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aCRJ - biênio 2009/2011

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MARIA ELENA PEREIRA JOHANNPEtER                                                                      entReviSta

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RIO SUStENtáVEL                                                       CaPa

     A macrodrenagem da Bacia de
Jacarepaguá, ...
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RIO SUStENtáVEL                                               CaPa

O que é sustentabilidade?                             ...
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  bons exemplos
  Bradesco e Eletrobrás, empresas assoc...
RIO SUStENtáVEL                                                 CaPa


3 minutos com                                      ...
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Conselho de Comércio da aCRJ
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                                                              desconsideração
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Revista ACRJ - Dez. 2009
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  1. 1. Dezembro de 2009 - no 1401 - ano 68 revista do empresário associação comercial do rio de janeiro Rio SuStentável Cidade é a primeira do país a estabelecer metas para diminuir a emissão de gases de efeito estufa entReviSta Maria Elena Johannpeter, presidente da ONG Parceiros Voluntários
  2. 2. aCRJ - biênio 2009/2011 Presidente GRandeS beneMÉRitoS Ricardo Cravo Albin Maria Aguinaga de Moraes José Luiz Alquéres Amaury Temporal Roberto Paulo Cezar de Andrade Maria de Lourdes Teixeira de Moraes 1º vice-Presidente Célio de Oliveira Borja Rodrigo Paulo de Pádua Lopes Maria Luiza Corker C. N. de Almeida Ronaldo Cezar Coelho Clara Perelberg Steinberg Roger Agnelli Maria Regina de A. Corrêa da Câmara 2º vice-Presidente Guilherme Levy Rogério Marinho Maria Silvia Bastos Marques Joaquim Falcão Humberto Eustáquio César Mota Ronaldo Chaer do Nascimento Maurício Agnelli Juarez Machado Garcia Ronaldo Petis Fernandes Milton Ferreira Tito vice-Presidente de Relações Lázaro de Mello Brandão Rondon Pacheco Nelson Sendas com o legislativo Marcílio Marques Moreira Rubens Bayma Denys Orlando Lima Aristóteles Drummond Paulo Manoel Lenz Cesar Protasio Sérgio Andrade de Carvalho Osvaldo Henrique Meireles Torres Paulo Victor da Costa Monnerat Sérgio Guilherme Lyra de Aguiar Oswaldo Antonio Arriaga Schmidt núCleo GeStão Ruy Barreto Suely da Costa V. Mendes de Almeida Oswaldo Aranha Neto vice-Presidente de Recursos Theóphilo de Azeredo Santos Patrícia Diniz Barcellos Corrêa Parcerias e Marketing entidadeS GRandeS Paulo César Milani Guimarães Cristiano Buarque Franco Neto beneMÉRitaS Paulo Manoel Protásio Filho vice-Presidente Jurídico ConSelho diRetoR Paulo Roberto Meinerz Jornal do Commercio Daniel Correa Homem de Carvalho Paulo Roberto Ribeiro Pinto Banco do Brasil S/A vice-Presidente de Patrimônio Alberto Paulo de Garcia Monnerat Paulo Sérgio Petis Fernandes IRB – Brasil Resseguros S/A Pedro José Maria Fernandes Wahmann Oswaldo Antonio Arriaga Schmidt Alberto Soares de Sampaio Geyer vice-Presidente administrativo Alberto Sozin Furuguem Raphael José de Oliveira Barreto Contábil e Financeiro beneMÉRitoS Aldo Carlos de Moura Gonçalves Raul Eduardo David de Sanson Paulo Roberto Ribeiro Pinto André Guimarães Renato Ferreira Mota vice-Presidente de associados Abel Mendes Pinheiro Júnior Arethuza Figueiredo H. S. de Aguiar Ricardo Costa Garcia e Comercial André La Saigne de Botton Ary S. Graça Fº Ricardo Lagares Henriques Ronaldo Chaer do Nascimento Antenor Barros Leal Augusto de Rezende Menezes Ricardo Levy Antônio Sanchez Galdeano Bruno Armbrust Ricardo Pernambuco Backheuser núCleo PRoJeção no Aristóteles Drummond Carlos Alberto Vieira Ricardo Varella Mundo de neGóCioS Aroldo Araújo Carlos Geraldo Langoni Roberto Antônio Raposo D’Assunção Arthur Antônio Sendas Filho Carlos Henrique Moreira Ronaldo Cezar Coelho vice-Presidente de Ética, Ronaldo Goytacaz Cavalheiro Governança e Sustentabilidade Aureo Salles de Barros Carlos Moacyr Gomes de Almeida Benjamin Nasário Fernandes Filho Carlos Roberto Mendonça Alves Dias Rosiska Darcy de Oliveira Clarissa de Araújo Lins Rudolf Höhn vice-Presidente de Relações Brigitte Barreto Carmen Fridman Sirotsky Carlos Alberto Lenz César Protásio Celso Fernandez Quintella Rui Patrício internacionais Ruy Barreto Filho José Botafogo Gonçalves Chaja Ruchla Schulz Cesar Augusto Mattos Maia Neumann Conrado Max Gruenbaum Christa Bohnhof-Grühn Sávio Luis Ferreira Neves Filho vice-Presidente de Comércio Sergio Cavina Boanada exterior Dahas Chade Zarur Cícero Ivanildo Alves Casimiro Daniel Corrêa Homem de Carvalho Clarissa de Araujo Lins Sérgio Francisco M de C Guimarães Marco Polo Moreira Leite Sérgio Gomes Malta vice-Presidente de Concessões Daniel Klabin Corintho de Arruda Falcão Filho Dora Martins de Carvalho Cristiano Buarque Franco Neto Sérgio Reis da Costa e Silva e Serviços Regulados Tácito Naves Sanglard Otávio Marques Azevedo Eduardo Baptista Vianna Daniel Plá Eduardo Lessa Bastos Dilio Sérgio Penedo Teresa Cristina Gonçalves Pantoja Francisco Luiz C. da Cunha Horta Domingos Bulus Tomas Tomislav Antonin Zinner núCleo Rio Frederico Axel Lundgren Edson de Godoy Bueno Vera Costa Gissoni vice-Presidente de Petróleo Guilherme Arinos L.Verde de B. Franco Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira e energia Haroldo Bezerra da Cunha Elisa Dalcin Mendes Pinheiro João Carlos de Luca Haroldo de Barros Collares Chaves Geraldo César Mota diRetoReS ConvoCadoS vice-Presidente de João Augusto de Souza Lima Geraldo Rezende Ciribelli André Urani desenvolvimento imobiliário João Portella Ribeiro Dantas Germano H. Gerdau Johannpeter Jacob Kligerman José Conde Caldas Jonas Barcellos Corrêa Filho Gilberto Caruso Ramos João Carlos de Luca vice-Presidente de Cultura José Antônio do Nascimento Brito Haroldo João Naylor Rocha Mozart Vitor Serra Rosiska Darcy de Oliveira José Luiz Alquéres Hekel de Miranda Raposo Ricardo Simonsen vice-Presidente de Conselhos José Maria Teixeira da Cunha Sobrinho Henrique Bastos Rocha empresariais e eventos Linneo Eduardo de Paula Machado Humberto Eustáquio César Mota Filho Sócio honorário Sergio Cavina Boanada Luíz Carlos Trabuco Cappi Jaime Rotstein José Luiz de Magalhães Lins Manuel Teixeira Rodrigues Fontes João Roberto Marinho viCe-PReSidenteS Márcio Castro de Almeida Joaquim de Arruda Falcão Neto Antenor Barros Leal Marco Antônio Sampaio Moreira Leite Joel Korn Aureo Salles de Barros ConSelho FiSCal Marco Polo Moreira Leite José Botafogo Gonçalves Benjamin Nasário Fernandes Filho Marta Maria Ferreira Arakaki José Carlos Costa da Silva Rosa Chaja Ruchla Schulz efetivos Maurício de Castilho Dinepi José Conde Caldas Dora Martins de Carvalho Mauro José Miranda Gandra José de Souza e Silva Abel Mendes Pinheiro Júnior Juarez Machado Garcia Mauro Moreira José Gustavo de Souza Costa Carlos Henrique Fróes Maria Silvia Bastos Marques Mauro Ribeiro Viegas José Pires de Sá Eduardo Costa Garcia Marta Maria Ferreira Arakaki Nelson Janot Marinho José Roberto Marinho Mauro José Miranda Gandra Maurício de Castilho Dinepi Olavo Egydio Monteiro de Carvalho Júlio Isnard Paulo Sobrino Marques d’Oliveira Olympio Faissol Pinto Julio Luiz Baptista Lopes Suplente ConSelho SuPeRioR Omar Carneiro da Cunha Laudelino da Costa Mendes Neto Aureo Ricardo Salles de Barros Oscar Böechat Filho Lilibeth Monteiro de Carvalho Ferdinando Bastos de Souza Presidente Otávio Marques Azevedo Lucy Villela Barreto Borges Humberto Eustáquio César Mota Helena Spyrides Patrick Larragoiti Lucas Luiz Antonio de Godoy Alves vice-Presidente Pedro Ernesto Mariano de Azevedo Marcelo Henriques de Brito Secretário Geral Rubens Bayma Denys Renato Ribeiro Abreu Marcos Castrioto de Azambuja Nestor Rolim Lacerda
  3. 3. SuMáRio 10 CaPa Andréa Mury Rio SuStentável O Rio é a primeira cidade brasileira a estabelecer metas para combater as emissões de gases de efeito estufa. O plano lançado pela prefeitura do Rio tem como parceiros a ACRJ, a FBDS e o Rio Como Vamos Mathias Cramer 6 entReviSta Maria Elena Johannpeter, 16 ConheCiMento Livro revela bastidores da 25 eSPeCial O vice-presidente da Repú- uma das principais lideran- festa popular que movimen- blica José Alencar é home- ças da área social do País ta milhões de reais nageado como Sócio Emé- fala sobre voluntariado rito da ACRJ 22 inStituCional 23 aRtiGo 29 ConSelhoS As mensagens do presidente da ACRJ, Jerson Kelman comenta os desafios Debates, seminários e outros eventos José Luiz Alquéres, e do presidente do do novo Conselho Empresarial das realizados pelos Conselhos da ACRJ Conselho Superior Humberto Mota Indústrias Reguladas da ACRJ 37 alMoço do eMPReSáRio 40 aSSoCiadoS Os principais nomes da política e do Conheça nossos associados e junte- empresariado discutem a conjuntura se à ACRJ, uma das instituições mais nacional antigas e representativas do Brasil Presidente Capa Redação José Luiz Alquéres Vista Chinesa/RJ Rua da Candelária, 9 /11º andar Conselho Editorial Foto: Andréa Mury cep: 20091-020 - Centro - RJ José Luiz Alquéres Fotografia (21) 2514-1219/1269 Maurício Dinepi Ivanoé Gomes Pereira Publicidade Olavo Monteiro de Carvalho Projeto Gráfico / Diagramação (21) 2514-1211/1204/1208 Ronaldo Chaer do Nascimento Dueto Brasil André Urani www.acrj.org.br (21) 9124-1472 / 7889-3225 Órgão Técnico e Consultivo Gerente de Comunicação www.duetobrasil.com.br do Governo Federal no estudo e Jornalista Responsável Fotolito e Impressão dos problemas que se relacionam Andréa Mury (MTB nº 23787) Rower Gráfica & Editora Ltda com a economia nacional. Edição e Revisão (21) 3881-3150 Decreto-Lei nº6348, Andréa Mury de 26/09/1940 Edição no 1401 Dezembro de 2009 - ano 68
  4. 4. entReviSta MARIA ELENA PEREIRA JOHANNPEtER Mathias Cramer Andréa Mury Construir um Rio Grande do Sul voluntário. Foi com essa visão que a administradora de empresas gaú- cha, formada pela PUC-RS, Maria Elena Pereira Johannpeter fundou, em janeiro de 1997, a ONG Parceiros Voluntários, uma organização não-gover- namental, sem fins lucrativos e apartidária, que es- timula, capta, capacita e encaminha voluntários às organizações sociais. A iniciativa já conquistou mais de 300 mil voluntá- rios em 13 anos de atuação, beneficiando mais de 1 milhão de pessoas nas 78 cidades que integram a Rede Parceiros Voluntários (www.parceirosvolun- tarios.org.br). A Parceiros também criou o maior movimento de voluntariado jovem do Brasil, que envolveu, em 2008, 108 mil estudantes dos ensi- nos fundamental e médio de 379 escolas do Rio Grande do Sul. Em 2008, Maria Elena Johannpeter lançou, juntamente com a escritora Lilian Dreyer, o livro O Quinto Poder – Consciência Social de uma Nação. A obra reúne análises e questionamentos de especialistas nacionais e internacionais sobre o terceiro Setor, a atuação da sociedade civil organizada e o voluntariado, como o professor norte-americano Lester Salamon, um dos pioneiros do terceiro Setor no planeta e a queniana Wangari Maathai, ativista distinguida com o Prêmio Nobel da Paz. Maria Elena integra instituições como a Schwab Foundation, da Suíça, o Conselho Deliberativo da Federasul, o Conselho de Cidadania da Federação das Indústrias do RS e o Conselho Pa- ranaense de Cidadania Empresarial da Federação das Indústrias do Estado do Paraná. A presidente-executiva (Voluntária) da ONG Parceiros Voluntários, uma das principais lideranças da área social do País, falou à Revista do Empresário da ACRJ sobre o trabalho desenvolvido pela ONG e a importância do trabalho voluntário. o que a motivou a fundar a onG a grande oportunidade de colocar em nha pesquisado muito, no Brasil e no Parceiros voluntários? em que va- prática o que eu acreditava veio em exterior, exemplos de participação de lores está baseado o trabalho da 1996, quando o então presidente da pessoas em suas comunidades – sa- Parceiros voluntários? Federasul (Federação das Associa- bendo como o brasileiro é solidário por Me - Sempre fui muito inquieta a ções Comerciais do Rio Grande do natureza – percebi que poderíamos respeito de me envolver com o outro, Sul), Mauro Knijnik, me convidou para passar de uma cultura paternalista me envolver com o social, trabalhar assumir a diretoria do Departamento para uma cultura mais participativa. Ao para transformar realidades. Cresci de Desenvolvimento Social da entida- fundar a ONG Parceiros Voluntários foi vendo minha mãe agir efetivamen- de. Como já atuava como conselheira essa proposta que fizemos à comuni- te, não somente discursando. Mas de algumas organizações sociais e ti- dade gaúcha. 6 R E V I S TA D O E M P R E S Á R I O D A A C R J - D E Z E M B R O D E 2 0 0 9
  5. 5. MARIA ELENA PEREIRA JOHANNPEtER entReviSta O trabalho da ONG Parceiros Vo- BID, tem o patrocínio da Petrobras e individualismo, na indiferença frente ao luntários está baseado em sua missão, inúmeras parcerias com empresas, ins- destino do outro, na falta de responsa- que é promover, ampliar e qualificar o tituições e profissionais liberais. Quando bilidade coletiva, no desinteresse pelo atendimento às demandas sociais pelo estivermos com o projeto piloto conclu- bem-estar geral, na busca do consu- trabalho voluntário, visando à melhoria ído, a metodologia também deverá ser mismo (...), pode-se esperar que essas da qualidade de vida no Rio Grande expandida para outros estados. condutas debilitem seriamente o tecido do Sul. Dentre os nossos valores, co- Como a srª avalia o desempe- social e conduzam a toda ordem de locamos que toda pessoa é solidária e, nho do terceiro Setor no brasil? impactos regressivos”. Assim, entende- portanto, um voluntário em potencial; a Quais os maiores desafios para as mos que uma das funções das organi- filantropia e o exercício da cidadania, pessoas e organizações que atuam zações do terceiro Setor é desenvolver pela prática do voluntariado, como in- nesta área? formas democráticas de intervenção dispensáveis à transformação da reali- Me - Como dizia Peter Drucker: “O social, em que as pessoas sejam capa- dade social; e, por fim, que o desenvol- resultado do terceiro Setor é um ser zes de construir, de forma cooperativa, vimento sustentado é alcançado pela humano melhor. As instituições sem a ordem social em que querem viver. O interação entre os sistemas econômico, fins lucrativos são agentes de mudança sociólogo colombiano Bernardo toro ambiental e social. humana. Seu ‘produto’ é um paciente diz isso muito bem: “se a intervenção é há perspectivas de estender curado, uma criança que aprende, um assistencialista, cria a dependência; se esse trabalho a outros estados, jovem que se transforma em um adulto é autoritária, cria a baixa auto-estima; se como o Rio de Janeiro? com respeito próprio; isto é, toda uma é clientelista, cria uma cultura de ade- Me - temos bases conceituais mui- vida transformada”. Para se ter uma são; se é democrática, cria cidadania e to fortes e um largo trabalho em todo ideia de importância, é só analisarmos autonomia”. o Rio Grande do Sul. Essa experiên- que, em 2007, o terceiro Setor teve a srª participou do Fórum Pers- cia é que alavanca a nossa participa- sua participação econômica reconhe- pectivas para o Marco legal do ter- ção em outros estados, sempre por cida pelo IBGE, quando foi incluido na ceiro Setor, no Rio de Janeiro, para intermédio de parcerias locais como, composição do cálculo do Produto In- discutir e avaliar os resultados deste por exemplo, o curso Gestão para a terno Bruto (PIB). Segundo o Centro de trabalho, elaborado pelo Grupo de Sustentabilidade, Empreendedorismo Estudos da Johns Hopkins University, institutos, Fundações e empresas e Redes Colaborativas, que estamos dos Estados Unidos, o setor sem fins (GiFe). Quais foram as principais levando a instituições do Rio de Janei- lucrativos no Brasil representa 5% do constatações deste encontro? ro e do Amazonas em parceria com o PIB nacional e assegura em torno de Me - Este é um trabalho que o GIFE Sebrae Nacional. Essa metodologia 3 milhões de empregos diretos. vem construindo, a muitas mãos e ca- busca instrumentalizar dirigentes de Os números da Parceiros Voluntá- beças, há alguns anos. Este documen- Organizações da Sociedade Civil para rios também mostram um crescimento to estabelece os cinco temas que a uma gestão sustentável, desenvolven- exponencial. De 2003 a 2009, passou rede GIFE identifica como prioritários no do a liderança, o empreendedorismo e de 31 mil para 300 mil voluntários ca- processo de aperfeiçoamento do mar- o estímulo à formação de redes cola- dastrados; o número de empresas ca- co legal do terceiro setor, que são: (1) borativas. É importante frisarmos que a dastradas saltou de 850 para 2,5 mil; liberdade de organização e funciona- Parceiros Voluntários se vê como uma e as organizações da sociedade civil mento para as organizações da socie- potencializadora de causas sociais por conveniadas aumentaram de 1 mil para dade civil, (2) transparência e controle dois eixos: encaminhando voluntários 2,7 mil. Esse movimento todo de mobi- social (accountability), (3) imunidades e qualificados e profissionalizando, de- lização e articulação traz um benefício isenções tributárias, (4) incentivos fis- senvolvendo lideranças e capacitando para aproximadamente 1 milhão e meio cais para iniciativas de interesse público gerencialmente as Organizações. Outro de pessoas. e (5) segurança jurídica, na qualidade grande desafio que temos é o curso O grande desafio de todos os pa- de tema transversal. “Educando para a transparência”, que íses no século XXI é a formação do Agora, com a publicação e propa- é parte do projeto “Desenvolvimento de Capital Social nas comunidades. Eu gação dessa obra “Perspectivas para Princípios de transparência e Prestação concordo com o economista e soció- o Marco Legal do terceiro Setor” é de Contas para Organizações Sociais”. logo Bernardo Kliksberg que diz: “se os que os debates levarão, certamente, a Esse projeto, realizado com o FUMIN/ valores dominantes se concentram no muito boas contribuições, visando um R E V I S TA D O E M P R E S Á R I O D A A C R J - D E Z E M B R O D E 2 0 0 9 7
  6. 6. entReviSta MARIA ELENA PEREIRA JOHANNPEtER benefício organizacional para o terceiro lação à mobilização da sociedade empresas é essencial para uma gover- Setor. A pesquisa, que teve apoio das civil no sentido de influir e cobrar nabilidade efetiva. Penso que, para co- Fundações Ford e W. K. Kellogg, agora políticas públicas voltadas ao de- brarmos posições fora, temos que estar será distribuída a associados do GIFE senvolvimento sustentável? cumprindo o nosso papel internamen- e disponibilizada para download no site Me - É sonho de todos os países te, e nisso os brasileiros estão dando o www.gife.org.br a solução ou a minimização de proble- exemplo devido a essa forte mobiliza- a crise afetou de algum modo mas sociais, como a fome, a educação ção e articulação aqui descrita. o investimento das empresas em para todos, a redução da mortalidade a prática do voluntariado já in- projetos de Responsabilidade So- infantil, a não violência, o respeito ao tegra o dia-a-dia das empresas cial (RS) ? meio ambiente, entre outros. O Brasil brasileiras ou ainda é uma reali- Me - Como ainda não está muito também está perseguindo esse sonho. dade distante? Como estimular o forte o entendimento de que o desen- Para isso, está desenvolvendo ações maior envolvimento das empresas volvimento sustentado está alicerça- tanto pelos meios governamentais, em ações de RSe e a participação do, igualitariamente, em três pilares quanto pela sociedade civil organizada. de seus colaboradores? (econômico - social – ambiental), em Segundo pesquisa do IBGE, divulgada Me - Ainda há muito o que se fazer qualquer crise a primeira rubrica a ser em 2008, estavam registradas cerca de em relação ao envolvimento de todos os cortada, ou pelo menos diminuída, é 338 mil fundações privadas e associa- setores, mas saber que as lideranças a que se refere aos projetos sociais, ções sem fins lucrativos, que emprega- empresariais já estão mudando a sua ou melhor dizendo, aos projetos que vam 1 milhão e meio de pessoas em concepção sobre o trabalho voluntário, dizem respeito ao envolvimento com a todo o País. São organizações dispos- é meio caminho andado. A outra me- comunidade. É claro que teve reflexo, tas a sair do discurso e a colocar a mão tade é uma questão de organização e no final de 2008 e inicio de 2009, da na massa. Essas mãos, geralmente, mobilização. O estímulo que buscamos crise econômica mundial. Porém, com têm sido representadas por uma força oferecer é por meio da metodologia da os novos sinais de um retorno do cres- de trabalho silenciosa, que crê na so- criação de comitês internos na empre- cimento das empresas, os investimen- lidariedade, na promoção social e na sa, de responsabilidade social. Hoje, as tos estão sendo retomados, embora, cidadania. Essa força de trabalho não empresas já percebem que a responsa- ainda, com muita cautela. busca resultados apenas financeiros; bilidade social agrega valor à marca. Até Mas, como todas as circunstâncias busca, sim, a recompensa maior: pro- por uma questão prática: para recebe- nos trazem aprendizados, o cenário tor- jetos de vidas transformados. rem certificações ou atuarem no merca- nou-se positivo por um lado: as organi- transformando o sonho em realida- do externo, as empresas precisam estar zações se viram obrigadas a uma ime- de, os Centros de Voluntariado de SP, envolvidas com a comunidade. Outro diata profissionalização na sua gestão, RJ, SC e RS, com o apoio do Programa fator importante é o clima que gera in- seja no planejamento, na prestação de das Nações Unidas para o Desenvol- ternamente quando os funcionários se contas, na prospecção de novas ma- vimento (PNUD), se uniram formando juntam para apoiar projetos sociais: os neiras de sustentabilidade, etc. Essa é uma Rede de Colaboração. Hoje, atra- interrelacionamentos ficam mais facilita- uma das razões pelas quais a Parceiros vés do trabalho voluntário, fomentado dos, as pessoas mais dispostas, a equi- Voluntários se preocupa em capacitar pela Rede Brasil Voluntário, esta realida- pe mais unida e focada; melhora a ca- gerencialmente as instituições, para de arregimenta um batalhão de 42 mi- pacidade na busca de soluções, enfim, que crises não venham a acabar com lhões de voluntários, que impulsionam cria ou fortalece um capital social interno projetos que têm profundo significado projetos, que articulam soluções. na empresa. Não importa o tamanho em suas comunidades, pois o resul- todo indivíduo, família, organização da empresa: ela é feita por pessoas. tado final dessas instituições é medido e comunidade têm um papel vital a de- Se elas estão felizes, os resultados são em vidas transformadas. sempenhar. As artes, as ciências, as bem mais significativos. há uma grande expectativa em religiões, as instituições educativas, os a Parceiros voluntários criou um torno dos acordos que poderão meios de comunicação, as empresas, dos maiores movimentos de volun- ser firmados em Copenhague, em as organizações não-governamentais tariado jovem do país, que envolve busca de uma comunidade global e os governos: todos são chamados a também pais e educadores. Como sustentável. Como a srª vê o papel oferecer uma liderança criativa. A par- incentivar a criança, o jovem a ser do brasil neste processo, em re- ceria entre governo, sociedade civil e voluntário? Como instituições de 8 R E V I S TA D O E M P R E S Á R I O D A A C R J - D E Z E M B R O D E 2 0 0 9
  7. 7. MARIA ELENA PEREIRA JOHANNPEtER entReviSta ensino, empresas e governos po- dem contribuir para isso? “Os governos e as empresas precisam estar Me - A ação se chama “tribos nas atentos aos jovens, pois eles não são o futuro: trilhas da Cidadania” e iniciou em 1999, são o presente. E é necessário valorizá-los, por desafio de quatro jovens em sala de aula. Funciona da seguinte maneira: formando-os como cidadãos conscientes de ao longo de todo o ano, os jovens do seus direitos e responsabilidades” ensino médio, de escolas públicas ou privadas, desenvolvem ações em suas comunidades, escolhidas por eles mes- como cidadãos conscientes de seus e sistêmica da realidade. Ele sente-se mos, buscando atender a três “trilhas”: direitos e de suas responsabilidades. parte de um todo e trabalha para a in- Educação para a Paz, Meio Ambiente O grande biólogo e educador Humber- tegração e harmonização desse todo. ou Cultura. A metodologia utilizada na to Maturana diz: “educar se constitui no Dá-lhe o verdadeiro sentido de ser ci- ação tribos nas trilhas da Cidadania fa- processo em que a criança ou o adul- dadão. Uma das melhores formas de vorece a co-autoria dos jovens, o traba- to convive com o outro e, ao conviver levar esse “contágio” adiante é, quem lho em grupo e o compartilhamento de com o outro, se transforma esponta- está fazendo e se sentindo feliz, deve experiências. também cria condições neamente, de maneira que seu modo propagar para seus familiares, amigos, para a reflexão e o desenvolvimento de de viver se faz progressivamente mais colegas, enfim, fazendo uma grande habilidades e competências, qualifican- congruente com o do outro no espaço corrente do bem. do e fortalecendo a atuação juvenil e de convivência”. Qual conselho ou alerta a srª da- promovendo capacitações de estudan- a srª costuma destacar a im- ria aos empresários brasileiros? tes em liderança, empreendedorismo, portância da Responsabilidade Me - Em 2006, a CNI (Confede- voluntariado e cidadania. Social individual. Como ampliar ração Brasileira da Indústria) publicou Já tivemos ano com mais de 100 a conscientização da sociedade um Manual no qual constava: “a sus- mil jovens mobilizados e, em 2009, ti- para este conceito? tentabilidade - além de ser boa para a vemos mais de 80 mil estudantes, em Me - Esse é o conceito que vem sociedade e para o meio ambiente - é 55 cidades no Rio Grande do Sul. Eles embasando o trabalho da Parceiros Vo- também boa para os negócios. Signi- têm muito gás, querem viver o “hoje” e luntários nesses 13 anos. A RSI - Res- fica oportunidades para as empresas vibram quando recebem a oportunida- ponsabilidade Social Individual – nos diz construírem diferenciais competitivos, de de agir. O que é preciso, na verda- que “trabalhar os valores internos faz reduzirem custos e aprimorarem seus de, é direcionar essa energia pulsante despertar na pessoa o seu verdadeiro níveis de eficiência e desempenho”. para o bem dos outros e do próprio jo- valor, o que a torna mais ativa e social- Eu complementaria ainda que, para os vem. O apoio da escola, do educador mente transformadora do mundo ao próximos anos, as empresas terão de e dos pais é fundamental. Eles podem seu redor”. tudo inicia nesse pequeno mudar sua atenção para o seu pes- estimular e orientar o jovem a trabalhar núcleo chamado “eu”. A RSI vem an- soal interno, para satisfazer não ape- no projeto em áreas de maior afinidade, tes da RSE, da RSG (governamental) nas suas necessidades físicas mas já pensando em seu futuro quando tiver ou de qualquer outra. As pessoas não também emocionais, mentais e espi- que decidir por uma formação univer- dispõem apenas de habilidades (ca- rituais. As pessoas desejarão trabalhar sitária, mas, principalmente, valorizar pital humano), conhecimentos (capital em empresas para onde possam levar as conquistas dos jovens ao longo das intelectual), dinheiro (capital financeiro), seus mais elevados valores, que lhes atividades. Os pais podem, inclusive, prédios e maquinários (capital físico). dêem oportunidade de fazer uma di- participar de ações pontuais junto com Possuem também elos de solidarieda- ferença positiva no mundo e que as os filhos. O que é comum de vermos e de, fraternidade, cooperação, reciproci- encorajem a tornarem-se tudo o que isso dá “uma liga” muito grande no inter- dade e de confiança que estabelecem puderem ser. Quando as pessoas relacionamento. com outras pessoas. São esses elos a consideram seu trabalho significativo, Os governos e as empresas preci- chave para resolver os problemas de alcançam seus mais profundos níveis sam estar atentos aos jovens, pois eles desenvolvimento humano que enfren- de intuição e criatividade. Isso é bom não são o futuro: são o presente. E é tamos na época atual, pois proporcio- para elas, é bom para a empresa e é necessário valorizá-los, formando-os nam ao indivíduo uma visão holística muito bom para as comunidades. R E V I S TA D O E M P R E S Á R I O D A A C R J - D E Z E M B R O D E 2 0 0 9 9
  8. 8. CaPa RIO SUStENtáVEL Rio Sustentável Lançamento do Rio Sustentável reuniu lideranças políticas, empresariais e da sociedade civil no Palácio da Cidade Cidade é a primeira do país a estabelecer metas Cida Belford para reduzir a emissão de gases de efeito estufa Andréa Mury “A economia depende do am- efeito estufa em 8% até 2012, em 16% os bairros da Penha e Barra da tijuca biente. Se não há ambiente, se tudo até 2016 e em 20% até 2020. Com e outro na Avenida Brasil; a expansão está destruído, não há economia”. isso, o Rio é a primeira cidade brasilei- das ciclovias; e a utilização de biocom- Lester Brown ra a estabelecer metas para combater bustíveis. A prefeitura estima que só o as emissões de gases de efeito estufa corredor t5, da Penha à Barra (onde No dia 27 de novembro, a prefeitura (GEE), preparando-se para se tornar a serão usados BRts), substituirá 43 li- do Rio lançou o Plano Rio Sustentável, capital da sustentabilidade. nhas que hoje circulam nesse trajeto. durante uma solenidade no Palácio da Os detalhes do Plano foram apre- Com isso, estima-se que até 500 ve- Cidade, que reuniu autoridades, empre- sentados por Carlos Alberto Muniz, que ículos movidos a diesel sejam tirados sários, ambientalistas e acadêmicos. O dividiu as metas e ações previstas em de circulação. Protocolo de Intenções, assinado pelo dois eixos principais: um deles voltado Na área de Habitação, a intenção é prefeito Eduardo Paes, pelo vice-prefei- para a cidade e suas principais fon- fazer um trabalho de retrofit nos prédios to e secretário municipal de Meio Am- tes de emissão de gases, os resíduos da cidade. Já para as construções futu- biente, Carlos Alberto Muniz, pelo mi- sólidos e a malha de transportes (os ras, será adotado um modelo de arqui- nistro do Meio Ambiente, Carlos Minc, quais respondem por 73% do total de tetura verde para melhorar a eficiência e pelos presidentes da Associação emissões); e outro voltado para as ins- energética dos prédios. Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ), da talações da Companhia Siderúrgica do A expansão da política de reflo- Fundação Brasileira para o Desenvolvi- Atlântico (CSA), em Santa Cruz. restamento em áreas desmatadas da mento Sustentável (FBDS) e do Movi- Para alavancar o Plano serão en- cidade também será uma das ações mento Rio Como Vamos, José Luiz Al- volvidos diferentes setores. No de do Rio Sustentável, além do tratamen- quéres, Israel Klabin e Rosiska Darcy de transportes, as ações prevêem a to de resíduos sólidos com a constru- Oliveira, respectivamente, tem por ob- construção de dois corredores de Bus ção de aterro sanitário para reduzir as jetivo reduzir as emissões de gases de Rapid transit (BRt), um para interligar emissões em até 30%. 10 R E V I S TA D O E M P R E S Á R I O D A A C R J - D E Z E M B R O D E 2 0 0 9
  9. 9. RIO SUStENtáVEL CaPa A macrodrenagem da Bacia de Jacarepaguá, a ampliação do sistema “O Brasil foi pioneiro, foi o primeiro país em de saneamento da Zona Oeste, a ne- desenvolvimento que estabeleceu as metas. gociação para compensações mitiga- Acho que essa questão vai avançando no doras das emissões produzidas pela CSA – a empresa já comprometeu-se mundo e o Rio de Janeiro vai avançar também” em reduzir suas emissões de GEE em 17% - e a disseminação da cultura de sustentabilidade e de eficiência ener- tas já estabelecidas por outras cidades, gética também integram as principais mundo afora, mas é a meta que garan- estratégias do Rio Sustentável, que timos que vamos cumprir, sem falsear será apresentado pela prefeitura na números”, declarou. Convenção das Nações Unidas sobre Entre os decretos assinados estão Mudança do Clima (COP–15) em Co- o Plano de Gestão de Resíduos Sus- penhague, Dinamarca, entre os dias 7 tentável; o Programa de Redução de e 18 de dezembro. Emissão de GEE no setor de transpor- Foram assinados seis decretos e tes; e o Fórum Carioca de Mudanças firmado um contrato com o Instituto de Climáticas e Desenvolvimento Susten- Pesquisa e Engenharia da Universidade tável. Este último envolverá o poder pú- Federal do Rio de Janeiro (Coppe) para blico, a sociedade civil e acadêmicos. a realização de um novo inventário de O Plano também prevê um programa emissões. O último teve como base o de adaptação do sistema de Saúde e ano de 1998. O prefeito Eduardo Paes Defesa Civil para minimizar os impactos lembrou que os grandes vilões da ci- das mudanças do clima, como proje- Carlos Minc: o importante é dar o primeiro passo dade são os lixões, emissores de gás ções e prevenção a epidemias e en- metano, e o gás carbônico emitido pe- chentes e um programa de ecoeficiên- los automóveis. Por isso, estes serão cia e sustentabilidade da prefeitura, que “O Brasil foi pioneiro, foi o primeiro país os setores que mais receberão inves- permitirá a economia de água, energia, em desenvolvimento que estabeleceu timentos da prefeitura. De acordo com gás e combustíves. as metas. Logo em seguida, a Indoné- Paes, as metas foram estabelecidas O ministro do Meio Ambiente, Carlos sia e a Coréia também apresentaram para que a sua administração realize o Minc, defendeu que o mais importante as suas. Houve pressão e os Estados que está previsto. “Nós estabelecemos é dar o primeiro passo, como fez o Rio, Unidos e a China tiveram que mudar de uma meta objetiva da redução naquilo destacando ainda o pioneirismo do Bra- posição. Acho que essa questão vai que é possível. Até 2012, vamos redu- sil de se posicionar a favor da redução avançando no mundo e o Rio de Janei- zir em 8%. É inferior a algumas das me- da emissão de gases de efeito estufa. ro vai avançar também”, afirmou. Lixo e excesso de veículos – os grandes vilões R E V I S TA D O E M P R E S Á R I O D A A C R J - D E Z E M B R O D E 2 0 0 9 11
  10. 10. CaPa RIO SUStENtáVEL ticas. “Vamos participar do Fórum, que será permanente. Cada empresa tem que pensar sua redução de emissões. Muitas terão que recorrer à compensa- ção, pois ainda não há como mudar a forma de produção”. Ele destacou três passos que a ACRJ define como fundamentais: “o primeiro passo é medir para conhecer, utilizando indicadores que possam ser monitorados. O segundo é praticar nas empresas ações que as transformem em modelos de sustentabilidade e exemplos a serem imitados. E o tercei- ro passo é divulgar esses conceitos e vê-los expressos em políticas públicas. A classe empresarial está engajada”, Eduardo Paes e Israel Klabin – Compromisso com o meio ambiente afirmou. Em relação à Light, Alquéres informou que a empresa está desenvol- vendo um Plano Diretor que prevê, en- “O Rio era uma cidade ancorada no passado tre outros pontos, a criação de uma Re- e passa a ser uma cidade projetada no futuro” serva de Proteção Permanente (RPPN) em torno dos reservatórios de água de O ex-prefeito do Rio e presidente da gio Besserman, também acredita que as Piraí. “São 20 mil hectares que pode- Fundação Brasileira para o Desenvolvi- Olimpíadas de 2016 serão uma grande mos reflorestar com espécies da Mata mento Sustentável (FBDS), Israel Kla- oportunidade de mostrar ao mundo que Atlântica”, explicou, lembrando que cer- bin, destacou o momento importante a cidade está trabalhando em prol da ca de 95% da água consumida pelos para a cidade. “O Rio passa a ser uma sustentabilidade. Ele ressaltou que a cariocas saem daqueles reservatórios. das primeiras cidades do planeta que agenda do século XXI é a agenda da assume a responsabilidade ambien- sustentabilidade e a marca do Rio de Cultura Cidadã tal na sua expressão mais importante, Janeiro, este ativo intangível que hoje é As ações do Rio Sustentável se- que é a contenção das emissões. É totalmente decisivo na competição dos rão monitoradas pelo movimento Rio um projeto bastante complexo, mul- negócios e entre as cidades, também é Como Vamos, que já acompanha os tidisciplinar, mas o prefeito merece os a sustentabilidade. O trabalho conjunto indicadores de qualidade do município. parabéns pela iniciativa”, disse Klabin, da ACRJ, com a boa base técnica da A presidente-executiva da instituição e lembrando que outras iniciativas desta FBDS, da prefeitura, da Coppe/UFRJ e vice-presidente de Cultura da ACRJ, ordem, em cidades importantes como com uma estratégia de engajamento e Rosiska Darcy de Oliveira, informou que Nova Iorque, têm se saído muito bem e participação da sociedade, com muita o RCV se comprometeu a monitorar a o Rio, com isso, passa a ostentar uma transparência, além da presença do Rio evolução dos indicadores de sanea- bandeira da maior importância, de atra- Como Vamos, poderá dar um retorno mento, tratamento do lixo e refloresta- tivo global com relação ao seu futuro. extraordinário à cidade do Rio de Janei- mento. “Vamos acompanhar o que foi “Nós teremos aqui a Copa do Mundo, ro”, declarou. proposto e tornar público o cumprimen- as Olimpíadas e vários eventos. O Rio O presidente da Associação Co- to ou não das metas por meio desses era uma cidade ancorada no passado mercial do Rio de Janeiro e da Light, indicadores. As metas de lixo reciclável, e passa a ser uma cidade projetada no José Luiz Alquéres, ressaltou a impor- por exemplo, dependem muito da aju- futuro”, concluiu. tância do apoio do empresariado ao Rio da da população. Cada gesto individual Presidente da Câmara técnica de Sustentável, que pode contribuir agindo melhora a cidade para todos. Cultura Desenvolvimento Sustentável do muni- como um promotor do Plano, através cidadã é isso: quem colabora, tem mais cípio, o economista e ambientalista Ser- do Fórum Carioca de Mudanças Climá- direito de cobrar”, frisou Rosiska. 12 R E V I S TA D O E M P R E S Á R I O D A A C R J - D E Z E M B R O D E 2 0 0 9
  11. 11. RIO SUStENtáVEL CaPa O que é sustentabilidade? em atividades do cotidiano e leva essa gócios e que não é uma estratégia de A palavra mais pronunciada no mun- experiência para as organizações ou marketing”, afirma Clarissa Lins, que su- do atualmente ainda é desconhecida da grupos com os quais interage, inclusive gere uma espécie de 10 mandamentos grande maioria das pessoas que não na empresa onde trabalha. A empresa da empresa sustentável: lidam com questões ambientais. Até consciente desse fundamento incorpo- mesmo profissionais graduados não ra as competências individuais numa sabem ao certo o seu significado. Para estratégia que estará integrada ao seu 1. Ter o compromisso da alta lideran- muitos, é só a palavra da moda. capital intelectual e ao sucesso de seus ça da empresa com a agenda da sus- Opiniões à parte, a coordenadora negócio”, acrescenta Analice Araújo. tentabilidade. adjunta e professora do MBE em Eco- O conceito de sustentabilidade 2. Inserir a sustentabilidade na estra- nomia e Gestão da Sustentabilidade do corporativa vem adquirindo força des- tégia de negócios e não apenas no Instituto de Economia da UFRJ, Analice de 1994, quando o ambientalista John discurso de comunicação e marke- Araújo, acredita que a definição mais in- Elkington sugeriu a adoção do triple ting da empresa. dicada para o termo é a da Comissão Bottom Line, uma forma de medir os Bruntland, que define desenvolvimento resultados de uma empresa com base 3. Estabelecer mecanismos de go- sustentável como aquele “capaz de su- nos aspectos econômico, social e am- vernança que garantam uma gestão prir as necessidades da geração pre- biental. É crescente o número de em- eficiente da sustentabilidade. sente sem afetar a habilidade das gera- presas preocupadas em apresentar tais 4. Ter definidas políticas corporativas ções futuras de suprir as suas”. resultados em seus relatórios anuais e fortes, como código de ética, política Recomendações do tipo “Feche de forma voluntária, mas ainda não é ambiental e política de sustentabili- bem a torneira” ou “Use apenas duas uma prática comum. “A sustentabilida- dade. folhas de papel toalha”, há alguns de ainda não é uma realidade em todas 5. Divulgar amplamente as políticas anos, eram interpretadas como política as empresas, mas é uma realidade em corporativas e demais compromissos de redução de custos das empresas, um grupo de empresas que se des- assumidos pela empresa. mas hoje já são entendidas como prá- tacam quanto à agenda sustentável. ticas de um novo modelo de gestão Geralmente são empresas lideres de 6. Desdobrar as políticas corporativas corporativa, mais preocupada com o mercado, que sofrem grande pressão em sistemas de gestão. desenvolvimento sustentável das or- de órgãos reguladores, de consumi- 7. Eleger indicadores – claros e de ganizações, interessadas em apoiar dores ou estão expostas às exigências fácil apuração – que possam mensu- campanhas em prol do meio ambiente de mercados internacionais”, explica a rar a evolução da agenda da empre- e a se adequar às novas exigências de diretora executiva da FBDS e vice-pre- sa, assegurando que tais indicadores um mercado no qual clientes e con- sidente de Ética, Governança e Susten- são os mais relevantes. sumidores estão mais conscientes so- tabilidade da ACRJ, Clarissa Lins. bre os impactos negativos que a má Buscar orientação junto a institui- 8. Reportar periodicamente, interna e utilização dos recursos naturais pode ções especializadas em serviços de externamente, a mensuração e a evo- causar à sociedade. consultoria em gestão da sustentabi- lução dos indicadores, assumindo o Extrair da natureza todas as possi- lidade pode ajudar as empresas a se compromisso de transparência. bilidades de produzir bens e serviços inserirem neste novo modelo de gestão 9. Estabelecer formas estruturadas necessários à vida diária do homem e a fazer parte de listas de indicadores de diálogo com as principais partes sem comprometer a capacidade das confiáveis e reconhecidos mundialmen- interessadas (que podem ser consu- gerações futuras de garantir o seu pró- te, como o Índice de Sustentabilidade midores, fornecedores, colaborado- prio sustento é o grande desafio dos da Bolsa de Nova Iorque, o Dow Jones res, órgãos reguladores, comunida- lideres de todo o mundo e de toda a Sustainability World Indexes (DJSI), o des do entorno). sociedade nas próximas décadas. Índice de Sustentabilidade Empresarial 10. Assumir um compromisso de “Sustentabilidade é pensar, planejar e da Bovespa (ISE), além dos índices das transparência com a sociedade, por agir no presente, mas com os olhos no bolsas de Londres, o FtSE4Good, e o exemplo, por meio da publicação de futuro. O indivíduo que incorpora essa de Johannesburg, o SRI. “O maior de- relatórios de sustentabilidade. competência aplica os princípios da safio das empresas é entender que a sustentabilidade em sua própria vida, sustentabilidade agrega valor aos ne- R E V I S TA D O E M P R E S Á R I O D A A C R J - D E Z E M B R O D E 2 0 0 9 13
  12. 12. CaPa RIO SUStENtáVEL bons exemplos Bradesco e Eletrobrás, empresas associadas da ACRJ, são reconhecidas por suas ações de sustentabilidade O Banco Bradesco, associado à tentabilidade. O presidente da Eletro- ACRJ desde 1971, integra o Índice Dow brás, José Antonio Muniz, ressalta que Jones de Sustentabilidade, o Índice de administrar é, cada vez mais, a arte de Sustentabilidade Empresarial da Bo- ir ao encontro do outro. “Quando fala- vespa (ISE), está entre as 20 empresas mos em sustentabilidade, por exemplo, premiadas no Guia Exame de Susten- pensamos na preservação do meio tabilidade 2009 e apóia o Pacto Global, ambiente, na construção de uma ma- iniciativa da ONU cujo objetivo é incen- triz energética limpa e na promoção da tivar empresas a adotarem políticas de economia e da eficiência como formas responsabilidade social corporativa e de de assegurar um futuro livre de polui- sustentabilidade. Há mais de 20 anos en- ção. Mas pensamos também na re- gajado na defesa das questões ambien- lação com as comunidades afetadas tais, o Bradesco mantém parceria com pelos empreendimentos geradores de a ONG S.O.S Mata Atlântica, uma das energia, nos benefícios que podemos pioneiras no trabalho de proteção aos levar a cada recanto do país que rece- biomas brasileiros. O Bradesco integra be a eletricidade pela primeira vez e na ainda a Fundação Amazonas Sustentá- Luiz Carlos Trabuco Cappi construção de um ambiente de trabalho vel, cujo objetivo é promover a melhoria inspirador para todos os nossos cola- da qualidade de vida das comunidades ses da sociedade. A cada ano vemos boradores”, disse Muniz. moradoras e usuárias das unidades de mais empresas aderindo aos conceitos conservação no Amazonas. Apoiar pro- modernos de governança. Se o nosso jetos de sustentabilidade e integrar a lista exemplo servir de estímulo, ótimo: nos do índice Dow Jones é um grande orgu- sentiremos bem com isso”, declarou. José Antonio Muniz lho para o banco. “O Dow Jones é um A Eletrobrás, associada à ACRJ certificado de que nosso negócio tem desde 1997, é integrante do Índice de bases sólidas, uma visão de negócio Sustentabilidade Empresarial da Boves- que privilegia o conjunto da sociedade. pa (ISE). Em 2006, criou o Comitê de Ou seja, está programado para se per- Sustentabilidade do Sistema Eletrobrás, petuar, na medida em que respeita todos com grupos de trabalho focados no os públicos de interesse, estabelecendo conceito das três dimensões da sus- compromissos com valores humanitários tentabilidade empresarial (triple bottom e de proteção ao meio ambiente”, disse line). Este Comitê empreende uma série o presidente do Bradesco, Luiz Carlos de ações que possibilitaram, dentre ou- trabuco Cappi. Benemérito da ACRJ, tras conquistas, a sua adesão ao Pacto Cappi afirma que o banco segue as me- Global, a inclusão no ISE, a elaboração lhores práticas de governança e respon- do primeiro relatório socioambiental do sabilidade social e acredita que todos Sistema Eletrobrás e a capacitação de devem participar, de alguma forma, do seus colaboradores na metodologia esforço pela preservação da civilização. GRI (Global Reporting Initiative), inter- “Não há novidade, apenas bom senso nacionalmente reconhecida como guia e compromisso prático com os interes- para a elaboração de relatórios de sus- 14 R E V I S TA D O E M P R E S Á R I O D A A C R J - D E Z E M B R O D E 2 0 0 9
  13. 13. RIO SUStENtáVEL CaPa 3 minutos com área de madeira de exportação. Nós íamos aumentar a oferta da madeira le- pecuária, que é o mais difícil. Se a nossa soja tiver o estigma que vem de desma- Carlos Minc gal e eles só comprariam madeira para tamento da Amazônia, não conseguire- exportar, baseada na madeira licencia- mos vender óleo de soja na Europa e da de origem conhecida de planos e nos Estados Unidos. O meu recado é: Cida Belford manejos. Assinamos um pacto público empresários, sigam o exemplo dos se- com a Federação Nacional de Seguros tores que realmente estão avançando, A contribuição de cada um e o sindicato do Rio de Janeiro. Eles introduzindo tecnologia limpa, cogera- O consumo consciente e a respon- só vão fazer seguro para as empresas ção, eficiência energética, declarando e sabilidade de cidadania são básicos. É que estiverem com o licenciamento reduzindo suas emissões. muito bom que o cidadão se proponha ambiental em dia, se estiverem enfren- metas, como melhorar sua coleta, com tando seu passivo ambiental, que não O Brasil é protagonista a separação domiciliar do lixo; regular usem substâncias muito agressivas Reduzimos muito o desmatamento o motor do carro para emitir menos; ao meio ambiente. Isso é fundamental, da Amazônia, estamos em uma po- comprar o eletrodoméstico mais efi- pois estamos dando condições mais sição ofensiva, mas parece uma coi- ciente. Hoje, no Rio de Janeiro, só 4% vantajosas para aquelas empresas que sa distante. Quando o estado de São das famílias separam lixo em casa. É têm tecnologias mais seguras, mais lim- Paulo diz que vai reduzir, é interessante. muito pouco. todos nós temos que ter pas, em relação ao meio ambiente, ao Eles vão reduzir queimada de cana, vão nossas metas, porque o planeta está pulmão das pessoas e as emissões de fazer cogeração das indústrias. Quan- ameaçado. CO2 para o planeta. Fizemos um acor- do a cidade do Rio diz que vai reduzir, Quando a gente diz que o IPI, os do público com os bancos privados, começa a ficar mais perto do dia-a-dia juros, o crédito podem ser ousados, através da Federação Brasileira dos das pessoas. A questão climática é uma para ajudar a política ambiental, não Bancos (Febraban), conhecido como questão dos governos, das empresas, significa reduzir tudo, porque senão o Protocolo Verde dos bancos. Então, da sociedade e das famílias. Estado quebra. As áreas econômica e os bancos também se comprometem Ninguém acreditava que o Brasil financeira têm que calibrar as reduções a só dar crédito e financiar atividades ia apresentar metas. A posição mais com a temperatura do mercado, com sustentáveis àquelas empresas cujas pró-ativa era minoritária na sociedade a margem de produção e com a oferta ações não impliquem em desmatamen- e no governo. É bom frisar isso. En- existente. A minha questão é criar me- to, agressão, degradação ambiental. tão, houve um esforço muito grande. canismos para estimular o consumo Esse conjunto de atividades aca- A sociedade civil começou a se mobi- consciente, de baixo carbono e bai- ba sendo, às vezes, mais eficiente do lizar, querendo que o Brasil desempe- xo impacto ambiental. Então, vamos que mil policiais, do que 300 fiscais do nhasse um papel mais forte no Fórum cortar o IPI do carro elétrico, desone- Ibama, porque todo empresário, prati- de Mudanças Climáticas. O professor rar os equipamentos eólicos e solar, e camente, precisa de crédito, de seguro Luiz Pinguelli, a Suzana Khan, a nossa também o material reciclado. O Brasil para seus equipamentos, suas mer- Secretária Nacional de Clima, e outros, não pode perder ‘o vento da história’. cadorias transportadas. Se o setor de mobilizaram as áreas dentro do gover- Somos a terra dos ventos, do sol, da seguros e o bancário incorporam vari- no e nós mostramos ao presidente Lula biomassa. áveis ambientais, climáticas aos seus e à ministra Dilma que os países do padrões, rotinas e critérios, isso signi- Grupo dos 77 não ficariam ofendidos Compromisso da classe fica que os mecanismos da economia se o Brasil ousasse mais, desde que empresarial estão incluindo a prevenção ambiental. não impuséssemos a eles metas ou os O empresariado tem dado mostras Várias empresas tem declarado que criticássemos. A agricultura aumenta a que quer realmente participar. Alguns querem também metas. Mas ainda há produtividade com a recuperação de exemplos: fizemos a moratória da soja uma distância entre a intenção e o ges- áreas degradadas, integração lavoura- com os exportadores de soja na Ama- to. todo mundo faz juras de amor ao pecuária, plantio direto. A siderurgia zônia e eles cumpriram a moratória. A planeta. Então, vamos cobrar para ver ganha produtividade com aço verde. soja deixou de ser fator de desmata- tudo isso realmente acontecer. A gente tudo isso pode ser um a marca bra- mento na Amazônia. também fizemos fez o pacto da soja, o da madeira e o do sileira. O Brasil avançou e apresentou um acordo com os empresários da minério. Agora, só falta o acordo com a essas metas. R E V I S TA D O E M P R E S Á R I O D A A C R J - D E Z E M B R O D E 2 0 0 9 15
  14. 14. ConheCiMento Centro do Rio, e provocou muita curio- sidade. Para explicar os impostos e ti- rar dúvidas, um grupo de empresários da ACRJ, liderado pelo presidente da Conaje, Eduardo Machado, e pela pre- sidente do Conselho de Jovens Empre- endedores da ACRJ (Conjove), Vanes- sa Rouvier, passou o dia na estação. O público ficou surpreso com os im- postos embutidos em produtos como a Feirão do gasolina, que custa R$ 2,52 o litro e tem 53,03% (R$ 1,34) do seu valor destinado imposto 2009 a tributos, ou a carne, que sofre taxação de 17,47%. O bancário Roberto Ferreira lembrou que, em países como a Suécia, os impostos também são altos, mas a O presidente da Conaje, Eduardo Machado (à esq) e o conselheiro do Conjove/ACRJ, sua população tem acesso aos serviços Paulo Protásio Filho, (centro), orientam consumidores básicos necessários ao seu desenvol- vimento. “Quando, aqui no Brasil, uma A Constituição estabelece o direito impostos propicia ineficiência econômi- autoridade se internaria em um hospital de todo cidadão de saber quanto paga ca, subornos, corrupção, desemprego público para ter seu filho?”, indagou. de impostos. Afinal, são esses impos- e pobreza. De uma maneira impercep- Outra atração do evento foi o impos- tos, pagos pelos contribuintes, que ge- tível são os cidadãos comuns que sus- tômetro (www.impostometro.org.br), ram recursos para os serviços públicos tentam a nação com mais da metade serviço disponibilizado pela Associação em áreas como educação, saúde, se- dos seus rendimentos. Uma quantia Comercial de São Paulo e pelo Institu- gurança e transportes, e para sustentar exagerada que poderia ser utilizada na to Brasileiro de Planejamento tributário. os gastos do Estado. No entanto, falta fomentação da economia e na geração Em um computador, as pessoas pude- transparência na divulgação dessas in- de emprego”, critica o especialista. ram verificar o total arrecadado em im- formações. A ACRJ, por meio dos seus conse- postos, desde 1º de janeiro deste ano, Segundo dados da Comissão Eco- lhos empresariais, tem promovido vá- nos estados ou municípios brasileiros, e nômica para a América Latina e o Cari- rios eventos, como seminários, pales- descobrir o que poderia ser construído be (Cepal) da ONU, a carga tributária no tras e debates, para discutir a questão com esses valores, como por exemplo, Brasil corresponde a 36% do Produto dos impostos, que sobrecarregam pro- casas populares, escolas ou hospitais. Interno Bruto (PIB) do país e é a maior fissionais e empresas, buscando reunir Segundo a presidente do Conjove, a da América Latina. Com tamanha arre- propostas e soluções que contribuam realização de eventos como o Feirão do cadação, a consequência natural seria para a tão necessária reforma tributária. Imposto é importante para conscientizar a o investimento desses recursos para Com esta perspectiva, no início de população sobre a alta taxa tributária em- garantir serviços públicos de qualidade. outubro, a ACRJ, por meio do seu Con- butida nos produtos e incentivá-la a mu- Mas, não é o que se constata. selho de Jovens Empreendedores, se dar essa situação, cobrando a aplicação O advogado tributarista Condor- uniu à Confederação Nacional de Jo- eficiente dos recursos e a redução dos cet Rezende, presidente do Conselho vens Empresários (Conaje), para realizar tributos. “O cidadão precisa saber que de Assuntos Jurídicos e tributários da a 7ª edição do Feirão do Imposto. Lan- pode ter voz e que algo pode ser feito, ACRJ, alerta que o cidadão comum ain- çado no Rio, o Feirão foi realizado no por meio do voto, por exemplo. A partir do da não sabe que é ele o principal contri- dia seguinte em mais de cem cidades momento que ele tem acesso à informa- buinte de todos os impostos. Esse fato brasileiras, simultaneamente. ção, passa a ter base para tomar uma de- acontece porque o valor dos impostos O Feirão do Imposto, que reuniu cisão. A carga tributária também ocasiona já está embutido nos preços dos su- de produtos alimentícios a aparelhos o desemprego, porque as empresas es- permercados, shoppings, lojas, etc. “O eletrônicos, foi instalado na movimen- tão cada vez mais enxutas para poderem método brasileiro de recolhimento de tada estação do Metrô da Cinelândia, se manter no mercado”, afirmou. 16 R E V I S TA D O E M P R E S Á R I O D A A C R J - D E Z E M B R O D E 2 0 0 9
  15. 15. ConheCiMento Conselho de Comércio da aCRJ também discute a carga tributária Mariana Santos O Conselho Empresarial de Co- mente sobre as camadas de menor carga tributária do contribuinte”, criti- mércio de Bens e Serviços da ACRJ, renda do que sobre as classes de cou Luiz Paulo Corrêa. presidido por Aldo de Moura Gonçal- renda mais elevada. tal situação é O nível da carga tributária do Brasil ves, se reuniu no dia 2 de dezembro ainda realçada pelo fato de a regres- é comparável ao de países desenvol- com o deputado estadual (PSDB) e sividade ser mais elevada nas áreas vidos. Enquanto o PIB em 2008 foi de presidente da comissão de tributa- metropolitanas localizadas nas regi- R$ 2,88 trilhões, a arrecadação tributá- ção, Controle da Arrecadação esta- ões mais pobres do país. ria bruta do país foi de R$ 1,034 trilhão. dual e Fiscalização dos tributos esta- O sistema de cobrança de im- A receita do setor público cresceu em duais, Luiz Paulo Corrêa, para discutir postos faz com que o consumo seja uma velocidade maior que a do cres- o peso da carga tributária no Rio de mais tributado do que a renda. Logo, cimento da economia. Enquanto o PIB Janeiro e no país. pessoas com rendimento menor pa- cresceu 5,1% em 2008, a arrecadação Para o deputado, o sistema tri- gam relativamente mais impostos do tributária nos três níveis de governo su- butário opera de maneira regressiva que aqueles com ganhos maiores. biu 8,3%. O sistema tributário brasileiro sobre a população, recaindo, em “A injustiça tributária no Brasil é tris- é composto por 61 tributos federais, termos relativos à renda, mais forte- te. Quanto mais alta a renda, menor a estaduais e municipais. R E V I S TA D O E M P R E S Á R I O D A A C R J - D E Z E M B R O D E 2 0 0 9 17
  16. 16. ConheCiMento uma radiografia do Comércio Mariana Santos Ele lembrou que, desde a mudan- com a Pesquisa Mensal de Empre- ça da capital para Brasília em 1960, go – PME/IBGE, o número de jovens o Rio vem passando por um contínuo ocupados formal e informalmente caiu, Mauro Osório, Aldo Gonçalves e Marta Arakaki processo de perda de participação entre março de 2002 e setembro de na economia brasileira. Entre 1970 e 2009, de 356 mil para 322 mil ocupa- Levantamento comparativo das 2006, o PIB da cidade registrou uma dos, o que revela a importância de se dez principais capitais do país (Rio de queda de participação de 62,5% no criar alternativas e perspectivas para os Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, PIB nacional, uma trajetória que deriva jovens da cidade, principalmente para Curitiba, Brasília, Salvador, Fortaleza, da transferência da capital e da carên- os moradores de regiões dominadas Porto Alegre, Recife e Manaus) realiza- cia de estratégias de fomento ao seu pelo tráfico ou por milícias. do pelo Clube de Diretores Lojistas do desenvolvimento econômico-social. Outro dado a destacar é a amplia- Rio de Janeiro (CDL-Rio), apontou que Mauro Osório destacou que o setor ção da presença de pessoas com fai- o crescimento da atividade econômica de comércio varejista é um forte em- xa etária mais elevada. O número de do Rio, nos últimos 10 anos, alcançou pregador de jovens. De acordo com trabalhadores no comércio com 50 12,5%, enquanto os demais estados dados da Rais para 2008, enquanto anos ou mais, com carteira assinada, é mantiveram uma média de 38,6%. para o total de atividades econômicas o que registra o crescimento mais ex- O estudo, batizado de Radiografia existentes na cidade do Rio, apenas pressivo (66,1%) entre todas as faixas do Comércio e abrangendo o período 13,6% encontram-se na faixa de 18 a etárias, de 1998 e 2008. de 1998 a 2008, foi apresentado pelo 24 anos de idade, no comércio varejis- No subtotal de micro empresas, o economista da UFRJ e consultor do ta esse percentual é de 30,1%. “O Rio crescimento no Rio, entre 1998 e 2008, CDL-Rio, Mauro Osório, na reunião do de Janeiro e a região metropolitana vêm é de apenas 4,6%, contra 33,1% na ci- Conselho Empresarial de Comércio de recebendo uma série de investimentos dade de São Paulo e 18,9% de Belo Ho- Bens e Serviços da ACRJ, presidido que podem contribuir, principalmente rizonte. De acordo com Osório, a pouca por Aldo Gonçalves, que contou com com o refinamento de estratégias, para evolução das microatividades formais a participação da presidente do Con- sua dinamização econômica e melhoria no Rio é fruto da falta de dinamismo selho de Micro e Pequenas Empresas nas condições de vida da população econômico em diversas regiões da ci- da entidade, Marta Arakaki. carioca em todas as suas localidades”. dade, como no subúrbio, e de questões A pesquisa, cujo objetivo é dar em- O comércio varejista também tem vinculadas à formalização de empresas basamento a estratégias de fomento ao conquistado expressiva melhoria na em determinadas localidades. desenvolvimento do Comércio no Rio qualificação profissional dos trabalha- de Janeiro, utilizou dados da Relação dores do setor. Em 1998, cerca de Anual de Informações Sociais (Rais), 32,1% deles tinham o ensino médio do Ministério do trabalho e do Em- completo, já em 2007 o percentual prego. Os resultados ficaram aquém subiu para 58,5%. Para Osório, este é do esperado. “Estamos preocupados um dado importante, primeiro pelo atu- com esse crescimento de 12,5%. O al cenário de crise; segundo, pelo fato Rio ficou em último lugar no percentual de que, o Brasil e suas metrópoles, de crescimento da atividade econômi- ao serem comparados com países de ca. Chegou a hora de consolidarmos similar nível de desenvolvimento, apre- um projeto de desenvolvimento para a sentam um problema particular no que cidade em um momento bastante fa- diz respeito ao emprego para jovens; vorável”, disse o economista. e por último porque no Rio, de acordo 18 R E V I S TA D O E M P R E S Á R I O D A A C R J - D E Z E M B R O D E 2 0 0 9
  17. 17. ConheCiMento desconsideração da Pessoa Jurídica Cida Belford trimento do consumidor, houver abuso disso, temos presente a necessidade de direito, excesso de poder, infração de avançarmos culturalmente e esse da lei, fato ou ato ilícito ou violação dos avanço passa justamente pelo respeito estatutos ou contrato social. Já o Có- às regras estabelecidas. É isso o que digo Civil, artigo 50 (Lei 10.406/2002) objetivamos”, frisou. Ministro Marco Aurélio Mello tem como pressupostos básicos para a A falta de fundamentação de juízes aplicação da teoria o desvio de finalida- trabalhistas na aplicação da teoria da de e a confusão patrimonial. desconsideração da pessoa jurídica O presidente do Conselho Empre- também foi criticada. O ministro Marco Para debater a teoria da descon- sarial de Assuntos Jurídicos e tributários Aurélio Mello reafirmou que toda decisão sideração da pessoa jurídica, a ACRJ da ACRJ, Condorcet Rezende, lembrou judicial deve ser bem fundamentada. “A realizou, no início de novembro, o Se- que o Código tributário, em seu artigo fundamentação é necessária. Para trans- minário Desconsideração da Pessoa 135, também fundamenta a aplicação ferir-se a responsabilidade trabalhista do Jurídica, que reuniu magistrados, advo- da desconsideração em caso de fraude. tomador dos serviços para a pessoa do gados, especialistas e empresários. O texto diz que quando existe a culpa sócio, para a pessoa da empresa inte- A desconsideração da pessoa jurí- comprovada dos administradores, a res- grante do grupo econômico, nós temos dica pode ser utilizada por um juiz com ponsabilidade fiscal passa a ser imputa- que ter base legal, temos que ter base o objetivo de penhorar os bens do re- da diretamente a eles, “mas sempre que nos fatos verificados e que se amoldem clamado e assegurar o pagamento de provada a culpa”, ressalva Condorcet. à lei, ao figurino legal”, declarou. dívidas aos credores da organização Na mesma linha, o conselheiro da Na Câmara Federal tramita um pro- devedora. No entanto, esse recurso ACRJ Guilherme Stussi Neves ressal- jeto de lei que visa frear os excessos vem sendo usado sistematicamente tou a importância da comprovação da cometidos na aplicação da desconsi- pelo Judiciário que, em muitos casos, fraude para a aplicação da teoria da deração da pessoa jurídica, mas a juíza criticam os especialistas, não funda- desconsideração. “É de extrema im- trabalhista thereza Christina Nahas não menta de maneira clara a sua decisão. portância a prova da fraude, do desvio vê a necessidade de novos PL’s. “Não Um empresário pode ser gravemen- ou da intenção e não somente julgar o precisamos de uma nova lei. Basta que te prejudicado, quando o mesmo, ain- empresário que não teve sucesso com se cumpram as já existentes”, concluiu. da que tenha deixado a sociedade em seu negócio. A empresa estar insolven- O seminário, mediado pela advoga- um negócio ou seja apenas um acionis- te não significa necessariamente que da e Benemérita da ACRJ Dora Martins ta minoritário de uma organização, tem se deve desconsiderar completamente de Carvalho, foi dividido em cinco pai- sua conta bancária bloqueada por uma a pessoa jurídica”, frisou. néis: Abusos na aplicação indiscrimi- ordem judicial, uma espécie de penho- Um problema observado pelos pa- nada da teoria da desconsideração da ra on line, em função de dívidas adqui- lestrantes, durante o encontro, é o fato pessoa jurídica; Responsabilização por ridas pela empresa da qual foi sócio ou de o Judiciário não observar o direito dívidas trabalhistas; Embargos à execu- é acionista, mesmo sem ter qualquer de ampla defesa do empresário. De ção e exceção de pré-executividade; relação com a dívida. acordo com o Ministro do Supremo Necessidade do devido processo legal O artigo 28 do Código de Defesa tribunal Federal (StF), Marco Aurélio e ampla defesa nos processos admi- do Consumidor (Lei nº 8.078/1990) diz Mello, a atuação do Fisco deve ser fi- nistrativos fiscais e judiciais e Respon- que o juiz pode desconsiderar a pessoa dedigna à Constituição. “Quando nos sabilização de sócios e administradores jurídica da sociedade quando, em de- reunimos para trocar ideias a respeito por dívidas fiscais. R E V I S TA D O E M P R E S Á R I O D A A C R J - D E Z E M B R O D E 2 0 0 9 19

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