Mens aGeiR o LUteRano | ano 94 | nº 1.154Dezembro2010                                                        Leia nesta eD...
| AO LEITOR |                                                                                                       Nilo W...
| MENSAGEM DO PRESIDENTE |                                                                           Egon Kopereck        ...
| VIDA COM DEUS |                                                                              Luisivan Vellar Strelow    ...
| ADORAÇãO E LOUVOR |Os elementos daSanta Ceia                                                                            ...
| MEDITAÇãO |                                                                    É Natal...                               ...
O verDADeirO PreSeNte                                                                        do amor; é a chegada do Filho...
| MEDITAÇãO |                                                                                                             ...
| EM FOCO |                                                          Marcos Schmidt                                       ...
| CAPA |                                                                                                          FOTO: Ar...
No plano de Deus, a nossa salvação passa pela humanação    de seu único Filho Jesus Cristo, o qual não deixou de ser Deus,...
| CAPA |     Estamos esperando, portanto, a sua           ele vier na segunda vez, em majestade e glória,   bendito aquele...
| MÚSICA NA IGREJA |Música, tambémuma forma de orar                                                                       ...
| ESCRITURAS SAGRADAS |                                   A complexa                                   questão do         ...
à extensão da Bíblia, especialmente do Antigo       igrejas, ou, então, da Igreja em que se é mem-      divisões da Bíblia...
| ESCRITURAS SAGRADAS |                                                                                                   ...
A renomada tradução inglesa co-nhecida como King James Version, de                                                        ...
| ESCRITURAS SAGRADAS |                                 Lu ter oea                                      uçã o da          ...
O Antigo Testamento foi traduzido ao longo                                                          tos da Dieta de Augsbu...
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  1. 1. Mens aGeiR o LUteRano | ano 94 | nº 1.154Dezembro2010 Leia nesta eDição 16A complexa questão do cânone. Num certo sentido, échocante ver que os cristãos não conseguem concordarquanto à extensão da Bíblia, especialmente do AntigoTestamento. Por que isso é assim?05 MENSAGEM DO PRESIDENTE ADORAÇãO E LOUVOR06 VIDA COM DEUS VIDA EM FAMÍLIA A comunhão horizontal Os elementos 0708 MEDITAÇãO11 EM FOCO da Santa Ceia12 CAPA15 MÚSICA NA IGREJA SERVIÇO DE CAPELANIA23 IELB 201128 Hospital: um 32 SERVIÇO SOCIAL30 EDUCAÇãO TEOLÓGICA lugar diferente e desafiador31 PERGUNTA34 TESTEMUNHO IGREJAS PELO MUNDO41 RESPINGOS DA HISTÓRIA St Paul, 4446 IELB NO MUNDO Des Peres 3847 DIA DA BÍBLIA48 BÍBLIA HOJE50 VIRANDO A PÁGINA Mensageiro | DezeMbro 2010 3
  2. 2. | AO LEITOR | Nilo Wachholz Editor-Redator | editor@editoraconcordia.com.br Tempos de mudanças Vivemos dias de mudanças muito rápi- amor, no seu gracioso perdão, na salvação e das em todos os lugares e setores da vida. na vida que dura para sempre. A velocidade das mudanças nas tecnologias Neste contexto e nesta visão, o Mensagei- da informação e do conhecimento humano ro Luterano, que, com esta edição completa e.COM ultrapassam as previsões mais otimistas que 93 anos de existência, chega ao número de - DreAMsTiM alguém poderia fazer. E estas atingem não só circulação 1.154 e abre o ano 94 de sua his- as formas e os meios, mas os próprios valo- tória, também traz algumas mudanças para ll MeDveDev res do relacionamento humano, em todas as apreciação dos nossos leitores. esferas: familiar, social, cultural, profissional O objetivo é facilitar a leitura, interagir PA: © Kiri e religioso. mais com o nosso leitor, oferecer um visual FOTO DA CA Se, sob alguns aspectos, isso é motivo mais leve e arejado, valorizar mais textos e para preocupações e que nos colocam diante imagens, entre outros benefícios. de muitas dificuldades, por outros, estamos Acreditamos que o Caderno de Notícias diante de desafios, ferramentas e oportuni- da IELB, o Caderno da LLLB (nesta edição) e o determinado caderno de seu interesse, fica dades nunca antes imaginadas. Mensageiro das Crianças, encartados, mas não mais fácil atender a esse pedido. Portanto, cabe-nos buscar discernimento, grampeados no miolo, dão mais flexibilidade Portanto, está aí o Mensageiro Luterano em conselhos e sabedoria do Alto, para fazer o me- e mobilidade no uso do ML como um todo. edição especial de aniversário. Agradecemos a lhor ao nosso alcance, com os melhores meios Pois, dependendo do contexto e das pessoas todas as pessoas e instituições que nos ajuda- e formas que pudermos usar, para preservar e com quem o leitor quer repartir o conteúdo ram a fazer este número histórico. divulgar os valores éticos, morais e religiosos do miolo, de um ou mais encartes, é possível Com gratidão e alegria, se Deus o permi- que herdamos e nos quais acreditamos. E aci- usá-los em separado, sem prejuízo das demais tir, voltamos com a edição dupla de janeiro e ma de tudo, proclamando ao mundo de hoje, informações. Além disso, se uma congregação, fevereiro 2011! o Cristo que veio para acolher a todos no seu distrito ou região, quiser mais exemplares de Um feliz e abençoado Natal! Mensageiro Luterano iSSn 1679-0243 Órgão oficial da igreja evangélica luterana do Brasil (ielB) de periodicidade mensal (exceto janeiro e fevereiro - edição única). registrado sob nº 249, livro M, nº 1, em Editora IGREJA EVANGÉLICA LUTERANA DO BRASIL dezembro de 1935, no registro de títulos e documentos do rio de Janeiro, conforme o decreto-lei de imprensa nº 24776 de 14/07/1934. Concórdia Filiada a associação de editores cristãos (asec) projEto E produção GráFiCa editora concórdia ltda. EndErEço rua cel. lucas de oliveira, 894 rEdação mensageiro@editoraconcordia.com.br EndErEço av. são Pedro, 633, Bairro são Bairro Mont’serrat, ceP 90440-010 Editor Nilo Wachholz - Mtb 42140/sP Geraldo, ceP 90230-120, Porto alegre, rs Porto alegre, rs, Brasil aSSiStEntE Editorial daiene Bauer Kühl - Mtb 14623/rs FonE/Fax (51) 3272 3456 FonE (51) 3332 2111 / Fax: (51) 3332 8145 rEviSão aline lorentz sabka SitE www.editoraconcordia.com.br SitE www.ielb.org.br jornaliSta-diaGramador leandro da rosa camaratta twittEr twitter.com/edconcordia twittEr twitter.com/ielB_Brasil Email editora@editoraconcordia.com.br E-mail ielb@ielb.org.br dESiGnEr christian schünke ColaboradorES FixoS Bruno ries, carlos W. Winterle, luisivan V. strelow, Marcos ComErCial comercial@editoraconcordia.com.br dirEtoria naCional 2010/2014 schmidt, Mona liza Fuhrmann, rosemarie K. lange, Vitor radünz, Waldyr Hoffmann prESidEntE egon Kopereck aSSinaturaS lianete schneider de souza dirEtoria ExECutiva Henry J. rheinheimer (presidente), clóvis J. Prunzel, 1º viCE-prESidEntE arnildo schneider loGíStiCa Marcelo azambuja 2º viCE-prESidEntE Geraldo Walmir schüler Nilo Wachholz, Nilson Krick e rubens José ogg GErEntE SECrEtário rubens José ogg aSSinatura no braSil anual r$ 49,00; Bianual r$ 92,00 Nilson Krick - nilson@editoraconcordia.com.br tESourEiro renato Bauermann aSSinatura para outroS paíSES anual Us$ 52,00; Bianual Us$ 100,00 dEpto FinanCEiro Joel Weber a ielB crê, confessa e ensina que os livros canônicos tiraGEm dESta Edição 12 mil exemplares Editor das escrituras sagradas, do antigo e do Novo Nilo Wachholz - editor@editoraconcordia.com.br testamento, são a Palavra infalível revelada por deus e a redação reserva-se o direito de publicar ou não o material a enviado, bem como ComiSSão Editorial aceita, como exposição correta dessa Palavra, os livros editá-lo para fins de publicação. Matérias assinadas não expressam necessariamente a adilson schünke, célia M. Bündchen, simbólicos da igreja evangélica luterana, reunidos no opinião da redação ou da administração Nacional da ielB. o conteúdo do Mensageiro clóvis J. Prunzel, Nilo Wachholz, Nilson Krick livro de concórdia do ano 1580. pode ser reproduzido, mencionados o autor e a fonte. e rubens José ogg4 Mensageiro | DezeMbro 2010
  3. 3. | MENSAGEM DO PRESIDENTE | Egon Kopereck Pastor Presidente da IELB| presidente@ielb.org.brA Bíblia é fundamentalpara a vida cristãA FOTO: ArquivO eDiTOrA COnCórDiA cabo de voltar de uma viagem pela Europa. Tive o privilégio de me encontrar, rapidamente, com os pastores e alguns congrega-dos da Igreja em Portugal e, pude participarda reunião do Comitê Executivo do Interna-tional Lutheran Council (ILC), na Alemanha,cidade de Wittenberg. Foi uma emoção muitogrande andar pelas ruas, ver coisas, igrejas,a universidade onde o reformador MartinhoLutero andou, viveu e lutou pela “Verdadeque liberta”. Nesta reunião da ILC, mais umavez destacamos a importância da Bíblia, aPalavra de Deus na vida da Igreja. BíBliA SAgrADA Quando Martinho Lutero iniciou a sualuta, todo o seu labor, a sua defesa e os seusargumentos estavam sempre fundamentados,firmados e alicerçados na Bíblia Sagrada. Elaera e é fonte de toda a doutrina, verdade, fée vida. Não é diferente em nossos dias. Muitomais importante do que discutirmos e pole- Queridos irmãos, queridas irmãs! Não é NAtAlmizarmos qual a melhor tradução da Bíblia é menosprezemos este tesouro que Deus E assim nos preparamos para festejar oincentivarmos, lutarmos e nos empenharmos deixou a nossa disposição. Não andemos Natal. Nestes dias de tanta correria, não permi-no sentido de que os cristãos leiam a Bíblia, no escuro. Usemos a luz que quer clarear tamos que as coisas do mundo, os preparativos,usem as Sagradas Escrituras, busquem nelas os nossos caminhos. Busquemos nela o a festa, os presentes e os enfeites, encubrama força, o fundamento, a luz para iluminar consolo, o conforto, o guia e a bênção. o verdadeiro sentido, o verdadeiro motivo – oseus caminhos e argumentos. Pratiquemos o que ela diz. E como Deus aniversariante. Deixemos, acima de tudo, Jesus Neste mês de dezembro, lembramos o “Dia disse para Josué, também na nossa vida Cristo brilhar, sobressair e ser lembrado.da Bíblia”. Nós cantamos com tanta força, com há de se revelar: “Medita nele dia e noite, Jesus é e deve ser o centro da nossa festa,tanto orgulho: “Santa Bíblia meu prazer, meu para que tenhas cuidado de fazer segundo dos nossos preparativos. Se não for assim, otesouro deves ser. Tu me dizes o que sou, donde tudo quanto nele está escrito; então, farás nosso Natal estará cheio de futilidades, correriavim e aonde vou” (HL 247). Nós repetimos mui- prosperar o teu caminho e serás bem suce- e preocupações, mas vazio do seu verdadeirotas vezes a bela definição do salmista, dizendo: dido” (Js 1.8). significado para esta vida e para a eternidade.“Lâmpada para os meus pés é a tua Palavra,e luz para os meus caminhos” (SL 119.105).Porém, será que esse tesouro é devidamentevalorizado por nós? De fato temos usado esta Feliz Natal a todos! O Natal do meu, do teu,lâmpada para iluminar nosso caminho rumo do nosso Salvador Jesus!à vida eterna? Onde está a nossa Bíblia? Ela éusada diariamente por nós? m Mensageiro | DezeMbro 2010 5
  4. 4. | VIDA COM DEUS | Luisivan Vellar Strelow Pastor da IELB | lstrelow@hotmail.com Diante dos cabelos grisalhos te levantarás, e honrarás a face do ancião, e temerás o teu Deus. Lv 19.32 Os que te amam brilham como o sol quando se levanta no seu esplendor. Jz 5.31 Idosos: honra, bênção e glória FOTO: ArquivO eDiTOrA COnCórDiA O s cabelos grisalhos, para os jamais passará. Os idosos que amam a Deus da terra: “Não temais; eis aqui vos trago que confiam nas promessas do brilham como o sol no amanhecer, porque boa-nova de grande alegria, que o será para Senhor, antecipam a coroa de aguardam não tanto o entardecer da vida todo o povo: é que hoje vos nasceu, na cidade glória eterna. O profeta Daniel terrena como, muito mais, o amanhecer da de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor” descreveu Deus como “o Ancião de dias” (Dn vida celestial. (Lc 2.10,11). Pela fé que temos em Jesus, a 7.9,13), uma expressão poética para referir-se Na Bahia, ainda hoje, os mais novos Palavra criadora de Deus que se fez carne (Jo ao Eterno em termos da experiência humana, dizem aos mais velhos: “a bênção, meu vô”, 1.14), vemos a glória de Deus: “um menino com relação à passagem do tempo. Também “a bênção, minha vó”. Os mais velhos, por nos nasceu, um filho se nos deu [...] e o seu muitos pintores retrataram o Criador como sua vez, respondem “Deus te abençoe, meu nome será [...] Pai da Eternidade, Príncipe da um homem grisalho. Ao honrar os idosos, filho”, “Deus te abençoe, minha filha”. Hon- Paz” (Is 9.6). Nasceu o menino que é o Pai da honramos ao Deus Eterno. rar os idosos é agradável a Deus, porque o Eternidade, que nos traz a maior de todas as Os cabelos grisalhos são, por um lado, Criador quis ser honrado por intermédio da bênçãos – o perdão, a ressurreição para a vida sinal da brevidade da vida na terra. O cin- honra que damos aos mais velhos. E estes, e a imortalidade – o qual recebe a mais elevada za dos cabelos nos lembra que somos honra (2 Tm 1.10; Fp 2.9-11). Quem crê em criaturas feitas de pó, que a morte tudo Jesus Cristo agrada a Deus; é aprovado reduz a cinzas. Por outro lado, os cabelos “Os idosos que amam a Deus brilham por Deus; recebe de Deus o bom testemu- grisalhos são símbolo da longevidade e como o sol no amanhecer, porque nho – o testemunho de ser justo e de se da eternidade. A cor prata dos cabelos tornar herdeiro da justiça que vem da fé, antecipa a coroa da salvação (Hb 11.6). aguardam não tanto o entardecer herdeiro da pátria celestial, herdeiro da Os idosos são um sinal para os jovens, da vida terrena como, muito mais, o ressurreição; para contemplar a Jesus, o tanto da brevidade da vida terrena amanhecer da vida celestial”. Filho do Homem, assentado no Trono de quanto da longevidade da vida eterna. Deus (Hb 11.1-12.2). Os cabelos grisalhos nos ensinam que A vida terrena se conta por dias que a nossa vida é como a das flores do campo, por não terem outros mais idosos do que amanhecem e se perdem no anoitecer. A mas que Deus é eterno e seus dias e a sua eles aos quais honrar, dão honra e glória vida com Deus se conta pelo amanhecer da misericórdia não têm fim. Separados de Deus, ao Deus Eterno. Da mesma forma, os mais fé, quando brilha para nós o Sol da Graça de já perdemos a vida. Em comunhão com Deus, velhos abençoam os mais novos, até que os Deus, Jesus Cristo, Filho de Deus, misericor- já vencemos a morte, pois nada poderá nos bebês que não têm a quem abençoar, são eles dioso com todos os pecadores (Lm 3.22; Hb separar do amor de Deus em Cristo. mesmos, para cada família, a mais preciosa 4.14-16). O brilho de cada dia logo passa, o Os cabelos grisalhos nos chamam à bênção do Criador e Doador da vida. brilho do dia da salvação é eterno, e os que reflexão sobre a vida terrena, que passa O Natal é a notícia da bênção mais preciosa aguardam o amanhecer da glória eterna tam- rapidamente, e sobre a vida com Deus, que que não alegra uma, mas todas as famílias bém brilharão por toda a eternidade. m6 Mensageiro | DezeMbro 2010
  5. 5. | ADORAÇãO E LOUVOR |Os elementos daSanta Ceia FOTO: ArquivO eDiTOrA COnCórDiADaviD KarnoppMembro da Comissão de Culto da IELBPastor em Vacaria, RSN o Catecismo Menor, aprendemos guardavam em re- que “a Santa Ceia é o verdadeiro cipientes lacrados corpo e sangue de nosso Senhor e depois o coloca- Jesus Cristo, para ser comido e vam submersosbebido, sob o pão e o vinho...”. Pão e vinho são em poços de águaos elementos visíveis da Santa Ceia. Porém, as em temperaturaigrejas que proíbem qualquer bebida alcoólica abaixo de 10ºC,usam vários motivos para justificar o uso do que o conservavasuco em vez do vinho. Há também os que justifi- por vários meses.cam outros elementos em lugar do pão. A seguir, Esta seria maisvamos conhecer os principais argumentos. uma comprovação de que Jesus teria FrUtO DA viDeirA usado o suco. No Quando o Senhor Jesus instituiu a Santa entanto, ainda que o mosto fosse consumi- POr qUe USAmOS PãO e viNHO?Ceia, usou a expressão: “deste fruto da videira” do, o vinho velho, chamado de vinho bom, Quanto ao uso do pão(Mt 26.29). Esta era uma expressão usada pelos sempre era preferido (Lc 2.1-10). Está claro nas palavras da instituição:judeus para designar o vinho usado em festas “tomou o pão” (Mt 26.26). Portanto não ésolenes e casamentos. Muitos alegam que esta A FermeNtAçãO possível usar outro elemento em lugar do pão.é uma expressão genérica que se refere a todos Jesus instituiu a Ceia durante a Páscoa. Jesus usou pães que estavam à disposição, ouos derivados da uva, como o suco e até mesmo A lei da Páscoa (Ex 12.14-20; 13.7) proibia o seja, o pão sem fermento, pois era festa doso refrigerante a base de uva. uso do fermento durante o evento. A fermen- pães asmos (Lc 22.7). O pão com fermento era tação era símbolo da corrupção pecaminosa proibido só na Páscoa; em outras épocas, ele SUCO De UvA (Mt 16.6,12; 1Co 5.7,8). Apenas o pão asmo, era usado. E os discípulos continuaram cele- Há os que alegam que a palavra grega para ou seja, o pão sem fermento, era permitido. brando a Santa Ceia com os pães que tinhamvinho, oinos, teria o significado tanto de vinho, Muitos alegam que o vinho, sendo bebida à disposição, entre eles, o pão fermentado.como de suco de uva, este também chamado fermentada, também era proibido. Porém, o Assim, não está errado usar pão com fermen-de mosto ou vinho novo. Com isso, querem fermento citado é o do pão acrescentado à fa- to, mas, por coerência, é bom usar sempre adizer que Jesus teria usado suco e não vinho. rinha, e não o do vinho que é natural dele. hóstia que é um pão sem fermento.Porém, em Israel, a colheita da uva acontecepor volta de setembro e outubro, e a Páscoa em CUltUrA JUDAiCA Quanto ao uso do vinhomarço e abril. Assim, não havia como impedir a Há também os que alegam que o pão e o Nas festas sagradas e nos casamentos, osfermentação do vinho durante esse espaço de vinho eram ingredientes da cultura judaica. judeus usavam vinho fermentado. A Bíblia otempo. Além disso, o mosto era armazenado em Logo, Jesus teria usado elementos ligados a cita como “bebida forte” (Lv 10.9; Lc 1.15), ouodres feitos de couro de cabrito, ou em vazilhas uma cultura, mas não teria atrelado a Santa seja, vinho mesmo, não suco. A Bíblia condenade barro, onde naturalmente fermentava. O Ceia a elementos daquela cultura. Os adeptos a embriaguez, mas não o uso do vinho. Alémsacolejo do transporte e a alta temperatura não desta interpretação dizem que pode-se usar disso, em Coríntio, os cristãos usaram vinho naevitava o processo de fermentação. elementos de qualquer cultura. Assim, numa Santa Ceia com teor alcoólico, o que até gerou região produtora de cana de açúcar, poderia casos de embriaguez (1Co 11.21). A CONServAçãO então se usar cachaça e rapadura na Santa Assim, pela tradição da Igreja e crença lute- Outros alegam que os judeus tinham téc- Ceia – os mineiros poderiam usar leite e rana, na Santa Ceia, usamos o pão e o vinho, denicas de conservação do suco de uva. Eles o pãozinho de queijo. preferência um vinho de boa qualidade. m Mensageiro | DezeMbro 2010 7
  6. 6. | MEDITAÇãO | É Natal... FOTOs: ArquivO eDiTOrA COnCórDiA ELTon JUnGES Pastor em Cosmópolis, SP C omo é bonita esta época de final de ano. Como é bonita esta época de Natal. É maravilhoso andar pelas ruas e ver praças e casas enfeitadas, cheias de luzes brilhantes; ver as pessoas mais compreensivas e solidárias. Todos querem e fazem questão de estar com a família, com os amigos… É um corre-corre para todo o lado: compra de presentes, comidas e bebidas para que a família possa passar um bom Natal. Nesse corre-corre, a maioria das pessoas acabam por esquecer o verdadeiro sentido do Natal e o verdadeiro preparo para celebrar o Natal. Muitos ficam chateados, e lamentam-se porque o seu Natal será pobre. Há também quem pense que, se não sair o 13º, não tiver pinheiro, não tiver presente e não puder comer e beber à vontade, não é Natal. A princípio, o Natal não requer sofisticação e fartura em co- midas e bebidas, e nem gastos exagerados em presentes. Pois o Natal aconteceu de uma forma bem simples… É um tesouro que veio revestido de humildade. “A virgem ficará grávida e terá um filho que receberá o nome de Emanuel, que quer dizer ‘Deus está conosco’” (Mateus 1.23). Natal é Deus Conosco! Que maravilhoso saber que Deus veio morar conosco! tODOS OS DiAS O Natal é a paz vinda para ficar com a humanidade. Jesus, o príncipe da paz, quer estar conosco todos os dias, quer fortalecer e confortar nosso coração diariamente. Um dia é muito pouco para o Senhor do tempo. Um templo é muito pequeno para o Senhor da imensidão. Como é maravilhoso o Natal! Como é maravilhoso o nosso Deus! O Natal das multidões Emanuel é Deus conosco, para sempre, durante todo o ano, todos os dias, todas as horas – perdoando, salvando, socorrendo, é uma vez por ano. amparando e confortando. O Natal das multidões é uma vez por ano. O Natal dos Cristãos é todos os dias. Quando o Natal chega O Natal dos Cristãos em nossos corações e lares, um sentimento terno e emotivo toma conta de grandes e pequenos. é todos os dias. “Hoje mesmo, na cidade de Davi, nasceu o Salvador de vocês – o Messias, o Senhor” (Lucas 2.11). Quando o Natal Acima de tudo, o Natal é uma festa de fé e confiança na vinda humilde do nosso Salvador, e na certeza de que ele virá novamente chega em nossos em glória. Por isso, prepare o seu coração para o Natal. É Natal mais uma vez! corações e lares, Mostremos que Jesus não nasceu em vão. Pois, ainda que Cristo nasça mil vezes, se não nascer em seu coração, o seu Natal será ilusão, um sentimento terno será vazio, e a sua festa será uma festa pagã. Jesus é e deve ser sempre o motivo de nossa festa. Jesus quer que nos alegremos por sua vinda. e emotivo toma conta Neste Natal, festeje você também a vinda de Cristo ao mundo e ao seu coração. Festeje a vitória que Jesus lhe trouxe. Festeje a de grandes e pequenos. salvação. Festeje a vida.8 Mensageiro | DezeMbro 2010
  7. 7. O verDADeirO PreSeNte do amor; é a chegada do Filho de Deus! E sua Batam os sinos, cantem, dancem de alegria, vinda deve ser festejada e compartilhada.pois nasceu o seu Salvador, Jesus, o Senhor! O Natal é a renovação da esperança. O NatalCom Jesus, a festa da vida é para sempre! é a festa da Salvação. O Natal é a festa dos salvos, E mesmo que você não possa dar presentes dos que creem que Jesus é o único Senhor e Sal-caros e nem venha a receber presentes caros, Nes- vador de sua vida. É muito mais emocionante,lembre-se que o verdadeiro presente de Natal te Natal, empolgante e confortante comemorar o Natal nanão é aquele que nós trocamos uns com os permita que certeza de que Jesus é o nosso Salvador.outros. O verdadeiro presente de Natal é dado o amor de Cris- Acenda as luzes como manifestação de fépor Deus: Jesus a cada coração. Junto com ele, to faça com que você perdoe aquela mágoa, e alegria em Deus, o Salvador. O Natal é a luzvem paz, amor, perdão, esperança, comunhão, aquele ressentimento, aquele aborrecimento que se acende e brilha em meio à escuridãofelicidade e vida eterna. que alguém lhe causou. Deixe o orgulho de da nossa vida. “Eu sou a Luz do mundo”, Assim como Jesus, o Deus Filho, está co- lado e ofereça desculpas ou peça desculpas disse Jesus. O Natal é a certeza de que a Luznosco, nos ajuda em nossas fraquezas, nossas caso tenha magoado alguém. Isso é Natal! Pois de Cristo brilha em nossos corações. É umatribulações, e diariamente nos abençoa com Natal é a festa do amor e do perdão recebidos convite para sermos luz para o mundo emtoda a sorte de bênçãos, vamos também de Deus e compartilhados com as pessoas. todas as ocasiões. Alegre-se com a vinda docompartilhar a alegria do Natal diariamente: Este é o maior presente que podemos dar às seu Salvador e festeje o Natal em grandeauxiliando o próximo em suas fraquezas e di- pessoas, repartir o amor de Jesus com elas. estilo; festeje com Cristo no coração, e per-ficuldades, perdoando e cooperando para que mita a ele guiá-lo pelo caminho da paz, pelocaminhe com Jesus – o Deus conosco. A CHegADA DO AmOr caminho da luz. Alegre-se, filho de Deus, pois É Natal! É hora de repensar sobre a nossa O Natal chegou. O Natal é o cumprimento em Jesus a sua glória está garantida. É Natal,vida, deixar as coisas insignificantes de lado da maior e mais confortadora promessa. Deus vamos dar as mãos e festejar com alegria noe valorizar a fé, a vida com Jesus. prometeu e Deus cumpriu... Natal é a chegada coração. Feliz Natal! m Mensageiro | DezeMbro 2010 9
  8. 8. | MEDITAÇãO | FOTOs: ArquivO eDiTOrA COnCórDiA O Natal é a filantropia de Deus “Glória a Deus nas maiores alturas do céu! E paz na terra para ELmEr TEoDoro JaGnow Pastor em Marechal Candido Rondon, PR as pessoas a quem ele quer bem!” Deus enviou Jesus ao mundo porque “quer bem” às pessoas. O uve-se falar de entidade filantró- ramou com generosidade o seu Espírito Santo A FilANtrOPiA DOS HOmeNS pica. Mas o que é uma entidade sobre nós, por meio de Jesus Cristo, o nosso Os seres humanos não são dados à filan- filantrópica? A origem da palavra Salvador. E fez isso para que, pela sua graça, tropia. Nos dias atuais, as pessoas estão num pode ajudar a entender o sentido. nós sejamos aceitos por Deus e recebamos corre-corre interminável e o individualismo Filantropia tem a sua origem na língua grega a vida eterna que esperamos”(Tt 3.3a-7). Os está cada vez maior. Ninguém tem tempo para e é formada por duas palavras: filos (amigo) e anjos em seu cântico expressam isto: “Glória o próximo. As pessoas estão em seu mundinho antropos (ser humano, pessoa). Literalmente, o a Deus nas maiores alturas do céu! E paz na pessoal, onde nem se tem tempo para uma sentido seria “amigo do ser humano” ou “ami- terra para as pessoas a quem ele quer bem!”(Lc palavra de conforto para o semelhante, muito go das pessoas”. Ela era usada para expressar 2.14). Deus enviou Jesus ao mundo porque menos dispor tempo ou dinheiro para ajudar a bondade de alguém (At 28.2). “quer bem” às pessoas. Importante perceber alguém. Porém, pode-se mudar sendo tocados No Brasil, o termo passou a ser usado para que a iniciativa é de Deus. pela filantropia de Deus. entidades que prestam serviços à sociedade e Ele envia Jesus para trazer perdão para Que esta filantropia de Deus nos faça mais não cobram por estes serviços. Por exemplo: nossos erros. Deus não pede nada em troca. É amigos de nosso semelhante e dispostos a ajudar entidades que ajudam as pessoas carentes ou um gesto de puro amor pela humanidade. nosso próximo com gestos de amor autêntico. ajudam na recuperação de pessoas dependen- tes de drogas, etc. Estas têm incentivo gover- namental com isenção de alguns impostos. A FilANtrOPiA De DeUS Pode-se afirmar que o Natal é a demons- tração da filantropia de Deus. O apóstolo Paulo afirma em sua carta a Tito: “Os outros tinham ódio de nós, e nós tínhamos ódio deles. Porém, quando Deus, o nosso Salvador, mostrou a sua bondade e o seu amor por todos (filantropia), ele nos salvou porque teve compaixão de nós, e não porque nós tivéssemos feito alguma coisa boa. Ele nos salvou por meio do Espírito Santo, que nos lavou, fazendo com que nascêssemos de novo e dando-nos uma nova vida. Deus der-10 M ensageiro | DezeMbro 2010
  9. 9. | EM FOCO | Marcos Schmidt Pastor em Novo Hamburgo, RS| marsch@terra.com.br Quinquilharias do Natal E xiste uma explicação para este armário anda abarrotado e, apesar disso, sentimento de melancolia nes- você tem sempre a impressão de que não há ta época do ano. É que somos nada adequado à ocasião para vestir? Com bombardeados por votos de paz, a chegada do Natal e do fim de ano, é uma felicidade, esperança, mas, que na realidade, boa hora de dar uma reciclada em tudo. Doe não é o que experimentamos. O Natal e o fim todas as peças que não usou nenhuma vez de ano, apesar das festas, confraternizações, no ano...”. família reunida, presentes, comida e bebida, Deveríamos fazer algo parecido no coração, carregam um sentimento de velório, solidão, sempre entulhado com coisas que nunca usa- perda, fome e sede. Por isso, é zona de alto mos, ou que não deveríamos usar. Começando risco ao suicídio. com aquilo que recomenda Paulo: “Livrem-se “Eu quero paz”, suplicou Leila Lopes, de tudo isto: da raiva, da paixão e dos senti- uma artista de novela que tirou a própria mentos de ódio [...] Vistam-se de misericórdia, vida às vésperas do Natal passado. Numa de bondade, de humildade, de delicadeza e de carta de despedida, ela desabafou: paciência” (Colossenses 3.8,12). – Estou cansada, cansada da cabeça! Contudo, isso não é fácil. Aliás, é impossível Não aguento mais pensar, pagar contas, quando se busca dentro do próprio armário o resolver problemas. poder da decisão e a coragem para a arrumação. Na verdade, esse é um sentimento co- O milagre vem de fora. Ou como diz a Bíblia: mum neste período do calendário, bem dife- “Pensem nas coisas lá do alto e não nas que rente das mensagens nos cartões natalinos. são aqui da terra. Porque vocês já morreram, O Natal e o fim de ano Mas, pensando bem, o Natal só tem sen- e a vida de vocês está escondida com Cristo, carregam este sentimento tido onde a vida está sem sentido. Ou então que está unido com Deus. Cristo é a verdadeira acontece aquilo que disse um teólogo: “O vida de vocês” (Colossenses 3.2-4). “Pensar nas contraditório... “Jesus está Senhor Jesus veio a uma humanidade tão coisas lá do alto” é deixar de lado os badulaquesno mundo. Está nos braços de acostumada com a miséria e a desgraça, e deste mundo e priorizar o presente do Natal. feliz numa situação na qual ninguém pode Algo parecido com a história dos 33 mineiros Simeão. Está no caminho de ser feliz – a menos que não esteja certo da chilenos que só queriam sair daquele buraco. todo ser humano. Não pode cabeça”. Este é o problema na Terra. Não é Por isso, o Natal e o fim de ano carregam o aquecimento global pela fumaça que vai este sentimento contraditório. Ou como escre- ser ignorado. Não pode ser para cima, é o esfriamento espiritual que veu o meu professor no Seminário, Otto Goerl: contornado. Qual rocha no impede o amor para baixo. Problema antigo “Jesus está no mundo. Está nos braços de meio da corrente que faz as já no primeiro Natal, pois “aquele que é a Simeão. Está no caminho de todo ser humano. Palavra veio para o seu próprio país, mas o Não pode ser ignorado. Não pode ser contorna- águas se partirem – correm à seu povo não o recebeu” (João 1.11). do. Qual rocha no meio da corrente que faz as direita, correm à esquerda – Por isso, Jesus afirmou que bem-aven- águas se partirem – correm à direita, correm à turados, felizes, são os pobres de espírito, esquerda – assim Jesus divide as pessoas, os sé-assim Jesus divide as pessoas, os que choram, os humildes, os que têm culos, os pensamentos, os destinos eternos”.os séculos, os pensamentos, os fome e sede. Não é por nada todo este sentimento no Certa vez, encontrei a seguinte dica Natal... É Deus mexendo intensamente no destinos eternos”. de uma consultora de organização: “Seu coração das pessoas. m Mensageiro | DezeMbro 2010 11
  10. 10. | CAPA | FOTO: ArquivO eDiTOrA COnCórDiA No N LinDoLfo piEpEr Pastor emérito, Jaru, RO E ra uma vez, um rei muito cari- Em Cristo, DEus assumE graça para socorro em ocasião oportuna” doso que procurava governar a naturEza humana (Hebreus 4.15-16). o seu país da melhor maneira Foi isso o que Deus fez na pessoa de No Natal, lembramos a humanação de possível. Porém, apesar de Jesus, por ocasião do primeiro Natal. Ele Jesus, quando o Verbo se fez carne e habitou todos os seus esforços, ele assumiu a identidade humana; renunciou entre nós. Neste dia, o rei Jesus deixou o não conseguia agradar o povo. Sempre havia ao trono da glória para conquistar o co- trono da glória para se fazer um ser humano muita reclamação entre os seus súditos. ração dos seres humanos. Diz o apóstolo como cada um de nós, a fim de cumprir a Ele, então, procurou conselho junto aos Paulo na carta aos Filipenses: “Tende Lei em nosso lugar, evangelizar os povos e sábios da corte, a fim de saber o que fazer em vós o mesmo sentimento que houve morrer pelos pecados de todos. para conseguir agradar a população. Os também em Cristo Jesus, pois ele, sub- Durante o tempo em que Jesus esteve sábios se reuniram e chegaram à conclusão sistindo em forma de Deus, não julgou aqui na terra, ele, embora fosse o Emanuel, que para o rei entender os anseios do povo como usurpação ser igual a Deus; antes a o Deus encarnado, se comportou como um e fazer um governo que os agradasse só si mesmo se esvaziou, assumindo a forma simples ser humano, mostrando a sua divin- haveria uma maneira: ele tinha que descer de servo, tornando-se em semelhança de dade apenas algumas vezes quando realizava do trono, se juntar ao povo e se tornar homem; e, reconhecido em figura huma- os seus milagres e fazia os seus discursos. igual a eles. na, a si mesmo se humilhou, tornando-se Se nós formos olhar para a vida de Je- O rei fez conforme lhe aconselharam. obediente até à morte, e morte de cruz” sus, parece que tudo deu errado. Primeiro, Saiu do palácio, vestiu-se como um colono (Filipenses 2.5-8). ele nasceu numa estrebaria, num curral de e foi morar entre as pessoas comuns. Assim, E o autor da carta aos Hebreus escreve, gado. Era de se esperar que Jesus nascesse começou a sentir o que o povo sentia e ouvir dizendo: “Porque não temos um sumo sacer- num palácio, afinal, ele era o Filho de Deus, as reclamações que o povo tinha a fazer. Ele dote que não possa compadecer-se de nossas o Rei dos reis e o Senhor dos senhores. viu que o que povo queria não era grandes fraquezas; antes, ele [Jesus] foi tentado em Foi por isso que os magos do oriente, obras, mas, sim, boas estradas, saúde, educa- todas as coisas, a nossa semelhança, mas quando vieram adorar o Menino Jesus, o ção e segurança. Segundo a lenda, depois de sem pecado. Aproximemo-nos, portanto, procuraram no palácio do rei Herodes em um ano, ele voltou novamente ao palácio e, a confiantemente junto ao trono da graça a Jerusalém. Porém, lá não havia ninguém. O partir de então, fez um grande governo. fim de recebermos misericórdia e acharmos rei Herodes nem sabia do seu nascimento,12 M ensageiro | DezeMbro 2010
  11. 11. No plano de Deus, a nossa salvação passa pela humanação de seu único Filho Jesus Cristo, o qual não deixou de ser Deus, mas assumiu também a natureza humanaNatal, Deus veio habitar entre nós “ tampouco o povo de Jerusalém. nos planos de Deus: desde o seu humilde Depois, no seu ministério, ele foi rejei- nascimento, até a sua morte na cruz. Isso tado e desprezado. Ele não foi bem aceito tudo havia sido predito pelos profetas. Esse pelos homens. Diz o apóstolo João: “Ele era o plano de Deus para salvar o mundo. O veio para os seus, mas os seus não o recebe- No Natal, lembramos a profeta Isaías, por exemplo, depois de des- ram” (João 1.11). crever em minúcias o seu sofrimento e morte Às vezes, ele não tinha nem lugar para humanação de Jesus, no capítulo 53 do seu livro, conclui dizendo: dormir, para descansar o corpo. Por isso, quando o Verbo se fez “Quando ele [Jesus] olhou para trás e viu o num certo lugar dos Evangelhos, ele recla- carne e habitou entre fruto do seu trabalho, ficou satisfeito”. ma, dizendo: “As raposas têm os seus covis, Jesus, segundo o plano de Deus, veio na as aves dos céus, ninhos; mas o Filho do nós. Neste dia, o rei Jesus plenitude dos tempos. Ele nasceu na cidade homem não tem nem onde reclinar a sua deixou o trono da glória de Belém, de acordo com o que Deus plane- cabeça” (Mateus 8.20). jara. Viveu na Judéia e morreu em Jerusalém, E, no fim de sua vida, ele foi humilhado, para se fazer um ser tudo segundo a santa vontade de Deus. E, desprezado e colocado numa cruz, como um humano como cada um de acordo com o plano de Deus, Jesus um criminoso, como um marginal, como um dia voltará. Isso vai acontecer quando o bandido. Parecia que ele estava sozinho, que de nós, a fim de cumprir Evangelho for pregado em todo o mundo… até o próprio Deus o havia abandonado. Por a Lei em nosso lugar, Então virá o fim. isso, como que desesperado, ele clama no Ele não virá mais como um bebê inde- evangelizar os povos alto da cruz: “Deus meu, Deus meu, porque feso, mas em glória e majestade. Virá para me desamparaste?” (Mateus 27.46). e morrer pelos pecados julgar os vivos e os mortos, quando “ao de todos. nome de Jesus se dobrará todo o joelho, ” Tudo era plano de deus, nos céus, na terra e debaixo da terra, e nada foi improvisado toda língua confessará que Jesus Cristo No entanto, Deus não o havia desam- é o Senhor, para a glória de Deus Pai” parado. Tudo o que acontecia com ele estava (Filipenses 2.10,11). Mensageiro | DezeMbro 2010 13
  12. 12. | CAPA | Estamos esperando, portanto, a sua ele vier na segunda vez, em majestade e glória, bendito aquele que vem em nome do Senhor. vinda em glória, para julgar os vivos e os quem o desprezar será condenado ao fogo do Hosana, hosana, hosana nas alturas!” (Hi- mortos, para levar junto consigo os que nele inferno. Para que isso não aconteça, Deus nário Luterano, página 39). creem e se preparam para a sua vinda. envia mensageiros, à semelhança de João Batista, a fim de que prepara o nosso coração a súplica de naTal o naTal foi mediante a pregação do Evangelho, dizendo: O livro de Apocalipse é o que mais fala desfigurado “Arrependei-vos, porque está próximo o do retorno de Cristo. Por isso, o saudoso Hoje, muitas pessoas, em vez de se reino dos céus” (Mateus 3.2). professor Dr. Johannes H. Rottmann intitu- prepararem para celebrar o Natal de Jesus, É necessário que nos arrependamos dos lou o livro que escreveu sobre o Apocalipse estão se preocupando com coisas externas, nossos pecados para que o Rei da Glória de Vem, Senhor Jesus. Pois, no capítulo 5 que nada tem a ver com o nascimento de entre, conforme o Salmo 24. Apenas quem de Apocalipse, encontramos o conhecido Jesus. Enfeitam a casa, mas não adornam tem o seu coração purificado mediante o Cântico do Cordeiro, onde toda criatura, o seu coração. Compram presentes para os sangue de Cristo derramado na cruz é que no céu e na terra, exalta a Cristo, dizendo: seus filhos, mas não reconhecem em Jesus pode receber com dignidade o Rei Jesus “Digno é o Cordeiro que foi morto de rece- um presente de Deus. Chamam um velhinho vindo em glória. O povo de Jerusalém, ao ber o poder, e riqueza, e sabedoria, e força, e inexistente de Papai Noel quando o nosso ver Jesus entrando na cidade, estendeu as honra, e glória, e louvor”. E o apóstolo João verdadeiro Pai é Deus. suas vestes e ramos de árvores pelo cami- conclui, dizendo: “Então ouvi toda criatura O comércio tem se aproveitando deste dia nho por onde ele passava, dizendo: “Ho- que há no céu e sobre a terra, debaixo da para aumentar os seus lucros através de gran- sana, ao filho de Davi, bendito o que vem terra e sobre o mar, e tudo o que neles há, des vendas, fazendo com que muitas pessoas em nome do Senhor! Hosana nas alturas!” estava dizendo: Aquele que está sentado gastem mais do que podem. Depois, elas ficam (Mateus 21.9). no trono e ao Cordeiro, será o louvor, e a quase o ano todo pagando prestações. Na Santa Ceia, quando lembramos a honra, e a glória, e o domínio pelos séculos Precisamos novamente recuperar o morte de Jesus, cantamos: “É verdadeira- dos séculos” (Apocalipse 5.12,13). verdadeiro sentido do Natal. Precisamos mente digno, justo e do nosso dever, que em Por isso, neste Natal, como em todos nos conscientizar do que é realmente im- todos os tempos e em todos os lugares te de- os dias da nossa vida, preparemos o nosso portante no Natal e do que é secundário. mos graças, ó Senhor, santo Pai, onipotente, coração, orando como o poeta sacro: “Enche Do contrário, podemos ser surpreendidos eterno Deus. Mediante Jesus Cristo, nosso os nossos corações com o teu real poder. De como o povo de Israel, que se esqueceu de Senhor. Portanto, com os anjos e arcanjos pecados e tentações, vem, Jesus, nos defen- tal modo do Messias Prometido que, em e com toda a companhia celeste louvamos e der. Pois nós somos tua grei. Glória, glória a vez de recebê-lo como um rei, o receberam magnificamos o teu glorioso nome, exaltan- ti, ó Rei!” (Hinário Luterano 124.1). como um mendigo, deixando-o nascer numa do-te sempre, dizendo: santo, santo, santo Então, um dia na eternidade, poderemos estrebaria, num curral de gado. é o Senhor Deus dos Exércitos. Os céus e a cantar junto com o grande coro dos anjos: Quando Cristo veio pela primeira vez, ele terra estão cheios de sua glória. Hosana, ho- “Glória a Deus nas maiores alturas e paz [...] pôde ser desprezado e morto. Porém, quando sana, hosana nas alturas! Bendito, bendito, entre os homens, a quem ele quer bem”. m “ “Jesus, segundo o plano de Deus, veio na plenitude dos tempos. Ele nasceu na cidade de Belém, segundo o que Deus planejara. Viveu na Judéia e morreu em Jerusalém, tudo segundo a santa vontade de Deus. E, segundo o plano de Deus, Jesus um dia voltará. Isso vai acontecer quando o Evangelho ” for pregado em todo mundo. Então virá o fim”.14 M ensageiro | DezeMbro 2010
  13. 13. | MÚSICA NA IGREJA |Música, tambémuma forma de orar FOTO: ArquivO eDiTOrA COnCórDiApaULo BrUmMembro da Comissão de Culto da IELBPastor e capelão de música da ULBRAA ssim como hoje as pessoas não pensaram sempre da mesma forma. A visão que o ser humano possui do mundo, e de seu lugardentro dele, tem variado em função do avançonas diversas áreas do conhecimento. Ao longoda história, muitos foram os conceitos e asfunções atribuídas à Música. A proposta destetexto é lembrar algumas das abordagens feitaspara a Música Sacra. Para os gregos antigos, a Música eracompreendida como uma manifestação divi-na entre os mortais, e, por sua ausência ou Na Sociologia, a Música é encarada como usadas para o mal como para o bem. A Mu-qualidade de presença, era possível descobrir um elemento de encadeamento social, isto sicoterapia, por exemplo, dedica-se a curara natureza do caráter dos seres humanos. é, como ela é e pode ser usada nas relações distúrbios psicológicos e doenças mentaisDurante as épocas de tendência racionalista entre os diversos agrupamentos humanos. pela utilização adequada da Música. Tais(Século XVII), a Música A propaganda a ser- fenômenos, da mesma forma, tem grandenada mais era do que viço do consumismo, relação com a Música Sacra.o resultado de uma “O cântico congregacional o condicionamento Na Teologia, o assunto tem sido descuida-elaboração estética, e o convívio musical à alienação social, do. Grandes teólogos têm reconhecido o valorcuja matéria-prima política e religiosa, e da Música no desenvolvimento da fé e doera o som. Por outro são indispensáveis e outras doutrinações louvor. Entretanto, na maioria das vezes, aslado, nas épocas mais insubstituíveis para a união de toda ordem são reflexões permanecem superficiais. O cânticoromânticas (século a grande exploração congregacional e o convívio musical, de umaXIX), a Música era en- entre as pessoas de uma negativa das possi- forma geral, são indispensáveis e insubsti-tendida como algo comunidade. Não apenas bilidades da Música. tuíveis para a união entre as pessoas de umaetéreo, poderoso e que comunidade. Não apenas como divertimento como divertimento ou fator A Sociologia estudanão se submetia à ra- tais fenômenos que ou fator de instrução, mas como processo dezão. Essas tendências de instrução, mas como muito teriam a cola- aproximação de Deus. Cantar ou tocar comde natureza filosófica processo de aproximação borar com a Música alegria e simplicidade também é uma formaconflitante convivem se usados de forma de orar. A execução musical em conjuntocom o sentido utili- de Deus. Cantar ou tocar positiva. promove comunhão no louvor a Deus e é umatarista da Música no com alegria e simplicidade Na Psicologia, a experiência que transcende a ostentação queséculo XX. Música é estudada costuma determinar o clima na maioria das A Música também também é uma forma com o objetivo de salas de espetáculo.tem sido envolvida de orar”. chegar às estruturas O cultivo musical das igrejas não só deve-nas diversas áreas do do pensamento hu- ria ter maiores responsabilidades artísticas,conhecimento, como a Sociologia, a Psicologia mano, a fim de compreender como as pessoas como deveria superar tais meras experiênciase a Teologia, além dos domínios científicos sentem e pensam. A partir daí já tem surgido estéticas na busca de algo muito mais profun-ditos exatos, como a Física, por exemplo. algumas descobertas, que tanto podem ser do: a dimensão da fé. m Mensageiro | DezeMbro 2010 15
  14. 14. | ESCRITURAS SAGRADAS | A complexa questão do cânone I magine-se na situação de um líder da Dr. viLSon SchoLz adicional, o Salmo 151? A solução encontrada Sociedade Bíblica, num país como a Professor de Teologia Exegética foi colocá-los na mesma seção de livros entre Turquia, com a tarefa de publicar uma Consultor de Traduções da SBB os dois testamentos, só que depois daqueles nova tradução da Bíblia que possa ser que são aceitos tanto por católicos aceita por evangélicos, pela Igreja Católica quanto por ortodoxos. A ordem dos FOTO: ArquivO eDiTOrA COnCórDiA Romana, e pelas várias igrejas da tradição livros ficou assim: Tobias, Judite, Ester ortodoxa, entre elas a Igreja Ortodoxa Grega. (grego), Sabedoria, Siraque, Baruque, O que você faria? Como é sabido, esses três Carta de Jeremias, A oração de Azarias grupos de cristãos não publicam a Bíblia com e o Cântico dos três jovens, Susana, Bel a mesma configuração, ou o mesmo número e o dragão, 1 Macabeus, 2 Macabeus, 3 de livros, especialmente no que diz respeito Macabeus, 1 Esdras (3 Esdras, na Vulga- ao Antigo Testamento. ta), 4 Esdras, A oração de Manassés, Salmo Uma saída fácil seria dizer: publique-se 151 e 4 Macabeus. uma Bíblia para cada confissão ou igreja! No A colocação dos livros apócrifos num entanto, os cristãos são minoria absoluta na bloco à parte é aceitável a (muitos) protes- Turquia, formando um por cento da popula- tantes; a colocação de livros como Tobias, ção. Três edições diferentes da Bíblia seriam Judite, Sabedoria, Siraque no topo da lista inviáveis do ponto de vista econômico. O agrada a católicos-romanos; e a inclusão de que fazer? outros livros, ainda que ao final, atende aos Um consultor de traduções das Socieda- anseios das igrejas ortodoxas. E, na prática, des Bíblicas Unidas encontrou uma solução, cada Igreja lê os livros que quiser. em diálogo com as igrejas envolvidas e, por Claro, tal solução para um problema bem fim, com a concordância delas. A primeira concreto num país de maioria muçulmana e decisão foi colocar os livros que os pro- minoria cristã seria totalmente inaceitável testantes chamam de apócrifos e que os para, quem sabe, a maioria dos evangélicos católicos denominam de deuterocanônicos no Brasil. Mas ela coloca diante de nossos (Tobias, Sabedoria, Judite, etc.) numa seção olhos a complexa questão do cânone. à parte, entre o Antigo Testamento e o Novo Testamento. Tal procedimento, que já havia A HiStóriA DOS CâNONeS sido adotado por Martinho Lutero, no século Em se tratando de cânone, existem duas 16, é aceitável à Igreja Católica Romana, em histórias que precisam ser contadas: a do se tratando de edições interconfessionais. cânone do Antigo Testamento, e a do câno- Há um documento, assinado conjuntamente ne do Novo Testamento. O cânone do Novo pelas Sociedades Bíblicas Unidas e o Vatica- Testamento é, de modo geral, o mesmo em no, datado de 1987, que trata desta questão. todas as denominações cristãs: são aqueles Mas o que fazer com aqueles livros a mais, 27 livros e ponto final. Porém, no caso do fora da lista dos apócrifos, que são aceitos Antigo Testamento, as opiniões se dividem. apenas pelas igrejas ortodoxas? Sim, livros Num certo sentido, é chocante ver que como 3 Macabeus, 4 Macabeus, e um salmo os cristãos não conseguem concordar quanto16 M ensageiro | DezeMbro 2010
  15. 15. à extensão da Bíblia, especialmente do Antigo igrejas, ou, então, da Igreja em que se é mem- divisões da Bíblia Hebraica. Em outras palavras,Testamento. Por que isso é assim? Essencial- bro. O cânone que se aceita é o cânone usado a primeira parte a ser reconhecida como canôni-mente, porque a própria Bíblia não fecha esta na Igreja. Na realidade, foi isso o que aconteceu ca teria sido a Lei ou o Pentateuco, seguida dosquestão. Ela não nos dá a extensão do cânone. E ao longo da história do povo de Deus. Quando Profetas e dos Escritos. Segundo esta teoria, Da-por que a Bíblia não define essa questão, quem pessoas e concílios se pronunciaram, em geral, niel e Crônicas, que, na Bíblia Hebraica, fazemaceita o princípio do “somente a Escritura” ratificaram o que vinha sendo a prática da parte dos Escritos, teriam sido “canonizados”precisa conviver com essa indefinição. Para Igreja em sua vida de culto. num período mais recente ou próximo a nós.quem aceita a autoridade de concílios, como é o Se a Escritura não delimita o cânone, e No entanto, isto não passa de hipótese. Não hácaso da Igreja Católica Romana, a questão está os concílios e teólogos não são suficientes nenhum registro histórico de que isto tenha,definida, pelo menos desde o Concílio de Trento, para suprir essa “lacuna”, quem poderia nos de fato, acontecido assim.em 1546. Para quem se norteia pela Confissão auxiliar nesta questão? Em outras palavras, Em busca de uma pista, muitos olham para a comunidade essênia dos arredores de Qumran e para os manuscritos que ali foram O cânone que se aceita é o cânone usado na Igreja. descobertos entre 1947 e 1956. No entanto, aquela comunidade judaica dissidente não Na realidade, foi isso o que aconteceu ao longo nos deixou nenhuma declaração a respeito dos da história do povo de Deus. Quando pessoas livros que eram considerados sagrados. Entre e concílios se pronunciaram, em geral, ratificaram os manuscritos ou rolos do mar Morto, como vieram a ser conhecidos, foram encontrados o que vinha sendo a prática da Igreja fragmentos de Tobias, que é um livro apócrifo em sua vida de culto. ou deuterocanônico, e também dos livros de Enoque e de Jubileus, entre outros, que não fazem parte de nenhum cânone bíblico hoje emde Westminster, de 1647, a questão também se o cânone não é uma questão de doutrina, o dia. Significa isto que esses livros também eramestá resolvida na medida em que esta confissão que seria então? vistos como canônicos? Não temos uma respos-cita os livros aceitos como canônicos, e que são Normalmente, afirma-se que o cânone é ta, embora tudo indique que os essênios tinhamos livros que hoje, de modo geral, aparecem uma questão histórica. Em outras palavras, essencialmente o mesmo cânone dos fariseus eem todas as edições protestantes da Bíblia. olha-se para a história em busca de alguma saduceus, ou seja, o cânone da Bíblia Hebraica,Outros evangélicos, quando perguntados sobre pista ou orientação. No entanto, ao fazermos que é também o cânone protestante.a extensão do cânone, só podem responder que uma investigação histórica, temos mais pergun-“os livros canônicos são os livros inspirados por tas do que respostas. Temos algumas supostas livrOS DeUterOCâNONiCOSDeus, e que os livros inspirados por Deus são os verdades que não passam de hipóteses. Outras Por vezes, também se afirma ou se dá alivros canônicos”. Eles se abstêm de serem mais respostas que vêm da história são incompletas entender que os livros apócrifos ou deuteroca-específicos, porque a Bíblia silencia a respeito ou incertas. E existem fatos que ainda não co- nônicos, escritos originalmente em grego oudesta questão. nhecemos. Vejamos alguns exemplos. preservados em tradução grega, faziam parte Se a Bíblia não define a questão, uma alter- Geralmente se afirma que a canonização de um cânone dos judeus de Alexandria quenativa é aceitar o que tem sido a prática das do Antigo Testamento se deu conforme as três falavam grego. Alexandria, é bom lembrar, Parabéns, Mensageiro Luterano, pelos 93 anos de circulação ininterrupta! A Hora Luterana se alegra por fazer parte desta edição especial, e parabeniza a todos que participam da produção do Mensageiro, um dos HORA LUTERANA principais meios de comunicação da nossa Parceira da Igreja no evangelismo Igreja Evangélica Luterana do Brasil. Visite-nos na Internet: www.horaluterana.org.br ou blog.horaluterana.org.br Mensageiro | DezeMbro 2010 17
  16. 16. | ESCRITURAS SAGRADAS | FOTO: ArquivO eDiTOrA COnCórDiA A Bíblia de Genebra, de 1560, tradução feita por teólogos reformados que haviam se refugiado em Genebra, era idêntica à Bíblia de Lutero, na questão dos apócrifos. Contudo, a exemplo de Lutero, os editores deixaram claro que esses livros não podiam ser usados para confirmar doutrina. foi o contexto em que surgiu a Septuaginta apócrifos, mesmo que não fizessem campanha Outro dado pouco conhecido é que durante ou tradução grega do Antigo Testamento. No em prol da supressão dos apócrifos. Atanásio a Idade Média, mesmo no Ocidente, houve entanto, não se tem notícia concreta de que os pensava que estes livros não fazem parte do teólogos que sustentavam o ponto de vista judeus de Alexandria tivessem um cânone mais cânone, mas que foram indicados, desde os de Jerônimo, ou seja, faziam distinção entre amplo do que a Bíblia Hebraica. O simples fato tempos antigos, como leitura para recém-con- livros canônicos e outros livros. Isto significa de que a Septuaginta acabou tendo um grupo vertidos que, nas palavras de Atanásio, “querem que Lutero não tirou esta distinção do ar. O adicional de livros, que não fazem parte da ser instruídos na religião verdadeira”. A maioria cardeal Cajetano, encarregado pelas autorida- Bíblia Hebraica, não significa que essa já era a dos eruditos das igrejas ortodoxas (orientais) des de Roma a dialogar com Lutero, pensava situação verificada na comunidade judaica. Filo segue Atanásio, colocando os livros que a Septu- exatamente como Jerônimo. de Alexandria, um filósofo judeu que viveu mais aginta tem a mais em relação à Bíblia Hebraica É verdade que Lutero colocou os apócrifos ou menos na mesma época do apóstolo Paulo, num nível inferior de autoridade. numa seção à parte, depois de Malaquias e an- não dá indícios de que aceitasse a autoridade Jerônimo, que prezava aquilo que chamou tes de Mateus, mas ele não foi o único a fazer dos livros que denominamos de apócrifos. de veritas hebraica (verdade hebraica), traduziu isso. A Bíblia de Genebra, de 1560, tradução Às vezes, pensa-se que os Pais da Igreja o Antigo Testamento do original hebraico. No feita por teólogos reformados que haviam se eram todos ardorosos defensores dos apócrifos entanto, isto não significou que ele deu início a refugiado em Genebra, era idêntica à Bíblia de ou deuterocanônicos. É verdade que homens uma “cruzada” contra os apócrifos. Entendia que Lutero na questão dos apócrifos. Contudo, a como Orígenes, Atanásio e Jerônimo conheciam esses livros podiam ser lidos para a edificação exemplo de Lutero, os editores deixaram claro os apócrifos. No entanto, também é verdade do povo, embora não devessem ser usados para que esses livros não podiam ser usados para que faziam distinção entre os canônicos e os estabelecer doutrinas ou dogmas eclesiásticos. confirmar doutrina.18 M ensageiro | DezeMbro 2010
  17. 17. A renomada tradução inglesa co-nhecida como King James Version, de Em conclusão, cabe relembrar que,1611, incluía os apócrifos. Na época, em se tratando do cânone do Antigoo arcebispo de Cantuária proibiu a Testamento, a diferença entre católicospublicação e venda de Bíblias sem os e protestantes se explica pelo fato deapócrifos. A pena prevista para os in- terem os protestantes, no tempo dafratores era um ano de prisão. Depois, Reforma do século 16, entendido que osé claro, os apócrifos foram tirados da livros canônicos eram, a rigor, os que es-King James. tavam na Bíblia Hebraica. Em resposta, a E que dizer da famosa Bíblia de Mary Igreja Católica Romana canonizou livrosJones, a menina galesa que inspirou o que tinham aceitação na Igreja desdemovimento das Sociedades Bíblicas? tempos antigos. Esta é a situação que,Essa Bíblia que Mary Jones adquiriu com provavelmente, permanecerá inalteradatanto sacrifício foi preservada. E ela traz no futuro próximo.os apócrifos, pois a assinatura de Mary Entretanto, também precisa serJones aparece na última página dos dito que a diferença fundamental entrelivros de Macabeus. Aliás, a Sociedade as confissões religiosas ou igrejas nãoBíblica Britânica e Estrangeira, fundada reside no cânone. As reais diferenças de-em 1804, só deixou de publicar Bíblias correm de interpretações divergentes decom os apócrifos em 1826, ou seja, textos que, sem sombra de dúvida, são22 anos depois de sua fundação. Já a canônicos, como, por exemplo, MateusBíblia de Almeida, que teve o Antigo 16.18, as palavras da instituição da ceiaTestamento publicado em 1748 (o Novo FOTO: leAnDrO r. CAMArATTA do Senhor, e textos que tratam da relaçãoTestamento havia sido lançado em 1681), nunca entre fé e obras.incluiu os apócrifos. Além disso, por mais importante que seja A diferença entre católicos a questão do cânone, a pergunta fundamental ler PArA CONHeCer ainda é a do próprio Jesus, em Mateus 16.15: e protestantes se explica pelo “Quem vocês dizem que eu sou?” Esta pergunta Com respeito aos apócrifos, muitos pre-ferem a atitude do “não li e não gostei”. Uma fato de terem os protestantes, não pode ficar sem resposta. As perguntas mais complexas relacionadas com o cânone podemmaior disponibilidade e familiaridade com estes no tempo da Reforma do ficar para depois, para o dia em que, como dizlivros poderiam ajudar o leitor a avaliar estestextos e, quem sabe, ter uma compreensão mais século 16, entendido que Paulo em 1 Co 13.12, “veremos face a face” eadequada das questões envolvidas na delimita- os livros canônicos eram, “conheceremos perfeitamente”. mção do cânone do Antigo Testamento. a rigor, os que estavam na nota da rEdação Nesse sentido, é interessante uma páginada vida de John Bunyan, o famoso autor de O Bíblia Hebraica. Publicado originalmente na revista a Bíblia no Brasil, nº 229 - Outubro aPeregrino. Por volta de 1652, num tempo de Dezembro de 2010 – Ano 62profunda depressão, Bunyan encontrou consolonum texto que lhe veio à mente: “Pensem nasgerações passadas e reparem bem: será quealguém que confiou no Senhor ficou desiludi-do?” Passada a crise, Bunyan não conseguiase lembrar de onde vinha esse texto, não con-seguiu localizá-lo em sua Bíblia, e não houvequem pudesse lhe indicar a referência. Um anodepois, ele escreve: “Voltando meus olhos paraos apócrifos, encontrei o texto em Siraque (ouEclesiástico) 2.10. A princípio, isto me deixouum pouco perplexo, pois não fazia parte dostextos que chamamos de santos e canônicos;entretanto, como essa frase era o resumo econteúdo de muitas das promessas, era meudever tirar consolo dela. E eu agradeço a Deuspor essa palavra, pois foi boa para mim”. Mensageiro | DezeMbro 2010 19
  18. 18. | ESCRITURAS SAGRADAS | Lu ter oea uçã o da trad B íblia as Es- s Sagrad L utero tr aduziu a ovo gua do p para a lín Jesus crituras u Senhor “por am or de me írito ue o “Esp abendo q s Cristo”. S Deus e do alavra de e atr avés da P ia que o Santo ag dor quer Reforma em sacram entos”, o mina r a Bíblia esse ler e exa povo pud ua. “uma sua pró pria líng ia fa z e r o d e q u e ir Deus e C o n v ic t e de seu forme a vontad alho. obra con seu trab iniciou o 1521, ”, Lutero orms, em Salvador ieta de W tero do da D u que Lu Retornan , mando ança , o Sábio em segur Frederico o ” e posto questrad fosse “se rgo. lo d e Wartbu grande p ro- no Caste tero re alizou a E aqui Lu ento num o Testam uzin do o Nov el - de eza, trad impossív uma namente 22. tempo h rço de 15 de 1 521 a ma dezembro MOnTAGeM sOBre FOTO ArquivO eDiTOrA COnCórDiA20 M ensageiro | DezeMbro 2010
  19. 19. O Antigo Testamento foi traduzido ao longo tos da Dieta de Augsburgo. Na época em quedos anos. Enquanto o Novo Testamento foi tra- escreveu a carta, estava empenhado na tradução Não basta o domduzido apenas por Lutero – o Antigo Testamento dos livros proféticos do Antigo Testamento e jáfoi traduzido com o apoio de Melanchthon, Bu- linguístico para traduzir tinha mais de dez anos de experiência em maté-genhagen, Justus Jonas, Cruciger, Aurogallus e bem, disse Lutero. Traduzir ria de traduzir. Seu primeiro ensaio de traduçãoRoerer. Dada a sua extensão, os livros do Antigo de textos bíblicos é de 1517, em seu primeiroTestamento foram publicados em quatro volu- bem é graça e dom especial escrito, Os Sete Salmos Penitenciais. Nessa primei-mes, assim que iam sendo traduzidos. de Deus. ra tentativa já se afasta da Vulgata, conforme Porém, foi em 1534 que a tradução com- se lê no prefácio ao escrito mencionado, ondepleta da Bíblia foi impressa. Esta é considerada diz que ultrapassou nostra translatio.a impressão mais fina do Século XVI, realizada rer, consideram a tradução de Lutero o maior A parte da carta que interessa ao nossopelo editor Hans Luft, de Wittenberg. Neste acontecimento literário do século XVI. tema é a resposta de Lutero a uma crítica feitaano de 1984, pois, a Igreja Cristã “comemora Lutero tinha consciência aguda dos proble- a sua tradução de Rm 3.28. Em vez de traduzir:os 450 anos da impressão da Bíblia, tradução de mas envolvidos na tarefa de traduzir e do que é “... o homem é justificado pela fé, sem as obrasLutero, considerada ‘a mais perfeita e completa necessário para traduzir bem. Não basta o dom da lei”, Lutero traduziu: “sem as obras da lei,até hoje’”. linguístico para traduzir bem, disse ele. Traduzir somente pela fé” (“ohne des Gesetzes Werke, allein Não foi obra pequena, nem fácil, traduzir a bem é graça e dom especial de Deus. Depois de durch den Glauben”). É na defesa de sua traduçãoBíblia para a língua do povo. Em sua Carta Aberta iniciar a empresa de traduzir a Bíblia em alemão, desse texto que Lutero enuncia os princípios asobre a Tradução, Lutero elabora e defende sete escreveu que, se não o tivesse tentado, poderia que aludimos. Nosso objeto não é analisar osprincípios básicos para fazer uma boa tradução. ter morrido com a ideia errônea de que era argumentos de Lutero a favor de sua tradução O professor Arnaldo Schüller traduziu e um erudito, acrescentando que deveriam fazer de Rm 3.28, mas sublinhar os princípios decomenta estes princípios de tradução de Lu- algum trabalho dessa natureza todos os que tradução que ele estabelece ao longo da defesatero, num estudo apresentado no Congresso se julgam eruditos. Com referência ao livro de de sua tradução e acrescentar ilustrações, deleLuterano de Comunicação em São Leopoldo. Jó, informa que Melanchthon, Aurogallus e ele ou de outros.Eis o estudo: algumas vezes mal conseguiram traduzir três linhas em quatro dias. Muitas vezes ficavam du- PrimeirO PriNCíPiO PriNCíPiOS De trADUçãO rante um mês inteiro à procura de uma palavra O tradutor deve atender a natureza da língua Cresce o número de pessoas que se mos- e nem sempre a encontravam. Por outro lado, receptora, isto é, da língua para a qual traduz.tram conscientes da necessidade de tornar a uma das muitas evidências da extraordinária Lutero observa que no texto grego nenhu-Escritura Sagrada inteligível ao homem comum. capacidade de Lutero para traduzir a Bíblia é o ma palavra corresponde ao “somente” de suaA reflexão sobre essa necessidade nos leva aos fato dele haver traduzido o Novo Testamento tradução, acrescentando, no estilo polêmicoproblemas da arte de traduzir. Lutero é uma das em menos de três meses. da época, que seus críticos olhavam a palavrafiguras que logo nos acodem à memória quan- Os princípios de tradução defendidos e allein como a vaca olha para um portão novo.do pensamos sobre a arte de traduzir a Bíblia. seguidos por Lutero estão sendo adotados Quando falamos de duas coisas, uma das quaisHomens como Oskar Thulin, Heinz Bluhm e E.G. ainda hoje. Serão o objeto de nossos breves é afirmada e a outra negada, é próprio da línguaSchwiebert entendem que a tradução da Bíblia comentários os princípios de que ele fala em sua alemã, argumenta ele, acrescentar a palavrafoi a realização máxima, o magnum opus de sua Carta Aberta Sobre Tradução, escrita em 1530, na allein, para que fique tanto mais completa evida. Outros, como, por exemplo, Wilhelm Sche- Coburg, de onde acompanhava os acontecimen- clara a negativa ou exclusiva anterior. Mensageiro | DezeMbro 2010 21

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