BIODIVERSIDADE, QUE EXCELENTE TEMA PARA UM ARTIGO!                                    Cristina Girão Vieira               ...
estima-se que se conhece apenas 5% das espécies de fungos ou seja 80 mil de 1,5 milhõesque se pensa existirem.            ...
galhas que são formadas pela picadela de insectos do género Cynips. A planta reageproduzindo uma galha com tecido esponjos...
serem verdadeiras pragas vegetais, continuam a ser disseminadas pelas populações        devido à sua exuberante floração; ...
Mas se nos debruçarmos sobre o artesanato desta região verificamos também que depende dabiodiversidade. Assim, em Silva Es...
2 Paisagens Protegidas: Arriba Fóssil da Costa de Caparica; e Serra do Açor.       5 Monumentos naturais: Carenque; Lagost...
Não é por acaso que o Dia Mundial da Alimentação de 2004 foi "Biodiversity for FoodSecurity" e que o Dia Mundial da Biodiv...
Já que falámos em bruxaria, muitas das pessoas julgadas na Idade Média por esse crime e quese pensavam possuídas por demón...
A biodiversidade foi também importante para conhecermos o nosso próprio genoma. Comefeito, foi em parte graças ao vírus da...
Os ecossistemas mais produtivos são os naturais e não os humanos - Os três tipos de       ecossistemas mais produtivos são...
Alguns sites na net onde procurar informação sobre biodiversidadeAtenção: na Internet encontra-se muita “desinformação” e ...
12
BIBLIOGRAFIAALMAÇA, C. (2000) – O Homem medieval e a Biodiversidade, 1ª ed., Museu Bocage – Museu deHistória Natural, Lisb...
SÉNECA, A. e CALDAS, F. B. (1992) – Poluição atmosférica, Bol. Soc. Brot.a, Série 2, 65, 67-78.SERVIÇO NACIONAL DE PARQUES...
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

I C N B J R A Biodiversidade1

1.006 visualizações

Publicada em

Biodiversidade

0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
1.006
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
4
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
3
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

I C N B J R A Biodiversidade1

  1. 1. BIODIVERSIDADE, QUE EXCELENTE TEMA PARA UM ARTIGO! Cristina Girão Vieira Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade Seminário Jovens Repórteres para o Ambiente – Sever do Vouga Usando as mesmas letras no mesmo número de vezes, tente fazer uma nova frase com significado semelhante à seguinte: “A biodiversidade é a variabilidade entre os organismos vivos, incluindo os ecossistemas; compreende a diversidade dentro de cada espécie, entre as espécies e os ecossistemas”Quando me disseram que o tema da biodiversidade era um dos menos abordados nesteProjecto fiquei espantada, pois como disse Margot Wallström (ex-comissária europeia para oambiente) “A biodiversidade não é um luxo, é um pré-requisito para a vida”.Mas, para que não haja equívocos, convém definirmos o que é a biodiversidade.Biodiversidade – (in Decreto n.º 21/93 de 21 de Junho que ratifica a Convenção daBiodiversidade) “variabilidade entre os organismos vivos de todas as origens, incluindo, osecossistemas terrestres, marinhos e outros ecossistemas aquáticos e os complexos ecológicosdos quais fazem parte; compreende a diversidade dentro de cada espécie, entre as espécies edos ecossistemas.” Note-se que a biodiversidade engloba também a diversidade genética ealélica, pelo que a diminuição do efectivo das populações para níveis drásticos pode fazercom que, apesar de não se extinguirem espécies, se perca diversidade genética.Já que falámos em extinção, apesar de ser algo natural no processo de evolução, estima-se quena Europa, o ritmo de extinção das espécies poderá ser hoje mil a 10 mil vezes superior àtaxa natural (Paiva, 1998).Com efeito, as alterações climáticas podem, segundo alguns autores, conduzir à extinção de1 em cada 3 espécies em termos mundiais. Também a destruição de habitats (p. ex. naEuropa perderam-se mais de 50% das zonas húmidas) seguida pela sobre-exploração derecursos e introdução de espécies exóticas e invasoras são graves problemas que afectam abiodiversidadeNa Europa, cerca de 42% dos mamíferos, 15% das aves e 45% das borboletas e répteis estãoameaçados (in Environment for Europeans, nº 16, Maio 2004, p. 3.). Mamíferos como olince-ibérico, a raposa do árctico, os esquilos nativos, os golfinhos, as focas e as baleias sãoapenas alguns exemplos de animais que correm sérios perigos.Das 5.743 espécies de anfíbios conhecidas mundialmente, 2/3 estão em perigo de extinção.Em Portugal existem várias espécies de anfíbios entre elas a salamandra-lusitânica e otritão-palmado consideradas como vulneráveis e ameaçadas. A 1ª espécie ocorre no SítioVouga da Rede Natura.Estas perdas de diversidade ocorrem tanto nas florestas tropicais (onde estão presentes 50 a90% das espécies já identificadas), como nos rios, lagos, desertos, florestas mediterrânicas,montanhas e ilhas.A destruição de ecossistemas ricos e diversificados ou até de pequenas zonas pode conduzir àextinção de espécies endémicas, sem que as mesmas cheguem a ser conhecidas para aciência.Na verdade, não sabemos o que existe na Terra. Calcula-se que existirão cerca de 5 a 100milhões de espécies, mas apenas estão identificadas cerca de 1,8 milhões. Por exemplo, 1
  2. 2. estima-se que se conhece apenas 5% das espécies de fungos ou seja 80 mil de 1,5 milhõesque se pensa existirem. PARA QUE SERVE A BIODIVERSIDADE?Para além de causarem problemas ambientais, a destruição dos ecossistemas e as extinçõestêm consequências no desenvolvimento económico e social. Isto porque a espécie humanadepende da diversidade biológica para a sua própria sobrevivência, dado que pelo menos40% da economia mundial e 80% das necessidades dos povos dependem dos recursosbiológicos.Segundo o boletim Environment for Europeans, de Maio de 2004, os ecossistemas naturaisfornecem bens no valor de 26 triliões de euros por ano, duas vezes o valor da riquezaproduzida pelo homem.Vejamos apenas alguns aspectos de como a biodiversidade é essencial.BASE DO TURISMO - Quer o Turismo de Natureza (levado a efeito nas Áreas Protegidascom regras bem definidas) quer o ecoturismo e o turismo tradicional necessitam de um bomambiente e de locais bem conservados em termos naturais. Em Sever do Vouga, o municípioanunciou a criação de 11 percursos pedestres em 5 zonas de interesse turístico, incluindo aponte de Pessegueiro, a serra do Arestal e a cascata de Cabreia no rio Mau, onde foi filmadauma telenovela. Segundo afirmam tentaram escolher “lugares de valor patrimonial e deinteresse para os visitantes, quer pela fauna e espécies de flora raras, quer pela vista que seobtém de diversos pontos de paragem”.Note-se que o turismo, se não for bem gerido, pode colocar em risco os próprios recursos quepretende usar, portanto deve ter regras. O ICN tem estado a implementar o Plano Nacional deTurismo de Natureza, onde, entre outros aspectos, se pretende fomentar o conhecimentoacerca das Áreas Protegidas e desenvolver sustentavelmente essas Áreas e populações.ARTE - na Igreja Matriz de Sever do Vouga, os altares apresentam elementos como floresde acanto (o Acanthus mollis é autóctone do nosso país e existe naturalmente nesta zona,gostando de sítios sombrios e de margens dos caminhos), aves, flores e símbolos relacionadoscom a Eucaristia, tais como cachos de uvas e folhas de videira, demonstrando que estareligião surgiu no Mediterrâneo. TOPONÍMIABastaria darmos uma volta pelos nossos nomes, provérbios, insultos e pelos topónimosdesta região para percebermos a importância da biodiversidade, até nas pequenas coisas.Assim, encontramos termos como Salgueiros, Oliveira e Oliveirinha, Corga do Lobão,Cabeço da Macieira, Espinheiro, Carvalheira, Pessegueiro, Nespereira e…Felgares – talvez de filicale – terreno de fetos.Cornide – do lat. corneti designando um local com pilriteiros.Junqueira e Carrazedo – de caricetu – indica um local de águas estagnadas compovoamentos de juncos e espadanas.Cerqueira – de quercaria - local com carvalhos cerquinhos ou carvalho-português Q.faginea que significa "parecido com a faia". Estes carvalhos são árvores de crescimentolento e desempenham um papel importante como espécie estreme de alguns solos degradadose dos calcários (limitantes para a maior parte das árvores e arbustos), bem como em meiosripícolas. A sua madeira é boa e é usada na construção. Esta espécie apresenta muitas vezes 2
  3. 3. galhas que são formadas pela picadela de insectos do género Cynips. A planta reageproduzindo uma galha com tecido esponjoso no interior. Estas são usadas no fabrico de tintase corantes e são fonte de taninos.Já que falámos em carvalhos, no Sitio de Importância Comunitária do Rio Vouga existemCarvalhais galaico-portugueses de Quercus robur e Quercus pyrenaica. O Q. roburconhecido como carvalho roble ou alvarinho é o carvalho da Europa atlântica (de clima maishúmido e chuvoso, daí não ter pelos) foi a base da construção das grandes frotas navais e atése diz que serviu para fazer a arca de Noé. Foi muito usado na construção de barricas devinhos, de móveis e casas. Floresce ao fim de 40 a 50 anos, mas pode durar mais de mil. O Q.pyrenaica ou carvalho negral, tal como o anterior, hibridiza facilmente. Tem menosutilizações que o roble, sendo usado para postes e traves de caminho de ferro. É característicodas regiões montanhosas do Norte e Centro, daí a existência de pelos.Nogueira – as nozes são semelhantes de aspecto ao cérebro humano e historicamenteatribuíam-se-lhe propriedades benéficas para aquele órgão. O nome do género Juglans vem de"jovis glans" que significa glande ou bolota de Júpiter. As infusões de folhas de nogueira sãousadas pelos diabéticos e as nozes parecem fazer baixar o colesterol. Esta árvore é origináriado SE da Europa e Ásia e foi introduzida em Portugal.Vale da Murta cujo nome latino provém do grego “Myrtos”, derivado de “Myron” quesignifica perfume, dado ser uma planta muito aromática, pelo que as noivas judias, no dia dasua boda, costumavam usar grinaldas de murta. Foi cultivada desde a Antiguidade nosjardins mediterrânicos, romanos e hispano-árabes, pela sua elegância como arbusto sendoainda hoje usada em sebes, pois resiste à poda, pelo aroma que dela se desprende e pela belezados seus frutos. Estes são utilizados como condimentos de pratos, compotas e xaropes. Emalguns cultos religiosos queimava-se como o incenso, sendo usada hoje, em cosmética eperfumaria. Dado o seu teor em taninos é também usada para curtir couros. Tem propriedadesmedicinais como adstringente, anti-séptico e anti-catarro. No passado, utilizou-se comodesodorizante aplicando-se as folhas nas axilas.Já que falámos em murta, debrucemo-nos um pouco sobre outras plantas da mesma família,os eucaliptos, até porque existem nesta região, apesar de serem espécies introduzidas.Existem mais de 300 espécies de eucaliptos, sendo o Eucalyptus globulus (natural daTasmânia, sul de Vitória e New South Wales na Austrália) a mais espalhada mundialmente. Onome deriva do grego “eu” – bem e “calyptos” – coberto, referindo-se ao facto das floresestarem cobertas durante o desenvolvimento. Globulus quer dizer “pequeno botão”, aludindoao formato do opérculo. Foi trazida para a Europa inicialmente devido à sua capacidade paradrenar solos e zonas húmidas evitando a proliferação de mosquitos e da malária.Esta espécie é um dos eucaliptos de crescimento mais rápido. Uma árvore com 6 a 8 anospode chegar a atingir 25-33 m. Algumas árvores podem produzir sementes tão rapidamentecomo no seu 5º ano e o facto de serem polinizadas por uma grande variedade de insectos,aves e pequenos mamíferos favorece a formação de sementes.As folhas maturas desta espécie produzem substâncias alelopáticas. Todavia, o facto dehaver poucas plantas herbáceas debaixo dos eucaliptos pode ter a ver também com a grandequantidade de folhada e com a competição pela água.Nalgumas zonas da Califórnia é considerado uma invasora, pois ocupou áreas de vegetaçãonatural e têm sido feitos esforços para o seu controle e recuperação dos solos após aerradicação, algo que não é fácil.As espécies invasoras são um grave problema para a biodiversidade, existindo legislação (DL565/99) que regulamenta a introdução e uso de várias espécies animais e vegetais. Em termosde espécies invasoras, e falando apenas de algumas plantas, temos: as acácias - ex. a Acacia dealbata, conhecida como mimosa, e a Acacia longifolia, acácia-de-espigas, que tantos problemas trazem à nossa vegetação e que, apesar de 3
  4. 4. serem verdadeiras pragas vegetais, continuam a ser disseminadas pelas populações devido à sua exuberante floração; o chorão-das-praias Carpobrotus edulis - que se encontra espalhado pelo litoral português competindo com muitas espécies endémicas e que é originário da África do Sul; a erva-das-pampas – Cortaderia selloana; o ailanto ou árvore-do-céu - Ailanthus altissima originário da China; a árvore-do-incenso - Pittosporum undulatum espécie australiana com floração odorífera. o jacinto-de-água – planta sul-americana praga dos canais de rega.Nos Açores, algumas espécies invasoras, como a conteira Hedychium gardneranum e aClethra arborea, estão a destruir o habitat do Priôlo (ave criticamente em perigo de extinção).As introduções podem ser muito perigosas, p. ex. a mixomatose não existia na Europa, masafectava levemente os coelhos brasileiros. Foi introduzida no velho continente, sendo mortalpara os coelhos bravos europeus o que colocou também em risco os animais que deles sealimentam (caso do lince-ibérico, pois 75-95% das suas presas são coelhos). Note-se queexistiram linces em todo o país, mas hoje é o felino mais ameaçado do mundo.Da mesma forma que muitas pessoas plantam acácias por serem bonitas, agora há o hábito deterem animais em casa extremamente exóticos. Note-se que existe uma Convenção sobre oComércio Internacional de Espécies da Fauna e da Flora Ameaçadas de Extinção (CITES)assinada em Washington, em 3 de Março de 1973, tendo entrado em vigor a 1 de Julho de1975. Portugal aderiu em 1980 (Decreto 50/80, 23 de Julho). A Convenção protege espéciesraras ameaçadas de extinção ou cujos níveis de Comércio Internacional podem comprometer asua sobrevivência. Assim, há que ter cuidado para não comprar animais (ou plantas) queestejam protegidos por lei.Mas se têm animais em aquários ou em gaiolas não devem libertá-los no meio natural.Com efeito, são várias as espécies de aves exóticas que têm vindo a aumentar a sua área dedistribuição em Portugal competindo com as espécies autóctones, estando ainda pordeterminar os efeitos sobre a biodiversidade.Na sequência do filme “À procura de Nemo” muitas crianças, nos EUA, deitaram para osesgotos os seus peixes de aquário havendo alguns que se adaptaram ao novo habitat, o quecoloca problemas à fauna piscícola autóctone.Note-se que mais de 20 milhões de peixes tropicais são capturados anualmente para seremvendidos como animais de aquário. Alguns pescadores usam produtos químicos (cianeto, p.ex.) para atordoar os peixes. Porém, esses produtos matam os corais e outros seres vivos.Aqui está um exemplo de como evitando comprar seres vivos de aquário contribuímos para amanutenção da biodiversidade em locais bem longe de nós. “Pensar globalmente e agirlocalmente” tem a ver com estes pequenos gestos do dia-a-dia.Mas voltando aos nossos topónimos existe um particularmente interessante - Silva Escura- Silva, um dos apelidos mais comuns em Portugal, deriva do latim “silvi”, que significa“floresta”, denotando que algumas zonas do nosso país estavam cobertas, não de pinhais eeucaliptais como hoje encontramos, mas sim de florestas diversificadas onde predominavamos carvalhos. Com efeito, a expressão Silva Escura parece denotar a existência de umafloresta cerrada nesse local. 4
  5. 5. Mas se nos debruçarmos sobre o artesanato desta região verificamos também que depende dabiodiversidade. Assim, em Silva Escura está ligado à construção de instrumentos musicais,para os quais são necessárias boas madeiras. Em Castelões, há a cestaria e a tecelagem, nosSequeiros trabalhos de empalhador; e no Rio de tanoaria, em Rocas cestaria e madeira,Sever do Vouga calçado e Cedrim linho.Há também um topónimo curioso – Zebreiro – que provirá de Zevro, um dos enigmas dazoologia portuguesa, pois não se sabe a que espécie corresponde. O que se sabe é que foramos portugueses a nomear a Zebra, provavelmente porque a zebra africana se pareceria com otal zevro que existiria em Portugal e que se extinguiu talvez no século XIV.Na região de Sever do Vouga há também investimentos na produção de pequenos frutoscomo os mirtilos, que podem ser usados, p. ex. em sobremesas. Apesar de também se dar onome de “mirtilo” aos frutos da murta, creio que, neste caso, se referem ao fruto, geralmentenegro-azulado (por vezes branco), do arando ou uva-do-monte, Vaccinium myrtillus, cujasfolhas são parecidas com a da murta, daí o nome. Os frutos são usados para curar diarreias,disenterias e também para problemas urinários. As folhas e casca são usadas para remédioscaseiros para aplicar em úlceras e ulcerações da boca e garganta. Um chá feito das folhas temefeito sobre a diabetes. Esta espécie é autóctone no Noroeste montanhoso de Portugal emurzais e matas caducifólias de altitude acima dos 900 m. No norte da Europa o fruto é umaimportante fonte de alimento para a fauna selvagem, nomeadamente os ursos.Já que falámos em ursos o Ursus arctus apesar de ter sido uma espécie cinegéticarelativamente abundante no nosso país, foi extinto em meados do séc. XVII ou talvezmesmo no séc. XV, visto que o último registo de um urso morto foi no Gerês e poderia tratar-se de um animal vindo de Espanha. Nos tempos de D. Afonso V (1438-1481) os ursoscomeçaram a rarear e este rei, para evitar a sua extinção, decretou o pagamento de umaavultada quantia de dinheiro para quem ousasse matar um daqueles animais, mas, tal comohoje, as multas não são suficientes.Lembremo-nos que a última fêmea desta espécie existente nos Pirinéus foi morta em 2004por caçadores irresponsáveis durante uma batida ao javali, mostrando que muito há ainda afazer em termos de cidadania ambiental e de fiscalização.Na Convenção da Biodiversidade é dado um especial ênfase à conservação in situ, vistoque não basta conservar os indivíduos, eles fazem parte de um ecossistema, portanto para“salvar” a espécie é essencial manter os habitats. Assim, uma das formas de preservar abiodiversidade é através da criação de Áreas Protegidas. Note-se que no mundo, apenas10% das áreas mais ricas em termos de biodiversidade e apenas 1% dos seus oceanosestão protegidos.Em Portugal continental existem 25 Áreas Protegidas de âmbito nacional e 4 de âmbitoregional que defendem um rico património natural e também cultural.Rede Nacional de Áreas Protegidas 1 Parque Nacional da Peneda-Gerês – a 1ª AP a ser criada pelo DL nº 187/71, na sequência do “Ano Europeu da Conservação da Natureza” – 1970, lançado pelo Conselho da Europa. 9 Reservas Naturais: Berlengas (inclui área marinha); Dunas de S. Jacinto; Estuário do Sado; Estuário do Tejo; Lagoas de Santo André e da Sancha (inclui uma área marinha); Paul de Arzila; Paul do Boquilobo; Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António; e Serra da Malcata. 13 Parques Naturais: Alvão; Arrábida (inclui área marítima); Douro Internacional; Litoral Norte; Montesinho; Ria Formosa; Serra da Estrela; Serra de S. Mamede; Serras de Aire e Candeeiros; Sintra-Cascais; Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina (inclui área marítima), Tejo Internacional; e Vale do Guadiana. 5
  6. 6. 2 Paisagens Protegidas: Arriba Fóssil da Costa de Caparica; e Serra do Açor. 5 Monumentos naturais: Carenque; Lagosteiros; Pedra da Mua; Pedreira do Avelino; Pegadas de Dinossáurios de Ourém/Torres Novas. Prevê-se que virão a existir mais, que estão em fase de reclassificação na sequência do Decreto-Lei n.º 142/2008, de 24 de Julho.De âmbito regional e geridas pelas autarquias existem 4 Paisagens Protegidas:Albufeira do Azibo; Corno de Bico; Serra de Montejunto; e Lagoas de Bertiandos e S. Pedrode Arcos.Para além das Áreas Protegidas, e devido à aplicação de duas importantes DirectivasComunitárias – a Directiva “Habitats” (Dir. 92/43/CEE de 21 de Maio), que visa preservaros habitats naturais e da fauna e flora selvagens e a Directiva “Aves” (Dir. 79/409/CEE, de 2de Abril) que pretende proteger as aves selvagens, surgem os Sítios de ImportânciaComunitária (SIC) incluídos na Rede Natura 2000. Assim, existem 73 SIC no continente,23 nos Açores e 11 na Madeira, perfazendo um total de 107 Sítios. A nível europeu a RedeNatura cobre cerca de 637 mil Km2, faltando ainda os sítios dos últimos 10 países queaderiram à União (2004).Por ser o que se encontra mais perto falemos um pouco do Vouga, rio que nasce na S. da Lapae que alimenta as pateiras de Fermentelos e Frossos, assim como a Ria de Aveiro quetambém é um SIC. A bacia hidrográfica do Vouga é a 6ª em termos nacionais e uma parteestá incluída na Rede Natura 2000, com o nome de Rio Vouga numa área de 2769 ha.Apesar da sua vegetação ripícola estar mal conservada, principalmente por efeito das cheiase da pressão agrícola nos campos marginais, é um importante rio para a conservação deespécies piscícolas, tais como o sável (Alosa alosa – espécie em perigo), a savelha (Alosafallax - vulnerável) e a lampreia-marinha (Petromyzon marinus – sp. vulnerável e anádromaque nasce e desova em água doce e matura no mar). Estas espécies são todas migradoras,ameaçadas e em regressão. Note-se que Sever do Vouga tem uma festa da lampreia.Há ainda o ruivaco (Chondrostoma macrolepidotus) endemismo lusitânico, classificadocomo ameaçado e espécies como a boga – (Chondrostoma polylepis) quase ameaçada, aenguia (Anguilla anguilla – em perigo no continente) e o barbo (Barbus bocagei).É também importante para o lagarto-de-água (Lacerta schreiberi - espécie endémica daPenínsula Ibérica) e para a salamandra-lusitânica (Chioglossa lusitanica - espécie com oestatuto de vulnerável).Aqui encontra-se também a lontra. Entre as aves, destaque para o guarda-rios e o milhafre-preto (Milvus migrans) que aqui nidificam.Note-se que mais de 50% deste Sítio está ocupado com monoculturas florestais que, emconjunto com a poluição da água e a pressão agrícola, são alguns dos factores que colocamem perigo aquela área.Entre os habitats naturais que encerra e os mais fáceis para um leigo distinguir contam-se osjá referidos carvalhais de Q. robur e Q. pyrenaica, nomeadamente o roble e o negral, e“cursos de água mediterrânicos permanentes” com algumas associações florísticas e com“cortinas arbóreas ribeirinhas de Salix e Populus alba (choupo-branco)”.Estão assinaladas várias medidas de gestão para esta área, que é toda privada.Ao falarmos de alguns aspectos da biodiversidade nesta região abordámos algumas dasmais valias que a biodiversidade nos traz. Mas há muitas mais que talvez não saibam. FONTE DE ALIMENTOS 6
  7. 7. Não é por acaso que o Dia Mundial da Alimentação de 2004 foi "Biodiversity for FoodSecurity" e que o Dia Mundial da Biodiversidade em 2008, foi “Biodiversidade eAgricultura”, pois a Biodiversidade é fonte de alimentos e de variedades que permitem àsespécies cultivadas serem resistentes às doenças e pragas. Segundo a FAO, cerca de 70 milplantas possuem partes comestíveis e na alimentação humana foram já usadas 7 milespécies. Todavia, apenas 30 servem de alimento à maioria da população. A alimentaçãobásica depende apenas de 8 cereais: o trigo, a cevada, o milho, o centeio, o arroz, a aveia, osorgo e o painço ou milho-miúdo, todos eles muito uniformes do ponto de vista genético(Paiva, 1993).A maior emigração de pessoas no séc. XIX foi a dos Irlandeses, devido à destruição dacolheita de batata em 1846-7 pelo fungo Phytoptora infestans. 1,5 milhões de irlandesesemigraram para os EUA e Austrália, pois a batata era a base da alimentação dos irlandesespobres. Os antepassados dos Kennedy foram uma das muitas famílias que então emigraram.As variedades selvagens e várias estirpes diferentes são essenciais para se manter a resistênciaa doenças e pragas. Assim, as vinhas selvagens americanas foram essenciais para assegurara continuação da cultura na Europa após esta ter sido atacada por várias doenças e insectos.Na maioria dos campos agrícolas 90% das pragas são mortas por espécies benéficascontribuindo assim para a redução do uso de pesticidas químicos. Daí a importância dassebes vivas que tantas vezes servem de local de abrigo e reprodução para espécies quecolaboram gratuitamente com o agricultor.Curiosamente, alguns alimentos referidos na Bíblia como sendo milagrosos, são bemreais. Pensa-se que o maná caído do céu era o líquen Lecanora esculenta que se destacafacilmente em pequenos pedaços e é levado pelo vento acumulando-se por vezes emreentrâncias e sobre pequenos arbustos. Ao longo dos tempos, os agricultores da Pérsiaevitaram a fome comendo este líquen que cresce nas rochas e que é uma importante fonte dealimentação para os carneiros no Médio Oriente. Na Turquia e no norte do Irão é misturadocom farinha e usa-se para fazer uma espécie de pão para consumo humano.Já que falámos em líquenes, o papel azul de tornesol usado nas escolas era corado compigmentos obtidos a partir de líquenes (Roccella tinctoria e R mantagnel).Mas voltando à Bíblia, nela podemos encontrar, nas pragas do Egipto, referência àcontaminação das águas por algas vermelhas, mostrando que a biodiversidade faz história emolda as religiões.Para os que apenas pensam em dinheiro há alimentos que atingem valores incríveis. P. ex. emNovembro de 2000, estabeleceu-se num leilão um novo recorde de mais de 400 dólares porcerca de 300 gr de trufas brancas. Devido à dificuldade em serem encontradas na natureza,têm sido feitas tentativas para criar trufas, mas praticamente só se obtém por colheita no meionatural. Porém, esta tem decrescido acentuadamente nos últimos 90 anos, devido àdestruição das florestas e à morte das árvores devido à poluição atmosférica. A Françaproduziu mil toneladas em 1892, mas agora, apenas são colectadas 50 a 90 toneladas/ano.Falando em alimentos caros, o bacalhau (Gadus morhua) cujos stocks estão em perigo noAtlântico norte, foi em tempos um alimento muito barato e para o qual era usado o sal deAveiro considerado o melhor da Europa. O bacalhau de má qualidade era utilizado naalimentação dos escravos e o excelente era importante no comércio entre a América e aEuropa. P. ex. em Salem, o comércio de bacalhau era florescente no século XVII, de tal formaque, quando o seu tribunal - criado em 1692 - interrogou centenas de mulheres acusadas debruxaria e enforcou 19 delas, o selo do tribunal era um bacalhau. 7
  8. 8. Já que falámos em bruxaria, muitas das pessoas julgadas na Idade Média por esse crime e quese pensavam possuídas por demónios, crê-se hoje que sofriam de uma doença chamadaergotismo provocada por um fungo conhecido como cravagem-do-centeio que, entre outrossintomas, provoca alucinações. Curiosamente, foi deste fungo que se obteve o LSD. FONTE DE MEDICAMENTOSEstima-se que, no mundo, a indústria farmacêutica ganha 32 biliões de dólares de lucro porano, de produtos derivados da medicina tradicional.Durante séculos, para terem alívio para as dores, os índios norte-americanos mastigavam acasca do salgueiro-branco (Salix alba – espécie dióica muito utilizada em Portugal em cestariae que existe nas margens do Vouga). Em 1827, um cientista isolou uma substância química dacasca do salgueiro a que chamou salicina. Graças a ela produz-se hoje industrialmente o ácidoacetilsalicílico, vulgarmente conhecido como aspirina.Mais de 3 mil antibióticos, incluindo a penicilina e a tetraciclina, são derivados demicrorganismos. A penicilina foi o 1º antibiótico a ser descoberto (acidentalmente) e salvamilhares de pessoas infectadas por bactérias. O termo penicilina vem do fungo Peniciliumnotatum.Do teixo do Pacífico, altamente tóxico, extrai-se a taxina, a partir da qual se produz o taxol.Durante muito tempo era considerado um sub-produto da exploração de madeira, porém, hojeé considerado um tesouro entre as plantas nativas do noroeste do Pacífico, pois salva milharesde vidas. O taxol tem sido usado em cancros, como o do seio, dos ovários e leucemia. O taxolé também uma fonte de riqueza para os EUA. Nos anos 2000, dava lucros de um milhão demilhões de dólares da sua venda e dos empregos associados.Talvez agora lamentemos o facto de termos dizimado os teixos no nosso país, pois possuemaquela substância. Também a caça indiscriminada de aves, que disseminavam a semente,parece ter contribuído para a raridade do teixo (Taxus baccata), que hoje só se encontra emPortugal nas zonas mais altas das serras da Estrela, Gerês e Montesinho. Trata-se de umaespécie protegida. Só por curiosidade: aos locais onde existem teixos é dado o nome deTeixeiras.O principal tratamento europeu para os problemas da próstata vem directamente da casca dacerejeira africana (Prunus africana), hoje severamente ameaçada no seu habitat natural nasterras altas da África Central, devido à sobre-exploração. Também em termos de controlo denatalidade cerca de 3 mil plantas são usadas tradicionalmente para este fim.Cerca de 2 mil taxa de plantas medicinais e aromáticas são comercializados dos quais 2/3 sãonativos da Europa. Estima-se que 90% são colectados na natureza havendo claros sinais desobre-exploração em algumas zonas europeias. Apesar das plantas serem raras na natureza, oseu cultivo é mais dispendioso do que a colheita na natureza. Na UE, as plantas medicinaise aromáticas são cultivadas numa área de cerca de 70 mil ha, com 130-140 espécies.O ICN tem desenvolvido vários estudos e editado publicações sobre as plantas aromáticas emedicinais em Portugal, pois poderá ser uma forma de desenvolver sustentavelmentealgumas regiões. Para além disso, as comunidades que usam as plantas selvagens têmfrequentemente um conhecimento rico e único que é também importante preservar. Não é emvão que o povo diz: Deus criou uma erva para cada doença.Infelizmente, das 250.000 espécies de plantas no mundo apenas 2% terão sido estudadas àprocura de produtos químicos com uso medicinal. Atendendo a que, diariamente, sãodestruídos os habitats das espécies nativas perdem-se muitas plantas e animais que poderiamter interesse para a medicina. 8
  9. 9. A biodiversidade foi também importante para conhecermos o nosso próprio genoma. Comefeito, foi em parte graças ao vírus da varíola, que tantas mortes causou no mundo, que seconseguiu mapear o genoma humano. FONTE DE MATÉRIAS-PRIMAS PARA ACTIVIDADES BÁSICAS, MAS TAMBÉM PARA A INDÚSTRIANos países sub-desenvolvidos cerca de 70% das pessoas dependem da biomassa (na suamaioria lenha, restos das colheitas e dejectos animais) para o aquecimento e para cozinhareme convém não esquecer que o carvão e o petróleo têm origem biológica. Depois há negóciostão simples como os das pastilhas elásticas. Assim, o chicle é uma substância semelhante àborracha e que se obtém de uma planta alta sempre-verde que cresce no México. A marca“chiclet” deriva da palavra chicle. O próprio cimento necessita de calcário, rocha com origembiológica, portanto mesmo as paredes das nossas casas têm origem biológica.Nos últimos anos, a indústria lucra com a jojoba, uma planta do deserto do sudoesteamericano. A partir dela obtém-se um líquido ceroso de alta qualidade e muito versátil quesubstitui o óleo das baleias.Produtos obtidos a partir de algas marinhas são usados em plásticos, como polimento,desodorizantes, detergentes, tintas, espumas para extintores, lubrificantes, conservantespara a carne, alimentação para as galinhas, entre muitos outros produtos. ALGUMAS OUTRAS FUNÇÕES QUE DESEMPENHAM GRATUITAMENTE Agentes despoluidores – é graças aos sapais que muitos dos metais pesados que são deitados em estuários ficam aprisionados nas lamas na sua forma inorgânica, não sendo pois perigosos para os organismos vivos, entre os quais peixes e bivalves dos quais o homem se alimenta. Para além disso, alguns microrganismos encontrados, p. ex. nas planícies abissais, poderão ser úteis para descontaminação de águas extremamente poluídas. Regulam o ciclo hidrológico – as florestas tropicais, graças à sua grande evapo- transpiração, têm efeitos a nível do clima global e precipitação noutras latitudes mais temperadas. Para além disso, a vegetação (se for a adequada ao solo) impede uma escorrência rápida para os rios e destes para o mar, possibilitando a infiltração e a recarga de aquíferos. Formam solo e evitam a erosão – Nas zonas temperadas e tropicais para se renovarem 2,54 cm da camada superior do solo são necessários cerca de 200 a 1 000 anos - dependendo do clima e do solo. O solo é originado por fenómenos físico-químicos, mas essencialmente biológicos. Regulam o clima e contribuem para a descontaminação da atmosfera – Para além do oxigénio que existe na atmosfera ter origem biológica e, por isso, só existir camada de ozono porque temos plantas, alguns ecossistemas são sumidouros de carbono e serão essenciais para cumprirmos os compromissos internacionais, tais como os do Protocolo de Quioto. Impedem catástrofes – a vegetação ripícola, ajuda a manter as margens dos rios e serve de tampão às cheias. Se tivéssemos um ecossistema florestal equilibrado com plantas resistentes ao fogo não teria certamente ocorrido a catástrofe que se verificou em 2003. Os ecossistemas dunares são a primeira protecção contra as tempestades e a subida do nível do mar. 9
  10. 10. Os ecossistemas mais produtivos são os naturais e não os humanos - Os três tipos de ecossistemas mais produtivos são os estuários, os pântanos e sapais e as florestas tropicais de chuva, provavelmente aqueles que o homem mais tem destruído. A BIODIVERSIDADE INVENTOU ANTES DE NÓSFoi com a natureza que aprendemos p. ex. a tecer e a tingir os tecidos. P. ex. o dragoeiro(planta endémica dos Arquipélagos da Macaronésia, actualmente muito rara no seu habitatnatural) foi largamente utilizado, para extracção da sua seiva avermelhada, o “sangue dedrago”, que era usada em tinturaria, na medicina caseira e como verniz, muito apreciado parao acabamento de violinos. O sangue de dragão foi a primeira fonte de rendimentos para aCasa do Infante proveniente das Descobertas. Corantes extraídos das cochonilhas sãotambém utilizados para tingir roupa e produtos alimentares.O velcro foi inventado por algumas plantas que produzem sementes e até pelas abelhas comas suas patas colectoras. O voo das libélulas está na base dos helicópteros, enquanto o sonar,utilizado nos navios, foi descoberto pelos morcegos e golfinhos. Uma estrutura semelhante àexistente nas narinas do falcão-peregrino é usada nos aviões a jacto (note-se que esta ave étalvez o animal voador mais rápido). As pontes pênseis (ou seja, suspensas) resultaram dasobservações das teias de aranhas. Foi o Teredo nivalis (um molusco bivalve, verdadeiro“Terror dos mares”) que inspirou Marc Brunel a construir o Túnel do Tamisa, o 1º a serconstruído sob um rio.A própria agricultura e pecuária foi inventada pelas formigas e não por nós, pois algumasespécies cultivam fungos e “ordenham” pulgões.Ainda há muito a descobrir – Alguns locais que dantes julgávamos sem vida, como sucediacom os fundos oceânicos abrem-se perante nós numa profusão de formas de vidaverdadeiramente insólitas. Com efeito, apesar de não se encontrarem aí plantas, o nível dosprodutores é ocupado por bactérias, tais como as existentes em zonas vulcânicas, queproduzem o seu alimento a partir de compostos de enxofre das nascentes quentes.Por isso, desde como utilizar as bactérias que decompõem o petróleo, para evitar os prejuízosdas marés negras, até que combustíveis biológicos poderemos encontrar para os nossosveículos, muito temos ainda a lucrar com a biodiversidade.Os ecologistas e os economistas apenas agora começam a se aperceber do valor estimado dosserviços que os ecossistemas fornecem ao nosso planeta. Se fosse possível à humanidadeassegurá-los estima-se que o custo andaria na ordem dos triliões de euros anuais. Todavia,creio que esse seria um valor muito baixo, pois se a vida humana não tem valor e se é isso quea Terra nos assegura, então o nosso planeta e a sua biodiversidade são de um valorincalculável.Para terminar, e para os que decidiram aproveitar o tempo a tentar reconstruir a frase, pensemque se é praticamente impossível refazer uma frase usando as mesmas letras e com o mesmosignificado, então imaginem que cada letra é uma espécie no alfabeto da natureza e que nósnão conhecemos as letras todas, mas que estamos a deitá-las fora mesmo antes de sabermosde que modo é que elas se interligam com outras e de que forma nos poderiam ser úteis. Poresta analogia podemos ver que é bastante irresponsável estarmos a extinguir espécies e aarrasar ecossistemas sem sabermos reconstitui-los.Como se vê são muitos os temas dentro da biodiversidade que se podem abordar num artigo eé bem urgente, pois a cada dia que passa mais espécies e ecossistemas se encontramameaçados. Portanto, escrevam, alertem e informem os outros, mas acima de tudo, sejamvocês os primeiros a defender a biodiversidade. 10
  11. 11. Alguns sites na net onde procurar informação sobre biodiversidadeAtenção: na Internet encontra-se muita “desinformação” e dados errados. Daí que seaconselha a consulta de página não pessoais, mas sim de instituições credíveis sejam elasorganismos de Estado, instituições, Universidades e associações fidedignas.Motores de buscawww.dogpile.com (o motor dos motores); www.google.pt; www.tumba.pt;www.sciurus.pt (um motor de busca científico).Alguns endereços sobre BiodiversidadeNote-se que em vários destes endereços poderão encontrar “links” para outras páginas.Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade www.icnb.pt - Áreas Protegidas,projecto de EA “Escola na Natureza”, Rede Natura, espécies e ecossistemas, percursos, actividades,links úteis…Secretaria Regional do Ambiente e Recursos Naturais da Madeira www.sra.pt e Parque Naturalda Madeira www.pnm.ptSecretaria Regional do Ambiente e do Mar dos Açoreswww.azores.gov.pt/Portal/pt/entidades/sram/?lang=ptBase de dados da Biodiversidade dos Açores www.azoresbioportal.angra.uac.ptParar a perda de biodiversidade até 2010 www.countdown2010.netPortal da Natureza e Biodiversidade da Comissão Europeiahttp://ec.europa.eu/environment/nature/index_en.htm e para os mais novoshttp://ec.europa.eu/environment/youth/index_en.htmlAgência Europeia de Ambiente www.eea.europa.euArkive imagens www.arkiveeducation.orgConvenção sobre a Diversidade Biológica www.cbd.int (mais novos www.cbd.int/youth e EAhttp://greenwave.cbd.int) Para a Europa ver http://biodiversity-chm.eea.eu.intConvenção sobre as Espécies Migratórias – www.cms.intConvenção sobre Zonas Húmidas (Ramsar) - www.ramsar.orgConvenção CITES – www.cites.orgComissão Europeia – europa.eu.int/comm/environment/nature/home.htm eeuropa.eu.int/comm/environment/nature_biodiversity/index_en.htmCountdown 2010 - para parar a perda de biodiversidade até 2010 – www.countdown2010.netCentro Mundial de Monitorização da Conservação. Inclui apresentação, em inglês, sobre o modocomo a biodiversidade beneficia as pessoas – www.unep-wcmw.orgConselho da Europa - www.nature.coe.intEarthtrends – O Portal da Informação Ambiental – earthtrends.wri.orgLivro Vermelho da IUCN das Espécies Ameaçadas– www.redlist.orgNaturlink – www.naturlink.pt – um portal português sobre temas de natureza e muitas entrevistas…Algumas ONGA portuguesas: FAPAS – www.fapas.pt; GEOTA – www.geota.pt; Quercus –quercus.sensocomum.pt; LPN – www.lpn.pt; SPEA – www.spea.ptPrograma Antídoto - antidotoportugal.no.sapo.pt/ Um programa do ICN e outros parceiros sobre oproblema do envenenamento de animais.Programa Life – europa.eu.int/comm/environment/life/home.htmPrograma das Nações Unidas para o Ambiente www.unep.org (alunos www.unep.org/Tunza) etambém www.unepwcmc.orgProjecto INVADER - www1.ci.uc.pt/invasoras/ um projecto sobre espécies vegetais invasorasSistema de Informação sobre a Conservação da Biodiversidade – www.biodiversity.orgAtlas Mundial da Biodiversidade - stort.unep-wcmc.org/imaps/gb2002/book/viewer.htmThe World Conservation Union (UICN) http://cms.iucn.orgUNESCO http://www.unesco.org/education/tlsf/União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) – www.uicn.orgWorld Atlas of Biodiversity http://stort.unepwcmc.org/imaps/gb2002/book/viewer.htmWorld Wildlife Fund www.panda.org 11
  12. 12. 12
  13. 13. BIBLIOGRAFIAALMAÇA, C. (2000) – O Homem medieval e a Biodiversidade, 1ª ed., Museu Bocage – Museu deHistória Natural, Lisboa, 196 p.BIRDLIFE (Ed.) (2003) – Birdlife in Europe, vol 8, nº 1, 8 p.CONSELHO DA EUROPA (2002) - European Plant Conservation Strategy, Rev. Planta Europa, 39p.DIRECÇÃO-GERAL DO AMBIENTE (Ed.). (2000) – Relatório do Estado do Ambiente, Lisboa, 349p.FERRY, L. (1993) – A nova ordem ecológica, 1ª ed., Lisboa, Ed. Asa, 207 p.FLORES, F., (1939) – A Protecção da Natureza, Directrizes Actuais, Revista Agronómica, Vol.XXVII, separata, Lisboa, p. 4.FONTAUBERT, A. , DOWNES, D. e AGARDY, T. (1996) - Biodiversity in the Seas: Implementingthe Convention on Biological Diversity in Marine and Coastal Habitats, IUCN Environmental Policyand Law Paper n.∫ 32, Cambridge, IUCN, CIEL, WWF, 82 p.FRANCO, J. (1971) – Nova Flora de Portugal Vol I, 1ª ed., Lisboa.FRANCO, J. (1984) – Nova Flora de Portugal Vol II, 1ª ed., Lisboa.GONZALEZ, G. (1982) – La guia de INCAFO de los arboles y arbustos de la Peninsula Ibérica, 1ªed., Incafo, Madrid.HENRIQUES, P. (2001) – A, b ,c das Áreas Protegidas de Portugal continental, 1ª ed., Lisboa,Instituto da Conservação da Natureza, 144 p.INSTITUTO DA CONSERVAÇÃO DA NATUREZA (Ed.), (1998) – Primeiro Relatório a submeterà Conferência das Partes da Convenção sobre a Diversidade Biológica, Lisboa, 60 p.INSTITUTO DA CONSERVAÇÃO DA NATUREZA (Ed.), (1999) – Estratégia Nacional deConservação da Natureza e da Biodiversidade – Documento preliminar para discussão pública,Lisboa, 124 p.INSTITUTO DA CONSERVAÇÃO DA NATUREZA (Ed.), (2002) – Estratégia Nacional deConservação da Natureza e da Biodiversidade, 1ª ed., Lisboa, 103 p.KURLANSKY, M. (2000) – O Bacalhau: biografia do peixe que mudou o mundo. Terramar, 1ª ed.,Lisboa, 291 p.LAMY, M. (1999) – Os insectos e os homens, Col. Economia e Política n.º 8, 1ª ed., Lisboa, InstitutoPiaget, 332 p. (Trabalho original em francês publicado em 1997).LIGA PARA A PROTECÇÃO DA NATUREZA (Ed.), (2003) – Liberne, nº 77, Out/Dez.Ministério do Ambiente e Recursos Naturais (1991) – Estratégia Nacional da Conservação, Lisboa,238 p.PAIVA, J. (1992) – A relevância do património natural, 1ª ed., Câmara Municipal de Leiria, 27 p.PAIVA, J. (1998) – A crise ambiental, apocalipse ou advento de uma nova idade I, 1ª ed., Lisboa,Liga dos Amigos de Conímbriga, C. Form. Prof. de Conímbriga, 36 p.PEARCE, D. e MORAN, D. (1997) – O valor económico da biodiversidade, Col. Economia e Políticanº 25, 1ª ed., Lisboa, Instituto Piaget, 225 p. (Trabalho original publicado em inglês em 1994). 13
  14. 14. SÉNECA, A. e CALDAS, F. B. (1992) – Poluição atmosférica, Bol. Soc. Brot.a, Série 2, 65, 67-78.SERVIÇO NACIONAL DE PARQUES, RESERVAS E CONSERVAÇÃO DA NATUREZA (1991)– Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal, Vol. I, 1º ed., Lisboa, 219 p.THE ROYAL SOCIETY FOR THE PROTECTION OF BIRDS (Ed.), (2003) – Bird Life, Nov.-Dez.The TRAFFIC Report, World Wildlife Fund, vol. 2, n.º 2, Jul., 2003.VIEIRA, C. e FARINHA, J. (2002) – Cento e picos termos sobre Conservação da Natureza, 1ª ed.,Lisboa, Instituto da Conservação da Natureza, 36 p. 14

×