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  1. 1. 0 que são técnica e tecnologia? porque os produtos são feitos por máquinas em série, Chama-se técnica qualquer instrumento (ou sendo todos iguais. Assim, a Revolução Industrial foi oconhecimento) que implica uma demonstração de momento em que a humanidade -ou melhor, algunsinteligência humana, uma forma de inventar um método países e regiões específicos - se industrializou, isto é,ou um objeto que facilite algum trabalho ou que sirva implantou a indústria moderna, com intensapara controlar as forças da natureza de alguma maneira. mecanização e produção massificada ou em série. A tecnologia é vista como uma técnica avançada, A industrialização pode ser dividida em diferentes tiposresultado da aplicação do conhecimento científico, da ou modelos e, principalmente, em três etapas. Do pontociência moderna que nasceu — ou se consolidou — nos de vista político-econômico, podemos dizer que houveséculos XVII e XVIII e prossegue até os nossos dias. três modelos de industrialização: a clássica ou original, aAssim, o arco e a flecha, a espada e o escudo, etc, planificada e a tardia, periférica ou retardatária. Do pontoutilizados pelos agrupamentos humanos durante de vista da complexidade tecnológica e do transcorrerséculos ou milénios, são considerados técnicas. O do tempo, ela pode ser dividida em três etapas ou fases:computador, o avião moderno, o foguete espacial, a a Primeira, a Segunda e a Terceira Revolução Industrial.bomba atómica, o robô e a fibra óptica, entre outros Vamos examinar, resumidamente, cada um dessesinstrumentos ou aparelhos, são considerados modelos e etapas.tecnologias. Toda tecnologia é uma técnica, mas o ■ Industrialização clássica ou originalinverso não é verdadeiro. A industrialização clássica ou original de uma forma Também ideias ou teorias, elementos não materiais, geral foi típica dos países desenvolvidos, o atualenfim, podem ser considerados tecnologias: um software Primeiro Mundo. Como o próprio nome diz, foi aou programa para computador, um novo método primeira, a original, bem anterior às demais.administrativo mais racional e produtivo, o Começou na Inglaterra, em meados do século XVIII,mapeamento genético de uma planta ou animal, etc. Em e, no século XIX, espalhou-se para outros países dasuma, tecnologia é uma técnica especial e moderna, Europa e de outros continentes (Estados Unidos, Japão).resultante da aplicação do conhecimento científico, é Esses países pioneiros na revolução industrial formaramtodo produto científico (ideias ou coisas materiais) que as primeiras "sociedades de consumo" do planeta, ostem aplicação prática para a humanidade, geralmente países afluentes ou desenvolvidos. Daí oligada ao avanço das conquistas humanas sobre a desenvolvimento económico durante muito tempo,natureza, até mesmo sobre a nossa própria natureza desde meados do século XVIII, ter sido considerado(para se viver mais, para curar doenças antes incuráveis, sinónimo de industrialização.etc). Hoje em dia se valorizam mais outros elementos, É evidente que, quanto maior for o grau de principalmente o desenvolvimento social (padrão oudesenvolvimento tecnológico de uma sociedade, maior qualidade de vida de uma população), mas não háserá o seu nível de independência ou autonomia dúvidas de que a industrialização constitui o alicerce(embora nunca total) em relação aos elementos da que permite uma elevação na qualidade de vida: maiornatureza. Esse grau varia muito no tempo e no espaço. produção económica e energética e, consequentemente,As sociedades atuais, notadamente após a Revolução mais escolas e hospitais, mais alimentos, maisIndustrial, via de regra possuem técnicas bem mais residências, maior quantidade de equipamentos deavançadas que as sociedades do passado e, dessa lazer, etc.maneira, modificam a natureza original num grau bem Origens: do feudalismo ao capitalismomaior. As origens da industrialização clássica são praticamente as mesmas do capitalismo, sistemaA industrialização da humanidade socioeconómico baseado numa economia de mercado e A atividade industrial é a que mais profundamente numa sociedade de classes. Por economia de mercadomodifica o espaço geográfico. Ela incentiva a geração de devemos entender a situação em que predominam astecnologia, produz novas máquinas, aumenta o empresas particulares e o mercado desempenha o papelconsumo de energia, amplia as trocas entre as regiões e principal nas decisões económicas. Tais decisões sãoos países, desenvolvendo, assim, o comércio e os meios tomadas pelos donos das empresas privadas (osde transporte. capitalistas ou burgueses) ou então — como é mais Antes da indústria moderna, que nasceu em meados comum nos dias de hoje, com o predomínio dasdo século XVIII, havia somente o artesanato e a sociedades anónimas (com milhares de acionistas) —manufatura1. A indústria moderna, que no início era por seus representantes (diretores e administradores). Oidentificada com a fábrica e as suas chaminés (hoje não objetivo principal da empresa capitalista é a busca demais, pois falamos também em "indústrias, ou fábricas, lucros.sem chaminés", como nas indústrias produtoras de O capitalismo, embora tenha começado timidamentesoftwares), consiste numa produção em massa e nos séculos XV e XVI, só se tornou o sistema dominantepadronizada. Em massa porque produz com o uso de e atingiu o seu estágio pleno com a Revolução Industrialmodernas máquinas, que fabricam milhares de produtos e a urbanização que a acompanhou. Esse sistemanum tempo curto. E estandardizada ou padronizada socioeconómico só existe de fato — capitalismo pleno — com a indústria moderna e com a sociedade urbanizada. Unidade II I 1 I Qeoeconomia
  2. 2. O período que vai do século XVI ao XVIII pode ser A partir do final dos anos 1980, quase todas asconsiderado uma etapa primitiva do capitalismo (o economias planificadas se tornaram, em maior ou menorcapitalismo comercial), mas não ainda o capitalismo grau, economias de mercado. Esse tipo de economiaplenamente desenvolvido. O capitalismo, como mostra o existiu durante várias décadas do século XX, em váriosestudo da história, surgiu após o feudalismo, sistema países — a ex-União Soviética, a Polónia, a antigasocioeconómico predominante na Europa durante a Alemanha Oriental, a Hungria, etc. —, e produziu umIdade Média (século V ao XV). A transição do tipo específico de industrialização, a planificada.feudalismo para o capitalismo pleno, tendo como etapa Essa industrialização consistiu num notável esforçofundamental a Revolução Industrial, foi um processo para ampliar os estabelecimentos industriais, com umlongo, que durou vários séculos. Esse processo amplo predomínio das empresas estatais e a ênfase nassignificou não somente uma mudança de sistema indústrias pesadas ou de meios de produçãosocioeconómico, mas também, como vimos, uma nova (siderúrgica, metalúrgica, petroquímica, de cimento emaneira de encarar o espaço e de agir sobre ele, o início outras). Ela foi importante para o avanço industrial dosde uma verdadeira produção do espaço. países que adotavam economias planificadas.Com o desenvolvimento do comércio e o crescimentourbano causado pelas constantes fugas dos camponeses ■ Industrialização tardia, periférica oudos feudos para as cidades a partir do século XI, houve retardatáriaum progressivo enfraquecimento do feudalismo. Isso Essa forma de industrialização é a que nos interessaporque tal sistema socioeconómico fundamentava-se mais de perto por ter ocorrido no Brasil. Trata-se de umanuma economia natural, com base na agricultura e na qual industrialização que, como o nome sugere, foicada feudo produzia tudo aquilo de que necessitava, historicamente atrasada em relação à original e ocorreuhavendo pouco comércio. Com a expansão do comércio, em muitos países subdesenvolvidos, o chamado Terceiroa economia de mercado (de trocas) aos poucos ocupou o Mundo, ou Sul geoeconômico. Foi mais comum nolugar da economia natural. Esse processo foi século XX, embora, em alguns casos, tenha se iniciado deacompanhado pelo surgimento de uma nova classe, a forma tímida no fim do século XIX.burguesia, que se tornou cada vez mais poderosa. Ela difere dos outros dois tipos por várias razões. A sociedade feudal era dividida em duas principais Entre elas, menciona-se que:classes: os servos — camponeses, que trabalhavam em > geralmente, é feita com uma grande participação detroca de proteção e do uso em proveito próprio de uma capitais estrangeiros, ao contrário das outras duas (aporção de terras do feudo; e os senhores feudais — a classe clássica e a planificada), nas quais predominam osdominante, proprietária dos feudos. capitais nacionais; Com a expansão do comércio e, a partir do século > tem por base um maior desenvolvimento das in-XV, com a manufatura, desenvolveu-se uma nova dústrias de bens de consumo, diferentemente darelação de trabalho, diferente da relação servil: a relação industrialização planificada, em que predominam asassalariada. Nessa relação, os camponeses que fugiram indústrias de base, e da clássica, que é caracterizada porpara as cidades trabalhavam para os burgueses em troca um desenvolvimento equilibrado entre esses dois tiposde um salário, passando assim a ser proletários e não de indústria;mais servos. > utiliza basicamente tecnologia estrangeira, ao contrário dos outros dois tipos de industrialização, que■ Industrialização planificada criam ou adaptam as tecnologias em função de suas A industrialização planificada ocorreu somente no realidades.século XX, no antigo Segundo Mundo, isto é, os países Quanto à diferença entre Primeira, Segunda edenominados socialistas e que adotavam economias Terceira Revolução Industrial, pode-se afirmar que cadaplanificadas. uma assinalou um momento de desenvolvimento A economia planificada, que praticamente não existe tecnológico.mais nos dias de hoje, consistiu numa tentativa de ■ Primeira Revolução Industrialsuperar a economia capitalista ou de mercado. Numa A Primeira Revolução Industrial, feita com baseseconomia planificada, os meios de produção (fábricas, técnicas mais simples (máquina a vapor, carvão comobancos, fazendas, empresas de seguros ou de finanças, principal fonte de energia, força de trabalho nãoetc.) são estatais e, no lugar do mercado, o que norteia a especializada nem qualificada), ocorreu até o fim doprodução e os preços são os planos. Estes, que podem século XIX. Caracterizou-se pelo fato de o Reino Unidoser anuais ou plurianuais (geralmente quinquenais), são (Inglaterra) ter sido a grande potência mundial - eelaborados por órgãos técnicos — embora sempre exista principal exemplo de industrialização - e as indústriasuma evidente influência política — ou setores estatais têxteis, o se-tor de vanguarda.encarregados de fixar metas (quanto se vai produzir ■ Segunda Revolução Industrialneste ou naquele setor durante certo tempo, onde A Segunda Revolução Industrial exigiu uma basecomprar matérias-primas, a que preços vender, etc). Ou técnica mais complexa (refino do petróleo, que se tornouseja, a economia planificada é mais centralizada que a a principal fonte de energia do século XX, máquinas eeconomia de mercado, em que cada empresa planeja a motores mais sofisticados e movidos a energia elétrica,sua atividade, faz os seus planos para o futuro. mão de obra especializada) e predominou do fim do Unidade II I 2 I Qeoeconomia
  3. 3. século XIX até meados dos anos 1970. Ela se prolonga em alguns Estados: Coreia do Sul, Taiwan, Cingapura eaté os nossos dias, uma vez que uma imensa parte do Hong Kong (hoje reincorporado à China).globo ainda não ingressou, de fato, na Terceira A lógica do fordismo consiste na seguinte ideia: paraRevolução Industrial e, ao mesmo tempo, existem produzir em massa é necessário que existamdiversos países subdesenvolvidos - em especial na consumidores para comprar toda essa produção (deÁfrica e no sul e sudeste da Ásia - que nem sequer automóveis, por exemplo, o grande símbolo doconsolidaram o estágio da Segunda Revolução fordismo). Ora, para isso, torna-se necessário um imensoIndustrial. mercado consumidor, e a maioria da população de Os Estados Unidos foram a grande potência qualquer país é constituída pelos trabalhadores; logo, éeconómica e o principal modelo de industrialização preciso pagar bem aos trabalhadores para que elesdessa fase ou estágio da Revolução Industrial, possam comprar, possam consumir em grandescaracterizada ainda pelo predomínio da indústria quantidades, o que aumenta a produção e os lucros.automobilística e outras indústrias a ela ligadas Ao contrário do taylorismo, que se preocupava mais(petroquímica, siderúrgica, metalúrgica, etc). com a máxima utilização do tempo de trabalho do operário, o fordismo se preocupa também com o tempo Taylorismo e fordismo livre e, principalmente, com o consumo. Não se trata Dentro da Segunda Revolução Industrial dois apenas de trabalhar mais intensamente, como noaspectos ou processos se destacam, ambos típicos do taylorismo, e sim de trabalhar menos, com maiorséculo XX: o taylorismo e, especialmente, o fordismo. especialização e produtividade, e consumir mais. A O taylorismo, organização do trabalho sistematizada generalização do fordismo, dessa forma, foi um dospelo engenheiro estadunidense Frederich W Taylor por fatores que ajudaram na melhoria dos padrões de vidavolta de 1900, consiste na rígida separação do trabalho dos países desenvolvidos no século XX.por tarefas e níveis hierárquicos (executivos e operários).Existe um controle sobre o tempo gasto em cada tarefa e ■ Terceira Revolução Industrial ou revoluçãoum constante esforço de racionalização, para que a técnico-científicatarefa seja executada num tempo mínimo. O tempo de A Terceira Revolução Industrial, também de-cada trabalhador passa a ser vigiado e cronometrado, e nominada revolução técnico-científica, encontra-se emaqueles que produzem mais em menos tempo recebem andamento desde meados dos anos 1970 e deveráprémios como incentivo; com o tempo, todos serão desenvolver-se mais plenamente no transcorrer doobrigados a produzir num tempo mínimo certa século XXI. Ela se iniciou tanto nos Estados Unidos,quantidade de peças ou produtos. O taylorismo sobretudo na Califórnia (informática, telecomunicações),aumenta a produtividade da fábrica e a exploração do como no Japão (robótica, microeletrônica) e na Europatrabalhador, que passa a produzir mais em menos ocidental, em particular na Alemanha (biotecnologia,tempo. química fina). É marcada pelo predomínio de indústrias Como complemento do taylorismo, surgiu na década altamente sofisticadas, como as mencionadas, e quede 1920 o fordismo, termo que vem do nome do exigem muita tecnologia e maior qualificação da forçaindustrial estadunidense Henry Ford, um pioneiro da de trabalho.indústria automobilística no início do século passado. Na Segunda e, principalmente, na Primeira Re-Esse processo consiste num conjunto de métodos volução Industrial, a procura por mão de obra barata evoltados para produzir em massa, em quantidades sem qualificação era imensa, assim como tinham muitanunca vistas anteriormente. Ele absorve algumas importância as matérias-primas em geral.técnicas do taylorismo e vai além: trata de organizar a Agora, com o avanço da revolução técnico-científica,linha de montagem de cada fábrica para produzir mais, diminui a procura por força de trabalho poucocontrolando melhor as fontes de matérias-primas e de qualificada, que pode ser substituída por robôs, eenergia, a formação da mão de obra, os transportes, o também ocorre uma desvalorização das matérias-primasaperfeiçoamento das máquinas para ampliar a produ- em geral, pelo menos da imensa maioria delas (minérios,ção, etc. O fordismo buscava ampliar a produção e o produtos agrícolas, etc).consumo. Seu grande lema era "produção em massa e Isso porque aumenta constantemente a reciclagem deconsumo em massa". produtos, e as indústrias de novos materiais criam novasO fordismo marcou a supremacia industrial dos Estados matérias-primas (novas ligas metálicas, novos materiaisUnidos no século XX e foi adotado em praticamente para gravação de som e imagem, para a fuselagem detodos os países desenvolvidos. Nos demais países, aviões, para os automóveis, etc), que utilizam produtoshouve — ou em alguns casos, ainda há — um fordismo mais abundantes e baratos.parcial, localizado apenas em algumas áreas ou setores O importante passa a ser a tecnologia e, conse-económicos específicos e atingindo somente uma quentemente, as pesquisas científicas e tecnológicas.pequena parcela da população. Dessa forma, nos países Metais raros são substituídos por outros maisperiféricos ou subdesenvolvidos, como regra geral não abundantes, produzem-se novas variedades de géneroshouve a completa generalização do fordismo, princi- agrícolas e desenvolvem-se fontes de energia empalmente no seu aspecto social — o consumo em massa, laboratórios, entre tantas outras inovações.que pressupõe um bom poder aquisitivo para a imensa Desse modo, em termos relativos diminui a im-maioria da população —, a não ser no fim do século XX portância da natureza - isto é, o tamanho do território de Unidade II I 3 I Qeoeconomia
  4. 4. um país, os seus recursos naturais em geral - e aumenta necessidades do consumidor, fabricando somente oo valor da ciência e da tecnologia com o seu alicerce ou a necessário e com grande controle de qualidade. Parasua base, que é a educação. Em outras palavras, comparar, podemos lembrar que as indústrias Ford,aumenta muito o valor dos chamados "recursos quando foram para o Reino Unido nas primeirashumanos" ou, como afirmam alguns autores, do "poder décadas do século XX, passaram a fabricar automóveiscerebral": novas ideias e técnicas, funcionários exatamente iguais aos dos Estados Unidos, até mesmoqualificados e com maior escolaridade, etc. com o volante do lado esquerdo (os ingleses preferem A Terceira Revolução Industrial utiliza muito mais a do lado direito), tal a necessidade de massificação.ciência e a tecnologia do que as duas anteriores. É por As empresas japonesas nas décadas de 1970 e 1980, eesse motivo que se fala em "revolução técnico-científica" hoje até as estadunidenses e as europeias, já fabricavampara designá-la. carros e outros bens personalizados, ou seja, ao gosto deNo decorrer da História, a humanidade sempre criou e cada cliente ou consumidor, com detalhes e diferençasutilizou recursos técnicos - basta lembrar o controle do que o fordismo jamais levou em consideração. Com essafogo, a invenção da roda, a domesticação de animais e mudança, o desperdício diminui e também a relaçãoplantas há milhares de anos, etc. Mas a regra geral era produção-consumo passa a ser mais igualitária, com in-que, primeiro, se conhecesse algo na prática e, depois, fluências recíprocas.viesse a teoria, isto é, a ciência. Nas últimas décadas, isso Mas essa mudança precisa de outra, que lhe émudou: os novos setores de ponta em tecnologia e na complementar: a substituição da linha de montagem (naindústria representam aplicações de conhecimentos qual cada objeto é produzido de forma idêntica aoscientíficos - da microfísica, da ecologia, de teorias demais, com controle de tempo sobre cada trabalhador)avançadas da matemática, da genética, etc. -, que, no por uma produção mais flexível. Isso é facilitado pelainício, foram considerados "inúteis", ou seja, informática, pela robo-tização e pelo uso de uma forçaconhecimento puro e sem aplicação. Além disso, a de trabalho mais qualificada, que substitui a mão deimportância da ciência e da tecnologia avançada mudou obra técnica e repetitiva predominante no fordismo.radicalmente. Em vez de serem apenas um elemento a Na Segunda Revolução Industrial, a força de trabalhomais, até mesmo dispensá vel, como ocorria em geral era especializada - não no sentido deanteriormente, elas passaram a ser elementos centrais, qualificação ou estudos, e sim no de fazer uma sóaqueles que comandam o ritmo e os rumos das atividade - e mecânica, com atividades repetitivas. Pormudanças. isso, eram necessários horários rígidos, com controle sobre o uso do tempo de cada funcionário. Hoje ocorre Do fordismo à produção flexível uma mudança. Com a Terceira Revolução Industrial, as A Terceira Revolução Industrial representa também atividades se tornam mais criativas e exigem maisuma progressiva mudança nos métodos de produção e qualificação, mas, ao mesmo tempo, o horário já não éde trabalho, no consumo, nas relações entre as empresas tão importante. Mais da metade dos trabalhadores nose seus funcionários e entre as empresas e os Estados Unidos, por exemplo, já tem um horárioconsumidores. É a passagem do fordismo para o pós- flexível. Eles devem trabalhar seis ou sete horas por dia,fordismo, também conhecido como produção flexível. O mas podem começar às 8 ou às 11 horas; se começarem aJapão foi o grande exemplo dessa nova organização jornada mais cedo, terminarão antes, caso contráriocapitalista, seguido pela Alemanha e por outros países. ficarão até mais tarde. O controle do ponto, do horário,Mas, desde os anos 1990, praticamente todas as já perdeu importância para a qualidade do trabalho.economias desenvolvidas, inclusive a estadunidense Com isso, a influência dos funcionários aumenta,(que até os anos 1980 criticava o "modelo aponês"), vêm, apesar de diminuir a necessidade da força de trabalho.em maior ou menor grau, imitando ou adaptando Precisa-se a cada dia de menos trabalhadores, porémalguns métodos japoneses e se modernizaram. mais qualificados e importantíssimos para oO fordismo, como vimos, implica produção em massa, funcionamento da produção flexível. A mão de obrautilizando a linha de montagem e a padronização dos criativa substitui aos poucos a força de trabalho técnica.bens ou serviços, além de consuni de massa. Para tanto, Por esse motivo, esses funcionários qualificados passamexiste uma prioridade da produção, da empresa, sobre o a ser essenciais numa empresa moderna, maisconsumidor, visto somente pelo seu poder de compra a importantes que as matérias-primas ou as fontes defunção da publicidade é massificar, é fazer as pessoas energia.desejarem alguma coisa, mesmo que não rrecisem delanesse método existe uma imensa produção e ao mesmo ■ Novas regiões industriais ou tecnopolostempo, um grande desperdício: pois se produz em Por causa da importância da ciência e da tecnologia,enormes quantidades, sem preocupações com a hoje as novas regiões industriais, aquelas de tecnologiaqualidade das merciorias; depois se vende ou se tenta de ponta ou de vanguarda, não se localizam mais nasvender . Nos custos de produção já se embute o áreas onde existem matérias-primas (carvão, minérios),desperdício (artigos defeituosos em grande quantidade, como ocorria nas velhas regiões industriais. Elas seobjetos que não encontram compradores, o que encontram principalmente nas proximidades deencarece os produtos. importantes centros de pesquisa e de ensinoPara amenizar esse problema está se introduzindo o just- universitário.in-tíme, um método de produção que parte das Unidade II I 4 I Qeoeconomia
  5. 5. Algumas vezes, existe uma coincidência entre asvelhas e as novas regiões industriais, ou umacontinuação delas, tais como os casos de Paris, Londres,Tóquio ou Milão, mas o importante não é mais aexistência de recursos naturais nem mesmo o mercadoconsumidor local, e sim as universidades e institutos depesquisas que existem nessas áreas. Há inúmeros exemplos dessas novas regiõesindustriais de ponta, que reúnem centros produtores detecnologia e indústrias de informações oubiotecnológicas. Alguns autores chamam essas novasregiões industriais da Terceira Revolução Industrial detecnopolos. O grande exemplo é o Vale do Silício (SiliconValley), a 48 km ao sul de São Francisco, no condado deSanta Clara, entre Palo Alto (onde está a Universidadede Stan-ford, considerada a iniciadora e impulsionadoradesse polo tecnológico) e San José, na costa oeste dosEstados Unidos. Outros exemplos importantes de tecnopolos são: achamada Route 128, perto de Boston e do InstitutoTecnológico de Massachusetts, no nordeste dos EstadosUnidos; a região de Tóquio, no Japão; a região Paris-Sud, no sul de Paris, França; o chamado Corredor M4,ao redor de Londres, Reino Unido; a região de Milão, naItália; as regiões de Berlim e do Vale do Neckar (onde seencontram a Universidade de Heidelberg e o InstitutoMax Plank de biotecnologia), na Alemanha. A ciência e a tecnologia se desenvolvem princi-palmente em universidades e institutos de pesquisas,que são muito comuns - e de óti-ma qualidade nessasregiões, onde há uma integração entre as indústrias dealta tecnologia e esses institutos e universidade. Unidade II I 5 I Qeoeconomia

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