Roots, 2012

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Apresentação dos trabalhos de Arqueologia realizados por uma equipa Dryas no Valle da Gafaria (Lagos), na lixeira urbana dos séculos XV/XVI de que se recuperaram os vestígios esqueléticos de 156 escravos africanos trazidos para o reino no início do fenómeno histórico do tráfico transatlântico de escravos.

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Roots, 2012

  1. 1. A escravatura ontem e hoje:o contributo da escavação da lixeira moderna em Lagos para documentar a diáspora africana •Miguel ALMEIDA •Maria João NEVES •Maria Teresa FERREIRA
  2. 2. a diáspora africana CONHECIMENTO BASEADO EM DOCUMENTOS HISTÓRICOS RARIDADE DE VESTÍGIOS ARQUEOLÓGICOS QUE DOCUMENTEM DIRECTAMENTE A DIÁSPORA AFRICANA Vigilante, 1822 - disponível em http://www.slavevoyages.org/tast/resources/images.faces
  3. 3. o parque de estacionamento do Anel Verde INTERVENÇÃO PREVENTIVA  JUSTIFICAÇÃO: PARQUE DE ESTACIONAMENTO SUBTERRÂNEO  AFECTAÇÃO: ESCAVAÇÃO INTEGRAL  IMPACTO: ESTRUTURAS, “LIXEIRA” E VESTÍGIOS OSTEOLÓGICOS
  4. 4. o sítio do Anel Verde  UMA AMPLA LIXEIRA URBANA  INSTALADA NUM INTERFLÚVIO  UM ESPAÇO EM CONSTANTE FORMAÇÃO E EVOLUÇÃO CONTEXTO GEOARQUEOLÓGICO MUITO COMPLEXO!
  5. 5. locais de enterramento DOIS LOCAIS DE ENTERRAMENTO  UM RELACIONADO COM A GAFARIA  OUTRO RELACIONADO COM A LIXEIRA
  6. 6. a lixeira  ÁREA SUPERIOR A 1500 M2  SUCESSIVOS DESPEJOS ANTRÓPICOS  DESPERDÍCIOS DOMÉSTICOS E URBANOS  DEFORMAÇÕES PÓS-DEPOSICIONAIS IMPORTANTES  PREENCHIMENTO DE UMA GRANDE CAVIDADE - “BOQUEIRÃO”  ESTRATIFICAÇÃO COM UMA POTÊNCIA SUPERIOR A 6 METROS
  7. 7. identificação de um cemitério de escravos ENTERRAMENTOS NO SEIO DE UMA LIXEIRA URBANA DESRESPEITO DAS REGRAS DE ENTERRAMENTO CANÓNICAS ITEMS AFRICANOS CARACTERÍSTICAS MORFOMÉTRICAS + MODIFICAÇÕES DENTÁRIAS ESCRAVOS AFRICANOS
  8. 8. os inumados Idade à morte em sub-adultos  N=155 INDIVÍDUOS 15  99 ADULTOS (64%) 10  56 SUB-ADULTOS (36%) N  SEXO: 5 42% INDETERMINADOS PREDOMÍNIO DO SEXO MASCULINO (EM CAMPO) 0 0 - 1 ano 1 - 4 anos 5 - 9 anos 10 - 14 anos 15 - 19 anos Idade à morte em adultos 40 30 N 20 10 0 20-30 anos 30-40 anos >40 anos Sexo Indeterminado Masculino Feminino
  9. 9. decomposição  DECOMPOSIÇÃO EM ESPAÇO FECHADO  MANUTENÇÃO DAS ARTICULAÇÕES LÁBEIS  MANUTENÇÃO DOS OSSOS DENTRO DO VOLUME CORPORAL  AUSÊNCIA DE LESÕES PROVOCADAS POR NECRÓFAGOS OS CADÁVERES NÃO FORAM DEIXADOS À SUPERFÍCIE
  10. 10. deposição dos cadáveres  DEPOSIÇÕES PRIMÁRIAS
  11. 11. deposição dos cadáveres  DEPOSIÇÕES PRIMÁRIAS  DIVERSIDADE A NÍVEL DA ORIENTAÇÃO DAS DEPOSIÇÕES N-S NO NE- -SE SO O-E E-O SO- SE- NE NO Orientação dos inumados S-N
  12. 12. deposição dos cadáveres  DEPOSIÇÕES PRIMÁRIAS  DIVERSIDADE A NÍVEL DA ORIENTAÇÃO DAS DEPOSIÇÕES  VARIEDADE DE FORMAS DE DEPOSIÇÃO DO CADÁVER
  13. 13. deposição dos cadáveres  DEPOSIÇÕES PRIMÁRIAS  DIVERSIDADE A NÍVEL DA ORIENTAÇÃO DAS DEPOSIÇÕES  VARIEDADE DE FORMAS DE DEPOSIÇÃO DO CADÁVER  VARIABILIDADE IMPORTANTE DA POSIÇÃO DO CRÂNIO E DOS MEMBROS
  14. 14. posições de inumação dos escravos DEPOSIÇÕES CUIDADAS Vs DEPOSIÇÕES NÃO CUIDADAS
  15. 15. posições de inumação dos escravos AS POSIÇÕES DE INUMAÇÃO REVELAM A HISTÓRIA DO LOCAL INDÍCIOS CLAROS DE DESCARTE DOS CADÁVERES
  16. 16. posições de inumação dos escravosINDÍCIOS DE DEPOSIÇÃO DE INDIVÍDUOS AMARRADOS
  17. 17. posições de inumação dos escravosPOSIÇÕES DE INUMAÇÃO COMPATÍVEIS COM GRAVURAS ANTIGAS
  18. 18. discussão UTILIZAÇÃO DA LIXEIRA PARA ENTERRAR ESCRAVOS AFRICANOS UTILIZAÇÃO SINCRÓNICA E DIACRÓNICA
  19. 19. tratamento funerário dado aos escravos RELATOS DE ABANDONO DOS MORTOS E DE POUCOS CUIDADOS COM O FUNERALFACE A UMA MORTALIDADE ELEVADA A SOLUÇÃO PASSAVA POR DEIXAR OS CADÁVERESINSEPULTOS OU ABANDONADOS DECRETO RÉGIO DE D. MANUEL I “fazer um poço o mais fundo que pudesse ser, no lugar que fosse mais conveniente e de menos inconvenientes, no qual se lançassem os ditos escravos” disponível em http://hitchcock.itc.virginia.edu/Slavery
  20. 20. discussão  VALOR SOCIAL DOS ESCRAVOS ERA MUITO REDUZIDO (SOBRETUDO DOS RECÉM-CHEGADOS)  VARIABILIADE DOS MODOS DE DEPOSIÇÃO INDICIAM CUIDADOS DIFERENCIADOS NOS FUNERAIS FUNERAIS FEITOS PELAS CONFRARIAS DESCARTES DE CADÁVERES Indíviduos recém-aportados ainda não transaccionados
  21. 21. discussão NÚMERO REDUZIDO DE CEMITÉRIOS ESCAVADOS NÚMERO REDUZIDO DE ESCAVAÇÕES RECENTES EUA – MATERIAL REENTERRADO 1712-1794 1772-1830
  22. 22. valle da gafaria em Lagos CONDIÇÕES ÚNICAS PARA DOCUMENTAR O MODO DE VIDA DOS INDÍVIDUOS ESCRAVIZADOS PSICO-SOCIOLOGIA DA MORTE MODO E CONDIÇÕES DE VIDA DOS ESCRAVOS disponível em http://hitchcock.itc.virginia.edu/Slavery
  23. 23. em curso DOCUMENTAÇÃO DO TRATAMENTO FUNERÁRIO DADO AOS ESCRAVOS AFRICANOS MODO DE VIDA DOS ESCRAVOS NO SÉC. XV A XVII EM PORTUGAL ORIGEM GEOGRÁFICA GRUPOS POPULACIONAIS O sítio do Vale da Gafaria MODOS DE VIDA proporciona uma perspectiva PERFIL BIOLÓGICO PALEOPATOLOGIA dos acontecimentos particulares da história de vida e morte de cada um dos indivíduos recuperados. A sua correcta interpretação exige a continuação do programa global de investigação.BETA 276508 (2σ)2.910 a 2.860 – 1.420 a 1.480 cal BCFragmento de costela
  24. 24. Financiamento: Fundação Calouste Gulbenkian Estacionamentos de Lagos, S.A. Dryas OctopetalaFCT -Fundação da Ciência e Tecnologia

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