia,teria morri- do.ÉdifícilsetratarnoSUS.” Rifa para o tratamento Danielelutacontraumcâncerde mama:“ÉdifícilsetratarnoSUS” Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press GustavodosSantosFernandes:“Hoje,estamosmaisdistantesda tecnologiausadaempaísesdesenvolvidosdoquenadécadade1990” Estímuloàluta Trata-se de uma abordagem terapêutica que estimula o sistema imunológico a lutar contra o tumor. Esse seria um caminho para tentar se aproximar da incorpo- ração de novas tecnologias e tra- tamentos,comoaimunoterapia. Trata-sedeumaabordagemtera- pêutica que estimula o sistema imunológico a lutar contra o tu- mor. O método tem obtido bons resultados para diversos tipos de cânceres, como o de pulmão, o quemaismatanomundo. Quando falta dinheiro para adquirir novas tecnologias, é preciso recorrer à avaliação de tecnologia em saúde, conheci- da como ATS. “Ela funciona co- moumaferramentaparaajudar a priorizar. Por mais que a gente saiba que existem má gestão e fraude, nenhum país tem di- nheiro suficiente para pagar por tudo (todas as tecnologias que surgem) e precisa fazer es- colhas”, ressalta. DESAFIAR OS LIMITES DA CIÊNCIA PARA TRANSFORMAR VIDAS É O QUE NOS INSPIRA! 1631222-Produzidoemabril/2019. Através da ciência, a Oncologia da AstraZeneca oferece os mais avançados e inovadores medicamentos, capazes de transformar a vida dos pacientes. Juntos podemos fazer a diferença na saúde dos pacientes! Material destinado ao público leigo. Contribuir para que as pessoas vivam com mais qualidade de vida e por mais tempo é a nossa maior conquista e o que nos motiva.
  • 10. CORREIO BRAZILIENSE • Brasília, quinta-feira, 25 de abril de 2019 • 10 Pedidosà Ouvidoria Leinãogarantetratamento Inca mostra que só 35,4% dos pacientes com diagnóstico prévio iniciaram terapia em até 60 dias “Q uem tem câncer tem pressa”. Ape- sar de a frase ter sido declarada diversas vezes no IX Fórum Na- cional Oncoguia, seja por espe- cialistas, seja por pacientes que passam ou passaram pelo tratamento da doença, alguns dados apresentados no evento mostram uma realidade dife- rente da expectativa de quem luta pela vida. Informações do Instituto Nacional do Câncer (Inca) revelam que, em 2016, apenas 35,4% dos pacientes com diagnóstico prévio come- çaram o tratamento em até 60 dias. No total, somando pacien- tes com e sem o diagnóstico prévio, 44,3% iniciaram o trata- mento fora do tempo indicado pela Lei nº 12.732/12. O cumprimento da Lei dos 60 dias é monitorado pelo Sistema de Informação do Câncer (Sis- can), instituído em 2013 pela portaria nº 3.394. No entanto, atualmente, o sistema está em fase de reformulação. “Espera- mos para os próximos meses es- tar com ele funcionando em ní- vel nacional”, afirma o coorde- nador de Assistência do Inca e oncologista clínico, Gélcio Men- des. O Instituto é um dos parti- cipantes do comitê de monito- ramento e gerencia o sistema desde 2017. “Naquela época, o então ministro Ricardo Barros definiu que o Siscan, efetiva- mente, deveria monitorar a Lei dos 60 dias”, conta Mendes. O coordenador reconhece que os números estão aquém do desejado em termos do cumpri- mento da lei. Ele culpa a partici- pação de múltiplos atores no ca- minho entre o diagnóstico e o tratamento, incluindo a falta de oferta de atenção oncológica. “Temos um deficit de unidades de tratamento oncológico, pro- vavelmente, na faixa entre 320 e 350 unidades pelo Brasil. Isso dá em torno de 25% a 30% da capa- cidade instalada”, analisa. Pascoal Marracini, presidente da Diretoria Executiva da Asso- ciação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Combate ao Câncer (Abificc), acredita que há umadesarticulaçãonoserviçode regulação e defende a criação de um Sistema Único de Oncologia. “Hoje, o sistema de política pú- blica de oncologia é um 3D: de- sorganizado, desarticulado e de- sestruturado”, critica. E o câncer não respeitará a demora no diagnóstico e no tra- tamento, conforme alerta Lu- cianno Henrique Pereira dos Santos, membro da Diretoria da Sociedade Brasileira de Oncolo- gia Clínica.“O câncer não se im- porta com as leis e as dificulda- des do Estado. Ele cresce, se multiplica e mata o hospedeiro. É um problema de todos nós. Precisamos nos organizar. O diagnóstico tem de ser rápido. Realmente precisamos de uma lei pra isso?”, questiona. Precariedade Sem estrutura e tecnologia, também fica difícil seguir as leis. Quem afirma é Eronides Batalha Filho, membro titular representante da Sociedade Brasileira de Radioterapia. Ele alerta para a dificuldade de dar acesso à população a aparelhos de radioterapia, fundamentais tanto para pacientes com chan- ce de cura quanto para os que enfrentam a doença em estágio avançado. “O número de apare- lhos é insuficiente e, hoje, 33% estão obsoletos. Esse número subirá para 44% em 2021. Espe- ramos uma melhora de cenário com o plano de expansão do Ministério da Saúde”, observa. Mesmo o plano de expansão, queprevêcompradenovosequi- pamentos, atrasou. Iniciado em 2012, tinha por objetivo com- prar 80 máquinas. Após sete anos, o governo só adquiriu 19. “Isso ocorre, na maioria das ve- zes, por motivos políticos em municípios. A troca de um ges- tor, prefeito ou diretor de hospi- tal, que não tinha conhecimento do trabalho que estava sendo feito e não dá continuidade, que não sabe o valor”, lamenta. LuciannoHenriquedosSantos:“OcâncernãoseimportacomasleisecomasdificuldadesdoEstado” Diretora na ouvidoria geral do SUS, Luana Gonçalves Gehres ressalta como o dispositivo pode ajudar a otimizar o sistema. De 2018 para cá, aouvidoriafez 6.610 atendimentos. Cerca de 90% das solicitações eram por assistência, quando o paciente tem dificulda- desdeconseguiratendimento. Asegundamaiorcomplicaçãoé deacessoamedicamentos,princi- palmenteosnãopadronizados,in- disponíveis na rede.“Isso impacta na qualidade do atendimento do usuário, mas cada caso tem de ser atendido individualmente, levan- do em conta, inclusive, a região do paciente, pois o país é grande, e as realidades de atendimento, muito diferentes”,explica. Gehresafirmaqueaouvidoriaé um identificador de problemas.“É uma forma de o usuário participar da gestão e fiscalizar o que está acontecendo. Não solucionamos problemas. Identificamos, para a gestão, onde estão os problemas a resolverdeformamaisefetiva”,diz. LigueCâncer Informações do canal Ligue Câncer, do Instituto Oncoguia, também expõem a baixa execução da Lei nº 12.732/12. Entre os 3.138 casos analisados pelo canal, 40% é de pacientes que não tiveram a Lei dos 60 dias cumprida. As informações mostram que os pacientes oncológicos e familiares dominam os 8.002 cadastros feitos desde 2012 no Ligue Câncer. Ao todo, 26 tipos de tumores foram abordados nos atendimentos por telefone. O câncer de mama, de próstata e o colorretal são os mais mencionados. SegundoLuanaGehres,90%dospedidosàOuvidoriasãoporassistência Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press Ed Alves/CB/D.A Press
  • 11. CORREIO BRAZILIENSE • Brasília, quinta-feira, 25 de abril de 2019 • 11 Direitosviolados?ChameaDefensoria Foconosmedicamentosorais Em defesa da criação de grupo na ANS para ampliar e modernizar rol de substâncias Para garantir o cumprimento das leis que asseguram o direito a saúde, tratamento e medicamen- tos ao paciente oncológico, a po- pulação mais vulnerável deve re- correr às Defensorias Públicas. O secretáriogeraldearticulaçãoins- titucional da Defensoria Pública da União (DPU), RenanVinícius Mayor, orienta os pacientes que têm os direitos violados:“A partir do momento em que a Lei dos 60 dias, por exemplo, é descumpri- da, o papel é procurar a Defenso- riaPública”,afirma. Ele explica que, ao ser conta- tada, a Defensoria deve buscar, prioritariamente, uma resolu- ção extrajudicial. “Muitas vezes, as ações judiciais não são o me- lhor caminho, porque podem demorar mais. Às vezes, um ofí- cio pode solucionar o problema. Caso não consiga, aí o ideal é ju- dicializar”, frisa. Segundo Mayor, casos de mais urgênciavãodiretoparaajudicia- lização. A maior quantidade de pedidos é por remédios e acesso a tratamento. “Pacientes entram com chance de cura, mas, com a demora e a interrupção da medi- cação,aschancesdiminuemdras- ticamente”, lamenta. De acordo com o secretário da DPU, outro papel do órgão é auxiliar a efetivi- dade das políticas públicas.“Co- mo chegam diariamente às de- fensorias diversas demandas da saúde, nós podemos ver os garga- los e saber onde a saúde está fa- lhando”,ressalta. Para propor soluções e nego- ciar com os gestores responsáveis pela área, como o Ministério da Saúde, a DPU pretende construir umobservatóriodedados.“Nósjá percebemos, na ponta, as dificul- dades, mas não temos a base de dados. Esse é nosso maior desafio nomomento.” “Vamos analisar a proposta, e me parece uma visão interessante de melhoria do processo. Hoje, a norma posta é que o ciclo do rol seja feito a cada dois anos, mas tudo é possível ser discutido com a sociedade” RogérioScarabelBarbosa, diretor de Normas e Habilitação de Produtos da ANS O IX Fórum Nacional de Políticas de Saúde em Oncologia, do Institu- to Oncoguia, debateu a criação de um grupo de traba- lho dentro da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Se formado, deverá discutir formas de atualizar o modelo de atua- ção do órgão para inserção de medicamentos orais no rol de substâncias autorizadas. Atual- mente, só há a possibilidade de incluir novos medicamentos nessa lista a cada dois anos, não existe prioridade, não existem critériosclarosparaqueosnovos medicamentos passem a fazer parte dessa lista. Para o diretor de Advocacy do Instituto Oncoguia, Tiago Matos, o tempo de dois anos para a incorporação de remé- dios orais é grande. “O rol foi pensado em um momento em que a gente não discutia medi- camentos, mas equipamentos. Dois anos não é muito tempo se falarmos de tecnologia, mas, quando se trata de medicamen- tos orais, é diferente”, avalia. “Por isso, é importante um gru- po de trabalho interno na ANS para pensar em um modelo de atualização do rol (de medica- mentos) e dar atenção especial a essa dificuldade”, destaca. Outro ponto criticado por especialistas é a forma como ocorre a adequação do rol. Tia- go Matos explica que o proces- so na ANS é cíclico, com uma janela de oportunidade se abrindo para se submeter novas tecnologias. Este ano, começou em 4 de fevereiro e termina em 4 de maio. “Caso uma nova tec- nologia apareça depois desse período, fica prejudicada, por- que só poderá ser julgada pelo rol no próximo ciclo”, afirma. Nesse período, uma pessoa com câncer que descobre o medica- mento é obrigada a judicializar o tratamento e forçar o Estado a pagar pelo produto. O diretor de Normas e Habili- tação de Produtos da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Rogério Scarabel Barbo- sa, acredita que a mudança po- de ocorrer mediante debate. “Vamos analisar a proposta, e me parece uma visão interes- sante de melhoria do processo. Hoje, a norma posta é que o ci- clo do rol seja feito a cada dois anos, mas tudo é possível ser discutido com a sociedade. Isso pode ser alterado sem nenhum problema”, declara. O oncologista e membro da Diretoria da Sociedade Brasilei- ra de Oncologia Clínica Lucian- no Henrique Pereira dos Santos entende a questão do prazo, mas a questiona e a considera buro- crática. “Por que temos de ter uma janela fechada de apresen- tação se as pesquisas e as evolu- ções tecnológicas continuam to- dos os dias?”, rebate. RenanMayor:DPUquermontarumobservatóriodedados Ed Alves/CB/D.A Press Ed Alves/CB/D.A Press TiagoMatosdizqueaperiodicidadededoisanosdocicloprejudicaaaquisição denovastecnologias
  • 12. pode entrar num posto de saúde sem apresentar sintoma algum e sair com um diagnóstico de câncer. Para ajudá-lo, é fundamental esse paciente sentir-se acolhido, tratado e cuidado. Precisa saber quando será sua próxima consulta, quando começa seu tratamento, quando termina. Quando será o próximo exame e quem estará lhe acompanhando. Precisa ter um oncologista para chamar de seu. Esse paciente deve ter um diagnóstico preciso, que identifique qual é o tipo exato de tumor. Esta informação é fundamental para definir o tratamento correto, que precisa começar em no máximo dois meses, conforme diz a lei. O tratamento deve ser mais padronizado, menos desigual, pois mesmo dentro do Sistema Único de Saúde (SUS) existe divergências na oferta de remédios e tratamentos, de procedimentos cirúrgicos e radioterapia. Aliás, a radioterapia precisa de um olhar dedicado, para que seu plano de expansão aconteça e esteja disponível em todo o país. Durante toda a jornada é preciso também do olhar interdisciplinar e multidisciplinar, com profissionais de diferentes especialidades disponíveis ao paciente, como nutricionistas, fisioterapeutas e psicólogos. Por fim, pedimos também o envolvimento de toda sociedade. Não podemos mais deixar o medo do câncer e a desinformação paralisar as pessoas, impedindo-as de se cuidarem, de buscarem seus exames, agilizarem seus diagnósticos ou ainda, de oferecerem apoio aos pacientes. O câncer é, sim, um problema de todos e precisa da sua atenção, do seu comprometimento e empatia. Vamos juntos lutar para que o combate e controle do câncer seja uma prioridade para o Brasil? Instituto Oncoguia CÂNCER: UM PROBLEMA DE TODOS NÓS DESAFIOS E PRIORIDADES Não há uma pessoa no país que não saiba o que é câncer. A doença toca diretamente a vida de oito em cada dez brasileiros. Cerca de 60% têm um parente com a neoplasia. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), serão registrados mais de 634 mil novos casos da doença este ano no Brasil. Embora seja um importante problema de saúde presente na vida de tantos brasileiros, o câncer ainda não é uma prioridade para o país e há muito o que se fazer para melhorar o acesso ao diagnósticoe ao tratamento. Por trás dessas estatísticas, existem milhares de pacientes que lutam arduamente para terem mais anos de vida. Nosso pedido é para que sejam feitos esforços para melhorar a chance de cada brasileiro vencer ou conviver com o câncer como uma doença crônica. Para isso, é preciso criar uma estrutura com fluxos transparentes e claros. Uma pessoa A doença toca diretamente a vida de oito em cada dez brasileiros. Cerca de 60% tem um parente com uma neoplasia*. *Fonte: Pesquisa IBOPE + Oncoguia 2019 Informe Publicitário