A instrução e o modelo económico para o Sul da Europa (1)                     O capitalismo colocou Portugal como periféri...
percebendo que um capitalismo desenvolvido exigia trabalhadores com maisinstrução intuiu que daí surgiria a maturidade pol...
indicadores dos países escandinavos e das Ilhas Britânicas, com particularatenção para um dos acompanhantes no grupo dos P...
de emproados catedráticos, donos dos saberes e especializados no fomento dasreferências às obras dos próprios e dos seus a...
A população com instrução aquém do secundário constitui em Portugal, em2010, pouco menos de 70% do total, embora superasse...
população. Depois da queda do fascismo, a deliberada aposta na integraçãoeuropeia privilegiou o desenvolvimento da exporta...
forma de PPP. Os mais conhecidos viraram-se para esse misto de comércio aretalho e especulação financeira que são os super...
fábricas chinesas que, com o fim do acordo Multifibras em 2005, começaram avender livremente na Europa a sua produção.Os p...
têm uma responsabilidade no comércio comunitário muito para além da suarepresentatividade na população da UE, o mesmo suce...
Na bem urdida hierarquia comunitária - e melhor executada - não é certamentecoincidência que os países mais pobres ou com ...
Holanda            403.504 Itália               -266.534                         Áustria             73.947 Grécia        ...
A adopção da moeda única não evidencia uma relação direta com a degradaçãodas contas externas; estas, nos últimos anos, na...
trabalho é determinante. Por seu turno, a vasta paleta de pequenas, médias enano empresas - que carateriza o tecido empres...
filhos, quando crescessem tivessem de regressar, com cônjuges e rebentos, acasa dos pais e repartir com eles as suas refor...
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

A instrução e o modelo económico para o sul da europa (1)

349 visualizações

Publicada em

O capitalismo colocou Portugal como periférico no cenário europeu e determina-lhe um perfil educativo adequado às atividades que se lhe digna atribuir

Há um desequilíbrio entre a realidade e a dinâmica do capitalismo em Portugal por um lado; e, as subjetividades da faixa populacional que tem hoje 25/40 anos, bem como a da geração dos seus pais, décadas atrás.



Sumário

1 - Introdução
2 - O perfil educacional dos portugueses
3 - A evolução do enquadramento externo
4 - O modelo económico europeu
5 – O modelo educativo é um efeito da subalternidade lusitana

0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
349
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
1
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
1
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

A instrução e o modelo económico para o sul da europa (1)

  1. 1. A instrução e o modelo económico para o Sul da Europa (1) O capitalismo colocou Portugal como periférico no cenário europeu e determina-lhe um perfil educativo adequado às atividades que se lhe digna atribuir Há um desequilíbrio entre a realidade e a dinâmica do capitalismo em Portugal por um lado; e, as subjetividades da faixa populacional que tem hoje 25/40 anos, bem como a da geração dos seus pais, décadas atrás.Sumário1 - Introdução2 - O perfil educacional dos portugueses3 - A evolução do enquadramento externo4 - O modelo económico europeu5 – O modelo educativo é um efeito da subalternidade lusitana1 - IntroduçãoO maior nível educacional de uma população dota-a de instrumentos que apodem fazer compreender a realidade e as causas das suas insuficiênciascoletivas, bem como de empreender formas de garantia dos seus direitos ou, deprotesto e organização da contestação. Nada há de determinismo oulinearidade nisto, tendo em conta as capacidades que a manipulação de massastem vindo a desenvolver sob o impulso de regimes ditatoriais, fascistas ou,meramente corruptos, no seio de uma pseudo-democracia - a democracia demercado - arquitectada pelo modelo social neoliberal.Uma coisa é ter os instrumentos, outra a sua utilização; e a boa utilização nãoresulta sempre como corolário de um elevado nível educacional. Marx,GRAZIA.TANTA@GMAIL.COM 25-2-2013 1
  2. 2. percebendo que um capitalismo desenvolvido exigia trabalhadores com maisinstrução intuiu que daí surgiria a maturidade política necessária para asuperação do capitalismo. Essa concepção linear foi desmentida em duassituações, historicamente contemporâneas. Cerca de vinte anos após a suamorte, trabalhadores instruídos matavam-se mutuamente numa guerra, emnome da sua pátria e para gáudio dos seus capitalistas; e, na atrasada Rússiaum povo semi-analfabeto estoirava um poder imperial e lançava-se numaexperiência social e política nova. Esta última, apropriada por um partido deungidos educados, logo tratou de banir os sovietes, matar os artífices darevolução em Kronstadt e massacrar os camponeses ucranianos, pouco dados àaceitação de qualquer poder.Em Portugal, apesar da população hoje, ser muito mais instruida que nostempos do PREC, não parece que esteja imune a ilusões, nacionalistas oueleitoralistas, de que o pagamento da dívida é exequível dever de gentehonrada e, de que o sistema político-económico contém todas as virtualidadespara um retorno a uma modesta prosperidade. Esta última só é efetivamentesentida dado o nível baixo de partida, num país que, há cinquenta anos, nãotinha estradas decentes, água canalizada e saneamento básico em largas árease, em que carro próprio era jóia apenas para uns quantos.Inversamente, também não há qualquer determinismo na ideia de que umapopulação miserável e iletrada tem na pobreza e na ignorância a alavancanecessária e suficiente para a contestação e a revolta. A “teoria” do quanto pior,melhor, não passa de uma demagogia para sublimar a impotência política ou oacomodamento dos seus defensores.O perfil educacional da população portuguesa é muito distinto do apresentadopela grande maioria dos outros países europeus. Para além da sua caraterizaçãoestrutural coloca-se-nos uma questão crucial: As insuficiências desse perfil têm sido um travão ao desenvolvimento ou é a hierarquização das nações europeias que produz esse perfil e não outro mais qualificado?Uma certa linearidade mecanicista, economicista, conduz a que se considereque o factor super-estrutural (educação) trava o desenvolvimento económico,desincentiva ao investimento externo. Uma visão geopolítica baseada naavaliação das hierarquias geradas pelo capitalismo conduz a que sejam asdesigualdades daí resultantes a definir os padrões educacionais numa formaçãosocial.2 - O perfil educacional dos portuguesesA parcela da população com formação superior era, em Portugal, a mais baixada Europa em 2000 mas, em 2010 ultrapassava as proporções registadas naTurquia, na Roménia e na Itália. Porém situava-se a menos de metade dosGRAZIA.TANTA@GMAIL.COM 25-2-2013 2
  3. 3. indicadores dos países escandinavos e das Ilhas Britânicas, com particularatenção para um dos acompanhantes no grupo dos PIIGS, a Irlanda. População (25-64) com nivel superior de educação (%) 40 35 30 25 20 15 10 5 0 Noruega Espanha França UE 27 Alemanha Dinamarca Grécia Hungria Irlanda Roménia Turquia Portugal Polónia Reino Unido Eslováquia Finlândia Itália 2000 2010 Fonte: Estado da Educação, 2011Em Portugal, o incremento registado nessa parcela entre os dois momentos,embora elevado em termos relativos, somente revela um crescimento paraleloao registado para a maioria dos outros países europeus. Note-se que a parcelade licenciados (ou com habilitações superiores) em Espanha é dupla daportuguesa.Em que medida esse incremento, não terá sido algo deturpado pela existênciade cursos com programas ridículos, outros com licenciaturas facilitadas ou, semum conteúdo digno? As polémicas sobre as habilitações de Sócrates, Relvas,Passos e outros, adicionadas ao fim de várias ditas universidades envolvidas emescândalos financeiros - com imponentes vigaristas ungidos em magníficosreitores - são elementos que retiram algum do significado real daqueleincremento. E retiram certamente muito do brilho com que se pretenderá untara lógica de mercado estendida ao ensino em geral e ao superior, neste caso.Sublinhe-se que na Finlândia, o país referenciado no gráfico como tendo oindicador mais elevado, a universidade é exclusivamente pública, não sendoadmitidos desvios mercantilistas protagonizados por cobradores de propinasou de reminiscências medievais quando as ciências necessitavam de aprovaçãopapal.A tradição lusitana de uma universidade rotineira e pouco estimulante dacriação, da experimentação tem uma história baseada em gangs e rivalidadesGRAZIA.TANTA@GMAIL.COM 25-2-2013 3
  4. 4. de emproados catedráticos, donos dos saberes e especializados no fomento dasreferências às obras dos próprios e dos seus amigos, da intolerância para comos diferentes e a exploração e humilhação de mestrandos e doutorandos.Muitos não passam de campeões do biscate, ocupando lugares em empresas edefendem terem as universidades de se orientarem para as necessidades das …empresas.Por seu turno, a representatividade da população com estudos pelo menossecundários é muito baixa, bastante afastada da apresentada pelos outrospaíses, com excepção da Turquia. A evolução registada em dez anos é positivatambém mas, o incremento verificado não se afasta muito da progressãoregistada nos outros países, pelo que as distâncias relativas pouco se alteram,como se observou também, para as pessoas com cursos superiores. População (25-64) com nivel secundário de educação (%) 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 Noruega Espanha França UE 27 Alemanha Dinamarca Grécia Hungria Irlanda Roménia Turquia Portugal Polónia Reino Unido Eslováquia Finlândia Itália 2000 2010 Fonte: Estado da Educação, 2011Mesmo sem se entrar em linha de conta com uma comparação sobre aqualidade do ensino e o desempenho escolar, mostra-se escassa a parcela dapopulação vocacionada para as funções intermédias da produção. E essaescassez não é, certamente indutora da fixação de atividades de elevado valoracrescentado, mormente de atração de investimento estrangeiro qualificado –como o mandarinato tanto acena - a despeito de, há várias décadas, osgovernos afirmarem não defenderem um modelo de baixos salários e fracashabilitações. Na realidade, a pequena parcela de gente com estas habilitaçõesintermédias, reflete as necessidades dos “empresários” lusos, cujas caraterísticassão pouco abonatórias1, como no desenvolvimento deste trabalhoabordaremos.1 http://grazia-tanta.blogspot.pt/2012/07/a-divida-seguranca-social-o-longo.html http://www.scribd.com/doc/22311099/Empresarios-portugueses-incapazes-inuteis-nocivos-e-batoteirosGRAZIA.TANTA@GMAIL.COM 25-2-2013 4
  5. 5. A população com instrução aquém do secundário constitui em Portugal, em2010, pouco menos de 70% do total, embora superasse 80% uma década antes,ombreando com a Turquia na situação mais recente. Em ambos os momentos,muito acima dos indicadores registados para os outros países da orlamediterrânica, atualmente objeto de especiais atenções de “troikas”,“mercados” e agências de notação. População (25-64) com nivel educacional inferior ao secundário (%) 80 70 60 50 40 30 20 10 0 Noruega Espanha França UE 27 Alemanha Dinamarca Grécia Hungria Irlanda Turquia Roménia Portugal Polónia Reino Unido Eslováquia Finlândia Itália 2000 2010 Fonte: Estado da Educação, 2011É notória a diferença entre a estrutura educacional em Portugal e Espanha, umasituação que certamente contribui para que a costa ocidental da Ibéria sejatomada, nos meios políticos e dos negócios, como um apêndice, uma periferia,uma subalternidade do estado espanhol, um género de 18ª autonomia ibérica.No contexto de um capitalismo em dificuldades, agressivo e invasivo, este perfileducacional é claramente uma desvantagem2 embora seja acima de tudo umaconsequência do lugar que Portugal ocupa na divisão do trabalho, no quadrocomunitário.3 - A evolução do enquadramento externoAs elites económicas e os seus executores políticos no poder em Portugaldepois da “normalização” de 25 de novembro de 1975, nunca tiveram umalógica de desenvolvimento centrada nas necessidades e no bem estar da2 http://grazia-tanta.blogspot.pt/2012/11/reflexao-sobre-o-falhanco-do-capitalismo.htmlGRAZIA.TANTA@GMAIL.COM 25-2-2013 5
  6. 6. população. Depois da queda do fascismo, a deliberada aposta na integraçãoeuropeia privilegiou o desenvolvimento da exportação adequada ao padrão decapitalização e tecnologia das empresas portuguesas; e estas, dadas as suasdebilidades, somente tinham a seu favor os muito baixos salários praticados emPortugal, comparativamente aos outros países europeus, para compensar asmaciças importações de energia, matérias-primas, equipamentos e bensalimentares.Tal como no tempo de Salazar, as necessidades de formação foram-seadequando às solicitações de um empresariato ignorante mas, cúpido ehabituado ao apoio do Estado, à sua benevolência para com a fraude e a evasãofiscal.3Durante o fascismo, esse empresariato também defendia o baixo salário mas,como instrumento para outra estratégia. O chamado Estado Novo foi montadonos anos 30, em época de protecionismo feroz e, portanto, com barreirasalfandegárias, condicionamento industrial e muita repressão para que ostrabalhadores ficassem mansos. Então, a preocupação não era tanto aexportação mas, a garantia da ausência de concorrência no espaço nacional.Nesse contexto, a instrução era considerada algo próprio para elites e daí, oselevados graus de analfabetismo, sobretudo entre as mulheres; no ensinosuperior, o importante era a reprodução das reacionárias aristocracias médica ede direito. Mesmo os cantados estudantes das lutas académicas dos anos 60rapidamente mostraram que o seu progressismo era só verniz, vindo aengrossar as hostes do PS, na menos má das opções.Nos anos 80 do século passado o acesso aos fundos comunitários tornou-se ummaná para esse empresariato, uma “janela de oportunidade” que veio acontribuir para o hiperdesenvolvimento do sector da construção e obraspúblicas – autoestradas, estradas, rotundas, betão e alcatrão, saneamento. Oindustrial têxtil virou-se para a construção e o imobiliário, com eventualtransferência do têxtil para a Roménia e um lastro de dívidas para com aSegurança Social, à espera da incobrabilidade ou da prescrição. Por seu turno, eperante tanta procura de construção, qualquer trolha passou a industrial deconstrução, recrutando imigrantes baratos, africanos e do Leste europeu. Paraalém da verdadeira vigarice que ocorreu em grande parte da utilização dasverbas para formação profissional, com algum protagonismo das associaçõesempresariais.Em meados da década de 90, a AutoEuropa quase monopolizava os fundos (eos benefícios fiscais) afetos à Operação Integrada de Desenvolvimento deSetúbal, área em forte crise resultante do afundamento da metalurgia pesada. Eos capitais estrangeiros, mormente espanhóis pagavam bem pelas empresasindustriais que lhes interessavam, deixando assim que os magníficosempresários lusos se dedicassem à construção e ao imobiliário, ao sectorfinanceiro ou ainda a titulares de ações das empresas ex-nacionalizadasincluidas no PSI-20; um treino para rentismos mais vultuosos futuros, sob a3 http://grazia-tanta.blogspot.pt/2012/07/a-divida-seguranca-social-o-longo.htmlGRAZIA.TANTA@GMAIL.COM 25-2-2013 6
  7. 7. forma de PPP. Os mais conhecidos viraram-se para esse misto de comércio aretalho e especulação financeira que são os supermercados; tornaram-se osgrão-merceeiros, sem o sangue azul dos grão-duques.Um segundo fôlego de betonização fez-se em torno da Expo 98 e dos estádiosde futebol e o terceiro que estava programado (Ota/Alcochete, plataformaslogísticas, TGV) ficou comprometido com o endividamento insustentável dosbancos e do seu Estado, selado pelo fecho da torneira do BCE, com odespedimento de Sócrates como brinde gerador do rotativismo no âmbito dopartido-estado.É evidente a alta responsabilidade da UE nesta situação que, certamente, nuncadesconheceu as caraterísticas do empresariato luso e da sua venal classepolítica. Pouco isso lhes importava dado que estavam gerando mercado internopara as suas exportações, cujas receitas teriam um efeito mais prolongado doque os temporários fundos comunitários, saídos dos bolsos dos contribuinteseuropeus. A UE criava assim uma dependência à qual se veio a acrescentar adívida financeira dos pequenos bancos portugueses, para com os gigantesalemães, franceses e espanhóis, reproduzida internamente junto de empresas efamílias.Entretanto, a moeda única, facilitando o acesso e embaratecendo o preço docrédito fechava o círculo da dependência, da inclusão dos países do Suleuropeu na esfera de domínio do capital financeiro concentrado nas margensdo Reno, do Meno e do Spree. Essa esfera continua em construção, contemplaum Drang nach Osten e um Drang nach Suden4 para a constituição de áreas dedependência económica e financeira, com salários baixos e qualificações váriasque, dentro de alguns anos, serão comparáveis às dos chineses, evitando aexcessiva dependência dos senhores da Europa de uma potência como a China.4 - O modelo económico europeuNa realidade, os capitalistas do norte da Europa, há muito tomaram aintegração dos países do Sul europeu na UE como uma forma de integrarem nasua órbita a produção de bens de consumo e produtos intermédios, commenores investimentos em capital e menos exigentes de trabalho qualificadomas, com muitos consumidores. Os bens de equipamento ou de mais elevadatecnologia produzidos na UE, com maior incorporação de capital e trabalhoespecializado seriam produzidos no Norte da Europa – Alemanha, Holanda,França e Suécia – para exportação à escala mundial, incluindo para os parentesdo Sul. É conhecida a coincidência (?) entre o redimensionamento em baixa daindústria têxtil e do vestuário em Portugal e a venda de teares alemães para as4 “Avanço para Leste” é uma referência ao sonho nacionalista alemão criado no século XIX e adoptadopor Hitler, de colonização de territórios eslavos, a Leste; nos tempos atuais e dado o domínio daAlemanha dentro da UE e da zona euro, em particular, pode falar-se de um Drang nach Suden , avançopara Sul.GRAZIA.TANTA@GMAIL.COM 25-2-2013 7
  8. 8. fábricas chinesas que, com o fim do acordo Multifibras em 2005, começaram avender livremente na Europa a sua produção.Os principais parceiros comerciais e o tipo de exportações e importações dosabaixo referidos quatro países incluidos nos PIIGS (para simplificar nãotomámos Chipre e Irlanda) são indicativos e revelam a importância da áreacomunitária para todos os países da UE. A contiguidade e a proximidadegeográfica são elementos de grande importância para essas relações eevidenciam a forte presença da Alemanha e da Holanda, para além da Chinacomo a principal referência extra-europeia. Espanha Exportações Destinos máquinas, automóveis, alimentos, França – 18.7%, Alemanha 10.7%, Portugal – fármacos, turismo 9.1%, Itália 9%, Inglaterra – 6.3% (2011) Importações Origens Máquinas e equipamentos, Alemanha – 12.6%, França – 11.5%, Itália – combustíveis, químicos, semi- 7.3%, China 6.8%, Holanda – 5.6%, Inglaterra – acabados, alimentos, bens de consumo 4.9% (2010) Grécia Exportações Destinos turismo, têxtil, produtos alimentares e Itália – 9.5% Alemanha - 7.9%, Turquia-7.9%, metálicos Chipre - 6.1%, Bulgária – 5.5%, (2011) Suiça - 5.4% Inglaterra - 5.3%, Bélgica - 5.1%, (2010), EUA - 5.2% (2011), China – 4.8% (2010) Importações Origens máquinas, equipamentos de Alemanha (10.6%), Itália (9.2%) Rússia (9.4%) transporte e produtos químicos e China (5.7%) Holanda (5.5%) França (5%) e Irão combustíveis (4.5%) (2011) Portugal Exportações Destinos máquinas, automóveis, alimentos, Espanha – 26.6%, Alemanha 13%, França – madeira e cortiça, têxtil e calçado, 11.8%, Inglaterra – 5.5%, Angola – 5.2%, turismo Holanda – 3.8% Itália 3.8% (2010) Importações Origens Máquinas e equipamentos, Espanha – 31.2%, Alemanha – 13.9%, França – combustíveis, alimentos, bens de 7.3%, Itália – 5.7%, Holanda – 5.1%, Inglaterra – consumo 3.8% (2010) Itália Exportações Destinos máquinas, automóveis, turismo Alemanha 13.3%, França – 11.8%, EUA – 5.9% alimentos, eletrodomésticos têxtil e Espanha – 5.4%, Suiça – 5.4%, Inglaterra – 4.7%, calçado (2011) Importações Origens máquinas e equipamentos, Alemanha – 16.5%, França – 8.8%, China – 7.7% combustíveis, alimentos, químicos Holanda – 5.5%, Espanha – 4.7%, (2011) https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/geos e WikipediaA distribuição do comércio externo dos países comunitários (interno na UE ecom o espaço extra-comunitário), permite que se observe ser a Alemanha oprincipal país nos dois tipos de trocas e para os dois fluxos, de exportação eimportação. Por seu turno, aquele país, juntamente com a Holanda e a BélgicaGRAZIA.TANTA@GMAIL.COM 25-2-2013 8
  9. 9. têm uma responsabilidade no comércio comunitário muito para além da suarepresentatividade na população da UE, o mesmo sucedendo com a Irlanda,numa escala mais modesta. Todos os restantes países identificados no quadroseguinte apresentam uma situação inversa, com uma participação no comércioinferior ao seu peso populacional. Distribuição do comércio comunitário (orlas sul e ocidental) Comércio Intra-europeu Comércio extra-europeu População (2011) (2012) (%) Import. (%) Export. (%) Import. (%) Export. (%) UE 100 € 2737482 M € 2804798 M €1790770 M € 1686213 M Alemanha 16,3 20,9 22,4 18,5 27,8 Bélgica 2,2 8,3 8,8 6,1 6,2 Espanha 9,2 5,6 5,2 6,6 4,9 França 13,0 12,7 9,3 9,6 10,8 Grécia 2,3 0,8 0,4 1,4 0,9 Holanda 3,3 7,3 13,2 14,0 7,3 Inglaterra 12,4 8,6 6,5 15,6 10,9 Irlanda 0,9 1,2 1,9 0,9 2,2 Itália 12,1 7,9 7,5 10,0 10,7 Portugal 2,1 1,6 1,1 0,9 0,8 soma 73,6 74,9 76,3 83,6 82,5 Fonte: EurostatComo é sabido, o comércio externo sempre foi um instrumento privilegiadopelo capitalismo para proceder à acumulação; e, quando há conflitoscomerciais, de luta por mercados a guerra é sempre um recurso disponível paramudar a correlação dos protagonistas em jogo. A guerra tem sido praticadaquase sem interrupções mas, de modo localizado, uma vez que guerrasgeneralizadas serão forçosamente nucleares; e estas, para além de colocaremem causa a própria vida no planeta, dificilmente terão um vencedor, em termosestritamente militares.Dada a grande densidade das interligações económicas e políticas entre osvários estados; a omnipresença unificadora do sistema financeiro, a existênciaestruturante/desestruturante das multinacionais e do capital mafioso; apresença decisiva de órgãos plurinacionais que reproduzem a hierarquia dasnações; e a constituição de oligarquias políticas de caráter global - ainternacional socialista, o partido socialista europeu (PSE) ou o partido populareuropeu (PPE) - a submissão da maioria das nações e dos povos consegue-se,hoje, sem intervenções militares, sem a política da canhoneira. As guerras sãoessencialmente contra os povos - como sempre - e, pelas razões apontadas,podem ser conduzidas por outros meios que não os militares, como diriaClausewitz.GRAZIA.TANTA@GMAIL.COM 25-2-2013 9
  10. 10. Na bem urdida hierarquia comunitária - e melhor executada - não é certamentecoincidência que os países mais pobres ou com mais dificuldades de“ajustamento estrutural” à constante re-hierarquização sejam aqueles em que aparcela da população comunitária é claramente superior ao seu peso nocomércio global. E, como sabemos, não se pode pensar que exista neles umelevado grau de auto-suficiência de base nacional, que os faça reduzir o pesodas relações exteriores e manter elevados coeficientes de felicidade.Observe-se que os quatro principais países, especificamente da orla sul –Espanha, Grécia, Itália e Portugal – representam mais de um quarto dapopulação da UE (25.7%) e respondem apenas por 17.3% da exportaçãocomunitária para o espaço exterior. A Alemanha apresenta proporções próximasmas, invertidas – 16.3% da população e 27.8% das exportações para o exterior.Se se considerarem os países ibéricos e a Grécia, essa subalternidade é aindamais pronunciada e mostra a sua periferização – 13.6% da população somentecontribui com 6.6% para a exportação com destinos extra-comunitários. Os trêsúltimos países, em conjunto, com o dobro da população da Holanda, têm umaparticipação na exportação comunitária para o exterior inferior à neerlandesa.Há pois, uma subalternização do sul da Europa na participação do comércioexterior da UE, na participação nos lucros da globalização neoliberal – por isso,habitualmente, dita de excludente – um processo de empobrecimentogeneralizado, de redução de direitos humanos e laborais, que torne atraentesos resultados da fria análise custo-benefício praticada pelos governos, comprogramas (ou folhas de excel…) oferecidos pelo sistema financeiro.Estas desigualdades melhor se observam através do sentido e do volume dossaldos das balanças correntes (entre exportações e importações de bens,serviços e entradas ou saídas de rendimentos e transferências). A formação deexcedentes comerciais num país é um indicador de capacidades deinvestimento, mormente no exterior, de acumulação consolidada de capitais nosistema financeiro e de equilíbrio financeiro do conjunto das empresasinstaladas nesse país.A avaliação dos saldos acumulados desde 2002 (ano da adopção do euro)revela uma clara partição entre os principais países do euro e, portanto, quetodas as políticas de criação de coesão entre os países nunca passaram deilusão e propaganda. E demonstra que os fundos de coesão e outras políticascomunitárias mais não foram que o pagamento efetuado aos mandarins locais(do Sul) para executarem o mandato que lhes é conferido. Outra parte dessepagamento é efetuado, no caso português, em “géneros” como a tolerânciaface ao não funcionamento do sistema judiciário que facilita e encobre acorrupção; embora todos digam que o sistema de justiça é um entrave aoinvestimento, à concorrência… Balança corrente (M euros) Soma 2002-2012 (set) Saldos positivos Saldos negativos Alemanha 1.336.079 Espanha -611.758GRAZIA.TANTA@GMAIL.COM 25-2-2013 10
  11. 11. Holanda 403.504 Itália -266.534 Áustria 73.947 Grécia -210.543 Finlândia 53.097 França -169.495 Bélgica 38.901 Portugal -156.035 Irlanda -29.408 Total 1.905.528 Total -1.443.773 Fonte: EurostatO mesmo indicador - saldo acumulado da balança corrente - calculado paraalguns países e para o periodo 1991-2001, lapso de tempo imediatamenteanterior à adopção do euro, revela dados interessantes (M euros): Alemanha (-) 197446 Holanda (+) 144602 Espanha (-) 121128 Grécia (-) 42886 Itália (+) 94073 Portugal (1993/2001) (-) 56148 Fonte: EurostatA Alemanha que vinha acarretando com um deficit, passou a ter saldo positivono século XXI, para o qual terá contribuido a política de perda de poder decompra pelos trabalhadores alemães. A Holanda triplica os seus proventosenquanto a Itália troca um saldo positivo por outro, muito superior mas, desinal contrário. Por seu turno, a Espanha e a Grécia quintuplicam os seus deficitsda balança corrente.No caso português, - não há compatibilidade total de séries estatísticas - para operiodo 1993/2001, o tradicional deficit é bastante inferior ao da décadaseguinte, revelando o aumento do desequilíbrio externo, resultante de ummodelo económico assente na construção/imobiliário, atividade direta eindiretamente (famílias) financiada pelo crédito bancário externo que alimentouos bancos portugueses.Esse modelo foi temporariamente beneficiário de uma moeda forte e jurosbaixos; e, não tendo o país grandes atrativos para a fixação de capitaisestrangeiros na produção de bens transacionáveis no exterior; não tendo umempresariato autóctone minimamente capaz5; suportando uma classe políticacorrupta e culturalmente6 indigente e nem sequer um movimento sindicalagressivo, o desastre era previsível.O gráfico seguinte demonstra, em Portugal, um gradual agravamento dasituação até 2001, um recuo nos dois anos seguintes (já com o euro) e depoisum forte crescimento até 2008 a que se segue, nos dois últimos anos, umagrande quebra, como consequência da estratégia de empobrecimentoextensivo e acelerado da população, dimanado da troika e do capital financeiro.5 http://www.scribd.com/doc/22311099/Empresarios-portugueses-incapazes-inuteis-nocivos-e-batoteiros6 http://pt.scribd.com/doc/15634632/O-sistema-partidario-portuguesGRAZIA.TANTA@GMAIL.COM 25-2-2013 11
  12. 12. A adopção da moeda única não evidencia uma relação direta com a degradaçãodas contas externas; estas, nos últimos anos, na sequência da estagnaçãoeconómica e do empobrecimento refletem sobretudo, a queda dasimportações. Portugal - Saldo da balança corrente (€ M) 1.000 0 -1.000 (set) 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 -2.000 -3.000 -4.000 2012 -5.000 -6.000 -7.000 -8.000 -9.000 -10.000 -11.000 -12.000 -13.000 -14.000 -15.000 -16.000 -17.000 -18.000 -19.000 -20.000 -21.000 -22.000 Fonte: Eurostat5 – O modelo educativo é um efeito da subalternidade lusitanaO maior poder económico dos países do norte da Europa, a sua estruturaprodutiva mais capitalizada e tecnológica, apostada em bens e serviços demaior valor acrescentado tem exigido, há mais de um século, trabalhadoresmais qualificados e susceptíveis e maior produtividade. No mesmo sentidoBismarck criou um primórdio de segurança social, ainda nos finais do séculoXIX.Adequadamente, o perfil educacional dos povos do sul da Europa, mostra-semenos rico, refletindo, em geral, as menores exigências da sua especializaçãoeconómica, as necessidades dos seus capitalistas, os seus respetivos lugares nahierarquia europeia. Por isso, os fundos comunitários tiveram uma particularincidência no betão, em estradas e auto-estradas, na rede capilar da circulaçãodas mercadorias e menos com verdadeiras reformas estruturais, como porexemplo, o sistema judicial ou o sistema educativo. A integração europeiasempre contemplou, essencialmente, um processo de especialização económicae de geração de suseranias e subalternidades.Tenhamos presente que a compra das principais empresas com sede emPortugal por capitais estrangeiros, gera dois mundos, que confluem para umamesma realidade. Esses capitais externos inserem a produção feita em Portugal,em lógicas mais globais – ibéricas, europeias ou mundiais – onde o preço doGRAZIA.TANTA@GMAIL.COM 25-2-2013 12
  13. 13. trabalho é determinante. Por seu turno, a vasta paleta de pequenas, médias enano empresas - que carateriza o tecido empresarial português de raiz - poucoprovidas de tecnologias, capacidade de gestão, vocacionadas para umminguante mercado interno estarão em condições técnicas e subjetivas derequerer trabalhadores mais qualificados? A sua falência é sem duvida umelemento que contribui para o elevado desemprego.O sector imobiliário não é um indutor de emprego, nem exige um vastonúmero de altas qualificações. O turismo também não. O “tecnológico” negóciodo trabalho temporário, bem como o das limpezas e da segurança privadabaseia-se em altas qualificações ou, pelo contrário, desvalorizam essasqualificações através de um nivelamento por baixo de precárias remunerações?O comércio, sobretudo de retalho é muito exigente de gente qualificada? Osignóbeis “call-centers” exigem gente qualificada mas, a paga é inferior à de umservente na construção civil, em trabalho informal, para igual precariedade. Há um desequilíbrio entre a realidade e a dinâmica do capitalismo em Portugal por um lado; e, as subjetividades da faixa populacional que tem hoje 25/40 anos, bem como a da geração dos seus pais, décadas atrás.Na tradição portuguesa de forte iliteracia, a posse de uma licenciaturaconstituiu, durante décadas, não somente uma garantia de emprego(tendencialmente para toda a vida) como ainda de acesso a um rendimento queincluiria o licenciado numa classe média, pelo menos inferior. O acesso à funçãopública (ensino, saúde, ao restante aparelho de estado ou, o ingresso numagrande empresa, constituia um quadro tranquilizador de vida.O início da chegada dos fundos comunitários, teve impactos diretos e indiretosna subjetividade da geração de quantos eram adultos jovens quando o fascismose finou. E, decididamente, transportaram aquele modelo cultural para os seusfilhos, para a atual geração da precariedade, todos os que têm agora entre 25 e40 anos. A melhoria dos rendimentos, o acesso a casa própria, a automóvel etoda a panóplia de aparelhos de uso doméstico ou pessoal, era mais do quesuficiente para a colocação dos filhos na universidade; e o surgimento do“mercado das propinas”, da mercantilização do ensino superior, mormenteprivado, parecia abrir portas a toda a gente. E a propaganda do partido-estadoanunciava o nascimento de mais um milagre económico, o tigre lusitano emesforçada perseguição do seu irmão celta.Não era, em meados dos anos 70 previsível que o neoliberalismo - mal se falavade Milton Friedman, apesar da primeira experiência neoliberal no Chile dePinochet - originasse 30 anos depois, desemprego em massa, despedimentosvulgarizados, cortes e mais cortes em salários, pensões, direitos e um regimepolítico tão alérgico ao bemestar da grande maioria da população.Também não era imaginável que voltasse uma emigração aos níveis dos últimosanos do fascismo, com uma agravante – engloba muitos dos qualificados filhosdos adultos jovens que viveram o 25 de Abril, muitos dos quais estão, elespróprios, condenados a um definitivo desemprego. Ninguém pensaria que osGRAZIA.TANTA@GMAIL.COM 25-2-2013 13
  14. 14. filhos, quando crescessem tivessem de regressar, com cônjuges e rebentos, acasa dos pais e repartir com eles as suas reformas, pouco nutridas, sequelas deum Estado social que pouco ultrapassou o nível da miragem, em Portugal.Todos se terão esquecido, pelas razões apontadas, entre outras, que ashierarquias do capitalismo são móveis. Essa mobilidade destruiu toda ahistórica e deficiente estrutura produtiva portuguesa, não criou riqueza mas,alguns ricos e obriga portugueses hoje, a fazerem as malas para Angola, quasequarenta anos depois de lá terem saído, também cabisbaixos, à procura de umlugar que já não havia em África.O novo patamar de Portugal no seio da Europa - claramente dirigida de Berlim- não subscreveu o sonho dos jovens adultos que viveram o 25 de Abril e recusaum futuro para os seus filhos, mesmo com títulos universitários; friamente, oneoliberalismo escolhe alguns, que tenderá uns, a integrar nas metrópoles docapital e outros, a quem relegará para a arrumação de quartos na hotelariasuiça, ou entregará aos cuidados de engajadores de mão de obra semi-escrava.Convém esclarecer que não subscrevemos qualquer ideia de que o estudo, oconhecimento sejam ferramentas despiciendas; jamais, em qualquercircunstância se deve deixar de pensar, interpretar, avaliar, debater, agir.Decididamente, houve uma geração que foi enganada pelas promessas de “umaEuropa conosco” e uma outra, que nem teve a oportunidade de ser enganada,pois abriu os olhos já com o engano consumado.Urge a construção, pelos portugueses, de uma nova subjetividade, maisadequada a um empobrecimento e envelhecimento acelerados que só poderáser evitado no âmbito de um processo de ruptura com o paradigma económico,com um sistema político putrefacto e um modelo de representação excludentee infantilizante. (continua)- -- - - - - -- -- - Este e outros textos em: http://grazia-tanta.blogspot.com/ http://pt.scribd.com/people/documents/2821310?page=1 http://www.slideshare.net/durgarrai/documentsGRAZIA.TANTA@GMAIL.COM 25-2-2013 14

×