com toqu         Matéria de CapaPecuária                         Além da paixão, o pulso firme na gestão é a principal    ...
ue feminino                                                                                                        “Com ci...
Matéria de Capa                                                                        Fotos: Divulgaçaõ ABHB             ...
ças adaptadas e pelo desenvolvimento do       te da Associação Brasileira dos Criadores                                   ...
Matéria Plantas         Especialde Capa Daninhas“Resolvemos testar, com o objetivo demelhorar ainda mais o nosso plantel. ...
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

Matéria de Capa_Ag do Criador_Março 2011

358 visualizações

Publicada em

Homenagem às mulheres da pecuária brasileira, sua força e amor pela criação de bovinos.

0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
358
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
2
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
3
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Matéria de Capa_Ag do Criador_Março 2011

  1. 1. com toqu Matéria de CapaPecuária Além da paixão, o pulso firme na gestão é a principal característica das mulheres na criação de bovinos Silvia PalharesA máxima “por trás de um grande cria se encaixa nisso. É maravilhoso ver ta garra, mas sem muita comunicação”. homem sempre existe uma grande a bezerrada nascer e crescer nos campos”, Pensando nisso, a criadora de Simental mulher” muitas vezes não se aplica comenta. Ela conta que foi ao inserir a va- relata que em 2010 um grupo, ainda pe-na pecuária nacional, mesmo sendo um cada no computador para melhorar con- queno, de mulheres pecuaristas formou oambiente habitualmente masculino. Não trole do rebanho que seu pai percebeu a Núcleo Feminino da Pecuária (NFA) comé por acaso que hoje é possível encontrar hora de transferir o gerenciamento da fa- o intuito de estudar e se aprofundar nagrandes mulheres à frente de projetos in- zenda para ela, mesmo sem ter nenhuma gestão das propriedades e futuros inves-críveis envolvendo as mais diversas raças especialização, uma vez que é formada timentos. “Considero um grande avançobovinas. E não é só na fazenda que elas em hotelaria, setor no qual atuou por 18 para nós, pois será uma oportunidade demostram a que vieram. Nas entidades de anos. trocarmos ideias e melhorarmos o relacio-classe, e até no governo, fazem brilhar a Essa identificação com a pecuária namento, uma vez que trabalhamos muitopaixão que têm pela atividade que esco- acaba sendo natural para todas elas, não sozinhas”.lheram para suas vidas profissionais. só pelo contato com os animais, mas Aliás, a opção pelo trabalho no cam- também pelo fato de que a criação é uma Superando barreiraSpo é um sentimento muito forte para a tendência inata. “A mulher entende mais, Para chegarem onde estão, entretanto,grande maioria delas. Pelo menos na opi- tem mais sensibilidade e isso tudo faz com essas personagens trabalharam duro, pornião da médica-veterinária Ice Cardetti que se envolva intensamente e goste da amor à atividade e também para ganharGarbellini, gerente técnica da Brazilian atividade”, comenta Alice Ferreira, cria- o respeito dos que as cercam. A come-Cattle Genetics, braço de exportação da dora e vice-presidente da Associação dos çar pela família, conta Ângela Linhares,Associação Brasileira dos Criadores de Criadores de Nelore do Brasil (ACNB), criadora de Brangus, membro atual e ex-Zebu (ABCZ), e juíza de raças zebuínas: acrescentando: “acho que é por isso que presidente do Conselho Técnico da Asso-“Acredito que estar na pecuária seja uma estão surgindo tantas mulheres ligadas à ciação Brasileira de Brangus (ABB). Elaescolha de vida. As pessoas nascem com pecuária. Elas veem florescer o instinto lembra que ao se formar em veterináriaesse dom. Desde que eu era muito peque- maternal, aquela coisa do belo, do melho- voltou para Uruguaiana/RS, cidade ondena já tinha certeza de que mexeria com ramento. Além do mais, são detalhistas e a família mantém a propriedade em quebovinos. Acho que deveria ter 5 ou 6 anos minuciosas, mais críticas e realistas que o foi criada, junto com o marido João Paulode idade quando me decidi por isso e nun- homem. Enxergam com mais profundi- Schneider da Silva (Kaju), com o objetivoca me vi senão trabalhando com o gado”. dade e quando trabalham na criação não de trabalhar na cabanha. “No início, meu O mesmo aconteceu à criadora de pensam em só um lado – o comercial, por pai não me deu muita abertura e acho atéSimental Rosalu Fladt Queiroz, segunda exemplo –, observam também o aspecto que duvidava um pouco por eu ser mulhervice-presidente do Núcleo Paulista da de criação, de criadora, do seu plantel. – não sei. Por isso, comecei lá trabalhandoAssociação Brasileira de Criadores das Olham com outros olhos, de querer me- com apicultura e mais tarde montei um la-Raças Simental e Simbrasil, quando assu- lhorar o ser. A mulher precisa ter a con- boratório em parceria com outra veteriná-miu a sua fazenda, situada na cidade de quista da melhora. É isso que ela mais en- ria para fazermos os exames de controleNantes, interior de São Paulo, em 1999. xerga. É a mãe melhorando seus filhos”. de verminose, principalmente em ovinos,“Já li em diversos lugares que a pecuária Rosalu complementa a visão de Alice já que tínhamos muitos. Com o tempoé apaixonante, e comigo não foi diferen- ao afirmar que a atuação das mulheres passei a me inteirar da área de pecuáriate. Trabalhar com a natureza nos ensina a no setor é imensa, “mas infelizmente não bovina e quando surgiu a oportunidade,pautar o tempo nas estações, respeitando aparece. Há centenas delas que tocam suas com o Sistema de Avaliação do Progra-as chuvas e os invernos e a pecuária de fazendas longe dos holofotes, com mui- ma Natura, e começarmos com o Bran-10 - MARÇO 2011
  2. 2. ue feminino “Com cinco anos já sabia Miguel Furtado que mexeria com pecuária”, relata Ice CardettiIceardett gus, me tornei a responsável pela raça na sociação Brasileira de Hereford e Braford mulher só acompanha. E vai mais fundo propriedade. Em 1993, passei a trabalhar (ABHB). Como sua família sempre atuou na questão ao afirmar que há algum tem- com todas as raças que tínhamos – Angus, no setor, após cursar a faculdade no Rio de po, na produção, dificilmente se chamaria Hereford e Braford, além do Brangus – e, Janeiro (RJ), decidiu retornar para Alegre- uma veterinária para prestar consultoria hoje, respondo pela seleção genética dos te (RS) e seguir o sonho de trabalhar com técnica, realizar uma cesariana, um ma- nossos animais.” grandes animais. Mas ressalta que não nejo. “Sempre se deu preferência ao ho- A trajetória de Angela para provar ao foi fácil. Ela acredita que ser mulher na mem, mas a mulher está mostrando que pai sua vontade e seu jeito de trabalhar pecuária é muito complicado, ainda mais é mais cuidadosa para algumas coisas, com pecuária de certa forma também faz quando se é veterinária, já que as pessoas tem mais controle, mais dedicação e mais parte da história da médica-veterinária ainda têm o conceito de que é o homem atenção. É claro que tive dificuldades na Thais Maria Bento Pires Lopa, atualmen- quem se envolve nas atividades diárias do minha profissão, principalmente quando te presidente do Conselho Técnico da As- campo, que é ele quem faz as coisas e a prestava serviços de consultoria, pois era REVISTA AG - 11
  3. 3. Matéria de Capa Fotos: Divulgaçaõ ABHB “Hoje estão aceitando mais as Para Alice Ferreira, “mulher mulheres na pecuária”, segundo tem mais sensibilidade e se Angela Linhares teve de provar Thais Lopa envolve mais intensamente” a capacidade para o pai inevitável falarem ‘Ah, como vou colo- leira de Angus (ABA), a maior dificulda- gratificante”. car uma mulher para fazer esse trabalho, de enfrentada nesses anos de dedicação à lidando com um monte de peão, dando pecuária sempre foi a distância, uma vez SuceSSo com orientação a eles? Vai ficar montando ca- que a estância fica em Uruguaiana (RS), muita batalha valo para fazer o manejo da propriedade?’ bem longe de Porto Alegre/RS, cidade O amor pela bovinocultura muitas ve- Mas de um tempo para cá isso mudou, es- onde cursou grande parte de sua vida aca- zes obrigou essas mulheres à superação tão aceitando mais. Tanto que na ABHB dêmica. Além disso, lembra, as exposi- extrema. Esse foi o caso de Maria Lúcia fui a primeira mulher na direção técnica.” ções sempre impuseram muitas viagens. Abreu Pereira, criadora das raças Senepol Para lidar com essas e outras situa- O fato de estar em um ambiente majori- e Bonsmara em Itapira/SP, e até o ano pas- ções, Elizabeth Obino Cirne Lima, vice- tariamente masculino nunca fez diferença sado atuante nas entidades de classe dos presidente da Associação Brasileira de na carreira dessa médica-veterinária. “A dois adaptados. Ela conta que sua grande Criadores de Devon (ABCD), lembra que maior conquista – ressalta Susana – foi conquista no setor foi tornar a propriedade alguns cuidados devem ser tomados. Ela conseguir dedicar-me inteiramente às que adquiriu no que ela é hoje. Isso porque procura ficar atenta com detalhes como duas grandes atividades da minha vida, a fazenda, na ocasião da compra, estava os ambientes onde circula, como se veste, a pecuária e a família.” E complementa: abandonada há 16 anos. “Parece loucura, com quem fala. São formas que encontrou “A pessoa que vai se entregar à atividade mas a única coisa que tinha lá dentro era de conquistar um respeito ainda maior da- agropecuária tem de ter muito amor, pois um pínus mal cuidado”, lembra a empre- queles com quem trabalha, algo que vai sempre acabamos um pouco divididos, sária, que diz ter optado pela pecuária em além do profissional. principalmente as mulheres. Quando os função da topografia montanhosa da pro- Aliás, as preocupações com o lado filhos chegam a idade escolar, querendo priedade e também por se identificar mais pessoal não deixam de fazer parte do dia ou não temos de nos dividir entre a área com esta atividade do que com outras no a dia dessas mulheres. Para Susana Ma- rural e a urbana. E conseguir conciliar campo. cedo Salvador, criadora e presidente do bem essas duas tarefas, algo que a prin- O trabalho de arrumação foi feito por Conselho Técnico da Associação Brasi- cípio parece impossível, é extremamente partes, já colocando o gado no pasto. “Nes-Centro Paulista Simental ABA “Minha maior conquista Rosalu Queiroz destaca que a Para Elizabeth Cirne, o respeito foi conseguir me dedicar a pecuária é apaixonante, a fez deve ser conquistado além do minha família e à pecuária”, pautar o tempo nas estações do ano âmbito profissional confidencia Susana Salvador 12 - MARÇO 2011
  4. 4. ças adaptadas e pelo desenvolvimento do te da Associação Brasileira dos Criadores rebanho a partir do cruzamento industrial de Marchigiana (ABCM), a ser a única e do teste de performance. fornecedora de carne da raça para o Gru- O desafio de começar do zero tam- po Carrefour no Brasil. Ela explica que a bém está na trajetória de Alice Ferreira. parceria já tem anos e sempre trouxe bons Ela conta que apesar de ser de família resultados, uma vez que a bonificação é de fazendeiro, decidiu pela pecuária por alta – 3% sobre a cotação Esalq e ainda enxergar nela o desafio das constantes mais 3% em cima do valor total. “É quase mudanças. Como sua área de atuação foi o preço de uma arroba”, revela. Para che- de gado fino, tido como de elite, a mo- gar a esse patamar, Eliana diz que além de dernização da atividade e o trabalho de a raça ser excelente, o fato de sua proprie- Maria Lúcia apostou em genética foram imprescindíveis. “Passei dade fazer a integração lavoura-pecuária raças então exóticas e pautou a pesquisar, a ler sobre o assunto e daí as permite o trabalho com o confinamento a seu trabalho no melhoramento conquistas foram aparecendo. Você vai custos mais baixos. genético a pasto galgando degraus, crescendo, conhecen- Há, ainda, o cruzamento industrial do do, se aprofundando. O amor vem de an- Marchigiana com o Nelore, que oferece ase princípio a decisão mais importante foi tes.” E sempre foi grande esse sentimento, rusticidade necessária ao negócio da fa-a de chamarmos técnicos para nos ajudar assim como sua dedicação, coroada entre mília. “Imagina o que é ter uma novilhaa desenvolver os projetos que tínhamos. outras situações com o título de primeira que fica 35 dias no cocho, e que você temForam eles que planejaram o plantio de presidente mulher da ACNB, instituição de tirar porque senão ela fica gordinhapasto com a colocação imediata dos bovi- com 57 anos de atuação. Atenta às opor- demais e é vendida como vaca? Então,nos, o que alavancou a fazenda. Porque se tunidades do mercado, está liquidando o temos o retorno dos investimentos. É umanão fosse assim, nunca iríamos conseguir rebanho elite e agora aposta no mercado raça que está mais que consolidada, maislevantar a propriedade”, comenta Maria de produção. que comprovada” exalta a criadora. ELúcia. Desde então, a propriedade se des- A luta para conquistar o mercado levou conta que há um ano estão experimentan-taca pela opção de trabalhar com duas ra- a criadora Eliane Massari, atual presiden- do o cruzamento tricross com o Brahman. REVISTA AG - 13
  5. 5. Matéria Plantas Especialde Capa Daninhas“Resolvemos testar, com o objetivo demelhorar ainda mais o nosso plantel. Atéagora, os resultados têm sido ótimos.” Diferentemente das demais persona-gens, Ranielly da Silva Maciel não é cria-dora, mas sua paixão pelo gado de leitea levou da universidade de veterináriadiretamente para a Associação Brasilei-ra dos Criadores de Gir Leiteiro (ABC-GIL), onde atua na logística de exposi-ções e, mais recentemente, nos projetosde certificação da entidade. Ela comentaque sempre gostou de grandes animais, “Melhorar nossa carne é Ranielly realizou o sonho demas que sua verdadeira paixão desde muito gratificante”, diz Eliane trabalhar com pecuária leiteiracriança é a pecuária de leite. O incentivopara sua decisão foi o avô, que sempre “Quando fazemos uma coisa por tempo. A mulher em geral tem uma garratrabalhou em fazendas e despertou nela o escolha, a desempenhamos com muito muito grande, quando se dedica a algumagosto pelo campo. “Como adoro o gado mais determinação, objetivo. Lutamos coisa tem um foco bem definido. Talvezzebu, me apaixonei pelo Gir Leiteiro e com mais empenho, com mais amor. por isso, a entrada da mulher na pecuáriavir para a ABCGIL foi uma das minhas Isso é que faz ter mais motivação, pois é muito bem vista”, complementa Susa-grandes conquistas”, explica Ranielly. é um trabalho árduo, trabalhamos muito na Macedo. Projeção nacional Formada em psicologia pela Univer- Secretaria da Confederação da Agricultu- profissionalismo e sua competência. Co-sidade Católica de Goiás, Kátia Abreu ra e Pecuária do Brasil (CNA), a Câmara ragem e determinação são duas das quali-entrou no mundo da pecuária ao herdar de Deputados, o Senado e, mais recente- dades apontadas pelo mercado. Hoje, elauma propriedade rural em Tocantins. Vi- mente a presidência da CNA. presta assessoria genética para plantéis deúva aos 25 anos, grávida e com dois fi- No cargo desde 2008, foi a primeira todo o País, muitos dos quais estão na van-lhos bem pequenos, assumiu em 1987 a mulher a dirigir a entidade e chegou ao guarda da pecuária seletiva e de produção.Fazenda Aliança após a morte repentina posto ovacionada pela maioria dos produ- Em dez anos de trabalho, alcançou a in-do marido em um acidente de avião e, tores rurais, em função de seu trabalho em crível marca de 300 mil vacas avaliadasmesmo sem experiência alguma na área, prol da atividade, apesar de receber críti- em inseminação artificial em tempo fixo,abraçou o desafio de uma nova vida de cas severas quanto sua posição contrária à transferência de embriões e fertilização insucesso. Em sua história, Kátia conta que Reforma Agrária no Brasil e outros assun- vitro, 30 mil exames andrológicos realiza-ao chegar à fazenda, encontrou um roteiro tos tidos como de opinião pública. dos e 20 mil prenhezes consolidadas, e ado que deveria fazer em caso de ausên- Com a mesma projeção, mas seguin- contagem continua. Ela enxerga longe: “ocia do marido, Irajá Silvestre. Era uma do um caminho diferente, a veterinária, rebanho bovino nacional apresenta poten-espécie de inventário, no qual explicava pesquisadora e mestre em reprodução cial para dobrar a produtividade sem quecomo e onde aplicar o dinheiro, quais dí- animal, Cintia Maria Gonçalves, arranca seja necessário aumentar a área utilizada”,vidas deveriam ser pagas primeiro e quais elogios pelas fazendas que passa, por seu acredita.eram os investimentos prioritários para oaumento da produtividade da fazenda. Seis anos depois, a então fazendeiraganhou projeção na região ao implemen-tar em seu rebanho tecnologias como ainseminação artificial. A consequênciadisso foi o convite para candidatar-se àpresidência do Sindicato Rural de Gurupi,empreitada da qual saiu vitoriosa, trazen-do modernização para a entidade, uniãoaos pecuaristas e agricultores e projetossociais para a população rural. Foi assim Kátia Abreu conseguiu projeçãoque iniciou uma nova etapa: a presidência nacional com a pecuária e chegou Cintia Oliveira sempre soube doda Federação da Agricultura do Estado do à presidência da CNA potencial da pecuária brasileiraTocantins (FAET), a vice-presidência da14 - MARÇO 2011

×